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SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO PARANÁ POLO DE APUCARANA CURSO DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE GILBERTO PEDROSO DEPRESSÃO: A DOENÇA DO SÉCULO. SEUS SINTOMAS, SUAS CAUSAS, SUAS ORIGENS E SEU TRATAMENTO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA Emerson Luis Cobianchi APUCARANA 06/2020 DEPRESSÃO: A DOENÇA DO SÉCULO. SEUS SINTOMAS, SUAS CAUSAS, SUAS ORIGENS E SEU TRATAMENTO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA A depressão é um transtorno que atinge muitas pessoas em todo o mundo. Entende-se que esse transtorno não é consequência de um fator isolado, mas sim, está atada a uma série de fatores, tais como, biológicos, históricos, ambientais, culturais e psicológicos. Sintomas Antes de falarmos em uma definição, saiba que os sintomas da doença consistem principalmente de: · transtorno de humor, · falta de esperança, · desmotivação, · insegurança, · isolamento social e familiar, · perda de interesse por atividades antes prazerosas, · apatia, · falta de apetite e de concentração, · insônia, · perda de memória (TEIXEIRA, 2007). Apesar de ter-se a descrição dos sintomas e características desse transtorno, vale ressaltar que o mesmo se manifesta de várias formas diferentes. É fato que a depressão afeta diretamente milhares de indivíduos ao redor do mundo, atingindo pessoas de ambos os sexos, todas as raças e credos, em diferentes faixas etárias (desde bebês até idosos), estudantes, trabalhadores, desempregados, aposentados, enfermos ou não. Ou seja, tal transtorno prejudica a sociedade em geral. A fim de que se ofereça um tratamento mais específico a cada ser humano, em vez de tratar a todos indistintamente, é preciso levar em consideração os diferentes níveis de manifestação da depressão e a história de vida daquele indivíduo, analisando-a de maneira multidisciplinar e em profundidade. Causas da depressão? Genética: estudos com famílias, gêmeos e adotados indicam a existência de um componente genético. Estima-se que esse componente represente 40% da suscetibilidade para desenvolver depressão; Bioquímica cerebral: há evidencias de deficiência de substancias cerebrais, chamadas neurotransmissores. São eles Noradrenalina, Serotonina e Dopamina que estão envolvidos na regulação da atividade motora, do apetite, do sono e do humor; Eventos vitais: eventos estressantes podem desencadear episódios depressivos naqueles que tem uma predisposição genética a desenvolver a doença. - Histórico familiar; - Transtornos psiquiátricos correlatos; - Estresse crônico; - Ansiedade crônica; - Disfunções hormonais; - Dependência de álcool e drogas ilícitas; - Traumas psicológicos; - Doenças cardiovasculares, endocrinológicas, neurológicas, neoplasias entre outras; - Conflitos conjugais; - Mudança brusca de condições financeiras e desemprego Prevenção - Manter um estilo de vida saudável: - Ter uma dieta equilibrada; - Praticar atividade física regularmente; - Combater o estresse concedendo tempo na agenda para atividades prazerosas; - Evitar o consumo de álcool; - Não usar drogas ilícitas; - Diminuir as doses diárias de cafeína; - Rotina de sono regular; - Não interromper tratamento sem orientação médica. Tratamento Fazer uma introdução sobre o influxo da psicanálise como tratamento das depressões, sendo que muitas vezes a terapia psicanalítica deve estar associada à uma abordagem medicamentosa complementar, até porque muitas vezes sem isso, torna-se impossível para o paciente adequar-se ao enquadre em todas as suas variáveis, tais como o comparecimento às sessões, a associação livre, etc. Num segundo momento, fazer uma aproximação da temática em termos de processos identificatórios ,etc. Uma boa parte dos casos vem com um diagnóstico de depressão, diagnóstico esse realizado por um psiquiatra, neurologista ou mesmo por seu médico clínico, o qual se aventura e sucumbe à sedução do paciente e de sua família a medicá-lo, objetivando a sua "cura". Esses pacientes, às vezes, apresentam um quadro de distimia, não caracterizando uma depressão propriamente dita. Contudo, o tratamento medicamentoso, acaba sendo o mesmo utilizado para uma depressão. A teoria da cura, portanto, deve observar como modificar as estruturas que se organizaram nas formas particulares de quadros psicopatológicos. "Em primeiro lugar deve trazer, a elaboraração de um plano terapêutico que observe a especificidade de um quadro psicopatológico, ou seja, que os objetivos do tratamento terão que guardar uma relação de racionalidade com a caracterização que se tenha da estrutura psicopatológica"(Bleichmar, H.). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Bleichmar, Hugo – Depressão. Um estudo psicanalítico. Roudinesco, Elisabete – Por que a psicanálise? Laplanche, Jean & Pontalis, J.-B.- Vocabulário de Psicanálise. Martins Fontes Editora. NARCISISMO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO EM FREUD O narcisismo primário seria um estado precoce anobjetal em que a criança investiria toda a sua energia psíquica, a libido, em si mesma, não tendo desejo sexual. O narcisismo secundário, ocorrendo na fase adulta, seria um retorno ao ego da energia psíquica investida nos objetos, ou seja, retirada dos seus investimentos objetais, fazendo-o sentir mais prazer pelo retorno recebido ao invés de sentir desejo sexual pelos objetos. Em Freud o narcisismo primário designa o primeiro narcisismo que ocorre na criança que toma a si mesma como objeto de amor, antes de escolher objetos exteriores. Este estado corresponderia à crença da criança na onipotência original, assim toda sua energia psíquica seria gasta nela própria (chorar, rir, comer, defecar, etc.). Com a elaboração da segunda tópica, Freud liga o narcisismo primário a um primeiro estado de vida, anterior à constituição do Ego, da qual a vida intrauterina seria o arquétipo, caracterizando-se sempre por um estado rigorosamente anaobjetal (sem definições de objeto total), ou pelo menos indiferenciado, sem clivagem entre o sujeito e o mundo externo. Para Melaine Klein, não se pode falar de fase narcísica visto que desde a origem se instituem relações objetais (seios, colo). Nada parece opor-se a que designemos por narcisismo primário uma fase precoce ou momentos básicos de evolução que vai do funcionamento anárquico, auto-erótico das pulsões parciais (mamar) à escolha de objeto (mais ou menos 1 ano), caracterizado pelo aparecimento simultâneo de um primeiro esboço de ego e pelos seus investimentos em objetos externos. A literatura psicanalítica tem entendimento muito diverso que nos impede de apresentar uma definição única para narcisismo secundário. Para Freud, o narcisismo secundário é uma estrutura permanente do sujeito. Existe um equilíbrioo energético entre as duas espécies de investimento (sexual e narcísico), constituindo uma série complementar. Do ponto de vista tópico, o ideal de ego (personalidade e caráter) representam formações narcísicas que nunca são abandonadas, fazendo incidir os investimentos do ego sobre si mesmo (vaidade, necessidade de reconhecimento, desejo de perfeição e etc.). Os tipos mais comuns de narcisismo secundário que estabelecem as idealizações do ego são: - Narcisismo do estético, baseado no ego ideal (personalidade), que estabelece a vaidade física como forma de obter reconhecimento e segurança. - Narcisismo do intelecto, que estabelece a vaidade do relacionamento: - Prepotência: vaidade do poder. - Presunção: vaidade do saber. - Orgulho: vaidade da perfeição. - Narcisismo espiritual, baseado no ideal de ego (caráter), que estabelece a perfeição divina. - Narcisismo sexual, que estabelece a homossexualidade, escolhendo, como objeto, ele próprio, o que o leva a buscar alguém do mesmo sexo. O narcisismo não constitui por si só uma patologia, ele é um integrador e protetor da personalidade e do psiquismo. Lewknowicz (2005) fala-nos que estamos vivendo em uma cultura com características crescentemente narcisistas; onde há um predomínio do uso da imagem de ação em vez da reflexão para lidar com a ansiedade e um incentivo exagerado ao consumismo e ao culto ao corpo.Nos pacientes de funcionamento narcisista há uma exagerada preocupação com a aparência; pequenos defeitos físicos são intensamente valorizados. Apresentam uma necessidade exagerada de serem amados e admirados, buscam elogios e se sentem inferiores e infelizes quando criticados ou ignorados. Tem pouca capacidade para perceber os outros, levando a vida emocional superficial. Há inclusive uma forte dificuldade de formar uma verdadeira relação terapêutica. Como o Mito do Narciso, o paciente com esse tipo de funcionamento constrói sua sensação de engrandecimento da autoestima através de uma intensa desvalorização, rejeição e abandono dos objetos. E sobre a base dessa rejeição que o organismo se estrutura. (Lewkowicz, 2005). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ELIA, Luciano. Corpo e Sexualidade em Freud e Lacan . Rio de Janeiro: Ed. UAPÊ, 1995. HOUSER, Aspecto genético. In: Bergeret, J. ...[et al.]. Psicopatologia: teoria e clínica. Porto Alegre: Artmed, 2006. 2