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Aula 09 – Barragens - Instrumentação UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO CAMPUS DE SINOP FACULDADE DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGIAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL GEOTECNIA III Eng. Civil Augusto Romanini (FACET – Sinop) Sinop - MT 2016/1 01/04/2016 Fluxo no Solo 2 INTRODUÇÃO TIPOS DE INSTRUMENTOS PERIODICIDADE DAS LEITURAS INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 01/04/2016 Barragens 3 INTRODUÇÃO Um item considerado como essencial na construção de projetos de barragens é a instrumentação. Esse procedimento permite além de analisar o comportamento do empreendimento, fazer uma coletânea de dados para projetos futuros. São obtidos através da instrumentação os seguintes dados: Poropressões de construção, poropressões devido a percolação de água, pressões totais sobre elementos de concreto e e sobre as fundações , recalques , deslocamentos horizontais , vazões de percolação de água. 01/04/2016 Barragens 4 TIPOS DE INSTRUMENTOS Medidor de nível de água Piezômetro Célula de pressão total Medidor de recalques Caixa Sueca Tassômetro Inclinômetro Medidor de vazão 01/04/2016 Barragens 5 TIPOS DE INSTRUMENTOS Medidor de nível de água É constituído por um tubo perfurado de PVC , envolvido de material granular adequado ou por manta de geotêxtil, instalado dentro de um furo de sondagem. Permite a medida do nível de água , introduzindo um cabo elétrico com pequena sonda e , quando esta entra em contato com a superfície da água , há passagem de uma corrente elétrica, que é detectada na superfície por amperímetro. O cabo do medidor é graduado em centímetros, o que permite calcular a cota do nível de água, pela diferença entre a cota do topo do tubo e o comprimento do cabo. 01/04/2016 Barragens 6 TIPOS DE INSTRUMENTOS Piezômetro Os piezômetros podem ser do tipo stand pipe ou de Casagrande, hidráulico , pneumático, de corda vibrante elétrico A função dos piezômetros é fornecer a carga de pressão no ponto em que foi instalado. Conhecida a carga de pressão, calcula-se a carga total naquele ponto, que é a cota de instalação mais a coluna de água sobre o mesmo. São comumente utilizado dois tipos de piezômetros: stand pipe (ou Casagrande) e elétrico de corda vibrante. Em ambos os casos, o valor de leitura fornecido é a cota piezométrica, que é a soma da carga de elevação mais a carga de pressão no ponto de instalação. Ou seja, é fornecida a carga total no ponto de instalação, em relação ao nível do mar. 01/04/2016 Barragens 7 TIPOS DE INSTRUMENTOS Piezômetro O piezômetro stand pipe é um piezômetro de “tubo aberto”. Ele é constituído de um bulbo, instalado no local onde se pretende medir a carga de pressão, e um tubo que liga o bulbo até o local onde será feita a leitura. O bulbo é instalado em um furo de sondagem previamente limpo. Ao redor do bulbo normalmente é colocada uma camada de areia. Sobre a camada de areia, há um selo de bentonita ou solo-cimento, para isolar o bulbo. O resto do furo de sondagem é preenchido com o solo natural. Os piezômetros stand pipe são instrumentos de fácil confecção e instalação, alta durabilidade e confiabilidade. A leitura do instrumento normalmente é feita com um fio elétrico, que é uma trena com uma ponteira elétrica que emite som assim que entrar em contato com a água. Dessa forma, mede- se a distância entre a boca do tubo e o nível de água. Como a distância entre o bulbo e a boca do tubo é conhecida, por subtração encontra-se a altura de coluna de água sobre o bulbo. De posse da altura de coluna de água sobre o ponto de instalação, soma-se a mesma à cota de instalação, obtendo-se a cota piezométrica, em metros sobre o nível do mar. A cota piezométrica é a carga hidráulica total no ponto, em relação ao nível do mar Stand pipe 01/04/2016 Barragens 8 TIPOS DE INSTRUMENTOS Piezômetro Stand pipe 01/04/2016 Barragens 9 TIPOS DE INSTRUMENTOS Piezômetro Elétrico de corda vibrante Os piezômetros elétricos de corda vibrante medem a pressão de água através da deformação de um diafragma interno, cuja deflexão é medida por um sensor de corda vibrante instalado perpendicularmente ao plano do diafragma, Silveira (2006). Atualmente os piezômetros de corda vibrante vêm sendo largamente empregados na auscultação de barragens, por serem precisos, sensíveis, poderem ser lidos à distância e integrados a sistemas automáticos de aquisição de dados. Contudo, tem a desvantagem de vida útil limitada e de alteração dos parâmetros de calibração que ocorre ao longo do tempo. E como o instrumento está instalado no maciço, não é possível recalibrá-lo periodicamente, o que pode ocasionar perda de precisão nas leituras. 01/04/2016 Barragens 10 TIPOS DE INSTRUMENTOS Piezômetro Elétrico de corda vibrante 01/04/2016 Barragens 11 TIPOS DE INSTRUMENTOS Célula de pressão total A célula de pressão total é utilizada para medida de pressões sobre estruturas de concreto. Consiste de uma almofada plana, metálica, que fica alojada no interior do maciço e cujo o principio de funcionamento pode ser elétrico, pneumático ou hidráulico. Pode ser usada juntamente com a célula piezométrica, para possibilitar a determinação da pressão efetiva. 01/04/2016 Barragens 12 TIPOS DE INSTRUMENTOS Célula de pressão total 01/04/2016 Barragens 13 TIPOS DE INSTRUMENTOS Medidor de recalques É um instrumento utilizado para a medição de recalque em maciços de terra. É constituído de várias placas ou anéis, instalados no interior do maciço de solo, ao longo de uma mesma linha vertical. Cada placa ou anel é ligado a uma haste vertical, cuja a extremidade superior chega a superfície do aterro, onde são feitas as leituras de nível. Também são utilizados medidores de tubos telescópios, em que o tubo interno é chumbado na rocha e os demais fixados em placas instaladas sobre o aterro, em níveis diferentes. Nas extremidades superiores dos tubos, medem – se as diferenças entre os pontos de referência nelas existentes, por meio de uma escala gradua em milímetros, e calcula – se os recalques de cada placa. 01/04/2016 Barragens 14 TIPOS DE INSTRUMENTOS Medidor de recalques 01/04/2016 Barragens 15 TIPOS DE INSTRUMENTOS Caixa Sueca A caixa sueca pode ser metálica ou de PVC. Estes elementos são instalados em maciços de enrocamento para medir os recalques. Este elemento é conectado ao talude de jusante, por meio de dois tubos, onde existe uma cabine de leituras. Introduzindo –se agua nos tubos e medindo –se o nível de água na cabina, determina –se o nível da caixa e, assim, calcula – se os recalques. Em uma mesma seção da barragem podem ser instaladas diversas caixas, ligadas a uma só cabine de leituras. 01/04/2016 Barragens 16 TIPOS DE INSTRUMENTOS Caixa Sueca 01/04/2016 Barragens 17 TIPOS DE INSTRUMENTOS Caixa Sueca 01/04/2016 Barragens 18 TIPOS DE INSTRUMENTOS Inclinômetro O inclinômetro é destinado a observação da inclinação de um furo de sondagem em relação a vertical. Para tal , são instalados tubos de revestimento, de plástico ou de alumínio, até abaixo da zona susceptível de movimentação. Os tubos que constituem o inclinômetro possuem 4 ranhuras, dispostas ortogonalmente, dentro as quais são encaixadas roldanas de um torpedo, que pode penetrar , com pequena folga dentro dos tubos. As ranhuras são colocadas nas direções em que se deseja medir as inclinações. No interior do torpedo, aloja –se um pêndulo , cujo o descolamento angular é detectado por um sistema de resistência elétricas. 01/04/2016 Barragens 19 TIPOS DE INSTRUMENTOS Inclinômetro 01/04/2016 Barragens 20 TIPOS DE INSTRUMENTOS Medidor de vazão O medidor de vazão é utilizado para se obter o valor da vazão que percola através do sistema de drenagem da barragem e de sua fundação, coletados por tubulações ou canaletas. O tipo mais comum que se utiliza é o medidor triangular A vazão é determinada com a utilização da equação de regime de escoamento uniforme em condutos livres. 01/04/2016 Barragens 21 PERIODICIDADEDAS LEITURAS As leituras dos instrumentos devem ser iniciadas logo após a instalação. A periodicidade das leituras dependerá dos próprios resultados e de sua variação, bem como dos fatores que sobre elas influem, tais como , velocidade de construção, velocidade de enchimento do reservatório entre outros. Sempre que houver variação significativa dos resultados ou dos fatores que neles influem, deve –se reduzir o intervalo de tempo entre as leituras. 01/04/2016 Barragens 22 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Os dados devem ser processados após as leituras do instrumentos, utilizando as ferramentas existentes. É recomendado que as leituras de poropressão com os dados de recalque. É interessante observar para o caso da medição de vazão sempre ter dados pluviométricos pois estes podem influenciar diretamente nas vazões. 01/04/2016 Barragens 23 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS PIEZÔMETRO ELÉTRICO - PE-302 -8 24 56 88 120 20 /1 1/ 20 03 28 /2 /2 00 4 7/ 6/ 20 04 15 /9 /2 00 4 24 /1 2/ 20 04 3/ 4/ 20 05 12 /7 /2 00 5 20 /1 0/ 20 05 28 /1 /2 00 6 8/ 5/ 20 06 16 /8 /2 00 6 24 /1 1/ 20 06 4/ 3/ 20 07 12 /6 /2 00 7 20 /9 /2 00 7 29 /1 2/ 20 07 7/ 4/ 20 08 Data Pr es sã o (k Pa ) 292,00 342,00 392,00 442,00 492,00 542,00 Co ta s (m ) Carga Piezométrica Cota Piezométrica Cota do Aterro NA Mont NA Jus PE-302 => Est. 16+4,67m - Afast. 3,22m Mont - El. 324,120m 01/04/2016 Barragens 24 INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS PRESSÃO EFETIVA - CP-301b x PE-301a -500 500 1.500 2.500 3.500 4.500 1/ 11 /2 00 5 21 /1 2/ 20 05 9/ 2/ 20 06 31 /3 /2 00 6 20 /5 /2 00 6 9/ 7/ 20 06 28 /8 /2 00 6 17 /1 0/ 20 06 6/ 12 /2 00 6 25 /1 /2 00 7 16 /3 /2 00 7 5/ 5/ 20 07 24 /6 /2 00 7 13 /8 /2 00 7 2/ 10 /2 00 7 21 /1 1/ 20 07 10 /1 /2 00 8 Data Pr es sã o (k Pa ) 320 370 420 470 520 Co ta s (m ) Pressão Total P Neutra PE301a Pressão Efetiva Aterro NA Reserv CP-301-B => Est. 16+3,42m - Afast. 78,95m Mont - El. 315,598m 01/04/2016 Fluxo no Solo 25 REFERÊNCIAS HACHICH, W. ET AL (ED.). FUNDAÇÕES, TEORIA E PRÁTICA. SÃO PAULO: PINI, 751P, 1998. MASSAD, F. Escavações a céu aberto em solos tropicais. São Paulo, SP. Oficina de textos, 96p,2005. MASSAD, F. Obras de terra – Curso básico de geotecnia . São Paulo, SP. Oficina de textos, 215p,2010 GERSCOVICH, D.M.S . Fluxo em solos saturados. Rio de Janeiro, RJ. Departamento de Estrutura e fundações.Faculdade de Engenharia. Notas de Aula.169p, 2011. GAIOTO. N. Introdução ao projeto de barragens de terra e de enrocamento. São Carlos, SP. EESC-USP. 126p. 2003. 01/04/2016 Fluxo no Solo 26 Obrigado pela atenção. Perguntas?