aula1
19 pág.

aula1


DisciplinaMediação Judicial150 materiais614 seguidores
Pré-visualização4 páginas
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 1/19
Disciplina: Legislação processual da mediação
Aula 1: Evolução histórica dos meios de solução de conflitos. 
Meios consensuais e adjudicatórios
Apresentação
Nesta aula, vamos estudar como o Direito Processual brasileiro evoluiu desde os
primórdios até chegar a sua forma atual, ou seja, um Código de Processo Civil que
alia instrumentos judiciais e extrajudiciais, buscando um equilíbrio que propicie,
simultaneamente, o efetivo acesso à justiça e observância das garantias
constitucionais.
Vamos explorar o Direito brasileiro desde as suas origens (as \u201cOrdenações\u201d),
passando pelos Códigos de Processo Civil, chegando ao panorama atual que inclui as
Leis de Mediação e Arbitragem, ambas inseridas no conceito contemporâneo de
jurisdição.
Objetivos
Traçar a evolução do Direito brasileiro no uso dos meios de solução de conflitos
diversos da jurisdição estatal;
Organizar o cenário atual do ordenamento jurídico a fim de identificar as fontes
principais de consulta.
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 2/19
A evolução do Direito Processual
Civil brasileiro a fim de situar a
previsão dos meios adequados de
solução de conflitos em nossa
legislação
\ue412 Fonte: Shutterstock
Entre outras transformações provocadas no país, o estabelecimento dos
colonizadores portugueses no Brasil deu grande importância aos Municípios
como núcleos administrativos.
Neles, a jurisdição competia aos juízes ordinários ou da terra, nomeados entre
os \u201chomens bons\u201d, em uma eleição sem participação da Metrópole, que, por
sua vez, era representada pelos seus nomeados \u201cjuízes de fora\u201d.
Nas capitanias hereditárias estabelecidas, era dever dos donatários reger as
questões judiciais provenientes de suas terras, dentro dos limites das leis
advindas do Reino como pelas então denominadas Cartas Forais. A autoridade
jurisdicional máxima era o Ouvidor Geral.
Visto que Brasil e Portugal formavam um Estado único, as leis processuais
portuguesas tinham plena aplicabilidade por aqui. Foi o período das
Ordenações emanadas da Corte.
Vigoravam, nessa época:
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 3/19
I
As Ordenações Afonsinas, de 1456, inspiradas principalmente no Direito
romano, no Direito canônico e nas leis gerais elaboradas a partir do reinado
de Afonso II, vigorando à época do Descobrimento.
II
As Ordenações Manuelinas, de 1521, as primeiras editadas em território
nacional.
III
As Ordenações Filipinas, promulgadas em 1603.
As Ordenações Afonsinas cuidavam, quase inteiramente, de questões
atinentes à administração pública. O processo civil foi objeto de seu livro
III, composto por 128 capítulos, abrangendo os procedimentos de cognição,
execução, bem como os recursos.
As Ordenações Manuelinas, promulgadas em 1521, não promoveram
grandes alterações em relação às Afonsinas, até porque ambas tinham o
interesse de preservar e fortalecer a monarquia e a nobreza. No entanto, não
se pode deixar de observar que as Ordenações Manuelinas tornaram unos os
processos de conhecimento e de execução, não os diferenciando.
Promulgadas em 1603, as Ordenações Filipinas foram de grande
importância para o Direito brasileiro, até porque vigoraram em parte por um
período posterior à independência. Tinham uma estrutura considerada
bastante moderna para a época, sendo compostas por cinco livros, dentre os
quais o terceiro tratava da parte processual civil.
Quanto ao conteúdo, a legislação apresentava um processo marcante
formalista, com a prevalência da escrita e forte valorização do princípio
dispositivo, com direção das partes sobre o processo.
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 4/19
O Livro III era dividido em quatro partes que
disciplinavam, nesta ordem: a fase postulatória, a fase
instrutória, a fase decisória e a fase executória, destinada
ao processo de execução, além da regulamentação dos
procedimentos ordinários, sumários (previstos para casos
específicos) e especiais (aplicados a determinadas ações).
Além das Ordenações Filipinas, influenciavam na Justiça do país as Cartas
dos Donatários, dos Governadores e Ouvidores e, ainda, o poder dos
senhores de engenho, que faziam sua própria justiça ou influenciavam a
Justiça oficial, ora pelo prestígio que ostentavam, ora pelo parentesco com os
magistrados. As ordenações foram sucedidas pela Lei de 18 de agosto de
1769.
Proclamada a independência em 7 de setembro de 1822, era necessário
refundar o Direito brasileiro, o que foi feito com a Constituição Imperial de
1824.
Incorporando os valores das revoluções liberais do fim do século XVIII, a
Carta Constitucional introduziu em nosso ordenamento diversas inovações e
princípios fundamentais, principalmente na seara penal, em que era mais
evidente a necessidade de mudanças para, por exemplo, abolir a tortura e
todas as penas cruéis.
Ademais, determinou-se a separação de poderes e, peculiarmente, criou-se o
Poder Moderador, nas mãos do Imperador, com a função de harmonizar o
relacionamento entre as funções de Estado, o seu funcionamento e garantir os
direitos ditados pela Carta Magna.
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 5/19
\ue412 Fonte: http://www.estudokids.com.br/
<http://www.estudokids.com.br/wp-
content/uploads/2014/08/independencia-do-
brasil.jpg>
Estipulou se ainda a necessidade e a obrigatoriedade de um juízo conciliatório
prévio. Interessante transcrevermos aqui os Art. 161 e 162 da Constituição do
Império, que estabeleciam, respectivamente, a tentativa prévia de conciliação
como pressuposto de constituição válida do processo e a atribuição de
competência ao juiz de paz para tentar promovê la:
\uf10d
Art. 161. Sem se fazer constar, que se tem intentado o
meio da reconciliação, não se começará Processo
algum. Art. 162. Para este fim haverá juizes de Paz, os
quaes serão electivos pelo mesmo tempo, e maneira,
por que se elegem os Vereadores das Camaras. Suas
attribuições, e Districtos serão regulados por Lei.
O advento da Constituição Imperial não retirou, contudo, automaticamente, a
vigência das normas da antiga metrópole. Isso porque o Decreto de 20 de
outubro de 1823 as adotou como leis brasileiras, revogando apenas as
disposições contrárias à soberania nacional e ao regime brasileiro. Por isso, as
Ordenações Filipinas continuaram produzindo efeitos.
http://www.estudokids.com.br/wp-content/uploads/2014/08/independencia-do-brasil.jpg
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 6/19
Em 1850, com a promulgação do Código Comercial, foram editados os
Regulamentos nº 737 (considerado o primeiro diploma processual
brasileiro fora do âmbito criminal) e 738, que tratavam, respectivamente,
do processo das causas comerciais e do funcionamento dos tribunais e juízes
do comércio.
O Direito Processual Civil, entretanto, não recebeu normativa própria, o que
manteve em vigência, no ponto, as disposições das Ordenações e suas
posteriores modificações.
Diante disso, o governo imperial baixou, em 1876, uma Consolidação das
Leis do Processo Civil, com força de lei, que ficou conhecida como
Consolidação Ribas, em virtude de sua elaboração a cargo do Conselheiro
Antônio Joaquim Ribas.
Logo depois de proclamada a República, o Regulamento 737 teve sua
aplicação estendida às causas cíveis, mantendo se a aplicação das Ordenações
e suas modificações aos casos de jurisdição voluntária e de processos
especiais.
09/10/2018 Estácio
file:///W:/2018.2/legislacao_processual_da_mediacao__GON953/aula1.html 7/19
\ue412 Fonte:
https://www.acasadolivrojuridico.com.br/
<https://www.acasadolivrojuridico.com.br/images/capas/C30301.jpg
>
Contudo, a primeira Constituição da República, em 1891, transmitiu aos
Estados membros a competência legislativa sobre matéria processual,
aumentando o espectro de competência