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Prévia do material em texto

Ronaldo P. de Carvalho Junior 
Sonia V. G. da Gama 
Carla M. Salgado
8ª edição
revisada e ampliada
Módulo 2
2015
Geografia
Fundação Cecierj
pré-vestibular soCial
Governo do Estado do Rio de Janeiro
Governador
Luiz Fernando de Souza Pezão
Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia
Gustavo Tutuca
Fundação Cecierj
Presidente
Carlos Eduardo Bielschowsky
Vice-Presidente de Educação Superior a Distância
Masako Oya Masuda
Vice-Presidente Científica
Mônica Damouche
Pré-Vestibular Social
Rua da Ajuda 5 - 15º andar - Centro - Rio de Janeiro - RJ - 20040-000
Site: www.pvs.cederj.edu.br
Diretora
Celina M. S. Costa
Coordenadoras de Geografia
Ronaldo P. de Carvalho Junior 
Sonia V. G. da Gama
Material Didático
Elaboração de Conteúdo
Ronaldo P. de Carvalho Junior 
Sonia V. G. da Gama
Carla M. Salgado
Revisãode Conteúdo
Ronaldo P. de Carvalho Junior 
Sonia V. G. da Gama
Capa, Projeto Gráfico, Manipulação de Imagens 
e Editoração Eletrônica
Cristina Portella
Filipe Dutra
Mario Lima
Foto de Capa
Fabian Kron
Copyright © 2015, Fundação Cecierj 
Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por 
qualquer meio eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, 
por escrito, da Fundação.
C331p
Carvalho Junior, Ronaldo P. de
Pré-vestibular social: geografia. v. 2. / Ronaldo P. de Carvalho Junior, Sonia 
V. G. da Gama, Carla M. Salgado. – 8. ed. rev. – Rio de Janeiro: Fundação 
Cecierj, 2015.
128 p.; 20,0 x 27,5 cm
ISBN: 978-85-458-0043-9
1. Geografia. 2. População. 3. Clima. 4. Cartografia. I. Gama, Sonia V. G. da. 
II. Salgado, Carla M. 1. Título. 
CDD: 900
7
19
33
49
61
75
91
99
155
128
Sumário
Capítulo 1
A dinâmica mundial da população
Capítulo 2
A população brasileira
Capítulo 3
Regiões brasileiras
Capítulo 4
Tipos climáticos do Brasil
Capítulo 5
Biomas e domínios do relevo do Brasil
Capítulo 6
As questões ambientais
Capítulo 7
Fundamentos de cartografia 
Capítulo 8
Estado do Rio de Janeiro
Capítulo 9
Exercícios de fixação
Referências 
bibliográficas
Apresentação
Caro Aluno,
Este conjunto de apostilas foi elaborado de acordo com as necessidades e a lógica do projeto do Pré-
Vestibular Social. Os conteúdos aqui apresentados foram desenvolvidos para embasar as aulas semanais 
presenciais que ocorrem nos polos. O material impresso por si só não causará o efeito desejado, 
portanto é imprescindível que você compareça regularmente às aulas e sessões de orientação acadêmica 
para obter o melhor resultado possível. Procure, também, a ajuda do atendimento 0800 colocado à sua 
disposição. A leitura antecipada dos capítulos permitirá que você participe mais ativamente das aulas 
expondo suas dúvidas o que aumentará as chances de entendimento dos conteúdos. Lembre-se que o 
aprendizado só acontece como via de mão dupla.
Aproveite este material da maneira adequada e terá mais chances de alcançar seus objetivos.
Bons estudos!
Equipe de Direção do PVS
:: Objetivo ::
• Caracterizar aspectos socioeconômicos da população mundial.
1
A Dinâmica mundial da população
na tabela 1.1, a China é o país mais populoso, ou seja, possui a maior população 
absoluta (1.339 milhões). Mas quando consideramos a distribuição deste número 
de habitantes pelo território chinês, o valor da densidade demográfica não é tão alto 
(140,48 hab/km2), porque a China tem uma grande superfície (mais de 9 milhões 
de km2). Por outro lado, o Japão é o país mais povoado (343,49 hab/km2), pois, 
apesar de ter um número menor de habitantes que a China (128 milhões), a sua 
área territorial é bem pequena para tantas pessoas (pouco mais de 372 mil).
Tabela 1.1: População absoluta, densidade demográfica e área de alguns países.
País
População em 
2013 
(em milhões)
Densidade 
(hab./km²) 
(2013)
Área (km²)
Alemanha 80,22 224,87 356.733
Angola 24,30 19,50 1.246.700
Austrália 21,73 2,83 7.682.300
Brasil 200,00 23,52 8.514.205
Canadá 33,47 3,36 9.970.610
China 1339,72 140,48 9.536.499
Estados Unidos 308,75 32,94 9.372.614
Nigéria 140,43 152,02 923.768
Federação Russa 143,44 8,40 17.075.400
Japão 128,06 343,49 372.819
Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/dyb/dybsets/2013.pdf, acesso em 
25/11/2014
Atividade 1
Considerando a tabela 1.1:
a) Faça uma lista, em ordem crescente, dos países populosos e dos países 
povoados.
b) O Brasil pode ser considerado um país populoso ou povoado?
A análise das características socioeconômicas da população mundial leva 
ao uso frequente dos termos superpopulação e superpovoamento. Uma área é 
considerada superpovoada quando sua população é muito grande em relação 
à disponibilidade de recursos para sua subsistência. A Nigéria, por exemplo, 
é considerada superpovoada, pois os recursos socioeconômicos do país não 
conseguem atender às necessidades básicas da população. Deste modo, é comum 
ocorrer a situação de fome, propagação de vários tipos de doenças, falta de 
atendimento médico e educacional, grande desemprego, entre outros problemas.
De forma inversa, países com maior desenvolvimento econômico e 
tecnológico possuem maior capacidade de fornecer boa qualidade de vida para 
os seus habitantes. Neste caso, um bom exemplo são os Estados Unidos, cuja 
população é mais que o dobro da Nigéria, entretanto, os norte-americanos 
possuem bons serviços médicos, educacionais, opções de emprego etc. 
Nos últimos anos, a China vem superando a situação de superpovoamento. 
No passado, a maior parte da população passava fome, havia elevado índice de 
População mundial
Com o acelerado crescimento da população mundial, sobretudo nos países 
subdesenvolvidos, no ano de 2013, a população mundial atingiu cerca de 7,1 
bilhões de habitantes. Nesta perspectiva, ela poderá alcançar, no ano de 2050, 
em torno de 10 bilhões de habitantes em todo o planeta.
Os países que terão a maior contribuição no crescimento da população 
mundial, neste século XXI, devem ser Índia, Paquistão, Nigéria, República 
Democrática do Congo, Bangladesh, Uganda, Etiópia e China. Contudo, este 
crescimento populacional não é igual em todas as regiões do mundo. Vários 
países da África subsaariana (localizados ao sul do deserto do Saara), como 
Chade, Congo, Libéria, Uganda e Burundi, juntos com o Afeganistão (situado na 
região sudoeste da Ásia) devem triplicar a sua população no decorrer das primeiras 
décadas deste século XXI.
Mas, você sabe o significado do termo população? Qual a importância de se 
conhecer o número de pessoas no mundo ou em algum país em particular? Por 
que devemos estudar as características da população?
Podemos responder, de forma geral, que conhecer as características da 
população mundial ou de uma região específica nos ajuda a entender em que 
condições estas pessoas vivem. A partir daí podemos planejar ações para resolver 
problemas, ou, pelo menos, minimizá-los.
O termo “população” significa um conjunto de pessoas que vivem em um 
território (uma área delimitada politicamente). Podemos nos referir à população de 
uma cidade, região, estado, país, ou ainda, à população do planeta. Neste capítulo 
vamos estudar vários aspectos da população mundial, especialmente por meio dos 
indicadores sociais (as taxas de natalidade e de mortalidade, a expectativa de 
vida, os índices de analfabetismo, a participação na renda, dentre outros), para 
entendermos melhor as diferenças nas condições de vida das pessoas.
Não podemos esquecer que a população mundial caracteriza-se ainda pela 
disparidade social. Vivemos num mundo onde apenas um terço da população 
desfruta de benefícios, enquanto uma outra parte vivencia as desigualdades, a 
fome, a miséria e o desemprego. 
Seguem alguns significados importantes para a compreensão da dinâmica 
populacional:
População absoluta e População relativa
O total de habitantes de um lugar constitui sua população absoluta. Podemos 
dizer que a população absoluta da Terra é superior a 7 bilhões de habitantes. 
Considerando a presença humana num determinado espaço, utilizamos,além 
disso, o conceito de população relativa, que indica a distribuição da população em 
relação à superfície (área total) do lugar. Portanto, a população relativa, também 
chamada de densidade demográfica, corresponde ao número de habitantes por 
unidade de área, ou seja, é uma relação matemática, onde geralmente a unidade 
(de medida) utilizada é o quilômetro quadrado (hab/km2). 
Populoso e povoado
Populoso é o conceito que se refere à população absoluta, e povoado diz 
respeito à população relativa de um determinado lugar. Dos países relacionados 
8 :: GeoGrafia :: módulo 2
Crescimento Demográfico
Crescimento Natural ou Vegetativo Migração
Diferença entre as taxas de entrada (imigração) e 
de saída (emigração) de pessoas de uma região
Diferença entre as taxas de nascimentos 
(taxa de natalidade) e de óbitos (taxa de mortalidade)
Figura 1.1: Esquema ilustrativo de crescimento demográfico.
mortalidade infantil, entre outros problemas. As reformas realizadas pelo governo 
nas últimas décadas mudaram esse quadro, garantindo um melhor padrão de vida 
para as pessoas.
Países como Nigéria, Haiti e Bangladesh apresentam um elevado crescimento 
natural, isto é, a população aumenta devido ao maior número de nascimentos do 
que de óbitos (morte). No entanto, em outros países verifica-se um crescimento 
vegetativo nulo ou negativo. Na Alemanha, Japão e Rússia, por exemplo, o 
número de óbitos supera ou fica igual ao número de nascimentos, diminuindo ou 
mantendo a quantidade de habitantes no país. Neste caso, a quantidade total da 
população só vai ser alterada se ocorrer a entrada de imigrantes (pessoas vindas 
de outras partes do mundo).
Os Estados Unidos, por exemplo, possuem uma elevada taxa de imigração, 
pois milhares de pessoas de outros países entram (de forma legal ou ilegal) no seu 
território a cada ano. De forma inversa, Ruanda e Nigéria perdem vários habitantes 
por ano, que saem para outro país em busca de melhores condições de vida.
Podemos concluir que para ocorrer crescimento demográfico num país um dos 
dois índices (taxa de migração e crescimento vegetativo) tem que ser elevado, 
para aumentar o número de habitantes.
As fases do crescimento 
demográfico
No decorrer da história, a população mundial tem crescido em função de 
a taxa de natalidade ser superior à de mortalidade. Avaliando a marcha de 
crescimento populacional, podemos distinguir duas fases:
1. Crescimento lento: até o séc. XVII, em função da inexistência de condições 
sanitárias adequadas, guerras, epidemias etc., a taxa de mortalidade era elevada;
2. Crescimento rápido: compreende principalmente os séculos XVIII, XIX e a 
segunda metade do séc. XX, quando os avanços científicos e das melhorias das 
condições higiênico-sanitárias provocaram uma queda nas taxas de mortalidade. 
Nessa fase, o mundo deparou-se com um acelerado crescimento populacional 
(tabela 1.2).
Crescimento demográfico
O termo crescimento demográfico corresponde ao aumento da população de 
um país. Este crescimento está relacionado a dois índices (figura 1.1):
•	 crescimento natural ou vegetativo – diferença entre nascimentos (taxa de 
natalidade) e óbitos (taxa de mortalidade);
•	 taxa de migração – diferença entre a entrada (imigração) e a saída 
(emigração) de pessoas de uma região.
Tabela 1.2: Crescimento da população mundial por diferentes períodos.
Ano/Era Número de Habitantes
Era Cristã 250 milhões
1650 500 milhões
1850 1 bilhão
1950 2 bilhões
1995 5,6 bilhões
2004 + 6 bilhões
2010 + 7 bilhões
No entanto, este crescimento vegetativo (ou populacional) vem ocorrendo de 
forma diferenciada nas várias regiões do mundo, como foi colocado anteriormente. 
Cada área ou país passa por um processo de transição demográfica, que contém 
basicamente 3 fases (figura 1.2): 
•	 Primeira fase ou pré-industrial: caracterizada pelo equilíbrio demográfico e 
por baixos índices de crescimento vegetativo, já que há elevadas taxas de natali-
dade e de mortalidade. A elevada taxa de mortalidade relaciona-se principalmente 
às precárias condições higiênico-sanitárias, às epidemias, às guerras, fome etc. 
•	 Segunda fase ou transicional: redução da mortalidade com o fim de epide-
mias e com os avanços médicos (decorrentes da Revolução Industrial). Contudo a 
natalidade ainda se mantém elevada, ocasionando um grande crescimento popu-
lacional; numa segunda etapa, a natalidade começa a cair, reduzindo-se, então, 
o crescimento populacional. 
•	 Terceira fase ou Evoluída, momento em que a transição demográfica fina-
liza-se, com a retomada do equilíbrio demográfico, este apoiado em baixas taxas 
Capítulo 1 :: 9
Teoria Neomalthusiana 
A segunda aceleração do crescimento populacional ocorreu a partir de 
1950, particularmente nos países subdesenvolvidos. Nesta época houve grandes 
conquistas na área da saúde, como a produção de antibióticos e de vacinas contra 
uma série de doenças. Tais conquistas espalharam-se pelos países subdesenvolvidos 
graças à atuação de entidades internacionais de ajuda e cooperação, como a 
Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Cruz Vermelha Internacional.
Deste modo, ocorreu uma acentuada redução nas taxas de mortalidade, 
principalmente a infantil, que até então eram muito elevadas nos países 
subdesenvolvidos. A diminuição da mortalidade e a permanência das altas taxas 
de natalidade resultaram num grande crescimento populacional, que atingiu seu 
apogeu na década de 1960 e fi cou conhecido como explosão demográfi ca.
Com a nova aceleração populacional, voltaram a surgir estudos baseados 
nas ideias de Malthus, dando origem a um conjunto de teorias e propostas 
denominadas neomalthusianas. Os teóricos relacionavam o subdesenvolvimento e 
a pobreza ao crescimento populacional, o qual provocaria a elevação dos gastos 
governamentais com os serviços de educação e saúde. Com isso, os investimentos 
produtivos nos setores agrícola e industrial diminuiriam e o país, sem produção 
econômica, se tornaria cada vez mais pobre.
Segundo esta teoria, para acabar com a pobreza da população e o 
subdesenvolvimento do país, os seus governos deviriam estimular o controle 
da natalidade – diminuindo a população, acabaria a pobreza do país e da sua 
população. Na verdade, esta ideia servia para mascarar os reais fatores do 
subdesenvolvimento.
É sempre bom lembrar que planejamento familiar é muito diferente de 
controle da natalidade e que a mulher deve ser o sujeito e não apenas um objeto 
desse planejamento. Essas políticas são adotadas até hoje e conduzidas pela 
Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), 
que condicionam a aprovação de empréstimos para os países subdesenvolvidos à 
adoção de programas de controle de natalidade, que são fi nanciados pelo Banco 
Mundial (Bird).
O planejamento familiar é feito por entidades privadas e públicas, que se 
associam à indústria farmacêutica e à classe médica e recebem apoio dos meios 
de comunicação. O controle populacional é realizado de várias maneiras, indo 
da distribuição gratuita de anticoncepcionais até a esterilização em massa de 
populações pobres como Índia, Colômbia e Brasil.
Teoria Reformista (ou marxista) 
Seguidores do fi lósofo socialista Karl Marx, os teóricos desse pensamento 
afi rmam que a causa da superpopulação é o modo de produção capitalista, e 
que a sobrevivência do capitalismo, como sistema, exige um crescimento 
excessivo da população. Em outras palavras, ao contrário dos neomalthusianos, os 
reformistas consideram a miséria como a principal causa do acelerado crescimento 
populacional. Assim, defendem a necessidade de reformas socioeconômicas que 
permitam a melhoria do padrão de vida da população mais pobre. Essa teoria foi 
elaborada em resposta aos neomalthusianos e ela inverte a conclusão das duas 
teorias demográfi cas anteriores. 
de natalidade e de mortalidade. Atualmente, estão nessa fase os países desenvol-
vidos, a maior parte dos quais apresenta taxas de crescimento inferiores a 1% e 
até negativas,ou seja, países cujo crescimento vegetativo encontra-se estagnado.
Figura 1.2: Diferenças nas taxas de natalidade e mortalidade no decorrer do tempo caracterizando 
as fases de transição demográfi ca.
Os países que já chegaram na 3a fase correspondem basicamente aos desen-
volvidos. A maior parte da população mora em cidades, onde há acesso fácil a 
métodos anticoncepcionais, a mulher entra para o mercado de trabalho e o custo 
de criação dos fi lhos é alto pela necessidade de manter uma boa educação. Para 
preservar um bom padrão de vida, os casais escolhem ter um ou dois fi lhos. Com 
isso, a taxa de natalidade se reduziu intensamente nas últimas décadas.
Alguns países subdesenvolvidos, que já alcançaram um signifi cativo nível de 
industrialização e urbanização, caso do Brasil, Argentina, África do Sul etc., tam-
bém estão entrando na 3a fase de transição demográfi ca.
As teorias demográficas
Ao longo do tempo, o aumento da população mundial estimulou a 
formulação de teorias populacionais para tentar explicar como ocorria o 
crescimento populacional. Dentre as teorias, podemos citar a Teoria de Malthus, a 
Neomalthusiana e a Reformista, que serão vistas a seguir.
Teoria Malthusiana
Esta teoria foi criada por Thomas Malthus em 1798 (fi nal do século XVIII), 
quando ocorria um forte crescimento populacional na Europa (esta região 
estava na 2a fase da transição demográfi ca). Para o autor, em poucos anos, a 
produção de alimentos não seria sufi ciente para alimentar tantas pessoas. Assim, 
a população tenderia a crescer além dos limites de sua sobrevivência, e disso 
resultariam a fome e a miséria.
Ao lançar suas ideias, Malthus desconsiderou as possibilidades de aumento 
da produção agrícola com o avanço tecnológico. Ele não previu, também, os 
efeitos decorrentes da urbanização na evolução demográfi ca. Aos poucos, essa 
teoria foi caindo em descrédito e desmentida pela própria realidade.
10 :: GeoGrafia :: módulo 2
Sobre este assunto, vejamos o que diz a citação a seguir:
Portanto, é necessário estabelecer estas relações (população/
desenvolvimento/ recursos) com muito cuidado e sempre com uma ampla 
discussão desses conceitos, sob pena de reforçar o discurso neomalthusiano, 
já incorporado ao senso comum pela mídia, e privar os alunos dos diversos 
níveis de uma reflexão crítica e fundamental para definições de escolhas 
pessoais e coletivas.(João Rua)
Estrutura da população
Outros conceitos importantes no estudo da população são:
•	 Estrutura etária – quantidade de jovens (crianças e adoslecentes), adultos 
e idosos. É analisada por meio de “pirâmides etárias”, que são gráficos que 
caracterizam a população por faixa de idade e por sexo.
•	 Distribuição da população economicamente ativa (PEA) pelos setores 
econômicos – primário (atividades agropecuárias, extrativismos), secundário 
(atividades industriais) e terciário (atividades de comércio e serviços).
•	 Distribuição de renda – o que cada segmento da população recebe de salário.
A análise destes dados ajuda a entender e a prever problemas numa região 
ou país. Por exemplo, um país com grande número de jovens precisaria investir 
em educação, com o objetivo de preparar esta parte da população para o mercado 
de trabalho formal. No caso de um país com grande número de adultos, o governo 
deveria criar opções de trabalho por meio de estímulos às atividades econômicas.
Atualmente, vários países desenvolvidos vêm passando por um problema 
sério de envelhecimento da população. O aumento no número de idosos (que 
não trabalham mais) significa um grande gasto com a previdência social 
(aposentadorias) e com atendimento médico. Como o número de adultos que 
contribuem com a previdência social está diminuindo, os governos destes países 
têm que arcar com estes custos e/ou reformular o sistema de aposentadorias.
Figura 1.3: Pirâmide etária de Angola, considerando dados populacionais do ano de 2010.
Figura 1.4: Pirâmide etária da Austrália, considerando dados populacionais do ano de 2010.
Figura 1.5: Pirâmide etária do Japão, considerando dados populacionais do ano de 2010.
Atividade 2
Observe as pirâmides etárias de Angola, Austrália e Japão (Figuras 1.3, 1.4 e 
1.5). Com base na diferença de quantidade de pessoas por faixa etária, responda:
a. Que país deve ser considerado como jovem? Justifique.
Capítulo 1 :: 11
Coreia do Sul 5,7 41,1 53,2
Estados Unidos 2,3 22,0 75,6
Alemanha 1,4 31,7 67,0
Tabela 1.3: Distribuição da População Economicamente Ativa (PEA) por setores da economia. 
Fonte: L´état du munde, 1999.
As atividades de serviço e comércio, além de englobarem o setor formal da 
economia, contêm o setor informal, ou seja, o subemprego. Em praticamente 
todos os países do mundo, mas principalmente nos subdesenvolvidos, as atividades 
informais vêm crescendo devido a problemas econômicos (cria desemprego 
conjuntural), falta de investimentos no setor produtivo e avanço tecnológico (onde 
o homem é substituído pela máquina – desemprego estrutural). 
Em vários países subdesenvolvidos, este problema do trabalho sem carteira 
assinada e garantias trabalhistas vem atingindo também o setor industrial, 
especialmente de confecção de roupas, sapatos e outras mercadorias de pouco 
valor agregado. A “indústria” da pirataria (de CDs, vídeos, DVDs etc.) movimenta 
hoje milhões de dólares pelo mundo.
Por outro lado, o setor informal ajuda a movimentar o setor formal da 
economia. Os camelôs, flanelinhas, pedreiros, traficantes, catadores de lixo, 
biscateiros etc., usam seu dinheiro na compra de mercadorias e pagamento de 
serviços formais (banco, dentista, transporte em trem e/ou ônibus etc.).
Embora alguns tipos de trabalho estejam sumindo, outros estão aparecendo 
ou se tornando mais valorizados. É comum nas grandes cidades do mundo 
aparecerem trabalhos como “personal trainer” (profissional de educação física 
que dá aulas particulares), gastronomia e culinária, gestão de festas e eventos, 
paisagismo, estilista de moda, técnicos em informática, entre outras atividades. 
Antes, oficinas de carros realizavam consertos, mas hoje pode-se encontrar oficinas 
que instalam ar condicionado ou “kits” de gás, além de outras que transformam 
quase todo o carro com blindagens, para aumentar a segurança do veículo diante 
da violência das grandes cidades.
Mas a atual geração de novos ofícios necessita de uma formação educacional 
e técnica muito elevada do trabalhador. Por isso, os países que investem 
maciçamente na educação têm perspectivas melhores de superar o problema de 
desemprego da sua população.
:: Dinheiro no lixo!!! ::
No Brasil, uma forma de a população de baixa renda ganhar 
dinheiro atualmente é a coleta e reciclagem de lixo. Este é um novo 
tipo de emprego informal, mas que se relaciona com a economia 
formal, podendo gerar, inclusive, menor gasto com energia e 
menor impacto ambiental. Como?
A indústria de transformação de alumínio (um tipo de metalurgia) 
consome muita energia. O alumínio das latas usadas pode ser repro-
cessado e utilizado na fabricação de novas latas. Assim, a indústria 
metalúrgica não precisa manter uma produção alta (consumindo 
muita energia) e a quantidade de lixo nas cidades diminui.
Outro exemplo é a reciclagem de papel, diminuindo-se a 
necessidade de corte de árvores.
b. Que país deve investir na criação de novos empregos? Justifique.
c. Que país apresenta a maior expectativa de vida (pessoas que conseguem 
viver além dos 80 anos)? Justifique.
A população economicamente ativa de um país (PEA) corresponde aos trabalha-
dores formais. De maneira geral, a PEA engloba pessoas que trabalham com carteira 
de trabalho assinada, profissionais liberais (prestam serviços – médico, dentista, 
contador etc.), mas que contribuem para a arrecadação de impostos, além de pes-
soas desempregadas, desde que estejam procurando emprego na economia formal.
A PEA se distribui por setores econômicos:
•	 Setor primário – agricultura, pecuária, pesca, extrativismo;
•	 Setor secundário – indústria,onde ocorre a transformação dos produtos 
primários;
•	 Setor terciário – comércio e prestação de serviços (hospitais, bancos, 
escolas, transporte, turismo etc.)
A distribuição da PEA por setores econômicos de um país pode indicar o seu grau 
de desenvolvimento. Assim, quando a maior parte dos trabalhadores está no setor 
primário, significa que o país é subdesenvolvido e que não utiliza técnicas modernas 
de produção. A tabela 1.3 traz alguns exemplos dessa situação, como Angola e 
Bolívia. De modo inverso, a Alemanha e os Estados Unidos possuem muito poucas 
pessoas trabalhando neste setor. Isto acontece porque estes países empregam 
insumos agrícolas e sistemas de produção que não exigem mão de obra humana, ou 
seja, usam alta tecnologia para obter elevada produtividade neste setor.
A análise nos outros dois setores deve ser mais cuidadosa, pois não evidencia o 
tipo de indústria ou a qualidade do serviço. O valor da população economicamente 
ativa (PEA) do setor secundário (industrial) da Bolívia (17,5%) é bem próximo 
ao do Brasil (22,4%) e ao dos Estados Unidos (22%). No entanto, sabemos que 
o setor industrial deste último é muito mais avançado e diversificado, produzindo 
mercadorias de alta tecnologia e de ótima qualidade (indústrias eletrônicas, 
aeroespacial, entre outras).
O setor terciário dos países em desenvolvimento (também denominados eco-
nomias emergentes ou países semiperiféricos) e dos países desenvolvidos (países 
centrais) concentra a maior parte da PEA. Mas, novamente, deve ser analisado 
com cuidado, pois não expressa a qualidade dos serviços. Por exemplo, o setor de 
educação da Alemanha e dos Estados Unidos apresenta uma qualificação muito 
maior do que no Brasil.
País
População Economicamente Ativa (PEA) por Setores 
Econômicos (dados de 1997)
Primário (%) Secundário (%) Terciário (%)
Angola 73,3 8,3 18,4
Bolívia 43,1 17,5 39,4
Brasil 15,6 22,4 62,0
Austrália 4,9 22,5 72,7
12 :: GeoGrafia :: módulo 2
Atividade 3
Considerando a tabela 1.3, verifique se as afirmativas a seguir são falsas ou 
verdadeiras:
( ) O baixo percentual de PEA no setor secundário de Angola mostra que este 
país é muito pouco industrializado.
( ) O baixo valor da PEA no setor primário dos Estados Unidos indica que este 
país quase não produz mercadorias agropecuárias, como alimentos e carne.
( ) Na Austrália a maior parte das pessoas trabalha em atividades como turismo, 
bancos, comércio, administração pública etc.
( ) Boa parte da PEA da Coreia do Sul está trabalhando no setor secundário, 
caracterizado por indústrias bem diversificadas, desde indústrias de base até de 
eletrônicos.
( ) Na Bolívia o setor primário emprega a maior parte da PEA, indicando que a 
agropecuária e o extrativismo vegetal é altamente produtivo.
Observando a tabela 1.4, verifica-se que em alguns países a população tem 
uma renda per capita bem melhor do que em outros. 
Mas este é um dado que representa a realidade da população de um país? 
Todos os brasileiros recebem o equivalente a 12.594 dólares por ano? 
Este índice é calculado dividindo-se o valor de todas as riquezas do país pela 
quantidade de habitantes. Ele só representa uma média que permite comparar, de 
forma geral, um país com outro. 
País PIB per capita (em US$) (2011)
Paraguai 3.485
Brasil 12.594
Estados Unidos 47.882
Alemanha 43.865
Áustria 49.683
Tabela 1.4: Renda per capita calculada em dólares considerando o ano de 1999. Fonte: ONU/
Banco Mundial
A distribuição de renda em qualquer país não é igual para todas as classes 
sociais. Há trabalhos que são melhor remunerados do que outros, relacionando-se 
ao tipo de qualificação e nível educacional da pessoa, entre outras coisas. No 
entanto, nos países subdesenvolvidos existe claramente a concentração de renda 
nas mãos de poucas pessoas. Observe na figura 1.6, que no Paraguai e no Brasil 
a classe A (20% mais ricos da população) concentra mais de 60% de toda a renda 
do país, enquanto as demais classes possuem menos de 40% desta renda.
Nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria existe um maior equilíbrio na 
distribuição da renda entre as classes. Considerando o exemplo da Alemanha, os 
20% mais ricos da população controlam em torno de 38% da renda nacional e as 
demais classes dividem mais de 60% da renda do país. 
0
10
20
30
40
50
Paraguai Brasil EUA Alemanha Áustria
%
20% mais pobres 10% mais ricos
0
20
40
60
80
100
Paraguai Brasil EUA Alemanha Áustria
%
Classe B Classe D Classe EClasse CClasse A
Figura 1.6: Distribuição da renda nacional por diferentes classes sociais. Classe A – 20% mais 
ricos; Classe E – 20% mais pobres; Classes B, C e D – classes intermediárias. Fonte: ONU/Banco 
Mundial, 2002.
A figura 1.7 demonstra melhor a desigualdade social dos países. A diferença 
de renda entre os 10% mais ricos e os 20% mais pobres é muito grande tanto no 
Paraguai quanto no Brasil. Por outro lado, na Áustria a renda dos 10% mais ricos 
é somente um pouco maior do que a dos 20% mais pobres do país.
0
10
20
30
40
50
Paraguai Brasil EUA Alemanha Áustria
%
20% mais pobres 10% mais ricos
0
20
40
60
80
100
Paraguai Brasil EUA Alemanha Áustria
%
Classe B Classe D Classe EClasse CClasse A
Figura 1.7: Distribuição da renda nacional considerando os 20% mais pobres e os 10% mais ricos 
da população. Fonte: ONU/Banco Mundial, 2002.
A distribuição de renda desigual num país está associada a vários fatores:
•	 Boa parte da população tem baixo nível educacional, não conseguindo 
empregos de melhor renda.
•	 Grande carga tributária, especialmente impostos indiretos (cobrado sobre 
as mercadorias), que acaba aumentando o custo de vida no país. Neste caso, uma 
família pobre paga o mesmo imposto que uma família rica quando compra um 
pacote de biscoito.
•	 Grande desemprego estrutural e conjuntural.
•	 Baixo investimento nos setores produtivos, que não cria novas 
oportunidades de empregos. 
A desigualdade social cria o problema da exclusão social. São pessoas que 
não conseguem ter acesso a meios de se qualificarem melhor, para a partir daí 
conseguirem ter melhor renda, educação, saúde e qualidade de vida (saneamento 
básico, casa própria, água potável etc.).
Os movimentos populacionais
Os movimentos populacionais são muito antigos na história da humanidade. 
Mas os autores são unânimes em afirmar que nunca foram tão intensos quanto nas 
últimas décadas do século passado (XX) e os a primeiros anos deste século (XXI). 
O deslocamento de pessoas entre diferentes regiões do mundo está relacionado a 
questões religiosas, naturais, guerras, problemas econômicos, entre outros fatores.
Atualmente, os principais motivos que provocam a migração de pessoas são de 
ordem econômica (pobreza, desemprego, concentração de renda, crises financeiras). 
Neste caso, os países subdesenvolvidos, especialmente os africanos, são áreas de re-
pulsão, enquanto os países desenvolvidos (Estados Unidos e países da Europa ociden-
tal – Inglaterra, Alemanha, Itália, França etc.) são áreas de atração de imigrantes.
Capítulo 1 :: 13
Há também países, que, mesmo sendo subdesenvolvidos, mas que 
regionalmente apresentam melhores condições econômicas, podem atrair 
imigrantes. Por exemplo, o Brasil atrai pessoas de outros países sul--americanos; 
os pequenos estados-nação produtores de petróleo da região do Golfo Pérsico 
recebem paquistaneses, indianos, iraquianos e filipinos. 
Os dados da ONU apontam que cerca de 190 milhões de pessoas vivem 
atualmente fora de seus países de origem. Elas vão em busca de trabalho e melhor 
remuneração, muitas vezes enviando parte da sua renda para os familiares que 
vivem na terra natal. Essas remessas são bastante significativas, principalmente 
considerando a economia de certos países pobres.
Alguns países, como Inglaterra, França e Alemanha, necessitam de 
imigrantes, pois a população destes países está envelhecendo rapidamente. A 
taxa de fecundidade não passa de 1,5 filhos por mulher, ou seja, as mulheres 
destespaíses praticamente só têm um filho. Segundo a ONU, se não fosse o 
grande número de migrantes, a Europa ocidental poderia apresentar redução de 
população absoluta. 
A baixa taxa de fecundidade, acompanhada pelo envelhecimento da 
população, diminui a disponibilidade de mão de obra para vários tipos de serviços. 
A migração compensa esta queda natural da mão de obra, principalmente em se 
tratando de atividades de baixa remuneração que a população nativa dos países 
desenvolvidos não querem exercer.
Atividade 4
Analise a afirmativa:
A Europa ocidental já foi, no passado, uma área importante de 
repulsão de migrantes, mas, de meados do século XX para cá, se tornou 
uma área de forte atração populacional.
O fenômeno da xenofobia
Os dicionários explicam o termo “xenofobia” como aversão a outras raças 
e culturas e, muitas vezes, pode ser compreendido como característica de um 
nacionalismo excessivo. Apresenta-se como um medo injustificado perante a 
estranhos ou estrangeiros. Esse medo chega a ser intensivo, descontrolado 
e desmedido em relação a pessoas ou grupos diferentes, com as quais nós 
habitualmente não entramos em contato. É bom esclarecer que, muitas pessoas 
confundem com “racismo” – este não passa de uma crença que diz que algumas 
raças são superiores sobre outras. 
Atividade 5
Leia o texto com atenção e prepare pelo menos duas perguntas ao seu 
professor: 
Na Europa, muitas pessoas estão chocadas com o avanço do 
neofascismo. A maioria não queria acreditar que partidos de extrema 
direita pudessem ter sucesso nos “democráticos” países industrializados 
europeus. Na Alemanha, onde especialmente o antissemitismo marcou a 
história, impera o silêncio diante do avanço da extrema-direita nos países 
vizinhos... É notável, também, que o fenômeno do neonazismo tem 
aumentado nas escolas. Ocorrem em paralelo a muitas demonstrações 
nazistas que já há bastante tempo vêm acontecendo, com ódio a 
imigrantes e resistência contra o governo alemão, manifestações 
contrárias de combate a um possível crescimento da xenofobia. Mas, 
também, entre o leste e o oeste da Alemanha, o “muro na cabeça” dos 
alemães ainda não caiu. Os salários mais baixos e o maior desemprego 
no leste demonstram que, após 12 anos, a unificação alemã ainda não 
foi alcançada. A divisa continua sendo publicamente reforçada através 
das constantes comparações e da rotulagem do leste como “os novos 
Estados” o que, de fato, confirma a existência de uma Alemanha no 
leste e outra no oeste... A crise da economia e do Estado de bem-estar 
social, associada às rápidas transformações tecnológicas, ocasionou um 
crescente desemprego e colocou a competitividade a qualquer custo como 
única alternativa de sobrevivência. Esta conjuntura gera insegurança, 
ressentimento e violência. Com o gradativo desmonte do Estado de bem-
estar social por parte dos governos social-democratas, os quais até agora se 
apresentaram como alternativa contra os partidos de direita, a população 
ficou desorientada, especialmente os desempregados, trabalhadores e 
jovens... É, por exemplo, mais fácil responsabilizar os estrangeiros pelo 
desemprego, pela criminalidade e pela insegurança, do que entender as 
complexas razões dos problemas. As soluções apresentadas são, então, 
também bem simples e conduzem à xenofobia, quando os estrangeiros são 
tratados como concorrência indesejada. Mas, a xenofobia expõe os países 
europeus a uma séria contradição econômica. Por causa do baixo índice 
de natalidade e da crescente expectativa de vida da população, existe a 
tendência de que a Europa venha a ser a sociedade mais idosa do mundo. 
(Antonio Inacio Andrioli - Revista Espaço Acadêmico Ano II, no 13, Junho 2002)
14 :: GeoGrafia :: módulo 2
Exercícios
1) A tabela a seguir mostra outros dados importantes sobre população. Analise os dados e responda às questões.
País
Crescimento 
demográfico 
(% ao ano)1
Expectativa de vida 
para homens 
(em anos)1
Expectativa de vida 
para mulheres 
(em anos)1 
Fecundidade 
(filhos por mulher)1 
População urbana 
(%) (2000)
Nigéria 2,61 52,0 52,2 5,42 44
Bolívia 2,15 61,9 65,3 3,92 63
Haiti 1,55 50,2 56,5 3,98 36
Índia 1,52 63,6 64,9 2,97 28
Brasil 1,60 64,3 72,3 2,15 81
China 0,71 69,1 73,5 1,80 32
Estados Unidos 0,89 74,6 80,4 1,93 77
Reino Unido 0,18 75,7 80,7 1,61 90
Japão 0,14 77,8 85,0 1,33 79
Alemanha -0,04 75,0 81,1 1,29 88
1 Estimativa para o período entre 2000 e 2005. Fonte: Banco Mundial (2000). 
a) Comente a diferença da taxa de crescimento demográfico dos diferentes países.
b) Relacione a expectativa de vida dos diferentes países às suas características socioeconômicas.
c) Justifique a taxa de fecundidade dos diferentes países com base na taxa de população urbana.
2) (UFRRJ/2005) Os dados abaixo demonstram as consequências da política 
demográfica adotada pela China nos últimos 30 anos. 
Mais homens que mulheres 
• 642,7 milhões de homens
• 616,2 milhões de mulheres 
Apresente os princípios básicos dessa política relacionando-a a situação retratada. 
3) (UFRRJ/2005, modificada)
A vida econômica nas aglomerações latino-americanas apresenta 
características peculiares. A modernização (...), que produziu esse processo 
de metropolização, introduziu atividades econômicas seletivas, com índice 
elevado de tecnologias que não exigem grande absorção de mão de obra. 
Ao lado desse setor, desenvolveu-se um conjunto enorme de atividades 
de menor porte econômico, que não dependem de avanços tecnológicos 
e oferecem um grande número de empregos ou ocupações. O geógrafo 
Milton Santos chamou esse fenômeno de circuito inferior da economia 
urbana (camelôs, biscateiros, pequenos prestadores de serviços). 
Adap. de OLIVA, J.;GIANSANTI, R. Temas da geografia Mundial. São Paulo: Atual,1996, p. 133. 
Sobre o fenômeno de “circuito inferior da economia urbana” é ERRADO afirmar que:
(A) é constituído por trabalhadores sem trabalho regular.
(B) Não há vínculo empregatício.
(C) as mulheres que trabalham neste setor têm direito à licença maternidade.
(D) não dá garantias trabalhistas estabelecidas em lei.
4) (UERJ/1998) No conjunto das regiões metropolitanas brasileiras, a do 
Rio de Janeiro vem se destacando nas últimas décadas por apresentar um dos 
mais baixos índices de incremento demográfico. A forte desaceleração de seu 
crescimento populacional se deve fundamentalmente à: 
(A) elevação da taxa de mortalidade, ligada ao aumento da violência na área 
metropolitana 
(B) redução da taxa de natalidade, promovida pela política municipal de 
planejamento familiar 
(C) elevação do fluxo migratório para a periferia metropolitana, preferida pela 
qualidade ambiental 
(D) redução da capacidade de atração de fluxos migratórios, relacionada à baixa 
oferta de empregos 
5) (UFF/1997) 
PARIS – Advogados de organizações humanitárias invadiram a 
Justiça francesa com uma série de apelos para evitar a expulsão dos 210 
imigrantes africanos que foram desalojados à força na sexta-feira da Igreja 
de S. Bernardo, em Paris, que ocuparam por 50 dias, 10 deles em greve 
de fome de protesto contra a política de imigração francesa.
Jornal do Brasil, 25/8/96 
O texto fala dos “sem documentos”, ilustrando uma forma típica de movimento 
Capítulo 1 :: 15
migratório internacional do final do século XX. Uma característica correta desse 
movimento é: 
(A) Mudança da direção das migrações, concentrando-se entre os “países 
desenvolvidos”. 
(B) Acentuação das migrações, dos “países desenvolvidos” para os “países 
subdesenvolvidos”. 
(C) Acentuação das migrações, dos “países subdesenvolvidos” para os “países 
desenvolvidos”.
(D) Reorientação da direção das migrações, que passam a ser predominantes no 
interior dos “países subdesenvolvidos”. 
(E) Indefinição dos fluxos migratórios, que tomaram direções aleatórias. 
6) (UFF/2000) 
África Subsaariana - Principais indicadores sociais
País Renda per capita (US$)
Expectativa 
de vida
Taxa de 
analfabetismo
África do Sul 3.040 65 anos 18,0%
Uganda 190 45 anos 50,0%
Angola430 46 anos 57,5%
Nigéria 280 56 anos 43,0%
Ruanda 80 46 anos 40,0%
República do 
Congo
650 48 anos 33,0%
Fonte: Banco Mundial, 1996
Considerando as informações do quadro e a realidade que as sociedades da África 
Subsaariana têm vivido, pode-se assegurar:
(A) O longo período das guerras de libertação colonial explica os péssimos 
indicadores de Uganda, Ruanda e Nigéria em termos da expectativa de vida e dos 
índices de analfabetismo da população.
(B) Embora a África do Sul apresente os melhores indicadores, ainda persistem, 
no país, fortes desigualdades sociais em função do “recorte racial” econômico, 
diferenciando as condições de vida entre a minoria branca e a maioria negra.
(C) Na África Subsaariana, a maioria dos países que se orientaram pelo modelo 
soviético de socialismo — a exemplo da República do Congo —conseguiram 
aliviar os mais sérios problemas socioeconômicos da região.
(D) A descolonização mais recente da Nigéria e as violentas guerras civis em 
Angola respondem pelos indicadores sociais que, inclusive, são os menos 
favoráveis de toda a África Subsaariana.
(E) A inserção subordinada do continente africano na globalização da economia 
obrigou os governos de Uganda e do Congo a concentrarem seus investimentos na 
extração e comercialização do petróleo, deixando de lado o bem-estar da população.
Complemente seus 
conhecimentos
Previsões da população mundial para a metade século XXI
Nelson Bacic Olic. Revista Pangea, 14/11/2005.
Nos dias que correm vêm ocorrendo e se cristalizando importantes 
mudanças na composição e na dinâmica da população mundial. Apesar 
de muitas dessas transformações terem se iniciado nas últimas décadas 
do século XX, pode-se afirmar que ao longo do século atual, a população 
do planeta será maior, crescerá em ritmo mais lento, será cada vez mais 
urbana e também mais idosa do que foi nos últimos 100 anos.
Assim como ninguém que tenha vivido até 1930 conseguiu presenciar a 
população mundial dobrar de tamanho, tudo indica que nenhum ser humano 
nascido após 2050 viverá tempo suficiente para testemunhar esse fenômeno 
novamente. Nunca é demais recordar que o ritmo máximo de crescimento da 
população mundial foi atingido por volta da segunda metade da década de 
1960 e se o total de seres humanos no planeta só atingiu seu primeiro bilhão 
no início do século XIX, atualmente esse número é incorporado à população 
mundial a cada 15 anos.
Segundo estimativas, em 2050, o planeta deverá abrigar um número 
pouco superior a 9 bilhões de habitantes, isto é, mais ou menos 2,5 bilhões 
de pessoas a mais do que possui atualmente. Esse aumento corresponde 
ao número de pessoas que o mundo possuía em 1950. Atualmente, a 
cada ano são incorporados à população do planeta, cerca de 75 milhões de 
seres humanos, isto é, um pouco menos da metade da população brasileira, 
ou cerca de quase duas vezes o contingente populacional da Argentina.
Todavia, a dinâmica do crescimento demográfico mundial é muito 
desigual. Estima-se que ao longo dos primeiros 50 anos do século XXI, 
a população de alguns países asiáticos, como o Afeganistão e um grande 
número de nações da porção subsaariana da África (como Libéria, Uganda, 
Burundi, Chade e Congo), assistirão seu contingente populacional triplicar. 
Deve-se recordar que estes países estão entre os mais pobres do mundo. 
Mesmo tendo taxas de mortalidade acima da média mundial, os países 
em questão têm apresentado taxas de natalidade persistentemente altas. 
Nesses países, em média, uma mulher tem o dobro de filhos do que as 
mulheres que vivem nas nações mais ricas.
Cerca de metade do incremento populacional que ocorrerá até 2050, 
terá como “responsáveis” nove países: Índia, Paquistão, Nigéria, República 
Democrática do Congo, Bangladesh, Uganda, Estados Unidos, Etiópia e 
China. A surpresa fica por conta da presença dos Estados Unidos nesta lista, 
fato explicado pelo alto número de imigrantes que o país deverá receber ao 
longo das próximas décadas.
Por outro lado, pelo menos 50 países, a maioria de alto nível 
econômico, como a Alemanha, o Japão e a Itália, provavelmente terão 
uma diminuição de sua população em termos absolutos. Outros países, 
embora com um padrão econômico inferior ao dos países citados, como é o 
caso da Rússia, também deverão ter sua população diminuída. O exemplo 
russo é emblemático, pois reflete a falência dos sistemas públicos de 
saúde e o incremento de mortes causadas por câncer, doenças cardíacas, 
alcoolismo, suicídios e homicídios, decorrentes da brutal queda do padrão 
de vida após o fim da União Soviética. 
O século XX foi o único da história em que o número de jovens foi maior 
que o de idosos. Até a metade do século passado, o contingente de crianças 
com idade inferior a 5 anos era maior que a de pessoas com mais de 60 
anos. Atualmente, cada um desses grupos etários corresponde a 10% da 
população mundial, mas daqui para frente, os idosos serão cada vez mais 
numerosos. Contudo, o envelhecimento da população não ocorre de forma 
semelhante em todos os países. Em 2050, nas regiões mais desenvolvidas 
16 :: GeoGrafia :: módulo 2
do mundo, uma em cada três pessoas terá mais de 60 anos, enquanto que 
nas áreas menos desenvolvidas elas serão cerca de 20% do total.
Mantendo as tendências demográficas observadas na atualidade, até 
2050 a quase totalidade do crescimento da população mundial acontecerá 
em áreas urbanas. Estima-se que por volta de 2007, o número de pessoas 
morando em cidades será superior ao contingente de pessoas do campo. 
As populações urbanas crescem mais rápido nos países pobres do que 
nos países mais ricos. Aproximadamente 60% do crescimento urbano nos 
países pobres será devido ao crescimento vegetativo ao qual será acrescido 
o êxodo rural, fenômeno que ocorrerá com maior intensidade no sul, 
sudeste e leste da Ásia e também na África Subsaariana.
As projeções que indicam bilhões de pessoas a mais nos países pobres, 
mais idosos no mundo, juntamente com a expectativa de um crescimento 
econômico mundial maior que o atual, levanta questões sobre o grau de 
sustentabilidade da população atual e futura.
A princípio, nosso planeta pode fornecer espaço e alimento para pelo 
menos três bilhões a mais de pessoas das que existem atualmente. O 
problema é que grande parte dos 6,5 bilhões de seres humanos que vivem 
atualmente na Terra, não se satisfaz apenas em ter o que comer.
Segundo organismos internacionais que estudam o problema, 
estabelecendo-se uma relação entre alimentos, energia e recursos naturais, 
na atualidade, os habitantes da Terra já estariam consumindo 42,5% além 
da capacidade de reposição da biosfera, déficit que tem aumentado cerca 
de 2,5% ao ano. Se todos os seres humanos passassem a consumir o 
que consome um europeu ou um norte-americano, seriam necessários três 
planetas como o nosso!
Capítulo 1 :: 17
2
A população brasileira
:: Objetivo ::
• Apresentar as características da população brasileira quanto à diversidade racial, dinâmica de 
crescimento demográfico, faixa etária, renda e mobilidade espacial.
0 400K
OCEANO
ATLÂNTICO
Equador
Trópico de capricórnio
Reservada/Homologada
Áreas ocupadas e demarcadas, aprovadas pelo 
Presidente da República e com publicação no 
Diário Oficial da União
Delimitada
Área declarada juridicamente de posse permanente 
dos indígenas
Identificada
Área que já possui estudo realizado pela Funai e 
publicado em decreto federal
A identificar/Em identificação
Áreas reconhecidas pela existência de indígenas, 
mas não aprovadas pela Funai
Situação jurídica das terras indígenas
Kadiwéu
Xucuru
Tapeba
Ava-canoeiro
Parque do
Araguaia
Araribóia
Alto turiaçu
Menkragnoti
Parque do Xingu
Baú
Uru-eu-wau-wau
Mamoadate
Vale do 
Javari
Waiãpi
Rio paru
D’este
Nhamundá mapuera
Raposa serra do sol
Ianomâmi
Alto
Rio negro
Parque do
Tumucumaque
Rio biá
Mundurucu
Aripuanã
Caiapó
Waimiri-
Atroari
m
Figura 2.1: Terras indígenas. Fonte: Ferreira, Graça M. L. Atlas Geográfico. Espaço mundial,p.14. (adaptada)
brasileira atual, por outro, a sofrer um extermínio, a enfrentar conflitos diversos 
(garimpeiros, fazendeiros, industriais, posseiros e grileiros) e a sofrer preconceitos 
por parte da sociedade brasileira.
Antes da colonização do Brasil (século XVI), a população indígena era 
estimada entre dois a cinco milhões de índios pertencentes a várias nações cujos 
grupos linguísticos (Tupi, Jê, Aruaque, Caraíba, Pano, dentre outros) estavam 
presentes em todo o território nacional, com predomínio dos grupos Jê e Tupi-
Guarani. 
Ao final do século XXI, no ano de 2010, o Censo do IBGE apontou uma 
população indígena de aproximadamente 818 mil indivíduos, concentrados nas 
regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. A ausência da noção de propriedade 
privada da terra, ou seja, a apropriação simbólica da terra pelos indígenas (a terra 
é um bem coletivo), a concepção da natureza como fonte de vida (produção de 
valor de uso), que por sua vez não provoca a geração de produção de excedentes 
para a comercialização (produção de valor de troca), dentre outros, são aspectos 
importantes que devem ser considerados na análise que se faz sobre a situação 
atual das populações indígenas. 
A distribuição geográfica atual das terras indígenas* demonstra que as 
mais extensas estão localizadas em áreas de menor densidade demográfica do 
território nacional como é o caso da região Norte do país (figura 2.1). Nesta 
região brasileira encontram-se as reservas Vale do Javari, perto da fronteira 
com o Peru, Alto Rio Negro, perto da fronteira com a Colômbia, e Ianomâmi, 
perto da fronteira com a Venezuela – todas com grandes dimensões e em áreas 
fronteiriças. Nesta faixa da fronteira há sérios problemas de tráfico de drogas e 
de armas, movimentos guerrilheiros de outros países, tráfico de animais silvestres 
e dificuldade de monitoramento de outras atividades ilegais, como biopirataria, 
desmatamento etc. 
20 :: GeoGrafia :: módulo 2
Há quem elabore um raciocínio simplista e pérfido de hectares por 
índios viventes em reservas, comparando o seu pedaço percentual de terras 
com a parcela que caberia a cada brasileiro caso se dividisse o território 
total do Brasil pela população total do país, sem levar em conta que a maior 
parte das terras rurais estão nas mãos de poucos privilegiados brasileiros e 
que mais de 70% da nossa população encontram-se em cidades de todos 
os portes...A ideia vitoriosa das reservas indígenas destina-se à proteção 
de comunidades herdeiras da pré-história, vivendo uma proto-história 
incômoda, devido aos assédios de grupos humanos rústicos, empurrados 
por capitalistas vorazes para dentro da territorialidade indígena.
Ab’Saber, Aziz Nacib. A Amazônia: do discurso à praxis.
Os povos formadores do 
Brasil: os que aqui estavam e 
os que aqui chegaram
Os indígenas, o branco e o negro africano são os três tipos étnicos formadores 
da população brasileira e, mais recentemente, os asiáticos, representados pelos 
japoneses, chineses e coreanos. A miscigenação dessas etnias vêm contribuindo 
para a formação de diversos outros grupos, denominados de mestiços, dentre os 
quais destacam-se o mulato (branco e negro), os mamelucos, caboclo, caiçara, 
caipira, capiau (índio e branco), o cafuzo (índio e negro) e o ainocô (amarelo e 
outras etnias). Mas, é o Brasil indígena que antecede o Brasil europeu (lusitano), 
africano e o Brasil contemporâneo, conforme veremos a seguir. 
As populações indígenas foram, por um lado, as primeiras a habitar o 
território brasileiro e a participar consideravelmente da formação da população 
*Segundo o IBGE (2000), “as terras indígenas correspondem ao 
espaço físico reconhecido oficialmente pela União como sendo de 
posse permanente de grupos tribais que a ocupam. Tal ocupação se dá 
com o intuito de preservar o habitat e garantir a sobrevivência físico-
cultural dos grupos indígenas, reproduzindo, dessa forma, condições 
para a continuidade econômica e sociocultural da comunidade”.
O grande número de reservas indígenas na região Norte pode ser explicado 
pela ocupação intensa do litoral desde a Colônia, o que resultou no extermínio 
das populações nativas dessas regiões que não submeteram-se à lógica produtiva 
imposta pelos colonizadores. Por isso, as regiões Norte e a porção setentrional 
da região Centro-Oeste (áreas de ocupação mais recente )concentram o maior 
percentual de povos nativos pois sofreram menos o impacto dos sucessivos ciclos 
econômicos ao longo dos séculos. Somente em meados do século XX, após a 
implantação da ditadura civil-militar em 1964, é que os estados do Norte passaram 
a ter uma inserção mais efetiva na economia nacional (política de integração 
nacional – governos militares), com a tomada de iniciativas e incentivos vários 
(construção de rodovias, exploração agropecuária e mineral, construção de 
hidrelétricas). A partir daí, agravaram-se os conflitos entre os indígenas e os 
garimpeiros, posseiros, grileiros, fazendeiros, empresas agropecuárias ou 
mineradoras.
O branco que participou da formação da população brasileira é originário de 
vários grupos étnicos, tanto europeus como asiáticos e africanos. Os imigrantes 
europeus dividem-se em três grupos, segundo a origem: os atlanto-mediterrâneos, 
dos quais descendem a maior parte da população brasileira (representada pelos 
portugueses, italianos, espanhóis e franceses), os germanos ou teutões (alemães, 
austríacos, neerlandeses ou holandeses, suíços, ingleses e escandinavos) os 
eslavos (russos, poloneses, tchecos, eslovacos e iugoslavos). Os imigrantes 
asiáticos são representados pelos sírio-libaneses e os judeus e os imigrantes 
africanos pelos egípcios.
Destes, o destaque é para os imigrantes portugueses cuja história se 
confunde com a própria história do Brasil. São considerados como os que iniciaram 
a neopopulação brasileira por meio da miscigenação com os índios e os negros 
africanos, uma vez que, durante três séculos, eram os únicos que podiam entrar 
livremente no Brasil.
O negro foi trazido da África para o Brasil na condição de escravo e participou 
das principais atividades econômicas como a da agroindústria da cana-de-açúcar 
iniciada no século XVI (Nordeste e Recôncavo Baiano), a lavoura do algodão nos 
séculos XVII e XVIII (Maranhão), a mineração nos séculos XVII e XVIII (Planalto 
Central e em Minas Gerais), a lavoura da cana-de-açúcar no século XIX (Rio de 
Janeiro) e a cultura cafeeira, também no século XIX (Espírito Santo, Rio de Janeiro 
e São Paulo). Assim como os indígenas (ou até mais do que eles), os negros 
foram submetidos a brutais condições de existência e, nos dias atuais, grande 
parte da população negra sofre discriminação e preconceito. 
Os asiáticos aportaram no Brasil no início do século XX para trabalhar nas 
lavouras de café no interior do estado de São Paulo. Eram colonos japoneses 
que também, como outros colonos das demais nacionalidades, sofreram por 
escravidão e por dificuldades de adaptação e integração cultural. Destacam-se 
ainda os coreanos e os chineses que, assim como os japoneses, se fixaram nos 
estados de São Paulo e Paraná, principalmente.
A imigração e a 
emigração no Brasil
Os movimentos migratórios, em geral, se caracterizam por populações de 
baixa renda, em que a condição de pobreza e miséria prevalece, podendo ser 
expressa pelas precárias condições das moradias que se instalam. Historicamente, 
as possibilidades de sucesso para as populações de migrantes estão muito 
relacionadas com as disponibilidades de recursos para a ocupação de novos 
territórios. Quando os recursos foram abundantes, os imigrantes encontraram 
pouca resistência, se fixaram e, em muitos casos, alcançaram ascensão social. As 
populações de imigrantes, num primeiro momento, lutam para não perderem sua 
identidade, procuram manter as lembranças e as tradições dos lugares de origem 
e, num segundo momento, lutam para garantir seus privilégios como pioneiros.
Sobre a imigração brasileira, esta pode ser compreendida em trêsfases: a 
primeira de 1808 (abertura dos portos do Brasil às nações amigas) ao ano de 
1850 (proibição do tráfico de escravos), a segunda de 1850 ao ano de 1930 
(queda da bolsa de Nova Iorque) e a terceira, de 1930 até os dias atuais. Analise 
as principais características de cada fase:
•	 1808-1850: a primeira fase foi marcada por um pequeno fluxo imigrató-
rio, explicado pelas facilidades de obtenção de mão de obra escravizada; instabi-
lidade política do período da Regência; Guerra dos Farrapos que se prolongara e 
existência da escravidão no Brasil que fazia com que os imigrantes temessem ser 
tratados como os escravos. Neste período, 1.500 famílias açorianas foram para o 
Rio Grande do Sul, 100 famílias suíças para o Rio de Janeiro (hoje Nova Friburgo), 
inúmeras famílias alemãs se dirigiram para o Rio Grande do Sul, Paraná, Santa 
Catarina e São Paulo, e 140 prussianos vieram para Pernambuco. 
•	 1850-1930: a segunda fase caracterizou-se por ser o período de maior 
entrada de imigrantes no Brasil, favorecido pelo desenvolvimento da cafeicultura 
(que exigiu numerosa mão de obra), pela proibição do tráfico de escravos (Lei 
Euzébio de Queirós), pela disposição do fazendeiro de café que facilitava a vinda 
do imigrante, cobrindo-lhe as despesas no primeiro ano, além de fornecer uma 
parcela de terra (para cultivo de produtos de primeira necessidade), pelo paga-
mento de gastos com o transporte do próprio imigrante (até o ano de 1889), 
pela abolição da escravatura e pelo desemprego na Itália (tanto no setor industrial 
como no agrícola) à época da unificação política do país. 
•	 1930- dias atuais: a terceira fase caracterizou-se pela queda acentuada do 
fluxo migratório, com exceção das décadas de 1950 e 1970. Foi no início da década 
de 1950 que o Brasil recebeu muitos imigrantes europeus, todos em busca de novas 
oportunidades (pois estavam arrasados pela guerra) e, por outro lado, se sentiram 
atraídos pelas condições favoráveis da indústria brasileira na época da construção de 
Brasília, que precisou de um enorme contingente populacional. Já a década de 1970 
(época do chamado “milagre brasileiro”) atraiu famílias, investimentos e mão de 
obra estrangeiros (principalmente chilenos, argentinos e uruguaios). 
Capítulo 2 :: 21
Igreja). Essa data é considerada como marco para os estudos geográficos da 
população brasileira, quando se teve o controle dos registros de nascimentos, 
mortes e casamentos.
Alguns recenseamentos foram realizados de maneira muito irregular até a 
criação do IBGE em 1938 e, a partir de 1940, é que são realizados com uma 
certa periodicidade. Observe a tabela a seguir, com dados até o censo de 2010 
(tabela 2.1):
Ano População
1872 9.930478
1890 14.333915
1900 17.438434
1920 30.635605
1940 41.236315
1950 51.944397
1960 70.119071
1970 93.139037
1980 119.070865
1991 146.155000
2010 190.732.694
Tabela 2.1: Evolução da População Brasileira. Fonte: IBGE, Anuário Estatístico, 2010 (dados 
preliminares de 1991)
O período de 1940 – 1960 é considerado pelos autores como aquele em 
que a população brasileira sofreu uma certa aceleração demográfica ou mesmo 
explosão demográfica, acompanhando o fenômeno que ocorreu em todo o mundo, 
principalmente nos “países subdesenvolvidos”. A explicação para tal deve-se à 
persistência de elevadas taxas de natalidade e à redução de taxas de mortalidade, 
relacionadas, principalmente, à revolução da tecnologia bioquímica (progresso 
da medicina no campo da terapêutica, com a descoberta dos antibióticos e de 
quimioterápicos e pela melhoria das condições sanitárias). 
Neste período, a taxa de fecundidade (relação entre o número de crianças 
com menos de 5 anos de idade e o número de mulheres em idade reprodutiva – 
15 e 49 anos) situava-se em torno de 6,0, ou seja, elevada se comparada ao dos 
países desenvolvidos que era em torno de 2,5. Os casamentos ou uniões livres em 
idade precoce também contribuíram para o crescimento populacional (os métodos 
contraceptivos ainda não se encontravam tão disseminados e a população em 
geral não tinha acesso a eles).
Existe, portanto, uma relação estreita entre “desenvolvimento econômico e 
taxa de fecundidade e de natalidade”. Os países “desenvolvidos” apresentam 
baixa taxa de fecundidade e de natalidade, acrescidos do alto nível educacional e 
da presença da mulher no mercado de trabalho. Já nos países “subdesenvolvidos” 
ocorre o inverso.
Mas foi a partir da década de 1960 que ocorreu uma desaceleração 
demográfica e iniciou-se uma transição demográfica. O Brasil registrou uma 
diminuição significativa da taxa de crescimento vegetativo, quando a urbanização 
acelerada fez com que a taxa de natalidade passasse a cair de forma mais 
acentuada que a taxa de mortalidade. Entre as décadas de 1960 e 1970, a 
taxa era de 2,76%, entre 1970 e 1980 de 2,48% e entre 1980 e 1991 de 
Por outro lado, é bom reforçar que vários foram os motivos que frearam a 
imigração nesse mesmo período: as revoluções de 1930 e 1932 que geraram 
instabilidade política, a Lei de Cotas de Imigração (Constituição de 1934 e 1937 
que restringiam o número de imigrantes), a determinação de que 80% dos 
imigrantes deveriam ser agricultores, a Segunda Grande Guerra (1939-1945), 
o desenvolvimento econômico de vários países europeus, que reorientou o fluxo 
migratório, o Golpe de Estado de 1964 e o grande endividamento externo com 
reflexos na economia interna (desemprego, inflação alta, diminuição do ritmo da 
atividade econômica). 
Já na década de 1980, o Brasil tornou-se um país de emigração, basica-
mente por ter enfrentado uma grave crise econômica. Esta gerou desemprego, 
fez com que houvesse uma perda sistemática do valor real do salário e elevou os 
índices de inflação (queda do crescimento do PIB e da atividade econômica). Em 
sua maioria, os que deixavam o país eram descendentes de japoneses (cerca de 
150.000, com o objetivo de juntar dinheiro no Japão e retornar com o seu próprio 
negócio). Nas décadas de 1980 e 1990, estima-se que cerca de 330.000 bra-
sileiros buscaram nos EUA (Miami, Nova York e Boston) uma nova oportunidade 
de vida, cuja expectativa maior é conseguir maiores salários e guardar dinheiro 
para investimentos. 
Cabe destacar, ainda, aqueles brasileiros que emigraram para o Paraguai 
(“brasiguaios”) compreendendo sem-terra ou agricultores de posse atraídos por 
terras mais baratas para cultivo, sendo que muitos deles voltaram ao Brasil mais 
tarde; para o Uruguai, motivados pelos preços das terras mais baixos e pela 
implantação do Mercosul e para a Bolívia, fazendeiros de soja à procura de solos 
férteis e motivados pela doação de terras por parte do governo.
Cerca de 600.000 brasileiros deixaram o país no decorrer das décadas de 
1980 e 1990, dentre eles cientistas, pesquisadores e professores que emigraram 
devido às precárias condições de trabalho e, hoje, o Brasil se tornou um país onde 
o fluxo migratório é negativo, ou seja, o total de emigrantes é maior que o número 
de pessoas que ingressam no país. Muitos brasileiros têm se transferido para os 
Estados Unidos, Japão e Europa, sempre em busca de melhor qualidade de vida, 
lembrando que os salários médios do Brasil estão entre os mais baixos do mundo.
O crescimento natural da 
população brasileira
Vamos relembrar como a população brasileira se comportou em relação ao 
seu crescimento natural. Vocês se lembram da definição de crescimento vegetativo 
ou natural? Pois é, o crescimento natural ou vegetativo corresponde à diferença 
entre as taxas de natalidade e de mortalidade. Para calcularmos essas taxas é 
essencial que os números (absoluto e relativo da população – nascimento e 
morte) estejam disponíveis e, para tal, que o recenseamento tenha sido realizado. 
Para o crescimento vegetativo aumentar, é necessário que a taxa de 
mortalidade seja menor que a de natalidade e, para o crescimento vegetativo 
diminuir, é necessário que a queda da natalidade seja mais acentuada que a de 
mortalidade.
Pois bem, no Brasil, somente apartir do ano de 1889 é que o Estado 
implantou o registro civil obrigatório, até então sob o controle da Igreja (época 
em que houve a consolidação da República e a separação entre o Estado e a 
22 :: GeooGrafia :: módulo 2
1,89%, estando esse decréscimo, segundo a maioria dos autores, relacionado 
com a redução da taxa de fecundidade da população brasileira. Paralelamente, 
houve uma redução da taxa de mortalidade infantil devido aos melhores acessos 
aos centros de puericultura (especialidade que acompanha o desenvolvimento da 
criança) nas cidades.
Convencionou-se, então, definir o processo de transição demográfica por 
meio de etapas de comportamento demográfico. Acompanhe na tabela 2.2.
Fases Taxas Características
Pré-transicional Mortalidade alta
Natalidade alta
= Crescimento 
Vegetativo regular
Até 1940 as condições 
sanitárias eram péssimas 
ocasionando epidemias de peste 
bubônica, febre amarela, varíola 
e cólera. Falta de acesso à água 
potável. Famílias numerosas 
onde os filhos também eram 
mão de obra mantinham a 
natalidade alta.
Primeira fase da 
transição
Mortalidade baixa
Natalidade alta
= Crescimento 
Vegetativo alto
Avanços na medicina e nas 
condições sanitárias diminuem a 
mortalidade, principalmente nas 
cidades. Entre 1940 e 1960, 
a natalidade se manteve alta 
provocando um “boom” no 
crescimento demográfico.
Segunda fase da 
transição
Mortalidade baixa
Natalidade diminui
= Crescimento 
Vegetativo diminui
A natalidade começa a diminuir, 
pois a partir da década de 
1960 a população começa a 
se concentrar em cidades, onde 
criar os filhos (alimentação e 
educação) se torna caro. Mulher 
entra no mercado de trabalho 
e opta por usar métodos 
anticonceptivos.
Transição em 
conclusão
Mortalidade baixa
Natalidade baixa
= Crescimento 
Vegetativo baixo
Em poucos anos a taxa de 
natalidade brasileira se reduziu 
intensamente, apesar de não 
implantar políticas antinatilistas 
agressivas, como China e 
Índia. A taxa de fecundidade 
em 1970 era de 5,8 filhos por 
mulher e, em 2006, reduziu 
para 2 filhos.
Tabela 2.2: Características da transição demográfica no Brasil.
Cabe lembrar que a política demográfica brasileira passou de 
natalista a antinatalista. Até os anos de 1970 era totalmente 
populacionista ou natalista. Nessa época, a ênfase dada era 
no sentido de povoar o território, alegando a necessidade de 
segurança nacional e o aproveitamento dos recursos naturais. Em 
meados dessa década, adotou-se uma política neomalthusiana que 
procurava justificar a pobreza, a miséria e o atraso econômico 
dos países ditos subdesenvolvidos, como sendo o resultado da 
elevada natalidade e não da distribuição socialmente desigual 
de renda. Um bom exemplo dessa política é a ação da BEMFAM 
(Sociedade Brasileira do Bem-Estar da Família), instituição que já 
vinha operando no Brasil, subsidiada por fundações estrangeiras 
(Ford, Rockfeler e Banco Mundial) e que passou a atuar mais 
intensamente , instituindo assim uma política antinatalista. 
Segundo o IBGE, no século XX o Brasil entrou, no estágio de transição 
demográfica avançada, quando a taxa de natalidade é inferior a 20% e a de 
fecundidade deverá declinar ainda mais (tabela 2.3). 
Taxa de fecundidade (nº de filhos por mulher)
Regiões 1980 1991 2000 2006
Brasil 4,4 2,9 2,4 2,0
Norte 6,5 4,2 3,2 2,5
Nordeste 6,1 3,8 2,7 2,2
Sudeste 3,5 2,4 2,1 1,8
Sul 3,6 2,5 2,2 1,9
Centro-Oeste 4,5 2,7 2,3 2,0
Tabela 2.3: As Regiões Brasileiras segundo as taxas de fecundidade (1980 – 2006). Fonte: 
IBGE, Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil, 2009.
Embora a população brasileira tenha reduzido o número de filhos, de acordo 
com o IBGE, as médias de filhos variam com o grau de escolaridade da mulher. A 
análise dos dados da tabela 2.4 nos revela que o Brasil não apresenta um único 
perfil de família. A redução do número de filhos se dá nas camadas com maior 
escolaridade, enquanto nas camadas mais populares o número de filhos ainda é 
significativo, comprovando as ideias da teoria reformista (veja quadro no final deste 
capítulo). Assim, o país apresenta índices populacionais de países centrais como 
França, Suécia, Alemanha e de países periféricos como Angola, Paquistão ou Nigéria.
Fecundidade da Mulher segundo seu Grau de Escolaridade
Anos de Estudo Até 3 anos De 4 a 7 anos 8 anos ou mais
Média Brasil 4,0 filhos 3,1 filhos 1,5 filhos
Tabela 2.4: Taxa de fecundidade da mulher brasileira de acordo com o grau de escolaridade. 
Fonte:IBGE
Capítulo 2 :: 23
Contudo, a queda no crescimento da população brasileira observada nos 
últimos trinta anos não interferiu no desempenho da economia, principalmente em 
relação ao desenvolvimento e à distribuição de renda. É o que veremos a seguir. 
A estrutura da população: 
faixas etárias e distribuição 
de renda 
Vocês devem estar acostumados a estudar os componentes da população 
por idade e por sexos sem, contudo, dar maior importância para os dados e as 
representações na forma de pirâmides. 
Segundo Melhem Adas “o total absoluto da população de um país, região 
ou um município não tem grande significado se não estiver relacionado a outros 
dados populacionais e estes, por sua vez, a dados de economia, saúde, educação, 
habitação, transportes, produção agrícola, dentre outros”. Destacam-se, contudo, 
os dados sobre a composição da população por idades e sexos. 
Sua relevância constitui-se na possibilidade de interpretação da situação de 
uma dada população em relação ao planejamento socioeconômico, podendo, dessa 
maneira, compreender: quantos empregos podem ser criados anualmente para 
absorver o contingente populacional que entra todos os anos no mercado de trabalho; 
quantas vagas escolares ou quantos leitos hospitalares são necessários para atender 
a demanda populacional; qual é o investimento necessário que deve ser feito para 
atender às demandas de infraestrutura sanitária, dentre outras questões.
A composição por idades e por sexo de uma população pode ser melhor 
compreendida por meio de gráficos que relacionem a quantidade de habitantes 
de um dado país, estado, região ou município, segundo a sua constituição por 
idade e por sexo. 
Essa representação gráfica é o que denominamos de pirâmide etária, que pode 
ser interpretada a partir de suas três partes: a base (porção inferior) que representa 
a população jovem (0-14 anos ou 19 anos); o corpo (porção intermediária) que 
representa a população adulta (de 15 a 59 anos ou de 20 a 59 anos) e o topo 
(porção superior) que representa a população idosa (60 anos ou mais). 
Observe a figura 2.2 que se segue: ela mostra as pirâmides etárias do Brasil 
nos anos de 1980 a 2010, segundo os dados de recenseamentos e estimativas 
do IBGE. Vamos acompanhar o comportamento da população brasileira, segundo 
o perfil que cada pirâmide apresenta, e tentar compreender o significado das 
mudanças mostradas por elas. Essas mudanças são resultado de alterações na 
dinâmica demográfica brasileira nos últimos vinte anos (conforme visto nesse 
capítulo), onde destacam-se: o declínio das taxas de natalidade, fecundidade e 
mortalidade geral, o aumento da população idosa no conjunto da população e a 
tendência para o ano de 2010 do Brasil atingir um perfil de “país desenvolvido”, 
que é aquele país no estágio de transição demográfica concluída.
Figura 2.2: Pirâmides Etárias do Brasil – anos de 1980, 1991, 2000, 2010 (recenseamento e projeção do IBGE).
24 :: GeoGrafia :: módulo 2
Atividade 1
Seguindo o modelo de interpretação da pirâmide 1, faça o mesmo para as 
outras quatro pirâmides.
Pirâmide 1 – ano de 1980: 
•	 base larga e topo estreito;
•	 a população de mulheres supera um pouco a população de homens;
•	 a população de idosos é pequena;
•	 características de país que possui taxas de natalidade, mortalidade, 
fecundidade e expectativa de vida elevadas;
•	 características de país que apresenta elevado crescimento populacional;
•	 perfil típico de comportamento demográfico de país “subdesenvolvido”;
•perfil típico que apresenta estágio de transição demográfica inicial.
Pirâmide 2 – ano de 1990: 
Pirâmide 3 – ano de 2000: 
Pirâmide 4 – ano de 2010: 
Conforme pudemos acompanhar, no Brasil, a pirâmide de idades vem 
apresentando uma significativa redução de volume na base, onde estão os jovens, 
e um aumento da participação percentual de pessoas adultas e idosas. Apresenta 
ainda a mesma dinâmica global em relação à distribuição da população por sexo, 
onde nascem cerca de 106 homens para cada 100 mulheres, sendo a taxa de 
mortalidade masculina maior e a expectativa de vida menor. Dessa maneira, 
embora nasçam mais homens que mulheres, é comum as pirâmides apresentarem 
uma quantidade ligeiramente superior de população feminina, já que as mulheres 
vivem mais.
O envelhecimento da população brasileira, evidenciado pelo aumento 
do volume nas faixas etárias mais elevadas (acima de 60 anos), provoca um 
grande desequilíbrio nas contas da previdência social. Ao longo da vida produtiva 
(formal), um trabalhador contribui para a previdência social na perspectiva de 
receber um salário após se aposentar. No entanto, o tempo de contribuição tem 
sido menor que o tempo de vida deste trabalhador (aposentado). Além disso, há 
pessoas que não contribuíram realmente para a previdência mas recebem pensão 
e outros benefícios (pensão a viúvas, aposentadoria por invalidez, auxílio doença, 
auxílio desemprego etc.). Esta situação vem causando um grande déficit nas 
contas previdenciárias, obrigando o governo a desviar verba de outras atividades. 
Agora vamos passar aos estudos relacionados à distribuição de renda, ou 
seja, as atividades econômicas ou setores econômicos. Vocês se lembram quais 
são os setores de produção de um país? São os setores primário, secundário e 
terciário. É possível estudar a distribuição da população economicamente ativa 
(PEA) segundo as atividades econômicas, que acaba fornecendo elementos ou um 
quadro de referência para a avaliação da economia. Entende-se por PEA as pessoas 
que trabalham em atividades remuneradas e podem estar ocupadas (que têm 
trabalho) ou não (sem trabalho, mas que procuram por trabalho).
Em 2001, segundo o IBGE, o Brasil tinha 81.175.749 pessoas economi-
camente ativas. Desse total, 90,3% estavam ocupadas e apenas 9,7% desocu-
padas. As transformações de uma economia alteram a distribuição da população 
economicamente ativa pelos setores de produção. Dentre os fatores que alteraram 
a estrutura da população, segundo os setores de produção, podemos destacar a in-
dustrialização, a urbanização e a modernização do setor primário e, pensando no 
Brasil, podemos incluir a estrutura fundiária injusta na contramão da democracia.
A cada ano, no Brasil, precisa ser criado aproximadamente 1 milhão de 
novos empregos para atender à necessidade. Em 2001, o setor primário absorveu 
20,6% da mão de obra, o setor secundário 22,9% e o setor terciário 56,5% do 
total da população economicamente ativa. Observe o gráfico que se segue (figura 
2.3) e analise o comportamento e a distribuição da população economicamente 
ativa por setores de produção por ano, desde 1940. 
0
20
40
60
80
1940 1950 1960 1970 1980 1990 2001
Anos
%
Primário Secundário Terciário
Figura 2.3: Distribuição percentual (%) da População Economicamente Ativa (PEA) por setores da 
economia no Brasil. Fonte: IBGE.
A partir do gráfico, podemos notar principalmente:
•	 o declínio do setor primário (70,2% em 1940; 20,6% em 2001): o 
Brasil deixa de ser predominantemente um país de economia rural, além da 
concentração fundiária, houve mecanização das atividades agrícolas;
•	 uma queda do setor secundário (25% em 1980; 22,9% em 2001): pode 
ser explicada pela crise no setor, pela racionalização no trabalho (automação), 
levando à dispensa de mão de obra, e pelo aumento da importação de produtos 
industrializados de outros países.
O elevado percentual de participação do setor terciário (serviços, comércio 
e administração pública) na população economicamente ativa está relacionado 
a vários fatores:
•	 uma parte das atividades deste setor não exige grande qualificação 
(porteiro, faxineiro, pedreiro etc.), facilitando a absorção da população rural (que 
saiu do setor primário) e das pessoas com baixa escolaridade;
•	 este setor absorveu mão de obra que veio do setor secundário, já que as 
atividades industriais foram, aos poucos, sendo automatizadas;
•	 crescimento da economia informal, onde os trabalhadores não têm carteira 
assinada e há várias atividades não legalizadas, como por exemplo transporte 
alternativo (em vans), comércio ambulante (camelôs), flanelinhas etc.
Capítulo 2 :: 25
RENDA MÉDIA MENSAL (em R$) – ANO BASE 2005
Brasil e 
regiões
40% mais pobres 10% mais ricos
Total Homem Mulher Total Homem Mulher
Brasil 226 255 196 3.579 4.067 2.769
Norte* 230 256 196 2.627 2.875 2.166
Nordeste 129 148 101 2.299 2.510 1.933
Sudeste 285 336 235 4.060 4.687 3.077
Sul 289 335 243 3.734 4.349 2.682
Centro-
Oeste
268 311 224 4.302 4.846 3.440
Tabela 2.6: Diferença da renda média mensal (em R$) entre as regiões brasileiras, entre os 40% 
da população brasileira mais pobres e os 10% mais ricos e entre homem e mulher. Fonte: IBGE, 
Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD), 2005. * Não inclui a população rural dos 
estados do Norte.
Atividade 2
Com base nos dados apresentados na tabela 2.6, analise as diferenças de 
salário entre as regiões brasileiras.
A distribuição e a mobilidade 
espacial da população
Quais são os fatores que comandam a distribuição espacial de uma popula-
ção? Lembrando que ao lado dos fatores naturais, os fatores de ordem histórica 
também pesam consideravelmente na distribuição da população pelo espaço 
geográfico, vamos pensar na ocupação do território brasileiro em seus primórdios. 
A história das imigrações para o Brasil, os movimentos migratórios internos e 
ainda a marcha do povoamento do território brasileiro podem ser bons exemplos 
de como os fatores históricos também podem influenciar na ocupação e na 
produção do espaço geográfico.
A distribuição espacial da população nos dias atuais obedece à mesma dinâmica 
da formação de áreas de atração e de repulsão da população, característica do 
povoamento do território brasileiro. O recurso que se utiliza na avaliação da 
distribuição da população pelo espaço geográfico é denominado de densidade 
demográfica. A densidade demográfica, também conhecida como população relativa 
(Pr), é a relação entre a população absoluta (Pa) e a área territorial ou a superfície 
por ela ocupada (S). Desse modo, temos: Pr = Pa/S.
No Brasil, em 2000, a densidade demográfica era de 19,94 habitantes por 
quilômetro quadrado, ou seja, Pr = 19,94 hab/km². Mas qual é o significado 
desse número? Comparando-se a outros países, pode-se dizer que é um país de 
baixa densidade demográfica, ou ainda, pouco povoado (apesar de populoso, não 
é mesmo?). Observe a tabela que se segue (tabela 2.7) e compare a densidade 
demográfica dos países com a classificação de mais populoso.
A economia informal que se instalou no Brasil está intimamente interligada 
à economia formal, pois os negócios informais fornecem produtos e serviços 
(a baixos preços) para as empresas legalizadas. Por outro lado, quando um 
trabalhador informal tem sua renda, pode se utilizar de serviços (hospitais, escolas 
etc.) e comércio (fazer crediário em grandes lojas etc.) formais. 
O grande crescimento da economia informal no Brasil também está 
relacionado ao desemprego, que pode ser conjuntural ou estrutural. O primeiro 
caso (desemprego conjuntural) está relacionado a recessão econômica e a 
situações específicas, como a abertura da economia às importações a partir da 
década de 1990, isenções fiscais que atraem indústrias e negócios de uma região 
para outra etc. Nestes momentos, algumas indústrias e/ou empresas podem 
ir à falência ou serem obrigadas a reduzir o quadro de empregados, podendo, 
posteriormente, reequilibrar as finanças e readmitir osfuncionários, sem que os 
postos de trabalho tenham se extinguido. 
No caso do desemprego estrutural, o avanço tecnológico em várias atividades, 
principalmente relacionado à informatização e automação, diminui ou extingue 
alguns postos de trabalho. Os exemplos clássicos desta situação são o uso de 
braços mecânicos em indústrias e a informatização (caixas eletrônicos) do setor 
bancário. Mas ao mesmo tempo em que ocorre a extinção de alguns postos de 
trabalho, outros são criados. No entanto, os novos postos geralmente exigem 
maior qualificação profissional e nível de instrução, o que o Estado brasileiro não 
tem conseguido fornecer por meio da educação. Assim, um trabalhador demitido 
de um banco, que poderia se inserir no mercado formal aprendendo a lidar com 
computadores e programas, ao não conseguir esta qualificação por meio de 
cursos, acaba procurando emprego no setor informal da economia.
Os dados estatísticos mostram que a participação dos pobres na renda 
nacional diminuiu e a dos ricos aumentou. Essa dinâmica pode ser explicada pelo 
processo inflacionário de preços que não é repassado aos salários, e também 
por um sistema tributário em que a carga de impostos indiretos (ICMS, IPI, ISS, 
dentre outros) chega a 50% da arrecadação e não distingue as faixas de renda. 
Os impostos diretos (renda, IPTU, IPVA), que possuem alíquotas progressivas e 
são diferenciados segundo a renda, ou são sonegados ou incluídos no preço de 
mercadorias, tornando-se indiretos para os consumidores de modo geral.
Em 2001, apenas 42% dos trabalhadores eram do sexo feminino (enquanto 
que nos países desenvolvidos é de 50%; ver tabela 2.5). A inserção da mulher 
brasileira no mercado de trabalho está ligada à perda de poder aquisitivo dos 
salários, fazendo com que ela trabalhe para complementar a renda familiar. 
Participação (%) feminina e masculina na PEA
Ano
Sexo
1940 1950 1960 1970 1980 1990 1995 2001
Fem. 19 14,5 18 21 27 35,5 40,4 41,8
Masc. 81 85,5 82 79 73 64,5 59,6 58,2
Tabela 2.5: Percentual (%) de participação feminina e masculina na PEA (anos de 1940 – 2001), 
segundo o IBGE (Anuário Estatístico do Brasil)
Alguns autores comentam que tal situação faz com que os empresários prefi-
ram, para suas diversas atividades, a mão de obra feminina que, por necessidade 
de trabalho, acaba se sujeitando a salários menores àqueles pagos pelos homens 
numa mesma função (tabela 2.6).
26 :: GeooGrafia :: módulo 2
País Densidade demográfica 
Países mais 
populosos
Nigéria 428,4 10º
Japão 349,3 9º
Bangladesh 1078,4 8º
Paquistão 188,1 7º
Fed. Russa 8,6 6º
Brasil 19,94 5º
Indonésia 118,6 4º
EUA 31,1 3º
Índia 344,8 2º
China 137,8 1º
Tabela 2.7: Densidade demográfica dos dez países mais populosos do mundo (2000) (IBGE)
O Brasil possui uma distribuição espacial desigual da população, resultado, 
sobretudo, de fatores histórico-econômicos. A concentração e a dispersão 
populacional brasileira acompanharam, em certa medida, a própria evolução do 
capitalismo. Procure consultar um Atlas Geográfico para acompanhar melhor o 
desenvolvimento desse tema (identifique o Mapa de Densidade Demográfica).
Consultando o mapa, observe que a maior concentração populacional é na 
porção leste do território, ou seja, no litoral do Brasil ou em suas proximidades, 
onde também estão localizadas as metrópoles brasileiras (com exceção de Belo 
Horizonte, no interior do estado de Minas Gerais). 
A maior concentração populacional localiza-se nas regiões Sudeste e Nordeste 
do país. As maiores densidades demográficas localizam-se nas áreas metropolita-
nas (São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Fortaleza), nos municípios que 
correspondem às capitais (Natal, João Pessoa, Maceió, Aracaju e Vitória) e na 
zona cacaueira do sul da Bahia (municípios de Ilhéus, Itabuna e Ipiaú), com índi-
ces superiores a 100 hab/km² e as imediações dos municípios citados, alcançam 
entre 25,01 e 100 hab/km2. Dos estados brasileiros, é o estado de São Paulo 
aquele que apresenta a maior área contínua de densidade demográfica acima 
de 100 hab/km², representada por importantes eixos rodoviários como as Vias 
Anhanguera, Washington Luís, Castelo Branco e Raposo Tavares. 
Dirigindo-se para o interior do país, as densidades demográficas declinam 
para os intervalos de 10 a menos de 25 hab/km², 1 a menos de 10hab/km² 
e menos de 1hab/km², com algumas exceções como as áreas de entorno das 
capitais e as próprias capitais. As áreas com o menor índice estão nas áreas 
cobertas pela Floresta Amazônica e por trechos do Cerrado. Verifique a evolução 
das densidades demográficas na tabela que se segue (tabela 2.8).
Densidades demográficas (hab/km2)
Regiões 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000
Norte 0,41 0,52 0,72 1,01 1,65 2,59 3,35
Centro-Oeste 0,67 0,92 1,57 2,7 4,01 5,85 7,24
Nordeste 9,36 11,65 14,38 18,23 22,57 27,22 30,72
Sul 10,2 13,95 20,95 29,35 33,86 38,34 43,57
Sudeste 19,97 25,54 33,34 43,38 56,31 67,66 78,32
Brasil 4,88 6,14 8,29 11,01 14,07 17,18 19,94
Tabela 2.8: As densidades demográficas (hab/km2) no Brasil por regiões. Fonte: IBGE, Anuário 
Estatístico, 2001.
Quanto às migrações pelo território brasileiro, assim como qualquer 
movimento populacional, ocorrem por motivos que forçam a população a se 
deslocar pelo espaço de forma permanente ou temporária. Nessa mobilidade 
espacial da população brasileira, destacamos as migrações internas que se 
dividem em: 
•	 migrações inter-regionais: movimentos das pessoas entre as regiões;
•	 migrações intrarregionais: movimentos das pessoas dentro de uma mes-
ma região;
•	 transumância: movimentos pendulares ou temporários, relacionados às es-
tações do ano ou às atividades econômicas (migração temporária do campo para 
a cidade; migração dos indígenas já aculturados para as cidades; deslocamento 
dos filhos de pequenos proprietários para servirem como peões; deslocamento de 
trabalhadores rurais e urbanos para se empregarem em usinas hidrelétricas; deslo-
camento de trabalhadores de entressafra para áreas de garimpo e os movimentos 
realizados diariamente por milhares de trabalhadores urbanos que se deslocam 
para sua moradia).
Ao longo da história, verificamos que esses movimentos migratórios estão 
associados, desde o período colonial, a fatores econômicos. A transumância, por 
exemplo, é observada em vários lugares do país: no Nordeste, onde ocorre entre o 
Sertão e o Agreste e a Zona da Mata; em São Paulo, quando trabalhadores rurais 
se deslocam para o Paraná a fim de colher o algodão e depois retornam para a 
colheita da cana-de-açúcar; os trabalhadores rurais da Bahia, Minas Gerais, Piauí e 
Maranhão que se deslocam para São Paulo na época do corte da cana-de-açúcar; 
dentre outros.
O êxodo rural, também denominado migração campo-cidade, é o mais 
importante movimento populacional interno do país, tendo como marco a 
segunda metade do século XX (1950). Foi a partir do declínio da população 
rural, em 1940, que o percentual da população urbana começou a aumentar, 
ultrapassando a rural nos anos de 1970. Em 2001, no conjunto das Grandes 
Regiões, o destaque foi para a região Sudeste por possuir o maior percentual de 
população em área urbana (93,1% contra 6,9% em áreas rurais), seguida das 
regiões Centro-Oeste e Sul. Atualmente, as regiões Norte e Nordeste são as que 
possuem o maior percentual de população vivendo em áreas rurais.
Essas migrações, que ocorreram no país a partir do ano de 1940, podem ser 
assim resumidas:
•	 1940 a 1950: deslocamentos para a região Centro-Oeste e para o Norte 
do Paraná, tendo como atrativo a busca de terras para agricultura (do Sudeste e 
Nordeste);
•	 1950 a 1960: grande fluxo migratório para o Sudeste, tendo a indústria 
como principal atrativo, e para outros locais com atrativos diversos (Maranhão: 
babaçu; Mato Grosso: garimpo; Rondônia: mineração; Paraná: café; Goiás: 
construção de Brasília);
•	 1960 a 1970: continuidade da marcha para o Centro-Oeste e expansão 
para a Amazônia, tendo como principal atrativo os projetos agropecuárioscom 
incentivos fiscais pelo governo;
•	 1970 a 1990: os movimentos em direção à Amazônia, no contexto da 
ideologia dos governos militares em promover a ocupação (construção de rodovias);
•	 1970 a 1991: migrações realizadas para Rondônia por meio do Programa 
Integrado de Colonização, do Projeto de Assentamento e do Planoroeste;
Capítulo 2 :: 27
•	 1970 a 1991: migrações realizadas para Roraima atraídas principalmente 
pela garimpagem;
•	 década de 1990: mesmas tendências observadas na década de 1980 
(queda do movimento migratório interno em direção à região Sudeste; diminuição 
do crescimento populacional do município de São Paulo; permanência do vetor 
em direção à Amazônia; crescimento dos municípios de médio e pequeno portes). 
As indicações são, portanto, no sentido de uma redistribuição geográfica, 
quando as grandes cidades deverão sofrer uma desconcentração populacional, 
e as pequenas e médias deverão crescer. As indústrias já estão se estabelecendo 
em cidades de pequeno e médio portes, fazendo com que o fluxo interno 
sofra alterações. Atreladas a essas novas possibilidades de emprego, estão as 
oportunidades nos negócios, a oferta de centros médicos e hospitalares, as 
faculdades e universidades, o custo de vida mais baixo e a perspectiva de uma 
melhor qualidade de vida.
Os fluxos migratórios brasileiros podem influenciar na 
distribuição de homens e mulheres nas regiões brasileiras. As 
regiões Norte e Centro-Oeste apresentam um número de homens 
maior que o Nordeste, onde predominam mulheres. Tal fato se 
deve às migrações direcionadas às regiões Norte e Centro-Oeste, 
que datam desde final do século XIX com atividades ligadas aos 
seringais e se intensificam a partir da década de 60 com as políticas 
de colonização dessas regiões. Os homens deixam suas famílias 
no Nordeste e migram para essas regiões em busca de trabalho, 
porém muitas vezes não retornam aos seus lares. Um dos principais 
motivos são as dificuldades de juntar dinheiro para o retorno, já 
que as relações de trabalho nestes lugares são extremamente 
precárias, ocorrendo casos de escravidão por dívida.
Exercício de Fixação
1) Explique a influência da estrutura fundiária brasileira nas migrações sulistas 
ocorridas no final da década de 70. 
Exercícios de vestibular
1) (CEDERJ / 2001) Nos últimos quinze anos, registra-se uma significativa 
emigração de brasileiros para o Paraguai e para a Bolívia. No Paraguai, por 
exemplo, já há cerca de 300 mil imigrantes brasileiros legalizados. 
Pode-se afirmar que esse fluxo migratório: 
(A) é produto do deslocamento, para o Cone Sul, de empresas brasileiras dos 
setores industriais e de serviços; 
(B) faz parte de um movimento sazonal vinculado às oportunidades da expansão 
do comércio varejista; 
(C) resulta da livre circulação da força de trabalho e capitais entre os países-
membros do Mercosul; 
(D) está relacionado às melhores condições de apropriação de terras e à expansão 
da produção de soja e trigo; 
(E) foi determinado pela estratégia geopolítica brasileira de ocupação de áreas 
devolutas da fronteira oeste.
2) (UFRJ / 2006) Observe as pirâmides etárias da população urbana e rural do 
Estado da Bahia nos anos de 1980 e 2000.
70 e mais
60 - 69
50 - 59
40 - 49
30 - 39
20 - 29
10 - 19
0 - 9
2.000 1.600 1.6001.200 800 400 4000 800 1.200
Urbana Rural
População (em 1.000)
2.000 1.600 1.6001.200 800 400 4000 800 1.200
População (em 1.000)
Gr
up
o d
e i
da
de
Gr
up
o d
e i
da
de
Urbana Rural
1980 2000
70 e mais
60 - 69
50 - 59
40 - 49
30 - 39
20 - 29
10 - 19
0 - 9
Fonte: Bárbara-Christine Silva et.al. In Atlas Escolar da Bahia, 2004.
a) Identifique uma tendência demográfica quanto à distribuição espacial da 
população.
b) Indique o que ocorreu, em termos absolutos e relativos, com a estrutura etária 
da população baiana.
3) (UFF/2000) 
Texto 1 :: Os DEKASSEGUI
A palavra dekassegui surgiu para designar, no passado, a população 
de japoneses do norte que migraram para o sul do arquipélago, em busca 
de trabalho durante o período de inverno. Composto dos ideogramas 
japoneses “sair” e “ganhar dinheiro”, o termo tornou-se sinônimo do 
migrante que alimentava o desejo de voltar à terra de origem.
28 :: GeooGrafia :: módulo 2
6) (UERJ / 2007)
Norte
Nordeste
MG
SP RJ
ES
Centro-Oeste
Sul456.546
100.610 a 128.171
177.050 a 186.580
193.890 a 215.530
286.345
390.000 a 403.510
Observe, no mapa acima, o fluxo migratório de ida e volta entre o Nordeste e o 
Estado de São Paulo.
Identifique e explique a sua característica principal.
7) (UERJ / 2003) Analise os textos a seguir.
Brasil perde jovens para mercado externo
O mercado de trabalho brasileiro está perdendo grande fatia de jovens 
com boa escolaridade e que poderiam se tornar profissionais qualificados. 
São pessoas de 15 a 24 anos que estão deixando o País em busca de 
novas oportunidades e experiências profissionais. Na década de 1990, 
cerca de 1,3 milhão de jovens cruzaram as fronteiras brasileiras em busca 
de chances de melhorar o rendimento. Talvez, nunca mais voltem. (...)
Adaptado de O Estado de Minas, 07/05/2002
Um de cada cinco argentinos pensa em ir-se do país
Uma pesquisa revela que na capital e Grande Buenos Aires 22% das 
pessoas pensam em emigrar. A maior parte quer ir para a Espanha e os EUA. 
(...) Os mais propensos são os menores de 35 anos, os desempregados e 
as pessoas com bom nível de instrução.
Adaptado do jornal argentino Página 12, 17/05/2002
A alternativa que contém a melhor explicação para esse processo de emigração é:
(A) fracasso das políticas agrária e industrial para as classes camponesas
(B) ausência de metas econômicas e educacionais para os setores populares
(C) indefinição da identidade cultural e política dos segmentos da alta burguesia
(D) frustração das expectativas de emprego e de ascensão social das camadas 
médias urbanas
Texto 2 :: Os Dekassegui brasileiros
Diferentemente do uso da expressão no passado, o termo dekassegui 
vem sendo utilizado para designar os brasileiros que têm migrado, na 
atualidade, para o Japão, em busca de empregos oferecidos por anúncios 
publicados nos principais jornais de São Paulo.
I. O tipo de migração a que o texto 1 se refere é denominado transumância, 
que se caracteriza por:
(A) Migração da população de um país com economia agrícola para um com 
economia industrial.
(B) Migração periódica da população que se desloca de acordo com as estações 
do ano em busca de melhores condições de vida e trabalho.
(C) Migração de áreas rurais para as cidades na perspectiva de empregos com 
melhores salários.
(D) Fuga da população de um país devido a perseguições religiosas e políticas.
II. Das opções a seguir, quais NÃO explicam as principais características e 
condições de migração dos brasileiros para o Japão na década de 90 deste século.
(A) Busca de melhores condições de emprego e salário.
(B) Migração seletiva em função da descendência étnica.
(C) Migração subordinada à permissão do governo brasileiro.
(D) Mão de obra destinada às atividades industriais, sobretudo no setor de 
autopeças, de eletrônica e alimentar.
4) (UERJ / 2004) Analise os dados a seguir.
A evolução das matrículas no país
Ensino Médio Ensino Fundamental
Ano 2002 Ano 2003 Ano 2002 Ano 2003
8.710.584 9.132.698 35.150.362 34.719.506
+4,8% -1,2%
O Globo, 02/09/2003
As variações no número de matrículas escolares no Brasil podem ser explicadas 
pelas seguintes mudanças demográficas:
(A) sobre mortalidade feminina e redução da taxa de mortalidade.
(B) elevação da expectativa de vida e redução da taxa de natalidade.
(C) ampliação da taxa de fecundidade e redução da mortalidade infantil.
(D) aumento da emigração e manutenção da taxa de crescimento vegetativo.
5) (UERJ / 2004) A eliminação do trabalho infantil é um dos principais desafios 
para os países em desenvolvimento, pois tem impacto direto sobre os seguintes 
indicadores sociais:
(A) redução do índice de analfabetismo eretração da mortalidade infantil.
(B) aumento da taxa de escolaridade e redução do crescimento populacional.
(C) aumento da taxa de crescimento populacional e elevação da renda per capita.
(D) elevação do índice de desenvolvimento humano e aumento da taxa de 
fecundidade.
Capítulo 2 :: 29
8) (UERJ / 2003)
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores. (...)
(Gonçalves Dias, 1847)
Marginália 2
(...)
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte
(...)
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Torquato Neto e Gilberto Gil, 1967
Aqui temos duas maneiras distintas de imaginar “minha terra” – Brasil. Cada uma 
dessas imagens expressa características da sociedade brasileira associadas aos 
respectivos contextos históricos.
Essas características são respectivamente:
(A) a ideia da nação como resultado da preservação ambiental – a ideologia 
pessimista decorrente da globalização
(B) o elogio da natureza como elemento de construção da nação brasileira – a 
instabilidade social decorrente do subdesenvolvimento
(C) o exílio político dos intelectuais como negação da nação – as desvantagens 
ecológicas da nação decorrentes de suas condições naturais
(D) a imaturidade dos intelectuais como resultado da dominação monárquica – a 
miséria e a fome decorrentes do extrativismo econômico.
Complemente seus 
conhecimentos
Evolução da população das regiões brasileiras nos últimos 50 anos
Nelson Bacic Olic, Revista Pangea, 1/6/2001.
Nos últimos 50 anos, a população brasileira teve seu efetivo mais que 
duplicado (2,4 vezes), passando de pouco mais de 70 milhões em 1960, 
para cerca de 170 milhões segundo os dados do censo 2000. Como 
pode se ver, ao longo da segunda metade do século XX, o contingente 
populacional brasileiro foi acrescido de aproximadamente 100 milhões de 
pessoas, isto é, quase três vezes a população da Argentina.
Se em números absolutos a população sempre cresceu, a taxa média 
de crescimento anual vem apresentando significativa diminuição. Assim, 
segundo o censo de 1960 (que revelou as tendências demográficas da 
década anterior), o ritmo de crescimento da população brasileira naquela 
data era ligeiramente superior a 3,0%. O censo de 2000 revelou que 
esta taxa caiu para quase a metade (1,6%). A principal explicação para 
esta queda tem sido a redução do ritmo do crescimento vegetativo, 
causado principalmente pela expressiva queda das taxas de natalidade. 
Grande parte dessa situação é decorrência do intenso e rápido processo de 
urbanização pelo qual o país vem passando.
Quando analisamos o crescimento populacional sob a ótica das regiões 
político-administrativas que compõem o país, podemos constatar uma 
série de fatos. Primeiramente, a população absoluta de todas as regiões 
apresentou um expressivo crescimento, embora o ritmo desse incremento 
tenha sido bastante diferenciado. Por exemplo, as regiões Norte e Centro-
Oeste tiveram no período, um ritmo de crescimento sempre superior à 
média brasileira, enquanto a Região Nordeste sempre foi aquela área do 
Brasil que apresentou os menores índices de incremento populacional. Essa 
variação nos ritmos de crescimento é explicada fundamentalmente por dois 
aspectos: as diferenças na intensidade do crescimento vegetativo de cada 
região e as migrações internas.
Neste ponto, vale a pena chamar a atenção para outros dois aspectos 
da evolução demográfica das regiões. O primeiro deles é que, embora 
o crescimento vegetativo venha apresentando uma queda de ritmo em 
todas as unidades regionais, este decréscimo tem se verificado de forma 
diferente no tempo e no espaço. Assim, nas regiões consideradas mais 
desenvolvidas (Sul e Sudeste), a diminuição aconteceu antes que no Norte 
e Nordeste, as duas áreas tidas como as menos desenvolvidas do país.
Um segundo aspecto é que o comportamento das migrações internas 
também mudou, especialmente no que diz respeito às origens e destinos 
dos deslocamentos. Entre as décadas de 1950/70, os mais expressivos 
fluxos populacionais verificavam-se entre as regiões (especialmente do 
Nordeste para as outras unidades regionais) e tinham fundamentalmente 
origem rural e destino urbano. Da década de 1980 em diante, os mais 
expressivos deslocamentos internos da população passaram a ser mais 
intrarregionais e ter origem urbana (pequenas e médias cidades) e destino 
urbano (médias e grandes cidades).
Apesar de todas transformações pelas quais o Brasil passou nos últimos 
50 anos, praticamente não houve alteração no ranking das regiões mais e 
menos populosas do país. Aquelas com maior população absoluta atual, isto é, 
a Sudeste (72,3 milhões), a Nordeste (47,7 milhões) e a Sul (25,1 milhões) 
mantiveram-se, como em 1960, nas primeiras colocações. A única modificação 
ocorreu na colocação das regiões Norte e Centro-Oeste que contam hoje, 
respectivamente, com 12,9 milhões e 11,6 milhões de habitantes.
Até o censo de 1980, o Centro-Oeste era mais populoso que o 
Norte, situação esta que se inverteu em 1991. A explicação para o fato é 
principalmente de natureza político-administrativa: em 1988 foi criado o 
30 :: GeooGrafia :: módulo 2
estado do Tocantins, desmembrado de Goiás, um estado do Centro-Oeste. 
O novo estado foi então incorporado à Região Norte que, com isso, passou 
a ter cerca de 900 mil pessoas a mais em seu efetivo populacional.
Uma evolução peculiar: o caso da Região Norte
A Região Norte que possuía cerca de 2,5 milhões de pessoas em 
1960, teve seu efetivo aumentado cerca de 5 vezes, passando para quase 
13 milhões em 2000. O ritmo de crescimento da população regional 
passou por dois momentos distintos. Entre as décadas de 1950 `e 1970, 
o ritmo foi crescente; nas décadas posteriores, esse ritmo diminuiu. Mesmo 
assim, desde os anos 70, a região tem sido aquela que apresenta os 
maiores ritmos de crescimento dentre todas as unidades regionais do país.
O aumento do efetivo demográfico da maior e menos populosa região do 
Brasil é explicado por um conjunto de fatores onde se ressaltam as migrações 
internas. A criação da Zona Franca de Manaus, a implantação de projetos 
agrominerais, pecuários e florestais, a construção de rodovias de integração e 
a descoberta de ouro, atraíram expressivos contingentes de pessoas de outras 
regiões, a maioria delas proveniente do Nordeste, Sul e Sudeste.
De maneira geral, os migrantes nordestinos dirigiram-se especialmente 
para o Tocantins, as porções meridionais do Pará, o Amapá e Roraima. 
Muitos vieram atraídos pela descoberta de veios e garimpos de ouro. 
Outros, em busca de terras, estabeleceram-se como posseiros em terras 
devolutas ou de latifúndios improdutivos. Alguns, ainda, se empregaram 
em projetos minerais, florestais ou participaram da construção de estradas 
e usinas hidrelétricas.
Já os fluxos migratórios originários do Sul e do Sudeste foram 
atraídos pelos processos particulares de colonização. Implantados por 
empresas privadas, estes projetos ofereciam terras a preços baixos, 
especialmente em Rondônia. Assim, paranaenses, gaúchos, mineiros, 
dentre outros, estabeleceram-se como pequenos proprietários e, não 
só foram responsáveis pelo surgimento de novas áreas de agricultura 
comercial modernizada, como também pelo aparecimento e crescimento 
explosivo de novas cidades.
Todavia, o fluxo de imigrantes para a Região Norte na década de 
1990, embora ainda expressivo, diminuiu sensivelmente. A migração 
originária do Sul e do Sudeste praticamente estancou. Rondônia, o 
maior polo de recepção de migrantes na década de 70, foi substituído 
por Roraima na década seguinte. Este último estado, por sua vez, foi 
substituído pelo Amapá como o maior centro receptivo de migrantes na 
ultima década do século XX.
Por fim, um outro aspecto que vale destacar é o grande desequilíbriodemográfico existente entre os estados que compõem o Norte do país. 
Assim, o Pará concentra atualmente quase metade (47,9%) da população 
regional, seguido do Amazonas (21,7%). Portanto, apenas essas duas 
unidades federativas, das sete que compõem a região, concentram 
praticamente 70% de todo o efetivo da população regional.
Você se lembra!
Teorias 
Demográficas Período Ideia central Solução
Malthusiana Século XVIII *Afirma que a 
população cresce 
em progressão 
geométrica e os 
alimentos, em 
aritmética. Com 
isso, a produção 
de alimentos não 
seria suficiente 
para alimentar as 
pessoas. 
*Casamentos 
tardios, controle 
da natalidade 
compulsória, 
*Aumento das 
horas de trabalho da 
população.
Neomalthusiana Meados do 
Século XX
* Associava o 
subdesenvolvimento 
dos países ao 
crescimento 
populacional, 
uma vez que o 
governo teria 
gastos excessivos 
em educação e 
saúde reduzindo os 
investimentos nos 
setores produtivos.
* Difusão do 
ecomalthusinismo 
 *Planejamento 
familiar, controle da 
natalidade.
Reformista
Últimas 
décadas do 
século XX
*O crescimento 
populacional é fruto 
das desigualdades 
sociais.
*Investimento nos 
setores sociais, com 
isso o planejamento 
familiar seria uma 
opção das famílias.
Capítulo 2 :: 31
3
Regiões brasileiras
:: Objetivos ::
• Apresentar as formas de regionalização do Brasil.
• Caracterizar aspectos ambientais e socioeconômicos dos complexos regionais.
país, elaborar propostas de planejamento adequadas a cada região. Além disso, 
os estudos para estabelecer uma divisão regional do Brasil criavam a necessidade 
de aprofundar o conhecimento sobre o território nacional (seus recursos naturais, 
aspectos da população, atividades industriais etc.).
Dentro desse contexto, foram criados dois órgãos federais: o Conselho 
Nacional de Estatística, criado em 1936, e o Conselho Nacional de Geografia, 
criado em 1937. Em 1938, tais órgãos foram unificados, constituindo o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IBGE estabeleceu, a partir de 1942, 
uma divisão regional do Brasil oficial, a ser adotada em todos os ministérios. As 
características físicas do território brasileiro continuavam como o principal critério 
de definição das macrorregiões, entretanto, o limite destas seguia a divisão 
política dos estados e municípios. Deste modo, atendia-se a uma necessidade 
prática de divulgação de dados estatísticos.
A divisão regional do IBGE passou por reavaliações, estabelecendo, em 1970, 
cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Embora esta 
divisão seja fixa, houve algumas adaptações no decorrer do tempo, pois novos 
estados foram criados. O exemplo mais recente é o do Estado de Tocantins, 
criado em 1988, a partir da divisão do Estado de Goiás. Oficialmente, o Tocantins 
pertence à região Norte, entretanto, quando esta área ainda fazia parte de Goiás, 
era integrada à região Centro-Oeste. Acompanhe esta mudança pela figura 3.1.
Por que o novo Estado de Tocantins foi considerado integrante da região 
Norte e não da região Centro-Oeste?
Será que a divisão regional do IBGE é realmente ideal?
Responder tais questões não é uma tarefa fácil, pois vários critérios podem 
ser empregados para delimitar uma região. No caso do IBGE, os critérios estão 
associados a aspectos naturais e a algumas características socioeconômicas. Além 
disso, este órgão dá ênfase ao limite político-administrativo, ou seja, um estado 
não pode pertencer a mais de uma região. Para o IBGE, o Estado de Tocantins 
apresenta mais semelhanças (vegetação, clima e atividades econômicas) com o 
Norte do que com o Centro-Oeste.
A obediência ao limite político dos estados é um dos elementos mais criticados 
nesta divisão regional do IBGE. Contudo, os diversos aspectos sociais, econômicos 
e naturais encontrados no Brasil não coincidem com os limites estaduais. Vamos 
ver alguns exemplos (acompanhe com o mapa B da figura 3.1):
•	 A área com clima semiárido, onde a população sofre com problemas de 
seca prolongada e latifúndios impedindo o acesso do pequeno agricultor à terra, 
se estende desde o interior dos Estados do Nordeste até o setor norte de Minas 
Gerais (região Sudeste).
•	 As atividades agropecuárias realizadas em boa parte do Mato Grosso do 
Sul (região Centro-Oeste) estão mais ligadas ao Estado de São Paulo (região 
Sudeste), do que aos demais estados do Centro-Oeste. A mesma coisa acontece 
com o norte do Paraná (região Sul), onde há também grande semelhança quanto 
ao tipo de solo e de clima com o Estado de São Paulo.
•	 A vegetação densa e o clima quente e úmido que caracterizam a Amazônia 
não estão restritos aos estados da região Norte. Uma parte do Estado do Mato 
Grosso (região Centro-Oeste) e do Maranhão (região Nordeste) também possuem 
estas características ambientais.
34 :: GeoGrafia :: módulo 2
O Brasil é um país de grandes dimensões. O nosso território possui cerca de 
8,5 milhões de km2, onde podemos perceber uma grande diversidade ambiental 
(grande variedade de tipos climáticos, de vegetação e de formas de relevo). 
Somando-se a essa diversidade de paisagens naturais, há enormes diferenças 
quanto às características sociais e econômicas.
Atividade 1
Você é capaz de identificar a que regiões brasileiras pertencem as fotos abaixo?
Foto A (Foto de Silvio Bahiana) Foto B (Foto de Rosana dos Santos)
Foto D (Foto de Carla Maciel Salgado)Foto C (Foto do acervo do NEQUAT/UFRJ)
Marque com um X o nome das regiões brasileiras relacionadas a cada foto.
Fotos
Regiões Brasileiras
Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul
A
B
C
D
Com tantos lugares apresentando aspectos naturais e socioeconômicos 
diferentes, surgiu a necessidade de estabelecer uma divisão regional do Brasil. Este 
procedimento de delimitar regiões é usado para planejar ações e investimentos 
necessários ao desenvolvimento de uma área.
Neste capítulo, vamos conhecer alguns métodos de regionalização do Brasil 
e as características principais das macrorregiões brasileiras.
Regionalização do Brasil
As primeiras propostas de divisão regional do Brasil datam do início do século 
XX, tomando como base apenas os elementos do meio físico. No entanto, as 
profundas transformações na organização do espaço brasileiro, principalmente a 
partir da década de 1930 (Governo Vargas impulsionando a industrialização), 
estimularam novas discussões sobre os critérios de regionalização. Vários interesses 
estavam por trás destas discussões: aumentar o poder do governo federal sobre 
as demais esferas políticas (estados e municípios), facilitar a administração do 
diferentes áreas deste complexo regional. Por exemplo: bancos com sede em São 
Paulo investem pesadamente no agronegócio em estados do Sul e Centro-Oeste; 
agricultores e pecuaristas do Sul e do Sudeste compraram terras no Centro-Oeste; 
uma parte da soja produzida em Mato Grosso e Goiás é exportada pelo porto de 
Santos (SP).
Complexo do Nordeste – Área de colonização mais antiga do país, que 
começou a apresentar estagnação econômica, principalmente em meados do 
século XX, devido à falta de investimentos em novas tecnologias de cultivo, 
problemas de concentração fundiária, grande desemprego etc. Desde o século 
XIX, vinha se caracterizando como uma área de repulsão populacional, que 
migrou especialmente para estados do Sudeste e do Norte. Este complexo regional 
engloba o polígono da seca – área frequentemente atingida por estiagens, que 
podem durar mais de dois anos seguidos. 
Complexo do Norte – As primeiras características que vêm à mente sobre 
esta região são o clima quente e bem úmido e a vegetação densa (Floresta 
Amazônica conhecida pela grande biodiversidade). No entanto, esta região 
diferencia-se das demais devido à fraca densidade demográfica, exceto nas 
grandes capitais (Manaus e Belém, principalmente), onde há desenvolvimento 
de atividades industriais e comerciais. Sua economia caracteriza-se por atividades 
primárias: extrativismo vegetal e mineral, agriculturae pecuária extensivas. Com 
exceção de algumas modalidades de mineração, tais atividades são praticadas 
com baixo nível tecnológico.
Esses grandes complexos regionais podem, ainda, ser divididos em regiões 
menores, considerando uma análise histórica de alguns aspectos: tipos de 
aproveitamento dos recursos naturais, objetivos da produção (para exportação ou 
para consumo interno, por exemplo), estrutura social, entre outros. 
Atividade 2
Compare a divisão regional do Brasil proposta por Pedro Geiger (figura 3.2) 
com a do IBGE (figura 3.1) e responda às questões a seguir. 
OCEANO
ATLÂNTICO
0 500 km
CENTRO-SUL
NORDESTE
AMAZÔNIA
Trópico de Capricórnio
Equador
Figura 3.2: Divisão regional do Brasil proposta por Pedro Geiger.
Figura 3.1: Macrorregiões brasileiras definidas pelo IBGE, antes (mapa A) e depois (mapa B) da 
formação do Estado de Tocantins.
Outros pesquisadores propuseram divisões regionais diferentes daquela 
oficializada pelo IBGE. A mais conhecida foi elaborada por Pedro Geiger, em 1964. 
Nesta, o Brasil é dividido em três Complexos Regionais: Centro-Sul, Nordeste e 
Norte (Amazônia) (figura 3.2). Enquanto a divisão do IBGE leva em consideração 
os limites políticos dos estados, a proposta de Pedro Geiger desconsidera tais 
fronteiras, privilegiando a evolução de estruturas econômicas e sociais do Brasil 
ao longo do tempo. Assim, os Complexos Regionais são grandes regiões que 
abrangem áreas com diferenças na atividade produtiva e nas características 
sociais, mas que funcionam de forma integrada. 
Para entender melhor os motivos que levaram Geiger a elaborar esta 
proposta, vamos ver as características de cada uma.
Complexo do Centro-Sul – Reflete a integração econômica do Sudeste 
industrializado (especialmente São Paulo) com a atividade agropecuária e 
industrial do Sul e com a agricultura modernizada de algumas áreas do Centro-
Oeste. Há um intenso fluxo financeiro, de pessoas e de mercadorias entre as 
Capítulo 3 :: 35
pelos extensos engarrafamentos que lançam gases na atmosfera. Nos meses de 
inverno, quando há sequências de dias com pouco ou nenhum vento para dispersar 
a poluição, a qualidade do ar fica péssima, prejudicando a saúde dos paulistanos. 
Os gases na atmosfera também podem formar chuva ácida, que corrói estruturas 
de construções diversas (casas, prédios, pontes etc.).
Impacto ambiental é consequência da ação ou atividade 
natural ou antrópica, que produz alterações bruscas em todo 
o meio ambiente ou em parte de alguns de seus componentes. 
Como exemplo de atividades modificadoras do ambiente 
podemos citar, dentre outras: a construção de rodovias e 
ferrovias; os portos e terminais de minério, de petróleo ou 
de produtos químicos; os emissários e esgotos sanitários; 
as obras hidráulicas como barragens, hidrelétricas, diques 
e transposição de rios; as usinas de geração de energia; as 
extrações de combustível fóssil, de minérios e de madeira; os 
aterros sanitários; os complexos industriais etc. 
Veremos a seguir as características mais específicas para cada complexo regional.
Centro-Sul
Esta é a região com a economia mais dinâmica do país, pois há uma grande 
diversidade, qualidade e volume de produção industrial, agrícola e de serviços, 
estabelecidos sobre uma enorme rede de infraestrutura – rodovias, ferrovias, 
telecomunicações etc. Neste contexto, o Centro-Sul concentra centros de pesquisa 
de alta tecnologia, grandes bancos nacionais e internacionais, agricultura e 
indústrias bem desenvolvidas e um setor de comércio extremamente ativo, entre 
outros elementos.
A importância econômica desta região pode ser visualizada por meio do 
intenso fluxo de exportação e importação, que ocorre pelos seus portos. O porto 
de Santos (Estado de São Paulo) é o principal deles, movimentando vários tipos 
de produtos: exportação de soja, café, suco de laranja, manufaturados etc., e 
importação de trigo e produtos industrializados, dentre outros. A sua hinterlândia 
(área de influência) abrange Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além do 
próprio Estado de São Paulo. Assim, os produtos para exportação gerados nesses 
estados saem do país pelo porto de Santos. Portanto, os meios de transporte 
(rodovias e ferrovias) estão voltados para integrar esses estados.
Outros portos importantes no Centro-Sul são: Rio de Janeiro (RJ), Paranaguá 
(PR), Vitória (ES) e Rio Grande (RS). Além dos fluxos de importação e exportação, 
estes e outros portos menores são usados na navegação de cabotagem, isto é, 
transporte marítimo interligando os portos nacionais.
O grau de urbanização do Centro-Sul é bem superior ao das demais regiões. 
Reúne cerca de 56,6% do total dos municípios brasileiros e concentra mais de 
62% da população do país. As cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo polarizam 
(influenciam de forma econômica, social e cultural) uma grande área, constituindo-
se em metrópoles nacionais. O fluxo intenso de pessoas, mercadorias e negócios 
estimulam o crescimento de várias cidades entre as duas metrópoles nacionais, 
a) Aponte as principais diferenças entre elas.
b) Na tabela a seguir, escreva os estados (e parte destes) que compõem os 
Complexos Regionais.
Complexos 
regionais
Estados e áreas que 
integram os complexos regionais
Centro-Sul
Nordeste
Norte
Quanto aos aspectos ambientais, cabe destacar que cada região brasileira 
apresenta características diferenciadas de acordo com os ecossistemas predominan-
tes e os impactos ambientais resultantes das atividades econômicas. Esses impactos 
ambientais podem ser diferenciados nas escalas local, regional e global tanto em 
ecossistemas naturais e agrícolas como nos sistemas urbanos, e podem ser encon-
trados nos complexos regionais brasileiros e seus respectivos ecossistemas. 
Ecossistemas são unidades funcionais autossuficientes, 
caracterizadas pelo intercâmbio de matéria e energia e 
pela interação das comunidades existentes entre si e com 
o ambiente físico; são considerados um sistema aberto, 
estável no tempo onde as entradas de energia e matéria 
são representadas pela energia solar, elementos minerais 
e atmosféricos e água e, as perdas ou saídas ocorrem sob 
forma de calor, oxigênio, gás carbônico, compostos húmicos, 
substâncias orgânicas arrastadas pelas águas etc; podem ser 
agrupados em terrestres e aquáticos.
É bom lembrar que as interferências humanas nos ecossistemas ocorrem 
há milhares de anos e, em geral, causam impactos sobre o meio ambiente. 
Gradativamente esses impactos vêm se intensificando não somente no Brasil, 
mas em todas as partes do mundo. São resultantes das atividades naturais e 
(ou) humanas, a exemplo da ação dos vulcões e terremotos ou desmatamentos 
e lançamento de efluentes. 
As áreas rurais brasileiras sofrem grandes impactos com as queimadas para 
limpeza de pasto e de áreas de cultivo. Além de o fogo prejudicar o solo, gera gases 
e fuligem que afetam a saúde da população que mora próximo. A combinação da 
falta de vento e grande quantidade de fumaça de queimadas em alguns estados 
do Centro-Oeste já provocou o fechamento de aeroportos da região durante horas 
ou dias. Deste modo, além de determinadas ações humanas provocarem impactos 
sobre o meio ambiente e sobre a saúde da população, podem também prejudicar 
outras atividades econômicas.
No caso de áreas urbanas um exemplo de atividade que causa grande 
impacto é a intensa circulação de veículos. A cidade de São Paulo é bem conhecida 
36 :: GeoGrafia :: módulo 2
principalmente ao longo do vale do rio Paraíba do Sul, levando à formação de 
uma megalópole.
Além do crescimento das cidades no eixo Rio-São Paulo, há o desenvolvimento 
urbano em diversos outros pontos desta região. Em Goiás e Mato Grosso do 
Sul, por exemplo, as cidades estão florescendo por meio do estabelecimento 
dos complexos agroindustriais. Estes atraem empresas dos setores de serviços 
(bancos, hospitais, escolas etc.) e de comércio, que se concentram em pequenas 
cidades, estimulando o seu desenvolvimento.
Contrastandocom o elevado número de cidades médias e grandes, há extensas 
áreas ocupadas pelas atividades agrícolas e pecuárias, praticadas em moldes 
tradicionais ou adotando modernas tecnologias de produção. Este fato confere uma 
grande diversidade de formas de ocupação do espaço na região Centro-Sul.
O Estado de São Paulo se destaca, nesta região brasileira, devido à sua mo-
derna estrutura produtiva. Tanto o setor agrícola quanto o industrial apresentam 
alto nível tecnológico. A cidade de São Paulo concentra empresas de diversos seto-
res, promovendo fluxos nacionais e internacionais de capital, de mercadorias e de 
pessoas. Para isso, esta cidade possui uma boa rede de comunicação, aeroportos 
bem equipados e um sistema viário conectado ao resto do país.
Até aqui, você pode pensar que o Centro-Sul é um “mar de prosperidade 
e de modernidade”. No entanto, o dinamismo econômico da região não atinge 
a toda população ou a todos os municípios. Há algumas áreas com problemas 
de estagnação econômica gerando desemprego, de concentração fundiária 
dificultando o acesso do pequeno agricultor à terra, de desigualdade social 
devido à concentração de renda, aumento da criminalidade e do setor informal 
da economia etc. As modernas formas de produção atuais contrastam com antigas 
relações de trabalho, inclusive trabalho escravo, como já foi detectado em São 
Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro nos últimos anos.
Quanto aos aspectos ambientais na região Centro-Sul, os efeitos da 
industrialização como a poluição do ar e da água nos espaços urbanos e rurais 
são de abrangência local e regional. Os municípios mais urbanizados apresentam 
índices de poluição e de degradação ambiental mais elevados associados às 
indústrias que os municípios menos urbanizados. Esses últimos apresentam 
elevados índices de poluição associados às práticas de monocultura, silvicultura 
e ao agronegócio (queimada, uso excessivo de agrotóxicos, desmatamento de 
nascentes de rios etc.).
Cubatão, Paulínia, Itabira, João Monlevade, Resende, Mariana, Pindamo-
nhangaba, Barroso são exemplos de cidades nas quais a industrialização predo-
minante baseia-se em atividades poluidoras como a metalurgia, a química e o 
processamento e extração de minerais. As aglomerações urbanas de escala metro-
politana são também exemplos, destacando-se as regiões metropolitanas de São 
Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e as aglomerações de Campinas, Santos, 
São José dos Campos, Vitória, Sorocaba, Jundiaí, Guaratinguetá/Aparecida, Barra 
Mansa/Volta Redonda, Ipatinga/Coronel Fabriciano, dentre outros. O exemplo 
clássico de poluição por fontes industriais em área urbana é o de Cubatão, muni-
cípio pertencente à aglomeração urbana de Santos e sede do complexo industrial 
petroquímico e siderúrgico, que se vincula à grande estrutura portuária de Santos. 
Neste sentido, o resgate histórico mostra a instalação da primeira indústria na 
década de 1950, seguida de refinarias e companhias siderúrgicas, onde as con-
dições geomorfológicas da baixada santista (estreitas áreas de mangue e aterros 
artificiais encaixados entre o litoral e as escarpas da Serra do Mar) não eram 
propícias à instalação de atividades como essas. 
É importante considerar que existem níveis diferenciados de comprometimento 
ambiental, devido principalmente à ocorrência das diversas combinações de fatores 
que envolvem as atividades industriais, os diferentes tamanhos das fábricas, as 
tecnologias de transformação utilizadas e os aspectos de infraestrutura das áreas 
do entorno. Desse modo, resultam em ações poluidoras desiguais fazendo com 
que umas aglomerações sofram mais do que outras. 
Atividade 3
Pesquise em jornais e revistas acontecimentos que ilustrem o contraste entre 
o “Centro-Sul moderno e próspero” e o “Centro-Sul antiquado e decadente”. Anote 
aqui sua análise.
Nordeste
O Nordeste apresenta questões sociais marcantes: grande concentração de 
renda por parte de uma pequena elite ao lado de um baixo nível de vida da maior 
parte da sua população. Esta profunda desigualdade social e a falta de perspectiva 
de trabalho leva uma parte da população nordestina a procurar empregos em outras 
regiões. Assim, o Nordeste pode ser considerado um reservatório de mão de obra 
barata. Devido ao baixo nível de escolaridade, muitos nordestinos trabalham como 
porteiros de prédios, na construção civil, como empregados domésticos ou como 
camelôs, quando migram para as cidades, especialmente as do Centro-Sul. As opções 
de trabalho no Norte geralmente são como garimpeiro, empregados de fazendas (de 
cultivo ou de criação de gado), extrativistas ou eles se fixam como posseiros.
Os problemas sociais verificados atualmente tiveram sua origem relacionada 
à grande exploração da mão de obra por parte de uma pequena elite, desde 
o período colonial. A estrutura de sesmarias perpetuou-se com os latifúndios, 
ocupando as melhores terras. Até o final do século XIX, a economia desta região 
era próspera, com a produção e a exportação de produtos tropicais. Contudo, esta 
riqueza não revertia-se em benefícios para toda a população.
A partir do século XX, a economia do Nordeste entrou em declínio devido 
à falta de investimentos e modernização das atividades. A concorrência com os 
produtos gerados nos estados do Sudeste, especialmente São Paulo, provocou 
falências e prejuízos em vários setores econômicos nordestinos.
Com a estagnação econômica, as oligarquias (elite controladora de atividades 
econômicas e políticas) se beneficiam de políticas de planejamento do governo 
federal. O problema das secas é usado como justificativa para receber vários 
tipos de auxílios: construção de açudes e de estradas dentro dos seus latifúndios, 
facilidade de acesso a créditos e financiamentos bancários etc. Assim, foi criada 
a “indústria da seca”. A força política dos “coronéis” nordestinos levou à criação 
oficial do “Polígono das Secas” em 1936, cuja área foi alterada posteriormente 
para abranger outros municípios (figura 3.3).
Capítulo 3 :: 37
cultivo de algodão, café e sisal. As cidades de Campina Grande (PB), Caruaru (PE) 
e Garanhuns (PE) se destacam como capitais regionais, devido ao comércio de 
produtos do interior vendidos para o litoral.
4. Zona da Mata – Correspondendo ao litoral leste, apresenta clima tropical 
úmido. As atividades econômicas tradicionais desta área são a cana-de-açúcar (do 
Rio Grande do Norte até o norte da Bahia), o fumo (no Recôncavo Baiano) e o 
cacau (no sul da Bahia). A exploração mineral, de sal marinho e de petróleo, 
constitui-se em atividades lucrativas.
Figura 3.4: Subdivisão da região Nordeste.
Amazônia
Quando falamos em Amazônia, geralmente a primeira coisa que lembramos 
é da floresta densa e com grande biodiversidade. No entanto, a Amazônia envolve 
vários outros aspectos importantes, especialmente do ponto de vista social e 
econômico.
Apesar dos estímulos do governo à sua ocupação, esta região ainda é 
relativamente despovoada. Desde o século XVII esta região tem sido usada para 
a produção de drogas do sertão e da borracha. No século XX, outras atividades 
econômicas foram estimuladas para promover a sua ocupação como projetos de 
mineração (exploração de minério de ferro em Carajás, por exemplo), criação da 
Zona Franca de Manaus e atividades agropecuárias (principalmente em Rondônia). 
Contudo, muitas dessas iniciativas trouxeram vários tipos de problemas à região, 
relacionados ao conflito de interesses entre os diversos agentes envolvidos.
Os chamados povos da floresta (indígenas e extrativistas) têm interesse 
na preservação desta, pois tiram seu sustento da biodiversidade presente. Do 
lado oposto, há atividades que destroem e degradam o ambiente: o garimpo, 
empregando técnicas de mineração altamente degradantes; a agropecuária, onde 
os fazendeiros querem formar grandes latifúndios; as madeireiras que, para extrair 
as madeiras mais valorizadas (figura 3.5), destroem centenas de outras sem 
valor comercial. Além disso, há o embate entregarimpeiros e grandes empresas 
de mineração (figura 3.6), entre posseiros ou pequenos agricultores e os 
latifundiários, geralmente levando a mortes violentas.
Figura 3.3: Área do Polígono das Secas na região Nordeste.
Ao lado das estruturas tradicionais e decadentes, há novos negócios que estão 
trazendo uma pequena prosperidade para esta região. Ao longo do vale do Rio São 
Francisco, projetos de irrigação possibilitaram o cultivo de frutas, cuja produção é 
vendida nos mercados nacional e internacional. Além da fruticultura, o plantio de 
soja está avançando da região Centro-Oeste para o interior da Bahia. Incentivos 
fiscais também estão sendo adotados para atrair alguns tipos de indústrias (têxteis 
e de calçados) para cidades do interior.
Internamente, a região Nordeste pode ser subdividida em quatro áreas, 
diferenciadas pelos aspectos naturais (clima, vegetação, relevo, tipo de solo) e 
pelas características socioeconômicas. Acompanhe pela figura 3.4 a localização 
das diferentes áreas.
1. Meio-Norte – Área de transição entre as características ambientais (clima, 
vegetação) da Amazônia e do Nordeste, abrangendo aproximadamente metade 
do Estado do Maranhão. Na divisão regional de Pedro Geiger, essa área está 
inserida no Complexo Regional da Amazônia. A atividade de extrativismo vegetal 
nesta área é tradicional, aproveitando-se a Mata dos Cocais (carnaúba e babaçu) 
para a produção de óleos, fibras etc. Outra atividade comum é o cultivo de 
algodão, da cana-de-açúcar e do arroz, geralmente com técnicas rudimentares. 
Há uma estagnação econômica que está sendo superada com a implantação de 
estradas de ferro para escoar a produção de minérios do Estado do Pará (região 
Norte) até o porto de Itaqui, no Maranhão.
2. Sertão – Área onde há predomínio do clima semiárido, caracterizado 
pela pequena pluviosidade e pela irregularidade da chuva. Em alguns trechos do 
Sertão, a estiagem pode durar anos. A vegetação típica desta área é a caatinga, 
com presença de cactos (mandacaru, xiquexique), arbustos e alguns tipos de 
árvores (umbuzeiro, juazeiro). A atividade predominante é a pecuária. O rio São 
Francisco atravessa a maior parte desta área, garantindo água o ano todo para as 
propriedades ribeirinhas.
3. Agreste – Faixa de transição entre o Sertão semiárido e a Zona da Mata 
tropical úmida. Há o predomínio de pequenas e médias propriedades, com cultivos 
diversificados para abastecer as cidades litorâneas (Zona da Mata), além do 
38 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 3.5: Toras de madeira extraídas no Sul do Pará. Foto: Isabela de Oliveira Carmo
Figura 3.6: Carvoeiros, onde fornos de barro são usados na queima de lenha para produção de carvão 
vegetal. Este alimenta os altos-fornos de beneficiamento de minérios. Foto: Isabela de Oliveira Carmo
Portanto, a região da Amazônia, definida pela bacia hidrográfica do rio Ama-
zonas e coberta por floresta tropical (ecossistema dominante), vem sendo alvo de 
ação predatória, com apropriação indevida de terras públicas devolutas, com ação 
de madeireiros, fazendeiros, garimpeiros, mineradoras e grupos de práticas ilícitas.
Destaca-se a entrada de drogas e armas ilegais, facilitada pela grande 
extensão da fronteira e pela densidade da floresta. Além disso, vigiar todo o 
espaço amazônico, para garantir seu uso adequado, é uma tarefa extremamente 
difícil e complexa. Tais problemas vêm sendo usados como argumento de alguns 
países e organismos internacionais para a internacionalização desta região, ou 
seja, o Brasil perderia a soberania sobre a Amazônia. É claro que a preocupação 
internacional não é com a preservação da floresta e de seus povos, mas sim com 
todos os recursos naturais que esta região contém – ouro, petróleo, gás natural, 
ferro, cobre, espécies vegetais para fabricação de remédios etc. O Polo Siderúrgico 
de Carajás, o sistema de rodovias e ferrovias, o desflorestamento e a expansão da 
agricultura são atividades que levam à degradação ambiental na região.
Como forma de ocupar e vigiar a região, o governo federal criou dois projetos: 
o Calha Norte e o SIVAM. O primeiro, instalado na fronteira norte (com a Colômbia, 
Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa), consiste em bases militares que 
auxiliam na construção de infraestrutura (escolas, postos de saúde, estradas etc.). 
O segundo compreende uma rede de instrumentos (radares, satélites, aviões etc.) 
para monitorar todas as atividades desenvolvidas na região, havendo controle, 
inclusive, do espaço aéreo. 
Diante de todas essas formas de ocupação e de uso, surgem várias questões: 
•	 Vale a pena construir rodovias (Transamazônica, Perimetral Norte, entre 
outras), enquanto há hidrovias naturais que são subutilizadas?
•	 Como resolver os intensos conflitos de terras, que envolvem interesses de 
especulação imobiliária e de produção de alimentos de subsistência?
•	 Como explorar os vários recursos minerais sem degradar o solo e a água 
ou destruir a floresta?
•	 Como controlar a entrada de pesquisadores estrangeiros que realizam a 
biopirataria (roubo de espécies vegetais e animais que podem conter substâncias 
para elaboração de medicamentos etc.)?
•	 De que adianta detectar queimadas por meio de satélites, se não há 
fiscalização suficiente para combatê-las?
•	 Como evitar o envolvimento de indígenas com madeireiros e garim-
peiros, que usam as reservas indígenas para não serem incomodados pela 
fiscalização?
•	 Será que as atividades agropecuárias, que destroem grandes extensões de 
floresta e empregam pouca mão de obra, são realmente adequadas a esta região?
Essas e outras questões são difíceis de responder, mas têm de ser 
apresentadas à sociedade brasileira, para que as possíveis soluções beneficiem 
o Brasil como um todo.
Exemplos de conflitos na Amazônia
A diferença de interesses nas formas de uso e ocupação na Amazônia leva 
à deflagração de diversos tipos de conflito. Atualmente, um dos que chama mais 
atenção é o caso da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima. 
O processo de demarcação desta reserva começou na década de 1970. No 
entanto, somente em 1998, o Ministério da Justiça publicou a Portaria nº 820, 
de 11/12, declarando como de posse permanente indígena a Terra Indígena 
Raposa Serra do Sol. A partir de então, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e 
o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) teriam iniciado o 
levantamento das benfeitorias realizadas pelos ocupantes não índios da região, 
para posterior indenização e reassentamento em outras localidades.
A demarcação da reserva indígena começou a ser contestada na justiça, 
principalmente por fazendeiros, sendo sua homologação também adiada por 
anos. Somente em 2005, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou 
decreto que homologa de forma contínua a terra indígena Raposa Serra do Sol. 
O reconhecimento desta terra foi uma reivindicação histórica dos índios da região, 
pertencentes às etnias macuxi, wapixana, ingarikó, taurepang e patamona. Ainda 
há vários recursos na justiça contra a demarcação da reserva, principalmente por 
esta se estender por uma área contínua e muito grande dentro do Estado de 
Roraima. Os conflitos continuaram ao longo de 2007 e 2008, pois há muitos 
fazendeiros que cultivam arroz se recusando a sair da região.
Este conflito conta ainda com uma característica importante; pois a área 
se encontra localizada próxima à fronteira do Brasil com a Venezuela. Um 
Capítulo 3 :: 39
dos argumentos de defesa dos fazendeiros (arrozeiros/rizicultores) é que 
eles garantiriam, de uma forma mais eficaz do que os índios, a soberania 
e a segurança nacional. Outros, contudo, afirmam que essa hipótese não é 
verídica, pois apenas a ação efetiva do Estado pode garantir a soberania e 
não a iniciativa privada. 
O Pará é um dos estados da região Norte que mais apresentam problemas 
de conflitos. No setor sul deste estado a situação é mais crítica, pois há fazendas 
que estão há anos para ser desapropriadas devido à práticade trabalho escravo, 
crimes ambientais e grilagem de terras da União, mas em virtude da demora dos 
processos e recursos na justiça, não podem ser ocupadas por trabalhadores sem 
terra. Deste modo, estabelece-se o conflito entre os ocupantes (famílias sem terra) 
e os jagunços comandados por fazendeiros, gerando vários casos de assassinatos 
de trabalhadores, lideranças, além de religiosos e pessoas simpatizantes ao 
movimento de trabalhadores rurais sem terra.
O Estado do Pará também apresenta sérios problemas com desmatamento 
e trabalho escravo. Neste último caso, o aliciamento (recrutamento dos 
trabalhadores) ocorre, normalmente, nos bolsões de pobreza da área rural e 
urbana. Estas são áreas muito pouco atendidas pelo Estado na promoção de 
empregos, de qualificação profissional e de geração de renda.
Exercícios de Fixação
1) O complexo regional Centro-Sul é marcado por profundas diversidades. 
Caracterize tais diversidades considerando os seguintes aspectos e dando 
exemplos:
a) urbanização
b) atividade agrícola
c) atividade de comércio e serviços
d) atividade industrial
2) Estabeleça uma hierarquia entre as três regiões brasileiras apresentadas, 
considerando a diversidade socioeconômica que caracteriza cada uma.
Hierarquia Região Características gerais
Diversidade elevada
Diversidade moderada
Diversidade pequena
3) Observe os dados apresentados na tabela.
Regiões Área em relação ao Brasil (%)
Grau de urbanização 
(%)
1 10,9 90,52
2 18,7 86,73
3 18,2 69,04
4 6,8 80,93
Fonte: IBGE, 2000
Os números 1, 2, 3 e 4 representam, respectivamente, as seguintes regiões 
brasileiras: 
(A) Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.
(B) Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
(C) Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Sul.
(D) Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Sul.
(E) Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e Sul.
Exercícios de vestibular
1) (CEDERJ / 2002) O Censo-2000 do IBGE revela as seguintes informações 
acerca dos estados da federação que apresentam as mais baixas taxas de 
alfabetização e de renda média do responsável pelo domicílio: 
Menos alfabetizados
Taxa de alfabetização
Mais pobres
Renda média do responsável 
pelo domicílio
Alagoas 68,2% Maranhão R$ 343,00
Piauí 71,5% Piauí R$ 383,00
Paraíba 72,4% Paraíba R$ 423,00
Maranhão 73,4% Ceará R$ 448,00
Ceará 75,3% Alagoas R$ 454,00
A respeito da situação social dos estados nordestinos em destaque, afirma-se: 
(I) A preservação dos latifúndios nas áreas rurais reduziu, historicamente, 
as oportunidades sociais da maioria da população nordestina. Por outro lado, o 
crescente desemprego nas cidades e a insuficiência de políticas públicas educacionais 
especialmente voltadas para os adultos geram o quadro de pobreza regional. 
(II) A explosão demográfica nas áreas urbanas, decorrente das elevadas 
taxas de natalidade, implica demandas excessivas em termos de emprego e 
educação. Os governos estaduais em situação deficitária, na sua grande maioria, 
não conseguem atender tais demandas, daí os péssimos indicadores sociais. 
(III) Os sucessivos períodos de seca, que assolam a Região Nordeste, 
fragilizam economicamente a maioria da população camponesa e são a causa da 
queda de sua renda monetária e de seu baixo nível cultural. 
Com relação a estas afirmativas, conclui-se: 
40 :: GeoGrafia :: módulo 2
4) (UENF / 2000) O projeto Calha Norte
Bolívia
AmazonasPeru
Colômbia
Venezuela Guiana
Suriname Guiana
Francesa
Amapá
Roraima
Pará
Rio Trombetas
Rio Solimões
Rio 
Ama
zon
as
Oceano Atlântico
Exército
Aeronáutica
Urânio
Ouro
Cassiterita
Bauxita
Área indígena
Reservas 
indígenas
Calha Norte
MAGNOLI, De & ARAÚJO, R. A nova Geografia: estudos de Geografia do Brasil. 
São Paulo: Moderna, 1996.
Criado em 1985, o Projeto Calha Norte é uma comprovação de que a 
Amazônia não é mais uma “fronteira fria”, como se dizia há 40 ou 50 anos, 
quando as atenções estavam direcionadas à Região Sul, ou seja, ao Prata. A 
Amazônia é hoje uma “fronteira quente”, tendo em vista a ocorrência crescente 
de conflitos diversos e o surgimento de problemas como o tráfico de drogas, que 
põe em risco, até mesmo, a segurança do território brasileiro.
a) Cite dois atores sociais presentes nesses conflitos.
b) Explique a razão pela qual a questão das drogas na fronteira amazônica está 
relacionada à segurança do território brasileiro.
5) (UNIRIO / 2007) 
A Amazônia, longe de ser homogênea, é uma região extremamente 
complexa e diversificada. Há a Amazônia da várzea e a da terra firme. Há a 
Amazônia dos rios de água branca e a dos rios de águas pretas. Há a Amazônia 
dos terrenos movimentados e serranos, das planícies litorâneas, dos cerrados, dos 
manguezais e das florestas. Habitar esses espaços é um desafio à convivência 
com a diversidade.
Adaptado de Carlos Walter Porto Gonçalves. Amazônia, Amazônias. São Paulo: Contexto, 2001.
Esta natureza complexa e desafiadora vem passando por um processo de 
transformação como resultado de múltiplas ações.
Uma consequência dessas ações que, ainda, NÃO ocorreu na Amazônia é:
(A) a contaminação dos rios por rejeitos industriais e pelo mercúrio utilizado no 
garimpo do ouro.
(B) a inundação de terras de camponeses, ribeirinhos e de comunidades indígenas 
para a construção de hidrelétricas.
(C) o consumo da biomassa da floresta, seja como matéria-prima para fins 
industriais, seja como combustível.
(D) os desmatamentos por meio de queimadas para a implantação de grandes 
empresas pecuaristas e de produção de soja.
(A) Apenas a I é correta. 
(B) Apenas a I e a II são corretas. 
(C) Apenas a II é correta. 
(D) Apenas a II e a III são corretas. 
(E) Todas são corretas.
2) (UFRJ / 2006) Pantanal – “Santuário Ecológico” 
O Complexo do Pantanal é cortado por uma densa rede hidrográfica. Por sua 
rica biodiversidade foi declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO. Muitas das 
ameaças à integridade ecológica do Pantanal estão nas regiões que o cercam.
a) Apresente duas atividades praticadas nas regiões circunvizinhas que ameaçam 
o equilíbrio ecológico do Pantanal. 
b) Justifique. 
3) (PUC/2005) O texto abaixo se refere aos grandes conjuntos climatobotânicos. 
A vegetação é reflexo das condições naturais, principalmente do solo e 
do clima do lugar onde ocorre. O Brasil, por contar com grande diversidade 
climática, apresenta várias formações vegetais. Tem desde densas florestas 
latifoliadas tropicais, que ocupam mais da metade de seu território, até 
formações xerófitas, como a caatinga.
SENE, E. de e MOREIRA, J. C. Geografia Geral e do Brasil: Espaço Geográfico e Globalização. 
São Paulo: Scipione, 1998. p.484. 
Correlacione as colunas, associando a vegetação aos tipos climáticos. 
1 – Floresta Amazônica ( ) Clima Tropical Típico
2 – Floresta de Araucária ( ) Clima Equatorial Úmido
3 – Floresta Atlântica ( ) Clima Tropical Litorâneo Úmido
4 – Cerrado ( ) Clima Subtropical
5 – Caatinga ( ) Clima Tropical Semiárido
A sequência correta que representa a correlação acima está na opção:
(A) 4, 1, 2, 3 e 5. 
(B) 4, 1, 3, 2 e 5. 
(C) 4, 1, 5, 2 e 3. 
(D) 1, 2, 3, 4 e 5. 
(E) 2, 1, 3, 4 e 5.
Capítulo 3 :: 41
(E) o esgotamento das reservas minerais de ferro e bauxita extraídas do subsolo 
por grandes empresas mineradoras. 
6) (UFF / 2002 – adaptada) Sabe-se que ao longo do século XX os governos 
procuraram melhorar a qualidade dos serviços de saneamento em nosso extenso 
país. Entretanto, não se pode negar que as condições desses serviços ainda são 
precárias. As informações, a seguir, apresentam desigualdades regionais no tocante 
à distribuição dos serviços de saneamento básico e aos casos de mortalidade infantil.
Regiões
Porcentagem dos 
domicílios urbanos 
servidos por água 
tratada, esgoto e coleta 
de lixo.
Crianças de 0 a 4 anos 
que morrem por diarreia 
e infecções intestinais
Norte 14,2% 3.394
Nordeste 31,0% 17.310
Sudeste 85,1% 7.522
Sul 63,1% 2.561
Centro-Oeste 41,0% 1.829
Fonte: Fundação Nacional de Saúde. In Folha de São Paulo, 2000
Assinale a opção que explica umarelação entre as informações apresentadas e o 
quadro regional brasileiro.
(A) As políticas públicas de implantação de serviços de saneamento, que 
privilegiaram as grandes concentrações urbanas, explicam a distribuição desigual 
de casos de mortalidade infantil pelas regiões brasileiras.
(B) A concentração da população no espaço rural das Regiões Sul e Centro-Oeste 
explica seus poucos casos de mortalidade infantil, quando comparados aos 
observados nas outras regiões mais urbanizadas.
(C) Nas regiões mais desenvolvidas econômica, educacional e tecnologicamente é 
maior o percentual de domicílios atendidos pelos serviços de saneamento, o que 
explica os poucos casos de mortalidade infantil observados nessas regiões.
(D) A Região Nordeste apresenta o maior número de casos de mortalidade infantil, 
o que é explicado pela grande concentração demográfica nas suas áreas rurais, 
hoje desprovidas de serviços de saneamento.
(E) A distribuição do saneamento básico, os níveis de renda e a concentração 
demográfica são fatores que explicam as diferenças regionais nos casos de 
mortalidade infantil.
7) (UERJ / 2008) 
Duas grandes secas abalaram o Nordeste em 1952 e em 1958. Cenas 
conhecidas desde os tempos coloniais se repetiam: rios secos, gado morrendo, 
retirantes. Fugindo da seca, milhares de nordestinos migravam para o sul do país. 
Em 1953, por exemplo, segundo relatório do Ministério da Agricultura, 600.000 
pessoas deixaram o Nordeste, em busca de melhores condições de vida em São 
Paulo, Rio de Janeiro e norte do Paraná.
Adaptado de Nosso Século. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
O texto apresenta problemas sociais que afligiram o Brasil na década de 1950. 
Uma ação governamental e uma reação da sociedade civil associadas a esses 
problemas, naquele momento, foram:
(A) reforma agrária – êxodo rural
(B) criação da SUDENE – organização das Ligas Camponesas
(C) estímulo à emigração – fundação de cooperativas agrícolas
(D) ampliação do crédito para o pequeno produtor – invasão de terras devolutas
8) (UFF / 2002) No semiárido nordestino existem cerca de 70.000 açudes: 
“máquinas d’água” destinadas à irrigação de lavouras e ao abastecimento do 
homem e dos animais. Apesar de sua importância para a população local e regional, 
os açudes geram problemas ambientais. Dentre esses problemas, destaca-se:
(A) a redução do potencial aquífero dos açudes, em função do uso inapropriado 
por parte de pequenos e médios agricultores;
(B) a inundação de áreas agricultáveis na época das chuvas, em virtude da 
utilização esporádica dos grandes reservatórios aquíferos;
(C) a salinização dos corpos d’água e, consequentemente, das áreas irrigadas, 
devido à intensa evaporação e às características dos solos onde os açudes se 
localizam;
(D) a alteração climática provocada pela elevada evapotranspiração de pequenos 
e médios reservatórios localizados nas chapadas e tabuleiros;
(E) o desmatamento das áreas de várzea provocado pelas obras de drenagem de 
rios e pelo uso extensivo dos recursos hídricos.
9) (UFF / 2002) 
O Urucúia vem dos montes oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá 
– fazendões de fazendas, almagem de vargens de bom render, as vazantes; 
culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens 
dessas há lá. O geraes corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada 
um que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães (...). O 
Sertão está em toda parte.
ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 10a ed. Rio de Janeiro: J. Olympio,1976, p. 9
O trecho acima revela a visão particular de uma paisagem típica do Brasil – o 
sertão – que se caracteriza por apresentar:
(A) espaços interioranos ocupados por lavouras e pecuária extensiva;
(B) lugares constituídos de vales fluviais cercados por matas, galerias e lavouras 
de subsistência;
(C) áreas litorâneas de vegetação rasteira e exploração extrativa;
(D) regiões de vegetação herbácea de domínio da pecuária intensiva;
(E) territórios de baixa densidade demográfica cobertos por florestas densas.
10) (UFPR / 2005) 
A dinâmica da natureza e as diferentes combinações entre os elementos 
produziram certas diferenciações dentro do território brasileiro, configurando 
a existência de seis porções relativamente distintas, chamadas domínios 
morfoclimáticos ou domínios naturais.
COELHO, M. de A. Geografia do Brasil. São Paulo: Moderna, 1996. p. 107.
Em relação ao relevo e à cobertura vegetal dos diferentes domínios, considere 
as afirmativas a seguir.
I. No domínio do cerrado, a vegetação característica é de herbáceas, com 
predomínio das gramíneas.
II. A Floresta Ombrófila Mista, ou Floresta com Araucária, é típica das pradarias.
III. No domínio amazônico, o relevo caracteriza-se pela presença de planícies, 
depressões e baixos planaltos.
IV. Na faixa oriental do Brasil, marcadamente na região Sudeste, o relevo 
predominante é de planaltos e serras, constituindo paisagens conhecidas como 
“mares de morros”. 
Assinale a alternativa correta.
42 :: GeoGrafia :: módulo 2
(A) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras.
(B) Somente a afirmativa I é verdadeira.
(C) Somente a afirmativa II é verdadeira.
(D) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
(E) Todas as afirmativas são verdadeiras. 
11) (UFPR / 2005) Dentre as muitas visões estereotipadas sobre a diversidade 
regional brasileira, duas são bastante comuns: a de que o conjunto da Amazônia 
constitui um “vazio demográfico” e a que associa toda a região Nordeste ao clima 
seco. Com base nessa afirmação e nos conhecimentos de geografia brasileira, 
assinale a alternativa correta.
(A) A noção de “vazio demográfico” serviu para justificar políticas de “integração 
nacional” que objetivavam direcionar os imigrantes nordestinos para a Amazônia, 
as quais resultaram em fracasso.
(B) A ideia de que o problema da seca afeta o conjunto do Nordeste advém do fato 
de que a maior parte da população nordestina habita o sertão, que possui clima árido.
(C) A Sudene foi instituída no período militar com o objetivo de implementar obras 
contra a seca, o que generalizou a ideia de que a região é árida em seu conjunto.
(D) A noção de “vazio demográfico” é válida apenas para as áreas da Amazônia 
ocupadas por populações indígenas, devido ao caráter nômade desses povos.
(E) A Sudam, com obras de saneamento e combate a epidemias, visa promover 
a ocupação da Amazônia Legal, devido a ser essa a área específica que, por ser 
insalubre, apresenta-se “vazia”.
12) (UFPE / 2005) O Brasil é um país muito rico em biomas. Existem no 
território brasileiro pelo menos cinco tipos de florestas, reunidos em dois grupos: 
o das florestas ombrófilas e o das florestas estacionais. As florestas estacionais 
são aquelas que:
(A) se localizam em solos hidromórficos ou litólicos e não se prestam ao 
extrativismo vegetal.
(B) apresentam árvores que perdem parcialmente ou quase totalmente as folhas 
na estação seca.
(C) se localizam em áreas de elevada umidade, semestação seca.
(D) surgem apenas em áreas de clima subtropical.
(E) apresentam árvores as quais mantêm as folhas em todas as estações do ano.
13) (UFU / 2006) Na obra Os Sertões, ao descrever a travessia da caatinga por 
um viajante, Euclides da Cunha escreveu que:
[...] a caatinda o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o 
na trama espinescente e não o atrai; repulsa-o com as folhas urticantes, com 
o espinho, com os graveros estalados em lanças; o desdobra-se-lhe na frente 
léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem folhas, de galhos 
estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou 
estirando-se flexuosos pelo solo, lembrando um bracejar imenso, de tortura, da 
flora agonizante. 
Sobre as principais características do domínio morfoclimatobotânico acima 
mencionado, é correto afirmar que:
(A) esse constitui-se como área de transição na qual se destaca uma vegetação 
típica de clima tropical, com elevada temperatura. 
(B) Predominam extensos planaltose chapadas sedimentares cobertas por solos 
ácidos e profundos. 
(C) O relevo é formado basicamente por planaltos (planaltos da Bacia do Parnaíba 
e da Borborema) e por depressões (Depressão Sertaneja e do São Francisco)
(D) Possui solos profundos e formas mamelonares resultantes da ação do 
intemperismo químico. 
14) (UNESP / 2003) Leia o texto.
...E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos
de morte igual, mesma morte severina: que é a morte de que se
morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte
(de fraqueza e de doença é que a morte severina ataca em
qualquer idade, e até gente não nascida). Somos muitos
Severinos iguais em tudo e na sina: a de abrandar estas pedras,
suando-se muito em cima, a de tentar despertar terra sempre
mais extinta, a de querer arrancar algum roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor
possam seguir a história de minha vida, passo a ser
severino que em vossa presença emigra.
Esta pequena parte do Auto de Natal pernambucano – Morte e Vida Severina, 
de João Cabral de Mello Neto – retrata a realidade do nordeste do Brasil.
Assinale a alternativa que melhor expressa tal realidade.
(A) Açudes, desnutrição e imigração.
(B) Solo pedregoso, imigração e doenças.
(C) Desnutrição, emigração e escassez de água.
(D) Solo pedregoso, emigração e alta esperança de vida.
(E) Escassez de água, roçado e imigração.
15) (UFF / 2004) Asa Branca Luiz Gonzaga
Quando olhei a terra ardendo qual fogueira de São João,
Eu perguntei a Deus do céu, ai! por que tamanha judiação.
Que braseiro! Que fornalha! Nenhum pé de plantação.
Por falta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão.
Até mesmo a asa-branca bateu asas do sertão.
Então, eu disse: Adeus, Rosinha! Guarda contigo meu coração.
Hoje longe, muitas léguas, numa triste solidão,
Espero a chuva cair de novo pra eu voltar pro meu sertão.
Quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação,
Eu te asseguro, não chores não, viu? Eu voltarei pro meu sertão.(...)
Retratado na canção Asa Branca, o sertão nordestino se caracteriza como uma 
sub-região marcada por fortes conflitos.
Analise as condições sociais do sertão nordestino, tendo em vista sua estrutura 
econômica e fundiária.
Complemente seus 
conhecimentos
Geopolítica da Amazônia
De início, cabe uma pequena explanação sobre geopolítica: trata-se de um 
campo de conhecimento que analisa relações entre poder e espaço geográfico. 
Foi o fundamento do povoamento da Amazônia, desde o tempo colonial, 
uma vez que, por mais que quisesse a Coroa, não tinha recursos econômicos 
e população para povoar e ocupar um território de tal extensão. Portugal 
conseguiu manter a Amazônia e expandi-la para além dos limites previstos no 
tratado de Tordesilhas, graças a estratégias de controle do território. Embora 
Capítulo 3 :: 43
para lidar com o trópico úmido. Essa riqueza tem de ser melhor utilizada. Sustar 
esse padrão de economia de fronteira é um imperativo internacional, nacional 
e também regional. Já há na região resistências à apropriação indiscriminada 
de seus recursos e atores que lutam pelos seus direitos. Esse é um fato 
novo porque, até então, as forças exógenas (externas) ocupavam a região 
livremente, embora com sérios conflitos. Essa é uma das hipóteses deste texto.
Com as resistências regionais, os conflitos na região alcançam um patamar 
mais elevado. Não se trata mais apenas de conflito pela terra; é o conflito de 
uma região em relação às demandas externas. Esses conflitos de interesse, 
assim como as ações deles decorrentes contribuem para manter imagens 
obsoletas sobre a região, dificultando a elaboração de políticas públicas 
adequadas ao seu desenvolvimento.
Para que se possa mudar esse padrão de desenvolvimento é necessário 
entender os diferentes projetos geopolíticos e seus atores, que estão na base dos 
conflitos, para tentar encontrar modos de compatibilizar o crescimento econômico 
com a conservação dos recursos naturais e a inclusão social. Enfim, não se trata 
de mero ambientalismo, muito menos de mais um momento destrutivo.
Como efetuar tal compatibilização? Esse é um grande desafio para a Ciência 
e Tecnologia, e se apontarão aqui problemas em que a Ciência pode contribuir 
por meio de três hipóteses:
1. o novo significado geopolítico da Amazônia em âmbito global como a 
grande fronteira do capital natural;
2. o novo lugar da Amazônia no Brasil;
3. a urgência de uma nova política de desenvolvimento e de estratégias 
básicas para implementá-la.
A Amazônia e a mercantilização da natureza
O ponto de partida para se fazer essa análise é o reconhecimento de profundas 
mudanças estruturais que ocorreram na Amazônia nas últimas décadas do século 
XX. Todos sabem como o projeto de integração nacional acarretou perversidades 
em termos ambientais e sociais. Mas, com sangue, suor e lágrimas deve-se 
reconhecer o que restou de positivo nesse processo, porque são elementos com os 
quais a região conta hoje para seu desenvolvimento. E não se pode esquecê-los.
A dinâmica regional recente
No final do século XX, houve, portanto, impactos negativos, mas também 
mudanças estruturais e novas realidades geradas na fronteira, a qual tomo como 
espaço não plenamente estruturado e por isso mesmo capaz de gerar realidades 
novas. Dentre as mudanças, destaca-se a da conectividade regional, um dos 
elementos mais importantes na Amazônia. Não se trata apenas das estradas, 
elementos que contribuíram para depredação dos recursos e da sociedade, mas 
sim, sobretudo, das telecomunicações, porque a rede de telecomunicações na 
Amazônia permitiu articulações locais/nacionais, bem como locais/ globais. 
Outra mudança importante é a da economia, que passou da exclusividade do 
extrativismo para a industrialização, com a exploração mineral e com a Zona 
Franca de Manaus, que foi um posto avançado geopolítico colocado pelo Estado na 
fronteira norte, em pleno ambiente extrativista tradicional. Há problemas na Zona 
Franca, mas hoje ela é grande produtora não só de bens de consumo duráveis, 
como da indústria de duas rodas, de telefonia e mesmo de biotecnologia.
Uma grande modificação estrutural ocorreu no povoamento regional que 
se localizou ao longo das rodovias e não mais ao longo da rede fluvial, como 
os interesses econômicos prevalecessem, não foram bem-sucedidos, e a 
geopolítica foi mais importante do que a economia no sentido de garantir a 
soberania sobre a Amazônia, cuja ocupação se fez, como se sabe, em surtos 
ligados a demandas externas seguidos de grandes períodos de estagnação e 
de decadência.
A geopolítica sempre se caracterizou pela presença de pressões de todo 
tipo, intervenções no cenário internacional desde as mais brandas até guerras 
e conquistas de territórios. Inicialmente, essas ações tinham como sujeito 
fundamental o Estado, pois ele era entendido como a única fonte de poder, 
a única representação da política, e as disputas eram analisadas apenas entre 
os Estados. Hoje, esta geopolítica atua, sobretudo, por meio do poder de influir 
na tomada de decisão dos Estados sobre o uso do território, uma vez que a 
conquista de territórios e as colônias tornaram-se muito caras.
Verifica-se o fortalecimento do que se chama de coerção velada. Pressões 
de todo tipo para influir na decisão dos Estados sobre o uso de seus territórios. 
Essa mudança está ligada intimamente à revolução científico-tecnológica e 
às possibilidades criadas de ampliar a comunicação e a circulação no planeta 
através de fluxos e redes que aceleram o tempo e ampliam as escalas de 
comunicação e de relações, configurando espaços-tempos diferenciados.
O espaço sempre foi associado ao tempo. E hoje, na acentuação 
de diferentes espaços-tempos reside uma das raízes da geopolítica 
contemporânea. As redes são desenvolvidas nos países ricos, nos centros do 
poder, onde o avanço tecnológico é maior e a circulação planetária permite 
que se selecionem territórios para investimentos, seleção que depende 
também das potencialidadesdos próprios territórios. Ocorre que ao se 
expandirem e sustentarem as riquezas circulante, financeira e informacional, 
as redes se socializam. E essa socialização está gerando movimentos sociais 
importantes, os quais também tendem a se transnacionalizarem.
Há, hoje, portanto, dois movimentos internacionais: um em nível do sistema 
financeiro, da informação, do domínio do poder efetivamente das potências; e 
outro, uma tendência ao internacionalismo dos movimentos sociais. Todos os 
agentes sociais organizados, corporações, organizações religiosas, movimentos 
sociais etc., têm suas próprias territorialidades, acima e abaixo da escala do 
Estado, suas próprias geopolíticas, e tendem a se articular, configurando uma 
situação mundial bastante complexa.
A Amazônia é um exemplo vivo dessa nova geopolítica, pois nela se 
encontram todos esses elementos. Constitui um desafio para o presente, não 
mais um desafio para o futuro. Qual é este desafio atual? A Amazônia, o Brasil, 
e os demais países latino-americanos são as mais antigas periferias do sistema 
mundial capitalista. Seu povoamento e desenvolvimento foram fundados de 
acordo com o paradigma (modelo) de relação sociedade-natureza, que Kenneth 
Boulding denomina de economia de fronteira, significando com isso que o 
crescimento econômico é visto como linear e infinito, e baseado na contínua 
incorporação de terra e de recursos naturais, que são também percebidos como 
infinitos. Esse paradigma da economia de fronteira realmente caracteriza toda 
a formação latino-americana.
Hoje, o imperativo é modificar esse padrão de desenvolvimento que alcançou 
o auge nas décadas de 1960 a 1980. É imperativo o uso não predatório das 
fabulosas riquezas naturais que a Amazônia contém e também do saber das 
suas populações tradicionais que possuem um secular conhecimento acumulado 
44 :: GeoGrafia :: módulo 2
no passado, e no crescimento demográfico, sobretudo urbano. Processou-se 
na região uma penosa mobilidade espacial, com forte migração e contínua 
expropriação da terra e, assim, ligada a um processo de urbanização. Em vista 
disso, a Amazônia teve a maior taxa de crescimento urbano no país nas últimas 
décadas. No censo de 2000, 70% da população na região Norte estavam 
localizados em núcleos urbanos, embora carentes dos serviços básicos. Muitos 
discordam dessa tese, porque não consideram tais nucleamentos como urbanos. 
Mas esse é o modelo de urbanização no Brasil e, ademais, a urbanização não 
se mede só pelo crescimento e surgimento de novas cidades, mas também pela 
veiculação dos valores da urbanização para sociedade. Por essa razão, desde a 
década de 1980, chamo a Amazônia de uma “floresta urbanizada”.
Por outro lado, organizou-se a sociedade como nunca antes verificado. 
Os grandes conflitos de terras e de territórios das décadas de 1960 a 1980 
constituíram um aprendizado político e, na década de 1990, transformaram-
se em projetos alternativos, com base na organização da sociedade civil. É 
extremamente importante lembrar que hoje, essa sociedade tem voz ativa na 
Amazônia e no Brasil, inclusive muitos grupos indígenas. Essa organização da 
sociedade política trouxe, por sua vez, mudanças no apossamento do território, 
com a multiplicação de unidades de conservação federais e estaduais, assim 
como também com a demarcação de terras indígenas.
Que projetos e que atores produzem hoje a dinâmica regional e os novos 
significados da Amazônia? Essas transformações não são vistas de forma 
homogênea pelos diferentes atores, porque dependem de interesses diversos 
e geram ações diferentes na região. Existem muitos conflitos dentro dessas 
percepções, mas há algumas dominantes.
O uso do método geográfico para análise dos projetos geopolíticos e seus 
atores por diferentes escalas geográficas é útil para colaborar nessa análise.
Globalização e Amazônia como fronteira do capital natural
A primeira hipótese é a constituição da Amazônia como fronteira do capital 
natural em nível global, em que se identificam dois projetos: o primeiro é um 
projeto internacional para a Amazônia, e o segundo é o da integração da 
Amazônia, sul-americana, continental.
Até recentemente, dominava no projeto internacional a percepção da 
Amazônia como uma imensa unidade de conservação a ser preservada, tendo 
em vista a sobrevivência do planeta, devido aos efeitos do desmatamento sobre 
o clima e a biodiversidade. A base dessa percepção teve como origem, em 
grande parte, a tecnologia dos satélites, que permitiu pela primeira vez uma 
visão de conjunto da superfície da Terra e da sua unidade trazendo o sentimento 
da responsabilidade comum, assim como a percepção do esgotamento da 
natureza, que se tornou um recurso escasso.
A natureza foi então reavaliada e revalorizada a partir de duas lógicas 
muito diferentes, mas que convergem para o mesmo projeto de preservação 
da Amazônia. A primeira lógica é a civilizatória ou cultural, que possui uma 
preocupação legítima com a natureza pela questão da vida, o que dá origem 
aos movimentos ambientalistas. A outra lógica é a da acumulação, que vê 
a natureza como recurso escasso e como reserva de valor para a realização 
de capital futuro, fundamentalmente no que tange ao uso da biodiversidade 
condicionada ao avanço da tecnologia. Outro recurso de que pouco se fala, mas 
que já é fundamental, é a água como fonte de vida e de energia em razão dos 
isótopos de hidrogênio, questão teórica ainda não solucionada, mas que vem 
sendo pesquisada em muitos países, especialmente na Alemanha e nos EUA.
Torna-se patente que, se há uma valorização da natureza e da Amazônia, há 
também a relativização do poder da virtualidade dos fluxos e redes do mundo 
contemporâneo, com a globalização, que acaba com as fronteiras e com os Estados. 
Na verdade, os fluxos e redes não eliminam o valor estratégico da riqueza localizada, 
in situ; eles sustentam a riqueza circulante do sistema financeiro, da informação, 
mas a riqueza localizada no território também tem seu papel e seu valor.
Isso, consequentemente, trouxe uma disputa das potências pelos estoques 
das riquezas naturais, uma vez que a distribuição geográfica de tecnologia 
e de recursos está distribuída de maneira desigual. Enquanto as tecnologias 
avançadas são desenvolvidas nos centros de poder, as reservas naturais 
estão localizadas nos países periféricos, ou em áreas não regulamentadas 
juridicamente. Esta é, pois, a base da disputa.
Há três grandes eldorados naturais no mundo contemporâneo: a Antártida, 
que é um espaço dividido entre as grandes potências; os fundos marinhos, 
riquíssimos em minerais e vegetais, que são espaços não regulamentados 
juridicamente; e a Amazônia, região que está sob a soberania de estados 
nacionais, entre eles o Brasil.
Esse contexto geopolítico, principalmente na década de 1980 e 1990, 
gerou sugestões mundiais pela soberania compartilhada e o poder de gerenciar 
a Amazônia, que abalou até o Direito Internacional. Hoje, contudo, são 
crescentes os interesses ligados à valorização do capital natural, que tende a se 
sobrepor à lógica cultural.
Observa-se um processo de mercantilização da natureza. Elementos da natureza 
estão se transformando em mercadorias fictícias, usando a expressão de Karl 
Polanyi, em seu livro “A grande transformação”. Fictícias por quê? Porque elas não 
foram produzidas para venda no mercado – o ar, a água, a biodiversidade. Mas, 
no entanto, através desta ficção são gerados mercados reais e isto se deu, como 
Polanyi mostra muito bem, no início da industrialização, quando terra, dinheiro e 
trabalho foram transformados em mercadorias fictícias, gerando mercados reais.
O que é o protocolo de Kyoto se não o mercado do ar? É a tentativa 
de estabelecer cotas de emissão de carbono nos países fortemente 
industrializados e poluidores em troca de manutenção de florestas em 
países com elas dotadas. O mercado do ar é o mais avançado. Em outras 
palavras, esses mercados reais tentam se institucionalizar em fóruns 
globais,o que também é uma vertente nova dentro do Direito Internacional.
Não é fantasia o fato de que está em curso na Amazônia a 
transformação de bens da natureza em mercadorias. É o caso da Peugeot, 
que faz investimentos no sentido de sequestro do carbono no Mato Grosso; 
na ilha do Bananal, a empresa inglesa S. Barry; a Mil Madeireira que, tem 
um projeto neste sentido no estado do Amazonas; a Central South West 
Corporations, de Dallas, uma empresa de energia que fez uma aquisição 
no Paraná de setecentos mil hectares, através da mediação da National 
Conservancy, da reserva da Serra de Itaqui; além dos projetos que não 
conhecemos, visto que uns são oficiais e outros não. Há restrições a colocar 
nesse sentido porque a terra e a floresta são bens públicos, e a venda de 
floresta significa venda de território e não é correta do ponto de vista do país.
É digno de nota lembrar que existem esforços para regular o mercado da 
biodiversidade, como a Prototipe Carbon Fund, do Banco Mundial, sistema 
Capítulo 3 :: 45
difícil de implementar, visto que as patentes e a distribuição de benefícios 
para as populações locais não foram ainda regulamentadas no país.
O mercado dos recursos hídricos é o mais atrasado, embora haja 
múltiplas tentativas de regularização desse mercado. A água é considerada 
o ouro azul do século XXI, em termos globais, porque há escassez e 
consumo crescente no mundo, sobretudo nos países semiáridos que 
utilizam a irrigação. Ademais, há previsões de que a disputa por água pode 
chegar até a conflitos armados.
Polanyi mostra que há uma necessidade de organização da sociedade para 
impedir o livre jogo das forças de mercado em relação aos elementos vitais para 
o homem. Para tanto, foram criados sindicatos para proteger o mercado do 
trabalho e organizadas associações para regular o mercado da terra e o papel 
do estado tornou-se fundamental. Que vamos fazer no Brasil, e qual deve hoje 
ser nossa reação? Temos todos esses trunfos – florestas, biodiversidade, água; 
como a sociedade e o governo brasileiro devem se comportar em relação ao 
seu uso? Hoje, o movimento de mercantilização é irreversível e temos de saber 
como lidar com ele. Parece-me que caberia ao governo e à sociedade lutar pela 
regulação desses mercados, mas ela deveria ser bem negociada.
Quais são os principais atores nesse projeto internacional? Os 
movimentos ambientalistas, onde se destacam as ONGs nacionais e 
internacionais, a cooperação internacional técnica, financeira, científica 
em grandes projetos, como é o caso do Programa Piloto para Proteção 
das Florestas Tropicais Brasileiras (PP-G7), do LBA e do Probem1, além 
de organizações religiosas de todos os tipos, assim como de agências 
de desenvolvimento de governos estrangeiros e também de empresas 
voltadas para o sequestro de carbono e/ ou madeira certificada.
A cooperação internacional é fundamental para o desenvolvimento 
da Ciência e da Tecnologia no Brasil. Mas, por vezes, essa cooperação 
tecnocientífica tem um excesso de autonomia. A questão crucial é o 
controle da informação, porque muitas vezes os pesquisadores brasileiros, 
em parcerias, conhecem o subprojeto ligado à sua parceria, mas não o 
projeto como um todo. Deve haver, portanto, uma conscientização dos 
pesquisadores no sentido da globalização da pesquisa, de modo que não 
tenham acesso apenas a uma parte da informação.
A cooperação internacional tem um lado extremamente importante que é 
o da relação com as comunidades locais, graças às redes de telecomunicação. 
Há uma forte presença internacional que se estabeleceu na Amazônia devido 
também aos impactos do projeto anterior, que excluía as populações 
regionais, expulsava pequenos produtores e ameaçava índios, e esses 
grupos conseguiram apoios internacionais, como foi o caso de Chico Mendes, 
que foi a Washington para obter um reforço a fim de manter sua própria 
sobrevivência. É necessário que a sociedade e o governo estejam atentos 
à questão da face interna da soberania, no sentido de reconhecer que o 
povo não é homogêneo, tem demandas diferentes que não são devidamente 
atendidas, o que gera conflitos que afetam a governabilidade.
A integração da Amazônia sul-americana
Um segundo projeto internacional diz respeito à integração da Amazônia 
transnacional, da Amazônia sul-americana. Trata-se de uma nova escala para 
pensar e agir na Amazônia. Esse dado é importante por múltiplas razões. 
Primeiro, porque a união dos países amazônicos pode fortalecer o Mercosul 
e, de certa maneira, construir um contraponto nas relações com a Alca e com 
a própria União Europeia. Em segundo lugar, para ter uma presença coletiva e 
uma estratégia comum no cenário internacional, fortalecendo a voz da América 
do Sul. Em terceiro lugar, porque é fundamental para estabelecer projetos 
conjuntos quanto ao aproveitamento da biodiversidade e da água, inclusive nas 
áreas que já possuem equipamento territorial e intercâmbio, como é o caso das 
cidades gêmeas localizadas em pontos das fronteiras políticas.
Além disso, esse dado é importante porque pode ajudar a conter as atividades 
ilícitas – narcotráfico, contrabando, lavagem de dinheiro etc. – e uma possível 
“ajuda” militar no território brasileiro. Há uma crescente presença militar na 
fachada do Pacífico e na América Central, através do que se denomina de 
“localidades de operação avançada”, cuja maior expressão é o Plano Colômbia. 
O Brasil virou uma ilha cercada de “localidades de operação avançada” por todos 
os lados, com instalações norte-americanas apoiadas pela União Europeia, com 
exceção das fronteiras com a Venezuela e a Argentina. O Brasil tenta impedir esse 
cerco com várias respostas, como com a criação do Ministério do Meio Ambiente 
e o projeto Sipam (Sistema de Informação para Proteção da Amazônia), embora 
tenha apoio financeiro para o aparelhamento da Polícia Federal.
Esse processo levou a uma forte reativação das fronteiras políticas da 
Amazônia, consideradas anteriormente como fronteiras mortas, e basta ir 
a Tabatinga e a Letícia para constatar a vivificação das mesmas, o que vem 
a constituir uma preocupação para todos os países.
Mas o fato de a globalização incidir na Amazônia dos países vizinhos 
através da presença militar, e no Brasil por intermédio da cooperação 
internacional, constitui uma diferença importante.
Realiza-se uma articulação sul-americana por meio do resgate do Tratado 
de Cooperação Amazônica (OTCA), e também a partir da iniciativa do 
planejamento físico da integração por meio de transporte multimodal, difusão 
da internet nos países vizinhos e intercâmbio energético. Em Roraima deu-se 
o primeiro passo para a integração oficial através da construção da estrada 
que liga Manaus à Venezuela. O gás já vem sendo transferido da Bolívia e 
do Peru, e a Bolsa de Mercadorias e Estudos propõe a extensão da fronteira 
agropecuária do centro-oeste brasileiro para os países vizinhos.
Desejamos que a integração sul-americana se faça nos moldes do que foi 
a integração dos anos de 1970? Nada contra expandir a soja e a pecuária 
para áreas propícias do cerrado, mas não que se faça tal expansão em áreas 
de florestas. Esse é um desafio à Ciência e à Tecnologia. A integração deve ser 
baseada na circulação fluvial, que merece um investimento enorme, pois sempre 
foi o grande meio de circulação na Amazônia, e também na aérea, que foi muito 
importante e ainda o é para o transporte de cargas de alto valor agregado.
Um outro elemento importante da integração reside nas cidades gêmeas 
– Santa Helena e Pacaraima em Roraima, Tabatinga e Letícia no Amazonas, 
além de outras no Acre, onde já existem embriões de integração, fluxos 
e equipamentos que podem acelerar o intercâmbio. Aliás, a cidade é um 
elemento fundamental no desenvolvimento e planejamento da Amazônia, 
porque nela a população está concentrada, constitui o nó das redes de 
relações, e pode, inclusive, impedir a expansão demográfica na floresta.
A Amazônia no espaço nacional: uma região em si46 :: GeoGrafia :: módulo 2
e fazem a grilagem em imensas glebas. Um lado tragicômico é que existem, no 
Sul do Amazonas, muitos fazendeiros que vieram do Pontal do Paranapanema 
(SP), expulsos pelo MST, porque não tinham terras regularizadas, e o MST sabe 
muito bem quem possui ou não terras regularizadas.
Mas o mais importante elemento que justifica a hipótese aqui tratada 
é a consolidação do povoamento, em contrapartida às frentes de expansão.
A consolidação do povoamento
A tendência à consolidação do povoamento é patente no avanço econômico 
significativo e na tecnificação da agroindústria no cerrado, particularmente 
no Mato Grosso, que planta soja e agora também algodão colorido. Com o 
crescimento da produção e o aumento da produtividade da soja, a terra não é 
mais ocupada como reserva de valor, como foi na época da fronteira anterior. 
Agora o que sucede é o uso produtivo da terra. Acrescem mudanças também na 
pecuária, principalmente no Sudeste do Pará e no Mato Grosso, onde ocorrem 
melhorias com respeito às pastagens, aos rebanhos e à indústria de couro e de 
leite. Mudanças bastante significativas em termos econômicos.
As redes e cidades permitem a expansão dessa área econômica avançada 
que é chamada de “arco de fogo”, ou do desmatamento ou “de terras 
degradadas”, porque foi onde se expandiu a fronteira e o desmatamento. Mas 
está na hora de mudar essa denominação, tendo em vista que se trata da 
maior área produtora mundial de soja. O Rio de Janeiro já foi um pântano, 
mas não é, hoje, denominado de pântano, e sim de metrópole. Sugere-se, 
então, a mudança de nome para área de povoamento consolidado, porque a 
denominação de arco do fogo atrapalha a política pública.
Existe, assim, um gigantesco confronto entre a expansão da 
agroindústria da soja, da pecuária, assim como da exploração da madeira 
e o uso conservacionista da floresta, defendido pela produção familiar, 
pelos ambientalistas e por diversas categorias de cientistas.
Nos últimos anos, houve uma retomada vigorosa das frentes, nas três 
localizações referidas, devido à valorização da soja no mercado internacional 
e as incertezas da economia nacional. Conclui-se, assim, que a fronteira é um 
elemento estrutural do crescimento econômico no Brasil, mas hoje depende 
da conjuntura; ou seja, ela se expande ou se retrai em função da conjuntura 
econômica e política. É, portanto, um conceito espaço-temporal. É muito difícil 
estabelecer um prognóstico sobre o conflito entre agronegócio e conservação 
da floresta. Um grupo de pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de 
Pesquisas da Amazônia), liderado por um norte-americano, realizou um 
modelo afirmando que, em 2020, a Amazônia estaria totalmente destruída. 
Um modelo linear, que não prevê alteração alguma, o que não se pode 
aceitar num mundo de imprevisibilidade.
Hoje, a Amazônia não é mais mera fronteira de expansão de forças 
exógenas nacionais ou internacionais, mas sim uma região no sistema espacial 
nacional, com estrutura produtiva própria e múltiplos projetos de diferentes 
atores. Nela, a sociedade civil passou a ser um ator fundamental, tanto no campo 
como nas cidades, especialmente pelas suas reivindicações de cidadania, que 
inclusive influem no desenvolvimento urbano. O Grupo de Trabalho Amazônico 
(GTA) tem 315 associações, entre elas a federação das organizações indígenas. 
Os índios são espertíssimos, aprendem tudo rapidamente, mantêm a sua cultura 
e crescem num ritmo que é o dobro da taxa nacional. Além disso, criam ONGs 
A segunda hipótese proposta para debate diz respeito ao lugar da 
Amazônia no Brasil. Afirma-se aqui que a Amazônia não é mais mera área 
de expansão da fronteira móvel, mas sim uma região em si, com base em 
dois argumentos: a nova feição da fronteira e os avanços regionais em 
termos econômicos, sociais e políticos.
A situação de conflito entre desenvolvimento e proteção ambiental 
transparecia nas políticas públicas da década de 1990 que eram, a um só 
tempo, expressão e indução do conflito. Por um lado, o Ministério do Meio 
Ambiente que fazia a política da proteção das florestas e, por outro lado, o 
Ministério do Planejamento e Orçamento, criando corredores de exportação. 
Evidentemente, os corredores de exportação coincidiam com os ecológicos.
Multiplicaram-se as unidades de conservação, foram demarcadas terras 
indígenas e se criou o projeto Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), uma 
iniciativa do Banco Mundial e do WWF para ampliar em 10% as áreas 
protegidas até 2010. Trata-se de um projeto preservacionista que só com 
a pressão da ministra Marina Silva aceitou aumentar muito pouco a área de 
uso sustentável (noventa mil quilômetros quadrados). Portanto, a Amazônia 
terá, em breve, mais de 30% do seu território em áreas protegidas, uma área 
equivalente ao território da Espanha. Que resultou desse conflito?
As novas feições da fronteira móvel
Aqui se coloca uma hipótese polêmica: na década de 1990, o 
ambientalismo dominou e se delineou como uma tendência ao esgotamento 
da Amazônia como fronteira móvel, isto é, como fronteira de expansão 
econômica e demográfica no território. As frentes passaram a apresentar 
diferenças com a expansão da fronteira na década de 1970, tais como:
1. Nos anos de 1970, o que sustentou a fronteira foram os incentivos 
fiscais e a migração generalizada do país inteiro, esta induzida pelo governo 
federal. Atualmente, a migração dominante é intrarregional, de um estado 
para o outro e, sobretudo, rural-urbana (exceção feita ao Mato Grosso, que 
continua atraindo população de fora, principalmente do Sul e do Nordeste).
2. Outro elemento importante de diferenciação é o comando das frentes por 
parte de Belém e de Cuiabá, sobretudo, hoje de âmbito regional. Assim, o que 
há de novo na expansão das frentes é que são comandadas por madeireiras, 
pecuaristas e produtores de soja já instalados na região, que a promovem com 
recursos próprios. Não se trata mais, pois, de uma expansão subsidiada pelo 
governo federal, como foi a da fronteira nos anos de 1970.
3. Ademais, as frentes hoje são localizadas. Nos anos de 1970 elas se 
localizavam nas duas grandes artérias, Belém-Brasília e Brasília-Cuiabá, de 
modo que a expansão seguiu a fímbria das florestas. Agora, as frentes estão 
mais localizadas em torno das estradas que já existiam, as que pretendem 
ser pavimentadas ou as abertas pelos próprios madeireiros e pecuaristas.
Na virada do milênio, entretanto, a fronteira tomou novo alento. São 
três as grandes frentes na Amazônia hoje: uma parte de São Felix do 
Xingu, Sudeste do Pará, em direção ao rio Iriri; outra parte do extremo 
Norte de Mato Grosso pela rodovia Cuiabá-Santarém, em torno de cuja 
pavimentação há grande discórdia, pois ela atravessa não mais a borda, 
mas o meio da floresta; a terceira parte do Norte de Mato Grosso e de 
Rondônia em direção ao Sul do Estado do Amazonas.
A tecnologia serve também para a destruição da floresta: os madeireiros 
estão se apossando de terras via satélite, descobrem onde há terras disponíveis 
Capítulo 3 :: 47
para ajudar outras comunidades não tão informadas como a deles.
Outro grupo importante, mais localizado, é o de Altamira, antigo projeto 
de colonização em que a produção familiar é organizada e tem uma força 
política significativa, resistindo à construção da hidrelétrica de Belo Monte.
Atores fundamentais são os governos estaduais, que, com a crise do Estado 
central, assumiram responsabilidades e força política. É interessante e importante 
saber que esses governos, por suas condições histórico-geográficas, têm estratégias 
diferentes. O Mato Grosso e o Pará têm estratégias extensivas de uso da terra, o 
estado do Amazonas tem uma estratégia pontual industrial, localizada em Manaus; 
o Acre e o Amapá se baseiam na estratégia da florestania, modernização do 
extrativismo; em Rondônia procura-se expandir a pecuária e mesmo a soja, e, em 
Roraima, a soja no lavrado (cerrado) cercado por florestas e terra indígenas. O 
municípiotambém é um ente político que tem voz na região, embora sem recursos 
financeiros. Economicamente, não tem força, mas a tem do ponto de vista político, e 
é responsável pela urbanização recente, transformando as vilas em cidades.
As empresas do agronegócio, além das madeireiras e pecuaristas, são 
outros atores que estão se firmando e se expandindo não só no Mato Grosso. 
O que tem passado despercebido, no meu entender, em todos os projetos e em 
todas as escalas, é justamente o fato de a Amazônia hoje ser uma região que 
possui uma dinâmica própria: tem vinte milhões de habitantes, há demandas 
específicas e resistências organizadas e uma estrutura produtiva própria, o que 
comprova a sua mudança de caráter, inclusive com uma nova geografia. Nela 
reconheço três macrorregiões: a primeira é essa que chamam de “arco do fogo” 
e que denomino de “arco do povoamento consolidado”, porque é onde estão as 
cidades, as densidades demográficas maiores, as estradas e o cerne da economia; 
a outra macrorregião, da “Amazônia central”, corresponde ao restante do estado 
do Pará, que é a porção mais vulnerável da Amazônia, porque cortada pelos eixos, 
pelas estradas e onde estão duas das frentes localizadas; a última é a “Amazônia 
ocidental”, que tem a maior área de fronteira política e é a mais preservada 
(porque não foi cortada por estradas e seu povoamento foi pontual, na Zona 
Franca de Manaus, enquanto o resto do estado ficou abandonado). E o fato de 
ser uma região em si, constitui uma força de resistência à destruição da floresta.
Como impedir a destruição das florestas?
O papel das políticas públicas
Se a Amazônia é efetivamente uma região, então há que se substituir a 
“política de ocupação” por uma “política de consolidação do desenvolvimento”. 
Uma política de ocupação não tem mais cabimento, porque a região já está 
ocupada. As florestas que restaram devem permanecer com seus habitantes. 
É necessário articular os diferentes projetos e os diversos interesses e conflitos 
que incidem na região. O governo atual pretende ser um marco no rumo do 
desenvolvimento regional. Elaborou um novo Plano Amazônia Sustentável 
(PAS), com o qual pretende superar a polaridade conflitiva entre a política 
ambiental e a de desenvolvimento.
O governo atual propõe também no PPA, (Plano Plurianual 2004-2007) 
a necessidade tanto da produtividade e competitividade, como da inclusão 
social, emprego e renda. No caso da Amazônia, existe um novo princípio, 
da transversalidade, em que o meio ambiente deixa de ser tratado como 
uma variável independente e participa das políticas de todos os ministérios. 
Importante também são os cinco eixos estratégicos do PAS, que vai ser posto em 
discussão com a sociedade: gestão ambiental e ordenamento do território, novo 
padrão de financiamento, inclusão social, infraestrutura para o desenvolvimento 
e produção sustentável com inovação tecnológica e competitividade.
O ponto central, que gera conflitos, é a questão da pavimentação da 
rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), porque as corporações da soja, por um lado, 
pressionam o governo para a pavimentação rápida, visto que é considerada um 
elemento central para o escoamento da produção, pelo Norte, com o objetivo de 
encurtar distâncias e baixar custos. Por outro lado, os ambientalistas e a produção 
familiar não querem a pavimentação. O governo propôs que se fizesse um 
modelo para transformar a rodovia Cuiabá-Santarém numa estrada indutora de 
desenvolvimento, em vez de uma indutora de depredação. É importante registrar 
que há em Brasília a criação de grupos de trabalho interministeriais para os planos 
governamentais, algo extremamente positivo, com catorze ministérios participando 
para fazer o novo planejamento da estrada como instrumento de desenvolvimento.
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está fazendo 
um esforço no sentido de preparar um cadastro tendo em vista a centralidade da 
questão fundiária. Em vez de dar títulos de terra, poder-se-ia fazer concessões de 
terra condicionadas a determinados comportamentos. O problema é que todos 
os atores na Amazônia (pecuaristas, madeireiros, índios, pequenos produtores) 
querem, como primeira demanda, a presença do Estado, por motivações diferentes. 
Como segunda demanda desejam o zoneamento. Tais demandas expressam, 
por um lado, a necessidade de definição clara das regras do jogo, ou seja, do 
fortalecimento institucional e, por outro, a pertinência da sub-regionalização, 
porque as regiões têm finalidades próprias e problemas específicos. O Estado 
pode dialogar melhor com essas necessidades específicas, encontrar as parcerias 
necessárias e direcionar melhor os recursos para melhor atendê-las.
Finalmente, mas não menos importante, a par do fortalecimento 
institucional e da regionalização, cabe à Ciência, Tecnologia e Inovação, 
papel primordial na sustentabilidade dos ecossistemas florestais, por sua 
importância econômica, social e política.
A floresta só deixará de ser destruída se tiver valor econômico para com-
petir com a madeira, com a pecuária e com a soja. Mesmo com os grandes 
avanços na sua proteção, a questão de manter a capacidade sustentável da 
floresta ainda não foi solucionada. Florestas e terras são bens públicos e, por 
isso, são trunfos que estão sob o poder do Estado, que tem autoridade para 
dispor deles, segundo o interesse da nação. Propõe-se, assim, uma verdadei-
ra revolução científico-tecnológica para a Amazônia Florestal.
O Brasil já efetuou três grandes revoluções tecnológicas: a exploração 
do petróleo em águas profundas; a transformação de cana-de-açúcar em 
combustível (álcool) na Mata Atlântica e a correção dos solos do cerrado, que 
permitiu a expansão da soja. Está na hora de implementar uma revolução 
científico-tecnológica na Amazônia que estabeleça cadeias tecnoprodutivas 
com base na biodiversidade, desde as comunidades da floresta até os centros 
da tecnologia avançada. Esse é um desafio fundamental hoje, que será ainda 
maior com a integração da Amazônia sul-americana.
Notas - LBA é um vasto projeto de pesquisa coordenado pelo Brasil em parceria com a 
Nasa e, em menor escala a União Europeia, denominado Large Scale Biosphere-Atmosphere 
Experiment in the Amazon. O Probem foi criado para implantar a pesquisa e desenvolver o uso 
da biodiversidade através do fortalecimento da biotecnologia.
BECKER, Bertha K. Revista Estudos Avançados, vol.19, no. 53, São Paulo, 2005.
48 :: GeoGrafia :: módulo 2
:: Objetivos ::
• Mostrar o funcionamento da circulação geral da atmosfera;
• Caracterizar os principais tipos climáticos brasileiros.
4
Tipos climáticos do Brasil
Como a superfície da Terra não é homogênea e ainda há o movimento de 
rotação, os cinturões de pressão atmosférica (baixa equatorial, 2 altas subtropicais, 
2 baixas subpolares e 2 altas polares) podem se quebrar em células e os ventos 
emitidos a partir dos centros de alta pressão sofrem desvios pelo Efeito de Coriolis 
(Figura 4.2).
ÁFRICA
0 2870 5740
ESCALA
Km
Equador
Trópico 
de Capricórnio
Trópico 
de Câncer
Centro de Alta Pressão Atmosférica
Centro de Baixa Pressão Atmosférica
Ventos Alísios
Ventos de Oeste
B
B
B
B
BB
A A
A
AA
A
A
Figura 4.2: Deslocamento dos ventos alísios e de oeste pelo planeta. 
Na figura 4.3 observa-se a circulação dos principais ventos do planeta 
em planta e em perfil. Em setas diferentes, destacam-se os ventos alísios, que 
convergem para o Equador constituindo a Zona de Convergência Intertropical 
(ZCIT); os ventos de oeste, que saem das altas pressões subtropicais e vão para a 
latitude de 60º, encontrando os ventos de leste (polares).
60º S
60º N
30º S
30º N
0º 
90º S
90º N
 
A A
A A
B B
B B
B B
A
A
A
ZCIT
Ventos Alísios
Ventos de Oeste 
Ventos de Leste
Outros deslocamentos de ar
Figura 4.3: Circulação geral da atmosfera representada em planta e em perfil, destacando-se os 
principais ventos planetários (ventos alísios, ventos de oeste e ventos de leste).
A circulaçãode ar na faixa entre os trópicos de Câncer (Hemisfério Norte) 
e Capricórnio (Hemisfério Sul), abrangendo o Equador, é constituída pela 
convergência de ventos (ventos alísios) e ascensão do ar, ocasionando acúmulo, 
subida e condensação de vapor d’água. Deste modo, a subida e condensação 
constantes de vapor d’água formam nuvens com grande desenvolvimento 
Circulação geral da 
atmosfera
Para entender a formação dos diferentes tipos climáticos da Terra e do Brasil, é 
importante conhecer antes a circulação de ar pelo nosso planeta. A Circulação Geral 
da Atmosfera corresponde a um modelo de deslocamento de ventos planetários a 
partir de diferenças de temperatura do ar e pressão atmosférica no globo. 
O excesso de energia solar recebido no Equador provoca aquecimento do 
ar nesta latitude, que, se tornando mais “leve”, tende a subir. Essa corrente 
ascendente de ar chega até a tropopausa (16km de altitude – limite acima do 
qual a atmosfera se torna muito estável), passando a se deslocar em direção 
aos polos. É importante lembrar que próximo ao chão no Equador a pressão 
atmosférica se torna baixa, já que o ar está deixando de exercer pressão no local 
devido à sua ascensão.
Nos polos ocorre o inverso: a pouca intensidade da radiação solar que 
atinge essas áreas gera temperaturas extremamente frias, fazendo com que as 
moléculas do ar fiquem “pesadas” (pouca agitadas) e “desçam”. Essa corrente 
de ar descendente chega até o chão e se desloca em direção ao Equador. Essa 
movimentação de descida do ar cria um ponto de alta pressão atmosférica junto à 
superfície polar, já que as moléculas estão se acumulando.
Verifique que na figura 4.1 a corrente de ar que subiu na faixa equatorial não 
alcança os polos, pois em altitude (12 a 16 km de altitude) o ar fica muito frio 
(-70º C) e denso, constituindo uma corrente de ar descendente na latitude aproximada 
de 30º Norte e Sul. Com a descida do ar, ocorre o acúmulo de moléculas gasosas junto à 
superfície, formando um centro de Alta Pressão atmosférica na latitude subtropical (altas 
subtropicais). A partir deste ponto são gerados ventos que se deslocam junto à superfície 
em direção ao polo (ventos de oeste) e em direção ao Equador (ventos alísios).
Quando este centro de alta pressão ocorre sobre os continentes cria um clima 
seco (desertos), pois o ar descendente possui pouca umidade. Consequentemente, 
as áreas das altas subtropicais apresentam céu claro e chuvas raras, pois qualquer 
umidade junto à superfície não consegue subir e se condensar para formar nuvens 
e, posteriormente, se precipitar.
O vento que se desloca para os polos a partir da latitude de 30º se encontra 
com o vento frio que vem do polo, formando um centro de baixa pressão na 
latitude de 60º, onde se configura uma corrente de ar ascendente. As massas de 
ar frias trazidas do polo e as massas de ar quentes trazidas do trópico quando 
se encontram não se misturam, mas formam uma superfície de contato onde 
geralmente ocorrem tempestades (sistema frontal). A massa tropical (mais leve e, 
às vezes úmida) é “jogada” para cima pela massa polar (mais pesada). 
Baixa Pressão Alta Pressão
Corrente de ar
descendente 
Corrente de ar
descendente 
Corrente de ar
ascendente 
Circulação Geral da Atmosfera
Ventos de OesteVentos Alísios
0º
Equador
30º
Alta Pressão
60º
Baixa Pressão
90º
Polo
Figura 4.1: Esquema da Circulação Geral da Atmosfera, constituída a partir de centros de alta e 
baixa pressões atmosféricas e deslocamento de ventos por todo o planeta.
50 :: GeoGrafia :: módulo 2
O modelo de circulação de ar apresentado na figura 4.4 pode ser aplicado 
para entender a formação de brisas marítima e terrestre e de monções.
Considerando a grande extensão territorial do Brasil, verifica-se a atuação 
sazonal de segmentos da Circulação Geral da Atmosfera em diferentes regiões 
brasileiras, influenciando as características climáticas. A Zona de Convergência 
Intertropical (convergência dos ventos alísios na faixa equatorial), por exemplo, 
se desloca para o Hemisfério Sul durante o verão, provocando chuvas abundantes 
nos estados do litoral norte da Região Nordeste (Ceará, Piauí, Maranhão, por 
exemplo) e em alguns estados da Região Norte (Pará, Amapá e Amazonas). 
O grande centro de Alta Pressão Atmosférica situado no oceano Atlântico Sul se 
aproxima do Brasil durante o inverno, deixando o tempo muito seco, especialmente 
nos estados das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Este centro de alta pressão 
também é responsável pela formação dos ventos alísios (ventos permanentes), que 
atuam constantemente no litoral dos estados do Nordeste (Figura 4.6). O Estado 
do Rio Grande do Norte, por exemplo, tem um grande potencial de produção de 
energia eólica e de sal devido à atuação dos ventos alísios.
Oceano Atlântico
Atlântico 
Sul
Oceano Pacífico
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Açores
Ventos Alísios
Centro de Alta
Pressão Atmosférica
Figura 4.6: Centros de Alta Pressão dos Açores (Hemisfério Norte) e do Atlântico Sul (Hemisfério 
Sul) que geram os ventos alísios direcionados para o litoral da Região Nordeste do Brasil.
Principais fatores climáticos 
do Brasil
Os tipos climáticos encontrados no Brasil são definidos a partir da combinação 
de diferentes fatores geográficos e dinâmicos. Os fatores geográficos (ou estáticos) 
são a latitude, a altitude e orientação do relevo, as correntes marítimas quente e 
fria (efeito de maritimidade), a distância do mar (efeito da continentalidade) e a 
vegetação. Os fatores dinâmicos estão relacionados às características atmosféricas 
e aos sistemas meteorológicos, como massas de ar, centros de alta e baixa 
pressão atmosférica, Zona de Convergência Intertropical, entre outros, que atuam 
e/ou se movimentam pelo território brasileiro em intervalos de tempo diferentes 
(dias ou meses).
vertical, chamadas cumulonimbus (nuvens de temporais), que ocasionam chuvas 
frequentes na região equatorial. Todo este conjunto de circulação de ar, nuvens e 
precipitação é denominado Zona de Convergência Intertropical (ZCIT).
Os cinturões e células de pressão se deslocam de acordo com as estações do 
ano (Figura 4.4). Durante o inverno do Hemisfério Norte, a atividade polar ártica 
se intensifica empurrando todo o sistema de circulação para o sul (Figura 4.4A). 
Por outro lado, no Hemisfério Sul seria verão, atraindo a Zona de Convergência 
Intertropical (ZCIT). O sistema de circulação se desloca para a direção norte 
quando no inverno do Hemisfério Sul a atividade polar na Antártica aumenta 
(Figura 4.4B) e a ZCIT se desloca para o Hemisfério Norte, quando este está no 
período de verão. 
 
30ºS 60ºS 90ºS0º30ºN60ºN90ºN
ZCIT
 Inverno no Hemisfério Norte Verão no Hemisfério Sul 
30ºS 60ºS 90ºS0º 30ºN60ºN90ºN
Verão no Hemisfério Norte Inverno no Hemisfério Sul
A 
B 
Figura 4.4: Direções de deslocamento da Circulação Geral da Atmosfera relacionadas às estações 
do ano (inverno e verão) dos hemisférios Norte e Sul. Na figura A verifica-se a ZCIT posicionada no 
Hemisfério Sul devido à estação de verão neste. A figura B representa o verão no Hemisfério Norte e 
a ZCIT posicionada neste.
De uma forma mais simplificada, verifica-se que na Terra há centros de pressão 
atmosférica (ou células de alta e baixa pressões atmosféricas), que se conectam por 
meio do deslocamento de ventos junto à superfície e em altitude, ocorrendo ainda o 
deslocamento de todo o sistema de acordo com as estações do ano. 
Pela figura 4.5 observa-se que os centros de Alta Pressão Atmosférica têm 
corrente de ar descendente (ar descendo e exercendo alta pressão na superfície), 
que impede o vapor d’água subir, condensar e formar nuvens – por isso são áreas 
com climas mais secos. O ar que se acumula nestas áreas tende a se deslocar 
para os centros de Baixa Pressão Atmosférica, onde há uma corrente de subida. 
Deste modo, os centros de baixa pressão atmosférica são áreas de convergência 
(chegada) de ventos, enquanto os centros de alta pressão são áreas dispersoras(saída) de ventos. Observa-se ainda na figura 4.5 que a corrente ascendente 
de ar na célula de Baixa Pressão ajuda na subida de vapor d’água, que em 
altitude se resfria e se condensa, podendo formar nuvens que geralmente causam 
precipitação e deixam o local com clima mais úmido.
 
BP 
Convergência de 
ventos 
Corrente de ar 
ascendente
 
Fluxo divergente 
em altitude 
Divergência de 
ventos 
Corrente de ar 
descendente 
AP 
Fluxo convergente 
em altitude
Figura 4.5: Modelo simplificado de circulação atmosférica, onde os ventos saem de uma célula de 
alta pressão atmosférica e chegam numa célula de baixa pressão atmosférica.
Capítulo 4 :: 51
Ao lado da latitude, as massas de ar constituem um outro fator climático 
extremamente importante na definição dos climas brasileiros. As massas de ar 
influenciam na intensidade e na sazonalidade dos períodos chuvoso e seco que 
caracterizam os climas do país.
A Massa Equatorial Continental (mEc) é formada na zona aquecida e úmida da 
floresta Amazônica. Esta área recebe ventos oceânicos (alísios) que vão constituir 
a mEc, contribuindo para sua elevada umidade. O intenso aquecimento da área 
provoca instabilidade convectiva (ascensão do ar quente) levando à formação de 
grandes nuvens (cumulonimbus) e precipitação abundante. Durante o verão a 
mEc se amplia atingindo as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil (Figura 4.8), 
levando grande umidade, o que favorece a formação de precipitação, às vezes 
muito forte. Esta massa de ar pode alcançar também alguns estados da Região 
Nordeste e do Sul, levando calor e umidade. Durante o outono esta massa de ar 
começa a diminuir sua atuação sobre o Brasil e se desloca para a direção Norte, 
ficando restrita a uma pequena área ao norte do Brasil no período de inverno. Na 
primavera a mEc volta a se ampliar.
mEc – massa Equatorial continental
mEa – massa Equatorial atlântica
mEn – massa Equatorial norte
mTc – massa Tropical continental
mTa – massa Tropical atlântica
mPa – massa Polar atlântica
mPp – massa Polar pacífica
FPA – Frente Polar atlântica
mEn
FPA
mTa
mPp
0º
20º
40º
mEamEc
CIT
FPA
mTa
mEa
Condição de Verão (exemplo de janeiro)
Condição de Inverno (exemplo de junho)
0º
20º
40º
mTc
mPa
mPa
CIT
mEc
Figura 4.8: Atuação de massas de ar sobre o Brasil nos períodos de verão e inverno. Fonte: Nimer, E. 
Climatologia do Brasil. IBGE, 1989 (modificado).
O Brasil é um país cortado pelas latitudes do Equador e do Trópico de 
Capricórnio. Isto significa que a radiação solar incide de forma direta na superfície 
(em ângulo de 90º ou um pouco menor), causando um grande aquecimento 
(Figura 4.7). A latitude tropical do Brasil também faz com que o tempo de 
incidência solar não varie muito ao longo do ano. Assim, a faixa equatorial tem 
um tempo de exposição ao sol de 12 horas durante todo o ano, apresentando 
então baixíssima variação da temperatura do ar entre inverno e verão (baixa 
amplitude térmica anual).
Solo Polo Equador 
Ângulos de
Incidência
Solar 
Sol
Figura 4.7: Variação dos ângulos de incidência da radiação solar na superfície terrestre de acordo 
com as diferentes latitudes (equatorial e polar). Quanto menor o ângulo, menos aquecimento da 
superfície irá ocorrer, como nos polos.
No entanto, ao sul da linha do Trópico de Capricórnio ocorre uma significativa 
variação da incidência solar: o ângulo e o tempo de exposição ao sol mudam. Esta 
mudança pode ser sentida desde o Estado do Rio de Janeiro, quando no verão 
o Sol se põe depois das 18:00h e no inverno começa a escurecer às 17:30h. 
Com essa pequena variação, as pessoas que moram no estado já percebem as 
diferenças de temperatura entre inverno e verão. 
Nos estados do Sul do Brasil (latitudes acima de 25ºS) a variação é bem 
maior entre inverno e verão. Apresentando a situação de forma hipotética para 
o Estado do Rio Grande do Sul, se o sol nascesse às 6h da manhã, o por do sol 
seria às 19:30h no verão (mais de 13h de exposição ao sol) e às 16h no inverno 
(10h de exposição ao sol). Por isso, as temperaturas ficam muito diferentes entre 
inverno e verão, constituindo uma significativa amplitude térmica anual. Observe 
na tabela 4.1 as variações de temperatura entre verão (mês de janeiro) e inverno 
(mês de julho) de diferentes cidades brasileiras.
Cidade Latitude
Temperatura (oC) Amplitude 
Térmica (oC)Janeiro Julho
Manaus 3oS 26 26 0
Rio de Janeiro 22oS 26 21 5
Porto Alegre 30oS 24 14 10
Tabela 4.1: Variação de temperatura de diferentes cidades brasileiras.
52 :: GeoGrafia :: módulo 2
Ao diminuir sua atuação durante os meses de outono e inverno, a massa 
Equatorial continental deixa espaço para outras massas de ar quente avançar. 
Deste modo, as massas Equatorial atlântica (mEa) e Tropical atlântica (mTa) 
ocupam a maior parte do Brasil no período de inverno. Embora a área de origem 
dessas massas de ar seja no oceano, há um movimento de descida do ar (sub-
sidência) que dificulta a formação de nuvens e de precipitação. Portanto, tais 
massas deixam o tempo seco, sendo que em alguns locais a umidade relativa do 
ar pode chegar a 12%. Esta baixíssima umidade relativa causa muitos problemas 
respiratórios, especialmente em crianças e idosos.
A estabilidade destas massas de ar pode ser quebrada com a chegada da 
massa Polar atlântica (mPa), constituindo uma frente fria sobre o continente. 
A frente fria faz parte de um sistema meteorológico maior, conhecido como 
sistema frontal. Este surge a partir do contato entre as massas de ar polar e tropi-
cal, que se deslocam fazendo um giro (Figura 4.9). Durante este giro, o segmento 
em que a massa polar avança sobre a massa tropical é chamada de frente fria. 
Percebemos a frente fria com uma mudança das condições do tempo: rajadas de 
vento, formação de nuvens grandes, queda de temperatura e precipitação. 
A frente quente corresponde a um outro segmento do sistema frontal, em que 
a massa tropical avança sobre a massa polar. No caso do Brasil, geralmente a frente 
quente ocorre em alto mar. No decorrer do giro entre as duas massas de ar, a massa 
tropical é jogada para cima por ser mais leve, enquanto a massa polar avança sobre 
a superfície por ser mais pesada. Este conjunto de movimentos das massas de ar 
causa grande instabilidade, provocando precipitação por onde avança.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.9: Sistema frontal, constituído por frente fria (segmento sobre o continente) e frente quente 
na América do Sul/Brasil. O sistema frontal surge a partir do encontro das massas de ar diferentes.
A massa Polar atlântica (mPa) atua durante o ano todo nos estados do Sul do 
Brasil, formando frentes frias (e consequente precipitação) que às vezes avançam 
sobre os estados do Sudeste. Mas durante os meses de inverno, a mPa tem mais força 
e pode alcançar estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste (estados 
litorâneos). Quando a mPa chega ao sul da região amazônica causa o fenômeno 
da friagem, expresso pela queda repentina da temperatura do ar, já que esta área 
é bastante quente.
A massa Tropical continental (mTc) tem atuação restrita ao setor oeste 
da região Sul do Brasil. É uma massa de ar quente e seca, pois se desenvolve 
no interior do continente durante o verão. Devido a mTc, várias cidades do sul 
apresentam problemas de estiagem que afetam o abastecimento de água para o 
meio urbano e para as atividades pecuárias, comuns na região.
A altitude e orientação do relevo também interferem na formação dos climas 
brasileiros. Grande parte do Brasil tem baixas altitudes (até 500m), quase não 
interferindo na temperatura. No entanto, para os estados do Sul e do Sudeste 
há planaltos e serras com altitudes superiores a 800m, deixando o ar mais 
frio. Além disso, a orientação do relevo mais elevado pode ser um obstáculo a 
ventos úmidos, como é a situação da Serra do Mar no Sudeste. Neste caso, os 
ventos úmidos vindos do mar são forçados a subir a serra, o que provoca um 
resfriamento do ar. O conteúdo de vapor d’água então se condensa formando 
nuvens e precipitação.
Outro fator climático importante é a vegetação, embora seu efeito seja 
mais local do que regional. Assim, em áreas onde há preservação de cobertura 
vegetal densa o ar tende a ficar mais fresco e úmido, conferindo um bom conforto 
térmico aos habitantes do local. Mas no Brasil ainda há a extensa cobertura de 
floresta amazônica, que fornece para a atmosfera uma grande quantidade de 
vapor d’água e núcleos de condensação (partículas sólidas), que em conjunto são 
responsáveis pela formação de nuvens.
A grande extensão territorial do Brasil ainda possibilita a atuação de dois 
fatores climáticos: continentalidade e maritimidade. As áreas mais distantes do 
mar sofrem com o efeito da continentalidade, que corresponde à capacidade do 
solo rapidamente se aquecer (durante o dia e ao longo do verão) e se resfriar 
(durante a noite e ao longo do inverno). Com isso, o ar acima do solo apresenta 
temperaturas contrastantes entre o dia e a noite e entre o verão e o inverno, 
caracterizando uma grande amplitude térmica. 
As áreas próximas ao mar sofrem o efeito da maritimidade, pois a água 
demora mais a se aquecer e a se resfriar. Por isso a variação de temperatura do 
ar fica menor. No entanto, deve ser também considerada a presença de correntes 
marítimas quentes, que deixam o ar mais úmido e quente. Em áreas com presença 
de correntes marítimas frias, a tendência é o ar ser mais frio e seco, já que a 
evaporação se torna mais difícil.
Características climáticas 
do brasil
Apesar de o Brasil ser um país com predominância de clima tropical, há 
algumas diferenças climáticas devido à atuação diversificada de fatores. Deste 
modo, veremos os principais fatores climáticos que contribuem para a formação dos 
climas brasileiros, definidos a partir da classificação do geógrafo Strahler (Figura 
4.10). Esta classificação se baseia principalmente na ocorrência e movimentação 
de massas de ar, gerando grandes extensões de unidades climáticas no território 
brasileiro. Contudo, são apontados outros fatores que influenciam os climas em 
escalas de maior detalhe, seguidos de climogramas. 
Capítulo 4 :: 53
:: Climogramas ou climatograma ::
São gráficos reunindo os valores mensais de temperatura e de precipitação de um local. Na base do gráfico (eixo X) ficam dispostos os meses 
do ano, enquanto os eixos laterais (eixos Y) correspondem à temperatura e à precipitação. 
A temperatura é geralmente representada por linha, enquanto a precipitação é ilustrada por colunas. Ao analisar o gráfico de climograma, 
deve-se prestar atenção à escala de valores de temperatura e precipitação.
Os dados de médias mensais usados na montagem de climogramas correspondem, preferencialmente, a normais climatológicas. Estas 
compreendem médias calculadas com valores obtidos num intervalo de 30 anos. A última normal climatológica calculada foi a de 1961-1990 e a 
próxima será calculada com os dados coletados entre 1991 e 2020.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo HorizonteDF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.10: Distribuição espacial dos tipos climáticos encontrados no Brasil.
54 :: GeoGrafia :: módulo 2
Clima equatorial úmido
O clima equatorial úmido apresenta muito pouca variação de temperatura 
ao longo do ano, devido ao efeito da latitude, visto anteriormente. A temperatura 
também é praticamente a mesma por toda extensão territorial em que este tipo 
climático ocorre (Estados do Pará, Amazonas, Amapá etc.).
Por meio da figura 4.11, percebe-se a linha quase reta de temperatura na 
cidade de Manaus (estado do Amazonas). Por outro lado, a precipitação não é 
homogênea ao longo do ano, com alguns meses bem mais chuvosos do que 
outros. Os meses de fevereiro, março e abril, por exemplo, apresentam os maiores 
acumulados de chuva (acima de 288mm), refletindo a atuação da Zona de 
Convergência Intertropical (ZCIT) e da massa Equatorial continental (mEc) como 
sistemas produtores de precipitação neste período. Nos meses de julho, agosto e 
setembro a pluviosidade diminui significativamente (menor que 87mm), mas não 
caracteriza seca ou estiagem vivenciada em outras áreas brasileiras.
Apesar da cidade de Manaus se localizar aproximadamente no centro da 
região amazônica, com milhares de quilômetros de distância do mar, o efeito da 
continentalidade é amenizado pela grande quantidade de vapor d’água fornecido 
pela floresta e trazido pelos ventos alísios que penetram na região.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
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200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
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200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
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200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
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200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.11: Climograma da cidade de Manaus (Estado do Amazonas), relacionando precipitação 
e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
Em outros locais da região a quantidade de precipitação pode ser bem 
grande. Em Soure (Ilha de Marajó no Pará), por exemplo, a média anual de chuva 
é de 3.215mm, enquanto em Manaus a média anual é de 2.286mm.
Clima tropical
O clima tropical também ocupa grande parte do território brasileiro (Figura 
4.10) e, dependendo do estado e/ou cidade, pode apresentar características um 
pouco diferenciadas.
Pelo climograma de Brasília (Figura 4.12), observa-se que a linha de tempe-
ratura apresenta uma ligeira queda nos meses de junho e julho, caracterizando o 
inverno com temperaturas amenas. A precipitação entre os meses de maio e se-
tembro fica extremamente baixa (menor que 38mm), caracterizando um período 
de outono/inverno bem seco. É típico nesta época do ano a umidade relativa do 
ar baixar até 10% em alguns dias, afetando a saúde dos habitantes.
A falta de chuva e a baixa umidade relativa do ar podem durar 2 ou 3 meses, 
dependendo da intensidade das massas de ar Equatorial atlântica (atua mais ao 
norte) e Tropical atlântica (atua mais no centro-sul), além da proximidade do 
centro de alta pressão atmosférica do Atlântico Sul. No verão, por outro lado, 
a precipitação mensal pode chegar a 200mm, sendo causada principalmente 
pela expansão da massa Equatorial continental (mEc), oriunda da Amazônia.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
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200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
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Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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20
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Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
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300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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20
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30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.12: Climograma da cidade de Brasília (Distrito Federal), relacionando precipitação e 
temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
A região ocupada pelo clima tropical apresenta variações de altitudes, que 
podem influenciar nas médias de temperatura. Brasília, por exemplo, está numa 
altitude de 1159m, apresentando temperatura média anual de 21ºC, enquanto 
cidades próximas, como Goiânia (741m de altitude) e Paranã (275m de altitude) 
apresentam temperaturas médias de 23ºC e 25ºC, respectivamente.
O clima tropical se estende até o litoral norte do Nordeste. Neste caso 
outros fatores influenciam este tipo climático. A atuação dos ventos alísios, que 
vêm do oceano, deixa o ar mais úmido, mesmo no inverno. As chuvas ocorrem 
principalmente no final do verão e início do outono, relacionando-se com o 
deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) para o hemisfério Sul. 
Observe o climograma de Fortaleza que exemplifica esta situação (Figura 4.13).
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
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200
300
400
mm
10
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25
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ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
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Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
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30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
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200
300
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
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200
300
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.13: Climograma da cidade de Fortaleza (Estado do Ceará), relacionando precipitação e 
temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
Atividade 1
Compare os climogramas de Brasília e de Fortaleza e descreva aqui suas 
semelhanças e diferenças.
Capítulo 4 :: 55
umidade e ventos oriundos do oceano, mas que são forçados a ascender devido às 
encostas da Serra do Mar serem muito altas e próximas ao litoral. Este relevo com 
grandes altitudes também se constitui em barreira orográfica ao deslocamento de 
frentes frias, causando chuvas muito intensas.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
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200
300
400
mm
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ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
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Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
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200
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400
J F M A M J J A S O N D
mm
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ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
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J F M A M J J A S O N D
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Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
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J F M A M J J A S O N D
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Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
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J F M A M J J A S O N D
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Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
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Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano AtlânticoOceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.16: Climograma da cidade de Ubatuba (Estado de São Paulo), relacionando precipitação 
e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
As temperaturas das referidas cidades também são diferentes, com Recife 
apresentando média anual de 25ºC, Cabo Frio com média anual de 23º C e 
Ubatuba com 21º C. Essas diferenças de temperatura têm relação com as latitudes 
de cada cidade.
Clima tropical semiárido
O clima tropical semiárido, existente no interior da Região Nordeste, está 
relacionado à presença de uma célula de alta pressão atmosférica. Como foi visto 
anteriormente, este tipo de movimentação do ar apresenta uma corrente de ar 
descendente (subsidência do ar) que dificulta a subida do vapor d’água para 
formar nuvens e, consequentemente, provocar chuvas.
No entanto, alguns sistemas atmosféricos, como a Zona de Convergência 
Intertropical, e fatores, como aumento da temperatura da superfície do mar, 
podem enfraquecer a célula de alta pressão atmosférica, possibilitando a formação 
de nuvens de chuva. Tais condições é que caracterizam o clima semiárido, com 
este apresentando uma grande irregularidade de precipitação – durante dois ou 
três anos podem ocorrer chuvas, seguidos de outros anos em que não há quase 
nenhuma precipitação.
O climograma da cidade de Petrolina (Figura 4.17), situada no sertão de 
Pernambuco, mostra a pequena quantidade de precipitação ao longo do ano. 
Somente os meses de janeiro a abril apresentam valores de precipitação em torno 
de 100mm, período em que a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) atua na 
região. Entre junho e outubro, a quantidade de chuva raramente ultrapassa 10mm 
por mês, quando ocorre.
Outro fator que pode dificultar a formação de chuvas no interior do Nordeste 
são os planaltos e chapadas próximos ao litoral. Assim, o ar úmido vindo do oceano 
é forçado pelo relevo (com altitudes raramente superiores a 800m) a subir, 
formando nuvens e precipitação nas vertentes oceânicas das elevações. No entanto, 
as áreas mais elevadas são fragmentadas no espaço nordestino e insuficientes para 
explicar a irregularidade e pouca quantidade de precipitação nesta região.
Clima tropical 
litorâneo úmido
Como o próprio nome expressa, este tipo climático recebe influência do mar 
deixando-o mais úmido que o clima tropical anterior. Entretanto, a influência do 
mar pode ser profundamente diferente, dependendo da temperatura da superfície 
do mar (relacionada a correntes marítimas). Outros fatores também ocorrem, 
como os tipos de ventos oceânicos e épocas de atuação, as massas de ar e o 
relevo costeiro.
Considerando estes fatores, observe que os climogramas das cidades 
de Recife (Figura 4.14), Cabo Frio (Figura 4.15) e Ubatuba (Figura 4.16) 
apresentam diferenças, especialmente quanto à quantidade de precipitação e à 
sua distribuição ao longo do ano. Neste sentido, a época de maior precipitação em 
Recife (litoral do Estado de Pernambuco/NE) corresponde aos meses de outono 
e inverno, quando ventos vindos do oceano se tornam intensos e as frentes frias 
oriundas do sul do Brasil podem alcançar o Nordeste brasileiro.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.14: Climograma da cidade de Recife (Estado de Pernambuco), relacionando precipitação 
e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
A quantidade de precipitação em Cabo Frio (litoral do Estado do Rio 
de Janeiro/SE) é muito menor, recebendo influência direta da ressurgência 
da corrente marítima fria das Malvinas. Neste caso, a água fria que aflora na 
superfície estabelece um sistema de ventos do mar para o continente, levando a 
umidade em direção à região serrana próxima a Cabo Frio. 
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D5
10
15
20
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30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
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30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.15: Climograma da cidade de Cabo Frio (Estado do Rio de Janeiro), relacionando 
precipitação e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
Em Ubatuba, cidade no litoral norte do Estado de São Paulo, chove bastante 
ao longo do ano, principalmente nos meses de verão. Esta localidade recebe 
56 :: GeoGrafia :: módulo 2
A temperatura do ar fica em torno de 26º C e, combinada com a pouca 
precipitação, cria ótimas condições para cultivos de frutas o ano todo, desde 
que haja irrigação. Deste modo, o vale do rio São Francisco, que corta a região 
semiárida, se tornou um grande produtor e exportador de frutas.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
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0
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40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
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300
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mm
10
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ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
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20
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ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
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300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
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Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
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300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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15
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Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
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300
400
J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
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30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
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J F M A M J J A S O N D
5
10
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20
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30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.17: Climograma da cidade de Petrolina (Estado de Pernambuco), relacionando precipitação 
e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
:: Temperatura do Ar e Sensação Térmica ::
Às vezes, no inverno, os jornais divulgam que a temperatura 
do ar é um determinado valor, mas a sensação térmica é de 
um frio maior. Isto acontece porque o corpo humano pode 
se resfriar (causando a sensação de frio) com a ocorrência 
de ventos que “roubam” calor do nosso corpo, por exemplo.
Por outro lado no verão, podemos sentir mais calor do que 
o registrado pela temperatura do ar. Esta sensação térmica de 
calor pode estar relacionada à alta umidade do ar e à falta de 
ventos, exigindo que o nosso corpo transpire mais para buscar 
resfriamento, causando inclusive fadiga. 
Clima subtropical úmido
Os estados da Região Sul do Brasil e o extremo sul do estado de São Paulo 
possuem um clima com temperaturas mais amenas e chuvas bem distribuídas 
ao longo do ano. Estas características climáticas se relacionam principalmente 
à latitude extratropical (ao sul do Trópico de Capricórnio) e à ocorrência quase 
semanal de frentes frias.
Em comparação aos demais climogramas, o da cidade de Florianópolis 
(Estado de Santa Catarina) apresenta a linha de temperatura mais sinuosa (Figura 
4.18), evidenciando um maior contraste de temperatura entre inverno e verão do 
que os gráficos anteriores. Esta variação maior de temperatura está relacionada à 
latitude extratropical, que cria uma significativa diferença do tempo de exposição 
ao sol entre o verão e o inverno, como colocado no início do capítulo.
Neste climograma também se verifica a ausência de um período de seca. 
Em todos os meses há quase a mesma quantidade de precipitação, característica 
fornecida pela passagem semanal de frentes frias, mesmo no verão. 
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
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20
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0
0
10
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0
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40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
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400
mm
10
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ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
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ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
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400
J F M A M J J A S O N D
5
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30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
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5
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PrecipitaçãoTemperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
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J F M A M J J A S O N D
5
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Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
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30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.18: Climograma da cidade de Florianópolis (Estado de Santa Catarina), relacionando 
precipitação e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
Na região Sul do Brasil há presença de relevo com altitudes significativas 
(Serras Gaúcha e Catarinense com altitudes em torno de 1000m), deixando a 
temperatura mais baixa ao longo do ano. O relevo elevado também funciona 
como barreira orográfica para o deslocamento de sistemas atmosféricos (ventos 
oceânicos, frentes frias etc.), provocando aumento na quantidade e, às vezes, na 
intensidade da chuva na região serrana. Um exemplo desta situação é a cidade de 
São Joaquim (Figura 4.19), situada em Santa Catarina, a uma altitude de 1.360m. 
Nesta cidade, durante o inverno, pode ocorrer precipitação em forma de neve e 
congelamento da superfície dos riachos. Observe como a linha de temperatura entre 
as duas cidades catarinenses mostram temperaturas bem diferentes.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Figura 4.19: Climograma da cidade de São Joaquim (Estado de Santa Catarina), relacionando 
precipitação e temperatura com os meses do ano. Fonte: INMET. Normais Climatológicas 1961-1990.
Exercícios
1) (UERJ / 2004) O esquema abaixo representa o avanço de uma frente fria no 
dia 12 de julho de 2003, no Estado do Rio de Janeiro.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Correntedo Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
a) Explique o processo de formação de uma frente fria. 
Capítulo 4 :: 57
b) A partir da dinâmica das massas de ar, justifique por que a frequência e a 
intensidade das frentes frias que atingem o Rio de Janeiro são maiores nesse período.
2) (UERJ / 2004, 2º dia) Observe os climogramas abaixo, que apresentam as 
médias mensais de chuvas e de temperatura do ar atmosférico, de quatro cidades 
brasileiras.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Adaptado de ADAS, M. Panorama Geográfico do Brasil. São Paulo: Moderna, 1998.
Os diferentes tipos de clima identificados pelos números , , e são, 
respectivamente:
(A) equatorial úmido – tropical semiárido – desértico – subtropical úmido
(B) tropical semiúmido – subtropical úmido – desértico – equatorial úmido
(C) tropical semiúmido – desértico – tropical semiárido – equatorial úmido
(D) equatorial úmido – tropical semiúmido – tropical semiárido – subtropical úmido
3) (UFRJ / 2005, modificada) Observe o climograma e o mapa a seguir.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
a) Descreva as principais características do clima representado no gráfico.
b) Identifique qual das três cidades assinaladas no mapa apresenta as características 
do climograma e explique os fatores relacionados ao regime de chuvas.
4) (UERJ / 2009) Os climogramas são gráficos que permitem comparar os climas 
por meio de dados referentes a temperatura e umidade.
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J JA S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
Média anual
27,1ºC
J F M A M J J A S O N D
J F M A M J J A S O N D
Total anual
2479 mm3
Média anual
–12,5ºC
Total anual
109 mm3
0
10
20
30
0
0
10
20
0
20
40
Barrow (Canadá)Kuala Lampur (Malásia)
–30
–20
–10
20
40
60
80
100
120
140
160
180
200
220
240
260
280
300
P (mm3)T (ºC) P (mm3)T (ºC)
Trópico de Capricórnio
Equador
J
0
100
200
300
400
mm
10
15
20
25
30
ºC
F M A M J J A S O N D
Manaus
Curitiba
Cuiabá
J
0
100
200
300
400
Precipitação
mm
Fonte: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico, p. 6. (adaptado)
I
Climogramas
II III IV
10
15
20
30
40
Temperatura
ºC
Rio de Janeiro
Minas Gerais
São Paulo
Fonte: O Globo, 12/07/2003. (adaptado)
Frente Fria
F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
 
São Joaquim (SC)
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
mm
5
10
15
20
25
30
ºC
Precipitação Temperatura
 
Florianópolis (SC)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Petrolina (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Ubatuba (litoral SP)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Cabo Frio (RJ)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Recife (PE)mm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Fortalezamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
 
Brasíliamm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Manausmm ºC
0
100
200
300
400
J F M A M J J A S O N D
5
10
15
20
25
30
Precipitação Temperatura
Climas do Brasil (Classificação segundo Strahler)
 
Equador
Climas controlados 
por massas de ar 
equatoriais e tropicais
Equatorial Úmido
Litorâneo Úmido
Tropical
Climas controlados 
por massas de ar 
tropicais e polares
Subtropical Úmido
Corrente quente
Corrente fria
Tropical Semiárido
Manaus
Macapá
Boa Vista
Porto Velho
Rio Branco
Belém
Teresina
São Luís
Palmas
Belo Horizonte
DF
Brasília
Goiânia
Cuiabá
Campo Grande
OCEANO
Trópico de Capricórnio
ATLÂNTICO
Corrente das Guianas
Corrente Sul Equatorial
Corrente 
do Brasil
Corrente 
do Brasil
Corrente das Falkland
Fortaleza
Recife
João Pessoa
Natal
Salvador
Aracaju
Maceió
Rio de Janeiro
São Paulo
Curitiba
Vitória
Porto Alegre
Florianopólis
Oceano Atlântico
Oceano Pacífico
Massa 
Polar 
Atlântica
Massa 
Tropical 
Atlântica
Trópico de 
Capricórnio
Equador
Frente Fria
Frente Quente
Direção do deslocamento
A partir da análise desses climogramas, justifique as diferenças de amplitude 
térmica e de total anual de chuva verificadas entre os dois tipos climáticos 
representados.
58 :: GeoGrafia :: módulo 2
Complemente seus 
conhecimentos
Possíveis impactos da mudança de clima no Nordeste
Jose A. Marengo 
Clima do Nordeste: o presente
É conhecido que as chuvas do semiárido da região Nordeste 
apresentam enorme variabilidade espacial e temporal. Anos de secas e 
chuvas abundantes se alternam de formas erráticas, e grandes são as secas 
de 1710-11, 1723-27, 1736-57, 1744-45, 1777-78, 1808-09, 1824-
25, 1835-37, 1844-45, 1877-79, 1982-83, e 1997- ocorrência de 
chuvas, por si só, não garante que as culturas de subsistência de sequeiro 
serão bem-sucedidas, e um veranico ou período seco dentro da quadra 
chuvosa pode ter impactos bastante adversos à agricultura da região. 
O regime pluviométrico de uma determinada região mantém uma forte 
relação com as condições hídricas do solo. Visto que a precipitação na 
região Nordeste apresenta uma grande variabilidade no tempo e espaço, 
a ocorrência de chuvas, por si, não garante que as culturas de subsistência 
serão bem-sucedidas. No semiárido é frequente a ocorrência de períodos 
secos durante a estação chuvosa que, dependendo da intensidade e 
duração, provocam fortes danos nas culturas de subsistência. 
A região Nordeste caracteriza-se naturalmente como de alto potencial 
para evaporação da água em função da enorme disponibilidade de 
energia solar e altas temperaturas. Aumentos de temperatura associados 
à mudança de clima decorrente do aquecimento global, independente do 
que possa vir a ocorrer com as chuvas, já seriam suficientes para causar 
maior evaporação dos lagos, açudes e reservatórios e maior demanda 
evaporativa das plantas. Isto é, a menos que haja aumento de chuvas, a 
água se tornará um bem mais escasso, com sérias consequências para a 
sustentabilidade do desenvolvimento regional.
O sistema elétrico brasileiro depende do regime de chuvas. Uma 
pequena redução da quantidade de chuvas ou um pequeno aumento da 
evaporação pode levar a zero a geração de energia em grandes áreas do 
Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Sentimos isso em 2001, durante 
o “apagão”. Aquilo foi provocado pelas poucas chuvas no sistema hidrelétrico 
do Sudeste, e bastou um aumento da temperatura de um ou dois graus, e a 
quantidade de água perdida para a evaporação, e o excesso de uso de energia 
para fazer funcionar sistemas de ar acondicionado e refrigeração, foram 
suficientes para levar os níveis dos reservatórios das usinas hidroelétricas a 
níveis próximos a zero, comprometendo a geração de energia.
Clima do Brasil: o futuro
As projeções de clima, liberadas pelo Quarto Relatório do IPCC (IPCC 
AR4), têm mostrado cenários de secas e eventos extremos de chuva em 
grandes áreas do planeta. No Brasil, a região mais vulnerável, do ponto de 
vista social, à mudança de clima, seria o interior de Nordeste, conhecida 
como semiárido, ou simplesmente o “sertão”. Reduções de chuva aparecem 
na maioria dos modelos globais do IPCC AR4, assim como um aquecimento 
que pode chegar até 3-4ºC para a segundametade do século XXI. Isso 
5) (UFF/ 2010) O fenômeno registrado na fotografia remete à importância de 
se conhecer a dinâmica da natureza.
O principal fator de formação das ondas e a causa específica do fenômeno 
apresentado estão corretamente associados em:
(A) corrente marítima, vinculada à diferença de temperatura.
(B) vento, provocado por ciclone extratropical no oceano.
(C) salinidade, produto do variável índice pluviométrico.
(D) abalo sísmico, decorrente de acomodações na crosta terrestre.
(E) relevo litorâneo, resultante da formação geológica no continente.
6) (UFF / 2009)
Tempo Real / Tempo Virtual
[...] O verão é feroz. Especialmente um verão como este, ilegítimo, fora de 
época, produto de uma subversão planetária. Tudo nele está fora da lei, como a 
poesia e a paixão desvairada. Por isso mesmo, tudo nele é intenso e efêmero, como 
se decidisse esbanjar toda a sua vida num dia apenas, com a urgência de quem vai 
morrer às seis da tarde, sangrando, esquartejado, sobre as montanhas do Leblon.
O verão lembra uma máquina anômala cujas correias e roldanas se estendem 
por avenidas e rodam nas nuvens, espiralando, em câmera lenta, numa velocidade 
diferente dos aviões que sobrevoam os quarteirões do Flamengo e o Morro da 
Viúva, preparando-se para descer na pista do Santos Dumont. [...]
Ferreira Gullar, Revista O Globo, 30/12/07
O texto de Ferreira Gullar refere-se, de maneira poética, às mudanças climáticas 
ocorridas no globo terrestre ao longo das últimas décadas.
Assinale a caracterização correta desse fenômeno.
(A) Ocorrência de tempestades e catástrofes naturais, causadas pelo movimento 
de placas tectônicas.
(B) Irregularidade das condições climáticas em áreas do planeta, provocada por 
fatores naturais e humanos.
(C) Aumento da temperatura nas cidades, em função da formação de “ilhas de 
calor” nas áreas rurais.
(D) Modificações do ciclo das estações em virtude de mudanças orbitais da Terra 
e da atividade solar.
(E) Alterações bruscas no tempo, devido à inversão térmica decorrente do avanço 
de massas de ar.
Capítulo 4 :: 59
acarreta reduções de até 15-20% nas vazões do rio São Francisco.
O Relatório do Clima do Brasil, produzido recentemente pelo Instituto 
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tem estudado as mudanças de 
clima no Brasil, e para o Nordeste, para finais do século XXI. Este relatório 
tem usado modelos regionais de até de resolução animados no modelo 
global de HadAM3 do Centro Climático do Reino Unido (Hadley Centre). 
Segundo este relatório do Inpe, estes seriam os possíveis impactos da 
mudança de clima, considerando os cenários otimistas e pessimistas 
propostos pelo IPCC:
No cenário climático pessimista, as temperaturas aumentariam de 2 
ºC a 4 ºC e as chuvas de reduziriam entre 15-20% no Nordeste até o final 
do século XXI. No cenário otimista, o aquecimento seria entre 1-3 ºC e a 
chuva ficaria entre 10-15% menor que no presente. 
Essas mudanças no clima do Nordeste no futuro podem ter os 
seguintes impactos:
• A caatinga pode dar lugar a uma vegetação mais típica de zonas 
áridas, com predominância de cactáceas. O desmatamento da Amazônia 
também afetará a região.
• Um aumento de 3ºC ou mais na temperatura média deixaria ainda 
mais secos os locais que hoje têm maior déficit hídrico no semiárido.
• A produção agrícola de subsistência de grandes áreas pode se 
tornar inviável, colocando a própria sobrevivência do homem em risco.
• O alto potencial para evaporação do Nordeste, combinado com o 
aumento de temperatura, causaria diminuição da água de lagos, açudes 
e reservatórios.
• O semiárido nordestino ficará vulnerável a chuvas torrenciais 
e concentradas em curto espaço de tempo, resultando em enchentes e 
graves impactos socio-ambientais. Porém, e mais importante, espera-se 
uma maior frequência de dias secos consecutivos e de ondas de calor 
decorrente do aumento na frequência de veranicos.
• Com a degradação do solo, aumentará a migração para as cidades 
costeiras, agravando ainda mais os problemas urbanos.
Consequências da mudança do clima no Nordeste:
As projeções apresentadas no Relatório do Clima do Inpe foram 
geradas usando modelos climáticos globais e regionais, e o fato de 
todos os modelos convergirem numa situação de clima mais quente e 
seco pode fazer com que consideremos essas projeções como tendo 
um grau de certeza grande. Considerando um modelo em particular 
(o modelo do Centro Climático britânico – Hadley Centre) e o cenário 
pessimista, apresenta uma tendência de extensão da deficiência hídrica por 
praticamente todo o ano para o Nordeste, isto é, tendência a “aridização” 
da região semiárida até final do século XXI. Define-se “aridização” como 
sendo uma situação na qual o déficit hídrico que atualmente apresenta-
se no semiárido durante 6-7 meses do ano seja estendido para todo o 
ano, consequência de um aumento na temperatura e redução das chuvas. 
Em resumo, grande parte do semiárido nordestino, onde a agricultura não 
irrigada já é atividade marginal, tornar-se-ia ainda mais marginal para a 
prática da agricultura de subsistência.
Aquecimento global, com a elevação do nível dos oceanos, aumento 
da intensidade e da frequência das ressacas nos últimos anos, a ocupação 
irregular da orla e mudanças provocadas pelo homem nos rios que 
desaguam no mar são apontados, por especialistas em climatologia e 
fenômenos marinhos, como causas mais prováveis da redução das praias. 
Uma elevação de no nível do Atlântico poderia consumir de praia no Norte 
e no Nordeste. Em Recife, por exemplo, a linha costeira retrocedeu de 
1950, e mais de de 1985 e 1995.
Os ambientalistas estão preocupados também com a caatinga, 
apontada como uma das ações mais urgentes. A caatinga é o único bioma 
exclusivamente brasileiro, abriga uma fauna e uma flora únicas, com 
muitas espécies endêmicas, ou seja, que não são encontradas em nenhum 
outro lugar do planeta. Trata-se de um dos biomas mais ameaçados do 
Brasil, com grande parte de sua área tendo já sido bastante modificada 
pelas condições extremas de clima observadas nos últimos anos, e 
potencialmente são muito vulneráveis às mudanças climáticas. 
O clima mais quente e seco poderia ainda levar a população a migrar 
para as grandes cidades da região ou para outras regiões, gerando ondas 
de “refugiados ambientais”, aumentando assim os problemas sociais já 
existentes nos grandes centros urbanos do Nordeste e do Brasil.
O que pode ser feito: avaliações do impacto e vulnera-
bilidade às mudanças climáticas
A população mais pobre é a que sofrerá mais e a região mais afetada 
seria um quadrilátero no Nordeste, compreendendo desde o oeste do Piauí, 
o sul do Ceará, o norte da Bahia e oeste de Pernambuco, onde estão as 
cidades com menor desenvolvimento humano. As projeções de clima para 
o futuro indicam riscos de secas de 10 anos ou mais. 
Para um país com tamanha vulnerabilidade, o esforço atual de mapear 
tal vulnerabilidade e risco, conhecer profundamente suas causas setor por 
setor, e subsidiar políticas públicas de mitigação e de adaptação ainda se situa 
bem aquém de suas necessidades. O conhecimento sobre impactos setoriais 
avançou um pouco sobre a vulnerabilidade da mega diversidade biológica e de 
alguns agroecossistemas (milho, trigo, soja e café) às mudanças climáticas, 
com indicações iniciais de significativa vulnerabilidade. Nos setores de saúde, 
recursos hídricos e energia, zonas costeiras, e desenvolvimento sustentável 
do semi-árido e da Amazônia, a quantidade de análises de impactos e 
vulnerabilidade é substancialmente menor, o que aponta para uma premente 
necessidade de induzir estudos para esses setores. 
São mais comuns os estudos de vulnerabilidade a mudanças dos usos 
da terra, aumento populacional e conflito de uso de recursos naturais, 
porém, é urgente um esforço nacional para a elaboração de um “Mapa 
Nacional de Vulnerabilidade e Riscos às Mudanças Climáticas”, integrando 
as diferentes vulnerabilidades setoriais e integrando estas com as demaiscausas de vulnerabilidade. Um plano contra a mudança climática incluiria 
tanto ações de adaptação (como mudar o zoneamento em cidades 
litorâneas para evitar o avanço do mar) quanto de mitigação.
Jose A. Marengo é pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, do 
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe) - Email: marengo@cptec.inpe.br.
60 :: GeoGrafia :: módulo 2
5
Biomas e Domínios 
do Relevo do Brasil
é baseada nas ligações dos aspectos biológicos e físicos de uma determinada 
formação. Cada tipo de bioma apresenta um conjunto de ecossistemas que 
funcionam de forma estável, sendo caracterizado por um tipo principal de 
vegetação (num mesmo bioma podem existir diversos tipos de vegetação). Desse 
modo, os sistemas ambientais utilizam-se da classificação de vegetação para 
melhor evidenciar as diversas paisagens naturais, aqui entendidas como biomas.
Quanto aos ecossistemas, são considerados como as unidades naturais do 
planeta que compõem os diferentes tipos de biomas, constituindo-se no foco de 
estudo da Ecologia. São formados por seres vivos (meio biótico), por locais onde 
vivem (meio abiótico) e por todas as relações destes com o meio e dividem-se em 
terrestres e aquáticos, podendo variar de tamanho, desde uma poça d’água até 
uma grande floresta. Em outras palavras, são considerados como o “conjunto de 
todos os organismos (biocenose) que habitam em um determinado espaço vital 
(ecótopo), com a totalidade de fatores inanimados desse espaço” ou, conjunto 
formado por todas as comunidades que vivem e interagem em uma certa região 
e pelos fatores abióticos que agem sobre essas comunidades. E, finalmente, a 
associação de ecossistemas similares formam então um tipo de bioma. 
Os domínios morfoclimáticos (morpho = formas + clima) foi proposto nos 
anos de 1970 por Aziz Ab´Saber, para classificar as interações entre os elementos 
naturais construídas ao longo do tempo. Os domínios se referem a unidades 
paisagísticas resultantes, principalmente, das relações entre clima e relevo. 
Quanto à conceituação de domínios, podem ser entendidos como ‘faixas ou zonas 
de transição’ que funcionam como ‘limites’ entre as paisagens, evidenciando que 
essa passagem se dá de forma gradual e não abrupta.
As diferentes paisagens que se estendem pelo globo terrestre podem 
ser agrupadas segundo alguns critérios, capazes de agregar regiões com 
características semelhantes e facilitar o entendimento dos fenômenos naturais e 
sociais. Isso significa que, quando falamos em paisagens naturais, dois conceitos 
são importantes: bioma e domínio morfoclimático.
BIOMAS NO MUNDO
A nossa visão de mundo é político-administrativa, não é mesmo? Dividido 
em continentes, países, estados, cidades, vilas, povoados, aldeias... Raramente 
nos damos conta de que vivemos em um determinado bioma, cujas características 
são únicas e se diferenciam dos outros biomas. Na escala global, os biomas são 
unidades que evidenciam grande homogeneidade na natureza de seus elementos, 
como por exemplo as florestas tropicais que distribuem-se pela América, África, Ásia 
e Oceania. Embora semelhantes, possuem diferentes comunidades ecológicas e são 
essas particularidades, que fazem com que algumas vegetações embora parecidas 
entre si, mostrem-se distintas. Assim como em outros biomas, cada uma dessas 
florestas tem sua importância no contexto local. 
Os biomas são classificados de acordo com algumas características, tais 
como: grau de umidade, folhas e formas e a maioria dos autores concordam em 
identificar onze biomas no globo: Tundra, Taiga, Florestas Temperadas, Vegetação 
Mediterrânea, Pradaria, Estepes, Deserto, Savana, Florestas Tropicais e Subtropicais 
e Vegetação de Montanha (Figura 5.1). Lembramos que, atualmente, além da 
irreversível extinção de espécies (ou da biodiversidade), podemos mencionar outra 
SOBRE OS BIOMAS, 
OS ECOSSISTEMAS 
E OS DOMÍNIOS 
MORFOCLIMÁTICOS
Este capítulo tem como objetivo entender quais são os principais bio-
mas, ecossistemas e domínios morfoclimáticos brasileiros ou mesmo, o 
significado destes na dinâmica terrestre. Para tal, é importante destacar 
conceitos, definições, terminologias, características, distribuição e principais 
usos. Iniciaremos com os termos fitofisionomia, formação e bioma. Fitofisio-
nomia indica o aspecto da vegetação que se encontra em determinado lugar 
e foi proposto praticamente ao mesmo tempo que o termo formação, que indica 
a vegetação como resultante da interação entre solo, relevo, clima, fauna, flora, 
hidrografia e outros. O termo bioma, proposto mais tarde, apenas adicionou a 
fauna à uniformidade fitofisionômica e climática, características desta unidade bio-
lógica. Várias modificações conceituais foram apresentadas por diversos autores, 
ao longo do tempo, acrescentando outros fatores ambientais ao conceito original, 
como o solo, por exemplo. Walter propôs um conceito essencialmente ecológico, 
considerando bioma como uma área de ambiente uniforme, definido de acordo 
com a zona climática em que se encontra. 
De origem grega, a palavra bioma (bio = vida + oma = 
grupo) foi utilizada pela primeira vez por Frederic Clements nos 
anos de 1940. O objetivo era o de designar grandes unidades 
caracterizadas por certa uniformidade em sua distribuição 
no planeta, bem como o predomínio de espécies de flora e 
fauna, associadas às outras características do meio físico como 
relevo, solo e clima. Essa classificação foi aprimorada e passou 
a designar grandes unidades com características semelhantes, 
destacando-se a fisionomia, as formas de vida, as estruturas 
e os fatores ambientais associados, introduzindo-se o fator 
hidrografia. Há muitas definições sobre esse conceito, mas 
começou de fato a ser mais utilizado a partir da década de 
1990 para facilitar o planejamento de ações de conservação e 
proteção ambiental específicas para cada bioma.
O bioma pode ser considerado como uma área do espaço geográfico, com 
dimensões de até mais de um milhão de quilômetros quadrados e que tem por 
características a uniformidade de um macroclima definido, de uma determinada 
fitofisionomia ou formação vegetal, de uma fauna e outros organismos vivos 
associados, e de outras condições ambientais, como a altitude, o solo, alagamentos, 
o fogo, a salinidade, entre outros. Estas características todas lhe conferem uma 
estrutura e uma funcionalidade peculiares, ou seja, uma ecologia própria.
Entende-se então, que os biomas apresentam um somatório de ecossistemas 
vizinhos e semelhantes, podendo ser divididos em terrestres e aquáticos. 
Como vocês sabem, o ambiente terrestre é dividido em grandes comunidades, 
apresentando características distintas entre si, e essa classificação dos biomas 
62 :: GeoGrafia :: módulo 2
Interessante notar que, ainda que sua riqueza baseia-se em espécies nativas, 
a maior parte das atividades econômicas nacionais são de espécies exóticas. Na 
agricultura, destacam-se a cana-de-açúcar (Nova Guiné), o café (Etiópia), o arroz 
(Filipinas), a soja e a laranja (China), o cacau (México) e o trigo (Ásia); na 
silvicultura, os eucaliptos (Austrália) e pinheiros (América Central); na pecuária, os 
bovinos (Índia), os equinos (Ásia) e os caprinos (África); na piscicultura, as carpas 
(China), as tilápias (África Oriental); e na apicultura, as variedades de abelha 
provenientes da Europa e da África. 
Os produtos da biodiversidade no Brasil respondem por 31% das exportações, 
com destaque para o café, a soja e a laranja. As atividades de extrativismo 
florestal e pesqueiro empregam mais de três milhões de pessoas. A biomassa 
vegetal, incluindo o etanol da cana-de-açúcar, e a lenha e o carvão derivados de 
florestas nativas e plantadas respondem por 30% da matriz energética nacional 
– e em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade 
da demanda energética industrial e residencial. Além disso, grande parte da 
população brasileira faz uso de plantas medicinais para tratar seus problemasde 
saúde. Diante deste quadro, é de fundamental importância que as pesquisas sejam 
intensificadas no país para o melhor aproveitamento da biodiversidade brasileira 
pois, ainda é reduzido o conhecimento sobre as espécies, principalmente nas 
áreas tropicais úmidas. Essa condição torna-se crítica à medida que as alterações 
ambientais antropogênicas se acentuam, modificando habitats e impingindo uma 
perda de patrimônio biológico. 
PRINCIPAIS TIPOS DE 
BIOMAS DO BRASIL
É grande a variedade de formações vegetais pelo planeta, como florestas 
equatoriais, tropicais, desertos, savanas, campos, dentre outros, sendo 
possível identificarmos características comuns em todo o mundo. Apesar da 
homogeneização dos biomas, cada formação no planeta apresenta espécies 
específicas daquela área. A divisão político-administrativa do Brasil está no nosso 
imaginário e rapidamente nos situamos diante de um mapa. Mas qual é o bioma 
que vivemos por exemplo, aqui no estado do Rio? Este bioma está associado a 
qual zona climática? 
Vamos rever de modo sucinto quais são os principais biomas brasileiros e 
como estão distribuídos espacialmente. O espaço geográfico brasileiro se estende 
por mais de 8,5 milhões de km², situados em latitudes que vão desde aproxima-
damente 5ºN até quase 34ºS, onde cada bioma tem seus limites definidos por 
uma combinação de diferentes fatores tais como clima, temperatura, precipitação 
de chuvas, umidade relativa, tipo de componentes do solo, compartilhando das 
mesmas características biológicas e climáticas. Podemos citar alguns exemplos 
como os dos moradores de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória que encon-
tram-se nos limites do bioma de Mata Atlântica e os de Goiânia, Brasília e Cuiabá 
nos limites do bioma do Cerrado. 
São inúmeras as divisões dos tipos de biomas no Brasil e, neste curso 
adotamos as propostas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 
que define o bioma como “conjunto de espécies animais e vegetais que vivem 
em formações vegetais vizinhas em um território que possui condições climáticas 
similares e história compartilhada de mudanças ambientais, o que resulta em uma 
crise, a dos biomas, que por resultar na perda dos ambientes naturais onde as 
espécies nascem, desenvolvem-se e deslocam-se, passou a ser uma preocupação 
recorrente mencionada na literatura. 
Figura 5.1: Biomas no Mundo
BRASIL: PAÍS DE MAIOR 
BIODIVERSIDADE DO 
PLANETA
Segundo a Conservation International (CI), o Brasil é considerado “megabio 
diverso” ou seja, um país que reúne pelo menos 70% das espécies vegetais e 
animais do Planeta. Primeiro país signatário da Convenção sobre a Diversidade 
Biológica (CDB), sua biodiversidade é qualificada pela diversidade de ecossistemas, 
de espécies biológicas, de endemismos e de patrimônio genético.
As dimensões continental, as variações geomorfológica e climática, além da 
maior rede hidrográfica, são responsáveis pela formação de zonas biogeográficas 
distintas ou biomas, a saber: a Floresta Amazônica, maior floresta tropical úmida 
do mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado de savanas e bosques; 
a Caatinga de florestas semiáridas; os campos dos Pampas; e a floresta tropical 
pluvial da Mata Atlântica. Além disso, em seu litoral estão os ecossistemas como 
recifes de corais, dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos. 
Essa variedade de biomas reflete a enorme riqueza da flora e da fauna e faz 
com que o Brasil tenha a maior biodiversidade do planeta. Podemos citar, além 
disso, as espécies endêmicas e diversas espécies de plantas de importância econô-
mica mundial – como o abacaxi, o amendoim, a castanha do Brasil (ou do Pará), 
a mandioca, o caju e a carnaúba – que são originárias do Brasil. Abriga ainda, 
uma rica sociobiodiversidade, representada por mais de 200 povos indígenas e 
por diversas comunidades – como quilombolas, caiçaras e seringueiros, para citar 
alguns – que reúnem um inestimável acervo de conhecimentos tradicionais sobre 
a conservação da biodiversidade.
Capítulo 5 :: 63
O bioma da Amazônia (conhecida como Floresta Equatorial, Tropical e Úmida) 
compreende cerca de 42% do território nacional e está presente nos estados do Acre, 
Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, 
além de outros países sul-americanos, em áreas de climas Equatorial e Tropical 
úmido. Possui a maior biodiversidade do planeta e compõe-se por vegetação de 
grande porte, verdes, com grandes folhas (latifoliadas) e grande densidade. 
O bioma da Caatinga, cuja vegetação é adaptada às condições de aridez, 
é único no mundo, abrange cerca de 10% do território nacional e engloba os 
estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, 
Alagoas, Sergipe, Bahia (região Nordeste do Brasil) e parte do norte de Minas 
Gerais (região Sudeste do Brasil). 
O bioma dos Campos são formados basicamente por herbáceas, gramíneas 
e pequenos arbustos de diversas características, variando de acordo com a região, 
ocupando áreas descontínuas no país. Na região Norte, apresenta-se como savanas 
de gramíneas baixas; na região Sul, como pradarias mistas subtropicais formadas 
principalmente pelo Pampa gaúcho, onde o clima é subtropical e a vegetação 
(aberta e de pequeno porte) se estende do Rio Grande do Sul à Argentina e ao 
Uruguai. Podem ainda ser encontrados em diversas regiões do planeta tais como, 
nas estepes russas, nas pradarias norte-americanas e nas savanas africanas. 
O bioma do Cerrado localiza-se principalmente no Planalto Central Brasileiro, 
ocupa cerca de 20% do território brasileiro e é o segundo maior bioma do 
Brasil. Composto por árvores relativamente baixas (distribuídas entre arbustos e 
gramíneas), de troncos e ramos retorcidos, cascas espessas e folhas grossas. É um 
ecossistema similar às chamadas Savanas da África e da Austrália, e é reconhecido 
como a savana mais rica do mundo em biodiversidade. 
O bioma do Pantanal localiza-se no sudoeste de Mato Grosso e oeste de 
Mato Grosso do Sul e faz a ligação entre o Cerrado (no Brasil Central), o Chaco 
(na Bolívia) e a Floresta Amazônica (ao Norte do país). Constitui-se numa área 
de transição e é considerado uma das maiores planícies inundáveis do planeta, 
formado por uma grande variedade de ecossistemas. 
O bioma Mata Atlântica ocupa toda a faixa continental atlântica leste brasileira 
e se estende para o interior nas regiões Sudeste e Sul do País, ou seja, do Piauí ao 
Rio Grande do Sul, ocupando inteiramente três estados – Espírito Santo, Rio de 
Janeiro, Santa Catarina, 98% do Paraná, além de porções de outras 11 unidades da 
federação. Definido pela vegetação florestal e por relevo diversificado, é considerado 
um dos biomas mais ricos do mundo em espécies da flora e da fauna. 
Tabela 5.1: Área Territorial ocupada pelos Biomas no Brasil 
(IBGE, 2004)
Biomas Continentais 
Brasileiros
Área Aproximada 
km²
Área Total/Brasil 
%
Bioma Amazônia 4.196.943 49,29%
Bioma Cerrado 2.036.448 23,92%
Bioma Mata Atlântica 1.110.182 13,04%
Bioma Caatinga 844.453 9,92%
Bioma Campos (Pampas) 176.496 2,07%
Bioma Pantanal 150.355 1,76%
8.514.877 100,00%
diversidade biológica própria”. Nessa perspectiva, o bioma pode ser nomeado 
em função da vegetação predominante (Cerrado, Mata Atlântica), do relevo 
(Pantanal), das condições climáticas (Caatinga no semiárido nordestino) ou do 
meio físico ( zonas costeira e marinha). 
Lançado em 2004 pelo IBGE, o Mapa dos Biomas Brasileiros apresenta 
uma divisão onde um mesmo bioma contém paisagens distintas da vegetação 
dominante. É o caso dos Campos e Manchas de Cerrado existentes na Amazônia. 
Ao considerar ecossistemas distintos do predominante em um mesmo bioma, 
tenta-se mostrar que eles precisam ser tratados de maneira integrada. O que afeta 
um ecossistema provoca impactos em outros ecossistemas vizinhos, mesmo que o 
primeiro não seja a paisagem preponderante.
De acordo com o IBGE (Figura 5.2 e Tabela 5.1), são seis os grandes biomas 
brasileiroscontinentais (Caatinga, Campos, Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica e 
Pantanal) e um bioma aquático (Oceânico, Litorâneo e Lacustre). Observe ainda, 
os limites dos Biomas e os limites dos tipos Climáticos (Figura 5.3)
Figura 5.2: Biomas Brasileiros. Fonte: IBGE, 2004
Figura 5.3: Climas do Brasil
64 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 5.5: Biomas do Brasil e Unidades de Conservação
O desmatamento no Brasil está reduzindo de modo significativo sua cober-
tura vegetal original. Estima-se que, cerca de 20.000 km² de vegetação nativa 
é desmatada anualmente em consequência de derrubadas e incêndios para fins 
agrícolas, industriais ou urbanos que, no conjunto, transformam o ambiente com 
a construção de estradas, viadutos, túneis, hidrelétricas, minerações, impermea-
bilização do solo e causam perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, 
emissão de gás carbônico na atmosfera, erosões, alterações na dinâmica hídrica, 
alterações climáticas, dentre outros (Figura 5.6). Podemos mencionar alguns 
exemplos: - introdução de espécies exóticas e grandes plantações, como é o caso 
do eucalipto introduzido principalmente nos biomas de Cerrado, Pampa e Floresta, 
alterando a paisagem e a economia regional, além de causar impactos irreversí-
veis no ambiente; - introdução da soja no Cerrado, Pantanal, causando impactos 
ambientais como o assoreamento do leito dos rios, a poluição de nascentes de 
rios das bacias Amazônica e do São Francisco por agrotóxicos, etc.; - atividades 
agropecuárias com impactos sociais graves (trabalhadores escravos). 
A preocupação em relação à extinção de espécies e à alteração de dinâmicas 
sistêmicas, tem levado ambientalistas e governos a desenvolver pesquisas com 
a finalidade de conhecer mais as mudanças provocadas por diferentes usos dos 
biomas e propor planejamentos adequados que possam colaborar na preservação 
em consonância com a produção de alimentos. Essa mesma preocupação tem 
levado à ações de Organizações Não Governamentais a se dedicarem a pesquisa, 
como é o caso do GREENPEACE.
O bioma Áquático brasileiro constitui-se dos lagos, rios e mares, ou seja, 
por ambientes de água doce (lênticos e lóticos) ou ambientes de água salgada 
(plataforma continental, costões rochosos e mar aberto). Os lênticos são formados 
por lagos e lagoas, ambos de águas paradas e os lóticos, pelos cursos d’água (rios 
e correntezas) mais velozes, sendo que apresentam diferentes formas da nascente 
até a foz. Lembramos que, são muitos os cursos d’água, tais como: 
•	 cursos de pântanos (águas escuras que drenam terras úmidas e recebem 
principalmente águas de chuva); 
•	 cursos montanhosos (águas turbulentas que formam sedimentos finos); 
•	 rios que drenam áreas de solo argiloso (águas turvas e contribuem para a 
fertilidade do solo local); 
•	 rios de mananciais (recebem grandes quantidades de águas limpas que se 
infiltram na terra, podendo constituir cursos subterrâneos, águas claras);
•	 rios de maré (correm para o mar e sofrem os efeitos das marés nas regiões 
mais baixas). 
Já no ambiente marinho, estão manguezais, restingas, dunas, praias, ilhas, 
costões rochosos, baías, falésias, recifes de corais instalados nas áreas de transição 
entre litoral, praia, plataforma continental e fundo oceânico. 
Apresentamos os principais tipos de biomas encontrados no Brasil de acordo 
com a classificação do IBGE. Seguem outros mapas (Figura 5.4) que vocês 
eventualmente encontrarão na literatura ou mesmo nas provas do ENEM, cujas 
divisões utilizam outros critérios. 
Figura 5.4: Biomas do Brasil (11 tipos)
É com o agravamento dos problemas ambientais em nível global, como 
as queimadas de florestas, o aumento de gás carbônico na atmosfera e seu 
consequente efeito no aquecimento do Planeta, o crescimento do buraco de 
ozônio sobre o polo sul, o avanço das fronteiras agrícolas, em detrimento das 
áreas naturais dentre outros, tem aumentado muito o interesse dos pesquisadores 
e de toda a mídia em denunciar tais fatos e procurar alternativas, além da criação 
de Unidades de Conservação que protegem legalmente os biomas (Figura 5.5). 
O Brasil possui grandes áreas em estado crítico ou ameaçadas, resultante 
principalmente, pela fragmentação de habitats e perda de área florestada e 
diversidade biológica 
Capítulo 5 :: 65
dos homens habitantes. De forma que a palavra utilizada epidermicamente 
teve apenas um valor demagógico. No que tange aos sertões pseudamente 
receptores dos recursos hídricos a serem tirados do São Francisco, desde o 
início se falou em “águas para todos”, como se um projeto linear tivesse 
força para abranger areolarmente todos os sertões povoados de além-
Araripe. Mais do que isso, procurou-se dizer que a transposição garantiria 
águas para beber. Sem lembrar que um certo volume de águas poluídas 
misturadas com águas salinizadas de alguns grandes açudes impediria o 
uso imediato das águas para fins potáveis.
Propagou-se desde o início uma estatística aproximada dizendo que a 
retirada das águas do São Francisco seria de apenas 1% do volume total do 
rio. Um fato que, segundo os dizeres técnicos limitados, não iria prejudicar 
nem o rio, nem tampouco a população ribeirinha são-franciscana. Somente 
não se falou, nem se quis falar, que a maior necessidade de águas para 
além-Araripe coincidiria com a estação seca dos meados do ano em que o 
Rio São Francisco permanecia com menor volume de água.
Convém lembrar sempre aos técnicos mal orientados sobre a hidro-
climatologia regional dos sertões de aquém e além-Araripe que será mais 
necessário ter águas exatamente quando o Nordeste semi-árido designado 
por Grande Sertão Norte estiver mais quente e seco com seus rios “corta-
dos”, para usar de uma palavra tradicional criada pelos sertanejos. Tanto 
o rebaixamento e corte das águas dos sertões além-Araripe quanto aqueles 
ocorrentes no médio-baixo Vale do São Francisco correspondem ao inverno 
astronômico; entretanto, devido a um conjunto de fatores hidroclimáticos 
complexos, nos sertões de além-Araripe ocorre uma secura prolongada que 
faz a intermitência sazonária dos rios e que, por uma razão pragmática 
compreensível, conduziu as populações regionais a falarem em verão. Fato 
que, aliás, não é único no mundo, já que existem outras áreas onde, no 
inverno astronômico, ocorrem condições quentes e secas que conduzem a 
uma inversão terminológica regional justificável.
O primeiro ponto a destacar é que o Rio São Francisco cruza os sertões 
baianos, pernambucanos, pro parte alagoanos e sergipanos, com as águas 
de suas cabeceiras e uma parte das chuvas sazonárias importantes do 
domínio dos cerrados. Na realidade, o São Francisco possui quatro setores 
principais hidroclimáticos sub-regionais a serem considerados com atenção 
para qualquer tipo de projeto, como esse ora em discussão. Nas suas ca-
beceiras, desde a Serra da Canastra até algumas centenas de quilômetros, 
existem condições tropicais úmidas de planalto com precipitações relativa-
mente bem distribuídas, totalizando de 1.100 a 1.400 mm anuais.
A seguir, por outras centenas de quilômetros ocorrem climas tropicais 
úmidos a duas estações (verão chuvoso e inverno seco), existindo, porém, 
um total de chuvas anuais que se acrescenta às águas provindas do alto 
vale. Em seguida, a partir da fronteira de Minas Gerais com a Bahia, ocorre 
uma dualidade hidrográfica na área em que o rio transpõe o semi-árido 
no espaço interior de Bahia, Pernambuco, Alagoas e adjacências. Em 
outras palavras, somente o São Francisco continua perene, porém com 
rebaixamento do volume da água corrente. A oeste da Bahia, os rios se 
comportam como se fossem tropicais úmidos a duas estações, conseguindo 
chegar até a margem esquerda do São Francisco em “pleno inverno”. No 
Figura 5.6: Biomas do Brasil e Áreas Desmatadas. Fonte: Atlas Geográfico Escolar. Ensino 
Fundamental - do 6o ao 9o ano.
COMPLEMENTE SEUS 
CONHECIMENTOS
TEXTO 1
A Transposição das Águas do Rio São Francisco - Análise Crítica
O conhecimento sobrea dinâmica climática e hidrológica de um rio 
perene, que cruza caatingas em um certo trecho de seu longo vale, é 
essencial para qualquer tipo de planejamento. Nos estudos básicos para 
fundamentação de projetos para os sertões secos do Nordeste, há que 
considerar todas as territorialidades que estão ao norte do Araripe, dotadas 
de rios intermitentes, sazonários, exorréicos, assim como toda a área 
sertaneja localizada ao sul da chapada divisora.
Além do mundo físico e ecológico, é absolutamente necessário 
realizar estudos básicos sobre a projeção da sociedade sertaneja sobre o 
espaço total da área reconhecida como Polígono das Secas, e identificar os 
problemas enfrentados pelas comunidades residentes de todos os sertões. 
No caso da transposição do Rio São Francisco para além-Araripe, torna-se 
imprescindível conhecer melhor a região semi-árida da qual se pretende 
tirar um certo volume de água fluvial.
No caso do projeto governamental ora sob pressão para transpor 
águas do São Francisco, de início se fez um branco no tratamento da 
região semi-árida são-franciscana. Quando se percebeu a grandiosidade 
do erro em termos sociais e políticos, passou-se a falar, entre os maiores 
interessados na implantação do projeto, em uma revitalização prévia do 
Vale do Rio São Francisco. Como se essa tarefa fosse factível em face da 
ordem de grandeza espacial do vale e da complexidade socioeconômica 
66 :: GeoGrafia :: módulo 2
entanto, numerosos pequenos afluentes da região semi-árida cruzada pelo 
Rio São Francisco, na Bahia, comportam-se segundo o modelo mais amplo 
dominante no semi-árido brasileiro, ou seja, como rios intermitentes, 
sazonários, exorréicos. As chuvas do semi-árido são-franciscano totalizam 
volumes de 500 a 600 mm anuais por oposição aos 1.500-1.800 mm 
predominantes no domínio dos cerrados.
O quarto conjunto hidroclimático do Rio São Francisco corresponde 
à chamada Zona da Mata costeira, onde as precipitações, num espaço 
relativamente limitado (Sergipe, Alagoas), atingem um total de 1.200 
a 2.100 mm, aproximadamente. Para ser mais detalhado, convém, 
entretanto, registrar as fortes transições progressivas existentes entre os 
climas tropicais úmidos das cabeceiras, os climas do médio vale mineiro 
do São Francisco, o clima da região semi-árida baiana e, por fim, os climas 
tropicais úmidos da região costeira. Com um detalhe a mais, em relação 
à transição rápida e complexa entre o clima dos sertões secos do São 
Francisco e as faixas úmidas da Zona da Mata. Há muito, o próprio povo 
identificou a longa e irregular faixa de transição entre o muito seco e 
o relativamente muito úmido sob o nome de área dos agrestes. De tal 
forma que essa expressão tem validade tanto hidroclimática e ecológica, 
assim como de suas ofertas para atividades agrárias, valendo como uma 
identificação científica intuitiva quase perfeita.
De toda esta análise, fica bem patente que o semi-árido nordestino 
brasileiro possui o mesmo ritmo sazonário dos planaltos interiores 
dominados por cerrados, existindo, porém, uma diferença fantástica de 
volume de precipitações anuais entre os extensos cerrados e os grandes 
sertões. Nos planaltos interiores recobertos por cerrados e recortados por 
densas florestas de galerias, as precipitações anuais totais chegam a três ou 
quatro vezes mais do que os totais de chuvas tombadas na mesma época 
nos sertões quentes e secos, dotados de caatingas herbáceas, arbustivas, 
altos “pelados” e cactáceas em lajedos de solos líticos e inselbergs.
Convém lembrar que a melhor maneira para delimitar o Polígono das 
Secas, em relação aos domínios morfoclimáticos e fitogeográficos do seu 
entorno, é o espaço até onde ocorrem as caatingas e áreas de rios e riozi-
nhos intermitentes, sazonários: aí está a core-área do domínio dos sertões 
nordestinos. De tal maneira que fica fácil para os cientistas, os planeja-
dores e os governantes saberem alguma coisa do espaço total regional, 
dominado por rusticidades e grandes problemas para o homem habitante.
Um fato absolutamente deplorável no projeto de transposição de 
águas do São Francisco para o setor além-Araripe do Nordeste seco diz 
respeito à total ausência de estudos básicos sobre a dinâmica climática 
macrorregional. Não é possível afirmar, em termos genéricos, que o 
projeto prevê a retirada de apenas 1% do volume das águas do “Velho 
Chico” e que, por essa razão mesma, não haverá prejuízo para as funções 
permanentes do rio em relação às hidroelétricas de Paulo Afonso, Itaparica 
e Xingó. Em uma comparação muito próxima, já se sabe que o Nilo 
atravessa o deserto, enquanto o São Francisco cruza um bom trecho de 
caatinga em seu baixo-médio vale até a Bahia, Pernambuco e Alagoas. 
Na realidade, o São Francisco é dependente das áreas úmidas de seu alto 
vale acrescidas das águas de alguns de seus afluentes provindos de áreas 
relativamente chuvosas, ou de rios espaçados do domínio de cerrados. 
Trata-se, portanto, de um curso d’água perene de tipo marcadamente 
alóctone. O Jaguaribe, para onde se pretende transpor parte das suas 
águas, enquadra-se na categoria de rios intermitentes, sazonários e 
abertos para o mar (exorréicos). Fato que precisa ser repetido muitas 
vezes para os planejadores dotados de baixa interdisciplinaridade. Convém 
lembrar também, nesse sentido, que quase 100% dos rios brasileiros inter 
e subtropicais chegam ao mar pelos mais variados caminhos, enquadrando-
se na categoria de drenagens abertas para o oceano (tecnicamente dito 
exorréicos). Não existem verdadeiras drenagens endorréicas e arréicas no 
território brasileiro. Trata-se de uma vantagem a nosso favor, relacionada 
ao fato de que todos os sais minerais retirados das rochas decompostas 
ou alteradas são dejetados para o oceano de tal modo que é uma idiotice 
total quando alguém comenta que os problemas do Nordeste seco estariam 
relacionados ao fato de que todas as suas águas escoariam para o mar. 
Mal sabem eles que a qualidade relativa dos solos de todos os sertões 
e, sobretudo, os do Ceará está relacionada com a dinâmica chamada 
exorreísmo. Sem conhecer esses fatos alguém já comentou para justificar a 
transposição das águas do São Francisco para além-Araripe que: “Já que as 
águas vão para o mar que mal existe com que elas sejam transpostas?”. 
Tais raciocínios são mais tristes quando se sabe que as grandes barragens 
do sertão provocam localmente salinização, sobretudo no caso de Orós.
Por meio desses raciocínios singelos e inconseqüentes, não se pode 
avaliar que as águas doces poluídas do São Francisco, ao serem despejadas 
do outro lado do Araripe, irão se misturar com as águas semi-salinizadas de 
um grande açude (Orós), ou prejudicar as águas doces retidas abaixo dos 
sedimentos arenosos, dos leitos de rios dependentes, das águas de alta 
qualidade provenientes de chuvas dos sertões semi-áridos (“de inverno” 
no dizer do sertanejo).
Deve-se lembrar que até hoje normalmente as águas poupadas entre 
soleiras rochosas que seccionam transversalmente os rios dos sertões 
nordestinos constituem o mais importante manancial para obtenção de 
água potável nas áreas cortadas por rios de leito arenoso. Bastaria lembrar 
o cenário das crianças sertanejas puxando jegues com pipotes para obter 
águas doces nas pequenas cavas feitas no leito superficialmente seco, mas 
dotado de águas subsuperficiais retidas, não-evaporadas, a um ou dois 
metros de profundidade.
Ao se iniciar a idéia da transposição de águas do São Francisco para o 
Ceará e Rio Grande do Norte, ninguém se preocupou com os problemas da 
própria região de onde sairiam as águas. Era uma idéia fixa por transpor, 
apesar das observações corretas feitas pelo então bispo de Barra ao 
então candidato a presidente e alguns de seus companheiros. Caberia ao 
sucessor de dom Itamar Vian – Luiz Flávio Cappio – a tarefa histórica de 
um protesto contra o simplismo e a desatenção dos responsáveis pelo 
projeto em relação aos próprios problemas do setor semi-árido do São 
Francisco.Tinha muita razão dom Cappio ao fazer sua greve de fome em 
Cabrobó, em frente à represa de Sobradinho. O episódio balanceou os 
ânimos dos autoritários e incompetentes mentores do projeto. Dom Cappio 
foi induzido a acabar com seu histórico protesto de repercussão nacional.
Capítulo 5 :: 67
sudoeste para nordeste, marcados por estreitas e alongadas florestas 
ciliares (florest galarie): um conjunto espacial sujeito à expansão da soja 
e à multiplicação do sistema de irrigação por pivôs. As precipitações nessa 
área atingem, em média, pouco mais do que 1.600 mm anuais, com uma 
grande predominância de chuvas de verão e inverno relativamente seco. 
Uma transição brusca nas condições climáticas acontece nos confins do São 
Francisco baiano, surgindo bruscamente diferentes fácies de caatingas, em 
terras baixas, encarceradas entre a Chapada Diamantina e os chapadões 
sedimentares cretácicos de oeste (areado).
É, grosso modo, a partir da fronteira de Minas Gerais com a Bahia, 
que o São Francisco começa a cruzar o setor regional de caatingas. As 
precipitações baixam gradualmente de 1.100 mm para 600 ou 400 mm, 
prosseguindo em condições semi-áridas por todo o médio-baixo vale até o 
cotovelo do rio e os sertões de Alagoas e Sergipe; estendendo caatingas 
pelas próprias paredes do cânion de Xingó.
Por longos espaços, o São Francisco comporta-se como o único curso 
d’água perene da região, em que, no seu conjunto, efetivamente predo-
mina uma drenagem intermitente sazonária exorréica, que é incapaz de 
manter qualquer lençol d’água subsuperficial que garanta uma perenidade 
de todos os córregos, rios e riozinhos regionais; já que o aprofundamento 
do lençol força um sistema hidrológico em que o calor e a evaporação obri-
gam os pequenos cursos de água a alimentarem o lençol abaixo de seus 
leitos temporariamente secos por cinco a sete meses do ano. Exatamente 
quando, em pleno inverno astronômico, o exagerado aquecimento produz 
uma condição chamada de “verão sertanejo”.
Ultrapassados os “altos sertões” de Pernambuco e Alagoas e pro 
parte Sergipe, o São Francisco cruza faixas irregulares de agrestes. Essa 
banda leste do espaço principal dos sertões semi-áridos inclui o mais 
variado mosaico de ecossistemas nordestinos, envolvendo caatingas 
arbóreas, matinhas ralas e, por fim, na periferia interior da Zona da Mata 
costeira típica, uma alongada e sinuosa faixa de vegetação designada 
por “matas secas biodiversas”. No interior desse conjunto complexo do 
agreste, em áreas rebaixadas de solos razoáveis, acontece um protótipo 
regional de atividades agrárias que comporta cercas-vivas reticuladas; 
onde se separam terrenos para plantações e terrenos para criação de 
gado. Esse agroecossistema indica sempre condições climáticas, fitogeo-
gráficas e ecológicas moderadas de grande tipicidade e importância social, 
recebendo de 750 a 950 mm em média de precipitação anual. Somente 
as chamadas matas secas se diferenciam dos agrestes, localizando-se 
sempre nos confins da mata atlântica sublitorânea, onde ocorrem estreitas 
faixas de florestas tropicais úmidas biodiversas em colinas e tabuleiros, 
com verdadeiras faixas de florestas tropicais biodiversas. Esta última é 
uma área que, ao longo de cinco séculos de ocupação agrária baseada 
sobretudo na plantação de cana de açúcar, na prática perdeu quase todos 
os seus ecossistemas naturais.
Tão importante quanto entender o transecto geral dos espaços cli-
mático-ecológicos do Vale do São Francisco, em um curso de mais de 
2.100 quilômetros de extensão, é o entendimento de suas complexas 
áreas de transição e contacto, que muitas vezes apresentam mosaicos 
Seu principal argumento era que a faixa de utilização agrária, no 
setor sertanejo do São Francisco, era muito restrita. Nesse sentido, tinha 
bastante razão; mesmo porque, comparado com os sertões do Ceará, onde 
existia gente por toda a parte, as beiradas do “Velho Chico” eram mais 
rústicas e pobres do que as colinas sertanejas de além-Araripe.
Esses argumentos tornam-se mais verdadeiros quando se considera a 
grande extensão de dunas da região de Xique-Xique, que elimina qualquer 
possibilidade de uso do espaço na margem esquerda do rio, frente à velha 
cidadezinha. A não-consideração da fantástica quantidade de areias do 
paleodeserto de Xique-Xique, além da limitação para usos tradicionais 
de sobrevivência da população regional, constitui uma área matriz de 
fornecimento detrítico para assoreamento do rio. Um atestado a mais 
do pouco conhecimento dos mentores do projeto, que teimam em dar 
propostas simplistas para o que chamam de revitalização do vale. Uma 
tarefa para a qual não estão preparados, pelo pouco conhecimento que 
possuem em relação a um rio que tem 2.000 quilômetros de extensão sul-
norte, desde as suas cabeceiras tropicais úmidas de planalto, e pela região 
dos cerrados tropicais a duas estações, até chegar ao baixo-médio vale, 
onde atravessam caatingas na condição de curso d’água alóctone. Não 
considerando a grande extensão sul-norte do vale e seus diferentes setores 
climático-hidrológicos, assim como a diversidade de ocupação antrópica 
nos diferentes setores do vale, é totalmente impossível aplicar um termo 
tão genérico quanto “(re)vitalização”.
Em função de seu longo traçado sul-norte no Brasil tropical centro-
-oriental, o Rio São Francisco atravessa quatro setores de domínios da 
natureza do território brasileiro. Desde o altiplano cristalino da Serra da 
Canastra – a nordeste do Triângulo Mineiro – até o mar, na fronteira 
de Alagoas com Sergipe; devendo ser lembrado que o rio totaliza 2.170 
quilômetros de extensão. Atravessando setores de quatro domínios morfo-
climáticos e fitogeográficos intertropicais brasileiros – em um eixo maior 
nitidamente longitudinal –, o “Velho Chico” percorre espaços climático-
-hidrológicos muito diferentes entre si: como já expusemos, nasce em um 
altiplano dotado de campestres e matinhas biodiversas de cimeira, passan-
do logo a percorrer regiões tropicais úmidas de planalto, outrora recobertas 
por matas biodiversas de transição, hoje dominadas por atividades agrárias 
diversificadas. Recebendo precipitações anuais superiores a 1.100 mm em 
média, bem distribuídas, as terras regionais têm condições de possuir len-
çóis d’água subsuperficiais suficientes para manter a perenidade de todo o 
Alto Vale do São Francisco. Após algumas centenas de quilômetros para o 
norte, ocorre uma rápida transição para a vegetação do cerrado, cerradões 
e campestres cruzados por florestas-galerias.
Aos poucos, passam a dominar cerrados e cerradões degradados na 
depressão interplanáltica do médio vale são-franciscano, sob um clima 
tropical a duas estações. Florestas-galerias e eventuais veredas marcam 
a relativamente estreita planície do rio. A leste, a partir das montanhas do 
quadrilátero auro-ferrífero, estende-se a dorsal da Serra do Espinhaço, e os 
altiplanos da Chapada Diamantina, onde ocorrem campestres de cimeira e 
mini-relictos de cactáceas. A oeste, pronunciam-se os chapadões cretácicos 
do noroeste da Bahia, com sua rede de cursos afluentes, orientados de 
68 :: GeoGrafia :: módulo 2
de ecossistemas diferenciados em sucessivas áreas, desde o extremo sul 
até a área em que o rio transpõe caatingas. Além da presença de minibio-
mas relictuais; redutos de matas na cimeira de morros e maciços antigos; 
baixios de pé-de-serra; bizarros montes cársticos; vazantes ribeirinhas lo-
dosas, envolvendo argilas e partículas de calcários; corpos de dunas de um 
paleodeserto arenoso (psamo-bioma); além de rios afluentes empestados 
por resíduos de defensivos agrícolas; e um afluente de exceção na margem 
direita do rio, proveniente de grandes cidades e áreas minero-siderúgicas. 
De tal forma que o alto e médio Vale do Rio das Velhas possui um comple-
xo metabolismo urbano-industrial e forte poluição hídrica.
No espaço total da bacia hidrográfica do Rio São Francisco existe, 
portanto, uma setorização climático-hidrológica regional que garantesua 
perenidade, possibilitando o cruzamento das caatingas e paleodesertos 
arenosos, ocorrentes no médio vale inferior da bacia hidrográfica regio-
nal. É importante relembrar que a área dos cerrados do médio vale são-
-franciscano tem a mesma sazonalidade que o Polígono das Secas; porém, 
totaliza de três a quatro vezes mais o volume de chuvas de inverno do que 
o total das precipitações do Nordeste seco. Esta última pode ser conside-
rada a mais ampla, complexa e socialmente importante faixa de transição 
de todo o Nordeste, por toda a parte reconhecida pelo termo “agrestes” 
ou “terras agrestadas”. Na continuidade espacial para a zona litorânea e 
sublitorânea – zona da mata propriamente dita – os totais de precipita-
ções anuais sujeitas a chuvas de verão e de inverno alcançam de 1.500 a 
2.100 mm anuais, em média. O conhecimento de tais fatos, para qualquer 
tipo de planejamento, é indispensável, obrigando os órgãos de gerencia-
mento regional a um aprofundamento do conhecimento e da obtenção de 
dados meteorológicos sobre os mais diversos espaços do sertão. Sendo 
absolutamente necessário incorporar sempre, às condicionantes do mundo 
físico e ecológico, o conhecimento socioambiental das comunidades serta-
nejas residentes, semi-escravizadas pelas dificuldades quase incorrigíveis 
da radical estrutura agrária vigorante na região. Por fim, um fato básico, 
nem sempre levado em consideração por políticos e planejadores: é exa-
tamente no inverno (astronômico), quando as águas do Rio São Francisco 
ficam mais baixas, que é necessário maior volume delas para manter as 
hidrelétricas de Paulo Afonso, Itaparica e Xingó. No mesmo período em 
que seria necessário transpor mais águas para além-Araripe, onde todos os 
rios sertanejos perdem correnteza por longos meses.
Para justificar o projeto de transposição de águas perante a opinião 
pública nacional, falou-se em “águas para todos” – todos os nordestinos, 
evidentemente – e, a partir daí, passou-se a falar que seriam beneficiados 
milhões de sertanejos. E nunca se mencionou para que classes sociais a 
transposição iria interessar. Os proprietários de terras absenteístas ficaram 
radiantes porque, antes que as obras começassem, houve valorização des-
sas terras. Os vazenteiros, que cultivavam o leito e faziam culturas de ciclo 
curto no leito exposto do rio por cinco a seis meses, ficaram apavorados 
porque iriam perder o único espaço possível de utilização pelos sertanejos 
roceiros sem-terras.
Os mentores do projeto nem mesmo previram um sentido de prioridade 
para que os vazenteiros tivessem a possibilidade de se integrar a possíveis 
projetos de irrigação nas colinas das margens do vale. A maneira pela qual 
os técnicos e funcionários das instituições gerenciadoras dos projetos de 
irrigação vêm tratando os pobres sertanejos que se associaram aos projetos 
é mais do que injusta e incompreensível.
Pior do que isso é a desatenção que os técnicos têm tido para com 
os que procuram a direção dos açudes por ocasião das grandes secas. 
O autoritarismo e a ausência de sensibilidade social e humana dos 
gestores têm sido abomináveis e discriminatórios. Além de uma total 
falta de criatividade e espírito de inovações técnicas, socioeconômicas e 
socioculturais em relação aos brios culturais da gente sertaneja. Se tal 
situação continuar prevalecendo, não será possível acreditar minimamente 
nos efeitos sociais e psicossociais da propalada transposição.
Tinha, portanto, mais do que razão dom Luiz Flávio Cappio em protes-
tar contra o ligeirismo e a deficiência dos conhecimentos dos fatos antrópi-
cos nos projetos elaborados às pressas de transposição das águas do São 
Francisco para o Ceará, Rio Grande do Norte, e os cariris novos, cabeceiras 
do Rio Paraíba do Norte. Convém lembrar que, em um projeto democrático, 
inteligente e bem elaborado, nunca se poderá dizer autoritariamente que 
“se trata de um projeto político do presidente”, mesmo porque todo pro-
jeto exclusivamente político é, por princípio, uma auto-afirmação sobre o 
seu caráter demagógico e eleitoreiro. Ao invés desse enunciado preferimos 
que se diga que se trata de um projeto de governo metodicamente bem 
elaborado, e de aplicabilidade macrorregional, interdisciplinar, de grande 
interesse social. Ninguém seria contra a transposição de águas do São 
Francisco se houvesse projetos paralelos simples e bem distribuídos por 
todos os sertões a fim de fazer ascender socioeconômica e sociocultural-
mente os mais pobres e desventurados habitantes do interior brasileiro.
No Nordeste seco existe gente por toda a parte: um fato que 
transformou a nossa região sertaneja sofrida na região semi-árida mais 
povoada do mundo e de mais difícil atendimento social efetivo a sua brava 
gente (Jean Dresch). Tudo levando a crer que um projeto certamente 
eleitoreiro e desenvolvimentista somente vai atender a fazendeiros 
absenteístas da beira alta de alguns vales e a empreiteiras desesperadas 
por um novo ciclo de lucratividades.
As considerações aqui feitas são uma homenagem a Luiz Flávio Cappio 
e ao seu antecessor Itamar Vian, grandes conhecedores das realidades 
físicas, sociais e econômicas do Vale do São Francisco. 
Fonte: REVISTA USP, São Paulo, nº 70, p. 6-13, junho/agosto 2006; http://www.usp.br/
revistausp/70/01-aziz.pdf, acesso em 22/10/2014
TEXTO 2
O QUE PRECISA SER FEITO 
Pelo Governo Brasileiro
• Adotar medidas urgentes para zerar o desmatamento na Amazônia 
Brasileira até 2015. Isso inclui a adição imediata de uma moratória de 
cinco anos para o desmatamento, dando tempo para o país desenvolver os 
Capítulo 5 :: 69
instrumentos necessários para atingir o desmatamento zero;
• Apoiar um forte protocolo de Clima a ser firmado em Copenhagem 
em 2009, que inclua um fundo internacional para reduzir emissões por 
desmatamento e degradação (conhecido como REDD). Para que este 
mecanismo financeiro tenha credibilidade para proteger as florestas, ele 
deve obedecer aos seguintes princípios:
 – prover imediatamente fundos anuais suficientes para reduzir o 
desmatamento em florestas tropicais;
 – ser acessível a todos os países com florestas tropicais, mesmo 
aqueles com baixas taxas de desmatamento;
 – proteger a biodiversidade e o modo de vida dos povos indígenas;
 – ser protegido contra manobras contábeis nacionais e abordagens de 
redução de desmatamento;
 – não incluir diretamente a comercialização de títulos de carbono;
 – não encorajar a substituição de florestas naturais por plantadas e 
não subsidiar a expansão da indústria madeireira, do agronegócio e outras 
práticas destrutivas em áreas de floresta;
• Não permitir alterações no Código Florestal brasileiro que 
possibilitem ampliar o desmatamento legalizado;
• Redirecionar os investimentos hoje destinados a atividades 
destrutivas para iniciativas sustentáveis, incluindo uso responsável de 
produtos florestais por populações tradicionais;
• Ampliar os recursos materiais e humanos destinados a monitorar 
e controlar os crimes ambientais, para garantir o cumprimento da lei e a 
presença do Estado na Amazônia. pela indústria
• Apoiar publicamente o Desmatamento Zero na Amazônia;
• Interromper a produção e o comércio de produtos relacionados com 
novos desmatamentos e comunicar aos seus fornecedores que não comprarão 
mais de fazendas ou empresas responsáveis por novos desmatamentos;
• Divulgar amplamente a origem de seus produtos, como carne ou 
couro, aos consumidores;
• Reduzir suas próprias emissões de gases do efeito estufa, em 
acordo com os cortes globais de emissões necessários;
• Exigir publicamente dos governos um forte protocolo do Clima a ser 
firmado em Copenhagen em 2009, que inclua um fundo internacional para 
proteger as florestas e reduzir emissões por desmatamento e degradação. 
Este fundo deve financiar os serviços ambientais prestados pelas florestas 
em terras públicas e privadas.
Pelos Bancos e Investidores
• Interromper o financiamento de empresas envolvidas em desmatamento 
no bioma Amazônia.Pelos Cidadãos
• Unir-se ao Greenpeace na campanha pelo Desmatamento Zero na Ama-
zônia até 2015, participando de petições ao governo brasileiro, governos de 
outros países e à comunidade internacional, para acabar com o desmatamento;
• Exigir, junto com o Greenpeace, que governos e empresas adotem 
medidas reais para interromper o desmatamento e salvar o clima do 
planeta. Em particular, pressionar governos por um forte acordo para a 
redução de emissões em Copenhagen em 2009;
• Adotar um estilo de vida visando a reduzir suas próprias emissões 
de carbono. Isto pode incluir a redução na quantidade de carne consumida 
ou exigir que comerciantes apresentem a origem dos produtos que vendem.
Fonte: GREENPEACE, O Rastro da Pecuária na Amazônia, Manaus, AM, 2008; http://www.
greenpeace.org.br/amazonia/pdf/atlasweb.pdf, acesso em 22/10/2014
OS DOMÍNIOS 
MORFOCLIMÁTICOS 
DO BRASIL
O geógrafo brasileiro Aziz Ab’Saber, propôs ainda na década de 1960 uma 
classificação de ambientes que denominou de Domínios Morfoclimáticos. Nestes, 
as formas do relevo e os tipos climáticos caracterizam cada domínio (limite, zona) 
e também faixas de transição entre eles (Figura 5.7), levando em consideração 
também os aspectos de vegetação, solo, e hidrografia. Apresentam localização, área, 
povoamento, condições bio-hidro-climáticas, preservação ambiental e economia local 
bem distintas. São 6 áreas nucleares e 3 áreas de transição, a saber:
•	 Domínio Amazônico: região norte do Brasil (60% território), bacia amazônica, 
terras baixas e grande processo de sedimentação; clima e floresta equatorial; baixa 
densidade demográfica; devastação da floresta é antiga (borracha, minérios, 
madeira) compromete os ecossistemas;
•	 Domínio dos Cerrados: região central do Brasil, vegetação tipo cerrado, 
formações de chapadões e chapadas; devastado primeiramente na construção de 
Brasília, projetos agropecuários; processos erosivos;
•	 Domínio dos Mares de Morros: região leste (litoral brasileiro), onde se 
encontra a floresta Atlântica e clima diversificado; morros de formas residuais; 
devastado desde os primórdios;
•	 Domínio das Caatingas: região nordestina do Brasil (polígono das secas), 
formações cristalinas, área depressiva intermontanas e clima semiárido; devastado 
desde os primórdios da colonização;
•	 Domínio das Araucárias: região sul brasileira, habitat da araucária (pinheiro 
brasileiro), região de planalto e clima subtropical; devastação mais recente, século XIX;
•	 Domínio das Pradarias: região do sudeste gaúcho, local de coxilhas 
subtropicais; latifúndios agropastoris; 
•	 Faixas de Transição Nordestinas: zona dos cocais (importante fonte de 
renda à população nordestina) e o meio-norte que se estabelece entre a caatinga 
do sertão e a Amazônia (carnaúba e babaçu);
•	 Faixa de Transição da Região Sul Brasileira: transição entre Araucária e 
Pradarias;
•	 Faixa de Transição Pantanal: reservatório de água, exploração mineral, 
monoculturas. 
70 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 5.8: Mapa das Unidades de Relevo do Brasil (Jurandyr Ross, 1998)
Fonte: Geografia do Brasil, Jurandyr L. S. Ross. 
Vejam as principais características desses tipos de relevo:
Planaltos
1. Planalto da Amazônia Oriental: planalto sedimentar que se estende de Ma-
naus até o oceano Atlântico, constituindo-se nos limites norte e sul da bacia Amazô-
nica. Em seu limite norte, o relevo é escarpado e definido por uma frente de cuesta, 
com altitude média de 400 metros, recoberto por mata densa (seringueira e cacauei-
ro). Seus topos são arredondados, e alguns são morros residuais de topo plano.
2. Planaltos e Chapadas da Bacia do Parnaíba: são formados por terrenos de 
bacia sedimentar e ocupam vasto território que se estende do Maranhão à Brasília, 
onde as formas de chapadas são predominantes.
3. Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná: são terrenos sedimentares com 
formação arenítico-basálticas que se estendem de Goiás até o Rio Grande do Sul, 
cujas altitudes atingem cerca de 1.000 m.
4. Planaltos Residuais Norte Amazônicos: estendem-se do Amapá até o 
norte do estado do Amazonas, com altitudes que variam de 600 a l.000 metros, 
chegando a atingir 3.000 metros nas partes mais elevadas. Compostos por rochas 
cristalinas e de formas serranas residuais e descontínuas (Tapirapecó, Imeri, 
Parima, Acaraí, Tumucumaque e do Navio), são ricos em manganês. É nessa 
unidade de relevo que encontram-se os picos mais elevados do Brasil: o pico da 
Neblina, com 3 014 metros, e o pico 31 de Março, com 2 992 metros, ambos 
situados no estado do Amazonas.
5. Planaltos Residuais Sul Amazônicos: são planaltos cristalinos que se 
estendem desde o sul do Pará até Rondônia, cujo aspecto é de uma vasta área 
plana com morros de topos arredondados, distribuídos de modo descontínuo. Ao 
lado desses morros encontram-se áreas de coberturas sedimentares antigas, que 
apresentam topo plano e correspondem às chapadas, como a do Cachimbo. Nessa 
formação, localiza-se a serra dos Carajás, onde há grande ocorrência de minerais, 
como ferro, manganês, cobre e ouro.
6. Planalto e Chapada do Parecis: são planaltos que se estendem no 
sentido leste-oeste, indo de Mato Grosso até Rondônia, formados por terrenos 
sedimentares, com altitudes entorno de 800 m. O relevo de chapadas de topo 
plano servem como divisores de águas das bacias do Amazonas - Paraguai.
7. Planalto de Borborema: são terrenos de formação pré-cambriana 
Figura 5.7: Mapa dos Domínios Morfoclimáticos e Faixas de transição (Ab Saber, 1970)
Já o geógrafo Jurandyr Ross, na década de 1990, redefiniu e atualizou os 
domínios morfoclimáticos, propondo uma classificação a partir do levantamento 
realizado pelo projeto RADAMBRASIL e dos avanços em estudos geomorfológicos 
(processos de erosão, transporte e sedimentação; cotas altimétricas e estruturas 
geológicas). Identificou portanto, 3 tipos de relevo: os planaltos (porções 
residuais salientes do relevo, que oferecem mais resistência ao processo 
erosivo); as planícies (superfícies essencialmente planas, nas quais o processo de 
sedimentação supera o de erosão) e; as depressões (áreas rebaixadas por erosão 
que circundam as bordas das bacias sedimentares, interpondo-se entre estas e os 
maciços cristalinos).
Para explicar essa nova divisão do relevo brasileiro, baseou-se contudo, em 
três importantes fatores geomorfológicos: morfoestrutural (leva em consideração 
a estrutura geológica), morfoclimático (onde considera o clima e o relevo) e, 
morfo escultural (que considera a ação dos agentes externos). Na verdade, cada 
um desses fatores utilizados criou um grupo diferente de formas de relevo ou, 
níveis diferentes denominados taxons. 
O primeiro taxon – morfoestrutural, considera a forma de destaque na 
paisagem, sejam os planaltos, as planícies ou as depressões; o segundo taxon 
- morfoclimático considera a estrutura geológica em que os planaltos foram 
modelados (bacias sedimentares, núcleos cristalinos arqueados, cinturões 
orogênicos, coberturas sedimentares sobre o cristalino) e; o terceiro taxon - morfo 
escultural, considera a modelagem do relevo ou nas unidades morfo esculturais 
(formadas por planaltos, planícies ou depressões), somando no total, 11 
planaltos, 6 planícies e 11 depressões conforme mostra a Figura 5.8:
Capítulo 5 :: 71
localizados no leste de Pernambuco, com grande núcleo cristalino isolado e 
altitudes que atingem cerca de 1.000m.
8. Planalto Sul Rio-grandense: localizado no sul do Rio Grande do Sul com 
altitudes que não ultrapassam os 450 m.
9. Planaltos e Serras do Atlântico Leste-Sudeste: formação pré-cambriana, ocu-
pam terrenos cristalinos (em sua maior parte) e se estendem de Santa Catarina até 
a Bahia. Caracterizados por serras de altitudes elevadas (mais de 2.000m), como 
é o caso da Serra da Mantiqueira com 2.890m. Nestes planaltos estão as serras do 
Mar e do Espinhaço, além de fossas tectônicas como o vale do Paraíba do Sul (Fi-
gura 5.8). No reverso das serras, há o domínio de superfíciesbastante acidentadas 
caracterizadas por morros baixos e convexos, denominadas como mares de morros.
Figura 5.9: Esquema simples da Fossa tectônica do Vale do Paraíba
10. Planaltos e Serras de Goiás - Minas:são terrenos predominantemente 
cristalinos, de formação antiga, que se estendem de Brasília até o sul de Minas 
Gerais, cujas altitudes atingem cerca de 1.960m. Destacam-se as serras da 
Canastra e Dourada e as chapadas próximas do Distrito Federal e a dos Veadeiros.
11. Serras Residuais do Alto Paraguai: são terrenos predominados por 
rochas cristalinas e rochas sedimentares antigas, e compõem o cinturão orogênico 
Paraguai - Araguaia. Concentrados ao sul e ao norte do Pantanal Mato-Grossense, 
onde a porção Meridional corresponde à Serra da Bodoquena, e a porção 
setentrional corresponde à Província Serrana.
Planícies
1. Planície do Rio Amazonas: faixa que acompanha as margens do rio 
Amazonas e de alguns afluentes, delimitada por terrenos do Planalto da Amazônia 
Oriental, a leste, e da depressão da Amazônia Ocidental, a oeste; sua área mais 
ampla situa-se na ilha de Marajó. Coberta por uma mata densa e por áreas 
alagadas, onde nos trechos inundados, desenvolve-se a mata de igapó.
2. Planície do Rio Araguaia: estende-se pelas regiões Norte e Centro-Oeste, 
planas, com altitudes de até 200 metros, constituída por sedimentos recentes e 
vegetação de cerrados abertos e campos limpos.
3. Planície e Pantanal do Rio Guaporé: ocupa trechos do estado de 
Rondônia e da Região Centro-Oeste, com forma de relevo plana e pantanosa e 
altitude média de 200 metros.
4. Planícies e Tabuleiros Litorâneos: ocorrem no litoral do Pará e do 
Amapá, formados por sedimentos recentes de origem marinha, sendo que, nas 
proximidades da ilha de Marajó, misturam-se aos sedimentos carregados pelo 
rio Amazonas.
5. Planície e Pantanal do Rio Paraguai ou Mato-Grossense: ocupa a parte 
mais ocidental do Brasil Central, estendendo-se também pela Bolívia e Paraguai. 
Altitudes entorno dos 100 metros e caracterizam-se pela deposição sedimentar 
recente, no verão/outono o rio causa inundações e esse alagamento origina as 
“bacias” conhecidas como Baías do Pantanal Mato-Grossense.
6. Planícies das Lagoas dos Patos e Mirim: estendem-se pelo litoral gaúcho 
até o Uruguai, formadas por sedimentos depositados pelas correntes marinhas.
Depressões
1. Depressão da Amazônia Ocidental: faz limite com as depressões Norte 
Amazônica e Sul Amazônica, cortada pela Planície do Rio Amazonas. Os terrenos 
baixos apresentam altitudes inferiores a 200 metros, cujos topos planos são 
sustentados principalmente por rochas sedimentares.
2. Depressão Marginal Norte Amazônica: situada entre os Planaltos Residuais 
Norte Amazônicos ao norte, e a Depressão da Amazônia Ocidental e o Planalto da 
Amazônia Oriental, ao sul. Altitude oscila entre 200 e 300 metros; no limite norte, 
apresenta escarpas e, ao sul, frentes de cuesta.
3. Depressão do Araguaia-Tocantins: situa-se na região central do Brasil, 
acompanhando o rio Araguaia, com formas de relevo quase planas e de baixas 
altitudes que não passam de 350 m.
4. Depressão do Tocantins: terrenos de formação cristalina pré-cambriana 
que acompanham o rio Tocantins e altitudes de até 400 metros.
5. Depressão Cuiabana: ocupa terrenos localizados na parte central do Brasil, 
caracterizados pela presença de terrenos sedimentares e de altitudes moderadas 
que oscilam entre 150 à 400 m.
6. Depressão do Alto Paraguai-Guaporé: localizada no extremo norte da Planí-
cie do Pantanal e a Chapada dos Parecis, no Mato Grosso, caracteriza-se pelo pre-
domínio de rochas sedimentares e com altitudes que variam entre 150 à 200 m.
7. Depressão do Miranda: situada no Mato Grosso do Sul, nas proximidades 
do Pantanal com predomínio de rochas cristalinas pré-cambrianas e é cortada pelo 
rio Miranda com altitudes que não passam de 150 m.
8. Depressão Sertaneja e do São Francisco: considerada uma das mais lon-
gas depressões, estendendo-se do litoral do Nordeste setentrional até o interior de 
Minas Gerais, acompanhando quase todo rio São Francisco. Apresentam formas e 
estruturas geológicas variadas, com predomínio de terrenos sedimentares e crista-
linos, como por exemplo a Chapada de Diamantina (norte da Serra do Espinhaço) 
ou Chapada das Mangabeiras.
9. Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná: ampla faixa de 
terra que se estende de São Paulo até o limite do Rio Grande do Sul com Santa 
Catarina. Com formas enrugadas, altitudes que variam entre 600 e 900 m. Em 
São Paulo é conhecida como Depressão Periférica Paulista e no Paraná como 
Segundo Planalto.
10. Depressão Periférica Sul Rio-Grandense: localizada nas terras sedimenta-
res drenadas pelas águas dos rios Jacuí e Ibicuí, no Rio Grande do Sul e com baixas 
altitudes (em média 200 m).
72 :: GeoGrafia :: módulo 2
Atividade
Acesse o site: <http://www.colegioweb.com.br/trabalhos-escolares/geografia/relevo/unidades-do-relevo.html#ixzz3IDL2ecgU> 
Qual a diferença entre Biomas, Domínios Morfoclimáticos e os Domínios morfoestruturais? O que mudou? Observe bem as Figuras 5.7 e 5.8 que mostram os mapas dos 
professores Aziz Ab’Saber e Ross. E as Figuras 5.2 e 5.3 que mostram os mapas dos Tipos de Biomas e de Climas. Após uma rápida comparação entre as classificações, 
complete o quadro:
Biomas - IBGE Domínios - Ab'Saber Domínios - Jurandyr Ross
(vegetação + clima) (relevo + clima + processos) (relevo+ clima + processos + geologia)
Tropical, Equatorial, Semiárido, Subtropical, Tropical 
Litorâneo, Tropical de Altitude
Planalto: região alta, sofre processo de erosão Planalto: região alta, sofre processo de erosão
Planície: região baixa, sofre processo de sedimentação Planície: região baixa, sofre processo de sedimentação
Áreas de Transição Depressão: região intermediária entre Planalto 
e Planície
O que muda:
6 Biomas Continentais e 1 Bioma Aquático 6 Domínios e 3 Áreas de Transição 11 Planaltos, 11 depressões e 6 Planícies
1. Bioma Cerrado 1. Domínio do Cerrado Planalto Central foi dividido em 12 partes: 
5 planaltos, 2 planícies, 5 depressões
 2. Bioma Amazônia – clima equatorial 2. Domínio Amazônico Planalto, Planície, Depressão
 3. Bioma 3. Domínio de Mares de Morros
 4. Bioma 4. Domínio das Caatingas Depressão Sertaneja e do São Francisco
 5. Bioma 5. Domínio das Araucárias
 5. Bioma 6. Domínio das Pradarias
7. Áreas de Transição
EXERCÍCIOS 
(Adaptado, UERJ/UDESC/ UFRGS - Vestibular 2013)
1) Na linha de costa brasileira, uma vegetação de mata em solo lamacento 
desenvolve-se no encontro das águas do mar com as águas fluviais e apresenta-se 
como berçário para inúmeras espécies de peixes, crustáceos, mamíferos, aves e 
insetos. Marque a opção que corresponde ao bioma descrito: 
(A) Cerrado
(B) Mangue
(C) Caatinga
(D) Pantanal
(D) Mata de Cocais
2) “... Essa formação é característica das áreas onde o clima apresenta duas 
estações bem marcadas: uma seca e outra chuvosa, como no Planalto Central. 
Dois estratos a identificam: um arbóreo - arbustivo, onde as espécies tortuosas têm 
os caules geralmente revestidos de casca espessa, e outro herbáceo, geralmente 
dispostos em tufos”. Marque a opção que corresponde ao bioma descrito: 
(A) Cerrado
(B) Caatinga
(C) Floresta tropical
(D) Mata semiúmida
(E) Formação do Pantanal
3) Em razão de sua grande extensão territorial, o Brasil possui diversos tipos de ve-
getação, apresentando um complexo mostruário das principais paisagens e ecologias 
do planeta. Faça a correspondência correta entre os biomas e as regiões brasileiras.
(1) Região Norte ( ) Pampa
(2) Região Centro ( ) Cerrado
(3) Região Sudeste ( ) Pantanal
(4) Região Nordeste ( ) Caatinga
(5) Estado do Mato Grosso do Sul ( ) Mata Atlântica
(6) Estado do Rio Grande do Sul ( ) Floresta Amazônica
4) Na Região Centro-Oeste, encontra-se um bioma que é caracterizado pela 
presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com cascas grossas e folhas 
recobertas de pelos. O solo apresenta deficiênciaem nutrientes e alta concentração 
de alumínio. Marque a alternativa que corresponde ao bioma que apresenta as 
características descritas:
(A) Mangue
(B) Caatinga
(C) Campos
(D) Cerrado
(E) Mata de araucária
5) Sobre os Biomas existentes no Brasil, assinale a(s) proposição(ões) correta(s).
(A) A Caatinga é caracterizada por ser uma floresta úmida da região litorânea do 
Brasil, hoje muito devastada.
(B) O Mangue ocorre desde o Amapá até Santa Catarina e desenvolve-se em 
estuários, sendo utilizados por vários animais marinhos para reprodução.
(C) O Pampa ocorre na Região Centro-Oeste onde o clima é quente e seco. A flora 
e a fauna dessa região são extremamente diversificadas.
Capítulo 5 :: 73
essa energia seria devolvida para a atmosfera em forma de calor, o que elevaria 
as temperaturas médias.
III. O aumento do processo erosivo leva a um empobrecimento dos solos, como 
resultado da retirada de sua camada superficial. Isso, muitas vezes, acaba invia-
bilizando a agricultura.
Das afirmativas acima,
(A) apenas I está correta.
(B) apenas II está correta.
(C) apenas III está correta.
(D) apenas I e II estão corretas.
(E) I, II e III estão corretas.
8) De acordo com Jurandyr Ross (1998), no território brasileiro, as estruturas e 
as formações litológicas são antigas, mas as formas de relevo são recentes, pois 
foram produzidas: 
(A) pelo vento, que exerce importante papel de desgaste e transporte de partículas.
(B) pelos desgastes erosivos que ocorreram e continuam ocorrendo.
(C) pelos processos mais recentes associados aos falhamentos.
(D) pelo desgaste erosivo de climas anteriores.
(E) pelo vento e desgaste erosivo de climas atuais.
9) Sobre o domínio amazônico, assinale a alternativa falsa:
(A) Compõe-se em sua maior parte por baixos planaltos e planícies.
(B) A hidrografia é riquíssima, com furos, igarapés, paranás-mirins e lagos da várzea.
(C) Devido a riqueza mineral orgânica das águas dos rios é grande a piscosidade.
(D) Devido à exportação de peixes a matança tem-se descontrolado, colocando 
em risco várias espécies.
(E) O solo amazônico tem-se mostrado fertilíssimo, prestando-se a grande mono-
cultura exportadora. 
Gabarito
1) B
2) A
3) 5; 6; 2; 4; 3; 1
4) D
5) B
6) C
7) E
8)
9) A
(D) A Floresta Amazônica está localizada nos estados do Maranhão e do Piauí e as 
árvores típicas dessa formação são as palmeiras e os pinheiros.
(E) O Cerrado é uma formação fitogeográfica caracterizada por uma floresta 
tropical que cobre cerca de 40% do território brasileiro, ocorrendo na Região Norte.
(F) A Mata Atlântica é uma formação que se estende de São Paulo ao Sul do 
país, onde predominam árvores como o babaçu e a carnaúba, e está muito bem 
preservada.
(G) O Pantanal ocorre nos estados do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso, carac-
terizando-se como uma região plana que é alagada nos meses de cheias dos rios.
6) Numere as colunas relacionando a vegetação à sua característica:
(1) Floresta de Coníferas
(2) Vegetação Mediterrânea
(3) Tundra
(4) Pradaria
(5) Savana
(6) Estepe
( ) Vegetação rasteira de ciclo vegetativo curto. Exemplo: musgos e líquens.
( ) Vegetação herbácea, esparsa e ressecada. Surge em climas semiáridos, na 
faixa de transição de climas úmidos para desertos.
( ) Formação florestal típica da zona temperada. É conhecida como Taiga e 
predominam os pinheiros.
( ) Vegetação esparsa que possui três estratos. Um arbóreo, um arbustivo e um 
herbáceo. Predomina em regiões de clima mediterrâneo.
( ) Formação herbácea, composta por capim, que aparece em regiões de clima 
temperado continental.
Vegetação complexa que surge por influência do clima tropical, alternadamente 
úmido e seco. Ocorre na África e abriga animais de grande porte como leões, 
elefantes e girafas.
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo.
(A) 2 – 1 – 6 – 4 – 5 – 3
(B) 1 – 2 – 3 – 6 – 5 – 4
(C) 3 – 6 – 1 – 2 – 4 – 5
(D) 6 – 5 – 4 – 3 – 2 – 1
(E) 4 – 3 – 2 – 5 – 1 – 6
7) 
A Amazônia ocupa uma área de mais de 6,5 milhões de km² na parte norte 
da América do Sul e abrange nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, 
Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Devido aos elevados 
índices de desmatamento, uma pesquisa da revista Science alerta que, até 2050, 
poderá ocorrer a extinção de cerca de 80% das espécies de vertebrados, em áreas 
que sofreram desmatamento. 
FARIA, C. Desmatamento da Amazônia. Disponível em: WEARN, O. R.; REUMAN, D. C.; EVERS, 
R. M. Extinction Debt and Windows of Conservation Opportunity in the Brazilian Amazon. Science, v. 
337, n. 6091, p. 228-232, 13 July 2012. Acesso em: 22 out. 2012
Analise as afirmativas abaixo, relacionadas ao processo de desmatamento.
I. A menor evapotranspiração diminui os índices pluviométricos. Estima-se que 
metade das chuvas que ocorrem nas florestas tropicais são resultantes da evapo-
transpiração, ou seja, da troca de água da floresta com a atmosfera.
II. Boa parte da energia solar é absorvida pelas florestas para os processos de 
fotossíntese e evapotranspiração. Sem a floresta, com o solo exposto, quase toda 
74 :: GeoGrafia :: módulo 2
:: Objetivos ::
• Mostrar os problemas ambientais decorrentes das atividades humanas e os aspectos políticos 
da questão ambiental.
6
As questões ambientais
Mesmo nas regiões mais antropizadas da superfície terrestre as paisagens 
culturais ainda apresentam elementos naturais. São os morros, os rios, as árvores, 
que se destacam entre construções, pontes, estradas, torres de comunicação. 
No espaço rural, as atividades econômicas predominantes são aquelas 
que fornecem os recursos primários, ordenam e configuram espacialmente os 
elementos culturais e naturais neste espaço. Veja a figura 6.1:
Figura 6.1: Paisagem rural. Cultivos em Paty do Alferes (RJ). Foto do acervo 
NEQUAT/UFRJ, 2000.
Nos centros urbanos, as atividades econômicas predominantes decorrem do 
desenvolvimento das atividades do comércio, serviços e indústria. A ocupação de 
um território por um grupo social é orientada por um conjunto de regras que se 
traduzem na forma de códigos, posturas, normas, leis (uso dos solos, ambientais, 
religiosas), que possibilitam a vida em sociedade.
Figura 6.2: Paisagem urbana. Porto Madeira (Buenos Aires) – Concentração 
de Atividades. Foto Acervo Sonia Gama, 2010.
As Dinâmicas da Natureza 
e da Sociedade
A dinâmica da Natureza revela-se por meio de mudanças de tipos de tempo 
atmosférico ocasionadas pela passagem das estações do ano, que interferem 
sazonalmente nas características da vegetação, no comportamento dos animais 
silvestres e no regime dos rios. Também a ação continuada das chuvas, dos 
ventos, dos vulcões e dos terremotos colabora para a transformação do modelado 
terrestre, como os movimentos de marés e de correntes marítimas, que esculpem 
os litorais de todo o planeta.
A dinâmica da sociedade revela-se na ocupação de novas áreas e no ritmo 
As Paisagens do 
Espaço Geográfico
Muitas mudanças aconteceram nas paisagens terrestres ao longo dos tempos 
geológico e histórico, e estas transformações não ocorreram todas de uma vez. 
Tanto os elementos da natureza como os construídos pela sociedade foram 
gradativamente alterados ou substituídos por outros. 
Na compreensão das transformações do espaço geográfico, é importante 
investigar de que forma os homens estão organizados em sociedade e atuam 
sobre a configuração territorial modelando as paisagens. As características atuais 
do espaço geográfico mundial podem ser atribuídas a um longo e contínuo processo 
de transformações sociais e técnicas, desencadeado pelos seres humanos.
Os elementos da natureza são aqueles que se originaram de processos e 
fenômenos da natureza, tais como vegetação, relevo, solo, cursos d’água, clima, 
seres vivos. Já os elementos construídos pela sociedade são aqueles criados pelo 
homem, que se utiliza de instrumentos e técnicas diferentes, tais como edificações, 
lavouras, pontes, hidrelétricas, aterros. Destes decorrem as paisagens naturais 
eas paisagens culturais, ou humanizadas, resultando nas paisagens terrestres, 
denominadas de espaço geográfico.
Há alguns milhares de anos, povos de origens distintas passaram a procurar 
e a ocupar áreas da superfície terrestre onde a natureza oferecesse recursos que 
lhes permitissem sobreviver, aliados ao desenvolvimento e ao uso de técnicas e 
instrumentos diferenciados.
Somente no século XVIII esta realidade começou a mudar com o advento da 
sociedade industrial (originário da Europa), que passou a empregar novos recursos 
tecnológicos, mudando os modos de produção de bens e fabricando-os de forma 
padronizada e em larga escala.
 O crescimento e a expansão da indústria por várias partes do mundo 
ocasionaram intensas transformações na Natureza, pois a atividade industrial 
necessita de grande quantidade de recursos para a sua sustentação. Reduziram-
se, pois, as paisagens naturais, e multiplicaram os elementos criados pelo homem, 
resultando em áreas agrícolas e extrativas minerais; regiões urbanas e regiões 
industriais; estradas e redes de comunicação. 
Os remanescentes das paisagens naturais estão distribuídos pelo mundo. 
São os biomas: florestas tropicais, savanas, desertos, florestas boreais, pradarias 
temperadas e tundras.
A ONG Conservation International realizou em 
2003 mapeamento por todos os continentes e 
identificou as últimas 37 Grandes Regiões Naturais da 
Terra (aquelas com mais de 10.000 km2 de extensão; 
70% de sua vegetação original intactos e menos de 5 
pessoas por km2).
Atualmente, existem, na superfície terrestre, grandes extensões de paisagens 
culturais, resultantes do contínuo processo de transformação do espaço geográfico. 
O espaço geográfico é também o alvo de disputas e de interesses político-
econômicos por parte de nações ou empresas.
76 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 6.3: Esquema representativo de uma indústria – marco da apropriação 
e transformação dos recursos naturais. Ilustração: Sami Sousa
A utilização econômica 
dos recursos
O uso intensivo de determinados elementos da Natureza marca a civilização 
urbano-industrial da atualidade e está diretamente ligado ao processo de 
degradação ambiental, que se caracteriza por uma crise ecológica de escala global.
Os recursos naturais são divididos em recursos renováveis e recursos não 
renováveis. 
Recursos Renováveis
•	 podem ser repostos ou reproduzidos pela natureza ou pelo trabalho humano;
•	 alguns recursos minerais (água e solo);
•	 os recursos biológicos (florestas, pastos, vegetais cultivados, biodiversidade 
animal e vegetal);
•	 os recursos marinhos.
Recursos Não Renováveis
•	 não podem ser repostos;
•	 os combustíveis fósseis (carvão mineral e petróleo);
•	 a maior parte dos recursos minerais (não reproduzidos em escala de 
tempo compatível com a dos homens);
•	 estoque finito.
Ambos merecem algumas considerações. Os recursos renováveis não são 
necessariamente infinitos ou inesgotáveis. Por exemplo, a água — há, pelo 
menos, 500 milhões de anos, a quantidade de água no planeta permanece 
inalterada, porém o estoque de recursos hídricos (ou a água que serve ao consumo 
humano e às suas necessidades) está diminuindo. 
Os recursos não renováveis são considerados finitos. Por exemplo, as reservas 
de ferro ou de petróleo, quando atingirem a exaustão, não poderão ser respostas. 
das construções, que incluem a abertura de áreas de cultivo e de pastagens, 
a derrubada de antigos edifícios, a construção de fábricas, a implantação de 
conjuntos habitacionais e a expansão de áreas urbanas.
Os tempos da Sociedade 
e da Natureza
As transformações impostas pelos fenômenos da natureza e pelas ações 
humanas às paisagens terrestres possuem temporalidades muito diferenciadas. Os 
seres humanos passaram a transformar as paisagens há apenas alguns milhares 
de anos, e aquelas decorrentes de fenômenos naturais podem ter origem em 
épocas longínquas, ou mesmo bilhões de anos atrás.
Para a melhor compreensão destas diferenças, foi criada uma escala temporal 
que distingue o período de ocorrência dos eventos naturais (correspondente ao 
tempo geológico) do período de ocorrência dos eventos humanos (correspondente 
ao tempo histórico).
Tempo Histórico: é o período de ocorrência dos 
eventos humanos. O tempo é subdividido em Idades 
e Períodos com suas características e duração em 
milhares de anos, por exemplo, da Pré-História à 
Idade Contemporânea, que são 600 mil anos atrás 
aos dias atuais.
Tempo Geológico: É o período de ocorrência dos 
eventos naturais. O tempo é subdividido em Eons, 
Eras, Períodos e Épocas com características e duração 
em milhões de anos. Por exemplo: de 4,6 bilhões de 
anos, surgimento da Terra até o surgimento dos seres 
humanos primitivos.
A Natureza e os 
Recursos Naturais
Vimos o meio natural como resultado da ação integrada de seus diversos 
elementos e a Natureza artificial como resultado da combinação entre os objetos 
naturais e os objetos técnicos (cujo marco é a Revolução Industrial). Daqui por 
diante, vamos explorar um pouco a apropriação dos recursos naturais (figura 6.3).
Os elementos naturais não foram elevados à condição de recursos naturais 
pela Natureza, e sim pelas sociedades humanas, que transformam a Natureza 
em recursos, de modo que passam a satisfazer suas necessidades econômicas e 
culturais por meio deles.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento tecnológico tende a ampliar as 
necessidades sociais e os meios técnicos, para incorporar novos recursos e assim 
sucessivamente. Nesta perspectiva, o elemento natural torna-se verdadeiramente 
um recurso de acordo com as necessidades do momento. Como exemplo, podemos 
citar o petróleo, que, até bem pouco tempo atrás, jorrava sem despertar maiores 
interesses, até que se tornou um recurso essencial às diversas modalidades 
industriais e, atualmente, motiva a pesquisa de novas fontes de energia.
Capítulo 6 :: 77
O consumismo como padrão de comportamento
Os autores são unânimes em afirmar que as raízes do comportamento 
consumista estão na sociedade norte-americana do século XX. Os Estados Unidos 
foram o primeiro país a sentir os impactos da revolução tecnológica industrial. 
Além de novos tipos de bens de consumo, criou novas formas de entretenimento 
e lazer, como o cinema, a televisão e os shopping centers, introduzindo um novo 
estilo de vida, o American way of life. 
Assim, o “consumismo” pode ser entendido como a aquisição de produtos 
totalmente dispensáveis à subsistência ou o simples desejo de comprar algo 
que não seja necessário. Com a implantação de indústrias multinacionais nos 
continentes europeu, asiático e latino-americano, o estilo de vida “consumista” 
americano foi levado para outros países (facilitado pelas redes de supermercados, 
hipermercados, magazines e shoppings).
No Brasil, até o início da década de 1970, os produtos industrializados eram 
vendidos em pequenos e médios estabelecimentos. Hoje, estes produtos são 
vendidos em grandes redes de super e hipermercados.
Os Estados Unidos também exportaram suas produções televisivas, 
cinematográficas e fotográficas. Diversos países receberam influências no modo 
de vestir, nos hábitos alimentares, na língua, nos estilos de música com o jeans, 
os fast foods, o rock, o rap ou a dance music.
A possível falência do modelo consumista 
A elevação dos níveis de consumo nas últimas décadas exige a ampliação e 
a diversificação da produção industrial. Assim, para atender às necessidades do 
mercado, aumenta-se a exploração dos recursos primários, sejam eles agrícolas, 
florestais, minerais ou energéticos. Este fato explica as intensas e rápidas 
transformações no espaço geográfico, onde as paisagens naturais cedem lugar 
às paisagens culturais. 
Atualmente, os países desenvolvidos somam um quinto da população mundial, 
que consome 80% dos recursos naturais do planeta. Os países subdesenvolvidos 
somam os quatro quintos restantes e utilizam somente 20% dos recursos naturais. 
Vale destacar que apenas duas das maiores potênciaseconômicas do mundo atual 
somam juntas uma população de quase 500 milhões, responsáveis pelo consumo 
de aproximadamente um terço dos recursos do planeta.
A ideia de que a natureza é fonte inesgotável de recursos contribuiu para a 
elevação dos níveis de consumo, e até então, os impactos provocados ao meio 
ambiente pelas atividades econômicas não eram levados em consideração ou eram 
considerados espacialmente limitados, apenas com repercussão nas escalas local e 
regional. Hoje, já é consenso que os impactos ambientais ocorrem em escala global, 
e pode-se concluir que a Natureza como fonte de recursos tem “prazo de validade”. 
A expansão do capitalismo e da sociedade de consumo é considerada como 
um dos fatores desencadeadores dos problemas ambientais em escala planetária. 
Um dos problemas é a possibilidade imediata de esgotamento dos recursos não 
renováveis, como os minérios, o petróleo, o carvão mineral e as florestas tropicais, 
que abrigam imensa biodiversidade. Outro é a falta de destino para o lixo, que 
acaba sendo lançado em locais impróprios.
Neste caso, o avanço da tecnologia de prospecção (descoberta de novas 
reservas) e de exploração contribui para valorizar ainda mais o recurso. Por en-
quanto, o problema não é o esgotamento físico dos recursos, e sim o investimento 
para torná-los acessíveis.
Veja a observação do ambientalista Maurício Andrés Ribeiro:
No início do século XXI, o planeta Terra já abriga mais de 6 bilhões de 
habitantes. Os recursos naturais – água, terra cultivável, bens minerais, a 
biodiversidade, na forma de alimentos e produtos para outras finalidades 
–, são exigidos em grandes quantidades, devido aos crescentes padrões 
de consumo per capita. A sociedade industrial contemporânea acostumou-
se a conviver com curvas geométricas de crescimento populacional, de 
necessidade de energia, de invenções, de consumo dos mais variados 
bens. Entretanto, é limitada a capacidade do planeta para prover recursos e 
para absorver resíduos. Noutras palavras, a capacidade de suporte da Terra 
e de cada uma de suas regiões é insuficiente para atender às necessidades 
ilimitadas de sua população. 
Mauricio Andrés Ribeiro, in Jornal do Meio Ambiente, MT – 19/10/2004
Como os padrões 
capitalistas vêm atingindo o 
meio ambiente e a sociedade? 
A explosão do comércio
A segunda metade do século XX marcou o aumento dos níveis de consumo 
nos países desenvolvidos e nos países subdesenvolvidos que passavam pelo 
processo de industrialização tardiamente. Este é o caso do Brasil e de países como 
o México, a Argentina, a África do Sul e a Índia. 
Nesta ocasião, novos tipos de bens de consumo foram colocados no mercado, 
a preços acessíveis e em grande quantidade, como automóveis, máquinas de lavar 
roupa, televisores e todos os objetos que viriam a mudar os hábitos da população 
e criar outras necessidades na classe média, alvo das empresas multinacionais. 
Novas estratégias se estabelecem e o marketing passa a ser o principal 
recurso para a divulgação dos produtos, com o objetivo de despertar nas pessoas 
o desejo de consumir. A indústria passa a produzir bens de curta durabilidade, 
pois é importante diversificar a produção e atualizar os modelos para substituir 
aqueles ultrapassados pela inovação tecnológica. As linhas de crédito facilitam as 
compras, à medida que a empresa e a população precisem dispor do valor total 
do produto no ato da compra. As campanhas veiculadas na mídia induzem ao 
consumo, estimulam a produção, aumentam os lucros e favorecem a acumulação 
de capital. Por outro lado, provocam o endividamento pessoal.
Atividade 1
Observe as propagandas no seu trajeto do dia a dia (centros comercias, out 
doors, busdoors ou mesmo na TV ou nos jornais) e anote os seus comentários.
78 :: GeoGrafia :: módulo 2
Apague estas ideia >> A natureza é inesgotável! / Consumir 
intensamente é bom!
Pense >> É preciso (re)discutir o modelo de desenvolvi-
mento econômico, levando-se em consideração o padrão 
de consumo, a desigual distribuição de riqueza e o padrão 
tecnológico existentes!
Os Problemas Ambientais
A melhor coisa que se pode dizer sobre as condições do meio ambiente 
mundial é que as pessoas em todo o mundo estão começando a preocupar-
se com esse problema. 
Relatório do Programa do Meio Ambiente das Nações Unidas.
A transformação do meio ambiente pelo homem
Embora o homem tenha surgido tardiamente na Terra, é enorme o impacto 
de suas intervenções no meio ambiente. No início, as intervenções do homem 
não causavam impactos (pelo menos, na concepção dos dias atuais), pois o ser 
humano ainda era bastante impotente ante a Natureza, visto que não dominava 
técnicas capazes de realizar grandes transformações.
De caçador e coletor, num período de até aproximadamente 10.000 anos 
a.C., a ação do homem na natureza restringia-se à interferência nas cadeias 
alimentares. O fogo, a primeira grande descoberta do homem primitivo, pode ser 
considerado um marco que permitiu um avanço no seu modo de vida. O próximo 
passo foi cultivar alimentos e criar animais, fazendo com que se fixassem em 
determinados lugares da superfície terrestre, o que o levou a tornar-se sedentário. 
O impacto sobre a natureza começa a aumentar com a revolução agrícola, há 
aproximadamente 10.000 anos a.C., quando começou a ocorrer devastação de 
florestas para permitir as práticas da agricultura e da pecuária, além da utilização 
da madeira na construção de abrigos. 
Registram-se, desde então, alguns impactos no meio ambiente – alterações 
das cadeias alimentares (causando a extinção de espécies), a erosão dos solos 
(resultado de práticas inadequadas), a poluição do ar (queima de florestas), a 
poluição do solo e da água (por excesso de matéria orgânica). 
Como resultado da revolução agrícola e da sedentarização do homem, temos 
o surgimento das primeiras cidades, há mais ou menos 4.500 anos. O ritmo de 
crescimento da população se intensificou, e consequentemente, deu-se o aumento 
dos impactos sobre o meio ambiente (apenas numa escala local). 
Desde o surgimento do homem, a população mundial demorou mais de 200 
mil anos para atingir 170 milhões de habitantes, no início da era cristã. Depois, 
precisou de “apenas” 1.700 anos para quadruplicar-se, chegando a 700 milhões 
de pessoas às vésperas da Revolução Industrial. Com a revolução da indústria, o 
homem começou a transformar a face do planeta, a composição de sua atmosfera 
e a qualidade de sua água. 
Em ritmo acelerado, a população mundial chegou a 1,2 bilhão de pessoas 
por volta do ano de 1850. Atualmente, somos mais de 7 bilhões de habitantes. 
Observe a tabela 1.1:
Ano População mundial
1850 1,2 bilhão de pessoas
1950 2,5 bilhões de pessoas
1970 + de 3,5 bilhões de pessoas
1990 + de 5 bilhões de pessoas
2004 + de 6 bilhões de pessoas
2010 + de 7 bilhões de pessoas
Tabela 6.1: Crescimento da população mundial entre 1850 e 2010.
O rápido crescimento da população humana criou uma enorme demanda 
(necessidade de consumo), que o desenvolvimento tecnológico pretende com-
portar, submetendo o meio ambiente a uma agressão que está provocando o 
declínio cada vez mais acelerado de sua qualidade e de sua capacidade para 
sustentar a vida. Os autores afirmam que, pela primeira vez na história, a humani-
dade põe em risco a sua própria sobrevivência, como resultado dos desequilíbrios 
provocados pela interferência na Natureza. Estes desequilíbrios são decorrentes 
do encadeamento de problemas ambientais, que por sua vez, causam impactos.
Quais são os principais problemas ambientais?
São aqueles que, de alguma forma, possam causar danos, impactos negati-
vos ou qualquer outro tipo de degradação ao meio ambiente. São eles:
•	 a escassez de água pelo mau uso, pela contaminação e por mau 
gerenciamento das bacias hidrográficas;
•	 a contaminação das águas por esgotos sanitários e por outros resíduos 
industriais;
•	 a degradação dos solos pelo mau uso, especialmente na agricultura e na 
pecuária;
•	 a poluição do solopor lixo sólido e líquido;
•	 a perda de biodiversidade, devida ao desmatamento e às queimadas;
•	 a degradação da faixa litorânea por ocupação desordenada e;
•	 a poluição do ar nos grandes centros urbanos e devido às queimadas.
Os problemas ambientais quase sempre resultam de impactos ambientais, 
entendidos como um desequilíbrio provocado pela ação humana ou ainda por 
acidentes naturais. Eles ocorrem em ambientes naturais (ecossistemas naturais) 
e em ambientes construídos (ecossistemas agrícolas e sistemas urbanos) e tem 
repercussão em escala local, regional ou global. 
Nos ecossistemas naturais a devastação das florestas tropicais em todo o 
mundo (são as mais ricas em biodiversidade) está relacionada, principalmente, a 
fatores econômicos como a extração da madeira, a construção de usinas geradoras 
de energia, a instalação de projetos agropecuários ou de mineração, além da 
propagação do fogo (incêndios). 
Como consequências do desmatamento podemos destacar:
•	 a destruição da biodiversidade;
•	 a diminuição das nações indígenas;
•	 a erosão e o empobrecimento dos solos;
•	 as enchentes e o assoreamento dos rios;
Capítulo 6 :: 79
– NOx, monóxidos de carbono – CO) e materiais particulados (chumbo – Pb, 
poeiras industriais, aerossóis, fumaças negras, hidrocarbonetos, solventes, ácidos) 
na atmosfera. Os responsáveis são: as indústrias, as centrais termoelétricas, as 
instalações de aquecimento e, principalmente, alguns sistemas de transportes. 
Os efeitos destes gases sobre os seres humanos são graves, atingindo o 
sistema respiratório, causando perturbações nervosas e anemia; quanto às 
partículas, os efeitos são irritantes, fibrosantes, alérgenos ou cancerígenos.
A inversão térmica é um fenômeno natural que agrava a concentração de 
poluentes na atmosfera, dificultando a sua dispersão, ou circulação atmosférica. 
Quando ocorre em grandes cidades provoca problemas na saúde da população. 
De forma geral, a inversão térmica ocorre em qualquer parte do planeta, 
especialmente nos meses de inverno, quando no final da madrugada se registram 
as temperaturas mais baixas do ar e do solo. É mais comum em lugares onde o 
solo ganha muito calor de dia e perde à noite, deixando a camada atmosférica 
mais baixa (próxima ao chão) muito fria. O ar frio é mais pesado e impede a 
dispersão dos poluentes emitidos pelos carros, ônibus, indústrias etc. 
Nas grandes cidades também ocorre o fenômeno “ilha de calor”, caracterizado 
pela elevação das temperaturas médias nas zonas centrais da mancha urbana 
(figura 6.4). Os materiais utilizados nas construções (como o asfalto, cimento e 
o concreto) absorvem e emitem muito calor, que fica retido entre as ruas estreitas 
junto com os poluentes. Em casos extremos, a diferença de temperatura entre as 
zonas periféricas e o centro pode ser de até 10º C. 
Figura 6.4: Fenômeno da ilha de calor na zona central da cidade.
Entre os diversos poluentes emitidos pelas atividades antrópicas, 
provavelmente os gases CFCs (clorofluorocarbonos) contribuem para outro 
problema ambiental: a destruição da camada de ozônio (O3). O gás Ozônio se 
forma acima de 25 km de altura e se concentra na camada Estratosfera (situada 
entre 12 km e 30 km de altura), constituindo a Camada de Ozônio. A molécula 
de ozônio é capaz de absorver a radiação ultravioleta emitida pelo Sol, protegendo 
os seres vivos (plantas, animais e o próprio homem) de doenças e mutações 
genéticas causadas por este tipo de radiação. No entanto, como o ozônio é 
pouco estável, pode ser destruído pelos raios ultravioleta ou por outras moléculas 
e átomos de origem natural (produzidos na própria atmosfera ou lançados por 
erupções vulcânicas). Por isso, a camada de ozônio pode apresentar “buracos” 
em alguns lugares, que posteriormente podem se fechar. 
As chuvas ácidas também são um outro fenômeno relacionado à emissão 
de poluentes, especialmente pelas atividades industriais. Têm como principais 
responsáveis o trióxido de enxofre – SO3 (SO2 emitido a partir da queima de 
combustíveis fósseis + O2 presente na atmosfera) e o dióxido de nitrogênio – NO2, 
•	 a extinção de nascentes;
•	 a diminuição de índices pluviométricos;
•	 a elevação de temperaturas;
•	 a desertificação;
•	 a redução ou mesmo o fim de práticas extrativas vegetais;
•	 a proliferação de pragas e a disseminação de doenças.
Nos ecossistemas agrícolas o impacto ambiental manifesta-se com intensidade 
na degradação dos solos. Na busca de aumentar a produtividade do cultivo, foram 
introduzidas novas técnicas agrícolas. Tais técnicas causam desequilíbrios, graças 
à poluição por agrotóxicos, à erosão do solo e à irrigação descontrolada, associada 
a uma insuficiente drenagem do terreno. 
O aumento da produção de alimentos foi favorecido pela padronização 
dos cultivos (predomínio de determinadas culturas em uma mesma região, 
a exemplo dos cinturões agrícolas). As monoculturas, por sua vez, fizeram 
com que aumentasse a utilização de inseticidas no combate às pragas, que, 
consequentemente, favorece a diminuição de predadores naturais, provocando 
desequilíbrios nas cadeias alimentares. 
Como consequência, há maior incidência de processos erosivos nos solos, que 
estão se tornando improdutivos: as terras moderadamente degradadas abrangem 
quase 9 milhões de quilômetros quadrados (aproximadamente a área da China), e 
as terras severamente degradadas abrangem 3 milhões de quilômetros quadrados 
(dois terços dessas áreas estão na África). A perda de milhares de toneladas de 
solos agricultáveis por erosão, principalmente na zona tropical do planeta, é um 
dos principais problemas enfrentados pela economia agrícola.
Nos sistemas urbanos o impacto ambiental manifesta-se nas escalas local, 
regional e global. A cidade interfere em vários ecossistemas situados a milhares 
de quilômetros de distância na medida em que é considerada uma etapa 
consumidora. Pode consumir matéria, energia e gerar subprodutos, traduzidos nos 
resíduos sólidos (lixos), líquidos (esgotos) e gasosos (fumaças e gases), e não 
tem a capacidade de reciclar nada.
Como consequência, os resíduos excedentes, acumulados no ar, no solo 
e na água causam impactos no meio ambiente e uma série de desequilíbrios 
ambientais, que se traduzem em:
•	 poluição do ar (ilha de calor; intensificação do efeito estufa; chuvas ácidas);
•	 poluição do solo (lixo sólido); 
•	 poluição das águas. 
A poluição é uma doença universal que interessa a toda humanidade, 
mas existem tipos de poluição diferentes no mundo inteiro. Os países ricos 
conhecem a poluição direta, física, material, a do ambiente natural. Os países 
subdesenvolvidos são presas da fome, da miséria, das doenças de massa, do 
analfabetismo. O Homem do Terceiro Mundo conhece essa forma de poluição 
chamada “subdesenvolvimento”. E devo dizer que esta é a forma mais grave, 
mais terrível de todas (Josué de Castro).
A poluição do ar
A poluição do ar (atmosférica) resulta do lançamento de enormes quantidades 
de gases (dióxido de carbono – CO2, dióxido de enxofre – SO2, óxidos de azoto 
80 :: GeoGrafia :: módulo 2
que reagem com a água da chuva, deixando-a com um pH ácido. A chuva ácida 
provoca a corrosão de metais, de pinturas e de monumentos históricos, além da 
destruição da cobertura vegetal. Como na atmosfera não há barreiras entre uma 
região e outra, é comum os poluentes emitidos numa cidade provocarem chuva 
ácida em regiões vizinhas, pois os poluentes podem viajar vários quilômetros de 
distância. Até há pouco tempo, as chuvas ácidas eram um problema restrito aos 
países da Europa e dos Estados Unidos. No entanto, está se tornando comum em 
áreas industrializadas do mundo subdesenvolvido – por exemplo no leste asiático 
e na América Latina.
A poluição do solo
A poluição do solo resulta do acúmulo de excedentes de resíduos sólidos 
(lixo) presentes nas cidades. Tende a se agravar com o crescimento populacional 
e, principalmente, com o estímulo ao consumismo. Como exemplo, temos a 
cidade de São Paulo queproduz, aproximadamente, 16 mil toneladas de lixo 
sólido por dia, para uma população de 10 milhões de habitantes, ou seja, são 1,6 
kg de lixo produzidos por cada habitante. 
O acúmulo de lixo no solo traz uma série de problemas:
•	 proliferação de insetos e ratos, que podem transmitir doenças como a 
peste bubônica e a leptospirose, dentre outras;
•	 decomposição bacteriana da matéria orgânica, que, além de gerar mau 
cheiro, produz o chorume, um caldo escuro e ácido que se infiltra no subsolo 
(contaminando o lençol freático);
•	 contaminação do solo e de pessoas que manipulam o lixo com produtos 
tóxicos; 
•	 acúmulo de materiais não-biodegradáveis. 
A destinação final do lixo é o segmento do Sistema de Limpeza Urbana mais 
crítico no Brasil – em 1999 apenas 17% dos resíduos coletados são dispostos em 
aterros sanitários (locais preparados para receber o lixo sem haver contaminação 
do solo e da água), segundo dados do IBGE (2000). Contudo, a mudança na 
Política Nacional de Resíduos Sólidos (em 2010, a Lei nº 12.305 alterou a Lei 
9.605/98) tornou mais rigoroso o controle e destinação final dos resíduos sólidos. 
Mesmo antes da entrada em vigor da nova legislação, melhorias foram observadas 
na destinação final dos resíduos sólidos, porém, ainda é um grave problema. As 
formas mais usuais são os lixões, depósitos de resíduos a céu aberto, que devem ser 
localizados afastados das aglomerações, o que, infelizmente, não é o que se vê. Em 
2008, o lixo coletado diariamente no Brasil chegava a 259.547 toneladas, sendo 
que 50,8% era destinado a lixões, 22,5% a aterros controlados e apenas 27,7% a 
aterros sanitários (Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008 (PNSB 
2008), http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/
pnsb2008/, acesso em 22/102/2014). 
A grande dificuldade para um melhor aproveitamento do lixo está exatamente 
na forma de coleta. Para uma coleta seletiva, seria necessário aumentar o número 
de coletas e melhorar a conscientização da sociedade. O problema continua sendo 
o combate à poluição, composta basicamente de dejetos orgânicos. A composição 
do lixo varia de país para país, de cidade para cidade, sendo que se tem registro 
do aumento da presença de plástico.
A poluição das águas em ecossistemas naturais
A poluição das águas caracteriza-se pelo lançamento de resíduos inorgânicos 
não-biodegradáveis (que não se degradam facilmente) e o de resíduos orgânicos 
acima da capacidade de absorção pelos organismos decompositores nos córregos, 
rios, lagos, águas subterrâneas e mares.
As fontes de água doce são as que mais recebem poluentes, e muitos lugares 
do planeta estão ameaçados de ficar sem água, devido, principalmente, ao aumento 
acelerado da ocupação desordenada em regiões de preservação de nascentes.
Uma das piores fontes de poluição das águas num ecossistema natural é 
o derrame de mercúrio (metal pesado e tóxico). O homem utiliza o mercúrio 
na separação do ouro de outros materiais, como os cascalhos e a areia, que, 
contaminados, são despejados novamente nos rios ou nos solos. Uma vez 
introduzido no organismo humano (pela alimentação, pele ou respiração) o 
mercúrio pode causar sérios problemas neurológicos. Nas áreas de garimpo, é 
comum o registro de animais e peixes contaminados, além do homem. 
As águas também podem ser poluídas por agrotóxicos (pesticidas, herbicidas, 
inseticidas) e por fertilizantes, quando tais substâncias são carreadas das áreas 
de cultivo pelas águas de escoamento superficial e pelas águas que se infiltram 
nos solos. O carreamento de matérias nutritivas (nitratos e fosfatos) ocasiona 
o fenômeno conhecido como eutrofização (eu = bem; trofe = alimentado) das 
águas, em que o excesso de “alimento” provoca uma enorme proliferação de 
algas. Quando uma grande quantidade de algas morre, a sua decomposição 
consome muito de oxigênio da água, matando os peixes por asfixia.
Os acidentes em águas doces ou oceanos são considerados como fontes de 
poluição. Um exemplo é o derramamento de petróleo (ou derivados), que causa 
graves danos ambientais afetando peixes e aves, além do próprio homem.
A poluição das águas em sistemas urbanos
Em sistemas urbanos, a poluição das águas assume proporções catastróficas, 
pois é nas cidades que estão concentrados os maiores contingentes populacionais 
e a maioria das indústrias. O consumo de água é elevado, e existe uma infinidade 
de fontes poluidoras, desde esgotos domésticos até efluentes industriais, sendo 
esta enorme quantidade de água retirada da Natureza e devolvida ao meio 
ambiente parcial ou totalmente poluída. A poluição tóxica é a mais perigosa, 
sendo metade dela lançada pelas indústrias químicas e, em torno de um terço, 
pelas fábricas de metais. 
De quem é a responsabilidade maior?
Os países desenvolvidos são os maiores consumidores de recursos naturais. 
Estes recursos são necessários para abastecer os parques industriais e as filiais 
das multinacionais localizadas nas nações subdesenvolvidas e nos países ex-
socialistas. Por outro lado, são também responsáveis pela maior parte dos rejeitos 
industriais, do lixo e dos gases tóxicos lançados na atmosfera. 
A transformação do espaço geográfico também tem sido intensa nos países 
subdesenvolvidos e de economia em transição. Portanto, não estão isentos de 
responsabilidade em relação à degradação ambiental. 
As políticas voltadas para a preservação ambiental em países economicamente 
Capítulo 6 :: 81
mais pobres não são consideradas como prioritárias e favorecem o desenvolvimento 
de atividades econômicas que comprometem a qualidade ambiental.
A aculturação das sociedades tradicionais
No mundo ainda devem existir cerca de cinco mil comunidades tradicionais, 
vivendo de acordo com seus costumes originais ou hábitos nativos total ou 
parcialmente preservados. Este número vem caindo, e essas sociedades estão 
cada vez mais influenciadas pelas tecnologias e pelos costumes da sociedade de 
consumo. Os biomas atuais são alvos de madeireiros, fazendeiros, mineradores e 
demais grupos que exercem forte pressão sobre as decisões governamentais na 
legalização da exploração ambiental para fins econômicos.
As perspectivas para o futuro: Rio-92
A Rio-92 reuniu chefes de Estado e representantes de ONGs da maioria dos 
países. Foram discutidos problemas ambientais e seus impactos, tendo-se em 
vista minimizá-los no futuro. Para tal, foram elaboradas as Convenções sobre a 
Biodiversidade (medidas para a preservação de espécies) e Mudanças Climáticas 
(medidas para diminuir a emissão de poluentes e impedir a destruição da camada 
de ozônio), a Declaração de Princípios, a Declaração sobre as Florestas e um Plano 
de Ação (Agenda 21, atual Programa 21).
A Rio-92 ficou marcada por ter sido o primeiro encontro após o término da Guerra 
Fria. Seus resultados significaram, também, a realização de princípios internacionais 
de direitos humanos, como os da indivisibilidade e da interdependência, agora 
conectados às regras internacionais de proteção ao meio ambiente e aos seus 
princípios instituidores. No ano de 2002, em Joanesburgo (África do Sul), na ocasião 
da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (também conhecida como 
Rio+10 ou Cúpula da Terra II) o ponto principal era discutir os avanços da Agenda 21. 
No ano de 2012, a cidade do Rio de Janeiro sediou a Rio+20 a Conferência 
das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, visando a renovação do 
engajamento dos lí deres mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta.
Nesta perspectiva, as ONGs (Organizações Não Governamentais) têm uma 
atuação importante como defensoras das questões ambientais, discutindo a relação 
entre a natureza e a sociedade. São o símbolo da conscientização e da organização das 
sociedades na luta pela preservação ambiental e atuam em todas as partes do mundo. 
Destacam-se a WWF, que atua em prol da preservação de ecossistemas ameaçados; o 
Greenpeace, criado em 1971, hoje com mais de 5 milhões de filiados em29 países; a 
SOS Mata Atlântica (Brasil), criada em 1986 com o objetivo de preservar as florestas. 
A criação de unidades de conservação
Por iniciativa da ONU (Organização das Nações Unidas) foram criadas áreas 
destinadas à proteção ambiental em todo o mundo. Por conta disto, o Sistema 
de Reservas da Biosfera da Unesco determina áreas para a conservação da 
biodiversidade natural (fauna e flora), o desenvolvimento social, o conhecimento 
científico e a educação ambiental. São 350 reservas em mais de 80 países, com 
área correspondente a aproximadamente 220 milhões de hectares, destinados à 
preservação.
As Unidades de Conservação Ambiental podem ser divididas em várias 
categorias – Parques, Reservas Ecológicas, Estações, Áreas de Proteção e as 
Reservas Biológicas já citadas.
Os Interesses Econômicos: 
a Situação Atual
Biopirataria
A biopirataria caracteriza-se pelo comércio ilegal operado por traficantes, 
que, por sua vez, são recrutados pelos laboratórios farmacêuticos internacionais. 
Esses traficantes se fazem passar por turistas, pesquisadores ou missionários e 
vendem a informação sobre o uso de plantas no exterior. Apropriam-se de recursos 
biológicos e dos conhecimentos de indígenas e de comunidades tradicionais.
No Brasil, a biopirataria está presente principalmente na Floresta Amazônica. 
Como consequência, o país perde anualmente cerca de um bilhão de dólares em 
recursos naturais e deixa de registrar patente sobre produtos, perdendo, assim, os 
royalties a que faria jus.
Biossegurança
Questões de biossegurança são as que dizem respeito ao controle e à 
minimização dos riscos provenientes da aplicação de diferentes tecnologias 
ao meio ambiente. Estas questões levantam a necessidade de assegurar-se o 
desenvolvimento científico, proteger-se a saúde humana e manter-se o equilíbrio 
de ecossistemas.
Tecnologias limpas
A tecnologia limpa é aquela utilizada sem causar danos ou minimizando 
impactos ao meio ambiente. Produz menos resíduos sólidos, emite menor 
quantidade de efluentes e utiliza-se de matérias-primas recicláveis ou 
biodegradáveis. 
A dificuldade relativa ao uso de tecnologias limpas reside na necessidade de 
cooperação de países desenvolvidos com nações economicamente mais pobres, 
promovendo intercâmbio de conhecimentos e transferência de tecnologias.
82 :: GeoGrafia :: módulo 2
Alguns fenômenos 
naturais que causam 
impactos ambientais e 
socioeconômicos
Alguns fenômenos naturais causam impactos ambientais e atingem 
populações, ocasionando prejuízos econômicos e perdas de vidas. Vamos ver 
alguns destes fenômenos.
•	 Terremotos e tsunamis
Os terremotos surgem a partir da liberação de vibrações devido ao 
movimento das placas tectônicas ou à ruptura numa rocha, causada por fortes 
pressões internas da Terra. O ponto que tiver se deslocado ou rompido é chamado 
hipocentro, ou foco. A partir dele, propagam-se vibrações (ou ondas em todas em 
todas as direções), que podem atingir a superfície. O primeiro ponto da superfície 
atingido pelas vibrações é denominado epicentro. A partir dele, surgem tremores 
com diferentes intensidades.
Os termos “terremoto”, “abalo sísmico” e “tremor de terra” estão relacionados 
ao mesmo processo; entretanto, o primeiro é geralmente usado para designar 
eventos com grande poder de destruição, como o que ocorreu recentemente no 
norte do Paquistão (outubro de 2005). Em função deste terremoto milhares de 
pessoas morreram devido ao desabamento de prédios e casas.
A partir do episódio de um terremoto outros problemas podem surgir, como 
rompimento de tubulações de gás e óleo, explosões, contaminação da água etc. 
Se o terremoto ocorre em áreas já pobres e sem estrutura de socorro adequada, a 
perda de vida e os prejuízos são ainda maiores.
Caso o hipocentro ocorra na crosta do fundo oceânico (figura 6.5), uma 
grande coluna de água é deslocada, gerando, na superfície do mar, ondas muito 
largas e velozes (chamadas tsunamis). O deslocamento da onda na direção de 
um continente provoca seu crescimento em altura devido à menor profundidade da 
lâmina d’água. A partir daí, podem-se formar ondas com mais de 20m de altura, 
capazes de provocar grande destruição no litoral.
Figura 6.5: Geração de um sismo a partir do atrito entre duas placas tectônicas oceânicas. As 
vibrações se propagam, até atingir a lâmina d’água e formar um tsunami.
Em dezembro de 2004, ocorreu um tsunami que atingiu a região sudeste 
da Ásia (figura 6.6). O tsunami invadiu ruas, casas, prédios e hotéis situados no 
litoral, matando milhares de pessoas. Após os primeiros estragos pelo alagamento, 
seguiram-se outros: contaminação de água potável, propagação de doenças devido 
à água parada e surgimento de ratos nos escombros das construções destruídas, 
As Políticas Ambientais 
e os Impasses Ambientais
No Brasil, a política ambiental começou a se desenvolver no final da década 
de 1930, quando o Estado passou a se preocupar com a exploração dos recursos 
– água, vegetação, minerais e pesqueiros, além da proteção de áreas florestais.
Naquela época, foram criados os Parques Nacionais de Itatiaia e o de Foz de 
Iguaçu. Outros interesses fizeram com que as questões ambientais fossem para 
segundo plano. Nos anos de 1950, instalou-se uma política desenvolvimentista, 
que investia na indústria sem dar a devida importância para a questão ambiental.
Somente nos fins da década de 1970, os ambientalistas começaram suas 
manifestações. Combatiam o alto grau de degradação dos solos, a poluição 
atmosférica, a poluição das águas, o desmatamento e as queimadas nas áreas de 
fronteira agrícola no interior do país.
A evolução das preocupações ambientais no restante do mundo nos 
mostra que foi na década de 1970 que as maiores discussões aconteceram, 
proporcionando a elaboração de normas e favorecendo a inserção do tema nas 
políticas públicas. É no ano de 1972 que surge a Ecodiplomacia, o novo campo 
nas relações internacionais sobre o meio ambiente. As conferências nos anos de 
1992 e 2002 reforçaram as discussões sobre o meio ambiente e as políticas 
ambientais, mas não produziram grandes avanços. 
Atualmente, parece haver retrocessos na diplomacia ambiental pressionada 
pela economia mundial. As negociações são sempre marcadas por resistências à fixa-
ção de limites às diversas formas de poluição com efeitos locais, regionais ou globais.
Procure se informar sobre:
•	 o Clube de Roma e o Sistema Global;
•	 o Relatório de Brundtland;
•	 a Convenção do Clima e o Protocolo de Kyoto;
•	 a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal;
•	 a Convenção sobre a Diversidade Biológica, a Rio 92 (Rio de Janeiro), Rio 
+ 10 (Johannesburgo) e Rio + 20 (Rio de Janeiro – 2012).
Atividade 2 
Pesquise sobre as mudanças propostas para o Código Florestal no Brasil.
Capítulo 6 :: 83
dificuldades de atendimento médico às áreas isoladas pelos alagamentos etc.
Os terremotos, ou abalos sísmicos, podem ocorrer por influência do homem 
em explosões nucleares, injeção de água e gás sob pressão no subsolo, extração 
de fluidos do subsolo (água, petróleo), enchimento de barragens hidroelétricas. 
No entanto, os abalos causados nestas situações são geralmente pequenos, 
causando pouco ou nenhum estrago.
No Brasil, há terremotos fracos, possivelmente devidos a tensões exercidas 
em rochas com pontos de fraqueza ou falhamentos. A posição do território 
brasileiro no meio da placa Sul-americana reduz a atividade sísmica e suas 
consequências, mas não as elimina.
Figura 6.6: Localização das áreas atingidas por um tsunami em dezembro de 2004.
•	 Movimentos de Massa
Os movimentos de massa são comuns em climas tropicais (como no Brasil) 
e estão relacionados principalmente ao relevo acidentado, às propriedades das 
rochas e dos solos, podendo ser desencadeados por chuvas concentradas. O índice 
de pluviosidade elevado faz com que o solo e/ou material rochoso encharcados 
deslizem encosta abaixo (Figuras 6.7 e 6.8). A presença de vegetação reduz o 
impacto da chuva sobre osolo e evita a compactação, mas não é suficiente para 
impedir que os escorregamentos ocorram. 
Além dos escorregamentos, há outros tipos de movimentos de massa, como 
corridas de lama, quedas de blocos e rastejos. Essa diferenciação se dá a partir 
do tipo de material mobilizado (blocos rochosos, solo ou mistura destes), da 
velocidade de deslocamento do material, do mecanismo do movimento, do 
conteúdo de água, entre outros aspectos.
Figura 6.7: Escorregamento de material rochoso, acompanhado de restos de árvores e terra, em 
encosta íngreme na Ilha Grande (Angra dos Reis, sul do Estado do Rio de Janeiro). Fonte: Carla M. 
Salgado, 2011.
Figura 6.8: Escorregamento de terra e material rochoso na Ilha Grande, obstruindo a estrada Abraão-
Vila Dois Rios (Angra dos Reis, sul do Estado do Rio de Janeiro). Fonte: Carla M. Salgado, 2011.
As formas de uso e ocupação da terra, como construção de estradas e de 
edificações (residenciais, comerciais ou industriais) em cidades e em áreas rurais, 
podem deixar as encostas mais sensíveis para a ocorrência deste tipo de processo. 
Em outros casos, os próprios depósitos de lixo e entulhos criados em encostas pela 
população sofrem deslizamento. Um exemplo emblemático foi o escorregamento 
no Morro do Bumba, no município de Niterói, em abril de 2010. O local abrigava 
até 1986 um lixão que, depois de desativado, não foi devidamente isolado. Com 
o passar dos anos, famílias de baixa renda começaram a ocupar o terreno, que 
veio a sofrer escorregamento após intensa chuva.
•	 Enchentes
As enchentes são fenômenos naturais quando o fluxo de água de um rio 
(vazão) se torna maior do que a área do canal fluvial, em situações de chuvas 
mais intensas. Deste modo, as águas se espalham, inundando centenas de metros 
ou alguns quilômetros a partir das margens do rio. Numa área rural as enchentes 
podem levar sedimentos que contribuem para fertilizar os solos desenvolvidos ao 
longo das planícies dos rios. 
No entanto, em áreas urbanizadas as características naturais dos rios e das 
bacias hidrográficas podem ser profundamente modificadas, aumentando a 
frequência e a intensidade das enchentes. Como exemplo de tais mudanças, citamos:
•	 obras no leito dos rios, deixando-os mais retilíneos e estreitos e menos 
profundos;
•	 impermeabilização do solo, com a construção de ruas e edificações, impedin-
do a infiltração da água da chuva e aumentando seu escoamento superficial;
•	 assoreamento dos rios devido ao despejo de entulhos e lixo (Figura 6.9), 
diminuindo a profundidade do rio.
No período de verão, várias cidades no Estado do Rio de Janeiro sofrem com 
os problemas de enchentes, pois os episódios de chuvas mais intensas (grande 
precipitação em intervalo de tempo pequeno) se tornam mais frequentes. Além das 
intervenções urbanas nas bacias hidrográficas e rios, as características naturais do 
relevo também podem contribuir para a ocorrência de enchentes. Como exemplo 
podemos citar os municípios da Baixada Fluminense, que se situam em áreas muito 
planas e com influência da maré. No caso dos rios que deságuam diretamente no 
mar (Baía de Guanabara), a coincidência de horário de chuvas intensas com a maré 
alta impede que o fluxo intenso de água do rio chegue até o mar.
84 :: GeoGrafia :: módulo 2
Figura 6.9: Grande quantidade de lixo retido pela base de uma ponte, construída de forma 
inadequada, no rio Imboassu (município de São Gonaçalo/RJ). Foto de Tatiane da Cruz Silva (2005).
•	 El Niño e La Niña
O El Niño e La Niña são ótimos exemplos da interação oceano-atmosfera, 
cuja formação leva a alterações, às vezes muito intensas, do clima em grandes 
áreas do planeta. Ambos correspondem à modificação da temperatura da água do 
Oceano Pacífico Sul, provavelmente causada pela alteração da intensidade dos 
ventos alísios (figura 6.10). Normalmente, tais ventos se deslocam da latitude 
aproximada de 30º Sul a partir do Chile para o Equador, atravessando todo o 
oceano. Neste deslocamento, os ventos carregam água quente superficial, que 
se acumula na costa da Austrália e do Sudeste Asiático (Indonésia, Papua Nova 
Guiné). Deste modo, a corrente marítima fria de Humboldt aflora entre o litoral do 
Chile e do Peru, causando aridez (deserto de Atacama). De modo inverso, a água 
quente acumulada no setor oeste do Pacífico Sul contribui para maior evaporação, 
formando clima chuvoso na Austrália e no Sudeste Asiático.
O fenômeno El Niño se inicia quando os ventos alísios se enfraquecem, 
deixando de levar a água quente para o setor oeste do Oceano Pacífico. A água 
quente se acumula no litoral entre o Chile e Peru, impedindo o afloramento da 
corrente marítima de Humboldt. Por outro lado, o setor oeste do oceano fica com 
água mais fria que o normal. A inversão da temperatura da água dos dois lados 
do Oceano Pacífico altera as características atmosféricas de cada local. Por isso, 
durante a vigência do El Niño, chove no deserto de Atacama, e o tempo fica seco 
na Austrália, às vezes causando grandes incêndios nas florestas.
Dependendo da intensidade do El Niño, outras áreas do planeta vão ser afetadas 
por secas ou excesso de chuva. No caso do Brasil, o clima semiárido do interior do 
Nordeste fica mais forte, agravando as condições de seca. Nos estados do Sul e 
Sudeste, especialmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as frentes frias ficam 
bloqueadas, ocasionando chuva forte e persistente, que gera grandes enchentes.
As consequências deste fenômeno interferem não somente no clima, mas 
também em atividades econômicas. Um dos principais exemplos é a mortandade 
de peixes, ou a redução da procriação, na costa do Peru e Chile, devida ao 
predomínio de água quente na superfície, impedindo o desenvolvimento de 
plânctons (microrganismos trazidos pela água fria, que são a base da alimentação 
dos peixes). Há ainda quebra de safras agrícolas devido à seca ou a enchentes, 
dependendo do local. Surgem também problemas de saúde pública, na medida 
em que o excesso de chuva, acompanhado de aumento de temperatura, leva ao 
aparecimento e proliferação de mosquitos, que transmitem malária e dengue.
O fenômeno La Niña corresponde à intensificação da situação normal de 
circulação de ventos e correntes marítimas na área do Pacífico. Neste caso, os 
ventos alísios que sopram da América do Sul para a Austrália e Sudeste Asiático 
ficam mais intensos. Tal intensificação aumenta a área de afloramento das águas 
frias da corrente de Humboldt.
Situação de El Niño
Situação normal
Austrália
Ventos alísios invertidos
Ventos alísios com direção normal
Célula de alta pressão 
do NE brasileiro
Corrente de ar 
descendente
Água quente
Água fria
América do Sul Nordeste do Brasil
Célula de alta pressão no NE brasileiro 
intensificada pelo El Niño
Figura 6.10: Circulação de ventos na situação normal e na situação de El Niño.
Efeito estufa e 
aquecimento global
A atmosfera terrestre é constituída por diferentes gases. Os gases mais 
abundantes são o nitrogênio (participação de 78% na atmosfera) e o oxigênio 
(participação de 20% na atmosfera). A concentração destes e de outros gases 
é constante na atmosfera, isto quer dizer que, em qualquer ponto da superfície 
terrestre sempre vamos encontrar 78% de nitrogênio, e assim por diante. Neste 
caso, tais gases são chamados de gases permanentes (tabela 6.3). Há um outro 
grupo de gases cuja concentração varia de um local a outro na Terra ou ao longo 
do ano – são os chamados gases variáveis. Exemplos deste grupo são o vapor 
Capítulo 6 :: 85
partir do momento em que a radiação solar atinge a superfície terrestre (superfícies 
continental e oceânica), esta é aquecida e passa a transferir o seu calor para a 
atmosfera (figura 6.11). Somente alguns gases conseguem captar a radiação 
emitida pela superfície terrestre (radiação infravermelha): são os chamados gases 
estufa. O vapor d’água, o dióxido de carbono (CO2), o óxido de nitrogênio (N2O) e 
o metano (CH4) são exemplos de gases estufa. Deste modo, a atmosfera inferior

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