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Caixa Postal: 16. 230 Cep: 22.222.97o Rio dejaneiro, Bmsil Telefaxx (021) 224~9088 E-mai/: gammond@pobox.com ORG:\\.'IZAÇÃO Paula Yone Strob TMDUmb joséLinsAlbuquerqueFilbo REYISÃO TÉC\.'ICA joséAugusto Dmmond Marcel Bursztyn Paula Yone Szroh CAPA Projeto de Paulo Ltma sobre tela de GiuseppeA rtimboldo CATALOGAÇÃO NA FONTE DO DEPARTAMENTO NACIONAL DO LIVRO 124 Ignacy Sachsz camínhos para o desenvolvimemo sus- tentável / organizaçã02 Paula Yone Stroh. - Río de Ja- neiroz Garamond, 2009. 96 p.; 12x21 cm. ISBN 85-86435-35-X 1. Ignacy Sachs, 1927 - 2. Desenvolvimento sustentável I. Stroh, Paula Yone. CDD-363.7 íApresentaçõo O Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília - CDS/UnB cons- titui um esforço de abrír a universidade aos imperatívos de nosso tempo. Em que pese a tradíção de construção científica de excelência da UnB nos vários campos do conhecimento, a realídade traz a exigêncía da instítu- cionalização de um espaço acadêmíco dedíca- do à exploração intelectual da cornplexidade imbricada nos problemas contemporan^eos. A busca de uma compreensão aberta aos crescentes desafios emanados de problemas essenciais da humanidade, como o das rela- ções entre as sociedades humanas e a nature- za, inspirou a críação do CDS, em 1995. Um conjunto de profissionais de diferentes orí- gens e formações uníu-se no propósito íníci- al de criar um programa interdisciplinar de doutorado em Polítíca e Gestão Ambienta1. Este projeto estendeu-se, posteriormente, para o Programa de Mestrado. Recentemen- te, mais um braço do projeto CDS abriu-se, Idéias Sustcmáveis com a criação do Programa de Mestrado em Política e Gestão de Ciência e Tecnologíau As linhas de pesquisa praticadas pelo CDS expressam as afínidades e competêncías dos corpos docente e discente e dos pesquisado~ res associados, sobre o príncípio da busca de processos interativos de conhecimentos pro- duzidos por diferentes campos do saber cien- tífíco. Não sendo a ínterdisciplinaridade uma mera soma de saberes unidísciplinares fecha- dos entre sí, o desafío acadêmico do CDS consiste, exatamente, na contínua e sempre ínacabada construção de um espaço universi- tário de convivência ínterativa de saberes especializados, confinados pela tradição aca- dêmica e cíentífica, em favor da construção do saber transdisciplínar, requerido para o enfrentamento dos grandes desafíos contem- porâneos da humanidade. Dando continuidade à séríe Idéias Susten- táveis, este segundo volume tem a honra de apresentar três artigos inéditos de Ignacy Sachs, que proferiu - na Condição de mentor maior do projeto de construção do CDS - a aula magna do início do ano letivo de 1999. Por razões de ordem técníca, essa conferên- cia não pode ser editada; tendo em vísta, porém, a ímponan^cia de registrar aquele even- ílgnacySachs to, são publícados neste volume três artigos extremamente representativos de Ignacy Sachs, a quem o CDS agradece pela cessão dos textos. Os agradecimentos são extensi- vos ao professor Cristovam Buarque, que prontamente respondeu ao convite para a ela- boração do prefácio deste volume. A organízadora 4VVFMMV . ._...-...-, Sumório Prefa'cio/ CrzktovamBuar ue .......................... 11q Rumo a uma Moderna Civilização Baseada em Biomassa ................ 29 Pensando sobre o Desenvolvimento na Era do Meio Ambiente ............................ 47 Gestão Negociada e Contratual da Biodiversidade ............................................. 65 ANEXOS íñefócío Ignacy Sachsz o professor humanisfo para o século XXI Cristowm Buarquã Um dia o jornalista Gilberto Dimenstein fez uma enquete entre diversas pessoas per- guntando qual tinha sido o professor de sua vida. Fui incluído entre os consultados. Mínha primeira lembrmça foí a de um 1r'mão Mar1s'ta, no Gm'as'io São Luís, de Recife, o irmão Carlos. Graças a ele, am"da no primar'ío, adquiri pre~ dileção pela matemática, especialmente pela ge- ometria. Devo a isso uma visão do mundo que busca a hmmonia e o gosto pela beleza. Ele era também professor de religião e, na sua maneira * Doutor em Economia, professor titular e ex-reitor da Universidade de Brasília, hoje atuando no Centro de Desenvolvimento Sustemáve1, que ajudou a fundar. Foí governador do Distrito Federal entre 1995 e 1998. 11 Idéias Suslcmávcis pouco dogn1á1ia1, quarcnta mos atra5", me trans- mítiu 0 sentimento da ética. Sem o irmão Carlos eu provavelmente tería outra formação, tal como ocorreria sem o que ouvia em casa, as orientações diárias de meu pai, mãe e tios. Sem as Conversas com os amigos eu também não sería 0 que sou. Viver é rodear-se de professores, aprendendo coisas todos os dias. Mas a verdadeira formação íntelectual che- ga na juventude e na primeira fase da vida adulta e, neste sentído, meus grandes profes- sores foramJosué de Castro, Celso Furtado, Darcy Ribeíro e Ignacy Sachs. Do prímeiro, através de seus h'vros, especial- mente Geogmfza da Fomez1 e de uma convivên- cía de tres^ anos em París, devo o sentimento de que o desenvolvimento econômico, tanto em seu desenho como no rnodo de implantação, não é capaz de atender às necessidades de to- dos. Com ele, percebi pela primeíra vez que as pessoas não comem o que as índústrias produ- zem. A ídéia que prevalecia atéJosué de Castro, e que eu também defendia, era que a industri~ alízação gerava riqueza, a riqueza se espalhava e todos teriam dmheiro para comprar comída e tudo mais que fosse necessárío. O mérito de 12 ñlgmcySachs Josué não se resmhge em terdenunciado a fome, mas em mostrar que a sua existência é sintoma do próprio tipo de desenvolvimento. Os textos marxistas e socialistas diziam que o problerna da fome estava na distríbuição, em decorrência da propriedade privada dos meios de produ- ção. Josué de Castro, aparentemente atras' dos socialístas, mas na verdade bem à frente deles, criticou o próprio modelo de civilização e não apenas o sistema capitalista. A Celso Furtado devo a compreensão da dinâmica do processo social brasileiro. A vida da gente se divide em antes e depois da leitu- ra de certos livros, mas alguns são um divisor maiorz Formação Econômzc'a do Brasil é um de- les.2 Ao ler este livro, ainda como aluno da Escola de Engenharig vi que havia uma concatenação de dinârrúcas na maneira como a sociedade muda. Não se tratava de teorías, marxistas ou não, mas de uma descrição da realídade mudando. De Darcy, tenho Comigo mais do que lições de lívros ou de aulas, mas uma lição de vida. Dele aprendi, além do profundo amor ínstitucional pela UnB, a importan^cia da 0usa- dia e do inusitado, o gosto pelo surpreendente.Convívi com ele mais do que com Celso Furta- do e Josué de Castro. Acompanhei seus últi- 13 Idéias Suslemávcis mos tempos e aprendi, até a véspera de sua morte, uma aula de otimismo sobre o Brasil. Este otimismo e o olhar para frente são as melhores marcas de Darcy Ribeiro sobre mi- nha formação. Mas Darcy também, tal Como Celso Furtado, me abriu a percepção do pro- Cesso histórico, além de me trazer para a militância em prol da educaçãa Talvez eu até tívesse chegado a ísto por outros meios, mas sem a sua ínfluêncía direta não teria me conso- Iidada Mas foi de Sachs que recebí a mais forte inHuêncía. Porque foi meu professor direto, meu orientador durante quase três anos e, desde então, por trinta anos, uma pessoa que me ínfluencía ern, pelo menos, doze aspectos: A Natureza O primeiro, e certamente dos maís impor- tantes, é a descoberta do valor cla Natureza. Quando chegueí a Paris, em outubro de 1970, eu era um engenheiro mecânico recém-gra- duado carregando a arrogância do saber tecnológíco e, também, um nordestíno crente no papel do desenvolvimento para transfor- mar a natureza. Para mim, e para quase todos naquele tempo, a Natureza era a despensa - de onde tiraríamos, sem parcimônía, o máxi- 14 Ignacy Sachs mo possível - e o depósito de lixo - onde poderíamos jogar todos os resíduos do pro- cesso produtivo. Anos depois, em uma entre- vista com Sachs, lembrei-lhe que ouvira a pa- lavra ecología pela primeira vez durante o seu seminário de 1970, e destaquei a importâncía decisiva de seus semínários na divulgação do conceit0. Lembro de um Professor Vasconcelos, ain- da na Escola de Engenharia de Pernambuco, que já falava dos limites físicos impostos ao desenvolvimento na Zona da Mata e da im- portan^cia do conservacionísma Mas a1n'da era uma visão loca1. Não passava o sentimento planetário que Sachs nos trouxe, aos que tíve- ram a sorte de serem seus alunos naquele final da década de 60. Graças a Sachs, o tema ec0- lógíco entrou nas minhas preocupações. Meu conhecimento de economia foi dirigido para tentar encontrar uma harmonia no processo produtivo, capaz de m'corporar a natureza como val'or. Mesmo Imnh'as dedícações tecnocrátícas, como analista de projetos, passaram a incor- porar as inquietações e líções do Sachs. A Tecnologia Impossível entender o valor da natureza sem entender o papel da tecnologia. Como enge- 15 Idéias Sustentáveis nheiro, com uma formação econômica sob o otímismo do socialismo marxista, era-me im- possível ver qualquer defeito no avanço técni- co ou qualquer restrição ao papel da tecnologia como elemento líbenador da humam"dade. Para nós, que víamos no proletariado o produto do avanço técníco, mesmo os capitalistas, como Henry Ford, tmham papel mais ímportante na construção da Iíberdade do que os humanístas, do que os libertadores políticos. Sachs fez ba- lançar estas crenças. Fez-nos ver os riscos do avmço técníco e trouxe 0 Conceíto de tecnología adaptada em resposta às tecnologias desa- daptadas. Desde os primeiros seminários de Sachs, perdí a crença na positiva neutralidade do avanço técnico. Passeí a ver Corn desconfi- ança as conseqüêncías de seu uso e a procurar encontrar formas de subordinar o avanço téc- nico aos valores étícos e objetívos sociaís. Era o contrar'io do que eu tinha aprendído até então, quando via todo o processo de evolução da humanídade subordmada ao avanço técnico. A Heterodoxia A Natureza não entraría no nosso uni- verso de reflexão se Sachs não representas- se uma heterodoxia, se não fosse um crítico de todas as linhas de pensamento, sem pre- 16 Ignacy Sachs conceito contra qualquer uma delas. Até Sachs, eu dividia o pensamento entre esquer- da e direita, marxistas e cristãos, estrutura- listas ou monetaristas. Ele me mostrou ou- tra forma de entender as coisas, sem a prísão das formas do pensar. Lembro também que - muito tempo antes - Vamireh Chacon, então professor da Faculdade de Díreito de Pernambuco, escrevera um pequeno 1ivro, Galileus Modemos, sobre a possíbilidade e ne- cessidade de uma vísão heterodoxa do mun- do.3 Mas eu ainda não estava preparado para a perda de todos os preconceítos. Em Paris, Sachs analisava as coisas do mundo elogi- ando o que via na Chína, depois de suas constantes viagens, com críticas ao que se passava na Polônia, sua terra natal. Para ele, o ímportante não era se o país tinha ou não governo socialista, mas quais resultados ele via no povo, na natureza local, na vida cul- turaL Para mím, seus seminários eram uma sur- presa a cada día; ouvir reHexões sobre fatos e problemas sem pré-referências determmando as conclusões. Nunca mais voltei a ter precon- ceitos e, desde então, passei a procurar as mi- nhas próprías formulações conceituais, usando o que aprendia de outros, sem repudiar nem 17 Idéias Sustemáveis me submeter a predeterminações. De todos os ensinamentos de Sachs, talvez seja este o que mais prezo hoje. O Surpreendente Graça5', sobretudo, àsua heterodoxia, Sachs era um ator surpreendente em seus seminárí- os. Olhando hoje para 0 passado, me parece que para ele urna boa aula não podía termínar sem alguma surpresa para seus alunos, como se ensínar fosse provocar, e não transmitir co- nhecimentos. As surpresas variavamz uma ci~ tação de um filósofo grego no meio de uma pragmátíca aula sobre a política monetária no México; a inclusão de uma notícia do jornal do dia ao falar sobre técnicas chinesas de cín- co mil anos de idade; as referências a Santo Tomas' de Aquino recheando as reHexões so- bre Marx; os exemplos sobre a cultura judadca na Polônia quando falava da situação da Zona da Mata de Pernambuco. O Rigor O risco dos teóricos heterodoxos é a falta de rigor nas análises. Sachs nos ensinou que o rígor não só era possível, como absolutamen- te necessário nas críticas. Lembro do seu cui- dado em usar as palavras, de sua busca em 18 ¡ _,4-_.. Ignacy Sachs aprofundar um assunto a ponto de sentír ne- cessídade de criar palavras que traduzissem a profundidade do conceito em elaboração. O compromisso com o rigor é uma das lições maís importantes de um professor a um alu~ no. Mas não se tratava do rigor de aprender o que já estava escrito. Para ele, o verdadeíro rigor estava em contestar as teorias existentes, desnudá-las. Os semmários de Sachs eram smp-' reases de ídéias, com um procedimento que des~ nudava o pensamento na nossa frente, desafi- ando-nos a vestí-lo, com novas roupas. O Cosmopolita Nada disso seria possível se Sachs não ti- vesse a formação cosmopolita que adquiriu ao longo de sua vída. possível dízer que a sua experiência tenha sido uma sorte, uma sofrida sorte. Emigrou pela primeira vez a1n'- da adolescente. Acompanhou o pai ao BrasíL fugindo das perseguições anti-semitas do na- zísmo na Polônia. Trouxe com ele a bagagem cultural da Europa do Leste e as tradições ju- daicas, ao lado de um pai com profunda for- mação humanista. Sachs podería ter aqui ñcado com milhares de outros imigrantes, inclusive sua própria fa~ mília. Todavia, depois de formado em econo- 19 Idéias Sustentávcis mia, fez uma raríssima e expressiva opçãoz voltou à Polônia, para colaborar com a cons- trução do socíalisma Lá, teve a sorte e o pri- vilégio de estudar e trabalhar sob oríentação de Lange* e Kalecki,5 aprendendo a teoria socialísta na prática, identifícando o papel e os limites do Estado na economia. Não contente com a versauhudade que já tm°ha, fez outra opção radical ao decídir cursar seu doutorado na Ín~ dia, onde completou sua formação procuran- do entender com clareza e sem preconceitos o papel do Estado na economíau Depois retornou à Polônía, mas teve que saír novamente em 1968, escolhendo, dessa Vez, a vida e a atívida- de acadêmíca em Paris. Uma formação mais cosmopolita do que esta, ímpossível. E aínda complementada pelo estudo de todas as áreas humanístas do co- nhecimento, sobretudo História, sem descui~ dar de uma sólída formação técníca. Este foi o professor que encontrei em Paris. Para mim, também forçado a sair do Brasil de modo tão sofn'do,París não podería ter tido melhor com- pensação. O Crz'tico Raros emígrantes judeus-poloneses voltaram àPolônia depoís da Guerra. Sachs foi um deles 20 TlgmcySachs porque ele era socialista. Mas, um socialista crí- tico. Isto para mím era novidade. Eu aprendera no Bmíl que havia socíalistas de diferentes cor- rentes, mas não tínhamos socíalistas críticos ao próprío socialismo. Aprendi com Sachs que é possível ser uma coisa sendo, ao mesmo tempo que crítico a ela. Sem mágoas ou radicalismos, ele falava do socialísmo polonês, russo ou chi- nês com respeito, ao mesmo tempo com pro- funda crítica. Igualmente, passados tantos anos e acontecímentos - o muro de Berhm' derruba- do, a Polônia capítalista formada - ele hoje faz mais críticas ao que lá acontece do que no tem- po do socialismo. Não porque houvesse me- nos razões para ísso, mas porque a crítica tem que ser em tempo real ou não é crítica, é apenas reHexãQ O Local Diferente de outros cosmopolitas, Sachs tinha e tem um apego radical aos exemplos e casos locais. Para ele, falar como cosmopoli- ta não é ser abstrato e uníversalista nos con- ceítos, mas citar articuladamente, em uma mesma au1a, detalhes de programas, costu- mes, fatos do Nordeste do Brasi1, do Sudeste Indíano ou do Leste Europeu. Até h0je, con- versar com Sachs é receber informações de- 21 Idéias SustemaWeis talhadas sobre coisas concretas e locais, ain~ da que em linguagem cosmopolita universaL Como os grandes escritores que partem do local para se fazerem universais, Sachs sem- pre partíu do concreto e do local para for- mular teorias universais. Este apego ao local fez dele uma díferença e uma referêncizL Se observarmos os seus díscípulos no Brasil, podemos perceber em cada um, no Rio Gran- de do Su1, no Rio de Janeiro, em Brasí1ia, Alagoa5', Santa Catarina ou Minas Gerais, um cuidado especial com os aspectos locais. To~ dos temos preocupações universais sem per- der a perspectíva do local. As teses que ori- entamos, os trabalhos que fazemos, os cen- tros de pesquisas que críamos ou dirígímos quase sempre têm o estudo de temas locais como principais objetivos. A Generosidade Ser aluno de Sachs era receber orientações em seu escritório, nos cafés próximos àsala de aula ou mesmo andando em direção às estações do metrô. Por mais ocupado que estivesse, ele jamais recusava um tempo ao aluno que o procurasse. Esta era uma de suas manífestações de generosidade. Mas não a úníca. Apoiou e aceitou todos aqueles que, 22 Ignacy Sachs como eu, estávamos em Paris em busca de asilo político. No começo dos anos setenta, a identidade comum de todos nós, seus a1u- nos, era a falta da Pátría. Com seus alunos, ao redor da mesa dos seminários, era possível fazer uma geografia das ditadurasz rapazes e moças da Grécia, Turquia, dos países do Leste Europeu, Irã, Brasil, Argentina, Uruguai, pouco depois também do Chíle. Enquanto os demais orientadores exigiam referêncías, cobravam currículos, Sachs exigia trabalho. Mas aceitava cada um que chegasse pedin- do-lhe um avisfavomble para inscrever-se na École Pratíque des Hautes Études. Nem o professor, nem qualquer um de nós, conta- bílizou quantos exilados polítícos evitaram a expulsão, ganharam bolsas de estudos e/ou receberam direito ao asilo, graças ao apoio e à aceítação de Sachs. Nunca negava carta de referência sincera para nos apoiar após a cen- clusão do doutorado. Quando fui convidado a trabalhar para o B]D, em Washington, ele não apenas me forneceu as referêncías ne- cessárias, como até me indicou um hotel ba- rato e próximo ao BID para me hospedar du- rante os dias em que seria entrevistado. Mais que íssoz me ensinou o percurso detalhado do aeroporto ao hotel. 23 Idéias Sustemáveis O Pragmatismo Se Sachs era generoso em aceitar e apoiar os seus alunos, foi ainda mais importante pelo pragmatismo como nos orientavm Não íosse ele, muitos de nós ainda estaríamos na França, tentando fazer uma tese ímpossíve1. Lembro de meu prírneíro encontro em sua sala, ele ain~ da com 43 anos, então com seu cachimbo, na pequena sala abarrotada de livros, em tantos idiomas e sobre tantos a5'suntos. Perguntou-me sobre minha experíência e ouviu com o maíor respeito sobre a mínha formação em engenha- ria, sobre os meus créditos feitos no mestrado em economia, sobre os meus trabalhos anteri- ores em um escritório de projetos para a SUDENE. Sem fazer qudquer comentán'o, per- guntou-me o que eu pretendía estudar em Pa- ris; expus algo extremamente teóríco sobre co- mércio internaciona1. Ele ouvíu em silêncio e dep0ís, rodando o braço com o cachimbo na mão, apontou para os livros e disse-me que, mesmo que eu passasse anos estudando o as- sunto, não faria nada melhor do que já estava em alguns dos volumes que ele tinha ali. Minha primeira reação de jovem arrogante, candidato a reinventor do mundo e das idéias, foi de frustração, perda de auto-estima. Mas ele continuou, dízendoz “Mas nenhum desses 24 Ignacy Sachs autores tem condições de escrever qualquer coísa sobre 0 Nordeste do Brasi1, como você tem, com a sua experiência de vida”. E con- cluiu: “Se quer passar um bom tempo na França aprendendo teorias e idéías, pode escolher qualquer tema, mas se quer concluir sua tese, concentre-se em reHetir sobre sua experiência e mostrar aos franceses como funciona a eco- nomia místa do Nordeste brasileíro”. Em menos de três anos minha tese estava pronta. Foí daí que elaborei a frase que durante al- gum tempo permmeceu estampada na minha sala da UnB: “A única tese realmente ruim é aquela que não foi escrita”. Pensando bem, tudo o que escrevi desde então, próxímo a um vigésimo livro, foi fruto daquele conselho prag- mátíco. Nenhum desses livros reinventou o mundo ou as idéias, mas foí o limite do meu possíveL Por ísso foram escritos. A Modéstia O pragmatismo e a generosidade só foram possíveis graças a uma grande modéstia. Pou- cos pensadores da segunda rnetade do século XX poderiam ter contríbuído teoricamente, tan- to qumto Sachs, ao grande desaño de entender a civílização em suas relações socíais e ecológi- ca5*; o papel da ciência e da tecnologia, a crítica 25 Idéias Sustemáveis às teorias e ídeologias prevalecentes. Mas ele mhda não fez isto, em razão de sua generosida- de ao dedícar seu tempo a víagens, palestras, oríentações, e pelo pragmatísmo de estudar coi~ sas concretas. Esta qualídade acaba deíxando uma frustração em seus discípulos, poís querí~ amos ter Sachs como um prêmio Nobel de Eco- nomia, por ter estado à frente do seu tempo. O Humanismo Todas a5' características de Sachs se resumem em uma palavraz humanísta. Este é um caráter raro entre economístas do século XX. Um humanísta que não apenas nos ensinou ou nos trammítiu conhecimentos, como fazem os gran~ des mestres, mas sím sua maneira de ser inte- lectual. Somos muitos os que lhe devemos, no Brasil e no mundo ínteiro, e eu estou entre os seus maiores devedores. Imagíno como tería sído díferente minha trajetória se, em Vez do humanismo de Sachs, eu tivesse caído nas ma- lhas de um professor tecnocrata. Talvez esti- vesse muito mais acomodado, maís rico, Com melhores cargos na híerarquia burocrática, mas certarnente não tería razões para escrever o que escrevi acíma. Poder escrever isso, com orgu- lho e ao mesmo tempo afeto, me faz ser ainda mais devedor do Professor Ignacy Sachs. 26 IgwcySachs Notas 1 CASTROJosué GeografíadaFome~ ODzlema' Braszlez"ro: pão ou aça Brasüiense, 9a ed., S. Paulo, 1965. 2 FURTADO, Celso. Fommçao~ Econom'zca'doBmszl'. Com- panhía Edítora Nacional, 14a ed., S. Paulo, 1976. 3 CHACON, Vanur'eh. Galileus Modemos (Elogz'o da /2eterodoxza'). Río deJanekoz Ed TempoBmsílekq 1965. 4 Oskar Lange (1904-1965), emmente econom15'ta po- lítico poIonês de oríentação marx1$'ta, foí membro da Academia Polonesa de Cíências, professor de Economia Polítíca na Universídade de Varsóvia, vice-presídente do ConSelho de Estado da Polônía, presidente da Comíssão Parlamentar do Plano Eco- nômico, Orçamento e Fm'ança3' da Dieta Polonesa, prímcüo embakadorda Polônia nos Estados Uni- dos após a 2“ Guerra, conselheíro econômíco do governo da In/día entre 1956 e 1958. Autor de va5'ta obra, da qual aquí se destaca o título publicado no BmslàlodermEconomzá Polztzca" -pn'nczpzosl'gemzs'. Río deJaneiroz Edítora Fundo de Cultura, 1963 e 1967. ÇNota da Org.) 5 Michal Kalecki (1899-1970), economista polonês, expoente do pensamento macroeconômíco, anteci- pou muitos pnhcípíos creditados à teoría keyneSLan'a. Tendo ínícíalmente publicado os seus trabalhos apenas em polonês e francês, foí pouco dívulgado até 1935, quando começou a publicar em inglês os 27 seus trabalhos sobre os ciclos cconômicos do cap¡- talísma Incorporando conceilos das tcorias econô- mícas clássicas e marxism na construção de seu pen- samento, ínflucncíou decísiwuncntc notáveis pen- sadores da escola keynesíana de Cambridgq partí~ culamentejom Robmson e NiChOLB Kal'der, como também díversos econonústas non~c-.-Lmerícanos pós- Keynes. ]oan Robmson &]ohn EamelL na clássica obraAn Introduction toModm Econom.ic3, afkmam que “Gunnar MyrdaL na Suécia; Michal Kaleckí, na Polômág e Maynaud Keynes, na Inglaterra, traba- lhando de modo m'dependeme entre si, formularam um novo díagnóstíco da ínstabílidade do Capitalis- rno”. Autor de díversos lívros, salientam-se alguns de seus títulos publicados no Brasílz Íntrodução à Teonal doCrescimento em Economzà Socza'lzs'ta, São Pauloz Brasmensq 1982; Temqàda Dínámica Econômica: en- sazb sobreas 27211dança5 ac//zcas' ea ltmgopmodaeconomzá capitalm São Paulo: Abrü CulturaL 1983; Economw em Desmwlvimentq São Pauloz Vém'ce, 1988. (Nota da org.) Rumo a Uma Moderna Civilizaçõo Baseada em Biomassa* “Uma nowforma deCimlízaçãqfundamentw da no aproveitamento sustentável dos recursos renow'7)ezs', não éapenaspossíveL mas essencza'l.” Compartílho plenamente a opinião do emi- nente pensador indiano M. S. Swaminathan. De certo mod0, todas as principais civ1l'íza- ções do passado foram civüizações fundamen- tadas na bíomassa, uma Vez que dependiam quase que exclusívamente de produtos da * Palest ra proferida no Semínarlio Intemacional de Ciência e Tecnologia Para uma Moderna Civihza'ção Baseada em Biomassa, organízada pela COPPE/UFR] e pelaENERGE em cooperação com a South-South Cooperatíon Programme on EnvüonmentallySound Socio-Economic Development in the Humid Tropics (UNESCO-MAB, UNU e TWAS) - por ocasião da Conferência da Acade- mia de Cíências do Terceiro Mundo, Río de Janeiro, 8 de setembro de 1997. 29 Idôias Sustemáveis bíomassa para sua vida rnaterialz alimentos e ração anímal (como é o caso até hoje), e tam- bém combustível, fibras para vestimentas, ma- deíra para a construção de abrígos e mobiliá~ río, plantas curativas. Ainda hoje, milhões de “pessoas dos ecossistemas”l - habitantes das florestas e população rural - lutam por sua subsistêncía nos ecossistemas próximos, ge- ralmente de modo criativo, baseado em co- nhecímento profundo sobre as ocorrências da natureza. Nosso problema não é retroceder aos modos ancestrais de vída, mas transformar o conhecímento dos povos dos ecossis~ temas, decodifícado e recodificado pelas etnociências, como um ponto de partida para a invmçabZ de uma moderna civilização de biomassa, posicionada em ponto completa- mente diferente da espiral de conhecímen- to e do progresso da humanidade. O argu- mento é que tal civilização conseguirá can- celar a enorme dívída social acumulada com o passar dos anos, ao mesmo tempo que reduzirá a dívida ecológica. Para isso, temos que utílizar ao máximo as ciências de ponta, com ênfase especial em bio- logia e biotécnícas, para explorar o paradigma do “B ao cubo”: bio-bio-bz'o. O prímeiro b re- 30 Ignacy Sachs presenta a biodiversidade, o segundo a biomassa e 0 terceíro as biotécnicas. Uma breve explícação se faz necessar'ia aqui. O estudo da biodiversidade não deveria estar límitado a um inventário das espécies e genes, por dois motívosz primeiro, porque o conceito de biodiversídade envolve também os ecossistemas e as paisagens; segundo, porque a biodiversidade e a diversidade cultural estão entrelaçadas no processo histórico de c0-evo- luçãa3 Figura 1: O Paradigma do “Biocubo” BIODIVERSIDADE BIO'I'ECNOLOGIA Necessitamos, portanto, de uma aborda~ gem holística e interdiscíplinar, na qual cí- entistas naturais e sociais trabalhem juntos em favor do alcance de caminhos sábios para 0 uso e aproveitamento dos recursos da 31 Idéias Suslentáveis natureza, respeitando a sua diversidadcx4 Conservação e aproveítamento racional da natureza podem e devem andar juntos. O desafio éz como consmwar cscolbendose estmtégzl as cowetas de desenvolvimemo em vez desimples- mente m ultiplicarem-se reservas supostamente inwblávest Comoplanqára sztstentabzl'zdade' múl~ tipla da Term e dos recursos renowbeif Como desenbar mna õlmtegHá divmzfaadw de ocupação da Term, na qual as reserws restritas e as reser- ws da biosfem tenlmm seu Íztgar nas normas estabelecuíwpam o territónb a serulílímdopam usosprodurivos? O uso produtivo não neces- sariamente precisa prejudicar o meio ambí- ente ou destruír a diversidade, se tíverrnos consciência de que todas as nossas ativida- des econômicas estão solidamente fincadas no ambíente natural. Conforme foí mencíonado, a biomassa co- letada ou produzída em terra e na água pode ser utilizada para diferentes fm's. Peço empres- tado o díagrama dos “5-F”, do ProfessorJyoti Pankh', no qual' os F representa alimento ffood), supr1m'entos Çfeea), Combustível ffue1), fertihz°an- tes (fertilz'zer5) e ração animal industrializada me Os usos da biomassa seriam otimizados na escolha da combinação certa dos “5-F”, em sis- 32 Ignacy Sachs temas integrados de alimento-energia adapta- dos às diferentes condições agroclimáticas e socioeconômicas Este assunto tem sido exten- sivamente discutido no Brasil, na In,día e em outros países em desenvolvimento, no quadro do Programa Nexus de Ahm'ento-Energía (Food- energy NexusProgmmmejpromovido pela Uní- versidade das Nações Unidas.5 O programa enfatiza o potencial dos sisternas produtivos artifícíais, análogos a ecossístemas naturaís. Nosso sucesso na criação de projetos sustentá- veís dependerá enormemente de nossa habíli- dade em desenvolver tais sistemas deprodução e em torná-los cada vez maís produtívos atra- Vés da aplicação da cíêncía moderna. Figura 2: Otimização do Uso da Biomassa LALIENTO FERTILIZANTESUPRIMENTO BIOMASSA V / \HAÇA'0COMBUSTÍVEL INDUSTRIALIZADA As bíotecnologias terão um papel primor- díal neste esforço de alcançar ambas as extre- 33 Idéias Sustentáveis midades da cadeia de produção, propiciando, por um 1ado, um aumento na produtividade de bíomassa e, por outro lad0, permítindo uma expansão na faíxa de produtos dela derívados (ver Fígura 1). Uma tarefa operacional primordial é a de disponibílizar a biotecnologia moderna para os pequenos fazendeíros, capacitando-os as- sím, a particíparem da segunda revolução verde (também denominada revolução duplamente verde).° Por mais difícil que possa parecer, essa tarefa não é impossíve1. Exíge, todavia, uma séríe de polítícas complementares (acesso jus- to àterra, ao conhecimento, ao crédito e ao mercado, bem como uma melhor educação rural'). Igualmente ímportante na busca de uma moderna cívílização de biomassa serão os es~ forços direcionados em favor do desenvolvi- mento de uma química verde, como comple- mento ou até como substítuto pleno da petroquímíca, trocando a energia fóssil por bí0- combustíveís. Para os países tropicais, esta oportunidade éparticularmente desafíadora. O Clima tro- píca1, por muito tempo encarado como uma defíciência, desponta agora como uma dura- doura vantagem comparativa natural, por permitir produtividades maiores que as apre- 34 7 Ignacy Sachs sentadas nas Zonas temperadas. Freqüen- 1emente, diz-se que os recursos naturais per- deram sua importância diante dos recursos humanos e do conhecímento. Esta é uma verdade parcial. Uma boa combinação de re- cursos naturaís abundantes e baratos,força de trabalho qualificada e conhecimento mo- derno resulta em uma vantagem comparati- va inigualáveL Obviamente, há que se ter cuidado com os ecossístemas frágeis e proteger as populações contra as doenças tropicais. Mas, hoje, sabe- mos como superar estes problemas, mesmo cientes que aínda há um longo camínho para o sucesso desta tarefa. Portanto, os países tropicais, de modo ge- ral, e o Brasil, ern partícular, têm hoje uma Chance de pular etapas8 para chegar a uma mo- derna cívilização de b1'oma33'a, al*cançando uma endógena “vitórza' tripla”, ao atender símulta- neamente os critérios de relevanACía social, pru- dêncía ecológíca e viabílídade econômica, os três püares do desenvolvímento sustentável (ver Fígura 3). Conforme nos lembra Sérgio Buarque de Holanda, ao iniciar a sua Célebre publícação,9 o Brasil nasceu de uma tentativa de se trans- 35 Idéias Sustentáveis plantar a cultura européia para um extenso território, dotado de condições naturais bem díferentes daquelas familiares à cultura do lo- cal de origem. Outro intelectual brasileiro, Gilberto Freyre, antecipou o conceíto de “tropical1"smo”. Não é precíso concordar Com o que ele disse sobre a adaptação do povo português em terras tropicais (luso- trop1'ca.1'ísmo) para reconhecer a sua vísão pio- neíra de uma civílízação orígínal dos trópicos, am'da por ser inventada. lc Este é exatamente o assunto em pauta. Figura 3z Padrões de Crescimento Impactos Econômicos Soaals" Ecológbos 1. Crescun'emo desordenado + +2. Cresamento soc1al' benígno 3. Cresamc'mo ambiemalmcnte sustemável 4. Desenvolvímento Um dos primeiros escrítos de Gilberto Freyre sobre o tropícalismo abordou a região amazônica. Os atuais esforços em andamen- to para criar a Agenda 21 para a Amazônía“ referem-se explícítamente à cívílização da bíomassa. No ordenamento de algumas prí- oridades em cíêncía e tecnologia necessárías 36 XV,V\\7__l Ignacy Sachs a uma estratégia de desenvolvimento susten- tável na Regíão Amazônica, podemos usar como ponto de partida a divisão entre a f10- resta intacta e a área desflorestada. Na prí- meira categoria, devemos distinguir as flo- restas habítadas por grupos humanos das Ho- restas virgens. Na segunda Categoria, deve- mos considerar separadamente as Horestas secundárías (capoeiras) e todas as demais áre- as. A Figura 4 ilustra algumas possíveis li- nhas de ação para um aproveitamento racio- nal da natureza na Regíão Amazônica. A Figura 4: Possíveis Lm'has de Ação para um Aproveitamen- to Racional da Natureza na Região Amuônica FLORESTAS ARIEAS DESFLORESTADAS om W [A] = reservas natívas [B] = reservas extrativas e da biosfera [C] = cídades e povoados ® = farnílias agrícolas ou süviculturaís, em dlversos níveís, adaptadas aos ecossistemas 37 *' Idéias Sustemáveis amazônicos e seguíndo .~1tenciosamente a ar~ quitetura da Horesta ® = Horestas enriquecidas ® L3) = áreas plantadas @ = áreas de coleta de produtos Horestaís não-madeireíros e cortes seletivos de madei~ ras. A línha pontílhada indica a falta de inte- resse das companhias madeireiras em eXplo- rar as Horestas secundárias, Consístíndo as suas estratégias, principalmente, em pr1m'eiro Corte de florestas natívas ®L5) = outras produções ecologicamente se- guras (Com referência especial à de- mestícação de espécíes anímais e vegetais loca1"s) Com esses objetivos em vista, podemos, agora, Voltar às priorídades de pesquisa. As dez sugestões a seguir não são exaustívas em hipótese alguma. A sua finalidade é apenas 1l'ustrat1'va. 1. Necessitamos, certamente, de melhor compreensão quanto ao funcionamento clos díversos ecossistemas da Região Amazôni- ca.12 A iníciativa da Large BiospbereA tmospbere desponta como um passo importante nesta direçãa13 38 Ignacy Sachs 2. Em paralelo com a pesquisa baseada em macrodados, há que se prosseguir com a cria- ção de bancos de dados locais sobre a biodiversidade. Alguns trabalhos pioneiros, na In,día, demonstram a possibilidade de se alcan- çar esta meta, mantendo em mãos natívas o controle desses bancos. 3. Por razões já explicadas, o estudo da dí- versidade bíológica e cultural deve ser condu- zido em Conjunto por grupos de cíentistas naturais e sociais; é necessário um grande es- forço neste sentído. 4. O uso sustentável da bíodiversídade re- quer, ao mesmo tempo, a Capacidade de rea1i- zação de pesquisa avançada no campo da eco- logia molecular, nos Caminhos das línhas sugeridas pelo PROBEM/Amazônia em 1996 e pelo Instituto Butantã (Uníversídade de São Paulo). 5. O estudo de sistemas de produção inte- grada, adaptados a3'\ condições loca1"s, deve pros- seguir em diferentes escalas de produção, des- de a agricultura familiar aos grandes sistemas comerciais. Ambos têm lugar em uma estrate-' gia de desenvolvimento sustentáveL 6. Um tema ímportante para pesquisa é a Críação de equípamentos para armazenamento, 39 Idéias Sustemáveis transpone e processamento de produtos flo- restais, inclusive os meios de transportes não- convencionais (zepehn's) e unidades móve15' de benefícíamento (fluvíais). 7. Diferentes sistemas locais de geração de energia (baseados em biomassa, miniidre- létricas, eólicos e solar) devem ser projetados e testados. 8. Uma importante área de pesquísa mui- to negligencíada é a da modernízação das téc- nícas empregadas pela agrícultura familiar de subsistência. A melhoria no funcíonamento deste setor tem impacto díreto sobre a vida das populações envolvidas, pela conseqüen- te líberação de parte da mão-de-obra para atividades oríentadas pelo mercado. 9. A modernízação dos sistemas de produ- ção existentes pode assumír maior complexí- dade com o acoplamento sucessivo de novos l ~ / c .modulos de produçao. Ja f01 menc1onada a possibílidade da domesticação de espécíes 10- cais como, por exemp10, a agregação da pisci- cultura à agricultura familiar. 10. O dimensionamento de sistemas de ser- viços sociaís em domicílío (educação e saúde), adaptados as\ condições específicas da Ama- zônia rural com sua população dispersa ao 40 Ignacy Sachs longo dos ríos. Esta é uma prioridade de pes- quisa, considerando que um maior acesso a tais servíços é fundamental para o funciona- mento maís eficiente dos sistemas de produ- ção e para a melhoría das condíções de vida. O mesmo vale para a comunicação, tanto no acesso às amenidades culturais como as\ tão necessárias informações sobre as condições de mercado etc. A lista acima apresenta um desaño grande, porém possíveL O imponante é notar que ele atravessa muitos campos do conhec1m'ento. A criação de uma moderna civilização de biomassa não deveria ser assunto apenas do pessoal de laboratório, aínda que esta contri- buição seja realmente decisiva. Fehz'mente, não estamos começando a part1r' de rascunhos. Um trabalho consíderável já foi executado sobre o assunto, no Brasil, In,dia e em outros países, e muito mais está sendo concluído. O semíná- rio do Río deJaneiro foí preparado para pas- sar em revista a pesquisa brasileira sobre o uso da biomassa e compará-la com as experiênci~ as da Ínclía14 e de outros países. A escolha da data e local é simbólíca. O encontro ocorre símultaneamente à Conferência da Academía de Cíências do Terceiro Mundo e suas con- clusões serão apresentadas a seus notórios re- 41 Idéias Sustentáveis presentantes, na esperança de que íncentiva- rão atívamente a cooperação da South~South em torno do tema da moderna cívílízação de b1'oma5'sa. Fínalizando, reafírmo minha forte crença de que o progresso nesta direção pode auxi~ líar os países em desenvolvimento na ínven- ção de seus padrões endógenos de desenvol~ virnento ma1"s justos e, ao mesmo tempo, com maior respeito pela natureza. O controle do potencial de bíomassa nos trópicos dá aos cíentistas do Terceiro Mundo a oportunida~ de de pular etapas, na frente dos países indus- tríalizados. E ao pratícarem o aproveitamen- to racional da natureza os países tropícais es~ tarão contríbuindo para um gerenciamento globalinteligente da biosfera. Como foi ex- posto em um relatório recente, o Brasil e outros países tropicais têm todas as Condi- ções de se tornarem exportadores da susten- tabílidade,15 transformando o desafio ambíental em uma oportunídade. 42 Ignacy Sachs Nofos 1 Tomo emprestada a expressão usada no excelente livro de Madhav Gadgü e Ramachandra Guha, 1995, Ecology and Equity - 77Je use zmd abuse ofnature in contempommIndza'. Nova Delhíz Pengum Books. Os autores contrastam os povos dos ecossistemas com os “omnívoros”, que tendem a desapropriar e ex- pulsar os prímeiros, para satísfazer sua ânsía consum1s'ta. Ver tambérrg dos mesmos autores, 1993, Tbis Fzs'sured Land -An Ecologicalst'tory ofIndza'. Delhíz Oxford University Press. 2 Invenção é a palavra certa, por necessitarmos de no- vas soluções e não de transposição mímica de so- luções desenvolvidas para outros ambíentes socíoculturais-naturais. Ver MENDES, Armando Días, 1977,A Invença~odaAmazon^zaÀ Manaus: Edito- ra da Uníversídade do Amazonas. A ênfase no de~ senvolvimento endógeno não deveria ser confun- dida com a falta de interesse em se benefícíar da experíêncía de outros povos. 3 A ecología moderna assemelha-se Cada vez mais à H1s'tóriaNatural Para uma m'terpretação m'teressante, ver Botk1n°, D. B., 1990,DzkcordantHamwmâA New Ecologyfor tbe215t Centmy Oxford Urúversity Press. Também, Larrêre Catherme 8c Larrêre RaphaêL Du bon usage de la mzture - pour une pbilosopbie de len”m'ronnemerzt Pans': Aubier, 1997. 43 Idéias Sustcmáveis 4 Conformc enfatizado por C. e R. Larrêre (op. cit.), este aprovcimmcmo é .s'ubsidi.'1do pcla ccologia e as Lécnims nclc c¡11preg.'1d.-Is são reguladas por prin- cípíos étícos. 5 Ver Sachs, I. (em colaboração com D. Silk), 1990, FoodandEncrgy StmtcgliesforSHstainablc llwlopment Tóquioz United Natíons Universíty Press. 6 Ver Gríffon, M. e Weber, ]., 1995, La révolution doublement wna économic et institutions, Sermn'm"'o URPA, Futuroscope de Poitíer, ó págs., novembro de 1995. 7 A ímponâncía de pulam etapas seletivamente no pro- cesso de descnvolvimento tem sído corretamente enfatizada por José Goldemberg, 1996, Energy, Environment êDeUelqümmL Londresz Earthscam que a define como a incorporação precoce de tecnologias de alto nível,por países em desenvol- vimento. Goldemberg díz que... “apesar de sua atratívidade, pular etapas não devería ser considera- do como uma estratégia uníversaL porque algumas vezes os produtos e tecnologias necessáríos não estão dísponíveís nos países em dc~senvolvímento, ou não são exatamente adequados às suas necessi- dades” 81). Eu proporia que o conceito de pular etapas seja expandido, de modo a íncluir as inova- ções originaís obtídas pelos países em desenvolvi- mento antes que os países índustrializados, através da concentração das pesquísas cm tópicos selecio~ nados como os maís Lm'portantes. 44 Ignacy Sachs 8 Para uma discussão das soluções com “vitórias tri- plas”, ver Sachs, L, 1995, SeartbingforNewDezdopment Stmtegze5' - 779e Cballenges ofSoczaJSummit, além dos demais anigos elaborados para o Encontro Mundi- al para o Desenvolvimento Social, em Copenha- gue, UNESCO, Paris, 6 a 12 de março de 1995. 9 Sérgío Buarque de Holanda, 1996, Raízes do Brasxl São Pauloz Companhia das Letras, p. 31: “... a tenta- Líva dc implantação da cultura européia em extenso lerritório, dotado de condições naturals', se não ad- versas, largamente estranhas à sua tradição m11'enar, ê, nas origens da sociedade brasüeira, o fato domí- nante e maís rico em conseqüências... O certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece partícípar de um 51s'terna de evolu- ção próprio de outro cluna' e de outra paísagem...” 10 Para uma anal'íse m'teressante sobre o tropícalismo de Gilberto Freyre, ver o ensaío de Samuel Benchímol, 1996, “Borealísmo Ecológico e Tropicalismo Ambiental”, in Clodovaldo Pavan (coord.) Uma Estrategza" latinoAmerzampamaAmw zo^nza'. MMA/ Memorial; São Pauloz Ed. UNESP, p. 345-349, volume 2. Para uma avalíação geral do tra- balh'o de Güberto Freyre, ver Darcy RibeLr'o, 1997. Gentzdadõ'. Porto Alegrez LõCPM, p. 7-89 1 1 Agenda 21 pam a Amazômà - Basepam Dzs'cu$soes”. Mm'istérío do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Amazônia Legal, Secretaria de Coordenação dos Assuntos da Amazônia, Brasüía, março de 1997. 45 Êy“, 12 A Regíão Amazôníca engloba muitos ccossktemax Azxi N. Ab'Saber está ceno em msistir na necc-ssida. de de se considerar os problemas emergcmes de cada uma das 27 sub-regíões. Ver as suas contribuições em Bmzdzàn Perspeaiw on SuslainableDewlopment of tlJeAmazon Regiom editado porM. Clüsener~Godte P d b I. Sachs, UNESCOPMIhenomPar15'-Car1'1fonh-Nova ensa n o so re o Iorque, 1995. p. 287-303, e Uma Est7a'tegm" LatinaA me Dese n VO lVi mento n C E ra nca'naparaaAmazon^1á(op.cit.),volume3,p. 56-105. '\ do Meio Am bl'en1.e 13 lmgeScaÍeBWmAtnuxfeWExpmmentinAlmomà (LBA) - Concise Expemn'ental' Plan, INPE, Cacho- eíra Paulísta (SP), abrü de 1996. 14 Além dos artígos preparados para este semínárío 5 pelo Professor Shukla e por Vinícius Nobre Lages, 2 Dn apmveitamento racional da nature- za para a boa sociedade* Ios dois livros a seguír merecem atenção especíalz J ¡,' Ravm'dranath, N. H. e HalL D. O., 1995, Biomass, Energy and Environment - A Developing Country Perspectivefrom Indza'. Oxford Universíty Press, Oxf dN I To,qm.o eV nkata 3,P 1- as lembranças da Grande Depressão e dosOr ' Ova Orque- , e ' Raman . a S . e Snn'ívas, S. N. (edit.), 1997, Biomass Enengy Systems \ horrores d egunda Guerra MundlaL forne. C ^ . . cer os fundamentos ara o sistema das Na-- Anals da onferencm Internauonal em 26-27 de p fevereíro de 1996, Nova Delhí, Tata Energy çoes un_ídas e imPUISíOHar OS processos de. descolomzação.Research Inst1tute. 15 IPEA, 1997, OBrasilna VzmdadoMilenWb - Teorzá do Cnasdmento eDewçosdoDõenwlwmenta Bmsíhà IPEA, p. 156-158, julho de 1997. Desenvolvimento e direítos humanos alcan~ çaram proeminência na metade do século, como duas ídéias-força destínadas a exorcizar A onda da conscientização ambíental é am'- da maís recente - embora ela possa ser parcial- y' Artigo preparado para o 5° Encontro Bienal da l International Society for Ecological Economícsz “Beyond Growthz Policies andInstitutions for Susta.ínab11'ity”, San- tiag0, Chile, 15 a 19 de novembro de 1998. Idéias Sustcmáveis mente atribuída ao choque produzído pelo lan- çamento da bomba atômica em Híroshima eà descoberta de que a humanídade havia alcan- çado suñciente poder técníco para destruir even~ tualmente toda a vida do nosso planeta. Para- doxalmente, foí a aterríssagem na Lua - outro feito técnico e científico grandíoso - que des- pertou a reflexão sobre a finitude do que então era denornínado Espaçonave Terra. A opíníão pública tomou-se cada vez mais consciente tanto da limítação do capital da natureza quanto dos perigos decorrentes das agressões ao meio ambíente, usado como depósito. A Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, de 1972, ocorrida em Estocolmo, colocou a dimensão do meio am- biente na agenda internacíonal. Ela foi pre- cedida pelo encontro Founex, de 1971, implementado pelos organizadores da Con- ferência de Estocolmo para discutir, pela pri- meira vez, as dependências entre o desenvol- vimento e o meio ambiente, e foi seguida de uma série de encontros e relatórios internaci- onaís que culmínaram, vinte anos depois, com o Encontro da Terra no Rio de Janeiro. ARevolução ambzemal (Nicholson) teve c0n- seqüêncías éticas e epistemológícas de longo 48 Ignacy Sachs alcance, as quais inñuenciaram o pensamento sobre o desenvolvimento. À étíca ímperativa da solidariedade sincrônica com a geração atual somou-se a solídariedade diacrônica Com as gerações fu- turas e, para alguns, o postulado ético de res- ponsabilidade para com o futuro de todas as espécies vivas na Terra. Em outras palavras, o contrato social no qual se baseia a governabílidade de nossa sociedade deve ser complementado por um contrato natural (MichelSerres). As conseqüêncías epistemológicas são, tal- vez, a1n.da mais Contundentes. Francisco Sagasti argumenta que o paradigma básico do pensa- rnento Científico, herdeíro de Bacon e Descar- tes, Chegou ao fim no que concerne à preten- são §de dominar a nau;ureza.l Estamos também, cada vez mais, tendo outros pensamentos so- bre a barganbafaustimána, a crença ilimitada nas vírtudes do progresso técnico. A ecologização dopensamento ÇEdgarMonn') nos força a expandir nosso horizonte de tem- po. Enquanto os economístas estão habitua- dos a racíocinar em termos de anos, no max”i- mo em décadas, a escala de tempo da ecología se amplia para séculos e milênios. Simultane- 49 Idéias Sustentáveis amente, é necessário observar como nossas ações afetam locais dístantes de onde aconte. cem, cm muitos casos implicando todo o pla. neta ou até mesmo a biosfera. A ecologia moderna desistiu dos modelos de equilíbrio, emprestados da econornía, para se tornar uma históría natural que abarca cen- tenas de milhares de anos. Toda a história da humanidade, muito mais curta, deve conse- qüentemente ser reexaminada em termos da integração entre as duas, tendo o conceito de co-evolução como categoria central. É írôni- co que, em um momento em que a seta do tempo atravessa todas as disciplinas Científi- cas, a economia, cuja origem está entrelaçada com a história, vai em sentído contrário. Não é de admírar que tenha se tornado uma ciên- cía sombria. Para além do Crescimento Econômico Durante a preparação da Conferência de Estocolmo, duas posições díametralmente opostas foram assumidas, pelos que previam abundância (tbe cormtcopian5) e pelos catastrof1s'tas (doomsaym). Os primeiros consideravam que as preocu- pações com o meío ambiente eram descabi- 50 Ignacy Sachs das, pois atrasariam e inibiriam os esforços dos países em desenvolvimento rumo à in- dustrialização para alcançar os países desen- volvidos. Em grande escala, 0 meio ambiente não era uma preocupação de peso para as pessoas ricas e ocíosas. A prioridade deveria ser dada à aceleração do crescimento. As externalidades negativas produzídas nesse rumo poderiam ser neutralizadas posterior- mente, quando os países em desenvolvimento atíngissem o nível de rendapercapita dos paí- ses daenvolvídoa O otimzs'mo epzst'emolo'gzc'o era popular entre políticos de direita e de esquer- daz soluções técnicas sempre poderíam ser con- cebídas para garantir a continuidade do pro- gresso materíal das sociedades humanas. Do lado oposto, os pessimistas anuncia- vam o apocalipse para o dia seguinte, caso o crescímento demográfico e econômíco - ou pelo menos 0 crescímento do consumo - não fossem imediatamente estagnados. Ao ñnal do século, a humanidade poderia encamar a triste alternativa de ter que escolher entre o desapa- recímento em conseqüência da exaustão dos recursos ou pelos efeitos caótícos da poluíção. Alguns desses pessimistas eram maltbuszànOL Para eles, a perturbação do meio ambíente era conseqüência da explosão populacionaL como 51 Idéias Sustentáveis se o número de não-consumidores - a maio~ ria pobre - ímportasse maís do que o consu- mo excessivo da minoria abastada. No encontro de Founex e, mais tarde, na Conferência de Estocolmo, ambas as posições extremas foram descartadas. Uma alternativa média emergiu entre o economicismo arro~ gante e o fundamentalismo ecológico. O cres- cimento econômíco aínda se fazia necessárío. Mas ele devería ser socialmente receptivo e 1m'p1ementado por métodos favorâveís ao meio ambiente, em vez de favorecer a incorporação predatória do capital da natureza ao PIB. A rejeição à opção do crescimento Zero foi ditada por óbvías razões socíais. Dadas as disparidades de receitas entre as nações e no ínteríor delas, a suspensão do crescimento es- tava fora de questão, pois isso deterioraria ain- da maís a já ínaceítável situação da maioria pobre. Uma distribuição díferente de proprie dade e renda era certamente necessáría. Esta era uma tarefa politícamente dífíciL mesmo em condições de crescimento relativamente rápido, e provavelmente impossível em sua ausência. Por outro lado, a conservação da biodi- versidade não pode ser equacíonada com a 52 ,y'4 Ignacy Sachs opção do não-uso dos recursos naturais precípuos. Por ímportante que seja, a institui- ção das reservas naturais é apenas um instru- mento das estratégias de conservação. O con- ceíto de reservas de bíodíversidade da UNESCO- MAB nasceu da compreensão de que a conser- vação da biodiversidade deve estar em har- monia com as necessidades dos povos do ecossistema (M.Gadg11', R. Guha). De modo geral, o objetivo deveria ser o do estabelecimento de um aproveitamento racio- nal e ecologícamente sustentável da natureza em benefícío das populações locaís, levando- as a íncorporar a preocupação com a conser- vação da bíodíversídade aos seus própríos in- teresses, como um componente de estratégia de desenvolvimento. Daí a necessídade de se adotar padrões negocíados e contratuais de gestão da biodiversídada2 O paradigma do caminbo do mei0, que emer- giu de Founex e do encontro de Estocolmo, inspirou a Declaração de Cocoyoc, em 1974, e o influente relatório Wbat Now, em 1975. Este trata de um outro deserzvolw'mento, endógeno (em oposição à transposição mimética de paradigmas alíenígenas), auto-suficiente (em Vez de dependente), oríentado para as necessi- dades (em lugar de dírecionado pelo merca- 53 Idéias Suslcntávcis do), em harmonia com a natureza e abeno às mudanças ínstítucionads.3 Quer seja denomínado ecodesenwlvímento ou desenvolvímento sustentáveL a abordagem fundamentada na harmonização de objeti~ vos sociais, ambíentaís e econômicos não se alterou desde o encontro de Estocolmo até as conferêncías do Rio de Janeiro, e acredito que ainda é válída, na recomendação da uti- lização dos oito Crítérios distintos de sustentabílidade parcíal apresentados no Ane- xo 1. A crítica ao crescimento selvagem e a aná~ lise de seus custos sociais e ambíentaís esti~ mularam uma extensa literatura e a formula- ção de imponantes conceitos, como zlyrougbpuf e perversegrowtla (crescírnento perverso),5 como também a reinterpretação do conceíto mar- xísta defauxfsz (falsos custos) ou na Concep- ção de George Bataílle la part maudite (lado maldito) (rendímento desperdiçado e riqueza esténl'). Mesrno aqueles dentre nós que consideram que o crescímento, devidamente reformulado em relação a modalídades e usos, é Condição necessáría para o desenvolvímento, aprende- ram a distínguir entre os padrões de aprovei- 54 Íwm$;,-w Ignacy Sachs tamento de recursos e o crescimento que leva ao verdadeiro desenvolvímento, ao contrárío daqueles que sustentam o mau desenvolvimen- to ou até mesmo, em casos extremos, o retro- cesso (ou involução). De maior ímportância, pelo lado positivo, foi a intensa reflexão sobre as estratégías de economia de recursos (urbanos e rurais) e so- bre o potencíal para a implementação de ativi- dades direcionadas para a ecofezcien^czà e para a produtivídade dos recursos (reciclagem, apro- veitamento de líxo, conservação de energia, água e recursos, manutenção de equipamen- tos, infra-estruturas e edifícios visando à ex~ tensão de seu cíclo de vida).6 Para além do Mercado A Hístória nos pregou uma peça crue1. O desenvolvirnento sustentável é, evidentemen- te, incompatível com o jogo sem restrições das forças do mercado. Os mercados são por demais míopes para transcender os curcos pra- zos (Deepak Nayyar) e cegos para quaisquer considerações que não sejam lucros e a efíci- êncía smíthiana de alocação de recursos. Em um excelente livro sobre as virtudes e limita- ções dos mercados,7 Robert Kuttner demons- trou que a eñciência smithiana raramente anda 55 _ _TD lívro de Kuttner é valio tra que nem tudo estáà so porque rnos- venda, ao mesmo tempo quílíbrío entre o merca- edade c1v11, consíderan~ do, o Estado e a soci alizar e corrigir os seusexcessos e defíciêncías. Creío que ele defineas perspectívas corretas para o re-dimensionamentodas economias mistas e, ao mesmo tempo, para a reabilitação do p1a- nejamento, uma ferramenta índispensável para projetar e promover estratégias de de- senvolvimento sustentáveL Subsídios bem dimensionados podem ter um importante papel na promoçao de padroes, .de aproveitamento de recursos sustentavels. No momento, entretanto, a malor parte dos 56 Ignacy Sachs subsídios está mal direcionada. Os subsídios aos combustíveis fósseis, energia nuclear, trans~ pone rodoviário e pesca têm um efeito per- Verso clevastadon8 Os complexos assuntos referentes à ges- tão dos “bens internacionais” e outros itens do “patrimônio comurn da humanidade” merecem uma alta prioridade. Para muitos de nós, deve ser evitada a atribuição de va- lores comerciais a esses recursos, assun' como o escopo de res communis deve ser ampliado para incluir os grandes blocos do conhecí- mento tecnológico. Os acordos recentes sobre propríedade íntelectual têm caminha- do no sentido contrário, constituíndo, con- seqüentemente, severo retrocesso para os países em desenvolvimento. Por outro lado, alguns neoliberais chegam ao ponto de pro- por a líberação da mão invisível do merca- do, privatizando todo o capítal da natureza e dos serviços do ecossistema para entãousá~lo como garantia para a emíssão de títu-los, numa espécíe de curml glolmL9 Provave1-mente, essa loucura foí incentívada pela re~cente e totalmente inverossímil tentatíva deatribuír valor aos serviços do ecossistema Inundial e ao capítal da natureza.1° Espera-mos que isso não víngue. 57 Idclias Sustcnúvcis Para além da separação Norte~Sul O desenvolvimento sustemável é um desa- fío planetárío. Ele requer estratégias comple- mentares entre o Norte e o Sul.“ Evidente~ mente, os padrões de consumo do Norte abas- tado são insustentáveis. O Cnverdecimento do Norte implica uma mudança no estilo de vida, lado a lado com a revítalízação dos sístemas tecnológicos. No Sul, a reprodução dos padrões de con- sumo do Norte em benefícío de uma pequena mínoría resultou em uma apartação social. Na perspectiva de democratízação do desenvolvi- mento, 0 paradigma necessita ser complemente mudado. Por príncípío, o Sul podería ter evita- do alguns dos problemas que estamos atra- vessando no Norte se tivesse pulado etapas em direção à economia de recursos, orientada para os serviços e menos íntensamente mate- rialízados, em prol do meio ambíente e da ele- vação do padrão de pobreza.12 No entanto, é improvável que isso aconte- ça sem sinais claros de mudanças no Norte em relação ao efeito demonstrativo dos seus padrões de consumo sobre a população do Sul, maxímizados pelos processos de globalização em âmbito cultural 58 Ignacy Sachs Além disso, o Norte deveria assumir os es- forços para a provisão dos recursos necessári- os ao financiamento da transição do planeta para um desenvolvimento sustentáveL princi- palmente porque o total de recursos envolvi- dos é relativamente1imitado. Seria suficiente que os países industrialízados transferissem, por meio de assistência sociaL O,7% de seu PIB. Apesar de esta modesta meta ter sido re- afirmada na Cúpula da Terra, o IDH tem caí- do, desde então, a um nível sem precedentes. A Conferência Rio+ 5 não teve sucesso em reverter esta tendência adversa. A separação Norte-Su1 é tão enorme como sempre e as perspectívas são sombrías. A ONU tem tido um sucesso proemínente na promoção da conscientízação ambientaL íncorporandoa ao conceíto de desenvolwm'en- to multidimensionaL Nos 20 anos decorrídos entre as Conferêncías de Estocolmo e a do Río, alcançou-se um substancíal progresso em ter- mos da ínstitucionalização do interesse pelo meío ambiente, com o lançamento do Progra- ma do Meio Ambiente da ONU e com o avan- ço na proteção do meío ambiente global por uma série de tratados internacíonaís. Como tentei mostrar, o pensamento sobre o desen- volvimento tem sido totalmente transforma- 59 _ÍdéiasSustcntáveis do. Ainda assim, o processo chegou a parar e,ate a se reverter, em um momento em que seria necessário um grande passo à frente para dar configurações concretas à Agenda 21. Chõ gou o momento de retomar estes temas e in- serir novamente na agenda de separação Nor- te-Sul. Ao mesmo tempo, pode valer a pena colocar juntas as duas idéías-força menciona- das no início deste artigo, reconceítualizando- se o desenvolvímento como apropriação efe- tiva de todos os direitos humanos, políticos, socíais, econômícos e culturais, incluindo-se aí o direito coletivo ao meio ambíente. Para além da economia ecológica Para concluir, faZ-se necessário al'guma5' pa- lavras sobre a ciência sombria. Maís do que nunca, precísamos retornarà economzápolúztm que é díferente da economia, e a um planeja- mento Hexível negociado e contratuaL símul- taneamente aberto para as preocupações ambíentaís e sociaís. Ê necessária uma combi- nação viável entre economia e ecologia, pois as ciências naturaís podem descrever o queé precíso para um mundo sustentáveL ma3' com- pete às cíências socíais a articulação das estra- tégias de transição rumo a este caminha13 As- sim, confesso que tive algumas dificuldades 60 Ignacy Sachs com a economia ecológica, em razão da au- Sência de simetria entre as dimensões ecológi- Cas e sociais, ainda que muitos economistas ecológicos tenham uma agenda social mais ou menos explícita. William Kapp, cujo trabalho píoneiro sobre custos socíais e ambientais de empresas prívadas t'em sido la maior fonte de inspiração para multos de nos, estava prova- velmente certo ao postular o nascimento de uma nova dísciphhaz a eco-so'czo'economza'. 61 TldãasSustcmáveis Notos 1 Sagasti, F., 1997, 7799 Twiligbt ofzbe Bacomán Age_ Agenda Peruz L1m'a. 2 Ver Larêde, C. R., 1997, Du bon usagc de Ía natura Parísz Aubíer; Singh, S., 1998, “Biodiversíty Conservation Through EcodevelopmenL Plannmg and Implememationz Lessons from Indía” in Aragon, L. E. e Cluse"ner-Godt, M. (edít.), Resemas da Biofsera eRõerwsExtmtívzktax Conscrvaçao~ da Biodiwrszdade'e EcoDesmvolvimenta Belerrr/ UNAMAZUNIESÃCQ p. 21- 90; Sachs, L Ncgoaátedand ContramtalManagementof Biodivmizy anigo apresentado na S=gcunda Confe- rêncía Internacional da European Socíety for Ecologícal Econorm'cs, Genebra, 3-4 de março, 1998. 3 Ver W7aatN0w, 1975, relatórío deDagHammarskjõld sobre desenvolvimento e Development Dzálogua nú~ mero 1-2, Uppsala. 4 Vero 1m'porta.nte livro deAyres, R. U., 1998, Tuming Poínt - 779eEnd to tbe Growtb Pamdigm Londresz Earthscan Publications. 5 Tenho utílízado este termo em referência ao cresci- mento que não leva ao desenvolvimemo sustentá- vel, com uma conotação um pouco díferente do termo uneconomic growtlo (cresc1m'ento não-econ0^ mico) usado por Herman Daly. 6 Verz Ayres, R. U. (op. cz't.) , Von Weúsãckeg E., Lovms', E.B., 1997, FadorFourDouZing Wealtly, Halving 62 TlgnacySachs Rcçourw Use, The New Report to the Club ofRome. Londresz Eanhscam Sachs, W., Loske, R., Linz, M., 1998, Greening tbe Nortb -A PostJndustrzál Blueprint forEcologyandEquity Londres e Nova Iorque, Zed Books. Tenho mostrado, em outros 1ugares, que es- sas ativídades correspondem ao conceito de M. Kdeckí de non-inwtmentsourca ofgrowtb (fontes de crcscimemo sem ínvestimentos) - a redução da taxa de deprccíação real e uma melhor utLl'1za'ção da capacidade produtiva existente. Muitas dessas atívi- dades são autofinanciáveís em termos macro- econômicos graças à economía de recursos. Ver Sachs, I., 1999, “L,éconorníe politíque du développement des economies mixtes selon Kaleckiz Croíssmce t1r'ée par l,emp10í”, in Mondes en Dew'loppement (no prelo). 7 Kuttner, R., 1997, EvaytbingforSale - 777e Virtues andLimits 0Market5. Nova Iorquez Alfred Knopf. 8 Myers, N., 1998, “Liftm.g the Veü on Perverse Sub- sídíes”, in Àaítum vol. 392, 26 de março de 1998. 9 Ver Ch1'ch11'm'sky, G. e Heak', G., 1998, “Econornics returns from the biosfere”, in Nature, vol. 391, p. 629-630, 12 de fevereíro de 1998. 10 Costanza, R. etal., 1998, “The value of the World,s ecosystem services a.n'd naturalcapítal”, in Ecological Econ07n16, n° 25, p. 3-15. 11 Para maiores detalhes, ver Sachs, I., 1993, LEcodeLdoppenm›'- Szrateg26"deTmminowpourleWVl Szec\'1e. Pans': Syros.Pub1icado no Bmsüin BURSZTYN, 63 \ e P . p) . 'Maml (0rg,), 1993,Í.1MÍuzsm oDasenvolwmemgosm~ tentáueFà São Pau102 Ed. Brasüíensa 12 Víde L'\.UTPD, 1998, Hmnan DmdopmentRepom Nov Iorque. a 3 13 Ver 0 ímeressame dossiê Bríndging “Economics and ecology”, in Natum vol. 395, edição 6701, p_415 e 4.76-434, 1° de outubro de 1998. Gestõo Negociada e Contratuo| da Biodíversídadé Os povos têm príoridade máxima, como diria Michael Cernea (198ó), ou, nos termos de John Friedmann (1996), os díreítos dos povos à vída têm prioridade max"1'ma. A centralidade do meu argumento baseia- se no entendimento que o desenvolvimento éo processo histórico de apropriação uni~ versal pelos povos da totalidade dos direi- tos humanos, indivíduais e coletivos, nega- tivos (1iberdade contra) e positívos (1iberda- *' Extraído de Sachs, I., Soczál Smtainability and WÍbole Developmem, migo prepmdo para a UNESCO-MOST, no projeto Sustainable Development as a Concept for the Social Sciences, do Institut für Sozial-Õkologische Forschung GmbH, Frankfurt, novembro de 1996. Este projeto faz parte do Programme on Management of SocialTransformatíons, da UNESCQ 65 J Idéias Sustcntáveis de a favor), significando três gerações de díreítosz políticos, cívicos e Civis; sociais, ec0- nômicos e culturais; e os díreitos coletivos ao desenvolvimento, ao meio ambiente e à cídade (Bobbio, M., 1990 e Lafer, C., 1994). O decal'ogo de direito àvida, de Frieclmemm1 passa por vários díreitos indivíduais e coleti- Vos, fornecendo as bases para um novo con- trato social que o Estado deveria honrar antes de dar atenção a outras reivindicações. Assirn, nesta perspectiva, “... o crescimento econômi- co não é maís tido como a procura cega de crescimento por sí mesmo, mas como uma expansão das forças produtívas da socíedade com o objetivo de alcançar os direitos plenos de cídadanía para toda a população.” Isto concerne não só às pessoas que nos são contempora^neas, com as quais viajamos juntos na Nave~Terra, como também a todas as gerações futuras (Rajni Kothari, 1998). A ecologização do pensamento, proposta por Edgar Morin, exige a expansão dos horizon- tes geográficos, para englobar todo o planeta, senão o universo, e efetivamente refletir sobre o processo de longa duração do processo g10- bal de co-evolução de nossa espécíe e o plane- ta em que vivemos. A ecologia moderna é, em grande extensão, uma análíse da interação da 66 ,...~<~W _\,. ñ_ Ignacy Sachs história natural com a história da humanida- de, como pode ser vísto em Discordant Harmomes', de Botkín (1990). Estamos, portanto, na fronteira de um du- plo imperatívo éticoz a solidariedade s1n°crôníca com a geração atual e a solidariedade diacrôníca com a5' gerações futuras. Alguns, como Kothan', adícíonam uma terceíra preocupação éticaz o respeito pela ínviolabilidade da naturezaz “O respeito à diversidade da natureza e a responsa- bilidade de conservar essa díversidade deñnem o desenvolvimento sustentável como um ídeal ético. A panír da ética do respeito à diversidade do Huxo da natureza, emana o respeito à diver- sidade de culturas e de sustentação da vida, base não apenas da sustentabilidade, mas também da igualdade e justiça” (Kothari, 1995:285). A conservação da bíodiversídade entra em cena a partír de uma longa e arnpla reflexão sobre o futuro da humanidade. A biodí- versidade necessita ser protegida para garantír os direitos das futuras gerações. Todavia, 15°so não quer dizer que a proteção deva se concretízar exclusivamente em santua'- rios invioláveís, mesmo sabendo-se que há a necessidade de uma rede de áreas protegidas como parte 1m°anente da gõtão temtorzáL 67 Idéias Sustentáveis ° A natureza selwgem, ou seja, a natureza sem pessoas, é um conceito muito presente no pensamento consewacíonista americana De qualquer modo, na maíor parte do mun- do, é um rnito, uma idealização das pessoas e povos da Horesta (Díegues, A. C., 1996). O que acreditamos ser Horesta vírgem é uma realídade que tem sido profundamente altera- da e, por vezes, enriquecída pela presença do homem, conforme documenta a pesquisa ar- queológíca na Região Amazônica. Também devemos lembrar que vivem na Inldia maís de 60 milhões de pessoas em condíções tríbais. ° A multiplicação de reservas sem os mei- os necessários para a sua proteção efetíva é uma polítíca autoderrotada. As pessoas retira- das das reservas ou impedídas de nelas entra- rem para coletar os produtos florestais de que sempre dependeram consíderam ísso uma ví- olação do seu direíto àvida. Reagem ínvadin- do essas reservas, que, deste modo, tornam-se em todos os sentidos áreas de lívre acesso, res nullis presa fácü da pílhagem. Tomando dístância do otímismo episte- mológico e da crença ilímitada nas soluções tecnológícas condensadas no escrito de Julian Simon, fico com Hubert Reeves, que díz que as pessoas são “os produtos mais 68 ñlgnacySachs complexos e de maior atuação da natureza” (Reeves, 1990.°147). A palavra atuação de- nota, aqui, a capacídade de alterar significa- tivamente o meio ambiente para melhor ou para pior. Como espécie inteligente e com notável capacidade de adaptação, devería- mos ser capazes de criar uma economzá deper- manen^cza', como propõe]. C. Kumarappa, dis- cípulo de Gandhí. Na economia de perma- nêncía, a satísfação das genuínas necessida- des humanas, autolimítadas por princípios que evitam a ganância, caminha junto com a conservação da biodiversidade. Uma simbiose entre o homem e a natureza é, então, alcançada (Michel Serres, 1990). Du- rante mílêníos, aprendemos a transformar ecossistemas naturaís em campos e jardins auto-sustentalveís quando geridos conveni- entemente. Com a contríbuíção da cíência contemporânea, podemos pensar em uma nova forma de cívílização, fundamentada no uso sustentável dos recursos renováveis. Para o notável cíentista indiano M. S. Swaminathan, isto não apenas é possível, mas essencial. A economia de permanência deveria estar afirmada na perenidade dos recursos, ísto é, na habilidade de transformar os elementos 69 \-~ Idéias Sustentáveis do meio ambiente em recursos sem destruir o capital da natureza. O conceíto de recurso é Cultural e históríco. 0 conhecímento, pela sociedade, do potencial do seu meio ambien_ te. O que hoje é recurso, ontem não o era, e alguns dos recursos dos quaís somos depen- dentes hoje, serão descartados amanhã; as- sím caminha o progresso técníco. Deveríamos confíar o rnáxímo possível no Huxo de renovação dos recursos. Entretanto, capacidade de renovação dos recursos - signi- ficando este termo o suporte básico da vida, água, solo e clíma - requer uma gestão ecológi- Ca prudente, pois não se trata de um atributo concedido de uma única vez, para sempre. Em outras palavras, precísamos aprender como fazer umaprorueitamento sensato da nature- za para constnnrmos uma boasoczbdade (Larred\e C. & Larrêde R., 1997). A conservação da biodiversídade é condição necessária do de- senvolvimento sustentáveL já reconhecída pela “Río-92” e ínscrita na Convenção da Bíodíversidade. E, reciprocamente, como ve- rernos a seguír, o ecodesenvolvimento profes- sa um caminho apropríado de conservação da biodiversidade, provavelmente 0 mais apro- príado, ao assumír a harmonízação dos obje- tivos sociaís e ecológícos. 70 ñlgnacySachs Algumas palavras sobre a sustentabilidade cabem aqui. Muitas vezes, o termo é utilizado para expressar a sustentabilidade ambienta1. Creío, no entant0, que este conceito tem di- versas outras dimensões. Deixem-me enu- merá-1as, brevemente: - a sustentabilidade social vem na frente, por se destacar como a própría finalidade do desenvolvímento, sem contar com a probabi- lídade de que um colapso social ocorra antes da catástrofe ambiental; - um corolârioz a sustentabilidade cultural; - a sustentabilidade do meio ambientevem em decorrência; - outro corolário: distribuição territorial equilibrada de assentamentos humanos e ati- vídades; - a sustentabilidade econômica aparece como uma necessídade, mas em hípótese al- guma é condição prévia para as anteriores, uma vez que um transtorno econômíco traz' consi- go o transtorno social, que, por seu lado, obs- truí a sustentabílidade ambiental; - o mesmo pode ser díto quanto àfalta de governabílidade política, e por esta razão éso- berana a ímportância da sustentabüídade polí- 71 - novamente um corol sustentabdidade do sistem .ário se íntroduz; a a mternacional para. as guerras modernas são nãoapenas genoc1das, mas também ecocidas ~p_ar.a o estabelecimento de um sistema de am1n1stração para o manídade.2 e d-. ^ .patrlmonlo Comum da hu- P ~asso, agora, à conservaçao da biodi- ver51dade pelo ecodesenvolvimento. Sob esse nome, a India está irnplementando d1versos prOJêtOS em torno de reservas de tí- gres e em parques nacionaís, com suporte ati- vo do Global Environmental Fund - GEF. Nesses projetos, o ecodesenvolvimento é de- finído Como “uma estratégia para a proteção de áreas ecologicamente valiosas (áreas prote gídas), em face de pressões insustentáveis, ou ínaceitáveís, resultantes das necessidades e ati- vidades dos povos que vivem nelas ou no seu entorno” (Singh, S., 1997:48). Este esforçoé feito em três sentidosz - identificando, criando e desenvolvendo alternativas sustentáveis de recursos de bíomassa e renda; 72 Ignacy Sachs ÊÍ~x~a~WNNM~~áwahãmüáhhnVOIVCIICIO as pessoas que v1vem no en-- e _ tegldas, nos planos de con- - cultivando a conscientiz\ação da lcomuni- dade local quanto ao valor e a nece551d~ade de proteção da área, assim comlo aos padroes de sustentabilidade de um cresc1mento local apro- priada O ecodesenvolvímento requer, dessa ma- neira, 0 planejamento local e particípativo, no nível micro, das autoridades locaís, comuni- dades e associações de cídadãos envolvidas na proteção da área. Para alguns autores mais radicais, é necessário também o reconhecimen~ to dos direitos legítímos aos recursos e às ne- cessidades das comunidades locaís, dando a estas um papel central no plamejamento da pro- teção e do rnonitoramento das áreas protegi- das, permitíndo uma interação saudável entre o conhecimento tradícíonal e a Ciência moder- na (Kotharí et aL , 1995). Também poderia citar as experiências pio- nelras em Madagascar e as pesquísas lá cond.uzidas porJacques Weber e o grupo de Pesqulsa GREEN/C1RAD Weber,]. 1994; Sachs, I- ÕC Weber, J., 1997), assím como o South~ South Cooperatíon Programme on 73 *_-=M g' S o Idelas ustentávels Environmentally Sound Socio-Economic Development ín the Humid TroPics _ UNESCO/MAB-UNU-TWAS-UNAMAZ. Este últímo corresponde a trabalhos de ecodesenvolvimento das “zonas tampão”e das zonas de transição das chamadas reservas da bíosfera, onde são admitidas atividades hu. manas controladas. O que lá é Válido, aplica~ se afortiori em sítuações nas quaís a5' restríções ambientaís são menos rígidas. Além disso, ao juntar pessoas que traba- lhern em países diferentes, onde prevalecem condíções ecossistêmícas similares, a variá- vel meío ambíente pode, por assim dizer, ser colocada fora desses pare^nteses. O que per- manece dentro de parênteses é a diversidade cultural. Desse modo, as pesquisas sobre biodiversídade e sobre diversidade cultural apresentam-se intimamente articuladas. de se esperar que tal programa possa ser repro- duzido em outros ecossístemas, algum dia, de modo a explorar mais sistematicamente a matríz ecossistemas/culturas. Lída horizon- talmente, essa matriz mostra a diversidade cultural nas respostas a desafios ambientais símilares. Lída verticalmentg fornece-nos um imigbt da adaptabílídade de uma cultura a di- ferentes condíções naturais. 74 de gestão dos recursos, como também com a organízaçao de um processo participativo de ídentífícação das nece551da- des, dos recursos potenciais e das manelras de aproveitamento da biodíversidade corno ca- minho para a melhoria do nível de Vída dos povos. Esse processo eXige, obviamente, a presença de adwcacyplanm de algum típo, que atuem como facílitadores do processo de ne- gociação entre os staleeholders (atores envolvi- d.OS) - população local e autorídades - subsi- dlado por Cientístas, assocíações civis, agentes eConômícos públicos e privados. Geralmente, _essas negociações são dolorosas devido aos lnteresses antagônicos, como demonstra um VrÊCente estudo sobre os desafíos ao desenvol- 1mento sustentável de base comunitáría. De mas tradícionaLS 75 íldms Sustentáveis qualquer modo, elas representarn um bedo ponto de partida para o de dagens sobre a gestão ambien al, 1997). In-vln'~ Spertar de abor_ tal (Leach, M_ et ^ ' / .O ex1to esta, todaV1a, na necessária trana ~ s~formçao dos resultados da negociação ea mum contrto entre os staleeboldem Podemos fal~ ar) recmsos, pedra fundamental par senvolvímento sustentáveL3 a qualquer de_ Uma condlção importante é garantir que )efet1vamente, a população local receba uma faua dos benefícios resultantes do aprovei- tamento de seus saberes e dos recursos ge- néticos por ela coletados, que devem ser pro- tegídos da bíopírataría. Esta é uma condi- ção de alta relevância. A evolução de todo debate sobre a propríedade intelectual tem, como sabemos, pendido para o lado errado. Esta questão ínfluenciará muíto na ímplementação da Convenção da Biodi- versidade. A abordagem negociada e partícipativaé crucialmente ímportante em áreas sensíveis, como as Horestas tropicaís. Mas pode, tam- bém, ser frutiferamente aplícada no contexto das economías desenvolvidas. 76 IgnaCY SaChS o interessante é dado peIOS 33 aís Regíonaís da França, OS roximadamente dez por centO acional e contam com umla rior a meío milhão de hab1- dismbuída em 2.7OO comunida.des. mntes, / en anoso, de certa forma, v1sto ESte nmomíceroerreggío"es com ecossistemas frá-5:1_r:em/Ou com importante herançta natural ou hgistórica cujos habitantes neg.oc1.aram entre si um acordo definindo o_s ObJCthOÊ do de- senvolvimento e as modahd.ades de 1mplaln- taçãa Os acordos são negoc1ados, por per1- odos de dez anos, entre os representantes das comunidades, departamentos e reglões, com a participação das organizações de C1'dad_ãos. Um órgão místo formado pelas comun1da- des ínteressadas no parque é incumbido da sua gestão. No ano passado, esses parques celebraram 30 anos de existêncía. Podem ser vistos como os predecessores do ecodesen- volvimentof se considerarmos o importante papel assumido neles pelas organizações de cidadãos. A questão agora é como Iucrar com a eXPeríência acumulada na administração comratual Partícipatíva, em áreas não rec0- nheddas COmO parques nacionaís. Um passo nessa direção pode ser dado medíante con- do territórlo n População supe 77 Idéías Sustentáveis tratos co-assinados por díversas comunida des. Para concluír, a abordagem negocíada e contratual vai aJém da gestão da biodíversidade Argumente1, em_outras situações, que ela pode vír a ser a pedra Íundamental de um caminho do meio dos regímes democráticos, Como res- posta criatíva para a atual crise de paradigmas - o colapso do socialismo real, o enfraqueci- mento do Estado do bem-estar (weflare states)e o não-cumprimento das promessas da contra- revolução neolíberal (Sachs, I., 1998). Mas lss'o já é outra hístória. 78 Ignacy Sachs Notas 1 Parto auxilíado profissíonalmente, um espaço segu- ro dc vida, uma díeta adequada, atend1m'ento médi- co acessível, educação boa e prátíca, partícipação política, uma vída economicamente produtíva, se- guro contra desemprego, uma velhice digna, um funeral dccente (Friedmann',]. p.169, 1996). 2 Os critérios de sustentabilidade estão descritos no Anexo 1. 3 Estou de pleno acordo com M. Jollivet et al, 1997, no que foi escrito em um editoríal m'u'u11ado Toward a ncgociated Development?: “... A era da passagem forçada da decísão do poder político em nome doprogresso pela técnica está termmada Pode haver descnvolvimento se as vias não estão consentidasP Pode haver consennmento se não há d1'al,ogo, e díá- logo se não há compromissoP Estamos mdo para o fím da soberania ímplícita (no sentido literaL ou seja, pOlÍLíCO, do termo) da técnica, que a associa, de fato, às formas de autorítarísmo polítíco desem- penhados no quadro da democracia.> Um desen- volvun'ento sustentável não é fundamentalmente um desenvolvmento 'negociado, ?” 4 Ver, panícularmenteg o seu mamf-'esto Parcs Naturels Régionaux, 1997, apresentado emjunho de 1997 por ocasião das festividades do seu trígésimo aniver~ san'°o. 79 Idéias Sustentáveis Referêncios biblíográficas BOBBIO, N. 1990, L E'tà dci Diritti, Turimz Giulio Einaudi Edítore. 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Cultural: - mudanças no interior da continuidade (equi1íbrio entre respeito à tradição e íno- vação); - capacidade de autonomia para elaboração de um projeto nacional integrado e endógeno (em oposição às cópias servis dos modelos alienígenas); 85 Idéins .S'uslcntávcis - .'1uloconfíança Combinada com abertura para o mundo. 3. Ecológica: - preservação do potencial do capital natu- reza na sua produção de recursos renovavels; - limítar o uso dos recursos não-renováveis- , 4. Ambiental: - respeitar e realçar a capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais; 5. Territorial: - configurações urbanas e rurais balancea- das (elíminação das inclínações urbanas nas alocações do investimemo público); - melhoria do ambiente urbano; - superação das disparidades inter~regionais; - estratégias de desenvolvimento ambíental- mente seguras para áreas ecologícamente frágeis (conservação da bíodiversidade pelo ecodesenvolvímento). 6. Econômic0: desenvolvímento econômíco m'tersetor1a1 equilíbrado; - segurança alímentar; ' * ~ /- Capaudade de modernlzaçao contmua 86 TlgmcySachs clos intrumentos de produção; razoável nível de autonomia na pesquisa científíca e tecnológica; inserção soberana na economia interna- cional. Política (nacional): - democracia defínída em termos de apro- príação uníversal dos direitos humanos; 7. - desenvolvímento da Capacidade do Estado para implementar o projeto nacional, em parceria com todos os empreendedores; / / ~ o - um mvel razoavel de coesao soc1al. 8. Política (internacional): - eficácia do sistema de prevenção de guer- ras da ONU, na garantia da paz e na pro- moção da cooperação internacíonal; - um pacote Norte-Su1 de co-desenvolvi- mento, baseado no princípio de igualda- de (regras do jogo e compartilhamento da responsabílidade de favorecimento do parceiro maís fraco); - controle ínstitucional efetivo do sístema mternacional fínanceiro e de negócios; - Controle instítucional efetívo da aplicação do Princípío da Precaução na gestão do 87 ,..v meio ambiente e dos recursos naturais- prevenção das mudanças globais negati: vas; proteção da diversídade biológica (e cultural); e gestão do patrimônio glob como herança comum da humanidad al, eí - sistema efetivo de cooperação cíentífica e tecnológica m'temaci0nal' e elirmhação par. cial do caráter de commodity da ciência e tecnologia, também como propriedade da herança comum da human'1'dade. Anexo 2 Biografia Síntética de Ignacy Sachs Ignacy Sachs nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1927 e desde 1971 é cídadão francês. Vi- veu parte de sua juventude no Brasi1, onde realízou seus estudos secundário no Lycée Pasteur, em São Paulo, e universitários na Fa- culdade de Ciências Politícas e Econômicu do Rio deJaneíra Entre 1954 e 1957 foi pes- quisador do Instituto Polonês de Assuntos Intemacionais e professor da Escola Central de Planejamento e Estatística e da Universida- de de Varsóvia. Víveu na Índía entre 1957 e 1960, onde doutor0u-se em economia pela Universídade de Delhí, em 1961. Retornando àPolônia, foi professor na Escola Central de Planejamento e Estatístíca de Varsóvía e díre~ tor do Centro de Pesquisas em Economías Subdesenvolvidas, na mesma cidade, até 1968. Desde então, é díretor de pesquisa da École 89 Idéias Sustentáveís des Hautes Études en Sciences Sociales, em París, ocupando a cátedra de pesquisas ínterdísciplinares sobre o planejamento do de- senvolvimento. Entre 1973 e 1985 foi diretor do CIRED - Centre International de Recherche sur1”Envíronnement et le Développement. De 1985 a 1996, foí diretor do CRBC - Centre de Recherches sur le Brésíl Contemporaín, como responsável pelo doutorado em Pesquisas Comparativas sobre 0 Desenvolvimento na Maison des Scíences de l'Homme e editor do Cahiers du Brésil Contemporaín. Atualmente é diretor de pesquisa eméríto da Ecole des Hautes Études en Sciences Socíales e co-dire- tor do CRBC É ímpossível arrolar todos os acontecimen- tos envolvidos na vida de Ignacy Sachs, na sua determinação de fazer progredir o debate in- ternacional do desenvolvimento sustentável - que, alias', está intimamente atado à inñuência dos seus ensinamentos, desde o semínárío in- ternacional de Tóquío sobre os Desafios das Ciências Sociaís em Face do Meio Ambiente, em 1970. Em rápídas píncelada5', Ignacy Sachs foi assessor chefe do secretaríado geral da Nações Unidas nos preparativos da Confe- rência de Estocolmo, em 1972, e deste mesmo lugar partícipou das conferêncías deFounex e 90 Ignacy Sachs Cocoyoc, assím como das diversas conferên- cias regionais sobre meio ambiente e desen- volvimento. Neste processo, dirigiu, em 1972, a míssão CEPAL/PNUD para elaboração de um plano de desenvolvimento de longo prazo do território amazônico no Peru. Em 1973 parti- cipou da organização da unidade de meio ambiente da CEPAL. Entre 1974 e 1976 cola- borou para a implantação do Centro de Ecodesenvolvímento do Méxíco. Em 1976 re- digiu o capítulo sobre meio ambíente para o relatório RahapmgtÍaeIntematzbnal Order, apre- sentado no Clube de Roma. É de sua autoria (1977) o documento de base apresentado na Conferência sobre Ecodesenvolvimento, or- ganízado pela Agência Canadense para o De- senvolvimenro Internac1'onal'. Desde 1977 vem colaborando incansavelmente com diversos organísmos encarregados da proteção ao meío ambiente e Com uníversidades brasileiras. Entre 1983 e 1987 foi díretor de programa da5' Ínterfacaalimentaça~oenergm', da Universida- de das Nações Unidas e alí organizou confe- rências internacionais realízadas em Brasília, 1984, e Nova Delhi, 1986, como também di- versos colóquios na América Latina, Áfríca e Ásia. Desde 1990 é assessor da UNESCO no Programa de Coooperação Sul-Su1 para o 91 ecodesenvolvimento dos trópicos úmidos. En- tre 1991 e 1992, panicípou ativamente da pre_ paração da “Rio-92” como assessor especial do Secretariado Geral da ONU para o Meío Ambíente e Desenvolvimento. Na condição de assessor da Secretaría da Amazônia Legal do Ministérío do Meío Ambiente brasileiro,é co-autor da AmazômaHAgenda 21, publicada em março de 1997. Ignacy Sachs integra o conselho editorial de revístas especializadas em diversas partes do mundo e já atuou como professor convi- dado de um grande número de universidades na Inglaterra (notadamente Cambr1'dge), Bél- gica, Países-Baíxos, Suíça, Itálía (notadamente Rorna, Pádua e Bolonha), Polônia, Portugal, Can'adá, Estados Unidos (notada.mente UCLA, MIT e Harvard), Méxíco, Colômbia, Venezuela, Peru, Chi1e, Argentína, Senegal, Nigéria, Tanzânia, Irã, InÍdia, China eJapão, além do Brasil. Atualmente, na França, éin- tegrante do Grupo Interministerial de Avalia- ção Ambíental, tendo partícipado da elabora- ção de díversos estudos e grupos de trabalho. Desde 1996, é membro da Comissão para 0 Desenvolvmento Sustentável do Mmístério de Meío Ambiente francês, além de participar de 1m'portantes entidades cívis correlatas ao tema. Anexo 3 Bíblíografia Ignacy Sachs é autor de um imenso acervo de trabalhos publícados em livros, artígos, an~ tologías e comunícações em diversas partes do mundo. Regístra-se, aqui, apenas uma amostra de seus livros e capítulos de livros publícados no BrasiL Livros Gzpztdzàmo deEszzzdo eSubdesmwlwmentan droes~ desetorpúblzbo em economzas'sztbdesenwlvzdas.' Petrópolisz Vozes, 1969. Ecodesmwlúmmtoxrescersem destmir Salo~Pau- 10:Vértice, 1986. Espaços, tempo-seestrategzas"dodesmwlúmenta São Pauloz Vértice, 1986. Estmtégzás de tmnsição para o século XXI: de- senvolvimentoe mezb ambzema São Pauloz Studío Nobel,- FUNDAP, 1993. Idêias Sustcntáveis Capítulos de Iivros “Enf0ques de la política del medio ambi- ente”. In:J.a Gallego Gredílla (org.), Economza' del medío ambzmte Río deJmeiroz Mmlsutério da Fazenda, 1974, p. 73-96. “A questão alímentar e o ecodesen- volvímento”. Inz M.C. de Souza Minayo (org.), Razz'6 da Fome. Petrópolisz Vozes, 1985, p. 135-41. “A interface entre as questões energétíca e alimentarz obsetívos do Sernínárío”. Inz Anazs' do Seminánb Inmwbnal (E'C0$szs'temas,Alimem tos eEnergza°”Í Vol 1. Brasílíaz UNESCO; Rio de Janeiroz FINEP, 1985, p. 5-14. “Nov35' necessídades do planejarnento nos países subdesenvolvídos”. Inz A nais do Encon- tro “C0tzd'za'no PopularePZanejamento Urbomoñ São Paulo: USP, 1985, p. 27-36. “Formas de ajuda externaz uma anallise eco- nôrníca”. Inz M. Kaleckí, Economwem desenvoL vimenta São Pauloz Vértice / Edítora Revista dos Tribunais, 1987, p. 65-90. “Qual' desenvolwmento para o século XXL>”. Inz M. Barrêre (coord.), Terra, pazñmômb comum' a czmcza'^' cz servzço do mezb ambzeme edo desmwlvà mento. São Pauloz Nobel, 1992, p. 117-13O 94 Ignacy Sachs “Ecodesenvolvimento (1972-1992)”. Inz D. Maimon (ed.), Ecologzá edesmvolvimmta Rio de Janeiroz APED, 1992, p. 7-11. “Estratégías de transição para o século XXI”. Inz M. Bursztyn (org.), Pampensar o desmwlvi- mento sztstentcível São Pauloz Brasílíense, 1993, p.26-56. “Rumo à Segunda Revolução Verde?”. Inz P.F. Vie1r'a ôc M.P. Guerra (orgs.), Bzod'i7)er$zckzde,' 1910'Zemologzas' eecodesmwlúmmta Anaxs' do Pri- meiro Simpósio NacíonaL Osol énosso.'pe7$pec- tiws de ecodesenvolvimento pam o BmsiL Floríanópolisz UFSC, 1995, pp. 21-25. “Desenvolvimento sustentável, bíoindus- trialização descentralizada e novas Configura- ções rural-urbanas: os casos da In,dia e do Bras1I'”.In: P.F. Vieira e]. Weber (orgs.), Gestczo~ de reatrsos natztmzk renowívezke desenvolvimenta Novosdesafzospamapesqmàa ambzemal São Pau- 10: Cortez, 1997, p. 469~494. Obra publicada em homenagem a Ignacy Sachs VIEIRA P. Freire etaL (orgamz'adores), 1998, Deserwolvimento eMeio Ambiente no Bmsil -A C0ntnb'1uç'ão delgnacy Sacba Porto Alegrez Edíto- ra Pallotti; Florímópolisz APED. 95