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Aula 02 - Moral e princípios éticos

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Moral e princípios éticos 
Ética e moral
 Relembrando a origem das palavras, ética vem do Grego ethos, que significa “modo de ser”. Moral, 
por sua vez, vem do Latim mores e significa “costumes”. 
Entre os filósofos contemporâneos que discutem o tema, encontram-se aqueles que acreditam 
ser a distinção entre moral e ética algo de elevada importância; já outros sequer distinguem os dois 
conceitos, ou ainda, fazem uma mistura completa, entrelaçando-os e interligando-os constantemente, 
como se um conceito não pudesse existir sem o outro. 
Na religião, por exemplo, pode-se dizer que tanto católicos como protestantes discutem regras 
de conduta e valores sociais. Contudo, para os protestantes, esses aspectos estão bastante relacionados 
à ética. Já os católicos, que discutem o mesmo conteúdo, definem-no no campo da moral. Para que 
haja uma compreensão simplificada sobre o assunto, é interessante alinhavar algumas diferenças, e, em 
outro momento, mostrar a igualdade de conceitos.
Diferenças de conceitos
Para diferenciar ética de moral, é razoável lembrar que a primeira procura as causas do compor-
tamento humano, as atitudes do indivíduo inserido em uma determinada sociedade. Pensar sobre ética 
induz a uma reflexão sobre o significado do bem, das virtudes e de nossa relação com o próximo. A 
moral, por sua vez, trata do juízo de valor concebido pelo indivíduo que agirá conforme sua consciência 
determina. Corresponde a um conjunto de regras de conduta social que contribuem para a harmonia 
da ordem de uma sociedade específica. Tais regras assumem as características próprias do contexto 
sócio-histórico vivenciado pelo indivíduo.
Tendo em vista que os códigos de moral mudam de país para país, de comunidade para comuni-
dade e até mesmo de família para família, deve-se ter muito cuidado ao se julgar esses códigos como 
“inadequados” ou “ignorantes”. Por exemplo, um ocidental, que possui uma moral muito diferente de 
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qualquer povo oriental, não pode querer impor seus princípios. Não há um código mais correto que 
outro, tendo em vista a diversidade cultural que se estende ao redor do mundo.
A moral, na explicação do filósofo Vázquez (1997, p. 24) é “um conjunto de normas e regras 
destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social”. 
Pode-se citar um exemplo para a melhor compreensão dessa questão. Uma pessoa que sai para 
passear completamente nua numa rua movimentada da cidade seria imediatamente considerada imo-
ral, mas sua atitude dificilmente seria considerada uma falta de ética, pois não está praticando mal 
algum ao próximo. Mas se essa nudez é para um fim específico, representando uma forma de perversão 
ou prostituição, daí sim estaria infringindo as leis éticas de nossa sociedade. 
A ética está diretamente relacionada à Filosofia, tendo em vista que busca refletir sobre a existên-
cia humana e, assim, estabelecer o ideal de comportamento do homem em sociedade. 
A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do respeito ao próximo, do bem social, do exercício 
da cidadania. A partir da ética, fala-se sobre autonomia da vontade em praticar o bem. Vale lembrar, no 
entanto, que o comportamento ético não se refere apenas à prática do bem, mas a exteriorizar aquilo 
que se aprendeu a respeito. É exercitar a tolerância diante das faltas alheias, a paciência em muitos mo-
mentos da vida, a obediência aos superiores em uma hierarquia, o silêncio ante uma ofensa recebida. 
Diferenças entre ética e moral.
Ética é permanente, moral é temporal. ::::
Ética é universal, moral é cultural.::::
 Ética é regra, moral é conduta da regra. ::::
 Ética é teoria, moral é prática. ::::
A ética é permanente, imutável e constante, posto que é a determinação do que é o bem, o justo, 
o correto. A moral se modifica conforme a passagem do tempo e se adapta à cultura de um grupo ou 
de um povo. É a regulamentação dos valores e dos comportamentos considerados legítimos por uma 
determinada religião, sociedade, povo, tribo, ordem política, tradição cultural, e, dessa forma, não é 
universal. 
Por fim, a ética está nos conceitos teóricos do bem e do mal, do certo e do errado, do justo e do 
injusto. A moral, por sua vez, está no campo da prática, da consciência do homem, regulando seus atos 
no exercício do bem e da justiça. 
Igualdade de conceitos
Em nossos dias, enfrentamos problemas de ordem moral e ética. Estamos sempre perguntando 
à nossa consciência se devemos fazer isto ou aquilo, sempre preocupados em não prejudicar o próxi-
mo. O entendimento da diferença entre esses dois conceitos na nossa realidade confunde-se e muitos 
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estudiosos ainda encontram dificuldades em diferenciar ambos. Seus significados se misturam na for-
ma cotidiana de viver e pensar de cada indivíduo. Assim, algumas considerações podem ser feitas para 
demonstrar que as duas denominações buscam fins idênticos e benéficos para as sociedades e suas 
organizações e, por isso, igualam-se. Vamos analisar a situação hipotética a seguir:
Ao saber que um prefeito, sem constrangimento e amparado pela legislação, aumentou seu 
salário em 100%, a população daquela cidade, indignada, afirmou que ele foi imoral e faltou com a 
devida ética.
Talvez, o que favoreça a confusão entre ética e moral seja o fato de que, originalmente, os roma-
nos traduziram a palavra ética, do Grego ethos, literalmente para a palavra mores, moral, no tocante aos 
hábitos, costumes, usos e regras. Por isso, pode-se dizer que ocorre a fusão de ambos os conceitos, na 
medida em que não existe a prática de ato moral sem o prévio conhecimento de conceitos éticos.
Moral como objeto da ética
Pode-se relacionar os dois conceitos, afirmando que a moral é o objeto de estudo da própria ética. 
Tal asserção torna-se coerente se pensarmos que fazem parte da ética os bons costumes, valores como o 
amor, solidariedade, paz, bondade e tolerância, ou seja, aspectos de natureza eminentemente moral. 
A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. Ética não é 
moral. Ética é a reflexão crítica do ato moral, do que está certo ou errado, do que é justo ou injusto. 
Como lembra Nalini (2001, p. 57), ao praticar um ato seguindo sua moral o indivíduo estará sujei-
to a sofrer consequências negativas. Muitas vezes, o que para uns parece correto, para outros pode ser 
“imoral”. Alguns povos têm hábitos culturais que consideram corretos, mas que podem ser incorretos 
para outro grupo social. Ou seja, tais hábitos podem ser imorais1 ou amorais2. 
Em uma família, pai, mãe e filhos têm o costume de tomar banho todos juntos. É um hábito decor-
rente de uma cultura específica que foi nela introduzido por costumes de familiares antepassados. Nessa 
cultura, considera-se a exposição do corpo nu sem quaisquer conotações de sexualidade ou de promis-
cuidade. No entanto, tal hábito, caso seja relatado a outras pessoas, não pertencentes à cultura da família 
citada, certamente não terá uma boa aceitação, considerando-o imoral.
Diante de uma diversidade de culturas, é necessário que se regulamentem as condutas social-
mente aceitas. Para isso, tem-se o Código de Ética, uma ampla gama de estatutos e regulamentos que 
normalizam o que pode ou não pode ser considerado moral numa organização, numa sociedade, ou 
seja, no âmbito comum. Dentro do campo da ética, está sendo estipulada o que se considera aceitável 
sobre a conduta individual, para manter o equilíbrio, a igualdade de condições, o respeito mútuo, enfim, 
a maneira correta de se comportar adequadamente em sociedade. 
1 Imoral: contrário à moral, contrário às regras de conduta vigentes em dada época ou sociedade ou ainda contrário àquelas regras que um 
indivíduo estabelece para si próprio; sem moralidade, indecoroso, vergonhoso.
2 Amoral: moralmente