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1 
 
Juan Carlos Pacheco - 83 
SISTEMA SOMATOSSENSORIAL 
 
Introdução 
 
 A sensação somática permite que o nosso corpo sinta o contato, a dor, o frio, e 
que saiba reconhecer quais partes dele estão sendo estimuladas. 
 Podemos classificar esse sistema como um grupo de 4 sentidos: 
o Tátil 
o Temperatura 
o Dor 
o Posição do corpo 
 
 Cada um desses sinais são captados por diferentes receptores, os quais 
comunicarão o sistema nervoso central, que interpretará a informação. 
 Ao contrário dos demais, o sistema somático possui seus receptores espalhados 
por toda a superfície do corpo. 
 Tipos de receptores sensoriais: 
o Mecanorreceptores  Detectam compressão mecânica ou estiramento. 
o Termorreceptores  Detectam alterações de temperatura. 
o Nociceptores  Detectam danos físicos (dor) 
 
Tato 
 
 A sensação tátil começa na pele, que possui mecanorreceptores sensíveis à 
deformação física, como flexão ou estiramento. 
 Cada receptor é sensível a um tipo específico de estímulo. 
 A pele possui uma parte gleba (sem pelos) e uma parte pilosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Juan Carlos Pacheco - 83 
Tipos de receptores táteis 
 
 Discos de Merkel: são receptores táteis com terminações expandidas. 
Detectam os sinais que são mantidos por um tempo, ou seja, o toque 
contínuo sobre a pele. É inervado por uma só fibra nervosa mielinizada. 
 
 
 Corpúsculo de Meissner: terminação de fibra nervosa sensorial 
encapsulada. Dentro da cápsula encontram-se filamentos neurais 
ramificados. São abundantes nas pontas dos dedos e nos lábios. 
Sensíveis ao movimento de objetos na superfície da pele, como também 
à vibração de baixa frequência. 
 
 Receptor do folículo piloso: é estimulado pelo movimento de qualquer 
pelo do corpo. Detecta o movimento de objetos na superfície do corpo, 
assim como o contato inicial do objeto com o corpo. 
 
 
 Corpúsculo de Pacini: possuem uma cápsula, com 20 a 70 camadas 
concêntricas de tecido conectivo, dispostas como as camadas de uma 
cebola, com uma terminação nervosa situada no centro. São estimulados 
apenas pela compressão local rápida dos tecidos. 
 
 Terminações de Ruffini: são terminações encapsuladas multiramificadas. 
São importantes para a sinalização dos estados contínuos de deformação 
dos tecidos, como os sinais de tato e de pressão intensos e prolongados. 
 
 
 Terminações nervosas livre: espalhadas por toda a pele. Detectam tato e 
pressão. 
 
 
 
Transdução dos estímulos sensoriais 
 
 A deformação da membrana dos mecanorreceptores faz com que se abram 
canais, causando uma despolarização da célula. 
 Se a despolarização for suficiente, o axônio irá disparar um potencial de ação, que 
levará a informação ao sistema nervoso central. 
 
 
 
 
 
3 
 
Juan Carlos Pacheco - 83 
Axônios aferentes primários 
 
 Os axônios que transmitem a informação dos mecanorreceptores ao sistema 
nervoso central são chamados de aferentes primários. 
 Seu tamanho e diâmetro dependem do tipo de receptor sensorial do qual recebem 
o sinal, sendo que essas características se relacionam com a velocidade de 
condução do potencial de ação. 
 Apenas os axônios do grupo IV ou C não são mielinizados. 
 Esses axônios entram na medula pelas raízes dorsais e seus corpos celulares 
estão nos gânglios dessa raiz. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A medula espinhal 
 
 O arranjo dos pares de raízes dorsal e ventral está 
mostrado na figura acima e se repete 30 vezes ao longo 
da extensão da medula espinhal humana. 
 Os 30 segmentos espinhais estão divididos em quatro 
grupos: cervical, torácico, lombar e sacral. 
 
A organização segmentar dos nervos espinhais e a 
inervação sensorial da pele estão relacionadas: 
 
 
 A área da pele inervada 
pelas raízes dorsais de um 
único segmento espinhal é 
denominada dermátomo. 
 
 Ao serem mapeados, os 
dermátomos delineiam uma 
organização em bandas da 
superfície corporal. 
 
 
4 
 
Juan Carlos Pacheco - 83 
A via Coluna dorsal – Lemnisco medial 
 
 A informação tátil, levada pelos axônios sensoriais 
Aβ, ascende e entra na coluna dorsal 
ipsolateral na medula espinhal. 
 A informação é levada até o bulbo 
ipsolateralmente, ou seja, o tato do lado esquerdo 
do corpo ascende pelo lado esquerdo da medula. 
 Essa é uma via rápida e direta, sem sinapses ao 
longo do caminho. 
 
 Os neurônios dorsais terminam nos núcleos da coluna dorsal, que estão 
situados no limite entre a medula e o bulbo. 
 Ao chegarem no núcleo da coluna dorsal, os axônios fazem uma curva em direção 
ao bulbo ventral e medial e, então decussam, se tornando contralateral. 
 A partir desse ponto, o sistema somatossensorial de um lado do encéfalo está 
relacionado com as sensações originadas do lado oposto do corpo. 
 A informação, então, chega ao bulbo, na região chamada de lemnisco medial. 
 Do lemnisco medial, sobe em direção ao tálamo, onde seus axônios fazem 
sinapse com neurônios do núcleo ventral posterior. 
 Os neurônios talâmicos do núcleo VP projetam-se a regiões específicas do córtex 
somatossensorial primário, ou S1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
Juan Carlos Pacheco - 83 
 Tanto nos núcleos da coluna dorsal como nos talâmicos, ocorre uma 
transformação considerável da informação. 
 Os neurônios tanto dos núcleos do tálamo como dos núcleos da coluna dorsal são 
controlados por aferências do córtex cerebral. 
 Consequentemente, a eferência DO córtex pode influenciar a aferência PARA o 
próprio córtex. 
 
A via tátil trigeminal 
 
 A sensação somática da face é suprida pelos ramos do nervo trigêmeo, que entra 
no encéfalo pela ponte. 
 Os axônios sensoriais de grande diâmetro do nervo trigêmeo levam informação 
tátil dos mecanorreceptores da pele. 
 Eles fazem sinapse com neurônio de segunda ordem do núcleo trigeminal 
ipsolateral. 
 Os axônios do núcleo trigêmeo decussam e projetam-se para a parte medial do 
núcleo VP do tálamo. 
 A partir desse núcleo, a informação é retransmitida para o córtex 
somatossensorial. 
 
Córtex somatossensorial 
 
 O córtex somatossensorial primário, ou S1, é a 
área 3b de Brodmann e está localizada no giro pós-
central, no lobo parietal. 
 Outras áreas corticais também processam 
informação somatossensorial. 
 Estas incluem as áreas 3a, 1 e 2 no giro pós-
central, e as áreas 5 e 7 no córtex parietal posterior 
adjacente. 
 
 O córtex somatossensorial, assim como outras 
áreas do neocórtex, é uma estrutura organizada em 
camadas. 
 As aferências talâmicas para S1 terminam 
principalmente na camada IV. Os neurônios da 
camada IV projetam-se, por sua vez, para as células 
de outras camadas. 
 
 
 
 
 
 
 
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Juan Carlos Pacheco - 83 
Somatotopia cortical 
 
 Os campos receptivos dos neurônios de S1 
produzem um mapa ordenado do corpo no 
córtex. O mapeamento das sensações da 
superfície corporal em uma área do encéfalo 
é chamado de somatotopia. 
 Um mapa somatotópico é chamado, algumas 
vezes, de homúnculo. 
 O tamanho relativo da área do córtex que 
processa cada parte do corpo está 
correlacionado à densidade de aferências 
recebidas daquela determinada parte. 
 O tamanho do mapa também está relacionado 
à importância da aferência sensorial daquela 
parte do corpo. 
 
Dor 
 
 A sensação somática também depende de nociceptores, que são as terminações 
nervosas livres, ramificadas, não mielinizadas que sinalizam lesão ou risco de 
lesão ao corpo. 
 
Os nociceptores e a transdução dos estímulos dolorosos 
 
 Os nociceptores são ativados por estímulos que causam lesão nos tecidos, que 
podem ser resultado de estimulação mecânica forte, temperaturas extremas, 
privação de oxigênio e exposição a certos agentes químicos, entre outras causas. 
 As membranas dos nociceptores contêm canais iônicos que são ativadospor 
esses tipos de estímulos. 
 A ativação dos canais iônicos leva a uma despolarização e ao disparo de 
potenciais de ação. 
 Além disso, as células danificadas podem liberar uma série de substâncias que 
provocam a abertura de canais iônicos nas membranas dos nociceptores. Por 
exemplo, a produção de ácido láctico após um exercício exaustivo faz com que 
canais iônicos se abram, causando muita dor. 
 A transdução dos estímulos dolorosos ocorre nas terminações nervosas livres das 
fibras não mielinizadas C e nas pobremente mielinizadas A 
 
Tipos de Nociceptores 
 
 Os nociceptores estão presentes na maioria dos tecidos corporais. 
 Existem nociceptores mecânicos (mecanonociceptores), nociceptores térmicos 
(termonociceptores), e nociceptores químicos. 
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Juan Carlos Pacheco - 83 
Hiperalgesia e inflamação 
 
 Hiperalgesia é o aumento da sensibilidade de uma área já lesionada. 
 As substâncias liberadas pelo tecido lesado são as principais responsáveis por 
esse aumento de sensibilidade, entre elas estão a bradicinina e a prostaglandina. 
 Essas substâncias, em conjunto, podem causar inflamação, processo natural de 
defesa que possui as seguintes características: calor, rubor, edema e dor. 
 
Aferentes primários e mecanismos espinhais 
 
 A ativação dos nociceptores produz duas percepções de dor distintas: 
o A dor primária, rápida e aguda. Causada pela ativação de fibras A. 
o A dor secundária, lenta e contínua. Causada pela ativação de fibras C. 
 As fibras de pequeno calibre (A e C) entram no corno dorsal da medula espinhal. 
 Ao penetrarem a medula, elas ramificam-se e se dirigem para uma região 
chamada de trato de Lissauer, fazendo, depois, sinapse com neurônios da parte 
mais periférica do corno dorsal, na região da substância gelatinosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O neurotransmissor dos aferentes nociceptivos é o glutamato. Porém, esses 
neurônios também possuem o peptídeo substância P, liberadas por potencias 
de alta frequência (dores moderadas a intensas). 
 
Dor referida 
 
 Os axônios de nociceptores viscerais entram na 
medula espinhal pelo mesmo trajeto que os 
cutâneos. 
 Na medula ocorre uma mistura substancial de 
informações dessas duas fontes. 
 Essa linha cruzada de informações gera o 
fenômeno de dor referida, no qual uma dor vinda 
de uma víscera pode ser sentida na pele. 
 Um exemplo é a angina, uma dor vinda do 
coração, mas que pode ser sentida no braço 
esquerdo. 
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Juan Carlos Pacheco - 83 
 
A via da dor espinotalâmica 
 
 Os axônios decussam no mesmo nível da medula espinhal em que ocorreu a 
sinapse e ascendem pelo trato espinotalâmico ao longo da superfície ventral da 
medula espinhal. 
 As fibras espinotalâmicas projetam-se da medula espinhal, passando pelo bulbo, 
pela ponte e pelo mesencéfalo, sem fazer sinapse, até alcançar o tálamo. 
 À medida que os axônios espinotalâmicos percorrem o tronco encefálico, eles 
posicionam-se ao longo do lemnisco medial, mas permanecem como um grupo 
axonal distinto da via mecanossensorial. 
 
 
Via da dor trigeminal 
 
 A informação da dor (e da temperatura) da face e do terço anterior da cabeça 
segue por uma via ao tálamo, análoga à via espinhal. 
 As fibras de pequeno diâmetro do nervo trigêmeo fazem a primeira sinapse com 
os neurônios sensoriais secundários no núcleo espinhal do trigêmeo no tronco 
encefálico. 
 Os axônios desses neurônios decussam e ascendem ao tálamo pelo lemnisco 
trigeminal. 
 
 
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Juan Carlos Pacheco - 83 
O tálamo e o córtex 
 
 No tálamo, alguns axônios terminam no núcleo 
VP (ventral posterior), tal qual fazem os axônios 
do lemnisco medial, porém as vias do tato e da 
dor ainda permanecem segregadas, ocupando 
regiões separadas do núcleo. 
 Outros axônios espinotalâmicos terminam nos 
pequenos núcleos intralaminares do tálamo. 
 A partir do tálamo, as informações sobre dor e 
temperatura projetam- se para várias áreas do 
córtex cerebral. 
 
Temperatura 
 
 Possuímos receptores que sentem aumento na temperatura (receptores para 
calor) e outros que sentem diminuição (receptores de frio). 
 Diferentes regiões da pele podem mostrar sensibilidades distintas à temperatura. 
 Isso ocorre, porque cada neurônio termorreceptor parece expressar somente um 
único tipo de canal, ou para quente ou para frio. 
 Para a termorrecepção, é a variação repentina na qualidade de um estímulo que 
gera as respostas neurais e perceptivas mais intensas. 
 
A via da temperatura 
 
 A organização da via da temperatura é praticamente idêntica à da via da dor, já 
descrita. 
 Os receptores para o frio estão ligados às fibras A e C, ao passo que os 
receptores para o calor estão ligados apenas às fibras C. 
 
Diferenças entre as vias de tato e dor/temperatura

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