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1 Aprendizagem, motivação e memória Motivação Definição e Enquadramento Ideias chave: É um conceito amplamente utilizado no senso Comum > presença constante no quotidiano; Individuo vs Situação (e.g. alavanca); Difícil definição; Impacto no comportamento humano; Fundamental no processo de aprendizagem (Thorndike) Relação estreita com outros processos psicológicos básicos: Perceção; Atenção; Memória. Definições: “As forças psicológicas internas de um indivíduo que determinam a direção do seu comportamento, o seu nível de esforço e a sua persistência face aos obstáculos” (George & Jones, 1999) “As forças que atuam sobre e dentro do indivíduo, que iniciam e dirigem o seu comportamento” (Sims, Fineman & Gabriel,1993) “A força que energiza e dirige o comportamento” (Serra Lemos, 2005) As dimensões de motivação tendem a incluir várias dimensões: Estimulação, ação e esforço, movimento e persistência e recompensa. Motivação como processo: 2 Motivação pode ser de dois tipos: Intrínseca (reforços internos); Extrínseca (reforços externos). Teorias da motivação: Teorias de conteúdo: focam-se na análise dos motivadores e procuram explicar a motivação através da ação. Responde á pergunta “o que motiva as pessoas?”. Teorias do processo: focam-se na dinâmica da motivação, analisam a motivação de forma mais prática. Responde á pergunta “como se desenrola o comportamento motivado?”. Teorias gerais: focam-se nas aspirações genéricas dos seres humanos, não se centram exclusivamente no trabalho e no comportamento organizacional. Por exemplo, Maslow e Alderfer discutem as necessidades gerais a qualquer ser humano que percorrem a sua vida. Teorias específicas: focam-se no comportamento organizacional, não se desenvolvem com a mesma tentativa de grande alcance das teorias gerais, ainda que os objetivos possam ser entendidos de forma mais vasta. Estas teorias centram- se em situações de trabalho. Teorias de conteúdo (gerais): Procuram explicar os motivadores do comportamento humano, entendidos de uma forma mais global (não circunscrita às situações de trabalho). Teoria ERG de Alderfer (1972): combinou a hierarquia de Maslow com investigação empírica (agrupamento das necessidades em categorias); ERG – E (Existência); R (Relacionamento); G (Crescimento). E (Existência): Providenciar as exigências materiais básicas (necessidades fisiológicas, necessidades de segurança). R (Relacionamento): desejo de manter relacionamentos interpessoais importantes (necessidades sociais, necessidades de estima – componente externa). G (Crescimento): desejo intrínseco de desenvolvimento pessoal (necessidades de estima – componente externa, necessidades de autorrealização). 3 Aspetos inovadores: Flexibilização das relações entre os níveis da hierarquia (Maslow: a progressão não é em escada > não se pode suprimir uma necessidade sem o nível anterior estar satisfeito; ERG: podem existir diferentes necessidades, de diferentes níveis, ao mesmo tempo); Dimensão Frustração > Regressão (Maslow: a partir do momento que se está num nível superior as necessidades de níveis inferiores deixam de ser motivadas; ERG: as necessidades mais baixas podem voltar a ser motivadas se as de nível superior forem frustradas); Menor orientação para o objetivo final: as necessidades de crescimento/autorrealização. Conclusões da Teoria ERG: Proporciona uma melhor explicação para as diferenças individuais entre os sujeitos; Educação, variáveis familiares e ambiente cultural alteram a força motivadora de um grupo de necessidades; Representa uma versão mais válida da Hierarquia de Necessidades. Teoria dos motivos de McClelland (1987): Existem 3 tipos de necessidades/motivos: sucesso; afiliação; poder. Sucesso: Há o desejo de fazer melhor do que o que foi feito antes; Esforço maior pelo sucesso do que pelas recompensas deste; Orientação para a excelência (ser o melhor); Preferência por riscos moderados; Procura de feedback para melhorar; Definição de metas moderadamente desafiadoras; Tomada de iniciativa; Preferência por tarefas que levem a que os resultados obtidos se devam a si. Afiliação: Desejo de ser apreciado e aceite pelos outros; Maior orientação para relações amistosas; 4 Orientação para relações interpessoais fortes; Ação amigável e cooperativa; Promoção da harmonia interpessoal; Atribuição de maior importância às pessoas do que às tarefas; Procura de aprovação dos outros. Poder: Desejo de ter impacto, ser influente ou controlar os outros; Maior preocupação com o prestigio e influencia nos outros do que em ser eficaz; Orientação para o prestígio e produção de impacto nos comportamentos ou emoções das outras pessoas; Apreciam estar no “controlo”; Interesse em alcançar e manter prestígio e reputação; Assunção de funções de gestão e liderança. Caracterização dos motivos: Sucesso: Procura alcançar sucesso perante uma norma de excelência pessoal; Aspira alcançar metas elevadas, mas realistas; Responde positivamente à competição; Toma iniciativa; Prefere tarefas de cujos resultados possa ser pessoalmente responsável; Assume riscos moderados; Relaciona-se preferencialmente com peritos. Afiliação: Procura relações interpessoais fortes; Faz esforços para conquistar amizades e restaurar relações; Atribui mais importância às pessoas do que às tarefas; Procura aprovação dos outros para as suas opiniões e atividades. Poder: Procura controlar ou influenciar pessoas e dominar os meios que lhe permitem exercer a influência; Tenta assumir posições de liderança espontaneamente; Necessita/gosta de causar impacto; Preocupa-se com o prestígio; Assume riscos mais elevados. Para McClelland, a avaliação dos motivos sempre se baseou no Picture-Story Exercise (teste de aperceção temática (TAT) originalmente desenvolvido por Murray). Testes de aperceção temática: Figuras que mostram pessoas em situações ambíguas Solicita-se que a pessoa conte uma história (sonhos, fantasias, aspirações…) Utilização muito controversa por 3 motivos: Pouco fidedigno (fiabilidade e teste-reteste); Sensível a influências situacionais; Reduzida correlação de resultados com avaliação por questionários. 5 Neste sentido, McClelland e colaboradores propõem a existência de: Motivos implícitos (medidos pelo TAT): Inconscientes; Refletem-se nas fantasias descritas; Explicam bem o que as pessoas realmente fazem, como passam o seu tempo, e o seu comportamento a longo-prazo (ex: progressão na carreira). Motivos Explícitos (medidos por questionários): Conscientes; Disposições motivacionais, objetivos e preferências em situações específicas; São bons preditores das atitudes, valores e objetivos conscientes, sobretudo quando é requerido esforço. Questionário adaptado por Rego: (slides 36-44) Têm sido feitos estudos sobre as origens e os efeitos dos motivos/necessidades. Origens – padrões educacionais Efeitos – desempenho académico; estilos preferenciais de gestão de conflito; Liderança organizacional; Liderança politica; empreendorismo. Teorias de conteúdo (especificas): procuram explicar os motivadores do comportamento humano numa lógica organizacional. Teoria das características da função de Hackman e Oldham (1980): Principais características: Variedade: grau em que uma função exige o recurso a competências, conhecimentos e atividades diversificados; Identidade: grau em que a função requer a execução de uma unidade de trabalho identificável (com principio, meio e fim); Significado: impactodo trabalho na vida dos outros (dentro e fora da organização); Autonomia: nível de independência no planeamento do trabalho e na respetiva forma de execução; Feedback: informação sobre o progresso do individuo na execução do trabalho. A presença destas características numa função tende a aumentar a motivação intrínseca dos empregados, bem como a satisfação geral face ao trabalho. As características da função também têm uma influência relevante sobre o bem-estar psicológico dos trabalhadores. 6 Variáveis moderadas que influenciam as características da função: Necessidades de crescimento. Elevado potencial motivador pode não se traduzir necessariamente em maior motivação ou eficácia (por não haver necessidade de crescimento ou desenvolvimento profissional). Capacidade de resposta às exigências do trabalho. Pessoas com capacidades inferiores ao requerido, por mais motivação que apresentem, não conseguem alcançar níveis de desempenho elevados. Satisfação com o contexto. Fortemente insatisfeito com o salario ou com a chefia é menos provável que responda às características da função. Atitudes face ao trabalho. São construídas socialmente (por vezes as 5 características estão presentes e mesmo assim há pouca motivação e baixa produtividade). Teoria dos dois fatores de Herzberg (1980): Teve como ponto de partida a Hierarquia de Maslow e tal como Alderfer discordou de alguns pontos; A motivação depende do trabalho em si e não das recompensas/incentivos. Dois tipos de fatores motivacionais: Fatores de Higiene: São fatores extrínsecos; São fatores insatisfacentes – previnem a insatisfação; Focam-se no contexto do cargo: como a pessoa se sente em relação á empresa, as condições de trabalho, salários, prémios; Benefícios, vida pessoal, status, relacionamentos interpessoais. Fatores de motivação: São os fatores intrínsecos; Associam-se a sentimentos positivos; Relacionados com o conteúdo do cargo (como a pessoa se sente em relação ao cargo; o trabalho em si, realização pessoal, reconhecimento, responsabilidades; o funcionário motivado tem um gerador interno e executa a tarefa por ela mesma, pela realização, pelo reconhecimento, pela responsabilidade e pelo progresso. 7 Teorias do processo (gerais): procuram explicar a dinâmica de desenvolvimento da motivação numa lógica mais vasta. Teoria da Equidade de Adams (1965): Defende a necessidade de justiça nos vários contextos de vida, principalmente no contexto organizacional. Justiça/Equidade é diferente de igualdade Na justiça, as pessoas são recompensadas em função do mérito e do empenho; Na igualdade, duas pessoas recebem a mesma recompensa. Ideia central: Deve haver correspondência entre os investimentos e os ganhos de cada um (quem investe mais no contexto ou organização, mais dela deve receber); Investimento: empenho, assistir a formações, esforço para contribuir para o bem, tempo despendido… Ganhos: ordenado, recompensas monetárias, promoções, subir de estatuto, mais benefícios… Comparamos os nossos ganhos e os nossos investimentos com os outros. Se a proporção não for percecionada como justa tendemos a desmotivar. Como é que os indivíduos fazem a avaliação da relação entre o que dão e o que recebem? Equidade externa: comparação com pessoas fora do seu contexto. Equidade interna: comparação com outros membros do mesmo contexto. Equidade como fenómeno percetivo e não como dado adquirido: As relações da equidade ou iniquidade resultam apenas das perceções dos indivíduos e não de qualquer medição objetiva; São elementos difíceis de ponderar objetivamente e muitas vezes, a perceção de esforço por parte do individuo é diferente do contexto o individuo acha que fez um grande investimento ao passo que o contexto pode avaliar esse investimento de forma menos favorável. 8 Quando é percecionada injustiça, pode prever-se que os indivíduos/empregados… Mudem os seus investimentos (esforçar-se menos, por exemplo); Mudem os seus resultados (se a meta é produzir mais, podem fazê-lo, mas com menos qualidade); Distorçam perceções de si mesmo (considerar que trabalha num ritmo razoável, mas depois considerar que trabalha mais que qualquer outro); Distorçam perceções dos outros (o trabalho dos outros não é tao bom quanto pensava que fosse); Escolham uma referência diferente (posso não ganhar tao bem quanto a minha irmã mas estou a sair-me melhor que a minha mãe com a minha idade); Deixem o campo de ação (deixar o emprego). Contribuição da teoria da equidade para a gestão da motivação: A motivação é maior quando as pessoas se apercebem da existência de uma relação de proporcionalidade entre os seus ganhos e os seus investimentos; Se a perceção dessa proporcionalidade não existir pode haver um sentimento de injustiça por parte dos indivíduos/trabalhadores. Os contextos/empresas devem ser capazes de discriminar os contributos das pessoas para a organização e as recompensas devem ser dadas de acordo com esses contributos. Nem todas as pessoas são sensíveis à equidade; A maioria das pesquisas sobre a equidade foca as recompensas monetárias, enquanto os empregados sentem como recompensa outros benefícios organizacionais. ModCo – Teoria da Modificação do comportamento organizacional de Luthans e Kneither (1998): Partiu da teoria do reforço de Skinner a resposta pode ser o reflexo do meio envolvente, a resposta pode ser aprendida. Procura responder a duas questões: Como é que os trabalhadores pensam no âmbito da empresa? Como é que os trabalhadores agem no âmbito da empresa? 9 Ideias centrais: Para aumentar os comportamentos desejados estes devem ser motivados através do reforço; Para diminuir os comportamentos indesejados estes devem ser desmotivados através da punição e extinção; Esta teoria está associada a um programa de intervenção – ModCo: Antes da implementação do programa os gestores da empresa devem: Identificar os problemas que estão relacionados com o desempenho; Medir as frequências do comportamento que provoca problemas de desempenho; Analisar as contingências antecedentes e consequentes do meio ambiente atual; Intervir para mudar as contingências ambientais de modo a acelerar os comportamentos desejados e a desacelerar os indesejados; Avaliar se a mudança foi ao encontro dos resultados pretendidos e efetuar medições e monitorização para melhorar. Programa ModCo tem 3 etapas: Introdução; Retirada; Reintrodução. Programa ModCo tem 2 fases: Na fase A: Medição dos comportamentos alvo; Intervenção suspensa e restabelecem-se as condições iniciais; Na fase B: Intervenção acompanhada de medição; Nova aplicação da fase B e verificação de resultados alcançados. Aspetos a considerar durante a aplicação do programa: As recompensas aplicadas devem corresponder aos desejos dos colaboradores; As recompensas devem ser aplicadas depois de acontecerem os comportamentos desejados; As recompensas devem ser atribuídas à medida que os objetivos vão sendo alcançados; Os reforços devem ser aplicados imediatamente a seguir ao comportamento desejado; As recompensas devem ser, preferencialmente, elogios e partilha de lucros; Os reforços devem ser aplicados em relação a comportamentos específicos e dentro de pequenos grupos para que não se torne difícil a identificação da causa do reforço; Os objetivos devem ser determinados numa base positiva para se excluir a intenção de punição na aplicação deste processo. Da recompensa/punição/extinção até que haja estabilização dos seus efeitos. 10 Teorias do processo (especificas): procuram explicar a dinâmica de desenvolvimento da motivaçãonuma lógica organizacional. Teoria da definição de objetivos de Luthans e Kneither (1990): É uma das mais importantes teorias da motivação para o trabalho, tendo sido sustentada empiricamente ao longo do tempo (inclusive em Portugal); A definição de objetivos é a mais importante fonte de motivação; A existência de objetivos deve ser transversal às várias teorias da motivação. Que tipo de objetivos são capazes de produzir níveis de desempenho mais elevados? Os objetivos mais eficazes partilham algumas características: S – Specific (Específicos); M – Measurable (mensuráveis); A – Agree and attainable (acordados e atingíveis); R – Realistic (realistas); T – Timed (com prazos). Estes objetivos: São diferentes de “Faça o melhor que puder”; Os objetivos devem ser moderadamente difíceis: percecionados como difíceis mas alcançáveis e específicos (quantitativos); O individuo tem de estar comprometido com o objetivo para acionar mecanismos de esforço, direção e persistência que lhe permitam ter sucesso. Este tipo de objetivos tem sucesso porque: Dirige a atenção e a ação para comportamentos relevantes; Conduz a um maior esforço; Estimula o desenvolvimento de planos; Estabelece prazos temporais; Aumenta a persistência no caso de obstáculos e dificuldades; Por terem de ser atingidos num período de tempo específico, a existência de objetivos diminui a procrastinação (exemplo de procrastinação: “amanhã faço”. 11 Como aumentar a aceitação dos objetivos? Participação – objetivos conjuntos entre superiores e subordinados; Feedback – informar o trabalhador sobre o progresso que ele tem alcançado; Recompensas – a existência de recompensas associadas ao alcance dos objetos tende a facilitar a sua aceitação. Limitações da teoria: Focar os sujeitos numa meta diminui a probabilidade de ocorrência de comportamentos intermédios relevantes; Comportamentos extra-papel tendem a diminuir, as pessoas fazem só o que é esperado para alcançar os objetivos; Falta de capacidade dos trabalhadores neutraliza os efeitos dos objetivos; Em determinadas tarefas complexas a introdução dos objetivos pode constituir uma fonte de distração. Teoria das Expectativas de Vroom (1964): Tendência para atuar de uma determinada forma depende: Da forma da expetativa; Da certeza de que a ação levará a um resultado atrativo; Atualmente é uma das explicações da motivação mais amplamente aceite. 3 Conceitos fundamentais: Expectativa: Probabilidade subjetiva de que se um determinado esforço for exercido, o resultado será um desempenho bem-sucedido; Expectativa de que se um determinado esforço for bem-sucedido, uma dada recompensa será obtida. Valência: Para que o individuo se esforce é necessário que a recompensa seja percebida como valiosa, ou seja, que tenha uma valência (ou valor) positiva. Intrumentalidade: Grau em que um resultado (de primeira ordem) facilita o acesso a um outro resultado (de segunda ordem). 12 Deste modo, caso o esforço não seja proporcional em relação às capacidades percebidas, se a pessoa não considerar interessante a recompensa que a organização tem para lhe oferecer ou se o resultado obtido não se revestir de valor instrumental para um outro resultado desejado, a probabilidade de a pessoa se sentir motivada para aumentar o seu esforço fica seriamente diminuída ou é neutralizada. 3 Tipos de relações a considerar: Esforço – desempenho; Desempenho – recompensa; Recompensas – objetivos pessoais. Para maximizar a motivação, os empregados deverão responder afirmativamente às questões: Se eu der o meu esforço máximo isso será refletido na minha avaliação de desempenho? Uma boa avaliação de desempenho leva a recompensas organizacionais? As recompensas disponíveis são pessoalmente atraentes para mim? Caso a resposta seja negativa: Motivação baixa assenta na crença de que não importa o quanto se esforce, a probabilidade de ter uma boa avaliação do desempenho é baixa; Os níveis de habilidade podem ser deficitários, pelo que não importa quanto se esforcem não terão alto desempenho; O sistema de avaliação de desempenho da organização pode avaliar fatores que não estão diretamente ligados ao esforço (ex: iniciativa, criatividade); A perceção de não ser apreciado pelas chefias, logo não importa o seu esforço, a avaliação será sempre fraca; Quando há uma fraca relação entre desempenho e recompensas > por vezes são recompensados “aspetos” como pagamento em função da “antiguidade”, cooperação… As recompensas devem ser ajustadas às necessidades individuais do empregado; Algumas organizações presumem erradamente que todos os empregados querem o mesmo. Nas organizações: Devem-se avaliar os sentimentos de autoeficácia dos trabalhadores (baixas perceções de autoeficácia Expectativas baixas); Chefias devem gerir expectativas dos subordinados; Devem-se adequar os sistemas de recompensas: Possibilidade de pessoas diferentes escolherem recompensas diferentes; Aferir se ajudam a resolver os principais problemas das pessoas. 13 Teoria da avaliação cognitiva de Deci (1971/2000) Motivação intrínseca: realização de uma tarefa pela satisfação relacionada com as características inerentes à própria tarefa. Motivação extrínseca: realização de uma tarefa para obter algo externo. Segundo a teoria da avaliação cognitiva: A motivação extrínseca diminui a motivação intrínseca. A recompensa de um individuo não deverá ser condicional ao seu desempenho Reforço da motivação extrínseca Diminuição da motivação intrínseca Contribuição de Ryan e Deci (2009): Motivação Extrínseca: regulação externa – presente por passar de ano; Motivação Intrínseca: introjeiçao – estudar para não sentir culpa; Identificação – estudar porque é importante melhorar notas; Integração – estudar porque quero saber mais. Programas de Motivação nas Empresas: Programas de administração por objetivos (APO) – teoria da definição de objetivos Definição de objetivos SMART individuais (a partir dos objetivos organizacionais), enfatizando o processo participativo dos empregados, para aumentar o sucesso da organização; Vantagens: Objetivos organizam o trabalho (individual e coletivo) aumentando os níveis de desempenho; Participação na definição dos objetivos; Feedback contínuo. Conceitos concetualizados de forma independente. 14 Programas de reconhecimento ao empregado – ModCO Reconhecimento dos esforços individuais e dos de grupo; Vantagens: custo baixo e custo zero; Associado à ModCO: reforçar um comportamento aumenta a probabilidade de ele ocorrer novamente; Na prática: e-mails de parabéns, elogios dos superiores, caixa de sugestões, entre outros. Programas de envolvimento do empregado – ERG Processo participativo dos empregados usado para estimular o aumento do comportamento com o sucesso da organização; Vantagens: ao aumentar a autonomia e controlo sobre o seu trabalho, os empregados ficarão mais motivados e comprometidos com o sucesso da organização; Associação à ERG: o envolvimento ajuda a satisfazer algumas necessidades dos indivíduos (responsabilidade, realização, reconhecimento, crescimento e aumento da autoestima); Na prática: 4 estratégias – administração participativa, participação representativa, círculos de qualidade e planos de propriedade de ações. Programa de pagamento variável – teoria das expetativas Pagamento em função do desempenho individual e organizacional (e não apenas somente pelo posto ou antiguidade); Vantagens: em vez do salário base há a possibilidade de reduzir despensas quando o desempenho declina (os empregados podem perceber se o seu desempenho estagnou); Associação à teoria das expetativas:o pagamento variável leva à expetativa de que, se um determinado esforço for bem-sucedido, uma dada recompensa será obtida; Na prática: planos de pagamento por proporção de peças, bónus, divisão de lucros. Planos de pagamento baseados em habilidades – ERG, ModCo, Maslow, Equidade O pagamento/recompensa depende do quão multifacetado é o trabalhador nas suas habilidades/competências; Vantagens: flexibilidade devido aos empregados serem multifacetados, diminuição de custos em recursos humanos. Associação às teorias: estimulo para o crescimento (ERG) e para a realização (Maslow); pagamento/recompensa do empregado multifacetado, generalista e flexível surge como reforço (ModCO); o facto de o critério de avaliação do empregado consistir nas habilidades/competências confere perceção de equidade (equidade); Na prática: flexibilidade de funções, investimento na aprendizagem/formação, especializar vs generalizar, cooperação… Benefícios flexíveis – teoria das expetativas Atribuição e benefícios personalizados de acordo com as necessidades específicas dos empregados; Vantagens: confere autonomia ao funcionário na escolha dos seus benefícios, benefícios personalizados acarretam maior motivação; Associação à teoria das expetativas: valência e instrumentalidade das recompensas; 15 Na prática: contas de despesas flexíveis para cada empregado que seleciona as opções de beneficio que entender: planos de saúde, opções de férias, planos de poupança e pensão, seguros de vida… Motivação Escolar Reconhecendo que a atividade escolar não é, frequentemente, interessante, há que perceber em que condições a motivação extrínseca deve ser usada para potenciar o envolvimento dos alunos. Motivação académica: Função ativadora e catalisadora do comportamento; Mobiliza recursos internos e permite que o aluno se envolva de forma mais profunda e empenhada na aprendizagem; A motivação tem impacto ao nível da: Intensidade (mais esforço…) Persistência (esforço continuado…) Direção (centraçao da atenção…) Contribuição de Ryan e Deci (2009): Motivação Extrínseca: regulação externa – presente por passar de ano; Motivação Intrínseca: introjeiçao – estudar para não sentir culpa; Identificação – estudar porque é importante melhorar notas; Integração – estudar porque quero saber mais. Pensar a promoção da motivação nos alunos: Motivação é processual e multideterminada; Professor é um ativador motivacional crítico; Professor é modelo motovacional; Motivação parte de uma relação pedagógica securizante; Promoção da motivação pressupõe o conhecimento das causas. Os alunos desmotivam porque… Têm dificuldades em aprender – baixa expetativa, desanimo aprendido; Julgam que não é importante aprender – baixo valor; Consideram que não é agradável aprender – não há interesse e desafio. Os alunos têm dificuldades em aprender… Fomentar autoeficácia, perceção de competência de controlo; Construir relações securizantes na sala de aula; Fornecer feedback claro e detalhado; Proporcionar tarefas que permitam a experiência de sucesso; Promover a autorregulação – perguntar o que deve fazer; Reconhecer emoções negativas; Enfase no esforço e não no resultado; Evitar comparações. 16 Os alunos julgam que não é importante aprender… Pensar em tarefas, materiais e atividades relevantes e úteis para os alunos; Relacionar problemas académicos com quotidianos; Intencionalizar discurso que foque importância dos conteúdos e atividades; Estimular autonomia e proatividade; Estimular definições de objetivos eficazes; Projetar no futuro. Os alunos julga que não é agradável aprender… Reforçar a escola como contexto privilegiado; Criar um ambiente de sala de aula motivador; Estabelecer relações pedagógicas especializadas; Promover a curiosidade; Proporcionar matérias e tarefas interessantes e novos; Promover atividades em lógica colaborativa; Ser modelo de interesse e envolvimento; Ajudar a perceber que nem tudo o que se faz é aprazível. Motivação e aprendizagem Motivação para a competência: Está na base de atitudes e comportamentos fundamentais à aprendizagem e ao desenvolvimento; Articula-se com o conceito de confiança na capacidade – perceção/crença da possibilidade de conseguir dado resultado; Promove o envolvimento em atividades em que se antecipa sucesso; Permite o evitamento de atividades em que se antecipa fracasso; É subjetiva, pois baseia-se na leitura pessoal de acontecimentos anteriores; A confiança na capacidade é fundamental para perceber a relação do individuo com contextos de realização como a escala e a aprendizagem; Confiança na capacidade influencia realização (notas, testes…); Confiança na capacidade influencia qualidade das aprendizagens; Confiança na capacidade influencia afetos. Dificuldade da tarefa (preferência pela dificuldade intermédia) Autoconceito Atribuição causal (interno vs externo; estável vs instável) Perceção de autoeficácia Memória Termo usado para nos referirmos à recuperação consciente e intencional de acontecimentos passados; É o meio através do qual mantemos e recordamos as nossas experiências passadas para as utilizar no presente; O ato de recordar envolve a consciência dos conteúdos mentais recorrentes e a noção de que estes são recuperações do passado; O desempenho numa tarefa pode ser influenciado pela memória de um acontecimento prévio; 17 Pode ser definida de acordo com 3 perspetivas diferentes: 1. Memória como representação interna do que foi aprendido (memória autobiográfica); 2. Memória como estrutura, com uma base neuroanatómica que permite a distinção entre 3 tipos de memória: Memória sensorial; Memória a curto-prazo; Memória a longo prazo. 3. Memória como processo que conduz à recordação definida como o conjunto dos processos de codificação, retenção e recuperação da informação. Memória como estrutura William James (1890-1970) propôs um modelo de 2 estruturas de memória: Memória primária: Informações temporárias que estão a ser utilizadas no momento; As informações que permanecem na consciência depois de terem sido percebidas e fazem parte do processo psicológico atual. Memória secundária: As informações são guardadas permanentemente ou, pelo menos durante um longo período de tempo; Informação sobre eventos que não estão a ser utilizados no atual processo psicológico e pertencem ao passado. Broadbent (1958) e Atkinson e Shiffrin (1968) propuseram uma estrutura de memória baseada em 3 estruturas básicas: Memória sensorial Memória a curto-prazo Memória a longo-prazo São construtos hipotéticos 18 Modelo de Atkinson e Shiffrin: Informação recebida pelo meio: A informação que provém do meio é muito diversificada; Recebemos todos os estímulos disponíveis no meio ambiente; Apenas dispensamos atenção aos que nos despertam algum tipo de curiosidade/interesse. Memória sensorial: A informação sensorial persiste durante um breve período de tempo (5 seg) após o final da estimulação; Registos pré-categoriais – prévios à seleção da informação que vai adquirir significado e registos de memória superiores. Apenas uma parte muito pequena dessa informação será transferida para um registo de memória superior, para que possa adquirir significado Extração dos aspetos fundamentais para análises posteriores; É o local onde a informação fica guardada até ser transferida para a memória a curto- prazo; Existem tantos tipos de memória sensorial como sentidos. Memória visual (memória icónica): A informação é armazenada sob a forma de ícones (que representam alguma coisa); Os ícones são semelhantes ao que estão a representar; Cada um destes ícones pode ser elaborado posteriormente; O tempo de permanência da informação na memória visual é muito limitado, caso contrário teríamos sobreposição de imagens Este tipo de processamento de informação é paralelo e não serial. Memória auditiva (memória ecóica): Existe retenção apenas durante algum tempo; A informação retida encontra-se num estado de não processamento; Fenómeno cocktail party: Diz respeito à capacidade de entender determinado tipo de mensagens ou estímulos no meio de ruído intenso; Acontece em situações em que questionamos o que foi dito e só depois de questionar percebemos que já tínhamos ouvido e entendido. Síntese da memória sensorial: É um registo temporário pré-categorial; Evita a sobrecarga de informação; Capacidade de registo virtualmente ilimitada; Depende da modalidade sensorial; Tem uma finalidade ecológica: Memória icónica permite a não sobreposição de imagens e a noção de continuidade das imagens; Memória ecóica permite armazenar o discurso para que depois o possamos interpretar. O processo de atenção é fundamental para retermos a informação que nos interessa: memória sensorial Memória a curto-prazo 19 Memória a curto-prazo: Outras denominações: memória operatória ou memória de trabalho; São guardados apenas alguns itens (±7 itens); Quando existe algum tipo de atraso ou interferência na transferência da informação para a memória a longo-prazo a capacidade de retenção pode ser apenas de 3 itens; A informação fica retida nesta estrutura durante alguns segundos (≈15 a 30 seg.); A tarefa que se encontra aqui armazenada é utilizada em algumas tarefas cognitivas; Possui alguns processos de controlo que regulam o fluxo de informação de e para a memória a longo prazo; O registo de informação é efetuado a partir de processamentos prévios que acontecem na memória sensorial; É aqui que ocorre a fase inicial de atribuição de significado à informação; A forma de codificação nesta estrutura é essencialmente acústica ou fonológica. Síntese da memória a curto-prazo: É um registo temporário de curta duração e que retém quantidades limitadas de informação; A informação está sujeita a um rápido esquecimento; Codificação acústica é o tipo de codificação mais frequente. Decadência e deslocação Repetição de manutenção e repetição elaborada Memória a curto-prazo Memória longo-prazo Memória a longo-prazo: Local onde é guardada a informação de que precisamos no quotidiano; Não há conhecimento da sua capacidade de armazenamento; Tem características bem definidas; Registos são provenientes de todas as modalidades sensoriais; Alguns estudos contrariam a estrutura unitária da memória a longo-prazo (duas estruturas de armazenamento de informação Independentes mas relacionadas); Tipos de informação: Declarativa (memória episódica e memória semântica); Procedimental. Recordação: existe recordação de um faco que já tenha sido guardado na memória: Serial; Livre; Com pistas. Reconhecimento: existe seleção ou identificação de um item já aprendido anteriormente. Quando são apresentados conjuntos de palavras, tendemos a recordar mais facilmente as palavras do início da lista (efeito de primazia) ou as do final da lista (efeito de recência) e não as intermédias (efeito de assimptota). Síntese da memória a longo-prazo: É um registo temporário de longa duração e que retém quantidades ilimitadas de informação; 20 A informação não está sujeita a um rápido esquecimento; É aqui armazenada todo o tipo de informação. Memória a curto prazo vs memória a longo-prazo: A MCP possui uma capacidade de armazenamento limitada mas a velocidade de recuperação elevada; A MLP possui uma capacidade de armazenamento ilimitada mas a velocidade de recuperação é mais lenta; Em relação à codificação dos estímulos: A codificação na MCP é do tipo fonológico e acústico: 1. Algumas trocas de consoantes devem-se a diferenças acústicas (e.g. T e P) e não a diferenças visuais (e.g. P e B); 2. A evocação de sequências de letras é mais difícil se as semelhanças acústicas predominarem (e.g. PDVTG e BRXYA). Baddeley (1966), concluiu que: Similaridade acústica dificulta a recuperação da informação da MCP; Similaridade semântica ou de significado dificulta a recuperação da informação da MLP. Em relação a estudos de neuropsicologia: Em casos de lesões no lobo temporal ou no hipocampo: MCP: desempenho normativo; MLP: dificuldade ou total incapacidade; Dissociação entre os dois tipos de memória. Limitações do modelo de Atkinson e Shiffrin: Alguns estudos mostram que alguns doentes amnésicos mantêm a MLP inalterada e apenas a MCP afetada; Não basta um número de repetições elevada para que a informação seja transferida da MCP para a MLP; A audição repetida não é suficiente para que a informação seja aprendida; Existe muita informação que é aprendida de forma acidental, o que impede a repetição da informação e a sua passagem da MCP para a MLP; O termo repetição é pouco claro já que existe uma repetição de manutenção para manter a informação na MCP e uma repetição elaborada que permite que a informação passe da MCP para a MLP; A indicação de várias limitações ao modelo estrutural levou a que fosse elaborado um outro modelo que se referia à memória enquanto processo. Memória como processo Nos anos 70 Craik e Lockhart propuseram a memória como processo. A memória enquanto processo diz respeito às atividades mentais que executamos para codificar, armazenar e recuperar a informação da memória; Mais importante do que estudar os sistemas de armazenamento da informação é analisarmos os processos que contribuem para uma recordação eficaz; 21 O processamento começa num nível mais básico e superficial e prossegue para níveis mais profundos, o que se traduzirá numa maior ou menor capacidade de recuperar a informação. Teoria dos níveis de processamento: A formação da memória é produto de séries sucessivas de análises efetuadas aos estímulos percebidos; Quanto maior for a profundidade de processamento, maior será o grau de retenção, isto é, maior a possibilidade da informação poder ser recuperada; Há 3 níveis essenciais de processamento: Físico: o processamento da informação baseia-se nas características visuais dos estímulos; Acústico: o processamento da informação baseia-se na combinação de sons associados ao estímulo; Semântico: o processamento é feito com base no significado do estímulo. A melhoria da capacidade de memorização está unicamente relacionada com o aumento da profundidade de análise da informação recebida e não com a repetição das análises antes efetuadas. Craik e Lockhart (1972) não distinguiram entre MLP e MCP, colocando a ênfase nos processos. No entanto continuaram a assumir a existência de uma memória primária separada da MLP que seria o equivalente à manutenção da informação num determinado nível de processamento e não a uma estrutura particular de memória. Nesta perspetiva, a memória primária teria como função principal assegurar dois processos de repetição distintos: A repetição de manutenção: Processo que visa manter durante algum tempo a informação para que ela possa ser utilizada. Não é um processo que possa conduzir ao aprofundamento e consequentemente à transferência da informação da memória primária para a MLP. A repetição de elaboração: Processo que permite que novas associações e significados sejam acrescentados ao material a processar para que seja facilitada a sua recuperação. Para os psicólogos cognitivos, existem apenas 3 operações que constituem os principais processos de memória: Codificação: Diz respeito à forma como um dado físicoou sensorial é transformado numa representação que pode ser guardado na memória; A informação pode ser codificada para uso temporário ou para armazenagem; A informação pode ser retida de forma voluntária ou involuntária – priming: A recordação de determinados estímulos é afetado pela apresentação anterior do mesmo estímulo; Capacidade em usar a informação que falta. 22 Na experiência de Conrad (1964): Apesar de as letras serem apresentada visualmente, os participantes cometiam erros relacionados com a acústica das letras As letras são codificadas pela forma como soam e não pela sua aparência; Foi validada a importância do código acústico e fonológico na memória a curto prazo, apesar de se dever dar importância aos outros tipos de informação sensorial e á forma como são codificados. Armazenamento: Apesar de a maior parte da informação ser codificada de forma acústica, ela tende a ser organizada/armazenada de forma semântica ou visual; A informação que é armazenada na memória a longo prazo enquadra-se segundo o tipo de memória que é: declarativa ou não declarativa; A informação da memória não declarativa (procedimentos) não é esquecida com facilidade já que pressupõe repetição; A informação da memória declarativa para ser armazenada envolve vários processos: Prestar atenção à informação; ou Fazer conexões com informação aprendida previamente. Estratégias de armazenamento na MLP Agrupamento por categorias: Agrupa-se o conjunto de itens segundo categorias; Imagens interativas: Imaginam-se os objetos representados interagindo uns com os outros de forma ativa; Sistema de pegwords: O item que se pretende memorizar associa-se a um outro que já tenha sido fixado anteriormente, o que permite construir uma imagem interativa entre as palavras; Método de loci: A pessoa imagina-se a caminhar numa área onde tem pontos conhecidos, e associa a cada um desses pontos um item específico a ser lembrado; Acrónimo: Associa-se uma palavra ou conceito a cada uma das letras a ser recordada; Acróstico: Formam-se frases para lembrar uma única palavra; Sistema de palavras-chave: Pode-se associar uma palavra a outra para ser melhor recordada. Recuperação: Podemos recuperar itens quer da memória a curto prazo quer da memória a longo prazo; Os itens para serem recuperados na memória a longo prazo dependem da sua disponibilidade e acessibilidade; O desempenho da memória depende mais da acessibilidade dos itens do que da disponibilidade. Síntese: Existem 3 tipos de processos que são necessários para que a informação fique guardada na memória; Os processos envolvem diferentes etapas, mas são interdependentes e comunicam entre si; 23 Os 3 tipos de processos de processos são fundamentais para que a informação passe ara a memória a longo prazo. Esta nova visão acaba por não contrariar e até acaba por complementar a perspetiva clássica. Se a MCP se orienta num código fonológico, e MLP num código semântico, então o modelo de processamento da informação acaba por explicar a diferença de recuperação da informação apresentada por aqueles dois sistemas de memória. Memória implícita vs memória explícita Memória explícita: Recordação consciente da informação; Existe intencionalidade no processo de recordação; O processo de recordação segue os mesmos caminhos que acontecem durante o processo de codificação. Memória implícita: 1966 - Memória inconsciente (Freud, e Breuer); 1982 - Memória sem consciência (Jacoby, e Witherspoon); 1985 - Memória implícita (Graft, e Schecter). Podemos demonstrar comportamentalmente o efeito de experiências ocorridas no passado, sem que: 1. Tenhamos que recordar conscientemente essas mesmas experiências; e/ou 2. Que exista a possibilidade de acesso consciente a essa informação (ex. por apresentação de estímulos de forma subliminar que se supõe influenciarem a recuperação dessa informação); Revela-se quando 1 experiência prévia facilita a realização de uma tarefa subsequente que não requer a recuperação intencional ou consciente da experiência passada; É uma memória não recuperável explicitamente porque não é acedida através de processos que recorrem ao episódio de codificação, como o faz a recordação ou o reconhecimento; Referimo-nos à memória implícita quando a apresentação dos estímulos se faz de forma não consciente (ex: por exposição subliminar) e a recuperação dessa informação se faz através de medidas indiretas de memória; Demonstra-se através da facilitação ou da mudança de desempenho nas tarefas quando estas envolvem os estímulos que foram processados previamente (ex: efeito priming); Exemplos de tarefas das experiencias que envolvem a memória implícita: Realizar tarefas de completamento de palavras às quais faltam várias letras; Ler 1 texto que se encontra invertido. 24 Estudo clássico e determinante para a consolidação da memória implícita (Graf, Shimamura e Squire, 1985): Participantes: 10 doentes amnésicos, 8 com Síndrome de Korsakoff e 2 com lesões cerebrais provocadas por hipotensão; 2 grupos de controlo: 1 grupo de alcoólicos sem síndrome de Korsakoff e 1 grupo de doentes sem sinais de alterações cognitivas. Procedimentos: Todos os participantes foram testados com 4 listas de palavras, tendo realizado 1 avaliação acerca do grau de agrado de cada palavra para si (1 a 5); 2 das listas foram apresentadas visualmente e as outras 2 foram apresentadas auditivamente; Depois da apresentação de cada lista os sujeitos realizaram 1 prova de recordação livre; No final da apresentação da lista 2 foram apresentadas as 3 primeiras letras de algumas das palavras vistas anteriormente bem como de palavras novas; Os autores pediram aos sujeitos que completassem os fragmentos com a 1 palavra que lhes ocorresse (tarefa de memória implícita porque não é pedido aos sujeitos que recordem as palavras que tinham sido apresentadas anteriormente). Resultados: Nas provas de recordação livre, os sujeitos amnésicos têm desempenhos muito inferiores aos outros 2 grupos, independentemente, da modalidade de apresentação; Na tarefa de memória implícita, os sujeitos amnésicos têm tão bons desempenhos como os outros grupos quando a apresentação é visual, e melhor do que o grupo de outros doentes quando a apresentação é auditiva. Memória explícita vs Memória implícita Memória explícita (declarativa): A recordação do material memorizado é consciente (Exemplo: Quando um aluno está a responder às questões de um teste tem consciência que está a recordar informação que memorizou). Memória episódica (eventos); Memória semântica (factos). Memória implícita (não-declarativa): Recordamos algo mas não temos consciência de estar a fazê-lo (Exemplo: Quando um aluno está a ler o material de apoio da disciplina está, inconscientemente, a lembrar-se de várias coisas (como, por exemplo, como se leem as palavras, qual o seu significado…). Memória procedimental/processual; Priming; Memória associativa (condicionamentos); Memória não associativa (por habituação, sensibilização). 25 Memória implícita e Memória explícita Possibilidade de existirem determinado tipo de variáveis que afetam as tarefas de memória implícita sem que haja efeitos na memória explícita, e vice-versa; Variáveis que têm sido mais estudadas em termos de dissociação de desempenho: Níveis de processamento; Mudanças da modalidade sensorial de apresentação de estímulos e das características físicas dos mesmos; Intervalo de retenção; Interferências proactivas e retroativas. Nível de processamento: quanto mais profundo for o processamento da informação melhor será a recordação dessa informação; Nos estudos que envolvem oreconhecimento percetivo e perguntas sobre o significado de palavras, o nível de processamento afeta o reconhecimento de palavras, mas não altera o efeito de ativação na tarefa de identificação percetiva; A mudança na modalidade sensorial de apresentação afeta (ex. identificação percetiva - tarefa de memória implícita e reconhecimento – tarefa de memória explícita) significativamente o efeito de ativação na tarefa de identificação percetiva; A influência do intervalo de retenção foi amplamente estudado nas tarefas de memória explícita, sendo que não se verifica o mesmo efeito nas tarefas de memória implícita; A dissociação entre os 2 tipos de memória pode ser comprovada pelo facto de que o desempenho numa tarefa de memória implícita não é preditor de sucesso numa tarefa de memória explícita, e vice-versa; As crianças com menos de 12 meses têm dificuldade em recordar onde foi escondido um objeto (memória explícita) A partir dos 12 meses, o sistema tardio de memória permite um melhor desempenho nestas tarefas A memória implícita evidencia-se, precocemente, perante a apresentação a novos estímulos (efeito da novidade); A idade produz um declínio substancial das capacidades da memória explícita; 1988 - Howard referiu que a memória implícita sofre efeitos mínimos com a idade, exceto nos casos em que as condições de processamento da informação requerem de um esforço cognitivo elevado; Mecanismos cerebrais ancestrais (Davidson, 1994): estão melhor guardados do que aqueles que têm origem recente. Provavelmente, os sistemas mais antigos são menos vulneráveis às lesões cerebrais porque estão dispersados por várias áreas. A vulnerabilidade da memória explícita pode-se atribuir ao seu reduzido substrato neuronal. As definições de memória implícita e explícita envolvem 2 classes distintas de fenómenos: Situação experimental; Fenómenos não observáveis (atividade consciente ou involuntária da recuperação da informação); Podem ser diferenciadas quanto à tarefa, mas quanto aos processos não é fácil, pois não existe acesso direto aos processos internos. Síntese: Memória explícita: O acesso à informação faz-se de forma consciente e intencional, recorrendo à forma como a informação foi codificada. 26 Memória implícita: O acesso faz-se sem que seja preciso recorrer ao momento em que a codificação se fez; Caracteriza-se mais pelas medidas que são usadas para a medir do que por perspetivas teóricas. Processo de recuperação de informação O estudo da memória tem estado muito relacionado com o desempenho em provas e não no estudo dos processos que facilitam a realização dessas provas; As medidas de memória são relacionadas com as formas de recuperação de informação; Não há recuperação eficaz sem um processamento adequado; Os paradigmas que têm sido usados relacionam-se com a aprendizagem de materiais, logo, o desempenho irá depender da capacidade de recuperação dessas experiências É necessário o acesso consciente às experiências passadas (tarefas de memória explicita ou medidas diretas; tarefas de memória implícita ou medidas indiretas); Acesso à memória explícita A informação está acessível através de medidas diretas ou tradicionais de memória Apela-se ao uso do momento do processamento temporal e espacial da informação. Medidas utilizadas tradicionalmente: Medidas de avaliação da capacidade de processamento; Medidas de retenção; Medidas de recuperação de informação; Recordação e reconhecimento. O acesso à informação pode estar mais facilitado nas tarefas de reconhecimento; A recordação envolve um processo de busca ou de recuperação, seguindo-se um processo de decisão ou de reconhecimento em função do pedido. Tulving distinguiu 3 níveis no processamento e recuperação da informação: O processo de codificação acontece sempre num ambiente cognitivo. Esta associação produz um traço mnésico que é recodificado em função da informação relevante retirada da informação original. Quando se pretende recuperar o traço mnésico que se acaba de processar, o que se torna relevante não é o acontecimento original mas sim o que resultou desse processamento original. O reconhecimento e recordação assentam na mesma forma de processamento e de recuperação de informação. Acesso à memória implícita A informação está acessível através de medidas indiretas Tarefas de memória implícita Tarefas de memória implícita: Regra geral refletem uma melhoria no desempenho (ex. menor tempo de execução ou maior eficácia) nas situações em que se realizou um processamento prévio; 27 Pedido de realização de uma atividade motora, verbal ou pictórica nas quais as instruções se referem apenas à execução e nunca ao momento do processamento prévio; Caracterizadas quanto ao tipo de comportamento a analisar: Tarefas motoras; Tarefas percetivas; Tarefas de avaliação; Tarefas fisiológicas. Caracterizadas quanto ao tipo de processamento que está em causa: Tarefas de processamento dirigidas pelos dados; Tarefas de processamento dirigidas pelos conceitos. Tarefas baseadas em dados percetivos – identificação de palavras, identificação de faces, nomeação de figuras, … Tarefas baseadas em conhecimentos factuais e conceptuais – pertença ou não a categorias semânticas, produção de exemplares de uma categoria, classificação de exemplares, … Tarefas baseadas em conhecimentos lexicais – completamento de palavras, completamento de fragmentos, produção de palavras a partir de definições, … Esquecimento Esquecimento associado a MCP Teoria do desuso ou do decurso do tempo – Brown- Peterson (1958; 1959): À medida que o tempo entre a aprendizagem e a recuperação decorre, os traços de memória tendem a desaparecer; Os estudos de Brown-Peterson (1958; 1959), validam a ideia de que quanto maior o intervalo de retenção, maior é a incapacidade em recordar. Paradigma da libertação da inferência proactiva (Wickens, 1970): Quando temos muito material da mesma categoria semântica a ser processado, a capacidade ou grau de retenção é menor, e se a categoria semântica for diferente a capacidade de retenção é maior; Explicação: se existir necessidade de processar muito material semelhante aos indicadores utilizados ou pistas que usamos para recuperar esse material, os indicadores/pistas ficam saturados; Quando o material é semanticamente diverso criamos a possibilidade da informação ser associada a novos indicadores e consequentemente ser bem recuperada. Esquecimento associado a MCP e MLP Teoria da inferência – Keppel e Underwoood (1962): A recordação de certas palavras ocorre porque outras palavras interferem com essas (inferência retroativa e inferência proactiva); Inferência retroativa: a informação aprendida interfere com a informação que já estava retida; Interferência proactiva – a informação que provoca a interferência está antes da aprendizagem; 28 Esquecimento associado a MLP Teoria dos princípios de codificação específica (Tulving, 1974) Um item para ser lembrado é codificado relacionando-o com o contexto em que é estudado, produzindo um traço único que incorpora informações do alvo e do contexto. Para o item ser recuperado, a informação do indício deve corresponder apropriadamente ao traço do item no contexto; Existem 2 principais razões para o esquecimento: Esquecimento dependente do traço: A informação não está mais armazenada na memória; Esquecimento dependente de indícios: A informação está disponível mas não pode ser recuperada. Esquecimento vs Distorções de memória Esquecimento: A informação deixou de estar acessível, pelo menos tal como foi codificada. Distorções das memórias: a informação pode estar: distorcida, acrescentada ou em falta. Transitoriedade: a memóriadesaparece rapidamente; Distração: reflete-se, maioritariamente, na repetição de ações; Bloqueio: A informação está retida na memória mas parece quase impossível recordar, apesar de saber que se sabe; Atribuição equívoca: Não se tem a certeza de onde se viu ou ouvir determinada informação e afirma-se que se viu ou ouviu em algum local e toma-se tal como sendo verdade; Sugestionabilidade: As pessoas são suscetíveis de serem influenciadas; Viés: Por vezes somos enviesados por situações atuais que nos recordam apenas situações semelhantes; Persistência: Por vezes as pessoas atribuem uma importância exagerada a um acontecimento que num contexto mais amplo tem pouca importância. Função da memória no processamento e na cognição Função da memória no processamento - Sternberg Este autor propôs a existência de uma memória de trabalho: Estrutura temporária que tem uma capacidade limitada e mantém apenas informação, de forma ativa, sendo utilizada para o processamento cognitivo presente. Função da memória na cognição – Alan Baddeley A MCP funciona como uma memória de trabalho temporal que permite realizar uma outra série de tarefas cognitivas; Sustentou empiricamente a sua hipótese de que a MCP desempenha um papel importante em atividades cognitivas como a aprendizagem, a compreensão e o raciocínio; A memória de trabalho será constituída por múltiplos componentes de onde se destaca o executivo central: Controla vários subsistemas subordinados e subsidiários. 29 Executivo central: Componente mais importante da memória de trabalho; Semelhante a um sistema da atenção; Planeia a execução dos movimentos do corpo e dos membros. Principais funções: Mudança na atenção entre tarefas; Planeamento de subtarefas para atingir um objetivo; Atenção e inibição seletivas; Atualização e verificação de conteúdos na memória de trabalho; Codificação das representações na memória de trabalho para o tempo e local do processamento. Alça fonológica: Retém a informação de forma fonológica; A similaridade fonológica das palavras dificulta o processo de recordação serial; Efeito do comprimento da palavra – recordam-se mais facilmente as palavras curtas. Buffer episódico: Sistema episódico de capacidade limitada; Integra informação proveniente de várias fontes numa única estrutura; Atua como intermediário de diferentes sistemas (alça fonológica e esboço visuoespacial). Esboço visuoespacial: Utilizado no armazenamento temporário e na manipulação da informação espacial e visual; Tem 2 componentes: Cache visual – armazena informação sobre a forma visual e a cor; Garatuja interna – Lida com informações espaciais e do movimento. Repete a informação da cache visual e transfere-as para o executivo central.