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ESTAGIO 1 - PRÁTICA SUPERVISIONADA I

Ementa da disciplina Prática Supervisionada I: orientações teóricas e práticas para estágio em Serviço Social. Inclui aulas sobre supervisão, inserção, plano de estágio, diário de campo, observação participante, instrumentos profissionais, trabalho multiprofissional, processo de trabalho e relatório final.

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PRÁTICA SUPERVISIONADA I 
 
Nesta disciplina, encontraremos a base teórica com orientações precisas para incentivar o aluno à busca 
pelo desenvolvimento de habilidades e ao aprendizado da prática profissional. Faremos uma segunda 
leitura, após a já efetivada anteriormente, sobre a legislação, as diretrizes e as documentações gerais que 
orientam o estágio supervisionado, apresentando o significado da supervisão, considerada uma atividade 
profissional do assistente social, fundamental para o desempenho cotidiano do seu trabalho. Desta vez, já 
com o aluno inserido no campo de estágio, tendo como elemento fundamental o aprendizado mútuo, isto 
é, visando a aprimorar a troca docente-discente. Abordaremos a importância da realização de um 
estudo sobre a instituição (esclarecer a instituição), a identificação da população alvo e as principais 
demandas relativas ao serviço social, e os aspectos primordiais para estabelecer estratégias de ação 
profissional em consonância com as reais necessidades da população. Posteriormente, destacamos os 
elementos essenciais da atividade de estágio supervisionado, e apontando os aspectos referentes ao 
registro e análise da prática profissional. 
 
------------------------ 
AULA 1: A SUPERVISÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: APRENDIZADO MÚTUO 
 
Nesta aula, faremos uma segunda leitura sobre a legislação, as diretrizes e as documentações gerais que 
orientam o estágio supervisionado, apresentando o significado da supervisão enquanto atividade 
profissional do assistente social no cotidiano de trabalho. Desta vez, já com aluno inserido no campo de 
estágio, tendo como elemento fundamental o aprendizado mútuo 
 
AULA 2: INSERÇÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
 
Nesta aula, buscaremos esclarecer a importância da apresentação do aluno ao campo de estágio, e o 
acolhimento do mesmo pela profissional responsável pela supervisão. Destacando as observações e 
atividades iniciais do aluno no campo de estágio. 
 
AULA 3: PLANO DE ESTÁGIO: DIRETRIZES PARA UMA PRÁTICA PROFISSIONAL 
QUALIFICADA 
 
Nesta aula, apresentaremos as considerações essenciais para a elaboração do plano de estágio 
supervisionado atrelado aos interesses da população atendida, destacando a importância da participação 
do aluno no planejamento das atividades a partir do compromisso com o aprendizado profissional na 
experiência de estágio. 
 
AULA 4: DIÁRIO DE CAMPO: UM DIÁLOGO PERMANENTE COM A PRÁTICA 
PROFISSIONAL 
 
Nesta aula, forneceremos orientações sobre o registro do conteúdo resultante da prática profissional a 
partir da valorização do diário de campo, considerando sua importância no processo de aprendizagem. 
 
AULA 5: OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE E ESCUTA ATENTA 
 
Nesta aula, abordaremos a importância da observação participante como um instrumento essencial de 
coleta de dados da ação profissional, bem como a valorização da escuta atenta que, no seio do diálogo, 
permitirá observações e registros mais precisos. 
 
AULA 6: ATIVIDADE TEÓRICO-PRÁTICA SUPERVISIONADA: VALORIZAÇÃO DA 
ATIVIDADE DE LEITURA À OBSERVAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL. 
 
Nesta aula, procuramos estabelecer a importância da leitura bibliográfica para compreender a prática 
profissional, visando contribuir para o aprendizado. 
Abordaremos, ainda, a importância do estudo sobre a instituição, a identificação da população alvo e as 
principais demandas, entendidos como aspectos primordiais para estabelecer estratégias de ação 
profissional em consonância com as reais necessidades da população. 
 
AULA 7: INSTRUMENTOS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL 
 
Nesta aula, apresentaremos uma síntese dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais 
como: observação participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, visita domiciliar e institucional e 
atividades em grupo. Será destacada a importância de analisar o conjunto de fatores essenciais a 
aplicabilidade dos instrumentos. 
 
AULA 8: O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL, INTERDISCIPLINAR E 
TRANSDISCIPLINARIEDADE NO COTIDIANO PROFISSIONAL. 
 
Nesta aula, estudaremos a importância da valorização de saberes oriundos de experiências de trabalho de 
diferentes categorias profissionais, bem como a pertinência do diálogo em equipes multiprofissionais. 
 
AULA 9: O PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL 
 
Nesta aula, apresentaremos uma reflexão sucinta sobre o processo de trabalho do Serviço Social, para 
propiciar a observação atenta de aspectos essenciais para o desempenho da prática profissional - 
considerando os diferentes espaços sócios ocupacionais e suas especificidades. 
 
AULA 10: SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 
 
Nesta última aula, abordaremos questões referentes à construção do relatório das atividades realizadas 
na experiência de estágio, isto é, o produto de análise do trabalho do Serviço Social. 
 
MAPA CONCEITUAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/mapa_conceitual.pdf 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/mapa_conceitual.pdf
DISCIPLINA: TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO 
CONTEXTUALIZAÇÃO 
 As mudanças experimentadas pelo ambiente corporativo com as transformações ocorridas no mercado, tornaram 
as empresas dependentes de dois aspectos fundamentais para destacarem-se positivamente diante da 
competitividade reinante: a qualidade dos seus produtos e serviços e, fundamentalmente, do menor tempo de 
resposta às exigências de adequação. Este cenário acentuadamente competitivo, obriga às Empresas direcionarem 
seus esforços para captar talentos, descobri-los internamente e, principalmente retê-los, qualificando-os para o 
contexto mercadológico de intensas transformações. A área de Treinamento e Desenvolvimento passa a ocupar 
uma posição de destaque estratégico, porque além de executar o trabalho secular de capacitação, também pode – 
e deve – funcionar como instigadora aos processos de integração dos colaboradores aos objetivos da Empresa, 
estimulando-os ao processo interacional das formações de equipes e ao desejo constante da busca dos resultados 
por excelência, com otimização dos recursos e práticas de baixos custos. Treinar já faz parte do contexto das 
exigências deste novo mercado, mas estimular o desenvolvimento constante passa a ser a essência do processo de 
amadurecimento das competências e das pessoas. 
 
 EMENTA 
Treinamento e Desenvolvimento: definição conceitual e objetivos. 
1. A importância do Treinamento e Desenvolvimento na estrutura dos processos e no contexto organizacional 
atual. 
2. O Treinamento e Desenvolvimento atuando como premissa para o incremento do capital humano e 
intelectual na Organização. 
3. O Treinamento e Desenvolvimento e a melhoria no resultado organizacional. 
4. Visão sistêmica de Treinamento e Desenvolvimento. 
5. O levantamento das necessidades de Treinamento e Desenvolvimento. 
6. A formulação dos objetivos do processo. 
7. Os métodos e as técnicas de treinamento adequados ao perfil do grupo, do conteúdo e dos objetivos 
propostos. 
8. A pesquisa e a definição do conteúdo programático. 
9. A aplicabilidade dos recursos instrucionais. 
10. A programação e Execução dos treinamentos. 
11. Os indicadores de resultados do processo de Treinamento e Desenvolvimento. 
12. A avaliação de resultado e sua importância para a percepção do Treinamento como investimento. 
13. A Educação e as Universidades Corporativas. 
14. Gestão do Conhecimento como estratégia de Desenvolvimento. 
 
OBJETIVOS GERAIS 
Ao concluir a disciplina o aluno será capaz de: 
1. Identificar a importância do Treinamento e Desenvolvimento na busca pela otimização dos processos e a 
conseqüente excelência dos resultados com baixos custos; 
2. Conhecer as etapas do processo pleno do Treinamento e Desenvolvimento, desde o levantamento das 
necessidades até a mensuração dos resultados práticos, criando indicadores pontuais identificação do alcance dos 
objetivos propostos. 
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
Ao concluir a disciplinao aluno será capaz de: 
1. Saber Conceituar o papel de Treinamento e Desenvolvimento dentro das Organizações; · 
2. Compreender a importância das ações de Treinamento e Desenvolvimento para os processos de 
qualificação, aperfeiçoamento, desenvolvimento e, principalmente, integração dos Colaboradores aos objetivos 
organizacionais e ao trabalho em equipe; · 
3. Reconhecer o aspecto estratégico deste subsistema de RH para o sucesso do negócio da Empresa; · 
4. Identificar as necessidades de treinamento, sabendo classificá-las em: organizacionais, operacionais e 
individuais; 
5. Elaborar planos de ações de Treinamento e Desenvolvimento, contemplando todas as etapas do processo; 
6. Definir os objetivos gerais e específicos das ações de Treinamento necessárias; · Desenvolver pesquisas 
para formatação de conteúdos programáticos; · 
7. Saber Aplicar ações de Treinamento e Desenvolvimento; e . 
8. Saber Mensurar os resultados, classificando-os segundo os indicadores previamente definidos. 
 
CONTEÚDOS 
1. Sistema de Administração de Recursos 
Humanos 
2. Os subsistemas de RH 
3. Organização como um conjunto integrado 
de competências 
4. Subsistema de desenvolvimento de 
Recursos humanos 
5. Áreas de desenvolvimento humano 
6. Aprendizagem 
7. Avaliação do subsistema de 
desenvolvimento de pessoas 
8. As etapas do subsistema de 
desenvolvimento de pessoas 
9. Treinamento e Desenvolvimento e a 
competitividade das organizações 
10. Objetivos 
11. Conceituando competitividade 
12. Competitividade das organizações 
13. As conexões biológicas das organizações 
14. Competitividade e pessoas 
15. Eixos de competitividade 
16. Gestão competitiva de recursos humanos 
17. Atitude 
18. Valor 
19. Comprometimento 
20. Inovação 
21. O processo de integração dos recursos 
humanos 
22. A integração dos novos empregados 
23. A integração dos colaboradores antigos 
24. Treinamento e desenvolvimento de 
pessoas 
25. Conceito e tipos de educação 
26. Treinamento 
27. O ciclo do treinamento 
28. Levantamento de necessidades de 
treinamento 
29. Programa de treinamento 
30. Tecnologia de treinamento 
31. Execução do treinamento 
32. Avaliação dos resultados do treinamento 
33. Retorno do investimento em Treinamento 
34. O papel do Treinador 
35. Treinamento, desenvolvimento ou 
educação 
36. Diagnóstico das necessidades de 
treinamento e desenvolvimento 
37. Planejamento das atividades de 
treinamento 
38. Avaliação do treinamento 
39. Treinamento e Desenvolvimento em um 
mundo globalizado 
40. Objetivos 
41. Introdução 
42. Próximas décadas e seu impacto em 
Treinamento e Desenvolvimento: a Ásia em 
destaque 
43. Os desafios da África 
44. Tendências de Treinamento e 
Desenvolvimento na Europa: a mescla de passado 
e futuro 
45. A globalização nas Américas 
46. Conclusões
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/plano_de_ensino.pdf 
BIBLIOGRAFIA 
 
BURIOLLA, Marta Alice Feiten. Estágio supervisionado. São Paulo: Cortez, 1995. 
CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (7ª Região). Assistente social: ética e 
direitos: coletânea de leis e resoluções. 4ª ed. Rio de Janeiro, 2006. 
MAGALHÃES, Selma Marques. Avaliação e linguagem: relatórios, laudos e pareceres. 2ª ed. São Paulo: Veras Editora; 
Lisboa: CPIHTS, 2003 
BAPTISTA, Myriam Veras. Planejamento social: intencionalidade e instrumentalização. São Paulo: vozes Editora, 
2000. 
BATISTA, Myriam Veras. O planejamento estratégico na prática profissional cotidiana. In: Serviço Social e Sociedade 
nº 47. São Paulo: Cortez, 1995. P.110-118. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/plano_de_ensino.pdf
CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL. Estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: contribuição ao 
debate. 7ª ed. São Paulo: Cortez, 2007. 
GENTILLI, Raquel de Matos Lopes. Representações e práticas: identidade e processo de trabalho no serviço social. 
2ª ed. São Paulo: Veras, 2006. 
GUERRA, Yolanda. Instrumentalidade do serviço social. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2002. 
IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo: 
Cortez, 2001. 
IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço social em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007. 
IAMAMOTO, Marilda Vilela. Renovação e conservadorismo no serviço social. São Paulo: Cortez, 2004. 
MOTA, Ana Elizabeth. et alli (Orgs). Serviço Social e saúde: formação e trabalho profissional. 2ª ed. São Paulo: Cortez; 
Editora Brasília: OPAS, OMS, Ministério da Saúde; Recife: ABEPSS, 2007. 
 
AVALIAÇÃO 
 
A avaliação é contínua, integradora, com ênfase nos aspectos colaborativos, incluindo tarefas coletivas, e 
contempla o diagnostico, o processo e os resultados alcançados por intermédio de avaliações diagnosticas, 
formativas e somativas, considerando os aspectos da autoavaliação. 
A avaliação somativa de aprendizagem é realizada presencialmente pelo aluno no Polo de EAD da Estácio e 
segue a normativa da Universidade. A (s) prova (s) presencial (is) segue (m) 0o calendário acadêmico 
divulgado para o aluno. 
 
Durante o curso, os alunos realizam atividades propostas, compostas de questões objetivas e discursivas 
referentes ao conteúdo estudado, podendo ser elas de autodiagnóstico ou de discussão. 
 
Suscitar a reflexão sobre a inserção do aluno no campo de estágio, destacando aspectos essenciais do 
processo de estágio supervisionado. 
 
Incentivar o aluno ao desenvolvimento das habilidades e a articulação dos conteúdos apresentados nas 
diversas disciplinas, visando à análise da experiência no estágio, contribuindo para a compreensão das 
atividades de estágio. 
 
Oferecer a orientação necessária ao registro do conteúdo resultante da prática profissional, a partir da 
valorização do diário de campo, considerando sua importância no processo de aprendizagem. 
 
AULA 1: A SUPERVISÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: APRENDIZADO MÚTUO 
 
INTRODUÇÃO 
Vamos começar a aula, relembrando e esclarecendo que o estágio em Serviço Social é uma atividade 
curricular obrigatória, prevista pelas Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, desenvolvidas 
pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e orientado pelo Código de Ética 
Profissional (1993), pela Lei de Regulamentação da Profissão (1993), pela Resolução 533/2008 do CFESS e 
pela Política Nacional de Estágio da ABEPSS (2010). 
 
Então, é fundamental que você realize um estágio supervisionado, que é chamado de Curricular, 
obrigatório, porque faz parte da grade curricular: é uma disciplina com os objetivos e com uma carga 
horária definida (Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008). 
 
ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
O que é um estágio supervisionado? A ABEPSS, no documento Política Nacional de Estágio, explica que o 
estágio supervisionado no curso de Serviço Social: 
 
[...] apresenta como uma de suas premissas oportunizar ao (a) estudante o estabelecimento de relações 
mediatas entre os conhecimentos teórico-metodológicos e o trabalho profissional, a capacitação técnico-
operativa e o desenvolvimento de competências necessárias ao exercício da profissão, bem como o 
reconhecimento do compromisso da ação profissional com as classes trabalhadoras, neste contexto 
político-econômico-cultural sob hegemonia do capital 
É através da experiência de estágio supervisionado que você, estudante, identificará os conteúdos 
trabalhados nas diferentes disciplinas para o desenvolvimento de competências e habilidades para o 
exercício profissional, ou seja, aprenderá a ser um assistente social. 
 
PRINCÍPIOS PARA A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO EM SERVIÇO SOCIAL 
 
A ABEPSS destaca alguns princípios que devem nortear a realização do estágio em Serviço Social, tais 
como: 
A indissociabilidade entre as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa; 
A articulação entre estudantes, professores e assistentes sociais dos campos de estágio, através deuma 
constante comunicação, de um diálogo. 
 
Para valorizar as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, o aluno deve exercitar 
constantemente a prática da leitura, a partir da bibliografia e textos disponibilizados até o momento, bem 
como as sugeridas pelas diversas disciplinas e supervisora de campo. Todas as leituras serão fundamentais 
para que o aluno possa responder seus questionamentos, contribuindo para construção de uma prática 
profissional qualitativa. 
 
CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO 
Que deve ter uma supervisão sistemática, ou seja, ser acompanhado pelo profissional de campo 
(devidamente inscrito em Conselho Regional de Serviço Social da região onde atua), com atividades 
planejadas e voltadas para o aprendizado do aluno; 
 
Que o aluno busque saber o que é o plano de estágio, e possa participar da construção deste; 
Que o estágio não seja realizado antes que o aluno tenha cursado as disciplinas que o capacitem a analisar 
a realidade social, reconhecendo as mais diversas expressões da questão social e tenha adquirido 
conhecimentos básicos de aspectos éticos, teóricos e metodológicos da profissão; 
 
QUE DEVE TRANSCORRER NO PERÍODO LETIVO ESCOLAR; 
 
Tenha uma carga horária mínima de 450 horas; 
As atividades no campo não devem ultrapassar 30 horas semanais e as de sala de aula devem contar com 
três aulas semanais. 
A supervisão no campo de estágio deve contar com um momento aonde o aluno possa sentar com o 
supervisor e dialogar sobre a experiência vivenciada, lançando seus questionamentos na perspectiva do 
aprendizado mútuo. O processo de supervisão deve ser educativo, onde o supervisor é estagiário 
aprendem em conjunto, onde há a troca, a conversa sobre a experiência de trabalho, respaldada em uma 
teoria, isto é, valorizando ao processo de teoria-prática. 
O supervisor de campo é o responsável pelo acompanhamento do estágio na instituição onde o mesmo se 
realiza. O profissional não é obrigado a aceitar um aluno para supervisionar, mas quando solicita um aluno 
estagiário: significa que aceitou a atividade de supervisão, devendo se organizar para acompanhar o aluno 
no campo de estágio. Esta ação requer o desempenho de papéis, que Buriolla citada por Oliveira (2004, p. 
70) destaca: “o papel de educador, o de transmissor de conhecimentos-experiências e de informações, o 
de facilitador, o de autoridade e o de avaliador.” 
 
DE OLHO NA LEI, Art. 8º. A responsabilidade ética e técnica da supervisão direta são tanto do supervisor 
de campo, quanto do supervisor acadêmico, cabendo a ambos o dever de: 
I. Avaliar conjuntamente a pertinência de abertura e encerramento do campo de estágio; 
II. II. Acordar conjuntamente o início do estágio, a inserção do estudante no campo de estágio, bem 
como o número de estagiários por supervisor de campo, limitado ao número máximo estabelecido no 
parágrafo único do artigo 3º; 
III. III. Planejar conjuntamente as atividades inerentes ao estágio, estabelecer o cronograma de 
supervisão sistemática e presencial, que deverá constar no plano de estágio; 
IV. IV. Verificar se o estudante estagiário está devidamente matriculado no semestre correspondente 
ao estágio curricular obrigatório; 
V. V. Realizar reuniões de orientação, bem como discutir e formular estratégias para resolver 
problemas e questões atinentes ao estágio; 
VI. VI. Atestar/reconhecer as horas de estágio realizadas pelo estagiário, bem como emitir avaliação e 
nota. (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de setembro de 2008). 
VII. 
A atividade de supervisão de campo exige um profissional com conhecimentos especializados e experiência 
nas dimensões: ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa; deve ter habilidade e facilidade de 
estabelecer relacionamento profissional com pessoas diferentes; deve dispor de condições mínimas de 
trabalho para supervisionar, principalmente tempo disponível para oferecer a devida atenção ao aluno. É 
preciso gostar, se identificar com a ação de supervisora, ou seja, não pode ser uma imposição da 
instituição. De olho na lei: Art. 2º. A supervisão direta de estágio em Serviço Social é atividade privativa do 
assistente social, em pleno gozo dos seus direitos profissionais, devidamente inscrito no CRESS de sua área 
de ação, sendo denominado supervisor de campo o assistente social da instituição campo de estágio e 
supervisor acadêmico o assistente social professor da instituição de ensino. (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 
29 de setembro de 2008) É claro que nem sempre as condições são ideais, pois vamos encontrar, na 
maioria das vezes, o profissional com várias incumbências na organização, tendo que dar contas de 
inúmeras tarefas (como ocorre também em outras profissões), mas destacamos NOVAMENTE que o ato de 
supervisionar exige dedicação e tempo. De olho na lei: CONSIDERANDO as disposições do Código de Ética 
Profissional do Assistente Social, que veda a prática de estágio sem a supervisão direta, conforme as 
alíneas “d” e “e” do artigo 4º do Código de Ética do Assistente Social (RESOLUÇÃO CFESS Nº 533, de 29 de 
setembro de 2008). Até o momento, registramos alguns aspectos objetivos para a realização da supervisão, 
mas Buriolla (1996) acrescenta dizendo que: É importante que seja reservado um tempo para a supervisão 
e que isto faça parte do plano de estágio. Tal planejamento evitará a chamada “supervisão de corredor” 
em que os profissionais acabam respondendo às dúvidas pontuais dos estagiários em meio à tantas outras 
atividades, sem que haja possibilidade de uma reflexão sobre a prática, com a devida orientação. Supõe, 
ainda, a existência de materiais básicos, como: canetas, lápis, papel, xerox, livros, computador, armários, 
pastas, fichários, livros atas, etc. Eles são fundamentais para o registro das atividades desenvolvidas e das 
reflexões resultantes da supervisão. O que falta mais falarmos? E o papel do estagiário? Uma das partes 
fundamentais é o aluno. O que cabe ao aluno-estagiário? Neste momento, vamos relacionar mais uma vez, 
na íntegra, as atribuições dos estagiários definidas pela ABEPSS e extraídas da Política Nacional de Estágio 
(é preciso ler novamente, sem pressa!). “1 Observar e zelar pelo cumprimento dos preceitos ético-legais da 
profissão e as normas da instituição campo de estágio; 2 Informar ao supervisor acadêmico, ao supervisor 
de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, qualquer atitude individual, exigência ou 
atividade desenvolvida no estágio, que infrinja os princípios e preceitos da profissão, alicerçados no projeto 
ético-político, no projeto pedagógico do curso e/ ou nas normas institucionais do campo de estágio; 3 
Apresentar sugestões, proposições e pedido de recursos que venham a contribuir para a qualidade de sua 
formação profissional ou, especificamente, o melhor desenvolvimento de suas atividades; 4 Agir com 
competência técnica e política nas atividades desenvolvidas no processo de realização do estágio 
supervisionado, requisitando apoio aos supervisores, de campo e acadêmico, frente a um processo 
decisório ou atuação que transcenda suas possibilidades; 5 Comunicar e justificar com antecedência ao 
supervisor acadêmico, ao supervisor de campo e/ou ao coordenador de estágios, conforme o caso, 
quaisquer alterações, relativas a sua freqüência, entrega de trabalhos ou atividades previstas; 6 Apresentar 
ao coordenador de estágio, no início do período, atestado de vacinação, no caso de realizar seu estágio em 
estabelecimento de saúde; 7 Realizar seu processo de estágio supervisionado em consonância com o 
projeto éticopolítico profissional; 8 Reconhecer a disciplina de Estágio Curricular em Serviço Social como 
processo e elemento constitutivo da formação profissional, cujas estratégias de intervenção constituam-se 
na promoção do acesso aos direitos pelos usuários; 9 Participar efetivamente das supervisões acadêmicas e 
de campo, tanto individuais como grupais, realizando o conjunto de exigênciaspertinentes à referida 
atividade; 10 Comprometer-se com os estudos realizados nos grupos de supervisão de estágio, com a 
participação nas atividades concernentes e com a documentação solicitada.” 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc01.pdf 
 
O ESTÁGIO 
Você deve estar perguntando: parte significativa deste material já foi visto? Certíssimo. No entanto, a partir 
deste momento você está inserido em um campo de estágio, e rever alguns pontos é fundamental para 
delimitar e refletir sobre o papel de todos os envolvidos seja o supervisor, ou você mesmo enquanto aluno-
estagiário. 
É sempre bom lembrar que o estágio é uma responsabilidade, exigindo uma postura profissional de todos 
envolvidos – em especial: supervisor e estagiário. Isso significa um compromisso com a população 
atendida. Sendo assim, o estagiário deve justificar ao supervisor de campo quando ocorrer alguma situação 
em que o impeça de estar presente na instituição, visando não prejudicar o desenvolvimento das 
atividades. Outra situação que os alunos comentam é que têm muitas tarefas a realizar, fazem muitas 
coisas, mas que nem sempre sabem o significado. Então o espaço de supervisão é fundamental, o diálogo 
entre o supervisor de campo e o aluno é o momento em que os questionamentos devem ser apresentados, 
falados! É preciso falar as suas dúvidas e observações para o supervisor, porque por mais disponível que 
seja nunca irá adivinhar o que passa na sua mente, e vice-versa. Então pergunte, fale, converse sobre o 
estágio. Este é o momento do aprendizado. Não tenha medo de errar, porque o medo paralisa o processo 
de aprendizado. As coisas acontecem e deixamos de acompanhar por medo e insegurança. Não deixe isso 
acontecer com você. Então pergunte quando estiver com dúvidas. 
 
HISTORIA 
Uma vez um aluno me contou que era sua atribuição inserir dados no computador para alimentar uma pesquisa. Mas 
qual o sentido desta ação? Porque toda ação dever ter um significado dentro do processo de trabalho do Serviço 
Social. Participar de todo processo da pesquisa é fundamental, não é? Considerando que o resultado contribuirá para 
a delimitação das linhas de ação. Claro que não estamos defendendo que o estagiário seja um digitador, mas se 
todos estavam participam do processo de entrevista, do registro e de análise - o estagiário não pode ficar de fora. 
Então é preciso problematizar, discutir e refletir com os diversos profissionais sobre a situação apresentada para 
esclarecer e delimitar o papel de cada um. E o mais importante ainda é dialogar sobre o significado das ações no 
processo de aprendizado. A relação entre supervisor e estagiário é pedagógica, de reflexão, de construção e de 
organização do conhecimento, e não de treinamento. É extremamente importante que exista um clima de respeito, 
confiança e incentivo. O supervisor e o aluno devem valorizar esse clima profissional, facilitador da aprendizagem, 
em que se busque o desenvolvimento das potencialidades e a redução das dificuldades. Uma relação que pressupõe 
um diálogo, onde as ações são discutidas, as dificuldades acolhidas e trabalhadas, contribuindo para a construção da 
identidade profissional do aluno. Buriolla (1994, 36) diz que a atividade de supervisão é importante no processo de 
formação do aluno, especialmente no momento em que ele inicia o estágio prático supervisionado, onde, diante do 
desconhecido, do novo, ele apresenta insegurança profissional. No processo de ensino aprendizagem, o aluno de 
serviço social tem como matriz de identidade profissional o seu ‘supervisor de pratica’, o ‘supervisor de campo’. 
Cabe, então, ao supervisor acompanhar o aluno-estagiário neste processo de amadurecimento de sua formação 
profissional. Supervisor e supervisionado vão, conjuntamente, desvelando os diversos conteúdos relacionados á sua 
prática e, aos poucos, por aproximações sucessivas, as diversas concepções vão se alterando. Este processo o aluno a 
uma maturação gradativa, a uma segurança profissional, a tal ponto que se espera ao final do curso, que ele tenha 
encontrado a sua própria identidade profissional, diz BURIOLLA(1994). Com o passar do tempo, dentro do campo de 
estágio, o aluno sentirá mais a vontade para propor idéias, comentar observações, debater situações, travando o 
diálogo cada vez mais qualitativo e profissional com o supervisor de campo e demais profissional. O espírito crítico e 
de criatividade são fundamentais, aonde na prática vai se construindo e refazendo a teoria. A supervisão é aonde se 
expressa a troca entre o supervisor e o aluno; troca de vários conteúdos, troca de idéias sobre o quê e como se faz, 
sobre o trabalho, sobre a iniciativa e a criatividade que devem estar presentes na prática profissional. Para tanto, é 
preciso travar um relação onde ambos possam dialogar, ou seja, falar e ser ouvido. É fundamental prestar atenção 
no que outra fala como ter espaço para falar é igualmente importante. Esta é a relação que buscamos travar com a 
população que atendemos? Sim ou não!? Claro que sim. Então, temos que colocar em prática entre nossos pares 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc01.pdf
mais próximos, exercitar o diálogo. Paciência para ouvir, porque valorizar a fala do outro é escutar. Como também é 
um exercício expressar as observações, falar sobre o que se pensa sobre o assunto, verbalizar as experiências de 
forma respeitosa. Estevão apud Buriolla (1994, 99) fala sobre o papel do estagiário como aquele de ´estar disponível´ 
para se preparar profissionalmente para ser assistente social. É desse papel que derivam os outros por ela 
apontados: o de aprender a ser responsável pelas tarefas que competem ao aluno, o de trazer o conteúdo do curso 
para discutir no estágio; o de saber correlacionar teoria-prática e a esta com o contexto sócio-histórico. Nesta 
medida, o supervisionado precisa ´estar aberto para o que vem´, ou seja, estar á disposição das demandas 
cotidianas, da sociedade, do Serviço Social e de seus usuários e da prática profissional. Já o supervisor é um 
profissional com a experiência necessária, mas que também se encontra em um processo de aprendizado contínuo. 
Significa que em alguns momentos o supervisor revelará ao aluno que uma determinada situação é nova para ele 
mesmo, que e os dois, juntos, irão aprender como lidar com a realidade apresentada. Tempos atrás um aluno 
comentou sobre o supervisor de campo: “mas ele deveria saber como trabalhar a situação apresentada, afinal de 
contas já terminou a faculdade, e tem muita experiência”. Por outro lado, é preciso lembrar que não sabemos tudo, 
trabalhamos com a realidade em sua história e dinâmica, onde sempre haverá situações diferentes e novas. Exigindo 
dos profissionais a busca do aprendizado permanente. É isto mesmo: estudar é pra vida toda, não pode parar. 
Lembro quando estava com um grupo de alunos, no campo de estágio, todos os presentes na reunião de equipe. E 
lançamos proposta: construir ações em conjunto, e um aluno disse em tom alto e tenso: “você é quem deve nos 
dizer o que fazer, eu estou aqui para fazer e aprender”. Então refletimos em conjunto sobre a importância de propor 
e criar ações em equipe, não apenas executar. O Assistente Social deve ser um profissional propositivo, participativo, 
criativo, e não apenas se restringir a execução de tarefas. E a atividade de “sala de espera” foi planejada, 
considerando o momento de organização da atividade, tempo de execução e momento de avaliação da mesma. E 
todos os alunos participaram - inclusive o aluno quem fez a observação anterior, ele era muito participativo, 
compreendo posteriormente o significado da proposta. Mas o que é uma “sala de espera”? É uma atividade 
educativa feita com os usuários enquanto aguarda o atendimento, seja no hospital ou em outra instituição. É uma 
atividade educativa que é feita na própria sala de espera. E precisa ser muito bem planejada, como qualquer 
atividade profissionalpara que se alcance ou se aproxime ao máximo do objetivo delimitado. Bom, concluímos então 
que é preciso muita paciência quando nos aproximamos da realidade do qual não participávamos. E chegar ao 
estágio é participar de uma realidade nova, conhecer novas pessoas, se aproximar do desconhecido. Neste 
momento, a observação e a escuta atenta são fundamentais para colher informações que possam auxiliar a 
“compreender” e a participar de um novo cotidiano. E a palavra compreender aparece entre aspas porque o 
primeiro momento é de apresentação, já a análise é um processo de aprendizado que se dá ao longo do tempo de 
estágio, onde passamos a conhecer a instituição, os profissionais, a população atendida, as relações sociais e a 
questão social, sendo o relatório de estágio (elaborado pelo aluno ao final da disciplina) o registro da reflexão e 
aprendizado desta experiência. 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc02.pdf 
 
DIÁRIO DE CAMPO 
Finalizamos a aula orientando a todos a adquirir um caderno para o registro da vivência de estágio. Este 
instrumento é chamado de Diário de Campo. O aluno deve levar o caderno, seu diário de campo, e fazer as 
anotações desde o primeiro dia – como já falado anteriormente. Como se aprende a fazer o diário de 
campo? A resposta é simples: fazendo. E a supervisora de campo irá auxiliar, mas não pode deixar de 
realizar as leituras das aulas e textos propostos. O Diário de Campo será um importante instrumento para 
contribuir na elaboração do relatório de estágio ao final da disciplina. Mas vamos devagar, e respeitando o 
tempo, o aprendizado é planejado dentro de um processo pedagógico para que todos possam obter um 
resultado positivo dentro de uma “tempestade” de novidades. 
 
ATIVIDADE PROPOSTA 
Como atividade para o primeiro dia de estágio, sugiro prestar atenção aos profissionais que trabalham na 
instituição. Caso seja uma instituição média ou grande, procure saber, ao menos, os nomes dos 
profissionais mais próximos. E com o passar do tempo, conhecerás os demais. Por exemplo: qual o nome 
do profissional que realiza a limpeza da sala, dos banheiros? Que tal ao chegar à instituição cumprimentá-
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula01_doc02.pdf
lo com um BOM DIA. Aliais, numa Graduação que valoriza tanto o fator humano, ser gentil como todos é 
requisito fundamental, além de contribuir para a promoção de clima amistoso. 
 
Alguns alunos falam, “nossa, tanta gente! Não vou lembrar o nome de todo mundo?!”. É verdade, mas 
você pode anotar no seu diário de campo. Isto mesmo! Tenha um caderno de anotações, o seu Diário de 
Campo, e no primeiro dia comece a registrar. Lembre-se de iniciar sempre com a data, hora, local e evento. 
Exemplo de um evento do primeiro dia no Campo de Estágio: apresentação da equipe – nomes e função - 
visita rápida por toda instituição, endereço da instituição, telefone, etc. Também escreva suas observações, 
o que lhe chamou atenção, as perguntas que gostaria de fazer a supervisora; um fato que lembrou alguma 
aula ou leitura – um fato que lembrou alguma aula ou leitura – neste momento, talvez, você sinta a 
necessidade de rever algum texto ou material; um termo técnico que ouviu, mas não sabe o que é (busque 
nos livros, na internet, e depois pergunte a supervisora). 
 Sugiro a leitura da resolução que regulamenta a supervisão de estágio no Serviço social. 
 ABPESS. Política Nacional de Estágio. 2010. 
Nesta aula, você: 
Relembrou que o estágio é uma atividade curricular obrigatória, com atribuições definidas, constituindo 
uma atividade pedagógica que deve ser acompanhada por assistente social (devidamente habilitado). 
Conheceu alguns elementos importantes para o processo de aprendizagem mútua, a partir do processo de 
supervisão. 
 
AULA 2: INSERÇÃO NO CAMPO DE ESTÁGIO: CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
 
Na aula anterior falamos bastante sobre o papel do supervisor de campo e do aluno-estagiário. Daremos 
continuidade à discussão partindo do pressuposto que você já iniciou o estágio. Conforme colocado 
anteriormente, nunca é demais lembrar que é preciso levar um caderno para anotações, que chamamos de 
diário de campo. Para depois não dizer que se esqueceu de anotar porque não tinha o diário de campo (um 
caderno). E anote as informações antes sugeridas. Não se recorda? Então faça uma leitura da aula passada. 
 
A VESTIMENTA NO ESTÁGIO 
É importante se apresentar a supervisora de campo, ouvir as colocações, apresentar dúvidas. Os alunos 
quando iniciam estágio em um hospital costumam me perguntar se precisam usar jaleco. Então observe 
nos primeiros dias: se todos estão usando, e procure debater com o supervisor de campo o significado. 
 
Já nos estágios em outros locais, aonde não precisa de vestuário complementar, a vestimenta deve ser 
atenta, considerando que o trabalho é de atendimento direto a população. 
Por exemplo: uma vez recebi um aluno quem usava blusa do time de futebol. E sempre orientei que no dia 
do estágio evitasse a blusa, porque poderia atender alguém que não concordasse com sua opinião. O aluno 
disse que era uma grande bobagem, que não tinha nada demais. 
 
ENTÃO VAMOS OBSERVAR O APRENDIZADO NO COTIDIANO: 
Um dia marcamos uma entrevista com o pai de uma criança, cuja mãe dizia que o pai era agressivo 
verbalmente com a filha, desvalorizando as atividades escolares, depreciando a imagem da filha, etc. Após 
várias tentativas de atendimento, porque o pai marcava e não aparecia - um dia o pai compareceu ao 
atendimento. E o estagiário entrou na sala com a blusa do time. Esse pai imediatamente falou: “não sei o 
que estou fazendo aqui, ainda tenho que olhar pra cara desse aí com essa blusa ridícula”. E o canal de 
diálogo foi abalado por algo que se poderia evitar. 
 
http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao533.pdf
http://www.cfess.org.br/arquivos/pneabepss_maio2010_corrigida.pdf
OUTROS EXEMPLOS: 
Blusa de santos religiosos; bermudas e shorts (tanto homens como mulheres – mas no verão algumas 
repartições pública libera a bermuda comprida). O estágio é um local de trabalho, e como tal é preciso 
observar este aspecto. 
 
HORÁRIO DE ESTÁGIO 
Sobre o horário de estágio, o estagiário se adequará ao horário da instituição e a disponibilidade de horário 
do profissional, esta informação deve ser verificada antes do aceite para o campo de estágio. 
 
Vamos trabalhar com muitos exemplos nesta aula, porque não há bibliografia específica. Voltando ao 
exemplo: se ambos entram no acordo que o estágio será aos sábados, então ambos devem reservar este 
tempo para a atividade de estágio supervisionado. Conciliar as atividades de estudos e trabalho é pesado, 
bem cansativo, mas com toda certeza trará recompensas de um investimento planejado. 
 
CONHECENDO A DINÂMICA 
O estagiário está se aproximando, gradativamente, da realidade de trabalho do Serviço Social. Neste 
primeiro momento, sugerimos ao estagiário conhecer os profissionais mais próximos, nomes dos colegas 
de trabalho, suas respectivas funções. Levantamento dos setores existentes e atividades desenvolvidas. E 
peça ao supervisor de campo uma sugestão de leitura. 
 
Vamos a mais um exemplo: se você vai fazer estágio em um hospital, qual a leitura mais apropriada para 
auxiliar nesta primeira aproximação? Ou se o estágio é em uma organização não governamental, qual a 
bibliografia mais sugestiva de acordo com área de atuação? Mas pode acontecer de você encontrar algum 
livro ou material na Internet. Antes de realizar a leitura ou comprar o livro, converse com a supervisora de 
campo sobre a qualidade do material. 
 
Ao ingressar em um novo espaço de convivência profissional, o campo de estágio, procuramos, 
primeiramente, conhecer a dinâmica de suas ações e, aos poucos, desenvolver uma rotina que irá facilitar a 
interação sócio-profissional e o exercício mais eficiente. 
---------------- 
Considerando que a história é construída no dia-a-dia, a possibilidade de superaçãodas limitações e 
barreiras não fica descartada. Para tanto, não podemos se deixar levar pela prática imediatista pura e 
simples, buscando atuar numa perspectiva que nos permita redimensionar alguns valores, acrescentando 
um novo sentido ao exercício profissional. Ou seja, aproximando-se da realidade para melhor planejar as 
atividades de trabalho. É isso que o estagiário deve buscar: aprender a se aproximar de uma nova realidade 
com o objetivo de exercitar o planejamento da prática profissional, para ser propositivo, sugerir, construir 
ações, não apenas executar, mas que seja um fazer profissional onde possa compreender o significado das 
ações, com posterior análise das mesmas. É importante delimitar com o supervisor de campo um momento 
para a realização de um debate sobre as atividades desenvolvidas. Neste dia, no horário combinado, os 
dois estarão disponíveis para refletir sobre a experiência de estágio. O aprendizado mútuo se dá aonde há 
o respeito às diferenças. Então o aluno pode expor suas idéias, observações e questionamentos. O que 
pode acontecer, em alguns momentos, e relatado por alunos, é que o cotidiano profissional apresenta 
tantas demandas que o tempo de supervisão não é respeitado. O que por vezes pode até impedir uma 
aproximação não qualitativa entre supervisor e aluno ficando este último, com várias dúvidas sobre a 
profissão, e o mais grave: executando tarefas sem compreender o sentido da mesma. Buriolla (1994:187) 
nos coloca que, nesta visão, tanto o supervisor, quanto o estagiário são sujeitos ativos do processo ensino-
aprendizagem e da produção de um saber-fazerprofissional de conhecimentos. Isto exigirá mudanças de 
todos os implicados. Exigirá do supervisor e do aluno a co-vivência, a co-ação, a co-responsabilidade, com 
sujeitos coparticipantes do processo educativo. Exigirá do supervisor um preparo sistemático e 
aprofundado que o leve a rever constantemente o seu trabalho; exigirá que haja uma prática constante, 
sistemática dos alunos, supervisores, educadores de Serviço Social e população que gerará consciência das 
necessidades de transformação; exigirá que se recupere a vivência social do aluno-estagiário, em uma 
perspectiva crítica, ampliando-a através da articulação com as práticas sociais, e que o aluno possa 
estabelecer, no cotidiano de sua prática, as relações que se constituem entre a população e a prática 
executada, e se firmem novas propostas de agir profissional. Nesta dinâmica, o estagiário é incentivado a 
realizar aproximações gradativas a realidade profissional iniciar o aprendizado de sistematização da prática 
profissional. É um processo de aproximações que tem como foco o aprendizado. 
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COLETA DE DADOS SOBRE A INSTITUIÇÃO 
Vamos aprender sobre a instituição? Busque saber se existem documentos aonde possa encontrar o 
histórico da instituição, missão, valores, serviços oferecidos, etc. Você perguntou à supervisora se existem 
registros com estas informações? 
 
Alguns alunos relatam que não foram encontrados registros em alguns campos de estágio, cabendo ao 
estagiário construir parte desse conhecimento, perguntando, buscando e registrando para posteriores 
análises. 
 
A atividade de coleta de dados, em geral, inicia-se por uma aproximação preliminar exploratória que busca 
levantar informações que irão compor um primeiro quadro de situação geral. A proposta é ler a 
documentação existente e formular questões para o momento da supervisão, que ajudarão na reflexão 
sobre a prática profissional. 
--------------- 
Durante o processo de estágio supervisionado é pertinente a coleta de dados sobre a instituição (local de 
estágio), das políticas públicas, da legislação e da rede de apoio existente. Isso significa que a compreensão 
da realidade apresentada bem como a delimitação do objeto de intervenção tem por referência o 
conhecimento da instituição, de suas finalidades (sua missão), de seus valores, da sua área de ação (região, 
município, etc.), de seu setor (social, econômico, etc.), de seu nível de competência (municipal, regional, 
etc.), da sua função, dos seus objetivos, das diretrizes, das estratégias e das expectativas, de sua estrutura 
organizacional e administrativa (organograma, estatutos, regulamentos, descrição de cargos, política geral 
e política salarial). Sobre o levantamento da rede de apoio existente, quando não há registro. A busca será 
feita, paulatinamente, mas é importante saber o que se está procurando para observar e identificar. 
Pergunta importante: O que é rede de apoio? Podemos entender como articulação de um conjunto amplo 
e dinâmico de organizações diversas, em torno de interesses em comuns, que realizam ações sistemáticas 
e complementares a demanda apresentada pela população alvo da instituição. Alguns exemplos: uma 
iniciativa filantrópica que oferece um serviço sistemático a população, e complementar ação desenvolvida 
pela instituição (campo de estágio), existindo a comunicação entre todos envolvidos. Vamos a um exemplo: 
em hospital especializado na área da infância, podemos encontrar uma ONG parceira, oferecendo cesta 
básica, enxoval para os recém nascidos, verba para a compra de próteses, etc. Outra fonte de informação 
que contribuirá no entendimento sobre a dinâmica do campo de estágio é a participação em congressos, 
seminários e palestras. Participar destes espaços enquanto ouvinte significa ter acesso aos debates atuais 
sobre a área de trabalho, conhecendo outras experiências. O estagiário também pode apresentar trabalhos 
nestes espaços, quando da chamada para participação. Busque saber mais sobre o assunto, levando este 
ponto para refletir com a supervisora de campo. Mas adiantamos que antes de apresentar trabalhos em 
congressos e seminário é preciso amadurecer a identidade profissional a partir vivência de estágio, ou seja, 
é uma idéia para o aluno se preparar e participar quando se encontrar mais seguro na prática de estágio. 
Assistir ou ler jornais e revistas (seja na internet) procurando se apropriar das últimas notícias nacionais e 
internacionais é uma prática primordial para acompanhar, compreender, participar e fazer a história. Não 
estou dizendo para ler tudo o que encontrar pela frente, mas selecionar uma notícia para ler e discutir com 
a supervisora de campo. É notório que a maior parte das notícias que se encontram na mídia é pontual, 
vazia na crítica construtiva, e por muitas vezes tendenciosas a formação de opinião. Por tanto, ler, ler e ler 
é fundamental para fugir destas armadilhas e construir o pensamento próprio sobre a realidade em que se 
vive. Lembro da experiência de um grupo focal com um grupo de mulheres trabalhadoras, mães, em uma 
favela. A atividade era parte de um projeto social do qual fazia parte como pesquisadora. Na ocasião nos 
reunimos uma vez por semana, todos os profissionais, a saber: dois assistentes sociais, dois psicólogos, e 
três estagiários. Organizávamo-nos da seguinte maneira: Apoio (responsável pelo lanche e providenciar 
material necessário a realização do grupo), Coordenação do grupo (responsável pela coordenação do grupo 
focal) e Registro (fotografar, gravar e anotar toda a dinâmica). Todos passam por todas as etapas, ora eu 
estava no Apoio, outro dia participava da Coordenação, ou do Registro. Mas para funcionar é preciso 
planejar e avaliar continuadamente. A proposta era promover o debate sobre os Direitos e Deveres das 
Crianças e Adolescentes a partir das reportagens da mídia escrita (nos jornais de grande circulação). 
Lembro que uma mãe levou uma reportagem sobre as condições precárias da rede de saúde, expressando 
preocupação com a saúde da família – em especial dos seus filhos. A partir desta reportagem, discutimos 
sobre a importância da vacinação, até chegar ao Estatuto da Criança e do Adolescente onde preconiza que 
na internação da criança, o responsável legal tem o direito de permanece na enfermaria. Na semana 
seguinte, a mesma mãe falou: “minha filhafoi internada e o médico não queria me deixar ficar com ela, fui 
até a minha casa, peguei o ECA e mostrei pra ele, entrei na mesma hora”. Um exemplo simples nos mostra 
o quanto à leitura aguça a curiosidade, e auxilia na busca de informações sobre o que está acontecendo no 
meio em que vivemos. Imagina um profissional que não acompanha a mídia a partir da realização de uma 
leitura critica. Com esta atividade, observaremos que muitas informações não aparecem na mídia. E 
precisamos nos aproximar para entender os por quês. 
--------------- 
A PRÁTICA SOCIAL 
Iamamoto (2004, p. 114) nos diz que a trajetória do Serviço Social enquanto profissão apresenta um 
arsenal de mitos hoje presentes na compreensão da prática social e, mais especificamente, da prática 
profissional. Como componentes dessa ‘mitologia’, apresenta: 
 A prática social reduzida a qualquer atividade, à atividade geral; 
 A concepção utilitária da prática social, traduzida profissionalmente na preocupação com a eficácia 
técnica, com o resultado imediato e visível, quantificavelmente mensurável; 
 A prática social apreendida na sua imediaticidade, como um dado, que teria o poder miraculoso de 
revelar-se a si mesma, como coisa ‘natural’. Essa naturalização da vida social e essa coisificação da prática – 
aparências necessárias e historicamente gestadas na própria sociedade capitalista – são apreendidas 
unilateralmente como se fossem reveladoras da concretude do real. Assim, as expressões da prática social 
passam a ser apreendidas em si mesmas de maneira auto-suficiente, em um processo de parcialização 
progressiva da totalidade da vida social.” 
 
 Podemos compreender a exposição de Iamamoto(2004) como uma real preocupação, onde o fazer 
profissional do assistente social não pode ser entendido como uma atividade que qualquer pessoa pode 
desempenhar, a partir do domínio puro da técnica, sem a realização de uma leitura crítica da realidade. É 
preciso fugir da prática “profissional” imediatista, sem planejamento, isenta do olhar crítico construtivo, 
cujo objetivo é apenas a resolução imediata da situação apresentada. 
A prática social não se revela na sua imediaticidade. É preciso estudar, realizando uma leitura crítica 
das situações apresentadas no cotidiano profissional, valorizando a relação teoria e prática. 
 
 As sessões plenárias do XIX Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais produziram valiosas 
considerações quanto ao exercício profissional, que merecem destaque (IAMAMOTO, 2007, P. 467): 
 “ – aprofundar o conhecimento as condições reais de trabalho do assistente social, enquanto 
trabalhador assalariado, articulando-o às lutas mais gerais dos trabalhadores frente as reformas sindical, 
trabalhista e universitária; 
 - estimular o estudo sobre os espaços ocupacionais -, tradicionais e emergentes - transformando-os 
em espaços públicos de denúncias e reivindicações; 
 
 - aperfeiçoar e estimular a construção de articulações político-institucionais com a sociedade civil na 
luta pela garantia de direitos; 
 - apoiar o aprofundamento teórico-metodológico como base para a leitura dos trabalhos realizados, 
reconhecendo a convivência de tendência inovadora e conservadoras nessas leituras e atribuindo maior 
atenção a dimensão técnico-operativa da profissão; 
 estimular formas de socialização e intercâmbio de experiências profissionais exitosas que indicam 
avanços na concretização do projeto ético-político profissional.” 
 Diante do que foi colocado, constatamos que o Serviço Social é uma profissão dinâmica inserida no 
próprio contexto sócio histórico. 
 O assistente social deve modificar a sua forma de atuação profissional, em decorrência da demanda 
que lhe é colocada. É necessário acompanhar o movimento da sociedade e perceber os novos espaços 
como possibilidades de intervenção sobre uma realidade social. 
 Isto é, cabe ao profissional ir além do imediatismo, assumindo uma postura de investimento no 
processo de apreensão da realidade concreta e das mudanças sociais em movimento, buscando identificar 
novas possibilidades de intervenção profissional. 
 A partir da valorização da qualificação continuada para desenvolvimento de novas competências e 
habilidades, será possível atender as novas demandas postas à profissão. 
 O atual quadro social brasileiro pede por uma atuação profissional consistente, que intervenha 
sobre os novos desafios postos a cada dia. Por isso o assistente social deve estar em permanente 
atualização para oferecer respostas à demanda de trabalho apresentada. 
 
QUALIFICAÇÃO CONTINUADA 
Qualificação continuada significa assumir a ação investigativa na busca da organização de novas 
possibilidades de intervenção. É a atitude investigativa que permite desvendar o ponto central do 
problema. Lembra-se que a teoria fundamenta a prática e encontra-se no nível da abstração, do 
pensamento, já o método norteia a prática. 
 É preciso romper com a idéia de que “qualquer um” tem condição de fazer o que o Serviço Social 
faz e mostrar qual é o produto do trabalho profissional, apropriando-se das ferramentas gerenciais e 
tecnológicas, de registro e documentos. Em outras palavras, é preciso entender que, nesse momento 
histórico, o fazer profissional está diretamente relacionado às seguintes dimensões: investigativa, teórico 
metodológica, técnico-operativa, ético-política e pedagógica. E o “como fazer” (investigativo, técnico-
operativo e pedagógico) precisa ser trabalhado a partir de uma formação continuada. 
DE OLHO NA LEI, Enquanto profissional liberal e de acordo com a Lei de Regulamentação da Profissão do 
Assistente Social (Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993) constituem competências do assistente social: 
 I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, 
direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares; 
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação 
do Serviço Social com participação da sociedade civil; 
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população; 
IV - (Vetado); V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar 
recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos; 
 VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; 
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para 
subsidiar ações profissionais; 
 VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas 
privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo; 
 IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no 
exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade; 
 X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social; 
 XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a 
órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades. Assim, há muito 
que observar aprender, trocar, vivenciar a partir da experiência de estágio supervisionado. 
 E Iamamoto (2001, p. 87) complementa, apontando que os maiores desafios colocados ao profissional de 
serviço social, na atualidade, são: 
“ • Decifrar as múltiplas expressões da questão social, sua gênese e as novas características. 
 • Repensar a questão social, dado que as bases de sua produção sofreram transformação. 
 • Desenvolver a capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de 
preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. 
• Qualificar-se para acompanhar, atualizar e explicar as particularidades da questão social nos níveisnacional, regional e municipal.” Mas é preciso muita perseverança, comprometimento, identificação com a 
profissão e paciência no processo de aprendizado, não se conhece uma realidade do dia para a noite, o 
tempo vivenciado no campo de estágio, a participação nas atividades planejadas e a reflexão sobre as 
mesmas, aos poucos, aproximará você do que chamamos de sistematização da prática profissional, isto é: 
planejar, executar, monitorar e avaliar a prática profissional, em uma perspectiva propositiva e criativa. 
----------- 
Sugerimos a participação em seminários e palestras com temas relacionados ao campo de estágio ou a 
política de atuação. Faça uma pesquisa na internet, no site do CRESS ou CFESS, ou até mesmo em outros 
sites. Pergunte à supervisora se haverá algum evento nos próximos dias, ou mês. E assim se organize para 
participar e aprender com outras experiências. E lembra-se de solicitar o certificado de participação 
enquanto ouvinte, importante documento para comprovação curricular. 
Nesta aula, você: 
Aprendeu que o aluno está iniciando uma nova experiência, acolhido por uma supervisora de campo. 
Aprendeu que o aluno, estagiário, também tem que cumprir o seu papel: na condição de aprendiz, 
estando disponível ao processo de estágio a partir de uma aproximação gradativa da realidade de 
trabalho dos assistentes sociais. 
 
AULA 3: PLANO DE ESTÁGIO: DIRETRIZES PARA UMA PRÁTICA PROFISSIONAL 
QUALIFICADA 
 
Na aula anterior aprendemos que o estágio supervisionado propicia ao aluno uma aproximação gradativa a 
realidade de trabalho do assistente social. Mas pra isso é preciso apresentar um plano de trabalho. Neste 
caso, um plano de estágio. Mas o que é um plano de estágio? É um instrumento de didático-pedagógico. É 
o registro das etapas do estágio supervisionado, delimitando o período (data estimada), as atividades, os 
objetivos, a metodologia e as leituras necessárias ao aprendizado do aluno. O qual poderá ser adaptado as 
necessidades que possam surgir no decorrer do período. 
 
PLANO DE ESTÁGIO 
Por exemplo, no primeiro mês do estágio você poderá se dedicar ao levantamento de informações sobre a 
história da instituição. No plano serão registradas as ações necessárias para o alcance deste objetivo, 
delimitando o tempo para executá-las, garantindo o tempo de debate com a supervisora de campo. 
 
Outro exemplo: Aprender a entrevistar (objetivo). Então vamos exercitar! O que é preciso fazer para 
aprender a entrevistar o usuário no primeiro atendimento? Verificar se realizou a leitura dos principais 
textos sobre o assunto, observar a realização de uma (ou várias) entrevista(s), debater com a supervisora 
de campo sobre a observação (apresentando os questionamentos), compreender o conteúdo do roteiro de 
entrevista (entendendo o objetivo de cada pergunta) e valorizar o diálogo enquanto instrumento principal 
neste processo. 
 
ELABORAÇÃO DO PLANO DE ESTÁGIO 
Na elaboração do plano registra-se de forma pontual para que se possa aprofundar, posteriormente com o 
desenvolvimento do planejamento das ações. Um roteiro simples de plano de trabalho e que pode ser 
utilizado para o estágio. Vamos retomar o exemplo anterior, a entrevista: 
 
 
São vários os motivos para valorizarmos o momento de elaboração do plano de estágio, apresentamos 
alguns: 
 
 
 
 
OBJETIVO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
O objetivo maior do estágio supervisionado é proporcionar ao aluno vivência em diferentes dimensões de 
atuação profissional, promovendo a articulação entre teoria e prática e a busca de soluções para situações-
problema características do cotidiano profissional, de forma contextualizada, crítica e atualizada, formando 
assistentes sociais, que (re) pensem seu trabalho e estimulem o desenvolvimento do pensamento crítico e 
científico. 
 
AS ATIVIDADES DELIMITADAS NO PLANO DE ESTÁGIO DEVEM ESTAR COMPROMETIDAS 
COMO O APRENDIZADO DO ALUNO, O INCENTIVANDO A: 
 Articular teoria e prática de forma sistematizada, propiciando o saber, o fazer e a compreensão do 
que se fez, através da reflexão-ação nos diversos tempos e espaços; 
 Compreender as diferentes dimensões do espaço profissional, atuando de forma coletiva e 
articulada; 
 Atuar como agente de integração entre o conhecimento científico e o senso comum, promovendo a 
analise crítica da realidade social e a busca de alternativas para sua transformação; 
 Construir um perfil profissional competente e comprometido com o código de ética profissional; 
 Elaborar estratégias de ação atualizadas, contextualizadas e interdisciplinares, capazes de atender a 
solicitações institucionais e promover a construção de conhecimento e responder a demanda da população 
alvo dos serviços. 
DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO 
O aluno-estagiário deverá desempenhar suas atividades numa perspectiva de reflexão na ação e sobre a 
ação, de modo a formar-se como um profissional reflexivo que paute sua prática em dimensões éticas e 
políticas, de forma crítica, contextualizada, interdisciplinar e transformadora. 
O desenvolvimento do Estágio Supervisionado basear-se-á no conhecimento da realidade; na reflexão 
sobre a realidade e na identificação das situações que possam tornar-se objeto da proposta de aprendizado 
profissional. 
Alguns elementos que deverão estar registrado no plano de estágio são: as reuniões de orientação de 
estágio para reflexão e análise das informações obtidas; setores em que o aluno-estagiário atuará; e forma 
de acompanhamento e de avaliação do aluno-estagiário. 
Sabemos que no cotidiano de trabalho ocorrem alguns empecilhos que podem atrasar os prazos 
estimados, mas o acompanhamento sistemático das ações faz com que o plano seja flexível a garantia do 
aprendizado do aluno. 
APÓS O EXERCÍCIO DE ELABORAÇÃO DO PLANO DE ESTÁGIO, DELIMITANDO AS 
DIRETRIZES A SEREM DESENVOLVIDAS AO LONGO DO SEMESTRE: QUAL SERÁ O PRÓXIMO 
PASSO? 
O próximo passo é o planejamento mesmo das atividades. Aprofundando “o como fazer?”, “como atingir o 
objetivo proposto?” para um resultado satisfatório, valorizando as etapas de execução das atividades 
delimitadas no plano, planejando as ações e destacando as formas de monitoramento e a avaliação da 
prática profissional. 
 
PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES 
Sobre o planejamento das atividades delimitadas no plano, Baptista (2000,13) fala que o termo 
planejamento refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de 
questões que se colocam no mundo social. Sobre o tema Planejamento Social, cabe uma reflexão sobre as 
contribuições de Baptista – daremos destaque ao trabalho sob o título “Planejamento Social: 
intencionalidade e instrumentalização”, registrada nas referencias bibliográficas desta aula. 
Planejamento – “o planejamento se refere, ao mesmo tempo, à seleção das atividades necessária para 
atender as questões determinadas e a otimização de seu inter-relacionamento, levando em conta os 
condicionantes impostos a cada caso (recurso, prazos e outros); 
Baptista apud Ferreira (2000, 15) nos diz que o planejamento se organiza por operações complexas e 
interligadas, e aponta alguns aspectos que devem ser considerados quando do planejamento. São eles: 
DE REFLEXÃO 
Que diz respeito ao conhecimento de dados, à análise e estudo de alternativas, á superação e 
reconstrução de conceitos e técnicas de diversas disciplinas relacionadas com a explicação e 
quantificação dos fatos sociais; 
DE DECISÃO 
Que se refere à escolha de alternativas, à determinação de meios, à definição de prazos, etc.; 
DE AÇÃO 
Relacionada à execução das decisões. É foco central do planejamento. Orienta-se por momentos que a 
antecedem e é subsidiada pelas escolhas efetivas na operação anterior, quando aos necessários 
processos de organização; 
DE RETOMADA DA REVISÃO 
Operação de crítica dos processos dos efeitos da ação planejada, com vistas ao embasamento 
do planejamento de ações posteriores.Aprendemos que o plano e planejamento são etapas complementares no cotidiano profissional, mas 
vamos esclarecer mais uma vez a diferença entre os dois: 
PLANO 
O plano delineia as decisões de caráter geral, deve ser formulado de forma clara e simples para nortear o 
planejamento das ações. 
PLANEJAMENTO 
O Planejamento é o processo de planejamento das ações, momento de tomar decisões a respeito do 
trabalho a ser feito. Planejamento envolve muita reflexão antes, durante e depois. É um processo que não 
tem fim. Como colocado anteriormente, pode até chegar a exigir que se mude o plano proposto se o 
andamento do trabalho mostrar que é preciso fazê-lo. 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO PARA FORMAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL 
Na atualidade, alguns requisitos para garantir a qualidade da formação profissional do assistente social são 
a busca pelo fortalecimento da formação de um profissional criativo, propositivo que tenha competência e 
agilidade na pesquisa e no desvendamento da realidade, apreendendo a dinâmica dos processos sociais na 
sua totalidade. Espera-se a superação da visão fragmentada, praticista e determinada unicamente pelos 
interesses da instituição na qual está inserido o assistente social. 
Partindo deste ponto de vista, propõe-se uma ampliação da proposta de educação, contribuindo para que 
todos tenham acesso a dados, informações, fatos permitindo que estes possam analisar relacionar, 
escolher, organizar e lançar mão destes conhecimentos para a complementação da formação humana. 
Para podermos compreender a crescente cumplicidade dos fenômenos mundiais, e dominar o sentimento 
de incerteza que suscita, precisamos, antes, adquirir um conjunto de conhecimentos e, em seguida, 
aprender a relativizar os fatos e a revelar sentido crítico perante o fluxo de informações. 
A educação manifesta aqui, mais do que nunca, o seu caráter insubstituível na formação da capacidade de 
analisar. Facilita uma compreensão verdadeira dos acontecimentos, para lá da visão simplificadora ou 
deformada transmitida, muitas vezes, pelos meios de comunicação social. 
A necessidade por educação e a luta que ela ocasiona, pode gerar uma transformação da realidade social e 
isso é tarefa dos homens que compõem a luta e neste sentido, a realidade social, não existe por acaso, mas 
como produto da ação dos homens, pois nada se transforma por acaso. 
 Assista ao vídeo sobre planejamento de um trabalho. E perceba que tudo é 
muitíssimo bem planejado, pensado, discutido e analisado para decidir como o trabalho 
será realizado e avaliado. 
http://www.youtube.com/watch?v=lEgBDJdeBMg
 E complemente a reflexão com a seguinte leitura: BAPTISTA, Myriam Veras. O Serviço 
Social na perspectiva interdisciplinar. In: O uno e o múltiplo nas relações entre as áreas do 
saber. São Paulo: Cortez, 1998. p.p.110-120. 
 Participe da elaboração de um plano de estágio junto com a supervisora de campo. É 
um exercício importante para que o aluno possa compreender as etapas do processo de 
aprendizado. Um exemplo bem simples: não se pode entrevistar sem antes observar uma 
entrevista, buscando saber o que se quer levantar com as perguntas, ou melhor, apreender 
o objetivo da entrevista. O importante é o aluno compreender que não se podem queimar 
etapas, e que o processo de aprendizado sugere uma aproximação gradativa e planejada 
sobre a realidade. 
Nesta aula, você: 
Conheceu os elementos essenciais para a elaboração do plano de estágio supervisionado atrelado ao 
compromisso com o aprendizado profissional. 
AULA 4: DIÁRIO DE CAMPO: UM DIÁLOGO PERMANENTE COM A PRÁTICA 
PROFISSIONAL 
 
 
O QUE É O DIÁRIO DE CAMPO? 
O diário de campo é um instrumento utilizado pelos pesquisadores para registar os dados recolhidos e 
possíveis de serem interpretados. Sendo assim, o diário de campo é um instrumento que permite 
sistematizar as experiências para posteriormente analisar os resultados. 
 
Devemos considerar que cada pesquisador desempenha de uma forma a hora de registrar em seu diário de 
campo. Então, no momento do registro, pode-se anotar ideias desenvolvidas, frases isoladas, transcrições, 
mapas e esquemas, por exemplo. O que importa mesmo é que o pesquisador possa apontar no diário 
aquilo que vê e observa ao longo do seu processo de aprendizado ( no estágio supervisionado) para depois 
analisar e estudar. 
 
TRABALHO DO PESQUISADOR COM O DIÁRIO DE CAMPO 
Certamente, os apontamentos oriundos do diário de campo não têm necessariamente que descrever em 
detalhtes a realidade em si, mas antes a realidade vista a partir do olhar do pesquisador, com as suas 
percepções, bagagem terórica e a sua visão de mundo até o momento. Por isso, pode-se afirmar que, 
mesmo que dois pesquisadores (ou aluno-estágiário) trabalhem em conjunto sobre o mesmo tema 
(realizando estágio no mesmo campo/instituição), os diários de campo de cada um deles serão certamente 
diferentes. 
 
DIVISÃO DO DIÁRIO DE CAMPO 
De acordo com os especialistas, recomenda-se que o diário de campo seja dividido em dois momentos. 
Desta forma, o pesquisador pode incluir, num lado, tudo o que diz respeito às observações realizadas por si 
e, no outro, as suas impressões ou conclusões. Também é interessante que, ao fim do dia, o pesquisador se 
reúna com os seus colegas de trabalho de modo a partilharem ideias e trocarem impressões podendo ser 
úteis para o diário. No caso da aluno-estagiário, trata-se do momento mesmo da supervisão. Onde senta-se 
com o supervisor para debater as atividades e vivências do dia de estágio. 
 
A IMPORTÂNCIA DO DIÁRIO DE CAMPO 
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=-H295F4BYBwC&oi=fnd&pg=PA110&dq=veras+baptista&ots=huYxR5Olbd&sig=S97yz5L9kiDv60uoEvB5n09uhgA#v=onepage&q=veras%20baptista&f=false
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=-H295F4BYBwC&oi=fnd&pg=PA110&dq=veras+baptista&ots=huYxR5Olbd&sig=S97yz5L9kiDv60uoEvB5n09uhgA#v=onepage&q=veras%20baptista&f=false
Devemos considerar que o diário de campo pode ser o primeiro passo dos ensaios, das reflexões e dos 
livros que pesquisam a realidade social. 
O diário de campo é uma das documentações mais importantes ao processo de estágio supervisionado, 
devendo fazer parte da vida acadêmica do aluno. É um instrumento de registro diário e, segundo Minayo 
(1993:100), nele: 
“(...) constam todas as informações que não sejam o registro das entrevistas formais. Ou seja, observações 
sobre conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos, expressões que 
digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos, usos costumes, celebrações e 
instituições compõem o quadro das representações sociais.” 
Isso significa que o aluno-estagiário deve registrar no diário de campo, em tempo real, atitudes, fatos e 
fenômenos percebidos no campo de estágio. Por meio destes registros, posteriormente, podem-se 
estabelecer relações entre a vivência do estágio e a base teórica oferecida na academia. 
INICIANDO O PROCESSO DE DOCUMENTAÇÃO 
Os registros devem ser feitos diariamente, sempre datados, sinalizando os sujeitos envolvidos, o local, a 
situação observada etc. Ao ingressar em uma instituição para estagiar, a orientação é para que o aluno: 
 
1) Tenha um caderno para elaborar o seu diário de campo, identificando-o com seu nome, dados da 
instituição (nome, endereço, e-mail e telefone da instituição), setor (programa/projeto) em que se 
insere, nome da supervisora, período dos registros (início e fim). 
2) Realize uma pesquisa bibliográfica acerca da área de atuação da instituição. Ex: estágio em um 
Centro de Referência da Assistência Social (CRAS). Área de ação: Assistência Social. Ação do 
Assistente Social no Programa Bolsa Família. Recorte teórico-operacional: Assistência Social, 
Políticas Públicas, Políticas Sociais. O aluno deverá buscar textos sobre os temas antes relacionados 
e as leis que regulamentam a ação da instituição e do Assistente Social. 
3) Faça o levantamento da históriada instituição e da inserção do Serviço Social. 
4) Organize uma lista das fontes de consulta, considerando as normas da ABNT (livros, leis, sites, 
jornais, revistas, folders etc.). 
 
Nesse sentido, Mioto (2007) nos diz que a documentação não pode ser negligenciada no contexto do 
exercício profissional, considerando a sua relevância para o processo de conhecimento e sistematização da 
realidade, do planejamento, da qualificação das ações profissionais, bem como da sua importância ao 
alicerçar a produção de conhecimento. Desse modo urge a necessidade de incorporá-la no cotidiano 
profissional, nos mais diferentes momentos do processo interventivo. 
-------------------------- 
Mioto (2007) nos diz que pelas observações efetuadas, o diário de campo tem uma larga utilização entre os 
Assistentes Sociais e é exigido para os estudantes de Serviço Social que estão em estágio curricular; sua utilização, no 
entanto, está muito aquém das possibilidades que a produção de um diário de campo pode oferecer para a 
intervenção profissional. Na maioria das vezes, ele se restringe ao agendamento de tarefas, a observações e relatos 
pontuais dos atendimentos individuais, ou ainda, à mera descrição da intervenção e da realidade. Neste sentindo, é 
fundamental a documentação do exercício profissional de uma profissão que se define por seu caráter interventivo. 
É através da sistematização da intervenção que se desenvolvem tanto os processos investigativos sobre a realidade 
social, os sujeitos e o processo de intervenção profissional, quanto de marcos orientador para as ações profissionais. 
A documentação pode ser considerada como um elemento constitutivo da ação profissional, uma vez que ela lhe dá 
materialidade ao comprovar a realização da ação, realizada de diferentes formas, ou seja, em fichas, prontuários, 
relatórios de atendimentos (individuais, familiares ou de reuniões e de assembléias) realizados em instituições ou em 
domicílios, dentre outros. Aliado a isto está o fato da documentação das atividades diárias pode transformar-se em 
sistema de informação dos serviços, revertendo-se em importante instrumento de avaliação e de planejamento. E 
aqui destacamos o uso do diário de campo. Enquanto forma de documentação profissional articulada ao 
aprofundamento teórico, o diário de campo, quando utilizado de forma sistemática, pode contribuir para a 
qualificação profissional, permitindo a realização de análises mais aprofundadas. Mioto (2007) ao expor sua pesquisa 
sobre diário de campo elenca as observações abaixo: 1) De modo geral, há uma preocupação em registrar 
informações específicas da área de intervenção, das rotinas da instituição, dos critérios de acesso aos programas etc. 
Aliado a isso, está evidência de leituras e de referência a um marco conceitual específico sobre a área de intervenção 
(saúde, previdência, assistência social, habitação, educação). 2) O diário de campo, na maioria das vezes, é 
considerado como uma forma de agenda de tarefas, como um caderno de observações e relatos pontuais de 
atendimentos individuais, ou ainda, como um breve relatório descritivo da intervenção e da realidade. Os aspectos 
relevantes que envolvem o cotidiano da intervenção não são registrados, ficando subentendidos seus significados ou 
seus não-significados. 3) Quando apresentam relatos mais consistentes, os registros estão restritos à descrição, 
sobretudo dos atendimentos individuais onde são expostos de maneira minuciosa os dados de cada usuário, 
conseqüentemente, a análise e interpretação de dados possíveis, bem como a reflexão sobre eles fica em segundo 
plano. Assim, os atendimentos individuais são considerados uma ação profissional privilegiada, levando a considerar 
os contatos institucionais e a organização do serviço como rotina institucional burocrática, ou ainda a não percebê-
los como ação profissional. As poucas interpretações realizadas são superficiais e não aprofundam o marco de 
referência conceitual específico com o contexto externo (macrossocietário). 4) As colagens e gravuras, quando são 
apresentadas, não deixam claro o real significado, ou seja, a sua importância e a interpretação desse recurso não são 
expostas.” 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc01.pdf 
 
--------------------------------- 
O DIÁRIO DE CAMPO É UMA FERRAMENTA DE APRENDIZADO 
A partir das considerações sobre o diário de campo, a expectativa é para fazer uso deste como mais uma 
ferramenta de aprendizado. Então, o diário de campo consiste em uma forma de registro de observações, 
comentários e reflexões para uso individual do aluno. Pode ser utilizado para registros de atividades de 
pesquisas e/ou registro do processo de trabalho. Desse modo, o diário de campo deve ser usado 
diariamente para garantir a maior sistematização e detalhamento possível de todas as situações ocorridas 
no dia durante a intervenção. Quanto mais utilizar o s4eu diário de campo, mais e mais desenvolverá a 
habilidade em descrever suas observações e reflexões. 
Mioto (2007) sugere uma forma de registro. E fala que o diário de campo pode ser organizado em três 
partes: 
 
1. Descrição; 
 
2. Interpretação do observado, momento no qual é importante explicitar, conceituar, observar 
estabelecer relações entre os fatos e as conseqüências; 
 
3. Registro das conclusões preliminares, das dúvidas, i,previstos, desafios tanto para um profissional 
específico e/ou para a equipe, quanto para a instituição e os sujeitos envolvidos no processo. 
 
4. O diário de campo é um instrumento de registro de atividades de aprendizado, uma forma de 
complementação das informações sobre o cenário onde o aluno está estagiando e onde estão 
envolvidos os demais sujeitos. Neste instrumento, é possível registrar todas as informações que não 
sejam aquelas coletadas em contatos e entrevistas formais, em aplicação de questionários, 
formulários e na realização de grupos focais. 
 
5. As anotações descritivas realizadas em diário de campo são para servirem de suporte na análise e 
planejamentos das ações. É o primeiro passo para avançar na explicação e compreensão da 
realidade em seu contexto. As anotações de cunho analítico-reflexivo indicam quais as questões 
que devem ser aprofundadas. 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc01.pdf
6. As informações, tanto de natureza descritiva como reflexiva, são o conteúdo do diário de campo, 
costurando os retalhos de todo o processo de desenvolvimento de uma pesquisa e/ou dos 
processos de intervenção profissional em dado contexto, oferecendo o cenário da realidade 
vivenciada. 
 
7. O diário de campo oferece subsídios para a intervenção crítica no real e para a orientação da ação 
profissional. Isso se o diário for considerado como “um documento pessoal-profissional no qual o 
aluno fundamenta o conhecimento teórico-prático, relacionando-o com a realidade vivenciada no 
cotidiano profissional, através do relato de suas experiências e sua participação na vida social” 
(Mioto,2007). 
 
8. E o que mais pode ser anotado no diário de campo? As dúvidas e dificuldades são extremamente 
bem-vindas. Estas devem ser registradas e consideradas como elementos importantes no cotidiano 
profissional porque possibilitam à reflexão e análise da experiência de estágio. 
 
9. O registro detalhado da intervenção no diário de campo permite observar e analisar criticamente 
como se planejam e se executam as ações profissionais, e ainda perceber as dificuldades e 
limitações do profissional frente ao serviço, como também as limitações do serviço frente às 
demandas concretas dos usuários. 
 
10. Portanto, o diário de campo, os relatórios, prontuários, protocolos de serviço e de atendimento, 
enfim, toda a forma de documentação só adquire sentido se são úteis tanto para os profissionais 
quanto para a instituição porque, mais do que apenas guardar ou arquivar informações, deve incidir 
positivamente nos processos de planejamento e avaliaçãono sentindo de facilitar a sua realização. 
 
11. 
12. O propósito é utilizar o diário de campo em um instrumento de aprendizagem, onde o aluno 
interage com a realidade de forma sistematizada e ativa, como principal ator do processo de 
construção do conhecimento. O ensino de novos conteúdos deve permitir que o aluno se desafie a 
avançar nos seus conhecimentos. O exercício da análise crítica levará o aluno a ultrapassar a sua 
experiência, os estereótipos, as sínteses anteriores etc. - 
 
---------------------- 
Observamos que o aluno está enfrentando os desafios de um mundo novo ao ingressar no campo de estágio. 
É uma mistura de sentimentos, tais como: curiosidade, euforia, insegurança frente ao que não conhece e etc. 
O ato de escrever é uma oportunidade para organizar novas idéias e percepções sobre o que acontece e 
tomar contato com os pensamentos, sentimentos e ações. O campo de estágio é um local rico em 
experiências que levam o aluno a pensar, sentir e agir, visando o aprendizado. A aprendizagem não se 
restringe a assimilação de conteúdos ou técnicas, mas de sentimentos e emoções – ao considerarmos que 
todo esse universo deve ser utilizado para o crescimento pessoal e profissional. A utilização do diário de 
campo passa então a ser um instrumento para o aluno expor e refletir suas experiências de estágio. O uso do 
diário de campo favorece o autoconhecimento. O aluno passa a refletir sobre a sua experiência, quando isso 
ocorre, percebe-se mais claramente nas situações vividas. Ter a oportunidade de conversar consigo mesmo, 
leva o aluno a se repensar nas situações que vivenciou passando a compreendê-la de uma nova forma. Desta 
forma, sua compreensão a respeito do ocorrido vai clareando, ampliando e modificando. Nestes momentos 
de reflexão, o aluno chega a repensar na sua escolha profissional, encarando suas dúvidas e receios sobre o 
que é ser assistente social. Aceitar estas percepções, conversar com os profissionais da área, em especial o 
supervisor de campo, incentiva o prosseguimento no caminho da aprendizagem. O aluno passa a distinguir 
seus pensamentos, consegue rever suas atitudes em campo de prática, re-conhecendo o que se faz. Essas 
constatações levam- o a tomar consciência de suas dificuldades para lidar com as situações, atitudes e 
sentimentos decorrentes de sua experiência em campo de estágio. Reler o diário de campo propicia o aluno 
a perceber seu crescimento enquanto futuro profissional, na medida em que pode avaliar-se e direcionar seu 
crescimento. O diário de campo possibilita: a) Ao aluno a desenvolver um espaço para refletir sobre o seu 
desenvolvimento enquanto estudante e pessoa – ética profissional e valores pessoais. b) O desenvolvimento 
de um instrumento para o supervisor ampliar o conhecimento sobre o aluno, possibilitando uma maior 
compreensão a respeito da experiência no campo de estágio. c) Subsídios para uma avaliação mais 
abrangente e verdadeira. Finalmente falaremos sobre o relatório das atividades de estágio. Este relatório é 
produzido ao final de cada semestre, a partir das considerações apresentadas nesta disciplina e orientadas 
pela supervisora de campo. E o diário de campo é um dos instrumentos mais importante, pois é uma das 
fontes de informações mais rica na elaboração do relatório das atividades do estágio. Você deve considerar 
todos os aspectos destacados nesta aula, e utilizar o diário de campo para registrar as informações a serem 
investigadas, estudadas, observadas, tais como: a) Sobre o estabelecimento • Nome, nome da unidade de 
atendimento, funcionando desde, natureza (pública municipal, filantropia, ONG, comunitária, pública 
estadual, pública federal, privada, entidade de classe. • Endereço completo (incluindo telefone, fax e 
referência de localização) • Área de atuação (política a qual se vincula, tipo de serviço oferecido, agentes 
institucionais, formas de financiamentos, estrutura organizacional) • Programas e projetos (caracterização 
dos principais programas projetos desenvolvidos pelo estabelecimento – programa/projeto; objetivos; 
público; atividades. • Históricos (histórico sumário do estabelecimento; histórico sumário do serviço social 
no estabelecimento. É preciso dizer que ao longo da disciplina serão apontados vários aspectos de 
observação e estudos, mas a busca pelos pontos elencados nas últimas aulas é um excelente exercício de 
pesquisa para quem está iniciando o estágio supervisionado – considerando as orientações da supervisora de 
campo. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc02.pdf 
 
--------------- 
Nesta aula, você: 
 Entendeu o que é o instrumento diário de campo. 
 Identificou a função do diário de campo enquanto instrumento agregador no processo de 
aprendizagem 
AULA 5: OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE E ESCUTA ATENTA 
 
 
INTRODUÇÃO 
Considerando que uma aula é complementar a anterior, esta apresenta um conteúdo que contribui 
sobremaneira na elaboração do diário de campo. Mas antes precisamos apresentar o que é a observação 
participante. 
 
OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE 
Para iniciarmos vamos conhecer um pouco da história da observação participante. 
 
A observação participante foi introduzida pela Escola de Chicago, nos anos 1920, tendo sido duramente 
contestada pelos pesquisadores experimentais, e abandonada por décadas. Seu resgate atual, no entanto, 
auxilia nas descrições e interpretações de situações cada vez mais globais. 
 
Após sua recuperação, porém, o método é banalizado e utilizado de forma indiscriminada, sem o rigor 
metodológico que esse procedimento exige em relação à coleta, registro e interpretação pertinentes e 
coerentes com a realidade estudada. Em muitos casos, a observação participante passa a ser relacionada a 
interpretações meramente emotivas e deformações subjetivas e sem dados comprobatórios. 
 
O antropólogo inglês Branislaw Malinowski revolucionou a Antropologia nas três primeiras décadas do 
século XX, quando fez propostas referentes aos métodos de trabalho de campo. É no universo científico 
que a construção sistemática da observação participante se torna cada vez mais evidente, uma vez que 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula04_doc02.pdf
essa técnica modifica a ação do observador que, ao integrar o grupo que vivencia a realidade social, 
propicia interações que contribuam para a mudança de comportamento do grupo observado. 
 
A técnica de observação participante caiu no esquecimento por alguns anos, até ser novamente 
introduzida no meio acadêmico na década de 1990, sendo, a partir de então, considerada um processo 
pelo qual a interação da teoria com a prática concorre para a transformação ou implementação do meio 
pesquisado – neste caso: o campo de estágio supervisionado. 
 
Com o auxílio da observação participante, o estagiário poderá analisar a realidade social que o rodeia, 
tentando compreender os conflitos e tensões existentes e identificar grupos sociais que têm em si a 
sensibilidade e motivação para participar das lutas e transformações sociais necessárias. 
 
ETAPAS DO PROCESSO DE OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE 
De acordo com Richardson (1999), o processo de observação participante segue algumas etapas essenciais. 
primeira etapa, há a aproximação do observador ao grupo social em estudo. Esse é um trabalho longo e 
difícil, pois o observador precisa trabalhar com as expectativas do grupo, além de se preocupar em destruir 
alguns bloqueios, como a desconfiança e a reticência do grupo. Nessa fase, é necessário que o observador 
seja aceito em seu próprio papel, isto é, como alguém externo, interessado em realizar, juntamente com a 
população, um estudo. Diante disso, pode-se dizer que a verdadeira inserção implica uma tensão constante 
do observador em razão do risco de identificação total com a problemática e o conflito de assegurar 
objetividade na coleta de dados. 
 
Sobre este último aspecto é sempre bom lembrar que a participação em uma realidade até entãodesconhecida exige uma aproximação, que exige paciência e honestidade, é a condição inicial necessária 
para que o percurso do estágio supervisionado possa humanizar as relações acadêmicas. 
 
Já na segunda etapa, Richardson (1999) diz que é preciso realizar um esforço do pesquisador em possuir 
uma visão de conjunto da comunidade objeto de estudo. No caso do estágio, substituímos o espaço da 
comunidade pelo espaço do estágio supervisionado. Então o autor coloca que essa etapa pode ser 
operacionalizada com o auxílio de alguns elementos, como o estudo de documentos oficiais – como já 
falamos na aula anterior -, reconstituição da história do grupo e do local, observação da vida cotidiana, 
identificação das instituições e formas de atividades econômicas, levantamento de pessoas chave e a 
realização de entrevistas não diretivas com as pessoas que possam ajudar na compreensão da realidade. 
Os dados devem ser registrados imediatamente no diário de campo, para não haver perda de informações 
relevantes e detalhadas sobre os dados observados. Caso não seja possível o registro imediato, sugere-se o 
uso do recurso de filmagens, fotos ou entrevista – Mas sempre com o acompanhamento da supervisora de 
campo, já que filmagens e fotos requerem a autorização de todos envolvidos no que refere se ao uso da 
imagem. 
Richardson (1999) aponta que após a coleta dos dados, passa-se à terceira fase, na qual é preciso 
sistematizar e organizar os dados, o que corresponde a uma etapa difícil e delicada. A análise dos dados 
deve informar ao observador a situação real do grupo e sobre a percepção que este possui de seu estado. 
Se todas essas etapas forem seguidas adequadamente, pode-se afirmar que o trabalho terá êxito, 
favorecendo o conhecimento da realidade social, bem como estimulando o crescimento do grupo de 
estudo por meio da auto-organizarão e conseqüente desenvolvimento de ações conscientes e criativas 
para a transformação social. 
 
Para os assistentes sociais, os resultados obtidos a partir da análise dos dados devem servir de base para 
elaboração de ações profissionais que contribuam para promoção e garantia de Direitos. 
REALIZAÇÃO DA OBSERVAÇÃO 
A observação participante é uma técnica de orientação quanto ao que será observado (pesquisado) ao 
participar (vivenciar) uma realidade (estágio supervisionado), delimitando o objetivo da entrada no estágio 
supervisionado. 
A realização da observação participante exige o desenvolvimento de habilidades e competências. Então o 
estagiário buscará o seguinte aprendizado no campo: ser capaz de estabelecer uma relação de confiança 
com todos envolvidos; ter sensibilidade para pessoas; ser um bom ouvinte; ter familiaridade com as 
questões investigadas, com preparação teórica sobre o objeto de estudo ou situação que será observada; 
ter flexibilidade para se adaptar a situações inesperadas; não ter pressa de adquirir padrões ou atribuir 
significado a realidade observada; elaborar um plano sistemático e padronizado para observação e registro 
dos dados; ter habilidade em compreensão dos dados; verificar e controlar os dados observados; e 
relacionar os conceitos e teorias científicas aos dados coletados. (Schwartz, 1955). 
 
OS OBSERVADORES 
Os observadores participantes se inserem na situação estudada (observada) e na vida das pessoas que 
estudam e, embora nos registros de campo os nomes sejam fictícios (justificativa ética), os sujeitos da 
pesquisa são reais e se conhecem uns aos outros. Então é primordial valorizar o ser humano, respeitando 
todos envolvidos na realidade. Cabe ao aluno sempre deixar claro que é estudante, estagiário, 
apresentando se em uma postura de diálogo, e buscando aprender sobre a vivência no campo. 
 A observação e a participação tanto pode ser uma 
 participação distanciada e ligeira, como uma 
 participação mais profunda e mais integrada 
 que propicia o uso da metodologia de observação participante. 
 
TEMPO DE DURAÇÃO 
O tempo é também um pré-requisito para os estudos que envolvem sobre a uma dada realidade, bem 
como a ação de grupos sociais. Para se conhecer a história e comportamento das pessoas e de grupos é 
necessário observá-los por um longo período e não num único momento. Por isso é recomendável 
permanecer no mesmo campo de estágio por no mínimo 01 (um) ano. 
 
O aluno-estagiário não sabe de antemão onde está entrando, não conhece a realidade do campo de estágio, mas a 
entrada é preparada, anunciada e com a permissão da instituição. O que queremos chamar a sua atenção é para a 
situação em que você não é esperado por todos envolvidos no contexto de estágio, desconhecendo muitas vezes a 
teias de relações que marcam a hierarquia de poder e a estrutura social. Atenção! O aluno-estagiário é um 
observador que está sendo todo o tempo observado. O observador quase sempre desconhece sua própria imagem 
junto ao grupo estudado. Isso quer dizer que o estagiário também é observado por todos, incluindo os usuários. Seus 
passos durante o trabalho de campo são observados, avaliados e questionados por membros da instituição e 
população local. E este aspecto deve ser considerado, e transformado em uma auto-análise na perspectiva do 
aprendizado sobre as próprias atitudes, comportamento e falas ao interagir no meio profissional. O aluno aprende 
com os erros que comete durante o estágio de campo e deve tirar proveito deles, na medida em que os passos em 
falso fazem parte do aprendizado da profissional. Deve, assim, refletir sobre o porquê de uma recusa, o porquê de 
um desacerto, o porquê de um silêncio. O saldo sempre será positivo se você estiver aberto para dialogar e 
aprender. É preciso aprender quando perguntar e quando não perguntar, assim como que perguntas fazer no 
momento mais apropriado, mas nunca esconder uma curiosidade. A observação participante implica saber ouvir, 
escutar, ver, fazer uso de todos os sentidos de forma ética. Uma referência brasileira na área da Educação é o 
professor Rubem Alves (2004), quem apresenta a seguintes apontamentos sobre a arte de ouvir: “De todos os 
sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Só posso ouvir 
a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala 
mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa 
para por não haver o que dizer tratou logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho 
vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. 
Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio é 
como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para 
encher o tempo até que o elevador pare. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra 
lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez 
cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a 
reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o 
nosso ouvido da escravidão e ocupar a força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus 
semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...” Talvez seja essa a razão porque 
há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutatória. Todo mundo 
quer falar. Ninguém quer ouvir.” Rubem Alves nos leva a refletir sobre a importância do diálogo, porque só podemos 
interagir ao ouvirmos o próximo. O ato de ouvir exige humildade de quem ouve. Para Rubem Alves, a humildade está 
nisso: saber, não somente com a cabeça, mas com o coração, que é possível queo outro veja mundos que nós não 
vemos, porque somos diferentes, e é na diferença que muito aprendemos. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc01.pdf 
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A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO 
Além de Rubem Alves outra referência para a Educação do Brasil é Paulo Freire. Para este Educador, o 
diálogo é o elemento chave para alcançar a conscientização e transformação da realidade. É preciso ouvir a 
todos, nossa voz interna, os profissionais envolvidos na realidade do estágio supervisionado, e em especial: 
os usuários, a população, com quem queremos estar para participar da transformação social. O diálogo 
com a população, e o cunho educativo da ação do Assistente Social no cotidiano profissional, não podemos 
deixar de citar o livro Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire. Neste livro, autor propõe uma explicação da 
importância e necessidade de uma pedagogia dialógica emancipatória do oprimido, em oposição à 
pedagogia da classe dominante, que contribua para a sua libertação e sua transformação em sujeito 
consciente e autor da sua própria história através da práxis enquanto unificação entre ação e reflexão. 
Nesta pedagogia, o educador – e aqui podemos entender como o assistente social, também -, através de 
uma educação dialógica problematizante e participante, procura conscientizar e capacitar o povo para a 
transição da consciência ingênua à consciência crítica com base nas fundamentações lógicas do oprimido. 
Assim, caracteriza-se por um movimento de liberdade que surge a partir dos oprimidos, sendo a pedagogia 
realizada e concretizada com o povo na luta pela sua humanidade. 
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A Pedagogia do Oprimido implica uma atitude e postura radicais baseadas no encontro com o povo através do 
diálogo enquanto instrumento metodológico que permite a leitura crítica da realidade, partindo da linguagem do 
povo, dos seus valores e da sua concepção do mundo, transformando-se numa luta pela libertação dos oprimidos. 
No primeiro capítulo, o autor procura justificar o título pedagogia do oprimido explicando que o homem tem de 
transformar-se num sujeito da realidade histórica em que se insere, humanizandose, lutando pela liberdade, pela 
desalienação e pela sua afirmação, enfrentando uma classe dominadora que pela violência, opressão, exploração e 
injustiça tentam se perpetuar. No que respeita à situação concreta de opressão e os oprimidos, o autor refere que só 
na convivência com os oprimidos se poderão compreender as suas formas de ser, de comportar e de refletir sobre a 
estrutura da dominação, sendo uma delas a dualidade existencial que leva a assumirem atitudes fatalistas, religiosas, 
mágicas ou místicas, que não permitem a superação da visão do mundo e de si. No segundo capítulo, o autor fala 
sobre o conceito de concepção bancária (sala de aula tradicional, onde somente o professor tem o direito de falar, 
sem haver o diálogo) da educação como instrumento da opressão, onde a educação é vista como um ato de 
depositar, o homem é considerado um ser adaptável e ajustável, em que educador e educando se arquivam por não 
haver criatividade, transformação e saber, pois, segundo o autor, só existe saber na invenção, reinvenção, busca 
inquieta, impaciente e permanente que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros, o que se traduz 
numa busca esperançosa. Paulo Freire diz que é através do diálogo que os homens educam-se entre si e 
mediatizados pelo mundo, pela educação problematizadora que exige a superação da contradição educador-
educando. Então é no diálogo que ambos se tornam sujeitos do processo e crescem juntos em liberdade, procurando 
o conhecimento das consciências para uma inserção crítica na realidade. O autor chama a atenção para que em 
nenhum propósito, mesmo na liderança revolucionária, o homem aliene os outros nas suas decisões, mas sim que os 
incentive à luta pela sua emancipação no mundo. No terceiro capítulo, o autor aborda o exercício do diálogo 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc01.pdf
enquanto essência da educação como prática da liberdade. O diálogo assente na palavra é visto como fenômeno 
humano, pois segundo Paulo Freire não há palavra verdadeira que não seja práxis, enquanto ato de criação que 
procura a conquista do mundo para a libertação dos homens. Na perspectiva de Paulo Freire só há diálogo com um 
profundo amor ao mundo e aos homens, com humildade sincera e mediante a fé no poder de criar do homem, 
sendo assim um ato de criação e recriação, de coragem e de compromisso e de valentia e liberdade. Assim, o diálogo 
faz-se numa relação horizontal baseada na confiança entre os sujeitos e na esperança transformada na concretização 
de uma procura eterna fundamentada no pensamento crítico. No quarto capítulo, Paulo Freire coloca que o diálogo 
com os oprimidos é um compromisso para a libertação que implica a transformação da realidade, porque os homens 
são comunicação e diálogo enquanto análise crítico-reflexivo sobre a realidade. Afirma Paulo Freire que evitar o 
diálogo é temer a liberdade e não crer no povo, pelo que chama a atenção para que as lideranças revolucionárias 
não se deixem arrastar para posturas características das classes dominadoras, como a absolutização da ignorância, a 
descrença no homem e a impossibilidade do diálogo. A obra de Paulo Freire é um trabalho de conscientização, 
recomendado a todos que se preocupam com a sua existência, e a todos os educadores em particular, pois tem um 
caráter político na medida em que, fazendo uma abordagem à valência emancipa tória da educação enquanto 
instrumento de libertação de consciências e da necessidade da atuação do homem na sua própria existência, afirma 
que não é suficiente que o oprimido tenha consciência crítica da opressão, mas que se disponha a transformar a 
realidade, ou seja, pensar a realidade para melhor elaborar a ação visando à transformação da realidade. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc02.pdf 
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A IMPORTÂNCIA DO DIÁLOGO 
Exercitar o diálogo é realizar uma escuta atenta, ouvir o que o outro está falando para que possamos falar 
(retornar) interagindo com o conteúdo apresentado. É no diálogo com o outro e posteriormente consigo 
mesmo que se originam as primeiras manifestações da reflexão crítica. 
 
E o diálogo consigo mesmo é a busca pela compreensão da sua própria inserção no contexto social, criando 
propostas de participação na luta coletiva em prol da transformação social. E valorize as suas curiosidades, 
pensamentos, questionamentos, buscando dialogar sobre a experiência de estágio supervisionado sejam 
consigo mesmo (a partir das leituras realizadas), ou com seus interlocutores (professores, supervisores, 
colegas de estágio ou de turma). 
--- 
Veja esse poema de Carlos Drummond de Andrade: O CONSTANTE DIÁLOGO Há tantos diálogos Diálogo com o ser 
amante o semelhante o diferente o indiferente o oposto o adversário o surdo-mudo o possesso o irracional o vegetal 
o mineral o inominado Diálogo consigo mesmo com a noite os astros os mortos as idéias o sonho o passado o mais 
que futuro Escolhe teu diálogo e Tua melhor palavra ou Teu melhor silêncio Mesmo no silêncio e com o silêncio 
Dialogamos. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc03.pdf 
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CONCLUINDO 
Todo material coletado através da observação participante, registrado principalmente no diário de campo, 
bem como aqueles obtidos através de uma escuta atenta, do diálogo e aproximação com todos envolvidos 
no contexto do estágio supervisionado, será analisado a partir da leitura bibliográfica sobre a área 
profissional, textos e livros sugeridos na faculdade, ou através da indicação de leitura orientada pela 
supervisora de campo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sugerimos um exercício para treinar a observação e escuta. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc02.pdf
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula05_doc03.pdfAssista ao filme. 
Destaque as falas e imagens que chamam mais a sua atenção. 
E busque compreender como essa experiência, uma história real, pode acrescentar ao seu aprendizado 
profissional. 
 Escute as falas, 
observe os comportamentos, 
valores, atitudes e imagens, 
buscando o sentindo para cada personagem. 
 
Filme: Coach Carter - Treino para a Vida 2010-05-22 Francisco 
Título original: (Coach Carter) 
Lançamento: 2005 (Alemanha, EUA) 
Direção: Thomas Carter 
Atores: Samuel L. Jackson, Rob Brown, Robert Richard, Rick Gonzalez. 
Duração: 136 min 
Gênero: Drama 
 
A história real e inspiradora de um treinador que decide mostrar os diversos aspectos dos valores de uma 
vida ao suspender seu time campeão por causa do desempenho acadêmico dos atletas. Dessa forma, Ken 
Carter recebe elogios e críticas, além de muita pressão para levar o time de volta às quadras. É aí que ele 
deve superar os obstáculos de seu ambiente e mostrar aos jovens um futuro que vai além de gangues, 
prisão e até mesmo do basquete. 
 
Faça uma análise da evolução da construção do seu diário de campo. 
O que você pode melhorar? 
O que você deve continuar anotando? 
O que poderia ser mais observado? 
O que não precisa ser anotado? 
Como está o seu diário de campo enquanto instrumento de 
observação e escuta sobre a realidade profissional? 
Em suma, faça uma auto-avaliação para que o diário de campo seja um instrumento útil para você. 
Auxiliando sua memória e reflexão sobre a realidade profissional do qual está observando e aprendendo. 
 
Nesta aula, você: 
Compreendeu o que é a observação participante. 
Entendeu a importância da escuta atenta e do exercício do diálogo no processo de aprendizado 
profissional. 
 
 
 
 
AULA 6: ATIVIDADE TEÓRICO-PRÁTICA SUPERVISIONADA: VALORIZAÇÃO DA 
ATIVIDADE DE LEITURA À OBSERVAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL. 
 
FONTES PARA APRENDIZADO 
Aprender é criar a possibilidade para que uma pessoa tenha iniciativa para buscar as fontes de 
conhecimento que está à sua disposição na sociedade. A vida é caracterizada por vários canais de 
informações. Para todo lado que olhamos, nos deparamos com alguns desses canais: televisão, rádio, 
cinema, jornais, revistas, cartazes, livros, folhetos, internet, cd-room, etc. 
Essas informações tambem podem estar armazenadas em arsenais específicos livrarias, bibliotecas, 
museus, salas de espetáculos, centro culturais, circos, escolas, monumentos históricos, prédios públicos, 
fábricas, empresas, laboratórios, jardins, zoológicos, supermercados, shoppings centers, jardim botânico, 
estações de metrô, galerias de artes, etc. Mas é preciso desenvolver o olhar crítico que lhe permita 
desviarem-se as informações inúteis, sem base cientifica, ou pouco comprometida com a evolução 
humana. E preciso desenvolver habilidades para reconhecer, em meio um labirinto, as trilhas que 
conduzem as verdadeiras fontes de informação e conhecimento. 
 
A PRÁTICA DA LEITURA 
A leitura é um exercício primordial no aprendizado de uma profissão. É fundamental para o entendimento 
da profissão, do objeto de trabalho e das atuais condições de vida e trabalho. Então valorize a leitura, 
reserve um tempo para a realização da leitura bibliográfica indicada nas diversas disciplinas, escolha um 
livro e comece a leitura. 
 
Os alunos costumam dizer: “São muitos livros, o que devo ler primeiro?”. É verdade! São muitos livros, mas 
o importante é começar a ler. Depois a sua curiosidade irá apontar o próximo livro, de acordo com a 
bagagem de leitura e experiência que for adquirindo. Uma aula de cada vez, um texto de cada vez, um livro 
de cada vez. E quando menos esperar, já se tornou um leitor nato, sabendo selecionar materiais de 
qualidade. 
 
PESQUISAR É MUITO IMPORTANTE 
A realização do estágio supervisionado é para o aluno um momento de observação e estudo sobre a 
profissão escolhida. É uma pesquisa sobre a profissão e seus demais conteúdos. Veremos aqui, como a 
pesquisa é uma atividade que, embora não pareça, está presente em diversos momentos do quotidiano, 
além de ser requisito fundamental nas diversas profissões. 
Então ler a bula de um remédio antes de tomá-lo é pesquisar. Recorrer ao manual de instruções de um 
aparelho eletrônico também. Remexer papéis velhos atrás daquela preciosa receita de bolo da madrinha 
Miriam é fazer pesquisa. A eterna dificuldade de consultar em dicionário ou um catálogo telefônico é ou 
não é uma tarefa de pesquisa? 
Pesquisar é a investigação feita com o objetivo expresso de obter conhecimento específico e estruturado 
sobre um assunto preciso. Pesquisa está presente no dia-a-dia, seja no desenvolvimento da ciência, no 
avanço tecnológico ou no progresso intelectual do individuo. 
 
A PESQUISA SOCIAL 
O projeto de pesquisa do aluno-estagiário é aprender sobre o fazer profissional do Assistente Social, 
buscando compreender o processo de trabalho da profissão, bem como a sistematização da prática 
profissional. 
O desejo de conhecer é um servo do desejo de prazer. Conhecer por conhecer é um contra-senso. Você 
está realizando estágio supervisionado para conhecer uma profissão do qual escolheu exercer. 
Utilize a pesquisa social a seu favor, ser organize para estudar sobre a profissão que escolheu seguir. Como 
antes colocado, reserve um tempo para a leitura para as aulas e bibliografia indicada, desenvolvendo os 
exercícios propostos. 
 
Minayo (2003) nos diz que pesquisa veicula pensamento e ação, e que “Nada pode ser intelectualmente 
um problema, se não tiver sido, em primeiro lugar, um problema da vida prática. As questões da 
investigação estão, portanto, relacionadas a interesses e a circunstâncias socialmente condicionadas” 
(p.18) 
Em outras palavras, estudamos sempre algo que aconteceu na vida prática, no dia-a-dia, no cotidiano, e 
que se apresenta como um problema, algo que nos desafia a compreensão, uma curiosidade a ser 
respondida para responder aos interesses sociais da época. 
 
 
 
TEORIA 
A pesquisa é o exercício da relação teoria e prática. 
Minayo (2003,18) destaca que as funções da teoria são: 
 
- Esclarecer melhor o objeto de investigação. 
- Levantar hipóteses. 
- Permitir clareza na organização dos dados. 
- Iluminar análise dos dados. 
 
Por outro lado Minayo (2003, 19) fala que as proposições 
de uma teoria devem Ter três principais características: 
 
- Serem capazes de sugerir questões reais. 
- Serem inteligíveis. 
- Representarem relações abstratas entre coisas, fatos, fenômenos e/ou processos. 
 
O QUE ISSO TUDO QUER DIZER? 
Precisamos para analisar e compreender a realidade que estamos vivenciando, em especial o objeto de 
investigação/estudo. A leitura nos possibilita clareza na organização dos dados, sendo fundamental na 
análise dos dados e registros coletados na experiência do estágio supervisionado. 
 
A teoria, a bibliografia selecionada deve ser capaz de sugerir questões reais, ou seja, permitir uma 
compreensão da realidade apresentada, inteligíveis, isto é, compreensíveis, e representarem relações 
abstratas entre coisas, fatos, fenômenos e/ou processos – a leitura realizada deve apresentar um sentido 
frente à realidade estudada. 
 
PESQUISA QUALITATIVA 
Estudar sobre o Serviço Social e o universo que pertence à especificidade da profissão requer o 
conhecimento da pesquisa social qualitativa, isto é, pesquisar uma realidade que não pode ser 
quantificada. Minayo (2003) nos diz que a pesquisa qualitativa: 
 
“Trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que 
corresponde um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser 
reduzidos à operacionalização de variáveis” (p. 22) 
 
A PESQUISA SOCIAL APRESENTA VÁRIAS FASES, A SABER: 
 
Fase Exploratoria 
A fase exploratória é o que o aluno-estagiário já vem realizando, delimitar o que será observado e 
estudado, seleção da bibliografia e teoria para leitura, escolha da metodologia apropriada e as questõesoperacionais para levar o trabalho de campo. 
 
Fase do trabalho de campo 
A fase do trabalho de campo é o levantamento dos dados e informações; somado a observação e escuta 
como estratégia de levantamento de dados e informações; registrando no diário de campo as atividades 
desenvolvidas e os dados, com as informações coletadas. No entanto, é primordial a realização das leituras, 
indicadas e sugeridas nas disciplinas cursadas até o momento, bem como seguir as orientações que se 
encontram nas aulas desta disciplina. 
 
Fase do tratamento do material 
A fase do trabalho de campo é o levantamento dos dados e informações; somado a observação e escuta 
como estratégia de levantamento de dados e informações; registrando no diário de campo as atividades 
desenvolvidas e os dados, com as informações coletadas. No entanto, é primordial a realização das leituras, 
indicadas e sugeridas nas disciplinas cursadas até o momento, bem como seguir as orientações que se 
encontram nas aulas desta disciplina. 
 
Questões elucidadas pelo profissional de serviço social 
Para Vasconcelos (1997, 145), o levantamento sobre as demandas apresentadas ao Serviço Social leva o 
profissional à elucidação de várias questões, tais como: 
“Quem são os usuários? De onde vêm? Em que condições vivem? 
Que demanda (s) apresenta? Que clareza tem dela (s)? Como visualizam dentre suas necessidades e 
prioridades? 
Por que buscam o serviço com esta demanda? 
Com que expectativas apresentam sua (s) demanda (s)? 
Que visão tem do serviço que procuram? 
O que o serviço tem a oferecer diante das demandas apresentadas? 
Os usuários mostram-se disponíveis para a proposta que o serviço lhes faz? 
O serviço tem condições de atender suas demandas? Até que ponto?” 
 
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http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula06_doc01.pdf 
 
É preciso buscar uma coerência entre os diversos temas e fatos advindos do cotidiano. A leitura é fundamental, mas 
sabemos que não é apenas a formação teórica que forma o profissional. A qualidade da prática profissional reside na 
capacidade do Assistente Social atingir a práxis. Para Nicolau (2004, 84), o trabalho tem uma dimensão educativa. 
Esta dimensão possibilita ao indivíduo o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades, os quais são decisivos 
para a apreensão dos nexos causais e das determinações mais importantes do setor da realidade social no qual 
aquele atua. No exercício profissional, o assistente social reformula saberes, visto que as informações oriundas deste 
fazer lhe abrem perspectivas muitas vezes diferenciadas ao saber acumulado até então. Na experiência real de 
trabalho, o profissional obtém informações e experimenta normas, regras e valores que definem o espaço de sua 
atuação, requalificando sua identidade profissional. Isto é, na sua individualidade, o profissional se transformou , 
aprendeu, recriou possibilidades de uma ação no coletivo. O papel da teoria é iluminar e oferecer instrumentos e 
esquemas para análise e investigação que permitam questionar as práticas institucionalizadas e ações dos sujeitos. O 
estágio foi definido como atividade teórica, uma disciplina, que permite conhecer e se aproximar da realidade. O 
estágio como espaço de realização da pesquisa começa a fazer sentindo, já que é nesta experiência que se direciona 
a observação e a busca para estudar a Serviço Social enquanto profissão. O estágio curricular proporciona ao aluno 
uma aproximação à realidade no qual atuará. É uma atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e 
intervenção na realidade, este sim, objeto da práxis. É possível o estágio se realizar em forma de pesquisa, onde o 
aluno-estagiário busca desenvolver as habilidade e postura de um pesquisador. Essa postura é a própria valorização 
da prática profissional como momento de construção de conhecimento por meio da reflexão, análise e 
problematização dessa prática e a consideração do conhecimento. O resultado é a produção de conhecimento sobre 
a prática profissional, especialmente quando culmina na elaboração da monografia de conclusão de curso. As 
leituras realizadas com o devido compromisso oferecerão ao aluno-estagiário as perspectivas de análise para 
compreender os contextos históricos, sociais, culturais e organizacionais e de si mesmos como futuros profissionais. 
A análise do material dos dados e informações coletadas é realizada para incorporar um processo de consciência das 
implicações sociais, econômicas e políticas da atividade profissional. É importantíssima a realização do levantamento 
do histórico institucional, população alvo e principais demandas apresentadas ao Serviço Social, buscando 
compreender a realidade apresentada no cotidiano profissional. Iamamoto (2007, 200) fala que nos diferentes 
espaços ocupacionais (diferentes áreas de trabalho) do assistente social é de suma importância impulsionar pesquisa 
e projetos que favoreçam o conhecimento do modo de vida e de trabalho – correspondentes expressões culturais – 
dos segmentos populacionais atendidos, criando um acervo de dados sobre os sujeitos e as expressões da questão 
social que as vivenciam. O conhecimento criterioso dos processos sociais e de sua vivência pelos indivíduos sociais 
poderá alimentar ações inovadoras, capazes de proporcionar o atendimento as efetivas necessidades sociais dos 
segmentos subalternizados, alvo das ações institucionais. Esse conhecimento é pré-requisito para impulsionar a 
consciência crítica e uma cultura pública democrática para além das manifestações difundidas pela prática social em 
geral e particularmente pela mídia. Isso requer, também, estratégias técnicas e políticas no campo da comunicação 
social – no emprego da linguagem escrita, oral e midiática-, pra o desencadeamento de ações coletivas que 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula06_doc01.pdf
viabilizem propostas profissionais para além das demandas instituídas. Como colocado anteriormente, o 
levantamento histórico institucional é fundamental para compreender os desdobramentos presentes dentro da 
realidade apresentada. A ligação do cotidiano está tornando a história cada vez mais necessária para o profissional. 
Atualmente, descobrir a origem dos fatos e coisas tem sido fundamental para compreender o presente, e oferecer 
respostas mais qualitativas as demandas apresentadas. Então é preciso buscar os materiais e relatórios sobre a 
instituição onde realiza estágio. Perguntar a supervisora de campo onde pode encontrar as documentações 
(históricos, relatórios, levantamentos, pesquisas, estatísticas, programas e projetos da instituição e do Serviço 
Social). Caso não tenha material escrito, poderá perguntar a supervisora quem pode responder essas questões. E 
verificar a possibilidade em entrevistar alguém que tenha participado da fundação da instituição, ou que tenha essas 
informações porque teve a oportunidade de conhecer os fundadores. E poderá, ainda, auxiliar a instituição no 
resgate da história e valorizar as pessoas de fundamental importância para existência do trabalho oferecido nos dias 
atuais. No segundo momento, é preciso procurar as fontes onde possa realizar o levantamento das principais 
demandas apresentadas ao serviço social – procurando destacar qual o perfil da população quem procurar os 
serviços oferecidos (quantitativo de pessoas na família, formação educacional, faixa etária, sexo, local de moradia, se 
possui benefício ou está inserido em programa governamental, etc.). Sugerimos a leitura das fontes oficiais que 
oferecem indicadores sociais para contribuir na análise da realidade, como o Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), e demais leituras que ofereçam uma análise atual das condições de vida da população brasileira. 
Mas o aluno-estagiário investigará a leitura mais apropriada à região em que está localizada a instituição onde realiza 
estágio. Por exemplo: a realidade de região metropolitana de São Paulo é diferente de outraparte do país, e vice-
versa. A realização de um breve resgate dos indicadores sociais produzidos pelos órgãos oficiais colabora para a 
reflexão sobre as múltiplas manifestações da questão social. Então concluímos que para abrir o campo de visão, e 
alcançar a compreensão sobre a realidade apresentada é fundamental a leitura sistemática de uma bibliografia de 
qualidade. Mas vamos conversar um pouco sobre os desafios da tecnologia. A informação constitui um ponto central 
para o exercício da cidadania, ou para viabilizar a tomada de decisões e para a gestão da prática profissional. 
Destacamos a informática enquanto instrumento de trabalho. Por meio da informática torna-se possível não só obter 
informação como também produzi-la de forma mais coletiva, participativa, de qualidade e mais barata. As agências 
de informação criadas pelas redes de organismos sociais de caráter popular e democrático podem transmitir e 
intercambiar mensagens no sentido de fortalecer suas propostas e suas lutas. Os meios de difusão não se limitam 
mais ao jornal de bairro, ao vídeo e mesmo à TV. A rede de computadores, a internet, abre espaços para obter 
conhecimento sobre vários temas e áreas de investigação. O domínio da técnica informática é condição para o 
exercício da profissão nos diversos espaços sócio-ocupacionais. A informática é um dos caminhos indispensáveis para 
fortalecer a sua organização da categoria de assistentes sociais e para divulgar os conhecimentos por ela produzidos. 
Mas lembra-se de que é preciso selecionar um conteúdo de qualidade. 
------- 
Finalizando 
Finalizamos a aula fortalecendo que ao assistente social cabe: 
 Conhecer a realidade sobre a qual operam, nas suas particularidades e singularidade. 
 Desnudar, avaliar, criticar a proposta neoliberal no sentido de propor políticas alternativas. 
 Determinar objetivos profissionais possíveis de se implementar/realizar. 
 Qualificar as práticas operativas, garantindo um padrão mínimo de eficiência do conhecimento 
técnico-operativo. 
Assim, unidade entre a teoria e a prática não vai ser obtida no Serviço Social apenas a partir de referencias 
teórico-metodológicas, mas tendo como base a qualidade das conexões que os profissionais estabeleçam 
com a realidade objeto da ação profissional, o que passa por uma relação consciente entre o pensamento e 
ação. 
 
Busque materiais e relatórios sobre a instituição onde realiza estágio. Pergunte a supervisora de campo 
onde pode encontrar as documentações (históricos, relatórios, levantamentos, pesquisas, estatísticas, 
programas e projetos da instituição e do Serviço Social). 
Caso não tenha material escrito, você pode perguntar a supervisora quem pode responder essas 
questões. E entrevistar alguém que tenha participado da fundação da instituição, ou que tenha essas 
informações porque teve a oportunidade de conhecer os fundadores. Você pode auxiliar no resgate da 
história e valorizar as pessoas de fundamental importância para existência do trabalho oferecido nos 
dias atuais. 
No segundo momento, busque as fontes onde possa realizar o levantamento das principais demandas 
apresentadas ao serviço social – procurando destacar qual o perfil da população quem procurar os 
serviços oferecidos (quantitativo de pessoas na família, formação educacional, faixa etária, sexo, local de 
moradia, se possui benefício ou está inserido em programa governamental, etc.). 
Anteriormente destacamos sobre a importância em estudar sobre o histórico da instituição onde realiza 
seu estágio. Se você já começou a estudar sobre o assunto, ótimo! Caso contrário, comece a organizar a 
história da instituição para o relatório de atividades do estágio. Em seguida, busque nas supervisões de 
estágio a identificar a população alvo dos serviços oferecidos pela instituição, bem como as demandas 
apresentadas pela mesma. É importante delimitar quais são as demandas que a instituição se propõe a 
trabalhar daquelas que aparecem no atendimento, mas não é objeto de trabalho da instituição, devendo 
ser encaminhadas para as instituições parceiras, seja pública ou privada. 
Nesta aula, você: 
Aprendeu que a leitura é um exercício primordial no aprendizado de uma profissão. 
Estudou sobre a importância da unidade entre a teoria e a prática, que esta não será obtida no serviço 
social apenas a partir de referencias teórico-metodológicas, mas tendo como base a qualidade das 
conexões que estabeleçam com a realidade objeto da ação profissional, o que passa por uma relação 
consciente entre o pensamento e ação. 
 
AULA 7: INSTRUMENTOS PARA A PRÁTICA PROFISSIONAL 
 
 
Premissa 
Esta aula tem como objetivo incentivar a reflexão sobre a instrumentalidade do Serviço Social, pois a 
pertinência em analisar o conjunto de fatores essenciais à aplicabilidade de cada instrumento é 
fundamental. 
 
Então muita atenção a partir de agora, leia com bastante atenção! 
 
Atenção 
É preciso prestar atenção na diferença entre instrumentalidade e instrumentos do Serviço Social. Ao final 
desta aula iremos relembrar alguns dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais como: 
observação participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, atividades em grupo, visita domiciliar e 
institucional. 
 
Instrumentalidade 
De acordo com Guerra (2005), a instrumentalidade é uma propriedade e/ou capacidade que a profissão vai 
adquirindo na medida em que concretiza seus objetivos. 
Ela possibilita que os profissionais objetivem sua intencionalidade em respostas profissionais. 
Ao alterarem o cotidiano profissional e o cotidiano das classes socais que demandam a sua intervenção, 
modificando as condições, os meios e os instrumentos existentes, e os convertendo em condições, meios e 
instrumentos para alcance dos objetivos profissionais, os assistentes sociais estão dando instrumentalidade 
ás suas ações. 
 
Ordem Instrumental 
Continua Guerra (2005) dizendo que se muitas das requisições da profissão são de ordem instrumental, 
exigindo respostas instrumentais, o exercício profissional não se restringe a elas. 
Com isso, queremos afirmar que reconhecer e atender ás requisições técnico-instrumentais da profissão 
não significa ser funcional á manutenção da ordem ou ao projeto burguês. Isto pode vir a ocorrer quando 
se reduz intervenção profissional à sua dimensão instrumental. Isto é necessário para garantir a eficiência e 
eficácia operatória da profissão. 
Porém, reduzir o fazer profissional à dimensão técnico-instrumental significa tornar o Serviço Social um 
meio para o alcance de qualquer finalidade. Significa também limitar as demandas profissionais às 
exigências do mercado de trabalho. É também equivocado pensar que para realizá-la o profissional possa 
prescindir de referências-teóricas e éticas-políticas. 
 
Definição de Instrumentalidade 
Então vamos parar um pouco para refletir sobre o que foi dito até agora: 
Guerra (2005) nos fala que todo trabalho social (e seus ramos de especialização — por ex. o Serviço Social) 
possui instrumentalidade, a qual é construída e reconstruída na trajetória das profissões pelos seus 
agentes. 
A instrumentalidade é um arcabouço de conhecimento sobre profissão, em especial o conhecimento 
adquirido e acumulado com a experiência de trabalho. Conhecimento alimentado ao dialogar com outros 
profissionais e experiências já vivenciadas. 
 
Guerra (2005) nos fala que todo trabalho social (e seus ramos de especialização — por ex. o Serviço Social) 
possui instrumentalidade, a qual é construída e reconstruída na trajetória das profissões pelos seus 
agentes. 
Esta condição inerente ao trabalho é dada pelos homens no processo de atendimento às necessidades 
materiais (comer, beber, dormir, procriar) e espirituais (relativas à mente, ao intelecto, ao espírito, à 
fantasia) suas e de outros homens. Avance para mais informações. 
 
Relação do homem com o trabalho 
Pelo processo de trabalho os homens transformam a realidade, transformam-se a si mesmoe aos outros 
homens. Assim, os homens reproduzem material e socialmente a própria sociedade. 
 
Neste âmbito, o processo de trabalho é compreendido como um conjunto de atividades prático-reflexivas 
voltadas para o alcance de finalidades, as quais dependem da existência, da adequação e da criação dos 
meios e das condições objetivas e subjetivas. Os homens utilizam ou transformam os meios e as condições 
sob as quais o trabalho se realiza modificando-os, adaptando-os e utilizando-os em seu próprio benefício, 
para o alcance de suas finalidades. 
As ações profissionais precisam estar conectadas a projetos profissionais aos quais subjazem referenciais 
teórico-metodológicos e princípios éticos-políticos. 
Assim, na realização das requisições que lhe são postas, a profissão necessita da interlocução com 
conhecimentos científicos. 
Tais conhecimentos têm sido incorporados pela profissão e particularizados na análise dos seus objetos de 
intervenção. Mas a profissão também tem produzido, através da pesquisa e da sua intervenção, 
conhecimentos sobre as dimensões constitutivas da questão social, sobre as estratégias capazes de 
orientar e instrumentalizar a ação profissional (dentre outros temas) e os tem partilhado com profissionais 
de diversas áreas. 
 
 
 
 
Desenvoltura do assistente social 
 
1. No cotidiano, como o espaço da instrumentalidade, imperam demandas de natureza instrumental. 
 
2. No exercício profissional, o assistente social constrói certo modo de fazer que lhe seja próprio e 
pelo qual a profissão torna-se reconhecida socialmente. Produz elementos novos que passam a fazer parte 
de um acervo cultural (re)construído pelo profissional e que se compõe de objetos, objetivos, princípios, 
valores, finalidades, orientações políticas, referencial técnico, teórico-metodológico, ídeo-cultural e 
estratégico, perfis de profissional, modos de operar, tipos de respostas; projetos profissionais e societários, 
racionalidades que se confrontam e direção social hegemônica, etc. 
 
3. Na escolha dos meios e instrumentos mais adequados somente podem ser pensadas a partir do 
acervo cultural que a profissão dispõe para orientar as escolhas técnicas, teóricas e ético-políticas. Tais 
escolhas implicam projetar tanto os resultados e meios de realização quanto às conseqüências. No âmbito 
profissional, não existem ações pessoais, as ações são públicas, ou seja, de responsabilidade do indivíduo 
como profissional e da categoria profissional como um todo. Para tanto, há que se ter conhecimento dos 
objetos, dos meios/instrumentos e dos resultados possíveis. 
 
Objetivos 
Expressar os objetivos que se quer alcançar não significa que eles necessariamente serão alcançados. 
Em outras palavras, os instrumentos e técnicas de intervenção não podem ser mais importantes que 
os objetivos da ação profissional. Se partirmos do pressuposto que cabe ao profissional apenas ter 
habilidade técnica de manusear um instrumento de trabalho, o Assistente Social perderá a dimensão 
do por que ele está utilizando determinado instrumento. Sua prática se torna mecânica, repetitiva, 
burocrática. 
 
Habilidades do assistente social – capacidade criativa 
Mais do que copiar e seguir manuais de instruções, o que se coloca para o Assistente Social hoje é sua 
capacidade criativa, o que inclui o potencial de utilizar instrumentos consagrados da profissão, mas 
também de criar outros tantos que possam produzir mudanças na realidade social. Assim, pensar a 
instrumentalidade do Serviço Social é pensar para além da “especificidade” da profissão: é pensar que 
são infinitas as possibilidades de intervenção profissional. Guerra (2005) resume, em poucas palavras, 
o sentido dessa reflexão: Aqui se coloca a necessidade de dominar um repertório de técnicas, legada 
do desenvolvimento das ciências sociais, fruto das pesquisas e do avanço tecnológico e patrimônio das 
profissões sociais (e não exclusividade de uma categoria profissional), mas também um conjunto de 
estratégias e táticas desenvolvidas, criadas e recriadas no processo histórico, no movimento da 
realidade. (GUERRA: 2005; p. 115-6) 
 
Sumário dos instrumentos de trabalho 
Bom, agora vamos ler mais um pouco sobre alguns instrumentos de trabalho que o 
Serviço Social mais utiliza no seu cotidiano profissional: 
 
OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE - Vamos começar pela observação participante, tema da aula passada. 
Apenas para relembrar, observar é muito mais do que ver ou olhar. Observar é estar atento, é 
direcionar o olhar. Em outras palavras, é preciso definir o que se quer observar, delimitar o objeto de 
estudo. E como esse conteúdo já foi trabalhado anteriormente, iremos dedicar a leitura para outro 
importante instrumento: a entrevista individual ou em grupo. 
 
 
 
ENTREVISTA - A entrevista é um diálogo, um processo de comunicação direta entre o Assistente Social 
e um usuário (entrevista individual), ou mais de um (entrevista grupal). 
 
Contudo, o que diferencia a entrevista de um diálogo comum são o fato de existir um entrevistador e 
um entrevistado, e um direcionamento quanto ao conteúdo a ser explorado. Leia mais! 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc01.pdf 
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A entrevista, como outros instrumentos, exige um rito para o seu desenvolvimento que chamaremos de etapas, 
sendo o planejamento, a primeira. Planejar significa organizar, dar clareza e precisão à própria ação; 
transformar a realidade numa direção escolhida; agir racional e intencionalmente; explicitar os fundamentos e 
realizar um conjunto orgânico de ações. Nesse sentido, é importante que o assistente social se organize para 
realizar a entrevista, considerando que sua ação esteja sustentada pelos eixos teórico, técnico e ético-político. O 
planejamento é uma mediação teórico-metodológica. Para tanto, o entrevistador tem de conhecer a política 
social para a qual se destina o trabalho da instituição; deve seguir a especificidade para a qual ela terá de 
responder. Assim, se for para a área da saúde, terá de conhecer as políticas de saúde direcionadas a 
determinado segmento da população (infância, adolescência, velhice, gênero) e a sua particularidade. Precisa 
conhecer também a instituição e o seu marco de referência. O segundo passo é estabelecer a finalidade da 
entrevista, os objetivos e o instrumento da coleta de dados. O papel de entrevistador que cabe ao Assistente 
Social coloca-lhe a tarefa de conduzir o diálogo, de direcionar para os objetivos que se pretendem alcançar. O 
terceiro é delimitar o horário e o espaço físico onde será realizada a entrevista, ou seja, um local que propicie a 
comunicação, o relacionamento e o respeito ao usuário. As informações colhidas servirão de subsídios para a 
avaliação das prioridades e definição das situações que, ao longo da(s) entrevista(s), serão questionadas e 
aprofundadas, tendo como referência os objetivos definidos anteriormente, ou (re)definidos no seu processo. É 
importante manter o processo de reflexão a fim de que o usuário possa processualmente elaborar os assuntos 
tratados na entrevista. A avaliação da(s) entrevista(s) é o momento de retomar os objetivos e as expectativas do 
usuário, revisão dos diferentes momentos e de planejamento conjunto de novas estratégias. É o momento 
também de organizar as idéias para o registro. 
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SISTEMATIZAÇÃO - A sistematização, ou seja, análise do material produzido ocorre posteriormente ao 
registro de várias entrevistas, cuja análise, com base em referenciais teóricos, deverá levar à produção 
de novos conhecimentos. Claro que existem mais conteúdos sobre a entrevista social, mas a partir da 
experiência de estágio o aluno se aproximará integrando teoria e prática. Riqueza do aprendizado. O 
aluno-estagiário pode buscar as leituras sobre o assunto, a partir das referências sugeridas, seja na 
Universidade, ou no processo de supervisão. 
 
DINÂMICA DE GRUPO - Outro importante instrumento é a dinâmica de grupo,descendente da Psicologia 
Social, a dinâmica de grupo surgiu como um instrumento de pesquisa do comportamento humano em 
pequenos grupos. Contudo, a dinâmica de grupo é um recurso que pode ser utilizado pelo Assistente Social 
em diferentes momentos de sua intervenção. Para levantar um debate sobre determinado tema com um 
número maior de usuários, bem como atender um maior número de pessoas que estejam vivenciando 
situações parecidas. E nunca é demais lembra que é o instrumento que se adapta aos objetivos 
profissionais – no caso, a dinâmica de grupo deve estar em consonância com as finalidades estabelecidas 
pelo profissional. 
No caso do Serviço Social, o Assistente Social age como um facilitador, um agente que provoca situações 
que levem à reflexão do grupo. Isso requer tanto habilidades teóricas (a escolha do tema e como ele será 
trabalhado), como uma postura política democrática (que deixa o grupo produzir), mas também uma 
necessidade de controle do processo de dinâmica – caso contrário, a dinâmica não alcança os objetivos 
principais, dentre estes, propiciarem a reflexão do grupo. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc01.pdf
VISITA DOMICILIAR - E ainda temos outro instrumento para estudar: a visita domiciliar. A visita domiciliar é 
um dos instrumentos que potencializa as condições de conhecimento do cotidiano dos sujeitos, no seu 
ambiente de convivência familiar e comunitária. Contudo, ela só se realizará efetivamente quando o 
profissional entender que é necessário e cabível para a situação social em que está intervindo, requerendo 
disponibilidade e habilidades específicas deste profissional. Leia mais! 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc02.pdf 
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A visita domiciliar não pode se tornar uma invasão de domicílio, ou privacidade. É preciso fazer dentro de um 
contexto ético, informando ao usuário a necessidade da realização da visita domiciliar. Não é um encontro informal e 
sem objetivo, ao contrário. É um ato profissional e com objetivos bem delimitados. Podem ocorrer situações do 
cotidiano daqueles sujeitos, que dificultem as condições ideais para uma entrevista com outro membro da família, 
pelo fato de estarem, muitas vezes em grupos em suas casas e essas, de modo geral, não terem a proteção 
necessária ao sigilo. O profissional, nesse sentido, precisa estar atento aos possíveis imprevistos e realizar a sua 
intervenção, sempre compreendendo a ética profissional. Torna-se importante que o profissional aceite as condições 
oferecidas pelos que o estão recebendo, não importando em que lugar irá sentar-se, ou até se tiver que ficar em pé, 
a visita poderá ser realizada. É preciso identificar a realidade exatamente como ela se apresenta, levando em conta 
as condições sociais e culturais daqueles sujeitos, sem interpretações que venham ao encontro de seus conceitos 
morais e culturais. É fundamental que o profissional ao se apresentar informe com clareza o objetivo da visita 
domiciliar, devendo limitar-se a buscar conhecer o que de fato é importante para obtenção dos elementos 
necessários à análise da situação. A experiência profissional demonstra que se o profissional tiver uma postura 
respeitosa, de não-intimidação, a receptividade por parte dos sujeitos será muito maior, assim como sua 
participação. Atenção ao que vou dizer agora: A visita domiciliar se constitui em um instrumento, que por si só não 
se caracteriza em uma técnica. Para a utilização desta ferramenta se faz necessário o emprego de duas técnicas 
fundamentais, que são a entrevista e/ou a observação. Então a visita domiciliar é uma atividade sempre 
complementar a outra técnica instrumental, visando buscar dimensões e informações não alcançadas até o 
momento. 
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VISITA INSTITUCIONAL - Mas talvez vocês já tenham escutado falar sobre visita institucional – que possui 
outra natureza. Vamos então ler mais um pouco para entender do que se trata esta última. Assim como a 
visita domiciliar, aqui se fala de quando o Assistente Social realiza visita a instituições de diversas naturezas 
– entidades públicas, empresas, ONGs etc. Muitas podem ser os motivos para que o Assistente Social 
realize uma visita institucional, vejamos alguns... 
 Quando o Assistente Social está trabalhando em uma determinada situação singular, e resolve visitar uma 
instituição com a qual o usuário mantém alguma espécie de vínculo. 
 Quando o Assistente Social quer conhecer um determinado trabalho desenvolvido por uma instituição. 
 
EM SÍNTESE... 
O estudo realizado até o momento é para dizer que não é possível pensar um instrumento de trabalho 
como se ele pudesse ser mais importante do que os objetivos do Assistente Social. 
O instrumental é o resultado da capacidade criativa e da compreensão da realidade social, para que alguma 
intervenção possa ser realizada com o mínimo de eficácia, responsabilidade e competência profissional. 
Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o Serviço Social como totalidade 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula07_doc02.pdf
constituída de múltiplas dimensões: técnico-instrumental, teórico-intelectual, ético-política e formativa 
(Guerra, 2005), e a instrumentalidade como uma particularidade e como tal, campo de mediações que 
porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo qual as mesmas 
traduzem-se em respostas profissionais. 
 
No primeiro caso a instrumentalidade articula as dimensões da profissão e é a síntese das mesmas. No 
segundo, ela possibilita a passagem dos referencias técnicos, teóricos, valorativos e políticos e sua 
concretização, de modo que estes se traduzem em ações profissionais, em estratégias políticas, em 
instrumentos. Técnico-operativos. 
Em outros termos, ela permite que os sujeitos, em face de sua intencionalidade, invistam na criação e 
articulação dos meios e instrumentos necessários à consecução das suas finalidades profissionais. 
 
Conclusão, por Guerra (2005) 
Assim, finalizamos a aula com a contribuição do autor, que diz: 
“Pela instrumentalidade da profissão, pela condição e capacidade de o Serviço Social operar 
transformações, alterações nos objetos e nas condições (meios e instrumentos), visando alcançar seus 
objetivos, vão passando elementos progressistas, emancipatórios, próprios da razão dialética. 
Pressionando a profissão, tais forças progressistas (internas e externas) permitem que a profissão reveja 
seus fundamentos e suas legitimidades, questione sua funcionalidade e instrumentalidade, o que permite 
uma ampliação das bases sobre as quais sua instrumentalidade se desenvolve”. 
 
Exercício 
Procure reservar um tempo no estágio supervisionado para observar uma entrevista social, depois busque 
compreender o sentido de cada pergunta feita aos usuários. Lembra se que não é conveniente perguntar 
algo que não será útil. As perguntas são formuladas para trazer dados que possam contribuir nas respostas 
as demandas sociais. 
Nesta aula, você: 
Aprendeu que é fundamental analisar o conjunto de fatores essenciais a aplicabilidade de cada 
instrumento. 
Aprendeu que é preciso prestar atenção na diferença entre instrumentalidade e instrumentos do Serviço 
Social. 
Relembrou alguns dos principais instrumentos utilizados pelo Serviço Social, tais como: observação 
participante, escuta atenta (diálogo), entrevista, atividades em grupo, visita domiciliar e institucional. 
 
 
 
 
 
AULA 8: O TRABALHO MULTIPROFISSIONAL, INTERDISCIPLINAR E 
TRANSDISCIPLINARIEDADE NO COTIDIANO PROFISSIONAL. 
 
PREMISSA 
O tema da aula é sobre a consideração que os profissionais das mais diversas áreas devem ter com relação 
ao conhecimento produzido pelas categorias de trabalho diferentes. 
É fundamental dialogar com o conhecimento produzido pelas diversas áreas de trabalho, seja a Pedagogia, 
o Direito, a Saúde, etc. E principalmente, valorizaro aprendizado em conjunto, com o colega de trabalho 
ou estágio de outra área de atuação. Aquele quem pode apontar um ângulo diferente da situação 
apresentada, ampliar a leitura do contexto vivenciado na experiência de estágio. 
 
Vamos estudar sobre o trabalho multiprofissional, interdisciplinar e transdisciplinaridade no cotidiano 
profissional. Precisamos observar essas diferenciações na vivência de estágio supervisionado. 
Tenha a iniciativa em pedir auxilio a supervisora de campo para aprender a identificar tais experiências de 
trabalho com profissionais das mais diferentes áreas de atuação e conhecimento. 
 
INFLUÊNCIAS NO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL 
O assistente social, como qualquer outro trabalhador, tem o seu processo de trabalho influenciado por 
diferentes atores e determinado por contexto econômico e político, pelas diferentes organizações 
institucionais, pelas diferenças geográficas e culturais e pelas atuações exercidas pela sociedade civil e do 
Estado. Mediante a essa constatação, a pergunta que se faz é: 
 
COMO UMA ÁREA DE CONHECIMENTO, SOZINHA, PODE REALIZAR A LEITURA NECESSÁRIA A PRODUÇÃO DE 
POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS DO COTIDIANO? 
 
Claro que é impossível dar conta de tudo e todos. Então a proposta é buscar o diálogo com diversos 
conhecimentos para ampliar a visão sobre uma questão profissional. 
 
Tenha a iniciativa em pedir auxilio a supervisora de campo para aprender a identificar tais experiências de 
trabalho com profissionais das mais diferentes áreas de atuação e conhecimento. 
 
CONCEITOS, POR JANTSCH 
No entanto, antes de prossegurimos com os estudos, é preciso auxiliar a compreensão dos conceitos. E 
para isso iremos expor o conteúdo de Jantsch (1972) exposto por Morão (1997, 140) 
 
MULTIDISCIPLINARIEDADE 
Gama de disciplina que propomos, simultaneamente, mas sem fazer aparecer às relações existentes entre 
elas. Pode ser visualidade nas práticas ambulatoriais, em geral sem cooperação e troca de informações 
entre si, a não ser um sistema de referência e contra-referência dos clientes, com uma coordenação 
apenas administrativa. 
 
PLURIDISCIPLINARIEDADE 
Justaposição de diversas disciplinas situadas geralmente no mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo 
a fazer aparecer às relações existentes entre elas. 
 
INTERDISCIPLINARIEDADE 
Axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas, definida no nível hierarquicamente superior, 
introduzindo a noção de finalidade, tendendo (mas não necessariamente) para a criação de campo de 
saber ‘autônomo’. 
 
TRANSDISCIPLINARIEDADE 
Coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas do campo, sobre a base de uma axiomática geral 
compartilhada; criação de campo com autonomia teórica, disciplinar ou operativa próprias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc01.pdf 
 
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MAS O QUE SIGNIFICA TRANSDISCIPLINARIDADE? 
 
A transdisciplinaridade surge como possibilidade para o alargamento da compreensão do real, ampliando a 
visão sobre o mundo, ou seja, sobre o objeto de estudo. 
 
O aprendizado reside em aprender a dialogar com os diferentes conhecimentos, problematizar o contexto, 
articulando todo o saber à vida; a necessidade de realizar uma linha de pensamento capaz de promover a 
cultura de uma consciência humanitária que se funde na capacidade de integração entre a vida, a conduta 
e o conhecimento. A transdisciplinaridade nasceu frente à necessidade em promover o diálogo entre 
diferentes campos de saber sem impor o domínio de uns sobre os outros, a partir de uma postura ética, 
recíproca e democrática. 
 
VAMOS VOLTAR AOS CONCEITOS! 
Para auxiliar no entendimento sobre os conceitos utilizamos o material de Rodrigues (2011). 
O importante é entender que é preciso se aproximar do conhecimento das diferentes áreas, sem 
preconceito, então é preciso ler, ouvir, observar e dialogar com o diferente para ampliar a visão do 
contexto. No entanto, isso não garantirá a resposta para tudo, mas certamente aumentará o rol de 
propostas de intervenção… 
 
RODRIGUES (2011) - “A transdisciplinaridade é diferente da multidisciplinaridade e da interdisicplinaridade. A 
multidisciplinaridade ou pluridisciplinaridade trata do estudo de um mesmo objeto por várias disciplinas; não há 
necessidade de integração entre elas uma vez que cada qual concorre com seus conhecimentos específicos no 
estudo de determinado assunto, podendo no máximo, resultar em certa organicidade de apresentação dos 
resultados ou de contribuições. São visíveis os níveis de cooperação das diferentes disciplinas e, também, a 
peculiaridade produzida pela conseqüente orientação dos conhecimentos envolvidos naquele estudo. A 
interdisciplinaridade, diferentemente da pluri ou multidisciplinaridade, promove a troca de informações e de 
conhecimentos entre disciplinas, mas, fundamentalmente, transfere métodos de uma disciplina para outras. Por 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc01.pdf
exemplo: os métodos da física nuclear podem auxiliar na cura do câncer, na engenharia de alimentos ou de 
remédios, etc.. Corresponde a um espectro mais ampliado de ação, alcançando um processo de interação entre 
disciplinas capaz de promover a conjugação de conhecimentos que elevem os níveis de saber. A interdisciplinaridade 
possibilita não só a fecunda interlocução entre as áreas do conhecimento como também constitui uma estratégia 
importante para que elas não se estreitem nem se cristalizem no interior de seus respectivos domínios; favorece o 
alargamento e a flexibilização dos conhecimentos disponibilizando-os em novos horizontes do saber. É 
compreendida como método, técnica didática, instrumento de ação, mas principalmente, (...) como postura 
profissional que permite se puser a transitar o 'espaço da diferença' com sentido de busca, de desvelamento da 
pluralidade de ângulos que um determinado objeto investigado é capaz de 1 proporcionar, que uma determinada 
realidade é capaz de gerar, que diferentes formas de abordar o real podem trazer. (...) A perspectiva interdisciplinar 
não fere a especificidade das profissões e tampouco seus campos de especialidade. Muito pelo contrário, requer a 
originalidade e a diversidade dos conhecimentos que produzem e sistematizam acerca de determinado objeto, de 
determinada prática, permitindo a pluralidade de contribuições para compreensões mais consistentes deste mesmo 
objeto, desta mesma prática. Sob este ângulo, a interdisciplinaridade não pretende a unidade de conhecimentos, 
mas a parceria e a mediação dos conhecimentos parcelares, na criação de saberes.” 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc02.pdf 
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DIALOGAR – A transdisciplinaridade pressupõe o exercício do diálogo, o desenvolvimento da escuta para se 
aproximar do que se passa em outras áreas do conhecimento, pois é impossível saber-se tudo sobre o 
objeto de investigação ou observação. 
 
INTERVENÇÃO – A transdisciplinaridade nos convida a uma aproximação sobre os saberes produzidos, 
desvelando os valores que os mantêm, o modo de praticá-los, questionando o fazer profissional; utilizando 
este aprendizado como experiência fundamental na reorientação de ações e valores. Cabe um exercício 
crítico entre pensamento, ação, experiência, diferença, valores. 
 
Alguns princípios são bem-vindos neste campo de reflexão: assumir uma postura crítica, uma atitude 
responsável e ética, principalmente considerando a diferença como fator enriquecer no processo de 
aprendizado. 
Leia mais! - Sobre a possibilidade do crescimento e aprendizado, Rodrigues aponta que: “A questão não está em 
superar as fronteiras que existem entre as disciplinas, mas em transformar o que gera as fronteiras. As disciplinas 
precisam reassumir os sujeitos sociais (em contraposiçãoà exclusão do sujeito) em sua integralidade; não eliminar 
de seu pensamento, de sua episteme, a alma, o conteúdo, as emoções, o sofrimento; não eliminar o vivente.” 
Baptista (1998, 110) reconhece o Serviço Social como profissão que se refaz e se reconstrói nas relações com a 
sociedade, “(...) muito embora nesse processo, não supere os limites das relações postas pelo capitalismo, uma vez 
que a própria sociedade não os supera. Nesse processo de construção, as ações individuais dos profissionais podem 
assumir dimensões de síntese – resultante do processo coletivo de elaboração de conhecimentos e práticas 
desenvolvidas pela categoria – e de criação de novas propostas e de novos conhecimentos (...). A experiência é 
submetida a uma seletividade que determina o que deve ser retido e o que deve ser “esquecido”, o que deve ser 
objetivado, conservado e acumulado, constituindo-se o acervo de conhecimentos da formação profissional”. Para a 
autora, “(...) o espaço privilegiado da intervenção profissional é o cotidiano, o ‘mundo da vida’, o ‘todo dia’ do 
trabalho que se revela no ambiente do qual emergem exigências imediatas e esforços para satisfazê-las, lançando 
mão de diferentes meios e instrumentos de ação.” (1998,111). A construção do saber do profissional, tendo como 
horizonte a intervenção, inclui um tríplice movimento: 1 (...) de crítica, de construção de um conhecimento novo e 
de nova síntese no plano do conhecimento e da ação, em um movimento que vai do particular para o universal e 
retorna ao particular em outro patamar, desenhando um movimento em espiral de relação ação/conhecimento. 
(1998, p.113). Baptista (1998) coloca que na prática profissional, as mediações entre a elaboração teórica, a projeção 
e a intervenção se dão de maneira complexa: têm de responder a questões muito concretas, sócio-econômicas e 
políticas de uma sociedade extremamente diversificada, colocando-se diante de problemas muito específicos. Frente 
a essa colocação, primordial uma postura de diálogo com as diferentes áreas de conhecimento, e entre os próprios 
profissionais de diversas formações. E Baptista (1998), contribui nesta reflexão ao dizer que o profissional, na sua 
forma particular de conhecimento voltado para a prática, ao conhecer a realidade vai construindo no pensamento, 
um projeto de ação, vai emergindo uma maneira particular de ver problemas e construir soluções lançando mão do 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc02.pdf
desenvolvimento teórico e de aplicações técnicas. O modo como o profissional faz isso determina a relação que ele 
estabelece com a teoria. Mas alerta que a apreensão desses conhecimentos não poderá ser feita de maneira 
“mecânica, eles precisarão ser reelaborados, resgatando o que estes estudos avançaram, superando seus limites, 
criando criticamente um conhecimento novo à luz de uma teoria social”. (p.113). Ao terminar suas reflexões evoca 
um desafio ao Serviço Social: análise e aprofundamento das propostas teóricas com a preocupação de construir 
bases operativas que permitam uma intervenção crítica. Nesse contexto, mostraram-se cada vez mais necessários os 
diálogos cada vez mais amplos entre as disciplinas e entre os saberes. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc03.pdf 
 
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DIÁLOGOS 
O exercício do diálogo é fundamental para a promoção da troca de experiências. Esse tipo de diálogo é 
abordado pelas teorias ligadas à cultura e ao desenvolvimento do trabalho em equipe. Normalmente, esse 
conhecimento compartilhado acontece quando: 
1. Ocorre diálogo frequente e comunicação “face a face”; a partir de discussão de casos ou reuniões 
visando o estudo de um objeto delimitado. 
2. Falas, insights e intuições são valorizados, disseminados e analisados (discutidos) sob várias 
perspectivas (por grupos heterogêneos) para que se possa fazer uma triagem do que realmente 
valerá se debruçar a partir de um olhar investigativo. 
3. É preciso valorizar o trabalho do outro, a partir de uma postura de quem está em busca do 
aprendizado. 
 
TROCA DE “BAGAGENS” 
 
ntervenção se realiza “face a face”, como antes colocado. 
 
Mas também a partir das leituras bibliográficas pertencentes às diversas áreas do conhecimento e temas, a 
saber: psicologia, educação, economia, administração, direito, etc. 
A leitura será selecionada a partida da experiência de trabalho (ou estágio) vivenciada. 
 
EXEMPLO - Por exemplo, se o estágio está ocorrendo no espaço do judiciário, então é sugestiva a leitura de 
textos relacionados à área do direito em busca de conhecimento acumulado nesta área. 
 
Nesta aula, você: 
aprendeu que o ponto fundamental da discussão é sobre a consideração que os profissionais das mais diversas 
áreas devem ter com relação ao conhecimento produzido pelas categorias de trabalho diferentes. É fundamental 
dialogar com o conhecimento produzido pelas diversas áreas de trabalho, seja a Pedagogia, o Direito, a Saúde, 
etc. E principalmente, valorizar o aprendizado em conjunto, com o colega de trabalho ou estágio de outra área de 
atuação. 
 
 
AULA 9: O PROCESSO DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL 
 
 
Introdução 
 
O Serviço Social é trabalho, portanto, possui elementos constitutivos do processo de trabalho: 
 
1. Matéria-prima (objeto de trabalho); 
2. Meios (instrumentos); 
3. Produtos (resultados). 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula08_doc03.pdf
Parte desta discussão foi realizada ao longo desta (e de outras) disciplinas. 
 
A discussão sobre processo de trabalho no serviço social remete aos seguintes questionamentos 
(dentro do espaço de trabalho): 
 
1. Como e por quem é planejado o processo de trabalho do serviço social? 
2. Quem gerencia o trabalho do serviço social? 
3. Quais são as frentes de atuação do serviço social? 
4. Quais os principais instrumentos de trabalho? 
5. Quais os principais objetivos? 
6. Quais os principais objetos? 
7. Quais as principais demandas ao serviço social? 
8. Quais os principais produtos do trabalho do Serviço social? 
9. Qual o referencial teórico metodológico (base intelectual)? 
 
Esses questionamentos são direcionadores para compreensão do processo de trabalho do 
Serviço Social. Mas como acontece em toda profissão, há profissionais que estão apenas 
executando, sem delimitar os instrumentos, apenas reproduzindo ações realizadas 
anteriormente. 
 
Outros apenas gerenciam, mas pouco se aproximam daqueles que executam, para compreender 
o sentido do trabalho. E ainda existem aqueles que não conseguem perceber o resultado, o 
trabalho realizado (produto) dado à fragmentação da prática profissional. Neste sentido, a 
importância em analisar os elementos constitutivos da profissão. 
 
A MATÉRIA-PRIMA 
 
A matéria-prima ou objeto num processo de trabalho ao qual o serviço social se encontra inserido será 
delimitada a partir da própria experiência de trabalho. Esta matéria-prima aparece camuflada da sua 
realidade. Os fatos se apresentam fragmentados, exigindo uma intervenção profissional. Para tanto, 
podemos compreender que a matéria-prima da profissão aparece primeiramente no campo da 
singularidade, e necessita ser delimitada, estudada. 
 
INSTRUMENTOS DE TRABALHO 
Os meios ou instrumentos de trabalho são utilizados pelo assistente social na estratégia de realização do 
trabalho do profissional. Estes meios ou instrumentos podem estar ao alcance ou alienado ao profissional, 
que deve criar caminhos para superar os limites e ampliar as possibilidades de ação profissional. 
 
Instrumentos não consistem somente em técnicas, como visitas, reuniões e relatórios, pois afirmar isto é 
desqualificar o trabalho do assistente social. Ao estudar uma profissão, seja qual for, aprendemos que os 
instrumentos são utilizados e selecionados visando o alcance de objetivos. 
 
Para isso existe a faculdade, o profissional recebe uma formação que o habilita em uma determinada área 
de conhecimento e atuação,ou seja, responsável pelo discurso e ações profissionais. Aprendendo 
organizar o seu próprio fazer profissional, e delimitando os instrumentos necessários para atingir os 
objetivos propostos. 
A competência política e teórico-metodológica é a base para delimitar as possibilidades da prática 
profissional, a instrumentalização da prática profissional deve superar o sentido apenas operacional que 
vem sendo colocado e reforçado, historicamente. 
 
O instrumental mobilizado no processo de trabalho do serviço social se relaciona diretamente como o 
aporte teórico-metodológico. Uma separação destes acaba se desdobrando em ações com pouca 
efetividade e resultado, pragmática. A autonomia, a conquista de espaços, o saber se posicionar, o 
desenvolvimento de habilidades, a criação de estratégias, o aprimoramento intelectual e o conhecimento 
teórico-metodológico são exemplos de meios/instrumentos utilizados pelo profissional, na perspectiva de 
uma intervenção transformadora. 
 
A especificidade (o objeto de intervenção da profissão) é campo de ação profissional e esta intervenção 
necessita de instrumentalidade: técnicas, instrumentos, estratégias. Sem esta instrumentalidade não há 
possibilidades de uma intervenção profissional transformadora, tendo em vista que a apropriação da 
instrumentalidade possibilitará a criação de espaços de potencialidades. Isso quer dizer que o profissional 
deve saber por que estão escolhendo um determinado instrumento, outros não. É preciso justificar os 
instrumentos mais adequados a transformação da matéria prima, ou objeto de intervenção 
 
O objetivo consiste em um elemento constitutivo do processo de trabalho. Este elemento no trabalho do 
assistente social está relacionado a direcionamento profissional. Não é possível intervir na realidade se não 
há uma diretriz norteadora que indique princípios e objetivos da intervenção profissional. Sem a finalidade, 
a intervenção se reduz às demandas institucionais e não traz transformação efetiva à vida dos sujeitos. 
 
Todo o trabalho profissional resultará num produto, isto é, ações que tenham impacto, que mudem a realidade e 
tenham continuidade através do tempo e do espaço. Mas devemos refletir sobre os diversos espaços sócio-
ocupacionais ou institucionais, que trabalham os assistentes sociais, isto é, com demandas/objetos institucionais 
igualmente diversificados. 
 
 A Questão Social como objeto da profissão Serviço Social leva assistentes sociais a diversos espaços profissionais. É 
necessário, portanto, articular os fundamentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico-operativos e 
consolidar a identidade profissional nestes espaços, a partir da finalidade, objeto e objetivos da profissão Serviço 
Social. 
 
AGORA MUITA ATENÇÃO! 
 
Como a questão social se configura naquela instituição ou naquele espaço 
sócio-ocupacional (onde você realiza seu estágio curricular)? 
A busca da resposta é o desafio em compreender o processo de trabalho do Serviço Social atrelado a uma 
determinada área de atuação, seja na Saúde, Judiciário, Assistência Social, Empresa, etc. 
 
O CONHECIMENTO 
Considerando os diversos espaços sócios ocupacionais, devemos apoiar as pesquisas e os projetos que 
favoreçam o conhecimento do modo de vida e de trabalho, as expressões culturais, da população atendida, 
construindo um acervo de dados sobre os sujeitos e as expressões da questão social. 
 
O conhecimento sistematizado dos processos sociais e sobre o modo de vida dos indivíduos poderá 
alimentar ações inovadoras, capazes de resultar no atendimento as reais necessidades sociais da 
população atendida, alvos das ações institucionais. 
 
Esse conhecimento é indispensável para promover a consciência crítica e uma cultura pública democrática 
para além das ideologias difundidas, particularmente pela mídia. 
Isso demanda estratégias técnicas e políticas no campo da comunicação social – no emprego da linguagem 
escrita, oral e midiática –, para o desenvolvimento de ações coletivas que possibilitem propostas 
profissionais para além das demandas instituídas. 
 
O mundo atual solicita um perfil de profissional culto, crítico e capaz de formular, recriar e avaliar 
propostas que colaborem para a progressiva democratização das relações sociais. Exige-se compromisso 
ético-político com os valores democráticos e competência teórico-metodológica na teoria crítica, em sua 
lógica de compreensão da vida social. Esses elementos, aliados à pesquisa da realidade, possibilitam 
desvendar as situações particulares com que se defronta o assistente social no seu trabalho, de modo a 
conectá-las aos processos sociais macroscópicos que as geram e as modificam. 
 
------------------------- 
Leia com toda atenção o parágrafo a seguir! “O trabalho dos assistentes sociais não se desenvolve 
independentemente das circunstâncias históricas e sociais que o determinam, de fato”. A inserção do Serviço Social 
nos diversos processos de trabalho encontra-se profunda e particularmente enraizado na forma como a sociedade 
brasileira e os estabelecimentos empregadores do Serviço Social recortam e fragmentam as próprias necessidades 
do ser social e a partir desse processo como organizam seus objetivos institucionais que se voltam à intervenção 
sobre essas necessidades. (Mota, 306, 2007). 
É preciso, ainda, que o profissional desenvolva um instrumental técnico-operativo, capaz de potencializar as ações 
nos níveis de assessoria, planejamento, negociação, pesquisa e ação direta, incentivadora da participação dos 
sujeitos sociais nas decisões que lhes dizem respeito. Para Iamamoto (2007), um desafio é romper as unilateralidades 
presentes nas leituras do trabalho do assistente social com vieses ora fatalistas, ora messiânicos, tal como se 
constata no cotidiano profissional (Iamamoto, 1992ª). As primeiras superestimarem a força e a lógica do comando 
do capital no processo de (re) produção, submergindo a possibilidade dos sujeitos de atribuírem direção às suas 
atividades. Com sinal trocando, no viés voluntarista, a tendência é silenciar ou subestimar os determinantes 
histórico-estruturais objetivos que atravessam o exercício de uma profissão, deslocando a ênfase para a vontade 
política do coletivo profissional, que possa a ser superestimada, correndo-se o risco de diluir a profissionalização na 
militância stricto sensu. E prossegue a referida autora nos dizendo que: 
 
---------------- “O outro desafio é participar de um empreendimento coletivo, que permita, de fato, trazer, para o 
centro do debate, o exercício e/ ou trabalho cotidiano do assistente social, como uma questão central da agenda da 
pesquisa e da produção acadêmica dessa área. O esforço, aqui anunciado, está voltado para atribuir transparência 
aos processos e formas pelos quais o trabalho do assistente social é impregnado pela sociabilidade da sociedade do 
capital, elucidando sua funcionalidade e, simultaneamente, o potencial que dispõe para impulsionar a luta por 
direitos e a democracia em todos os poros da vida social; potencial esse derivado das contradições presentes nas 
relações sociais, do peso político dos interesses em jogo e do posicionamento teórico-prático dos sujeitos 
profissionais ante os projetos societários (p.417, 2007)--------------- 
 
Assim devemos considerar a contribuição de Iamamoto (2007) que nos fala ainda que os assistentes sociais, no 
mínimo devem: 
a) Conhecer a realidade sobre a qual operam, nas suas particularidades e singularidades; b) Desnudar, avaliar, 
criticar e denunciar a proposta neoliberal no sentido de propor políticas alternativas que excluam qualquer aliança 
com essa proposta o que implica que os assistentes sociais aprofundam seu nível de articulação interna (organização 
profissional) e externa (articulação e alianças com outros profissionais, trabalhadores e com os diferentes segmentos 
que demandam a ação profissional); c) Determinar objetivos profissionais exequíveis – o que só pode vir como 
consequênciada apreensão do movimento da realidade social – garantindo, ampliando e facilitando o acesso de 
crescentes continentes populacionais aos direitos sociais; d) Qualificar as práticas operativas, garantindo um padrão 
mínimo de eficiência do conhecimento técnicooperativo. 
 
Iamamoto (2007) nos diz que o profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e 
implementando proposta para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de 
organização da sociedade civil e movimentos sociais. Profissional dotado de formação intelectual e cultural 
generalista crítica, competente em sua área de desempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no 
conjunto das relações e no mercado de trabalho. Profissional comprometido com os valores e princípios norteadores 
do Código de Ética do Assistente Social do Assistente Social. 
 
Então destacamos a seguinte reflexão: “As transformações ocorridas na sociedade, às mudanças nas relações de 
trabalho através do fim de antigas funções, surgimento de novas demandas, atribuições e espaços ocupacionais e 
requisitos novos para a qualificação dos trabalhadores especializados, em especial do assistente social determinam 
reflexões e novas propostas para garantir a autonomia e respeito ao projeto ético-político do Serviço Social” (p.431) 
Voltando a discussão da formação profissional, considerando as diretrizes curriculares, torna-se indispensável ao 
trabalho do Assistente Social: 
 • Fomentar a apreensão crítica dos processos sociais numa perspectiva de totalidade; • Instigar a análise do 
movimento histórico da sociedade brasileira, apreendendo as particularidades do desenvolvimento do capitalismo 
no país e situando o Serviço Social nestas relações sociais; 
 • Fortalecer os valores e princípios legitimados no Código de Ética profissional, exercitando a vivência da cidadania, 
democracia e participação política; 
• Garantir a compreensão do significado social da profissão e de seu desenvolvimento sócio histórico nos cenários 
internacional e nacional, desvelando as possibilidades de ação contidas na realidade; 
• Possibilitar a identificação das demandas presentes na sociedade, tradicionais e emergentes, visando formular 
respostas profissionais para o enfrentamento da questão social, considerando as novas articulações entre o público e 
o privado; 
• Consolidar o entendimento da prática profissional como trabalho socialmente determinado, de modo que o 
assistente social se reconheça como trabalhador assalariado. As modificações societárias demandam uma proposta 
de aprendizado contínuo por compreendermos que a estudo e aprimoramento profissional são pontos básicos para 
o processo de ensino-aprendizagem e contribuem sobremaneira para a realização da relação teoria-prática dos 
assistentes sociais, observando os nexos entre os conhecimentos do Serviço Social e a realidade da prática 
profissional na sua aproximação com a demanda, com a instituição e com a realidade social, assim como, soma para 
o processo de desenvolvimento das habilidades técnico-operacionais fundamentais à prática profissional, 
objetivando o atendimento das demandas frente à realidade social e as possibilidades de enfrentamento às questões 
sociais que surgem no dia-a-dia de trabalho. 
 
Voltaremos ao questionamento! 
Como a Questão Social se configura naquela instituição ou naquele espaço sócio ocupacional (onde você realiza seu 
estágio curricular)? A busca da resposta é o desafio em compreender o processo de trabalho do Serviço Social 
atrelado a uma determinada área de atuação, seja na Saúde, Judiciário, Assistência Social, Empresa, etc. A partir do 
texto disponibilizado e registrado no ícone “aprenda mais”, sobre os espaços sócio ocupacionais do assistente social, 
Iamamoto nos diz que as alterações verificadas nos espaços ocupacionais do assistente social têm raízes nesses 
processos sociais, historicamente datados, expressando tanto a dinâmica da acumulação, sob a prevalência de 
diversos interesses, quanto à composição do poder político e a correlação de forças no seu âmbito, capturando os 
Estado Nacionais, com resultados regressivos no âmbito da conquista e usufruto dos direitos para o universo dos 
trabalhadores. Mas os espaços ocupacionais refratam ainda as particulares condições e relações de trabalho 
prevalentes na sociedade brasileira nesses tempos de profunda alteração da base técnica da produção com a 
informática, a biotecnologia, a robótica e outras inovações tecnológicas e organizacionais, que potenciam a 
produtividade e a intensificação do trabalho. É esse solo histórico movente que atribui novos contornos ao mercado 
profissional de trabalho, diversificando os espaços ocupacionais e fazendo emergir inéditas requisições e demandas a 
esse profissional, novas habilidades, competências e atribuições. Mas ele impõe também específicas exigências de 
capacitação acadêmica que permitam atribuir transparências às brumas ideológicas que encobrem os processos 
sociais e alimentem um direcionamento ético-político e técnico ao trabalho do assistente social capaz de impulsionar 
o fortalecimento da luta contra hegemônica comprometida com o universo do trabalho. 
 
 Em outro momento (IAMAMOTO, 1992), a autora salienta que o espaço profissional é um produto histórico, Em 
outro momento (IAMAMOTO, 1992), diz que o espaço profissional é um produto histórico, condicionado tanto: a) 
pelo nível de luta pela hegemonia que se estabelece entre as classes fundamentais e suas respectivas alianças; b) 
pelo tipo de respostas teórico-práticas densas de conteúdo político dadas pela categoria profissional. Essa afirmativa 
fundava-se no reconhecimento de ser o trabalho profissional tanto resultante da história quanto dos agentes que a 
ele se dedicam. Se a correlação de forças entre as classes e grupos sociais cria, nas várias conjunturas, limites e 
possibilidades em que o profissional pode se mover, suas respostas se forjam a partir das marcas que perfilam a 
profissão na sua trajetória, da capacidade de análise da realidade acumulada, de sua capacitação técnica e política 
em sintonia com os novos tempos. 
 
 
 Assim o espaço profissional não pode ser tratado exclusivamente na ótica da demandas já consolidadas socialmente, 
sendo necessário, a partir de um distanciamento crítico do panorama ocupacional, apropriar-se das demandas 
potenciais que se abrem historicamente à profissão no curso da realidade. Orientar o trabalho nos rumos aludidos 
requisita um perfil de profissional culto, crítico e capaz de formular, recriar e avaliar propostas que apontem para a 
progressiva democratização das relações sociais. Exige-se, para tanto, compromisso ético-político com os valores 
democráticos e competência teórico-metodológica na teoria crítica, em sua lógica. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula09_doc01.pdf 
--------------- 
Após a realização da 9ª aula e dos exercícios de registro de frequência, faça a leitura do texto disponibilizado na 
internet. 
Iamamoto, Marilda. Os espaços sócios ocupacionais. 
Nesta aula, você: 
Estudou sobre o processo de trabalho do Serviço Social, considerando os diferentes espaços sócios ocupacionais e 
suas especificidades. 
Reconheceu a necessidade em delimitar um objetivo a ser alcançado, isto é, em identificar as finalidades das ações 
profissionais para que se possam reconhecer os resultados. 
 
 
 
AULA 10: SISTEMATIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 
 
Premissa 
A aula de hoje é sobre a importância em se organizar profissionalmente para se garantir a qualidade na 
prática profissional, considerando a dinâmica de sistematização da prática profissional 
 
O Serviço Social, que exige uma formação de nível superior para ser exercido, construiu ao longo da 
história um conjunto de procedimentos de registro, monitoramento e avaliação das práticas 
profissionais. E todo material de registro é necessário para subsidiar pesquisas analíticas, visandoo 
aperfeiçoamento das ações desempenhadas. No entanto, Teixeira (2007) nos diz que: 
“Esta regularidade, contudo, esteve longe de sedimentar uma postura que atravessasse a história do 
Serviço Social com a mesma intensidade e relevância. Da mesma forma, esteve muito distante dos 
processos de demarcação de preocupações investigativas que requeressem a mobilização e o domínio de 
um conjunto razoável de instrumentos e aportes teórico-metodológicos, tal como ocorre entre os 
profissionais pesquisadores das diversas áreas das chamadas ciências sociais. Concluindo, não conseguiu, 
contudo, o Serviço Social forjar uma cultura profissional que se alimentasse diretamente, ou que 
indicasse um papel de destaque, às atividades investigativas, particularmente aos processos de 
sistematização do seu trabalho, tomado integral ou parcialmente segundo um variado leque de enfoques 
(p.400).” 
A PROFISSÃO 
O Serviço Social enquanto profissão precisa construir continuadamente procedimentos de 
sistematização de suas atividades profissionais, considerando os instrumentos até então construídos e as 
orientações acadêmicas sobre o assunto. Os registros não podem se tornar atividades burocráticas sem 
finalidade. É preciso considerar o registro em suas diversas formas no processo de avaliação e reflexão 
sobre o seu próprio trabalho. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula09_doc01.pdf
http://xa.yimg.com/kq/groups/15556754/965251170/name/Texto_introdutorio_-_Marilda_Iamamoto.pdf
 A sistematização da prática foi entendida pelo CELTS como todo o processo de organização 
teórico-metodologico e técnico instrumental da cão profissional em Serviço Social. neste sentido, 
a preocupação com a sistematização se inicia coma própria delimitação dos referencias que 
orientarão a eleição dos aportes teóricos, da intervenção profissional, assim como de seus 
objetivos e da avaliação dos resultados alcançados. (Teixeira in mota, 401, 2007) 
 É possível verificar na literatura produzida pelo Serviço Social que ainda é pouco comum as 
reflexões que publicam as experiências profissionais realizadas ou em andamento. A 
sistematização da prática profissional é primordial para o desenvolvimento teórico da profissão. 
 
SISTEMATIZAÇÃO E O ASSISTENTE SOCIAL 
A criação de uma série de dados e informações no dia-a-dia de trabalho, especificamente sobre as 
condições de vida da população, as propostas e desenvolvimento das políticas sociais, o caldo 
cultural e político proveniente das diversas classes sociais, devem ser identificados no trabalho do 
assistente social. 
 
A sistematização como uma atividade do trabalho do assistente social é um processo que envolve 
a produção, organização e análise dos dados e informações a partir da perspectiva do 
aprendizado. 
*uma atividade do trabalho - O exercício crítico e reflexivo sobre a prática profissional envolve 
uma natureza teórica em busca de uma leitura sobre as expressões cotidianas da realidade social, 
influenciadas por diversos aspectos que envolvem o contexto político, econômico e social na 
contemporaneidade. A sistematização no trabalho do assistente social exige do profissional uma 
reflexão teórica, que renova o estatuto teórico da profissão, e a legítima na atualidade. 
 
OPINIÃO DE TEIXEIRA 
Veja o que Teixeira (p.4003, 2007) nos diz sobre sistematização da prática profissional: 
“Situamos também, dentre o leque de questões que valorizam a sistematização como um 
momento importante do trabalho do assistente social, a sua dimensão realimentadora da própria 
condução de seu trabalho. Para além da construção coletiva da história da atuação profissional 
que este processo também encerra, ressaltamos aqui seu impacto mais imediato: a reflexão 
sobre alguma dimensão da atividade profissional favorecendo um reordenamento desta 
experiência. Neste caso, podemos ter, por exemplo, uma reflexão sobre certos instrumentos de 
trabalho, sobre a pertinência dos mesmos aos objetivos propostos e ao aporte teórico-
metodológico utilizado, assim como a experimentação de novas técnicas, não como opções 
restritas ao âmbito das opções metodológicas, mas como possibilidades ancoradas nas tensões 
entre o projeto e as opções profissionais, com suas nuances éticas, políticas e teórico-
metodológicas, e a dinâmica da produção e da reprodução social que determinam as condições 
efetivas de nosso trabalho.” 
Significados do processo de sistematização, por Teixeira Ao sistematizar a prática profissional, analisando o trabalho 
realizado, o assistente social contribui para uma maior autonomia, ao demonstrar imprimir qualidade, segurança e 
justificativas plausíveis á realização da atividade executada ou proposta. Oferecendo, ainda, maior visibilidade a 
prática profissional. 
Teixeira coloca que (2007), poderíamos enumerar, ainda, uma série de significados importantes do processo de 
sistematização de sua atividade profissional para o Serviço Social, contudo, dois se inscrevem dentro das referências 
que vimos apresentando até então. O primeiro diz respeito a sua inscrição no trabalho do assistente social e no 
processo de trabalho institucional do qual participa, ou seja, fazendo parte da própria dinâmica da profissão ou da 
instituição e não sendo visto como uma atividade esporádica, um apêndice. 
A implicação mais expressiva que esta perspectiva acentua é a possibilidade de incluirmos dentre as ações que nos 
levam a tentar superar a alienação que atravessa nosso trabalho, uma postura crítica, embasada teoricamente e que 
regularmente toma os rumos dado à ação profissional, assim como os seus resultados, como objeto de reflexão. O 
segundo, é que estaríamos consolidando um trabalho que imputaria uma nova dimensão às tradicionais formas de 
registro da atividade profissional, superando uma lacuna histórica no Serviço Social, e, há muito, reclamada: a 
ausência de socialização das experiências profissionais. 
Para que esta ausência não seja substituída apenas por relatos descritivos das atividades cotidianas, faz-se 
necessário um processo de sistematização das mesmas, ou seja, um resgate de experiências que seja 
ilustrativamente rico dos procedimentos mobilizados como problematizadores das questões relativas ao exercício 
profissional, alcança a socialização da experiência a um patamar de discussão que contribua tanto para o 
amadurecimento intelectual como para o maior reconhecimento social do Serviço Social. 
A sistematização da prática profissional demanda do assistente social um conjunto de investimentos de diversas 
ordens: teórico-metodológico, ético-político, técnicoinstrumental e sócio-ocupacional. Não podemos deixar de lado 
que todo trabalho profissional tem uma direção política, ética e teórica. 
Neste sentido é que se enfrenta o desafio de tratar a prática profissional a partir de sua categoria básica que é a ação 
profissional. As ações profissionais se estruturam sustentadas no conhecimento da realidade e dos sujeitos para as 
quais são destinadas, na definição de objetivos considerando o espaço dentro do qual se realiza na escolha de 
abordagens adequadas para aproximar-se dos sujeitos destinatários da ação e compatíveis com os objetivos. 
Finalmente implica na escolha de instrumentos apropriados às abordagens definidas e também de recursos 
auxiliares para a sua implementação. Todo esse processo se opera com base no planejamento, na documentação e 
num apurado senso investigativo. 
As exigências centrais da formação profissional no contexto das transformações sociais em curso têm como base a 
questão social oriunda da dinâmica da vida social e no mundo do trabalho. Busca-se compreender e apreender o 
significado social da profissão enquanto especialização do trabalho coletivo. 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula10_doc01.pdf 
---------- 
TRANSFORMAÇÕES E INFLUÊNCIAS 
Percebe-se a necessidade de um repensar dos profissionais frente a todas as transformações societárias,uma vez 
que também o Serviço Social sofre as influências das mudanças na realidade social. 
Assim, as exigências da formação profissional baseiam-se em princípios como reorganização do currículo de 1982, 
aproveitando os pontos positivos e modificando aqueles que impedem o desenvolvimento profissional proposto. 
Busca-se também a formação de um profissional com visão de totalidade percebendo as dimensões de 
universalidade, particularidade e singularidade. Por isso que a realização do exercício de análise sobre a prática 
profissional é de fundamental importância ao futuro profissional. 
 
 
http://estacio.webaula.com.br/cursos/gon468/docs/11PS_aula10_doc01.pdf
PESQUISA E ANÁLISE 
 
PRÁTICA PROFISSIONAL QUALITATIVA - As perspectivas de formação do assistente social buscam atender à 
nova realidade social apresentada e aos novos paradigmas da educação que direcionam os destinos da 
humanidade. Através da formação profissional é possível refletir sobre os movimentos societários e 
construir propostas para a superação das misérias sociais a que está submetida à humanidade. 
Segundo IAMAMOTO (2007, p. 167), O (a) assistente social trabalha no âmbito das relações sociais, em 
suas expressões na vida quotidiana, nas esferas públicas e privadas. Interfere na reprodução das condições 
de vida material dos segmentos populacionais que tem acesso aos serviços previstos nas políticas sociais 
públicas e empresariais. Mas, também, opera no minado terreno político ideológico – que incorpora 
conhecimentos, valores, comportamentos, atitudes, sentimentos e emoções, que conformam a esfera da 
subjetividade dos indivíduos sociais, cuja existência é socialmente objetiva. O assistente social, ao 
acompanhar o movimento e o ritmo das marés neoliberais, pode vir a torna-se um eficiente e eficaz 
coadjuvante dos mecanismos de fetichização da vida social: um profissional mistificado e da mistificação. 
CAPACIDADE: COMPETÊNCIA E HABILIDADE 
Os valores primordiais no processo de formação profissional do assistente social se expressam na defesa da 
qualidade dos serviços, na competência profissional, na viabilização dos direitos sociais e da cidadania, na 
luta pela radicalização da democracia no aprimoramento intelectual dos profissionais. 
Assim, o profissional que atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas, 
de intervenção para seu enfrentamento, deve desenvolver a capacidade de promover o exercício pleno da 
cidadania e a inserção criativa e propositiva dos usuários do Serviço Social no conjunto das relações sociais 
e no mercado. 
E como já citado antes nas diversas aulas e disciplinas realizadas até então, outro aspecto importante é a 
inserção dos requisitos de competência e habilidades. Entende-se que a formação profissional deva 
viabilizar a aquisição de competências, como a capacitação teórico-metodológica e ético-política. 
INSERÇÃO DOS REQUISITOS DE COMPETÊNCIA E HABILIDADES - Nesse sentido reforça-se a importância da 
educação continuada profissional no âmbito teórico, metodológico, técnico-operativo, e ético-politico dos 
sujeitos envolvidos na formação profissional. Todos os sujeitos envolvidos têm suas responsabilidades, que 
compreendem o respeito ao outro, o compromisso com o coletivo e a coerência entre os valores éticos 
assumidos e as atitudes práticas. 
BENEFÍCIOS DA SISTEMATIZAÇÃO 
A formação profissional pode ser estabelecida na construção cotidiana da relação teoria-prática e se 
consolidar através do entendimento sobre as habilidades e competências e a busca de viabilidade dos 
projetos de mudanças sociais com os quais a profissão está associada. 
Tudo isso repercute nas condições de trabalho do assistente social. Diariamente ele se vê envolto por um 
acúmulo de trabalho, aumento de seu desgaste físico e diminuição de recursos e alternativas para o 
enfrentamento das questões sociais. 
A sistematização da prática profissional quando considerada um dos elementos constitutivos do processo 
de trabalho do Serviço Social vem a contribuir na compreensão e enfrentamento das questões sociais nas 
suas diversas expressões. Sistematizar a prática profissional propicia o cunho investigativo, no esforço 
empreendido que se faz no sentido de traçar as bases preliminares para a operacionalização de uma 
proposta de metodologia qualitativa de avaliação de serviços, projetos e ações desenvolvidas. 
PRINCIPAIS QUESTÕES 
Mas como operacionalizar uma proposta de estudo situada num campo do estágio supervisionado? 
Percebem-se, portanto, enquanto unidade de análise, não é somente o serviço realizado, mas a atividade 
realizada que correspondem à rede de relações internas e externas, as experiências, as estruturas e os 
processos que constituem aquela prática institucional. 
Alguns pontos de observação e análise foram destacados ao longo desta disciplina, no entanto é 
fundamental mais uma vez registrar a necessidade em dedicar um tempo para a realização da 
caracterização do perfil da população atendida e os dados sobre a atuação do serviço. 
PONTOS DE OBERVAÇÃO E ANÁLISE - Outro indicador de análise, também citado anteriormente, refere-se 
à busca pela compreensão das relações que alicerçam e constituem a atuação daquele serviço ou 
programa. Estas se relacionam à estrutura do serviço, tais como: organização formal, definição de objetivos 
organizacionais, estrutura hierárquica, etc. 
PESQUISA E ANÁLISE 
Quais processos deveriam ser analisados? 
 
Seria o próprio processo de trabalho, que culmina nas ações realizadas no cotidiano de trabalho. Outro 
processo importante para a compreensão da prática profissional é o contexto das interações estabelecidas 
entre os diversos atores sociais envolvidos nas atividades. 
 
Estamos dizendo então que é preciso conhecer a atuação profissional, isto é: os principais objetivos 
institucionais, os dados estatísticos já produzidos pelo próprio serviço, as secretarias e outras instituições 
de pesquisa, as estratégias e dinâmica de atendimento, a população-alvo, recursos utilizados. Enfim, todas 
as informações disponíveis devem ser estudadas. 
DETALHAMENTO DA ANÁLISE 
Busca-se conhecer o dia-a-dia do serviço ou da ação profissional. 
A análise propriamente dita, isto é, a etapa de elaboração de um relatório, onde se busca articular 
conhecimentos teóricos sobre a temática à qual se refere à avaliação de problemas empíricos visando 
aperfeiçoar e sugerir ações profissionais. 
Outra perspectiva importante é o compromisso de compartilhar um conhecimento produzido com aqueles 
sujeitos sociais cujas ações e vivências foi objeto de reflexão, em especial a supervisora do campo de 
estágio supervisionado. 
ANÁLISE PROPRIAMENTE DITA - Este momento de avaliação, de um balanço mesmo da experiência de 
estágio supervisionado, portanto, deve ser vista como este desafio de articulação entre as distintas 
disciplinas que constituem a formação profissional, e cursada até o momento. 
Estes aspectos fazem parte dos desafios e dilemas que compõe a formação profissional e contribuem 
efetivamente para o processo de ensino-aprendizagem de todos os envolvidos. 
Os diversos exercícios e atividades propostas ao longo da disciplina visam incentivar o aluno a realizar o 
estabelecimento de um tipo de relação pedagógica no processo de formação de profissional 
particularmente privilegiado em termos da capacidade deste em estabelecer uma síntese, de desconstruir 
um pensamento orientado por modelos aplicáveis, de articular críticas e formação, em síntese, de se 
construir em sua identidade de trabalhador, de futuro assistente social. 
É preciso realizar os exercícios e atividades propostas nas mais diversas disciplinas, como também é de 
fundamental importância a realização das leituras indicadas nas referências. 
REFERÊNCIAS 
IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital fetiche. São Paulo: Cortez, 2007. 
MOTA, Ana Elizabeth. et alli (Orgs). ServiçoSocial e saúde: formação e trabalho profissional. 2ª ed. São 
Paulo: Cortez; Editora Brasília: OPAS, OMS, Ministério da Saúde; Recife: ABEPSS, 2007. 
Nesta aula, você: 
aprendeu o quanto é necessário o esforço rumo à sistematização da prática profissional, bem como recebeu um rol 
de orientações para a construção do relatório das atividades realizadas na experiência de estágio supervisionado.

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