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Nome: Anaís Drumond Laplace Matrícula: 24684 2ª PEÇA- CORREÇÃO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ DO JURI DA COMARCA DE _____________. Processo atuado sob o n°: ___________. MÁRIO DE BRITO, já devidamente qualificado nos autos do processo, em epigrafe, na ação que lhe move, a justiça pública, como incurso na sanção do art. 121, § 2°, inciso IV, do Código Penal, vem por seu advogado infra-assinado, tempestivamente, à presença de Vossa Excelência, pela complexidade do caso, apresentar ALEGAÇÕES FINAIS, com fundamentos nos arts. 403, §5° do Código de Processo Penal, na forma de MEMORIAIS, pelas razões de fato e de direito a seguir expostos: I. Dos Fatos Mário de Brito foi denunciado pela prática de homicídio qualificado, segundo o Ministério Público, o acusado passava por uma ponte, ocasião em que encontra a vítima Dionísio, seu suposto pai. Começaram então a discutir, ocasião em que Mário teria disparado tiros contra a vítima, tiros estes que a levaram a óbito. Durante a instrução, foram ouvidas 8 (oito) testemunhas de acusação e 8 (oito) testemunhas de defesa. As testemunhas de acusação foram unânimes em destacar a animosidade existente entre o acusado e a vítima, que negava ser pai do acusado. Também disseram que havia ação de investigação de paternidade em andamento. As testemunhas assistiram a tudo de uma distância de cerca de um quilometro e não puderam precisar maiores detalhes que a levaram a óbito. Já as testemunhas de defesa disseram que o acusado simplesmente se defendeu do avanço da vítima, que vinha em sua direção empunhando uma espada. Disseram ainda que Márcio estava no chão quando disparou os tiros contra a vítima, que estava em cima dele. Informaram, por fim, que o acusado e a vítima já brigavam há bastante tempo e que as discussões e agressões entre eles eram constantes. O acusado, em seu interrogatório apresentou a versão das testemunhas, embora tenha sido ouvido na audiência antes delas. Ao final da instrução, a acusação requeriu a pronúncia de Mário por homicídio consumado qualificado em razão da surpresa da vítima, que impossibilitou a sua defesa, com fundamento no artigo 121, §2°, inciso IV do CP. II. Do Direto Data vênia, em que pese o brilhantismo douto representante do Ministério Público, subscritos da denúncia esta não prosperar. Nobre julgador, os memoriais de defesa devem ser acolhidos para absolver o acusado, devidamente demonstrado que o acusado foi interrogado antes da oitiva das testemunhas, o que configura nulidade processual conforme dispõe o artigo 411 do CPP, que traz a ordem de realização dos atos da audiência de instrução no rito do júri, a oitiva das testemunhas deve preceder o interrogatório do acusado. No caso, entretanto, primeiro foi interrogado o acusado, somente depois de proceder-se à oitiva das testemunhas de acusação e defesa, o que contraria o mencionado dispositivo do diploma processual penal e configura cerceamento de defesa, em efeito ao artigo 5°, inciso LV, CF, acarretando a nulidade processual nos termos do art. 564, inciso IV do CPP. Com isto, a rigor a decretação da nulidade processual a partir da audiência de instrução. No mérito, deve o réu ser absolvido sumariamente, pois agiu em legítima defesa conforme artigo 23, inciso II e 25 do CP, que age acobertado pela excludente de ilicitude da legítima defesa aquele que, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu o de outrem. De fato, as testemunhas de defesa afirmaram que o acusado simplesmente defendeu-se da agressão da vítima, que empunhava uma espada em sua direção. Segundo as testemunhas, ainda o acusado estava no chão quando disparou os tiros contra a vítima, estava em cima dele. Mário, ao ser ouvido trouxe a mesma versão que as testemunhas. Em caso de pronúncia, deve ser afastada a qualificadora prevista no art. 121, §2°, inciso IV do CP. Conforme previsão legal, deve responder por homicídio qualificado aquele que o pratica com surpresa da vítima dificultando ou impedindo a sua defesa. Por fim, deve ser concedido a Márcio o direito de recorrer em liberdade. III. Dos Pedidos Ante o exposto, requer-se a anulação do processo a partir da audiência de instrução. Caso não seja esse entendimento, pugna-se pela absolvição sumário do réu, com fulcro no artigo 415, inciso IV do CPP. Subsidiariamente, em caso de pronúncia, requer-se a exclusão da qualificadora previsto no art. 2°, inciso IV do CPP. Por fim, pleiteia-se a concessão do direito de recorrer em liberdade. Temos em que Pede-se deferimento Cidade, __ de junho de 2020