Prévia do material em texto
PRÁTICA SUPERVISIONADA I Nesta disciplina, encontraremos a base teórica com orientações precisas para incentivar o aluno à busca pelo desenvolvimento de habilidades e ao aprendizado da prática profissional. Faremos uma segunda leitura, após a já efetivada anteriormente, sobre a legislação, as diretrizes e as documentações gerais que orientam o estágio supervisionado, apresentando o significado da supervisão, considerada uma atividade profissional do assistente social, fundamental para o desempenho cotidiano do seu trabalho. Desta vez, já com o aluno inserido no campo de estágio, tendo como elemento fundamental o aprendizado mútuo, isto é, visando a aprimorar a troca docente-discente. Abordaremos a importância da realização de um estudo sobre a instituição (esclarecer a instituição), a identificação da população alvo e as principais demandas relativas ao serviço social, e os aspectos primordiais para estabelecer estratégias de ação profissional em consonância com as reais necessidades da população. Posteriormente, destacamos os elementos essenciais da atividade de estágio supervisionado, e apontando os aspectos referentes ao registro e análise da prática profissional. ------------------------ AULA 1: A SUPERVISÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: APRENDIZADO MÚTUO Nesta aula, faremos uma segunda leitura sobre a legislação, as diretrizes e as documentações gerais que orientam o estágio supervisionado, apresentando o significado da supervisão enquanto atividade profissional do assistente social no cotidiano de trabalho. Desta vez, já com aluno inserido no campo de estágio, tendo como elemento fundamental o aprendizado mútuo AULA 2: INSERÇÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS Nesta aula, buscaremos esclarecer a importância da apresentação do aluno ao campo de estágio, e o acolhimento do mesmo pela profissional responsável pela supervisão. Destacando as observações e atividades iniciais do aluno no campo de estágio. AULA 3: PLANO DE ESTÁGIO: DIRETRIZES PARA UMA PRÁTICA PROFISSIONAL QUALIFICADA Nesta aula, apresentaremos as considerações essenciais para a elaboração do plano de estágio supervisionado atrelado aos interesses da população atendida, destacando a importância da participação do aluno no planejamento das atividades a partir do compromisso com o aprendizado profissional na experiência de estágio. AULA 4: DIÁRIO DE CAMPO: UM DIÁLOGO PERMANENTE COM A PRÁTICA PROFISSIONAL Nesta aula, forneceremos orientações sobre o registro do conteúdo resultante da prática profissional a partir da valorização do diário de campo, considerando sua importância no processo de aprendizagem. AULA 5: OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE E ESCUTA ATENTA Nesta aula, abordaremos a importância da observação participante como um instrumento essencial de coleta de dados da ação profissional, bem como a valorização da escuta atenta que, no seio do diálogo, permitirá observações e registros mais precisos. AULA 6: ATIVIDADE TEÓRICO-PRÁTICA SUPERVISIONADA: VALORIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE LEITURA À OBSERVAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL. Nesta aula, procuramos estabelecer a importância da leitura bibliográfica para compreender a prática profissional, visando contribuir para o aprendizado. Abordaremos, ainda, a importância do estudo sobre a instituição, a identificação da população alvo e as principais demandas, entendidos como aspectos primordiais para estabelecer estratégias de ação profissional em consonância com as reais necessidades da população. AULA 7: INSTRUMENTOS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL Nesta aula, apresentaremos uma síntese dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais como: observação participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, visita domiciliar e institucional e atividades em grupo. Será destacada a importância de analisar o conjunto de fatores essenciais a aplicabilidade dos instrumentos. AULA 8: O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL, INTERDISCIPLINAR E TRANSDISCIPLINARIEDADE NO COTIDIANO PROFISSIONAL. Nesta aula, estudaremos a importância da valorização de saberes oriundos de experiências de trabalho de diferentes categorias profissionais, bem como a pertinência do diálogo em equipes multiprofissionais. AULA 9: O PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL Nesta aula, apresentaremos uma reflexão sucinta sobre o processo de trabalho do Serviço Social, para propiciar a observação atenta de aspectos essenciais para o desempenho da prática profissional - considerando os diferentes espaços sócios ocupacionais e suas especificidades. AULA 10: SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Nesta última aula, abordaremos questões referentes à construção do relatório das atividades realizadas na experiência de estágio, isto é, o produto de análise do trabalho do Serviço Social. MAPA CONCEITUAL http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/mapa_conceitual.pdf http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/mapa_conceitual.pdf DISCIPLINA: TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO CONTEXTUALIZAÇÃO As mudanças experimentadas pelo ambiente corporativo com as transformações ocorridas no mercado, tornaram as empresas dependentes de dois aspectos fundamentais para destacarem-se positivamente diante da competitividade reinante: a qualidade dos seus produtos e serviços e, fundamentalmente, do menor tempo de resposta às exigências de adequação. Este cenário acentuadamente competitivo, obriga às Empresas direcionarem seus esforços para captar talentos, descobri-los internamente e, principalmente retê-los, qualificando-os para o contexto mercadológico de intensas transformações. A área de Treinamento e Desenvolvimento passa a ocupar uma posição de destaque estratégico, porque além de executar o trabalho secular de capacitação, também pode – e deve – funcionar como instigadora aos processos de integração dos colaboradores aos objetivos da Empresa, estimulando-os ao processo interacional das formações de equipes e ao desejo constante da busca dos resultados por excelência, com otimização dos recursos e práticas de baixos custos. Treinar já faz parte do contexto das exigências deste novo mercado, mas estimular o desenvolvimento constante passa a ser a essência do processo de amadurecimento das competências e das pessoas. EMENTA Treinamento e Desenvolvimento: definição conceitual e objetivos. 1. A importância do Treinamento e Desenvolvimento na estrutura dos processos e no contexto organizacional atual. 2. O Treinamento e Desenvolvimento atuando como premissa para o incremento do capital humano e intelectual na Organização. 3. O Treinamento e Desenvolvimento e a melhoria no resultado organizacional. 4. Visão sistêmica de Treinamento e Desenvolvimento. 5. O levantamento das necessidades de Treinamento e Desenvolvimento. 6. A formulação dos objetivos do processo. 7. Os métodos e as técnicas de treinamento adequados ao perfil do grupo, do conteúdo e dos objetivos propostos. 8. A pesquisa e a definição do conteúdo programático. 9. A aplicabilidade dos recursos instrucionais. 10. A programação e Execução dos treinamentos. 11. Os indicadores de resultados do processo de Treinamento e Desenvolvimento. 12. A avaliação de resultado e sua importância para a percepção do Treinamento como investimento. 13. A Educação e as Universidades Corporativas. 14. Gestão do Conhecimento como estratégia de Desenvolvimento. OBJETIVOS GERAIS Ao concluir a disciplina o aluno será capaz de: 1. Identificar a importância do Treinamento e Desenvolvimento na busca pela otimização dos processos e a conseqüente excelência dos resultados com baixos custos; 2. Conhecer as etapas do processo pleno do Treinamento e Desenvolvimento, desde o levantamento das necessidades até a mensuração dos resultados práticos, criando indicadores pontuais identificação do alcance dos objetivos propostos. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Ao concluir a disciplinao aluno será capaz de: 1. Saber Conceituar o papel de Treinamento e Desenvolvimento dentro das Organizações; · 2. Compreender a importância das ações de Treinamento e Desenvolvimento para os processos de qualificação, aperfeiçoamento, desenvolvimento e, principalmente, integração dos Colaboradores aos objetivos organizacionais e ao trabalho em equipe; · 3. Reconhecer o aspecto estratégico deste subsistema de RH para o sucesso do negócio da Empresa; · 4. Identificar as necessidades de treinamento, sabendo classificá-las em: organizacionais, operacionais e individuais; 5. Elaborar planos de ações de Treinamento e Desenvolvimento, contemplando todas as etapas do processo; 6. Definir os objetivos gerais e específicos das ações de Treinamento necessárias; · Desenvolver pesquisas para formatação de conteúdos programáticos; · 7. Saber Aplicar ações de Treinamento e Desenvolvimento; e . 8. Saber Mensurar os resultados, classificando-os segundo os indicadores previamente definidos. CONTEÚDOS 1. Sistema de Administração de Recursos Humanos 2. Os subsistemas de RH 3. Organização como um conjunto integrado de competências 4. Subsistema de desenvolvimento de Recursos humanos 5. Áreas de desenvolvimento humano 6. Aprendizagem 7. Avaliação do subsistema de desenvolvimento de pessoas 8. As etapas do subsistema de desenvolvimento de pessoas 9. Treinamento e Desenvolvimento e a competitividade das organizações 10. Objetivos 11. Conceituando competitividade 12. Competitividade das organizações 13. As conexões biológicas das organizações 14. Competitividade e pessoas 15. Eixos de competitividade 16. Gestão competitiva de recursos humanos 17. Atitude 18. Valor 19. Comprometimento 20. Inovação 21. O processo de integração dos recursos humanos 22. A integração dos novos empregados 23. A integração dos colaboradores antigos 24. Treinamento e desenvolvimento de pessoas 25. Conceito e tipos de educação 26. Treinamento 27. O ciclo do treinamento 28. Levantamento de necessidades de treinamento 29. Programa de treinamento 30. Tecnologia de treinamento 31. Execução do treinamento 32. Avaliação dos resultados do treinamento 33. Retorno do investimento em Treinamento 34. O papel do Treinador 35. Treinamento, desenvolvimento ou educação 36. Diagnóstico das necessidades de treinamento e desenvolvimento 37. Planejamento das atividades de treinamento 38. Avaliação do treinamento 39. Treinamento e Desenvolvimento em um mundo globalizado 40. Objetivos 41. Introdução 42. Próximas décadas e seu impacto em Treinamento e Desenvolvimento: a Ásia em destaque 43. Os desafios da África 44. Tendências de Treinamento e Desenvolvimento na Europa: a mescla de passado e futuro 45. A globalização nas Américas 46. Conclusões http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/plano_de_ensino.pdf BIBLIOGRAFIA BURIOLLA, Marta Alice Feiten. Estágio supervisionado. São Paulo: Cortez, 1995. CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (7ª Região). Assistente social: ética e direitos: coletânea de leis e resoluções. 4ª ed. Rio de Janeiro, 2006. MAGALHÃES, Selma Marques. Avaliação e linguagem: relatórios, laudos e pareceres. 2ª ed. São Paulo: Veras Editora; Lisboa: CPIHTS, 2003 BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento social: intencionalidade e instrumentalização. São Paulo: vozes Editora, 2000. BATISTA, Myriam Veras. O planejamento estratégico na prática profissional cotidiana. In: Serviço Social e Sociedade nº 47. São Paulo: Cortez, 1995. P.110-118. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/plano_de_ensino.pdf CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL. Estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: contribuição ao debate. 7ª ed. São Paulo: Cortez, 2007. GENTILLI, Raquel de Matos Lopes. Representações e práticas: identidade e processo de trabalho no serviço social. 2ª ed. São Paulo: Veras, 2006. GUERRA, Yolanda. Instrumentalidade do serviço social. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002. IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo: Cortez, 2001. IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço social em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007. IAMAMOTO, Marilda Vilela. Renovação e conservadorismo no serviço social. São Paulo: Cortez, 2004. MOTA, Ana Elizabeth. et alli (Orgs). Serviço Social e saúde: formação e trabalho profissional. 2ª ed. São Paulo: Cortez; Editora Brasília: OPAS, OMS, Ministério da Saúde; Recife: ABEPSS, 2007. AVALIAÇÃO A avaliação é contínua, integradora, com ênfase nos aspectos colaborativos, incluindo tarefas coletivas, e contempla o diagnostico, o processo e os resultados alcançados por intermédio de avaliações diagnosticas, formativas e somativas, considerando os aspectos da autoavaliação. A avaliação somativa de aprendizagem é realizada presencialmente pelo aluno no Polo de EAD da Estácio e segue a normativa da Universidade. A (s) prova (s) presencial (is) segue (m) 0o calendário acadêmico divulgado para o aluno. Durante o curso, os alunos realizam atividades propostas, compostas de questões objetivas e discursivas referentes ao conteúdo estudado, podendo ser elas de autodiagnóstico ou de discussão. Suscitar a reflexão sobre a inserção do aluno no campo de estágio, destacando aspectos essenciais do processo de estágio supervisionado. Incentivar o aluno ao desenvolvimento das habilidades e a articulação dos conteúdos apresentados nas diversas disciplinas, visando à análise da experiência no estágio, contribuindo para a compreensão das atividades de estágio. Oferecer a orientação necessária ao registro do conteúdo resultante da prática profissional, a partir da valorização do diário de campo, considerando sua importância no processo de aprendizagem. AULA 1: A SUPERVISÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: APRENDIZADO MÚTUO INTRODUÇÃO Vamos começar a aula, relembrando e esclarecendo que o estágio em Serviço Social é uma atividade curricular obrigatória, prevista pelas Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, desenvolvidas pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e orientado pelo Código de Ética Profissional (1993), pela Lei de Regulamentação da Profissão (1993), pela Resolução 533/2008 do CFESS e pela Política Nacional de Estágio da ABEPSS (2010). Então, é fundamental que você realize um estágio supervisionado, que é chamado de Curricular, obrigatório, porque faz parte da grade curricular: é uma disciplina com os objetivos e com uma carga horária definida (Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008). ESTÁGIO SUPERVISIONADO O que é um estágio supervisionado? A ABEPSS, no documento Política Nacional de Estágio, explica que o estágio supervisionado no curso de Serviço Social: [...] apresenta como uma de suas premissas oportunizar ao (a) estudante o estabelecimento de relações mediatas entre os conhecimentos teórico-metodológicos e o trabalho profissional, a capacitação técnico- operativa e o desenvolvimento de competências necessárias ao exercício da profissão, bem como o reconhecimento do compromisso da ação profissional com as classes trabalhadoras, neste contexto político-econômico-cultural sob hegemonia do capital É através da experiência de estágio supervisionado que você, estudante, identificará os conteúdos trabalhados nas diferentes disciplinas para o desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício profissional, ou seja, aprenderá a ser um assistente social. PRINCÍPIOS PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO EM SERVIÇO SOCIAL A ABEPSS destaca alguns princípios que devem nortear a realização do estágio em Serviço Social, tais como: A indissociabilidade entre as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa; A articulação entre estudantes, professores e assistentes sociais dos campos de estágio, através deuma constante comunicação, de um diálogo. Para valorizar as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, o aluno deve exercitar constantemente a prática da leitura, a partir da bibliografia e textos disponibilizados até o momento, bem como as sugeridas pelas diversas disciplinas e supervisora de campo. Todas as leituras serão fundamentais para que o aluno possa responder seus questionamentos, contribuindo para construção de uma prática profissional qualitativa. CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO Que deve ter uma supervisão sistemática, ou seja, ser acompanhado pelo profissional de campo (devidamente inscrito em Conselho Regional de Serviço Social da região onde atua), com atividades planejadas e voltadas para o aprendizado do aluno; Que o aluno busque saber o que é o plano de estágio, e possa participar da construção deste; Que o estágio não seja realizado antes que o aluno tenha cursado as disciplinas que o capacitem a analisar a realidade social, reconhecendo as mais diversas expressões da questão social e tenha adquirido conhecimentos básicos de aspectos éticos, teóricos e metodológicos da profissão; QUE DEVE TRANSCORRER NO PERÍODO LETIVO ESCOLAR; Tenha uma carga horária mínima de 450 horas; As atividades no campo não devem ultrapassar 30 horas semanais e as de sala de aula devem contar com três aulas semanais. A supervisão no campo de estágio deve contar com um momento aonde o aluno possa sentar com o supervisor e dialogar sobre a experiência vivenciada, lançando seus questionamentos na perspectiva do aprendizado mútuo. O processo de supervisão deve ser educativo, onde o supervisor é estagiário aprendem em conjunto, onde há a troca, a conversa sobre a experiência de trabalho, respaldada em uma teoria, isto é, valorizando ao processo de teoria-prática. O supervisor de campo é o responsável pelo acompanhamento do estágio na instituição onde o mesmo se realiza. O profissional não é obrigado a aceitar um aluno para supervisionar, mas quando solicita um aluno estagiário: significa que aceitou a atividade de supervisão, devendo se organizar para acompanhar o aluno no campo de estágio. Esta ação requer o desempenho de papéis, que Buriolla citada por Oliveira (2004, p. 70) destaca: “o papel de educador, o de transmissor de conhecimentos-experiências e de informações, o de facilitador, o de autoridade e o de avaliador.” DE OLHO NA LEI, Art. 8º. A responsabilidade ética e técnica da supervisão direta são tanto do supervisor de campo, quanto do supervisor acadêmico, cabendo a ambos o dever de: I. Avaliar conjuntamente a pertinência de abertura e encerramento do campo de estágio; II. II. Acordar conjuntamente o início do estágio, a inserção do estudante no campo de estágio, bem como o número de estagiários por supervisor de campo, limitado ao número máximo estabelecido no parágrafo único do artigo 3º; III. III. Planejar conjuntamente as atividades inerentes ao estágio, estabelecer o cronograma de supervisão sistemática e presencial, que deverá constar no plano de estágio; IV. IV. Verificar se o estudante estagiário está devidamente matriculado no semestre correspondente ao estágio curricular obrigatório; V. V. Realizar reuniões de orientação, bem como discutir e formular estratégias para resolver problemas e questões atinentes ao estágio; VI. VI. Atestar/reconhecer as horas de estágio realizadas pelo estagiário, bem como emitir avaliação e nota. (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de setembro de 2008). VII. A atividade de supervisão de campo exige um profissional com conhecimentos especializados e experiência nas dimensões: ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa; deve ter habilidade e facilidade de estabelecer relacionamento profissional com pessoas diferentes; deve dispor de condições mínimas de trabalho para supervisionar, principalmente tempo disponível para oferecer a devida atenção ao aluno. É preciso gostar, se identificar com a ação de supervisora, ou seja, não pode ser uma imposição da instituição. De olho na lei: Art. 2º. A supervisão direta de estágio em Serviço Social é atividade privativa do assistente social, em pleno gozo dos seus direitos profissionais, devidamente inscrito no CRESS de sua área de ação, sendo denominado supervisor de campo o assistente social da instituição campo de estágio e supervisor acadêmico o assistente social professor da instituição de ensino. (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de setembro de 2008) É claro que nem sempre as condições são ideais, pois vamos encontrar, na maioria das vezes, o profissional com várias incumbências na organização, tendo que dar contas de inúmeras tarefas (como ocorre também em outras profissões), mas destacamos NOVAMENTE que o ato de supervisionar exige dedicação e tempo. De olho na lei: CONSIDERANDO as disposições do Código de Ética Profissional do Assistente Social, que veda a prática de estágio sem a supervisão direta, conforme as alíneas “d” e “e” do artigo 4º do Código de Ética do Assistente Social (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de setembro de 2008). Até o momento, registramos alguns aspectos objetivos para a realização da supervisão, mas Buriolla (1996) acrescenta dizendo que: É importante que seja reservado um tempo para a supervisão e que isto faça parte do plano de estágio. Tal planejamento evitará a chamada “supervisão de corredor” em que os profissionais acabam respondendo às dúvidas pontuais dos estagiários em meio à tantas outras atividades, sem que haja possibilidade de uma reflexão sobre a prática, com a devida orientação. Supõe, ainda, a existência de materiais básicos, como: canetas, lápis, papel, xerox, livros, computador, armários, pastas, fichários, livros atas, etc. Eles são fundamentais para o registro das atividades desenvolvidas e das reflexões resultantes da supervisão. O que falta mais falarmos? E o papel do estagiário? Uma das partes fundamentais é o aluno. O que cabe ao aluno-estagiário? Neste momento, vamos relacionar mais uma vez, na íntegra, as atribuições dos estagiários definidas pela ABEPSS e extraídas da Política Nacional de Estágio (é preciso ler novamente, sem pressa!). “1 Observar e zelar pelo cumprimento dos preceitos ético-legais da profissão e as normas da instituição campo de estágio; 2 Informar ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, qualquer atitude individual, exigência ou atividade desenvolvida no estágio, que infrinja os princípios e preceitos da profissão, alicerçados no projeto ético-político, no projeto pedagógico do curso e/ ou nas normas institucionais do campo de estágio; 3 Apresentar sugestões, proposições e pedido de recursos que venham a contribuir para a qualidade de sua formação profissional ou, especificamente, o melhor desenvolvimento de suas atividades; 4 Agir com competência técnica e política nas atividades desenvolvidas no processo de realização do estágio supervisionado, requisitando apoio aos supervisores, de campo e acadêmico, frente a um processo decisório ou atuação que transcenda suas possibilidades; 5 Comunicar e justificar com antecedência ao supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, quaisquer alterações, relativas a sua freqüência, entrega de trabalhos ou atividades previstas; 6 Apresentar ao coordenador de estágio, no início do período, atestado de vacinação, no caso de realizar seu estágio em estabelecimento de saúde; 7 Realizar seu processo de estágio supervisionado em consonância com o projeto éticopolítico profissional; 8 Reconhecer a disciplina de Estágio Curricular em Serviço Social como processo e elemento constitutivo da formação profissional, cujas estratégias de intervenção constituam-se na promoção do acesso aos direitos pelos usuários; 9 Participar efetivamente das supervisões acadêmicas e de campo, tanto individuais como grupais, realizando o conjunto de exigênciaspertinentes à referida atividade; 10 Comprometer-se com os estudos realizados nos grupos de supervisão de estágio, com a participação nas atividades concernentes e com a documentação solicitada.” http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc01.pdf O ESTÁGIO Você deve estar perguntando: parte significativa deste material já foi visto? Certíssimo. No entanto, a partir deste momento você está inserido em um campo de estágio, e rever alguns pontos é fundamental para delimitar e refletir sobre o papel de todos os envolvidos seja o supervisor, ou você mesmo enquanto aluno- estagiário. É sempre bom lembrar que o estágio é uma responsabilidade, exigindo uma postura profissional de todos envolvidos – em especial: supervisor e estagiário. Isso significa um compromisso com a população atendida. Sendo assim, o estagiário deve justificar ao supervisor de campo quando ocorrer alguma situação em que o impeça de estar presente na instituição, visando não prejudicar o desenvolvimento das atividades. Outra situação que os alunos comentam é que têm muitas tarefas a realizar, fazem muitas coisas, mas que nem sempre sabem o significado. Então o espaço de supervisão é fundamental, o diálogo entre o supervisor de campo e o aluno é o momento em que os questionamentos devem ser apresentados, falados! É preciso falar as suas dúvidas e observações para o supervisor, porque por mais disponível que seja nunca irá adivinhar o que passa na sua mente, e vice-versa. Então pergunte, fale, converse sobre o estágio. Este é o momento do aprendizado. Não tenha medo de errar, porque o medo paralisa o processo de aprendizado. As coisas acontecem e deixamos de acompanhar por medo e insegurança. Não deixe isso acontecer com você. Então pergunte quando estiver com dúvidas. HISTORIA Uma vez um aluno me contou que era sua atribuição inserir dados no computador para alimentar uma pesquisa. Mas qual o sentido desta ação? Porque toda ação dever ter um significado dentro do processo de trabalho do Serviço Social. Participar de todo processo da pesquisa é fundamental, não é? Considerando que o resultado contribuirá para a delimitação das linhas de ação. Claro que não estamos defendendo que o estagiário seja um digitador, mas se todos estavam participam do processo de entrevista, do registro e de análise - o estagiário não pode ficar de fora. Então é preciso problematizar, discutir e refletir com os diversos profissionais sobre a situação apresentada para esclarecer e delimitar o papel de cada um. E o mais importante ainda é dialogar sobre o significado das ações no processo de aprendizado. A relação entre supervisor e estagiário é pedagógica, de reflexão, de construção e de organização do conhecimento, e não de treinamento. É extremamente importante que exista um clima de respeito, confiança e incentivo. O supervisor e o aluno devem valorizar esse clima profissional, facilitador da aprendizagem, em que se busque o desenvolvimento das potencialidades e a redução das dificuldades. Uma relação que pressupõe um diálogo, onde as ações são discutidas, as dificuldades acolhidas e trabalhadas, contribuindo para a construção da identidade profissional do aluno. Buriolla (1994, 36) diz que a atividade de supervisão é importante no processo de formação do aluno, especialmente no momento em que ele inicia o estágio prático supervisionado, onde, diante do desconhecido, do novo, ele apresenta insegurança profissional. No processo de ensino aprendizagem, o aluno de serviço social tem como matriz de identidade profissional o seu ‘supervisor de pratica’, o ‘supervisor de campo’. Cabe, então, ao supervisor acompanhar o aluno-estagiário neste processo de amadurecimento de sua formação profissional. Supervisor e supervisionado vão, conjuntamente, desvelando os diversos conteúdos relacionados á sua prática e, aos poucos, por aproximações sucessivas, as diversas concepções vão se alterando. Este processo o aluno a uma maturação gradativa, a uma segurança profissional, a tal ponto que se espera ao final do curso, que ele tenha encontrado a sua própria identidade profissional, diz BURIOLLA(1994). Com o passar do tempo, dentro do campo de estágio, o aluno sentirá mais a vontade para propor idéias, comentar observações, debater situações, travando o diálogo cada vez mais qualitativo e profissional com o supervisor de campo e demais profissional. O espírito crítico e de criatividade são fundamentais, aonde na prática vai se construindo e refazendo a teoria. A supervisão é aonde se expressa a troca entre o supervisor e o aluno; troca de vários conteúdos, troca de idéias sobre o quê e como se faz, sobre o trabalho, sobre a iniciativa e a criatividade que devem estar presentes na prática profissional. Para tanto, é preciso travar um relação onde ambos possam dialogar, ou seja, falar e ser ouvido. É fundamental prestar atenção no que outra fala como ter espaço para falar é igualmente importante. Esta é a relação que buscamos travar com a população que atendemos? Sim ou não!? Claro que sim. Então, temos que colocar em prática entre nossos pares http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc01.pdf mais próximos, exercitar o diálogo. Paciência para ouvir, porque valorizar a fala do outro é escutar. Como também é um exercício expressar as observações, falar sobre o que se pensa sobre o assunto, verbalizar as experiências de forma respeitosa. Estevão apud Buriolla (1994, 99) fala sobre o papel do estagiário como aquele de ´estar disponível´ para se preparar profissionalmente para ser assistente social. É desse papel que derivam os outros por ela apontados: o de aprender a ser responsável pelas tarefas que competem ao aluno, o de trazer o conteúdo do curso para discutir no estágio; o de saber correlacionar teoria-prática e a esta com o contexto sócio-histórico. Nesta medida, o supervisionado precisa ´estar aberto para o que vem´, ou seja, estar á disposição das demandas cotidianas, da sociedade, do Serviço Social e de seus usuários e da prática profissional. Já o supervisor é um profissional com a experiência necessária, mas que também se encontra em um processo de aprendizado contínuo. Significa que em alguns momentos o supervisor revelará ao aluno que uma determinada situação é nova para ele mesmo, que e os dois, juntos, irão aprender como lidar com a realidade apresentada. Tempos atrás um aluno comentou sobre o supervisor de campo: “mas ele deveria saber como trabalhar a situação apresentada, afinal de contas já terminou a faculdade, e tem muita experiência”. Por outro lado, é preciso lembrar que não sabemos tudo, trabalhamos com a realidade em sua história e dinâmica, onde sempre haverá situações diferentes e novas. Exigindo dos profissionais a busca do aprendizado permanente. É isto mesmo: estudar é pra vida toda, não pode parar. Lembro quando estava com um grupo de alunos, no campo de estágio, todos os presentes na reunião de equipe. E lançamos proposta: construir ações em conjunto, e um aluno disse em tom alto e tenso: “você é quem deve nos dizer o que fazer, eu estou aqui para fazer e aprender”. Então refletimos em conjunto sobre a importância de propor e criar ações em equipe, não apenas executar. O Assistente Social deve ser um profissional propositivo, participativo, criativo, e não apenas se restringir a execução de tarefas. E a atividade de “sala de espera” foi planejada, considerando o momento de organização da atividade, tempo de execução e momento de avaliação da mesma. E todos os alunos participaram - inclusive o aluno quem fez a observação anterior, ele era muito participativo, compreendo posteriormente o significado da proposta. Mas o que é uma “sala de espera”? É uma atividade educativa feita com os usuários enquanto aguarda o atendimento, seja no hospital ou em outra instituição. É uma atividade educativa que é feita na própria sala de espera. E precisa ser muito bem planejada, como qualquer atividade profissionalpara que se alcance ou se aproxime ao máximo do objetivo delimitado. Bom, concluímos então que é preciso muita paciência quando nos aproximamos da realidade do qual não participávamos. E chegar ao estágio é participar de uma realidade nova, conhecer novas pessoas, se aproximar do desconhecido. Neste momento, a observação e a escuta atenta são fundamentais para colher informações que possam auxiliar a “compreender” e a participar de um novo cotidiano. E a palavra compreender aparece entre aspas porque o primeiro momento é de apresentação, já a análise é um processo de aprendizado que se dá ao longo do tempo de estágio, onde passamos a conhecer a instituição, os profissionais, a população atendida, as relações sociais e a questão social, sendo o relatório de estágio (elaborado pelo aluno ao final da disciplina) o registro da reflexão e aprendizado desta experiência. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc02.pdf DIÁRIO DE CAMPO Finalizamos a aula orientando a todos a adquirir um caderno para o registro da vivência de estágio. Este instrumento é chamado de Diário de Campo. O aluno deve levar o caderno, seu diário de campo, e fazer as anotações desde o primeiro dia – como já falado anteriormente. Como se aprende a fazer o diário de campo? A resposta é simples: fazendo. E a supervisora de campo irá auxiliar, mas não pode deixar de realizar as leituras das aulas e textos propostos. O Diário de Campo será um importante instrumento para contribuir na elaboração do relatório de estágio ao final da disciplina. Mas vamos devagar, e respeitando o tempo, o aprendizado é planejado dentro de um processo pedagógico para que todos possam obter um resultado positivo dentro de uma “tempestade” de novidades. ATIVIDADE PROPOSTA Como atividade para o primeiro dia de estágio, sugiro prestar atenção aos profissionais que trabalham na instituição. Caso seja uma instituição média ou grande, procure saber, ao menos, os nomes dos profissionais mais próximos. E com o passar do tempo, conhecerás os demais. Por exemplo: qual o nome do profissional que realiza a limpeza da sala, dos banheiros? Que tal ao chegar à instituição cumprimentá- http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc02.pdf lo com um BOM DIA. Aliais, numa Graduação que valoriza tanto o fator humano, ser gentil como todos é requisito fundamental, além de contribuir para a promoção de clima amistoso. Alguns alunos falam, “nossa, tanta gente! Não vou lembrar o nome de todo mundo?!”. É verdade, mas você pode anotar no seu diário de campo. Isto mesmo! Tenha um caderno de anotações, o seu Diário de Campo, e no primeiro dia comece a registrar. Lembre-se de iniciar sempre com a data, hora, local e evento. Exemplo de um evento do primeiro dia no Campo de Estágio: apresentação da equipe – nomes e função - visita rápida por toda instituição, endereço da instituição, telefone, etc. Também escreva suas observações, o que lhe chamou atenção, as perguntas que gostaria de fazer a supervisora; um fato que lembrou alguma aula ou leitura – um fato que lembrou alguma aula ou leitura – neste momento, talvez, você sinta a necessidade de rever algum texto ou material; um termo técnico que ouviu, mas não sabe o que é (busque nos livros, na internet, e depois pergunte a supervisora). Sugiro a leitura da resolução que regulamenta a supervisão de estágio no Serviço social. ABPESS. Política Nacional de Estágio. 2010. Nesta aula, você: Relembrou que o estágio é uma atividade curricular obrigatória, com atribuições definidas, constituindo uma atividade pedagógica que deve ser acompanhada por assistente social (devidamente habilitado). Conheceu alguns elementos importantes para o processo de aprendizagem mútua, a partir do processo de supervisão. AULA 2: INSERÇÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS Na aula anterior falamos bastante sobre o papel do supervisor de campo e do aluno-estagiário. Daremos continuidade à discussão partindo do pressuposto que você já iniciou o estágio. Conforme colocado anteriormente, nunca é demais lembrar que é preciso levar um caderno para anotações, que chamamos de diário de campo. Para depois não dizer que se esqueceu de anotar porque não tinha o diário de campo (um caderno). E anote as informações antes sugeridas. Não se recorda? Então faça uma leitura da aula passada. A VESTIMENTA NO ESTÁGIO É importante se apresentar a supervisora de campo, ouvir as colocações, apresentar dúvidas. Os alunos quando iniciam estágio em um hospital costumam me perguntar se precisam usar jaleco. Então observe nos primeiros dias: se todos estão usando, e procure debater com o supervisor de campo o significado. Já nos estágios em outros locais, aonde não precisa de vestuário complementar, a vestimenta deve ser atenta, considerando que o trabalho é de atendimento direto a população. Por exemplo: uma vez recebi um aluno quem usava blusa do time de futebol. E sempre orientei que no dia do estágio evitasse a blusa, porque poderia atender alguém que não concordasse com sua opinião. O aluno disse que era uma grande bobagem, que não tinha nada demais. ENTÃO VAMOS OBSERVAR O APRENDIZADO NO COTIDIANO: Um dia marcamos uma entrevista com o pai de uma criança, cuja mãe dizia que o pai era agressivo verbalmente com a filha, desvalorizando as atividades escolares, depreciando a imagem da filha, etc. Após várias tentativas de atendimento, porque o pai marcava e não aparecia - um dia o pai compareceu ao atendimento. E o estagiário entrou na sala com a blusa do time. Esse pai imediatamente falou: “não sei o que estou fazendo aqui, ainda tenho que olhar pra cara desse aí com essa blusa ridícula”. E o canal de diálogo foi abalado por algo que se poderia evitar. http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao533.pdf http://www.cfess.org.br/arquivos/pneabepss_maio2010_corrigida.pdf OUTROS EXEMPLOS: Blusa de santos religiosos; bermudas e shorts (tanto homens como mulheres – mas no verão algumas repartições pública libera a bermuda comprida). O estágio é um local de trabalho, e como tal é preciso observar este aspecto. HORÁRIO DE ESTÁGIO Sobre o horário de estágio, o estagiário se adequará ao horário da instituição e a disponibilidade de horário do profissional, esta informação deve ser verificada antes do aceite para o campo de estágio. Vamos trabalhar com muitos exemplos nesta aula, porque não há bibliografia específica. Voltando ao exemplo: se ambos entram no acordo que o estágio será aos sábados, então ambos devem reservar este tempo para a atividade de estágio supervisionado. Conciliar as atividades de estudos e trabalho é pesado, bem cansativo, mas com toda certeza trará recompensas de um investimento planejado. CONHECENDO A DINÂMICA O estagiário está se aproximando, gradativamente, da realidade de trabalho do Serviço Social. Neste primeiro momento, sugerimos ao estagiário conhecer os profissionais mais próximos, nomes dos colegas de trabalho, suas respectivas funções. Levantamento dos setores existentes e atividades desenvolvidas. E peça ao supervisor de campo uma sugestão de leitura. Vamos a mais um exemplo: se você vai fazer estágio em um hospital, qual a leitura mais apropriada para auxiliar nesta primeira aproximação? Ou se o estágio é em uma organização não governamental, qual a bibliografia mais sugestiva de acordo com área de atuação? Mas pode acontecer de você encontrar algum livro ou material na Internet. Antes de realizar a leitura ou comprar o livro, converse com a supervisora de campo sobre a qualidade do material. Ao ingressar em um novo espaço de convivência profissional, o campo de estágio, procuramos, primeiramente, conhecer a dinâmica de suas ações e, aos poucos, desenvolver uma rotina que irá facilitar a interação sócio-profissional e o exercício mais eficiente. ---------------- Considerando que a história é construída no dia-a-dia, a possibilidade de superaçãodas limitações e barreiras não fica descartada. Para tanto, não podemos se deixar levar pela prática imediatista pura e simples, buscando atuar numa perspectiva que nos permita redimensionar alguns valores, acrescentando um novo sentido ao exercício profissional. Ou seja, aproximando-se da realidade para melhor planejar as atividades de trabalho. É isso que o estagiário deve buscar: aprender a se aproximar de uma nova realidade com o objetivo de exercitar o planejamento da prática profissional, para ser propositivo, sugerir, construir ações, não apenas executar, mas que seja um fazer profissional onde possa compreender o significado das ações, com posterior análise das mesmas. É importante delimitar com o supervisor de campo um momento para a realização de um debate sobre as atividades desenvolvidas. Neste dia, no horário combinado, os dois estarão disponíveis para refletir sobre a experiência de estágio. O aprendizado mútuo se dá aonde há o respeito às diferenças. Então o aluno pode expor suas idéias, observações e questionamentos. O que pode acontecer, em alguns momentos, e relatado por alunos, é que o cotidiano profissional apresenta tantas demandas que o tempo de supervisão não é respeitado. O que por vezes pode até impedir uma aproximação não qualitativa entre supervisor e aluno ficando este último, com várias dúvidas sobre a profissão, e o mais grave: executando tarefas sem compreender o sentido da mesma. Buriolla (1994:187) nos coloca que, nesta visão, tanto o supervisor, quanto o estagiário são sujeitos ativos do processo ensino- aprendizagem e da produção de um saber-fazerprofissional de conhecimentos. Isto exigirá mudanças de todos os implicados. Exigirá do supervisor e do aluno a co-vivência, a co-ação, a co-responsabilidade, com sujeitos coparticipantes do processo educativo. Exigirá do supervisor um preparo sistemático e aprofundado que o leve a rever constantemente o seu trabalho; exigirá que haja uma prática constante, sistemática dos alunos, supervisores, educadores de Serviço Social e população que gerará consciência das necessidades de transformação; exigirá que se recupere a vivência social do aluno-estagiário, em uma perspectiva crítica, ampliando-a através da articulação com as práticas sociais, e que o aluno possa estabelecer, no cotidiano de sua prática, as relações que se constituem entre a população e a prática executada, e se firmem novas propostas de agir profissional. Nesta dinâmica, o estagiário é incentivado a realizar aproximações gradativas a realidade profissional iniciar o aprendizado de sistematização da prática profissional. É um processo de aproximações que tem como foco o aprendizado. ------------------- COLETA DE DADOS SOBRE A INSTITUIÇÃO Vamos aprender sobre a instituição? Busque saber se existem documentos aonde possa encontrar o histórico da instituição, missão, valores, serviços oferecidos, etc. Você perguntou à supervisora se existem registros com estas informações? Alguns alunos relatam que não foram encontrados registros em alguns campos de estágio, cabendo ao estagiário construir parte desse conhecimento, perguntando, buscando e registrando para posteriores análises. A atividade de coleta de dados, em geral, inicia-se por uma aproximação preliminar exploratória que busca levantar informações que irão compor um primeiro quadro de situação geral. A proposta é ler a documentação existente e formular questões para o momento da supervisão, que ajudarão na reflexão sobre a prática profissional. --------------- Durante o processo de estágio supervisionado é pertinente a coleta de dados sobre a instituição (local de estágio), das políticas públicas, da legislação e da rede de apoio existente. Isso significa que a compreensão da realidade apresentada bem como a delimitação do objeto de intervenção tem por referência o conhecimento da instituição, de suas finalidades (sua missão), de seus valores, da sua área de ação (região, município, etc.), de seu setor (social, econômico, etc.), de seu nível de competência (municipal, regional, etc.), da sua função, dos seus objetivos, das diretrizes, das estratégias e das expectativas, de sua estrutura organizacional e administrativa (organograma, estatutos, regulamentos, descrição de cargos, política geral e política salarial). Sobre o levantamento da rede de apoio existente, quando não há registro. A busca será feita, paulatinamente, mas é importante saber o que se está procurando para observar e identificar. Pergunta importante: O que é rede de apoio? Podemos entender como articulação de um conjunto amplo e dinâmico de organizações diversas, em torno de interesses em comuns, que realizam ações sistemáticas e complementares a demanda apresentada pela população alvo da instituição. Alguns exemplos: uma iniciativa filantrópica que oferece um serviço sistemático a população, e complementar ação desenvolvida pela instituição (campo de estágio), existindo a comunicação entre todos envolvidos. Vamos a um exemplo: em hospital especializado na área da infância, podemos encontrar uma ONG parceira, oferecendo cesta básica, enxoval para os recém nascidos, verba para a compra de próteses, etc. Outra fonte de informação que contribuirá no entendimento sobre a dinâmica do campo de estágio é a participação em congressos, seminários e palestras. Participar destes espaços enquanto ouvinte significa ter acesso aos debates atuais sobre a área de trabalho, conhecendo outras experiências. O estagiário também pode apresentar trabalhos nestes espaços, quando da chamada para participação. Busque saber mais sobre o assunto, levando este ponto para refletir com a supervisora de campo. Mas adiantamos que antes de apresentar trabalhos em congressos e seminário é preciso amadurecer a identidade profissional a partir vivência de estágio, ou seja, é uma idéia para o aluno se preparar e participar quando se encontrar mais seguro na prática de estágio. Assistir ou ler jornais e revistas (seja na internet) procurando se apropriar das últimas notícias nacionais e internacionais é uma prática primordial para acompanhar, compreender, participar e fazer a história. Não estou dizendo para ler tudo o que encontrar pela frente, mas selecionar uma notícia para ler e discutir com a supervisora de campo. É notório que a maior parte das notícias que se encontram na mídia é pontual, vazia na crítica construtiva, e por muitas vezes tendenciosas a formação de opinião. Por tanto, ler, ler e ler é fundamental para fugir destas armadilhas e construir o pensamento próprio sobre a realidade em que se vive. Lembro da experiência de um grupo focal com um grupo de mulheres trabalhadoras, mães, em uma favela. A atividade era parte de um projeto social do qual fazia parte como pesquisadora. Na ocasião nos reunimos uma vez por semana, todos os profissionais, a saber: dois assistentes sociais, dois psicólogos, e três estagiários. Organizávamo-nos da seguinte maneira: Apoio (responsável pelo lanche e providenciar material necessário a realização do grupo), Coordenação do grupo (responsável pela coordenação do grupo focal) e Registro (fotografar, gravar e anotar toda a dinâmica). Todos passam por todas as etapas, ora eu estava no Apoio, outro dia participava da Coordenação, ou do Registro. Mas para funcionar é preciso planejar e avaliar continuadamente. A proposta era promover o debate sobre os Direitos e Deveres das Crianças e Adolescentes a partir das reportagens da mídia escrita (nos jornais de grande circulação). Lembro que uma mãe levou uma reportagem sobre as condições precárias da rede de saúde, expressando preocupação com a saúde da família – em especial dos seus filhos. A partir desta reportagem, discutimos sobre a importância da vacinação, até chegar ao Estatuto da Criança e do Adolescente onde preconiza que na internação da criança, o responsável legal tem o direito de permanece na enfermaria. Na semana seguinte, a mesma mãe falou: “minha filhafoi internada e o médico não queria me deixar ficar com ela, fui até a minha casa, peguei o ECA e mostrei pra ele, entrei na mesma hora”. Um exemplo simples nos mostra o quanto à leitura aguça a curiosidade, e auxilia na busca de informações sobre o que está acontecendo no meio em que vivemos. Imagina um profissional que não acompanha a mídia a partir da realização de uma leitura critica. Com esta atividade, observaremos que muitas informações não aparecem na mídia. E precisamos nos aproximar para entender os por quês. --------------- A PRÁTICA SOCIAL Iamamoto (2004, p. 114) nos diz que a trajetória do Serviço Social enquanto profissão apresenta um arsenal de mitos hoje presentes na compreensão da prática social e, mais especificamente, da prática profissional. Como componentes dessa ‘mitologia’, apresenta: A prática social reduzida a qualquer atividade, à atividade geral; A concepção utilitária da prática social, traduzida profissionalmente na preocupação com a eficácia técnica, com o resultado imediato e visível, quantificavelmente mensurável; A prática social apreendida na sua imediaticidade, como um dado, que teria o poder miraculoso de revelar-se a si mesma, como coisa ‘natural’. Essa naturalização da vida social e essa coisificação da prática – aparências necessárias e historicamente gestadas na própria sociedade capitalista – são apreendidas unilateralmente como se fossem reveladoras da concretude do real. Assim, as expressões da prática social passam a ser apreendidas em si mesmas de maneira auto-suficiente, em um processo de parcialização progressiva da totalidade da vida social.” Podemos compreender a exposição de Iamamoto(2004) como uma real preocupação, onde o fazer profissional do assistente social não pode ser entendido como uma atividade que qualquer pessoa pode desempenhar, a partir do domínio puro da técnica, sem a realização de uma leitura crítica da realidade. É preciso fugir da prática “profissional” imediatista, sem planejamento, isenta do olhar crítico construtivo, cujo objetivo é apenas a resolução imediata da situação apresentada. A prática social não se revela na sua imediaticidade. É preciso estudar, realizando uma leitura crítica das situações apresentadas no cotidiano profissional, valorizando a relação teoria e prática. As sessões plenárias do XIX Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais produziram valiosas considerações quanto ao exercício profissional, que merecem destaque (IAMAMOTO, 2007, P. 467): “ – aprofundar o conhecimento as condições reais de trabalho do assistente social, enquanto trabalhador assalariado, articulando-o às lutas mais gerais dos trabalhadores frente as reformas sindical, trabalhista e universitária; - estimular o estudo sobre os espaços ocupacionais -, tradicionais e emergentes - transformando-os em espaços públicos de denúncias e reivindicações; - aperfeiçoar e estimular a construção de articulações político-institucionais com a sociedade civil na luta pela garantia de direitos; - apoiar o aprofundamento teórico-metodológico como base para a leitura dos trabalhos realizados, reconhecendo a convivência de tendência inovadora e conservadoras nessas leituras e atribuindo maior atenção a dimensão técnico-operativa da profissão; estimular formas de socialização e intercâmbio de experiências profissionais exitosas que indicam avanços na concretização do projeto ético-político profissional.” Diante do que foi colocado, constatamos que o Serviço Social é uma profissão dinâmica inserida no próprio contexto sócio histórico. O assistente social deve modificar a sua forma de atuação profissional, em decorrência da demanda que lhe é colocada. É necessário acompanhar o movimento da sociedade e perceber os novos espaços como possibilidades de intervenção sobre uma realidade social. Isto é, cabe ao profissional ir além do imediatismo, assumindo uma postura de investimento no processo de apreensão da realidade concreta e das mudanças sociais em movimento, buscando identificar novas possibilidades de intervenção profissional. A partir da valorização da qualificação continuada para desenvolvimento de novas competências e habilidades, será possível atender as novas demandas postas à profissão. O atual quadro social brasileiro pede por uma atuação profissional consistente, que intervenha sobre os novos desafios postos a cada dia. Por isso o assistente social deve estar em permanente atualização para oferecer respostas à demanda de trabalho apresentada. QUALIFICAÇÃO CONTINUADA Qualificação continuada significa assumir a ação investigativa na busca da organização de novas possibilidades de intervenção. É a atitude investigativa que permite desvendar o ponto central do problema. Lembra-se que a teoria fundamenta a prática e encontra-se no nível da abstração, do pensamento, já o método norteia a prática. É preciso romper com a idéia de que “qualquer um” tem condição de fazer o que o Serviço Social faz e mostrar qual é o produto do trabalho profissional, apropriando-se das ferramentas gerenciais e tecnológicas, de registro e documentos. Em outras palavras, é preciso entender que, nesse momento histórico, o fazer profissional está diretamente relacionado às seguintes dimensões: investigativa, teórico metodológica, técnico-operativa, ético-política e pedagógica. E o “como fazer” (investigativo, técnico- operativo e pedagógico) precisa ser trabalhado a partir de uma formação continuada. DE OLHO NA LEI, Enquanto profissional liberal e de acordo com a Lei de Regulamentação da Profissão do Assistente Social (Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993) constituem competências do assistente social: I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; IV - (Vetado); V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. Assim, há muito que observar aprender, trocar, vivenciar a partir da experiência de estágio supervisionado. E Iamamoto (2001, p. 87) complementa, apontando que os maiores desafios colocados ao profissional de serviço social, na atualidade, são: “ • Decifrar as múltiplas expressões da questão social, sua gênese e as novas características. • Repensar a questão social, dado que as bases de sua produção sofreram transformação. • Desenvolver a capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. • Qualificar-se para acompanhar, atualizar e explicar as particularidades da questão social nos níveisnacional, regional e municipal.” Mas é preciso muita perseverança, comprometimento, identificação com a profissão e paciência no processo de aprendizado, não se conhece uma realidade do dia para a noite, o tempo vivenciado no campo de estágio, a participação nas atividades planejadas e a reflexão sobre as mesmas, aos poucos, aproximará você do que chamamos de sistematização da prática profissional, isto é: planejar, executar, monitorar e avaliar a prática profissional, em uma perspectiva propositiva e criativa. ----------- Sugerimos a participação em seminários e palestras com temas relacionados ao campo de estágio ou a política de atuação. Faça uma pesquisa na internet, no site do CRESS ou CFESS, ou até mesmo em outros sites. Pergunte à supervisora se haverá algum evento nos próximos dias, ou mês. E assim se organize para participar e aprender com outras experiências. E lembra-se de solicitar o certificado de participação enquanto ouvinte, importante documento para comprovação curricular. Nesta aula, você: Aprendeu que o aluno está iniciando uma nova experiência, acolhido por uma supervisora de campo. Aprendeu que o aluno, estagiário, também tem que cumprir o seu papel: na condição de aprendiz, estando disponível ao processo de estágio a partir de uma aproximação gradativa da realidade de trabalho dos assistentes sociais. AULA 3: PLANO DE ESTÁGIO: DIRETRIZES PARA UMA PRÁTICA PROFISSIONAL QUALIFICADA Na aula anterior aprendemos que o estágio supervisionado propicia ao aluno uma aproximação gradativa a realidade de trabalho do assistente social. Mas pra isso é preciso apresentar um plano de trabalho. Neste caso, um plano de estágio. Mas o que é um plano de estágio? É um instrumento de didático-pedagógico. É o registro das etapas do estágio supervisionado, delimitando o período (data estimada), as atividades, os objetivos, a metodologia e as leituras necessárias ao aprendizado do aluno. O qual poderá ser adaptado as necessidades que possam surgir no decorrer do período. PLANO DE ESTÁGIO Por exemplo, no primeiro mês do estágio você poderá se dedicar ao levantamento de informações sobre a história da instituição. No plano serão registradas as ações necessárias para o alcance deste objetivo, delimitando o tempo para executá-las, garantindo o tempo de debate com a supervisora de campo. Outro exemplo: Aprender a entrevistar (objetivo). Então vamos exercitar! O que é preciso fazer para aprender a entrevistar o usuário no primeiro atendimento? Verificar se realizou a leitura dos principais textos sobre o assunto, observar a realização de uma (ou várias) entrevista(s), debater com a supervisora de campo sobre a observação (apresentando os questionamentos), compreender o conteúdo do roteiro de entrevista (entendendo o objetivo de cada pergunta) e valorizar o diálogo enquanto instrumento principal neste processo. ELABORAÇÃO DO PLANO DE ESTÁGIO Na elaboração do plano registra-se de forma pontual para que se possa aprofundar, posteriormente com o desenvolvimento do planejamento das ações. Um roteiro simples de plano de trabalho e que pode ser utilizado para o estágio. Vamos retomar o exemplo anterior, a entrevista: São vários os motivos para valorizarmos o momento de elaboração do plano de estágio, apresentamos alguns: OBJETIVO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO O objetivo maior do estágio supervisionado é proporcionar ao aluno vivência em diferentes dimensões de atuação profissional, promovendo a articulação entre teoria e prática e a busca de soluções para situações- problema características do cotidiano profissional, de forma contextualizada, crítica e atualizada, formando assistentes sociais, que (re) pensem seu trabalho e estimulem o desenvolvimento do pensamento crítico e científico. AS ATIVIDADES DELIMITADAS NO PLANO DE ESTÁGIO DEVEM ESTAR COMPROMETIDAS COMO O APRENDIZADO DO ALUNO, O INCENTIVANDO A: Articular teoria e prática de forma sistematizada, propiciando o saber, o fazer e a compreensão do que se fez, através da reflexão-ação nos diversos tempos e espaços; Compreender as diferentes dimensões do espaço profissional, atuando de forma coletiva e articulada; Atuar como agente de integração entre o conhecimento científico e o senso comum, promovendo a analise crítica da realidade social e a busca de alternativas para sua transformação; Construir um perfil profissional competente e comprometido com o código de ética profissional; Elaborar estratégias de ação atualizadas, contextualizadas e interdisciplinares, capazes de atender a solicitações institucionais e promover a construção de conhecimento e responder a demanda da população alvo dos serviços. DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO O aluno-estagiário deverá desempenhar suas atividades numa perspectiva de reflexão na ação e sobre a ação, de modo a formar-se como um profissional reflexivo que paute sua prática em dimensões éticas e políticas, de forma crítica, contextualizada, interdisciplinar e transformadora. O desenvolvimento do Estágio Supervisionado basear-se-á no conhecimento da realidade; na reflexão sobre a realidade e na identificação das situações que possam tornar-se objeto da proposta de aprendizado profissional. Alguns elementos que deverão estar registrado no plano de estágio são: as reuniões de orientação de estágio para reflexão e análise das informações obtidas; setores em que o aluno-estagiário atuará; e forma de acompanhamento e de avaliação do aluno-estagiário. Sabemos que no cotidiano de trabalho ocorrem alguns empecilhos que podem atrasar os prazos estimados, mas o acompanhamento sistemático das ações faz com que o plano seja flexível a garantia do aprendizado do aluno. APÓS O EXERCÍCIO DE ELABORAÇÃO DO PLANO DE ESTÁGIO, DELIMITANDO AS DIRETRIZES A SEREM DESENVOLVIDAS AO LONGO DO SEMESTRE: QUAL SERÁ O PRÓXIMO PASSO? O próximo passo é o planejamento mesmo das atividades. Aprofundando “o como fazer?”, “como atingir o objetivo proposto?” para um resultado satisfatório, valorizando as etapas de execução das atividades delimitadas no plano, planejando as ações e destacando as formas de monitoramento e a avaliação da prática profissional. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES Sobre o planejamento das atividades delimitadas no plano, Baptista (2000,13) fala que o termo planejamento refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam no mundo social. Sobre o tema Planejamento Social, cabe uma reflexão sobre as contribuições de Baptista – daremos destaque ao trabalho sob o título “Planejamento Social: intencionalidade e instrumentalização”, registrada nas referencias bibliográficas desta aula. Planejamento – “o planejamento se refere, ao mesmo tempo, à seleção das atividades necessária para atender as questões determinadas e a otimização de seu inter-relacionamento, levando em conta os condicionantes impostos a cada caso (recurso, prazos e outros); Baptista apud Ferreira (2000, 15) nos diz que o planejamento se organiza por operações complexas e interligadas, e aponta alguns aspectos que devem ser considerados quando do planejamento. São eles: DE REFLEXÃO Que diz respeito ao conhecimento de dados, à análise e estudo de alternativas, á superação e reconstrução de conceitos e técnicas de diversas disciplinas relacionadas com a explicação e quantificação dos fatos sociais; DE DECISÃO Que se refere à escolha de alternativas, à determinação de meios, à definição de prazos, etc.; DE AÇÃO Relacionada à execução das decisões. É foco central do planejamento. Orienta-se por momentos que a antecedem e é subsidiada pelas escolhas efetivas na operação anterior, quando aos necessários processos de organização; DE RETOMADA DA REVISÃO Operação de crítica dos processos dos efeitos da ação planejada, com vistas ao embasamento do planejamento de ações posteriores.Aprendemos que o plano e planejamento são etapas complementares no cotidiano profissional, mas vamos esclarecer mais uma vez a diferença entre os dois: PLANO O plano delineia as decisões de caráter geral, deve ser formulado de forma clara e simples para nortear o planejamento das ações. PLANEJAMENTO O Planejamento é o processo de planejamento das ações, momento de tomar decisões a respeito do trabalho a ser feito. Planejamento envolve muita reflexão antes, durante e depois. É um processo que não tem fim. Como colocado anteriormente, pode até chegar a exigir que se mude o plano proposto se o andamento do trabalho mostrar que é preciso fazê-lo. EDUCAÇÃO PARA FORMAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL Na atualidade, alguns requisitos para garantir a qualidade da formação profissional do assistente social são a busca pelo fortalecimento da formação de um profissional criativo, propositivo que tenha competência e agilidade na pesquisa e no desvendamento da realidade, apreendendo a dinâmica dos processos sociais na sua totalidade. Espera-se a superação da visão fragmentada, praticista e determinada unicamente pelos interesses da instituição na qual está inserido o assistente social. Partindo deste ponto de vista, propõe-se uma ampliação da proposta de educação, contribuindo para que todos tenham acesso a dados, informações, fatos permitindo que estes possam analisar relacionar, escolher, organizar e lançar mão destes conhecimentos para a complementação da formação humana. Para podermos compreender a crescente cumplicidade dos fenômenos mundiais, e dominar o sentimento de incerteza que suscita, precisamos, antes, adquirir um conjunto de conhecimentos e, em seguida, aprender a relativizar os fatos e a revelar sentido crítico perante o fluxo de informações. A educação manifesta aqui, mais do que nunca, o seu caráter insubstituível na formação da capacidade de analisar. Facilita uma compreensão verdadeira dos acontecimentos, para lá da visão simplificadora ou deformada transmitida, muitas vezes, pelos meios de comunicação social. A necessidade por educação e a luta que ela ocasiona, pode gerar uma transformação da realidade social e isso é tarefa dos homens que compõem a luta e neste sentido, a realidade social, não existe por acaso, mas como produto da ação dos homens, pois nada se transforma por acaso. Assista ao vídeo sobre planejamento de um trabalho. E perceba que tudo é muitíssimo bem planejado, pensado, discutido e analisado para decidir como o trabalho será realizado e avaliado. http://www.youtube.com/watch?v=lEgBDJdeBMg E complemente a reflexão com a seguinte leitura: BAPTISTA, Myriam Veras. O Serviço Social na perspectiva interdisciplinar. In: O uno e o múltiplo nas relações entre as áreas do saber. São Paulo: Cortez, 1998. p.p.110-120. Participe da elaboração de um plano de estágio junto com a supervisora de campo. É um exercício importante para que o aluno possa compreender as etapas do processo de aprendizado. Um exemplo bem simples: não se pode entrevistar sem antes observar uma entrevista, buscando saber o que se quer levantar com as perguntas, ou melhor, apreender o objetivo da entrevista. O importante é o aluno compreender que não se podem queimar etapas, e que o processo de aprendizado sugere uma aproximação gradativa e planejada sobre a realidade. Nesta aula, você: Conheceu os elementos essenciais para a elaboração do plano de estágio supervisionado atrelado ao compromisso com o aprendizado profissional. AULA 4: DIÁRIO DE CAMPO: UM DIÁLOGO PERMANENTE COM A PRÁTICA PROFISSIONAL O QUE É O DIÁRIO DE CAMPO? O diário de campo é um instrumento utilizado pelos pesquisadores para registar os dados recolhidos e possíveis de serem interpretados. Sendo assim, o diário de campo é um instrumento que permite sistematizar as experiências para posteriormente analisar os resultados. Devemos considerar que cada pesquisador desempenha de uma forma a hora de registrar em seu diário de campo. Então, no momento do registro, pode-se anotar ideias desenvolvidas, frases isoladas, transcrições, mapas e esquemas, por exemplo. O que importa mesmo é que o pesquisador possa apontar no diário aquilo que vê e observa ao longo do seu processo de aprendizado ( no estágio supervisionado) para depois analisar e estudar. TRABALHO DO PESQUISADOR COM O DIÁRIO DE CAMPO Certamente, os apontamentos oriundos do diário de campo não têm necessariamente que descrever em detalhtes a realidade em si, mas antes a realidade vista a partir do olhar do pesquisador, com as suas percepções, bagagem terórica e a sua visão de mundo até o momento. Por isso, pode-se afirmar que, mesmo que dois pesquisadores (ou aluno-estágiário) trabalhem em conjunto sobre o mesmo tema (realizando estágio no mesmo campo/instituição), os diários de campo de cada um deles serão certamente diferentes. DIVISÃO DO DIÁRIO DE CAMPO De acordo com os especialistas, recomenda-se que o diário de campo seja dividido em dois momentos. Desta forma, o pesquisador pode incluir, num lado, tudo o que diz respeito às observações realizadas por si e, no outro, as suas impressões ou conclusões. Também é interessante que, ao fim do dia, o pesquisador se reúna com os seus colegas de trabalho de modo a partilharem ideias e trocarem impressões podendo ser úteis para o diário. No caso da aluno-estagiário, trata-se do momento mesmo da supervisão. Onde senta-se com o supervisor para debater as atividades e vivências do dia de estágio. A IMPORTÂNCIA DO DIÁRIO DE CAMPO http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=-H295F4BYBwC&oi=fnd&pg=PA110&dq=veras+baptista&ots=huYxR5Olbd&sig=S97yz5L9kiDv60uoEvB5n09uhgA#v=onepage&q=veras%20baptista&f=false http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=-H295F4BYBwC&oi=fnd&pg=PA110&dq=veras+baptista&ots=huYxR5Olbd&sig=S97yz5L9kiDv60uoEvB5n09uhgA#v=onepage&q=veras%20baptista&f=false Devemos considerar que o diário de campo pode ser o primeiro passo dos ensaios, das reflexões e dos livros que pesquisam a realidade social. O diário de campo é uma das documentações mais importantes ao processo de estágio supervisionado, devendo fazer parte da vida acadêmica do aluno. É um instrumento de registro diário e, segundo Minayo (1993:100), nele: “(...) constam todas as informações que não sejam o registro das entrevistas formais. Ou seja, observações sobre conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos, expressões que digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos, usos costumes, celebrações e instituições compõem o quadro das representações sociais.” Isso significa que o aluno-estagiário deve registrar no diário de campo, em tempo real, atitudes, fatos e fenômenos percebidos no campo de estágio. Por meio destes registros, posteriormente, podem-se estabelecer relações entre a vivência do estágio e a base teórica oferecida na academia. INICIANDO O PROCESSO DE DOCUMENTAÇÃO Os registros devem ser feitos diariamente, sempre datados, sinalizando os sujeitos envolvidos, o local, a situação observada etc. Ao ingressar em uma instituição para estagiar, a orientação é para que o aluno: 1) Tenha um caderno para elaborar o seu diário de campo, identificando-o com seu nome, dados da instituição (nome, endereço, e-mail e telefone da instituição), setor (programa/projeto) em que se insere, nome da supervisora, período dos registros (início e fim). 2) Realize uma pesquisa bibliográfica acerca da área de atuação da instituição. Ex: estágio em um Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Área de ação: Assistência Social. Ação do Assistente Social no Programa Bolsa Família. Recorte teórico-operacional: Assistência Social, Políticas Públicas, Políticas Sociais. O aluno deverá buscar textos sobre os temas antes relacionados e as leis que regulamentam a ação da instituição e do Assistente Social. 3) Faça o levantamento da históriada instituição e da inserção do Serviço Social. 4) Organize uma lista das fontes de consulta, considerando as normas da ABNT (livros, leis, sites, jornais, revistas, folders etc.). Nesse sentido, Mioto (2007) nos diz que a documentação não pode ser negligenciada no contexto do exercício profissional, considerando a sua relevância para o processo de conhecimento e sistematização da realidade, do planejamento, da qualificação das ações profissionais, bem como da sua importância ao alicerçar a produção de conhecimento. Desse modo urge a necessidade de incorporá-la no cotidiano profissional, nos mais diferentes momentos do processo interventivo. -------------------------- Mioto (2007) nos diz que pelas observações efetuadas, o diário de campo tem uma larga utilização entre os Assistentes Sociais e é exigido para os estudantes de Serviço Social que estão em estágio curricular; sua utilização, no entanto, está muito aquém das possibilidades que a produção de um diário de campo pode oferecer para a intervenção profissional. Na maioria das vezes, ele se restringe ao agendamento de tarefas, a observações e relatos pontuais dos atendimentos individuais, ou ainda, à mera descrição da intervenção e da realidade. Neste sentindo, é fundamental a documentação do exercício profissional de uma profissão que se define por seu caráter interventivo. É através da sistematização da intervenção que se desenvolvem tanto os processos investigativos sobre a realidade social, os sujeitos e o processo de intervenção profissional, quanto de marcos orientador para as ações profissionais. A documentação pode ser considerada como um elemento constitutivo da ação profissional, uma vez que ela lhe dá materialidade ao comprovar a realização da ação, realizada de diferentes formas, ou seja, em fichas, prontuários, relatórios de atendimentos (individuais, familiares ou de reuniões e de assembléias) realizados em instituições ou em domicílios, dentre outros. Aliado a isto está o fato da documentação das atividades diárias pode transformar-se em sistema de informação dos serviços, revertendo-se em importante instrumento de avaliação e de planejamento. E aqui destacamos o uso do diário de campo. Enquanto forma de documentação profissional articulada ao aprofundamento teórico, o diário de campo, quando utilizado de forma sistemática, pode contribuir para a qualificação profissional, permitindo a realização de análises mais aprofundadas. Mioto (2007) ao expor sua pesquisa sobre diário de campo elenca as observações abaixo: 1) De modo geral, há uma preocupação em registrar informações específicas da área de intervenção, das rotinas da instituição, dos critérios de acesso aos programas etc. Aliado a isso, está evidência de leituras e de referência a um marco conceitual específico sobre a área de intervenção (saúde, previdência, assistência social, habitação, educação). 2) O diário de campo, na maioria das vezes, é considerado como uma forma de agenda de tarefas, como um caderno de observações e relatos pontuais de atendimentos individuais, ou ainda, como um breve relatório descritivo da intervenção e da realidade. Os aspectos relevantes que envolvem o cotidiano da intervenção não são registrados, ficando subentendidos seus significados ou seus não-significados. 3) Quando apresentam relatos mais consistentes, os registros estão restritos à descrição, sobretudo dos atendimentos individuais onde são expostos de maneira minuciosa os dados de cada usuário, conseqüentemente, a análise e interpretação de dados possíveis, bem como a reflexão sobre eles fica em segundo plano. Assim, os atendimentos individuais são considerados uma ação profissional privilegiada, levando a considerar os contatos institucionais e a organização do serviço como rotina institucional burocrática, ou ainda a não percebê- los como ação profissional. As poucas interpretações realizadas são superficiais e não aprofundam o marco de referência conceitual específico com o contexto externo (macrossocietário). 4) As colagens e gravuras, quando são apresentadas, não deixam claro o real significado, ou seja, a sua importância e a interpretação desse recurso não são expostas.” http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc01.pdf --------------------------------- O DIÁRIO DE CAMPO É UMA FERRAMENTA DE APRENDIZADO A partir das considerações sobre o diário de campo, a expectativa é para fazer uso deste como mais uma ferramenta de aprendizado. Então, o diário de campo consiste em uma forma de registro de observações, comentários e reflexões para uso individual do aluno. Pode ser utilizado para registros de atividades de pesquisas e/ou registro do processo de trabalho. Desse modo, o diário de campo deve ser usado diariamente para garantir a maior sistematização e detalhamento possível de todas as situações ocorridas no dia durante a intervenção. Quanto mais utilizar o s4eu diário de campo, mais e mais desenvolverá a habilidade em descrever suas observações e reflexões. Mioto (2007) sugere uma forma de registro. E fala que o diário de campo pode ser organizado em três partes: 1. Descrição; 2. Interpretação do observado, momento no qual é importante explicitar, conceituar, observar estabelecer relações entre os fatos e as conseqüências; 3. Registro das conclusões preliminares, das dúvidas, i,previstos, desafios tanto para um profissional específico e/ou para a equipe, quanto para a instituição e os sujeitos envolvidos no processo. 4. O diário de campo é um instrumento de registro de atividades de aprendizado, uma forma de complementação das informações sobre o cenário onde o aluno está estagiando e onde estão envolvidos os demais sujeitos. Neste instrumento, é possível registrar todas as informações que não sejam aquelas coletadas em contatos e entrevistas formais, em aplicação de questionários, formulários e na realização de grupos focais. 5. As anotações descritivas realizadas em diário de campo são para servirem de suporte na análise e planejamentos das ações. É o primeiro passo para avançar na explicação e compreensão da realidade em seu contexto. As anotações de cunho analítico-reflexivo indicam quais as questões que devem ser aprofundadas. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc01.pdf 6. As informações, tanto de natureza descritiva como reflexiva, são o conteúdo do diário de campo, costurando os retalhos de todo o processo de desenvolvimento de uma pesquisa e/ou dos processos de intervenção profissional em dado contexto, oferecendo o cenário da realidade vivenciada. 7. O diário de campo oferece subsídios para a intervenção crítica no real e para a orientação da ação profissional. Isso se o diário for considerado como “um documento pessoal-profissional no qual o aluno fundamenta o conhecimento teórico-prático, relacionando-o com a realidade vivenciada no cotidiano profissional, através do relato de suas experiências e sua participação na vida social” (Mioto,2007). 8. E o que mais pode ser anotado no diário de campo? As dúvidas e dificuldades são extremamente bem-vindas. Estas devem ser registradas e consideradas como elementos importantes no cotidiano profissional porque possibilitam à reflexão e análise da experiência de estágio. 9. O registro detalhado da intervenção no diário de campo permite observar e analisar criticamente como se planejam e se executam as ações profissionais, e ainda perceber as dificuldades e limitações do profissional frente ao serviço, como também as limitações do serviço frente às demandas concretas dos usuários. 10. Portanto, o diário de campo, os relatórios, prontuários, protocolos de serviço e de atendimento, enfim, toda a forma de documentação só adquire sentido se são úteis tanto para os profissionais quanto para a instituição porque, mais do que apenas guardar ou arquivar informações, deve incidir positivamente nos processos de planejamento e avaliaçãono sentindo de facilitar a sua realização. 11. 12. O propósito é utilizar o diário de campo em um instrumento de aprendizagem, onde o aluno interage com a realidade de forma sistematizada e ativa, como principal ator do processo de construção do conhecimento. O ensino de novos conteúdos deve permitir que o aluno se desafie a avançar nos seus conhecimentos. O exercício da análise crítica levará o aluno a ultrapassar a sua experiência, os estereótipos, as sínteses anteriores etc. - ---------------------- Observamos que o aluno está enfrentando os desafios de um mundo novo ao ingressar no campo de estágio. É uma mistura de sentimentos, tais como: curiosidade, euforia, insegurança frente ao que não conhece e etc. O ato de escrever é uma oportunidade para organizar novas idéias e percepções sobre o que acontece e tomar contato com os pensamentos, sentimentos e ações. O campo de estágio é um local rico em experiências que levam o aluno a pensar, sentir e agir, visando o aprendizado. A aprendizagem não se restringe a assimilação de conteúdos ou técnicas, mas de sentimentos e emoções – ao considerarmos que todo esse universo deve ser utilizado para o crescimento pessoal e profissional. A utilização do diário de campo passa então a ser um instrumento para o aluno expor e refletir suas experiências de estágio. O uso do diário de campo favorece o autoconhecimento. O aluno passa a refletir sobre a sua experiência, quando isso ocorre, percebe-se mais claramente nas situações vividas. Ter a oportunidade de conversar consigo mesmo, leva o aluno a se repensar nas situações que vivenciou passando a compreendê-la de uma nova forma. Desta forma, sua compreensão a respeito do ocorrido vai clareando, ampliando e modificando. Nestes momentos de reflexão, o aluno chega a repensar na sua escolha profissional, encarando suas dúvidas e receios sobre o que é ser assistente social. Aceitar estas percepções, conversar com os profissionais da área, em especial o supervisor de campo, incentiva o prosseguimento no caminho da aprendizagem. O aluno passa a distinguir seus pensamentos, consegue rever suas atitudes em campo de prática, re-conhecendo o que se faz. Essas constatações levam- o a tomar consciência de suas dificuldades para lidar com as situações, atitudes e sentimentos decorrentes de sua experiência em campo de estágio. Reler o diário de campo propicia o aluno a perceber seu crescimento enquanto futuro profissional, na medida em que pode avaliar-se e direcionar seu crescimento. O diário de campo possibilita: a) Ao aluno a desenvolver um espaço para refletir sobre o seu desenvolvimento enquanto estudante e pessoa – ética profissional e valores pessoais. b) O desenvolvimento de um instrumento para o supervisor ampliar o conhecimento sobre o aluno, possibilitando uma maior compreensão a respeito da experiência no campo de estágio. c) Subsídios para uma avaliação mais abrangente e verdadeira. Finalmente falaremos sobre o relatório das atividades de estágio. Este relatório é produzido ao final de cada semestre, a partir das considerações apresentadas nesta disciplina e orientadas pela supervisora de campo. E o diário de campo é um dos instrumentos mais importante, pois é uma das fontes de informações mais rica na elaboração do relatório das atividades do estágio. Você deve considerar todos os aspectos destacados nesta aula, e utilizar o diário de campo para registrar as informações a serem investigadas, estudadas, observadas, tais como: a) Sobre o estabelecimento • Nome, nome da unidade de atendimento, funcionando desde, natureza (pública municipal, filantropia, ONG, comunitária, pública estadual, pública federal, privada, entidade de classe. • Endereço completo (incluindo telefone, fax e referência de localização) • Área de atuação (política a qual se vincula, tipo de serviço oferecido, agentes institucionais, formas de financiamentos, estrutura organizacional) • Programas e projetos (caracterização dos principais programas projetos desenvolvidos pelo estabelecimento – programa/projeto; objetivos; público; atividades. • Históricos (histórico sumário do estabelecimento; histórico sumário do serviço social no estabelecimento. É preciso dizer que ao longo da disciplina serão apontados vários aspectos de observação e estudos, mas a busca pelos pontos elencados nas últimas aulas é um excelente exercício de pesquisa para quem está iniciando o estágio supervisionado – considerando as orientações da supervisora de campo. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc02.pdf --------------- Nesta aula, você: Entendeu o que é o instrumento diário de campo. Identificou a função do diário de campo enquanto instrumento agregador no processo de aprendizagem AULA 5: OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE E ESCUTA ATENTA INTRODUÇÃO Considerando que uma aula é complementar a anterior, esta apresenta um conteúdo que contribui sobremaneira na elaboração do diário de campo. Mas antes precisamos apresentar o que é a observação participante. OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE Para iniciarmos vamos conhecer um pouco da história da observação participante. A observação participante foi introduzida pela Escola de Chicago, nos anos 1920, tendo sido duramente contestada pelos pesquisadores experimentais, e abandonada por décadas. Seu resgate atual, no entanto, auxilia nas descrições e interpretações de situações cada vez mais globais. Após sua recuperação, porém, o método é banalizado e utilizado de forma indiscriminada, sem o rigor metodológico que esse procedimento exige em relação à coleta, registro e interpretação pertinentes e coerentes com a realidade estudada. Em muitos casos, a observação participante passa a ser relacionada a interpretações meramente emotivas e deformações subjetivas e sem dados comprobatórios. O antropólogo inglês Branislaw Malinowski revolucionou a Antropologia nas três primeiras décadas do século XX, quando fez propostas referentes aos métodos de trabalho de campo. É no universo científico que a construção sistemática da observação participante se torna cada vez mais evidente, uma vez que http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc02.pdf essa técnica modifica a ação do observador que, ao integrar o grupo que vivencia a realidade social, propicia interações que contribuam para a mudança de comportamento do grupo observado. A técnica de observação participante caiu no esquecimento por alguns anos, até ser novamente introduzida no meio acadêmico na década de 1990, sendo, a partir de então, considerada um processo pelo qual a interação da teoria com a prática concorre para a transformação ou implementação do meio pesquisado – neste caso: o campo de estágio supervisionado. Com o auxílio da observação participante, o estagiário poderá analisar a realidade social que o rodeia, tentando compreender os conflitos e tensões existentes e identificar grupos sociais que têm em si a sensibilidade e motivação para participar das lutas e transformações sociais necessárias. ETAPAS DO PROCESSO DE OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE De acordo com Richardson (1999), o processo de observação participante segue algumas etapas essenciais. primeira etapa, há a aproximação do observador ao grupo social em estudo. Esse é um trabalho longo e difícil, pois o observador precisa trabalhar com as expectativas do grupo, além de se preocupar em destruir alguns bloqueios, como a desconfiança e a reticência do grupo. Nessa fase, é necessário que o observador seja aceito em seu próprio papel, isto é, como alguém externo, interessado em realizar, juntamente com a população, um estudo. Diante disso, pode-se dizer que a verdadeira inserção implica uma tensão constante do observador em razão do risco de identificação total com a problemática e o conflito de assegurar objetividade na coleta de dados. Sobre este último aspecto é sempre bom lembrar que a participação em uma realidade até entãodesconhecida exige uma aproximação, que exige paciência e honestidade, é a condição inicial necessária para que o percurso do estágio supervisionado possa humanizar as relações acadêmicas. Já na segunda etapa, Richardson (1999) diz que é preciso realizar um esforço do pesquisador em possuir uma visão de conjunto da comunidade objeto de estudo. No caso do estágio, substituímos o espaço da comunidade pelo espaço do estágio supervisionado. Então o autor coloca que essa etapa pode ser operacionalizada com o auxílio de alguns elementos, como o estudo de documentos oficiais – como já falamos na aula anterior -, reconstituição da história do grupo e do local, observação da vida cotidiana, identificação das instituições e formas de atividades econômicas, levantamento de pessoas chave e a realização de entrevistas não diretivas com as pessoas que possam ajudar na compreensão da realidade. Os dados devem ser registrados imediatamente no diário de campo, para não haver perda de informações relevantes e detalhadas sobre os dados observados. Caso não seja possível o registro imediato, sugere-se o uso do recurso de filmagens, fotos ou entrevista – Mas sempre com o acompanhamento da supervisora de campo, já que filmagens e fotos requerem a autorização de todos envolvidos no que refere se ao uso da imagem. Richardson (1999) aponta que após a coleta dos dados, passa-se à terceira fase, na qual é preciso sistematizar e organizar os dados, o que corresponde a uma etapa difícil e delicada. A análise dos dados deve informar ao observador a situação real do grupo e sobre a percepção que este possui de seu estado. Se todas essas etapas forem seguidas adequadamente, pode-se afirmar que o trabalho terá êxito, favorecendo o conhecimento da realidade social, bem como estimulando o crescimento do grupo de estudo por meio da auto-organizarão e conseqüente desenvolvimento de ações conscientes e criativas para a transformação social. Para os assistentes sociais, os resultados obtidos a partir da análise dos dados devem servir de base para elaboração de ações profissionais que contribuam para promoção e garantia de Direitos. REALIZAÇÃO DA OBSERVAÇÃO A observação participante é uma técnica de orientação quanto ao que será observado (pesquisado) ao participar (vivenciar) uma realidade (estágio supervisionado), delimitando o objetivo da entrada no estágio supervisionado. A realização da observação participante exige o desenvolvimento de habilidades e competências. Então o estagiário buscará o seguinte aprendizado no campo: ser capaz de estabelecer uma relação de confiança com todos envolvidos; ter sensibilidade para pessoas; ser um bom ouvinte; ter familiaridade com as questões investigadas, com preparação teórica sobre o objeto de estudo ou situação que será observada; ter flexibilidade para se adaptar a situações inesperadas; não ter pressa de adquirir padrões ou atribuir significado a realidade observada; elaborar um plano sistemático e padronizado para observação e registro dos dados; ter habilidade em compreensão dos dados; verificar e controlar os dados observados; e relacionar os conceitos e teorias científicas aos dados coletados. (Schwartz, 1955). OS OBSERVADORES Os observadores participantes se inserem na situação estudada (observada) e na vida das pessoas que estudam e, embora nos registros de campo os nomes sejam fictícios (justificativa ética), os sujeitos da pesquisa são reais e se conhecem uns aos outros. Então é primordial valorizar o ser humano, respeitando todos envolvidos na realidade. Cabe ao aluno sempre deixar claro que é estudante, estagiário, apresentando se em uma postura de diálogo, e buscando aprender sobre a vivência no campo. A observação e a participação tanto pode ser uma participação distanciada e ligeira, como uma participação mais profunda e mais integrada que propicia o uso da metodologia de observação participante. TEMPO DE DURAÇÃO O tempo é também um pré-requisito para os estudos que envolvem sobre a uma dada realidade, bem como a ação de grupos sociais. Para se conhecer a história e comportamento das pessoas e de grupos é necessário observá-los por um longo período e não num único momento. Por isso é recomendável permanecer no mesmo campo de estágio por no mínimo 01 (um) ano. O aluno-estagiário não sabe de antemão onde está entrando, não conhece a realidade do campo de estágio, mas a entrada é preparada, anunciada e com a permissão da instituição. O que queremos chamar a sua atenção é para a situação em que você não é esperado por todos envolvidos no contexto de estágio, desconhecendo muitas vezes a teias de relações que marcam a hierarquia de poder e a estrutura social. Atenção! O aluno-estagiário é um observador que está sendo todo o tempo observado. O observador quase sempre desconhece sua própria imagem junto ao grupo estudado. Isso quer dizer que o estagiário também é observado por todos, incluindo os usuários. Seus passos durante o trabalho de campo são observados, avaliados e questionados por membros da instituição e população local. E este aspecto deve ser considerado, e transformado em uma auto-análise na perspectiva do aprendizado sobre as próprias atitudes, comportamento e falas ao interagir no meio profissional. O aluno aprende com os erros que comete durante o estágio de campo e deve tirar proveito deles, na medida em que os passos em falso fazem parte do aprendizado da profissional. Deve, assim, refletir sobre o porquê de uma recusa, o porquê de um desacerto, o porquê de um silêncio. O saldo sempre será positivo se você estiver aberto para dialogar e aprender. É preciso aprender quando perguntar e quando não perguntar, assim como que perguntas fazer no momento mais apropriado, mas nunca esconder uma curiosidade. A observação participante implica saber ouvir, escutar, ver, fazer uso de todos os sentidos de forma ética. Uma referência brasileira na área da Educação é o professor Rubem Alves (2004), quem apresenta a seguintes apontamentos sobre a arte de ouvir: “De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratou logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar a força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...” Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.” Rubem Alves nos leva a refletir sobre a importância do diálogo, porque só podemos interagir ao ouvirmos o próximo. O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. Para Rubem Alves, a humildade está nisso: saber, não somente com a cabeça, mas com o coração, que é possível queo outro veja mundos que nós não vemos, porque somos diferentes, e é na diferença que muito aprendemos. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc01.pdf ----------------------- A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO Além de Rubem Alves outra referência para a Educação do Brasil é Paulo Freire. Para este Educador, o diálogo é o elemento chave para alcançar a conscientização e transformação da realidade. É preciso ouvir a todos, nossa voz interna, os profissionais envolvidos na realidade do estágio supervisionado, e em especial: os usuários, a população, com quem queremos estar para participar da transformação social. O diálogo com a população, e o cunho educativo da ação do Assistente Social no cotidiano profissional, não podemos deixar de citar o livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Neste livro, autor propõe uma explicação da importância e necessidade de uma pedagogia dialógica emancipatória do oprimido, em oposição à pedagogia da classe dominante, que contribua para a sua libertação e sua transformação em sujeito consciente e autor da sua própria história através da práxis enquanto unificação entre ação e reflexão. Nesta pedagogia, o educador – e aqui podemos entender como o assistente social, também -, através de uma educação dialógica problematizante e participante, procura conscientizar e capacitar o povo para a transição da consciência ingênua à consciência crítica com base nas fundamentações lógicas do oprimido. Assim, caracteriza-se por um movimento de liberdade que surge a partir dos oprimidos, sendo a pedagogia realizada e concretizada com o povo na luta pela sua humanidade. --------- A Pedagogia do Oprimido implica uma atitude e postura radicais baseadas no encontro com o povo através do diálogo enquanto instrumento metodológico que permite a leitura crítica da realidade, partindo da linguagem do povo, dos seus valores e da sua concepção do mundo, transformando-se numa luta pela libertação dos oprimidos. No primeiro capítulo, o autor procura justificar o título pedagogia do oprimido explicando que o homem tem de transformar-se num sujeito da realidade histórica em que se insere, humanizandose, lutando pela liberdade, pela desalienação e pela sua afirmação, enfrentando uma classe dominadora que pela violência, opressão, exploração e injustiça tentam se perpetuar. No que respeita à situação concreta de opressão e os oprimidos, o autor refere que só na convivência com os oprimidos se poderão compreender as suas formas de ser, de comportar e de refletir sobre a estrutura da dominação, sendo uma delas a dualidade existencial que leva a assumirem atitudes fatalistas, religiosas, mágicas ou místicas, que não permitem a superação da visão do mundo e de si. No segundo capítulo, o autor fala sobre o conceito de concepção bancária (sala de aula tradicional, onde somente o professor tem o direito de falar, sem haver o diálogo) da educação como instrumento da opressão, onde a educação é vista como um ato de depositar, o homem é considerado um ser adaptável e ajustável, em que educador e educando se arquivam por não haver criatividade, transformação e saber, pois, segundo o autor, só existe saber na invenção, reinvenção, busca inquieta, impaciente e permanente que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros, o que se traduz numa busca esperançosa. Paulo Freire diz que é através do diálogo que os homens educam-se entre si e mediatizados pelo mundo, pela educação problematizadora que exige a superação da contradição educador- educando. Então é no diálogo que ambos se tornam sujeitos do processo e crescem juntos em liberdade, procurando o conhecimento das consciências para uma inserção crítica na realidade. O autor chama a atenção para que em nenhum propósito, mesmo na liderança revolucionária, o homem aliene os outros nas suas decisões, mas sim que os incentive à luta pela sua emancipação no mundo. No terceiro capítulo, o autor aborda o exercício do diálogo http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc01.pdf enquanto essência da educação como prática da liberdade. O diálogo assente na palavra é visto como fenômeno humano, pois segundo Paulo Freire não há palavra verdadeira que não seja práxis, enquanto ato de criação que procura a conquista do mundo para a libertação dos homens. Na perspectiva de Paulo Freire só há diálogo com um profundo amor ao mundo e aos homens, com humildade sincera e mediante a fé no poder de criar do homem, sendo assim um ato de criação e recriação, de coragem e de compromisso e de valentia e liberdade. Assim, o diálogo faz-se numa relação horizontal baseada na confiança entre os sujeitos e na esperança transformada na concretização de uma procura eterna fundamentada no pensamento crítico. No quarto capítulo, Paulo Freire coloca que o diálogo com os oprimidos é um compromisso para a libertação que implica a transformação da realidade, porque os homens são comunicação e diálogo enquanto análise crítico-reflexivo sobre a realidade. Afirma Paulo Freire que evitar o diálogo é temer a liberdade e não crer no povo, pelo que chama a atenção para que as lideranças revolucionárias não se deixem arrastar para posturas características das classes dominadoras, como a absolutização da ignorância, a descrença no homem e a impossibilidade do diálogo. A obra de Paulo Freire é um trabalho de conscientização, recomendado a todos que se preocupam com a sua existência, e a todos os educadores em particular, pois tem um caráter político na medida em que, fazendo uma abordagem à valência emancipa tória da educação enquanto instrumento de libertação de consciências e da necessidade da atuação do homem na sua própria existência, afirma que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas que se disponha a transformar a realidade, ou seja, pensar a realidade para melhor elaborar a ação visando à transformação da realidade. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc02.pdf -------------- A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO Exercitar o diálogo é realizar uma escuta atenta, ouvir o que o outro está falando para que possamos falar (retornar) interagindo com o conteúdo apresentado. É no diálogo com o outro e posteriormente consigo mesmo que se originam as primeiras manifestações da reflexão crítica. E o diálogo consigo mesmo é a busca pela compreensão da sua própria inserção no contexto social, criando propostas de participação na luta coletiva em prol da transformação social. E valorize as suas curiosidades, pensamentos, questionamentos, buscando dialogar sobre a experiência de estágio supervisionado sejam consigo mesmo (a partir das leituras realizadas), ou com seus interlocutores (professores, supervisores, colegas de estágio ou de turma). --- Veja esse poema de Carlos Drummond de Andrade: O CONSTANTE DIÁLOGO Há tantos diálogos Diálogo com o ser amante o semelhante o diferente o indiferente o oposto o adversário o surdo-mudo o possesso o irracional o vegetal o mineral o inominado Diálogo consigo mesmo com a noite os astros os mortos as idéias o sonho o passado o mais que futuro Escolhe teu diálogo e Tua melhor palavra ou Teu melhor silêncio Mesmo no silêncio e com o silêncio Dialogamos. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc03.pdf ------ CONCLUINDO Todo material coletado através da observação participante, registrado principalmente no diário de campo, bem como aqueles obtidos através de uma escuta atenta, do diálogo e aproximação com todos envolvidos no contexto do estágio supervisionado, será analisado a partir da leitura bibliográfica sobre a área profissional, textos e livros sugeridos na faculdade, ou através da indicação de leitura orientada pela supervisora de campo. Sugerimos um exercício para treinar a observação e escuta. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc02.pdf http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc03.pdfAssista ao filme. Destaque as falas e imagens que chamam mais a sua atenção. E busque compreender como essa experiência, uma história real, pode acrescentar ao seu aprendizado profissional. Escute as falas, observe os comportamentos, valores, atitudes e imagens, buscando o sentindo para cada personagem. Filme: Coach Carter - Treino para a Vida 2010-05-22 Francisco Título original: (Coach Carter) Lançamento: 2005 (Alemanha, EUA) Direção: Thomas Carter Atores: Samuel L. Jackson, Rob Brown, Robert Richard, Rick Gonzalez. Duração: 136 min Gênero: Drama A história real e inspiradora de um treinador que decide mostrar os diversos aspectos dos valores de uma vida ao suspender seu time campeão por causa do desempenho acadêmico dos atletas. Dessa forma, Ken Carter recebe elogios e críticas, além de muita pressão para levar o time de volta às quadras. É aí que ele deve superar os obstáculos de seu ambiente e mostrar aos jovens um futuro que vai além de gangues, prisão e até mesmo do basquete. Faça uma análise da evolução da construção do seu diário de campo. O que você pode melhorar? O que você deve continuar anotando? O que poderia ser mais observado? O que não precisa ser anotado? Como está o seu diário de campo enquanto instrumento de observação e escuta sobre a realidade profissional? Em suma, faça uma auto-avaliação para que o diário de campo seja um instrumento útil para você. Auxiliando sua memória e reflexão sobre a realidade profissional do qual está observando e aprendendo. Nesta aula, você: Compreendeu o que é a observação participante. Entendeu a importância da escuta atenta e do exercício do diálogo no processo de aprendizado profissional. AULA 6: ATIVIDADE TEÓRICO-PRÁTICA SUPERVISIONADA: VALORIZAÇÃO DA ATIVIDADE DE LEITURA À OBSERVAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL. FONTES PARA APRENDIZADO Aprender é criar a possibilidade para que uma pessoa tenha iniciativa para buscar as fontes de conhecimento que está à sua disposição na sociedade. A vida é caracterizada por vários canais de informações. Para todo lado que olhamos, nos deparamos com alguns desses canais: televisão, rádio, cinema, jornais, revistas, cartazes, livros, folhetos, internet, cd-room, etc. Essas informações tambem podem estar armazenadas em arsenais específicos livrarias, bibliotecas, museus, salas de espetáculos, centro culturais, circos, escolas, monumentos históricos, prédios públicos, fábricas, empresas, laboratórios, jardins, zoológicos, supermercados, shoppings centers, jardim botânico, estações de metrô, galerias de artes, etc. Mas é preciso desenvolver o olhar crítico que lhe permita desviarem-se as informações inúteis, sem base cientifica, ou pouco comprometida com a evolução humana. E preciso desenvolver habilidades para reconhecer, em meio um labirinto, as trilhas que conduzem as verdadeiras fontes de informação e conhecimento. A PRÁTICA DA LEITURA A leitura é um exercício primordial no aprendizado de uma profissão. É fundamental para o entendimento da profissão, do objeto de trabalho e das atuais condições de vida e trabalho. Então valorize a leitura, reserve um tempo para a realização da leitura bibliográfica indicada nas diversas disciplinas, escolha um livro e comece a leitura. Os alunos costumam dizer: “São muitos livros, o que devo ler primeiro?”. É verdade! São muitos livros, mas o importante é começar a ler. Depois a sua curiosidade irá apontar o próximo livro, de acordo com a bagagem de leitura e experiência que for adquirindo. Uma aula de cada vez, um texto de cada vez, um livro de cada vez. E quando menos esperar, já se tornou um leitor nato, sabendo selecionar materiais de qualidade. PESQUISAR É MUITO IMPORTANTE A realização do estágio supervisionado é para o aluno um momento de observação e estudo sobre a profissão escolhida. É uma pesquisa sobre a profissão e seus demais conteúdos. Veremos aqui, como a pesquisa é uma atividade que, embora não pareça, está presente em diversos momentos do quotidiano, além de ser requisito fundamental nas diversas profissões. Então ler a bula de um remédio antes de tomá-lo é pesquisar. Recorrer ao manual de instruções de um aparelho eletrônico também. Remexer papéis velhos atrás daquela preciosa receita de bolo da madrinha Miriam é fazer pesquisa. A eterna dificuldade de consultar em dicionário ou um catálogo telefônico é ou não é uma tarefa de pesquisa? Pesquisar é a investigação feita com o objetivo expresso de obter conhecimento específico e estruturado sobre um assunto preciso. Pesquisa está presente no dia-a-dia, seja no desenvolvimento da ciência, no avanço tecnológico ou no progresso intelectual do individuo. A PESQUISA SOCIAL O projeto de pesquisa do aluno-estagiário é aprender sobre o fazer profissional do Assistente Social, buscando compreender o processo de trabalho da profissão, bem como a sistematização da prática profissional. O desejo de conhecer é um servo do desejo de prazer. Conhecer por conhecer é um contra-senso. Você está realizando estágio supervisionado para conhecer uma profissão do qual escolheu exercer. Utilize a pesquisa social a seu favor, ser organize para estudar sobre a profissão que escolheu seguir. Como antes colocado, reserve um tempo para a leitura para as aulas e bibliografia indicada, desenvolvendo os exercícios propostos. Minayo (2003) nos diz que pesquisa veicula pensamento e ação, e que “Nada pode ser intelectualmente um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e a circunstâncias socialmente condicionadas” (p.18) Em outras palavras, estudamos sempre algo que aconteceu na vida prática, no dia-a-dia, no cotidiano, e que se apresenta como um problema, algo que nos desafia a compreensão, uma curiosidade a ser respondida para responder aos interesses sociais da época. TEORIA A pesquisa é o exercício da relação teoria e prática. Minayo (2003,18) destaca que as funções da teoria são: - Esclarecer melhor o objeto de investigação. - Levantar hipóteses. - Permitir clareza na organização dos dados. - Iluminar análise dos dados. Por outro lado Minayo (2003, 19) fala que as proposições de uma teoria devem Ter três principais características: - Serem capazes de sugerir questões reais. - Serem inteligíveis. - Representarem relações abstratas entre coisas, fatos, fenômenos e/ou processos. O QUE ISSO TUDO QUER DIZER? Precisamos para analisar e compreender a realidade que estamos vivenciando, em especial o objeto de investigação/estudo. A leitura nos possibilita clareza na organização dos dados, sendo fundamental na análise dos dados e registros coletados na experiência do estágio supervisionado. A teoria, a bibliografia selecionada deve ser capaz de sugerir questões reais, ou seja, permitir uma compreensão da realidade apresentada, inteligíveis, isto é, compreensíveis, e representarem relações abstratas entre coisas, fatos, fenômenos e/ou processos – a leitura realizada deve apresentar um sentido frente à realidade estudada. PESQUISA QUALITATIVA Estudar sobre o Serviço Social e o universo que pertence à especificidade da profissão requer o conhecimento da pesquisa social qualitativa, isto é, pesquisar uma realidade que não pode ser quantificada. Minayo (2003) nos diz que a pesquisa qualitativa: “Trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis” (p. 22) A PESQUISA SOCIAL APRESENTA VÁRIAS FASES, A SABER: Fase Exploratoria A fase exploratória é o que o aluno-estagiário já vem realizando, delimitar o que será observado e estudado, seleção da bibliografia e teoria para leitura, escolha da metodologia apropriada e as questõesoperacionais para levar o trabalho de campo. Fase do trabalho de campo A fase do trabalho de campo é o levantamento dos dados e informações; somado a observação e escuta como estratégia de levantamento de dados e informações; registrando no diário de campo as atividades desenvolvidas e os dados, com as informações coletadas. No entanto, é primordial a realização das leituras, indicadas e sugeridas nas disciplinas cursadas até o momento, bem como seguir as orientações que se encontram nas aulas desta disciplina. Fase do tratamento do material A fase do trabalho de campo é o levantamento dos dados e informações; somado a observação e escuta como estratégia de levantamento de dados e informações; registrando no diário de campo as atividades desenvolvidas e os dados, com as informações coletadas. No entanto, é primordial a realização das leituras, indicadas e sugeridas nas disciplinas cursadas até o momento, bem como seguir as orientações que se encontram nas aulas desta disciplina. Questões elucidadas pelo profissional de serviço social Para Vasconcelos (1997, 145), o levantamento sobre as demandas apresentadas ao Serviço Social leva o profissional à elucidação de várias questões, tais como: “Quem são os usuários? De onde vêm? Em que condições vivem? Que demanda (s) apresenta? Que clareza tem dela (s)? Como visualizam dentre suas necessidades e prioridades? Por que buscam o serviço com esta demanda? Com que expectativas apresentam sua (s) demanda (s)? Que visão tem do serviço que procuram? O que o serviço tem a oferecer diante das demandas apresentadas? Os usuários mostram-se disponíveis para a proposta que o serviço lhes faz? O serviço tem condições de atender suas demandas? Até que ponto?” ----------------- http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula06_doc01.pdf É preciso buscar uma coerência entre os diversos temas e fatos advindos do cotidiano. A leitura é fundamental, mas sabemos que não é apenas a formação teórica que forma o profissional. A qualidade da prática profissional reside na capacidade do Assistente Social atingir a práxis. Para Nicolau (2004, 84), o trabalho tem uma dimensão educativa. Esta dimensão possibilita ao indivíduo o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, os quais são decisivos para a apreensão dos nexos causais e das determinações mais importantes do setor da realidade social no qual aquele atua. No exercício profissional, o assistente social reformula saberes, visto que as informações oriundas deste fazer lhe abrem perspectivas muitas vezes diferenciadas ao saber acumulado até então. Na experiência real de trabalho, o profissional obtém informações e experimenta normas, regras e valores que definem o espaço de sua atuação, requalificando sua identidade profissional. Isto é, na sua individualidade, o profissional se transformou , aprendeu, recriou possibilidades de uma ação no coletivo. O papel da teoria é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e ações dos sujeitos. O estágio foi definido como atividade teórica, uma disciplina, que permite conhecer e se aproximar da realidade. O estágio como espaço de realização da pesquisa começa a fazer sentindo, já que é nesta experiência que se direciona a observação e a busca para estudar a Serviço Social enquanto profissão. O estágio curricular proporciona ao aluno uma aproximação à realidade no qual atuará. É uma atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e intervenção na realidade, este sim, objeto da práxis. É possível o estágio se realizar em forma de pesquisa, onde o aluno-estagiário busca desenvolver as habilidade e postura de um pesquisador. Essa postura é a própria valorização da prática profissional como momento de construção de conhecimento por meio da reflexão, análise e problematização dessa prática e a consideração do conhecimento. O resultado é a produção de conhecimento sobre a prática profissional, especialmente quando culmina na elaboração da monografia de conclusão de curso. As leituras realizadas com o devido compromisso oferecerão ao aluno-estagiário as perspectivas de análise para compreender os contextos históricos, sociais, culturais e organizacionais e de si mesmos como futuros profissionais. A análise do material dos dados e informações coletadas é realizada para incorporar um processo de consciência das implicações sociais, econômicas e políticas da atividade profissional. É importantíssima a realização do levantamento do histórico institucional, população alvo e principais demandas apresentadas ao Serviço Social, buscando compreender a realidade apresentada no cotidiano profissional. Iamamoto (2007, 200) fala que nos diferentes espaços ocupacionais (diferentes áreas de trabalho) do assistente social é de suma importância impulsionar pesquisa e projetos que favoreçam o conhecimento do modo de vida e de trabalho – correspondentes expressões culturais – dos segmentos populacionais atendidos, criando um acervo de dados sobre os sujeitos e as expressões da questão social que as vivenciam. O conhecimento criterioso dos processos sociais e de sua vivência pelos indivíduos sociais poderá alimentar ações inovadoras, capazes de proporcionar o atendimento as efetivas necessidades sociais dos segmentos subalternizados, alvo das ações institucionais. Esse conhecimento é pré-requisito para impulsionar a consciência crítica e uma cultura pública democrática para além das manifestações difundidas pela prática social em geral e particularmente pela mídia. Isso requer, também, estratégias técnicas e políticas no campo da comunicação social – no emprego da linguagem escrita, oral e midiática-, pra o desencadeamento de ações coletivas que http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula06_doc01.pdf viabilizem propostas profissionais para além das demandas instituídas. Como colocado anteriormente, o levantamento histórico institucional é fundamental para compreender os desdobramentos presentes dentro da realidade apresentada. A ligação do cotidiano está tornando a história cada vez mais necessária para o profissional. Atualmente, descobrir a origem dos fatos e coisas tem sido fundamental para compreender o presente, e oferecer respostas mais qualitativas as demandas apresentadas. Então é preciso buscar os materiais e relatórios sobre a instituição onde realiza estágio. Perguntar a supervisora de campo onde pode encontrar as documentações (históricos, relatórios, levantamentos, pesquisas, estatísticas, programas e projetos da instituição e do Serviço Social). Caso não tenha material escrito, poderá perguntar a supervisora quem pode responder essas questões. E verificar a possibilidade em entrevistar alguém que tenha participado da fundação da instituição, ou que tenha essas informações porque teve a oportunidade de conhecer os fundadores. E poderá, ainda, auxiliar a instituição no resgate da história e valorizar as pessoas de fundamental importância para existência do trabalho oferecido nos dias atuais. No segundo momento, é preciso procurar as fontes onde possa realizar o levantamento das principais demandas apresentadas ao serviço social – procurando destacar qual o perfil da população quem procurar os serviços oferecidos (quantitativo de pessoas na família, formação educacional, faixa etária, sexo, local de moradia, se possui benefício ou está inserido em programa governamental, etc.). Sugerimos a leitura das fontes oficiais que oferecem indicadores sociais para contribuir na análise da realidade, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e demais leituras que ofereçam uma análise atual das condições de vida da população brasileira. Mas o aluno-estagiário investigará a leitura mais apropriada à região em que está localizada a instituição onde realiza estágio. Por exemplo: a realidade de região metropolitana de São Paulo é diferente de outraparte do país, e vice- versa. A realização de um breve resgate dos indicadores sociais produzidos pelos órgãos oficiais colabora para a reflexão sobre as múltiplas manifestações da questão social. Então concluímos que para abrir o campo de visão, e alcançar a compreensão sobre a realidade apresentada é fundamental a leitura sistemática de uma bibliografia de qualidade. Mas vamos conversar um pouco sobre os desafios da tecnologia. A informação constitui um ponto central para o exercício da cidadania, ou para viabilizar a tomada de decisões e para a gestão da prática profissional. Destacamos a informática enquanto instrumento de trabalho. Por meio da informática torna-se possível não só obter informação como também produzi-la de forma mais coletiva, participativa, de qualidade e mais barata. As agências de informação criadas pelas redes de organismos sociais de caráter popular e democrático podem transmitir e intercambiar mensagens no sentido de fortalecer suas propostas e suas lutas. Os meios de difusão não se limitam mais ao jornal de bairro, ao vídeo e mesmo à TV. A rede de computadores, a internet, abre espaços para obter conhecimento sobre vários temas e áreas de investigação. O domínio da técnica informática é condição para o exercício da profissão nos diversos espaços sócio-ocupacionais. A informática é um dos caminhos indispensáveis para fortalecer a sua organização da categoria de assistentes sociais e para divulgar os conhecimentos por ela produzidos. Mas lembra-se de que é preciso selecionar um conteúdo de qualidade. ------- Finalizando Finalizamos a aula fortalecendo que ao assistente social cabe: Conhecer a realidade sobre a qual operam, nas suas particularidades e singularidade. Desnudar, avaliar, criticar a proposta neoliberal no sentido de propor políticas alternativas. Determinar objetivos profissionais possíveis de se implementar/realizar. Qualificar as práticas operativas, garantindo um padrão mínimo de eficiência do conhecimento técnico-operativo. Assim, unidade entre a teoria e a prática não vai ser obtida no Serviço Social apenas a partir de referencias teórico-metodológicas, mas tendo como base a qualidade das conexões que os profissionais estabeleçam com a realidade objeto da ação profissional, o que passa por uma relação consciente entre o pensamento e ação. Busque materiais e relatórios sobre a instituição onde realiza estágio. Pergunte a supervisora de campo onde pode encontrar as documentações (históricos, relatórios, levantamentos, pesquisas, estatísticas, programas e projetos da instituição e do Serviço Social). Caso não tenha material escrito, você pode perguntar a supervisora quem pode responder essas questões. E entrevistar alguém que tenha participado da fundação da instituição, ou que tenha essas informações porque teve a oportunidade de conhecer os fundadores. Você pode auxiliar no resgate da história e valorizar as pessoas de fundamental importância para existência do trabalho oferecido nos dias atuais. No segundo momento, busque as fontes onde possa realizar o levantamento das principais demandas apresentadas ao serviço social – procurando destacar qual o perfil da população quem procurar os serviços oferecidos (quantitativo de pessoas na família, formação educacional, faixa etária, sexo, local de moradia, se possui benefício ou está inserido em programa governamental, etc.). Anteriormente destacamos sobre a importância em estudar sobre o histórico da instituição onde realiza seu estágio. Se você já começou a estudar sobre o assunto, ótimo! Caso contrário, comece a organizar a história da instituição para o relatório de atividades do estágio. Em seguida, busque nas supervisões de estágio a identificar a população alvo dos serviços oferecidos pela instituição, bem como as demandas apresentadas pela mesma. É importante delimitar quais são as demandas que a instituição se propõe a trabalhar daquelas que aparecem no atendimento, mas não é objeto de trabalho da instituição, devendo ser encaminhadas para as instituições parceiras, seja pública ou privada. Nesta aula, você: Aprendeu que a leitura é um exercício primordial no aprendizado de uma profissão. Estudou sobre a importância da unidade entre a teoria e a prática, que esta não será obtida no serviço social apenas a partir de referencias teórico-metodológicas, mas tendo como base a qualidade das conexões que estabeleçam com a realidade objeto da ação profissional, o que passa por uma relação consciente entre o pensamento e ação. AULA 7: INSTRUMENTOS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL Premissa Esta aula tem como objetivo incentivar a reflexão sobre a instrumentalidade do Serviço Social, pois a pertinência em analisar o conjunto de fatores essenciais à aplicabilidade de cada instrumento é fundamental. Então muita atenção a partir de agora, leia com bastante atenção! Atenção É preciso prestar atenção na diferença entre instrumentalidade e instrumentos do Serviço Social. Ao final desta aula iremos relembrar alguns dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais como: observação participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, atividades em grupo, visita domiciliar e institucional. Instrumentalidade De acordo com Guerra (2005), a instrumentalidade é uma propriedade e/ou capacidade que a profissão vai adquirindo na medida em que concretiza seus objetivos. Ela possibilita que os profissionais objetivem sua intencionalidade em respostas profissionais. Ao alterarem o cotidiano profissional e o cotidiano das classes socais que demandam a sua intervenção, modificando as condições, os meios e os instrumentos existentes, e os convertendo em condições, meios e instrumentos para alcance dos objetivos profissionais, os assistentes sociais estão dando instrumentalidade ás suas ações. Ordem Instrumental Continua Guerra (2005) dizendo que se muitas das requisições da profissão são de ordem instrumental, exigindo respostas instrumentais, o exercício profissional não se restringe a elas. Com isso, queremos afirmar que reconhecer e atender ás requisições técnico-instrumentais da profissão não significa ser funcional á manutenção da ordem ou ao projeto burguês. Isto pode vir a ocorrer quando se reduz intervenção profissional à sua dimensão instrumental. Isto é necessário para garantir a eficiência e eficácia operatória da profissão. Porém, reduzir o fazer profissional à dimensão técnico-instrumental significa tornar o Serviço Social um meio para o alcance de qualquer finalidade. Significa também limitar as demandas profissionais às exigências do mercado de trabalho. É também equivocado pensar que para realizá-la o profissional possa prescindir de referências-teóricas e éticas-políticas. Definição de Instrumentalidade Então vamos parar um pouco para refletir sobre o que foi dito até agora: Guerra (2005) nos fala que todo trabalho social (e seus ramos de especialização — por ex. o Serviço Social) possui instrumentalidade, a qual é construída e reconstruída na trajetória das profissões pelos seus agentes. A instrumentalidade é um arcabouço de conhecimento sobre profissão, em especial o conhecimento adquirido e acumulado com a experiência de trabalho. Conhecimento alimentado ao dialogar com outros profissionais e experiências já vivenciadas. Guerra (2005) nos fala que todo trabalho social (e seus ramos de especialização — por ex. o Serviço Social) possui instrumentalidade, a qual é construída e reconstruída na trajetória das profissões pelos seus agentes. Esta condição inerente ao trabalho é dada pelos homens no processo de atendimento às necessidades materiais (comer, beber, dormir, procriar) e espirituais (relativas à mente, ao intelecto, ao espírito, à fantasia) suas e de outros homens. Avance para mais informações. Relação do homem com o trabalho Pelo processo de trabalho os homens transformam a realidade, transformam-se a si mesmoe aos outros homens. Assim, os homens reproduzem material e socialmente a própria sociedade. Neste âmbito, o processo de trabalho é compreendido como um conjunto de atividades prático-reflexivas voltadas para o alcance de finalidades, as quais dependem da existência, da adequação e da criação dos meios e das condições objetivas e subjetivas. Os homens utilizam ou transformam os meios e as condições sob as quais o trabalho se realiza modificando-os, adaptando-os e utilizando-os em seu próprio benefício, para o alcance de suas finalidades. As ações profissionais precisam estar conectadas a projetos profissionais aos quais subjazem referenciais teórico-metodológicos e princípios éticos-políticos. Assim, na realização das requisições que lhe são postas, a profissão necessita da interlocução com conhecimentos científicos. Tais conhecimentos têm sido incorporados pela profissão e particularizados na análise dos seus objetos de intervenção. Mas a profissão também tem produzido, através da pesquisa e da sua intervenção, conhecimentos sobre as dimensões constitutivas da questão social, sobre as estratégias capazes de orientar e instrumentalizar a ação profissional (dentre outros temas) e os tem partilhado com profissionais de diversas áreas. Desenvoltura do assistente social 1. No cotidiano, como o espaço da instrumentalidade, imperam demandas de natureza instrumental. 2. No exercício profissional, o assistente social constrói certo modo de fazer que lhe seja próprio e pelo qual a profissão torna-se reconhecida socialmente. Produz elementos novos que passam a fazer parte de um acervo cultural (re)construído pelo profissional e que se compõe de objetos, objetivos, princípios, valores, finalidades, orientações políticas, referencial técnico, teórico-metodológico, ídeo-cultural e estratégico, perfis de profissional, modos de operar, tipos de respostas; projetos profissionais e societários, racionalidades que se confrontam e direção social hegemônica, etc. 3. Na escolha dos meios e instrumentos mais adequados somente podem ser pensadas a partir do acervo cultural que a profissão dispõe para orientar as escolhas técnicas, teóricas e ético-políticas. Tais escolhas implicam projetar tanto os resultados e meios de realização quanto às conseqüências. No âmbito profissional, não existem ações pessoais, as ações são públicas, ou seja, de responsabilidade do indivíduo como profissional e da categoria profissional como um todo. Para tanto, há que se ter conhecimento dos objetos, dos meios/instrumentos e dos resultados possíveis. Objetivos Expressar os objetivos que se quer alcançar não significa que eles necessariamente serão alcançados. Em outras palavras, os instrumentos e técnicas de intervenção não podem ser mais importantes que os objetivos da ação profissional. Se partirmos do pressuposto que cabe ao profissional apenas ter habilidade técnica de manusear um instrumento de trabalho, o Assistente Social perderá a dimensão do por que ele está utilizando determinado instrumento. Sua prática se torna mecânica, repetitiva, burocrática. Habilidades do assistente social – capacidade criativa Mais do que copiar e seguir manuais de instruções, o que se coloca para o Assistente Social hoje é sua capacidade criativa, o que inclui o potencial de utilizar instrumentos consagrados da profissão, mas também de criar outros tantos que possam produzir mudanças na realidade social. Assim, pensar a instrumentalidade do Serviço Social é pensar para além da “especificidade” da profissão: é pensar que são infinitas as possibilidades de intervenção profissional. Guerra (2005) resume, em poucas palavras, o sentido dessa reflexão: Aqui se coloca a necessidade de dominar um repertório de técnicas, legada do desenvolvimento das ciências sociais, fruto das pesquisas e do avanço tecnológico e patrimônio das profissões sociais (e não exclusividade de uma categoria profissional), mas também um conjunto de estratégias e táticas desenvolvidas, criadas e recriadas no processo histórico, no movimento da realidade. (GUERRA: 2005; p. 115-6) Sumário dos instrumentos de trabalho Bom, agora vamos ler mais um pouco sobre alguns instrumentos de trabalho que o Serviço Social mais utiliza no seu cotidiano profissional: OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE - Vamos começar pela observação participante, tema da aula passada. Apenas para relembrar, observar é muito mais do que ver ou olhar. Observar é estar atento, é direcionar o olhar. Em outras palavras, é preciso definir o que se quer observar, delimitar o objeto de estudo. E como esse conteúdo já foi trabalhado anteriormente, iremos dedicar a leitura para outro importante instrumento: a entrevista individual ou em grupo. ENTREVISTA - A entrevista é um diálogo, um processo de comunicação direta entre o Assistente Social e um usuário (entrevista individual), ou mais de um (entrevista grupal). Contudo, o que diferencia a entrevista de um diálogo comum são o fato de existir um entrevistador e um entrevistado, e um direcionamento quanto ao conteúdo a ser explorado. Leia mais! http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc01.pdf -------------- A entrevista, como outros instrumentos, exige um rito para o seu desenvolvimento que chamaremos de etapas, sendo o planejamento, a primeira. Planejar significa organizar, dar clareza e precisão à própria ação; transformar a realidade numa direção escolhida; agir racional e intencionalmente; explicitar os fundamentos e realizar um conjunto orgânico de ações. Nesse sentido, é importante que o assistente social se organize para realizar a entrevista, considerando que sua ação esteja sustentada pelos eixos teórico, técnico e ético-político. O planejamento é uma mediação teórico-metodológica. Para tanto, o entrevistador tem de conhecer a política social para a qual se destina o trabalho da instituição; deve seguir a especificidade para a qual ela terá de responder. Assim, se for para a área da saúde, terá de conhecer as políticas de saúde direcionadas a determinado segmento da população (infância, adolescência, velhice, gênero) e a sua particularidade. Precisa conhecer também a instituição e o seu marco de referência. O segundo passo é estabelecer a finalidade da entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados. O papel de entrevistador que cabe ao Assistente Social coloca-lhe a tarefa de conduzir o diálogo, de direcionar para os objetivos que se pretendem alcançar. O terceiro é delimitar o horário e o espaço físico onde será realizada a entrevista, ou seja, um local que propicie a comunicação, o relacionamento e o respeito ao usuário. As informações colhidas servirão de subsídios para a avaliação das prioridades e definição das situações que, ao longo da(s) entrevista(s), serão questionadas e aprofundadas, tendo como referência os objetivos definidos anteriormente, ou (re)definidos no seu processo. É importante manter o processo de reflexão a fim de que o usuário possa processualmente elaborar os assuntos tratados na entrevista. A avaliação da(s) entrevista(s) é o momento de retomar os objetivos e as expectativas do usuário, revisão dos diferentes momentos e de planejamento conjunto de novas estratégias. É o momento também de organizar as idéias para o registro. ----------- SISTEMATIZAÇÃO - A sistematização, ou seja, análise do material produzido ocorre posteriormente ao registro de várias entrevistas, cuja análise, com base em referenciais teóricos, deverá levar à produção de novos conhecimentos. Claro que existem mais conteúdos sobre a entrevista social, mas a partir da experiência de estágio o aluno se aproximará integrando teoria e prática. Riqueza do aprendizado. O aluno-estagiário pode buscar as leituras sobre o assunto, a partir das referências sugeridas, seja na Universidade, ou no processo de supervisão. DINÂMICA DE GRUPO - Outro importante instrumento é a dinâmica de grupo,descendente da Psicologia Social, a dinâmica de grupo surgiu como um instrumento de pesquisa do comportamento humano em pequenos grupos. Contudo, a dinâmica de grupo é um recurso que pode ser utilizado pelo Assistente Social em diferentes momentos de sua intervenção. Para levantar um debate sobre determinado tema com um número maior de usuários, bem como atender um maior número de pessoas que estejam vivenciando situações parecidas. E nunca é demais lembra que é o instrumento que se adapta aos objetivos profissionais – no caso, a dinâmica de grupo deve estar em consonância com as finalidades estabelecidas pelo profissional. No caso do Serviço Social, o Assistente Social age como um facilitador, um agente que provoca situações que levem à reflexão do grupo. Isso requer tanto habilidades teóricas (a escolha do tema e como ele será trabalhado), como uma postura política democrática (que deixa o grupo produzir), mas também uma necessidade de controle do processo de dinâmica – caso contrário, a dinâmica não alcança os objetivos principais, dentre estes, propiciarem a reflexão do grupo. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc01.pdf VISITA DOMICILIAR - E ainda temos outro instrumento para estudar: a visita domiciliar. A visita domiciliar é um dos instrumentos que potencializa as condições de conhecimento do cotidiano dos sujeitos, no seu ambiente de convivência familiar e comunitária. Contudo, ela só se realizará efetivamente quando o profissional entender que é necessário e cabível para a situação social em que está intervindo, requerendo disponibilidade e habilidades específicas deste profissional. Leia mais! http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc02.pdf ----------- A visita domiciliar não pode se tornar uma invasão de domicílio, ou privacidade. É preciso fazer dentro de um contexto ético, informando ao usuário a necessidade da realização da visita domiciliar. Não é um encontro informal e sem objetivo, ao contrário. É um ato profissional e com objetivos bem delimitados. Podem ocorrer situações do cotidiano daqueles sujeitos, que dificultem as condições ideais para uma entrevista com outro membro da família, pelo fato de estarem, muitas vezes em grupos em suas casas e essas, de modo geral, não terem a proteção necessária ao sigilo. O profissional, nesse sentido, precisa estar atento aos possíveis imprevistos e realizar a sua intervenção, sempre compreendendo a ética profissional. Torna-se importante que o profissional aceite as condições oferecidas pelos que o estão recebendo, não importando em que lugar irá sentar-se, ou até se tiver que ficar em pé, a visita poderá ser realizada. É preciso identificar a realidade exatamente como ela se apresenta, levando em conta as condições sociais e culturais daqueles sujeitos, sem interpretações que venham ao encontro de seus conceitos morais e culturais. É fundamental que o profissional ao se apresentar informe com clareza o objetivo da visita domiciliar, devendo limitar-se a buscar conhecer o que de fato é importante para obtenção dos elementos necessários à análise da situação. A experiência profissional demonstra que se o profissional tiver uma postura respeitosa, de não-intimidação, a receptividade por parte dos sujeitos será muito maior, assim como sua participação. Atenção ao que vou dizer agora: A visita domiciliar se constitui em um instrumento, que por si só não se caracteriza em uma técnica. Para a utilização desta ferramenta se faz necessário o emprego de duas técnicas fundamentais, que são a entrevista e/ou a observação. Então a visita domiciliar é uma atividade sempre complementar a outra técnica instrumental, visando buscar dimensões e informações não alcançadas até o momento. --------------- VISITA INSTITUCIONAL - Mas talvez vocês já tenham escutado falar sobre visita institucional – que possui outra natureza. Vamos então ler mais um pouco para entender do que se trata esta última. Assim como a visita domiciliar, aqui se fala de quando o Assistente Social realiza visita a instituições de diversas naturezas – entidades públicas, empresas, ONGs etc. Muitas podem ser os motivos para que o Assistente Social realize uma visita institucional, vejamos alguns... Quando o Assistente Social está trabalhando em uma determinada situação singular, e resolve visitar uma instituição com a qual o usuário mantém alguma espécie de vínculo. Quando o Assistente Social quer conhecer um determinado trabalho desenvolvido por uma instituição. EM SÍNTESE... O estudo realizado até o momento é para dizer que não é possível pensar um instrumento de trabalho como se ele pudesse ser mais importante do que os objetivos do Assistente Social. O instrumental é o resultado da capacidade criativa e da compreensão da realidade social, para que alguma intervenção possa ser realizada com o mínimo de eficácia, responsabilidade e competência profissional. Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o Serviço Social como totalidade http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc02.pdf constituída de múltiplas dimensões: técnico-instrumental, teórico-intelectual, ético-política e formativa (Guerra, 2005), e a instrumentalidade como uma particularidade e como tal, campo de mediações que porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo qual as mesmas traduzem-se em respostas profissionais. No primeiro caso a instrumentalidade articula as dimensões da profissão e é a síntese das mesmas. No segundo, ela possibilita a passagem dos referencias técnicos, teóricos, valorativos e políticos e sua concretização, de modo que estes se traduzem em ações profissionais, em estratégias políticas, em instrumentos. Técnico-operativos. Em outros termos, ela permite que os sujeitos, em face de sua intencionalidade, invistam na criação e articulação dos meios e instrumentos necessários à consecução das suas finalidades profissionais. Conclusão, por Guerra (2005) Assim, finalizamos a aula com a contribuição do autor, que diz: “Pela instrumentalidade da profissão, pela condição e capacidade de o Serviço Social operar transformações, alterações nos objetos e nas condições (meios e instrumentos), visando alcançar seus objetivos, vão passando elementos progressistas, emancipatórios, próprios da razão dialética. Pressionando a profissão, tais forças progressistas (internas e externas) permitem que a profissão reveja seus fundamentos e suas legitimidades, questione sua funcionalidade e instrumentalidade, o que permite uma ampliação das bases sobre as quais sua instrumentalidade se desenvolve”. Exercício Procure reservar um tempo no estágio supervisionado para observar uma entrevista social, depois busque compreender o sentido de cada pergunta feita aos usuários. Lembra se que não é conveniente perguntar algo que não será útil. As perguntas são formuladas para trazer dados que possam contribuir nas respostas as demandas sociais. Nesta aula, você: Aprendeu que é fundamental analisar o conjunto de fatores essenciais a aplicabilidade de cada instrumento. Aprendeu que é preciso prestar atenção na diferença entre instrumentalidade e instrumentos do Serviço Social. Relembrou alguns dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais como: observação participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, atividades em grupo, visita domiciliar e institucional. AULA 8: O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL, INTERDISCIPLINAR E TRANSDISCIPLINARIEDADE NO COTIDIANO PROFISSIONAL. PREMISSA O tema da aula é sobre a consideração que os profissionais das mais diversas áreas devem ter com relação ao conhecimento produzido pelas categorias de trabalho diferentes. É fundamental dialogar com o conhecimento produzido pelas diversas áreas de trabalho, seja a Pedagogia, o Direito, a Saúde, etc. E principalmente, valorizaro aprendizado em conjunto, com o colega de trabalho ou estágio de outra área de atuação. Aquele quem pode apontar um ângulo diferente da situação apresentada, ampliar a leitura do contexto vivenciado na experiência de estágio. Vamos estudar sobre o trabalho multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinaridade no cotidiano profissional. Precisamos observar essas diferenciações na vivência de estágio supervisionado. Tenha a iniciativa em pedir auxilio a supervisora de campo para aprender a identificar tais experiências de trabalho com profissionais das mais diferentes áreas de atuação e conhecimento. INFLUÊNCIAS NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL O assistente social, como qualquer outro trabalhador, tem o seu processo de trabalho influenciado por diferentes atores e determinado por contexto econômico e político, pelas diferentes organizações institucionais, pelas diferenças geográficas e culturais e pelas atuações exercidas pela sociedade civil e do Estado. Mediante a essa constatação, a pergunta que se faz é: COMO UMA ÁREA DE CONHECIMENTO, SOZINHA, PODE REALIZAR A LEITURA NECESSÁRIA A PRODUÇÃO DE POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS DO COTIDIANO? Claro que é impossível dar conta de tudo e todos. Então a proposta é buscar o diálogo com diversos conhecimentos para ampliar a visão sobre uma questão profissional. Tenha a iniciativa em pedir auxilio a supervisora de campo para aprender a identificar tais experiências de trabalho com profissionais das mais diferentes áreas de atuação e conhecimento. CONCEITOS, POR JANTSCH No entanto, antes de prossegurimos com os estudos, é preciso auxiliar a compreensão dos conceitos. E para isso iremos expor o conteúdo de Jantsch (1972) exposto por Morão (1997, 140) MULTIDISCIPLINARIEDADE Gama de disciplina que propomos, simultaneamente, mas sem fazer aparecer às relações existentes entre elas. Pode ser visualidade nas práticas ambulatoriais, em geral sem cooperação e troca de informações entre si, a não ser um sistema de referência e contra-referência dos clientes, com uma coordenação apenas administrativa. PLURIDISCIPLINARIEDADE Justaposição de diversas disciplinas situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a fazer aparecer às relações existentes entre elas. INTERDISCIPLINARIEDADE Axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas, definida no nível hierarquicamente superior, introduzindo a noção de finalidade, tendendo (mas não necessariamente) para a criação de campo de saber ‘autônomo’. TRANSDISCIPLINARIEDADE Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do campo, sobre a base de uma axiomática geral compartilhada; criação de campo com autonomia teórica, disciplinar ou operativa próprias. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc01.pdf ----- MAS O QUE SIGNIFICA TRANSDISCIPLINARIDADE? A transdisciplinaridade surge como possibilidade para o alargamento da compreensão do real, ampliando a visão sobre o mundo, ou seja, sobre o objeto de estudo. O aprendizado reside em aprender a dialogar com os diferentes conhecimentos, problematizar o contexto, articulando todo o saber à vida; a necessidade de realizar uma linha de pensamento capaz de promover a cultura de uma consciência humanitária que se funde na capacidade de integração entre a vida, a conduta e o conhecimento. A transdisciplinaridade nasceu frente à necessidade em promover o diálogo entre diferentes campos de saber sem impor o domínio de uns sobre os outros, a partir de uma postura ética, recíproca e democrática. VAMOS VOLTAR AOS CONCEITOS! Para auxiliar no entendimento sobre os conceitos utilizamos o material de Rodrigues (2011). O importante é entender que é preciso se aproximar do conhecimento das diferentes áreas, sem preconceito, então é preciso ler, ouvir, observar e dialogar com o diferente para ampliar a visão do contexto. No entanto, isso não garantirá a resposta para tudo, mas certamente aumentará o rol de propostas de intervenção… RODRIGUES (2011) - “A transdisciplinaridade é diferente da multidisciplinaridade e da interdisicplinaridade. A multidisciplinaridade ou pluridisciplinaridade trata do estudo de um mesmo objeto por várias disciplinas; não há necessidade de integração entre elas uma vez que cada qual concorre com seus conhecimentos específicos no estudo de determinado assunto, podendo no máximo, resultar em certa organicidade de apresentação dos resultados ou de contribuições. São visíveis os níveis de cooperação das diferentes disciplinas e, também, a peculiaridade produzida pela conseqüente orientação dos conhecimentos envolvidos naquele estudo. A interdisciplinaridade, diferentemente da pluri ou multidisciplinaridade, promove a troca de informações e de conhecimentos entre disciplinas, mas, fundamentalmente, transfere métodos de uma disciplina para outras. Por http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc01.pdf exemplo: os métodos da física nuclear podem auxiliar na cura do câncer, na engenharia de alimentos ou de remédios, etc.. Corresponde a um espectro mais ampliado de ação, alcançando um processo de interação entre disciplinas capaz de promover a conjugação de conhecimentos que elevem os níveis de saber. A interdisciplinaridade possibilita não só a fecunda interlocução entre as áreas do conhecimento como também constitui uma estratégia importante para que elas não se estreitem nem se cristalizem no interior de seus respectivos domínios; favorece o alargamento e a flexibilização dos conhecimentos disponibilizando-os em novos horizontes do saber. É compreendida como método, técnica didática, instrumento de ação, mas principalmente, (...) como postura profissional que permite se puser a transitar o 'espaço da diferença' com sentido de busca, de desvelamento da pluralidade de ângulos que um determinado objeto investigado é capaz de 1 proporcionar, que uma determinada realidade é capaz de gerar, que diferentes formas de abordar o real podem trazer. (...) A perspectiva interdisciplinar não fere a especificidade das profissões e tampouco seus campos de especialidade. Muito pelo contrário, requer a originalidade e a diversidade dos conhecimentos que produzem e sistematizam acerca de determinado objeto, de determinada prática, permitindo a pluralidade de contribuições para compreensões mais consistentes deste mesmo objeto, desta mesma prática. Sob este ângulo, a interdisciplinaridade não pretende a unidade de conhecimentos, mas a parceria e a mediação dos conhecimentos parcelares, na criação de saberes.” http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc02.pdf --------- DIALOGAR – A transdisciplinaridade pressupõe o exercício do diálogo, o desenvolvimento da escuta para se aproximar do que se passa em outras áreas do conhecimento, pois é impossível saber-se tudo sobre o objeto de investigação ou observação. INTERVENÇÃO – A transdisciplinaridade nos convida a uma aproximação sobre os saberes produzidos, desvelando os valores que os mantêm, o modo de praticá-los, questionando o fazer profissional; utilizando este aprendizado como experiência fundamental na reorientação de ações e valores. Cabe um exercício crítico entre pensamento, ação, experiência, diferença, valores. Alguns princípios são bem-vindos neste campo de reflexão: assumir uma postura crítica, uma atitude responsável e ética, principalmente considerando a diferença como fator enriquecer no processo de aprendizado. Leia mais! - Sobre a possibilidade do crescimento e aprendizado, Rodrigues aponta que: “A questão não está em superar as fronteiras que existem entre as disciplinas, mas em transformar o que gera as fronteiras. As disciplinas precisam reassumir os sujeitos sociais (em contraposiçãoà exclusão do sujeito) em sua integralidade; não eliminar de seu pensamento, de sua episteme, a alma, o conteúdo, as emoções, o sofrimento; não eliminar o vivente.” Baptista (1998, 110) reconhece o Serviço Social como profissão que se refaz e se reconstrói nas relações com a sociedade, “(...) muito embora nesse processo, não supere os limites das relações postas pelo capitalismo, uma vez que a própria sociedade não os supera. Nesse processo de construção, as ações individuais dos profissionais podem assumir dimensões de síntese – resultante do processo coletivo de elaboração de conhecimentos e práticas desenvolvidas pela categoria – e de criação de novas propostas e de novos conhecimentos (...). A experiência é submetida a uma seletividade que determina o que deve ser retido e o que deve ser “esquecido”, o que deve ser objetivado, conservado e acumulado, constituindo-se o acervo de conhecimentos da formação profissional”. Para a autora, “(...) o espaço privilegiado da intervenção profissional é o cotidiano, o ‘mundo da vida’, o ‘todo dia’ do trabalho que se revela no ambiente do qual emergem exigências imediatas e esforços para satisfazê-las, lançando mão de diferentes meios e instrumentos de ação.” (1998,111). A construção do saber do profissional, tendo como horizonte a intervenção, inclui um tríplice movimento: 1 (...) de crítica, de construção de um conhecimento novo e de nova síntese no plano do conhecimento e da ação, em um movimento que vai do particular para o universal e retorna ao particular em outro patamar, desenhando um movimento em espiral de relação ação/conhecimento. (1998, p.113). Baptista (1998) coloca que na prática profissional, as mediações entre a elaboração teórica, a projeção e a intervenção se dão de maneira complexa: têm de responder a questões muito concretas, sócio-econômicas e políticas de uma sociedade extremamente diversificada, colocando-se diante de problemas muito específicos. Frente a essa colocação, primordial uma postura de diálogo com as diferentes áreas de conhecimento, e entre os próprios profissionais de diversas formações. E Baptista (1998), contribui nesta reflexão ao dizer que o profissional, na sua forma particular de conhecimento voltado para a prática, ao conhecer a realidade vai construindo no pensamento, um projeto de ação, vai emergindo uma maneira particular de ver problemas e construir soluções lançando mão do http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc02.pdf desenvolvimento teórico e de aplicações técnicas. O modo como o profissional faz isso determina a relação que ele estabelece com a teoria. Mas alerta que a apreensão desses conhecimentos não poderá ser feita de maneira “mecânica, eles precisarão ser reelaborados, resgatando o que estes estudos avançaram, superando seus limites, criando criticamente um conhecimento novo à luz de uma teoria social”. (p.113). Ao terminar suas reflexões evoca um desafio ao Serviço Social: análise e aprofundamento das propostas teóricas com a preocupação de construir bases operativas que permitam uma intervenção crítica. Nesse contexto, mostraram-se cada vez mais necessários os diálogos cada vez mais amplos entre as disciplinas e entre os saberes. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc03.pdf ----------------- DIÁLOGOS O exercício do diálogo é fundamental para a promoção da troca de experiências. Esse tipo de diálogo é abordado pelas teorias ligadas à cultura e ao desenvolvimento do trabalho em equipe. Normalmente, esse conhecimento compartilhado acontece quando: 1. Ocorre diálogo frequente e comunicação “face a face”; a partir de discussão de casos ou reuniões visando o estudo de um objeto delimitado. 2. Falas, insights e intuições são valorizados, disseminados e analisados (discutidos) sob várias perspectivas (por grupos heterogêneos) para que se possa fazer uma triagem do que realmente valerá se debruçar a partir de um olhar investigativo. 3. É preciso valorizar o trabalho do outro, a partir de uma postura de quem está em busca do aprendizado. TROCA DE “BAGAGENS” ntervenção se realiza “face a face”, como antes colocado. Mas também a partir das leituras bibliográficas pertencentes às diversas áreas do conhecimento e temas, a saber: psicologia, educação, economia, administração, direito, etc. A leitura será selecionada a partida da experiência de trabalho (ou estágio) vivenciada. EXEMPLO - Por exemplo, se o estágio está ocorrendo no espaço do judiciário, então é sugestiva a leitura de textos relacionados à área do direito em busca de conhecimento acumulado nesta área. Nesta aula, você: aprendeu que o ponto fundamental da discussão é sobre a consideração que os profissionais das mais diversas áreas devem ter com relação ao conhecimento produzido pelas categorias de trabalho diferentes. É fundamental dialogar com o conhecimento produzido pelas diversas áreas de trabalho, seja a Pedagogia, o Direito, a Saúde, etc. E principalmente, valorizar o aprendizado em conjunto, com o colega de trabalho ou estágio de outra área de atuação. AULA 9: O PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL Introdução O Serviço Social é trabalho, portanto, possui elementos constitutivos do processo de trabalho: 1. Matéria-prima (objeto de trabalho); 2. Meios (instrumentos); 3. Produtos (resultados). http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc03.pdf Parte desta discussão foi realizada ao longo desta (e de outras) disciplinas. A discussão sobre processo de trabalho no serviço social remete aos seguintes questionamentos (dentro do espaço de trabalho): 1. Como e por quem é planejado o processo de trabalho do serviço social? 2. Quem gerencia o trabalho do serviço social? 3. Quais são as frentes de atuação do serviço social? 4. Quais os principais instrumentos de trabalho? 5. Quais os principais objetivos? 6. Quais os principais objetos? 7. Quais as principais demandas ao serviço social? 8. Quais os principais produtos do trabalho do Serviço social? 9. Qual o referencial teórico metodológico (base intelectual)? Esses questionamentos são direcionadores para compreensão do processo de trabalho do Serviço Social. Mas como acontece em toda profissão, há profissionais que estão apenas executando, sem delimitar os instrumentos, apenas reproduzindo ações realizadas anteriormente. Outros apenas gerenciam, mas pouco se aproximam daqueles que executam, para compreender o sentido do trabalho. E ainda existem aqueles que não conseguem perceber o resultado, o trabalho realizado (produto) dado à fragmentação da prática profissional. Neste sentido, a importância em analisar os elementos constitutivos da profissão. A MATÉRIA-PRIMA A matéria-prima ou objeto num processo de trabalho ao qual o serviço social se encontra inserido será delimitada a partir da própria experiência de trabalho. Esta matéria-prima aparece camuflada da sua realidade. Os fatos se apresentam fragmentados, exigindo uma intervenção profissional. Para tanto, podemos compreender que a matéria-prima da profissão aparece primeiramente no campo da singularidade, e necessita ser delimitada, estudada. INSTRUMENTOS DE TRABALHO Os meios ou instrumentos de trabalho são utilizados pelo assistente social na estratégia de realização do trabalho do profissional. Estes meios ou instrumentos podem estar ao alcance ou alienado ao profissional, que deve criar caminhos para superar os limites e ampliar as possibilidades de ação profissional. Instrumentos não consistem somente em técnicas, como visitas, reuniões e relatórios, pois afirmar isto é desqualificar o trabalho do assistente social. Ao estudar uma profissão, seja qual for, aprendemos que os instrumentos são utilizados e selecionados visando o alcance de objetivos. Para isso existe a faculdade, o profissional recebe uma formação que o habilita em uma determinada área de conhecimento e atuação,ou seja, responsável pelo discurso e ações profissionais. Aprendendo organizar o seu próprio fazer profissional, e delimitando os instrumentos necessários para atingir os objetivos propostos. A competência política e teórico-metodológica é a base para delimitar as possibilidades da prática profissional, a instrumentalização da prática profissional deve superar o sentido apenas operacional que vem sendo colocado e reforçado, historicamente. O instrumental mobilizado no processo de trabalho do serviço social se relaciona diretamente como o aporte teórico-metodológico. Uma separação destes acaba se desdobrando em ações com pouca efetividade e resultado, pragmática. A autonomia, a conquista de espaços, o saber se posicionar, o desenvolvimento de habilidades, a criação de estratégias, o aprimoramento intelectual e o conhecimento teórico-metodológico são exemplos de meios/instrumentos utilizados pelo profissional, na perspectiva de uma intervenção transformadora. A especificidade (o objeto de intervenção da profissão) é campo de ação profissional e esta intervenção necessita de instrumentalidade: técnicas, instrumentos, estratégias. Sem esta instrumentalidade não há possibilidades de uma intervenção profissional transformadora, tendo em vista que a apropriação da instrumentalidade possibilitará a criação de espaços de potencialidades. Isso quer dizer que o profissional deve saber por que estão escolhendo um determinado instrumento, outros não. É preciso justificar os instrumentos mais adequados a transformação da matéria prima, ou objeto de intervenção O objetivo consiste em um elemento constitutivo do processo de trabalho. Este elemento no trabalho do assistente social está relacionado a direcionamento profissional. Não é possível intervir na realidade se não há uma diretriz norteadora que indique princípios e objetivos da intervenção profissional. Sem a finalidade, a intervenção se reduz às demandas institucionais e não traz transformação efetiva à vida dos sujeitos. Todo o trabalho profissional resultará num produto, isto é, ações que tenham impacto, que mudem a realidade e tenham continuidade através do tempo e do espaço. Mas devemos refletir sobre os diversos espaços sócio- ocupacionais ou institucionais, que trabalham os assistentes sociais, isto é, com demandas/objetos institucionais igualmente diversificados. A Questão Social como objeto da profissão Serviço Social leva assistentes sociais a diversos espaços profissionais. É necessário, portanto, articular os fundamentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico-operativos e consolidar a identidade profissional nestes espaços, a partir da finalidade, objeto e objetivos da profissão Serviço Social. AGORA MUITA ATENÇÃO! Como a questão social se configura naquela instituição ou naquele espaço sócio-ocupacional (onde você realiza seu estágio curricular)? A busca da resposta é o desafio em compreender o processo de trabalho do Serviço Social atrelado a uma determinada área de atuação, seja na Saúde, Judiciário, Assistência Social, Empresa, etc. O CONHECIMENTO Considerando os diversos espaços sócios ocupacionais, devemos apoiar as pesquisas e os projetos que favoreçam o conhecimento do modo de vida e de trabalho, as expressões culturais, da população atendida, construindo um acervo de dados sobre os sujeitos e as expressões da questão social. O conhecimento sistematizado dos processos sociais e sobre o modo de vida dos indivíduos poderá alimentar ações inovadoras, capazes de resultar no atendimento as reais necessidades sociais da população atendida, alvos das ações institucionais. Esse conhecimento é indispensável para promover a consciência crítica e uma cultura pública democrática para além das ideologias difundidas, particularmente pela mídia. Isso demanda estratégias técnicas e políticas no campo da comunicação social – no emprego da linguagem escrita, oral e midiática –, para o desenvolvimento de ações coletivas que possibilitem propostas profissionais para além das demandas instituídas. O mundo atual solicita um perfil de profissional culto, crítico e capaz de formular, recriar e avaliar propostas que colaborem para a progressiva democratização das relações sociais. Exige-se compromisso ético-político com os valores democráticos e competência teórico-metodológica na teoria crítica, em sua lógica de compreensão da vida social. Esses elementos, aliados à pesquisa da realidade, possibilitam desvendar as situações particulares com que se defronta o assistente social no seu trabalho, de modo a conectá-las aos processos sociais macroscópicos que as geram e as modificam. ------------------------- Leia com toda atenção o parágrafo a seguir! “O trabalho dos assistentes sociais não se desenvolve independentemente das circunstâncias históricas e sociais que o determinam, de fato”. A inserção do Serviço Social nos diversos processos de trabalho encontra-se profunda e particularmente enraizado na forma como a sociedade brasileira e os estabelecimentos empregadores do Serviço Social recortam e fragmentam as próprias necessidades do ser social e a partir desse processo como organizam seus objetivos institucionais que se voltam à intervenção sobre essas necessidades. (Mota, 306, 2007). É preciso, ainda, que o profissional desenvolva um instrumental técnico-operativo, capaz de potencializar as ações nos níveis de assessoria, planejamento, negociação, pesquisa e ação direta, incentivadora da participação dos sujeitos sociais nas decisões que lhes dizem respeito. Para Iamamoto (2007), um desafio é romper as unilateralidades presentes nas leituras do trabalho do assistente social com vieses ora fatalistas, ora messiânicos, tal como se constata no cotidiano profissional (Iamamoto, 1992ª). As primeiras superestimarem a força e a lógica do comando do capital no processo de (re) produção, submergindo a possibilidade dos sujeitos de atribuírem direção às suas atividades. Com sinal trocando, no viés voluntarista, a tendência é silenciar ou subestimar os determinantes histórico-estruturais objetivos que atravessam o exercício de uma profissão, deslocando a ênfase para a vontade política do coletivo profissional, que possa a ser superestimada, correndo-se o risco de diluir a profissionalização na militância stricto sensu. E prossegue a referida autora nos dizendo que: ---------------- “O outro desafio é participar de um empreendimento coletivo, que permita, de fato, trazer, para o centro do debate, o exercício e/ ou trabalho cotidiano do assistente social, como uma questão central da agenda da pesquisa e da produção acadêmica dessa área. O esforço, aqui anunciado, está voltado para atribuir transparência aos processos e formas pelos quais o trabalho do assistente social é impregnado pela sociabilidade da sociedade do capital, elucidando sua funcionalidade e, simultaneamente, o potencial que dispõe para impulsionar a luta por direitos e a democracia em todos os poros da vida social; potencial esse derivado das contradições presentes nas relações sociais, do peso político dos interesses em jogo e do posicionamento teórico-prático dos sujeitos profissionais ante os projetos societários (p.417, 2007)--------------- Assim devemos considerar a contribuição de Iamamoto (2007) que nos fala ainda que os assistentes sociais, no mínimo devem: a) Conhecer a realidade sobre a qual operam, nas suas particularidades e singularidades; b) Desnudar, avaliar, criticar e denunciar a proposta neoliberal no sentido de propor políticas alternativas que excluam qualquer aliança com essa proposta o que implica que os assistentes sociais aprofundam seu nível de articulação interna (organização profissional) e externa (articulação e alianças com outros profissionais, trabalhadores e com os diferentes segmentos que demandam a ação profissional); c) Determinar objetivos profissionais exequíveis – o que só pode vir como consequênciada apreensão do movimento da realidade social – garantindo, ampliando e facilitando o acesso de crescentes continentes populacionais aos direitos sociais; d) Qualificar as práticas operativas, garantindo um padrão mínimo de eficiência do conhecimento técnicooperativo. Iamamoto (2007) nos diz que o profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando proposta para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organização da sociedade civil e movimentos sociais. Profissional dotado de formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações e no mercado de trabalho. Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do Assistente Social do Assistente Social. Então destacamos a seguinte reflexão: “As transformações ocorridas na sociedade, às mudanças nas relações de trabalho através do fim de antigas funções, surgimento de novas demandas, atribuições e espaços ocupacionais e requisitos novos para a qualificação dos trabalhadores especializados, em especial do assistente social determinam reflexões e novas propostas para garantir a autonomia e respeito ao projeto ético-político do Serviço Social” (p.431) Voltando a discussão da formação profissional, considerando as diretrizes curriculares, torna-se indispensável ao trabalho do Assistente Social: • Fomentar a apreensão crítica dos processos sociais numa perspectiva de totalidade; • Instigar a análise do movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo no país e situando o Serviço Social nestas relações sociais; • Fortalecer os valores e princípios legitimados no Código de Ética profissional, exercitando a vivência da cidadania, democracia e participação política; • Garantir a compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio histórico nos cenários internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade; • Possibilitar a identificação das demandas presentes na sociedade, tradicionais e emergentes, visando formular respostas profissionais para o enfrentamento da questão social, considerando as novas articulações entre o público e o privado; • Consolidar o entendimento da prática profissional como trabalho socialmente determinado, de modo que o assistente social se reconheça como trabalhador assalariado. As modificações societárias demandam uma proposta de aprendizado contínuo por compreendermos que a estudo e aprimoramento profissional são pontos básicos para o processo de ensino-aprendizagem e contribuem sobremaneira para a realização da relação teoria-prática dos assistentes sociais, observando os nexos entre os conhecimentos do Serviço Social e a realidade da prática profissional na sua aproximação com a demanda, com a instituição e com a realidade social, assim como, soma para o processo de desenvolvimento das habilidades técnico-operacionais fundamentais à prática profissional, objetivando o atendimento das demandas frente à realidade social e as possibilidades de enfrentamento às questões sociais que surgem no dia-a-dia de trabalho. Voltaremos ao questionamento! Como a Questão Social se configura naquela instituição ou naquele espaço sócio ocupacional (onde você realiza seu estágio curricular)? A busca da resposta é o desafio em compreender o processo de trabalho do Serviço Social atrelado a uma determinada área de atuação, seja na Saúde, Judiciário, Assistência Social, Empresa, etc. A partir do texto disponibilizado e registrado no ícone “aprenda mais”, sobre os espaços sócio ocupacionais do assistente social, Iamamoto nos diz que as alterações verificadas nos espaços ocupacionais do assistente social têm raízes nesses processos sociais, historicamente datados, expressando tanto a dinâmica da acumulação, sob a prevalência de diversos interesses, quanto à composição do poder político e a correlação de forças no seu âmbito, capturando os Estado Nacionais, com resultados regressivos no âmbito da conquista e usufruto dos direitos para o universo dos trabalhadores. Mas os espaços ocupacionais refratam ainda as particulares condições e relações de trabalho prevalentes na sociedade brasileira nesses tempos de profunda alteração da base técnica da produção com a informática, a biotecnologia, a robótica e outras inovações tecnológicas e organizacionais, que potenciam a produtividade e a intensificação do trabalho. É esse solo histórico movente que atribui novos contornos ao mercado profissional de trabalho, diversificando os espaços ocupacionais e fazendo emergir inéditas requisições e demandas a esse profissional, novas habilidades, competências e atribuições. Mas ele impõe também específicas exigências de capacitação acadêmica que permitam atribuir transparências às brumas ideológicas que encobrem os processos sociais e alimentem um direcionamento ético-político e técnico ao trabalho do assistente social capaz de impulsionar o fortalecimento da luta contra hegemônica comprometida com o universo do trabalho. Em outro momento (IAMAMOTO, 1992), a autora salienta que o espaço profissional é um produto histórico, Em outro momento (IAMAMOTO, 1992), diz que o espaço profissional é um produto histórico, condicionado tanto: a) pelo nível de luta pela hegemonia que se estabelece entre as classes fundamentais e suas respectivas alianças; b) pelo tipo de respostas teórico-práticas densas de conteúdo político dadas pela categoria profissional. Essa afirmativa fundava-se no reconhecimento de ser o trabalho profissional tanto resultante da história quanto dos agentes que a ele se dedicam. Se a correlação de forças entre as classes e grupos sociais cria, nas várias conjunturas, limites e possibilidades em que o profissional pode se mover, suas respostas se forjam a partir das marcas que perfilam a profissão na sua trajetória, da capacidade de análise da realidade acumulada, de sua capacitação técnica e política em sintonia com os novos tempos. Assim o espaço profissional não pode ser tratado exclusivamente na ótica da demandas já consolidadas socialmente, sendo necessário, a partir de um distanciamento crítico do panorama ocupacional, apropriar-se das demandas potenciais que se abrem historicamente à profissão no curso da realidade. Orientar o trabalho nos rumos aludidos requisita um perfil de profissional culto, crítico e capaz de formular, recriar e avaliar propostas que apontem para a progressiva democratização das relações sociais. Exige-se, para tanto, compromisso ético-político com os valores democráticos e competência teórico-metodológica na teoria crítica, em sua lógica. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula09_doc01.pdf --------------- Após a realização da 9ª aula e dos exercícios de registro de frequência, faça a leitura do texto disponibilizado na internet. Iamamoto, Marilda. Os espaços sócios ocupacionais. Nesta aula, você: Estudou sobre o processo de trabalho do Serviço Social, considerando os diferentes espaços sócios ocupacionais e suas especificidades. Reconheceu a necessidade em delimitar um objetivo a ser alcançado, isto é, em identificar as finalidades das ações profissionais para que se possam reconhecer os resultados. AULA 10: SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL Premissa A aula de hoje é sobre a importância em se organizar profissionalmente para se garantir a qualidade na prática profissional, considerando a dinâmica de sistematização da prática profissional O Serviço Social, que exige uma formação de nível superior para ser exercido, construiu ao longo da história um conjunto de procedimentos de registro, monitoramento e avaliação das práticas profissionais. E todo material de registro é necessário para subsidiar pesquisas analíticas, visandoo aperfeiçoamento das ações desempenhadas. No entanto, Teixeira (2007) nos diz que: “Esta regularidade, contudo, esteve longe de sedimentar uma postura que atravessasse a história do Serviço Social com a mesma intensidade e relevância. Da mesma forma, esteve muito distante dos processos de demarcação de preocupações investigativas que requeressem a mobilização e o domínio de um conjunto razoável de instrumentos e aportes teórico-metodológicos, tal como ocorre entre os profissionais pesquisadores das diversas áreas das chamadas ciências sociais. Concluindo, não conseguiu, contudo, o Serviço Social forjar uma cultura profissional que se alimentasse diretamente, ou que indicasse um papel de destaque, às atividades investigativas, particularmente aos processos de sistematização do seu trabalho, tomado integral ou parcialmente segundo um variado leque de enfoques (p.400).” A PROFISSÃO O Serviço Social enquanto profissão precisa construir continuadamente procedimentos de sistematização de suas atividades profissionais, considerando os instrumentos até então construídos e as orientações acadêmicas sobre o assunto. Os registros não podem se tornar atividades burocráticas sem finalidade. É preciso considerar o registro em suas diversas formas no processo de avaliação e reflexão sobre o seu próprio trabalho. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula09_doc01.pdf http://xa.yimg.com/kq/groups/15556754/965251170/name/Texto_introdutorio_-_Marilda_Iamamoto.pdf A sistematização da prática foi entendida pelo CELTS como todo o processo de organização teórico-metodologico e técnico instrumental da cão profissional em Serviço Social. neste sentido, a preocupação com a sistematização se inicia coma própria delimitação dos referencias que orientarão a eleição dos aportes teóricos, da intervenção profissional, assim como de seus objetivos e da avaliação dos resultados alcançados. (Teixeira in mota, 401, 2007) É possível verificar na literatura produzida pelo Serviço Social que ainda é pouco comum as reflexões que publicam as experiências profissionais realizadas ou em andamento. A sistematização da prática profissional é primordial para o desenvolvimento teórico da profissão. SISTEMATIZAÇÃO E O ASSISTENTE SOCIAL A criação de uma série de dados e informações no dia-a-dia de trabalho, especificamente sobre as condições de vida da população, as propostas e desenvolvimento das políticas sociais, o caldo cultural e político proveniente das diversas classes sociais, devem ser identificados no trabalho do assistente social. A sistematização como uma atividade do trabalho do assistente social é um processo que envolve a produção, organização e análise dos dados e informações a partir da perspectiva do aprendizado. *uma atividade do trabalho - O exercício crítico e reflexivo sobre a prática profissional envolve uma natureza teórica em busca de uma leitura sobre as expressões cotidianas da realidade social, influenciadas por diversos aspectos que envolvem o contexto político, econômico e social na contemporaneidade. A sistematização no trabalho do assistente social exige do profissional uma reflexão teórica, que renova o estatuto teórico da profissão, e a legítima na atualidade. OPINIÃO DE TEIXEIRA Veja o que Teixeira (p.4003, 2007) nos diz sobre sistematização da prática profissional: “Situamos também, dentre o leque de questões que valorizam a sistematização como um momento importante do trabalho do assistente social, a sua dimensão realimentadora da própria condução de seu trabalho. Para além da construção coletiva da história da atuação profissional que este processo também encerra, ressaltamos aqui seu impacto mais imediato: a reflexão sobre alguma dimensão da atividade profissional favorecendo um reordenamento desta experiência. Neste caso, podemos ter, por exemplo, uma reflexão sobre certos instrumentos de trabalho, sobre a pertinência dos mesmos aos objetivos propostos e ao aporte teórico- metodológico utilizado, assim como a experimentação de novas técnicas, não como opções restritas ao âmbito das opções metodológicas, mas como possibilidades ancoradas nas tensões entre o projeto e as opções profissionais, com suas nuances éticas, políticas e teórico- metodológicas, e a dinâmica da produção e da reprodução social que determinam as condições efetivas de nosso trabalho.” Significados do processo de sistematização, por Teixeira Ao sistematizar a prática profissional, analisando o trabalho realizado, o assistente social contribui para uma maior autonomia, ao demonstrar imprimir qualidade, segurança e justificativas plausíveis á realização da atividade executada ou proposta. Oferecendo, ainda, maior visibilidade a prática profissional. Teixeira coloca que (2007), poderíamos enumerar, ainda, uma série de significados importantes do processo de sistematização de sua atividade profissional para o Serviço Social, contudo, dois se inscrevem dentro das referências que vimos apresentando até então. O primeiro diz respeito a sua inscrição no trabalho do assistente social e no processo de trabalho institucional do qual participa, ou seja, fazendo parte da própria dinâmica da profissão ou da instituição e não sendo visto como uma atividade esporádica, um apêndice. A implicação mais expressiva que esta perspectiva acentua é a possibilidade de incluirmos dentre as ações que nos levam a tentar superar a alienação que atravessa nosso trabalho, uma postura crítica, embasada teoricamente e que regularmente toma os rumos dado à ação profissional, assim como os seus resultados, como objeto de reflexão. O segundo, é que estaríamos consolidando um trabalho que imputaria uma nova dimensão às tradicionais formas de registro da atividade profissional, superando uma lacuna histórica no Serviço Social, e, há muito, reclamada: a ausência de socialização das experiências profissionais. Para que esta ausência não seja substituída apenas por relatos descritivos das atividades cotidianas, faz-se necessário um processo de sistematização das mesmas, ou seja, um resgate de experiências que seja ilustrativamente rico dos procedimentos mobilizados como problematizadores das questões relativas ao exercício profissional, alcança a socialização da experiência a um patamar de discussão que contribua tanto para o amadurecimento intelectual como para o maior reconhecimento social do Serviço Social. A sistematização da prática profissional demanda do assistente social um conjunto de investimentos de diversas ordens: teórico-metodológico, ético-político, técnicoinstrumental e sócio-ocupacional. Não podemos deixar de lado que todo trabalho profissional tem uma direção política, ética e teórica. Neste sentido é que se enfrenta o desafio de tratar a prática profissional a partir de sua categoria básica que é a ação profissional. As ações profissionais se estruturam sustentadas no conhecimento da realidade e dos sujeitos para as quais são destinadas, na definição de objetivos considerando o espaço dentro do qual se realiza na escolha de abordagens adequadas para aproximar-se dos sujeitos destinatários da ação e compatíveis com os objetivos. Finalmente implica na escolha de instrumentos apropriados às abordagens definidas e também de recursos auxiliares para a sua implementação. Todo esse processo se opera com base no planejamento, na documentação e num apurado senso investigativo. As exigências centrais da formação profissional no contexto das transformações sociais em curso têm como base a questão social oriunda da dinâmica da vida social e no mundo do trabalho. Busca-se compreender e apreender o significado social da profissão enquanto especialização do trabalho coletivo. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula10_doc01.pdf ---------- TRANSFORMAÇÕES E INFLUÊNCIAS Percebe-se a necessidade de um repensar dos profissionais frente a todas as transformações societárias,uma vez que também o Serviço Social sofre as influências das mudanças na realidade social. Assim, as exigências da formação profissional baseiam-se em princípios como reorganização do currículo de 1982, aproveitando os pontos positivos e modificando aqueles que impedem o desenvolvimento profissional proposto. Busca-se também a formação de um profissional com visão de totalidade percebendo as dimensões de universalidade, particularidade e singularidade. Por isso que a realização do exercício de análise sobre a prática profissional é de fundamental importância ao futuro profissional. http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula10_doc01.pdf PESQUISA E ANÁLISE PRÁTICA PROFISSIONAL QUALITATIVA - As perspectivas de formação do assistente social buscam atender à nova realidade social apresentada e aos novos paradigmas da educação que direcionam os destinos da humanidade. Através da formação profissional é possível refletir sobre os movimentos societários e construir propostas para a superação das misérias sociais a que está submetida à humanidade. Segundo IAMAMOTO (2007, p. 167), O (a) assistente social trabalha no âmbito das relações sociais, em suas expressões na vida quotidiana, nas esferas públicas e privadas. Interfere na reprodução das condições de vida material dos segmentos populacionais que tem acesso aos serviços previstos nas políticas sociais públicas e empresariais. Mas, também, opera no minado terreno político ideológico – que incorpora conhecimentos, valores, comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções, que conformam a esfera da subjetividade dos indivíduos sociais, cuja existência é socialmente objetiva. O assistente social, ao acompanhar o movimento e o ritmo das marés neoliberais, pode vir a torna-se um eficiente e eficaz coadjuvante dos mecanismos de fetichização da vida social: um profissional mistificado e da mistificação. CAPACIDADE: COMPETÊNCIA E HABILIDADE Os valores primordiais no processo de formação profissional do assistente social se expressam na defesa da qualidade dos serviços, na competência profissional, na viabilização dos direitos sociais e da cidadania, na luta pela radicalização da democracia no aprimoramento intelectual dos profissionais. Assim, o profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas, de intervenção para seu enfrentamento, deve desenvolver a capacidade de promover o exercício pleno da cidadania e a inserção criativa e propositiva dos usuários do Serviço Social no conjunto das relações sociais e no mercado. E como já citado antes nas diversas aulas e disciplinas realizadas até então, outro aspecto importante é a inserção dos requisitos de competência e habilidades. Entende-se que a formação profissional deva viabilizar a aquisição de competências, como a capacitação teórico-metodológica e ético-política. INSERÇÃO DOS REQUISITOS DE COMPETÊNCIA E HABILIDADES - Nesse sentido reforça-se a importância da educação continuada profissional no âmbito teórico, metodológico, técnico-operativo, e ético-politico dos sujeitos envolvidos na formação profissional. Todos os sujeitos envolvidos têm suas responsabilidades, que compreendem o respeito ao outro, o compromisso com o coletivo e a coerência entre os valores éticos assumidos e as atitudes práticas. BENEFÍCIOS DA SISTEMATIZAÇÃO A formação profissional pode ser estabelecida na construção cotidiana da relação teoria-prática e se consolidar através do entendimento sobre as habilidades e competências e a busca de viabilidade dos projetos de mudanças sociais com os quais a profissão está associada. Tudo isso repercute nas condições de trabalho do assistente social. Diariamente ele se vê envolto por um acúmulo de trabalho, aumento de seu desgaste físico e diminuição de recursos e alternativas para o enfrentamento das questões sociais. A sistematização da prática profissional quando considerada um dos elementos constitutivos do processo de trabalho do Serviço Social vem a contribuir na compreensão e enfrentamento das questões sociais nas suas diversas expressões. Sistematizar a prática profissional propicia o cunho investigativo, no esforço empreendido que se faz no sentido de traçar as bases preliminares para a operacionalização de uma proposta de metodologia qualitativa de avaliação de serviços, projetos e ações desenvolvidas. PRINCIPAIS QUESTÕES Mas como operacionalizar uma proposta de estudo situada num campo do estágio supervisionado? Percebem-se, portanto, enquanto unidade de análise, não é somente o serviço realizado, mas a atividade realizada que correspondem à rede de relações internas e externas, as experiências, as estruturas e os processos que constituem aquela prática institucional. Alguns pontos de observação e análise foram destacados ao longo desta disciplina, no entanto é fundamental mais uma vez registrar a necessidade em dedicar um tempo para a realização da caracterização do perfil da população atendida e os dados sobre a atuação do serviço. PONTOS DE OBERVAÇÃO E ANÁLISE - Outro indicador de análise, também citado anteriormente, refere-se à busca pela compreensão das relações que alicerçam e constituem a atuação daquele serviço ou programa. Estas se relacionam à estrutura do serviço, tais como: organização formal, definição de objetivos organizacionais, estrutura hierárquica, etc. PESQUISA E ANÁLISE Quais processos deveriam ser analisados? Seria o próprio processo de trabalho, que culmina nas ações realizadas no cotidiano de trabalho. Outro processo importante para a compreensão da prática profissional é o contexto das interações estabelecidas entre os diversos atores sociais envolvidos nas atividades. Estamos dizendo então que é preciso conhecer a atuação profissional, isto é: os principais objetivos institucionais, os dados estatísticos já produzidos pelo próprio serviço, as secretarias e outras instituições de pesquisa, as estratégias e dinâmica de atendimento, a população-alvo, recursos utilizados. Enfim, todas as informações disponíveis devem ser estudadas. DETALHAMENTO DA ANÁLISE Busca-se conhecer o dia-a-dia do serviço ou da ação profissional. A análise propriamente dita, isto é, a etapa de elaboração de um relatório, onde se busca articular conhecimentos teóricos sobre a temática à qual se refere à avaliação de problemas empíricos visando aperfeiçoar e sugerir ações profissionais. Outra perspectiva importante é o compromisso de compartilhar um conhecimento produzido com aqueles sujeitos sociais cujas ações e vivências foi objeto de reflexão, em especial a supervisora do campo de estágio supervisionado. ANÁLISE PROPRIAMENTE DITA - Este momento de avaliação, de um balanço mesmo da experiência de estágio supervisionado, portanto, deve ser vista como este desafio de articulação entre as distintas disciplinas que constituem a formação profissional, e cursada até o momento. Estes aspectos fazem parte dos desafios e dilemas que compõe a formação profissional e contribuem efetivamente para o processo de ensino-aprendizagem de todos os envolvidos. Os diversos exercícios e atividades propostas ao longo da disciplina visam incentivar o aluno a realizar o estabelecimento de um tipo de relação pedagógica no processo de formação de profissional particularmente privilegiado em termos da capacidade deste em estabelecer uma síntese, de desconstruir um pensamento orientado por modelos aplicáveis, de articular críticas e formação, em síntese, de se construir em sua identidade de trabalhador, de futuro assistente social. É preciso realizar os exercícios e atividades propostas nas mais diversas disciplinas, como também é de fundamental importância a realização das leituras indicadas nas referências. REFERÊNCIAS IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007. MOTA, Ana Elizabeth. et alli (Orgs). ServiçoSocial e saúde: formação e trabalho profissional. 2ª ed. São Paulo: Cortez; Editora Brasília: OPAS, OMS, Ministério da Saúde; Recife: ABEPSS, 2007. Nesta aula, você: aprendeu o quanto é necessário o esforço rumo à sistematização da prática profissional, bem como recebeu um rol de orientações para a construção do relatório das atividades realizadas na experiência de estágio supervisionado.