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Apesar de todas as negações que têm 
ocorrido periodicamente, há mais de dois 
mil anos os cristãos acreditam 
tenazmente que o Santo Sudário seja o 
lençol fúnebre que envolveu no sepulcro 
Nosso Senhor Jesus Cristo. Procuramos 
encontrar o autor ou o falsificador, como 
se diz, da controvertida imagem, 
sabendo que isto seria de grande 
conforto para todos aqueles que não 
querem crer. Com o pensamento 
voltado, sobretudo a esses amigos que 
perderam tudo, menos a razão, 
escrevemos este ensaio técnico-
científico. Considerando que uma 
técnica para ser capaz de reproduzir 
uma obra de arte deve satisfazer todas 
as características nela presentes e 
render-se aos meios técnicos e aos 
conhecimentos à disposição na época 
da suposta realização, esta obra 
comprova que tanto artistas quanto 
falsários não poderiam ter feito tais 
milagres (só de pensar, sentimos 
repugnância), afinal por mais que sua 
arte seja universal e tenha ainda assim 
eles estavam presos às limitações 
técnicas de sua época. 
Mario Moroni 
Há cerca de vinte anos, dedica-se a 
experiências e estudos sobre o Santo 
Sudário. É membro da British Society for the 
Turin Shroud (Sociedade Britânica de 
Estudos sobre o Santo Sudário de Turim) e 
do Centro Internazionale di Sindologia di 
Torino (Centro Internacional de Pesquisas 
sobre o Sudário de Turim). Autor de 
numerosas memórias apresentadas em 
congressos nacionais e internacionais, 
projetou-se, sobretudo, como expert 
numismático na condução de numerosas e 
interessantes campanhas experimentais 
para a verificação de algumas das 
problemáticas ligadas à formação da 
imagem, à datação dos tecidos de celulose 
e outros. 
Francesco Barbesino 
Diplomado em engenharia industrial, 
trabalha no Departamento de Química da 
Politécnica de Milão, primeiro como 
responsável pelo Laboratório de Provas 
Materiais, depois como cientista sênior no 
Centro de Informações, Estudos e 
Experiências de Milão. Participa de 
numerosos programas multidisciplinares de 
pesquisas como expert em provas materiais 
e envelhecimento de materiais poliméricos. 
Há muitos anos faz parte da Aliança 
Católica, uma associação cívica cultural 
para a difusão da doutrina social da Igreja 
Católica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SANTO SUDÁRIO 
A IMPOSSIBILIDADE DE FALSIFICAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Mario Moroni e Francesco Barbesino 
 
 
SANTO SUDÁRIO 
A IMPOSSIBILIDADE DE FALSIFICAÇÃO 
TRADUÇÃO 
ANTÔNIO LOTTI NETO 
 
 
1ª edição 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
www.celebris.com.br 
e-mail:sac@celebris.com.br 
 
 
 
 
Editor Responsável: Ítalo Amadio 
Editor Assistente: Roberto F. Amadio 
Coordenação de Produção Editorial: Katia F. Amadio 
Autoria: Mario Moroni e Francesco Barbesino 
Tradução: Antônio Lotti Neto 
Projeto Editorial: Marco Polo Henriques 
Assessor Teológico: Padre Cleodon Amaral de Lima 
Capa e Projeto Gráfico: Walter Mazzuchelli 
Produção editorial: ACWM Artes Gráficas 
Revisão: MineoTakatama 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 
_____________________________________________________________________ 
Moroni, Mario 
 Santo Sudário : a impossibilidade de falsificação / Mario Moroni, Francesco 
Barbesino; tradução Antônio Lotti Neto. - São Paulo : Celebris, 2005. 
 
 Título original: Apologia di un falsário : Un'indagine sulla 
Santa Sindone di Torino. 
 Bibliografia. 
 ISBN 85-89219-41-0 
 
 1. Santo Sudário 2. Santo Sudário - Falsificação 
3. Santo Sudário- História I.Título. 
04-8091 CDD-232.966 
_____________________________________________________________________ 
Índices para catálogo sistemático: 
1. Santo Sudário : Origem histórica : Cristologia 232.966 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Copyright – todos os direitos reservados à: 
 
 
Av. Casa Verde, 455 – Casa Verde 
CEP 02519-000 – São Paulo – SP 
www.riedeel.com.br – e-mail: sac@rideel.com.br 
 
Proibida qualquer reprodução, seja mecânica ou 
Eletrônica, total ou parcial, 
Sem a permissão expressa do editor. 
 
1 3 5 7 9 0 8 6 4 2 
 0 4 0 5 
AAAApresentação a edição brasileirapresentação a edição brasileirapresentação a edição brasileirapresentação a edição brasileira 
 
A genialidade de Mario Moroni e Francesco Barbesino por pouco não 
causou aos leitores a impressão de que o livro tratava como uma criação real o que 
na verdade constitui uma fábula. O Santo Sudário, que é o resultado de um 
fenômeno divino impossível de ser imitado ou repetido por mãos humanas, pode às 
vezes causar dúvidas aos incrédulos ou aos humanos de pouca fé, mas mesmo 
assim estaremos diante da maior relíquia da Cristandade e do maior milagre 
científico em tamanho e complexidade. 
Ouvimos alguém dizer que não necessitamos do Santo Sudário para 
acreditarmos em Cristo, o que é verdade, mas o pano de linho que envolveu Jesus 
de Nazaré pode ser uma fonte que inspire a aumentar a nossa fé. A bomba atômica 
deixou marcas nos escombros da grande explosão, no Japão, apesar de destruir e 
queimar, ao contrário da "energia divina" que impregnou de sangue o Sudário, sem 
queimá-lo. 
Quando o papa Clemente VII, em 1390, tomou a decisão infeliz de editar 
uma bula para afirmar que o Sudário não era verdadeiro, recebeu como recompensa 
divina o título de "anti-papa" e teve de negá-la depois de três meses, a pedido de 
todos os cristãos. Criar um falsário imaginário para o "Grande Milagre" faz-nos 
valorizar ainda mais o poder e a glória de Deus. 
Quanto mais estudarmos e vivermos o Sudário, mais saberemos que não 
há coincidência, e sim o dedo do Criador em tudo. Escolher um pano de Unho puro, 
de primeiríssima qualidade para a época, sem costuras ou emendas, para envolver o 
corpo de um condenado à morte não era coincidência - era já o Senhor 
manifestando-se por meio da vontade de José de Arimatéia, membro do Sinédrio e 
amigo de Pilatos. Que coragem! 
Não podemos permitir que inescrupulosos tentem manchar a vida artística 
de Leonardo da Vinci dando-lhe a autoria da pintura divina. Sabemos da vaidade 
dele ao assinar suas obras, o que não condiz com o artista a comparação com o 
corpo físico de Jesus, de 1,80 metro, 78 quilos, porte atlético, e, sem dúvida, muito 
mais belo em físico e espírito. A maneira, a forma, a energia e a técnica utilizada por 
Deus para ressuscitar seu filho Jesus ainda são ignoradas pelo homem, e, quanto 
mais aparelhos e técnicas são criados e descobertos, mais clara torna-se a 
grandeza da ressurreição. É até ridículo, hoje, falarmos do teste do carbono 14, pois, 
com os avanços da ciência, os resultados obtidos pelo infeliz Walter McCrone, em 
1978, que afirmava ser o Sudário da era medieval, já não podem ser levados a sério, 
uma vez que os atuais cientistas apontam centenas de causas e motivos que 
redundaram no maior erro interpretativo da história do Santo Sudário. Para esses 
estudos não foram levados em consideração: a manipulação das mãos que jogaram 
água para apagar o incêndio de 1532, em Chambery - local das peregrinações das 
pessoas que pretendiam tocar o Sudário; a fervura realizada pelas irmãs clarissas; 
os remendos colocados no Sudário; a retirada, para exame, de parte da borda, e 
não do centro do Sudário, onde há maior quantidade de sangue. Até hoje temos de 
esclarecer essas afirmações levianas, apoiadas por grandes autoridades da época. 
Ao sugerir o subtítulo "A impossibilidade de falsificação" foi apenas para 
induzir o leitor a perceber que a beleza do livro estava em criar um gênio farsante, o 
qual, mesmo com o auxílio do demônio, não teria capacidadede imitar Deus. Ao 
examinar o Sudário por meio da termografia, percebemos a cor amarela como 
emissora de calor e a cor azul, exatamente próximo à barba, como uma zona fria, e 
é isso que encanta a "ciência divina", capaz de separar o lado santo do lado onde o 
carrasco arrancou parte da barba de Jesus. 
Os detalhes do flagelo e do suplício apresentados neste livro levam-nos à 
reflexão de que somos felizes por acreditar sem tê-lo visto, alimentando-nos de 
coragem para continuar a evangelização verdadeira, isto é, levando a Boa Nova a 
todos os humildes de coração. 
A terra impregnada no Sudário, o pólen de plantas em extinção, a 
fotografia em três dimensões - tudo isso reforça e enaltece os autores, lembrando-
nos que o Pai não se esqueceu de atender a todos os tipos e especialidades da 
ciência, a fim de que cada um tivesse a sua maneira de comprová-lo. 
Sobre o sangue humano tipo AB, encontrado no Sudário, estudado e 
muito pesquisado, bastava à afirmação de que nenhum tipo de tinta contém 
hemoglobina, pigmento existente apenas no sangue. Muitos falsários tentaram 
durante anos reproduzir o Sudário, mas nunca conseguiram, por meio de tinta, 
conferir a expressão de morte por agonia e ressurreição por divindade. 
As qualidades humanas e científicas do Dr. Mario Moroni e do Dr. 
Francesco Barbesino nos levaram ao interior deste livro para dizer aos ouvidos dos 
falsários: "Vocês, por mais sábios que fossem, não teriam o dom do autor, nosso Pai 
e Senhor Deus". 
Que os leitores se enriqueçam e aumentem seus conhecimentos após a 
leitura desta fábula escrita por dois gênios. 
Dr. José Humberto Cardoso Resende 
Presidente do Centro Sindonológico Brasileiro 
Presidente da Associação Santo Sudário de Jesus 
Professor limiar da Universidade Gama Filho 
PrefácioPrefácioPrefácioPrefácio 
 
Há muito tempo um espírito puro duvidou que Napoleão tivesse existido. A 
coisa não é, portanto, paradoxal. Se colocarmos tudo sistematicamente em 
discussão, da autenticidade dos documentos à veracidade dos testemunhos, o 
significado dos achados pode fazer uma vida ser resistida em suas próprias 
negações. Certamente não basta um indício que defina a origem de um documento 
ou um achado histórico. Quando, não obstante os indícios são evidenciados, eles 
organizam entre si e convergem para uma conclusão de certeza racional. 
Os conhecimentos adquiridos nas mais variadas disciplinas dentro desse 
venerado achado histórico que é o Santo Sudário de Turim fornecem numerosos e 
concordantes indícios de sua autenticidade. Para nós, que não cultuamos a ciência, 
é pacífico que não podemos prestar atenção a essas respostas definitivas e nunca 
alcançaremos a Verdade, que tem outras saídas a serem reveladas que não essas 
das investigações técnico-científicas. 
Em todo o caso, os próprios limites de cada pesquisa sobre documentos 
históricos não autorizam uma objeção irracional. Porém, o que não faltam são 
falsificadores. Nos debates sobre o Sudário de Turim foram inseridas freqüentes 
demonstrações de velhas teses contestadas, objeções para as quais já se 
respondeu, então, inventam-se novas para dar continuidade. Nós estamos na era da 
propaganda: o ponto principal é apresentar suas próprias teses conscientemente, 
sem incertezas. Sempre há um grande número de distraídos ou desinformados que 
proporcionam ótima audiência. Até mesmo se alguém se irritasse em demonstrar o 
contrário lhe ocorreria muito tempo para analisar, verificar e rebater: desse modo, o 
golpe quase sempre tem sucesso. 
Se a ciência alcançou hoje, como os sociólogos nos informam, menor nível de 
conscientização dos últimos duzentos anos, isso também é devido aos inúmeros 
homens da ciência cujo os preconceitos e a ansiedade de serem os protagonistas 
são maiores e mais proeminentes em comparação com a procura da Verdade. 
Não se trata de renunciar às próprias hipóteses de trabalho, mas 
simplesmente verificar todos os fatos antes de falar. Às vezes parece que as 
ideologias, não contentes de ter devastado o campo da política, querem ridicularizar 
o da ciência. Com efeito, é realmente das ideologias assumir um detalhe como 
chave de interpretação geral da realidade, e quando se quer tirar de um elemento as 
análises dos resultados conclusivos, negligenciando os modos interdisciplinares, que 
é o caráter real de qualquer pesquisa, nos colocam em uma atitude ao mesmo 
tempo ideológica e anti-científica. 
O Santo Sudário de Turim é o resultado da confluência de numerosos fatores, 
alguns notáveis, outros, não; contudo, perfeitamente definidos. Essa confluência é 
em si mesma um milagre, não no sentido de ser necessariamente impossível 
desenvolver um modelo (certamente complexo), que irá permitir um dia a reprodução 
em todos os seus particulares dessa venerada relíquia, mas no sentido de que 
algumas (coincidências) nos pegarão de surpresa. O mesmo ocorreu ao expert em 
estatísticas, o apólogo, quando um chimpanzé, batendo as teclas de uma máquina 
de escrever ao acaso, começou a compor, sem erros, uma canção da Divina 
comédia, coisa que outro perito teria hipotetizado já como possível. 
Algumas coincidências às vezes se manifestam totalmente inesperadas sem 
que possam achar uma explicação no campo dos fenômenos, parecendo haver uma 
estreita aliança com o milagre. O Sudário é um exemplo disso. 
Para falar dessa venerada relíquia, idealizamos um super-homem, tão culto, 
tão qualificado, tão modesto, tão intelectualmente superior ao seu tempo que nos faz 
recordar de perto o chimpanzé do apólogo. Este com sorte, poderia ser capaz de 
fabricar, sem incertezas, o pano de Turim, contrariamente a todas as outras pessoas 
que, não desfrutando da mesma sorte supracitada, precisariam de tempo, de grande 
paciência e de menos preconceitos. E, naturalmente, da ajuda do bom Deus. 
 
 
OS AUTORES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ÍNDICE 
 
Prefácio ............................................................................................................................... 11 
Introdução ........................................................................................................................... 16 
A procura da data do nascimento ....................................................................................... 18 
Um grande tecnólogo.......................................................................................................... 24 
O pano ............................................................................................................................ 24 
A imagem........................................................................................................................ 25 
O quadro ......................................................................................................................... 27 
A impressão térmica ....................................................................................................... 35 
Radiação nuclear e outras formas de energia ...................................................................... 44 
Imagens negativas naturais ............................................................................................ 47 
Gênese natural por contato ............................................................................................ 48 
O incêndio de 1532 confunde as cartas ................................................................................ 56 
Uma primeira consideração ................................................................................................ 63 
Um grande conhecedor do mundo antigo ........................................................................... 65 
Os aromas....................................................................................................................... 65 
A terra.............................................................................................................................67 
O pólen ........................................................................................................................... 68 
Um doutor anticonformista ................................................................................................ 74 
O flagelo ............................................................................................................................. 75 
A coroa de espinhos ............................................................................................................ 76 
A ferida do pulso esquerdo.............................................................................................. 77 
... e ao pé direito .............................................................................................................. 81 
A ferida nas costas ......................................................................................................... 83 
A moeda sobre o olho direito........................................................................................... 85 
... e sobre o supercílio esquerdo ....................................................................................... 90 
Uma segunda consideração ............................................................................................ 92 
Uma pequena fonte de luz .................................................................................................. 94 
As análises com o C14.................................................................................................... 94 
As respostas dos obscuros ............................................................................................ 100 
O Sudário é autêntico ................................................................................................... 114 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IntroduçãoIntroduçãoIntroduçãoIntrodução 
 
Durante muitos séculos os nossos antepassados e as pessoas crédulas 
retiveram na memória, de boa-fé, que o santo Sudário estava preservado na 
Catedral de Turim, à esquerda do altar principal onde foi gravado natural ou 
milagrosamente, o semblante humano de Jesus crucificado. Hoje o panorama 
mudou. Cientistas e profissionais renomados classificam essa crença como 
infantilidade, herança de tempos imaturos, com base na postulação de que o 
Sudário é um ícone elaborado em tempos posteriores aos da Paixão. Desnecessário 
dizer que isso seria muito útil, quase um dever cívico - colocar em dúvida a ciência -, 
pois devemos tudo a ela, da criação da espinha dorsal à bomba atômica, e nós 
agiríamos com insensatez se não analisássemos, no caso específico, as indicações 
e as sugestões de alguns cientistas ilustres que durante anos se dedicaram a um 
trabalho de desmitificação radical. 
Com base na postulação citada fomos à procura do falsificador ou do 
artista (o dolo não deixa de estar implícito) - o autor do famoso ícone. O presente 
trabalho é a descrição dessa busca e dos resultados obtidos. Não nos restam 
dúvidas sobre a veracidade Ao Santo Sudário, como documentamos no item "O 
Sudário é autêntico". 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A proA proA proA procura da data do nascimentocura da data do nascimentocura da data do nascimentocura da data do nascimento 
 
 
Ao buscar a origem dessa longa história e tentar determinar a data de 
nascimento daquele que em nossa opinião não foi um falsificador, mas uma grande 
personalidade da história do progresso humano, logo nos primeiros passos 
encontramos gravíssimas dificuldades, infelizmente. Os "fanáticos do Sudário" 
sublinham em altos brados a existência de elementos que comprovariam a sua 
veracidade desde os primeiros séculos da era cristã e tornariam plausível a 
fabricação do venerado Sudário já na época de Jesus. A tese deles é que através 
dos séculos a arte paleocristã e conseqüentemente a bizantina teriam retomado os 
traços somáticos da face representados no Sudário1, e aos olhos deles tal imagem, 
considerada autêntica, desfrutou de grande credibilidade. Assim, diversos exemplos 
podem ser citados: um sarcófago preservado em Santo Ambrósio, em Milão, de 380 
d.C; um afresco nas catacumbas de Comedela, em Roma, do século IV; um ícone 
do século VI preservado no monastério de Santa Catarina, no monte Sinai. Também 
os imperadores bizantinos não mostraram grande imaginação ao representar o rosto 
do Salvador, que mantiveram idêntico ao de Justiniano II (692); Miguel III (843); até o 
ano anterior à queda de Constantinopla, causada pela quarta cruzada. Para 
 
1 São características a barba espessa, o bigode irregular e o chumaço de cabelo caído no rosto em forma de E, 
bem como os grandes olhos fechados e as faces inchadas, os longos cabelos que caem nas costas e escondem as 
orelhas, o nariz reto com a ponta achatada e as narinas dilatadas. 
demonstrar que o que está reproduzido é o rosto, fazem espelhar dois semi-rostos: o 
do Sudário propriamente dito e aquele tirado do ícone, do afresco ou da moeda, de 
forma que haja uma perfeita continuidade entre os dois lados da imagem, ou, 
utilizando o método das perícias judiciais para o reconhecimento das impressões 
digitais ou dos traços somáticos, sobrepor as imagens à do rosto do Sudário e 
determinar as correspondências observadas entre elas, os chamados pontos de 
congruência. Ressaltam que nos tribunais dos Estados Unidos bastam 14 pontos de 
congruência para que o reconhecimento seja oficial, e eles já acharam mais de 145 
pontos entre o rosto do Sudário e uma moeda de Justiniano II2! 
Essas experiências, embora sejam um pouco sugestivas, não 
demonstram, todavia, que o gênio que queremos revelar não tenha existido, mas 
simplesmente que os traços do vulto de Jesus foram notados desde os primórdios 
da era cristã (talvez o Sudário original?) por artistas que conheciam bem esse 
período e reproduziam com perfeição cada detalhe. Tanto conheciam a tradição 
iconográfica bizantina que reproduziram um Cristo manco do pé direito3. 
Naturalmente isso não fornece nenhuma contribuição para determinar a data de 
nascimento do nosso herói, que pode ser de um século qualquer da nossa era, pois 
ele não nos deixou incidências para que pudéssemos identificar detalhes da cultura 
e, em particular, da arte figurativa de sua época. 
Entretanto, na nossa pesquisa ficou comprovado que o artista do Sudário 
deve ter nascido nos primórdios do ano da graça de 1356, porque sabemos por meio 
de documentos que o Sudário dele aparece em Lirey, na França, na diocese de 
Troves, cujo proprietário, Godofredo de Charny, carrega consigo todas as 
 
2 A. D. Whanger e M. Whanger. "Polarized Image overlay technique: a new image comparison method and its 
applications", in: Applied Optics, 24, nº 6, 15/03/1985, pp. 766-772 
3 3. Na verdade, um dos joelhos mais flexionado que o outro, na crucificação, revelaria que no rigor de sua morte 
uma perna apareça visivelmente mais curta em relação àquela à qual estava sobreposta. 
ornamentações do rei da França e morre no dia 19 de setembro do mesmo ano na 
Batalha de Poitiers. Naquele ano, depois de ter erguido uma igreja colegiada em 
Lirey (pequena cidade situada a Basílio I, o Macedônio (869); Constantino VII e 
Romano I (945-959); Romano III (1030) e Manuel I (1180), 10 quilômetros de 
Troyes), deu, em confiança aos cânones, essa tela para ser ostentada4. Dizem ainda 
que o lençol foi doado ao conde Godofredo I de Charny pelo rei Filipe VI de Valois 
como recompensa pelo desempenho dele durante a invasão de Calais. Fazem o 
povo acreditar (ou eles acreditam sem pestanejar?) que se trata do lençol fúnebre 
que envolveu Jesus no sepulcro. Todavia, quando, trinta anos mais tarde, depois de 
um período em que a região foi palco de várias guerras, o Sudário reaparece em 
público, e Godofredo II, sucessor do pai, recebea concessão real e pontifical para 
ostentação (1389), mas tem a oposição do bispo diocesano monsenhor d'Arcis, que 
recorre ao rei pedindo a revogação de tal concessão. Cansado das polêmicas 
surgidas entre cânones e senhores de Charny, de um lado, e o bispo d'Arcis, de 
outro, o papa Clemente VII emitiu em janeiro de 1390 uma bula ordenando que 
todos deveriam aceitar que o pano não era o verdadeiro Sudário, mas uma cópia. 
Parecia um julgamento definitivo, mas em junho do mesmo ano uma outra 
revogação concede nova indulgência àqueles que continuaram a visitar Lirey o local 
onde se conservou "com veneração, o Sudário com as impressões de Nosso Senhor 
Jesus Cristo". Porém os Charny se defenderam com eficácia daquilo que soava 
como uma acusação implícita de fraude mais ou menos voluntária. Mas monsenhor 
d'Arcis não se dissuadiu da idéia. Ofendido pela falta de respeito à sua autoridade, 
preparou um esboço de memorando que se tornou famoso, pois ali afirmou 
 
4 Carta do bispo de Troyes, Henrique de Poitiers, para Godofredo I de Charny datada de 28 de maio de 1356. 
Arquivo Departamental de l'Aube, Troyes, I, 17 -original em pergaminho; e Arquivo Nacional, Paris, Cartum L 
746, nº 22 - cópia cartácea Camusat, p. 422v, na qual os presidentes se cumprimentam pela feliz conclusão dos 
trabalhos da colegiada. 
explicitamente que sua primeira ostentação, em 1355, ocorreu sem a autorização de 
seu precursor, o bispo de Troyes, Henrique de Poitiers, que conduziu uma 
indagação sobre o pano e descobriu o pintor, réu confesso, que com astúcia o havia 
pintado. Os responsáveis por esse engano, descoberta admirável, tinham escondido 
o lençol até meados de 1389. 
Desafortunadamente possuímos somente dois impressos do memorando: 
uma cópia do outro, sem data e sem assinatura. Os fiéis ao Sudário não deixam de 
observar que nas escrituras de Clemente VII, em se tratando do Sudário, não se 
encontra nenhuma referência a esse documento, mas recordam as várias cartas de 
Charny, sobretudo da enviada ao bispo, que é muito significativa e não menciona o 
memorando. Isso está de acordo com o que foi exposto acima e o exame dos 
documentos depositados na Biblioteca Nacional de Paris, relativos às querelas entre 
monsenhor d'Arcis e o senhor de Charny, que permitem afirmar que os escritos 
nunca foram enviados às cortes de Avignon5. Deixando de lado todas as prevenções 
possíveis, o memorando diz somente, e de modo genérico, ter descoberto a fraude, 
e o modo como foi pintada a obra do artista, mas faltam as referências relativas à 
investigação que foi conduzida pelo antecessor, Enrico di Poitiers (atos do processo 
contra os Charny ou outro documento), e o que conta mais na nossa investigação é 
o nome do dito pintor que teria pintado a obra, pois é aqui que o monsenhor d’Arcis 
erra: se o suposto falsificador e o autor do Sudário são a mesma pessoa, aquilo que 
apareceu na frente do seu antecessor não é um ladrão de galinhas qualquer, mas 
um gênio do qual não podemos nem imaginar a imensidão da sua grandeza. 
Nesse caso, aquelas preciosas cópias do memorando, agora em nosso 
poder, são consideradas as provas resplandecentes de que o Sudário é uma pintura 
 
5 H. Leynen. Sudarion, 2/09/1993; e L. Fossati, "Os mais antigos; documentos sobre o Sudário", in: Estudos 
Católicos, nº 287, jan., 1985, pp. 23-31. 
do século XIV ou mais corretamente, como diríamos hoje, uma manufatura originária 
da alta Idade Média. Sobretudo, nem entre o mais alto clero existe essa convicção: 
primeiramente, o cônego Ulisse Chevalier, professor doutor da Universidade Católica 
de Lyon, empenha-se, no início do século XX, a constituir uma verdadeira e própria 
cruzada com tal fervor que foi necessário a intervenção da Santa Sé para apagar o 
ímpeto tido como excessivo6. Depois o jesuíta Herbert Thurston, que tem o mérito de 
ter desmitificado o Sudário, na homônima voz da Enciclopédia Católica. 
Finalmente, em 1988, a análise com o carbono 14 foi introduzida para 
datar com grande precisão o Sudário: como os peritos em espectrometria de 
massa e aceleração (EMA) dos três laboratórios encarregados da análise já previam, 
o Sudário foi datado entre os anos 1260 e 1390. É a demonstração definitiva que o 
linho do Sudário de Turim é de origem medieval, segundo artigo da revista Nature, 
que apresenta o resultado dessa análise. 
Precisamos admitir que do mestre do Sudário sabemos bem pouco, e, 
todavia, é possível que essa seja uma ilusão de óptica para nós, os homens, de uma 
sociedade em que todos são catalogados, fotografados e estampados várias vezes. 
Se caminharmos, por assim dizer, na contramão, podemos concordar que sabíamos 
dele muito mais do que nos parecia à primeira vista. Com grande probabilidade, 
viveu por volta do século XIV na França, e fala-se ainda da sua pessoa, pela sua 
obra de arte. E para fazer render ainda mais viva a imagem que aparece devemos 
separar os dotes técnicos dos artísticos e dos morais sem negligenciar, todavia, o 
seu prodigioso saber. 
 
 
 
6 P. L. Baima Bollone. Sindone o no Turim, Società Editrice ; Internazionale, 1990, pp. 251-253. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um grande tecnólogoUm grande tecnólogoUm grande tecnólogoUm grande tecnólogo 
 
O panoO panoO panoO pano 
 
Começaremos primeiramente pelo pano: como é de nosso conhecimento, 
o Sudário é um longo lençol funerário de linho rústico, costurado à mão, com um 
desenho de espinha de peixe, de 4,36 metros de comprimento e 1,10 metro de 
largura. O comprimento é justificado pelo fato de que uma parte do tecido vinha 
colocada embaixo do cadáver e o que restava era costurado e recobria a parte 
anterior. O tecido de espinha de peixe ou sarja francesa, transpassado com duas ou 
mais voltas, adquire um efeito agradável e estético. É um tipo de tecido muito macio 
que já tinha sido notado no distante período neolítico e foi observado também nas 
antigas amostras de linhos sírios, egípcios, judeus e romanos7. Todavia, segundo 
um notável conhecedor de tecidos, e se considerarmos os três elementos que o 
constituem - a armadura, a matéria-prima e o entrelaçamento urdido da trama -, não 
existe nada igual ao pano do Sudário. Nenhum tecido antigo, ou mais recente, 
reflete completamente as características encontradas no pano. Alguns deduzem que 
entre os poucos linhos antigos conservados até hoje aquele similar ao Sudário foi 
casualmente perdido, mas qual a melhor prova que se pode apresentar que um 
gênio solitário não é o artista? 
 
7 M. C. Siliato. Indagine su um ântico delitto. Roma, Piemme, 1983, pp. 157-159. 
Por fim, o entrelaçamento das fibras do tecido (Z) não é usual. Porém, 
existem alguns tecidos sírios e palestinos da época imperial que apresentam os 
mesmos entrelaçamentos. O nosso artesão deixou no pano, como se fosse de 
propósito, algumas fibras de algodão empilhadas uma nas outras que o professor 
Raes, um expert em tecidos, afirma ser do tipo erbaceum, proveniente da área 
egípcio-palestina8. Pelo contrário não se encontrou nenhum vestígio de lã, e alguns 
atribuíam o fato à pura casualidade; outros recordam que segundo a lei mosaica 
(Deuteronômio 22,11) era severamente proibido misturar fibras animais às vegetais 
e os hebreus usavam teares diferentes para tecer o algodão e a lã. 
A imagemA imagemA imagemA imagem 
 
 
Como todos sabem, o Sudário reproduz em tamanho natural a imagem 
frontal e dorsal de um corpo humano definido com riqueza de detalhes. As duas 
imagens que se contrapõem pela cabeça mostram um corpo não lavado, 
completamente manchado de sangue, e um vulto confuso, de cabelos longos, barba 
e bigodes. Uma imagem quase tênua e esfumada marrom-clara, surge do fundo do 
pano, por uma ligeiradiferença da intensidade das cores, e em alguns pontos do 
corpo, como rosto, pulsos, pés e costas, aparecem amplas manchas vermelho-
escuras e muitas outras menores, espalhadas por todo o corpo. 
A imagem é muito fraca e em baixíssimo contraste com o suporte da tela. 
Somente de perto pode-se perceber as bordas da imagem9, pois existem poucas 
diferenças entre a imagem e o linho circundante. Cada trama do tecido é composta 
 
8 Gabriel Vial afirmou que poderia tratar-se de resíduos devido à normal poluição através dos séculos; Gilbert 
Raes nos faz observar que as bandas laterais (que poderiam ser de época posterior) não apresentam traços de 
algodão, e, além disso, durante as análises de 1988, também o laboratório de Oxford encontrou fibras estranhas 
que, analisadas por outro laboratório têxtil, revelaram ser de algodão. 
9 . LA. Schwalbe e R. N. Rogers. "Physics and chemistry of the Shroud of Turin - A summary of the 1978 
investigation", in: Analytica Chimica Ata, 135, 1982, pp. 3-49. 
de 50 a 100 fibras torcidas entre si: na área onde aparece o claro-escuro não 
existem muitas diferenças de intensidade de cores, pois ela é colorida de modo 
uniforme, cada uma com sua intensidade. No microscópio, as fibras que reproduzem 
a imagem aparecem bem corroídas e refletem a luz muito mais que as outras. O 
amarelado parece ser atribuído a uma oxidação e desidratação, com a conseqüente 
deterioração da celulose que compõe as fibras10. 
A imagem do Sudário, e em particular o vulto do Salvador, Aquele que 
todos os cristãos conhecem, reproduzida em milhares e milhares de cópias, foi 
descoberta durante a ostentação que ocorreu em Turim entre 25 de maio e 2 de 
junho de 1898. Ela foi concedida pela Casa dos Savóia, então proprietária do 
Sudário, por ocasião das núpcias do príncipe herdeiro Vittorio Emanuele com Elena 
dei Montenegro. O advogado Secondo Pia, um fotógrafo amador e de fama 
internacional, foi autorizado a tirar algumas fotografias do pano. Depois de algumas 
tentativas malsucedidas por falta de iluminação, em 28 de maio conseguiu uma 
chapa de metal de 50 por 60 centímetros. Era o próprio Pia quem revelava as 
fotografias. Com algumas chapas de negativos ainda gotejantes, disse ao seu 
colaborador: "Veja, Carlino, se isso não é um milagre11". Surgiu um retrato em 
negativo perfeitamente visível no qual as áreas de maior relevo eram mais escuras e 
as reentrâncias, mais claras. 
Como não pensar com espírito bizarro que tinha criado uma foto de 
existência efêmera, com a expectativa de que, com novas técnicas, futuros cientistas 
pudessem decifrar a imagem? Provavelmente sem a aplicação de uma técnica 
 
10 E. J. Jumper et al. "A comprehensive examinalion of the various stains and images on the Shroud of Turin", in: 
ACS Advances in Chemistry, nº 205; Archaeological Chemistry III; American Chemical Society, 1984. 
11 Uma ótima descrição das circunstâncias, sintética, mas rica em detalhes, e chamadas 
bibliográficas, in: Luigi Fossati, La ripresa delia fotografia delia sacra Sindone durante 
l'Ostensione del 1989, Collegamento Pro Sindone, set./out, 1994, pp. 3-34. 
 
pictórica que entraria em acordo com a coloração superficial das fibras, mas com 
uma inversão fotográfica que fizesse emergir inesperadamente as linhas 
evanescentes. 
O quadroO quadroO quadroO quadro 
 
 
Todavia, a hipótese de que uma técnica pictórica é a base da revelação da 
imagem encontra ainda hoje crédito em numerosos cientistas e pesquisadores. 
Infelizmente esses voluntariosos não conseguem dar-se conta de certos dados 
históricos e da objetividade em relação ao objeto, propondo soluções não de todo 
satisfatórias. Por exemplo, constatou-se que a menos de 1 metro de distância as 
bordas da imagem desaparecem (pela neutra inibição lateral), mas nada nos impede 
de pensar que o nosso artista tenha pintado a uma certa distância do pano, 
utilizando um pincel bem comprido. Não obstante é arriscado sustentar, como afirma 
Maria Consolata Corti e os ingleses Clive Price e Lynn Picknett, que o Sudário é 
trabalho de Leonardo da Vinci. Estes últimos atribuíram a Leonardo também a 
invenção da máquina fotográfica: o vulto do Sudário seria um auto-retrato onde o 
corpo foi fotografado com a aparência de um homem crucificado propositalmente. 
Infelizmente, como já foi mencionado, existem alguns documentos que dão conta da 
presença do Sudário na França (revogando aqueles precedentes muitas vezes 
citados pelos partidários do pano) já na metade do século XIV - cem anos antes do 
nascimento de Leonardo (1452). 
Uma das mais renomadas autoridades que sustentam a tese de que o 
Sudário é uma obra pictórica do século XIV é o americano Walter McCrone, 
experiente em microscopia e microanálise. Ele levantou a possibilidade de executar 
uma série de observações no microscópio e analisar algumas amostras tiradas por 
meio de uma fita adesiva, em 1978, por Ray Rogers, em 32 pontos do Sudário tidos 
como significativos. McCrone encontrou vestígios de oxido de ferro (Fe203), 
partícula fundamental do ocre vermelho, em diversos pontos do Sudário: estava 
mais presente sobre o corpo do que sobre as manchas de sangue. Comunicou 
então ter descoberto que um artista medieval teria utilizado o ocre vermelho para 
retocar ou criar a imagem. As cores amareladas das fibras do linho seriam devidas 
ao envelhecimento de uma cola de origem animal, utilizada para dar fundo à pintura. 
Enfim, McCrone descobriu uma segunda pigmentação vermelha utilizada no 
passado pelos pintores (o sulfeto de mercúrio ou cinábrio). Tratava-se então, em 
tudo e por tudo, de uma habilíssima obra de arte, em que o artista teria utilizado uma 
mistura de dois pigmentos: o ocre (uma solução muito diluída que se prendeu no 
pano por causa da cola de origem animal na imagem do corpo) e a mistura de 
vermelhão nas manchas de sangue. 
Naturalmente as objeções não tardaram a surgir: uma nova análise das 
fitas adesivas não revelou nenhuma reação ao mercúrio, resultado que sugeriria a 
exclusão dos vermelhões, que, por outro lado, poderia escurecer com o passar do 
tempo. Traços de pintura ou de pigmentos não estariam presentes nem mesmo na 
área da imagem12. De fato, o grau de pureza encontrado no oxido de ferro exclui 
pigmentos naturais encontrados na "terra". Existem grandes quantidades de ferro (e 
de cálcio) em conseqüência do processo de fabricação usado na preparação do 
Unho. Principalmente sob a forma de celulose, naturalmente os espectros desse 
 
12 Heller e Adler, que fizeram análises químicas, encontraram somente uma pequena partícula de cinábrio 
(sulfeto de mercúrio), contrariamente a McCrone e Skirius, que tinham distinguido algumas partículas de 
pigmento de ouro, de ultramarino, de azurita e vermelhão. A presença de traços de pigmentação no pano do 
Sudário pode ser atribuída aos artistas que realizaram cópias dele: nos últimos trabalhos, as cópias foram 
colocadas em contato com o original, tornando-se "relíquias" para expor à reverência dos fiéis. E possível, 
portanto, que alguns pigmentos tenham caído sobre o Sudário, como outros resíduos estranhos nele encontrados: 
cera, acrílico colorido, pêlos e partes de insetos. 
composto de ferro apresentam-nos comprimentos de ondas completamente 
diferentes dos demonstrados por McCrone13. 
O exame microscópico não havia revelado traços de sedimentação das 
fibras nem escorrimento capilar dos líquidos. Também a fluorescência ao raio X não 
foi capaz de reconhecer a presença de pigmentação orgânica: não se encontraram 
diferenças significativas na composição dos elementos entre a área da imagem e a 
da base. Foram descobertos, na verdade, traços de ferro idênticos àqueles que 
McCrone havia encontrado14, e não sabiam se estavam em condições de criar uma 
imagem perceptível a olhonu. No entanto, o oxido de ferro (Fe2O3), em dimensões 
microscópicas que McCrone, inicialmente, tinha revelado, foi encontrado somente há 
menos de duzentos anos. Percebeu-se que, ao contrário do ocre vermelho comum, 
foram utilizados tipos de materiais de pintura de milhares de anos atrás, e não se 
compreende por que McCrone atribuiu aquilo que observou necessariamente ao 
século XIV Enfim os supostos pigmentos não apresentavam nenhuma das 
transformações ocorridas em conseqüência de um acontecimento: o incêndio da 
Santa Capela de Chambery, em 1532, onde se encontrava o Sudário, danificando-o. 
Observou-se exatamente o contrário, que onde as queimaduras se entrelaçam com 
a imagem não se vê variação do tom da cores nem da intensidade delas, embora a 
água que escorria na tela para apagar o incêndio não tenha inibido a imagem, como 
deveria ter ocorrido na presença de substâncias repelentes como cera e óleo. 
 
13 Heller e Adler demonstram que sobre o linho do Sudário existem três tipos de ferro: o ferro proveniente da 
fabricação do linho; o oxido de ferro (Fe203), mineral impuro que se encontrava nos reservatórios de água para 
apagar o incêndio de 1532; o ferro puríssimo em forma de anéis enzimáticos espalhado por quase todo o tecido, 
além da existência de maior quantidade nas manchas de sangue. 
14 L. A. Schwalbe e R. N. Rogers, in: Physics and chemistry of the Shroud of Turin. Ver nota 9. Dizem que pelo 
fato de McCrone não ter fornecido estimativa quantitativa da densidade de partículas que circundam as fibras ou 
da sua concentração por unidade de área, R. A. Morris e outros definiram uma mínima quantidade de oxido de 
ferro visível (Fe203), que é de 2 ug/cm
2. Embora em alguns casos encontraram-se 30 ug no pano e 10 na imagem; 
analisaram também uma linha do vulto do Sudário, do cabelo ao nariz, com áreas de 1 cm2 e intervalos de 1 cm. 
As variações encontradas são de 2 : 5 ug/cm2. Em geral, os valores medidos não estavam nem mesmo a uma 
distância suficiente para explicar ao menos uma reverificação da imagem. 
Também no caso dos traços de sangue, McCrone, como tantos outros 
cientistas, sobrepujou a genialidade do nosso artista, que não se limitou a uma 
longínqua semelhança, mas, com grande probabilidade, deve ter utilizado sangue 
verdadeiro. O revestimento avermelhado das fibras se dissolve completamente em 
uma solução de enzimas, a prótese, utilizada para separar a proteína, e é aí que 
está o possível indicador da presença de sangue15. Provas microquímicas para 
separar a proteína (sensibilidade de 1 a 10 nanogramas) das mesmas fibras 
provenientes de diversos pontos do pano deram resultado positivo somente nas 
áreas de sangue. Embora nas bordas das manchas de sangue encontram-se fibras 
revestidas de uma camada de cor dourado-amarelada, que fornece um resultado 
positivo no teste de albumina e negativo no de hemoglobina, a camada, no entanto, 
se dissolve na prótese. São as características típicas do soro de sangue que 
confirmam o resultado da análise física que indicavam apenas soro (invisível a olho 
nu) em torno das manchas de sangue visíveis somente em presença de raios 
ultravioleta16. Portanto, avançou a hipótese de que as pequenas partículas 
vermelhas de ocre são flocos de sangue espalhados por todo o pano por causa das 
numerosas restaurações. 
 
15 15.Um trabalho de grande importância foi aquele que Heller e Adler realizaram com métodos 
microespectrofotométrico, em tiras com fibras manchadas de sangue, a hemoglobina, um componente que 
contribui para a coloração do sangue. Isolaram a porfirina, um outro componente do sangue, que dá 
fluorescência vermelha aos raios ultravioleta. Enfim, nas sucessivas experiências, foram capazes de reconhecer 
albumina ebilirrubina. Esta última, em grande concentração, assim como ocorre nos rompimentos dos glóbulos 
vermelhos quando traumatizados. 
Todavia, esse enorme crescimento foi constatado somente há algumas décadas. A essas procuras são 
entrelaçadas e sobrepostas as pesquisas italianas conduzidas pelo professor Baima Bollone, cujos resultados 
estão de acordo com o precedente. 
Rara certificarem-se de que era verdadeiramente sangue humano, adotaram soro com anticorpos 
fluorescentes que se fixam aos antígenos da espécie biológica colocados abaixo da imunização e se tornam 
visíveis mediante um microscópio de luz ultravioleta. 
A possibilidade de identificar glóbulos humanos também à distância de milhares de anos foi preventivamente 
verificada nas múmias egípcias. 
16 . V. D.Miller e S. F. Pellicori. "Ultraviolet fluorescence photography of the Shroud of Turin", in: J. of 
Biological Photo-graphy, 49, nº3, jul., 1981, pp. 71-85. Os autores, utilizando a técnica espectrofotométrica, 
separaram três pontos da imagem (feridas nos flancos, perfuração do pulso pelo prego, sangue pisado no pé 
direito e na imagem dorsal), em torno das manchas de sangue, uma auréola fluorescente. Com provas sucessivas, 
descobriu-se então que o soro enzimático é fluorescente. 
Sucessivas pesquisas em 1979 parecem confirmar as graves objeções 
que se opunham à hipótese de McCrone que, no entanto, não desiste da realização 
de novos estudos para defender corajosamente as próprias interpretações. 
Uma primeira característica que se opõe à hipótese da pintura é uma 
singular propriedade do Sudário comumente indicada como tridimensional e consiste 
no fato de ter informações relativas a uma terceira dimensão. Vale dizer que as 
fotografias comuns têm somente duas dimensões. A profundidade é sugerida com 
base nas sombras e elaborada inconscientemente no cérebro de quem vê a 
imagem. Todavia, são fotografias semelhantes às estelares, em que a luminosidade 
das imagens está relacionada à distância real da estrela. Tomando como hipótese a 
relação entre o grau de escurecimento dos vários pontos da imagem do pano do 
Sudário e a distância do corpo sobreposto, vem-se utilizando um analisador de 
imagens estelares para sobrepor à análise da fotografia oficial do Sudário tiradas em 
épocas diferentes. Com efeito, constatou-se a diferença de quanto se obteria com 
fotografias normais, nas quais a profundidade é somente intuída pelas sombras 
produzidas pela iluminação, em que as imagens contêm informações relativas a uma 
terceira direção. A luminosidade pode ser medida por uma equação matemática que 
avalia a distância existente entre o corpo e o tecido. São mais brilhantes nas áreas 
de contato (como nariz, rosto e sobrancelha) e diminuem à medida que aumenta a 
distância entre o corpo e o pano. Transformando; ponto por ponto, as várias 
intensidades luminosas em relevos verticais, de alturas diversas, obtém-se uma 
imagem tridimensional proporcional ao tamanho do corpo, sem qualquer distorção. 
Pelo contrário, repetidos experimentos com fotografias de cópias pictóricas, 
devidamente elaboradas do Sudário, forneciam resultados enganosos. 
 
Uma segunda característica encontrada mediante análise eletrônica muito 
sofisticada foi a falta de direção da imagem. Utilizando um microdensitômetro, 
verifica-se o maior ou menor grau de escurecimento dos milhares de células nas 
quais foram decompostas as imagens fotográficas do Sudário. Associando-se um 
valor numérico ao grau de escurecimento de cada uma das células medidas, faz-se 
o procedimento da elaboração digital da imagem. Com ajustes próprios (filtros 
numéricos), foi possível subtrair da imagem complexas informações relativas ao 
suporte do pano, isolando as marcas. Elas não apresentavam a análise matemática 
daqueles traços de direcionamento que são inevitavelmente aplicados nos manuais 
de cores. Em seguida, com a utilização de um outro filtro numérico, chega-se a 
eliminar as manchas de sangue e os sinais de feridas da face do vulto, de tal forma 
que se obtém um rosto sereno e magnífico. 
Naturalmente, isso nada prova, senão o fatode que também os estudiosos 
mais sérios dificilmente irão render-se, como aconteceu alguns séculos antes com 
monsenhor d'Arcis, à genialidade e ao espírito bizarro do nosso artista. E as provas 
disso se perdem. Por exemplo, observamos que, removendo pequenos coágulos de 
sangue que cobrem as fibras na área da imagem, ou dissolvendo-os completamente 
eles apresentam sinais de erosão muito limitados se comparados àqueles do 
Sudário privado de impressões que foram analisados apenas sob os halos do soro17. 
O sangue é analisado então antes de se formarem as impressões: dispõem-se as 
manchas de sangue e depois se pinta no espaço livre uma imagem anatomicamente 
congruente, e isso não é coisa atual! E não se crê que para pintar tenha sido 
utilizado sangue tirado anteriormente, porque os halos de soro visíveis ao redor das 
manchas de sangue são de sangue coagulado, brotado de um corpo vivo, pois o 
 
17 E. J. Jumper el al. Ver nota 10. 
sangue que brota de um morto tem a parte branca do soro separada da vermelha, e 
somente a ferida do tórax apresenta tal característica morfológica. 
Essa observação nos leva a uma das hipóteses mais radicais de formação 
da imagem. Uma hipótese em certo sentido muito simples: trata-se das impressões 
deixadas por um homem medieval efetivamente crucificado, flagelado, coroado de 
espinhos, e com uma ferida na costela produzida por uma ponta de lança. Não era 
um condenado à morte comum, pois ninguém da era medieval mandaria executar 
uma pessoa desse modo extravagante e estranho às execuções capitais, muito 
menos um pobre-diabo submisso, Evangelho nas mãos, a Paixão de Jesus. 
Provavelmente isso só poderia ter acontecido em um castelo do deserto (Templo), 
com uma população de monges sádicos tirados diretamente do filme O nome da 
rosa, ou das histórias em quadrinhos de Dylan Dog18. 
Todavia também a hipótese mais simples apresenta-se sem qualquer 
dificuldade. Não se deduz que os falsificadores soubessem que o cadáver tivesse 
deixado impressões no lençol, nem tampouco que conhecessem o modo de 
crucificação dos romanos, que foi abandonado, na pior das hipóteses, nos anos 600 
ou 700, sobre o qual temos como pesquisar e que foram observados somente no 
século XX e em notável contraste com toda a iconografia medieval, como, por 
exemplo, a marca que foi deixada nas costas pela trave horizontal (vinha arrastando 
somente a trave horizontal, o patíbulo, e não a cruz inteira), um ramo de amoreira 
preta adornando a cabeça, e não a tradicional coroa de espinhos, como veremos a 
seguir. 
 
18 Não obstante, nos rastros das fábulas do Renascimento é que se descobriu um certo Diego Baffo que, para 
cumprir com uma obra de misericórdia corporal em memória do filho, morto tragicamente, em 1453, tinha 
recolhido na cidade de Pera, com a ajuda de um servo mouro, o corpo de um homem do qual os turcos tinham 
feito um rolo e largado em cima de um linho velho, de 4 metros de comprimento, levado para fora da cidade e 
enterrado. (Corriere delia Será, 15/10/1988; em S. Rodante: La scienza convalida Ia Sindone, Massimo, Milano, 
1994, pp. 48-49.) 
Além disso, nota-se que elas estão em toda parte até os dias de hoje; 
existem uns quarenta sudários piamente visitados por milhares de peregrinos, os 
quais não se preocupam com sua veracidade ou não. No máximo, se a cópia é 
autêntica, ou que ela tenha tido contato físico com a verdadeira ou incorporasse uma 
parcela dela. Alguns reis não tomaram posse por acaso, mas sim para estabelecer 
um contato físico com o próprio território. Não havia nenhuma necessidade então, 
em séculos de fervorosa crendice popular, de estudar tanto e vir a assassinar 
alguém para fazer acreditar ser autêntica uma relíquia. 
Permaneceria assim um modo de esclarecer outro mistério, que na 
verdade é o mesmo ainda hoje para nós: como seria possível interromper o contato 
do corpo com o lençol sem arrancar um coágulo de sangue e sem machucar os 
contornos, porque esses que se apresentam intatos indicam claramente que o corpo 
não foi movido levantando-se o pano. Pode-se notar, todavia, pelo menos 
aproximadamente, o tempo em que o corpo permaneceu em contato com o pano, 
pois na base dos mecanismos de fibrinólise19 somente depois de 36 a 40 horas de 
contato se obtém impressões hemáticas decalcadas e daí com contornos precisos 
como aqueles do Sudário20. 
Este último dado, o de o corpo permanecer no Sudário por 36 horas, é 
uma realidade plausível caso se aceitem as teses de uma pontual repetição das 
circunstâncias narradas no Evangelho e também da dificuldade que tiveram em 
 
19 N. Masini, "Conhecer o Sudário", in: Conexão Pró-Sudário, nº1, jan/fev., 1988, pp. 31-35, diz: "quando sai 
sangue de uma ferida, uma parte desse líquido (fibrogênio) permanece presa a formas de minúsculas fibras 
(fibrina) que formam algo semelhante a uma rede. Desse modo forma-se o coágulo que tende a estancar a saída 
do sangue. O coágulo, uma vez formado, se retrai, pressionando pa-ra fora a parte mais líquida (soro), assim a 
cada coágulo que se forma no corpo tende a formar ao redor dele um halo de soro, que é invisível a olho nu, 
mas visível em fluorescência sob luz ultravioleta. Agora podemos dizer que em determinadas condições, poucas 
horas depois de formada, a fibrina se fluidifica, se liqüefaz muito lentamente (fibrinólise)". Segundo Vignon, "a 
fibrina se dissolve lentamente e quando está dissolvida pela metade se obtém uma boa transferência". (P. 
Vignon. O Santo Sudário de Turim. Turim, Bottega de Erasmo, 1978). 
20 C Brillante. "La fibrinolisi nella genesi Dell’impronta sindonica", in: La Sindone, scienza e fede. Bolonha, 
Clueb, 1983, pp. 239-241. Também o dr. Sebastiano Rodante mostrou experimentalmente que são necessárias 36 
horas para se obter um decalque Analógico àqueles que se encontram no Sudário. 
separar o corpo das manchas de sangue. Todavia, mesmo com a ausência de traços 
que evidenciam a putrefação, confirmaria que, se um corpo foi envolto no Sudário, 
não permaneceu por muito tempo. 
Para descobrir a técnica utilizada pelo nosso gênio, do nosso ponto de 
vista, vamos a outra solução, e foram propostas numerosas, das mais sofisticadas 
às mais alegóricas. Negligenciando as hipóteses miraculosas, observaremos as 
mais interessantes e suas objeções, muitas vezes sensatas, que podem anular uma 
à outra. A verdade é que se sugerem métodos relativamente simples que 
pressupõem possam identificar um falsário e no final das investigações não se pode 
deixar de reconhecer a grandeza absoluta do artista desconhecido que até hoje se 
esconde atrás do Sudário. Começaremos com a hipótese da formação da imagem. A 
primeira pressupõe que ela tenha sido obtida mediante uma coloração utilizando 
baixo-relevo metalizado a quente. 
A impressão térmicaA impressão térmicaA impressão térmicaA impressão térmica 
 
Em 1966, Geoffrey Ashe deu a notícia definitiva (bastante curiosa), de 
como obter uma imagem negativa esfumada, de cor sépia, em um pano quando 
esse fosse colocado em contato com um objeto metálico e aquecido. 
No caso específico, trata-se de um medalhão de bronze, de cerca de 9 
centímetros de diâmetro, com o desenho de um cavalo em relevo no centro21. Há 
mais ou menos vinte anos a hipótese de contato térmico vem sendo reaberta e 
sustentada como a verdadeira causa da formação da imagem do Sudário na opinião 
de alguns estudiosos22, com a louvável intenção de mostrar que o Sudário é obra de 
 
21 .G.Ashe. "What sort of picture? An experimental clue to the nature of the body impressions", in: Sindon, 10, 
C.I.S. de Torino, abr., 1966, pp. 1619. A hipótese da coloração ou da radiação foi proposta em 1930 por N. 
Noguier de Malijay e sucessivamente por G. Caselli, em 1950. Tal hipótese foiaceita por D. Willis, N. MossoJ. 
L. Carreno, K. E. Stevenson, G. R. Habermas e G. B. Judica Cordiglia. 
22 . V. Pesce Delfino. E l'uomo creò Ia Sindone. Bari, Dédalo, 1982. 
um personagem definido, um habilidoso falsificador de 130023. Outros fazem 
hipóteses análogas, segundo as quais para obter uma impressão chamuscada é 
necessário manter uma certa distância entre o linho e o modelo metálico 
quente, isto é, que se tenha "ausência de contato direto com a impressão24"; outros 
ainda impregnam de água quente o pano e espalham no baixo-relevo oxido de 
ferro25. 
O modelo térmico é cientificamente sugestivo, porque a impressão 
conseguida na tela por irradiação apresenta algumas características idênticas 
àquelas do Sudário: a negatividade, a indeterminação dos contornos, a cor e uma 
acentuada tridimensionalidade. 
De fato, uma irradiação térmica que provoca estreitamento no tecido 
também é considerada entre as hipóteses menos fantásticas por diversos 
defensores do Sudário. Exames feitos com o espectrofotômetro mostram que as 
impressões do corpo e as queimaduras produzidas pelo incêndio de 1532 refletem a 
luz do mesmo modo26, e o microdensitômetro aplicado a uma das fotografias do 
Sudário não revela diferença de cor entre a imagem e as áreas queimadas; além das 
fibras de celulose da área chamuscada, de cor amarelo-pálida, apresentarem o 
mesmo fenômeno de desidratação e oxidação que se encontram nas fibras da 
imagem27. 
O maior defensor da impressão a quente é o diretor do Instituto de 
Antropologia da Universidade de Bari, Vittorio Pesce Delfino, que descarta a 
 
23 Normalmente um falsário pressupõe a falsificação de um perfeito original conhecido, com maior perfeição que 
a cópia e a possibilidade de observá-lo para tal fato. 
Como se verá a seguir é difícil imaginar um original mais rico de particularidades e de maior precisão que o 
Sudário atualmente em nosso poder, onde nada é confiado à imaginação. 
24 C Papini. La Sindone, un mistero che sisvela. Turim, Dossier 16, Claudiana, 1982. 
25 J. Nickell. Inqueston the Shroud of Turin. Nova York, 1983/1987. 
26 . K. E. Stevenson e G. R. Habermas, Verdetto sulla Síndon. Brescia, Queriniana, 1982, p. 229. 
27 .J. H. Helle re A. D. Adler. "A chemical investigation of the Shroud of Turin", in: Canadian Society Forensis 
Science lournal, 14, 1981, pp. 81-103. 
possibilidade de que o Sudário seja uma reprodução falsa elaborada na era 
medieval28: Não é necessário recorrer a nada de diferente do que o falsificador tenha 
utilizado para a realização do vulto em que as características essenciais, como 
vimos, foram reproduzidas, isto é, por meio de pirogravura utilizando uma ponta 
metálica arredondada e aquecida ou com um simples modelo metálico [...], na 
verdade, por meio de puros e simples retoques pictóricos com a mesma cor ocre 
vermelho. Desse ponto de vista, não existe nada na imagem do Sudário que não 
seja perfeitamente explicável e reproduzível (ver nota 18). A cópia se obtinha 
trabalhando em baixo-relevo em bronze aquecido de 220 a 230 °C. Naturalmente, 
os "amigos do Sudário", tratados não muito urbanamente no seu livro, não o 
privaram de críticas, como a falta de caracteres dos estilistas medievais e a 
dificuldade de medir a intensidade das cores em um pano longo de mais de 4 metros 
em baixo-relevo, único no seu gênero, do qual não permanecem traços nem na 
memória, e as críticas radicais não cessam. O sangue, por exemplo, do qual não 
existe nenhuma dúvida, não cobre a imagem e portanto as manchas de sangue 
formam-se antes da imagem. A sobreposição em baixo-relevo teria alterado o 
sangue como se revela nas áreas chamuscadas pelo incêndio de 1532. Nesse caso, 
como teria podido o falsificador reproduzir aquelas características físico-químicas 
notadas somente na medicina atual, que consegue distinguir o sangue coagulado 
das feridas que sai pelo costado? E como conhecia o excesso de bilirrubina, que 
hoje em dia só se pode observar em pessoas gravemente traumatizadas? Nesse 
caso, se observarmos as manchas de sangue que se encontram na fronte, duas 
delas são particularmente interessantes. Aquela da direita, na raiz do cabelo, é 
formada por um coágulo circular (que corresponde a uma ferida provocada pela 
 
28 V. Pesce Delfino. Ver nota 22. 
ponta do espinho da coroa), do qual se desprendem duas gotas de sangue, uma das 
quais, desce por toda a cabeleira, até os ombros; a outra, perpendicularmente 
afronte, até a sobrancelha. Em uma fotografia ampliada muitas vezes pode-se ver 
muitíssimo bem que esse sangue tem um caráter nitidamente arterial, não 
homogêneo, isto é, brota de uma artéria em jatos ritmicamente intermitentes. 
Automaticamente, a ferida da qual escapa esse duplo jato de sangue corresponde 
ao do ramo frontal da artéria temporal superficial. A outra mancha de sangue [...] é 
aquela da fronte com a forma de Y ou 3 invertido de cor homogênea, uniforme, com 
um nítido caráter de sangue venoso. A forma pontiaguda da coroa de espinhos 
lesionou a veia, e a curiosa forma de um 3 invertido se deve às rugas formadas sob 
os espasmos de dor sofrido pelo músculo frontal29. Uma pergunta vem à tona: 
"Como poderia o falsificador conhecer a dinâmica da circulação venosa e arterial e 
assim distingui-las entre si, se ela foi descoberta por Andréa Cisalpino somente em 
159330? 
Ainda se fazem objeções sobre uma outra característica, não visível a olho 
nu e não correspondente à cópia obtida por contato em baixo-relevo. A oxidação das 
fibras produzida entre 180 e 200 °C pela pirólise do carboidrato de celulose 
fosforosa, que diante dos raios ultravioleta, apresenta a cor laranja fluorescente31, e 
isso não ocorre com o Sudário. Contudo, o estreitamento obtido na cópia atravessa 
o pano, mas sobre o Sudário interessam-nos apenas algumas fibras visíveis na 
 
29 Essa citação é extraída do panfleto, breve mas eficaz, do dr. Giovanni Fumagalli: Ma allora ... Ia Sacra 
Sindone é próprio falsa? Parabiago (Mi), II Centro, 1988. 
30 Cario Papini escreve, entre tantos outros, a esse propósito: "Mais uma vez se esquece ou se desvaloriza o 
excepcional desenvolvimento da arte médica e dos conhecimentos anatômicos conseguidos no oriente bizantino 
e árabe. As escrituras de Galeno (século II d.C), esquecidas no Ocidente e redescobertas somente a partir do 
século XII, mas sempre estudadas pelos bizantinos". Ver nota 24. 
O nosso falsário era bizantino? Talvez nem mesmo medieval? Quanto a Galeno, deve-se recordar que a obra 
cisalpina coloca-se de pronto em um vasto movimento de emancipação dos erros de ortodoxia galênica em 
matéria de circulação do sangue que se inicia no Ocidente em meados dos anos 500. Basta consultar o verbete 
"circulação sangüínea" em qualquer enciclopédia para certificar-se. 
31 0 Petrosillo e E. Marinelli. La Sindone un enigma alla prova della scienza. Milão, Rizzoli, 1990, p. 230. 
superfície. Em seguida foi demonstrado experimentalmente que uma impressão 
térmica igual àquela produzida pelo professor Pesce tem um crescimento muito 
superficial e desaparece depois de dois anos32. Por outro lado, o professor nunca 
mais viu, nem de longe, o Sudário de Turim33. 
Cario Papini propôs uma metodologia paralela à precedente. O modelo 
metálico é tirado de uma fusão normal do cálculo de um cadáver humano. A única 
variante proposta é a idéia de cozimento a uma distância muito próxima mediante 
uma tela enrugada. Propõe-se uma possível sucessão de operações que deverá 
passar, naturalmente, por completo teste experimental: toma-se um cadáver de 
aproximadamente trinta anos, cujo aspecto corresponda aos traços tradicionais de 
Jesus, tiram-se dois moldes de gesso das partes posterior e anterior, fundem-se os 
dois relevos em bronze totalmente limados e retocados, aquecidos a uma 
temperaturaconstante de 250 a 350°C, graças a um braseiro constante de carvão 
ou lenha, e deixa-se durante um determinado tempo a uma pequena distância da 
tela de Unho tecido em um tear flexível ao longo do eixo mediano para seguir a 
curvatura do bronze - isso é tudo. Basta somente um retoque manual com sangue 
verdadeiro ou com uma substância ainda ignorada para reproduzir todos os sinais 
da Paixão e, por fim, juntar as manchas edemáticas utilizando provavelmente 
sangue animal ou humano. Ainda uma anotação: é provável, mas não indispensável, 
que a tela (Sudário) tenha sido preparada com qualquer substância por nós ignorada 
para favorecer o (cozimento) e evitar a queimadura. Para o autor é quase certo que 
o método funcione, mesmo não se sabendo A confirmação por aproximação de que 
 
32 M. Moroni. "Sulla formazione naturale e sulla strinatura acciden-tale dell’immagine sindonica", in: La 
Sindone-lndagini scientifiche. Atas do IV Congresso Nazionale di Studi sulIa Sindone, Siracusa, 17-18/10/1987; 
Paoline, 1988, pp. 142-185. 
33 É a conclusão do livro citado na nota 22. 
um método similar foi usado por um falsificador, está em um artigo de Papini34 que 
informa: "quando seqüestraram o Sudário da Catedral de Besançon, os enviados da 
Convenção tiveram a surpresa também de encontrar um tear metálico a 'Estampa 
Perfurada' que, sobreposta ao Sudário, correspondia perfeitamente às 'manchas 
edemáticas, que vinha assim periodicamente pintada de vermelho vivo" 
(originalmente em Monitor, Paris, 1794, p. 557). Infelizmente esse tear foi perdido, 
mas o sentimento francamente jacobino do Monitor35 garante uma informação 
objetiva não formada por preconceitos eclesiásticos. 
Nessa resenha de defensores do método térmico, na qual muitos serão 
realmente negligenciados por necessidade, não se pode excluir um personagem 
singular, Joe Nickell (nota 25), pesquisador científico que em 1978 levantou a 
hipótese de a imagem ser feita de uma mistura de aromas (aloé e mirra) ou de 
pigmentação em pó colorido, aplicada em uma tela impregnada de água quente e 
estendida sobre um baixo-relevo. Como prova, mostra o resultado de uma tela 
colocada em contato com o baixo-relevo de Bing Crosby. Segundo Nickell, o falsário, 
para obter um melhor resultado, teria esticado a tela no baixo-relevo e depois a teria 
friccionado com a mistura de pós. A técnica de Joe Nickell, além de produzir uma 
imagem privada de tridimensionalidade, não realiza uma impressão espelhada, 
como acontece no Sudário, já que o decalque é feito friccionando o vermelho ocre 
sobre a tela, e não por um contato direto com o baixo-relevo colocado embaixo dela. 
Análogas como metodologia, as experiências foram percebidas em 1994 por Emily 
Craig e Randal Bresee36, que recobrem o modelo com pó de carbono dissolvido em 
um tipo de cola e transferido ao tecido com uma colher quente e vapor, do qual 
 
34 Artigo que apareceu em Riforma, 5/04/1996. 
35 Il Moniteur fundado em 1789, foi fechado com o golpe de 18 de maio de 1799. 
36 E. A. Craig e R. R. Bresee. "Image formation and the Shroud of Turin", J. of Image Science and Technology, 
38, nº 7, jan./fev., 1994. 
resulta uma reprodução sem definição. Os pesquisadores tiveram de constatar que o 
fundo feito à mão, continha grossos pigmentos secos e não prestavam para serem 
transferidos para uma superfície de linho áspero com aquelas dimensões e serem 
submetidos ao vapor. Por outro lado as imagens obtidas por Nickell e Craig-Bresee 
não resolvem os problemas das manchas de sangue que no Sudário estão 
presentes exatamente nos pontos onde falta a imagem. Enfim, também nesse caso 
o foco do incêndio de 1532 e a água utilizada para apagá-lo teriam alterado as 
substâncias orgânicas aplicadas na imagem. E aqui poderíamos prosseguir: 
segundo Samuel Pellicori37, é o ácido lático da sudoração e da secreção cutânea 
absorvido pelo linho que produz ao longo do tempo a aparição da imagem. Segundo 
outros, é a ação acidificante38 dos sais de Qumran ou de Natron39; para outros ainda 
são os campos eletrostáticos40-41. Em geral as resoluções obtidas 
experimentalmente ficaram muito longe da original. Concluímos essa resenha com 
uma experiência sugestiva. A arqueóloga Nitowsky42 conduziu provas em campo, 
utilizando um manequim oco de mais ou menos 1 metro de comprimento cheio de 
água quente, a 46°C. O manequim foi colocado em um sepulcro, em Jerusalém, 
envolvido em linho, sobre o qual foi espalhado carbonato de cálcio e, 
 
37 L. A. Schwalbe e R.N. Rogers. Op. cit, pp. 28-9. 
38 M. G. Siliato, Indagine su un antico delitto. Roma, Piemme, 1983; e G.Riggi di Numana. Rapporto Sindone, 
1978 -1982, Turim, Il Piccolo, 1982. 
39 Sal de Qumran é rico em minerais de potássio, sódio, magnesio, cloro e bromo, como o natrão do Egito. Foi 
feita uma experiência sobre um modelo de gesso, umedecido com solução de sal de Qumran; no cálcio, com 
manchas de sangue ressecadas, colocou-se uma tela embebida de aromas e realizou-se sucessivas experiências 
sobre uma tela seca recoberta de aloé e mirra em pó. Em ambos os casos o resultado foi desolador. (Texto de E. 
Bedeschi, extraído do boletim químico farmacêutico, Como,fasc. 20, out., 1934.) Segundo o autor, no caso de 
Jesus, a sudoração poderia ter sido rápida e reduzida a um simples banho no Cadáver em solução de natrão 
(carbonato de sódio), coberto com um lençol impregnado de pó de aloé. No processo de embalsamamento usado 
na época de Jesus, o aloé vinha sempre misturado com uma solução salina. 
40 Oswald Scheuerman. "Wie istdas Abbild entstanden? Forschungergebnisse und Fragen zumturiner Crabtuch" 
in: Das Fels, 17, nº4, abr., 1986, pp. 115-122. 
41 Judica Cordilla. "La Sindone immagine eletrostática?", in: La Sindone. Nuovi studi e ricerche. Raolíne, Alba, 
1978. Judica obteve impressões superficiais certamente melhoradas com base em células metálicas, materiais 
orgânicos, e de pessoas vivas. Esta última re-produção sobre a tela seca, especificamente sobre as mãos, são 
comparadas às artes visíveis no Sudário. Provas conduzidas por M. Moroni por meio de telas umedecidas e 
tratadas com aromas forneceram imagens chamuscadas e passadas ao avesso. 
42 J.A. Kohlbeke E. L. Nitowski. "New evidence may explain imageon Shroud of Turin", in: Biblical Archeology 
Rewiew, XII, n º4, jul/ago., 1986, pp. 18-29. 
sucessivamente, sangue diluído em solução salina e vinagre, para reproduzir seja o 
ambiente rico de pó de carbonato de cálcio, como devia ser o buraco usado como 
sepulcro, que, segundo Nitowski, tinha acolhido o corpo de Jesus depois da 
crucificação, seja o suor e o sangue, que se tornaram ácido em conseqüência do 
fortíssimo trauma. A campanha experimental não conseguiu obter resultado que 
provasse conclusivamente a formação da imagem; todavia, permanece notável 
porque, pela primeira vez, obtiveram-se amostras de rocha do interior de tumbas das 
proximidades de Jerusalém: constatou-se em seguida que se tratava de aragonite, 
em vez de cálcio comum com pequena quantidade de ferro e estrôncio, o mesmo 
material encontrado entre as fibras do Sudário, na área dos pés ensangüentados. A 
identidade viria a ser confirmada por Levi-Setti43 mediante análise com a 
microssonda eletrônica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
43 Levi-Setti, R. et al. "Progress in high resolution scanning ion microscopy and secondary ion mass 
spectroscopy imaging microanalysis", in: Scanning Electron Microscopy, 1985, pp. 535-552. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RadiaçãoRadiaçãoRadiaçãoRadiação nuclear e outras formas de energia nuclear e outras formas de energia nuclear e outras formas de energia nuclear e outras formas de energia 
 
 
Logo após a explosão da bomba atômica em Hiroshima, quando já se 
observava o dano causadoe já se começava a reorganização da vida depois da 
terrificante tragédia, os habitantes supersticiosos podiam observar com espanto um 
singular fenômeno: nas paredes dos edifícios e às margens das estradas, 
apareceram algumas imagens44: uma torre retangular que aparecia no teto da 
Câmara de Comércio; alguns perfis humanos, como o de um pintor no ato de molhar 
a ponta do pincel na lata de tinta; ou um homem no ato de chicotear o cavalo estava 
impresso na fachada de pedra dos edifícios45. Uma intensa faixa de luz teria 
projetado as sombras dos corpos humanos, queimados instantaneamente pelo calor, 
imprimindo-as na pedra que se preservou da calcificação46, nas áreas onde estavam 
as imagens. 
Em conseqüência da análise desses extraordinários fenômenos, em 1978, 
José Luis Correño-Etxeandia47 levantava a hipótese de que a impressão do Sudário 
 
44 Hersey, J. Hiroshima. Londres, Penguin Books, 1972, pp. 99-100. 
45 A ausência de calcificação na área onde aparece a sombra projetada da figura humana nos impulsionou a 
verificar um fragmento de material cerâmico de revestimento externo das paredes do Nissei Hospital de 
Hiroshima revestido da onda térmica da explosão (fornecido pelo Museu de Hiroshima). O professor M. 
Bertolani, da Universidade de Modena, que examinou no microscópio o fragmento cerâmico e a substância 
extraída do cimento, confirmou que o cimento se manteve "calcificado" sem nenhuma particular variação de 
seus componentes. 
46 V. Pesce Delfino. Op. cit, p. 229. 
47 L. Carreno-Etxeandia. La Sindone ultimo repórter. Alba, Edizioni Paoline, 1978. 
fosse equivalente àquelas imagens. Segundo tal hipótese, a figura do Sudário teria 
sido impressa no pano por efeito de uma "energia radiante intensa e de brevíssima 
duração". Ter-se-ia verificado uma transformação da matéria em energia igual à de 
uma explosão atômica. 
Além da "explosão luminosa de energia" de Correno, outras hipóteses 
foram avantadas como a de uma ação fotorradiante de Bougarde-La Dardye, que 
aparece em 1902, ou da ação radioativa do corpo de Noguier de Malijay, ou da ação 
fotofulgurante de Caselli48. 
Infelizmente essas intuições, apesar de engenhosas, não se apóiam em 
nenhuma experiência e permanecem, por ora, sem provas. 
Recentemente um estudioso de Siracusa, o dr. Sebastiano Rodante, 
desenvolveu a hipótese do desprendimento de um raio de luz solar do cadáver. Uma 
intensa radiação luminosa ultravioleta instantânea, nas primeiras 36 horas de 
contato com a pele úmida do suor do sangue, teria melhorado a visibilidade da 
impressão já delineada no pano úmido e impregnado de aromas49. Para obter uma 
confirmação experimental, foram realizadas numerosas experiências nas 
catacumbas de S. Giovanni, em Siracusa, um ambiente bastante sugestivo que 
reproduzia as condições do sepulcro do qual fala o evangelista Mateus e possuía a 
umidade necessária. Foi utilizada uma reprodução fotográfica do vulto do Sudário, 
na qual foram perfurados, com agulhas finas, as partes onde se presumia que 
tivessem estado em contato direto com o corpo e o pano. Os raios solares, ao 
atravessar os pequenos furos, uns bens próximos dos outros, imprimiam no lençol 
as impressões do rosto com claros-escuros invertidos. Rodante concluiu que esse 
mesmo mecanismo poderia ter estampado no Sudário as impressões atualmente 
 
48 S. Rodante. La scienza convalida Ia Sindone. Milão, Massimo, 1994, pp. 73-74. 
49 Idem. La realtà della Sindone. Milão, Massimo, 1987. 
existentes. As imagens obtidas são boas. Todavia para um artista medieval (o dito 
falsário), realizar um procedimento análogo àquele do dr. Rodante, teria encontrado 
dificuldades consideráveis. A imagem mais evidente é aquela que parecia uma foto 
tirada do Sudário inteiro, ou uma semelhante a um cadáver, que não se entenderia 
porque em seguida teria se aplicado um outro método artificioso para obter uma 
segunda. Aqueles que acreditam, ao contrário, podem admitir, sem nenhum 
constrangimento, que, no sepulcro, o corpo ressurgido teria emitido uma luz muito 
intensa; há exemplos dessa ocorrência nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos. 
Mas isso nos leva para fora do campo da ciência experimental. 
Também o dr. Jackson cria sua própria hipótese50, que é parecida com a 
do dr. Trenn51, da Universidade de Toronto. A origem da imagem do Sudário foi 
atribuída a um efeito fotoquímico sobre a celulose produzida por uma radiação de 
raios X de baixa intensidade ou de ultravioleta emitida do próprio corpo por um breve 
período. Essa impressão aparece como uma imagem branca; com o tempo, teria 
invertido, por envelhecimento natural, o contraste da imagem até atingir as 
condições atuais, em que ela aparece mais escura de fundo sotoposto. Como se 
teria formado a imagem? Jackson supõe que, em certo momento, o corpo que 
estava sob o pano e o sustentava teria iniciado a emissão de radiações, e com o 
passar do tempo teria ficado "penetrável", permitindo ao pano afrouxar-se. O corpo 
teria deixado sua impressão no tecido, enquanto esse atravessava em tempo maior 
para aqueles de maior altura. Também nesse caso a hipótese pressupunha um 
evento não verificável. Além disso, durante a passagem as radiações teriam deixado 
a impressão também no lado superior do pano enquanto teria agido de modo 
totalmente adverso na parte dorsal, que teria ficado estática. 
 
50 Jackson. Shroud spectrum, na 28-29, set, 1988, pp. 516-519; além da conferência de Rosetum di Milano, em 
24/03/1990. 
51 D.WhangereM. Whanger. Collegamento pro Sindone, nº 6, mai./jun., 1994, p. 42. 
Imagens negativas naturaisImagens negativas naturaisImagens negativas naturaisImagens negativas naturais 
 
Na parte superior da Basílica de Assis, ornamentada pelas histórias de 
São Francisco pintadas por Giotto e pelas imagens evanescentes das pinturas de 
Cimabue, percebe-se que o negativo de tais imagens emerge por um natural 
enegrecimento das cores claras52. Não é raro encontrar impressões que se 
formaram através do tempo, e algumas delas apresentaram também um caráter 
tridimensional. Um outro tipo de impressão, obtido por reação química, é aquele que 
aparece no verso de um selo de 1859 produzido pelo contato da goma-arábica com 
as substâncias azotadas da tinta. Por analogia, levantou-se a hipótese de que a 
imagem do Sudário poderia ter sido feita com a produção do ácido oléico formado 
pelo contato entre os compostos azotados (amoníaco e uréia) presentes no suor do 
homem do Sudário e os aromas balsâmicos53. 
Até mesmo os velhos herbários, tão queridos dos nossos avós, podem 
reservar surpresas: as impressões dos vegetais emergem, de modo natural, por um 
longo tempo. São as marcas também indicadas como "figuras de Volckringer"54. Elas 
atribuem as impressões à desidratação das folhas, flores e frutos55; foi demonstrado 
que os vegetais não completamente ressecados que deixaram uma impressão 
fizeram em cinqüenta anos a transferência para uma outra, mais suave, em uma 
nova folha56. 
 
52 0 fenômeno é atribuído a uma reação química que se manifesta com o passar dos anos e é facilitado pela 
umidade: o enxofre do zinabrese une ao do chumbo. (C. Enrie. La Santa Sindone rivelata dalla fotografia, 2º ed., 
Turim, SEI; G. Chiavarello. "Di eventuali tracce di sostanze colorate o colorate-coloranti sulla Sindone", in: La 
Sindone, Ia scienza, Ia fede. Bolonha, Clueb, 1983. 
53 C. Chiavarello. Idem. 
54 J. A. De Salvo. "The image formation process of the Shroud of Turin and its similarities to Volckringer 
patterns", CIS,Turim, in: Sindon, 31, dez., 1981. O autor afirma que os traços de ácido lático contido nos 
vegetais podem ter sido impressos com o tempo na celulose do papel. 
55 M.J. Volckringer. "Le probleme des Impreintes devant Ia Science", in: Procuredu Carmel de l'Action de 
Graces, Ajaccio, 1981. 
56 Idem. "Reiazione al Centre d'Etudes Théologiques", apresentado em 28/05/1984, em Caen. 
Um dos autores do presente texto recuperou uma anêmona-dos-bosques, 
da família das ranunculáceas, reflorescida nas colinas ao redor de Turim e 
conservadas pela professora Delia Beffa, que depois de 45 anos deixou a impressão 
de uma coloração sépia, muito similar àquela da imagem do Sudário. Também um 
gracioso flautista da guarda pontifícia suíça, em uma estampa em cores pintada à 
mão que se encontra nas páginas internas de um livro dos meados dos Oitocentos57, 
foi reproduzido por contato e apresenta a típica cor sépia pálido. É importante 
sublinhar que a impressão, seja proveniente da cor mineral58, seja da vegetal, 
resulta tridimensional59-60. Para obter a própria transferência, os objetos devem 
necessariamente ser aderentes à folha de papel sem a existência de luz. É 
inverídica, portanto, a hipótese de que a informação tridimensional das impressões 
no Sudário seja reconduzir exclusivamente a distância entre o corpo e o pano. Pode-
se, portanto, pensar que tais caracteres não sejam somente próprios da impressão 
anterior do Sudário. Também a parte dorsal do corpo, que aderiu ao pano 
subjacente, deve ter conseguido uma impressão tridimensional bem como as partes 
do corpo mais sobressalentes que essa61. 
Gênese natural por contatoGênese natural por contatoGênese natural por contatoGênese natural por contato 
 
As flores que descolorem nos herbários tinham então produzido uma 
imagem de coloração sépia, cópia fiel, nas velhas folhas amareladas, mas para Paul 
 
57 Encontrado por M. Moroni no Álbum au collection complete et historique des costumes de Ia Cour de Rome, 
Paris, 1862; reprodução graciosa da guarda suíça. As cores são do tipo "mineral" ou natural (como todas as cores 
utilizadas antes da metade dos Oitocentos), diluídas em óleos vegetais. 
58 Elaboração tridimensional feita pelo dr. K. E. Moran com a Estek Kodak Company North Carolina, Estados 
Unidos. 
59 M.J. Volckringer. The holy Shroud: Science confronts the imprints. Transcrito por V. Harper, Austrália, 
Morgan, 1991. 
60 De Salvo afirma que a mais surpreendente semelhança entre a imagem do corpo do Sudário e as amostras de 
Volckringer é que estas podem ser reconstruídas em relevo tridimensional utilizando um analisador 
tridimensional VP-8, assim como se pode fazer com a imagem do corpo de Sudário. (J.A. De Salvo. Op. cit.) 
61 A elaboração do dorso, executada pelo professor Nello Balossino, de Turim, e ainda inédita, confirma o 
caráter tridimensional deste lado da imagem. 
Vignon, biólogo e pintor francês, não sugeriam somente recordações românticas, 
mas um preciso mecanismo de formação da imagem. A celulose do papel alterou-se 
na superfície em contato com as flores, provavelmente por evaporação dos ácidos 
por elas liberados. 
Não poderia um processo análogo ser a origem da impressão no Sudário, 
se lembrarmos que em 1896 o coronel Colson, assistente da Politécnica de Paris, 
havia descoberto que o zinco emite, à temperatura ambiente, vapores que se 
transformam em lastros fotográficos na câmara escura. Com base em tais indícios, 
já em 1902, Vignon anunciava, em colaboração com Colson, a sua clássica teoria 
denominada "vapor gráfico62": os vapores de amoníaco úmidos, causados pela 
fermentação da uréia, presentes na abundante sudoração que cobria o cadáver, 
teriam escurecido as partículas de aloé dispersas no pano. Os efeitos dos vapores 
cadavéricos naturalmente deveriam ser decorrentes do aumento da distância entre 
corpo e o pano. Vignon reproduzia sobre a tela umedecida com pó de aloé e mirra 
algumas partes cadavéricas: as imagens, todavia, resultavam totalmente fora de 
foco. Na realidade, chegou-se à conclusão mais tarde que não se tratava de 
aperfeiçoar o método, mas da dificuldade de obter-se uma imagem de alta definição, 
igual à do Sudário, mediante difusão ou irradiação. Deve-se notar que no pano 
também a parte dorsal apresenta o mesmo grau de definição da anterior, malgrado 
se referisse a amplas áreas do corpo completo e em contato direto com o tecido63. 
A essa primeira tentativa são seguidas outras verificações e experiências 
de valor seguro, mas para nós que não professamos a atividade médica, soa um 
 
62 P. Vignon. Le Saint Suaire de Turin devant Ia science, l'archeologie, l'histoire, liconographie, Ia Logique. Ver 
nota 19. 
63 O professor Bollone faz notar, no entanto, que a transformação do aloé em carbonato de amoníaco não ocorre 
no primeiro período depois da morte, mesmo com a presença de aloé e mirra para acelerá-la. (P. L Baima 
Bollone, op. cit., pp. 203-204.) 
tanto macabro. O dr. Cordiglia64 espalhou uma mistura de pó de aloé e mirra sobre 
cadáver, fazendo-a aderir a uma tela impregnada de azeite e de essência de 
aguarrás. Completou a esfumatura da impressão exposta ao vapor de água. O dr. 
Romanese65 aspergiu o rosto do cadáver com uma solução de água quente e sal e 
colocou sucessivamente sobre ela um pano embebido de aloé e mirra pulverizado. 
Os resultados obtidos foram apreciáveis, mas as impressões foram 
passadas pela parte oposta do tecido e os coágulos de sangue ficaram imprecisos. 
As experiências foram retomadas em 1970 pelo dr. Rodante66. Convicto, 
como Vignon, de que a impressão no Sudário tivesse sido formada 
espontaneamente por contato67, usou pela primeira vez mistura de suor e sangue 
espalhados por toda a superfície do corpo; os aromas em pó que emplastavam os 
invólucros de sangue foram aplicados aos panos com soluções aquosas. O dr. 
Rodante utilizou pedacinhos de gesso com mistura de suor e sangue salpicados e 
recobertos sucessivamente por um pano úmido embebido de uma solução aquosa 
misturada com aloé e mirra durante aproximadamente trinta horas. As impressões 
apareciam somente de um lado do pano. Os coágulos de sangue eram perfeitos e 
bem-definidos: somente os mais marcantes ultrapassavam a espessura do pano. 
 
64 G.Judica Cordiglia. "Ricerche ed esperienze sulla genesi dei le impronte delia S. Sindone", in: La Santa 
Sindone nelle ricerche moderne. Risultati dei Convegno Nazionaie di studi sulla Santa Sindone. Turim, 1941, pp. 
37-51; L'uomo delia Sindone é il Cristo. Milão, 1941; "Ipotesi e nuovi esperimenti sulla genesi delle impronte", 
in: La Santa Sindone nelle ricerche moderne. 
I Convegno internazionale di studio Roma -Torino Anno Santo 1950. Turim, 1951, pp. 23-26. 
65 R. Romanese. "Contributo sperimentale allo studio della genesi delle impronte della Santa Sindone", in: 
Risultati del Convegno Nazionale del 1941, op. cit.„pp. 51-61. 
66 S. Rodante. "II sudore di sangue e le impronte della Sindone", in: Sindon, n°-21, 1975, pp. 6-12; "Ipotesi sulla 
natura delle impronte sindoniche", in: Sindon, 1978, pp.126-136; "Mixturam myrrae et aloe -Rilievi di 
semeiotica sindonica", in: La Sindone e Ia Scienza, Ata do II Congresso Internazionaledi Sindonologia, Leinì 
(Turim), Paoline, 1979, pp. 419-423. 
67 S. Rodante. "Le impronte delia Sindone non derivano soltanto da radiazione di varie lunghezzed'onda...", 
in:Sindon, nº31,1982. Rodante admite uma fixação fotográfica no pano ainda úmido, sucessiva à formação da 
imagem. 
Podia-se, portanto, concluir que os aromas, o suor de sangue e a umidade eram os 
elementos determinantes para a reprodução espontânea das imagens68. 
A experiência com a mistura de suor e sangue foi retomada com a mesma 
metodologia do dr. Rodante por Mario Moroni. Ao modelo experimental, um molde 
em cera do vulto do Sudário, colou-se uma pele magra de gamo borrifada de sangue 
e de bilirrubina e foram aplicados cabelo, barba e bigode naturais, umedecidos com 
mistura de suor e sangue mais diluída. Ao molde foi colado um linho parecido com o 
do tecido do Sudário, umedecidode uma solução de aloé e mirra. A impressão se 
apresenta como um negativo fotográfico, com a parte esquerda colocada na direita, 
e vice-versa. A imagem contato direto aparece somente em um lado do linho e 
alcança apenas as fibras superficiais. 
A hipótese de que a imagem se teria formado espontaneamente por 
contato pareceria ser a que apresenta maior grau de probabilidade e poderia 
explicar, entre outros, alguns particulares relevantes sobre o Sudário, como, por 
exemplo, a grande nitidez com que se apresentam os sinais deixados pelos golpes 
do flagelo. Naturalmente não se excluiu a presença de uma reação química por 
causa dos aromas; da contribuição, se bem que limitada, dos vapores cadavéricos: 
"Os vapores alcalinos podem provir da fermentação em carbonato de amônia da 
uréia, abundante no suor encontrado no tecido utilizado durante o suplício. Os 
vapores produzidos são menos intensos nas superfícies mais próximas do lençol 
que os encontrados nas mais distantes69"; nem se exclui essa mesma reação 
química por causa do suor da pele, não pelo fato da condensação que se forma 
 
68 S. Rodante. "Ipotesi sulla natura delle impronte sindoniche", in: L'uomo delia Sindone. PoliglottaVaticana, 
Roma, Orizzonte Medico, 1979. 
69 Texto lideo em 21 de abril de 1902 no Salão da Ciência de paris por Yves Delage e publicada por Revue 
Scientifique, 3/05/1902. 
embaixo do lençol amassado se mostrar quase impermeável, mas pela ação da 
mirra. 
Todavia, provavelmente será necessário procurar outros fatores que ainda 
não estão perfeitamente definidos, como as condições climático-hematológicas70, 
que devem ter contribuído para completar e esfumaçar a imagem, porque aquela 
realizada experimentalmente, se bem que bem definida, e com características de 
tridimensionalidade71 não se iguala em fineza à do Sudário: segundo J. Jackson, as 
manchas de sangue são explicáveis na caso do contato da tela com o corpo ferido, 
mas não a imagem: a sua tridimensionalidade exclui o "mecanismo de contato". A 
afirmação não é aceitável porque a mancha hemática, aquela da fronte, por 
exemplo, estudada pelo professor G. Tamburelli contém uma informação 
tridimensional. 
Uma inesperada demonstração da possibilidade de decalque natural de 
um cadáver no lençol foi fornecida involuntariamente por um certo sr. Les, um 
indiano de aproximadamente quarenta anos da Índia Ocidental, que estava 
internado no Thorthon Hospital, de Lancashire, por causa de um câncer no 
pâncreas72. Alguns dias após a morte dele, em 9 de março de 1981, Patricia Olivers, 
funcionária do departamento de limpeza, observou, não sem um certo terror, que 
sobre a cobertura do colchão estava impressa a imagem inteira de um homem. 
Seguindo a tradição, os coveiros tinham levado do hospital o corpo envolto no 
lençol. O pijama que o defunto vestia foi jogado fora, e do colchão da cama foi tirado 
a cobertura sintética que resultava manchada e foi esfregada com água sanitária, 
 
70 G. Imbalsamo. “Il linguaggio della Sindone: formazione dell’immagine”. In: Sindon, nº3, dez. 1981. 
71 O “mecanismo vertical” do corpo na tela não explica a formação do vulto do homem do Sudário que se 
encontra com a cabeça um pouco inclinada para a frente e não na posição perfeitamente horizontal. A mesma 
consideração vale para a impressão de ambas as voltas plantares. Esses dois detalhes importantes não se afinam 
com a hipótese de que a impressão é o resultado de uma projeção ortogonal. 
72 I. Wilson. "Magazine", in: Sunday Observer, 31/01/1988; e "Newsletters", in: British Society for the Turin 
Shroud, nº 19,1988. 
mas sem resultado: as manchas não desapareceram. Enfim a descoberta: "Pois 
enquanto Patricia Oliver olhava novamente ela gelou de incredulidade. Tinha 
qualquer coisa de estranho e completamente fora do comum nas manchas em que 
estava trabalhando. Claramente distinguiu na cor de carne da cobertura do colchão 
a imagem fantasmagórica de uma mão, com a palma virada para cima - fraca, mas 
estampada com tal precisão que se podia distinguir varias veias". Além das mãos, 
que apresentam uma coloração ligeiramente mais clara, são visíveis as áreas 
encravadas e os contornos das pernas magras, das costas e dos braços. A 
mandíbula apresenta-se voltada para baixo.” 
Depois que esse singular fenômeno veio a público, o professor J. 
Camerom do London Hospital Medical School, de Londres, notável médico-legista, 
sugere a causa da formação dessa imagem: "Qualquer forma de reação enzimática 
é devida à liberação do líquido do corpo que é típica de câncer no pâncreas"73. Mais 
recentemente, o estudioso do Sudário, o alemão Oswald Scheuerman, assinalou um 
caso análogo ocorrido em um hospital alemão e reportado pelo dr. Nieper: "Há 
alguns anos tínhamos um paciente internado em nosso hospital que sofria de tumor 
no rim. Por acaso, quando se estava refazendo o leito, alguns dias depois, notou-se 
uma imagem no pano que cobria o colchão". A impressão deixada pelo tumor estava 
particularmente marcada, enquanto a do corpo estava mais fraca. 
Os defensores do Sudário fazem observações de que também o homem 
do Sudário deveria apresentar uma abundante sudoração na face inteira, rica em 
substâncias colorantes de sangue. A difusão de coloração do rosto é confirmada 
pela elaboração eletrônica que tomando como ponto de referência a cor do filete de 
 
73 Um caso adicional é aquele do beato Charbel Makhlouf, monge maronita, morto no Líbano em 1898. O 
reconhecimento canônico, ocorrido em 1950, verificou que o Sudário traz as características da face, meio 
confusas. Tem-se notícia de um outro Sudário encontrado sobre uma múmia em uma tumba de Antinoopolis 
durante as escavações de 1902. Esse Sudário, com impressões e lineamento de um vulto, foi mostrado 
publicamente em Paris e depois transferido ao Louvre, onde já não é encontrado. 
sangue no rosto, encontra sobre o vulto do Sudário numerosos pontos vermelhos 
juntos, com igual intensidade de cor, sugerindo assim a presença de uma 
transudação hemática74. 
Na confirmação observa-se que o vistoso filete de sangue assume no 
negativo fotográfico uma coloração verde-azulada, analogamente à imagem inteira 
que apresenta uma ligeira cor azulada, mais ou menos esfumaçada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
74 Media Duemila, 3/03/1985, pp. 51-66. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O incêndio de 1532O incêndio de 1532O incêndio de 1532O incêndio de 1532 confunde as cartas confunde as cartas confunde as cartas confunde as cartas 
 
 
 
Para desorientar ainda mais aqueles que procuram descobrir a refinada 
tecnologia do artista incógnito há o fato de que a imagem obtida de modo natural 
não tem nenhum tipo de raspadura ou coisa similar em sua superfície; entretanto o 
Sudário apresenta raspaduras em todo o comprimento. Naturalmente se as 
impressões tivessem sido produzidas artificialmente, por irradiação ou por contato 
em baixo-relevo aquecido, ou mediante qualquer forma de radiação eletromagnética, 
a raspadura estaria limitada apenas à imagem, em vez disso está em todo o pano do 
Sudário, e é fácil imaginar que as áreas raspadas do linho e das impressões são 
verificadas contemporaneamente na mesma temperatura por efeito de uma mesma 
fonte de calor. 
De fato, Accetta e Baumgart75 encontraram uma impressionante 
semelhança entre as características espectrais das áreas onde está presente a 
imagem do Sudário e outras áreas raspadas do pano. A estrutura superficial da 
imagem do corpo e a área de fundo são essencialmente as mesmas. 
Também Ray Rogers, expert nos efeitos que as cores produzem sobre 
diversas substâncias, confirma a hipótese de Jackson: a cor de toda a imagem é75 J. S. Accetta e J. S. Baumgart. Applied Optics, nº19, 1980, p. 1.921. 
idêntica à do restante do pano. Schwalbe76 afirma que as fibras, nas áreas 
levemente raspadas, assemelham-se muito às cores fibrosas observadas na área da 
área da imagem. Roger e Marian Gilbert77 concluíram que as impressões do corpo e 
as queimaduras refletem a mesma luz. 
Provavelmente temos debaixo dos olhos os efeitos de um desastroso 
incêndio. É historicamente comprovado que o Sudário esteve em contato com um 
forte calor entre os dias 3 e 4 de dezembro de 1532, em Chambery, na Santa 
Capela especialmente construída pelo duque de Savóia para abrigar a preciosa 
relíquia. O lençol funerário (certamente seco) encontrava-se dobrado e colocado em 
uma valiosa caixa de madeira revestida de prata com ornamentos em ouro, dentro 
de um nicho do altar78. 
Por volta da meia-noite de 4 de dezembro de 1532, quando se iniciava a 
festa de Santa Bárbara, começou na Santa Capela um enorme jogo; talvez algum 
herege tenha colocado secretamente um carvão aceso, ou alguém inadvertidamente 
tenha deixado uma tocha meio apagada79. 
Uma testemunha da época, o frade franciscano François Rebelais, estava 
convicto de que o Sudário se tivesse perdido no meio do incêndio. Em uma de suas 
escrituras, lê-se: O Santo Sudário de Chambery queimou-se sem que se pudesse 
salvar um único pedaço. Calvino, que vivia naquele tempo, dizia: Quando um 
Sudário queima, sempre se encontra um outro no dia seguinte! 
 
76 L. A. Schwalbe e R. N. Rogers. "Physics and Chemistry of the Shroud of Turin. A summary of the 
investigations", in: Analytica Chimica Acta, ne 135, 1982, pp. 3-49. 
77 R. Cilbertjr. E M. M. Cilbert. "Ultraviolet visibile reflectance and fluorescence spectra of the Shroud of 
Turin", in: Applied Optics, 1980, pp. 1.930-1.986. 
78 P. L. Baeta Boline. Op. cit., pp. 138-140. 
79 78. P. L. Baeta Boline. Op. cit., pp. 138-140. 
79. L. G. Piano. Commentari crítíco- archeologici sopra Ia S. Sindondi N. S. Gesù Cristo venerata in Toríno. 
Eredi Bianco e Comp., 1833. 
 
Dizia-se também que... o pano não foi de fato queimado, porque alguns 
ferreiros de livre e espontânea vontade correram em meio ao fogo e trouxeram para 
fora a caixa do Santo Sudário. "O fogo já havia chegado ao armário e ao seu 
conteúdo, quando o conselheiro ducal Philippe Lambert apercebeu-se do incêndio. 
Mas o coro estava fechado por uma robusta cancela. E o vento noturno soprava 
pelas portas espalancadas e alimentava o incêndio. Mas alguém havia avistado as 
labaredas de fogo através da neve,o ferreiro Gillaume Poussod, cujo nome merece 
ser relembrado porque forçou as barras mais torcidas, queimando até os ossos das 
mãos para abrir uma passagem e pegar a caixa de prata. Dois frades franciscanos 
estavam com ele, porém os nomes nunca foram transcritos..."80 
O fato é que em 15 de abril de 1534, dois anos após o incêndio, efetuou-
se um reconhecimento por parte do bispo de San Giovanni di Moriena e do 
cardeal Lodovico Garrevod, e foi verificado que esse pano era aquele mesmo que 
existiu antes do famigerado fogo81. 
Depois dessa verificação nasceram duas novas e opostas interpretações: 
a primeira sustentava que tinha sido um milagre que o Sudário tivesse sido salvo em 
meio àquele fogaréu. Como contraprova foi proposto introduzir o pano em um 
recipiente de ferro e colocá-lo ao fogo para testar se queimava rapidamente. A 
segunda imaginava que o Sudário fosse naturalmente anti-fogo porque era de 
amianto. 
É bem provável que o linho do Sudário, como outros tecidos, possa resistir 
em condições especiais a um calor intenso produzido por um incêndio. É isso que se 
procura demonstrar experimentalmente e dessa pesquisa aparecerão outras mais. 
 
80 Maria Grazia Siliato. Il mistero della Sindone. Piemme, Casale Monferrato, 1989, p. 83. 
81 Abade Léon Bouchage. Le Saint Suaire de Chambery a Saint-laire-en-Ville. Chambery, Imprimerie C. Drivet, 
1891, pp. 16-26. 
Em qualquer um dos casos sobre o lençol do Sudário, seja guardado em 
um nicho no altar, como veio reportado em várias teses, seja alojado em uma gruta 
escavada na parede que se encontra ainda hoje escondida atrás do altar, ele correu 
seriamente o risco de se perder. "A gruta, inserida na parede constituída de blocos 
de pedra asperamente cortados e ainda hoje chamuscada, está situada a 2,5 metros 
do solo. Tem 1,65 metro de comprimento, 60 centímetros de altura e 50 centímetros 
de profundidade. Na parte frontal da gruta, ao redor da borda, foi escavado um 
pedaço de 5 centímetros, com a evidente função de servir de apoio para colocação 
de grades e telas de proteção. De fato, são ainda visíveis no alto e embaixo da gruta 
dois furos efetuados quase no meio, que deveriam servir para prender duas 
pequenas grades, de 80 por 60 centímetros cada uma. Nos lados são ainda 
evidentes 4 cravos utilizados muito provavelmente para murar as sapatas de 
sustentação da tela. Essas saliências demonstram que a gruta não foi construída 
para proteger a preciosa relíquia: isso, de fato, era um pouco maior que a tela 
dobrada várias vezes em si mesmo, de tal modo que pudesse recobrir uma 
superfície de 36 por 27 centímetros"82. Experiências sucessivas sobre temperaturas 
externas e internas ao cofre necessárias para obter uma chamuscação idêntica 
àquela que se observa no Sudário (ver acima) confirmam que o cofre deveria estar 
completamente envolvido pelas chamas como teria acontecido se tivesse sido 
recolocado em um armário. 
A determinação da temperatura máxima no interior do relicário durante o 
incêndio de Chambery foi objeto de numerosas experiências conduzidas por Mario 
Moroni: a coloração resultante da amostra do tecido deveria naturalmente coincidir 
com aquela típica do Sudário. Operou-se experimentalmente em escala de ½ 
 
82 Ver A.Tonelli. "II problema delle Bruciature e Ia questione storica", in: Sindon, 8/4/1962 
colocando uma amostra do tecido similar àquele do Sudário em um cofre de cobre 
prateado forrado por madeira. Depois de uma série de provas preliminares, os 
experimentos foram realizados, dirigindo-se a cada ângulo do cofre as chamas de 
um fogaréu. A temperatura externa atingia 550°C, enquanto a média registrada 
internamente atingia 190°C para o cofre, e 170°C para o pano dobrado, cifras que 
forneciam a desejada cor amarelo-pálida confirmada pelo exame foto calorimétrico. 
Mesmo as amostras de pano manchado de sangue e soro colorido, extraídas do 
pano, mantinham inalteradas as próprias cores originais. 
A campanha experimental foi rica em indicações: 
a) se o cofre experimental estivesse colocado em uma gruta (a 2,5 metros 
do solo), como aquela atrás do altar descrita e refigurada em velhos documentos, as 
temperaturas alcançadas não produziriam as duas chamuscaduras enegrecidas e 
visíveis no Sudário, que a percorrem por inteiro no sentido do comprimento; 
b) para preservar as duas primeiras camadas superiores de uma marcante 
chamuscada foi indispensável envolver a tela em um pano de puro linho. Por outro 
lado, foi plausível que fosse colocado um pano no relicário para proteção da tela; 
c) a temperatura externa não justifica a fusão de uma liga de prata igual 
àquela utilizada para cunhar moedas (54% de cobre e 43% de prata). A hipótese 
mais provável é que as lâminas foram soldadas em estanho, pelas bordas, entre 
si. 
d) o Sudário de Chambery foi colocado no cofre com três lados em contato 
com as paredes enquanto só um estava distante, disposição que deu origem às 
duas chamusca duras enegrecidas. Contrariamente à hipótese de alguns 
estudiosos, aqueles que se carbonizam são os lados não aderentes à parede.83 
 
83 Ver R. Gervasio. "Bruciature, macchie ed aloni che si riscontrano sul lessuto della Sindone",in: Sindon, nº 
24, Turim, CIS, out., 1976, p. 10. 
Os exames confirmaram que existe uma progressiva variação de cor do 
primeiro ao último chamuscado, e também que a variação é mais acentuada 
naqueles colocados abaixo. O fator de luminosidade médio do 27º e do 39º 
chamuscado (a cópia foi pregada como sendo o Sudário, em 48 quadros) resulta 
respectivamente 0,662 e 0,679%. Explica-se, portanto, as tonalidades mais 
evidentes que aparecem sobre o Sudário na área do dorso e do tórax. 
Chamuscadura marcada que, por incisão, não pode ser atribuída ao peso do 
cadáver ou a um simulador desse porque é reencontrado também na área do peito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma primeira consideraçãoUma primeira consideraçãoUma primeira consideraçãoUma primeira consideração 
 
 
Tudo o que foi mencionado sobre o método de formação da imagem, não 
faz mais que confirmar a excelência do nosso artista, que se revela depois dessa 
viagem histórico-científica como o maior tecnólogo de todos os tempos. Criou-se 
uma figura evanescente, de absoluto realismo, da qual, como nos códigos cifrados, 
tem de se conhecer a chave de leitura, que é o negativo fotográfico, com uma 
segurança surpreendente na utilização do sangue venoso e arterial de pessoas 
vivas ou mortas. Apesar do saber acumulado ao longo dos séculos, os cientistas de 
hoje, em situações mais favoráveis, apenas chegaram perto. 
Apesar de ter feito algum progresso seguro no conhecimento dos 
mecanismos da formação da imagem e ter acertado a importância de alguns fatores 
experimentais, como, por exemplo, a presença de aloé e mirra, ninguém conseguiu 
reproduzir em um pano de mais de 4 metros uma imagem leve e precisa. Alguns 
tentaram, certamente com a melhor das intenções, desvendar o mistério do Sudário, 
uma obra que somente um gênio poderia realizar, ou uma obra tecnologicamente 
fabricada de empenho medíocre. O professor Piazzoli afirmou que "é tão absurda a 
existência do Sudário, que Pesce Delfino produz Sudários... a seu bel-prazer84.” 
Beato ele! 
Todavia, como os antigos, nós também somos obrigados a repetir: Hic 
Rodus, hic salta, quer dizer: Façam-nos ver pelo menos um dos Sudários dessa rica 
produção para que possamos também acreditar. Mas já é tempo também de 
considerarmos outros aspectos do nosso personagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
84 A. Piazzoli. "Ecco le falle della Sindone", in: L’Unità, 23/03/1996. O articulista é mestre em física geral da 
Universidade de Pádova. 
Um grande conhecedor do mundo antigoUm grande conhecedor do mundo antigoUm grande conhecedor do mundo antigoUm grande conhecedor do mundo antigo 
Os aromasOs aromasOs aromasOs aromas 
 
 
Não podemos afirmar com absoluta certeza que o aloé e a mirra foram 
utilizados pelo nosso humanista para produzir a imagem. Nesse caso, estamos 
certos de que, profundo conhecedor do Evangelho (em particular João 19,39), foi 
necessário aspergir os dois aromas no pano, porque a presença dos aromas no 
Sudário é coisa certa. O professor Baima Bollone85, fotografou as fibras por ele 
retiradas em 1978 e descobriu alguns materiais morfologicamente idênticos à mirra, 
visíveis no microscópio óptico, revelando que o traçado micro espectrofotométrico do 
fragmento de um fio extraído do pano do Sudário correspondente ao do pé direito da 
imagem apresenta a mesma composição inorgânica obtida experimentalmente por 
meio de uma mancha de sangue, aloé, mirra ou saponáceo sobre um tecido. 
Também Michael Adgé86 confirmou que a resposta negativa de 197387, da 
comissão de especialistas nomeada pelo cardeal Pellegrino com relação à temática 
 
85 P. L. Baima Bollone. "Primi risultati delle ricerche sí fili della Sindone prelevati nel 1978", in: Sindon, nº 30, 
Turim, CIS, dez., 1981. 
86 M. Adgé. "Rilievi sperimentali su alcune proprietà del Taloe e della mirra", in: La Sindone: scienza e fede, 
Ata do II Congresso Nazionale di Sindonologia, Clueb, Bologna, 1983. Nesse congresso foi demonstrado que 2 
miligramas de aloé são suficientes para eliminar a coloração esverdeada produzida por 1 miligrama de sangue 
em solução de benzina e água oxigenada. 
87 Pesquisas e estudos realizados pela comissão de especialistas nomeados pelo arcebispo de Turim, cardeal 
Micbele Pellegrino, em 1969, estão em: Supp. Rivista Diocesana Torínese, Turim, jan., 1976. 
natural das supostas manchas de sangue, foi atribuída exclusivamente à presença 
do aloé. 
Uma outra confirmação, mesmo indireta, provém do costume de untar as 
paredes dos locais reservados aos hebreus do século I, descobertos nas 
catacumbas hebraicas de Vila Torlonia, em Roma. Esse tipo de procedimento não foi 
documentado no Talmud ou por outros escritos hebraicos; todavia, traços de 
materiais resinosos e elementos presentes no aloé foram encontrados no terreno 
das tais catacumbas, e analisadas duas amostras provenientes de locais diferentes, 
ambas consistentes em fragmentos de tufo e na superfície uma substância 
enegrecida. Foi possível distinguir grupos de comportamento cromatográficos 
análogos àqueles dos derivados de antracêmicos presentes no aloé e traços de 
material resinoso como a mirra. Em seguida, Fasola obtém outras confirmações das 
catacumbas hebraicas ao sul de Roma designada Vigna Randanini88; e muitas 
destas últimas descobertas confirmariam as pesquisas de Giovanni, que observou 
um simples erro de transcrição onde se fala em cem libras de uma mistura de mirra 
e aloé: uma quantidade excessiva para um cadáver, mas não para ser passada 
como uma solução aquosa sobre as telas funerárias, ou nas paredes do interior do 
sepulcro. 
M. Moroni fez uma simulação do incêndio de 1532, pôs fogo em um pano 
embebido de solução de aloé e mirra, em seguida apagou-o com água de 
resfriamento e obteve coágulos e contornos segmentados como aqueles que podem 
ser observados no Sudário. Experimentos análogos foram conduzidos na presença 
do dr. Sebastiano Rodante e, sucessivamente, na do professor Gaetano Intrigillo. 
 
88 V. M. Fasola e G. Vigliano. “Relazione preliminare all’analisi chimica del materiale prelevato all’ interno dei 
sepolcri delle catacombe ebraiche di Villa Torlonia a Roma”, in: La Sindone e Ia scienza, Ata do II Congresso 
Internazionale di Sindonologia a cura di P. Coero Borga, Turim, Paolíne, 1978. Ver também intervenção às 
discussões no fechamento do IV Congresso Nazionale di Studi sulla Sindone, in: La Sindone – Indagini 
scientifiche, op. cit., p. 423. 
Para essas experiências fez-se referência aos estudos do professor A. Tonelli, que, 
com base nos traços deixados no Sudário pelo incêndio de 1532, determinou o 
modo segundo o qual a tela tinha sido dobrada no relicário89. 
A tela utilizada, com metade da dimensão da do Sudário, foi umedecida 
previamente em uma solução aquosa de aloé e mirra. O tecido foi então redobrado 
segundo o esquema proposto por Tonelli: constatou-se que um dos ângulos 
chamuscados sobrepostos permanecia mais elevado do que os outros três. Uma 
similar disposição explica como a água do resfriamento penetra, por causa da 
sedimentação da soldadura de estanho, em um ângulo da cobertura, e em toda a 
espessura da tela sem alcançar o ângulo mais alto. Essa porção triangular foi 
somente umedecida por capilares e mantiveram uma coloração mais escura. A tela 
do experimento, de fato, uma vez desdobrada, apresentava algumas manchas 
quadrangulares de contornos segmentados e de coloração mais intensa que no 
restante do tecido que, molhado, clareou-se porque cedeu boa parte da solução 
aquosa de aromas absorvida com antecedência. Como contraprova utilizou-se uma 
velha tela cheia de pó não impregnada de aromas. Dobrada em quarenta e oito 
partes, do mesmo modo foi deixada poroitenta horas umedecida em água rica em 
calcário. Sobre a tela não se observou nenhum tipo de sinal que indicasse o limite 
entre a área molhada e aquela aonde a água não chegou. 
A terraA terraA terraA terra 
O evangelista narra que, transportado para o sepulcro, Jesus foi 
imediatamente envolvido no lençol sem que tivessem tido tempo de lavar o corpo 
 
89 Baima Bollonecita no volume L’impronta di Dio, Milão, Mondatori, 1985, o documento “Verso l’ostensione 
della Sindone”, também in: Rivista dei Giovani, 15/08/1933. 
dele90. Isso não fugiu aos olhos do nosso artista, que colocou sobre o joelho 
esquerdo, calcanhar e nariz um pouco de terra misturada com sangue. Nenhum 
simples coágulo visível a olho nu, mas pequenos traços que não fugiam ao 
microscópio91. Também os cristais de aragonite colocados na área dos pés, os 
mesmos, como já mencionamos, encontrados nas tumbas escavadas na rocha, nas 
proximidades de Jerusalém, mostram a precisão inigualável da reconstrução. 
O pólenO pólenO pólenO pólen 
Portanto, um dos elementos mais originais que embelezam a nossa obra-
prima não teria sido colhido até hoje se o acaso não o houvesse conduzido para 
debaixo dos olhares atentos de um estranho senhor suíço, que pediu ao tribunal de 
Turim que autenticasse as fotografias feitas do Sudário pelo dr. Judica Cordiglia 
alguns anos atrás. O suíço era Max Frei, formado em 1937, dirigiu por vinte e cinco 
anos o serviço científico da Polícia Criminal de Zurique e foi professor especializado 
em criminologia92. Mas, o que é mais importante, ele foi um dos fundadores de um 
método de indagação em criminologia baseado nos estudos do pólen das plantas, e 
denominado "palinologia". Frei diz que qualquer grão de pólen - o elemento que 
fecunda as plantas superiores - pertence a um só tipo de planta. O minúsculo grão 
(vinte dividido por duzentos milésimos de milímetro) tem uma proteção externa muito 
resistente, o que lhe permite permanecer inalterado por milhares de anos. Sobre as 
pirâmides foi encontrado grãos de pólen de mais de cinco mil anos de existência. 
Uma vez que mais de 95% desses grãos provêem das cercanias dos lugares onde 
 
90 J. Lagrange. Sinopse dos quatro evangelhos segundo a sinopse grega. Brescia, Morcelliana, 1970. Os sinóticos 
falam de lençol, enquanto em João é utilizado o termo bandagem, tradução que foi objeto de detalhadas críticas. 
Vê-se, por exemplo, o prefácio de Paolo Barbera e Piero Ottaviano no volume da nota 62. O argumento foi 
retomado por L. Fossati na Coligação Pró-Sudário em março-abril de 1994. 
91 F. PellicorieM. S. Evans. "O Sudário de Turim através do microscópio", in: Arqueologia, nº 34, jan/fev., 1981, 
pp. 34-43. 
92 P. L Baima Bollone. "Ricordo del prof. Max Frei-Sulzer (1913-1983)", in: Sindon. Turim, CIS, 1983, pp. 139-
140. Ver também Sindone o no, op. cit, cap. 14, onde o professor Bollone faz uma rápida síntese de toda a 
façanha relativa à individualização dos grãos de pólen. 
são encontrados, a presença deles é um achado, um sinal importante de que 
naquele lugar floresce um determinado tipo de planta. 
Coletadas para uma comparação quase resumida entre algumas 
fotografias e o Sudário, Frei foi golpeado por uma notável quantidade de pó que foi 
encontrada na tela e pediu insistentemente a retirada de algumas amostras. Assim, 
malgrado as grandes dificuldades burocráticas que se opunham ao projeto, na noite 
de 21 de novembro de 1973, pouco antes do início da primeira transmissão de 
televisão, programada há muitíssimo tempo, Frei obteve, limitada às partes mais 
externas do linho, a desejada autorização e pôde aplicar algumas tiras adesivas em 
diversos pontos do pano (um total de 240 centímetros quadrados de superfície). 
Uma nova retirada foi feita em 1978. 
Trata-se então de identificar e classificar os eventuais grãos de pólen 
encontrados nas tiras, e se o material bibliográfico disponível não for suficiente, 
recolher pessoalmente, em várias áreas geográficas, o material polínico necessário 
para uma confrontação. Começam assim as viagens de Frei por todo o longo 
Mediterrâneo onde a tradição reza que tenha transitado o Sudário: França, Chipre, 
Constantinopla, Palestina, até o planalto turco, na longínqua Urfa, antiga Edessa, 
que, segundo as lendas, a presença do Sudário rendia-se inexpugnável. 
Frei trabalha meticulosamente por diversos anos, depois fornece os 
primeiros resultados93. Incluindo os grãos de pólen obtidos na segunda retirada, 
identificou cinqüenta e seis tipos de grãos existentes até os dias de hoje, entre eles 
destacamos: dezesseis são de zonas arenosas e salinas, iguais à da Palestina; sete, 
de terrenos rochosos do Oriente Médio; duas florescem aos pés dos muros de 
 
93 M. Frei: "II passato delia Sindone alla luce della palinologia", in: Atas do II Congresso Internazionale di 
Sindonologia. Turim, 7-8/10/1978, Raoline, 1979, pp. 191-200; "Identificazione e classificazione dei nuovi 
pollini della Sindone", in: Atas do II Convegno Nazionale di Sindonologia, 27-29/11/1981. Bolonha, Clueb, 
1983, pp. 277-284. 
Jerusalém; dezesseis, de regiões orientais da atual Turquia, que tinha como capital 
"Edessa". Alguns desses grãos estão presentes também em Constantinopla, 
enquanto um deles é típico dos arredores da cidade. Foram até mesmo encontrados 
traços de aloé. Trata-se de fato de espécies que não se encontram na Europa. 
Outros dezesseis tipos se encontram tanto na Europa quanto no Oriente, e outros 
doze, em plantas européias comuns. Existe também o do arroz, provavelmente uma 
lembrança da ostentação concedida pelo duque de Savóia a Vercelli pelo laborioso 
trabalho executado no período da morte de Amadeu IX94. 
Não se encontram vestígios de coloração; por isso os grãos de pólen não 
fazem parte dos materiais fracionados existentes em cores antigas. Houve uma 
objeção de que esses poderiam, em condições excepcionais, serem transportados 
pelo vento e atravessarem o Mediterrâneo, mas os ventos típicos não sopram por 
toda a costa oriental do Mediterrâneo, nem nas diversas estações de floração, e por 
isso não justificariam a presença dos grãos de pólen orientais. Como os sucessivos 
estudos confirmaram, metade dos grãos provém de flores entomofilias, isto é, 
transportadas por insetos, enquanto a outra metade está presente em espécies de 
larga difusão transportadas pelos ventos de regiões por onde, com base em indícios 
e documentos históricos, transitou o Sudário. 
Como se observou, existem casos em que as espécies botânicas são 
dificilmente distinguíveis umas das outras, portanto, para um diagnóstico correto, 
seria necessário analisar um elevado número de grãos. As pesquisas de Frei 
forneceram provas indiciais muito significativas. 
 
94 Fossati, L "Principal: avvenimenti da quando Ia Sindone passo ai Savoia", in: Collegamento Pro Sindone, 
set/out., 1993. 
Em vez de realizar essa análise, verificou-se, sob luz polarizada95, que na 
fotografia as impressões de flores frescas se entrevêem em torno do vulto do 
Sudário e alguns desses fragmentos foram reencontrados sobre o Sudário pelo 
arqueólogo Paul Maloney96. 
Essas observações foram analisadas novamente por Avinoam Danin, da 
Universidade Judaica de Jerusalém, que valendo-se das clássicas fotografias e dos 
negativos do Sudário, tirados em várias épocas, encontrou diversas espécies de 
flores visíveis na tela. Particularmente, além de outras plantas de origem oriental, foi 
revelada, com certeza, a presença do zigophyllum dumosum, uma planta endêmica 
que cresce no solo de Israel, no Sinai, e em uma pequena área do Jordão97. 
Por outro lado, essas flores deveriam ser bem visíveis porque motivos 
florais aparecem em muitos ícones, na auréola da imagem de Cristo, e de modo 
análogo na moedaemitida durante o reinado do imperador bizantino Miguel III (842-
867). Alguns levantaram a hipótese de que o Sudário pode ter sido usado como 
toalha de altar nas cerimônias solenes de Páscoa, mas tal hipótese parece não ir ao 
encontro de nenhuma das últimas pesquisas iconográficas e textuais98. 
Eis então outro enigma: como teria feito o nosso artista para procurar os 
grãos se o maior deles mede somente dois décimos de milímetro? Mas, agora que 
começamos a conhecê-lo, não podemos nos surpreender com mais nada. Com que 
segurança! Poderia ter caído facilmente em uma armadilha juntando, por exemplo, 
 
95 A. D. Whanger e M. WHANGER. "Floral coin and other non-body images on tht Shroud of Turin" in: 
Symposium Scientifique International sur le Linceul de Turin. Paris, Cielt, 7-8/09/1989. Os autores 
reconheceram vinte e oito flores primaveris da Palestina; em vinte e cinco delas, Frei já havia encontrado os 
grãos de pólen. 
96 P. C. Maloney. "The current status of pollen research and prospect for the future", in: Relazione al 
Symposium Scientifique International sur le Linceul de Turin. Op. cit. 
97 A. Danam. "Indicazioni floreali per Porigine geográfica delia Sindone di Torino", in: Il Telo - Rivista di 
Sindonologia, mai./dez., 2001, pp. 12-21 ; "Micro-traces of plants on the Shroud of Turin as geographical 
markers, Int. Scient. Symposium, in: The Turin Shroud, past, present and future. Turim, Sindon-Effatà, Torino-
Cantalupo, 2-5/03/2000, pp. 495-500. 
98 Zaninotto, G. "Sindone tovaglia dell'ultima cena. Ipotesi senza valore", in: idem, pp. 22-27. 
qualquer grão de oliveira, planta muito conhecida além da Palestina e em todo o 
Oriente Médio. Por fim os pesquisadores de hoje ficaram muito espantados que se 
tenha encontrado grão em meio ao pó existente na tela. Porém nas mais recentes e 
sistemáticas indagações das professoras Daria 
Bertolani Marchetti, da Universidade de Módena, e Marta Mariotti, da 
Universidade de Florença, em diversas localidades do Oriente - Horto das Oliveiras, 
em Jerusalém; Edessa e Adana, na Turquia; e Campiglia, na região da Toscana -, 
sobre os blocos de musgos retirados dos muros para secar, nas oliveiras ou nos pés 
delas, ou no mel das colméias situadas nos campos das oliveiras, não se encontram 
vestígios desse pólen. 
E qual é a prova do seu saber enciclopédico! Existe uma série de indícios 
que descrevem, não sem incertezas cronológicas, um possível itinerário do Sudário: 
Jerusalém, Edessa e Constantinopla são etapas obrigatórias. Então os grãos de 
pólen provêm desses lugares! Falta somente Chipre99, mas o nosso humanista teria 
tido bons motivos para não colocá-los em outros falsos indícios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
99 É uma das inúmeras hipóteses, de remota probabilidade, sobre as circunstâncias do Sudário no período que vai 
dos dois saques de Constantinopla à obra das milícias da IV Cruzada (1204 e 1204), e o reaparecimento em 
Lirey, na França, qualquer ano antes de 1356, quando morre em batalha o primeiro possuidor certo do Sudário, 
Godofredo de Charny. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Um doutor anticonformistaUm doutor anticonformistaUm doutor anticonformistaUm doutor anticonformista 
 
 
Para reproduzir os sinais da Paixão e da sucessiva crucificação, o nosso 
artista nos mostra um outro aspecto da sua personalidade. Como todos os 
verdadeiros sábios, é fiel somente à verdade, e se refuta a cada conformismo. Na 
sua obra de arte, não existem traços de qualquer concessão à arte da sua época, 
aquilo que os críticos chamam de estilo. Um ilustre professor francês de anatomia 
comparada já em 1902 escrevia: "A imagem é de um realismo extremo e impecável, 
sem qualquer deslize, sem esquecer qualquer detalhe, não se prende àqueles 
defeitos considerados de tradição, não cede nada à esquematização, nada às 
conveniências, caracteres que não se encontram em nenhuma obra iconográfica de 
qualquer época100". Das cópias da tela que os pintores se esforçaram por reproduzir 
nas décadas seguintes não se conhecem mais de quarenta, nem chegam perto do 
original. Já apresentar o morto completamente nu em plena época medieval é uma 
audácia sem precedentes. Mas vamos às particularidades. 
 
 
 
100 A frase é do professor Yves Delate e foi extraída do volume de fr. B. Bonet Eymard: Le Saint Suaire preuve 
de Ia mort et de Ia résurrection du Chríst, tomo I, Éditions de Ia Contre-Reforme Catholique, Saint-Rarres-Lès-
Vaudes,1986. 
O flageloO flageloO flageloO flagelo 
 
As impressões frontais e, sobretudo, a dorsal apresentam pequenas 
manchas. Com a definição das imagens intensificada não foram individualizadas 
nem 120. Descobriu-se que se tratava de feridas provenientes de contusão e corte e 
tinham cerca de um décimo de milímetro, unidas entre si por duas ou três 
escoriações transversais. As dorsais aparecem em forma de leque, em grupos 
formados por pregas paralelas que sobem oblíquas até as lâminas dos ombros. Paul 
Vignon e alguns médicos101 foram os primeiros a supor que se tratava de sinais de 
flagelação dos quais falam os evangelhos de Mateus, Marcos e João. As 
elaborações digitais da imagem do Sudário e as fotografias em cores com 
fluorescência no campo do ultravioleta realizadas em Turim, em 1978, pelos 
pesquisadores americanos102 trouxeram elementos adicionais para uma confirmação 
definitiva. Tratava-se evidentemente de sinais de flagelação. O flagelo romano103era 
composto por tiras de couro, com pesos de chumbo nas extremidades, ou ossos de 
animais, que produziam no condenado um efeito devastador, que, se prolongado, 
escarnava até os ossos. 
Era com essas fustigações que se puniam os escravos, porque nem os 
cidadãos romanos estavam isentos. Os magistrados romanos eram sempre 
seguidos por carrascos que carregavam no ombro esquerdo um maço de varas de 
 
101 P. Vignon, do qual já se escreveu; Yves Delage, professor de anatomia comparada da Sorbonne de Paris, 
membro da Academia de Ciências, e um agnóstico convicto, depois de um estudo profundo sobre o Sudário, em 
21 abril de 1902 apresentou as suas conclusões em uma publicação intitulada Llmmagine di Cristo visibile sul 
Santo Sudarío di Torino, pois l'Accademía, per spirito repubblicano, se recusou a publicar integralmente. 
E, também, o médico Pierre Barbet, cirurgião militar durante a I Guerra Mundial e do Hospital São José de Paris, 
de 1934 a 1948, é autor de uma das mais significativas obras já publicadas pelos estudiosos dessa primeira 
geração: La passion du Christ selon le chirurgien, Apostolat des Éditions, 1965. 
102 D.J. Lynne J. J. Lorre. "Digital enhancement of images of the Shroud of Turin", in: Proceedings of the United 
States Conference of Research on the Shroud of Turin, Albuquerque, 1977; V. D. Miller, e S. F. Pellicori. Op. cit 
Ver também referência na nota 16. 
103 É o flagrum, que se encontra em algumas moedas romanas e foi, entre outros, encontrado nas escavações de 
Herculano e nas catacumbas de Roma. 
olmo, amarrado por uma corda de cor vermelha, que era o símbolo e ao mesmo 
tempo o instrumento do poder de coerção da autoridade. Todavia, a punição não 
podia matar o réu, mesmo que o número de chibatadas fosse imposto por ordem do 
magistrado. Na era republicana os cônsules conseguiam as varas até mesmo fora 
dos limites da cidade pois só com elas atestavam o seu direito de vida ou morte. Nos 
exércitos romanos, pelo contrário, a flagelação seguia até a morte com varas ou 
qualquer outro tipo de instrumento iguais aos supracitados; para os soldados do rei 
as culpas gravíssimas não era coisa insólita. 
Os sinais de flagelação que se observa no Santo Sudário confirmam o 
testemunho do evangelista Lucas quando afirma que a vontade inicial de Pilatos era 
infligirao acusado uma flagelação de severo castigo, repugnando, porém, a vontade 
dos judeus de condená-lo à morte. 
A coroa de espinhosA coroa de espinhosA coroa de espinhosA coroa de espinhos 
 
A coroa de espinhos é uma outra prova de audácia que se coloca em rota 
de colisão com toda a imagem medieval. Também as manchas de sangue 
produzidas pela perfuração não deixam dúvidas. Não era uma coroa pequena, mas 
um verdadeiro capacete que envolvia toda a cabeça, onde os sinais visíveis de 
sangue perfazem mais de trinta perfurações. Isso também foi notado pela freira 
Clarisse, enquanto, de joelhos, com agulhas de ouro, remendava e cobria a tela, que 
foi entregue a ela sob custódia, depois do incêndio de Chambery. Durante a 
operação de restauro ela observou a sua divina testa perfurada por grossos 
espinhos dos quais escorriam sangue que grudava em seu rosto104. 
 
104 Citação tirada de S. Rodante: "Sudario e anamnesi", in: Atas do III Congresso Nazionale di Studi sulla 
Sindone, Trani, 13-14/10/1984, a pedido de P. Coero Borga e G. Intrigillo, Milão, Paoline, pp. 281-292. 
O professor Rodante verificou a exatidão de diversos traços desse tipo de 
sangue, seja arterial, seja venoso, com a anatomia topográfica da cabeça, hoje 
notada perfeitamente por nós105. Por exemplo, o escorrimento de sangue venoso em 
forma de 8, o qual já mencionamos, bem visíveis sobre a fronte, à esquerda do vulto, 
e o de sangue arterial sobre as têmporas, à esquerda da imagem, que se bifurca 
seguindo duas direções, sugere um movimento alternado da cabeça. 
Do professor Baima Bollone aprendemos que a tradição quer a coroa de 
espinhos formada por um emaranhado de ramos de zizyphus (espinho-de-cristo); 
Barbet assegura a probabilidade de que existissem uns maços no pretório para o 
aquecimento da corte romana. Baima notou que as diferenças entre outros ramos 
espinhosos do zizyphus são bastante flexíveis, mas seus espinhos penetram como 
agulha na pele106, sem dobrar-se. 
A ferida do pulso esquerdoA ferida do pulso esquerdoA ferida do pulso esquerdoA ferida do pulso esquerdo 
 
Uma grande ferida é perfeitamente visível no pano, na área do pulso 
esquerdo, enquanto o direito permanece escondido, porque as mãos permanecem 
cruzadas, sobre o púbis. As análises obtidas com a luz ultravioleta, colocando-se a 
fonte luminosa do lado do avesso do Sudário, revelaram uma mancha quadrada, 
mais escura, de mais ou menos 1 centímetro: é a marca de sangue que preencheu o 
buraco do prego depois que este foi retirado, um desses pregos quadrados de 
cabeça chata, utilizado pelos antigos carpinteiros romanos, e que foi preservado 
como um tributo à pia mãe do imperador Constantino, Helena, e ainda hoje pode ser 
 
105 S. Rodante. "La coronazione di spine ali a luce delia Sindon", in: Sindon, n- 24, Turim, CIS, 1976. 
106 P.L. Baima Bollone. Op. cit, p. 320. 
visto na Basílica de Santa Cruz, em Roma, ou a 3 de maio de cada ano quando os 
pregos da Santa Cruz descem ao nível do altar-mor da Basílica de Milão107. 
Mas eis a primeira dificuldade: toda a tradição pictórica mostra o crucifixo 
com os pregos que penetram nas palmas das mãos, enquanto o nosso artista faz 
sair sangue dos pulsos108. Sobretudo os médicos que se interessaram pelo Sudário 
sentiram a necessidade de uma verificação experimental. Barbet introduz um prego 
na palma da mão de um dos braços, há pouco amputado, de 8 milímetros de largura, 
e o pendura, amarrado a um peso de 40 quilos109. Bastam dez minutos com um 
pequeno balanço para que o prego rasgue inteiramente a palma da mão, fazendo-a 
destacar-se. Então vai à procura do ponto onde o Sudário parece indicar e o 
encontra. É o espaço assim referido por Destot: uma passagem anatômica pré-
formada, normal, um caminho natural onde o prego passa facilmente, e onde se 
mantém solidamente pelo osso do pulso e pelos Vigamentos anulares anteriores110. 
Observa também que o prego passando por aquele furo natural, teria provavelmente 
lesado o nervo médio que comanda a flexão do polegar da mão. Na realidade, 
demonstrou-se em seguida que basta que o nervo seja excitado por um simples 
esfregão para que o polegar se flexione e se solte embaixo da palma da mão. 
Naturalmente o homem do Sudário (era lícito duvidar disso?), mostra somente 
quatro dedos na mão esquerda. E com isso voltamos ao antigo problema: a data de 
nascimento do nosso artista, porque a verificação dos quatro dedos foi encontrada 
na imagem anterior à época em que teriam levantado essa hipótese. 
 
107 Esse prego leva soldado na cabeça um anel o qual fez-se concatenar um segundo. Ambos deveriam ser 
juntados posteriormente, de outra forma não se entenderia como o martelo poderia tê-lo golpeado. 
108 Do ponto de vista anatômico entende-se por mão o conjunto formado pelos dedos, a palma e o pulso, e este 
significado também era assim, provavelmente, no passado. 
109 Na realidade, para sustentar um corpo de mais de 80 quilos, que era o peso estimado de Nosso Senhor Jesus 
Cristo, mediante os braços que formam um ângulo de 60 graus em relação ao vértice, que é aproximadamente 
aquele apresentado pelos braços de um crucificado, a força que se exerce ao longo de cada braço, para dar 
equilíbrio ao peso, é agora de 80 quilos. 
110 P. Barbet. Cinq plaies de Christ. Issoudun, Dillen, 1937, in: fr. B. Bonnet Eymard. Ver nota 100. 
Quatro dedos mostra o Cristo ungido por Nicodemos do manuscrito Pray 
de 1192, conservado na Biblioteca Nacional de Budapeste111. Abaixo dessa imagem 
foi retratada a cena do encontro da santa mulher com o anjo. Aos seus pés está um 
tecido no qual aparecem quatro grupos de queimaduras: são pequenos furos 
dispostos em L e semicírculos idênticos àqueles que se encontram no Sudário à 
altura dos rins e da panturrilha. São visíveis também em um medalhão, recordação 
de uma peregrinação por Lerey, em torno de 1355, e em uma tela de Durer, de 
1516. Todas essas imagens foram realizadas antes do incêndio de 1532, que 
provocou outras e bem mais relevantes queimaduras. Quase dois séculos antes do 
manuscrito de Pray, o crucificado com quatro dedos se encontra no Santuário de 
Santa Maria ao Mar, no arquipélago de Tremiti (1016)112. Um outro documento 
antigo de manufatura seria do século XII, é o já mencionado palio do papa João VII 
(705-708)113. Esse pálio litúrgico fazia parte da decoração do Oratório de João VII 
Giacomo Grimaldi, tabelião apostólico e arquivista do capítulo de São Pedro, 
descreveu e desenhou antes que o Oratório fosse demolido, em 1606, entre a 
decoração aparece o pomposo palio, bordado em ouro e prata. No princípio do 
século XX o desenho voltou à tona. Aparecem figuras simbólicas, personagens 
bíblicos e da Igreja, cenas da vida de Cristo, e, ao centro, em destaque, um Cristo 
morto com as mãos cruzadas. A mão direita com quatro dedos cobre a esquerda.114 
Retornemos ao pulso rasgado. Do pulso escorrem duas gotas de sangue 
que sobem pelo antebraço, formando um ângulo de trinta graus entre eles, como se 
o crucificado tivesse assumido durante o suplício, alternadamente, duas diferentes 
 
111 I. Wilson e V. D. Miller. The mysterious Shroud. Nova York, Doubleday,1988, pp. 131-135. 
112 A. Carella e G. di Mônaco. "Caratteristiche sindoniche nel crocefisso delleTremiti", in: La Sindone, nuovi 
studi e ricerche. Atas do III Congresso Nazionale di Sindonologia di Trani, op. cit., p. 163. 
113 J. Croquison. "Un précieux monument d'art byzantine du l'ancíen tresordu saint Pierre: l'umbella de jean VII", 
in: Rivista di archeologia cristiana, n?43, 1967, pp. 49-110. 
114 J. Croquison. "Un précieux monument d'art byzantine du l'ancíen tresordu saint Pierre: l'umbella de jean VII", 
in: Rivista di archeologia cristiana, n?43, 1967, pp. 49-110. 
posições. Aventaramhipóteses de que o condenado levanta o corpo para poder 
respirar e depois volta à mesma posição. Com efeito, os experimentos realizados por 
Herman Mudder, um radiologista alemão, e seus assistentes, que se prenderam a 
uma cruz com bandagens amarradas sobre os pulsos, demonstraram que não seria 
possível resistir por muito tempo nessa desconfortável posição: a respiração 
tornava-se cada vez mais difícil, o gás carbônico acumulava-se nos pulmões e no 
sangue, a circulação do miocárdio tornava-se cada vez mais insuficiente. Alguns 
deles desmaiaram depois de alguns minutos. Somente quando lhes fosse permitido 
permanecer um pouco nas pontas dos pés é que se notava um retorno às condições 
normais. 
As duas gotas de sangue, com as respectivas bifurcações, aparentemente 
pouco significativas, pressupõem conhecimentos precisos da crucificação, um 
suplício demasiadamente difundido no mundo romano115. Certo, existiam muitas 
variantes do suplício, porque os legionários utilizavam sobretudo aquilo que tinham à 
sua disposição. É o que narra, por exemplo, Flávio Josefo na Guerra judaica: 
durante o assédio a Jerusalém dos anos 70 depois de Cristo, para desmoronar a 
resistência inimiga realizavam-se quinhentas execuções por dia, o que acarretava 
falta de espaço para as cruzes e falta de cruzes para as vítimas. Para incrementar o 
divertimento, os legionários faziam os inimigos assumirem as mais impensadas 
posições. Em outras circunstâncias, utilizavam também cordas. Todavia, as duas 
gotas de sangue dos pulsos indicavam uma modalidade de crucificação que estão 
de acordo com as leis da física, e com o pouco que sabemos daquele antigo 
suplício: o condenado era obrigado a transportar o patibulum, que originalmente era 
 
115 A última execução capital mediante crucificação foi a de um escravo turco em ; Damasco em 1247 (P. L. 
Baima Bollone, in: Sindon, NS-1989-Q, Nº 1, CIS, Turim, pp. 23-29). Entretanto, devemos considerar que no 
Império Romano a crucificação foi abolida em 314 por : Constantino, e se pode duvidar que a modalidade de 
execução no império turco do século XIV tenha sido igual às romanas de catorze séculos atrás. 
uma trave também utilizada para pregar os escravos fugitivos. Depois que o 
condenado tivesse sido fixado ao patibulum, era içado com cordas. 
Algumas vezes, para prolongar o sofrimento do condenado, faziam 
continuamente, ou em partes, colocando entre as pernas um banquinho ou debaixo 
dos pés um supedâneo. Mas o Evangelho atesta que Jesus morreu na cruz depois 
de apenas três horas, e o próprio Pilatos ficou espantado. João (19,33-34) narra que 
por isso não Lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados, com um golpe de 
lança, transpassou o seu flanco. Esses testemunhos concordam com as golfadas de 
sangue no pulso, na hipótese de que, no caso de Jesus, não tinha nem banquinho 
nem supedâneo. No nosso caso, o condenado era estendido na terra com os braços 
abertos, pregado pelos pulsos ao patibulum e depois levantado verticalmente, 
enquanto o corpo pendia para baixo, por aquele pouco tempo consentido pelos 
pregos. Logo após os pés terem sido pregados, manifestava naquela posição sinal 
de asfixia; dessa forma, o condenado procurava um modo de levantar-se pelos pés, 
estendendo os braços na posição horizontal, para depois cair na mesma posição. 
Por isso o sangue escorria do pulso em duas direções diferentes. 
... e ao pé direito... e ao pé direito... e ao pé direito... e ao pé direito 
 
Motivo de debates entre os estudiosos, foi o fato de que Jesus tivesse 
sido crucificado pelos membros inferiores com um ou dois pregos. Até o século XII 
as imagens, salvo poucas exceções, mostram Nosso Senhor Jesus Cristo, pregado 
pelos pés com dois pregos116. Todavia, se o problema da crucificação pelos 
membros superiores é aceita por quase todo o universo, sobre os inferiores ninguém 
 
116 Rara um estudo mais apurado da crucificação romana ver as publicações do professor Cino Zaninotto. 
Especialmente : sobre o número de pregos, ver G. Zaninotto: "La crocifissione a quattro chiodi e l'uomo della 
Sindone", in: ia Sindone - Indagini scientífiche, Atas do IV Congresso Nazionale di Studi sulla Sindone a cura di 
S. Rodante, Siracusa, 17-18/10/1987, Milão, Edizioni Paoline, 1988. 
está de acordo. Um acontecimento fortuito, em Jerusalém, fora dos muros de 
Damasco, reacendeu o debate. São as tumbas escavadas na rocha: dentro das 
quinze urnas de pedra que foram conservadas encontraram restos de trinta e cinco 
pessoas - mulheres, homens e crianças - que viveram em um trágico período, 
porque muitas delas revelam sinais de morte violenta. Os arqueólogos israelenses 
estão certos de que estas pessoas viveram nos anos que vão da morte de Herodes, 
o Grande, à destruição do templo em 70 d.C. Uma das urnas tem uma importância 
particular, pois contém os ossos de um homem que foi crucificado, o único exemplo 
de um crucificado que foi encontrado117. Havia fratura na tíbia e no perônio 
esquerdo, e o antebraço apresentava uma bandagem na área do rádio, enquanto os 
pregos transpassavam o calcanhar direito. Esses sinais traumáticos indicam que o 
prego das mãos penetrava na área do carpo, o condenado havia sofrido a fratura 
nos membros inferiores (crurifragium), que, bloqueando os movimentos, acelerava a 
morte, e, enfim, que o prego no calcanhar não superava, com a ponta curvada, os 
10 centímetros, pode-se supor terem usado dois pregos, um para cada pé, fincados 
à direita e à esquerda da base. Mas não foi mencionado que se procedesse sempre 
do mesmo modo. 
De qualquer forma, o nosso discreto artista pouco se comprometeu e mais 
uma vez, com aquela sutileza que já conhecemos, sugeriu uma solução sem, 
contudo, apresentá-la imediatamente com evidência. 
Na imagem frontal, os pés estão praticamente invisíveis, enquanto na 
dorsal, aparece nitidamente a impressão completa da planta do pé direito e do 
calcanhar esquerdo como se a tela tivesse sido virada de cabeça para baixo. No 
 
117 A localidade tem o nome de Giv'at ha-Mivtar (colina da divisão). O crucificado tem escrito o próprio nome, 
em aramaico, em um lado da urna de pedra que contém os ossos. Lê-se JOÃO-JOÃO FILHO DE HCQWL, mas 
o significado da ultima palavra é incerto. Para saber mais sobre Giv'at ha-Mivtar ver: V. Tzaferis. "Jewish tombs 
at and near Giv’at ha-Mivtar - Jerusalém", in: Israel Esploration Journal, nº20,1978, pp. 18-32. 
plantar direito, na área do metatarso, um furo quadrado - revelado também com a 
radiação de ultravioleta -, do qual faz comparação na imagem anterior com uma 
mancha de sangue tão larga quanto a superfície superior do pé. Com grande 
maestria e discrição, o nosso artista quis nos mostrar que, segundo o seu parecer, o 
pé esquerdo estava sobreposto e a strito contacto com o direito118. Por outro lado, a 
posição dos pés que não estão na mesma altura e que deu lugar à lenda de Cristo 
manco pareceria estar a favor desta última hipótese. Naturalmente o nosso artista 
não se esqueceu de que os membros inferiores do Sudário não devam apresentar 
sinais de ruptura, pois, segundo narra o evangelista João, como era visto que já 
estava morto não Lhe quebraram as pernas. 
A ferida nas costasA ferida nas costasA ferida nas costasA ferida nas costas 
 
É ainda o evangelista João que nos fala do soldado que feriu Jesus morto 
com uma lança. Uma ferida da qual saiu sangue e água. Também nesse caso nada 
foi esquecido na criação de uma imagem de total veracidade. Na parte direita do 
tórax, a 12 centímetros do esterno, há a reprodução de uma chaga feita por uma 
arma de corte, um corte elíptico de 45 milímetros de comprimento e 15 de largura, 
nítido, sem turgidez, e bordas abertas, como são as feridas de pessoas mortas. Da 
ferida escorre uma abundante golfada de sangue cadavéricojá separado em seus 
componentes corpusculares e soro, não uma impressão contínua, como em outros 
pontos da tela, mas coágulos com um halo de soro ao redor (encontrado também 
nesse caso pela fluorescência do ultravioleta)119, sinal de que o coração já não batia. 
O sangue desce, pois, pelo abdômen e o encontramos sobre o dorso, com a forma 
de uma larga faixa, que se abre em numerosos filetes. 
 
118 G. Ricci. L'uomo delia Sindone é Cesü. Diamo le prove. Vigodarzere (PD), Edizioni Carroccio, 1989, pp. 47-
49. 
119 V. D. MillereS. F. Pellicori. Op. cit. 
A lança do Sudário, aquela que a tradição atribui ao centurião Longino, o 
militar que reconhece a divindade de Jesus no momento da sua morte, parecia uma 
arma pertencente ao exército romano e às tropas auxiliares: "Quando, em 6 d.C, foi 
transformada em província romana, a Judéia recebia pela primeira vez um presídio e 
considerada como de escassa importância estratégica, foi confiada por isso a um 
procurador, que não formou em seu território, pelo menos até o final dos anos 70 
d.C, nenhuma legião. Os procuradores tinham sob seu comando tropas auxiliares, 
levadas por eles para o ponto mais alto do seu território, entre as populações não-
judaicas da Palestina120." 
Essa lança era semelhante aos exemplares provenientes das escavações 
arqueológicas e idênticas em comprimento à encontrada em Jerusalém e datada da 
época da guerra judaica. A lança era a arma por excelência do exército romano, de 
tal forma que os romanos davam a ela o nome de Quiriti. Em geral a lâmina era em 
forma de folha de salgueiro e, portanto, feria tanto com a ponta como com o fio. 
Quase seguramente o nosso artista não pôde revelar a relíquia original, conservada 
nos palácios imperiais de Constantinopla do século VIII até a queda do Império 
Romano do Oriente (1204), mas é certo que foi adquirida de modo ainda ignorado e 
com excepcionais conhecimentos, tanto no campo médico quanto no arqueológico. 
 
 
120 In: Coppini, L. Le lesioni di punta ed il colpo di lancia visibili sulla Sindone. Rilievi di anatomia topográfica 
e radiologica; S. Rodante. La Sindone-lndagini scientifiche, Cinisello B., Edízioni Paoline, 1988. 
A moeda sobre o olho direitoA moeda sobre o olho direitoA moeda sobre o olho direitoA moeda sobre o olho direito 
 
 
O nosso humanista sabe também que não podemos duvidar nem do 
campo arqueológico nem da numismática antiga, porque ele mesmo nos disse, 
naturalmente não de maneira explicita, mas de acordo com seu estilo, de modo 
crítico, ou seja, que só compreenderá aquele que se esforçar em compreender. 
Nesse caso a solução do enigma sabiamente proposto está fácil. Ele nos deixa uma 
primeira pista, revelada, em 1977, pelos investigadores americanos da Academia de 
Aeronáutica dos Estados Unidos, John Jackson e Eric Jumper, quando executaram 
a elaboração eletrônica das impressões das fotografias do Sudário, tiradas por Enrie, 
em 1931, que lhes permitia obter uma imagem tridimensional. Eric Jumper assinala, 
entre outros, que em uma ampliação em relevo sobre os olhos do vulto do Sudário 
sobressaem duas espessuras da dimensão de um botão, como uma moeda121. 
Quase nessa mesma época um farmacêutico de Stradella, ao observar as 
elaborações feitas no período das revelações das fotografias em branco e preto, ou 
em slides coloridos, em 1969, pelo dr. Judica Cordiglia, distinguia sobre as pálpebras 
do vulto do Sudário duas superfícies em relevo: uma, de forma circular, e outra, 
elíptica. Essa não foi a única e interessante descoberta do dr. Pietro Ugolotti mesmo 
 
121 E.J. Jumper ei ai. "Computer related investigation on the Holy Shroud", in: K. E. Stevenson. (ed.). 
Proceedings ofthe 1977 U. S. Conference of Research on the Shroud of Turin. Nova York, 1977; J. P. Jackson et 
al. "The three dimensional image of Jesus burial cloth", in: idem, pp. 74-94; J. P. Jackson et al. "Images of coins 
on a burial cloth?", in: The Numismatist, jul., 1978, pp. 1.350-1.357. 
porque, por ironia, era proveniente de um farmacêutico de Stradella, e não teria uma 
grande ressonância entre os cientistas. Em agosto de 1979, o padre Filas, jesuíta e 
professor da Universidade de Loyola, em Chicago, enquanto observava algumas 
ampliações das fotografias de Enrie, identificou sobre a pálpebra direita da área em 
relevo quatro letras dispostas em arco: Y, C, A, I, e o padre Filas pergunta se não se 
trata de uma escrita parcial, em relevo, de uma moeda. 
Com a ajuda de um expert em numismática, ele pesquisa catálogos e 
realiza testes, para no final descobrir a existência de moedas de bronze de pequeno 
diâmetro em cujas bordas aparecem as palavras TIBEPIOY KAICAPOC, em grego, 
isto é, de "Tibério César". O símbolo que aparece é um lituo, uma espécie de bastão, 
grosso, com a extremidade superior arqueada e sem nós, empregado para 
delimitação do templo, isto é, do espaço celeste correspondente ao espaço terrestre 
que deveria ser consagrado. Em Roma, na cúria dos Salii palatini, conservava-se um 
lituo do qual, segundo a lenda, Rômulo serviu-se para repartir, de acordo com o 
ritual etrusco, as regiões da cidade por ele fundada. Verossimilmente, a princípio o 
lituo foi uma espécie de batuta mágica, uma das insígnias do poder dos magistrados 
e dos sacerdotes sobre os itálicos122. Uma moeda similar, de aproximadamente 17 
milímetros de diâmetro, a dileptun lítuus, foi cunhada pelo procurador Pôncio 
Pilatos123. O padre Filas atribuiu então o decalque das letras que aparecem no 
Sudário à moeda de Pilatos porque tinha o mesmo cunho, com idêntica inscrição, e 
o mesmo símbolo tido como procedência do procurador Valério Grato (15-26 
 
122 Enciclopédia Italiana, XXI, Instituto da Enciclopédia Italiana. Milão, Rizzoli, 1934 
123 Mesmo que alguns neguem que isso existiu, falamos de Pilatos, depois do evangélico Flavio Giuseppe em 
Antichità giudaiche e Fílon de Alexandria em Legazione a Caio. Também Tácito o menciona em seu Annali. 
Quinto dos procuradores romanos, governou a Judéia de 26 a 36 d.C. A data de emissão das moedas é precedida 
por um L que significa do ano (genitivo de termos lukabas), e é impressa com letras maiúsculas do alfabeto 
grego: as primeiras nove letras para as unidades, as seguintes para os decimais. Temos, portanto, para as moedas 
de 29-30 d.C, indicações com LlZ (o símbolo 5 é um antigo sinal minúsculo introduzido entre as primeiras letras 
do alfabeto com valor 6); de 30-31 d.C, indicadas com LIZ; e por fim, as de 31-32 d.C, às quais correspondem 
as letras LIH. 
d.C.)124. Vocês imaginariam aplausos entusiásticos à frente de tamanha descoberta. 
Pelo contrário, quando o pobre padre tornou pública a notícia, mesmo não sendo de 
Stradella, encontrou um grande ceticismo, quando não uma verdadeira hostilidade. 
Ainda recentemente apareceu, sobre essa notícia125, a tese do professor Pesce, 
segundo a qual os caracteres maiúsculos que o professor Filas teria acreditado 
distinguir não são senão bastõezinhos prateados retilíneos e curvos, nas nuances 
fotográficas visíveis no microscópio. É notado, porém, que essas emulsões são 
visíveis no negativo, mas não na impressão, onde se obtém simplesmente a imagem 
captada pela objetiva fotográfica. 
De fato, numerosos argumentos se opõem a uma plena aceitação do que 
afirmava o padre Filas. Antes de tudo, KAI-CAPOC se inicia com K e não com C. Um 
erro primário por não ser expert em língua grega? Somente dois anos depois, 
quando o padre Filas encontrou uma moeda da coleção que mostrava um C em vez 
do K, essa objeção foi arquivada. Mas era costume hebraico colocar moeda nos 
olhos dos defuntos? Também aqui sucedem-se infindáveis querelas. Nesse caso 
foram revelados dois pequenos fatos, do período próximo ao período em que viveuJesus: o primeiro revela moedas na parte posterior interna de dois dos crânios 
encontrados no Cemitério Comunitário Israelita de Jerico126 e, o segundo revela uma 
moeda de Herodes Agripa I na câmara funerária da família do sumo sacerdote 
Caifás. Esses achados confirmam o costume de colocar moedas nos olhos dos 
defuntos. Há algumas objeções, segundo as quais as moedas eram colocadas na 
boca como óbolo, moeda grega de pequeno valor, do qual fala Luciano de 
 
124 A moeda mostra no verso a data LIA, ano XI deTibério, em 24 d.C. Fazem referências a moedas dilepton litus 
datadas LIA D. Sestini (1796), Cavedoni (1856), F. Madden(1864). 
125 "Cometi demolisco la tesi della monetina impressa sull’ occhio del Cristo", in: Bari Será, caderno Cultura, 
12-13/07/1996. 
126 Em um crânio, uma moeda de Hircano II (63-40 a.C.) e uma de Herodes Arquelau (4 a.C-6 d.C), enquanto no 
outro duas moedas de Herodes Agripa I (37-44 d.C). 
Samósata, que impedia que Caronte repetisse a passagem de Stige. Há evidências 
da presença de moedas de pequeno valor no fundo da caixa craniana apenas no 
caso em que caem no buraco orbital através da fissura superior. 
Ainda objeções. Se a imagem é um decalque, isto é, um objeto que se vê 
pelo avesso, então a de Filas deveria ter o báculo girado de acordo com o eixo de 
cento e oitenta graus, a moeda deveria apresentar um báculo muito parecido com 
um ponto de interrogação, mesmo que o estudo de testes e análise dos catálogos de 
pesquisas numismáticas introduzam sempre o báculo da forma já notada. É Mario 
Moroni que formula a objeção127. O professor Filas enviou-lhe em janeiro de 1985, 
um mês antes de sua morte prematura, um interessante artigo de Brame, um 
apaixonado colecionador californiano de moedas hebraicas cunhadas pelos 
procuradores romanos128. Ele cedeu a Moroni alguns exemplares da rara moeda de 
Pôncio Pilatos com o ambicionado ponto de interrogação. No verso é nitidamente 
legível Is, o XVI de Tibério (29-30 d.C.)129. Mas também a escrita deveria estar de 
cabeça para baixo, um dado que ninguém havia notado: se o báculo resultava 
invertido, também o teor erudito do negativo deveria estar da mesma forma. De 
fato, os lítius riverse tinham invertida também a legenda. A objeção aparece com 
evidência somente após um novo estudo eletrônico realizado pelo professor 
Balossino em abril de 1996. 
Esse estudo permitiu também revelar que algumas letras de teor erudito 
não eram dispostas circularmente ao lado do báculo: do "C", em um extremo, ao "A" 
 
127 M. Moroni. "Ulteriore prova della presenza sull’occhio destro dell’Uorno della Sindonedi una rara moneta 
emessa da Ponzio Pilato", in: La Sindone - Indagini scientifiche, nota 127, pp. 329-343. 
128 A. H. BrameJr. II. "The dating of the Shroud of Turin: two rare, previously unrecognized, Lituus dilepta 
issued A.D. 24-25 by Valerius Gratus and A.D. 29-30 by Pontius Pílatus", in: The Augustan, XXII, nº 2, out, 
1984, pp. 66-78. 
129 Uma confirmação adicional foi dada por um arqueólogo israelita de Tel Aviv, Y. Meshroer, que no volume 
Ancient Jewish Coinage, v. II, tav. 32, n. 23g - Herod the Great through bar Cochba, Nova York, Amphora 
Books, 1982, repontava um dilepton lituus do tipo retrograde (invertido) também datado LIZ, ano XVII de 
Tibério, 30-31 d.C. 
resultam claramente colocadas sobre a parte recurvada do lituo "riverse" 
interrupções nas áreas de sobreposição130. Não se pode deduzir que a moeda foi 
rebatida imprimindo em um primeiro momento o báculo invertido depois da letra Y 
CAI. Emergiram também dois leves traços paralelos colocados ao lado da haste 
vertical do lituo: em cada probabilidade os sinais permanecem em círculo durante a 
cunhagem. 
Há quem afirme que pequenas moedas (1,8 gramas mais ou menos) não 
podem manter as pálpebras. Todavia, os patologistas-legistas, que conhecem as 
sensibilidades musculares do rigor mortis disseram que um pequeno peso consegue 
impedir o soerguimento das pálpebras131; com o tempo deslizam dos olhos de uma 
pessoa com a cabeça apoiada no próprio peito porque são pequenas e leves. 
É importante observar como os traços deixados pelo nosso artista tenham 
estimulado cada tipo de análise. O exemplo para responder às objeções que as 
impressões teriam deixado impressas em todas as cartas reportadas na cunhagem e 
em perfeita posição circular132 foi necessário para especificar as formalidades da 
produção em série das moedas menores do tempo de Pilatos, moedas que, como 
atestam os exemplares por nós observados, não eram de maneira alguma 
perfeitamente circulares e apresentavam ângulos oblíquos e cortes, algumas vezes 
apêndices, por causa da fusão. 
"Em uma matriz feita de pedra refratária (forma e contra-forma) escavada 
para a impressão das moedas, que se comunica por uma canaleta de alimentação 
na qual escorria o metal fundido, a solidificação desse metal é extraída da forma 
 
130 M. Moroni e F. Barbesino. Sobre o Sudário duas moedas de Tibério César - O grande livro do Sudário, São 
Paulo, 2000, pp. 217-220. 
131 "As pálpebras, poucas horas depois da morte, no momento da instauração da rigidez cadavérica, tendem a 
abrir. Um pequeno peso é capaz de impedi-las. É claro que uma quantidade de objetos de dimensões reduzidas e 
de modestíssima massa não serve a esse propósito. Entre esses estão as pequenas moedas", in: P. L. Baima 
Bollone. 
Cimpronta di Dio, nota 94, p. 165. 
132 G. Ricci.Op. cit, nota 122, pp. 91-92. 
matriz com uma pinça depois que o bronze se liquefaz para formar a coleção de 
moedas. Elas estão apoiadas na extremidade da bigorna, e o fundidor, com um 
formão, faz soltar o modelo da primeira moeda, a segunda, a terceira, e assim até a 
liberação de todas as moedas133." Mario Moroni encontrou em uma das moedas de 
Pilatos que estava em seu poder outra data, e também os sinais deixados pelo 
formão na fabricação das moedas, dois segmentos muito profundos que podem 
aparecer em um ponto qualquer da cunhagem. Também o Sudário apresenta esses 
traços sob a haste vertical do lituo. A descoberta não-científica do padre Filas recebe 
seguidas confirmações: do professor Tamburelli, do Departamento de Informática da 
Universidade de Turim134, do dr. Robert Haralik135 diretor do Laboratório de Análise 
de Dados Espaciais da Politécnica da Virgínia, que não somente identifica o lituo e 
as quatro letras de Filas, como lhe acrescentam outras duas: um O e outro C (O 
YCAI C). 
... e sobre o supercílio esquerdo... e sobre o supercílio esquerdo... e sobre o supercílio esquerdo... e sobre o supercílio esquerdo 
 
A descoberta de uma moeda sobre a pálpebra direita traz um importante 
confronto com a recente descoberta de uma segunda moeda sobre a arcada do 
supercílio esquerdo. Quem deu a notícia foi o professor Baima Bollone, notável 
estudioso do Sudário, e o professor Nello Bolossimo, aluno do professor Tamburelli 
e docente de elaboração eletrônica da Politécnica de Turim136. Trata-se, também 
nesse caso, do decalque de uma moeda de Pôncio Pilatos que tem no centro o 
 
133 M. Moroni. "Quella moneta di Pilato sull’occhio destro", in: La Sindone questo mistero. Storia – Scienza - 
Archeologia. A cargo da Delegação Lombarda do Centro Internacional do Sudário de Turim, Bovisio Masciago, 
1991. 
134 G.Tamburelli. "Some result in the processing of the Holy Shroud of Turin", in: IEEE Transaction on Pattren 
Analysis and Machine Intelligence. Vol. Pami3, n?6, nov., 1981. 
135 R.M. Haralik. "Analysis of digital on the Shroud of Turin", in: Spatial Data Analysis Laboratory. Blacksburg 
(Virgínia), Virgínia Polytecnic Institute, 1983. 
136 A notícia foi dada na Rádio e Televisão Italiana, RAIII, programa Mixer, de 8/7/1996. Ela também apareceu 
nos jornais diários de circulação nacional:La Stampa, II Giorno e Avvenire, todos de 7/07/1996. 
simpulum, uma pequena concha com cabo137. Ao redor da borda lê-se TIBEPIOY 
KAICAPOC e a data Lis (29 d.C). O cunho tem 16 milímetros de diâmetro e peso 
inferior a 2 gramas. Experiências de decalque sobre a tela úmida da parte em relevo 
de uma das tais moedas sujas com sangue ressecado deram resultado positivo: o 
símbolo reproduzido é igual àquele que está sobre o Sudário, bem visível, sem a 
presença de lentes de aumento, desse modo sem o risco de ver aquilo que não 
existe. 
Talvez o nosso artista, na reprodução das moedas sobre os olhos, 
recordou-se do óbolo da viúva do qual falava Jesus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
137 Em um dos lados da moeda estão representadas três espigas de cevada em baixo-relevo como nome de Júlia 
Augusta, mãe de Tibério: IOYAIA KAICAPOC. 
Uma segunda consideraçãoUma segunda consideraçãoUma segunda consideraçãoUma segunda consideração 
 
 
Os sinais da crucificação e as moedas encontradas sobre as pálpebras 
não contestam a grande sabedoria de um artista de espírito um pouco zombeteiro e 
a sua cultura enciclopédica. Os pontos fracos que deixa são, assim, ricos de 
informações que muitas vezes se perdem na ciência do século XX. Não somente os 
paladinos do Sudário, que muitas vezes não sabem como poderiam ter conseguido 
detalhes estupendos, mas também aqueles que estão convictos de que seja obra de 
um artista desconhecido, inventam soluções infantis, ou insensatas do ponto de vista 
histórico, médico e arqueológico, e, por isso não sustentam as mais profundadas 
indagações. 
É certo que essa imagem, única em toda a arte medieval, testemunho de 
um inconformismo livre de preconceitos, deixa-nos estupefatos com o seu realismo e 
a sua impressionante precisão na humanidade da era espacial, o que deveria 
parecer quase uma blasfêmia aos seus contemporâneos! Mais uma vez nenhum 
estilo, nenhuma expressão pessoal, nenhum vôo da fantasia, mas uma imagem que 
parece saída de uma objetiva fotográfica. Modestíssimo, ou talvez desdenhoso da 
ignorância que o circundava, transmitiu aos seus sucessores uma obra que os 
contemporâneos descobriram a duras penas, e, talvez desgosto da incompreensão 
geral, destruiu cada traço de suas obras-primas (o Sudário por certo não foi a única) 
e por fim os instrumentos e os aparelhos que serviram para criá-las138. Um fato 
infeliz. Em uma época próxima Leonardo estava na boca de todos, enquanto ele, 
certamente mais hábil e conhecendo Leonardo, aparece por um momento como 
falsificador em um documento controverso e depois desaparece por completo na 
escuridão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
138 Uma análise epistemológica dos dados científicos no que diz respeito ao Sudário, talvez não valorizada de 
modo justo, foi conduzida pelo dr. A. Upinsky. Aqui fala-se de uma crise epistemológica no sentido de que todas 
as informações científicas convergem, malgrado objeção e incerteza em torno do pano. Se fosse um artefato do 
século XIV a ciência atestaria dois fatos contraditórios entre eles (A. A. Upinsky: La science à l'épreuve du 
Linceul, conferência no Symposium Scientifique International de Paris sur le Linceul de Turin, OEIL, Paris, 7 
8/09/1989). 
Uma pequena fonte de luzUma pequena fonte de luzUma pequena fonte de luzUma pequena fonte de luz 
 
As análises com o C1As análises com o C1As análises com o C1As análises com o C14444 
 
 
 
 
Nos anos 50 existem afortunadamente uma sofisticada técnica para datar 
os achados arqueológicos. Em 1952 um químico da Universidade de Chicago, 
depois de ter descoberto que na matéria viva um isótopo de carbono, o C14, 
deteriora-se com o tempo, idealizou um método139 para medir a idade dos achados 
de natureza orgânica. Com esse isótopo pode se quantificar o tempo transcorrido 
desde quando uma substância orgânica vivente deixou de viver, isto é, deixou de 
absorver carbono da atmosfera. No carbono são notados cinco isótopos, isto é, 
elementos que têm o mesmo número atômico e massa diferente. Dois estáveis no 
tempo, o C12 (98,89% aproximadamente) e o C13 (1,11% aproximadamente), e três 
instáveis, dos quais só o C14 encontra-se em quantidade infinitesimal (um átomo em 
cada mil bilhões de átomos de carbono) e a um tempo de transformação 
suficientemente longo podendo ser utilizado em uma datação. Do carbono 
 
139 Witlard Frank Libby, professor de química pelo Instituto de Estudos Nucleares de Chicago, recebeu, em 
1962, o prêmio Nobel pela pesquisado método da radiodatação com radioisótopos, em particular o C14. 
assimilado pelos animais e pelos vegetais, grande parte se conserva inalterada no 
tempo (C12 e C13), ao contrário da concentração do C14, que se transforma 
continuamente em azoto 14, diminuindo quando cessa o equilíbrio com o ambiente 
externo, que o mantinha constante. A transformação é relativamente lenta, pois são 
necessários aproximadamente 5.700 anos para que a concentração se reduza à 
metade. Portanto, o conteúdo do C14 diminui (de maneira exponencial) com o 
passar do tempo, e o seu valor atual é um índice de tempo transcorrido pela 
paralisação das mudanças com o meio externo. Os primeiros aparelhos de medição 
não passavam de um simples medidor Geiger140. Baseava-se no fato de que o C14 
quando caía, emitia partículas ββββ e, portanto, media-se a quantidade de 
radioatividade resídua em comparação àquela inicial de uma amostra análoga. A 
amostra nesse caso permanecia à disposição para análises posteriores. 
Em seguida, depois de 1979, foram realizados os espectrômetros de 
massa e aceleração que separavam os átomos de C14 dos outros isótopos e os 
contavam diretamente. Os AMS (Accelerator Mass Spectrometer), espectrômetros 
de massa e aceleração, são máquinas muito caras e complexas, mas apresentam 
uma vantagem, a de executar análises em poucas horas, enquanto 
precedentemente ocorria a necessidades de esperar alguns meses, e com uma 
ínfima quantidade de material necessário, alguns décimos de milímetros muito 
inferiores àqueles medidores de última geração. Nesse caso, porém, ocorre a 
destruição da amostra. 
Depois de uma série de manobras e contra-manobras, três laboratórios 
dotados com esse aparelhamento AMS obtiveram, em 1987, da Secretaria do 
Vaticano, a autorização para a retirada de pequenas amostras do tecido do Sudário 
 
140 Pertence aos medidores ditos proporcionais porque os números de átomos radiativos vêm estimados em base 
ao número de desintegrações radioativas realizadas em um certo intervalo de tempo. 
para o procedimento da análise de data da tela141: foram os laboratórios da 
Universidade do Arizona, de Tucson; da Politécnica Federal de Zurique; e o de 
Arqueologia e História da Arte de Oxford; todos coordenados pelo dr. Tite, do British 
Museum. 
As condições nas quais se desenvolveram as análises foram, do ponto de 
vista psicológico, quase perfeitas. Os operadores, e mesmo o coordenador, eram 
quase privados de conhecimento sobre o aspecto daquilo que deveriam analisar e 
ainda mais: a maior parte deles já estava convicta de que se tratava de uma 
falsidade medieval. Pois no ambiente dos analistas do AMS foi difundida a idéia de 
que o Sudário de Turim fosse de origem medieval e obteve-se essa informação, em 
1987, no IV Simpósio Internacional sobre Espectrografia de Massa com Acelerador, 
que se realizou no Canadá, em Niagara-on-the-Lake. Durante o banquete oficial, na 
Universidade de Rochester, o professor W S. A. Dale, da Universidade do Oeste de 
Ontário, entreteve os companheiros de mesa com o tema "O Sudário de Turim 
relíquia ou ícone?" Segundo o professor Dale, é improvável que a imagem 
superficial do Sudário de Turim seja anterior a 969 d.C. e posterior a 1169. 
O professor Baima Bollone escreve: "Nenhum dos vinte e um 
analisadores (aqueles que aparecem no artigo que reporta os resultados das 
análises de N.d.A.) é um verdadeiro expert do Sudário em bibliografias citadas sobre 
estudo do Sudário. Trata-se dos resultados das pesquisas dos estudos computados 
pela comissão de experts nomeada pelo arcebispo de Turim, cardeal Michele 
 
141 Rara uma explanação detalhada dos acontecimentos ligados à datação do Sudário com os espectrômetros de 
massa por aceleração, consultar: F. Barbesino e M. Moroni. L'ordalia del carbonio ; 14. Pessano (Milão), 
Mimep-Docete, 1996. 
Pellegrino e publicado em 1976. O artigo apresenta o Sudário sob termos errôneos 
etc. etc.”142 
Desse modo as eventuais sugestões de caráter fidedigno não 
influenciaram os seus trabalhos e fixou-se na decisão do resultado. Foram 
eliminadas as análises preliminares das fibras e dos eventuais resíduos de poluição, 
economizando assim alguns meses de trabalho. Reduziu-se, para enxugar a 
estrutura operacional, o número de avais pedidos, de quatro para dois: o British 
Museum, representado pelo dr. Tite, e a Santa Sé, pelo Guardião do Sudário, na 
pessoa do cardeal de Turim, Anastasio Ballestrero, mais conhecido pelas virtudes 
pastorais do que por conhecimentos científicos. Tendo eliminado os laboratórios que 
adotavam a contagem proporcional, foi possível retirar do Sudário 478 miligramas de 
tecido, cerca de 150 para as análises e uma reserva para cada eventualidade. Foi 
determinado que com as amostras do Sudário fosse fornecido a cada laboratório um 
par de amostras das quais estivessem certas as datações em procedência: 
segundo um método de análises às cegas, as datas não deveriam ser comunicadas 
aos laboratórios, a não ser a das análises completadas. Se os valores encontrados 
fossem coincidentes com os notados também na datação das amostras do Sudário, 
eram considerados seguros. Porém o dr. Tite comunicou com antecedência as datas 
das amostras em referência, considerando justamente que poderia contar com a 
credibilidade dos pesquisadores. Os resultados foram de fato aqueles que se 
esperavam, mesmo que na dispersão dos valores obtidos pelos três laboratórios 
resultaram um pouco excessivos, e querendo mais pormenores, os resultados 
 
142 P. L. Baima Bollone. Sindone o no, op. cit. Em uma entrevista ao The Tablet, de 14/01/1989, o professor 
Edward Hall, : analista de Oxford, afirmava: "Pessoalmente, penso que não há o menor senso de um original do 
século I ficar parado. Por exemplo, a coisa notável a propósito do Sudário de Turim é que o primeiro e único 
documento preciso e histórico são as duas menções do século XIV, quando os bispos da época lamentaram a 
idéia de ser falso. É a única porção da história que temos". 
deveriam ser reconsiderados, porque não eram homogêneos entre si143. Essa 
interpretação cruel abria a estrada a uma objeção ainda mais insidiosa. Os 
resultados obtidos pelos três laboratórios pressupunham que os valores individuais 
provenientes das análises dispunham-se de acordo com uma distribuição normal, 
mas esse tipo de distribuição só pode ser feita... se as amostras fossem 
homogêneas entre si144. 
Todavia, o intervalo estabelecido pelos laboratórios - 1260-1390 - foi 
acolhido com simpatia. O professor Hall, diretor do Laboratório de Oxford, recebeu, 
em 1989, de quarenta e cinco homens de negócios, 1 milhão de libras esterlinas 
para a atividade desenvolvida e em particular por ter estabelecido no ano anterior 
que o Sudário de Turim era uma falsidade medieval. O dinheiro foi utilizado para 
fundar uma cátedra de ciência arqueológica. Segundo o Thelegraph de 25 de março 
de 1989, "a nova cátedra será ocupada pelo dr. Michael Tite, diretor do Laboratório 
de Pesquisas do British Museum, que igualmente desfiou uma lista preponderante 
para desmascarar a fraude sobre o Sudário de Turim". 
Essa datação é com certeza um resultado importante na pesquisa do 
nosso artista. Todavia, ocorre observar que, empurrados pelos próprios entusiasmos 
científicos, os carbonistas apresentaram os resultados como a prova de uma 
falsidade medieval, ao mesmo tempo que um amigo deles, o benemérito 
reverendo Sox, levava para as livrarias um volume de título significativo: O Sudário 
desmascarado: descoberto o maior falsário de todos os tempos. A obra de 
 
143 Existem procedimentos estatísticos para verificar que os descartes de valores obtidos pelos laboratórios 
individualmente sejam puramente casuais e não devido a erros de procedimento ou a um mostruário não 
significativo. O procedimento adotado fornecia um valor estatístico do assim chamado nível significativo 
(significance level) que impunha a reconsideração dos valores obtidos. O limite mínimo de valor aceitável é de 
5% e este, portanto é o valor que aparece no artigo de apresentação dos resultados. Todavia o valor correto que 
se obtém de cálculo é de 4,1%. Ver nota 144. 
144 R. P. Jounvenroux. "Intervalles de confiance et datation radiocarbone du Linceul deTurin", in: Actes du 
Symposium Scientifique International. Roma, 10-12/06/1993 publicado por F. Xavier de Guibert, Paris, 1993, 
pp. 185-205. Uma boa síntese em M. Gastuche e C. Van Oosterwyck. Le radiocarbone face au Linceul de Turin, 
Paris, F. Xavier de Guibert, 1999, pp. 319-338. 
desmistificação de Sox foi extenuante. Já em 1980, seu amigo e também 
pesquisador, dr. Walter McCrone, analisando o material removido da tela pelos 
pesquisadores do STURP (Shroud of Turin Research Project - Projetos de Pesquisa 
do Sudário de Turim) crê ter achado a prova de que o Sudário é uma pintura de 
idade medieval. Voa então para a Inglaterra e fornece a notícia da glamourosa 
descoberta sob a forma de comunicação privada para a British Society for the Turin 
Shroud (Sociedade Britânica para o Sudário de Turim) da qual é secretario o 
reverendo Sox. O Catholic Herald publica, em setembro de 1980, a notícia que se 
difunde para todo o noticiário mundial. Sox pede demissão de secretário e 
rapidamente escreve o livro A imagem sobre o Sudário – É o Sudário de Turim uma 
vigarice?, onde pede desculpas ao público por tê-lo involuntariamente enganado 
com uma relíquia que a ciência demonstrou ser falsa. Infelizmente as provas de 
McCrone não encontraram confirmação e ele teve, definitivamente, de abandoná-las 
depois dos resultados das pesquisas realizadas pelos pesquisadores do STURP. 
O próprio professor Tite reconheceu em seguida que não acreditava que 
se deveria, necessariamente pensar em uma falsificação, coisa sem dúvida difícil de 
estabelecer por meio de uma análise que se concentrava somente na tela. Mas, 
como se sabe, os erros de interpretação científica demoram para desaparecer e 
depois de dois anos da datação com C14 o British Museum inaugura uma grande 
mostra que ficou aberta ininterruptamente por seis meses com o título “L’arte Del 
Tinganno", na seção "Individuazione scientifica dei falsi e delle contraffazioni", 
destacando uma enorme imagem positiva, de tamanho natural, do negativo do 
Sudário. 
De qualquer forma é preciso reconhecer que os carbonistas tiveram o 
mérito de uma data de partida certa. O próprio dr. Tite afirmou: "Eu creio que o 
carbono seja a única certeza"145. Na verdade, ninguém ousou discutir o método de 
datação com C14; todavia, aqueles que ainda crêem que o Sudário seja uma 
autêntica relíquia e não aceitam o definitivo veredicto da ciência não tardaram a 
desenvolver discussões, que brevemente aqui indicaremos por razões de 
objetividade. 
As respostas dos obscurosAs respostas dos obscurosAs respostas dos obscurosAs respostas dos obscuros 
 
Antes de mais nada é necessário dizer que não se tem certeza de que a 
poluição que se impregnou no Sudário tenha sidoremovida pelas amostras 
analisadas. A área de onde foi retirada a amostra, próxima ao assim chamado 
"ângulo de Raes", é a mesma onde, em 1973, também foi extraído um fragmento de 
tecido e é um dos pontos mais expostos à contaminação. De fato, encontra-se em 
um dos dois ângulos pelos quais o Sudário vinha sendo explicado durante a 
ostentação. Por outro lado, a poucos centímetros de distância de um dos pontos 
carbonizados pelas gotas de metal fundido durante o incêndio de 1532, provém uma 
das bordas manchadas pela água usada para apagar o incêndio, onde se 
acumularam produtos de pirólises e depositou-se toda a sujeira dos séculos146. As 
fotografias tiradas em 1978 mostram, na mesma área de retirada, um provável 
emaranhado enegrecido de natureza indeterminada147. Os três laboratórios que 
realizaram as análises não revelaram, durante o tratamento preliminar de limpeza 
com diversos agentes químicos, nenhum indício significativo de poluição nas 
amostras148. Esse surpreendente resultado foi interpretado por alguns, 
 
145 Entrevista para o quinzenal católico L'homme nouveau, de 15/10/1989. 
146 O. Petrosillo e E. Marinelli. La Sindone: um enigma alla prova della scienza, op. cit., p. 75. 
147 L. Baima Bollone. Sindone o no, op. cit., p.282. 
148 Escreve o dr.Willy Wölfli, diretor do laboratório de Zurique: "A fuligem de um incêndio, assim como os grãos 
de pólens, poderiam contaminar uma amostra. Por isso todas as amostras foram examinadas 
microscopicamente a fim de encontrar e remover qualquer material estranho". Em nosso caso nenhum material 
deste tipo foi descoberto (Collegamento Pro Sindone, maio-junho, 1989, pp. 30-31). 
particularmente prevenidos, como a prova de que as amostras teriam sido 
substituídas antes de terem sido entregues aos laboratórios; e por outros, mais 
simplesmente, como indicativo da impossibilidade de remover o material poluente. 
Não se pode, no entanto, concluir que as amostras extraídas contenham remendos 
e fios estranhos, muitas vezes invisíveis à primeira vista. O laboratório de Tucson, 
por exemplo, encontrou no pedacinho do Sudário que lhe foi entregue um fio de 
seda vermelho e fiozinhos azuis, evidentemente não vistos por aquele que o 
retirou149. 
Todavia, por uma estranha contradição, quase uma inversão de papéis, 
os partidários do Sudário dizem que as análises, mesmo executadas corretamente, 
não poderiam ter fornecido como data histórica o ano no qual morreu Nosso Senhor. 
Independentemente dos resultados de 1988, que considero privados de 
autenticidade pela força operacional que estão certos de terem individualizado, e 
assim não atentaram que a análise radiocarbônica determinou como data histórica 
não o primeiro século, mas uma data mais próxima dos nossos dias. 
Na época dos nossos avós, quando os lençóis ainda eram de linho e 
guardados nos armários como patrimônio de família, todos sabiam que com o tempo 
o linho, sobretudo se exposto à luz, amarelaria. A coisa para a química orgânica é 
simples: o linho é formado por cerca de 70% de celulose pura e composto por longa 
cadeia linear de moléculas totalmente iguais, que com o tempo agregam grupos 
químicos chamados cromóforos, que causam o amarelado. Esse fato, que, como 
dissemos, era já notado pelas nossas avós, não é privado de conseqüências porque 
 
149 Ocorre assinalar que as afirmações reportadas foram registradas por B. Bonnet-Eymard com a autorização dos 
interlocutores. Os pesquisadores de Tucson fizeram uma macrografia do fio de seda vermelho (o Sudário foi 
fixado por setas ao seu suporte em uma tela da Holanda ou "holandesa", e protegido na parte superior por um 
pano avermelhado) e um deles, Toolin, afirmou a Bonnet-Eymard tê-lo conservado; todavia, durante a 
demonstração, foi impossível encontrá-lo. [A Contra-Reforma católica do século XX, nº271,fev./mar.,1991, pp. 
36-37 e figura 31.) 
põem em dúvida o caso dos tecidos de origem vegetal, a postulação de base de 
cada radiodatação: depois de morta, a substância orgânica analisada cessa 
completamente qualquer tipo de troca e permite ao C14 deteriorar-se sem qualquer 
interferência exterior (em física se diz que é um sistema fechado). Esse grupo de 
cromóforos que entram para fazer parte da molécula que compõe a cadeia (e que 
contém carbono fresco, o qual se junta àquele já presente no tecido) mostra, ao 
contrário, que o sistema foi aberto. O processo de agregação acelera-se na 
presença de luz e de calor, e isso também, apenas empiricamente, já sabia-se. Entre 
outros, Vermon Miller, um expert em fluorescência ultravioleta e reflexometria do 
Instituto Brooks, mediante fotografia por transmissão colocou em confronto os 
remendos, isto é, os pedaços de tecido aplicados pelas Clarissas nas partes do 
pano e do Sudário destruídas pelo incêndio de 1532. Este último apresenta um 
amarelado maior que os remendos150. 
Por outro lado, a linearidade das cadeias poliméricas da celulose é datada 
pela presença de numerosos pontos de hidrogênio que se mantêm grudados uns 
aos outros (zonas cristalinas). No local onde essas ligaduras diminuem os fachos 
serão menos regulares e compactos (zonas semicristalinas ou amorfas), e aumenta 
a possibilidade de agressão por parte do ambiente circunstante. Experimentalmente 
foi demonstrado que o tratamento térmico (não aqueles de normal limpeza ácida e 
alcalina) aumenta a zona amorfa, isto é, diminui a resistência do polímero aos 
agentes externos151. Demonstrou-se então que nos tecidos antigos a amplitude das 
áreas amorfas não depende somente da idade do tecido, mas da história de 
qualquer tecido, isto é, das vicissitudes que estes sofreram no percurso dos séculos. 
 
150 Os remendos são aqueles pedaços de tecido aplicados no Sudário na área carbonizada e hoje removida depois 
da restauração para conservação feita em 2002. 
151 M. Bettinelli et all. "Impiegodi tecniche chimico-fisicheper Io studio Dell’invecchiamento delle fibredi lino", 
in: Worlwide Congress Sindone 2000, Orvieto, 27-29/08/2000. 
Dessa forma não podemos nos esquecer da existência de substâncias 
complementares, como a pectina e a lignina, que impregnam os fachos das fibras e 
não são removidos durante o trabalho na tela. As duas substâncias, mas 
particularmente a lignina, que compreende numerosos laços dobrados, são fortes 
reagentes. 
Infelizmente, das vicissitudes do pano sabe-se muito pouco. O único 
acontecimento interessante com o Sudário foi o incêndio de 1532 na capela do 
castelo de Chambery. Desde 1993, já foram conduzidos numerosos experimentos de 
simulação do tal incêndio152. Vale relembrar que o único parâmetro notado com 
relativa precisão é a temperatura máxima alcançada pelo pano, que vem também 
revelada pelo espectrômetro com base na coloração do Sudário. 
Todavia, mais recentemente, variando os parâmetros da simulação, foi 
possível reencontrar, depois da análise do AMS, aumentos no conteúdo do C14, 
iguais a um rejuvenescimento de 160 e de 300 anos153. Constatou-se que a 
presença contemporânea de três elementos é indispensável às provas para obter 
um aumento no teor do C14: a temperatura, o vapor aquoso e os íons prateados. 
Vale, no entanto, assinalar que com base na hipótese da formação da 
imagem do Sudário formulada por um professor da Faculdade de Medicina de 
Montpellier, na França154, iniciou-se uma campanha experimental seguindo as 
 
152 D. A. Kouznetsov et al. "Effect of fires and biofractionation of carbon isotopes on results of radiocarbon 
dating of old textiles: the Shroud of Turin", in: I. of Archaeological Science, 23,1996, pp. 109-121; "Detection of 
alkylated cellulose archaeological line texile samples by capillary electrophoresis Mass spectrometry", in: 
Analytical Chemistry, nº 23, v. 66,1/12/1994, pp.4.359-4.365. 
153 M. Moroni. The age ofthe Shroud of Turin, in: "The Turin Shroud, past, present and future" - Simpósio 
Internacional de Ciência, Trine, 2-5/03/2000; Sindon Effatà, Turim, Cantalupo, 2000, pp. 515-522; M. Moroni et 
al. "Possible rejuvenation modalities of the radiocarbon age of the Shroud of Turin", in: Shroud Turin 
Conference, Richmond, Virgínia, 18-19/06/1999; "Verifica di una ipotesidi ringiovanimento radiocarbônico", 
in: III Congresso Internacional di Studi sulla Sindone, Turim, 5-7/06/1998. 
154 J.-B. Rinaudo. "Protoni e neutroni le chiavi dell'enigma, Il Telo", in: Ciornale Italiano di Sindonologia, 
mai./ago., 1999, pp. 12-17; J.-B. Rinaudo. "Nouveau mécanisme de formation de l'image sur le Linceul de Turin 
ayantpur entrainerunafausse radiodatation médiévale", in: Actes du Symposium Scientifique International, 
Cielt, Roma, 1993, F. X. de Guibert, pp. 293-300. 
realizações das análises realizadas nas amostras de linho antigo, alguns submetidos 
à irradiação de neurônios, outros, a um sucessivo tratamento de simulação térmica 
depois da irradiação. As análises com o espectrômetro de massa e aceleração 
determinou o rejuvenescimento radiocarbônico igual a 360 anos para as amostras 
irradiadas e, mais adiante, a 760 a 1.030 anos para aqueles submetidos também à 
sucessiva simulação térmica155. 
Um outro possível mecanismo de aumento e diminuição local do teor de 
C14 é a difusão a quente dos isótopos de carbono, uma modalidade que foi excluída 
pelos analistas da AMS, que, entretanto, deveria produzir alguma dúvida sobre o 
ponto onde não deveriam efetuar a retirada de amostras do Sudário, nas 
proximidades da zona carbonizada, malgrado o fato de o carbono ser considerado 
um ótimo material para avaliar a radiodatação. Pode-se também observar que o 
conteúdo de carbono nos três pedaços do Sudário analisados em 1988 variava 
gradualmente em virtude da distância entre eles e a borda da tela. Houve propostas 
dos modelos teóricos e foram realizadas análises estatísticas dessa hipótese de 
variação da concentração isotópica156. Por exemplo, se analisamos um tecido 
sintético que escapou da destruição de um supermercado porque estava protegido 
da ação do fogo e da água em um invólucro de plástico dentro de uma caixa de 
papelão, e individualizarmos os traços chamuscados na zona das dobras obteremos 
tiras de carbono indeléveis que resistiram ao ataque ácido e básico, e apresentaram 
enriquecimento em C13 e C14 variando de 2 a 3% até 20%, com picos de 50%157. 
 
155 Ver nota 146. 
156 P. Jackson e K. Propp. "On the evidence that the radiocarbon date of the Turin Shroud was significantly 
affected by the 1532 fire", in: Actes du III Symposium scientifique International du Cielt, Nice, Editions du 
Cielt, Paris, 1988, pp. 61-82; B.J. Walsh. "The 1988 Shroud of Turin radiocarbon tests reconsidered", in: Shroud 
of Turin International Research Conference, Richmond, 18-20/06/1999. 
157 M. C. Van Oosterwyck Gastuche. "Dates radiocarbone sur tissus d'âge archéologique bien connu", in: Actes 
du Symposium Scientifique International, Roma, 10-12/06/1993, publicado por François-Xavier de Guibert, 
Paris, 1993, pp. 219-228. 
Mas os mecanismos que podem alterar os resultados das análises de 
radiocarbono em um tecido de linho não terminam aqui. 
Antes de mais nada, a intervenção do cálculo de tempo entre a morte de 
uma planta e a análise do radiocarbono é possível porque até a morte da planta ela 
estaria em equilíbrio com o ambiente externo, isto é, existe na planta uma 
concentração de C14 igual àquela que se encontra na atmosfera circundante. 
Todavia, a planta é formada por raiz, caule (que por sua vez é composto por 
numerosos elementos), folhas e frutos. É improvável que em todas essas partes da 
planta o teor de C14 se mantenha idêntico ao do ambiente externo. O fracionamento 
isotópico, nome da distribuição de uns isótopos nas varias zonas de um organismo 
vivente, pode variar de componente a componente da planta, qualquer um dos quais 
pode ter uma função diversa e um conteúdo diferente de lipídios, albumina e 
carboidrato, e tal distribuição biológica não se mantém constante, mas pode 
multiplicar-se de acordo com a variedade dos fatores externos158. Freqüentemente 
somos informados, apenas para controle, de um coeficiente de divisão159, mas é 
demonstrado que as variações podem surgir mesmo se este permanecer constante. 
Quanto às curvas dendrocronológicas, nota-se que elas fornecem um 
valor de teor do C14 presente ano a ano nos anéis anuais das plantas. Mas não se 
demonstrou até agora que cerca de 230 espécies de Unho, plantas herbáceas que 
podem ser anuais, bienais ou perenes e crescem em todos os tipos de clima, solos, 
alturas ou hábitat dos mais diversos, contenham a cada ano em suas fibras o 
mesmo teor de C14 dos troncos dos Primus aristata, coníferas que crescem a mais 
 
158 A. Ivanov. "Carbon dating of theTurin Shroud: reasons for scepticism, altemative approaches, prospects and 
further research", in: The Turin Shroud, past, present and future, op. cit, pp. 479-494. 
159 O coeficiente de divisão é δC13=[(C13/C12)]planta/ (C13/C12)ATMOSFERA-1|x1000, expressão solidamente 
normalizada em 25%. Se a relação (Cl3/C12) planta permanece invariável, não é possível encontrar a variação 
no teor dos isótopos. Tais variações podem atingir de 5 a 6%, introduzindo erros absolutos de quatrocentos a 
quinhentos anos. 
de 3.000 metros de altura nas White Mountains da Califórnia. A análise destas 
plantas que forneceram, mediante uma procura extremamente árdua, a base das 
atuais curvas dendrocronológicas. Todavia, se só se confrontarem as mais recentes 
curvas de Klein (e outros) com aquelas de Stuiver e Pearson, que, para os dados do 
aristata acrescentam a essas plantas de talo alto crescidas na Irlanda, são notadas 
diferenças imperceptíveis160. 
Além da transitoriedade existe um breve período de concentração do C14 
na atmosfera que os anéis das plantas não conseguem indicar corretamente. Por 
exemplo, a explosão das supernovas determinam um notável aumento de radiação 
proveniente do espaço, com um pico de atividade de duração de 30 a 35 dias. Isso 
poderá influir notavelmente na concentração de C14 do linho, se tais explosões 
coincidirem com o período de crescimento das plantas, mas virá registrada de modo 
muito mais diluído em um anel de crescimento anual. 
A dra. Jeannette Cardamone, especialista em química de tecidos da 
Politécnica da Virgínia, catalogava, entre os fatores que favorecem o degrade das 
cores, a luz e a umidade, e observava que esta última pode causar o 
desenvolvimento de microorganismos como fungos ou bactérias provenientes do 
solo, da água ou da atmosfera161. Já em 1977 observando com um microscópio 
eletrônico a remoção (SEM) de um fio do Sudário, retirada pela princesa Clotilde de 
Savoia em ocasião dos remendos de 1868, observou-se uma superfície poluída 
trazendo em abundância um material que pertence aos esporos e hífens de fungos 
existentes162. 
 
160 M-C.Van Oostrerwyck Gastuche: Le radiocarbone face au Linceul de Turin, op. cit. 
161 J. M. Cardamone. "Flax cellulose: characterization and aging", in: Symposium Scientifique International sur 
Ie Linceul de Turin, op. cit. 
162 P. L. Baima Bollone; P. Borga e E. Morano. "Prime osservazioni sulla fine struttura della Sindone al 
microscópio eletrônico a scansione", in: Sindon, XIX, nº 26, Cistorino, out., 1977, pp.15-22. 
Era essa a avaliação da exceção que foi recentemente levantada nos 
resultados da radiodatação. Um microbiólogo de origem mexicana, Leoncio Garza-
Valdes, ao estudar antigos manufaturados da cultura pré-colombiana, recordou que 
estes às vezes estavam cobertos por depósitos naturais produzidos pela interação 
entre alguns tipos de cogumelos e bactérias. Depósitosque crescem no tempo 
mesmo depois de centenas de anos após essa simbiose, para criar uma camada 
contínua em cima de uma superfície. Não somente, mas essa simbiose encontra um 
habitat propício em ambiente salino, como aquele criado pelo carbonato de sódio 
utilizado para clarear tecidos antigos. Por que não seria possível que também sobre 
o Sudário se formasse uma camada bioplástica? Uma primeira observação com um 
simples microscópio portátil de um fragmento de linho que se pensasse provinha do 
Sudário163 mostrava a presença de bactérias, uma das quais viva; portanto, valia a 
pena aprofundar-se na pesquisa. No laboratório de genética da Universidade do 
Texas, em San Antônio, desenvolvia-se um estudo que confirmava a intuição 
inicial164. Existe então uma possibilidade concreta de que o C14 medido provenha, 
em parte muito notável, da bainha bioplástica formada em torno das fibras, onde, na 
troca com o ambiente externo, poderia estar até hoje em ação. Também os 
carbonistas se preocuparam com isso. O professor Harry Gove, da Universidade de 
Rochester, um dos pioneiros no estudo da radiodatação com os aparelhos (AMS) e 
um dos artífices do resultado computado pelos carbonistas em 1987 sobre o Sudário 
 
163 É provável que se trate dos resfriamentos dos trabalhos de C. Riggi di Numana durante a retirada das 
amostras para a radiodatação em abril de 1988. Todavia, a coisa não é certa porque de toda operação coordenada 
pelo professor Tite, compreendido o destino do material-resíduo, não existe nenhum verbal oficial. O cardeal 
Ciovanni Saldarini, atual guardião do Sudário, deixou em 15 de setembro de 1995 uma declaração na qual afirma 
que não é verdadeira a existência de material residual em mãos de terceiros e caso existisse seria restituído à 
Santa Sé, que é a sua legitima proprietária. 
164 Trata-se de fungos da família Trichenothelia que agem internamente com a bactéria Cyanobacteria, formando 
camadas que vão de 1 a 500 milésimos de milímetro. A barra que cobre os fios do Sudário foram confrontadas 
com a dos antigos artefatos. Ver L. Garza-Valdes em Bio plastic coatíng on the Shroud of Turin, a preliminar 
report, Simpósio sobre o Sudário de Turim, San Antonio - Texas, 11 de setembro 1993. De outra parte... a 
limpeza com o método standard não garante a remoção dos fungos. Ocorre um método mais seletivo 
(Radiocarbono v. 28, nº1, 1986, pp. 170-174). 
de Turim, ofereceu sua colaboração ao dr. Garza Valdes para colocar em prática um 
método de datação radiocarbônica na efetiva celulose do tecido do linho do Sudário 
sem tomar conhecimento do revestimento bioplástico.165 
Também na controvertida datação de uma múmia egípcia encontrou-se 
logo o ano, mediante a radiodatação executada sobre uma bandagem que envolvia 
um íbis do antigo Egito. A análise colocou em evidência a possibilidade de extrair 
bioplásticos alterando o resultado obtido com os aparelhos AMS. A pesquisa na qual 
tomou parte o dr. Gove revelou que entre a bandagem e o íbis que envolviam essa 
múmia se observava uma diferença no C14 igual a um intervalo temporal 
compreendido entre 370 e 730 anos. Na relação final diz-se que as medidas incluem 
a possibilidade de que o revestimento bioplástico observado na fibra da faixa do íbis 
produz uma idade radiocarbônica de centenas de anos mais jovem que a sua 
verdadeira idade166. 
Essas eram as observações dos antigos obscurantistas; hoje, após dez 
anos de aprofundamento, parece que estamos próximos de ser mais incisivos. 
Primeiramente, constatamos que uma data muito distante da presumida 
morte de Jesus pode antes demonstrar que o Sudário é uma falsidade medieval, 
mas também o contrário, que o tecido orgânico interagiu, com o passar do tempo, 
com o ambiente externo e, se assim é, o único valor obtido da análise de recusa é 
aquele histórico da morte do Sudário. 
Em segundo lugar, é oportuno começar a considerar o fato decisivo de 
que o linho não é uma celulose pura. Freqüentemente o detrator do Sudário extrai a 
celulose pura e depois descobre que, primeiro, é necessário uma simulação térmica, 
 
165 Entrevista concedida à jornalista Ida Molinari, de Turim, em 27/01/1995. 
166 H. E. Gove et al. "A problematic source of organic contamination of linen", in: Nuclear Instruments and 
Methods in Physics Research, B 123, 1997, pp. 504-507. 
como a famosa experiência da mosca, que, depois da retirada de sua garra, 
constatou-se que não voava mais. 
Temos de analisar também que aquela que vem trabalhada não é a fibra 
elementar composta de 98% de celulose pura, mas a chamada fibra técnica, 
composta pela fibra de celulose, acompanhada de sustentação complementar que 
cresce com ela e não pode ser removida: pectina, lignina, substância incrustada etc. 
A fibra técnica é um legado em face paralela, e a fibra elementar está entrelaçada 
formando uma estrutura similar à de uma corda, reagrupada para formar o fio do 
linho. 
Uma simples cadeia se dispõe no espaço de modo que favoreça ao 
máximo a formação de numerosos pontos de hidrogênio que se unem uns aos 
outros. Se bem que a simples ligação de hidrogênio seja fraca diante do grande 
número de ligações que se equivalem complexamente a outras ligações mais fortes. 
Quanto maior o número de pontos de hidrogênio maior será o feixe de moléculas 
firmes e regulares, se falarmos agora de uma área cristalina. Porém, se, ao 
contrário, o feixe for menos regular e compatível com essa outra área, os mais 
atacados dos agentes externos serão os semi-cristais ou amorfos167. Em experiência 
recente168 demonstrou-se, com a difração do raio X, que o tratamento térmico 
diminuiu o grau de cristalinidade da celulose e a área amorfa cresce quando se 
aumenta a temperatura; só após o tratamento normal de limpeza e o rescaldo é que 
podemos avaliar o grau de pureza de uma substância. Em uma outra demonstração 
com o infravermelho temos que a área amorfa é a mais rica do grupo carbossilícico e 
 
167 R. T. Morrisone R. N. Boyd. Chimica orgânica. Milão, Ambrosiana, 1965, pp. 859-860; C Copedé. La carta e 
II suo degrado. Florença, Nardini, 1991;J.C. Roberts. The chemistry ofpaper, The Royal Society of Chemistry. 
168 M. Bettinelli et al. "Impiegodi tecnich chimico-fisiche per Io studio dell’ invecchiamento delle fibredi lino", 
in: Worlwide Congress Sindone 2000, Orvieto, 27-29/08/2000; M. Moroni et at. "Analisi radiocarbonicae 
datazione della Sindone di Torino", in: I Congresso Internacional e II Congresso Brasileiro sobre o Santo 
Sudário, Rio de janeiro, 27-29/06/2002. 
carbônico, e não aquela cristalina, cujo teor não está diretamente relacionado com a 
história do linho, que é o desgaste proveniente do ataque vindo do ambiente 
externo, que depende da história de cada tecido. 
Naturalmente todas essas objeções que não demonstram a mínima 
admiração pelo nosso artista, e a certeza moral da existência dele sugerem ainda 
uma vez mais o problema por onde iniciamos, o único sobre o qual parecia termos 
um mínimo de certeza, aquele sobre a data de nascimento, porque, como diz o 
professor Georges Salet, na sua crítica a Kouznetsov, os grupos químicos que 
contêm carbono fresco podem agregar-se à celulose do Unho, mas, na melhor das 
hipóteses, observar-se-ia um rejuvenescimento de 537 anos169, e podemos nos 
consolar que, sozinho, o mecanismo proposto pelo russo não nos reporta à época 
de Jesus, mas, quanto ao Seu nascimento, podemos escolher entre a data dos 
carolíngios e aquela dos Valois (será que teria sido súdito do rei da França?). Sem 
falar dos revestimentos bioplásticos. 
Ao menos se tivessem deixado, como todos fazem, uma assinatura e uma 
data! Na verdade, escreveu qualquer coisa sobre o Sudário, mas esse é o enésimo 
enigma! Ainda uma vez o sempre atento dr. Ugolotti descobriu alguns escritos sobre 
o supercílioesquerdo e outros ao redor do vulto e dos joelhos. Mas não havia 
entendido de que tratavam os escritos, e então procurou um amigo de sua 
confiança, um ilustre filósofo e paleógrafo, dom Aldo Marastone. Sem entrar (não 
queremos entediar o exausto leitor) no problema da decifração das palavras, saberá 
que coisa fez o nosso artista? Utilizou na escrita antigos caracteres gregos, latinos, 
pré-góticos e o hebraico quadrado, com o qual se escrevia o hebraico e o aramaico 
do tempo de Nosso Senhor e foi reencontrado em numerosos documentos, entre os 
 
169 . G.Salet: artigo publicado em La Lettre Mensuelle du CIELT, fev, n°- 50, 1994;mai., nº53, supplemento, 
1994. 
quais os famosos rótulos de Qumran170. Ainda mais para imprimir de modo indelével 
tais características sobre o pano, utilizou uma técnica, a qual não somos ainda 
capazes de indicar com certeza. Inútil dizer que também o professor Marastone, 
diante de tanta habilidade e sabedoria filológica, acabou caindo na armadilha e se 
convenceu da autenticidade do pano171. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
170 A escrita hebraica clássica, o hebraico quadrado, forma-se no final do século I d.C. Para uma exposição 
orgânica do argumento, recomendamos o capítulo 6 de Sindone o no, onde o argumento; é tratado com riqueza 
de informações. 
171 Na seqüência os pesquisadores do Instituto Óptico de Orsay aplicaram na imagem do vulto do Sudário as 
técnicas de codificação digital, confirmando e ampliando as precedentes observações. Ver A. Marion e AL. 
Courage, La Sacra Sindone - Nuove Scoperte, Neri Pozza, Vicenza, 1988. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Considerações finais, mas não conclusivas 
 
Estamos chegando ao fim da nossa procura e podemos dizer que agora 
conhecemos perfeitamente os dotes intelectuais e o perfil moral e psicológico do 
nosso artista. Um doutor em cultura enciclopédica e ao mesmo tempo um grande 
tecnólogo. Afastado da fama, modesto e brincalhão ao mesmo tempo, preferiu 
consignar à posteridade uma obra-prima rica em elementos escondidos que 
poderiam sem dúvida ter descoberto, um depois do outro, como num jogo de 
quebra-cabeça chinês. Os sinais enigmáticos que se encontram no Sudário são os 
testemunhos do seu isolamento, assim como do seu absoluto anti-conformismo. São 
eles que desencadearam para cada particularidade do Sudário uma confusão de 
suposições, das mais racionais às seguramente geniais, que ainda não se aplacou. 
Porém, se ainda não podemos pronunciar o seu nome nem conhecermos 
o século no qual trabalhou, devemos, de qualquer forma, reconhecer que nos 
transmitiu uma inigualável imagem de Nosso Senhor. O Sudário nos descreve o 
Homem Sofrido: a flagelação, a coroa de espinhos, a queda, a crucificação, os sinais 
de uma morte rápida, a ferida nas costas das quais saíram sangue e água, o 
cadáver não-lavado, tudo quanto narram os Evangelhos, o encontramos na imagem 
e em outras informações preciosas, de todo verossímil. Mas não somente isso: se 
removermos da imagem os coágulos de sangue e os sinais da paixão que deturpam 
o vulto, descobriremos, segundo o Salmo 45, o mais espetacular dos filhos do 
homem que nos transmitiu, segundo as palavras de Daniel Rops, um Vulto de 
inefável e tranqüila beleza e uma majestade verdadeiramente soberana. É essa a 
máxima invenção do nosso artista, porque nenhum aprendiz de bruxo de baixo 
calibre saberia idealizar uma imagem de tamanha beleza. 
O Sudário é aO Sudário é aO Sudário é aO Sudário é autênticoutênticoutênticoutêntico 
 
Na realidade, de agora em diante está acertado que as manchas 
avermelhadas, pequenas e grandes, que se encontram um pouco em qualquer lugar 
da tela, são, sem sombra de dúvida, traços de sangue humano. Estas manchas de 
sangue foram decalcadas "antes" da imagem corpórea. 
Os traços hemáticos de diversas formas estão em vários pontos na 
duplicação da imagem. Antigamente isso não tinha despertado interesse particular. 
Porém, resulta, segundo os autores, que conseguiram provas 
experimentais de que o lençol que envolve uma forma volumétrica em contato com a 
ferida, não está somente sobre a parte frontal e dorsal do corpo, mas também sobre 
os lados e o quadril, e o sangue escorrido dessa ferida lateral compõe-no. Quando a 
tela for estendida sobre um plano, em posição externa à imagem corpórea, ela se 
apresenta como uma projeção ortogonal do corpo estendido. 
Na verdade, só partindo dessa interpretação, muitos dos decalques de 
sangue da tela do Sudário que pareciam incompreensíveis ou casuais conseguiram 
pela primeira vez encontrar uma explicação satisfatória. Às tais feridas laterais 
corresponde o sangue que está na área do cabelo, ao lado dos olhos, sobre o 
quadril, na altura dos rins, ou nos braços e cotovelos, assim como o decalque ao 
lado da planta do pé, ou o do calcanhar esquerdo, ou ainda ao longo do tornozelo do 
pé direito172-173. 
Finalmente é interessante notar que recorrer ao artifício de um simples 
baixo-relevo ou de uma imagem pictórica convencional não forneceria o perfil das 
manchas laterais. Por este preciso motivo podemos dizer que Leonardo da Vinci não 
realizou o Sudário! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
172 M. Moroni, F. Barbesino, "Conferiria sperimentale dei due diversi meccanismi di formazione delle macchie 
ematiche e dell’immagine presenti sulla Sindone di Torino", in: Sindon, nº19, Nova Série, Centro 
Internazionaledi Sindonologia, Turim, dezembro de 2003 (no prelo). 
173 N. Balossino et al. "Nuovi sludi e considerazioni sull’ipotesi di formazione dell’immagine sindonica per 
irraggiamento", in: idem. 
 
 
 
 
 
 
Semivulto de Cristo esculpido em um sarcófago conservado na Igreja de Santo 
Ambrósio, em Milão, de aproximadamente 380 d. C, colocado ao lado do semivulto 
do Santo Sudário. 
 
 
 
Semi-vulto de Cristo em uma tela nas catacumbas romanas de Comodilla, século IV, 
colocada ao lado do semi-vulto do Santo Sudário. 
 
 
O semi-vulto de Cristo em sólido áureo de Justiniano II, no ano 692 d. C, encostado 
ao Santo Sudário. 
 
 
 
 
 
Semi-vulto de um ícone de Cristo conservado no Monastério de Santa Catarina de 
Alexandria, do século VI. Colocado junto do semi-vulto do Santo Sudário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Algumas das imagens significativas do Santo Sudário: 
 
A primeira fotografia, em negativo (S. Pia, 1898). 
 
 
A primeira fotografia elaborada eletronicamente (C. Castelli, 1978). 
 
 
 
 
 
 
A fotografia em positivo, tirada por V. Miller durante a análise de 1978. 
 
O Sudário. A parte frontal e dorsal do corpo, aparentemente na mesma tela e com a 
impressão da cabeça contraposta, uma ao lado da outra. 
Foto de G. Enrie, em 1931. 
 
 
 
 
Imagens impressas por onda térmica 
durante a explosão da bomba atômica 
em Nagasaki. 
 
Reconstrução tridimensional do "corpo" 
do Sudário conseguida à base dos 
negativos da imagem dos pesquisadores 
americanos J. Jackson, E. Jumper, W. 
Ercoline. 
 
 
O tecido do Sudário de Turin 
 
 
 
A Santa Capela de Chambery onde ocorreu o incêndio de 1532; no detalhe a 
entrada lateral da sacristia, uma imagem de 1833. 
 
 
Uma das caixas utilizadas para a experiência de simulação do incêndio de 
Chambery, antes e depois da prova. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Numerosas anêmonas reproduzidas por contato (45 anos depois) 
 
Impressão pintada à mão reproduzida por contato 
 
 
 
Nem todos concordam com a dificuldade de "fabricar" 
o Sudário. Eis aqui os aparelhos propostos por C. Papini (nota 24), 
salvo exclusão da prova experimental. 
 
 
 
 
Os pólens das oliveiras entre aqueles retirados do Sudário. 
 
 
 
 
Fotografia original da parte do lençol com digitais deixadas pelo paciente de nome 
Lessfalecido no Asilo de São José de Thornton (Liverpool). 
 
 
Motivos florais nas moedas do imperador bizantino Michele III.

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