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SÉRIE ELETROELETRÔNICA GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI Robson Braga de Andrade Presidente DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor de Educação e Tecnologia SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI Conselho Nacional Robson Braga de Andrade Presidente SENAI – Departamento Nacional Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor Geral Gustavo Leal Sales Filho Diretor de Operações Regina Maria de Fátima Torres Diretora Associada de Educação Profissional SÉRIE ELETROELETRÔNICA GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional Sede Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br © 2013. SENAI – Departamento Nacional © 2013. SENAI – Departamento Regional de São Paulo A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do SENAI. Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI - São Paulo, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância. SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP SENAI Departamento Regional de São Paulo Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância FICHA CATALOGRÁFICA S491g Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Gestão da Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de São Paulo. Brasília : SENAI/ DN, 2013. 88p. il. (Série Eletroeletrônica). ISBN 978-85-7519-805-6 1. Gestão 2. Ferramentas de gestão 3. Manutenção 4. Eletroeletrônica 5.Planejamento da manutenção 6. Gerenciamento da manutenção I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de São Paulo II. Título III. Série CDU: 005.95 Lista de ilustrações, quadros e tabelas Figura 1 - Organização curricular do curso Técnico em Eletroeletrônica ....................................................12 Figura 2 - Linha do tempo das atividades de manutenção ..............................................................................18 Figura 3 - Multifuncional para pequenas empresas ............................................................................................20 Figura 4 - Manutenção em placa-mãe .....................................................................................................................23 Figura 5 - Luminária e lâmpada ..................................................................................................................................26 Figura 6 - Manutenção de uma PCI ...........................................................................................................................28 Figura 7 - Pente de memória quebrado ...................................................................................................................29 Figura 8 - Manutenção preventiva de um quadro elétrico ...............................................................................30 Figura 9 - Custos de manutenção x lucro ................................................................................................................32 Figura 10 - Boeing 747 ...................................................................................................................................................34 Figura 11 - Curva da banheira indica taxa de falhas de uma máquina ou um equipamento ..............40 Figura 12 - Objetivos das fases segundo a metodologia de Juran ................................................................50 Figura 13 - Objetivo de cada fase segundo a metodologia de Kume ...........................................................52 Quadro 1 – Grau de criticidade de manutenção ....................................................................................................22 Quadro 2 – Grau de urgência de manutenção .......................................................................................................25 Quadro 3 – Avaliação do grau de prioridade para manutenção ......................................................................25 Quadro 4 – Códigos de identificação dos equipamentos ..................................................................................42 Quadro 5 – Distribuição dos subconjuntos na empresa antes da manutenção ........................................43 Quadro 6 – Distribuição dos subconjuntos na empresa durante a manutenção ......................................43 Quadro 7 – Distribuição dos subconjuntos na empresa depois da manutenção ......................................43 Quadro 8 – Quadro de perguntas para aplicação da ferramenta 5W1H .......................................................45 Quadro 9 – Exemplo de plano de ação baseado na ferramenta 5W1H .........................................................46 Quadro 10 – Princípios e benefícios do Programa 5S ..........................................................................................47 Quadro 11 – Relação entre PDCA e MASP segundo a metodologia de Juran ............................................49 Quadro 12 – Relação das fases e tarefas do MASP segundo a metodologia de Juran .............................50 Quadro 13 – Relação entre PDCA e MASP segundo a metodologia de Kume ............................................51 Quadro 14 – Objetivos das fases do MASP segundo a metodologia de Kume ..........................................53 Quadro 15 – Exemplos de dados dos processos de manutenção ...................................................................58 Quadro 16 – Formulário utilizado para controle de manutenção de máquinas com CNC ....................66 Quadro 17 – Formulário utilizado para controle de manutenção preventiva de compressores .........67 Quadro 18 – Exemplo de contas e subcontas no sistema de controle contábil .........................................71 Quadro 19 – Quadro de aplicativos de gestão da manutenção disponíveis no mercado ......................78 Tabela 1 – Dados de uso para vários tipos de impressoras ................................................................................21 Sumário 1 Introdução ........................................................................................................................................................................11 2 Introdução à manutenção ..........................................................................................................................................17 2.1 Evolução dos processos de manutenção ...........................................................................................18 2.2 Definições relacionadas à gestão da manutenção .........................................................................19 2.3 Terceirização .................................................................................................................................................26 2.4 Métodos de manutenção .........................................................................................................................28 2.4.1 Manutenção corretiva .............................................................................................................28 2.4.2 Manutenção preventiva .........................................................................................................30 2.4.3 Manutenção preditiva .............................................................................................................31 2.5 Sistemas demanutenção .........................................................................................................................33 2.5.1 Manutenção Produtiva Total (MPT) ....................................................................................33 2.5.2 Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC) ...........................................................33 2.5.3 Manutenção Baseada na Confiabilidade (MBC) .............................................................34 3 Gestão da manutenção ...............................................................................................................................................37 3.1 Análise de falhas na manutenção .........................................................................................................38 3.2 Causas, prevenção e tratamentos de falhas ......................................................................................38 3.3 Modelos de falhas .......................................................................................................................................40 3.4 Dados do histórico de manutenção .....................................................................................................41 3.5 Ferramentas da qualidade aplicáveis aos processos de manutenção .....................................44 3.5.1 5W1H .............................................................................................................................................44 3.5.2 Programa 5S ................................................................................................................................47 3.5.3 Método de Análise e Solução de Problemas (MASP) ...................................................48 3.6 Determinação dos recursos necessários ............................................................................................54 3.7 Implicações ambientais dos processos de manutenção ..............................................................55 3.8 Padrões de manutenção ..........................................................................................................................56 3.9 Indicadores de desempenho ..................................................................................................................58 4 Planejamento e gerenciamento da manutenção ..............................................................................................63 4.1 Elaboração do plano de manutenção .................................................................................................64 4.2 Otimização dos recursos para manutenção ......................................................................................68 4.2.1 Organização do pessoal e definição das responsabilidades .....................................69 4.2.2 Gestão de Custos, materiais, equipamentos e ferramentas ......................................70 4.3 Controle e revisão dos orçamentos e redução dos custos de manutenção ..........................72 4.4 Terceirização dos processos de manutenção ...................................................................................73 4.5 Recursos computacionais aplicáveis à gestão da manutenção .................................................74 4.5.1 Geração e controle de Ordens de Serviço ........................................................................74 4.5.2 Cadastro das informações de manutenção .....................................................................76 4.5.3 Relatórios de manutenção ....................................................................................................76 4.5.4 Exemplos de aplicativos disponíveis no mercado ........................................................77 Referências ...........................................................................................................................................................................81 Minicurrículo do autor .....................................................................................................................................................82 Índice .....................................................................................................................................................................................83 1 Introdução A unidade curricular Gestão da Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos tem por ob- jetivo desenvolver capacidades técnicas referentes ao planejamento e ao controle de serviços de manutenção de sistemas eletroeletrônicos. Esta unidade compõe o Módulo Específi co II do curso Técnico em Eletroeletrônica, confor- me você pode observar na fi gura a seguir. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS12 Técnico em Eletroeletrônica (1200 h) Mantenedor de Sistemas Eletroeletrônicos (900 h) Instalador de Sistemas Eletroeletrônicos (600 h) Entrada Módulo Básico (300 h) • Comunicação Oral e Escrita (60 h) • Eletricidade (180 h) • Leitura e Interpretação de Desenho (30 h) • Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança no Trabalho (30 h) Módulo Específico I (300 h) Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos • Instalação de Sistemas Elétricos Prediais (90 h) • Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (90 h) • Instalação de Sistemas Eletrônicos (90 h) • Gestão da Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos (30 h) Módulo Específico II (300 h) Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos • Manutenção de Sistemas Elétricos Prediais (60 h) • Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (120 h) • Manutenção de Sistemas Eletrônicos (60 h) • Gestão da Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos (60h) Módulo Específico III (300 h) Desenvolvimento de Sistemas Eletroeletrônicos • Projeto de Sistemas Elétricos Prediais (60 h) • Projeto de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (120 h) • Projeto de Sistemas Eletrônicos (60 h) • Projeto de Melhorias de Sistemas Eletroeletrônicos (60 h) • Gestão da Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos (60 h) Figura 1 - Organização curricular do curso Técnico em Eletroeletrônica Fonte: SENAI-SP (2013) 1 INTRODUÇÃO 13 O Módulo Específico II tem por objetivo desenvolver a competência profis- sional de manter sistemas eletroeletrônicos de acordo com procedimentos e normas técnicas, ambientais, de qualidade, de saúde e segurança no tra- balho e permite a certificação como mantenedor de sistemas eletroeletrônicos. As principais capacidades técnicas a serem desenvolvidas nesta unidade cur- ricular são: a) determinar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) específicos de acordo com as atividades previstas para os processos de manutenção; b) definir quantidade de homem/hora para o serviço da manutenção no siste- ma eletroeletrônico; c) elaborar cronogramas da realização da manutenção em sistemas eletroele- trônicos, inclusive por meio eletrônico; d) elaborar planos periódicos de manutenção levando em conta os dados re- gistrados nos prontuários de máquinas e equipamentos; e) solicitar máquinas, equipamentos, ferramentas, instrumentos e materiais necessários para a realização do serviço. As competências de gestão do planejamento da manutenção a serem desen- volvidas são: a) ser analítico; b) ter raciocínio lógico ao analisar os dados que servirão de base para o plane- jamento da manutenção; c) ter consciência prevencionista em relação à saúde, à segurança e ao meio ambiente; d) comunicar-se de forma clara e precisa; e) ter visão sistêmica; f ) estabelecer prioridades. Todas essas capacidades são fundamentais à formação de um técnico em ele- troeletrônica. A seguir, verifique como este livro está organizado e o que você estudará em cada capítulo. No capítulo 2 – Introdução à Manutenção – vamos conhecer algumas defini- ções da área e como elas afetam o planejamento das atividades de manutenção, além de saber quais métodos e técnicas são aplicados para execução e gerencia- mento das atividades de manutenção.Abordaremos ainda conceitos e técnicas que nos permitem uma visão global do serviço nessa área. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS14 No capítulo 3 – Gestão da Manutenção – aprenderemos conceitos e ferramen- tas para gerenciar as atividades de manutenção tendo como base o histórico de manutenção e aplicando ferramentas da qualidade. No capítulo 4 – Planejamento e Gerenciamento da Manutenção – vamos es- tudar como fazer as escolhas mais adequadas ao planejamento, e também como planejar e implantar os planos de manutenção. Apresentaremos meios de estimar e aperfeiçoar o uso dos recursos físicos, humanos e financeiros e veremos quais recursos computacionais podem nos auxiliar na tarefa de gerenciar os processos de manutenção da empresa. Siga em frente e desenvolva esse novo conjunto de capacidades! Bons estudos! 1 INTRODUÇÃO 15 Anotações: 2 Introdução à manutenção A manutenção sempre foi um dos setores mais importantes das empresas. Sem ele, as ati- vidades produtivas dependeriam da invulnerabilidade contra falhas de suas máquinas e equi- pamentos, ou seja, estes precisariam ser infalíveis. No entanto, sabemos muito bem que um sistema sem falhas não existe. De todo modo, quer por meio de empresas especializadas, quer pelo emprego de funcio- nários próprios, as empresas dependem dos processos de manutenção para atender às suas metas de produção. Então, vamos iniciar o estudo deste capítulo, que abordará: a) a evolução dos processos de manutenção; b) os conceitos ligados à manutenção e sua relação com o planejamento das atividades; c) os métodos e as técnicas aplicados à execução das atividades de manutenção. Após este estudo, esperamos que você tenha as informações necessárias para o planeja- mento e à gestão dos processos de manutenção nas empresas, tema que abordaremos no capítulo 3. Vamos começar? GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS18 2.1 EVOLUÇÃO DOS PROCESSOS DE MANUTENÇÃO Para facilitar a compreensão de como os processos de manutenção se modi- ficaram no decorrer dos anos, vamos ilustrar o histórico das atividades de manu- tenção com uma linha do tempo. Acompanhe! 1914 1930 1940 1950 1970 1980 1990 A manutenção era feita pelo próprio operador, sem critérios estabelecidos ou qualificação específica. O objetivo era somente fazer a máquina voltar a produzir. Aparece a manutenção preventiva, com o objetivo de impedir a ocorrência das falhas por meio de ações periódicas de manutenção. Nas empresas, passa a existir a figura do Supervisor de Manutenção. A engenharia de manutenção passa a analisar os dados históricos, consolidando sua atuação e ganhando destaque nas empresas por encontrar formas de minimizar os custos da manutenção. Com a queda no custo de computadores e programas, as análises de dados baseadas em softwares passam a fazer parte do dia a dia da maior parte das empresas. Surgem os primeiros sistemas especializados em manutenção. Surge a manutenção corretiva executada por pessoas dedicadas exclusivamente a sanar falhas e reparar avarias. Surge a engenharia de manutenção, que cria procedimentos e aplica técnicas de controle e de registro de dados históricos. A engenharia de manutenção passa a utilizar softwares para analisar dados e gerenciar atividades. Porém, devido ao alto custo dos programas, esses recursos só eram utilizados pelas grandes empresas. A gestão da manutenção passa a ser um processo mais voltado aos resultados da empresa do que ao processo produtivo. As ações visam à minimização dos custos das paradas de produção e preservação do valor patrimonial dos bens. Figura 2 - Linha do tempo das atividades de manutenção Fonte: SENAI-SP (2013) 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 19 Acompanhando essa linha do tempo, você pode perceber uma evolução na história da manutenção, uma vez que as empresas mudaram o foco, passando de ações que tinham o objetivo de recolocar a máquina em funcionamento opera- cional (1914) para a busca do equilíbrio (tático/estratégico) entre manter o valor dos bens e garantir o alcance das metas de produção (a partir de 1990). Você também deve ter percebido que a informática tornou-se uma grande aliada dos processos de gestão da manutenção, permitindo análises estatísticas dos dados e criando modelos matemáticos para a simulação das condições de funcionamento e previsão das falhas. Após conhecer um pouco da história, siga em frente para conhecer algumas definições ligadas aos processos de gestão da manutenção. 2.2 DEFINIÇÕES RELACIONADAS À GESTÃO DA MANUTENÇÃO Como na maioria das áreas, a manutenção tem vocabulário próprio, que preci- sa ser conhecido para não interpretarmos de maneira equivocada algumas dire- trizes que regem essa área de conhecimento. No livro Gerenciando a Manutenção Produtiva, Xenos (2004, p.17) afirma: Apesar da manutenção de equipamentos e instalações indus- triais já estar sendo praticada há anos em muitas empresas brasileiras e apesar de existirem vários cursos de treinamento e literatura sobre o assunto – abordando tanto os aspectos técni- cos quanto gerenciais da manutenção –, é surpreendente o fato de frequentemente encontrarmos pessoal de manutenção de vários níveis – diretores, gerentes, supervisores e técnicos – e di- ferentes empresas que não conhecem a essência das suas pró- prias atividades profissionais e acabam se atrapalhando com os termos relacionados com a manutenção de equipamentos. Quando cita “os termos relacionados com a manutenção de equipamentos”, o autor está se referindo à “capabilidade”, “confiabilidade”, “disponibilidade” e “manutenibilidade”, palavras não muito utilizadas em nosso dia a dia. Veremos a seguir o significado desses e de outros termos relacionados à manutenção. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS20 Análise de falhas Exame sistemático de um item que falhou, para identificar e analisar como ocorreu a falha, qual a causa e quais as consequências. Com base nessa análise, po- demos determinar as medidas que podem ser adotadas para impedir que a falha ocorra novamente e realizar os ajustes nas atividades e no plano de manutenção. Capabilidade Capacidade de um item atender a uma demanda de serviço com determina- das características quantitativas, com condições de trabalho preestabelecidas. É fato que quanto maior o tempo e a frequência de uso de um equipamento, maior também é o desgaste. Equipamentos que operam com alta demanda de trabalho tendem a apresentar um maior número de ocorrências de falha. Mas, ao mesmo tempo, não podem parar de operar. Por isso, tanto a qualidade do equipa- mento (especificada na aquisição) quanto as ações de gerenciamento da manu- tenção devem permitir ao equipamento operar com altas demandas de trabalho, e sem falhas que acarretem perda da qualidade do produto ou paradas de produção. Vamos a um exemplo prático: se adquirirmos uma impressora de uso domés- tico e a utilizarmos em um escritório, imprimindo alta quantidade de cópias por mês, ela apresentará, em um curto espaço de tempo, um alto número de paradas para manutenção, acarretando problemas às pessoas que dependam das cópias para executar suas atividades diárias. Figura 3 - Multifuncional para pequenas empresas Fonte: SENAI-SP (2013) A tabela a seguir contém dados de ciclo de trabalho mensal e volume men- sal recomendado (em páginas impressas) de acordo com o tipo da impressora. Esses dados foram extraídos do site de um fabricante de impressoras. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 21 Tabela 1 – Dados de uso para vários tipos de impressoras USO RECOMENDADO CICLO DE TRABALHO MENSAL VOLUME MENSAL RECOMENDADO (EM PÁGINAS) Doméstico De 1.000 a 3.000 De 150 a 600 Pequenas empresas De 75.000 a 120.000 De 2.000 a 10.000 Grandes empresas De 250.000 a 300.000 De 5.000 a 50.000 Fonte: HP. Impressoras. Disponível em: <http://www8.hp.com/br/pt/products/printers/gateway-index.html>. Acesso em: 11 ago. 2013. Embora as informações no site apresentem, em todos os casos, um ciclo detrabalho mensal superior ao valor citado, logo em seguida é apresentada a in- formação do volume mensal de páginas recomendado, com os dados expostos anteriormente. É de bom senso interpretar que o ciclo de trabalho mensal seria o valor máxi- mo estimado, porém o próprio fabricante recomenda um volume menor, de for- ma a estender a vida útil do produto. FIQUE ALERTA A escolha de um equipamento deve sempre levar em conta a intenção de uso. Ignorar esse objetivo pode facilmente conduzir a uma situação na qual o equipamento passará mais tempo em manutenção do que disponível para o uso! Confiabilidade Probabilidade de os sistemas operarem, sem falhas, durante um período pre- determinado. Teoricamente, quanto maior a confiabilidade, maior será a capabili- dade de um equipamento. Criticidade Avaliação qualitativa de quanto um determinado item é crítico ou influencia a operação de uma máquina ou um sistema. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS22 Retomando o exemplo das impressoras, há roletes de borracha que puxam a folha da bandeja para que a impressão possa acontecer. Se os roletes não estive- rem funcionando corretamente, pode haver desde queda na qualidade da im- pressão até uma parada total do funcionamento da impressora. Assim, os roletes são itens muito mais críticos para o funcionamento da impressora do que os LEDs ou o display, que sinalizam informações no painel. Por isso, devemos dar mais atenção à manutenção dos roletes do que à do painel. Veja a seguir um exemplo de quadro que quantifica o grau de criticidade dos itens. Quadro 1 – Grau de criticidade de manutenção CRITICIDADE IMPACTO NO PROCESSO PRODUTIVO 4 – Muito crítico Diminui significativamente ou impossibilita a produtividade. Não possui backup ou sistema de redundância. 3 – Crítico Reduz consideravelmente a produtividade. Não possui backup ou sistema de redundância. 2 – Normal Diminui a produtividade. Não possui backup ou sistema de redundância. 1 – Baixo Tem pouco impacto na produtividade, ou é um item que possui backup ou outro sistema de redundância. Fonte: Adaptado de Souza (2011). Defeito Alteração do funcionamento normal de um item sem comprometimento do processo operacional ou das características do produto gerado. Um exemplo clássico de defeito em máquina ou equipamento é o aumento do ruído, das vibrações ou da temperatura de funcionamento. No caso da ocorrência de defeitos, a produção não precisa parar imediatamen- te para manutenção, mas há uma grande chance de o defeito gerar uma falha – portanto a manutenção deve ser executada assim que possível. 1 BACKUP OU SISTEMA DE REDUNDÂNCIA Elemento ou sistema que supre a ação de um item nos processos da empresa, caso esse item venha a apresentar uma falha. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 23 Figura 4 - Manutenção em placa-mãe Fonte: 123RF (2013) Disponibilidade Tempo total ou percentual que um equipamento ou instalação ficou à dispo- sição para o desempenho de sua função nominal. É o tempo em que o equipa- mento funcionou em sua plenitude, desconsiderando os períodos em que ficou parado para manutenção ou por qualquer outro motivo. Esse fator nos permite avaliar quanto a nossa produtividade ainda pode au- mentar. O fato de o equipamento (ou máquina) estar disponível não implica que esteja produzindo. Cabe ressaltar que o aumento de produção deve levar em conta as mesmas considerações feitas no item capabilidade. Falha ou avaria Perda total ou parcial da capacidade funcional de um item, uma máquina, uma instalação ou um sistema. Nesse caso, consideramos que a perda da capacidade de produção não necessariamente implica na parada do equipamento. Porém, mesmo que a falha seja parcial, a produção será interrompida, porque os produtos gerados não atenderão às características especificadas. Portanto, para evitar a perda de re- cursos, devemos interromper a produção e iniciar a manutenção imediatamente. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS24 Item Elemento que é sujeito aos processos de manutenção, tais como ferramentas, máquinas, equipamentos e subconjuntos. Manutenibilidade Avaliação da probabilidade ou facilidade da realização dos procedimentos de manutenção em um determinado intervalo de tempo. Esse fator, na realidade, nos dará uma ideia de quão rápido poderemos reco- locar o equipamento em funcionamento normal após a ocorrência de um defeito ou uma falha. Manutenção Conjunto de medidas técnicas e administrativas, inclusive as de supervisão, com o objetivo de manter ou recolocar um item em funcionamento adequado. Manutenção é diferente de reparo. O reparo deve ser realizado para que a máquina ou o equipamento volte a funcionar corretamente, ou seja, após a fa- lha ocorrer. Na manutenção, o objetivo é manter o funcionamento normal, portanto sem a ocorrência de falhas. Prioridade É o grau de preferência ou necessidade de manutenção de um determinado item. Normalmente, o grau de prioridade é composto pelo produto dos fatores criticidade e urgência. P = C x U Na fórmula descrita, podemos entender os seus itens como P (Prioridade), C (Cri- ticidade) e U (Urgência). O quadro a seguir apresenta a classificação do grau de urgência da manutenção. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 25 Quadro 2 – Grau de urgência de manutenção GRAU DE URGÊNCIA AVALIAÇÃO DA NECESSIDADE DE REPARO 4 – Emergência O mais rápido possível, pois o problema pode comprometer a segu- rança dos colaboradores ou outras partes do próprio equipamento. 3 – Urgência Assim que possível, pois o problema está comprometendo a produti- vidade. 2 – Normal Pode aguardar a manutenção preventiva já planejada. 1 – Quando possível O reparo não afeta a produtividade do item. Considerando as combinações de valores, o grau de prioridade pode variar entre 1 e 16. Veja o quadro a seguir. Quadro 3 – Avaliação do grau de prioridade para manutenção GRAU DE PRIORIDADE AÇÃO DE MANUTENÇÃO De 1 a 4 Quando for possível (não prioritário). De 5 a 8 ou 10 Em até 5 dias após o pedido. 9, 11 ou 12 No máximo em 2 dias após o pedido. De 13 a 16 Imediata ou o mais rápido possível. Tempo Médio entre Falhas – TMEF (Mean Time Between Failures – MTBF) Média dos tempos entre as ocorrências de falha de um mesmo componente ou item reparável. Tempo Médio Para a Falha – TMPF (Mean Time For Failures – MTFF) Média dos tempos entre a entrada em funcionamento de um componente, uma máquina ou um equipamento e a ocorrência de uma falha não reparável. A diferença entre TMEF e TMPF é que, no primeiro, o componente ou equipa- mento é reparado e, no segundo, ele é descartado. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS26 Por exemplo, enquanto o Tempo Médio entre Falhas é aplicável às luminárias, o Tempo Médio Para a Falha é aplicável às lâmpadas. Figura 5 - Luminária e lâmpada Fonte: 123RF (2013) 2.3 TERCEIRIZAÇÃO Há empresas que terceirizam o processo de manutenção, contratando em- presas especializadas. Quando essa parceria é feita de forma adequada, ambas ganham. a) A empresa contratante ganha, pois os serviços de manutenção são extre- mamente especializados e garantem a continuidade da capacidade de pro- dução e a preservação do patrimônio. b) A empresa contratada ganha, já que garante mercado e lucros. A terceirização pode ser um problema quando não se estabelece uma parceria satisfatória, seja pela incapacidade da empresa contratada de atender às deman- das, seja pela ocorrência de interferências por parte da contratante. O caso relatado a seguir exemplifica uma situação em que a parceria de fato não ocorreu, acarretando sérios problemas à empresa que contratou os serviços de manutenção. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 27 CASOS E RELATOS Uma grande empresa do setor automotivo terceirizava os processos de ma- nutenção, visando à diminuição dos custos dessa atividade. No setor de engenharia havia excelentes funcionários, porém pouco preo- cupados com as necessidades desse processo, pois achavam que a manu- tenção era responsabilidadesomente da empresa terceirizada. Em certa ocasião, a montadora decidiu aproveitar o período de férias cole- tivas dos funcionários das linhas de montagem para realizar uma grande reforma na linha de pintura – pois se esta parasse em um dia normal de trabalho, o prejuízo seria muito grande. Ao planejar a reforma da linha de pintura, os engenheiros da empresa de manutenção terceirizada consultaram a engenharia de produção da mon- tadora para especificar corretamente componentes e dispositivos que se- riam utilizados, de modo a atender a todas as necessidades da contratante quanto ao uso e à disponibilidade. Para espanto de todos, assim que os primeiros testes foram feitos na linha re- formada, foi detectado um grande problema. Alguns dos dispositivos especi- ficados pela engenharia da montadora estavam sendo literalmente dissolvi- dos ao entrar em contato com as tintas e os vernizes utilizados no processo. Analisando o fato, as equipes de engenharia das duas empresas constata- ram que a especificação do material para esses dispositivos não levou em conta o fato de que eles estariam submetidos não só aos esforços físicos, aos quais atendiam bem, mas também aos elementos químicos que causa- ram essa “falha catastrófica”. Em resumo, quando especificamos qualquer componente para ser utilizado nos processos de manutenção, devemos garantir que eles atendam a todas as necessidades de uso, mesmo que não as achemos tão importantes assim. Agora que você já conhece alguns dos termos mais usados na área de manu- tenção, vamos estudar métodos e sistemas de manutenção mais utilizados. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS28 2.4 MÉTODOS DE MANUTENÇÃO Um método é uma maneira de dizer, fazer, ensinar uma coisa, segundo certos princípios e em determinada ordem. Portanto, um método de manutenção é o conjunto de procedimentos para a sua execução. Então, vamos abordar os três principais métodos utilizados na manutenção de equipamentos e máquinas das empresas, que são: a) manutenção corretiva; b) manutenção preventiva; c) manutenção preditiva. FIQUE ALERTA Na escolha da técnica ou do método de manutenção a ser utilizado, devem ser levados em conta, principal- mente, os seguintes fatores: custo total da manutenção; potencialização da disponibilidade do equipamento; e preservação do patrimônio da empresa. Figura 6 - Manutenção de uma PCI Fonte: 123RF (2013) 2.4.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA É a manutenção feita após a ocorrência da falha, com o objetivo de recolocar o equipamento novamente em condição de produção. No caso da figura a seguir, a manutenção corretiva será feita mediante a troca do pente de memória, uma vez que o custo para repará-lo certamente será maior do que o de um módulo novo. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 29 Figura 7 - Pente de memória quebrado Fonte: 123RF (2013) Também pode ser classificada como manutenção corretiva aquela que ocorre para corrigir uma queda no ritmo da produção, antes de sua parada total. A manutenção corretiva foi o primeiro método de manutenção e ainda pode ser uma opção nos dias atuais, desde que as condições sejam as seguintes: a) o equipamento é novo e, por isso, há um período em que não se espera a ocorrência de falhas ou defeitos; b) o tempo de parada para manutenção é pequeno; c) os custos totais da manutenção são menores do que o valor obtido com uma produção sem paradas; d) as consequências técnicas, econômicas e operacionais das falhas são pe- quenas. Aplicamos a manutenção corretiva em máquinas simples e robustas que apre- sentem uma elevada produtividade de peças e que não exijam alto grau de qua- lidade, por exemplo, as máquinas que produzem pregos. É muito importante que todos os fatores decorrentes das falhas sejam levados em conta na análise dos dados de manutenção. Se, por exemplo, a falha é de reparo rápi- do e fácil, mas gera impactos ambientais ou, mesmo que em longo prazo, provoque uma rápida deterioração da máquina ou do equipamento, o custo da manutenção no decorrer dos anos pode ser muito mais elevado do que supomos inicialmente. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS30 2.4.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA Vimos que a manutenção corretiva tem o objetivo de corrigir falhas e defeitos após a sua ocorrência, o que pode gerar sérios problemas e prejuízos, principal- mente por causa das paradas imprevistas da produção. A manutenção preventiva, por outro lado, é caracterizada pela prática de pequenas intervenções nas máquinas e nos equipamentos, em intervalos de tempo programados, com o objetivo de mantê-los em perfeito estado de funcio- namento, antes que defeitos ou falhas aconteçam. Assim, o processo de manu- tenção obedecerá a um cronograma. Figura 8 - Manutenção preventiva de um quadro elétrico Fonte: 123RF (2013) Com a manutenção preventiva, evitamos os possíveis prejuízos e inconvenien- tes das paradas não programadas e minimizamos os efeitos danosos, pois ajusta- mos ou substituímos componentes e dispositivos antes que ocorra uma falha de maior porte. Esse importante método de manutenção não tem a capacidade de garantir, em 100% dos casos, a eliminação de falhas e defeitos. Porém, sua vantagem está em minimizar os danos no caso de ocorrerem. Por outro lado, os custos, em certos casos, são maiores que os dos outros mé- todos, porque as atividades de manutenção ocorrerão conforme o previsto em um cronograma, independentemente das condições de máquinas e equipamen- tos. Por isso, as atividades de manutenção preventiva devem ser planejadas com muito critério, seguindo as indicações de periodicidade dadas pelos fabricantes dos equipamentos e das máquinas e baseadas em estudo estatístico das falhas. 2 IMINENTE Algo que está prestes a acontecer. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 31 Esse planejamento deve também levar em conta se a extensão dos danos pode ser maior no caso da manutenção corretiva. Por exemplo, se uma das engre- nagens de uma máquina apresenta uma falha, e isso pode causar danos a várias outras partes mecânicas que se conectam ou estão próximas a ela, prevenir seria a melhor opção. Na área da eletroeletrônica, se um componente apresentar uma falha, pode causar a queima de vários outros interligados a ele. Portanto, os critérios para op- tarmos pela manutenção preventiva podem ser: a) quando o custo da manutenção preventiva for inferior ao da corretiva; b) quando a soma dos tempos das paradas para manutenção preventiva for inferior à das corretivas no mesmo intervalo de tempo. 2.4.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA A palavra “preditiva” está relacionada à previsão, ou ao ato de prever a ocor- rência de algo, neste caso, o tempo de vida útil dos componentes e as condições de funcionamento que permitem às máquinas e aos equipamentos trabalhar de forma mais eficiente. A manutenção preventiva ocorre mediante um planejamento das atividades de manutenção, e a manutenção preditiva terá um cronograma de inspeções que buscarão identificar o estado geral dos componentes, da máquina ou do equipa- mento, avaliando se esse estado é aceitável. Na manutenção preditiva, o serviço de reparo só será executado se o desgaste do elemento em análise estiver além do tolerável, indicando uma condição de falha ou defeito iminente. A avaliação da necessidade ou não de reparo ocorrerá durante os momentos de inspeção, baseada nas condições de funcionamento do equipamento durante sua operação. Porém, mesmo em situações cotidianas, todo equipamento poderá demons- trar sinais de que haja um problema iminente. Perda de desempenho, aumento de ruídos e vibrações, aquecimento excessivo ou cheiros estranhos são indicadores de que um problema está prestes a ocorrer. Outros parâmetros também podem ser indício de problema, como desarme de dispositivos de proteção e variações no parâmetro de funcionamento (por exemplo, tensão e corrente), dependendo do tipo e modelo do equipamento. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS32 Para saber quais parâmetros devem ser considerados naanálise, uma boa re- ferência é o manual da máquina ou do equipamento. Nele, o próprio fabricante informa sobre elementos que devem ser monitorados por serem indicativos de possíveis problemas. Pelo fato de a manutenção preditiva ser uma evolução da preventiva, os crité- rios para sua adoção são os mesmos da preventiva, buscado a otimização do uso dos recursos e dos resultados obtidos. 0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Va lo re s em re ai s Custo da manutenção Lucro com a produção Figura 9 - Custos de manutenção x lucro Fonte: SENAI-SP (2013) Na verdade, não há uma regra a ser seguida para determinar a técnica de ma- nutenção mais indicada. A melhor saída seria aplicar uma combinação das três técnicas às partes que compõem uma máquina ou um equipamento, mas isso é difícil de gerenciar. A decisão de qual técnica será aplicada a cada parte de um item deverá, por- tanto, ter como base a análise dos dados históricos de manutenção, de modo a obtermos os maiores níveis de disponibilidade para produção, com o menor gas- to possível, exceto nos casos em que a política interna da empresa oriente de forma diferente. Agora que já vimos os métodos de manutenção, vamos apresentar os sistemas relacionados a essa atividade. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 33 2.5 SISTEMAS DE MANUTENÇÃO Da mesma forma que os métodos, os sistemas são a reunião de princípios ou ações coordenados com o objetivo de gerenciar uma atividade. Dessa forma, um sistema de manutenção é o conjunto de ações com o objetivo de executar e ge- renciar o processo de manutenção. Assim, os sistemas de manutenção podem ser definidos como os procedi- mentos de trabalho para aplicação dos métodos de manutenção, pois fazem uso destes, embora não se limitem a eles, pois tais sistemas utilizam também outros recursos, como a estatística e a análise e modelamento de dados. O sistema de manutenção busca os resultados que devem ser alcançados (por exemplo, a maior produtividade ou confiabilidade) e aplica métodos para obtê-los. Os principais sistemas de manutenção adotados pelas empresas são: a) Manutenção Produtiva Total (MPT); b) Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC); c) Manutenção Baseada na Confiabilidade (MBC). 2.5.1 MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL (MPT) Também conhecida por Total Productive Maintenance (TPM), é um sistema de organização do trabalho no qual parte das atividades de manutenção – como limpeza, lubrificação, ajustes, trocas das ferramentas, reparos de pequeno porte e inspeção visual – é realizada pelo próprio operador da máquina ou do equipa- mento. Somente as atividades de manutenção de maior porte, como revisões e reparos mais significativos, são realizados pela equipe de manutenção. Para adotar esse sistema, os operadores precisam ser capacitados para efetuar determinadas manutenções durante uma situação normal de produção, uma vez que esse serviço não está ligado diretamente à operação da máquina. 2.5.2 MANUTENÇÃO CENTRADA NA CONFIABILIDADE (MCC) Nesse sistema, também conhecido por Reliability Centered Maintenance (RCM), as empresas buscam identificar sistematicamente as atividades de manutenção preventiva necessárias, para garantir o maior índice de confiabilidade (reveja a definição no item 2.2 deste capítulo) e de segurança com o menor custo. Para isso, são analisados dados estatísticos de manutenção dos componentes e sistemas elétricos e mecânicos, para planejar as atividades de manutenção. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS34 Figura 10 - Boeing 747 Fonte: 123RF (2013) 2.5.3 MANUTENÇÃO BASEADA NA CONFIABILIDADE (MBC) O sistema de manutenção baseada na confiabilidade ou Reliability Based Main- tenance (RBM) tem como objeto garantir o desempenho máximo de máquinas, equipamentos e sistemas com relação à disponibilidade física, à confiabilidade, à segurança, à vida útil e ao custo, para garantir a produção de acordo com prazo, custo e padrões de qualidade exigidos pelo cliente. Isso só é possível com a otimi- zação das ações de manutenção e o planejamento cada vez mais eficaz de ações de operação e manutenção. As características exclusivas da metodologia MBC são: a) preservar a função dos sistemas (confiabilidade); b) identificar as falhas funcionais e os modos de falhas dominantes; VOCÊ SABIA? A Manutenção Centrada na Confiabilidade (MCC) teve início na indústria aeronáutica, após a criação do Boeing 747, que foi um marco em automação e em número de passageiros transportados (três vezes maior do que a ae- ronave antecessora). O modelo de certificação dos méto- dos definido pela Federal Aviation Administration (FAA), na época, mostrou-se incapaz de reduzir a probabilidade de ocorrência de uma falha significativa. Portanto, foi preciso criar esse novo sistema de manutenção. 3 FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION (FAA) Administração Federal de Aviação, em português. É o organismo regulador das questões ligadas à aeronáutica nos Estados Unidos. 2 INTRODUÇÃO À MANUTENÇÃO 35 identificar os tipos de atividades de manutenção potencialmente adequados por meio de um diagrama de decisão e a seleção de tarefas aplicáveis e eficazes. Os principais benefícios da metodologia MBC são o fornecimento de informações precisas para elaboração do plano de manutenção, a redução dos custos da ma- nutenção preventiva, o aumento da disponibilidade da instalação e a criação de uma base sistemática para os processos de melhoria contínua. FIQUE ALERTA Os registros dos processos de manutenção devem ser consistentes e precisos para subsidiar análises e tomadas de decisão na gestão da manutenção. As técnicas e as me- todologias de organização são fortemente baseadas no histórico de manutenção das máquinas e dos equipamen- tos da empresa, portanto no registro dessas atividades. Iremos explorar um pouco mais os métodos e sistemas de manutenção no próximo capítulo. RECAPITULANDO Neste capítulo, vimos quais são os principais termos, técnicas e metodolo- gias ligados aos processos de gestão da manutenção. Eles são importantes subsídios para os capítulos seguintes deste livro, que tratam efetivamente do planejamento dos processos de gestão da manutenção de uma empresa. Continue se empenhando para tornar-se um excelente técnico em eletroe- letrônica, tanto nos aspectos técnicos quanto nos aspectos de gestão, pois, como você já pode imaginar, a gestão da manutenção é um processo muito importante e de alto valor nas empresas. SAIBA MAIS Se você deseja saber mais sobre as metodologias de organi- zação da manutenção, consulte o site da Associação Brasilei- ra de Manutenção e Gestão de Ativos (Abramam) no endere- ço <http://www.abraman.org.br/>. 3 Gestão da manutenção No capítulo anterior, vimos os principais termos e defi nições da área de manutenção. Neste capítulo, vamos conhecer os critérios para gestão da manutenção e alguns exemplos de ferramentas da qualidade aplicáveis a esse processo. A escolha de todos os elementos do planejamento – desde quais as variáveis serão mo- nitoradas e como identifi camos máquinas, equipamentos e subconjuntos sob o controle da gestão da manutenção até a defi nição de técnicas e sistemas de gestão a serem empregados e os indicadores de desempenho da manutenção – é muito importante, pois esses elementos terão impacto direto sobre os resultados dos processos de manutenção e, consequentemente, na produtividade da empresa. Acompanhe com muita atenção os tópicos deste capítulo. A aplicação correta dos conceitos contribui muito ao alcance dos resultados tanto de produção quanto fi nanceiros de uma empresa. Vamos lá então? GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS38 3.1 ANÁLISE DE FALHAS NA MANUTENÇÃO Como já mencionamos no capítulo anterior, as falhas podem ser entendidas como a perda da capacidade funcional de um item, uma máquina, uma ins- talação ou um sistema. Essa perda não necessariamente implica a parada do equipamento. Basta quea produção não atenda às características especifica- das para que consideremos a ocorrência da falha. Já a análise de falhas na manutenção é um exame sistemático de um item que falhou, para identificar o que e como ocorreu, qual foi a causa e quais são as consequências. Com base nessa análise, determinaremos quais as medidas a serem adotadas para impedir que a falha ocorra novamente e realizaremos os ajustes nas ativida- des e no plano de manutenção. As sistemáticas e os parâmetros que regem os processos de manutenção na empresa inicialmente são definidos pelas indicações dos fabricantes e fornecedo- res, mas, com o passar do tempo, devem ser ajustados levando-se em considera- ção o estudo do histórico de manutenção. Esse estudo só pode ser feito se houver registro de dados pertinentes e precisos sobre as falhas ocorridas e os tratamen- tos aplicados. Por isso, os registros são fundamentais para a gestão dos processos de manutenção de uma empresa, como você constatará em quase todos os itens que apresentaremos a seguir. 3.2 CAUSAS, PREVENÇÃO E TRATAMENTOS DE FALHAS Os processos de manutenção são divididos em etapas, entre as quais podemos ter: a) recebimento do equipamento ou da requisição de manutenção; b) abertura ou desmontagem parcial do equipamento; c) diagnóstico da falha (que pode incluir entrevista com o usuário); d) avaliação das causas prováveis da falha; e) registro das informações referentes às falhas e seu diagnóstico; f ) avaliação de viabilidade da manutenção; g) emissão de um orçamento; h) requisição de componentes, equipamentos (incluindo os de proteção), má- quinas e ferramentas para execução da manutenção; i) intervenções de manutenção; j) atividades de teste e validação da manutenção; 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 39 k) registro das informações de intervenções, testes e da validação da manu- tenção; l) encerramento da requisição de manutenção ou orçamento. Nessas etapas, há itens de atuação essencialmente técnica (destacados em azul) e outros que correspondem a procedimentos de gestão (destacados em ver- melho). Enfatizamos anteriormente a importância dos registros de manutenção. Saiba, porém, que eles não se resumem ao registro de falhas e defeitos apresen- tados e das ações executadas. Para uma boa gestão dos processos de manutenção, precisamos também sa- ber quais as causas das falhas e dos defeitos, pois causas diferentes podem ge- rar uma mesma falha. Devemos também entender como proceder para prevenir, ou pelo menos minimizar, a ocorrência dessas ou de outras falhas que possam ter as mesmas causas, ou seja, precisamos ter uma ação preventiva. No âmbito da gestão da manutenção, as ações devem ser no sentido de pre- servar o patrimônio da empresa e aumentar a disponibilidade de máquinas e equipamentos. Isso significa que os processos de gestão da manutenção estão intimamente ligados aos de gestão da qualidade, pois, se as metodologias de trabalho forem adequadas e as máquinas e os equipamentos estiverem em perfeito estado, te- remos uma grande chance de gerar produtos em conformidade com o previs- to. Porém, se as metodologias de trabalho não forem seguidas ou não estiverem adequadas, poderemos ter a ocorrência de produtos não conformes. O mesmo se aplica no caso de máquinas e equipamentos que não estão em perfeito estado, caracterizando então um defeito ou uma falha. Mantendo o histórico de tratamento de falhas e defeitos, evitaremos que ações já implementadas se percam, pois, se os resultados foram positivos, poderemos retomá-las e aperfeiçoá-las. Teremos como avaliar a pertinência ou não de repeti- -las no futuro. Dessa forma, será possível otimizarmos os resultados dos processos de manutenção. Por hora, fica a recomendação de que nenhuma ação pode deixar de ser ava- liada e registrada. Mais adiante, no item sobre planejamento das ações de ma- nutenção, retomaremos e aprofundaremos um pouco mais esse assunto. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS40 3.3 MODELOS DE FALHAS Quando implantamos uma máquina ou um equipamento na empresa, há um comportamento muito característico observado na maioria dos históricos de ma- nutenção. Nas semanas que se seguem à implantação, ocorrem falhas e defeitos próprios da adaptação, tanto da máquina aos processos quanto da equipe de ma- nutenção à máquina ou ao equipamento. Algumas vezes, essas falhas também ocorrem após grandes intervenções e são causadas por componentes que já estavam prestes a apresentar uma falha, os quais são submetidos a esforços decorrentes da troca de componentes ligados ou próximos a eles. Por exemplo, quando trocamos um motor, as correias ligadas a ele podem ser submetidas a tensões e esforços maiores, devido à maior taxa de aceleração do motor novo. Essa etapa é conhecida como fase de falhas prematuras. À medida que o tempo passa, a taxa de falhas passa a ser aproximadamente constante. Essa etapa é conhecida como período de vida útil, ou período de falhas casuais. A terceira fase da vida da máquina ou do equipamento é chamada de região de falha por desgastes ou região de fim da vida útil. Observe a seguir um gráfico que ilustra o comportamento descrito no histó- rico de taxa de falhas durante a vida de uma máquina ou um equipamento. Esse gráfico é conhecido como curva da banheira, por ser semelhante ao contorno de uma banheira em corte transversal. Falhas prematuras Desgaste Vida útil Tempo Fa lh as Figura 11 - Curva da banheira indica taxa de falhas de uma máquina ou um equipamento Fonte: SENAI-SP (2013) 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 41 FIQUE ALERTA Mesmo os equipamentos novos podem apresentar fa- lhas e necessitar de adaptações para as exigências de- mandadas pela produção da empresa! Sempre que possível, busque oportunidades de melho- ria tanto para o uso quanto para as rotinas de manuten- ção dos equipamentos. Observando o gráfico anterior, podemos estimar: a) qual o período de maior confiabilidade para o item mantido (vida útil); b) a partir de qual data a confiabilidade se estabelece (fim das falhas prema- turas); c) a partir de qual data devemos considerar a troca ou reforma do equipa- mento (desgaste). Esse modelo reforça a importância das atividades de coleta e documentação dos dados, desprezadas em algumas empresas. Atualmente, todas as ações programadas de manutenção, independentemen- te das técnicas ou metodologias, são baseadas na análise dos dados coletados e no histórico de funcionamento das máquinas e dos equipamentos. Vamos então ver como compor esse histórico e alguns exemplos de planeja- mento de ações fundamentadas na análise desses dados históricos. 3.4 DADOS DO HISTÓRICO DE MANUTENÇÃO Desde o início deste estudo, temos destacado a importância dos dados do histórico para a gestão dos processos de manutenção. Mas você pode estar se perguntando: que dados devemos coletar? Antes de estabelecer um padrão de coleta de dados, o mais importante é en- tender para que eles serão usados. Pois bem. Se, por manutenção, devemos entender o conjunto de ações neces- sárias para manter uma máquina, um equipamento ou um sistema em prefeito estado de funcionamento, segundo padrões de desempenho esperados, então os dados do histórico devem identificar, individualmente: a) quando e quais são os itens que apresentaram falhas ou defeitos; b) quais falhas ou defeitos foram apresentados; c) quais ações de manutenção foram desenvolvidas. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS42 Outro ponto de destaque é que a maioria dos indicadores de desempenho da manutenção, atualmente, dá grande importância aos custos do processo. Nesse sentido, os registros de dados devem demonstrar tanto a modalidade de manuten- ção realizada (elétrica, mecânica, predial, de informática) quanto os custos e tempos envolvidos nesses processos. Desse modo, aumenta a importância do uso de siste- mas informatizados para gestão da manutenção, tanto com relação aos cálculos de tempos e custos quanto na estratificação e análise dosdados – uma vez que não basta ter os registros, mas é preciso analisá-los de várias formas e criar um histórico que nos permita programar e ajustar todas as ações de manutenção da empresa. Esses dados devem, portanto, ser agrupados de várias formas e estar acessíveis para que os gestores desse processo possam analisá-los e tomar as decisões mais assertivas do ponto de vista técnico e econômico. Ao registrarmos os dados, precisamos ter como identificar máquinas e equi- pamentos, para tanto, usamos o número de patrimônio. Essa forma de identifica- ção é muito eficiente quando os equipamentos são mais simples ou o número de itens sobre gestão da manutenção não é excessivamente grande. Mas imagine uma grande empresa, com milhares de itens cadastrados no sistema de gestão da manutenção. Nesse caso, seria mais eficiente identificar os itens pela função. Veja o exemplo do quadro a seguir. Quadro 4 – Códigos de identificação dos equipamentos CÓDIGO DE IDENTIFICAÇÃO EQUIPAMENTO INV Inversor de frequência SST Soft starter RAD Radiador AQB Aquecedor do tipo boiler AQP Aquecedor de passagem Podemos ainda ter vários modelos de inversores, por exemplo, INV 001, INV 002, e assim por diante. Temos também o número de ordem do equipamento, tudo isso associado ao número de patrimônio. Dessa forma, o número de identificação do equipamento no sistema de manutenção é constituído do código da função, do tipo e do número de ordem do equipamento, como exemplificamos a seguir. INV 001-052 → Inversor de frequência (INV), trifásico de 10 CV (001), número de ordem 52 (052) 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 43 Nas empresas de grande porte, é comum termos conjuntos inteiros em es- toque para troca rápida, facilitando o processo de manutenção e viabilizando a rápida retomada de funcionamento do processo. Esses conjuntos poderão ser in- corporados a qualquer máquina com as quais sejam compatíveis. Por isso, preci- saremos da identificação da posição do item na planta da empresa. Além dos con- juntos, a empresa pode ter máquinas e equipamentos disponíveis para reposição. Assim, devemos criar categorias de itens para identificação (como “máquinas”, “equipamentos” e “conjuntos”) e gerar dois mapas: um macro, com a disposição de máquinas e equipamentos; e outro mais detalhado, indicando os conjuntos que compõem as máquinas e os equipamentos. Para ilustrar como é feita a localização dos conjuntos, vamos a um exemplo. Suponha que um conjunto do item radiador seja compatível com duas má- quinas diferentes existentes na empresa. Se houver uma peça de reposição no almoxarifado, poderemos identificar esse item da seguinte forma. Quadro 5 – Distribuição dos subconjuntos na empresa antes da manutenção ITEM POSIÇÃO NO PROCESSO STATUS OPERACIONAL RD 001 – 01 Linha A – Posição 5 Funcionando RD 001 – 02 Linha A – Posição 3 Funcionando RD 001 – 03 Almoxarifado Aguardando Caso seja necessária a manutenção, por exemplo, do radiador 02 do quadro anterior, teremos: Quadro 6 – Distribuição dos subconjuntos na empresa durante a manutenção ITEM POSIÇÃO NO PROCESSO STATUS OPERACIONAL RD 001 – 01 Linha A – Posição 5 Funcionando RD 001 – 02 Oficina de manutenção Em manutenção RD 001 – 03 Linha A – Posição 3 Funcionando Após a manutenção do radiador 02, o quadro ficará assim: Quadro 7 – Distribuição dos subconjuntos na empresa depois da manutenção ITEM POSIÇÃO NO PROCESSO STATUS OPERACIONAL RD 001 – 01 Linha A – Posição 5 Funcionando RD 001 – 02 Almoxarifado Aguardando RD 001 – 03 Linha A – Posição 3 Funcionando Dessa maneira, podemos localizar os radiadores para reposição e facilitar o controle patrimonial. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS44 Pode parecer complicado, mas imagine como seria feita a rastreabilidade dos conjuntos substituídos se a identificação fosse feita somente pelo número de pa- trimônio da máquina ou do equipamento? Provavelmente o vínculo se perderia! Aí você pode dizer: isso não ocorreria se não houvesse itens de backup! Mas a consequência disso seria a parada da máquina até que o item fosse consertado. Pense em quanto tempo se passaria até consertarmos os enrolamentos queima- dos de um motor. Muito, não é? Daí a importância dos itens de backup! Mas como definir o número e a quantidade de itens desse tipo? A resposta é: depende do histórico do número de falhas, dos custos da manutenção do bac- kup e da possibilidade ou não de interrupção da produção. Vamos deixar esses detalhes para o tópico 4.2.2, que trata da gestão de materiais, equipamentos e ferramentas. 3.5 FERRAMENTAS DA QUALIDADE APLICÁVEIS AOS PROCESSOS DE MANUTENÇÃO Várias são as ferramentas da qualidade que podem ser aplicadas ao estudo da gestão da manutenção. Algumas delas você já estudou na unidade curricular Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança no Trabalho, tais como o Histogra- ma, a Lista de Verificação e os Diagramas de Ishikawa e Pareto. Porém, há outras ferramentas que podem ser exploradas. A seguir, apresenta- remos três delas: 5W1H, Programa 5S e Método de Análise e Solução de Proble- mas (MASP). 3.5.1 5W1H Essa ferramenta é utilizada principalmente na criação de planos de ação para solucionar situações indesejadas detectadas. Os cinco W do nome correspondem às palavras inglesas Who, What, Where, When e Why, que podem ser traduzidas por Quem, O quê, Onde, Quando e Por quê. Já o H vem de How, ou seja, Como. Há algumas perguntas clássicas que normalmente são feitas na utilização des- sa ferramenta. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 45 Quadro 8 – Quadro de perguntas para aplicação da ferramenta 5W1H ITEM DA 5W1H QUANDO O PROBLEMA APARECE, DEVEMOS PERGUNTAR: QUANDO BUSCAMOS A SOLUÇÃO, DEVEMOS PERGUNTAR: Quem... (Who) • ...estava presente? • ...foi envolvido? • ...foi responsável por aquilo? • ...foi afetado? • ...poderia nos ajudar? • ...são os especialistas? • ...precisa saber? • ...deve ser informado? O que... (What) • ...aconteceu? • ...pode ter causado isso? • ...estamos tentando obter? • ...pode ser feito? • ...os outros estão fazendo? • ...foi afetado? • ...precisamos para resolver o problema? • ...devemos comunicar? Onde... (Where) • ...aconteceu? • ...mais isso acontece? • ...estavam as pessoas nessa hora? • ...deve ser informado o fato? • ...devemos buscar os recursos para solução do problema? Quando... (When) • ...aconteceu pela primeira vez? • ...aconteceu pela última vez? • ...vamos começar a resolver o problema? • ...vamos terminar de resolver o proble- ma? • ...devemos informar o fato? Por que... (Why) • ...isso aconteceu? • ...isso não pode se repetir? • ...isso deve ser feito? • ...nossas suposições são válidas? • ...não experimentamos fazer assim? Como... (How) • ...isso aconteceu? • ...você descobriu isso? • ...podemos fazer isso? • ...devemos informar isso? A seguir, apresentamos um exemplo de plano de ação com base nessa ferramenta. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS46 Quadro 9 – Exemplo de plano de ação com base na ferramenta 5W1H META: DEFINIR A TÉCNICA DE MANUTENÇÃO A SER EMPREGADA NA CÉLULA DE PRODUÇÃO XJ 113. RESPONSÁVEL: CARTIER PLANO DE AÇÃO (WHAT) (WHY) (WHO) (HOW) (WHERE) (WHEN) STATUS DA AÇÃO OBSERVA- ÇÕESO que fazer? Ação Por que fazer? Resultados preten- didos Quem fará? Responsá- vel Como será feito? Método Onde será feito? Local e forma Quando será feito? Data Verificar o histórico de manutenção da célula. Obter dados históri- cos para subsidiar as ações seguintes. Cartier Selecionar as OMs referentes à célula coletando os dados de manutenção. Na sala de arquivo da empresa. A partir da próxima semana. Concluído em 15/02. Esta ação deve ser concluída em três sema- nas. Entrevistar os operado- res. Obter dados que validem o histórico e determinem a auto- nomia e capacidade de ação dos opera- dores. Cartier e Zelionofre Interagindo com os operadores e aplican- do um questionário- -padrão. Na célula de produção, durante os períodos em quehouver operadores trabalhando. No próxi- mo mês. Concluído em 15/03. Esta tarefa deve ser con- cluída em três dias. Analisar os dados cole- tados. Analisar dados para definir ações futuras de manutenção. Cartier e Zelionofre Aplicando as téc- nicas de análise de dados: Diagrama de Pareto, Diagrama de Ishikawa, Histogra- ma e Diagrama de Correlação. Na sala da engenharia de produção. Após a conclusão da tarefa anterior. Iniciada em 18/03. Esta tarefa deve ser con- cluída em duas semanas. Propor as necessidades de recursos e capacita- ções. Indicar os custos das ações e dos métodos propostos e as necessidades de treinamento para os operadores. Cartier Interagindo com as chefias imediatas e os setores Financeiro e de Recursos Huma- nos. Na sala da engenharia de produção. Após a conclusão da tarefa anterior. Aguar- dando definição das ações. Esta tarefa deve ser con- cluída em uma semana. Implementar as mudanças de processo. Resolver a questão dos custos da manu- tenção. Cartier e Zelionofre Interagindo com as chefias imediatas e os setores Financeiro e de Recursos Huma- nos. Na linha de produção e em empresas contratadas para o treina- mento. Após a conclusão da tarefa anterior. Aguar- dando definição das ações. Esta tarefa deve ser con- cluída em uma semana. Avaliar as mudanças de processo e propor melhorias. Avaliar a eficácia das ações. Cartier e Zelionofre Aplicando indicado- res de desempenho de processo e cole- tando dados. Na linha e no setor de en- genharia de produção. Após a conclusão da tarefa anterior. Aguar- dando definição das ações e dos indi- cadores. Esta tarefa deve ser concluída em cinco semanas. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 47 3.5.2 PROGRAMA 5S O Programa 5S é um conjunto de ações que visam a melhorar as condições no ambiente de trabalho, tornando-o mais adequado tanto para o desempenho das tarefas quanto para a convivência das pessoas. O termo “5S” vem de cinco palavras da língua japonesa (Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu e Shitsuke) e foram traduzidos no Brasil como os cinco sensos (senso de utilização, senso de ordenação, senso de limpeza, senso de saúde e senso de au- todisciplina). O objetivo é organizar os ambientes de trabalho para obter o máximo de de- sempenho com a melhor condição possível. Aplicando esses conceitos, podemos obter os benefícios expostos no quadro a seguir. Quadro 10 – Princípios e benefícios do Programa 5S SENSO E SUA ORIGEM PRINCÍPIO BÁSICO BENEFÍCIOS QUE PODEM SER OBTIDOS Senso de utilização (Seiri) Só devem estar presentes no posto de trabalho os elementos que são utili- zados com frequência. Otimização do uso dos espaços. Otimização do uso dos recursos. Redução no tempo de execução das tarefas. Diminuição dos riscos de acidentes. Senso de ordenação (Seiton) Cada item deve ter um lugar próprio para ser colocado, de fácil acesso e visualização. Facilidade na localização de ferramentas e informa- ções. Redução no tempo de execução das tarefas. Melhoria nos tempos de resposta em casos de emergência. Senso de limpeza (Seisou) Qualquer sujeira, vazamento e fonte de contaminação devem ser limpos e suas causas, eliminadas. Aumento do bem-estar geral no local de trabalho. Otimização do controle sobre o estado de conser- vação de máquinas, equipamentos, ferramentas e postos de trabalho. VOCÊ SABIA? Atualmente consideramos um segundo H (How Much, em inglês, ou Quanto Custa, em português) nessa ferra- menta, inserindo, desse modo, a questão financeira na análise e no planejamento da manutenção. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS48 SENSO E SUA ORIGEM PRINCÍPIO BÁSICO BENEFÍCIOS QUE PODEM SER OBTIDOS Senso de saúde (Seiketsu) As condições do ambien- te de trabalho devem contribuir para a saúde fí- sica e mental das pessoas que o frequentam. Aumento da adequação geral do local de trabalho. Aumento da satisfação geral dos trabalhadores. Diminuição das faltas e licenças de trabalho causa- das por doenças. Senso de au- todisciplina (Shitsuke) Cada funcionário sabe de suas responsabilidades e coloca em prática todos os princípios descritos acima. Desenvolvimento profissional e pessoal constante dos funcionários. Constância na obtenção dos resultados. Implementação e manutenção dos procedimentos operacionais. Aplicando esses conceitos à manutenção, podemos tomar as seguintes provi- dências: a) manter máquinas, equipamentos, ferramentas e instrumentos limpos e or- ganizados; b) manter integridade da infraestrutura do local de trabalho, minimizando ou eliminando sujeira, umidade e acúmulo de material desnecessário; c) cumprir procedimentos de trabalho e recomendações de segurança na rea- lização de todas as tarefas; d) descartar resíduos dos processos de manutenção nos locais adequados, separando-os por tipo e destinação; e) observar as próprias condições de saúde e as de seus colegas, informando aos superiores qualquer problema que possa comprometer a saúde ou se- gurança do grupo. 3.5.3 MÉTODO DE ANÁLISE E SOLUÇÃO DE PROBLEMAS (MASP) Se entendermos problema como um resultado indesejável de uma ação, seu tratamento e sua solução envolverão a identificação das características e causas desse problema e a implantação de ações que eliminem essas causas e tratem seus efeitos. Uma das metodologias mais utilizadas com essa finalidade é o Método de Aná- lise e Solução de Problemas, ou simplesmente MASP. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 49 A identificação de características e causas só é aplicável a problemas que já possuam um histórico. O MASP se utiliza de outras ferramentas, como Histograma, Listas de Verifica- ção, Diagramas de Pareto e Ishikawa e Brainstorm, para análise dos dados, levan- tamento das causas e proposta das soluções. Há duas formas de MASP mais conhecidas: uma delas, proposta por Joseph Moses Juran, apresenta quatro fases; a outra, proposta por Histoshi Kume e ba- seada no histórico de melhoria contínua (QC Story), apresenta oito fases. O ponto em comum entre as duas formas é que elas são baseadas no ciclo PDCA (que você já estudou em Gestão da Instalação de Sistemas Eletroeletrôni- cos), pois ações serão propostas e analisadas, dados serão gerados e melhorias deverão ser implementadas até que os problemas sejam resolvidos. Veja em seguida um quadro com as quatro fases da proposta de Juran e que indica a relação entre estas e o ciclo PDCA. Quadro 11 – Relação entre PDCA e MASP segundo a metodologia de Juran P 1 – Problema: definir e sistematizar os problemas. 2 – Causas: diagnosticar as causas. D 3 – Implantação: resolver os problemas. C 4 – Conclusão: reter os benefícios do trabalho. A Fonte: Fonte: Adaptado de Falconi (1992). VOCÊ SABIA? Joseph Moses Juran foi um consultor de negócios famo- so pelo trabalho com qualidade e gestão da qualidade. Junto com William Edwards Deming, é considerado o responsável pelo desenvolvimento das indústrias japo- nesas após a II Guerra Mundial e o precursor dos siste- mas de gestão da qualidade. Histoshi Kume sistemati- zou o método QC Story, que, no Brasil, ficou conhecido como MASP. SAIBA MAIS Se você deseja aprofundar seus conhecimentos sobre qua- lidade, PDCA e MASP, acesse o site <http://www.qualiblog. com.br/e-book-gratis-produzindo-montando-sua-qualida- de/> e faça o download do e-book Produzindo e Montando sua Qualidade, escrito pelo Engenheiro Márcio José de Campos Hosken. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS50 Veja agora quais são os objetivos de cada uma das quatro fases da proposta de Juran. Fase 1 Fase 2 Fase 3 Fase 4 Problema: obter uma visão clara do problema, suas características, sua definição e metas a serem alcançadas. Causas: analisar as causas do problema e propor o plano de ação para eliminá-las. Implantação: implementar e avaliar a eficácia das ações planejadas. Conclusão: analisar os resultados obtidos. Figura 12 - Objetivos das fases segundoa metodologia de Juran Fonte: SENAI-SP (2013) Por sua vez, cada uma das fases pode ser dividida em etapas conforme o qua- dro a seguir. Quadro 12 – Relação das fases e tarefas do MASP segundo a metodologia de Juran FASE ETAPA TAREFAS 1 - Problema 1ª Identificar os problemas. 2ª Investigar sistemicamente quais são suas características. 3ª Pesquisar a abrangência de cada um em cada área da empresa. 4ª Definir os impactos causados por cada problema. 5ª Organizar um grupo de trabalho para solucionar os problemas. 6ª Estabelecer um plano de trabalho para estudar o problema. 7ª Definir as metas e responsabilidades de cada elemento. 8ª Determinar quais os dados a serem coletados para o estudo das causas. 9ª Criar uma sistemática de coleta de dados para estudo das causas. 2 - Causas 10ª Determinar as causas fundamentais dos problemas. 11ª Entre as causas, verificar quais são causas-raiz. 12ª Criar um plano de ação definindo as responsabilidades e os prazos. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 51 FASE ETAPA TAREFAS 3 - Implantação 13ª Implementar as ações planejadas. 14ª Verificar a eficácia das ações. 15ª Implantar, quando necessário, mudanças para prevenir a reinci- dência. 16ª Implantar um sistema de controle para prevenir a reincidência. 4 - Conclusão 17ª Estudar a implantação das ações buscando possíveis melhorias. 18ª Sistematizar o aprendizado, visando à sua aplicação em novos casos. Fonte: Adaptado de Falconi (1992). FIQUE ALERTA A melhoria contínua sempre deve ser buscada em todos os processos de uma empresa. Fique atento às possibi- lidades de melhoria nos processos de gestão da manu- tenção. Apresentamos agora as oito fases do MASP segundo a proposta de Histoshi Kume, sua relação com o PDCA e os objetivos de cada fase. Quadro 13 – Relação entre PDCA e MASP segundo a metodologia de Kume PDCA FASE/OBJETIVO P 1 - Identificação do problema: definir claramente qual é o problema e sua relevância para o processo. 2 - Observação: investigar sistemicamente as características do problema. 3 - Análise: descobrir as causas fundamentais dos problemas (causas-raiz). 4 - Plano de ação: criar um plano de ação para eliminar as causas determinadas e tratar os efeitos dos problemas. D 5 - Ação: implementar o plano de ação concebido. C 6 - Verificação: avaliar a eficácia das ações implementadas. Retornar à fase 1 se as ações não foram eficazes. A 7 - Padronização: incorporar ao processo corrente as ações que eliminem as causas dos problemas. 8 - Conclusão: eliminar os problemas remanescentes ou os que surgirem com a implementação das ações propostas e propor melhorias para os processos. Fonte: Adaptado de Falconi (1992). GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS52 Fase 1 Identificação do problema: definir claramente qual é o problema e sua relevância para o processo. Fase 2 Observação: investigar sitematicamente as características do problema. Fase 5 Ação: implementar o plano de ação concebido. Fase 4 Plano de ação: criar um plano de ação para eliminar as causas determinadas e tratar os efeitos dos problemas Fase 8 Conclusão: eliminar os problemas remanescentes ou os que surgirem com implementação das ações propostas e propor melhorias para os processos. Fase 7 Padronização: incorporar ao processo corrente as ações que eliminem as causas dos problemas. Fase 6 Verificação: avaliar a eficácia das ações implementadas. Retornar à Fase 1 se as ações não forem eficazes. Fase 3 Análise: descobrir as causas fundamentais dos problemas (causas-raiz). Figura 13 - Objetivo de cada fase segundo a metodologia de Kume Fonte: SENAI-SP (2013) No quadro a seguir, identificamos as fases, as etapas e as tarefas do MASP, ago- ra segundo a proposta de Histoshi Kume. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 53 Quadro 14 – Objetivos das fases do MASP segundo a metodologia de Kume FASE/TAREFA OBJETIVO 1 - Identificação do problema 1ª Determinar os impactos gerados pelos problemas. 2ª Coletar os dados e gerar um histórico das ocorrências. 3ª Determinar as perdas geradas pelo problema e os ganhos originados pela solução. 4ª Definir a prioridade de pesquisa com o método de Pareto. 5ª Definir as responsabilidades para a identificação de cada pro- blema. 2 - Observação 6ª Pesquisar as características que definem o problema (turno, linha, tipo, frequência) no histórico de ocorrências. 7ª Confirmar as características e as informações complementares no local onde os problemas ocorrem. 8ª Prever os prazos e recursos necessários para as fases seguintes do tratamento dos problemas. 3 - Análise 9ª Determinar possíveis causas para os problemas. 10ª Elencar as causas mais prováveis para os problemas. 11ª Analisar as causas determinando se são efetivamente relevan- tes para o processo. 4 - Plano de ação 12ª Escolher as estratégias de ação. 13ª Elaborar os planos de ação corretiva. 5 - Ação 14ª Treinar, quando necessário, os envolvidos nas ações a serem executadas. 15ª Implementar as ações. 6 - Verificação 16ª Comparar os resultados previstos com os planejados. 17ª Listar os efeitos secundários das ações implementadas. 18ª Verificar a pertinência da continuidade das ações. 7 - Padronização 19ª Elaborar ou alterar os procedimentos de trabalho. 20ª Comunicar as alterações a todos os envolvidos. 21ª Treinar os envolvidos quando necessário. 22ª Acompanhar a implantação das mudanças no procedimento. 8 - Conclusão 23ª Elencar os problemas recorrentes/decorrentes. 24ª Planejar ações de melhoria. 25ª Incorporar o aprendizado com as ações desenvolvidas. Fonte: Adaptado de Falconi (1992). GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS54 3.6 DETERMINAÇÃO DOS RECURSOS NECESSÁRIOS As previsões de recursos serão feitas através de planilhas, baseando-se na Or- dem de Serviço (OS) e nas atividades de manutenção decorrentes, seguindo os mesmos passos já vistos em Gestão da Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos. Quando formos prever materiais, insumos, máquinas, equipamentos (inclusive EPIs e EPCs), ferramentas e instrumentos que serão utilizados, devemos levar em conta as atividades de manutenção decorrentes que, por sua vez, serão deter- minadas pelo plano de manutenção (preventiva ou preditiva) ou pela Ordem de Serviço (corretiva). É comum as empresas manterem um kit com as ferramentas e os instrumentos mais utilizados pelos mantenedores nas atividades do dia a dia de manutenção ele- troeletrônica (chaves de fenda e de boca, alicates diversos, multímetro, entre outros). Mesmo o kit de ferramentas não segue um padrão. Dependendo da especifici- dade da atividade, haverá ferramentas diferentes. Um mantenedor eletrônico, por exemplo, terá em seu kit ferramentas ligadas à soldagem e à dessoldagem de com- ponentes eletrônicos – as quais também podem estar presentes no kit do mante- nedor industrial, mas normalmente não estarão no kit do mantenedor predial. Também há alguns instrumentos e equipamentos que são utilizados em ativida- des específicas (gigas de teste, câmeras termográficas, terrômetros e osciloscópios). Nesse caso, esses recursos serão requisitados somente quando necessário, ficando guardados normalmente no almoxarifado ou no setor de manutenção da empresa. Ou seja, o kit de ferramentas é padrão para os mantenedores, embora seu con- teúdo possa variar de acordo com o tipo de manutenção a ser realizada. Já os instru- mentos e equipamentos específicos para determinadas atividades, devem ser pre- vistos e requisitados somente durante as atividades que demandarem sua utilização. No próximo tópico, veremos as implicações ambientais dos processos de ma- nutenção. Sobre esse assunto, devemos prever os procedimentos e os recursos para proteção dos funcionários e as contenções dos possíveis impactos ambien- tais que deverão ser previstos e disponibilizados para as ações de manutenção. Afinal de contas, a preocupação com a saúde e segurança dos colaboradores e o cuidado e respeito com o meio ambiente são tão importantes quanto as questões técnicase administrativas da manutenção. 1 MANTENEDOR Profissional que executa os serviços de manutenção. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 55 3.7 IMPLICAÇÕES AMBIENTAIS DOS PROCESSOS DE MANUTENÇÃO Em todas as ações executadas nas empresas, sempre devemos prever a possi- bilidade de geração de resíduos e impactos ambientais. Os processos de manu- tenção não são exceção a essa regra. Por isso e desde o planejamento das ações de manutenção, devemos considerar as questões ambientais. Sabemos que os impactos ambientais, quando são reparáveis, envolvem con- sideráveis investimentos tanto em recursos quanto em tempo. Dessa forma, se houver possibilidade de geração de impactos ambientais considerados relevan- tes, cuidados especiais devem ser tomados. Caso os impactos possam ser gerados pelas falhas em máquinas, equipamen- tos ou sistemas, as ações de manutenção devem sempre ocorrer de maneira pre- ventiva, e a prioridade de manutenção desses itens deve ser alta. Por outro lado, caso os impactos possam ser gerados durante a manutenção, as ações de prevenção devem ser tomadas e todas as medidas de contenção de- vem estar disponíveis. Da mesma forma, a segregação e o descarte dos resíduos devem ocorrer de maneira que o meio ambiente não sofra danos, evitando assim severas conse- quências ambientais e jurídicas. Vamos a um exemplo: nos transformadores de alta potência, é comum o uso de óleos refrigerantes. Portanto, qualquer ação que envolva a manutenção ou tro- ca de algum enrolamento desse transformador implicará a interação com óleo. Como todo óleo é classificado como resíduo perigoso e pode contaminar o solo e as águas da superfície ou subterrânea, medidas que evitem o vazamento desse óleo durante a manutenção devem ser previstas, com o objetivo de proteger o meio ambiente e a saúde e segurança dos mantenedores. Deverão estar dispo- níveis todos os recursos para tratar os resíduos gerados e conter um vazamento caso ele ocorra. FIQUE ALERTA No planejamento das ações de manutenção, lembre- -se de sempre considerar as questões ligadas à saúde e à segurança no trabalho e ao meio ambiente. Procure identificar a ocorrência e a periculosidade dos resíduos gerados. Adotando esse procedimento, você evitará tanto a contaminação do meio ambiente quanto a sua e a de seus colegas de trabalho. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS56 3.8 PADRÕES DE MANUTENÇÃO Chamamos de padrões de manutenção todas as diretrizes e todos os docu- mentos que regem os processos de manutenção. Segundo Xenos (2004), pode- mos dividir os padrões de manutenção em duas categorias principais: padrões gerenciais e padrões técnicos. Os padrões gerenciais referem-se ao conjunto de diretrizes e procedimentos estabelecidos para o gerenciamento dos processos e métodos de manutenção. Os padrões técnicos estão relacionados aos procedimentos operacionais e às próprias atividades de manutenção, descrevendo o que precisa ser feito, como deve ser feito e quem deve fazer. Normalmente, os padrões técnicos são subdivi- didos em: a) padrões de manutenção diária (autônoma), feitos pelo próprio operador para auxiliar na conservação e prevenção de problemas; b) padrões de inspeção, que têm a função de avaliar o estado geral do item inspecionado; c) padrões de reforma, que estabelecem a periodicidade dos procedimentos de restauração dos itens; d) padrões de troca periódica de peças, que determinam a periodicidade de substituição de componentes de um item de manutenção, de modo a evi- tar a ocorrência dos defeitos ou falhas. Agora, vamos ver os detalhes de cada tipo de padrão técnico. Padrões de manutenção diária São procedimentos simples e diários, normalmente executados pelo próprio operador da máquina ou do equipamento, com os objetivos de melhorar a con- servação dos itens e envolver os operadores nos processos de manutenção, am- pliando assim a possibilidade de detectar precocemente os sinais que conduzirão a possíveis falhas. Padrões de inspeção São procedimentos de manutenção mais técnicos que os anteriores e, por isso, precisam ser executados pelo mantenedor. Eles determinam os métodos e os cri- térios sobre quais itens devem ser inspecionados, quando inspecionar, como ins- pecionar, como avaliar os resultados e como proceder ao detectar problemas. 2 BENCHMARKING Pode ser descrito como uma pesquisa realizada com outras empresas ou outros gestores para a adoção de ideias inovadoras, melhores metodologias e procedimentos operacionais mais eficazes. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 57 Padrões de reforma São critérios e procedimentos que determinam a periodicidade de parada, os métodos de retirada de serviço, a desmontagem completa, o retrabalho nas par- tes reutilizáveis, a substituição de componentes, a reforma, a remontagem e a recolocação em serviço dos itens passíveis de reforma. A princípio, pode parecer estranho que devamos efetuar essas ações. Afinal, para que elas ocorram, os itens deverão ficar, durante um tempo razoável, indispo- níveis para uso. Porém essas ações são necessárias, principalmente em máquinas e equipamentos mais complexos ou naqueles que demandam esse tipo de proce- dimento para atender a normas específicas de segurança (compressores, caldeiras e outros vasos de pressão). Nesses casos, por mais detalhadas que sejam as inspe- ções, há partes dos equipamentos que só podem ser avaliadas durante essas opor- tunidades, quando podemos detectar os sinais de problemas (desgaste de peças internas ou fadigas de materiais) que podem gerar consequências catastróficas. Padrões de troca periódica de peças São procedimentos que definem quais peças devem ser trocadas periodica- mente para evitar a ocorrência de falhas e defeitos, qual é essa periodicidade e como devemos proceder para efetuar as trocas. Você pode estar se perguntando: por que eu devo fazer isso? Há duas justificativas: a primeira é semelhante à des- crita no padrão anterior, ou seja, há casos nos quais as consequências de falhas podem ser catastróficas. A segunda é conceitual. É preferível, tanto do ponto de vista econômico quanto gerencial, parar um item para uma troca programada de peças do que esperar uma parada não programada para manutenção corretiva. Para estabelecer os padrões de manutenção, recomendamos que sejam feitas consultas aos dados dos manuais dos fabricantes e, se possível, um benchmarking com outros gestores de manutenção, para estabelecer os critérios e os procedi- mentos mais adequados à realidade e ao ambiente da empresa. Cabe ainda ressaltar que, uma vez que estabelecemos os padrões de manuten- ção, devemos aplicá-los durante algum tempo para avaliar sua eficácia e, sempre que possível ou necessário, devemos revê-los e adequá-los para garantir a má- xima eficiência dos processos, buscando sempre o estado de Quebra Zero (Zero Breakdown, em inglês), para ter a máxima disponibilidade de uso dos itens para a empresa. Os padrões de manutenção são as diretrizes que regem os processos de ges- tão e execução da manutenção, portanto eles devem ser definidos, aplicados e aperfeiçoados de forma a garantir a máxima disponibilidade dos recursos físicos para a empresa. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS58 3.9 INDICADORES DE DESEMPENHO Como em todo processo, principalmente nos processos de gestão, precisamos definir indicadores que avaliem sua eficácia. Somente com a análise crítica desses indicadores e com a aplicação das ferramentas e técnicas de gestão (PDCA, 5W1H, Histograma, Diagramas de Ishikawa e Pareto) é que podemos avaliar o uso dos recursos e determinar as ações para melhoria da eficiência desses processos. Qualquer que seja o caso, precisamos de um conjunto de dados compatíveis e disponíveis para determinar esses indicadores. Portanto, antes de decidir por um conjunto de indicadores, verifique quais são os dados disponíveis no histórico dos registros de manutenção, pois assim será possível utilizar a base de dados que já existe para determinar e gerenciaresses indicadores. Atualmente, as grandes empresas adotam indicadores de desempenho foca- dos principalmente na disponibilidade dos itens e nos custos da manutenção. Nesse caso, os dados registrados devem ser estratificados por tipo ou área que executa a manutenção (elétrica, mecânica, predial) e abranger tanto os custos di- retos quanto os tempos para execução da manutenção. A seguir, apresentamos um quadro com exemplos de dados dos processos de manutenção. Quadro 15 – Exemplos de dados dos processos de manutenção DADOS SIGNIFICADO Número de falhas (nF) Número de falhas registradas para o item. Número de defeitos (nD) Número de defeitos registrados para o item. Número de ações corretivas (nC) Número de ações corretivas previstas para o item. Número de ações preventivas (nP) Número de ações preventivas registradas para o item. Tempo de indisponibilidade (ti) Tempo em que o item permanece indisponível para o uso. Tempo de manutenção preventiva (tP) Tempo total de manutenção preventiva no período. Tempo de manutenção corretiva (tC) Tempo total de manutenção corretiva no período. Tempo para atendimento (ta) Tempo entre a requisição e o início do atendimento. Demanda de tempo (tD) Tempo total previsto para utilização do item. Custo de manutenção/área (CMa) Custo total de manutenção por tipo/área de manutenção. Custo total de manutenção (CT) Soma dos custos de manutenção de todos os tipos/áreas. Custo de manutenção preventiva (CP) Custo total da parada programada. Custo de manutenção corretiva (CC) Custo total da parada não programada. 3 QUEBRA ZERO É o estado no qual não há manutenção corretiva na empresa, ou seja, as paradas para manutenção ocorrem somente de acordo com o plano de manutenção. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 59 Com base nesses dados, podemos construir alguns indicadores. Veja a seguir. Taxa de falhas F F F D n Taxa de falhas T 100 n n ⇒ = × + Disponibilidade D P C a i D t (t t t ) Disponibilidade D 100 t − + + ⇒ = × Taxa de defeitos D D F D n Taxa de defeitos T 100 n n ⇒ = × + Custo de ação preventiva P P% T C Custo de ação preventiva C 100 C ⇒ = × Índice de ações corretivas C C C P n Índice de ações corretivas I 100 n n ⇒ = × + Custo de ação corretiva C C% T C Custo de ação corretiva C 100 C ⇒ = × Índice de ações preventivas P P C P n Índice de ações preventivas I 100 n n ⇒ = × + Custo por área Ma Ma% T C Custo por área C 100 C ⇒ = × A avaliação do comportamento dos indicadores permite diagnosticar o estado atual do sistema de gestão da manutenção na empresa. Em uma situação ideal, buscamos obter os seguintes resultados: Taxa de falhas ⇒ próxima de zero Disponibilidade ⇒ próxima de 100% Taxa de defeitos ⇒ próxima de zero Custo de ação preventiva ⇒ próximo de 100% Índice de ações corretivas ⇒ próximo de zero Custo de ação preventiva ⇒ próximo de zero Índice de ações preventivas ⇒ próximo de 100% O indicador Custo por área permite diagnosticar quais áreas estão deman- dando por mais recursos, portanto, tendem a ter prioridade na implantação de ações de melhoria. Estabelecendo uma relação entre esses dados e os indicado- res, os locais de trabalho, os operadores e os turnos, podemos gerar propostas de ações de ordem ambiental (se identificarmos que o meio esteja contribuindo para a incidência de falhas e defeitos) e ações de treinamento (se identificarmos que um ou mais operadores apresentam um maior índice de ocorrência de paradas). GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS60 A análise de dados e indicadores que a empresa determinar como relevantes deve ser utilizada para nortear a construção e a atualização do planejamento das ações de manutenção na empresa, segundo suas diretrizes. No próximo capítulo, veremos alguns critérios e métodos para planejar as ações de manutenção preventiva. Embora haja uma série de indicadores já consagrados no mercado, qualquer gestor pode criar seu próprio conjunto de indicadores. Basta que os dados para o cálculo desses novos indicadores estejam disponíveis. Mas tenha em mente um princípio básico de gestão: um indicador só é útil se fornecer informações para análise, avaliação e tomada de decisões sobre o processo! CASOS E RELATOS O engenheiro de manutenção Jauber, da empresa Suprassumo Manuten- ções Industriais, recebeu a missão de avaliar e melhorar o desempenho dos processos de manutenção de um dos seus maiores clientes. A empresa contratante não possuía nenhum conjunto de substituição ou equipamento de backup e apresentava um alto tempo de manutenção em quase todos os setores produtivos. Outro fator que comprometia a gestão dos processos de manutenção era a falta de um banco de dados com os registros históricos das atividades de manutenção. Depois de muito trabalho e um estudo detalhado do histórico de manu- tenção recém-criado, foram tomadas ações de gestão da manutenção que resultaram em um aumento de mais de 30% na produtividade da empresa. Esse relato reforça a importância dos processos de gestão da manutenção nas empresas, pois em um curto intervalo de tempo a empresa contratante teve um aumento significativo de produtividade. Com a evolução e conso- lidação da gestão da manutenção nessa empresa, ela poderá, com certeza, atender cada vez mais às demandas de produção. 3 GESTÃO DA MANUTENÇÃO 61 RECAPITULANDO Neste capítulo, vimos como aplicar as ferramentas de gestão da qualidade aos processos de manutenção, como prever e gerenciar os recursos para realização desses processos e como criar variáveis e indicadores para ge- renciá-los e avaliar seu desempenho. Esses conhecimentos são muito importantes para avaliar os processos de gestão da manutenção e propor as melhorias necessárias à evolução do desempenho. Todas essas informações serão muito importantes para seu futuro profis- sional. Continue seus estudos e tenha sucesso! 4 Planejamento e gerenciamento da manutenção As técnicas e metodologias de manutenção a serem escolhidas dependem tanto das polí- ticas da empresa quanto da criticidade do equipamento para os processos produtivos. Porém, uma questão é comum a qualquer uma delas: a escolha sempre estará pautada nas recomen- dações dos fabricantes e nos dados históricos dos processos de manutenção. Vamos estudar neste capítulo como fazer essas escolhas, planejar e implantar os planos de manutenção de uma empresa e quais os recursos computacionais que podem nos auxiliar nesses processos. Então, mãos à obra! GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS64 4.1 ELABORAÇÃO DO PLANO DE MANUTENÇÃO Os planos de manutenção são elaborados, inicialmente, a partir dos dados e das recomendações dos fabricantes ou de indicações do mercado (benchmarking) e, à medida que as ações forem ocorrendo, devemos promover ajustes e melho- rias para otimizar os resultados desse processo. Como todo plano de trabalho, o plano de manutenção deve prever quais as atividades a serem desenvolvidas, quem serão seus executores e em que data deverão ser realizadas. Obviamente, o plano de manutenção será composto das manutenções programadas, ou seja, não considera as manutenções corretivas, embora elas possam afetar a realização das preventivas e preditivas. A escolha das técnicas de manutenção e da periodicidade das ações depen- derá de uma profunda análise dos dados dos históricos de manutenção e das diretrizes internas de cada empresa. Essas escolhas levam em conta os custos das ações de manutenção, a curto e longo prazo, e a capacidade produtiva da empresa, buscando um equilíbrio entre a disponibilidade para produção dos itens gerenciados, os custos das ações de manutenção e a preservação dos bens a serem mantidos. O controle das atividades deve ser feito através de formulários próprios, co- nhecidos como: Ficha de Manutenção, Ordem de Serviço ou Ordem de Manuten- ção. Para esse controle também são utilizados sistemas informatizados, fichas ou livros, e estes últimos normalmente ficamjunto das próprias máquinas e próprios equipamentos. Nas grandes empresas, nas quais o número de itens e o volume de dados são elevados, o processo normalmente é controlado por sistemas informatizados es- pecíficos, concentrando todas as atividades e todos os resultados, desde o con- trole da identificação dos equipamentos até o registro e a análise dos indicadores da manutenção. Outro ponto ligado ao planejamento da manutenção é a criação dos padrões de manutenção na forma de procedimentos de trabalho formais. Neles, estão descritos em detalhes as ações e os métodos a serem empregados em cada nível de manutenção programada e os critérios para avaliação dos resultados. 1 PROTOCOLOS DE TRABALHO São procedimentos formais que precisam ser seguidos e documentados com extremo rigor para garantir a eficácia das ações que envolvem elementos extremamente críticos, tais como sistemas embarcados e procedimentos médicos. 2 ITEM A SER MANTIDO Item a ser atendido e gerenciado pelo controle de manutenção. 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 65 Em muitos casos, como na manutenção de aeronaves, há uma formalidade e um rigor tão grandes para a realização dessas atividades que elas acabam se tor- nando protocolos de trabalho. A tarefa de planejar a manutenção se divide em duas etapas, que são: a) a criação dos procedimentos de manutenção; b) o agendamento das datas para realização das atividades de manutenção. A solução mais simples para a criação dos procedimentos de manutenção é basear a lista das atividades nas indicações dos próprios fabricantes. Com relação ao controle dos documentos, podemos manter aqueles que forem mais complexos no setor de manutenção e aqueles que forem mais simples junto ao próprio item a ser mantido. Nos casos de procedimentos simples, também po- demos incorporar as ações aos formulários de registro e controle de manutenção. Já o agendamento das datas pode ser feito por meio de um cronograma sim- ples para cada item, ou via sistema informatizado. O mais importante é que os procedimentos sejam realizados e os resulta- dos, registrados. A forma como ocorrerá será determinada internamente pela empresa, de acordo com a quantidade de itens a serem mantidos e os recursos disponíveis para a realização. A seguir, veremos exemplos de formulários utilizados para controle de ma- nutenção preventiva de máquinas com Comando Numérico Computadorizado (CNC). Esses documentos podem ser utilizados para controlar a manutenção pre- ventiva de uma pequena quantidade de equipamentos, através de anotações fei- tas nos próprios formulários. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS66 Q uadro 16 – Form ulário utilizado para controle de m anutenção de m áquinas com CN C CO N TRO LE D E M A N U TEN Ç Ã O PREV EN TIVA D E M Á Q U IN A S CO M CN C Fabricante: M áquinas RO M EU Tipo: Centro de usinagem M odelo: Cardaline 1 N º de patrim ônio: 1234568 A no da com pra: 2009 Reform ada em : 2012 Localização: Setor 4 Identifi cação: CU 01-04 Preencher a célula com a letra P no caso de procedim ento-padrão (m anutenção preventiva) ou com a letra I no caso de necessidade de intervenção (m anutenção corretiva). Registre nesta coluna o nom e do Registre nesta coluna o nom e do responsável pela verificação ou responsável pela verificação ou intervenção. intervenção. Registre nesta coluna a data da Registre nesta coluna a data da verificação ou intervenção. verificação ou intervenção. D escreva nesta coluna a verificação D escreva nesta coluna a verificação ou intervenção feita. ou intervenção feita. Ação quando necessário Itens para verifi car Jan. Fev. M ar. A br. M aio Jun. Jul. Ago. Set. O ut. N ov. D ez. 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 Requisitar m anutenção corretiva. Condensador pneum ático D ispositivos de lubrifi cação Estado das correias Cabeçote m óvel pneum ático G uias, pinças e m orsas Com pletar. N ível na central de lubrifi cação A justar ou apertar. Fixação dos m otores Conexões das m angueiras Lim par. Filtro de pó do painel elétrico Lim peza da carenagem Avaliação fi nal (U se O K ou C.) OK OK C OK OK C OK D ata O corrência Colaborador 02/01 Verifi cado o estado da m áquina, não foi identifi cada nenhum a irregularidade. M arcos 09/01 Verifi cado o estado da m áquina, não foi identifi cada nenhum a irregularidade. Paulo 16/01 D etectada folga nas correias de transm issão da m áquina. Verifi cado o estado e executado o ajuste da tensão das correias. João 23/01 Verifi cado o estado da m áquina, não foi identifi cada nenhum a irregularidade. Paulo Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item Sem ana em que o item é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. é verificado. 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O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. O K: indica que nenhum a irregularidade foi encontrada. 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Quadro 17 – Formulário utilizado para controle de manutenção preventiva de compressores CONTROLE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA DE COMPRESSORES Fabricante: Nº de patrimônio: Localização: Tipo: Ano da compra: Identificação: Modelo: Reformado em:Mantenedor: Data: AÇÃO QUANDO NECESSÁRIO ITENS PARA VERIFICAR STATUS INTERVENÇÕES Verificar e, se neces- sário, requisitar ma- nutenção corretiva. Motor Reservatório X Conjunto compressor X Vibra stop X Correias X - Drenagem da umidade Verificar e, se necessá- rio, apertar. Mangueiras e conexões Conexões elétricas X Limpar e, se neces- sário, substituir. Filtro de ar X Testar e, se necessário, substituir. Válvula de alívio Válvula de segurança X Avaliação final (Use OK ou C.) Preencher a célula com a letra P no caso de procedimento-padrão (manutenção preventiva) ou com a letra I no caso de neces- sidade de intervenção (manutenção corretiva). GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS68 Após a realização do serviço, os dados coletados devem ser lançados em pla- nilha ou banco de dados elaborado para manter o histórico de manutenção dos equipamentos. Independentemente da forma como o controle seja feito, o importante é que as verificações e intervenções sejam realizadas, que os dados sejam coletados e que a sua análise seja utilizada para subsidiar as ações de melhoria do processo de manutenção, para garantir a máxima disponibilidade dos itens para a produção. Não sei se você reparou, mas nossa abordagem está concentrada nas manu- tenções programadas, ou seja, não estamos enfatizando as manutenções cor- retivas. Isso não que dizer que elas não ocorrerão. Quem dera fosse assim! Porém, as manutenções corretivas somente devem acontecer em situações esporádicas e pontuais, ou seja, deve ser uma ação excepcional. Para que isso ocorra, precisa- mos programar e executar corretamente as manutenções preventivas e prediti- vas. Isso envolverá ações de gestão conjuntas entre os departamentos de plane- jamento e controle da produção, gestão e execução da manutenção e da equipe gestora da fábrica. Ações de treinamento e desenvolvimento dos operadores de produção tam- bém podem ser necessárias – para que eles executem parte das ações preventi- vas, principalmente as mais simples e de maior frequência, e percebam quaisquer irregularidades para informá-las aos setores responsáveis o mais breve possível. Essa política permite desonerar a equipe de manutenção, pois esta pode con- centrar seus recursos nas ações mais complexas. Ao mesmo tempo, permite que os problemas com máquinas, equipamentos e instalações sejam detectados pre- cocemente e tratados antes de se tornarem problemas maiores. 4.2 OTIMIZAÇÃO DOS RECURSOS PARA MANUTENÇÃO Neste tópico, vamos estudar como prever e otimizar os recursos a serem uti- lizados nas ações de manutenção. Vamos ver que há muita semelhança com relação ao que já foi estudado na gestão da instalação, com a organização do trabalho através de redes PERT e com o controle da distribuição das tarefas por cronogramas e diagramas de Gantt. Vamos lá? 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 69 4.2.1 ORGANIZAÇÃO DO PESSOAL E DEFINIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES Como no caso da gestão da instalação, as ações de manutenção a serem exe- cutadas devem ser planejadas de acordo com a demanda dos recursos necessá- rios ou disponíveis. Você pode estar se perguntando: como assim? Vamos a alguns exemplos para facilitar sua compreensão. Se, para desmontar com segurança parte de uma determinada máquina, são necessárias duas pessoas, não podemos alocar um único mantenedor para reali- zar essa tarefa. Esse é um exemplo de alocação de pessoas por demanda dos recursos necessários. Por outro lado, se não há duas pessoas disponíveis na data determinada para a ação, podemos verificar uma reprogramação dessa ação, de acordo com o histó- rico de manutenção do item considerado. Esse já é um exemplo de alocação de pessoas por disponibilidade. Pode ser que algumas das tarefas de manutenção que você venha a realizar dependam da atuação de outros profissionais. Vamos a alguns exemplos. a) Para retirar o motor de uma máquina ou um equipamento, pode ser neces- sário requerer um especialista em mecânica para desmontar parte dessa máquina ou desse equipamento. Nesse caso, por se tratar de um dispositi- vo de grande porte, o mais aplicável é que a Ordem de Serviço (OS) já inclua a requisição desse profissional, seja ele da equipe de mantenedores, seja terceirizado. b) Para que seja feita a troca de um eletroduto que está embutido na alvenaria, precisaremos da ajuda de um pedreiro. Nesse caso, que também se aplica a equipes de manutenção muito especializadas ou com número reduzido de colaboradores, é recomendável que a tarefa só seja realizada quando um profissional terceirizado for contratado para quebrar a parede, para, depois, completar a parte da tarefa relacionada à troca do eletroduto. Há, no entanto, uma prática não recomendada adotada por algumas empre- sas: o próprio mantenedor eletroeletrônico, por exemplo, desmonta a parte me- cânica da máquina, realiza as atividades específicas da área e depois monta as partes mecânicas que desmontou. Perceba o problema dessa prática: você realizará tarefas que podem parecer simples, mas não são específicas de sua atuação. Nesse caso, pode haver detalhes técnicos que você não domina e que podem causar sérias consequências quando o equipamento for religado. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS70 FIQUE ALERTA Só execute tarefas para as quais esteja habilitado, pois, caso contrário, as consequências podem ser piores que o problema original que demandou a manutenção. Você já sabe que todas as atividades que realiza em eletroeletrônica envol- vem muita responsabilidade, pois afetam direta ou indiretamente outras pessoas, quer sejam clientes, quer sejam colegas de empresa. Você também já deve ter percebido que as atividades de manutenção envolvem níveis de responsabilida- de maiores ainda. Isso porque as consequências dessas atividades podem ser até mais sérias, e principalmente porque, se os resultados não forem os esperados, a máquina, o equipamento ou a instalação em que você estava trabalhando ainda precisará de manutenção. E, caso você assuma mais tarefas do que aquelas para as quais está habilitado, sua competência pode ser questionada tanto por seus superiores quanto pelos seus colegas. Sem falar nos prejuízos para a empresa que, no mínimo, sofrerá as consequências do tempo de parada para manutenção. Por isso, há necessidade de definir, formalmente, as responsabilidades em to- das as ações e todos os processos do setor de manutenção de uma empresa. Veja que, nos formulários apresentados neste capítulo, há um campo para um visto ou uma identificação do executante da tarefa. Quando elaboramos os procedimentos e o plano de manutenção, também pre- cisamos deixar claro quem são os responsáveis por cada etapa dos processos de manutenção, mesmo quando ela for executada, no todo ou em parte, por terceiros. 4.2.2 GESTÃO DE CUSTOS, MATERIAIS, EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS Os princípios que norteiam a gestão de materiais, equipamentos e ferramentas não apresentam nenhuma diferença com relação ao que foi tratado na unidade curricular de Gestão da Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos. Ou seja, devemos garantir a disponibilidade de todos os elementos necessários para realização das atividades, nos locais e nas datas programados no cronograma de manutenção. A grande diferença está na forma como é feita a gestão dos custos. Quando falamos nesse assunto anteriormente, não nos preocupamos em definir “quem iria pagar a conta”. 3 CONTAS E SUBCONTAS Neste contexto, contas e subcontas são elementos usados para o gerenciamento de aplicação dos recursos financeiros das empresas. Nos sistemas de controle contábil, as empresas recebem dados sobre os gastos de cada departamento ou atividade realizada. 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 71 Na maioria das grandes empresas há uma prática de alocação de custos que permite rastrear onde os recursos, principalmente os financeiros, são aplicados. Para isso, essas empresas utilizam um sistema de contase subcontas por depar- tamento, processo e atividade. Por exemplo, há uma conta para o setor de manu- tenção e várias subcontas para estratificar os custos com aquisição de componen- tes, materiais, equipamentos, ferramentas, capacitação de funcionários. A seguir, temos um quadro que exemplifica esse procedimento. Quadro 18 – Exemplo de contas e subcontas no sistema de controle contábil SETOR ATIVIDADE ELEMENTO 5 Manutenção 5.1 Aquisição 5.1.1 Componentes 5.1.2 Materiais 5.1.3 Equipamentos 5.1.4 Ferramentas 5.2 Capacitação 5.2.2 Pessoal do quadro 5.2.3 Terceiros Portanto, os valores para aquisição de componentes a serem utilizados na ma- nutenção serão lançados na conta 5.1.1. Se precisarmos comprar alicates ou cha- ves de fenda, os custos serão lançados na conta 5.1.4, e assim por diante. Outro procedimento-padrão, principalmente no caso de componentes e ferra- mentas, é a manutenção de um estoque mínimo de elementos para garantir a rea- lização das manutenções, especialmente as corretivas, que não são programáveis. A relação de itens que faz parte desse estoque deve ser criada, mantida e atua- lizada de acordo com os resultados dos processos de manutenção e da dificulda- de de aquisição. Lembre-se de que os processos de manutenção devem garantir a maior disponibilidade possível das máquinas e dos equipamentos. Logo, com- ponentes críticos – ou seja, aqueles utilizados em vários itens a serem mantidos, difíceis de serem adquiridos no mercado ou que causem paradas frequentes na produção – merecem uma maior atenção, demandando um número mínimo de peças para reposição em estoque. Já os itens que forem de fácil aquisição, apre- sentarem pouco impacto no processo ou baixa frequência de troca podem ter um número menor de peças em estoque. Uma boa gestão do estoque de peças para manutenção garantirá o uso mais eficiente dos recursos e dos tempos de parada para manutenções menores, au- mentando assim a disponibilidade dos itens e, consequentemente, a eficiência dos processos de manutenção. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS72 Finalizando, você precisa considerar os custos com a mão de obra, pois estes também devem compor o custo total dos processos de manutenção na empresa. Para tanto, você deve alocar, de forma eficiente, a mão de obra para realização das atividades de manutenção, como já vimos no tópico anterior. Deve também calcular o número e o custo de homens-hora para realização das tarefas. Relembrando, pois você já estudou em Gestão da Instalação, o custo total da mão de obra será obtido pelo produto destes dois fatores: Custo da mão de obra = total de homens-hora x custo do homem-hora FIQUE ALERTA Lembre-se de que, embora o custo seja um fator impor- tante na gestão da manutenção, há atividades que, para serem realizadas com segurança, demandam mais de um colaborador. Nesse caso, não arrisque! A segurança sempre deve vir em primeiro lugar! 4.3 Controle e revisão dos orçamentos e redução dos custos de manutenção As empresas adotam práticas de estratificar os custos por departamentos e processos, conhecidos como centros de custo. A análise do comportamento dos centros de custo permite, ao setor financeiro da empresa, fazer uma previsão dos custos e da distribuição dos recursos neces- sários para cada setor e processo da empresa. Essa previsão é muito importante para garantir a saúde financeira e é oficializada em um documento conhecido como orçamento ou plano orçamentário. À medida que o ano vai passando, todos os setores, incluindo o de manuten- ção, devem controlar seus gastos com cada processo, de maneira a garantir que os recursos previstos no orçamento sejam suficientes para atender às necessida- des do setor durante o período de vigência. Em alguns casos, podem ser feitos remanejamentos de recursos entre as contas, de maneira a garantir que os processos que estejam utilizando mais do que o orça- mento previsto não sejam paralisados por falta de verbas. Mas isso somente deve ser feito após uma rigorosa análise dos dados e obedecendo a critérios predefinidos. Nesse caso, além do remanejamento dos recursos entre as contas, devem ser analisadas as possibilidades de reduzir os custos com os processos de manuten- ção, sem, no entanto, prejudicar a qualidade ou o bom andamento dos demais processos da empresa. 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 73 Em casos extremos, pode ser necessário fazer uma revisão e uma complemen- tação do orçamento, para garantir a continuidade do funcionamento das ativi- dades do setor. Essa prática não é bem vista pelos gestores, uma vez que indica um descontrole da aplicação dos recursos em um dado setor ou processo. Ela só se justifica no caso da ocorrência de alguma situação não prevista inicialmente e que venha a comprometer processos importantes da empresa. 4.4 Terceirização dos processos de manutenção A terceirização pode ser uma alternativa quando os custos dos processos de manutenção são incompatíveis com as verbas disponibilizadas pelo setor finan- ceiro da empresa. Observando os aspectos logísticos envolvidos, pode haver uma vantagem em delegar a terceiros pelo menos parte dos processos de manutenção, principal- mente nos casos em que as máquinas e os equipamentos a serem mantidos fo- rem específicos ou baseados em tecnologias não dominadas pelos integrantes da equipe de manutenção. Isso gera demandas de capacitação de pessoal, ferramen- tas e equipamentos que podem não ser economicamente viáveis. Muitas empresas optam pela terceirização para equipamentos que apresen- tam baixo índice de falhas ou que demandem de manutenção especializada, como os aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de informática. Há casos, como os equipamentos para impressão (impressoras, fax e copiado- ras), em que todo o fornecimento é terceirizado, dos equipamentos aos insumos, passando também pela manutenção. Um exemplo dessa prática é o das máqui- nas fotocopiadoras. Quase todos os clientes alugam a máquina e contratam os serviços de manutenção e fornecimento de insumos. Mas a terceirização da manutenção de um setor, ou da empresa como um todo, deve, acima de tudo, ser uma decisão estratégica. Se, por um lado, equipamentos que demandem manutenções especializadas implicarão altos investimentos no setor de manutenção, por outro, depender de terceiros para a realização da ma- nutenção pode trazer maiores tempos de parada, o que poderia resultar em pre- juízos para a empresa. Devemos, portanto, analisar os custos e os benefícios de adotar essa prática. E, se for o caso, escolher empresas que tenham comprovada eficácia em atender às necessidades de seus clientes. VOCÊ SABIA? Todo colaborador que executa alguma atividade na em- presa, mesmo que terceirizado, deve ter garantidas as questões de saúde e segurança no trabalho. Isso porque a empresa contratante será considerada corresponsável caso ocorra algum acidente ou essa pessoa adoeça. GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS74 4.5 Recursos computacionais aplicáveis à gestão da manutenção Nosso objetivo neste tópico é mostrar como os recursos computacionais podem auxiliar a gestão dos processos de manutenção e determinar alguns critérios para escolha do software a ser utilizado. Tanto os recursos de software quanto os de hardware a serem empregados nessa tarefa estarão relacionados ao porte da empresa e ao número total de itens a serem mantidos. Qualquer sistema informatizado construído ou adquirido deve ter a capaci- dade de manter, estratificar, gerenciar e disponibilizar os dados relevantes para subsidiar a análise dos dados do histórico da manutenção. A maior parte das soluções informatizadas está baseada em um sistema de banco de dados, capaz de manipular o volume de dados e as informações que serão gerados. Quanto maior o número de itens mantidos ou de membros da equipe de manutenção, mais especializado e estruturado deve ser o sistema. Nesses casos, devemos optar por um sistema que tenhacomo base uma lin- guagem conhecida, e bastante utilizada, como Linguagem de Consulta Estrutura- da, ou Structured Query Language - SQL, criada pelo Instituto Nacional Americano de Padrões (American National Standards Institute - ANSI). Para sistemas com poucos itens a serem mantidos, podemos utilizar recursos de planilhas eletrônicas incrementadas com alguma programação. Apresentaremos a seguir algumas características importantes que os softwa- res utilizados para a geração e o controle de Ordens de Serviço e cadastro de in- formações devem ter. 4.5.1 GERAÇÃO E CONTROLE DE ORDENS DE SERVIÇO A geração e o controle das Ordens de Serviço (OSs) são características básicas dos sistemas informatizados para gestão da manutenção. Neles, as requisições de manutenção são feitas no sistema, e seus dados ficam armazenados e disponíveis nos históricos de manutenção. Apesar de as Ordens de Serviço (OSs) serem impressas na maioria dos casos e acompanharem o equipamento ou o mantenedor até o local em que a manu- tenção será realizada, os dados e o controle da execução da manutenção ficam registrados no software de gestão da manutenção, que deve prever o acompa- nhamento dos tempos para: a) início da manutenção; b) execução da manutenção; 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 75 c) disponibilização do item mantido para produção. As OSs também devem conter todos os dados que permitam a geração e o controle do histórico do item mantido e o identifique individualmente. CASOS E RELATOS O mantenedor Clauber, funcionário da empresa Suprassumo Manutenções Industriais, recebeu uma Ordem de Serviço (OS) com vários campos em branco. Como ele era um mantenedor experiente, logo pensou: “Isso vai dar problema!”. A única informação relevante que havia na OS descrevia que o trabalho a ser executado seria a troca dos fusíveis do painel de um torno de modelo X. Quando chegou ao cliente, ele descobriu que havia cerca de 30 tornos da- quele modelo, dos quais 15 estavam parados. Conversando com os opera- dores, levou cerca de uma hora até localizar a máquina com defeito e dois minutos para trocar os fusíveis. Assim que a troca foi feita, ele pediu para o operador da máquina que a ligasse e operasse por algum tempo, para garantir que o problema havia sido resolvido. Em casos como esse, fica evidente a necessidade de as informações serem completas. Primeiro, nosso mantenedor perdeu muito mais tempo para localizar a má- quina do que fazendo a manutenção. Segundo, se o profissional trocasse os fusíveis do primeiro torno que en- contrasse parado? Provavelmente teria que retornar à empresa em outro dia, para trocar os fusíveis da máquina certa, o que comprometeria a sua imagem e a da empresa que ele representa. Imagine o que aconteceria se a falha ou o defeito fosse mais complexo ou se a empresa tivesse mais tornos parados? GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS76 Todo processo de manutenção corretiva normalmente tem como base as infor- mações fornecidas pela pessoa que presenciou a ocorrência da falha. Portanto, se optarmos por um sistema informatizado para gestão da manutenção, este deve obedecer pelo menos a duas premissas: permitir a coleta de todos os dados re- levantes para as etapas posteriores da manutenção (no mínimo identificação do item, localização do item, descrição da falha e descrição da situação em que a falha ocorreu); e emitir a OS somente se tais dados forem informados previamente. 4.5.2 CADASTRO DAS INFORMAÇÕES DE MANUTENÇÃO Além dos dados sobre a identificação do item, das falhas, seu diagnóstico e tratamento, o sistema de gestão da manutenção deve permitir a coleta de dados que identifiquem as máquinas, os equipamentos e os conjuntos. Observe que o sistema deve, em alguns casos, impedir a duplicidade de alguns dados (dados de identificação dos itens) e permitir a de outros (tipo de falha, tra- tamentos adotados, datas e lançamento de despesas). Além do cadastro dos dados, precisamos gerenciá-los através de ferramentas de bancos de dados e estratificá-los em relatórios, como veremos a seguir. 4.5.3 RELATÓRIOS DE MANUTENÇÃO A ferramenta de relatórios é típica de softwares que trabalham com bancos de dados. Os relatórios são representações em tela ou impressas dos dados agrupados de alguma forma. Os tipos de relatórios e os agrupamentos dos dados devem permitir as análises e as tomadas de decisão sobre todos os aspectos da manutenção. A seguir, podemos ver uma relação de alguns relatórios desejáveis: a) relação de itens por tipo; b) relação de itens por local; c) relação de falhas por tipo de item; d) relação de falhas em um item; e) tempo médio para atendimento das Ordens de Serviço; f ) tempo médio de manutenção por tipo de item; g) tempo médio de manutenção por tipo de defeito; 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 77 h) tempo médio entre falhas por tipo de item; i) tempo médio entre falhas por item; j) custo de manutenção por tipo de item; k) custo de manutenção por item; l) custo de manutenção por setor; m) custo de manutenção por tipo de falha. Vamos parar nesses exemplos, mas poderíamos dar muitos mais. Para adotar os modelos mais adequados para os processos de uma dada empresa, deve haver uma análise prévia. 4.5.4 EXEMPLOS DE APLICATIVOS DISPONÍVEIS NO MERCADO Os softwares de gestão da manutenção são conhecidos como Sistema Compu- tadorizado de Gerenciamento da Manutenção (Computerized Maintenance Mana- gement System - CMMS). Eles são utilizados pelas equipes de manutenção para programar, acompa- nhar, gerenciar e propor melhorias. O nosso objetivo neste tópico é relacionar algumas das características que você deve levar em consideração na hora de especificar um programa. São elas: a) agendamento das manutenções preventivas e preditivas; b) aquisição de dados através de fichas configuráveis por equipamento; c) associação de parâmetros para definição da periodicidade; d) cadastro de atividades-padrão; e) cálculo dos indicadores MTTR, MTBF, Taxa de Falha e Disponibilidade do Equipamento; f ) capacidade de anexar manuais, catálogos e procedimentos; g) controle da manutenção interna e de terceiros; h) definição de criticidade de cada item; i) descrição da atividade a ser realizada, bem como ações a serem tomadas; j) envio de pendências de execução de atividade aos respectivos responsá- veis via e-mail; k) estratificação dos custos por equipamento, atividade, Ordem de Serviço e período; l) geração dos cronogramas de trabalho em planilhas e gráficos de Gantt; GESTÃO DA MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELETROELETRÔNICOS78 m) gerenciamento da disponibilidade de materiais e ferramentas; n) históricos das atividades de manutenção e Ordens de Serviço; o) identificação do parque de equipamentos; p) listas-mestras de equipamentos e peças de reposição; q) movimentações de materiais, previsões de consumo e quantidades exis- tentes; r) personalização de níveis de acesso por usuário; s) planejamento de execuções vinculado à disponibilidade de recursos; t) programação, registro e acompanhamento do consumo de recursos mate- riais e financeiros; u) quantidade de tempo alocado e consumido por técnico em manutenção; v) sistema de aprovação eletrônica de solicitações e execuções. Há também no mercado algumas soluções que disponibilizam comunicação por e-mail e mensagens de texto (SMS), aquisição de dados utilizando coletores eletrônicos, análise de dados e diagnósticos automatizados, possibilidade de per- sonalização de logotipos, esquemas de fontes e cores, entre outros recursos. Para completar este tópico, apresentamos um quadro com alguns aplicativos disponíveis no mercado. Quadro 19 – Quadro de aplicativos de gestão da manutenção disponíveis no mercado APLICATIVO FORNECEDOR DIFERENCIAL Sistema de Gerenciamento da Manutenção SIGMA 2012 free Rede Industrial Gratuito. eMaint X3 - On-demand CMMS eMaint Enterprises Dados hospedados na internet. SMI Sistema de Manutenção SPES Engenharia deSistemas Sistema integrado composto de mó- dulos que podem ser implantados gradativamente. Infor EAM Infor Versões especializadas e configura- das para cada ramo de atividade. SAIBA MAIS Se você deseja conhecer mais sobre os softwares de gestão da manutenção, faça uma busca na internet com o auxílio de algum mecanismo de busca (como o Google). Acesse a página e digite como palavra-chave “software de gestão da manutenção”. 4 MTBF Mean Time Between Failures (tempo médio entre falhas). 5 MTTR Mean Time To Repair (tempo médio de reparos). 4 PLANEJAMENTO E GERENCIAMENTO DA MANUTENÇÃO 79 Cada solução representa demandas e custos diferenciados por recursos tanto computacionais quanto financeiros. Os valores a serem investidos também de- vem ser considerados na escolha do aplicativo. Existem licenças que são gratuitas e outras que podem chegar até a R$ 50.000,00 ou mais. RECAPITULANDO Neste capítulo, estudamos quais os critérios adotados para que você possa planejar e gerenciar as atividades de manutenção. Descobrimos também como elaboramos os planos de manutenção perió- dica e fazemos as gestões de recursos para manutenção. Por último, abordamos quais os recursos computacionais que auxiliam na gestão da manutenção e alguns aplicativos comerciais que possuem essa finalidade. Todas essas informações serão muito importantes para seu futuro profis- sional. Aqui encerramos este livro. Desejamos a você muito sucesso na continuida- de de seus estudos. REFERÊNCIAS AULETE, Caldas. Dicionário Caldas Aulete da língua portuguesa: edição de bolso. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008. FALCONI, Campos Vicente. TQC: controle da qualidade total (no estilo japonês). 4. ed. Belo Horizonte: UFMG, Escola de Engenharia, 1992. FRANCO FILHO, Gil. Dicionário de termos de manutenção, confiabilidade e qualidade. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2006. HOSKEN, Márcio José de Campos. Produzindo e montando sua qualidade. Disponível em: <http://www.qualiblog.com.br/e-book-gratis-produzindo-montando-sua-qualidade/>. Acesso em: 29 maio 2013. HP. Impressoras. Disponível em: <http://www8.hp.com/br/pt/products/printers/gateway-index. html>. Acesso em: 11 ago. 2013. SOUZA, Valdir Cardoso de. Organização e gerência da manutenção: planejamento, programação e controle da manutenção. 4. ed. São Paulo: All Print, 2011. XENOS, Hirilaus Georgius d’Philippos. Gerenciando a manutenção produtiva. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços, 2004. MINICURRÍCULO DO AUTOR Cleber de Paula é engenheiro eletricista e técnico em Eletrônica, especializado em Educação para o Ensino Técnico. Atua, desde 1997, como técnico de Ensino no SENAI SP ministrando aulas nos cursos técnicos de Eletrônica e Mecatrônica. É representante da Qualidade, responsável pela manutenção do Sistema de Gestão da Qualidade e auxiliar na implementação e manutenção do Sistema de Gestão Ambiental da Escola e Faculdade de Tecnologia do SENAI Anchieta-SP. Desde 2003, atua nos processos de auditoria interna do SENAI SP. Em 2011, concluiu o curso de Auditor- Líder da norma ISO 9001:2008 pela Knower Consultoria em Gestão Empresarial. É também professor da Escola Superior de Engenharia e Gestão. Integra a equipe de desenvolvimento dos cursos do Programa Nacional de Oferta de Educação Profissional na modalidade a distância (PN-EAD SENAI), na área de Eletroeletrônica. Atualmente cursa pós-graduação em Educação a Distância. ÍNDICE B Backup 22, 44, 60 Benchmarking 56, 57, 64 C Contas e subcontas 70, 71 F Federal Aviation Administration (FAA) 34 I Iminente 30, 31 Item a ser mantido 64, 65 M Mantenedor 13, 54, 55, 56, 67, 69, 74, 75 MTBF 25, 77, 78 MTTR 77, 78 P Protocolos de trabalho 64 Q Quebra Zero 57, 58 SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP Rolando Vargas Vallejos Gerente Executivo Felipe Esteves Morgado Gerente Executivo Adjunto Diana Neri Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO Walter Vicioni Gonçalves Diretor Regional Ricardo Figueiredo Terra Diretor Técnico João Ricardo Santa Rosa Gerente de Educação Airton Almeida de Moraes Supervisão de Educação a Distância Marta Dias Teixeira Supervisão de Material Didático Henrique Tavares de Oliveira Filho Márcia Sarraf Mercadante Silvio Geraldo Furlani Audi Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Cleber de Paula Elaboração Henrique Tavares de Oliveira Filho Revisão Técnica Silvio Geraldo Furlani Audi Design Educacional Marcos Antonio Oldigueri Ilustrações Delinea Tecnologia Educacional Editoração Fabrícia Souza Tiago Costa Pereira Revisão Ortográfica e Gramatical Natália de Gouvêa Silva Laura Martins Rodrigues Diagramação i-Comunicação Projeto Gráfico