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PMBA/CBMBA 
 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E 
GÊNERO 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
3 
 
 
PROGRAMA: 
NOÇÕES GERAIS DA IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
1. Constituição da República Federativa do Brasil (art. 
1º, 3º, 4º e 5º). 2. Constituição do Estado da Bahia, 
(Cap. XXIII "Do Negro"). 3. Lei federal no 12.288, de 20 
de julho de 2010 (Estatuto da Igualdade Racial). 4. Lei 
estadual nº 13.182, de 06 de junho de 2014 (Estatuto da 
Igualdade Racial e de Combate a Intolerância Religioso), 
regulamentada pelo Decreto estadual nº 15.353 de 08 
de agosto de 2014. 5. Lei federal no 7.716, de 5 de 
janeiro de 1989, alterada pela Lei federal no 9.459 de 13 
de maio de 1997 (Tipificação dos crimes resultantes de 
preconceito de raça ou de cor). 6. Decreto Federal no 
65.810, de 08 de dezembro de 1969 (Convenção 
internacional sobre a eliminação de todas as formas de 
discriminação racial). 7. Decreto federal no 4.377, de 13 
de setembro de 2002 (Convenção sobre eliminação de 
todas as formas de discriminação contra a mulher). 8. 
Lei federal no 11.340, de 7 de agosto de 2006 (Lei Maria 
da Penha). 9. Código Penal Brasileiro (art. 140). 10. Lei 
federal nº 9.455/1997 (Combate à Tortura). 11. Lei 
federal nº 2.889/56 (Combate ao Genocídio). 12. Lei 
federal no 7.437, de 20 de dezembro de 1985 (Lei Caó). 
13. Lei estadual no 10.549 de 28 de dezembro de 2006 
(Cria a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial); 
alterada pela Lei estadual no 12.212/2011. 14. Lei 
federal no 10.678 de 23 de maio de 2003 (Cria a 
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
da Presidência da República). 
 
 
 
 
 
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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 
(ART. 1º, 3º, 4º E 5º) 
 
 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
TÍTULO I 
Dos Princípios Fundamentais 
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela 
união indissolúvel dos Estados e Municípios e do 
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de 
Direito e tem como fundamentos: 
I - a soberania; 
II - a cidadania 
III - a dignidade da pessoa humana; 
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; 
V - o pluralismo político. 
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o 
exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição. 
Art. 2º São Poderes da União, independentes e 
harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o 
Judiciário. 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República 
Federativa do Brasil: 
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; 
II - garantir o desenvolvimento nacional; 
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais; 
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de 
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas 
de discriminação. 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas 
relações internacionais pelos seguintes princípios: 
I - independência nacional; 
II - prevalência dos direitos humanos; 
III - autodeterminação dos povos; 
IV - não-intervenção; 
V - igualdade entre os Estados; 
VI - defesa da paz; 
VII - solução pacífica dos conflitos; 
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; 
IX - cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade; 
X - concessão de asilo político. 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E 
GÊNERO 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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Parágrafo único. A República Federativa do Brasil 
buscará a integração econômica, política, social e 
cultural dos povos da América Latina, visando à 
formação de uma comunidade latino-americana de 
nações. 
TÍTULO II 
Dos Direitos e Garantias Fundamentais 
 
CAPÍTULO I 
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do 
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e 
obrigações, nos termos desta Constituição; 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer 
alguma coisa senão em virtude de lei; 
III - ninguém será submetido a tortura nem a 
tratamento desumano ou degradante; 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo 
vedado o anonimato; 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao 
agravo, além da indenização por dano material, moral 
ou à imagem; 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, 
sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos 
e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de 
culto e a suas liturgias; 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de 
assistência religiosa nas entidades civis e militares de 
internação coletiva; 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de 
crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, 
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a 
todos imposta e recusar-se a cumprir prestação 
alternativa, fixada em lei; 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, 
científica e de comunicação, independentemente de 
censura ou licença; 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e 
a imagem das pessoas, assegurado o direito a 
indenização pelo dano material ou moral decorrente de 
sua violação; 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela 
podendo penetrar sem consentimento do morador, 
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para 
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação 
judicial; 
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das 
comunicações telegráficas, de dados e das 
comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por 
ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei 
estabelecer para fins de investigação criminal ou 
instrução processual penal; 
 XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou 
profissão, atendidas as qualificações profissionais que a 
lei estabelecer; 
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e 
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao 
exercício profissional; 
XV - é livre a locomoção no território nacional em 
tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos 
da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus 
bens; 
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, 
em locais abertos ao público, independentemente de 
autorização, desde que não frustrem outra reunião 
anteriormente convocada para o mesmo local, sendo 
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; 
XVII - é plena a liberdade de associação para finslícitos, 
vedada a de caráter paramilitar; 
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo 
vedada a interferência estatal em seu funcionamento; 
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente 
dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão 
judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em 
julgado; 
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a 
permanecer associado; 
XXI - as entidades associativas, quando expressamente 
autorizadas, têm legitimidade para representar seus 
filiados judicial ou extrajudicialmente; 
XXII - é garantido o direito de propriedade; 
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade pública, 
ou por interesse social, mediante justa e prévia 
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos 
nesta Constituição; 
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade 
competente poderá usar de propriedade particular, 
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se 
houver dano; 
 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
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XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em 
lei, desde que trabalhada pela família, não será objeto 
de penhora para pagamento de débitos decorrentes de 
sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios 
de financiar o seu desenvolvimento; 
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de 
utilização, publicação ou reprodução de suas obras, 
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; 
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: 
a) a proteção às participações individuais em obras 
coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, 
inclusive nas atividades desportivas; 
b) o direito de fiscalização do aproveitamento 
econômico das obras que criarem ou de que 
participarem aos criadores, aos intérpretes e às 
respectivas representações sindicais e associativas; 
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos 
industriais privilégio temporário para sua utilização, 
bem como proteção às criações industriais, à 
propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a 
outros signos distintivos, tendo em vista o interesse 
social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do 
País; 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no 
País será regulada pela lei brasileira em benefício do 
cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes 
seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; 
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do 
consumidor; 
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos 
informações de seu interesse particular, ou de interesse 
coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, 
sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo 
sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do 
Estado; 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente 
do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa 
de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, 
para defesa de direitos e esclarecimento de situações 
de interesse pessoal; 
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder 
Judiciário lesão ou ameaça a direito; 
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato 
jurídico perfeito e a coisa julgada; 
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; 
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a 
organização que lhe der a lei, assegurados: 
a) a plenitude de defesa; 
b) o sigilo das votações; 
c) a soberania dos veredictos; 
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos 
contra a vida; 
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem 
pena sem prévia cominação legal; 
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o 
réu; 
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos 
direitos e liberdades fundamentais; 
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e 
imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos 
da lei; 
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e 
insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o 
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por 
eles respondendo os mandantes, os executores e os 
que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento) 
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a 
ação de grupos armados, civis ou militares, contra a 
ordem constitucional e o Estado Democrático; 
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, 
podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação 
do perdimento de bens ser, nos termos da lei, 
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até 
o limite do valor do patrimônio transferido; 
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e 
adotará, entre outras, as seguintes: 
a) privação ou restrição da liberdade; 
b) perda de bens; 
c) multa; 
d) prestação social alternativa; 
e) suspensão ou interdição de direitos; 
XLVII - não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos 
termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis; 
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos 
distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e 
o sexo do apenado; 
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade 
física e moral; 
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L - às presidiárias serão asseguradas condições para que 
possam permanecer com seus filhos durante o período 
de amamentação; 
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o 
naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes 
da naturalização, ou de comprovado envolvimento em 
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma 
da lei; 
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por 
crime político ou de opinião; 
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão 
pela autoridade competente; 
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens 
sem o devido processo legal; 
LV - aos litigantes, em processo judicial ou 
administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os 
meios e recursos a ela inerentes; 
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas 
por meios ilícitos; 
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito 
em julgado de sentença penal condenatória; 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a 
identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em 
lei; (Regulamento). 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação 
pública, se esta não for intentada no prazo legal; 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o 
interesse social o exigirem; 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou 
por ordem escrita e fundamentada de autoridade 
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão 
militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se 
encontre serão comunicados imediatamente ao juiz 
competente e à família do preso ou à pessoa por ele 
indicada; 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os 
quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a 
assistência da família e de advogado; 
LXIV - o preso tem direito à identificação dos 
responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório 
policial; 
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela 
autoridade judiciária; 
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, 
quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem 
fiança; 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do 
responsável pelo inadimplemento voluntário e 
inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário 
infiel; 
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempreque 
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência 
ou coação em sua liberdade de locomoção, por 
ilegalidade ou abuso de poder; 
LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para 
proteger direito líquido e certo, não amparado por 
habeas corpus ou habeas data, quando o responsável 
pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade 
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de 
atribuições do Poder Público; 
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser 
impetrado por: 
a) partido político com representação no Congresso 
Nacional; 
b) organização sindical, entidade de classe ou 
associação legalmente constituída e em funcionamento 
há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de 
seus membros ou associados; 
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que 
a falta de norma regulamentadora torne inviável o 
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das 
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à 
cidadania; 
LXXII - conceder-se-á habeas data: 
a) para assegurar o conhecimento de informações 
relativas à pessoa do impetrante, constantes de 
registros ou bancos de dados de entidades 
governamentais ou de caráter público; 
b) para a retificação de dados, quando não se prefira 
fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; 
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor 
ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio 
público ou de entidade de que o Estado participe, à 
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao 
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo 
comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus 
da sucumbência; 
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e 
gratuita aos que comprovarem insuficiência de 
recursos; 
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro 
judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo 
fixado na sentença; 
 
 
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LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, 
na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989) 
a) o registro civil de nascimento; 
b) a certidão de óbito; 
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e 
habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao 
exercício da cidadania. 
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são 
assegurados a razoável duração do processo e os meios 
que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
§ 1º As normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata. 
§ 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição 
não excluem outros decorrentes do regime e dos 
princípios por ela adotados, ou dos tratados 
internacionais em que a República Federativa do Brasil 
seja parte. 
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre 
direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa 
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos 
dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes 
às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda 
Constitucional nº 45, de 2004) (Atos aprovados na 
forma deste parágrafo) 
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal 
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. 
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DA BAHIA 
 
 
TÍTULO VI 
DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL 
 
(...) 
 
CAPÍTULO XXIII 
DO NEGRO 
Art. 286 - A sociedade baiana é cultural e 
historicamente marcada pela presença da comunidade 
afro-brasileira, constituindo a prática do racismo crime 
inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão, 
nos termos da Constituição Federal. 
Art. 287 - Com países que mantiverem política oficial de 
discriminação racial, o Estado não poderá: 
I - admitir participação, ainda que indireta, através de 
empresas neles sediadas, em qualquer processo 
licitatório da Administração Pública direta ou indireta; 
II - manter intercâmbio cultural ou desportivo, através 
de delegações oficiais. 
Art. 288 - A rede estadual de ensino e os cursos de 
formação e aperfeiçoamento do servidor público civil e 
militar incluirão em seus programas disciplina que 
valorize a participação do negro na formação histórica 
da sociedade brasileira. 
Art. 289 - Sempre que for veiculada publicidade 
estadual com mais de duas pessoas, será assegurada a 
inclusão de uma da raça negra. 
Art. 290 - O dia 20 de novembro será considerado, no 
calendário oficial, como Dia da Consciência Negra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010. 
 
 
Institui o Estatuto da Igualdade Racial; 
altera as Leis nos 7.716, de 5 de janeiro de 
1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, 
de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de 
novembro de 2003 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei: 
 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial, 
destinado a garantir à população negra a efetivação da 
igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos 
étnicos individuais, coletivos e difusos e o combate à 
discriminação e às demais formas de intolerância étnica. 
Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto, considera-
se: 
I - discriminação racial ou étnico-racial: toda distinção, 
exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, 
descendência ou origem nacional ou étnica que tenha 
por objeto anular ou restringir o reconhecimento, gozo 
ou exercício, em igualdade de condições, de direitos 
humanos e liberdades fundamentais nos campos 
político, econômico, social, cultural ou em qualquer 
outro campo da vida pública ou privada; 
II - desigualdade racial: toda situação injustificada de 
diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e 
oportunidades, nas esferas pública e privada, em 
virtude de raça, cor, descendência ou origem nacional 
ou étnica; 
III - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente 
no âmbito da sociedade que acentua a distância social 
entre mulheres negras e os demais segmentos sociais; 
IV - população negra: o conjunto de pessoas que se 
autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor 
ou raça usado pela Fundação Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), ou que adotam 
autodefinição análoga; 
V - políticas públicas: as ações, iniciativas e programas 
adotados pelo Estado no cumprimento de suas 
atribuições institucionais; 
VI - ações afirmativas: os programas e medidas 
especiais adotados pelo Estado e pela iniciativa privada 
para a correção das desigualdades raciais e para a 
promoção da igualdade de oportunidades. 
Art. 2º É dever do Estado e da sociedade garantir a 
igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo 
cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou da 
cor da pele, o direito à participação na comunidade, 
especialmente nas atividades políticas, econômicas, 
empresariais, educacionais, culturais e esportivas, 
defendendo sua dignidade e seus valores religiosos e 
culturais. 
Art. 3º Além das normas constitucionais relativas aos 
princípios fundamentais, aos direitos e garantias 
fundamentais e aos direitos sociais, econômicos e 
culturais, o Estatuto da Igualdade Racial adota como 
diretriz político-jurídica a inclusão das vítimas de 
desigualdade étnico-racial, a valorização da igualdade 
étnica e o fortalecimento da identidade nacional 
brasileira. 
Art. 4º A participação da população negra, em condição 
de igualdade de oportunidade, na vida econômica, 
social, política e cultural do País será promovida, 
prioritariamente, por meio de: 
I - inclusão nas políticas públicas de desenvolvimento 
econômico e social; 
II - adoção de medidas, programas e políticas de ação 
afirmativa; 
III - modificação das estruturas institucionais do Estado 
para o adequado enfrentamento e a superação das 
desigualdadesétnicas decorrentes do preconceito e da 
discriminação étnica; 
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o 
combate à discriminação étnica e às desigualdades 
étnicas em todas as suas manifestações individuais, 
institucionais e estruturais; 
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais 
e institucionais que impedem a representação da 
diversidade étnica nas esferas pública e privada; 
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas 
oriundas da sociedade civil direcionadas à promoção da 
igualdade de oportunidades e ao combate às 
desigualdades étnicas, inclusive mediante a 
implementação de incentivos e critérios de 
condicionamento e prioridade no acesso aos recursos 
públicos; 
VII - implementação de programas de ação afirmativa 
destinados ao enfrentamento das desigualdades étnicas 
no tocante à educação, cultura, esporte e lazer, saúde, 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
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segurança, trabalho, moradia, meios de comunicação de 
massa, financiamentos públicos, acesso à terra, à 
Justiça, e outros. 
Parágrafo único. Os programas de ação afirmativa 
constituir-se-ão em políticas públicas destinadas a 
reparar as distorções e desigualdades sociais e demais 
práticas discriminatórias adotadas, nas esferas pública e 
privada, durante o processo de formação social do País. 
Art. 5º Para a consecução dos objetivos desta Lei, é 
instituído o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade 
Racial (Sinapir), conforme estabelecido no Título III. 
 
TÍTULO II 
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CAPÍTULO I 
DO DIREITO À SAÚDE 
Art. 6º O direito à saúde da população negra será 
garantido pelo poder público mediante políticas 
universais, sociais e econômicas destinadas à redução 
do risco de doenças e de outros agravos. 
§ 1º O acesso universal e igualitário ao Sistema Único de 
Saúde (SUS) para promoção, proteção e recuperação da 
saúde da população negra será de responsabilidade dos 
órgãos e instituições públicas federais, estaduais, 
distritais e municipais, da administração direta e 
indireta. 
§ 2º O poder público garantirá que o segmento da 
população negra vinculado aos seguros privados de 
saúde seja tratado sem discriminação. 
Art. 7º O conjunto de ações de saúde voltadas à 
população negra constitui a Política Nacional de Saúde 
Integral da População Negra, organizada de acordo com 
as diretrizes abaixo especificadas: 
I - ampliação e fortalecimento da participação de 
lideranças dos movimentos sociais em defesa da saúde 
da população negra nas instâncias de participação e 
controle social do SUS; 
II - produção de conhecimento científico e tecnológico 
em saúde da população negra; 
III - desenvolvimento de processos de informação, 
comunicação e educação para contribuir com a redução 
das vulnerabilidades da população negra. 
Art. 8º Constituem objetivos da Política Nacional de 
Saúde Integral da População Negra: 
I - a promoção da saúde integral da população negra, 
priorizando a redução das desigualdades étnicas e o 
combate à discriminação nas instituições e serviços do 
SUS; 
II - a melhoria da qualidade dos sistemas de informação 
do SUS no que tange à coleta, ao processamento e à 
análise dos dados desagregados por cor, etnia e gênero; 
III - o fomento à realização de estudos e pesquisas 
sobre racismo e saúde da população negra; 
IV - a inclusão do conteúdo da saúde da população 
negra nos processos de formação e educação 
permanente dos trabalhadores da saúde; 
V - a inclusão da temática saúde da população negra 
nos processos de formação política das lideranças de 
movimentos sociais para o exercício da participação e 
controle social no SUS. 
Parágrafo único. Os moradores das comunidades de 
remanescentes de quilombos serão beneficiários de 
incentivos específicos para a garantia do direito à 
saúde, incluindo melhorias nas condições ambientais, 
no saneamento básico, na segurança alimentar e 
nutricional e na atenção integral à saúde. 
 
CAPÍTULO II 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E 
AO LAZER 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 9º A população negra tem direito a participar de 
atividades educacionais, culturais, esportivas e de lazer 
adequadas a seus interesses e condições, de modo a 
contribuir para o patrimônio cultural de sua 
comunidade e da sociedade brasileira. 
Art. 10. Para o cumprimento do disposto no art. 9º, os 
governos federal, estaduais, distrital e municipais 
adotarão as seguintes providências: 
I - promoção de ações para viabilizar e ampliar o acesso 
da população negra ao ensino gratuito e às atividades 
esportivas e de lazer; 
II - apoio à iniciativa de entidades que mantenham 
espaço para promoção social e cultural da população 
negra; 
III - desenvolvimento de campanhas educativas, 
inclusive nas escolas, para que a solidariedade aos 
membros da população negra faça parte da cultura de 
toda a sociedade; 
IV - implementação de políticas públicas para o 
fortalecimento da juventude negra brasileira. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
10 
Seção II 
Da Educação 
Art. 11. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e 
de ensino médio, públicos e privados, é obrigatório o 
estudo da história geral da África e da história da 
população negra no Brasil, observado o disposto na Lei 
no9.394, de 20 de dezembro de 1996. 
§ 1º Os conteúdos referentes à história da população 
negra no Brasil serão ministrados no âmbito de todo o 
currículo escolar, resgatando sua contribuição decisiva 
para o desenvolvimento social, econômico, político e 
cultural do País. 
§ 2º O órgão competente do Poder Executivo fomentará 
a formação inicial e continuada de professores e a 
elaboração de material didático específico para o 
cumprimento do disposto no caput deste artigo. 
§ 3º Nas datas comemorativas de caráter cívico, os 
órgãos responsáveis pela educação incentivarão a 
participação de intelectuais e representantes do 
movimento negro para debater com os estudantes suas 
vivências relativas ao tema em comemoração. 
Art. 12. Os órgãos federais, distritais e estaduais de 
fomento à pesquisa e à pós-graduação poderão criar 
incentivos a pesquisas e a programas de estudo 
voltados para temas referentes às relações étnicas, aos 
quilombos e às questões pertinentes à população negra. 
Art. 13. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos 
competentes, incentivará as instituições de ensino 
superior públicas e privadas, sem prejuízo da legislação 
em vigor, a: 
I - resguardar os princípios da ética em pesquisa e 
apoiar grupos, núcleos e centros de pesquisa, nos 
diversos programas de pós-graduação que desenvolvam 
temáticas de interesse da população negra; 
II - incorporar nas matrizes curriculares dos cursos de 
formação de professores temas que incluam valores 
concernentes à pluralidade étnica e cultural da 
sociedade brasileira; 
III - desenvolver programas de extensão universitária 
destinados a aproximar jovens negros de tecnologias 
avançadas, assegurado o princípio da proporcionalidade 
de gênero entre os beneficiários; 
IV - estabelecer programas de cooperação técnica, nos 
estabelecimentos de ensino públicos, privados e 
comunitários, com as escolas de educação infantil, 
ensino fundamental, ensino médio e ensino técnico, 
para a formação docente baseada em princípios de 
equidade, de tolerância e de respeito às diferenças 
étnicas. 
Art. 14. O poder público estimulará e apoiará ações 
socioeducacionais realizadas por entidades do 
movimento negro que desenvolvam atividades voltadas 
para a inclusão social, mediante cooperação técnica, 
intercâmbios, convênios e incentivos, entre outros 
mecanismos. 
Art. 15. O poder público adotará programas de ação 
afirmativa. 
Art. 16. O Poder Executivo federal, por meio dos órgãos 
responsáveis pelas políticas de promoção da igualdade 
e de educação, acompanhará e avaliará os programas 
de que trata esta Seção. 
 
Seção III 
Da Cultura 
Art. 17. O poder público garantirá o reconhecimento 
das sociedadesnegras, clubes e outras formas de 
manifestação coletiva da população negra, com 
trajetória histórica comprovada, como patrimônio 
histórico e cultural, nos termos dos arts. 215 e 216 da 
Constituição Federal. 
Art. 18. É assegurado aos remanescentes das 
comunidades dos quilombos o direito à preservação de 
seus usos, costumes, tradições e manifestos religiosos, 
sob a proteção do Estado. 
Parágrafo único. A preservação dos documentos e dos 
sítios detentores de reminiscências históricas dos 
antigos quilombos, tombados nos termos do § 5º do 
art. 216 da Constituição Federal, receberá especial 
atenção do poder público. 
Art. 19. O poder público incentivará a celebração das 
personalidades e das datas comemorativas relacionadas 
à trajetória do samba e de outras manifestações 
culturais de matriz africana, bem como sua 
comemoração nas instituições de ensino públicas e 
privadas. 
Art. 20. O poder público garantirá o registro e a 
proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, 
como bem de natureza imaterial e de formação da 
identidade cultural brasileira, nos termos do art. 216 da 
Constituição Federal. 
 
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por 
meio dos atos normativos necessários, a preservação 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
11 
dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas 
suas relações internacionais. 
 
Seção IV 
Do Esporte e Lazer 
Art. 21. O poder público fomentará o pleno acesso da 
população negra às práticas desportivas, consolidando o 
esporte e o lazer como direitos sociais. 
Art. 22. A capoeira é reconhecida como desporto de 
criação nacional, nos termos do art. 217 da Constituição 
Federal. 
§ 1º A atividade de capoeirista será reconhecida em 
todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, 
seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o 
exercício em todo o território nacional. 
§ 2º É facultado o ensino da capoeira nas instituições 
públicas e privadas pelos capoeiristas e mestres 
tradicionais, pública e formalmente reconhecidos. 
 
CAPÍTULO III 
DO DIREITO À LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E DE 
CRENÇA E AO LIVRE EXERCÍCIO DOS CULTOS 
RELIGIOSOS 
Art. 23. É inviolável a liberdade de consciência e de 
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos 
locais de culto e a suas liturgias. 
Art. 24. O direito à liberdade de consciência e de crença 
e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz 
africana compreende: 
I - a prática de cultos, a celebração de reuniões 
relacionadas à religiosidade e a fundação e 
manutenção, por iniciativa privada, de lugares 
reservados para tais fins; 
II - a celebração de festividades e cerimônias de acordo 
com preceitos das respectivas religiões; 
III - a fundação e a manutenção, por iniciativa privada, 
de instituições beneficentes ligadas às respectivas 
convicções religiosas; 
IV - a produção, a comercialização, a aquisição e o uso 
de artigos e materiais religiosos adequados aos 
costumes e às práticas fundadas na respectiva 
religiosidade, ressalvadas as condutas vedadas por 
legislação específica; 
V - a produção e a divulgação de publicações 
relacionadas ao exercício e à difusão das religiões de 
matriz africana; 
VI - a coleta de contribuições financeiras de pessoas 
naturais e jurídicas de natureza privada para a 
manutenção das atividades religiosas e sociais das 
respectivas religiões; 
VII - o acesso aos órgãos e aos meios de comunicação 
para divulgação das respectivas religiões; 
VIII - a comunicação ao Ministério Público para abertura 
de ação penal em face de atitudes e práticas de 
intolerância religiosa nos meios de comunicação e em 
quaisquer outros locais. 
Art. 25. É assegurada a assistência religiosa aos 
praticantes de religiões de matrizes africanas 
internados em hospitais ou em outras instituições de 
internação coletiva, inclusive àqueles submetidos a 
pena privativa de liberdade. 
Art. 26. O poder público adotará as medidas necessárias 
para o combate à intolerância com as religiões de 
matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores, 
especialmente com o objetivo de: 
I - coibir a utilização dos meios de comunicação social 
para a difusão de proposições, imagens ou abordagens 
que exponham pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo 
por motivos fundados na religiosidade de matrizes 
africanas; 
II - inventariar, restaurar e proteger os documentos, 
obras e outros bens de valor artístico e cultural, os 
monumentos, mananciais, flora e sítios arqueológicos 
vinculados às religiões de matrizes africanas; 
III - assegurar a participação proporcional de 
representantes das religiões de matrizes africanas, ao 
lado da representação das demais religiões, em 
comissões, conselhos, órgãos e outras instâncias de 
deliberação vinculadas ao poder público. 
 
CAPÍTULO IV 
DO ACESSO À TERRA E À MORADIA ADEQUADA 
Seção I 
Do Acesso à Terra 
Art. 27. O poder público elaborará e implementará 
políticas públicas capazes de promover o acesso da 
população negra à terra e às atividades produtivas no 
campo. 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
12 
Art. 28. Para incentivar o desenvolvimento das 
atividades produtivas da população negra no campo, o 
poder público promoverá ações para viabilizar e ampliar 
o seu acesso ao financiamento agrícola. 
Art. 29. Serão assegurados à população negra a 
assistência técnica rural, a simplificação do acesso ao 
crédito agrícola e o fortalecimento da infraestrutura de 
logística para a comercialização da produção. 
Art. 30. O poder público promoverá a educação e a 
orientação profissional agrícola para os trabalhadores 
negros e as comunidades negras rurais. 
Art. 31. Aos remanescentes das comunidades dos 
quilombos que estejam ocupando suas terras é 
reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado 
emitir-lhes os títulos respectivos. 
Art. 32. O Poder Executivo federal elaborará e 
desenvolverá políticas públicas especiais voltadas para o 
desenvolvimento sustentável dos remanescentes das 
comunidades dos quilombos, respeitando as tradições 
de proteção ambiental das comunidades. 
Art. 33. Para fins de política agrícola, os remanescentes 
das comunidades dos quilombos receberão dos órgãos 
competentes tratamento especial diferenciado, 
assistência técnica e linhas especiais de financiamento 
público, destinados à realização de suas atividades 
produtivas e de infraestrutura. 
Art. 34. Os remanescentes das comunidades dos 
quilombos se beneficiarão de todas as iniciativas 
previstas nesta e em outras leis para a promoção da 
igualdade étnica. 
 
Seção II 
Da Moradia 
Art. 35. O poder público garantirá a implementação de 
políticas públicas para assegurar o direito à moradia 
adequada da população negra que vive em favelas, 
cortiços, áreas urbanas subutilizadas, degradadas ou em 
processo de degradação, a fim de reintegrá-las à 
dinâmica urbana e promover melhorias no ambiente e 
na qualidade de vida. 
Parágrafo único. O direito à moradia adequada, para os 
efeitos desta Lei, inclui não apenas o provimento 
habitacional, mas também a garantia da infraestrutura 
urbana e dos equipamentos comunitários associados à 
função habitacional, bem como a assistência técnica e 
jurídica para a construção, a reforma ou a regularização 
fundiária da habitação em área urbana. 
Art. 36. Os programas, projetos e outras ações 
governamentais realizadas no âmbito do Sistema 
Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), 
regulado pela Lei no 11.124, de 16 de junho de 2005, 
devem considerar as peculiaridades sociais, econômicas 
e culturais da população negra. 
Parágrafo único. Os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios estimularão e facilitarão a participação de 
organizações e movimentos representativos da 
população negra na composição dos conselhos 
constituídos para fins de aplicação do Fundo Nacional 
de Habitação de Interesse Social (FNHIS). 
Art. 37. Os agentes financeiros,públicos ou privados, 
promoverão ações para viabilizar o acesso da população 
negra aos financiamentos habitacionais. 
 
CAPÍTULO V 
DO TRABALHO 
Art. 38. A implementação de políticas voltadas para a 
inclusão da população negra no mercado de trabalho 
será de responsabilidade do poder público, observando-
se: 
I - o instituído neste Estatuto; 
II - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a 
Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas 
as Formas de Discriminação Racial, de 1965; 
III - os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a 
Convenção no 111, de 1958, da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), que trata da 
discriminação no emprego e na profissão; 
IV - os demais compromissos formalmente assumidos 
pelo Brasil perante a comunidade internacional. 
Art. 39. O poder público promoverá ações que 
assegurem a igualdade de oportunidades no mercado 
de trabalho para a população negra, inclusive mediante 
a implementação de medidas visando à promoção da 
igualdade nas contratações do setor público e o 
incentivo à adoção de medidas similares nas empresas 
e organizações privadas. 
§ 1º A igualdade de oportunidades será lograda 
mediante a adoção de políticas e programas de 
formação profissional, de emprego e de geração de 
renda voltados para a população negra. 
§ 2º As ações visando a promover a igualdade de 
oportunidades na esfera da administração pública far-
se-ão por meio de normas estabelecidas ou a serem 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
13 
estabelecidas em legislação específica e em seus 
regulamentos. 
§ 3º O poder público estimulará, por meio de 
incentivos, a adoção de iguais medidas pelo setor 
privado. 
§ 4º As ações de que trata o caput deste artigo 
assegurarão o princípio da proporcionalidade de gênero 
entre os beneficiários. 
§ 5º Será assegurado o acesso ao crédito para a 
pequena produção, nos meios rural e urbano, com 
ações afirmativas para mulheres negras. 
§ 6º O poder público promoverá campanhas de 
sensibilização contra a marginalização da mulher negra 
no trabalho artístico e cultural. 
§ 7º O poder público promoverá ações com o objetivo 
de elevar a escolaridade e a qualificação profissional 
nos setores da economia que contem com alto índice de 
ocupação por trabalhadores negros de baixa 
escolarização. 
Art. 40. O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo 
ao Trabalhador (Codefat) formulará políticas, programas 
e projetos voltados para a inclusão da população negra 
no mercado de trabalho e orientará a destinação de 
recursos para seu financiamento. 
Art. 41. As ações de emprego e renda, promovidas por 
meio de financiamento para constituição e ampliação 
de pequenas e médias empresas e de programas de 
geração de renda, contemplarão o estímulo à promoção 
de empresários negros. 
Parágrafo único. O poder público estimulará as 
atividades voltadas ao turismo étnico com enfoque nos 
locais, monumentos e cidades que retratem a cultura, 
os usos e os costumes da população negra. 
Art. 42. O Poder Executivo federal poderá implementar 
critérios para provimento de cargos em comissão e 
funções de confiança destinados a ampliar a 
participação de negros, buscando reproduzir a estrutura 
da distribuição étnica nacional ou, quando for o caso, 
estadual, observados os dados demográficos oficiais. 
 
CAPÍTULO VI 
DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
Art. 43. A produção veiculada pelos órgãos de 
comunicação valorizará a herança cultural e a 
participação da população negra na história do País. 
Art. 44. Na produção de filmes e programas destinados 
à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas 
cinematográficas, deverá ser adotada a prática de 
conferir oportunidades de emprego para atores, 
figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e 
qualquer discriminação de natureza política, ideológica, 
étnica ou artística. 
Parágrafo único. A exigência disposta no caput não se 
aplica aos filmes e programas que abordem 
especificidades de grupos étnicos determinados. 
Art. 45. Aplica-se à produção de peças publicitárias 
destinadas à veiculação pelas emissoras de televisão e 
em salas cinematográficas o disposto no art. 44. 
Art. 46. Os órgãos e entidades da administração pública 
federal direta, autárquica ou fundacional, as empresas 
públicas e as sociedades de economia mista federais 
deverão incluir cláusulas de participação de artistas 
negros nos contratos de realização de filmes, 
programas ou quaisquer outras peças de caráter 
publicitário. 
§ 1º Os órgãos e entidades de que trata este artigo 
incluirão, nas especificações para contratação de 
serviços de consultoria, conceituação, produção e 
realização de filmes, programas ou peças publicitárias, a 
obrigatoriedade da prática de iguais oportunidades de 
emprego para as pessoas relacionadas com o projeto ou 
serviço contratado. 
§ 2º Entende-se por prática de iguais oportunidades de 
emprego o conjunto de medidas sistemáticas 
executadas com a finalidade de garantir a diversidade 
étnica, de sexo e de idade na equipe vinculada ao 
projeto ou serviço contratado. 
§ 3º A autoridade contratante poderá, se considerar 
necessário para garantir a prática de iguais 
oportunidades de emprego, requerer auditoria por 
órgão do poder público federal. 
§ 4º A exigência disposta no caput não se aplica às 
produções publicitárias quando abordarem 
especificidades de grupos étnicos determinados. 
 
TÍTULO III 
DO SISTEMA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA 
IGUALDADE RACIAL 
(SINAPIR) 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÃO PRELIMINAR 
Art. 47. É instituído o Sistema Nacional de Promoção da 
Igualdade Racial (Sinapir) como forma de organização e 
de articulação voltadas à implementação do conjunto 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
14 
de políticas e serviços destinados a superar as 
desigualdades étnicas existentes no País, prestados pelo 
poder público federal. 
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
poderão participar do Sinapir mediante adesão. 
§ 2º O poder público federal incentivará a sociedade e a 
iniciativa privada a participar do Sinapir. 
 
CAPÍTULO II 
DOS OBJETIVOS 
Art. 48. São objetivos do Sinapir: 
I - promover a igualdade étnica e o combate às 
desigualdades sociais resultantes do racismo, inclusive 
mediante adoção de ações afirmativas; 
II - formular políticas destinadas a combater os fatores 
de marginalização e a promover a integração social da 
população negra; 
III - descentralizar a implementação de ações 
afirmativas pelos governos estaduais, distrital e 
municipais; 
IV - articular planos, ações e mecanismos voltados à 
promoção da igualdade étnica; 
V - garantir a eficácia dos meios e dos instrumentos 
criados para a implementação das ações afirmativas e o 
cumprimento das metas a serem estabelecidas. 
 
CAPÍTULO III 
DA ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA 
Art. 49. O Poder Executivo federal elaborará plano 
nacional de promoção da igualdade racial contendo as 
metas, princípios e diretrizes para a implementação da 
Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial 
(PNPIR). 
§ 1º A elaboração, implementação, coordenação, 
avaliação e acompanhamento da PNPIR, bem como a 
organização, articulação e coordenação do Sinapir, 
serão efetivados pelo órgão responsável pela política de 
promoção da igualdade étnica em âmbito nacional. 
§ 2º É o Poder Executivo federal autorizado a instituir 
fórum intergovernamental de promoção da igualdade 
étnica, a ser coordenado pelo órgão responsável pelas 
políticas de promoção da igualdade étnica, com o 
objetivo de implementar estratégias que visem à 
incorporação da política nacional de promoção da 
igualdade étnica nas ações governamentais de Estados 
e Municípios. 
§ 3º As diretrizes das políticas nacional e regional de 
promoção da igualdade étnica serão elaboradas por 
órgão colegiado que assegure a participação da 
sociedade civil. 
Art. 50. Os Poderes Executivos estaduais, distrital e 
municipais, no âmbito das respectivas esferas de 
competência,poderão instituir conselhos de promoção 
da igualdade étnica, de caráter permanente e 
consultivo, compostos por igual número de 
representantes de órgãos e entidades públicas e de 
organizações da sociedade civil representativas da 
população negra. 
Parágrafo único. O Poder Executivo priorizará o repasse 
dos recursos referentes aos programas e atividades 
previstos nesta Lei aos Estados, Distrito Federal e 
Municípios que tenham criado conselhos de promoção 
da igualdade étnica. 
 
CAPÍTULO IV 
DAS OUVIDORIAS PERMANENTES E DO ACESSO À 
JUSTIÇA E À SEGURANÇA 
Art. 51. O poder público federal instituirá, na forma da 
lei e no âmbito dos Poderes Legislativo e Executivo, 
Ouvidorias Permanentes em Defesa da Igualdade Racial, 
para receber e encaminhar denúncias de preconceito e 
discriminação com base em etnia ou cor e acompanhar 
a implementação de medidas para a promoção da 
igualdade. 
Art. 52. É assegurado às vítimas de discriminação étnica 
o acesso aos órgãos de Ouvidoria Permanente, à 
Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder 
Judiciário, em todas as suas instâncias, para a garantia 
do cumprimento de seus direitos. 
Parágrafo único. O Estado assegurará atenção às 
mulheres negras em situação de violência, garantida a 
assistência física, psíquica, social e jurídica. 
Art. 53. O Estado adotará medidas especiais para coibir 
a violência policial incidente sobre a população negra. 
Parágrafo único. O Estado implementará ações de 
ressocialização e proteção da juventude negra em 
conflito com a lei e exposta a experiências de exclusão 
social. 
Art. 54. O Estado adotará medidas para coibir atos de 
discriminação e preconceito praticados por servidores 
públicos em detrimento da população negra, 
observado, no que couber, o disposto na Lei no 7.716, 
de 5 de janeiro de 1989. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
15 
Art. 55. Para a apreciação judicial das lesões e das 
ameaças de lesão aos interesses da população negra 
decorrentes de situações de desigualdade étnica, 
recorrer-se-á, entre outros instrumentos, à ação civil 
pública, disciplinada na Lei no 7.347, de 24 de julho de 
1985. 
 
CAPÍTULO V 
DO FINANCIAMENTO DAS INICIATIVAS DE PROMOÇÃO 
DA IGUALDADE RACIAL 
Art. 56. Na implementação dos programas e das ações 
constantes dos planos plurianuais e dos orçamentos 
anuais da União, deverão ser observadas as políticas de 
ação afirmativa a que se refere o inciso VII do art. 
4ºdesta Lei e outras políticas públicas que tenham como 
objetivo promover a igualdade de oportunidades e a 
inclusão social da população negra, especialmente no 
que tange a: 
I - promoção da igualdade de oportunidades em 
educação, emprego e moradia; 
II - financiamento de pesquisas, nas áreas de educação, 
saúde e emprego, voltadas para a melhoria da 
qualidade de vida da população negra; 
III - incentivo à criação de programas e veículos de 
comunicação destinados à divulgação de matérias 
relacionadas aos interesses da população negra; 
IV - incentivo à criação e à manutenção de 
microempresas administradas por pessoas 
autodeclaradas negras; 
V - iniciativas que incrementem o acesso e a 
permanência das pessoas negras na educação 
fundamental, média, técnica e superior; 
VI - apoio a programas e projetos dos governos 
estaduais, distrital e municipais e de entidades da 
sociedade civil voltados para a promoção da igualdade 
de oportunidades para a população negra; 
VII - apoio a iniciativas em defesa da cultura, da 
memória e das tradições africanas e brasileiras. 
§ 1º O Poder Executivo federal é autorizado a adotar 
medidas que garantam, em cada exercício, a 
transparência na alocação e na execução dos recursos 
necessários ao financiamento das ações previstas neste 
Estatuto, explicitando, entre outros, a proporção dos 
recursos orçamentários destinados aos programas de 
promoção da igualdade, especialmente nas áreas de 
educação, saúde, emprego e renda, desenvolvimento 
agrário, habitação popular, desenvolvimento regional, 
cultura, esporte e lazer. 
§ 2º Durante os 5 (cinco) primeiros anos, a contar do 
exercício subsequente à publicação deste Estatuto, os 
órgãos do Poder Executivo federal que desenvolvem 
políticas e programas nas áreas referidas no § 1º deste 
artigo discriminarão em seus orçamentos anuais a 
participação nos programas de ação afirmativa 
referidos no inciso VII do art. 4º desta Lei. 
§ 3º O Poder Executivo é autorizado a adotar as 
medidas necessárias para a adequada implementação 
do disposto neste artigo, podendo estabelecer 
patamares de participação crescente dos programas de 
ação afirmativa nos orçamentos anuais a que se refere 
o § 2º deste artigo. 
§ 4º O órgão colegiado do Poder Executivo federal 
responsável pela promoção da igualdade racial 
acompanhará e avaliará a programação das ações 
referidas neste artigo nas propostas orçamentárias da 
União. 
Art. 57. Sem prejuízo da destinação de recursos 
ordinários, poderão ser consignados nos orçamentos 
fiscal e da seguridade social para financiamento das 
ações de que trata o art. 56: 
I - transferências voluntárias dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios; 
II - doações voluntárias de particulares; 
III - doações de empresas privadas e organizações não 
governamentais, nacionais ou internacionais; 
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou 
internacionais; 
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de 
convênios, tratados e acordos internacionais. 
 
TÍTULO IV 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
Art. 58. As medidas instituídas nesta Lei não excluem 
outras em prol da população negra que tenham sido ou 
venham a ser adotadas no âmbito da União, dos 
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 
Art. 59. O Poder Executivo federal criará instrumentos 
para aferir a eficácia social das medidas previstas nesta 
Lei e efetuará seu monitoramento constante, com a 
emissão e a divulgação de relatórios periódicos, 
inclusive pela rede mundial de computadores. 
Art. 60. Os arts. 3º e 4º da Lei nº 7.716, de 1989, 
passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 3º ........................................................................ 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
16 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por 
motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional, obstar a promoção funcional.” 
(NR) 
“Art. 4º ........................................................................ 
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de 
discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes 
do preconceito de descendência ou origem nacional ou 
étnica: 
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao 
empregado em igualdade de condições com os demais 
trabalhadores; 
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou 
obstar outra forma de benefício profissional; 
III - proporcionar ao empregado tratamento 
diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente 
quanto ao salário. 
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de 
serviços à comunidade, incluindo atividades de 
promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou 
qualquer outra forma de recrutamento de 
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de 
raça ou etnia para emprego cujas atividades não 
justifiquem essas exigências.” (NR) 
Art. 61. Os arts. 3º e 4º da Lei nº 9.029, de 13 de abril de 
1995, passam a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 3º Sem prejuízo do prescrito no art. 2º e nos 
dispositivos legais que tipificam os crimes resultantes de 
preconceito de etnia, raça ou cor, as infrações do 
disposto nesta Lei são passíveis das seguintes 
cominações: 
...................................................................................” 
(NR) 
“Art. 4º O rompimento da relação de trabalho por ato 
discriminatório, nos moldes desta Lei, além do direito à 
reparação pelo dano moral, faculta ao empregado optar 
entre: 
...................................................................................”(NR) 
Art. 62. O art. 13 da Lei no 7.347, de 1985, passa a 
vigorar acrescido do seguinte § 2º, renumerando-se o 
atual parágrafo único como § 1º: 
“Art. 13. ........................................................................ 
§ 1º ............................................................................... 
§ 2º Havendo acordo ou condenação com fundamento 
em dano causado por ato de discriminação étnica nos 
termos do disposto no art. 1º desta Lei, a prestação em 
dinheiro reverterá diretamente ao fundo de que trata o 
caput e será utilizada para ações de promoção da 
igualdade étnica, conforme definição do Conselho 
Nacional de Promoção da Igualdade Racial, na hipótese 
de extensão nacional, ou dos Conselhos de Promoção 
de Igualdade Racial estaduais ou locais, nas hipóteses 
de danos com extensão regional ou local, 
respectivamente.” (NR) 
Art. 63. O § 1º do art. 1º da Lei nº 10.778, de 24 de 
novembro de 2003, passa a vigorar com a seguinte 
redação: 
“Art. 1º ....................................................................... 
§ 1º Para os efeitos desta Lei, entende-se por violência 
contra a mulher qualquer ação ou conduta, baseada no 
gênero, inclusive decorrente de discriminação ou 
desigualdade étnica, que cause morte, dano ou 
sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto 
no âmbito público quanto no privado. 
.................................................................................” 
(NR) 
Art. 64. O § 3º do art. 20 da Lei nº 7.716, de 1989, passa 
a vigorar acrescido do seguinte inciso III: 
“Art. 20. ...................................................................... 
§ 3º ............................................................................... 
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas 
de informação na rede mundial de computadores. 
...........................................................................” (NR) 
Art. 65. Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias após a 
data de sua publicação. 
Brasília, 20 de julho de 2010; 189º da Independência e 
122º da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Eloi Ferreira de Araújo 
Este texto não substitui o publicado no DOU de 
21.7.2010 
 
 
 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
17 
LEI Nº 13.182, DE 06 DE JUNHO DE 2014 
 
 
O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que 
a Assembleia Legislativa decreta e eu sanciono a 
seguinte Lei: 
 
TÍTULO I - DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
CAPÍTULO I 
DA FINALIDADE, DEFINIÇÕES E DIRETRIZES 
Art. 1º - Esta Lei institui o Estatuto da Igualdade Racial e 
de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia, 
destinado a garantir à população negra a efetivação da 
igualdade de oportunidades, defesa de direitos 
individuais, coletivos e difusos e o combate à 
discriminação e demais formas de intolerância racial e 
religiosa. 
Art. 2º - Para os fins deste Estatuto adotam-se as 
seguintes definições: 
I - população negra: conjunto de pessoas que se 
autodeclaram pretas e pardas, conforme o quesito cor 
ou raça utilizado pela Fundação Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística - IBGE, ou que adotam 
autodefinição análoga; 
II - políticas públicas: ações, iniciativas e programas 
adotados pelo Estado no cumprimento de suas 
atribuições institucionais; 
III - ações afirmativas: programas e medidas especiais 
adotados pelo Estado e pela iniciativa privada para a 
correção das desigualdades raciais e para a promoção 
da igualdade de oportunidades; 
IV - racismo: ideologia baseada em teorias e crenças 
que estabelecem hierarquias entre raças e etnias e que 
historicamente tem resultado em desvantagens sociais, 
econômicas, políticas, religiosas e culturais para pessoas 
e grupos étnicos raciais específicos por meio da 
discriminação, do preconceito e da intolerância; 
V - racismo institucional: ações ou omissões sistêmicas 
caracterizadas por normas, práticas, critérios e padrões 
formais e não formais de diagnóstico e atendimento, de 
natureza organizacional e institucional, pública e 
privada, resultantes de preconceitos ou estereótipos, 
que resulta em discriminação e ausência de efetividade 
em prover e ofertar atividades e serviços qualificados às 
pessoas em função da sua raça, cor, ascendência, 
cultura, religião, origem racial ou étnica; 
VI - discriminação racial ou discriminação étnico-racial: 
toda distinção, exclusão, restrição ou preferência 
baseada em raça, cor, ascendência, origem nacional ou 
étnica, incluindo-se as condutas que, com base nestes 
critérios, tenham por objeto anular ou restringir o 
reconhecimento, exercício ou fruição, em igualdade de 
condições, de garantias e direitos nos campos político, 
social, econômico, cultural, ambiental, ou em qualquer 
outro campo da vida pública ou privada; 
VII - intolerância religiosa: toda distinção, exclusão, 
restrição ou preferência, incluindo-se qualquer 
manifestação individual, coletiva ou institucional, de 
conteúdo depreciativo, baseada em religião, concepção 
religiosa, credo, profissão de fé, culto, práticas ou 
peculiaridades rituais ou litúrgicas, e que provoque 
danos morais, materiais ou imateriais, atente contra os 
símbolos e valores das religiões afro-brasileiras ou seja 
capaz de fomentar ódio religioso ou menosprezo às 
religiões e seus adeptos; 
VIII - desigualdade racial: toda situação de diferenciação 
negativa no acesso e fruição de bens, serviços e 
oportunidades, nas esferas pública e privada, em 
virtude de raça, cor, ascendência, origem nacional ou 
étnica; 
IX - desigualdade de gênero e raça: assimetria existente 
no âmbito da sociedade que acentua a distância social 
entre mulheres negras e os demais segmentos sociais. 
Art. 3º - Caberá ao Estado divulgar, em meio e 
linguagem acessíveis, os dados oficiais e públicos 
concernentes à mensuração da desigualdade racial e de 
gênero, considerando os estudos produzidos pelos 
órgãos e instituições públicas, instituições oficiais de 
pesquisa, universidades públicas, instituições de ensino 
superior privadas e organizações da sociedade civil que 
tenham por finalidade estatutária a produção de 
estudos e pesquisas sobre o tema. 
Art. 4º - É dever do Estado e da sociedade garantir a 
igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo 
cidadão brasileiro, independentemente da etnia ou cor 
da pele, o direito à participação na comunidade, 
especialmente nas atividades políticas, econômicas, 
empresariais, educacionais, culturais e esportivas, 
defendendo sua dignidade e valores religiosos e 
culturais. 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
18 
Art. 5º - O presente Estatuto adota como diretrizes 
político-jurídicas para projetos de desenvolvimento, 
políticas públicas e medidas de ação afirmativa, a 
inclusão do segmento da população atingido pela 
desigualdade racial e a promoção da igualdade racial, 
observando-se as seguintes dimensões: 
I - reparatória e compensatória para os descendentes 
das vítimas da escravidão, do racismo e das demais 
práticas institucionais e sociais históricas que 
contribuíram para as profundas desigualdades raciais e 
as persistentes práticas de discriminação racial na 
sociedade baiana, inclusive em face dos povos de 
terreiros de religiões afro-brasileiras; 
II - inclusiva, nas esferas pública e privada, assegurando 
a representação equilibrada dos diversos segmentos 
étnico-raciais componentes da sociedade baiana, 
solidificando a democracia e a participação de todos; 
III - otimizadora das relações socioculturais, econômicas 
e institucionais, pelos benefícios da diferença e da 
diversidade racial para a coletividade, enquanto fatores 
de criatividade e inovação dinamizadores do processo 
civilizatório e o desenvolvimento do Estado. 
Art. 6º - A participação da população negra, em 
condições de igualdade de oportunidades, na vida 
econômica, social, política e cultural do Estado, será 
promovida, prioritariamente, por meio de: 
I - inclusão igualitária nas políticaspúblicas, programas 
de desenvolvimento econômico e social e de ação 
afirmativa, combatendo especificamente as 
desigualdades raciais e de gênero que atingem as 
mulheres negras e a juventude negra; 
II - adoção de políticas, programas e medidas de ação 
afirmativa; 
III - adequação das estruturas institucionais do Poder 
Público para o eficiente enfrentamento e superação das 
desigualdades raciais decorrentes do racismo e da 
discriminação racial; 
IV - promoção de ajustes normativos para aperfeiçoar o 
combate à discriminação racial e às desigualdades 
raciais em todas as suas manifestações estruturais, 
institucionais e individuais; 
V - eliminação dos obstáculos históricos, socioculturais e 
institucionais que impedem a representação da 
diversidade racial nas esferas pública e privada; 
VI - estímulo, apoio e fortalecimento de iniciativas 
oriundas da sociedade civil destinadas à promoção da 
igualdade de oportunidades e ao combate às 
desigualdades raciais, inclusive mediante a 
implementação de incentivos e critérios de 
condicionamento e prioridade no acesso aos recursos 
públicos; 
VII - implementação de medidas e programas de ação 
afirmativa destinados ao enfrentamento das 
desigualdades raciais no tocante à educação, cultura, 
esporte, lazer, saúde, segurança, trabalho, moradia, 
meios de comunicação de massa, financiamentos 
públicos, acesso à terra, acesso à justiça e outros 
aspectos da vida pública. 
Parágrafo único - Os programas de ação afirmativa 
constituem-se em políticas públicas destinadas a 
reparar as desigualdades sociais, étnico-raciais e demais 
consequências de práticas discriminatórias 
historicamente adotadas, nas esferas pública e privada, 
durante o processo de formação social do país e do 
Estado. 
 
CAPÍTULO II 
DO SISTEMA ESTADUAL DE PROMOÇÃO DA 
IGUALDADE RACIAL - SISEPIR 
Art. 7º - Fica instituído o Sistema Estadual de Promoção 
da Igualdade Racial - SISEPIR, com a finalidade de 
efetivar o conjunto de ações, políticas e serviços de 
enfrentamento ao racismo, promoção da igualdade 
racial e combate à intolerância religiosa. 
§ 1º - Os Municípios poderão integrar o SISEPIR, 
mediante participação no Fórum de Gestores de 
Promoção da Igualdade Racial ou através de declaração 
de anuência, na forma estabelecida em regulamento. 
§ 2 º - O SISEPIR manterá articulação com o Sistema 
Nacional de Promoção da Igualdade Racial - SINAPIR, 
instituído pela Lei Federal nº 12.288, de 20 de julho de 
2010 e regulamentado pelo Decreto Federal nº 8.136, 
de 05 de novembro de 2013. 
§ 3 º - O Estado instituirá linhas de apoio, benefícios e 
incentivos para estimular a participação da sociedade 
civil e da iniciativa privada no SISEPIR. 
Art. 8 º - Integram o SISEPIR: 
I - a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial - 
SEPROMI, criada pela Lei nº 10.549, de 28 de dezembro 
de 2006, alterada pela Lei nº 12.212, de 04 de maio de 
2011, que o coordenará; 
II - o Conselho para o Desenvolvimento da Comunidade 
Negra - CDCN, órgão colegiado de participação e 
controle social, instituído pela Lei nº 4.697, de 15 de 
julho de 1987, alterado pelas Leis nº 10.549, de 20 de 
dezembro de 2006 e nº 12.212, de 4 de maio de 2011; 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
19 
III - a Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos 
Povos e Comunidades Tradicionais - CESPCT, órgão 
colegiado de participação e controle social instituído 
pelo Decreto nº 13.247, de 30 de agosto de 2011; 
IV - a Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância 
Religiosa, instrumento de articulação entre o Poder 
Público, as instituições do Sistema de Justiça e a 
sociedade civil para a implementação da política de 
promoção da igualdade racial no aspecto do 
enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa; 
V - o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à 
Intolerância Religiosa, unidade administrativa de apoio 
à implementação da Política de Promoção da Igualdade 
Racial, instituído pelo Decreto nº 14.297, de 31 de 
janeiro de 2013; 
VI - os Municípios a que se refere o § 1º do art. 7º desta 
Lei. 
Art. 9º - O funcionamento do SISEPIR será disciplinado 
no Regulamento deste Estatuto. 
Art. 10 - Fica instituída a Ouvidoria de Promoção da 
Igualdade Racial, vinculada à estrutura da Ouvidoria 
Geral do Estado, criada pelo Decreto nº 13.976, de 09 
de maio de 2012, com a finalidade de registro de 
ocorrências de racismo, discriminação racial, 
intolerância religiosa, conflitos fundiários envolvendo 
povos de terreiros e comunidades quilombolas e 
violação aos direitos de que trata este Estatuto. 
 
CAPÍTULO III 
DO SISTEMA DE FINANCIAMENTO DAS POLÍTICAS DE 
PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL 
Art. 11 - Fica instituído o Sistema de Financiamento das 
Políticas de Promoção da Igualdade Racial, com a 
finalidade de garantir prioridade no planejamento, 
alocação específica de recursos, aperfeiçoamento dos 
meios de execução e controle social das políticas de 
promoção da igualdade racial no âmbito do Estado. 
Art. 12 - Na implementação dos programas e das ações 
constantes dos planos plurianuais e dos orçamentos 
anuais do Estado, deverão ser observadas as políticas de 
ação afirmativa a que se refere este Estatuto e outras 
políticas públicas que tenham como objetivo promover 
a igualdade de oportunidades e a inclusão social da 
população negra. 
§ 1º - O Estado é autorizado a adotar medidas que 
garantam, em cada exercício, a transparência na 
alocação e na execução dos recursos necessários ao 
financiamento das ações previstas neste Estatuto, 
explicitando, entre outros, a proporção dos recursos 
orçamentários destinados aos programas de promoção 
da igualdade, especialmente nas áreas de educação, 
saúde, segurança pública, emprego e renda, 
desenvolvimento agrário, habitação popular, 
desenvolvimento regional, cultura, esporte e lazer. 
§ 2º - O Estado é autorizado a adotar as medidas 
necessárias para a adequada implementação do 
disposto neste artigo, podendo estabelecer patamares 
de participação crescente dos programas de ação 
afirmativa nos orçamentos anuais a que se refere o 
caput deste artigo. 
Art. 13 - Sem prejuízo da destinação de recursos 
ordinários, poderão ser consignados nos orçamentos 
para o financiamento de que trata o art. 12 desta Lei: 
I - transferências voluntárias da União; 
II - doações voluntárias de particulares; 
III - doações de empresas privadas e organizações não-
governamentais, nacionais ou internacionais; 
IV - doações voluntárias de fundos nacionais ou 
internacionais; 
V - doações de Estados estrangeiros, por meio de 
convênios, tratados e acordos internacionais. 
Art. 14 - Caberá ao Estado realizar o acompanhamento, 
monitoramento e avaliação da execução intersetorial 
das políticas e programas setoriais e de promoção da 
igualdade racial, incluídas as ações específicas voltadas 
para os segmentos atingidos pela discriminação racial, 
promovendo a integração dos dados aos sistemas de 
monitoramento das ações do Governo do Estado e 
contribuindo para a qualificação da execução das ações 
no âmbito do SISEPIR, divulgando relatório anual sobre 
os resultados alcançados. 
 
TÍTULO II - DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
CAPÍTULO I 
DO DIREITO À VIDA E À SAÚDE 
Art. 15 - O direito à saúde da população negra será 
garantido pelo Poder Público mediante políticas sociais 
e econômicas destinadas à redução do risco de doenças 
e outros agravos, com foco nas necessidades específicas 
deste segmento da população. 
§ 1º - Para o cumprimento do disposto no caput cabe 
ao Poder Público promover o acesso universal, integral 
e igualitário às ações e serviços de saúde integrados ao 
Sistema Único de Saúde - SUS, em todos os níveis de 
atenção, por meio de medidas de promoção, proteção e 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
20 
recuperação da saúde visando à redução de 
vulnerabilidades específicas da população negra. 
§ 2º - O Poder Público poderá promover apoio técnico e 
financeiro aos municípios tendo em vistaa 
implementação do disposto neste Capítulo na esfera 
local, contemplando, inclusive, a atenção integral à 
saúde dos moradores de comunidades remanescentes 
de quilombo. 
Art. 16 - O conjunto de princípios, objetivos, 
instrumentos e ações voltadas à promoção da saúde da 
população negra, constitui a Política Estadual de 
Atenção Integral à Saúde da População Negra, 
executada conforme as diretrizes abaixo especificadas: 
I - ampliação e fortalecimento da participação dos 
movimentos sociais em defesa da saúde da população 
negra nas instâncias de participação e controle social 
das políticas de saúde em âmbito estadual, 
notadamente o Comitê Técnico Estadual de Saúde da 
População Negra ou instância equivalente; 
II - produção de conhecimento científico e tecnológico 
sobre o enfrentamento ao racismo na área de saúde e a 
promoção da saúde da população negra; 
III - desenvolvimento de processos de informação, 
comunicação e educação para contribuir com a redução 
das vulnerabilidades por meio da prevenção, para a 
melhoria da qualidade de vida da população negra e 
para a sensibilização quanto à adequada utilização do 
quesito "raça/cor"; 
IV - desenvolvimento de ações e estratégias de 
identificação, abordagem, combate e desconstrução do 
racismo institucional nos serviços e unidades de saúde, 
incluindo-se os de atendimento de urgência e 
emergência, assim como no contexto da educação 
permanente de trabalhadores da saúde; 
V - ações concretas para a redução de indicadores de 
morbi-mortalidade causada por doenças e agravos 
prevalentes na população negra; 
VI - formulação e/ou revisão das redes integradas de 
serviços de saúde do SUS, em âmbito estadual, com a 
finalidade de inclusão das especificidades relacionadas à 
saúde da população negra; 
VII - implementação de programas específicos com foco 
nas doenças cujos indicadores epidemiológicos 
evidenciam as maiores desigualdades raciais; 
VIII - definição de ações com recortes específicos para a 
criança e o adolescente negros, idosos negros e 
mulheres negras. 
Art. 17 - As informações prestadas pelos órgãos 
estaduais de saúde e os respectivos instrumentos de 
coleta de dados incluirão o quesito "raça/cor", 
reconhecido de acordo com a autodeclaração dos 
usuários das ações e serviços de saúde. 
Art. 18 - A Secretaria da Saúde realizará o 
acompanhamento e o monitoramento das condições 
específicas de saúde da população negra no Estado, 
visando à redução dos indicadores de morbi-
mortalidade por doenças prevalentes na população 
negra. 
Parágrafo único - Para o cumprimento do disposto no 
caput, a Secretaria da Saúde produzirá estatísticas vitais 
e análises epidemiológicas da morbi-mortalidade por 
doenças prevalentes na população negra, quer se trate 
de doenças geneticamente determinadas ou doenças 
causadas ou agravadas por condições de vida da 
população negra atingida pela desigualdade racial. 
Art. 19 - É responsabilidade do Poder Público incentivar 
a produção de conhecimento científico e tecnológico 
sobre saúde da população negra e práticas de 
promoção da saúde de povos de terreiros de religiões 
afro-brasileiras e das comunidades quilombolas, 
inclusive podendo prestar apoio, técnico, cientifico e 
financeiro a instituições de educação superior 
vinculadas à Secretaria da Educação para a implantação 
de linhas de pesquisa, núcleos e cursos de pós-
graduação sobre o tema. 
Art. 20 - A Secretaria da Saúde promoverá a formação 
inicial e continuada dos trabalhadores em saúde, 
realizará campanhas educativas e distribuirá material 
em linguagem acessível à população, abordando 
conteúdos relativos ao enfrentamento ao racismo na 
área de saúde, à promoção da saúde da população 
negra e às práticas de promoção da saúde de povos de 
terreiros de religiões afro-brasileiras e comunidades 
quilombolas. 
Art. 21 - O Poder Público instituirá programas, 
incentivos e benefícios específicos para a garantia do 
direito à saúde das comunidades quilombolas. 
Parágrafo único - Será garantido a todas as 
comunidades remanescentes de quilombo identificadas 
no Estado, o pleno acesso às ações e serviços de saúde, 
notadamente pelo Programa de Saúde da Família e pelo 
Programa de Agentes Comunitários de Saúde, de 
acordo com metas específicas estabelecidas e 
monitoradas pela Secretaria da Saúde, assegurando-se, 
sempre que possível, que as equipes destes programas 
sejam integradas por membros das comunidades. 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
21 
CAPÍTULO II 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER 
Art. 22 - O Estado desenvolverá ações para viabilizar e 
ampliar o acesso e fruição da população negra à 
educação, cultura, esporte e lazer, almejando a 
efetivação da igualdade de oportunidades de acesso ao 
bem-estar, desenvolvimento e participação e 
contribuição para a identidade e o patrimônio cultural 
brasileiro. 
Parágrafo único - O Estado poderá prestar apoio técnico 
e financeiro aos Municípios, tendo para implementação, 
na esfera local, das medidas previstas neste Capítulo. 
 
SEÇÃO I 
DO DIREITO À EDUCAÇÃO 
Art. 23 - Fica assegurada a participação da população 
negra em igualdade de oportunidades nos espaços de 
participação e controle social das políticas públicas em 
educação, cabendo ao Poder Público promover o acesso 
da população negra à educação em todas as 
modalidades de ensino, abrangendo o Ensino Médio, 
Técnico e Superior, assim como os programas especiais 
em educação, visando a sua inserção nos mundos 
acadêmico e profissional. 
§ 1º - O Estado implementará programa específico de 
reconhecimento e fortalecimento da identidade e da 
autoestima de crianças e adolescentes negros, que 
permeará todo o Sistema Estadual de Ensino e os 
programas estaduais de acesso ao Ensino Superior. 
§ 2º - O Estado e as instituições estaduais de educação 
superior promoverão o acesso e a permanência da 
população negra na Educação Superior, incluindo-se os 
cursos de pós-graduação lato sensu, mestrado e 
doutorado, adotando medidas e programas específicos 
para este fim. 
Art. 24 - É assegurado aos alunos adeptos de religiões 
afro-brasileiras o direito de realizar atividades 
compensatórias, previamente definidas em ato 
normativo, sob orientação e supervisão pelos 
respectivos professores, na hipótese de necessidade de 
faltar às aulas em função de atividade religiosa 
devidamente comprovada, tendo em vista o 
cumprimento dos deveres escolares e o aproveitamento 
dos conteúdos programáticos. 
Art. 25 - O Estado adotará ações para assegurar a 
qualidade do ensino da História e da Cultura Africana, 
Afro-brasileira e Indígena nas unidades do Ensino 
Fundamental e Médio do Sistema Estadual de Ensino, 
em conformidade com o estabelecido pela Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, assegurando a 
estrutura e os meios necessários à sua efetivação, 
inclusive no que se refere à formação permanente de 
educadores, realização de campanhas e disponibilização 
de material didático específico, no contexto de um 
conjunto de ações integradas com o combate ao 
racismo e à discriminação racial nas escolas. 
§ 1º - O Estado exercerá a fiscalização e adotará as 
providências cabíveis em caso de descumprimento das 
medidas previstas no caput deste artigo. 
§ 2º - O Estado, mediante incentivos e prêmios, 
promoverá o reconhecimento de práticas didáticas e 
metodológicas no Ensino da História e da Cultura 
Africana, Afro-brasileira e Indígena nas escolas do 
Sistema Estadual de Ensino e da rede privada. 
Art. 26 - A Secretaria da Educação procederá à apuração 
administrativa das ocorrências de racismo, 
discriminação racial, intolerância religiosa no âmbito 
das unidades do Sistema Estadual de Ensino, através de 
estruturas administrativas especificamente criadas para 
este fim, em articulação com a Rede e o Centro de 
Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância 
Religiosa, que prestará apoio social, psicológico e 
jurídico específico às pessoas negras atingidas, com 
prioridadeno atendimento de crianças e adolescentes 
negros. 
Art. 27 - Na oferta de educação básica para a população 
rural, inclusive às comunidades remanescentes de 
quilombos e aos povos indígenas, os sistemas de ensino 
promoverão as adaptações necessárias para a sua 
adequação às peculiaridades da vida rural de cada 
região, observando-se o seguinte: 
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriados à 
realidade das comunidades rurais e que, no caso das 
comunidades quilombolas e dos povos indígenas, 
contemplem a trajetória histórica, as relações 
territoriais, a ancestralidade e a resistência coletiva à 
opressão histórica; 
II - adequação do calendário escolar às fases do ciclo 
agrícola e às condições climáticas; 
III - adequação às atividades laborais de subsistência e 
aos modos de vida das comunidades rurais. 
Art. 28 - As comemorações de caráter cívico e de 
relevância para a memória e a história da população 
negra brasileira e baiana serão previstas no Calendário 
Escolar do Sistema Estadual de Ensino, inserindo-se, 
desde já, o mês de agosto, em memória à Revolta dos 
Búzios de 1798 e de seus Heróis. 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
22 
Art. 29 - O Estado estimulará a implementação e 
manutenção dos programas e medidas de ação 
afirmativa para ampliação do acesso da população 
negra ao Ensino Técnico e à Educação Superior, em 
todos os cursos, no âmbito de atuação do Estado, com 
prazo de duração compatível com a correção das 
desigualdades raciais verificadas. 
Art. 30 - Poderá o Poder Público, em articulação com os 
Municípios, disponibilizar apoio técnico, financeiro e 
operacional para promover o acesso efetivo e igualitário 
de crianças negras, com idade entre zero e seis anos, à 
Educação Infantil. 
Parágrafo único - É de responsabilidade do Estado, em 
parceria com a União e Municípios, estabelecer políticas 
de formação permanente de educadores da Educação 
Infantil, com ênfase no reconhecimento da contribuição 
dos africanos e dos afro-brasileiros para a história e a 
cultura na valorização da tolerância e no respeito às 
diferenças. 
Art. 31 - O censo educacional concernente à "raça/cor" 
será um dos mecanismos utilizados para o 
monitoramento, acompanhamento e avaliação das 
condições educacionais da população negra, 
contemplando entre outros aspectos, o acesso e a 
permanência no Sistema Estadual de Ensino. 
Art. 32 - Os órgãos e instituições estaduais de fomento à 
pesquisa e à pós-graduação instituirão linhas de 
pesquisa e programas de estudo voltados para temas 
relativos às relações raciais, combate às desigualdades 
raciais e de gênero, enfrentamento ao racismo e outras 
questões pertinentes à garantia de direitos da 
população negra. 
 
SEÇÃO II 
DO DIREITO à CULTURA 
Art. 33 - O Estado garantirá o reconhecimento das 
manifestações culturais preservadas pelas sociedades 
negras, blocos afro, irmandades, clubes e outras formas 
de expressão cultural coletiva da população negra, com 
trajetória histórica comprovada, como patrimônio 
histórico e cultural, nos termos dos arts. 215 e 216 da 
Constituição Federal e art. 275 da Constituição do 
Estado da Bahia. 
Art. 34 - O Estado, por meio do Sistema Estadual de 
Cultura, estimulará e apoiará a produção cultural de 
entidades do movimento negro e de grupos de 
manifestação cultural coletiva da população negra, que 
desenvolvam atividades culturais voltadas para a 
promoção da igualdade racial, o combate ao racismo e a 
intolerância religiosa, mediante cooperação técnica, 
seleção pública de apoio a projetos, apoio a ações de 
formação de agentes culturais negros, intercâmbios e 
incentivos, entre outros mecanismos. 
Parágrafo único - As seleções públicas de apoio a 
projetos na área de cultura deverão assegurar a 
equidade na destinação de recursos a iniciativas de 
grupos de manifestação cultural da população negra. 
Art. 35 - É dever do Estado preservar e garantir a 
integridade, a respeitabilidade e a permanência dos 
valores das religiões afro-brasileiras e dos modos de 
vida, usos, costumes tradições e manifestações 
culturais das comunidades quilombolas. 
Parágrafo único - Para o cumprimento do disposto no 
caput, cabe ao Estado inventariar, restaurar e proteger 
os documentos, obras e outros bens de valor artístico e 
cultural, os monumentos, mananciais, flora e sítios 
arqueológicos, vinculados às comunidades 
remanescentes de quilombo e aos povos de terreiros de 
religiões afro-brasileiras, atendendo aos termos do art. 
216, § 5º, da Constituição Federal. 
Art. 36 - Fica reconhecido o Programa Ouro Negro, 
desenvolvido por meio de ações de apoio e 
fortalecimento institucional de blocos e agremiações de 
matriz africana e indígena, afoxés, blocos de samba, 
blocos de "reggae", blocos de "samba-reggae", da 
cultura "Hip-Hop" e entidades culturais congêneres, 
cujas ações serão realizadas durante todo o ano, nos 
termos do regulamento. 
Art. 37 - Fica reconhecida a categoria de mestres e 
mestras dos saberes e fazeres das culturas tradicionais 
de matriz africana, com base na Lei nº 8.899, de 18 de 
dezembro de 2003, tendo em vista o reconhecimento, a 
valorização e o efetivo apoio ao exercício do seu papel 
na sociedade baiana e brasileira. 
§ 1º - Para os fins previstos neste Estatuto, entende-se 
por mestras e mestres dos saberes e fazeres, das 
culturas tradicionais de matriz africana, o indivíduo que 
se reconhece e é reconhecido pela sua própria 
comunidade como representante e herdeiro dos 
saberes e fazeres da cultura tradicional que, através da 
oralidade, da corporeidade e da vivência dialógica, 
aprende, ensina e torna-se a memória viva e afetiva 
desta cultura, transmitindo saberes e fazeres de 
geração em geração, garantindo a ancestralidade e 
identidade do seu povo, a exemplo de Griô, Mestras e 
Mestres das Artes, dos ofícios, entre outros. 
Art. 38 - Além do disposto na Lei nº 8.899, de 18 de 
dezembro de 2003, o reconhecimento dos mestres e 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
23 
mestras dos saberes e fazeres das culturas tradicionais 
de matriz africana pelo Estado compreenderá: 
I - apoio a ações de mobilização e organização; 
II - apoio à manutenção e melhoria de espaços públicos 
tradicionalmente utilizados para o exercício de suas 
atividades; 
III - fomento à obtenção ou aquisição de matéria prima 
e equipamentos para a produção e transferência das 
culturas tradicionais de transmissão oral do Brasil; 
IV - estímulo à geração de renda e à ampliação de 
mercado para os produtos das culturas tradicionais de 
transmissão oral do Brasil; 
V - instituição e prêmios para a valorização de iniciativas 
voltadas para salvaguarda do universo dos saberes e 
práticas das culturas tradicionais de transmissão oral de 
matriz africana; 
VI - concessão de benefício pecuniário, na forma de 
bolsa, como reconhecimento oficial e incentivo à 
transmissão dos saberes e fazeres dos mestres e 
mestras tradicionais de matriz africana. 
Parágrafo único - A concessão de bolsas aos mestres e 
mestras tradicionais de matriz africana, a que se refere 
o inciso IV deste artigo, observará o atendimento aos 
critérios estabelecidos no art. 3º da Lei nº 8.899, de 18 
de dezembro de 2003, além dos requisitos e 
procedimentos fixados em regulamento próprio a ser 
expedido pelo Poder Executivo. 
 
SEÇÃO III 
DO DIREITO AO ESPORTE E AO LAZER 
Art. 39 - O Estado fomentará o pleno acesso da 
população negra às práticas desportivas no Estado, 
consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais. 
Art. 40 - Cabe ao Estado promover a democratização do 
acesso a espaços, atividades e iniciativas gratuitas de 
esporte e lazer, nas suas manifestações educativas, 
artísticas e culturais, como direitos de todos, visando 
resgatar a dignidade das populações das periferias 
urbanas e rurais, valorizando a auto-organização e a 
participação da população negra. 
§ 1º - O disposto no caput constitui diretriz para as 
parcerias entre o Estado,a sociedade civil e a iniciativa 
privada. 
§ 2º - As políticas estaduais de fomento ao esporte e 
lazer priorizarão a instalação de equipamentos públicos 
de esporte e lazer que atendam às comunidades negras 
urbanas e rurais, com foco na juventude negra e nas 
mulheres negras. 
Art. 41 - A atividade de capoeirista será reconhecida em 
todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, 
seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o 
exercício em todo o território estadual. 
Parágrafo único - É facultado o ensino da capoeira nas 
instituições públicas e privadas pelos capoeiristas e 
mestres tradicionais, pública e formalmente 
reconhecidos. 
 
CAPÍTULO III 
DO ACESSO À TERRA 
Art. 42 - O Estado promoverá a regularização fundiária, 
o fortalecimento institucional e o desenvolvimento 
sustentável das comunidades remanescentes de 
quilombos e dos povos e comunidades que 
historicamente tem preservado as tradições africanas e 
afro-brasilerias no Estado, de forma articulada com as 
políticas específicas pertinentes. 
Paragrafo único - Fica reconhecida a propriedade 
definitiva das terras públicas estaduais, rurais e 
devolutas, dos espaço de preservação das tradições 
africanas e afro-brasileiras. 
Art. 43 - O Estado incentivará a participação de 
comunidades remanescentes de quilombos e dos povos 
de terreiros de religiões afro-brasileiras nos órgãos 
colegiados estaduais de formulação, participação e 
controle social de políticas públicas nas áreas de 
educação, saúde, segurança alimentar, meio ambiente, 
desenvolvimento urbano, política agrícola e política 
agrária, no que for pertinente a cada segmento de 
população tradicional, assim como em outras áreas que 
lhes sejam concernentes. 
Art. 44 - O Estado estabelecerá diretrizes aplicáveis à 
regularização fundiária dos terrenos em que se situam 
templos e espaços de culto das religiões afro-brasileiras, 
em articulação com as entidades representativas deste 
segmento, atendendo ao disposto no art. 50 dos Atos e 
Disposições Transitórias da Constituição do Estado da 
Bahia. 
Parágrafo único - A regularização fundiária de que trata 
o caput será efetivada pela expedição de título de 
domínio coletivo e pró-indiviso em nome da associação 
legalmente constituída, que represente civilmente a 
comunidade de religião afro-brasileira, gravado com 
cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade e 
imprescritibilidade. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
24 
Art. 45 - Poderá ser realizada consulta prévia, livre e 
informada aos povos e comunidades tradicionais, 
notadamente às comunidades remanescentes de 
quilombos e dos povos e comunidades que 
historicamente têm preservado as tradições africanas e 
afro-brasilerias no Estado, de que trata este capítulo, 
sempre que forem previstas medidas administrativas 
suscetíveis de afetá-los diretamente. 
 
CAPÍTULO IV 
DO DIREITO AO TRABALHO, AO EMPREGO, À RENDA, 
AO EMPREENDEDORISMO E AO DESENVOLVIMENTO 
ECONÔMICO 
Art. 46 - A implementação de políticas públicas voltadas 
para a promoção da igualdade no acesso da população 
negra ao trabalho, à qualificação profissional, ao 
empreendedorismo, ao emprego, à renda e ao 
desenvolvimento econômico é de responsabilidade do 
Estado, observando-se o seguinte: 
I - a Convenção Internacional sobre a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1965; 
II - a Convenção nº 100, de 1951, sobre a "igualdade de 
remuneração para a mão-de-obra masculina e a mão-
de-obra feminina por um trabalho de igual valor", e a 
Convenção nº 111, de 1958, que trata da discriminação 
no emprego e na profissão, ambas da Organização 
Internacional do Trabalho - OIT; 
III - a Declaração e Plano de Ação emanados da III 
Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação 
Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, de 2001. 
Art. 47 - Cabe ao Estado implementar medidas e 
políticas que assegurem a igualdade de oportunidades 
no mercado de trabalho para as mulheres negras e a 
população negra, observando-se o seguinte: 
I - garantia de igualdade de oportunidades para o 
acesso a cargos, empregos e contratos com a 
Administração Direta e Indireta; 
II - implementação de políticas e programas específicos 
voltados para a qualificação profissional, o 
aperfeiçoamento e a inserção no mercado de trabalho; 
III - implementação de políticas e programas voltados 
para o apoio ao empreendedorismo; 
IV - incentivo à criação de linhas de financiamento, 
serviços, incentivos e benefícios fiscais e creditícios 
específicos para as organizações privadas que adotarem 
políticas de promoção racial, assegurando a 
proporcionalidade racial e de gênero em conformidade 
com a composição racial da população do Estado; 
V - acesso ao crédito para a pequena produção, nos 
meios rural e urbano, com ações afirmativas para 
mulheres negras. 
§ 1º - As ações de que trata o caput deste artigo 
assegurarão o princípio da proporcionalidade de gênero 
entre os beneficiários. 
§ 2º - O Estado promoverá campanhas educativas 
contra a marginalização da mulher negra no trabalho 
artístico e cultural. 
§ 3º - O Estado promoverá ações com o objetivo de 
elevar a escolaridade e a qualificação profissional nos 
setores da economia que detenham alto índice de 
ocupação por trabalhadores negros de baixa 
escolarização. 
Art. 48 - O quesito "raça/cor" constará 
obrigatoriamente dos cadastros de servidores públicos 
estaduais, para todos os cargos, empregos e funções 
públicas. 
Art. 48 regulamentado pelo Decreto nº 15.669 de 19 de 
novembro de 2014. 
 
Art. 49 - Fica instituída a reserva de vagas para a 
população negra nos concursos públicos e processos 
seletivos para provimento de pessoal no âmbito da 
Administração Pública Direta e Indireta Estadual, 
correspondente, no mínimo, a 30% (trinta por cento) 
das vagas a serem providas. 
§ 1º - A reserva de vagas de que trata o caput deste 
artigo aplica-se aos concursos públicos para provimento 
de cargos efetivos e empregos públicos, bem como aos 
processos seletivos para contratações temporárias, sob 
Regime Especial de Direito Administrativo - REDA, 
promovidos pelos órgãos e entidades da Administração 
Direta e Indireta do Poder Executivo do Estado da 
Bahia. 
§ 2º - Terão acesso às medidas de ação afirmativa 
previstas neste artigo aqueles que se declarem pretos e 
pardos segundo a classificação adotada pelo Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 
prevalecendo a autodeclaração. 
§ 3º - O Estado realizará o monitoramento e a avaliação 
permanente dos resultados da aplicação da reserva de 
vagas em certames públicos, de que trata este artigo. 
§ 4º - O Estado garantirá a igualdade de oportunidades 
para o acesso da população negra aos cargos de 
provimento temporário, assegurando-se a reserva de 
vagas para o acesso de pessoas negras a estes cargos, 
observada a equidade de gênero da medida, que será 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
25 
definida em decreto do Chefe do Poder Executivo 
Estadual. 
§ 4º do art. 49 regulamentado pelo Decreto nº 15.669 
de 19 de novembro de 2014. 
Art. 50 - As ações afirmativas previstas no art. 49 terão 
vigência por 10 (dez) anos a partir da publicação desta 
Lei. 
Art. 51 - O Estado estimulará as atividades voltadas ao 
turismo étnico com enfoque nos locais, monumentos e 
cidades que retratem a cultura, os usos e os costumes 
da população negra. 
Art. 52 - Os processos de contratação de obras, 
produtos e serviços pela Administração Pública Estadual 
observarão critérios e incentivos que viabilizem a 
contratação de empresas que implementem programas 
de ação afirmativa para acesso das mulheres negras e 
da população negra a oportunidades de trabalho e de 
negócios em todos os níveis de sua atuação. 
Art. 52 regulamentado pelo Decreto nº 15.669 de 19 de 
novembro de 2014. 
 
CAPÍTULO V 
DO COMBATE AO RACISMO INSTITUCIONAL 
Art. 53 - O Estado promoverá a adequação dos serviços 
públicos ao princípiodo reconhecimento e valorização 
da diversidade e da diferença racial, religiosa e cultural, 
em conformidade com o disposto neste Estatuto. 
Art. 54 - No contexto das ações de combate ao racismo 
institucional, o Estado desenvolverá as seguintes ações: 
I - articulação com gestores municipais objetivando a 
definição de estratégias e a implementação de planos 
de enfrentamento ao racismo institucional, 
compreendendo celebração de acordos de cooperação 
técnica para este fim; 
II - campanha de informação aos servidores públicos 
visando oferecer subsídios para a identificação do 
racismo institucional; 
III - formulação de protocolos de atendimento e 
implementação de pesquisas de satisfação sobre a 
qualidade dos serviços públicos estaduais com foco no 
enfrentamento ao racismo institucional. 
Art. 55 - Os programas de avaliação de conhecimentos 
em concursos públicos e processos seletivos em âmbito 
estadual abordarão temas referentes às relações étnico-
raciais, à trajetória histórica da população negra no 
Brasil e na Bahia, sua contribuição decisiva para o 
processo civilizatório nacional, e políticas de promoção 
da igualdade racial e de defesa de direitos de pessoas e 
comunidades afetadas pelo racismo e pela 
discriminação racial, com base na legislação estadual e 
federal específica. 
Art. 55 regulamentado pelo Decreto nº 15.669 de 19 de 
novembro de 2014. 
Art. 56 - O Estado disponibilizará cooperação técnica 
aos Municípios tendo em vista a implantação de 
programa de combate ao racismo institucional. 
Art. 57 - O Estado promoverá a oferta, aos servidores, 
de cursos de capacitação e aperfeiçoamento para o 
combate ao racismo institucional, que poderá ser um 
dos requisitos em processos de promoção dos 
servidores públicos estaduais. 
Art. 57 regulamentado pelo Decreto nº 15.669 de 19 de 
novembro de 2014. 
Art. 58 - A eficácia do combate ao racismo institucional 
será considerado um dos critérios de avaliação externa 
e interna da qualidade dos serviços públicos estaduais. 
Art. 59 - O Estado adotará medidas para coibir atos de 
racismo, discriminação racial e intolerância religiosa 
pelos agentes e servidores públicos estaduais, 
observando-se a legislação pertinente para a apuração 
da responsabilidade administrativa, civil e penal, no que 
couber. 
 
CAPÍTULO VI 
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL 
Art. 60 - A política de comunicação social do Estado e a 
publicidade dos atos, programas, obras, serviços e 
campanhas institucionais do Estado se orientarão pelo 
princípio da diversidade étnico-racial e cultural, 
assegurando a representação justa e proporcional dos 
diversos segmentos raciais da população nas peças 
institucionais, educacionais e publicitárias, observando-
se o percentual da população negra na composição 
demográfica do Estado. 
Art. 61 - As emissoras públicas estaduais de teledifusão 
e radiodifusão desenvolverão programação pluralista, 
assegurando a divulgação, valorização e promoção dos 
diversos segmentos étnico-raciais, religiosos e culturais 
do Estado. 
Art. 62 - O Estado implementará um programa 
permanente de incentivo à produção de mídia em 
veículos de comunicação públicos que fomente a 
preservação, valorização, respeitabilidade e garantia da 
integridade dos legados cultural e identitário dos povos 
de terreiros de religiões afro-brasileiras. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
26 
Art. 63 - Fica assegurada a inviolabilidade da intimidade, 
vida privada, honra e imagem das pessoas, sendo 
vedada a exposição da imagem de pessoas custodiadas 
em estabelecimentos prisionais e policiais da estrutura 
da Administração Pública Estadual, ressalvados os casos 
justificados por motivo de interesse público e de 
proteção aos direitos humanos, autorizados pelo 
dirigente da unidade ou autoridade policial civil ou 
militar, mediante a formalização de requerimento e 
justificativa. 
§ 1º - A vedação do caput estende-se à divulgação de 
fatos ou circunstâncias que possam depreciar a imagem 
da pessoa sob custódia ou expô-la a situação vexatória. 
§ 2º - Compete à autoridade policial civil ou militar que 
preside o procedimento, ou à assessoria de 
comunicação do órgão, a prestação de informações de 
interesse público aos veículos de comunicação, 
mediante a formalização de requerimento e 
justificativa. 
 
CAPÍTULO VII 
DAS MULHERES NEGRAS 
Art. 64 - Sem prejuízo das demais disposições deste 
Estatuto, o Estado garantirá a efetiva igualdade de 
oportunidades, a defesa de direitos, a proteção contra a 
violência e a participação das mulheres negras na vida 
social, política, econômica, cultural e projetos de 
desenvolvimento no Estado, assegurando-se o 
fortalecimento de suas organizações representativas. 
Art. 65 - O Estado incentivará a representação das 
mulheres negras nos órgãos colegiados estaduais de 
participação, formulação e controle social nas políticas 
públicas, nas áreas de promoção da igualdade racial, 
saúde, educação e outras áreas que lhes sejam 
concernentes. 
Art. 66 - Cabe ao Estado assegurar a articulação e a 
integração entre as políticas de promoção da igualdade 
racial e combate ao racismo e ao sexismo e as políticas 
para as mulheres negras, em âmbito estadual. 
Art. 67 - Observando-se as disposições deste Estatuto, o 
conjunto de ações específicas voltadas à proteção e 
defesa dos direitos das mulheres negras constituirá o 
Plano Estadual para as Mulheres Negras, parte 
integrante da Política Estadual para as Mulheres. 
 
 
 
CAPÍTULO VIII 
DA JUVENTUDE NEGRA 
Art. 68 - Sem prejuízo das demais disposições deste 
Estatuto, o Estado garantirá a efetiva igualdade de 
oportunidades, a defesa de direitos e a participação da 
juventude negra na vida social, política, econômica, 
cultural e projetos de desenvolvimento no Estado, 
assegurando-se o fortalecimento de suas organizações 
representativas. 
Art. 69 - O Estado incentivará a representação da 
juventude negra nos órgãos colegiados estaduais de 
participação e controle social nas políticas públicas, nas 
áreas de promoção da igualdade racial, juventude, 
educação, segurança pública, cultura e outras áreas que 
lhes sejam concernentes, em consonância com o Plano 
Estadual de Juventude, aprovado pela Lei nº 12.361, de 
17 de novembro de 2011. 
Art. 70 - O Estado produzirá, sistematizará e divulgará 
anualmente estatísticas sobre o impacto das violações 
de direitos humanos sobre a qualidade de vida da 
juventude negra no Estado, abordando especificamente 
os dados sobre homicídios e lesão corporal, utilizando 
estes dados para a formulação de diretrizes e para a 
implementação de ações no âmbito das políticas de 
segurança pública e de defesa social. 
Art. 71 - O Estado promoverá a proteção integral da 
juventude negra exposta à exclusão social, à 
desigualdade racial e em conflito com a lei. 
Parágrafo único - É assegurada a assistência integral a 
jovens vítimas de violência policial e de grupos de 
extermínio, bem como às suas famílias, nos aspectos 
social, psicológico, de saúde e jurídico. 
 
CAPÍTULO IX 
DO ACESSO À JUSTIÇA 
Art. 72 - O Estado estimulará a Defensoria Pública e o 
Ministério Público, no âmbito das suas competências 
institucionais, a prestarem orientação jurídica e 
promoverem a defesa de direitos individuais, difusos e 
coletivos da população negra, povos de terreiros de 
religiões afro-brasileiras e comunidades quilombolas. 
Art. 73 - O Estado realizará estudos sobre a eficiência do 
atendimento da população negra pelo Sistema de 
Justiça, com foco nas ocorrências e nos processos tendo 
por objeto o combate ao racismo, à discriminação racial 
e de gênero, intolerância religiosa e conflitos fundiários 
que afetam comunidades quilombolas e povos de 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
27 
terreiros de religiões afro-brasileiras, propondo 
medidas aos órgãos e instituições competentes. 
Art. 74 - O Estado apoiará ações de capacitação e 
aperfeiçoamento jurídico de membros e servidoresdo 
Poder Público e instituições do Sistema de Justiça, 
implantação de núcleos e estruturas internas 
especializadas na defesa de direitos da população 
negra, educação jurídica à população negra, "mutirões" 
e iniciativas de atendimento jurídico, principalmente 
nas áreas previdenciária, trabalhista, civil e penal, 
priorizando a participação de população negra, 
mulheres negras, comunidades quilombolas e povos de 
terreiros de religiões de matriz africana, em parceria 
com órgãos e instituições públicos competentes. 
 
CAPÍTULO X 
DO DIREITO À SEGURANÇA PÚBLICA 
Art. 75 - O Estado adotará medidas especiais para 
prevenir e coibir atos que atentem contra os direitos 
humanos e a cidadania incidente sobre a população 
negra. 
Parágrafo único - O Sistema de Defesa Social do Estado 
da Bahia - SDS implementará programa permanente 
para prevenir e coibir a violência institucional sobre a 
população negra. 
Art. 76 - O Estado produzirá, sistematizará e divulgará 
periodicamente estatísticas sobre o impacto das 
violações de direitos humanos sobre a qualidade de vida 
da população negra no Estado, abordando 
especificamente os dados sobre homicídios. 
Art. 77 - O Estado manterá registro e monitoramento 
das ações de policiamento ostensivo que impliquem em 
abordagem de pessoas e veículos e flexibilização da 
garantia constitucional de inviolabilidade dos domicílios, 
identificando o impacto destas ações sobre 
comunidades negras no Estado. 
Art. 78 - Cabe ao Estado assegurar o registro e o 
atendimento às demandas da população negra relativas 
às políticas de segurança pública e de defesa social do 
Estado. 
Art. 79 - Será criada, na estrutura da Polícia Civil da 
Bahia, da Secretaria da Segurança Pública, a Delegacia 
Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância 
Religiosa. 
Art. 80 - A Secretaria de Segurança Pública coordenará o 
processo de formulação e estabelecerá procedimento 
unificado para o registro e investigação dos crimes de 
racismo e crimes associados a práticas de intolerância 
religiosa, tendo em vista a garantia da eficácia da sua 
apuração, prevenção e repressão. 
 
CAPÍTULO XI 
DO COMBATE AO RACISMO E À INTOLERÂNCIA 
RELIGIOSA 
Art. 81 - As ocorrências de racismo, discriminação racial 
e intolerância religiosa causadas por ação ou omissão 
de pessoas físicas, ou de pessoas jurídicas, ensejarão a 
comunicação formal das pessoas e grupos atingidos aos 
entes que compõem o SISEPIR, à Rede de Combate ao 
Racismo e à Intolerância Religiosa, ao Ministério 
Público, à Defensoria Pública e outros órgãos e 
instituições, de acordo com as suas competências 
institucionais. 
Art. 82 - Fica instituída a Rede de Combate ao Racismo 
e à Intolerância Religiosa, como instrumento de 
articulação entre o Estado, as instituições do Sistema de 
Justiça e a sociedade civil para a implementação da 
política de promoção da igualdade racial no 
enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa. 
Art. 83 - Fica reconhecido o Centro de Referência de 
Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa, criado 
pelo Decreto nº 14.297, de 31 de janeiro de 2013, a 
quem compete exercer as seguintes atividades: 
I - receber, encaminhar e acompanhar toda e qualquer 
denúncia de discriminação racial ou de violência que 
tenha por fundamento a intolerância racial ou religiosa; 
II - orientar o atendimento psicológico, social e jurídico 
os casos registrados no Centro, conforme suas 
necessidades específicas; 
III - verificar e atuar em casos de racismo noticiados 
pela mídia ou naqueles que o Centro de Referência de 
Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa venha a 
tomar conhecimento por qualquer outro meio; 
IV - promover debates, palestras, fóruns e oficinas com 
o objetivo de divulgar e sensibilizar a sociedade quanto 
à importância da garantia de direitos, combate ao 
racismo e à intolerância religiosa e promoção da 
igualdade racial; 
V - propiciar a concretização de ações integradas com 
os órgãos e entidades que compõem a Rede de 
Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa no 
Estado da Bahia; 
VI - produzir materiais informativos, tais como cartilhas, 
boletins e folhetos, sobre garantia de direitos, combate 
ao racismo e à intolerância religiosa e promoção da 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
28 
igualdade racial, disponibilizando-os aos órgãos, 
entidades e sociedade civil organizada; 
VII - disponibilizar acesso gratuito, nas dependências do 
Centro de Referência de Combate ao Racismo e à 
Intolerância Religiosa, a acervo audiovisual e 
bibliográfico com ênfase na temática racial; 
VIII - exercer outras atividades correlatas. 
 
CAPÍTULO XII 
DA DEFESA DA LIBERDADE RELIGIOSA 
Art. 84 - É inviolável a liberdade de consciência e de 
crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos 
religiosos e garantida a proteção aos locais de culto e às 
suas liturgias. 
Art. 85 - É assegurado o acesso dos adeptos de religiões 
afro-brasileiras em estabelecimentos civis e militares de 
internação coletiva estaduais para prestar assistência 
religiosa, da forma prevista em regulamento. 
Art. 86 - As medidas para o combate à intolerância 
contra as religiões afro-brasileiras e seus adeptos 
compreendem especialmente: 
I - coibir a utilização dos meios de comunicação social 
para a difusão de proposições, imagens ou abordagens 
que exponham pessoa ou grupo ao desprezo ou ao ódio 
por motivos fundados na religiosidade afro-brasileira; 
II - inventariar, restaurar, preservar e proteger os 
documentos, obras e outros bens de valor artístico e 
cultural, os espaços públicos, monumentos, mananciais, 
flora, recursos ambientais e sítios arqueológicos 
vinculados às religiões afro-brasileiras; 
III - proibir a exposição, exploração comercial, 
veiculação, titulação prejudiciais aos símbolos, 
expressões, músicas, danças, instrumentos, adereços, 
vestuário e culinária, estritamente vinculados às 
religiões afro-brasileiras. 
 
TÍTULO III - DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS 
Art. 87 - Para o cumprimento das disposições contidas 
neste Estatuto, o Estado celebrará convênios, contratos, 
acordos ou instrumentos similares de cooperação com 
órgãos públicos ou instituições privadas. 
Art. 88 - Ficam alteradas as redações dos §§ 1º e 3º do 
art. 4º da Lei nº 7.988 , de 21 de dezembro de 2001, que 
passarão a vigorar com a seguinte redação: 
"Art. 4º - .................................................................... 
§ 1º - Os recursos do Fundo serão aplicados única e 
exclusivamente em despesas finalísticas destinadas ao 
combate à pobreza, salvo para atender as despesas com 
pessoal da Secretaria de Combate à Pobreza e às 
Desigualdades Sociais, garantindo-se a destinação de no 
mínimo 10% (dez por cento) do orçamento anual do 
Fundo para ações do Sistema Estadual de Promoção da 
Igualdade Racial - SISEPIR. 
§ 3º - Os recursos do Fundo poderão ser alocados 
diretamente nos programas de trabalho de outros 
órgãos, secretarias ou entidades da Administração 
Pública Estadual, para financiar ações que contribuam 
para a consecução de diretrizes, objetivos e metas 
previstas no Plano Estadual de Combate e Erradicação 
da Pobreza, bem como as fixadas no Estatuto da 
Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, 
observadas, em qualquer caso, as finalidades 
estabelecidas no art. 4º desta lei." 
Art. 89 - O Poder Executivo estimulará a criação e o 
fortalecimento, no âmbito da Defensoria Pública da 
Bahia, do Ministério Público da Bahia e do Poder 
Judiciário, de estruturas internas especializadas no 
combate ao racismo, proteção e defesa de direitos da 
população negra, povos de terreiros de religiões afro-
brasileiras e comunidades quilombolas. 
Art. 90 - Durante os 05 (cinco) primeiros anos, a contar 
do exercício subsequente à publicação deste Estatuto, 
os órgãos do Estado que desenvolvem políticas e 
programas nas áreas referidas no § 1º do art. 12 
discriminarão em seus orçamentos anuais a 
participação nos programas de açãoafirmativa 
referidos no inciso VII do art. 6º desta Lei. 
Art. 91 - As medidas de ação afirmativa para a 
população negra no Ensino Superior estadual já 
instituídas, ou cujo prazo tenha se esgotado, serão 
adequadas ao disposto no art. 31 deste Estatuto. 
Art. 92 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei no 
prazo de 90 (noventa) dias, ficando autorizado a 
promover os atos necessários: 
I - à revisão e elaboração dos atos regulamentares e 
regimentais que decorram, implícita ou explicitamente, 
das disposições desta Lei, inclusive os que se 
relacionam com pessoal, material e patrimônio, bem 
como as alterações organizacionais e de cargos em 
comissão decorrentes desta Lei; 
II - às modificações orçamentárias que se fizerem 
necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, 
respeitados os valores globais constantes do orçamento 
vigente, e no Plano Plurianual. 
Art. 93 - Esta Lei entra em vigor na data da sua 
publicação. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
29 
DECRETO Nº 15.353 DE 07 DE AGOSTO DE 2014 
 
Regulamenta a reserva de vagas à população 
negra nos concursos públicos e processos 
seletivos simplificados, prevista no artigo 49 
da Lei Estadual nº 13.182, de 06 de junho de 
2014, que Institui o Estatuto da Igualdade 
Racial e de Combate à Intolerância Religiosa 
do Estado da Bahia e dá outras providências. 
O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas 
atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 49 da 
Lei Estadual nº 13.182, de 06 de junho de 2014, 
 
D E C R E T A 
Art. 1º - Ficam reservadas à população negra 30% (trinta 
por cento) das vagas oferecidas nos concursos públicos 
para provimento de cargos efetivos e empregos 
públicos e nos processos seletivos simplificados para 
contratações temporárias de excepcional interesse 
público sob o Regime Especial de Direito Administrativo, 
promovidos pelos órgãos e entidades da Administração 
Pública direta e indireta do Estado da Bahia. 
Art. 2º - Deverão constar dos editais de concursos e 
seleções públicas, expressamente, o número de vagas 
existentes, bem como o total correspondente à reserva 
destinada à população negra. 
§ 1º - A reserva de vagas será aplicada sempre que o 
número de vagas oferecidas no concurso público ou no 
processo seletivo simplificado for igual ou superior a 03 
(três), observados os critérios de distribuição de vagas 
previstos no edital. 
§ 2º - Quando a aplicação do percentual indicado no art. 
1º deste Decreto resultar em número fracionado, esse 
será aumentado para o primeiro número inteiro 
subsequente, em caso de fração superior a 0,5 (cinco 
décimos), ou diminuído para o primeiro número inteiro 
antecedente, em caso de fração igual ou inferior a 0,5 
(cinco décimos). 
Art. 3º -Poderão concorrer às vagas reservadas a 
candidatos negros aqueles que se autodeclararem 
pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso 
público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pela 
Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - 
IBGE, sendo vedada qualquer solicitação por parte do 
candidato após a conclusão da inscrição. 
§ 1º - É vedado à autoridade competente obstar a 
inscrição da pessoa negra em concurso público ou 
processo seletivo simplificado para ingresso em carreira 
da Administração Pública direta e indireta do Estado da 
Bahia. 
§ 2º - A opção pela participação no concurso público ou 
no processo seletivo simplificado por meio da reserva 
de vagas a candidato negro é facultativa. 
§ 3º - Na hipótese de constatação de declaração falsa, o 
candidato será eliminado do concurso e, se houver sido 
nomeado ou contratado, ficará sujeito à anulação da 
sua admissão ao cargo ou emprego público, após 
procedimento administrativo em que lhe sejam 
assegurados o contraditório e a ampla defesa, sem 
prejuízo de outras sanções cabíveis. 
Art. 4º - Os candidatos negros que optarem pela reserva 
de vagas de que trata este decreto concorrerão 
concomitantemente às vagas reservadas e às vagas 
destinadas à ampla concorrência, de acordo com a sua 
classificação no concurso público ou processo seletivo 
simplificado. 
§ 1º - Em caso de desistência de candidato negro 
aprovado em vaga reservada, a vaga será preenchida 
pelo candidato negro posteriormente classificado. 
§ 2º - Na hipótese de não haver número de candidatos 
negros aprovados suficiente para ocupar as vagas 
reservadas, as vagas remanescentes serão revertidas 
para a ampla concorrência e serão preenchidas pelos 
demais candidatos aprovados, observada a ordem de 
classificação. 
Art. 5º - Os candidatos negros com deficiência poderão 
se inscrever concomitantemente para as vagas 
reservadas nos termos deste decreto e para as vagas 
reservadas nos termos do art. 8º, §2º, da Lei nº 6.677, 
de 26 de setembro de 1994. 
Art. 6º - A publicação do resultado final do concurso ou 
seleção pública será feita em 03 (três) listas, contendo: 
I - a primeira, a pontuação de todos os candidatos 
aprovados, inclusive das pessoas com deficiência, na 
forma da Lei nº 6.677, de 26 de setembro de 1994, e 
dos candidatos negros inscritos para as vagas 
reservadas na forma deste Decreto; 
II - a segunda, apenas a pontuação das pessoas com 
deficiência; 
III - a terceira, apenas a pontuação dos candidatos 
negros inscritos para as vagas reservadas na forma 
deste Decreto. 
Art. 7º - A nomeação dos candidatos aprovados 
respeitará os critérios de alternância e 
proporcionalidade, considerando a relação entre o 
número total de vagas e o número de vagas reservadas 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
30 
a candidatos com deficiência e a candidatos negros, 
devendo ser observada a seguinte ordem de 
convocação: 
I - nomeação pelas vagas destinadas à ampla 
concorrência; 
II - nomeação pelas vagas reservadas aos candidatos 
negros nos termos da Lei nº 13.182, de 06 de junho de 
2014; 
III - nomeação pelas vagas reservadas às pessoas com 
deficiência, nos termos Lei nº 6.677, de 26 de setembro 
de 1994. 
Art. 8º - A observância do percentual de vagas 
reservadas aos negros dar-se-á durante todo o período 
de validade do concurso e aplicar-se-á a todos os cargos 
oferecidos. 
§ 1º - Para a aplicação do percentual de vagas 
reservadas aos negros na forma dos artigos 1º e 2º 
deste decreto, na hipótese de surgimento de novas 
vagas além daquelas previstas no Edital do concurso, 
deve ser considerada como base de cálculo a totalidade 
das vagas oferecidas durante todo o período de 
validade do certame, observados os critérios de 
distribuição de vagas previstos no edital 
§ 2º - Nos concursos e seleções públicas em que não 
haja vagas reservadas aos negros em razão do 
quantitativo ofertado no edital, deverá ser assegurada a 
inscrição do candidato negro nessa condição, 
procedendo-se a nomeação dos aprovados na hipótese 
de surgimento de novas vagas durante o prazo de 
validade do concurso e que possibilitem a aplicação do 
disposto nos §§ 1º e 2º do art. 2º deste decreto. 
Art. 9º - Fica criada a Comissão de Monitoramento e 
Avaliação da execução da Lei Estadual nº 13.182, de 06 
de junho de 2014, para compilação de dados, avaliação 
dos resultados, acompanhamento e proposição de 
medidas para o efetivo cumprimento da lei, junto à 
SEPROMI. 
§ 1º - A comissão de que trata o caput deste artigo será 
integrada por, no mínimo, 05 (cinco) membros, a serem 
indicados pelos titulares das respectivas pastas, sendo: 
I - um representante da Secretaria de Promoção da 
Igualdade Racial, que a presidirá; 
II - um representante da Secretaria da Administração; 
III - um representante da Secretaria do Planejamento; 
IV - um representante da Secretaria do Trabalho, 
Emprego, Renda e esporte; 
V - um representante da Superintendência de Estudos 
Econômicos e Sociais da Bahia. 
§ 2º - Mediante solicitação do presidente da Comissão 
ao Chefe do Poder Executivo poderão ser integrados, 
por ato específico, em caráter temporário e 
extraordinário, representantesde outros entes 
governamentais ou da sociedade civil, sempre que 
necessário para o fiel cumprimento das finalidades da 
comissão. 
§ 3º - A Comissão de Monitoramento e Avaliação 
encaminhará ao Chefe do Poder Executivo e ao 
Secretário da Promoção da Igualdade Racial, 
anualmente, no mês de abril, relatório sobre a execução 
da Lei nº 13.182, de 06 de juhlo de 2014. 
Art. 10º - Este Decreto entra em vigor na data de sua 
publicação. 
 
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 07 
de agosto de 2014. 
JAQUES WAGNER 
Governador 
Carlos Mello 
Secretário da Casa Civil em exercício 
Edelvino da Silva Góes Filho 
Secretário da Administração 
Raimundo José Pedreira do Nascimento 
Secretário da Promoção da Igualdade Racial 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
31 
ANEXO I 
NÚMER
O DE 
VAGAS 
ORDEM DE 
NOMEAÇÃO 
AMPLA 
CONCOR-
RÊNCIA 
NEGRO
S 
DEFICI-
ENTE 
TOTAL 
1 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
1 0 0 1 
2 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
2 0 0 2 
3 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
2 1 0 3 
4 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
3 1 0 4 
5 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
4 1 0 5 
6 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
4 2 0 6 
7 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
5 2 0 7 
8 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
6 2 0 8 
9 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
6 3 0 9 
10 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
7 3 0 10 
11 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
DEFICIENTE 
7 3 1 11 
12 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
7 4 1 12 
13 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
8 4 1 13 
14 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
9 4 1 14 
15 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
10 4 1 15 
16 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
10 5 1 16 
17 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
11 5 1 17 
18 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
12 5 1 18 
19 VAGA 
RESERVADA 
CANDIDATO 
NEGRO 
12 6 1 19 
20 AMPLA 
CONCORRÊNCIA 
13 6 1 20 
*A cada 20 (vinte) vagas, 13 (treze) vagas serão 
destinadas aos candidatos classificados na lista de 
ampla concorrência, 06 (seis) vagas serão destinadas 
aos candidatos classificados na lista de reserva de vaga 
a candidato negro e 01 (uma) vaga será destinada ao 
candidato classificado na lista de reserva de vagas a 
candidato com deficiência. Para o resto da divisão do 
número de vagas por 20 (vinte) deverá ser observada a 
ordem de nomeação da tabela acima. 
LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. 
 
 
Define os crimes resultantes de 
preconceito de raça ou de cor. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei: 
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes 
resultantes de discriminação ou preconceito de raça, 
cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação 
dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Art. 2º (Vetado). 
Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, 
devidamente habilitado, a qualquer cargo da 
Administração Direta ou Indireta, bem como das 
concessionárias de serviços públicos. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por 
motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou 
procedência nacional, obstar a promoção funcional. 
(Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa privada. 
§ 1º Incorre na mesma pena quem, por motivo de 
discriminação de raça ou de cor ou práticas resultantes 
do preconceito de descendência ou origem nacional ou 
étnica: (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
I - deixar de conceder os equipamentos necessários ao 
empregado em igualdade de condições com os demais 
trabalhadores; (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
II - impedir a ascensão funcional do empregado ou 
obstar outra forma de benefício profissional; (Incluído 
pela Lei nº 12.288, de 2010) 
III - proporcionar ao empregado tratamento 
diferenciado no ambiente de trabalho, especialmente 
quanto ao salário. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010) 
§ 2º Ficará sujeito às penas de multa e de prestação de 
serviços à comunidade, incluindo atividades de 
promoção da igualdade racial, quem, em anúncios ou 
qualquer outra forma de recrutamento de 
trabalhadores, exigir aspectos de aparência próprios de 
raça ou etnia para emprego cujas atividades não 
justifiquem essas exigências. 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
32 
Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento 
comercial, negando-se a servir, atender ou receber 
cliente ou comprador. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou 
ingresso de aluno em estabelecimento de ensino 
público ou privado de qualquer grau. 
Pena: reclusão de três a cinco anos. 
Parágrafo único. Se o crime for praticado contra menor 
de dezoito anos a pena é agravada de 1/3 (um terço). 
Art. 7º Impedir o acesso ou recusar hospedagem em 
hotel, pensão, estalagem, ou qualquer estabelecimento 
similar. 
Pena: reclusão de três a cinco anos. 
Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em 
restaurantes, bares, confeitarias, ou locais semelhantes 
abertos ao público. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 9º Impedir o acesso ou recusar atendimento em 
estabelecimentos esportivos, casas de diversões, ou 
clubes sociais abertos ao público. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 10. Impedir o acesso ou recusar atendimento em 
salões de cabeleireiros, barbearias, termas ou casas de 
massagem ou estabelecimento com as mesmas 
finalidades. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 11. Impedir o acesso às entradas sociais em 
edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou escada 
de acesso aos mesmos: 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 12. Impedir o acesso ou uso de transportes 
públicos, como aviões, navios barcas, barcos, ônibus, 
trens, metrô ou qualquer outro meio de transporte 
concedido. 
Pena: reclusão de um a três anos. 
Art. 13. Impedir ou obstar o acesso de alguém ao 
serviço em qualquer ramo das Forças Armadas. 
Pena: reclusão de dois a quatro anos. 
Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, 
o casamento ou convivência familiar e social. 
Pena: reclusão de dois a quatro anos. 
Art. 15. (Vetado). 
Art. 16. Constitui efeito da condenação a perda do 
cargo ou função pública, para o servidor público, e a 
suspensão do funcionamento do estabelecimento 
particular por prazo não superior a três meses. 
Art. 17. (Vetado). 
Art. 18. Os efeitos de que tratam os arts. 16 e 17 desta 
Lei não são automáticos, devendo ser motivadamente 
declarados na sentença. 
Art. 19. (Vetado). 
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou 
preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência 
nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Pena: reclusão de um a três anos e multa. (Redação 
dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular 
símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou 
propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, 
para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela 
Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído 
pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é 
cometido por intermédio dos meios de comunicação 
social ou publicação de qualquer natureza: (Redação 
dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído 
pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá 
determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido 
deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de 
desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 
15/05/97) 
I - o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos 
exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei nº 
9.459, de 15/05/97) 
II - a cessação das respectivas transmissões 
radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação 
por qualquer meio; (Redação dada pela Lei nº 12.735, 
de 2012) 
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas 
de informação na rede mundial de computadores. 
(Incluído pela Lei nº12.288, de 2010) 
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da 
condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a 
destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei nº 
9.459, de 15/05/97) 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
33 
Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua 
publicação. (Renumerado pela Lei nº 8.081, de 
21.9.1990) 
Art. 22. Revogam-se as disposições em contrário. 
(Renumerado pela Lei nº 8.081, de 21.9.1990) 
Brasília, 5 de janeiro de 1989; 168º da Independência e 
101º da República. 
JOSÉ SARNEY 
Paulo Brossard 
Este texto não substitui o publicado no DOU de 
6.1.1989 e retificada em 9.1.1989 
 
 
 
DECRETO Nº 65.810, DE 8 DE DEZEMBRO DE 1969 
 
 
Promulga a Convenção Internacional sobre a 
Eliminação de todas as Formas de 
Discriminação Racial. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, 
HAVENDO o Congresso Nacional aprovado pelo Decreto 
Legislativo nº 23, de 21 de junho de 1967, a Convenção 
Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de 
Discriminação Racial, que foi aberta à assinatura em 
Nova York e assinada pelo Brasil a 7 de março de 1966; 
E HAVENDO sido depositado o Instrumento brasileiro de 
Ratificação, junto ao Secretário-Geral das Nações 
Unidas, a 27 de março de 1968; 
E TENDO a referida Convenção entrado em vigor, de 
conformidade com o disposto em seu artigo 19, 
parágrafo 1º, a 4 de janeiro de 1969; 
DECRETA que a mesma, apensa por cópia ao presente 
Decreto, seja executada e cumprida tão inteiramente 
como ela nele contém. 
Brasília, 8 de dezembro de 1969; 148º da Independência 
e 81º da República. 
EMÍLIO G. MÉDICI 
Mário Gibson Barbosa 
 
 
A CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO 
DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL. 
 
Os Estados Partes na presente Convenção, 
 
Considerando que a Carta das Nações Unidas baseia-se 
em princípios de dignidade e igualdade inerentes a 
todos os seres humanos, e que todos os Estados 
Membros comprometeram-se a tomar medidas 
separadas e conjuntas, em cooperação com a 
Organização, para a consecução de um dos propósitos 
das Nações Unidas que é promover e encorajar o 
respeito universal e observância dos direitos humanos e 
liberdades fundamentais para todos, sem discriminação 
de raça, sexo, idioma ou religião. 
Considerando que a Declaração Universal dos Direitos 
do Homem proclama que todos os homens nascem 
livres e iguais em dignidade e direitos e que todo 
homem tem todos os direitos estabelecidos na mesma, 
sem distinção de qualquer espécie e principalmente de 
raça, cor ou origem nacional, 
Considerando todos os homens são iguais perante a lei 
e têm o direito à igual proteção contra qualquer 
discriminação e contra qualquer incitamento à 
discriminação, 
Considerando que as Nações Unidas têm condenado o 
colonialismo e todas as práticas de segregação e 
discriminação a ele associados, em qualquer forma e 
onde quer que existam, e que a Declaração sobre a 
Concessão de Independência, a Partes e Povos 
Coloniais, de 14 de dezembro de 1960 (Resolução 1.514 
(XV), da Assembleia Geral afirmou e proclamou 
solenemente a necessidade de levá-las a um fim rápido 
e incondicional, 
Considerando que a Declaração das Nações Unidas 
sobre eliminação de todas as formas de Discriminação 
Racial, de 20 de novembro de 1963, (Resolução 1.904 ( 
XVIII) da Assembleia-Geral), afirma solenemente a 
necessidade de eliminar rapidamente a discriminação 
racial através do mundo em todas as suas formas e 
manifestações e de assegurar a compreensão e o 
respeito à dignidade da pessoa humana, 
Convencidos de que qualquer doutrina de 
superioridade baseada em diferenças raciais é 
cientificamente falsa, moralmente condenável, 
socialmente injusta e perigosa, em que, não existe 
justificação para a discriminação racial, em teoria ou na 
prática, em lugar algum, 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
34 
Reafirmando que a discriminação entre os homens por 
motivos de raça, cor ou origem étnica é um obstáculo a 
relações amistosas e pacíficas entre as nações e é capaz 
de disturbar a paz e a segurança entre povos e a 
harmonia de pessoas vivendo lado a lado até dentro de 
um mesmo Estado, 
Convencidos que a existência de barreiras raciais 
repugna os ideais de qualquer sociedade humana, 
Alarmados por manifestações de discriminação racial 
ainda em evidência em algumas áreas do mundo e por 
políticas governamentais baseadas em superioridade 
racial ou ódio, como as políticas de apartheid , 
segregação ou separação, 
Resolvidos a adotar todas as medidas necessárias para 
eliminar rapidamente a discriminação racial em, todas 
as suas formas e manifestações, e a prevenir e 
combater doutrinas e práticas raciais com o objetivo de 
promover o entendimento entre as raças e construir 
uma comunidade internacional livre de todas as formas 
de separação racial e discriminação racial, 
Levando em conta a Convenção sobre Discriminação 
nos Emprego e Ocupação adotada pela Organização 
internacional do Trabalho em 1958, e a Convenção 
contra discriminação no Ensino adotada pela 
Organização das Nações Unidas para Educação a Ciência 
em 1960, 
Desejosos de completar os princípios estabelecidos na 
Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de 
todas as formas de discriminação racial e assegurar o 
mais cedo possível a adoção de medidas práticas para 
esse fim, 
Acordaram no seguinte: 
 
PARTE I 
Artigo I 
1. Nesta Convenção, a expressão "discriminação racial" 
significará qualquer distinção, exclusão restrição ou 
preferência baseadas em raça, cor, descendência ou 
origem nacional ou étnica que tem por objetivo ou 
efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou 
exercício num mesmo plano,( em igualdade de 
condição), de direitos humanos e liberdades 
fundamentais no domínio político econômico, social, 
cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública. 
2. Esta Convenção não se aplicará ás distinções, 
exclusões, restrições e preferências feitas por um 
Estado Parte nesta Convenção entre cidadãos e não 
cidadãos. 
3. Nada nesta Convenção poderá ser interpretado como 
afetando as disposições legais dos Estados Partes, 
relativas a nacionalidade, cidadania e naturalização, 
desde que tais disposições não discriminem contra 
qualquer nacionalidade particular. 
4. Não serão consideradas discriminação racial as 
medidas especiais tomadas com o único objetivo de 
assegurar progresso adequado de certos grupos raciais 
ou étnicos ou de indivíduos que necessitem da proteção 
que possa ser necessária para proporcionar a tais 
grupos ou indivíduos igual gozo ou exercício de direitos 
humanos e liberdades fundamentais, contando que, tais 
medidas não conduzam, em consequência, à 
manutenção de direitos separados para diferentes 
grupos raciais e não prossigam após terem sido 
alcançados os seus objetivos. 
 
Artigo II 
1. Os Estados Partes condenam a discriminação racial e 
comprometem-se a adotar, por todos os meios 
apropriados e sem tardar uma política de eliminação da 
discriminação racial em todas as suas formas e de 
promoção de entendimento entre todas as raças e para 
esse fim: 
a) Cada Estado parte compromete-se a efetuar nenhum 
ato ou prática de discriminação racial contra pessoas, 
grupos de pessoas ou instituições e fazer com que todas 
as autoridades públicas nacionais ou locais, se 
conformem com esta obrigação; 
b) Cada Estado Parte compromete-se a não encorajar, 
defender ou apoiar a discriminação racial praticada por 
uma pessoa ou uma organização qualquer; 
c) Cada Estado Parte deverá tomar as medidas eficazes, 
a fim de rever as politicas governamentais nacionais e 
locais e para modificar, ab-rogar ou anular qualquer 
disposição regulamentar que tenha como objetivo criar 
a discriminação ou perpetrá-la onde já existir; 
d) Cada Estado Parte deverá, por todos os meios 
apropriados, inclusive se as circunstâncias o exigirem, 
as medidas legislativas, proibir e por fim, a 
discriminação racial praticadas por pessoa,por grupo 
ou das organizações; 
e) Cada Estado Parte compromete-se a favorecer, 
quando for o caso as organizações e movimentos multi-
raciais e outros meios próprios a eliminar as barreiras 
entre as raças e a desencorajar o que tende a fortalecer 
a divisão racial. 
2) Os Estados Partes tomarão, se as circunstâncias o 
exigirem, nos campos social, econômico, cultural e 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
35 
outros, as medidas especiais e concretas para assegurar 
como convier o desenvolvimento ou a proteção de 
certos grupos raciais ou de indivíduos pertencentes a 
estes grupos com o objetivo de garantir-lhes, em 
condições de igualdade, o pleno exercício dos direitos 
do homem e das liberdades fundamentais. 
Essas medidas não deverão, em caso algum, ter a 
finalidade de manter direitos grupos raciais, depois de 
alcançados os objetivos em razão dos quais foram 
tomadas. 
 
Artigo III 
Os Estados Partes especialmente condenam a 
segregação racial e o apartheid e comprometem-se a 
proibir e a eliminar nos territórios sob sua jurisdição 
todas as práticas dessa natureza. 
 
Artigo IV 
Os Estados partes condenam toda propaganda e todas 
as organizações que se inspirem em ideias ou teorias 
baseadas na superioridade de uma raça ou de um grupo 
de pessoas de uma certa cor ou de uma certa origem 
étnica ou que pretendem justificar ou encorajar 
qualquer forma de ódio e de discriminação raciais e 
comprometem-se a adotar imediatamente medidas 
positivas destinadas a eliminar qualquer incitação a uma 
tal discriminação, ou quaisquer atos de discriminação 
com este objetivo tendo em vista os princípios 
formulados na Declaração universal dos direitos do 
homem e os direitos expressamente enunciados no 
artigo 5 da presente convenção, eles se comprometem 
principalmente: 
a) a declarar delitos puníveis por lei, qualquer difusão 
de ideias baseadas na superioridade ou ódio raciais, 
qualquer incitamento à discriminação racial, assim 
como quaisquer atos de violência ou provocação a tais 
atos, dirigidos contra qualquer raça ou qualquer grupo 
de pessoas de outra cor ou de outra origem técnica, 
como também qualquer assistência prestada a 
atividades racistas, inclusive seu financiamento; 
b) a declarar ilegais e a proibir as organizações assim 
como as atividades de propaganda organizada e 
qualquer outro tipo de atividade de propaganda que 
incitar a discriminação racial e que a encorajar e a 
declara delito punível por lei a participação nestas 
organizações ou nestas atividades. 
c) a não permitir as autoridades públicas nem ás 
instituições públicas nacionais ou locais, o incitamento 
ou encorajamento à discriminação racial. 
Artigo V 
De conformidade com as obrigações fundamentais 
enunciadas no artigo 2, Os Estados Partes 
comprometem-se a proibir e a eliminar a discriminação 
racial em todas suas formas e a garantir o direito de 
cada uma à igualdade perante a lei sem distinção de 
raça , de cor ou de origem nacional ou étnica, 
principalmente no gozo dos seguintes direitos: 
a) direito a um tratamento igual perante os tribunais ou 
qualquer outro orgão que administre justiça; 
b) direito a segurança da pessoa ou à proteção do 
Estado contra violência ou ou lesão corporal cometida 
que por funcionários de Governo, quer por qualquer 
indivíduo, grupo ou instituição. 
c) direitos políticos principalmente direito de participar 
às eleições - de votar e ser votado - conforme o sistema 
de sufrágio universal e igual direito de tomar parte no 
Governo, assim como na direção dos assuntos públicos, 
em qualquer grau e o direito de acesso em igualdade de 
condições, às funções públicas. 
d) Outros direitos civis, principalmente, 
I) direito de circular livremente e de escolher residência 
dentro das fronteiras do Estado; 
II) direito de deixar qualquer pais, inclusive o seu, e de 
voltar a seu país; 
III) direito de uma nacionalidade; 
IV) direito de casar-se e escolher o cônjuge; 
V) direito de qualquer pessoa, tanto individualmente 
como em conjunto, à propriedade; 
VI) direito de herdar; 
VII) direito à liberdade de pensamento, de consciência e 
de religião; 
VIII) direito à liberdade de opinião e de expressão; 
IX) direito à liberdade de reunião e de associação 
pacífica; 
e) direitos econômicos, sociais culturais, 
principalmente: 
I) direitos ao trabalho, a livre escolha de seu trabalho, a 
condições equitativas e satisfatórias de trabalho à 
proteção contra o desemprego, a um salário igual para 
um trabalho igual, a uma remuneração equitativa e 
satisfatória; 
II) direito de fundar sindicatos e a eles se afiliar; 
III) direito à habitação; 
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36 
IV) direito à saúde pública, a tratamento médico, à 
previdência social e aos serviços sociais; 
V) direito a educação e à formação profissional; 
VI) direito a igual participação das atividades culturais; 
f) direito de acesso a todos os lugares e serviços 
destinados ao uso do publico, tais como, meios de 
transporte hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e 
parques. 
 
Artigo VI 
Os Estados Partes assegurarão a qualquer pessoa que 
estiver sob sua jurisdição, proteção e recursos efetivos 
perante os tribunais nacionais e outros órgãos do 
Estado competentes, contra quaisquer atos de 
discriminação racial que, contrariamente à presente 
Convenção, violarem seus direitos individuais e suas 
liberdades fundamentais, assim como o direito de pedir 
a esses tribunais uma satisfação ou repartição justa e 
adequada por qualquer dano de que foi vitima em 
decorrência de tal discriminação. 
 
Artigo VII 
Os Estados Partes, comprometem-se a tomar as 
medidas imediatas e eficazes, principalmente no campo 
de ensino, educação, da cultura e da informação, para 
lutar contra os preconceitos que levem à discriminação 
racial e para promover o entendimento, a tolerância e a 
amizade entre nações e grupos raciais e éticos assim 
como para propagar ao objetivo e princípios da Carta 
das Nações Unidas da Declaração Universal dos Direitos 
do Homem, da Declaração das Nações Unidas sobre a 
eliminação de todas as formas de discriminação racial e 
da presente Convenção. 
 
PARTE II 
Artigo VIII 
1. Será estabelecido um Comitê para a eliminação da 
discriminação racial (doravante denominado "o Comitê) 
composto de 18 peritos conhecidos para sua alta 
moralidade e conhecida imparcialidade, que serão 
eleitos pelos Estados Membros dentre seus nacionais e 
que atuarão a título individual, levando-se em conta 
uma repartição geográfica equitativa e a representação 
das formas diversas de civilização assim como dos 
principais sistemas jurídicos. 
2. Os Membros do Comitê serão eleitos em escrutínio 
secreto de uma lista de candidatos designados pelos 
Estados Partes, Cada Estado Parte poderá designar um 
candidato escolhido dentre seus nacionais. 
3. A primeira eleição será realizada seis meses após a 
data da entrada em vigor da presente Convenção. Três 
meses pelo menos antes de cada eleição, o Secretário 
Geral das Nações Unidas enviará uma Carta aos Estados 
Partes para convidá-los a apresentar suas candidaturas 
no prazo de dois meses. O Secretário Geral elaborará 
uma lista por ordem alfabética, de todos os candidatos 
assim nomeados com indicação dos Estados partes que 
os nomearam, e a comunicará aos Estados Partes. 
4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma 
reunião dos Estados Partes convocada pelo Secretário 
Geral das Nações Unidas. Nessa reunião, em que o 
quorum será alcançado com dois terços dos Estados 
Partes, serão eleitos membros do Comitê, os candidatos 
que obtiverem o maior número de votos e a maioria 
absoluta de votos dos representantes dos Estados 
Partes presentes e votantes. 
5. a) Os membros do Comitê serão eleitos por um 
período de quatro anos. Entretanto, o mandato de nove 
dos membros eleitos na primeira eleição, expirará ao 
fim de dois anos; logo após a primeira eleição os nomes 
desses nove membrosserão escolhidos, por sorteio, 
pelo Presidente do Comitê. 
b) Para preencher as vagas fortuitas, o Estado Parte, 
cujo perito deixou de exercer suas funções de membro 
do Comitê, nomeará outro perito dentre seus nacionais, 
sob reserva da aprovação do Comitê. 
6. Os Estados Partes serão responsáveis pelas despesas 
dos membros do Comitê para o período em que estes 
desempenharem funções no Comitê. 
 
Artigo IX 
1. Os Estados Partes comprometem-se a apresentar ao 
Secretário Geral para exame do Comitê, um relatório 
sobre as medidas legislativas, judiciárias, 
administrativas ou outras que tomarem para tornarem 
efetivas as disposições da presente Convenção: 
a) dentro do prazo de um ano a partir da entrada em 
vigor da Convenção, para cada Estado interessado no 
que lhe diz respeito, e posteriormente, cada dois anos, 
e toda vez que o Comitê o solicitar. O Comitê poderá 
solicitar informações complementares aos Estados 
Partes. 
2. O Comitê submeterá anualmente à Assembleia Geral, 
um relatório sobre suas atividades e poderá fazer 
sugestões e recomendações de ordem geral baseadas 
no exame dos relatórios e das informações recebidas 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
37 
dos Estados Partes. Levará estas sugestões e 
recomendações de ordem geral ao conhecimento da 
Assembleia Geral, e se as houver juntamente com as 
observações dos Estados Partes. 
 
Artigo X 
1. O Comitê adotará seu regulamento interno. 
2. O Comitê elegerá sua mesa por um período de dois 
anos. 
3. O Secretário Geral da Organização das Nações Unidas 
foi necessários serviços de Secretaria ao Comitê. 
4. O Comitê reunir-se-á normalmente na Sede das 
Nações Unidas. 
 
Artigo XI 
1. Se um Estado Parte Julgar que outro Estado 
igualmente Parte não aplica as disposições da presente 
Convenção poderá chamar a atenção do Comitê sobre a 
questão. O Comitê transmitirá, então, a comunicação ao 
Estado Parte interessado. Num prazo de três meses, o 
Estado destinatário submeterá ao Comitê as explicações 
ou declarações por escrito, a fim de esclarecer a 
questão e indicar as medidas corretivas que por acaso 
tenham sido tomadas pelo referido Estado. 
2. Se, dentro de um prazo de seis meses a partir da data 
do recebimento da comunicação original pelo Estado 
destinatário a questão não foi resolvida a contento dos 
dois Estados, por meio de negociações bilaterais ou por 
qualquer outro processo que estiver a sua disposição, 
tanto um como o outro terão o direito de submetê-la 
novamente ao Comitê, endereçando uma notificação ao 
Comitê assim como ao outro Estado interessado. 
3. O Comitê só poderá tomar conhecimento de uma 
questão, de acordo com o parágrafo 2 do presente 
artigo, após ter constatado que todos os recursos 
internos disponíveis foram interpostos ou esgotados, de 
conformidade com os princípios do direito internacional 
geralmente reconhecidos. Esta regra não se aplicará se 
os procedimentos de recurso excederem prazos 
razoáveis. 
4. Em qualquer questão que lhe for submetida, Comitê 
poderá solicitar aos Estados-Partes presentes que lhe 
forneçam quaisquer informações complementares 
pertinentes. 
 
 
5. Quando o Comitê examinar uma questão conforme o 
presente Artigo os Estados Partes interessados terão o 
direito de nomear um representante que participará 
sem direito de voto dos trabalhos no Comitê durante 
todos os debates. 
 
Artigo XII 
1. a) Depois que o Comitê obtiver e consultar as 
informações que julgar necessárias, o Presidente 
nomeará uma Comissão de Conciliação ad hoc 
(doravante denominada " A Comissão", composta de 5 
pessoas que poderão ser ou não membros do Comitê. 
Os membros serão nomeados com o consentimento 
pleno e unânime das partes na controvérsia e a 
Comissão fará seus bons ofícios a disposição dos 
Estados presentes, com o objetivo de chegar a uma 
solução amigável da questão, baseada no respeito à 
presente Convenção. 
b) Se os Estados Partes na controvérsia não chegarem a 
um entendimento em relação a toda ou parte da 
composição da Comissão num prazo de três meses os 
membros da Comissão que não tiverem o assentimento 
do Estados Partes, na controvérsia serão eleitos por 
escrutínio secreto entre os membros de dois terços dos 
membros do Comitê. 
2. Os membros da Comissão atuarão a título individual. 
Não deverão ser nacionais de um dos Estados Partes na 
controvérsia nem de um Estado que não seja parte da 
presente Convenção. 
3. A Comissão elegerá seu Presidente e adotará seu 
regimento interno. 
4. A Comissão reunir-se-a normalmente na sede nas 
Nações Unidas em qualquer outro lugar apropriado que 
a Comissão determinar. 
5. O Secretariado previsto no parágrafo 3 do artigo 10 
prestará igualmente seus serviços à Comissão cada ver 
que uma controvérsia entre os Estados Partes provocar 
sua formação. 
6. Todas as despesas dos membros da Comissão serão 
divididos igualmente entre os Estados Partes na 
controvérsia baseadas num cálculo estimativo feito pelo 
Secretário-Geral. 
7. O Secretário Geral ficará autorizado a pagar, se for 
necessário, as despesas dos membros da Comissão, 
antes que o reembolso seja efetuado pelos Estados 
Partes na controvérsia, de conformidade com o 
parágrafo 6 do presente artigo. 
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38 
8. As informações obtidas e confrontadas pelo Comitê 
serão postas à disposição da Comissão, e a Comissão 
poderá solicitar aos Estados interessados sde lhe 
fornecer qualquer informação complementar 
pertinente. 
 
Artigo XIII 
1. Após haver estudado a questão sob todos os seus 
aspectos, a Comissão preparará e submeterá ao 
Presidente do Comitê um relatório com as conclusões 
sobre todas ass questões de fato relativas à 
controvérsia entre as partes e as recomendações que 
julgar oportunas a fim de chegar a uma solução 
amistosa da controvérsia. 
2. O Presidente do Comitê transmitirá o relatório da 
Comissão a cada um dos Estados Partes na controvérsia. 
Os referidos Estados comunicarão ao Presidente do 
Comitê num prazo de três meses se aceitam ou não, as 
recomendações contidas no relatório da Comissão. 
3. Expirado o prazo previsto no paragrafo 2º do 
presente artigo, o Presidente do Comitê comunicará o 
Relatório da Comissão e as declarações dos Estados 
Partes interessadas aos outros Estados Parte na 
Comissão. 
 
Artigo XIV 
1. Todo o Estado parte poderá declarar e qualquer 
momento que reconhece a competência do Comitê 
para receber e examinar comunicações de indivíduos 
sob sua jurisdição que se consideram vítimas de uma 
violação pelo referido Estado Parte de qualquer um dos 
direitos enunciados na presente Convenção. O Comitê 
não receberá qualquer comunicação de um Estado 
Parte que não houver feito tal declaração. 
2. Qualquer Estado parte que fizer uma declaração de 
conformidade com o parágrafo do presente artigo, 
poderá criar ou designar um órgão dentro de sua ordem 
jurídica nacional, que terá competência para receber e 
examinar as petições de pessoas ou grupos de pessoas 
sob sua jurisdição que alegarem ser vitimas de uma 
violação de qualquer um dos direitos enunciados na 
presente Convenção e que esgotaram os outros 
recursos locais disponíveis. 
3. A declaração feita de conformidade com o parágrafo 
1 do presente artigo e o nome de qualquer órgão criado 
ou designado pelo Estado Parte interessado consoante 
o parágrafo 2 do presente artigo será depositado pelo 
Estado Parte interessado junto ao Secretário Geral das 
Nações Unidas que remeterá cópias aos outros Estados 
Partes. A declaração poderá ser retirada a qualquer 
momento mediante notificação ao Secretário Geral mas 
esta retirada não prejudicará as comunicações que já 
estiverem sendo estudadas pelo Comitê. 
4. O órgão criado ou designado de conformidade com o 
parágrafo 2 do presente artigo, deverá manter um 
registro de petições e cópias autenticada do registro 
serão depositadas anualmente por canais apropriados 
junto ao Secretário Geral das Nações Unidas, no 
entendimentoque o conteúdo dessas cópias não será 
divulgado ao público. 
5. Se não obtiver repartição satisfatória do órgão criado 
ou designado de conformidade com o parágrafo 2 do 
presente artigo, o peticionário terá o direito de levar a 
questão ao Comitê dentro de seis meses. 
6. a) O Comitê levará, a título confidencial, qualquer 
comunicação que lhe tenha sido endereçada, ao 
conhecimento do Estado Parte que, pretensamente 
houver violado qualquer das disposições desta 
Convenção, mas a identidade da pessoa ou dos grupos 
de pessoas não poderá ser revelada sem o 
consentimento expresso da referida pessoa ou grupos 
de pessoas. O Comitê não receberá comunicações 
anônimas. 
b) Nos três meses seguintes, o referido Estado 
submeterá, por escrito ao Comitê, as explicações ou 
recomendações que esclarecem a questão e indicará as 
medidas corretivas que por acaso houver adotado. 
7. a) O Comitê examinará as comunicações, à luz de 
todas as informações que forem submetidas pelo 
Estado parte interessado e pelo peticionário. O Comitê 
só examinará uma comunicação de peticionário após 
ter-se assegurado que este esgotou todos os recursos 
internos disponíveis. Entretanto, esta regra não se 
aplicará se os processos de recurso excederem prazos 
razoáveis. 
b) O Comitê remeterá suas sugestões e recomendações 
eventuais, ao Estado Parte interessado e ao 
peticionário. 
8. O Comitê incluirá em seu relatório anual um resumo 
destas comunicações, se for necessário, um resumo das 
explicações e declarações dos Estados Partes 
interessados assim como suas próprias sugestões e 
recomendações. 
9. O Comitê somente terá competência para exercer as 
funções previstas neste artigo se pelo menos dez 
Estados Partes nesta Convenção estiverem obrigados 
por declarações feitas de conformidade com o 
parágrafo deste artigo. 
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39 
Artigo XV 
1. Enquanto não forem atingidos os objetivos da 
resolução 1.514 (XV) da Assembleia Geral de 14 de 
dezembro de 1960, relativa à Declaração sobro a 
concessão da independência dos países e povos 
coloniais, as disposições da presente convenção não 
restringirão de maneira alguma o direito de petição 
concedida aos povos por outros instrumentos 
internacionais ou pela Organização das Nações Unidas e 
suas agências especializadas. 
2. a) O Comitê constituído de conformidade com o 
parágrafo 1 do artigo 8 desta Convenção receberá cópia 
das petições provenientes dos órgãos das Nações 
Unidas que se encarregarem de questões diretamente 
relacionadas com os princípios e objetivos da presente 
Convenção e expressará sua opinião e formulará 
recomendações sobre petições recebidas quando 
examinar as petições recebidas dos habitantes dos 
territórios sob tutela ou não autônomo ou de qualquer 
outro território a que se aplicar a resolução 1514 (XV) 
da Assembleia Geral, relacionadas a questões tratadas 
pela presente Convenção e que forem submetidas a 
esses órgãos. 
b) O Comitê receberá dos órgãos competentes da 
Organização das Nações Unidas cópia dos relatórios 
sobre medidas de ordem legislativa judiciária, 
administrativa ou outra diretamente relacionada com os 
princípios e objetivos da presente Convenção que as 
Potências Administradoras tiverem aplicado nos 
territórios mencionados na alínea "a" do presente 
parágrafo e expressará sua opinião e fará 
recomendações a esses órgãos. 
3. O Comitê incluirá em seu relatório à Assembleia um 
resumo das petições e relatórios que houver recebido 
de órgãos das Nações Unidas e as opiniões e 
recomendações que houver proferido sobre tais 
petições e relatórios. 
4. O Comitê solicitará ao Secretário Geral das Nações 
Unidas qualquer informação relacionada com os 
objetivos da presente Convenção que este dispuser 
sobre os territórios mencionados no parágrafo 2 (a) do 
presente artigo. 
 
Artigo XVI 
As disposições desta Convenção relativas a solução das 
controvérsias ou queixas serão aplicadas sem prejuízo 
de outros processos para solução de controvérsias e 
queixas no campo da discriminação previstos nos 
instrumentos constitutivos das Nações Unidas e suas 
agências especializadas, e não excluirá a possibilidade 
dos Estados partes recomendarem aos outros, 
processos para a solução de uma controvérsia de 
conformidade com os acordos internacionais ou 
especiais que os ligarem. 
 
Terceira Parte 
Artigo XVII 
1. A presente Convenção ficará aberta à assinatura de 
todo Estado Membro da Organização das Nações 
Unidas ou membro de qualquer uma de suas agências 
especializadas, de qualquer Estado parte no Estatuto da 
Côrte Internacional de Justiça, assim como de qualquer 
outro Estado convidado pela Assembleia-Geral da 
Organização das Nações Unidas a torna-se parte na 
presente Convenção. 
2. A presente Convenção ficará sujeita à ratificação e os 
instrumentos de ratificação serão depositados junto ao 
Secretário Geral das Nações Unidas. 
 
Artigo XVIII 
1. A presente Convenção ficará aberta a adesão de 
qualquer Estado mencionado no parágrafo 1º do artigo 
17. 
2. A adesão será efetuada pelo depósito de instrumento 
de adesão junto ao Secretário Geral das Nações Unidas. 
 
Artigo XIX 
1. Esta convenção entrará em vigor no trigésimo dia 
após a data do deposito junto ao Secretário Geral das 
Nações Unidas do vigésimo sétimo instrumento de 
ratificação ou adesão. 
2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção 
ou a ele aderir após o depósito do vigésimo sétimo 
instrumento de ratificação ou adesão esta Convenção 
entrará em vigor no trigésimo dia após o depósito de 
seu instrumento de ratificação ou adesão. 
 
Artigo XX 
1. O Secretário Geral das Nações Unidas receberá e 
enviará, a todos os Estados que forem ou vierem a 
torna-se partes desta Convenção, as reservas feitas 
pelos Estados no momento da ratificação ou adesão. 
Qualquer Estado que objetar a essas reservas, deverá 
notificar ao Secretário Geral dentro de noventa dias da 
data da referida comunicação, que não aceita. 
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40 
2. Não será permitida uma reserva incompatível com o 
objeto e o escopo desta Convenção nem uma reserva 
cujo efeito seria a de impedir o funcionamento de 
qualquer dos órgãos previstos nesta Convenção. Uma 
reserva será considerada incompatível ou impeditiva se 
a ela objetarerm ao menos dois terços dos Estados 
partes nesta Convenção. 
3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer 
momento por uma notificação endereçada com esse 
objetivo ao Secretário Geral. Tal notificação surgirá 
efeito na data de seu recebimento. 
 
Artigo XXI 
Qualquer Estado parte poderá denunciar esta 
Convenção mediante notificação escrita endereçada ao 
Secretário Geral da Organização das Nações Unidas. A 
denúncia surtirá efeito um ano após data do 
recebimento da notificação pelo Secretário Geral. 
 
Artigo XXI 
Qualquer Controvérsia entre dois ou mais Estados Parte 
relativa a interpretação ou aplicação desta Convenção 
que não for resolvida por negociações ou pelos 
processos previstos expressamente nesta Convenção, 
será o pedido de qualquer das Partes na controvérsia. 
Submetida à decisão da Corte Internacional de Justiça a 
não ser que os litigantes concordem em outro meio de 
solução. 
 
Artigo XXII 
Qualquer Controvérsia entre dois ou mais Estados 
Partes relativa à interpretação ou aplicação desta 
Convenção, que não for resolvida por negociações ou 
pelos processos previstos expressamente nesta 
Convenção será, pedido de qualquer das Partes na 
controvérsia, submetida à decisão da Corte 
Internacional de Justiça a não ser que os litigantes 
concordem em outro meio de solução. 
 
Artigo XXIII 
1. Qualquer Estado Parte poderá formular a qualquer 
momento um pedido de revisão da presente 
Convenção, mediante notificação escrita endereçada ao 
Secretário Geral das Nações Unidas. 
2. A Assembleia-Geral decidirá a respeito das medidas a 
serem tomadas, caso for necessário, sobre o pedido. 
 
Artigo XXIV 
OSecretário Geral da Organização das Nações Unidas 
comunicará a todos os Estados mencionados no 
parágrafo 1º do artigo 17 desta Convenção. 
a) as assinaturas e os depósitos de instrumentos de 
ratificação e de adesão de conformidade com os artigos 
17 e 18; 
b) a data em que a presente Convenção entrar em 
vigor, de conformidade com o artigo 19; 
c) as comunicações e declarações recebidas de 
conformidade com os artigos 14, 20 e 23. 
d) as denúncias feitas de conformidade com o artigo 21. 
 
Artigo XXV 
1. Esta Convenção, cujos textos em chinês, espanhol, 
inglês e russo são igualmente autênticos será 
depositada nos arquivos das Nações Unidas. 
2. O Secretário Geral das Nações Unidas enviará cópias 
autenticadas desta Convenção a todos os Estados 
pertencentes a qualquer uma das categorias 
mencionadas no parágrafo 1º do artigo 17. 
Em fé do que os abaixo assinados devidamente 
autorizados por seus Governos assinaram a presente 
Convenção que foi aberta a assinatura em Nova York a 
7 de março de 1966. 
 
Este texto não substitui o original publicado no Diário 
Oficial da União - Seção 1 de 10/12/1969 
 
Publicação: 
Diário Oficial da União - Seção 1 - 10/12/1969, Página 
10536 (Publicação Original) 
Coleção de Leis do Brasil - 1969, Página 627 Vol. 8 
(Publicação Original) 
 
 
 
 
 
 
 
 
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41 
DECRETO Nº 4.377, DE 13 DE SETEMBRO DE 2002. 
 
 
Promulga a Convenção sobre a Eliminação de 
Todas as Formas de Discriminação contra a 
Mulher, de 1979, e revoga o Decreto no 
89.460, de 20 de março de 1984. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que 
lhe confere o art. 84, inciso VIII, da Constituição, e 
Considerando que o Congresso Nacional aprovou, pelo 
Decreto Legislativo no 93, de 14 de novembro de 1983, a 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação contra a Mulher, assinada pela República 
Federativa do Brasil, em Nova York, no dia 31 de março 
de 1981, com reservas aos seus artigos 15, parágrafo 4º, 
e 16, parágrafo 1º, alíneas (a), (c), (g) e (h); 
Considerando que, pelo Decreto Legislativo no 26, de 22 
de junho de 1994, o Congresso Nacional revogou o 
citado Decreto Legislativo no 93, aprovando a 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Discriminação contra a Mulher, inclusive os citados 
artigos 15, parágrafo 4º, e 16, parágrafo 1º , alíneas (a), 
(c), (g) e (h); 
Considerando que o Brasil retirou as mencionadas 
reservas em 20 de dezembro de 1994; 
Considerando que a Convenção entrou em vigor, para o 
Brasil, em 2 de março de 1984, com a reserva facultada 
em seu art. 29, parágrafo 2; 
 
DECRETA: 
Art. 1º A Convenção sobre a Eliminação de Todas as 
Formas de Discriminação contra a Mulher, de 18 de 
dezembro de 1979, apensa por cópia ao presente 
Decreto, com reserva facultada em seu art. 29, 
parágrafo 2, será executada e cumprida tão 
inteiramente como nela se contém. 
Art. 2º São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional 
quaisquer atos que possam resultar em revisão da 
referida Convenção, assim como quaisquer ajustes 
complementares que, nos termos do art. 49, inciso I, da 
Constituição, acarretem encargos ou compromissos 
gravosos ao patrimônio nacional. 
Art. 3º Este Decreto entra em vigor na data de sua 
publicação. 
Art. 4º Fica revogado o Decreto no 89.460, de 20 de 
março de 1984. 
CONVENÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS 
FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA A MULHER 
Os Estados Partes na presente convenção, 
CONSIDERANDO que a Carta das Nações Unidas 
reafirma a fé nos direitos fundamentais do homem, na 
dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade 
de direitos do homem e da mulher, 
CONSIDERANDO que a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos reafirma o princípio da não-
discriminação e proclama que todos os seres humanos 
nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que 
toda pessoa pode invocar todos os direitos e liberdades 
proclamados nessa Declaração, sem distinção alguma, 
inclusive de sexo, 
CONSIDERANDO que os Estados Partes nas Convenções 
Internacionais sobre Direitos Humanos tem a obrigação 
de garantir ao homem e à mulher a igualdade de gozo 
de todos os direitos econômicos, sociais, culturais, civis 
e políticos, 
OBSEVANDO as convenções internacionais concluídas 
sob os auspícios das Nações Unidas e dos organismos 
especializados em favor da igualdade de direitos entre o 
homem e a mulher, 
OBSERVANDO, ainda, as resoluções, declarações e 
recomendações aprovadas pelas Nações Unidas e pelas 
Agências Especializadas para favorecer a igualdade de 
direitos entre o homem e a mulher, 
PREOCUPADOS, contudo, com o fato de que, apesar 
destes diversos instrumentos, a mulher continue sendo 
objeto de grandes discriminações, 
RELEMBRANDO que a discriminação contra a mulher 
viola os princípios da igualdade de direitos e do respeito 
da dignidade humana, dificulta a participação da 
mulher, nas mesmas condições que o homem, na vida 
política, social, econômica e cultural de seu país, 
constitui um obstáculo ao aumento do bem-estar da 
sociedade e da família e dificulta o pleno 
desenvolvimento das potencialidades da mulher para 
prestar serviço a seu país e à humanidade, 
PREOCUPADOS com o fato de que, em situações de 
pobreza, a mulher tem um acesso mínimo à 
alimentação, à saúde, à educação, à capacitação e às 
oportunidades de emprego, assim como à satisfação de 
outras necessidades, 
CONVENCIDOS de que o estabelecimento da Nova 
Ordem Econômica Internacional baseada na equidade e 
na justiça contribuirá significativamente para a 
promoção da igualdade entre o homem e a mulher, 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
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SALIENTANDO que a eliminação do apartheid, de todas 
as formas de racismo, discriminação racial, 
colonialismo, neocolonialismo, agressão, ocupação 
estrangeira e dominação e interferência nos assuntos 
internos dos Estados é essencial para o pleno exercício 
dos direitos do homem e da mulher, 
AFIRMANDO que o fortalecimento da paz e da 
segurança internacionais, o alívio da tensão 
internacional, a cooperação mútua entre todos os 
Estados, independentemente de seus sistemas 
econômicos e sociais, o desarmamento geral e 
completo, e em particular o desarmamento nuclear sob 
um estrito e efetivo controle internacional, a afirmação 
dos princípios de justiça, igualdade e proveito mútuo 
nas relações entre países e a realização do direito dos 
povos submetidos a dominação colonial e estrangeira e 
a ocupação estrangeira, à autodeterminação e 
independência, bem como o respeito da soberania 
nacional e da integridade territorial, promoverão o 
progresso e o desenvolvimento sociais, e, em 
consequência, contribuirão para a realização da plena 
igualdade entre o homem e a mulher, 
CONVENCIDOS de que a participação máxima da 
mulher, em igualdade de condições com o homem, em 
todos os campos, é indispensável para o 
desenvolvimento pleno e completo de um país, o bem-
estar do mundo e a causa da paz, 
TENDO presente a grande contribuição da mulher ao 
bem-estar da família e ao desenvolvimento da 
sociedade, até agora não plenamente reconhecida, a 
importância social da maternidade e a função dos pais 
na família e na educação dos filhos, e conscientes de 
que o papel da mulher na procriação não deve ser causa 
de discriminação mas sim que a educação dos filhos 
exige a responsabilidade compartilhada entre homens e 
mulheres e a sociedade como um conjunto, 
RECONHECENDO que para alcançar a plena igualdade 
entre o homem e a mulher é necessário modificar o 
papel tradicional tanto do homem como da mulher na 
sociedade e na família, 
RESOLVIDOS a aplicar os princípios enunciados na 
Declaração sobre a Eliminação da Discriminação contra 
a Mulher e, para isto, a adotar as medidas necessárias a 
fim de suprimir essa discriminação em todas as suas 
formas e manifestações, 
CONCORDARAM no seguinte: 
 
 
 
PARTE I 
Artigo 1º 
Para os fins da presente Convenção, a expressão"discriminação contra a mulher" significará toda a 
distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que 
tenha por objeto ou resultado prejudicar ou anular o 
reconhecimento, gozo ou exercício pela mulher, 
independentemente de seu estado civil, com base na 
igualdade do homem e da mulher, dos direitos 
humanos e liberdades fundamentais nos campos 
político, econômico, social, cultural e civil ou em 
qualquer outro campo. 
 
Artigo 2º 
Os Estados Partes condenam a discriminação contra a 
mulher em todas as suas formas, concordam em seguir, 
por todos os meios apropriados e sem dilações, uma 
política destinada a eliminar a discriminação contra a 
mulher, e com tal objetivo se comprometem a: 
a) Consagrar, se ainda não o tiverem feito, em suas 
constituições nacionais ou em outra legislação 
apropriada o princípio da igualdade do homem e da 
mulher e assegurar por lei outros meios apropriados a 
realização prática desse princípio; 
b) Adotar medidas adequadas, legislativas e de outro 
caráter, com as sanções cabíveis e que proíbam toda 
discriminação contra a mulher; 
c) Estabelecer a proteção jurídica dos direitos da mulher 
numa base de igualdade com os do homem e garantir, 
por meio dos tribunais nacionais competentes e de 
outras instituições públicas, a proteção efetiva da 
mulher contra todo ato de discriminação; 
d) Abster-se de incorrer em todo ato ou prática de 
discriminação contra a mulher e zelar para que as 
autoridades e instituições públicas atuem em 
conformidade com esta obrigação; 
e) Tomar as medidas apropriadas para eliminar a 
discriminação contra a mulher praticada por qualquer 
pessoa, organização ou empresa; 
f) Adotar todas as medidas adequadas, inclusive de 
caráter legislativo, para modificar ou derrogar leis, 
regulamentos, usos e práticas que constituam 
discriminação contra a mulher; 
g) Derrogar todas as disposições penais nacionais que 
constituam discriminação contra a mulher. 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
43 
Artigo 3º 
Os Estados Partes tomarão, em todas as esferas e, em 
particular, nas esferas política, social, econômica e 
cultural, todas as medidas apropriadas, inclusive de 
caráter legislativo, para assegurar o pleno 
desenvolvimento e progresso da mulher, com o objetivo 
de garantir-lhe o exercício e gozo dos direitos humanos 
e liberdades fundamentais em igualdade de condições 
com o homem. 
 
Artigo 4º 
1. A adoção pelos Estados-Partes de medidas especiais 
de caráter temporário destinadas a acelerar a igualdade 
de fato entre o homem e a mulher não se considerará 
discriminação na forma definida nesta Convenção, mas 
de nenhuma maneira implicará, como consequência, a 
manutenção de normas desiguais ou separadas; essas 
medidas cessarão quando os objetivos de igualdade de 
oportunidade e tratamento houverem sido alcançados. 
2. A adoção pelos Estados-Partes de medidas especiais, 
inclusive as contidas na presente Convenção, destinadas 
a proteger a maternidade, não se considerará 
discriminatória. 
 
Artigo 5º 
Os Estados-Partes tornarão todas as medidas 
apropriadas para: 
a) Modificar os padrões sócio-culturais de conduta de 
homens e mulheres, com vistas a alcançar a eliminação 
dos preconceitos e práticas consuetudinárias e de 
qualquer outra índole que estejam baseados na ideia da 
inferioridade ou superioridade de qualquer dos sexos 
ou em funções estereotipadas de homens e mulheres. 
b) Garantir que a educação familiar inclua uma 
compreensão adequada da maternidade como função 
social e o reconhecimento da responsabilidade comum 
de homens e mulheres no que diz respeito à educação e 
ao desenvolvimento de seus filhos, entendendo-se que 
o interesse dos filhos constituirá a consideração 
primordial em todos os casos. 
Artigo 6º 
Os Estados-Partes tomarão todas as medidas 
apropriadas, inclusive de caráter legislativo, para 
suprimir todas as formas de tráfico de mulheres e 
exploração da prostituição da mulher. 
 
 
PARTE II 
Artigo 7º 
Os Estados-Partes tomarão todas as medidas 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher na vida política e pública do país e, em 
particular, garantirão, em igualdade de condições com 
os homens, o direito a: 
a) Votar em todas as eleições e referenda públicos e ser 
elegível para todos os órgãos cujos membros sejam 
objeto de eleições públicas; 
b) Participar na formulação de políticas governamentais 
e na execução destas, e ocupar cargos públicos e 
exercer todas as funções públicas em todos os planos 
governamentais; 
c) Participar em organizações e associações não-
governamentais que se ocupem da vida pública e 
política do país. 
 
Artigo 8º 
Os Estados-Partes tomarão todas as medidas 
apropriadas para garantir, à mulher, em igualdade de 
condições com o homem e sem discriminação alguma, a 
oportunidade de representar seu governo no plano 
internacional e de participar no trabalho das 
organizações internacionais. 
 
Artigo 9º 
1. Os Estados-Partes outorgarão às mulheres direitos 
iguais aos dos homens para adquirir, mudar ou 
conservar sua nacionalidade. Garantirão, em particular, 
que nem o casamento com um estrangeiro, nem a 
mudança de nacionalidade do marido durante o 
casamento, modifiquem automaticamente a 
nacionalidade da esposa, convertam-na em apátrida ou 
a obriguem a adotar a nacionalidade do cônjuge. 
2. Os Estados-Partes outorgarão à mulher os mesmos 
direitos que ao homem no que diz respeito à 
nacionalidade dos filhos. 
 
PARTE III 
Artigo 10 
Os Estados-Partes adotarão todas as medidas 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher, a fim de assegurar-lhe a igualdade de direitos 
com o homem na esfera da educação e em particular 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
44 
para assegurarem condições de igualdade entre homens 
e mulheres: 
a) As mesmas condições de orientação em matéria de 
carreiras e capacitação profissional, acesso aos estudos 
e obtenção de diplomas nas instituições de ensino de 
todas as categorias, tanto em zonas rurais como 
urbanas; essa igualdade deverá ser assegurada na 
educação pré-escolar, geral, técnica e profissional, 
incluída a educação técnica superior, assim como todos 
os tipos de capacitação profissional; 
b) Acesso aos mesmos currículos e mesmos exames, 
pessoal docente do mesmo nível profissional, 
instalações e material escolar da mesma qualidade; 
c) A eliminação de todo conceito estereotipado dos 
papéis masculino e feminino em todos os níveis e em 
todas as formas de ensino mediante o estímulo à 
educação mista e a outros tipos de educação que 
contribuam para alcançar este objetivo e, em particular, 
mediante a modificação dos livros e programas 
escolares e adaptação dos métodos de ensino; 
d) As mesmas oportunidades para obtenção de bolsas-
de-estudo e outras subvenções para estudos; 
e) As mesmas oportunidades de acesso aos programas 
de educação supletiva, incluídos os programas de 
alfabetização funcional e de adultos, com vistas a 
reduzir, com a maior brevidade possível, a diferença de 
conhecimentos existentes entre o homem e a mulher; 
f) A redução da taxa de abandono feminino dos estudos 
e a organização de programas para aquelas jovens e 
mulheres que tenham deixado os estudos 
prematuramente; 
g) As mesmas oportunidades para participar ativamente 
nos esportes e na educação física; 
h) Acesso a material informativo específico que 
contribua para assegurar a saúde e o bem-estar da 
família, incluída a informação e o assessoramento sobre 
planejamento da família. 
 
Artigo 11 
1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher na esfera do emprego a fim de assegurar, em 
condições de igualdade entre homens e mulheres, os 
mesmos direitos, em particular: 
a) O direito ao trabalho como direito inalienável de todo 
ser humano; 
b) O direito às mesmas oportunidades de emprego, 
inclusive a aplicação dos mesmos critérios de seleção 
em questõesde emprego; 
c) O direito de escolher livremente profissão e 
emprego, o direito à promoção e à estabilidade no 
emprego e a todos os benefícios e outras condições de 
serviço, e o direito ao acesso à formação e à atualização 
profissionais, incluindo aprendizagem, formação 
profissional superior e treinamento periódico; 
d) O direito a igual remuneração, inclusive benefícios, e 
igualdade de tratamento relativa a um trabalho de igual 
valor, assim como igualdade de tratamento com 
respeito à avaliação da qualidade do trabalho; 
e) O direito à seguridade social, em particular em casos 
de aposentadoria, desemprego, doença, invalidez, 
velhice ou outra incapacidade para trabalhar, bem 
como o direito de férias pagas; 
f) O direito à proteção da saúde e à segurança nas 
condições de trabalho, inclusive a salvaguarda da 
função de reprodução. 
2. A fim de impedir a discriminação contra a mulher por 
razões de casamento ou maternidade e assegurar a 
efetividade de seu direito a trabalhar, os Estados-Partes 
tomarão as medidas adequadas para: 
a) Proibir, sob sanções, a demissão por motivo de 
gravidez ou licença de maternidade e a discriminação 
nas demissões motivadas pelo estado civil; 
b) Implantar a licença de maternidade, com salário pago 
ou benefícios sociais comparáveis, sem perda do 
emprego anterior, antiguidade ou benefícios sociais; 
c) Estimular o fornecimento de serviços sociais de apoio 
necessários para permitir que os pais combinem as 
obrigações para com a família com as responsabilidades 
do trabalho e a participação na vida pública, 
especialmente mediante fomento da criação e 
desenvolvimento de uma rede de serviços destinados 
ao cuidado das crianças; 
d) Dar proteção especial às mulheres durante a gravidez 
nos tipos de trabalho comprovadamente prejudiciais 
para elas. 
3. A legislação protetora relacionada com as questões 
compreendidas neste artigo será examinada 
periodicamente à luz dos conhecimentos científicos e 
tecnológicos e será revista, derrogada ou ampliada 
conforme as necessidades. 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
45 
Artigo 12 
1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher na esfera dos cuidados médicos a fim de 
assegurar, em condições de igualdade entre homens e 
mulheres, o acesso a serviços médicos, inclusive os 
referentes ao planejamento familiar. 
2. Sem prejuízo do disposto no parágrafo 1º, os Estados-
Partes garantirão à mulher assistência apropriadas em 
relação à gravidez, ao parto e ao período posterior ao 
parto, proporcionando assistência gratuita quando 
assim for necessário, e lhe assegurarão uma nutrição 
adequada durante a gravidez e a lactância. 
 
Artigo 13 
Os Estados-Partes adotarão todas as medidas 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher em outras esferas da vida econômica e social a 
fim de assegurar, em condições de igualdade entre 
homens e mulheres, os mesmos direitos, em particular: 
a) O direito a benefícios familiares; 
b) O direito a obter empréstimos bancários, hipotecas e 
outras formas de crédito financeiro; 
c) O direito a participar em atividades de recreação, 
esportes e em todos os aspectos da vida cultural. 
 
Artigo 14 
1. Os Estados-Partes levarão em consideração os 
problemas específicos enfrentados pela mulher rural e o 
importante papel que desempenha na subsistência 
econômica de sua família, incluído seu trabalho em 
setores não-monetários da economia, e tomarão todas 
as medidas apropriadas para assegurar a aplicação dos 
dispositivos desta Convenção à mulher das zonas rurais. 
2. Os Estados-Partes adotarão todas as medias 
apropriadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher nas zonas rurais a fim de assegurar, em 
condições de igualdade entre homens e mulheres, que 
elas participem no desenvolvimento rural e dele se 
beneficiem, e em particular as segurar-lhes-ão o direito 
a: 
a) Participar da elaboração e execução dos planos de 
desenvolvimento em todos os níveis; 
b) Ter acesso a serviços médicos adequados, inclusive 
informação, aconselhamento e serviços em matéria de 
planejamento familiar; 
c) Beneficiar-se diretamente dos programas de 
seguridade social; 
d) Obter todos os tipos de educação e de formação, 
acadêmica e não-acadêmica, inclusive os relacionados à 
alfabetização funcional, bem como, entre outros, os 
benefícios de todos os serviços comunitário e de 
extensão a fim de aumentar sua capacidade técnica; 
e) Organizar grupos de auto-ajuda e cooperativas a fim 
de obter igualdade de acesso às oportunidades 
econômicas mediante emprego ou trabalho por conta 
própria; 
f) Participar de todas as atividades comunitárias; 
g) Ter acesso aos créditos e empréstimos agrícolas, aos 
serviços de comercialização e às tecnologias 
apropriadas, e receber um tratamento igual nos 
projetos de reforma agrária e de reestabelecimentos; 
h) gozar de condições de vida adequadas, 
particularmente nas esferas da habitação, dos serviços 
sanitários, da eletricidade e do abastecimento de água, 
do transporte e das comunicações. 
 
PARTE IV 
Artigo 15 
1. Os Estados-Partes reconhecerão à mulher a igualdade 
com o homem perante a lei. 
2. Os Estados-Partes reconhecerão à mulher, em 
matérias civis, uma capacidade jurídica idêntica do 
homem e as mesmas oportunidades para o exercício 
dessa capacidade. Em particular, reconhecerão à 
mulher iguais direitos para firmar contratos e 
administrar bens e dispensar-lhe-ão um tratamento 
igual em todas as etapas do processo nas cortes de 
justiça e nos tribunais. 
3. Os Estados-Partes convém em que todo contrato ou 
outro instrumento privado de efeito jurídico que tenda 
a restringir a capacidade jurídica da mulher será 
considerado nulo. 
4. Os Estados-Partes concederão ao homem e à mulher 
os mesmos direitos no que respeita à legislação relativa 
ao direito das pessoas à liberdade de movimento e à 
liberdade de escolha de residência e domicílio. 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
46 
Artigo 16 
1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas 
adequadas para eliminar a discriminação contra a 
mulher em todos os assuntos relativos ao casamento e 
às ralações familiares e, em particular, com base na 
igualdade entre homens e mulheres, assegurarão: 
a) O mesmo direito de contrair matrimônio; 
b) O mesmo direito de escolher livremente o cônjuge e 
de contrair matrimônio somente com livre e pleno 
consentimento; 
c) Os mesmos direitos e responsabilidades durante o 
casamento e por ocasião de sua dissolução; 
d) Os mesmos direitos e responsabilidades como pais, 
qualquer que seja seu estado civil, em matérias 
pertinentes aos filhos. Em todos os casos, os interesses 
dos filhos serão a consideração primordial; 
e) Os mesmos direitos de decidir livre a 
responsavelmente sobre o número de seus filhos e 
sobre o intervalo entre os nascimentos e a ter acesso à 
informação, à educação e aos meios que lhes permitam 
exercer esses direitos; 
f) Os mesmos direitos e responsabilidades com respeito 
à tutela, curatela, guarda e adoção dos filhos, ou 
institutos análogos, quando esses conceitos existirem 
na legislação nacional. Em todos os casos os interesses 
dos filhos serão a consideração primordial; 
g) Os mesmos direitos pessoais como marido e mulher, 
inclusive o direito de escolher sobrenome, profissão e 
ocupação; 
h) Os mesmos direitos a ambos os cônjuges em matéria 
de propriedade, aquisição, gestão, administração, gozo 
e disposição dos bens, tanto a título gratuito quanto à 
título oneroso. 
2. Os esponsais e o casamento de uma criança não 
terão efeito legal e todas as medidas necessárias, 
inclusive as de caráter legislativo, serão adotadas para 
estabelecer uma idade mínima para o casamento e para 
tornar obrigatória a inscrição de casamentos em 
registro oficial. 
 
PARTE V 
Artigo 17 
1. Com o fim de examinar os progressos alcançados na 
aplicação desta Convenção, seráestabelecido um 
Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a 
Mulher (doravante denominado o Comitê) composto, 
no momento da entrada em vigor da Convenção, de 
dezoito e, após sua ratificação ou adesão pelo 
trigésimo-quinto Estado-Parte, de vinte e três peritos de 
grande prestígio moral e competência na área abarcada 
pela Convenção. Os peritos serão eleitos pelos Estados-
Partes entre seus nacionais e exercerão suas funções a 
título pessoal; será levada em conta uma repartição 
geográfica equitativa e a representação das formas 
diversas de civilização assim como dos principais 
sistemas jurídicos; 
2. Os membros do Comitê serão eleitos em escrutínio 
secreto de uma lista de pessoas indicadas pelos 
Estados-Partes. Cada um dos Estados-Partes poderá 
indicar uma pessoa entre seus próprios nacionais; 
3. A eleição inicial realizar-se-á seis meses após a data 
de entrada em vigor desta Convenção. Pelo menos três 
meses antes da data de cada eleição, o Secretário-Geral 
das Nações Unidas dirigirá uma carta aos Estados-Partes 
convidando-os a apresentar suas candidaturas, no prazo 
de dois meses. O Secretário-Geral preparará uma lista, 
por ordem alfabética de todos os candidatos assim 
apresentados, com indicação dos Estados-Partes que os 
tenham apresentado e comunicá-la-á aos Estados 
Partes; 
4. Os membros do Comitê serão eleitos durante uma 
reunião dos Estados-Partes convocado pelo Secretário-
Geral na sede das Nações Unidas. Nessa reunião, em 
que o quórum será alcançado com dois terços dos 
Estados-Partes, serão eleitos membros do Comitê os 
candidatos que obtiverem o maior número de votos e a 
maioria absoluta de votos dos representantes dos 
Estados-Partes presentes e votantes; 
5. Os membros do Comitê serão eleitos para um 
mandato de quatro anos. Entretanto, o mandato de 
nove dos membros eleitos na primeira eleição expirará 
ao fim de dois anos; imediatamente após a primeira 
eleição os nomes desses nove membros serão 
escolhidos, por sorteio, pelo Presidente do Comitê; 
6. A eleição dos cinco membros adicionais do Comitê 
realizar-se-á em conformidade com o disposto nos 
parágrafos 2, 3 e 4 deste Artigo, após o depósito do 
trigésimo-quinto instrumento de ratificação ou adesão. 
O mandato de dois dos membros adicionais eleitos 
nessa ocasião, cujos nomes serão escolhidos, por 
sorteio, pelo Presidente do Comitê, expirará ao fim de 
dois anos; 
7. Para preencher as vagas fortuitas, o Estado-Parte 
cujo perito tenha deixado de exercer suas funções de 
membro do Comitê nomeará outro perito entre seus 
nacionais, sob reserva da aprovação do Comitê; 
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NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
47 
8. Os membros do Comitê, mediante aprovação da 
Assembleia Geral, receberão remuneração dos recursos 
das Nações Unidas, na forma e condições que a 
Assembleia Geral decidir, tendo em vista a importância 
das funções do Comitê; 
9. O Secretário-Geral das Nações Unidas proporcionará 
o pessoal e os serviços necessários para o desempenho 
eficaz das funções do Comitê em conformidade com 
esta Convenção. 
 
Artigo 18 
1. Os Estados-Partes comprometem-se a submeter ao 
Secretário-Geral das Nações Unidas, para exame do 
Comitê, um relatório sobre as medidas legislativas, 
judiciárias, administrativas ou outras que adotarem 
para tornarem efetivas as disposições desta Convenção 
e sobre os progressos alcançados a esse respeito: 
a) No prazo de um ano a partir da entrada em vigor da 
Convenção para o Estado interessado; e 
b) Posteriormente, pelo menos cada quatro anos e toda 
vez que o Comitê a solicitar. 
2. Os relatórios poderão indicar fatores e dificuldades 
que influam no grau de cumprimento das obrigações 
estabelecidos por esta Convenção. 
 
Artigo 19 
1. O Comitê adotará seu próprio regulamento. 
2. O Comitê elegerá sua Mesa por um período de dois 
anos. 
 
Artigo 20 
1. O Comitê se reunirá normalmente todos os anos por 
um período não superior a duas semanas para examinar 
os relatórios que lhe sejam submetidos em 
conformidade com o Artigo 18 desta Convenção. 
2. As reuniões do Comitê realizar-se-ão normalmente na 
sede das Nações Unidas ou em qualquer outro lugar 
que o Comitê determine. 
 
Artigo 21 
1. O Comitê, através do Conselho Econômico e Social 
das Nações Unidas, informará anualmente a Assembleia 
Geral das Nações Unidas de suas atividades e poderá 
apresentar sugestões e recomendações de caráter geral 
baseadas no exame dos relatórios e em informações 
recebidas dos Estados-Partes. Essas sugestões e 
recomendações de caráter geral serão incluídas no 
relatório do Comitê juntamente com as observações 
que os Estados-Partes tenham porventura formulado. 
2. O Secretário-Geral transmitirá, para informação, os 
relatórios do Comitê à Comissão sobre a Condição da 
Mulher. 
As Agências Especializadas terão direito a estar 
representadas no exame da aplicação das disposições 
desta Convenção que correspondam à esfera de suas 
atividades. O Comitê poderá convidar as Agências 
Especializadas a apresentar relatórios sobre a aplicação 
da Convenção nas áreas que correspondam à esfera de 
suas atividades. 
 
PARTE VI 
Artigo 23 
Nada do disposto nesta Convenção prejudicará 
qualquer disposição que seja mais propícia à obtenção 
da igualdade entre homens e mulheres e que seja 
contida: 
a) Na legislação de um Estado-Parte ou 
b) Em qualquer outra convenção, tratado ou acordo 
internacional vigente nesse Estado. 
 
Artigo 24 
Os Estados-Partes comprometem-se a adotar todas as 
medidas necessárias em âmbito nacional para alcançar 
a plena realização dos direitos reconhecidos nesta 
Convenção. 
 
Artigo 25 
1. Esta Convenção estará aberta à assinatura de todos 
os Estados. 
2. O Secretário-Geral das Nações Unidas fica designado 
depositário desta Convenção. 
3. Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os 
instrumentos de ratificação serão depositados junto ao 
Secretário-Geral das Nações Unidas. 
4. Esta Convenção estará aberta à adesão de todos os 
Estados. A adesão efetuar-se-á através do depósito de 
um instrumento de adesão junto ao Secretário-Geral 
das Nações Unidas. 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
48 
Artigo 26 
1. Qualquer Estado-Parte poderá, em qualquer 
momento, formular pedido de revisão desta revisão 
desta Convenção, mediante notificação escrita dirigida 
ao Secretário-Geral das Nações Unidas. 
2. A Assembleia Geral das Nações Unidas decidirá sobre 
as medidas a serem tomadas, se for o caso, com 
respeito a esse pedido. 
 
Artigo 27 
1. Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a 
partir da data do depósito do vigésimo instrumento de 
ratificação ou adesão junto ao Secretário-Geral das 
Nações Unidas. 
2. Para cada Estado que ratificar a presente Convenção 
ou a ela aderir após o depósito do vigésimo instrumento 
de ratificação ou adesão, a Convenção entrará em vigor 
no trigésimo dia após o depósito de seu instrumento de 
ratificação ou adesão. 
 
Artigo 28 
1. O Secretário-Geral das Nações Unidas receberá e 
enviará a todos os Estados o texto das reservas feitas 
pelos Estados no momento da ratificação ou adesão. 
2. Não será permitida uma reserva incompatível com o 
objeto e o propósito desta Convenção. 
3. As reservas poderão ser retiradas a qualquer 
momento por uma notificação endereçada com esse 
objetivo ao Secretário-Geral das Nações Unidas, que 
informará a todos os Estados a respeito. A notificação 
surtirá efeito na data de seu recebimento. 
 
Artigo 29 
1. Qualquer controvérsia entre dois ou mais Estados-
Partes relativa à interpretação ou aplicação desta 
Convenção e que não for resolvida por negociações 
será, a pedido de qualquer das Partes na controvérsia, 
submetida a arbitragem. Se no prazo de seis meses a 
partir da data do pedido de arbitragem as Partes não 
acordarem sobre a forma da arbitragem, qualquer das 
Partes poderá submeter a controvérsia à Corte 
Internacional de Justiça mediante pedido em 
conformidade com o Estatuto daCorte. 
2. Qualquer Estado-Parte, no momento da assinatura ou 
ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, poderá 
declarar que não se considera obrigado pelo parágrafo 
anterior. Os demais Estados-Partes não estarão 
obrigados pelo parágrafo anterior perante nenhum 
Estado-Parte que tenha formulado essa reserva. 
3. Qualquer Estado-Parte que tenha formulado a 
reserva prevista no parágrafo anterior poderá retirá-la 
em qualquer momento por meio de notificação ao 
Secretário-Geral das Nações Unidas. 
 
Artigo 30 
Esta convenção, cujos textos em árabe, chinês, 
espanhol, francês, inglês e russo são igualmente 
autênticos será depositada junto ao Secretário-Geral 
das Nações Unidas. 
Em testemunho do que, os abaixo-assinados 
devidamente autorizados, assinaram esta Convenção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
49 
LEI FEDERAL Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006 (LEI 
MARIA DA PENHA). 
 
 
LEI Nº 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. 
 
Cria mecanismos para coibir a violência 
doméstica e familiar contra a mulher, nos 
termos do §8º do art. 226 da Constituição 
Federal, da Convenção sobre a Eliminação 
de Todas as Formas de Discriminação 
contra as Mulheres e da Convenção 
Interamericana para Prevenir, Punir e 
Erradicar a Violência contra a Mulher; 
dispõe sobre a criação dos Juizados de 
Violência Doméstica e Familiar contra a 
Mulher; altera o Código de Processo Penal, 
o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e 
dá outras providências. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei: 
TÍTULO I 
DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a 
violência doméstica e familiar contra a mulher, nos 
termos do §8º do art. 226 da Constituição Federal, da 
Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de 
Violência contra a Mulher, da Convenção 
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a 
Violência contra a Mulher e de outros tratados 
internacionais ratificados pela República Federativa do 
Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência 
Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece 
medidas de assistência e proteção às mulheres em 
situação de violência doméstica e familiar. 
Art. 2º Toda mulher, independentemente de classe, 
raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível 
educacional, idade e religião, goza dos direitos 
fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe 
asseguradas as oportunidades e facilidades para viver 
sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu 
aperfeiçoamento moral, intelectual e social. 
Art. 3º Serão asseguradas às mulheres as condições 
para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, 
à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à 
moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao 
trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao 
respeito e à convivência familiar e comunitária. 
§1º O poder público desenvolverá políticas que visem 
garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito 
das relações domésticas e familiares no sentido de 
resguardá-las de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e 
opressão. 
§2º Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar 
as condições necessárias para o efetivo exercício dos 
direitos enunciados no caput. 
Art. 4º Na interpretação desta Lei, serão considerados 
os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as 
condições peculiares das mulheres em situação de 
violência doméstica e familiar. 
 
TÍTULO II 
DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A 
MULHER 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
 
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência 
doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou 
omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, 
sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou 
patrimonial: (Vide Lei complementar nº 150, de 2015) 
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida 
como o espaço de convívio permanente de pessoas, 
com ou sem vínculo familiar, inclusive as 
esporadicamente agregadas; 
II - no âmbito da família, compreendida como a 
comunidade formada por indivíduos que são ou se 
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por 
afinidade ou por vontade expressa; 
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o 
agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, 
independentemente de coabitação. 
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste 
artigo independem de orientação sexual. 
Art. 6º A violência doméstica e familiar contra a mulher 
constitui uma das formas de violação dos direitos 
humanos. 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
50 
CAPÍTULO II 
DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR 
CONTRA A MULHER 
 
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, entre outras: 
I - a violência física, entendida como qualquer conduta 
que ofenda sua integridade ou saúde corporal; 
II - a violência psicológica, entendida como qualquer 
conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da 
autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno 
desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar 
suas ações, comportamentos, crenças e decisões, 
mediante ameaça, constrangimento, humilhação, 
manipulação, isolamento, vigilância constante, 
perseguição contumaz, insulto, chantagem, 
ridicularizarão, exploração e limitação do direito de ir e 
vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à 
saúde psicológica e à autodeterminação; 
III - a violência sexual, entendida como qualquer 
conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a 
participar de relação sexual não desejada, mediante 
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a 
induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a 
sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método 
contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, 
ao aborto ou à prostituição, mediante coação, 
chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou 
anule o exercício de seus direitos sexuais e 
reprodutivos; 
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer 
conduta que configure retenção, subtração, destruição 
parcial ou total de seus objetos, instrumentos de 
trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos 
ou recursos econômicos, incluindo os destinados a 
satisfazer suas necessidades; 
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta 
que configure calúnia, difamação ou injúria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
TÍTULO III 
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR 
CAPÍTULO I 
DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO 
 
Art. 8º A política pública que visa coibir a violência 
doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio 
de um conjunto articulado de ações da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de ações 
não-governamentais, tendo por diretrizes: 
I - a integração operacional do Poder Judiciário, do 
Ministério Público e da Defensoria Pública com as áreas 
de segurança pública, assistência social, saúde, 
educação, trabalho e habitação; 
II - a promoção de estudos e pesquisas, estatísticas e 
outras informações relevantes, com a perspectiva de 
gênero e de raça ou etnia, concernentes às causas, às 
consequências e à frequência da violência doméstica e 
familiar contra a mulher, para a sistematização de 
dados, a serem unificados nacionalmente, e a avaliação 
periódica dos resultados das medidas adotadas; 
III - o respeito, nos meios de comunicação social, dos 
valores éticos e sociais da pessoa e da família, de forma 
a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou 
exacerbem a violência doméstica e familiar, de acordo 
com o estabelecido no inciso III do art. 1º, no inciso IV 
do art. 3º e no inciso IV do art. 221 da Constituição 
Federal; 
IV - a implementação de atendimento policial 
especializado para as mulheres, em particular nas 
Delegaciasde Atendimento à Mulher; 
V - a promoção e a realização de campanhas educativas 
de prevenção da violência doméstica e familiar contra a 
mulher, voltadas ao público escolar e à sociedade em 
geral, e a difusão desta Lei e dos instrumentos de 
proteção aos direitos humanos das mulheres; 
VI - a celebração de convênios, protocolos, ajustes, 
termos ou outros instrumentos de promoção de 
parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e 
entidades não-governamentais, tendo por objetivo a 
implementação de programas de erradicação da 
violência doméstica e familiar contra a mulher; 
VII - a capacitação permanente das Polícias Civil e 
Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de Bombeiros e 
dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas 
enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e 
de raça ou etnia; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
51 
VIII - a promoção de programas educacionais que 
disseminem valores éticos de irrestrito respeito à 
dignidade da pessoa humana com a perspectiva de 
gênero e de raça ou etnia; 
IX - o destaque, nos currículos escolares de todos os 
níveis de ensino, para os conteúdos relativos aos 
direitos humanos, à equidade de gênero e de raça ou 
etnia e ao problema da violência doméstica e familiar 
contra a mulher. 
 
CAPÍTULO II 
DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE 
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR 
Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência 
doméstica e familiar será prestada de forma articulada 
e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei 
Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de 
Saúde, no Sistema Único de Segurança Pública, entre 
outras normas e políticas públicas de proteção, e 
emergencialmente quando for o caso. 
§1º O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da 
mulher em situação de violência doméstica e familiar no 
cadastro de programas assistenciais do governo federal, 
estadual e municipal. 
§2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência 
doméstica e familiar, para preservar sua integridade 
física e psicológica: 
I - acesso prioritário à remoção quando servidora 
pública, integrante da administração direta ou indireta; 
II - manutenção do vínculo trabalhista, quando 
necessário o afastamento do local de trabalho, por até 
seis meses. 
§3º A assistência à mulher em situação de violência 
doméstica e familiar compreenderá o acesso aos 
benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e 
tecnológico, incluindo os serviços de contracepção de 
emergência, a profilaxia das Doenças Sexualmente 
Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência 
Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos 
necessários e cabíveis nos casos de violência sexual. 
 
CAPÍTULO III 
DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL 
Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher, a 
autoridade policial que tomar conhecimento da 
ocorrência adotará, de imediato, as providências legais 
cabíveis. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste 
artigo ao descumprimento de medida protetiva de 
urgência deferida. 
Art. 11. No atendimento à mulher em situação de 
violência doméstica e familiar, a autoridade policial 
deverá, entre outras providências: 
I - garantir proteção policial, quando necessário, 
comunicando de imediato ao Ministério Público e ao 
Poder Judiciário; 
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de 
saúde e ao Instituto Médico Legal; 
III - fornecer transporte para a ofendida e seus 
dependentes para abrigo ou local seguro, quando 
houver risco de vida; 
IV - se necessário, acompanhar a ofendida para 
assegurar a retirada de seus pertences do local da 
ocorrência ou do domicílio familiar; 
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos 
nesta Lei e os serviços disponíveis. 
Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, feito o registro da ocorrência, 
deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os 
seguintes procedimentos, sem prejuízo daqueles 
previstos no Código de Processo Penal: 
I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e 
tomar a representação a termo, se apresentada; 
II - colher todas as provas que servirem para o 
esclarecimento do fato e de suas circunstâncias; 
III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, 
expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida, 
para a concessão de medidas protetivas de urgência; 
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de 
delito da ofendida e requisitar outros exames periciais 
necessários; 
V - ouvir o agressor e as testemunhas; 
VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar 
aos autos sua folha de antecedentes criminais, 
indicando a existência de mandado de prisão ou 
registro de outras ocorrências policiais contra ele; 
VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito 
policial ao juiz e ao Ministério Público. 
§1º O pedido da ofendida será tomado a termo pela 
autoridade policial e deverá conter: 
I - qualificação da ofendida e do agressor; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
52 
II - nome e idade dos dependentes; 
III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas 
solicitadas pela ofendida. 
§2º A autoridade policial deverá anexar ao documento 
referido no §1º o boletim de ocorrência e cópia de 
todos os documentos disponíveis em posse da ofendida. 
§3º Serão admitidos como meios de prova os laudos ou 
prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos 
de saúde. 
 
TÍTULO IV 
DOS PROCEDIMENTOS 
CAPÍTULO I 
DISPOSIÇÕES GERAIS 
Art. 13. Ao processo, ao julgamento e à execução das 
causas cíveis e criminais decorrentes da prática de 
violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-
se-ão as normas dos Códigos de Processo Penal e 
Processo Civil e da legislação específica relativa à 
criança, ao adolescente e ao idoso que não conflitarem 
com o estabelecido nesta Lei. 
Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar 
contra a Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com 
competência cível e criminal, poderão ser criados pela 
União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos 
Estados, para o processo, o julgamento e a execução 
das causas decorrentes da prática de violência 
doméstica e familiar contra a mulher. 
Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se 
em horário noturno, conforme dispuserem as normas 
de organização judiciária. 
Art. 15. É competente, por opção da ofendida, para os 
processos cíveis regidos por esta Lei, o Juizado: 
I - do seu domicílio ou de sua residência; 
II - do lugar do fato em que se baseou a demanda; 
III - do domicílio do agressor. 
Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à 
representação da ofendida de que trata esta Lei, só será 
admitida a renúncia à representação perante o juiz, em 
audiência especialmente designada com tal finalidade, 
antes do recebimento da denúncia e ouvido o 
Ministério Público. 
Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência 
doméstica e familiar contra a mulher, de penas de cesta 
básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a 
substituição de pena que implique o pagamento isolado 
de multa. 
 
CAPÍTULO II 
DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 18. Recebido o expediente com o pedido da 
ofendida, caberá ao juiz, no prazo de 48 (quarenta e 
oito) horas: 
I - conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre 
as medidas protetivas de urgência; 
II - determinar o encaminhamento da ofendida ao 
órgão de assistência judiciária, quando for o caso; 
III - comunicar ao Ministério Público para que adote as 
providências cabíveis. 
Art. 19. As medidas protetivas de urgência poderão ser 
concedidas pelo juiz, a requerimento do Ministério 
Público ou a pedido da ofendida. 
§1º As medidas protetivas de urgência poderão ser 
concedidas de imediato, independentemente de 
audiência das partes e de manifestação do Ministério 
Público, devendo este ser prontamentecomunicado. 
§2º As medidas protetivas de urgência serão aplicadas 
isolada ou cumulativamente, e poderão ser substituídas 
a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre 
que os direitos reconhecidos nesta Lei forem 
ameaçados ou violados. 
§3º Poderá o juiz, a requerimento do Ministério Público 
ou a pedido da ofendida, conceder novas medidas 
protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas, 
se entender necessário à proteção da ofendida, de seus 
familiares e de seu patrimônio, ouvido o Ministério 
Público. 
Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da 
instrução criminal, caberá a prisão preventiva do 
agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento 
do Ministério Público ou mediante representação da 
autoridade policial. 
Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão 
preventiva se, no curso do processo, verificar a falta de 
motivo para que subsista, bem como de novo decretá-
la, se sobrevierem razões que a justifiquem. 
Art. 21. A ofendida deverá ser notificada dos atos 
processuais relativos ao agressor, especialmente dos 
pertinentes ao ingresso e à saída da prisão, sem 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
53 
prejuízo da intimação do advogado constituído ou do 
defensor público. 
Parágrafo único. A ofendida não poderá entregar 
intimação ou notificação ao agressor. 
 
Seção II 
Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o 
Agressor 
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz 
poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto 
ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de 
urgência, entre outras: 
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, 
com comunicação ao órgão competente, nos termos da 
Lei no 10.826, de 22 de dezembro de 2003; 
II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência 
com a ofendida; 
III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: 
a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das 
testemunhas, fixando o limite mínimo de distância 
entre estes e o agressor; 
b) contato com a ofendida, seus familiares e 
testemunhas por qualquer meio de comunicação; 
c) frequentação de determinados lugares a fim de 
preservar a integridade física e psicológica da ofendida; 
IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes 
menores, ouvida a equipe de atendimento 
multidisciplinar ou serviço similar; 
V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. 
§1º As medidas referidas neste artigo não impedem a 
aplicação de outras previstas na legislação em vigor, 
sempre que a segurança da ofendida ou as 
circunstâncias o exigirem, devendo a providência ser 
comunicada ao Ministério Público. 
§2º Na hipótese de aplicação do inciso I, encontrando-
se o agressor nas condições mencionadas no caput e 
incisos do art. 6º da Lei no 10.826, de 22 de dezembro 
de 2003, o juiz comunicará ao respectivo órgão, 
corporação ou instituição as medidas protetivas de 
urgência concedidas e determinará a restrição do porte 
de armas, ficando o superior imediato do agressor 
responsável pelo cumprimento da determinação 
judicial, sob pena de incorrer nos crimes de 
prevaricação ou de desobediência, conforme o caso. 
§3º Para garantir a efetividade das medidas protetivas 
de urgência, poderá o juiz requisitar, a qualquer 
momento, auxílio da força policial. 
§4º Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo, no que 
couber, o disposto no caput e nos §§5º e 6º do art. 461 
da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de 
Processo Civil). 
 
Seção III 
Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida 
Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo 
de outras medidas: 
I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a 
programa oficial ou comunitário de proteção ou de 
atendimento; 
II - determinar a recondução da ofendida e a de seus 
dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento 
do agressor; 
III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem 
prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos 
e alimentos; 
IV - determinar a separação de corpos. 
Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da 
sociedade conjugal ou daqueles de propriedade 
particular da mulher, o juiz poderá determinar, 
liminarmente, as seguintes medidas, entre outras: 
I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo 
agressor à ofendida; 
II - proibição temporária para a celebração de atos e 
contratos de compra, venda e locação de propriedade 
em comum, salvo expressa autorização judicial; 
III - suspensão das procurações conferidas pela 
ofendida ao agressor; 
IV - prestação de caução provisória, mediante depósito 
judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da 
prática de violência doméstica e familiar contra a 
ofendida. 
Parágrafo único. Deverá o juiz oficiar ao cartório 
competente para os fins previstos nos incisos II e III 
deste artigo. 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
54 
CAPÍTULO III 
DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
 
Art. 25. O Ministério Público intervirá, quando não for 
parte, nas causas cíveis e criminais decorrentes da 
violência doméstica e familiar contra a mulher. 
Art. 26. Caberá ao Ministério Público, sem prejuízo de 
outras atribuições, nos casos de violência doméstica e 
familiar contra a mulher, quando necessário: 
I - requisitar força policial e serviços públicos de saúde, 
de educação, de assistência social e de segurança, entre 
outros; 
II - fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares 
de atendimento à mulher em situação de violência 
doméstica e familiar, e adotar, de imediato, as medidas 
administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a 
quaisquer irregularidades constatadas; 
III - cadastrar os casos de violência doméstica e familiar 
contra a mulher. 
 
CAPÍTULO IV 
DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA 
Art. 27. Em todos os atos processuais, cíveis e criminais, 
a mulher em situação de violência doméstica e familiar 
deverá estar acompanhada de advogado, ressalvado o 
previsto no art. 19 desta Lei. 
Art. 28. É garantido a toda mulher em situação de 
violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de 
Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita, 
nos termos da lei, em sede policial e judicial, mediante 
atendimento específico e humanizado. 
 
TÍTULO V 
DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR 
Art. 29. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar 
contra a Mulher que vierem a ser criados poderão 
contar com uma equipe de atendimento 
multidisciplinar, a ser integrada por profissionais 
especializados nas áreas psicossocial, jurídica e de 
saúde. 
Art. 30. Compete à equipe de atendimento 
multidisciplinar, entre outras atribuições que lhe forem 
reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por 
escrito ao juiz, ao Ministério Público e à Defensoria 
Pública, mediante laudos ou verbalmente em audiência, 
e desenvolver trabalhos de orientação, 
encaminhamento, prevenção e outras medidas, 
voltados para a ofendida, o agressor e os familiares, 
com especial atenção às crianças e aos adolescentes. 
Art. 31. Quando a complexidade do caso exigir 
avaliação mais aprofundada, o juiz poderá determinar a 
manifestação de profissional especializado, mediante a 
indicação da equipe de atendimento multidisciplinar. 
Art. 32. O Poder Judiciário, na elaboração de sua 
proposta orçamentária, poderá prever recursos para a 
criação e manutenção da equipe de atendimento 
multidisciplinar, nos termos da Lei de Diretrizes 
Orçamentárias. 
 
TÍTULO VI 
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS 
Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de 
Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, as 
varas criminais acumularão as competências cível e 
criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes 
da prática de violência doméstica e familiar contra a 
mulher, observadas as previsões do Título IV desta Lei, 
subsidiada pela legislação processual pertinente. 
Parágrafo único. Será garantidoo direito de 
preferência, nas varas criminais, para o processo e o 
julgamento das causas referidas no caput. 
 
TÍTULO VII 
DISPOSIÇÕES FINAIS 
Art. 34. A instituição dos Juizados de Violência 
Doméstica e Familiar contra a Mulher poderá ser 
acompanhada pela implantação das curadorias 
necessárias e do serviço de assistência judiciária. 
Art. 35. A União, o Distrito Federal, os Estados e os 
Municípios poderão criar e promover, no limite das 
respectivas competências: 
I - centros de atendimento integral e multidisciplinar 
para mulheres e respectivos dependentes em situação 
de violência doméstica e familiar; 
II - casas-abrigos para mulheres e respectivos 
dependentes menores em situação de violência 
doméstica e familiar; 
III - delegacias, núcleos de defensoria pública, serviços 
de saúde e centros de perícia médico-legal 
especializados no atendimento à mulher em situação de 
violência doméstica e familiar; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
55 
IV - programas e campanhas de enfrentamento da 
violência doméstica e familiar; 
V - centros de educação e de reabilitação para os 
agressores. 
Art. 36. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios promoverão a adaptação de seus órgãos e 
de seus programas às diretrizes e aos princípios desta 
Lei. 
Art. 37. A defesa dos interesses e direitos 
transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida, 
concorrentemente, pelo Ministério Público e por 
associação de atuação na área, regularmente 
constituída há pelo menos um ano, nos termos da 
legislação civil. 
Parágrafo único. O requisito da pré-constituição poderá 
ser dispensado pelo juiz quando entender que não há 
outra entidade com representatividade adequada para 
o ajuizamento da demanda coletiva. 
Art. 38. As estatísticas sobre a violência doméstica e 
familiar contra a mulher serão incluídas nas bases de 
dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e 
Segurança a fim de subsidiar o sistema nacional de 
dados e informações relativo às mulheres. 
Parágrafo único. As Secretarias de Segurança Pública 
dos Estados e do Distrito Federal poderão remeter suas 
informações criminais para a base de dados do 
Ministério da Justiça. 
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios, no limite de suas competências e nos 
termos das respectivas leis de diretrizes orçamentárias, 
poderão estabelecer dotações orçamentárias 
específicas, em cada exercício financeiro, para a 
implementação das medidas estabelecidas nesta Lei. 
Art. 40. As obrigações previstas nesta Lei não excluem 
outras decorrentes dos princípios por ela adotados. 
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica 
e familiar contra a mulher, independentemente da pena 
prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro 
de 1995. 
Art. 42. O art. 313 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de 
outubro de 1941 (Código de Processo Penal), passa a 
vigorar acrescido do seguinte inciso IV: 
“Art. 313. ................................................. 
IV - se o crime envolver violência doméstica e familiar 
contra a mulher, nos termos da lei específica, para 
garantir a execução das medidas protetivas de 
urgência.” (NR) 
Art. 43. A alínea f do inciso II do art. 61 do Decreto-Lei 
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), 
passa a vigorar com a seguinte redação: 
“Art. 61. .................................................. 
II - ............................................................ 
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de 
relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, 
ou com violência contra a mulher na forma da lei 
específica; 
........................................................... ” (NR) 
Art. 44. O art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com 
as seguintes alterações: 
“Art. 129. .................................................. 
§9º Se a lesão for praticada contra ascendente, 
descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com 
quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, 
prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de 
coabitação ou de hospitalidade: 
Pena - detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. 
.................................................................. 
§11. Na hipótese do §9º deste artigo, a pena será 
aumentada de um terço se o crime for cometido contra 
pessoa portadora de deficiência.” (NR) 
Art. 45. O art. 152 da Lei no 7.210, de 11 de julho de 
1984 (Lei de Execução Penal), passa a vigorar com a 
seguinte redação: 
“Art. 152. ................................................... 
Parágrafo único. Nos casos de violência doméstica 
contra a mulher, o juiz poderá determinar o 
comparecimento obrigatório do agressor a programas 
de recuperação e reeducação.” (NR) 
Art. 46. Esta Lei entra em vigor 45 (quarenta e cinco) 
dias após sua publicação. 
Brasília, 7 de agosto de 2006; 185º da Independência e 
118º da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Dilma Rousseff 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
56 
CÓDIGO PENAL BRASILEIRO (ART. 140). 
 
 
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940. 
 
PARTE ESPECIAL 
TÍTULO I 
DOS CRIMES CONTRA A PESSOA 
(...) 
CAPÍTULO V 
DOS CRIMES CONTRA A HONRA 
 
Injúria 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou 
o decoro: 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
§1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou 
diretamente a injúria; 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra 
injúria. 
§2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, 
que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se 
considerem aviltantes: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além 
da pena correspondente à violência. 
§3º Se a injúria consiste na utilização de elementos 
referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a 
condição de pessoa idosa ou portadora de 
deficiência:(Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003) 
Pena - reclusão de um a três anos e multa. (Incluído 
pela Lei nº 9.459, de 1997) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI FEDERAL Nº 9.455/1997 (COMBATE À TORTURA). 
 
 
Define os crimes de tortura e dá outras 
providências. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei: 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - constranger alguém com emprego de violência ou 
grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou 
mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou 
confissão da vítima ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza 
criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou 
autoridade, com emprego de violência ou grave 
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como 
forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter 
preventivo. 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
§1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa 
presa ou sujeita a medida de segurança a sofrimento 
físico ou mental, por intermédio da prática de ato não 
previsto em lei ou não resultante de medida legal. 
§2º Aquele que se omite em face dessas condutas, 
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre 
na pena de detenção de um a quatro anos. 
§3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou 
gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez anos; 
se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos. 
§4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
I - se o crime é cometido por agente público; 
II - se o crime é cometido contra criança, gestante, 
deficiente e adolescente; 
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, 
portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 
(sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 
2003) 
III - se o crime é cometido mediante sequestro. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
57 
§5º A condenação acarretará a perdado cargo, função 
ou emprego público e a interdição para seu exercício 
pelo dobro do prazo da pena aplicada. 
§6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de 
graça ou anistia. 
§7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a 
hipótese do §2º, iniciará o cumprimento da pena em 
regime fechado. 
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o 
crime não tenha sido cometido em território nacional, 
sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente 
em local sob jurisdição brasileira. 
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua 
publicação. 
Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de 
julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Brasília, 7 de abril de 1997; 176º da Independência e 
109º da República. 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
Nelson A. Jobim 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI FEDERAL Nº 2.889/56 (COMBATE AO GENOCÍDIO). 
 
 
LEI Nº 2.889, DE 1º DE OUTUBRO DE 1956. 
 
Define e pune o crime de genocídio. 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: 
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou 
em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, 
como tal: 
a) matar membros do grupo; 
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de 
membros do grupo; 
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de 
existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física 
total ou parcial; 
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos 
no seio do grupo; 
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo 
para outro grupo; 
Será punido: 
Com as penas do art. 121, §2º, do Código Penal, no caso 
da letra a; 
Com as penas do art. 129, §2º, no caso da letra b; 
Com as penas do art. 270, no caso da letra c; 
Com as penas do art. 125, no caso da letra d; 
Com as penas do art. 148, no caso da letra e; 
Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para 
prática dos crimes mencionados no artigo anterior: 
Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos. 
Art. 3º Incitar, direta e publicamente alguém a cometer 
qualquer dos crimes de que trata o art. 1º: 
Pena: Metade das penas ali cominadas. 
§1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de 
crime incitado, se este se consumar. 
§2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço), quando 
a incitação for cometida pela imprensa. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
58 
Art. 4º A pena será agravada de 1/3 (um terço), no caso 
dos arts. 1º, 2º e 3º, quando cometido o crime por 
governante ou funcionário público. 
Art. 5º Será punida com 2/3 (dois terços) das 
respectivas penas a tentativa dos crimes definidos nesta 
lei. 
Art. 6º Os crimes de que trata esta lei não serão 
considerados crimes políticos para efeitos de 
extradição. 
Art. 7º Revogam-se as disposições em contrário. 
Rio de Janeiro, 1 de outubro de 1956; 135º da 
Independência e 68º da República. 
JUSCELINO KUBITSCHEK 
Nereu Ramos 
 
 
 
LEI FEDERAL Nº 7.437, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1985 
(LEI CAÓ). 
 
 
LEI Nº 7.437, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1985. 
 
Inclui, entre as contravenções penais a 
prática de atos resultantes de preconceito 
de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, 
dando nova redação à Lei nº 1.390, de 3 de 
julho de 1951 - Lei Afonso Arinos 
 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o 
Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte 
Lei: 
Art. 1º. Constitui contravenção, punida nos termos 
desta lei, a prática de atos resultantes de preconceito 
de raça, de cor, de sexo ou de estado civil. 
Art. 2º. Será considerado agente de contravenção o 
diretor, gerente ou empregado do estabelecimento que 
incidir na prática referida no artigo 1º. desta lei. 
Das Contravenções 
Art. 3º. Recusar hospedagem em hotel, pensão, 
estalagem ou estabelecimento de mesma finalidade, 
por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado 
civil. 
Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e 
multa de 3 (três) a 10 (dez) vezes o maior valor de 
referência (MVR). 
Art. 4º. Recusar a venda de mercadoria em lojas de 
qualquer gênero ou o atendimento de clientes em 
restaurantes, bares, confeitarias ou locais semelhantes, 
abertos ao público, por preconceito de raça, de cor, de 
sexo ou de estado civil. 
Pena - Prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) 
meses, e multa de 1 (uma) a 3 (três) vezes o maior valor 
de referência (MVR). 
Art. 5º. Recusar a entrada de alguém em 
estabelecimento público, de diversões ou de esporte, 
por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado 
civil. 
Pena - Prisão simples, de 15 (quinze dias a 3 (três) 
meses, e multa de 1 (uma) a 3 (três) vezes o maior valor 
de referência (MVR). 
Art. 6º. Recusar a entrada de alguém em qualquer tipo 
de estabelecimento comercial ou de prestação de 
serviço, por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de 
estado civil. 
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias e 3 (três) 
meses, e multa de 1 (uma) a 3 (três) vezes o maior valor 
de referência (MVR). 
Art. 7º. Recusar a inscrição de aluno em 
estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, 
por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado 
civil. 
Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e 
multa de 1(uma) a três) vezes o maior valor de 
referência (MVR). 
Parágrafo único. Se se tratar de estabelecimento oficial 
de ensino, a pena será a perda do cargo para o agente, 
desde que apurada em inquérito regular. 
Art. 8º. Obstar o acesso de alguém a qualquer cargo 
público civil ou militar, por preconceito de raça, de cor, 
de sexo ou de estado civil. 
Pena - perda do cargo, depois de apurada a 
responsabilidade em inquérito regular, para o 
funcionário dirigente da repartição de que dependa a 
inscrição no concurso de habilitação dos candidatos. 
Art. 9º. Negar emprego ou trabalho a alguém em 
autarquia, sociedade de economia mista, empresa 
concessionária de serviço público ou empresa privada, 
por preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado 
civil. 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
59 
Pena - prisão simples, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e 
multa de 1 (uma) a 3 (três) vezes o maior valor de 
referência (MVR), no caso de empresa privada; perda 
do cargo para o responsável pela recusa, no caso de 
autarquia, sociedade de economia mista e empresa 
concessionária de serviço público. 
Art. 10. Nos casos de reincidência havidos em 
estabelecimentos particulares, poderá o juiz determinar 
a pena adicional de suspensão do funcionamento, por 
prazo não superior a 3 (três) meses. 
Art. 11. Esta lei entra em vigor na data de sua 
publicação. 
Art. 12. Revogam-se as disposições em contrário. 
Brasília, 20 de dezembro de 1985; 164º da 
Independência e 97º da República. 
JOSÉ SARNEY 
Fernando Lyra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI ESTADUAL Nº 10.549 DE 28 DE DEZEMBRO DE 2006 
(CRIA A SECRETARIA DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE 
RACIAL); ALTERADA PELA LEI ESTADUAL NO 
12.212/2011. 
 
 
Aprova o Regimento da Secretaria de Promoção da 
Igualdade Racial. 
O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas 
atribuições, e tendo em vista o disposto na Lei nº 
10.549 , de 28 de dezembro de 2006, alterada pela Lei 
nº 12.212 , de 04 de maio de 2011, 
 
DECRETA 
 
Art. 1º - Fica aprovado o Regimento da Secretaria de 
Promoção da Igualdade Racial - SEPROMI, que com este 
se publica. 
Art. 2º - Este Decreto entra em vigor na data de sua 
publicação. 
DEC 14.068 Art. 3 
Art. 3º - Revogam-se as disposições em contrário, 
especialmente o Decreto nº 10.356 , de 23 de maio de 
2007. 
PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 25 
de julho de 2012. 
 
JAQUES WAGNER 
Governador 
Rui Costa 
Secretário da Casa Civil 
Elias de Oliveira Sampaio 
Secretário de Promoção da Igualdade Racial 
Manoel Vitório da Silva Filho 
Secretário da Administração 
 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
60 
REGIMENTODA SECRETARIA DE PROMOÇÃO DA 
IGUALDADE RACIAL - SEPROMI 
 
CAPÍTULO I 
FINALIDADE E COMPETÊNCIA 
Art. 1º - A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial - 
SEPROMI, criada pela Lei nº 10.549 , de 28 de dezembro 
de 2006, alterada pela Lei nº 12.212, de 04 de maio de 
2011, tem por finalidade planejar e executar políticas de 
promoção da igualdade racial e proteção dos direitos de 
indivíduos, e grupos étnicos atingidos pela 
discriminação e demais formas de intolerância. 
Art. 2º - Compete à Secretaria de Promoção da 
Igualdade Racial: 
I - implementar, diretamente ou em conjunto com as 
demais Secretarias de Estado, políticas públicas de 
promoção da igualdade racial, de proteção dos direitos 
de indivíduos, Povos e Comunidades Tradicionais e 
grupos étnicos atingidos pela discriminação racial e 
demais formas de intolerância; 
II - acompanhar políticas transversais voltadas para a 
promoção da igualdade racial, executadas pelos 
diversos órgãos do Governo do Estado; 
III - planejar, propor, implementar e monitorar 
programas, projetos e ações contra práticas 
discriminatórias na prestação de serviços públicos, bem 
como na relação da Administração Pública com os 
servidores e agentes públicos; 
IV - comunicar aos órgãos e instituições competentes 
sobre o descumprimento da legislação referente à 
promoção da igualdade racial e à proteção dos direitos 
dos povos, comunidades tradicionais e grupos étnicos 
que tomar conhecimento; 
V - acompanhar a aplicação e evolução da legislação, 
acordos e convenções nacionais e internacionais sobre 
assuntos de sua competência e sugerir inovações e 
modificações na legislação estadual, quando for o caso; 
VI - emitir opinativo técnico nos expedientes e 
procedimentos em curso no Executivo Estadual, 
relativos a direitos dos Povos e Comunidades 
Tradicionais e dos grupos étnico sujeitos à 
discriminação e outras formas de intolerância; 
VII - celebrar instrumentos e promover programas de 
cooperação com entidades nacionais e internacionais, 
públicas e privadas, em atividades de sua competência; 
VIII - promover ações destinadas à captação de recursos 
financeiros junto a entidades nacionais e internacionais, 
para o cumprimento de sua finalidade; 
IX - coordenar a implementação da Política Estadual 
para Comunidades Remanescentes de Quilombos; 
X - presidir o colegiado integrante da estrutura da 
Secretaria; 
XI - coordenar o Grupo Intersetorial responsável pela 
elaboração dos Planos de Desenvolvimento Social, 
Econômico e Ambiental sustentáveis para Comunidades 
Remanescentes de Quilombos; 
XII - monitorar a execução dos programas federais para 
Comunidades Remanescentes de Quilombos, no âmbito 
do Governo do Estado da Bahia; 
XIII - presidir e exercer a Secretaria Executiva da 
Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e 
Comunidades Tradicionais - CESPCT; 
XIV - promover a interiorização da política de promoção 
da igualdade racial nos municípios do Estado da Bahia; 
XV - exercer outras atividades correlatas. 
 
CAPÍTULO II 
ORGANIZAÇÃO 
Art. 3º - A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial 
tem a seguinte estrutura: 
I - Órgão Colegiado: 
a) Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra 
- CDCN, com a seguinte composição: 
1.06 (seis) servidores estaduais, como representantes 
das Secretarias de Promoção da Igualdade Racial; da 
Educação, da Segurança Pública; do Trabalho, Emprego, 
Renda e Esporte; da Justiça, Cidadania e Direitos 
Humanos e da Saúde; 
2.15 (quinze) representantes da sociedade civil, sendo: 
2.1.01 (um) representante da Ordem dos Advogados do 
Brasil - Secção Bahia; 
2.2.01 (um) representante da comunidade acadêmica 
vinculada ao estudo das questões relevantes à 
comunidade negra; 
2.3.01 (um) sociólogo; 
2.4.01 (um) antropólogo; 
2.5.01 (um) representante de entidade profissional de 
imprensa; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
61 
2.6.10 (dez) representantes dentre integrantes de 
associações, organismos e entidades representativas da 
comunidade negra, legalmente constituídas ou 
oficialmente reconhecidas, existentes há pelo menos 05 
(cinco) anos e com comprovadas realizações de 
significativo alcance em favor do desenvolvimento 
sócio-cultural e econômico da comunidade negra. 
II - Órgãos da Administração Direta: 
a) Gabinete do Secretário; 
b) Diretoria de Administração e Finanças: 
1.Coordenação de Administração; 
2.Coordenação de Orçamento; 
3.Coordenação de Finanças; 
c) Coordenação de Promoção da Igualdade Racial; 
d) Coordenação de Políticas para as Comunidades 
Tradicionais. 
§1º - Os órgãos da administração direta aludidos nas 
alíneas "a", "c" e "d", do inciso II, deste artigo, não terão 
subdivisões estruturais. 
§2º - Compete à Procuradoria Geral do Estado, na forma 
da legislação em vigor, a consultoria e o 
assessoramento jurídico à Secretaria de Promoção da 
Igualdade Racial. 
§3º - As atividades de assessoramento em comunicação 
social, no âmbito da Secretaria de Promoção da 
Igualdade Racial, serão executadas na forma prevista 
em lei e em articulação com a Secretaria de 
Comunicação Social ? SECOM. 
§4º - As atividades de ouvidoria serão exercidas por um 
Ouvidor da Casa e um suplente, designados e 
diretamente vinculados ao Secretário, na forma prevista 
na legislação específica e em articulação com a 
Ouvidoria Geral do Estado. 
 
CAPÍTULO III 
COMPETÊNCIA 
SEÇÃO I 
CONSELHO DE DESENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE 
NEGRA - CDCN 
Art. 4º - Ao Conselho de Desenvolvimento da 
Comunidade Negra - CDCN, Órgão colegiado que tem 
por finalidade estudar, propor e acompanhar medidas 
de relacionamento dos órgãos governamentais com a 
comunidade negra, visando resgatar o direito à sua 
plena cidadania e participação na sociedade, compete: 
I - formular diretrizes, propor medidas e emitir 
pareceres que visem assegurar e ampliar os direitos da 
comunidade negra, promovendo o seu 
desenvolvimento social, cultural, político e econômico; 
II - assessorar o Poder Executivo na elaboração e 
execução de políticas públicas concernentes aos 
direitos e interesses da comunidade negra; 
III - acompanhar a elaboração e execução dos 
programas que repercutam sobre os direitos e 
interesses da comunidade negra; 
IV - adotar providências e fiscalizar o efetivo 
cumprimento da legislação relativa aos direitos da 
comunidade negra; 
V - apoiar atividades da comunidade negra ou de 
interesse e importância para o seu desenvolvimento, 
bem como promover intercâmbio com organizações 
afins, nacionais e internacionais; 
VI - desenvolver projetos que promovam a participação 
da comunidade negra em todos os níveis de atividades; 
VII - defender e apoiar políticas educacionais e de 
capacitação do negro como cidadão; 
VIII - sugerir alteração em seu Regimento. 
Parágrafo único - O Regimento do Conselho de 
Desenvolvimento da Comunidade Negra - CDCN, por ele 
aprovado e homologado por ato do Governador do 
Estado, fixará as normas de seu funcionamento. 
 
SEÇÃO II 
GABINETE DO SECRETÁRIO 
 
Art. 5º - Ao Gabinete do Secretário, que presta 
assistência ao Titular da Pasta, em suas tarefas técnicas 
e administrativas, compete: 
I - coordenar a representação social e política do 
Secretário; 
II - organizar, preparar e encaminhar o expediente do 
Secretário; 
III - coordenar o fluxo de informações e as relações 
públicas de interesse da Secretaria; 
IV - acompanhar a execução dos projetos em 
desenvolvimento na SEPROMI; 
V - supervisionar e acompanhar o cumprimento dos 
termos dos contratos de gestão a serem firmados por 
esta Pasta; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
62 
VI - exercer as atividades de comunicação social, 
relativas às realizações da Secretaria. 
 
SEÇÃO III 
DIRETORIA DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS 
 
Art. 6º- A Diretoria de Administração e Finanças tem por 
finalidade o planejamento e coordenação das atividades 
de programação, orçamentação, acompanhamento, 
avaliação, estudos e análises, administraçãofinanceira e 
de contabilidade, material, patrimônio, serviços, 
recursos humanos, modernização administrativa e 
informática. 
Parágrafo único - As atividades desenvolvidas pela 
Diretoria de Administração e Finanças e pelas 
Coordenações a ela vinculadas são as previstas nos 
Regulamentos do Sistema Estadual de Planejamento, do 
Sistema Financeiro e de Contabilidade do Estado, do 
Sistema Estadual de Administração e do Sistema de 
Gestão de Tecnologias de Informação e Comunicação 
do Estado da Bahia. 
 
SEÇÃO IV 
COORDENAÇÃO E PROMOÇÃO DE IGUALDADE RACIAL 
Art. 7º - À Coordenação de Promoção da Igualdade 
Racial, que tem por finalidade orientar, apoiar, 
coordenar, acompanhar, controlar e executar 
programas e atividades voltadas à implementação de 
políticas e diretrizes para a promoção da igualdade e da 
proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e 
étnicos, afetados por discriminação racial e demais 
formas de intolerância, compete: 
I - planejar, propor, coordenar e monitorar os 
programas e atividades desenvolvidos pela Secretaria, 
que tenham como foco a promoção da igualdade racial 
e o combate à qualquer forma de intolerância; 
II - propor e acompanhar programas e projetos voltados 
para a promoção da igualdade racial, em execução 
pelos diversos órgãos do Governo do Estado, nas áreas 
de educação, saúde, trabalho, segurança, cultura e na 
garantia de direitos; 
III - promover a integração com órgãos e entidades 
nacionais, visando desenvolver ações integradas e 
articuladas para a implementação de políticas públicas 
de promoção da igualdade racial; 
IV - elaborar programas, projetos e estudos, visando a 
definição de indicadores sociais para monitoramento e 
avaliação das políticas de promoção da igualdade racial 
desenvolvidas no âmbito do Estado; 
V - contribuir, com reflexões e estudos, para a 
formulação e avaliação de políticas públicas de 
promoção da igualdade racial; 
VI - monitorar o cumprimento da legislação pertinente 
aos diversos grupos raciais e étnicos, com vistas a 
garantia e igualdade de direitos constitucionais; 
VII - emitir pareceres e notas técnicas referentes às 
temáticas relacionadas à promoção da igualdade racial; 
VIII - estabelecer diálogo com a sociedade civil tendo 
em vista a geração de subsídios para o aprimoramento 
da formulação, planejamento, implementação e 
monitoramento de políticas públicas sob sua atribuição; 
IX - coordenar a Rede de Combate ao Racismo e a 
Intolerância Religiosa, em âmbito estadual; 
X - coordenar o Fórum Estadual de Gestores Municipais 
de Promoção da Igualdade Racial; 
XI - acompanhar as ações do Centro de Referência de 
Combate ao Racismo e a Intolerância Religiosa. 
 
SEÇÃO V 
COORDENAÇÃO DE POLÍTICAS PA AS COMUNIDADES 
TRADICIONAIS 
Art. 8º- À Coordenação de Políticas para as 
Comunidades Tradicionais, que tem por finalidade 
formular políticas de promoção da defesa dos direitos e 
interesses das comunidades tradicionais, inclusive 
Comunidades Remanescentes de Quilombos, no Estado 
da Bahia, reduzindo as desigualdades e eliminando 
todas as formas de discriminação identificadas, 
compete: 
I - planejar, formular, articular e monitorar a 
implementação de políticas de melhoria das condições 
de vida, desenvolvimento sustentável e defesa dos 
direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais; 
II - coordenar o Grupo Intersetorial responsável pela 
elaboração dos planos de desenvolvimento social, 
econômico e ambiental sustentáveis para as 
Comunidades Remanescentes de Quilombos; 
III - apoiar a implementação dos planos de 
desenvolvimento social, econômico e ambiental 
sustentáveis para as Comunidades Remanescentes de 
Quilombos e monitorar a sua execução; 
IV - monitorar a execução de programas federais para 
Comunidades Remanescentes de Quilombos, no âmbito 
do Governo do Estado; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
63 
V - acompanhar os procedimentos de discriminatória 
administrativa rural para identificação, delimitação e 
titulação das terras devolutas ocupadas por Povos e 
Comunidades Tradicionais, inclusive, por Comunidades 
Remanescentes de Quilombos e Comunidades de 
Fundos de Pastos ou Fechos ; 
VI - articular e monitorar a execução das ações previstas 
no Plano Plurianual - PPA voltadas para as comunidades 
tradicionais; 
VII - viabilizar estudos, diagnósticos, troca de 
experiências, participação em eventos e diálogo com a 
sociedade civil tendo em vista a geração de subsídios 
para o aprimoramento da formulação, planejamento, 
implementação e monitoramento de políticas públicas 
sob sua atribuição; 
VIII - comunicar aos órgãos e instituições competentes 
acerca de ocorrências de violação de direitos ou 
situações de conflito envolvendo Povos e Comunidades 
Tradicionais, bem como acompanhar processos 
administrativos e judiciais de interesse dessas 
comunidades; 
IX - consultar e solicitar aos órgãos competentes a 
emissão de opinativos técnicos e pareceres, em 
expedientes e processos administrativos, em que 
estiverem envolvidos direitos e interesses das 
Comunidades Tradicionais; 
X - propor, estimular e implementar programas e ações 
de capacitação de recursos humanos, voltados para o 
Poder Público e a sociedade civil, tendo em vista a 
produção e difusão de conhecimento acerca da história, 
instituições, políticas e direitos específicos de Povos e 
Comunidades Tradicionais; 
XI - articular órgãos competentes para, de forma 
conjunta e integrada, atuar na prevenção, mediação, 
mapeamento e identificação de casos de conflitos 
envolvendo Povos e Comunidades Tradicionais, tendo 
em vista a identificação e proposição de estratégias 
para a sua gestão e mitigação; 
XII - monitorar, acompanhar e articular a intervenção de 
órgãos competentes em casos de conflito pelos 
territórios tradicionais e seus recursos, bem como 
ocorrências de violação de direitos, envolvendo Povos e 
Comunidades Tradicionais, e situações que exijam 
providências especiais ou de caráter emergencial; 
XIII - promover os meios necessários para a efetividade 
do exercício da participação e do controle social de 
políticas públicas pelos Povos e Comunidades 
Tradicionais. 
Art. 9º- As Unidades referidas neste Capítulo exercerão 
outras competências correlatas e necessárias ao 
cumprimento da finalidade da Secretaria de Promoção 
da Igualdade Racial. 
 
CAPÍTULO IV 
ATRIBUIÇÕES DOS TITULARES DE CARGOS EM 
COMISSÃO 
Art. 10 - Aos titulares dos cargos em comissão, além do 
desempenho das atividades concernentes aos sistemas 
estaduais, definidos em legislação própria, cabe o 
exercício das atribuições gerais e específicas a seguir 
enumeradas: 
I - Secretário: 
a) assessorar diretamente o Governador do Estado nos 
assuntos compreendidos na área de competência da 
Secretaria; 
b) exercer a orientação, coordenação e supervisão das 
Unidades da Secretaria; 
c) viabilizar a aprovação dos planos, programas, 
projetos, orçamentos, cronogramas de execução e de 
desembolso pertinentes à Secretaria; 
d) promover medidas destinadas à obtenção de 
recursos, com vistas à implantação de programas a 
cargo da Secretaria; 
e) praticar atos pertinentes às atribuições que lhe 
forem delegadas pelo Governador do Estado; 
f) celebrar convênios, contratos, acordos, protocolos e 
outros ajustes, mediante delegação expressa do 
Governador do Estado, bem como propor alterações 
dos seus termos ou sua denúncia; 
g) referendar os atos e decretos assinados pelo 
Governador; 
h) expedir normas complementares para a execução 
das leis, decretos e regulamentos; 
i) designar/dispensar, no âmbito de suas atribuições, os 
ocupantes de cargos em comissão; 
j) constituir comissões consultivas de especialistas ou 
grupos de trabalho; 
k) promover a avaliação sistemática das atividades das 
Unidades da Secretaria; 
l) apresentar ao Governador do Estado, anualmente, ou 
quando por este solicitado, relatório de sua gestão; 
m) encaminhar ao Governador do Estado anteprojetos 
de lei e minutas dedecreto elaborados pela Secretaria; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
64 
n) presidir o colegiado integrante da estrutura da 
Secretaria; 
o) representar ou fazer representar a Secretaria em 
colegiados dos órgãos e entidades da Administração 
Pública Estadual, de acordo com a legislação em vigor; 
p) comparecer, quando convocado pela Assembleia 
Legislativa ou por comissão sua, podendo fazê-lo por 
iniciativa própria, mediante ajuste com a respectiva 
Presidência, para expor assuntos relevantes de sua 
Pasta; 
q) designar as comissões de licitação e homologar os 
julgamentos destas; 
r) articular-se com outros Secretários de Estado, com 
vistas à adoção de medidas que visem o 
aperfeiçoamento da prestação dos serviços públicos, 
relacionados com a Pasta; 
s) sugerir a expedição e propor a alteração de normas 
de aplicação da legislação estadual, regulamentadora e 
disciplinadora, de matérias atinentes à área de atuação 
da Secretaria. 
II - Chefe de Gabinete: 
a) assistir o Secretário em sua representação e contatos 
com o público e organismos do governo; 
b) orientar, supervisionar, dirigir e controlar as 
atividades do Gabinete; 
c) assistir o Secretário no despacho do expediente; 
d) auxiliar o Secretário no exame e encaminhamento 
dos assuntos de sua atribuição; 
e) transmitir às Unidades da Secretaria as 
determinações, ordens e instruções do Titular da Pasta; 
f) assistir o Secretário na elaboração do relatório anual 
da Secretaria; 
g) auxiliar o Secretário no planejamento e coordenação 
das atividades da Secretaria; 
h) prestar assessoramento político ao Secretário; 
i) representar o Secretário, quando por este designado; 
j) coordenar as atividades de divulgação dos trabalhos 
da Secretaria; 
k) fiscalizar o cumprimento dos termos dos Contratos 
de Gestão firmados pela Secretaria. 
l) exercer encargos especiais que lhe forem cometidos 
pelo Secretário. 
III - Coordenador Executivo: 
a) orientar, coordenar, supervisionar e avaliar os 
trabalhos e as atividades a cargo da sua Unidade; 
b) encaminhar ao seu superior imediato relatórios 
mensais e anuais das atividades da respectiva Unidade; 
c) promover reuniões e contatos com órgãos e 
entidades públicas e privadas interessados nas 
atividades da sua unidade; 
d) prestar assistência ao seu superior imediato em 
assuntos pertinentes à sua área de competência; 
e) propor a constituição de comissões ou grupos de 
trabalho para execução de atividades especiais 
atribuídas pelo titular da Pasta; 
f) emitir pareceres sobre assuntos relacionados às suas 
áreas de atuação; 
g) reunir-se, sistematicamente, com seus subordinados 
para avaliação dos trabalhos e execução; 
h) propor e indicar servidores para participar de 
programas de treinamento da Secretaria; 
i) indicar servidores para o desempenho da gestão dos 
órgãos que lhe são subordinados; 
j) expedir instruções normativas referentes a assuntos 
pertinentes à sua Unidade; 
k) elaborar e submeter, à aprovação do seu superior 
imediato, os programas, projetos e atividades a serem 
desenvolvidos sob sua direção. 
IV - Assessor Especial: 
a) assessorar diretamente o Secretário em assuntos 
relativos à Pasta de sua atuação, elaborando pareceres, 
notas técnicas, minutas e informações; 
b) promover a articulação do Secretário com órgãos e 
entidades públicas e privadas, nacionais, estrangeiras e 
internacionais; 
c) assessorar as Unidades vinculadas à Secretaria em 
assuntos que lhe forem determinados pelo Secretário; 
d) assegurar a elaboração de planos, programas e 
projetos relativos às funções da Secretaria; 
e) exercer encargos especiais que lhe forem cometidos 
pelo Secretário. 
V - Coordenador I: 
a) programar, orientar, dirigir, coordenar, supervisionar, 
controlar e avaliar os trabalhos a cargo da respectiva 
Unidade; 
b) cumprir e fazer cumprir as diretrizes, normas e 
procedimentos técnicos, administrativos e financeiros 
adotados pela Secretaria; 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
65 
c) propor ao superior imediato as medidas que julgar 
convenientes para maior eficiência e aperfeiçoamento 
dos programas, projetos e atividades sob sua 
responsabilidade; 
d) planejar, programar e disciplinar a utilização dos 
recursos materiais e financeiros necessários ao bom 
andamento dos trabalhos sob sua responsabilidade; 
e) elaborar e encaminhar ao superior imediato 
relatórios periódicos, ou quando solicitado, relatórios 
das atividades da respectiva Unidade; 
f) coordenar e executar tarefas específicas que lhe 
sejam cometidas pelo seu superior imediato. 
VI - Coordenador II: 
a) coordenar, orientar, controlar, acompanhar e avaliar 
a elaboração e execução de programas, projetos e 
atividades compreendidos na sua área de competência; 
b) assistir ao dirigente em assuntos pertinentes à 
respectiva Unidade e propor medidas que propiciem a 
eficiência e o aperfeiçoamento dos trabalhos a serem 
desenvolvidos; 
c) acompanhar o desenvolvimento técnico e 
interpessoal da respectiva equipe de trabalho; 
d) assessorar o dirigente em assuntos pertinentes à sua 
área de competência; 
e) acompanhar o desenvolvimento das atividades da 
respectiva Unidade, com vistas ao cumprimento dos 
programas de trabalho; 
f) elaborar e apresentar ao dirigente relatórios 
periódicos, ou quando solicitados, sobre as atividades 
da respectiva Unidade; 
g) coordenar e executar tarefas específicas que lhe 
sejam cometidas pelo seu superior imediato. 
Art. 11 - As atribuições do Diretor da Diretoria de 
Administração e Finanças, Coordenadores e demais 
cargos dos Órgãos Sistêmicos são as definidas na 
legislação específica dos respectivos Sistemas. 
Art. 12 - Ao Assessor Técnico cabe coordenar, executar 
e controlar as atividades específicas que lhe sejam 
cometidas pelo seu superior imediato. 
Art. 13 - Ao Secretário de Gabinete e ao Oficial de 
Gabinete cabe coordenar, executar e controlar as 
atividades que lhes sejam cometidas pelo Titular da 
Pasta. 
Art. 14 - Ao Assessor Administrativo cabe executar e 
controlar as atividades que lhe sejam cometidas pelo 
seu superior imediato. 
Art. 15 - Ao Coordenador III cabe executar projetos e 
atividades designados pela Unidade de sua vinculação. 
Art. 16 - Ao Secretário Administrativo I cabe atender às 
partes, preparar o expediente e a correspondência e 
coordenar e executar as tarefas que lhe sejam 
cometidas pelo seu superior imediato. 
Art. 17 - Os ocupantes de cargos em comissão da 
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial exercerão 
outras atribuições inerentes aos respectivos cargos, 
necessárias ao cumprimento das competências das 
respectivas Unidades. 
 
CAPÍTULO V 
SUBSTITUIÇÕES 
Art. 18 - As substituições dos titulares de cargos em 
comissão, nas suas faltas e impedimentos eventuais, 
far-se-ão da seguinte maneira: 
I - o Secretário de Promoção da Igualdade Racial, pelo 
Chefe de Gabinete; 
II - o Chefe de Gabinete, por um dos Coordenadores 
Executivos; 
III - o Coordenador Executivo, pelo Coordenador I que 
lhe seja diretamente subordinado; 
IV - o Diretor do Órgão Sistêmico, por um dos 
Coordenadores II que lhe sejam diretamente 
subordinados; 
V - o Coordenador I, por um dos Coordenadores II que 
lhe seja diretamente subordinado; 
VI - o Coordenador II, por um dos Coordenadores III ou 
por um dos servidores que lhes sejam diretamente 
subordinados. 
§1º - O substituto do servidor ocupante de cargo de 
Direção e Assessoramento Intermediário (DAI), em suas 
ausências e impedimentos, será designado por ato do 
Secretário. 
§2º - Haverá sempre um servidor previamente 
designado pelo Secretário para os casos de substituição 
de que trata este artigo. 
 
 
 
 
 
 
PMBA / CBMBA 
NOÇÕES DE IGUALDADE RACIAL E DE GÊNERO 
 
 
66 
CAPÍTULO V 
DISPOSIÇÕES GERAIS E FINAIS 
Art. 19 - O Secretário de Promoção da Igualdade Racial 
poderá constituir grupos de trabalho, mediante 
portaria, onde estabelecerá a finalidade, o prazo de 
duraçãoe as atribuições dos respectivos titulares, sem a 
contrapartida específica de remuneração. 
Art. 20 - As atividades referentes à documentação, 
distribuição de informações e acesso bibliográfico da 
Secretaria ficam vinculadas à Diretoria de Administração 
e Finanças. 
Art. 21 - O Secretário de Promoção da Igualdade Racial 
poderá requisitar servidores à disposição do quadro 
permanente da Administração Pública do Poder 
Executivo Estadual, para atender às necessidades da 
Secretaria, observadas as atribuições dos respectivos 
cargos e respeitada a legislação em vigor. 
Art. 22 - O Secretário de Promoção da Igualdade Racial 
baixará os atos complementares necessários ao fiel 
cumprimento e aplicação do presente Regimento. 
Art. 23 - Os cargos em comissão da Secretaria de 
Promoção da Igualdade Racial são os constantes do 
Anexo Único que integra este Regimento. 
Art. 24 - Os casos omissos neste Regimento serão 
resolvidos pelo Secretário de Promoção da Igualdade 
Racial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI FEDERAL Nº 10.678 DE 23 DE MAIO DE 2003 (CRIA 
A SECRETARIA DE POLÍTICAS DE PROMOÇÃO DA 
IGUALDADE RACIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA). 
 
 
Cria a Secretaria Especial de Políticas de 
Promoção da Igualdade Racial, da 
Presidência da República, e dá outras 
providências. 
 
Faço saber que o Presidente da República adotou a 
Medida Provisória nº 111, de 2003, que o Congresso 
Nacional aprovou, e eu, Eduardo Siqueira Campos, 
Segundo Vice-Presidente, no exercício da Presidência da 
Mesa do Congresso Nacional, para os efeitos do 
disposto no art. 62 da Constituição Federal, com a 
redação dada pela Emenda constitucional nº 32, 
combinado com o art. 12 da Resolução nº 1, de 2002-
CN, promulgo a seguinte Lei: 
Art. 1º Fica criada, como órgão de assessoramento 
imediato ao Presidente da República, a Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. 
Art. 2º (Revogado pela Lei nº 12.314, de 2010) 
Art. 3º O CNPIR será presidido pelo titular da Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, 
da Presidência da República, e terá a sua composição, 
competências e funcionamento estabelecidos em ato 
do Poder Executivo, a ser editado até 31 de agosto de 
2003. 
Parágrafo único. A Secretaria Especial de Políticas de 
Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da 
República, constituirá, no prazo de noventa dias, 
contado da publicação desta Lei, grupo de trabalho 
integrado por representantes da Secretaria Especial e 
da sociedade civil, para elaborar proposta de 
regulamentação do CNPIR, a ser submetida ao 
Presidente da República. 
Art. 4º Fica criado, na Secretaria Especial de Políticas de 
Promoção da Igualdade Racial da Presidência da 
República, 1(um) cargo de Secretário-Adjunto, código 
DAS 101.6. (Redação dada pela Lei nº 11.693, de 2008) 
Art. 4º-A. Fica transformado o cargo de Secretário 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial 
no cargo de Ministro de Estado Chefe da Secretaria 
Especial de Políticas de Promoção da Igualdade 
Racial.(Incluído pela Lei nº 11.693, de 2008) 
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua 
publicação.

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