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Departamento de Contabilidade e Atuária Disciplina: EAC 0548 - Sistemas de Informações Contábeis Prof. Dr. César Augusto Biancolino (2017) Tomo 4 - O SISTEMA DE INFORMAÇÃO DA EMPRESA (SI) Nos textos anteriores, foi possível observar e conhecer com profundidade as características naturais do SIC, além das definições e conceitos relacionados à Teoria Geral de Sistemas e aos Sistemas de Informação no ambiente empresarial. A lógica utilizada neste texto para a construção de um melhor entendimento dos conceitos apresentados envolvendo o assunto “sistemas” é importante, na medida em que é possível identificar a origem, a constituição e a aplicação dos sistemas de informação nas organizações industriais, comerciais e governamentais, além do setor de serviços e demais instituições que demandem informações de forma contínua e estruturada. Neste contexto, faz-se necessário reconhecer e posicionar o SIC como uma “parte” ou como um “módulo” de um sistema de informação de maior amplitude e abrangência que é capaz de fomentar os profissionais de todas as áreas da organização com informações de diferentes naturezas, formatos, conteúdos e níveis de detalhamento. Este sistema “maior”, constituído por vários subsistemas (os quais veremos mais adiante neste texto) é denominado “Sistema de Informação” (SI). 4.1 Características Naturais do Sistema de Informação Empresarial O Sistema de Informação Empresarial (SI) é, por definição, o instrumento capaz de processar, armazenar e compartilhar de forma estruturada as informações necessárias à operação da organização, sejam elas informações de cunho operacional, fiscal, gerencial ou estratégico. Devido à ampla abrangência de seu escopo, o SI necessita ser constituído por subsistemas específicos, cada qual especializado em suprir um determinado tipo de demanda informacional. O maior propósito de um sistema de informação empresarial é facilitar o gerenciamento de uma organização. Como usado aqui, o termo gerenciamento é utilizado em todos os níveis de administração da organização, desde o posto responsável pelo sucesso global da empresa até os postos responsáveis pelas atividades operacionais. Dependendo do tamanho da organização, há um maior ou menor número de níveis de gerenciamento entre estes dois extremos. A função básica do gerenciamento é o planejamento e o controle. No caso típico de uma empresa manufatureira, as atividades de planejamento constituem-se de um conjunto de Material de uso exclusivo para alunos matriculados na disciplina EAC 0548 FEA USP (2017) ministrada pelo Prof. Dr. César Augusto Biancolino. Consiste em anotações de aula listadas de forma estruturada e de outros conteúdos que formam a base de fixação dos conceitos teóricos discutidos em sala de aula. Conteúdo disponibilizado via Moodle. Uso exclusivo para fins didáticos da disciplina. Divulgação externa não autorizada. Não possui finalidade comercial. objetivos como o estabelecimento de regras a serem seguidas, a escolha de gerentes e subordinados, a decisão de onde se aplicar o capital e tomar decisões sobre produtos e suas promoções. As atividades de controle envolvem a implementação de regras, a avaliação do “desempenho” dos subordinados e a tomada de atitudes para corrigir erros de estratégia. Informações de vários tipos são necessárias e requisitadas para a execução de todas estas funções. Desta forma e devido à sua natureza, o SI deve ser desenhado para atender com plenitude às necessidades de armazenamento, processamento e compartilhamento estruturado dos diversos tipos de informação em todas as áreas da empresa de modo muito particular. Em outras palavras, não existe “apenas” um modelo específico de SI que possa atender às diversas e variadas demandas de informação de várias organizações diferentes, já que cada empresa possui as suas próprias características, o seu próprio conjunto de processos e a sua própria dinâmica informacional. Como visto anteriormente no capítulo 1, a Teoria Geral de Sistemas é a base teórica que define e justifica o SI como um sistema composto por outros sistemas (ou subsistemas), uma vez que as diversas estruturas provedoras de informação não podem ser consideradas isoladamente dentro de uma mesma empresa, ainda que tenham objetivos diferentes. Seguindo por este raciocínio, é possível visualizar que as necessidades informacionais das empresas estão associadas a diferentes tipos de decisões. Deste modo, a capacidade dos gestores em compreender o processo decisório como um todo, processo este fomentado por informações advindas de vários subsistemas do SI, pode ser adquirida através do desmembramento do conjunto total de decisões em suas várias categorias (estratégica, tática e operacional), cada uma dizendo respeito decisões de naturezas distintas. Desta forma, tomando-se o SI como uma “ferramenta facilitadora” utilizada pelos gestores e demais colaboradores da empresa na tarefa de tomada de decisão; como exemplo tem-se os seguintes tipos de decisão associadas a uma empresa manufatureira: As decisões operacionais possuem o objetivo de maximizar a eficiência dos processos de conversão de recursos da empresa, ou, em outras palavras, procuram maximizar a rentabilidade das operações correntes. As principais atividades geradoras de necessidades de decisão, neste exemplo, são a da previsão da quantidade de matérias-primas a serem requisitadas junto aos fornecedores, a alocação de recursos humanos e de máquinas entre as diferentes áreas funcionais e linhas de produção, a programação e a reprogramação das operações diante do surgimento de imprevistos e novas demandas por produtos, o acompanhamento da execução da produção e a aplicação de medidas de controle. As principais decisões envolvem a seleção de fornecedores, a metodologia para o cálculo das necessidades de matéria prima, a seleção de critérios para a formação de custos, a fixação de preços, o estabelecimento de estratégias de marketing, a formulação do sequenciamento da produção, determinação dos níveis de estoque, e demais decisões associadas às operações em geral. As decisões táticas ou gerenciais estão voltadas a possibilitar a estruturação dos recursos da empresa de modo a criar possibilidades de execução com melhores resultados. Estas decisões requerem a análise de informações mais “refinadas”, muitas vezes geradas através da busca, cruzamento e associação de dados de várias naturezas distintas, muitas vezes advindas de subsistemas diferenciados pertencentes ao SI. Uma parte do problema implícito à tomada de decisões gerenciais diz respeito à organização: estruturação das relações de autoridade e responsabilidade, fluxos de trabalho, fluxos de informação, canais de distribuição e localização das instalações. A outra parte relaciona-se à obtenção e ao desenvolvimento de recursos: desenvolvimento de fontes de matéria-prima, treinamento e desenvolvimento de pessoal, financiamento de pessoal, financiamento e aquisição de instalações, máquinas e equipamentos. Observa-se que as decisões táticas, assim como as estratégicas (em maior grau), necessitam de sistemas capazes de auxiliar os gerentes e executivos a tomar decisões de natureza não estruturada, isto é, sem um vínculo direto entre todos os parâmetros necessários à correta interpretação para um determinado problema. As decisões estratégicas, por outro lado, possuem a finalidade de tratar com maior ênfase os problemas externos à empresa, (vinculados em maior ou menor grau aos problemas internos) como, por exemplo, quais produtos devem sofrer alterações de projeto, como a empresa poderá distribuir seus produtos de forma mais eficiente e em quais mercados serão vendidos. As questões pertinentes à esta categoria de decisões podem ser associados os seguintes exemplos: quais são os objetivos e metas da empresa para o futuro, quais são as diretrizes para a empresa diversificar sua linha de produtos , e como deve a empresa desenvolvere tirar proveito da sua atual posição em termos de produtos e mercados e concorrentes. 4.2 O SIC como viga-mestre do Sistema de Informação Empresarial As organizações, via de regra, estabelecem o seu sistema de informação para alcançar dois objetivos muito claros: aumentar a sua eficiência administrativa e operacional e com isso aumentar a sua competitividade no mercado e também, por decorrência, aumentar a sua lucratividade, já que em termos empresariais o objetivo máximo das empresas é o de perpetuar a sua existência com o máximo de lucro possível. Esta visão acerca dos sistemas de informação deve ser muito clara para todos os envolvidos na busca destes objetivos em comum nas empresas. Neste sentido, por mais que um sistema específico de propriedade de uma organização (integrante do SI) seja desenvolvido para auxiliar a operação de um departamento em particular (por exemplo um sistema que possa administrar o estoque de produtos acabados), a finalidade deste e dos demais sistemas específicos é o de ajudar a organização a alcançar seus objetivos primários, ou seja, a perpetuação da sua existência e o alcance do maior lucro líquido possível. Neste contexto, ainda que nem todas as organizações existentes visem o lucro (por exemplo instituições com finalidades filantrópicas), o controle monetário e fiscal das atividades da organização é vital para proporcionar a continuidade das operações da entidade por diversos ciclos contábeis seguidos, de forma indefinida. Em contabilidade esta “necessidade” das organizações é conhecida como “Princípio da Continuidade” de forma que a empresa e a sua contabilidade continuarão a funcionar por tempo suficiente e na maioria das vezes indeterminado para cumprir todas as suas obrigações e receber os seus direitos existentes. Na ciência contábil, além do princípio da continuidade, existe a necessidade de expressar as transações da entidade em termos monetários. Embora as informações contábeis não sejam baseadas unicamente em termos de unidades monetárias, a estrutura “quantitativa” da contabilidade é expressa através dos valores de transações com bases matemáticas (débitos e créditos) é o fator que possibilita a formação de informações “qualitativas”, ou seja, as conclusões, pareceres e demais informações de caráter qualitativo só podem ser formuladas a partir da análise matemática do conjunto de débitos e créditos efetuados em um período em todas as contas contábeis existentes no plano de contas da empresa. Compreendendo-se esta estrutura de “formação” das informações contábeis, podemos enunciar que o Plano de Contas de uma organização constitui o “alicerce” do Sistema de Informação Contábil (SIC) que por sua vez constitui-se como a “viga-mestre” do Sistema de Informação da Empresa (SI). Por ser o departamento de contabilidade o “centro nervoso” das organizações, através do qual transitam todas as informações relacionadas às suas transações de compra, venda, transformação, armazenagem, apuração e pagamento de impostos, contratação e demissão de pessoas, etc., tal estrutura de apuração e registro contábil necessita de um sistema de informação que armazene, operacionalize e divulgue com precisão todos os registros advindos destas operações1. Desta forma e considerando-se os objetivos primordiais da empresa como sendo o de operar diante da expectativa de uma continuidade indefinida e o de apurar de forma recorrente o resultado proveniente de suas operações, naturalmente reconhece-se o SIC como sendo a “espinha dorsal” (ou viga-mestre) do sistema de informação da organização. De fato, a natureza do SIC, baseado no método das partidas dobradas e no denominador comum monetário eleva este sistema a uma condição ímpar, interna ao SI: nenhum outro subsistema constituinte do SI possui a capacidade analítica e matemática do SIC, sendo este o sistema responsável por receber, armazenar e compartilhar as informações monetárias advindas de outros subsistemas. Apesar das características naturais do SIC serem exclusivas deste sistema – posicionando-o ao centro do SI – não se deve imaginar que o mesmo seja de maior importância relativamente aos demais subsistemas do SI. Grosso modo, aproveitando-se o termo “viga-mestre” pode-se associar o plano de contas como sendo a “fundação” de uma casa e o SIC a estrutura (colunas) que é construída sobre esta fundação. O SI possui demais subsistemas como, por exemplo, compras, vendas, faturamento, recursos humanos, estoques, ativo fixo, custos, manufatura etc. os quais podem ser mentalmente associados às demais “partes” desta “casa” imaginária. Assim, se é verdade que o SIC não possui o “status” de ser o subsistema “mais importante” do SI, também é verdade que sem o SIC não é possível construir-se um SI capaz de auxiliar a empresa a atingir os seus objetivos. Desta forma, se é possível imaginarmos casas sem portas, sem janelas ou sem o telhado, não é possível imaginarmos uma construção sem uma base para ser fundada, apoiada e erguida. A metáfora empregada é excelente para demonstrar (ainda que imaginariamente) em termos “físicos” a importância do Plano de Contas para o SIC e do SIC para o SI. 4.3 Estrutura do Sistema de Informação Empresarial O Sistema de Informação Empresarial pode ser analisado tanto internamente (foco deste capítulo), quanto externamente. Antes de terminar é importante A definição de informação no âmbito do SI Antes de se prosseguir no estudo mais detalhado dos Sistemas de Informações, é necessária e oportuna a discussão acerca do que é informação - termo conhecido de todos, porém nem sempre bem compreendido e codificado em seu sentido primordial. O termo informação é definido de várias maneiras distintas. A primeira é uma visão clássica, na qual o termo informação é colocado como sendo o conhecimento derivado de dados, advindos de palavras ou desenhos. A segunda definição é a de que informação é um dado colocado em um contexto plausível de ser codificado e interpretado por um receptador. A terceira definição, que pode ser considerada de cunho mais matemático, define informação como sendo 1 Uma observação se faz necessária. Tal como é conhecido, o Sistema de Informação Contábil remonta à época do renascimento italiano do século XIV, quando pela primeira vez o método das partidas dobradas foi instituído, satisfazendo desta maneira de forma definitiva o caráter “quantitativo” da informação contábil. Nota-se, assim, que a palavra “sistema” no âmbito do Sistema de Informação Contábil é relacionada à lógica matemática utilizada na apuração dos saldos contábeis e não propriamente aos modernos sistemas computadorizados utilizados pelos departamentos de contabilidade, que também utilizam a mesma lógica matemática instituída no século XIV. uma quantidade de incertezas que são reduzidas quando a mensagem é recebida. E, por último, a definição dada pelo cientista social Gregory Bateson, na qual o termo informação é definido como “a diferença que faz a diferença”. Esta última definição, apesar de ser um pouco vaga em seu sentido próprio, é a que demonstra ser a mais adequada quando se pensa na estruturação um Sistema de Informações Empresarial, dado que os gestores passam quase todo o seu tempo útil comparando a realidade da organização (em termos de resultados obtidos) com os resultados expressos em orçamentos e/ou os resultados apresentados pela conjuntura macroeconômica na qual a organização está inserida. Da mesma forma que se busca a correta concepção acerca do termo informação, é necessário que se saiba exatamente o que esperar de uma informação de qualidade, que seja capaz de agregar valor às decisões dos gestores e consequentemente à empresa. De acordo com esta concepção, as características intrínseca à informação são: Pertinência, Brevidade, Acurácia, Redução de Incertezas e Elemento Surpresa. Explorando-se um pouco mais estas definições,tem- se uma concepção mais clara a respeito destas cinco características, conforme detalhado a seguir: Pertinência: É fundamental que para a tomada de decisões tanto em nível interno como externo à organização, que a informação carregue consigo a capacidade de auxiliar as pessoas corretas da maneira correta; Brevidade: Quanto mais cedo os gestores tiverem em mãos as informações necessárias para a tomada de uma determinada decisão, maior o valor da informação para os mesmos e para a empresa; Acurácia: Informações que carreguem erros poderão causar decisões com impacto negativo para a empresa; a acurácia está muito relacionada ao tempo, ou seja, informações a respeito do passado e do presente tendem a ter mais acurácia que as informações que tratam a respeito de eventos futuros; Redução de Incertezas: Esta qualidade da informação está relacionada à definição de que a informação é a “diferença que faz a diferença”, assim, a posse de uma boa informação gera uma decisão de qualidade superior; Elemento Surpresa: Uma informação de qualidade deve trazer fatos antes desconhecidos pelo(s) usuário(s) da mesma e não apenas fatos que induzam os usuários a obter a informação de que realmente necessitam e desconhecem. Apesar destas características serem intrínsecas a uma informação de qualidade, o desconhecimento ou a pouca atenção dados às mesmas durante o processo de formulação de um Sistema de Informações Empresariais pode resultar em um trabalho final que esteja aquém das expectativas e/ou necessidades iniciais da empresa. Assim, tem-se que o Sistema de Informações deve ser constituído visando à obtenção de informações que primem pela qualidade, palavra que expressa a união das cinco características fundamentais acima detalhadas. O Plano de Contas A percepção de que o SIC é a “espinha dorsal” do SI de qualquer organização é o ponto de partida para o entendimento de como se estrutura o Sistema de Informação de uma empresa. A partir da constituição do SIC como o elemento lógico capaz de assegurar as bases de “qualidade” e “acurácia” da informação econômico-financeira (lembrar dos objetivos principais da empresa), têm-se no Plano de Contas as menores estruturas de informação do SIC, ou seja, para tantas quantas forem as transações que necessitam de registro individualizado, será necessário que exista no Plano de Contas da empresa uma conta ou sub-conta em específico que seja capaz de receber os respectivos lançamentos contábeis advindos daquele tipo transação em particular. Por exemplo, se é importante para a gerência de uma determinada empresa saber qual é o total de despesas (relacionadas à formação de custo) de um produto, no plano de contas, na seção contas de resultado, será necessário que todos os “componentes” do custo daquele produto sejam registrados em contas contábeis distintas. Desta forma, será possível extrair informações específicas e analisar cada um dos componentes do custo deste produto de forma detalhada. Normalmente os lançamentos mais específicos são lançados em sub-contas, que totalizam nas contas imediatamente superiores e assim por diante. Diante deste fato, dependendo do nível de detalhe exigido pela operação, gerência e administração da empresa, o plano de contas pode ser mais sintético (com menor numero de encadeamento de contas e sub-contas) ou mais analítico (o inverso). Geralmente adota-se até 8 níveis distintos de detalhamento contábil das transações, sendo que há casos em que é necessário registrar-se transações em níveis ainda mais detalhados. Através do plano de contas – da sua lógica “totalizadora” e da prova zero (total de débitos sempre será igual ao total de créditos) – no qual 100% das transações da empresa são registradas, têm-se a base informacional que será utilizada na administração dos resultados econômico- financeiros da empresa. A partir desta estrutura informacional, mais adiante veremos que será possível agregar mais informações de natureza não monetária. Ao conjunto de todas estas informações e recursos necessários para obtê-la damos o nome de Sistema de Informações. Colocada desta forma, a natureza do Plano de Contas será a responsável por prover os diversos níveis de gestão da organização de informações econômico-financeiras mais ou menos detalhadas, segundo as necessidades informacionais de cada empreendimento. Em se tratando de plano de contas e da vida operacional da empresa, é comum que de tempos em tempos ou mesmo extraordinariamente contas e sub-contas sejam criadas ou retiradas de uso. O motivo é simples: como as organizações são dinâmicas, o plano de contas, base do SIC, deve manter-se atualizado para sempre refletir o conjunto de transações da empresa da forma mais precisa e transparente possível. Diante disto, podemos afirmar que “Toda e qualquer área da empresa a qual dê origem a qualquer tipo de transação (interna ou externa à organização) e que esteja sujeita a ser expressa em termos monetários, estará necessariamente vinculada ao SIC, enviando ao mesmo suas movimentações de acordo com regras pré-definidas e adequadas a uma correta contabilização”. 4.4 A Tecnologia da Informação e a Integração dos componentes do SI O posicionamento do SIC perante o SI é fundamental para que seja possível compreender como os modernos Sistemas de Informação das empresas são concebidos e construídos. Já em pleno século XXI, não faz mais sentido tratarmos os Sistemas de Informação como sendo estruturas informacionais independentes da Tecnologia da Informação, ou seja, se é verdade que no passado os Sistemas de Informação foram criados e operacionalizados sem o uso dos modernos recursos tecnológicos, também é verdade que nos dias atuais praticamente a totalidade das empresas que dispõem de um SI o operacionalizam a partir de recursos computacionais específicos para o tratamento de dados e informações. Para entendermos melhor a importância da Tecnologia da Informação na constituição dos Sistemas de Informação, primeiramente é necessário compreendermos como em geral as empresas utilizam suas informações no seu dia-a-dia operacional e administrativo. Para tanto, vamos imaginar a empresa um “sistema” composto de alguns “subsistemas” como: Departamento de Compras, Departamento de Estoques, Departamento de Manufatura, Departamento de Vendas, Departamento de Manutenção, Departamento de Entregas e Departamento Administrativo. Este exemplo simplificado de um “Sistema Empresa”, composto por sete “subsistemas” independentes, é tipicamente um sistema “aberto” o qual recebe e fornece informações a outros “sistemas” como por exemplo o “Sistema Governo” e “Sistema Acionistas”. O mesmo ocorre com os subsistemas: tanto recebem quanto fornecem informações a outros sistemas / subsistemas. Neste mapa fictício, é possível imaginar que as diversas áreas da empresa necessitam de dados específicos para o seu próprio funcionamento, bem como necessitam “transmitir” dados vitais para outras áreas da empresa. Diante desta necessidade natural de “consumir” e “produzir” informações, as diversas áreas da empresa necessitam de sistemas (ou subsistemas) de informação próprios, adequados à natureza de suas atividades. Para o exemplo de empresa citado, vamos considerar a seguinte matriz informacional simplificada entre os seus subsistemas: Informações Geradas Informações Recebidas Informações Compartilhadas Compras Quantidade de matéria- prima adquirida Necessidade de matéria-prima para produção Valor monetário da matéria-prima adquirida Estoques Quantidade de matéria- prima em estoque Necessidade de matéria-prima para produção Valor monetário da matéria-prima estocada Manufatura Necessidade de matéria- prima para produção Quantidade de produtos acabados esperados para o período Valor monetário do custo de produção Vendas Quantidade de produtos acabados esperados para o período Quantidade de matéria-primaem estoque Valor monetário das vendas efetuadas Manutenção Quantidade de Máquinas que necessitam de reparo preventivo Disponibilidade de Máquinas para reparo de acordo com plano de produção Valor monetário do custo das manutenções realizadas por máquina Entregas Quantidade de entregas realizadas no período Quantidade de produtos acabados que devem ser entregues Valor monetário do custo das entregas realizadas Administrativo Demonstrações Contábeis (Todas as Compartilhadas) (Todas as Recebidas) Diante deste exemplo nota-se o seguinte: 1) Cada área da empresa trabalha com um conjunto específico de informações; 2) Todas as áreas da empresa são capazes de compartilhar uma parcela do seu conjunto de informações; 3) Todas as áreas da empresa necessitam de informações advindas de outros departamentos para poderem “inserir-se” nas cadeias “produtiva” e “informacional”; 4) Uma grande parte das informações compartilhadas são expressas através de valores monetários; 5) O “valor monetário” das transações é uma espécie de “linguagem universal” entre os departamentos da empresa; 6) Existem informações (não expressas na matriz-exemplo) vitais para o funcionamento das áreas da empresa que são de natureza qualitativa: Tipo e especificação da matéria prima, condições de armazenagem, especificação do produto requerido pelo cliente, tempo de espera máximo aceito pelo cliente para as operações de entrega etc.; 7) A mesma informação ou o mesmo conjunto de informações podem ser utilizadas por mais de uma área da empresa; 8) A administração (departamento de contabilidade incluso) recebe informações de todas as áreas da empresa; 9) A administração só pode compartilhar as informações que foram recebidas das demais áreas da empresa; 10) As demonstrações contábeis são o “reflexo” das transações ocorridas na empresa. Como visto a partir deste exemplo bem simplificado e de caráter didático, existe uma lógica própria em termos de operação e geração de informações interdepartamentais na empresa: grosso modo, cada departamento possui um rol de informações próprias e necessárias ao seu bom funcionamento, informações de diferentes naturezas circulam entre diferentes departamentos da empresa e o SIC (contabilidade) “recolhe” as transações realizadas sempre na forma de informações expressas em termos quantitativos e monetários. Logo, o Sistema de Informações das organizações deve procurar se adaptar a estas características naturais do “Sistema Empresa”, sendo concebido a partir de três conceitos básicos: 1) Atender a cada departamento da empresa em termos de disponibilizar ao mesmo dados e informações específicas ao seu melhor desempenho frente ao objetivo geral da empresa (maximizar os lucros); 2) Permitir o trânsito de dados e informações entre diferentes departamentos a fim de facilitar a gestão interna de cada área da empresa em termos de acesso a informações-chave aos seus processos internos e 3) Estruturar-se a partir de um Sistema de Informação Contábil que esteja apto a suprir a administração de informações de qualidade e de máxima confiabilidade. Analisado desta forma, o SI deve ser concebido e construído para ser um sistema “integrador” e “consolidador”, sendo que o SIC, como já vimos anteriormente, sempre será o responsável direto pela “consolidação” das informações que serão utilizadas pela administração da empresa. Estas funções de integração e consolidação, que podem ser reconhecidas como as principais do SI, tem o seu funcionamento extremamente facilitado através do emprego de recursos computacionais providos pela Tecnologia da Informação. A Tecnologia da Informação (TI) no âmbito do SI Antes de adentrarmos ao conceitos específicos sobre TI, é importante notar que este assunto está “inserido” no âmbito dos Sistemas de Informação das empresas basicamente como um “meio” ou “recurso” que é utilizado para aumentar-se a confiabilidade, a qualidade, a acurácia, a eficiência e a eficácia informacional nas empresas. É sempre bom lembrar que a Tecnologia da Informação, em nosso estudo e em nossa profissão de administradores ou contadores de empresas, sempre será vista como uma “ferramenta” que, apesar de não ter uma finalidade em si mesma (a TI só tem sentido se empregada a favor de alguma coisa) a mesma deve ser plenamente conhecida e dominada por todos os profissionais que dela se aproveitam para maximizar a confiabilidade, a qualidade e a eficiência de deu trabalho. Colocada a TI em seu devido lugar, podemos inseri-la como sendo integrante do Sistema de Informação, que neste contexto é composto pelos seguintes componentes: 1) Dados; 2) Pessoas; 3) Procedimentos; 4) Programas Aplicativos; 5) Equipamentos e Infraestrutura de Informática. Visto desta forma mais “moderna”, os atuais Sistemas de Informação são definidos e construídos com a utilização dos itens “Programas Aplicativos” e “Equipamentos e Infraestrutura de informática”, diferentemente dos antigos SI’s, baseados quase que exclusivamente em dados, pessoas e procedimentos. De toda forma, como dito anteriormente, é inexorável que a atual tecnologia disponível para o universo de geração, compartilhamento e armazenamento de dados e informações seja amplamente empregada nas organizações atuais. Ainda que a TI tenha sido aplicada de forma nítida aos Sistemas de Informação somente nos últimos 30 – 40 anos, a evolução desta tecnologia trouxe ganhos incalculáveis e sem precedentes na história principalmente em termos da agilidade e confiabilidade na disponibilização de informações com a qual os administradores passaram a tomar decisões diante da crescente competitividade no mundo empresarial. Atualmente, a importância da TI para os Sistemas de Informação é tão grande que muitas vezes os mais “desavisados” tendem a identificar na TI a própria essência dos Sistemas de Informação, que como vimos, dependem essencialmente de Dados (necessariamente confiáveis), Pessoas (necessariamente capacitadas) e Procedimentos (necessariamente desenhados e adequados a cada tipo específico de organização). 4.5 Estrutura Tecnológica do Sistema de Informação Empresarial Nesta parte de nosso estudo, passaremos a “materializar” a Tecnologia da Informação no âmbito dos Sistemas de Informação e vice-versa. Nota-se que esta simbiose de recursos (de TI) e objetivos (do SI) é extremamente forte a ponto de não existir a menor probabilidade das empresas que já se utilizam de recursos de TI deixarem de utilizá-los em condições normais de operação. Na atual era da informação, se os Sistemas de Informação são vitais para as empresas, a Tecnologia de Informação é vital para os SI. A partir da visão clássica de sistemas, onde existe uma entrada, um mecanismo de transformação e uma saída, estende-se esta visão a uma definição prática voltada aos Sistemas de Informação no ambiente de TI: Dispositivos de Entrada, Processamento de Dados e Produtos Informacionais como “saída”. A seguir, analisamos com maior profundidade como são constituídas estas estruturas. Dispositivos de Entrada O ciclo de transformação de dados em informações de qualidade que sirvam aos propósitos de cada departamento em auxiliar a empresa a alcançar seus objetivos requer que exista uma estrutura pré-definida de entrada de dados e informações no Sistema de Informações. Neste ponto do estudo vale destacar a seguinte frase: “Se as informações utilizadas pelos administradores da empresa (em sua tarefa de conduzir a organização a maximizar o seu lucro e a sua continuidade operacional) valem ouro, então é necessário que se introduza ouro em forma de dados no Sistema de Informação da Empresa”. Em outras palavras, se os dados de entrada forem confiáveis e de qualidade, ter-se-á como produto final do SI informações confiáveis, de alta qualidade e alto valor agregado para os tomadores de decisão; de maneiraanáloga, se os dados de entrada não carregarem consigo os atributos desejáveis, as informações de saída não terão serventia para coisa alguma – pior – podem induzir os tomadores de decisão ao erro. Neste aspecto, com o passar do tempo e com o amadurecimento da TI, alguns dispositivos de entrada foram desenvolvidos para maximizar a qualidade e a confiabilidade dos “dados de entrada” dos Sistemas de Informação. Não é nosso objetivo neste texto esgotar tecnicamente a descrição dos dispositivos de entrada, mas sim o de associar tais mecanismos à qualidade, eficiência e eficácia envolvidos na inserção de dados no SI. Eis alguns dos principais dispositivos de entrada: a) Documentos-Fonte: É muito comum que informações sejam captadas pelos Sistemas de Informação a partir de informações lidas, inseridas ou digitadas por pessoas treinadas a partir da utilização de formulários eletrônicos ou em papel no qual as informações que são colhidas já possuem uma estrutura definida, como por exemplo a associação de um nome de rua a um determinado Código de Endereçamento Postal (CEP) ou a validação de um numero de conta bancária ou Cadastro de Pessoa Física (CPF) a partir de seu dígito verificador; b) Dispositivos de Leitura Óptica: Destacam-se os Leitores de Código de Barras (os quais identificam uma série de informações sobre um produto a partir da codificação implícita na disposição de barras verticais impressas uma etiqueta e os leitores OCR (Optical Character Recognize) ou Reconhecimento Óptico de Caracteres, em que leitores ópticos sensíveis à luz reconhecem caracteres escritos ou digitados a partir de documentos impressos; c) Dispositivos de Leitura Magnética: Os mais comuns são os cartões de tarja magnética, como os encontrados nos cartões de crédito, crachás de funcionários e demais dispositivos móveis como por exemplo as etiquetas lidas por RFID (Radio- Frequency IDentificationt) como as encontradas no pára-birsa de automóveis que acionam automaticamente a cancela de pedágios e shopping centers, Nota-se que estas formas de leitura de dados, dentre outras, são auxiliares aos dispositivos clássicos utilizados pela TI na tarefa de “carregar” o SI de dados de qualidade; a saber: leitura digital de arquivos-texto gerados por computador, digitação manual de informações em campos específicos de sistemas aplicativos, carga de dados a partir de aplicativos web, digitalização de texto e imagens impressas a partir de dispositivos específicos (scanners), gravação de som e imagens no formato digital etc. O ponto focal desta definição dos “Dispositivos de Entrada” é o entendimento que existem diversas formas dos Sistemas de Informação “receberem” a carga de dados que serão necessários para a elaboração das informações de maior valor agregado. Outro ponto muito importante é o reconhecimento do fato de que tais dispositivos, em conjunto com métodos e processos pré- definidos, visam garantir a integridade das informações do SI em um ambiente em que a inserção e conferência manual dos dados são praticamente impossíveis em muitos ramos de atividade, no contexto da nova economia globalizada e já alicerçada pelo amplo uso da TI. O Banco de Dados Ao se tratar da “entrada” de dados no Sistema de Informação, é importante que se entenda com muita clareza o conceito de “Banco de Dados” no âmbito desta estrutura informacional. O primeiro conceito que deve estar muito claro é que o “Banco de Dados” é um software que tem a capacidade de armazenar dados de forma estruturada. Por ser um software com uma atribuição definida, o “Banco de Dados” é costumeiramente nomeado de SGBD ou “Sistema Gerenciador do Banco de Dados”. Entendido o conceito “genérico” do Banco de Dados, em termos de SI é importante definir o conceito de “Base Única de Dados”. Como veremos mais adiante, é natural que os vários sistemas ou softwares existentes na empresa “armazenem” as suas informações em um Banco de Dados o qual é estruturado em “tabelas” (tabelas são matrizes de n linhas x m colunas, totalizando mn células) de forma que cada dado fique armazenado em uma célula de uma respectiva tabela. Considerando este mecanismo básico de armazenamento de dados, surgem dois problemas muito sérios relacionados ao Sistema de Informação da organização: o da possível existência de mais de um Banco de Dados no mesmo SI e / ou a duplicação de dados relacionados a um mesmo evento / transação. Vejamos um exemplo de cada caso: Exemplo 1 – Dois Bancos de Dados operando no mesmo SI Uma empresa utiliza um Banco de Dados fabricado por uma indústria denominada ORC. Neste banco de dados são armazenados os dados provenientes de todas as transações da empresa, advindos de seus vários subsistemas informacionais, exceto os dados relativos às transações de mercadorias destinadas à exportação, que respondem por menos de 1% da receita bruta da empresa e que são tratados por um Sistema denominado EGCOMEX – o qual só consegue utilizar um Banco de Dados fabricado por outro Fabricante de Banco de Dados: MST. Neste exemplo, grosso modo, 99% das transações da empresa estão registradas no Banco de Dados ORC enquanto que 1% das transações estão armazenadas no Banco de Dados MST. Ou seja, não se configura uma base única de dados, já que os dados deverão ser “duplicados” ou “copiados” do Banco de Dados MST para o Banco de Dados ORC. O problema é que nunca se saberá com certeza (a menos que se façam comparações exaustivas) se os dados relativos ao Comércio Exterior existentes no Banco de Dados ORC são os mesmos contidos no Banco de Dados MST, já que qualquer novo evento no sistema EGCOMEX fará com que o Banco de Dados MST seja atualizado automaticamente. Exemplo 2 – Duplicação de Dados no mesmo SI Uma empresa possui um sistema denominado TESY utilizado para o gerenciamento das contas correntes da empresa que se comunica “on line” com o sistema de seu banco comercial. A cada final de expediente bancário, uma das informações recebidas pelo sistema TESY é a cotação do dólar utilizado pelo banco para realizar as operações em moeda estrangeira realizada pela empresa. Estas informações diárias da cotação do dólar são gravadas em uma tabela JD0078 do Banco de Dados ORC. Paralelamente, a empresa possui um outro sistema de gerenciamento de fluxo de caixa denominado CASH utilizado pela tesouraria, que também utiliza a cotação diária do dólar para efeito do cálculo das receitas e despesas correntes. Estas informações do dólar são adquiridas no site do Banco Central, a seguir são digitadas manualmente no sistema CASH e gravadas na tabela JD0876. Todas as operações da empresa em moeda estrangeira são repassadas pelo sistema CASH ao SIC, enquanto que os pagamentos e recebimentos são executados a partir das cotações do dólar encontrados na tabela utilizada pelo sistema TESY. Não é preciso muito esforço para percebermos que cedo ou tarde haverá diferenças significativas entre o real e o contabilizado, sendo que a conciliação entre saldos dificilmente apurará de onde exatamente vem a diferença de saldos. Os dois exemplos acima destacam problemas similares, com causas bem distintas. O exemplo 1 nos traz um problema de ordem tecnológica (incompatibilidade de códigos dos softwares utilizados nos dois casos relatados) enquanto que o exemplo 2 tende a ser um problema de processo, onde foi permitida a duplicação de dados que em tese deveriam estar gravados ou armazenados em uma única tabela. Percebe-se, desta forma, que além da qualidade dos dados que devem ser inseridos no SI, é necessário que haja uma sólida estrutura de inclusão, exclusão, alteração e consulta de dados. Na prática, um bom SGBD deve dar ótimas respostas às seguintes questões: I. Como é ou será possível proteger os dados que são compartilhados por vários sistemas e usuários diferentes? II. Como melhor estruturar os dados para que os mesmos estejam disponibilizados de forma a atender com facilidadeas diversas demandas informacionais da empresa? III. Como minimizar os impactos negativos ocasionados pela freqüente mudança ou troca de sistemas aplicativos? IV. Como evitar erros e falhas de hardware, software e operacionais em na base de dados? Com base nesta “qualidade” implícita aos SGBD, é esperado que os mesmos possuam as seguintes características: I. Integridade dos Dados: tanto Física (contra destruição acidental ou proposital dos meios magnéticos) quanto Lógica (adulteração e erros); II. Rapidez e Flexibilidade no acesso à informações; III. Independência entre Dados e Programas; IV. Sigilo e Segurança de Dados (via utilização de senhas de identificação / autenticação, segregação de perfis de acesso e autorizações para alterar informações do Banco de Dados) e Criptografia (através da codificação de dados com uso de software criptográfico); V. Padronização de Dados (em termos de tamanho, natureza, lógica e restrições de forma). Além das virtudes esperadas de um bom SGBD, é necessário elaborá-lo a partir do desenvolvimento de uma conceituação do modelo de dados, que atende as seguintes hipóteses: - Modelo em Rede, baseado no conceito de associação, via informações-mestre, as quais temos aglutinadas informações-detalhe. O acesso é randômico/aleatório e é feito via chave (key) até a informação mestre e, em seguida, alcançarmos as informações-detalhe associadas a essa informação-mestre, via sequencial ou direto; - Modelo Hierárquico, baseado em uma estrutura em árvore (hierárquica) caracterizando-se como caso particular do modelo em rede, onde a associação entre duas entidades em níveis consecutivos é única; - Modelo Relacional, viabilizado por tabelas onde os registros são alinhados. (este modelo é o utilizado nos exemplos de nosso texto). Processamento de Dados Uma vez que os dados necessários à formulação de informações estejam carregados na base de dados (considerando-se toda a complexidade acima descrita) podemos nos preocupar em entender como os dados transformam-se em informações no âmbito do SI. Em primeiro lugar é necessário considerar que o Sistema de Informações no âmbito da TI é formado pela união de vários subsistemas (ou softwares) diferenciados, cada qual com sua característica e finalidade próprias. Cada um destes subsistemas possui uma “missão” particular; missões somadas, chega-se ao resultado comum de auxiliar a empresa a cumprir com seus objetivos primordiais (maximização do lucro e continuidade operacional). Para melhor visualizar o processamento de dados no âmbito do SI, vamos separar os dados em quatro tipos-chave, abaixo descritos: a) Dados Quantitativos e Monetários: Os Dados Quantitativos e Monetários são aqueles que carregam informações relacionadas às transações da empresa. Por exemplo, se é realizada uma venda de mercadorias, é necessário creditar e debitar todas as contas do plano de contas relacionadas a esta transação. Cada vez que uma transação é efetuada, em que um débito ou crédito é realizado em uma determinada conta, passa-se a ter uma Informação Contábil; b) Dados Quantitativos e Não Monetários: Os Dados Quantitativos e Não Monetários são aqueles utilizados para sustentar numericamente as operações da empresa (quer seja no plano operacional, como no plano gerencial, como o plano estratégico) ou seja, todos os dados que combinados proporcionam Informações Quantitativas, como por exemplo o cálculo do numero de horas-máquina que serão necessárias para atender a uma determinada ordem de produção; c) Dados Qualitativos e Numéricos: Os Dados Qualitativos e Numéricos são aqueles que, quando combinados, possibilitam a agregação de valor a parâmetros originalmente qualitativos que, quando posicionados em relação a uma atribuição de valores, geram Informações Escaláveis como, por exemplo, o grau de satisfação do consumidor para com serviços prestados pela empresa ou o poder de penetração de instrumentos de marketing (anúncios em revistas, comerciais de televisão) em camadas específicas de clientes das classes A, B, C, D ou E d) Dados Qualitativos e não Numéricos. Os Dados Qualitativos e não Numéricos são aqueles que podem ser classificados como “não estruturados” e que são complementares aos demais. Nesta classe de dados que, quando combinados, geram Informações Não Estruturadas, podem ser atribuídas as imagens, textos, sons, cores e demais informações de caráter muito específico, mas que são de fundamental importância para a operação da empresa. Por exemplo, em uma montadora de automóveis, os novos protótipos em desenvolvimento são gerados através de desenhos e projetos que são editados em sistemas conhecidos por CAD (Computer Aids Design) e que podem ser recuperados e reproduzidos a qualquer tempo, com a finalidade de aperfeiçoar o projeto conforme o seu cronograma de desenvolvimento. É importante relembrar que “dado” é um componente da “informação” ou seja, por exemplo, um débito ou um crédito realizado em uma determinada conta contábil é capaz de “contextualizar” um número X que sozinho não quer dizer absolutamente nada, a não ser a representação matemática do próprio número, que por si só é apenas um “dado”. Diante de tantas formas de dados que, quando combinados e “processados” pelos softwares geram diferentes tipos-base de informação, vamos desenhar o “mapa de processamento” de uma empresa-exemplo a partir destas quatro modalidades informacionais. Na maioria das empresas, o SIC é denominado “Sistema Contábil”. Diretamente vinculadas ao SIC estão as partes dos demais subsistemas da empresa que geram informações contábeis. Todos os subsistemas que geram informações que são “recolhidas” pelo SIC são sistemas operacionais, transacionais. Daí advém o fato de que a união do SIC com os demais subsistemas transacionais da empresa é denominado SISTEMA TRANSACIONAL, baseado unicamente em informações contábeis, de caráter numérico e monetário. Agregados ao Sistema Transacional, estão os SISTEMAS ESPECIALISTAS que são capazes de processar diferentes tipos de dados até obter informações Quantitativas, Escaláveis ou Não Estruturadas. Os Sistemas Especialistas são amplamente utilizados em diversas áreas da empresa, desde sistemas voltados ao recrutamento e seleção de funcionários, passando por sistemas específicos para o relacionamento com clientes, até sistemas capazes de desenhar a melhor rede de distribuição para os produtos da empresa. De acordo com esta visão, percebe-se que o SI é formado desde sistemas voltados quase que exclusivamente para a gestão da empresa (o exemplo clássico é o SIC) até sistemas extremamente específicos que são utilizados – não raras vezes – por uma ou duas pessoas na empresa, como por exemplo um Sistema de Cálculo de Matéria Prima necessária para efetuar-se a produção de uma quantidade X de um produto Y, sistema este utilizado apenas pelo planejador de produção. O ponto em comum a todos os sistemas constituintes do SI é que todos os dados, rotinas de processamento (softwares) e informações obtidas são de inteira propriedade da empresa, ou seja, em tese, a qualquer momento a empresa pode ter acesso a qualquer dado, software e informação que são de sua propriedade e não dos “operadores” de cada um destes subsistemas do SI. De qualquer forma, em que pese a necessidade de se projetar e implementar um SI que seja confiável em sua plenitude, uma base única de dados carregada por dados confiáveis e de qualidade é um “ativo” da empresa de tal magnitude que algumas empresas (como os bancos e seguradoras, por exemplo) só existem, tornam-se competitivas e sobrevivem no mercado graças à total confiabilidade de seus clientes em seus Sistemas de Informação. O “Processamento” em si dos dados é realizado por microprocessadores que “rodam” os sistemas aplicativos específicos a cada necessidade informacional da empresa. Assim, os componentes necessários ao processamento dedados são: Banco de Dados, Aplicativo (Software), Rede de Comunicação e Hardware (Computador, Monitor,Teclado, Mouse, Placas de Rede etc.). O ponto de destaque da rotina de processamento são os softwares ou programas de computador que foram concebidos para transformar um conjunto de dados em um conjunto de informações, a partir de regras conhecidas e pré-estabelecidas. Via de regra um sistema só oferecerá ao seu usuário as funcionalidades necessárias ao cumprimento de objetivos específicos, baseados em necessidades informacionais conhecidas. Desta maneira, no âmbito da Tecnologia da Informação, podemos enxergar um “sistema” como sendo um grande conjunto de “instruções” (ou programas) que sabem aonde buscar as informações (nas células de tabelas específicas do Banco de Dados), sabem como combinar estes dados (através de cálculos pré-configurados ou associação de dados de diferentes naturezas), sabem como e onde armazenar o resultado do processamento e sabem como apresentar o resultado destas combinações na forma de informações de alto valor agregado, na forma de relatórios ou quaisquer outras formas que melhor auxiliem os gestores na tomada de decisão. Para tanto, não raras são as vezes em que os usuários de sistemas transacionais ou sistemas especialistas anseiam por terem em suas mãos – prontos para uso – sistemas feitos sob medida para as suas necessidades informacionais. Esta “ansiedade” dos usuários de sistemas, muitas vezes é benéfica para a empresa, na medida em que as informações geradas nestes moldes possuem formatos mais adequados às reais necessidades da organização. Contudo, às vezes, um excesso de exigências ou pedidos de reformulação dos sistemas originais visando uma melhor adequação de sua operação ou obtenção de informações acaba por “desconfigurar” o software, ou seja, é necessário a utilização de muito bom-senso por parte dos usuários e gestores de TI para se medir a relação benefício-custo de alterações que possam vir a ser realizadas em sistemas. Por exemplo, será que vale a pena investir a quantia de X mil reais em especificações funcionais, desenvolvimento e testes de novas modificações em um software apenas para que as cotações em Dólar, Euro e Reais apareçam na mesma tela ao invés de três telas distintas? A resposta pode ser sim, caso a navegação seja demorada (grande espaço de tempo de resposta do sistema) e isso prejudique a negociação de contratos da empresa que é feita por telefone, ou a resposta pode ser não, se esta informação não for crucial para nenhum processo de negócio da empresa. Dispositivos de Saída Dados confiáveis e de qualidade inseridos com sucesso no Banco de Dados. Dados processados adequadamente por sistemas aplicativos transacionais ou especialistas, os quais geraram informações relevantes aos tomadores de decisão. Falta completar o ciclo de edição ou “publicação” das Informações geradas pelo SI. Da mesma forma que a TI acabou por desenvolver “dispositivos de entrada” para os Sistemas de Informação, a mesma Tecnologia acabou por encontrar soluções denominadas “dispositivos de saída” que tem a finalidade de apresentar e compartilhar os “produtos” do SI. Os dispositivos de saída mais comuns são explicitados abaixo: a) Impressoras Convencionais: As impressoras constituem um dos meios mais comuns de publicação das informações advindas do SI. Muitos gestores preferem tomar decisões a partir de um conjunto de relatórios impressos em papel, o que denota que os Sistemas de Informação devem ter a capacidade de enviar para as impressoras relatórios de bom acabamento gráfico. As impressoras mais comuns são as matriciais (em que pequenos fios chocam-se ordenadamente sobre uma fita carregada de tinta, criando pontos de impressão no papel), as impressoras do tipo “jato de tinta” (as quais projetam sobre a folha de papel minúsculos pontos de tinta) e as impressoras a laser, de funcionamento similar às máquinas copiadoras. Cada uma das impressoras possuem vantagens e desvantagens, sendo que cada empresa deve escolher a melhor opção para fins específicos. b) Impressoras Virtuais: É cada vez mais comum a substituição de documentos impressos em papel por documentos impressos em arquivos eletrônicos do tipo PDF. Nesta modalidade, pode-se armazenar eletronicamente e visualizar-se os documentos na tela do computador com exatamente o mesmo formato que possuem os documentos impressos em papel. A grande vantagem é a economia de tinta, de papel, de energia elétrica e a disponibilização dos arquivos em meio magnético, o que torna fácil o armazenamento e a recuperação destes documentos. c) Saída em Vídeo: Muitas vezes a consulta a informações advindas do SI não necessitam ser impressas e uma simples consulta ao monitor que está ligado ao computador é suficiente para que a informação seja assimilada pelo seu usuário. A grande vantagem da saída em vídeo é a velocidade em que podem ser obtidas informações, haja vista que a procura por determinadas informações em documentos extensos é facilitada por ferramentas de Busca do tipo “localizar”. d) Arquivos Magnéticos: É possível gerar e gravar as informações advindas do SI em meio magnético, seja no próprio disco rígido do computador, seja em disquetes magnéticos. Através de “marcas” magnéticas em material sensível, gravam-se uma sequência de zeros e uns que são traduzidos pelos sistemas e computadores em dados e estes em informações. e) Arquivos Multimídia: Funcionam de forma semelhante aos arquivos magnéticos, porém a gravação dos dados dá-se em mídias que são marcadas com uma sequência de presenças e ausências de depressões microscópicas em uma trilha em espiral. A cada presença ou ausência de depressões os sistemas / computadores interpretam como zero ou um e daí estabelece-se o registro de dados e informações. A grande vantagem é a enorme quantidade de informação que se pode gravar em uma mídia do tipo CD, cerca de 450 vezes a capacidade de um disquete (meio magnético). Comunicação de Dados e Redes Com a constante evolução da TI, cada vez mais nota-se o estabelecimento de um processo de virtualização da infraestrutura operacional dos Sistemas de Informação. Ainda que sempre se necessite de dispositivos de entrada, objetos de processamento de dados e dispositivos de saída, nada nos garante (e cada vez mais teremos dúvidas sobre este fato) que estas três peças tecnológicas constituintes do SI estejam fisicamente próximas entre si. Neste tipo de análise a questão é muito menos “geográfica” do que parece, na verdade quase que não importa em que local do planeta Terra estejam os dispositivos de entrada, o SGBD, o servidor de aplicativos e os dispositivos de saída: o que importa de verdade é como é que se estabelece a comunicação entre os mesmos em termos de eficiência e eficácia operacional. Em termos de redes de comunicação têm-se duas magnitudes diferentes. A primeira estrutura é conhecida como “Rede Local” ou Local Area Network (LAN) e tem por objetivo interligar computadores, servidor de e-mail, impressoras e demais recursos de microinformática que estejam localizados em um mesmo prédio ou em vários prédios geograficamente concentrados. A principal motivação do estabelecimento deste tipo de rede é proporcionar o suporte a um serviço de e-mail compartilhado e eficiente, além de gerar economias de escala em termos de aquisição de impressoras e licenças de uso de aplicativos. A segunda modalidade de redes são as redes remotas WAN’s (Wide Área Network) que cobrem áreas geográficas de maior extensão (região, país ou vários países) e que permitem as empresas interligarem os seus recursos de TI com a finalidade de estabelecer canais eficientes de comunicação. Toda esta estrutura é apoiada numa extensa rede de telefonia, transmissões de dados por fibra óptica, transmissões de dados por satélites etc. A contextualização deste assunto no âmbito da Tecnologia da Informação aplicada aosSI’s é de fundamental importância para que os modernos administradores, controlers, contadores e demais profissionais que atuam na gestão das empresas entendam o que é e como funcionam os mecanismos que permitem que a comunicação de dados e informações seja efetiva na vida das empresas; os SIC’s, muitas vezes, necessitam compilar informações advindas de uma série de fontes diferentes não raras vezes localizadas em estados e mesmo em países distintos. Observemos que, no campo de atuação do controle de uma organização que possui mais de uma unidade administrativa, o SI deve ser pensado inclusive no âmbito da tecnologia que será empregada para recolher e consolidar dados originalmente residentes em sistemas, empresas e regiões diferentes; desta maneira, por exemplo, o Plano de Contas deve ser único para todas as unidades da empresa que devem reportar dados à “Matriz”. Desta forma, olhando-se um pouco mais “de longe” (sem estarmos mergulhados apenas em um determinado assunto, como por exemplo o Banco de Dados) compreende-se porque o SI, além das pessoas capacitadas, procedimentos adequados e dados estruturados de qualidade é formado intrinsecamente por softwares (incluindo o banco de dados) e por toda a infraestrutura de hardware, redes de comunicação e demais recursos empregados com a finalidade de proporcionar a “informação certa e de qualidade para a pessoa certa e no momento certo”. Com assunto assim explicitado, torna-se impossível desassociar esta gama de recursos humanos, metodológicos, tecnológicos e informacionais entre si, pois os mesmos constituem as “engrenagens” desta “máquina” aqui conhecida como “Sistema de Informação” da empresa. Tecnologia da Informação versus Estratégia da Empresa Após descrevermos genericamente a estrutura tecnológica do Sistemas de Informação de uma organização, é importante considerarmos aspectos adicionais relacionados a este assunto que cada vez mais se tornam importantes para as empresas e os executivos ligados à área de TI. É importante observar que se é verdade que a TI é fundamental e inerente às atividades de fomentação informacional aos gestores da empresa, também é verdade que a TI não está restrita somente a operações de “backoffice”(ou administrativas), mas sim integradas a muitos aspectos do negócio. Seguindo o mesmo raciocínio, o mesmo se dá com os CIO’s (Chief Information Officer’s – executivos responsáveis pela gestão da TI na empresa – que deixaram de pertencer a um perfil de cunho meramente operacional (no passado estes profissionais possuíam um perfil muito técnico) para destacarem-se como profissionais que conhecem com profundidade o campo de Tecnologia da Informação e sua importância para os processos de negócio da empresa. Neste contexto, a TI tem sido a responsável tanto por criar vantagens competitivas reais para as empresas como também tem sido a responsável por fracassos na mesma área, quando mal aplicada ou dimensionada. Assim, as decisões envolvendo TI tem sido tomadas tendo como cenários parâmetros complexos e não-triviais e não com base em uma visão “romântica” de que quanto mais investimento em tecnologia for realizado em uma empresa, mais competitiva ela se tornará e maiores lucros serão obtidos pela mesma. De acordo com esta linha de pensamento, fundamentada por vários estudos acadêmicos e mais do que tudo na mensuração do retorno financeiro proporcionado pelo investimento na produtividade da empresa (o que em tese é o papel da Tecnologia da Informação), cada vez mais discute-se o chamado “paradoxo da produtividade” ou seja, claramente há um limite ideal de investimento em TI para cada tipo de organização, sendo que investimentos adicionais nesta área, ao invés de gerarem retorno positivo para a empresa (o que significa maximização dos lucros) irá gerar um retorno “negativo” fazendo com que a empresa desperdice recursos. Em tese estas considerações parecem óbvias, mas na prática, na vida real das empresas, raramente o ponto de equilíbrio (entre investimento realizado e retorno proporcionado pela TI) estão em condições ótimas de operação. Assim, é muito importante que os administradores, contadores, gestores e executivos das “modernas” empresas que de fato não mais sobrevivem ou sobreviveriam sem a TI tenham em mente que tão importante quanto não deixar de aumentar os lucros por falta de investimento em tecnologia, que a empresa não perca recursos a partir de decisões errôneas tomadas nesta área. Como é possível perceber, este assunto é complexo e muito relevante para as empresas e deve sempre ser considerado quando do projeto de implementação de um novo SI e mesmo quando um SI que já esteja em “produção” necessite de uma reformulação de pequena ou grande magnitude. Como consequência desta problemática, surge um novo componente do SI que não é “físico” como o hardware, o software e as pessoas (peopleware), mas sim um componente de gestão do SI com base em melhores práticas, modelos de comportamentos, gestão de conhecimento e instrumentos numéricos de avaliação (aprovação ou rejeição) de novos projetos em TI nas empresas. Nota-se que com a implementação de métricas, melhores práticas e metodologias seguras de avaliação de projetos em TI nas empresas, os Sistemas de Informação baseados em recursos de TI passam a constituir um instrumental legítimo capaz de auxiliar a atender os objetivos da empresa (maximização de lucros e continuidade operacional) de ponta a ponta, ou seja, desde ser corretamente avaliado quanto ao retorno financeiro associado ao somatório dos investimentos realizados na formação de seus componentes (hardware, software etc.) passando pela total aderência ao alinhamento estratégico da empresa até a capacidade de gerar os melhores entregáveis (informações em seus mais variados formatos) aos gestores da organização. A quarta camada de “gestão” do SI proporciona o alcance e a manutenção da “sustentabilidade” da TI neste contexto. Sustentabilidade, neste caso, significa garantir que os investimentos em TI sempre serão adequados às melhorias exigidas tanto em TI (em particular) como no SI (que é mais amplo). Quando a empresa consegue empregar recursos nestas áreas de forma eficiente, significa que os investimentos estão alinhados com a estratégia da empresa; assim a continuidade dos mecanismos de geração de informação para fins operacionais, gerenciais e estratégicos sempre proporcionarão à empresa a competitividade e agilidades necessárias para garantir a sua sobrevivência no mercado. Métricas da Sustentabilidade em TI Ainda que o foco deste texto não seja o de estudar com profundidade os aspectos mais “gerenciais” da TI, a compreensão holística dos Sistemas de Informação exige que se entenda não só a motivação e a estruturação tecnológica do SI mas também como o modelo adotado de SI versus os recursos em TI empregados podem “jogar a favor” ou “jogar contra” a estratégia global da empresa. Por “estratégia” da empresa no contexto deste texto entende-se o “conjunto de resoluções e atividades que devem ser colocadas em prática desde o momento atual até um futuro pré-determinado para que a empresa sempre tenha a melhor condição possível de proporcionar lucros crescentes aos seus acionistas e se mantenha em operação permanente, ainda que os seus concorrentes façam força em contrário”. Neste contexto, podemos mapear as ações necessárias para garantir a sustentabilidade da empresa em três níveis bem determinados: Ações Operacionais, Ações Táticas (ou Gerenciais) e Ações Estratégicas. Para cada uma destas ações, em diferentes momentos, distintos departamentos e comandadas por várias pessoas, inúmeras atividades deverão ser desenvolvidas visando alcançar os objetivos da empresa a curto e a longo prazo. As atividades típicas de uma empresa padrão podem ser classificadas em quatro naturezas distintas: Atividades ligadas à Hierarquia Funcional, Atividades típicas de Projetos internos à empresa de escopoe duração pré- determinados, Atividades relacionadas aos processos de negócio da empresa e atividades específicas ligadas à avaliação e alcance de resultados nas empresas. Colocadas as atividades no eixo Y (vertical) e as ações no eixo X (horizontal) encontraremos a matriz de sustentabilidade em TI nas empresas. Nota-se, assim, a existência de oito áreas distintas, sendo que a área relacionada às ações estratégicas é diferenciada das demais devido ao fato de que a maior parte das atividades relacionadas à estratégia da empresa estão programadas para serem executadas no futuro, migrando no momento de sua concretização para os quadrantes inferiores. Considerando que de acordo com este modelo de avaliação do nível de sustentabilidade dos recursos em TI das empresas existem oito prismas de naturezas diferentes que necessitam ser “gerenciados” pela quarta camada de “gestão” do SI, a expectativa é a de que quanto melhor for a gestão dos recursos do SI, maior será a eficiência dos recursos de TI empregados. Desta maneira, a correlação entre estas duas variáveis será sempre positiva, ainda que não obedeçam a funções de mesma natureza, dado que cada área da matriz de sustentabilidade possui necessidades de gestão e aplicativos (sistemas de informação) bem distintas entre si. Assim, é possível identificar que quanto maior for o grau de sustentabilidade gerada pela gestão dos recursos de TI, maior será a eficiência operacional dos aplicativos da empresa. Quanto maior for esta eficiência, mais próximo da concretização dos planos estratégicos estará a empresa, bem como maior retorno econômico será alcançado por cada um dos conjuntos de TI empregados nas ações / atividades descritas. A justificativa para tais afirmações faz-se necessária. A Tecnologia da Informação, na maioria de seus aspectos, assemelha-se à uma commodity tal qual, por exemplo, a energia elétrica. Se num determinado período duas empresas produzem e vendem a mesma quantidade de produtos idênticos, com as mesmas máquinas e com as mesmos custos de matérias-primas e valor de mão-de-obra e KWh, será mais lucrativa a empresa que melhor aproveitar a energia elétrica em sua produção, quer seja desligando as máquinas a cada intervalo de troca de funcionários, quer seja produzindo mais peças do que a concorrente com o mesmo tempo de máquinas em operação. No universo da TI ocorre exatamente a mesma coisa: o custo de software, hardware e serviços para as empresas são muito próximos entre si (dado que existem diferentes fornecedores destas commodities). Quanto maior for a eficiência operacional dos recursos de TI adquiridos pela empresa, maior será a eficiência desta estrutura tecnológica que está a serviço do SI. Portanto, o ganho das empresas com a utilização de TI não está na posse de recursos de TI, mas na sustentabilidade da cadeia de recursos tecnológicos que devem ser utilizados com base na dualidade eficiência máxima e custo mínimo. Segundo este raciocínio, dado que cada uma das oito áreas da empresa (sujeitas a ações estratégicas de amplitude variável versus atividades típicas de escopos diferenciados) está sujeita a uma gama distinta de análises e atitudes de seus gestores, o somatório de esforços por parte dos gestores de TI da empresa em atender estes modelos de eficiência é verdadeiramente o grande diferencial que pode garantir a evolução da TI na empresa de forma sustentável, segundo o modelo de negócios determinado pela estratégia da empresa e segundo as características naturais do Sistema de Informações, que como já ficou claro anteriormente, deve ser muito bem estruturado a partir do SIC para poder alcançar todas as demais instâncias informacionais de cada organização. 4.6 Desenho de Processos como base para o SI Ao interpretarmos uma organização empresarial como sendo constituída por uma reunião ordenada de departamentos, atividades, responsabilidades, competências, pessoas e procedimentos, é fato que o ciclo de produção de bens e serviços será completado a partir da contribuição de vários destes departamentos, cada qual especializado em um determinado conjunto de conhecimentos, atividades e responsabilidades específicas. À sequência lógica destas atividades intra e/ou interdepartamentais que possuem um “resultado” pré-definido sujeito à avaliação por métricas de controle dá-se o nome de processo. Assim, da mesma forma que um conjunto de atividades forma um processo, um conjunto de processos forma um macroprocesso. Por exemplo, temos a atividade “realizar o setup (programação) das máquinas de usinagem” que fazer parte do processo de “usinagem de matéria prima” o qual é constituinte do macroprocesso denominado “Manufatura”. Esta metodologia de classificação, reunião e encadeamento de atividades complementares entre si em processos e macroprocessos constitui o “esqueleto” do Sistema de Informações da empresa, que como sabemos, possui o SIC como a “coluna cervical” deste esqueleto, ou seja, a estrutura na qual as demais se apoiam para poder executar suas funções de maneira integrada. Neste sentido, os processos de negócio da empresa sempre devem ser exaustivamente estudados e avaliados antes de se desenhar o Sistema de Informações como uma estrutura integrada, pela qual transitarão dados e informações de forma ordenada relacionadas às atividades constituintes de cada uma destas sequências lógicas (ou processos) da empresa. Idealmente, quando da ocasião de se implementar um Sistema de Informação pela primeira vez (estes casos são típicos em novas empresas), muito antes de se pensar na Sistema de Informação em si ou na Tecnologia da Informação que será empregada na construção deste SI, faz-se necessário conhecer com profundidade todas as atividades, processos e macroprocessos desta organização. A partir do término do estudo detalhado de processos – no qual sempre deve haver a participação de especialistas de cada área da empresa, além da consideração das melhores práticas de mercado que podem e devem ser adotadas, passa-se à etapa de desenho do Sistema de Informações que irá atuar exatamente com base nestes processos de negócio. Esta etapa também deverá levar em conta a análise exaustiva das principais soluções de mercado (ou que podem ser desenvolvidas pela própria empresa) oferecidas pela TI no âmbito do SI, ou seja, quase sempre haverá mais de uma e às vezes diversas maneiras e opções de se construir o SI com base em aplicativos, bancos de dados, redes de comunicação e demais recursos oferecidos pela TI 2. Em um cenário diverso deste primeiro, existem as empresas que já possuem os seus Sistemas de Informação em operação, com base nos seus processos de negócio que nem sempre são os mais adequados à realidade da organização. Por exemplo, uma empresa que possuía a sua carteira de clientes totalmente local, brasileira, passou a ter muito mais clientes no exterior do que no seu país de origem, o que obrigou a empresa a abrir novos escritórios no exterior, além de ter que contratar profissionais em diversos países diferentes. Neste exemplo simples – e existem milhares de outros exemplos possíveis – o Sistema de Informação atualmente existente na empresa (o qual neste exemplo foi implementado quando a natureza da operação comercial da empresa era bem diferente da atual, sendo que o atual SI não “enxerga” as atividades da empresa que são desenvolvidas fora da matriz) não está mais adequado a “refletir” as transações correntes da empresa, deixando de fornecer importantes informações aos tomadores de decisão. Em situações como esta, na maioria das vezes não é possível resolver esta “deficiência informacional” apenas “trocando-se” algum recurso de TI, como por exemplo a troca de um Sistema integrante do SI. Neste exemplo e em muitos outros, é necessário que a empresa refaça a análise de seus processos, ao que se dá o nome de “Reengenharia dos Processos de Negócio” atividade esta que tem por objetivo racionalizar, redesenhar, redefinire readequar os processos de negócio segundo a “nova’ realidade operacional da empresa. Neste sentido, muitas vezes quando as empresas optam por “trocar” ou “modernizar via upgrade de versão” alguns de seus subsistemas de informação (principalmente o Sistema Integrado de Gestão, que será analisado na sequência deste capítulo) aproveita-se a oportunidade para realizar-se reengenharias de maior ou menor profundidade, segundo a orientação dos gestores da empresa, que via de regra conhecem com detalhes os pontos fortes e os pontos fracos de seu atual Sistema de Informação empresarial. Tanto de uma maneira quanto de outra – quer seja desenhando-se processos de negócio em novas empresas quer seja realizando-se “reengenharias” em empresas que já possuem processos de negócio consolidados – dificilmente o conjunto de atividades e processos das empresas (mesmo os redesenhados) será coberto integralmente pelas soluções de TI oferecidas pelos fabricantes de software. O motivo é simples: cada empresa é um “sistema” diferenciado dos demais e necessita de um conjunto específico de informações, muitas vezes obtidas em diferentes pontos dos processos semelhantes entre si. Como os fabricantes de software via de regra sempre oferecem “pacotes” ou produtos pré- definidos, é natural que mais ou menos “necessidades informacionais” específicas de cada empresa em particular fiquem “de fora” das soluções de softwrae oferecidas pelo mercado. A estes pontos de não aderência entre o que “necessita a empresa” e o que “oferece o software” adquirido pela empresa dá-se o tradicional nome de GAP (do inlgês “fenda”, “brecha”, “fissura”) 2 Normalmente, após a fase de desenho de processos, as empresas avaliam as soluções de TI de mercado que mais se aproximam de seus processos de negócio, visando atingir a maior eficiência operacional possível. Algumas vezes, no entanto e justamente para maximizar o retorno dos investimentos realizados em TI (como vimos durante a explanação do conceito de sustentabilidade no âmbito do SI) algumas empresas tomam atitudes mais “radicais” e fazem a opção de “Technology as Driver” (Tecnologia como agente Direcionador) ou seja, as empresas baseiam-se em primeiro lugar nas tecnologias disponibilizadas pelo mercado (ou que possa ser desenvolvida pela própria empresa) para depois desenharem seus processos de negócio. Esta estratégia vai em direção ao reconhecimento de que existem maneiras diferentes de se atingir o mesmo objetivo e dentre as diversas possibilidades possíveis, as melhores são as que apresentam os menores investimentos e as maiores taxas de retorno, já que a TI não faz e nunca fará parte do “core business” de uma empresa, antes, a Tecnologia da Informação é apenas um “meio” para que as empresas possam maximizar a eficiência operacional de seus processos de compras, manufatura, administração, marketing, vendas, logística etc. Desta forma, adaptar ou construir os próprios processos de negócio de acordo com soluções de processos já disponibilizadas pelos fabricantes de TI em muitos casos pode ser um grande diferencial competitivo das empresas, ainda que aderir completamente a um determinado “padrão” de mercado possa sugerir que a empresa não terá nenhum diferencial competitivo relacionado a TI. Diferencial em TI, como já visto, significa apenas maximizar a sustentabilidade das soluções de TI segundo a estratégia operacional da empresa. ao passo que as aderências e “atendimentos” informacionais proporcionados pelo software são normalmente descritos pelo termo FIT (do inglês “ajustado”, “adaptado”, “encaixado”). Assim, a análise de “FIT-GAP” ou “GAP-FIT” é obrigatória quando se tem os processos de negócio de um lado, com as suas respectivas necessidades informacionais atreladas e de outro os softwares e as respectivas ofertas de recursos informacionais. Este cruzamento do requerido x disponibilizado em termos de informações do negócio pode ser realizado antes da opção de compra por um determinado software (para que se possa analisar a relação de benefício x custo oferecida pelos diversos fabricantes de software) e deve ser realizado antes de qualquer implementação de software, já que em primeiro lugar deve-se conhecer com precisão quais são as lacunas informacionais existentes (quando da implementação da versão “vanilla” (original, como sai da fábrica) ) para analisar-se quais medidas serão tomadas para sanar tais deficiências informacionais. Neste contexto, os “gaps” podem ser originados por alguns motivos diferentes. Normalmente classificam-se os gaps em três classes principais: Gaps Funcionais, Gaps Legais e Gaps Setoriais. Vejamos na tabela a seguir um resumo de suas características com os respectivos exemplos. Classe de Gaps Descrição Exemplo Funcional Específico São os gaps originados pela necessidade informacional interna específica de uma empresa Ausência de um relatório standard especificando as transações de devolução de mercadorias vendidas para o exterior expressas em Reais, Dólar e Euro. Funcional Genérico São os gaps originados pela necessidade informacional interna das empresas em geral Ausência de um relatório capaz de demonstrar as conciliações bancárias realizadas em um período pré-determinado. Legal Específico São os gaps originados pela necessidade de atender à legislação do município ou estado onde as empresas estão estabelecidas Inexistência de recurso de emissão de Nota Fiscal Eletrônica exigido pelo Governo do Estado de São Paulo (ou Municípios etc) Legal Genérico São os gaps originados pela necessidade de atender à legislação do país onde as empresas estão estabelecidas Inexistência de um programa que faça o cálculo do IPI (imposto federal) que deve ser recolhido em cada tipo de produto fabricado e vendido pela empresa Setorial Específico São os gaps originados pela necessidade de atender às exigências específicas do setor onde a empresa está inserida Ausência de um relatório que deve ser encaminhado à uma agência reguladora (ANEEL, ANAC, ANVISA etc.) segundo um modelo pré- determinado Setorial Genérico São os gaps originados pela necessidade de atender às exigências comuns ao setor onde a empresa está inserida Ausência de interfaces capazes de fazer com que o subsistema de tesouraria se comunique com os bancos comerciais com os quais a empresa mantém contas correntes e de investimento. Através da análise da tabela, é possível reconhecer que dependendo da área de atuação da empresa, a legislação sobre a qual ela está obrigada a prestar contas ao governo e a complexidade de seus processos de negócio, o numero de gaps será maior ou menor, de acordo com a solução de mercado escolhida pela empresa. Nota-se, assim, que o emprego de TI nos SI’s nem sempre é acompanhada de soluções para o negócio da empresa, mas muitas vezes também carregam consigo uma gama de problemas que devem ser resolvidos. É importante ressaltar que na indústria do software, os aplicativos são desenhados e desenvolvidos a partir de melhores práticas de mercado e via de regra o são para os mercados consumidores mais representativos. Desta forma, os softwares desenvolvidos por fabricantes brasileiros tendem a apresentar menos gaps Legais e Setoriais do que produtos concorrentes desenvolvidos no exterior. Por outro lado, os sistemas desenvolvidos em outros países (a saber por multinacionais classificadas e reconhecidas como fabricantes de softwares “best-in-class” (melhores da indústria) via de regra costumam apresentar uma menor quantidade de gaps funcionais, já que são produtos desenvolvidos para uma série de mercados distintos (são vendidos e implementados em diversos países) e neste aspecto normalmente (mas nem sempre) apresentam uma maior riqueza de funcionalidades e de qualidade tecnológica. Talvez em função destes problemas, dos quais os gaps informacionais apresentados pelos softwaresdisponibilizados no mercado representam apenas uma fração do total dos possíveis problemas que podem existir relacionados à TI, a gestão dos recursos do SI como um todo (Hardware, Software e Peopleware) pode efetivamente direcionar a empresa para ganhos em termos de vantagem competitiva ou inversamente, corroborar para o fracasso total das operações da empresa. Há na literatura estudos de caso em que a má gestão de TI / SI verdadeiramente levaram empresas à falência, assim como há inúmeros casos em que a adoção da TI com uma excelente gestão associada levaram as empresas a tornarem-se líderes de mercado. Observemos, pois, que os temas “Sistema de Informação” e “Tecnologia da Informação” são muito menos “exatos” ou “previsíveis” do que sugerem as palavras “Sistema” e “Tecnologia”. Tanto é verdade que as decisões sobre a aquisição de novas Tecnologias de Informação pelas empresas via de regra só são tomadas após serem executadas várias etapas de levantamento de necessidades, análises de opções e estudos detalhados sobre possíveis impactos positivos e negativos que podem ser gerados ao negócio. A Tecnologia da Informação e o Gerenciamento de Mudanças (Change Management) Tão importante quanto prever possíveis problemas e ganhos associados à adoção de novas Tecnologias pelo Sistema de Informação da empresa, configura-se o Gerenciamento de Mudanças (ou Change Management) como um ingrediente básico ao processo de substituição ou implementação de novas ferramentas informacionais ao Sistema de Informação da Empresa. Como visto anteriormente, o “Peopleware” é um dos constituintes do SI e como tal é tão relevante quanto os demais “ingredientes” informacionais. As pessoas que trabalham com os sistemas de informação verdadeiramente constituem a força-motriz da “Máquina Informacional” denominada SI e para que elas executem suas atividades com eficiência e acurácia os sistemas devem ser capazes de ser operados com naturalidade e harmonia entre pessoas e entre processos de negócios. Ocorre que, não raras vezes, os projetos de implementação de novas tecnologias como novos sistemas, novas redes de comunicação ou novos processos de negócio baseados no redesenho de funcionalidades ficam muito aquém do que deveriam nos aspectos de integração, treinamento e acompanhamento dos usuários de novas tecnologias ou processos antes, durante e depois das atividades do processo de implementação em si serem concretizadas nas empresas. Estes fatos acontecem na maioria das vezes devido ao fato destas atividades – que consomem tempo e recursos financeiros – serem minimizadas face ao contexto geral em que se dá a adoção de novas tecnologias pelas empresas. Não se trata de afirmar que os implementadores e os tomadores de serviço não compreendem a importância de se fomentar a integração dos usuários durante o processo de implementação de novas tecnologias, porém é fato que os recursos que deveriam ser investidos nas atividades de capacitação de usuários comumente são os primeiros a serem “cortados” quando surge alguma limitação orçamentária associada aos novos projetos de TI. Paralelamente a esta realidade, que pode ou não fazer parte da vida das empresas, foram desenvolvidas técnicas e metodologias específicas para solucionar os problemas de “peopleware” decorrentes da falta de aplicação de atividades de capacitação e integração dos usuários às novas tecnologias. A este conjunto de atividades dá-se o nome de “Gerenciamento de Mudanças” comumente chamado de “Change Management”. O Change Managent, desta forma, é um trabalho especializado que deve ser desenvolvido paralelamente às demais atividades de implementação de uma nova aplicação de TI. Durante o desenvolvimento de um projeto desta natureza, enquanto o pessoal ligado à área de Tecnologia das empresas está envolvido com as atividades técnicas relacionadas aos softwares, hardwares e redes de comunicação, a área de Recursos Humanos (com ou sem o apoio especializado de uma consultoria de Change Management) apoiará o projeto gerenciando todas os fatores críticos de sucesso que estejam ligados às pessoas e suas futuras funções e responsabilidades no novo cenário tecnológico que está sendo implementado. Desta forma, o gerenciamento de atividades típicas de um projeto de TI sujeito às ações de Change Management pelo departamento de Recursos Humanos inclui: 1. Tornar claras a todos os participantes do projeto as mudanças que serão introduzidas pela nova solução de TI às atividades de cada função na empresa; 2. Em conjunto com o comitê gerenciador do projeto, definir quais devem ser as habilidades ideais que cada cargo / função necessita possuir em termos técnicos, funcionais e comportamentais para que cada usuário da nova solução de TI possa ter sucesso; 3. Mapear, identificar e avaliar os profissionais que atualmente ocupam estes cargos e que em tese serão os futuros usuários de novas tecnologias para identificar se existem e quais são as necessidades de treinamento e integração para cada tipo de perfil profissional, publicando e fazendo chegar estas necessidades a todos os envolvidos no projeto; 4. Com base nas necessidades de treinamentos identificadas, providenciar que todas as atividades vinculadas ao aprendizado das pessoas sejam realizadas em períodos adequados, levando-se em consideração as atividades diárias que as pessoas já desenvolvem em seu quotidiano de trabalho; 5. Ao final da fase de reposicionamento de pessoas e dos treinamentos executados, realizar testes de conhecimento que garantam que as pessoas capacitadas possuem plenas condições de operar seus postos diante da nova tecnologia. Com a explanação dos conceitos sobre Change Management, fecha-se o ciclo básico de entendimento da Tecnologia da Informação inserida no âmbito dos Sistemas de Informação das empresas. Como visto, é necessário que os profissionais que de algum modo estejam vinculados à utilização dos SI nas organizações tenham uma visão holística sobre este assunto e jamais deixem de estar atualizados sobre todos os temas que se relacionam a este universo. Com certeza a leitura e o estudo mais aprofundado de cada um dos temas tratados neste texto faz-se necessário ao longo da carreira de todos nós trabalhadores da “era da informação”. 4.7 Principais Macroprocessos atendidos pelo SI Como já explicitado anteriormente, a “visão” do Sistema de Informação acerca das organizações dá-se na forma de processos de negócio. Assim, se fisicamente e orgânicamente as empresas subdividem-se em áreas e departamentos, as informações no âmbito do SI são “construídas” de acordo com as atividades que se complementam através de um mesmo processo. Por meio de sua natureza “multifuncional”, os processos empresariais transcendem as barreiras departamentais, interligando as áreas da organização, como marketing, vendas, produção, estoques, distribuição, finanças, contabilidade e recursos humanos. De acordo com esta visão, os processos empresariais são definidos como “meios” utilizados pelas empresas no desenvolvimento de suas atividades. Eles podem ser definidos e caracterizados, por um lado, pelas formas de trabalho, materiais, informações e conhecimento presentes na empresa, ao mesmo tempo em que também desenvolvem e determinam a maneira como estes recursos são conduzidos e coordenados por entre os departamentos da organização. Sua função básica é proporcionar, por meio do fluxo e da administração de informações interdepartamentais, o alinhamento dos conhecimentos gerados, relacionando-os às mais variadas funções de negócios. Ainda que as empresas sejam bem distintas entre si em termos de constituição do SI, é possível classificar e ordenar sequências de atividades que são ligadas a macroprocessos de negócio. Os macroprocessos são estruturas de requisição e fornecimento de informações de largo uso nas organizações empresariais e podem ser descritos a partir dos objetivos básicosque se propõem a cumprir no âmbito do Sistema de Informações. De acordo com esta visão, os três principais macroprocessos utilizados pelas empresas em seus processos de negócio são PTP (Procure To Pay), OTC (Order To Cash) e CC (Corporate Control). Na sequência explicitam-se as características de cada um deles. É oportuno ressaltar que as denominações utilizadas para estes macroprocessos variam conforme o contexto em que são utilizadas e não raras as vezes para as mesma sequências de atividades de PTP, OTC e CC são aplicadas outras denominações parecidas que possuem o mesmo significado em termos de processos de negócio. O que importa neste cenário de não padronização pelo mercado de nomes dos macroprocessos não é a nomenclatura utilizada em si, mas a lógica e os conceitos empregados em cada caso, estes sim universais às várias empresas e fabricantes de softwares. PTP – Procure to Pay – Compras a Pagamento. O macroprocesso “Procure to Pay” é formado pelas atividades inerentes às operações de Compra de Materiais até o Pagamento de Faturas junto aos fornecedores. Em geral, fazem parte deste fluxo informacional as seguintes atividades: previsão e planejamento de compras, geração de mapa de requisitos e especificações de qualidade dos produtos a serem adquiridos, decisão de compra, geração das requisições de compra, geração do processo de quotação e escolha de fornecedor, geração de contrato com fornecedor, geração do pedido de compra, recebimento fiscal, recebimento físico, estocagem e pagamento a fornecedor. O encadeamento destas atividades através de diversos setores da empresa dá-se por questão das necessidades precedentes de cada atividade. Por exemplo, não se pode efetuar o pagamento a fornecedores da fatura relativa a um material que não foi entregue (recebimento físico). Da mesma maneira, não se pode enviar para o estoque as mercadorias (ou matéria prima) cujas notas fiscais não passaram pelo recebimento fiscal, isto é, que o possível crédito de impostos tenha sido realizado para fins de fiscalização, além de outros desdobramentos deste recebimento. O fato é que as diversas etapas ou atividades que são necessárias para efetuar-se a compra de algo na empresa, necessitam transitar por diversas instâncias até a sua concretização. O mesmo se dá no âmbito do workflow inerente a este processo. Por workflow entende-se o encadeamento automático de autorizações internas necessárias para a compra e o seu respectivo pagamento. Por exemplo, para que se emita uma requisição de compra, geralmente o gerente da área deve autorizar este tipo de transação. Se houver recursos tecnológicos típicos do workflow de compras associados a este processo, após o gerente da área aprovar a requisição de compra, o sistema envia automaticamente a autorização assinada eletronicamente para o setor de compras, que inicia a etapa de quotação dos produtos ou materiais solicitados na requisição de compras. Após o encerramento da atividade “quotação”, uma nova mensagem eletrônica é enviada, por exemplo, ao diretor da área que deve então aprovar a compra, o qual assina eletronicamente o workflow gerando assim uma ordem de compra. Observamos, deste modo, que as atividades inerentes ao processo PTP envolvem diversos setores da empresa como planejamento, qualidade, compras, contratos, fiscal, estoques, contas a pagar e contabilidade. Concomitantemente, no âmbito da Tecnologia da Informação, pode-se “enxergar” o processo de PTP como constituído pela integração de subsistemas de informação que atendem a cada uma destas áreas e que possuem integração entre si. A mesma lógica empregada no macro processo PTP é utilizada no macro processo OTC. Nesta sequência de atividades, são tratadas as operações associadas desde o pedido realizado pelo cliente até o recebimento do pagamento realizado pelo mesmo. Em geral, fazem parte deste fluxo informacional as seguintes atividades: planejamento de demanda, ações de marketing, recebimento de pedido, gerenciamento de crédito, gerenciamento de estoques, manufatura, logística (embarque e recebimento), emissão de fatura, emissão de contas a receber, serviço de atendimento ao cliente e suporte pós-venda. É importante frisar que o processo de OTC, assim como todos os processos, são feitos sob medida para cada empresa em particular. Por exemplo, se uma determinada empresa não possui os departamentos de marketing e de suporte pós-venda, estas atividades naturalmente não farão parte deste ciclo de negócios. Ocorre que a sequência lógica de etapas associadas às atividades acima descritas naturalmente faz com que o suporte de pós-venda (atividade-fim) esteja ligado ao planejamento de demanda (atividade inicial), já que se não houver um correto dimensionamento de volume de vendas, não será possível atender satisfatoriamente os clientes após o recebimento dos produtos pelos mesmos. E assim por diante. O processo de OTC, por envolver diretamente a satisfação do consumidor e o recebimento de recursos pelas empresas (geração de receita) é extremamente estratégico para a empresa. Não receber pedidos, não entregar corretamente os pedidos existentes, não receber pelos produtos (ou serviços, no caso de empresas prestadoras de serviços) entregues etc., podem levar a empresa a ter sérias dificuldades de mercado e de fluxo de caixa. Desta forma, é necessário que toda a sequencia de atividades seja completamente integrada, que as informações sejam passadas de etapa a etapa de forma precisa e correta e que não haja erros inerentes a cada uma delas. Por exemplo, se um pedido de venda trouxer alguma informação errada, como o código de um produto, a empresa entregará o produto errado, sofrerá reclamações do cliente, terá que realizar a troca (o que incorre em mais custos) e pode ter o recebimento postergado pelo cliente até que a situação seja resolvida. É a perfeita integração entre pessoas, procedimentos, redes de comunicação, hardware e software que poderá garantir que o processo de OTC seja executado com maestria, com qualidade, o que gerará um diferencial competitivo para as empresas que assim o fizerem. O papel do SI, neste exemplo, torna-se evidente. Com a crescente competitividade e dinamicidade da economia, as empresas necessitam operar com base em processos eficientes, viabilizados por eficazes Sistemas de Informação. CC – Corporate Control – Controle da Corporação O macro processo de Corporate Control interliga-se aos processos de PTP e OTC, fomentando as etapas de produção (e prestação de serviços) das empresas. As atividades de Contas a Pagar e Contas a Receber evidenciadas nos processos de PTP e OTC, por exemplo, pertencem tanto a estes processos como ao processo de Corporate Control. Em geral, fazem parte deste fluxo informacional as seguintes atividades: recebimentos, conciliação bancária, conciliação de contas de adiantamento, fluxo de caixa, pagamentos, cobrança, contas a pagar, contas a receber, elaboração orçamentária, acompanhamento orçamentário, movimentação patrimonial, ativo fixo, gestão de projetos, apuração de impostos, emissão de textos fiscais, análise contábil, conciliação contábil, apuração de resultados contábeis, admissão, demissão, benefícios, folha de pagamento etc. Notamos, assim, que o Corporate Control é formado por diferentes processos que permeiam várias áreas e que tem a finalidade de executar a gestão orçamentária, contábil, financeira e fiscal das empresas. Estas atividades só tem sentido em existir a partir das atividades geradas nos processos de PTP e OTC, ou seja, são atividades complementares que “controlam” e “auxiliam” estes dois ciclos. É importante ressaltar que os três macroprocessos citados (OTC, PTP e CC) são constituídos cada um deles por dezenas e até centenas de subprocessos, dependendo da complexidade associada às operações de cada empresa em particular. Neste ponto é importante atentarmos para o SIC como agente estruturador do Corporate Control.Como já vimos, todas as atividades que possuam qualquer tipo de transação financeira devem ter os seus sistemas de origem conectados ao SIC, que por definição, registrará cada transação em sua conta específica. De acordo com a visão de processos, torna-se mais claro o papel do SIC como agente “integrador” entre as várias áreas e respectivas atividades no Sistema- Empresa. Reunidos e interligados, os três grandes processos informacionais encontrados nas empresas constituem seus respectivos ciclo informacionais. Quando unidos em uma estrutura única, os subprocessos particulares a cada processo e a cada atividade formam um conjunto único de vias por onde necessariamente transitam dados e informações e onde todo um conjunto de decisões é tomado visando maximizar o lucro e perpetuar a continuidade operacional das empresas. A partir da visão destes três macroprocessos como três grandes vias de fluxo de dados e informações, torna-se necessário compreender com maior profundidade como os Sistemas de Informação, com o precioso auxílio da Tecnologia da Informação, viabilizam a operação sequencial destas atividades em termos estruturais. 4.8 Arquitetura Interna do Sistema de Informação Empresarial Como já visto, é fato que as empresas necessitam operacionalizar seus processos de negócio a partir da constituição de seu Sistema de Informação o qual, por sua vez, somente poderá cumprir com sua missão se estiver muito bem fundamentado em termos da Tecnologia da Informação que está aplicada sobre ele. Em outras palavras, no moderno contexto tecnológico e de competitividade em que operam as empresas, a TI sustenta o SI que por sua vez sustenta os ciclos de negócio no formato de seus processos de negócio. No âmbito da tecnologia “embarcada” nos Sistemas de Informação, faz-se necessário compreender como esta estrutura tecnológica está “montada” para melhor cumprir com seus objetivos. A importância da arquitetura do SI reside em aspectos de confiabilidade, integração, desempenho e flexibilidade com que o hardware, os softwares e as redes de comunicação podem ser utilizados pela empresa. De forma sintética, os componentes que fazem parte da arquitetura do SI são: Banco de Dados, Data Warehouse, Sistemas Aplicativos, Redes de Comunicação e Portais Web. Ainda que seja possível selecionar os principais componentes tecnológicos do SI, é importante frisar que no âmbito da Tecnologia da Informação existem milhares de ferramentas e aplicativos que possuem finalidades específicas para cada tipo de necessidade e, com certeza, em todas as empresas que são usuárias de TI, elas estão presentes. O escopo deste texto, no entanto, visa contextualizar o leitor acerca das principais estruturas de TI que dão suporte ao SI e que são descritas a seguir. Primeira Camada: Banco de Dados (Data Base - DB) O conceito de Base Única de Dados bem como as principais características dos Bancos de dados já foram tratados no início deste capítulo, quando da necessidade de contextualizar os dados como componentes do SI. Os aspectos a seguir também estão relacionados ao Banco de Dados e visam explicitar como se dá a constituição lógica e física deste componente do SI. Esta visão é importante para que se firme os conceitos mais elementares sobre as características e potencialidades do Banco de Dados. O Banco de Dados pode ser descrito a partir da junção de três componentes específicos: armazenamento em disco, sistema gerenciador do banco de dados e ferramentas de interação com o usuário. Na parte mais “profunda” do Banco de Dados estão os discos rígidos (hardware) nos quais os dados são fisicamente registrados. No disco rígido, além dos arquivos de dados, encontram-se gravados os índices, dados estatísticos e o dicionário de dados. Todas estas estruturas são utilizadas pelo Sistema Gerenciador do Banco de Dados (SGBD) - software que está um nível acima. O SGBD, por sua vez, é formado pelo Gerenciador de Memória (que organiza as transações e arquivos que devem ser localizadas no disco rígido) e pelo Processador de Consultas (que recebe as solicitações de recuperação de informações a partir das ferramentas de interface do Banco de Dados com os usuários). Um terceiro componente, por sua vez, pode ser descrito como os mecanismos de comunicação do SGBD com os usuários, na forma de telas de consulta e relatórios para usuários e interfaces para com sistemas aplicativos. Sob o ponto de vista dos profissionais que interagem com o SI durante suas atividades diárias na empresa não faria o menor sentido tentar compreender esta estrutura física e lógica do Bancos de Dados caso não houvesse duas palavras que afetam em cheio as suas rotinas de trabalho: estabilidade e velocidade. Para ser estável, um Banco de Dados deve ser maduro em termos da qualidade de seu SGBD e para ser veloz (nas operações de armazenamento e recuperação de dados) o mesmo deve possuir gerenciadores de memória que satisfaçam as necessidades da empresa em termos de tempo de resposta às solicitações enviadas por sistemas ou por usuários. Desta maneira, considerando-se a crescente complexidade das operações das empresas, o aumento cada vez maior do volume dos dados que devem ser armazenados e também com a necessidade de se obter informações com cada vez maior rapidez, os Bancos de Dados podem vir a se tornar (fora os que já estão nestas condições) verdadeiros “gargalos informacionais” nas organizações. Se é verdade que existem Bancos de Dados hiper eficientes e eficazes, também é verdade que muitas empresas necessitam deixar seus sistemas em processamento de um dia para o outro em função da má performance dos mesmos. Como já evidenciado, devem-se considerar alguns aspectos relevantes para obter-se a máxima eficiência e a eficácia dos sistemas informatizados em operação nas empresas, com o propósito de atender os diversos usuários nos mais variados campos de aplicação existentes: sistema de registro de transações (SIC), sistemas de apoio à decisões, controle patrimonial, controle e planejamento da produção, estoques, entre outros. Tais aspectos aplicados ao Banco de Dados são: a) Os projetos de implementação de Banco de Dados devem contemplar o aspecto Funcional (utilização dos dados) e o aspecto Lógico (forma de armazenamento e recuperação) e devem ser capazes de estimar o volume de informações advindas das operações das empresas e que serão armazenadas a curto, médio e longo prazo; b) Deve-se garantir a independência dos dados armazenados, obtendo-se assim confiabilidade e eficiência no registro dos dados e permitindo a utilização de diferentes tipos de gerenciadores de dados através de linguagens de consultas padronizadas; c) Deve ser implementado a partir de um projeto que contemple interfaces compatíveis com múltiplas plataformas (Windows NT, Windows Workgroup, UNIX etc.); d) O Sistema Gerenciador do Banco de Dados deve oferecer uma interface ágil e intuitiva, sendo um agente facilitador para o aprendizado dos usuários, no intuito de minimizar o esforço de compreensão dos mecanismos e funcionalidades do software; e) Deve apresentar fatores de estabilidade e índices de performance absolutamente de acordo com as exigências do negócio. Nota-se, portanto, que o Banco de Dados componente do SI deve ser adequado ao ritmo e à capacidade informacional necessários para que a empresa possa manter a sua “máquina de fabricar informações” sempre em perfeitas condições de funcionamento, ou seja, se houver algum problema de estabilidade operacional ou de performance relacionado ao Banco de Dados certamente outros problemas surgirão nos demais componentes do SI e estarão associados a este fato. Segunda Camada: Data Warehouse (DW) Conceitualmente muito próximo ao Banco de Dados, encontra-se o Data Warehouse. O Warehousing pode ser definido como um método utilizado para prover a recuperação, integração e armazenamento de dados a partir de fontesprimárias autônomas homogêneas ou heterogêneas. Desta forma, os dados recolhidos destas diversas fontes são armazenados em um grande “depósito de dados” chamado de Data Warehouse que, por definição, sumariza os dados em dimensões (cubos), disponibilizando-os para consultas e análises através de aplicações OLAP (On-Line Analytical Processing) e sistemas de suporte à decisão. O DW pode ou não apoiar-se no Banco de Dados para armazenar os seus próprios dados. No primeiro caso, o SGBD não tem autonomia para alterar as propriedades ou o conteúdo dos dados que pertencem exclusivamente ao DW; assim, uma vez processados, os dados do DW não podem ser alterados. No segundo caso e dependendo da arquitetura escolhida, o DW possuirá o seu próprio Banco de Dados para armazenar seus dados. O DW existe para que as empresas e mais especificamente os gestores do negócio possam extrair informações de alto valor agregado a partir dos subsistemas de informações componentes do SI, desta forma, os subsistemas armazenam suas informações históricas no Banco de Dados que por sua vez são “copiadas” para o DW de acordo com a modelagem dimensional adotada para cada caso. Devido à sua principal característica: a integração de dados provenientes de várias e diferentes fontes, a etapa mais complexa na implementação de um DW é o seu processo de “carga de dados”. Neste processo, os dados distribuídos pelos vários ambientes transacionais da empresa (bases de dados gerada pelas transações dos macro processos PTP, OTC e CC) devem ser selecionados, trabalhados com o objetivo de estabelecer a padronização e a limpeza para finalmente serem transferidos para o novo ambiente, sendo então “carregados”, sempre atendendo ao padrão da modelagem dimensional utilizada em cada caso. Este processo é feito periodicamente, sendo que a sua frequência depende de vários fatores relacionados ao modelo de negócios utilizado pela empresa e, normalmente, não é menor que 24 horas. Desta maneira, para efeito prático, podemos dizer que os dados armazenados no DW são constituídos por uma série de “visões” específicas do Banco de Dados, construídas ao longo do tempo. Uma vez que os dados são armazenados no DW, eles não mais sofrem atualizações, portanto, constituem um ambiente construído apenas para carga e consulta. Após sua criação e primeira carga, o DW passa a sofrer sucessivas cargas incrementais que refletem o ambiente operacional da empresa ao longo do tempo, tornando-o um imenso repositório de dados para os sistemas de apoio à decisão. Como exemplo da aplicabilidade do DW, vamos considerar que periodicamente o DW de uma montadora de veículos receba as cargas dos seguintes dados: Numero de Veículos vendidos (por modelo), vendas de cada modelo (por concessionária) e valor dos acessórios vendidos em conjunto com os automóveis, por concessionária. Na medida em que existem as séries históricas destas informações disponibilizadas na mesma base de dados, é possível efetuar-se cruzamentos sucessivos de informação até descobrir-se, por exemplo, qual é o modelo que mais é vendido com acessórios em cada região do país, quer seja por cidade, por estado ou no país como um todo. O diferencial do DW é o fato de que as informações ficarão armazenadas permanentemente em banco de dados específico e poderão ser “combinadas” sempre que necessário e, existindo dados armazenados em algum outro sistema ou banco de dados, novas dimensões podem ser criadas, ‘carregadas” e “recombinadas” com as informações já disponibilizadas na base de dados do DW. Desta forma, dependendo do segmento econômico em que a empresa esteja inserida, a utilização de um DW pode variar desde ser “incremental” até ser “estratégica”, ou seja, tanto pode apenas “melhorar” as vendas de produtos específicos (no caso de nosso exemplo) como pode ser essencial para que a empresa possa concorrer no mercado em iguais condições com os concorrentes. É importante ressaltar que há um sem fim de aplicabilidades práticas para os recursos informacionais proporcionados pelo DW, desde que a empresa disponibilize este recurso de TI em seu SI. Terceira Camada: Sistemas Aplicativos Em nosso contexto, os sistemas aplicativos são aqueles que transformam dados em informações de alto valor agregado ao negócio. Os sistemas aplicativos utilizam-se largamente tanto do Banco de Dados e do Data Warehouse quanto das Redes de Comunicações e dos Portais Web. Para efeitos práticos, pode-se segregar os Sistemas Aplicativos em dois tipos distintos: Os Sistemas Transacionais e os Sistemas Especialistas. A correta compreensão dos dois tipos básicos de sistemas aplicativos reside justamente na definição do objetivo primordial de cada um deles: enquanto o sistema transacional tem por objetivo agir como um agente consolidador, recolhendo os dados de cada uma das transações monetárias ocorridas na empresa, cada um dos sistemas especialistas existentes buscará auxiliar áreas bem distintas em tarefas bem específicas entre si. Vejamos melhor as características de cada um destes sistemas a partir das definições a seguir: O Sistema Transacional Para o correto entendimento da essência do sistema transacional da empresa, é necessário observar que ao seu centro sempre estará o (Sub)sistema de Informação Contábil (SIC). O motivo já sabemos qual é: somente o SIC tem a capacidade de registrar com base nas partidas dobradas e no denominador comum monetário todas as transações desta natureza que ocorrem na empresa. Desta maneira o SIC é o verdadeiro agente consolidador quando se trata de registrar as transações de caráter monetário. Desta forma, se é verdade que o sistema transacional tem ao seu centro o SIC, também é verdade que o SIC sempre estará interligado aos demais subsistemas transacionais que tratam de estruturar as operações contidas nos ciclos de negócio da empresa. Por exemplo, se a empresa realiza a compra de materiais para a produção de produtos acabados, não é apenas a informação contábil relativa aos débitos e créditos associados a esta operação que está vinculada a esta operação. Considerando o mesmo exemplo, além do valor monetário implícito à operação de compra de materiais, o subsistema de compras terá armazenado uma infinidade de informações adicionais associadas a esta transação, como nome do fornecedor, CNPJ do fornecedor, endereço do fornecedor, telefone de contato do fornecedor, prazo de entrega associado à compra, especificação dos materiais adquiridos, transportadora utilizada na operação, valor do frete considerado, retenções fiscais associadas, data de entrega da mercadoria etc. Observemos que neste exemplo, o subsistema de compras da empresa “comunica” o SIC acerca dos valores monetários envolvidos na operação e guarda para si uma série de informações adicionais que serão utilizadas para a gestão do processo de compras. Estas informações adicionais e não monetárias também são associadas a uma transação específica e assim a base de dados do subsistema de compras, no âmbito transacional, será construída somente com base nestes dados pré-configurados. Neste sentido, o sistema transacional apresenta uma característica muito forte que é o registro estruturado e preciso das transações ocorridas na empresa, associando-se muito claramente às atividades de cunho operacional, cujas informações associadas possuem um baixo valor agregado em termos informacionais, já que o sistema transacional armazena milhares e às vezes milhões de transações em um único dia de operação. Mesmo sumarizando-se as informações transacionais deste tipo de sistema através de relatórios mais sintéticos e consolidados, observa-se que o grande benefício dos sistemas transacionais é proporcionar “controle” aos gestores da empresa, já que 100% das movimentações e transações ocorridas ali ficam disponibilizadas na forma de informações aos usuários que delas necessitem. Observa-se que os sistemas transacionais gravam suas informaçõesem tabelas que ficam localizadas no banco de dados, sendo que cada fabricante deste tipo de software pré-determina as funcionalidades que o sistema irá possuir. Uma má aquisição deste tipo de sistema pode limitar de forma sensível a obtenção de informação acerca dos processos de negócio da empresa, tornando- a menos competitiva quando comparada a outras empresas que possuem ótimos sistemas transacionais. Os Sistemas Especialistas Vamos definir os Sistemas Especialistas diretamente através de um exemplo concreto. Quando consideramos a linha de produção de uma empresa do segmento de manufatura, é natural que o Sistema Transacional forneça aos gestores da produção uma série de informações relacionadas às atividades fabris, como por exemplo a quantidade de um produto A que deve ser fabricado e os itens em estoque disponibilizados para a linha de produção, além de uma série de outras informações. Ocorre que uma linha de produção é um organismo “vivo” composto por itens físicos como máquinas instaladas, operadores de máquinas contratados, matéria prima disponibilizada para a produção e também composto por eventos como tempo de “setup” de máquinas, máquinas em operação, máquinas em manutenção, operadores de máquinas presentes ao trabalho (e consequentemente os operadores que faltaram ao trabalho) além de uma série de outros fatores atípicos, como a necessidade de alteração das ordens de produção ( e a conseqüente necessidade de novo procedimento de setup nas máquinas) devido a um pedido urgente que “acabou” de ser solicitado por um cliente especial da empresa. Com a finalidade de maximizar a produção (com base em recursos limitados de tempo, máquinas e funcionários) e considerando todos estes fatores em conjunção, é utilizado um sistema especialista XYZ que é capaz de, informados os atuais parâmetros encontrados na linha de produção, indicar ao gestor do chão-de-fábrica qual o tipo de produto que cada máquina deverá produzir em determinado tempo para que ao final do turno de trabalho a produção seja maximizada. Observemos que este tipo de informação específica para a tomada de decisão não possui nenhum relacionamento direto com as informações contidas no sistema transacional. Em nosso exemplo, para que a empresa pudesse maximizar a sua produção em 100% do tempo, considerando a enorme flutuação dos itens disponíveis para a produção, a mesma adquiriu no mercado (ou desenvolveu internamente) um sistema especialista capaz de solucionar problemas advindos dos “gargalos” de produção. Tomando este exemplo como base, pode-se imaginar a infinidade de sistemas especialistas que fazem parte dos Sistemas de Informação das empresas. Há desde sistemas direcionados ao controle de chamadas telefônicas, passando por sistemas capazes de acompanhar o trâmite de processos nas varas judiciais (as quais disponibilizam estas informações na internet) até sistemas de aplicação científica pura, utilizados nos departamentos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Assim, os sistemas especialistas podem ou não estar integrados ao sistema transacional, de acordo com a necessidade ou não de utilizar informações advindas desta base de dados para alcançar seus objetivos. Observamos, assim, que a Tecnologia da Informação está mais do que permeada em todos os âmbitos dos Sistemas Aplicativos. Não é difícil imaginar que as empresas que melhor souberam adquirir ou desenvolver os sistemas aplicativos de acordo com suas necessidades informacionais possuem um diferencial competitivo bem mais robusto do que aquelas empresas que não possuem ferramentas adequadas para o tratamento de suas atividades no âmbito informacional. Quarta Camada: Redes de Comunicação As redes de comunicação constituem “o sopro de vida” do Sistema de Informação da Empresa. Sem comunicação, sem uma rede de interligação entre estações de trabalho, sistemas aplicativos, bancos de dados e portais web pode-se afirmar que a tecnologia da Informação torna- se inútil. Não se trata de dizer que as redes de comunicação são mais importantes que os demais componentes tecnológicos do SI, mas sim afirmar que as redes são tão importantes quanto. Fisicamente as redes são formadas por aparelhos capazes de transmitir ondas eletromagnéticas (antenas e transmissores), pulsos elétricos (fios metálicos) ou pulsos luminosos (fibra óptica) ou mesmo a combinação entre estes meios de modo estruturado e eficiente. Contudo, há maneiras diferentes de se utilizar esta estrutura física para tornar viável a comunicação entre máquinas e softwares distintos. As primeiras arquiteturas de redes utilizavam-se de mainframes para executar o processamento principal e de todas as funções do sistema, incluindo os programas aplicativos, programas de interface com o usuário, bem como as funcionalidades características dos SGBDs. Esta é a razão pela qual a maioria dos usuários, no passado, realizavam acesso aos sistemas utilizando-se de terminais que não possuíam capacidade de processamento, mas apenas a capacidade de visualização. Neste contexto, todos os processamentos eram feitos por um computador central, sendo que apenas as informações passíveis de serem visualizadas eram enviadas desde o mainframe até os terminais de operação, conectados a ele por redes de comunicação. Como o passar do tempo, os preços do hardware foram decrescendo e as empresas trocaram seus antigos terminais por computadores pessoais e por estações de trabalho de maior poder de processamento. Com o advento dos PC’s, mais de um computador que fazia parte da rede de comunicação passou a contar com a capacidade de processamento e assim, através de conexões de rede próprias de cada empresa, surgiu a arquitetura cliente-servidor, onde os Sistemas Aplicativos ficam instalados em um computador de maior capacidade de processamento (geralmente conhecida como Servidor) e os computadores utilizados pelos usuários passaram a ser “clientes” deste servidor, ou seja, utilizando-se da própria capacidade de processamento os PC’s utilizavam- se de uma estrutura comum de softwares e banco de dados disponibilizados em computadores remotos. Desta forma, os computadores “clientes” disponibilizam para o usuário as interfaces apropriadas para utilizar esses servidores, bem como capacidade de processamento para executar aplicações locais. Esta arquitetura se tornou muito popular por alguns motivos. Primeiro, a facilidade de implementação, dada a clara separação das funcionalidades e dos servidores. Segundo, um servidor é inteligentemente utilizado porque as tarefas mais simples são delegadas às máquinas clientes que possuem sua própria capacidade de processamento. Terceiro, o usuário operacionaliza uma interface gráfica que lhe é familiar, ao invés de usar uma interface própria do servidor de aplicativos. Com a massificação do uso da internet, a “comunicação” entre computadores servidores e clientes passou a ter tal dinamicidade que a rede de comunicação não mais se limitou aos mesmos espaços físicos e geográficos. Atualmente é comum que a arquitetura de redes conhecida como web services possibilite a comunicação entre computadores localizados em países diferentes. Por exemplo, é muito comum que empresas multinacionais que operam no Brasil tenham suas bases de dados residentes em computadores localizados em seus países de origem. Neste caso tanto os softwares corporativos (geralmente o sistema transacional) como o Banco de Dados residem fora do país, sendo que os computadores aqui localizados apenas “processam” as informações obtidas via internet, em tempo real. É importante ressaltar que, para a utilização da internet como rede de comunicação de dados, a arquitetura interna dos Sistemas Aplicativos deve ser compatível com esta tecnologia, ou seja, ainda hoje, apesar do uso maciço da internet pelas empresas em várias de suas operações, uma grande parte de seus sistemas aplicativo ainda “rodam” com base na arquitetura “cliente – servidor”,sendo que as novas versões dos sistemas já estão habilitadas a operar via web services. Seja qual for a forma pela qual as empresas estruturam suas redes de comunicação, a importância destas para as empresas, no âmbito dos SI, é máxima. Há operações menos sensíveis ao trânsito de dados, enquanto que outras simplesmente exigem que as redes trabalhem 100% do tempo em perfeitas condições, sob pena de gerarem grandes perdas financeiras aos negócios. Por exemplo, não raras são as vezes em que formam-se filas de caminhões que não conseguem sair ou entrar nas empresas por motivos de falta de conexão dos computadores destas para com o servidor que hospeda o subsistema aplicativo de entrada e saída de mercadorias, via entrada e emissão de notas fiscais. Service Oriented Architecture – SOA Ao considerarmos as diversas arquiteturas de redes de comunicação de dados, consideramos que os usuários dos sistemas possuem acessos a aplicativos definidos, localizados dentro ou fora dos limites físicos da empresa. Cada um destes aplicativos possui uma finalidade própria, quer seja o banco de dados, o datawarehouse, o sistema transacional, os sistemas especialistas ou mesmo o portal web das empresas (que definiremos a seguir). Contudo, apesar da indústria oferecer aos gestores das organizações soluções cada vez mais completas e eficientes no âmbito da TI, o resultado final da aquisição, implementação e manutenção de uma grande quantidade de aplicativos e das respectivas soluções tecnológicas marginais tem causado sérias dificuldades de integração e gestão da TI, fato este que torna a controladoria responsável por gerir não só a obtenção do corpo de informações da organização, como também pela integridade e viabilidade de toda a estrutura tecnológica empregada na empresa. De fato, gerir o processo de obtenção de informações, desde a coleta de dados, passando pelo respectivo armazenamento até a produção de entregáveis legais e requeridos pelo governo e pela administração – na forma de relatórios operacionais e gerenciais – é uma atribuição não trivial, já que, no âmbito da TI, a integração de diferentes fornecedores, soluções e tecnologias em prol da obtenção da informação certa, na hora certa, é um processo intrinsecamente complexo. Para auxiliar as empresas a organizarem a integração das várias soluções de TI que fazem parte de seu Sistema de Informações, cada vez mais as empresas que possuem na TI um de seus diferenciais competitivos (ou as empresas que investem maciçamente em TI) passam a adotar uma arquitetura diferenciada para atender os seus processos de negócio sob o ponto de vista informacional; do acesso a aplicativos e recursos de TI, os usuários passam a acessar serviços informacionais, fato este que se torna possível a partir da adoção da arquitetura SOA – Arquitetura Orientada a Serviços. Um dos pré-requisitos para melhor compreender os propósitos da Arquitetura Orientada a Serviços – SOA – é conhecer alguns dos conceitos-chave que servem de base para avaliar o impacto desta tecnologia na estratégia de negócios da empresa e no consequente desenho de TI das organizações. É importante reconhecer que a TI, como já dito anteriormente, é um “meio” utilizado pelas empresas para cumprir seus objetivos primários. Se neste contexto passa a existir uma maneira da TI compartilhar recursos de processamento, banco de dados, redes de comunicação e até a “inteligência” derivada de sistemas transacionais e especialistas com o objetivo de atender os usuários da empresa com base na disponibilização de “serviços” ao invés da disponibilização de “sistemas, banco de dados, redes de comunicação etc., para o sistema-empresa esta arquitetura passa a ser muito vantajosa, em termos do aumento da eficiência operacional, diminuição dos custos totais aplicados em TI e na simplificação da utilização da TI nos vários processos de negócio da empresa. Eis alguns fundamentos para tais afirmações: a) Corporações costumeiramente internalizam suas atividades principais (core activities) e externalizam suas atividades secundárias (non-core activities). Há duas razões para isso: Primeiro, qualidade e eficiência tendem a crescer em organizações que otimizam ao redor de si um conjunto de competências-chave (core competencies) focadas no negócio. Segundo, estruturas de custo variável tendem a ser menos onerosas do que estruturas de custo fixo (economia de escala); b) Operações com o mercado incorrem em custos de transações. Os custos associados com operações comuns da empresa com seus agentes externos, como fornecimento, negociações, monitoramento, pedidos a fornecedores) compensa em parte ou inteiramente os benefícios em potencial para melhorar o foco do negócio e oportunidades de implementar economias de escala; c) Eficiência nos processos de relacionamento com o mercado e de produção reduzem os custos de transação. Estas eficiências aumentam a habilidade das corporações em externar suas atividades secundárias e em decorrência aumentam o foco no negócio e vantagens através de economia de escala; d) O mercado digital tem melhorado a eficiência do mercado de forma ampla, através da aplicação de tecnologia de informação. A “comoditização” de produtos (homogeneização de produtos e de interfaces) possibilita a melhoria da interoperabilidade e da eficiência de produtos. Através destes conceitos, pode-se avaliar com maior propriedade a TI sob a égide de um ferramental que está associado ao fato de como as organizações podem melhorar de forma contínua o foco nas suas atividades-chave e “externalizar” suas atividades secundárias. Por atividades secundárias entende-se as atividades ligadas à TI que permitem as empresas alcançarem níveis de excelência em suas atividades-chave, ou seja, o retorno que oferecem, através de serviços, às demais áreas da empresa. É necessário considerar, entretanto, que o modelo de “core-competences” é apenas uma forma de estratégia corporativa que pode ou não ser adotado por uma determinada organização, contudo, não é apenas neste tipo de estratégia empresarial que o modelo de arquitetura orientada a serviços pode entregar uma vantagem competitiva real. Estas constatações emergem em um cenário em que a arquitetura orientada a serviços pode ser entendida como uma solução que permite que uma única infraestrutura tecnológica seja utilizada por todas as aplicações existentes na empresa (softwares, redes e gerenciadores de bancos de dados) fazendo com os mesmos se “entendam” e criem serviços com flexibilidade suficiente para serem reutilizados entre os sistemas sempre que necessário. Assim, com o SOA, é possível acessar apenas uma parte dos serviços existentes sem a necessidade de utilizar o processo completo. Desta forma, o SOA elimina, definitivamente, o problema da TI muitas vezes não ter a capacidade de acompanhar os processos de negócio da empresa por não ter capacidade de agregar novas funcionalidades a sistemas e processos já estabelecidos. Em outras palavras, com a utilização do SOA, o usuário de uma determinada funcionalidade de um determinado sistema e que necessita de um serviço específico, passa a operar em um ambiente em que a estrutura operacional fica em segundo plano, com diversos sistemas distintos cuidando de pequenos passos de um processo, formando, assim, uma base de dados única e criando uma maior inteligência ao ambiente de Tecnologia de Informação. Nesta mesma vertente de análise do SOA, pode-se visualizar e analisar os aspectos financeiros associados ao fato da empresa possuir uma infraestrutura de TI baseada neste tipo de arquitetura orientada a serviços. Como cada aplicativo pode gerar serviços distintos, a partir do mapeamento de processos na empresa pode-se otimizar o investimento em TI através do dimensionamento de hardware e software a partir da capacidade dos mesmos em respectivamente suportarem / oferecerem serviços. Isto significa que pode-sechegar ao melhor modelo de benefício-custo possível em termos de investimentos em TI, já que a controladoria pode dimensionar quais serviços podem ou devem ser feitos internamente à sua própria estrutura de TI e quais serviços podem ser terceirizados, ou seja, não é necessário que a empresa tenha foco em ampliar continuamente seus investimentos nesta área, ou seja, corrobora-se o fato de que as empresas podem, cada vez mais, se dedicar às suas atividades-chave (core business) através da integração possibilitada pelo SOA. Analisando o posicionamento do SOA através da linha de evolução das Tecnologias de Informação percebe-se que após terem surgido uma série de inovações tecnológicas que se sucederam desde a década de 1970, atualmente existe uma necessidade latente no ambiente de TI de de “organizar a casa”, buscando segurança, integração e gerenciabilidade. A análise aprofundada deste tema faz-nos entender os motivos pelos quais até a pouco tempo atrás, na era dos mainframes a infraestrutura de processamento e comunicação de dados aproximava-se dos aplicativos. Essa característica favorecia a administração do banco de dados e o desenvolvimento de novos aplicativos. Todavia, os mainframes foram substituídos pelo ambiente Cliente/Servidor e com isso dissolveu-se a dependência pré-existente entre os aplicativos e infraestrutura. Neste cenário cliente-servidor, a expectativa anterior de muitos aplicativos trabalharem em conjunto funcionou, mas trouxe um ônus de administração de TI muito elevado, sendo que atualmente e para o futuro, os aplicativos e os recusros de infraestrutura, com a utilização do SOA, tendem a se acoplar novamente (como na era dos mainframes), todavia regidos por padrões de comunicação universais. No ambiente SOA, a infraestrutura passa a se apresentar (novamente) como “prestadora de serviços” para as aplicações (softwares), voltando a facilitar o desenvolvimento de soluções (sistemas) pontuais e a adminstração do ambiente de TI como um todo. Assim, a Arquitetura de TI ou Arquitetura Corporativa nada mais é do que o amadurecimento de um movimento para se buscar maior gerenciabilidade, integração e segurança para o ambiente de TI. Desta forma, evidencia-se que a tecnologia SOA não tem caráter revolucionário, mas provê uma visão de evolução na gestão de TI. Assim, a implementação da tecnologia SOA deve seguir passos pré-determinados, sendo que a controladoria deve gerir o processo de forma precisa. Esta função, específica da controladoria, deve atender aos anseios das partes relacionadas à administração da informação contábil e demais informações gerenciais / legais da empresa. Desta forma, nota-se que a TI deve possuir uma administração estratégica vinculada à área de tecnologia, ou seja, não é mais suportável realizar investimentos em TI sem que a máxima utilização dos atuais recursos vinculados a estas atividades estejam sendo utilizados em sua plenitude. A visão financeira relacionada à TI, cada vez mais, exigirá que a controladoria garanta o retorno dos investimentos realizados nesta área, sendo que a implementação segmentada de tecnologias integradoras, como o SOA, devem necessariamente vir a fazer parte de todos os futuros projetos de melhoria associados a estas ações.Assim, o valor competitivo do SOA pode ser expresso através das seguintes características: Melhor retorno sobre o investimento sobre valores investidos em projetos de TI; Redução do custo do projeto; Apresentação de resultados em períodos mais curtos de tempo; Capacidade de responder de forma mais ágil e flexível a exigências do negócio; Maior foco na descrição dos problemas do negócio; Quinta Camada: Portais Web A quinta camada tecnológica da TI aplicada aos Sistemas de Informações da empresas são os portais web. Os portais web são dispositivos capazes de proporcionar a interação do SI para com terceiros residentes além do Sistema-Empresa, isto é, através dos portais web é possível que outros sistemas ou pessoas se comuniquem com o Sistema de Informações da empresa abastecendo-o de dados compatíveis com as operações da empresa. Exemplos clássicos são os portais oferecidos aos consumidores pelas lojas virtuais que desenvolvem o comércio eletrônico ou os portais de empresas que realizam cotações eletrônicas junto a seus fornecedores, em ambos os casos não se faz necessário que as pessoas ou as empresas estejam fisicamente em contato para que as transações comerciais tenham efeito. Através dos portais web, mais do que simplesmente efetuar uma transação de negócios com terceiros, as empresas possibilitam o acesso a sua base de dados e sistemas aplicativos a colaboradores da empresa que estejam trabalhando à distância, sem nenhum contato físico com as instalações da empresa. De fato, os portais web constituem-se como “janelas” por onde transitam dados e informações em ambos os sentidos e através deste trânsito de informações ordenado as empresas tornam-se virtualmente inseridas no mercado consumidor. São várias as implicações da utilização deste recurso de TI pelas empresas. Em primeiro lugar, as empresas habilitam-se a manter a sua base de dados sempre atualizada, já que diversas operações são efetuadas por funcionários que muitas vezes não trabalham nas instalações físicas da empresa, mas sempre à distância. Um bom exemplo são os vendedores de produtos de uma determinada empresa que estão espalhados por todo o país e que se utilizam do portal web para carregar os seus pedidos de vendas (a partir da utilização de palms ou notebooks ) e para consultar os extratos de comissões pagas e em haver. Uma segunda excelente utilização dos portais, como dito, dá-se quando uma parte ou a totalidade das vendas de uma empresa são efetuadas via comércio eletrônico. Os portais, neste caso, são recursos estratégicos cruciais para as empresas que têm nos portais o seu core business. Neste casos os portais são extremamente bem construídos e oferecem uma segurança ativa para as transações que envolvem pagamentos via cartão de crédito ou similares. Um bom exemplo deste tipo de utilização de portais que constituem o core business das organizações, além dos portais de lojas virtuais são os conhecidos home bankings, que se diferenciam dos sites dos bancos a partir de uma premissa básica: nos portais há total integração do usuário com os aplicativos web das empresas, ao passo que nos sites há apenas a possibilidade de consultas a conteúdos, quando muito exibe-se catálogos de produtos e disponibiliza-se atendimento via e-mail e em alguns casos o atendimento on-line. A utilização de portais pelas empresas está cada vez mais presente na vida dos consumidores modernos e é difícil imaginar que a médio e longo prazos as transações eletrônicas não serão as dominantes em detrimento das tradicionais relações de consumo, especialmente para bens duráveis. De toda forma, as empresas que já se utilizam destas ferramentas de TI o fazem devido aos ganhos competitivos associados a esta prática. Arquitetura Interna do SI e Competitividade Empresarial Como visto, as cinco principais peças que compõem o SI em termos da TI possuem características próprias e acomodam-se naturalmente umas sobre as outras como se fossem “camadas” complementares de uma estrutura ordenada qualquer. De fato, é importante assimilar que todos estes recursos típicos da TI somente se estabeleceram como válidos após um exaustivo ciclo de desenvolvimento de soluções que visam, sobretudo, entregar eficiência e eficácia aos Sistemas de Informações empresariais. A competitividade das empresas e seu consequente sucesso em maximizar seus lucros e em perpetuar suas operações advêm do fato das empresas que se encontram neste patamar de qualidade operacional terem dado atenção em iguais intensidades a todos os componentes do SI, a saber: Dados, Pessoas, Procedimentos, Hardware e Software, sem descuidar de nenhuma destas partes, jáque todas se complementam e colaboram de igual forma para o sucesso da empresa. O modo como a TI se estrutura para suportar estas demandas informacionais compõe a arquitetura interna do SI e este é um item de grande importância da vida das empresas. Conceber um Sistema de Informação adequado às operações da empresa, estruturar um aparato de TI que seja capaz de otimizar este Sistema de Informação e concomitantemente investir somente o capital necessário para que o retorno sobre o investimento seja maximizado são tarefas associadas, inseparáveis e não triviais, já que o Sistema-Empresa é dinâmico e frequentemente necessita de alterações visando aumentar ou restabelecer a aderência dos seus processos de negócio ao Sistema de Informações. O objetivo desta seção deste texto é fazer com que os administradores, contadores e demais profissionais que um dia estejam na direção das empresas entendam que existe uma sinergia muito grande entre a qualidade com que é desenvolvida a arquitetura interna do SI e os consequentes produtos informacionais deste conjunto de soluções na forma de Tecnologia da Informação. Neste aspecto, as empresas necessitam que todo o corpo diretivo esteja consciente de como um conjunto de informações de qualidade é formado e principalmente como devem ser realizados e mantidos os esforços neste sentido. 4.9 Sistemas Componentes do SI Definidos os diversos conceitos teóricos sobre o Sistema de Informação da empresa, cria-se condições de tratar dos sistemas componentes do SI com maior ênfase de mercado. É fato que nas empresas os conceitos sobre sistemas são seguidos à risca, mas as terminologias são bastante diferentes quando os sistemas corporativos são descritos pelos seus fabricantes e pelo mercado em geral. Inicialmente segue uma tabela contendo os principais módulos do Sistema Transacional ou ERP (Enterprise Resource Planning) explicitando suas funções e associando-o aos ciclos de negócio da empresa: Módulo Processo Função Contabilidade Geral Corporate Control Agente Consolidador (SIC) Contas a Pagar Corporate Control Administrar todos os passivos da empresa Contas a Receber Corporate Control Administrar todos os recebíveis da empresa Custos Corporate Control Administrar a formação de custos nos processos da empresa Ativo Fixo Corporate Control Administrar todos os ativos fixos da empresa Fluxo de Caixa Corporate Control Administrar o fluxo de caixa da empresa Compras Procure to Pay Administrar todos os processos de compras da empresa Vendas Order to Cash Administrar todos os processos de venda da empresa Faturamento Order to Cash Administrar todos os processos de emissão de faturamento da empresa Gerenciamento de Contratos Order to Cash Administrar todos os projetos de longo prazo da empresa Gerenciamento de Estoques Order to Cash Administrar o estoque de matéria prima e produtos acabados da empresa Planejamento de Requisitos Procure to Pay Administrar todos os processos manufatura da empresa Previsão Procure to Pay Administrar todos os processos materiais e produção da empresa Gerenciamento de Equipamentos / Fábricas Procure to Pay Administrar todos os processos de manutenção de equipamentos e plantas industriais Gerenciamento de Ordens de Serviço Order to Cash Administrar todos os processos prestação de serviços Gerenciamento do Serviço de atendimento ao cliente Order to Cash Administrar todos os processos prestação de serviços no pós-venda Folha de Pagamento Corporate Control Administrar todos os processos elaboração da folha de pagamento Recursos Humanos Corporate Control Administrar todos os processos e rotinas de recursos humanos na empresa Observa-se que o Sistema de Transações da empresa (ou ERP) é composto por uma série de “módulos” capazes de fomentar o SIC (módulo de contabilidade) acerca dos dados monetários das transações que ocorrem em cada um destes subsistemas. No próximo capítulo trataremos com maior ênfase o ERP. Além do ERP, como visto, existem os sistemas especialistas que são os responsáveis pela elaboração de informações de maior valor agregado e termos de atendimento a demandas informacionais muito específicas. Segue uma tabela contendo os principais sistemas especialistas comumente encontrados em empresas de médio e grande porte. No próximo capítulo trataremos alguns destes sistemas com maior ênfase: Sistema Especialista Descrição Objetivos CRM Customer Relationship Management - Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente Propiciar a busca de oportunidades de negócio as partir de um relacionamento ativo com a carteira de clientes da empresa BI Business Intelligence – Inteligência do Negócio Propiciar informações de alto valor agregado a partir da análise sintética e analítica de cadeia de dados residentes no DW SCM Supply Chain Management - Gerenciamento da Cadeia de Fornecedores Otimizar os ciclos de produção e logística das empresas GRC Governance, Risk and Compliance – Governança, Riscos e Conformidades Propiciar total gerenciamento sobre os riscos e controles naturais a cada um dos processos de negócio da empresa HCM Human Capital Management – Gerenciamento do Capital Humano Propiciar o estado da arte no gerenciamento de recursos humanos BUDGET Budget – Orçamento Empresarial Propiciar a elaboração orçamentária de forma consolidada, assim como suas revisões periódicas. Referências BIANCOLINO, C. A., GIL, A. L., BORGES, T. N. Sistemas de Informações Contábeis - Uma abordagem gerencial. São Paulo: Saraiva, 2010.