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A pressão no olho, chamada de pressão  intraocular,  é produzida principalmente pelo humor aquoso e parcialmente
pelo humor vítreo; ela normalmente mede cerca de 16 mmHg (milímetros de mercúrio). A pressão  intraocular mantém o
formato do bulbo do olho e evita que ele colapse. Feridas perfurantes no bulbo do olho podem causar a perda de humor
aquoso e de humor vítreo.  Isso, por sua vez, causa uma diminuição na pressão  intraocular, descolamento da  retina e, em
alguns casos, cegueira.
A Tabela 17.1 resume as estruturas associadas ao bulbo do olho.
Formação de imagens
De certo modo o olho é  como uma câmera:  seus  elementos ópticos  focam uma  imagem de algum objeto  em um “filme”
sensível  à  luz  –  a  retina  –  enquanto  garante  que  a  quantidade  correta  de  luz  faça  a  “exposição”  adequada.  Para  entender
como o olho  forma  imagens claras de objetos na  retina,  é preciso avaliar  três processos:  (1)  a  refração ou desvio de  luz
pela lente e pela córnea; (2) a acomodação, a mudança no formato da lente; e (3) a constrição ou estreitamento da pupila.
Refração dos raios de luz
Quando os raios de luz passando através de uma substância transparente (como o ar) passam para uma segunda substância
transparente  com  uma  densidade  diferente  (como  a  água),  sofrem  um  desvio  na  junção  entre  as  duas  substâncias.  Esse
desvio é chamado de refração  (Figura 17.12A). Conforme os  raios de  luz  entram no olho,  eles  são  refratados nas  faces
anterior e posterior da córnea. Ambas as faces da lente refratam ainda mais os raios de luz de modo que eles cheguem com
o foco exato na retina.
TABELA 17.1 Resumo das estruturas do bulbo do olho.
ESTRUTURA FUNÇÃO
Túnica brosa Córnea: recebe e refrata a luz. 
Esclera: fornece o formato e protege as partes internas.
Túnica vascular Íris: regula a quantidade de luz que entra no bulbo do olho. 
Corpo ciliar: secreta o humor aquoso e altera o formato da lente para a visão de
perto ou de longe (acomodação). 
Corioide: fornece suprimento sanguíneo e absorve a luz difusa.
Retina Recebe luz e a converte em potenciais receptores e impulsos nervosos. Fornece
informações para o encéfalo através de axônios das células ganglionares, que
formam o nervo óptico (II).
801
Lente Refrata a luz.
Cavidade do segmento anterior Contém humor aquoso, que ajuda a manter o formato do bulbo do olho e
fornecer oxigênio e nutrientes à lente e à córnea.
Câmara postrema (vítrea) Contém humor vítreo, que ajuda a manter o formato do bulbo do olho e a
manter a retina ligada à corioide.
As  imagens  focadas  na  retina  são  invertidas  (de  cabeça  para  baixo)  (Figura  17.12B, C).  Elas  também  sofrem  uma
inversão  da  direita  para  a  esquerda;  ou  seja,  a  luz  proveniente  do  lado  direito  de  um  objeto  alcança  o  lado  esquerdo  da
retina  e  vice­versa.  O motivo  pelo  qual  o mundo  não  parece  invertido  é  que  o  encéfalo  “aprendeu”  no  início  da  vida  a
coordenar as imagens visuais com as orientações dos objetos. O encéfalo armazena as imagens invertidas e revertidas que
são  adquiridas  quando  nós,  pela  primeira  vez,  tocamos  e  alcançamos  os  objetos,  e  interpreta  essas  imagens  visuais
corrigidas pela sua orientação espacial.
Cerca  de  75% da  refração  total  da  luz  ocorre  na  córnea. A  lente  fornece  os  25%  restantes  de  capacidade  de  foco  e
também modula o foco para a observação de objetos próximos ou distantes. Quando um objeto está a 6 metros ou mais do
observador, os raios de luz refletidos pelo objeto são praticamente paralelos uns aos outros (Figura 17.12B). A lente deve
curvar esses raios paralelos apenas o bastante para que eles sejam focados exatamente sobre a fóvea central, onde a visão é
mais nítida. Como os raios de luz que são refletidos a partir de distâncias menores do que 6 metros são divergentes e não
paralelos  (Figura  17.12  C),  os  raios  devem  ser  refratados  para  que  sejam  focados  na  retina.  Essa  refração  adicional  é
realizada através de um processo chamado de acomodação.
802
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Doença macular relacionada com a idade
A doença macular relacionada com a idade (DMI), também conhecida como degeneração macular, é um distúrbio degenerativo da retina em indivíduos com 50
anos de idade ou mais. Na DMI, ocorrem anomalias na região da mácula lútea, que é normalmente a área de visão mais apurada. As vítimas de DMI avançada
mantêm a visão periférica, porém perdem a capacidade de enxergarem o que está a sua frene. Por exemplo, elas não conseguem observar características faciais para
identi car quem está a sua frente. A DMI é a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 75 anos de idade, a igindo 13 milhões de norte-americanos, e é 2,5
vezes mais comum em fumantes que consomem mais de um maço por dia do que em não fumantes. Inicialmente, a pessoa pode perceber visão embaçada e
distorção no centro do campo visual. Na DMI “seca”, a visão central diminui gradualmente porque o estrato pigmentoso atro a e degenera. Não há tratamento
efetivo. Em cerca de 10% dos casos, a DMI “seca” progride para DMI “molhada”, quando novos vasos sanguíneos se formam na corioide e plasma ou sangue são
extravasados sob a retina. A perda da visão pode ser retardada utilizando cirurgia com laser para destruir os vasos sanguíneos que vazam.
Acomodação e o ponto próximo de visão
Uma superfície que forma uma curva para fora, como a superfície de uma bola, é chamada de convexa. Quando a superfície
de  uma  lente  é  convexa,  aquela  lente  refratará  os  raios  de  luz  que  chegam  um  em  direção  ao  outro,  de  modo  que,
eventualmente, eles sofram uma interseção. Se a superfície de uma lente forma uma curva para dentro, como o interior de
uma bola vazia, a  lente é chamada de côncava  e  faz com que os  raios de  luz sejam refratados um para  longe do outro. a
lente  é  convexa  em  ambas  as  suas  faces,  a  anterior  e  a  posterior,  e  a  sua  capacidade  de  foco  aumenta  conforme  sua
curvatura aumenta. Quando o olho está focando um objeto próximo, a lente fica mais curva, causando uma refração maior
dos raios de luz. Esse aumento na curvatura da lente para a visão próxima é chamado de acomodação (Figura 17.12 C). O
ponto próximo de visão  é a distância mínima do olho a partir da qual um objeto pode ser  focalizado, com nitidez, com
acomodação máxima. Essa distância é de cerca de 10 cm em um adulto jovem.
Figura 17.12 Refração dos raios de luz. A. A refração é o desvio de raios de luz na junção de duas substâncias transparentes com
densidades diferentes. B. A córnea e a lente refratam os raios de luz provenientes de objetos distantes de modo que a imagem seja focada
na retina. C. Na acomodação, a lente fica mais esférica, aumentando a refração da luz.
As imagens focadas na retina são invertidas horizontalmente e verticalmente.
803
Qual é a sequência de eventos que ocorre durante a acomodação?
Como ocorre essa acomodação? Quando você observa objetos distantes, o músculo ciliar do corpo ciliar está relaxado
e a lente se encontra mais achatada porque ela é alongada em todas as direções pelas fibras zonulares (ver Figura 17.12B).
Quando você observa um objeto próximo, o músculo ciliar se contrai, o que puxa o processo ciliar e a corioide na direção
da  lente. Essa  ação  libera  a  tensão  sobre  a  lente  e  as  fibras  zonulares. Como é  elástica,  a  lente  fica mais  esférica  (mais
convexa),  aumentando  sua  capacidade  de  foco  e  causando maior  convergência  dos  raios  de  luz  (ver  Figura  17.12C).  As
fibras  parassimpáticas  do  nervo  oculomotor  (III)  inervam  o  músculo  ciliar  do  corpo  ciliar  e,  portanto,  controlam  o
processo de acomodação.
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CORRELAÇÃO CLÍNICA | Presbiopia
Com o envelhecimento, a lente perde sua elasticidade e, com ela, sua capacidade de se curvar para focar objetos próximos. Portanto, idosos não conseguem ler tão
bem quanto pessoas mais jovens. Essa condição é chamada de presbiopia. Por volta dos 40 anos de idadeo ponto próximo de visão já aumentou para 20 cm e aos 60
anos ele pode estar em até 80 cm. A presbiopia em geral começa por volta dos 40 anos de idade. Nessa idade, as pessoas que anteriormente não precisavam usar
óculos começam a precisar deles para a leitura. Aqueles que já utilizavam óculos começam normalmente a precisar de lentes bifocais, lentes que podem melhorar
tanto a visão de perto quanto a de longe.
Anomalias da refração
O olho normal, conhecido como olho emétrope, pode refratar suficientemente raios de luz provenientes de um objeto a 6 m
de distância de modo que uma imagem clara seja focada na retina. Entretanto, muitas pessoas não possuem essa capacidade
por  causa  de  anomalias  de  refração.  Entre  essas  anomalias  encontra­se  a miopia,  que  ocorre  quando  o  bulbo  do  olho  é
muito  longo em relação à capacidade de foco da córnea e da  lente ou quando a  lente é mais espessa do que o normal, de
modo  que  a  imagem  converge  na  frente  da  retina.  Indivíduos míopes  podem  enxergar  objetos  próximos  adequadamente,
mas não os objetos distantes. Na hipermetropia,  também conhecida como hiperopia, o comprimento do bulbo do olho é
curto em relação à capacidade de foco da córnea e da lente ou a lente é mais fina do que o normal, de modo que a imagem
converge  atrás  da  retina.  Indivíduos  hipermetropes  podem  observar  objetos  distantes  com  clareza,  mas  não  os  objetos
próximos.  A  Figura  17.13  ilustra  essas  condições  e  explica  como  elas  são  corrigidas.  Outra  anomalia  de  refração  é  o
astigmatismo, em que a córnea ou a lente possuem uma curvatura irregular. Como resultado, partes da imagem ficam fora
de foco e a visão se apresenta distorcida ou “borrada”.
A  maior  parte  dos  problemas  de  visão  pode  ser  corrigida  pelo  uso  de  óculos,  de  lentes  de  contato  ou  por
procedimentos  cirúrgicos.  Uma  lente  de  contato  flutua  sobre  um  filme  lacrimal  acima  da  córnea.  A  superfície  externa
anterior da  lente de  contato  corrige o defeito visual  e  sua  superfície posterior  se  ajusta  à  curvatura da  córnea. A LASIK
envolve a correção do formato da córnea para solucionar permanentemente as anomalias de refração.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | LASIK
Uma alternativa cada vez mais popular ao uso dos óculos ou de lentes de contato é a cirurgia refrativa para a correção da curvatura da córnea em problemas como
miopia, hipermetropia e astigmatismo. O tipo mais comum de cirurgia refrativa é a LASIK (do inglês, laser-assisted in situ keratomileusis). Após a administração de
colírio anestésico no olho, é retirado um retalho circular no centro da córnea. O retalho é rebatido e a camada de córnea subjacente é remodelada com o uso de laser,
uma camada microscópica de cada vez. Um computador ajuda o médico a remover camadas muito precisas da córnea. Após a realização desse trabalho de “escultura”,
o retalho da córnea é reposicionado sobre a área tratada. É colocado um curativo oclusivo sobre o olho de um dia para o outro e o retalho rapidamente adere ao
restante da córnea.
Figura 17.13 Anomalias de refração no bulbo do olho e suas correções. A. Olho normal (emétrope). B. No olho míope, a imagem é
focada na frente da retina. Essa condição pode ser resultante de um bulbo do olho alongado ou de uma lente espessa. C. A correção da
miopia é feita pelo uso de lentes côncavas que divergem os raios luminosos de modo que eles sejam focados diretamente sobre a retina. D.
No olho hipermetrope, a imagem é focada atrás da retina. Essa condição é resultante de um bulbo do olho curto ou de uma lente fina. E. A
correção da hipermetropia é feita pelo uso de lentes convexas que convergem os raios luminosos de modo que eles sejam focados
diretamente sobre a retina.
Na miopia, apenas os objetos próximos podem ser vistos claramente; na hipermetropia, apenas os objetos
distantes podem ser vistos claramente.
805
O que é a presbiopia?
Constrição da pupila
As  fibras musculares  circulares da  íris  também desempenham um papel na  formação de  imagens claras na  retina. Como
você  já aprendeu, a constrição da pupila é uma diminuição no diâmetro da circunferência através da qual a  luz entra no
olho e que é causada pela contração dos músculos circulares da íris. Esse reflexo autônomo ocorre simultaneamente com a
acomodação  e  evita  que os  raios  de  luz  entrem no olho  através  da periferia  da  lente. Os  raios  de  luz  que  entrariam pela
periferia não seriam focados na  retina, o que poderia  resultar em uma visão borrada. A pupila, como dito anteriormente,
também sofre constrição em uma luz forte.
Convergência
Por causa da posição de seus olhos na cabeça, muitos animais, como cavalos e cabras, enxergam um conjunto de objetos à
esquerda de um olho e um conjunto completamente diferente de objetos à direita do outro olho. Nos seres humanos, ambos
os olhos focam em apenas um conjunto de objetos – uma característica chamada de visão binocular. Essa característica do
nosso sistema visual permite a percepção de profundidade e a apreciação da natureza tridimensional dos objetos.
A  visão  binocular  ocorre  quando  os  raios  de  luz  provenientes  de  um  objeto  alcançam  pontos  correspondentes  em
ambas  as  retinas.  Quando  nós  olhamos  para  a  frente  e  vemos  um  objeto  distante,  os  raios  de  luz  que  chegam  são
direcionados diretamente  em ambas  as  pupilas  e  são  refratados para  pontos  comparáveis  nas  retinas  de  ambos os  olhos.
Entretanto, conforme nós nos aproximamos de um objeto, os olhos devem girar medialmente para que os raios de luz do
objeto  alcancem  os mesmos  pontos  em  ambas  as  retinas. O  termo  convergência  se  refere  a  esse movimento medial  de
ambos  os  bulbos  dos  olhos  de  modo  que  eles  sejam  direcionados  para  o  objeto  que  está  sendo  observado,  como  por
exemplo quando observamos um lápis que se move na direção dos olhos. Quanto mais próximo o objeto estiver, maior será
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o grau de convergência necessário para manter a visão binocular. As ações coordenadas dos músculos extrínsecos do bulbo
do olho permitem a convergência.
Fisiologia da visão
Fotorreceptores e fotopigmentos
Os  bastonetes  e  os  cones  foram  nomeados  por  causa  da  aparência  de  seus  segmentos  externos  –  a  extremidade  distal
próxima ao estrato pigmentoso – de cada  tipo de  fotorreceptor. Os  segmentos externos dos bastonetes  são cilíndricos ou
com  formato  de  bastão;  os  dos  cones  são  achatados  ou  com  formato  de  cone  (Figura  17.14).  A  transdução  da  energia
luminosa em um potencial receptor ocorre no segmento externo tanto de cones quanto de bastonetes. Os fotopigmentos são
proteínas integrais na membrana plasmática do segmento externo. Nos cones, a membrana plasmática é dobrada para frente
e para trás de modo plissado (pregueado); nos bastonetes, as pregas se destacam da membrana plasmática e formam discos.
O segmento externo de cada bastonete contém uma pilha com cerca de mil discos, empilhados como moedas dentro de um
invólucro.
Figura 17.14 Estrutura dos fotorreceptores de cones e bastonetes. Os segmentos internos contêm a maquinaria metabólica para a
síntese dos fotopigmentos e para a produção de ATP. Os fotopigmentos estão engastados nos discos ou pregas da membrana dos segmentos
externos. Novos discos, nos bastonetes, e novas pregas, nos cones, se formam na base do segmento externo. As células epiteliais
pigmentadas fagocitam os discos e as pregas velhos que se soltam da parte distal dos segmentos externos.
A transdução da energia luminosa em um potencial receptor ocorre nos segmentos externos de cones e de
bastonetes.
807
Quais são as semelhanças funcionais entre os cones e os bastonetes?
Os segmentos externos dos fotorreceptores são renovados em um ritmo impressionantemente rápido. Nos bastonetes,
um a três discos novos são adicionados à base do segmento externo a cada hora, enquanto os discos antigos se soltam e são
fagocitados  pelas  células  epiteliais  pigmentadas.  O  segmentointerno  contém  o  núcleo  celular,  o  complexo  de  Golgi  e
muitas mitocôndrias. Em sua parte proximal, o  fotorreceptor se expande em terminações sinápticas semelhantes a botões
repletos de vesículas sinápticas.
O  primeiro  passo  na  transdução  visual  é  a  absorção  da  luz  por  um  fotopigmento,  uma  proteína  colorida  que  sofre
mudanças estruturais quando absorve luz, localizada no segmento externo de um fotorreceptor. A absorção de luz inicia os
eventos que levam à produção de um potencial receptor. O único tipo de fotopigmento nos bastonetes é a rodopsina. Três
diferentes fotopigmentos dos cones estão presentes na retina, um em cada um dos três tipos de cones. A visão colorida é
resultante das diferentes cores de luz que ativam seletivamente os diferentes tipos de fotopigmentos dos cones.
Todos  os  fotopigmentos  associados  à  visão  possuem  duas  partes:  uma  glicoproteína  conhecida  como  opsina  e  um
derivado da vitamina A chamado de retinal. Os derivados de vitamina A são formados a partir do caroteno, um pigmento
vegetal que dá  às  cenouras  sua  cor  laranja. Uma boa visão depende da  ingestão  adequada de vegetais  ricos  em caroteno,
como cenoura, espinafre e brócolis, ou de alimentos que contenham vitamina A, como o fígado.
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O  retinal  é  a  parte  que  absorve  luz  de  todos  os  fotopigmentos  visuais.  Na  retina  humana,  existem  quatro  tipos
diferentes de opsinas, três nos cones e uma nos bastonetes (rodopsina). Pequenas variações nas sequências de aminoácidos
das  opsinas  diferentes  permitem  que  bastonetes  e  cones  absorvam  cores  diferentes  (comprimentos  de  onda)  da  luz
incidente.
Os fotopigmentos respondem à luz no seguinte processo cíclico (Figura 17.15):
No escuro, o retinal apresenta um formato dobrado chamado de cis­retinal, que se encaixa confortavelmente na parte
opsina  do  fotopigmento.  Quando  o  cis­retinal  absorve  um  fóton  de  luz,  ele  muda  de  conformação,  ficando  reto  e
passando para um estado chamado de trans­retinal. Essa conversão de cis para trans é chamada de isomerização e é
o primeiro passo da transdução visual. Após a isomerização do retinal, vários intermediários químicos instáveis são
formados e desaparecem. Essas mudanças químicas levam à produção de um potencial receptor (ver Figura 17.16).
Em cerca de um minuto, o trans­retinal se separa completamente da opsina. O produto final é incolor, de modo que
essa parte do ciclo é chamada de clareamento do fotopigmento.
Uma enzima chamada de retinal isomerase converte o trans­retinal em cis­retinal.
O cis­retinal então pode se ligar à opsina, restaurando o fotopigmento funcional. Essa parte do ciclo – a reposição de
um fotopigmento – é chamada de regeneração.
O estrato pigmentoso da retina, adjacente aos fotorreceptores, armazena muita vitamina A e contribui para o processo
de  regeneração dos bastonetes. O grau de  regeneração da  rodopsina diminui drasticamente  se  a  retina  se  solta do  estrato
pigmentoso. Os fotopigmentos dos cones se  regeneram muito mais  rapidamente do que a  rodopsina nos bastonetes e são
menos dependentes do  estrato pigmentoso. Após o  clareamento  completo,  a  regeneração de metade da  rodopsina demora
cerca  de  cinco  minutos;  metade  dos  fotopigmentos  dos  cones  se  regenera  em  apenas  90  s.  A  regeneração  completa  da
rodopsina clareada leva de 30 a 40 min.
Adaptações à luz e ao escuro
Quando  você  sai  de  um  ambiente  escuro  (digamos,  um  túnel)  para  a  luz  do  sol,  ocorre  uma  adaptação  à  luz  –  o  seu
sistema  visual  é  ajustado  em  segundos  para  o  ambiente mais  luminoso  pela  diminuição  de  sua  sensibilidade.  Por  outro
lado, quando você entra em uma sala escura como um teatro, o seu sistema visual sofre uma adaptação ao escuro – sua
sensibilidade aumenta lentamente ao longo de muitos minutos. A diferença nas taxas de clareamento e de regeneração dos
fotopigmentos  nos  bastonetes  e  nos  cones  contribuem  para  algumas  (mas  não  todas)  mudanças  de  sensibilidade  que
ocorrem nas adaptações à luz e ao escuro.
Figura 17.15 O clareamento e a regeneração cíclicos do fotopigmento. As setas azuis indicam as etapas do clareamento e as setas
pretas indicam as etapas da regeneração.
O retinal, um derivado da vitamina A, é a parte que absorve luz de todos os fotopigmentos visuais.
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Como é chamada a conversão do cis­retinal em trans­retinal?
Conforme  os  níveis  de  luz  aumentam,  mais  e  mais  fotopigmentos  são  clareados.  Enquanto  a  luz  está  clareando
algumas  moléculas  de  fotopigmento,  outras  estão  sendo  regeneradas.  Na  luz  do  dia,  a  regeneração  da  rodopsina  não
consegue acompanhar o processo de clareamento, de modo que os bastonetes contribuem muito pouco para a visão diurna.
Ao  contrário,  os  fotopigmentos  dos  cones  se  regeneram  rápido  o  bastante  para  que  alguma  forma  cis  esteja  sempre
presente, mesmo em luzes muito fortes.
Se  os  níveis  de  luz  diminuem  abruptamente,  a  sensibilidade  aumenta  rapidamente  no  início  e,  em  seguida,  mais
lentamente.  Na  escuridão  completa,  a  regeneração  total  dos  fotopigmentos  dos  cones  ocorre  durante  os  oito  primeiros
minutos  da  adaptação  ao  escuro.  Durante  esse  período,  um  clarão  limiar  (que  mal  pode  ser  percebido)  é  visto  como
colorido. A rodopsina se regenera mais lentamente e a nossa sensibilidade visual aumenta até que um único fóton (a menor
unidade de luz) consegue ser detectado. Nessa situação, embora uma quantidade de luz muito menor consiga ser detectada,
os clarões limiares parecem branco­acinzentados,  independentemente de suas cores. Em níveis de luz muito baixos, como
uma  noite  iluminada  apenas  pelas  estrelas,  os  objetos  parecem  ter  tons  de  cinza  porque  apenas  os  bastonetes  estão
funcionando.
Liberação de neurotransmissor por fotorreceptores
Como mencionado anteriormente, a absorção de luz e a isomerização do retinal iniciam as mudanças químicas no segmento
externo dos fotorreceptores que levam à produção de um potencial receptor. Entretanto, para compreender como o potencial
receptor  surge,  é  preciso  analisar  primeiramente  como os  fotorreceptores operam na  ausência de  luz. No escuro,  os  íons
sódio (Na+) fluem para dentro do segmento externo do fotorreceptor através de canais de Na+ sensíveis a ligantes (Figura
810
17.16A). O ligante que mantém esses canais abertos é o monofosfato cíclico de guanosina (GMP cíclico ou cGMP). O
influxo  de  Na+,  chamado  de  “corrente  escura”,  despolariza  parcialmente  o  fotorreceptor.  Como  resultado,  no  escuro,  o
potencial de membrana de um fotorreceptor é de cerca de –30 mV. Isso é muito mais próximo do zero do que o potencial de
membrana  em  repouso  de  um  neurônio  típico,  que  é  de  cerca  de  –70 mV. A  despolarização  parcial  no  escuro  dispara  a
liberação contínua de neurotransmissor nos terminais sinápticos. O neurotransmissor nos bastonetes, e talvez nos cones, é
o  aminoácido  glutamato  (ácido  glutâmico). Em  sinapses  entre  bastonetes  e  algumas  células  bipolares,  o  glutamato  é  um
neurotransmissor  inibitório:  ele  dispara  potenciais  pós­sinápticos  inibitórios  (PPSI)  que  hiperpolarizam  as  células
bipolares, evitando que elas transmitam sinais para as células ganglionares.
Quando  a  luz  alcança  a  retina  e  o  cis­retinal  sofre  isomerização,  são  ativadas  enzimas  que  clivam  o  cGMP.  Como
resultado, alguns canais de Na+ sensíveis a cGMP se fecham, o influxo de Na+ diminui e o potencial de membrana se torna
mais  negativo,  chegando  a  –70  mV  (Figura  17.16B).  Essa  sequência  de  eventos  produz  um  potencial  receptor
hiperpolarizante  que  diminui  a  liberação  de  glutamato. Luzes  fracas  causam potenciais  receptores  pequenos  e  curtos  que
diminuem parcialmente a  liberação de glutamato;  luzes mais fortes disparam potenciais  receptores maiores e mais  longos
que interrompem completamente a  liberaçãode neurotransmissor. Desse modo, a  luz excita células bipolares que formam
sinapses com os bastonetes por causa da diminuição da liberação de um neurotransmissor inibitório. As células bipolares
excitadas estimulam subsequentemente as células ganglionares a formarem potenciais de ação em seus axônios.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Daltonismo e cegueira noturna (nictalopia)
A maior parte dos tipos de daltonismo, uma incapacidade hereditária de distinguir entre determinadas cores, resulta da ausência ou de ciência de um dos três tipos
de cones. O tipo mais comum é o daltonismo vermelho-verde, em que os cones vermelhos ou verdes estão ausentes. A de ciência prolongada de vitamina A e a
quantidade de rodopsina abaixo do normal resultante pode causar cegueira noturna ou nictalopia, uma incapacidade de enxergar bem sob baixa luminosidade.
Figura 17.16 Operação dos fotorreceptores bastonetes.
A luz causa um potencial receptor hiperpolarizante nos fotorreceptores, que diminuem a liberação de um
neurotransmissor inibitório (glutamato).
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Qual é a função do GMP cíclico nos fotorreceptores?
Via visual
Os sinais visuais na retina passam por processamentos consideráveis em sinapses ao longo dos vários tipos de neurônios
na  retina  (células  horizontais,  células  bipolares  e  células  amácrinas;  ver  Figura  17.10).  Então,  os  axônios  das  células
ganglionares da retina fornecem informações da retina para o encéfalo, deixando o bulbo do olho como nervo óptico (II).
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Processamento das informações visuais na retina
No  estrato  nervoso  da  retina,  determinadas  características  da  informação  visual  são  potencializadas,  enquanto  outras
características  podem  ser  descartadas.  Informações  provenientes  de  várias  células  podem  convergir  para  uma  pequena
quantidade  de  neurônios  pós­sinápticos  (convergência)  ou  divergir  para  uma  grande  quantidade  (divergência).  De modo
geral,  a  convergência  predomina:  existem  apenas  um  milhão  de  células  ganglionares,  porém  existem  126  milhões  de
fotorreceptores no olho humano.
Uma vez que os potenciais  receptores surgem nos segmentos externos dos bastonetes e dos cones, eles se espalham
através  dos  segmentos  internos  até  os  terminais  sinápticos. As moléculas  neurotransmissoras  liberadas  por  bastonetes  e
cones  induzem  potenciais  graduais  locais  tanto  em  células  bipolares  quanto  em  células  horizontais.  Entre  6  e  600
bastonetes formam sinapses com uma única célula bipolar na camada sináptica externa da retina; um cone frequentemente
forma sinapse com uma única célula bipolar. A convergência de muitos bastonetes em uma única célula bipolar aumenta a
sensibilidade  à  luz  da  visão  dos  bastonetes,  porém  desfoca  levemente  a  imagem  que  é  percebida.  A  visão  dos  cones,
embora menos sensível, é mais nítida por causa da proporção de um para um das sinapses entre cones e células bipolares.
A estimulação dos bastonetes pela  luz excita as células bipolares;  as células bipolares dos cones podem ser excitadas ou
inibidas quando surge uma luz.
As células horizontais transmitem sinais inibitórios para as células bipolares nas áreas laterais aos cones e bastonetes
excitados. Essa  inibição  lateral aumenta o contraste da cena visual entre áreas da retina que são estimuladas fortemente e
áreas adjacentes que são estimuladas mais fracamente. As células horizontais também ajudam a diferenciar várias cores. As
células  amácrinas,  que  são  excitadas  pelas  células  bipolares,  formam  sinapses  com  células  ganglionares  e  transmitem
informações  para  elas,  sinalizando  uma  modificação  no  nível  de  iluminação  da  retina.  Quando  células  bipolares  ou
amácrinas  transmitem  sinais  excitatórios  para  as  células  ganglionares,  essas  células  ganglionares  se  despolarizam  e
disparam impulsos nervosos.
Via encefálica e campos visuais
Os  axônios  do  nervo  óptico  (II)  passam  através  do  quiasma  óptico  (um  cruzamento,  como  na  letra  X),  um  ponto  de
cruzamento  dos  nervos  ópticos  (Figura  17.17A,  B).  Alguns  axônios  atravessam  para  o  lado  oposto,  enquanto  outros
permanecem  do mesmo  lado.  Após  passarem  pelo  quiasma  óptico,  os  axônios,  agora  parte  do  trato  óptico,  entram  no
encéfalo e a maior parte deles termina no núcleo do corpo geniculado lateral do tálamo. Ali, eles formam sinapses com
neurônios  cujos  axônios  formam  as  radiações  ópticas,  que  se  projetam  para  as  áreas  visuais  primárias  nos  lobos
occipitais do córtex cerebral (área 17 na Figura 14.15) e começa a percepção visual. Uma parte das fibras do  trato óptico
termina  no  colículo  superior,  que  controla  os  músculos  extrínsecos  do  bulbo  do  olho,  e  nos  núcleos  pré­tectais,  que
controlam os reflexos de acomodação e pupilar.
Figura 17.17 Via visual. A. A dissecção parcial do encéfalo revela as radiações ópticas (axônios que se estendem do tálamo para o lobo
occiptal). B. Um objeto no campo visual binocular pode ser visto com ambos os olhos. Em (C) e (D) repare que a informação proveniente
do lado direito do campo visual de cada olho é projetada no lado esquerdo do encéfalo e a informação proveniente do lado esquerdo do
campo visual de cada olho é projetada no lado direito do encéfalo.
Os axônios das células ganglionares na parte temporal de cada retina se estendem para o tálamo no mesmo lado;
os axônios das células ganglionares na parte nasal de cada retina se estendem para o tálamo no lado oposto.
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig15
Os raios de luz provenientes de um objeto na metade temporal do campo visual estimulam qual metade
da retina?
Tudo  que  pode  ser  visto  por  um  olho  compreende  o  campo  visual  daquele  olho.  Como  dito  anteriormente,  como
nossos  olhos  estão  localizados  anteriormente  nas  nossas  cabeças,  os  campos  visuais  se  sobrepõem  consideravelmente
(Figura 17.17B). Nós possuímos visão binocular por causa da grande região em que os campos visuais dos dois olhos se
sobrepõem – o campo de visão binocular. O campo visual de cada olho é dividido em duas  regiões: a metade nasal ou
central e a metade temporal ou periférica. Para cada olho, os raios de luz provenientes de um objeto na metade nasal do
campo  visual  são  direcionados  para  a metade  temporal  da  retina  e  os  raios  de  luz  provenientes  de  um objeto  na metade
temporal  do  campo  visual  são  direcionados  para  a  metade  nasal  da  retina.  A  informação  visual  proveniente  da  metade
direita de cada campo visual é  transmitida para o lado esquerdo do encéfalo e a  informação visual proveniente da metade
esquerda de cada campo visual é transmitida para o lado direito do encéfalo da seguinte maneira (Figura 17.17C, D):
Os axônios de todas as células ganglionares da retina em um olho deixam o bulbo do olho no disco do nervo óptico e
formam o nervo óptico naquele lado.
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17.4
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No quiasma óptico, os axônios da metade temporal de cada retina não cruzam e continuam diretamente para o núcleo
do corpo geniculado lateral do tálamo naquele mesmo lado.
Ao contrário, os axônios da metade nasal de cada retina cruzam o quiasma óptico e continuam para o tálamo do lado
oposto.
Cada trato óptico é formado por axônios cruzados e não cruzados que se projetam a partir do quiasma óptico para o
tálamo de um dos lados.
Axônios colaterais (ramos) das células ganglionares retinais se projetam para o mesencéfalo, onde contribuem para os
circuitos neurais que governam a constrição das pupilas em resposta à  luz e para a coordenação dos movimentos da
cabeça  e  do  olho.  Os  axônios  colaterais  também  se  estendem  para  o  núcleo  supraquiasmático  do  hipotálamo,  que
estabelece  os  padrões  de  sono  e  outras  atividades  que  ocorrem  de  modo  circadiano  ou  diário  em  resposta  aos
intervalos entre a claridade e a escuridão.
Os  axônios  dos  neurônios  talâmicosformam as  radiações  ópticas  conforme  eles  se  projetam do  tálamo para  a  área
visual primária do córtex no mesmo lado.
Embora nós tenhamos descrito a via visual como uma via única, acredita­se que os sinais visuais sejam processados
por pelo menos três sistemas separados no córtex cerebral e cada um deles com sua função própria. Um sistema processa a
informação relacionada com o formato dos objetos, outro sistema processa a informação a respeito da cor dos objetos e um
terceiro sistema processa a informação a respeito do movimento, da localização e da organização espacial do objeto.
 TESTE RÁPIDO
Qual é a função do aparelho lacrimal?
Quais tipos de células compõem o estrato nervoso e o estrato pigmentoso da retina?
Como os fotopigmentos respondem à luz e se recuperam no escuro?
Como os potenciais receptores surgem nos fotorreceptores?
Através de qual via os  impulsos nervosos disparados por um objeto na metade nasal do campo visual do olho
esquerdo alcançam a área visual primária do córtex?
Audição e equilíbrio
 OBJETIVOS
Descrever a anatomia das estruturas das três regiões principais da orelha
Listar os principais eventos da fisiologia da audição
Explicar a função de cada órgão receptor para o equilíbrio
Descrever as vias auditiva e do equilíbrio.
A audição é a capacidade de perceber os sons. A orelha é uma maravilha da engenharia porque seus receptores sensitivos
permitem a  transdução de vibrações  sonoras  com amplitudes  tão pequenas quanto o diâmetro de um átomo de ouro  (0,3
nm) em sinais  elétricos mil vezes mais  rapidamente do que os  fotorreceptores podem  responder  à  luz. A orelha  também
possui receptores para o equilíbrio, o sentido que ajuda você a manter seu equilíbrio e se orientar no espaço.
Anatomia da orelha
A orelha é dividida em três regiões principais: (1) a orelha externa, que coleta as ondas sonoras e as direciona para dentro;
(2) a orelha média, que conduz as vibrações sonoras para a janela do vestíbulo (oval); e (3) a orelha interna, que armazena
os receptores para a audição e para o equilíbrio.
Orelha externa
A  orelha  externa  é  formada  pela  orelha  (pavilhão  auricular),  pelo  meato  acústico  externo  e  pela  membrana  timpânica
(Figura  17.18).  A  orelha  é  uma  aba  de  cartilagem  elástica  com  formato  semelhante  à  extremidade  de  uma  corneta  e
recoberta por pele. A sua margem é a hélice; a parte inferior é o lóbulo. Ligamentos e músculos ligam a orelha à cabeça. O
meato acústico externo  é  um  tubo  curvado  com cerca  de  2,5  cm de  comprimento que  se  encontra  no  temporal  e  leva  à
membrana  timpânica. A membrana timpânica ou  tímpano  é uma divisão  fina e semitransparente entre o meato acústico
externo e a orelha média. A membrana timpânica é coberta por epiderme e revestida por um epitélio cúbico simples. Entre
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as camadas epiteliais encontra­se  tecido conjuntivo composto por colágeno,  fibras elásticas e fibroblastos. O rompimento
da membrana  timpânica  é  chamado  de perfuração do  tímpano.  Ele  pode  ser  causado  pela  pressão  de  um  cotonete,  por
traumatismo ou por uma infecção na orelha média e em geral se cura em 1 mês. A membrana timpânica pode ser avaliada
diretamente  pelo  uso  de  um  otoscópio,  um  instrumento  que  ilumina  e  amplia  o  meato  acústico  externo  e  a  membrana
timpânica.
Figura 17.18 Anatomia da orelha.
A orelha possui três regiões principais: a orelha externa, a orelha média e a orelha interna. (Ver legenda abaixo.)
Em qual estrutura da orelha externa se liga o martelo da orelha média?
Próximo a sua abertura externa, o meato acústico externo contém alguns pelos e glândulas sudoríferas especializadas
chamadas de glândulas ceruminosas, que secretam cera de ouvido ou cerume. A combinação entre pelos e cerume ajuda a
evitar a entrada de poeira e de objetos estranhos na orelha. O cerume também evita danos à pele delicada do meato acústico
externo que podem ser causados pela água e por  insetos. O cerume em geral desidrata e desprende­se do meato acústico.
Entretanto, algumas pessoas produzem muito cerume, que pode se tornar compactado e amortecer os sons. O tratamento do
cerume  impactado  é  a  irrigação  periódica  da  orelha  ou  a  remoção  da  cera  com  um  instrumento  rombo  pelo
otorrinolaringologista.
Orelha média
A orelha média é uma pequena cavidade, cheia de ar e revestida por epitélio, situada na parte petrosa do temporal (Figura
17.19).  Ela  é  separada  da  orelha  externa  pela  membrana  timpânica  e  da  orelha  interna  por  uma  divisão  óssea  fina  que
contém  duas  pequenas  aberturas:  a  janela  do  vestíbulo  (oval)  e  a  janela  da  cóclea  (redonda).  Estendendo­se  através  da
orelha média e ligada a ela através de ligamentos encontram­se os três menores ossos do corpo, os ossículos da audição,
que são conectados por articulações sinoviais. Os ossos, nomeados por causa de seus formatos, são o martelo, a bigorna e
o estribo. O “cabo” do martelo se liga à face interna da membrana timpânica. A “cabeça” do martelo é articulada ao corpo
da  bigorna. A bigorna,  o  osso  do meio  na  série,  se  articula  com  a  cabeça  do  estribo. A  base  do  estribo  se  encaixa  na
janela do vestíbulo (oval). Diretamente abaixo dessa janela encontra­se outra abertura, a janela da cóclea (redonda), que
é encapsulada por uma membrana chamada de membrana timpânica secundária.
Além  dos  ligamentos,  dois  pequenos  músculos  esqueléticos  também  se  ligam  aos  ossículos  (Figura  17.19).  O
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músculo tensor do tímpano, que é inervado pelo ramo mandibular do nervo trigêmeo (V), limita o movimento e aumenta
a tensão da membrana timpânica, evitando danos à orelha interna por causa de barulhos muito altos. O músculo estapédio,
que é inervado pelo nervo facial (NC VII) é o menor músculo esquelético do corpo humano. Ao evitar grandes vibrações
no estribo decorrentes de sons altos, ele protege a janela do vestíbulo (oval), mas também diminui a sensibilidade auditiva.
Por esse motivo, a paralisia do músculo estapédio está associada à hiperacusia, que é uma audição anormalmente sensível.
Como  demora  uma  fração  de  segundo  para  que  os  músculos  tensor  do  tímpano  e  estapédio  se  contraiam,  eles  podem
proteger a orelha interna de sons altos prolongados, mas não de sons curtos, como o de um tiro.
A parede anterior da orelha média contém uma abertura que leva diretamente para a tuba auditiva, conhecida também
pelo  epônimo  trompa de Eustáquio. A  tuba  auditiva,  contendo  osso  e  cartilagem  elástica,  conecta  a  orelha média  com  a
parte  nasal  da  faringe  ou  nasofaringe  (porção  superior  da  garganta).  Ela  normalmente  encontra­se  fechada  em  sua
extremidade medial (faríngea). Durante a deglutição e ao bocejar, ela se abre, permitindo que o ar entre ou saia da orelha
média até que a pressão nela seja igual à pressão atmosférica. A maioria das pessoas já experimentou a sensação de estalo
na orelha quando as pressões se  igualam. Quando as pressões estão balanceadas, a membrana  timpânica vibra  livremente
conforme  as  ondas  sonoras  chegam  nela.  Se  a  pressão  não  estiver  equilibrada,  podem  ocorrer  dor  intensa,  prejuízo
auditivo,  zumbido  nas  orelhas  e  vertigem.  A  tuba  auditiva  também  é  uma  rota  para  patógenos  que  saem  do  nariz  e  da
garganta  para  a  orelha  média,  causando  o  tipo  mais  comum  de  infecção  auditiva  (ver  otite  média  em  Distúrbios  |
Desequilíbrios homeostáticos no final deste capítulo).
Figura 17.19 Orelha média direita e ossículos da audição.
Quais estruturas separam a orelha média da orelha interna?
Orelha interna
A  orelha  interna  também  é  chamada  de  labirinto  por  causa  de  sua  série  complicada  de  canais  (Figura  17.20).
Estruturalmente,  ela  é  formada  por  duas  divisões  principais:  um  labirinto  ósseo  externo  que  encapsula  um  labirinto
membranáceo interno. É como se fossem balões longos colocados dentro de um tubo rígido. O labirinto ósseo é formadopor  uma  série  de  cavidades  na  parte  petrosa  do  temporal  divididas  em  três  áreas:  (1)  os  canais  semicirculares,  (2)  o
vestíbulo e (3) a cóclea. O labirinto ósseo é revestido por periósteo e contém a perilinfa. Esse líquido, que é quimicamente
semelhante  ao  líquido  cerebrospinal,  reveste  o  labirinto membranáceo,  uma  série  de  sacos  e  tubos  epiteliais  dentro  do
labirinto ósseo que têm o mesmo formato geral do labirinto ósseo, abrigando os receptores para a audição e o equilíbrio. O
labirinto membranáceo epitelial contém a endolinfa. O nível de  íons potássio  (K+) na endolinfa é  incomumente alto para
um líquido extracelular e os íons potássio desempenham um papel na geração dos sinais auditivos (descritos a seguir).
O vestíbulo é a parte central oval do labirinto ósseo. O labirinto membranáceo no vestíbulo é formado por dois sacos
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chamados  de utrículo  e  sáculo,  que  são  conectados  por  um  pequeno  ducto.  Projetando­se  superior  e  posteriormente  ao
vestíbulo  encontram­se  três canais semicirculares  ósseos,  cada  um  deles  localizado  em  ângulos  aproximadamente  retos
um  em  relação  aos  outros  dois.  Com  base  em  suas  posições,  eles  são  nomeados  como  canais  semicirculares  anterior,
posterior  e  lateral. Os  canais  semicirculares  anterior  e  posterior  são  orientados  verticalmente;  o  canal  lateral  é  orientado
horizontalmente. Em uma extremidade de cada canal encontra­se um alargamento redondo chamado de ampola. As partes
do  labirinto  membranáceo  que  se  encontram  dentro  dos  canais  semicirculares  ósseos  são  chamados  de  ductos
semicirculares. Essas estruturas se conectam ao utrículo do vestíbulo.
O  nervo  vestibular,  parte  do  nervo  vestibulococlear  (VIII)  consiste  nos nervos ampular, utricular  e  sacular.  Esses
nervos  contêm neurônios  sensitivos  de  primeira  ordem  e  neurônios motores  que  formam  sinapses  com os  receptores  de
equilíbrio. Os  neurônios  sensitivos  de  primeira  ordem  carregam  a  informação  sensorial  proveniente  dos  receptores  e  os
neurônios motores carregam sinais de retroalimentação para os receptores, aparentemente para modificar sua sensibilidade.
Os corpos celulares dos neurônios sensitivos encontram­se localizados nos gânglios vestibulares (ver Figura 17.21B).
Figura 17.20 Orelha interna direita. A área externa e com coloração creme é parte do labirinto ósseo; a área interna e com coloração
rosa é o labirinto membranáceo.
O labirinto ósseo contém a perilinfa e o labirinto membranáceo contém a endolinfa.
Quais são os nomes dos dois sacos que se encontram no labirinto membranáceo do vestíbulo?
Anteriormente ao vestíbulo encontra­se a cóclea,  um canal  espiral ósseo que  lembra  a  casca de um caracol  e  realiza
quase  três  voltas  ao  redor  de  um  núcleo  ósseo  central  chamado  de modíolo  (ver  Figura  17.21B).  Cortes  histológicos
através da cóclea  revelam que ela é dividida em  três canais: o ducto coclear, a  rampa do vestíbulo e a  rampa do  tímpano
(Figura 17.21A­C). O ducto coclear  é uma continuação do  labirinto membranáceo em direção à cóclea;  ele é preenchido
por endolinfa. O canal acima do ducto coclear é a rampa do vestíbulo, que termina na janela do vestíbulo (oval). O canal
abaixo é a rampa do tímpano, que termina na janela da cóclea (redonda). Tanto a rampa do vestíbulo quanto a rampa do
tímpano  são  partes  do  labirinto  ósseo  da  cóclea;  portanto,  essas  câmaras  são  preenchidas  por  perilinfa.  A  rampa  do
vestíbulo  e  a  rampa  do  tímpano  são  separadas  completamente  pelo  ducto  coclear,  exceto  por  uma  abertura  no  ápice  da
cóclea, o helicotrema (ver Figura 17.22). A cóclea é adjacente à parede do vestíbulo, na qual a rampa do vestíbulo se abre.
A perilinfa no vestíbulo é contínua com aquela da rampa do vestíbulo.
A membrana (parede) vestibular  separa o ducto coclear da  rampa do vestíbulo e a  lâmina basilar  separa o ducto
coclear  da  rampa  do  tímpano. Localizada  sobre  a  lâmina  basilar  encontra­se  o órgão espiral  ou órgão  de  Corti  (Figura
17.21C, D). O órgão espiral é uma lâmina espiral de células epiteliais, incluindo células epiteliais de sustentação e cerca de
16.000 células ciliadas,  que  são  os  receptores  da  audição.  Existem  dois  grupos  de  células  ciliadas:  as  células  ciliadas
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internas estão organizadas em uma única fileira, enquanto as células ciliadas externas  estão organizadas em  três  fileiras.
Na porção apical de cada célula ciliada encontram­se entre 40 e 80 estereocílios, que se estendem para a endolinfa do ducto
coclear. Apesar  de  seu  nome,  os  estereocílios  são microvilosidades  longas  e  semelhantes  a  pelos  organizadas  em  várias
fileiras de comprimento graduado.
Em suas extremidades basais, as células ciliadas formam sinapses com os neurônios sensitivos de primeira ordem e
com os neurônios motores da parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII). Os corpos celulares dos neurônios sensitivos
estão  localizados no gânglio espiral  (Figura 17.21B, C). Embora  as  células  ciliadas  externas  superem em quantidade  as
células ciliadas  internas em uma proporção de  três para um, as células ciliadas  internas  formam sinapses com 90 a 95%
dos  neurônios  sensitivos  de  primeira  ordem  no  nervo  coclear,  que  transmite  a  informação  auditiva  para  o  encéfalo.  Em
comparação,  90%  dos  neurônios  motores  no  nervo  coclear  formam  sinapses  com  as  células  ciliadas  externas.  A
membrana tectória é uma membrana gelatinosa flexível que cobre as células ciliadas do órgão espiral (Figura 17.21D). Na
realidade,  as  extremidades  dos  estereocílios  das  células  ciliadas  estão  em  contato  com  a membrana  tectória  enquanto  os
corpos das células ciliadas se encontram sobre a lâmina basilar.
A natureza das ondas sonoras
Para compreender a fisiologia da audição, é necessário saber algo a respeito do seu  influxo, as ondas sonoras. As ondas
sonoras são regiões de alta e baixa pressões que se alternam entre si e que viajam na mesma direção através de algum meio
(como o ar). Elas são originadas a partir de um objeto que vibra de modo muito semelhante à formação de ondas sobre a
superfície  de  um  lago  quando  alguém  atira  uma  pedra  sobre  a  água. A  frequência  de  uma  vibração  sonora  é  o  seu  tom.
Quanto  maior  for  a  frequência  de  vibração,  maior  será  seu  tom.  Os  sons  percebidos  de  modo  mais  agudo  pela  orelha
humana  são  aqueles provenientes de  fontes que vibram em  frequências  entre 500 e 5.000 Hertz  (Hz; 1 Hz = 1  ciclo por
segundo). Todo  o  espectro  audível  se  estende  entre  20  e  20.000 Hz. Os  sons  da  fala  contêm  frequências  principalmente
entre 100 e 3.000 Hz e o dó cantado por um soprano possui uma frequência dominante de 1.048 Hz. Os sons de um avião a
muitos quilômetros de distância variam entre 20 e 100 Hz.
Quanto maior for a  intensidade  (tamanho ou amplitude) da vibração, mais alto  será o  som. A  intensidade do  som é
medida  em  unidades  chamadas  de  decibéis  (dB).  O  aumento  em  um  decibel  representa  um  aumento  de  10  vezes  na
intensidade  sonora. O  limiar  auditivo  –  o  ponto  a  partir  do  qual  um  adulto  jovem mediano  pode  distinguir  entre  som  e
silêncio  –  é  definido  como  0  dB  a  1.000  Hz.  O  farfalhar  das  folhas  de  árvores  possui  um  nível  de  15  dB;  uma  fala
sussurrada,  30;  uma  conversação  normal,  60;  um  aspirador  de  pó,  75;  gritos,  80  e  uma  motocicleta  ou  uma  britadeira
próxima, 90. Os sons se tornam desconfortáveis à orelha normal por volta de 120 dB e são dolorosos acima de 140 dB.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Sons altos e danos às células ciliadas
A exposição à música alta, ao barulho da turbina de aviões, a motocicletas acelerando, a cortadores de grama e a aspiradores de pó dani ca as células ciliadas da
cóclea. Como a exposição prolongada ao barulho causa perda auditiva, os empregadores nos EUA devem exigirque os trabalhadores utilizem protetores auditivos
quando os níveis de ruído ocupacional excedem 90 dB. Shows de rock e até mesmo fones de ouvido podem facilmente produzir sons acima de 110 dB. A exposição
contínua a sons de alta intensidade é uma causa de surdez, a perda auditiva signi cativa ou total. Quanto mais altos os sons, mais rápida é a perda auditiva. A surdez
normalmente começa com uma perda de sensibilidade aos sons de tons elevados. Se você está escutando música com fones de ouvido e os transeuntes conseguem
escutá-la também, o nível de decibéis está na faixa prejudicial. A maior parte das pessoas não consegue perceber a perda progressiva da audição até que a destruição
seja extensa e elas apresentem di culdade para entender o que é falado. O uso de protetores com uma taxa de redução de barulho de 30 dB durante atividades
barulhentas pode proteger a sensibilidade das suas orelhas.
Figura 17.21 Canais semicirculares, vestíbulo e cóclea da orelha direita. Repare que a cóclea realiza quase três voltas completas.
Os três canais na cóclea são a rampa do vestíbulo, a rampa do tímpano e o ducto coclear.
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Quais são as três subdivisões do labirinto ósseo?
Fisiologia da audição
Os seguintes eventos estão envolvidos na audição (Figura 17.22):
O pavilhão direciona as ondas sonoras para o meato acústico externo.
Quando as ondas sonoras alcançam a membrana  timpânica, as ondas alternadas de pressão alta e baixa no ar  fazem
com que a membrana timpânica vibre para frente e para trás. A membrana timpânica vibra lentamente em resposta a
sons de baixa frequência (tons baixos) e rapidamente em resposta a sons de alta frequência (tons altos).
A  área  central  da  membrana  timpânica  se  conecta  ao  martelo,  que  vibra  junto  com  a  membrana  timpânica.  Essa
vibração é transmitida do martelo para a bigorna e, então, para o estribo.
Conforme  o  estribo  se  move  para  frente  e  para  trás,  sua  placa  basal  em  formato  oval,  conectada  através  de  um
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ligamento à circunferência da  janela do vestíbulo  (oval),  faz vibrar  essa  janela. As vibrações na  janela do vestíbulo
(oval)  são  cerca  de  20  vezes mais  vigorosas  do  que  aquelas  na membrana  timpânica  porque  os  ossículos  auditivos
transformam eficientemente pequenas vibrações espalhadas por uma grande área superficial (a membrana timpânica)
em vibrações maiores em uma superfície menor (a janela do vestíbulo [oval]).
O movimento  do  estribo  na  janela  do  vestíbulo  (oval)  provoca  ondas  de  pressão  no  líquido  da  perilinfa  da  cóclea.
Conforme a janela do vestíbulo (oval) é empurrada para dentro, ela empurra a perilinfa na rampa do vestíbulo.
As ondas de pressão são transmitidas da rampa do vestíbulo para a rampa do tímpano e, eventualmente, para a janela
da cóclea (redonda), fazendo com que ela se projete para fora na orelha média (ver   na figura).
As ondas de pressão atravessam através da perilinfa da rampa do vestíbulo, passam então para a membrana vestibular
e se movem para a endolinfa dentro do ducto coclear.
As ondas de pressão na endolinfa fazem com que as membranas basilares vibrem, fazendo com que as células ciliadas
do  órgão  espiral  se  movam  contra  a  membrana  tectória.  Isso  promove  o  dobramento  dos  estereocílios  e  leva  em
última análise à geração de impulsos nervosos nos neurônios de primeira ordem nas fibras nervosas cocleares.
As  ondas  sonoras  de  várias  frequências  fazem  com  que  determinadas  regiões  da  lâmina  basilar  vibrem  mais
intensamente  do  que  outras.  Cada  segmento  da  lâmina  basilar  está  “afinado”  para  um  tom  em  particular.  Como  a
membrana  é mais  estreita  e mais  espessa na base da  cóclea  (próxima  à  janela  do vestíbulo  [oval]),  os  sons de  alta
frequência (com tom alto) induzem vibrações máximas nessa região. Na direção do ápice da cóclea, a lâmina basilar é
mais ampla e mais flexível; os sons de baixa frequência (de tom baixo) causam a vibração máxima da lâmina basilar
naquele local. A altura do som é determinada pela intensidade das ondas sonoras. Ondas sonoras de alta intensidade
promovem vibrações maiores na lâmina basilar, promovendo maior frequência de impulsos nervosos que chegam ao
encéfalo. Sons mais altos também podem estimular uma quantidade maior de células ciliadas.
Figura 17.22 Eventos na estimulação dos receptores auditivos na orelha direita. A cóclea foi desenrolada para que seja possível
visualizar mais facilmente a transmissão das ondas sonoras e a sua distorção nas membranas vestibular e basilar do ducto coclear.
As células ciliadas do órgão espiral (órgão de Corti) convertem uma vibração mecânica (estímulo) em um sinal
elétrico (potencial receptor).
Qual parte da lâmina basilar vibra mais vigorosamente em resposta a sons de alta frequência (tom alto)?
As  células  ciliadas  promovem  a  transdução  de  vibrações mecânicas  em  sinais  elétricos.  Conforme  a  lâmina  basilar
vibra, os feixes de cílios no ápice das células ciliadas se dobram para frente e para trás e deslizam um sobre o outro. Uma
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proteína  de  ligação  de  extremidade  (tip  link)  conecta  a  extremidade  de  cada  estereocílio  a  um  canal  iônico  sensível  a
estresse mecânico chamado de canal de transdução  no  seu  estereocílio  vizinho mais  alto. Conforme os  estereocílios  se
dobram em direção aos estereocílios mais altos, as  ligações de extremidade  (tip  links) disparam os canais de  transdução,
abrindo­os.  Esses  canais  permitem  que  cátions  na  endolinfa,  principalmente  K+,  entrem  no  citosol  da  célula  ciliada.
Conforme os cátions entram, eles produzem um potencial receptor despolarizante. A despolarização se espalha rapidamente
ao longo da membrana plasmática e abre canais de Ca2+ dependentes de voltagem na base das células ciliadas. O influxo de
cálcio  resultante  promove  a  exocitose  de  vesículas  sinápticas  contendo  um  neurotransmissor,  que  provavelmente  é  o
glutamato. Conforme mais neurotransmissores são liberados, a frequência de impulsos nervosos nos neurônios sensitivos
de  primeira  ordem  que  formam  sinapses  com  a  base  das  células  ciliadas  aumenta.  O  dobramento  dos  estereocílios  na
direção  oposta  fecha  os  canais  de  transdução,  permitindo  que  ocorra  hiperpolarização  e  reduzindo  a  liberação  de
neurotransmissor pelas células ciliadas. Isso diminui a frequência de impulsos nervosos nos neurônios sensitivos.
Além de seu papel na detecção dos sons, a cóclea possui uma capacidade surpreendente de produzir sons. Esses sons
em geral  inaudíveis,  chamados de emissões otoacústicas,  podem  ser  captados  pela  colocação  de  um microfone  sensível
próximo à membrana timpânica. Elas são causadas por vibrações nas células ciliadas externas que ocorrem em resposta a
ondas sonoras e a sinais provenientes dos neurônios motores. Conforme despolarizam e se repolarizam, as células ciliadas
externas  encurtam  e  se  estendem  rapidamente.  Esse  comportamento  vibratório  parece modificar  a  rigidez  da membrana
tectória  e  acredita­se  que  ele  aumente  o  movimento  da  lâmina  basilar,  amplificando  as  respostas  das  células  ciliadas
internas.  Ao mesmo  tempo,  as  vibrações  das  células  ciliadas  externas  promovem  uma  onda  que  retorna  em  direção  ao
estribo e deixa a orelha na forma de emissão otoacústica. A detecção desses sons produzidos pela orelha interna é um modo
rápido, barato e não invasivo de examinar recém­nascidos para a detecção de problemas de audição. Em bebês surdos, as
emissões otoacústicas não são produzidas ou são de amplitude muito reduzida.
Via auditiva
O  dobramento  dos  estereocílios  das  células  ciliadas  do  órgão  espiral  promove  a  liberação  de  um  neurotransmissor
(provavelmente  o  glutamato),  que  gera  impulsos  nervosos  nos  neurônios  sensitivos  que  inervam  as  células  ciliadas. Os
corpos  celulares  dos  neurônios  sensitivos  estão  localizados  nos  gânglios  espirais. Os  impulsosnervosos  passam através
dos axônios desses neurônios, que formam a parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII) (Figura 17.23). Esses axônios
formam sinapses  com neurônios  nos núcleos cocleares  no  bulbo  naquele mesmo  lado. Alguns  dos  axônios  dos  núcleos
cocleares  passam por  um  cruzamento  no  bulbo  e  ascendem  em um  trato  chamado  de  lemnisco  lateral  no  lado  oposto  e
terminam no colículo inferior do mesencéfalo. Outros axônios dos núcleos cocleares terminam no núcleo olivar superior
em  cada  lado  da  ponte.  Diferenças  sutis  no  tempo  que  demora  para  que  os  impulsos  nervosos  provenientes  das  duas
orelhas  cheguem nos núcleos olivares  superiores permitem a  localização da  fonte do  som. Axônios dos núcleos olivares
superiores também ascendem no lemnisco lateral em ambos os lados e terminam nos colículos inferiores. A partir de cada
colículo inferior, os impulsos nervosos são transmitidos para o núcleo geniculado medial no tálamo e, finalmente, para a
área auditiva primária do córtex cerebral no lobo temporal do cérebro (ver áreas 41 e 42 na Figura 14.15). Como muitos
axônios  auditivos  cruzam  o  bulbo,  trocando  de  lado,  enquanto  outros  permanecem  no  mesmo  lado,  as  áreas  auditivas
primárias direita e esquerda recebem impulsos nervosos de ambas as orelhas.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Implantes cocleares
Um implante coclear é um dispositivo que transforma sons em sinais elétricos que podem ser interpretados pelo encéfalo. Esse tipo de dispositivo é útil para
pessoas cuja surdez tenha sido causada por danos às células ciliadas da cóclea. As porções externas de um implante coclear consistem em (1) um microfone
posicionado ao redor da orelha, que capta as ondas sonoras, (2) um processador de sons, que pode ser colocado no bolso de uma camiseta, que converte as ondas
sonoras em sinais elétricos e (3) um transmissor, posicionado atrás da orelha, que recebe sinais do processador de sons, passando-os para um receptor interno. As
porções internas de um implante coclear são (1) um processador interno, que transmite sinais para (2) eletrodos implantados na cóclea, onde eles disparam impulsos
nervosos nos neurônios sensitivos do nervo vestibulococlear (VIII). Esses impulsos nervosos induzidos arti cialmente são propagados para o encéfalo pelas vias
normais. Os sons percebidos são grosseiros em comparação à audição normal, mas eles fornecem uma sensação de ritmo e de altura; dão informações a respeito de
determinados barulhos, como aqueles produzidos por telefones e automóveis; e indicam o tom e a cadência da fala. Alguns pacientes com implante coclear
conseguem escutar bem o bastante a ponto de utilizarem telefones.
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig15
Fisiologia do equilíbrio
Existem  dois  tipos  de  equilíbrio.  O  equilíbrio  estático  se  refere  à  manutenção  da  posição  do  corpo  (principalmente  a
cabeça)  em  relação  à  força  da  gravidade.  Os  movimentos  corporais  que  estimulam  os  receptores  do  equilíbrio  estático
incluem girar a cabeça e a aceleração e a desaceleração  lineares, como experimentado quando o corpo é movido dentro de
um  elevador  ou  em  um  carro  que  acelera  ou  desacelera.  O  equilíbrio  dinâmico  é  a  manutenção  da  posição  corporal
(principalmente  da  cabeça)  em  resposta  a  movimentos  súbitos  como  a  aceleração  ou  a  desaceleração  rotacionais.
Coletivamente,  os  órgãos  receptores  para  o  equilíbrio  são  chamados  de  aparelho  vestibular;  que  incluem  o  sáculo,  o
utrículo e os ductos semicirculares.
Figura 17.23 Via auditiva.
Das células ciliadas da cóclea, a informação auditiva é transmitida pela parte coclear do nervo vestibulococlear
(VIII) e, então, para o tronco encefálico, o tálamo e o córtex cerebral.
Qual é a função do núcleo olivar superior da ponte?
Órgãos otolíticos | Sáculo e utrículo
As paredes  tanto do utrículo quanto do sáculo contêm uma região pequena e espessa chamada de mácula  (Figura 17.24).
As duas máculas, que são perpendiculares uma à outra, são os receptores do equilíbrio estático. Elas fornecem informação
sensorial  a  respeito  da  posição  da  cabeça  no  espaço  e  são  essenciais  para  a  manutenção  da  postura  e  do  equilíbrio
adequados. As máculas também detectam aceleração e desaceleração lineares – por exemplo, as sensações que você percebe
enquanto está dentro de um elevador ou de um carro que acelera ou desacelera.
As máculas são formadas por dois tipos de células: as células ciliadas, que são os receptores sensitivos, e as células
de  sustentação.  As  células  ciliadas  possuem  em  sua  superfície  entre  40  e  80  estereocílios  (que  são  na  realidade
microvilosidades) de altura gradual, além de um cinocílio, um cílio convencional ancorado firmemente em seu corpo basal
e que se estende além do estereocílio mais longo. Assim como na cóclea, os estereocílios estão conectados pelas ligações
de extremidade. Coletivamente, os estereocílios e os cinocílios são chamados de feixe piloso. Espalhadas entre as células
ciliadas  encontram­se  as  células  de  sustentação  colunares  que  provavelmente  secretam  a  camada  espessa  e  gelatinosa  de
glicoproteínas,  chamada  de membrana  dos  estatocônios,  que  se  encontra  sobre  as  células  ciliadas.  Uma  camada  de
824
cristais densos de carbonato de cálcio, chamados de estatocônios, se estende sobre toda a superfície dessa membrana.
Como a membrana dos estatocônios se encontra em cima da mácula, se você inclinar a cabeça para frente, a membrana
(juntamente com os estatocônios) é tracionada pela gravidade. Ela desliza “para baixo” sobre as células ciliadas na direção
dos  feixes  pilosos  que  se  dobraram.  Entretanto,  se  você  está  sentado  ereto  em  um  carro  que  acelera  subitamente,  a
membrana dos  estatocônios  fica para  trás  em  relação  ao movimento da  cabeça,  puxa os  feixes pilosos,  fazendo com que
eles se dobrem em outra direção. O dobramento dos feixes pilosos em uma direção estica as ligações de extremidade, que
tracionam os canais de transdução, produzindo potenciais receptores despolarizantes; o dobramento na direção oposta fecha
os canais de transdução e produz a hiperpolarização.
Conforme as células ciliadas despolarizam e repolarizam, elas liberam um neurotransmissor em uma taxa mais rápida
ou mais  lenta. As  células  ciliadas  formam  sinapses  com  neurônios  sensitivos  de  primeira  ordem  na  parte  vestibular  do
nervo  vestibulococlear  (VIII)  (ver  Figura  17.21  D).  Esses  neurônios  disparam  impulsos  em  um  ritmo  lento  ou  rápido,
dependendo  da  quantidade  de  neurotransmissor  presente.  Neurônios  motores  também  formam  sinapses  com  as  células
ciliadas e com os neurônios sensitivos. Evidentemente, os neurônios motores regulam a sensibilidade das células ciliadas e
dos neurônios sensitivos.
Figura 17.24 Localização e estrutura dos receptores nas máculas da orelha direita. Tanto neurônios sensitivos de primeira ordem
(azul) quanto neurônios motores (vermelho) formam sinapses com as células ciliadas.
O movimento dos estereocílios inicia os potenciais receptores despolarizantes.
825
Com qual tipo de equilíbrio as máculas estão relacionadas?
Ductos semicirculares
Os três ductos semicirculares agem sobre o equilíbrio dinâmico. Os ductos se encontram em ângulos retos um em relação
aos  outros  em  três  planos  (Figura 17.25):  os  dois  ductos  verticais  são  os  ductos  semicirculares  anterior  e  posterior  e  o
ducto  horizontal  é  o  ducto  semicircular  lateral  (ver  também  Figura  17.20).  Esse  posicionamento  permite  a  detecção  da
aceleração  e da desaceleração  rotacionais. Na ampola,  a  parte  dilatada  de  cada  ducto,  encontra­se  uma pequena  elevação
chamada  de  crista.  Cada  crista  contém  um  grupo  de  células  ciliadas  e  de  células  de  sustentação.  Recobrindo  a  crista
encontra­se uma massa de material gelatinoso chamada de cúpula.Quando você move sua cabeça, os ductos semicirculares
vinculados e as células ciliadas se movem concomitantemente. Entretanto, a endolinfa dentro da ampola não está vinculada
e fica para trás. Conforme as células ciliadas se movendo sofrem atrito contra a endolinfa estacionária, os ramos ciliares se
dobram.  O  dobramento  dos  ramos  ciliares  produz  potenciais  receptores.  Por  sua  vez,  os  potenciais  receptores  causam
impulsos nervosos que passam pela parte vestibular do nervo vestibulococlear (VIII).
Figura 17.25 Localização e estrutura dos ductos semicirculares da orelha direita. Tanto os neurônios sensitivos de primeira ordem
(azul) quanto os neurônios motores (vermelho) formam sinapses com as células ciliadas. Os nervos ampulares são ramos da divisão
vestibular do nervo vestibulococlear (NC VIII).
826
As posições dos ductos semicirculares permitem a detecção dos movimentos rotacionais.
Os ductos semicirculares estão relacionados a que forma de equilíbrio?
Vias do equilíbrio
A  curvatura  dos  feixes  pilosos  das  células  ciliadas  nos  ductos  semicirculares,  no  utrículo  ou  no  sáculo  promove  a
liberação  de  um  neurotransmissor  (provavelmente  glutamato),  gerando  impulsos  nervosos  nos  neurônios  sensitivos  que
inervam  as  células  ciliadas.  Os  corpos  celulares  dos  neurônios  sensitivos  estão  localizados  nos  gânglios  vestibulares.
Impulsos  nervosos  são  transportados  pelos  axônios  desses  neurônios,  que  formam  a  parte  vestibular  do  nervo
vestibulococlear (VIII)  (Figura 17.26). A maior  parte  desses  axônios  forma  sinapses  com  os  neurônios  sensitivos  nos
núcleos vestibulares,  os  principais  centros  de  integração  com o  equilíbrio,  localizados  no bulbo  e  na  ponte. Os  núcleos
vestibulares também recebem informações dos olhos e dos proprioceptores, especialmente os localizados nos músculos do
pescoço e dos membros, que indicam a posição da cabeça e dos membros. Os axônios restantes entram no cerebelo através
dos  pedúnculos  cerebelares  inferiores  (ver  Figura  14.8B).  Vias  bidirecionais  conectam  o  cerebelo  e  os  núcleos
827
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig8
vestibulares.
Os núcleos vestibulares integram informações provenientes dos receptores vestibulares, visuais e somáticos e enviam
comandos para (1) os núcleos dos nervos cranianos – oculomotor (III), troclear (IV) e abducente (VI) – que controlam os
movimentos  coordenados dos olhos  e da  cabeça,  ajudando a manter o  foco no  campo visual;  (2)  os núcleos dos nervos
acessórios (XI),  que  ajudam  a  controlar  os movimentos  da  cabeça  e  do  pescoço  para  a manutenção  do  equilíbrio;  (3)  o
trato vestibulospinal, que transmite impulsos para a medula espinal para a manutenção do tônus muscular nos músculos
esqueléticos, ajudando a manter o equilíbrio; e (4) o núcleo ventral posterior do  tálamo e, então, para a área vestibular
no lobo parietal do córtex cerebral (que é parte da área somatossensorial primária; ver áreas 1, 2 e 3, na Figura 14.15) que
nos fornece a percepção consciente da posição e dos movimentos da cabeça e dos membros.
A Tabela 17.2 resume as estruturas da orelha relacionadas com a audição e o equilíbrio.
Figura 17.26 Via do equilíbrio.
Das células ciliadas dos ductos semicirculares, do utrículo e do sáculo, a informação vestibular é transmitida pela
parte vestibular do nervo vestibulococlear (VIII) e, então, para o tronco encefálico, o cerebelo, o tálamo e o córtex
cerebral.
Onde estão localizados os núcleos vestibulares?
TABELA 17.2 Resumo das estruturas da orelha.
REGIÕES DA ORELHA E PRINCIPAIS ESTRUTURAS FUNÇÃO
Orelha externa Pavilhão: coleta as ondas sonoras. 
Meato acústico externo: direciona as ondas sonoras para a
membrana timpânica. 
Membrana timpânica (tímpano): as ondas sonoras fazem
com que ela vibre, o que promove a vibração do martelo.
828
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig15
Orelha média Ossículos da audição: transmitem e ampli cam vibrações da
membrana timpânica para a janela do vestíbulo (oval). 
Tuba auditiva (trompa de Eustáquio): equaliza a pressão do
ar em ambos os lados da membrana timpânica.
Orelha interna Cóclea: contém uma série de líquidos, canais e membranas
que transmitem as vibrações para o órgão espiral (órgão de
Corti), o órgão da audição; as células ciliadas no órgão espiral
produzem os potenciais receptores, que disparam impulsos
nervosos na parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII). 
Aparelho vestibular: inclui os ductos semicirculares, utrículo
e sáculo, que geram impulsos nervosos que se propagam pela
parte vestibular do nervo vestibulococlear (VIII). 
Ductos semicirculares: contêm cristas, que são os locais das
células ciliadas para o equilíbrio dinâmico (a manutenção da
posição corporal, principalmente da cabeça, em resposta a
movimentos de aceleração e de desaceleração rotacionais). 
Utrículo: contém a mácula, o local das células ciliadas para o
equilíbrio estático (manutenção da posição corporal,
principalmente da cabeça, em relação à força da gravidade). 
Sáculo: contém a mácula, o local das células ciliadas para o
equilíbrio estático.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Cinetose
A cinetose é um problema resultante de um con ito entre os sentidos relacionados com o movimento. Por exemplo, o aparelho vestibular percebe um movimento
angular e vertical, enquanto os olhos e os proprioceptores nos músculos e nas articulações determinam a posição do corpo no espaço. Se você está dentro de um
barco que está se movendo, o seu aparelho vestibular informa ao encéfalo que existe o movimento das ondas. Porém, os seus olhos não percebem o movimento. Isso
causa um con ito entre os sentidos. A cinetose também pode ser experimentada em outras situações que envolvem movimento, por exemplo, em um carro, um
829
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.5
•
avião, um trem ou em uma montanha russa.
Os sintomas da cinetose incluem palidez, ansiedade, excesso de salivação, náuseas, tontura, suor, dor de cabeça e mal-estar, que podem progredir para o vômito.
Uma vez que o movimento é interrompido, os sintomas desaparecem. Se não for possível parar o movimento, você pode tentar sentar no banco da frente do carro, do
trem, em um deque superior do navio ou nos assentos próximos às asas do avião. Olhar para o horizonte e evitar a leitura também ajudam. Normalmente são
ingeridos medicamentos para a cinetose antes da viagem e eles incluem a escopolamina, o dimenidrinato e a meclizina.
 TESTE RÁPIDO
Como as ondas sonoras são transmitidas da orelha externa para o órgão espiral?
Como as células ciliadas na cóclea e no aparelho vestibular promovem a  transdução das vibrações mecânicas
em sinais elétricos?
Qual é a via para os impulsos auditivos da cóclea para o córtex cerebral?
Compare a função da mácula na manutenção do equilíbrio estático com o papel das cristas na manutenção do
equilíbrio dinâmico.
Qual é o papel das informações vestibulares para o cerebelo?
Descreva as vias do equilíbrio.
Desenvolvimento dos olhos e das orelhas
 OBJETIVO
Descrever o desenvolvimento dos olhos e das orelhas.
Olhos
Os  olhos  começam  a  se  desenvolver  cerca  de  22  dias  após  a  fertilização,  quando  o  ectoderma  das  paredes  laterais  do
prosencéfalo  se projeta  para  fora,  formando um par  de  sulcos ocos  chamados de  sulcos ópticos. Dentro  de  alguns  dias,
conforme o tubo neural se fecha, os sulcos ópticos aumentam e crescem na direção do ectoderma superficial e passam a ser
chamados de vesículas ópticas. Quando as vesículas ópticas alcançam o ectoderma superficial, este se espessa e forma os
placoides da lente. Além disso, as porções distais das vesículas ópticas formam invaginações que originam as escavações
do disco óptico; elas permanecem ligadas ao prosencéfalo por estruturas proximais ocas e estreitas chamadas de pedículos
ópticos. A Figura 17.27 mostra os estágios do desenvolvimento dos olhos.
Os placoidesda  lente  também se  invaginam e formam as vesículas da  lente que se encontram sobre a escavação do
disco  óptico.  As  vesículas  da  lente  acabam  se  transformando  nas  lentes.  O  sangue  é  fornecido  para  as  lentes  em
desenvolvimento (e para a retina) pelas artérias hialóideas. Essas artérias conseguem acessar os olhos em desenvolvimento
através  de  um  sulco  na  face  inferior  da  escavação  do  disco  óptico  e  do  pedículo  óptico  chamado  de  fissura corióidea.
Conforme  a  lente  amadurece,  parte  das  artérias  hialóideas  que  atravessam  a  câmara  vítrea  degenera;  as  partes
remanescentes dessas artérias se tornam as artérias centrais da retina.
A parede interna da escavação do disco óptico forma o estrato nervoso da retina, enquanto a camada externa forma o
estrato  pigmentoso  da  retina.  Axônios  do  estrato  nervoso  se  projetam  através  do  pedículo  óptico  para  o  encéfalo,
convertendo a pedículo óptico em nervo óptico (II). Embora a mielinização dos nervos ópticos comece mais posteriormente
na vida fetal, ela não termina até a décima semana após o nascimento.
A parte anterior da escavação do disco óptico forma o epitélio do corpo ciliar, da íris e as fibras musculares radiais e
circulares da íris. O tecido conjuntivo do corpo ciliar, do músculo ciliar e das fibras zonulares da  lente se desenvolvem a
partir do mesênquima ao redor da parte anterior da escavação do disco óptico.
O mesênquima em torno da escavação do disco óptico e do pedículo óptico se diferencia em uma camada interna que
origina a corioide  e em uma camada externa que se desenvolve em esclera  e em parte da córnea. O  restante da córnea é
derivado da superfície do ectoderma.
A câmara anterior  se  desenvolve  a  partir  de  uma  cavidade  que  se  forma  no mesênquima  entre  a  íris  e  a  córnea;  a
câmara posterior se desenvolve a partir de uma cavidade que se forma no mesênquima entre a íris e a lente.
Uma parte do mesênquima ao redor do olho em desenvolvimento entra na escavação do disco óptico através da fissura
corióidea. Esse mesênquima ocupa o espaço entre a  lente e a retina e se diferencia em uma rede delicada de fibras. Mais
830
tarde, o espaço entre as fibras será preenchido por uma substância gelatinosa, formando o humor vítreo da câmara vítrea.
As pálpebras se formam a partir do ectoderma superficial e do mesênquima. As pálpebras superiores e  inferiores se
encontram e se fundem por volta da oitava semana do desenvolvimento e permanecem fechadas até aproximadamente a 26a
semana do desenvolvimento.
Orelhas
A  primeira  parte  da  orelha  a  se  desenvolver  é  a  orelha  interna.  Ela  começa  a  ser  formada  cerca  de  22  dias  após  a
fertilização como um espessamento do ectoderma superficial, chamado de placoide ótico (Figura 17.28A), que aparece em
ambos os lados do rombencéfalo. Os placoides óticos se invaginam rapidamente (Figura 17.28B), formando as depressões
óticas (Figura 17.28C). Em seguida, as depressões óticas se desprendem do ectoderma superficial, formando as vesículas
óticas,  dentro  do  mesênquima  da  cabeça  (Figura  17.28D).  Mais  tarde  durante  o  desenvolvimento,  as  vesículas  óticas
formarão as estruturas associadas ao labirinto membranáceo da orelha interna. O mesênquima ao redor das vesículas óticas
produz a cartilagem que mais tarde será ossificada e formará o osso associado ao labirinto ósseo da orelha interna.
Figura 17.27 Desenvolvimento dos olhos.
Os olhos começam a se desenvolver a partir do ectoderma do prosencéfalo cerca de 22 dias após a fertilização.
Que estruturas originam as camadas neural e pigmentada da retina?
A  orelha  média  se  desenvolve  a  partir  de  uma  estrutura  chamada  de  primeira  bolsa  faríngea  (branquial),  um
brotamento  revestido  por  endoderma  da  faringe  primitiva  (ver  Figura  18.21A).  As  bolsas  faríngeas  são  discutidas
detalhadamente na Seção 29.1. Os ossículos da audição se desenvolvem a partir do primeiro e do segundo arcos faríngeos.
831
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html#ch18fig21
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter29.html#ch29-1
17.
17.6
•
A orelha externa  se  desenvolve  a  partir  da  primeira  fenda faríngea,  um  sulco  entre  o  primeiro  e  o  segundo  arcos
faríngeos,  revestida  por  endoderma  (ver  detalhe  na Figura 17.28). As  fendas  faríngeas  são  discutidas  detalhadamente  na
Seção 29.1.
Figura 17.28 Desenvolvimento das orelhas.
As primeiras partes das orelhas a se desenvolverem são as orelhas internas, que começam a se formar cerca de
22 dias após a fertilização como espessamentos do ectoderma superficial.
Como as três partes da orelha diferem em relação as suas origens?
 TESTE RÁPIDO
Como as origens dos olhos e das orelhas se diferenciam?
Envelhecimento e os sentidos especiais
 OBJETIVO
Descrever as mudanças associadas ao envelhecimento que ocorrem nos olhos e nas orelhas.
832
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter29.html#ch29-1
18.
A maioria das pessoas não apresenta distúrbios do olfato e do paladar até os 50 anos de idade. Isso se deve à perda gradual
dos  receptores  olfatórios  e  das  células  receptoras  gustatórias  que  está  associada  a  uma menor  taxa  de  reposição  dessas
células conforme nós envelhecemos.
Várias mudanças  associadas  à  idade  ocorrem  nos  olhos.  Como  dito  anteriormente,  a  lente  perde  uma  parte  de  sua
elasticidade e desse modo não consegue modificar seu formato tão rapidamente, resultando em presbiopia (ver Seção 17.3).
Também  ocorrem  cataratas  (a  perda  da  transparência  das  lentes)  com  o  envelhecimento  (ver Distúrbios  |  Desequilíbrios
homeostáticos).  Em  idades  avançadas,  a  esclera  se  torna  espessa  e  rígida  e  desenvolve  uma  coloração  amarelada  ou
amarronzada  por  causa  dos  muitos  anos  de  exposição  à  luz  ultravioleta,  ao  vento  e  à  poeira.  A  esclera  também  pode
desenvolver  acúmulos  aleatórios  de  pigmento,  especialmente  em  pessoas  de  pele  escura.  A  íris  desbota  ou  desenvolve
pigmentos  irregulares.  Os músculos  que  regulam  o  tamanho  da  pupila  se  enfraquecem  com  a  idade  e  as  pupilas  ficam
menores, reagem mais lentamente à luz e dilatam mais lentamente no escuro. Por esses motivos, as pessoas idosas acham
que os objetos não  são  tão brilhantes,  seus olhos podem se  ajustar mais  lentamente durante passeios  à  luz do  sol  e  elas
possuem  problemas  na  transição  entre  locais  claros  e  escuros.  Algumas  doenças  da  retina  também  ocorrem  mais
provavelmente em idosos, incluindo a doença macular relacionada com a idade e o descolamento de retina (ver correlaçãO
clínica  na  Seção  17.3).  Um  distúrbio  chamado  de  glaucoma  (ver  adiante)  se  desenvolve  nos  olhos  dos  idosos  como
resultado do acúmulo de humor aquoso. A produção de  lágrimas e da quantidade de células mucosas na conjuntiva pode
diminuir com a  idade,  resultando em olhos secos. As pálpebras perdem a elasticidade, se  tornando moles e enrugadas. O
volume  de  gordura  ao  redor  das  órbitas  oculares  diminui,  fazendo  com  que  os  bulbos  dos  olhos  afundem  nas  órbitas.
Finalmente, conforme nós envelhecemos, a nitidez da visão diminui, a percepção de cor e de profundidade é reduzida e os “
corpos flutuantes no vítreo” aumentam em idosos.
Até  aproximadamente  os  60  anos  de  idade,  cerca  de  25%  das  pessoas  apresenta  perda  de  audição  perceptível,
especialmente  para  os  sons  com  tons  altos.  A  perda  progressiva  e  bilateral  de  audição  associada  à  idade  é  chamada  de
presbiacusia. Ela pode estar  relacionada com danos e perdas de células ciliadas no órgão espiral ou com degeneração da
via nervosa da audição. Tinido e desequilíbrios vestibulares também ocorrem mais frequentemente nos idosos.
 TESTE RÁPIDO
Quais mudanças nos olhos  e  nas orelhas estão  relacionadas  com o processo do envelhecimentoe  como elas
ocorrem?
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
Cataratas
Uma  causa  comum  de  cegueira  é  a  perda  da  transparência  da  lente  conhecida  como  catarata.  A  lente  se  torna
nebulosa (menos transparente) por causa de modificações na estrutura das proteínas da lente. As cataratas ocorrem
frequentemente com o envelhecimento, mas também podem ser causadas por lesões, exposição excessiva aos raios
ultravioleta,  determinados  medicamentos  (como  o  uso  prolongado  de  esteroides)  ou  por  complicações  de  outras
doenças  (p.  ex.,  diabetes  melito).  Os  fumantes  também  correm  risco  elevado  de  desenvolvimento  de  catarata.
Felizmente, a visão pode ser em geral restabelecida pela remoção cirúrgica da  lente antiga e a  implantação de uma
nova lente artificial.
Glaucoma
O glaucoma é a causa mais comum de cegueira nos EUA, afetando cerca de 2% da população com mais de 40 anos
de  idade.  Em muitos  casos,  o  glaucoma  é  causado  por  pressão  intraocular  anormalmente  alta  como  resultado  do
acúmulo de humor aquoso dentro da cavidade anterior. O líquido comprime a lente contra o humor vítreo e pressiona
os neurônios da retina. A pressão persistente resulta em progressão de um prejuízo visual moderado até a destruição
irreversível dos neurônios da retina, danificando o nervo óptico e causando cegueira. O glaucoma é indolor e o outro
olho é capaz de fazer grandes compensações de modo que o indivíduo pode ter um dano considerável à retina e até
mesmo perda visual  antes que a doença seja diagnosticada. Como o glaucoma ocorre mais  frequentemente com o
avanço  da  idade,  a  medição  regular  da  pressão  intraocular  é  uma  parte  cada  vez  mais  importante  dos  exames
oftalmológicos. Os fatores de risco incluem etnia (os afro­americanos são mais suscetíveis),  idade avançada, história
familiar e lesões e distúrbios oculares pregressos.
Alguns  indivíduos  desenvolvem  outro  tipo  de  glaucoma  chamado  de glaucoma normotenso.  Nessa  condição,
ocorre  dano  no  nervo  óptico  e  uma  perda  de  visão  correspondente  mesmo  que  a  pressão  ocular  esteja  normal.
Embora  a  causa  seja  desconhecida,  ela  parece  estar  relacionada  com  fragilidade  no  nervo  óptico,  espasmos  dos
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vasos sanguíneos ao redor do nervo óptico e isquemia causada por vasos sanguíneos estreitos ou obstruídos ao redor
do nervo óptico. A incidência de glaucoma normotenso é maior em japoneses, coreanos e mulheres.
Surdez
A surdez é uma perda total ou significativa da audição. A surdez neurossensorial é causada por dano nas células
ciliadas  da  cóclea  ou  na  parte  coclear  do  nervo  vestibulococlear  (VIII).  Esse  tipo  de  surdez  pode  ser  causado  por
aterosclerose, que reduz o suprimento de sangue para as orelhas; pela exposição prolongada a barulhos altos, o que
destrói  as  células  ciliadas do órgão espiral;  por  determinados  fármacos  como ácido acetilsalicílico  e  estreptomicina;
e/ou por  fatores genéticos. A surdez de condução  é  causada por danos aos mecanismos de  transmissão de  sons
das orelhas externa e média para a cóclea. As causas da surdez de condução  incluem otosclerose, a deposição de
novos  ossos  ao  redor  da  janela  do  vestíbulo  (oval);  cerume  impactado;  lesões  timpânicas  e  envelhecimento,  que
frequentemente  promovem  espessamento  da membrana  timpânica  e  das  articulações  dos  ossículos  da  audição. O
teste de Weber é utilizado para distinguir entre surdez neurossensorial e surdez de condução. Nesse teste, a base de
um  diapasão  é  colocada  sobre  a  testa.  Nas  pessoas  com  audição  normal,  o  som  é  ouvido  igualmente  nas  duas
orelhas. Se o som for escutado melhor na orelha afetada, a surdez provavelmente é do tipo de condução; se o som
for escutado melhor na orelha normal, ela é do tipo neurossensorial.
Doença de Ménière
A doença de Ménière é  resultante de volume elevado de endolinfa, que alarga o  labirinto membranáceo. Entre os
sintomas estão perda auditiva  flutuante  (causada pela distorção da  lâmina basilar da cóclea) e zumbido. Sensações
de vertigem também são características da doença de Ménière. Pode ocorrer uma destruição quase total da audição
em um período de poucos anos.
Otite média
A otite média é uma  infecção aguda da orelha média causada principalmente por bactérias e associada a  infecções
do  nariz  e  da  garganta.  Os  sinais/sintomas  incluem  dor,  mal­estar,  febre,  vermelhidão  e  protrusão  da  membrana
timpânica, que pode se romper se a condição não for tratada. (Isso pode envolver uma drenagem de pus proveniente
da orelha média.) Bactérias provenientes da parte nasal da  faringe  (nasofaringe) passando pela  tuba auditiva são a
causa principal de  infecções da orelha média. As crianças são mais suscetíveis do que os adultos a essas  infecções
porque suas tubas auditivas são quase horizontais, diminuindo a drenagem. Se a otite média ocorrer frequentemente,
pode ser empregado um procedimento cirúrgico chamado de timpanotomia. Ele consiste na inserção de um pequeno
tubo na membrana timpânica para fornecer uma via de drenagem para o líquido proveniente da orelha média.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Abrasão  da  córnea.  Um  arranhão  na  superfície  da  córnea,  por  exemplo,  decorrente  de  poeira  ou  de  lentes  de
contato  danificadas.  Os  sinais/sintomas  incluem  dor,  vermelhidão,  lacrimejamento,  borramento  visual,
sensibilidade a luzes fortes e piscadelas frequentes.
Ageusia. Perda do sentido do paladar.
Ambliopia. Termo utilizado para descrever a perda de visão em um olho considerado normal que, por causa de um
desequilíbrio muscular, não consegue  focar em sincronia com o outro olho. Algumas vezes é chamada de  “olho
preguiçoso”.
Anosmia. Perda total do sentido do olfato.
Barotrauma. Lesão ou dor, que afeta principalmente a orelha média, resultante de mudanças de pressão. Ele ocorre
quando a pressão fora da membrana timpânica é diferente daquela do  lado  interno, por exemplo, durante o voo
em uma aeronave ou durante um mergulho. Deglutir ou exalar mantendo a boca fechada e o nariz  tampado em
geral abre as tubas auditivas, permitindo que a pressão do ar na orelha média fique igual à pressão externa.
Blefarite. Inflamação da pálpebra.
Ceratite. Inflamação ou infecção na córnea.
Conjuntivite.  Inflamação  da  túnica  conjuntiva;  quando  causada  por  vírus  ou  bactérias  como  pneumococos,
estafilococos  ou Haemophilus  influenzae  é  bastante  contagiosa  e  mais  prevalente  em  crianças.  A  conjuntivite
também pode ser causada por agentes  irritantes como poeira,  fumaça ou poluentes no ar; nesse caso a doença
não é contagiosa.
Escotoma. Área de visão reduzida ou perdida no campo visual.
Estrabismo. Desalinhamento dos bulbos dos olhos de modo que eles não se movem em uníssono quando um objeto
é observado; o olho afetado gira medial ou  lateralmente em relação ao olho normal e o  resultado é visão dupla
(diplopia).  Pode  ser  causado  por  trauma  físico,  lesões  vasculares  ou  tumores  dos  músculos  extrínsecos  dos
bulbos dos olhos ou lesões dos nervos oculomotor (NC III), troclear (NC IV) ou abducente (NC VI).
Exotropia. Giro anormal dos olhos para fora.
Fotofobia. Intolerância visual anormal à luz.
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Midríase. Dilatação da pupila.
Miose. Constrição da pupila.
Nistagmo. Movimento  rápido e  involuntário dos bulbos dos olhos, causado possivelmente por uma doença da parte
central do sistema nervoso. Ele está associado a condições que causam vertigem.
Otalgia. Dor de ouvido.
Ptose. Queda da pálpebra (ou o deslocamento de qualquer órgão para uma posição abaixo do normal).
Retinoblastoma. Tumor que surge a partir de células retinais imaturas; contribui com 2% dos cânceres infantis.
Retinopatia diabética. Doença degenerativa da retina causada pelo diabetes melito, em que os vasos sanguíneos na
retina são danificados ou novos vasos crescem e interferem com a visão.
Tinido. Zumbido,rugido ou estalidos nas orelhas.
Tonômetro. Um instrumento para medir a pressão, especialmente a pressão intraocular.
Tracoma.  Uma  variação  séria  de  conjuntivite  e  a  maior  causa  individual  de  cegueira  no  mundo.  É  causada  pela
bactéria Chlamydia  trachomatis. A  doença produz um crescimento  excessivo de  tecido  subconjuntival  e  invasão
de vasos sanguíneos na córnea, progredindo até que toda a córnea esteja opaca.
Transplante  de  córnea.  Procedimento  no  qual  a  córnea  defeituosa  é  removida  e  uma  córnea  doada  de  diâmetro
semelhante é colocada em seu lugar. Esse é o procedimento de transplante mais comum e mais bem­sucedido.
Uma  vez  que  a  córnea  é  avascular,  os  anticorpos  existentes  no  sangue  que  poderiam  causar  a  rejeição  não
entram  no  tecido  transplantado  e  raramente  ocorre  rejeição.  A  escassez  de  doadores  de  córneas  tem  sido
parcialmente superada pelo desenvolvimento de córneas artificiais feitas de plástico.
Vertigem. Sensação de estar girando ou de movimento em que o mundo parece estar girando ou em que o indivíduo
parece girar no espaço, frequentemente associada a náuseas, e, em alguns casos, vômitos. Ela pode ser causada
por artrite no pescoço ou por uma infecção no aparelho vestibular.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Olfato | O sentido do olfato
Os receptores do olfato, que são neurônios bipolares, encontram­se no epitélio nasal junto com as glândulas olfatórias, que
produzem o muco que dissolve os odorantes.
Na recepção olfatória, é gerado um potencial gerador que dispara um ou mais impulsos nervosos.
O limiar do olfato é baixo e a adaptação aos odores ocorre rapidamente.
Axônios das células receptoras olfatórias formam os nervos olfatórios (I), que carregam impulsos nervosos para os bulbos
olfatórios, os tratos olfatórios, o sistema límbico e o córtex cerebral (lobos temporal e frontal).
Gustação | O sentido do paladar
Os receptores do paladar, as células receptoras gustatórias, estão localizados nos calículos gustatórios.
Substâncias  químicas  dissolvidas,  chamadas  de  estimuladores  (tastants),  estimulam  as  células  receptoras  gustatórias
através do fluxo de íons por canais na membrana plasmática ou da ligação a receptores na membrana plasmática ligados a
proteínas G.
Os potenciais receptores desenvolvidos nas células receptoras gustatórias causam a liberação de um neurotransmissor, que
pode gerar impulsos nervosos nos neurônios sensitivos de primeira ordem.
O limiar varia com o sabor envolvido e a adaptação ao paladar ocorre rapidamente.
As células  receptoras gustatórias disparam  impulsos nervosos nos nervos  facial  (VII), glossofaríngeo  (IX) e vago  (X). Os
sinais do paladar passam então para o bulbo, o tálamo e o córtex cerebral (lobo parietal).
Visão
As  estruturas  acessórias  dos  olhos  incluem  sobrancelhas,  pálpebras,  cílios,  aparelho  lacrimal  e músculos  extrínsecos  do
bulbo do olho. O aparelho lacrimal é formado por estruturas que produzem e drenam as lágrimas.
O olho é formado por três camadas: (a) a túnica fibrosa (esclera e córnea), (b) a túnica vascular (corioide, corpo ciliar e íris)
e (c) retina.
A retina é formada por um estrato pigmentoso e por um estrato nervoso que inclui uma camada de células fotorreceptoras,
uma camada de células bipolares, uma camada de células ganglionares, células horizontais e células amácrinas.
A cavidade anterior contém humor aquoso; a câmara vítrea contém humor vítreo.
A  formação de  imagens na  retina  envolve a  refração dos  raios de  luz pela  córnea e pela  lente,  que  focam uma  imagem
invertida sobre a fóvea central da retina. Para observar objetos próximos, a lente aumenta sua curvatura (acomodação) e a
pupila diminui para evitar que raios de luz entrem no olho através da periferia da lente.
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O ponto  próximo  de  visão  é  a  distância mínima  do  olho  a  partir  da  qual  um  objeto  pode  ser  focado  claramente  e  com
acomodação máxima.
Na convergência, os bulbos dos olhos  se movem medialmente de modo que ambos estejam direcionados para um objeto
sendo observado.
O primeiro passo na visão é a absorção de luz por fotopigmentos nos bastonetes e nos cones e a isomerização do cis­retinal.
Os  potenciais  receptores  nos  bastonetes  e  nos  cones  diminuem a  liberação  de  um neurotransmissor  inibitório,  induzindo
potenciais graduais nas células bipolares e nas células horizontais.
As células horizontais transmitem sinais inibitórios para as células bipolares; as células bipolares ou amácrinas transmitem
sinais excitatórios para as células ganglionares, que despolarizam e iniciam os impulsos nervosos.
Os  impulsos das células ganglionares são  transmitidos para o nervo óptico (NC II), percorrem o quiasma óptico e o  trato
óptico e chegam até o tálamo. A partir do tálamo, os impulsos visuais são propagados para o córtex cerebral (lobo occipital).
Axônios colaterais das células ganglionares da retina se estendem para o mesencéfalo e para o hipotálamo.
Audição e equilíbrio
A orelha externa consiste em pavilhão auricular,* meato acústico externo e membrana timpânica.
A orelha média consiste em tuba auditiva, ossículos, janela do vestíbulo (oval) e janela da cóclea (redonda).
A orelha  interna  é  formada  pelo  labirinto  ósseo  e  pelo  labirinto membranáceo. A orelha  interna  contém o  órgão  espiral
(órgão de Corti), o órgão da audição.
As  ondas  sonoras  entram  no  meato  acústico  externo,  alcançam  a  membrana  timpânica,  passam  através  dos  ossículos,
atingem  a  janela  do  vestíbulo  (oval),  provocam  ondas  na  perilinfa,  chegando  até  a  membrana  vestibular  e  a  rampa  do
tímpano, aumentando a pressão na endolinfa, promovendo a vibração da lâmina basilar e estimulando os feixes ciliares no
órgão espiral (órgão de Corti).
As  células  ciliadas  convertem  vibrações mecânicas  em  um  potencial  receptor,  liberando  um  neurotransmissor  que  pode
disparar impulsos nervosos nos neurônios sensoriais de primeira ordem.
Axônios sensoriais na parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII) terminam no bulbo. Os sinais auditivos passam então
para o colículo inferior, o tálamo e os lobos temporais do córtex cerebral.
O equilíbrio estático é a orientação do corpo em relação à força da gravidade. As máculas do utrículo e do sáculo são os
órgãos  sensoriais  do  equilíbrio  estático.  Movimentos  corporais  que  estimulam  os  receptores  para  o  equilíbrio  estático
incluem a inclinação da cabeça e a aceleração ou a desaceleração lineares.
O equilíbrio dinâmico é a manutenção da posição corporal  em  resposta à aceleração ou à desaceleração  rotacionais. As
cristas nos ductos semicirculares são os principais órgãos sensoriais do equilíbrio dinâmico.
A maior parte dos axônios da parte vestibular do nervo vestibulococlear (NC VIII) entram no tronco encefálico e terminam
no bulbo e na ponte; outros axônios entram no cerebelo.
Desenvolvimento dos olhos e das orelhas
Os olhos começam seu desenvolvimento a partir do ectoderma cerca de 22 dias após a fertilização e surgem a partir das
paredes laterais do prosencéfalo.
As orelhas começam seu desenvolvimento cerca de 22 dias após a fertilização e surgem a partir de um espessamento do
ectoderma  em  ambos  os  lados  do  rombencéfalo.  A  sequência  de  desenvolvimento  da  orelha  é  primeiramente  a  orelha
interna, seguida pela orelha média e pela orelha externa.
Envelhecimento e os sentidos especiais
A maior parte das pessoas não apresenta problemas com os sentidos do olfato e do paladar até aproximadamente os 50 anos
de idade.
Entre as mudanças oculares relacionadas com a idade encontram­se presbiopia, catarata, dificuldade em ajustar a visão à
luz, doença macular, glaucoma, xerostomia (olhos secos e diminuição da nitidez da visão.
Com a idade ocorre perda progressiva de audição e o tinido ocorre mais frequentemente.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃOCRÍTICA
Mário sofreu danos em seu nervo facial. Como isso afeta seus sentidos especiais?
A enfermeira de plantão  traz o  jantar  para Gertrudes,  uma  senhora  com 80  anos de  idade  atendida pela  casa de
repouso. Conforme Gertrudes ingere uma pequena porção de sua refeição, ela comenta que não está com fome e
que “comida de hospital não tem gosto bom!”. A enfermeira dá a Gertrudes um cardápio de modo que ela possa
escolher o café da manhã, mas Gertrudes reclama que está tendo dificuldades para ler o cardápio e pede para que a
enfermeira o  leia para ela. Conforme a enfermeira começa a  ler, Gertrudes pede em voz alta que ela “fale alto e
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desligue a campainha”. O que a enfermeira sabe sobre o envelhecimento e os sentidos especiais que possa ajudar a
explicar os comentários de Gertrudes?
Quando você está ajudando sua vizinha a colocar colírio nos olhos de sua filha de 6 anos de idade, a menina diz
“esse remédio tem um gosto ruim”. Como você explica para a sua vizinha que sua filha consegue “sentir o gosto”
do colírio?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
Um receptor olfatório tem um tempo de vida de cerca de 1 mês.
A transdução olfatória ocorre nos cílios olfatórios de um receptor olfatório.
As células basais se desenvolvem em receptores gustatórios.
A luz visível com comprimento de onda de 700 nm é vermelha.
A conjuntiva é contínua com o revestimento interno das pálpebras.
O líquido lacrimal, ou a lágrima, é uma solução aquosa contendo sais, um pouco de muco e lisozima que protege,
limpa, lubrifica e umedece o bulbo do olho.
A túnica fibrosa é formada por córnea e esclera; a túnica vascular é formada por corioide, corpo ciliar e íris.
A parte parassimpática do SNA promove a constrição da pupila; a parte simpática promove a dilatação da pupila.
Um  exame  oftalmoscópico  dos  vasos  sanguíneos  dos  olhos  pode  revelar  a  existência  de  hipertensão,  diabetes
melito, catarata e doença macular relacionada com a idade (DMRI).
Os dois  tipos de  fotorreceptores são os bastonetes e os cones. Os bastonetes  fornecem visão em preto e branco
quando a luz é escassa; os cones fornecem alta acuidade visual e visão colorida em condições mais luminosas.
Após  sua  secreção  pelo  processo  ciliar,  o  humor  aquoso  flui  para  a  câmara  posterior,  ao  redor  da  íris,  para  a
câmara interior e para fora do bulbo do olho através do seio venoso da esclera.
Durante  a  acomodação, os músculos  ciliares  se  contraem,  fazendo com que as  fibras  zonulares  se  alonguem. A
lente se torna mais convexa, aumentando sua capacidade de focar.
A presbiopia é a perda da elasticidade da lente que ocorre durante o envelhecimento.
Tanto  os  bastonetes  quanto  os  cones  promovem  a  transdução  da  luz  em  potenciais  receptores,  utilizam  um
fotopigmento  localizado  nos  discos  ou  nas  dobras  externas  e  liberam  neurotransmissor  em  sinapses  com  as
células bipolares e com as células horizontais.
A conversão de cis­retinal em trans­retinal é chamada de isomerização.
O GMP cíclico é o ligante que abre os canais de Na+ nos fotorreceptores, provocando o fluxo da corrente escura
(influxo de Na+).
Os raios de luz provenientes de um objeto na metade temporal do campo visual são projetados na metade nasal da
retina.
O martelo da orelha média é ligado à membrana timpânica, que faz parte da orelha externa.
As janelas do vestíbulo (oval) e da cóclea (redonda) separam a orelha média da orelha interna.
Os dois sacos no labirinto membranáceo do vestíbulo são o utrículo e o sáculo.
As três subdivisões do labirinto ósseo são os canais semicirculares, o vestíbulo e a cóclea.
A região da lâmina basilar próxima às janelas do vestíbulo (oval) e da cóclea (redonda) vibra mais vigorosamente
em resposta a sons com alta frequência.
O núcleo olivar superior da ponte é a parte da via auditiva que permite que a pessoa localize a fonte de um som.
As máculas estão associadas ao equilíbrio estático; elas fornecem informações sensoriais a respeito da posição da
cabeça no espaço.
Os ductos semicirculares estão associados ao equilíbrio dinâmico.
Os núcleos vestibulares estão localizados no bulbo e na ponte.
A escavação do disco óptico forma os estratos nervoso e pigmentoso da retina.
837
17.28 A orelha interna se desenvolve a partir do ectoderma superficial, a orelha média a partir das bolsas faríngeas e a
orelha externa a partir de uma fenda faríngea.
838
____________
* N.R.T.: Embora não conste na listagem da Terminologia Anatômica Internacional, a expressão “pavilhão auricular” está consagrada
pelo uso na área de saúde.
839
18.1
•
Sistema endócrino e homeostasia
Os hormônios locais ou circulantes do sistema endócrino contribuem para a homeostasia regulando a atividade e o crescimento
das células-alvo no corpo. O metabolismo também é controlado pelos hormônios.
Ao  entrar  na  puberdade,  meninos  e  meninas  começam  a  desenvolver  diferenças  notáveis  na  aparência  física  e  no
comportamento. Talvez em nenhum outro período da vida seja tão evidente o impacto do sistema endócrino na condução do
desenvolvimento e regulação das funções corporais. Nas meninas, os estrogênios promovem o acúmulo de tecido adiposo
nas mamas e nos quadris, modelando a forma feminina. Ao mesmo tempo ou um pouco depois, níveis cada vez mais altos
de  testosterona nos meninos começam a produzir massa muscular e a aumentar as pregas vocais,  resultando em uma voz
mais grave. Essas alterações são apenas alguns exemplos da forte influência das secreções endócrinas. De maneira menos
drástica,  talvez,  inúmeros hormônios ajudam a manter a homeostasia diariamente. Eles regulam a atividade dos músculos
lisos, do músculo cardíaco e de algumas glândulas; alteram o metabolismo; estimulam o crescimento e o desenvolvimento;
influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos estabelecidos pelo núcleo supraquiasmático do
hipotálamo.
Comparação do controle exercido pelos sistemas nervoso e
endócrino
 OBJETIVO
Comparar o controle das funções corporais pelo sistema nervoso e pelo sistema endócrino.
840
1.
18.2
•
Os sistemas nervoso e endócrino atuam juntos para coordenar funções de todos os sistemas do corpo. Lembre­se de que o
sistema nervoso atua por meio de impulsos nervosos (potenciais de ação) conduzidos ao longo dos axônios dos neurônios.
Nas  sinapses,  os  impulsos  nervosos  desencadeiam  a  liberação  de  moléculas  mediadoras  (mensageiras)  chamadas  de
neurotransmissores (mostradas na Figura 12.23). O sistema endócrino  também controla atividades corporais por meio da
liberação de mediadores, chamados hormônios, porém os meios de controle dos dois sistemas são bastante diferentes.
Um hormônio é uma molécula mediadora liberada em alguma parte do corpo que regula a atividade celular em outras
partes do corpo. A maioria dos hormônios entra no líquido intersticial e, depois, na corrente sanguínea. O sangue circulante
leva  hormônios  às  células  de  todo  o  corpo.  Tanto  os  neurotransmissores  quanto  os  hormônios  exercem  seus  efeitos
ligando­se  a  receptores  encontrados  nas  suas  “células­alvo”.  Inúmeros  mediadores  atuam  tanto  como  neurotransmissor
quanto  como  hormônio.  Um  exemplo  comum  é  a  norepinefrina,  que  é  liberada  como  neurotransmissor  pelos  neurônios
pós­ganglionares simpáticos e como hormônio pelas células cromafins da medula da glândula suprarrenal.
Muitas vezes, as respostas do sistema endócrino são mais lentas que as respostas do sistema nervoso; embora alguns
hormônios ajam em segundos, a maioria demora alguns minutos ou mais para produzir uma resposta. Em geral, os efeitos
da  ativação  pelo  sistema nervoso  são mais  breves  que  os  do  sistema  endócrino. O  sistema nervoso  atua  em glândulas  e
músculos específicos. A influência do sistemaendócrino é muito mais ampla; ajuda a regular praticamente todos os tipos
de células do corpo.
Teremos  várias  oportunidades  de  ver  como  os  sistemas  endócrino  e  nervoso  funcionam  juntos,  como  um
“supersistema” interconectado. Por exemplo, determinadas partes do sistema nervoso estimulam ou inibem a liberação de
hormônios pelo sistema endócrino.
A Tabela 18.1 compara as características dos  sistemas nervoso e endócrino. Neste capítulo, nos concentraremos nas
principais  glândulas  endócrinas  e  tecidos  produtores  de  hormônio  e  examinaremos  como  seus  hormônios  controlam  as
atividades corporais.
 TESTE RÁPIDO
Enumere  as  semelhanças  e  as  diferenças  entre  os  sistemas  nervoso  e  endócrino  com  relação  ao  controle  da
homeostasia.
Glândulas endócrinas
 OBJETIVO
Distinguir as glândulas exócrinas das endócrinas.
Lembre­se do que foi dito no Capítulo 4, o corpo contém dois  tipos de glândulas: exócrinas e endócrinas. As glândulas
exócrinas  secretam seus produtos para ductos que conduzem as secreções para cavidades corporais, para o  lúmen de um
órgão  ou  para  a  superfície  externa  do  corpo. As  glândulas  sudoríferas  (suor),  sebáceas  (óleo), mucosas  e  digestivas  são
exócrinas. As glândulas endócrinas  secretam  seus  produtos  (hormônios)  no  líquido  intersticial  que  circunda  as  células
secretoras e não para ductos. Do líquido intersticial, os hormônios se difundem para os capilares sanguíneos e o sangue os
transporta para as células­alvo pelo corpo. Em virtude da dependência do sistema circulatório para distribuir seus produtos,
as glândulas endócrinas são alguns dos tecidos mais vascularizados do corpo. Considerando que a maioria dos hormônios é
necessária em quantidades bem pequenas, os níveis circulantes são tipicamente baixos.
A hipófise e as glândulas  tireoide, paratireoides,  suprarrenais e pineal  (Figura 18.1) são glândulas endócrinas. Além
disso,  vários  órgãos  e  tecidos  não  são  exclusivamente  classificados  como glândulas  endócrinas, mas  contêm células  que
secretam hormônios, sendo eles hipotálamo, timo, pâncreas, ovários, testículos, rins, estômago, fígado, intestino delgado,
pele, coração, tecido adiposo e placenta. Juntas, todas as glândulas endócrinas e células secretoras de hormônio constituem
o  sistema  endócrino.  A  ciência  da  estrutura  e  da  função  das  glândulas  endócrinas  e  do  diagnóstico  e  tratamento  dos
distúrbios desse sistema chama­se endocrinologia.
TABELA 18.1 Comparação entre o controle exercido pelos sistemas nervoso e endócrino.
CARACTERÍSTICA SISTEMA NERVOSO SISTEMA ENDÓCRINO
Moléculas mediadoras Neurotransmissores liberados localmente em resposta
a impulsos nervosos
Hormônios levados para os tecidos de todo o corpo
pelo sangue
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter12.html#ch12fig23
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter04.html
1.
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•
•
•
•
2.
3.
4.
Local de ação do mediador Próximo ao local de liberação, na sinapse; liga-se aos
receptores encontrados na membrana pós-sináptica
Longe do local de liberação (habitualmente); liga-se
aos receptores encontrados nas células-alvo
Tipos de células-alvo Células musculares (lisas, cardíacas e esqueléticas),
células glandulares, outros neurônios
Células por todo o corpo
Tempo para iniciar a ação Tipicamente, milissegundos (milionésimos de
segundo)
De segundos a horas ou dias
Duração da ação Geralmente mais breve Geralmente mais longa (de segundos a dias)
FUNÇÕES DO SANGUE
Ajudam a regular:
A composição química e o volume do meio interno (líquido intersticial)
O metabolismo e o equilíbrio energético
A contração das bras musculares lisas e cardíacas
As secreções glandulares
Algumas atividades do sistema imunológico.
Controlam o crescimento e o desenvolvimento.
Regulam o funcionamento dos sistemas reprodutores.
Ajudam a estabelecer os ritmos circadianos.
Figura 18.1 Localização de muitas glândulas endócrinas. Outros órgãos que contêm células endócrinas e estruturas associadas
também são mostrados.
As glândulas endócrinas secretam hormônios, que são levados pelo sangue até os órgãos­alvo.
842
2.
18.3
•
•
Qual é a diferença básica entre glândulas endócrinas e exócrinas?
 TESTE RÁPIDO
Enumere  três órgãos ou  tecidos que não  sejam exclusivamente  classificados  como glândulas endócrinas, mas
que contenham células que secretem hormônios.
Atividade hormonal
 OBJETIVOS
Descrever como os hormônios interagem com os receptores nas células­alvo
Comparar as duas classes químicas de hormônios de acordo com sua solubilidade.
Função dos receptores hormonais
Embora  um  determinado  hormônio  percorra  o  corpo  pelo  sangue,  ele  atua  apenas  em  células­alvo  específicas.  Os
hormônios, assim como os neurotransmissores, influenciam suas células­alvo por meio de ligações químicas a receptores
proteicos específicos. Apenas as células­alvo de um dado hormônio possuem receptores que se ligam e reconhecem aquele
hormônio. Por  exemplo,  o hormônio  tireoestimulante  (TSH)  se  liga  a  receptores nas  células  da glândula  tireoide,  porém
não se liga a células dos ovários, pois as células ovarianas não possuem receptores de TSH.
Os  receptores,  assim como outras proteínas celulares,  são constantemente  sintetizados e degradados. Em geral, uma
célula­alvo possui 2.000 a 100.000 receptores para um determinado hormônio. Se a concentração de um hormônio estiver
muito elevada, o número de  receptores na célula­alvo pode diminuir – efeito chamado de  infrarregulação.  Por  exemplo,
quando  determinadas  células  dos  testículos  são  expostas  a  uma  elevada  concentração  de  hormônio  luteinizante  (LH),  o
843
número  de  receptores  de  LH  diminui.  A  infrarregulação  torna  uma  célula­alvo  menos  sensível  ao  hormônio.  Em
contrapartida,  quando  a  concentração  de  um  hormônio  é  muito  baixa,  o  número  de  receptores  pode  aumentar.  Esse
fenômeno, conhecido como suprarregulação, torna uma célula­alvo mais sensível a um hormônio.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Bloqueio dos receptores hormonais
Existem hormônios sintéticos que bloqueiam os receptores de alguns hormônios que ocorrem naturalmente. Por exemplo, RU486 (mifepristona), que é usado
para induzir aborto, se liga aos receptores de progesterona (um hormônio sexual feminino) e não deixa que a progesterona exerça seu efeito normal, nesse caso o de
preparar o revestimento uterino para implantação. Quando uma gestante usa RU486, as condições uterinas necessárias para suprir o embrião não são mantidas, o
desenvolvimento embrionário é interrompido e o embrião se desprende do revestimento uterino. Esse exemplo ilustra um importante princípio endócrino: se um
hormônio é impedido de interagir com seus receptores, não consegue realizar suas funções normais.
Hormônios locais e circulantes
A  maioria  dos  hormônios  endócrinos  consiste  em  hormônio  circulante  –  eles  passam  das  células  secretoras  que  os
produzem  para  o  líquido  intersticial  e,  depois  disso,  para  o  sangue  (Figura  18.2A).  Outros  hormônios,  chamados
hormônios locais, atuam nas células vizinhas ou nas mesmas células que os secretaram sem, primeiro, entrar na corrente
sanguínea (Figura 18.2B). Os hormônios locais que atuam nas células vizinhas são chamados de parácrinos e aqueles que
atuam  nas  mesmas  células  que  os  secretaram  são  chamados  de  autócrinos.  A  interleucina­2  (IL­2),  liberada  pelos
linfócitos T auxiliares (um tipo de leucócito) durante respostas imunológicas (ver Capítulo 22), é um exemplo de hormônio
local. A  IL­2  ajuda  a  ativar  outras  células  imunológicas  próximas,  um  efeito  parácrino. No  entanto,  também  atua  como
hormônio autócrino ao estimular a proliferação da mesma célula que a liberou. Essa ação gera mais linfócitos T auxiliares,
que podem secretar ainda mais IL­2 e, desse modo, intensificar a resposta imune. Outro exemplo de um hormônio local é o
gás óxidonítrico  (NO),  liberado pelas células endoteliais que  revestem vasos  sanguíneos. O NO promove o  relaxamento
das fibras musculares lisas próximas nos vasos sanguíneos, o que, por sua vez, causa vasodilatação (aumento do diâmetro
do vaso  sanguíneo). Os  efeitos dessa vasodilatação variam desde diminuição da pressão  sanguínea  até  a  ereção do pênis
nos homens. O medicamento Viagra® (sildenafila) intensifica os efeitos estimulados pelo óxido nítrico no pênis.
Figura 18.2 Comparação entre hormônios circulantes e locais (autócrinos e parácrinos).
Os hormônios circulantes são transportados na corrente sanguínea para atuar em células­alvo distantes. Os
parácrinos agem nas células vizinhas e os autócrinos nas mesmas células que os produzem.
844
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html
1.
No estômago, a liberação de histamina pelos mastócitos circunvizinhos é um estímulo para a secreção de
ácido clorídrico pelas células parietais. Nessa situação, a histamina é autócrina ou parácrina?
Em geral, os hormônios locais são inativados rapidamente; os hormônios circulantes podem permanecer no sangue e
exercer  seus  efeitos  por  alguns  minutos  ou,  às  vezes,  por  algumas  horas.  Em  tempo,  os  hormônios  circulantes  são
inativados  pelo  fígado  e  excretados  pelos  rins.  Em  casos  de  insuficiência  renal  ou  hepática,  é  possível  observar  níveis
sanguíneos muito elevados de hormônios.
Classes químicas dos hormônios
Do ponto de vista  químico,  os hormônios podem ser  divididos  em duas grandes  classes:  lipossolúveis  e  hidrossolúveis.
Essa classificação química também é funcionalmente útil porque as duas classes exercem seus efeitos de maneira diferente.
Hormônios lipossolúveis
Os hormônios lipossolúveis englobam os hormônios esteroides, os hormônios da tireoide e o óxido nítrico.
Os hormônios esteroides são derivados do colesterol. Cada hormônio esteroide é único em decorrência de diferentes
grupos  químicos  fixados  em  vários  locais  nos  quatro  anéis  no  núcleo  da  sua  estrutura.  Essas  pequenas  diferenças
845
2.
3.
1.
2.
3.
1.
2.
3.
possibilitam uma grande diversidade de funções.
Dois hormônios da tireoide (T3 e T4) são sintetizados pela conexão de iodo ao aminoácido tirosina. Os dois anéis de
benzeno em T3 ou T4 tornam essas moléculas muito lipossolúveis.
O gás óxido nítrico  (NO)  é  tanto  um hormônio  quanto  um neurotransmissor.  Sua  síntese  é  catalisada  pela  enzima
óxido nítrico sintase.
Hormônios hidrossolúveis
Os  hormônios  hidrossolúveis  englobam  os  hormônios  aminados,  hormônios  proteicos  e  peptídicos  e  hormônios
eicosanoides.
Os hormônios aminados  são  sintetizados  pela  descarboxilação  (remoção  da molécula  de  CO2)  ou modificação  de
determinados aminoácidos. São chamados de aminados porque retêm um grupo amina (–NH3+). As  catecolaminas –
epinefrina,  norepinefrina  e  dopamina  –  são  sintetizadas  pela  modificação  do  aminoácido  tirosina.  A  histamina  é
sintetizada  a  partir  do  aminoácido  histidina  por  mastócitos  e  plaquetas.  A  serotonina  e  melatonina  derivam  do
triptofano.
Os  hormônios  peptídicos  e  os  hormônios  proteicos  são  polímeros  de  aminoácidos.  Os  menores  hormônios
peptídicos são compostos por cadeias de 3 a 49 aminoácidos; os maiores hormônios proteicos apresentam 50 a 200
aminoácidos.  O  hormônio  antidiurético  e  a  ocitocina  são  exemplos  de  hormônios  peptídicos;  o  hormônio  do
crescimento  humano  e  a  insulina  são  hormônios  proteicos.  Vários  hormônios  proteicos,  como  o  hormônio
tireoestimulante, possuem grupos de carboidrato afixados e, dessa forma, são hormônios glicoproteicos.
Os hormônios eicosanoides são derivados do ácido araquidônico, um ácido graxo de 20 carbonos. Os dois principais
tipos  de  eicosanoides  são  as  prostaglandinas  (PG)  e  os  leucotrienos  (LT).  Os  eicosanoides  são  importantes
hormônios locais, podendo atuar também como hormônios circulantes.
A Tabela 18.2 resume as classes de hormônios hidrossolúveis e lipossolúveis e fornece uma visão geral dos principais
hormônios e seus locais de secreção.
Transporte hormonal no sangue
A maior parte das moléculas de hormônio hidrossolúvel circula no plasma aquoso sanguíneo na forma “livre” (não ligado a
outras  moléculas),  porém  a  maioria  das  moléculas  de  hormônio  lipossolúvel  encontra­se  ligada  a  proteínas
transportadoras. As proteínas de transporte, sintetizadas pelos hepatócitos, apresentam três funções:
Tornar  os  hormônios  lipossolúveis  temporariamente  hidrossolúveis,  aumentando,  desse modo,  sua  solubilidade  no
sangue.
Postergar a passagem de moléculas hormonais pequenas pelo mecanismo de filtragem nos  rins,  reduzindo, assim, a
perda hormonal na urina.
Oferecer uma pronta reserva de hormônio na corrente sanguínea.
Em geral,  0,1  a  10% das moléculas  de  um hormônio  lipossolúvel  não  estão  ligadas  a  uma  proteína  transportadora.
Essa fração livre se difunde para fora dos capilares, se liga a receptores e desencadeia respostas. Conforme as moléculas
livres de hormônio deixam o  sangue  e  se  ligam a  seus  receptores,  as proteínas  transportadoras  liberam novas moléculas
para repor a fração livre.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Administração de hormônios
Tanto os hormônios esteroides quanto os da tireoide são efetivos por via oral. Esses hormônios não sofrem degradação durante a digestão e atravessam com
facilidade o revestimento intestinal por serem lipossolúveis. Em contrapartida, hormônios proteicos e peptídicos, como a insulina, não são efetivos por via oral porque
as enzimas digestivas os destroem, quebrando suas ligações peptídicas. Esse é o motivo pelo qual as pessoas dependentes de insulina precisam administrá-la por
injeção.
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3.
4.
5.
18.4
•
 TESTE RÁPIDO
Qual é a diferença entre infrarregulação e suprarregulação?
Identifique as classes químicas dos hormônios e dê um exemplo de cada.
Como os hormônios são transportados no sangue?
Mecanismos de ação hormonal
 OBJETIVO
Descrever os dois mecanismos gerais da ação hormonal.
A  resposta  a  um hormônio  depende  tanto  do  hormônio  propriamente  dito  quanto  da  sua  célula­alvo. Várias  células­alvo
respondem  de  maneira  diferente  ao  mesmo  hormônio.  A  insulina,  por  exemplo,  estimula  a  síntese  de  glicogênio  nos
hepatócitos e a síntese de triglicerídios nos adipócitos.
A  resposta  a  um  hormônio  nem  sempre  é  a  síntese  de  novas moléculas,  como  no  caso  da  insulina.  Outros  efeitos
hormonais incluem alteração da permeabilidade da membrana plasmática, estimulação do transporte de uma substância para
dentro ou para fora de células­alvo, alteração da velocidade de reações metabólicas específicas e promoção de contrações da
musculatura  lisa ou cardíaca. Esses efeitos variados dos hormônios são possíveis em parte porque um único hormônio é
capaz  de  desencadear  várias  respostas  celulares  diferentes.  No  entanto,  em  primeiro  lugar,  é  preciso  que  o  hormônio
“anuncie a sua chegada” à célula­alvo por meio da ligação com seus receptores. Os receptores de hormônios lipossolúveis
estão  localizados dentro das  células­alvo,  enquanto os  receptores de hormônios hidrossolúveis  fazem parte da membrana
plasmática das células­alvo.
TABELA 18.2 Resumo dos hormônios por classe química.
CLASSE QUÍMICA HORMÔNIOS LOCAL DE SECREÇÃO
LIPOSSOLÚVEIS 
Hormônios esteroides 
Aldosterona, cortisol e androgênios 
Calcitriol 
Testosterona 
Estrogênios, progesterona
Córtex da glândula suprarrenal 
Rins 
Testículos 
Ovários
Hormônios da tireoide T3 (tri-iodotironina), T4 (tiroxina) Glândula tireoide (células foliculares)
Gás Óxido nítrico (NO) Células endoteliais do revestimento dos vasos
sanguíneos
HIDROSSOLÚVEIS 
Aminas 
Epinefrina, norepinefrina (catecolaminas) 
Melatonina 
Histamina 
Serotonina
Medula da glândula suprarrenal 
Glândula pineal 
Mastócitos nos tecidos conjuntivos 
Plaquetas no sangue
Peptídiose proteínas Todos os hormônios hipotalâmicos de liberação e inibição 
Ocitocina, hormônio antidiurético 
Hormônio do crescimento humano, hormônio
Hipotálamo 
Neuro-hipó se 
Adeno-hipó se 
847
tireoestimulante, hormônio adrenocorticotró co, hormônio
foliculoestimulante, hormônio luteinizante, prolactina,
hormônio melanócito-estimulante 
Insulina, glucagon, somatostatina, polipeptídio pancreático 
Paratormônio 
Calcitonina 
Gastrina, secretina, colecistocinina, GIP (peptídio
insulinotrópico dependente de glicose) 
Eritropoetina 
Leptina
Pâncreas 
Glândulas paratireoides 
Glândula tireoide (células parafoliculares) 
Estômago e intestino delgado (células
enteroendócrinas) 
Rins 
Tecido adiposo
Eicosanoides Prostaglandinas, leucotrienos Todas as células exceto as hemácias
Ação dos hormônios lipossolúveis
Conforme  dito  anteriormente,  os  hormônios  lipossolúveis,  inclusive  os  hormônios  esteroides  e  tireóideos,  se  ligam  a
receptores dentro das células­alvo. Seu mecanismo de ação ocorre da seguinte forma (Figura 18.3):
Um  hormônio  lipossolúvel  livre  se  difunde  do  sangue,  pelo  líquido  intersticial  e  através  da  bicamada  lipídica  da
membrana plasmática, para dentro da célula.
Se a célula for uma célula­alvo, o hormônio se liga aos receptores localizados no citosol ou no núcleo, ativando­os. O
complexo  receptor­hormônio  ativado  modifica  a  expressão  do  gene:  ativa  e  desativa  genes  específicos  do  DNA
nuclear.
Com  a  transcrição  do  DNA,  ocorre  formação  de  novo  RNA  mensageiro  (mRNA)  que  deixa  o  núcleo  e  entra  no
citosol, onde dirige a síntese de uma nova proteína, muitas vezes uma enzima, nos ribossomos.
As novas proteínas alteram a atividade das células e causam respostas típicas do hormônio em questão.
Figura 18.3 Mecanismo de ação dos hormônios lipossolúveis esteroides e tireóideos.
Hormônios lipossolúveis se ligam a receptores dentro das células­alvo.
848
Qual é a ação do complexo receptor­hormônio?
Ação de hormônios hidrossolúveis
Por não serem lipossolúveis, os hormônios aminados, peptídicos, proteicos e eicosanoides não conseguem se difundir pela
bicamada lipídica da membrana plasmática e se ligar aos receptores dentro das células­alvo. Em lugar disso, os hormônios
hidrossolúveis  se  ligam  a  receptores  que  se  projetam  da  superfície  da  célula­alvo.  Esses  receptores  são  proteínas
transmembrana  integrantes  da  membrana  plasmática.  Quando  um  hormônio  hidrossolúvel  se  liga  a  seu  receptor  na
superfície  externa  da membrana  plasmática,  ele  atua  como primeiro mensageiro.  O  primeiro mensageiro  (o  hormônio)
promove a produção de um segundo mensageiro dentro da célula, onde acontecem respostas específicas estimuladas pelo
hormônio.  O  AMP  cíclico  (cAMP)  é  um  segundo  mensageiro  comum.  Neurotransmissores,  neuropeptídios  e  vários
mecanismos  de  transdução  sensorial  (p.  ex.,  visão;  ver  Figura 17.16)  também  atuam  por  meio  de  sistemas  de  segundo
mensageiro.
A ação de um típico hormônio hidrossolúvel ocorre da seguinte maneira (Figura 18.4):
O  hormônio  hidrossolúvel  (primeiro mensageiro)  se  difunde  do  sangue  pelo  líquido  intersticial  e,  depois  disso,  se
liga a seu receptor na superfície externa da membrana plasmática de uma célula­alvo. O complexo receptor­hormônio
ativa  uma  proteína  da  membrana  chamada  de  proteína G.  A  proteína  G  ativada,  por  sua  vez,  ativa  a  adenilato
ciclase.
A  adenilato  ciclase  converte ATP  em AMP  cíclico  (cAMP). Uma  vez  que  o  local  ativo  da  enzima  é  na  superfície
interna da membrana plasmática, essa reação ocorre no citosol da célula.
O AMP cíclico (segundo mensageiro) ativa uma ou mais proteinoquinases, as quais podem estar livres no citosol ou
ligadas à membrana plasmática. A proteinoquinase  é uma enzima que  fosforila  (adiciona um grupo fosfato) outras
proteínas celulares (como enzimas). O doador do grupo fosfato é o ATP, que é convertido em ADP.
As  proteinoquinases  fosforilam  uma  ou  mais  proteínas  celulares.  A  fosforilação  ativa  algumas  dessas  proteínas  e
inativa outras, como um interruptor.
As  proteínas  fosforiladas,  por  sua  vez,  causam  reações  que  produzem  respostas  fisiológicas.  Existem
proteinoquinases  diferentes  no  interior  das  células­alvo distintas  e  dentro  de  diferentes  organelas  da mesma  célula­
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter17.html#ch17fig16
alvo.  Assim,  uma  proteinoquinase  pode  desencadear  a  síntese  de  glicogênio,  outra  pode  causar  a  degradação  de
triglicerídio, uma terceira pode promover a síntese de proteína e assim por diante. Conforme observado na etapa  , a
fosforilação por uma proteinoquinase também pode inibir determinadas proteínas. Por exemplo, algumas das quinases
liberadas quando a epinefrina se liga aos hepatócitos inativam uma enzima necessária para a síntese de glicogênio.
Após um breve período, uma enzima chamada fosfodiesterase  inativa o cAMP. Dessa forma, a  resposta da célula é
desativada a não ser que a ligação de novas moléculas hormonais a seus receptores na membrana plasmática continue.
Figura 18.4 Mecanismo de ação dos hormônios hidrossolúveis (aminas, peptídicos, proteicos e eicosanoides).
Hormônios hidrossolúveis se ligam a receptores incrustados nas membranas plasmáticas das células­alvo.
Por que o cAMP é um “segundo mensageiro”?
A ligação de um hormônio a seu receptor ativa muitas moléculas de proteína G, que, por sua vez, estimulam moléculas
de  adenilato  ciclase  (como  se  vê  na  etapa  ).  A  não  ser  que  sejam  ainda  mais  estimuladas  pela  ligação  entre  mais
moléculas  de  hormônio  e  seus  receptores,  as  proteínas G  lentamente  são  desativadas,  diminuindo,  assim,  a  atividade  da
850
6.
7.
18.5
•
adenilato ciclase e  ajudando a  cessar  a  resposta hormonal. As proteínas G são uma característica  comum da maioria dos
sistemas de segundo mensageiro.
Muitos hormônios exercem, pelo menos, parte de seus efeitos fisiológicos por meio da síntese mais intensa de cAMP.
Hormônio  antidiurético  (HAD),  hormônio  tireoestimulante  (TSH),  hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH),  glucagon,
epinefrina e hormônios  liberados pelo hipotálamo são alguns exemplos. Em outros casos, como no do hormônio inibidor
do hormônio do crescimento (GHIH), o nível de AMP cíclico diminui em resposta à  ligação do hormônio a seu receptor.
Além  do  cAMP,  íons  cálcio  (Ca2+),  cGMP  (monofosfato  cíclico  de  guanosina,  um  nucleotídio  cíclico  semelhante  ao
cAMP), inositol trifosfato (IP3) e diacilglicerol (DAG) são outros segundos mensageiros. Um determinado hormônio pode
usar segundos mensageiros distintos em diferentes células­alvo.
Os  hormônios  que  se  ligam  aos  receptores  da  membrana  plasmática  podem  induzir  seus  efeitos  em  concentrações
muito  baixas,  pois  iniciam  uma  cascata  ou  reação  em  cadeia,  e  cada  passo  multiplica  ou  amplia  o  efeito  inicial.  Por
exemplo, a ligação de uma única molécula de epinefrina a seu receptor em uma célula hepática pode ativar uma centena ou
mais de proteínas G, cada uma ativando uma molécula de adenilato ciclase. Se cada adenilato ciclase produzir 1.000 cAMP,
então  100.000  desses  segundos mensageiros  serão  liberados  dentro  da  célula. Cada  cAMP  ativa  uma  proteinoquinase,  a
qual,  por  sua  vez,  pode  atuar  em  centenas  ou  milhares  de  moléculas  de  substrato.  Algumas  das  quinases  fosforilam  e
ativam uma enzima­chave necessária para a degradação de glicogênio. O resultado final da ligação de uma única molécula
de epinefrina a seu receptor é a quebra de milhões de moléculas de glicogênio em monômeros de glicose.
Interações hormonais
A responsividade de uma célula­alvo a um hormônio depende (1) da concentração sanguínea do mesmo, (2) da abundância
de receptores hormonais na célula­alvo e (3) de influências exercidas por outros hormônios. Uma célula­alvo respondecom
mais vigor quando o nível de um hormônio sobe ou quando apresenta mais  receptores  (suprarregulação). Além disso, as
ações de alguns hormônios nas células­alvo demandam exposição simultânea ou recente a um segundo hormônio. Nesses
casos,  diz­se  que  o  segundo  hormônio  tem  efeito permissivo.  Por  exemplo,  a  epinefrina  sozinha  estimula  fracamente  a
lipólise  (degradação  de  triglicerídios),  mas  quando  existem  concentrações  baixas  de  hormônios  da  tireoide  (T3  e T4),  a
mesma  quantidade  de  epinefrina  estimula  a  lipólise  de  maneira  muito  mais  intensa.  Não  raro,  o  hormônio  permissivo
aumenta o número de  receptores para o outro hormônio e,  às vezes, promove a  síntese de uma enzima necessária para a
expressão de outros efeitos do outro hormônio.
Quando o efeito de dois hormônios que agem juntos é maior ou mais amplo do que o efeito de cada hormônio agindo
sozinho,  diz­se  que  os  dois  hormônios  apresentam  um  efeito  sinérgico.  Por  exemplo,  o  desenvolvimento  normal  de
ovócitos  nos  ovários  precisa  tanto  do  hormônio  foliculoestimulante  da  adeno­hipófise  quanto  de  estrogênios  do  ovário.
Nenhum dos hormônios isoladamente é suficiente.
Quando  um  hormônio  faz  oposição  às  ações  de  outro  hormônio,  diz­se  que  os  dois  hormônios  apresentam  efeitos
antagônicos. Um exemplo de um par de hormônios antagônicos é a  insulina, que promove a  síntese de glicogênio pelos
hepatócitos, e o glucagon, que estimula a degradação do glicogênio no fígado.
 TESTE RÁPIDO
Que fatores determinam a responsividade de uma célula­alvo a um hormônio?
Quais são as diferenças entre efeitos permissivos, efeitos sinérgicos e efeitos antagônicos dos hormônios?
Controle da secreção hormonal
 OBJETIVO
Descrever os mecanismos de controle da secreção hormonal.
A liberação da maioria dos hormônios ocorre em salvas breves, com pouca ou nenhuma secreção entre as salvas. Quando
estimulada,  uma  glândula  endócrina  libera  seus  hormônios  em  salvas  mais  frequentes,  aumentando  a  concentração
sanguínea  do  hormônio.  Na  ausência  de  estimulação,  o  nível  sanguíneo  do  hormônio  diminui.  A  regulação  da  secreção
normalmente evita a produção excessiva ou insuficiente de qualquer hormônio, ajudando a manter a homeostasia.
A  secreção  hormonal  é  regulada  por  (1)  sinais  do  sistema  nervoso,  (2)  alterações  químicas  no  sangue  e  (3)  outros
hormônios. Por  exemplo,  impulsos nervosos para  a medula da glândula  suprarrenal  regulam a  liberação de  epinefrina;  o
nível  sanguíneo  de  Ca2+  regula  a  secreção  de  paratormônio  (PTH);  um  hormônio  da  adeno­hipófise  (hormônio
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8.
18.6
•
•
adrenocorticotrófico)  estimula  a  liberação  de  cortisol  pelo  córtex  da  glândula  suprarrenal.  A  maioria  dos  sistemas
regulatórios hormonais atua via feedback negativo (ver Figura 1.3), porém alguns operam por feedback positivo (ver Figura
1.4).  Por  exemplo,  durante  trabalho  de  parto,  o  hormônio  ocitocina  estimula  as  contrações  do  útero  que,  por  sua  vez,
estimulam ainda mais a liberação de ocitocina, um efeito de feedback positivo.
Agora, depois de termos uma ideia geral das funções dos hormônios no sistema endócrino, voltamo­nos às discussões
das várias glândulas endócrinas e os hormônios que secretam.
 TESTE RÁPIDO
Quais os três tipos de sinais que controlam a secreção hormonal?
Hipotálamo e hipó셃愓se
 OBJETIVOS
Descrever as localizações e as relações entre o hipotálamo e a hipófise
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções da adeno­hipófise e da neuro­hipófise.
Por muitos anos,  a glândula hipófise  foi  chamada de glândula  endócrina  “mestra” porque  secreta vários hormônios que
controlam outras glândulas endócrinas. Hoje,  sabemos que a hipófise propriamente dita  tem um mestre – o hipotálamo.
Essa pequena região do encéfalo abaixo do tálamo é a principal conexão entre os sistemas nervoso e endócrino. As células
no  hipotálamo  sintetizam,  pelo  menos,  nove  hormônios  diferentes  e  a  hipófise  secreta  sete.  Juntos,  esses  hormônios
desempenham  funções  importantes  na  regulação  de  praticamente  todos  os  aspectos  do  crescimento,  desenvolvimento,
metabolismo e homeostasia.
A  glândula  hipófise  é  uma  estrutura  em  forma  de  ervilha.  com  1  a  1,5  cm  de  diâmetro  e  que  se  localiza  na  fossa
hipofisial  da  sela  turca  do  esfenoide.  Fixa­se  ao  hipotálamo  por  um  pedículo,  o  infundíbulo,  e  apresenta  duas  partes
anatômica  e  funcionalmente  separadas:  a  adeno­hipófise  (lobo  anterior)  e  a  neuro­hipófise  (lobo  posterior).  A  adeno­
hipófise representa cerca de 75% do peso total da glândula e é composta por tecido epitelial. No adulto, a adeno­hipófise
consiste  em  duas  partes:  a  parte  distal,  que  é  a  porção  maior,  e  a  parte  tuberal  que  forma  uma  bainha  ao  redor  do
infundíbulo. A neuro­hipófise é composta por tecido neural. Também consiste em duas partes: a parte nervosa, a porção
bulbosa maior, e o infundíbulo. Uma terceira região da glândula hipófise, chamada de parte intermédia, atrofia­se durante
o desenvolvimento  fetal humano e deixa de existir  como um  lobo  separado nos adultos  (ver Figura 18.21B). Entretanto,
algumas de suas células migram para partes adjacentes da adeno­hipófise, onde persistem.
Adeno-hipó鮆鮅se
A adeno­hipófise secreta hormônios que regulam uma ampla variedade de atividades corporais, desde o crescimento até a
reprodução.  A  liberação  de  hormônios  da  adeno­hipófise  é  estimulada  por  hormônios  liberadores  e  suprimida  por
hormônios inibidores do hipotálamo. Sendo assim, os hormônios hipotalâmicos constituem uma ligação importante entre
os sistemas nervoso e endócrino.
Sistema porta hipofisário
Hormônios hipotalâmicos que  liberam ou  inibem hormônios da adeno­hipófise chegam à adeno­hipófise por meio de um
sistema  porta.  Em  geral,  o  sangue  passa  do  coração,  por  uma  artéria,  para  um  capilar,  daí  para  uma  veia  e  de  volta  ao
coração. Em um sistema porta, o sangue flui de uma rede capilar para uma veia porta e, em seguida, para uma segunda rede
capilar  antes  de  retornar  ao  coração. O  nome  do  sistema  porta  indica  a  localização  da  segunda  rede  capilar. No  sistema
porta hipofisário, o sangue flui de capilares no hipotálamo para veias porta que carreiam sangue para capilares da adeno­
hipófise.
As artérias hipofisárias superiores,  ramos das artérias carótidas  internas,  levam sangue para o hipotálamo  (Figura
18.5A). Na  junção  da  eminência mediana  do  hipotálamo  e  o  infundíbulo,  essas  artérias  se  dividem  em uma  rede  capilar
chamada  de  plexo  primário  do  sistema  porta  hipofisário.  Do  plexo  primário,  o  sangue  drena  para  as  veias  porto­
hipofisárias  que  passam  por  baixo  da  parte  externa  do  infundíbulo.  Na  adeno­hipófise,  as  veias  porto­hipofisárias  se
dividem mais uma vez e formam outra rede capilar chamada de plexo secundário do sistema porta hipofisário.
Acima  do  quiasma  óptico  há  grupos  de  neurônios  especializados  chamados  de  células  neurossecretoras  (Figura
18.5B). Essas células sintetizam os hormônios hipotalâmicos liberadores e inibidores em seus corpos celulares e envolvem
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter01.html#ch1fig4
os hormônios em vesículas, que alcançam os  terminais axônicos por  transporte axônico.  Impulsos nervosos promovem a
exocitose  das  vesículas.  Depois  disso,  os  hormônios  se  difundem  para  o  plexo  primário  do  sistema  porta  hipofisário.
Rapidamente,  os  hormônios  hipotalâmicos  fluem  com  o  sangue  pelas  veias  porto­hipofisárias  para  o  plexo  secundário.
Essa via direta possibilita que os hormônios hipotalâmicos atuem imediatamente nas células da adeno­hipófise, antes que
os hormônios sejam diluídosou destruídos na circulação geral. Os hormônios secretados pelas células da adeno­hipófise
passam  para  os  capilares  do  plexo  secundário,  que  drenam  para  as  veias  porto­hipofisárias  anteriores  e  para  fora  na
circulação geral. Os hormônios da adeno­hipófise viajam até os  tecidosalvo ao  longo do corpo. Os hormônios da adeno­
hipófise que atuam em outras glândulas endócrinas são chamados de hormônios tróficos ou trofinas.
Tipos de células da adeno­hipófise e seus hormônios
Cinco tipos de células da adeno­hipófise – somatotrofos,  tireotrofos, gonadotrofos,  lactotrofos e corticotrofos – secretam
sete hormônios (Tabela 18.3):
Figura 18.5 Hipotálamo e hipófise e sua irrigação sanguínea. Os hormônios liberadores e inibidores sintetizados pelas células
hipotalâmicas neurossecretoras são transportados nos axônios e liberados nos terminais axônicos. Os hormônios se difundem nos capilares
do plexo primário do sistema porta hipofisário e são levados pelas veias porto­hipofisárias para o plexo secundário do sistema porta
hipofisário para que sejam distribuídos às células­alvo na adeno­hipófise.
Os hormônios hipotalâmicos são uma importante ligação entre os sistemas nervoso e endócrino.
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5.
Qual é a importância funcional das veias porto­hipofisárias?
Os somatotrofos secretam hormônio do crescimento (GH), também conhecido como somatotrofina. O hormônio do
crescimento,  por  sua  vez,  estimula  vários  tecidos  a  secretarem  fatores  de  crescimento  insulino­símiles  (IGF),
hormônios que estimulam o crescimento corporal geral e regulam aspectos do metabolismo.
Os tireotrofos  secretam hormônio tireoestimulante (TSH),  também conhecido como  tireotrofina. O TSH controla
as secreções e outras atividades da glândula tireoide.
Os  gonadotrofos  secretam  duas  gonadotrofinas:  hormônio  foliculoestimulante  (FSH)  e  hormônio  luteinizante
(LH).  O  FSH  e  o  LH  atuam  nas  gônadas;  estimulam  a  secreção  de  estrogênios  e  progesterona  e  a  maturação  de
ovócitos nos ovários, além de estimularem a produção de espermatozoides e a secreção de testosterona nos testículos.
Os lactotrofos secretam prolactina (PRL), que inicia a produção de leite nas glândulas mamárias.
Os  corticotrofos  secretam  hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH),  também  conhecido  como  corticotrofina,  que
estimula  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  a  secretar  glicocorticoides  como  cortisol.  Alguns  corticotrofos,
remanescentes da parte intermédia, também secretam hormônio melanócito­estimulante (MSH).
TABELA 18.3 Hormônios da adeno­hipófise.
854
HORMÔNIO
SECRETADO
POR
HORMÔNIO HIPOTALÂMICO LIBERADOR (ESTIMULA A
SECREÇÃO)
HORMÔNIO
HIPOTALÂMICO INIBIDOR
(SUPRIME A SECREÇÃO)
Hormônio do crescimento (GH), também
conhecido como somatotro na
Somatotrofos Hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH),
também conhecido como somatocrinina
Hormônio inibidor do
hormônio do crescimento
(GHIH), também conhecido
como somatostatina
Hormônio tireoestimulante (TSH),
também conhecido como tireotro na
Tireotrofos Hormônio liberador de tireotro na (TRH) Hormônio inibidor do
hormônio do crescimento
(GHIH)
Hormônio foliculoestimulante (FSH) Gonadotrofos Hormônio liberador de gonadotro na (GnRH) –
Hormônio luteinizante (LH) Gonadotrofos Hormônio liberador de gonadotro na (GnRH) –
Prolactina (PRL) Lactotrofos Hormônio liberador de prolactina (PRH)* Hormônio inibidor da
prolactina (PIH), que é a
dopamina
Hormônio adrenocorticotró co (ACTH),
também conhecido como corticotro na
Corticotrofos Hormônio liberador de corticotro na (CRH) –
Hormônio melanócitoestimulante
(MSH)
Corticotrofos Hormônio liberador da corticotro na (CRH) Dopamina
*Acredita­se que exista, porém a natureza exata é incerta.
Figura 18.6 Regulação das células hipotalâmicas neurossecretoras e corticotrofos da adeno­hipófise por feedback negativo. As
setas verdes sólidas indicam estímulo das secreções; as setas vermelhas pontilhadas querem dizer inibição da secreção via feedback
negativo.
O cortisol secretado pelo córtex da glândula suprarrenal suprime a secreção de CRH e ACTH.
855
Que outros hormônios de glândula­alvo suprimem a secreção dos hormônios hipotalâmicos e da adeno­
hipófise por feedback negativo?
Controle da secreção pela adeno­hipófise
A  secreção  dos  hormônios  da  adeno­hipófise  é  regulada  de  duas  maneiras.  Na  primeira,  células  neurossecretoras  no
hipotálamo  secretam  cinco  hormônios  liberadores,  que  estimulam  a  secreção  de  hormônios  da  adeno­hipófise,  e  dois
hormônios  inibidores,  que  suprimem  a  secreção  de  hormônios  da  adeno­hipófise  (Tabela 18.3). Na  segunda,  o  feedback
negativo na forma de hormônios liberados pelas glândulas­alvo diminui secreções de três tipos de células da adeno­hipófise
(Figura 18.6). Nessas alças de retroalimentação negativa, a atividade secretora dos tireotrofos, gonadotrofos e corticotrofos
diminui quando os níveis sanguíneos dos hormônios das suas glândulas­alvo se elevam. Por exemplo, o ACTH estimula o
córtex  das  glândulas  suprarrenais  a  secretar  glicocorticoides,  principalmente  cortisol.  Por  sua  vez,  o  nível  elevado  de
cortisol diminui a secreção tanto de corticotrofina quanto de hormônio liberador de corticotrofina (CRH) pela supressão da
atividade dos corticotrofos da adeno­hipófise e das células neurossecretoras do hipotálamo.
Hormônio do crescimento e fatores de crescimento insulino­símiles
Os somatotrofos são as células mais numerosas na adeno­hipófise e o hormônio do crescimento (GH) é o hormônio mais
abundante  da  adeno­hipófise.  A  principal  função  do  GH  é  promover  a  síntese  e  a  secreção  de  pequenos  hormônios
proteicos chamados fatores de crescimento insulino­símiles ou somatomedinas. Em resposta ao hormônio do crescimento,
as células no fígado, no músculo esquelético, na cartilagem, nos ossos e em outros tecidos secretam fatores de crescimento
856
1.
2.
3.
insulino­símiles  (IGFs),  que  podem entrar  na  corrente  sanguínea  a  partir  do  fígado ou  atuar  de maneira  local  em outros
tecidos como autócrinos ou parácrinos.
As funções dos IGF são:
Os  IGF  fazem  com  que  as  células  cresçam  e  se  multipliquem  pela  intensificação  da  captação  de  aminoácidos  nas
células e aceleração da síntese proteica. Os IGF também reduzem a degradação de proteínas e o uso de aminoácidos
para a produção de ATP. Devido a esses efeitos dos IGF, o hormônio do crescimento aumenta a taxa de crescimento
do esqueleto e dos músculos esqueléticos durante a infância e a adolescência. Em adultos, o hormônio do crescimento
e os IGF ajudam a manter a massa dos músculos e ossos e promovem a cicatrização de lesões e o reparo tecidual.
Os  IGF  também  intensificam  a  lipólise  no  tecido  adiposo,  aumentando  o  uso  dos  ácidos  graxos  liberados  para  a
produção de ATP pelas células corporais.
Além de afetar o metabolismo proteico e  lipídico, o hormônio do crescimento e os  IGF  influenciam o metabolismo
dos  carboidratos  pela  redução  da  captação  de  glicose,  diminuindo  o  uso  de  glicose  para  a  produção  de  ATP  pela
maioria  das  células  corporais.  Essa  ação  economiza  glicose  de  forma  a  deixá­la  disponível  aos  neurônios  para
produzir ATP nos períodos de escassez de glicose. Os IGF e o hormônio do crescimento também podem estimular os
hepatócitos a liberar glicose no sangue.
Os  somatotrofos  na  adeno­hipófise  liberam  pulsos  de  hormônio  do  crescimento  em  intervalos  de  poucas  horas,
especialmente durante o sono. Sua atividade secretora é controlada principalmente por dois hormônios hipotalâmicos: (1) o
hormônio liberador do hormônio do crescimento (GHRH), que promove a secreção do GH, e (2) o hormônio inibidor do
hormônio do  crescimento  (GHIH),  que o  suprime. O principal  regulador da  secreção de GHRH e de GHIH é o nível  de
glicose sanguínea (Figura 18.7):
A  hipoglicemia,  uma  concentração  sanguínea  de  glicose  anormalmente  baixa,estimula  o  hipotálamo  a  secretar
GHRH, que flui em sentido à adeno­hipófise nas veias porto­hipofisárias.
Ao chegar à adeno­hipófise, o GHRH estimula os somatotrofos a liberar hormônio do crescimento humano.
O  hormônio  do  crescimento  estimula  a  secreção  de  fatores  do  crescimento  insulino­símiles,  que  aceleram  a
degradação de glicogênio hepático em glicose, fazendo com que a glicose entre no sangue com mais rapidez.
Consequentemente, a glicemia se eleva ao nível normal (cerca de 90 mg/100 mℓ de plasma sanguíneo).
A elevação da glicemia acima do nível normal inibe a liberação de GHRH.
A hiperglicemia,  uma  concentração  sanguínea  de  glicose  anormalmente  elevada,  estimula  o  hipotálamo  a  secretar
GHIH (ao mesmo tempo que inibe a secreção de GHRH).
Ao  chegar  à  adeno­hipófise  no  sangue  portal,  o  GHIH  inibe  a  secreção  de  hormônio  do  crescimento  pelos
somatotrofos.
Níveis  baixos  de GH  e  IGF  retardam  a  degradação  de  glicogênio  no  fígado  e  a  glicose  é  liberada  no  sangue mais
lentamente.
A glicemia cai para o nível normal.
A queda da glicemia abaixo do nível normal (hipoglicemia) inibe a liberação de GHIH.
Outros estímulos que promovem a secreção do hormônio do crescimento são diminuição de ácidos graxos e aumento
de aminoácidos no sangue; sono profundo (estágios 3 e 4 do sono não REM); intensificação da atividade da parte simpática
da divisão autônoma do sistema nervoso, como pode ocorrer durante o estresse ou exercícios  físicos vigorosos; e outros
hormônios,  inclusive  glucagon,  estrogênios,  cortisol  e  insulina.  Os  fatores  que  inibem  a  secreção  do  hormônio  do
crescimento humano são nível sanguíneo mais elevado de ácidos graxos e mais baixo de aminoácidos; sono de movimento
rápido  dos  olhos;  privação  emocional;  obesidade;  baixos  níveis  de  hormônios  da  tireoide;  e  hormônio  do  crescimento
propriamente  dito  (por  meio  de  feedback  negativo).  O  hormônio  inibidor  do  hormônio  do  crescimento  (GHIH),
alternativamente conhecido como somatostatina, também inibe a secreção do hormônio do crescimento.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Efeito diabetogênico do GH
857
A hiperglicemia é um sinal de excesso de hormônio do crescimento (GH). A hiperglicemia persistente, por sua vez, estimula o pâncreas a secretar insulina de maneira
contínua. Essa estimulação excessiva, se durar semanas ou meses, pode causar esgotamento das células beta, uma capacidade das células beta pancreáticas de
sintetizar e secretar insulina fortemente reduzida. Dessa maneira, a secreção excessiva de hormônio do crescimento pode ter efeito diabetogênico; isto é, causa
diabetes melito.
Figura 18.7 Efeitos do hormônio do crescimento (GH) e dos fatores insulina­símiles (IGF). As setas sólidas verdes indicam
estímulo da secreção; as setas pontilhadas vermelhas indicam inibição da secreção via feedback negativo.
A secreção do GH é estimulada pelo hormônio liberador de hormônio do crescimento (GHRH) e inibida pelo
hormônio inibidor de hormônio do crescimento (GHIH).
Se uma pessoa apresentar tumor na hipófise que secrete grandes quantidades de GH e as células
tumorais não forem responsivas à regulação pelo GHRH e GHIH, o que ocorrerá mais provavelmente,
hiperglicemia ou hipoglicemia?
Hormônio tireoestimulante
O  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  estimula  a  síntese  e  a  secreção  de  tri­iodotironina  (T3)  e  tiroxina  (T4),  que  são
produzidas pela glândula tireoide. O hormônio liberador de tireotrofina (TRH) do hipotálamo controla a secreção de TSH.
858
A liberação de TRH, por sua vez, depende dos níveis sanguíneos de T3 e T4; níveis elevados de T3 e T4 inibem a secreção
de  TRH  via  feedback  negativo.  Não  existe  hormônio  inibidor  da  tireotrofina.  A  liberação  de  TRH  será  explicada
posteriormente neste capítulo (ver Figura 18.12).
Hormônio foliculoestimulante
Nas  mulheres,  os  ovários  são  os  alvos  do  hormônio  foliculoestimulante  (FSH).  A  cada  mês,  o  FSH  inicia  o
desenvolvimento de vários folículos ovarianos, coleções em forma de saco de células secretoras que rodeiam o ovócito em
desenvolvimento.  O  FSH  também  estimula  as  células  foliculares  a  secretar  estrogênios  (hormônios  sexuais  femininos).
Nos  homens,  o  FSH  promove  a  produção  de  espermatozoides  nos  testículos.  O  hormônio  liberador  de  gonadotrofina
(GnRH)  do  hipotálamo  estimula  a  liberação  de  FSH.  A  liberação  de  GnRH  e  FSH  é  suprimida  por  estrogênios  nas
mulheres  e pela  testosterona  (principal hormônio  sexual masculino) nos homens por  sistemas de  feedback negativo. Não
existe hormônio inibidor da gonadotrofina.
Hormônio luteinizante
Nas mulheres, o hormônio luteinizante (LH) desencadeia a ovulação, que consiste na liberação de um ovócito secundário
(futuro ovo) por um ovário. O LH estimula a formação do corpo lúteo (estrutura formada após a ovulação) no ovário e a
secreção de progesterona (outro hormônio sexual feminino) pelo corpo lúteo. Juntos, o FSH e o LH também promovem a
secreção de estrogênios pelas células ovarianas. Os estrogênios e a progesterona preparam o útero para a  implantação de
um ovo fertilizado e ajudam a preparar as glândulas mamárias para a secreção de leite. Nos homens, o LH estimula células
nos testículos a secretarem testosterona. A secreção de LH, assim como a do FSH, é controlada pelo hormônio liberador de
gonadotrofina (GnRH).
Prolactina
A prolactina (PRL), junto com outros hormônios, inicia e mantém a produção de leite pelas glândulas mamárias. Sozinha,
a prolactina exerce um efeito  fraco. Somente depois da preparação das glândulas mamárias promovida pelos estrogênios,
progesterona, glicocorticoides, GH, tiroxina e insulina, que exercem efeitos permissivos, que a PRL promove a produção
de  leite.  A  ejeção  de  leite  das  glândulas  mamárias  depende  do  hormônio  ocitocina,  liberado  pela  adeno­hipófise.  Em
conjunto, a produção e a ejeção de leite constituem a lactação.
O  hipotálamo  secreta  hormônios  tanto  inibitórios  quanto  excitatórios  que  regulam  a  secreção  de  prolactina.  Nas
mulheres, o hormônio  inibidor de prolactina  (PIH), que vem a  ser  a dopamina,  inibe a  liberação de prolactina da adeno­
hipófise na maior parte do tempo. Todo mês, pouco antes de começar a menstruação, a secreção de PIH diminui e o nível
sanguíneo  de  prolactina  se  eleva,  porém  não  o  suficiente  para  estimular  a  produção  de  leite.  A  hipersensibilidade  das
mamas  pouco  antes  da  menstruação  pode  ser  causada  pela  elevação  do  nível  de  prolactina.  Quando  o  ciclo  menstrual
começa de novo, o PIH é mais uma vez secretado e o nível de prolactina cai. Durante a gravidez, o nível de prolactina sobe
estimulado pelo hormônio liberador de prolactina (PRH) do hipotálamo. A sucção realizada pelo recém­nascido promove a
redução da secreção hipotalâmica de PIH.
A função da prolactina não é conhecida nos homens, porém sua hipersecreção causa disfunção erétil (incapacidade de
apresentar  ou  manter  ereção  do  pênis).  Nas  mulheres,  a  hipersecreção  de  prolactina  causa  galactorreia  (lactação
inapropriada) e amenorreia (ausência de ciclos menstruais).
Hormônio adrenocorticotrófico
Os  corticotrofos  secretam  principalmente  hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH).  O  ACTH  controla  a  produção  e  a
secreção  de  cortisol  e  outros  glicocorticoides  pelo  córtex  das  glândulas  suprarrenais.  O  hormônio  liberador  de
corticotrofina  (CRH)  do  hipotálamo  promove  a  secreção  de  ACTH  pelos  corticotrofos.  Estímulos  relacionados  com  o
estresse,  como  glicose  sanguínea  baixa  ou  traumatismo  físico,  e  a  interleucina­1,  uma  substância  produzida  pelos
macrófagos,  também  estimulam  a  liberação  de  ACTH.  Os  glicocorticoides  inibem  a  liberação  de  CRH  e  ACTH  via
feedback negativo.
Hormônio melanócito­estimulante
O hormônio melanócito­estimulante (MSH) aumenta a pigmentação da pele em anfíbios pela estimulação da dispersãode
859
grânulos de melanina nos melanócitos. Sua função exata em humanos é desconhecida, porém a presença de receptores de
MSH no encéfalo sugere que pode influenciar a atividade encefálica. Há pouco MSH circulante em humanos. Entretanto, a
administração  contínua  de MSH  ao  longo  de  vários  dias  produz  escurecimento  da  pele.  Níveis  excessivos  de  hormônio
liberador de corticotrofina (CRH) podem estimular a liberação de MSH; a dopamina inibe a liberação de MSH.
A Tabela 18.4 resume as principais ações dos hormônios da adeno­hipófise.
TABELA 18.4 Resumo das principais ações dos hormônios da adeno­hipófise.
HORMÔNIO TECIDOS-ALVO PRINCIPAIS AÇÕES
Hormônio do crescimento
(GH), também conhecido
como somatotro na
Estimula fígado, músculos, cartilagem, osso e outros tecidos a sintetizarem e secretarem fatores
de crescimento insulina-símiles (IFG); os IFG promovem o crescimento de células corporais, a
síntese proteica, o reparo tecidual, a lipólise e a elevação da concentração de glicose sanguínea.
Hormônio
tireoestimulante (TSH),
também conhecido como
tireotro na
Estimula a síntese e a secreção de hormônios da tireoide pela glândula tireoide
Hormônio
foliculoestimulante (FSH)
Nas mulheres, inicia o desenvolvimento de ovócitos e induz à secreção ovariana de estrogênios.
Em homens, estimula os testículos a produzirem espermatozoides.
Hormônio luteinizante
(LH)
Nas mulheres, estimula a secreção de estrogênios e progesterona, a ovulação e a formação do
corpo lúteo. Nos homens, estimula os testículos a produzirem testosterona.
Prolactina (PRL) Junto com outros hormônios, promove a produção de leite nas glândulas mamárias.
Hormônio
adrenocorticotró co
(ACTH), também
conhecido como
corticotro na
Estimula a secreção de glicocorticoides (principalmente cortisol) pelo córtex da glândula
suprarrenal.
Hormônio melanócito-
estimulante (MSH)
A função exata em humanos é desconhecida, porém pode in uenciar a atividade encefálica;
quando presente em excesso, pode causar escurecimento da pele.
Neuro-hipó鮆鮅se
Embora não sintetize hormônios, a neuro­hipófise armazena e libera dois hormônios. É composta por axônios e terminais
axônicos  de mais  de  10.000  células  hipotalâmicas  neurossecretoras. Os  corpos  celulares  das  células  neurossecretoras  se
encontram  nos  núcleos  paraventricular  e  supraóptico  do  hipotálamo;  seus  axônios  formam  o  trato  hipotálamo­
hipofisial. Esse  trato começa no hipotálamo e  termina perto de capilares sanguíneos na neuro­hipófise  (Figura 18.8). Os
corpos  das  células  neuronais  dos  dois  núcleos  paraventricular  e  supraóptico  sintetizam  o  hormônio  ocitocina (OT)  e  o
hormônio  antidiurético  (ADH),  também  chamado  de  vasopressina.  Os  terminais  axônicos  na  neurohipófise  são
associados à neuróglia especializada chamada de pituitócitos. Essas células apresentam uma  função de  suporte  similar  a
dos astrócitos (ver Capítulo 12).
Após  sua  produção  nos  corpos  celulares  das  células  neurossecretoras,  a  ocitocina  e  o  hormônio  antidiurético  são
envolvidos  em  vesículas  secretoras,  que  se  movimentam  por  transporte  axônico  rápido  (descrito  na  Seção  12.2)  até  os
terminais  axônicos  na  neuro­hipófise,  onde  são  armazenados  até  que  impulsos  nervosos  desencadeiam  a  exocitose  e  a
liberação hormonal.
860
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter12.html
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter12.html#ch12-2
Figura 18.8 Trato hipotálamo­hipofisial. Os axônios das células hipotalâmicas neurossecretoras formam o trato hipotálamo­hipofisial
que se estende dos núcleos paraventricular e supraóptico até a neuro­hipófise. Moléculas hormonais sintetizadas no corpo celular de uma
célula neurossecretora são encarceradas em vesículas secretoras que se movimentam para baixo até os terminais axônicos. Os impulsos
nervosos desencadeiam a exocitose das vesículas, liberando, desse modo, o hormônio.
A ocitocina e o hormônio antidiurético são sintetizados no hipotálamo e liberados no plexo capilar do infundíbulo
na neuro­hipófise.
Funcionalmente, como o trato hipotálamo­hipofisial e as veias porto­hipofisárias são similares? E,
estruturalmente, como são diferentes?
O sangue chega à neuro­hipófise pelas artérias hipofisárias  inferiores,  ramos da artéria carótida  interna. Na neuro­
hipófise,  as  artérias  hipofisárias  inferiores  drenam para  o plexo capilar do  infundíbulo,  uma  rede  capilar  que  recebe  a
ocitocina e o hormônio antidiurético secretados (ver Figura 18.5). Desse plexo, os hormônios passam para as veias porto­
hipofisárias posteriores para serem distribuídos às células­alvo em outros tecidos.
Controle da secreção pela neuro­hipófise
OCITOCINA. Durante e depois do parto, a ocitocina atua em dois tecidos­alvo: o útero e as mamas da mãe. Durante o parto,
o  alongamento  do  colo  do  útero  estimula  a  liberação  de  ocitocina,  que,  por  sua  vez,  intensifica  a  contração  das  células
musculares lisas da parede uterina (ver Figura 1.4); depois do parto, a ocitocina estimula a ejeção de leite (“descida”) das
glândulas mamárias em resposta ao estímulo mecânico produzido pela sucção do bebê. A função da ocitocina em homens e
mulheres não grávidas não é clara. Experimentos realizados em animais sugerem que a ocitocina exerça ações no encéfalo
que promovem o comportamento parental de cuidado em relação ao filho. Também pode ser  responsável, em parte, pelas
sensações de prazer sexual durante e depois do intercurso.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Ocitocina e parto
Anos antes da descoberta da ocitocina, era prática comum em obstetrícia permitir que o primeiro gêmeo nascido sugasse a mama da parturiente para acelerar o
nascimento do segundo feto. Hoje, sabemos por que essa prática é útil – estimula a liberação de ocitocina. Mesmo após o nascimento de um único feto, a
amamentação promove a expulsão da placenta e ajuda o útero a readquirir seu tamanho menor. A ocitocina sintética muitas vezes é administrada para induzir o
861
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter01.html#ch1fig4
parto ou para aumentar o tônus uterino e controlar a hemorragia logo após o parto.
HORMÔNIO ANTIDIURÉTICO. Como o prÓprio nome sugere, um antidiurético é uma substância que diminui a produção
de  urina. O HAD  faz  com que  os  rins  devolvam mais  água  ao  sangue,  diminuindo,  desse modo,  o  volume urinário. Na
ausência de HAD o débito urinário aumenta mais de 10 vezes, passando do normal 1 ou 2 dois litros para cerca de 20 ℓ por
dia. Muitas  vezes,  a  ingestão  de  álcool  causa micção  frequente  e  copiosa  porque  o  álcool  inibe  a  secreção  de  hormônio
antidiurético.  O  HAD  também  diminui  a  perda  de  água  pela  sudorese  e  causa  constrição  das  arteríolas,  o  que  eleva  a
pressão do sangue. O outro nome desse hormônio, vasopressina, traduz esse efeito sobre a pressão arterial.
A quantidade de HAD secretado varia com a pressão osmótica do sangue e com o volume sanguíneo. A Figura 18.9
mostra a regulação da secreção do hormônio antidiurético e as ações do HAD:
A pressão osmótica sanguínea alta (ou diminuição do volume sanguíneo) – devido a desidratação ou um declínio no
volume  sanguíneo  em  decorrência  de  hemorragia,  diarreia  ou  sudorese  excessiva  –  estimula  os  osmorreceptores,
neurônios no hipotálamo que monitoram a pressão osmótica do sangue. A pressão osmótica sanguínea elevada ativa
os  osmorreceptores  diretamente;  eles  também  recebem  estímulo  excitatório  de  outras  áreas  encefálicas  quando  o
volume de sangue diminui.
Os  osmorreceptores  ativam  as  células  hipotalâmicas  neurossecretoras  que  sintetizam  e  liberam  hormônio
antidiurético.
Quando as células neurossecretoras recebem estímulo excitatório dos osmorreceptores, elas geram impulsos nervosos
que  promovem  a  exocitose  das  vesículas  cheias  de  hormônio  antidiurético  nos  seus  terminais  axônicosna  neuro­
hipófise. Isso libera hormônio antidiurético, que se difunde para os capilares sanguíneos da neuro­hipófise.
O  sangue  transporta  hormônio  antidiurético  para  três  tecidos­alvo:  rins,  glândulas  sudoríferas  (suor)  e musculatura
lisa  das  paredes  dos  vasos  sanguíneos.  Os  rins  respondem  retendo  mais  água,  o  que  reduz  o  débito  urinário.  A
atividade  secretora  das  glândulas  sudoríferas  diminui,  o  que  restringe  a  taxa  de  perda  de  água  pela  perspiração  da
pele. A musculatura lisa nas paredes das arteríolas contrai em resposta aos elevados níveis de hormônio antidiurético,
causando constrição desses vasos sanguíneos e elevando a pressão sanguínea.
A baixa pressão osmótica do sangue (ou aumento do volume sanguíneo) inibe os osmorreceptores.
A  inibição  dos  osmorreceptores  reduz  ou  cessa  a  secreção  de  hormônio  antidiurético.  Os  rins  retêm menos  água,
formando um volume maior de urina, a atividade secretora das glândulas sudoríferas se intensifica e as arteríolas se
dilatam. O volume de sangue e a pressão osmótica dos líquidos corporais voltam ao normal.
A  secreção  de  HAD  também  pode  ser  alterada  de  outras  maneiras.  Dor,  estresse,  trauma,  ansiedade,  acetilcolina,
nicotina  e  substâncias  como  morfina,  tranquilizantes  e  alguns  anestésicos  estimulam  a  secreção  de  HAD.  O  efeito
desidratante  do  álcool  etílico,  que  já  foi  mencionado,  pode  causar  tanto  a  sede  quanto  a  cefaleia  típicas  da  ressaca.  A
hipossecreção  de HAD  ou  receptores  não  funcionais  de HAD  causam  diabetes  insípido  (ver Distúrbios  |  Desequilíbrios
homeostáticos ao final deste capítulo).
Figura 18.9 Regulação da secreção e ações do hormônio antidiurético (HAD).
O HAD retém água corporal e aumenta a pressão do sangue.
862
9.
10.
11.
Se você beber um litro de água, que efeito isso terá na pressão osmótica do seu sangue e como irá
alterar a sua concentração sanguínea de HAD?
A Tabela 18.5 lista os hormônios da neuro­hipófise, o controle da sua secreção e suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Em que aspecto a glândula hipófise é, na verdade, duas glândulas?
Como hormônios hipotalâmicos de liberação e inibição influenciam as secreções da adeno­hipófise?
Descreva a estrutura e a importância do trato hipotálamo­hipofisial.
TABELA 18.5 Resumo dos hormônios da neuro­hipófise.
HORMÔNIO E TECIDOS-ALVO CONTROLE DA SECREÇÃO AÇÕES PRINCIPAIS
Ocitocina (OT) Células neurossecretoras do hipotálamo secretam OT em
resposta à distensão uterina e à estimulação dos mamilos
Estimula a contração das células musculares
lisas do útero durante o parto; estimula a
contração de células mioepiteliais nas
glândulas mamárias para promover a ejeção
de leite
863
18.7
•
Hormônio antidiurético (HAD) ou
vasopressina 
As células neurossecretoras do hipotálamo secretam HAD em
resposta a elevação da pressão osmótica do sangue,
desidratação, perda de volume sanguíneo, dor ou estresse;
baixa pressão osmótica do sangue, volume sanguíneo elevado
e álcool etílico são inibidores da secreção de HAD
Conserva a água corporal por meio da
diminuição do volume de urina; reduz a perda
de água pela perspiração; eleva a pressão
arterial por meio da constrição das arteríolas
Glândula tireoide
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções da glândula tireoide.
A glândula tireoide,  em  formato  de  borboleta,  está  localizada  logo  abaixo  da  laringe. É  composta  pelos  lobos  direito  e
esquerdo, um em cada lado da traqueia, conectados por um istmo, anteriormente à traqueia (Figura 18.10A). Cerca de 50%
das glândulas tireoides apresentam um pequeno terceiro lobo, chamado de lobo piramidal, que se estende superiormente a
partir do istmo. A massa normal da tireoide é de aproximadamente de 30 g.
Microscópicos  sacos  esféricos  chamados  de  folículos  da  tireoide  (Figura  18.10B)  constituem  grande  parte  da
glândula tireoide. A parede de cada folículo é constituída principalmente por células foliculares, cuja maioria se estende até
o  lúmen  do  folículo.  Uma membrana  basal  envolve  cada  folículo.  Quando  as  células  foliculares  estão  inativas,  seu
formato varia de cúbico a pavimentoso, porém, sob a influência do TSH, passam a secretar ativamente e sua forma varia de
cúbica  a  colunar. As  células  foliculares  produzem dois  hormônios:  tiroxina,  também chamada  de  tetraiodotironina  (T4),
pois contém quatro átomos de iodo, e tri­iodotironina (T3), que contém três átomos de iodo. T3 e T4  juntas  também são
chamadas  de  hormônios  da  tireoide.  Entre  os  folículos,  podem  ser  encontradas  algumas  células  chamadas  de  células
parafoliculares ou células C. Elas produzem o hormônio calcitonina (CT), que ajuda a regular a homeostasia do cálcio.
Formação, armazenamento e liberação dos hormônios da tireoide
A  glândula  tireoide  é  a  única  glândula  endócrina  que  armazena  seu  produto  secretório  em  grandes  quantidades  –
normalmente o suficiente para cerca de 100 dias.
A síntese e a secreção de T3 e T4 ocorrem da seguinte forma (Figura 18.11):
Retenção de iodeto. As células foliculares da tireoide retêm íons iodeto (I–),  transportando­os ativamente do sangue
para o citosol. Por conta disso, em geral, a glândula tireoide contém a maioria do iodeto corporal.
Síntese de  tireoglobulina. Ao mesmo  tempo que  retêm  I–,  as  células  foliculares  também  sintetizam  tireoglobulina
(TGB), uma grande glicoproteína produzida no retículo endoplasmático rugoso, modificada no complexo de Golgi e
armazenada em vesículas secretoras. As vesículas sofrem exocitose, o que libera TGB para o lúmen do folículo.
Oxidação de  iodeto. Parte dos aminoácidos na TGB consiste em tirosinas que se  tornarão  iodadas. Entretanto,  íons
iodeto com carga elétrica negativa não conseguem se  ligar à  tirosina até que sofram oxidação (remoção de elétrons)
para iodeto: 2 I­ → I2. Na medida em que os íons iodeto são oxidados, eles atravessam a membrana para o lúmen do
folículo.
Iodação  da  tirosina.  Conforme  moléculas  de  iodo  (I2)  se  formam,  elas  reagem  com  as  tirosinas  integrantes  das
moléculas  de  tireoglobulina. A  ligação  de  um  átomo  de  iodo  produz monoiodotirosina  (T1)  e  a  de  dois  produz  di­
iodotirosina (T2).  A  TGB  com  átomos  de  iodo  fixados  é  um material  viscoso  que  se  acumula  e  é  armazenado  no
lúmen do folículo da tireoide, chamado de coloide.
Figura 18.10 Localização, irrigação sanguínea e histologia da glândula tireoide.
Os hormônios da tireoide regulam (1) o uso de oxigênio e a taxa metabólica basal, (2) o metabolismo celular e (3)
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o crescimento e o desenvolvimento.
Que células secretam T3 e T4? Que células secretam calcitonina? Quais desses hormônios também são
chamados hormônios da tireoide?
Acoplamento  de  T1  e  T2.  Durante  a  última  etapa  da  síntese  dos  hormônios  da  tireoide,  duas  moléculas  de  T2  se
juntam para formar T4 ou uma de T1 com uma de T2 se unem para formar T3.
Pinocitose e digestão de coloide. Gotículas de coloide penetram de novo nas células  foliculares por pinocitose e  se
juntam aos lisossomos. Enzimas digestivas nos lisossomos degradam a TGB, separando moléculas de T3 e T4.
865
1.
2.
Secreção de hormônios da tireoide. Como são  lipossolúveis, T3 e T4  se difundem através da membrana plasmática
para o líquido intersticial e, em seguida, para o sangue. Em geral, T4 é secretada em maior quantidade que T3, mas T3
é muitas vezes mais potente. Além disso, depois que a T4 entra no corpo celular, a maioria dela é convertida a T3 por
remoção de um iodo.
Transporte no sangue. Mais de 99% de T3 e T4 se combinam a proteínas transportadoras no sangue, principalmente
à globulina transportadora de tiroxina (TBG).
Ações dos hormônios da tireoide
Uma vez que a maioria das células corporais apresenta receptores para hormônios da tireoide, T3 e T4 exercem seus efeitos
por todo o corpo.
Os  hormônios  da  tireoide  aumentama  taxa metabólica  basal  (TMB),  que  consiste  no  consumo  de  oxigênio  em
condições basais ou padrão  (acordado, em repouso e  jejum) por meio da estimulação do uso de oxigênio celular na
produção  de  ATP.  Quando  a  taxa  metabólica  basal  aumenta,  o  metabolismo  celular  dos  carboidratos,  lipídios  e
proteínas se torna mais intenso.
Outro efeito importante dos hormônios da tireoide é o de estimular a síntese de bombas adicionais de sódio e potássio
(Na+­K+ ATPase), o que utiliza grandes quantidades de ATP para continuamente ejetar íons sódio (Na+) do citosol no
líquido  extracelular  e  íons potássio  (K+)  do  líquido  extracelular  no  citosol. Com  a  produção  e  a  utilização  de mais
ATP  pelas  células,  mais  calor  é  liberado  e  a  temperatura  corporal  sobe.  Esse  fenômeno  é  chamado  de  efeito
calorigênico.  Dessa maneira,  os  hormônios  da  tireoide  têm  participação  importante  na manutenção  da  temperatura
corporal  normal.  Mamíferos  normais  são  capazes  de  sobreviver  a  temperaturas  muito  baixas,  mas  aqueles  cuja
glândula tireoide foi removida não conseguem.
Figura 18.11 Etapas da síntese e secreção dos hormônios da tireoide.
Os hormônios da tireoide são sintetizados a partir da fixação de átomos de iodo ao aminoácido tirosina.
866
3.
Qual é a forma de armazenamento dos hormônios da tireoide?
Na regulação do metabolismo, os hormônios da tireoide estimulam a síntese de proteína e aumentam o uso de glicose
e  ácidos graxos para  a produção de ATP. Além disso,  intensificam a  lipólise  e  a  excreção de  colesterol,  reduzindo,
867
4.
5.
desse modo, o nível de colesterol sanguíneo.
Os hormônios da tireoide intensificam algumas ações das catecolaminas (norepinefrina e epinefrina), pois promovem
a suprarregulação dos receptores beta (β). Por essa razão, os sinais/sintomas do hipertireoidismo incluem frequência
cardíaca aumentada, batimentos cardíacos mais fortes e pressão arterial elevada.
Junto com o hormônio do crescimento e com a  insulina, os hormônios da  tireoide aceleram o crescimento corporal,
sobretudo  o  crescimento  dos  sistemas  nervoso  e  esquelético.  A  deficiência  de  hormônios  da  tireoide  durante  o
desenvolvimento fetal ou infância causa grave retardo mental e restrição do crescimento ósseo.
Controle da secreção de hormônio da tireoide
O  hormônio  liberador  de  tireotrofina  (TRH)  do  hipotálamo  e  o  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  da  adeno­hipófise
estimulam a síntese e a liberação dos hormônios da tireoide, conforme mostra a Figura 18.12:
Níveis reduzidos de T3 e T4 ou taxa metabólica baixa estimulam o hipotálamo a secretar TRH.
O TRH entra nas veias porto­hipofisárias e flui para a adeno­hipófise, onde estimula os tireotrofos a secretar TSH.
O TSH estimula praticamente  todos os aspectos da atividade celular dos  folículos da  tireoide,  inclusive captação de
iodeto  (   Figura  18.11),  síntese  e  secreção  de  hormônio  (   e    Figura  18.11)  e  crescimento  das  células
foliculares.
As células foliculares da tireoide liberam T3 e T4 no sangue até que a taxa metabólica volte ao normal.
O nível elevado de T3 inibe a liberação de TRH e TSH (inibição por feedback negativo).
Condições  que  aumentam  a  demanda  de  ATP  –  ambiente  frio,  hipoglicemia,  altitude  elevada  e  gravidez  –  também
intensificam a secreção dos hormônios da tireoide.
Calcitonina
O hormônio produzido pelas células parafoliculares da glândula tireoide (ver Figura 18.10B) é a calcitonina (CT). A CT
diminui o nível sanguíneo de cálcio por meio da  inibição da ação dos osteoclastos, células que degradam a matriz celular
óssea. A secreção de CT é controlada por um sistema de feedback negativo (ver Figura 18.14).
Quando o  nível  sanguíneo de  calcitonina  está  elevado,  ocorre  queda da  concentração  sanguínea  de  cálcio  e  fosfatos,
com inibição da reabsorção óssea (degradação da matriz óssea extracelular) pelos osteoclastos e aceleração da captação de
cálcio e fosfatos na matriz óssea extracelular. A miacalcina, um extrato da calcitonina derivado do salmão que é 10 vezes
mais potente que a calcitonina humana, é prescrita no tratamento da osteoporose.
Figura 18.12 Regulação da secreção e ações dos hormônios da tireoide. TRH = hormônio liberador da tireotrofina, TSH = hormônio
tireoestimulante, T3 = tri­iodotironina e T4 = tiroxina (tetraiodotironina).
O TSH promove a liberação dos hormônios da tireoide (T3 e T4) pela glândula tireoide.
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12.
13.
14.
15.
Como uma dieta deficiente em iodo pode levar ao bócio, que consiste no aumento da glândula tireoide?
A Tabela 18.6 resume os hormônios produzidos pela glândula tireoide, o controle das suas secreções e suas principais
ações.
 TESTE RÁPIDO
Explique  como  os  níveis  sanguíneos  de  T3/T4,  TSH  e  TRH  se  alterariam  em  um  animal  de  laboratório
submetido à tireoidectomia (remoção completa da glândula tireoide).
Como os hormônios da tireoide são sintetizados, armazenados e secretados?
Como a secreção de T3 e T4 é regulada?
Quais são os efeitos fisiológicos dos hormônios da tireoide?
TABELA 18.6 Resumo dos hormônios da glândula tireoide.
869
18.8
•
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina) ou
hormônios da tireoide das células foliculares. 
A secreção é intensi cada pelo hormônio liberador de
tireotro na (TRH), que estimula a liberação de
hormônio tireoestimulante (TSH) em resposta aos
níveis reduzidos de hormônio da tireoide, taxa
metabólica baixa, frio, gravidez e altitudes elevadas;
as secreções de TRH e TSH são inibidas frente a níveis
elevados de hormônios da tireoide; níveis altos de iodo
suprimem a secreção de T3/T4
Aumentam a taxa metabólica basal; estimulam a
síntese de proteínas; acentuam o uso de glicose e
ácidos graxos para a produção de ATP; intensi cam a
lipólise; aumentam a excreção de colesterol; aceleram
o crescimento corporal; contribuem para o
desenvolvimento do sistema nervoso
Calcitonina (CT) das células parafoliculares Níveis sanguíneos elevados de Ca2+ estimulam a
secreção; níveis sanguíneos baixos de Ca2+ inibem a
secreção
Reduz os níveis sanguíneos de Ca2+ e HPO42– inibindo
a reabsorção óssea pelos osteoclastos e acelerando a
captação de cálcio e fosfatos na matriz celular óssea
Glândulas paratireoides
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, o hormônio e as funções das glândulas paratireoides.
Parcialmente incrustadas na face posterior dos lobos direito e esquerdo da glândula tireoide, encontramos várias pequenas
massas de tecido arredondadas chamadas de glândulas paratireoides. Cada uma pesa cerca de 40 mg (0,04 g). Em geral,
uma glândula paratireoide inferior e uma superior estão fixadas em cada lobo da tireoide (Figura 18.13A), em um total de
quatro.
Microscopicamente, as glândulas paratireoides contêm dois tipos de células epiteliais (Figura 18.13B, C). As células
mais numerosas,  chamadas de células principais,  produzem o paratormônio (PTH). A  função do outro  tipo de  célula,
chamado de célula oxifílica, não é conhecida na glândula paratireoide normal. No entanto, sua presença ajuda a identificar
com clareza a glândula paratireoide do ponto de vista histológico devido às suas características únicas de coloração. Além
disso, no câncer de glândulas paratireoides, as células oxifílicas secretam PTH em excesso.
Paratormônio
O paratormônio é o principal regulador dos níveis de cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e fosfato (HPO42–) no sangue. A ação
específica do PTH é aumentar a quantidade e a atividade dos osteoclastos. O resultado é reabsorção óssea acentuada, o que
libera cálcio (Ca2+) e fosfatos (HPO42–) no sangue. O PTH também atua nos rins. Primeiro, retarda a perda de Ca2+ e Mg2+
do sangue para a urina. Em segundo lugar, acentua a perda de HPO42– do sangue para a urina. Uma vez que mais HPO42– é
perdido na urina do que ganho dos ossos,  o PTH diminui  o  nível  sanguíneo de HPO42–  e  eleva os níveis  sanguíneos de
Ca2+ e Mg2+. Um terceiroefeito do PTH sobre os rins é a promoção da formação do hormônio calcitriol, que consiste na
forma ativa da vitamina D. O calcitriol, também conhecido como 1,25­di­hidroxivitamina D3, aumenta a  taxa de absorção
sanguínea de Ca2+, HPO42– e Mg2+ no sistema digestório.
Controle da secreção da calcitonina e do paratormônio
O nível  sanguíneo de cálcio controla diretamente a  secreção de calcitonina e paratormônio por meio de alças de  feedback
negativo que não envolvem a glândula hipófise (Figura 18.14):
O nível  sanguíneo  de  íons  cálcio  (Ca2+)  acima  do  normal  estimula  as  células  parafoliculares  da  glândula  tireoide  a
liberarem mais calcitonina.
A calcitonina inibe a atividade dos osteoclastos, diminuindo, dessa forma, o nível sanguíneo de Ca2+.
O  nível  sanguíneo  de  íons  cálcio  (Ca2+)  abaixo  do  normal  estimula  as  células  principais  da  glândula  paratireoide  a
870
liberarem mais PTH.
O PTH promove a reabsorção de matriz óssea extracelular, o que libera Ca2+ no sangue e retarda a perda de Ca2+ na
urina, elevando o nível de Ca2+ no sangue.
Figura 18.13 Localização, irrigação sanguínea e histologia das glândulas paratireoides.
As glândulas paratireoides, normalmente quatro, estão incrustadas na face posterior da glândula tireoide.
Quais são os produtos da secreção das (1) células foliculares da glândula tireoide e (2) das células
principais das glândulas paratireoides?
Figura 18.14 Funções da calcitonina (setas verdes), paratormônio (setas azuis) e calcitriol (setas laranjas) na homeostasia do
cálcio.
Com relação à regulação do nível sanguíneo de Ca2+, a calcitonina e o PTH são antagonistas.
871
16.
17.
18.9
•
Quais são os principais tecidos­alvo do PTH, CT e calcitriol?
O PTH também estimula os rins a sintetizarem o calcitriol, que consiste na forma ativa da vitamina D.
O calcitriol estimula a absorção mais acentuada de Ca2+ dos alimentos no sistema digestório, o que ajuda a aumentar
o nível sanguíneo de Ca2+.
A Tabela 18.7 resume o controle da secreção e as principais ações do paratormônio.
 TESTE RÁPIDO
Como é regulada a secreção do paratormônio?
Em que aspectos as ações do PTH e do calcitriol são semelhantes? E como são diferentes?
TABELA 18.7 Resumo do hormônio das glândulas paratireoides.
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
Paratormônio (PTH) das
células principais
Níveis sanguíneos baixos de Ca2+
estimulam a secreção; níveis
sanguíneos elevados de Ca2+ inibem
a secreção
Eleva os níveis sanguíneos de Ca2+ e Mg2+ e diminui
o nível sanguíneo de HPO42–; exacerba a reabsorção
óssea pelos osteoclastos; aumenta a reabsorção de
Ca2+ e a excreção de HPO42– pelos rins; promove a
formação de calcitriol (forma ativa da vitamina D), que
aumenta a taxa de absorção de Ca2+ e Mg2+ da dieta.
Glândulas suprarrenais
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções das glândulas suprarrenais.
872
As duas glândulas  suprarrenais,  cada  uma  localizada  em  cima  de  cada  rim  no  espaço  retroperitoneal  (Figura  18.15A),
apresentam  formato de pirâmide  achatada. No  adulto,  cada glândula  suprarrenal  tem de 3  a  5  cm de  altura,  2  a  3  cm de
largura,  um  pouco  menos  de  1  cm  de  espessura,  massa  variando  de  3,5  a  5  g  e  apenas  metade  do  seu  tamanho  ao
nascimento. Durante o desenvolvimento embrionário, as glândulas suprarrenais se diferenciam em duas regiões distintas de
ponto  de  vista  estrutural  e  funcional:  um  córtex  da  glândula  suprarrenal  grande,  perifericamente  localizado,  que
compreende  80  a  90%  da  glândula,  e  uma  pequena  medula  da  glândula  suprarrenal  (Figura  18.15B),  localizada
centralmente.  Uma  cápsula  de  tecido  conjuntivo  reveste  a  glândula.  As  glândulas  suprarrenais,  assim  como  a  glândula
tireoide, são altamente vascularizadas.
O  córtex  da  glândula  suprarrenal  produz  hormônios  esteroides  essenciais  à  vida.  A  perda  total  dos  hormônios
adrenocorticais leva à morte por desidratação e desequilíbrios eletrolíticos no período de poucos dias a 1 semana, a não ser
que  se  comece  prontamente  a  terapia  de  reposição  hormonal.  A medula  da  glândula  suprarrenal  produz  três  hormônios
catecolaminas – norepinefrina, epinefrina e uma pequena quantidade de dopamina.
Córtex da glândula suprarrenal
O  córtex  da  glândula  suprarrenal  é  subdividido  em  três  zonas,  e  cada  uma  delas  secreta  hormônios  diferentes  (Figura
18.15D).  A  zona  mais  externa,  imediatamente  profunda  à  cápsula  de  tecido  conjuntivo,  é  a  zona  glomerulosa.  Suas
células, densamente acondicionadas e distribuídas em grupos esféricos e colunas arqueadas, secretam hormônios chamados
de mineralocorticoides, pois afetam a homeostasia mineral. A zona do meio ou zona fasciculada é a mais  larga das  três
zonas e consiste em células distribuídas em colunas longas e retas. As células da zona fasciculada secretam principalmente
glicocorticoides,  em  especial  cortisol,  assim  chamados  por  afetarem  a  homeostasia  da  glicose. As  células  da  zona mais
interna, a zona reticular, são distribuídas em cordões ramificados. Elas sintetizam pequenas quantidades de androgênios
fracos, que são hormônios esteroides que exercem efeitos masculinizantes.
Figura 18.15 Localização, irrigação sanguínea e histologia das glândulas suprarrenais.
O córtex da glândula suprarrenal secreta hormônios esteroides essenciais à vida; a medula da glândula suprarrenal
secreta norepinefrina e epinefrina.
873
Qual é a posição das glândulas suprarrenais em relação aos rins?
Mineralocorticoides
A aldosterona é o principal mineralocorticoide; regula a homeostasia de dois íons minerais – íons sódio (Na+) e potássio
(K+) – e ajuda a ajustar a pressão arterial e o volume de sangue. A aldosterona também promove a excreção de H+ na urina;
essa remoção de ácidos do corpo pode ajudar a evitar a acidose (pH abaixo de 7,35), discutida no Capítulo 27.
Controle da secreção de aldosterona
A via renina­angiotensina­aldosterona (RAA) controla a secreção de aldosterona (Figura 18.16):
Desidratação, deficiência de Na+ e hemorragia são estímulos que iniciam a via da renina­angiotensina­aldosterona.
Essas condições promovem a diminuição do volume sanguíneo.
O volume sanguíneo reduzido promove a queda da pressão arterial.
A  pressão  arterial  mais  baixa  estimula  certas  células  renais,  chamadas  de  células  justaglomerulares,  a  secretar  a
enzima renina.
O nível de renina no sangue sobe.
A renina converte a angiotensina, uma proteína plasmática produzida pelo fígado, em angiotensina I.
Sangue contendo níveis mais altos de angiotensina I circula pelo corpo.
Conforme  o  sangue  flui  pelos  capilares,  sobretudo  dos  pulmões,  a  enzima  conversora  de  angiotensina  (ECA)
converte angiotensina I no hormônio angiotensina II.
O nível sanguíneo de angiotensina II sobe.
A angiotensina II estimula o córtex da glândula suprarrenal a secretar aldosterona.
Sangue contendo níveis mais elevados de aldosterona circula para os rins.
Nos rins, a aldosterona aumenta a reabsorção de Na+, que, por sua vez, promove a  reabsorção de água por osmose.
Em  consequência  disso,  perde­se menos  água  na  urina.  A  aldosterona  também  estimula  os  rins  a  intensificarem  a
secreção de K+ e H+ na urina.
Com a reabsorção mais intensa de água pelos rins, o volume de sangue aumenta.
874
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html
1.
2.
3.
4.
Na medida em que o volume de sangue aumenta, a pressão arterial se eleva ao normal.
A angiotensina II também estimula a contração da musculatura lisa das paredes das arteríolas. A constrição resultante
das arteríolas aumenta a pressão sanguínea e, desse modo, ajuda a elevar a pressão de volta ao normal.
Além da angiotensina II, um segundo fator que estimula a secreção de aldosterona é uma concentração maior de K+ no
sangue (ou líquido intersticial). A diminuição no nível sanguíneo deK+ produz o efeito oposto.
Figura 18.16 Regulação da secreção de aldosterona pela via renina­angiotensina­aldosterona (RAA).
A aldosterona ajuda a regular o volume sanguíneo, a pressão arterial e os níveis de Na+, K+ e H+ no sangue.
Quais são as duas maneiras pelas quais a angiotensina II pode elevar a pressão arterial e quais são os
tecidos­alvo em cada caso?
Glicocorticoides
Os glicocorticoides, que regulam o metabolismo e a resistência ao estresse, são o cortisol, a corticosterona e a cortisona.
Desses  três hormônios secretados pela zona fasciculada, o cortisol é o mais abundante,  responsável por cerca de 95% da
atividade glicocorticoide.
Os glicocorticoides exercem os seguintes efeitos:
Degradação de proteína. Os glicocorticoides intensificam a taxa de degradação de proteína, principalmente nas fibras
musculares e, dessa forma, aumentam a liberação de aminoácidos na corrente sanguínea. Os aminoácidos podem ser
usados pelas células corporais na síntese de novas proteínas ou na produção de ATP.
Formação  de  glicose.  Ao  serem  estimulados  pelos  glicocorticoides,  os  hepatócitos  convertem  determinados
aminoácidos  ou  ácido  láctico  em  glicose,  que  será  usada  por  neurônios  e  outras  células  para  produzir  ATP.  Tal
conversão,  de  uma  substância  que  não  seja  o  glicogênio  ou  outro  monossacarídio  em  glicose,  é  chamada  de
gliconeogênese.
Lipólise.  Os  glicocorticoides  estimulam  a  lipólise,  degradação  dos  triglicerídios  e  liberação  de  ácidos  graxos  do
tecido adiposo para o sangue.
Resistência ao estresse. Os glicocorticoides trabalham de muitas maneiras para promover a resistência ao estresse. A
glicose  extra  fornecida  pelos  hepatócitos  oferece  aos  tecidos  uma  pronta  fonte  de  ATP  para  combater  inúmeros
estresses,  inclusive  exercício,  jejum,  medo,  temperaturas  extremas,  altitudes  elevadas,  sangramento,  infecção,
875
5.
6.
cirurgia,  traumatismo  e  doença. Uma  vez  que  tornam  os  vasos  sanguíneos mais  sensíveis  a  outros  hormônios  que
causam vasoconstrição, os glicocorticoides elevam a pressão  sanguínea. Esse efeito  é vantajoso nos casos de perda
significativa de sangue, que faz com que a pressão arterial caia.
Efeitos  anti­inflamatórios.  Os  glicocorticoides  inibem  a  participação  dos  leucócitos  nas  respostas  inflamatórias.
Infelizmente, os glicocorticoides também atrasam o reparo tecidual; em consequência disso, retardam a cicatrização de
feridas. Embora em doses elevadas possam ocasionar transtornos mentais graves, os glicocorticoides são muito úteis
no tratamento de condições inflamatórias crônicas como artrite reumatoide.
Depressão  das  respostas  imunes.  Doses  elevadas  de  glicocorticoides  deprimem  as  respostas  imunes.  Por  esse
motivo, os glicocorticoides são prescritos para receptores de órgãos transplantados com objetivo de retardar a rejeição
tecidual promovida pelo sistema imune.
Figura 18.17 Regulação por feedback negativo da secreção de glicocorticoide.
Níveis elevados de CRH e níveis baixos de glicocorticoides promovem a liberação de ACTH, que estimula a
secreção de glicocorticoides pelo córtex da glândula suprarrenal.
876
Se um paciente de transplante de coração recebe prednisona (um glicocorticoide) para ajudar a evitar a
rejeição do tecido transplantado, os níveis sanguíneos de ACTH e CRH estarão baixos ou elevados?
Explique.
877
Controle da secreção de glicocorticoide
O controle da secreção de glicocorticoide ocorre por meio de um sistema de feedback negativo típico (Figura 18.17). Níveis
sanguíneos  baixos  de  glicocorticoides,  principalmente  cortisol,  estimulam  as  células  neurossecretoras  no  hipotálamo  a
secretarem hormônio liberador da corticotrofina (CRH). O CRH (junto com a baixa concentração de cortisol) promove a
liberação  de  ACTH  da  adeno­hipófise.  O  ACTH  flui  no  sangue  para  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  onde  estimula  a
secreção  de  glicocorticoide  (em  grau  muito  menor,  o  ACTH  também  estimula  a  secreção  de  aldosterona).  A  discussão
sobre estresse ao final do capítulo aborda como o hipotálamo também aumenta a liberação de CRH em resposta a inúmeros
estresses físicos e emocionais (ver Seção 18.14).
Androgênios
Tanto  em  homens  quanto  em  mulheres,  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  secreta  pequenas  quantidades  de  androgênios
fracos.  O  principal  androgênio  secretado  pela  glândula  suprarrenal  é  a desidroepiandrosterona (DHEA).  Nos  homens,
depois da puberdade, o androgênio  testosterona  também é  liberado, e em quantidade muito maior, pelos  testículos. Dessa
forma, a quantidade de androgênios secretada pela glândula suprarrenal masculina é normalmente tão baixa que seus efeitos
são  insignificantes.  Nas  mulheres,  no  entanto,  os  androgênios  suprarrenais  desempenham  funções  importantes.  Eles
promovem a libido (desejo sexual) e são convertidos em estrogênios (esteroides sexuais feminilizantes) por outros tecidos
corporais.  Após  a  menopausa,  quando  a  secreção  ovariana  de  estrogênios  cessa,  todos  os  estrogênios  femininos  são
provenientes da conversão dos androgênios suprarrenais. Os androgênios suprarrenais também estimulam o crescimento de
pelos  axilares  e  púbicos  nos meninos  e  nas meninas  e  contribuem para  o  estirão  de  crescimento  pré­puberal.  Embora  o
controle da secreção suprarrenal de androgênio não seja  totalmente compreendido, o principal hormônio que estimula sua
secreção é o ACTH.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Hiperplasia congênita das glândulas
suprarrenais
A hiperplasia congênita das glândulas suprarrenais (HCSR) é um distúrbio genético em que há ausência de uma ou mais enzimas necessárias para a síntese de
cortisol. Uma vez que o nível de cortisol está baixo, a secreção de ACTH pela adeno-hipó se é alta devido à ausência de inibição por feedback negativo. O ACTH, por
sua vez, estimula o crescimento e a atividade secretora do córtex da glândula suprarrenal. Em consequência disso, as duas glândulas suprarrenais estão aumentadas.
Entretanto, determinadas etapas que levam à síntese de cortisol estão bloqueadas. Dessa maneira, moléculas precursoras se acumulam e algumas delas constituem
androgênios fracos que podem ser convertidos em testosterona, resultando em virilismo ou masculinização. Na mulher, as características viris incluem crescimento
de barba, desenvolvimento de voz muito mais grave e distribuição masculinizada de pelo corporal, crescimento do clitóris de forma a parecer um pênis, atro a das
mamas e musculatura mais acentuada, produzindo um corpo masculinizado. Nos meninos em fase pré-puberal, a síndrome provoca as mesmas características que
nas meninas, além do rápido desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos e do surgimento de desejos sexuais masculinos. Nos homens adultos, os efeitos
virilizantes da HCSR em geral são completamente obscurecidos pelos efeitos virilizantes normais da testosterona secretada pelos testículos. Consequentemente, a
HCSR é muitas vezes difícil de ser diagnosticada em homens adultos. O tratamento envolve cortisol que inibe a secreção de ACTH e, dessa forma, reduz a produção de
androgênios suprarrenais.
Medula da glândula suprarrenal
A  região  interna  da  glândula  suprarrenal,  a medula  da  glândula  suprarrenal,  consiste  em  um  gânglio  simpático  da
divisão autônoma do sistema nervoso (SNA) modificado. Essa área se desenvolve a partir do mesmo tecido embrionário de
todos os outros gânglios simpáticos, porém suas células, que não possuem axônios, formam grupos em torno de grandes
vasos  sanguíneos.  Em  vez  de  liberar  um  neurotransmissor,  as  células  da  medula  da  glândula  suprarrenal  secretam
hormônios.  As  células  produtoras  de  hormônio,  chamadas  de  células  cromafins  (Figura  18.15D),  são  inervadas  por
neurônios pré­ganglionares simpáticos do SNA. Uma vez que o SNA exerce controle direto sobre as células cromafins, a
liberação de hormônio pode ocorrer com muita rapidez.
Osdois  principais  hormônios  sintetizados  pela  medula  suprarrenal  são  a  epinefrina  e  a  norepinefrina,  também
chamadas  de  adrenalina  e  noradrenalina,  respectivamente.  As  células  cromafins  da  medula  da  glândula  suprarrenal
secretam quantidades desiguais desses hormônios – cerca de 80% de epinefrina e 20% de norepinefrina. Os hormônios da
medula da glândula suprarrenal intensificam respostas simpáticas que ocorrem em outras partes do corpo.
878
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•
Controle da secreção de epinefrina e norepinefrina
Em situações de estresse e durante a prática de exercícios, impulsos provenientes do hipotálamo acionam os neurônios pré­
ganglionares  simpáticos que, por  sua vez, estimulam as células cromafins a  secretarem epinefrina e norepinefrina. Esses
dois hormônios  intensificam a  resposta de  luta ou  fuga abordada no Capítulo 15. Ao aumentar  a  frequência e  a  força de
contração cardíacas, a epinefrina e a norepinefrina elevam o débito cardíaco e a pressão arterial. Além disso, aumentam o
fluxo de sangue para o coração, o fígado, os músculos esqueléticos e o tecido adiposo; dilatam as vias respiratórias para os
pulmões e elevam os níveis sanguíneos de glicose e ácidos graxos.
A  Tabela  18.8  oferece  um  resume  dos  hormônios  produzidos  pelas  glândulas  suprarrenais,  do  controle  das  suas
secreções e de suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Como é possível comparar o córtex e a medula da glândula suprarrenal em relação à localização e histologia?
Como é regulada a secreção dos hormônios do córtex da glândula suprarrenal?
Como a medula da glândula suprarrenal se relaciona com a divisão autônoma do sistema nervoso?
Ilhotas pancreáticas
 OBJETIVO
Descrever a localização, a histologia, os hormônios e as funções das ilhotas pancreáticas.
O pâncreas é uma glândula tanto endócrina quanto exócrina. Aqui, serão discutidas suas funções endócrinas e no Capítulo
24,  ao  abordar  o  sistema  digestório,  suas  funções  exócrinas  serão  incluídas. O  pâncreas  é  um órgão  achatado  que mede
cerca  de  12,5  a  15  cm  de  comprimento.  Localiza­se  na  curvatura  do  duodeno,  a  primeira  parte  do  intestino  delgado,  e
consiste em uma cabeça, um corpo e uma cauda (Figura 18.18A). Aproximadamente 99% das células exócrinas do pâncreas
estão distribuídas em grupos chamados ácinos. Os ácinos produzem enzimas que fluem para o sistema digestório por uma
rede  de  ductos. Espalhados  entre  os  ácinos  exócrinos  existem 1  a  2 milhões  de minúsculos  grupos  de  tecido  endócrino,
chamados de ilhotas pancreáticas ou  ilhotas de Langerhans  (Figura 18.18B). Capilares abundantes  irrigam tanto a parte
endócrina quanto a exócrina do pâncreas.
TABELA 18.8 Resumo dos hormônios das glândulas suprarrenais.
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
HORMÔNIOS DO CÓRTEX DA GLÂNDULA
SUPRARRENAL 
Mineralocorticoides (principalmente
aldosterona) das células da zona glomerulosa 
Glicocorticoides (sobretudo cortisol) das células
da zona fasciculada
Níveis elevados de K+ e angiotensina II
estimulam a secreção 
O ACTH estimula a liberação; o hormônio
liberador da corticotro na (CRH) promove a
secreção de ACTH em resposta ao estresse e
baixos níveis sanguíneos de glicocorticoides
Elevam os níveis sanguíneos de Na+ e água; diminuem
o nível sanguíneo de K+ 
Aumentam a degradação de proteína (exceto no
fígado), estimulam a gliconeogênese e a lipólise,
promovem resistência ao estresse, amenizam a
in amação e deprimem as respostas imunes
Androgênios (principalmente
desidroepiandrosterona, ou DHEA) das células da
zona reticular 
O ACTH estimula a secreção Auxiliam no crescimento precoce de pelos axilares e
pubianos em ambos os sexos; nas mulheres
contribuem para a libido e são fonte de estrogênios
depois da menopausa
HORMÔNIOS DA MEDULA DA GLÂNDULA
SUPRARRENAL 
Epinefrina e norepinefrina das células croma ns 
Neurônios pré-ganglionares simpáticos
liberam acetilcolina que estimula a secreção
Intensi cam os efeitos da parte simpática da divisão
autônoma do sistema nervoso (SNA) durante o
estresse
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter15.html
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter24.html
Figura 18.18 Localização, irrigação sanguínea e histologia do pâncreas.
Hormônios pancreáticos regulam a glicemia.
O pâncreas é uma glândula exócrina ou endócrina?
880
1.
2.
3.
4.
Tipos celulares nas ilhotas pancreáticas
Cada ilhota pancreática apresenta quatro tipos de células secretoras de hormônio:
As células alfa ou A constituem cerca de 17% das células das ilhotas pancreáticas e secretam glucagon.
As células beta ou B constituem cerca de 70% das células das ilhotas pancreáticas e secretam insulina.
As células delta ou D constituem cerca de 7% das ilhotas pancreáticas e secretam somatostatina.
As células F constituem o restante das células das ilhotas pancreáticas e secretam polipeptídio pancreático.
As interações dos quatro hormônios pancreáticos são complexas e não completamente compreendidas. Sabemos que o
glucagon  eleva  o  nível  sanguíneo  de  glicose  e  a  insulina  reduz. A  somatostatina  atua  de maneira  parácrina  para  inibir  a
liberação tanto de insulina quanto de glucagon das células beta e alfa vizinhas. Além disso, pode funcionar como hormônio
circulante para retardar a absorção de nutrientes do sistema digestório. Ademais, a somatostatina inibe a secreção de GH. O
polipeptídio pancreático inibe a secreção de somatostatina, a contração da vesícula biliar e a secreção de enzimas digestivas
pelo pâncreas.
Controle da secreção de glucagon e insulina
A principal ação do glucagon é de elevar o nível sanguíneo de glicose que se encontra abaixo do normal. A insulina, por
outro  lado,  ajuda  a  reduzir  o  nível  de  glicose  sanguínea  que  se  encontra  muito  elevado.  O  nível  de  glicose  sanguínea
controla a secreção de glucagon e insulina via feedback negativo (Figura 18.19):
O  nível  sanguíneo  baixo  de  glicose  (hipoglicemia)  estimula  a  secreção  de  glucagon  pelas  células  alfa  das  ilhotas
pancreáticas.
O  glucagon  atua  nos  hepatócitos,  acelerando  a  conversão  de  glicogênio  em glicose  (glicogenólise)  e  promovendo  a
formação de glicose a partir do ácido láctico e de determinados aminoácidos (gliconeogênese).
Consequentemente, os hepatócitos liberam glicose no sangue de maneira mais rápida e a glicemia se eleva.
Se  a glicemia  continua  subindo,  o nível  sanguíneo  elevado de glicose  (hiperglicemia)  inibe  a  liberação de glucagon
(feedback negativo).
A glicose sanguínea alta (hiperglicemia) estimula a secreção de insulina pelas células beta das ilhotas pancreáticas.
A insulina age em várias células do corpo para acelerar a difusão facilitada da glicose para as células; para apressar a
conversão  de  glicose  em  glicogênio  (glicogênese);  para  intensificar  a  captação  de  aminoácidos  pelas  células  e  para
aumentar  a  síntese  de  proteína;  para  acelerar  a  síntese  de  ácidos  graxos  (lipogênese);  para  retardar  a  conversão  de
glicogênio  em  glicose  (glicogenólise)  e  para  tornar mais  lenta  a  formação  de  glicose  a  partir  do  ácido  láctico  e  de
aminoácidos (gliconeogênese).
O resultado disso é a queda do nível de glicose do sangue.
Quando  o  nível  sanguíneo  de  glicose  cai  para  abaixo  do  normal,  ocorre  inibição  da  liberação  de  insulina  (feedback
negativo) e estímulo à liberação de glucagon.
Embora o nível sanguíneo de glicose seja o regulador mais importante da insulina e do glucagon, diversos hormônios
e  neurotransmissores  também  regulam  a  liberação  desses  dois  hormônios.  Além  das  respostas  ao  nível  sanguíneo  de
glicose  descritas  anteriormente,  o  glucagon  estimula  a  liberação  de  insulina  de maneira  direta;  a  insulina  exerce  o  efeito
oposto,  suprimindo  a  secreção  de  glucagon.  Conforme  o  nível  de  glicose  no  sangue  vai  declinando  e menosinsulina  é
secretada,  as  células  alfa  do  pâncreas  são  liberadas  do  efeito  inibitório  da  insulina  de  forma  que  possam  secretar  mais
glucagon.  Indiretamente,  o  hormônio  do  crescimento  humano  (GH)  e  o ACTH estimulam  a  secreção  de  insulina  porque
atuam para elevar a glicose sanguínea.
Figura 18.19 Regulação por feedback negativo da secreção de glucagon (setas azuis) e insulina (setas laranja).
O nível sanguíneo baixo de glicose estimula a liberação de glucagon; o nível sanguíneo elevado de glicose
estimula a secreção de insulina.
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•
•
•
•
•
A glicogenólise aumenta ou diminui o nível sanguíneo de glicose?
A secreção de insulina também é estimulada por:
Acetilcolina,  um  neurotransmissor  liberado  pelos  terminais  axônicos  das  fibras  parassimpáticas  do  nervo  vago  que
inervam as ilhotas pancreáticas
Aminoácidos arginina e leucina, presentes no sangue em níveis mais elevados depois de uma refeição rica em proteína
Peptídio  insulinotrópico  dependente  de  glicose  (GIP),*  um  hormônio  liberado  pelas  células  enteroendócrinas  do
intestino delgado em resposta à presença de glicose no sistema digestório.
Dessa  maneira,  a  digestão  e  a  absorção  de  alimentos  contendo  tanto  carboidratos  quanto  proteínas  são  um  forte
estímulo à liberação de insulina.
A secreção do glucagon é estimulada por:
Atividade mais intensa da parte simpática do SNA, como acontece durante o exercício
Elevação dos  aminoácidos  sanguíneos quando o nível  sanguíneo de glicose  está  baixo,  o  que pode ocorrer  depois  de
uma refeição contendo principalmente proteína.
A  Tabela  18.9  oferece  um  resumo  dos  hormônios  produzidos  pelo  pâncreas,  do  controle  da  secreção  e  de  suas
principais ações.
TABELA 18.9 Resumo dos hormônios das ilhotas pancreáticas.
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21.
22.
18.11
•
HORMÔNIO E FONTE CONTROLE DA SECREÇÃO PRINCIPAIS AÇÕES
Glucagon das células alfa das ilhotas
pancreáticas 
Nível sanguíneo baixo de glicose, exercícios físicos e
principalmente refeições hiperproteicas estimulam a
secreção; a somatostatina e a insulina inibem a
secreção
Eleva o nível sanguíneo de glicose acelerando a
degradação do glicogênio em glicose no fígado
(glicogenólise), convertendo outros nutrientes em
glicose no fígado (gliconeogênese) e liberando glicose
no sangue
Insulina das células beta das ilhotas
pancreáticas 
Nível sanguíneo elevado de glicose, acetilcolina
(liberada pelas bras parassimpáticas do nervo vago),
arginina e leucina (dois aminoácidos), glucagon, GIP,
GH e ACTH estimulam a secreção; a somatostatina
inibe a secreção
Reduz o nível sanguíneo de glicose acelerando o
transporte de glicose para as células, convertendo
glicose em glicogênio (glicogênese) e diminuindo a
glicogenólise e a gliconeogênese; aumenta a
lipogênese e estimula a síntese de proteína
Somatostatina das células delta das ilhotas
pancreáticas 
O peptídio pancreático inibe a secreção Inibe a secreção de insulina e glucagon; retarda a
absorção de nutrientes no sistema digestório
Polipeptídio pancreático das células F das
ilhotas pancreáticas 
Refeições contendo proteína, jejum, exercícios físicos e
hipoglicemia aguda estimulam a secreção; a
somatostatina e o nível sanguíneo elevado de glicose
inibem a secreção
Inibe a secreção de somatostatina, a contração da
vesícula biliar e a secreção de enzimas digestivas do
pâncreas
 TESTE RÁPIDO
Como são controlados os níveis sanguíneos de insulina e glucagon?
Quais são os efeitos do exercício em contraste com a  ingestão de uma refeição rica em carboidrato e proteína
na secreção da insulina e do glucagon?
Ovários e testículos
 OBJETIVO
Descrever a localização, os hormônios e as funções das gônadas masculina e feminina.
Gônadas são os órgãos que produzem gametas – espermatozoides nos homens e ovócitos (oócitos) nas mulheres. Além da
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23.
18.12
•
•
sua  função  reprodutora,  as  gônadas  secretam  hormônios.  Os  ovários,  um  par  de  corpos  ovais  localizados  na  cavidade
pélvica  feminina,  fabricam  vários  hormônios  esteroides,  inclusive  dois  estrogênios  (estradiol  e  estrona)  e  progesterona.
Esses  hormônios  sexuais  femininos,  juntamente  com  o  hormônio  foliculoestimulante  (FSH)  e  o  hormônio  luteinizante
(LH) da adeno­hipófise, regulam o ciclo menstrual, mantêm a gravidez e preparam as glândulas mamárias para a lactação.
Além  disso,  promovem  o  crescimento  das  mamas  e  o  alargamento  dos  quadris  na  puberdade  e  ajudam  a  manter  essas
características  sexuais  femininas  secundárias. Os  ovários  também produzem  inibina,  um  hormônio  proteico  que  inibe  a
secreção  de  FSH.  Durante  a  gravidez,  os  ovários  e  a  placenta  produzem  um  hormônio  peptídio  chamado  de  relaxina
(RLX), que aumenta a flexibilidade da sínfise púbica durante a gravidez e ajuda a dilatar o colo do útero durante o parto.
Essas ações ajudam a facilitar a passagem do bebê pelo alargamento do canal do parto.
As gônadas masculinas, os testículos,  são glândulas ovais  localizadas no escroto. O principal hormônio produzido e
secretado  pelos  testículos  é  a  testosterona,  um  androgênio  ou  hormônio  sexual  masculino.  A  testosterona  promove  a
migração (descida) dos  testículos para o escroto antes do nascimento, regula a produção de espermatozoides e estimula o
desenvolvimento  e  a  manutenção  de  características  sexuais  secundárias  masculinas,  como  crescimento  de  barba  e
engrossamento da voz. Os  testículos  também produzem  inibina,  que  inibe  a  secreção de FSH. A  estrutura  detalhada dos
ovários e dos testículos e as funções específicas dos hormônios sexuais são discutidas no Capítulo 28.
A Tabela 18.10 faz um resumo dos hormônios produzidos pelos ovários e testículos e suas principais ações.
 TESTE RÁPIDO
Por que os ovários e os testículos são classificados como glândulas endócrinas e órgãos de reprodução?
TABELA 18.10 Resumo dos hormônios dos ovários e testículos.
HORMÔNIO PRINCIPAIS AÇÕES
HORMÔNIOS OVARIANOS
Estrogênios e progesterona Junto com os hormônios gonadotró cos da adeno-hipó se, regulam o ciclo reprodutivo feminino, mantêm a
gravidez, preparam as glândulas mamárias para a lactação e promovem o desenvolvimento e a manutenção das
características sexuais secundárias femininas
Relaxina Aumenta a exibilidade da sín se púbica durante a gravidez; ajuda a dilatar o colo do útero durante o parto
Inibina Inibe a secreção de FSH da adeno-hipó se.
HORMÔNIOS TESTICULARES
Testosterona Estimula a migração dos testículos para o escroto antes do nascimento; regula a produção de espermatozoides;
promove o desenvolvimento e a manutenção das características sexuais masculinas secundárias
Inibina Inibe a secreção de FSH da adeno-hipó se
Glândula pineal e timo
 OBJETIVOS
Relatar a localização, a histologia, o hormônio e as funções da glândula pineal
Descrever a função do timo na imunidade.
A glândula pineal  é  uma  pequena  glândula  endócrina  localizada  na  parte  superior  do  terceiro  ventrículo  do  encéfalo  na
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter28.html
24.
25.
18.13
•
•
linha  mediana  (ver  Figura  18.1).  Parte  do  epitálamo,  a  glândula  está  posicionada  entre  os  dois  colículos  superiores,
apresenta massa de 0,1 a 0,2 g e está coberta por uma cápsula formada pela pia­máter. A glândula é composta por massas
de neuróglia e células secretoras chamadas de pinealócitos.
A  glândula  pineal  secreta melatonina,  um  hormônio  amina  derivado  da  serotonina.  Aparentemente  a  melatonina
contribui para o ajuste do relógio biológico do corpo, que é controlado pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo. Já que
mais melanina  é  liberada  no  escuro  do  que  na  presença  de  luz,  acredita­se  que  esse  hormônio  promova  sonolência.  Em
resposta ao estímulo visual dos olhos (retina), o núcleo supraquiasmático aciona os neurônios pós­ganglionares simpáticos
do gânglio cervical  superior que, por sua vez, estimulamos pinealócitos da glândula pineal a secretar melatonina em um
padrão rítmico, com secreção baixa de melatonina durante o dia e significativamente mais elevada à noite. Durante o sono,
os  níveis  plasmáticos  de  melatonina  sobem  10  vezes  e,  depois,  caem  de  novo  antes  do  despertar.  Pequenas  doses  de
melatonina  administradas  por  via  oral  conseguem  induzir  o  sono  e  reajustar  os  ritmos  diários,  o  que  pode  beneficiar  os
profissionais cujos  turnos de  trabalho alternam­se entre horas do dia e da noite. A melatonina  também é um antioxidante
potente que pode oferecer alguma proteção contra radicais livres prejudiciais.
Nos animais que procriam em épocas específicas, a melatonina inibe funções reprodutoras, porém não está claro se a
melatonina  influencia  a  função  reprodutiva humana. Os níveis de melatonina  são mais  elevados  em crianças  e diminuem
com o tempo até a idade adulta, porém não há evidências de que alterações na secreção de melatonina se correlacionem com
o surgimento da puberdade e o amadurecimento sexual. Todavia, uma vez que a melatonina causa atrofia das gônadas em
várias  espécies  animais,  a  possibilidade  de  efeitos  adversos  na  reprodução  humana  precisa  ser  estudada  antes  que  a
utilização desse hormônio para restaurar ritmos diários possa ser recomendada.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Transtorno afetivo sazonal e dessincronose
(jet lag)
O transtorno afetivo sazonal (TAS) é um tipo de depressão que a ige algumas pessoas durante os meses de inverno quando a duração do dia é menor. Acredita-se
que ocorra, em parte, devido à produção excessiva de melatonina. A fototerapia de amplo espectro – doses repetidas de várias horas de exposição à luz arti cial tão
clara quanto a luz do sol – alivia algumas pessoas. Parece que 3 a 6 h de exposição à luz também aceleram a recuperação da dessincronose (jet lag), que é a fadiga
sofrida pelos viajantes que cruzam áreas de fusos horários diferentes.
O  timo  está  localizado  atrás  do  esterno,  entre  os  pulmões.  Como  a  sua  função  tem  relação  com  a  imunidade,  os
detalhes da estrutura e das funções do timo são discutidos no Capítulo 22. Os hormônios produzidos pelo timo – timosina,
fator  tímico humoral  (THF),  fator  tímico  (TF) e  timopoetina – promovem a maturação dos  linfócitos T  (um  tipo de
leucócito que destrói micróbios e substâncias estranhas) e possível retardo do processo de envelhecimento.
 TESTE RÁPIDO
Qual é a relação entre melatonina e sono?
Quais hormônios tímicos desempenham função na imunidade?
Outros órgãos e tecidos endócrinos, eicosanoides e fatores de
crescimento
 OBJETIVOS
Descrever as funções de cada um dos hormônios secretados por células de tecidos e órgãos que não as glândulas
endócrinas
Explicar as ações dos eicosanoides e dos fatores de crescimento.
Hormônios de outros tecidos e órgãos endócrinos
De  acordo  com  o  início  do  capítulo,  células  de  órgãos  que  não  aqueles  habitualmente  classificados  como  glândulas
endócrinas  apresentam  função  endócrina  e  secretam  hormônios.  Vários  desses  órgãos  foram  abordados  neste  capítulo:
hipotálamo,  timo,  pâncreas,  ovários  e  testículos.  A  Tabela 18.11  oferece  uma  visão  geral  desses  órgãos  e  tecidos,  seus
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hormônios e suas ações.
Eicosanoides
Duas  famílias  de  moléculas  eicosanoides  –  as  prostaglandinas  (PG)  e  os  leucotrienos  (LT)  –  são  encontradas  em
praticamente todas as células do corpo, exceto nos eritrócitos, onde atuam como hormônios locais (parácrinos e autócrinos)
em  resposta  a  estímulos  químicos  ou  mecânicos.  São  sintetizados  a  partir  de  um  ácido  graxo  de  20  carbonos  (ácido
araquidônico)  das  moléculas  fosfolipídicas  da  membrana.  Do  ácido  araquidônico,  diferentes  reações  enzimáticas
produzem PG e LT. O tromboxano (TX) é uma PG modificada que contrai os vasos sanguíneos e promove a ativação das
plaquetas. Os  eicosanoides  aparecem no  sangue  em quantidades mínimas  e  sua  presença  é  apenas  breve  devido  à  rápida
inativação.
TABELA 18.11 Resumo dos hormônios produzidos por outros órgãos e tecidos que contêm células
endócrinas.
HORMÔNIO AÇÕES PRINCIPAIS
SISTEMA DIGESTÓRIO 
Gastrina
Promove a secreção de suco gástrico; intensi ca os movimentos do estômago
Peptídio insulinotrópico dependente de glicose (GIP) Estimula a liberação de insulina pelas células beta do pâncreas
Secretina Desencadeia a secreção de suco pancreático e de bile
Colecistocinina Estimula a secreção de suco pancreático; regula a liberação de bile da vesícula
biliar; promove a sensação de saciedade após a alimentação
PLACENTA  
Gonadotro na coriônica humana (hCG) Estimula o corpo lúteo no ovário a continuar a produção de estrogênios e
progesterona para manter a gravidez
Estrogênios e progesterona Mantêm a gravidez; ajudam a preparar as glândulas mamárias para secretarem
leite
Hormônio somatomamotrópico coriônico humano (HCS) Estimula o desenvolvimento das glândulas mamárias para a lactação
RINS  
Renina Parte da sequência de reação que eleva a pressão do sangue promovendo
vasoconstrição e secreção de aldosterona
Eritropoetina (EPO) Aumenta a taxa de formação de eritrócitos
Calcitriol* (forma ativa da vitamina D) Auxilia na absorção do fósforo e cálcio da dieta
CORAÇÃO  
Peptídio natriurético atrial (PNA) Diminui a pressão arterial
TECIDO ADIPOSO  
Leptina Suprime o apetite; aumenta a atividade do FSH e LH
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26.
27.
18.14
•
*A síntese começa na pele, continua no fígado e termina nos rins.
Para  exercer  seus  efeitos,  os  eicosanoides  se  ligam  a  receptores  nas  membranas  plasmáticas  das  células­alvo  e
estimulam  ou  inibem  a  síntese  de  segundos  mensageiros  como  AMP  cíclico.  Os  leucotrienos  estimulam  a  quimiotaxia
(atração  a  um  estímulo  químico)  dos  leucócitos  e  medeiam  a  inflamação.  As  prostaglandinas  alteram  a  contração  da
musculatura  lisa,  as  secreções  glandulares,  o  fluxo  sanguíneo,  os  processos  reprodutivos,  a  função  plaquetária,  a
respiração,  a  transmissão  de  impulsos  nervosos,  o  metabolismo  lipídico  e  as  respostas  imunes.  Além  disso,  atuam  na
promoção da inflamação e febre e na intensificação da dor.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Anti-in amatórios não esteroides
Em 1971, cientistas resolveram o antigo enigma de como funciona o ácido acetilsalicílico (AAS). O AAS e os anti-in amatórios não esteroides (AINEs), como o
ibuprofeno, inibem a ciclo-oxigenase, uma enzima-chave envolvida na síntese de prostaglandina. Os AINEs são usados para tratar uma ampla variedade de distúrbios
in amatórios, desde artrite reumatoide a epicondilite lateral (“cotovelo de tenista”). O sucesso dos AINEs na redução da febre, da dor e da in amação revela como as
prostaglandinas contribuem para esses problemas.
Fatores de crescimento
Vários  dos  hormônios  descritos  –  fatores  de  crescimento  insulina­símiles,  timosina,  insulina,  hormônios  da  tireoide,
hormônio do crescimento  e prolactina –  estimulam o crescimento  e  a divisão celulares. Além disso, diversos hormônios
descobertos  recentemente  chamados  de  fatores de  crescimento  desempenham  importantes  funções  no  desenvolvimento,
crescimento  e  reparo  dos  tecidos.  Os  fatores  de  crescimento  são mitogênicos  –  promovem  o  crescimento  por  meio  da
estimulação da divisão celular. Muitos fatores de crescimento atuam localmente, de maneira autócrina ou parácrina.
A Tabela 18.12 oferece um resumo das fontes e das ações de seis importantes fatores de crescimento.
 TESTE RÁPIDO
Que hormônios são secretados pelo sistema digestório, pela placenta, pelos rins, pela pele, pelo tecido adiposo
e pelo coração?
Quais são algumas funções das prostaglandinas, dos leucotrienos e dos fatores de crescimento?
A resposta ao estresse
 OBJETIVO
Descrever como o corpo responde ao estresse.
É impossível remover todo o estresse da nossa vidadiária. Determinados estresses, chamados de eustresse, nos preparam
para  enfrentar desafios  e,  por  isso,  são úteis. Outros  estresses,  chamados de distresses,  são  prejudiciais. Todo  estímulo
que provoca uma  resposta ao estresse é chamado de estressor. Praticamente  toda perturbação ao corpo humano pode  ser
um  estressor  –  calor  ou  frio,  venenos  ambientais,  toxinas  liberadas  por  bactérias,  sangramento  forte  decorrente  de  uma
ferida ou cirurgia ou uma  forte  reação emocional. As  respostas aos estressores podem ser agradáveis ou desagradáveis e
variam entre as pessoas, podendo, até mesmo, ser diferentes na mesma pessoa em momentos distintos.
TABELA 18.12 Resumo de alguns fatores de crescimento.
FATOR DE CRESCIMENTO COMENTÁRIO
Fator de crescimento epidérmico (EGF) Produzido nas glândulas submandibulares (salivar); estimula a proliferação de
células epiteliais, broblastos, neurônios e astrócitos; suprime algumas células
cancerígenas e a secreção de suco gástrico pelo estômago
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Fator de crescimento derivado das plaquetas (PDGF) Produzido nas plaquetas sanguíneas; estimula a proliferação de neuróglia,
bras musculares lisas e broblastos; parece ter função na cicatrização de
feridas; pode contribuir para o desenvolvimento de aterosclerose
Fator de crescimento de broblastos (FGF) Encontrado na glândula hipó se e no encéfalo; promove a proliferação de
muitas células derivadas do mesoderma embrionário ( broblastos, células
adrenocorticais, bras musculares lisas, condrócitos e células endoteliais);
estimula a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese)
Fator de crescimento de nervo (NGF) Produzido nas glândulas submandibulares (salivares) e no hipocampo do
encéfalo; estimula o crescimento de gânglios no embrião; mantém o sistema
nervoso simpático; estimula a hipertro a e a diferenciação de neurônios
Fatores de angiogênese tumoral (TAF) Produzidos por células tumorais e normais; estimulam o crescimento de novos
capilares, a regeneração orgânica e a cicatrização de feridas
Fatores transformadores de crescimento (TGF) Produzidos por várias células como moléculas separadas: TGF-alfa tem
atividades semelhantes ao fator de crescimento epidérmico, enquanto TGF-beta
inibe a proliferação de muitos tipos de células
Os mecanismos  homeostáticos  do  corpo  tentam neutralizar  o  estresse  e,  quando  bem­sucedidos,  o  ambiente  interno
permanece  dentro  dos  limites  fisiológicos  normais.  Se  o  estresse  for  extremo,  incomum  ou  de  longa  duração,  os
mecanismos normais podem não ser suficientes. Em 1936, Hans Selye, um pioneiro nas pesquisas sobre estresse, mostrou
que  várias  condições  estressantes  ou  agentes  nocivos  desencadeiam  uma  sequência  semelhante  de  alterações  corporais.
Essas  alterações,  chamadas  de  resposta  ao  estresse  ou  síndrome  de  adaptação  geral  (SAG),  são  controladas
principalmente  pelo  hipotálamo. A  resposta  ao  estresse  ocorre  em  três  estágios:  (1)  resposta  de  luta  ou  fuga  inicial,  (2)
reação de resistência mais lenta e, por fim, (3) exaustão.
Resposta de luta ou fuga
A resposta de luta ou fuga, iniciada por impulsos nervosos do hipotálamo para a parte simpática da divisão autônoma do
sistema  nervoso  (SNA),  incluindo  a  medula  da  glândula  suprarrenal,  mobiliza  rapidamente  as  fontes  corporais  para
atividade física imediata (Figura 18.20A). A resposta de luta ou fuga leva quantidades enormes de glicose e oxigênio para
os órgãos mais ativos no combate ao perigo: o encéfalo, que precisa se tornar altamente alerta; os músculos esqueléticos,
que podem precisar defender o corpo de um agressor ou fugir; e o coração, que precisa trabalhar com vigor para bombear
sangue suficiente ao encéfalo e aos músculos. Durante a resposta de  luta ou fuga, funções corporais não essenciais como
atividades  digestórias,  urinárias  e  reprodutoras  são  inibidas.  A  redução  do  fluxo  de  sangue  para  os  rins  promove  a
liberação de  renina, que coloca em ação a via  renina­angiotensina­aldosterona  (ver Figura 18.16). A aldosterona  faz com
que os  rins  retenham Na+,  o que promove a  retenção de água e elevação da pressão arterial. A  retenção de água  também
ajuda a preservar volume hídrico corporal em caso de sangramento grave.
Figura 18.20 Respostas aos estressores durante a resposta ao estresse. As setas vermelhas (respostas hormonais) e as setas verdes
(respostas neurais) em (A) indicam reações de luta ou fuga imediatas; as setas pretas em (B) indicam reações de resistência de longa
duração.
Os estressores estimulam o hipotálamo a iniciar a resposta ao estresse por meio da resposta de luta ou fuga e
reação de resistência.
888
Qual é a diferença básica entre resposta ao estresse e homeostasia?
Reação de resistência
O segundo estágio da resposta ao estresse é a reação de resistência  (Figura 18.20B). Diferentemente da resposta de  luta
ou fuga de curta duração,  iniciada por  impulsos nervosos provenientes do hipotálamo, a reação de resistência, em grande
parte, começa pela ação dos hormônios hipotalâmicos de liberação e tem duração mais longa. Os hormônios envolvidos são
o  hormônio  liberador  da  corticotrofina  (CRH),  o  hormônio  liberador  do  hormônio  do  crescimento  (GHRH)  e  hormônio
liberador da tireotrofina (TRH).
O CRH  estimula  a  adeno­hipófise  a  secretar  ACTH  que,  por  sua  vez,  estimula  o  córtex  da  glândula  suprarrenal  a
incrementar a liberação de cortisol. O cortisol promove a gliconeogênese pelos hepatócitos, a degradação dos triglicerídios
em ácidos graxos (lipólise) e o catabolismo de proteínas em aminoácidos. Tecidos por todo o corpo podem usar a glicose,
os ácidos graxos e os aminoácidos resultantes na produção de ATP ou no reparo de células danificadas. O cortisol também
reduz a inflamação.
Um  segundo  hormônio  hipotalâmico  de  liberação,  o  GHRH,  faz  com  que  a  adeno­hipófise  secrete  hormônio  do
889
28.
29.
30.
crescimento (GH). Agindo via fatores de crescimento insulino­símiles, o GH estimula a lipólise e a glicogenólise, que é a
degradação  de  glicogênio  em  glicose,  no  fígado.  Um  terceiro  hormônio  hipotalâmico  de  liberação,  o  TRH,  estimula  a
adeno­hipófise  a  secretar  hormônio  tireoestimulante  (TSH).  O  TSH  promove  a  secreção  de  hormônios  da  tireoide  que
estimulam  o  uso  mais  acentuado  de  glicose  na  produção  de  ATP.  As  ações  combinadas  do  GH  e  TSH  suprem  ATP
adicional para as células metabolicamente ativas por todo o corpo.
O  estágio  de  resistência  ajuda  o  corpo  a  continuar  lutando  contra  o  estressor mesmo  bem  depois  da  dissipação  da
resposta de luta ou fuga. Esse é o motivo pelo qual o coração continua batendo mais forte por vários minutos mesmo após
a  remoção  do  estressor.  Em  geral,  essa  fase  é  bem­sucedida  quando  nos  vemos  em  um  episódio  estressante  e  nossos
corpos voltam ao normal. Às vezes, no entanto, o estágio de resistência não consegue combater o estressor e o corpo entra
em estado de exaustão.
Exaustão
Os recursos do corpo acabam se exaurindo e não conseguem sustentar o estágio de  resistência, ocorrendo a exaustão. A
exposição  prolongada  a  elevados  níveis  de  cortisol  e  outros  hormônios  envolvidos  na  reação  de  resistência  causa  perda
muscular, supressão do sistema imunológico, ulceração no sistema digestório e falência das células beta pancreáticas. Além
disso, alterações patológicas podem ocorrer porque as reações de resistência persistem depois da remoção do estressor.
Estresse e doença
Embora  o  papel  exato  do  estresse  nas  doenças  humanas  não  seja  conhecido,  está  claro  que  o  estresse  pode  ocasionar
doenças  pela  inibição  temporária  de  determinados  componentes  do  sistema  imunológico.  Gastrite,  colite  ulcerativa,
síndrome do intestino irritável, hipertensão arterial, asma, artrite reumatoide (AR), enxaquecas, ansiedade e depressão são
problemas relacionados com o estresse. Pessoas sob estressecorrem risco mais elevado de desenvolver doença crônica ou
de morrer prematuramente.
A interleucina­1, uma substância secretada por macrófagos do sistema imunológico (ver a discussão sobre ACTH na
Seção  18.6),  é  uma  importante  ligação  entre  estresse  e  imunidade.  Uma  das  ações  da  interleucina­1  é  de  estimular  a
secreção de ACTH, que, por sua vez, promove a produção de cortisol. O cortisol não apenas fornece resistência ao estresse
e à inflamação, como também suprime a produção de interleucina­1. Desse modo, o sistema imunológico ativa a resposta
ao  estresse  e  o  cortisol  resultante  desativa  um  mediador  do  sistema  imunológico.  Esse  sistema  de  feedback  negativo
mantém  a  resposta  imune  controlada  uma  vez  atingido  o  objetivo.  Devido  à  sua  atividade,  o  cortisol  e  outros
glicocorticoides são usados como medicamentos imunossupressores em recipientes de transplantes de órgãos.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Transtorno do estresse pós-traumático
O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) é um transtorno da ansiedade que pode se desenvolver em um indivíduo que vivenciou ou testemunhou um
evento física ou psicologicamente estressante. Parece que a causa imediata do TEPT são estressores especí cos associados aos eventos. Entre os estressores incluímos
terrorismo, sequestro, aprisionamento, combate militar, acidentes graves, tortura, abuso físico ou sexual, crimes violentos, tiroteios em escolas, massacres e desastres
naturais. Nos EUA, o TEPT afeta 10% das mulheres e 5% dos homens. Os sintomas de TEPT incluem recordações do evento em pesadelos ou ashbacks; evitar
qualquer atividade, pessoa, local ou evento associado aos estressores; perda do interesse e falta de motivação; baixa concentração; irritabilidade; e insônia. O
tratamento pode incluir o uso de antidepressivos, estabilizadores de humor e agentes ansiolíticos e antipsicóticos.
 TESTE RÁPIDO
Qual é o papel central do hipotálamo durante o estresse?
Que reações corporais ocorrem durante a resposta de luta ou fuga, a reação de resistência e a exaustão?
Qual é a correlação entre estresse e imunidade?
890
18.15
•
Desenvolvimento do sistema endócrino
 OBJETIVO
Descrever o desenvolvimento das glândulas endócrinas.
O desenvolvimento do sistema endócrino não é tão localizado quanto o desenvolvimento de outros sistemas, pois os órgãos
endócrinos estão distribuídos por todo o corpo.
Cerca  de  3  semanas  depois  da  fertilização,  a  glândula  hipófise  começa  a  se  desenvolver  a  partir  de  duas  regiões
diferentes  do  ectoderma.  A  neuro­hipófise  deriva  de  uma  evaginação  do  ectoderma  chamada  brotamento  neuro­
hipofisário,  localizado no assoalho do hipotálamo (Figura 18.21). O  infundíbulo,  também uma evaginação do brotamento
neuro­hipofisário, conecta a neuro­hipófise ao hipotálamo. A adeno­hipófise se origina de uma evaginação do ectoderma do
teto da boca chamado de bolsa hipofisária ou bolsa de Rathke. A bolsa cresce no sentido do brotamento neuro­hipofisário
e, por fim, perde sua conexão com o teto da boca.
A  glândula  tireoide  se  desenvolve  durante  a  quarta  semana  como  um  brotamento  médio  ventral  do  endoderma,
chamado de divertículo tireóideo, do assoalho da faringe no nível do segundo par de bolsas faríngeas (Figura 18.21A). O
brotamento se projeta inferiormente e se diferencia em lobos direito e esquerdo e no istmo da glândula.
As glândulas  paratireoides  se  desenvolvem  durante  a  quarta  semana  a  partir  do  endoderma  como  evaginações  da
terceira e da quarta bolsas faríngeas, que ajudam a formar estruturas da cabeça e do pescoço.
O córtex e a medula das glândulas suprarrenais se desenvolvem durante a quinta semana e  têm origens embrionárias
completamente diferentes. O córtex da glândula  suprarrenal  é  derivado da mesma  região do mesoderma  que produz  as
gônadas.  Todos  os  tecidos  endócrinos  que  secretam  hormônios  esteroides  se  originam  do  mesoderma.  A  medula  da
glândula suprarrenal deriva do ectoderma das células da crista neural que migram para o polo superior do rim. Lembre­
se que as células da crista neural também dão origem aos gânglios simpáticos e outras estruturas do sistema nervoso (ver
Figura 14.27B).
O pâncreas  se desenvolve entre a quinta e a sétima semana a partir de dois brotamentos do endoderma  da parte do
intestino anterior que, posteriormente,  se  torna o duodeno  (ver Figura 29.12C). Por  fim, os dois brotamentos se  fundem
para formar o pâncreas. A origem dos ovários e testículos é discutida na Seção 28.5.
Figura 18.21 Desenvolvimento do sistema endócrino.
As glândulas do sistema endócrino derivam de todas as três camadas germinativas primárias: ectoderma,
mesoderma e endoderma.
891
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig27
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter29.html#ch29fig12
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter28.html#ch28-5
31.
18.16
•
Que glândula endócrina se desenvolve a partir de tecidos com duas origens embrionárias diferentes?
A glândula pineal surge durante a sétima semana como um brotamento entre o tálamo e os colículos do mesencéfalo, a
partir do ectoderma associado ao diencéfalo (ver Figura 14.28).
O timo se desenvolve durante a quinta semana a partir do endoderma da terceira bolsa faríngea.
 TESTE RÁPIDO
Compare as origens do córtex e da medula das glândulas suprarrenais.
Envelhecimento e sistema endócrino
 OBJETIVO
Descrever os efeitos do envelhecimento sobre o sistema endócrino.
Embora algumas glândulas endócrinas se atrofiem com o envelhecimento, seu desempenho pode ou não ser comprometido.
A produção de hormônio do crescimento pela adeno­hipófise cai, sendo uma causa da atrofia muscular que se percebe com
o envelhecimento. A glândula tireoide muitas vezes diminui sua produção de hormônios com a idade, causando redução da
taxa metabólica, aumento de gordura corporal e hipotireoidismo, visto com mais frequência em pessoas mais  idosas. Por
haver menos  feedback  negativo  (níveis mais  baixos  dos  hormônios  da  tireoide),  o  nível  de  TSH  sobe  com  a  idade  (ver
Figura 18.12).
Com o envelhecimento, o nível  sanguíneo de PTH sobe,  talvez devido à  ingestão  inadequada de cálcio na dieta. Em
um estudo realizado com mulheres mais idosas que utilizavam 2.400 mg/dia de cálcio suplementar, os níveis sanguíneos de
PTH  eram  tão  baixos  quanto  os  níveis  das mulheres mais  jovens.  Tanto  o  nível  de  calcitriol  quanto  de  calcitonina  são
menores  em  pessoas  mais  idosas.  Juntas,  a  elevação  no  nível  de  PTH  e  a  queda  do  nível  de  calcitonina  acentuam  a
892
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter14.html#ch14fig28
32.
diminuição  relacionada  com  a  idade  da  massa  óssea  que  predispõe  à  osteoporose  e  ao  risco  mais  alto  de  fraturas  (ver
Figura 18.14).
As glândulas suprarrenais contêm cada vez mais tecido fibroso e produzem menos cortisol e aldosterona com o avanço
da idade. Entretanto, a produção de epinefrina e norepinefrina continua normal. Com o envelhecimento, o pâncreas  libera
insulina mais devagar e a sensibilidade dos receptores de glicose diminui. Em consequência disso, os níveis sanguíneos de
glicose  em pessoas mais  idosas  aumentam com mais  rapidez  e  retornam ao normal mais  lentamente  em comparação  aos
indivíduos mais jovens.
O  timo é maior no primeiro  ano de vida. Depois da puberdade,  seu  tamanho começa  a diminuir  e o  tecido  tímico  é
substituído por  tecido conjuntivo adiposo e areolar. Nos adultos mais  idosos, o  timo  já atrofiou de maneira significativa.
No entanto, ainda produz células T novas para as respostas imunes.
Os ovários reduzem de tamanho com a idade e não respondem mais às gonadotrofinas. A resultante produção menor
de estrogênios contribui para condições como osteoporose,  elevação do nível  sanguíneo de colesterol  e  aterosclerose.Os
níveis  de  FSH  e LH  estão  altos  devido  à menor  inibição  por  feedback  negativo  dos  estrogênios.  Embora  a  produção  de
testosterona pelos  testículos diminua com a  idade,  em geral,  os  efeitos não  são evidentes  até uma  idade bem avançada e
muitos  homens  idosos  conseguem,  ainda,  produzir  espermatozoides  ativos  em quantidade  normal, mesmo havendo mais
espermatozoides morfologicamente anormais e com diminuição da motilidade.
 TESTE RÁPIDO
Qual hormônio está relacionado com a atrofia muscular observada com o envelhecimento?
• • •
Para  entender  as  muitas  maneiras  pelas  quais  o  sistema  endócrino  contribui  para  a  homeostasia  de  outros  sistemas
corporais, estude o Foco na Homeostasia | Sistema Endócrino. A seguir, no Capítulo 19, vamos dar início à exploração do
sistema circulatório, começando com uma descrição da composição e das funções do sangue.
893
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter19.html
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
Os  distúrbios  do  sistema  endócrino muitas  vezes  envolvem hipossecreção,  que  é  a  liberação  inadequada  de  um
hormônio, ou hipersecreção,  que  consiste  na  liberação excessiva  de um hormônio. Em outros  casos,  há  alteração
dos receptores hormonais, número inadequado de receptores ou defeitos nos sistemas de segundo mensageiro. Uma
vez  que  os  hormônios  são  distribuídos  no  sangue  para  os  tecidos­alvo  por  todo  o  corpo,  problemas  associados  à
disfunção endócrina também podem ser disseminados.
894
Distúrbios da glândula hipófise
Nanismo hipofisário, gigantismo e acromegalia
Inúmeros distúrbios da adeno­hipófise envolvem o hormônio do crescimento (GH). A hipossecreção de GH durante os
anos  de  crescimento  retarda  o  crescimento  ósseo  e  as  lâminas  epifisiais  fecham­se  antes  que  a  altura  normal  seja
alcançada. Essa condição é chamada de nanismo hipofisário (ver correlaçãO clínica | Anormalidades hormonais que
afetam  a  altura  na  Seção  6.5).  Outros  órgãos  do  corpo  também  não  crescem  e  as  proporções  corporais  são
semelhantes  às  infantis.  O  tratamento  exige  administração  de  GH  durante  a  infância,  antes  do  fechamento  das
lâminas epifisiais.
A hipersecreção de GH durante a  infância  causa gigantismo,  um anormal  anormal  do  comprimento  dos  ossos
longos. A pessoa cresce e fica muito alta, porém as proporções corporais são praticamente normais. A Figura 18.22A
mostra  gêmeos  idênticos;  um  irmão  desenvolveu  gigantismo  em  decorrência  de  um  tumor  na  hipófise.  A
hipersecreção  de  GH  durante  a  idade  adulta  é  chamada  de  acromegalia.  Embora  o  GH  não  promova  mais  o
crescimento  dos  ossos  longos  porque  as  lâminas  epifisiais  já  estão  fechadas,  os  ossos  das  mãos,  pés,  da  face  e
mandíbula se espessam e outros tecidos crescem. Além disso, pálpebras, lábios, língua e nariz aumentam, a pele se
espessa e desenvolve sulcos, especialmente na fronte e nas plantas dos pés.
Figura 18.22 Vários distúrbios endócrinos.
Os distúrbios do sistema endócrino muitas vezes envolvem hipossecreção ou hipersecreção de hormônios.
Qual distúrbio endócrino é consequente a anticorpos que simulam a ação do TSH?
Diabetes insípido
A anormalidade mais  comum associada à  disfunção da neuro­hipófise  é  o diabetes  insípido  (DI). Este distúrbio é
decorrente  de  defeitos  nos  receptores  do  hormônio  antidiurético  ou  da  incapacidade  de  secretar  hormônio
antidiurético. O diabetes  insípido neurogênico  resulta da hipossecreção de hormônio antidiurético, em geral causada
por tumor encefálico, traumatismo cranioencefálico ou cirurgia craniana que danifica a neuro­hipófise ou o hipotálamo.
No diabetes insípido nefrogênico, os rins não respondem ao hormônio antidiurético. O funcionamento dos receptores
de hormônio antidiurético pode não estar apropriado ou os rins podem estar  lesados. Uma manifestação comum das
duas  formas de DI é a excreção de grandes volumes de urina, com consequentes desidratação e sede. É comum a
ocorrência  de  enurese  nas  crianças.  Como  se  perde  muita  água  na  urina,  a  pessoa  com  DI  pode  morrer  de
desidratação se ficar privada de água por apenas 1 dia ou dois.
O  tratamento  do  diabetes  insípido  neurogênico  envolve  reposição  hormonal,  em  geral  para  o  resto  da  vida.  A
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter06.html#ch6-5
injeção subcutânea ou spray nasal de análogos do hormônio antidiurético é efetiva. O tratamento do DI nefrogênico é
mais complexo e depende da natureza da disfunção  renal. A  restrição de sal na dieta e, paradoxalmente, o uso de
certos medicamentos diuréticos são úteis.
Distúrbios da glândula tireoide
Os distúrbios da glândula tireoide afetam todos os principais sistemas do corpo e estão entre os problemas endócrinos
mais  comuns.  O  hipotireoidismo  congênito,  que  consiste  na  hipossecreção  de  hormônios  da  tireoide  ao
nascimento, causa consequências devastadoras se não for  tratado prontamente. Antes chamada de cretinismo, essa
condição  ocasiona  retardo  mental  grave  e  restrição  do  crescimento  ósseo.  Tipicamente  o  recém­nascido  é  normal
porque  os  hormônios  da  tireoide  lipossolúveis  da  mãe  cruzaram  a  placenta  durante  a  gravidez  e  permitiram  o
desenvolvimento normal. Na maioria dos estados norte­americanos é obrigatória a realização do exame em todos os
recém­nascidos para assegurar que a função da tireoide esteja adequada. Se for detectado hipotireoidismo congênito,
o tratamento com hormônio da tireoide oral precisa ser iniciado logo depois do nascimento e continuado para o resto
da vida.
O hipotireoidismo na  idade adulta provoca mixedema,  que acomete cerca de cinco vezes mais as mulheres do
que os homens. Uma característica marcante desse distúrbio é o edema (acúmulo de líquido intersticial) que faz com
que os tecidos faciais fiquem túrgidos. Uma pessoa com mixedema apresenta redução da frequência cardíaca, baixa
temperatura corporal, aumento da sensibilidade ao frio, cabelo e pele ressecados, fraqueza muscular, letargia geral e
tendência  a  ganhar  peso  com  facilidade.  Visto  que  o  encéfalo  já  atingiu  a maturidade,  não  ocorre  retardo mental,
entretanto a pessoa pode ficar menos alerta. A reposição oral de hormônios da tireoide reduz os sinais/sintomas.
A forma mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves, que  também acomete sete a dez vezes mais
as mulheres do que os homens, em geral antes dos 40 anos. A doença de Graves é um distúrbio autoimune no qual a
pessoa  produz  anticorpos  que  imitam  a  ação  do  hormônio  tireoestimulante  (TSH).  Os  anticorpos  estimulam
continuamente  a  glândula  tireoide  a  crescer  e  produzir  hormônios.  Um  sinal  primário  é  o  aumento  da  tireoide  que
pode  ter  duas  ou  três  vezes  seu  tamanho.  Os  pacientes  com  doença  de Graves muitas  vezes  apresentam  edema
peculiar  retro­orbitário,  que  promove  a  sua  protrusão,  chamada  de exoftalmia  (Figura 18.22D).  O  tratamento  pode
incluir remoção cirúrgica de parte ou de toda a glândula tireoide (tireoidectomia), uso de iodo radioativo para destruir
de maneira seletiva o  tecido da  tireoide e administração de medicamentos antitireóideos para bloquear a síntese de
hormônios da tireoide.
O bócio consiste, simplesmente, no aumento das dimensões da glândula tireoide. O bócio pode ter relação com
o hipertireoidismo, hipotireoidismo ou eutireoidismo (secreção normal de hormônios da tireoide). Em alguns lugares
do mundo,  o  teor  de  iodo  da  dieta  não  é  adequado;  a  resultante  baixa  concentração  sanguínea  de  hormônios  da
tireoide estimula a secreção de TSH, promovendo o crescimento da glândula (Figura 18.22C).
Distúrbios das glândulas paratireoides
O  hipoparatireoidismo  leva  à  deficiência  de  Ca+2  sanguíneo,  o  que  faz  com  que  neurônios  e  fibras  musculares
despolarizem  e  produzam  potenciaisde  ação  espontaneamente,  ocasionando  contrações,  espasmos  e  tetania
(contração  mantida)  do  músculo  esquelético.  A  principal  causa  de  hipoparatireoidismo  é  o  dano  acidental  das
glândulas paratireoides ou o comprometimento da irrigação sanguínea da glândula durante a tireoidectomia.
O hiperparatireoidismo, que consiste em níveis elevados de paratormônio, na maioria das vezes é decorrente
de  um  tumor  em  uma  das  glândulas  paratireoides. O  nível  elevado  de  PTH  causa  reabsorção  excessiva  de matriz
óssea,  aumentando  os  níveis  sanguíneos  de  íons  fosfato  e  cálcio  e  tornando  os  ossos  porosos  e  suscetíveis  a
fraturas. O nível sanguíneo alto de cálcio promove a formação de cálculos renais. Fadiga, alterações de personalidade
e letargia também ocorrem em pacientes com hiperparatireoidismo.
Distúrbios das glândulas suprarrenais
Síndrome de Cushing
A hipersecreção de cortisol pelo córtex da glândula suprarrenal produz a síndrome de Cushing  (Figura 18.22E). As
causas  podem  ser  um  tumor  suprarrenal  que  secreta  cortisol  ou  um  tumor  em  outro  lugar  que  secreta  hormônio
adrenocorticotrófico  (ACTH) que, por sua vez, estimula a secreção excessiva de cortisol. A condição é caracterizada
pela degradação de proteínas musculares e  redistribuição de gordura  corporal,  resultando em pernas e braços  finos
acompanhados por “face de lua cheia”, “giba de búfalo” e “abdome em avental”. A pele do rosto é vermelha e a pele
que  recobre o abdome desenvolve estrias. A pessoa  também desenvolve equimoses com  facilidade e a cicatrização
de  feridas não é satisfatória. O nível elevado de cortisol ocasiona hiperglicemia, osteoporose,  fraqueza, hipertensão
arterial,  aumento  da  suscetibilidade  à  infecção,  diminuição  da  resistência  ao  estresse  e  oscilações  de  humor.  As
pessoas que precisam de terapia com glicocorticoide a longo prazo – por exemplo, para evitar a rejeição de um órgão
transplantado – podem desenvolver aspecto cushingoide.
Doença de Addison
A hipossecreção de glicocorticoides e aldosterona causa a doença de Addison (insuficiência adrenocortical crônica).
A maioria dos casos é de distúrbios autoimunes nos quais anticorpos promovem a destruição do córtex da glândula
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suprarrenal  ou  bloqueiam  a  ligação  do  ACTH  com  seus  receptores.  Patógenos,  como Mycobacterium  tuberculosis,
também podem desencadear a destruição do córtex da glândula suprarrenal. Os sinais/sintomas, os quais tipicamente
não aparecem até que 90% do córtex estejam destruídos, são letargia mental, anorexia, náuseas e vômitos, perda de
peso, hipoglicemia e fraqueza muscular. A perda da aldosterona ocasiona a elevação do nível sanguíneo de potássio
e a diminuição do nível de sódio, baixa pressão arterial, desidratação, diminuição do débito cardíaco, arritmias e, até
mesmo, parada cardíaca. A pele pode parecer “dourada”, muitas vezes confundida com bronzeado de sol. Foi o que
aconteceu  com  o  presidente  John  F.  Kennedy,  cujo  diagnóstico  de  doença  de  Addison  se  tornou  conhecido  pouco
antes  de  ele  morrer.  O  tratamento  consiste  em  reposição  dos  glicocorticoides  e  mineralocorticoides  e  aumento  da
quantidade de sódio na dieta.
Feocromocitomas
Em  geral,  tumores  benignos  das  células  cromafins  da  medula  da  glândula  suprarrenal,  chamados  de
feocromocitomas,  causam  hipersecreção  de  epinefrina  e  norepinefrina.  O  resultado  é  uma  versão  prolongada  da
resposta de  luta ou  fuga:  frequência cardíaca elevada, pressão arterial alta, níveis sanguíneos e urinários de glicose
aumentados,  taxa  metabólica  basal  elevada,  rubor  facial,  nervosismo,  sudorese  e  diminuição  da  motilidade
gastrintestinal. O tratamento consiste na remoção cirúrgica do tumor.
Distúrbios das ilhotas pancreáticas
O distúrbio endócrino mais comum é o diabetes melito, causado pela  incapacidade de produzir ou usar  insulina. O
diabetes  melito  é  a  quarta  causa  de  morte  por  doença  mais  comum  nos  EUA,  principalmente  devido  aos  danos
causados ao sistema circulatório. Uma vez que não há  insulina para auxiliar o  transporte da glicose para as células
corporais, o nível de glicose sanguínea se torna elevado e a glicose “transborda” para a urina (glicosúria). O diabetes
melito se caracteriza por três polis: poliúria, produção excessiva de urina devido à incapacidade dos rins de reabsorver
água; polidipsia, sede excessiva e polifagia, ingestão excessiva de alimentos.
Tanto fatores genéticos quanto ambientais contribuem para o surgimento dos dois tipos de diabetes melito – tipo
1  e  tipo  2  –  porém,  os mecanismos  exatos  ainda  são  desconhecidos.  O diabetes  do melito  tipo  1  (DM1), antes
conhecido  como  diabetes  melito  insulinodependente  (DMID),  se  desenvolve  porque  o  sistema  imune  da  pessoa
destrói  as  células  beta  do  pâncreas.  Em  consequência  disso,  o  pâncreas  produz  pouca  ou  nenhuma  insulina.  Em
geral,  o  DM1  ocorre  em  pessoas  com  menos  de  20  anos  de  idade  e  persiste  por  toda  a  vida.  Quando  os
sinais/sintomas do DM1 aparecem, 80 a 90% das células beta já foram destruídas. O DM1 é mais comum no norte da
Europa, sobretudo na Finlândia, onde quase 1% da população desenvolve DM1 até os 15 anos de idade. Nos EUA, o
DM1 é 1,5 a 2 vezes mais frequente em brancos do que em afro­americanos e asiáticos.
O  metabolismo  celular  de  um  diabético  do  tipo  1  não  tratado  é  semelhante  ao  de  uma  pessoa  em  inanição.
Como  não  existe  insulina  para  ajudar  a  entrada  de  glicose  nas  células  do  corpo,  a maioria  das  células  usa  ácidos
graxos para produzir ATP. As reservas de triglicerídios no tecido adiposo são catabolizadas para produzir ácidos graxos
e  glicerol.  Os  subprodutos  da  degradação  dos  ácidos  graxos  –  ácidos  orgânicos  chamados  de  cetonas  ou  corpos
cetônicos  –  se  acumulam.  A  formação  de  cetonas  faz  com  que  o  pH  do  sangue  caia,  ocasionando  uma  condição
chamada de cetoacidose. Se não for tratada rapidamente, a cetoacidose pode levar à morte.
A  degradação  dos  triglicerídios  armazenados  também  promove  a  perda  de  peso.  Conforme  os  lipídios  são
transportados  pelo  sangue  dos  locais  de  armazenamento  para  as  células,  partículas  de  lipídios  se  depositam  nas
paredes  dos  vasos  sanguíneos,  ocasionando  aterosclerose  e  diversos  problemas  cardiovasculares,  inclusive
insuficiência  vascular  cerebral,  doença  cardíaca  isquêmica,  doença  vascular  periférica  e  gangrena.  Uma  importante
complicação  do  diabetes  melito  é  a  perda  da  visão  em  decorrência  de  catarata  (o  excesso  de  glicose  se  liga  às
proteínas da lente, causando borramento visual) ou de dano aos vasos sanguíneos da retina. Problemas renais graves
também podem resultar dos danos aos vasos sanguíneos renais.
O diabetes melito do  tipo 1 é  tratado com automonitoramento do nível  sanguíneo da glicose  (até 7  vezes/dia),
refeições regulares contendo 45 a 50% de carboidratos e menos de 30% de gorduras, exercícios e injeções periódicas
de insulina (até 3 vezes/dia). Várias bombas implantáveis estão disponíveis para fornecer insulina sem a necessidade
de repetir as  injeções. Por não possuírem um sensor confiável de glicose, entretanto, é crucial o automonitoramento
do nível sanguíneo de glicose para determinar as doses de  insulina. O  transplante de pâncreas  também é possível,
porém as pessoas precisam de medicamentos imunossupressores para o resto da vida. Outra abordagem promissora
sob investigação é o transplante de ilhotas isoladas em tubos ocos semipermeáveis. Os tubos permitem a entrada e a
saída de glicose e insulina, mas evitam a entrada de células do sistema imunológico que podem atacar as células das
ilhotas.
O  diabetes  melito  do  tipo  2  (DM2),  anteriormente  conhecido  como  diabetes  melito  não  insulinodependente
(DMNID), é muito mais comum que o tipo 1, representando mais de 90% de todos os casos.O DM2 na maioria das
vezes se desenvolve em obesos com mais de 35 anos. Entretanto, o número de crianças e adolescentes obesos com
DM2  está  aumentando.  Os  sinais/sintomas  clínicos  são  brandos,  e,  não  raro,  os  elevados  níveis  sanguíneos  de
glicose podem ser controlados com dieta, exercícios físicos e perda de peso. Às vezes, medicamentos como gliburida
e  metformina  são  usados  para  estimular  a  secreção  de  insulina  pelas  células  beta  do  pâncreas.  Embora  alguns
diabéticos do tipo 2 precisem de insulina, muitos apresentam níveis sanguíneos suficientes ou até mesmo excessivos
de  insulina).  Para  essas  pessoas,  o  diabetes  se  desenvolve  não  devido  a  insuficiência  de  insulina, mas  porque  as
células­alvo se tornam menos sensíveis a ela devido à infrarregulação dos receptores de insulina.
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O  hiperinsulinismo  na  maioria  das  vezes  ocorre  quando  um  diabético  injeta  muita  insulina.  A  principal
manifestação  é  a  hipoglicemia,  que  consiste  na  diminuição  do  nível  sanguíneo  de  glicose,  que  ocorre  porque  o
excesso  de  insulina  estimula  demasiadamente  a  captação  de  glicose  pelas  células  corporais.  A  hipoglicemia
resultante  promove  a  secreção  de  epinefrina,  glucagon  e  hormônio  do  crescimento.  Em  consequência,  ocorrem
ansiedade, sudorese,  tremores, aumento da  frequência cardíaca,  fome e  fraqueza. Quando a glicose sanguínea cai,
as células encefálicas são privadas do aporte constante de glicose do qual precisam para funcionar com efetividade. A
hipoglicemia  grave  leva  a  desorientação  mental,  convulsões,  inconsciência  e  choque.  O  choque  decorrente  da
superdosagem  de  insulina  é  chamado  de choque  insulínico.  A morte  pode  ocorrer  rapidamente  a  não  ser  que  a
glicose  sanguínea  seja  normalizada. Do ponto de  vista  clínico,  o  diabético que  sofre  uma crise de hiperglicemia ou
hipoglicemia  pode  ter  sinais/sintomas  semelhantes  –  alterações  mentais,  coma,  convulsões  etc.  É  importante
identificar rápida e corretamente a causa dos sinais/sintomas subjacentes e tratá­la de maneira apropriada.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Adenoma  virilizante.  Tumor  das  glândulas  suprarrenais  que  libera  androgênios  em  excesso,  causando  virilismo
(masculinização)  em  mulheres.  Por  vezes,  as  células  do  tumor  liberam  estrogênios  a  ponto  de  um  homem
desenvolver ginecomastia. Tal tumor é chamado de adenoma feminilizante.
Crise  tireotóxica  (tempestade  tireóidea).  Hipertireoidismo  potencialmente  fatal.  Caracterizado  por  temperatura
corporal  elevada,  frequência  cardíaca  acelerada,  pressão  arterial  alta,  manifestações  gastrintestinais  (dor
abdominal,  vômito,  diarreia),  agitação  psicomotora,  tremores,  confusão  mental,  convulsões  e,  possivelmente,
coma.
Ginecomastia. Desenvolvimento excessivo das glândulas mamárias no homem. Às vezes, um  tumor nas glândulas
suprarrenais pode secretar estrogênio suficiente para causar a condição.
Hirsutismo.  Excesso  de  pelos  faciais  e  corporais  com  padrão  masculino,  especialmente  em  mulheres;  pode  ser
decorrente da produção excessiva de androgênios causada por tumor ou medicamentos.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Introdução
Os hormônios regulam a atividade do músculo liso, do músculo cardíaco e de algumas glândulas; alteram o metabolismo;
promovem o crescimento e o desenvolvimento; influenciam os processos reprodutivos e participam dos ritmos circadianos.
Comparação do controle exercido pelos sistemas nervoso e endócrino
O sistema nervoso controla a homeostasia por meio de impulsos nervosos e neurotransmissores que atuam no local e com
rapidez. O sistema endócrino usa hormônios, que agem mais lentamente e em partes distantes do corpo. (Ver Tabela 18.1.)
O sistema nervoso controla neurônios, células musculares e células glandulares; o sistema endócrino regula praticamente
todas as células corporais.
Glândulas endócrinas
As  glândulas  exócrinas  (sudoríferas,  sebáceas,  mucosas  e  digestivas)  secretam  seus  produtos  por  ductos  em  cavidades
corporais ou nas superfícies do corpo. As glândulas endócrinas secretam hormônios no líquido intersticial. Depois disso, os
hormônios se difundem no sangue.
O  sistema  endócrino  consiste  em  glândulas  endócrinas  (hipófise,  tireoide,  paratireoides,  suprarrenais  e  pineal)  e  outros
tecidos secretores de hormônio  (hipotálamo,  timo, pâncreas, ovários,  testículos,  rins, estômago,  fígado,  intestino delgado,
pele, coração, tecido adiposo e placenta).
Atividade hormonal
Os hormônios atuam apenas nas células­alvo específicas que apresentam receptores que os reconhecem (ligação). O número
de receptores hormonais pode diminuir (infrarregulação) ou aumentar (suprarregulação).
Os hormônios circulantes entram na corrente sanguínea; os hormônios  locais  (parácrinos e autócrinos) atuam nas células
circunjacentes.
Do  ponto  de  vista  químico,  os  hormônios  são  lipossolúveis  (esteroides,  hormônios  da  tireoide  e  óxido  nítrico)  ou
hidrossolúveis (aminas; peptídios, proteicos e glicoproteicos; e eicosanoides). (Ver Tabela 18.2.)
As moléculas  de  hormônio hidrossolúvel  circulam no plasma  sanguíneo  aquoso na  forma  “livre”  (não  ligada  a  proteínas
plasmáticas); a maioria dos hormônios lipossolúveis está ligada a proteínas transportadoras sintetizadas pelo fígado.
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Mecanismos de ação hormonal
Os hormônios esteroides lipossolúveis e os hormônios da tireoide afetam a função celular por meio da alteração da expressão
de gene.
Os  hormônios  hidrossolúveis  alteram  a  função  celular  pela  ativação  de  receptores  na  membrana  plasmática,  que
desencadeiam a produção de um segundo mensageiro que ativa várias enzimas dentro da célula.
As interações hormonais podem exercer três tipos de efeitos: permissivo, sinérgico ou antagonista.
Controle da secreção hormonal
A secreção hormonal é controlada por sinais do sistema nervoso, alterações químicas no sangue e outros hormônios.
Sistemas de feedback negativo regulam a secreção de muitos hormônios.
Hipotálamo e hipófise
O hipotálamo  é  a  principal  ligação  entre  o  sistema  nervoso  e  o  sistema  endócrino. O  hipotálamo  e  a  glândula  hipófise
regulam praticamente todos os aspectos do crescimento, desenvolvimento, metabolismo e homeostasia. A glândula hipófise
está localizada na fossa hipofisial e é dividida em duas partes principais: adeno­hipófise e neuro­hipófise
A secreção de hormônios da adeno­hipófise é estimulada por hormônios de liberação e suprimida por hormônios de inibição
do hipotálamo.
A  adeno­hipófise  é  irrigada  pelas  artérias  hipofisárias  superiores.  Os  hormônios  hipotalâmicos  liberadores  e  inibidores
entram no plexo primário e fluem para o plexo secundário na adeno­hipófise pelas veias porto­hipofisárias.
A  adeno­hipófise  é  composta  por  somatotrofos  que  produzem  hormônio  do  crescimento  (GH),  lactotrofos  que  produzem
prolactina  (PRL),  corticotrofos  que  secretam hormônio  adrenocorticotrófico  (ACTH)  e  hormônio melanócito­estimulante
(MSH),  tireotrofos  que  secretam  hormônio  tireoestimulante  (TSH)  e  gonadotrofos  que  sintetizam  hormônio
foliculoestimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH). (Ver Tabelas 18.3 e 18.4.)
O hormônio do crescimento (GH) estimula o crescimento corporal por meio de fatores insulino­símiles (IGF). A secreção de
GH  é  inibida  pelo  GHIH  (hormônio  inibidor  do  hormônio  do  crescimento  ou  somatostatina)  e  promovida  pelo  GHRH
(hormônio liberador do hormônio de crescimento).
O TSH regula as atividades da glândula tireoide. Sua secreção é estimulada pelo TRH (hormônio liberador de tireotrofina) e
suprimida pelo GHIH.
O FSH e o LH regulam as atividades das gônadas – ovários e testículos. Sua secreção é controladapelo GnRH (hormônio
liberador de gonadotrofina).
A prolactina (PRL) ajuda a iniciar a secreção de leite. O hormônio inibidor da prolactina (PIH) suprime a secreção de PRL;
o hormônio liberador de prolactina (PRH) estimula a secreção de PRL.
O  ACTH  regula  as  atividades  do  córtex  da  glândula  suprarrenal  e  é  controlado  pelo  CRH  (hormônio  liberador  de
corticotrofina). A dopamina inibe a secreção de MSH.
A neuro­hipófise contém terminais axônicos de células neurossecretoras cujos corpos celulares se encontram no hipotálamo.
A ocitocina (OT), que estimula a contração do útero e a ejeção de leite das mamas, e o hormônio antidiurético, que promove
a reabsorção de água pelos rins e a constrição das arteríolas, são hormônios fabricados pelo hipotálamo e armazenados na
neuro­hipófise. (Ver Tabela 18.5.) A secreção de ocitocina é estimulada pelo alongamento uterino e pela sucção feita pelo
bebê durante a amamentação; a secreção de hormônio antidiurético é controlada pela pressão osmótica do sangue e pelo
volume sanguíneo.
Glândula tireoide
A glândula tireoide está localizada inferiormente à laringe.
A glândula tireoide consiste em folículos da tireoide, compostos por células foliculares, que secretam os hormônios tiroxina
(T4) e tri­iodotironina (T3), e células parafoliculares, que secretam calcitonina (CT).
Os hormônios da tireoide são sintetizados a partir do iodo e da tirosina dentro da tireoglobulina (TGB); são transportados no
sangue ligados a proteínas plasmáticas, principalmente globulina transportadora de tiroxina (TBG).
A secreção é controlada pelo TRH do hipotálamo e pelo hormônio tireoestimulante (TSH) da adeno­hipófise.
Os  hormônios  da  tireoide  regulam  o  uso  de  oxigênio  e  a  taxa  metabólica,  o  metabolismo  celular,  o  crescimento  e  o
desenvolvimento.
A calcitonina (CT) pode reduzir o nível sanguíneo de íons cálcio (Ca2+) e promover a deposição de Ca2+ na matriz óssea. A
secreção de calcitonina é controlada pelo nível sanguíneo de Ca2+. (Ver Tabela 18.6.)
Glândulas paratireoides
As  glândulas  paratireoides  estão  incrustadas  nas  faces  posteriores  dos  lobos  direito  e  esquerdo  da  glândula  tireoide.
Consistem em células principais e células oxifílicas.
O paratormônio (PTH) regula a homeostasia dos íons cálcio, magnésio e fosfato elevando os níveis sanguíneos de cálcio e
magnésio e diminuindo os de fosfato. A secreção de PTH é controlada pelo nível sanguíneo de cálcio. (Ver Tabela 18.7.)
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Glândulas suprarrenais
As glândulas suprarrenais estão localizadas superiormente aos rins. Consistem em um córtex externo e uma medula interna.
O córtex da glândula suprarrenal é dividido em zona glomerulosa, zona fasciculada e zona reticular; a medula da glândula
suprarrenal é composta por células cromafins e grandes vasos sanguíneos.
As secreções corticais são mineralocorticoides, glicocorticoides e androgênios.
Os mineralocorticoides (principalmente a aldosterona) acentuam a reabsorção de água e sódio e diminuem a reabsorção de
potássio. A secreção é controlada pela via renina­angiotensina­aldosterona e pelo nível sanguíneo de K+.
Os glicocorticoides (principalmente o cortisol) promovem a degradação de proteína, gliconeogênese e lipólise, auxiliam a
resistência ao estresse e atuam como anti­inflamatórios; sua secreção é controlada pelo ACTH.
Os androgênios secretados pelo córtex da glândula suprarrenal estimulam o crescimento de pelos axilares e púbicos, ajudam
no estirão de crescimento pré­puberal e contribuem para a libido.
A medula da glândula suprarrenal secreta epinefrina e norepinefrina (NE), que são liberadas durante o estresse e exercem
efeitos semelhantes às respostas simpáticas. (ver Tabela 18.8.)
Ilhotas pancreáticas
O pâncreas repousa na curvatura do duodeno; tem funções tanto endócrinas quanto exócrinas.
A parte endócrina é composta pelas ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langerhans), constituídas por quatro tipos de células:
alfa, beta, delta e F.
As células alfa secretam glucagon, as células beta secretam insulina, as células delta secretam somatostatina e as células F
secretam polipeptídio pancreático.
O  glucagon  eleva  o  nível  de  glicose  do  sangue;  a  insulina  diminui  o  nível  de  glicose  sanguínea.  A  secreção  dos  dois
hormônios é controlada pelo nível sanguíneo de glicose (Ver Tabela 18.9.)
Ovários e testículos
Os ovários estão localizados na cavidade pélvica e produzem estrogênios, progesterona e inibina. Esses hormônios sexuais
governam  o  desenvolvimento  e  a  manutenção  das  características  sexuais  femininas  secundárias,  ciclos  reprodutivos,
gravidez, lactação e funções reprodutoras femininas normais. (Ver Tabela 18.10.)
Os  testículos  estão  localizados  no  escroto  e  produzem  testosterona  e  inibina.  Esses  hormônios  sexuais  governam  o
desenvolvimento e a manutenção das características sexuais secundárias masculinas e as  funções normais da  reprodução
masculina. (Ver Tabela 18.10.)
Glândula pineal e timo
A  glândula  pineal  está  fixada  ao  teto  do  terceiro  ventrículo  do  encéfalo.  É  composta  por  células  secretoras  chamadas
pinealócitos, neuróglia e terminações de axônios pós­ganglionares simpáticos.
A  glândula  pineal  secreta  melatonina,  que  contribui  para  o  ajuste  do  relógio  biológico  do  corpo  (controlado  no  núcleo
supraquiasmático). Durante o sono, os níveis plasmáticos de melatonina aumentam.
O timo secreta vários hormônios relacionados com a imunidade.
A timosina, o fator humoral tímico (THF), o fator tímico (FT) e a timopoetina promovem a maturação das células T.
Outros órgãos e tecidos endócrinos, eicosanoides e fatores de crescimento
Existem outros tecidos corporais, além dos normalmente classificados como glândulas endócrinas, contêm tecido endócrino
e secretam hormônios; são eles o sistema digestório, a placenta, os rins, a pele e o coração. (Ver Tabela 18.11.)
As prostaglandinas e os leucotrienos são eicosanoides que atuam como hormônios locais na maioria dos tecidos corporais.
Fatores de crescimento são hormônios locais que estimulam o crescimento e a divisão celular. (Ver Tabela 18.12.)
A resposta ao estresse
O estresse produtivo é chamado de eustresse e o prejudicial é chamado de distresse.
Se o estresse for extremo, ele desencadeia a resposta ao estresse (síndrome de adaptação geral), que ocorre em três estágios:
resposta de luta ou fuga, reação de resistência e exaustão.
Os estímulos que produzem as respostas ao estresse são chamados de estressores. Os estressores podem ser uma cirurgia,
venenos, infecções, febre e fortes respostas emocionais.
A resposta de luta ou fuga é iniciada por impulsos nervosos provenientes do hipotálamo para a parte simpática da divisão
autônoma do sistema nervoso e para a medula da glândula suprarrenal. Essa resposta rapidamente intensifica a circulação,
promove a produção de ATP e reduz atividades não essenciais.
A reação de resistência é iniciada por hormônios liberadores secretados pelo hipotálamo, sobretudo CRH, TRH e GHRH. As
reações  de  resistência  são mais  duradouras  e  aceleram  as  reações  de  degradação  para  fornecer  ATP  para  neutralizar  o
estresse.
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A exaustão resulta da depleção das fontes corporais durante o estágio de resistência.
O estresse pode desencadear certas doenças pela inibição do sistema imunológico. A interleucina­1 (IL­1), produzida pelos
macrófagos, é uma importante ligação entre estresse e imunidade; IL­1 estimula a secreção de ACTH.
Desenvolvimento do sistema endócrino
O desenvolvimento do  sistema endócrino não  é  tão  localizado quanto os outros  sistemas porque os órgãos  endócrinos  se
desenvolvem em partes separadas do embrião.
A glândula hipófise, a medula da glândula suprarrenal e a glândula pineal se desenvolvema partir do ectoderma; o córtex da
glândula suprarrenal se desenvolve a partir do mesoderma e a glândula tireoide, as glândulas paratireoides, o pâncreas e o
timo se desenvolvem a partir do endoderma.
Envelhecimento e sistema endócrino
Embora algumas glândulas endócrinas se atrofiem com o envelhecimento, seu desempenho pode ou não ser comprometido.
A produção de hormônio do crescimento, hormônios da tireoide, cortisol, aldosterona e estrogênios diminui com o avanço da
idade.
Com o envelhecimento, os níveis sanguíneos de TSH, LH, FSH e PTH sobem.
O pâncreas libera insulina mais lentamente com o avanço da idade e a sensibilidade à glicose dos receptores diminui.
Depois da puberdade, o tamanho do timo começa a diminuir e o tecido tímico é substituído por tecido conjuntivo areolar e
adiposo.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Amanda  odeia  a  foto  da  sua  nova  identidade  estudantil.  Seu  cabelo  parece  seco,  o  peso  extra  que  ganhou  está
aparente  e  seu  pescoço  parece  gordo. De  fato,  existe  uma  tumefação  estranha  em  forma  de  borboleta  na  região
anterior do pescoço, debaixo do mento. Amanda também tem se sentido muito cansada e mentalmente “lerda” nos
últimos  tempos,  mas  ela  acredita  que  todo  estudante  de  anatomia  e  fisiologia  se  sinta  assim.  O  que  Amanda
deveria fazer: uma consulta médica ou usar gola rolê?
Amanda  (da  questão  anterior)  foi  ao médico  e  coletou  sangue. Os  resultados mostraram que  os  níveis  de T4  e
TSH estão baixos. Depois, ela fez um exame de estimulação com TSH no qual TSH é injetado e os níveis de T4
monitorados. Depois  da  injeção  de  TSH,  o  nível  de  T4  subiu. Amanda  tem  problemas  na  glândula  hipófise  ou
tireoide? Como chegou a sua conclusão?
O Sr. Hernandez foi ao médico com queixas de sede constante e de “idas dia e noite ao banheiro” para urinar. O
médico solicitou exames de sangue e urina para pesquisa de glicose e cetonas, cujos resultados foram negativos.
Qual é o diagnóstico do Sr. Hernandez e que glândula(s) ou órgão(s) está(ão) envolvido(s)?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
As  secreções  das  glândulas  endócrinas  se  difundem para  o  líquido  intersticial  e,  em  seguida,  para  o  sangue;  as
secreções exócrinas fluem para ductos que levam às cavidades corporais ou à superfície corporal.
No estômago, a histamina é parácrina porque atua nas células parietais circunjacentes sem entrar no sangue.
O complexo receptor­hormônio modifica a expressão genética ativando e desativando genes específicos do DNA
nuclear.
O AMP cíclico é chamado de segundo mensageiro porque traduz a existência do primeiro mensageiro, o hormônio
hidrossolúvel, em uma resposta intracelular.
As  veias  porto­hipofisárias  transportam  sangue  da  eminência  mediana  do  hipotálamo,  onde  hormônios
hipotalâmicos de liberação e inibição são secretados, para a adeno­hipófise, onde esses hormônios atuam.
Os hormônios da tireoide suprimem a secreção de TSH pelos tireotrofos e de TRH pelas células neurossecretoras
do hipotálamo; os hormônios das gônadas suprimem a secreção de FSH e LH pelos gonadotrofos e GnRH pelas
células neurossecretoras do hipotálamo.
Níveis excessivos de GH causam hiperglicemia.
Funcionalmente,  tanto  o  trato  hipotálamo­hipofisial  quanto  as  veias  porto­hipofisárias  transportam  hormônios
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hipotalâmicos para a glândula hipófise. Do ponto de vista estrutural, o trato é composto por axônios de neurônios
que  se  estendem  do  hipotálamo  à  neuro­hipófise;  as  veias  porto­hipofisárias  são  vasos  sanguíneos  que  vão  do
hipotálamo à adeno­hipófise.
A absorção de 1.000 mℓ de água nos intestinos diminuiria a pressão osmótica do plasma sanguíneo, desativando a
secreção de hormônio antidiurético e diminuindo seus níveis sanguíneos.
As  células  foliculares  secretam  T3  e  T4,  também  conhecidos  como  hormônios  da  tireoide.  As  células
parafoliculares secretam calcitonina.
A tireoglobulina é a forma de armazenamento dos hormônios da tireoide.
Falta de iodo na dieta → diminuição da produção de T3 e T4 → maior liberação de TSH → aumento da glândula
tireoide → bócio.
As  células  parafoliculares  da  glândula  tireoide  secretam  calcitonina;  as  células  principais  das  glândulas
paratireoides secretam PTH.
Os tecidos­alvo do PTH são os ossos e os rins; o tecido­alvo da calcitonina é o osso; o tecido­alvo do calcitriol é
o sistema digestório.
As glândulas suprarrenais se encontram superiormente aos rins no espaço retroperitoneal.
A angiotensina II promove vasoconstrição por meio da promoção da contração da musculatura lisa vascular, além
de  estimular  a  secreção de  aldosterona  (pela  zona glomerulosa do  córtex da glândula  suprarrenal),  que,  por  sua
vez, faz com que os rins conservem água e, por isso, o volume de sangue aumenta.
O  receptor  de  transplante  que  usa  prednisona  terá  níveis  sanguíneos  baixos  de  ACTH  e  CRH,  pois  esse
medicamento suprime por feedback negativo a adeno­hipófise e o hipotálamo.
O pâncreas é uma glândula tanto endócrina quanto exócrina.
Glicogenólise é a conversão de glicogênio em glicose e, portanto, eleva o nível sanguíneo de glicose.
A homeostasia mantém condições controladas típicas do meio interno normal; a resposta ao estresse reestabelece
as condições controladas em um nível diferente para conter vários estressores.
O córtex das glândulas suprarrenais é derivado do mesoderma, enquanto a medula se origina do ectoderma.
Na doença de Graves, ocorre a produção de anticorpos que imitam a ação do TSH.
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____________
* GIP – antes chamado de peptídio inibidor gástrico – foi renomeado porque, em concentrações fisiológicas, seu efeito inibitório sobre a
função do estômago é insignificante.
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•
•
Sangue e homeostasia
O sangue contribui para a homeostasia transportando oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes e hormônios para dentro e para
fora das células do corpo. Ele ajuda a regular o pH e a temperatura corporais e fornece proteção contra doenças por meio de
fagocitose e produção de anticorpos.
O sistema circulatório consiste em três componentes inter­relacionados: sangue, coração e vasos sanguíneos. O foco deste
capítulo  é  o  sangue;  os  dois  capítulos  seguintes  abordam  o  coração  e  os  vasos  sanguíneos,  respectivamente.  O  sangue
transporta  várias  substâncias,  ajuda  a  regular  diversos  processos  vitais  e  fornece  proteção  contra  doença.  Apesar  das
semelhanças de origem, composição e funções, o sangue é único de pessoa para pessoa, assim como a pele, os ossos e o
cabelo.  Os  profissionais  de  saúde  rotineiramente  examinam  e  analisam  essas  diferenças  por  meio  de  vários  exames  de
sangue  enquanto  tentam  determinar  a  causa  de  inúmeras  doenças.  O  ramo  da  ciência  que  estuda  o  sangue,  os  tecidos
formadores de sangue e os distúrbios associados é chamado de hematologia.
Funções e propriedades do sangue
 OBJETIVOS
Descrever as funções do sangue
Descrever as características físicas e os principais componentes do sangue.
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1.
2.
3.
A maioria das células de um organismo multicelular não consegue se mover para obter oxigênio e nutrientes ou eliminar
dióxido de carbono e outras escórias metabólicas. Essas necessidades são atendidas por dois líquidos: o sangue e o líquido
intersticial. O sangue é um tecido conjuntivo líquido que consiste em células circundadas por matriz extracelular líquida. A
matriz extracelular é chamada de plasma sanguíneo e suspende várias células e fragmentos celulares. Líquido intersticial é
o  líquido  que  banha  as  células  do  corpo  (ver  Figura  27.1),  sendo  constantemente  renovado  pelo  sangue.  O  sangue
transporta o oxigênio vindo dos pulmões e os nutrientes do sistema digestório, que se difundem do sangue para o líquido
intersticial  e,  daí,  para  as  células  corporais.  Dióxido  de  carbono  e  outras  escórias  metabólicassão  levados  no  sentido
inverso, das células do corpo para o  líquido  intersticial e daí para o sangue. Em seguida, o sangue  transporta as escórias
metabólicas para vários órgãos – pulmões, rins e pele – para que sejam eliminados do corpo.
Funções do sangue
O sangue apresenta três funções gerais:
Transporte. Conforme  já  dito  anteriormente,  o  sangue  transporta  oxigênio dos pulmões para  as  células  do  corpo  e
dióxido de carbono das células corporais para os pulmões para que  seja exalado. Além disso,  leva os nutrientes do
sistema digestório  para  as  células  corporais  e  hormônios  das  glândulas  endócrinas  para  outras  células  do  corpo. O
sangue também transporta calor e produtos residuais para diversos órgãos para que sejam eliminados do corpo.
Regulação.  O  sangue  circulante  ajuda  a  manter  a  homeostasia  de  todos  os  líquidos  corporais.  O  sangue  ajuda  a
regular o pH usando tampões. Além disso, auxilia no ajuste da temperatura corporal por meio da absorção de calor e
propriedades refrigerantes da água (ver Seção 2.4) no plasma sanguíneo e sua taxa variável de fluxo pela pele, onde o
excesso de calor pode  ser perdido do  sangue para o ambiente. Ademais,  a pressão osmótica do  sangue  influencia o
conteúdo de água das células, principalmente por meio de interações de proteínas e íons dissolvidos.
Proteção. O  sangue  é  capaz de  coagular  (se  tornar  parecido  com um gel),  propriedade que o protege  contra  perdas
excessivas  do  sistema  circulatório  depois  de  uma  lesão.  Além  disso,  seus  leucócitos  protegem  contra  doença,
realizando  fagocitose.  Diversos  tipos  de  proteínas  sanguíneas,  inclusive  anticorpos,  interferonas  e  complemento
auxiliam na proteção contra doença de várias formas.
Características físicas do sangue
O sangue é mais denso  e mais viscoso que  a  água,  além de  ligeiramente pegajoso. A  temperatura do  sangue  é de 38°C,
cerca de 1°C mais elevada que a temperatura corporal oral ou retal, e apresenta pH levemente alcalino, variando de 7,35 a
7,45.  A  cor  do  sangue  varia  com  o  conteúdo  de  oxigênio.  Quando  saturado  com  oxigênio,  o  sangue  é  vermelho­vivo.
Quando insaturado de oxigênio é vermelho­escuro. O sangue constitui cerca de 20% do líquido extracelular, contabilizando
8% da massa corporal total. O volume de sangue varia de 5 a 6 ℓ em um homem adulto de porte mediano e de 4 a 5 ℓ na
mulher adulta de porte mediano. A diferença de volume entre homens e mulheres é decorrente das diferenças de tamanho
corporal.  Vários  hormônios  regulados  por  feedback  negativo  garantem  que  o  volume  de  sangue  e  a  pressão  osmótica
permaneçam  relativamente  constantes.  Os  hormônios  aldosterona,  hormônio  antidiurético  e  peptídio  natriurético  atrial
(PNA) são especialmente importantes, pois regulam o volume de água excretada na urina (ver Seção 27.1).
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Coleta de sangue
As amostras de sangue para exames laboratoriais podem ser obtidas de várias maneiras. O procedimento mais comum é o de punção venosa (venipuntura), que
consiste na retirada de sangue de uma veia através de uma agulha e um tubo coletor contendo vários aditivos. Um torniquete é enrolado no braço acima do local da
punção, o que faz com que sangue se acumule na veia. Esse volume de sangue mais elevado faz com que veia se dilate. A abertura e o fechamento do punho fazem
com que a veia que ainda mais proeminente, tornando a punção mais bem-sucedida. A veia intermédia do cotovelo é um local comum de punção venosa (ver Figura
21.25A). Outro método de coleta de sangue é por meio de punção digital ou plantar. Tipicamente, os diabéticos que monitoram o nível de glicose sanguínea todos
os dias o fazem por meio de punção digital, sendo, muitas vezes realizada também para coletar sangue de lactentes e crianças. Na punção arterial, o sangue é
coletado de uma artéria; este procedimento é usado para determinar o nível de oxigênio no sangue.
905
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html#ch27fig1
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter02.html#ch2-4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html#ch27-1
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter21.html#ch21fig25
1.
2.
3.
Componentes do sangue
O  sangue  total  possui  dois  componentes:  (1)  plasma  sanguíneo,  matriz  extracelular  aquosa  que  contém  substâncias
dissolvidas e (2) elementos figurados, que consistem nas células e nos fragmentos celulares. Se uma amostra de sangue for
centrifugada em um pequeno  tubo de vidro, as células  (que são mais densas)  se depositam no  fundo do  tubo enquanto o
plasma (que é menos denso) forma uma camada na parte superior (Figura 19.1A). Cerca de 45% do sangue é constituído
pelos  elementos  figurados  e  55%  por  plasma  sanguíneo.  Normalmente,  mais  de  99%  dos  elementos  figurados  são
eritrócitos  (hemácias).  Os  leucócitos  e  as  plaquetas  correspondem  a menos  de  1%  dos  elementos  figurados.  Por  serem
menos  densos  que  as  hemácias,  porém mais  densos  que  o  plasma  sanguíneo,  eles  formam  uma  fina  camada  de  creme
leucocitário  entre  as  hemácias  e  o  plasma  no  sangue  centrifugado.  A  Figura  19.1B  mostra  a  composição  do  plasma
sanguíneo e os números dos vários tipos de elementos figurados do sangue.
FUNÇÕES DA MEMBRANA PLASMÁTICA
Transportar oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes, hormônios, calor e escórias metabólicas.
Regular o pH, a temperatura corporal e o conteúdo de água das células.
Proteger contra perda sanguínea por meio da coagulação e contra doença por meio de leucócitos fagocíticos e
proteínas como anticorpos, interferonas e complemento.
Figura 19.1 Componentes do sangue em um adulto normal.
O sangue é um tecido conjuntivo composto por plasma sanguíneo (líquido) e elementos figurados (hemácias,
leucócitos e plaquetas).
906
Qual é o volume aproximado de sangue no seu corpo?
Plasma sanguíneo
Quando  os  elementos  figurados  são  removidos  do  sangue,  é  observado  um  líquido  cor  de  palha  chamado  de  plasma
sanguíneo (ou simplesmente plasma). O plasma sanguíneo é composto 91,5% de água e 8,5% de solutos, cuja maioria é
(7% por peso) de proteínas. Algumas das proteínas no plasma  sanguíneo  também são  encontradas  em outros  lugares do
corpo, porém aquelas confinadas ao sangue são chamadas de proteínas plasmáticas. Os hepatócitos sintetizam a maioria
das proteínas plasmáticas, que incluem as albuminas (54% das proteínas plasmáticas), globulinas  (38%) e fibrinogênio
(7%).  Determinadas  células  sanguíneas  amadurecem  e  se  tornam  produtoras  de  gamaglobulinas,  um  importante  tipo  de
globulina.  Essas  proteínas  plasmáticas  também  são  chamadas  de anticorpos  ou  imunoglobulinas  porque  são  produzidas
durante certas respostas imunológicas. Substâncias estranhas (antígenos), como bactérias e vírus, estimulam a produção de
milhões de anticorpos diferentes. Um anticorpo se  liga especificamente ao antígeno que estimulou sua produção e, dessa
forma, neutraliza o antígeno invasor.
907
Além de proteínas,  os  outros  solutos  no plasma  são  eletrólitos,  nutrientes,  substâncias  reguladoras  como enzimas  e
hormônios, gases e escórias metabólicas como ureia, ácido úrico, creatinina, amônia e bilirrubina.
A Tabela 19.1 descreve a composição química do plasma sanguíneo.
Elementos figurados
Os elementos figurados do sangue  incluem três componentes principais: hemácias,  leucócitos e plaquetas  (Figura 19.2).
As hemácias ou eritrócitos  transportam oxigênio dos pulmões para as células corporais e dióxido de carbono das células
do corpo para os pulmões. Os leucócitos protegem o corpo de patógenos invasores e outras substâncias estranhas. Existem
diversos  tipos  de  leucócitos:  neutrófilos,  basófilos,  eosinófilos,  monócitos  e  linfócitos.  Os  linfócitos  são  ainda
subdivididos em linfócitos B(células B), linfócitos T (células T) e células exterminadoras naturais (natural killers, NK).
Cada tipo de leucócito contribui da sua maneira para os mecanismos de defesa do corpo. As plaquetas, o último tipo de
elemento  figurado,  são  fragmentos  celulares  sem  núcleo.  Entre  outras  ações,  elas  liberam  substâncias  químicas  que
promovem a coagulação do sangue nos casos de dano dos vasos sanguíneos. As plaquetas são o equivalente funcional dos
trombócitos,  células  nucleadas  encontradas  nos  vertebrados  inferiores  que  evitam  a  perda  de  sangue  pela  coagulação  do
sangue.
O  percentual  do  volume  de  sangue  total  ocupado  pelas  hemácias  é  chamado  de  hematócrito;  o  hematócrito  de  40
indica que 40% do volume de sangue são compostos por hemácias. O hematócrito normal de mulheres adultas varia de 38 a
46% (média = 42), enquanto o de homens adultos varia entre 40 e 54% (média = 47). O hormônio testosterona, encontrado
em  concentração  muito  mais  elevada  nos  homens  do  que  nas  mulheres,  estimula  a  síntese  de  eritropoetina  (EPO),  um
hormônio que, por sua vez, estimula a produção de hemácias. Dessa forma, a  testosterona contribui para os hematócritos
mais altos nos homens. Valores mais baixos nas mulheres durante os anos férteis também podem ser decorrentes da perda
excessiva  de  sangue  durante  a  menstruação.  Uma  queda  significativa  no  hematócrito  indica  anemia,  que  consiste  em
contagem  de  hemácias  abaixo  da  normal.  Na  policitemia,  o  percentual  de  hemácias  está  anormalmente  elevado  e  o
hematócrito pode ser de 65% ou mais, o que aumenta a viscosidade do sangue, acentua a resistência ao fluxo e dificulta o
bombeamento do sangue pelo coração. A viscosidade mais acentuada também contribui para elevação da pressão arterial e
do  risco  de  AVE.  As  causas  de  policitemia  são  intensificação  anormal  da  produção  de  hemácias,  hipoxia  tecidual,
desidratação, dopagem sanguínea e uso de EPO por atletas.
TABELA 19.1 Substâncias no plasma sanguíneo.
CONSTITUINTE DESCRIÇÃO FUNÇÃO
Água (91,5%) 
Proteínas plasmáticas
(7%)
Porção líquida do sangue 
A maioria é produzida pelo fígado
Solvente e meio de suspensão. Absorve, transporta e libera calor 
Responsável pela pressão coloidosmótica. Principais contribuintes para a
viscosidade do sangue. Transportam hormônios (esteroides), ácidos graxos e
cálcio. Ajudam a regular o pH do sangue
Albumina Menor e mais numerosa proteína plasmática Auxilia a manter a pressão osmótica, um importante fator na troca de líquido
pelas paredes dos capilares sanguíneos
Globulinas Proteínas grandes (os plasmócitos produzem
imunoglobulinas)
As imunoglobulinas ajudam a atacar vírus e bactérias. Alfaglobulinas e
betaglobulinas transportam ferro, lipídios e vitaminas lipossolúveis
Fibrinogênio Proteína grande Tem participação essencial na coagulação sanguínea
Outros solutos (1,5%)
Eletrólitos Sais inorgânicos; Na+, K+, Ca2+, Mg2+ com
carga elétrica positiva (cátions); Cl–, HPO42–,
SO42–, HCO3– com carga negativa (ânions)
Ajudam a manter a pressão osmótica e são essenciais nas funções celulares
Nutrientes Produtos da digestão como aminoácidos,
glicose, ácidos graxos, glicerol, vitaminas e
minerais
Essenciais nas funções celulares, no crescimento e desenvolvimento
908
1.
2.
3.
4.
5.
6.
19.2
•
Gases Oxigênio (O2) 
Dióxido de carbono (CO2)
Nitrogênio (N2)
Importante em muitas funções celulares 
Envolvido na regulação do pH do sangue 
Função não conhecida
Substâncias 
reguladoras
Enzimas 
Hormônios 
Vitaminas
Catalisam reações químicas 
Regulam o metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento 
Cofatores para reações enzimáticas
Produtos 
residuais
Ureia, ácido úrico, creatina, creatinina, 
bilirrubina, amônia
A maioria é subproduto do metabolismo proteico transportado pelo sangue
para os órgãos de excreção
Figura 19.2 Elementos figurados do sangue.
Os elementos figurados do sangue são as hemácias, os leucócitos e as plaquetas.
Que elementos figurados do sangue são fragmentos celulares?
 TESTE RÁPIDO
De que maneira o plasma sanguíneo é semelhante ao líquido intersticial? Como se difere?
Que substâncias o sangue transporta?
Quantos quilogramas de sangue existem no seu corpo?
Como o volume de plasma sanguíneo no seu corpo se compara ao volume de líquido em uma garrafa de 2 ℓ de
Coca­Cola?
Enumere os elementos figurados existentes no plasma sanguíneo e descreva suas funções.
O que significa hematócrito mais alto e mais baixo que o normal?
Formação das células sanguíneas
 OBJETIVO
Explicar a origem das células sanguíneas.
Embora alguns linfócitos vivam anos, a maioria dos elementos figurados do sangue dura apenas horas, dias ou semanas, e
a  maioria  precisa  ser  reposta  continuamente.  Sistemas  de  feedback  negativo  regulam  a  contagem  total  de  hemácias  e
plaquetas na circulação e, em geral, a contagem desses elementos permanece constante. A abundância de diferentes tipos de
leucócitos,  no  entanto,  varia  em  resposta  aos  desafios  impostos  pelos  patógenos  invasores  e  por  outros  antígenos
estranhos.
O processo  pelo  qual  os  elementos  figurados  do  sangue  se  desenvolvem  é  chamado  de hemopoese, eritropoese  ou
hematopoese. Antes do nascimento, a hemopoese ocorre primeiramente no saco vitelino do embrião e, depois, no fígado,
909
no baço, no timo e nos linfonodos do feto. A medula óssea vermelha se torna o principal local de hemopoese nos últimos 3
meses da gravidez e continua sendo a fonte de células sanguíneas depois do nascimento e ao longo da vida.
A medula óssea vermelha é um tecido conjuntivo extremamente vascularizado localizado nos espaços microscópicos
entre as trabéculas do tecido ósseo esponjoso. É encontrada principalmente nos ossos do esqueleto axial, nos cíngulos dos
membros superiores e inferiores e nas epífises proximais do úmero e fêmur. De 0,05 a 0,1% das células da medula óssea
vermelha são chamadas de células­tronco pluripotentes ou hemocitoblastos, que são derivadas do mesênquima (tecido a
partir do qual a maioria dos  tecidos conjuntivos evolui). Essas células são capazes de se desenvolver em muitos  tipos de
células  diferentes  (Figura 19.3). Nos  recém­nascidos,  toda  a medula  óssea  é  vermelha  e,  portanto,  ativa  na  produção  de
células sanguíneas. Com o envelhecimento do indivíduo, a velocidade de formação de células sanguíneas diminui; a medula
óssea vermelha na cavidade medular dos ossos longos se torna inativa e é substituída por medula óssea amarela, formada
principalmente por  células  gordurosas. Em determinadas  condições,  como  sangramentos graves,  a medula óssea  amarela
pode  voltar  a  ser  medula  óssea  vermelha;  isso  ocorre  porque  células­tronco  formadoras  de  sangue  da  medula  óssea
vermelha vão para medula óssea amarela, que é repovoada por células­tronco pluripotentes.
Figura 19.3 Origem, desenvolvimento e estrutura das células sanguíneas. Algumas gerações de algumas linhagens celulares foram
omitidas.
A produção de células sanguíneas, chamada de hemopoese, ocorre principalmente na medula óssea vermelha
depois do nascimento.
A partir de que células do tecido conjuntivo evoluem as células­tronco pluripotentes?
As células­tronco na medula óssea vermelha se reproduzem, proliferam e se diferenciam em células que dão origem a
células  sanguíneas,  macrófagos,  células  reticulares,  mastócitos  e  adipócitos.  Algumas  células­tronco  podem  também
formar osteoblastos, condroblastos e células musculares, que podem ser usadas como fonte de tecido ósseo, cartilaginoso e
muscular com finalidade de reposição orgânica e tecidual. As células reticulares produzem fibras reticulares, que formam o
910
estroma que dá suporte às células da medula óssea vermelha. Sangue das artérias nutrícias e metafisárias (ver Figura 6.4)
penetra  no  osso  e  passa  para  capilares  dilatados  e  permeáveis,  chamados  seios,  que  circundam  as  fibras  e  as  células  da
medula óssea vermelha. Depois da formaçãodas células sanguíneas, elas entram nos seios e em outros vasos sanguíneos e
deixam o osso pelas veias nutrícias e periosteais (ver Figura 6.4). Com exceção dos linfócitos, os elementos figurados não
se dividem depois que deixam a medula óssea vermelha.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Exame da medula óssea
Às vezes, uma amostra de medula óssea vermelha precisa ser obtida para diagnosticar certos problemas sanguíneos, como leucemia e anemias graves. O exame da
medula óssea pode envolver aspiração da medula óssea (retirada de uma pequena amostra de medula óssea vermelha com uma seringa ou agulha na) ou biopsia
de medula óssea (remoção de uma amostra de medula óssea vermelha com uma agulha mais calibrosa).
Em geral, os dois tipos de amostras são retirados da crista ilíaca do osso do quadril, embora, muitas vezes, sejam aspiradas do esterno. Em crianças pequenas, as
amostras de medula óssea são coletadas de uma vértebra ou da tíbia. Depois disso, a amostra celular ou tecidual é enviada para análise laboratorial. Especi camente,
os técnicos laboratoriais buscam sinais de células neoplásicas (câncer) ou outras alterações celulares a m de ajudar o diagnóstico.
A  fim de  formar  células  sanguíneas,  as  células­tronco  pluripotentes  na medula  óssea  vermelha  produzem mais  dois
tipos de  células­tronco, que possuem a  capacidade de  se desenvolver  em vários  tipos  celulares. Essas  células­tronco  são
chamadas  de  células­tronco  mieloides  e  células­tronco  linfoides.  As  células­tronco  mieloides  começam  o  seu
desenvolvimento  na  medula  óssea  vermelha  e  dão  origem  a  hemácias,  plaquetas,  monócitos,  neutrófilos,  eosinófilos,
basófilos  e mastócitos.  As  células­tronco  linfoides,  que  dão  origem  aos  linfócitos,  começam  o  seu  desenvolvimento  na
medula óssea vermelha, porém o completam nos tecidos linfáticos. As células­tronco linfoides também originam as células
natural killer  (NK).  Embora  as  diversas  células­tronco  apresentem  diferentes marcadores  de  identidade  celular  nas  suas
membranas plasmáticas, elas não podem ser distinguidas histologicamente e se assemelham aos linfócitos.
Durante a hemopoese, algumas das células­tronco mieloides se diferenciam em células progenitoras. Outras células­
tronco mieloides e as células­tronco linfoides se desenvolvem diretamente nas células precursoras (descritas a seguir). As
células  progenitoras  não  são  mais  capazes  de  se  reproduzir  e  estão  comprometidas  a  dar  origem  a  elementos  mais
específicos do sangue. Algumas células progenitoras são conhecidas como unidades formadoras de colônia (UFC). Depois
da  designação  UFC  vem  a  abreviação  que  indica  os  elementos  maduros  no  sangue  que  vão  produzir:  UFC­E  produz
eritrócitos (hemácias); UFC­Meg produz megacariócitos, a fonte das plaquetas; e UFC­GM produz granulócitos (sobretudo
neutrófilos) e monócitos (ver Figura 19.3). Células progenitoras, como as células­tronco, lembram linfócitos e não podem
ser diferenciadas apenas por sua aparência microscópica.
Na geração seguinte, as células são chamadas de células precursoras,  também conhecidas como blastos. Depois de
várias divisões, elas se desenvolvem nos elementos figurados do sangue propriamente ditos. Por exemplo, os monoblastos
se  tornam  monócitos,  os  mieloblastos  eosinofílicos  se  tornam  eosinófilos  e  assim  por  diante.  As  células  precursoras
apresentam aparências microscópicas reconhecíveis.
Vários hormônios chamados de fatores de crescimento hematopoéticos  regulam a diferenciação e a proliferação de
células progenitoras específicas. A eritropoetina (EPO) aumenta o número de células precursoras de hemácias. A EPO é
produzida principalmente por células que se encontram entre os túbulos renais (células intersticiais peritubulares). Em caso
de insuficiência renal, a liberação de EPO fica mais lenta e a produção de hemácias inadequada, o que leva à diminuição do
hematócrito e da capacidade de  levar oxigênio aos  tecidos corporais. A trombopoetina  (TPO) é um hormônio produzido
pelo  fígado  que  estimula  a  formação  de  plaquetas  a  partir  dos  megacariócitos.  Várias  citocinas  diferentes  regulam  o
desenvolvimento  de  tipos  distintos  de  células  sanguíneas. Citocinas  são  pequenas  glicoproteínas  tipicamente  produzidas
por células como as da medula óssea vermelha, leucócitos, macrófagos, fibroblastos e células endoteliais. Em geral, atuam
como  hormônios  locais  (autócrinos  ou  parácrinos;  ver  Capítulo  18).  As  citocinas  estimulam  a  proliferação  de  células
progenitoras  na  medula  óssea  vermelha  e  regulam  as  atividades  de  células  envolvidas  nas  defesas  inespecíficas  (como
fagócitos) e respostas imunes (como células B e T). Os fatores estimuladores de colônia (FEC) e as interleucinas (IL)
são duas importantes famílias de citocinas que estimulam a formação de leucócitos.
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter06.html#ch6fig4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter06.html#ch6fig4
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter18.html
7.
8.
19.3
•
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Usos médicos dos fatores de crescimento
hematopoéticos
Os fatores de crescimento hematopoéticos disponibilizados pela tecnologia de DNA recombinante têm enorme potencial para usos médicos quando a capacidade
natural da pessoa de formar novas células sanguíneas está diminuída ou defeituosa. A forma arti cial da eritropoetina (epoetina alfa) é muito efetiva no tratamento
do comprometimento da produção de hemácias que acompanha a doença renal em estágio terminal. Fator estimulador de colônias de granulócitos e macrófagos e
FEC de macrófagos são fornecidos para estimular a formação de leucócitos nos pacientes com câncer submetidos à quimioterapia, que mata as células da medula
óssea vermelha bem como as células cancerígenas, pois as duas células se encontram em mitose. (Lembre-se de que os leucócitos ajudam a proteger contra doenças.)
A trombopoetina parece ser uma grande promessa na prevenção da depleção das plaquetas, que são necessárias para a coagulação sanguínea, durante a
quimioterapia. Os FEC e a trombopoetina também melhoram o desfecho dos pacientes que recebem transplantes de medula óssea. Os fatores de crescimento
hematopoéticos também são usados para tratar trombocitopenia em neonatos, outros distúrbios da coagulação e vários tipos de anemia.
 TESTE RÁPIDO
Quais fatores de crescimento hematopoéticos regulam a diferenciação e a proliferação de UFC­E e a formação
de plaquetas a partir de megacariócitos?
Descreva  a  formação  das  plaquetas  a  partir  das  células­tronco  pluripotentes,  incluindo  a  influência  dos
hormônios.
Hemácias (eritrócitos)
 OBJETIVO
Descrever a estrutura, as funções, o ciclo de vida e a produção das hemácias.
As hemácias  ou eritrócitos  contêm  a  proteína  carreadora  de  oxigênio hemoglobina,  que  consiste  em  um  pigmento  que
confere ao sangue sua cor vermelha. Um adulto saudável do sexo masculino possui cerca de 5,4 milhões de hemácias por
microlitro (μℓ) de sangue* e uma mulher adulta saudável possui cerca de 4,8 milhões. (Uma gota de sangue contém cerca
de  50  μ ℓ .)  Para  manter  a  contagem  normal  de  hemácias,  novas  células  maduras  precisam  entrar  na  circulação  na
impressionante velocidade de, pelo menos, 2 milhões por segundo, um ritmo que contrabalanceia a taxa igualmente alta de
destruição das hemácias.
Anatomia das hemácias
As hemácias são discos bicôncavos, com 7 a 8 μm de diâmetro (Figura 19.4A). (Lembre­se de que 1 μm = 1/10.000 de 1
cm ou 1/1.000 de 1 mm.) As hemácias maduras apresentam uma estrutura simples. Sua membrana plasmática é, ao mesmo
tempo,  resistente  e  flexível,  o  que  possibilita  a  deformação  eritrocitária  sem  ruptura  quando  as  hemácias  atravessam
capilares  sanguíneos  estreitos.  De  acordo  com  o  que  será  abordado  posteriormente,  certos  glicolipídios  na  membrana
plasmáticadas hemácias  são  antígenos  responsáveis  pelos vários grupos  sanguíneos  como ABO e Rh. As hemácias não
possuem núcleo e outras organelas e não podem se reproduzir nem realizar atividades metabólicas intensas. O citosol das
hemácias contém moléculas de hemoglobina; essas importantes moléculas são sintetizadas antes da perda do núcleo durante
a fase de produção da hemácia e constituem cerca de 33% do peso da célula.
Fisiologia das hemácias
As hemácias  são muito  especializadas  na  sua  função  de  transportar  oxigênio. Visto  que  hemácias maduras  não  possuem
núcleo,  todo seu espaço  interno  fica disponível para o  transporte de oxigênio. Uma vez que não possuem mitocôndrias e
geram ATP de forma anaeróbica  (sem oxigênio), elas não utilizam o oxigênio que  transportam. Até mesmo o formato da
hemácia facilita sua função. O disco bicôncavo possui uma área de superfície muito maior para a difusão de moléculas de
gás para dentro e para fora da hemácia do que uma esfera ou um cubo.
Cada hemácia contém cerca de 280 milhões de moléculas de hemoglobina. Uma molécula de hemoglobina consiste em
uma proteína chamada globina, composta por quatro cadeias polipeptídicas (duas cadeias alfa e duas beta), e um pigmento
não proteico anular chamado heme (Figura 19.4B), que está ligado a cada uma das quatro cadeias. No centro de cada anel
de  heme,  encontra­se  um  íon  ferro  (Fe2+)  que  pode  se  combinar  reversivamente  com  uma molécula  de  oxigênio  (Figura
19.4C), possibilitando que cada molécula de hemoglobina se ligue a 4 moléculas de oxigênio. Cada molécula de oxigênio
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captada dos pulmões liga­se a um íon ferro. À medida que o sangue flui pelos capilares teciduais, a reação ferro­oxigênio
se inverte. A hemoglobina libera oxigênio, que se difunde primeiro para o líquido intersticial e, depois, para as células.
A  hemoglobina  também  transporta  cerca  de  23%  do  dióxido  de  carbono  total,  um  subproduto  do metabolismo.  (O
dióxido  de  carbono  remanescente  é  dissolvido  no  plasma  ou  carreado  na  forma  de  íons  bicarbonato.) O  sangue  que  flui
pelos  capilares  sanguíneos  capta  dióxido  de  carbono  e  parte  dele  se  combina  com  aminoácidos  na  parte  globina  da
hemoglobina. Conforme o sangue flui pelos pulmões, o dióxido de carbono é  liberado da hemoglobina e, depois disso, é
exalado.
Figura 19.4 Formatos de uma hemácia e uma molécula de hemoglobina. Em (B), observe que cada uma das quatro cadeias
polipetídicas de uma molécula de hemoglobina (azul) apresenta um grupo heme (dourado), que contém um íon ferro (Fe2+), mostrado em
vermelho.
A porção de ferro de um grupo heme se liga ao oxigênio para ser transportada pela hemoglobina.
Quantas moléculas de O2 uma molécula de hemoglobina consegue transportar?
Além da função­chave no transporte de oxigênio e dióxido de carbono, a hemoglobina também participa na regulação
do fluxo sanguíneo e da pressão arterial. O hormônio gasoso óxido nítrico (NO), produzido pelas células endoteliais que
revestem  os  vasos  sanguíneos,  se  liga  à  hemoglobina.  Sob  algumas  circunstâncias,  a  hemoglobina  libera  NO.  O  NO
liberado causa vasodilatação, um aumento do diâmetro do vaso sanguíneo que ocorre quando o músculo liso na parede dos
vasos relaxa. A vasodilatação melhora o fluxo de sangue e aumenta o fornecimento de oxigênio para as células próximas do
local de liberação do NO.
As hemácias também contêm a enzima anidrase carbônica (CA), que catalisa a conversão de dióxido de carbono e água
em  ácido  carbônico,  que,  por  sua  vez,  se  dissocia  em H+  e  HCO3–.  Toda  a  reação  é  reversível  e  resumida  da  seguinte
maneira:
Essa  reação  é  importante  por  dois  motivos:  (1)  permite  que  cerca  de  70%  do  CO2  seja  transportado  no  plasma
sanguíneo  das  células  teciduais  para  os  pulmões  na  forma  de  HCO3–  (ver  Capítulo  23)  e  (2)  também  serve  como  um
importante tampão no líquido extracelular (ver Capítulo 27).
Ciclo de vida das hemácias
As hemácias vivem aproximadamente 120 dias devido ao desgaste que suas membranas plasmáticas sofrem ao atravessar
os  capilares  sanguíneos.  Como  não  têm  núcleo  e  outras  organelas,  as  hemácias  não  conseguem  sintetizar  novos
componentes para repor os danificados. A membrana plasmática fica mais frágil com o avanço da idade e as hemácias mais
propensas a se romper, especialmente à medida que são comprimidas pelos canais estreitos no baço. As hemácias rompidas
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter23.html
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter27.html
são  removidas da circulação e destruídas por macrófagos  fagocíticos presentes no baço e no  fígado e os produtos da sua
degradação são reciclados e usados em vários processos metabólicos, inclusive formação de novas hemácias. A reciclagem
ocorre da seguinte maneira (Figura 19.5):
Figura 19.5 Formação e destruição das hemácias e reciclagem dos componentes da hemoglobina. Após deixar a medula óssea
vermelha, as hemácias circulam por cerca de 120 dias antes de serem fagocitadas pelos macrófagos.
A taxa de formação das hemácias pela medula óssea vermelha se iguala à taxa de destruição pelos macrófagos.
Qual é a função da transferrina?
Os macrófagos no baço, no fígado ou na medula óssea vermelha fagocitam hemácias rompidas ou gastas.
As porções globina e heme da hemoglobina são separadas.
A globina é degradada em aminoácidos, que podem ser reutilizados na síntese de outras proteínas.
O  ferro  é  removido  da  porção  heme  na  forma  de  Fe3+,  que  se  associa  à  proteína  plasmática  transferrina,  um
transportador de Fe3+ na corrente sanguínea.
Nas fibras musculares, nos hepatócitos e nos macrófagos do baço e do fígado, o Fe3+ se desliga da transferrina e se
fixa a uma proteína que armazena ferro chamada ferritina.
Ao ser liberado de um local de reserva ou absorvido do sistema digestório, o Fe3+ se fixa novamente à transferrina.
O  complexo Fe3+–transferrina  é  levado  para  a medula  óssea  vermelha,  onde  as  células  precursoras  de  hemácias  os
captam por meio de endocitose mediada por receptores (ver Figura 3.12) para uso na síntese de hemoglobina. O ferro
é necessário para a porção heme da molécula de hemoglobina e os aminoácidos para a porção globina. A vitamina B12
também é essencial para a síntese de hemoglobina.
A eritropoese na medula óssea vermelha resulta na produção de hemácias, que entram na circulação.
Quando o ferro é removido da heme, a porção sem ferro da heme é convertida em biliverdina, um pigmento verde e,
em seguida, em bilirrubina, um pigmento amarelo­alaranjado.
A bilirrubina entra no sangue e é transportada para o fígado.
No fígado, a bilirrubina é liberada pelos hepatócitos na bile, passa para o intestino delgado e, depois, para o intestino
grosso.
No intestino grosso, bactérias convertem bilirrubina em urobilinogênio.
Parte  do  urobilinogênio  é  absorvida  de  volta  ao  sangue,  convertida  em um pigmento  amarelo  chamado urobilina e
excretado na urina.
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig12
A maior parte do urobilinogênio é eliminada nas fezes na forma de um pigmento marrom chamado de estercobilina,
que confere às fezes sua cor característica.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Sobrecarga de ferro e dano tecidual
Uma vez que íons ferro livres (Fe2+ e Fe3+) se ligam a moléculas nas células ou no sangue e as dani cam, a transferrina e a ferritina atuam como “escoltas proteicas “
protetoras durante o transporte e o armazenamento dos íons ferro. Por isso, o plasma praticamente não tem ferro livre. Além disso, apenas pequenas quantidades
estão disponíveis dentro das células corporais para uso na síntese de moléculas contendo ferro como os pigmentos citocromos necessários para a produção de ATP na
mitocôndria (ver Figura 25.9). Em casos de sobrecarga de ferro, a concentração de ferro no corpo sobe. Por não termos um métodode eliminação do ferro
excessivo, qualquer condição que promova o aumento da absorção de ferro da dieta pode causar sobrecarga de ferro. A certa altura, as proteínas transferrina e
ferritina se tornam saturadas com íons ferro e a concentração de ferro livre aumenta. Doenças do fígado, coração, ilhotas pancreáticas e gônadas são consequências
comuns da sobrecarga de ferro. A sobrecarga de ferro também possibilita a proliferação de certos organismos dependentes de ferro. Em geral, esses micróbios não são
patogênicos, mas se multiplicam com rapidez e podem causar efeitos letais em um curto período de tempo na presença de ferro livre.
Eritropoese | Produção de hemácias
A  eritropoese,  que  consiste  na  produção  de  hemácias,  começa  na  medula  óssea  vermelha  com  uma  célula  precursora
chamada proeritroblasto  (ver Figura 19.3). O proeritroblasto  se  divide  várias  vezes,  produzindo  células  que  começam a
sintetizar  hemoglobina.  Por  fim,  perto  do  final  da  sequência  de  desenvolvimento  o  núcleo  é  ejetado  e  se  torna  um
reticulócito. A  perda  do  núcleo  faz  com  que  o  centro  da  célula  sofra  uma  endentação,  produzindo  o  formato  bicôncavo
diferencial  das  hemácias.  Os  reticulócitos  retêm  algumas  mitocôndrias,  ribossomos  e  retículo  endoplasmático.  Os
reticulócitos passam da medula óssea vermelha para  a  corrente  sanguínea  se  espremendo entre  as  células  endoteliais dos
capilares  sanguíneos. Os  reticulócitos  se  tornam hemácias maduras  no  período  de  1  a  2  dias  depois  da  sua  liberação  da
medula óssea vermelha.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Contagem de reticulócitos
A taxa de eritropoese é medida pela contagem de reticulócitos. Normalmente, um pouco menos de 1% das hemácias mais antigas é substituído pelos recém-
chegados reticulócitos todos os dias. É preciso 1 ou 2 dias para que os reticulócitos percam seus últimos vestígios de retículo endoplasmático e se tornem hemácias
maduras. Assim, a contagem de reticulócitos variando de 0,5 a 1,5% de todas as hemácias em uma amostra de sangue é normal. A contagem baixa na pessoa
anêmica pode indicar carência de eritropoetina ou incapacidade da medula óssea vermelha de responder à EPO, talvez por conta de de ciência nutricional ou
leucemia. A contagem elevada pode indicar resposta boa da medula óssea vermelha à perda de sangue prévia ou reposição de ferro em alguém que apresentou
de ciência de ferro. Também pode apontar o uso ilegal de epoetina alfa por um atleta.
Normalmente, a eritropoese e a destruição de hemácias quase se equivalem. Se a capacidade de transportar oxigênio do
sangue  diminui  porque  a  eritropoese  não  está  acompanhando  a  velocidade  de  destruição  das  hemácias,  um  sistema  de
feedback negativo aumenta a produção de hemácias (Figura 19.6). A condição controlada é o aporte de oxigênio aos tecidos
corporais. A deficiência de oxigênio celular, chamada de hipoxia, pode ocorrer se muito pouco oxigênio entrar no sangue.
Por exemplo, o conteúdo mais baixo de oxigênio nas altitudes elevadas  reduz o  teor de oxigênio no sangue. O aporte de
oxigênio  também  pode  cair  em  decorrência  de  anemia,  que  tem  muitas  causas,  tais  como  a  falta  de  ferro,  de  certos
aminoácidos  e  de  vitamina  B12  (ver  Distúrbios  |  Desequilíbrios  homeostáticos  ao  final  deste  capítulo).  Problemas
circulatórios que reduzem o fluxo de sangue para os tecidos também podem diminuir o aporte de oxigênio. Independente da
causa,  a  hipoxia  estimula  os  rins  a  intensificar  a  liberação  de  eritropoetina,  acelerando  o  desenvolvimento  dos
proeritroblastos em reticulócitos na medula óssea vermelha. Conforme a quantidade de hemácias circulantes aumenta, mais
oxigênio pode ser levado aos tecidos do corpo.
Figura 19.6 Regulação da eritropoese (formação de hemácias) por feedback negativo. Quantidade mais baixa de oxigênio no ar em
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter25.html#ch25fig9
altitudes elevadas, anemia e problemas circulatórios podem reduzir o fornecimento de oxigênio aos tecidos corporais.
O principal estímulo à eritropoese é a hipoxia, que consiste na diminuição da capacidade de transportar oxigênio
do sangue.
Que alterações podem ocorrer no hematócrito quando nos mudamos de uma cidade ao nível do mar para
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9.
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uma vila no alto da montanha?
Não  raro,  bebês  prematuros  exibem  anemia,  em  parte  devido  à  produção  inadequada  de  eritropoetina.  Durante  as
primeiras semanas depois do nascimento, o fígado, e não os rins, produz a maior parte da EPO. Uma vez que o fígado é
menos sensível que os rins à hipoxia, os recém­nascidos apresentam uma resposta menor da EPO à anemia que os adultos.
Visto  que  a  hemoglobina  fetal  (hemoglobina  presente  ao  nascimento)  carreia  até  30%  mais  oxigênio,  a  perda  de
hemoglobina fetal, devido à produção insuficiente de eritropoetina, piora a anemia.
 TESTE RÁPIDO
Descreva o tamanho, a aparência microscópica e as funções das hemácias.
Como a hemoglobina é reciclada?
O que é eritropoese? Como a eritropoese afeta o hematócrito? Que fatores aceleram e retardam a eritropoese?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Dopagem sanguínea
O fornecimento de oxigênio aos músculos é um fator limitante dos feitos musculares desde o levantamento de peso até a corrida de maratona. Em consequência
disso, aumentar a capacidade de transporte de oxigênio do sangue melhora o desempenho atlético, sobretudo em eventos de resistência. Uma vez que hemácias
transportam oxigênio, os atletas tentam vários meios de elevar a contagem dessas células, o que é conhecido como doping sanguíneo ou policitemia induzida
arti cialmente (uma contagem anormalmente elevada de hemácias) a m de adquirir uma margem competitiva. Os atletas aumentam sua produção de hemácias
injetando epoetina alfa, um agente usado para tratar anemia por meio da estimulação da produção de hemácias pela medula óssea vermelha. As práticas que
elevam a contagem de hemácias são perigosas porque tornam o sangue mais viscoso, aumentando a resistência ao uxo sanguíneo e di cultando o bombeamento
do sangue pelo coração. A viscosidade maior também contribui para a elevação da pressão arterial e do risco de acidente vascular cerebral ou encefálico. Durante a
década de 1980, pelo menos 15 ciclistas que participavam de competições morreram de infarto do miocárdio ou AVE relacionados com a suspeita de uso de epoetina
alfa. Embora o Comitê Olímpico Internacional tenha banido o uso da epoetina alfa, o controle é difícil porque essa substância é idêntica à eritropoetina natural (EPO).
O doping sanguíneo natural é a chave do sucesso dos maratonistas do Quênia. A altitude média no Quênia é de cerca de 1.830 metros acima do nível do mar e
existem regiões ainda mais altas. O treino na altitude melhora muito o condicionamento, a resistência e o desempenho. Nessas altitudes, o corpo intensi ca a
produção de hemácias, o que quer dizer que o exercício oxigena bastante o sangue. Quando esses corredores competem em Boston, por exemplo, em altitude pouco
acima do nível do mar, seus corpos contêm mais eritrócitos do que os dos outros competidores que treinaram em Boston. Inúmeros campos de treinamento foram
estabelecidos no Quênia e, hoje em dia, atraem atletas de resistência de todo o mundo.
Leucócitos
 OBJETIVO
Descrever a estrutura, as funções e a produção dos leucócitos.
Tipos de leucócitos
Diferentemente  das  hemácias,  os  leucócitos  possuem  núcleos  e  um  complemento  total  de  outras  organelas,  porém  não
contêm  hemoglobina.  Os  leucócitos  são  classificados  como  granulócitos  ou  agranulares  agranulócitos,  dependendo  se
contêm notáveis grânulos citoplasmáticos cheios de substâncias químicas (vesículas) que se tornam visíveis com coloração
quando  visualizados  pelo  microscópio  óptico.  Os  leucócitos  granulócitos  englobam  os  neutrófilos,  os  eosinófilos  e  os
basófilos;  os  leucócitos  agranulócitos  abarcam  os  linfócitose  os  monócitos.  Conforme  mostrado  na  Figura  19.3,  os
monócitos e os leucócitos granulócitos se desenvolvem a partir de células­tronco mieloides. Em contrapartida, os linfócitos
evoluem a partir de células­tronco linfoides.
Leucócitos granulócitos
Depois da coloração, cada um dos três tipos de leucócitos granulócitos demonstra grânulos, com colorações distintas, que
podem ser reconhecidos no microscópio óptico. Os leucócitos granulócitos podem ser diferenciados da seguinte maneira:
Neutrófilos.  Os  grânulos  do  neutrófilo  são  menores  que  os  dos  outros  leucócitos  granulócitos,  são  distribuídos  de
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maneira uniforme e apresentam cor lilás­clara (Figura 19.7A). Uma vez que os grânulos não atraem fortemente nem o
corante ácido (vermelho) nem o básico (azul), esses leucócitos são neutrofílicos (= neutros). O núcleo apresenta dois a
cinco  lobos conectados por filamentos muito finos de material nuclear. Conforme o  leucócito envelhece, o número de
lobos nucleares aumenta. Como os neutrófilos mais velhos apresentam lobos nucleares de vários formatos diferentes,
muitas vezes, são chamados de leucócitos polimorfonucleares (PMN)
Eosinófilos.  Os  grânulos  grandes  e  de  tamanho  uniforme  dentro  de  um  eosinófilo  são  eosinofílicos  (atraídos  pela
eosina) – eles se coram de vermelho­alaranjado com corantes ácidos (Figura 19.7B). Em geral, os grânulos não cobrem
ou  obscurecem  o  núcleo,  que,  na  maioria  das  vezes,  possui  dois  lobos  conectados  por  um  filamento  fino  ou  um
filamento espesso de material nuclear
Basófilos. Os grânulos  redondos e de  tamanho variado de um basófilo  são basofílicos  (atraídos  pela  base)  –  eles  se
coram  de  azul­arroxeado  com  corantes  básicos  (Figura  19.7C).  Os  grânulos  comumente  obscurecem  o  núcleo,  que
apresenta dois lobos.
Leucócitos agranulócitos
Embora  os  chamados  leucócitos  agranulócitos  possuam  grânulos  citoplasmáticos,  eles  não  são  visíveis  ao  microscópio
óptico devido ao seu pequeno tamanho e baixa afinidade pelos corantes.
Linfócitos. O  núcleo  de  um  linfócito  possui  uma  coloração  escura  e  é  redondo  ou  discretamente  endentado  (Figura
19.7D). O  citoplasma  se  cora  de  azul­celeste  e  forma uma margem ao  redor  do núcleo. Quanto maior  a  célula, mais
visível o citoplasma. Os linfócitos são classificados de acordo com o diâmetro celular como linfócitos grandes (10 a 14
μm) ou pequenos (6 a 9 μm). Embora a importância funcional da diferença de tamanho entre os linfócitos pequenos e
grandes  não  seja  conhecida,  a  distinção  é  útil  do  ponto  de  vista  clínico  porque  a  elevação  da  contagem de  linfócitos
grandes tem importância diagnóstica nas infecções virais agudas e em algumas doenças causadas por imunodeficiência
Monócitos.  O  núcleo  de  um  monócito  normalmente  tem  forma  de  rim  ou  de  ferradura  e  o  citoplasma  é  azul­
acinzentado e possui uma aparência  espumosa  (Figura 19.7E). A  cor  e  a  aparência  do  citoplasma  são  decorrentes  de
grânulos azurofílicos muito finos, que são os lisossomos. O sangue é meramente um conduto para os monócitos, que
migram  do  sangue  para  os  tecidos,  onde  crescem  e  se  diferenciam  em macrófagos.  Alguns  se  tornam macrófagos
fixos  (tecido),  o  que  quer  dizer  que  residem  em  um  tecido  particular;  os  macrófagos  alveolares  nos  pulmões  ou
macrófagos  no  baço  são  alguns  exemplos.  Outros  se  tornam macrófagos  nômades,  que  vagam  pelos  tecidos  e  se
reúnem em locais de infecção ou inflamação.
Figura 19.7 Tipos de leucócitos.
As formas dos núcleos e as propriedades de coloração dos grânulos citoplasmáticos distinguem os leucócitos uns
dos outros.
Quais leucócitos são chamados de granulócitos? Por quê?
Os  leucócitos  e  todas  as  outras  células  nucleadas  do  corpo  apresentam  proteínas,  chamadas  de  complexo  de
histocompatibilidade principal (MHC) ou HLA (human leukocyte antigen), que se projetam da membrana plasmática no
líquido  extracelular.  Esses  “marcadores  de  identidade  celular”  são  únicos  para  cada  pessoa  (exceto  gêmeos  idênticos).
Embora as hemácias possuam antígenos de grupo sanguíneo, eles não apresentam antígenos MHC.
Funções dos leucócitos
Em um corpo  saudável,  alguns  leucócitos,  sobretudo os  linfócitos,  podem viver  vários meses  ou  anos,  porém a maioria
sobrevive apenas alguns dias. Durante um período de infecção, leucócitos fagocitários podem durar apenas algumas horas.
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Os leucócitos são muito menos numerosos do que hemácias, cerca de 5.000 a 10.000 células por microlitro de sangue; a
quantidade  de  hemácias  excede  a  de  leucócitos  em uma  proporção  aproximada  de  700:1. A  leucocitose,  que  consiste no
aumento da quantidade de leucócitos acima de 10.000/μℓ, é uma resposta de proteção normal a estresses como organismos
invasores,  exercício  vigoroso,  anestesia  e  cirurgia.  O  nível  anormalmente  baixo  de  leucócitos  (abaixo  de  5.000/μ ℓ )  é
chamado leucopenia. Nunca é benéfico e pode ser causado por radiação, choque e certos agentes quimioterápicos.
A  pele  e  as  túnicas  mucosas  do  corpo  são  continuamente  expostas  a  micróbios  e  suas  toxinas.  Alguns  desses
organismos podem  invadir  tecidos mais profundos  e  causar doenças. Quando patógenos  entram no corpo,  a  função geral
dos  leucócitos é combatê­los por  fagocitose ou  respostas  imunes. Para  realizar essas  tarefas, muitos  leucócitos deixam a
corrente sanguínea e se reúnem em locais de invasão patogênica ou inflamação. Uma vez que os leucócitos granulócitos e
os monócitos deixam a corrente sanguínea para combater alguma lesão ou infecção, eles nunca retornam. Os linfócitos, por
outro  lado,  voltam  a  circular  de maneira  contínua  –  do  sangue  para  os  espaços  intersticiais  dos  tecidos,  para  o  líquido
linfático  e  de  volta  ao  sangue.  Apenas  2%  da  população  total  de  linfócitos  encontram­se  circulando  no  sangue  em  um
determinado momento; o restante se encontra no líquido linfático e em órgãos como pele, pulmões, linfonodos e baço.
As hemácias ficam contidas na corrente sanguínea, porém os leucócitos deixam a corrente sanguínea por meio de um
processo  chamado emigração,  também chamado  de diapedese,  no  qual  se movimentam  ao  longo  do  endotélio,  se  fixam
nele e, em seguida, se comprimem entre as células endoteliais (Figura 19.8). Os sinais precisos que estimulam a emigração
por um vaso sanguíneo em particular variam para os diferentes tipos de leucócitos. Moléculas conhecidas como moléculas
de  adesão  ajudam  os  leucócitos  a  se  fixarem  ao  endotélio.  Por  exemplo,  células  endoteliais  demonstram moléculas  de
adesão chamadas selectinas em resposta a lesão e inflamação próxima. As selectinas se fixam a carboidratos na superfície
dos neutrófilos, fazendo com que fiquem mais lentos e se movimentem ao longo da superfície endotelial. Na superfície dos
neutrófilos,  há  outras moléculas  de  adesão  chamadas  integrinas,  que  fixam  os  neutrófilos  ao  endotélio  e  ajudam  o  seu
movimento pela parede do vaso sanguíneo e no líquido intersticial do tecido lesionado.
Neutrófilos  e  macrófagos  são  ativos  na  fagocitose;  são  capazes  de  ingerir  bactérias  e  destruir  matéria  morta  (ver
Figura 3.13). Várias substâncias químicas diferentes liberadas por micróbios e tecidos inflamados atraem os fagócitos, um
fenômeno  chamado  de  quimiotaxia.  As  substâncias  que  estimulam  a  quimiotaxia  incluem  as  toxinas  produzidas  por
micróbios;  as  cininas,  que  são  produtos  especializados  de  tecidos  danificados;  e  alguns  dos  fatores  estimuladores  de
colônia (FEC). Os FEC também intensificam a atividade fagocitária dos neutrófilos e macrófagos.
Entre os leucócitos, os neutrófilos respondem mais rapidamente à destruição tecidual causada pelas bactérias. Depois
de engolfar um patógeno durante a fagocitose, o neutrófilo libera várias substâncias químicas que destroem estepatógeno.
Essas  substâncias  químicas  incluem  a  enzima  lisozima,  que  destrói  determinadas  bactérias,  e  fortes oxidantes,  como  o
ânion superóxido (O2–), peróxido de hidrogênio (H2O2) e o ânion hipocloreto (OCl–), que é similar ao alvejante doméstico.
Os  neutrófilos  também  contêm  defensinas,  proteínas  que  exibem  uma  ampla  variedade  de  atividade  antibiótica  contra
fungos  e  bactérias.  No  neutrófilo,  vesículas  contendo  defensinas  emergem  com  fagossomos  contendo  micróbios.  As
defensinas formam “lanças” peptídicas que perfuram as membranas microbianas; a perda resultante dos conteúdos celulares
mata o invasor.
Figura 19.8 Emigração de leucócitos.
As moléculas de adesão (selectinas e integrinas) ajudam na emigração de leucócitos da corrente sanguínea para o
líquido intersticial.
919
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter03.html#ch3fig13
De que maneira o “padrão de trânsito” dos linfócitos no corpo é diferente dos outros leucócitos?
Os  eosinófilos  deixam  os  capilares  e  entram  no  líquido  tecidual.  Acredita­se  que  liberem  enzimas,  como  a
histaminase,  que  combatem  os  efeitos  da  histamina  e  outras  substâncias  envolvidas  na  inflamação  durante  reações
alérgicas. Os eosinófilos  também fagocitam complexos antígeno–anticorpo e  são efetivos contra alguns parasitas. Muitas
vezes, uma contagem de eosinófilos elevada indica uma condição alérgica ou uma parasitose.
Nos  locais  de  inflamação,  os  basófilos  deixam  os  capilares,  entram  nos  tecidos  e  liberam  grânulos  que  contêm
heparina,  histamina  e  serotonina. Essas  substâncias  intensificam  a  reação  inflamatória  e  estão  envolvidas  em  reações  de
hipersensibilidade (alérgicas). Os basófilos demonstram função similar aos mastócitos, células de tecido conjuntivo que se
originam  das  células­tronco  pluripotentes  na  medula  óssea  vermelha.  Assim  como  os  basófilos,  os  mastócitos  liberam
substâncias envolvidas na inflamação, inclusive heparina, histamina e proteases. Os mastócitos estão amplamente dispersos
no corpo, sobretudo nos tecidos conjuntivos da pele e nas túnicas mucosas dos sistemas respiratório e digestório.
Os  linfócitos são os principais soldados nas batalhas do sistema linfático (descrição em detalhes no Capítulo 22). A
maioria  dos  linfócitos  se movimenta  continuamente  entre  os  tecidos  linfoides,  linfa  e  sangue,  passando  apenas  algumas
horas no sangue por vez. Dessa forma, apenas uma pequena proporção dos linfócitos totais é encontrada no sangue a cada
momento.  Os  linfócitos  B  e  T  e  as  células  NK  são  os  três  tipos  principais  de  linfócitos.  Os  linfócitos  B  são  efetivos
sobretudo  na  destruição  de  bactérias  e  na  inativação  de  suas  toxinas.  As  células  T  atacam  vírus,  fungos,  células
transplantadas, células cancerígenas e algumas bactérias e são responsáveis pelas reações transfusionais, alergias e rejeição
de órgãos  transplantados. As  respostas  imunes  realizadas pelos  linfócitos B e T ajudam a combater  infecção e  fornecem
proteção  contra  algumas  doenças.  As  células  NK  atacam  inúmeros  microrganismos  infecciosos  e  determinadas  células
tumorais que surgem de maneira espontânea.
Os monócitos levam mais tempo para alcançar o local de infecção que os neutrófilos, porém chegam em número maior
e destroem mais invasores. Na chegada, os monócitos crescem e se diferenciam em macrófagos migratórios que removem
os resíduos celulares e microbianos por fagocitose depois de uma infecção.
Conforme  podemos  concluir,  a  elevação  da  contagem  de  leucócitos  circulantes  geralmente  indica  inflamação  ou
920
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html
12.
13.
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19.5
•
infecção.  O médico  pode  solicitar  uma  contagem diferencial  de  leucócitos,  que  consiste  na  contagem  de  cada  um  dos
cinco  tipos  de  leucócitos  para  detectar  infecção  ou  inflamação,  determinar  os  efeitos  de  possível  intoxicação  por
substâncias químicas ou drogas, monitorar distúrbios sanguíneos (p. ex., leucemia) e efeitos da quimioterapia ou constatar
reações  alérgicas  e  parasitoses.  Uma  vez  que  cada  tipo  de  leucócito  desempenha  uma  função  diferente,  determinar  o
percentual  sanguíneo  de  cada  tipo  de  leucócito  ajuda  no  diagnóstico  da  condição. A Tabela 19.2  enumera  a  importância
tanto da contagem alta quanto da contagem baixa de leucócitos.
 TESTE RÁPIDO
Qual é a importância da emigração, da quimiotaxia e da fagocitose no combate a invasores bacterianos?
Como a leucocitose e a leucopenia se diferenciam?
O que é contagem diferencial de leucócitos?
Quais as funções dos leucócitos granulócitos, dos macrófagos, dos linfócitos B e T e das células NK?
Plaquetas
 OBJETIVO
Descrever a estrutura, a função e a origem das plaquetas.
Além  dos  tipos  de  células  imaturas  que  se  desenvolvem  em  eritrócitos  e  leucócitos,  as  células­tronco  hematopoéticas
também se diferenciam em células produtoras de plaquetas. Sob a influência do hormônio trombopoetina, as células­tronco
mieloides se  tornam células  formadoras de colônia de megacariócitos que, por sua vez, evoluem para células precursoras
chamadas megacarioblastos  (ver  Figura 19.3).  Os megacarioblastos  se  transformam  em megacariócitos,  células  grandes
que se quebram em 2.000 a 3.000 fragmentos. Cada fragmento, envolvido por um pedaço de membrana plasmática, é uma
plaqueta. As plaquetas  se originam dos megacariócitos na medula óssea vermelha  e,  depois disso,  entram na circulação
sanguínea. Em cada microlitro de sangue há 150.000 a 400.000 plaquetas. Cada uma tem a forma de um disco irregular, 2 a
4 μm de diâmetro e muitas vesículas, porém sem núcleo.
TABELA 19.2 Importância da contagem de leucócitos (leucometria) alta e baixa.
TIPO DE LEUCÓCITO A CONTAGEM ELEVADA INDICA A CONTAGEM BAIXA INDICA
Neutró los Infecção bacteriana, queimaduras, estresse,
in amação
Exposição à radiação, intoxicação medicamentosa, de ciência
de vitamina B12, lúpus eritematoso sistêmico (LES)
Linfócitos Infecções virais, algumas leucemias, mononucleose
infecciosa
Doença prolongada, infecção pelo HIV, imunossupressão,
tratamento com cortisol
Monócitos Infecções virais ou fúngicas, tuberculose, algumas
leucemias e outras doenças crônicas
Mielossupressão, tratamento com cortisol
Eosinó los Reações alérgicas, parasitoses, doenças autoimunes Intoxicação medicamentosa, estresse, reações alérgicas agudas
Basó los Reações alérgicas, leucemias, cânceres,
hipotireoidismo
Gravidez, ovulação, estresse, hipotireoidismo
921
Seus grânulos contêm substâncias químicas que, uma vez liberadas, promovem a coagulação do sangue. As plaquetas
ajudam  a  cessar  a  perda  de  sangue  de  vasos  sanguíneos  danificados  formando  o  tampão  plaquetário.  As  plaquetas
apresentam  vida  curta,  variando,  em  geral,  de  apenas  5  a  9  dias.  As  plaquetas  mortas  e  velhas  são  removidas  por
macrófagos fixos no baço e no fígado.
A Tabela 19.3 traz um resumo dos elementos figurados do sangue.
TABELA 19.3 Resumo dos elementos figurados do sangue.
NOME E APARÊNCIA CONTAGEM CARACTERÍSTICAS* FUNÇÕES
HEMÁCIAS OU
ERITRÓCITOS 
4,8 milhões/μℓ em
mulheres; 
5,4 milhões/μℓ em homens
7 a 8 μm de diâmetro, discos bicôncavos, sem
núcleos; vivem cerca de 120 dias.
A hemoglobina dentro das hemácias
transporta a maioria do oxigênio e parte do
dióxido de carbono no sangue.
LEUCÓCITOS 5.000 a 10.000/μℓ A maioria vive de algumas horas a alguns
dias.†
Combatem patógenos e outras substâncias
estranhas que entram no corpo.
Leucócitos granulócitos
Neutró los 60 a 70% de todos os
leucócitos
10 a 12 μm de diâmetro; o núcleo tem 2 a 5
lobos conectados por nos lamentos de
cromatina; o citoplasma possui grânulos
muito nos de cor lilás-clara.
Fagocitose. Destruição de bactérias com
lisozima, defensinas e oxidantes fortes, como
ânion superóxido, peróxido de hidrogênio e
ânionhipocloreto.
Eosinó los 2 a 4% de todos os leucócitos 10 a 12 μm de diâmetro; em geral, o núcleo
possui 2 lobos conectados por lamento
espesso de cromatina; grânulos grandes e de
cor vermelho-alaranjada enchem o
citoplasma.
Combatem os efeitos da histamina em
reações alérgicas, fagocitam complexos
antígeno-anticorpo e destroem certos vermes
parasitários.
Basó los 0,5 a 1% de todos os
leucócitos
8 a 10 μm de diâmetro; o núcleo tem 2 lobos;
grandes grânulos citoplasmáticos de cor azul-
arroxeada escura.
Liberam heparina, histamina e serotonina nas
reações alérgicas que intensi cam a resposta
in amatória geral.
Leucócitos agranulócitos
Linfócitos (T, B e NK) 20 a 25% de todos os
leucócitos
Os linfócitos pequenos apresentam 6 a 9 μm
de diâmetro; os grandes variam de 10 a 14
μm de diâmetro; o núcleo é redondo e
discretamente endentado; o citoplasma
forma uma borda ao redor do núcleo que
parece azul-claro; quanto maior a célula, mais
visível o citoplasma.
Medeia respostas imunes, inclusive reações
antígeno-anticorpo. Os linfócitos B se
desenvolvem em plasmócitos, que secretam
anticorpos. Os linfócitos T atacam vírus
invasores, células cancerígenas e células de
tecidos transplantados. As células NK atacam
uma ampla variedade de microrganismos
infecciosos e determinadas células tumorais
que surgem espontaneamente.
Monócitos 3 a 8% de todos os leucócitos 12 a 20 μm de diâmetro; núcleo em forma de Fagocitose (depois de se transformar em
922
16.
19.6
•
rim ou ferradura; o citoplasma é azul-
acinzentado e parece espumoso.
macrófagos xos ou migratórios).
Plaquetas 150.000 a 400.000/μℓ Fragmentos celulares de 2 a 4 μm de
diâmetro que vivem 5 a 9 dias; contêm
muitas vesículas, mas nenhum núcleo.
Formam o tampão plaquetário na
hemostasia; liberam substâncias químicas
que promovem espasmo vascular e
coagulação do sangue.
*As colorações são aquelas observadas no método de Wright.
† Uma vez gerados, alguns linfócitos, chamados de células de memória T e B, podem viver muitos anos.
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Hemograma completo
O hemograma completo é um exame muito valioso que analisa anemia e várias infecções. Em geral, estão incluídas as contagens de hemácias, leucócitos e
plaquetas por microlitro de sangue total; hematócrito e contagem diferencial de leucócitos. A concentração de hemoglobina em gramas por mililitro de sangue
também é determinada. A hemoglobina normal varia da seguinte maneira: lactentes, de 14 a 20 g/100 mℓ de sangue; mulheres adultas, de 12 a 16 g/100 mℓ de
sangue; e homens adultos, de 13,5 a 18 g/100 mℓ de sangue.
 TESTE RÁPIDO
Como  se  comparam  as  hemácias,  os  leucócitos  e  as  plaquetas  com  relação  ao  tamanho,  contagem  por
microlitro de sangue e tempo de vida?
Transplantes de células-tronco de medula óssea e sangue de
cordão umbilical
 OBJETIVO
Explicar a importância dos transplantes de medula óssea e de células­tronco.
O  transplante  de medula  óssea  consiste  na  substituição  de medula  óssea  vermelha  anormal  ou  cancerosa  por  medula
óssea  vermelha  saudável  a  fim  de  reestabelecer  a  contagem  normal  das  células  sanguíneas. Nos  pacientes  com  câncer  e
algumas doenças genéticas, a medula óssea vermelha com defeito é destruída por altas doses de quimioterapia e  radiação
aplicada  em  todo  o  corpo  pouco  antes  da  realização  do  transplante.  Esses  tratamentos matam  as  células  cancerígenas  e
destroem o sistema imune do paciente a fim de diminuir as chances de rejeição do transplante.
A medula óssea vermelha  saudável para  transplante pode  ser  conseguida com um doador ou com o próprio paciente
quando a doença subjacente não está em atividade, como nos casos de leucemia em estado de remissão. Em geral, a medula
óssea vermelha do doador é retirada da crista ilíaca do osso do quadril sob anestesia geral com uma seringa e, em seguida,
é  injetada na veia do  receptor, de modo muito parecido com uma  transfusão de  sangue. A medula  injetada migra para as
cavidades de medula óssea vermelha do receptor, onde as células­tronco do doador se multiplicam. Se tudo correr bem, a
medula óssea vermelha do receptor é inteiramente substituída por células saudáveis, não cancerosas.
Os  transplantes  de  medula  óssea  são  usados  no  tratamento  de  anemia  aplásica,  certos  tipos  de  leucemia,
imunodeficiência  combinada grave  (IDCG), doença de Hodking,  linfoma de não Hodgkin, mieloma múltiplo,  talassemia,
doença  falciforme,  câncer  de  mama,  câncer  de  ovário,  câncer  testicular  e  anemia  hemolítica.  Entretanto,  há  alguns
inconvenientes.  Uma  vez  que  os  leucócitos  do  receptor  foram  destruídos  em  sua  totalidade  pela  quimioterapia  e  pela
irradiação, o paciente fica extremamente vulnerável à infecção. (Demora 2 ou 3 semanas para a medula óssea transplantada
produzir  leucócitos  suficientes  para  promover  proteção  contra  infecções.)  Além  disso,  a  medula  óssea  vermelha
transplantada pode produzir linfócitos T que atacam os tecidos do receptor, uma reação chamada de doença enxerto­versus­
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1.
2.
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19.7
•
•
hospedeiro. Da mesma  forma,  quaisquer  linfócitos T  do  receptor  que  tenham  sobrevivido  à  quimioterapia  e  à  irradiação
conseguem atacar as células transplantadas do doador. Outro incômodo é a necessidade de administração de medicamentos
imunossupressores para o resto da vida. Ao mesmo tempo que essas substâncias reduzem o nível de atividade do sistema
imunológico,  elas  aumentam  o  risco  de  infecção.  Os  medicamentos  imunossupressores  também  ocasionam  efeitos
colaterais como febre, mialgia, cefaleia, náuseas, fadiga, depressão, elevação da pressão arterial e dano renal e hepático.
O avanço mais recente na obtenção de células­tronco envolve transplante de sangue de cordão umbilical. O cordão
umbilical  é  a  ligação  entre  a  mãe  e  o  embrião  (e,  posteriormente,  feto).  Células­tronco  podem  ser  obtidas  do  cordão
umbilical logo após o nascimento. As células­tronco são removidas do cordão por uma seringa e, em seguida, congeladas.
As células­tronco do cordão oferecem inúmeras vantagens em relação às obtidas da medula óssea vermelha:
A coleta é fácil, desde que com permissão dos pais do recém­nascido.
São mais abundantes que as células­tronco na medula óssea vermelha.
A  possibilidade  de  doença  enxerto­versus­hospedeiro  é menor,  logo  a  compatibilidade  entre  doador  e  receptor  não
precisa  ser  tão  próxima  como  no  transplante  de  medula  óssea  vermelha,  possibilitando  um  número  maior  de
potenciais doadores.
São menos propensas a transmitir infecções.
Podem ser armazenadas indefinidamente em bancos de sangue de cordão umbilical.
 TESTE RÁPIDO
Quais são as semelhanças entre os transplantes de sangue de cordão umbilical e de medula óssea? Quais são
as diferenças?
Hemostasia
 OBJETIVOS
Descrever os três mecanismos que contribuem para a hemostasia
Explicar os vários fatores que promovem e inibem a coagulação sanguínea.
Hemostasia,  que  não  deve  ser  confundida  com o  termo muito  parecido homeostasia,  é  uma  sequência  de  respostas  que
interrompe o sangramento. Quando os vasos sanguíneos são danificados ou sofrem ruptura, a resposta hemostática precisa
ser  rápida,  localizada  na  região  do  dano  e  cuidadosamente  controlada  para  que  seja  efetiva. Três mecanismos  reduzem a
perda  de  sangue:  (1)  espasmo  vascular,  (2)  formação  de  tampão  plaquetário  e  (3)  coagulação  sanguínea.  Quando  bem­
sucedida, a hemostasia evita hemorragia, que consiste na perda de grande volume de sangue dos vasos. Os mecanismos
hemostáticos conseguem evitar a hemorragia de vasos sanguíneos pequenos, porém as hemorragias substanciais de vasos
maiores demandam intervenção médica.
Espasmo vascular
Quando  artérias  ou  arteríolas  são  danificadas,  o músculo  liso  arranjado  de  forma  circular  em  suas  paredes  contrai­se  de
imediato, uma reação chamada de espasmo vascular. O espasmo vascular  reduz a perda de sanguepor vários minutos a
algumas  horas,  tempo  durante  o  qual  os  outros mecanismos  hemostáticos  entram  em  ação. O  espasmo  é  provavelmente
causado  pelo  dano  ao  músculo  liso,  por  substâncias  liberadas  de  plaquetas  ativadas  e  por  reflexos  iniciados  pelos
receptores de dor.
Formação de tampão plaquetário
Considerando  seu  tamanho  pequeno,  as  plaquetas  armazenam  uma  impressionante  variedade  de  substâncias  químicas.
Dentro de muitas vesículas são encontrados fatores de coagulação, ADP, ATP, Ca2+ e serotonina. Também estão presentes
enzimas  que  produzem  tromboxano  A2,  uma  prostaglandina;  fator  estabilizador  da  fibrina,  que  ajuda  a  fortalecer  o
coágulo sanguíneo; lisossomos; algumas mitocôndrias; sistemas de membrana que captam e armazenam cálcio e fornecem
canais  para  liberação  dos  conteúdos  dos  grânulos;  e  glicogênio.  Também  dentro  das  plaquetas  é  encontrado  o  fator  de
crescimento derivado das plaquetas (PDGF), um hormônio que promove a proliferação de células endoteliais vasculares,
fibras  de  músculo  liso  vascular  e  fibroblastos  com  objetivo  de  ajudar  o  reparo  das  paredes  danificadas  dos  vasos
924
sanguíneos.
A formação do tampão plaquetário ocorre da seguinte maneira (Figura 19.9):
Inicialmente,  as  plaquetas  entram  em  contato  e  se  fixam  a  partes  do  vaso  sanguíneo  danificado,  como  fibras  de
colágeno  do  tecido  conjuntivo  subjacente  às  células  endoteliais  danificadas.  Esse  processo  é  chamado  de  adesão
plaquetária.
Essa  adesão  ativa  as  plaquetas  e  suas  características  mudam  de  maneira  drástica.  As  plaquetas  estendem  muitas
projeções  que  possibilitam  entrar  em  contato  e  interagir  umas  com  as  outras;  as  plaquetas  começam  a  liberar  os
conteúdos  das  suas  vesículas.  Essa  fase  é  chamada  de  reação  de  liberação  das  plaquetas.  O  ADP  liberado  e  o
tromboxano A2 desempenham um papel  essencial na ativação das plaquetas vizinhas. A  serotonina e o  tromboxano
A2 atuam como vasoconstritores, promovendo e sustentando a contração do músculo vascular  liso, o que diminui o
fluxo de sangue pelo vaso lesado.
A  liberação de ADP  torna as outras plaquetas da área visguentas,  e  essa condição das plaquetas  recém­recrutadas e
ativadas  promove  sua  adesão  às  plaquetas  originalmente  ativadas.  Essa  aglomeração  de  plaquetas  é  chamada  de
agregação  plaquetária.  Por  fim,  o  acúmulo  e  a  fixação  de  numerosas  plaquetas  formam  uma massa  chamada  de
tampão plaquetário.
O tampão plaquetário é muito eficaz na prevenção da perda de sangue no vaso pequeno. Embora inicialmente o tampão
plaquetário  seja  frouxo,  ele  passa  a  ser  bastante  firme  quando  é  reforçado  por  filamentos  de  fibrina  formados  durante  a
coagulação  (ver  Figura 19.10). O  tampão  plaquetário  pode  cessar  a  perda  de  sangue  por  completo  se  o  orifício  no  vaso
sanguíneo não for muito grande.
Coagulação do sangue
Normalmente, o  sangue permanece em seu estado  líquido enquanto  se  encontra no  interior dos vasos  sanguíneos. Se  for
coletado do corpo, no entanto, torna­se espesso e forma um gel. Por fim, o gel se separa do líquido. O líquido de cor palha,
chamado soro, é simplesmente plasma sanguíneo sem as proteínas de coagulação. O gel é chamado de coágulo sanguíneo,
que consiste em uma rede de fibras proteicas insolúveis chamadas de fibrina, na qual os elementos figurados do sangue são
aprisionados (Figura 19.10).
Figura 19.9 Formação do tampão plaquetário.
O tampão plaquetário pode cessar a perda de sangue por completo se o orifício no vaso sanguíneo for
suficientemente pequeno.
925
Juntamente com a formação do tampão plaquetário, quais são os dois mecanismos que contribuem para
a hemostasia?
O processo de formação do gel, chamado de coagulação, consiste em uma série de reações químicas que culmina na
formação de filamentos de fibrina. Se o sangue coagula com muita facilidade, uma das consequências pode ser trombose –
926
coagulação  em  um  vaso  sanguíneo  não  danificado.  Se  o  sangue  demora  muito  tempo  para  coagular,  pode  ocorrer
hemorragia.
Figura 19.10 Formação de coágulo sanguíneo. Observe as plaquetas e hemácias aprisionadas nos filamentos de fibrina.
O coágulo sanguíneo é um gel que contém elementos figurados do sangue emaranhados em filamentos de fibrina.
O que é o soro?
A coagulação envolve  inúmeras substâncias conhecidas como  fatores de coagulação. Esses  fatores  incluem os  íons
cálcio (Ca2+), várias enzimas  inativas  sintetizadas por hepatócitos e  liberadas na corrente  sanguínea e diversas moléculas
associadas  às  plaquetas  ou  liberadas  pelos  tecidos  danificados.  A  maioria  dos  fatores  de  coagulação  é  identificada  por
numerais romanos que indicam a ordem da sua descoberta (não necessariamente a ordem da sua participação no processo
de coagulação).
A coagulação consiste em uma cascata complexa de reações enzimáticas na qual cada fator de coagulação ativa várias
moléculas do fator seguinte em uma sequência fixa. Por fim, forma­se a proteína insolúvel fibrina. A coagulação pode ser
dividida em três estágios (Figura 19.11):
Duas  vias,  chamadas  de  via  extrínseca  e  intrínseca  (Figura  19.11A,  B),  que  serão  descritas  brevemente,  levam  à
formação  de  protrombinase.  Uma  vez  formada  a  protrombinase,  as  etapas  envolvidas  nas  duas  fases  seguintes  da
coagulação são as mesmas tanto na via intrínseca quanto na extrínseca e, juntas, essas duas fases são chamadas de via
comum.
927
A protrombinase converte a protrombina (uma proteína plasmática formada pelo fígado) na enzima trombina.
A  trombina  converte  fibrinogênio  solúvel  (outra  proteína  plasmática  formada  pelo  fígado)  em  fibrina  insolúvel.  A
fibrina forma os filamentos do coágulo.
Figura 19.11 Cascata da coagulação sanguínea. As setas verdes representam ciclos de feedback positivo.
Na coagulação do sangue, os fatores de coagulação são ativados em sequência, resultando em uma cascata de
reações que envolve ciclos de feedback positivo.
928
Qual é o resultado do primeiro estágio da coagulação sanguínea?
Via extrínseca
A via extrínseca  da  coagulação  sanguínea  apresenta menos  etapas  que  a  via  intrínseca  e  ocorre  rapidamente  –  em  uma
929
questão de  segundos  se o  traumatismo  for  importante. É assim chamada porque uma proteína  tecidual  chamada de  fator
tecidual (FT), também conhecida como tromboplastina, passa para o sangue a partir de células do lado de fora dos vasos
sanguíneos  (extrínsecas  aos)  e  inicia  a  formação  da  protrombinase.  O  FT  é  uma  mistura  complexa  de  lipoproteínas  e
fosfolipídios liberada das superfícies de células danificadas. Na presença de Ca2+, o FT começa uma sequência de reações
que,  por  fim,  ativa  o  fator  de  coagulação X  (Figura 19.11A). Uma vez  ativado,  o  fator X  se  combina  com o  fator V na
presença de Ca2+ para formar a enzima ativa protrombinase, completando a via extrínseca.
Via intrínseca
A via  intrínseca  da  coagulação  sanguínea  é mais  complexa  que  a  via  extrínseca  e  ocorre mais  lentamente,  em geral  em
alguns minutos. A via intrínseca é assim chamada porque seus ativadores ou estão em contato direto com o sangue ou estão
contidos  no  sangue  (intrínsecos  ao):  não  há  necessidade  de  dano  tecidual  externo.  Se  as  células  endoteliais  se  tornam
rugosas ou são danificadas, o sangue pode entrar em contato com as fibras de colágeno no  tecido conjuntivo ao redor do
endotélio do vaso sanguíneo. Além disso, o trauma às células endoteliais causa danos às plaquetas, resultando na liberação
plaquetária de fosfolipídios. O contato com as fibras de colágeno (ou com as paredes de vidro do tubo de coleta de sangue)
ativa  o  fator  de  coagulação  XII  (Figura  19.11B),  que  começa  uma  sequência  de  reações  que,  por  fim,  ativa  o  fator  de
coagulação X. Fosfolipídios plaquetários e Ca2+ também podemparticipar da ativação do fator X. Uma vez ativado, o fator
X  se  combina  com  o  fator  V  para  formar  a  enzima  ativa  protrombinase  (assim  como  acontece  na  via  extrínseca),
completando a via intrínseca.
Via comum
A  formação  de  protrombinase  marca  o  começo  da  via  comum.  No  segundo  estágio  da  coagulação  do  sangue  (Figura
19.11C), a protrombinase e o Ca2+ catalisam a conversão da protrombina em trombina. No terceiro estágio, a trombina, na
presença de Ca2+, converte fibrinogênio, que é solúvel, em filamentos de fibrina frouxos, que são insolúveis. A trombina
também ativa o fator XIII (fator estabilizador da fibrina), que fortalece e estabiliza os filamentos de fibrina em um coágulo
forte. O plasma contém um pouco de fator XIII, que também é liberado pelas plaquetas presas no coágulo.
A  trombina  exerce  dois  efeitos  de  feedback  positivo. Na  primeira  alça  de  feedback  positivo,  que  envolve  o  fator V,
acelera  a  formação  de  protrombinase.  A  protrombinase,  por  sua  vez,  acelera  a  produção  de mais  trombina  e  assim  por
diante. Na  segunda  alça  de  feedback  positivo,  a  trombina  ativa  plaquetas,  que  reforçam  sua  agregação  e  a  liberação  dos
fosfolipídios plaquetários.
Retração do coágulo
Uma vez  formado, o  coágulo  tampa a  área  rompida do vaso  sanguíneo e, dessa  forma,  interrompe a perda de  sangue. A
retração do coágulo consiste na consolidação ou fortalecimento do coágulo de fibrina. Os filamentos de fibrina fixados às
superfícies danificadas do vaso sanguíneo vão gradativamente se contraindo conforme são recobertos pelas plaquetas. Com
a  retração  do  coágulo,  as  margens  do  vaso  danificado  são  aproximadas,  diminuindo  o  risco  de  mais  dano.  Durante  a
retração, um pouco de soro pode escapar por entre os filamentos de fibrina, sem perder elementos figurados do sangue. A
retração  normal  depende  da  concentração  adequada  de  plaquetas  no  coágulo,  que  liberam  fator  XIII  e  outros  fatores,
fortalecendo  e  estabilizando  o  coágulo.  Assim,  pode  ocorrer  o  reparo  permanente  do  vaso  sanguíneo.  Por  fim,  os
fibroblastos formam tecido conjuntivo na área rompida e novas células endoteliais reparam o revestimento do vaso.
Função da vitamina K na coagulação
A coagulação normal depende de níveis adequados de vitamina K no corpo. Embora a vitamina K não esteja envolvida na
formação  do  coágulo  propriamente  dito,  ela  é  necessária  para  a  síntese  de  quatro  fatores  de  coagulação.  Normalmente
produzida por bactérias que habitam o intestino grosso, a vitamina K é lipossolúvel e pode ser absorvida pelo revestimento
do  intestino  passando  para  o  sangue  se  a  absorção  de  lipídios  for  normal.  Com  frequência,  as  pessoas  que  sofrem  de
distúrbios  que  retardam  a  absorção  de  lipídios  (p.  ex.,  liberação  inadequada  de  bile  no  intestino  delgado)  apresentam
sangramento descontrolado em consequência da deficiência de vitamina K.
Os vários fatores de coagulação, suas fontes e vias de ativação estão resumidos na Tabela 19.4.
Mecanismos de controle hemostático
930
Muitas vezes ao longo do dia, pequenos coágulos começam a se formar, quase sempre em um local de pequena rugosidade
ou em uma placa aterosclerótica em desenvolvimento dentro de um vaso sanguíneo. Uma vez que a coagulação do sangue
envolve  amplificação  e  ciclos  de  feedback  positivo,  o  coágulo  tende  a  crescer,  criando um potencial  para  comprometer  o
fluxo sanguíneo através de vasos não danificados. O sistema fibrinolítico dissolve pequenos coágulos inapropriados; além
disso, desfaz coágulos em um local danificado desde que o dano esteja reparado. A dissolução de um coágulo é chamada de
fibrinólise.  Quando  um  coágulo  é  formado,  uma  enzima  plasmática  inativa  chamada  plasminogênio  é  incorporada  ao
coágulo. Tanto os tecidos do corpo quanto o sangue contêm substâncias que podem ativar o plasminogênio, que passa a se
chamar plasmina  ou  fibrinolisina,  uma  enzima  plasmática  ativa.  Entre  essas  substâncias  estão  a  trombina,  o  fator  XII
ativado  e  o  ativador  do  plasminogênio  tecidual  (t­PA),  que  é  sintetizado nas  células  endoteliais  da maioria  dos  tecidos  e
liberado no sangue. Uma vez formada, a plasmina consegue dissolver um coágulo por meio da digestão dos filamentos de
fibrina e inativação de substâncias como fibrinogênio, protrombina e fatores V e XII.
TABELA 19.4 Fatores de coagulação.
NÚMERO* NOME(S) FONTE VIA(S) DE ATIVAÇÃO
I Fibrinogênio Fígado Comum
II Protrombina Fígado Comum
III Fator tecidual (tromboplastina) Tecidos dani cados e
plaquetas ativadas
Extrínseca
IV Íons cálcio (Ca2+) Dieta, ossos e plaquetas Todas
V Pró-acelerina, fator lábil ou globulina aceleradora (AcG) Fígado e plaquetas Extrínseca e intrínseca
VII Acelerador da conversão da protrombina sérica (SPCA), fator estável ou pró-
convertina
Fígado Extrínseca
VIII Fator anti-hemofílico (AHF), fator anti-hemofílico A ou globulina anti-hemofílica
(AHG)
Fígado Intrínseca
IX Fator de Christmas, componente de tromboplastina plasmática (PTC) ou fator
anti-hemofílico B
Fígado Intrínseca
X Fator de Stuart, fator de Prower ou tromboquinase Fígado Extrínseca e intrínseca
XI Antecedente da tromboplastina plasmática (PTA) ou fator anti-hemofílico C Fígado Intrínseca
XII Fator de Hageman, fator de contato ou fator anti-hemofílico D Fígado Intrínseca
XIII Fator estabilizador da brina (FSF) Fígado e plaquetas Comum
*Não existe fator VI. A protrombinase (ativador da protrombina) é uma combinação dos fatores V e X ativados.
Mesmo  que  a  trombina  exerça  efeito  de  feedback  positivo  na  coagulação  do  sangue,  a  formação  do  coágulo
normalmente permanece restrita ao local do dano. Um coágulo não se estende além do local lesado na circulação geral, em
parte porque a fibrina absorve trombina no coágulo. Outro motivo para a formação localizada de coágulo é a dispersão de
parte  dos  fatores  de  coagulação  pelo  sangue,  cujas  concentrações  não  são  altas  o  suficiente  para  promover  a  coagulação
disseminada.
Vários  outros  mecanismos  também  controlam  a  coagulação  do  sangue.  Por  exemplo,  as  células  endoteliais  e  os
leucócitos produzem uma prostaglandina chamada prostaciclina que se opõe às ações do tromboxano A2. A prostaciclina é
um poderoso inibidor da adesão e da liberação plaquetárias.
Além  disso,  o  sangue  apresenta  substâncias  que  retardam,  suprimem  ou  evitam  a  coagulação  sanguínea,  chamadas
931
18.
19.
20.
21.
22.
19.8
•
•
anticoagulantes. Entre essas substâncias, incluímos a antitrombina, que bloqueia a ação de vários fatores, inclusive XII,
X  e  II  (protrombina);  a  heparina,  um  anticoagulante  produzido  pelos  mastócitos  e  basófilos,  que  se  combina  à
antitrombina  e  aumenta  sua  efetividade  no  bloqueio  da  trombina;  e  a  proteína  C  ativada  (PCA),  que  inativa  os  dois
principais  fatores  de  coagulação  não  bloqueados  pela  antitrombina  e  intensifica  a  atividade  dos  ativadores  de
plasminogênio. Lactentes que não possuem a capacidade de produzir PCA devido a mutação genética em geral morrem por
conta de coágulos sanguíneos durante o primeiro ano de vida.
Coagulação intravascular
Apesar  dos  mecanismos  fibrinolíticos  e  anticoagulantes,  não  raro,  coágulos  sanguíneos  se  formam  dentro  do  sistema
circulatório. Tais  coágulos  podem  ser  iniciados  por  superfícies  endoteliais  rugosas  de  um vaso  sanguíneo  resultantes  de
aterosclerose, traumatismo ou infecção. Essas condições induzem à adesão de plaquetas. Coágulos intravasculares também
podem se formar quando o sangue flui muito lentamente (estase), possibilitando que fatores de coagulação se acumulem no
local  em  concentrações  altas  o  suficiente  para  iniciar  a  coagulação.  A  coagulação  em  um  vaso  sanguíneo  não  rompido
(normalmente  uma  veia)  é  chamada  de  trombose.  O  coágulo,  chamado  trombo,  pode  se  dissolverpor  si  só,
espontaneamente.  Se  permanecer  intacto,  no  entanto,  o  trombo  pode  se  deslocar  e  ser  levado  pelo  sangue.  Coágulos
sanguíneos, bolhas de ar, gordura de ossos quebrados ou fragmentos transportados na corrente sanguínea são chamados de
êmbolo. Um êmbolo que se desprende de uma parede arterial pode se alojar em uma artéria de diâmetro menor e bloquear
o  fluxo  de  sangue  para  um  órgão  vital.  Quando  o  êmbolo  se  aloja  nos  pulmões,  a  condição  é  chamada  de  embolia
pulmonar.
CORRELAÇÃO CLÍNICA |
Ácido acetilsalicílico (AAS) e agentes
trombolíticos
Nos pacientes com doenças cardíacas e/ou vasculares, os eventos da hemostasia podem ocorrer mesmo sem lesão externa do vaso sanguíneo. Em doses baixas, o
ácido acetilsalicílico (AAS) inibe a vasoconstrição e a agregação de plaquetas, bloqueando a síntese de tromboxano A2, além de reduzir as chances de formação de
trombo. Por conta desses efeitos, o AAS reduz o risco de ataques isquêmicos transitórios (AITs), AVE, infartos do miocárdio e bloqueio de artérias periféricas.
Agentes trombolíticos são substâncias químicas injetadas no corpo para dissolver coágulos sanguíneos que já se formaram com objetivo de restaurar a
circulação. Esses agentes ativam direta ou indiretamente o plasminogênio. O primeiro agente trombolítico, aprovado em 1982 pela FDA para a dissolução de coágulos
nas artérias coronárias do coração, foi a estreptoquinase, produzida por estreptococos. Uma versão da engenharia genética do ativador de plasminogênio
tecidual humano (tPA) é usada hoje em dia para tratar vítimas de infartos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) ou encefálicos (AVE) causados por
coágulos sanguíneos.
 TESTE RÁPIDO
O que é hemostasia?
Como ocorrem o espasmo vascular e a formação de tampão plaquetário?
O que é fibrinólise? Por que o sangue raramente permanece coagulado dentro dos vasos sanguíneos?
Como as vias extrínseca e intrínseca da coagulação sanguínea se diferem?
Defina cada um dos seguintes termos: anticoagulante, trombo, êmbolo e agente trombolítico.
Grupos e tipos sanguíneos
 OBJETIVOS
Distinguir os grupos sanguíneos AB0 e Rh
Explicar por que é  tão  importante a compatibilidade entre os  tipos sanguíneos do doador e do receptor antes de
administrar a transfusão.
As  superfícies  das  hemácias  contêm  inúmeros  antígenos  geneticamente  determinados  compostos  de  glicoproteínas  e
glicolipídios. Esses antígenos, chamados aglutinogênios, ocorrem em combinações características. Com base na presença
ou  ausência  de  vários  antígenos,  o  sangue  é  classificado  em  diferentes grupos sanguíneos.  Em  um  determinado  grupo
sanguíneo, pode haver dois ou mais tipos de sangue diferentes. Existem, pelo menos, 24 grupos sanguíneos e mais de 100
932
antígenos que podem ser detectados na superfície das hemácias. Aqui, discutiremos dois importantes grupos sanguíneos –
AB0  e  Rh. Os  sistemas  Lewis,  Kell,  Kidd  e Duffy  são  exemplos  de  outros  grupos  sanguíneos. A  incidência  dos  tipos
sanguíneos AB0 e Rh varia entre os diferentes grupos populacionais, conforme mostra a Tabela 19.5.
TABELA 19.5 Tipos sanguíneos nos EUA.
  TIPO SANGUÍNEO (PERCENTUAL)
GRUPO POPULACIONAL 0 A B AB Rh+
Euro-americano 45 40 11 4 85
Afro-americano 49 27 20 4 95
Coreano-americano 32 28 30 10 100
Nipo-americano 31 38 21 10 100
Sino-americano 42 27 25 6 100
Nativo Americano 79 16 4 1 100
Grupo sanguíneo AB0
O grupo  sanguíneo AB0  é  baseado  em  dois  antígenos  glicolipídios  chamados  de A  e  B  (Figura 19.12).  Pessoas  cujas
hemácias demonstram apenas antígeno A apresentam sangue do tipo A. Aqueles com apenas antígeno B são do tipo B. Os
indivíduos que apresentam tanto o antígeno A quanto o B são do tipo AB; aqueles que não têm antígeno A nem B são do
tipo 0.
Figura 19.12 Antígenos e anticorpos dos tipos sanguíneos AB0.
Os anticorpos no plasma não reagem com os antígenos eritrocitários.
Que anticorpos estão normalmente presentes no tipo sanguíneo O?
Em geral, o plasma sanguíneo contém anticorpos chamados aglutininas que reagem com os antígenos A ou B se os
dois se misturarem; são os anticorpos anti­A, que reagem com o antígeno A, e os anticorpos anti­B, que reagem com o
antígeno B. A  Figura 19.12 mostra  os  anticorpos  encontrados  em  cada  um  dos  quatro  tipos  de  sangue. Não  possuímos
933
anticorpos que reagem com os antígenos de nossas próprias hemácias, porém temos anticorpos contra quaisquer antígenos
que nossas hemácias não possuam. Por exemplo, em caso de tipo sanguíneo B, a pessoa tem antígenos B nas hemácias e
anticorpos  anti­A  no  plasma  sanguíneo.  Embora  as  aglutininas  comecem  a  aparecer  no  sangue  alguns meses  depois  do
nascimento, ainda não foi esclarecido o motivo. Talvez sejam formadas em resposta às bactérias que normalmente habitam
o sistema digestório. Uma vez que os anticorpos são grandes anticorpos do tipo IgM (ver Tabela 22.3) que não cruzam a
placenta, a incompatibilidade AB0 entre a gestante e o feto raramente causa problemas.
Transfusões
Apesar  das  diferenças  entre  os  antígenos  das  hemácias  refletidas  nos  sistemas  de  grupo  sanguíneo,  o  sangue  é  o  tecido
humano mais facilmente compartilhado, salvando milhares de vidas todos os anos por meio de transfusões. Transfusão de
sangue consiste na transferência de sangue total ou componentes sanguíneos (hemácias ou plasma apenas) para a corrente
sanguínea ou diretamente na medula óssea vermelha. Na maioria das vezes, a  transfusão é realizada para corrigir anemia,
para  aumentar  o  volume  de  sangue  (p.  ex.,  depois  de  uma  hemorragia  significativa)  ou  para  melhorar  a  imunidade.
Entretanto,  os  componentes  normais  da membrana  plasmática  eritrocitária  de  uma  pessoa  podem  desencadear  respostas
antígeno­anticorpo  danosas  no  receptor  da  transfusão.  Na  transfusão  de  sangue  incompatível,  anticorpos  no  plasma  do
receptor se ligam aos antígenos nas hemácias doadas, o que causa aglutinação de hemácias. A aglutinação é uma resposta
antígeno­anticorpo na qual há ligação cruzada das hemácias. (Observe que aglutinação não é a mesma coisa que coagulação
sanguínea.)  Quando  esses  complexos  antígeno­anticorpo  se  formam,  eles  ativam  proteínas  plasmáticas  da  família
complemento (descrita na Seção 22.6). Essencialmente, o complemento torna porosa a membrana plasmática das hemácias
doadas,  causando  hemólise  ou  ruptura  das  hemácias  e  liberação  de  hemoglobina  no  plasma  sanguíneo.  A  hemoglobina
liberada pode causar dano renal obstruindo os glomérulos renais. Embora bastante raro, é possível que os vírus que causam
AIDS e hepatites B e C sejam transmitidos por transfusão de hemoderivados contaminados.
Considere o que acontece quando uma pessoa com sangue do  tipo A recebe uma  transfusão de sangue do  tipo B. O
sangue do receptor (tipo A) contém antígenos A nas hemácias e anticorpos anti­B no plasma. O sangue do doador (tipo B)
contém antígenos B e anticorpos anti­A. Nessa situação, duas coisas podem acontecer. Na primeira, os anticorpos anti­B
no plasma do receptor podem se ligar aos antígenos B nos eritrócitos do doador, causando aglutinação e lise das hemácias.
Na  segunda,  os  anticorpos  anti­A  no  plasma  do  doador  podem  se  ligar  aos  antígenos A  nas  hemácias  do  receptor,  uma
reação menos grave porque os  anticorpos anti­A do doador  estão  tão diluídos no plasma do  receptor que não promovem
aglutinação e lise significativas das hemácias do receptor.
Pessoas  com sangue do  tipo AB não  apresentam anticorpos  anti­A nem anti­B no plasma  sanguíneo. Às vezes,  são
chamadas  de  receptores universais,  porque  teoricamente  podem  receber  sangue  de  doadores  de  todos  os  quatro  tipos  de
sangue.  Elas  não  possuem  anticorpos  para  atacar  antígenos  nas  hemácias  doadas.  Pessoas  com  sangue  do  tipo  0  não
possuem antígenos A nem B nas  suas hemácias  e  são, muitas vezes,  chamadas de doadores universais,  pois,  em  teoria,podem doar  sangue para  todos os quatro  tipos de  sangue AB0. As pessoas do  tipo 0 que precisam de  sangue  só podem
receber sangue do tipo 0 (Tabela 19.6). Na prática, o uso dos termos receptor universal e doador universal gera confusão e
pode ser perigoso. O sangue contém outros antígenos e anticorpos além dos associados ao sistema AB0 que podem causar
reações transfusionais. Por isso, o sangue deve ser testado e avaliado com cuidado antes da transfusão. Em cerca de 80%
da população, os antígenos solúveis do  tipo AB0 aparecem na saliva e outros  líquidos corporais. Nesses casos o  tipo de
sangue pode ser identificado a partir de uma amostra da saliva.
Grupo sanguíneo Rh
O grupo sanguíneo Rh é assim chamado porque o antígeno Rh, chamado de fator Rh, foi encontrado pela primeira vez no
sangue do macaco Rhesus. Os alelos de três genes codificam o antígeno Rh. Pessoas cujas hemácias apresentam antígenos
Rh são chamadas de Rh+  (Rh­positivo);  aquelas que não apresentam antígenos Rh  são designadas Rh–  (Rh­negativo). A
Tabela 19.5 mostra a incidência de Rh+ e Rh– em várias populações. Em geral, o plasma sanguíneo não contém anticorpos
anti­Rh.  Se  uma  pessoa  Rh–  receber  uma  transfusão  de  sangue  Rh+,  no  entanto,  o  sistema  imune  começa  a  produzir
anticorpos  anti­Rh  que  persistem  no  sangue.  Se  uma  segunda  transfusão  de  sangue  Rh+  ocorrer  posteriormente,  os
anticorpos anti­Rh previamente  formados causarão aglutinação e  lise das hemácias no sangue doado e ocorre uma reação
grave.
Tipagem e compatibilidade sanguíneas para transfusão
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https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22tab3
https://jigsaw.vitalsource.com/books/9788527728867/epub/OEBPS/Text/chapter22.html#ch22-6
Para  evitar  incompatibilidades  sanguíneas,  os  técnicos  de  laboratório  fazem  a  tipagem  do  sangue  do  paciente  e,  depois
disso,  realizam  uma  prova  de  reação  cruzada  com  o  sangue  do  doador  potencial  ou  verificam  se  há  anticorpos.  No
procedimento de  tipagem sanguínea AB0, gotas de  sangue  são misturadas  a diferentes antissoros,  que  são  soluções com
anticorpos (Figura 19.14). Uma  gota  de  sangue  é misturada  a  soro  anti­A,  que  contém  anticorpos  anti­A  que  aglutinam
hemácias  com  antígeno A. Outra  gota  é misturada  a  soro  anti­B,  que  contém  anticorpos  anti­B  que  aglutinam hemácias
com antígenos B. Se as hemácias se aglutinarem apenas quando forem misturadas a soro anti­A, o tipo sanguíneo é A. Se
as hemácias se aglutinarem apenas quando misturadas ao soro anti­B, o tipo de sangue é B. O sangue é AB se em ambas
as gotas ocorrer a aglutinação de hemácias; se não houver aglutinação, o tipo de sangue é O.
TABELA 19.6 Resumo das interações dos grupos sanguíneos AB0.
CARACTERÍSTICA
TIPO SANGUÍNEO
A B AB 0
Aglutinogênio (antígeno) nas hemácias A B A e B Nem A nem B
Aglutinina (anticorpo) no plasma Anti-B Anti-A Nem anti-A
nem anti-B
Anti-A e anti-B
Tipos de sangue compatíveis (sem hemólise) A, 0 B, 0 A, B, AB, 0 0
Tipos de sangue incompatíveis (hemólise) B, AB A, AB – A, B, AB
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Doença hemolítica do recém-nascido
O problema mais comum de incompatibilidade Rh, a doença hemolítica do recém-nascido (DHRN), pode surgir durante a gravidez (Figura 19.13). Normalmente,
não ocorre contato direto entre o sangue materno e o fetal durante a gravidez. Entretanto, se um pequeno volume de sangue Rh+ extravasa através da placenta do
feto para a corrente sanguínea da mãe Rh–, a mãe começa a produzir anticorpos anti-Rh. Como a maior possibilidade de extravasamento de sangue fetal para a
circulação materna é na hora do parto, em geral, o primeiro lho não é afetado. Se a mulher engravidar de novo, no entanto, seus anticorpos anti-Rh podem
atravessar a placenta e entrar na corrente sanguínea do feto. Se o feto for Rh–, não tem problema, pois o sangue Rh– não possui o antígeno Rh. Se o feto for Rh+,
entretanto, aglutinação e hemólise causadas pela incompatibilidade entre feto e mãe ocorrem no sangue fetal.
Uma injeção de anticorpos anti-Rh chamada de gamaglobulina anti-Rh pode ser aplicada para evitar a DHRN. Mulheres Rh– devem receber essa gamaglobulina
antes do parto e logo depois de cada parto ou aborto. Esses anticorpos se ligam e inativam os antígenos Rh fetais antes que o sistema imune da mãe possa responder
aos antígenos estranhos com a produção de seus próprios anticorpos anti-Rh.
Figura 19.13 Desenvolvimento da doença hemolítica do recém-nascido (DHRN). A. Ao nascimento, um pequeno volume de sangue fetal geralmente
atravessa a placenta e chega a corrente sanguínea da mãe. Pode ocorrer um problema quando a mãe é Rh– e o feto é Rh+, tendo herdado um alelo para os antígenos
Rh do pai. B. O sistema imune da mãe responde à exposição ao antígeno Rh com a produção de anticorpos anti-Rh. C. Durante a gravidez subsequente, os anticorpos
maternos cruzam a placenta para o sangue fetal. Se o segundo feto for Rh+, a reação antígeno-anticorpo resultante causa aglutinação e lise das hemácias fetais. O
resultado é a DHRN.
A DHRN ocorre quando anticorpos maternos anti-Rh cruzam a placenta e causam hemólise fetal.
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Por que é improvável que o primeiro lho desenvolva DHRN?
 
No procedimento de determinação do fator Rh, uma gota de sangue é misturada a antissoro contendo anticorpos que
aglutinam hemácias com antígenos Rh. Se o sangue aglutinar, é Rh+ e, se isso não ocorrer, é Rh–.
Figura 19.14 Tipagem sanguínea AB0. As áreas no quadrado mostram aglutinação das hemácias.
No procedimento de tipagem sanguínea AB0, o sangue é misturado com soros anti­A e anti­B.
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O que é aglutinação?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Anticoagulantes
Pacientes que correm risco mais elevado de formar coágulos sanguíneos podem receber anticoagulantes. A heparina e a varfarina são exemplos dessas substâncias.
Muitas vezes, a heparina é administrada durante hemodiálise e cirurgia cardíaca a céu aberto. A varfarina atua como antagonista da vitamina K e, dessa forma,
bloqueia a síntese de quatro fatores da coagulação. A varfarina age de maneira mais lenta que a heparina. Para evitar coagulação em sangue doado, muitas vezes, os
bancos de sangue e laboratórios adicionam substâncias que removem Ca2+; EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) e CPD (solução de citrato, fosfato e glicose) são
dois exemplos.
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Uma vez conhecido o tipo de sangue do paciente, é selecionado o sangue de doador com os mesmos tipos AB0 e Rh.
Na reação cruzada,  as hemácias do possível doador  são misturadas ao soro do  receptor. Se a aglutinação não ocorrer, o
receptor  não  apresenta  anticorpos  que  atacam  as  hemácias  do  doador. Uma opção  é  analisar  o  soro  do  receptor  com um
painel de hemácias que têm antígenos sabidamente indutores de reações transfusionais para detectar eventuais anticorpos.
 TESTE RÁPIDO
Que precauções precisam ser tomadas antes da realização de uma transfusão de sangue?
O que é hemólise e como pode ocorrer depois de uma transfusão de sangue incompatível?
Explique as condições que podem causar doença hemolítica do recém­nascido.
 DISTÚRBIOS | DESEQUILÍBRIOS HOMEOSTÁTICOS
Anemia
Anemia é uma condição na qual a capacidade do sangue de transportar oxigênio está reduzida. Todos os muitos tipos
de anemia são caracterizados por contagem menor de hemácias ou diminuição da concentração de hemoglobina no
sangue. A pessoa se sente fadigada e intolerante ao frio, dois fatores relacionados com a falta do oxigênio necessário
para  a  produção  de  ATP  e  calor.  Além  disso,  a  pele  é  pálida  devido  ao  baixo  conteúdo  de  hemoglobina  de  cor
vermelha circulando nos vasos sanguíneos da pele. As causas e os tipos mais importantes de anemia são:
A absorção  inadequada de  ferro,  a  perda excessiva de  ferro,  o  aumento da demanda de  ferro ou a  ingestão de
ferro  insuficiente  causam  anemia  ferropriva,  o  tipo  mais  comum  de  anemia.  As  mulheres  correm  risco  mais
elevado deanemia ferropriva devido às perdas sanguíneas menstruais e demandas mais altas de ferro para o feto
em  crescimento  durante  a  gravidez.  Perdas  gastrintestinais,  como  nos  casos  de  malignidades  e  ulcerações,
também contribuem para este tipo de anemia
A  ingestão  inadequada  de  vitamina  B12  ou  ácido  fólico  provoca  a  anemia megaloblástica,  na  qual  a  medula
óssea  vermelha produz hemácias grandes e anormais  (megaloblastos). Também pode ser  causada por  fármacos
que alteram a secreção gástrica ou são usados no tratamento de cânceres
A hemopoese  insuficiente  resultante da  incapacidade do estômago de produzir  fator  intrínseco necessário para a
absorção de vitamina B12 no intestino delgado causa anemia perniciosa
A perda excessiva de hemácias por causa de sangramentos  resultantes de grandes  feridas, úlceras do estômago
ou especialmente menstruação intensa resulta em anemia hemorrágica
As membranas  plasmáticas  das  hemácias  se  rompem  prematuramente  na anemia  hemolítica.  A  hemoglobina
liberada  extravasa  para  o  plasma  e  pode  danificar  os  glomérulos  renais  (unidades  de  filtragem).  A  anemia
hemolítica  pode  resultar  de  defeitos  hereditários  como  enzimas  eritrocitárias  anormais  ou  de  agentes  externos
como parasitas, toxinas ou anticorpos de sangue transfundido incompatível
A  síntese  deficiente  de  hemoglobina  ocorre  na  talassemia,  um  grupo  de  anemias  hemolíticas  hereditárias.  As
hemácias são pequenas (microcíticas), pálidas (hipocrômicas) e de vida curta. A talassemia ocorre principalmente
em populações de países que margeiam o Mar Mediterrâneo
A destruição  da medula  óssea  vermelha  resulta  em anemia aplásica.  É  causada  por  toxinas,  radiação  gama  e
alguns medicamentos que inibem as enzimas necessárias para hemopoese.
Doença falciforme
As hemácias de uma pessoa com doença falciforme contêm Hb­S, um tipo anormal de hemoglobina. Quando a HbS
libera oxigênio para o líquido intersticial, ocorre a formação de estruturas rígidas e longas semelhantes a bastões que
conferem à hemácia o  formato de  foice (Figura 19.15). As hemácias  falciformes se  rompem com facilidade. Mesmo
que a eritropoese seja estimulada pela perda das hemácias, ela não consegue contrabalançar a hemólise. Os sinais e
sintomas  da  doença  falciforme  são  causados  pelo  afoiçamento  das  hemácias.  Quando  as  hemácias  se  tornam
falciformes,  elas  se  degradam  prematuramente  (as  hemácias  falciformes morrem  em  cerca  de  10  a  20  dias).  Isso
ocasiona  anemia,  que  pode  provocar  dispneia,  fadiga,  palidez  e  atraso  do  crescimento  e  desenvolvimento  das
crianças  afetadas.  A  rápida  degradação  e  perda  das  hemácias  também  pode  causar  icterícia,  que  consiste  na
coloração amarela dos olhos e da pele. As hemácias falciformes não atravessam com facilidade os vasos sanguíneos
e tendem a se agregar, formando grumos que obstruem os vasos sanguíneos. Essa situação priva os órgãos do corpo
de oxigênio suficiente e causa dor (p. ex., nos ossos e no abdome), infecções graves e dano orgânico, sobretudo nos
pulmões, no encéfalo, no baço e nos rins. Outras manifestações de doença falciforme são febre, taquicardia, edema e
inflamação  das  mãos  e/ou  pés,  úlceras  de  perna,  dano  ocular,  sede  excessiva,  poliuria  e  ereções  dolorosas  e
prolongadas  nos  homens.  Quase  todos  os  indivíduos  com  doença  falciforme  apresentam  episódios  dolorosos  que
podem durar horas a dias. Algumas pessoas apresentam um episódio a  intervalos de alguns anos, enquanto outras
têm  vários  episódios  por  ano.  Os  episódios  podem  variar  de  leves  àqueles  que  exigem  hospitalização.  Qualquer
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atividade que  reduza a concentração de oxigênio no sangue,  como a prática de exercícios vigorosos, pode provocar
uma crise falciforme (agravamento da anemia, dor no abdome e nos ossos longos dos membros, febre e dispneia).
Figura 19.15 Hemácias de uma pessoa com doença falciforme.
As hemácias de uma pessoa com doença falciforme contêm um tipo anormal de hemoglobina.
Quais são alguns dos sinais/sintomas da doença falciforme?
A  doença  falciforme  é  hereditária.  Pessoas  com  dois  genes  falciformes  apresentam  anemia  grave,  enquanto
aquelas  com  apenas  um  gene  defeituoso  apresentam  o  traço  falciforme.  Genes  falciformes  são  encontrados
principalmente  nas  populações  (ou  seus  descendentes)  que  moram  no  cinturão  da  malária  ao  redor  do  mundo,
incluindo partes da Europa Mediterrânea, África Subsaariana e Ásia Tropical. Os genes responsáveis pela  tendência
das  hemácias  a  se  tornarem  falciformes  também  modificam  a  permeabilidade  das  membranas  plasmáticas  das
hemácias falciformes, causando o extravasamento de íons potássio. Níveis baixos de potássio matam os parasitas da
malária que infectam as hemácias falciformes. Por causa desse efeito, uma pessoa com um gene normal e um gene
falciforme apresenta resistência acima da média à malária. Desse modo, o fato de possuir um único gene falciforme
confere um benefício de sobrevida.
O  tratamento  da  doença  falciforme  consiste  na  administração  de  analgésicos  para  aliviar  a  dor,  terapia  hídrica
para  manter  a  hidratação,  oxigênio  para  reduzir  a  deficiência  de  oxigênio,  antibióticos  para  conter  infecções  e
transfusões  de  sangue.  As  pessoas  que  sofrem  de  doença  falciforme  apresentam  hemoglobina  fetal  (HbF)  normal,
uma  forma  discretamente  diferente  de  hemoglobina  que  predomina  ao  nascimento  e  é  encontrada  em  pequenas
quantidades  depois  do  nascimento.  Em  alguns  pacientes  com  doença  falciforme,  uma  substância  chamada
hidroxiureia promove a transcrição do gene normal HbF, eleva o nível de HbF e reduz as chances de as hemácias se
tornarem falciformes.  Infelizmente, a hidroxiureia também exerce efeitos tóxicos na medula óssea e existem dúvidas
quanto a sua segurança para uso prolongado.
Hemofilia
Hemofilia é uma deficiência hereditária da coagulação na qual pode ocorrer sangramento de maneira espontânea ou
após  microtraumatismos.  É  o  mais  antigo  distúrbio  hemorrágico  hereditário  conhecido;  já  foram  encontradas
descrições da doença oriundas do  início do século  II a.C. Em geral, a hemofilia acomete homens e muitas vezes é
referida  como  “a  doença  real”,  pois  muitos  descendentes  da  rainha  Victória,  começando  com  um  dos  seus  filhos,
foram afetados pela doença. Os diferentes  tipos de hemofilia são decorrentes de deficiências de  fatores distintos da
coagulação  sanguínea  e  exibem  diversos  graus  de  gravidade,  variando  de  tendências  hemorrágicas  leves  a
significativas.  A  hemofilia  é  caracterizada  por  hemorragias  intramusculares  e  subcutâneas  traumáticas  ou
espontâneas, sangramentos nasais, hematúria e hemorragias nas articulações que provocam dor e dano  tecidual. O
tratamento envolve  transfusões de plasma  fresco ou concentrados do  fator de coagulação deficiente para atenuar a
tendência ao sangramento. Outro tratamento é a desmopressina (DDAVP), que pode elevar os níveis dos fatores de
crescimento.
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4.
Leucemia
O  termo  leucemia  se  refere  a  um  grupo  de  cânceres  da  medula  óssea  vermelha  em  que  leucócitos  anormais  se
multiplicam de maneira descontrolada. O acúmulo de  leucócitos cancerosos na medula óssea vermelha  interfere na
produção  de  hemácias,  leucócitos  e  plaquetas.  Em  consequência  disso,  a  capacidade  de  transportar  oxigênio  do
sangue  diminui,  o  indivíduo  se  torna  mais  suscetível  à  infecção  e  a  coagulação  sanguínea  se  torna  anormal.  Na
maioria  das  leucemias,  os  leucócitos  cancerosos  se espalham para os  linfonodos,  o  fígado e o  baço,  provocando o
aumento  do  tamanho  desses  órgãos.  Todas  as  leucemias  provocam  os  sinais/sintomas  usuais  de  anemia  (fadiga,
intolerância ao  frio e pele pálida). Além disso, podem ocorrer perda de peso,  febre, sudorese noturna,sangramento
excessivo e infecções recorrentes.
Em  geral,  as  leucemias  são  classificadas  como  agudas  (os  sinais/sintomas  se  desenvolvem  rapidamente)  e
crônicas  (os  sinais/sintomas  podem  levar  anos  para  se  desenvolver).  As  leucemias  também  são  classificadas  com
base  no  tipo  de  leucócito  que  se  tornou maligno.  A  leucemia  linfoblástica  envolve  células  derivadas  das  células­
tronco  linfoides  (linfoblastos)  e/ou  linfócitos.  A  leucemia  mieloide  acomete  células  derivadas  de  células­tronco
mieloides (mieloblastos). Combinando o surgimento dos sinais/sintomas e as células envolvidas, existem quatro tipos
de leucemia:
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a  leucemia mais comum em crianças, porém adultos  também podem
desenvolvê­la.
A leucemia mieloide aguda (LMA) afeta tanto crianças quanto adultos.
A anemia linfoblástica crônica (ALC) é a leucemia mais comum em adultos, geralmente com mais de 55 anos.
A leucemia mieloide crônica (LMC) ocorre principalmente em adultos.
A  causa  da  maioria  dos  tipos  de  leucemia  não  é  conhecida.  No  entanto,  alguns  fatores  de  risco  já  foram
implicados,  e  incluem  exposição  a  radiação  ou  quimioterapia  para  outros  cânceres,  fatores  genéticos  (alguns
problemas genéticos como síndrome de Down), fatores ambientais (tabagismo e benzeno) e microrganismos como o
vírus da leucemia/linfoma de células T humanas 1 (HTLV­1) e o vírus Epstein­Barr (EBV).
As  opções  de  tratamento  englobam  agentes  citotóxicos,  irradiação,  transplante  de  células­tronco,  interferona,
anticorpos e transfusão de sangue.
TERMINOLOGIA TÉCNICA
Banco de sangue.  Instituição que coleta e armazena uma  reserva de sangue para uso  futuro pelo doador e outras
pessoas. Uma vez que bancos de sangue apresentam outras e diversas funções (imuno­hematologia, trabalho de
referência,  educação  médica  continuada,  armazenamento  de  tecido  e  osso  e  consulta  clínica)  são  mais
apropriadamente referidos como centros de medicina transfusional.
Cianose.  Alteração  de  cor  discretamente  azulada/arroxeada  da  pele,  observada  com  mais  facilidade  nos  leitos
ungueais e nas túnicas mucosas devido ao aumento da concentração de hemoglobina reduzida, que consiste em
hemoglobina não combinada com o oxigênio no sangue sistêmico.
Flebotomista. Técnico especializado em coletar sangue.
Gamaglobulina.  Solução  de  imunoglobulinas  do  sangue  que  consiste  em  anticorpos  que  reagem  com  patógenos
específicos,  como  vírus.  É  preparada  com  a  injeção  do  vírus  específico  em  animais,  remoção  de  sangue  dos
animais após acúmulo dos anticorpos,  isolamento dos anticorpos e sua  injeção no ser humano a  fim de conferir
imunidade a curto prazo.
Hemocromatose.  Distúrbio  do  metabolismo  do  ferro  caracterizado  pela  absorção  excessiva  de  ferro  ingerido  e
excesso  de  depósito  de  ferro  nos  tecidos  (especialmente  fígado,  coração,  hipófise,  gônadas  e  pâncreas)  que
resulta em coloração bronzeada da pele, cirrose, diabetes melito e anormalidades ósseas e articulares.
Hemodiluição normovolêmica aguda. Remoção de sangue imediatamente antes da cirurgia e sua substituição por
uma solução acelular para manter o volume sanguíneo suficiente para a circulação adequada. Ao final da cirurgia,
uma vez controlado o sangramento, o sangue coletado é devolvido ao corpo.
Hemorragia. Perda de grande volume de sangue; pode ser interna (dos vasos sanguíneos para os tecidos) ou externa
(dos vasos sanguíneos diretamente para a superfície do corpo).
Icterícia. Coloração amarelada anormal da esclera dos olhos, da pele e das  túnicas mucosas devido ao excesso de
bilirrubina  (pigmento  amarelo­alaranjado)  no  sangue.  As  três  principais  categorias  de  icterícia  são  icterícia  pré­
hepática, devido ao excesso de produção de bilirrubina;  icterícia hepática,  processamento de bilirrubina anormal
pelo  fígado causado por doença hepática congênita, cirrose  (formação de  tecido cicatricial) hepática ou hepatite
(inflamação  do  fígado);  e  icterícia  extra(pós)­hepática,  devido  ao  bloqueio  da  drenagem  de  bile  por  cálculos
biliares ou câncer do intestino ou pâncreas.
Sangue  total.  Sangue  contendo  todos  os  elementos  figurados,  plasma  e  solutos  do  plasma  em  concentrações
naturais.
Septicemia. Existência e multiplicação de toxinas ou bactérias causadoras de doença no sangue.
Transfusão pré­operatória autóloga. Doação de sangue da própria pessoa; pode ser feita até 6 semanas antes de
uma cirurgia eletiva. Também chamada de pré­doação. Esse procedimento elimina o risco de incompatibilidade e
de doenças transmitidas pelo sangue.
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Trombocitopenia. Contagem de plaquetas muito baixa que resulta em tendência dos capilares ao sangramento.
Venissecção.  Incisão  de  uma  veia  para  coleta  de  sangue.  Embora  flebotomia  seja  sinônimo  de  venissecção,  na
prática clínica, a flebotomia se refere à sangria terapêutica como a remoção de um pouco de sangue para reduzir
sua viscosidade no paciente com policitemia.
REVISÃO DO CAPÍTULO
Conceitos essenciais
Introdução
O sistema circulatório consiste em sangue, coração e vasos sanguíneos.
O sangue é um tecido conjuntivo líquido que consiste em elementos figurados (células e fragmentos celulares) circundados
por uma matriz extracelular líquida (plasma sanguíneo).
Funções e propriedades do sangue
O sangue transporta oxigênio, dióxido de carbono, nutrientes, escórias metabólicas e hormônios.
O sangue ajuda a regular o pH, a temperatura corporal e o conteúdo de água das células.
O sangue confere proteção por meio da coagulação e do combate a toxinas e micróbios pela ação de determinados leucócitos
fagocíticos ou proteínas plasmáticas especializadas.
As características físicas do sangue incluem viscosidade maior que a da água, temperatura de 38°C e pH de 7,35 a 7,45.
O sangue constitui cerca de 8% do peso corporal e seu volume varia de 4 a 6 ℓ em adultos.
O sangue é composto aproximadamente por 55% de plasma sanguíneo e 45% de elementos figurados.
Hematócrito é o percentual do volume de sangue total ocupado pelas hemácias.
O  plasma  sanguíneo  é  composto  por  91,5% de  água  e  8,5%  por  solutos. Os  principais  solutos  são  proteínas  (albuminas,
globulinas, fibrinogênio), nutrientes, vitaminas, hormônios, gases respiratórios, eletrólitos e escórias metabólicas.
Hemácias (eritrócitos), leucócitos e plaquetas são os elementos figurados do sangue.
Formação das células sanguíneas
Hemopoese é a formação de células sanguíneas a partir de células­tronco hematopoéticas na medula óssea vermelha.
As células­tronco mieloides formam hemácias, plaquetas, granulócitos e monócitos. As células­tronco linfoides dão origem
aos linfócitos.
Vários fatores de crescimento hematopoéticos estimulam a diferenciação e a proliferação de diversas células sanguíneas.
Hemácias (eritrócitos)
Hemácias maduras são discos bicôncavos sem núcleo e contendo hemoglobina.
A função da hemoglobina nas hemácias é transportar oxigênio e parte do dióxido de carbono.
As hemácias vivem cerca de 120 dias. Um homem saudável apresenta aproximadamente 5,4 milhões de hemácias por μℓ de
sangue; uma mulher saudável tem em torno de 4,8 milhões/μℓ.
Depois da fagocitose de hemácias envelhecidas pelos macrófagos, a hemoglobina é reciclada.
A formação de hemácias, chamada de hematopoese ou eritropoese, ocorre na medula óssea vermelha adulta de determinados
ossos; é estimulada pela hipoxia que induz a liberação de eritropoetina pelos rins.
A contagem de reticulócitos é um exame laboratorial que indica a taxa de eritropoese.
Leucócitos
Os leucócitos são células nucleadas. Os dois principais tipos são os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e os
agranulócitos (linfócitos e monócitos).
A função geral dos  leucócitos é de combater  inflamação e  infecção. Os neutrófilose macrófagos  (que se desenvolvem a
partir dos monócitos) fazem isso por meio da fagocitose.
Os  eosinófilos  combatem  os  efeitos  da  histamina  em  reações  alérgicas,  fagocitam  complexos  antígeno­anticorpo  e
combatem vermes parasitas. Os basófilos liberam heparina, histamina e serotonina nas reações alérgicas que intensificam a
resposta inflamatória.
Os linfócitos B, em resposta a substâncias estranhas (antígenos), se diferenciam em plasmócitos que produzem anticorpos.
Os  anticorpos  se  fixam  aos  antígenos  e  os  neutralizam.  Essa  resposta  antígeno­anticorpo  combate  infecções  e  confere
imunidade. Os linfócitos T destroem os invasores estranhos de maneira direta. As células destruidoras naturais (NK, natural
killer) atacam microrganismos infecciosos e células tumorais.
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Com exceção dos linfócitos, que podem viver anos, os leucócitos geralmente vivem apenas algumas horas ou alguns dias. O
sangue normal contém 5.000 a 10.000 leucócitos/μℓ.
Plaquetas
As plaquetas são fragmentos celulares em forma de disco derivadas dos megacariócitos. O sangue normal contém 150.000 a
400.000 plaquetas/μℓ.
As plaquetas ajudam a interromper a perda de sangue de vasos sanguíneos danificados por meio da formação de um tampão
plaquetário.
Transplantes de células­tronco de medula óssea e sangue de cordão umbilical
Transplantes de medula óssea envolvem remoção de medula óssea vermelha como fonte de células­tronco da crista ilíaca.
No transplante de sangue do cordão umbilical, células­tronco da placenta são removidas do cordão umbilical.
Os transplantes de sangue do cordão umbilical oferecem algumas vantagens em relação aos transplantes de medula óssea.
Hemostasia
Hemostasia se refere à interrupção do sangramento.
A hemostasia envolve espasmo vascular, formação de tampão plaquetário e coagulação sanguínea.
No espasmo vascular, o músculo liso da parede do vaso sanguíneo se contrai, o que retarda a perda de sangue.
A formação do tampão plaquetário envolve agregação de plaquetas para interromper o sangramento.
Coágulo é uma rede de fibras proteicas insolúveis (fibrina) na qual os elementos figurados do sangue são aprisionados.
As substâncias químicas envolvidas na coagulação são conhecidas como fatores de coagulação.
A coagulação do sangue envolve uma cascata de reações que pode ser dividida em três estágios: formação de protrombinase,
conversão de protrombina em trombina e conversão de fibrinogênio solúvel em fibrina insolúvel.
A coagulação é iniciada pela interação das vias extrínseca e intrínseca da coagulação sanguínea.
A  coagulação  normal  demanda  vitamina  K  e  é  seguida  pela  retração  do  coágulo  e,  por  fim,  fibrinólise  (dissolução  do
coágulo).
A coagulação em um vaso sanguíneo íntegro é chamada de trombose. Um trombo que se desloca do seu local de origem é
chamado de êmbolo.
Grupos e tipos sanguíneos
Os grupos sanguíneos AB0 e Rh são determinados geneticamente e baseados em respostas antígeno­anticorpo.
No grupo sanguíneo AB0, a existência ou não de antígenos A e B na superfície das hemácias determina o tipo de sangue.
No sistema Rh, indivíduos cujas hemácias apresentam antígenos Rh são classificados de Rh+ e aqueles que não apresentam
o antígeno são Rh–.
A doença hemolítica do recém­nascido (DHRN) pode ocorrer quando uma mulher Rh– engravida e o feto é Rh+.
Antes da transfusão do sangue, o tipo sanguíneo do receptor é determinado e, em seguida, é submetido à prova de reação
cruzada com o sangue do potencial doador ou analisado quanto à existência de anticorpos.
QUESTÕES PARA AVALIAÇÃO CRÍTICA
Recentemente,  Shirlei  utilizou  antibióticos  de  amplo  espectro  para  combater  uma  infecção  urinária  recorrente.
Quando estava cortando legumes, ela se cortou e teve dificuldades para cessar o sangramento. De que maneira os
antibióticos poderiam ter influenciado o sangramento de Shirlei?
A Sra. Brown está com insuficiência renal. Seus exames de sangue recentes indicaram hematócrito de 22. Por que
o hematócrito da Sra. Brown está baixo? O que pode ser feito para elevar o hematócrito dela?
Thomas  está  com hepatite,  o que  está  comprometendo  suas  funções hepáticas. Que  tipos de  sinais/sintomas  ele
está tendo com base na(s) função(ções) hepáticas relacionada(s) ao sangue?
 RESPOSTAS ÀS QUESTÕES DAS FIGURAS
O volume de sangue corresponde a cerca de 8% da massa corporal, aproximadamente 5 a 6 ℓ nos homens e 4 a 5 ℓ
nas mulheres. Por exemplo, uma pessoa de 70 kg apresenta um volume sanguíneo de 5,6 ℓ (70 kg × 8% × 1 ℓ/kg).
Plaquetas são fragmentos celulares.
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As células­tronco pluripotentes se desenvolvem a partir do mesênquima.
Uma molécula de hemoglobina consegue transportar no máximo 4 moléculas de O2, cada uma ligada a um grupo
heme.
Transferrina é uma proteína plasmática que transporta ferro no sangue.
Ao se mudar para uma altitude elevada, o hematócrito sobe devido ao aumento da secreção de eritropoetina.
Os  neutrófilos,  eosinófilos  e  basófilos  são  chamados  de  leucócitos  granulócitos  porque  possuem  grânulos
citoplasmáticos visíveis à microscopia óptica quando corados.
Os linfócitos circulam do sangue para os tecidos e dos tecidos para o sangue. Depois de deixar o sangue, outros
leucócitos permanecem nos tecidos até morrerem.
Juntamente com a formação do tampão plaquetário, o espasmo vascular e a coagulação sanguínea contribuem para
a hemostasia.
O soro consiste em plasma sanguíneo sem as proteínas de coagulação.
O resultado do primeiro estágio da coagulação é a formação de protrombinase.
O sangue de tipo 0 geralmente contém anticorpos anti­A e anti­B.
Como é mais provável que a mãe comece a produzir anticorpos anti­Rh depois do parto do primeiro filho, ele não
sofre danos.
Aglutinação se refere ao agrupamento de hemácias.
Anemia,  icterícia,  dor  óssea,  dispneia,  aceleração  da  frequência  cardíaca,  dor  abdominal,  febre  e  fadiga  são
algumas das manifestações da doença falciforme.
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*1 μl = 1 mm3 = 10­6 litro.
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Coração e homeostasia
O coração contribui para a homeostasia por meio do bombeamento de sangue pelos vasos sanguíneos para os tecidos do corpo,
do fornecimento de oxigênio e nutrientes e da remoção de escórias metabólicas.
No  capítulo  anterior  vimos  que  o  sistema circulatório  é  formado  pelo  sangue,  pelo  coração  e  pelos  vasos  sanguíneos.
Também  foi  examinada  a  composição  e  as  funções do  sangue;  neste  capítulo,  você  conhecerá  a bomba que  faz o  sangue
circular por todo o corpo – o coração. Para que o sangue alcance as células do corpo e troque materiais com elas, deve ser
bombeado continuamente por meio do coração ao longo dos vasos sanguíneos do corpo. O coração se contrai cerca de 100
mil vezes ao dia, o que perfaz aproximadamente 35 milhões de contrações em 1 ano,  e  cerca de 2,5 bilhões de vezes ao
longo de um período médio de vida. O  lado esquerdo do coração bombeia o  sangue por estimados 120 mil km de vasos
sanguíneos, o que equivale a circular a Terra (na altura do equador) aproximadamente três vezes. O lado direito do coração
bombeia  o  sangue  através  dos  pulmões,  possibilitando  que  o  sangue  receba  oxigênio  e  elimine  o  dióxido  de  carbono.
Mesmo  quando  dormimos,  o  coração  bombeia  30  vezes  o  seu  próprio  peso  a  cada  minuto,  o  que  corresponde
aproximadamente 5 ℓ de sangue para os pulmões e o mesmo volume para o restante do corpo. O coração bombeia mais de
cerca  de  14 mil  litros  de  sangue  em  1  dia,  ou  5 milhões  de  litros  em  1  ano.  No  entanto,  não  passamos  todo  o  tempo
dormindo, e o coração bombeia ainda mais vigorosamente quando estamos ativos. Assim, o volume real de sangue que o
coração bombeia em um único dia é muito maior.
O estudo científico do coração normal e das doençasassociadas é chamado cardiologia. Este capítulo explora a estrutura
do coração e as propriedades únicas que possibilitam o bombeamento vitalício, sem descanso.
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20.1
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•
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Anatomia do coração
 OBJETIVOS
Descrever a localização do coração
Descrever a estrutura do pericárdio e da parede do coração
Discutir a anatomia (externa e interna) das câmaras do coração
Correlacionar a espessura das câmaras do coração com suas funções
Localização do coração
Apesar de sua potência, o coração é relativamente pequeno, aproximadamente do tamanho (mas não com a mesma forma)
de sua mão fechada. Tem aproximadamente 12 cm de comprimento, 9 cm de largura em seu ponto mais amplo, e 6 cm de
espessura. Pesa em média 250 g nas mulheres adultas e 300 g nos homens adultos. O coração repousa sobre o diafragma,
próximo  da  linha mediana  da  cavidade  torácica.  Lembre­se  de  que  a  linha mediana  é  uma  linha  vertical  imaginária  que
divide o corpo em lados esquerdo e direito, não simétricos. O coração encontra­se no mediastino, uma região anatômica
que  se  estende  do  esterno  à  coluna  vertebral,  da  primeira  costela  ao  diafragma,  e  entre  os  pulmões  (Figura  20.1A).
Aproximadamente  dois  terços  da massa  do  coração  encontram­se  à  esquerda  da  linha mediana  do  corpo  (Figura 20.1B).
Você  pode  visualizar  o  coração  como  um  cone  deitado  de  lado. O ápice  pontiagudo  é  formado  pela  ponta  do  ventrículo
esquerdo (a câmara inferior do coração) e está situado sobre o diafragma. O ápice está direcionado para frente, para baixo e
para  a  esquerda. A base  do  coração  está  do  lado  oposto  ao  ápice  e  constitui  sua  face  posterior.  É  formada  pelos  átrios
(câmaras superiores) do coração, principalmente o átrio esquerdo (ver Figura 20.3C).
Figura 20.1 Posição do coração e das estruturas associadas no mediastino. As posições das estruturas do coração e associadas no
mediastino estão indicadas por linhas tracejadas.
O coração está localizado no mediastino, com dois terços de sua massa à esquerda da linha mediana.
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O que é o mediastino?
Além do ápice e da base, o coração  tem diversas faces. A face esternocostal é profunda ao esterno e às costelas. A
face diafragmática é a parte do coração entre o ápice e a margem direita e se apoia principalmente no diafragma (Figura
20.1B). A margem direita está voltada para o pulmão direito e se estende da  face  inferior à base. A margem esquerda
está voltada para o pulmão esquerdo e se estende da base ao ápice.
Pericárdio
A  membrana  que  envolve  e  protege  o  coração  é  o  pericárdio.  Restringe  o  coração  à  sua  posição  no  mediastino,
possibilitando liberdade de movimento suficiente para a contração vigorosa e rápida. O pericárdio consiste em duas partes
principais: (1) o pericárdio fibroso e (2) o pericárdio seroso (Figura 20.2A). O pericárdio fibroso, superficial, é composto
por  tecido conjuntivo  inelástico,  resistente, denso e  irregular. Assemelha­se a uma bolsa que  repousa  sobre o diafragma,
fixando­se  nele;  a  extremidade  aberta  está  fundida  aos  tecidos  conjuntivos  dos  vasos  sanguíneos  que  entram  e  saem  do
coração. O pericárdio  fibroso  impede a hiperdistensão do coração,  fornece proteção e ancora o coração no mediastino. O
pericárdio fibroso próximo ao ápice do coração está parcialmente fundido ao tendão central do diafragma; por conseguinte,
o movimento do diafragma, como na respiração profunda, facilita a circulação do sangue pelo coração.
O pericárdio seroso, mais profundo, é uma membrana mais fina, delicada, que forma uma dupla camada em torno do
coração  (Figura  20.2A).  A  lâmina  parietal  do  pericárdio  seroso  mais  externa  está  fundida  ao  pericárdio  fibroso.  A
lâmina visceral do pericárdio seroso mais  interna, que  também é chamada epicárdio,  é uma das  camadas da parede do
coração  e  adere  firmemente  à  sua  superfície.  Entre  as  camadas  parietal  e  visceral  do  pericárdio  seroso  existe  uma  fina
película de líquido seroso lubrificante. Esta secreção das células pericárdicas, conhecida como líquido pericárdico, reduz o
atrito  entre  as  camadas do pericárdio  seroso conforme o  coração  se move. O espaço que contém os poucos mililitros de
líquido pericárdico é chamado cavidade do pericárdio.
Figura 20.2 Pericárdio e parede do coração.
O pericárdio é um saco de três camadas que envolve e protege o coração.
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Qual camada é parte tanto do pericárdio quanto da parede do coração?
CORRELAÇÃO CLÍNICA | Reanimação cardiopulmonar
A reanimação cardiopulmonar (RCP) é o procedimento de emergência para o estabelecimento de frequências cardíaca e respiratória normais. A RCP convencional
utiliza uma combinação de compressão cardíaca e ventilação arti cial dos pulmões via respiração boca a boca. Por muitos anos, esta combinação foi o único método
de RCP. Recentemente, no entanto, a RCP utilizando só compressões torácicas se tornou o método preferido.
Como coração encontra-se entre duas estruturas rígidas – o esterno e a coluna vertebral – a compressão do tórax pode ser usada para forçar o sangue para fora
do coração e em direção à circulação. Depois de ligar para a emergência, deve-se iniciar as compressões torácicas. No procedimento, deve-se aplicar compressões
torácicas fortes e rápidas a uma frequência de 100 por minuto e de 2 cm de profundidade no adulto. Isso deve ser continuado até que pro ssionais de saúde treinados
cheguem ou um des brilador automático externo esteja disponível. A RCP convencional é ainda recomendada para lactentes e crianças, assim como para quem sofre
de falta de oxigênio, como por exemplo, vítimas de afogamento, overdose de drogas ou envenenamento por monóxido de carbono.
Estima-se que a RCP utilizando apenas as compressões torácicas salve cerca de 20% mais vidas do que o método convencional. Além disso, este método
aumenta a taxa de sobrevida de 18 para 34% em comparação com o método tradicional ou nenhum método. Também é mais fácil para um funcionário da equipe de
emergência dar instruções sobre a RCP utilizando apenas compressões do tórax para espectadores assustados. Por m, como o medo da população de contrair
doenças contagiosas – como HIV, hepatite e tuberculose – continua aumentando, os espectadores são muito mais propensos a realizar a RCP utilizando apenas
compressões do tórax, em vez do método padrão.
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CORRELAÇÃO CLÍNICA | Pericardite
A in amação do pericárdio é chamada pericardite. O tipo mais comum, a pericardite aguda, começa repentinamente e não tem causa conhecida na maior parte dos
casos, mas às vezes está ligada a uma infecção viral. Como resultado da irritação ao pericárdio, há dor torácica que pode se irradiar para o ombro esquerdo e pelo
braço esquerdo (muitas vezes confundida com um infarto agudo do miocárdio) e atrito pericárdico (um som de arranhado ou rangido auscultado por meio do
estetoscópio quando a lâmina visceral do pericárdio seroso atrita contra a lâmina parietal do pericárdio seroso). A pericardite aguda geralmente persiste por 1
semana e é tratada com medicamentos que reduzem a in amação e a dor, como o ibuprofeno ou o ácido acetilsalicílico.
A pericardite crônica começa gradualmente e é de longa duração. Em uma das modalidades desta condição, há acúmulo de líquido pericárdico. Se muito líquido
se acumula, esta é uma condição potencialmente fatal, porque o líquido comprime o coração, em uma condição chamada tamponamento cardíaco. Como resultado da
compressão, o enchimento ventricular é diminuído, o débito cardíaco é reduzido, o retorno venoso ao coração é diminuído, a pressão arterial diminui e a respiração é
difícil. Na maior parte dos casos, a causa da pericardite crônica envolvendo tamponamento cardíaco não é conhecida, mas às vezes resulta de condições como câncer e
tuberculose. O tratamento consiste na drenagem do excesso de líquido por meio de uma agulha introduzida na cavidade do pericárdio.
Camadas da parede do coração
A parede  do  coração  é  constituída  por  três  camadas

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