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MÓDULO IV MÉTODOS DE ENSINO 2 SUMÁRIO 1. MÓDULO IV - MÉTODOS DE ENSINO ............................................................................................. 03 1.1 TEORIA DOS MÉTODOS DE ENSINO ........................................................................................................ 04 1.2 ETAPAS DO MÉTODO DE ENSINO ........................................................................................................... 07 1.3 CLASSIFICAÇÃO E PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM OS MÉTODOS............................................................... 08 3 1. MÓDULO IV - MÉTODOS DE ENSINO Em um processo de ensino vamos encontrar as/os seguintes componentes: 1) Aluno – centro do processo – que tem sua aprendizagem planejada, estimulada, orientada, consolidada e controlada. 2) Aprendizagem – que envolve a relação professor-aluno. 3) Objetivos – que irão direcionar todo o caminhar do trabalho escolar. 4) Conteúdos – que devem ser selecionados, dosados, programados, afim de que sejam alcançados os objetivos. 5) Métodos – que é a organização racional de todos os fatores pessoais, condições e recursos para atingir os objetivos. Sobre o método, já vimos em outros momentos do curso que ele é definido como um caminho para se chegar a um determinado lugar, alcançar objetivos estabelecidos no planejamento, os quais podem ser divididos em tradicionais e modernos. Em linhas gerais, os métodos tradicionais exigem um comportamento passivo do aluno. Muitas vezes, o professor é visto como o possuidor do poder que deve ser transmitido ao estudante a quem se considera vazio e que precisa de encher a sua mente. Os métodos modernos, por sua vez, consideram o desenvolvimento natural do aluno e a necessidade de aprendizado ativo, participante e de descobertas. Isto precisa de todos os sentidos: ver, ouvir, tocar, sentir, experimentar e até provar se for possível. Quanto à escolha do método ou métodos, este se dará de acordo com: a) Os objetivos a que nos propomos. b) O assunto ou tipo de aprendizagem. c) O tempo que dispomos. d) As condições físicas. e) A experiência didática do professor. f) O tipo de aluno. Enfim, o método é caminho utilizado pelo professor para atingir a aprendizagem, enquanto objetivo maior de ensino, mas a busca por métodos e técnicas requer investigação, experimentação, conhecimento de que um único método não é suficiente para se chegar ao aprendizado, sendo necessário extrair aspectos positivos de cada um, aliando-se às mais modernas técnicas de ensino, especialmente num momento em 4 que a tecnologia implementa mais e mais recursos, e em que as imagens, com suas formas e cores, tendem a atrair os educandos mais que as palavras escritas e faladas. 1.1 TEORIA DOS MÉTODOS DE ENSINO Combinar métodos e adotar modernas técnicas de ensino tem constituído uma das principais estratégias para se atingir o compromisso de ministrar um ensino de qualidade e, ao mesmo tempo, proporcionar aos alunos o exercício da cidadania, preparando-os para atuar na realidade de maneira crítica e consciente, a fim de promover mudanças (FERREIRA, 2004). Ao se falar sobre proposta e reflexão, acerca do ensino, não há como deixar de evidenciar Métodos e Técnicas – elementos primordiais a serem analisados como subsídios de reestruturação de um processo de construção do conhecimento – viabilizadores da busca de novas formas de pensar, pesquisar e investigar. Demo (2001) considera a pesquisa o princípio científico e educativo que abrange todo o campo educacional, uma vez que na sala de aula interessa investigar, procurar conhecimentos, ir além do ato exclusivo de ensinar. Entretanto, quem ensina precisa pesquisar, questionar a realidade, não aceitar tudo como lhe é passado, mas se propor conquistar, ir adiante, criar, o que nem sempre tem sido constatado nas escolas. Só a pesquisa possibilita ao professor deixar de reproduzir, de imitar, levando-o a prosseguir em sua atitude de descobertas, tornando-o antes de tudo, o motivador do aluno. É ele quem vai despertar no seu aluno a intenção de participar, de reagir, de criar e de questionar (DEMO, 2001). Segundo estudos de Ferreira (2004), há na literatura grande número de estudos sobresignificação de método e de método de ensino, os quais tem sido objeto de grandes polêmicas, no campo da metodologia didática na prática pedagógica. No entanto, são escassas as reflexões de cunho epistemológico, havendo em maior quantidade abordagens do tipo técnico-instrumental e sua decorrência metodológica. Com efeito, no predomínio da abordagem na qual se verifica a supremacia da dimensão técnico- instrumental, em detrimento da abordagem epistemológica, a prática pedagógica tem-se constituído num mero emprego de métodos e técnicas de ensino, sem uma justificativa teórica que se aproxime dos reais propósitos da ação educativa escolarizada. Repetem-se, portanto, os equívocos pedagógicos de alguns períodos da história da educação – mesmo recentes – em que se ignorou a importância do método, enquanto, em outros, reificou-se a tal ponto sua supremacia na ação educativa que o método passou a ter valor em si mesmo. 5 Ao diferenciar Método e Método de Ensino, o discurso pedagógico tem distorcido o próprio sentido etimológico da palavra método: do grego méthodos, de metá (pelo, através) e hodós (caminho), como um caminho ou procedimento consciente organizado racionalmente, com a finalidade de tornar o trabalho mais fácil e mais produtivo para o alcance de determinada meta (RAYS, 1975). Nesse sentido, a atividade metódica possibilita uma relação de forma mais adequada com o mundo da natureza e com o mundo da cultura. Isso posto, sugere que o método direciona o alcance de um propósito, não se tratando, porém, de uma direção qualquer, mas daquela que leva de forma mais segura à consecução de um propósito estabelecido. O método implica, pois, um processo ordenado e uma integração do pensamento e da ação ou da reação para se atingir tudo aquilo que foi previamente planejado. A ideia de organização nele contida implica também o planejamento e replanejamento de procedimentos coerentes e coesos para o seu desenvolvimento integral (RAYS, 1975). Além disso, os métodos estão em função da experiência empírica; portanto, devem er superados por uma nova experiência (MERANI, 1977). É a partir dessa visão de método aliada ao pressuposto de que todo processo de ensino ordena princípios e normas para o seu desenvolvimento, que surge a importância do método de ensino no âmbito da educação escolar. Confirma-se, então, a necessidade do método de ensino, desde que seja um meio concreto para o alcance de metas educativas e coadjuvantes na transmissão e na assimilação do conhecimento elaborado – da ciência – de forma mais coerente e organizada. O método de ensino passa a ser, assim, um dos elementos estruturadores dos caminhos a serem percorridos pela ação didática, objetivando motivar e orientar o educando para a assimilação do saber veiculado no processo escolar e na sua relação com os meios: natural, cultural, socioeconômico, entre outros. Dessa forma, considera-se não só a realidade vital da escola, mas também a realidade sociocultural em que está inserida. Presume-se, portanto, que a tarefa educativa é variável e não há como a metodologia do ensino seguir dogmaticamente a definição geral de métodos como percurso linear para a consecução dos objetivos da situação didática (FERREIRA, 2004). Lembrando do capital cultural... O desafio educacional tem sido conceber uma metodologia de ensino que minimize as discriminações econômicas e sociais geradas fora da escola, porém refletidas e expressadas na escola pela pessoa do educando. Assim, a todo método de ensino deve corresponder um correto método de aprendizagem, considerando principalmente a gama de diferenças entreos alunos que frequentam uma mesma série na 6 escola. Na totalidade educativa, os destinos do processo educativo e metodológico são traçados, portanto, a partir da inter-relação e integração do educador e do educando, no ato educativo. Também cabe ressaltar que o método é intencional e não se atrela a formas de agir determinadas aprioristicamente, mas fazendo a mediação entre a estrutura da matéria de ensino e as reais condições de aprendizagem do educando. A metodologia do ensino necessita evitar métodos que fazem da ação didática uma rotina pedagógica. Para isso, é imprescindível que a ação didática seja guiada pela perspectiva histórica e pela dialética dos fatos e fenômenos socioeducativos. O que se pretende é a proposição de métodos de ensino que proporcionem ao educando um modo significativo de assimilação crítica da ciência – representada na escola pela matéria de ensino – e o confronto desta com as necessidades socioculturais dos diferentes grupos sociais que frequentam a mesma escola. Por ser o ensino um processo dialético, seu movimento estará no âmbito políticopedagógico que se operará em suas contradições internas e externas. A história mostra que o processo de ensino se condiciona por suas contradições objetivas e subjetivas. As transformações do processo de instrução se darão, portanto, pelas transformações do conhecimento elaborado e veiculado na escola, como também pelas inter-relações e confrontos do conhecimento com o contexto social (FERREIRA, 2004). Paulo Freire reafirmou incansavelmente que não se pode desprezar o conhecimento anterior do aluno, sob o risco de fazer com que os menos favorecidos se sintam marginalizados. Para ele, eram essenciais a eficácia e a validade do “Método”, que consistia em partir da realidade do alfabetizando, do que ele já conhecia, do valor pragmático das coisas e dos fatos de sua vida cotidiana, de suas situações existenciais, respeitando o senso comum e dele partindo. Em Paulo Freire, o “Método” obedecer às normas metodológicas e linguísticas, mas vai além delas, porque desafia o homem e a mulher – que se alfabetizam – a se apropriarem do código escrito e a se politizarem, tendo uma visão de totalidade da linguagem e do mundo. Assim, o “Método” nega a mera repetição alienada e alienante de frases, palavras e sílabas, ao propor aos alfabetizandos “ler o mundo” e “ler a palavra”, leituras estas indissociáveis. Em suma, o trabalho de Paulo Freire é mais do que um método que alfabetiza: trata-se de uma ampla e profunda compreensão da educação que fundamenta suas preocupações ou sua natureza política. O método de Paulo Freire é revolucionário por tirar da situação de submissão e passividade os que nem mesmo conhecem a palavra escrita. A revolução pensada por ele não pressupõe uma inversão nos polos oprimido-opressor, mas pretende reinventar, em comunhão, uma sociedade na qual não haja a exploração 7 e a verticalidade do mando, na qual não haja a exclusão ou a interdição da leitura do mundo aos segmentos desprivilegiados da sociedade (FREIRE, 2002). Em resumo: não há como pensarmos em propostas de ensino sem estarmos assentados em uma pedagogia e métodos adequados. 1.2 ETAPAS DO MÉTODO DE ENSINO Frisando que o método é o “caminho” e técnica é o “como fazer”, “como percorrer esse caminho”, vejamos os comentários de Rangel (2005) para as etapas que fazem parte da previsão e execução do método de ensino, que são o planejamento, a prática e a avaliação. a) O planejamento inclui diagnóstico e fundamentação, ou seja, para planejar é preciso conhecer o contexto ao qual o planejamento se aplica e é preciso estudar, fundamentar o planejamento. O diagnóstico (o estudo de condições e circunstâncias nas quais o planejamento se insere) é feito em relação ao aluno, ao conteúdo, aos recursos, ao contexto, aos objetivos. A fundamentação, refere-se ao estudo, ao conhecimento do método e à motivação (ao motivo, ao incentivo, à vontade, à pertinência, às circunstâncias) do seu uso. b) A prática, a realização do método, inicia-se pela sua explicação, esclarecendo seu encaminhamento, para que se realizem as técnicas (procedimentos, estratégias) e atividades (ações, “exercícios”, questões) pertinentes ao conteúdo e ao contexto. As conclusões do encaminhamento metodológico do conteúdo podem incluir a síntese e a estruturação do conhecimento, podendo-se, nesse caso, utilizar esquemas com os aspectos mais pontuais, estruturantes do conteúdo. c) A avaliação é feita sobre o contexto, os processos e os resultados do método, sobre a sua prática, sobre o desempenho e a participação de professores e alunos, observando-se, sobretudo, a garantia da aprendizagem do conhecimento em seus aspectos e conceitos essenciais. Entre os encaminhamentos possíveis do método, destacam-se: apresentação do tema, realização das técnicas (ações específicas) e atividades (questões, diálogo, exercícios, trabalho de produção de textos) para fixação e verificação da aprendizagem, sendo possível, também, para a estruturação e a consolidação do conhecimento, utilizar a síntese e a revisão do conteúdo sobre o qual foi feito o tratamento metodológico. Existem atividades que podem ser comuns, aplicáveis a diversos métodos e técnicas de ensino e aprendizagem: exercícios, conversação, arguição, aplicações do conhecimento em trabalhos individuais ou em grupo (RANGEL, 2005). 8 1.3 CLASSIFICAÇÃO E PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM OS MÉTODOS Os métodos classificam-se em tradicionais e inovadores; como tradicionais temos os expositivos, os interrogativos e os intuitivos; os inovadores são todos os chamados ativos, como o método Montessori (ainda muito utilizado, principalmente em escolas paulistas), Decroly, Dalton, entre outros. Sant’Anna e Menegolla (2002) ressaltam que os métodos, embora sejam tantos quantos os objetivos previstos, podem de uma maneira geral se dividir em três grandes grupos: didáticos orais, intuitivos e ativos. Vejamos o quadro abaixo: Método didático expositivo = o educador é ativo e o aluno, passivo. Interrogativo = o aluno e o educador interagem. Intuitivo O fundamento é a intuição; o aluno aprende tendo uma visão das coisas em seu ambiente natural (podem-se utilizar projeções quando a visualização direta não for possível). Ativo Baseia-se na auto atividade do aluno. Os métodos didáticos sempre revelam uma determinada posição filosófica, psicológica, sociológica ou científica. Ao organizar o ensino, o professor irá se utilizar de recursos que permitam uma maior ou menor participação do aluno, sem perder de vista o fim proposto e, de acordo com o modo de ensinar, orientará o aluno em termos de valores, desenvolvimento de potencialidades (conteúdos, habilidades mentais e motoras), convívio com o semelhante, conhecimentos específicos (SANT’ANNA; MENEGOLLA, 2002). Rangel (2005, p. 21-7) fala em métodos predominantemente individualizados (e não exclusivamente) e coletivos: Considerar o método ‘exclusivamente’ individualizado é não considerar que, em cada leitura, em cada autorreflexão, existe diálogo: um diálogo que é entre leitor e autor, assim como da pessoa com suas reflexões, que se fundamentam num conjunto de ideias constituídas por meio de processos dialógicos, em situações de comunicação e interação social. Desse modo, o entendimento de predominância, e não de exclusividade, justifica-se pelo princípio de que esse tipo de método não supõe isolamento ou falta de diálogo, reconhecendo-se que a relação entre o aluno e os textos, os livros ou os materiais didáticos é dialógica, seja pela interlocução que estabelece com 9 os autores desses materiais, seja pelas reflexões e associações a conhecimentos e experiências anteriores que as atividades e questões suscitam. Assim, podes e levar em conta o termo “predominantemente”, e não “exclusivamente”, para caracterizar os métodose técnicas nos quais o aluno, de forma autônoma, encaminha sua aprendizagem. Nesse sentido, os métodos individualizados procuram atender a condições e interesses dos alunos, suas motivações e aptidões, numa perspectiva de fortalecimento da disposição, da confiança, das escolhas próprias, das decisões e das convicções. No enfoque do método “predominantemente” individualizado, consideram-se princípios como o da autonomia, o da iniciativa, o da concepção de ensino e aprendizagem como processo ativo, entre outros. O método inclui distribuição das atividades em pequenas etapas, com autocorreção, revisão, continuidade ou reinício de cada etapa, de acordo com sua conclusão e seu nível de aprendizagem. O princípio da autonomia associa-se a fatores, tais como a confiança, o pensamento próprio, a independência, a segurança. O princípio da iniciativa associa-se a escolha própria, motivações, interesses, necessidades, dinamicidade (movimento, ação) do processo de estudo e aprendizagem. O princípio das pequenas etapas associa-se à disposição e à viabilidade de realizá-las, ao favorecimento da fixação, da autocorreção, ao estímulo a concluir as atividades previstas e ao reforço que etapas menos longas propiciam, sucessivamente, à aprendizagem. O princípio da autocorreção remete à segurança de critérios, à observação e à relativização de erros ou acertos, à fixação e à recuperação da aprendizagem, à superação de etapas no processo de evolução gradativa do conhecimento. O princípio da revisão associa-se aos avanços ou à repetição de etapas, à sua renovação, ao fortalecimento e ao reforço das bases da aprendizagem. O princípio da continuidade ou reinício da etapa apoia-se no sentido da articulação sequenciada do conteúdo, da sua continuidade, da revisão (reinício e possível recuperação) do processo, da organização sequenciada do estudo e da estruturação lógica do conhecimento (RANGEL, 2005). Quanto ao trabalho em grupo, os métodos aplicados a eles são desenvolvidos com base em princípios e processos de aprendizagem recorrentes à interação, ao diálogo, à parceria dos alunos. Eles apontam conceitos, elementos e fatores essenciais do conteúdo, visando garantir aos alunos, coletivamente, uma base comum de conhecimentos (RANGEL, 2003). Trata-se, entre outras coisas, de técnicas de ensino coletivo: a exposição dos professores, leituras orientadas, demonstrações, projeções, debates. São também técnicas dessa natureza seminários, simpósios, 10 Philips 66, dupla, comissão, entre outras. Os métodos de ensino “em grupo”, ou aplicados coletivamente aos alunos por grupos de estudo, enfatizam, portanto, o intercâmbio de ideias, a discussão, as trocas (RANGEL, 2005). De acordo com Rangel (2003), ainda se incluem nessa mesma categoria metodológica, as dinâmicas de leitura para sala de aula. Essas dinâmicas aplicam-se aos textos de estudo em aula, sejam impressos, sejam os dos livros didáticos, sejam os projetados por diferentes meios audiovisuais. Os procedimentos podem ser adotados em diversas séries e disciplinas, sendo que a variação do grau de dificuldade não se localiza nas dinâmicas, mas sim na estrutura do texto. Durante as dinâmicas, os alunos consultam frequentemente o texto e são envolvidos em práticas que os levam, de diferentes modos, a falar, dialogar, indagar, responder, ouvir os colegas com atenção, pronunciar-se sobre o que ouvem. Assim, em diversas práticas desse tipo, os alunos se mantêm envolvidos e mobilizados em relação ao conteúdo que leram e recriaram nessas dinâmicas. É interessante, também, observar que as dinâmicas de leitura para sala de aula não requerem condições físicas especiais, ou seja, não necessitam, por exemplo, da distribuição da turma em pequenos grupos ou de uma arrumação especial da sala de aula. Trinta e sete dessas dinâmicas podem ser encontradas em Rangel (2003). Quanto às condições favoráveis à implementação de métodos e técnicas de ensino e aprendizagem aplicados a grupos, é interessante observar, além dos aspectos físicos do ambiente, os fatores humanos e sociais das relações (RANGEL, 2005) Fique atento... As condições de trabalho em grupo referem-se a ambiente físico e social. Tanto quanto o ambiente físico, o ambiente social pode favorecer a aproximação, a interação e o diálogo. As características e condições do ambiente social favorável à realização de trabalhos coletivos são: receptividade, interlocução, participação e reconhecimento da pluralidade. Nessas condições, desenvolvem-se processos de colaboração, de liderança distribuída, de formulação de objetivos comuns, de flexibilidade e de aceitação do consenso, do dissenso e da avaliação, em perspectivas de acolhimento e inclusão. Por oposto, os fatores sociopsicológicos de exclusão são a indiferença, a ironia, a desqualificação e a omissão; esses fatores desagregam e prejudicam o diálogo, a presença, a vontade de participar, a motivação. E as ações frustradas (as frustrações) ocupam o lugar dos motivos para agir (das motivações). O grupo pode, então, reduzir-se a agrupamento, sem sentidos e sem motivos (RANGEL, 2005). 11 Mary Rangel (2005, p. 29) cita outros princípios didáticos que vão além de simples recomendações, são verdadeiros fundamentos e critérios de referência dos métodos e técnicas de ensino que merecem ser exibidos. Como diz a especialista, alguns são comuns tanto aos métodos e técnicas predominantemente individualizados, como aos predominantemente coletivos ou grupais. Entre esses princípios, destacam-se: o da proximidade do conhecimento, o da direção, o da adequação ao processo, o da participação, o da espontaneidade, o da vivência, o da descoberta, o da transferência e o da reflexão. a) O princípio da proximidade recomenda que o ensino-aprendizagem (sejam quais forem seus métodos e técnicas) inicie pelo conhecimento que seja o mais próximo possível da vida do aluno, partindo dos fatos mais imediatos para os mais remotos, do concreto para o abstrato, do conhecido para o desconhecido. b) O princípio da direção recomenda ao professor o planejamento, a previsão, a sequência lógica, estruturada, do conhecimento, a clareza de objetivos e o enfoque de questões essenciais do conteúdo, sem se deter em questões periféricas. c) O princípio da adequação recomenda que os métodos e as técnicas sejam apropriados ao aluno, à natureza e ao tipo de conteúdo, ao contexto, às fases evolutivas do desenvolvimento e da aprendizagem. d) O princípio da participação recomenda que se observem, nos alunos, a atividade, o envolvimento, o estudo, a atenção, o trabalho com o conhecimento, a organização, a disposição, a conscientização do valor do estudo, da aprendizagem e seus métodos. e) O princípio da espontaneidade recomenda preservar, em qualquer método de ensino e aprendizagem, o valor de condutas que propiciem a livre manifestação de ideias, a qualificação e o acolhimento das pessoas, a confiança, a iniciativa, a criatividade e a criação, o respeito às diferenças e à pluralidade. f) O princípio da vivência aplica-se à consideração ao conhecimento formado no cotidiano e nas experiências anteriores dos alunos, assim como em suas experiências atuais, associando-o aos significados do conhecimento teórico e de suas relações com fatos da realidade, da vida. g) O princípio da descoberta aplica-se tanto ao conhecimento teórico e às suas fontes, como ao conhecimento pessoal, de si e do outro, incluindo, ainda, o conhecimento dos fatos da realidade e a vivência do prazer de aprender. Observam-se também nesse princípio os processos intuitivos e criativos de elaboração cognitiva. 12 h) O princípio da transferência do conhecimento refere-se à sua integração, interlocução, articulação, irradiação à vida, ao cotidiano, nos quais se encontram os seus significados concretos. i) O princípio da reflexão recomenda incorporar aos métodos deensino e aprendizagem os processos de análise (pensamento, reflexão), conclusões, manifestações de opinião e avaliação do conhecimento.