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FARMACODINÂMICA 
 
A farmacodinâmica é a área da farmacologia que estuda o mecanismo de ação dos 
medicamentos e seus efeitos fisiológicos e bioquímicos no organismo. 
Alguns medicamentos são chamados repositores, pois são utilizados para repor substâncias 
ausentes ou diminuídas no organismo, como hormônios (insulina, hormônio de crescimento, 
hormônios tiroidianos, etc.), minerais (ferro, cálcio, sódio, potássio, etc.) ou vitaminas (folato, 
vitamina B, vitamina C, etc.), por exemplo. 
Entretanto, a maioria dos medicamentos age se ligando a um receptor biológico, que pode ser 
por exemplo, uma enzima, uma proteína como um canal iônico, uma bomba, uma proteína 
transportadora, uma enzima, ácidos nucléicos, entre outros. 
Biofase é a área em volta do sitio de ligação do receptor biológico. 
 
Se uma quantidade suficientemente grande de moléculas que possuem afinidade pelo receptor se 
aproxima da biofase, a probabilidade delas se ligarem a ele aumenta. Por isso, medicamentos 
administrados próximos ao local de ação aumentam a eficácia da droga com risco mais baixo de 
produzirem efeitos adversos ao se ligarem aos receptores presentes em outras áreas. 
 
Agonistas ou antagonistas: 
 
Em algumas situações o medicamento possui afinidade por um receptor biológico, ligando-se a ele, 
resultando em sua ativação, ou seja, provocando sua atividade intrínseca. O fármaco, portanto, 
simula o mesmo efeito que compostos endógenos que naturalmente agiriam sobre o mesmo 
receptor. Nesse caso, são chamados de AGONISTAS. 
Por exemplo, a adrenalina (epinefrina) estimula os 
receptores adrenérgicos do coração (beta 1), vasos 
(alfa 1) e trato respiratório (beta 2), produzindo 
aumento na frequência cardíaca e vasoconstrição, 
levando a um aumento na pressão arterial e 
broncodilatação, favorecendo a respiração, sendo por 
isso, muito útil em situações de emergência, como nos 
acidentes com hemorragia. 
 
 
A fenilefrina também age estimulando os receptores 
alfa-1 adrenérgicos dos vasos causando 
vasoconstrição e diminuição da permeabilidade 
vascular, mas é utilizada principalmente como 
descongestionante nasal, pois reduz o volume do tecido e diminui a secreção nasal (coriza). 
 
 
 
Beta estimulantes como o salbutamol estimulam receptores beta-2 adrenérgicos, promovendo 
broncodilatação. 
 
 
 
 
Agonistas colinérgicos como a pilocarpina ativam os receptores da acetilcolina aumentando a 
salivação 
 
Barbitúricos como o fenobarbital e o propofol estimulam os receptores do GABA, produzindo 
sedação e anestesia. 
 
 
Em outras situações, o fármaco também possui afinidade por um receptor biológico, mas ao invés 
de ativá-lo, ele inativa (inibe, bloqueia) os receptores biológicos aos quais se ligam, neste caso 
sendo chamados de ANTAGONISTAS. 
Por exemplo, a escopolamina, princípio ativo utilizado no alívio das cólicas, age inibindo os 
receptores colinérgicos muscarínicos da musculatura lisa do trato digestório, o que promove a 
diminuição nos espasmos e contrações. 
 
Betabloqueadores como o propranolol e o atenolol inibem os receptores beta-1 adrenérgicos do 
coração, diminuindo a contratilidade da musculatura cardíaca. Porém, o propranolol é pouco 
seletivo, inibindo também os receptores beta-2 adrenérgicos do trato respiratório, o que pode 
causar algum desconforto respiratório para pacientes mais sensíveis ou com doenças respiratórias, 
coisa que o atenolol, mais seletivo, não faz. 
 
Inibidores da ECA como o captopril, bloqueiam os receptores da Enzima Conversora de 
Angiotensina, promovendo diminuição da pressão. 
 
 
Anti-histamínicos como a prometazina inibem os receptores da histamina, mediador relacionado 
às alergias. 
 
 
 
 
Bloqueadores dos canais de cálcio como o verapamil, a amlodipina (anlodipino) e a nifedipina 
provocam relaxamento dos músculos dos vasos e/ou do coração. 
 
A lidocaína um anestésico local, age por inibir canais de sódio dos neurônios da dor. 
 
 
 
TIPOS DE ANTAGONISTAS: 
 
Antagonistas (ou inibidores) competitivos bloqueiam o sítio de ligação que normalmente seria 
estimulado por um componente biológico (ligante natural) ou por um fármaco agonista. 
 
Neste caso, se a concentração do agonista (ligante natural ou fármaco) aumenta na biofase, ele 
desloca o antagonista de seu sítio de ligação e vice e versa, ou seja, com o aumento do 
antagonista ocorre o deslocamento do agonista (ligante natural ou fármaco) e ocorre a 
consequente inativação do receptor. 
 
Antagonistas (ou inibidores) não competitivos (metafinóides ou alostéricos) se ligam em uma 
região do receptor biológico diferente de seu sítio ativo, mudando a forma desses receptores 
biológicos. Com essa mudança na forma do receptor, ocorre a diminuição da afinidade do ligante 
natural ou do agonista pelo sítio de ligação, diminuindo a atividade do receptor. 
De modo análogo, existem agonistas que também agem ao se ligarem a um sítio alostérico e mudar 
a forma do receptor, mas de modo contrário aos antagonistas metafinóides, esses aumentam a 
afinidade do receptor pelo ligante natural ao invés de diminuírem a afinidade. 
Antagonistas químicos são fármacos que se ligam quimicamente ao ligante natural ou a um 
fármaco agonista reduzindo sua disponibilidade para atuar sobre o receptor biológico. 
Por exemplo, a protamina é usada para inibir a ação anticoagulante da heparina porque a 
protamina se liga à heparina impedindo-a de agir. 
Antagonistas fisiológicos ou funcionais são fármacos agonistas que ativam sistemas fisiológicos 
com efeitos contrários a outros sistemas de interesse. 
Por exemplo, a adrenalina e a fenilefrina estimulam o sistema simpático, que por sua vez, 
fisiologicamente, apresenta efeitos contrários aos do sistema parassimpático. Assim, podemos 
dizer que a adrenalina é um antagonista fisiológico de um fármaco colinérgico como a pilocarpina 
ou da acetilcolina, que é o neurotransmissor natural do sistema parassimpático. 
 
Afinidade: 
A afinidade de um fármaco por um receptor é a tendência (facilidade) que a substância possui 
para combinar-se com um receptor biológico. 
Diferentes substâncias podem ter diferentes afinidades pelo mesmo receptor. 
As substâncias com maior afinidade conseguem se ligar ao receptor mais facilmente, por isso, 
precisam de uma concentração menor no entorno do sítio de ligação (biofase) do que outra 
substância com afinidade mais baixa. 
Essa característica influencia a potência de alguns medicamentos. 
 
Potência: 
É uma medida que representa a dose que uma determinada substância precisa ser administrada 
para produzir o mesmo efeito farmacológico que outra. 
O fármaco mais potente é aquele que necessita de dose menor para produzir um determinado 
efeito. 
A potência está relacionada com a afinidade do fármaco por seu receptor biológico, mas também 
com fatores farmacocinéticos, que permitem a chegada de mais ou menos moléculas de um 
fármaco, próximas ao seu sítio de ligação. 
Por exemplo, 20mg de omeprazol produz praticamente o mesmo efeito gastroprotetor que 300mg 
de ranitidina. Deste modo, podemos afirmar que o omeprazol é 15 vezes mais potente que a 
ranitidina. 
 
Índice terapêutico (IT): 
É uma medida calculada a partir da razão entre a dose tóxica de um fármaco e sua dose efetiva 
(terapêutica). 
Um IT baixo significa que a dose terapêutica é muito próxima da dose tóxica, portanto, a droga é 
insegura. (Ex. Digoxina tem IT relativamente baixo, enquanto que o paracetamol possui IT 
relativamente elevado. 
Em outras palavras, para o paracetamol causar efeitos tóxicos, normalmente é necessário superar 
a dose terapêutica dele em diversas vezes, mas a digoxina já pode ser fatal com um incremento 
menor em sua dose usual ou pelo seu acúmulo no organismo). 
Levando em conta as doses efetivas e tóxicas de um fármaco, podemos ainda determinar a janela 
terapêutica, que consiste na faixa de dose mínima e máxima que podemos/devemos utilizar para 
obtermos bons resultados clínicos,mas com menos riscos ao paciente. 
 
Seletividade: 
A seletividade de um fármaco depende de sua maior ou menor afinidade por um determinado 
receptor biológico específico. 
Alguns fármacos são extremamente seletivos, ligando-se em apenas um subtipo específico de 
receptor, quando utilizado em doses baixas. Por exemplo, o formoterol é um medicamento 
considerado muito seletivo, pois em doses baixas praticamente se liga apenas aos receptores 
beta2 do trato respiratório, produzindo broncodilatação. 
Entretanto, em doses mais altas essa seletividade diminui, e o fármaco começa a se ligar a outros 
receptores, como o receptor beta-1 do coração, produzindo taquicardia. 
O atenolol é um betabloqueador beta-1 seletivo, enquanto que o propranolol é um 
betabloqueador pouco seletivo, que inibe não só os receptores beta-1 do coração, mas também 
os receptores beta-2 dos sistema respiratório, podendo produzir, portanto, broncoconstrição e 
dificuldade respiratória (falta de ar) para alguns pacientes, principalmente aqueles com doenças 
respiratórias, como asma, bronquite, pneumonia, tuberculose e enfisema pulmonar. 
 
Especificidade: 
A especificidade de uma droga se relaciona com a quantidade de mecanismos de ação que ela 
possui ou com a quantidade de efeitos que ela exerce. 
Por exemplo, quando todos os efeitos de um fármaco podem ser atribuídos a um único mecanismo 
de ação, sobre um único receptor biológico, além de seletiva, a droga é específica. 
O valproato age por diversos mecanismos diferentes, então, ele não possui grande 
especificidade de ação. 
 
Os anti-histamínicos, como a prometazina, são bem seletivos, mas alguns podem produzir efeitos 
centrais, como sedação, sendo, portanto, menos específicos para o tratamento das alergias do 
que outros, como a desloratadina que também é bastante seletiva no antagonismo sobre os 
receptores histamínicos, mas possuem baixa atividade central, com elevada ação periférica, 
portanto, com ação bem mais específica sobre a alergia. 
 
Fármacos de ação direta ou ação indireta: 
Fármacos de ação direta se ligam diretamente ao receptor biológico. 
Por exemplo, o salbutamol é um broncodilatador, que se liga diretamente aos receptores beta-
adrenérgicos do trato respiratório, produzindo os mesmos efeitos que o neurotransmissor 
endógeno, a adrenalina. 
 
Fármacos de ação indireta são aqueles que ao invés de estimularem diretamente o receptor 
biológico, promovem aumento na concentração da substância endógena (ligante natural), por 
exemplo, um neurotransmissor ou hormônio, que por estar em maior concentração que antes, 
estimulará mais o receptor biológico. 
Há três maneiras mais comuns pelas quais um fármaco consegue aumentar a concentração de um 
ligante natural, como um neurotransmissor, próximo à biofase: 
- Aumentando a liberação da substância 
- Diminuindo a metabolização da substância 
- Diminuindo a recaptação da substância. 
- Outra forma de aumentar a concentração de um ligante natural, como um hormônio, por exemplo, 
é promovendo a diminuição de sua excreção. 
Por exemplo, a cafeína, entre outros efeitos, promove aumento na liberação de adrenalina, que 
por sua vez, estimula os receptores adrenérgicos, produzindo vasoconstrição, cronotropismo e 
inotropismo positivos, aumento na vigília, entre outros tantos efeitos do sistema simpático sobre o 
organismo. 
 
 
Droga ativadora (excitatória) ou depressora (inibitória): 
Esse conceito é aplicado para explicar o efeito do medicamento sobre um sistema fisiológico, 
independentemente de ser agonista ou antagonista. 
O propofol, uma droga depressora, por exemplo, 
“desliga” o sistema nervoso central, por isso, é usado 
como anestésico geral. Apesar disso, ele é um 
agonista gabaérgico. 
 
 
Já a quetamina (Ketamin), que também é depressora, inibe 
receptores do glutamato, sendo, portanto, uma droga 
antagonista. 
 
 
 
Por outro lado, as anfetaminas, que são drogas 
excitatórias, porque estimulam o sistema nervoso 
autônomo simpático, mas agem por bloquear a recaptação 
da noradrenalina e da dopamina da fenda sináptica, sendo, 
portanto, um fármaco antagonista. 
 
Por fim, podemos lembrar da noradrenalina, que é uma 
droga agonista, e que estimula o Sistema Nervoso Central, portanto, é excitatória. 
 
Obs. Nesse caso específico, apesar de ser antagonista também podemos chamar as anfetaminas 
de drogas “agonistas de ação indireta”, já que seu efeito se dá pelo aumento na concentração 
de neurotransmissores nas fendas sinápticas, e não pela ação direta das anfetaminas sobre os 
receptores desses mesmos neurotransmissores.

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