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Centro Universitário Leonardo Da Vinci Curso Bacharelado em Serviço Social MARLI RAIMONDI LORRENZZETTI (SES0506) PROJETO DE INTERVENÇÃO: VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER JOINVILLE 2020 2 MARLI RAIMONDI LORRENZZETTI VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER Projeto de intervenção apresentado à disciplina de Estágio II do Curso de Serviço Social do Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI, como requisito parcial para avaliação. Nome do Tutor Externo – Maria Rosangela Anacleto Nome do Supervisor de Campo –Maria Rosângela Anacleto JOINVILLE 2020 3 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................4 2 CONTEXTUALIZAÇÃO, JUSTIFICATIVA E PROBLEMATIZAÇÃO.......4 3 OBJETIVOS ...............................................................................................................................12 3.1 OBJETIVO GERAL ...........................................................................................12 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..............................................................................................12 4 PÚBLICO-ALVO ................................................................................................12 5 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS .........................................................................12 6 METAS ..................................................................................................................13 7 AVALIAÇÃO E CONTROLE ............................................................................13 8 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES .................................................................13 9 RECURSOS (VALORES APROXIMADOS) ...............................................................14 9.1 GASTOS COM PESSOAL .................................................................................14 9.2 GASTOS COM MATERIAL ..............................................................................14 9.3 GASTOS COM DESLOCAMENTO ..................................................................14 9.4 ORÇAMENTO TOTAL ......................................................................................14 REFERÊNCIAS ..............................................................................................................................15 4 1 INTRODUÇÃO Este trabalho de Estágio Supervisionado II está acontecendo de forma virtual, através de pesquisas, WhatsApp, vídeo-aulas proporcionadas pela Faculdade UNIASSELVI e materiais de apoio. Em decorrência do momento crítico, onde uma pandemia vem se alastrando pelo mundo todo, no Brasil não tem sido diferente, nos afastando do convívio familiar, espaço de trabalho, da universidade e em consequência o campo de estágio. Como medida de prevenção e segurança, apresentaremos o trabalho de forma diferenciada na segurança de nossos lares. Conforme as demandas observadas no decorrer do Estágio I, podemos ter embasamento para a confecção do Projeto de Intervenção, já que foi possível através dos diários de campo e através de dados de pesquisa ter fundamentos para a elaboração do trabalho do Estágio II. No presente projeto será abordado sobre: violência doméstica contra a mulher e como a violência presente nas relações interpessoais tem tido lugar de destaque entre as preocupações dos profissionais da saúde por ser considerado um problema de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS), ao publicar o Relatório Mundial sobre Violência e Saúde, define a violência como o uso intencional de força ou de poder físico, de fato ou como ameaça, contra si mesmo, ou outra pessoa, grupo ou comunidade, que cause ou tenha muita probabilidade de causar lesões, morte, danos psicológicos, transtornos de desenvolvimento ou privações (Krug, Dahlberg, Mercy, Zwi & Lozano, 2002). No Brasil, a Lei n. 11.340/2006 ou Lei Maria da Penha, emergiu como uma possibilidade jurídica ao resguardo dos direitos da mulher; a mesma apregoa que as violências, doméstica e familiar contra a mulher, compõem-se como violação aos direitos humanos. Nesse momento de pandemia, a pesquisa será feita de forma bibliográfica, buscando fontes e registros sobre como está acontecendo a denúncia e intervenção do profissional do Serviço Social em prol da mulher. 2 CONTEXTUALIZAÇÃO, JUSTIFICATIVA, PROBLEMATIZAÇÃO O Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS II / PAEFI de Joinville, é uma unidade estatal de abrangência municipal. É um equipamento público onde são ofertados serviços com objetivo de acolher, orientar, assim como, fazer acompanhamento de famílias e indivíduos que estão em situação de risco por violação de direitos, que demandam intervenções especializadas no âmbito do Sistema Único da Assistência Social, pois o CREAS é uma unidade de referência do SUAS. 5 Considerando a definição expressa na Lei nº 12.435/2011, o CREAS é a unidade pública estatal de abrangência municipal ou regional que tem como papel constituir-se em lócus de referência, nos territórios, da oferta de trabalho social especializado no SUAS a famílias e indivíduos em situação de risco pessoal ou social, por violação de direitos. Seu papel no SUAS define, igualmente, seu papel na rede de atendimento. (Brasil 2011. P.23). A implantação do CREAS aconteceu por definições de etapas, metas e assim como outros serviços da esfera do governo se originou da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) em 2004 e o trabalho é realizado por uma equipe multiprofissional, definida pela Norma Operacional Básica de Recursos Humanos/ SUAS, 2006. A implantação do CREAS é feito por uma análise local, com a condição de ter um diagnóstico socioterritorial e com padronização dos serviços de proteção social básica e especial pela Resolução n° 109, de 11 de novembro de 2009, da Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais com “dados sobre a incidência de situações de risco pessoal e social, por violação de direitos, o levantamento de demandas e o mapeamento dos serviços, programas e projetos existentes no território” (BRASIL, 2011, p.58). Conforme o Plano Municipal de Assistência Social 2018 – 2021 (2017), o CREAS Bucarein iniciou suas atividades em 30 de junho de 2010, mas segundo documentos bibliográficos da unidade, o CREAS Bucarein passou a atender apenas em março de 2011 na sede onde funciona até hoje – na Avenida Coronel Procópio Gomes 830, no Bairro Bucarein. No início apenas o PAEFI fazia parte dos serviços e em 2003, passou a integrar também o Serviço de Proteção e Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida e de Prestação de Serviços. Até o ano de 2011 a SAS oferecia o POASF – Programa de Orientação e Apoio Sociofamiliar, o Programa Sentinela – Serviço de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e o PAMVVI – Programa de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência Sexual. Com a implantação do CREAS no município, esses programas foram desativados e a demanda foi absorvida pelo PAEFI, que passou a atender em um só local os usuários desse serviço. Para alcançar os objetivos, o PAEFI desenvolve trabalho social pela equipe composta por profissionais de diversas áreas, como assistentes sociais, psicólogos e pedagogos. Entre as atividades, estão a identificação das necessidades das pessoas que buscam ou são encaminhadas ao CREAS, atenção especializada, orientação sobre direitos, encaminhamento para outros serviços da Assistência Social e de outras políticas, como saúde, educação, trabalho e renda, habitação, orientação jurídica, acesso à documentação, entre outros.As demandas atendidas constituem diversas situações como: violação de direitos, risco social, originadas por violência física, sexual e psicológica; negligência, abandono, discriminação 6 em decorrência de orientação sexual, racismo ou situações que provoquem danos ou que causem afastamento do convívio familiar devido à aplicação de medida de proteção; indivíduos que vivenciaram situação de tráfico de pessoas; situação de rua e mendicância; abandono; vivência de trabalho infantil; discriminação em decorrência da orientação sexual e/ ou raça/ etnia; outras formas de violação de direitos decorrentes de discriminações/ submissões a situações que provoquem danos e agravos a sua condição de vida e os impeçam de usufruir da autonomia e bem estar; descumprimento de condicionalidades do Programa do Bolsa Família. Sposati (2001), defende a tese de: incluir o termo risco na política de assistência social, expondo que o seu conceito não se vincula somente a situações que provocam perigo, corroborando como possibilidade da perda de qualidade de vida pela ausência de uma ação preventiva. Ou seja, o termo além de carregar fatores de perigo, pode contribuir com a prevenção. Afirma ainda, que a incorporação destes termos na política da assistência social amplia o acesso da assistência social para outros públicos que não estão descritos na LOAS. (SPOSATI, 2001, p. 69). No Centro de Referência Especializado de Assistência Social CREAS II – PAEFI- os técnicos têm como objetivo de conceber a mais correta forma de acolhimento em favor de um melhor atendimento as demandas que surgem no cotidiano do equipamento, favorecendo um modelo de atendimento especializado e direcionado aos encaminhamentos que se fazem necessários. É relevante a necessidade que há em discorrer sobre o valor dado a observação, havendo uma rigorosa análise no levantamento de demandas, a fim de ser cauteloso no processo de trabalho nos atendimentos ofertados. A observação nos atendimentos no Estágio I e no atual momento pandêmico pelo qual o país está vivenciando, a pesquisa em Serviço Social constitui uma excelente ferramenta que oferece recursos para que o trabalho não pare, sendo possível o descobrimento e desmistificação de mudanças sociais que refletem na vida dos sujeitos envolvidos. Uma das grandes preocupações observadas e conteúdo desse trabalho é a questão da violência contra a mulher que ocorre dentro de seus lares, onde deveria ser um local de acolhimento e segurança, um ambiente que deveria oferecer paz e harmonia. Conforme definida por Teles e Melo (2002, p. 19), a violência doméstica por sua vez é: “[...] a que ocorre dentro de casa nas relações entre pessoas da família, entre homens e mulheres, pais/mães e filhos, entre jovens e pessoas idosas”. Este conceito delimita o espaço da ocorrência para dentro de casa ( espaço doméstico), deixando aberto o campo de quem seja o agressor, principalmente na violência contra crianças e adolescentes. 7 As violências que ocorrem dentro das casas, na maioria das vezes, são cometidas pelos companheiros, maridos, namorados, amantes, ou seja, qualquer pessoa com a qual a mulher mantém uma relação afetiva/conjugal, não interferindo somente na relação do casal, mas gerando uma série de consequências a todos os membros da família. O problema da violência de homens contra mulheres e/ou de “culturas” contra mulheres é muito antigo e praticamente onipresente. Teles & Melo (2002) enfatizam que “a forma mais disseminada e universal seria a violência conjugal e doméstica, aquela que ocorre entre casais e nas famílias”. Outras formas ocorrem em contextos específicos, como nos casos de conflitos armados, em que muitas jovens e mulheres sofrem graves abusos sexuais e psicológicos por parte de soldados; e nos casos de mutilações genitais, praticadas em algumas culturas, com base em crenças sexistas em relação às mulheres. Além dessas formas de violência, existe também o tráfico de mulheres para fins de exploração sexual, o assédio sexual e moral no local de trabalho, os estupros e abusos sexuais ocorridos em espaços públicos, entre outras. Considera‐se violência tudo aquilo que fere, destrói, agride ou machuca as pessoas, ações que não preservam a vida e/ou prejudicam o bem-estar tanto individual quanto social. Como existem inúmeros fenômenos que correspondem a essa definição, Cavalcanti (2006) categoriza a violência seguindo os seguintes critérios: A violência pode ser tanto física (quando ações ou comportamentos põem em risco a integridade física do indivíduo – ex. soco, chute, uso de armas) como simbólica (quando as ações e comportamentos trazem riscos à integridade psíquica e emocional do indivíduo – ex. ironia, intimidação, humilhação); A violência pode ser tanto intencional (quando a pessoa que comete o ato violento tem a intenção e sabe que está agredindo outra pessoa ou grupo – ex. briga, xingamento) como não intencional (quando a pessoa que comete o ato violento não quer ou não tem a intenção de cometê‐lo – ex. uma falta mais violenta em um jogo de futebol; machucar alguém em um acidente de trânsito); A violência pode ser tanto “macro” (quando suas conseqüências atingem um grande número de pessoas – ex. o crime organizado, a fome, a corrupção, exclusão) como “micro” (quando suas consequências são sentidas nas relações cotidianas, pessoais, nos indivíduos – ex. agressão verbal, agressão física, “pressão da turma”). 8 Para Cavalcanti (2006, p. 53) a crença de que os maus tratos no âmbito familiar são casos isolados, que se reproduzem em certos ambientes marginais e com determinados tipos de agressores que padecem de problemas psicológicos, de alcoolismo e drogas, não coincidem com a realidade. Para ela, os diferentes estudos que analisam as características dos agressores e das vítimas de maus tratos (geralmente crianças e mulheres) assinalam que este fenômeno desenvolve-e em todas as culturas e que o nível econômico e intelectual não é determinante da sua ocorrência. Diante disso, pode‐se afirmar que a violência doméstica não é privativa de determinadas famílias ou camadas sociais. No Brasil, a Lei n. 11.340/2006 ou Lei Maria da Penha, emergiu como uma possibilidade jurídica ao resguardo dos direitos da mulher; a mesma apregoa que as violências, doméstica e familiar contra a mulher, compõem-se como violação aos direitos humanos e apesar disso, é crescente o número de casos de violência contra a mulher, definindo-se frente as relações domésticas e afetivas de forma a promover inquietações acerca da eficiente aplicabilidade e eficácia da referida Lei n.11.340/2006. Com o advento da Lei nº. 11.340/06, que visa coibir a violência doméstica no Brasil, publicada em 07 de Agosto de 2006, é considerada violência doméstica “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”. Logo, a partir de agora o conceito de violência doméstica e familiar contra a mulher foi ampliado para incluir também o delito de dano moral ou patrimonial. Conforme coloca o artigo 226, § 8º da Constituição Federal: “O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações”. Quanto à sua abrangência, a Lei nº 11.340/ 2006, destina-se tão somente às mulheres em situação de violência segundo o proferido no Art. 1: [...] esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do artigo 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativado Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar [...]. Carneiro e Fraga (2012, p. 375-376), colocam que: [...] as expressões violência doméstica, violência intrafamiliar, violência contra a mulher e violência de gênero são termos que podem ser referidos a perspectivas de análise diferentes, no que tange ao termo violência e ao predicado que a acompanha [...] é importante destacar a diferença de origem dos conceitos de violência intrafamiliar e doméstica. Esta última é oriunda do movimento feminista, que denuncia o quanto o lar é perigoso para a mulher, pois é a mais atingida pela violência no espaço privado. De qualquer forma, as ideias de 9 ambas se entrelaçam, pois a violência doméstica ocorre no espaço familiar e a violência intrafamiliar se dá com frequência no espaço doméstico. Os benefícios incorporados a partir da lei são significativos ao combate à violência doméstica, visto o principal progresso na criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, com competência cível e criminal. Conforme dispõe o artigo 14 da Lei nº 11.340/06: Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme dispuserem as normas de organização judiciária. Conforme Cavalcanti (2007, p. 88), a situação da mulher não decorre de apenas alguns lugares e nem somente à ela propriamente, mas sim a todos, desde crianças até os idosos, sendo um problema global: “violência doméstica constitui-se num problema global e que atinge não só a mulher, mas crianças, adolescentes e idosos, sendo este decorrente da desigualdade nas relações entre homens e mulheres”. E para Hermann (2008, p. 101): “Fica claro que a lei busca proteger a mulher contra os abusos decorrentes de preconceito ou discriminação resultante de sua condição feminina, não importando se o agressor é homem ou outra mulher”. A violência física é qualquer conduta que ofenda a integridade física da mulher ou sua saúde corporal. O agressor utiliza-se de força física contra a mulher e abusa de sua superioridade corporal. Neste sentido, Hermann (2008, p. 108) ensina: Quanto à integridade física, o conceito transcrito no inciso I do dispositivo é expresso em considerar violentas condutas que ofendam também a saúde corporal da mulher, incluindo, por consequência, ações ou omissões que resultem em prejuízo à condição saudável do corpo. Com o período de isolamento social decorrente da pandemia pelo COVID 19, a violência contra mulher vem aumentando em Joinville – SC. O desgaste emocional, o estresse pelo fato do isolamento e da situação financeira causadas pela reclusão decorrente da pandemia do Coronavírus, acabam aumentando a incidência de violência contra a mulher, violência essa, que pode ser física, moral, sexual, psicológica. 10 Muitas mulheres ainda se submetem aos maus tratos por terem medo em denunciar, embora que, pelo fato do isolamento e muitas não terem meios de ir até uma delegacia, já que meios de transporte como ônibus estão suspensos, elas se sujeitam e se omitem por medo, insegurança. A melhor forma de defesa para a mulher agredida é a denúncia. Embora o período de isolamento social possa favorecer a violência e dificultar o acesso a alguns canais de denúncia, é preciso que a vítima busque meios alternativos ou que peça ajuda às pessoas próximas. Quando se trata de denúncia se exige que o Estado tenha um maior envolvimento no sentido de garantir proteção e cuidado com as mulheres vítimas de violência. Cabe ao Estado de direito ter como fundamento o controle da violência na sociedade e em decorrência a proteção da mulher. A legitimidade do uso da violência e os ritos formais para a sua identificação estruturam intervenções por meio de procedimentos jurídicos, policiais e militares. Max Weber define, da seguinte maneira, o entrelaçamento entre violência e o Estado de direitos: O Estado – reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física. É, com efeito, próprio de nossa época o não reconhecer em relação a qualquer outro grupo de indivíduos, o direito de fazer uso da violência, a não ser nos casos em que o Estado o tolere: o Estado se transforma, portanto, na única fonte do "direito" à violência (Weber, 2008:56). Ao longo da história, as várias formas de violência doméstica, e em especial, a violência contra a mulher, foram ignoradas. Essa invisibilidade da violência contra as mulheres pode ser entendida como um fenômeno de legitimação da violência perpetrada por homens no espaço doméstico (Bandeira & Thurler, 2008; Araújo, 2003; Ravazzola, 1998). Atuando, apenas, até o limite das portas das casas, o Estado, durante muito tempo, se absteve de intervir nos conflitos domésticos. Essa omissão do Estado resultou em um risco especial para as mulheres vítimas de maridos violentos (Bandeira & Thurler, 2008; Dias, 2007; Soares, 1999; Ravazzola, 1998). Até a década de 70, na intimidade da casa, o homem seguia sendo incontestável em suas atitudes. O espaço doméstico permaneceu como a configuração social básica do patriarcado e era legitimado na esfera de ação pública do Estado. A violência contra a mulher tem sido apontada pela ONU como uma violação dos Direitos Humanos e como um problema de Saúde Pública, ou seja, como uma das principais causas de doenças das mulheres (hipertensão, angústia, depressão, sofrimento psíquico, e outras). Da mesma forma, a violência cometida contra as mulheres é considerada um dos principais entraves ao desenvolvimento de países do mundo inteiro. Para essa realidade, é necessária uma intervenção para que os profissionais do CREAS II – PAEFI – possam desenvolver um trabalho com ações efetivas, utilizando conhecimentos e aplicando de forma a ajudar a mulher, com encaminhamentos específicos, com atividades com foco 11 na violação de direito para ressignificação e superação da situação vivenciada, além dos fatores de risco e proteção e o fortalecimento de vínculos e da função protetiva da família. Seja no espaço da violência contra a mulher ou em qualquer outro espaço ocupacional, o assistente social intervém sobre um objeto de trabalho, ou seja, sobre este incide alguma ação profissional. Por isso, para o Assistente social, é essencial o conhecimento da realidade em que atua, a fim de compreender como os sujeitos sociais experimentam e vivenciam as situações sociais. No caso trabalhando com a temática da violência contra a mulher, o profissional de Serviço Social necessita aprofundar seu conhecimento sobre as múltiplas determinações que decorrem da mesma. Nessa perspectiva, conforme Iamamoto (1999, p.52), O grande desafio na atualidade é, pois, transitar da bagagem teórica acumulada ao enraizamento da profissão na realidade, atribuindo, ao mesmo tempo, uma maior atenção às estratégias e técnicas do trabalho profissional, em função das particularidades dos temas que são objetos de estudo e ação do assistente social. Debates em torno do objeto do Serviço Social têm sido feitas no decorrer da história da profissão. Contextualizando o Serviço Social na contemporaneidade, Iamamoto define que o objeto de trabalho do Serviço Social compõe-se das expressões da questão social, entendidas como as consequências das desigualdades originadas pelo sistema capitalista. Para a autora, o objeto de trabalho, ou matéria-prima,do Serviço Social passam a ser as particularidades das expressões sociais e como estas são experimentadas pelos sujeitos que as vivenciam, sobretudo na relação com o trabalho e a classe social. Iamamotto (1999) ainda destaca que o conhecimento é um meio de trabalho do Assistente Social, deixando evidente que as bases teórico-metodológicas são essenciais para o exercício profissional. Esta dimensão contribui para direcionar a intervenção. O aprofundamento teórico e a vinculação deste com o processo de intervenção são de responsabilidade do profissional, no esforço constante de ser um Assistente Social construtivo, que extrapole o mecanicismo da prática de atendimento no cotidiano das instituições, que busque articular-se em redes com outros colegas, para juntos pensarem em possíveis caminhos de intervenção. A produção da prática pressupõe aproximação constante com a teoria: é como se prática e teoria fizessem parte de um movimento dialético de ação, reflexão, ação; é como se ocorresse um ato coletivo e político entre os sujeitos sociais, sejam eles agentes ou usuários institucionais. E como objeto de trabalho no qual a acadêmica em Serviço Social realiza essa pesquisa, percebe-se o quão relevante são os instrumentos utilizados pelos Assistentes Sociais, e nesse momento tem sido significativo a intervenção por meio de pesquisas, onde os Assistentes Sociais, no seu espaço de trabalho, reune inúmeras informações e conhecimentos sobre os usuários com os 12 quais intervém. A pesquisa é um instrumento que possibilita conhecer, explorar e sistematizar os dados, com consequente produção de conhecimento sobre a realidade cotidiana das mulheres que sofrem violência e sobre a dinâmica das instituições. As metodologias qualitativas – entrevistas, histórias de vida, e outras, são especialmente recomendadas nessa área, pois permitem visualizar um fenômeno (o da violência) que permaneceu durante muito tempo invisível, dando voz às mulheres que, por sua vez, também permaneceram durante muito tempo silenciadas. 3 OBJETIVOS Dispondo aqui os objetivos elencados do Projeto de Intervenção, para elucidação da demanda levantada. 3.1 OBJETIVO GERAL Reduzir os índices de violência contra a mulher e implementar a política de proteção às vítimas visando a promoção da justiça e da equidade social. 3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Possibilitar o atendimento da mulher em situação da violência doméstica, dos filhos e dos demais membros da família. Investigar as consequências da violência. Identificar a atuação do Assistente Social nas relações familiares visando seu fortalecimento. 4 PÚBLICO-ALVO As atividades e ações desse Projeto de Intervenção tem como alvo às mulheres vítimas de violência doméstica e aos membros que compõe o núcleo. 5 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Aqui serão descritas todas as atividades de intervenção e como serão desenvolvidas, apresentando-se também, as ações pretendidas na metodologia do trabalho de intervenção. 13 Primeira ação Reunião com Equipe Multiprofissional do CREAS II – PAEFI para apresentação do Projeto de Intervenção. Segunda Ação Solicitação de autorização para realização da pesquisa. Terceira Ação Aplicação do questionário de pesquisa com os usuários do serviço. Quarta Ação Reunir os dados da pesquisa e apresentar a Equipe Multidisciplinar do CRERAS II – PAEFI, como forma de propiciar conhecimento detalhado da demanda. 6 METAS • Metas em curto prazo: Elaborar questionário para agosto de 2020. • Metas em médio prazo: Contactar mulheres vítimas de violência doméstica em setembro de 2020. • Metas em longo prazo: Apresentação do Relatório final do Projeto, tendo como alvo as atividades desenvolvidas pelo grupo reflexivo em dezembro de 2020. 7 AVALIAÇÃO E CONTROLE AÇÕES PRETENDIDAS MÉTODO DE CONTROLE MÉTODO DE AVALIAÇÃO Elaboração do questionário a ser aplicado Questionário Apresentação da proposta do questionário para a supervisora de campo da acadêmica Reunião com equipe técnica Convite e questionário Equipe técnica Contato e convite para as mulheres Agenda com datas e horários Supervisora de Campo, Estagiária e Equipe Técnica Desenvolvimento das atividades Diário de Campo Supervisora de Campo, Estagiária e Equipe Técnica 8 CRONOGRAMA DE ATIVIDADES 14 2019 2020 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 Pesquisa bibliográfica/documental X X Planejamento das atividades X X Ações a serem executadas (reuniões, oficinas, encontros, palestras, seminários etc.) X X X X Avaliação do estágio X Apresentação dos resultados da intervenção X Avaliação e controle do projeto X 9 RECURSOS (Valores aproximados) 9.1 GASTOS COM PESSOAL QUANT. Recurso Humano HORAS/TRABALHO R$ 01 Estagiária de Serviço Social 150 h/semestre 00,00 01 Assistente Social (Supervisora) - - Total 00,00 9.2 GASTOS COM MATERIAL QUANT. Recurso Material R$ 1500 Folhas de Papel A4 10,00 05 Bloco de rascunho de 100 folhas 7,00 20 CDs 20,00 01 Cartucho de tinta para impressora 70,00 02 Caderno de 100 folhas 9,00 04 Lápis 10,00 04 Canetas 15,00 01 Borracha 4,00 Total 145,00 9.3 GASTOS COM DESLOCAMENTO QUANT. RECURSO COM DESLOCAMENTO R$ 20 L. Litros de Combustível 73,60 Total 73,60 9.4 ORÇAMENTO TOTAL 15 RECURSOS R$ Gastos com pessoal 00,00 Gastos com material 145,00 Gastos com deslocamento 73,60 Total 218,60 REFERÊNCIAS Bandeira, Lourdes, & Thurler, Ana L. (2008). A vulnerabilidade da mulher à violência doméstica: aspectos históricos e sociológicos. Em Lima, Fausto Rodrigues; Santos, Claudilene. Violência doméstica: vulnerabilidades e desafios na intervenção criminal e multidisciplinar. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Brasil. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Orientações Técnicas: Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Brasília: G. E. Brasil, 2011b. CARNEIRO, A. A.; FRAGA, C. K. A lei Maria da Penha e a proteção legal à mulher vítima em São Borja no Rio Grande do Sul: da violência denunciada à violência silenciada. In: Serv. Soc. Soc. São Paulo. n. 110, p. 369-397. Abr/Jun, 2012. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/sssoc/n110/a08n110.pdf>. Acesso em: 12 mai. 2020. CAVALCANTI, Stela Valéria Soares de Farias. Violência Doméstica: análise da Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/06. Salvador: JusPODIVM, Krug, E. G., Dahlberg, L. L., Mercy, J. A., Zwi, A. B., & Lozano, R. (2002). World report on violence and health. World Health Organization, Geneva. 2006. IAMAMOTO, M.V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1999. HERMANN, L. M. 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