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• Colégio J. R. Passalacqua • Colégio Santo Antonio de Lisboa • Colégio São Vicente de Paulo – Penha • Colégio Francisco Telles • Colégio São Vicente de Paulo – Jundiaí Aluno:________________________________________________________________________ Nº.:_______ Data: ____/____/_____ 3º. Bimestre Ensino Médio 2º. ano ______ Disciplina: PORTUGUÊS Prof. __________________________________________ Revisão On-line Revisão on-line – 3º bimestre – Exercícios dissertativos – 2ª. Série EM Observe a tela e leia a afirmação que segue para responder à questão 1. Moças à margem do Sena; Verão (1857), de Gustave Courbet A pintura é uma arte essencialmente concreta, e não pode consistir senão na representação de coisas reais e existentes. Gustave Coubert 1. Relacione a pintura à afirmação de Courbet e explique o fato de Moças à margem do Sena pertencer à estética realista. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ Leia o soneto de Antero de Quental. MAIS LUZ! (A Guilherme de Azevedo) Amem a noite os magros crapulosos, E os que sonham com virgens impossíveis, E os que se inclinam, mudos e impassíveis, À borda dos abismos silenciosos... Tu, lua, com teus raios vaporosos, Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis, Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis, Como aos longos cuidados dolorosos! Eu amarei a santa madrugada, E o meio-dia, em vida refervendo, E a tarde rumorosa e repousada. Viva e trabalhe em plena luz: depois, Seja-me dado ainda ver, morrendo, O claro sol, amigo dos heróis! 2. No soneto, estão em oposição duas concepções literárias. a) Identifique-as e justifique sua resposta com expressões do texto. __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ b) A partir da interpretação do soneto, subentende-se que o eu lírico faz uma crítica. Identifique e escreva que crítica é essa. __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Leia os textos. Texto I Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça. Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos. Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha de róseo matiz. A dela era assim. Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra. Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela se preparava para sua celeste ascensão. José de Alencar. Diva. Texto II Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. (...) Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção (...) 3. Os dois trechos têm em comum o fato de descreverem personagens femininas. Comparando as duas descrições, detecta-se não somente diferenças nos planos físico e psicológico das duas mulheres, mas também no modo como cada uma é concebida pelo respectivo narrador. O resultado final é o surgimento de duas personagens completamente distintas. Levando em conta essas informações, identifique a qual escola literária cada um dos textos pertence. Justifique sua resposta exemplificando com elementos do texto. __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Leia o texto. Não a vi partir; mas à hora marcada senti alguma cousa que não era dor nem prazer, uma cousa mista, alívio e saudade, tudo misturado, em iguais doses. Não se irrite o leitor com esta confissão. Eu bem sei que, para titilar-lhe os nervos da fantasia, devia padecer um grande desespero, derramar algumas lágrimas, e não almoçar. Seria romanesco; mas não seria biográfico. A realidade pura é que eu almocei, como nos demais dias, acudindo ao coração com as lembranças da minha aventura, e ao estômago com os acepipes de M. Proudhon... 4. O trecho refere-se à cena de separação entre Brás Cubas e Virgília. Explique o que há de antirromântico nele. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 5. Identifique o tempo e o modo verbal dos verbos destacados no excerto do exercício anterior. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Leia o texto. Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda o não disse, aí fica. Se disse, fica também. Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição. Machado de Assis, Dom Casmurro. 6. Considerando a comparação em destaque, explique que características do comportamento do narrador Bentinho e de Capitu, quando crianças, permitem entender a afirmação. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 7. Leia o texto. Daí a pouco demos com uma briga de cães; fato que aos olhos de um homem vulgar não teria valor. Quincas Borba fez-me parar e observar os cães. Eram dois. Notou que ao pé deles estava um osso, motivo da guerra, e não deixou de chamar a minha atenção para a circunstância de que o osso não tinha carne. Um simples osso nu. Os cães mordiam-se, rosnavam, com o furor nos olhos... Quincas Borba meteu a bengala debaixo do braço, e parecia em êxtase. — Que belo que isto é! dizia ele de quando em quando. Quis arrancá-lo dali, mas não pude; ele estava arraigado ao chão, e só continuou a andar, quando a briga cessou inteiramente, e um dos cães, mordido e vencido, foi levar a sua fome a outra parte. Notei que ficara sinceramente alegre, posto contivesse a alegria, segundo convinha a um grande filósofo. Fez-me observar a beleza do espetáculo, relembrou o objeto da luta, concluiu que os cães tinham fome; mas a privação do alimento era nada para os efeitos gerais da filosofia. Nem deixou de recordar que em algumas partes do globo o espetáculo mais é grandioso: as criaturas humanas é que disputam aos cães os ossos e outros manjares menos apetecíveis; luta que se complica muito, porque entra em ação a inteligência do homem, com todo o acúmulo de sagacidade que lhe deram os séculos, etc. Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas a) Justifique por que a luta dos cães disputando osso exemplifica a teoria do Humanitismo. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ b) Relacione a teoria do Humanitismo com o cientificismo da época. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Leia os dois trechos abaixo. Trecho I Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça. Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém na mesma delicadeza do porte esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade nos relevos. Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha de róseo matiz. A dela era assim. Trecho II E de fato Amélia nesse dia estava encantadora. Vestia fustão branco, sarapintado de pequenas flores cor-de-rosa. O cabelo, denso e castanho, prendia-se- lhe no toutiço por um laço de seda azul, formando um grande molho flutuante, que lhe caía elegantemente sobre as costas. O vestido curto, muito cosido ao corpo, enluvava-lhe as formas, dando-lhe um ar esperto de menina que volta do colégio a passar férias com a família. Era muito bem feita de quadris e de ombros. Espartilhada, como estava naquele momento, a volta enérgica da cintura e a suave protuberância dos seios, produziam nos sentidos de quem a contemplava de perto uma deliciosa impressão artística... 8. Os dois trechos, extraídos de obras e autores diferentes, têm em comum o fato de descreverem personagens femininas. Um confronto entre as duas descrições permite detectar não somente diferenças no plano físico e psicológico das duas mulheres, mas também no modo como cada uma é concebida pelo respectivo narrador. O resultado final é o surgimento de duas personagens completamente distintas. Levando em conta essas informações, relacione as diferenças essenciais entre as duas personagens e, a partir disso, associe-as a seus respectivos movimentos literários. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Leia o fragmento abaixo, extraído do romance O primo Basílio, de Eça de Queirós. Luísa desceu o véu branco, calçou devagar as luvas de peau de suède claras, deu duas pancadinhas fofas ao espelho na gravata de renda, e abriu a porta da sala. Mas quase recuou; fez "ah!" toda escarlate. Tinha-o reconhecido logo. Era o primo Basílio.(...) Chegara na véspera no paquete de Bordéus. Perguntara no ministério; que Jorge estava no Alentejo, deram-lhe a adresse... · Como tu estás mudada, Santo Deus! · Velha. · Bonita! — Ora! (...) Luísa olhava-o. Achava-o mais varonil, mais trigueiro. No cabelo preto anelado havia agora alguns fios brancos; mas o bigode pequeno tinha o antigo ar moço, orgulhoso e intrépido; os olhos quando ria, a mesma doçura amolecida, banhada num fluido. Reparou na ferradura de pérola da sua gravata de cetim preto, nas pequeninas estrelas brancas bordadas nas suas meias de seda. A Bahia não o vulgarizara. Voltava mais interessante! · — Mas tu, conta-me de ti! - dizia ele com um sorriso, inclinado para ela. - És feliz, tens um pequerrucho... · Não - exclamou Luísa rindo. - Não tenho! Quem te disse? · Tinham-me dito. E teu marido demora-se? · Três, quatro semanas, creio. Quatro semanas! Era uma viuvez! Ofereceu-se logo para a vir ver mais vezes, palrar um momento, pela manhã... Vocabulário: peau de suède – couro acamurçado e macio; escarlate – vermelho; paquete – navio a vapor; intrépido – corajoso; palrar – conversar 9. O narrador, por meio da onisciência, parece penetrar nos pensamentos de Luísa. a) Tal atitude poderia revelar o quanto ela ainda estava envolvida com o primo? Justifique sua resposta com elementos do texto. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ b)Transcreva um fragmento do texto, formulado de modo bastante irônico pelo narrador, que serve de prenúncio para o adultério. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 10. Em relação ao excerto anterior, analise os verbos empregados no primeiro parágrafo, quanto ao tempo e modo. a) Que tempo e modo predominam no primeiro parágrafo. Explique por que o autor se utilizou desse tempo verbal para narrar. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ b) Justifique a utilização dos verbos destacados no segundo parágrafo, quanto ao tempo em que estão flexionados. __________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 11. No trecho abaixo, o narrador, ao descrever a personagem, critica sutilmente um outro estilo de época: o Romantismo. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para fins secretos da criação. ASSIS, Machado de. Memórias Póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro,1957 Transcreva do texto a frase em que se percebe a crítica do narrador ao Romantismo. Explique o sentido dessa crítica. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ Trecho para a questão 12. Ficando só, refleti algum tempo, e tive uma fantasia. Já conheceis as minhas fantasias. Contei-vos a da visita imperial; disse-vos a desta casa de Engenho Novo, reproduzindo a de Mata-cavalos... A imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo. Creio haver lido em Tácito que as éguas iberas concebiam pelo vento, se não foi nele, foi noutro autor antigo, que entendeu guardar essa crendice nos seus livros. Neste particular, a minha imaginação era uma grande égua ibera; a menor brisa lhe dava um potro, que saía logo cavalo de Alexandre. 12. O trecho acima, do capítulo XL da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, é uma confissão de Bentinho a respeito de sua gigantesca capacidade de imaginar. a) De que modo essa informação pode reforçar a dúvida que permeia a obra Dom Casmurro? Explique sua resposta. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ b) No trecho há presença de características próprias da linguagem machadiana, como por exemplo, conversar com o leitor e fazer referências a outros discursos. Nomeie essas características e transcreva um exemplo de cada. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 13. Leia o texto abaixo. Art. 167. Do ciúme. O ciúme é uma espécie de temor que se relaciona ao desejo de conservar a posse de algum bem; e não provém tanto da força das razões que fazem julgar que se pode perdê-lo como da grande estima que se lhe concede, a qual leva a examinar até os menores motivos de suspeita e a tomá-los por razões fortemente consideráveis. DESCARTES, René. As paixões da alma. Coleção Os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973 Explique de que modo o texto acima se relaciona ao conflito da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ 14. Analise a temática da obra abaixo, de Gustave Coubert. Explique de que modo podemos relacioná-la às propostas do Realismo. (Mulheres peneirando trigo) __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________