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ESTRUTURA DA 
CONTABILIDADE BRASILEIRA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Edenise Aparecida dos Anjos 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Esta aula tem como objetivos apresentar as bases de reconhecimento e 
mensuração dos elementos que compõem as demonstrações contábeis. Para 
isso, vamos estudar os seguintes temas: 
• Reconhecimento e mensuração de ativos; 
• Reconhecimento e mensuração de passivos; 
• Reconhecimento e mensuração de receitas; 
• Reconhecimento e mensuração de despesas; 
• Desreconhecimento. 
CONTEXTUALIZANDO 
A contabilização é o processo de registros de todos os elementos 
patrimoniais e resultados. No entanto, para que isso ocorra, é importante que 
sejam satisfeitos alguns critérios como poderem ser valorados em termos 
monetários (moeda corrente) e em quantidades para serem apresentados nas 
demonstrações contábeis. 
Nesta aula, vamos explorar as definições e conceitos normativos de 
ativos, passivos, receitas e despesas, os critérios que devem ser observados no 
reconhecimento e as bases de mensuração. Tem-se ainda como objetivo 
destacar a importância de evidenciar esses critérios nos demonstrativos 
contábeis e notas explicativas. 
TEMA 1 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE ATIVOS 
Antes de começarmos a discorrer sobre os critérios de mensuração e 
reconhecimento dos elementos patrimoniais e de resultados, trataremos, sem 
esgotar o assunto que será abordado, dos aspectos conceituais e definições das 
terminologias básicas que usaremos no decorrer da aula. 
O reconhecimento contábil é um processo de identificação dos elementos 
que irão compor os demonstrativos contábeis. De modo complementar, a 
mensuração representa os valores em termos monetários pelos quais os ativos, 
passivos, receitas e despesas estarão representados nos demonstrativos 
contábeis. 
 
 
3 
Para melhor entender como ativos e passivos são reconhecidos no 
balanço patrimonial, tomaremos como exemplo o Demonstrativo do Balanço 
Patrimonial da Empresa Alpargatas, publicado em 31 de dezembro de 2019. 
Tabela 1 – Balanço Patrimonial – Alpargatas S.A. 2019 (em milhares de reais) 
BALANÇO PATRIMONIAL – ALPARGATAS S.A 2019 (EM MILHARES DE REAIS) 
ATIVO 2019 PASSIVO E PATRIMONIO LIQUDO 2019 
CIRCULANTE CIRCULANTE 
Caixa e equivalentes de caixa 566.263 Fornecedores 350.505 
Aplicações financeiras - Risco sacado 78.394 
Contas a receber de clientes 883.208 Empréstimos e financiamentos 176.925 
Estoques 674.780 Passivo de arrendamento 57.761 
Impostos a recuperar 59.762 Obrigações fiscais 50.952 
Despesas antecipadas 14.839 Plano de incentivo de longo prazo 22.839 
Instr. financeiras derivativos - Provisões e outras obrigações 123.965 
Outros créditos 43.383 Obrigações trabalhistas e previdenciárias 149.656 
Total do ativo circulante 2.610.134 Provisão para riscos tributareis, cíveis e 
trabalhistas 
19.483 
 JSCP e dividendos a pagar 10.665 
 Instrumentos financeiros derivativos 1.349 
NAO CRCULANTE Outros passivos 213.991 
Aplicações financeiras 11.689 Total do passivo circulante 1.256.495 
Contas a receber de clientes 2.845 NÃO CIRCULANTE 
Impostos a recuperar 300.837 Empréstimos e financiamentos 101.825 
Imposto de renda e contribuição social 
diferidos 
56.371 Passivo de arrendamento 316.618 
Depósitos judiciais 29.467 Imposto de renda e contribuição social diferidos 48.917 
Partes relacionadas - Provisão para riscos tributários, cíveis e 
trabalhistas 
12.233 
Outros créditos 26.440 Plano de incentivo de longo prazo 35.668 
Ativo Realizável e longo prazo Outras obrigações 15.692 
Investimentos: Total do passivo não circulante 530.953 
Empresas controladas - PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
Outros 2.294 Capital social 1.500.000 
Imobilizado 736.102 Reservas de capital 188.794 
Ativo de direito de uso 431.493 Reserva de lucros 1.114.731 
Intangível 314.368 Ajuste de avaliação patrimonial -96.346 
Total do ativo não circulante 1.911.906 Ações em tesouraria -64.248 
 Patrimônio Líquido atribuído aos acionistas 
controladores 
2.642.931 
 patrimônio líquido das controladas 91.661 
 Total do patrimônio Líquido 2.734.592 
TOTAL DO ATIVO 4.522.040 TOTAL DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO 4.522.040 
Fonte: Alpargatas S.A., 2019. 
Os valores de cada elemento patrimonial (Ativos, Passivos) evidenciados 
no Balanço Patrimonial da entidade Alpargatas foram reconhecidos com base na 
norma contábil e suas bases de mensuração de valor. 
Mas o Balanço Patrimonial demonstra quais as bases utilizadas para 
apurar esses valores? 
O Balanço Patrimonial apresenta os valores monetários apurados na data 
do fechamento do trimestre ou do exercício social. As bases mensuração 
 
 
4 
aplicadas são apresentadas em notas explicativas que complementam as 
demonstrações contábeis. 
Assim, o usuário da informação contábil poderá observar no material que 
complementa os demonstrativos contábeis de que forma os ativos, passivos, 
receitas e despesas foram reconhecidos e mensurados para elaboração e 
divulgação dos demonstrativos contábeis. 
As bases de mensuração contábil são as seguintes: valor corrente, valor 
justo, valor de realização, custo histórico, entre outros. 
Saiba mais 
Observe os excertos retirados das notas explicativas da entidade. 
Item 2.3 
Base para elaboração das demonstrações financeiras individuais e 
consolidadas 
As demonstrações financeiras foram elaboradas com base no custo 
histórico, exceto, quando aplicável, o contrário estiver disposto em nota 
explicativa. A preparação de demonstrações financeiras requer o uso de certas 
estimativas contábeis e o exercício de julgamento por parte da administração 
(Alpargatas, 2018, p. 41). 
Item 2.3 
Transações e saldos em moeda estrangeira 
Ativos e passivos monetários denominados e apurados em moedas 
estrangeiras na data do balanço são reconvertidos para a moeda funcional à taxa 
de câmbio naquela data. Ativos e passivos não monetários que são mensurados 
pelo valor justo em moeda estrangeira, são reconvertidos para a moeda funcional 
à taxa de câmbio na data em que o valor justo foi determinado. Itens não 
monetários que são mensurados com base no custo histórico em moeda 
estrangeira são convertidos pela taxa de câmbio na data da transação 
(Alpargatas, 2018, p. 42). 
Os excertos das notas explicativas foram apresentados para que na 
sequência se apresentem as terminologias que serão apresentadas nesta aula 
e que são usuais na prática contábil. 
O Quadro 1 apresenta as definições das terminologias de base de 
mensuração: 
 
 
5 
Quadro 1 – Terminologias contábeis 
TERMOS DESCRIÇÃO 
Mensuração Resultado da aplicação de base de mensuração a ativo ou passivo e às correspondentes receitas e despesas 
Base de 
mensuração 
Característica identificada – por exemplo, custo histórico, valor 
justo ou valor de cumprimento – de item sendo mensurado 
Custo histórico É o registro histórico dos ativos e passivos. Nos ativos é representado pelo custo de aquisição. 
Valor Contábil: Valor pelo qual o ativo, o passivo ou o patrimônio líquido é reconhecido no balanço patrimonial. 
Valor Justo 
O Valor Justo é a avaliação do ativo ou passivo, em certas 
circunstâncias, pelo seu valor de mercado. Ou seja, é o valor de 
compra ou de venda de um ativo ou um passivo em uma 
transação corrente. 
Valor em uso 
É o valor presente dos fluxos de caixa, ou outros benefícios 
econômicos, que a entidade espera obter do uso de ativo e de 
sua alienação final. 
Valor de 
cumprimento 
É o valor presente do caixa, ou de outros recursos econômicos, 
que a entidade espera ser obrigada a transferir para cumprir a 
obrigação. 
Custo corrente: 
 
 
É o custo de ativo equivalente na data de mensuração, 
compreendendo a contraprestação que seria paga na data de 
mensuração mais os custos de transação que seriam incorridos 
nessa data. 
Fonte: CPC, 2019; Gelbcke et.al., 2018. 
Vamos estudar agora os critérios de reconhecimento e mensuração dos 
ativos, passivos,receitas e despesas. 
1.1 Reconhecimento de ativos 
Os ativos são os recursos econômicos de uma entidade aplicados para o 
desenvolvimento do seu negócio. Representam a parte positiva do patrimônio no 
Balanço Patrimonial. 
Saiba mais 
O CPC 00 R2 (CPC, 2019) define formalmente os ativos como “um 
recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual 
se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade”. 
 Nesse sentido, espera-se que os ativos gerem benefícios econômicos, ou 
seja, que os bens e direitos de uma entidade se transformem em entrada de 
 
 
6 
dinheiro no caixa da entidade. Nos termos normativos (CPC, 2019), o 
reconhecimento de um ativo deve satisfazer os seguintes critérios: 
• ser mensurável monetariamente, quer dizer, ter um valor que possa ser 
expresso em moeda (dinheiro); 
• trazer benefícios presentes ou futuros, isto é, ter potencialidade de 
geração de caixa (dinheiro); 
• ser decorrente de transações já realizadas. Por exemplo, os estoques são 
decorrentes das transações de compras, o direito de receber dos clientes 
tem origem na transação de vendas etc. 
• ser um recurso controlado pela entidade, o que significa que a entidade 
controla plenamente os benefícios gerados por esse recurso. É importante 
observar que: 
o O controle vincula o benefício econômico à entidade; 
o Ter o controle não significa que a entidade precisa ser proprietária do 
ativo, mas tão somente usufruir dos benefícios econômicos gerados. 
Podemos usar como exemplo o arrendamento mercantil financeiro de um 
veículo, que, na sua forma jurídica, se refere a um contrato de locação, mas, na 
sua essência, é um bem. Portanto, mesmo que não esteja registrado no nome 
da empresa que adquiriu o arrendamento mercantil, deve ser reconhecido como 
um ativo, pois esta será a detentora (passa a ter o controle) dos benefícios 
econômicos pelo período acordado. 
Dessa forma, a norma declara que um ativo deve ser reconhecido quando 
for provável a geração de benefícios econômicos futuros para a entidade e o seu 
custo ou valor possa ser mensurado de forma confiável. 
Os ativos representam os bens e direitos de uma entidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Figura 1 – Exemplos de ativos 
 
Créditos: Dim Tik/Shutterstock; Orest lyzhechka/Shutterstock; Rido/Shutterstock 
Os ativos são entendidos como os recursos econômicos disponibilizados 
pelas entidades para desenvolver suas atividades. Assim, primeiramente é 
importante entender a natureza de cada item do ativo, para avaliar a expectativa 
e o período de geração dos benefícios econômicos (fluxo de caixa) para a 
entidade. 
Acompanhe na Tabela 2 a representação dos ativos no Balanço 
Patrimonial: 
Tabela 2 – Evidenciação dos ativos 
BALANÇO PATRIMONIAL – Alpargatas AS 2019 (em milhares de reais) 
ATIVO 2019 PASSIVO E PATRIMONIO LIQUDO 2019 
CIRCULANTE CIRCULANTE 
Caixa e equivalentes de caixa 566263 
Aplicações financeiras - 
Contas a receber de clientes 883208 
Estoques 674.780 
Impostos a recuperar 59.762 
Despesas antecipadas 14.839 
Instr. financeiras derivativos - 
Outros créditos 43.383 Total do passivo circulante 1.256.495 
Total do ativo circulante 2.610.134 
 NÃO CIRCULANTE 
Impostos a recuperar 300.837 
Imposto de renda e contribuição social 
diferidos 
56.371 
Depósitos judiciais 29.467 Total do passivo não circulante 530.953 
Partes relacionadas - 
Outros créditos 26.440 Patrimônio líquido 
Outros 2.294 Total do patrimônio líquido 2.734.592 
Imobilizado 736.102 
Ativo de direito de uso 431.493 
 
Intangível 314.368 
 
Total do ativo não circulante 1.911.906 
 
TOTAL DO ATIVO 4.522.040 TOTAL DO PASSIVO E 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
4.522.040 
Fonte: Alpargatas S.A., 2019. 
Ativo 
• Estoques
Ativo Imobilizado
• Máquinas para o sertor 
produtivo
Direito
• Duplicatas a receber
 
 
8 
Na estrutura do Balanço Patrimonial, os ativos são classificados em dois 
grandes grupos: Ativo circulante e Ativo não circulante. Essa classificação se dá 
em função do tempo que ativos geram benefícios econômicos (fluxo de caixa) 
para a entidade. Podem ser classificados em benefícios de curto prazo ou de 
longo prazo. 
1.1.1 Ativos classificados no grupo de circulante 
No ativo circulante, são classificados os ativos que têm potencial de gerar 
fluxo de caixa de modo imediato ou presente, por isso o conceito de circulante, 
pois são convertidos em dinheiro de forma mais rápida, e isso permite sua 
reposição de forma contínua (no caso dos estoques, quando da venda, a 
entidade precisa repor). Representam ainda o capital circulante ou capital de giro 
da entidade. 
Assim, são classificadas nesse grupo as contas que são facilmente 
conversíveis em dinheiro, como a conta estoques de mercadorias, duplicatas de 
clientes a receber, aplicações financeiras etc. A conta caixa e a conta bancos 
são consideradas ativos líquidos, ou seja, as disponibilidades em caixa. 
1.1.2 Ativos classificados no grupo de não circulante 
Os ativos classificados como não circulantes são ativos adquiridos com a 
finalidade de benefícios no longo prazo, por exemplo, máquinas para produção 
de mercadorias para venda. Assim, entendem-se os ativos imobilizados como 
investimentos necessários para manter uma entidade em operação, como prédio 
ou edifício onde se desenvolvem as atividades, os móveis, máquinas no setor 
produtivo, veículos etc. 
 Diferente dos ativos circulantes que são conversíveis em dinheiro de 
modo mais rápido, os ativos não circulantes possuem permanência duradoura e 
geram fluxo de caixa de forma contínua ou intermitente por mais de um período 
ou exercício social. As subclassificações são: 
Quadro 2 – Ativos não circulantes 
ATIVOS NÃO 
CIRCULANTES 
DESCRIÇÃO 
Ativo Realizável longo 
prazo 
• As contas classificadas correspondem aos bens ou direitos de longo prazo 
do entidades, como duplicatas a receber, rendimentos de aplicações de 
longo prazo, ou de recebimentos de participações em outras entidades. 
 
 
9 
Investimentos • São classificadas nesse agrupamento conta que não se relacionam com a 
atividades operacional da empresa. Por exemplo, a compra de ações de 
outras empresas, obras de arte, terrenos para futura expansão, prédio para 
renda (aluguel). 
Ativo Imobilizado • São os ativos de estrutura propriamente dito, necessários para manter a 
entidade em operação, como prédios, edificações, móveis e utensílios, 
máquinas e equipamentos no processo produtivo; 
• São mantidos para que a entidade possa, produzir, comercializar e 
administrar seu negócio. São essenciais na geração de fluxos de caixa, por 
períodos de tempos determinados e excedem um exercício social. 
Ativos Intangíveis • Esses são os ativos incorpóreos, que não possuem natureza física, como 
marcas, patentes, licença de softwares, entre outros; 
• Possuem a capacidade de gerar benefícios econômicos futuros, e algumas 
organizações como a Coca Cola ® por exemplo, o valor econômico da 
marca é maior do que o valor da empresa como um todo 
 
É importante observar que cada ativo tem um potencial diferente de gerar 
benefício econômico face à natureza e à finalidade de sua aquisição. Os 
circulantes fazem parte da atividade operacional (Exemplo, capital de giro) e os 
não circulantes são mantidos com propósitos diferentes, dos quais se esperam 
benefícios econômicos por mais de um exercício social. 
Logo, para se reconhecer um ativo, é importante determinar o custo com 
confiança e ser observada a capacidade de gerar benefícios econômicos futuros: 
Figura 2 – Reconhecimento de ativos 
 
Fonte: Adriano, 2018. 
Por exemplo, uma máquina de costura em uma indústria têxtil que produz 
camisetas. Ao ser adquirida e classificada como ativo imobilizado, ela não vai 
gerar dinheiro no caixa de forma imediata, mas possui capacidade de contribuir 
na produção de muitas unidades de camisetas, que, ao serem acabadas,serão 
transferidas para os estoques da entidade e serão comercializadas. 
Uma máquina, por exemplo, pode ter capacidade de produção por um 
período longo (10 anos ou enquanto gerar benefícios econômicos) 
Observe que cada ativo ou grupo de ativos possui capacidade de geração 
de benefícios econômicos de forma diferente ao longo do tempo, aspectos que 
devem ser levados em consideração no momento do reconhecimento de um 
ativo na contabilidade. 
Em síntese, o reconhecimento de um ativo na contabilidade está 
diretamente associado à capacidade de gerar benefícios econômicos presentes 
Custo determinado com 
confiança
Reconhecimento de um 
ativo
gerar benefícios 
econômicos (presentes e 
futuros) 
 
 
10 
e futuros para a entidade em forma de fluxo de caixa e a mensuração em valores 
monetários. 
Saiba mais 
O termo mensuração pode ser definido como: o processo que consiste 
em determinar os montantes monetários por meio dos quais os elementos das 
demonstrações contábeis devem ser reconhecidos e apresentados no balanço 
patrimonial e na demonstração do resultado (Adriano, 2018, p. 71). 
1.2 Bases de mensuração de ativos 
A adoção de uma base de mensuração de ativos está relacionada com a 
determinação dos valores monetários e o tipo de ativo de acordo com sua 
natureza e classificação. 
Revisando, para ser reconhecido como um ativo no Balanço Patrimonial, 
um item, além da capacidade de gerar caixa para a empresa (benefícios 
econômicos, presentes e futuros), deve ser passível de ser mensurado ou 
valorado, expresso em moeda (dinheiro). 
As bases de mensuração incluem os seguintes valores ou custos: 
Quadro 3 – Mensuração de ativos 
Custo histórico. • Os ativos são registrados pelos montantes pagos em caixa ou 
equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos entregues para 
adquiri-los na data da aquisição. 
Custo corrente. • Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes 
de caixa que teriam de ser pagos se esses mesmos ativos ou ativos 
equivalentes fossem adquiridos na data do balanço. 
Valor realizável 
(valor de realização 
ou de liquidação). 
• Os ativos são mantidos pelos montantes em caixa ou equivalentes 
de caixa que poderiam ser obtidos pela sua venda em forma 
ordenada. A forma ordenada está relacionada com as operações de 
vendas normais que a entidade espera realizar no desenvolvimento 
de suas atividades. 
Valor presente. • Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado, dos fluxos 
futuros de entradas líquidas de caixa que se espera seja gerado pelo 
item no curso normal das operações. 
Fonte: Viceconti, 2018. 
Com base no Quadro 3, podemos observar que os ativos possuem várias 
bases de mensuração. Para entender como essas bases são aplicadas, é 
preciso ter em mente pelo menos dois momentos: 
 
 
11 
• Mensuração inicial é quando os ativos são reconhecidos no contabilmente 
no balanço patrimonial. Valor de aquisição ou custo histórico; 
• Mensuração final corresponde aos períodos subsequentes após o 
reconhecimento contábil, pois, como os ativos possuem valores 
monetários, esse ajuste pode ocorrer durante dias, sememas, meses, 
trimestres etc., dependendo do tipo de ativo e da necessidade da 
informação contábil. 
Adicionalmente, os ativos são mensurados por valores de entradas 
quando da aquisição de ativos e valores de saída, quando da venda ou 
transferência de ativos. 
Figura 3 – Bases da mensuração de ativos 
 
 
Os valores de entrada representam a aquisição dos ativos e os valores de 
saída, os valores de venda ou transferência de uma ativo a terceiros. 
Por exemplo, a empresa Só Comércio Ltda adquiriu 50 camisetas para 
revenda pelo de custo de R$ 10,00 cada unidade. O total da nota fiscal de 
compra foi de R$ 500,00. Para contabilizar o item (camisetas), além da 
quantidade, é preciso conhecer o valor de compra de cada uma delas. 
Saiba mais 
Um ativo não deve ser reconhecido no balanço patrimonial quando os 
gastos incorridos não proporcionarem a expectativa provável de geração de 
benefícios econômicos para a entidade além do período contábil corrente. 
Assim, para mensuração de um ativo, é importante estimar ou determinar 
o custo com confiança. No caso de compra de mercadorias para compor os 
estoques, o custo de aquisição é o custo que vem expresso na nota fiscal de 
compra. Esse valor deve ser reconhecido contabilmente como custo histórico da 
mercadoria. 
Por exemplo, o custo histórico das camisetas por unidade será de R$ 
10,00, o mesmo valor expresso na nota fiscal e representa o custo de aquisição. 
Valores de entrada
•Custo histórico
•Custo Corrente
Bases de mensuração 
de Ativos
Valores de saída
•Valor realizado
•valor corrente de venda
•valor presente
 
 
12 
Na aquisição de estoques, a entidade avalia esse ativo pelo seu custo 
histórico ou o seu valor realizável, dos dois o menor valor. Na divulgação no 
Balanço Patrimonial, as informações referentes aos estoques são observadas 
de acordo com o princípio da prudência, ou seja, pelo menor valor entre o custo 
histórico ou seu valor realizável (Adriano, 2018). 
Saiba mais 
O valor realizável é definido pelo CPC 16 (2009) como: “o preço de venda 
estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua 
conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda”. 
O custo histórico do ativo é o valor pago na data de sua aquisição. Já o 
valor realizável é o valor que a entidade espera receber pela venda de seus 
estoques. De acordo com esse entendimento, atendendo ao princípio da 
prudência, os ativos não devem ser mensurados por valores superiores do que 
se espera que sejam realizados com o uso ou venda. 
Assim, no encerramento do exercício, se o valor realizável dos estoques 
for inferior ao custo histórico, os estoques serão registrados no Balanço 
Patrimonial pelo valor realizável. 
Quadro 4 – Balanço Patrimonial pelo valor realizável. 
 Bases de mensuração Divulgação 
Ativo Circulante Custo histórico Valor realizável Balanço Patrimonial 
Estoques R$ 10.000,00 R$ 8.000,00 R$ 8.000,00 
 
O contrário também é verdadeiro, ou seja, se no encerramento do 
exercício, o custo histórico dos estoques for inferior ao valor realizável, os 
estoques serão registrados no Balanço Patrimonial pelo custo histórico. 
Quadro 5 – Balanço Patrimonial pelo custo histórico 
 Bases de mensuração Divulgação 
Ativo Circulante Custo histórico Valor realizável Balanço Patrimonial 
Estoques R$ 10.000,00 R$ 12.000,00 R$ 10.000,00 
 
O custo corrente representa o preço de reposição de um mesmo ativo ou 
ativo equivalente (Hendriksen; Van Breda, 2014). O valor presente de um ativo 
é o valor futuro de entrada de caixa descontado o valor presente. 
 
 
13 
Acompanhe no exemplo a seguir a aplicação das bases de mensuração. 
A loja Eletrônica Ltda vende Smart TV pelo valor de R$ 2.500,00 à vista 
ou parcelado em até 10 vezes sem juros. As mercadorias foram adquiridas há 
quatro meses antes da data da venda por R$ 1.700,00, mas hoje o valor é de R$ 
1.850,00. Um cliente verificou que a mesma Smart TV está sendo comercializada 
pela concorrência por R$ 2.200,00 à vista ou em até 10 vezes sem juros. Para 
não perder a venda, a loja Eletrônica Ltda concordou em conceder um desconto 
no valor de R$ 300,00. 
De acordo com as bases de mensuração, como a contabilidade pode 
registrar esses valores de entrada e saída nessa situação hipotética de compra 
e venda? 
a. Custo histórico: o mesmo custo de aquisição. A Smart TV foi adquirida 
pelo valor de R$ 1.700,00 há quatro meses antes da data da venda; 
b. Custo corrente: valor de reposição da Smart TV, ou seja, o valor atual que 
a loja Eletrônica Ltda. terá que desembolsar para repor o estoque: R$ 
1.850,00; 
c. Valor realizável: valor de venda (saída) da Smart TV, obtido no curso 
normal das operações da loja Eletrônica Ltda., e esse valor pode ser à 
vista ou a prazo,neste caso o valor de R$ 2.500,00; 
d. Valor presente: obtido por meio da diferença entre o valor de venda da 
Smart TV em estoque de 2.500,00, que é parcelado em dez vezes sem 
juros, menos o valor do desconto de R$ 300,00 dado para não perder a 
venda. Sendo assim, o valor presente da mercadoria será reconhecido e 
mensurado contabilmente pelo valor de R$ 2.200,00 (R$ 2.500,00 – R$ 
300,00). Assim, o valor da conta de clientes a receber será ajustado pelo 
valor presente dos fluxos de caixa futuros. 
Em síntese, o reconhecimento de um elemento como ativo deve 
considerar 3 critérios: ser decorrente de eventos passados, ser um recurso 
controlado e gerar benefícios econômicos. 
Já as bases de mensuração devem considerar os custos de entrada, que 
correspondem à mensuração inicial por ocasião da aquisição ou do 
reconhecimento do ativo e valores de saída – mensuração final, na data da 
elaboração dos demonstrativos contábeis. 
Outro critério observado se refere aos atributos da prudência, de modo 
que os ativos não sejam mensurados por valores superiores do que se espera 
 
 
14 
que sejam realizados com sua venda ou uso, na data do fechamento do balanço 
patrimonial. 
A mensuração a valor justo e de mercado não foram abordados nesta 
aula, mas serão abordados em outra ocasião. 
TEMA 2 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE PASSIVOS 
Os passivos são evidenciados no lado direito do balanço patrimonial e 
representam as obrigações ou as exigibilidades da empresa para com 
fornecedores, governo, funcionários, instituições financeiras fornecedores de 
crédito, entre outros. Ao considerar a equação do Patrimônio, representa a parte 
negativa: 
Ativos – Passivos = Patrimônio líquido 
Saiba mais 
Conceitualmente o CPC 00 R2 (2019) define passivo como: “uma 
obrigação presente da entidade de transferir um recurso econômico como 
resultado de eventos passados”. 
A obrigação presente está relacionada aos recursos econômicos da 
entidade (Ativos). Por exemplo, a compra de mercadorias a prazo para compor 
os estoques, gerando a obrigação de pagamento das compras aos 
Fornecedores. Isso implica dizer que essa obrigação precisa ser paga ou 
liquidada com recursos provenientes da conta caixa ou bancos da entidade. 
Resultam de eventos passados, pois os passivos são gerados por meio 
de transações de negócios de uma entidade, que já ocorreram e que ocasionam 
a obrigatoriedade de pagamentos futuros, por exemplo: 
• A aquisição ou compra de mercadorias para revenda a prazo, gera um 
uma obrigação para com o fornecedor a ser liquidada no futuro; 
• Impostos a pagar sobre vendas ou obrigações fiscais são gerados com 
base nas vendas de mercadorias e normalmente a empresa realiza o 
pagamento do imposto no mês seguinte do fato gerador; 
• Empréstimos a pagar: quando a empresa fizer este empréstimo, assina 
um contrato, recebe o montante na conta caixa ou bancos. Em 
contrapartida, compromete-se a pagar o valor nominal mais as taxas de 
juros acordadas nas datas estabelecidas. 
 
 
15 
Esses são apenas alguns exemplos de transações passadas que 
resultam obrigatoriamente na saída de recursos econômicos da entidade (saída 
de dinheiro da conta caixa ou bancos). 
Observe os passivos no Balanço Patrimonial da Cia Alpargatas S.A.: 
Tabela 3 – Balanço Patrimonial – Alpargatas S. A. 2019 
BALANÇO PATRIMONIAL – ALPARGATAS SA 2019 (EM MILHARES DE REAIS) 
ATIVO 2019 PASSIVO E PATRIMONIO LIQUDO 2019 
CIRCULANTE CIRCULANTE 
 Fornecedores 350.505 
 Risco sacado 78.394 
 Empréstimos e financiamentos 176.925 
 Passivo de arrendamento 57.761 
 Obrigações fiscais 50.952 
 Plano de incentivo de longo prazo 22.839 
 Provisões e outras obrigações 123.965 
 Obrigações trabalhistas e previdenciárias 149.656 
Total do ativo circulante 2.610.134 Provisão para riscos tributareis, cíveis e 
trabalhistas 
19.483 
 JSCP e dividendos a pagar 10.665 
 Instrumentos financeiros derivativos 1.349 
NAO CIRCULANTE Outras contas a pagar 213.991 
 Total do passivo circulante 1.256.495 
 
 NÃO CIRCULANTE 
 Empréstimos e financiamentos 101.825 
 Passivo de arrendamento 316.618 
 Imposto de renda e contribuição social diferidos 48.917 
 Provisão para riscos tributários, cíveis e 
trabalhistas 
12.233 
 Plano de incentivo de longo prazo 35.668 
 Outras obrigações 15.692 
 Total do passivo não circulante 530.953 
 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 
Total do ativo não circulante 1.911.906 Total do patrimônio Líquido 2.734.592 
TOTAL DO ATIVO 4.522.040 TOTAL DO PASSIVO E PATRIMDNIO Líquido 4.522.040 
Fonte: Alpargatas S.A., 2019. 
No Balanço Patrimonial da Alpargatas, pode-se observar que, tal como os 
ativos, os passivos são divididos em dois grandes grupos: 
• Passivo circulante: contém os registros das obrigações exigíveis no 
curto prazo (entenda-se neste material os valores vincendos, ou seja, que 
possuem vencimento em até 12 meses a partir da data do fechamento do 
balanço) como contas de: fornecedores a pagar, salários e ordenados a 
pagar, impostos a recolher, empréstimos e financiamentos a pagar, entre 
outras; 
• Passivo não circulante: empréstimos e financiamentos a pagar com 
prazos vincendos superiores a 12 meses, superiores à data do 
fechamento do balanço. 
 
 
16 
Neste sentido, convém ressaltar que os passivos são gerados pelas 
atividades usuais de uma entidade, e o reconhecimento de um passivo deve 
atender aos critérios de saída de recursos econômicos da entidade, no momento 
de se pagar a dívida. O CPC 00 R2 (CPC, 2019), item 4.26, evidencia que os 
critérios para a existência de um passivo são: 
Figura 4 – Critérios para reconhecer um passivo 
 
 
Fonte: CPC, 2019. 
Vamos agora verificar quando reconhecer e mensurar um passivo. 
2.1 Reconhecimentos e mensuração dos passivos 
Um passivo deve ser reconhecido no balanço patrimonial quando for 
provável a saída de recursos econômicos do caixa da entidade no momento da 
liquidação da obrigação presente e se o valor pelo qual essa liquidação se dará 
puder ser mensurado com confiabilidade (Adriano, 2018). 
Figura 5 – Reconhecimento e mensuração dos passivos 
 
 O momento do reconhecimento de um passivo é definido na maioria das 
vezes por acordos contratuais e notas fiscais, nos quais expressam o valor e a 
data do pagamento da obrigação. 
 Entende-se assim que um passivo somente poderá ser reconhecido 
quando houver uma base de mensuração, confiável e relevante para expressar 
O valor que ocorrerá 
a liquidação pode ser 
estimado em bases 
confiáveis
Reconhecimento do 
Passivo
Provável saída de 
recursos de 
benefícios 
econômicos 
 
CRITÉRIOS
Ser uma obrigação da 
entidade
promover a 
transferência de um 
recurso econômico
ser uma obrigação 
presente resultante de 
eventos passados
 
 
17 
o valor monetário a ser liquidado com recursos da entidade. Espera-se ainda que 
possua uma provável data de liquidação (pagamento). 
A mensuração do passivo em termos monetários e o período provável da 
saída de recursos econômicos são fundamentais para o reconhecimento de um 
passivo. Quando da incerteza da mensuração do valor monetário ou da provável 
data de pagamento da obrigação, procede com a mensuração de valor por meio 
de estimativas confiáveis e o reconhecimento como provisões passivas. 
Por exemplo, em caso de uma ação trabalhista, se a empresa tem por 
certo que terá que desembolsar determinado valor em função de perda de causa, 
o valor estimado nos autos do processo deverá ser reconhecido provisão passiva 
de ação trabalhista, ou seja, como uma dívida já considerada como provável e 
certa, no passivo da entidade pelo valor estimado nos autos do processo. 
2.2 Bases de mensuração dos passivos 
Assim como os ativos, as entidades reconhecem inúmeros passivos 
decorrentes da realização de suas atividades usuais. Para Viceconti (2018), as 
bases de mensuração de passivos são: 
2.2.1 Custo histórico 
É o valor para liquidara obrigação de acordo com contrato na data do seu 
vencimento. 
• Os passivos serão reconhecidos e liquidados pelos valores de registro 
inicial, sem alterações ou ajustes de valor até a data do pagamento; 
• Por exemplo, a empresa Só Comércio Ltda, adquiriu 50 camisetas para 
revenda pelo de custo de R$ 10,00 cada unidade, total da Nota fiscal de 
compra, R$ 500,00 com prazo para pagamento de 28 dias. O custo 
histórico registrado na conta de fornecedor a pagar corresponde ao valor 
de R$ 500,00. 
2.2.2 Custo corrente 
Corresponde ao valor para liquidar a obrigação na data do encerramento 
das demonstrações contábeis. 
 
 
18 
2.2.3 Valor realizável (valor de realização ou de liquidação) 
Os passivos são mantidos pelos seus montantes de liquidação, isto é, 
pelos montantes em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que se 
espera serem pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso 
normal das operações. 
2.2.4 Valor presente 
Os passivos devem ser mantidos pelo valor presente, descontado dos 
fluxos futuros de saídas líquidas, no qual se espera que sejam necessários para 
liquidar o passivo no curso normal das operações. Representam os ajustes 
necessários para que os valores expressos nas demonstrações contábeis 
estejam expressos pelo valor presente. 
A Alpargatas do exemplo elabora suas demonstrações contábeis com 
base no custo histórico, salvo as contas especificadas em notas explicativas, 
como obrigações fiscais, trabalhistas, provisões, empréstimos, financiamentos e 
arrendamento mercantil, que são ajustados de acordo com o valor presente. 
Tabela 4 – Balanço Patrimonial – Alpargatas S.A. 2019 
BALANÇO PATRIMONIAL – ALPARGATAS S.A 2019 (EM MILHARES DE REAIS) 
ATIVO 2019 PASSIVO E PATRIMONIO LÍQUDO 2019 
CIRCULANTE CIRCULANTE 
 Fornecedores 350.505 
 Risco sacado 78.394 
 Empréstimos e financiamentos 176.925 
 Passivo de arrendamento 57.761 
 Obrigações fiscais 50.952 
 Plano de incentivo de longo prazo 22.839 
 Provisões e outras obrigações 123.965 
 Obrigações trabalhistas e previdenciárias 149.656 
Total do ativo circulante 2.610.134 Provisão para riscos tributareis, cíveis e trabalhistas 19.483 
 JSCP e dividendos a pagar 10.665 
 Instrumentos financeiros derivativos 1.349 
NAO CIRCULANTE Outros passivos 213.991 
 Total do passivo circulante 1.256.495 
 NÃO CIRCULANTE 
 Empréstimos e financiamentos 101.825 
 Passivo de arrendamento 316.618 
 Imposto de renda e contribuição social diferidos 48.917 
 Provisão para riscos tributários, cíveis e trabalhistas 12.233 
 Plano de incentivo de longo prazo 35.668 
 Outras obrigações 15.692 
 Total do passivo não circulante 530.953 
Total do ativo não circulante 1.911.9
06 
Total do patrimônio Líquido 2.734.592 
 
 
19 
TOTAL DO ATIVO 4.522.040 TOTAL DO PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO 4.522.040 
Fonte: Alpargatas S.A., 2019. 
Em síntese, para reconhecimento e mensuração de ativos e passivos, 
podem ser aplicadas diferentes bases de mensuração, de acordo com o 
tratamento dado a cada elemento para que possam expressar de forma fidedigna 
a situação econômica e patrimonial de uma entidade quando do fechamento e 
elaboração das demonstrações contábeis. 
Cabe ainda lembrar que, de acordo com a característica qualitativa da 
prudência, os ativos devem ser reconhecidos sempre pelo menor valor, e os 
passivos, pelo maior valor possível. 
TEMA 3 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE RECEITAS 
As receitas representam o valor monetário obtido em determinado período 
por meio de vendas de produtos ou serviços de uma entidade. Surgem no 
decurso das atividades usuais da entidade e são classificadas em: receitas de 
vendas, receitas de honorários, receitas de juros, receitas de dividendos, 
receitas de royalties, receitas de aluguéis etc. 
Observe, no relatório da companhia Alpargatas, como as receitas são 
evidenciadas nos demonstrativos contábeis para a formação do lucro: 
Tabela 5 – Demonstração do Resultado Alpargatas S.A 
ALPARGATAS S.A. 
Demonstração do Resultado – (Reais Mil) 
 Conta 2019 2018 
1. RECEITA DE VENDA DE BENS E/OU SERVIÇOS 3.712.184 3.380.217 
CUSTOS DOS PRODUTOS E SERVIÇOS VENDIDOS -1.845.252 -1.726.381 
2. LUCRO BRUTO 1.866.932 1.653.836 
 Despesas/Receitas Operacionais -1.437.882 -1.112.603 
 Despesas com Vendas -1.088.172 -1.037.729 
 Despesas Gerais e Administrativas -186.799 -183.003 
 Outras Receitas Operacionais 143.307 273.424 
 Outras Despesas Operacionais -306.218 -165.295 
3. Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos 429.050 541.233 
4. Resultado Financeiro -1.557 -7.388 
 RECEITAS FINANCEIRAS 92.666 105.944 
 Variação Cambial 24.324 43.629 
 Ganhos em Operações com Derivativos 16.333 3.551 
 Outras Receitas Financeiras 52.009 58.764 
 DESPESAS FINANCEIRAS -94.223 -113.332 
5. RESULTADO ANTES DOS TRIBUTOS SOBRE O LUCRO 427.493 533.845 
 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro -111.510 -60.869 
 
 
20 
 Resultado Líquido das Operações Continuadas 315.983 472.976 
 Resultado Líquido de Operações Descontinuadas -56.648 -148.935 
 6. LUCRO/PREJUÍZO LÍQUIDO DAS OPERAÇÕES 
DESCONTINUADAS -56.648 -148.935 
 7. LUCRO DO PERÍODO 259.335 324.041 
Fonte: BM&F Bovespa, S.d. 
 As receitas podem ser definidas por alguns critérios básicos: 
• São diretamente correlacionadas à produção de bens e serviços (venda 
de mercadorias, produtos, serviços); 
• Embora possam ser estimadas pela entidade (preço de venda), seu valor 
final deverá ser validado pelo mercado (concorrência e clientes); 
• Representam o desempenho de uma entidade em determinado período 
(Receitas – despesas = lucro do período); 
• Provocam variações no Patrimônio líquido da entidade (aumento nos 
ativos, diminuições nos passivos). 
Para entender melhor como se dá o reconhecimento e a mensuração de 
uma receita, vamos apresentar os aspectos conceituais e normativos na 
sequência. 
3.1 Reconhecimento e mensuração das receitas 
As receitas são definidas pelo CPC 00 R2 (CPC, 2019) como “Aumentos 
nos ativos, ou reduções nos passivos, que resultam em aumento no patrimônio 
líquido, exceto aqueles referentes a contribuições de detentores de direitos sobre 
o patrimônio (sócios ou acionistas)”. 
Receita de aumento de ativo: por exemplo, uma venda a prazo de 
mercadorias gera um aumento nos benefícios econômicos, pois promove um 
aumento nos ativos (duplicatas a receber de clientes) resultando em uma receita 
do período, logo gera um aumento no Patrimônio líquido (Adriano, 2018). 
Receitas de redução de passivos: o registro contábil de uma transação 
em que o cliente paga um adiantamento antes de receber as mercadorias, 
deverá ser realizado no passivo em conta de adiantamento de clientes, pois a 
empresa tem agora uma obrigação de entregar a mercadoria (Adriano, 2018). 
Ao entregar a mercadoria ao cliente, esse adiantamento se converterá em receita 
por redução de passivos, considerando-se como uma receita do período. 
 
 
21 
A estrutura conceitual do CPC 00 R2 (CPC, 2019) define como critério de 
reconhecimento das receitas a exigência de que tenham sido obtidas. De modo 
que o procedimento seja direcionado para restringir o reconhecimento como 
receita aqueles itens que possam ser mensurados com confiabilidade e tenham 
suficiente grau de certeza (Adriano, 2018). 
Figura 6 – Critérios para reconhecimento das receitas 
 
Fonte: CPC, 2019. 
Nesses termos, a Receita é a expressão monetária de transações que 
geram a transferência de ativos a terceiros, o que implica dizer que, para se 
reconhecer uma receita, é preciso trocar ou melhor vender produtos ou serviços 
para clientes ou outras empresas, também reconhecida como receita 
operacional, evidenciada na primeira linha da Demonstração do Resultado, 
observe no DR da cia Alpargatas de 2019. 
Tabela 6 – Recorte de uma Demonstraçãode Resultados Alpargatas S.A. 
 
Fonte: Alpargatas S.A., 2019. 
A receita proveniente da atividade principal da organização é denominada 
como Receita bruta de vendas de bens e/ou serviços. Entende-se como bens 
aqueles produzidos pela entidade com a finalidade de venda e bens comprados 
para a revenda. Já a prestação de serviços se refere às tarefas executadas por 
uma entidade (o prestador) a outra parte (o tomador) com a finalidade de 
obtenção de receitas. 
Isso quer dizer que uma entidade só reconhece receitas por meio de 
vendas de produtos ou serviços na Demonstração do Resultado? 
Aumento nos 
benefícios 
econômicos
Reconhecimento 
da Receita
Mensurados com 
confiabilidade
 
 
22 
Para responder a essa questão, vamos analisar sob a perspectiva de 
Hendriksen e Van Breda (2014, p. 224), que discorrem que, para reconhecer 
uma receita, é importante entender a natureza, a terminologia, os métodos de 
mensuração e o momento do reconhecimento contábil. 
Sendo assim, para reconhecer uma receita, é preciso conhecer sua 
natureza, para classificá-la em: receita operacional, financeira ou ganhos. 
As receitas de vendas de produtos ou serviços são consideradas como 
receitas operacionais, que acontecem naturalmente em função da atividade fim 
da entidade, obtidas por meio das vendas de mercadorias. 
No entanto uma empresa pode ainda reconhecer uma receita financeira, 
originada por meio de juros cobrados por atraso de duplicatas de clientes a 
receber, rendimentos de aplicaçãoes financeiras, descontos obtidos, etc. 
Outro termo usual que inclui no escopo da terminologia de receitas são os 
ganhos, por exemplo, o ganho obtido na venda de imobilizados (terrenos, 
máquinas, equipamentos, prédios, veículos, etc) ou ajustes de variações nas 
contas patrimoniais, ativos, passivos e patrimonio líquido. 
Assim, para reconhecer uma receita, é preciso analisar sua natureza e as 
terminologias relacionadas com o tipo de atividade desenvolvida pela entidade. 
Mas quando uma receita deve ser reconhecida? 
Uma receita deve ser reconhecida contabilmente quando for: 
• Obtida: que representa o momento do reconhecimento de um ganho no 
decurso normal da entidade, por exemplo, a venda de mercadorias; 
• Realizada: entende-se nesse contexto que uma receita não pode ser 
reconhecida antes de ser realizada. Por exemplo: 
o Recebimento adiantado de clientes, em que o valor recebido antes da 
transferência do produto ou da entrega do serviço gera uma obrigação 
para com o cliente; 
o A comercialização de comodities (soja, trigo etc) antes da colheita em 
função das perdas e influência do mercado no preço de venda; 
o Venda de contratos de seguros, em função período de vigência da 
cobertura do risco e probabilidade de ocorrência de sinistros e 
prejuízo, entre outros. 
Quanto aos aspectos normativos, o CPC 47 (CPC, 2016) trata acerca das 
exigências para divulgação das informações qualitativas e quantitativas das 
 
 
23 
receitas, evidenciadas nos demonstrativos contábeis. Esclarecendo, é preciso 
se conhecer a natureza de uma receita, o valor, o momento do reconhecimento, 
além da incerteza do recebimento, por exemplo, da inadimplência esperada 
(KPMG, S.d.). 
Destaca-se, no entanto, que, dependendo do tipo de atividade 
desenvolvida por uma entidade, as receitas não podem ser reconhecidas quando 
da emissão de uma nota fiscal. Exemplo: Indústrias que fabricam sob 
contratos, prestadoras de serviços de construção, telecomunicação, 
seguradoras, entre outras. 
Para essas entidades, o CPC 47 (2016) estabele 5 critérios para o 
reconhecimento dessas receitas. 
Figura 7 – Critérios para o reconhecimento de receitas 
 
Fonte: CPC, 2016. 
Quadro 6 – Exemplo de reconhecimento de receita em empresas de construção 
cívil 
• Etapa 1. Identificação do contrato: o cliente adquire um imóvel na 
planta, ou seja, a entrega do bem é acordado para data futura 
mediante pagamento de adiantamento (Essa transação gera na 
construtora um obrigação de construir este imóvel par ao cliente. 
• Etapa 2. Identificar as obrigações de desempenho: caso a 
construtora acorde no contrato que receberá de acordo com o 
andamento da obra (exemplo: recebimentos do cliente à medida que 
a obra progride). Reconhece-se uma obrigação de performance, ou 
seja, não cabe ainda o reconhecimento de receita de obra em 
andamento na Demonstração de Resultados. 
• Etapas 3 e 4. como se trata de construção cívil, é possível mensurar 
os valores por medição de metros quadrados construídos por 
obrigação de desempenho em todas as etapas. 
• Etapa 5. Finalização da obra: reconhece-se a Receita da Venda pela 
entrega do bem ao cliente. 
 
Etapa 1
•Identificar o 
contrato
Etapa 2
•Identificar as 
obrigações 
de 
desempenho
Etapa 3
•Determinar 
o preço da 
transação
Etapa 4
•Alocar o 
preço de 
transação
Etapa 5
•Reconhecer 
a receita
 
 
24 
Observe, nesse exemplo, que, em casos em que não seja possível o 
reconhecimento imediato das Receitas, a norma (CPC, 2016) permite que as 
entidades reconheçam no passivo da entidade, as obrigações de desempenho 
à medida que os produtos ou serviços vão sendo desenvolvidos ao longo do 
tempo. Esse reconhecimento se dá mediante recebimento de clientes e o 
reconhecimento da receita na entrega (transferência) de bens ou serviços. 
Em síntese, a obtenção da receita, sob o ponto de vista econômico, é o 
resultado contínuo das operações da empresa, somente devendo ser 
reconhecida quando da sua obtenção e da sua realização. 
Vale lembrar que a receita de uma entidade é parte integrante da 
composição do resultado ou lucro da entidade, representado pela equação do 
lucro: Receitas de vendas – custos e despesas = lucro ou prejuizo. 
3.2 Mensuração das receitas 
 Os critérios para reconhecer uma receita são basicamente os aumentos 
nos beneficios econômicos e na confiabilidade da mensuração observados. Na 
prática, a mensuração da receita é determinada pelo valor de troca de produtos 
ou serviços. 
O valor de troca pode ser entendido como preço de venda acordado entre 
as partes em uma transação a vista ou valor presente de direitos monetários. Via 
de regra, a mensuração da receita segue as premissas e bases de valor 
realizável líquido. 
Por valor realizável líquido, entende-se o preço de venda estimado no 
curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão 
e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda (CPC, 2009). 
Em outras palavras, o valor realizável líquido refere-se à obtenção dos 
ganhos líquidos esperados pela entidade pela venda de produtos ou serviços. 
Em sintese, as diversas bases de mensuração aplicadas aos ativos e 
passivos influenciam a mensuração da receitas e despesas. 
TEMA 4 – RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DE DESPESAS 
Contabilmente, as despesas são classificadas como contas de resultados 
e confrontadas contra as receitas para se obter o resultado do período. Em 
termos gerais, as despesas são reduções de lucro (ver Tabela 7). 
 
 
25 
Receitas – Despesas = Lucro ou prejuízo. 
4.1 Reconhecimento de despesas – Custo das mercadorias vendidas 
Tal como as receitas, as contas de despesas são contas de resultados, 
no entanto representam variações desfavoráveis dos recursos da empresa, pois 
reduzem o lucro da entidade. 
No entanto, nem todas as reduções de lucro são despesas. Esse 
entendimento é muito importante. Observe atentamente o recorte do 
demonstrativo da Alpargatas: 
Tabela 7 – Recorte de um Demonstrativo da Alpargatas S.A. 
ALPARGATAS S.A. 
Demonstração do Resultado - (Reais Mil) 
 Conta 2019 2018 
1. RECEITA DE VENDA DE BENS E/OU SERVIÇOS 3.712.184 3.380.217 
 CUSTOS DOS PRODUTOS E SERVIÇOS VENDIDOS -1.845.252 -1.726.381 
2. LUCRO BRUTO 1.866.932 1.653.836 
Fonte: Alpargatas, 2019. 
Veja que o custo dos produtos e dos serviços vendidos também reduz o 
lucro, no entanto o tratamentoé diferenciado, pois entende-se como o uso e o 
consumo de bens ou serviços utilizados no processo de obtenção de receita. 
O custo representa o investimento de capital da entidade para adquirir 
produtos ou insumos de produção (matéria-prima) para o desenvolvimento da 
sua atividade fim. Podem ainda ser entendidos sob o enfoque econômico, como 
os fatores de produção aplicados diretamente para a obtenção de receitas. 
Exemplificando: a empresa Modelo recebeu, no dia 12/03/X1, 10 unidades 
da mercadoria A para revenda pelo custo ou valor de aquisição de R$ 500,00. 
No dia 13/03/X1, vendeu todas as 10 unidades da mercadoria A por 800,00. 
Veja que o valor de R$ 800,00 é o valor da receita de venda obtida, já o 
valor R$ 500,00 é o custo de aquisição. Assim teremos: 
Figura 8 – Cálculo do lucro 
 
Receitas:
•R$ 800,00
Custo da mercadoria 
vendida R$ 500,00
Lucro bruto
•R$ 300,00
 
 
26 
Saiba mais 
O custo de aquisição é reconhecido como custo da mercadoria vendida 
(cmv) somente no momento da venda. Enquanto não houver a transação de 
venda, o custo de aquisição representa o custo histórico dos estoques e deve 
ser apresentado no Balanço Patrimonial. 
Entendido o custo das mercadorias vendidas, vamos agora tratar do 
reconhecimento das despesas. 
4.1 Reconhecimento e mensuração das despesas 
As despesas podem ser entendidas como o esforço necessário para se 
obterem receitas. Essa determinação faz sentido quando se observa a estrutura 
vertical da Demonstração do resultado. 
Figura 9 – Estrutura vertical da Demonstração de resultado 
(+) Receitas 
(-) Despesas 
(=) Lucro ou Prejuízo 
Nesse entendimento, as receitas e despesas estão diretamente 
relacionadas às atividades operacionais da entidade. Ou seja, o lucro é formado 
pela confrontação de receitas menos despesas. 
Tecnicamente, as despesas serão reconhecidas na Demonstração do 
resultado quando implicarem decréscimo nos benefícios econômicos futuros, 
relacionado com o decréscimo de um ativo ou o aumento de um passivo 
simultaneamente e puderem ser mensuradas com confiabilidade. 
Figura 10 – Critérios para reconhecimento das despesas 
 
Fonte: CPC, 2019. 
Decréscimo nos 
benefícios 
econômicos 
futuros
Reconhecimento 
da despesa
Mensurado com 
Confiabilidade
 
 
27 
Conceitualmente, o CPC 00 R2 (CPC, 2019) define despesas como: 
“reduções nos ativos, ou aumentos nos passivos, que resultam em reduções no 
patrimônio líquido”. 
Despesas como redução de ativos – por exemplo: o desgaste gerado pelo 
uso uma máquina no setor produtivo de uma entidade fabril – devem ser 
reconhecidas como depreciação no imobilizado da empresa, objetivando ajustar 
o valor contábil do imobilizado pelo decréscimo ou redução do benefício 
econômico futuro. Assim: 
Figura 11 – Depreciação do imobilizado 
 
• Contabilmente no balanço patrimonial registra: Ativo Imobilizado (-) 
depreciação = Valor contábil do bem ajustado; 
• Na demonstração do resultado, reconhece-se a despesa de 
depreciação, que representa a contrapartida do reconhecimento 
contábil do desgaste por uso de um imobilizado, a depreciação. O 
registro deve ocorrer de forma simultânea; 
• Há um decréscimo nos benefícios econômicos devido a uma redução 
de ativos (depreciação acumulada), que resulta em uma despesa do 
período (Adriano, 2018, p. 70); 
• As contas redutoras de ativos, como depreciação, perdas estimadas 
com quebra de estoques, perdas estimadas com clientes de 
liquidação duvidosa, por exemplo, possuem como contrapartidas as 
respectivas contas de despesas no período de reconhecimento. 
Despesas como aumentos nos passivos: podemos usar como exemplo a 
contabilização da folha de pagamento de salários e ordenados dos funcionários. 
Pelo regime de competência a despesa deve ser contabilizada no período de 
incorrência. 
• Para o reconhecimento contábil, deve-se contabilizar uma obrigação a 
pagar no passivo circulante – conta de salários e ordenados a pagar e 
BALANÇO PATRIMONIAL
•Ativo
•Ativo não Circulante
•Imobilizado
•(-) Depreciação
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO 
•Receitas
•(-) Despesa de depreciação
 
 
28 
simultaneamente na demonstração do resultado a despesa na conta de 
despesas de salários e ordenados; 
• Reconhece-se, assim, um decréscimo nos benefícios econômicos devido 
a um aumento de passivos (salários a pagar) que resulta em uma despesa 
do período (Adriano, 2018). 
Atendidos a esses critérios, uma despesa pode ainda ser reconhecida 
diretamente no resultado, quando um gasto não produzir benefícios econômicos 
futuros, por exemplo, que sejam de uso e consumo imediato, como despesas 
luz, água, internet, material de limpeza, material de consumo do escritório, 
combustível etc. Ou que não se qualifiquem como ativos, por exemplo, bens de 
pequeno valor usados no processo produtivo como ferramentas e utensílios de 
pequeno valor com vida útil limitada. 
 O processo de reconhecimento de despesas segue o princípio do regime 
de competência, ou seja, se dá por meio da confrontação entre receitas e 
despesas de modo simultâneo ou combinado. 
 Outro termo usual que resulta na redução do lucro na demonstração do 
resultado são as perdas. Para Viceconti (2018), as perdas representam outros 
itens que se enquadram na definição de despesas e podem ou não surgir no 
curso das atividades usuais da entidade, representando decréscimos nos 
benefícios econômicos e, como tais, não diferem, em natureza, das demais 
despesas. Exemplos: perdas com quebra de estoque, sinistros de incêndios e 
inundações etc. 
 Em síntese, assim como na mensuração de receitas e despesas, são 
ajustados de acordo com o reconhecimento adequado dos ativos e passivos. 
TEMA 5 – DESRECONHECIMENTO 
Estudamos que os elementos que compõem as demonstrações 
contábeis, para serem reconhecidos e mensurados, precisam satisfazer diversos 
critérios. Podemos verificar ainda que o reconhecimento inicial de ativos ou 
passivos decorrentes de transações ou de outros eventos pode resultar no 
reconhecimento simultâneo tanto de receitas quanto das respectivas despesas 
(CPC, 2019). 
Mas quando um elemento contábil é desreconhecido das demonstrações 
contábeis? 
 
 
29 
De Acordo com o CPC 00 R2, item 5.26, “O desreconhecimento é definido 
como a retirada de parte ou da totalidade de ativo ou passivo reconhecido do 
balanço patrimonial da entidade” (CPC, 2019) 
Assim, o desreconhecimento normalmente ocorre quando esse item não 
atende mais à definição de ativo ou passivo: 
• para o ativo, o desreconhecimento normalmente ocorre quando a 
entidade perde o controle (direito) da totalidade ou de parte do ativo 
reconhecido. Exemplo: a finalização do contrato de locação de um bem; 
• para o passivo, o desreconhecimento normalmente ocorre quando a 
entidade não possui mais uma obrigação presente pela totalidade ou parte 
do passivo reconhecido. Exemplo: a provisão de uma ação judicial 
trabalhista que se acreditava ser uma obrigação constituída, no entanto 
na decisão final da causa trabalhista foi revertida. 
Saiba mais 
Alterações de cláusulas contratuais de prestação de serviços podem 
reduzir ou eliminar direitos e obrigações. 
O desreconhecimento dos elementos das demonstrações contábeis é 
tratado pela norma CPC 00 R2 (CPC, 2019) como um assunto complexo, pois 
não especifica com clareza quando um elemento deve ser desreconhecido e por 
qual valor. 
Do mesmo modo que para o reconhecimento e mensuração de ativos e 
passivos, para o desreconhecimento devem ser observadas as características 
qualitativas da informação contábil de relevância e representação fidedigna, 
extensivo à confiabilidade como um atributo indispensável. 
Em síntese, o desreconhecimento de um ativo é observado quando uma 
entidade perde controle dos benefícios econômicos futuros, ou seja, quando não 
se identifica a probabilidade de geração de fluxo de caixa presente ou futuro. No 
caso dos passivos,quando se extingue a obrigação de pagamentos. 
TROCANDO IDEIAS 
O Pronunciamento Técnico CPC 47 – Receita de Contrato com Cliente 
tem como objetivo orientar as práticas de reconhecimento de receitas de clientes, 
definindo, assim, a receita como a transferência de bens ou serviços prometidos 
 
 
30 
a clientes no valor que reflita a contraprestação à qual a entidade espera ter 
direito em troca desses bens ou serviços (CPC, 2016). Nesse sentido, propõe-
se que se discuta com seus colegas como a receita pode ser reconhecida em 
um determinado momento ou com o passar do tempo. 
Para a discussão, sugiro que você pesquise como se dá o reconhecimento 
da obrigação por desempenho e das receitas em empresas construtoras ou 
incorporadoras, empresas de fabricação por contrato (indústria aeronáutica ou 
naval), seguradoras, imobiliárias. 
NA PRÁTICA 
O pronunciamento técnico CPC 00 R2 (CPC, 2019) apresenta várias 
bases de mensuração empregadas para o reconhecimento de ativos e passivos, 
receitas e despesas para fins de elaboração dos demonstrativos contábeis. 
Levando em consideração as bases de mensuração estudadas nesta aula, 
assinale com V para verdadeiro e F para falso para as seguintes alternativas. 
( ) Valor contábil é o valor pelo qual o ativo, o passivo ou o patrimônio 
líquido é reconhecido no balanço patrimonial. 
( ) O custo histórico de um ativo é representado pelos montantes pagos 
em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos entregues 
para adquiri-los na data da aquisição. 
( ) O valor realizável de um ativo pode ser definido pelos montantes em 
caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela sua venda em 
forma ordenada. 
( ) O valor presente de um passivo é valor descontado dos fluxos futuros 
de saídas líquidas, no qual se espera que sejam necessários para liquidar o 
passivo no curso normal das operações. 
Assinale a sequência correta: 
a. V, V, F, F 
b. V, F, F, F 
c. V, F, F, V 
d. V, V, V, F 
e. V, V, V, V 
 
 
31 
FINALIZANDO 
Chegamos ao final da nossa aula, na qual estudamos os aspectos 
conceituais e normativos dos elementos que compõem as demonstrações 
contábeis e os critérios para reconhecimento e mensuração contábil. 
 Outro ponto importante implícito nesta aula se refere à escolha por parte 
do contador das melhores práticas de reconhecimento e bases de mensuração 
dos elementos patrimoniais e de resultados. 
 
 
 
32 
REFERÊNCIAS 
ADRIANO, S. Manual dos pronunciamentos contábeis comentados. São 
Paulo: Atlas, 2018. 
ALPARGATAS S.A. Demonstrações financeiras. São Paulo: Alpargatas S.A., 
31 dez. 2018. 
_____. (ALPA3). Investing.com, 2019. Disponível em: 
<https://br.investing.com/equities/alpargatas-on-n1-balance-sheet>. Acesso em: 
12 jun. 2020. 
BM&F Bovespa. Alpargatas S.A., S.d. Disponível em: 
<http://bvmf.bmfbovespa.com.br/cias-listadas/empresas-
listadas/ResumoDemonstrativosFinanceiros.aspx?codigoCvm=10456&idioma=
pt-br>. Acesso em: 12 junho 2020. 
CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis. CPC 00 (R2) – Estrutura 
Conceitual para Relatório Financeiro, de 1 de novembro de 2019. CPC, 10 dez. 
2019. 
_____. CPC 16 (R1) – Estoques, de 8 de maio de 2009. CPC, 8 nov. 2009. 
_____. CPC 47 – Receita de Contrato com o Cliente, de 4 de novembro de 2016. 
CPC, 22 dez. 2016. 
GELBKE, E. R. et al. Manual de contabilidade societária. 3. ed. São Paulo: 
Atlas, 2018. 
HENDRIKSEN, E. S.; VAN BREDA, M. F. Teoria da contabilidade. São Paulo: 
Atlas, 2014. 
KPMG. Disponível em: <https://home.kpmg/br/pt/home.html>. Acesso em: 12 
jun. 2020. 
VICECONTI, P. Contabilidade básica. 18. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 
2018. 
 
 
 
33 
GABARITO 
A alternativa correta é a letra E (V, V, V, V): todas as alternativas 
verdadeiras. 
	Conversa inicial
	Contextualizando
	1.1.1 Ativos classificados no grupo de circulante
	1.1.2 Ativos classificados no grupo de não circulante
	2.2 Bases de mensuração dos passivos
	2.2.1 Custo histórico
	2.2.2 Custo corrente
	2.2.3 Valor realizável (valor de realização ou de liquidação)
	2.2.4 Valor presente
	Trocando ideias
	Na prática
	FINALIZANDO
	Chegamos ao final da nossa aula, na qual estudamos os aspectos conceituais e normativos dos elementos que compõem as demonstrações contábeis e os critérios para reconhecimento e mensuração contábil.
	REFERÊNCIAS
	GABARITO