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ECA

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do exterior, para voltar, terá que apresentar também o atestado de 
residência, emitido por repartição consular brasileira há menos de dois 
anos. 
Nestes casos, dos artigos 83, 84 e 85, se uma empresa de ônibus ou 
avião, por exemplo, transportar uma criança acompanhada de ascendente, mas 
sem a documentação que comprova o parentesco, estará incorrendo em ilícito 
administrativo previsto no artigo 251, do ECA, aplicando-se multa. Esta norma 
tem por finalidade evitar o tráfico estrangeiro de crianças e adolescentes, como 
as adoções irregulares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Quadro comparativo: 
 
 
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DIREITO FUNDAMENTAL À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E 
COMUNITÁRIA (Art. 19 a 52): 
 
 As concepções de convivência familiar e comunitária tiveram grandes 
mudanças a partir de promulgação da Constituição Federal de 1988. Durante a 
vigência da Constituição Federal de 1967, família era somente aquela 
constituída através do casamento, sendo ele indissolúvel. O Código Civil de 
1916, que vigorou até 2002, previa que era legítimo somente os filhos 
concebidos no casamento, autorizado, porém, o reconhecimento voluntário, 
salvo se quanto a filhos “adulterinos ou incestuosos”, cujo reconhecimento de 
filiação era vedado (o que, posteriormente, foi revogado pela Lei de Investigação 
de Paternidade). 
 A Constituição Federal de 1988, confere maior ênfase aos laços de 
consanguinidade e afetividade, do que ao casamento, além disso, adota-se a 
isonomia entre filhos havidos na constância do casamento e filhos havidos fora 
do casamento, sendo vedada qualquer discriminação, segundo o artigo 227, 
§6º, da CF. 
 O atual entendimento é que a filiação passa a ser entendida como relação 
de parentesco de 1º grau e não mais vinculado ao casamento, tanto de natureza 
consanguínea (geração biológica), quanto a civil (por adoção), e seu 
reconhecimento passa a ser personalíssimo, indisponível e imprescritível, 
que pode ser oposto contra pais e herdeiros, indiferente se havidos fora ou 
dentro do casamento, possuindo os mesmos direitos, observado apenas o 
segredo de Justiça, segundo os artigos 20, 26 e 27, do ECA. 
 
9.1 Poder familiar 
 
 O poder familiar pode ser considerado como o direito/função/dever dos 
pais ou responsáveis, em relação aos deveres pessoais e patrimoniais com 
relação ao filho não emancipado, que deve ser exercido com observância do 
princípio do melhor interesse deste (ZAPATER, 2017, p. 1004). Segundo o 
artigo 21, do ECA, o poder familiar será exercido, em igualdade de condições, 
pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a 
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qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade 
judiciária competente para a solução da divergência. 
 Segundo o artigo 1.634, compete aos pais: 
 
Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação 
conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto 
aos filhos: 
I - dirigir-lhes a criação e a educação. 
II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 
1.584; 
III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; 
IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao 
exterior; 
V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua 
residência permanente para outro Município; 
VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o 
outro dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o 
poder familiar. 
VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) 
anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em 
que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; 
VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; 
IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios 
de sua idade e condição. 
 
 No Código Civil de 1916, estipulava-se o pátrio poder e não o poder 
familiar, o pátrio poder seria exercido pelo marido, sendo a mulher mera 
colaboradora, prevalecendo a decisão do pai em caso de divergência entre 
ambos. A expressão “poder familiar” substituiu a expressão “pátrio poder” no 
Estatuto da Criança e do Adolescente, a partir da Lei n. 12.010/2009, todavia, 
esse apenas foi um reflexo do reconhecimento de igualdade de direitos entre 
mulher e homens, previsto na Constituição Federal de 1988 e da alteração do 
Código Civil de 2002. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 São deveres impostos ao poder familiar, tanto para família natural, família 
extensa ou ampliada e a família substituta: 
a) Dever de sustento: provisão de subsistência material, se estiver 
estudando em ensino superior, aplica-se por analogia as regras 
previdenciárias e tributárias, que fixam idade final como dependência os 
vinte e quatro anos de idade (art. 77, §2º, da Lei n. 3.000/1999). 
b) Dever de guarda: direito ao filho de conviver com os pais. 
c) Dever de educação: abrange a educação formal, para instrução básica 
e a familiar (de crenças e cultura). 
 
 
 
 
 
 É direito da criança e do adolescente permanecer no seio familiar, 
excepcionalmente ocorrerá a suspensão ou destituição do poder familiar. O 
Estatuto da Criança e do Adolescente prevê o acolhimento institucional (que 
substituiu o termo “abrigamento”, de criança e adolescentes que tiveram seus 
direitos violados e necessitam ser afastados temporariamente da convivência 
familiar. 
A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento 
institucional não se prolongará por mais de 18 (dezoito meses), salvo 
comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente 
fundamentada pela autoridade judiciária, é o que trata o artigo 19 e parágrafos, 
do ECA. Esse recolhimento passará por reavaliação no prazo de seis meses, 
sendo que a manutenção ou a reintegração de criança ou adolescente à sua 
família terá preferência em relação a qualquer outra providência. 
A perda ou suspensão do poder familiar se dá por decretação judicial, em 
procedimento contraditório, nos casos previstos da legislação civil (art. 14, ECA). 
Vejamos, de acordo com o Código Civil: 
 
 
 
 
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a) Extinção do poder familiar: 
 
Art. 1.635. Extingue-se o poder familiar: 
I - pela morte dos pais ou do filho; 
II - pela emancipação, nos termos do art. 5º, parágrafo único; 
III - pela maioridade; 
IV - pela adoção; 
V - por decisão judicial, na forma do artigo 1.638. 
 
b) Perda poder familiar: 
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que: 
I - castigar imoderadamente o filho; 
II - deixar o filho em abandono; 
III - praticar atos contrários à moral e aos bons costumes; 
IV - incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente. 
V - entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção. 
 
c) Suspensão poder familiar: 
Art. 1.637. Se o pai, ou a mãe, abusar de sua autoridade, faltando aos 
deveres a eles inerentes ou arruinando os bens dos filhos, cabe ao juiz, 
requerendo algum parente, ou o Ministério Público, adotar a medida que lhe 
pareça reclamada pela segurança do menor e seus haveres, até suspendendo 
o poder familiar, quando convenha. 
Parágrafo único. Suspende-se igualmente o exercício do poder familiar ao 
pai ou à mãe condenados por sentença irrecorrível, em virtude de crime cuja 
pena exceda a dois anos de prisão. 
 
 O filho que não for reconhecido pelo pai, fica sob poder