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Cap16_2005

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socorro e
indicar a posição do sinistro o mais cedo possível.
O transponder radar (SART) funciona sob quaisquer condições de tempo ou
visibilidade. Quando ativado por um pulso radar (na faixa de 9 GHz), emite um sinal
de resposta, detectável na tela daquele radar, sob a forma de traços bem definidos.
Os equipamentos de radiolocalização serão tratados com mais detalhes no
Capítulo 17.
16.3. Procedimentos – Não se deve saltar sobre as balsas salva-vidas e sim
nas suas proximidades. O abandono deve ser feito preferencialmente por barlavento,
devendo o homem nadar até a sua balsa. No que se refere às balsas que se localizam
a sotavento, tão logo possível, devem ser deslocadas para barlavento do navio.
Deve-se evitar saltar sobre destroços e em locais onde haja óleo. Saltar com
o colete vazio, protegendo o pescoço e os órgãos genitais (de pernas cruzadas), e
nunca pular de cabeça e sim de pé.
Considerando que todos os náufragos já estejam distribuídos pelas balsas,
não havendo mais ninguém na água para ser recolhido, as balsas devem ser mantidas
agrupadas, amarrando-as entre si através de suas boças, evitando dessa forma que
venham a se dispersar. As embarcações miúdas que já tenham sido lançadas ao
mar poderão auxiliar no agrupamento das balsas, redistribuição de feridos e outros
serviços que se fizerem necessários. Isso provê apoio mútuo, eleva o moral e facilita
ARTE NAVAL818
na localização pelas unidades de busca. A amarração entre as balsas deve ser bem
folgada, para que não haja trancos em virtude do movimento das vagas. Os cabos
para essa amarração devem ser fixados no local próprio, ou na linha salva-vidas que
circunda a balsa.
É necessário que se proceda então a uma cuidadosa análise da situação e que
o grupo se organize em cada balsa e em conjunto. Os seguintes itens básicos devem
ser observados:
(1) proceder a uma verificação das condições físicas de todo o pessoal e prestar
os primeiros socorros aos feridos. O médico e o enfermeiro, se disponíveis, devem
percorrer todas as balsas e organizar o atendimento aos feridos; se houver uma balsa
específica para os feridos, isso será facilitado. É conveniente que todos procurem limpar
os resíduos de óleo aderidos à pele;
(2) se o número de balsas for insuficiente para a acomodação de todos, deve ser
previsto o revezamento dos que estejam em boas condições físicas, de modo que um
determinado número de homens fique na água, preso às linhas salva-vidas da balsa
através dos cabos de agregação dos seus coletes. Isso pode ser, porém, um problema
bem sério em águas muito frias. Quando do revezamento, as roupas devem ser postas
a secar, para que os homens que estejam a bordo das balsas permaneçam sempre
com roupas secas;
(3) no que diz respeito à temperatura do ar, seus efeitos sobre o pessoal
estão intimamente ligados à velocidade do vento. Assim, uma temperatura do ar de
cerca de 10°C pode representar para alguém com as roupas molhadas 0°C ou -3°C,
conforme sopre um vento de 17 a 35 nós;
(4) estabelecer um serviço de vigilância durante as 24 horas do dia, em quartos
de duas horas, se possível. Havendo pessoal disponível, é conveniente estabelecer
ao menos dois vigias por quarto;
(5) o vigia deve estar atento a qualquer sinal de terra, de navios que passem
ou de aeronaves em vôo, a quaisquer vestígios ou destroços de naufrágios, à freqüência
do aparecimento de algas marinhas, cardumes de peixes e bandos de aves, às
condições de sua balsa e das demais, enfim, a qualquer coisa que fuja à rotina e
que esteja ao alcance de seus olhos e seus ouvidos. O vigia deve guarnecer sempre
o apito, o espelho refletor e os fumígenos (de dia) e os sinalizadores pirotécnicos (à
noite);
(6) distribuir tarefas a todos que estejam em boas condições físicas. Entre
essas tarefas, pode ser relacionado: escriturar um diário de bordo, pescar, assistir
algum ferido, manter o interior da balsa seco (usar a esponja), controle da água e
das rações etc.;
(7) recolher os objetos flutuantes que forem encontrados, visando a uma
possível utilização. Não convém, contudo, que sejam introduzidos a bordo objetos
pontiagudos ou cortantes, ou que ocupem muito espaço. Esses devem ser amarrados
e deixados flutuando, com cuidado para que não venham causar danos às partes
externas das balsas;
(8) proteger bússolas, relógios, pirotécnicos e demais objetos que possam
estragar-se em contato com água salgada;
(9) se a temperatura estiver muito alta, esvazie um pouco a balsa. Ao esfriar,
encha-a novamente. Isso evitará possíveis danos às balsas; e
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(10) caso alguém caia no mar, o recolhimento deverá ser feito, preferencial-
mente, por bóia ou colete salva-vidas inflado, preso a um cabo.
Os contatos entre náufragos e unidades empenhadas nas buscas são limitados
pelo menor ou maior grau de visibilidade de avistamento que as balsas possam
oferecer. Dessa forma, lance mão de todos os meios ao seu alcance para aumentar
a possibilidade de ser avistado do ar, dentre eles:
(1) faça uso do espelho de sinalização e ponha o rádio a funcionar sempre
que se apresentar uma oportunidade de ser ouvido;
(2) utilize os pirotécnicos sempre que houver possibilidade de esses sinais
serem avistados por uma aeronave;
(3) faça exercícios de sinalização com o espelho que acompanha a palamenta
das balsas salva-vidas. Como substituto a esse espelho, fazer uso de um espelho
de bolso comum ou de qualquer fragmento de metal brilhante. Faça um furo no
centro do pedaço de metal, para que possa fazer visada através do mesmo. Nos
dias enevoados, os observadores de bordo de uma aeronave podem avistar o brilho
do espelho, ou do pedaço de metal, antes que os náufragos possam avistar a
aeronave. Por isso não deixe de fazer brilhar o espelho para o lado em que for ouvido
o ruído característico de motor, mesmo que ainda não seja possível avistar a aeronave.
Depois de avistá-la, continue a sinalizar;
(4) opere o rádio de emergência a intervalos freqüentes e conforme as
instruções particulares de cada um. Quando utilizar equipamento do tipo alimentado
por energia elétrica gerada pelo esforço manual (transceptores de balsa), procure
manter um nível constante de produção de corrente no gerador. Seja econômico
quando fizer uso dos transceptores acionados à bateria;
(5) utilize os sinais pirotécnicos à noite, ao escutar ruídos de aeronaves ou
avistar luzes de unidades de superfície. Faça uso do fumígeno laranja, quando de
dia. Mantenha bem seco o material pirotécnico. Não esbanje, mas use-o com critério.
Tenha o máximo cuidado para que esse material não ocasione incêndio a bordo;
(6) as balsas dispõem de luz externa que deve ser mantida acesa durante
todo o período noturno. Quaisquer luzes adicionais disponíveis, tais como lanternas
de mão, devem ser acionadas quando percebida a presença de alguma unidade de
busca;
(7) à noite ou com nevoeiro, utilize o apito para atrair a atenção de unidade de
superfície ou de outras balsas; e
(8) se houver disponibilidade de refletores-radar, estes devem permanecer
armados durante todo o tempo, exceto na ocorrência de temporais. Refletores-radar
podem ser improvisados com latas vazias e outras chapas metálicas disponíveis.
Cuidado para não atingir a balsa com partes metálicas dotadas de arestas aguçadas
e cortantes.
16.4. Saúde e estado sanitário – As condições adversas e a limitação de
recursos de toda espécie exigem cuidados especiais com a saúde. É necessário
economizar energia, não fazer esforços e não falar desnecessariamente. É
conveniente, porém, movimentar-se com regularidade, a fim de manter a circulação
sangüínea. Isso propicia também algum aquecimento e evita ferimentos,
principalmente, nas nádegas e pernas.
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Devem ser evitadas exposições prolongadas da pele ao sol forte. Improvisar
toldo nas lanchas e, na sua falta, manter a vestimenta completa, inclusive com o
uso de chapéu.
O piso da balsa deve ser mantido completamente seco, empregando-se para
isso a esponja que faz parte do kit de salvatagem. As balsas devem ser bem ventiladas,

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