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Língua Portuguesa | 
Dicas para compreender e interpretar textos 
www.focusconcursos.com.br | 1 
 
 
 
Língua Portuguesa 
Compreensão e interpretação: módulo de 
exercícios II 
Prof da Videoaula: Sidney Martins 
 
 
Língua Portuguesa | 
Dicas para compreender e interpretar textos 
www.focusconcursos.com.br | 2 
 
Este documento possui recursos de interatividade através da navegação por 
marcadores, portanto, acesse a barra de marcadores do seu leitor de PDF e navegue 
de maneira RÁPIDA e DESCOMPLICADA pelo conteúdo. 
 
Veja o exemplo abaixo: 
 
Olá meu aluno, minha aluna, como vai você? Sentindo-se disposto para mais uma 
aula de compreensão e interpretação textual? Espero que sim, mas, se sua resposta 
não for tão positiva, trate de respirar fundo e pensar em tudo aquilo que te motiva a 
alcançar sua meta de aprovação. Feche os olhos, considere cada um desses pontos e 
mentalize você, o resultado da prova, sua nomeação, a festança e a sensação de poder 
dizer “consegui”! Feito?! Agora com foco, concentração e garra você verá que o 
conteúdo se tornará bem mais leve. Vamos nessa?! 
 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
Dicas para compreender e interpretar textos .......................................................................3 
A morte e a morte do poeta ..................................................................................................4 
Questão 01................................................................................................................................................ 8 
Questão 02.............................................................................................................................................. 10 
Língua Portuguesa | 
Dicas para compreender e interpretar textos 
www.focusconcursos.com.br | 3 
Em defesa da dúvida ...........................................................................................................11 
Questão 01.............................................................................................................................................. 14 
Questão 02.............................................................................................................................................. 16 
 
DICAS PARA COMPREENDER E INTERPRETAR TEXTOS 
 
 
1º - Crie o hábito e o gosto pela leitura. 
 
2º - Seja curioso, investigue as palavras que circulam 
em seu meio. 
 
3º - Aumente seu vocabulário (leia e faça 
palavras cruzadas) e sua cultura. 
 
4º - Faça exercícios de sinônimos e antônimos, ou seja, 
com palavras com significados semelhantes e palavras com 
significado contrário 
 
 
5º - Torne-se um leitor assíduo de diversos textos. 
 
6º - Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão 
pode ser falsa. 
 
7º - Atenção ao que se pede, às vezes a interpretação está 
voltada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao 
parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a 
questão está voltada à ideia geral do texto. 
 
8º - Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do 
conhecimento, porque algumas perguntas extrapolam ao 
que está escrito. 
 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 4 
A MORTE E A MORTE DO POETA 
Para treinar nossa compreensão e interpretação textual, vamos ler e analisar o 
seguinte texto: 
 
A morte e a morte do poeta 
Ao ler o seu necrológio no jornal outro dia, o pianista Marcos Resende primeiro tratou 1 
de verificar que estava vivo, bem vivo. Em seguida gravou uma mensagem na sua 2 
secretária eletrônica: "Hoje é 27 e eu não morri. Não posso atender porque estou na 3 
outra linha dando a mesma explicação". Quando li esta nota, me lembrei de como 4 
tudo neste mundo caminha cada vez mais depressa. Em 1862, chegou aqui a notícia 5 
da morte de Gonçalves Dias. 6 
O poeta estava a bordo do Grand Condé havia cinquenta e cinco dias. O brigue 7 
chegou a Marselha com um morto a bordo. 8 
 À falta de lazareto, o navio estava obrigado à caceteação da quarentena. Gonçalves 9 
Dias tinha ido se tratar na Europa e logo se concluiu que era ele o morto. A notícia 10 
chegou ao Instituto Histórico durante uma sessão presidida por d. Pedro II. Suspensa 11 
a sessão, começaram as homenagens ao que era tido e havido como o maior poeta 12 
do Brasil. Suspeitar que podia ser mentira? Impossível. O imperador, em pleno 13 
Instituto Histórico, só podia ser verdade. Ofícios fúnebres solenes foram celebrados 14 
na Corte e na província. Vinte e cinco nênias saíram publicadas de estalo. Joaquim 15 
Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, 16 
quentes e sinceras. O grande poeta! O grande amigo! Que trágica perda! 17 
As comunicações se arrastavam a passo de cágado. Mal se começava a aliviar o luto 18 
fechado, dois meses depois chegou o desmentido: morreu, uma vírgula! Vivinho da 19 
silva. 20 
A carta vinha escrita pela mão do próprio poeta: "É mentira! Não morri, nem morro, 21 
nem hei de morrer nunca mais!". Entre exclamações, citou Horácio: "Não morrerei de 22 
todo”. Todavia, morreu, claro. E morreu num naufrágio, vejam a coincidência. Em 1864, 23 
trancado na sua cabine do Ville de Boulogne, à vista da costa do Maranhão. Seu corpo 24 
não foi encontrado. Terá sido devorado pelos tubarões. Mas o poeta, este de fato não 25 
morreu. 26 
(Adaptado de: RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. São Paulo: Cia das Letras, 2011, 
p.107-108) 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 5 
GLOSSÁRIO: 
 
Brigue: embarcação de dois mastros, com velas circulares ou quadrangulares, sendo o 
maior deles inclinado para a parte posterior do navio. 
Caceteação: estado causado por algum aborrecimento ou acontecimento importuno. 
Lazareto: local para o qual as pessoas contaminadas com hanseníase (lepra) eram 
enviadas, a fim de isolá-las do resto da população, com o intuito de conter a contaminação 
pela doença. Esse nome é uma alusão a Lázaro, personagem bíblico, que era leproso. A 
priori colocavam as pessoas com lepra, mas depois acabou sendo usado para todo tipo de 
doença. 
Marselha: cidade portuária no sul da França. 
Necrológio: uma notícia/homenagem no jornal sobre morte. 
Nênias: poemas enaltecendo alguém. 
Passos de cágado: expressão para eram vagarosas 
 
 
 
UMA DICA PARA AMPLIAR SEU VOCABULÁRIO E CONHECIMENTO DE MUNDO É 
ELABORAR UM GLOSSÁRIO COM AS PALAVRAS DO TEXTO QUE SÃO DESCONHECIDAS. 
 
COMENTÁRIO DO TEXTO: 
Ao ler o título deduzimos, pelo emprego da conjunção e com sentido de soma, que o 
autor tratará de duas mortes distintas em seu texto. Após a leitura, sabemos que 
morte se refere a Marcos Resende e morte do poeta faz referência a Gonçalves Dias, 
coincidentemente, ambos tiveram suas mortes anunciadas erroneamente. 
 
Para aprimorar nossa interpretação do texto “A morte e a morte do poeta”, vamos ativar 
nosso conhecimento de mundo: 
➔ Marcos Resende é pianista, compositor e produtor, nascido em Cachoeira de 
Itapemirim-ES, tem uma carreira na música instrumental brasileira, aqui e no 
exterior, com vários discos lançados. 
➔ Antônio Gonçalves Dias foi poeta, professor, crítico de história, etnólogo, 
nasceu em Caxias- MA, em 10 de agosto de 1823, e faleceu em naufrágio, na 
costa do Maranhão, em 3 de novembro de 1864. É o patrono da cadeira nº 15, 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 6 
da Academia Brasileira de Letras. É considerado o grande poeta romântico 
brasileiro e célebre poeta indianista, seus poemas mais famosos são: “Canção 
do exílio”, “Ainda Uma Vez – Adeus”, “I-Juca Pirama”, entre outros. 
 
 
 
MOBILIZAR NOSSO CONHECIMENTO PRÉVIO SOBRE O ASSUNTO OU 
REFERÊNCIAS TRAZIDAS NO TEXTO CORROBORA NA SUA INTERPRETAÇÃO 
TEXTUAL. ASSIM, QUANTO MAIOR O CONHECIMENTO DE MUNDO, MAIOR SUA 
CAPACIDADE INTERPRETATIVA. 
 
De volta ao conteúdo do texto, é clara a associaçãoque o autor faz quando vê a nota 
de Marcos Resende com o fato similar vivido por Gonçalves Dias. Dessa forma, ele 
contrapõe as duas situações: 
➔ Século XX: o pianista Marcos Resende leu o seu necrológio no Jornal do Brasil, 
em 1992, o erro aconteceu porque o confundiram com seu xará. 
Imediatamente já desmentiu a notícia gravando uma mensagem na sua 
secretária eletrônica. 
 
➔ Século XIX: chegou a notícia da morte de Gonçalves Dias, que comoveu muitas 
pessoas, foram feitas várias homenagens ao poeta. E como a notícia chegou ao 
Instituto Histórico e aos ouvidos do imperador, que espalhou a notícia, era 
impossível ser mentira. Como a comunicação era demorada, a notícia foi 
desmentida de forma tardia, apenas 2 meses depois, por carta escrita pelo 
próprio poeta. 
 
Desse modo, mesmo com a semelhança entre os casos, há um contraste grande na 
forma como eles conseguiram contestar a própria morte. A demora com que a notícia 
da suposta morte do poeta, no século XIX, pôde ser contestada por ele, em 
comparação a rapidez com que o pianista, contemporâneo, pôde contestar a própria 
morte. 
 
No texto, o autor detalha mais o caso de Gonçalves Dias, que estava doente e 
embarcou na embarcação Grand Condé para procurar tratamento na Europa. Esse fato 
é importante para ocorrer o equívoco de anunciar a morte do poeta. Já que quando 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 7 
o brigue, no qual o famoso poeta era passageiro, chegou a França, na cidade de 
Marselha, com um morto a bordo (l.7-8). 
 
Por falta de um local para alocar os doentes, conhecido por lazareto, a embarcação 
não pode aportar, obrigado a fazer quarentena no alto mar (l.9). Por isso, as pessoas 
fizeram uma dedução precipitada, trazida pelo adjunto adverbial de modo logo, de 
que o morto a bordo seria o poeta, veja o trecho: “Gonçalves Dias tinha ido se tratar 
na Europa e logo se concluiu que era ele o morto” (l.9-10). 
 
A notícia da morte do conceituado poeta brasileiro chegou ao Instituto Histórico 
durante uma sessão presidida por d. Pedro II, lembrando que ele era patrono o 
instituto. Como retrata o trecho:” A notícia chegou ao Instituto Histórico durante uma 
sessão presidida por d. Pedro II. Suspensa a sessão, começaram as homenagens ao 
que era tido e havido como o maior poeta do Brasil” (l.10-13). 
 
Entre as pessoas que ofereceram homenagem ao poeta, estão seus amigos “Joaquim 
Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, 
quentes e sinceras” (l.15-16). Para entender a vínculo entre eles, vamos ativar 
novamente nosso conhecimento de mundo: 
➔ Joaquim Serra (1838-1888): jornalista, professor, político e teatrólogo 
brasileiro, conterrâneo de Gonçalves Dias, também nascido no Maranhão. 
➔ Juvenal Galeno da Costa e Silva (1838-1931): escritor brasileiro da segunda 
geração do Romantismo, nascido em Fortaleza- CE. 
➔ Bernardo Guimarães (1825-1884): romancista, contista e poeta brasileiro, sua 
obra mais famosa e o romance “A Escrava Isaura”, nascido em Ouro Preto- MG. 
 
Enquanto seus amigos lamentavam sua morte, o poeta estava “vivinho da silva” (l.19). 
Porém, por causa da comunicação ainda não tem desenvolvida e eficiente, de acordo 
com o texto: “as comunicações se arrastavam a passo de cágado” (l.18), ou seja, uma 
comunicação lenta e demorada. Por causa disso, a carta escrita pelo poeta para 
desmentir o fato de sua suposta morte, chegou apenas 2 meses depois. 
 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 8 
Nessa carta, que ele escreveu a próprio punho, estava a verdade: “[...] ’É mentira! 
Não morri, nem morro, nem hei de morrer nunca mais!’ [...]” (l.21-22). De forma 
enfática declarou que “[...] ‘não morrerei de todo’ [...]” (l.22-23), citando Horácio, 
poeta e filósofo da Roma Antiga. Mesmo com essa afirmação, como qualquer ser 
humano, Gonçalves Dias morreu, isso está marcado no texto pela conjunção 
adversativa todavia, no trecho: “Todavia, morreu, claro” (l.23). 
 
Sobre a morte do poeta brasileiro, o texto traz: “morreu num naufrágio, vejam a 
coincidência” (l.23), isso ocorreu na costa do Maranhão, apenas 2 anos depois dele 
contestar sua própria morte. Contudo, o corpo de Gonçalves Dia não foi 
encontrado, o texto afirma que teria “sido devorado pelos tubarões” (l.25), logo, 
podemos pressupor que na costa do Maranhão havia muitos tubarões. 
 
Apesar disso, a carta de Gonçalves Dias trazia uma verdade, seu corpo morreu, porém, 
“o poeta, este de fato não morreu” (l.25-26), dado que ele não “morreu mesmo de 
todo”, já que sua obra e vida estão consagradas para sempre na literatura brasileira. 
 
Questão 01 
 No texto, o autor contrapõe fundamentalmente: 
a) as boas condições do porto de Marselha, em território francês, às péssimas 
condições do porto brasileiro localizado no Maranhão, perto do qual o navio 
Ville de Boulogne acabou por naufragar. 
b) a demora com que a notícia da suposta morte de Gonçalves Dias, no século XIX, 
pôde ser contestada pelo poeta à rapidez com que o pianista Marcos Resende, 
contemporâneo do cronista, pôde contestar a própria morte. 
c) a comoção com que foi recebida a notícia da suposta morte do poeta Gonçalves 
Dias à indiferença com que se recebeu a notícia da morte do pianista Marcos 
Resende, buscando-se esclarecê-la com um simples telefonema. 
d) a resistência do navio Grand Condé, onde Gonçalves Dias pôde permanecer em 
segurança por mais de cinquenta dias, à fragilidade do Ville de Boulogne, que 
levou pouco tempo para naufragar na costa do Maranhão. 
e) a banalização das notícias em seu próprio tempo, mesmo as mais trágicas, à 
solenidade com que eram dadas no século XIX, muitas vezes em sessões no 
Instituto Histórico, com a eventual presença do próprio Imperador. 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
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COMENTÁRIO DA QUESTÃO: 
➢ Olhe o comando da questão: “no texto”, isso é uma pista de que essa questão 
cobrará a sua compreensão textual. 
 
A questão quer saber qual a contraposição apresentada no texto. Sua resposta ficará 
fácil se você tiver entendido o texto, ou seja, teve uma boa compreensão dele. Outro 
ponto, se você é um leitor atento já sabe que, geralmente, o texto que trabalha com 
uma contradição faz a apresentação dessa no primeiro parágrafo, para que o autor 
desenrole essa oposição no decorrer do texto. 
 
Observe então o primeiro parágrafo do texto, o autor faz alusão a duas mortes 
anunciadas erroneamente: do pianista Marcos Rezende e a do poeta Gonçalves Dias. 
E ainda acrescenta: “me lembrei de como tudo neste mundo caminha cada vez mais 
depressa” (l.4-5), isso quer dizer que enquanto o músico desmentiu a notícia 
rapidamente, o escritor, que negou a notícia de sua morte por carta, demorou 2 meses. 
 
Dessa forma, a contraposição apresentada pelo autor nesse texto é justamente a 
velocidade que as informações são transmitidas na atualidade, em contraposição a 
demora que isso acontecia no século XIX. 
GABARITO: B 
 
 
 
 
CUIDADO COM AS QUESTÕES DE COMPREENSÃO TEXTUAL, 
pois algumas de suas alternativas podem trazer 
afirmações que extrapolam as informações 
contidas no texto. Assim, mesmo sendo 
verdadeiras, não estarão corretas, já que questões 
como essa se relacionam exclusivamente às 
informações contidas no texto. 
 
Língua Portuguesa | 
A morte e a morte do poeta 
www.focusconcursos.com.br | 10 
Questão 02 
De acordo com o texto, a falsa notícia da morte de Gonçalves Dias teria se 
originário de uma conjunção de acontecimentos que incluem: 
a) a morte de um passageiro no navio em que ele viajava, a impossibilidade dos 
passageiros do navio cumprirem o período de quarentena em terra e a 
motivação da viagem do poeta para a Europa. 
b) a inexistência de lazareto no Grand Condé, a motivação da viagem do poeta 
para a Europa e as falhas de comunicação entreo navio e o porto de Marselha. 
c) a impossibilidade dos passageiros do navio cumprirem o período de 
quarentena em terra, a presença do Imperador no Instituto Histórico e as 
homenagens feitas no Brasil ao grande poeta. 
d) a morte de um passageiro no navio em que ele viajava, a motivação da viagem 
do poeta para a Europa e as falhas de comunicação entre o navio e o porto de 
Marselha. 
e) a inexistência de lazareto no Grand Condé, a morte de um passageiro no navio 
e as homenagens feitas no Brasil ao grande poeta. 
 
COMENTÁRIO DA QUESTÃO: 
➢ Observe o comando da questão: “de acordo com o texto”, isso indica que essa 
é uma questão de compreensão textual. 
 
A indagação afirma que o texto apresenta uma combinação de fatos que deram 
origem a notícia falsa da morte do poeta Gonçalves Dias. Vamos analisar os fatos: 
primeiro, o poeta estava doente e foi buscar tratamento na Europa (l.10). Segundo, a 
embarcação, em que ele estava a bordo, chegou em Marselha com um morto a bordo 
(l.8). Terceiro, por falta de um local adequado para os doentes (um lazareto), o navio 
foi impedido de aportar, obrigado a permanecer ao mar por 40 dias (l.9). 
 
Esses fatos somados originam a falsa notícia da morte de Gonçalves Dias, o passageiro 
mais famoso a bordo do Grand Condé, que estava doente e o motivo de sua viagem 
era buscar tratamento na Europa. E quando morre alguém na embarcação, que não 
conseguiu aportar, logo se concluiu que o morto era o poeta. 
GABARITO: A 
Língua Portuguesa | 
Em defesa da dúvida 
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EM DEFESA DA DÚVIDA 
Para continuar treinando nossa compreensão e interpretação textual, vamos ler e 
analisar o próximo texto: 
 
Em defesa da dúvida 
Numa época em que tantos parecem ter tanta certeza sobre tudo, vale a pena pensar 1 
no prestígio que a dúvida já teve. Nos diálogos de Platão, seu amigo Sócrates pulveriza 2 
a certeza absoluta de seus contendores abalando-a por meio de sucessivas perguntas, 3 
que os acabam convencendo da fragilidade de suas convicções. Séculos mais tarde, o 4 
filósofo Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de 5 
conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro 6 
passo. 7 
Lendo os jornais e revistas de hoje, assistindo na TV a entrevistas de personalidades, 8 
o que não falta são especialistas infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, 9 
na economia, nas artes. Todos têm receitas imediatas e seguras para a solução de 10 
todos os problemas. A hesitação, a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados 11 
como incompetência, passividade, absenteísmo. É como se a velocidade tecnológica, 12 
que dá o ritmo aos nossos novos hábitos, também ditasse a urgência de constituirmos 13 
nossas certezas. 14 
A dúvida corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências 15 
e buscar a verdade funda daquilo que não aparece. Julgar um fato pelo que dele diz 16 
um jornal, avaliar um problema pelo ângulo estrito dos que nele estão envolvidos é 17 
submeter-se à força de valores já estabelecidos, que deixamos de investigar. A dúvida 18 
supõe a necessidade que tem a consciência de se afastar dos julgamentos já 19 
produzidos, permitindo-se, assim, o tempo necessário para o exame mais detido da 20 
matéria a ser analisada. A dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das 21 
afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque são mais refletidas e 22 
devidamente questionadas. 23 
(Cássio da Silveira, inédito) 
 
 
 
Língua Portuguesa | 
Em defesa da dúvida 
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COMENTÁRIO DO TEXTO: 
O texto argumenta a favor da dúvida, visto que, de acordo com o autor, ela perdeu 
importância. Esse entendimento deixa claro que o título “Em defesa da dúvida” está 
empregado no sentido literal, já que o texto apresenta o contraponto da 
desvalorização da dúvida na atualidade e seu prestígio na antiguidade. 
 
Para evidenciar o prestígio da dúvida na antiguidade, primeiro, o autor cita os diálogos 
de Platão, em que o filósofo Sócrates abalava “verdades absolutas”, por meio de 
sucessivas perguntas, que mostravam a fragilidade dessas convicções, ou seja, 
instaurava a dúvida (l.2-4). Ambos importantes filósofos da Grécia Antiga. 
 
Ativando nosso conhecimento prévio: recordamos que os diálogos de Platão são os 
textos escritos pelo filósofo grego sobre os ensinamentos do seu mestre Sócrates, que 
achava mais eficiente a troca direta das ideias, por meio de perguntas e respostas 
entre duas pessoas, do que o texto escrito. Por isso Sócrates não deixou obra escrita, 
o que sabemos sobre ele veio dos registros do seu discípulo Platão. 
 
Como segundo argumento, o autor cita o filósofo francês Descartes, que considerava 
a dúvida o primeiro passo para alcançar o conhecimento, como colocado no trecho: 
“Descartes ponderou que o maior estímulo para se instituir um método de 
conhecimento é considerar a presença desafiadora da dúvida, como um primeiro 
passo” (l.5-6). 
 
Ativando nosso conhecimento prévio: René Descartes foi um importante filósofo e 
matemático do século XVI, considerado o primeiro filósofo da vertente racionalista, 
suas principais ideias eram: que a razão é inata ao ser humano e propôs um método 
mais preciso para a Filosofia, garantindo a sua confiabilidade. Assim, como defendia 
que o conhecimento deveria ser claro e distinto, excluindo tudo que gera dúvida. 
 
Em contrapartida, o autor expõe que, na atualidade, em todos meios de comunicação, 
não falta especialistas infalíveis em todos os assuntos (l.9), todos com receitas 
imediatas e garantidas para a solução de todos os problemas (l.10-11). Isso comprova 
Língua Portuguesa | 
Em defesa da dúvida 
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a tese inicial do autor de que a dúvida perdeu seu prestígio, em vista que “a hesitação, 
a dúvida, o tempo para reflexão são interpretados como incompetência, passividade, 
absenteísmo” (l.11-12), ou seja, de acordo com o texto, as dúvidas e incertezas inferem 
na nossa competência, proatividade e produtividade, três pontos fundamentais para 
o mercado de trabalho do séc. XXI. 
 
Dessa forma, com o imediatismo que marca a contemporaneidade, juntamente com 
os avanços tecnológicos, que afeta diretamente nossos hábitos e ações, como se 
“ditasse a urgência de constituirmos nossas certezas” (l.13-14). Dado que a dúvida 
pode deixar o indivíduo vulnerável, como explicado no parágrafo anterior, por isso há 
a busca, cada vez maior, de mostrar mais sabedoria acerca de tudo. 
 
Sobre essa questão, podemos ultrapassar o conteúdo do texto, para fazer uma relação 
com a teoria do sociólogo Zygmunt Bauman, que defende a teoria de que a sociedade 
atual pode ser definida como uma modernidade líquida, em que os desenvolvimentos 
tecnológicos afetam diretamente ao ritmo da nossa vida, cada vez mais acelerado, 
consequentemente, os nossos relacionamentos são líquidos e efêmeros. Essa 
associação corrobora para nossa interpretação do texto, visto que a “urgência de 
constituímos nossas certezas” (l.13-14) tem relação imediata com o conceito da 
sociedade líquida, já que impulsiona o indivíduo a dar qualquer resposta com 
convicção, sem ter analisado com calma para ver realmente se aquilo é válido ou não. 
 
Todavia, o autor contrapõe essa visão atual da dúvida, afirmando que ela 
“corresponde ao nosso direito de suspender a verdade ilusória das aparências” (l.15). 
Sendo a dúvida o principal e mais forte meio para chegar a uma verdade, pois busca 
comprovações. Desse modo, a dúvida é o caminho para o conhecimento mais 
profundo, pois questiona e contesta as verdades absolutas, assim possibilita “buscar 
a verdade funda daquilo que não aparece” (l.16). 
 
Assim sendo, no último parágrafo, o autor vai expor que o indivíduo que possui uma 
verdade absoluta, avalia a questão por um ângulo restrito e se submete aos valores já 
estabelecidos,sem investigar ou questionar, logo ele possui uma verdade superficial, 
um achismo ou senso comum. 
Língua Portuguesa | 
Em defesa da dúvida 
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O autor em defesa da dúvida expõe, que mesmo hoje, é o primeiro passo para o 
caminho das afirmações, já que “acabam sendo as mais seguras, porque são mais 
refletidas e devidamente questionadas” (l.22-23). Então quanto mais duvidamos, 
questionamos e refletimos sobre nossa realidade e valores, chegamos mais próximos 
da verdade. 
 
Questão 01 
A valorização da dúvida se deve ao fato de que ela 
a) constitui o meio pelo qual se empreende uma contestação ilusória de verdades 
dadas como irrefutáveis. 
b) vale-se astutamente de sua fragilidade como método para poder impor 
algumas verdades definitivas. 
c) permite abrir um caminho para o conhecimento ao questionar verdades dadas 
como absolutas. 
d) contribui para a valorização de verdades pré-estabelecidas por métodos 
seguros de conhecimento. 
e) implica a tentativa de se chegar a um tipo de conhecimento cuja validade 
dispensa qualquer comprovação. 
 
COMENTÁRIO DA QUESTÃO: 
➢ Observe: a dúvida é o principal elemento utilizado dentro do texto, 
consequentemente essa questão será de compreensão. 
Ao ler o texto, percebemos que a dúvida está desvalorizada na atualidade, mas 
também evidencia motivos pelos quais deve ser valorizada. Por isso, vamos analisar 
cada uma das alternativas: 
 
a) constitui o meio pelo qual se empreende uma contestação ilusória de verdades 
dadas como irrefutáveis. 
 
ERRADA: é a verdade que é ilusória. A contestação vem exatamente para 
derrubar essa verdade ilusória da contestação, a dúvida é o principal meio para 
chegar a uma verdade. 
Língua Portuguesa | 
Em defesa da dúvida 
www.focusconcursos.com.br | 15 
b) vale-se astutamente de sua fragilidade como método para poder impor 
algumas verdades definitivas. 
 
ERRADA: a dúvida não é um método frágil, pelo contrário, é o método mais 
solidificado e mais forte, de acordo com o texto. 
 
c) permite abrir um caminho para o conhecimento ao questionar verdades dadas 
como absolutas. 
CERTA: a dúvida é o caminho para o conhecimento mais profundo, pois 
questiona as verdades absolutas. Como se comprova nos trechos: “para se 
instituir um método de conhecimento é considerar a presença desafiadora da 
dúvida” (l.5-6) e “a dúvida pode ser o primeiro passo para o caminho das 
afirmações que acabam sendo as mais seguras, porque mais refletidas e 
devidamente questionadas”(l.21-23). 
 
d) contribui para a valorização de verdades pré-estabelecidas por métodos 
seguros de conhecimento. 
ERRADA: a dúvida não contribui para a valorização de verdades pré-
estabelecidas, pelo contrário, ela as contesta. 
 
e) implica a tentativa de se chegar a um tipo de conhecimento cuja validade 
dispensa qualquer comprovação. 
ERRADA: a dúvida não dispensa qualquer comprovação, muito pelo contrário, a 
dúvida busca as comprovações. 
GABARITO: C 
 
 
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Questão 02 
Diferentemente da maneira pela qual Sócrates e Descartes qualificaram a dúvida, 
o texto nos lembra que há 
a) quem pulverize a certeza inabalável com que alguns afirmam seus pontos de 
vista, juízos e convicções. 
b) aqueles que já de saída se apresentam como especialistas infalíveis em temas 
da política, da ciência, das artes. 
c) aquele que se dispõe a se pronunciar sobre algum assunto depois de ter aberto 
várias hipóteses de abordagem. 
d) quem sempre suspenda a verdade das aparências, não se furtando a questioná-
las antes de aceitá-las. 
e) quem se afasta de julgamentos definitivos para se deter sobre o que há de 
problemático numa matéria 
 
COMENTÁRIO DA QUESTÃO: 
➢ O comando coloca “o texto nos lembra que há”, se a resposta será tirada de 
dentro do texto, essa é uma questão de compreensão. 
Para responder essa questão, primeiro, temos que recordar como Descarte e Sócrates 
enxergavam a dúvida: como método de contestação das verdades ilusórias. Em 
contraponto, o texto nos lembra que, atualmente, “o que não falta são especialistas 
infalíveis em todos os assuntos, na política, na ciência, na economia, nas artes” (l.9-
10). 
GABARITO: B 
 
 
Concluo essa aula e me despeço por aqui. Espero que o 
conteúdo tenha ajudado você no processo de 
compreensão e interpretação dos textos. Agradeço a sua 
presença, mesmo que distante fisicamente, presente 
comigo quando escrevo minhas aulas pensando na sua 
aprovação. Por fim, meu querido aluno, lembre-se: leia 
muito e pratique sua compreensão e interpretação textual. 
Desejo um ótimo estudo! 
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