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Os métodos utilizados para conduzir exércitos de trabalhadores baseavam-se na obediência às
normas e nos procedimentos relativos às sequências construtivas.
O artesão, desde que começou a abricar produtos para o seu próprio uso e para a venda, contro-
lava todo o processo de artesanato: concepção, projeto, escolha da matéria-prima, abricação, controle
da qualidade e comercialização. Ele praticava o que hoje se pretende implantar – o autocontrole.
A proximidade entre o produtor e o consumidor permitia um retorno imediato de inormação
sobre o desempenho do produto. Isso permitia que o artesão soubesse rapidamente quais eram as
necessidades, expectativas e os desejos de seus consumidores, sem a necessidade de procedimentos
administrativos ou a existência de intermediários. E, da parte dos consumidores, estes, conhecendo
as aptidões e as limitações do artesão, criavam uma expectativa mais próxima em relação à qualidade
do produto e da prestação de serviço que estavam prestes a receber.
A Figura 2.3 apresenta um arteato de vidro sendo abricado em orno artesanal na cidade de
Murano, Itália.
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Figura 2.3 - Arteato de vidro sendo produzido por método artesanal.
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2.2 Qualidade no Egito antigo
Os egípcios desejavam eternizar reinados porque a religião existente na época tinha como
dogma a vida após a morte. A arte e a arquitetura tinham um papel undamental para a existência
perene do nome e dos eitos realizados pelos araós egípcios. Até os dias atuais, muitos turistas visi-
tam as diversas pirâmides, esculturas, painéis com hieróglios e pinturas. As técnicas construtivas
utilizadas das pirâmides e suas câmaras secretas intrigam até os estudiosos no assunto e motivam
roteiristas de �lmes a ambientarem suas gravações no Egito.
A Figura 2.4 apresenta um mapa do Egito Antigo. É possível perceber a importância do rio
Nilo na evolução do império egípcio. Atualmente muitas regiões do planeta ainda sorem com
as cheias de grandes rios, mas sabemos da importância desse enômeno. E os egípcios também
conheciam os dois principais aspectos positivos da cheia cíclica de um grande rio: a oerta de água
e a adubação natural de grandes aixas de terra em razão dos nutrientes trazidos pela cheia. Por
isso, às margens do Nilo oram construídos diques e reservatórios, a �m de reter as águas que
seriam utilizadas.
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Figura 2.4 - Mapa do Egito Antigo.
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Esse “domínio” sobre o rio Nilo auxiliou na evolução da cultura egípcia porque conseguiam
ter água disponível em época de estiagem e também tinham anualmente áreas desérticas aptas
para o cultivo de lavouras. A regularidade no ornecimento de alimentos permitiu abastecer a
população e os soldados que constituíam o exército, responsável por muitas conquistas.
As pirâmides, construções destinadas aos araós, tinham base quadrangular. Esses monumen-
tos ganhavam altura com a sobreposição em camadas de pedras que pesavam de 15 a 25 toneladas
e mediam de 10 a 15 metros de largura, além de serem admiravelmente lapidadas. A pirâmide em
degraus do araó Zoser é a mais antiga criação em pedra talhada existente no mundo, sendo conside-
rada o berço da arquitetura. Essa pirâmide em degraus oi o primeiro arranha-céu da história, com
60,96 metros de altura.
Muitos dos eitos antigos chegaram até os nossos dias porque causaram enorme impacto na
cultura local da época. Imhotep, o arquiteto-chee das obras do Faraó Zoser, da Terceira Dinastia,
eternizou sua marca em virtude da construção da primeira pirâmide egípcia, construída em orma
de degraus. Ele conseguiu projetar um sistema de normas para extração, corte e polimento de pedras
que, mesmo abricadas a longa distância do local da montagem, eram cortadas com precisão, nume-
radas e identi�cadas de acordo com o local da montagem.
Antes da pirâmide de Zoser, os araós eram enterrados em mastabas (palavra árabe que signi-
�ca “banco de pedra”). Tratava-se de túmulos construídos com pedra ou tijolos, submetidos à expo-
sição solar (o que permitia o enrijecimento e um sequente corte mais preciso). Apresentavam ormas
de pirâmide truncada e dimensões de, em média, 30 metros de comprimento, 15 metros de largura e
6 metros de altura.
A Figura 2.5 apresenta a pirâmide de Zoser, datada de 2650 a.C. Atualmente ela não apresenta
o revestimento original de pedra calcária branca polida.
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Figura 2.5 - Pirâmide de Zoser.
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São três as Pirâmides de Gizé, por ordem decrescente de tamanho: a Grande Pirâmide de Gizé
(também conhecida como Grande Pirâmide, Pirâmide de Quéops ou Khuu), a Pirâmide de Quéren
(ou Chephren) e as Pirâmides de Miquerinos (ou Menkaure). Ao lado leste desse complexo, vê-se a
Grande Es�nge.
A maior delas, Pirâmide de Quéops (147 metros de altura), é também a mais antiga e a mais
bem construída. É ormada por blocos encaixados com precisão micrométrica, cada um com peso
de duas toneladas e meia. Foi necessária a orça de trabalho de aproximadamente 100 mil homens
livres durante 20 anos, segundo estimativas. Até 1900, ano da construção da Torre Eiffel, detinha o
posto de mais alta estrutura eita pelo homem.
À distância, a pirâmide dava a impressão de ser entalhada em uma única rocha, tal era a pre-
cisão da abricação dos blocos de pedra calcária. É bem provável que os pesados blocos ossem colo-
cados sobre trenós de madeira e arrastados sobre uma longa rampa. À medida que a pirâmide se
tornava mais alta, a rampa �cava mais longa a �m de manter o mesmo nível de inclinação. Já outra
teoria diz que uma rampa envolvia a pirâmide como uma escada em espiral.
Como a luz do sol era re�etida pela pedra calcária, a pirâmide se tornava visível a uma grande
distância. Mas o ato mais curioso é que os quatro lados da Pirâmide de Quéops apontam, com pre-
cisão, os quatro pontos cardeais da bússola: Norte, Sul, Leste e Oeste.
A Figura 2.6 apresenta o complexo de pirâmides de Gizé, o detalhe da montagem dos blocos
de pedra da pirâmide de Quéops e o detalhe do tamanho dos blocos de pedra perante a dimensão
das pessoas.
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Figura 2.6 - Pirâmides de Gizé.
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Figura 2.6 - Pirâmides de Gizé (continuação).
Em um sistema construtivo, mesmo de civilizações antigas, além de um excelente projeto e
um atuante gestor que organize as atividades da obra, são necessários alguns cuidados no aspecto
técnico. Diversas pirâmides, obras e construções ocorrendo de maneira simultânea exigiram a ado-
ção de um padrão de medida para concretizar corretamente as orientações presentes nos projetos. O
araó Khuu criou o primeiro padrão de medida no Egito, um padrão de granito preto, chamado de
“cúbito real egípcio”. Como oi obtido o comprimento de 524 mm que se subdividia em 28 partes?
Foi adotado o comprimento da distância do cotovelo até a ponta do dedo médio do araó Khuu. O
araó também percebeu a importância da disseminação desse padrão em todas as suas obras. Por
isso, os trabalhadores detinham nos locais de trabalho cópias desse padrão, em pedra ou madeira,
cuja manutenção era da responsabilidade do arquiteto real.
28 Qualidade na Construção Civil
A Figura 2.7 apresenta o esquema do cúbito real egípcio e a máscara mortuária de um araó.
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