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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Departamento de Ciências de Educação Curso de Licenciatura em Ensino de História O ESTADO DE MUENEMUTAPA Sérgio Manuel Jamisse Maxixe, Abril de 2020 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Departamento de Ciências de Educação Curso de Licenciatura em Ensino de História O ESTADO DE MUENEMUTAPA ( Trabalho de campo a ser submetido na Coordenação do Curso de Licenciatura en ensino de História do ISCED. Tutor: Nelson Tivane ) Sérgio Manuel Jamisse Maxixe, Abril de 2020 Índice Introdução...................................................................................................................................4 O Estado de Muenemutapa.........................................................................................................5 Origem do Estado de muenemutapa...........................................................................................5 Localização Geográfica do Estado de Muenemutapa.................................................................6 Organização Política do Estado de Muenemutapa......................................................................6 A Economia do Estado de Muenemutapa...................................................................................7 Ideologia do Estado de Muenemutapa........................................................................................7 A decadência do Estado de Muenemutapa.................................................................................8 Conclusão...................................................................................................................................9 Bibliografia...............................................................................................................................10 Introdução Entre cerca de 1440-1450, o Grande Zimbabwe foi abandonado pela maior parte dos seus habitantes e não são muito claro as razões do seu abandono. Na sequência da invasão da conquista do norte do planalto zimbabweano pelos exércitos de Mutota, ocorrida entre 1400-1450, desenvolveu-se entre os rios Mazue e Luia, o centro de um novo estado chefiado pela dinastia dos Muenemutapa. Porém, os factos apresentados introduzem o presente trabalho elaborado no âmbito da disciplina de História de Moçambique século XVI-XVIII, do curso de Licenciatura em ensino de História, na ISCED. O mesmo tem como objectivo geral: conhecer o estado de Muenemutapa desde o surgimnto até à sua decadência. Para o alcance do objectivo geral, o trabalho irá guiar-se dos seguintes objectivos específicos: · descrever a origem, as actividades económicas e a organização política do estado de Muenemutapa; · Mencionar as razões da decadência do estado de Muenemutapa; O ESTADO DE MUENEMUTAPA Quando o estado de Zimbabwe já estava em queda, começou a erguer-se o estado de Muenemutapa. Trata-se de um estado formado a partir de um movimento migratório do Grande Zimbabwe, dos povos Caranga-Chona, para a região do vale do Zambeze, na sequência da invasão e da conquista por exércitos dirigidos por Nhatsimba Mutota, ocorrida por volta de 1440-1450. Diferentemente do estado de Zimbabwe, Muenemutapa era um estado composto por cerca de nove estados vassalos que pagavam imposto ao rei. A socieeedade mutapa era dividida em classes e na economia privilegiou-se o comércio de ouro. Este estado era, por isso, rico e cobiçado por estrangeiros. A organização política-administrativa era complexa e deu origem a vários conflitos dinásticos, que o levaram ao declínio. Origem do Estado do Muenemutapa A região que um dia viria a ser o Estado de Muenemutapa já era habitada por vários povos ao longo de milênios, no entanto, os historiadores apontam que uma ou algumas tribos do povo Shona, teriam sido os responsáveis por fundar esse Estado por volta do século XI ou XII, talvez depois. Por volta dos anos 1440 e 1450, Mutota, rei da Shona, embarcou na conquista do planalto interior, região situada entre o rio Zambeze e o rio Limpopo, até a costa moçambicana. Matope, filho de Mutota completou a conquista e expansão iniciada por seu pai. O estado foi uma entidade política mais poderosa da região durante uma maior parte da década de 1470 A região era rica em minas de ouro, cobre e ferro, o que possibilitou que em poucas décadas, Muenemutapa tornasse um Estado rico e poderoso. Tal ponto é tão evidente que o rei era chamado de Mwene Mutapa, pois referia-se claramente a essa autoridade que ele possuía em controlar uma vasta quantidade de minas (NIANE, 2010, p. 11). Localização Geográfica do Estado de Muenemutapa O estado de Muenemutapa ocupava a terra correspondente a actual zona centro de Moçambique e grande parte de Zimbabwe com os seguintes limites: · O rio Zambeze, a Norte; · O rio Limpopo, a Sul; · O deserto de kalahari, a Oeste; · E o Oceano Índico a Este. Organização política do Estado de Muenemutapa No que se refere a administraçãodo estado de Muenemutapa, está o princípio da hierarquia, neste caso, há algo peculiar a ser mencionado: a hierarquia do império era formada pela nobreza, a elite, a plebe e os escravos. Todavia dentro dessas classes haviam subdivisões e a variação entre indivíduo livre e escravizado. A estrutura político-administrativa deste estado, pode ser representada da seguinte forma: · Mwenemutapa (chefe Supremo), era o chefe máimo que detinha funções administrativas; · Na sua governação, o rei, contava com o auxílio de três principais esposas (Mazarira, Inhahanda e Nambuzia), – que tinham funções importantes na administração do estado; · Os nove altos funcionários, responsáveis pela defesa, comércio, cerimónias mágico-religiosas, relações exteriores, festas, da corte: os mutumes (mensageiros) e os infices (guarda pessoal do soberano); · Mambos, chefes dos reinos conquistados; · O estado era dividido em províncias e estas em aldeias. as províncias eram governadas pelos familiares do soberano (filhos e sobrinhos), chamados de Fumos ou Encosses. as aldeias eram dirigidas por Mukuru ou Muenemuchas e geralmente era um ancião. · Fumos ou Encosses – chefes provinciais. · Mukuru ou Mwenemusha – chefes das mushas (comunidades aldeãs). · Linhagem – unidade produtiva de base, constituída por parentes consanguíneo. A Economia do Estado de Muenemutapa No estado de Muenemutapa praticava-se a agricultura de cereais como a mapira, a mexoeira e o arroz. A caça, a pesca, o artesanato e mineração eram actividades complementares. A mineração era uma actividade importante porque contribuiu para o desenvolvimento, comércio e o artesanato. Na mineração extraía-se o ferro, o cobre e o ouro, que eram utilizados para o fabrico de enxadas de cabo curto, machados e objectos de adorno. Com a presença Arabe e mais tarde Portuguesa, os produtos de mineração foram trasnformados em produtos de troca. Assim a classe dominante, obtinha os tecidos, porcelanas, missangas e outros objectos que eram considerados de grande valor. Esta prática passou a garantir a acumulação de riqueza dos chefes a partir da mineração. A Aristocracia passou a impor às comunidades a exploração de ouro e outros minérios. A Ideologia do Estado de Muenemutapa No estado de muenemutapa existiam vários termos para designar Deus: Mulungo ou Mwari. Haviam também, vários e diferentes espríritos: os Muzimu (espíritos malígnos), e eram os mais respeitados e temidos e eram o dos reis, acreditando que em cada doença ou necessidade estes podiam resolvé-los. Os Swikiros, eram os especialistas que garantiam a ligação entre os vivos e os mortos. Também eram denominados Pondoros ou Mondoros. Para garantir um bom governo e a estabilidade social eram necessárias boas relações com os antepassados e com os Muzimus. Os Swikiros, constituíam o suporte das classes dominantes, estas por seu lado, eram executores das ordens dos antepassados mortos em toda a vida e vivos na morte. A decadência do Estado Muenemutapa O declínio do Estado dos Mwenemutapascomeçou com a chegada dos portugueses a Moçambique. Os Mwenemutapas reinaram até finais do século XVII, altura em que foram substituídos pela dinastia dos Changamire Dombe, outro grupo Shona que dominava o reino Butua, contribuindo assim para a extensão territorial do Estado. As relações dos Changamiras com os portugueses tiveram altos e baixos mas, em 1693, houve um levantamento armado em que os soldados portugueses que residiam na capital foram escorraçados, várias igrejas destruídas e os portugueses impedidos, durante algum tempo, de ter acesso ao ouro e ao comércio com os reinos indígenas. Por essa altura, no entanto, os portugueses controlavam o vale do Zambeze e começaram a interessar-se mais pelo marfim, empreendimento que levavam a cabo por acordo com os estados Marave. O estado dos Muenemutapa, embora com menos poder económico, manteve-se até meados do século XIX, altura em que foi desmembrado pelos Estados Militares que se formaram como resistência dos prazeiros à administração portuguesa. Para o fim deste estado contribuiram os seguintes factores: · A fixação de mercadores portugueses na costa moçambicana; · As lutas internas pelo poder e pelo controlo do comércio com a Costa; · Conflitos permanentes entre o Poder central e os estados –satélite; · Enfraquecimento do poder do Estado devido a interferência dos estrangeiros, sobretudo dos portugueses nos assuntos internos do Estado; · As invasões dos povos Nguni; · A expansão do sistema dos prazos no vale de Zambeze; · As calamidades naturais no início do século XVIII; · Alianças dos sucessores dos Muenemutapa reinante aos portugueses; · A intensa cristianização prosseguida pelos missionários. Conclusão A origem da dinastia governante no seio dos Mwenemutapas, remontam à primeira metade do século XV. De acordo com a tradição oral, o primeiro "mwene" foi príncipe guerreiro de um reino Shona ao sul, chamado Nyatsimba Mutota, enviado para encontrar novas fontes de sal, ao norte. O Príncipe Mutota encontrou o sal entre os Tavara, uma subdivisão dos Shonas, que eram notórios caçadores de elefantes. Por meio dos comerciantes árabes e dos primeiros exploradores lusitanos, também souberam que havia um grande reino a noroeste do rio Zambeze, governado por um chefe muito poderoso, a quem chamavam de Muene Mutapa. O ouro que viam chegar aos portos de Sofala, Angoche e Quelimane vinha desse reino, e não mais da região do zimbabwe. Mas a grandeza do que ficou conhecido nos textos portugueses antigos como o estado do Muenemutapa é fruto da vontade que tinham de encontrar alí um estado poderoso ao qual se aliar, ou mesmo dominar. Nas descrições portuguesas, tentou-se por algum tempo fazer crer que essas aldeias constituíam um império poderoso, montado em jazidas de ouro, que afinal eram bem menos ricas do que o sonhado. Tudo indica que o que realmente existiu foram chefias unidas por laços de parentesco, casamento ou identidade religiosa, subordinadas à autoridade ritual de um chefe, o Muene mutapa, e frequentemente entrando em conflito com chefias vizinhas. Alianças eram feitas e desfeitas. Confederações cresciam e desapareciam. E a presença de comerciantes portugueses no interior do estado querendo controlar o comércio de ouro e marfim aumentou os conflitos e as tensões existentes entre os diferentes grupos. A queda deste estado deveu-se a falta de união dos mutapas reinantes, a infiltração dos portugueses na política do estado assim como a invasão do povo Ngunis. Bibliografia http://inaciojorgemacuacua.blogspot.com/2015/06/ http://colegiomoz.blogspot.com/2017/11/o-estado-dos-mwenemutapas.html http://www.webartigos.com/storage/app/uploads/public/58f/78b/1d3/58f78b1d39b4b553122856.pdf http://ovissmuhacha.blogspot.com/2018/09/estados-mwenemutapas.html 2