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1 CONCEITOS BÁSICOS: TRANSPORTE, TRÁFEGO E TRÂNSITO Definições: TRANSPORTE é o movimento de pessoas, mercadorias e informações entre locais. O transporte não é um fim em si mesmo. No desenvolvimento das nações, os transportes desempenham papel de fundamental importância. Para demonstrar esta importância, o Congresso dos Estados Unidos afirmou que: “sob qualquer ponto de vista - econômico, político e militar, o transporte é, inquestionavelmente, a indústria mais importante do mundo”. A falta de transporte (ou o transporte inadequado) afeta o setor de agricultura, dificulta a integração nacional, retardando o crescimento, prejudica a segurança nacional. Dificulta o comércio internacional. A falha nos transportes exige mais estoques (excessivos) para compensar a incerteza do fornecimento = reflete nos custos, no preço final dos produtos. O transporte apresenta diversas características, como: Infraestrutura: entende-se a rede de transporte rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial, tubular, e seus terminais; Veículos: como automóveis, bicicletas, comboios e aviões, motorizados e não motorizados. Operações comerciais, legais e políticas: relacionadas com a maneira como os veículos operam na rede e o conjunto de procedimentos específicos para o propósito desejado, incluindo o ambiente legal (leis, códigos, regulamentos, etc.). Nas políticas podemos citar o financiamento do sistema de transportes. É considerável também analisar o motivo do uso do transporte, o motivo da viagem (trabalho, estudo, compras, lazer e outras necessidades específicas como ir ao médico, correio, bancos, etc). Analisar se é para o movimento de carga como coleta de lixo, coleta, entrega de materiais, mudanças, etc. Outro ponto relevante é analisar a sustentabilidade do meio de transporte, o custo, se ele é privado ou público. 2 HISTÓRIA DO TRANSPORTE Período Colonial – até 1822: Estes caminhos eram abertos sem muito empenho de Portugal; Portugal investia em obras de fortificação, contra invasores; As ligações entre as capitanias se faziam pelo mar, em longas e perigosas viagens, logo as capitanias se desenvolveram em torno dos portos. Primeiro Reinado – 1822 – 1831 Dom Pedro determinou providências para facilitar a navegação do Madeira – Mamoré, Guaporé e do Amazonas, mandou abrir estradas. Mas estas providências não trouxeram modificações profundas. Regências – 1831 – 1840, período sem grandes investimentos no transporte. O foco eram as movimentações políticas e militares. Segundo Reinado – 1840-1889 Notáveis transformações, progressos econômicos nos anos posteriores. Navegação de longo curso – entre países; Navegação de cabotagem – Margeando a costa entre portos marítimos do mesmo país; Navegação Fluvial – país rico em rios; Implantação das primeiras estradas de ferro, surgimento do Barão, depois Visconde de Mauá – o visionário Irineu Evangelista de Souza: (Barão – Título de uma monarquia, os barões pertenciam à nobreza, elite, tem propriedades rurais, ocupam cargos políticos, tem formação cultural elevada. O Visconde está acima do Barão na hierarquia). Antes das ferrovias, a produção cafeeira era transportada em animais (mulas) – 200 mil mulas com carregamento, por ano, no Porto de Santos. Eram tantas mulas que se implantou uma indústria para recuperação de ferraduras que se perdiam nas estradas. 3 A Estrada de Ferro Mauá foi o empreendimento pioneiro: Estabelecia uma via de ligação entre o Rio de Janeiro e o Vale Paraíba do Sul, sendo pela navegação até o porto de Mauá, dali em diante por via férrea até o barranco do rio Paraíba do Sul. 1º Trecho – 14,5 Km ligava Mauá, Inhomirim e a Parada do Fragoso. Rodovias: O Império não foi feliz na atração de investimentos para a construção de rodovias, como foi com as ferrovias. REPÚBLICA – 1889 Reestruturada a administração do País: Através de Planos/comissões voltadas para a integração nacional e tratava também a questão da política internacional; Sistema Ferroviário - planejamento da viação terrestre era por ferrovia, devido a excelência e baixo custo para longas distâncias: o 1922 – 1954 – Introduções relevantes, como trechos de tração a vapor substituídos por tração elétrica, criação da Companhia Vale do Rio Doce, a qual incorporou estradas de ferro que ligavam Minas ao Espírito Santo. 17/11/1903 – Assinado o Tratado de Petrópolis, entre o Brasil e a Bolívia, onde coube ao Brasil a obrigação de construir a Estrada de Ferro Madeira- Mamoré, para compensar a cessão, pela Bolívia, da área do atual Estado do Acre. o Foi conhecida como a Estrada do “diabo” pelas perdas humanas ocorridas durante sua construção – 1907 – 1912. o Servia para escoar a produção da borracha amazônica provenientes de matas bolivianas e brasileiras até Porto Velho. o A ferrovia foi parcialmente desativada nos anos 30, devido à decadência da borracha amazônica (houve plantio de seringueira na Ásia). o Tentou voltar nos anos 50, transportes de mercadorias e passageiros – porém em 1966 devido a prejuízos foi desativada por completo, pelo Presidente Castelo Branco. 4 o Foi abandonada totalmente em 1972. o Tentou retomar para fins turísticos em 1981. o Novo abandono em 2000. o Em 2005 a Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi tombada pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. E foi tema da minissérie “Mad Maria”. 1926 – 1930 – Com o Presidente Washington Luis “Governar é abrir estradas” Num País que, em 1927, tinha 93.682 automóveis e 38.075 caminhões. O grande impulso para o desenvolvimento rodoviário brasileiro. Em 1928 foi inaugurada a BR-040, que veio a ter o nome de Rodovia Washington Luiz – a melhor rodovia da América do Sul. 1930 – Getúlio Vargas depôs o Presidente Washington Luiz existiam 2255 Km de estradas de rodagem e 5917 Km de estradas carroçáveis, em mau estado de conservação. 1934 – começa a prioridade pelo governo à mobilidade rodoviária. 1937 – Criado o DNER devido ao aumento progressivo da frota nacional. Curiosidade: 1891 – 1º veículo que chega ao Brasil, trazido da França, por Santos Dumont – um Peugeot. A partir de 1940 – Competição de modais: intensificou a construção de estradas, muitas delas, paralelas às ferrovias. Ao invés de estimular a integração intermodal de transportes, acirrava-se a competição principalmente entre rodovias, ferrovias e navegação de cabotagem. Poderoso impulso rodoviário: 1946 – A criação do Fundo Rodoviário Nacional, que estabeleceu um imposto sobre combustíveis líquidos, usado para financiar a construção de estradas pelos estados e a União; 5 1954 - fundação da Petrobrás, em 1954, que passou a produzir asfalto em grande quantidade; 1957 – No governo Juscelino Kubitscheck houve a implantação da indústria automobilística nacional (primeira indústria foi em Santa Bárbara D’Oeste, indústrias Romi S. A., fabricou o Romi-Isetta, entre 1956-1961) e a decisão de construir a nova capital no interior do país impulsionou o desenvolvimento rodoviário do Brasil. Rodovias construídas: A BR-116 é a principal rodovia brasileira, a maior e é totalmente pavimentada. Começa em Fortaleza / Ceará e vai até Jaguarão, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai. Ela tem 4385Km. 1951 – Nova Rio-São Paulo (Via Presidente Dutra); Segunda metade dos anos 50 – São Paulo-Curitiba-Lajes-Porto Alegre (Régis Bittencourt / Via Serrana); 1963 – Rio Bahia. Via Anchieta – Inaugurada em 1953, foi a 1ª autoestrada brasileira. Sua construção foi uma evolução técnica no que diz respeito à construção de rodovias. O que é autoestrada: Rodovia duplicada/de acesso totalmente controlado – via expressa, destinada ao tráfego motorizado de alta velocidade, planejada com pelo menos,duas vias na direção de cada fluxo. Nomenclatura das rodovias federais São os nomes definidos pelo Plano Nacional de Viação (PNV). A nomenclatura das rodovias é definida pela sigla BR, que significa que a rodovia é federal, seguida por três algarismos. O primeiro algarismo indica a categoria da rodovia, de acordo com as definições estabelecidas no Plano Nacional de Viação. Os dois outros algarismos definem a posição, a partir da orientação geral da rodovia, relativamente à Capital Federal e aos limites do País (Norte, Sul, Leste e Oeste). 6 1. RODOVIAS RADIAIS São as rodovias que partem da Capital Federal em direção aos extremos do país. Nomenclatura: BR-0XX Primeiro Algarismo: 0 (zero) Algarismos Restantes: A numeração dessas rodovias pode variar de 05 a 95, segundo a razão numérica 05 e no sentido horário. Exemplo: BR-040. 7 2. RODOVIAS LONGITUDINAIS São as rodovias que cortam o país na direção Norte-Sul. Nomenclatura: BR-1XX Primeiro Algarismo: 1 (um) Algarismos Restantes: A numeração varia de 00, no extremo leste do País, a 50, na Capital, e de 50 a 99, no extremo oeste. O número de uma rodovia longitudinal é obtido por interpolação entre 00 e 50, se a rodovia estiver a leste de Brasília, e entre 50 e 99, se estiver a oeste, em função da distância da rodovia ao meridiano da Capital Federal. 8 Exemplos: BR-101, BR-153, BR-174. 3. RODOVIAS TRANSVERSAIS São as rodovias que cortam o país na direção Leste-Oeste. Nomenclatura: BR-2XX Primeiro Algarismo: 2 (dois) Algarismos Restantes: A numeração varia de 00, no extremo norte do país, a 50, na Capital Federal, e de 50 a 99 no extremo sul. O número de uma rodovia transversal é obtido por interpolação, 9 entre 00 e 50, se a rodovia estiver ao norte da Capital, e entre 50 e 99, se estiver ao sul, em função da distância da rodovia ao paralelo de Brasília. Exemplos: BR-230, BR-262, BR-290. 4.RODOVIAS DIAGONAIS Estas rodovias podem apresentar dois modos de orientação: Noroeste-Sudeste ou Nordeste-Sudoeste. Nomenclatura: BR-3XX Primeiro Algarismo: 3 (três) Algarismos Restantes: 10 A numeração dessas rodovias obedece ao critério especificado abaixo: Diagonais orientadas na direção geral NO-SE: A numeração varia, segundo números pares, de 00, no extremo Nordeste do país, a 50, em Brasília, e de 50 a 98, no extremo Sudoeste. Obtém-se o número da rodovia mediante interpolação entre os limites consignados, em função da distância da rodovia a uma linha com a direção Noroeste-Sudeste, passando pela Capital Federal. Exemplos: BR-304, BR-324, BR-364. Diagonais orientadas na direção geral NE-SO: A numeração varia, segundo números ímpares, de 01, no extremo Noroeste do país, a 51, em Brasília, e de 51 a 99, no extremo Sudeste. Obtém-se o número aproximado da rodovia mediante interpolação entre os limites consignados, em função da distância da rodovia a uma linha com a direção Nordeste-Sudoeste, passando pela Capital Federal. Exemplos: BR-319, BR-365, BR-381. 5. RODOVIAS DE LIGAÇÃO Estas rodovias apresentam-se em qualquer direção, geralmente ligando rodovias federais, ou pelo menos uma rodovia federal a cidades ou pontos importantes ou ainda a nossas fronteiras internacionais. Nomenclatura: BR-4XX Primeiro Algarismo: 4 (quatro) Algarismos Restantes: A numeração dessas rodovias varia entre 00 e 50, se a rodovia estiver ao norte do paralelo da Capital Federal, e entre 50 e 99, se estiver ao sul desta referência. Exemplos: BR-401 (Boa Vista/RR – Fronteira BRA/GUI), BR-407 (Piripiri/PI – BR- 116/PI e Anagé/PI), BR-470 (Navegantes/SC – Camaquã/RS), BR-488 (BR-116/SP – Santuário Nacional de Aparecida/SP). Transporte Aeroviário: Depois da Segunda Guerra, inclui-se uma nova modalidade além dos sistemas Ferroviários, Rodoviário, Fluvial e Marítimo. 11 1964 – Criada uma Política de Transportes; 1965 – 2001 – GEIPOT – Grupo de Estudos para Integração da Política de Transportes – durou 36 anos, assessorava o Poder Executivo no planejamento, na formulação e na avaliação das políticas públicas no setor de transportes, tinha corpo técnico altamente qualificado. 2001 – GEIPOT foi extinto, dando origem a Conselhos, Agências e Departamentos distintos: CONIT – Conselho Nacional de Integração de Política de Transportes Terrestres; ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários; ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres; DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – O DNIT é uma autarquia federal vinculada ao Ministério dos Transportes. Implementar a política da infraestrutura do Sistema Federal. É um órgão gestor e executor, atuando na operação, manutenção e restauração das vias navegáveis, ferrovias e rodovias. ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil – criada em 2005 – regulamentar a aviação civil. 2011 – Foi criado o Sistema Nacional de Viação – SNV, para melhorar, modernizar o planejamento dos investimentos federais no setor de transportes. A Lei esperou 15 anos e foi a primeira lei assinada pela Presidente Dilma. Compreendem os subsistemas: Rodoviário; Ferroviário; Aquaviário; Aeroviário. TRÁFEGO tem a mesma origem da palavra TRÁFICO, ou seja, comércio, troca de mercadorias, transporte/circulação de mercadorias. 12 Tráfego embute a noção de via; refere-se ao deslocamento de pessoas, mercadorias ou veículos através de meios apropriados, com origens e destinos definidos, sujeito a algum tipo de ordenamento. No campo de atuação do tráfego, se tratando dos modos rodoviários, podemos destacar a ENGENHARIA DE TRÁFEGO que é a área do conhecimento que tem como objetivos o planejamento, projeto geométrico e operação de tráfego em vias, suas redes, terminais, lotes lindeiros e relações com outros modos de transporte. A Engenharia de Tráfego tem como objetivo assegurar o movimento seguro, eficiente e conveniente de pessoas e bens. Classicamente, os sistemas de tráfego são baseados em três pilares, conhecidos como os três Es, do inglês: Engineering (Engenharia) Education (Educação) Enforcement (Fiscalização) Naturalmente, este curso cuidará dos aspectos relativos à Engenharia, mas é fundamental não perder de vista que qualquer solução de Engenharia só terá resultado se acompanhada da Educação e da Fiscalização, assim como a Educação depende da Fiscalização e da Engenharia e a Fiscalização depende da Educação e da Engenharia. Quando se fala em Engenharia de Tráfego, aqui em são Paulo, não podemos esquecer da empresa que administra o trânsito nesta grande cidade: a Companhia de Engenharia de Tráfego – CET, que é subordinada a Secretaria Municipal de Transportes – SMT. A CET, fundada em 1976, tem o objetivo de planejar e implantar, nas vias e logradouros do município, a operação do sistema viário, com o fim de assegurar maior segurança e fluidez do trânsito. TRÂNSITO significa originalmente passagem. A tendência que se observa ultimamente é a de considerar trânsito numa definição abrangente, como o deslocamento em geral de pessoas e/ou veículos. 13 TRÂNSITO remete ao movimento de veículos e pessoas (pedestres). O DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) vai por este caminho quando distingue ACIDENTES DE TRÂNSITO de ACIDENTES DE TRÁFEGO. Segundo ele, ACIDENTES DE TRÁFEGO são perturbações nos fluxos que provocam conseqüências operacionais, enquanto ACIDENTES DE TRÂNSITO são as ocorrências relacionadas à segurança dos deslocamentos. CENÁRIO MUNDIAL - MOBILIDADE Nova York A Secretária de Transportes da cidade de Nova York, Janette Sadik-Khan, nomeada pelo prefeito Michael Bloomberg em 2007, dobrou a quilometragem de ciclovias na cidade, para um total de 800 quilômetros, e transformou 13 ruas em praças para pedestres, incluindo uma no meio de Times Square.Outras 50 estão em construção. Janette acredita que ciclovias e bicicletas são uma importante forma de trazer equilíbrio para uma cidade. A mudança partiu da forma de olhar a cidade buscando formas mais eficientes de locomover. Para Janette, enquanto um ônibus pode levar 40 pessoas, um carro geralmente leva 1. O objetivo dela foi desenhar uma cidade de uma forma que fosse mais fácil caminhar, o que é bom para a saúde e também diminui o impacto ambiental de emissão de dióxido de carbono. É muito fácil pintar ciclovias, e tornar fácil para as pessoas se locomoverem em duas rodas, e também seguro para todos. Uma das maiores conquistas da cidade de Nova York tem sido melhorar a segurança das ruas de Nova York. Trecho da entrevista da Janette Sadik-Khan a revista Valor Econômico em março de 2013: Nossas ruas estavam congeladas no tempo por quase 50 anos. A visão era a de olhar para a rua através do para-brisa e pensar como fazer os carros se moverem o mais rápido possível do ponto A para o ponto B. Os últimos cinco anos têm sido os mais seguros nas ruas na história da cidade desde que dados começaram a ser coletados, em 1910. Nossas ruas estão mais seguras, com a adição de 450 quilômetros de ciclovia nos últimos cinco anos; nossas ruas 14 estão mais atraentes, com 50 ruas que estão sendo transformadas em praças para pedestres; nossas ruas estão mais eficientes, com seis novas rotas de ônibus rápido em toda a cidade; nossa infraestrutura está em bom estado de manutenção. Então nossas estradas, pontes e barcos estão nas melhores condições que já tiveram em muitas gerações. Gastamos mais de US$ 5 bilhões nisso apenas nos últimos cinco anos. Em todas as medidas temos feito enorme progresso. Muitas cidades são como Nova York - são ótimas para caminhar, mas não existem muitos lugares para se sentar. Por isso trabalhamos num programa de bancos. Instalamos mil bancos pela cidade. Eles são cruciais para fazer que as pessoas desfrutem a cidade. Cada cidade é diferente, você tem que adaptar a estratégia dependendo do lugar, tem que considerar os ativos, examinar onde quer crescer, quais são as áreas que precisam de ajuda, e então você considera qual é a melhor combinação de ferramentas - uma área de pedestres aqui, uma passarela acolá, um sistema de ônibus rápido. Não existe uma única fórmula para todos os lugares. Fonte:Valor Econômico Bogotá “Um ônibus com cem passageiros tem direito a cem vezes mais espaço de vias do que um carro com um”, diz Peñalosa em entrevista por telefone a Exame em setembro de 2013. Em Bogotá, entre 1998 e 2001, ele foi responsável por medidas que seguem esta visão: construiu mais de 300 km de ciclovias, restringiu tráfego de carros em horários específicos, proibiu o estacionamento em calçadas e o restringiu no centro da cidade, além de construir vias exclusivas para trajetos de ônibus. Para os pedestres, as calçadas foram alargadas e mais de mil parques foram construídos ou totalmente reformados. No último ano do mandato de Peñalosa, a cidade de mais de 7,1 milhões de habitantes recebeu o prêmio Stockholm Challenge pelo seu sistema de transporte de massa baseado em ônibus, o TransMilenio, que foi inspirado nos BRT de Curitiba, no Brasil. 15 Antes do sistema, em 1998, uma viagem de 30km no transporte público levaria 2 horas e 15 minutos. Dez anos depois, o mesmo trajeto é feito em 55 minutos, segundo Angelica Castro, ex-gerente do TransMilenio, em entrevista em 2008 para Streetfilms. O sistema é intermodal, com ciclovias que levam até as estações e estacionamentos gratuitos para bicicletas. Alguns pequenos ônibus trafegam pelas ruas menores levando pessoas para as estações do TransMilenio, de graça. Cerca de 1,4 milhão de pessoas usam o transporte por ônibus rápidos criado e implementado na administração de Peñalosa todos os dias em Bogotá. A principal diferença do sistema está, além do uso de faixas exclusivas para eles, nas estações. Elas se parecem com estações de metrô, onde o pagamento é feito previamente e as plataformas são niveladas com o chão do ônibus. Bogotá ainda tem problemas com trânsito e congestionamento, mas se orgulha, além do TransMilenio, de ser uma cidade que promove o ciclismo. “Hoje, ainda que seja muito pouco, para cada três pessoas que andam de carro, uma anda de bicicleta”, diz o ex-prefeito. Por lá, porém, ele admite que ainda faltam muitas coisas a serem feitas. Fonte:Exame Londres Partindo de 2001 e 2002 --antes de existir o pedágio urbano-- até hoje, registra-se que a circulação de carro no centro de Londres, onde fica a área de cobrança, caiu pelo menos 21%, contra os 13% de média em toda a cidade. Os dados da Transport for London, empresa de transporte local, apontam, no mesmo período, um crescimento de 59,7% nas viagens de ônibus, 42% de metrô e trens e 66% no uso de bicicletas. A população da cidade cresceu 12%, ou seja, é uma parcela cuja maioria provavelmente se juntou ao grupo que usa o transporte público. Não existe catraca na cobrança do pedágio urbano. Quem circula de carro por aquelas áreas, de segunda à sexta, entre 7h e 18h, deve pagar 10 libras (cerca de R$ 36). O pagamento pode ser feito pela internet, telefone, num posto de atendimento, até a meia-noite do dia referente. Quem quiser, opta por pagamentos adiantados, de três meses a um ano. 16 Ao todo, 197 câmeras registram os carros que passam pelo local e conferem se o dono pagou ou não a taxa. Se não pagou, a multa pode chegar a 195 libras (R$ 700). Moradores da região têm desconto de 90%. Fonte: Folha de São Paulo Pequim Na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs), a capital da China, Pequim, tomou a seguinte decisão: reduzir em cerca de 40% o limite para vendas de carros novos em 2014 - afirmou nota publicada pelo governo local. Para se ter ideia, os altos níveis de poluição obrigaram a China a, praticamente, paralisar no mês de outubro um importante centro urbano com uma população de 11 milhões de habitantes: a cidade de Harbin. Ainda de acordo com o documento divulgado pelo governo, até 2017, Pequim permitirá a emissão de 150 mil novas placas de carro, por ano, o que representa uma queda de 90 mil. Com isso, a comercialização de automóveis estará limitada a 600 mil unidades - menos que o total vendido na cidade apenas em 2010. A China pretende limitar as vendas de veículos em mais oito cidades. Atualmente, a regra já funciona para Xangai, Guangzhou e Guiyang, além de Pequim, onde os compradores têm que participar de leilões de placas ou de sorteios. Além disso, o governo emitirá uma proporção maior de placas a compradores de veículos com novas motorizações, que precisam de menores quantidades de gasolina ou utilizem energias alternativas. Isso pode beneficiar montadoras de carros elétricos, como a BYD. Fonte:Portal EcoD COMPONENTES DOS SISTEMAS DE TRANSPORTES Definições: SISTEMA DE TRANSPORTE – Um conjunto de elementos que fornecem e dirigem ações para que o transporte ocorra. Definição de Morlok (1978). Analisaremos o Sistema de Transporte como uma questão sistêmica. Para tal, utiliza- se a teoria dos sistemas. Para Chiavenato (1993) a teoria geral de sistemas assevera 17 que as propriedades dos sistemas não podem ser descritas significativamente em termos de seus elementos separados. Segundo a teoria, a compreensão dos sistemas somente ocorre quando os sistemas são estudados globalmente, envolvendo todas as interdependências de suas partes. O Sistema de Transporte possui quatro elementos básicos dentre seus componentes, que são: (i) O veículo; (ii) A via; (iii) Os terminais; (iv) O Plano de Operação. VEÍCULO - Meio usado para movimentar pessoas e cargas. Tipos de Veículos: Terrestres: Carro, Caminhão, Ônibus, Reboque, Locomotiva, Bicicleta. Hidroviários:Navio, Barco, Submarino, Balsas. Aéreos: Dirigível, Avião, Helicóptero, Balão. Os veículos podem ser puxados por animais, como carroças e carros de boi. No entanto, os animais não são chamados veículos mesmo quando eles são usados como meio de transporte. Ainda existem cargas que sua própria massa, ou seja, a própria carga é o veículo, como no caso dos sistemas de transportes através de dutos (Transportes Dutoviários). VIAS – Conexões que unem pontos. Caminho, criado pelo homem, para a passagem de algum meio de transporte. As vias são construídas de acordo com as características dos veículos. A via pode ser fixa e precisa, como nas ferrovias ou trajetória virtual indicativa, como acontece com as vias de tráfego aéreo e marítimo. 18 Tipos de Vias: Estradas, ruas, avenidas; Estradas de ferro; Hidrovias; Aerovias (corredores aéreos); Aeroportos; Gasoduto, oleoduto. TERMINAIS – Pontos que dão início e fim das viagens. Estruturas dimensionadas para o embarque e desembarque de pessoas e cargas. Diferem das paradas pela maior infraestrutura oferecida. Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo – é o maior terminal rodoviário do país, o mais movimentado da América do Sul e o segundo mais movimentado do mundo, superado apenas pelo Terminal Rodoviário de Nova York. Terminais de carga; Terminais Ferroviários; Terminais de Passageiros; Centro de Distribuição – mercado consumidor; Estoque - Loja. PLANO DE OPERAÇÃO – Conjunto de procedimentos usado para manter um sistema operando com uma circulação adequada de bens, veículos e pessoas. Procedimentos necessários a operação e funcionamento dos sistemas de transportes; Garantia de fluxo seguro e ininterrupto; Simples (tabela de horários); Muito complexo (Sistema de semáforos inteligentes com operação em tempo real, esquemas de bombeamentos de oleodutos). Fatores exógenos (condicionantes externos) 19 Num sistema de transporte é necessário considerar algumas condicionantes externas, os chamados fatores exógenos, anteriores e independentes do próprio processo de planejamento, que interferem nas relações entre os elementos do sistema de transporte e aumentam a complexidade e as dificuldades no processo de diagnose e de planejamento. Os fatores exógenos representam as condições às quais o sistema de transporte está submetido, e que não está sob seu controle. Alguns exemplos de condicionantes exógenas encontram-se listados a seguir, segundo suas instâncias. É importante ressaltar que a influência destas condicionantes varia para cada situação, e que podem estar além destas listadas: Políticas: o Coordenação e cooperação política entre diferentes esferas do governo; o Relações entre gestores e operadores; o Coordenação e cooperação entre diversos sistemas urbanos (transporte x outros). Socioeconômicas e culturais: o Nível de escolaridade; o Renda e poder de compra (capacidade para pagamento da tarifa); o Costumes e preferências na escolha modal; o Características no uso e ocupação do solo; o Sexo, raça, idade e religião. Infraestrutura e materiais disponíveis e acessíveis: o Percursos (vias) disponíveis e com boas condições de trafegabilidade; o Embalagens (para cargas) e veículos disponíveis; o Força motriz disponível; o Localização e concentração de comércio e serviços. Aspectos morfoclimáticos: o Condições de topografia e relevo; o Condições de Clima (permanentes e sazonais). Diferentes sistemas, atributos para opção 20 Cada perfil de demanda possui suas exigências particulares de transporte, que determinam o modo e um sistema preferencial a ser utilizado. Desta forma, não há um sistema de transporte que possa ser definido como “ideal” para todas as situações. Contudo existem princípios que se aplicam à maior parte das situações e suas respectivas escolhas. Quando consideramos diferentes modos ou opções de serviço, competindo em uma mesma região, alguns atributos dos diferentes sistemas são avaliados para a escolha da melhor alternativa. Estes atributos devem ser considerados na etapa de diagnóstico e em todo planejamento, seja para previsão de demandas, seja para melhorias operacionais. O desempenho do sistema está diretamente relacionado ao atendimento que o transporte proporciona às expectativas do usuário, quando este faz a opção pelo seu uso. Por este motivo, o reconhecimento da situação atual (diagnóstico) e da situação desejada é essencial para o processo de planejamento. Os principais atributos considerados pelos usuários para fazer a sua opção são: Confiabilidade Caracterizada pela exatidão no cumprimento do horário e itinerário do serviço, quando para este existe uma programação pré-estabelecida. Acessibilidade Maior menor facilidade de ingresso no transporte, distinguindo-se dois aspectos: acessibilidade locacional (proximidade aos pontos de embarque), e acessibilidade temporal (freqüência dos serviços). Por razões técnicas, econômicas ou legais nem sempre um sistema, ainda que aparentemente próximo, pode ser acessado no local ou no momento em que a demanda necessite dele. Tempo de deslocamento É um dos atributos de mais fácil percepção e importância para a escolha e corresponde ao tempo gasto para efetuar o deslocamento entre locais de origem e destino. 21 Conveniência Reflete aspectos relacionados diretamente às características gerais do sistema. Pode ser relativo à operação (necessidade de transferências, períodos de atendimento, sistema de cobrança, formas de solicitação do serviço) ou relativos aos aspectos físicos (condições dos pontos de acesso ao sistema, terminais, disponibilidade de estacionamentos, disponibilidade de veículos e embalagens adequadas). Conforto As condições de conforto são, em parte, subjetivas. Podem ser incluídos fatores como a ocupação do veículo, a possibilidade de ir sentado, a temperatura interna, ruído, aceleração/desaceleração, altura nos degraus, largura das portas, disposição e material dos assentos. Atributo aplicado especialmente no transporte de passageiros. Segurança Proteção das pessoas em relação aos acidentes e contra crimes (roubos, agressões, furtos). No transporte de cargas a segurança refere-se à garantia de integridade das cargas, bem como a segurança contra roubos durante o trajeto. Custos (tarifas) e Economicidade Oferecer um custo compatível com o valor do seu serviço. Este atributo costuma possuir interpretação subjetiva, pois depende da valoração que o usuário dá ao transporte. Disponibilidade Corresponde ao potencial de utilização do sistema, por estar operacionalmente presente. Qualidade de serviço Avalia-se a qualidade do serviço oferecido (em parte subjetiva). A qualidade é decorrente, dentre outros fatores, do desempenho operacional global, da confiabilidade, da eficiência e do cuidado do transportador. 22 Conclusão O Planejamento do sistema de transporte situa-se claramente na categoria de planejar sistemas complexos, pois possuem as seguintes características: Grande número de elementos; Muitas interações entre elementos; Os atributos dos elementos não são predeterminados; As interações entre elementos são pouco organizadas, não lineares e probabilísticas em seu comportamento; Os subsistemas individuais evoluem com o tempo; Os subsistemas são subjetivos e geram seus próprios objetivos; O sistema está sujeito às influências do contexto e do ambiente. MODALIDADES DE TRANSPORTE TRANSPORTE FERROVIÁRIO Transporte realizado sobre linhas férreas, efetuado por um trem, também chamado de comboio. Transporta pessoas e mercadorias. Característica importante da linha férrea: Diferenciação das linhas pela bitola. Bitola é adistância entre os trilhos de uma ferrovia. No Brasil são basicamente 3 tipos: Bitola larga – 1,60m (bitola irlandesa); Bitola métrica – 1,00m (a mais comum no país); Bitola mista – linhas com diferentes bitolas. 23 As novas tecnologias estão adotando a bitola internacional – 1,435m. Sendo a linha que utiliza bitola maior do que 1,435m considerada bitola larga e as que utilizam bitola menor do que 1,435 são consideradas linhas de bitola estreita. No Brasil, grande parte da malha ferroviária está concentrada nas regiões sul e sudeste, com predominância para o transporte de carga. A Estrada de Ferro Vitória a Minas (bitola métrica) e a Estrada de Ferro Carajás (atua entre Pará e Maranhão, bitola 1,600m), ambas administradas pela Vale S.A., são as únicas a fazerem este serviço de transporte de passageiros à longa distância – aproximadamente 900km. A Rede ferroviária brasileira possui 30.129 quilômetros de extensão, sendo: Bitola larga (irlandesa) - 1,600 m: 4.057 km Bitola Padrão internacional - 1,435 m: 202,4 km Bitola métrica - 1,000 m: 23.489 km Bitola Mista - 1,600 m (1,435 m) / 1,000 m: 336 km Também existem bitolas de 0,600 e 0,762 m em trechos turísticos. Comparações da bitola métrica com bitolas mais largas: Vantagens: Curvas de menor raio. Menor largura em aterros, cortes, terraplenos e obras de arte. menor consumo de lastro. Menor consumo de dormentes. (volume) Menor resistência à tração e a inércia. Material rodante sensivelmente mais barato. Desvantagens: Menor capacidade de tráfego. Menor velocidade e estabilidade. Conversão de material de tração importado com limitações. A bitola métrica é significativamente mais barata para ser implantada. 24 Mapa da rede ferroviária brasileira (2012) – Ministério dos Transportes. 25 Mapa da rede ferroviária do sudeste. Características do Transporte Ferroviário de Carga no Brasil: 71% da carga transportada no Brasil é Minério de Ferro. Também é transportado soja, açúcar e milho. Vantagens: Grande capacidade de carga (No país tem um trem de carga, que é considerado o maior do mundo, ele tem 3.500m, 330 vagões, atua na Estrada de Ferro Carajá); Adequado para grandes distâncias; Elevada eficiência energética (utilização racional de energia, sem grandes perdas energéticas, otimização do uso das fontes de energia); Baixo custo de transporte; Baixo custo de manutenção; Possui maior segurança (em relação ao modal rodoviário, visto que ocorrem poucos acidentes, furtos e roubos); Pouco poluente. 26 Desvantagens: Alto custo de implantação; Transporte lento devido às suas operações de carga e descarga (porém em uma pesquisa feita em 2011, mais de 75% dos clientes estão satisfeitos com o tempo); Baixa flexibilidade com pequena extensão da malha; Baixa integração entre estados. PAC – Programa de Aceleração do Crescimento Expansão da malha ferroviária para permitir a ligação a áreas de produção agrícola e mineral a portos, indústrias e mercado consumidor. Para isso, o governo quer a revisão do modelo regulatório, para criar um ambiente mais competitivo no transporte de cargas, incentivar a utilização da capacidade da infraestrutura ferroviária e estimular novos investimentos. Quer ainda garantir carteira de projetos para ampliar e melhorar a utilização da malha, integrando-a aos demais modais de transporte (rodovias e hidrovias). Outra diretriz importante é o investimento em trens de alta velocidade – Rio- São Paulo-Campinas, São Paulo-Curitiba, Campinas- Triângulo Mineiro e Campinas-Belo Horizonte. Mapa expansão ferroviária: 27 TAV – Trem de Alta Velocidade (Trem Bala) O TAV Rio – São Paulo – Campinas é o trem de alta velocidade previsto no PAC que permitirá rapidez no transporte de passageiro entre as maiores metrópoles do país - Rio e São Paulo, além de ligar os dois maiores aeroportos internacionais do Brasil. A obra prevista inicialmente em R$ 30 bilhões e conhecida popularmente como trem bala causa polêmica entre a sociedade. A obra está prevista para operar seu primeiro trecho em 2020. Comprimento total – 518Km Velocidade máxima – 350Km/h; Bitola padrão internacional (1,435m); Percurso Rio – São Paulo – 1h30. Transporte Ferroviário Urbano Análise do transporte ferroviário urbano na cidade de São Paulo: Metrô de São Paulo: Primeiro trecho começou a operar em 1974 – Jabaquara – Vila Mariana; Malha metroviária de 74,2Km; Transporta 4,5 milhões de passageiros por dia; Linhas 1,2 e 3 - possuem bitola irlandesa – 1,600m, devido à tradição ferroviária da época; Linhas 4 e 5 – possuem bitola padrão internacional – 1,435m. Líder em atratividade no transporte público municipal. Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM: Em 1992 a CPTM recebeu como herança um sistema ferroviário de quase um século de existência, completamente sucateado; Malha ferroviária de 260,8Km – 6 linhas; Atende 22 municípios; 28 Transporta 2,6 milhões de passageiros por dia, só as estações Brás, Luz e Barra Funda recebem juntas quase 50% do movimento diário; As linhas possuem bitola irlandesa – 1,600m. Em construção: MONOTRILHO O Metrô de São Paulo, de forma inovadora, está implantando, no município de São Paulo, o sistema do Monotrilho, que atenderá à população da Zona Leste, de Ipiranga a Cidade Tiradentes. Movido a eletricidade, opera sem condutor e viaja a uma velocidade de até 80km/h, com intervalo entre trens de 90 segundos. Sistema de Monotrilho, trem com tração elétrica e sustentação por pneus, que se desloca sobre uma viga de 69 centímetros de largura, com pneus laterais para guia e estabilização. Vias e Estações em elevado – altura entre 12 e 15 m. Velocidade Comercial Mínima: 35 km/h. Greide Máximo = 6%. Dois Pátios, Oratório e Ragueb Chohfi, com capacidade para 27 trens cada. O sistema do Monotrilho proporcionará: Mesma qualidade de serviço do Metrô subterrâneo Diminuição da poluição atmosférica Conforto e rapidez nas viagens Menor tempo nos deslocamentos Maior integração entre os bairros Melhoria no trânsito Aumento da mobilidade Ampliação dos investimentos da região Geração de novos empregos Geração de novos polos de comércio e serviços. 29 Desvantagens do Monotrilho A grande desvantagem do monotrilho é, em casos de emergência, não ter plataformas para abandonar a área, ou ainda, serem muito estreitas e de difícil circulação. Outro impacto negativo seria a degradação da paisagem urbana, devido à estrutura elevada dos trilhos. VLT – Veículo Leve sobre Trilhos – Metrô de Cariri – Ceará A linha possui 13,6 km de extensão, entrou em operação em 2009. O Metrô do Cariri é um trem de superfície, operado por veículo leve sobre trilhos (VLT), composto por duas composições com tração diesel hidráulica e mecânica. Cada composição é formada por dois carros equipados com ar condicionado e capacidade de transporte de 330 passageiros por composição. Os trens foram fabricados pela empresa Bom Sinal, do município de Barbalha, também no Cariri. Velocidade operacional de 60Km/h. O trecho adotado é o mesmo do antigo ramal ferroviário do Crato, utilizado pela Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA, até o início dos anos 80. Atualmente, o ramal tem sua operação de cargas administrada pela concessionária Transnordestina Logística S/A até o distrito de Muriti, município do Crato. O trecho entre Muriti e a antiga estação do Crato, cerca de 4km, foi desativado há mais de vinte anos, sendo necessária a implantação de nova via. O restante do trecho (entre Muriti e Juazeiro do Norte) passou por serviços de remodelação, necessários aoatendimento das condições mínimas de operacionalidade e segurança de um sistema de transporte ferroviário de passageiros. Malha Ferroviária Urbana no Brasil e no mundo Em um breve comparativo da malha ferroviária urbana de transporte de passageiros, nas grandes cidades do mundo, observamos que a cidade com maior malha ferroviária urbana (dados de 2011) é Xangai, com 420Km de ferrovias urbanas, Nova York tem 418Km, Londres tem 408Km e São Paulo tem 74,2Km. 30 O Estado de São Paulo prevê que em 2030 a região Metropolitana de São Paulo estará servida de uma malha metroviária de 342Km e ferroviária de 448Km. MODALIDADES DE TRANSPORTE TRANSPORTE AQUAVIÁRIO O transporte aquaviário é subdivido em transporte marítimo e transporte fluvial. TRANSPORTE MARÍTIMO Transporte marítimo é o tipo de transporte aquaviário realizado por meio de embarcações para deslocamentos de passageiros e mercadorias utilizando o mar aberto como via. Pode ser de cabotagem/costeira (cuja navegação marítima é realizada entre pontos da costa ou entre um ponto costeiro e um ponto fluvial) ou de navegação de longo curso/internacional (navegação entre portos brasileiros e estrangeiros). Navegação de cabotagem, também chamada de navegação do escoamento da produção nacional, é aquela realizada pela costa do território nacional para fins de transporte entre os portos do mesmo país. Este tipo de navegação pode ser encontrado no transporte entre dois portos marítimos ou entre um porto marítimo e um fluvial. Vale destacar que na navegação de cabotagem, podem ser destacados alguns pontos positivos como: redução dos impactos ambientais encontrados no transporte rodoviário de cargas como poluição sonora, poluição do ar, congestionamentos, acidentes, etc.; e aumento da eficiência energética nacional devido ao baixo consumo de combustível se comparado com outros modais. Além dos pontos positivos citados, para o Brasil, que possui uma imensa costa litorânea, este tipo de transporte se torna bem atrativo se integrado com os outros tipos de modais existentes no país. Destaca-se que o transporte marítimo é o principal tipo de transporte nas comercializações internacionais e pode transportar diversos tipos de produtos como veículos, cereais, petróleo, alimentos, minérios, combustíveis, etc. 31 Características do transporte marítimo de carga no Brasil: Vantagens: Grande capacidade de carga; Pode transportar cargas de grandes tamanhos; Baixo custo de transporte para grandes distâncias; Transporta diversos tipos de cargas; Flexibilidade superior ao transporte hidroviário; Desvantagens: Veículos Navio de carga geral - É o navio que se destina ao transporte de vários gêneros, geralmente em pequenos lotes – sacarias, caixas, veículos encaixotados ou sobre rodas, bobinas de papel de imprensa, vergalhões, barris, barricas, etc. Tem aberturas retangulares no convés principal e cobertas de carga chamadas escotilhas de carga, por onde a carga é embarcada para ser estivada nas cobertas e porões. A carga é içada (suspensa) ou arriada do cais para bordo ou vice-versa pelo equipamento do navio (paus de carga e ou guindastes) ou pelo existente no porto. Navios gaseiro - São os navios destinados ao transporte de gases liquefeitos. Caracterizam-se por apresentarem acima do convés principal tanques típicos de formato arredondado. Navios Químicos - São os navios parecidos com os gaseiros, transportando cargas químicas especiais, tais como: enxofre líquido, ácido fosfórico, soda cáustica, etc. Navios Tanque - São os navios para transporte de petróleo bruto e produtos refinados (álcool, gasolina, diesel, querosene, etc.). Caracterizam-se por sua superestrutura a ré e longo convés principal quase sempre tendo à meia nau uma 32 ponte que vai desde a superestrutura até a proa. Essa ponte é uma precaução para a segurança do pessoal, pois os navios tanques carregados passam a ter uma pequena borda livre, fazendo com que no mar seu convés seja "lavado" com frequência pelas ondas. Navio Ro-Ro - "Ro-Ro" é uma abreviatura para "Roll on-Roll off" — é um tipo de cargueiro para o transporte de automóveis e outros veículos, de modo a que estes entrem e saiam do navio pelos seus próprios meios. No seu convés também costumam ser transportados containers. Navio Porta-Containers - São os navios semelhantes aos navios de carga geral, mas normalmente não possuem além de um ou dois mastros simples sem paus de carga. As escotilhas de carga abrangem praticamente toda a área do convés e são providas de guias para encaixar os containers nos porões. Alguns desses navios apresentam guindastes especiais. Navios de Passageiros – Para viagens de lazer, é considerada uma das maiores atratividades da indústria do turismo. Navio Graneleiro - Navio especializado no transporte de mercadorias a granel (Açúcar, Soja e Ferro) e subdividem-se em alguns tipos como: Petroleiro - transporta hidrocarbonetos; OBO (Ore, Bulk, Oil) transporta alternado de mercadoria seca, hidrocarbonetos ou minério a granel, (Ore Bulk) transporta mercadorias pesadas (minério) e o (Dry Bulk) transporta mercadoria seca a granel. Navio Ore-Oil - São os navios de carga combinada, ou seja, transportam minério e petróleo. 33 Mapa do Transporte Marítimo Brasileiro PORTOS Um porto marítimo é uma área protegida localizada na beira do mar destinada ao atracamento de embarcações. No porto, além da finalidade de local de atracamento, são realizadas operações de carga, descarga, transporte e armazenamento de mercadorias. Entrada para o comércio internacional, os portos são responsáveis por grande parte das importações e exportações de um país e são considerados como mecanismos de desenvolvimento econômico. A partir do ano de 2007, com a criação da Secretaria Especial de Portos, a infraestrutura marítima deixou de ser atribuição do Ministério dos Transportes e passou a ser regida pela nova pasta, vinculada à Presidência da República. É a Secretaria Especial de Portos (SEP) a responsável pela formulação de políticas e 34 pela execução de medidas, programas e projetos de apoio ao desenvolvimento da infraestrutura dos portos marítimos. Já os portos fluviais e lacustres são de competência do Ministério dos Transportes. Segundo a SEP, “Com uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, o Brasil possui um setor portuário que movimenta anualmente cerca de 700 milhões de toneladas das mais diversas mercadorias e responde, sozinho, por mais de 90% das exportações.” Existem hoje 34 portos públicos marítimos sob a gestão da SEP. 23 deles são administrados diretamente pelas Companhias Docas, que são sociedades de economia mista, que têm como acionista majoritário o Governo Federal. Porto de Santos – Principal Porto Brasileiro O porto é administrado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Área do Porto – 7.765.100m2; Extensão – 13.013m; Profundidade entre 5,0 e 13,5m; Cais, número de berços: CODESP – 53, terminais privativos – 11. Maior problema encontrado nos portos brasileiros – acesso a terminais Porto de Santos – 28/05/13 - Depois de provocar um congestionamento de 50 quilômetros (km) nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, a prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), teve de suspender o decreto municipal assinado sexta- feira. O documento limitava o horário de funcionamento dos pátios reguladores (onde ficam estacionados os caminhões rumo ao Porto de Santos) das 8 às 18 horas. Fora desse horário, o local tinha de ser fechado – um contrassenso diante da decisão do governo, no início do mês, de determinar a operação 24 horas dos portos públicos para amenizar os gargalos logísticos. Desde fevereiro, com a safra recorde de milho e soja, o Porto de Santos – e seus acessos – estásobrecarregado. O decreto da prefeita provocou um caos generalizado na região, travando não só a descida para Santos como também a subida da serra. De acordo com a 35 Ecovias, o tráfego ficou parado desde a praça de pedágios, no planalto. Os caminhoneiros eram os mais revoltados com a situação, uma vez que foram pegos de surpresa com a medida. Sem lugar para estacionar, ficaram parados na estrada desde a madrugada. A Companhia Docas do Estado de São Paulo disse entender que a medida tomada pela prefeitura de Cubatão compromete a logística de acesso aos terminais e não entende de que forma a limitação no horário de funcionamento dos Pátios Reguladores irá reduzir os impactos no município. Os problemas de congestionamento para acessar o Porto de Santos não são novos. No mês passado, por exemplo, vias da região apresentaram lentidão várias vezes. Faltam pátios para os caminhoneiros estacionarem os veículos e acessos que evitem congestionamentos. A solução definitiva ainda deve demorar alguns anos. Mais de 15 mil caminhões circulam por dia no Porto de Santos. O número varia de acordo com o período. Em março, em meio à safra de grãos, a média foi de 20 mil ao dia. Os dois pátios onde os caminhões podem estacionar ficam em Cubatão (SP). Juntos, têm capacidade para pouco mais de 1.500 veículos por dia. Sem ter onde estacionar, os outros mais de 14 mil ficam parados nas estradas. Com a regra da prefeitura de Cubatão, o problema foi agravado. Engarrafamentos e falta de pátios para caminhões são comuns nos portos. A dificuldade de acesso aos terminais de carga é o principal problema nos dez maiores portos brasileiros, responsável por atrasos na entrega, aumento dos preços e prejuízos às empresas envolvidas nas operações. Além de congestionamentos em rodovias que levam aos portos, falta de pátios para estacionamento de caminhões, planos de movimentação ineficientes e outros problemas em terra, há ainda restrições para a navegação dos navios por conta da baixa profundidade, entraves burocráticos e embaraço na execução de obras. A solução para essas e outras questões motivou a criação da nova Lei dos Portos, aprovada no mês passado pelo Congresso Nacional em forma de medida provisória e sancionada pela presidente Dilma Rousseff, com objetivo de modernizar os portos do país. A chamada MP dos Portos estabelece novos critérios para a 36 exploração e arrendamento (por meio de contratos de cessão para uso) para a iniciativa privada de terminais de movimentação de carga em portos públicos. A intenção do governo é ampliar investimentos privados e modernizar os terminais, a fim de baixar custos de logística e melhorar condições de competitividade da economia brasileira. Acesso é problema em Santos O Porto de Santos, que em 2012 foi responsável por um quarto das trocas comerciais do país, deve receber R$ 7 bilhões em investimentos até 2024, segundo a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o terminal. Em 10 anos, o atual movimento de 104 milhões de toneladas de carga deve subir para 230 milhões. Para que o aumento seja viável, o porto busca soluções para alguns de seus principais problemas, como a melhoria do acesso aos terminais para colocar fim aos engarrafamentos nas rodovias Anchieta e Cônego Domênico Rangoni. Hoje, caminhoneiros chegam a ficar mais de 24 horas parados nas estradas até conseguirem descarregar os produtos, já que não há pátios suficientes para estacionamento. O atraso na entrega encarece os produtos. Em 2012, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os navios ficaram, em média, mais de 18 dias no porto até serem carregados com milho, sendo 87,4% do tempo gasto na espera para atracar. Até 20 de março desse ano, de acordo com o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo, o prejuízo para os agentes marítimos foi de R$ 115 milhões. Estima-se que cada navio atracado custe cerca de R$ 100 mil por dia. Vitória perde linhas internacionais Com estrutura de acessos marítimo, ferroviário e rodoviário que não atende à demanda de cargas, o Porto de Vitória perde linhas de navegações internacionais de carga para terminais de outros estados. Atualmente só navios de Xangai, na China, atracam no local. 37 Segundo o superintendente geral de projetos da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Eduardo Prata, o problema dos acessos marítimos, que afeta a eficiência do porto, está sendo resolvido com as obras de dragagem e derrocagem, que devem ser concluídas até dezembro de 2013. Segundo a Codesa, cerca de R$ 500 milhões serão investidos em três anos para resolver o problema. Faz parte do projeto de infraestrutura a criação de um pátio de triagem para estacionamento de caminhões, que deve melhorar o problema das filas que chegam a durar três dias. Outro ponto que também deve ser resolvido com urgência é a ampliação do horário de operação, fazendo o porto funcionar 24 horas. Esse é um problema que também está ligado ao acesso, visto que o Porto de Vitória precisa parar duas vezes ao dia, das 7h às 9h e das 17h às 19h, devido a um acordo com a cidade para evitar movimentação nos horários de pico do trânsito. Portos Bem Administrados: Porto de Tubarão – Vitória (Empresa Vale); Porto de Rio Grande – Rio Grande do Sul (Companhia Docas); Porto de Suape – Pernambuco (Companhia Docas) PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - PORTUÁRIO O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC2) está investindo na melhoria dos portos brasileiros. De acordo com o último balanço do programa, de janeiro a abril de 2012 foram concluídas três importantes obras de dragagem e aprofundamento nos Portos de Santos (SP), Natal (RN) e Fortaleza (CE). Além disso, o Porto sem Papel, que tem como objetivo desburocratizar os trâmites do setor portuário reduzindo a emissão de papel, já está em operação nos portos de Salvador, Aratu e Ilhéus (todos na Bahia), de Fortaleza e Pecém (ambos no Ceará) e nos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES). Os empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para a área portuária dividem-se em: ampliação, recuperação e modernização dos portos. Serão construídos sistemas de atracação e acessos terrestres, serão realizadas dragagens, haverá desburocratização das operações portuárias e construção de terminais de passageiros para a Copa de 2014. Assim, 38 haverá redução dos custos logísticos, melhoria da eficiência operacional portuária, aumento da competitividade das exportações brasileiras e incentivo ao investimento privado. TRANSPORTE FLUVIAL Transporte realizado através de hidrovias. As hidrovias podem ser rios, lagos e lagoas navegáveis que receberam algum tipo de melhoria/sinalização/balizamento para que um determinado tipo de embarcação possa navegar por esta via. As hidrovias podem ser rios, lagos e lagoas navegáveis que receberam algum tipo de melhoria/sinalização/balizamento para que um determinado tipo de embarcação possa trafegar com segurança por esta via. É considerado o sistema mais barato e limpo; Menor participação no transporte de mercadoria no Brasil; Muitos rios do país são de planalto, apresentando-se encachoeirados, portanto, dificultam a navegação; Os rios de planície, facilmente navegáveis, encontram-se afastados dos grandes centros econômicos do Brasil. Transporte Hidroviário no Brasil: 63 mil Km de rios e lagos/lagoas; 40 mil Km são potencialmente navegáveis; Ocorre atualmente em 13 mil Km (maioria na Amazônia). 39 40 Vantagens do modal fluvial: É o modal que apresenta menor custo Possui grande capacidade de carga, tornando-se econômico para longas distâncias. Transporta mercadorias volumosas e pesadas. Custos de perdase danos são o mais baixo se comparado aos outros modais. Apresenta baixo custo de energia, por isso torna-se de menor impacto ambiental. Desvantagens do modal fluvial: Problemas portuários Transporte lento Disponibilidade limitada Como é geralmente associada à outra modalidade, requer instalações e equipamentos para transbordo. Sofre com influências naturais: Relevo: Rios de planície são bons para navegação, mas os de planalto costumam apresentar cachoeiras o que dificulta o percurso, neste caso são necessárias comportas. Clima: Nas regiões muito frias os rios são utilizados na primavera e no verão, já que no outono e no inverno eles congelam. Nas áreas com secas, a navegação também sofre variação devido ao nível das águas, o que pode ser resolvido com represas ou barragens. O uso de uma rede hidroviária exige uma infra-estrutura que pode envolver a abertura de canais para ligação de vias fluviais naturais, adaptação dos leitos dos rios para profundidade, correção do curso fluvial, vias de conexão com outras redes, um sistema de conservação, instalações portuárias, barragens entre tantos outros para que possa haver um melhor aproveitamento. Além disso alguns rios podem apresentar grande dificuldade de navegação para embarcações grandes já que apresentam diferentes características ao longo do ano, além de problemas como profundidade, trechos estreitos ou curvas fechadas. Porém como é um sistema de alta rentabilidade, se houver necessidade de investimentos, estes são de rápido 41 retorno, mas o impacto ambiental e econômico que isso pode causar deve ser levado em consideração. Devido à vantagem econômica da navegação fluvial sobre os outros transportes, cria-se uma pressão para que se opere com maiores embarcações em determinado rio (mais cargas). É necessário, para evitar qualquer tipo de problema que as embarcações estejam adequadamente projetadas, construídas e sendo operadas, levando em consideração todas as características da via. Veículos: embarcações – podem ser de carga e de passageiros. O uso de passageiros pode ser para atendimentos médicos, transporte entre cidades, cultos religiosos, exploração ambiental. BARRAGENS E ECLUSAS Definição de Barragem: Barreira artificial construída em um curso de água para retenção/represamento de grandes volumes de água. Definição de Eclusa: É um dispositivo utilizado nas barragens para vencer o desnível causado pela mesma, fazendo com que o tráfego das embarcações possa ser realizado. Barragens e Eclusas são construções, obras de engenharia hidráulica, feitas pelo homem para solucionar dificuldades encontradas em cursos de água. As barragens eram construídas desde a antiguidade com o intuito de reduzir os impactos dos períodos de estiagem. Assim, eram construídas barreiras artificiais para que pudessem ser armazenadas grandes quantidades de água provenientes das chuvas e da vazão caudal do rio em que a barragem se encontrava. O lago artificial formado por este armazenamento serve para diversos fins como: irrigação, consumo humano, produção de energia, piscicultura, pesca, lazer, fornecimento de água para indústrias, etc. 42 Vale destacar que a construção de uma barragem deve passar por uma rigorosa fase de planejamento, pois a área em seu entorno sofrerá muitos impactos ambientais. Tal fato leva a necessidade de um rigoroso processo de licenciamento ambiental para a construção da mesma. As eclusas das barragens também têm um papel importante no transporte realizado nas hidrovias. Tais construções funcionam como uma espécie de escada ou elevador para embarcações que desejam transpor um desnível num curso de água. Portos Fluviais O Brasil tem 16 portos fluviais, o Ministério dos Transportes é responsável pela formulação de políticas e pela execução de medidas, programas e projetos de apoio ao desenvolvimento da infraestrutura dos portos fluviais e lacustres. O Porto de Manaus é o maior Porto Fluvial do país. Localizado à margem esquerda do Rio Negro distante, 13 km da confluência com o rio Solimões, o Porto de Manaus constitui a principal entrada para o Estado do Amazonas. O porto, nas primeiras décadas do século XX, representava não apenas um ponto de atividades mercantis, mas também a ligação cultural com o resto do mundo. Todo esse rápido desenvolvimento tornou a cidade de Manaus referência de evolução social, política, econômica e cultural. 43 Regiões Hidrográficas do Brasil 44 Principais Hidrovias do País: Hidrovia do Madeira - (Corredor Oeste-Norte) O rio Madeira é navegável numa extensão de 1.056 km, entre Porto Velho e sua foz, no rio Amazonas, permitindo, mesmo na época de estiagem, a navegação de grandes comboios, com até 18.000 t. Os investimentos na hidrovia compreendem dragagens, derrocamentos, balizamento e sinalização. Atualmente, cerca de 2 milhões de t/a de cargas já são transportados pelo rio Madeira. 45 Hidrovia do Guamá-Capim (Corredor Araguaia-Tocantins) A hidrovia Guamá-Capim é um importante corredor de transporte de minérios provenientes, na sua maioria, das ricas jazidas de caulim e de bauxita. Hoje, observa- se a formação de relevantes pólos agropecuários, especialmente na região de Paragominas. A área de influência da hidrovia abrange vários municípios, destacando-se Paragominas, São Domingos do Capim e São Miguel do Guamá. A hidrovia está sinalizada e dragada, com expectativa de movimentar 2 milhões t/a. 46 Hidrovia do São Francisco (Corredor São Francisco) O rio São Francisco é totalmente navegável em 1.371 km, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA) /Petrolina (PE), para a profundidade de projeto de 1,5 m, quando da ocorrência do período crítico de estiagem (agosto a novembro). Sem saída para o Atlântico, o rio São Francisco tem seu aproveitamento integrado ao sistema rodo-ferroviário da região. A partir da implantação do sistema multimodal, o escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia, com foco na cidade de Barreiras, banhada por um dos seus principais afluentes, o rio Grande, é realizado por rodovia até a cidade de Ibotirama na margem do São Francisco, descendo o rio pelo transporte hidroviário até Juazeiro/Petrolina, e deste, por ferrovia, para o Porto de Aratú (BA). No quilômetro 42 acima de Juazeiro/Petrolina, situa-se a barragem de Sobradinho, cuja transposição é realizada através de eclusa. A movimentação anual fica em torno de 60.000 t/a. 47 Hidrovia Tietê-Paraná (Corredores Transmetropolitano do Mercosul e do Sudoeste) A hidrovia Tietê-Paraná permite a navegação numa extensão de 1.100 km entre Conchas no rio Tietê (SP) e São Simão (GO), no rio Paranaíba, até ltaipu, atingindo 2.400 km de via navegável. Ela já movimenta mais de um milhão de toneladas de grãos/ano, a uma distância média de 700 km. Se computarmos as cargas de pequena distância como areia, cascalho e cana de açúcar, a movimentação no rio Tietê aproxima-se de 2 milhões de toneladas. Hidrovia do Paraguai (Corredor do Sudoeste) Essa hidrovia compõe um sistema de transporte fluvial de utilização tradicional, em condições naturais, que conecta o interior da América do Sul com os portos de águas profundas no curso inferior do rio Paraná e no rio da Prata. Com 3.442 km de extensão, desde Cáceres até o seu final, no estuário do rio da Prata, proporciona acesso e serve como artéria de transporte para grandes áreas no interior do continente. As principais cargas transportadas no trecho brasileiro são: minério de ferro, minério de manganês e soja. Os fluxos de carga na hidrovia vêm crescendo nos 48 últimos anos, respondendo, justamente, à expectativa de interação comercial na região. No território brasileiro, a hidrovia percorre 1.278 km e tem como principais portos: Cáceres, Corumbáe Ladário, além de três terminais privados com expressiva movimentação de carga. Entre 1998 e 2000 foram movimentadas mais de 6 milhões de toneladas de cargas apenas no trecho brasileiro. O referido trecho da hidrovia Paraguai/Paraná pode ser dividido em dois segmentos, devido às peculiaridades de calado e formação dos comboios que trafegam na via. No trecho de Cáceres a Corumbá, os comboios, com formação 2x3, trafegam compostos por chatas de 45 m de comprimento e 12 m de largura, com calado assegurado de 1,5 m e que podem transportar até 400 toneladas de carga. Em cerca de 3 meses ao ano, a navegação no trecho sofrer limitações, e os comboios têm de operar com menos carga ou, em estiagens rigorosas, deixar de navegar, principalmente, nos 150 km próximos à cidade de Cáceres. Outro trecho é o que se estende de Corumbá até a foz do rio Apa, onde trafegam comboios com formação 4x4, compostos por chatas de 60 m de comprimento e 12 m de largura, com calado assegurado de 2,6 m, capazes de transportar 20.000 a 25.000 toneladas de cargas. Fazem parte das Hidrovias do Sul as Lagoas dos Patos e Mirim, o canal de São Gonçalo que liga o rio Jacuí a seu afluente, Taquari e uma série de rios menores como Caí, Sinos e Gravataí, que constituem o estuário do Guaíba. O rio Jacuí foi canalizado com a construção das barragens eclusadas, compreendendo uma extensão de 300 km, para calado de 2,5 m. No rio Taquari foi implantada a barragem eclusada de Bom Retiro do Sul, que vence um desnível máximo de 12,50 m, dando acesso ao Porto Fluvial de Estrela, para embarcações de 2,5 m de calado. As embarcações que freqüentam esta hidrovia são automotoras com capacidade de 3 mil toneladas. No porto de Estrela o movimento chega a 650 mil t/ano. No passado, movimentou 1 milhão de toneladas/ano. Na Lagoa dos Patos a navegação é realizada por embarcações fluviomarítimas de até 5,10 m de calado, numa extensão de 250 km entre Rio Grande e Porto Alegre. 49 Hidrovias em projeto A Diretoria de Infra-Estrutura Aquaviária vem adotando medidas de implantação das hidrovias do Tocantins-Araguaia e do Tapajós. Ambas importantíssimas para a viabilização da produção agrícola da região Centro-Oeste, que será encaminhada aos portos do norte do País, com grandes reduções de custos. PAC Hidroviário Os empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para a área hidroviária têm o objetivo de ampliar e melhorar a navegabilidade dos rios brasileiros. Tal objetivo será alcançado através da realização de dragagens, derrocagens, sinalizações, estudos hidroviários e construções de terminais hidroviários de carga e passageiros. Assim, haverá diminuição do custo de frete com o crescimento do modal hidroviário, aumento na segurança da navegação e planejamento do crescimento da navegação nos rios brasileiros. 50 PNIH - Plano Nacional de Integração Hidroviária O Plano Nacional de Integração Hidroviária (PNIH), lançado no dia 19 de fevereiro de 2013, foi concebido pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) visando a dois objetivos centrais: um estudo detalhado sobre as hidrovias brasileiras e a indicação de áreas propícias para instalações portuárias. Para atingir ao primeiro objetivo, idealizou-se o projeto intitulado “Desenvolvimento de Estudos e Análises das Hidrovias Brasileiras e suas Instalações Portuárias com Implantação de Base de Dados Georreferenciada e Sistemas de Informações Geográficas”. Um dos objetos do PNIH, desenvolvido pela ANTAQ com o auxílio do Laboratório de Transportes e Logística (Labtrans) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi analisar diferentes cenários logísticos, buscando avaliar a criação de terminais hidroviários e alternativas de escoamento utilizando as hidrovias nacionais, inserida à matriz de transporte brasileira, a partir de trechos hidroviários já navegados na atualidade ou potencialmente navegáveis. Em suma, são apresentados, para seis bacias hidrográficas, a potencialidade de utilização do modal hidroviário, terminais e vias, para o transporte de cargas, delimitados pelos cenários de 2015, 2020, 2025 e 2030. HIDROANEL METROPOLITANO DE SÃO PAULO A hidrografia de São Paulo foi a principal estruturadora da metrópole: a cidade se estabeleceu em volta dos rios e utilizou intensamente seus recursos para o crescimento. No entanto, ao longo do rápido processo de expansão urbana, muitas transformações foram operadas na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê reduzindo, por um lado, o espectro de usos dos rios na cidade e aumentando, por outro, as vulnerabilidades do complexo metropolitano. As conseqüências desse processo são sentidas no cotidiano de São Paulo: enchentes, alagamentos, dependência excessiva do transporte rodoviário e desarticulação logística e urbanística dos rios com a cidade. As águas superficiais se tornaram mais do que um problema hidráulico, elas são para São Paulo um problema fundamentalmente urbano. Para que a questão hídrica deixe de ser um entrave e se torne a questão central da reestruturação urbanística da cidade, o desenvolvimento da metrópole 51 necessitará de uma ampla transformação dos seus rios: o Hidroanel Metropolitano de São Paulo será um projeto pioneiro dessa mudança. Todas as hidrovias que compõe o projeto do Hidroanel estão dentro da própria metrópole, respeitando a ocupação do entorno e as características naturais do sítio. É necessária a utilização de embarcações-tipo em função das dimensões mínimas dos canais estreitos e rasos de São Paulo, estabelecendo uma relação adequada com a capacidade de carga. O termo Barco Urbano de Carga vem da sigla VUC – Veículo Urbano de Carga, criado para diminuir a circulação de veículos de grande porte na cidade. O BUC segue o mesmo princípio, uma embarcação adaptada à circulação da cidade, onde as vias têm dimensões restritas. O projeto do Hidroanel está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana, que tem entre seus objetivos contribuir para o acesso universal à cidade e mitigar custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos de pessoas e bens. Intimamente relacionados com o desenvolvimento urbano e bem estar social, os bens deslocados na cidade são compreendidos no Estudo de Pré- viabilidade do Hidroanel como sendo as cargas públicas e comerciais que transitam no meio urbano. A implementação do Hidroanel Metropolitano se justifica pelo transporte de cargas públicas: sedimento de dragagem, lodo, lixo, entulho e terra. As Cargas Públicas são de responsabilidade do Estado e seus gerenciamentos são imprescindíveis para o funcionamento adequado da cidade. Esses cinco tipos de cargas serão transportados e processados ao longo do Hidroanel. As cargas pioneiras são os sedimentos de dragagem do rio, inaugurando o transporte fluvial com os resíduos obtidos com a própria manutenção dos canais. A geração de material de dragagem e de resíduos sólidos domésticos (2,5kg por habitante por dia – Prefeitura de São Paulo, 2004) na RMSP configura demanda suficiente para viabilizar os investimentos na hidrovia. O programa de transporte associado ao modal hidroviário faz com que as águas tenham um papel essencial na logística da metrópole, contribuindo para reverter definitivamente a percepção do rio como um problema urbano. Ao colocar a 52 hidrovia como cerne da transformação, o rio se torna um elemento funcional da cidade, cuja manutenção configura um investimento em uma atividade importante. Os cinco tipos de cargas a serem transportadas pelo Hidroanel são resíduos sólidos urbanos, que precisam ter, segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos, gerenciamento integrado incluindo coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada. Utilizando o Hidroanel para transporte e transformação das cargas, os resíduossólidos recebem tratamento a partir de um circuito de gerenciamento integrado dentro da Metrópole de São Paulo. Com a conclusão das obras do Hidroanel em 2040, prevê-se que o sistema fluvial viabilize a política de aterro zero, em que praticamente todos os resíduos sólidos são reciclados, reutilizados, biodigeridos ou, em última instância, incinerados. A proposta do Hidroanel Metropolitano se ampara na Política Nacional de Resíduos Sólidos (lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010), que estabelece o prazo de quatro anos para significativa mudança das políticas públicas estaduais e municipais de gestão dos resíduos sólidos. Entre outros pontos, fica proibido o uso dos chamados lixões, espaços sem tratamento adequado dos resíduos, e a coleta dentro desses espaços. O Plano estabelece que o resíduo deve ser triado dentro de instalações apropriadas, e seu reaproveitamento deve ser considerado, desde a reciclagem até o aproveitamento termelétrico. A partir da Política Nacional de Resíduos Sólidos o projeto do Hidroanel define as cargas públicas a serem transportadas, triadas e enviadas aos destinos adequados. Assim como estabelecido na lei, o projeto considera uma gestão integrada dos resíduos, buscando economia, eficiência e qualidade no sistema. A coleta dos Resíduos Sólidos na RMSP é feita hoje exclusivamente pelo sistema rodoviário, através de caminhões coletores que também compactam a carga. O sistema operante atende cerca de 50% do total da demanda diária da cidade, sendo a carga coletada destinada a aterros sanitários na cidade de São Paulo e nos municípios vizinhos. Porém, em função da ausência de uma gestão eficaz e compartilhada dos resíduos da RMSP, aterros desativados continuam sendo utilizados e lixões se proliferam. Sendo assim, a demanda de processamento dos 53 resíduos sólidos é urgente devido à sua quantidade desmesurada e crescente, e a conseqüente escassez de espaço para comportá-los. O sistema fluvial do Hidroanel de São Paulo é uma máquina urbana de coleta, transporte, transbordo, triagem, processamento e destinação ambientalmente adequada de resíduos sólidos. A operação do sistema é feita de forma sincronizada, planejada e com baixo grau de ociosidade de infraestrutura e equipamentos. O projeto do Hidroanel reduz significativamente a emissão dos gases de efeito estufa tanto na redução do uso do transporte rodoviário quanto na destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos. Os recursos oriundos de créditos estipulados nos tratados internacionais de mudanças climáticas podem financiar as obras do Hidroanel em etapas e tornar a operação do sistema ainda mais atrativa. O projeto do Hidroanel, além de transformar o leito dos rios, requalifica suas margens, de forma que a orla dos canais e lagos tornam-se potenciais espaços de lazer com parques e equipamentos urbanos. As eclusas, barragens e portos também são espaços de atração com caráter didático sobre o funcionamento do sistema hídrico e o gerenciamento dos resíduos sólidos. A Metrópole Fluvial sugere novos usos das margens para atividades de diversão e encontro, sendo esse caráter lúdico e funcional das águas elemento fundamental para a consolidação do Hidroanel Metropolitano. Cargas Comerciais Pioneiras As Cargas Comerciais Pioneiras são aquelas provenientes do próprio processamento ou reuso das TFUCPs. Dentro da lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, esse tipo de Carga Comercial seria o conjunto de RS Reversos. Elas fecham, portanto, o ciclo dos produtos transportados pelas hidrovias, representando um dos produtos finais do tratamento de RS na metrópole. A logística de transporte dessas cargas deve ser considerada como parte integrante do gerenciamento estatal. 54 Insumos para Construção civil Existe na RMSP uma substancial movimentação de materiais agregados da construção civil em função da elevada quantidade de obras em andamento. O maior volume, dentre esses materiais, é o de areia. Observa-se que as pedreiras, de onde se extrai a areia, se localizam, em sua maioria, na região do Vale do Paraíba, nas proximidades de rios. Para viabilizar futuramente essa carga, do ponto de sua extração até os portos de destino no Hidroanel, seria favorável, portanto, incorporar os rios e afluentes do Vale do Paraíba no complexo total de hidrovias. Deve-se considerar, além disso, que o entulho reutilizado após triagem pode ser ainda mais interessante do que os materiais novos para a construção civil. Hortifrutigranjeiros Existe uma produção forte da agricultura urbana, principalmente nas regiões periféricas da metrópole de São Paulo. A prefeitura já tem planos de incentivo à formação de polos produtores de agricultura urbana, uma atividade econômica interessante e que ajuda na preservação dos terrenos próximos aos reservatórios de águas da cidade, que não podem ser contaminados. Os projetos em desenvolvimento podem ser associados à navegação das cargas produzidas pela agricultura urbana, denominadas “hortifrutigranjeiros”. Essa carga deve ter seus trajetos restritos e curtos, tendo em vista a fragilidade e o grau de perecividade dos produtos e consequentes condições específicas de transporte que os Hortifrutigranjeiros exigem. As travessias podem ocorrer nas represas Billings e Taiaçupeba, e também nos lagos propostos na região de Itaquaquecetuba, Suzano, Poá e São Miguel. Em cada cais de desembarque dos produtos hortifrutigranjeiros, serão montados mercados que atendem o consumo local que podem ser atrelados a mercados de pulga, antiguidades e trocas (tipos de comércio que estimulam o reuso e trazem uma maior consciência ambiental). Como colocado, os cais dos Ecoportos podem receber essas atividades periódicas em seu programa. Transporte Fluvial Urbano de Passageiros O transporte de passageiros no Hidroanel abrange travessias lacustres, o transporte público de passageiros e o transporte dedicado ao turismo e lazer. Este último já acontece no trecho navegável do rio Tietê, atividade que deve ser ampliada 55 com a implantação do Hidroanel. O turismo fluvial tem o caráter educativo para a difusão da cultura da navegação e deve atender a demanda de deslocamentos à polos de turismo próximos da hidrovia e equipamentos flutuantes (teatros, bibliotecas, etc.). O transporte público fluvial de passageiros deve estar integrado ao sistema existente de transporte púbico, garantindo a intermodalidade. A travessia lacustre, para o transporte de pessoas e veículos através de balsas, acontece atualmente na represa Billings e deve ter sua rede ampliada. Pontes Na reestruturação de São Paulo através do Hidroanel, as pontes existentes que atualmente não estão adequadas às condições mínimas de navegabilidade (que não apresentam um vão mínimo entre pilares e altura) deverão ser submetidas às obras de engenharia; em alguns casos deverá adotar-se a solução de pontes-móveis, principalmente nas pontes ferroviárias. As pontes móveis são traçadas quando existe a necessidade de continuidade de eixos viários urbanos transversais aos canais navegáveis. Elas se abrem para permitir a passagem de embarcações. Dessa maneira, essas pontes, levadiças, com contrapesos, giratórias, ou rotatórias, devem substituir pontes em nível que não têm altura suficiente para a passagem de embarcações. A função da ponte móvel é não dificultar o percurso dos pedestres e ciclistas, e garantir a continuidade e conforto do passeio público, sem desnível, sobe- desce, passarelas e túneis constrangedores. Um terceiro tipo de ponte é a de pedestres, as passarelas: com rampas ou elevadores hidráulicos, implantadas no Parque Fluvial num intervalo de 100 a 125m. 56 “A sabedoria acompanha os rios”, provérbio japonês. MODALIDADES DE TRANSPORTE TRANSPORTE AÉREO O Transporte aéreo é o movimento de pessoas e mercadoriaspelo ar com a utilização de aviões ou helicópteros. O transporte aéreo é usado preferencialmente para movimentar passageiros ou mercadorias urgentes ou de alto valor. A partir da Segunda Guerra Mundial a aviação comercial assistiu a um grande desenvolvimento, transformando o avião em um dos principais meios de transporte de passageiros e mercadorias no contexto mundial. O transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a redução da distância- tempo, ao percorrer rapidamente longas distâncias. Rápido, cômodo e seguro o avião suplantou outros meios de transporte de passageiros a médias a longas distâncias. Este meio de transporte implica construção de estruturas muito especiais. Os aeroportos requerem enormes espaços e complicadas instalações de saída e entrada 57 dos voos. Por outro lado, os custos e a manutenção de cada avião são bastante elevados. Tudo isto contribui para encarecer este meio de transporte. As linhas aéreas cobrem todo o mundo, em 2010 foram registradas 54.317 rotas aéreas regulamentadas, mas de forma irregular encontrando-se uma maior densidade nos países desenvolvidos, e países recentemente industrializados. O volume de tráfego aéreo cresceu 5% entre 2011 e 2012, segundo estudo da Amadeus Air Traffic Travel Intelligence divulgado em julho de 2013. A Ásia foi o maior mercado – e também o mais competitivo e de crescimento mais rápido. O crescimento foi de 9%, seguida pela América Latina, que registrou crescimento de 6% entre 2011 e 2012 - no Brasil, a rota Rio-São Paulo aparece entre as 10 mais movimentadas. O estudo mostra que 22% das viagens internacionais estão concentradas em 300 “super rotas” – cada uma delas carrega mais de 1 milhão de passageiros por ano. Dentre as 10 rotas mais movimentadas, sete ficam na Ásia. As 10 rotas aéreas mais movimentadas do mundo são: 1. Jeju-Seul - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 10.156; Crescimento entre 2012 e 2011: 2%; Posição no ranking de 2011: 1º; 2. Sapporo – Tóquio - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 8.211; Crescimento entre 2012 e 2011: 8%; Posição no ranking de 2011: 4º; 3. Rio de Janeiro - São Paulo - Região: América Latina; Número de passageiros em 2012 (mil): 7.716; Crescimento entre 2012 e 2011: -1%; Posição no ranking de 2011: 2º; 4. Beijing – Xangai - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 7.246; Crescimento entre 2012 e 2011: 7%; Posição no ranking de 2011: 7º; 5. Melbourne-Sydney - Região: Sudoeste do Pacífico; Número de passageiros em 2012 (mil): 6.943; Crescimento entre 2012 e 2011: -2%; Posição no ranking de 2011: 5º; 58 6. Osaka-Tóquio - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 6.744; Crescimento entre 2012 e 2011: -11%; Posição no ranking de 2011: 3º; 7. Fukuoka-Tóquio - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 6.640; Crescimento entre 2012 e 2011: -3%; Posição no ranking de 2011: 6º; 8. Hong Kong – Tapei - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 5.513; Crescimento entre 2012 e 2011: 2%; Posição no ranking de 2011: 8º; 9. Okinawa – Tóquio - Região: Ásia; Número de passageiros em 2012 (mil): 4.584; Crescimento entre 2012 e 2011: 12%; Posição no ranking de 2011: 9º (nova); 10. Cape Town – Johannesburgo - Região: África; Número de passageiros em 2012 (mil): 4.407; Crescimento entre 2012 e 2011: -1%; Posição no ranking de 2011: 9º; TRANSPORTE AÉREO NO BRASIL Nos últimos anos, por conta de conjunturas internas e externas o transporte aéreo no Brasil sofreu grandes perdas e inversões de papéis entre as empresas do setor. No início dos anos 90, o mercado era dominado pela Varig, como a empresa- símbolo da aviação nacional. Ainda atuavam Vasp e Transbrasil como empresas de importância tanto no mercado doméstico quanto internacional. Entretanto, nos últimos anos, a TAM, antes um táxi aéreo sediado em Marília, SP, ganhou súbita importância na ligação Rio-São Paulo, especialmente pelo emprego de aeronaves a jato (Fokker 100) nessa rota, antes servida apenas pelos Lockheed Electra. Somado a isso surgiu pela primeira vez no país o conceito de empresa Low Fare com a Gol, que empregando aeronaves mais modernas que a média das outras empresas, alcança hoje seu posto como segunda empresa do país. Outras empresas que surgiram recentemente e seguem um conceito similar são a BRA (falida), a Azul e a WebJet (falida). A aviação brasileira cresceu muito nos últimos anos. Com o surgimento de novas companhias aéreas e a modernização das já existentes, foi possível aumentar o número de assentos disponíveis na malha aérea. A Gol lidera o ranking das empresas de baixo custo, podendo assim, repassar tarifas atraentes a todos os 59 brasileiros. Com a competição entre as companhias foi possível melhorar o serviço e reduzir tarifas. Grandes companhias internacionais também operam no Brasil: American Airlines, Continental Airlines, United Airlines, Lufthansa, Iberia, Japan Airlines, South African Airways, British Airways, Air France, Air Canada, TAP Portugal (transportes aéreos portugal) entre outras. O Brasil possui em operação 34 aeroportos internacionais e 2464 aeroportos regionais. Como nos demais meios de trasnportes, as rotas de maior fluxo de passageiros concentram-se na faixa costeira do país, em especial na região sudeste. Vantagens: É o mais rápido para transportar passageiros a médias e grandes distâncias. Grande liberdade de movimentos. É dos mais seguros e cômodos. É o mais adequado para o transporte de mercadorias de alto valor (diamantes, instrumentos de óptica, produtos farmacêuticos, etc.) e de mercadorias perecíveis (fruta, flores, etc.) Desvantagens Elevada poluição atmosférica, devido à emissão de dióxido de carbono. Poluição sonora nas áreas circundantes aos aeroportos. Forte consumidor de espaço, devido à construção das infraestruturas. Elevado consumo de combustível. É muito dispendioso (árduo, penoso). Algumas áreas estão congestionadas, devido à densidade do tráfego, gerando problemas de segurança. Muita dependência das condições atmosféricas (nevoeiro, ventos fortes…). Reduzida capacidade de carga (em relação a transportes marítimo e ferroviário). 60 Aeroportos O Aeroporto de Pequim – China O maior aeroporto do mundo, com uma área de 986 mil metros quadrados, é o Aeroporto Internacional de Pequim, desenhado pelo famoso arquiteto britânico Norman Foster - que combina o estilo tradicional chinês com a alta tecnologia, foi inaugurado em Pequim com um voo inaugural comercial vindo do leste do país. O arquiteto Norman Foster afirmou que se baseou em "uma forma que lembra os dragões e um teto aerodinâmico que evoca os símbolos tradicionais chineses". Usando vidro e aço como principais materiais, a estrutura tem um teto curvilíneo composto por claraboias triangulares que permitem que se aproveite ao máximo a luz e se conservar o calor. Aeroporto Internacional de Guarulhos Sítio Aeroportuário: Área de 13.774.086,00 m². Pátio das Aeronaves: 108 aeronaves. Capacidade de Passageiros no Ano: 42 milhões. Carga transportada – 448.273 t. O Governo Federal defendeu a opção de construir o Aeroporto Internacional em Guarulhos porque pesava o fato de o Ministério da Aeronáutica ter doado 10 quilômetros quadrados de terras pertencentes à Base Aérea de São Paulo para construção do complexo aeroportuário. A escolha de qualquer outro lugar acarretaria grandes custos com desapropriações, colocando em risco a viabilidade do projeto. Por outro lado, outra corrente defendia que era inviável a construção do aeroporto no sítio de Cumbica, devido às constantes cerrações na região que já afetavam as operações da Base Aérea. A neblina ocorre devido à proximidade da Serra da Cantareira e de várias áreas alagadas pelo rio Baquirivu-Guaçu, o Aeroportofoi inaugurado em 1977. Conhecido popularmente como Aeroporto de Cumbica é o principal e o mais movimentado aeroporto do Brasil, localizado no estado de São Paulo, na cidade de Guarulhos, no distrito de Cumbica, distante 25 quilômetros do centro de São Paulo, principal metrópole que o aeroporto serve. 61 Sendo um dos principais hubs da América do Sul, é o terminal mais movimentado de toda a América Latina, em relação ao transporte de passageiros. Já se tratando do movimento de aeronaves, perde apenas para o Aeroporto Internacional da Cidade do México, localizado na cidade homônima. No ranking mundial, o aeroporto ocupa a 23ª posição entre os aeroportos mais movimentados de todo o planeta. Em 2008, era o terceiro maior terminal do mundo em número de vôos atrasados, apenas 41% dos voos saiam no horário, segundo pesquisa realizada pela revista Forbes em janeiro de 2008. Com uma área de 14 km², dos quais 5 km² é área urbanizada, o complexo aeroportuário conta com um sistema de acesso viário próprio. A Rodovia Helio Smidt se estende por parte do perímetro do aeroporto, tendo ligação com as rodovias Presidente Dutra (BR-116) e Ayrton Senna (SP-70). Toda estrutura para passageiros é dividida em quatro terminais com 260 balcões de check-in, onde as atividades operacionais funcionam 24 horas por dia. Operam 40 companhias aéreas nacionais e internacionais, voando para 23 países em mais de 100 cidades do Brasil e do mundo. Em 28 de novembro de 2001 uma lei federal alterou a denominação do aeroporto em homenagem ao ex-governador do estado de São Paulo, André Franco Montoro, falecido em 1999. No entanto, o nome oficial não é habitualmente usado pela população, que resiste e prefere se referir a ele como Aeroporto de Guarulhos ou simplesmente Cumbica. O terminal foi concedido a iniciativa privada em 6 de fevereiro de 2012, para o consórcio Invepar/Airports Company South Africa (ACSA) durante o período de 20 anos, pelo valor 16,2 bilhões de reais . Em 16 de novembro do mesmo ano, a concessionária passou a utilizar a marca GRU Airport que irá conviver com o nome oficial, além das denominações informais. Aeroporto de São Paulo/Congonhas O Aeroporto de São Paulo/Congonhas (IATA: CGH, ICAO: SBSP) é o terceiro mais movimentado aeroporto do Brasil . Está localizado na cidade de São Paulo, no bairro de Vila Congonhas, distrito do Campo Belo, distante 8 km do marco zero da cidade. 62 Com uma área um pouco maior que 1,5 km², serve de acesso ao aeroporto a Avenida Washington Luís, que tem ligação com as avenidas Vinte e Três de Maio e dos Bandeirantes. Foi inaugurado em 1936, e seu primeiro voo teve como destino a cidade do Rio de Janeiro em um aeroplano da VASP. Seu nome deve-se à região em que se situa, a antiga Vila Congonhas, de propriedade dos descendentes de Lucas Antônio Monteiro de Barros, visconde de Congonhas do Campo, presidente da província de São Paulo durante período imperial e por um bom tempo, logo após a inauguração o local era conhecido, popularmente, de "campo da Vasp". É o 96º aeroporto mais movimentado do mundo, e já foi o aeroporto com maior tráfego de passageiros do Brasil, até a ocorrência do acidente com o Voo TAM 3054, em 17 de julho de 2007. Até o dia do acidente do Voo TAM 3054, o Aeroporto de Congonhas era o mais movimentado do país, recebendo no ano de 2006 18,8 milhões de passageiros, 50% acima de sua capacidade operacional. O acidente fez com que o governo brasileiro limitasse o percurso dos voos que têm o aeroporto com destino ou origem a 1.000 km e proibisse que o aeroporto fosse usado para escalas e conexões, essa proibição vigorou até 6 de março de 2008.6 Durante esse período, Congonhas deixou de ser um aeroporto de distribuição de voos (hub), e funcionou somente como terminal de operação direta. A intenção do governo era que os vôos retirados de Congonhas fossem transferidos para os Aeroportos Internacional de São Paulo (Cumbica), em Guarulhos, Viracopos, em Campinas, Jundiaí (aviação executiva) e São José dos Campos. Após o acidente Voo TAM 3054, foi decretado através da Infraero e do Ministério da Defesa, a criação de áreas de escape de concreto poroso em cada cabeceira. Enquanto as áreas não estão prontas, são chamadas distâncias declaradas para pousos e decolagens, assim sendo: Pista 17R/35L: 150 metros; Pista 17L/35R: 120 metros. 63 Quinze dias antes do acidente, a nova pista do Aeroporto de Congonhas havia sido liberada, após uma grande reforma que custara aproximadamente 19 milhões de reais. O início das operações se deu sem a finalização de um item — a construção de ranhuras (grooving/strips), que fazem com que haja um maior escoamento da água, causando o aumento da aderência entre a aeronave e a pista, diminuindo o risco de aquaplanagem . Logo após o acidente, as especulações de suas causas giravam em torno da pista recém-reformada do aeroporto de Congonhas. A mídia criticou o governo e as condições da pista do aeroporto de Congonhas, supostamente liberada precocemente para uso. Na manhã seguinte ao acidente, o presidente Lula solicitou à Polícia Federal uma investigação sobre a entrega das obras do aeroporto. Segundo nota oficial, "havia suspeitas de que a entrega da pista principal do aeroporto sem o chamado 'grooving' tenha colaborado com o acidente". Outro fato que contribuiu para as especulações sobre a pista de Congonhas foi que, no dia anterior ao acidente, uma aeronave modelo ATR-42 da empresa Pantanal Linhas Aéreas havia derrapado nesta mesma pista, provocando o fechamento do aeroporto por vinte minutos. Chovia no momento da derrapagem e uma das possíveis causas apontadas foi a aquaplanagem. Cinco minutos antes do acidente, foi solicitado à Infraero que fizesse uma medição da camada de água na pista para, se necessário, providenciar a suspensão dos pousos e decolagens. A medição foi feita, as condições foram consideradas adequadas pelos técnicos e as operações de pouso e decolagens não foram interrompidas. Transporte de Carga No comércio exterior, só viajam de avião mercadorias de primeira classe. No Brasil, menos de 1% do comércio exterior é feito por aviões, mas essas mercadorias representam mais de 10% do valor total. Só chegam aos aeroportos produtos caros e que precisam ser entregues com urgência. 64 Nos aeroportos brasileiros, porém, a pressa perde para a burocracia. Um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro mostra que, em cinco aeroportos com grande volume de carga, o tempo médio de liberação dos produtos é de 175 horas, mais de uma semana. A espera parece ainda mais longa se comparada com outros aeroportos do mundo. Em Londres, a carga é liberada em oito horas; nos Estados Unidos, seis horas e na China só quatro horas de espera. Para os especialistas, uma solução simples seria aumentar o horário de funcionamento de órgãos como a Receita Federal. “Aqui no Brasil, as autoridades que precisam liberar os produtos trabalham durante apenas o expediente. Muitos departamentos só trabalham seis horas por dia, de segunda a sexta, e, no mundo todo, trabalha 24 horas, sete dias por semana”, afirma Eugênio Gouvêa Vieira, presidente da Firjan. “O governo trabalha para que a escala de trabalho seja adequada às necessidades de importação e exportação de produtos, carga e descarga de produtos e de passageiros, 24 horas por dia”, diz Moreira Franco, secretário nacional da Aviação Civil. O setor farmacêutico é o mais prejudicado. Uma carga de remédios de R$ 35 milhões paga R$ 287 mil no aeroporto do Rio de Janeiro, 40 vezes mais do que o custo no aeroporto de Cingapura, um dos mais ágeis do mundo. Considerando armazenagem, perdas, atrasos, estocagens desnecessárias, muitas vezes o produto acabado tem um custo muito elevado no preço final que chega ao consumidor. Existe um plantãode despacho de carga 24 horas apenas para produtos perecíveis, segundo informações da Receita Federal. A Infraero administra no País 34 Terminais de Logística de Carga - Rede Teca, mas a maior parte da demanda - 79% - se concentra apenas em quatro aeroportos: Guarulhos (32,2%), Viracopos (23,4%), Manaus (15,6%) e Galeão (7,9%). Em todos eles, há pressão por investimentos para atender à demanda crescente. 65 No primeiro trimestre de 2012 foram transportadas 259.619 toneladas por via aérea e a projeção da Infraero era fechar 2012 com o total de 1,26 milhão de toneladas. O transporte por via aérea, por seu custo mais elevado, está muito ligado às condições macroeconômicas. Melhorou a economia, cresce a procura pelos aviões para levar mercadorias. Por isso, fatores como a cotação do dólar pesam bastante no desempenho do setor. Dólar baixo significa mais importações. Dólar alto, exportações. O mesmo acontece com as cargas expressas, especialmente as adquiridas via e-commerce e que voam pelos céus do País para chegar ao destino dentro do prazo prometido. No entanto, o presidente do Snae diz que investimentos em infraestrutura podem incrementar o uso do modal independente das condições da economia. Falta de desenvolvimento Os aeroportos das capitais gaúcha e paranaense são exemplos de dois terminais com demanda pelo transporte aéreo, mas que não podem se desenvolver por falta de condições operacionais. “Curitiba e Porto Alegre precisariam urgentemente de prolongamento de pista para receber os aviões cargueiros, assim como os dois aeroportos têm problemas com neblina frequente e, pela falta do equipamento ILS, ficam sem operar quando há nevoeiros”, diz José Márcio, ao citar as aeronaves de grande porte e que transportam grande volume de carga (as mercadorias menores também viajam nos compartimentos de carga das linhas regulares de passageiros). As queixas também se estendem à falta de espaço na pista para manobras e estacionamento das aeronaves. A situação se agrava nos terminais mais movimentados, que, até mesmo por falta de pessoal, demoram a liberar as mercadorias, fazendo com que a principal vantagem do avião, a rapidez, se perca. Para atenuar os problemas, a Infraero anunciou um plano de investimentos para os próximos quatro anos que prevê aporte de R$ 300 milhões para a melhoria das condições de logística de carga aérea no País. Desse total de recursos, R$ 160 milhões fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre as obras, estão novos terminais de cargas em Porto Alegre e Vitória e a recuperação do terminal de exportação do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Salvador e 66 Curitiba também terão suas instalações ampliadas. Pelos cálculos da estatal, a demanda de carga aérea deve chegar a 3,4 milhões de toneladas em 2017, quase três vezes mais do que deve ser transportado em 2013. Empresas privadas Enquanto aguardam as melhorias prometidas pelo setor público, as empresas privadas fazem investimentos próprios para garantir sua competitividade. A Gollog, braço logístico da Gol, inaugurou em fevereiro deste ano um novo terminal de cargas em Guarulhos que permite a movimentação de quase quatro vezes mais cargas que o antigo. A companhia projeta ainda a melhoria das instalações em sete aeroportos no país, incluindo a sua base operacional em Viracopos. A melhoria das condições econômicas dos brasileiros impulsionou as compras on-line e impactou os negócios da Gollog. “A velocidade e exigência requeridas pelos usuários desse serviço impuseram às empresas de logística e entregas expressas uma mudança no seu perfil de atuação. Pontualidade e informação em tempo real passaram a ser requisitos cada vez mais exigidos, forçando as companhias a investirem em sistemas de monitoramento e qualidade do serviço prestado. Neste cenário, o transporte aéreo de cargas se fortaleceu, pois além de ser o mais rápido e mais regular, é também o que oferece o menor risco, principalmente quando levamos em consideração as distâncias e a qualidade das estradas e ferrovias do país”, diz a companhia, por meio de sua assessoria de imprensa. Maior avião cargueiro do mundo – ANTONOV 225 Tipo de aeronave: Cargueiro de transportes internacionais Propulsão: 6 turbinas ZMKB Progress Lotarev D-18T (com 229,50 kN de propulsão cada) Peso máximo de carga permitido para conseguir decolar: 600 t. Peso máximo de carga útil (interna ou externa): 250 - 275 t. Envergadura de asa: 88,4 m Comprimento: 84 m Velocidade: 800 km/h Altura: 18,1 m (excluindo o trem de pouso) 67 Dimensões de carga: 35,97 m de comprimento; 6,4 m de largura; 4,39 m de altura Autonomia de voo com carga máxima: 4.500 km Autonomia de voo com tanques de combustível cheios: 15.400 km Tripulação: 7 pessoas. Zona de carga caberia o equivalente a: 1.500 pessoas Transporte de Passageiros Em 2013, no Brasil, 111,2 milhões de pessoas utilizaram o sistema aéreo de transporte de passageiros, sendo 91,9 milhões em voos domésticos e 19,3 em voos internacionais. Para avaliar os problemas nas ligações aéreas do Brasil, o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística analisou 877 rotas registradas no país, em 2010. As dificuldades enfrentadas por passageiros nos aeroportos brasileiros estão comprovadas em números. O estudo Ligações Aéreas 2010 revela os problemas que passageiros enfrentam nos aeroportos brasileiros como longas esperas em saguões superlotados, nas grandes cidades ou ainda conexões absurdas e preços altos, para quem parte de cidades menores ou do Norte e Nordeste do país. O estudo aponta, por exemplo, a concentração de voos nos aeroportos. Das 877 rotas aéreas registradas no país em 2010, praticamente 50% do tráfego de passageiros se concentrava em somente 24 pares de cidades. Os trechos que ligam São Paulo com as seis principais metrópoles do país (Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte e Curitiba) foi responsável por 25% do total de passageiros transportados - 71.750.986 pessoas, em 2010. De acordo com o coordenador da pesquisa, Marcelo Paiva Motta, a concentração das ligações não é ruim para a empresa aérea, pois gera economia. Por outro lado, representa prejuízo para o passageiro de algumas regiões do país. "A concentração pode cortar os custos das viagens, mas implica em que cidades menores tenham maior número de conexões, o que diminui a acessibilidade do passageiro, porque o tempo de viagem passa a ser maior”, explicou. Sobre o tempo de viagem, o estudo aponta a dificuldade e a demora que passageiros de cidades menores enfrentam. Enquanto um passageiro que sai de 68 Brasília ou de São Paulo para Teresina gasta em média de 2 horas a 3 horas em um voo direto; de Tabatinga para Teresina, a média é de 35 horas de viagem, devido às conexões. O estudo do IBGE calculou o custo médio de viagens no país, conforme a origem do passageiro. Passageiros que saem de Brasília ou de São Paulo gastam em média R$ 200 por trecho de viagem. Já quem sai de Tabatinga, no Amazonas, gasta em média R$ 1.300 por trecho, e quem sai de Joaçaba, em Santa Catarina, gasta R$ 1.250. Em 2010, 135 dos 5.564 municípios brasileiros possuíam aeroporto. A importância demográfica e econômica faz de São Paulo o concentrador de fluxos em escala nacional, seguido do Rio de Janeiro e Brasília. Apesar da concentração, em termos espaciais, o território está bem coberto, segundo Mota. O estudo mostra também que o transporte de carga via aérea é ainda mais concentrado, devido aos custos elevados. Mais da metade do tráfego acontecia em 10 pares de ligação. A ligação São Paulo-Manaus liderou o movimento aéreo de carga, com volume total de 99.344 mil kg, mais de 20% do total da carga transportada em 2010. Para Marcelo Paiva Motta os dados podem auxiliarna criação de políticas públicas para melhorar a acessibilidade das cidades menos favorecidas com ligações aéreas e resolver o problema de locais onde a distância dos aeroportos é muito grande ou de difícil acesso. Pesquisa de Desempenho Operacional dos Aeroportos A equipe técnica da Secretaria de Aviação Civil, vinculada à Presidência da República coordenou a pesquisa dos indicadores aeroportuários de percepção dos passageiros nos aeroportos no primeiro segundo trimestre de 2014. A pesquisa foi realizada nos 15 aeroportos brasileiros de grande fluxo de passageiros, neste primeiro momento, os aeroportos objeto da coleta de dados foram aqueles relacionados com grandes eventos esportivos, ou seja, todos os aeroportos internacionais das cidades-sede da Copa do Mundo, bem como aqueles que, mesmo 69 em municípios distintos dos das cidades-sede, vinculavam-se diretamente a estas cidades, totalizando 15 aeroportos. Pela pesquisa é possível constatar que, na percepção do passageiro, os indicadores com menor pontuação são os relacionados aos valores cobrados pelos estabelecimentos comerciais, instalações de alimentação e estacionamento, além de acesso à internet. Já os com maior avaliação estão relacionados a fatores humanos, como atendimento, cortesia e eficiência dos funcionários em contato direto com os passageiros. Maior avião de passageiros do mundo - AIRBUS A 380 Tipo Avião comercial Fabricante EADS Airbus Primeiro voo 27 de abril de 2005 (8 anos) Capacidade de 525 (três classes) a 853 (uma classe) passageiros Comprimento 72,75 metros Envergadura 79,80 metros Altura 24,08 metros Velocidade máxima 970 km/h Peso máx. decolagem 560 000 kg A estreia do gigante em aeroportos brasileiros aconteceu no dia 10 de dezembro de 2007 no Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo, vindo de Buenos Aires onde se apresentou às Aerolineas Argentinas, que adquiriu 3 aeronaves. No primeiro dia da visita, foi demonstrado o interior do A380 para convidados, e deixando surpreendidos todos os passageiros e funcionários do GRU. A aeronave fez um voo de demonstração para jornalistas e empresários no dia 11 de dezembro até a cidade de Curitiba no Aeroporto Internacional Afonso Pena (sem executar procedimentos de aproximação e pouso, permanecendo no marcador externo do terminal CWB) em um total de 1 hora e 50 minutos. Já a segundo visita, ocorreu no dia 22 de março de 2012, tocando o solo às 00h02. A aeronave de prefixo F-WWDD veio para um evento promocional da Airbus. 70 Várias companhias Emirates Airlines, Lufthansa, Air France e British Airways que fazem uso do Aeroporto de Guarulhos demonstraram interesse em operá-lo em suas rotas para o Brasil, porém serão necessárias alterações nas pistas de táxi e fingers, sendo que segundo as mesmas, dificilmente será objeto de utilização antes de 2011. Em setembro de 2011, a Infraero autorizou a Emirates Airlines a operá-lo em Guarulhos após um pedido formal da empresa para isso. Na época, técnicos fizeram inspeções na pista para verificar se ela poderia atender com segurança a aeronave e a única restrição foi que, devido ao tamanho da pista, há necessidade de se desligar os motores externos do superjumbo no momento do pouso, segundo a assessoria de imprensa da Infraero. Com dois motores de cada lado e com envergadura de quase 80 metros, o Airbus A380 deveria operar em pistas de categoria F pelos padrões da Organização Internacional de Aviação Civil (ICAO), 60 metros de largura e outros 7,5 metros de escape em cada lado (até 80 metros de envergadura). Estas pistas existem em poucos lugares do mundo, em especial no Oriente Médio. Já as pistas brasileiras, como Guarulhos, são de categorias E, com 45 metros de largura e mais 7,5 metros de acostamento em cada lateral (até 65 m de envergadura). Para o pouso ser realizado com tranquilidade, a restrição é de que os motores do lado externo sejam desligados na hora do pouso para evitar que haja sucção de algum material, diz a Infraero. Autoridades aeronáuticas europeias certificaram operações do A380 em pistas E ao redor do mundo desde que obedecido este procedimento, que não interferiria na quantidade de carga ou de passageiros transportados. A Emirates Airlines queria descer com o A380 em Guarulhos às 18h e decolar às 2h, um horário não compatível com o grande volume de voos no aeroporto. A contraproposta da Infraero foi para o superjumbo pousar uma hora mais tarde do previsto. As negociações se arrastaram e a previsão da empresa iniciar os voos com o A380, estimada para março de 2012, foi adiada. A ANAC negou, em fevereiro de 2014, o pedido da Infraero de utilizar o A380 no novo Terminal 3 em Guarulhos, em fase final de construção, devido a questões de segurança. 71 PAC AEROPORTOS O Programa de Aceleração do Crescimento – Infraestrutura Aeroportuária – prevê a expansão da capacidade aeroportuária no Brasil, por meio da ampliação ou construção de novos terminais de passageiros e cargas, reforma e construção de pistas, pátios para aeronaves e torres de controle e modernização tecnológica de sistemas operacionais - transporte de bagagens e pontes de embarque, entre outros. São Paulo: a maior frota de helicópteros do mundo São Paulo é oficialmente a capital mundial de helicópteros. Levantamento realizado pela Associação Brasileira dos Pilotos de Helicóptero (Abraphe), considerando frota e número de operações por asa rotativa no País e nas principais capitais mundiais, confirmam a capital paulista como a maior frota de helicóptero por cidades do mundo. São Paulo tem mais de 411 aeronaves registradas e com a quantidade de operações diárias: em torno de 2200 pousos e decolagens por dia. As cidades de Nova Iorque, nos Estados Unidos, e Tóquio, no Japão, metrópoles de maior similaridade com São Paulo nas operações por helicóptero, ocupam respectivamente a segunda e terceira posição no ranking. As informações analisadas pela Abraphe apontam ainda o Brasil (1.990 aeronaves registradas) como a quarta maior frota de helicópteros civis do mundo na comparação por países, estando atrás dos Estados Unidos (12 mil helicópteros), Canadá (2.776 helicópteros) e Austrália (2.025 helicópteros). O País fica à frente da França (1,3 mil helicópteros) e do Reino Unido (1.260 helicópteros). Os dados considerados são de 2012. Para controlar a crescente malha aérea e seu tráfego, o Comando da Aeronáutica adota um sistema exclusivo de monitoramento para helicópteros e recorre a restrições de tráfego como a implementadas para os automóveis. Há pelo menos 12 anos, a circulação dos helicópteros comerciais no polo financeiro desperta a atenção da Aeronáutica. Até então, os helicópteros, que não tinham nenhum monitoramento, dividiam o espaço aéreo com um dos terminais mais movimentados do País, o aeroporto de Congonhas, apenas pelo auto-comando (uso de rádio frequência e contato visual). Essa convivência trouxe prejuízos e atrasos para as principais companhias aéreas. “Na época, pelo menos 80 TCAs (Traffic Collision 72 Avoidance System, alarme que indica a existência de outra aeronave no perímetro) eram acionados por dia. Nesse estado, o avião é obrigado a arremeter, o que gerava atraso e custo para as empresas”, explicou a 1° tenente Lizzie Andréia Melhado Trevilatto, oficial do Serviço Regional de Proteção ao Voo de São Paulo (SRPV-SP), responsável pelo controle do espaço aéreo no eixo Rio-São Paulo. Regras e restrições O espaço é gerenciado por uma das torres de controle de Congonhas e por quatro controladores de voo específicos para os helicópteros, a cada turno de 8 horas com intervalos. “Seis aeronaves podem circular (com plano de pouso definido e autorizado) por vez no quadrilátero que é delimitado pela avenida Paulista, ponte Estaiada, Estádio do Morumbi e Parque doIbirapuera e tem 12 km2 de extensão. E caso uma sétima apareça, tem que esperar", disse o 2° sargento Thiago Almeida Santana, na função há pelo menos oito anos. Assim como em solo, as discussões sobre mobilidade e alternativas alcançaram muitos metros acima. Ineficiente apenas com o rodízio, o trânsito de São Paulo ganhou as faixas exclusivas, que reduziram o desempenho dos carros e otimizaram parte do transporte público, por exemplo. Já em meio a hélices, o quadrilátero ganhou algumas “horas exclusivas”. Desde o dia 12 de julho, após notificação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), voos panorâmicos ficaram restritos a três horários – das 9h às 13h, 16h às 18h e 20h às 23h. Custo helicóptero em São Paulo O custo médio de o valor da hora de voo é R$ 1,8 mil para três pessoas, R$ 2,4 mil para quatro pessoas e R$ 3,2 mil para cinco passageiros. Com capacidade para carregar sete passageiros mais piloto, o Grand New é o helicóptero mais caro da Labace, feira de aviação que ocorreu em agosto/2013 no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Com preço de US$ 7,5 milhões (cerca de 17,4 milhões), o modelo tem autonomia de voo de três horas ou 859 quilômetros. 73 Segurança de Voo O setor de helicópteros no País cresceu 20% ao ano na média dos últimos cinco anos. São mais de 3,7 mil pilotos de helicóptero em operação e média anual superior a 300 licenças emitidas para Piloto Comercial de Helicóptero (PCH) nos últimos três anos. Levantamento preliminar divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indica que o número de acidentes com helicóptero no País tem caído. Em 2012, a redução no número de acidentes envolvendo helicópteros foi de 15,5%, de acordo com o órgão federal. Até 2016, a meta do IHST, entidade internacional voltada à segurança de voo por helicóptero, é reduzir em 80% o número de acidentes com helicópteros no País Empresa brasileira fabricante de aeronaves - Embraer Embraer ou Empresa Brasileira de Aeronáutica S.A. é um conglomerado brasileiro fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares. A Embraer nasceu como uma iniciativa do governo brasileiro dentro de um projeto estratégico para implementar a indústria aeronáutica no país, em um contexto de políticas de substituição de importações. Em 1950 o engenheiro aeroespacial e fundador da Focke-Wulf em Bremen, o alemão Heinrich Focke, com seus engenheiros, foi convidado a fazer algumas obras de acumulação no Brasil. Ele desenvolveu vários helicópteros, como o Convertiplane HC-1. O ITA e o CTA, instituições criadas pelo cearense Casimiro Montenegro Filho, são considerados o embrião da Embraer. Fundação Fundada no ano de 1969 como uma sociedade de economia mista, vinculada ao Ministério da Aeronáutica, seu primeiro presidente foi o engenheiro Ozires Silva, que havia liderado o desenvolvimento do avião Bandeirante. Inicialmente, a maior parte de seu quadro de pessoal formou-se pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) do Centro Técnico Aeroespacial (CTA). De certa maneira, a Embraer nasceu dentro do CTA. No ano de 1980, houve uma fusão com a Indústria Aeronáutica Neiva, que se tornou sua empresa subsidiária. Durante as décadas de 1970 e 1980, a 74 Embraer conquistou importante projeção nacional e internacional com os aviões Bandeirante, Xingu e Brasília. Novo Legacy 500 Se a venda de aeronaves for um termômetro de economia, a Embraer pode dizer que a situação vai bem. Considerado a grande aposta da empresa, o Legacy 500 teve uma fila de espera de quase um ano, segundo a fabricante. O modelo – que sai por US$ 19,9 milhões – é o único da categoria média com o sistema Fly-by-Wire, já utilizado em aeronaves de maior porte, que promete mais segurança, conforto e eficiência para passageiros e pilotos. “O Legacy 500 é um divisor de águas. Queremos chegar a uma parcela significativa do mercado de jatinhos com o lançamento deste modelo.” A frota de jatos executivos brasileiros cresceu 16% no ano passado, para 724 aeronaves, segundo o Anuário Brasileiro da Aviação Geral. MODALIDADES DE TRANSPORTE TRANSPORTE RODOVIÁRIO Transporte rodoviário é o realizado sobre rodas nas vias de rodagem pavimentadas ou não para transporte de mercadorias e pessoas, sendo na maioria das vezes realizados por veículos automotores (ônibus, caminhões, veículos de passeio, etc.). Como possui, na maioria dos casos, preço de frete superior ao hidroviário e ferroviário, é adequado para o transporte de mercadorias de alto valor ou perecíveis, produtos acabados ou semi-acabados. A malha rodoviária brasileira soma cerca de 1,7 milhão de quilômetros entre estradas federais, estaduais, municipais e concessionadas (pavimentadas e não pavimentadas). Esta modalidade de transporte é responsável por 90% da locomoção de passageiros e a 65% da movimentação de cargas no País, segundo a Confederação Nacional do Transporte. Teve início na década de 90, como alternativa à falta de recursos federais para a recuperação, melhoria, manutenção e expansão da malha rodoviária nacional, o Programa Brasileiro de Concessões de Rodovias. O Brasil tem o segundo maior conjunto de rodovias no mundo, sendo que, deste, atualmente mais de 14 mil 75 quilômetros são em rodovias concedidas, operadas por 51 empresas, que já investiram cerca de R$ 16 bilhões em 15 anos. Segundo dados do Coppead (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração de Empresas da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ). O Sistema de Concessão permite a transferência, por meio de licitação, de um serviço ou bem público à iniciativa privada por prazo determinado (a propriedade continua sendo da União). No caso das rodovias, este prazo está entre 20 e 30 anos, após o qual o contrato poderá ser renovado ou não. Caso não haja esta renovação, o bem ou serviço volta à responsabilidade do poder concedente (governo), incorporando-se nesta transferência todas as benfeitorias executadas (obras, instalações, equipamentos e frota, entre outros). A atuação das Concessionárias Federais de Rodovias é regulamentada e fiscalizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do Ministério dos Transportes. Este sistema foi adotado no País como alternativa para recuperar e aprimorar parte significativa da malha rodoviária brasileira, uma vez que as rodovias encontravam-se num nível alto de degradação, devido à falta de investimentos públicos. Com o fim do Fundo Rodoviário Nacional, em 1988, cujos recursos eram obrigatoriamente aplicados nas rodovias, não havia outra fonte de recurso disponível, a não ser a capacidade de investimento da iniciativa privada. É o principal meio de transporte realizado no Brasil.Contudo, devido às suas desvantagens em relação a outros modais, houve uma mudança com o passar dos anos de pensamentos e ações que devem influenciar a sua participação na matriz modal. Essa redução propiciará aos outros modais a contribuir de forma mais eficiente para o transporte de passageiros e de cargas no Brasil. Recentemente foi aprovado a Lei nº 11.442, de 5 de janeiro de 2007, que regulamenta o exercício da atividade de transporte rodoviário de cargas no Brasil. TRANSPORTE DE CARGA Na logística, o transporte rodoviário é uma das áreas mais importantes. Os custos com transporte chegam a 60% dos custos logísticos e a redução de custos nessa área é muito importante, pois corresponde em média 20% do custo total das empresas. Cada vez mais as empresas estão de olho nessa fatia do mercado, pois o 76 transporte no Brasil chama a atenção por faturar mais de R$ 40 bilhões e movimentar 2/3 do total de carga do país. Características do transporte rodoviário de carga no Brasil: Vantagens: Possui a maior representatividade entre os modais existentes; Adequado para curtas e médiasdistâncias; Baixo custo inicial de implantação; Serviço de entrega porta a porta; Maior flexibilidade com grande extensão da malha; Transporte com velocidade moderada; Tempo de entrega confiável; Integra todos os estados brasileiros. Desvantagens: Alto custo de manutenção; Muito poluente com forte impacto ambiental; Segurança no transporte comprometida devido à existência de roubos de cargas; Os custos se tornam altos para grandes distâncias; Baixa capacidade de carga com limitação de volume e peso. Localização das Rodovias A nomenclatura das rodovias federais é definida pela sigla BR, que significa que a rodovia é federal, seguida por três algarismos. O primeiro algarismo indica a categoria da rodovia, de acordo com as definições estabelecidas no Plano Nacional de Viação: a) 0 (zero), para as rodovias radiais; b) 1 (um), para as rodovias longitudinais; c) 2 (dois), para as rodovias transversais; d) 3 (três), para as rodovias diagonais; e e) 4 (quatro) para as rodovias de ligação; 77 I. Rodovias Radiais: as que partem da Capital Federal, em qualquer direção, para ligá-la a capitais estaduais ou a pontos periféricos importantes do País; II. Rodovias Longitudinais: as que se orientam na direção Norte-Sul; III. Rodovias Transversais: as que se orientam na direção Leste-Oeste; IV. Rodovias Diagonais: as que se orientam nas direções Nordeste-Sudoeste ou Noroeste-Sudeste; e V. Rodovias de Ligação: as que, orientadas em qualquer direção e não enquadradas nas categorias discriminadas nos incisos I a IV, ligam pontos importantes de 2 (duas) ou mais rodovias federais, ou permitem o acesso a instalações federais de importância estratégica, a pontos de fronteira, a áreas de segurança nacional ou aos principais terminais marítimos, fluviais, ferroviários ou aeroviários constantes do SNV. Os outros 2 (dois) algarismos se referem à posição geográfica da rodovia relativamente à Brasília e aos pontos cardeais. Estradas O Código de Trânsito do Brasil define estrada como uma "via rural não pavimentada", ao contrário de uma rodovia, que seria pavimentada. Por outro lado, a estrada distingue-se de um simples caminho pois é concebida para a circulação de veículos de transporte. Mais de 85% das rodovias existentes no Brasil não são pavimentadas. A informação é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte - o Dnit. Apesar do número elevado, o dado não significa que todas as vias sem pavimentação careçam, obrigatoriamente, de coberturas flexíveis ou rígidas. 'É perfeitamente aceitável que uma rodovia não pavimentada tenha boas condições de tráfego, mas, para isso, é preciso realizar serviços criteriosos de melhoria das propriedades do solo, como estabilidade, resistência, deformabilidade e permeabilidade', diz o engenheiro Ismael Mendes Alvin, diretor da Tecnopav Engenharia. Segundo ele, uma estrada não pavimentada de boa qualidade deve possuir, pelo menos, largura suficiente para receber tráfego nos dois sentidos, boas condições de rolamento, superfície resistente para suportar a carga dos veículos sem que 78 ocorram deformações excessivas e um sistema de drenagem eficaz que permita a conservação da área de rolamento e dos terrenos marginais. Rodovias Uma rodovia é qualquer estrada pública asfaltada. De acordo com definições no Anexo I do Código de Trânsito do Brasil, são vias rurais de rodagem pavimentadas, o que corresponde a uma via de transporte interurbano de alta velocidade. Tipos de Rodovias Em relação à largura e circulação de automóveis, uma rodovia pode ser de pista simples, pista dupla, pista múltipla. Pista simples São aquelas em que há somente um pavimento asfáltico, que é compartilhado pelos veículos nos dois sentidos de circulação (mão dupla). Veículos nesse tipo de rodovia devem trafegar sempre do lado direito da pista (em relação a si), porém podendo utilizar o outro lado da pista para efetuar ultrapassagens em determinadas condições. Pista dupla (autoestrada) São aquelas que possuem duas faixas de rolamento em cada direção (ou sentido) com barreira física central, o canteiro e que possui outras barreiras meios- fios (guias), muretas, guard rail, etc., que dificultam conversões ou retornos irregulares, de forma que, cada sentido de circulação possui uma pista própria. Essa construção permite o desenvolvimento de uma maior velocidade e também uma maior segurança, já que torna mais difícil que dois veículos colidam frontalmente em alta velocidade, que é uma das causas frequentes de acidentes em rodovias de pista simples. Pista múltipla São aquelas que possuem três ou mais faixas de rolamento em cada direção (ou sentido) - podendo haver, inclusive, pistas duplas, triplas, quádruplas, etc. 79 Pontes e Viadutos Na construção de uma rodovia destacam-se as pontes e viadutos, nosso país tem diferentes tipo de pontes e viadutos: Ponte Mista de Marabá - Pará; Ponte Rio-Niterói – Rio de Janeiro; Ponte Juscelino Kubitscheck – Brasília; Viaduto da Rodovia dos Imigrantes – São Paulo. Rodovia Transamazônica A Rodovia Transamazônica (BR-230) é uma rodovia brasileira, projetada durante o governo do presidente Emílio Garrastazu Médici (1969 a 1974), sendo uma das chamadas "obras faraônicas" devido às suas proporções gigantescas, realizadas pelo regime militar. É a terceira maior rodovia do Brasil, com 4 223 km de comprimento, ligando Cabedelo, na Paraíba à Lábrea, no Amazonas, cortando sete estados brasileiros; Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas. É classificada como rodovia transversal. Em grande parte, principalmente no Pará e no Amazonas, a rodovia não é pavimentada. Quem viaja pela Transamazônica tem a impressão de trafegar sobre um esboço de estrada. O asfalto só existe em trechos esparsos e a sinalização é um luxo inexistente. Nos seis meses do verão amazônico, a falta de chuvas ajuda a secar os atoleiros e o tráfego flui em meio a grossas nuvens de poeira. Centenas de tratores ocupam-se de efetuar reparos em vários pontos. É um ritual que se repete há décadas no período da seca. Nos seis meses seguintes, quando a chuva não dá trégua, a natureza e o tráfego de caminhões se encarregam de destruir o pouco que foi consertado. Acaba a poeira, volta a lama. Os caminhoneiros já se adaptaram ao ciclo infernal. 80 Pesquisa CNT CNT – Confederação Nacional do Transporte – entidade que atua na defesa dos interesses do setor de transportes. Com o objetivo de oferecer um panorama atual da malha rodoviária brasileira, essencial ao planejamento e à operação de transporte, durante 30 dias, a CNT e o Sest Senat pesquisaram 96.714 km de rodovias no ano de 2013. Foram avaliados aspectos do pavimento, da sinalização e da geometria da via, o que permite a classificação dos trechos como ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. Os resultados são apresentados por tipo de gestão (pública ou concedida), de rodovia (federais ou estaduais), por região e por unidade da Federação. Dados relevantes coletados: Pavimento: 46,9% da extensão pesquisada apresenta algum tipo de problema; 85% das rodovias sob concessão foram classificadas como ótimo ou bom. Sinalização 78,7% das rodovias sob gestão pública possui algum tipo de problema; 25,2% da extensão pesquisada não possui placas de limite de velocidade; 55,8% possuem pintura da faixa central desgastada ou inexistente; 63,2% não possuem faixas laterais ou a pintura está desgastada. Geometria da Via 77,9% apresentam algum tipo de problema; Pistas simples de mão dupla correspondem a 88% da extensão pesquisada; 40,5% não possuem acostamento; 81 Em 56,7% da extensão pesquisada, onde há ocorrência de curvas perigosas, não há placas de advertênciase nem defensas completas Ligações Rodoviárias Ranking de 109 ligações A melhor classificada é a São Paulo (SP) - Limeira (SP), formada pelas rodovias: SP-310/BR-364, SP-348 As 10 melhores ligações são formadas por rodovias concedidas e todas passam por São Paulo A pior classificada é a Belém (PA) – Guaraí (TO), formada pelas seguintes rodovias: BR-222, PA-150, PA-151, PA-252, PA-287, PA- 447, PA-475, PA-483, TO-336 Ligações são trechos formados por uma ou mais rodovias federais ou estaduais pavimentadas, comgrande importância socioeconômica e volume significativo de veículos de cargas e/ou de passageiros, interligando territórios de uma ou mais Unidades da Federação Investimentos em Infraestrutura e Impactos das Condições das Rodovias 1. Dados estimados no Plano CNT de Logística Necessidade de duplicação: 30 mil km Necessidade de construção: 18 mil km Investimento estimado necessário para as rodovias (incluindo duplicação, construção eoutras intervenções): R$ 355,2 bilhões. 2. Custo Rodovias deficientes aumentam o custo de manutenção dos veículos, além do consumo de combustível, lubrificantes, pneus e freios. O acréscimo médio do custo operacional devido às condições do pavimento das rodovias brasileiras éde 25%. O aumento no custo de transporte em decorrência da má conservação das rodovias diminui a competitividade dos produtos nacionais. 82 3. Combustível e Meio Ambiente Rodovias que apresentam algum tipo de comprometimento do pavimento aumentam o consumo de combustível e contribuem para uma maior emissão de poluentes; Uma rodovia em bom estado de conservação pode resultar em até 5% de economia no consumo de combustível em relação a uma rodovia com estado de conservação inadequado; 4. Acidentes Em 2011 foram registrados 188,9 mil acidentes nas rodovias federais policiadas, cerca de 6 mil acidentes a mais do que em 2010; Mais de 28 mil pessoas sofreram lesões graves em acidentes rodoviários em 2011, outras 8,5 mil foram vítimas fatais; O custo com acidentes em rodovias federais foi de R$ 15,7 bilhões em 2011. Desses, R$ 4,4 são referentes a acidentes com vítimas fatais. PAC Rodoviário Nacional Os empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para a área rodoviária divide-se em: expansão, manutenção e estudos/projetos. A indústria automobilística e o crescimento do PIB O Brasil é o quarto maior mercado mundial de veículos e a produção local, incluindo autopeças, contribui com cerca de 6% para o Produto Interno Bruto (PIB), quando inclui toda a cadeia produtiva (fornecedores de autopeças, fabricantes de matérias primas, lubrificantes, tintas, pneus) este valor pode chegar a 25%. Uma queda do segmento automotivo repercutiria negativamente sobre o crescimento econômico. Em 2013, a produção foi de 3,74 milhões de veículos e as vendas, de 3,77 milhões, quando se incluem os importados. País teve em 2013: 81.600.729 veículos emplacados. 83 Uma das críticas em torno do estímulo ao setor automotivo é o fato de ter consequências negativas para o trânsito e meio ambiente.Neste impasse temos de um lado as montadoras e toda a cadeia produtiva de produtos e serviços ligados a indústria automobilística, de outro temos a sociedade que clama por investimentos em transportes públicos e, consequentemente, qualidade de vida. O Brasil é o sétimo do mundo em produção e o quarto maior mercado em consumo de automóveis. Está atrás da China, dos Estados Unidos e do Japão, é o único país entre os grandes fabricantes que ainda não tem uma lei de eficiência energética. Embora o governo federal estimule a adesão ao programa de etiquetagem do Inmetro, ele não será obrigatório para as montadoras que cumprirem os outros requisitos do novo regime automotivo. “A média de emissão de CO2 na Europa é de 130 gramas por quilômetro rodado. No Brasil é de 170”, diz Cardamone. Além dos carros daqui poluírem mais, os brasileiros gastam 15% mais combustível. Se não bastasse todo este incentivo, os carros fabricados no Brasil são os mais caros do mundo. O motivo, segundo as montadoras são carga tributária excessiva, falta de competitividade, margem de lucro maior do que no exterior e consumidores dispostos a pagar mais. ACIDENTES O acidente de trânsito é uma ocorrência que afeta diretamente o cidadão, porquanto a esse são impingidos aspectos relacionados com a morte, com a incapacitação física, perdas materiais, podendo provocar sérios comprometimentos de cunho psicológico, muitas vezes de difícil superação. Como forma de enfrentar tão complexa situação, são empregados três abordagens, que envolvem: 1) A educação, no sentido de instruir os usuários quanto às formas adequadas e seguras de utilização das vias públicas; 2) A engenharia, no sentido de, por um lado, prover o sistema viário de elementos tais que possibilitem a movimentação de veículos e pessoas com fluidez, conforto e segurança, e, por outro, aprimorar a segurança e desempenho dos veículos automotores e, 84 3) a aplicação das leis, mormente no tocante ao código de trânsito. Em face das características das condicionantes que envolvem as ocorrências de acidentes de trânsito, a adoção de melhorias de segurança, seja por qualquer dos enfoques referidos ou mesmo por combinações dos mesmos, necessita sempre ser avaliada duas vezes (estágios anterior e posterior à adoção), visando conhecer sua eficácia e economicidade. Daí, a importância das estatísticas e das pesquisas médico-hospitalares, como elemento de suporte ao conhecimento das reais consequências dos acidentes sobre as condições físicas de suas vítimas. Segurança – transporte de cargas Em 2011, foram registradas 13 mil ocorrências de roubo de cargas nas estradas. O valor das cargas transportadas em caminhão pode chegar a R$ 500 mil, a depender do produto levado. Em geral, são cargas de fácil negociação produtos alimentícios, eletroeletrônicos, farmacêuticos, metalúrgicos e químicos, têxteis e confecções, autopeças e combustíveis, além de cigarros. Aconteceram cerca de 93.600 acidentes – desde casos leves até explosões e acidentes fatais. O prejuízo é alto: os acidentes custam por volta de R$ 8,9 bilhões por ano ao país. Esse valor não inclui a perda de vidas, já que para cada 600 acidentes, um é fatal. De acordo com o Ministério do Trabalho, motorista de caminhão é a profissão com maior índice de mortes. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), está elaborando os projetos que visam reduzir os acidentes. Entre eles, o Plano Nacional de Controle de Velocidade (PNCV), o Plano Nacional de Pesagem (PNP) e o BR- Legal – Programa Nacional de Segurança e Sinalização Rodoviária. Em sinalização pretende investir R$ 4,2 bilhões, com foco nos segmentos mais críticos da malha rodoviária, onde há maior concentração de acidentes. O Plano Nacional de Pesagem buscará melhorar a fiscalização e a segurança, mas de forma automatizada, com a instalação de Estações de Controle de Pista e Postos Integrados de Fiscalização, para garantir a celeridade do processo de transporte 85 As estatísticas imorais de acidentes de trânsito das últimas décadas nascem da inação do setor público em várias frentes, com a cumplicidade do setor privado e a passividade da sociedade, os três culpados pelos acidentes nas estradas são: excesso de trabalho, de peso e de velocidade. Sob a pressão do mercado, o caminhão vira silo. Tenta oferecer prazo de avião e cobra preço de trem. Legislação O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se pelo Código de Trânsito Brasileiro, CTB, LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997. Leis de grande impacto no trânsito: LEI Nº 9.503, DE 23 DE SETEMBRO DE 1997 – CTB; Resolução 432,de 23 de janeiro de 2013; Resolução 277, de 28 de maio de 2008, resolução 352, de 14 de junho de 2010 – Deliberação 100, de 02 de setembro de 2010 – Lei da cadeirinha. No primeiro ano de vigência da lei que tornou obrigatório o uso de cadeirinhas infantis nos veículos, as mortes de crianças com até 8 anos caíram 23%. Os dados são do IPEA e do Ministério da Saúde. Crianças de 2 e 3 anos são as mais vulneráveis. Acidentes de trânsito xÁlcool A violência do trânsito no Brasil pode ser demonstrada em números. Por ano, pelo menos 40 mil pessoas morrem em decorrência de acidentes. Só em rodovias federais, essa quantidade se aproxima a 8 mil. O álcool é um forte depressor do Sistema Nervoso Central. Por isso, quem bebe e pega o volante tem os reflexos prejudicados. Fica mais corajoso, mas reage de forma lenta e perde a noção de distância. Quando é vítima de desastre de trânsito, resiste menos tempo aos ferimentos, já que as hemorragias quase sempre são fatais. 86 Legislação De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), a utilização de bebidas alcoólicas é responsável por 30% dos acidentes de trânsito. E metade das mortes, segundo o Ministério da Saúde, está relacionada ao uso do álcool por motoristas. Diante deste cenário preocupante, a Lei 11.705/2008 surgiu com uma enorme missão: alertar a sociedade para os perigos do álcool associado à direção. Na prática, segundo o ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, é tolerância zero, porque o índice que entra em vigor é muito rigoroso. “É proibido, 0%. As pessoas que ingerirem álcool e forem dirigir estão sujeitas à nova legislação”. Nos exames de sangue, nenhuma quantidade de álcool será tolerada. A partir de 0,05 mg/l no bafômetro, o motorista responderá por infração de trânsito gravíssima. A multa é de R$ 1.915,30, e o condutor fica proibido de dirigir por um ano.O veículo também deve ser levado para o depósito dos departamentos de trânsito. Se o motorista reincidir na infração dentro do prazo de um ano, o valor será duplicado, chegando a R$ 3.830,60. Se o bafômetro marcar 0,34 mg/l ou mais, além de tudo isso, o motorista responderá por crime com pena de seis meses a três anos de prisão. A resolução do Conselho Nacional de Trânsito também regulamentou uma grande mudança: vídeos, depoimentos de testemunhas e os relatos da fiscalização valerão como prova contra os condutores com sinais de embriaguez. Segundo a nova regra, o agente pode relatar sinais como sonolência, soluços, dificuldade para falar, falta de equilíbrio, Odor de álcool, desordem nas vestes, olhos vermelhos, ironia, arrogância, falante, se sabe onde está, se sabe o que fez, mas só um indício não vale. É preciso haver um conjunto de sinais de que o motorista bebeu. Tudo deverá ser detalhado e assinado pelo policial ou agente de trânsito em um formulário. Art. 6º A infração prevista no art. 165 do CTB será caracterizada por: I – exame de sangue que apresente qualquer concentração de álcool por litro desangue; 87 II – teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,05 miligramas deálcool por litro de ar alveolar expirado (0,05 mg/L), descontado o erro máximo admissível nostermos da “Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I; III – sinais de alteração da capacidade psicomotora obtidos na forma do art. 5 Art. 7º O crime previsto no art. 306 do CTB será caracterizado por qualquer um dosprocedimentos abaixo: I – exame de sangue que apresente resultado igual ou superior a 6 (seis) decigramasde álcool por litro de sangue (6 dg/L); II - teste de etilômetro com medição realizada igual ou superior a 0,34 miligramas deálcool por litro de ar alveolar expirado (0,34 mg/L), descontado o erro máximo admissível nostermos da “Tabela de Valores Referenciais para Etilômetro” constante no Anexo I; III – exames realizados por laboratórios especializados, indicados pelo órgão ouentidade de trânsito competente ou pela Polícia Judiciária, em caso de consumo de outrassubstâncias psicoativas que determinem dependência; IV – sinais de alteração da capacidade psicomotora obtido na forma do art. 5º. Números da violência no trânsito No Brasil, a violência no trânsito é uma das principais causas de mortalidade. Somente em 2010, 42.844 pessoas perderam a vida no trânsito e outras milhares ficaram com sequelas decorrentes dos acidentes. Só em 2011, foram registradas 155 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas a acidentes de trânsito, o que representou um custo de mais de R$ 200 milhões. Esse valor leva em conta apenas as internações na rede hospitalar pública, sem considerar os custos dos atendimentos imediatos às vítimas feitos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (Samu), nas Unidades de Pronto Socorro e Pronto Atendimento e na reabilitação do paciente com consultas, exames, fisioterapia, dentre outros. A colisão frontal continua representando cerca de 44% das mortes nas estradas federais. Em 2011, foram 2.652 mortes nesse tipo de acidente, quase 2.200 em zona rural. Segundo a PRF, apesar de representar 3,5% dos acidentes, essa modalidade provoca 40% dos óbitos. 88 Efeitos da bebida alcoólica na condução de veículos automotores É muito como escutarmos: o que o álcool faz? Diminui os reflexos... Se fosse só isso já não seria pouco, alterar reflexos de um condutor. Mas o álcool interfere, de tal maneira, que condena completamente, e de forma absoluta, o ato de dirigir sob seu efeito e em qualquer concentração. A Sobrevivência: O álcool afeta a sobrevivência dos envolvidos em um acidente de trânsito. Quanto mais a pessoa tiver bebido, maior sua chance de morrer, um mesmo impacto causa mais ferimentos numa pessoa que bebeu. O condutor não usa o cinto de segurança quando está alcoolizado. Os impactos, por razões médicas, fazem sobreviver menos aqueles que beberam mais antes de dirigir o veículo. A Performance: O consumo de álcool reduz a capacidade de percepção da velocidade e dos obstáculos. Reduz a habilidade de controlar o veículo, manter a trajetória, realizar curvas. Como se pode dirigir sem perceber a velocidade em que se está dirigindo? Como se pode dirigir sem visualizar os obstáculos? Reduz a habilidade do controle da trajetória. Não consegue dirigir em linha reta, quanto mais realizar curvas. O álcool diminui a visão periférica, o condutor só enxerga o que está à sua frente; não enxerga o que está do lado, medicamente, denominada visão tubular. Não vê uma moto passando, um pedestre atravessando a via. Não consegue ter a atenção dividida, perceber a direção e outras necessidades para dirigir. O consumo do álcool, mesmo em baixas concentrações, aumenta o tempo de reação. Consumiu álcool, mesmo em baixa concentração, há prejuízo daquele tempo necessário para pisar no freio quando percebem um pedestre, uma moto, um obstáculo à sua frente. O comportamento do alcoolizado, todos sabemos, vai da euforia para a depressão, para a agressividade. O álcool causa sono, fadiga, estimula até tendência auto-destrutiva. Como uma pessoa, neste estado, pode dirigir? E, como consequência disto tudo, o álcool está presente no sangue de quase metade das vítimas fatais dos acidentes de trânsito. Evidências científicas? 89 No Brasil, este fato foi muito bem documentado pelo estudo da Profa. Vilma Leyton, toxicologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, que constatou a prevalência do álcool em 43,95% das vítimas fatais dos acidentes de trânsito autopsiadas no Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo. Evidência científica: não há o que se discutir. TRANSPORTE URBANO – VIAS URBANAS Em 2009, a população urbana se igualou à rural no mundo e, desde então, tem havido mais e mais gente nas cidades em contraposição ao esvaziamento dos campos.Há uma projeção de que em 2050, 75% das pessoas no mundo viverão em cidades. Hoje há no mundo cerca de 800 milhões de veículos. Em 2050, com essa tendência de urbanização em massa do mundo, estima-se que haverá entre 2 e 4 bilhões de carros. População de são Paulo – 2013 - 11.821.873 habitantes; Veículos na cidade de São Paulo -7.010.508 (ciclomotor, motoneta, motocicleta, triciclo e quadriciclo, micro-ônibus, camioneta, caminhonete e utilitário, automóvel, ônibus, caminhão, reboque e semirreboque, caminhão-trator, trator de rodas, trator de esteiras, trator misto, chassi/plataforma, sidecar, motor-casa). A cidade de São Paulo bateu novo recorde de congestionamento, em 14 de novembro de 2013, às 18h, ao registrar 309 km de filas, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em São Paulo, os motoristas passam cerca de 3 horas por dia dentro de seus carros. Isso significa 45 dias por ano dentro de um automóvel. O excesso de carros na capital paulistana é também um problema de saúde. Segundo o médico e pesquisador Paulo Saldiva, 80% dos leitos dos hospitais do Sistema Único de Saúde estão ocupados por vítimas dos carros – com problemas cardiovasculares, respiratórios, auditivos ou vítimas de acidentes. “O modelo de mobilidade que aposta no carro como principal veículo está falido, o trânsito restringe a liberdade de locomoção, o que vai impedir o crescimento econômico e atrapalhar funções vitais às cidades, como o abastecimento de comida, alerta Bill Ford, bisneto de Henry Ford (criador do Ford T). 90 A invenção do automóvel representou um avanço inegável à sociedade. Mas, ao longo do século XX, a priorização do transporte individual provocou uma série de transtornos nas cidades. Em São Paulo, com 7 milhões de veículos registrados (estima-se que 3,8 milhões circulem pelas ruas todos os dias), esses problemas são ainda mais graves. De 1980 para cá, a população da capital cresceu 32%, chegando a 11 milhões de pessoas. No mesmo período, porém, o tamanho da frota mais que quadruplicou. Isso pode ser verificado facilmente nas avenidas: um motorista gasta cerca de 2h42 por dia no trânsito, segundo levantamento do Ibope encomendado pelo movimento Nossa São Paulo em 2010. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) calcula que a média diária de congestionamentos no ano passado tenha sido de 99 quilômetros, enquanto a velocidade dos carros no horário de pico da tarde não ultrapassou os 18 quilômetros por hora. Além da lentidão no tráfego, o excesso de veículos também causa problemas em outras esferas, como na saúde e na economia. NA SAÚDE Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 2 milhões de pessoas morrem todo ano por doenças relacionadas à poluição. A principal causa é a inalação de micropartículas que penetram no pulmão e na corrente sanguínea. Cerca de 1,3 milhão dessas mortes ocorrem nas grandes cidades, e São Paulo é uma das piores no quesito: trata-se da quarta metrópole do mundo com a maior concentração de material tóxico no ar, atrás da Cidade do México, de Hong Kong e do Rio de Janeiro, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Grande parte desses poluentes sai do escapamento dos veículos: em certos casos e dias, o índice chega a 97%. No total, aproximadamente 260.000 toneladas são lançadas na atmosfera por ano. “Os mais afetados pelos efeitos são as crianças, os idosos e as pessoas que já sofrem de doenças como asma ou bronquite”, afirma o médico Luiz Alberto Amador Pereira, do Laboratório de Poluição Atmosférica da Universidade de São Paulo (USP). NA SEGURANÇA Toneladas de aço que se deslocam em alta velocidade, os automóveis ocasionalmente se transformam em armas letais. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, nada menos que 91,5% (694 casos) dos 91 homicídios culposos (sem a intenção de matar) que ocorreram na capital em 2010 tiveram relação com acidentes de trânsito. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 1.152 pessoas perderam a vida em mais de 26.000 acidentes de trânsito em 2013. Quase metade das vítimas era pedestre. Muitas vezes, os acidentes são potencializados pelo uso de bebidas. Em 2013, até outubro, 2.653 condutores foram flagrados dirigindo sob influência de álcool na cidade, o que representa 1,5% das 170.512 pessoas submetidas ao teste do bafômetro: 1.167 acabaram detidas. NO BOLSO O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Samy Dana chegou a números impressionantes ao calcular quanto uma pessoa gasta para manter seu automóvel. Considerando um carro de 35.000 reais, deslocamento diário de 15 quilômetros e fatores como impostos e estacionamento, o custo anual é de mais de 16.000 reais (veja abaixo). Além do desfalque no bolso do cidadão, os congestionamentos causam enorme prejuízo à cidade: seria da ordem de 33,5 bilhões de reais por ano, o equivalente a 9,4% do produto interno bruto (PIB), segundo pesquisa de 2008 da FGV. O cálculo é a soma dos 27 bilhões de reais que os trabalhadores presos no trânsito deixam de produzir, com 6,5 bilhões gastos em combustível, saúde pública e outros. Outro levantamento, do banco Citigroup, mostra que as grandes cidades do Brasil perdem 5% de sua capacidade produtiva em engarrafamentos. QUANTO CUSTA MANTER UM CARRO POR ANO... Para um veículo com preço médio de 35.000 reais e que circula 15 quilômetros por dia Despesas anuais Seguro: (4% do valor do veículo) R$ 1.400 IPVA: (4% do valor do veículo) R$ 1.400 Depreciação: R$ 2.100 Licenciamento e seguro obrigatório: R$ 222,50 Despesas mensais 92 Estacionamento: R$ 400 Manutenção: R$ 71 Combustível (considerando consumo de 12 km/l e valor de R$ 2,80/l: R$ 105 Custo do dinheiro não investido: (0,76%): R$ 265,69 Custo anual: R$ 16 141,89 ...E QUANTO SAI ANDAR DE TAXI... Corridas mensais: 60 Preço médio das corridas: R$ 22,85 Custo mensal: R$ 1 371,00 Custo anual: R$ 17 156,56 ...OU DE ÔNIBUS Preço por viagem: R$ 3,00 Custo mensal: R$ 180,00 Custo anual: R$ 2.252,50 O que é BRT O BRT (Bus Rapid Transit), ou Transporte Rápido por Ônibus, é um sistema de transporte coletivo de passageiros que proporciona mobilidade urbana rápida, confortável, segura e eficiente por meio de infraestrutura segregada com prioridade de ultrapassagem, operação rápida e frequente, excelência em marketing e serviço ao usuário. O sistema BRT não propõe apenas uma mudança na frota ou na infraestrutura do transporte público coletivo. Mas sim um conjunto de mudanças que juntas formam um novo conceito de mobilidade urbana. A implementação de sistemas de trânsito de alto desempenho, eficientes e ecologicamente sustentáveis consta mundialmente da agenda política de planejadores urbanos e ambientais. Nesse sistema deve ser realizada a substituição permanente do trânsito individual por um atrativo transporte coletivo, promovida a segurança e a proteção 93 para os seus passageiros, a redução de CO² bem como a diminuição de congestionamentos. Para isso, não há nada mais adequado do que soluções BRT, realizáveis a médio e longo prazo com investimento moderado. São conceitos que se integram homogeneamente nas estruturas urbanas, em tempo hábil como solução plena ou também por etapas. Origem brasileira O sistema BRT foi criado em 1974 pelo arquiteto e na ocasião prefeito da cidade, Jaime Lerner, em Curitiba, no Paraná. As mudanças transformaram a capital em uma cidade de sucesso urbano, renomada em todo mundo. Junto ao BRT vieram projetos sociais inovadores, zonas de pedestres e espaços verdes, além disso, muitas outras cidades brasileiras seguiram o exemplo com sistemas básicos, como São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte. Programa BRT Brasil A proposta do programa BRT Brasil é acompanhar a implantação dossistemas de transporte rápido por ônibus e monitorar a operação de cada BRT após a conclusão das obras. Se bem elaborados e operados, esses sistemas se tornarão exemplos concretos de mobilidade urbana sustentável para que outras cidades possam se inspirar e implantar a solução. A realização de dois megaeventos esportivos no Brasil - a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016 - abriu as portas para uma nova era dos transportes públicos coletivos nas cidades brasileiras. O governo federal lançou dois programas, o PAC da Mobilidade Urbana e o PAC Mobilidade Grandes Cidades, para investir em soluções para o transporte público. O sistema BRT (Bus Rapid Transit), que é a solução de mobilidade mais completa e eficiente para as médias e grandes cidades, foi o maior beneficiário desses investimentos. No total, 14 cidades somam 32 projetos com 554,4 km de extensão que priorizam o transporte urbano por ônibus. As cidades de Goiânia, 94 Uberlândia, Curitiba e Porto Alegre já contemplam o BRT e terão os seus sistemas revitalizados. Os bons resultados que serão verificados certamente vão impulsionar a extensão desse programa de investimentos em mobilidade urbana para as demais grandes cidades brasileiras. Ônibus do BRT O BRT possui veículos articulados e padrão em sua operação. Todos os veículos são novos, e possuem diversas características que tornam a viagem mais eficiente, agradável e segura: Câmeras internas e externas. Monitoramento por GPS. Sistema de comunicação com o centro de controle operacional. Acessibilidade universal. Ar-condicionado. Aviso sonoro de paradas. TV Digital. Piso nivelado às plataformas das estações e terminais. Articulados: Veículos de aproximadamente 19 m e 21 m de comprimento. Não possui escadas para embarque e desembarque. Piso nivelado com o da estação. Todos possuem ar condicionado. O articulado de 19 m, transporta 140 pessoas confortavelmente, por viagem. O articulado de 21 m, transporta 183 pessoas confortavelmente, por viagem. Transporta mais pessoas com uma frota menor. INTRODUÇÃO AO PLANEJAMENTO DE TRANSPORTE Planejamento de transportes é uma área de estudo que visa adequar as necessidades de transporte de uma região ao seu desenvolvimento de acordo com suas características estruturais. Isto significa implantar novos sistemas ou melhorar os existentes. Para se definir o que deve ser implantado ou melhorado (oferta de transporte), dentro do horizonte de projeto, faz-se necessário quantificar a demanda por transporte e saber como a mesma vai se distribuir dentro da área de estudo (linhas de desejo). A avaliação dessa demanda é feita utilizando-se os modelos de planejamento. Através destes modelos procura-se modelar o comportamento da demanda e a partir daí definir as alternativas que melhor se adaptem a realidade da região. Deve-se ter em mente que o processo de planejamento deve estar incluído num plano de desenvolvimento voltado para a região de estudo, pois conforme se pode observar, a demanda por transporte depende do desenvolvimento atual da região e da proposta de desenvolvimento futuro. ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO Um plano pode ser de longo, médio ou curto prazo, sua duração depende dos recursos disponíveis e dos objetivos que se deseja alcançar e muitas vezes da urgência do problema que se deseja resolver. De uma forma geral um plano de transporte compreende as seguintes etapas: 1- Definição dos objetivos e prazos; 2- Diagnóstico dos sistemas de transportes; 3- Coleta de Dados; 4- Escolha dos modelos a serem utilizados para avaliação da demanda futura; 5- Alternativas de Oferta de Transporte; 6- Avaliação das alternativas (custos e impactos); 7- Escolha da alternativa; 8- Desenvolvimento do plano de transporte acompanhado de um programa de Financiamento; 9- Implementação das alternativas de acordo com um cronograma de desembolso de recursos; 10- Atualização dos procedimentos. O Planejamento do Transporte Nacional - Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) O PNLT é uma iniciativa do Ministério dos Transportes, elaborado em parceria com o Ministério da Defesa através do Centran – Centro de Excelência em Engenharia de Transportes, que tem como objetivo principal retomar o “processo de planejamento com base científica no País, visando dotar o Ministério dos Transportes de uma metodologia formalmente definida de avaliação de políticas públicas em transportes” (MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES, 2010). O PNLT (principalmente sua lista de obras) é utilizado como referência para a formulação de diversos programas do Governo Federal, tal como o PAC. O Planejamento é feito a longo prazo, o último foi feito para 2011-2031, porém anualmente sofre revisões. Uma das novidades do PNLT é o agrupamento das microrregiões em sete vetores logísticos: Amazônico, Centro-Norte, Nordeste Setentrional, Nordeste Meridional, Leste, Centro- Sudeste, Sul. A justificativa do agrupamento é explicada pela própria definição de vetor logístico: “espaços territoriais onde há uma dinâmica socioeconômica mais ‘homogênea’ sob o ponto de vista de produções, de deslocamentos preponderantes nos acessos a mercados de exportação, de interesses comuns da sociedade, de patamares de capacidades tecnológicas e gerenciais e de problemas e restrições comuns”. O Planejamento do Transporte Municipal - Plano Diretor Estratégico (PDE) Plano Diretor, uma Lei Municipal que organiza o crescimento e o funcionamento do Município. Ele deve identificar e analisar as características físicas, as atividades predominantes e as vocações da cidade, os problemas e as potencialidades. É um conjunto de regras básicas que determinam o que pode e o que não pode ser feito em cada parte da cidade. É processo de discussão pública que analisa e avalia a cidade que temos para depois podermos formular a cidade que queremos. O Plano Diretor deve, portanto, ser discutido e aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo prefeito. O resultado, formalizado como Lei Municipal, é a expressão do pacto firmado entre a sociedade e os poderes Executivo e Legislativo. É o principal instrumento de gestão, acima dele só a Lei Orgânica. Todos os municípios devem planejar o seu futuro e fazer seu Plano Diretor, mas o Estatuto da Cidade obrigou inicialmente os municípios que possuam mais de 20 (vinte) mil habitantes, e ainda, os integrantes de regiões metropolitanas, grandes aglomerações urbanas, áreas de especial interesse turístico e de impacto ambiental regional ou nacional. A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, pelo menos, a cada dez anos. De acordo com o nível da decisão a ser tomada, o planejamento pode ser estratégico, tático ou operacional: a) Nível Estratégico No nível estratégico, o planejador está preocupado com as ações em longo prazo. Neste nível está inserido o planejamento de transportes. O objetivo do planejamento de transportes é desenvolver ordenadamente programas sob os quais um sistema integrado de transportes possa ser inteiramente desenvolvido e que tenha sua operação e seu gerenciamento otimizados. Isso inclui as redes viárias e de transportes de massa, além das infraestruturas dos seus terminais. Tal planejamento deve considerar os usos de solo presentes e futuros e os requisitos resultantes de viagens para o movimento de pessoas e bens durante os próximos 20 a 25 anos em níveis de serviço aceitáveis e compatíveis com os recursos financeiros da comunidade. O plano deve considerar as metas da região e as políticas do estado e do país. Como ponto de partida é necessário conhecer os “desejos de deslocamento” da população, e então estabelecer relações entre o número de viagens realizadas pela população e outras grandezas que possam explicá-las, de modo que, quando projetadas parao ano de projeto, permitam inferir os desejos de deslocamentos no futuro. Neste nível de planejamento são necessárias pesquisas como: levantamentos de uso do solo, tempos de viagem, população, fatores econômicos, facilidades de transporte, legislação e recursos financeiros. Também é necessário realizar pesquisas de origem e destino (O- D). Em complementação a este tipo de pesquisa, são realizadas contagens de tráfego em pontos estratégicos da área estudada. Utilizam-se então técnicas de simulação, por meio de modelos matemáticos, que procuram exprimir as inter-relações entre os dados socioeconômicos e as viagens realizadas pelos habitantes de determinadas regiões. b) Nível Tático No nível tático (ou nível de projeto), normalmente são realizadas análises de médio a longo prazo. Neste nível de análise, são exemplos de tarefas: projeto geométrico das vias (determinação de largura de faixas, declividade da via, dimensionamento de áreas para pedestres e largura de calçadas e de passeios, etc.), elaboração de projetos de sinalização e de controle eletrônico do tráfego, dentre outros. Estas tarefas podem ser consequência das diretrizes do planejamento estratégico ou podem ser oriundas de decisões baseadas em problemas operacionais. c) Nível Operacional O foco deste nível de decisão está principalmente nas ações de curto prazo e dentre as análises normalmente realizadas estão: configuração do uso das faixas de tráfego, aplicação de dispositivos de controle de tráfego, programação de semáforos, espaçamento e localização de paradas de ônibus, frequência de um serviço de ônibus, adição de faixa para veículos com ocupação interna alta, fornecimento de informações aos usuários em tempo real, detecção de incidentes, dentre outras. Devido ao seu foco de curto-prazo, é importante que haja dados detalhados sobre o objeto de estudo. Ciclo dos Transportes O Ciclo dos Transportes acima expressa a dinâmica das relações entre transporte e uso do solo. Se a intensidade dessas relações não for acompanhada de um planejamento prévio da estrutura urbana (legislação de uso do solo) e dos sistemas de transportes, pode-se chegar a uma situação caótica, gerada pelo desequilíbrio entre a oferta e a demanda, resultando em constantes congestionamentos e dificuldades na circulação de pessoas e ou mercadorias. OBTENÇÃO DE DADOS PARA PLANEJAMENTO DE TRANSPORTES O processo de Planejamento de Transportes exige um grande número de informações, não só relativas aos próprios sistemas de transporte, mas também aos demais sistemas socioeconômicos, os quais constituem as fontes geradoras de demanda por transportes. O profundo relacionamento que existe entre os sistemas de movimentação e as demais atividades da sociedade faz com que seja necessária a obtenção de informações relativas aos mais diferentes aspectos, tais como: população, renda, localização das principais fontes de consumo e produção, recursos minerais, produção agrícola e industrial, além das informações inerentes a cada sistema de transporte. Assim sendo, o projeto de uma rodovia, por exemplo, exige o conhecimento detalhado da natureza dos solos, a localização de um aeroporto não poderá prescindir de uma série de informações sobre as condições atmosféricas locais, os projetos portuários necessitam de dados sobre as condições de navegação nas bacias de evolução e canais de acesso, e assim por diante. Através dos dados coletados será possível analisar os sistemas de transporte, constatando como eles afetam e são afetados pelos outros sistemas a que servem ou que o servem, e a partir daí formular modelos matemáticos que permitam prever o comportamento futuro da demanda por transportes, e consequentemente planejar a sua alocação aos diferentes modos e vias, bem como programar seu desenvolvimento. PESQUISAS DE TRÁFEGO A obtenção das informações mencionadas na seção anterior poderá ser facilitada pela existência de dados já publicados, os quais são frequentemente divulgados por órgãos oficiais. Em muitos casos, porém, há necessidade de obtenção de informações nos próprios locais onde será planejado o melhoramento dos sistemas de transporte. Estas pesquisas revestem-se de maior complexidade no caso do transporte rodoviário, devido aos altos volumes de tráfego, densidade das malhas viárias, diversificação dos horários, origem e destino das viagens. No caso das outras modalidades, a coleta de informações fica facilitada pela existência de um número bem definido de terminais para os quais convergem as linhas de transporte: portos, aeroportos, estações ferroviárias, além do número relativamente pequeno de responsáveis pelo funcionamento destes sistemas. No caso da modalidade rodoviária, o número de empresas transportadoras é relativamente muito grande. Além destas, existem os transportadores autônomos e os motoristas particulares, geralmente responsáveis pela maior parcela dos volumes de tráfego, o que dificulta a coleta de informações. Um dos tipos mais comuns de pesquisas de tráfego realizadas são as denominadas Pesquisas de Origem Destino (Pesquisas de O-D), podendo ser realizadas de diversas maneiras, mas sempre visando coletar dados que possibilitem a planificação dos sistemas de transporte. Os tipos mais usuais destas pesquisas são: Pesquisas Domiciliares e Pesquisas nas Vias, as primeiras utilizadas em planos de transportes urbanos e as segundas usadas tanto para planos em zonas urbanas quanto rurais. As Pesquisas de Origem e Destino são realizadas visando não só determinar os pontos inicial e final dos deslocamentos, mas também com a finalidade de obter informações de caráter geral sobre os veículos, carga transportada, passageiros, etc. Através destas informações serão coletados dados para o projeto de pavimentos, análise de capacidade das vias, projeções da demanda de tráfego e dimensionamento dos demais elementos dos sistemas viários. Qualquer que seja a sistemática de realização da pesquisa de tráfego, exceto aquelas que têm como objetivo apenas determinar o número de veículos que passa em um trecho de uma via, geralmente ela é feita mediante o preenchimento de uma ficha padronizada, através de uma entrevista que o pesquisador realiza com o motorista dos veículos ou com as pessoas que são entrevistadas nas pesquisas domiciliares. Em estudos de tráfego em áreas urbanas adota-se, geralmente, o conceito americano de viagem: Viagem (“trip”) é uma jornada individual com certo propósito entre dois pontos por um meio de transporte, por uma pessoa de idade mínima de 5 anos. São excluídas desta definição jornadas realizadas a pé. Em princípio, qualquer parada implica no início de outra viagem. Paradas com propósitos secundários e que não determinaram a escolha da rota são desprezadas nos estudos de tráfego. Conforme já foi frisado, nunca os planos de transporte devem ser elaborados isoladamente: a sua abordagem deve ser sistêmica, abrangendo todos os elementos que possam influir ou serem influídos pelos transportes. Normalmente existem áreas que devem ser estudadas mais intensamente do que outras, pelo maior relacionamento que possuem com o sistema objeto de planificação. Zoneamento e zonas de tráfego No caso de planos de transporte que abranjam zonas rurais, deve ser feito um prévio zoneamento da região, na qual se deseja melhorar ou implantar um sistema de transporte. O zoneamento consiste em dividir a região em sub-regiões menores, chamadas zonas de tráfego, com a finalidade de melhor estabelecer os fluxos de origem e destino das viagens e melhor analisar a economia local. O polo econômico principal da zona de tráfego é denominado Centroide. Não existe uma metodologia consagrada que permita estabelecer o número de zonas de tráfego que comporão uma região. No entanto, isto deverá ser feito considerando as características topográficas, densidadepopulacional, produção, consumo, volumes de tráfego, intensidade do comércio, enfim, apenas as condições locais poderão estabelecer o número de zonas de tráfego que serão definidas para a realização dos estudos. Deve-se considerar as características de homogeneidade das áreas que serão repartidas ou aglutinadas para a formação de uma zona de tráfego. A dificuldade na obtenção de dados faz com que as zonas de tráfego sejam comumente associadas a alguma outra divisão regional já realizada. Em nosso país é comum associá-las às microrregiões definidas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Plano Diretor Rodoviário para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, realizado pelo GEIPOT (Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes), em 1966, dividiu estes três estados em 55 zonas de tráfego, delimitando as zonas baseando-se no princípio de que elas deveriam ser economicamente homogêneas e coincidissem com as áreas de influência das principais estradas de rodagem da região, tendo sido respeitado sempre o limite dos municípios, de modo a facilitar a coleta de dados estatísticos. O Plano Diretor Rodoviário subsequente realizado em 1972 pelo DNER, para os mesmos estados, dividiu a região em 95 zonas de tráfego. O aumento da frota de veículos, o crescimento da população, o desenvolvimento econômico e as modificações ocorridas na rede viária no espaço de tempo transcorrido entre a realização dos dois estudos, naturalmente passaram a exigir maior número de zonas de tráfego, de modo a permitir mais acurada obtenção de informações. No caso de planos de transporte para zonas urbanas, os procedimentos são semelhantes ao caso das zonas rurais. Deve ser definida uma área na qual serão coletadas as informações necessárias à elaboração dos projetos. Essa área não deverá englobar apenas o espaço urbano propriamente dito, mas também subúrbios e municípios vizinhos, pois estas regiões periféricas aos grandes centros urbanos atraem e originam tráfego para as zonas mais centrais. A fronteira que separa essa área, objeto de estudo, das demais é chamada Cordão Externo ou Linha de Contorno. Da mesma forma que no caso de planos desenvolvidos em zonas rurais, a área interna ao Cordão Externo deverá ser subdividida em áreas menores (as Zonas de Tráfego), conforme mostra a figura a seguir: Em áreas urbanas normalmente as zonas de tráfego são constituídas por um bairro ou agrupamento de bairros com características econômicas ou sociais semelhantes, de modo a possibilitar a coleta de um número homogêneo de informações. Além das zonas de tráfego internas à linha de contorno podem ser definidas zonas de tráfego externas a esta linha, caso existam áreas que de algum modo afetem os padrões de tráfego dentro da área em estudo. Pesquisas dentro das zonas de tráfego Dentro das zonas de tráfego são feitas pesquisas visando à obtenção de dados a respeito de: a) Natureza das viagens; b) Características socioeconômicas da população; c) Produção e consumo; d) Características dos sistemas de transporte. Nos estudos dentro do espaço urbano, normalmente as viagens são classificadas segundo o seu sentido, em relação à linha de contorno, em: a) Viagens Externas-Externas; b) Viagens Externas-Internas; c) Viagens Internas-Externas; d) Viagens Internas-Internas. Geralmente as viagens Externas-Externas, de longa distância, trazem problemas aos centros urbanos, pois o seu tráfego é, em sua maior parcela, constituído de veículos pesados, que além de provocar danos aos pavimentos e aumentar o ruído dentro das cidades, reduzem consideravelmente a capacidade das vias. Quando o volume do tráfego Externo-Externo é muito elevado, procura-se desviá-lo dos pontos principais de congestionamento através de vias de contorno ou de anéis viários. As viagens Internas-Internas, tráfego local, normalmente são as que representam os maiores volumes de tráfego, devendo ser estudas com grande detalhe. Estas viagens podem ser classificadas de três maneiras distintas: a) Tomando a residência como ponto de referência para a origem das viagens, poderão ser classificadas em: -Viagens baseadas na residência; -Viagens não baseadas na residência. b) De acordo como o propósito (ou motivo) dos deslocamentos, pode haver viagens: -a negócios; -para o trabalho; -recreativas; -para compras; -escolares; -outros fins. c) De acordo com o meio de transporte utilizado em sua realização: -carro particular; -ônibus; -táxi; -trem; -metrô; -outros meios. As informações requeridas para a elaboração dos planos de transporte urbano deverão ser colhidas em entrevistas realizadas nas residências das zonas de tráfego. São as chamadas Pesquisas Domiciliares, as quais utilizam uma amostra do universo de residências existentes na área objeto de estudo. Devido ao custo e tempo requeridos para a realização deste trabalho, utilizam-se apenas amostras da população, extrapolando-se posteriormente os dados obtidos. BRUTON (1979) recomenda os seguintes tamanhos de amostra: A escolha do tamanho da amostra, ou seja, o recomendado ou o mínimo, será função da precisão desejada para o estudo e dos recursos financeiros disponíveis. Quanto maior a amostra, mais dispendiosa será a pesquisa, pois será maior o número de entrevistadores, o tempo de elaboração dos questionários e processamento dos dados em computador. No entanto, amostras pequenas poderão fornecer dados incompletos. O ideal é determinar, de acordo com critérios estatísticos, o tamanho da amostra para cada caso, por zona de tráfego. Se o propósito do estudo envolve um horizonte de longo prazo, usa-se o tamanho de amostra mínimo. Para um maior grau de exatidão e confiabilidade, utiliza-se o tamanho da amostra recomendado. Exemplo: Para uma população de 50.000 habitantes em um horizonte de longo prazo, utilizaremos o tamanho da amostra mínimo e faremos a entrevista com aproximadamente 10% da população, ou seja, 5.000 entrevistas. Para este mesmo exemplo, com maior grau de confiabilidade utilizaremos o tamanho da amostra recomendado, ou 20% da população, com aproximadamente 10.000 entrevistas. De acordo com o tamanho determinado para a amostra, serão escolhidas as residências nas quais serão feitas as entrevistas. Estas entrevistas serão realizadas mediante o preenchimento de uma ficha, na qual deverão ser anotados dados, tais como: • Localização da residência (rua, número, etc.); • Renda familiar; • Número de pessoas residentes na casa; • Número de veículos particulares; • Idade e local de trabalho dos residentes; • Origem, destino e hora das viagens; • Finalidade e duração das viagens; • Veículo utilizado nos deslocamentos; • Paradas intermediárias. Além destas, deverão ser colhidas todas as informações que a equipe de planejamento julgue necessárias para a elaboração de seus trabalhos. Algumas informações são difíceis de serem obtidas com precisão, como a renda familiar, por exemplo. Para que as respostas sejam dadas com a máxima fidelidade, é conveniente que as pessoas entrevistadas sejam informadas cuidadosamente dos objetivos da pesquisa e que a sua colaboração é importante, para assim aumentar a confiança nas informações. O controle da qualidade das informações obtidas pelo preenchimento dos questionários poderá ser feito pela repetição de algumas entrevistas a serem realizadas em residências escolhidas aleatoriamente do conjunto já pesquisado. As informações obtidas nas Pesquisas Domiciliares poderão ser ainda conferidas por meio de uma contagem de tráfego realizada numa linha que corte a área em estudo. Essa linha é denominada Linha de Contagem ou Cordão Interno. Desta maneira, a área em estudo fica dividida em subáreas, sendo contados os volumes de tráfego que atravessam esta linha, os quais devem ser comparadoscom aqueles obtidos nas Pesquisas de Origem-Destino já realizadas. As pesquisas domiciliares permitem determinar as viagens realizadas pelos residentes na área em estudo. Com o objetivo de estabelecer o número de viagens realizado pelos não residentes são efetuadas pesquisas nos principais locais de passagem da Linha de Contorno. Estas pesquisas são feitas mediante entrevistas realizadas com os motoristas dos veículos, que são parados em locais previamente determinados e as perguntas feitas pelos pesquisadores são basicamente as mesmas das pesquisas domiciliares. Fatores de expansão Devido à utilização de apenas uma amostra da população, os dados obtidos através de pesquisas domiciliares precisam ser extrapolados, devendo-se determinar um Fator de Expansão para a amostra. Um Fator de Expansão que pode ser adotado é o seguinte: Onde: E = Fator de Expansão; P = População Total da zona considerada; R = Número de pessoas residentes nas residências consideradas na amostra. Considerando que alguns elementos não são coletados devido a algum problema, BRUTON (1979) recomenda a adoção do seguinte Fator de Expansão: Onde: x = número total de residências existentes na zona de tráfego; Y = número total de residências selecionadas para compor a amostra; w = número de residências não aproveitadas para a pesquisa (abandonada, demolida, não mais residencial, etc.); Z = número de residências onde os residentes recusam-se a responder questões formuladas. No caso da pesquisa realizada na Linha de Contorno, o Fator de Expansão é calculado da seguinte forma: Onde: Vt = Volume de tráfego total passando no local da pesquisa; Vp = Volume de tráfego escolhido para a realização da pesquisa. Em pesquisas realizadas na Linha de Contorno deve-se considerar separadamente os veículos por classe, calculando-se um Fator de Expansão para cada classe. Pesquisas de origem-destino nas vias Além das Pesquisas Domiciliares e das pesquisas que são realizadas na Linha de Contorno, os dados para planejamento de transportes podem ser obtidos por meio de Pesquisas de Origem-Destino das Viagens realizadas nas vias. Da mesma forma que os dois tipos de pesquisas vistos anteriormente, muitas vezes estas pesquisas são feitas mediante o preenchimento de uma ficha por parte de entrevistadores que coletam informações dos motoristas dos veículos. Este tipo de pesquisa é mais utilizado para estudos de tráfego fora de áreas urbanas. Os entrevistadores ficam em postos distribuídos ao longo das rodovias, chamados Postos de Contagem. Não existe uma regra fixa que permita estabelecer a localização ou o número de postos de Postos de Contagem a serem colocados em uma via. O seu número e a sua distribuição espacial serão feitos em função da configuração da rede viária, de modo a possibilitar a coleta de dados significativos e sem repetição. A sua colocação deve ser sempre em local de fácil visibilidade para os motoristas, não devendo ser dispostos em locais que atrapalhem o tráfego ou que permitam a dupla contagem. Classificação das pesquisas de tráfego nas vias Quanto ao número de vezes em que as pesquisas são realizadas durante o ano, a Pesquisa nas Vias pode ser classificada em Permanentes, Sazonais e De Cobertura. a) PERMANENTES: quando feitas de modo contínuo, 24 horas por dia e durante longos períodos de tempo, às vezes por vários anos. Neste caso, o mais comum é a realização de uma simples contagem de tráfego, feita através de contadores automáticos, sendo muito usual a utilização de contadores automáticos. Estes contadores registram o número de eixos que passam em uma determinada seção da estrada, por exemplo. b) SAZONAIS: são pesquisas realizadas em períodos repetidos de tempo, porém intermitentes. São as contagens mais importantes. O volume de tráfego, em muitas vias, varia com a época do ano. Por exemplo, uma estrada que sirva a locais turísticos tem o seu tráfego aumentado nos períodos de férias, outras que atendem zonas de produção agrícola têm o aumento de sua demanda nos períodos de safras. Em resumo: em muitos casos a demanda por transportes sofre os efeitos da sazonalidade, e isto deve ser detectado nas pesquisas de tráfego, para evitar erro nas projeções que futuramente serão efetuadas. Deste modo, o mais recomendável é a realização destas pesquisas quatro vezes ao ano, em períodos de sete dias, uma pesquisa em cada trimestre do ano. Pesquisas realizadas apenas uma vez durante o ano poderão fornecer dados distorcidos, completamente desvinculados do panorama que realmente ocorre no tráfego. c) DE COBERTURA: quando as pesquisas são realizadas esporadicamente, em períodos que vão de um a sete dias, uma vez por ano, e realizadas geralmente em rodovias secundárias. Em zonas de produção agrícola deve-se realizar pelo menos duas pesquisas ao ano, uma em períodos de safra e outra em época de entressafra. Qualquer que seja o tipo de pesquisa realizada, as contagens de tráfego devem ser feitas em intervalos de uma hora, de maneira a possibilitar a determinação das variações horárias ocorridas no volume de tráfego. O GEIPOT adotou o seguinte procedimento para a realização de Pesquisas de Origem- Destino em rodovias: nas rodovias com mais de 100 veículos por dia, a coleta foi efetuada durante 24 horas consecutivas para cada sentido, em todos os veículos. Quando o tráfego era superior a 3000 veículos por dia, a coleta foi executada por amostragem, ou seja: de 3000 a 5000 veículos por dia, pesquisou-se 50% dos veículos (1 em cada 2), acima de 5000 veículos por dia, pesquisou-se 1 em cada 3 veículos. Nestes casos, teve-se o cuidado de fazer a contagem separadamente, por tipo de veículo. Rodovias com menos de 100 veículos por dia somente tiveram posto de contagem em casos muito especiais. Recomenda-se o seguinte número de entrevistadores: É recomendável que cada entrevistador trabalhe com apenas um tipo de veículo, para aumentar a eficiência da pesquisa. Por outro lado, deve-se utilizar entrevistadores com certo grau de escolaridade, de preferência estudantes universitários, pois assim se estará aumentando não só a eficiência, mas também a confiança, no que diz respeito aos dados obtidos. A ficha a ser preenchida na entrevista com os motoristas dos veículos que são parados nos postos de contagem deve conter, pelo menos, os seguintes dados: • Localização do posto; • Dia e hora da entrevista; • Identificação, marca, ano de fabricação, combustível, tara e número de eixos do veículo; • Origem e destino da viagem; • Tipo de veículo (passageiro ou carga); • Número de passageiros e de ajudantes do motorista; • Peso, valor e espécie da carga transportada. Além desses dados, poderão constar da ficha outros elementos, desde que o órgão responsável pelo estudo os considere relevantes. Pesquisa Origem – Destino 2007 – Companhia do Metropolitano de São Paulo A Pesquisa Origem e Destino, ou simplesmente Pesquisa O/D, é realizada desde 1967 na Região Metropolitana de São Paulo – RMSP, com periodicidade de dez anos, e tem por objetivo o levantamento de informações atualizadas sobre as viagens realizadas pela população da metrópole em dia útil típico. Constitui-se no principal instrumento de coleta de informações sobre viagens, servindo de base para os estudos de planejamento de transporte. Os dados coletados possibilitam a caracterização dos deslocamentos diários e, por meio de modelos de simulação, permitem a projeção das viagens em horizontes futuros, para avaliação de projetos de expansão ou reestruturação da rede de transportes, seja por metrô, trem ou ônibus. Os dados coletados por esta pesquisa são compartilhados com entidades que desenvolvem estudos prospectivos sobre a RMSP e diversos setores públicos: transporte, planejamento urbano, saúde, educação e segurança pública e são compartilhadostambém com instituições acadêmicas e empresas do setor privado. A pesquisa domiciliar O/D 2007, foi realizada em 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, encontra-se disponível no site do Metrô. http://www.metro.sp.gov.br/metro/numeros-pesquisa/pesquisa-origem-destino-2007.aspx Outros métodos de pesquisa de tráfego Contagem Manual - Utiliza material humano. - Permite classificação por tipo, tamanho etc. - 1 pesquisador – até 1.000 veículos/h ou 200 pedestres/h. - Quando o período de contagem é inferior a 8 ou 10 horas. Procedimentos de Contagem o Os observadores necessitam serem trocados a cada 2 ou 3 horas (fadiga). o Dividir o período de contagem em intervalos de 5 a 15 minutos. o Podem-se utilizar planilhas com anotação a lápis ou contadores manuais, que acumulam o número de veículos do período de contagem. • Vantagem - Boa precisão, maior número de informações. - Grande flexibilidade, simplicidade e rapidez • Desvantagem - Limitação de cobertura. - Custo. Contagem Mecânica Utiliza detectores de tráfego de instalação permanente ou móvel. • Vantagem - Baixo custo/hora. - Amplitude de tempo de cobertura; boa precisão. • Desvantagem - Não fornece muitas informações. - Investimento inicial alto. Tipos de Contadores Os detectores de dados de tráfego podem ser classificados em dois grupos: • Detectores na via ou intrusivos. • Detectores acima da via ou não intrusivos. O detector intrusivo é instalado, embutido ou preso à superfície do pavimento. O detector não intrusivo não modifica a estrutura da via, é instalado acima ou às margens da faixa de tráfego. Detectores Intrusivos • Tubos Pneumáticos Os sensores enviam pulsos de pressão de ar por um tubo de borracha assim que o veículo passa sobre o tubo, produzindo um sinal elétrico, que é transmitido a um software de análise ou a um contador. Esta foi a primeira tecnologia de detecção de tráfego, inventada em1920. Ainda é muito utilizada, pois além de ser de baixo custo, é simples de instalar e usar. • Laços Indutivos Os detectores por laços indutivos (loops) são os sensores mais utilizados para a coleta de dados de tráfego. Seus principais componentes são um detector oscilador que serve como uma fonte de energia ao detector, um cabo para o controlador e um ou mais laços de metal enrolados sobre si mesmos instalados dentro do pavimento. O laço é constantemente alimentado com uma tensão com frequência fixa. Um cabo enrolado formando uma bobina por onde passa uma tensão elétrica, gera uma indutância. Quando outro metal está próximo do laço, a indutância diminui; o que aumenta a frequência de oscilação. Esse aumento na frequência faz com que a unidade de controle gere um pulso, acusando a passagem de um veículo. O laço indutivo pode fornecer dados sobre a passagem de veículos, presença, ocupação e velocidade. Também pode realizar a classificação de veículos. A diminuição da indutância é proporcional à quantidade de metal que passa sobre o laço; assim, pode-se determinar a classe do veículo por meio do valor da diminuição da indutância. • Sensores Magnéticos Os sensores magnéticos operam baseados na variação das linhas de fluxo do campo magnético terrestre. Um rolo de fio com corpo de altíssima permeabilidade magnética é instalado abaixo da superfície do pavimento. Quando um objeto metálico (veículo) passa pelo sensor, as linhas de fluxo constantes do campo magnético são deflexionadas. Isto causa uma variação na tensão e um amplificador traduz essa variação em sinal digital, informando ao controlador de tráfego a detecção de um veículo. • Sensores Piezoelétricos Um material piezoelétrico é capaz de converter energia cinética em energia elétrica. Quando um veículo passa sobre um detector, o sensor piezoelétrico gera uma tensão proporcional à força ou ao peso do veículo. Esses sensores podem medir volume, velocidade (com múltiplos sensores), peso e classificar veículos (a partir da contagem de eixos e espaçamento). Detectores Não Intrusivos • Sensores Infravermelhos Existem os sensores infravermelhos passivos e os ativos. - Sensores infravermelhos passivos: detectam mudanças na energia infravermelha emitida ou refletida de uma determinada área. Esses sensores medem a energia emitida pelo pavimento da via (valor básico). Quando um veículo entra na zona de detecção, há uma variação no valor básico, acusando sua presença. - Sensores infravermelhos ativos: emitem raios laser de baixa energia para uma área específica do pavimento e medem o tempo de retorno do sinal emitido. • Detectores por Imagem (Vídeo) As câmaras de vídeo são utilizadas para fiscalização e controle de tráfego. Um sistema de processamento de imagens de vídeo consiste em uma ou mais câmeras, um computador para digitalização e processamento das imagens e um software para interpretação das imagens e para convertê-las em dados do fluxo de tráfego. As câmeras de vídeo podem ser utilizadas para coletar velocidade, volume, presença, ocupação, densidade, movimentos de conversão, mudança de faixa, aceleração, classificação de veículos e outros. Nas áreas urbanas, as câmeras estão entre os principais instrumentos de sistemas de monitoramento das condições de tráfego e do gerenciamento de incidentes. • Sensores Ultrassônicos Tais detectores transmitem ondas de pressão de energia sonora acima da frequência audível humana. Estes sons refletem no pavimento ou no veículo, são captados pelo receptor e processados para fornecer informações de passagem e de presença. Podem ser montados acima da via ou ao seu lado. Mais métodos de Pesquisa o Pesquisa no tráfego (entrevista direta na via, cartões postais): o Pesquisa de embarque e desembarque em ônibus (identifica as origens e os destinos dos usuários das linhas de ônibus em todo seu percurso, verificando o ponto em que o usuário pega o ônibus e onde desce). o Pesquisa no cordão externo e na “screen line” (cordão interno) - realizada nos principais corredores que cortam estas linhas com o objetivo de checar os movimentos observados através da pesquisa domiciliar. Considerações finais sobre pesquisas de tráfego Qualquer que seja o procedimento utilizado para coletar dados sobre tráfego eles fornecerão uma grande massa de informações, as quais necessariamente deverão ser processadas em um computador. Assim, para facilitar esse procedimento, os dados deverão ser codificados por ocasião da coleta. Os dados codificados serão, então, processados em computador, podendo ser extraídos diversos relatórios, tais como: • relatórios relativos à origem e destino; • relatórios relativos à composição do tráfego; • relatórios relativos ao volume de tráfego; • relatórios relativos às características dos veículos; • etc... MATRIZES DE ORIGEM-DESTINO Com os dados de Origem e Destino das viagens será possível montar as chamadas Matrizes de Origem-Destino, que apresentam a forma indicada na Figura abaixo: Também será possível traçar diagramas que indiquem a intensidade do tráfego. Estes diagramas são denominados Linhas de Desejo, conforme indica a Figura abaixo. Através deles é possível visualizar o volume de tráfego de uma zona para outra. Além dos dados relativos ao tráfego, muitas vezes no processo de Planejamento de Transportes há necessidade de informações adicionais a respeito das vias, devendo ser realizado um cadastramento de tais informações. Por exemplo, no caso específico de uma rodovia, poderiam ser cadastradas as seguintes informações: • Tipo e condições do pavimento; • Condições de pontes e túneis; • Existência de acidentes laterais à via, que prejudiquem a segurança; • Condições e dimensões dos acostamentos; • Raios de curvatura; • Rampas; • Outras informações. As Pesquisas de Tráfego devem ser encaradascom a maior seriedade, pois só trabalhando com bons dados será possível prever satisfatoriamente a demanda futura que irá solicitar os sistemas de transporte e, consequentemente elaborar bons projetos. MODELOS DE GERAÇÃO DE VIAGENS 1 TIPOS DE MODELOS PARA PREVISÃO DA DEMANDA POR TRANSPORTES O ato de prever as ―respostas dos usuários às mudanças nos atributos dos sistemas de transporte implica em definir, a priori, um MODELO do processo de formação da demanda. Analisaremos três tipos básicos de modelo: • Modelos Convencionais Empíricos; • Modelos Comportamentais; • Modelos Atitudinais. 1.1 MODELOS CONVENCIONAIS EMPÍRICOS Este tipo de modelo para análise da demanda constitui o cerne da grande maioria de estudos de transportes realizados até hoje. Seguem a clássica seqüência de: • Geração e Atração de viagens: tentam prever os totais de viagens que serão gerados e atraídos, respectivamente, por cada zona de tráfego. • Distribuição de viagens: tentam prever as viagens interzonais e intrazonais dentro da área de estudo. • Repartição modal: tentam prever como será a repartição das viagens (determinadas na etapa de distribuição) entre os diferentes meios ou modos de transporte. • Alocação dos fluxos à rede de transportes: tentam prever, para cada meio ou modo, a quantidade de viagens que será realizada em cada trecho das vias de transporte. Estes modelos são ditos não comportamentais porque não incorporam variáveis que traduzam as reações dos usuários a alternativas e atributos dos diferentes meios de transporte. 1.2 MODELOS COMPORTAMENTAIS Os Modelos Comportamentais procuram relacionar as motivações básicas dos usuários com os atributos dos sistemas de transporte. Esse enfoque vai mais a fundo na identificação do processo de decisão do usuário, procurando dar resposta a questões não abrangidas nos Modelos Convencionais como, por exemplo, se o usuário vai ou não realizar um determinado deslocamento. Tais modelos procuram estabelecer relações de causa e efeito entre os atributos principais dos sistemas de transportes (custo perceptível, tempo de viagem, tempo de espera, etc.) e as decisões possíveis de serem adotadas pelo usuário. Essas relações causais são estabelecidas através da Teoria Econômica do Consumidor, associada ao conceito de Utilidade. Assim, são obtidas as chamadas FUNÇÕES UTILIDADE, as quais podem ter a seguinte forma: Onde: T = tempo de viagem, em dias; A = atraso esperado, em dias; F = valor do frete, em R$/t Este tipo de modelo é predominantemente empregado nas fases de REPARTIÇÃO MODAL e ALOCAÇÃO DO TRÁFEGO Á REDE DE TRANSPORTES. 1.3 MODELOS ATITUDINAIS Os chamados Modelos Atitudinais são mais detalhados e visam identificar reações dos usuários não captadas através dos Modelos Convencionais e Comportamentais. As atitudes concretas dos indivíduos em relação aos atributos dos sistemas de transportes, segundo esse enfoque, nem sempre traduzem corretamente as características comportamentais mais profundas. Por exemplo, os usuários podem reagir negativamente a um dado sistema novo não porque suas características não sejam adequadas, mas em função de outros fatores subjetivos ligados à percepção, aspectos culturais, etc. Suponhamos, por exemplo, que um sistema de metrô seja implantado numa determinada cidade com linhas de ônibus alimentadoras. O usuário pode não perceber a economia de tempo obtida ao abandonar o transporte de ônibus direto, demorando a utilizar o sistema integrado. Admitindo-se que a redução de tempo realmente exista, estamos diante de um problema de percepção, que deve ser contornado através de campanhas de esclarecimento específicas. Há pessoas, no entanto, que não se sentem confortáveis num veículo subterrâneo, por razões psicológicas (como medo de panes nos túneis), analfabetismo (não saber identificar a estação de destino), etc. Esses casos localizam-se mais no domínio dos hábitos arraigados, exigindo esforço educativo mais prolongado e mais intenso. 2 MODELOS CONVENCIONAIS EMPÍRICOS 2.1 MODELOS DE PRODUÇÃO (GERAÇÃO) DE VIAGENS: Os Modelos de Produção são normalmente constituídos por uma ou mais equações, que procuram explicar o total de viagens produzidas numa zona em função das características socioeconômicas e de uso do solo encontradas na zona. De uma maneira geral procura-se obter uma função do tipo: Onde: Gi = fluxo (viagens) geradas pela zona ― ”i”; Si = variáveis socioeconômicas observadas na zona ― “i”; USi = variáveis que expressam características de uso do solo na zona ― “i”. As funções do tipo acima são obtidas, em geral, por meio de Regressões Estatísticas. Apresentamos, como exemplo, a formulação utilizada em um estudo na cidade de Toronto, no Canadá: Onde: Gi = número diário de viagens de ônibus ao trabalho geradas na zona ― “i”; Pi = população que habita a zona ― “i”; Hi = número de habitações na zona ― “i”; Ai = total de automóveis na zona ― “i”. 2.2 MODELOS DE ATRAÇÃO DE VIAGENS Os Modelos de Atração procuram explicar o influxo de pessoas ou mercadorias numa determinada zona em função das características sócio-econômicas e de uso do solo da mesma, operando de maneira oposta aos modelos de geração: Onde: Aj = fluxo (viagens) atraído para a zona ― ”j”; Sj = variáveis socioeconômicas observadas na zona ― “j”; USj = características de uso do solo na zona ― “j”. Para viagens residência-emprego é apresentado, como exemplo, o caso de Toronto, no Canadá: Onde: Aj = número diário de viagens atraídas para a zona ― “j”; Pj = população residente em ― “j”; EMj = número de empregos industriais na zona ― “j”; ECj = número de empregos em serviços; EOj = outros empregos. Conforme já mencionamos, os modelos convencionais de geração (produção ou atração) não são comportamentais porque não incorporam variáveis que traduzam as reações dos usuários às alternativas diversas de transportes. Um aspecto importante não coberto por esse tipo de modelo é o da possibilidade de o usuário fazer ou não um determinado deslocamento. Viagens do tipo recreacional ou para compras são muito sensíveis às características dos sistemas de transportes, podendo ou não se realizar conforme variem os atributos destes sistemas. Os modelos convencionais de geração não captam esse tipo de reação. Outra limitação desse tipo de modelo reside no fato de não incorporarem variáveis de intervenção, ou seja, aquelas que traduzem, direta ou indiretamente, as ações do poder público sobre os sistemas de transportes. Por exemplo, o que aconteceria numa região urbana se o transporte público fosse repentinamente tornado gratuito? Certamente haveria um forte processo indutor nas viagens, que não seria captado através de um modelo do tipo convencional. Os modelos de geração convencionais foram criados e utilizados largamente em muitos países do primeiro mundo para dimensionar e projetar vias de tráfego destinadas a abrigar os volumes crescentes de automóveis observados em décadas passadas. 3 MÉTODOS MAIS USUAIS PARA GERAÇÃO DE VIAGEM 3.1 MÉTODO DO FATOR DE CRESCIMENTO Este método possibilita determinar o número de viagens futuras por zona de tráfego em função de variáveis que têm influência na geração destas, tais como: população, renda, propriedade de veículos, densidade residencial ou comercial, etc. Fórmula Geral: Ti f = Fi .ti Onde: Ti f= número de viagens futuras produzidas na zona de tráfego i; Fi = fator de crescimento; Ti = número de viagens do ano-base. Estima-se Fi a partir das variáveis que melhor definem este fator, como exemplo: 𝐹𝐼 = 𝑃𝑖 𝑓 × 𝐸𝑖 𝑓 ×𝑀𝑖 𝑓 𝑃𝑖 𝑎 × 𝐸𝑖 𝑎 ×𝑀𝑖 𝑎 Onde: Pi = população da zona i; Ei = número de empregos na zona i; Mi = matrículas escolares na zona i; a,f = indicam valores atuais e futuros respectivamente. É consideradorudimentar, e por isto, pouco utilizado. Deve ser aplicado apenas em planos de curto e médio prazo, quando a utilização de outro método não for possível. 3.2 MÉTODO DAS TAXAS DE VIAGEM Este método determina o número de viagens por tipo de ocupação do solo. Para cada tipo de atividade define-se uma taxa de produção e/ou atração de viagens. Esta taxa na maioria das vezes relaciona o número de viagens por unidade de área construída ou de utilização do solo por atividade. Exemplo: Uso do solo Taxa Residencial 2,4 Comercial 8,1 Indústria 1,0 Transportes 4,0 Serviço Público 3,4 Multiplica-se as áreas ocupadas das zonas de tráfego, conforme o uso, pelas taxas. 3.3 MÉTODO DE CLASSIFICAÇÃO CRUZADA Este modelo pode ser entendido como uma extensão de um modelo de taxas de viagens, utilizando neste caso dados desagregados por tipo de residência. No contexto de “geração com base-residencial” as viagens são agrupadas de acordo com um conjunto de categorias de residências, relacionadas à estrutura familiar e às condições econômicas desta família. Utilizam-se normalmente três a quatro variáveis, cada uma delas subdividias em três níveis. 3.3 MÉTODO DE REGRESSÃO A utilização deste método visa construir uma função linear entre o número de viagens existentes (variável dependente) e os vários fatores que influenciam as viagens (variáveis independentes). A forma mais frequente compreende uma Regressão Múltipla, que corresponde a uma função linear do tipo: y = a0 + a1x1 + a2x2 + ... + anxn y - variável dependente (número de viagens) x - variáveis independentes (fatores socioeconômicos e de uso do solo) a - constantes e coeficientes estimados 4 MODELOS DE DISTRIBUIÇÃO DE VIAGENS 4.1 INTRODUÇÃO: A etapa de geração de viagens do processo de planejamento dos transportes mostrou como se pode estimar o número total de viagens no futuro originadas em cada zona de tráfego (modelo de geração), bem como o número de viagens futuras que são atraídas pelas mesmas zonas (modelo de atração), que compõem uma área de estudos. Não há, até então, a preocupação de saber para onde as viagens geradas destinam-se, nem de onde as viagens atraídas originam-se, no ano horizonte de projeto. Na etapa de distribuição de viagens, a preocupação maior é a determinação das origens das viagens atraídas e dos destinos das viagens geradas em toda a área de estudos, isto é, a distribuição dos movimentos interzonais de viagens. Nesta etapa, por outro lado, não há preocupação ainda com os modos nem com as rotas de transporte utilizadas. Assim, o objetivo dos modelos de distribuição é definir os elementos Tij da matriz apresentada acima, conhecendo-se os totais originados (Oi) e totais destinados (Dj). Para montar um modelo de distribuição de viagens é necessário que se conheçam, para um determinado instante, as viagens Tij realizadas. Em outras palavras, necessita-se conhecer uma matriz origem-destino de referência, a qual é obtida através de pesquisas de tráfego de origem-destino (pesquisas domiciliares e/ou pesquisas nas vias). Para obter-se a distribuição de interzonal de viagens no futuro, a partir da distribuição atual e da projeção das viagens geradas e atraídas para o futuro, vários procedimentos matemáticos têm sido desenvolvidos. Eles estão agregados em dois principais grupos de métodos: • Métodos de Fator de Crescimento; • Métodos Sintéticos. Principais Métodos de Fator de Crescimento: 1. Método do Fator Uniforme ou Fator Constante; 2. Método do Fator Médio; 3. Método de Detroit; 4. Método de Fratar. Principais Métodos Sintéticos: 1. Modelos Gravitacionais (ou de gravidade); 2. Modelo Eletrostático; 3. Métodos de Oportunidades; 4. Métodos de Programação Linear. Além dos modelos citados acima, outros têm sido usados, embora com menor freqüência. Veremos apenas alguns modelos de fator de crescimento e alguns modelos gravitacionais. Em ambos os casos, o objetivo é transformar uma matriz atual de viagens interzonais em uma matriz futura de viagens interzonais. Tal procedimento é ilustrado a seguir. Para a matriz de viagens atuais, podemos escrever: Onde: oi = viagens atuais com origem em ― “i”; dj = viagens atuais atraídas por ― “j”; tij = viagens atuais com origens em ― “i” e destinos em ― “j” obtidas através de pesquisas. t = total de viagens atuais para toda a área de estudo. Para a matriz de viagens futuras, podemos escrever: Onde: Oi = viagens futuras com origem em ― “i”; Dj = viagens futuras atraídas por ― “j”; Tij = viagens futuras com origens em ― “i” e destinos em ― “j”, até então desconhecidas; T = total de viagens do futuro para toda a área de estudo. 4.2 MÉTODOS DE FATOR DE CRESCIMENTO Os métodos de fator de crescimento assumem que, no futuro, o padrão de realização de viagens permanece constante, porém o volume de viagens variará de acordo com o poder de geração e atração de viagens das zonas de tráfego. Eles limitam-se a aumentar os fluxos interzonais de veículos ou de passageiros, observados em um ano base, para obter os correspondentes fluxos no futuro, ano horizonte de projeto. Sua expressão matemática geral é do tipo: Onde: f = Fator de Crescimento ou Fator de Expansão. Observa-se que estes métodos não são suficientemente sensíveis para incorporar em seus cálculos, variações significativas que, por ventura, venham a ocorrer ao longo do período de projeto. Estes métodos são mais simples que os métodos sintéticos quanto a concepção e procedimentos de cálculo. Para pequenas cidades, onde mudanças consideráveis no uso do solo ou fatores externos não são esperados, estes métodos oferecem um razoável grau de ajustamento nas previsões futuras de viagens interzonais. Vários procedimentos de cálculo de distribuição de viagens futuras utilizando esta concepção tem sido desenvolvidos. Uns mais simples, outros mais complicados. Alguns deles serão apresentados a seguir. 4.2.1 Método do Fator Uniforme ou Constante Por este método, todas as zonas de tráfego crescerão uniformemente e o padrão de viagens existente atualmente será o mesmo no futuro, considerando o crescimento do número de viagens. Assume, portanto, que todas as zonas de tráfego experimentarão o mesmo crescimento. A relação matemática que expressa essa transformação da matriz o/d atual na matriz O/D futura é dada pela seguinte equação: Onde F é o Fator de Crescimento dado por: Onde: T = Total de viagens futuras; t = Total de viagens atuais. Este método tem a desvantagem de tender a superestimar as viagens no futuro entre zonas que hoje já são desenvolvidas e que provavelmente terão pouco crescimento no período considerado. Por outro lado, o mesmo método tende a subestimar as viagens futuras entre zonas pouco ou não desenvolvidas, que possivelmente experimentarão algum grau de desenvolvimento no mesmo período. Devido a distorções observadas na aplicação deste método, outros métodos foram desenvolvidos, considerando não somente um fator, mas dois fatores, um para geração e outro para atração. 4.2.2 Método do Fator Médio de Crescimento Este método leva em consideração dois fatores de crescimento no cálculo da matriz futura de viagens: um de geração e outro de atração de viagens. A média aritmética desses dois fatores constitui o fator usado no cálculo das matrizes futuras. Utiliza-se a seguinte expressão matemática para a obtenção da matriz futura de viagens: Onde: Sendo: Fi = Fator de geração de viagens; Fj = Fator de atração de viagens. Como este método usa ao mesmo tempo fatores de geração e atração de viagens, no cálculo final da primeira matriz futura a soma das viagens geradas e atraídas provavelmente não se aproximará da soma das viagens esperadas. Há então necessidade de que seja desenvolvido um processo iterativousando-se os novos valores de Fi e Fj obtidos a partir dos novos valores de Oi e Dj da matriz calculada que passará a ser a matriz atual. Esse processo iterativo continua com sucessivos valores de Oi e Dj até que um grau de aproximação desejado seja alcançado. Este grau de aproximação é medido pelo Fator de Crescimento F. As desvantagens deste método são similares as do método anterior, porém com uma correção mais ajustada, já que considera fatores na geração e na atração. 4.2.3 Método de Detroit Este método envolve os mesmos fatores de crescimento vistos nos dois métodos anteriores, porém de maneira diferente. Ele tenta eliminar algumas dificuldades ou desvantagens dos métodos anteriores, pela introdução do conceito de que as viagens com origem em ― “i” serão proporcionais ao fator de crescimento na origem, Fi, e também proporcionais ao fator de crescimento na atração, Fj. As viagens no futuro serão estimadas por: 4.2.4 Método de Fratar Este método representa um aprimoramento dos métodos anteriores e, consequentemente, um aumento na complexidade dos cálculos necessários. Trata-se de um método bastante utilizado para movimentos externos/externos. O conceito básico deste método é que o número de viagens que saem de uma zona i para uma zona j é proporcional ao número de viagens totais atuais que saem da zona i modificado pelo fator de crescimento da zona j. Este método é utilizado somente para estudos em que se tem uma matriz O/D simétrica, isto é quando se tem o movimento de viagens de i para j igual ao de j para i. A expressão matemática para este método é: 𝑇𝑖𝑗 = 𝑂𝑖 × 𝑡𝑖𝑗 × 𝑓𝑗 Σ𝑡𝑖𝑗 × 𝑓𝑗 Onde: Tij = Total de viagens futuras na zona com origem em i e destino em j; Oi = Total de viagens originadas em i; tij = total de viagens atuais na zona com origem em i e destino em j; fj = fator de crescimento da zona j. Para montar a Matriz Futura de viagens, deverá ser obtida a média do par de zona: 𝑇𝑖𝑗 = 𝑡𝑖𝑗′ + 𝑡𝑖𝑗′ 2 O processo é iterativo e termina quando o fator fij estiver dentro de um intervalo especificado previamente e de acordo com a precisão que se deseja. REFERÊNCIAS LISBOA, Marcus Vinicius. Planejamento de Transportes. São Paulo, 2009, 86p. Apostila da disciplina Transportes e Tráfego – Faculdade de Tecnologia de São Paulo. CAMPOS, Vânia Barcellos Gouvêa. Planejamento de Transportes. Editora Interciência, Rio de Janeiro, 2013. DNIT. Manual de Estudos de Tráfego. Publicação IPR-723. Ministério dos Transportes. Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. 2006.