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Rafael Andrighetti Rossi – IBET Fortaleza 
 
SEMINÁRIO V - IPI E IOF 
 
1. Construir a(s) regra(s)-matriz(es) de incidência tributária do IPI. 
Doutrinariamente, e pelo entendimento já previsto dentro da legislação própria 
do Imposto sobre Produtos Industrializados, prevemos que o núcleo comum de qualquer 
regra matriz, é “Produtos Industrializados”, havendo em suas diversificações 3 
suplementos, que destaco. Portanto, são 3 as regras matrizes: 
(I) 
Critério Material: Industrializar Produtos 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Momento da saída do produto do estabelecimento comercial 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – titular do estabelecimento 
ou equiparado 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - Preço da Operação // Alíquota - Porcentagem 
constante na tabela 
(II) 
Critério Material: Importar produto industrializado do exterior 
Critério Espacial: Repartições alfandegárias do país 
Critério Temporal: Momento do Desembaraço Aduaneiro 
Critério Pessoal: Sujeito ativo - União // Sujeito Passivo - Importador 
 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - Valor-base utilizado no desembaraço 
aduaneiro, acrescido do montante e dos cambiais // Alíquota - Porcentagem da tabela 
sobre o produto importado 
(III) 
Critério Material: Arrematar, em leilão, produto industrializado apreendido ou 
abandonado 
Critério Espacial: Repartições alfandegárias ou quaisquer locais onde tenha ocorrido o 
leilão desses produtos 
Critério Temporal: Momento da arrematação, conforme documento de nota de venda 
do leiloeiro 
Critério Subjetivo: Sujeito ativo - União // Sujeito Passivo - Arrematante 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - Valor arrematado // Alíquota - Porcentagem 
fixada em Lei 
 
2. Sobre o direito ao crédito do IPI, pergunta-se: 
a) É possível o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de 
insumos com alíquota zero ou imunes? E de operações decorrentes da Zona 
Franca de Manaus adquiridos sobre o regime de isenção? Se possíveis estes 
créditos, como quantificá-los? (Vide anexos I, II e III). 
 
Seguindo o entendimento já consolido pelo STF, em diversos julgamentos, 
como 475.551, 562.980, 353.657 e 370.682, entendo pelo aproveitamento dos créditos, 
porém, desde que posteriores a Lei 9.779/99, que em seu art. 11 trouxe essa previsão, 
ficando os créditos referentes a alíquota zero e imunes, anteriores a esta não 
aproveitáveis. Tal se dá, pois acredito no entendimento de que o princípio da não 
cumulatividade em referência ao IPI se enquadra na teoria de “imposto contra 
imposto”, o que importaria no reconhecimento dos créditos anteriores, 
 
independentemente de estes serem alvo de desoneração fiscal por intermédio de alíquota 
zero ou imunidade ou isenções. 
Seguindo o mesmo entendimento de minha premissa proveniente do mecanismo 
de tax on tax, as operações decorrentes da aquisição de produtos na Zona Franca de 
Manaus, que possui isenção em seu critério espacial, valendo-se ainda do entendimento 
de isenção e sendo essa uma forma de desoneração fiscal, entendo pela aplicação do 
aproveitamento de créditos de IPI. 
A quantificação destes créditos seria pelo método de subtração, conforme o 
método de tax on tax já citado, na qual o valor do imposto nas operações anteriores é 
abatido na operação posterior realizada pelo contribuinte. 
 
b) Os materiais consumidos no processo de produção, mas que não são agregados 
diretamente ao produto final, geram créditos do IPI? E os bens adquiridos para 
ativo permanente? E os materiais de teste ou protótipos? (Vide anexo IV) 
Em relação aos materiais, existe um entendimento pacificado do STJ que diz que 
estes não geram créditos, pois não se adequem a base de cálculo. Adentro ainda a 
premissa inicial de sua justificativa, baseando-me na sistemática criada de maneira 
jurisprudencial e utilizada nos tribunais. 
A sistemática do princípio da não-cumulatividade determina que existe a 
necessidade de um crédito e um débito para existência de um saldo que fique sujeito a 
este princípio, como se fosse uma conta corrente fiscal gráfica. É a necessidade de 
realizar dentro do Livro de Registro Fiscal a entrada e saída dos bens que estariam 
sujeitos a incidência deste tributo, realizando-se a conta para saber o saldo final, que 
resultará num valor que ser alvo da norma. 
No tocante aos bens adquiridos para o ativo permanente, o Superior Tribunal de 
justiça (STJ) editou a Súmula nº 495 - “a aquisição de bens integrantes do ativo 
permanente da empresa não gera direito a creditamento do IPI”. E além disso, se aplica 
 
minha premissa supracitada, na qual não existe a saída do bem, sendo este incorporado 
ao patrimônio da empresa. 
Também não, pois estes, nos termos da minha premissa d aplicação da 
sistemática, não realizam a saída do estabelecimento, não concluindo a necessidade de 
requisitos prevista, pois é o mesmo que um bem que não teve circulação para incidência 
do imposto na sua segunda forma. 
 
 
3. Qual a relevância das classificações fiscais para a determinação da incidência do 
IPI? Discorrer sobre os seus critérios de solução para efeitos de problemas de 
classificação fiscal. Com base nessa resposta, comente: 
Tendo em vista a característica extrafiscal do tributo de IPI, este não pode se 
tornar deveras oneroso para prejudicar a vida dos cidadãos e acabar por se tornar uma 
forma de dificultar a dignidade destes. Tendo este como base, a classificação fiscal, 
conforme já preceitua Paulo de Barros Carvalho, está intrinsecamente ligada ao 
princípio da essencialidade, apurada pelo mecanismo da seletividade, como forma de 
proteger valores constitucionais. Essa tabela acaba se tornando parte integrante do 
Critério quantitativo, uma vez que é relativa à alíquota que será atribuída ao produto, 
dependendo de sua classificação. 
a) qual a classificação correta para Tablets (se 8471.30.12 ou 8471.30.19), 
justificando com base nos critérios de solução identificados. (Vide anexo VI). 
Tendo como base o estrito princípio da legalidade, tributos com incidência até a 
modificação da classificação na tabela, ou seja, até a data da publicização da 
8471.30.19, se adequam a esta, sendo as anteriores, incididas na 8471.30.12. 
 
b) Contribuinte sediado no Estado de São Paulo, realiza importação de sabonetes 
“antiacne”. Sucedendo empasse segundo o qual a ANVISA define a mercadoria 
como cosmético, e a legislação tributária, à classe dos medicamentos e tratando-se 
 
de termo não definido pela Constituição Federal, qual definição deve prevalecer: a 
fixada pela agência reguladora ou aquela prescrita pela legislação tributária? 
(Vide Anexo XIV) 
 
É competência da agência reguladora a classificação dos produtos com 
necessidade de selo sanitário. Uma vez que a este fora incumbida a competência 
privativa da União, nos termos do art. 22, e obedecendo ao princípio da desconcentração 
administrativa. Logo, o Poder Executivo Federal repassou a esta a competência de 
classificação, devendo a legislação tributária se ater as tecnicidades, não havendo 
discussão acerca da determinação da essencialidade ou da característica fundamental do 
tributo. Portanto, deve-se seguir a classificação fixada pela agência reguladora. 
 
4. Que é produto industrializado? O processo de salga do bacalhau constitui 
aperfeiçoamento do produto para consumo ou é mero modo de conservação para 
fins de transporte? Em outros termos, o bacalhau (seco e salgado) é tido produto 
industrializado para fins de incidência do IPI? Caso o bacalhau seja de espécie não 
contemplada na tabela do IPI (TIPI), mesmo que seja seco, salgado ou em 
salmoura ou, ainda, defumado, pode-se falar em incidência do IPI? (Vide anexo 
VII) 
Produto industrializado é qualquer produto que sofra transformação na sua 
composição, seja da ordem física, química ou biológica, de maneira que se altere a sua 
forma definitiva.Ou, como já definiu o Ministro Joaquim Barbosa, que seja alvo de um 
procedimento com o intuito de modificar a natureza, o funcionamento, a apresentação, a 
finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo. 
Neste entender, a salga do bacalhau não modifica sua natureza, mas tão somente 
o conserva, para garantia de chegada de maneira eficaz ao seu destino, com base em 
tratados internacionais. Logo, o bacalhau seco e salgado não é tido como produto 
industrializado para fins de incidência, sob força de um acordo internacional (General 
Agreement on Trade and Tariffs-GATT) aprovado pelo Decreto 301.355/1994. 
 
Ao meu entender, não vejo incidência de IPI sobre o bacalhau, tendo em vista 
ser alimento, o que é um bem essencial para o ser humano, muito menos sofre qualquer 
modificação que o classifique como produto industrializado. 
 
5. Qual a base de cálculo do IPI? Você entende que os seguintes valores podem ser 
incluídos em sua BC: (i) valores relativos juros das vendas financiadas? (ii) os 
descontos incondicionais ou de produtos bonificados? (iii) o valor do frete? (iii. a) 
O frete integra o ciclo de produção? (iii. b) Há diferença se houver sido estipulada 
cláusula FOB (free on board) ou CIF (cost, insurance and freight)? Fundamente 
suas respostas. 
 
A base de cálculo do IPI depende da forma como ela se aplica, conforme já citei 
na questão 1, podendo ser: (a) Preço da Operação, (b) Valor-base utilizado no 
desembaraço aduaneiro, acrescido do montante e dos cambiais e (c) Valor arrematado. 
(I) Não se incluem, pois os juros não guardam qualquer relação com a natureza 
ou com o produto em si, mas sim agregam ao capital financeiro, remunerando-o, de 
maneira que são alvos de IOF e não IPI, nos mesmos termos do Recurso Especial 
205.721-RJ. 
(II) Não, pois com base na minha premissa, a base de cálculo é o preço da 
operação, e a esta devem se aplicar os descontos INCONDICIONAIS, uma vez que 
estes irão afetar diretamente no valor final da operação. Tal entendimento vai de 
encontro ao entendimento do Ministro Luis Fux, que ressaltou o mesmo, sob a luz do 
art. 47 do CTN: 
“Na hipótese em apreço, tendo o Código Tributário Nacional, por seu 
art. 47, definido como base de cálculo do IPI o valor da operação, 
qualquer elemento estranho à mesma efetivamente realizada é 
afastado para fins de composição do quantum sobre o qual vai incidir 
a alíquota do tributo em questão” 
 
(III) Não, pois agregar o frete seria alargar o entendimento do texto de “valor da 
operação”, de maneira que se integra um novo elemento ao critério material e a base de 
cálculo. O Recurso Especial 383.208-PR já lidou sobre o assunto: 
TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS. INCLUSÃO DO VALOR DO FRETE 
REALIZADO POR EMPRESA COLIGADA NA BASE DE 
CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. CONTRARIEDADE AO 
DISPOSTO NO ART. 47, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. 
RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A alteração do art. 14, da 
Lei 4.502/64, pelo art. 15 da Lei 7.798/89 para fazer incluir, na base 
de cálculo do IPI, o valor do frete realizado por empresa coligada, não 
pode subsistir tendo em vista os ditames do art. 47, do Código 
Tributário Nacional, que define como base de cálculo o valor da 
operação de que decorre a saída da mercadoria, devendo-se entender 
como “valor da operação” o contrato de compra e venda, no qual se 
estabelece o preço fixado pelas partes. 2. Recurso Especial desprovido 
(III.a) Entendo que não, pois o frete não necessariamente pode ser uma ação em 
separado das demais, pois pode-se haver este entre sede e filial de uma empresa, 
afastando-se a integração de frete ao ciclo produtivo. 
(III.b) Tais métodos são tão somente modalidades de frete diversificadas, o que 
não os inclui dentro do ciclo produtivo, muito menos faz parte efetiva da entrada e 
saída, mas tão somente serviço autônomo, que pode ou não ser prestado pela empresa. 
Portanto, não se aplica. 
 
6. A empresa Tudex Ltda é uma indústria que produz máquinas e equipamentos. 
No meio de seu processo de produção, envia seus produtos a outra empresa, 
Galvanomix Ltda, para que esta efetue a galvanização desses produtos. Feita a 
galvanização, os produtos voltam à linha de produção da Tudex, onde esta 
concluirá seu processo de produção e, posteriormente os venderá aos consumidores 
finais. Pergunta-se: a atividade realizada pela Galvanomix é uma industrialização 
por encomenda ou prestação de serviço? Incidirá ISS, IPI ou ISS e IPI? Justifique 
(vide anexos VIII, IX e X). 
Nos termos das jurisprudências em anexo, pode-se incidir os dois tributos, tendo 
em vista a existência dos requisitos das duas regras matrizes de incidência tributária. 
Dessa forma, tendo em vista que a galvanização iria modificar o produto, essa se 
 
encaixa claramente como atividade de industrialização, não restando dúvidas. Além 
disso, o serviço de galvanização está previsto na lista anexa relativa ao ISS, bem como 
não houve circulação de mercadoria, pois esta não se objetivou ao consumidor final. 
Logo, verificadas ambas as hipóteses de incidência, bem como suas RMITs, entendo 
pela incidência de ambas. 
 
7. Construir a regra(s)-matriz(es) de incidência tributária do IOF. Por que a 
utilização da nomenclatura “IOF” pode ser considerada como equivocada? De 
forma ampla, qual a previsão constitucional para a incidência dessa exação? 
IOF - Operação de Crédito 
Critério Material: Entregar ou colocar a disposição do interessado valores a título de 
empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Momento da tomada do crédito (via de regra. Existem exceções) 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – Pessoa física ou jurídica 
que tomar o crédito, ou o responsável tributário. 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - Valor da operação de crédito // Alíquota - 
Porcentagem constante no art. 7º do Decreto 6.306/2007 
IOF - Operação de Câmbio 
Critério Material: Realizar operação de câmbio 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Ato da liquidação da operação de câmbio 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – Comprador ou vendedor de 
moeda estrangeira 
 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - Montante em moeda transformado em moeda 
estrangeira // Alíquota - de 0% a 25% 
IOF - Operações de Seguros 
Critério Material: Realizar operação de seguros 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Ato do recebimento total ou parcial do prêmio 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – Pessoa física ou jurídica 
segurada 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - valor do prêmio pago // Alíquota - de 0% a 
25% 
IOF - Títulos ou Valores Imobiliários 
Critério Material: Realizar operação de títulos ou valores imobiliários 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Ato de realização das operações 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – adquirentes do título ou 
titular da operação financeira de valores imobiliários 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - valor da aquisição do título ou valor da 
operação financeira do valor imobiliário // Alíquota - Máximo de 1,5% ao dia 
IOF – Ouro, ativo financeiro ou instrumento cambial 
Critério Material: Realizar primeira aquisição do ouro, como ativo financeiro ou 
instrumento cambial 
Critério Espacial: Território Nacional 
Critério Temporal: Momento da operação 
 
Critério Pessoal: Sujeito Ativo - União // Sujeito Passivo – o que utilizará o ouro como 
ativo financeiro 
Critério Quantitativo: Base de Cálculo - preçõ da aquisição do ouro // Alíquota - 1% 
sobre o valor da aquisição 
 
A utilização dessa nomenclatura é considerada insuficiente por uma parte da 
doutrina, uma vez que esse imposto trata de cinco impostos diferentes. São eles 
operações de crédito, câmbio, seguros e sobreoperações com ouro, ativo financeiro ou 
instrumento cambial. Além disso, vale ressaltar que ela não incide sobre TODAS as 
operações financeiras, de maneira que não se pode dizer, portanto, que seja um imposto 
sobre estas. 
De forma ampla, ela tende a se incidir em operações de caráter financeiro, 
buscando equilibrar a política monetária e cambial, buscando gerar um controle estatal 
sobre estas. Na Constituição, vemos a seguinte incidência no art. 153, V: “operações de 
crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários.” 
 
8. A alteração de alíquotas do “IOF” prescinde de motivação do Governo Federal? 
A justificativa para aumento do tributo pode se dar sem relação comprovada com 
a necessidade de manipulação na política regulatória do mercado de crédito, 
cambial, securitário ou de títulos e valores mobiliários? Há algum tipo de 
inconstitucionalidade no caso de alteração imotivada? 
Entendo que não, tendo em vista que este se torna uma forma de controle sobre 
as políticas financeiras do Governo. Embora o Poder Executivo tenha a competência 
para realizar tal tipo de medida, esta precisa ser justificada com base nas diretrizes 
financeiras, vejamos inclusive na Lei 8.894/94, em seu Art. 1º, §2º, que diz: “Poder 
Executivo, obedecidos aos limites máximos fixados neste artigo, poderá alterar as 
alíquotas tendo em vista os objetivos das políticas monetária e fiscal.”. 
 
Ademais, vários doutrinadores já se postularam a favor da necessidade de 
motivação para garantir o não desvio da finalidade das alíquotas de IOF. Verificamos: 
 
É preciso que seja demonstrada, de forma fundamentada, o advento de 
uma conjuntura que implicasse necessidade de alterar as políticas de 
crédito, de seguro, de câmbio e de valores mobiliários. É pelo exame 
da motivação do ato que se detecta o desvio de finalidade. No caso, o 
Executivo praticou um ato visando um fim diverso daquele previsto na 
regra de competência.” 
Código tributário Nacional comentado. Kiyoshi Harada e Marcelo 
Kiyoshi Harada. São Paulo: Rideel, 2012, p. 96. 
 
Portanto, existe a necessidade de uma diretriz política regulatória financeira que 
justifique a alteração das alíquotas deste tributo, ficando a mudança não justificada 
sujeita a controle de constitucionalidade, como é no caso das ADIs de nº 4002 e 4004, 
que visam decretos que não tiveram essa justificação do Poder Executivo. 
 
9. Determinada pessoa jurídica “X”, pertencente a um grupo de empresas “Y”, 
celebra contrato de mútuo com outras empresas desse mesmo grupo, com a 
finalidade de obter dinheiro sem recorrer ao mercado financeiro. Pergunta-se: o 
empréstimo decorrente desse contrato de mútuo configura fato jurídico tributário 
que enseja a exigência do IOF? É legítima a cobrança de IOF sobre a venda de 
direitos creditórios realizada por empresas de factoring? E sobre o direito de 
crédito entre empresa controlada e sua controladora? Se sim, em que momento 
haverá a incidência? (Vide anexos XI, XII, XIII e XIV). 
Primeiramente, estabelecendo a premissa de que não é cabível a analogia dentro 
dos entendimentos tributários com vistas a criar uma nova incidência, nos termos do §1º 
do art. 108 do CTN, temos a análise positivista da situação em questão. 
Partimos do ponto inicial, e conforme entendimento prefixado na ADI n. 1763 
MC/DF e no Acordão do CARF n. 3101-001.094, que as atividades de operações 
financeiras, neste caso em questão de crédito, só podem ser realizadas por aquelas que 
 
possuam o objetivo para tal em sua constituição social. Ou seja, instituições financeiras 
de crédito ou empresas com esse interesse. 
Entretanto, em relação aos contratos de mútuo em questão, o art. 13 da Lei nº 
9.779/99, prevê a possibilidade de incidência, entretanto, leva em consideração que esse 
contrato teria de ser especificamente de crédito. Neste caso, a incidência se daria com a 
disponibilização do valor a título de crédito. 
Nos casos de factoring, ou de empresa controlada e controladora, não existe a 
incidência de IOF, uma vez que é parte da empresa fonte, a gestão de recursos 
financeiros de suas integrantes, não cabendo falar em uma operação específica de 
crédito, mas sim em interferência na gestão de recursos financeiros.

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