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MARKETING DIGITAL W BA 00 80 _v 2. 0 22 Norberto Almeida de Andrade Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019 Marketing digital 1ª edição 33 3 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Tayra Carolina Nascimento Aleixo Revisor Kriscia Vicente Proença Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Andrade, Norberto Almeida de A553m Marketing digital/ Norberto Almeida de Andrade, – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019. 144 p. ISBN 978-85-522-1623-0 1. Marketing interativo. 2. Marketing de relacionamento. I. Andrade, Norberto Almeida de. Título. CDD 300 Thamiris Mantovani CRB: 8/9491 © 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. 44 SUMÁRIO Apresentação da disciplina 5 Internet como ferramenta de marketing 6 Novos modelos de negócio e o marketing tecnológico 36 Planejamento de marketing e brand equity 67 Estratégias digitais e gestão do marketing 4.0 94 E-commerce e E-business 121 Geração de tráfego na web 147 Comunicação Integrada de Marketing (CIM) 178 MARKETING DIGITAL 55 5 Apresentação da disciplina A internet já dominou o mundo e isto não é novidade, mas essa nova realidade digital na qual vivemos mudou nossas relações a as formas de comunicar algo. As ações de comunicação tiveram que se adaptar e se reinventar para acompanhar o ritmo de mercado e continuar atingindo seu público alvo, que não está mais na frente da TV ou folheando jornais, mas sim diante de uma nova tela várias horas por dia. É nesse cenário que surge o marketing digital, um conjunto de ações de comunicação realizadas por meio da web, como celulares, tablets, notebooks, para divulgar e comercializar produtos e serviços de forma rápida e assertiva. Essas ações são idealizadas, estruturadas e aplicadas em canais digitais, desde sites até mensagens de aplicativos. Por isso, é importante saber que o marketing digital se trata de uma nova forma de fazer Marketing, adequando-os aos meios digitais, que, por outro lado, também se adaptaram para funcionar como meios de divulgação mesmo quando não surgiram para isso. Mudanças no comportamento do consumidor exigem que as empresas repensem suas estratégias de marketing no domínio digital. Atualmente, o envolvimento do marketing digital das empresas pode ser categorizado de acordo com os benefícios percebidos e o uso do marketing digital. Para melhorar o envolvimento do marketing digital, os profissionais de marketing devem se concentrar nas interações baseadas em relacionamentos com seus clientes. 66 Internet como ferramenta de marketing Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender as principais funções do marketing. • Identificar as principais dificuldades da administração de marketing. • Compreender o composto do marketing tradicional com o viés do marketing digital. 77 7 1. Introdução A internet já dominou o mundo e isto não é novidade, mas essa nova realidade digital na qual vivemos mudou nossas relações e as formas de comunicar algo. As ações de comunicação tiveram que se adaptar e se reinventar para acompanhar o ritmo de mercado e continuar atingindo seu público-alvo, que não está mais na frente da TV ou folheando jornais, mas sim diante de uma nova tela durante várias horas por dia. É nesse cenário que surge o marketing digital, um conjunto de ações de comunicação realizadas por meio da web, como smartphones, tablets, notebooks, para divulgar e comercializar produtos e serviços de forma rápida e assertiva. Essas ações são idealizadas, estruturadas e aplicadas em canais digitais, desde sites até mensagens de aplicativos. Por isso, é importante saber que o marketing digital se trata de uma nova forma de fazer marketing, adequando-os aos meios digitais, que, por outro lado, também se adaptaram para funcionar como meios de divulgação mesmo quando não surgiram para isso. Mudanças no comportamento do consumidor exigem que as empresas repensem suas estratégias de marketing no domínio digital. Atualmente, o envolvimento do marketing digital das empresas pode ser categorizado de acordo com os benefícios percebidos e o uso do marketing digital. De outro modo, para melhorar o envolvimento do marketing digital, os profissionais de marketing devem se concentrar nas interações baseadas em relacionamentos com os clientes. PARA SABER MAIS Você sabia que em 2018 uma pesquisa realizada pelo Google e o Science Daily descobriram que o Google sabe apenas 2% sobre os consumidores? Isto porque 88 se considera apenas os dados e rastros digitais, pois a tecnologia tem limitações e não conhece cada pessoa no nível profundo comparada à vida física. ASSIMILE Para os profissionais de marketing que tentam competir nesse novo meio digital, é incrivelmente difícil destacar seu conteúdo acima do ruído competitivo. Embora a quantidade de tempo que os consumidores gastem na web e no smartphone tenha aumentado drasticamente, a quantidade de conteúdo disponível aumentou exponencialmente. Por este motivo, entender as dinâmicas de consumo, análise de dados, relacionamentos com os clientes nas plataformas digitais são imprescindíveis. 2. Internet como ferramenta de marketing O marketing digital é o ato de promover e vender produtos e serviços, aproveitando táticas de marketing online, como marketing de mídia social, marketing de pesquisa e e-mail marketing. Uma geração atrás, os consumidores estavam à mercê dos anunciantes que os enviavam mensagens de propaganda em alguns canais de mídia: impressos, outdoors, televisão, rádio (KOTLER e KELLER, 2012). Nos anos 1950, a publicidade era principalmente uma conversa de mão única com um público cativo, e os anunciantes criaram mercados, definindo e reforçando os estereótipos dos consumidores. A publicidade nas mídias tradicionais cresceu e se tornou um meio de marketing viável até então para aquele cenário. 99 9 Atualmente, com a explosão da mídia digital a partir dos anos 1990, as pessoas começaram a se envolver com as empresas com as quais negociavam de novas maneiras (GABRIEL, 2010). A relevância dos canais tradicionais de impressão e transmissão diminuiu, mudando completamente a dinâmica das empresas anunciantes. Canais digitais abriram portas para os consumidores. Eles já não são participantes passivos de uma conversa de marketing unilateral, os consumidores tornaram-se autores, cocriadores e críticos de poder (LONGO, 2018). O cenário digital é participativo, uma área em que os consumidores trocam ideias. Os profissionais de marketing não conduzem mais a discussão. Os consumidores comuns agora são empoderados e criadores de tendências. Para os profissionais de marketing que tentam competir nesse novo meio digital, é incrivelmente difícil destacar seu conteúdo acima do ruído competitivo (SOLOMON, 2016). Embora a quantidade de tempo que os consumidoresgastem na web e no smartphone tenha aumentado drasticamente, a quantidade de conteúdo disponível aumentou exponencialmente. Mais conteúdo digital é criado em um dia do que a maioria das pessoas pode consumir em um ano. Com tantas distrações e opções, seu público tem um tempo de atenção muito curto (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). O crescimento exponencial dos canais digitais deu origem à importância do marketing digital. Mas o marketing digital não é apenas sobre o canal. É também o mecanismo pelo qual as pessoas estão criando e compartilhando conteúdo e experiências, interagindo entre si e com as empresas com as quais fazem negócios. Portanto, investir em marketing digital não significa criar um site, um blog, fazer posts ou anunciar com banners (OLIVEIRA et al., 2012). A internet é tão grande e dispersa que os investimentos isolados e sem coordenação invariavelmente significam desperdício de recursos. Por isso, deve-se primeiro entender todo o contexto de marketing digital e depois planejar ações coordenadas e eficientes que estejam ligadas 1010 umas às outras e que se realimentem, ou seja, que uma ação contribua para que a outra cresça e obtenha projeção (SOLOMON, 2016). Assim, o modelo de marketing digital centrado no consumidor e baseado em seu comportamento será eficaz e flexível, principalmente porque está baseado nos princípios corretos e naquilo que realmente importa para as empresas e paro o marketing: o consumidor (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Esse modelo mostra que, embora as ações estratégicas, táticas e operacionais de uma campanha de marketing digital possam ser diferentes, dependendo da empresa e de cada cenário, as técnicas de marketing que se baseiam no comportamento do consumidor são igualmente aplicáveis ao marketing digital, desde que aplicadas corretamente a cada um dos ambientes e atividades presente naquele momento na internet (OLIVEIRA et al., 2012). Não obstante, o desenvolvimento do marketing digital é inseparável da evolução da tecnologia. O termo marketing digital foi cunhado pela primeira vez nos anos 1990. Com o lançamento da arquitetura de servidor/cliente e a popularidade dos computadores pessoais, os aplicativos de CRM (Customer Relationship Management) se tornaram uma parte significativa da tecnologia de marketing (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). A concorrência acirrada forçou os fornecedores a incluir mais serviços em seus softwares, por exemplo, aplicativos de marketing, vendas e serviços. Os profissionais de marketing também foram capazes de possuir enormes dados de clientes online pelo software e CRM após o nascimento da internet. Nos anos 2000, com cada vez mais usuários da internet e o nascimento dos smartphones, os clientes começaram a pesquisar produtos e a tomar decisões sobre suas necessidades online primeiro, em vez de consultar um vendedor, o que criou um novo desafio para o departamento de marketing nas empresas. Observe a figura a seguir: 1111 11 Figura 1 – Jornada de clientes Fonte: McKinsey (2015). Esses desafios fizeram com que os profissionais de marketing encontrassem os caminhos digitais para o desenvolvimento do mercado (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Em 2007, o conceito de automação de marketing foi levantado para resolver o problema acima. A automação de marketing ajudou as empresas a segmentar clientes, lançar campanhas de marketing multicanal e fornecer informações personalizadas para os clientes (GABRIEL, 2010). No entanto, a velocidade de sua adaptabilidade a dispositivos de consumo não foi rápida o suficiente. O marketing digital tornou-se mais sofisticado nos anos 2000 e 2010, quando a proliferação de dispositivos capazes de acessar mídia digital levou a um crescimento repentino. Com o desenvolvimento das mídias sociais nos anos 2000, os consumidores tornaram-se altamente dependentes da tecnologia digital no dia a dia (ANDRADE, 2018). 1212 Portanto, os usuários em diferentes canais esperam uma experiência relevante para pesquisar as informações de produtos e serviços. Neste sentido, a mudança de comportamento do consumidor melhorou a diversificação da tecnologia de marketing (SOLOMON, 2016). Uma parcela crescente de publicidade decorre de empresas que empregam conteúdo online para captar audiências dos usuários da internet, mas especialistas de Tecnologia da Informação suscitam preocupação com a privacidade do consumidor e a proteção de dados. Nos últimos anos, cada empresa busca implementar estratégias de marketing para atrair clientes, criar uma imagem de marca e se manter competitiva no mercado (GABRIEL, 2010). A este respeito, as ferramentas de marketing variam da mídia tradicional para as opções de alta tecnologia, tais como estratégias interativas baseadas na web e mídias sociais. Ultimamente, uma infinidade de novas táticas de mídia e de marketing tem aparecido, mas nem todas são eficazes para qualquer tipo de negócio (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Conforme Kotler e Keller (2012), marketing é visto como um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos de indivíduos obtêm o que necessitam e o que desejam através da criação, oferta e troca de produtos, possuindo certo valor. Durante as últimas cinco décadas, o marketing tem evoluído através de três etapas que chamamos de Marketing de 1.0, 2.0 e 3.0. A evolução do marketing é baseada em torno de três principais disciplinas: gestão de produtos, gestão de clientes e gestão de marca (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Esta mudança contínua responde à necessidade da disciplina de marketing para se adaptar a diferentes aspectos da vida humana. A nova realidade forçou uma mudança de estratégia das empresas e sua concepção do ambiente, assim como uma nova estratégia de 1313 13 marketing para a compreensão e fornecimento de soluções para os desafios que surgiram (SOLOMON, 2016). Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017) em sua mais recente obra, Marketing 4.0 – do tradicional para o digital, dizem que o conceito de marketing está centrado na área nas aspirações humanas, valores e espírito. Ainda propõem que os consumidores são seres humanos completos cujas outras necessidades e esperanças nunca devem ser negligenciadas. Na tabela a seguir são apresentadas as principais diferenças entre Marketing 1.0, 2.0, 3.0 e 4.0, conforme os autores, (2017): Tabela 1 – Evolução do marketing Marketing 1.0 centrado no produto Marketing 2.0 centrado no consumidor Marketing 3.0 centrado nos valores Marketing 4.0 centrada no humano Objetivo Vender produtos Satisfazer os clientes e fideli- dade à marca Fazer do mundo um lugar melhor Consumidores interagindo com os produtos Forças propulsoras Revolução Industrial Tecnologia da Informação Conexão dos consumidores (novas tecnologias) Era digital (Ubiquidade) Como as orga- nizações enxer- gam o mercado Compradores de massa com necessidades físicas Consumidores mais inteligentes, dotado de coração e mente Ser humano pleno, com coração, mente e espírito Conversações entre pessoas conduzidas em uma voz humana Conceito chave de marketing Desenvolvimen- to de produto Diferenciação Valores Proposição de valor e personalidade Proposi- ção de valor Funcional Funcional e emocional Funcional, emocional e espiritual Funcional, emo- cional, espiri- tual e afetivo Diretrizes de marketing da empresa Especificação do produto Posicionamento da empresa e do produto Missão, visão e valores da empresa Campos humanitários Interação com os consumidores Transação do tipo um para um Relacionamento um para um Colaboração um para muitos Conversas pessoais com os clientes Fonte: adaptado pelo autor de Kotler, Kartajaya e Setiawan (2010). 1414 Segundo Andrade (p. 349, 2018), “tecnologias não controlam pessoas. Pessoas controlam tecnologias que controlam pessoas”. Entenda que não se faz campanhas para máquinas, elas são apenas plataformas,meios para se chegar até as pessoas. Entender quem são e como se comportam é o grande desafio. Num primeiro momento, as empresas descartaram a internet como um modismo, alegando que eles não precisavam de um website (GABRIEL, 2010). Agora que as empresas estão online, dizem usar a mídia social, fazer mobile marketing e anúncios pagos no Google e acham que isto é suficiente, e que muitas vezes não tem funcionado para sua empresa. Com tantas opções em constante mudança, o marketing digital pode ser confuso (LONGO, 2018). E, de fato, muitas empresas têm escolhido enterrar a cabeça na areia em vez de aceitar os desafios do marketing digital. Por outro lado, não devemos generalizar. Empresários estão começando a reconhecer a importância e o valor de uma presença online. E enquanto uma aceitação universal de marketing digital é um enorme passo rumo a um novo modelo de fazer negócios, muitas empresas estão com tanta pressa para obter presença online que não conseguem desenvolver uma estratégia adequada para o movimento no espaço digital (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Ter um site, fazer posts e escrever qualquer tipo de conteúdo não é a resposta e nem o caminho para o engajamento e posicionamento de marca. Por si mesmos e nas mãos erradas, essas coisas são muitas vezes mal utilizadas ou incorretamente implementadas (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). A verdadeira chave para gerar um grande retorno sobre o investimento (ROI) com o marketing digital tem de ser muito bem alinhada aos objetivos de negócio para desenvolver uma estratégia adequada. Em um passado não muito distante, os consumidores 1515 15 tinham apenas opções de compra locais promovidas pela publicidade tradicional para orientar o caminho (OLIVEIRA et al., 2012). Agora, todo mundo está tentando se conectar com o consumidor em tempo real através de todos os canais e dispositivos. Dado esse cenário, as marcas precisam se preparar para o envolvimento com os consumidores em seus termos. Os consumidores conectados de hoje podem procurar rapidamente produtos e serviços e terem o poder de ser muito mais seletivos no processo de tomada de decisão. Eles não querem mais gastar dinheiro para adquirir um produto – eles querem um produto personalizado, acompanhado por um excelente serviço e aquele que melhor se adapte às suas necessidades profissionais ou pessoais (SOLOMON, 2016). Com outras palavras, os consumidores estabeleceram um padrão alto e as marcas precisam criar uma visão universal do consumidor. Esse é o processo de rastrear a jornada digital do consumidor e realizar uma análise holística de seus comportamentos nos canais e dispositivos. Ao combinar a maneira como eles interagem com os anúncios e como eles compram quando abrem e-mails, visitam sites e outros fatores, é possível aprender o que os motiva e suas preferências de comunicação (ANDRADE, 2018). Com uma compreensão completa da jornada do consumidor, pode- se criar uma experiência personalizada e útil que falará com eles no momento em que forem mais receptivos e no formato que preferirem. Quando feito corretamente, um algoritmo pessoal é mapeado e os consumidores sentem que você está realmente em sintonia com as necessidades deles (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Os dados acionáveis, coletados para personalizar a experiência de compra de cada consumidor, têm implicações significativas para o lucro e a escalabilidade dos negócios. A análise dos dados pode revelar tendências, segmentos e preferências de canais significativos. Use essas informações para alcançar novos consumidores com mais eficiência (OLIVEIRA et al., 2012). 1616 Mas uma empresa precisa primeiro se preparar para a personalização, se quiser obter resultados lucrativos. As pessoas não querem mais vendedores de produtos empurrando mensagens pela garganta. Elas já tiveram o suficiente. E, graças às capacidades tecnológicas de hoje, têm o poder de abandonar, pesquisar os produtos, consumir os materiais que desejam e fazê-lo quando quiserem (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). Pela primeira vez na história, marcas e profissionais de marketing estão realmente à mercê dos consumidores. As pessoas com poder de compra agora recorrem a colegas, especialistas e líderes de pensamento para obter sábios conselhos sobre tudo, desde oportunidades de aprimoramento de carreira até a melhor pasta de dente para comprar. Com todas essas pessoas residindo em um canal social ou outro, o poder coletivo das mídias sociais trouxe a era da sociedade em rede. A sociedade em rede é a expressão cunhada em 1991 relacionada às mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais causadas pela disseminação de tecnologias digitais de informação e comunicação em rede (ANDRADE, 2018). O marketing de influenciadores, embora sua encarnação atual nunca tenha sido vista antes, não é novidade, pois as celebridades são vistas como “influenciadoras” desde o início da vida pública. Mas com indivíduos acumulando milhares, centenas de milhares ou mesmo milhões de seguidores em suas páginas pessoais, “influenciador” se tornou um termo mais amplamente definido (OLIVEIRA et al., 2012). Este método de propaganda utiliza essas potências sociais para promover uma marca, produto ou serviço aos seus seguidores altamente engajados. Os influenciadores geralmente sentem que é sua obrigação fornecer à sua rede as informações mais relevantes e úteis, que ajudarão seu público a ter uma existência mais gratificante (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Se eles não conseguirem fazer isso, as pessoas se afastarão deles, assim como muitas marcas antes deles; autenticidade e transparência 1717 17 são fundamentais na era digital. O marketing digital é definido pelo uso de várias táticas e canais digitais para conectar-se aos clientes onde eles passam grande parte do tempo: online (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Este comportamento também é chamado, segundo Henry Jenkins (2015), de cultura da convergência. Ela é uma teoria que reconhece mudanças de relacionamento e experiências com as novas mídias, ou seja, onde as mídias novas e antigas colidem. Neste conceito, o autor explora o fluxo de conteúdo distribuído em várias interseções de mídia, indústrias e audiências, apresentando uma disputa de poder entre a distribuição e o controle do conteúdo. A mudança cultural no discurso da convergência se concentra em como a produção e o consumo de mídia mudaram com a relevância da cultura participativa, da inteligência coletiva e de um ambiente tecnológico convergente. Agora, os usuários podem experimentar um envolvimento estendido, interativo e até compartilhado, não apenas com a mídia de entretenimento, mas também com a mídia informativa. No entanto, à medida que a noção se popularizou em vários discursos da mídia, alguns estudiosos veem um uso excessivo da ideia de cultura de convergência, reavaliando sua natureza ampla ou falta de especificidade (JENKINS, 2015). Do próprio site aos ativos de marca online de uma empresa, publicidade digital, e-mail marketing, brochuras online e muito mais, existe um espectro de táticas que se enquadram no marketing digital (ANDRADE, 2018). Os melhores profissionais de marketing digital têm uma imagem clara de como cada campanha de marketing digital suporta seus objetivos principais. E, dependendo dos objetivos de sua estratégia de marketing, os profissionais de marketing podem apoiar uma campanha maior por meio dos canais gratuitos e pagos à sua disposição (GABRIEL, 2010). 1818 Aos olhos da platéia, são pessoas reais, não uma corporação sem rosto. Existe uma conexão genuína e, além de informações valiosas, há uma razão muito clara pela qual esse anexo existe (LONGO, 2018). a. A nova economia digital A “economia digital” é um termo para todos os processos econômicos, transações, interações e atividades baseadas em tecnologias digitais. A economia digital é diferente da economia da internet na medida em que a economia da internet sebaseia na conectividade da internet, enquanto a economia digital se baseia mais amplamente em qualquer uma das muitas ferramentas digitais usadas no mundo econômico de hoje (SOLOMON, 2016). Como um termo para todas as contribuições que as tecnologias digitais fizeram para as economias, o termo “economia digital” é bastante amplo. É frequentemente atribuído a Don Tapscott em seu livro de 1997, intitulado A economia digital: promessa e perigo na era da inteligência em rede. Desde então, muitos o usam de maneiras diferentes para descrever a atividade e os fenômenos econômicos baseados em tecnologia (GABRIEL, 2010). Ao falar sobre a economia digital, muitas pessoas apontam interrupções e transformações de mercado baseadas em tecnologias digitais. Há muito estudo sobre como as tecnologias estão mudando rapidamente o mundo, não apenas nas economias, mas nas sociedades como um todo (OLIVEIRA et al., 2012). No entanto, programas como a Iniciativa do MIT sobre Economia Digital são pontos específicos de estudo sobre como as transformações digitais afetam os mercados. O mundo como o conhecemos está mudando continuamente e um dos fatores fundamentais é a transformação digital. No fundo, a transformação digital não é sobre “unicórnios” da internet (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). É sobre o uso da mais recente tecnologia para fazer o 1919 19 que você já faz, mas melhor. A economia global também está passando por uma transformação digital e está acontecendo a uma velocidade vertiginosa (SOLOMON, 2016). Então, o que é a economia digital? É a atividade econômica que resulta de bilhões de conexões diárias entre pessoas, negócios, dispositivos, dados e processos. A espinha dorsal da economia digital é a hiperconectividade, o que significa crescente interconectividade de pessoas, organizações e máquinas resultantes da internet, da tecnologia móvel e da internet das Coisas (IoT), (LONGO, 2018). A economia digital está tomando forma e minando as noções convencionais sobre como as empresas estão estruturadas, como as empresas interagem e como os consumidores obtêm serviços, informações e bens (OLIVEIRA et al., 2012). Andrade (2018) afirma que o uso agressivo dos dados está transformando modelos de negócios, facilitando novos produtos e serviços, criando novos processos, gerando maior utilidade e introduzindo uma nova cultura de gerenciamento. Na economia digital, todos os clientes – tanto de empresa para empresa quanto de empresa para consumidor – desejam interagir com as empresas quando e onde quiserem e da maneira que for mais conveniente para eles (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Além disso, os clientes desejam o envolvimento com as marcas por meio de experiências que são transparentes, multicanais, diretas, contextuais e personalizadas. Para envolver os clientes, as empresas devem mudar de uma abordagem de marketing linear da comunicação unidirecional para um modelo de troca de valor de diálogo mútuo e compartilhamento de benefícios entre fornecedor e consumidor (ANDRADE, 2018). As trocas são mais não-lineares, de fluxo livre e são um para muitos ou um para um. A disseminação de informações e conscientização pode ocorrer em vários canais de mídias sociais. As comunidades online e as 2020 redes sociais permitem que os indivíduos criem conteúdo com facilidade e publiquem publicamente suas opiniões, experiências, pensamentos e sentimentos sobre muitos tópicos e produtos, acelerando a difusão de informações (LONGO, 2018). O uso de uma estratégia integrada como omnichannel versus multicanal, onde ambos são importantes e complementares e estão se tornando cada vez mais importantes para as empresas se adaptarem às novas expectativas dos consumidores que desejam ofertas cada vez mais sofisticadas ao longo da jornada de compra (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). O prefixo omni- vem do latim omnis, significando tudo ou todos. Multi, em multicanal, significa muitos. Embora o omnichannel sugira a cobertura de mais canais, a distinção omnichannel versus multicanal vai além do número. Como uma categoria de multicanal, o omnichannel é construído sobre vários métodos de promoção e distribuição de produtos, como lojas físicas, sites e aplicativos móveis, e permite que os clientes entrem em contato com problemas ou preocupações por telefone, e-mail, webchat e mídia social, por exemplo. As empresas estão se concentrando cada vez mais na presença online, incluindo lojas online que operam ao lado de pontos de venda existentes (ANDRADE, 2018). O “corredor sem fim” dentro do espaço das empresas pode levar os consumidores a comprar produtos online que atendem às suas necessidades, enquanto as empresas não precisam realizar o inventário no local físico da loja. Somente empresas baseadas na internet também estão entrando no mercado; algumas estão estabelecendo pontos de venda correspondentes para fornecer serviços pessoais, ajuda profissional e experiências tangíveis com seus produtos (SOLOMON, 2016). Uma abordagem omnichannel não apenas beneficia os consumidores, mas também beneficia os resultados financeiros 2121 21 dos negócios: a pesquisa sugere que os clientes gastam mais que o dobro na compra de um varejista omnichannel em oposição a um varejista de um canal, e geralmente são mais leais. Isso pode ser devido à facilidade de compra e à maior disponibilidade de produtos (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Os clientes geralmente pesquisam online e, em seguida, compram em lojas; e também navegam em lojas e, em seguida, procuram outras opções online. A pesquisa online de clientes sobre produtos é particularmente popular para itens com preços mais altos, além de bens de consumo, como mantimentos e maquiagem. Os consumidores estão cada vez mais usando a internet para procurar informações sobre produtos, comparar preços e buscar ofertas e promoções (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). O uso do marketing na era digital não apenas permite que as marcas comercializem seus produtos e serviços, mas também ofereça suporte online ao cliente por meio de serviços 24 horas por dia, 7 dias por semana, para que os clientes se sintam apoiados e valorizados (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). O uso da interação nas mídias sociais permite que as marcas recebam feedback positivo e negativo de seus clientes, além de determinar quais plataformas de mídia funcionam bem para eles. Como tal, o marketing digital tornou-se uma vantagem acrescida para marcas e empresas (LONGO, 2018). Agora, é comum os consumidores postarem feedback online por meio de fontes de mídia social, blogs e sites sobre sua experiência com um produto ou marca. Tornou-se cada vez mais popular as empresas usarem e encorajarem essas conversas por meio de seus canais de mídia social a terem contato direto com os clientes e gerenciarem o feedback que recebem adequadamente (ANDRADE, 2018). A comunicação boca a boca e o diálogo ponto a ponto costumam ter um efeito maior nos clientes, pois não são enviados diretamente 2222 da empresa e, portanto, não são planejados. É mais provável que os clientes confiem nas experiências de outros clientes. Podem ser exemplo os usuários de mídias sociais que compartilham experiências com produtos alimentícios e refeições, destacando certas marcas e franquias (GABRIEL, 2010). Isso foi observado em um estudo no Instagram, onde os pesquisadores observaram que os usuários adolescentes do Instagram publicaram imagens de experiências relacionadas a alimentos em suas redes sociais, fornecendo publicidade gratuita para os produtos. Neste sentido, é cada vez mais vantajoso para as empresas usar plataformas de mídia social para se conectar com seus clientes e criar esses diálogos e discussões (SOLOMON, 2016). Um objetivo fundamental é envolver os clientes de marketing digital e permitir que eles interajam com a marca por meio de serviços e entrega de mídia digital. É fácil acessar informações em ritmo acelerado através do uso de comunicações digitais.Os usuários com acesso à internet podem usar muitos meios digitais, como redes sociais, fóruns, e-mails e aplicativos. Esta natureza interativa permite com que os consumidores criem conversas nas quais o público-alvo pode fazer perguntas sobre a marca e se familiarizar com ela, o que formas tradicionais de marketing podem não oferecer (GABRIEL, 2010). De outro modo, ao usar plataformas da internet, as empresas podem criar vantagem competitiva por vários meios. Para atingir o potencial máximo do marketing digital, as empresas usam a mídia social como sua principal ferramenta para criar um canal de informação. Com isso, uma empresa pode criar um sistema no qual eles são capazes de identificar padrões de comportamento dos clientes e feedback sobre suas necessidades (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Esse meio de conteúdo mostrou ter um impacto maior sobre aqueles que mantêm um relacionamento de longa data com a empresa e com 2323 23 consumidores que são usuários de mídia social relativamente ativos, por sua vez, isto faz com que haja a construção do reconhecimento de marca ao logo do tempo (LONGO, 2018). O reconhecimento da marca está relacionado às funções das identidades da marca na memória dos consumidores e pode ser medido pela forma como os consumidores podem identificar a marca sob várias condições. O reconhecimento da marca também é fundamental para entender o processo de decisão de compra do consumidor. Um forte reconhecimento da marca pode ser um preditor do sucesso da marca. É uma medida importante da força ou do valor da marca e também está envolvida na satisfação do cliente, na lealdade à marca e nos relacionamentos com a marca (ANDRADE, 2018). b. Novo consumidor digital O comportamento do consumidor digital, em termos de pesquisa de marketing, resume-se essencialmente a qualquer coisa que uma pessoa faça online. Quais dispositivos eles usam, os sites que visitam, os anúncios com os quais se envolvem, as páginas para as quais navegam, quando saem, como e assim por diante. Se um cliente clica em algo, ele é gravado e às vezes até quando não clica em algo (LONGO, 2018). No marketing digital, é importante prestar atenção aos canais de comunicação em rápida evolução. O comportamento do consumidor está mudando devido à natureza capacitadora da tecnologia digital e ao fácil acesso à informação. A abordagem ideal para entender o comportamento de compra de seus clientes potenciais digitais é realizar uma pesquisa completa (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Os profissionais de marketing já fizeram uma extensa pesquisa para entender as características comportamentais dos consumidores digitais. A seguir, estão algumas ideias que, conforme Solomon (2016), resumem o assunto: 2424 • Os consumidores com conhecimento digital estão bem informados: a internet existe há bastante tempo e as pessoas agora aprendem a utilizar totalmente seu poder. À medida que as pessoas se tornam mais conscientes da moderna tecnologia de comunicação, elas a usam com mais eficiência. Isso significa que os profissionais de marketing precisam dar o melhor de si para conquistar clientes em potencial bem informados. • Eles querem informações relevantes e rápidas: informações excessivas e uma variedade de opções acostumaram as pessoas a obter as soluções certas e livres de riscos em segundos. Por exemplo, se o seu site não for responsivo ou lento, é provável que os visitantes se recuperem e passem para a próxima opção. É a gratificação instantânea que faz um visitante amar o seu site. Portanto, enquanto você cria um site para a sua empresa, verifique se ele fornece material interessante e informações altamente relevantes. • Eles compartilham muito: os consumidores online têm oportunidades e plataformas ilimitadas, onde podem conversar sobre suas experiências, compartilhar informações valiosas, pedir recomendações, fornecer comentários e deixar comentários. Em outras palavras, o conteúdo gerado pelo usuário desempenha um papel crucial no seu sucesso e promoção online. Os líderes de opinião ou influenciadores merecem uma menção especial quando se trata de entender os consumidores digitais em particular e o marketing digital em geral (GABRIEL, 2010). Eles usam o poder da internet para promover os produtos e serviços que admiram e já estabeleceram sua autoridade no coração dos consumidores digitais. Essa é a razão pela qual os influenciadores são pessoas importantes para os profissionais de marketing online (ANDRADE, 2018). As pessoas prestam atenção ao que dizem ou escrevem. Uma maneira de entender seus consumidores online é criar relacionamentos 2525 25 significativos com os influenciadores do seu setor. Quando você se envolve com influenciadores de maneira positiva, recruta uma equipe de advogados influentes que podem revolucionar completamente a maneira como você se comunica e se envolve com seus clientes em potencial e clientes (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Mas como encontrar e se conectar com os influenciadores em seu nicho? A seguir estão pontos relevantes sobre a identificação de influenciadores, segundo Andrade (2018): • Eles têm um círculo social consideravelmente grande com milhares de fãs. • Eles fazem uso excessivo de plataformas sociais, como blogs, canais sociais, fóruns e comunidades online, para falar sobre suas experiências com diferentes produtos e serviços. • Quando eles recomendam um produto ou serviço, as pessoas os seguem quase cegamente. • Eles são especialistas no conteúdo que compartilham. Há uma simples razão pela qual o comportamento digital é importante: dados. O engajamento online do cliente é qualitativamente diferente do engajamento offline, pois a natureza das interações do cliente com uma marca, empresa e outros clientes diferem na internet (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Fóruns ou blogs de discussão, por exemplo, são espaços em que as pessoas podem se comunicar e socializar de maneira que não podem ser replicadas por qualquer meio interativo offline. O engajamento online do cliente é um fenômeno social que se tornou popular com a ampla adoção da internet, que expandiu os desenvolvimentos técnicos em velocidade de banda larga, conectividade e mídia social (OLIVEIRA et al., 2012). 2626 Esses fatores permitem que o comportamento do cliente se envolva regularmente em comunidades online, girando, direta ou indiretamente, em torno de categorias de produtos e outros tópicos de consumo (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). Esse processo leva ao engajamento positivo de um cliente com a empresa ou oferta, bem como aos comportamentos associados a diferentes graus de engajamento do cliente. As práticas de marketing visam criar, estimular ou influenciar o comportamento do cliente, que coloca as conversões em um contexto mais estratégico e tem como premissa o entendimento de que o foco na maximização das conversões pode, em algumas circunstâncias, diminuir a probabilidade de conversões repetidas (GABRIEL, 2010). Embora a advocacia do cliente sempre tenha sido uma meta para os profissionais de marketing, o aumento do conteúdo gerado pelo usuário online influenciou diretamente os níveis da mesma. O engajamento do cliente visa interações de longo prazo, incentivando a lealdade e a defesa do cliente por meio do “boca a boca” (LONGO, 2018). Embora o marketing de engajamento do cliente seja consistente tanto online quanto offline, a internet é a base dos esforços de marketing. O engajamento do cliente é fundamental para o sucesso de empresas ou marcas em uma sociedade tecnologicamente conectada. Esse ambiente progressivo requer comunicação direta com os clientes para que eles se envolvam no processo, dando-lhes controle em troca de sua atenção, para aumentar a conscientização e a lealdade à marca e ganhar “boca a boca” (SOLOMON, 2016). Essas trocas aumentam o sucesso das campanhas de marketing, agregam valor à marca e/ou produto ou serviço e aprimoram o atendimento ao cliente.Embora o engajamento offline do cliente seja anterior ao online, este último é um fenômeno social qualitativamente diferente, diferente de qualquer engajamento offline do cliente que os teóricos sociais ou os profissionais de marketing reconheçam (OLIVEIRA et al., 2012). 2727 27 No passado, o engajamento do cliente era gerado de maneira irresoluta por meio de televisão, rádio, mídia, publicidade externa e vários outros pontos de contato idealmente durante alocações de pico e/ou alto tráfego. No entanto, os únicos resultados conclusivos das campanhas foram vendas e/ou retorno do investimento. A ampla adoção da internet durante o final dos anos 1990 aprimorou os processos de engajamento do cliente, em particular a maneira pela qual agora ele pode ser medido em diferentes níveis de engajamento (ANDRADE, 2018). É um fenômeno social recente onde as pessoas se envolvem online em comunidades que não necessariamente giram em torno de um produto específico, mas servem como locais de reunião ou de rede. Esse engajamento online trouxe tanto o empoderamento dos consumidores quanto a oportunidade para as empresas se envolverem com seus clientes-alvo online (GABRIEL, 2010). O conceito e a prática do engajamento online do cliente permitem que as organizações respondam às mudanças fundamentais no comportamento do cliente que a internet provocou, bem como à crescente ineficácia do tradicional modelo de publicidade de interrupção e repetição (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Devido à fragmentação e à especialização da mídia e do público, bem como à proliferação de conteúdos gerados pela comunidade e pelos usuários, as empresas estão perdendo cada vez mais o poder de ditar a agenda de comunicações. Simultaneamente, menores custos de troca, a ampliação geográfica do mercado e a vasta escolha de conteúdo, serviços e produtos disponíveis online enfraqueceram a lealdade do cliente (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Demonstrou-se que o aprimoramento da experiência relacionada à empresa e ao mercado dos clientes envolve clientes, fortalece sua lealdade e os vincula emocionalmente mais estreitamente a uma empresa. Como o mundo atingiu uma população hiperconectada de usuários da internet, é conclusivo que a cultura interativa da sociedade seja significativamente influenciada pela tecnologia (LONGO, 2018). 2828 A conectividade está unindo consumidores e organizações, o que torna essencial que as empresas aproveitem e se concentrem em captar a atenção e interagir com consumidores bem informados para atender e satisfazer. A conexão com os clientes estabelece exclusividade em sua experiência, o que potencialmente aumentará a lealdade à marca, a propaganda “boca a boca” e fornecerá às empresas análises, percepções e retenção valiosas dos consumidores (OLIVEIRA et al., 2012). O engajamento do cliente pode vir na forma de exibição, impressão, alcance, clique, comentário ou compartilhamento, entre muitos outros. Levando em consideração as informações e conexões difundidas para os consumidores, a maneira de desenvolver o envolvimento penetrável do cliente é conectar-se de maneira proativa com os clientes, ouvindo (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). A audição capacitará o consumidor, dará a ele controle e endossará um diálogo bidirecional centrado no cliente. Esse diálogo redefinirá o papel do consumidor, pois ele não assumirá mais o papel do usuário final no processo. Em vez da transação e/ou troca tradicional, o conceito se torna um processo de parceria entre organizações e consumidores (ANDRADE, 2018). Particularmente porque a internet forneceu aos consumidores o acúmulo de muitos conhecimentos e entendimentos diversos, os consumidores agora têm expectativas cada vez mais altas, desenvolvem percepções sensoriais mais fortes e, portanto, tornam-se mais atraídos por valores experimentais. Portanto, seria lucrativo que as empresas se submetessem aos novos critérios para oferecerem aos consumidores a oportunidade de mergulharem ainda mais na experiência de consumo (GABRIEL, 2010). Essa experiência envolverá organizações e consumidores compartilhando e trocando informações, o que gerará maior conscientização, interesse, desejo de compra, retenção e lealdade entre os consumidores, desenvolvendo um relacionamento íntimo (LONGO, 2018). Significativamente, a abertura total e o fortalecimento 2929 29 do serviço ao cliente são o ponto de venda para os clientes para fazê-los se sentirem mais envolvidos, e não apenas um número. Isso ganhará confiança, engajamento e, finalmente, “boca a boca” através de círculos sociais sem fim (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). O marketing digital e seus canais associados são importantes, mas não excluindo todo o resto. Não basta conhecer apenas seus clientes, você deve conhecê-los melhor do que qualquer outra pessoa para poder se comunicar com eles onde, quando e como eles são mais receptivos à sua mensagem. Para fazer isso, você precisa de uma visão consolidada das preferências e expectativas dos clientes em todos os canais – web, mídia social, smartphone, mala direta, ponto de venda etc. As empresas fazem isso usando a análise omnichannel de varejo (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Os profissionais de marketing podem usar essas informações para criar e antecipar experiências consistentes e coordenadas dos clientes que irão mover os clientes no ciclo de compra. Quanto mais profunda a percepção do cliente sobre comportamento e preferências, maior a probabilidade de você envolvê-lo em interações lucrativas (OLIVEIRA et al., 2012). O omnichannel é uma estratégia de conteúdo entre canais que as organizações usam para melhorar sua experiência do usuário. Em vez de trabalhar em paralelo, os canais de comunicação e seus recursos de suporte são projetados e orquestrados para cooperar. O omnichannel implica integração e orquestração de canais, de modo que a experiência de se envolver em todos os canais que alguém escolhe usar é tão ou mais eficiente e agradável do que usar canais isoladamente (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). A abordagem tem aplicações em qualquer setor, mas os primeiros exemplos foram nos serviços financeiros, saúde, governo, varejo e indústrias de telecomunicações. O omnichannel substitui o multicanal e inclui canais como locais físicos, comércio eletrônico, aplicativos para dispositivos móveis e mídias sociais (SOLOMON, 2016). 3030 As empresas que usam o omnichannel afirmam que um cliente valoriza a capacidade de se envolver com uma empresa por várias vias ao mesmo tempo. Um equívoco comum é que, para ser omnichannel, uma estratégia precisa suportar todos os canais possíveis, o que é uma impossibilidade prática para a maioria das organizações (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Omnis vem do latim para “todos”, e aqui sugere a integração de todos os canais físicos (offline) e canais digitais (online) para oferecer uma experiência unificada ao cliente (GABRIEL, 2010). De acordo com Andrade (2018), o omnichannel é definido como experiências ininterruptas e sem esforço, de alta qualidade do cliente que ocorrem dentro e entre os canais de contato. O esforço para unificar canais tem uma longa história em todos os setores do mercado. Esforços como publicação de fonte única e web design responsivo, no entanto, geralmente eram focados em eficiência interna, consistência de formatação e desduplicação simples nos canais. À medida que o número de canais proliferava, aumentava o potencial de experiências desarticuladas ao alternar ou trabalhar com vários canais (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). Canais como dispositivos móveis, web móvel, aplicativos móveis, ajuda contextual, realidade aumentada, realidade virtual e chatbots são usados em adição aos tradicionais canais de interação física e humana. Isso cria uma matriz complexa de possíveis maneiras pelas quais um indivíduo pode envolver uma organização e suas ofertas ou concluir uma tarefa. O varejo omnichannel é uma expansão do varejomulticanal (LONGO, 2018). O surgimento de tecnologias digitais, mídias sociais e dispositivos móveis levou a mudanças significativas no ambiente de varejo e oferece oportunidades para os empresa reformularem suas estratégias de marketing e produto. Hoje, os clientes tendem a procurar informações na loja física e, ao mesmo tempo, obtêm informações adicionais de seus dispositivos móveis sobre ofertas e preços possivelmente melhores (SOLOMON, 2016). 3131 31 O omnichannel permite que as organizações aloquem a disponibilidade e a visibilidade do inventário entre locais versus cada canal que possui unidades específicas. Vários recursos, como tabelas de tamanhos, política de devolução fácil e entrega no mesmo dia, aumentaram o comércio eletrônico e promoveram as compras omnichannel (OLIVEIRA et al., 2012). Empresas omnichannel possuem métodos tradicionais de publicidade em massa integrados a canais interativos emergentes. Sites, ofertas de e-mail, mensagens de mídia social e lojas físicas exibem as mesmas mensagens, ofertas e produtos. O conceito omnichannel não apenas amplia o leque de canais, mas também incorpora às necessidades, comunicações e interações entre cliente, marca e empresa (YASUDA e OLIVEIRA, 2012). Embora se diga que o omnichannel é ditado por sistemas e processos, é o cliente quem determina como ocorre uma transação. Sistemas e processos facilitam a jornada do cliente para realizar transações e ser atendido. O omnichannel está se movendo em direção ao aumento da personalização com base em análises para tornar a experiência do cliente mais integrada (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). De acordo com Longo (2018), o omnichannel é a força central que molda o futuro do comércio eletrônico e das lojas físicas. A principal diferença entre omnichannel e multicanal é o nível de integração. O multicanal é geralmente identificado como uma maneira não integrada de abordar clientes e ativos de estoque, enquanto o omnichannel exige integração coerente e absoluta do estoque. Mais e mais organizações perceberam as oportunidades e vantagens de integrar múltiplos canais adotando uma abordagem omnichannel (ANDRADE, 2018). As fronteiras entre os canais tendem a desaparecer em um ambiente omnichannel, proporcionando ao cliente uma experiência consistente da marca. A principal diferença entre omnichannel e omnidigital é o foco dado à estratégia (SOLOMON, 2016). Com o omnichannel, a 3232 empresa se concentra em ter o conjunto certo de canais para os clientes se envolverem. Com o omnichannel, a empresa se concentra em fornecer uma experiência consistente ao cliente em tudo o que é digital, independentemente do canal usado. O canal se torna secundário e a experiência do cliente é o foco principal (KOTLER; KARTAJAYA; SETIAWAN, 2017). TEORIA EM PRÁTICA Você é o gestor de marketing de uma empresa X, quais são seus primeiros posicionamentos para aproveitar uma série de recursos de comunicação como meio de persuasão para transformar prospect em visitas e visitas em vendas? Esse trabalho de persuasão deve se dar ao longo do tempo do relacionamento com os consumidores ativos para que os próprios clientes sejam divulgadores positivos da empresa. Este é o poder de mercado digital: a maneira de persuadir os possíveis clientes a ponto de se tornarem clientes encantados que sejam agentes naturais do marketing digital. Com a competição acirrada em todos os setores, por conta da concorrência, procurar entender como o consumidor responde a certos estímulos é uma tarefa essencial para qualquer gestor. É necessário compreender o que leva os consumidores a tomar suas decisões. É primordial entender como os clientes ativos e novos clientes respondem aos estímulos. É necessário saber demonstrar que a empresa tem produtos e serviços adequados às necessidades, desejos e satisfação dos seus clientes. A escolha de uma empresa não funciona da mesma maneira para todos os clientes. São escolhas que 3333 33 apresentam diferenças entre as opções, e o comprador geralmente sabe muito pouco sobre o que está comprando, portanto, a avaliação sobre o que escolheu não é imediata, mas se dá ao longo do tempo. O ato de escolher envolve um comportamento de compra complexo e se dará se a empresa for percebida como a entidade capaz de satisfazer da melhor forma as expectativas do cliente. Tomar a decisão pela empresa então envolve a análise de várias opções, tais como investimento, falta de conhecimento necessário para se fazer uma avaliação inicial e possibilidade de se ter feito a escolha errada. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A internet já dominou o mundo e isto não é novidade, mas nessa nova realidade as ações de comunicação tiveram que: a. Se adaptar e se reinventar para acompanharem o ritmo de mercado. b. Esperar outras empresas experimentarem o marketing digital antes. c. Fazer o que sempre fizeram, pois isto é apenas uma onda passageira. d. Compreender que quando os concorrentes estiverem aceito a ideia, esta é a hora de agir. e. Prospectar e constatar que vendas não funcionam na internet. 3434 2. Os profissionais de marketing digital podem usar as informações disponíveis para: a. Armazenar os dados e verificar o que fazer com elas posteriormente. b. Não armazenar dados para que os sistemas fiquem sobrecarregados. c. Monitorar os hábitos de compra dos clientes e armazená-las. d. Criar e antecipar experiências consistentes e coordenadas que irão mover os clientes no ciclo de compra. e. Fazer posts em mídias sociais e interagir às vezes com os clientes. 3. O varejo omnichannel é uma: a. Das partes de um determinado canal de vendas. b. Expansão do varejo multicanal. c. Área parcial dos canais de logística. d. Expansão da distribuição logística. e. Responsabilidade de pós-venda de toda empresa. Referências bibliográficas ANDRADE, Norberto Almeida. Principal P do Marketing: Pessoas. São Paulo: Book Express, 2018. DON, T. Economia digital: promessa e perigo na era da inteligência em rede. São Paulo: Makron, 1997. 3535 35 GABRIEL, Martha. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias. São Paulo: Novatec Editora, 2010. JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2015. KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. Rio de Janeiro: Sextante, 2017. ______. Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. São Paulo: Elsevier, 2010. ______; KELLER, K. L. Administração de marketing (SM Yamamoto, Trad.). São Paulo: Pearson, 2012. LONGO, Walter. Marketing e comunicação na era pós-digital: as regras mudaram. Rio de Janeiro: Alta Books Editora, 2018. SOLOMON, Michael R. O Comportamento do Consumidor: Comprando, Possuindo e Sendo. São Paulo: Bookman Editora, 2016. OGDEN, James R.; CRESCITELLI, Edson. Comunicação integrada de marketing: conceitos, técnicas e práticas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. OLIVEIRA, Braulio et al. Gestão de marketing. São Paulo: Person, 2012. YASUDA, Aurora; OLIVEIRA, Diva Maria Tammaro de. Pesquisa de marketing: guia para a prática de pesquisa de mercado. São Paulo: Cengage Learning, 2012. Gabarito Questão 1 – Resposta: A Resolução: O marketing digital é essencial para qualquer empresa que queira sobreviver no mundo digital, portanto ela tem que estar atenta às melhores práticas e estratégias para ser competitiva. Questão 2 – Resposta: D Resolução: Monitorar, acompanhar, inovar, atender e superar as expectativas dos consumidores são essenciais para se sobressair da concorrência, se destacar do mercado e conquistar novos clientes. Questão 3 – Resposta: B Resolução: O ominichannel atua em 360º graus, ou seja, tem presença completa, mas mais do que presença, atua e atende bem em todos os canais de vendas de forma uniforme. 3636 Novos modelos de negócio e o marketing tecnológico Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender sobre o dinamismodo mundo dos novos negócios digitais. • Identificar os tipos de estratégias de marketing digital. • Compreender a integração de tecnologias como vantagem competitiva. 3737 37 1. Introdução De acordo com as mudanças evolutivas na era da economia digital, os novos modelos de negócios não podem apenas buscar oferecer um melhor serviço ao cliente, embora não da maneira tradicional e óbvia, mas sim serviço que é abertamente flexível e fácil de usar e possivelmente co-criados pelos próprios clientes. O objetivo deste conteúdo é ajudar os profissionais da indústria criativa a projetarem a combinação certa de modelos de negócios para atender às necessidades de cada um de seus clientes e da sua carreira. Espera- se também que os modelos de negócios analisados aqui possam ajudar esses profissionais a terem uma boa noção das vantagens e desvantagens de cada um dos modelos e como eles se encaixam em seus próprios casos particulares. O sucesso na escolha de um modelo de negócios em detrimento de outro dependerá em parte de quão bem as empresas entendem as necessidades de seus clientes. Nem todos os clientes estão dispostos a pagar por uma assinatura, nem todos se sentirão obrigados a participar de uma campanha de crowdfunding. O objetivo deste estudo é proporcionar uma visão mais ampla das inúmeras oportunidades que os novos negócios e modelos oferecem na era digital, além de esclarecer quaisquer dúvidas e dissipar quaisquer preconceitos que possa ter. Espera-se que este estudo sirva para fazer refletir sobre como esses modelos podem ser integrados às estratégias de negócios. PARA SABER MAIS Você sabia que segundo o Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2018, estas são as profissões que estão no processo de desaparecer por conta da tecnologia? Abaixo mostraremos alguns exemplos: 3838 Operador de telemarketing; operador de caixa; cobrador de ônibus; vendedor de porta em porta; caixa de banco; arquivista; condutor de trem e metrô; frentista de posto de gasolina; corretor de imóveis. ASSIMILE O marketing de influência é uma forma de marketing de mídia social que envolve recomendações e posicionamento de produtos de influenciadores, pessoas e organizações que possuem um nível de conhecimento especializado e/ou influência social em seus respectivos campos. O conteúdo do influenciador pode ser enquadrado como publicidade de depoimento, onde os influenciadores desempenham o papel de um potencial comprador ou podem estar envolvidos como terceiros. 2. Novos modelos de negócio e o marketing tecnológico A atividade de marketing digital ainda está crescendo em todo o mundo, de acordo com o principal índice de marketing global, Hootsuite. O investimento em mídias digitais continua crescendo rapidamente; enquanto os orçamentos de marketing online estão em expansão, a mídia tradicional está em declínio. As mídias digitais ajudam as marcas a alcançar os consumidores para se envolverem com seus produtos ou serviços de maneira personalizada (ASSAD, 2016). Seis áreas, descritas como práticas atuais do setor, estão priorizando cliques, equilibrando a pesquisa e a exibição, compreendendo celulares, segmentação, visibilidade, segurança da marca e tráfego inválido e medição entre 3939 39 plataformas (PULIZZI, 2016). Como o marketing digital depende da tecnologia que está sempre evoluindo e mudando rapidamente, os mesmos recursos devem ser esperados dos desenvolvimentos e estratégias de marketing digital (SCHMITT, 2004). Segmentação: mais foco foi colocado na segmentação dentro do marketing digital, a fim de atingir mercados específicos nos setores business-to-business (B2B) e business-to-consumer (B2C) (TORRES, 2018). Marketing de influenciadores: a maioria das discussões sobre influência social concentra-se na persuasão em um ambiente social e conformidade. No contexto do marketing de influenciadores, a influência é menos argumentar sobre um ponto de vista ou produto específico, e mais sobre interações frouxas entre várias partes em uma comunidade, geralmente com o objetivo de incentivar compras ou comportamentos. A influência é frequentemente equiparada à advocacia, mas também pode ser negativa, relacionada aos conceitos de promotores e detratores. Isso está se tornando um conceito importante na segmentação digital. É possível alcançar influenciadores por meio de propaganda online, como as campanhas Facebook Advertising ou Google Ads, Instagram Ads, Twitter Ads, Linkedin Ads ou por meio de sofisticados softwares sCRM (gerenciamento social de relacionamento com clientes), como SAP C4C, Microsoft Dynamics, Sage CRM e Salesforce CRM, RD Station, Hubspot, Lead Lovers, Sprilklr, entre outros. Muitas universidades agora se concentram em estratégias de engajamento para influenciadores. Para resumir, o marketing digital Pull é caracterizado por consumidores que buscam ativamente o conteúdo de marketing, enquanto o marketing digital Push ocorre quando os profissionais de marketing enviam mensagens sem que esse conteúdo seja procurado ativamente pelos destinatários (MICELI e SALVADOR, 2017). Ambiente colaborativo: um ambiente colaborativo pode ser configurado entre a organização, o provedor de serviços de tecnologia 4040 e as agências digitais para otimizar esforços, compartilhamento de recursos, reutilização e comunicação. Além disso, as organizações estão convidando seus clientes para ajudá-los a entender melhor como atendê-los. Essa fonte de dados é chamada de conteúdo gerado pelo usuário (CGU). Grande parte disso é adquirida nos sites da empresa, onde a organização convida as pessoas a compartilharem idéias que são avaliadas por outros usuários do site. As ideias mais populares são avaliadas e implementadas de alguma forma. O uso desse método de aquisição de dados e desenvolvimento de novos produtos pode promover o relacionamento das organizações com seus clientes, bem como gerar ideias que, de outra forma, seriam ignoradas. CGU é publicidade de baixo custo, pois é diretamente dos consumidores e pode economizar em custos de publicidade para a organização (ELLIS e BROWN, 2017). Publicidade orientada a dados: os usuários geram muitos dados em cada etapa ao longo da jornada do cliente, e agora as marcas podem usá-los para ativar seu público conhecido com a compra de mídia programática orientada a dados. Sem expor a privacidade dos clientes, os dados dos usuários podem ser coletados a partir de canais digitais (por exemplo: quando o cliente visita um site, lê um e-mail ou inicia e interage com o aplicativo móvel da marca), as marcas também podem coletar dados de interações com clientes do mundo real, como visitas a lojas físicas e de conjuntos de dados de mecanismos de CRM e vendas. Também conhecida como marketing baseado em pessoas ou mídia endereçável, a publicidade orientada a dados está capacitando as marcas a encontrarem seus clientes fiéis em seu público e fornecer, em tempo real, uma comunicação muito mais pessoal, altamente relevante para os clientes de cada um. Hoje, uma consideração importante ao decidir sobre uma estratégia é que as ferramentas digitais democratizaram o cenário promocional (DAVID e NIGEL, 2007). Remarketing: o remarketing desempenha um papel importante no marketing digital. Essa tática permite que os profissionais de marketing 4141 41 publiquem anúncios segmentados na frente de uma categoria de interesse ou de um público definido, geralmente chamados de pesquisadores na web, eles pesquisaram produtos ou serviços específicos ou visitaram um site para algum fim. O redirecionamento de site é uma técnica de publicidade gráfica usada pelos profissionais de marketing para exibir publicidade para pessoas que já visitaram o site. O profissional de marketing inclui um pixel em sua página da web que define um cookie no navegador do usuário. Esse cookie permite que o profissional de marketing direcione o visitante do site com publicidade em outros lugares da Internetusando o redirecionamento. Uma técnica relacionada usada pelos varejistas envolve criativo dinâmico, que permite que o profissional de marketing personalize o anúncio exibido a qualquer visitante do site, por exemplo, exibindo uma imagem de um produto que o visitante estava visualizando anteriormente, mas não comprou (PULIZZI, 2016). Publicidade de jogos: anúncios de jogos são anúncios existentes em computadores ou videogames. Um dos exemplos mais comuns de publicidade no jogo são outdoors que aparecem em jogos esportivos. Os anúncios no jogo também podem aparecer como produtos de marca, como armas, carros ou roupas, que existem como símbolos de status dos jogos (ASSAD, 2016). A nova era digital permitiu que as marcas segmentassem qualitativamente seus clientes que poderiam estar interessados em sua marca ou com base em interesses de navegação anteriores. Agora, as empresas podem usar as mídias sociais para selecionar a faixa etária, o local, o gênero e os interesses pelos quais gostariam que suas postagens fossem segmentadas (ROGERS, 2017). Além disso, com base no histórico de pesquisa recente de um cliente, eles podem ser seguidos na internet para que vejam anúncios de marcas, produtos e serviços similares, permitindo com que as empresas segmentem os clientes específicos que eles conhecem e sentem que se beneficiarão mais com seu produto ou serviço, algo que tinha recursos limitados até a era digital (SCHMITT, 2004). 4242 Uma nova era está se aproximando rapidamente, na qual a maneira como uma empresa se relaciona com seus consumidores (B2C) superará o atual modelo de intermediação B2B (B2B). A história mostrou que toda vez que uma nova tecnologia aparece, ela desperta uma série de medos decorrentes do desconhecido. A descrição dos modelos de negócios analisados neste conteúdo visa proporcionar às empresas e organizações uma visão mais clara das vantagens e desvantagens desses modelos em seus negócios (MICELI e SALVADOR, 2017). Hoje, ninguém tem uma ideia clara de quais modelos de negócios durarão, quais são estratégias de marketing puras e quais são as mais sustentáveis etc. A escolha do modelo de negócios certo dependerá das características de cada setor, sua especialização, tamanho e portfólio, entre outras variáveis. Nossa definição dos novos modelos de negócios será sobre a busca constante pelo mix ideal, sobre ter uma mentalidade flexível, sobre criar “contradições” às vezes e até sobre cometer erros. A ciência tem mostrado repetidamente que a única maneira de progredir é através de tentativa e erro. Para inovar, nós não devemos ter medo de cometer erros, porque, aprendendo com esses erros, podemos entender e aprimorar os acertos (ROGERS, 2017). Como esses novos modelos de negócios serão misturados, ou seja, como serão combinações de vários modelos, será difícil classificá-los como pertencentes a apenas um tipo ou outro (ELLIS e BROWN, 2017). A nova economia digital baseia-se nessa fusão, na ausência de um único modelo fixo, típico da internet e sua natureza fluida. É a base sobre a qual as relações comerciais, por meio das plataformas de comércio eletrônico, podem ser construídas. Por esse motivo, é importante se manter aberto às possibilidades que os modelos combinados oferecem e não os ver como os modelos inflexíveis frequentemente associados ao mundo analógico ou físico. Deve-se entender que, ao se adaptar à arena digital, todos os modelos evoluirão ou combinarão com outros modelos (MICELI e SALVADOR, 2017). 4343 43 Um exemplo muito pertinente da evolução de modelo de negócio digital é o conceito de micropagamentos que nasceu na era da internet e, de certa forma, está intimamente ligado ao conteúdo fragmentado e ao conteúdo por uso. Os micropagamentos são geralmente definidos como transações de pequena quantidade que variam entre 1 € e 5 € (Euros), embora, de acordo com PayPal e Visa, os micropagamentos possam chegar a 10 € ou 20 €, dependendo do tipo de compra (ROGERS, 2017). Esse tipo de transação é usado para acessar um certo tipo de conteúdo, que pode ser um artigo em uma página da web, uma música ou o próximo nível de um videogame. A verdade é, no entanto, que a transação nem sempre precisa envolver dinheiro. As transações podem ser tão complexas para incluir bitcoins, tokens de fidelidade ou qualquer outro tipo de forma de pagamento não monetária ou não convencional (MICELI e SALVADOR, 2017). Embora existam muitos tipos de transações possíveis no mundo digital, sua implementação tecnológica é a parte complicada. O consumidor médio se familiarizou com o conceito de micropagamentos quando a Apple começou a vender conteúdo para seus dispositivos. Como empresa, a Apple foi rápida em compreender o potencial dos novos modelos de negócios que eram possibilitados pelo mundo digital (TORRES, 2018). A rejeição da política de “tudo ou nada” em relação ao conteúdo, tornando possível comprar aos poucos o que antes era considerado um todo, revolucionou verdadeiramente o setor. Agora os clientes têm a possibilidade de comprar músicas individuais por US$ 1 em vez de ter que comprar um LP ou CD inteiro (ASSAD, 2016). Quando o conceito atingiu o setor de e-books forçou os editores, em certa medida, a redesenharem sua política de preços para compras fragmentadas por seções, capítulos e extensões. Além do mercado editorial, outro exemplo é o pay-per-view, que é outro modelo de negócios que apareceu pela primeira vez no setor de televisão. Como o próprio nome sugere, é um sistema de pagamento que permite 4444 aos usuários pagar apenas pelo que assistem (DAVID e NIGEL, 2007). Na indústria cultural e no setor de mídia, o pagamento por uso está, de fato, intimamente ligado às assinaturas. Fora da indústria audiovisual, no entanto, o termo usado é “pagamento por uso”. O compartilhamento de carros é um exemplo de pagamento por uso (PULIZZI, 2016). A Uber, por exemplo, é uma empresa multinacional americana que atua por meio de um aplicativo baseado na localização e que facilita a contratação de um motorista particular sob demanda. Para os passageiros, o Uber é um serviço de táxi conveniente, que permite contratação de um motorista particular para buscá-lo e levá-lo ao seu destino apenas com o toque de um botão em qualquer dispositivo smartphone. Um motorista próximo geralmente chega para buscá-lo em questão de minutos. Não é apenas um serviço de carro sob demanda, mas é possível acompanhá-lo enquanto o motorista está a caminho para buscar você (ELLIS e BROWN, 2017). Já o Bla Bla Car é uma plataforma de caronas de longa distância, a maior a nível mundial. O modelo de negócio visa viagens de longa distância, sendo voltado para motoristas que querem usar as vagas ociosas de seus carros em viagens que eles já realizariam de qualquer jeito. Este modelo de pagamento por uso também entrou no setor hoteleiro e agora é possível alugar a hora de um quarto de hotel (ROGERS, 2017). ByHours é uma plataforma através da qual os usuários podem reservar um quarto de hotel, indicando a hora em que desejam fazer check-in e a hora que eles querem fazer check-out. A plataforma também oferece pacotes de taxa fixa de 6, 12, 24 e 48 horas. A ByHours cobra uma pequena taxa pela correspondência entre usuários e hotéis (TORRES, 2018). Outro exemplo bem expressivo é o A i r b n b , que foi criado para organizar ou oferecer hospedagem – principalmente casas de família e experiências de turismo. A empresa não possui nenhum imóvel e nem realiza eventos; atua como corretora, recebendo comissões de cada reserva (ROGERS, 2017). 4545 45 No mercado midiático televisivo, é semelhante aos planos de taxa fixa válidos por um período específico de tempo ou que limita o número de vezes que o conteúdo pago pode ser acessado. Às vezes, os usuários pagam para visualizar conteúdo específico (sem a necessidade de pré-pagamento ou taxas iniciais de inicialização), mais alinhado com o modelo originalde pay-per-view “TV à la carte” e “música à la carte” etc. – outros termos usados (PULIZZI, 2016). Há serviços em que os usuários pagam um valor fixo por uma assinatura e recebem o direito ao acesso a determinado conteúdo pago, como acontece no Canal Plus e Sky. Outro exemplo interessante é a transmissão ao vivo de um evento (uma partida de futebol, um concerto etc.), o que se tornou popular (ASSAD, 2016). O YouTube e Dailymotion, dois dos sites de vídeos mais populares da Internet, oferecem serviços similares. Conferências online e eventos educacionais e de treinamento são maneiras de oferecer conteúdo transmitido. O setor de artes cênicas certamente soube tirar proveito dos benefícios do streaming (MICELI e SALVADOR, 2017). Os avanços tenológicos em áudio e vídeo de alta definição permitiram que auditórios e teatros gravassem suas performances e os comercializassem por meio de plataformas que usam novas tecnologias para transmitir esses produtos em condições ideais. Teatros e auditórios, como resultado, tornaram-se produtores de conteúdos audiovisuais que podem ser explorados como um complemento à sua atividade comercial principal (ELLIS e BROWN, 2017). O verdadeiro desafio, porém, é garantir que esses produtos se complementem e que um não canibalize o outro. Um dos exemplos mais conhecidos de um provedor de conteúdo em fluxo de taxa fixa ou streaming, como é mais conhecido, é a Netflix. O conceito básico é que os usuários podem assistir séries de TV e filmes online ou alugar DVDs reais, como em um clube de vídeo. Esse modelo 4646 pioneiro de sistema de assinatura forçou seu concorrente direto, Blockbuster, a desenvolver seu próprio serviço de aluguel de vídeo online apenas para acompanhá-lo (TORRES, 2018). Embora seja verdade que, inicialmente, o modelo de negócios da Netflix fosse baseado em uma única unidade, serviço de aluguel, isso acabou sendo malsucedido. Como resultado, a Netflix teve de repensar sua estratégia, chegando finalmente a um modelo de assinatura que permite que seus clientes alugueem DVDs pagando uma única taxa mensal. Como outras grandes empresas que vendem conteúdo online, a Netflix usa um algoritmo para operar seu sistema de recomendação e manter seus clientes fiéis (ELLIS e BROWN, 2017). No setor editorial, e dependendo da plataforma, o modelo de pay-per- view foi basicamente adaptado para cobrar dos leitores uma taxa para acessar uma determinada seção ou um determinado catálogo de um ou mais editores. No setor tecnológico, o modelo é chamado de pagamento por serviço (por exemplo, software como serviço – SaaS), que é intimamente conectado ao modelo de assinatura (ROGERS, 2017). Na indústria musical um ótimo exemplo é o Spotify, uma provedora de serviços de música fundada em 2006, na Suécia, e agora incorporada em Luxemburgo. O principal negócio da empresa é sua plataforma de streaming de áudio que fornece músicas e podcasts protegidos por DRM de gravadoras e empresas de mídia. Atua como um serviço freemium, os recursos básicos são gratuitos com anúncios ou videoclipes automáticos, enquanto os recursos adicionais, como qualidade de streaming aprimorada, são oferecidos por meio de assinaturas pagas (ELLIS e BROWN, 2017). Os concorrentes mais diretos do Spotify na indústria da música são Pandora e Beats Music. Pandora, apenas disponível para residentes nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, é comercializada como uma estação de rádio online e como serviço de recomendação personalizado 4747 47 online para Last Fm. Enquanto os usuários estão ouvindo uma música, a plataforma oferece a possibilidade de comprá-la ou obter o álbum inteiro de várias lojas online (TORRES, 2018). A Pandora possui dois tipos de planos de assinatura, semelhantes aos do Spotify: o primeiro é uma assinatura gratuita subsidiada pela receita de publicidade, e o segundo é uma assinatura paga sem anúncios. Ao contrário do Spotify, no entanto, a Pandora baseia seu modelo em seu poderoso algoritmo de recomendação e na venda de sua tecnologia por meio de aplicativos e dispositivos móveis. No setor de jogos, os sistemas de assinatura estão experimentando um crescimento significativo (ELLIS e BROWN, 2017). Chamado de “Netflix dos jogos”, a GameFly, por exemplo, é uma empresa americana especializada no modelo de assinatura que aluga para os usuários consoles e jogos a domicílio, semelhante ao que a Netflix e a Blockbuster faziam com os DVDs, antigamente. A EA Labels, uma conhecida desenvolvedora de videogames, já lança há algum tempo seus jogos mais populares por assinatura (MICELI e SALVADOR, 2017), como fez com o Battlefield Premium, um jogo de guerra com mais de 1,5 milhão de assinantes. Esses jogos se enquadram na categoria Jogos Online Multijogador Massivo e são acessados por meio de um sistema de assinatura paga mensalmente (PULIZZI, 2016). Como os modelos de assinatura foram adaptados pelo setor editorial, além dos modelos no estilo Netflix? A mídia impressa foi a primeira a desenvolver diferentes tipos de modelos de assinatura. O Financial Times e o New York foram os primeiros a testar o conceito de conteúdo pago online, afastando-se do modelo geralmente aceito de oferecer conteúdo online gratuitamente. Uma das empresas que obteve o maior sucesso em aplicar os modelos de outros setores ao mercado do mundo editorial é a 24Symbols (ELLIS e BROWN, 2017), frequentemente chamada de 4848 “Spotify de livros”. Essa plataforma foi a primeira a introduzir o modelo de assinatura no mercado digital da Espanha, além do conteúdo de leitura transmitido que não requer um dispositivo dedicado, apenas acesso à Internet. Seu modelo é baseado em conteúdo armazenado em nuvem, o que permite que seus assinantes baixem eBooks em qualquer dispositivo ou smartphone conectado à Internet, independentemente do seu sistema operacional (PULIZZI, 2016). A seguir, observe a estrutura de Modelos de Negócios Digiats sugerida por Ellis e Brown (2017): Figura 1 – Modelos de negócios digitais Fonte: elaborada pelo autor. 2.1 Tipos de estratégias: membro e associação Ser membro ou pertencer a um serviço é um modelo que começa a gerar cada vez mais novidades, especialmente no setor de comunicações. A associação poderia ser considerada um tipo de assinatura, mas geralmente é atribuída a membros e assinantes. Os assinantes pagam 4949 49 uma taxa inicial por um serviço ou um tipo de conteúdo, como músicas, vídeos, livros ou notícias (DAVID e NIGEL, 2007). Em outras palavras, é alcançado um acordo pelo qual os assinantes, em troca de certa quantia em dinheiro, recebem pelo o que eles se inscreveram. Ser membro significa pertencer a um grupo que pode ser qualquer tipo de empresa que comercialize serviços ou conteúdo. Portanto, um usuário pode ser membro de um fã-clube ou de um clube do livro, por exemplo, mas para receber um serviço ou para acessar o conteúdo, uma assinatura, anual, trimestral ou mensal (ASSAD, 2016). Podemos citar como exemplo o setor de seguros, no qual os segurados são os que pagam (assinantes) enquanto as pessoas cobertas pela política (membros) não. Em resumo, uma assinatura implica pagamento regular, enquanto ser membro significa pertencer a algo como clube, jornal, companhia de seguros, comunidade etc. (DAVID e NIGEL, 2007). Com relação aos modelos de negócios, no entanto, a associação é realmente bastante semelhante ao modelo de assinatura. Ser membro implica um relacionamento muito mais direto e dependente, um sentimento de pertencimento que não se baseia apenas em uma troca monetária por um determinado serviço, como em programas de fidelidade, por exemplo. A afiliação é, na realidade, um conceito de marketing (SCHMITT, 2004). Os membros do WordPress não são assinantes dessa plataforma, mas pertencem a uma comunidade; seus usuários compartilham um interesse comum e são leais a esse site O modelo de negócios da associação pode exigir também uma taxa em troca do statusde membro e está intimamente ligado aos serviços da web mencionados anteriormente (TORRES, 2018). Para os membros, a taxa de inscrição é secundária, uma vez que o site ou a plataforma em si é o objetivo final, é o lugar onde eles querem estar. No LinkedIn, uma rede profissional na qual seus usuários são pessoas físicas e empresas que trocam experiências, publicam artigos 5050 e podem se comunicar para eventuais oportunidades de trabalho, os usuários são tratados como membros de uma comunidade (ROGERS, 2017). Em outros casos, o conceito de associação está vinculado à ideia de clientes Premium, de assinantes que possuem vantagens frente a outros usuários. É o que acontece no setor de jogos quando os usuários são tratados mais como membros do que apenas assinantes. Os usuários do popular jogo Second Life pertencem ao modelo de associação Freemium/Premium; fazem parte de uma comunidade, embora em um mundo virtual (ASSAD, 2016). Eles não são apenas assinantes que acessam e jogam, mas realmente fazem parte dele. De fato, apenas se tornando membros jogadores podem entrar nesse mundo paralelo em particular. Muitas vezes, a diferença entre os modelos de associação e assinatura se resumem a diferenças sutis, a uma questão de semântica. Na indústria da mídia, além de construir comunidades leais, as empresas estão se tornando cada vez mais ativas na criação de outros tipos de conteúdos (e-Books, vídeos, cursos etc.) relacionados ao que eles geralmente oferecem (MICELI e SALVADOR, 2017). Estão procurando um modelo de associação que vá além das assinaturas, um modelo destinado para ser direcionado aos seus leitores mais leais e ávidos. Por exemplo, o National Journal, um jornal político pertencente ao National Journal Group da Atlantic Media, tem um serviço de associação no qual os membros deste serviço têm acesso ilimitado às publicações do grupo, às ferramentas de pesquisa, resumos de artigos de notícias, bancos de dados, oficinas e outros serviços executivos direcionados principalmente a políticos ativos (PULIZZI, 2016). O The Guardian está estudando como incorporar novas formas de associação, possivelmente oferecendo a seus membros conteúdo exclusivo ou dando a eles conteúdo ao vivo. De fato, o The Guardian está considerando alugar um salão de eventos em Londres exclusivamente para esse fim (TORRES, 2018). 5151 51 2.2 Tipos de estratégias: Freemium e Premium Embora este estudo já tenha mencionado alguns exemplos de modelos baseados em Freemium/Premium, agora é hora de discutir em que consiste esse modelo de negócios. Freemium, um termo cunhado por Fred Wilson, é uma junção das palavras “Free” e “Premium”. Modelos Freemium já existem há anos na internet (PULIZZI, 2016). Depois de Wilson, um dos defensores mais francos do modelo Freemium é Chris Anderson. A idéia por trás deste modelo é oferecer um produto ou conteúdo gratuitamente, reservando conteúdo para usuários pagos, também conhecidos como usuários Premium. Às vezes, o conteúdo do Freemium inclui publicidade ou marketing incorporado (ELLIS e BROWN, 2017). A esperança é que as receitas e os ganhos de publicidade de usuários Premium, há muito conquistados, possam manter os negócios à tona, como é o caso do Spotify. Atualmente, atrair anunciantes para esse tipo de iniciativa é muito importante, principalmente quando a publicidade é a principal fonte de receita de uma empresa. Outra combinação comum é incluir publicidade no modelo Freemium, permitindo que os usuários Premium fiquem sem anúncios. Spotify e 24Symbols usam esse modelo. No setor de jogos, os usuários do Freemium, além de apoiarem a publicidade, podem ter seu acesso restrito a uma versão básica de um jogo. Os micropagamentos são usados para fazer com que os jogadores paguem para avançar para níveis mais altos ou outros mundos, um modelo também chamado de pay-in-app (ELLIS e BROWN, 2017). Vários tipos diferentes de empresas usaram esse modelo, da Adobe, em seu leitor de PDF Acrobat, ao Skype, a Rede de telefonia via internet. No caso da Adobe, os usuários podem usar sua versão gratuita do Acrobat para ler arquivos PDF, mas se eles desejam modificar ou editar o conteúdo desses arquivos, precisam pagar pela versão atualizada (ASSAD, 2016). 5252 Quanto ao Skype, o serviço é gratuito para usuários que desejam conversar entre si, mas chamadas para números de telefone reais exigem que os usuários tenham um na rede, um saldo pré-pago para descontar o preço da chamada. LinkedIn, rede profissional, Dropbox, serviço de hospedagem em nuvem, iCloud, nuvem da Apple, Flickr, rede de compartilhamento de imagens e Pandora, rede de músicas são algumas das plataformas mais conhecidas que usam o modelo Freemium/Premium (PULIZZI, 2016). Na indústria de jogos, é muito comum ver esse tipo de modelo aplicado a todos os formatos, de consoles a jogos online para aplicativos para celulares. Além da assinatura mencionada anteriormente no World of Warcraft, Angry Birds e Star Wars usam os mesmos modelos Freemium/Premium, mas para telefones móveis. PlayStation e o Xbox Live desenvolveram um modelo Freemium baseado em associação, no qual membros “prateados” podem jogar gratuitamente enquanto membros “ouro” ou membros pagantes têm direito a recursos adicionais, ofertas especiais, pré-lançamentos e descontos em compras futuras (ROGERS, 2017). Quando uma plataforma oferece conteúdo de graça, a única maneira de obter lucro com o modelo Freemium/Premium é ter muitos usuários ativos todos os meses. Ainda mais importante, como foi dito anteriormente, é poder converter o maior número desses usuários a pagar como clientes Premium e, se a plataforma tiver diferentes níveis de serviço, obter assinantes para comprar o plano mais caro (SCHMITT, 2004). Esse modelo parece ter mais sucesso no setor de jogos baseados em aplicativos, possivelmente devido ao baixo custo dos micropagamentos envolvidos. Alguns jogos começam nas lojas de aplicativos a preços premium, mas depois de alguns dias ou semanas, seus preços caem. A tendência, no entanto, é aplicar o modelo Freemium, permitindo que os usuários baixem jogos de graça, mas restringindo suas opções ou progressos, caso eles não paguem por atualizações. Este setor também 5353 53 usa o que é chamado de “testes gratuitos”, que permitem os jogadores experimentar um jogo por um certo período de tempo antes de atualizarem para a versão paga se quiserem acesso total ao restante do jogo (ELLIS e BROWN, 2017). O equivalente a isso no setor editorial seria permitir que os usuários leiam alguns capítulos de um livro de graça. A diferença entre esse modelo e o Freemium puro é que as avaliações gratuitas permitem que os usuários testem todos ou quase todos os recursos de um jogo por um tempo limitado, enquanto o Freemium puro permitiria que os usuários jogassem uma versão básica de um jogo. Isso é muito semelhante ao modelo free-to-play, no qual os jogadores têm acesso a uma quantidade significativa de conteúdo do jogo sem ter que pagar (MICELI e SALVADOR, 2017). Como todas as decisões dessa natureza, escolher entre um modelo ou outro vai depender do público-alvo. Antes do auge das plataformas digitais, a Hachette Audio lançou um esforço pioneiro no setor editorial lançando versões online de seus livros no iTunes gratuitamente um dia antes do lançamento das versões impressas. As versões online eram na verdade podcasts nos quais os usuários podiam ouvir o início de cada capítulo. Tudo junto, totalizou aproximadamente metade do livro (PULIZZI, 2016). 2.3 Tipos de estratégias: publicidade incorporada Este modelo é realmente outra versão do modelo Freemium/Premium. Consiste em oferecer conteúdo gratuito, mas com publicidade incorporada a ele, em oposição ao modelo Premium, no qual os usuários podem desfrutar do conteúdo sem anúncios e outros complementos em troca de pagamento (ASSAD, 2016). Spotify e 24symbols, Youtube Premium são plataformas que adotaram o modelode publicidade incorporada. Outros exemplos incluem a muito 5454 elogiada Librotelia da Espanha e o eBookPlus da Alemanha. Nesse modelo, em troca do direito de anunciar seus produtos, profissionais de marketing e anunciantes assumem todos os custos associados com os livros enquanto os leitores não pagam nada (ELLIS e BROWN, 2017). Os anúncios, alguns dos quais podem até ser de interesse do leitor, aparecem apenas por alguns segundos no início de cada capítulo. Caso os leitores não queiram ter publicidade em seus eBooks, podem alternar para um modelo de desconto e baixar conteúdo da nuvem ou escolher modelo premium e ler seus livros em HTML5 em seus computadores ou por meio de aplicativos para dispositivos móveis (PULIZZI, 2016). Embora a publicidade incorporada tenha se tornado cada vez mais comum, as gigantes da tecnologia, como o Yahoo e Microsoft, se dão ao trabalho de patentear suas versões, mesmo que dificilmente possam ser consideradas importantes representantes no mundo das publicações online. A garantia que este modelo oferece é que as empresas saibam se um o leitor clicou no anúncio ou não (TORRES, 2018). 2.4 Tipos de estratégias: acesso livre O acesso aberto refere-se a qualquer tipo de acesso para o qual nenhuma assinatura ou pagamento é necessário. Este modelo é usado com mais frequência para oferecer materiais educacionais, científicos e acadêmicos diretamente relacionados ao gerenciamento de aquisições e empréstimos em bibliotecas digitais, como a Biblioteca Digital Miguel de Cervantes na Espanha, Gallica na França, ou nas bibliotecas internacionais da Internet Archive, Open Library ou Europeana (ELLIS e BROWN, 2017). Na Espanha, publicações científicas e repositórios, como os do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha, são de acesso livre. As plataformas colaborativas que usam a tecnologia Wiki, como a própria Wikipedia, também são baseadas no modelo acesso livre. As plataformas Wiki 5555 55 permitem que os usuários editem conteúdo colaborativamente, transformando mecanismos, como a criação, transmissão e acesso ao conteúdo e a lógica por trás dos negócios da cultura (DAVID e NIGEL, 2007). O movimento está em andamento rumo a uma democratização progressiva de todas as etapas deste processo. A Gold Open Access, uma variante de acesso aberto na qual todos os artigos de uma revista estão disponíveis no momento em que é lançado, é considerada uma fonte de inovação disruptiva neste campo. Existem diferentes tipos de modelos de acesso aberto usados pelas publicações científicas que variam de modelos completamente abertos a mistos (PULIZZI, 2016). 2.5 Tipos de estratégias: P2P – Moocs Considerando que o acesso aberto é um modelo voltado principalmente para as áreas acadêmica, científica e educacional, o modelo ponto a ponto (P2P) tem suas raízes na tecnologia. A origem desse modelo pode ser encontrada em redes P2P ou sistemas nos quais os computadores estão diretamente vinculados a outros (ELLIS e BROWN, 2017). Quando os participantes da rede usam esse tipo de conexão, não há necessidade de servidores dedicados. O que era uma maneira rápida e eficiente de compartilhar documentos no trabalho se tornou um método popular para compartilhar todos os tipos de arquivos entre pessoas de todo o mundo através de programas P2P. A incorporação de novas ferramentas, novas maneiras de acessar o conteúdo cultural e a redução dos preços associados à a economia digital, para não mencionar as mudanças lógicas nos hábitos das pessoas, está fazendo com que essas redes desapareçam de uso (ROGERS, 2017). De acordo com um estudo sobre o gerenciamento de conteúdo cultural na internet, fica claro que os usuários dessas redes não são grandes leitores. O vácuo legal e a desinformação em torno do modelo P2P 5656 resultaram em editores fazendo upload de seus eBooks em algumas dessas plataformas, nas quais estes são armazenados ao lado de arquivos impróprios para compartilhamento. A evolução desse modelo no mundo das publicações educacionais e científicas pode ser vista no que é conhecido como revisão por pares, que tem muito a ver com os submodelos mencionados na seção sobre acesso livre. O modelo P2P também pode ser encontrado na educação online, especificamente em Cursos online abertos e massivos ou em inglês Massive Open Online Courses, ou MOOCs (TORRES, 2018). No setor educacional, os modelos discutidos até o momento e os que ainda serão discutidos são modelos que são misturados entre acesso aberto e P2P, como os encontrados nos MOOCs cada vez mais populares. Por meio desse sistema de estudo online, estudantes de todo o mundo leem, compartilham recursos, trocam ideias e debatem sobre tópicos atribuídos. Além de desenvolver o currículo, o corpo docente da universidade, composto por alunos, professores, coordenadores e voluntários, também participa e supervisiona a avaliação (ASSAD, 2016). Mais do que apenas uma tendência a observar, os MOOCs estão rapidamente se tornando cada vez mais predominantes em todo o mundo. Importantes universidades de prestígio, como Harvard e Massachusetts Institute of Technology, estão desenvolvendo novos métodos de ensino online, como os encontrados em sua plataforma edX. Outras plataformas semelhantes são Udacity e The Open University. Até o Museu de Arte Moderna está entrando na onda do MOOC. Cursos online abertos e massivos estão rapidamente se multiplicando e gerando muita discussão nos círculos da educação (ELLIS e BROWN, 2017). Este tipo de curso precisa usar tecnologia sofisticada e fácil de trabalhar. O fato é que já existem muitas plataformas diferentes com muitas estratégias e metodologias que estão usando esses sistemas rápidos e fáceis que são tão típicos de MOOCs (PULIZZI, 2016). Fora do setor educacional, o modelo P2P se assemelha aos exemplos mencionados 5757 57 no início desta seção. Aplicativos de serviço controversos que colocam os usuários que estão viajando na mesma direção em contato uns com os outros, como Uber, Cabify, Zipcar ou BlaBlaCar, que são baseados no modelo P2P. Às vezes, os usuários compartilham custos e outras vezes negociam um preço justo com base em uma taxa mínima sempre mais barata do que transporte público, razão pela qual os taxistas consideram o serviço uma concorrência desleal (ROGERS, 2017). Muitos dos aplicativos que oferecem serviços com base nesse modelo de negócios precisam ser regulamentados para que não representem concorrência desleal para outras empresas. Existem outros negócios na internet que seguem esse modelo de compartilhamento na nova economia colaborativa, embora pode não ser tão evidente à primeira vista. Essas empresas se baseiam em reunir pessoas em uma plataforma participativa para fornecer um ao outro, serviços e produtos (ELLIS e BROWN, 2017). Em resumo, essas plataformas são baseadas na ideia de compartilhar com quem está fundamentalmente conectado ao mundo digital. Já foi dito que o crescimento desse tipo de iniciativa e, um de seus valores, se deve à insatisfação geral que os consumidores têm com as empresas convencionais como resultado de crises econômicas. De fato, alguns viram o crescimento dessa economia como um sinal de alerta para modelos de negócios tradicionais e sistemas de poupança, que agora são enfrentados por cidadãos que preferem alugar ou compartilhar produtos e serviços (ROGERS, 2017). 2.6 Tipos de estratégias: pague o que quiser Com base na demanda e no consumo, o modelo de pagamento com o que você quiser leva as políticas de dinâmicas de preços para o extremo. Nesse modelo, os clientes podem escolher entre pagar o preço sugerido pela empresa ou pagar o mínimo, que geralmente é um preço simbólico. Em alguns casos extremos, os clientes podem até optar por não pagar 5858 nada, apesar de muitas vezes serem apenas acrobacias publicitárias (ELLIS e BROWN, 2017). Um exemplo offline dos Estados Unidos é o de Panera Bread, uma cadeia de restaurantes que permiteque seus clientes paguem o que quiserem por cada item do menu. Deve-se notar, no entanto, que essa cadeia em particular é um participante muito ativo das campanhas de conscientização da fome e ajuda aos necessitados (MICELI e SALVADOR, 2017). Posteriormente, o Panera Bread decidiu estabelecer um preço sugerido de US$ 5,89 dólares. O modelo pague o que quiser ou PWYW (do inglês Pay What You Want) foi usado pela primeira vez no setor de música quando, em 2007, a banda Radiohead decidiu deixar seus fãs pagarem o que queriam pelo novo álbum “In Rainbows”, mesmo que não quisessem pagar nada. No final, apenas cerca de 38% dos fãs da banda decidiram pagar; os outros escolheram baixar o álbum gratuitamente (ASSAD, 2016). Outro caso interessante foi o de Amanda Palmer, uma artista menos conhecida que teve mais sucesso com sua estratégia. De acordo com sua história, nas negociações do TED, ela conseguiu ganhar mais de um milhão de dólares usando a plataforma Kickstarter. O sucesso dos exemplos acima mencionados deveu-se, em grande parte, às campanhas de marketing, que deram aos indecisos uma razão para comprar. Quando a barreira de preços é removida, os clientes são obrigados a gastar o que eles consideram um preço justo, embora, para muitos vendedores, essa seja apenas uma maneira de atrair atenção e não um sistema sustentável a longo prazo (ROGERS, 2017). 2.7 Tipos de estratégias: pacotes De um modo geral, agrupar refere-se a pacotes de produtos. Esses produtos podem ser grupos de mercadorias semelhantes ou uma combinação de produtos e serviços, desde que tenham algo em 5959 59 comum. Este modelo é ideal para vender vários produtos juntos que os clientes consideram mais baratos do que se comprados separadamente (DAVID e NIGEL, 2007). Não obstante, há momentos em que esses produtos em pacote são inseparáveis; nesse caso, o produto é o próprio pacote. O modelo é amplamente utilizado nas indústrias de telecomunicações e software. Um exemplo seria o Microsoft Office, que vende vários programas (Excel, Word, PowerPoint, etc.) em um. A venda de produtos em pacote é uma estratégia que pode gerar muito lucro e atrair uma base maior de clientes que estão prontos para gastar (ELLIS e BROWN, 2017). Como no modelo de pagamento que você deseja, as empresas que adotam o modelo de agregação precisam entender claramente o preço que seus clientes estão dispostos a pagar. Vender produtos em pacote pode significar vender mais unidades por cliente, gerando mais lucro do que se os produtos tivessem sido vendidos separadamente. Ocasionalmente, as ofertas agrupadas podem ser encontradas em conjunto com outros modelos de negócios, como quando um cliente compra uma assinatura de TV a cabo e recebe gratuitamente um pacote básico de canais (MICELI e SALVADOR, 2017). Às vezes, a venda de produtos em pacote pode reduzir os custos de produção de uma empresa, como, por exemplo, seus custos de marketing, porque em vez de precisar projetar campanhas individuais para vários produtos, um pacote pode ser vendido com uma única mensagem. Mas é necessário bastante cuidado para não haver problemas jurídicos em relação à venda casada. As empresas podem e são processadas pelo uso do modelo de agrupamento quando seus produtos não podem ser comprados separadamente – considerado venda casada. A Microsoft é uma dessas empresas, já foi processada por incluir conjugadamente seu navegador Explorer com seu sistema operacional Windows, que alguns consideravam uma prática monopolista abusiva (ROGERS, 2017). 6060 2.8 Tipos de estratégias: crowdfunding Embora seja um novo modelo de negócios, o crowdfunding, juntamente com o crowdsourcing, tornou-se muito popular rapidamente. É mais popular e mais frequentemente encontrado nas configurações online. O crowdfunding é baseado no que é conhecido como micropatrocínio ou financiamento em massa de um projeto, serviço, conteúdo, plataforma, produção, trabalho etc. (TORRES, 2018). Em suma, qualquer coisa suscetível de ser financiada por vários patrocinadores que decidam voluntariamente participar da criação ou implementação de uma ideia pode se tornar um projeto de financiamento coletivo. Para muitos, esse tipo de colaboração coletiva não é totalmente novo (ASSAD, 2016). Os primeiros casos de crowdfunding foram registrados como iniciativas, com intuito apenas de arrecadar fundos para um projeto e não realmente modelos de negócios. Por exemplo, a Wikipedia cita os casos de duas bandas, Extremoduro e Marillion, que se voltaram para seus fãs para arrecadar dinheiro para gravar um de seus discos em 1989 e 1997, respectivamente (ELLIS e BROWN, 2017). Em outras palavras, graças à internet, ferramentas de comunicação social e plataformas criadas especificamente para explicar esses projetos e solicitar financiamento, a ideia de qualquer pessoa pode arrecadar dinheiro de qualquer lugar do mundo (ROGERS, 2017). O Kickstarter, conhecida plataforma de crowdfunding, tem muitos seguidores, assim como Indiegogo, Ulule e Verkami e Lánzanos, duas das plataformas mais populares desse tipo na Espanha. O Museu do Louvre, em Paris, por exemplo, usou esse modelo para arrecadar fundos para restaurar algumas das peças mais conhecidas, incluindo A Vitória Alada de Samotrácia. Usando o slogan “Tous mécènes” (que o museu traduziu como “Apoie o Louvre”), a iniciativa ficou famosa em todo o mundo (PULIZZI, 2016). 6161 61 Aqueles que colaboraram ou patrocinaram a restauração receberam vantagens do museu, incluindo visitas particulares – o sonho de um amante de arte. Um dos objetivos dessa iniciativa também é promover a descoberta de novos valores cinematográficos. Outra é unir distribuidores e promotores a fim de levar filmes para áreas onde os filmes raramente chegam ou a cidades em que não há mais cinemas, mas onde um local improvisado pode ser montado, como nas salas de reunião locais (ROGERS, 2017). A ideia é também agregar valor às exibições organizando debates, mesas-redondas e palestras após o filme, em conjunto com o apoio e a direção da plataforma. Outro caso interessante é o USEED, que se destaca como um exemplo de financiamento coletivo no setor educacional. Essa plataforma específica usa o modelo de financiamento coletivo para financiar melhorias feitas na educação interna de faculdades e universidades e para financiar projetos de idosos e ex-alunos (ELLIS e BROWN, 2017). O USEED não fornece apoio financeiro para estudantes empreendedores em troca de um retorno parcial de seu investimento quando o aluno começa a ganhar dinheiro. Ele é um projeto que uniu três universidades (University of Virginia, Cornell University e Arizona State University) em um programa piloto, no qual estudantes, ex-alunos e professores atuais podem conectar-se em uma única plataforma para arrecadar dinheiro para seus projetos ou startups (ROGERS, 2017). 3. Considerações finais A importância dos consumidores/clientes nas transações comerciais, discutida várias vezes neste estudo, coloca-os no epicentro de tudo. As ferramentas digitais da chamada Web 2.0 e muitas outras extraídas 6262 da tecnologia de autogerenciamento, transformaram também em produtores e geradores de conteúdo próprio (PULIZZI, 2016). A tendência crescente de autopublicação em plataformas é um produto desse fenômeno que, embora não seja novo, foi aprimorado pela tecnologia. O conteúdo gerado pelo usuário abrange todos os tipos de criação desenvolvidos usando tecnologias da era digital, incluindo vídeos, blogs, fóruns, podcasts, sites de mídia social, fotografia, wikis e até eBooks (ELLIS e BROWN, 2017). Muitas dessas tecnologias são de código aberto, software livre ou copyleft, embora às vezes o conteúdo gerado pelo usuário possa violar direitos de propriedade intelectual. Remixes e memes são alguns dos exemplos mais conhecidos de conteúdo gerado por usuários na Internet derivada de outro conteúdo. É impresncidível ter em mente que usuários, consumidorese clientes exigem cada vez mais atenção, pois não basta comprar serviços e produtos (ROGERS, 2017). Tendo se adaptado ao mundo digital, esses usuários, consumidores e clientes agora se vêem como membros ativos que usam seu conhecimento digital para participar mais do relacionamento comercial. Em outras palavras, os consumidores digitais de hoje sabem como escolher a opção que melhor satisfaz suas necessidades (ELLIS e BROWN, 2017). As empresas que melhor entendem isso e que sabem como implementar os modelos de negócios que melhor se adaptam para essas necessidades terão uma vantagem competitiva considerável sobre outras empresas que escolherem modelos que são demasiados estáticos ou inflexiveis. Os clientes online não têm problemas para mudar de uma marca ou serviço específico para outra com todas as opções que eles têm na internet (ROGERS, 2017). 6363 63 TEORIA EM PRÁTICA Como gestor de marketing, você é responsável por uma grande rede varejista de eletroeletrônicos. Para alcançar seus objetivos, você precisa desenvolver um plano baseado em cinco pilares que permeiam o modelo de negócios digitais, neste caso quais são as possíveis soluções: • Inclusão digital: trazer os imigrantes digitais para o comércio eletrônico. • Digitalização das lojas físicas: melhorar a experiência dos clientes com ajuda da tecnologia. • Multicanalidade: conectar todos os pontos de contato da loja. • Marketplace: ser uma plataforma que conecta vendedores e compradores. • Cultura digital: deixar de ser um consumidor de tecnologia para ser um produtor. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. O marketing de influência é uma forma de marketing de mídia social que envolve recomendações e posicionamento de pessoas e organizações, sendo possível alcançá-las por meio de: a. Mídias pagas, conteúdo em redes sociais, sofisticados softwares de CRM. b. Comunicação “boca a boca” e indicação de amigos e conhecidos. 6464 c. Links patrocinados, plataformas de streaming, podcasts. d. Leilão de links patrocinados, ranking de buscas na internet. e. Canais de mídias tradcionais, TV, Rádio e Eventos. 2. Entre as áreas descritas como práticas atuais do marketing digital são priorizadas: a. TV, Rádio, Podcasts, Streaming, Automação de Marketing. b. Links patrocinados, blog, vlog, redes sociais, pesquisa de satisfação. c. Cliques, Pesquisa e exibição, smartphones, segmentação, visibilidade, etc. d. Marketing de afiliados, Programa de pontos, Programa de milhagens. e. Marketing de conteúdo, inbound marketing, outbound marketing. 3. Além da influência, quais são outrasvantagens do conteúdo gerado pelos usuários: a. Publicidade paga e “boca a boca” eletrônico. b. Relacionamento das mídias sociais e moderação de conteúdo. c. Troca de ideias e afiliação de marketing. 6565 65 d. Reclamações de marca e monitoramento da concorrência. e. Publicidade de baixo custo e poder de influência na comunicação. Referências bibliográficas ASSAD, Nancy. Marketing de conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital. São Paulo: Atlas, 2016. ELLIS, Sean; BROWN, Morgan. Hacking growth: A estratégia de marketing inovadora das empresas de crescimento mais rápido. São Paulo: Casa Educação (Casa Educação Soluções Educacionais LTDA), 2017. MICELI, André Lima-Cardoso; SALVADOR, Daniel O. Planejamento de Marketing Digital. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2017. PULIZZI, Joe. Marketing de conteúdo épico. São Paulo: DVS Editora, 2016. ROGERS, David L. Transformação digital: repensando o seu negócio para a era digital. São Paulo: Autêntica Business, 2017. SCHMITT, Bernard H. Gestao da Experiencia do Cliente: Uma Revolução. Porto Alegre: Bookman, 2004. TORRES, Claudio. A bíblia do marketing digital: tudo o que você queria saber sobre marketing e publicidade na internet e não tinha a quem perguntar. São Paulo: Novatec Editora, 2018. Gabarito Questão 1 – Resposta: A Resolução: Os influenciadores, além de priorizarem o compartilhamento do seu conteúdo, investem em links patrocinados nas diversas mídias sociais para se tornarem mais conhecidos, e através dos softwares conseguem monitorar a audiência para analisar a performance do que mais agrada ou não ao público. 6666 Questão 2 – Resposta: C Resolução: O monitoramento das redes deve contemplar os números de cliques, visualizações, relevância engajamento, conteúdo, onde as pessoas mais acessam, ou seja, desktop, smartphones ou tablets, e quais são os públicos-alvo. Questão 3 – Resposta: E Resolução: Com o empoderamento dos consumidores, o conteúdo gerado por eles pode ser de grande benefício para marca, podendo fomentar a inovação de novos produtos e serviços e por conta da influência da comunicação podem até se tornar embaixadores da marca de forma positiva. 6767 67 Planejamento de marketing e brand equity Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender como a marca torna o produto superior e quais associações de marca fortes, favoráveis e únicas devem existir na mente dos consumidores. • Identificar o significado da marca em termos de produtos, benefícios e necessidades, bem como o significado da marca em termos de diferenciação do produto. • Compreender e estuturar o planejamento de maketing e suas etapas de relevância adequada ao modelo de negócio. 6868 1. Introdução Neste capítulo vamos estudar dois pontos importantes para as empresas e marcas. Inicialmente vamos tratar do planejamento de marketing e posteriormente do brand equity, também conhecido como valor de marca. O planejamento de marketing oferece uma oportunidade única para uma discussão produtiva entre funcionários e líderes de uma organização. Ele fornece boa comunicação dentro da empresa. O planejamento de marketing também permite que a equipe de marketing examine suas decisões passadas e entenda seus resultados para se preparar melhor para o futuro. Também permite que a equipe de marketing observe e estude o ambiente em que está operando. Um planejamento de marketing formal e escrito é essencial, na medida em que fornece um ponto de referência inequívoco para atividades durante todo o período de planejamento. No entanto, talvez o benefício mais importante desses planos seja o próprio processo de planejamento. Isso geralmente oferece uma oportunidade única, um fórum para discussões ricas em informações e produtivas entre os vários gerentes envolvidos. O planejamento, juntamente com as discussões associadas, fornece um contexto acordado para as atividades subsequentes de gerenciamento, mesmo para aquelas não descritas no próprio plano. Além disso, os planejamentos de marketing estão incluídos nos planos de negócios, oferecendo dados mostrando aos investidores como a empresa crescerá e, o mais importante, como obterão um retorno sobre o investimento. Ao tratar de brand equity vamos entender que, na prática, o valor da marca é difícil de medir. Como as marcas são ativos cruciais, profissionais de marketing e pesquisadores acadêmicos criaram meios para contemplar seu valor. 2. Planejamento de marketing Um dos pontos principais do marketing é que ele deve satisfazer necessidades e desejos de consumidores. Essa afirmação pode ser 6969 69 discutida sob vários pontos de vista, mas nunca contestada, pois o cliente é o início, meio e fim de todo negócio, sendo sua satisfação o propósito de toda organização. Essa essência passou por uma (r)evolução conceitual que foi – e ainda é – o reflexo da sociedade em que vivemos. O conceito inicial era o de Produção, no qual a premissa é a de que consumidores preferem produtos baratos e fáceis de encontrar, e empresas procuram formas de baratear e aumentar o volume de fabricação, eliminar gaps e encontrar formas de otimizar processos (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). A ideia de chão de fábrica envolve questões relacionadas aos recursos econômicos como instalações, máquinas, equipamentos e processos produtivos. O fenômeno do crescimento econômico inicialchinês parte dessas premissas, pois o objetivo central era oferecer produtos a custos bem menores que a concorrência. Depois, o conceito passou para o Produto, quando houve maior preocupação sobre as características e qualidade do que era fabricado, pois as empresas entenderam que consumidores preferem outros atributos além de preço baixo. Funcionalidade, desempenho, performance, durabilidade e design, entre outros, começaram a fazer a diferença na escolha pelo consumidor (NETO et al., 2017). A indústria automobilística passou pelo processo de produção e produto, no sentido de manter a sua posição competitiva. Se antes a indústria fornecia automóveis estilo padrão, com poucas opções de acessórios, hoje procuram se diferenciar pelo design, cor e outros atributos físicos. Dessa forma, com o aumento da produção e da oferta de produtos, o conceito de vendas se tornou o foco das empresas, nas quais a ideia era escoar o mais rapidamente possível o que era produzido a partir da premissa de que os consumidores somente comprarão a quantidade desejada pela empresa por meio de fortes estímulos de curto prazo, como promoção e vendas mais agressivas (WOOD, 2017). 7070 Daí a clássica distinção do conceito de que “vendas” é algo que objetiva o curto prazo. Determinadas categorias de varejo utilizam o conceito, de forma a manter suas vendas e se diferenciar da concorrência. Com a evolução de mercados e o crescimento de consumo, algumas empresas começaram a perder controle da qualidade do que prometiam. Daí surgiu o conceito de marketing, voltado para o atendimento das necessidades e desejos dos consumidores, em que a preocupação central é estabelecer compromissos e relacionamentos de longo prazo e as vendas como uma consequência natural de um marketing bem aplicado (YANAZE, 2017). Esse conceito é válido até os dias de hoje. PARA SABER MAIS Premissas são sugestões lastreadas na análise prévia de dados, fatos e informações, por vezes racionais e por vezes baseadas nas experiências daqueles que decidem. Podem estabelecer um norteamento que deve ser julgado, condensado e transformado em ações que devem ser obtidas pela análise SWOT, matriz BCG e análise de Grupo Estratégico (GE). Deste modo, conseguimos obter dados mais pontuais sobre como as ações de marketing estão sendo aplicadas e principalmente que resultados estão sendo realizados no marketing mix, como marca e grau de atratividade dos canais, e que oportunidades podem ser exploradas de maneira mais efetiva; qual a taxa de conversão do tráfego de comunicação; como estão as vendas da empresa e quais as contribuições da equipe de vendas e, finalmente, como todos esses fatores e outros contribuem para os negócios da empresa. Nesse caso, haverá a geração de métricas e possíveis pontos de melhoria. 7171 71 ASSIMILE O marketing digital nos apresenta mudanças além de simplesmente a troca do ambiente físico para o ambiente digital. Vemos que a motivação dos consumidores e a busca por produtos e serviços passa a ter uma relação mais direta com a comunidade de que fazem parte. O consumidor tem acesso a uma gama muito maior de informações e opiniões sobre os produtos/serviços. Os consumidores são motivados pelo o que outros consumidores dizem sobre as marcas e não dependem mais apenas da fala oficial delas. A ideia de trabalhar um marketing mix (composto de marketing) vem desde o começo desse campo de estudos, lá nos anos 1920. Contudo, apenas em 1948 o termo é realmente apresentado por Neil Borden, em um artigo para a Harvard Business Review sobre gestão de custos em marketing (WOOD, 2017). Yanaze (2017) cita a ideia de um mix de ingredientes que seguem uma receita própria, outros, uma receita preparada por alguém, algumas vezes, uma receita feita ao longo do percurso e em outras, uma receita adaptada conforme as mudanças nos ingredientes. A partir dessa metáfora gastronômica, podemos entender a ideia de que o marketing mix deve ser entendido como algo misturado, como um conjunto de atividades e elementos (ingredientes) que a empresa trabalha de forma orgânica. Um mix sempre está em evolução e desenvolvimento (ZENARO e PEREORA, 2013). A partir dessa visão, em 1960 Jerome McCarthy, em seu livro intitulado Basic marketing, lança o conceito do marketing mix composto por quatro elementos-chave. Os famosos 4 Ps (Produto, Paraça Preço e 7272 Promoção), que até os dias atuais ainda são amplamente utilizados por empresas ao redor do mundo. Entendemos que o conceito original dos 4 Ps evoluiu ao longo dos anos. Teorias, frameworks (modelos) e novas abordagens foram constantemente implementadas. Muito dessa longevidade de uma teoria aplicada vem da simplicidade e liberdade oferecida pelos 4 Os (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). Segundo Kotler, Kartajaya e Setiawan (2017), os tradicionais 4 Ps são uma ferramenta clássica que ajuda no planejamento do que oferecer e como oferecer algo para os consumidores. Nos anos 1980, Christopher Lovelock e Jochen Wirtz, em seu livro Marketing de serviços, apresentam a ideia de 8 e não apenas 4 Ps. São introduzidos novos elementos ao mix para que esse pudesse ser mais bem aplicado aos serviços, uma vez que os originais 4 Ps estavam mais voltados para uma ideia de produto físico, fosse ele durável ou não (YANAZE, 2017). Considera-se importante uma primeira ressalva: as empresas de serviço usaram durante muito tempo os 4 Ps na formatação de seu mix de marketing, claro que com adaptações perante os conceitos originais. O novo mix de marketing com 8 Ps vem para ajudar em uma proposição mais fácil de entender e adaptada para os serviços (NETO et al., 2017). No mundo conectado em que vivemos, com acesso à rede mundial de computadores World Wide Web, interligados não somente a partir de computadores – IoT ou Internet das Coisas (Internet of Things) – 24 horas por dia e sete dias por semana, ainda poderíamos trabalhar em praticamente qualquer negócio apenas com os 4 Ps, mas entendemos que existe a necessidade de uma visão complementar, visão essa que ofereça melhores condições para empresas aplicarem, analisarem e planejarem seus compostos de marketing a partir de uma perspectiva mais atual (ROCHA et al., 2015). Neste capítulo, iremos apresentar e discutir não somente uma visão deste novo mix de marketing. Entendemos que existe ainda muita 7373 73 discussão antes de chegarmos a um conceito único de fácil aceitação como foi o dos 4 Ps, se é que a complexidade do mundo contemporâneo possibilita tal questão (WOOD, 2017). Conforme proposto por Yanaze (2017), observe a figura a seguir: Figura 1 – Os 4Cs Fonte: Yanaze (2017). a. Os 4 Cs Nossa discussão sobre o novo marketing mix começa com os 4 Cs de Kotler, Kartajaya e Setiawan, apresentados no livro Marketing 4.0: do tradicional para o digital (2017). Dos 4 Cs, em uma tradução livre, temos: Cocriação (co-creation), Capital Monetário (currency), Ativação Comunitária (communal activation) e Conversação (conversation), todos exemplificados na Figura 1. A cocriação representa a ideia de que os consumidores podem/devem estar engajados com o desenvolvimento do novo produto/serviço 7474 desde seu estágio inicial. A partir de novas formas de interação digital e ao custo relativamente baixo dessa interação, as empresas podem apresentar ideias e até mesmo testar seus produtos com uma base enorme de consumidores antes do lançamento oficial. No passado, o produto ia para o mercado, mesmo que fossem realizadas diversas pesquisas e testes de aceitação, como uma grande incógnita para seus produtores (TOMASI e MEDEIROS, 2014). Um bom exemplo dessa mudança está no lançamento de jogos digitais de console. Quando o Atari imperava nos lares, lá pelos anos 1980, um jogo era desenvolvido, passava por pesquisas com alguns poucos consumidores-teste e era lançado no mercado de forma definitiva, ou seja, sem a possibilidade de nenhuma revisão posterior (NETO et al., 2017). Hoje,o desenvolvimento e lançamento de um jogo digital conta, desde o seu começo, com a participação dos consumidores. Desde as primeiras imagens conceituais do jogo distribuídas em blogs e fóruns de comunidades, até os betatests oferecidos gratuitamente, vemos que as empresas têm condições de engajarem os consumidores e obterem possíveis melhores resultados de marketing (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). b. Diferenças entre a abordagem tradicional e digital Vemos essa nova característica com duas vertentes para o marketing digital. A primeira entende que as marcas devem se fazer presentes no ambiente digital, claramente. Os produtos e serviços devem entender como atuar nessa perspectiva, de forma a construírem melhor relacionamento com seus atuais e futuros consumidores. Devemos oferecer suporte, apoio e atenção para os consumidores. Eles querem fazer parte da história das marcas (ZENARO e PEREORA, 2013). Os consumidores engajados se tornam fãs das marcas e, portanto, serão consumidores mais fiéis. Por outro lado, os consumidores 7575 75 têm maior relevância e voz no processo. Eles não são mais apenas consumidores passivos. Passam a discutir com marcas, produtos e serviços. Os consumidores querem ter opinião sobre o que a empresa desenvolve, assim como desejam expor suas experiências, sejam elas positivas ou negativas. Assim, as marcas devem ter cuidado com a forma como trabalham esse novo processo interativo de sua dupla (ROCHA et al., 2015). Um ponto de destaque da atuação do marketing no ambiente digital é a possibilidade de uma melhor mensuração de resultados. A comunicação offline nos oferecia no passado informações sociodemográficas relativas à audiência de canais de TV, estações de rádio e dos leitores de jornais e revistas. Tínhamos pouco ou nenhum dado específico sobre quem realmente tinha visto o material de comunicação (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Dependíamos de medições amostrais (como o Ibope Monitor) ou de pesquisas de marketing (Marplan, por exemplo) que trabalhavam apenas com parte do público. Hoje, o marketing e a comunicação nas plataformas digitais nos oferecem dados antes inimagináveis, como estatísticas em tempo real de quem acessa um site, origem dos visitantes, tempo de navegação, cliques nos banners de propaganda e muitos outros índices (WOOD, 2017). As redes sociais digitais, como o Facebook, chegam a medir o movimento feito pelo mouse na tela, independentemente de cliques dos consumidores. Toda essa informação deve ser usada no planejamento da comunicação para que as empresas possam obter melhores resultados (YANAZE, 2017). O marketing digital, conforme já indicamos anteriormente, não deve simplesmente substituir o marketing tradicional, eles devem coexistir. Por diversas razões, mas principalmente pelo fato de ainda vivermos em um mundo em transição do analógico para o digital, mundo em 7676 que nem todas as empresas, produtos ou serviços necessitam de uma abordagem totalmente digital (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). Vemos essa transição acontecendo de forma rápida, porém ainda é uma transformação que, em função das mudanças tecnológicas em andamento, pode gerar novas formas de entendermos o marketing (NETO et al., 2017). Conforme sugere Wood (2017), na figura 2 podemos visualizar uma relação clara entre os 4 Ps e os 4 Cs, que entendemos propositiva na tentativa de gerar uma interligação e transição mais suave do marketing tradicional para o digital. Figura 2 – Relação entre os 4 Ps e os 4 Cs Fonte: adaptada de Andrade (2018). Sendo assim, podemos entender, então, que essa visão de um mix de marketing com maior apelo e envolvimento do consumidor se apresenta como uma forma de alterar os tradicionais 4 Ps, modificando o direcionamento e a abordagem da análise. Há uma busca por manter a concepção de um composto abrangente e de fácil adaptação para diversas realidades de consumo, a partir da evolução dos meios digitais e das TICs (tecnologias da informação e comunicação) (ROCHA et al., 2015). 7777 77 2.1 Planejamento estratégico de marketing O planejamento estratégico procura orientar as empresas quanto as melhores práticas que conduzam para o sucesso em seus negócios. Sua importância se destacou na mesma proporção em que houve o crescimento de negócios, empresas e população, porém, nos últimos anos, fatores externos disruptivos e exponenciais se tornaram desafios para as empresas, e nunca o planejamento estratégico foi tão valorizado (YANAZE, 2017). Dentro dessa realidade, aplicativos de hospedagem, como Airbnb, e de mobilidade urbana, como Uber, impactaram nos negócios de mercado, assim como a utilização de drones para diferentes fins. A Skydio, por exemplo, é uma startup que utiliza drones controlados por dispositivo portátil, como um smartphone, com captura de imagem e técnicas de visão, possibilitando o reconhecimento e monitoramento de áreas e transporte de pequenas cargas. Drones têm se tornado um complemento bastante interessante no nosso cotidiano, relacionados ao monitoramento de segurança ou mesmo ao agrobusiness, no qual é possível a identificação e a análise de problemas, pois esses aparelhos podem arquivar grande volume de dados e de forma muito rápida (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). O planejamento estratégico objetiva a organização, administração e gestão de recursos, porém, na atualidade, não é mais possível viver em caixinhas e sim de forma a acompanhar as mudanças e transformações de mercado, criando estratégias criativas, inovadoras e empreendedoras. Este capítulo tratará especificamente do planejamento estratégico de marketing, procurando, sempre que possível, relacioná-lo com as outras grandes áreas da empresa (NETO et al., 2017). c. Por que planejar? Planejar não garante que você obtenha sucesso, mas sua ausência com certeza vai fazer com que você tenha menos possibilidades de 7878 êxito. O importante é ter um pensamento voltado para o mercado com um planejamento de resultados, sistêmico, de forma a monitorar os acontecimentos e tomar as decisões e ações apropriadas (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Na atualidade, o planejamento estratégico visa encontrar soluções duradouras, antecipando problemas, não simplesmente adaptando a empresa de acordo com as mudanças de mercado, mas sim transformando a cadeia de eventos de forma a tornar a sua visão uma realidade de seus negócios (TOMASI e MEDEIROS, 2014). O primeiro passo, tanto para um plano de negócios como para o seu posicionamento estratégico ou mesmo estratégias de marcas, é definir com clareza a proposta de valor que o mercado reconhece como única no mercado. Para se diferenciar no mercado, a empresa deve oferecer um portfólio de acordo com uma proposta de valor, que são declarações de benefícios da empresa tangibilizados para o mercado por meio de produtos e serviços, bem como ao seu público interno, como plano de carreira, benefícios e treinamentos, por exemplo. De forma geral, empresas tentam oferecer aos seus clientes aquilo que consideram de qualidade a partir de pesquisas ou de suas premissas, mas nem sempre existe o equilíbrio com a percepção do consumidor (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). Andrade (2018) define a proposta de valor como o portfólio que cria valor para um segmento específico de consumidores externos e internos. O modelo Canvas é uma ferramenta de análise de negócios novos e também para os já existentes. Para um plano de negócios novos, permite ao empreendedor entender como funciona o setor em que ele pretende abrir a empresa e possíveis estratégias, de acordo com as movimentações do ambiente, inclusive dos concorrentes. A partir da análise, consegue entender como criar a empresa, desde o segmento de clientes, proposta de valor, análise de micro e macroambiente, plano de marketing, operações e finanças, entre outros aspectos importantes. 7979 79 Para um negócio já existente, é possível desenvolver a fotografia do negócio desenvolvido e como deveria estar estruturadoe que possíveis mudanças deveriam ser realizadas. Os responsáveis devem discutir e preencher em conjunto e de forma dialogada para uma visão mais profunda e sistêmica da empresa, stakeholders, a proposta de valor e principalmente os segmentos de clientes, e gerar um documento preliminar que deverá ser ampliado periodicamente na elaboração do plano de negócios novos até representar com exatidão o negócio e servir de base para as decisões dos executivos ou servir como ferramenta de reflexão para negócios existentes (YANAZE, 2017). Em ambos os casos, essa é uma poderosa ferramenta para o planejamento estratégico e desenvolvimento de estratégias. Marketing voltado para o valor, conforme Andrade (2018, p. 189), “é uma orientação para se alcançar objetivos desenvolvendo valor superior para os clientes. Ele é uma extensão da orientação para o marketing que se apoia em vários princípios e pressupostos sobre os clientes”. Novas propostas, novos negócios, novas formas de pensar conduzem a uma realidade sustentada de crescimento e evolução, garantindo a continuidade dos negócios e contribuindo para a sustentabilidade da comunidade: é nesse sentido que reside a verdadeira responsabilidade social empresarial. A ferramenta, então, deve ser utilizada para mostrar ao público interno a proposta de valor e seus desdobramentos nas outras áreas e estratégias (NETO et al., 2017). d. O que é briefing? A partir da discussão utilizando o Canvas, ou mesmo de qualquer discussão vinculada a um negócio, deve-se chegar a um documento, o briefing, como mapa mais simplificado – com informações objetivas que possibilitem a seleção das melhores estratégias de marketing. Ele é preparado pelo cliente, que o fornece para uma agência de publicidade e propaganda ou consultoria de marketing, contendo as expectativas do trabalho desejado. 8080 Segundo Yanaze (2017), um briefing deve conter: • Breve apresentação e caracterização da empresa, negócio e mercado. • Informações do produto e carteira de clientes, inclusive perfil. • Contextualização e objetivos empresariais. • Outras informações que considerar pertinentes. De posse do documento, a prestadora de serviços poderá emitir um contrabriefing, retificando ou complementando os conteúdos, junto com uma proposta de ações para que os problemas da empresa sejam resolvidos dentro de um orçamento de pagamentos e de prazos de desenvolvimento. Ambos os documentos estabelecem direitos e deveres entre as partes, devendo ser formalizados por meio de um contrato de prestação de serviços (WOOD, 2017). O encaminhamento para uma agência de publicidade e propaganda se dará para a área de atendimento, responsável pelo planejamento de campanha e distribuição para as suas grandes áreas: pesquisa, criação e mídia. Não se deve esquecer que o planejamento estratégico não pode ser um ato e comportamento isolado do proprietário ou gestores. Deve ser um processo discutido dentro de um ambiente dinâmico, no qual cada um dos participantes colaboradores, principalmente internos, deve entender cada parte, bem como sua importância dentro do panorama de negócios em que a empresa está inserida, sua contribuição social, bem como daqueles que dela dependem (ZENARO e PEREORA, 2013). Andrade (2018) afirma que para que as empresas se tornem longevas devem ser sensíveis ao ambiente em que estão inseridas, com forte senso de identidade, tolerantes e conservadoras em finanças. Dentro desses limites, planejadores devem modular suas ações a partir da análise de risco, visão inovativa e empreendedora, de forma a olhar e 8181 81 agir de forma diferente e assertiva no mesmo ambiente de negócios que os concorrentes não conseguem visualizar. A postura e fluência digital devem estar presentes em todas as fases da vida de uma empresa, desde a pesquisa e análise do mercado até às ações que devem ser aplicadas, refletindo numa abordagem psicodinâmica e multifacetada do processo criativo, com destaque na criação de projetos com foco em design e estratégia. Estratégias para a cocriação, a integração e o desenvolvimento digital, resultando em atitude, postura e inovação empreendedora (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Conforme contato com o mercado profissional, o Marketing 4.0, não existe consenso de quais práticas traduzem-se em melhores resultados, pois o mercado está passando por uma grande evolução e mudanças, de forma que novas ações são incorporadas no dia a dia das empresas numa tentativa de equilibrar os objetivos e resultados (ROCHA et al., 2015). Conforme sugerem Ikeda e Campomar (2017), o roteiro a seguir apresenta insights que devem ser discutidos e adaptados de acordo com cada setor e situação. Trata-se de um guia a partir de padrões de comportamentos estratégicos de empresas. 2.2 Roteiro simplificado de um plano de marketing O planejamento estratégico empresarial envolve, a partir da missão e principalmente da visão, nortear e delinear caminhos para que a empresa atinja os melhores resultados com os menores recursos, esforços e prazos. Dentro dessa perspectiva, esse planejamento envolve outros, como o de produção, gestão de pessoas, financeiro e marketing. Como um dos pontos a serem considerados dentro dessa visão integrada da empresa, cada área deve ter seu plano estratégico, tático e operacional, de forma a contribuir para o planejamento estratégico global (NETO et. al., 2017). 8282 A seguir, temos a sugestão de Andrade (2018) para estrutação do roteiro em 8 itens: 1. Sumário descritivo Executivos não têm muito tempo para ler com detalhes cada item do relatório de consultoria e, dessa forma, devem ter uma visão geral das recomendações da empresa contratada a partir da problematização correta. Esse relatório é um documento em que devem estar descritos, de forma direta e objetiva, o resumo das principais análises e recomendações de marketing. Em caso de dúvidas, o interessado irá procurar resol-vê-las no relatório completo ou saná-las na apresentação. O sumário pode fazer parte do início do documento ou estar à parte (TOMASI e MEDEIROS, 2014). 2. Introdução Breve apresentação da empresa e do problema de marketing a ser solucionado, bem como as formas de coleta, análise e recomendações prévias, sem, contudo, esgotá-las. Não deve ser redundante em relação ao sumário descritivo, que precisa ser mais consistente (WOOD, 2017). 3. Análise da empresa Dados estáticos, como razão social da empresa, endereço, contatos, CNPJ, forma jurídica, composição de quotas ou ações. Missão, visão, valores e propósitos e todas as informações que explicitam o norteamento da empresa. Breve histórico contando a evolução da empresa, ressaltando os principais fatos que influenciaram nos negócios da empresa e uma linha de tempo ilustrativa, complementar ao texto (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). 4. Análise do macroambiente Macroambiente é constituído por variáveis incontroláveis que influenciam as decisões das empresas e o ambiente de negócios em que 8383 83 a empresa está inserida. As variáveis mais comuns são as demográficas, econômicas, geográficas, tecnológicas, culturais, de sustentabilidade e político-legais. Por serem incontroláveis, a empresa deve adaptar suas ferramentas de marketing (marketing mix) de acordo com cada cenário (NETO et al., 2017). 5. Análise do microambiente É constituída pelos stakeholders que fazem parte do ambiente externo à empresa, bem como seus colaboradores internos. Fazem parte seus fornecedores de matéria-prima e serviços, distribuidores, concorrentes diretos e indiretos, bem como o mercado consumidor (YANAZE, 2017). 6. Análise dos consumidores Consumidores são todos aqueles aptos a comprar ou consumir um produto ou serviço. São o início, o meio e o fim de qualquer negócio. Parte-se inicialmente para uma base quantitativa para identificar o tamanho do mercado, como estão distribuídos geograficamente por gênero, faixa etária, poder de compra etc. (NETO et al., 2017). Depois, uma análisemais qualitativa envolvendo aspectos comportamentais e culturais, hábitos de consumo e mídia, enfim, todas as informações possíveis para que a empresa tenha a sua fotografia individual e em grupo, de forma segmentada. Deriva essa parte, então, dos aspectos relacionados às variáveis macroambientais. O Mapa Estratégico do Público-Alvo é um dos mais importantes, pois descreve o perfil completo do consumidor, com indícios de como atendê-lo (WOOD, 2017). 7. Análise da concorrência Existem várias formas de analisar a concorrência. Concorrentes podem ser todos aqueles que competem no mesmo mercado, com o mesmo tipo de produto, canal de distribuição, preço, estratégias, tipo de PDV, 8484 entre outros aspectos. A análise e a reação dependem da intensidade da concorrência e de aspectos situacionais. Um dos pontos fundamentais é a definição do Grupo Estratégico (GE), que possibilita, em um primeiro momento, a identificação dos players que competem entre si e as principais estratégias do setor, diferenciando-as de acordo com a composição do grupo a reação (TOMASI e MEDEIROS, 2014). 8. Diagnóstico É uma avaliação e análise da situação atual da empresa, que procura possíveis problemas, pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades latentes, a partir de estudos interno e externo à empresa. Com esse diagnóstico inicial, é possível a identificação de premissas importantes que podem ser a base das estratégias de marketing (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Um processo integrado e estruturado ajuda a identificar, avaliar e selecionar oportunidades de estratégias de marketing adequadas (YANAZE, 2017). Conforme sugere Andrade (2018), veja o processo de planejamento de marketing a seguir: Figura 3 – Processo de planejamento de marketing Fonte: Andrade (2018). 8585 85 2.3 Brand equity Brand equity é uma terminologia usada no setor de marketing que descreve o valor de ter uma marca conhecida, com base na ideia de que o proprietário dela pode gerar mais receita simplesmente com o reconhecimento da marca (ou seja, de produtos com esse nome de marca do que de produtos com nome menos conhecido), pois os consumidores acreditam que um produto com um nome conhecido é melhor do que produtos com nomes menos conhecidos (OGDEN e CRESCITELLI, 2007). Na literatura, o brand equity foi estudado sob duas perspectivas diferentes: psicologia cognitiva e economia da informação. De acordo com a psicologia cognitiva, o brand equity reside na conscientização do consumidor sobre as características e associações da marca, que geram percepções de atributos. De acordo com a economia da informação, uma marca forte funciona como um sinal credível de qualidade do produto para compradores com informações imperfeitas e gera prêmios de preço como forma de retorno aos investimentos em marca (IKEDA e CAMPOMAR, 2017). Foi demonstrado empiricamente que o brand equity desempenha um papel importante na determinação da estrutura de preços e, em particular, as empresas são capazes de cobrar prêmios de preço que derivam do brand equity após controlar a diferenciação observada do produto. Embora a maioria das pesquisas sobre brand equity tenha sido realizada nos mercados de consumo, o conceito de brand equity também é importante para entender a dinâmica competitiva e as estruturas de preços dos mercados business-to-business (YANAZE, 2017). Nos mercados industriais, a competição geralmente se baseia em diferenças no desempenho do produto. Foi sugerido, no entanto, que as empresas podem cobrar prêmios que não podem ser explicados apenas em termos de superioridade tecnológica e vantagens relacionadas ao 8686 desempenho. Esses prêmios de preço refletem o valor da marca de fabricantes respeitáveis. Três fatores determinantes do valor da marca foram selecionados por pesquisadores: reconhecimento da marca, perspectiva da marca e apego à marca (ANDRADE, 2018). O brand equity é estrategicamente crucial, mas é difícil de quantificar. Muitos especialistas desenvolveram metodologias para analisar esse ativo, mas não há uma maneira única de mensurá-lo. Um dos desafios dos profissionais de marketing e acadêmicos é encontrar um consenso de brand equity (WOOD, 2017). O valor quantitativo da marca inclui valores numéricos, como margens de lucro e participação de mercado, mas falha em capturar elementos qualitativos, como prestígio e associações de interesse. No geral, a maioria dos profissionais de marketing adota uma abordagem mais qualitativa do brand equity devido a esse desafio (ZENARO e PEREORA, 2013). Alguns pesquisadores de marketing concluíram que as marcas são um dos ativos mais valiosos que uma empresa possui, pois o brand equity é um dos fatores que podem aumentar o valor financeiro de uma marca para o proprietário da marca, embora não seja o único. Os elementos que podem ser incluídos na avaliação do valor da marca incluem, mas não se limitam a: alteração da participação no mercado, margens de lucro, reconhecimento do consumidor pelos logotipos e outros elementos visuais, associações de linguagem da marca feitas pelos consumidores, percepção dos consumidores sobre a qualidade e outras informações relevantes valores da marca (ROCHA et al., 2015). Observe modelo a seguir sugerido por Andrade (2018): 8787 87 Figura 4 – Modelo de brand equity Fonte: adaptada de Andrade (2018). O conhecimento dos consumidores sobre uma marca também determina como os fabricantes e anunciantes comercializam a marca. O brand equity é criado por meio de investimentos estratégicos nos canais de comunicação e na educação do mercado, e é apreciado pelo crescimento econômico nas margens de lucro, participação de mercado, valor de prestígio e associações críticas. Geralmente, esses investimentos estratégicos se valorizam com o tempo para proporcionar um retorno sobre o investimento. Isso está diretamente relacionado ao ROI de marketing (TOMASI e MEDEIROS, 2014). 8888 O objetivo das métricas de brand equity é medir o valor de uma marca, nome, logotipo, imagem e percepções que identificam um produto, serviço ou fornecedor na mente dos clientes. Com o tempo, uma marca passa a incorporar uma promessa sobre os produtos que identifica - uma promessa sobre qualidade, desempenho ou outras dimensões de valor, que podem influenciar as escolhas dos consumidores entre os produtos concorrentes (YANAZE, 2017). Quando os consumidores confiam em uma marca e a consideram relevante, eles podem selecionar as ofertas associadas a essa marca em detrimento das dos concorrentes, mesmo a um preço premium. Quando a promessa de uma marca se estende além de um determinado produto, seu proprietário pode aproveitá-la para entrar em novos mercados. Por todas essas razões, uma marca pode ter um valor tremendo, conhecido como brand equity (ANDRADE, 2018). As mídias sociais mudaram a comunicação tradicional entre marcas e consumidores, permitindo ao consumidor influenciar positiva e negativamente o brand equity. David Aaker (2009), professor de marketing e consultor de marca, destaca dez atributos de uma marca que podem ser usados para avaliar sua força, diferenciação, satisfação ou lealdade, qualidade percebida, liderança ou popularidade, valor percebido, personalidade da marca, associações organizacionais, reconhecimento da marca, participação no mercado e cobertura de preço e distribuição no mercado. Aaker (2009) não avalia os atributos nem os combina em uma pontuação geral, pois acredita que qualquer ponderação seria arbitrária e variável entre marcas e categorias. Em vez disso, ele recomenda acompanhar cada atributo separadamente. Ieda e Campomar (2017), por sua vez, dizem que um dos desafios no gerenciamento de marcas são as muitas mudanças que ocorrem no ambiente de marketing. O ambiente de marketing evolui e muda, geralmente de maneiras muito significativas. Mudanças no 8989 89 comportamento do consumidor, estratégias competitivas, regulamentos governamentais e outrosaspectos do ambiente de marketing podem afetar profundamente a sorte de uma marca. Além dessas forças externas, a própria empresa pode se engajar em uma variedade de atividades e mudanças no foco ou na direção estratégica que podem exigir ajustes na maneira como suas marcas estão sendo comercializadas (YANAZE, 2017). As táticas que podem ser mais eficazes para uma determinada marca, a qualquer momento, podem certamente variar daquelas que podem ser mais eficazes para a marca em outro momento (ANDRADE, 2018). 3. Considerações finais As estratégias devem ser ações integradas que, em conjunto, tragam resultados mais concretos. Podem ser direcionadas por diferentes áreas, como a terceirização e a quarteirização, que têm relação direta com custo, por exemplo. As estratégias de marketing envolvem aquelas direcionadas para as ferramentas de marketing e o ambiente onde se desenvolvem as trocas entre empresas e consumidores e recebem o reforço de outras áreas. Como exemplo, podemos citar que uma empresa pode terceirizar parte de seu quadro de colaboradores internos, desenvolver programas de treinamento e aquisição de novo maquinário para uma mudança significativa do portfólio de negócios da empresa. Mais do que nunca, o planejamento estratégico é uma das principais razões para que as empresas consolidem seus negócios em ambientes turbulentos e de grandes transformações. O plano de marketing consiste em otimizar, ou mesmo potencializar, os esforços de acordo com as metas e os objetivos estratégicos da empresa. Por ser um plano, traduz-se em uma série de caminhos a serem seguidos e em hipótese nenhuma deve engessar e burocratizar os negócios da empresa, muito pelo contrário: por ser um norteamento, a empresa 9090 pode prever melhor os resultados de suas ações, de forma a antecipar e solucionar problemas de marketing. Em síntese, o planejamento estratégico deve ser um meio transformador que possibilite a alteração da cadeia de eventos. TEORIA EM PRÁTICA Você é o diretor de marketing responsável pelo reposicionamento da marca Seda. Chancela líder em xampus no Brasil, com penetração na classe social A, e deve buscar um posicionamento mais premium, em linha com a crescente demanda dos consumidores por produtos de qualidade superior. Quais são as possíveis ações às especificidades do mercado brasileiro? A transformação começou pela modificação de toda a linha de cuidado com os cabelos. A proposta era unir a tecnologia de produção da Unilever ao conhecimento dos sete melhores especialistas mundiais em cabelo. Como uma cocriação, neologismo que designa a tendência de criar coletivamente, utilizando talentos complementares, de forma mais colaborativa. Para divulgar a iniciativa e o desenvolvimento dos novos produtos, a comunicação focou dois pilares: o universo da moda e o dos salões de cabeleireiros. A divulgação não se limitou à propaganda. Sob o conceito “Seda. Seu cabelo com um toque de expert”, diversas ações de conteúdo editorial foram criadas pela marca em parceria com especialistas nacionais e internacionais. Esses conteúdos foram disponibilizados em vídeos no site de Seda, blogs e em redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter e YouTube. Contudo, a marca não foi a única provedora de conteúdo, pois os próprios usuários puderam compartilhar fotos e comentários de suas experiências com os produtos. 9191 91 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. A consistência da marca é fundamental para manter: a. O que os clientes falam da marca, conhecido como “boca-a boca”. b. A força e a favorabilidade das associações de marcas. c. O relacionamento com o setor que se está empreendendo. d. As redes sociais atualizadas para clientes ativos. e. A prospecção em novos mercados. 2. David Aaker, professor de marketing e consultor de marca, destaca dez atributos de uma marca. Ao analisar os atributos, ele recomenda: a. Acompanhar cada atributo separadamente. b. Acompanhar cada atributo conjuntamente. c. Acompanhar cada atributo parcialmente. d. Acompanhar cada atributo integralmente. e. Acompanhar cada atributo conforme o nicho de mercado. 3. Os três objetivos do planejamento de marketing são: a. Confeccionar um documento, treinar colaboradores e atingir metas. 9292 b. Buscar resultados, vender mais barato, alcançar mais clientes. c. Atingir novos mercados, motivar os colaboradores, fidelizar clientes. d. Inoovar no mercado, atualizar as redes sociais, fazer promoções. e. Oferecer valor, fazer a diferença, construir relacionamento. Referências bibliográficas AAKER, David A. Construindo marcas fortes. Porto Alegre: Bookman Editora, 2009. ANDRADE, Norberto Almeida. Principal P do Marketing: Pessoas. São Paulo: Book Express, 2018. IKEDA, Ana Akemi; CAMPOMAR, Marcos Cortez. O planejamento de marketing e a confecção de planos. São Paulo: Saraiva, 2017. KOTLER, Philip; KARTAJAYA, Hermawan; SETIAWAN, Iwan. Marketing 4.0: do tradicional ao digital. São Paulo: Sextante, 2017. NETO, Belmiro Ribeiro da Silva et al. Comunicação Corporativa e reputação. São Paulo: Editora Saraiva, 2017. OGDEN, James R.; CRESCITELLI, Edson. Comunicação integrada de marketing: conceitos, técnicas e práticas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. ROCHA, Marcos et al. Marketing estratégico. São Paulo: Saraiva, 2015. TOMASI, Carolina; MEDEIROS, João Bosco. Comunicação empresarial. São Paulo: Editora Atlas SA, 2014. ZENARO, Marcelo; PEREIRA, Maurício Fernandes. Marketing estratégico para organizações e empreendedores: guia prático e ações passo a passo. São Paulo: Atlas, 2013. YANAZE, Mitsuru Higuchi. Gestão de marketing e comunicação. São Paulo: Editora Saraiva, 2017. WOOD, MARIAN. Planejamento de marketing. São Paulo: Saraiva, 2017. 9393 93 Gabarito Questão 1 – Resposta: B Resolução: As marcas que recebem suporte inadequado, em termos de orçamentos reduzidos de pesquisa e desenvolvimento ou de comunicação de marketing, correm o risco de se tornarem tecnologicamente desfavorecidas ou até obsoletas. Questão 2 – Resposta: A Resolução: Aaker não avalia os atributos nem os combina em uma pontuação geral, pois acredita que qualquer ponderação seria arbitrária e variaria entre marcas e categorias. Questão 3 – Resposta: E Resolução: As três premissas são essenciais para a marca, para o segmento de atuação e principalmente para o relacionamento com os consumidores, porque eles são a razão principal de tudo que uma empresa faz. 9494 Estratégias digitais e gestão do marketing 4.0 Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender as estratégias digitais como forma de gerenciamento estratégico como parte de uma estratégia comercial geral. • Identificar as principais oportunidades e/ou desafios em um negócio • Compreender a gestão do marketing 4.0 e sua evolução conceitual e aplicada. 9595 95 1. Introdução Os vastos avanços trazidos pela sociedade da informação, no final do século XX, estão afetando inquestionavelmente todas as áreas do conhecimento. Talvez algumas das maiores transformações em muitas disciplinas possam ser atribuídas ao uso extensivo de ferramentas digitais, ao fácil acesso às informações e à nova capacidade de acessar e gerar dados. Atenção: o consumidor, no entanto, é a mesma pessoa, de carne e osso, que está na vida real lendo uma revista ou assistindo televisão. Mas quando ele entra na internet, quando está online, surgem comportamentos que muitas vezes ele não apresentava na vida real, por estar limitado pelas restrições de tempo, espaço ou dinheiro. Basicamente o consumidor criou um novo ambiente, que supre as deficiências e as lacunas de outros meios. Vivemos a era dos smartphones, a comunicação nunca foi tão fácil, com as mídias sociais sempre estamos conectados aos nossos amigos e a milhões de outras pessoas, não importa onde, a um custo muito baixo. Podemos facilmente trocar mensagens, receber todos os tipos de notificações e compartilhamento de informações, tudo o que precisamosé de um smartphone com conexão à internet. As tecnologias da informação – computadores e máquinas controladas por computador – permearam todos os aspectos da vida, fornecendo taxas sustentadas e aceleradas de evolução social e econômica. Essas tecnologias serão, incontroversamente, um dos principais impulsionadores da inovação do ambiente construído no século XXI. A internet é um meio de comunicação bidirecional, interativo, onde as pessoas têm a necessidade de se expressarem, por meio dos blogs, fóruns e redes sociais onde os comentários, informações e compartilhamentos fluem livremente, formando, por sua vez, pontos de encontro para troca de ideias e experiências das mais variadas. 9696 As redes sociais online consistem em um fenômeno e, junto com os blogs e outros sites colaborativos, criam as chamadas mídias sociais. Elas integram perfis e comunidades virtuais, criando para o consumidor uma agradável sensação de proximidade com todos. Formam um fenômeno cultural em constante ascensão e, por serem colaborativas na essência, estão em constante transformação. Como Don Tapscott afirma, “as pessoas anteriormente conhecidas como público, são agora a mídia” e, portanto, a maneira como as empresas precisam se comunicar com seus públicos também estão mudando. PARA SABER MAIS “Conteúdo é a partícula atômica de todas as experiências digitais. De todas elas” (Rebecca Lieb). A frase demonstra como o conteúdo é o núcleo de muitas outras táticas digitais, marketing de conteúdo é realmente uma estratégia muito equilibrada e eficaz em todas as três categorias. No geral, o marketing de conteúdo favorece ligeiramente retenção de clientes, mas ainda é uma ótima maneira de gerar leads e aumentar o reconhecimento da marca, e é um componente vital, essencial e primordial de qualquer estratégia digital bem-sucedida. ASSIMILE Se antes as agências de publicidade e propaganda tinham o dever de criar campanhas utilizando os meios e veículos tradicionais, hoje devem utilizar também outros meios e veículos, de maneira a estabelecer uma relação de melhor contato e fidelidade com o cliente. Empresas como a 9797 97 Johnson & Johnson utilizam as mídias tradicionais como a eletrônica e a impressa, ou mesmo das digitais, como o Facebook, monitorando as interações e desenvolvendo ações em tempo real, de acordo com a intensidade da participação do público nos posts. O próprio Facebook revolucionou o mercado publicitário, diminuindo a necessidade das agências na veiculação de anúncios na rede e, em muitos casos, transferindo a responsabilidade do anúncio para o usuário. 2. Estratégias digitais Num primeiro momento, as empresas descartaram a internet como um modismo, alegando que eles não precisavam de um website. Agora que as empresas estão online, dizem usar a mídia social, fazer mobile marketing e anúncios pagos no Google e acham que isto é suficiente e que muitas vezes não têm funcionado para sua empresa (NOSÉ JUNIOR, 2005). Com tantas opções em constante mudança, o marketing digital pode ser confuso. E, de fato, muitas empresas têm escolhido enterrar a cabeça na areia em vez de aceitar os desafios dessa nova realidade. Por outro lado, não devemos generalizar: há muitos empresários que reconhecem a importância e o valor da presença online. E enquanto uma aceitação universal de marketing digital é um enorme passo rumo a um novo modelo de fazer negócios, muitas empresas estão com tanta pressa para obter presença online que não conseguem desenvolver uma estratégia adequada neste movimento (LAS CASAS, 2017). Ter um site, fazer posts e escrever qualquer tipo de conteúdo não é a resposta e nem o caminho para o engajamento e posicionamento de 9898 marca. Por si mesmos e nas mãos erradas, essas coisas são muitas vezes mal utilizadas ou incorretamente implementadas. A verdadeira chave para gerar um grande retorno sobre o investimento (ROI) com o marketing digital tem de ser muito bem alinhada aos objetivos de negócio para desenvolver uma estratégia adequada (ROCHA et al., 2015). O reino da família digital real Há quatro principais pilares do marketing digital emergentes da Família Digital Real sobre o qual você pode construir campanhas de marketing digital de sucesso. Estas são as áreas que cada empreendedor, gestor, consultor e profissionais de marketing precisam conhecer e compreender a fim de ser bem-sucedido no ambiente digital (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Conteúdo ainda é rei Enquanto a frase “conteúdo é rei” tornou-se um clichê usado em excesso, a afirmação é tão verdadeira como sempre foi. Sem conteúdo, as estratégias e técnicas discutidas neste material não seriam eficazes. Então o que exatamente é o conteúdo? No contexto da internet, o conteúdo é tudo que está digital: website, blog, infográficos, boletins, whitepapers, e-books, campanhas, podcasts, vídeos, aplicações móveis, etc. Qualquer coisa projetada para trazer valor para o público consumir, seja na forma de entretenimento ou informação, é considerada conteúdo (VIRGILLITO, 2010). A internet está saturada com conteúdo medíocre, irrelevante, superficial que coloca uma importância ainda maior na criação de uma estratégia claramente definida com base em metas e expectativas específicas. O dicionário Aurélio nos traz a seguinte definição de conteúdo: o que está contido no interior de algo, ocupando parcial ou completamente seu espaço; capacidade. Teor de significado, sentido, relevância, que tem profundidade, substância. Aquilo que compõe algo: o conteúdo das suas inquietações (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). 9999 99 Propaganda digital é a rainha Avançando na hierarquia de marketing digital, a propaganda digital é a rainha. Estatísticas mostram que os gastos com propaganda digital têm tido aumentos expressivos ano a ano, independentemente da região geográfica, sujeitos a continuar nesse ritmo. As empresas não podem dar ao luxo de ignorar a mudança para publicidade digital por mais tempo ou correm o risco de ficarem para trás da concorrência (ROCHA et al., 2015). Conforme Las Casas (2017), as Universidades estão totalmente fora de sintonia com a realidade da transformação dos negócios sociais que estão ocorrendo nas organizações de hoje. Eles estão ensinando os modelos de negócios antigos que não são mais relevantes. Com bilhões de pessoas agora online, já estamos vendo novos comportamentos digitais surgirem. Teclados serão substituídos por comandos de voz e câmeras. O conteúdo visual dominará o social e o sistema de mensagens, e as novas tecnologias oferecerão experiências digitais mais ricas para as pessoas de todos os lugares. Para acompanhar, as marcas precisam repensar suas estratégias, criar novas capacidades e se adaptar rapidamente (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Mobile é o príncipe As coisas ficam um pouco loucas com o jovem da família real digital. Ele é selvagem no coração e um pouco imprevisível, mas seu potencial é ilimitado e relativamente inexplorado (pelo menos por enquanto). O bad boy da família é o príncipe Mobile. Não é apenas a prevalência do uso que o smartphone desperta, mas também a rapidez com que vai aumentando exponencialmente (DEMO, 2015). 100100 Quanto mais as pessoas procuram e consumem informações com seus smartphones altamente funcionais, maior a necessidade de desempenhar um papel integral em qualquer estratégia de marketing digital bem- sucedida. O príncipe Mobile continua a crescer e se tornar mais um destaque especial no núcleo do ambiente digital, o que faz dele o próximo rei da família real digital (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Social é princesa A prestigiada da família real digital, a bela do baile, é a princesa social (abreviação de social media). Ela está na ponta, não tem medo de assumir riscos e, embora ainda esteja mudando a uma velocidade vertiginosa, as empresas não podem dar ao luxo de ignorar o rápido crescimento da princesa social. Mídias sociais estão aqui paraficar (LAS CASAS, 2017). As muitas empresas que estão escolhendo não usar redes, principalmente porque não entendem disso, vão se arrepender da sua recusa em se adaptar. A princesa social está preparada para a transição como a próxima rainha da família real digital. O capítulo mídias sociais vai aprofundar um pouco mais em como você pode integrar com sucesso a princesa social em seus esforços de marketing digital (DEMO, 2015). Encontrando seu lugar Agora que conhecemos a família real digital é hora de dar um passo atrás e olhar para o tipo de peça-chave que sua empresa precisa utilizar para que eles prosperem. Conteúdo, propaganda, mobile e mídias sociais irão se tornar a base de seus esforços digitais para o mercado. Mas quando utilizar cada um deles e como escolher a melhor estratégia é o que vamos ver a seguir. 101101 101 Inicialmente trabalharemos com um processo de seis etapas, composta das seguintes fases sugeridas por Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019): descoberta, análise de negócios, construir, implementar, mensurar e gerenciar resultados. 1. Descoberta O primeiro e mais importante elemento dos passos é a descoberta. É a fase mais longa e requer mais tempo e energia para elaboração, mas se feito corretamente, ele vai garantir o sucesso dos outros cinco passos e direcionar toda a sua estratégia digital. Os principais componentes da descoberta incluem identificar metas e objetivos, estratégias de seleção e táticas, explorando novas oportunidades e ajuste de métricas. 2. Análise de negócios O segundo passo é a análise de negócios. Agora que suas metas e objetivos foram identificados, o próximo passo é pesquisar a melhor forma de implementar uma estratégia de marketing digital. Há três tarefas específicas que irão produzir informações valiosas: segmentação de mercado, desenvolvimento de persona (ferramenta ou método de segmentação de mercado) e análise da concorrência. No processo de segmentação de mercado, a empresa irá considerar quais são as peças do mercado-alvo e, em seguida, analisar essas áreas. Você terá muito mais sucesso quando visar nichos inexplorados de consumidores ao invés de pular de cabeça em um oceano vasto. O desenvolvimento de personas envolve a criação de personagens fictícios que representam vários tipos de seus clientes através da incorporação de diferentes dados demográficos, interesses, os locais, grupos de idade, sexo e comportamento. Uma vez criadas, podem ser usadas para orientar os tipos de clientes diferentes, que conduzam a uma maior taxa de conversão, mais vendas e um melhor ROI (Retorno sobre Investimentos) nas campanhas. Antes de implementar táticas de 102102 marketing digital é uma boa ideia analisar seus concorrentes para ver o que estão fazendo no ambiente digital. Uma análise de concorrência em profundidade, muitas vezes, retorna informações valiosas, incluindo estratégias que seus concorrentes estão trabalhando (que você pode então implementar) e áreas onde você pode ganhar uma vantagem competitiva agressiva. 3. Construir O próximo componente da estrutura de marketing digital é construir. A fase de construção é onde o desenvolvimento estratégico do plano muda para recurso de planejamento e a alocação. Antes das exigências de uma estratégia de marketing digital ser construída ou executada, sua empresa precisa ter uma discussão sobre quem vai construí-la e a que custo? Há funcionários suficientes para lidar com isso internamente ou você precisa de uma agência ou consultoria? Quanto orçamento você tem disponível? Independentemente do caminho, a fase de construção é onde você vai configurar ou modificar seus ativos digitais, que são coisas como o seu site, perfis de mídia social e o desenvolvimento de quaisquer outras campanhas digitais. 4. Implementar Após construir é a fase de implementar. Durante este período, todos os ativos e campanhas digitais precisam ser agendados para lançamento e posteriormente ativados. A estratégia de lançamento coesa e bem organizada pode pagar dividendos como é muitas vezes avaliada na compreensão da maioria dos esforços de marketing digital. 5. Mensurar Uma vez que as empresas estão operando totalmente dentro do ambiente digital, muitos consideram seu trabalho feito. Construir, 103103 103 implementar e esperar não vai fazer nenhum bem. A fase de mensurar os resultados é a matriz de marketing digital que permite determinar quais estratégias funcionam melhor e melhorar aqueles que estão gerando um ROI positivo com o seu orçamento de marketing. Como a maioria das empresas não se atentam à fase de mensuração, esta é outra área onde uma agência ou consultor pode ajudar a determinar objetivos de destino para cada tática digital e, em seguida, define-se a mensuração dessas métricas. 6. Gerenciar resultados A fase de gerenciar os resultados é o passo final no plano de marketing digital. Um dos aspectos mais úteis de marketing digital é que tudo e qualquer coisa pode ser medido. Acabou a era do achismo. Depois de implementar uma campanha e deixá-la correr por uma quantidade razoável de tempo (e também seguir corretamente), vai ser fácil discernir se a campanha funciona. Se isso não acontecer, puxe o plugue. Se funcionar, inicie o plano de marketing digital novamente e descubra como melhorá-lo. A maioria das empresas não gerem seus resultados, pelo menos não ainda. O monitoramento dos esforços de marketing digital permite que você faça ajustes contínuos e melhorias rápidas das campanhas. A fase de gerenciar os resultados é a chave para o marketing digital mais eficiente e pode ser a vantagem competitiva que está faltando para a sua empresa. Os benefícios de um processo O planejamento de marketing digital é realmente um ciclo. Aderir a um processo cíclico é primordial para eficiência da performance dos resultados digitais. Devido à natureza de constante mudança nesse ambiente, o que funciona agora pode não funcionar no próximo ano, 104104 caso não seja atualizado e adaptado para refletir as mudanças da internet, tecnologia, comportamento do consumidor e melhores práticas e estratégias de marketing digital, não é possível alcançar o sucesso no posicionamento de marca (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Cada fase funciona em conjunto e é vital para o ciclo como um todo. Se um segmento for deixado incompleto, o ciclo se torna desvinculado e os componentes digitais envolvidos nunca vão encontrar o seu potencial (ROCHA et al., 2015). A seguir, vejamos o Modelo CCPP de visão ampla e multicanais sugerido por Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019): Figura 1 – Modelo CCPP Fonte: Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019). 105105 105 A importância da descoberta Enquanto todas as fases do quadro de marketing digital desempenham um papel igual no sucesso global de qualquer estratégia de marketing digital, não haveria planejamento sem a fase de descoberta. As empresas, muitas vezes, têm dificuldade em determinar como e por onde começar seus esforços de marketing digital e, como a maioria está com pressa para implementar as estratégias, as coisas podem ficar confusas. E um começo confuso apenas gera disfunção, ineficiência e, finalmente, o fracasso, o que deixa esse negócio, que saiu correndo para ficar online, ainda mais para trás da concorrência (LAS CASAS, 2017). Identificar metas e objetivos Como parte da fase de descoberta, você precisa determinar metas e objetivos. Para a maioria das empresas, essas metas e objetivos se dividem em três categorias: geração de leads, consciência da marca e retenção de clientes. O primeiro passo para identificar suas metas e objetivos é determinar como seus esforços atuais estão alinhados com essas categorias e analisar como a eficácia desses esforços têm sido. Esta análise deve ajudá-lo a expor as lacunas e áreas de oportunidade dentro de sua estratégia, o que lhe permite começar a identificar um novo conjunto de metas e objetivos para campanhas de marketing digital (YANAZE;FREIRE; SENISE, 2010). Geração de leads O objetivo de qualquer negócio é preencher uma necessidade do consumidor com um produto, serviço ou solução. No entanto, isso requer uma coisa importante: clientes reais. Você pode oferecer um serviço incrível, mas se ninguém sabe ou percebe o seu valor, não terá sucesso. Gerar leads é qualquer processo ou tática que coloca você na frente dos clientes para torná-los conscientes de suas ofertas (NOSÉ JUNIOR, 2005). 106106 Gerar leads significa encontrar potenciais clientes da empresa, seja por meio de uma base de audiência através de clientes existentes ou na formação de uma nova base. Devem se concentrar sobre este processo estratégias digitais que se destacam por meio da publicidade de exibição, através do Search Engine Marketing (SEM): estratégias de marketing digital (incluindo mídia paga) que têm como objetivo destacar um site nas páginas dos buscadores, como o Google. Ou Search Engine Optimization (SEO): conjunto de estratégias que um site pode adotar para se posicionar melhor nos resultados dos buscadores de forma orgânica (DEMO, 2015). A percepção da marca É claro que as empresas querem que mais pessoas conheçam a sua marca, mas muitos não sabem como melhorar de maneira efetiva a percepção do consumidor: garantir que reconheçam os valores da empresa e dos produtos que oferece. Considere a marca Gillete, por exemplo – é uma marca de lâmina de barbear, mas muitas pessoas simplesmente se referem ao substantivo, ou seja, lâmina de barbear, independente da marca, é chamado de Gillete –, a marca é referência de um produto, que muitos consumidores nem sabem nomear. Isso é reconhecimento da marca (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Gillete é uma grande marca, mas existem muitas técnicas que podem ajudar a aumentar a taxa em que os consumidores atribuem o nome de uma marca a um produto ou serviço. Marketing de conteúdo e publicidade de exibição são grandes estratégias que, quando combinado e executado corretamente, pode realizar um pico incrível na percepção da marca (ROCHA et al., 2015). Fidelização de clientes Manter os clientes satisfeitos é um desafio para empresas de sucesso que vêm sofrendo mudanças provocadas pelo uso mais frequente da 107107 107 internet: a maneira como os clientes procuram e se envolvem com as marcas que adquirem mudou. Se a sua marca não é acessível ou disposta a interagir com os clientes, em ambos os lados do ciclo de compras, você está em risco de perder clientes potenciais e reter menos sua clientela atual (VIRGILLITO, 2010). Ter um canal aberto de comunicação com os seus clientes, dando- lhes mais acesso à sua empresa, é uma ótima maneira de promover a confiança e prospecção de novos clientes e clientes atuais. Conteúdo, mídias sociais e e-mail marketing são estratégias muito eficazes que podem ser usadas para melhorar a capacidade da empresa em reter clientes (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Selecionando táticas Uma vez que uma empresa estabeleceu efetivamente suas metas e objetivos para uma campanha, o próximo passo é decidir quais táticas são mais adequadas para atingir alvos específicos. Muitas empresas saltam para o digital sem percepção das forças ou propósito das táticas que elas tentam implementar, muitas vezes tentando fazer um pouco de tudo, o que é um erro enorme. Se você só tem o orçamento e tempo empregado para fazer algumas dessas coisas, é melhor fazer o pouco muito bem do que todos eles mal (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). 2.1 Gestão de marketing 4.0 “Marketing 4.0: é quando online atende offline, o estilo atende a substância e máquina-a-máquina atende humano a humano”, nas palavras de Philip Kotler (p. 119, 2017). O Marketing 4.0 é a sequência do 3.0, como visto na primeira aula. O mesmo é baseado em observação e análise complexas dos paradoxos diante do boom da tecnologia digital (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Explicamos como o online se encontra com o offline, porque o 108108 estilo deve ser complementado com a substância e porque o Machine-to- Machine é incompleto sem o Human-to-Human. A tecnologia digital está se movendo cada vez mais no coração da maioria das empresas modernas atualmente. Como afirma a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a economia digital está fluindo rapidamente para uma ampla gama de indústrias, de bancos, energia e transporte, mídia e saúde. Não é de se admirar, portanto, frente a frequência que ouvimos falar da palavra “interrupção” no contexto dos negócios (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). A McKinsey, empresa de consultoria, notou 12 grandes inovações capazes de interromper os negócios convencionais, incluindo internet móvel, internet das Coisas (IoT), tecnologia em nuvem, impressão 3D, entre outras. Todas essas tecnologias disruptivas não são, para alguns, tão novas assim, pois seus ciclos de vida tecnológica duraram décadas de pesquisa e desenvolvimento. Mas o impacto real e tangível nas empresas em escala comercial aumentou muito nos últimos anos, em parte como resultado do influxo de várias tecnologias de suporte (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Inevitavelmente, a tecnologia disruptiva é vista de perto pelas empresas em todo o mundo, o que acaba endereçando às empresas revisitarem seus modelos de negócios, ajustarem propostas de valor para seus produtos e serviços e reformarem as práticas de vendas e as abordagens de marketing. No meio de tudo isso, vários dilemas relacionados à inovação são postados hoje na perspectiva de negócios. Vamos considerar a internet móvel como exemplo (LAS CASAS, 2017). Os dispositivos portáteis trouxeram conectividade incomparável e abriram inúmeras oportunidades para os profissionais de marketing alcançarem seus clientes mais conectados. Ao mesmo tempo, a crescente preocupação com o vício em smartphones é alarmante, Demo (2015) mostra como os telefones celulares estão afetando cada vez mais os relacionamentos. 109109 109 À medida que a economia digital cresce e os smartphones se tornam mais arraigados no estilo de vida dos consumidores – influenciando profundamente suas atitudes e comportamentos, os consumidores procuram cada vez mais a combinação perfeita de tecnologia que facilita suas vidas, complementam seus objetivos de autoatualização e alimentam um senso mais profundo de “fazer o bem” (ROCHA et al., 2015). Os profissionais de marketing precisam se preparar para esse período de transição e adaptação antes da economia digital em rápido desenvolvimento. Eles precisam de novas abordagens, o que os ajudaria a antecipar e aproveitar essas disrupções sem precedentes. No livro Marketing 3.0, discute-se como o marketing passou por uma grande mudança desde seus primeiros dias, de ser direcionado ao produto (1.0) para centrado no cliente (2.0) e, finalmente, marketing centrado no humano (3.0). A ideia é que os profissionais de marketing superem a forma como seus produtos ou serviços servirão aos consumidores e, em vez disso, concentrem-se no espírito humano dos consumidores – comprometendo-se e trabalhando por causas sociais, econômicas e ambientais de maneira a tocar o espírito dos clientes (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Como o conceito do Marketing 3.0 é amplamente endossado, desejamos apresentar o Marketing 4.0, uma abordagem que tenha mais efetivamente em conta a convergência dos mundos on e offline de empresas e clientes. O conceito se concentra em como, nos tempos de um boom da economia digital, o toque offline serve como uma grande diferenciação em um mundo cada vez mais online. Também abrange como o estilo combina com a substância já que, embora as marcas precisem adotar estilos flexíveis e adaptáveis em vista de desenvolvimentos tecnológicos que mudam rapidamente, o núcleo, o caráter autêntico da marca é cada vez mais importante (LAS CASAS, 2017). As marcas precisam ser fiéis à sua identidade e originais em suas mensagens – quando têm seu valor percebido é um ativovalioso em um 110110 mundo cada vez mais transparente. E, finalmente, o Marketing 4.0 trata de equilibrar máquina a máquina (M2M) com humano a humano (H2H). Avançar para o Marketing 4.0 requer equilibrar o uso de máquinas e dispositivos com contato humano para fortalecer o envolvimento do cliente (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Do marketing tradicional ao digital Conforme Las Casas (2017), à medida que passamos do tradicional para o digital, o marketing passou por uma transformação fundamental na maneira como seus vários elementos são incorporados. Vamos dar uma olhada nas quatro mudanças mais críticas: De segmentação a confirmação da comunidade de clientes A segmentação de mercado é a atividade de dividir um amplo mercado de consumidores ou negócios, normalmente constituído por clientes existentes e potenciais, em subgrupos de consumidores (conhecidos como segmentos) com base em algum tipo de características compartilhadas. Ao dividir ou segmentar mercados, os pesquisadores geralmente procuram características comuns, como necessidades compartilhadas, interesses comuns, estilos de vida semelhantes ou mesmo perfis demográficos semelhantes (LAS CASAS, 2017). O objetivo geral da segmentação é identificar nichos de alto rendimento, ou seja, os segmentos que provavelmente serão os mais lucrativos ou com maior potencial de crescimento, para que possam ser mercados-alvo. Muitas maneiras diferentes de segmentar um mercado foram identificadas: vendedores business- to-business (B2B) podem segmentar o mercado em diferentes tipos de negócios ou países. Enquanto business-to-consumer (B2C) podem segmentar o mercado usando recursos demográficos, estilo de vida, comportamentais, entre outros. A abordagem STP (segmentação, target e posicionamento) destaca as três áreas de tomada de decisão (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). 111111 111 A segmentação de mercado pressupõe que diferentes nichos de mercado exijam diferentes estratégias de marketing - ou seja, promoção, preço e distribuição, dependendo do produto ou serviço ofertado. A segmentação de mercado não é projetada apenas para identificar quais são mais lucrativos, mas para desenvolver perfis de consumidores nesses segmentos, a fim de entender melhor suas necessidades e motivações de compra. Os insights dessa análise são posteriormente utilizados para apoiar o desenvolvimento e o planejamento da estratégia de marketing (ROCHA et al., 2015). Muitos profissionais da área usam a abordagem STP (Segmentação → Targeting → Posicionamento) para fornecer estrutura para os objetivos de planejamento de marketing. Ou seja, um mercado é segmentado, um ou mais segmentos são selecionados para segmentação e, por fim, produtos ou serviços são posicionados de maneira que ressoem com o mercado ou mercados-alvo selecionados (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). De posicionamento e diferenciação da marca a caracteres e códigos da marca O posicionamento da marca abrange todas as atividades destinadas a fazer com que ela ocupe uma posição única na mente dos clientes. A marca, tradicionalmente identificada como nome, logotipo ou slogan, com o objetivo principal de distinguir um produto ou serviço, passou a representar ultimamente a experiência geral que uma empresa oferece a seus clientes. Um posicionamento claro é anunciado há muito tempo como uma obrigação para as empresas gerarem forte valor de marca. O posicionamento é tipicamente uma promessa definida pelas marcas para conquistar clientes, muitas vezes cumprida através de uma forte diferenciação, entregue pelas empresas por meio de seu mix de marketing – os 4 P’s (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). É inevitável que o posicionamento tradicional e a diferenciação no marketing também sofram uma mudança na era conectada. Hoje, 112112 os clientes estão armados com informações abundantes, o que lhes permitem ser os melhores juízes de quão bem uma marca cumpre sua promessa de posicionamento. O posicionamento projetado de uma marca não terá o impacto desejável se não for conduzido por um consenso conduzido pela comunidade. Nesta era do marketing digital, uma marca precisa ser dinâmica e versátil nas mensagens que entrega e no modo como faz isso (ROCHA et al., 2015). O mais importante é que a marca permaneça consistente, inclusive com relação ao conteúdo das mensagens que ela entrega e a conduta adotada. A missão da marca – sua razão de ser – é o que define sua personalidade, é o que faz com que permaneça fiel ao seu propósito, mesmo que as imagens externas sejam flexíveis – pense no Google (com seus Doodles em constante mudança) ou no Facebook – como eles permanecem flexíveis com seus designs variados, mas sólidos como marcas (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). De vender os 4P’s a comercializar os 4C E, finalmente, os 4P’s – os elementos base do mix de marketing, que determinam o que uma empresa oferece aos seus clientes e como. Começando com o desenvolvimento de um produto, com base nas necessidades e desejos dos clientes, para fixar um preço, que pode ser calculado por meio de métodos diversos, dependendo da estratégia de precificação escolhida. Então, a praça, onde o produto ou serviço será oferecido e como chegará nesses lugares, e a promoção, estratégia que será usada para promover que engloba as ferramentas de comunicação (VIRGILLITO, 2010). Ao selecionar o local, as empresas cuidam para tornar o produto convenientemente acessível a seus consumidores, enquanto a promoção é necessária – na forma de publicidade, relações públicas e promoções de vendas - para comunicar sobre o produto ao público- alvo desejado. Os 4Ps devem ser idealmente projetados e alinhados 113113 113 para que as empresas possam vender seus produtos com mais eficiência. Em vista de uma maior conectividade na economia digital, armada com o aumento da participação do consumidor, calculamos o surgimento de um novo conjunto de mix de marketing, os 4Cs – cocriação, moeda (coin), ativação comunitária (community activation) e conversação (LAS CASAS, 2017). A cocriação representa a participação do cliente já existente e até crescente no processo de desenvolvimento de novos produtos e serviços. As empresas estão cada vez mais convidando e incentivando o envolvimento dos clientes desde o estágio de concepção, permitindo que o primeiro fique mais sintonizado com as necessidades e desejos do último. Da gigante da tecnologia Microsoft à fabricante de brinquedos Lego, existem muitos exemplos de cocriação bem-sucedida orientada ao cliente e implementada em ciclos de inovação de produtos. Por moeda (coin), referimo-nos aos preços flutuantes em relação à demanda do mercado (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Na era digital, muitas empresas já adotaram esse modelo na utilização da capacidade. Players de comércio eletrônico, por exemplo, usam a análise de big data para oferecer preços dinâmicos a seus usuários, auxiliados pela enorme quantidade de dados coletados sobre seus hábitos de compra. A precificação dinâmica, com base em dados como padrões históricos de compra dos clientes, preferências ou até proximidade da localização da loja, pode ajudar as empresas a obterem lucratividade otimizada ao equilibrar com mais eficiência a oferta e a demanda (DEMO, 2015). Além disso, em um mundo conectado, o conceito de canal está evoluindo rapidamente, tendo em vista as tendências emergentes no compartilhamento da economia. O modelo de distribuição ponto a ponto está rapidamente ganhando terreno, oferecendo aos clientes acesso quase instantâneo aos produtos e serviços de que precisam. Essa preferência crescente pela entrega instantânea de produtos e 114114 serviços exige uma maior necessidade de ativação comunitária, em que os pares próximos podem atender às necessidades e demandas dos clientes (ROCHA et al., 2015). Por fim, calcula-se como a promoção se transformou em conversa – não é mais um monólogo das marcas que entregam mensagens aos seusclientes. As mídias sociais e outras plataformas de rede permitiram que os clientes se tornassem mais vocais em suas respostas às mensagens das marcas. Aplicativos de avaliação de clientes, plataformas de blogs e fóruns online tornaram-se fontes confiáveis para que os clientes se envolvam em conversas para avaliar produtos e serviços (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). De processos de atendimento ao cliente a atendimento colaborativo ao cliente O atendimento tradicional ao cliente gira em torno de tratá-los como reis, mas, na abordagem de atendimento colaborativo, eles são vistos como iguais. Embora o atendimento ao cliente se concentre em atender às suas preocupações e, ao mesmo tempo, tentar seguir diretrizes rígidas e procedimentos operacionais padrão, o atendimento colaborativo envidará um esforço genuíno para ouvir e responder ao cliente, seguindo de maneira consistente os termos acordados entre empresa e cliente. No mundo conectado, esse processo colaborativo é mais relevante para o atendimento ao cliente, no qual esses são convidados a participar do processo usando instalações de autoatendimento (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Marketing de conteúdo Percebe-se que, ao tratar do marketing digital, não é suficiente o conhecimento em tecnologia da informação, mas sim em todos os formatos e ferramentas disponíveis ou a desenvolver. O marketing de conteúdo é uma dessas ferramentas: consiste na criação, seleção, 115115 115 desenvolvimento e inserção de conteúdo online que vise chamar a atenção, o interesse e o desejo do consumidor em potencial (lead) e acionar o comando de consumo, transformando-o em cliente (LAS CASAS, 2017). Empresas devem estudar quem são seus consumidores e aproveitar as oportunidades do meio digital com as ferramentas e os recursos apropriados, que possibilitem atrair o público no sentido de cativar e engajar, por vezes de forma gratuita e espontânea. O engajamento tem como objetivos informar, educar, entreter e criar empatia, perpetuando o vínculo cognitivo de confiança na marca (ROCHA et al., 2015). Veja a Figura a seguir: Figura 2 – O funil do Marketing 4.0 Fonte: Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019). Trata-se de uma poderosa ferramenta de extensão de comunicação de marketing, que resulta na melhor fidelidade dos clientes de sua empresa. É diferente do e-commerce, pois o consumidor procura o que deseja a partir do apoio de outros meios e veículos de comunicação. O Marketing 4.0 preconiza o aprofundamento nos relacionamentos entre consumidores mais empoderados pela interconectividade tecnológica e digital (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). 116116 3. Considerações finais Os observadores da indústria vêm debatendo há algum tempo se o marketing tradicional está morto, em vista da crescente influência e do gasto no marketing digital. No entanto, acreditamos que o digital não deve substituir o marketing tradicional. Ambos devem coexistir e têm seus próprios papéis a desempenhar ao longo da jornada do cliente. O marketing tradicional ainda é bastante eficaz na conscientização e no interesse pelas marcas, mas o marketing digital desempenha um papel mais proeminente à medida que os clientes passam a estabelecer um relacionamento mais próximo com as marcas. O objetivo do digital deve ser o de impulsionar a ação e a defesa de interesses e, diante de uma maior responsabilidade, o foco deve estar na geração de resultados, em oposição ao marketing tradicional, onde o foco deve estar no início da interação com o cliente. Em essência, o Marketing 4.0 visa ajudar os profissionais de marketing a identificarem e se prepararem para as funções de mudança do marketing tradicional e digital na construção do envolvimento e da defesa do cliente. TEORIA EM PRÁTICA O mercado de flores sempre apresentou desafios e oportunidades. As floriculturas têm de comprar em pequenos lotes, devido ao alto grau de perecibilidade. Você é o gestor de marketing da Giuliana Flores e considera acertada a decisão de, após o sucesso do e-commerce, a empresa investir também em lojas físicas? Quais são suas sugestões estratégicas? Conforme o site da empresa Giuliana Flores, o empreendimento tem como norteadora a proposta “A nossa missão é prover produtos e serviços com alta 117117 117 qualidade e estilo próprio, garantindo a excelência no atendimento ao cliente”. A palavra estilo representa bem a maneira de ser da empresa, que apresenta diferenciais como a constante preocupação com a combinação de flores e arranjos para agradar aos mais variados gostos e estilos, além das fortes parcerias com marcas de luxo como Kopenhagen, Havanna, Amor aos Pedaços, Ofner, entre outras. Operacionalmente, o cliente inicia o processo a partir do pedido pelo site e, por meio de uma estrutura bem delineada, existe a garantia de que as flores cheguem no prazo no local designado pelo cliente. Em 2005, houve a criação de outro site para as classes C e D, com preços menores. A empresa conta com 280.000 visitantes únicos/ mês, compostos por um público pertencente às classes AA, A e B. O portal conta com o selo de empresa reconhecida pelos sites Bondfaro e Buscapé, Loja Ouro pelo e-bit e Selo Site Blindado. Está nas principais redes sociais, como Instagram e Facebook. Além disso, hoje ela comemora mais de 1.000.000 de likes do Facebook da marca, pois se tornou a floricultura online com o maior número de fãs na rede social. Depois da grande expansão via e-commerce, a empresa está investindo em lojas físicas, localizadas em shoppings, por exemplo. Pretende ser a maior plataforma de presentes do país, segundo o CEO Clóvis Souza. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Percebe-se que, ao tratar do marketing digital, não é suficiente o conhecimento em tecnologia da informação, mas sim que haja marketing de conteúdo que consiste em: 118118 a. Configuração, operação e estratégia de conteúdo online. b. Métrica, impulsionamento, tática e estratégia de conteúdo online. c. Criação, seleção, desenvolvimento e inserção de conteúdo online. d. Confecção, sugestão, brainstorming e divulgação do conteúdo online. e. Orientação, postagem, sugestão e divulgação de conteúdo online. 2. Existem também vários desafios ao desenvolver e implementar uma estratégia digital. Isso inclui: a. Fatores humanos, particularmente conhecimentos, habilidades e atitudes, que impedem o engajamento. b. Desinteresse dos empresários em ser digital ao invés de apenas fazer digital. c. Capacitação limitada dos profissionais de marketing. d. Apenas o impulsionamento de campanhas nas plataformas digitais. e. Desinteresse dos consumidores em consumir conteúdos online. 119119 119 3. Uma tendência na estratégia digital é o uso de personas como uma estrutura para usar as informações do cliente para priorizar iniciativas online. Personas são: a. Arquétipos de personagens para construção de storytelling. b. Clientes imaginários que são idealizados por empresas. c. Clientes reais com potenciais de compra. d. Esboços de personagens que representam um membro típico de um segmento de clientes. e. Futuros clientes em fase de prospecção. Referências bibliográficas CRESCITELLI, Edson; SHIMP, Terence A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2012. DEMO, Gisela. Marketing de relacionamento & comportamento do consumidor: estado da arte, produção nacional, novas medidas e estudos empíricos. São Paulo: Editora Atlas SA, 2015. HADDAD, Helder; MARANGONI, Matheus M.; KUAZAQUI, Edmir. Gestão de marketing 4.0. São Paulo: Atlas, 2019. NOSÉ JUNIOR, Amadeu. Marketing Internacional - uma estratégia empresarial. São Paulo: Cengage Learning Editores, 2005. LAS CASAS, Alexandre L. Marketing: conceitos, exercícios, casos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2017. ROCHA, Marcos et al. Marketing: Novas Tendências. São Paulo: Saraiva, 2015. VIRGILLITO, Salvatore Benito et al. Pesquisa de marketing:uma abordagem quantitativa e qualitativa. São Paulo: Saraiva, 2010. YANAZE, Mitsuru Higuchi; FREIRE, Otávio; SENISE, Diego. Retorno de investimentos em comunicação: avaliação e mensuração. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2010. 120120 Gabarito Questão 1 – Resposta: C Resolução: Os 4 pilares são primordiais e vão desde a primeira fase até a sua divulgação. Questão 2 – Resposta: A Resolução: O comportamento do consumidor é dinâmico e complexo, portanto o desafio está sempre em buscar a melhor estratégia para atingir o público-alvo. Questão 3 – Resposta: D Resolução: As personas têm a função de representar um perfil de cliente ideal para que se possa comunicar de forma assertiva com as estratégias. 121121 121 E-commerce e E-business Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender as os fundamentos e funcionamento da estrtura de e-commerce e e-business. • Identificar as principais semelhanças e diferenças de ambos os conceitos e estruturas. • Compreender as melhores práticas de gestão, evolução conceitual e aplicada. 122122 1. Introdução O e-commerce nada mais é do que comprar e vender mercadorias na web. Pelo contrário, o e-business é um pouco diferente, pois não se limita a transações comerciais, mas também fornece outros serviços. Esses são os dois modos emergentes de fazer negócios e ambos estão ganhando cada vez mais importância com o passar do tempo. Vamos nos aprofundar no tema sobre os conceitos supracitados, mas é importante saber diferenças essencias a seguir. Principais diferenças entre e-commerce e e-business Os pontos apresentados abaixo são substanciais no que diz respeito à diferença entre e-commerce e e-business: 1. Compra e venda de bens e serviços através da internet é conhecida como e-commerce. Ao contrário do e-business, que é uma presença eletrônica de negócios, pela qual todas as atividades de negócios são realizadas pela internet. 2. O e-commerce é um componente importante do e-business. 3. O e-commerce inclui transações relacionadas ao dinheiro, mas o e-business inclui atividades monetárias e atividades correlatas. 4. O e-commerce tem uma abordagem extrovertida que cobre clientes, fornecedores, distribuidores etc. Por outro lado, o e-business tem uma abordagem ambígua, que abrange processos internos e externos. 5. O e-commerce requer um site que possa representar o negócio. Por outro lado, o e-business requer um site, o gerenciamento de relacionamento com o cliente e o planejamento de recursos empresariais para administrar os negócios pela internet. 123123 123 6. O e-commerce usa a internet para se conectar com o resto do mundo. Ao contrário do e-business, a internet, a intranet e a extranet são usadas para conectar-se às partes. PARA SABER MAIS O e-commerce ou comércio eletrônico começou realmente em 1979. Michael Aldrich conectou um aparelho de televisão doméstico a uma linha telefônica para criar compras online, que explodiram nas décadas de 1980 e 1990 antes da decolagem da internet. A Amazon foi lançada em 1995. No entanto, a Amazon não começou a lucrar até 2003. O valor médio dos pedidos em 2019 para a Amazon é de US$ 47,31 e, é claro, a Amazon é conhecida como um dos maiores varejistas online. ASSIMILE Na próxima década, é provável que as compras online aumentem drasticamente a ponto de a maioria das compras ser feita online, mesmo para itens que talvez precisem ser vistos primeiro. Isso se deve à nova tecnologia, checkout mais rápido e preços de mercadorias facilmente comparáveis. No entanto, mais pessoas também estão preocupadas com a falta de segurança nas compras online. Com várias violações na segurança online para grandes varejistas como Target, Home Depot e Neiman Marcus, as pessoas estão procurando maneiras mais seguras de pagar online que não exijam o fornecimento direto de um número de cartão de crédito. As próximas etapas do 124124 comércio eletrônico devem evoluir em torno das compras seguras, rápidas e móveis. Se os varejistas puderem garantir que seus compradores tenham a experiência mais agradável ao fazer compras online, não há motivo para eles entrarem na loja. 2. E-commerce E-commerce (comércio eletrônico) é a atividade de compra ou venda eletrônica de produtos em serviços online ou pela internet. O comércio eletrônico baseia-se em tecnologias como comércio móvel, transferência eletrônica de fundos, gerenciamento da cadeia de suprimentos, marketing na internet, processamento de transações online, intercâmbio eletrônico de dados (IED), sistemas de gerenciamento de inventário e sistemas automatizados de coleta de dados (TEIXEIRA, 2017). O comércio eletrônico moderno normalmente usa a internet por pelo menos uma parte do ciclo de vida da transação, embora também possa usar outras tecnologias, como e-mail. Transações típicas de e-commerce incluem a compra de produtos online (como Amazon) e compras de música (download de música na forma de distribuição digital, como o (iTunes Store), e, em menor medida, personalizado/ online personalizada loja de bebidas e inventário de serviços. Existem três áreas de comércio eletrônico: varejo online, mercados eletrônicos e leilões online. O comércio eletrônico é suportado pelos negócios eletrônicos (CHAFFEY, 2015). As empresas de comércio eletrônico também podem empregar alguns ou todos os seguintes itens conforme Canto (2015): • Compras online para vendas no varejo diretamente aos consumidores via site, aplicativos móveis, conversação via chat ao vivo, chatbots e assistentes de voz. 125125 125 • Fornecer ou participar de mercados online que processam vendas de empresa para consumidor (B2C) ou de consumidor para consumidor (C2C) de terceiros. • Compra e venda business-to-business (B2B). • Reunir e usar dados demográficos por meio de contatos na web e mídias sociais. • Intercâmbio de dados eletrônicos business-to-business (B2B). • Marketing para potenciais e estabelecidos os clientes por e-mail (por exemplo, com boletins de notícias). • Engajamento prévio para o lançamento de novos produtos e serviços. • Trocas financeiras online para trocas de moeda ou fins comerciais. Para empresas tradicionais, uma pesquisa afirmou que a tecnologia da informação e o comércio eletrônico transfronteiriço são uma boa oportunidade para o rápido desenvolvimento e crescimento das empresas. Muitas empresas investiram um volume enorme de investimentos em aplicativos móveis. O modelo DeLone e McLean afirmou que três perspectivas contribuem para o sucesso do comércio eletrônico: qualidade do sistema de informação, qualidade do serviço e satisfação dos usuários (LANARI, 2005). Não há limite de tempo e espaço, há mais oportunidades de alcançar clientes em todo o mundo e reduzir elos intermediários desnecessários, reduzindo assim o preço de custo, e podem se beneficiar de uma análise de dados de um cliente grande, para alcançar um alto grau de plano estratégico de personalização pessoal, a fim de aumentar totalmente a competitividade do núcleo dos produtos na empresa. Tecnologias modernas de gráficos 3D, como o Facebook 3D Posts, são consideradas por alguns profissionais de marketing e anunciantes como uma maneira 126126 preferível de promover bens de consumo do que fotos estáticas, e algumas marcas como a Sony já estão abrindo caminho para o comércio de realidade aumentada (TURBAN e KING, 2004). O Wayfair agora permite que você inspecione uma versão 3D de seus móveis em um ambiente doméstico antes de comprar. A logística no comércio eletrônico refere-se principalmente ao cumprimento. Os mercados e varejistas online precisam encontrar a melhor maneira possível de atender pedidos e entregar produtos. As pequenas empresas geralmente controlam sua própria operação logística, porque não têm a capacidade de contratar uma empresa externa. A maioria das grandes empresas contrata um serviço de atendimento que cuida das necessidades logísticas de uma empresa. Aocontrário do equívoco comum, existem barreiras significativas à entrada no comércio eletrônico (TURCHI, 2000). O comércio eletrônico permite que os clientes superem as barreiras geográficas e comprem produtos a qualquer hora e de qualquer lugar. Os mercados online e tradicional têm estratégias diferentes para conduzir os negócios. Os varejistas tradicionais oferecem menos variedade de produtos por causa do espaço nas prateleiras, onde os varejistas online geralmente não mantêm estoque, mas enviam pedidos dos clientes diretamente para a manufatura. As estratégias de preços também são diferentes para os varejistas tradicionais e online. Os varejistas tradicionais baseiam seus preços no tráfego da loja e no custo para manter o estoque (RELVAS, 2006). Os varejistas online baseiam os preços na velocidade de entrega. Existem duas maneiras de os profissionais de marketing realizarem negócios por meio do comércio eletrônico: totalmente online ou juntamente com uma loja física. Os profissionais de marketing online podem oferecer preços mais baixos, maior seleção de produtos e altas taxas de eficiência. Muitos clientes preferem os mercados online se os produtos puderem ser entregues rapidamente a um preço relativamente 127127 127 baixo. No entanto, os varejistas online não podem oferecer a experiência física que os varejistas tradicionais podem (RAMOS, 2015). Pode ser difícil julgar a qualidade de um produto sem a experiência física, o que pode levar os clientes a sentir incerteza sobre o produto ou o vendedor. Outra questão referente ao mercado online são as preocupações com a segurança das transações online. Muitos clientes permanecem fiéis a varejistas conhecidos por causa desse problema. A segurança é um problema principal do comércio eletrônico nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A segurança do comércio eletrônico está protegendo os sites e clientes das empresas contra acesso, uso, alteração ou destruição não autorizada (TEIXEIRA, 2017). Os tipos de ameaças incluem: códigos maliciosos, programas indesejados (adware, spyware), hackers e vandalismo cibernético. Os sites de comércio eletrônico usam ferramentas diferentes para evitar ameaças à segurança. Essas ferramentas incluem firewalls, software de criptografia, certificados digitais e senhas. Durante muito tempo, as empresas estavam preocupadas com a diferença entre os benefícios que a tecnologia da cadeia de suprimentos possui e as soluções para oferecer esses benefícios. No entanto, o surgimento do comércio eletrônico proporcionou uma maneira mais prática e eficaz de fornecer os benefícios das novas tecnologias da cadeia de suprimentos (CHAFFEY, 2015). O comércio eletrônico tem a capacidade de integrar todas as funções entre empresas e intraempresas, o que significa que os três fluxos (fluxo físico, fluxo financeiro e fluxo de informações) da cadeia de suprimentos também podem ser afetados pelo comércio eletrônico. As afeições nos fluxos físicos melhoraram o nível de movimentação de produtos e estoques para as empresas. Para os fluxos de informações, o comércio eletrônico otimizou a capacidade de processamento de informações do que as empresas costumavam ter e, para os fluxos financeiros, o comércio eletrônico permite que as empresas tenham soluções mais eficientes de pagamento e liquidação (CANTO, 2015). 128128 Além disso, o comércio eletrônico tem um nível de impacto mais sofisticado nas cadeias de suprimentos: primeiro, a lacuna de desempenho será eliminada, pois as empresas podem identificar lacunas entre os diferentes níveis das cadeias de suprimentos por meio eletrônico de soluções; em segundo lugar, como resultado do surgimento do comércio eletrônico, novos recursos, como a implementação de sistemas ERP, como SAP, Salesforce ou Megaventory, ajudaram as empresas a gerenciar operações com clientes e fornecedores. No entanto, esses novos recursos ainda não são totalmente explorados (TURBAN e KING, 2004); em terceiro lugar, as empresas de tecnologia continuariam investindo em novas soluções de software de comércio eletrônico, à medida que esperavam retorno do investimento; em quarto lugar, o comércio eletrônico ajudaria a resolver muitos aspectos de questões com as quais as empresas podem se sentir difíceis de lidar, como barreiras políticas ou mudanças nos países, e,por fim, o comércio eletrônico oferece às empresas uma maneira mais eficiente e eficaz de colaborar entre si na cadeia de suprimentos. O comércio eletrônico ajuda a criar novas oportunidades de emprego devido a serviços relacionados a informações, aplicativos de software e produtos digitais. Por sua vez, também causa perda de empregos (CHAFFEY, 2015). As áreas com maior perda de emprego prevista são agências de varejo, correios e viagens. O desenvolvimento do comércio eletrônico criará empregos que exigem trabalhadores altamente qualificados para gerenciar grandes quantidades de informações, demandas dos clientes e processos de produção. Por outro lado, pessoas com habilidades técnicas fracas não podem usufruir do bem-estar dos salários. Por outro lado, como o comércio eletrônico requer estoques suficientes que possam ser entregues aos clientes a tempo, o armazém se torna um elemento importante. O armazém precisa de mais funcionários para gerenciar, supervisionar e organizar, portanto, a condição do ambiente do armazém será afetada pelos funcionários (RAMOS, 2015). 129129 129 O comércio eletrônico traz comodidade para os clientes, pois eles não precisam sair de casa e precisam apenas navegar no site online, especialmente para comprar produtos que não são vendidos em lojas próximas. Isso poderia ajudar os clientes a comprar uma gama maior de produtos e economizar tempo dos clientes. Os consumidores também ganham força através das compras online. Eles são capazes de pesquisar produtos e comparar preços entre os varejistas. Além disso, as compras online geralmente oferecem códigos de promoção de vendas ou descontos, portanto são mais econômicos para os clientes. Além disso, o comércio eletrônico fornece informações detalhadas dos produtos; mesmo os funcionários da loja não podem oferecer uma explicação tão detalhada. Os clientes também podem revisar e acompanhar o histórico de pedidos online (TEIXEIRA, 2017). As tecnologias de comércio eletrônico reduzem os custos de transação, permitindo que fabricantes e consumidores ignorem os intermediários. Isso é alcançado através da extensão da melhor oferta de preços na área de pesquisa e da compra em grupo. O sucesso do comércio eletrônico nos níveis urbano e regional depende de como as empresas e os consumidores locais adotaram o comércio eletrônico. No entanto, o comércio eletrônico carece de interação humana para os clientes, especialmente aqueles que preferem a conexão cara a cara. Os clientes também estão preocupados com a segurança das transações online e tendem a permanecer fiéis a varejistas conhecidos (RAMOS, 2015). Nos últimos anos, varejistas de roupas como Tommy Hilfiger começaram a adicionar plataformas Virtual Fit em seus sites de comércio eletrônico para reduzir o risco de os clientes comprarem roupas de tamanho errado, embora elas variem bastante em suas condições de uso. Quando o cliente se arrepende da compra de um produto, envolve a devolução de mercadorias e o processo de reembolso. Esse processo é inconveniente, pois os clientes precisam embalar e postar as mercadorias. Se os produtos são caros, grandes ou frágeis, refere-se 130130 a questões de segurança. A tendência contemporânea do comércio eletrônico recomenda que as empresas mudem o modelo de negócios tradicional, com foco em “produtos padronizados, mercado homogêneo e longo ciclo de vida do produto” para o novo modelo de negócios, com foco em “produtos variados e personalizados”. O comércio eletrônico exige que a empresa tenha a capacidade de satisfazer diversas necessidades de diferentes clientes e fornecer a elesuma maior variedade de produtos (CHAFFEY, 2015). Com mais opções de produtos, as informações dos produtos para os clientes selecionarem e atenderem às suas necessidades se tornam cruciais. Para abordar o princípio de personalização em massa para a empresa, é sugerido o uso do sistema de recomendação. Esse sistema ajuda a recomendar os produtos adequados aos clientes e ajuda os clientes a tomarem a decisão durante o processo de compra. O sistema de recomendação pode ser operado pelos principais vendedores do site, pela demografia dos clientes ou pelo comportamento de compra dos consumidores. No entanto, existem três maneiras principais de recomendações: recomendar produtos diretamente aos clientes, fornecer informações detalhadas dos produtos e mostrar opiniões ou críticas de outros compradores (TURCHI, 2000). É um benefício para a experiência do consumidor sem fazer compras físicas. A seguir, vejamos os tipos de plataformas de comércio eletrônico que se enquadram em várias classificações do setor com base em seu modelo de licenciamento, cenário de vendas e troca de dados. O software de comércio eletrônico local geralmente requer um investimento inicial de compra único em termos de taxas de licenciamento. Além disso, implica custos adicionais relacionados a serviços de hardware e instalação, bem como taxas de migração de dados e manutenção contínua que geralmente são cobradas anualmente por atualizações e suporte de software (RELVAS, 2006). Conforme Canto (2015): 131131 131 Vantagens: • Facilmente personalizável. • Segurança de dados. • Alta performance. Desvantagens: • Grande investimento inicial. • Automanutenção. • Conhecimento técnico. Comércio eletrônico de software como serviço (SaaS) Software como Serviço (SaaS) é um modelo de entrega baseado em nuvem, no qual os aplicativos são hospedados e gerenciados no data center de um provedor de serviços, pagos com assinatura e acessados por meio de um navegador pela internet (TURBAN e KING, 2004). Segundo Teixeira (2017): Vantagens: • Solução acessível de baixo custo. • Hospedado/atualizado pelo provedor de comércio eletrônico. • Facilmente escalável. • Alta disponibilidade. Desvantagens: • Integração limitada com sistemas de back-end. • Controle limitado sobre o sistema. • Comércio eletrônico totalmente gerenciado (FM). 132132 Comércio eletrônico totalmente gerenciado – é o próximo passo da plataforma como serviço (PaaS). Como base, o PaaS consiste em hospedagem de software e hardware de comércio eletrônico. Além disso, soluções de comércio eletrônico totalmente gerenciados fornecem serviços como tirar fotos de produtos, edição de imagens, gerenciamento de dados, suporte ao cliente, consultoria de marketing. O comércio eletrônico totalmente gerenciado é oferecido às lojas físicas como uma solução B2B para ajudá-los a começar a vender online rapidamente, a baixo custo. O modelo de licenciamento geralmente é baseado no volume de vendas (TEIXEIRA, 2017). Comércio eletrônico de código aberto O comércio eletrônico de código aberto é uma plataforma gratuita que não implica taxa de licença. Além disso, os usuários de código aberto também são responsáveis por instalar, manter, proteger e configurar o software em seus próprios servidores. Para configurar uma plataforma de código aberto, é necessário conhecimento técnico básico nas áreas de webdesign e desenvolvimento. Os produtos de software que são distribuídos como código aberto geralmente são gratuitos e os usuários podem acessar e modificar o código-fonte (RAMOS, 2015). Segundo Turchi (2000): Vantagens: • Sistema gratuito. • Grande variedade de complementos/plug-ins/extensões disponíveis. • Maior flexibilidade com um código-fonte personalizável. Desvantagens: • É necessário mais conhecimento técnico. 133133 133 • O desempenho depende dos custos de hospedagem. • Nenhuma integração padrão com o sistema de back-end. Em teoria, tudo sobre o comércio eletrônico parece impressionante; no entanto, proporcionar uma excelente experiência do usuário é um recurso crítico de qualquer loja de comércio eletrônico bem-sucedida. Sem cuidar desse aspecto, o gestor de marketing enfrentará uma batalha difícil quando se trata de impulsionar as vendas e fidelizar clientes (LANARI, 2005). 2.1 E-business O E-business é também conhecido como negócios online ou negócios eletrônicos, e se trata de qualquer tipo de transação comercial que inclui o compartilhamento de informações pela internet. O comércio constitui a troca de produtos e serviços entre empresas, grupos e indivíduos e pode ser visto como uma das atividades essenciais de qualquer empresa. O comércio eletrônico concentra-se no uso das TIC (Tecnologia de Informação e Comunicação) para permitir as atividades externas e os relacionamentos dos negócios com indivíduos, grupos e outros negócios, enquanto o comércio eletrônico se refere aos negócios com a ajuda da internet (RELVAS, 2006). O termo “e-business” foi cunhado pela equipe de marketing e internet da IBM, em 1996. Em 1994, a IBM, com sua agência Ogilvy & Mather, começou a usar sua base em soluções e conhecimentos de TI para comercializar-se como líder na condução de negócios na internet por meio do termo “e-business”. O CEO Louis V. Gerstner Jr. estava preparado para investir US $ 1 bilhão para comercializar essa nova marca. Depois de realizar uma pesquisa de mercado mundial em outubro de 1997, a IBM começou com um artigo de oito páginas no Wall Street Journal, que apresentaria o conceito de “e-business” e divulgaria a experiência da IBM no novo campo (LANARI, 2005). 134134 A IBM decidiu não marcar o termo “comércio eletrônico” na esperança de que outras empresas usassem o termo e criassem um novo setor. No entanto, isso provou ser muito bem-sucedido e, em 2000, para se diferenciar, a IBM lançou uma campanha de US$ 300 milhões sobre seus recursos de “infraestrutura de e-business”. Desde então, os termos “e-business” e “e-commerce” têm sido pouco intercambiáveis e se tornaram parte do vernáculo comum (RAMOS, 2015). Quando as organizações ficam online precisam decidir quais modelos de e-business melhor atendem às suas metas. Um modelo de negócios é definido como a organização dos fluxos de produtos, serviços e informações e a fonte de receitas e benefícios para fornecedores e clientes. O conceito de modelo de e-business é o mesmo, mas usado na presença online (TURCHI, 2000). Modelo de receita Um componente-chave do modelo de negócios é o modelo de receita ou modelo de lucro, que é uma estrutura para gerar receitas. Ele identifica qual fonte de receita buscar, que valor oferecer, como precificar o valor e quem paga pelo valor. É um componente essencial do modelo de negócios de uma empresa. Ele identifica principalmente qual produto ou serviço será criado para gerar receita e as maneiras pelas quais o produto ou serviço será vendido (CANTO, 2015). Sem um modelo de receita bem definido, ou seja, um plano claro de como gerar receita, é provável que os novos negócios enfrentem dificuldades devido aos custos que não serão capazes de sustentar. Por ter um modelo de receita sujo, uma empresa pode se concentrar em um público-alvo, financiar planos de desenvolvimento de um produto ou serviço, estabelecer planos de marketing, iniciar uma linha de crédito e aumentar capital (TEIXEIRA, 2017). 135135 135 Segurança Os sistemas de comércio eletrônico naturalmente apresentam maiores riscos de segurança do que os sistemas comerciais tradicionais; portanto, é importante que os sistemas de comércio eletrônico estejam totalmente protegidos contra esses riscos. Um número muito maior de pessoas tem acesso a negócios eletrônicos pela internet do que teria acesso a negócios tradicionais. Clientes, fornecedores, funcionários e muitas outras pessoas usam diariamente qualquer sistema de comércio eletrônico em particular e esperam que suas informações confidenciais permaneçamseguras (TURBAN e KING, 2004). Os hackers são uma das grandes ameaças à segurança dos negócios eletrônicos. Algumas preocupações comuns de segurança para os negócios eletrônicos incluem manter as informações comerciais e dos clientes em sigilo e confidenciais, autenticidade e integridade dos dados. Alguns dos métodos para proteger a segurança de negócios eletrônicos e manter as informações seguras incluem medidas de segurança física, bem como armazenamento de dados, transmissão de dados, software antivírus, firewalls e criptografia para listar alguns (CHAFFEY, 2015). Privacidade e confidencialidade Confidencialidade é a extensão em que as empresas disponibilizam informações pessoais para outras empresas e indivíduos. Em qualquer empresa, as informações confidenciais devem permanecer seguras e acessíveis apenas ao destinatário pretendido. No entanto, isso se torna ainda mais difícil quando se lida especificamente com negócios eletrônicos. Manter essas informações em segurança significa proteger todos os registros e arquivos eletrônicos do acesso não autorizado, além de garantir a transmissão e o armazenamento seguros de tais informações. Ferramentas como criptografia e firewalls gerenciam essa preocupação específica no e-business (CANTO, 2015). 136136 Autenticidade As transações de comércio eletrônico apresentam maiores desafios para estabelecer a autenticidade devido à facilidade com que as informações eletrônicas podem ser alteradas e copiadas. Ambas as partes em uma transação de comércio eletrônico desejam ter a garantia de que a outra parte é quem afirma ser, especialmente quando um cliente faz um pedido e envia um pagamento eletronicamente. Uma maneira comum de garantir isso é limitar o acesso a uma rede ou partes confiáveis usando uma tecnologia de rede virtual privada (VPN) (CHAFFEY, 2015). O estabelecimento da autenticidade é ainda maior quando uma combinação de técnicas é usada, e envolve a verificação de “algo que você sabe” (por exemplo, senha ou PIN), “algo que você precisa” (por exemplo, cartão de crédito) ou “algo que você é” (assinaturas digitais ou métodos de reconhecimento de voz). Muitas vezes no comércio eletrônico, no entanto, “algo que você é” é fortemente verificado, verificando o item “algo que você tem” (por exemplo, cartão de crédito) e “algo que você conhece” (número do cartão) (TEIXEIRA, 2017). A integridade dos dados A integridade dos dados responde à pergunta “As informações podem ser alteradas ou corrompidas de alguma maneira?”. Isso leva à garantia de que a mensagem recebida é idêntica à mensagem enviada. Uma empresa precisa ter certeza de que os dados não são alterados em trânsito, deliberadamente ou por acidente. Para ajudar na integridade dos dados, os firewalls protegem os dados armazenados contra acesso não autorizado, enquanto o simples backup dos dados permite a recuperação caso os dados ou o equipamento sejam danificados (RAMOS, 2015). Não repúdio Essa preocupação lida com a existência de prova em uma transação. Uma empresa deve ter certeza de que a parte receptora ou o 137137 137 comprador não pode negar que uma transação ocorreu e isso significa ter evidências suficientes para provar a transação. Uma maneira de lidar com o não repúdio é usar assinaturas digitais. Uma assinatura digital não apenas garante que uma mensagem ou documento tenha sido assinado eletronicamente pela pessoa, mas como uma assinatura digital pode ser criada apenas por uma pessoa, também garante que essa pessoa não possa negar posteriormente que forneceu sua assinatura (RELVAS, 2006). Controle de acesso Quando certos recursos e informações eletrônicas são limitados a apenas algumas pessoas autorizadas, uma empresa e seus clientes devem ter a garantia de que ninguém mais pode acessar os sistemas ou informações. Existem várias técnicas para lidar com essa preocupação, incluindo firewalls, privilégios de acesso, técnicas de identificação e autenticação de usuários (como senhas e certificados digitais), redes privadas virtuais (VPN) e muito mais (CHAFFEY, 2015). Disponibilidade Essa preocupação é especificamente pertinente para os clientes de uma empresa, pois determinadas informações devem estar disponíveis quando os clientes precisam. As mensagens devem ser entregues de maneira confiável e oportuna, e as informações devem ser armazenadas e recuperadas conforme necessário. Como a disponibilidade do serviço é importante para todos os sites de comércio eletrônico, é necessário tomar medidas para impedir a interrupção do serviço por eventos, como falta de energia e danos à infraestrutura física. Exemplos para resolver isso incluem backup de dados, sistemas de supressão de incêndio, sistemas de fonte de alimentação ininterrupta (UPS), proteção contra vírus, além de garantir que haja capacidade suficiente para lidar com as demandas do tráfego pesado da rede (TURBAN e KING, 2004). 138138 Custo A internet comercial que suporta o comércio eletrônico tem um custo para manter cerca de trilhões em dólares de TI terceirizados apenas nos Estados Unidos. Com cada site personalizado criado e mantido em código, a carga de manutenção é enorme. No século XXI, procure novas empresas que ajudem a padronizar a aparência da presença na internet de uma empresa para ter uma natureza mais uniforme e ajudar a reduzir o custo de manutenção (RAMOS, 2015). As soluções de segurança Quando se trata de soluções de segurança, os negócios eletrônicos sustentáveis exigem suporte à integridade dos dados, autenticação forte e privacidade (RELVAS, 2006). Acesso e integridade de dados Existem várias maneiras diferentes de impedir o acesso aos dados que são mantidos online. Uma maneira é usar software antivírus. Isso é algo que a maioria das pessoas usa para proteger suas redes, independentemente dos dados que possuem. As empresas eletrônicas devem usar isso porque podem ter certeza de que as informações enviadas e recebidas em seu sistema estão limpas. Uma segunda maneira de proteger os dados é usar firewalls e proteção de rede. Um firewall é usado para restringir o acesso a redes privadas, bem como a redes públicas que uma empresa pode usar (TEIXEIRA, 2017). O firewall também tem a capacidade de registrar tentativas na rede e fornecer avisos enquanto isso está acontecendo. Eles são muito benéficos para manter terceiros fora da rede. As empresas que usam Wi-Fi precisam considerar diferentes formas de proteção, porque essas redes são mais fáceis para alguém acessar. Elas devem procurar acesso 139139 139 protegido, redes privadas virtuais ou segurança de protocolo da internet. Outra opção que elas têm é um sistema de detecção de intrusões. Este sistema alerta quando há possíveis invasões. Algumas empresas montam armadilhas ou “pontos quentes” para atrair pessoas e podem saber quando alguém está tentando invadir essa área (CANTO, 2015). Criptografia A criptografia envolve a transformação de textos ou mensagens em um código ilegível. Essas mensagens devem ser descriptografadas para serem compreensíveis ou utilizáveis para alguém. Existe uma chave que identifica os dados para uma determinada pessoa ou empresa. Com a criptografia de chave pública, na verdade existem duas chaves usadas. Uma é pública e a outra é privada (TEIXEIRA, 2017). A pública é usada para criptografia e a privada para descriptografia. O nível da criptografia real pode ser ajustado e deve basear-se nas informações. A chave pode ser apenas um simples slide de letras ou uma mistura completamente aleatória de letras. Isso é relativamente fácil de implementar porque há software que uma empresa pode comprar. Uma empresa precisa ter certeza de que suas chaves estão registradas com uma autoridade de certificação (CHAFFEY, 2015). Os certificados digitais O objetivo de um certificado digital é identificar o proprietário de um documento. Dessa forma, o destinatário sabe que é um documento autêntico. As empresaspodem usar esses certificados de várias maneiras diferentes. Eles podem ser usados como um substituto para nomes de usuário e senhas. Cada funcionário pode receber esses dados para acessar os documentos de que eles precisam, onde quer que estejam. Esses certificados também usam criptografia. No entanto, eles são um pouco mais complicados do que a criptografia normal (RELVAS, 2006). 140140 Eles realmente usaram informações importantes dentro do código. Eles fazem isso para garantir a autenticidade dos documentos, bem como a confidencialidade e a integridade dos dados que sempre acompanham a criptografia. Certificados digitais não são comumente usados porque são confusos para as pessoas implementarem. Pode haver complicações ao usar navegadores diferentes, o que significa que eles precisam usar vários certificados. O processo está sendo ajustado para facilitar o uso (CHAFFEY, 2015). Assinaturas digitais Uma maneira final de proteger informações online seria usar uma assinatura digital. Se um documento tiver uma assinatura digital, ninguém mais poderá editar as informações sem ser detectado. Dessa forma, se for editado, poderá ser ajustado para garantir a confiabilidade após o fato. Para usar uma assinatura digital, é necessário usar uma combinação de criptografia e um resumo da mensagem. Um resumo da mensagem é usado para atribuir ao documento um valor único. Esse valor é então criptografado com a chave privada do remetente (TEIXEIRA, 2017). Conforme Chaffer (2015), o comércio social tornou-se um termo realmente amplo, contendo muitas tecnologias diferentes. Pode ser categorizado como comércio social externo e local. No local O comércio social no local refere-se a varejistas, incluindo compartilhamento social e outras funcionalidades sociais em seus sites. Alguns exemplos notáveis incluem a Zazzle, que permite que os usuários compartilhem suas compras, a Macy’s, que permite criar uma pesquisa para encontrar o produto certo, e o Fab.com, que mostra um feed ao vivo do que outros compradores estão comprando. As análises de usuários no local também são consideradas parte do comércio 141141 141 social. Essa abordagem foi bem-sucedida em melhorar o envolvimento do cliente, a conversão e a marca “boca a boca”, de acordo com várias fontes do setor (RAMOS, 2015). Fora do local O comércio social externo inclui atividades que acontecem fora do site dos varejistas. Isso pode incluir as fachadas de lojas do Facebook, postar produtos no Facebook, Twitter, Pinterest e outras redes sociais, anúncios etc. No entanto, muitas grandes marcas parecem estar abandonando essa abordagem. Um estudo recente do W3B sugere que apenas dois por cento dos 1,5 bilhões de usuários do Facebook já fizeram compras através da rede social. O baixo desempenho foi atribuído à falta de intenção de compra quando os usuários estão envolvidos em sites de mídia social (CANTO, 2015). Onsite versus offsite O comércio social ainda é um conceito mais recente que a maioria dos varejistas pode não ter empregado. Ao criar uma estratégia de comércio social, há uma distinção importante que deve ser feita entre social no local e social fora do local. As redes sociais externas são compostas por páginas de marca de mídia social ou plug-ins que vivem em plataformas sociais e não no seu site real. O social no local consiste em adicionar uma camada social ao seu site real. O principal benefício do social no local é que você mantém o usuário em seu site onde ele pode realmente se converter e você pode melhorar sua experiência no site por meio dessa camada social (TEIXEIRA, 2017). Segundo Chaffey (2015), embora o comércio social continue crescendo e evoluindo, é claro que o comércio social no local é extremamente valioso para varejistas e consumidores. O comércio social pode ser medido por qualquer uma das principais formas de medir as mídias sociais através do: 142142 Retorno do investimento (ROI): mede o efeito ou a ação das mídias sociais nas vendas. Reputação: os índices medem a influência do investimento nas mídias sociais em termos de mudanças na reputação online – composta pelo volume e valência das menções nas mídias sociais. Alcance: as métricas usam métricas tradicionais de publicidade em mídia para medir as taxas de exposição e os níveis de um público com as mídias sociais. Segundo Teixeira (2017), o modelo estrutural para compreensão de e-business e e-commerce é mostrado conforme a figura a seguir: Figura 1 – Modelo estrutural de e-business e e-commerce Fonte: adaptada de Teixeira (2017). 143143 143 3. Considerações finais O e-commerce está preocupado com as relações da empresa com seus consumidores, clientes e fornecedores. Por outro lado, o e-business refere-se a empreender na indústria e comércio com a ajuda da tecnologia da informação e comunicação. TEORIA EM PRÁTICA Você está administrando uma empresa de comércio eletrônico de arranjos comestíveis e tem a tarefa de analisar os dados do site e identificar vazamentos no funil para aumentar as vendas. Quais são as possíveis estratégias cabíveis para a situação? Neste estudo de caso os arranjos comestíveis aumentaram as vendas no mesmo dia em 8% com uma simples alteração de mensagens. Os arranjos comestíveis tiveram um desafio de marketing bastante típico. Eles oferecem aos clientes uma opção de entrega no mesmo dia (e fazem isso há anos), mas as pessoas não estavam aproveitando a oferta porque não sabiam disso. Para educar os clientes sobre essa opção, eles aumentaram significativamente a visibilidade com um banner grande em uma posição extremamente destacada na página inicial, logo abaixo da barra de navegação. Isso criou urgência em torno da oferta, apresentando um cronômetro de contagem regressiva no prazo para entrega no mesmo dia. Era impossível perder ou entender mal. O resultado desse recurso simples de contagem regressiva? Um aumento nas vendas no mesmo dia em 8%! Você não precisa de um novo produto para promover algo. As pessoas podem não saber sobre um produto ou serviço que você já possui, portanto, aumentando a visibilidade 144144 do seu público existente, você poderá obter algumas vitórias rápidas. Como observação lateral neste exemplo em particular, criar alguma urgência é sempre uma boa estratégia de vendas. Incentive seu público a agir agora, em vez de mais tarde (ou nunca). VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. O comércio eletrônico baseia-se em tecnologias como: a. Comércio móvel, transferência eletrônica de fundos, gerenciamento da cadeia de suprimentos. b. Redes sociais, conteúdo online, cocriação de valor. c. Influenciadores, mobile marketing, inbound marketing. d. Brainstorming, impulsionamento de campanhas e conteúdo online. e. Postagem, design thinking, scrum. 2. Quais as três principais áreas de comércio eletrônico: a. Capacitação dos profissionais de marketing fatores humanos, trade marketing e vitrinismo. b. Brand content, storytelling e automação de marketing. c. Varejo online, mercados eletrônicos e leilões online. d. Google Ads, mídia programática, e-mail marketing. e. PDV, varejo e conteúdo de influenciadores. 145145 145 3. O comércio social é um subconjunto do comércio eletrônico que envolve: a. Personas, arquétipos de personsagens, plataformas de e-commerce. b. Mídia social, interação social e contribuições do usuário. c. Prospects, funil de vendas e automação de marketing. d. Logística reversa, satisfação do cliente, pós-venda. e. Jornada de compra, jornada do consumidor e experiência de compra. Referências bibliográficas CANTO, Rodrigo Eidelvein do. A vulnerabilidade dos consumidores no comércio eletrônico: a reconstrução da confiança na atualização do código de defesa do consumidor. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015. CHAFFEY, Dave. Gestão de e-business e e-commerce: estratégia, implementação e prática. São Paulo: Elsevier Brasil, 2015. LANARI, Flávia de Vasconcellos. A tributaçãodo comércio eletrônico. São Paulo: Editora del Rey, 2005. RAMOS, Eduardo. E-commerce. São Paulo: Editora FGV, 2015. RELVAS, Marcos. Comércio Eletrônico – aspectos contratuais da relação de consumo. Curitiba: Juruá, 2006. TEIXEIRA, Tarcísio. Comércio eletrônico-Conforme o Marco Civil da Internet e a regulamentação do e-commerce no Brasil. São Paulo: Saraiva, 2017. TURBAN, Efraim; KING, David. Comércio eletrônico: estratégia e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004. TURCHI, Sandra R. Estratégias de marketing digital e e-commerce. São Paulo: Editora Atlas SA, 2000. 146146 Gabarito Questão 1 – Resposta: A Resolução: O comércio eletrônico moderno normalmente usa a internet por pelo menos uma parte do ciclo de vida da transação, embora também possa usar outras tecnologias. Questão 2 – Resposta: C Resolução: O comércio eletrônico é suportado pelos negócios eletrônicos. Questão 3 – Resposta: B Resolução: Mais suscintamente, o comércio social é o uso de redes sociais no contexto de transações de comércio eletrônico. 147147 147 Geração de tráfego na web Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender os fundamentos e o funcionamento dos links patrocinados SEM e SEO. • Identificar as principais semelhanças e diferenças de ambos os conceitos e estruturas. • Compreender as melhores práticas de geração de trafégo na web, evolução conceitual e aplicação. 148148 1. Introdução O SEM (Search Engine Marketing) é um método de promoção de um site ou página nos resultados das buscas realizadas na web (Search Engine Results Page – SERPs) em sites como Google, Yahoo, MsN, entre outros. Ele é composto por duas técnicas: SEO com a busca orgânica e os links patrocinados. O SEO (Search Engine Optimization) é um conjunto de técnicas que visam à otimização de sites para melhorar o posicionamento deles no ranqueamento das páginas de busca. O SEO compreende otimizações e boas práticas que fazem com que um site apareça na frente do outro na busca orgânica (que não é financeiramente impulsionada) quando um usuário procura por algo no Google ou Yahoo, sendo o termo buscado a palavra-chave. Mas o SEO vai além de tornar sites mais “amigáveis” aos buscadores. Não existe uma receita de bolo, pois se trata de um método sem garantias e que precisa ser acompanhado e constantemente alterado para otimizar os resultados. Porém, ele só surgiu com a mudança no padrão de busca, anteriormente alfabética, mas que ao considerar a relevância do conteúdo para o usuário passou a organizar os resultados por algoritmos de busca. O exato funcionamento desses algoritmos não é revelado de forma alguma pelos buscadores. Mas ao longo dos anos foi possível identificar as melhores práticas para gerar resultados com a busca orgânica, resultando no que conhecemos como o SEO e que engloba a criação e estruturação de um site com URL amigável, termos utilizados em um texto e sua relação com as palavras-chave buscadas, tags, hyperlinks e backlinks para conteúdos internos e externos, entre outras ferramentas decisivas para conquistar as primeiras posições na busca orgânica. 149149 149 PARA SABER MAIS Indicadores referente ao ticket médio, que comparam o preço médio com o qual os concorrentes oferecem seus produtos e serviços com o portfólio da empresa. Esse preço pode estar relacionado ao momento da venda e situação, dependendo da dinâmica de vendas, da negociação e da importância do cliente. Fornecedores para grandes redes de supermercado podem negociar o preço do pagamento das compras, prazo e outros benefícios. O cálculo está relacionado ao faturamento da empresa dentro de determinado período, dividido pelo número de meses. ASSIMILE Indicadores de Market Share é a parcela de participação, expressa em percentuais, no mercado em que a empresa desenvolve seus negócios. Por meio desse indicador, é possível identificar quem são os seus concorrentes diretos e indiretos e possíveis movimentações para aumentar o volume de negócios da empresa. Seu cálculo é realizado considerando o volume de vendas, o faturamento, o número de clientes ou ambos. Indicadores de Penetração de Mercado é o percentual de compradores que adquiriram o produto pelo menos uma vez num determinado período. Como situação real, esse indicador ganha bastante importância em se tratando de produtos e serviços novos, pois indica a intensidade da geração de demanda primária, ou seja, a primeira compra por parte 150150 do consumidor. A partir desse dado, é possível delinear planejamentos para gerar estratégias de marketing que visem gerar a recompra e, consequentemente, conduzir o produto para a fase de crescimento em vendas. Por outro lado, o monitoramento constante da performance de vendas do produto, independentemente da fase do negócio, possibilita aprofundar a segmentação de mercado. Em síntese, o cálculo envolve o número de compradores dividido pelo número de consumidores que a empresa estabeleceu como target inicial. 2. Geração de tráfego na web Tráfego na web é a quantidade de dados enviados e recebidos pelos visitantes de um site. Isso necessariamente não inclui o tráfego gerado pelos bots. Desde meados da década de 1990, o tráfego da web tem sido a maior parte do tráfego da internet. Isso é determinado pelo número de visitantes e pelo número de páginas que eles visitam. Os sites monitoram o tráfego de entrada e saída para ver quais partes ou páginas do site são populares e se existem tendências aparentes, como uma página específica sendo visualizada principalmente por pessoas de um país específico (ASSAD, 2016). Existem várias maneiras de monitorar esse tráfego e os dados coletados são usados para ajudar a estruturar sites, destacar problemas de segurança ou indicar uma potencial falta de largura de banda. Nem todo o tráfego da web é bem-vindo. Algumas empresas oferecem esquemas de publicidade que, em troca do aumento do tráfego na web (visitantes), pagam pelo espaço da tela no site. Há também “tráfego falso”, que é o tráfego de bots gerado por terceiros. Esse tipo de tráfego pode danificar a reputação de um site, sua visibilidade no Google e a autoridade geral do domínio. Os sites também costumam aumentar o tráfego da web através da inclusão nos mecanismos de pesquisa e da otimização dos mecanismos de pesquisa (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). 151151 151 A análise da web é a medida do comportamento dos visitantes de um site. Em um contexto comercial, refere-se especialmente à medição de quais aspectos do site trabalham em direção aos objetivos comerciais das iniciativas de marketing na internet; por exemplo, quais páginas de destino incentivam as pessoas a fazer uma compra. Os principais fornecedores de software e serviços de análise da web incluem Google Analytics, IBM Digital Analytics (anteriormente Coremetrics) e Adobe Omniture (LAS CASAS, 2017). O tráfego da web é medido para ver a popularidade de sites e páginas ou seções individuais em um site. Isso pode ser feito visualizando as estatísticas de tráfego encontradas no arquivo de log do servidor da web, uma lista gerada automaticamente de todas as páginas exibidas. Uma ocorrência é gerada quando qualquer arquivo é veiculado. A página em si é considerada um arquivo, mas as imagens também são arquivos; portanto, uma página com 5 imagens pode gerar 6 ocorrências (as 5 imagens e a própria página) (YANAZE et al., 2006). Uma visualização de página é gerada quando um visitante solicita qualquer página no site – um visitante sempre gera pelo menos uma visualização de página (a página principal), mas pode gerar muito mais. Os aplicativos de rastreamento externos ao site podem registrar tráfego inserindo um pequeno pedaço de código HTML em todas as páginas do site. Às vezes, o tráfego da web também é medido pelo farejamento de pacotes e, assim, obtendo amostras aleatórias de dados de tráfego para extrapolar informações sobre o tráfego da web como um todo através do usototal da internet (SANTINI e LUDOVICO, 2013). Conforme Las Casas (2017), os seguintes tipos de informações geralmente são agrupados ao monitorar o tráfego da web: • O número de visitantes. • O número médio de visualizações de página por visitante – Um número alto indicaria que os visitantes médios vão fundo no site, possivelmente porque gostam ou acham úteis. 152152 • Duração média da visita – A duração total da visita de um usuário. Como regra, quanto mais tempo eles gastam, mais se interessam pela sua empresa e mais propensos a entrar em contato. • Duração média da página – Por quanto tempo uma página é exibida. Quanto mais páginas visualizadas, melhor para a sua empresa. • Classes de domínio – Todos os níveis das informações de endereçamento IP necessárias para fornecer conteúdo e páginas da web. • Tempos de disponibilidade – O horário de exibição mais popular do site mostraria quando seria o melhor momento para realizar campanhas promocionais e quando seria o mais ideal para realizar manutenção. • Páginas mais solicitadas – As páginas mais populares. • Páginas de entrada mais solicitadas – A página de entrada é a primeira página visualizada por um visitante e mostra quais são as páginas que mais atraem visitantes. • Páginas de saída mais solicitadas – As páginas de saída mais solicitadas podem ajudar a encontrar páginas incorretas, links quebrados ou as páginas de saída podem ter um link externo popular. • Caminhos principais – Um caminho é a sequência de páginas visualizadas pelos visitantes da entrada à saída, com os caminhos principais identificando a maneira como a maioria dos clientes percorre o site. • Referenciadores – O host pode rastrear a fonte (aparente) dos links e determinar quais sites estão gerando mais tráfego para uma página específica. 153153 153 Os sites produzem classificações e estatísticas de tráfego com base nas pessoas que acessam os sites enquanto usam suas barras de ferramentas e outros meios de medições online. A dificuldade disso é que ele não analisa a imagem de tráfego completa de um site. Sites grandes geralmente contratam os serviços de empresas como a Nielsen NetRatings ou Quantcast, mas seus relatórios estão disponíveis apenas por assinatura (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). A quantidade de tráfego vista por um site é uma medida de sua popularidade. Ao analisar as estatísticas dos visitantes, é possível ver deficiências do site e procurar melhorar essas áreas. Também é possível aumentar a popularidade de um site e o número de pessoas que o visitam (SANTINI e LUDOVICO, 2013). Motores de busca A maioria do tráfego do site é direcionada pelos motores de busca. Milhões de pessoas usam os mecanismos de pesquisa todos os dias para pesquisar vários tópicos, comprar produtos e realizar suas atividades diárias de navegação. Os mecanismos de pesquisa usam palavras-chave para ajudar os usuários a encontrarem informações relevantes, e cada um dos principais mecanismos de pesquisa desenvolveu um algoritmo exclusivo para determinar onde os sites são colocados nos resultados da pesquisa (YANAZE et al., 2006). Quando um usuário clica em uma das listagens nos resultados da pesquisa, ele é direcionado para o site correspondente e os dados são transferidos do servidor do site, contando os visitantes para o fluxo geral de tráfego desse site. A otimização de mecanismo de busca (SEO) é a prática contínua de otimizar um site para ajudar a melhorar sua classificação nos mecanismos de busca. Vários fatores internos e externos estão envolvidos, o que pode ajudar a melhorar a listagem de um site nos mecanismos de pesquisa. Quanto mais 154154 alto o site for classificado nos mecanismos de pesquisa para uma determinada palavra-chave, mais tráfego eles receberão (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). Aumentar o tráfego O tráfego da web pode ser aumentado com a colocação de um site nos mecanismos de pesquisa e a compra de publicidade, incluindo e-mail em massa, anúncios pop-up e anúncios na página. O tráfego da web também pode ser aumentado comprando através de provedores de tráfego da web especialistas no fornecimento de tráfego direcionado; no entanto, a compra de tráfego no passado já viu muitos sites serem penalizados pelos mecanismos de busca. O tráfego da web pode ser aumentado não apenas atraindo mais visitantes para um site, mas também incentivando visitantes individuais a “permanecerem” no site, visualizando muitas páginas em uma visita (FERRELL e HARTLINE, 2012). Se uma página da web não estiver listada nas primeiras páginas de qualquer pesquisa, as chances de alguém encontrá-la diminuirão muito (especialmente se houver outra competição na primeira página). Muito poucas pessoas passam a primeira página e a porcentagem que vai para as páginas subsequentes é substancialmente mais baixa. Consequentemente, obter um posicionamento adequado nos mecanismos de pesquisa, uma prática conhecida como SEO, é tão importante quanto o próprio site (SANTINI e LUDOVICO, 2013). Sobrecarga de tráfego Muito tráfego na web pode diminuir drasticamente ou impedir todo o acesso a um site. Isso é causado por mais solicitações de arquivos enviadas ao servidor do que ele pode suportar e pode ser um ataque intencional no site ou simplesmente causado por popularidade excessiva. Sites em grande escala com vários servidores geralmente podem lidar 155155 155 com o tráfego necessário e é mais provável que serviços menores sejam afetados pela sobrecarga de tráfego. A carga repentina de tráfego também pode travar o servidor ou resultar em um desligamento dos seus serviços (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Súbita popularidade Uma explosão repentina de publicidade pode causar acidentalmente uma sobrecarga de tráfego na web. Um item de notícias na mídia, um e-mail de propagação rápida ou um link de um site popular pode causar esse aumento nos visitantes (às vezes chamado de multidão instantânea ou efeito Slashdot) (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Motor de Otimização de Busca ou Search Engine Optimization (SEO) A otimização de mecanismo de busca (SEO) é o processo de aumentar a qualidade e a quantidade de tráfego do site, aumentando a visibilidade de um site ou de uma página da web para os usuários de um mecanismo de busca da web. SEO refere-se à melhoria de resultados não pagos (conhecidos como resultados “naturais” ou “ orgânicos “) e exclui tráfego direto/visitantes e a compra de veiculação paga. SEO pode direcionar diferentes tipos de pesquisa, incluindo pesquisa de imagens, busca de vídeo, pesquisa acadêmica, busca de notícias, e específicos do setor de busca verticais motores. A otimização de um site pode envolver a edição de seu conteúdo, adição de conteúdo e modificação de HTML e codificação associada para aumentar sua relevância para palavras- chave específicas e remover barreiras às atividades de indexação dos mecanismos de pesquisa (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). A promoção de um site para aumentar o número de backlinks ou links de entrada é outra tática de SEO. Atualmente, a pesquisa para dispositivos móveis já ultrapassa a pesquisa para computadores. 156156 Como estratégia de marketing na internet, o SEO considera como os mecanismos de pesquisa funcionam, os algoritmos programados por computador que determinam o comportamento dos mecanismos de pesquisa, o que as pessoas pesquisam, os termos ou palavras-chave reais digitados nos mecanismos de pesquisa e quais mecanismos de pesquisa são preferidos pelo público-alvo. O SEO é realizado porque um site recebe mais visitantes de um mecanismo de pesquisa, quanto maior o ranking do site na página de resultados do mecanismo de pesquisa. Esses visitantes podem ser convertidos em clientes. O SEO difere da otimização do mecanismo de busca local, pois este se concentra em otimizar a presença online de uma empresa, de modo que suas páginas da web sejam exibidas pelos mecanismos de pesquisa quando um usuário entra emuma pesquisa local por seus produtos ou serviços (FERRELL e HARTLINE, 2012). Indexação Os principais mecanismos de pesquisa, como Google, Bing e Yahoo!, usam os rastreadores para encontrar páginas para seus resultados de pesquisa algorítmica. As páginas vinculadas de outras páginas indexadas por mecanismos de pesquisa não precisam ser enviadas porque são encontradas automaticamente. O Yahoo! Directory e DMOZ, dois diretórios principais que foram fechados em 2014 e 2017, respectivamente, exigiram submissão manual e revisão editorial humana. O Google oferece o Google Search Console, para o qual um Sitemap XMLo feed pode ser criado e enviado gratuitamente para garantir que todas as páginas sejam encontradas, especialmente páginas que não podem ser descobertas seguindo automaticamente os links, além do console de envio de URL (LAS CASAS, 2017). O Yahoo! anteriormente operava um serviço de envio pago que garantia o rastreamento por um custo por clique; no entanto, essa prática foi descontinuada. Os rastreadores de mecanismo de pesquisa podem 157157 157 observar vários fatores diferentes ao rastrear um site. Nem todas as páginas são indexadas pelos mecanismos de pesquisa. A distância das páginas do diretório raiz de um site também pode ser um fator para o rastreamento ou não das páginas. Hoje, a maioria das pessoas está pesquisando no Google usando um dispositivo móvel. O Google anunciou uma grande mudança na maneira de rastrear sites e começou a tornar seu índice móvel primeiro, o que significa que a versão móvel do seu site se torna o ponto de partida para o que o Google inclui em seu índice (ASSAD, 2016). Impedindo o rastreamento (padrão de exclusão de robôs) Para evitar conteúdo indesejável nos índices de pesquisa, os webmasters podem instruir as aranhas a não rastrear determinados arquivos ou diretórios pelo arquivo robots.txt padrão no diretório raiz do domínio. Além disso, uma página pode ser explicitamente excluída do banco de dados de um mecanismo de pesquisa usando uma metatag específica para robôs (geralmente <meta name = “robots” content = “noindex”>). Quando um mecanismo de pesquisa visita um site, o robots.txt localizado no diretório raiz é o primeiro arquivo rastreado (YANAZE et al., 2006). O arquivo robots.txt é então analisado e instruirá o robô sobre quais páginas não devem ser rastreadas. Como um rastreador de mecanismo de pesquisa pode manter uma cópia em cache desse arquivo, ele pode ocasionalmente rastrear páginas que um webmaster não deseja rastrear. As páginas normalmente impedidas de serem rastreadas incluem páginas específicas de login, como carrinhos de compras e conteúdo específico do usuário, como resultados de pesquisas internas. O Google monitora e alerta os webmasters de que deveriam impedir a indexação dos resultados de pesquisa internos, porque essas páginas são consideradas spam de pesquisa (SANTINI e LUDOVICO, 2013). 158158 Maior destaque Uma variedade de métodos pode aumentar a importância de uma página da web nos resultados da pesquisa. A vinculação cruzada entre páginas do mesmo site para fornecer mais links para páginas importantes pode melhorar sua visibilidade. Escrever conteúdo que inclua frase de palavra-chave pesquisada com frequência, para ser relevante para uma ampla variedade de consultas de pesquisa, tenderá a aumentar o tráfego (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). A atualização de conteúdo, a fim de manter os mecanismos de busca retornando com frequência, pode dar um peso adicional a um site. A adição de palavras-chave relevantes aos metadados de uma página da web, incluindo a tag title e a meta description, tenderá a melhorar a relevância das listagens de pesquisa de um site, aumentando assim o tráfego. Canonização de URL de páginas da web acessíveis por vários URLs, o uso do elemento de link canônico ou o redirecionamento 301 podem ajudar a garantir que todos os links para diferentes versões do URL sejam contabilizados na pontuação de popularidade do link da página (ASSAD, 2016). Técnicas de chapéu branco versus chapéu preto As técnicas de SEO podem ser classificadas em duas grandes categorias: técnicas recomendadas pelas empresas de mecanismos de busca como parte de um bom design (“chapéu branco”) e aquelas técnicas que os mecanismos de pesquisa não aprovam (“chapéu preto”). Os mecanismos de pesquisa tentam minimizar o efeito desses últimos, entre eles o envio de spam. Os comentaristas do setor classificaram esses métodos e os profissionais que os empregam como SEO de chapéu branco ou SEO de chapéu preto. Os chapéus brancos tendem a produzir resultados que duram muito tempo, enquanto os chapéus pretos preveem que seus sites possam ser banidos temporária ou permanentemente, uma vez que os mecanismos de pesquisa descubram o que estão fazendo (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). 159159 159 Uma técnica de SEO é considerada chapéu branco se estiver em conformidade com as diretrizes dos mecanismos de pesquisa e não envolver engano. Como as diretrizes do mecanismo de busca não são escritas como uma série de regras ou mandamentos, essa é uma distinção importante a ser observada. O white hat SEO não se resume apenas a seguir as diretrizes, mas a garantir que o conteúdo que um mecanismo de pesquisa indexe e subsequentemente classifique seja o mesmo conteúdo que um usuário verá. O conselho do chapéu branco é geralmente resumido como a criação de conteúdo para os usuários, não para os mecanismos de pesquisa, e depois torna esse conteúdo facilmente acessível aos algoritmos “aranha” online, em vez de tentar enganar o algoritmo a partir do objetivo a que se destina (ASSAD, 2016). O white hat SEO é, de várias maneiras, semelhante ao desenvolvimento da web que promove a acessibilidade, embora os dois não sejam idênticos. O Black Hat SEO tenta melhorar os rankings de maneira que são reprovadas pelos motores de busca ou envolvem engano. Uma técnica de chapéu preto usa texto oculto, como texto colorido semelhante ao plano de fundo, em uma div invisível ou posicionado fora da tela. Outro método fornece uma página diferente, dependendo de a página estar sendo solicitada por um visitante humano ou por um mecanismo de pesquisa, uma técnica conhecida como camuflagem. Outra categoria usada, às vezes, é o SEO de chapéu cinza. Isso ocorre entre abordagens de chapéu preto e chapéu branco, onde os métodos empregados evitam que o site seja penalizado, mas não atuam na produção do melhor conteúdo para os usuários (FERRELL e HARTLINE, 2012). O SEO de chapéu cinza está totalmente focado em melhorar as classificações dos mecanismos de busca. Os mecanismos de pesquisa podem penalizar os sites que descobrem usando métodos de chapéu preto ou cinza, reduzindo suas classificações ou eliminando completamente suas listagens de seus bancos de dados. Essas sanções podem ser aplicadas automaticamente pelos algoritmos 160160 dos mecanismos de pesquisa ou por uma revisão manual do site. Um exemplo foi à remoção pela Google da BMW Germany e da Ricoh Germany pelo uso de práticas enganosas. As duas empresas, no entanto, se desculparam rapidamente, corrigiram as páginas ofensivas e foram restauradas na página de resultados do mecanismo de pesquisa do Google (YANAZE et al., 2006). Como estratégia de marketing O SEO não é uma estratégia apropriada para todos os sites, e outras estratégias de marketing na internet podem ser mais eficazes, como publicidade paga por meio de campanhas de pagamento por clique (PPC), dependendo dos objetivos do operador do site. O marketing de mecanismos de pesquisa (SEM) é a prática de projetar, executar e otimizar campanhas de anúncios em mecanismos de pesquisa. Sua diferença em relação ao SEO é mais simplesmente descrita como a diferença entre a classificação de prioridade paga e não paga nos resultados da pesquisa. Seu objetivo diz respeito ao destaque mais do que à relevância; os desenvolvedores de sites devem considerar o SEM coma maior importância, levando em consideração a visibilidade, pois eles navegam até as listagens principais de suas pesquisas (FERRELL e HARTLINE, 2012). Uma campanha de marketing na internet bem-sucedida também pode depender da criação de páginas da web de alta qualidade para engajar e persuadir, da criação de programas de análise para permitir que os proprietários de sites mensurem resultados e melhorem a taxa de conversão de um site. O Google tem a disposição do público uma versão completa de suas diretrizes de classificação de qualidade de pesquisa, o que revelou uma mudança de foco em “utilidade” e pesquisa móvel. Nos últimos anos, o mercado móvel explodiu, ultrapassando o uso de desktops, pesquisas analisaram milhões de sites e descobriram que a maioria das páginas são carregadas por um dispositivo móvel (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). 161161 161 O Google tem sido uma das empresas que estão utilizando a popularidade do uso móvel, incentivando os sites a usarem o Google Search Console, o teste de compatibilidade com dispositivos móveis, que permite às empresas avaliarem seu site com os resultados dos mecanismos de pesquisa e com a facilidade de uso. Neste sentido, o SEO pode gerar um retorno adequado do investimento. No entanto, os mecanismos de pesquisa não são pagos pelo tráfego de pesquisa orgânica, seus algoritmos mudam e não há garantias de referências contínuas (LAS CASAS, 2017). Devido a essa falta de garantias e certeza, uma empresa que depende muito do tráfego de mecanismos de pesquisa pode sofrer grandes perdas se os mecanismos de pesquisa deixarem de enviar visitantes. Os mecanismos de pesquisa podem alterar seus algoritmos, afetando a colocação de um site, possivelmente resultando em uma grave perda de tráfego. É considerada uma prática comercial sábia para os operadores de sites se libertarem da dependência do tráfego dos mecanismos de busca. Além da acessibilidade em termos de rastreadores da web, a acessibilidade da web do usuário tornou-se cada vez mais importante para o SEO (SANTINI e LUDOVICO, 2013). 2.1 Marketing nos mecanismos de pesquisa ou Search Engine Marketing (SEM) O conceito por trás do Search Engine Marketing é bastante simples: quando um consumidor ou pessoa de negócios pesquisa na web por uma caixa de texto ou clicando em uma hierarquia de diretórios, está no “modo de busca”. Esse estado psicológico é único porque sinaliza ao mecanismo de pesquisa (e aos profissionais de marketing) que a pessoa está procurando informações, geralmente de natureza comercial direta ou indireta (ASSAD, 2016). Os profissionais de marketing entendem que esse “modo de busca” significa que o pesquisador pode muito bem-estar nos estágios 162162 inicial, intermediário ou final do ciclo de compra. Quando alguém está pesquisando um produto ou serviço para satisfazer uma necessidade imediata ou futura, é incomum estado: eles desejam informações relevantes e estão abertos a digerir e agir com base nas informações na ponta dos dedos, tudo isso possibilitado por um mecanismo de pesquisa, o que torna os resultados de mecanismos de pesquisa algumas das melhores fontes de tráfego direcionado, independentemente de esse tráfego “orgânico” ser originário de listagens de pesquisa não pagas ou listagens de publicidade paga (LAS CASAS, 2017). Muitos profissionais de marketing pensam nos mecanismos de pesquisa como entregando os resultados da pesquisa ou SERP (página de resultados dos mecanismos de pesquisa) na forma de resultados puramente textuais. A verdade é que os resultados da pesquisa podem ser qualquer combinação de texto, imagens, vídeo, áudio ou outros formatos de arquivo. Nos Estados Unidos, os mecanismos de pesquisa não incluem simplesmente Google, Yahoo e Bing; eles também incluem sites de comércio como o eBay e a Amazon, bem como mecanismos de pesquisa especializados, como YouTube e Hulu, para vídeos, mecanismos de pesquisa de restaurantes, mecanismos de pesquisa de “pessoas”, como o LinkedIn, ou diretórios de negócios online para resultados locais e sites como o Yelp, a Lista de Angie e outros (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). Muitos países têm mecanismos de busca de uso geral ou especiais lançados localmente para atender às necessidades da população desses países. Além disso, novas formas de pesquisa também estão evoluindo rapidamente, incluindo a pesquisa por voz (pesquisa orientada por voz), bem como a pesquisa em ambientes de aplicativos. Todos os mecanismos de pesquisa usam algoritmos para tentar fornecer os resultados mais relevantes para cada pesquisador, levando em consideração não apenas as palavras-chave de pesquisa usadas, mas também a localização, o dispositivo, o sistema operacional, o comportamento anterior da pesquisa e até a identidade do pesquisador (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). 163163 163 Quanto melhor for o algoritmo de pesquisa específico para resultados pagos ou orgânicos (não pagos), mais feliz o pesquisador ficará com os resultados. Como os mecanismos de pesquisa competem pela atenção, olhos e ouvidos dos pesquisadores, há um grande incentivo para aprimoramentos e inovações constantes. Para aproveitar o poder contido nessa fonte de tráfego direcionada, os profissionais de marketing devem entender como usar efetivamente o SEM pago e o orgânico e ter expectativas realistas sobre o que eles podem esperar que cada metodologia atinja (ASSAD, 2016). Segundo Las Casas (2017), o tráfego do mecanismo de pesquisa é exclusivo das seguintes maneiras: o tráfego do mecanismo de pesquisa é um método não invasivo de marketing. A maioria da publicidade online e offline se intromete no público, interrompendo suas atividades atuais. A pesquisa é única ao tocar no pesquisador no momento exato em que ele ou ela está buscando conhecimento ou solução. Os pesquisadores estão em uma missão – o seu “marketing just-in-time”. Também se origina do comportamento de pesquisa voluntário e direcionado ao público. Isso significa que os visitantes de um link de resultados de pesquisa (ou envolvidos em resultados de pesquisa) não apenas selecionaram seu conteúdo (link, imagem, vídeo ou outro formato) entre seus pares, mas escolheram a consulta de pesquisa que resultou em seu conteúdo (anúncio ou orgânico) sendo mostrado (ASSAD, 2016). O marketing de mecanismo de pesquisa “orgânico” (listagens de pesquisa orgânica) combina as melhores práticas de criatividade, tecnologia, usabilidade, cópia e promoção online/RP. Isso ocorre porque muitos mecanismos de pesquisa baseiam seus algoritmos de relevância em uma combinação do texto que veem em um site, página, site, vídeo ou imagem e combine as informações de conteúdo com elementos externos, como links e comportamentos/preferências do usuário demonstrados ao longo do tempo para um domínio, fonte de conteúdo ou elemento de conteúdo específico (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). 164164 Alguns profissionais de marketing acreditam que existem “truques” que melhorarão a relevância dos sites nos mecanismos de pesquisa baseados em spider (crawler). Alguns desses truques não funcionam apenas; alguns deles podem resultar em penalidades negativas por relevância, como os mecanismos adotam medidas para punir os profissionais de marketing de busca que buscam manipular classificação e relevância (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). No entanto, ainda existem razões convincentes para colocar esforços legítimos por trás da otimização orgânica de SEO, particularmente os esforços no design do site, formatação do conteúdo, otimização da clareza do conteúdo e ajustes da plataforma do servidor. Anúncios e listagens de pesquisas pagas têm desempenhado um papel cada vez maior na mente dos profissionais de marketing, devido ao aumento do espaço na tela, principalmente em dispositivos móveis (FERRELL e HARTLINE, 2012). Conforme apresenta Santini e Ludovico (2013), os seguintes tipos de listagens pagas são mais comuns: • Canal pago. • Inclusão paga.• Pesquisa de compras. • Anúncios de pesquisa em vídeo. • Anúncios de pesquisa local. • Anúncios da lista de produtos. À medida que novas formas de pesquisa são implementadas, como a pesquisa por voz, existe uma expectativa no setor de que os blocos de anúncios também sejam exibidos na pesquisa por voz. O orçamento da pesquisa não é trivial. A alocação correta de recursos entre a visibilidade 165165 165 paga da pesquisa baseada em publicidade e os investimentos em SEO ou marketing de conteúdo representam uma tarefa difícil para os departamentos de marketing (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Muitos profissionais de marketing gostam de comparar o SEO orgânico às relações públicas ou à “mídia conquistada” porque não há garantia de sucesso, tornando o ROI da mídia conquistada (incluindo SEO) um desafio para prever e, às vezes, um desafio para medir. Tanto no SEO quanto no PR, os profissionais de marketing têm a opção de contratar pessoal interno, contratar consultores ou usar uma agência externa. As mesmas opções se aplicam ao marketing de pesquisa paga (ASSAD, 2016). Todos os tipos de profissionais de marketing podem se beneficiar de um diálogo com um pesquisador; se este pesquisador está enfrentando uma crise, precisa de informações ou está pronto para comprar. Se você não estiver nos resultados da pesquisa quando seus clientes ou possíveis clientes estiverem pesquisando, sua concorrência estará (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). Você pode perder esse cliente ou prospectar para sempre para qualquer concorrente presente. Parece assustador? Pode-se apostar que bilhões em serviços e receita de anúncios são impulsionados pela importância da visibilidade da pesquisa: estar no lugar certo na página de resultados dos mecanismos de pesquisa, no momento adequado (LAS CASAS, 2017). O marketing de busca e sua relação com conteúdo Buscar por algo faz parte da natureza humana e garante a nossa sobrevivência e é por ela que otimizamos a nossa existência no mundo. Afinal, é por meio dela que na pré-história conquistávamos comida, parceiros para a procriação, e hoje, pela internet, conquistamos mais informações. O processo da busca, apesar das mudanças tecnológicas, preserva sua metodologia básica, ou seja, ainda é executado por 166166 observação ou questionamento. Ou o usuário entra num buscador e já pesquisa diretamente o que precisa ou navega por vários sites até encontrar o que quer (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Mas, de forma geral, podemos definir a busca como um processo de obtenção de informações predefinidas por meio da aplicação de critérios de seleção e filtros. Para isso existem os sistemas de busca que catalisam e validam as informações. Os sistemas de busca são fundamentais nos dias de hoje, em que a publicação e o compartilhamento de informações não param de crescer. Vemos o fenômeno chamado de paradoxo, por Barry Schwartz, em seu livro O paradoxo da escolha: por que mais é menos. Segundo Schwartz, quanto mais opções temos para escolher, mais indecisos ficamos, ou seja, quanto maior a oferta de informação, menos atenção e poder de decisão nós temos. Mas para resolver o problema não é preciso cortar o conteúdo, basta adotar sistemas eficientes de filtros e seleção (LAS CASAS, 2017). Nesses cenários, os sites de busca se tornam a verdadeira enciclopédia do século XXI, só que mais completos e velozes em nos entregar resultados de pesquisas do que os livros de consulta de antigamente, tornando-se fonte primária de pesquisa atualmente. Tudo isso graças ao surgimento da web e do aprimoramento constante dos mecanismos de busca que apresentam milhares de resultados classificados por relevância em poucos segundos. Mas, afinal, o que determina essa relevância e a ordem em que os sites aparecem no resultado de uma busca? Os buscadores, mais do que fonte de conhecimento rápido, tornaram-se ferramentas comerciais, pois aparecer nas primeiras posições de sites como o Google é sinônimo de sucesso. Afinal, tem coisa melhor que seu público-alvo buscar por um produto que a sua empresa vende e seu site aparecer no topo da página de pesquisa? O marketing digital deixa cada vez mais clara a necessidade de construir e estreitar as relações entre marca e público e, como já vimos ao longo deste livro, a principal ferramenta para formar laços entre 167167 167 empresas e consumidores é o conteúdo. Lembrando que o conteúdo para contemplar uma estratégia eficaz de marketing deve ser adaptável a todas as mídias e canais nos quais o público-alvo está presente, visando não só atrair, mas manter o interesse e assim construir uma relação efetiva (FERRELL e HARTLINE, 2012). Para ilustrar a implantação, as ações e os resultados que o marketing de conteúdo é capaz de gerar quando aplicado a nossa realidade, a seguir vamos analisar alguns casos reais de sucesso de grandes marcas que provam que o conteúdo é a melhor ferramenta de relacionamento com o público (ASSAD, 2016). Um excelente exemplo é a famosa marca de refrigerantes Coca-Cola, que já está no mercado desde 1886 e que ao longo de mais de um século construiu uma estratégia de marketing global de causar inveja em qualquer empresa. Mas sua mais recente sacada coloca em foco o conteúdo, com o projeto Content. A companhia fez uma declaração de sua missão de marketing por meio de seu vice-presidente de estratégia publicitária, Jonathan Mildenhall. Ele afirma que a marca aproveitará novas oportunidades de mídia para mudar a forma com que conta histórias, a fim de agregar valor à vida das pessoas e demonstrar o comprometimento da marca com seu público, ou seja, disseminar conteúdo relevante (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). A campanha é composta por dez capítulos que pretendem captar a essência da Coca-Cola utilizando elementos emotivos em vários canais, tornando os materiais acessíveis em diversas plataformas de conteúdo para os mais diferentes perfis de público. O objetivo da marca com essa ação de conteúdo é bem claro: expandir a experiência do cliente com o nome Coca-Cola para estreitar o relacionamento com o consumidor de forma inovadora e emocionante (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Engana-se quem pensa que o marketing de conteúdo se limita à atuação na web. Assim como a comunicação propriamente dita, ele transcende 168168 as barreiras do digital. Basta pensar que a informação interessa a todos e deve ser disponibilizada por diversos meios. O conteúdo como ferramenta de venda pode ser aplicado em rádios, na forma de spot, quadros ou de programas, e na televisão ele pode ser disponibilizado em propagandas diferenciadas e também em programas. Nesse caso, a veiculação costuma ser paga e o valor varia de acordo com a emissora, a programação e o horário (ASSAD, 2016). Outra forma de utilizar o marketing de conteúdo fora da web é por meio de materiais impressos, como folders, jornais e revistas corporativas. Essas são ótimas opções para divulgação de produtos e serviços por meios de conteúdo relevante tanto para o público interno quanto para o externo. Além disso, também podem ser utilizadas como ferramentas para divulgar pesquisas e ações da empresa. Materiais promocionais focados em eventos ou em uma ação de marketing específica também podem ser utilizados na estratégia de content marketing (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Ações de comunicação por meio da realização de eventos, seminários, palestras e outros tipos de reuniões e encontros também são formas de divulgar conteúdos relevantes para o público, estreitar relacionamentos e trabalhar marcas e produtos no mercado. Vale ressaltar que as ações de marketing de conteúdo não se limitam a texto ou imagens. O conteúdo também pode assumir formas criativas em brindes, eventos, relacionamento e complementar uma estratégia de Marketing de Conteúdo digital (LAS CASAS, 2017). Marketing de mídia social ou social media marketing (SMM) Engana-se quem pensa que programar posts no Facebook é ter umaestratégia de mídias sociais. Essas são as mesmas pessoas que questionam o motivo de postarem conteúdo periodicamente na rede, mas não receberem curtidas, comentários, seus posts não serem 169169 169 compartilhados. Resumindo: não sabem o porquê de sua empresa não obter resultados nas redes sociais (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que essa visão é extremamente simplista, e que uma verdadeira estratégia de conteúdo nas mídias sociais vai muito além da programação de posts, na maioria das vezes sem planejamento editorial e de tom altamente publicitário. Nas redes sociais é indispensável realizar um trabalho de inbound marketing aliado ao conteúdo. Afinal, sem saber o que o público quer é difícil despertar seu interesse e conquistá-lo por meio de conteúdos relevantes (LAS CASAS, 2017). Se ainda há dúvidas se vale a pena investir em marketing digital e atuar ativamente nas redes sociais, a resposta é sim. Hoje, milhões de pessoas estão presentes nas redes, seja no Facebook, Twitter, Instagram, Linkedln e YouTube. Essas plataformas já fazem parte do cotidiano dos consumidores, influenciando não só seus relacionamentos interpessoais, mas também a relação com marcas, influenciando diretamente na decisão de compra, já que é por meios delas que os usuários expressam suas insatisfações ou recomendações sobre uma marca (BARRETO e CRESCITELLI, 2013). Citando apenas esse exemplo, podemos ter noção da dimensão das redes sociais e de quantas oportunidades de negócios elas reservam. Pare e pense em quantos consumidores potenciais para o seu negócio estão neste exato momento acessando alguma rede social e poderiam ter a chance de conhecer sua marca, caso você tivesse uma estratégia eficiente de conteúdo nessas plataformas. Essa é uma chance preciosa de entrar em contato com seu target, estabelecer um relacionamento, transformá-lo em lead e estar ali, à disposição, para que ele conheça seu nome quando estiver intencionado a comprar. Por isso é importante estar estrategicamente presente nas redes sociais e munido de conteúdo relevante para transformar um prospect em um cliente real (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). 170170 Portanto, deve conhecer bem o seu público-alvo, saber o que ele gosta, em quais redes sociais ele está presente, enfim, deve definir a sua persona. Sim, você é o expert, mas não seja prepotente só falando bem de você e dos seus produtos. Utilize conteúdo sobre assuntos relacionados à sua marca que também interessem ao público. Por exemplo, se você produz cadernos, não destaque apenas as capas divertidas e a qualidade do material, inclua posts sobre assuntos relacionados à educação. Com isso você mostra que a sua marca é socialmente consciente. Você gostaria de ser bombardeado por conteúdos comerciais nas redes sociais? Com certeza seu público-alvo também não (ASSAD, 2016). Ao usar o marketing de mídia social, as empresas podem permitir que clientes e usuários da internet publiquem conteúdo gerado pelo usuário (por exemplo, comentários online, análises de produtos etc.), também conhecidos como “mídia conquistada”, em vez de usar uma cópia de publicidade preparada pelo anunciante (SANTINI e LUDOVICO, 2013). Objetivos e táticas Um dos principais objetivos do emprego das mídias sociais no marketing é uma ferramenta de comunicação que torna as empresas acessíveis aos interessados em seus produtos e as torna visíveis para aqueles que não têm conhecimento de seus produtos. Essas empresas usam as mídias sociais para criar novidades, aprender e direcionar clientes. É a única forma de marketing que pode atrair os consumidores em todos os estágios da jornada de decisão do consumidor. O marketing através das mídias sociais também tem outros benefícios (YANAZE et al., 2006). Dos 10 principais fatores que se correlacionam com uma forte pesquisa orgânica do Google, sete são dependentes das mídias sociais. Isso significa que, se as marcas são menos ou não ativas nas mídias sociais, elas tendem a aparecer menos nas pesquisas do Google. Embora plataformas como Facebook, Twitter, YouTube e Instagram tenham um número maior de usuários mensais, as plataformas móveis baseadas 171171 171 em compartilhamento de mídia visual, no entanto, obtêm uma maior taxa de interação em comparação e registraram o crescimento mais rápido e mudaram a maneira como os consumidores se envolvem com o conteúdo da marca. Ao contrário da mídia tradicional, que muitas vezes é proibitiva para muitas empresas, uma estratégia de mídia social não requer orçamento astronômico (LAS CASAS, 2017). Para esse fim, as empresas utilizam plataformas como Facebook, Twitter, YouTube e Instagram para atingir públicos muito mais amplos do que pelo uso tradicional de anúncios impressos/TV/rádio e por uma fração do custo, como a maioria dos sites de redes sociais pode ser usada com pouco ou nenhum custo (no entanto, alguns sites cobram as empresas por serviços premium). Isso mudou a maneira como as empresas se aproximam para interagir com os clientes, já que uma porcentagem substancial das interações com os consumidores está sendo realizada em plataformas online com visibilidade muito maior (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Agora os clientes podem publicar análises de produtos e serviços, avaliar o atendimento ao cliente e fazer perguntas ou expressar preocupações diretamente às empresas por meio de plataformas de mídia social. De acordo com o sucesso de medição, mais de 80% dos consumidores usam a web para pesquisar produtos e serviços. Assim, o marketing de mídia social também é usado pelas empresas para construir relacionamentos de confiança com os consumidores (YANAZE; FREIRE; SENISE, 2010). Para esse objetivo, as empresas também podem contratar pessoal para lidar especificamente com essas interações nas mídias sociais, que geralmente reportam sob o título de gerentes de comunidades online. Lidar com essas interações de maneira satisfatória pode resultar em um aumento da confiança do consumidor. Para atingir esse objetivo e corrigir a percepção do público sobre uma empresa são tomadas três etapas para abordar as preocupações dos consumidores: identificar a extensão da conversa social, envolver os influenciadores para ajudar e desenvolver uma resposta proporcional (FERRELL e HARTLINE, 2012). 172172 Formatos de anúncios • Post para celular patrocinado – Anúncios (postagens no blog dos anunciantes) aparecerão no painel do usuário quando o usuário estiver em um dispositivo móvel, como smartphones e tablets, permitindo que eles curtam e compartilhem a postagem patrocinada. • Postagem na web patrocinada – O maior bloco de anúncios in-stream da web, que chama a atenção dos usuários quando veem o painel no computador ou laptop. Também permite que os espectadores gostem, curtam e compartilhem. • Radar patrocinado – O radar pega posts excepcionais de toda a comunidade Tumblr com base em sua originalidade e criatividade. Ele é colocado no lado direito ao lado do painel e normalmente recebe milhões de impressões diárias. O radar patrocinado permite que os anunciantes coloquem suas postagens lá para ter a oportunidade de ganhar novos seguidores, reblogs e curtidas. • Destaque patrocinado – O Wordpress é um diretório de alguns dos blogs populares em toda a comunidade e um local onde os usuários podem encontrar novos blogs a seguir. Os anunciantes podem escolher uma categoria dentre cinquenta categorias nas quais eles podem ter seu blog listado lá (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Essas postagens podem ter um ou mais dos seguintes itens: imagens, conjuntos de fotos, GIFs animados, postagens de vídeo, áudio e texto. Para que os usuários diferenciem as postagens promovidas das postagens regulares, as postagens promovidas têm um símbolo de patrocínio no cabeçalho da postagem. O marketing de mídia social envolve o uso de redes sociais, atividades relacionadas à marca online do consumidore “boca a boca” eletrônico para anunciar online. Redes sociais fornecem aos anunciantes informações sobre as satisfações e 173173 173 insatisfações de seus consumidores. Essa técnica é crucial, pois fornece às empresas um “público-alvo” (LAS CASAS, 2017). Nas redes sociais, informações relevantes para as preferências do usuário estão disponíveis para as empresas, que então anunciam de acordo. Além disso, os profissionais de marketing têm como alvo pessoas influentes nas mídias sociais que são reconhecidas como líderes de opinião e formadores de opinião para enviar mensagens para seus públicos-alvo e amplificar o impacto de sua mensagem. Uma postagem de mídia social por um líder de opinião pode ter um impacto muito maior (através do encaminhamento da postagem ou “curtir” a postagem) do que uma postagem de mídia social por um usuário comum. Os profissionais de marketing chegaram ao entendimento de que “os consumidores são mais propensos a acreditar em outras pessoas” em quem confiam (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Os autores ainda sugerem ainda a seguinte estrutura de tráfego na web: Figura 1 – Estrutra de SEM & SEO Fonte: adaptada de Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019). 174174 3. Considerações finais À primeira vista pode parecer complicado e trabalhoso, e realmente é, mas ao se estruturar uma estratégia de SEO baseada nas boas práticas e monitoramento constante, os resultados serão satisfatórios. Já o marketing de mídia social fornece às organizações uma maneira de se conectar com seus clientes. No entanto, as organizações devem proteger suas informações e acompanhar de perto os comentários e as preocupações nas mídias sociais que usam. Vários clientes estão se voltando para as mídias sociais para expressar sua apreciação ou frustração com marcas, produtos ou serviços. Portanto, os profissionais de marketing podem medir a frequência com que os clientes estão discutindo sua marca e avaliar a eficácia de suas estratégias de SMM. TEORIA EM PRÁTICA Você é o gestor de marketing responsável pela geração de tráfego de um blog, quais são as possíveis estratégias para aumentaro tráfego orgânico em 652% em 7 dias? O mencionado acima é o acompanhamento de sua conceituada técnica de performance web. Aqui está a sua essência: Descobrir a intenção do usuário – Use o Google para entender que tipo de informações os pesquisadores estão procurando (informativo, de navegação, comercial, transacional). Satisfação da intenção dos usuários – Verifique se o seu conteúdo cumpre essa intenção. Você pode aplicar 175175 175 isso a novas postagens que você está planejando ou melhorando um conteúdo existente. Otimização para sinais UX – Otimize o tempo de espera, a CTR orgânica e a taxa de rejeição. Por exemplo, com vídeos, uma tabela de conteúdo, pequenas introduções, exemplos e títulos adequados. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Os sites produzem classificações e estatísticas de tráfego com base nas pessoas que acessam os sites. A dificuldade disso é que ele não analisa: a. O tempo médio de permanência em um site. b. O tipo de dispositivo que se acessou o site. c. A indicação de influenciadores para o site. d. O branding da campanha. e. A imagem de tráfego completa de um site. 2. O marketing digital deixa cada vez mais clara a necessidade de: a. Construir e estreitar as relações entre marca e público. b. Realizar posts nas redes sociais e links patrocinados. c. Vender e realizar promoções. 176176 d. Satisfazer as metas estabelecidas da empresa. e. Gerar conteúdo e apenas vender mais. 3. A otimização de mecanismo de busca (SEO) é o processo de aumentar: a. O número de spams no site. b. A influência de conteúdo para o público. c. A qualidade e a quantidade de tráfego do site. d. A visibildade dos Youtubers. e. As metas de compra e experiência do consumidor. Referências bibliográficas ASSAD, Nancy. Marketing de conteúdo: como fazer sua empresa decolar no meio digital. São Paulo: Atlas, 2016. BARRETO, Iná Futino; CRESCITELLI, Edson. Marketing de relacionamento: como implantar e avaliar resultados. São Paulo: Pearson, 2013. FERRELL, O. C.; HARTLINE, Michael D. Estratégia de marketing. São Paulo: Cengage Learning Editores, 2012. HADDAD, Helder; MARANGONI, Matheus M.; KUAZAQUI, Edmir. Gestão de marketing 4.0. São Paulo: Atlas, 2019. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing: conceitos, exercícios, casos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2017. SANTINI, Fernando R.; LUDOVICO, Nelson. Gestão de marketing: o plano de marketing como orientador das decisões. São Paulo: Saraiva, 2013. YANAZE, Mitsuru Higuchi; FREIRE, Otávio; SENISE, Diego. Retorno de investimentos em comunicação: avaliação e mensuração. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2010. YANAZE, Mitsuru Higuchi et al. Gestão de marketing e comunicação: avanços e aplicações. São Paulo: Saraiva, 2006. 177177 177 Gabarito Questão 1 – Resposta: E Resolução: Só é possível ser avaliada via rastreamento de links individuais de campanhas. Questão 2 – Resposta: A Resolução: Construir e estreitar as relações entre marca e público é o ápice de todos os esforços de marketing. Questão 3 – Resposta: C Resolução: A qualidade e a quantidade de tráfego do site, pois a inteligência através dos robôs promove as melhores respostas para as buscas dos usuários. 178178 Comunicação Integrada de Marketing (CIM) Autor: Norberto Almeida de Andrade Objetivos • Entender os fundamentos da comunicação integrada de marketing (CIM). • Identificar as principais práticas estruturais, elementos de integração e totalidade da comunicação. • Compreender as barreiras e desafios de implementação, evolução conceitual e aplicação. 179179 179 1. Introdução A comunicação se constitui em uma ferramenta estratégica para as organizações. No momento atual, com as mídias digitais e o uso simultâneo de diversas plataformas de comunicação, as organizações precisam estabelecer relacionamentos dialógicos com seus públicos de interesse (stakeholders). Além disso, a crise generalizada da confiabilidade das instituições públicas e privadas impulsiona e estimula uma comunicação transparente e baseada em valores reais. Desse modo, um entendimento estratégico do CIM deve basear-se em um rigoroso processo de planejamento que identificará o público- alvo apropriado, estabelecerá objetivos de comunicação específicos para esse público-alvo, desenvolverá uma comunicação de marketing que atingirá esses objetivos de maneira consistente e encontrará as melhores maneiras de fornecer a mensagem. Ao elaborar uma campanha, deve-se cuidar para que todos os seus componentes tenham uma sinergia e que os resultados de uma parte possam afetar positivamente a outra. Assim, um vendedor deve manter uma comunicação integrada junto a seus clientes em sintonia com o comercial da TV, do rádio, da internet e outros meios de comunicação da empresa. Essa integração das campanhas é chamada de Comunicação Integrada de Marketing (CIM). Por definição, é um sistema de gerenciamento e integração dos elementos de comunicação de marketing – publicidade, assessoria de imprensa, promoção de vendas, marketing de patrocínio e comunicação no ponto de venda. A orientação é que todos comuniquem a mesma mensagem. Após a leitura deste capítulo, você terá condições de compreender a comunicação sob uma perspectiva estratégica e sua relação com 180180 os objetivos organizacionais. Entenderá os conceitos básicos de comunicação e conseguirá desenvolver a visão do planejamento como um processo de pensamento estratégico integrado. PARA SABER MAIS A inovação por meio da cocriação e da criação colaborativa tem sido a saída de muitas organizações, como a Natura, por exemplo. Sua gestão considera um funil de inovações que envolve consumidores, consultores, profissionais de áreas diversas, em um esforço coordenado em busca de novas ideias. E o que faz com que esse processo se movimente? A comunicação da organizaçãoem plataformas diversas e colaborativas. ASSIMILE Out-of-home (OOH) é um tipo de publicidade ou publicidade ao ar livre, também conhecido como out-of-home media ou mídia exterior, é a publicidade que atinge os consumidores enquanto eles estão fora de suas casas. A publicidade na mídia fora de casa é focada no marketing para os consumidores quando eles estão “em movimento” em locais públicos, em trânsito, em espera (como em um consultório médico) e/ou em locais comerciais específicos (como em um local de varejo). Os formatos de publicidade OOH se enquadram em seis categorias principais: outdoors, ruas, estradas, rodovias, trânsito e alternativas. A mídia out-of-home integra a interatividade, enquanto o conteúdo online 181181 181 integra em tempo real o on-demand e a customização da comunicação. O mobile é a primeira tela em acesso. Os setores das agências de propaganda, antes distintos, hoje se veem trabalhando em conjunto em busca de soluções diferenciadas para seus clientes. Finalmente, o centro do processo criativo passa a ser o real time e novas carreiras vão surgindo e se solidificando. 2. Comunicação Integrada de Marketing (CIM) A Comunicação Integrada de Marketing (CIM) é o uso de estratégias de marketing para o planejamento e a execução de todos os tipos de mensagens publicitárias e promocionais selecionadas para uma marca, serviço ou empresa, a fim de atingir um conjunto comum de objetivos de comunicação ou, mais particularmente, apoiar um posicionamento homogêneo. No entanto, essa integração não significa que a mesma comunicação deve ser repetida em diferentes mídias (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Conforme ilustra Correa (p. 179, 2017) ao se referir a CIM: Isso não significa que todo o material deve ter o mesmo texto e a mesma execução visual, contudo, todos os itens usados devem servir para contar a mesma história e para reforçar a mensagem geral ao consumidor, habilitando cada elemento de uma campanha a reforçar os outros e conseguir o nível máximo de impacto sobre o público-alvo. As melhores plataformas para campanhas integrados são ideias que podem ser disseminadas por todo o mix de comunicações de marketing. Isso não significa que todo o material deve ter o mesmo texto e a mesma execução visual, contudo, todos os itens usados devem servir para contar a mesma história e para reforçar a mensagem geral ao 182182 consumidor, habilitando cada elemento de uma campanha a reforçar os outros e conseguir o nível máximo de impacto sobre o público-alvo. As melhores plataformas para campanhas integrados são ideias que podem ser disseminadas por todo o mix de comunicações de marketing. Para obter a integração das atividades de comunicação de empresa é necessário seguir algumas recomendações de ordem prática. Uma dessas orientações é que a empresa deve se concentrar em poucas marcas para divulgar. Deve haver suporte da mais alta administração para que o esforço integrado seja possível, como também deve haver liderança para motivar a equipe a trabalhar com as informações dos clientes. Com essas informações será possível obter uma visão geral para subsidiar o processo de comunicação. Além disso, devem-se definir as marcas com base nos valores centrais, de modo que haja foco e que se promova uma personalidade definida. A imagem unificada deve ser mais ampla do que a marca, devendo ser estendida e ter sinergia com a imagem da empresa. Após o esforço de implantação, as empresas devem medir resultados financeiros como consequência da integração (ALVES e CAMAROTTO, 2012). O princípio que está no CIM existe no marketing há muito tempo. Os profissionais de marketing sempre se preocuparam com a integração da comunicação para obtenção de melhores resultados. No entanto, mais recentemente há uma preocupação maior com a integração e alavancagem das campanhas, em razão de maior concorrência e necessidade de otimização da verba promocional decorrente de uma pressão nos custos. Por isso, a comunicação integrada de marketing passou a ser um imperativo (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). A comunicação das organizações é hoje, mais do que nunca, uma ferramenta fundamentalmente estratégica que pode ser o grande diferencial competitivo entre uma marca e outra, dada a comoditização de muitos produtos e serviços. Vivemos uma crise de confiabilidade nos mercados nacional e internacional, e muitos artigos publicados 183183 183 discutem o discurso da comunicação distanciado da prática nas organizações públicas e privadas, no Brasil e no mundo (GOMES; NETO; PASQUALE, 2011). A imagem institucional de muitas organizações se viu abalada com a divulgação de escândalos de corrupção e impunidade. Por que isso ocorre? Por que é tão difícil integrar efetivamente as ferramentas de comunicação da organização? Como alinhar o discurso da comunicação com a prática cotidiana? Alguns aspectos nos mostram quão complexo pode ser este cenário. Hoje, para acessar alguma informação, você só precisa tocar no ícone do microfone na tela do seu smartphone e falar o que você deseja para o Google, que busca a informação e lhe oferece uma, ou duas, ou várias respostas para atender às suas necessidades (LAS CASAS, 2017). Conseguir um táxi ou um carro com motorista disponível para você ficou muito mais fácil! Ao acessar um dos vários apps oferecidos no mercado, você é informado sobre quem, em qual carro, a que distância está de você e quanto vai custar a corrida. Estacionar em zona azul descomplicou com os apps ao digitar a placa do carro e, pronto, paga-se com o cartão de crédito! Sem contar outros apps que nos auxiliam no trânsito e no estacionamento em estradas e cidades. Todos esses apps nos tornaram mal-acostumados (BELCH e BELCH, 2014). Deixamos de ser simples consumidores de produtos e serviços para nos tornarmos usuários. E qual a diferença entre consumidor e usuário? O usuário, por definição, é aquele que por direito de uso serve-se de algo ou desfruta de suas utilidades – a palavra-chave aqui é “desfrutar”. Como usuários, não queremos a chateação de manuais difíceis de compreender, de ligações infindáveis para soluções ou a longa espera por algum produto ou serviço: queremos autonomia. Em contraposição, consumidor é caracterizado como pessoa física ou jurídica que adquire produtos e serviços para consumo próprio (GUISSONI e NEVES, 2012). 184184 Conforme Las Casas (2017), perceber os consumidores como usuários e antecipar suas necessidades é oferecer: • Hospitalidade – No sentido de que ele se sinta à vontade no site, no app, na loja ou em qualquer lugar onde ele entre em contato com um produto ou marca. • Acessibilidade – Estar facilmente disponível em todo lugar e a qualquer hora de uma forma fácil, descomplicada, acessível e compreensível. • Usabilidade e integração – Em todas as formas de contato, do site ao app, do telemarketing ao ponto de vendas. Perceber consumidores como usuários é ver como podemos facilitar sua vida e estar à sua disposição o tempo todo, mas de forma amigável e verdadeira. Belo desafio, não é? Outra exigência dos mercados hoje é a necessidade de inovação constante, seja no produto em si, na prestação de serviços ou na comunicação. As organizações são impulsionadas à inovação, no entanto, os recursos humanos e financeiros estão cada vez mais enxutos (CORREA, 2017; ROCHA; TREVISAN, 2018). Daí o paradoxo: como inovar investindo pouco e com poucos profissionais empenhados nesse processo? Assim, a comunicação deve partir de uma perspectiva do consumidor como o centro estratégico de onde as estratégias de branding (marca) serão desenvolvidas. Isso implica dizer que a gestão de marcas tem como cerne o consumidor e outros públicos de interesse da organização, envolvendo desde a experiência de compra e uso até a construção de relacionamentos e inovação. Essa perspectiva deve, necessariamente, envolver as cadeias de distribuição e produtiva e em prol da sustentabilidade da organizaçãoem longo prazo (BELCH e BELCH, 2014). 185185 185 Parece bastante complexo, não é? E é mesmo! Por isso, é preciso visualizar e compreender a Comunicação Integrada de Marketing como uma ferramenta estratégica alinhada aos objetivos organizacionais, com foco na sobrevivência da organização no longo prazo, no alcance dos objetivos organizacionais e no retorno sobre o investimento (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). A experiência é tudo! Sim, experiência de compra é o que conta! Não mais o café que se tomou, mas o ambiente em que o café foi tomado. Não mais a televisão que se comprou, mas onde ela foi comprada e como foi sua experiência com o varejo que a vendeu, desde o site no qual você obteve a informação, talvez o anúncio que você viu no jornal ou na televisão, ou ainda a busca que você fez no aplicativo para comparar preços, o atendimento na loja, se for o caso, a entrega e a instalação. E, ainda, sua satisfação posteriormente avaliada além do “tecle 1 para satisfeito; tecle 2 para insatisfeito” (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). Em cada um desses passos rapidamente descritos, alguma ação ou ferramenta de comunicação esteve envolvida. Coincidência? Claro que não! Depois que você pesquisou o produto “televisão 47” no Google, sua página no Facebook já apresentava uma série de anúncios de televisão com comparativo de preços, e talvez você até tenha recebido um SMS com uma oferta tentadora ou um desconto interessante do varejo A ou B. Tudo isso envolve o uso eficiente de dados, com uma diferença significativa em comparação com o que se fazia pouquíssimos anos atrás. Hoje, não falamos mais de dados estanques, numéricos ou apenas demográficos; falamos de emotional data, dados que são capazes de trazer o tom de voz, a emoção do indivíduo até você (CORREA, 2017). As organizações precisam assumir riscos se quiserem desbravar e destacar-se nesse cenário que se constrói ao se experimentar ações novas e assumir o risco de errar, como fez a marca Heinz, por 186186 exemplo. Buscar a diferenciação ao afastar-se do lugar-comum, mesmo com relação ao conteúdo comunicado. O mercado está cansado de campanhas que repetem sempre a mesma bandeira feminista, por exemplo, sem efetivamente compreender o mundo pelos olhos das mulheres, como fizeram Avon e Always, segundo as críticas positivas das duas campanhas (LAS CASAS, 2017). As tendências da comunicação integrada Cresce a ruptura nas operações de mídia das organizações com o crescimento do digital. O que antes era centralizado e controlado passa a pulverizar-se, pois grandes empresas de mídia, como o Google e o Facebook, são questionadas acerca das métricas empregadas. A compra de espaço publicitário não se restringe mais às agências de propaganda, e a queda dos valores dos espaços publicitários é muito significativa, além das constantes pressões pela renegociação de comissões. Os modelos de agências vêm sofrendo mudanças. As grandes passaram a oferecer ou incorporar setores de comunicação digital; as pequenas agências com foco em digital cresceram e passaram a ofertar planejamento e criação (ALVES e CAMAROTTO, 2012). As agências de relações públicas estão se convertendo em consultoras de comunicação. Os meios de comunicação são hoje meios multiplataforma e, com tudo isso, o mercado pressiona para que sejam revistos os modelos de remuneração até então vigentes. Os diversos players do mercado da comunicação vêm avançando por guetos antes exclusivos das grandes agências ou meios de comunicação, e o retorno sobre o investimento (ROI) pressiona as empresas na seleção de suas estratégias e ações de comunicação (GUISSONI e NEVES, 2012). A comunicação integrada de marketing (CIM) envolve a avaliação, o planejamento, a execução, o controle e a mensuração de todas as ferramentas e ações de comunicação com vistas ao mercado 187187 187 consumidor. Preferimos, no entanto, ampliar essa perspectiva incluindo as ações de comunicação interna (com os colaboradores) e institucional (envolvendo a imagem e a reputação organizacionais) que, embora não sejam da alçada direta do departamento de marketing, estão intrinsecamente relacionadas aos resultados em comunicação da organização, pois envolvem a construção de sua missão, visão e valores essenciais (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Segundo trecho do livro de Rocha e Trevisan (2018, s/p): Na verdade, muitas organizações atuam com uma separação clara entre as funções da comunicação de marketing e as funções da comunicação institucional, mas, como afirmamos, o advento do digital e das redes sociais derrubou essas barreiras e, para os públicos de interesse (stakeholders), a comunicação que recebem deve ser uníssona e alinhada em todos os pontos de contato (BELCH e BELCH, 2014). Os princípios da integração da comunicação Haddad, Marangoni e Kuazaqui (2019) nos oferecem orientações sobre os princípios da integração na comunicação das organizações. Vejamos a seguir: 1. Avaliar a principal razão social e mercadológica em sua atuação e o que se considera comunicação para essa marca O nome da organização ou a marca de produtos e serviços: o que é prioridade para a empresa? Sobre qual marca deverá ser construída a reputação e a imagem da organização? Quais os valores essenciais ligados à marca? Qual a missão, a visão e os valores organizacionais que devem ser comunicados? Responder a essas questões é de fundamental importância para a definição das bases da comunicação da organização, seja na esfera institucional ou mercadológica. Por isso, é importante que você se certifique de que: 188188 • Essas bases são de conhecimento de todos os envolvidos no processo de planejamento e execução da comunicação, incluindo fornecedores. • Todos os envolvidos estão dispostos a aceitar e desenvolver uma comunicação com base na transparência, tanto interna quanto externa. De nada adianta informar ao mercado que sua empresa é transparente e confiável se suas ações não condizem com o que você comunica. O mercado está cansado de pessoas e empresas que dizem uma coisa e fazem outra. • Essas bases estejam assentadas sobre ações reais e reflitam efetivamente quem a organização é e pensa, sob pena de construir uma comunicação com base em falácias nas quais ninguém mais acredita. 2. Conhecer toda a cadeia de envolvimento que vai desde o consumidor, fornecedores, stakeholders, influenciadores e afins. A identificação correta e a compreensão de quem são os públicos de interesse (stakeholders) da organização é a segunda base sobre a qual você deve assentar sua comunicação. Recentemente, muitas críticas têm sido feitas às campanhas dirigidas às mulheres, por exemplo, ressaltando a pouca sensibilidade que as empresas têm para compreender esse público; com raras exceções, muitas empresas acabam trazendo ao mercado campanhas que reproduzem estereótipos com os quais as mulheres contemporâneas não se identificam mais, ou até rejeitam. 3. Colocar-se no lugar dos clientes. Transparência, retorno e cocriação são essências para a estratégia e crescimento da marca A melhor compreensão dos públicos e a definição clara da mensagem a ser enviada a cada um deles é um terceiro passo importante. 189189 189 Compreender cada um dos públicos, a forma como eles se relacionam com a organização, o que um espera do outro, facilita a definição do que dizer (conteúdo), como dizer (forma) e por quais meios (canais de comunicação). Parece lugar-comum, mas a maioria das empresas acaba atuando com base em percepções estereotipadas do comportamento de seus públicos, afastando-se de uma comunicação efetiva e eficaz. O retorno sobre o investimento está diretamente relacionado à capacidade da organização em oferecer ao público certo a informação que ele quer ou necessita. Os adblockers são ferramentas eficazes em bloquear a quantidade imensa de inutilidades que nos alcança todos os dias. A organização que souber nos dar a informação exata que queremosganha destaque no mar de informações cotidianas. Isso se chama relevância. 4. Segmentação de mídias e contextualização de cada uma delas com a liguagem adequada ao publico, alinhamento da marca, reputação presença e operação ominichannel, a comunicação por uma única mídia não tem mais sentido Compreender os públicos de interesse também implica compreender os meios de comunicação mais usados por eles no seu dia a dia e como gostam de interagir com a organização. Alguns gostam de receber SMS, por exemplo, do banco em que são correntistas para serem informados sobre as movimentações da conta, oferecendo- lhes controle e segurança. Outros odeiam receber e-mail marketing impertinentes e desconectados de suas reais necessidades, os quais logo destinam à caixa de antispam. A empresa não terá mais acesso a esses clientes. Selecionar as mídias e compreender a relação dos públicos com cada uma delas é um passo importante no planejamento de comunicação integrada. 5. Concentração e alinhamento dos esforços, mensuração, monitoramento e retorno sobre os investimentos e melhoria contínua 190190 Já na etapa de pré-plano é importante compreender quais são os objetivos organizacionais e como a comunicação pode contribuir para que sejam alcançados. Cada vez mais se espera que os esforços e os investimentos feitos em marketing e comunicação tragam resultados mensuráveis para a organização. Uma visão estratégica de planejamento de comunicação integrada tem por obrigação alinhar a comunicação da organização como um todo – institucional, interna e mercadológica –, evitando duplicidade de investimentos e otimizando as ferramentas e os recursos financeiros. Não queremos dizer com isso que o departamento de marketing deve ser o “mandachuva”, inclusive porque sua importância na definição da comunicação da organização é bastante relativa. Mas vale a pena amadurecer ideias sobre o assunto, pois seria interessante que a organização tivesse um grupo de trabalho com a incumbência de alinhar a comunicação com uma visão de cima para baixo, que é o princípio da comunicação organizacional, deixando de lado as visões segmentadas e restritas ao campo de ação de cada departamento separadamente. Lembramos que, ao conhecer os meios de comunicação, somos capazes de compreender quais tipos de retorno e resultados podemos esperar de cada um deles de forma bastante objetiva. Isso evita acreditarmos em promessas mirabolantes de fornecedores e de meios de comunicação mal-intencionados. Quando se trata de um meio de comunicação, a clareza com a qual o cliente define os esforços necessários oferece maior clareza sobre o que é possível entregar e em que prazo de tempo, tornando o planejamento e a relação mais profissionais. Definir claramente os objetivos a serem alcançados é um passo fundamental. 6. Estabelecimento de liderança nos processos estratégicos e decisórios. Definir papéis e escopo de decisão do CEO o do Conselho de Administração 191191 191 Uma das maiores críticas das agências de marketing e outras aos seus clientes é acerca da morosidade na tomada de decisões. A organização cliente quer agir junto a seus públicos em tempo real, mas não é assim que toma suas decisões. Sabemos que as organizações são mais ou menos burocráticas e que as decisões devem obedecer a uma hierarquia; no entanto, o atraso ou a dificuldade em tomar decisões emperra a comunicação e faz com que a organização perca oportunidades preciosas de destacar-se frente à concorrência. Tomar decisões de forma ágil inclui decidir acerca de modificações em campanhas de propaganda sim, mas inclui também a autonomia de um setor de atendimento ao consumidor (SAC) para solucionar questões por meio do Facebook sem ter que pedir “amém” a todo o staff. De nada adianta ter uma comunicação dialógica por meio das mídias sociais se tudo o que os setores podem dizer é que “a ligação é muito importante para nós” e “retornaremos o seu contato assim que tivermos uma posição”. Autonomia de resposta é fundamental para a ação e comunicação em tempo real. O adequado planejamento de comunicação integrada não é onipresente e onisciente, falhas acontecerão, mas o processo de decisão pode ser muito mais ágil se as bases executoras do plano (colaboradores e fornecedores) se encontrarem alinhadas com os tomadores de decisão e tiverem certa autonomia para responderem de forma rápida e eficiente por intermédio dos meios de comunicação. Em situações de crise, essa atitude é fundamental. Planejar integradamente a comunicação favorece e agiliza a tomada de decisões. 7. Estruturar equipe multidisciplinar (combine talentos e gerações) multiplicando possibilidades e desenvolvendo relacionamentos com parceiros estratégicos Estabelecer um processo de gestão que assegure a integração nos diversos meios e o estímulo de sinergias. De quem é a responsabilidade de gerir a comunicação, certificando-se de que em qualquer lugar do mundo e em qualquer ferramenta ela esteja sendo implementada a 192192 contento e, ainda, respeitando as diretrizes organizacionais? A seleção adequada de fornecedores é um grande desafio para as organizações. Temos visto processos seletivos de agências por meio de licitações, públicas ou privadas, desenvolvidas sem a transparência necessária ao processo. Anunciantes e organizações reclamam dos honorários e da qualidade dos serviços prestados, e as agências reclamam das concorrências obtusas, da pressão constante por custos menores e sem a devida valorização de sua qualidade criativa. O mercado está em franca transformação. No entanto, é certo dizer que o maestro é a organização. Por meio do departamento de marketing, de comunicação institucional ou do próprio CEO, a organização deve orquestrar seus fornecedores segundo três medidas complexas, mas eficazes: (1) seleção do fornecedor com base em critérios objetivos; (2) briefing corretamente elaborado com transparência e objetividade na demanda; objetivos de comunicação claramente estabelecidos e estruturados de acordo com o que se espera alcançar com as ferramentas e ações de comunicação; (3) definição clara dos resultados esperados e como eles estão correlacionados com os resultados operacionais da organização. 8. Garantir a excelência da execução da ideia (planejar, executar, medir, aprimorar) com proposições de valores de forma relevante e pertinente Relevância e pertinência. O que a organização comunica deve estar diretamente relacionado com o que ela faz e acredita de verdade. Não há outra forma de alcançar transparência, confiança e credibilidade. 9. Não basta fazer apenas peças publicitárias, é necessário gerar inteligência de forma contínua para inovar, pela avaliação dos acertos e, principalmente, dos erros Planejamento significa definir o que será feito (como, onde, quando e quanto vai custar), por que será feito (o que esperamos de cada 193193 193 ação), executar (implementar da melhor forma possível), medir (avaliar mediante critérios objetivos e mensuráveis) e corrigir. A situação que ainda persiste hoje é que as organizações não gastam o tempo necessário ao processo de planejamento e as situações acabam se sucedendo e atropelando umas às outras. É preciso, sim, um tempo para o planejamento. Muitas organizações afastam sua equipe da rotina do dia a dia por um tempo, uma semana, alguns dias, de forma a que possam concentrar-se no processo de planejamento. Pode ser uma opção. 10. Jamais fique satisfeito. A comunicação integrada de marketing é um processo contínuo e perene, portanto sempre será possível melhorar algum ponto. Por fim, o processo de planejamento é cíclico e sempre aprendemos muito com nossos erros e acertos. Firmeza de propósito é fundamental! O que acaba ocorrendo em muitas organizações é que as próprias lideranças não se permitem esse tempo de afinação. Em muitas delas, o turnover de profissionais é o principal motivo pelo qual as coisas parecem não caminhar. Uma açãonão saiu como se esperava? Demite-se o profissional ou dispensa-se o fornecedor sem dar o tempo necessário para que o aprendizado ocorra. Aceitar assumir riscos, incluindo alguma perda financeira, é necessário. No mundo de hoje, julgamos os erros com tamanha acidez no nosso cotidiano e nas redes sociais que esquecemos que o acerto é filho dos erros que cometemos. Paciência e perseverança também são fundamentais para as organizações. Neste primeiro capítulo, abordamos, em linhas gerais, a comunicação hoje, seus principais desafios, e procuramos estabelecer a perspectiva de integração com a qual trabalharemos nesta obra. Nos próximos itens vamos abordar cada etapa do planejamento de comunicação integrada de forma mais profunda (CORREA, 2017). 194194 2.1 Content marketing Uma tendência na comunicação integrada de marketing é a utilização de content marketing também conhecido como marketing de conteúdo. O marketing de conteúdo, numa tradução literal, significa que as empresas devem oferecer ao consumidor informações úteis para atrair a sua entrada ou permanência no site ou mídias sociais. Em certos veículos, os comerciais tradicionais que procuram persuadir o consumidor a comprar não têm mais a mesma eficácia como tinham antigamente, uma vez que os novos consumidores estão muito dispersos, ora entrando no Facebook, ora no Youtube, TV, blogs, e-mails etc. Essa nova tendência mudou a forma de comunicação, tornando necessárias mensagens que integrassem todas essas mídias, proporcionando o crescimento do content marketing como forma de comunicação (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Content marketing é, portanto, a criação e o compartilhamento de conteúdo de mídia e publicidade para aquisição e retenção de clientes. Também é definido como uma abordagem de criar e distribuir valor por meio de conteúdo relevante. As empresas estabelecem uma forma de contato com os consumidores e atuam como mídias, exercendo funções de entretenimento, informação e lazer, transformando a marca em uma protagonista do meio de comunicação. Com esse procedimento, gastos com mídias pagas são economizados. Os conteúdos compartilhados são geralmente relacionados com o que a empresa vende, mas o foco principal deve ser nas necessidades dos clientes, como notícias, vídeos, e-books, infográficos, e-mail newsletters, estudo de casos, podcasts, guias, fotos, blogs etc. (CORREA, 2017). No entanto, o marketing de conteúdo não é uma atividade recente, tendo sido praticado por algumas empresas por um longo período, mesmo sem essa denominação atual e muito antes das redes sociais. Sabe-se que uma das primeiras publicações dirigidas a consumidores com esse propósito foi uma revista intitulada The Furrow, que buscou 195195 195 prestar informações para fazendeiros, tendo sido idealizada por John Deere, em 1895. A revista dava dicas de como os fazendeiros poderiam fazer seus negócios de maneira mais lucrativa e o sucesso foi tanto que até hoje permanece em circulação, tendo inclusive se expandido para 40 países e publicada em 12 idiomas diferentes (BELCH e BELCH, 2014). O content marketing também pode ser chamado de branded content para designar conteúdo da marca. Também neste caso é a empresa que gera o conteúdo jornalístico, educativo e de entretenimento. A forma de comunicação tem o objetivo de despertar a atenção do público para que multipliquem a mensagem e, assim, possam atingir um público maior. “Por conta do branded content, as divisões entre informações jornalísticas, publicidade e entretenimento já não são tão nítidas quanto há poucos anos” (ALVES e CAMAROTTO, p. 87, 2012). Essas práticas são formas novas e interessantes de conquistar público, pois os indivíduos são comunicados acerca do evento, colocam nas mídias sociais para amigos e colegas, aparecem nas mídias tradicionais em forma de reportagem ou publicidade, entre uma série de outras vantagens para os anunciantes. Essa forma de comunicação é mais adequada para chamar a atenção devido à grande proliferação de mídias tradicionais e ao esvaziamento da atenção dos consumidores, conforme mencionado (GUISSONI e NEVES, 2012). Alguns aspectos adicionais favorecem essa forma de comunicação segundo Las Casas (2017): 1. A crise de credibilidade dos veículos de massa, especialmente jornais e revistas. 2. A saturação da publicidade, expondo os indivíduos a muitas mensagens diárias. 3. Mudança do comportamento dos consumidores, principalmente os jovens, que se afastam das mídias tradicionais. 196196 4. O desenvolvimento das redes sociais, das vendas de tablets e smartphones. 5. Conexão emocional com os consumidores. As histórias conectam os consumidores aos relatos, criando empatia com as propostas das empresas. 6. O conteúdo é transmitido de forma mais abrangente, pois “a multiplicação da mesma mensagem em diferentes plataformas amplia o espaço de contato com os consumidores”. Como desenvolver campanhas de content marketing Crescitelli e Shimp (2012) desenvolveram um modelo de aplicação de marketing de conteúdo baseado em suas experiências de muitos anos como consultor, apresentado a seguir: 1. Ponto certo (Sweet spot): os comerciantes devem encontrar um ponto para basear o seu modelo de negócio. Esse ponto é encontrado considerando-se a competência da empresa ou indivíduo e o ponto de interesse dos clientes. 2. Inclinação (Content tilt): o administrador deve encontrar um diferencial para o seu conteúdo em áreas em que haja pouca competição ou não existam concorrentes. 3. Construção da base: após os passos anteriores deve ser escolhida uma plataforma para construir o content marketing. Pulizzi menciona como exemplo o Content Marketing Institute (CMI), que começou suas ações originalmente como um blog mensal e foi aumentando a frequência com o passar do tempo até chegar a publicações diárias, até mesmo nos finais de semana. A partir do sucesso desse blog, o Instituto passou a desenvolver outras ofertas, como revistas impressas, publicação de pesquisas, podcasts, eventos programados e muito mais. A base, no entanto, foi construída com o blog. 197197 197 4. Captação da audiência: a proposta nesta etapa é a de programar um conteúdo de forma que interesse e anime a audiência. Entretanto, não se trata de captar a audiência que pode visitar sua plataforma apenas uma vez, mas de tornar essa visitação frequente. Para isso, as métricas ajudarão os administradores a escolher uma forma de segurar os clientes. Uma delas é a de cadastro. Pulizzi informa que a principal métrica a ser considerada é a informação do assinante, ou seja, a primeira e mais importante etapa é que o leitor entre na sua plataforma e faça um cadastro para continuar. Focado no cliente versus centrado no cliente Uma revelação recente na comunicação integrada de marketing é a mudança no papel do cliente no mundo dos negócios. Devido ao rápido crescimento da tecnologia, os clientes estão rapidamente ganhando mais poder através de fóruns como “o boca a boca”, agora com capacidade de atingir um público muito mais amplo por meio do uso de mídias sociais. Reconhecendo essa mudança de poder, as organizações começaram a reavaliar suas estratégias de marketing e abordagens típicas do cliente, da atitude tradicional focada no cliente ao método amplamente centrado no cliente, a fim de desenvolver uma estratégia mais integrada (BELCH e BELCH, 2014). Uma abordagem focada no cliente pode ser definida como “quando uma organização aprende mais sobre os hábitos do cliente para que ele possa identificar oportunidades de vendas cruzadas etc.” Embora esse tipo de abordagem possa ser considerado inteiramente satisfatório, Kliatchko (2008) introduziu um conceito contrastante que se concentra em “trabalhar de fora para dentro” e promove uma perspectiva diferente sobre as organizações. Quando uma organização adota uma técnica centrada no cliente, renuncia à visão de que os clientes são apenas receptorespassivos das técnicas de marketing e se concentram em ouvir quais são suas necessidades e se esforçar para satisfazê-las; integrar o cliente ao processo (CORREA, 2017). 198198 Inteligência de mídia ou media intelligence A Inteligência de mídia usa a mineração de dados e a ciência de dados para analisar o conteúdo público da mídia social e editorial. Refere-se a sistemas de marketing que sintetizam bilhões de conversas online em informações relevantes que permitem às organizações medir e gerenciar o desempenho do conteúdo, entender tendências e orientar as estratégias de comunicação e negócios. A inteligência de mídia pode incluir software como serviço usando a terminologia de big data. Isso inclui perguntas sobre eficiência de mensagens, compartilhamento de voz, distribuição geográfica do público, amplificação de mensagens, estratégia de influenciadores, alcance de jornalistas, ressonância criativa e desempenho dos concorrentes em todas essas áreas (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). A inteligência de mídia difere da inteligência de negócios, pois usa e analisa dados fora dos firewalls da empresa. Exemplos desses dados são conteúdos gerado pelo usuário em sites de mídia social, blogs, campos de comentários e wikis etc. Também pode incluir outras fontes de dados públicas, como comunicados à imprensa, notícias, blogs, documentos legais, análises e anúncios de emprego. A inteligência de mídia também pode incluir inteligência competitiva, em que as informações coletadas de fontes publicamente disponíveis, como mídias sociais, comunicados à imprensa e anúncios de notícias, são usadas para entender melhor as estratégias e táticas que estão sendo implementadas pelas empresas concorrentes. A inteligência de mídia é aprimorada por meio de tecnologias emergentes, como marcação semântica, processamento de linguagem natural, análise de sentimentos e tradução automática (CORREA, 2017). Tecnologias usadas Diferentes plataformas de inteligência de mídia usam diferentes tecnologias para monitorar, selecionar conteúdo, se envolver com 199199 199 conteúdo, análise de dados e medição de comunicações e sucesso de campanhas de marketing. Esses fornecedores de tecnologia podem obter conteúdo raspando o conteúdo diretamente de sites ou conectando-se à API fornecida pelas mídias sociais ou outras plataformas de conteúdo criadas para desenvolvedores de terceiros desenvolverem seus próprios aplicativos e serviços que acessam dados. As empresas de tecnologia também podem obter dados de um revendedor de dados (BELCH e BELCH, 2014). Algumas empresas de monitoramento e análise de mídia social usam chamadas para provedores de dados cada vez que um usuário final desenvolve uma consulta. Outros arquivam e indexam postagens de mídia social para fornecer aos usuários finais acesso sob demanda a dados históricos e habilitar metodologias e tecnologias que aproveitam dados relacionais e de rede. Empresas de monitoramento adicionais usam rastreadores e tecnologia spidering para encontrar referências de palavras-chave, conhecidas como análise semântica ou processamento de linguagem natural. A implementação básica envolve a curadoria de dados das mídias sociais em larga escala e a análise dos resultados para dar sentido a eles (GOMES; NETO; PASQUALE, 2011). A inteligência de mídia social refere-se às ferramentas e soluções coletivas que permitem às organizações conversas, respondem a sinais sociais e sintetizam pontos de dados sociais em tendências e análises significativas com base nas necessidades do usuário. A inteligência de mídia social permite coletar informações coletadas de sites de mídia social, usando meios intrusivos ou não intrusivos, de redes sociais abertas e fechadas. Esse tipo de coleta de inteligência é um elemento do OSINT (Open-Source Intelligence). Os autores argumentaram que a mídia social agora é uma parte importante do trabalho de inteligência e segurança, mas que mudanças tecnológicas, analíticas e regulatórias são necessárias antes que possa ser considerada uma nova e poderosa forma de inteligência (LAS CASAS, 2017). 200200 Monitoramento e mensuração de mídia social Medição de mídia social, monitoramento de mídia social ou escuta social é uma maneira de calcular a popularidade de uma marca ou empresa extraindo informações de canais de mídia social, como blogs, wikis, notícias sites, microblogs como o Twitter, sites de redes sociais, sites de compartilhamento de vídeo/foto, fóruns, quadros de mensagens e conteúdo gerado pelo usuário de tempos em tempos. Em outras palavras, esse é o caminho para alcançar o sucesso do marketing de mídia social estratégias usadas por uma empresa ou marca. Também é usado pelas empresas para avaliar as tendências atuais do setor. O processo primeiro reúne dados de sites diferentes e, em seguida, realiza análises com base em métricas diferentes, como tempo gasto na página, taxa de cliques, compartilhamento de conteúdo, comentários, análise de texto para identificar emoções positivas ou negativas sobre a marca (ALVES e CAMAROTTO, 2012). O processo de medição de mídia social começa com a definição de uma meta que precisa ser alcançada e a definição do resultado esperado do processo. O resultado esperado varia de acordo com a meta e geralmente é medido por diversas métricas. Isto é seguido pela definição de possíveis estratégias sociais a serem usadas para alcançar a meta. Em seguida, o próximo passo é projetar estratégias a serem usadas e configurar ferramentas de configuração que facilitam o processo de coleta de dados. Na próxima etapa, estratégias e ferramentas são implantadas em tempo real. Esta etapa envolve a realização de testes de garantia de qualidade dos métodos implantados para coletar os dados. E na etapa final, os dados coletados do sistema são analisados e, se necessário, refinados no tempo de execução para aprimorar as metodologias utilizadas. A última etapa garante que o resultado obtido seja mais alinhado com a meta definida na primeira etapa (GUISSONI e NEVES, 2012). 201201 201 Aquisição de dados A aquisição de dados das mídias sociais exige uma exploração da participação e da população do usuário com o objetivo de recuperar e coletar tantos tipos de dados (por exemplo: comentários, downloads etc.). Existem várias técnicas predominantes para adquirir dados, como análise de tráfego de rede, aplicativo ad-hoc e rastreamento. Análise de tráfego de rede – a análise de tráfego de rede é o processo de capturar o tráfego da rede e observá-lo de perto para determinar o que está acontecendo na rede. Isso é feito principalmente para melhorar o desempenho, a segurança e outro gerenciamento geral da rede. Por mais preocupada com o potencial delito de privacidade na internet, a análise do tráfego de rede é sempre restringida pelo governo. Além disso, links de alta velocidade não são adaptáveis à análise de tráfego porque o possível problema de sobrecarga de acordo com o mecanismo de detecção de pacotes (BELCH e BELCH, 2014). O aplicativo ad-hoc é um tipo de aplicativo que fornece serviços e jogos para usuários de redes sociais, desenvolvendo as APIs oferecidas pela empresa de redes sociais (Facebook Developer Platform). A infraestrutura do aplicativo ad-hoc permite ao usuário interagir com a camada da interface em vez dos servidores de aplicativos. A API fornece um caminho para o aplicativo acessar informações após o login do usuário. Além disso, o tamanho do conjunto de dados coletados varia com a popularidade da plataforma de mídia social, ou seja, as plataformas de mídia social com grande número de usuários terão mais dados do que as plataformas com menos base de usuários. A raspagem é um processo no qual as APIs coletam dados online das mídias sociais. Os dados coletados da raspagem estão no formato bruto. No entanto, ter acesso a esses dados de tipo é um pouco difícil devido ao seu valor comercial (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI,2019). 202202 Já o rastreamento é um processo no qual um rastreador da web cria índices de todas as palavras em uma página da web, armazena-as e segue todos os hiperlinks e índices dessa página e os armazena novamente. É a técnica mais popular para aquisição de dados e também é conhecida por sua operação fácil, com base na linguagem de programação predominante orientada a objetos (Java ou Python etc.). E o mais importante, as empresas de redes sociais (YouTube, Flicker, Facebook, Instagram etc.) são amigáveis à técnica de rastreamento, fornecendo APIs públicas (CORREA, 2017). Automação de marketing A automação de marketing é uma plataforma que os profissionais de marketing usada para planejar, coordenar, gerenciar e medir todas as suas campanhas de marketing, online e offline. É frequentemente usada junto com a estratégia de marketing do ciclo de vida para gerenciar e nutrir de perto os leads gerados, com o objetivo de converter leads em clientes. A automação de marketing é um subconjunto de CRM (Customer Relationship Management) ou CXM (Customer Experience Management) que se concentra na definição, segmentação, programação e rastreamento de campanhas de marketing. O uso da automação de marketing torna os processos que de outra forma seriam executados manualmente muito mais eficientes e possibilita novos processos (LAS CASAS, 2017). As plataformas de automação de marketing permitem que os profissionais de marketing automatizem e simplifiquem a comunicação com o cliente gerenciando estratégias de marketing omnicanais complexas a partir de uma única ferramenta. A automação de marketing ajuda muito em áreas como geração de leads, segmentação, nutrição e pontuação de leads, marketing de relacionamento, vendas cruzadas e upsell, retenção e medição de ROI de marketing (CRESCITELLI e SHIMP, 2012). 203203 203 Para ajudar efetivamente os profissionais de marketing a entender completamente os clientes e subsequentemente desenvolver um plano estratégico de marketing, as ferramentas de automação de marketing são projetadas para executar oito tarefas principais dentro da comunicação integrada conforme Las Casas (2017): • Desenvolvimento e análise de campanhas de marketing e clientes. • Gerenciamento de campanhas de marketing. • Organização e armazenamento adequados de dados do cliente. • Movendo contatos de leads para clientes. • Pontuação de leads. • Integração de vários pontos de contato, como e-mail e mídias sociais. • Gerenciamento de leads. • Análise de desempenho da campanha (por exemplo, taxa de abertura ou taxa de cliques em e-mails, taxas de conversão em páginas de destino). Na melhor das hipóteses, a automação de marketing é uma combinação de software e estratégia. Ele deve permitir que se promova clientes potenciais com conteúdo útil e altamente personalizado que ajuda a converter clientes potenciais em clientes satisfeitos (HADDAD; MARANGONI; KUAZAQUI, 2019). Belch e Belch (2014) sugerem ainda a seguinte estrutura de tráfego na web alinhado à comunicação integrada: 204204 Figura 1 – Estrutra de comunicação integrada de marketing Fonte: adaptada de Belch e Belch (2014). 3. Considerações finais O planejamento de comunicação integrada é um processo que permite ao profissional estabelecer uma visão estratégica da comunicação para o negócio da organização. Ele tem em sua base três pilares: mensagens preferenciais (missão, visão e valores organizacionais), conhecimento e priorização dos públicos de interesse e visão integrada das ferramentas de comunicação. O planejamento contribui para a construção de diferencial competitivo, gestão da imagem e reputação organizacionais e alcance de retorno sobre o investimento. 205205 205 TEORIA EM PRÁTICA Você é o gestor de marketing responsável de uma empresa de aviação (Emirates), só que a empresa começou os negócios com duas aeronaves arrendadas. Quais são as estratégias sugeridas para comunicação integrada e crescimento da empresa? Mídia tradicional Os comerciais da Emirates e os anúncios impressos em mídia significativa destacam os novos produtos, rotas aéreas e aeronaves da companhia aérea. Patrocínio de eventos A companhia aérea patrocina ativamente vários eventos esportivos como futebol, corridas de cavalos e tênis. Além disso, assinou um contrato de patrocínio com grandes clubes de futebol como o Arsenal. Mídia própria A empresa publica duas revistas de bordo para alcançar seus clientes. Um brilhante sistema de entretenimento a bordo permite à companhia aérea divulgar suas últimas ofertas, parceiros e serviços. Apelo do milênio A companhia aérea está adotando uma estratégia ambiental sustentável para proteger os recursos naturais e reduzir a poluição do ar. Atualmente, a companhia aérea opera 265 aeronaves para mais de 155 destinos. 206206 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Na melhor das hipóteses, a automação de marketing é uma combinação de: a. Aumento de vendas e branding. b. Links patrocinados e conteúdo. c. Automação e postagens. d. Sotware e estratégia. e. Tráfego web e campanhas. 2. Posicionamento homogêneo não significa que a mesma comunicação deve ser: a. Repetida em diferentes mídias. b. Unificada em todas as mídias. c. Patrocinadas em todas as mídias. d. Selecionada para algumas mídias. e. Contextualizada para algumas mídias. 3. As melhores plataformas para campanhas integrados são ideias que podem ser disseminadas por todo o: a. Sistema de informação de marketing. b. Público-alvo segmentado. 207207 207 c. Conteúdo elabora e compartilhado. d. Site e motores de busca. e. Mix de comunicações de marketing. Referências bibliográficas ALVES, Marcelo Esteves; CAMAROTTO, Márcio Roberto. Comunicação integrada de marketing. Curitiba: IESDE BRASIL S.A., 2012. BELCH, George E.; BELCH, Michael E. Propaganda e Promoção: Uma Perspectiva da Comunicação Integrada de Marketing. Porto Alegre: Amgh Editora, 2014. CORREA, Roberto de Barros Rocha. Comunicação integrada de Marketing. São Paulo: Saraiva, 2017. CRESCITELLI, Edson; SHIMP, Terence A. Comunicação de marketing: integrando propaganda, promoção e outras formas de divulgação. São Paulo: Cengage Learning, 2012. GOMES, Celso; NETO, Claudio; PASQUALE, Perrotti. Comunicação integrada de Marketing: A teoria na prática. São Paulo: Elsevier Brasil, 2011. GUISSONI, Leandro Angotti; NEVES, Marcos Fava. Comunicação integrada de marketing baseada em valor. São Paulo: Atlas, v. 1, p. 237, 2011. HADDAD, Helder; MARANGONI, Matheus M.; KUAZAQUI, Edmir. Gestão de marketing 4.0. São Paulo: Atlas, 2019. LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Marketing: conceitos, exercícios, casos. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2017. ROCHA, Marcos; TREVISAN, Nanci. Comunicação integrada de marketing. 1. Ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. 208208 Gabarito Questão 1 – Resposta: D Resolução: Porque temos a intelgência de dados e humana alinhadas para tomar as melhores decisões mediante o cenário. Questão 2 – Resposta: A Resolução: Cada mídia possui uma estrutura de conteúdo junto ao público-alvo, portanto não é recomendado repeti-la em todas as mídias. Questão 3 – Resposta: E Resolução: Pois é onde todos os esforços de comunicação são focados. 209209 209 Apresentação da disciplina Introdução Internet como ferramenta de marketing Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução Novos modelos de negócio e o marketing tecnológico Considerações finais Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução Planejamento de marketing Considerações finais Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução Estratégias digitais Considerações finais Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução E-commerce Considerações finais Teoria em prática Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução Geração de tráfego na web Considerações finaisVerificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito Introdução Comunicação Integrada de Marketing (CIM) Considerações finais Verificação de leitura Referências bibliográficas Gabarito