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Planejamento físico, recursos materiais e equipamentos do centro cirúrgico A unidade de centro cirúrgico é o conjunto de elementos destinados ás atividades cirúrgicas, bem como à recuperação pós-anestésica e pós-operatória imediata. O Centro Cirúrgico está alocado no zoneamento assistencial e deve ter relações de contiguidade com a internação clínica-cirúrgica, Unidades de internação (UI), unidade de terapia intensiva (UTI), bem como as unidades de suporte, como almoxarifado, banco de sangue, laboratório, setor de imagens e CME, entre outras, para garantir uma assistência de qualidade ao cliente cirúrgico. Zoneamento e Planejamento Físico do Centro Cirúrgico Segundo o controle asséptico no CC, pode-se dividi-lo em área irrestrita, área semirrestrita ou área restrita. Área irrestrita ou zona de proteção. Permite circulação livre de pessoal, não sendo necessária a utilização de uniforme privativo. É composta por: · Vestiário: Locais exclusivos, com lavabos, chuveiros e vasos sanitários, dividido em masculino e feminino, destinados à troca de toda a vestimenta pessoal pelo uniforme privativo, composto por gorro, mascara, propés, calça e blusa (‘’pijama cirúrgico’’); · Sala de conforto de profissionais com copa em anexo: destinada à equipe cirúrgica e a equipe de enfermagem (juntas ou separadamente) no período de descanso ou espera para a liberação da sala de operação, acoplada a uma copa, com lanches e bebidas destinada aos profissionais já vestidos com roupa privativa, cuja circulação pelas dependências do hospital ou fora dele está restrita. Importante salientar que a classificação desta área em irrestrita e semirrestrita depende da planta física do CC; · Recepção e transferência de pacientes: trata-se de uma área física que permite que permite a transferência do paciente vindo da unidade de internação para o centro cirúrgico; pode conter instalação de oxigênio (O2), tomadas, armários para roupa de cama e cobertores, além dos impressos para os registros cabíveis a recepção do paciente; · Sala de espera: destinada aos familiares e/ou acompanhantes, quando em espera por informações sobre o andamento do procedimento e pela devolutiva medica após o termino da cirurgia. Área semirrestrita. Constituída por elementos do CC, não sendo permitido o transito livre de pessoal. Os colaboradores devem circular devidamente vestidos com roupa privativa, além de gorro e propés. É constituída por: · Secretaria e área de prescrição medica: destinada à comunicação dentro e fora do Centro Cirúrgico, inclusive com os familiares, com mesas e computadores para facilitar a elaboração de relatórios e pedidos; · Posto de enfermagem: destinado à comunicação rápida e eficiente entre enfermeiros e seus colaboradores em sala de operação e com outros setores de apoio, avaliação do mapa cirúrgico e passagem de plantão entre turnos; · Sala administrativa: para realização de trabalhos administrativos pelo coordenador da unidade, bem como reuniões e avaliações de desempenho dos funcionários; · Farmácia: onde estão concentrados os insumos descartáveis utilizados nos procedimentos anestésico-cirúrgicos, os quais geralmente são montados em forma de kits, preparados segundo o mapa cirúrgicos, de modo de facilitar a cobrança de materiais, bem como evitar circulação desnecessária dos colaboradores de enfermagem: · Corredores: devem ter largura suficiente para passagem de macas, com espaço de 0,5 de vão livre; devem estar livres de equipamentos ou outros empecilhos à passagem das macas. Ressalta que os corredores internos, onde estão instalados os lavabos das salas de operações, são considerados zonas restritas; · Sala de procedimentos pré-operatórios: destinada a este fim e a espera do paciente até o seu encaminhamento à sala de operação; não é uma constante em todos os CC · Sala de guarda e preparo de anestésicos: destina-se a guarda de equipamentos de anestesia e de materiais e equipamentos utilizados no controle hemodinâmico do paciente · Sala de utilidades e expurgo: deve ser equipada com sistema de drenagem para desprezar fluidos corpóreos e dejetos, bem como uma pia própria para a lavagem de frascos onde essas substancias estavam contidas · Sala de guarda de equipamentos: destinada à guarda de equipamentos que não estão sendo utilizados nas salas de operação, com tomadas para recarga desses produtos. Também podem ser guardados materiais destinados ao conforto e à segurança do paciente, como recursos de proteção para posicionamento e acessórios das mesas de operações; · Sala de deposito de cilindros de gases: onde serão guardados os cilindros de gases independente da rede, exempli do oxigênio (O2) usado para transporte de pacientes até a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) e a UI; · Salas de apoio ás cirurgias especializadas: espaço destinado à colocação de materiais e equipamentos de apoio a cirurgias como cardíaca, transplante, ortopédica e neurológica, com o intuito de diminuir a quantidade desses insumos dentro de sala de operações. Dependendo da planta física do CC, esta sala pode ser classificada como área restrita · Laboratório para revelação de radiografias: caso não haja uma sala especifica para este fim dentro do Centro cirúrgico, deve haver fácil comunicação com o setor de radiografias da instituição; · Área de laboratório e anatomia patológica: destinada a realização de exames de anatomia patológica específicos e rápidos, ou apenas para entrega das peças e dos materiais para exame, quando feitos em local externo ao CC, ou para encaminhamento a serviço de patologia terceirizado; · Deposito de material de limpeza (DML): destinado à armazenagem de materiais e soluções de limpeza utilizados no setor. Área restrita. · Composta pelas salas cirúrgicas propriamente ditas e pelas áreas onde se encontram os lavabos, além da SRPA, com circulação restrita de pessoal, ou seja, apenas aqueles profissionais diretamente envolvidos no procedimento anestésico-cirúrgico, vestidos com roupa privativa, portando gorro, máscara e propés · Lavabos: devem se situar o mais próximo possível ás salas de operação e ser exclusivos para a lavagem das mãos e eliminação de germes de mãos e antebraços, com profundidade suficiente para permitir a realização do procedimento sem contato comas torneiras e as bordas. Os lavabos devem conter torneiras e dispensadores de sabão liquido com comando que não necessitem do contato com as mãos. O ideal é a presença de no mínimo duas torneiras para cada sala de operações. Na maioria dos CC, os lavabos se situam no corredor interno e, por isso, esse corredor também é classificado como área restrita. · Salas de Operações: locais destinados à realização do procedimento anestésico-cirúrgico propriamente dito; tem dimensões variadas, dependendo das especificidades as quais se destinam. · Sala de recuperação Pós-Anestésica (SRPA): deve ser uma área anexa ao CC, localizada no mesmo piso, de modo a não proporcionar alterações hemodinâmicas durante o transporte do CC á SRPA ou o seu rápido retorno à SO, em caso de necessidade de reintervenção cirúrgica. Dimensionamento e estrutura física da sala de operações. · Sala de operação de pequeno porte, deve ter no mínimo 20 metros quadrados, sendo destinada a cirurgias de pequeno porte, como OFTALMICAS, OTORRINOLARINGOLOGICAS E ENDOSCOPICAS. · Sala de Operação de médio porte, deve ter no mínimo 25 metros quadrados sendo destinada a cirurgias gerais, GINECOLOGICAS, do SISTEMA DIGESTORIO, RESPIRATORIO, INFANTIS e etc. · Sala de operação de grande porte: deve ter pelo menos 36 metros quadrados, sendo destinada a cirurgias de grande porte ou aquelas quais deve utilizar muitos equipamentos, como Ortopédicas, Neurológicas, Cardiológicas, Transplantes, Laparoscopias e Robóticas. Quantidade de salas de Operações em um centro cirúrgico. É recomendado que haja duas salas de cirurgia para cada 50 leitos não especializados ou duas Salas de operações para cada 15 leitos cirúrgicos. O número mínimo de leitos igual ao número de salas de cirurgia + 1. As características arquitetônicasdas Salas de Operações Devem obedecer aos seguintes padrões determinados pela RDCn.50/2002 · Teto: Forro continuo. · Paredes: Cor neutra, suave, fosca, resistente a lavagem. · Piso: Cor neutra, pouco sonoro, antiderrapante e de fácil limpeza, permitindo rápida visualização de sujeiras, não poroso e livre de frestas. A junção entre o rodapé e o piso precisa ser feita de forma a permitir completa limpeza dos cantos (arredondado). Não deve possuir ralos · Portas: devem ser usadas portas de correr com visor para facilitar a visualização da SO, feitas de material deslizante na dimensão de 1,20m x 2,10m. · Janelas: Não deve conter (para não ter o fator de distração) · Iluminação: realizada com lâmpadas fluorescentes. O foco central deve ter intensidade dosada de luz, a qual facilite o diagnóstico de anormalidades, com ausência de sombras, redução dos reflexos e do aquecimento do campo cirúrgico; · Ventilação: realizada por meio de ar condicionado com filtro e pressão positiva em Sala de operação. Seus objetivos são remover gases anestésicos, controlar a temperatura e umidade do ambiente, promover adequada troca de ar, removendo partículas em suspenção, e impedir a entrada de partículas subjacentes. As entradas de ar devem ser afastadas do chão e as saídas na parte inferior da parede, promovendo um fluxo unidirecional; · Temperatura: Cada sala de operação deve ter controle individual de temperatura que deve ser mantida entre (19 e 24 C), com umidade relativa entre 45% e 60%. · Instalações elétrica: devem ter sistema de aterramento e descarga de energia, diminuindo a possibilidade de choques elétricos e faíscas (incêndios). · Instalações fluido mecânicas: cada Sala de operação deve conter vácuo (Cor cinza), Oxigênio (cor Verde), ar comprimido (Cor Amarela), e oxido nitroso (cor azul), em régua ou coluna de gases suspensa no teto, possibilitando maior circulação da equipe cirúrgica e de enfermagem. Trancas de emergência para tubulações de gases devem estar claramente identificadas e disponíveis. --- O Centro cirúrgico deve ter sistema de emergência com gerador próprio, capaz de assumir automaticamente o suprimento de energia no máximo 0,5 segundos e mantê-lo por no mínimo 1 hora. A rota de fuga para emergências deve ser de conhecimento dos profissionais e estar sinalizada nas dependências do setor. --- Recursos materiais e equipamentos do centro cirúrgico. Ao considerarmos os materiais e os equipamentos utilizados no centro cirúrgico, pode se classificá-los em artigos fixos ou essenciais, ou seja, que estarão presentes em cada sala de operação, independentemente do tipo de procedimento anestésico cirúrgico que será realizado, e em artigos moveis, que serão colocados e retirados da sala de operação conforme a necessidade. Materiais e equipamentos fixos: · Materiais e equipamentos de anestesia: o ventilador mecânico e o monitor cardíaco com oxímetro de pulso, esfigmomanômetro e cardioscópio devem estra presentes em casa sala de operação, o carrinho com itens utilizados na anestesia deve conter dispositivos de acesso venoso, infusões, medicações entre outros, bem como a mesa de Mayo com material de intubação devidamente montado e testado (laringoscópio, cânula de intubação, cânula de guedel, fio guia entre outros). Esses itens devem estar presentes em todos os procedimentos cirúrgicos, independentemente da anestesia que será utilizada, de modo que estejam a mão em caso de emergência. · Mesa cirúrgica: deve ter acionamento manual ou elétrico estar com seus complementos disponíveis, incluindo prolongadores, braçadeiras, perneiras e apoios de cabeça, pés ou lateralizadores. · Mesas de instrumental: devem ser de tamanhos variados, com ou sem suporte para varal, atendendo as necessidades do procedimento no que se refere à quantidade de instrumentos que serão utilizados. · Foco central: deve ter intensidades dosada de luz, que facilite o diagnóstico de anormalidades, com ausência de sombras e redução dos reflexos e do aquecimento do campo cirúrgico. · Negatoscopio: deve estar afixado a parede em local privilegiado para visualização de resultados de exames de imagens simultaneamente ao ato cirúrgico. --- O uso de armários ou prateleiras em sala de operação com materiais que serão utilizados na cirurgia não é indicado. Este suporte deve ser realizado por carros montados no CME para esse fim e que passam por limpeza diária. --- Materiais e equipamentos moveis · Materiais relacionados ao conforto do paciente: exemplo dos coxins de gel em vários tamanhos e formatos, colchoes e etc. · Equipamentos diariamente utilizados nas diversas especialidades cirúrgicas, citaremos a seguir aqueles que são frequentemente usados e que tem grande participação na evolução dos procedimentos cirúrgicos. Bisturi elétrico > permitem a função de corte e coagulação. LigaSure >sistema de selagem de vasos, sendo usado para selagens e secção de tecidos moles, como amplo controle do sangramento e sem lesões térmicas periféricas. Gerador de radiofrequência para somnoplastia (Somnus) >emite energia monopolar de baixa intensidade, finamente controlada para coagulação de tecido, o que resulta em seu encolhimento. Bisturi ultrassónico >emprega energia elétrica para acionar o sistema de corte e coagulação, sem difundir essa energia para o corpo do paciente, com ativação ultrassónica da lamina que reforça seu poder de corte, com mínima lesão dos tecidos, fumaça reduzida e menor risco para o paciente. Não utiliza placa dispersiva e é utilizada para cirurgia de hérnia hiatal, entre outras. Bisturi de argônio > Coagulador que usa um feixe de gás de argônio ionizado para conduzir a corrente elétrica. Laser > concentra grande quantidade de energia em uma pequena e precisa área que vaporiza os tecidos, provocando cauterização instantânea de vasos sanguíneos e linfático. Aspirador ultrassónico >permite que o cirurgião remova tecidos seletivamente com controle e consiga executar três funções fragmentação, irrigação e aspiração. Equipamento de vídeo cirurgia >emprega endoscópio dotado de fibras opticas, que permitem visualizar uma cavidade interna e que, por meio de uma microcâmera, transmitem imagem para um monitor de vídeo. O equipamento é composto por fonte de luz (fria) microcâmera e insuflador, sendo utilizado em cirurgias abdominais, torácicas, ginecológicas, urológicas e articulares. Morcelador >utilizado para a fragmentação e extração de tecidos durante a laparoscopia cirúrgica, emprega bolsa de extração para fragmentação de tumores malignos e/ou tecidos que possam produzir contaminação da cavidade abdominal. Shaver >realiza abrasão em artroplastias, sinovectomias cortes e raspagens intra-articulares. Em pequenas articulações, em cirurgias endoscópicas otorrinolaringologias é usado o mini shaver, que tem laminas menores. Garrote pneumático >utilizado como torniquete mecânico, com o objetivo de obstruir o fluxo sanguíneo para uma extremidade corporal, sendo recomendado menos de 60min para extremidades superiores, menos de 90 min para extremidades inferiores em adultos ou menos de 75 min em crianças. --- Espera-se do enfermeiro do CC , em parceria com os setores de suprimentos e a engenharia clínica , a realização de adequada previsão e provisão de materiais e equipamentos ao bom andamento dos procedimentos anestésicos cirúrgicos , por meio de um programa de manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos , com acompanhamento sistemático de desempenho dos mesmos, bem como de cuidados para limpeza, desinfecção e transporte adequados dos equipamentos e de seus acessórios , sem danificar sua estrutura. É também de importância proporcionar treinamento a todos os profissionais que manipularão estes itens no atendimento aos mais diversos procedimentos anestésicos-cirúrgicos, a fim de que se possa prestar ao cliente uma assistência nas boas práticas e livre de erros evitáveis. --- Equipes do centro cirúrgico · Estrutura organizacional (quem responde por oque) · Regimento/Regulamento (funções de cada integrante) · Serviços dos enfermeirosno CC (Suas responsabilidades) Instrumentador é curso técnico, não existe pós, os enfermeiros não respondem por eles, mas eles preferem contratar os que são aux, tec ou enfermeiros para executar outros serviços. (Como os instrumentadores não tem quem responda por eles isso pode gerar problemas. A equipe é montada de acordo com o tamanho da cirurgia · A necessidade de 2 cirurgiões se dá caso um venha a se sentir mal · Dependendo do tamanho da cirurgia são montadas duas equipes cirúrgicas (pois algumas cirurgias podem levar até 14 horas ou mais) · Enfermeiro atuando na cirurgia somente como circulante e instrumentador · Termo de consentimento livre e esclarecido (para paciente assinar antes de entrar no CC.) Cirurgia de Médio porte: 2 cirurgiões > 1 auxiliar e 1 especifico Cirurgia Complexa: 2 cirurgiões da mesma especialidade Cirurgia Simples: o próprio circulante pode instrumentar Tempos cirúrgico Antes de qualquer coisa deve-se fazer uma boa antissepsia acompanhada da colocação do campo cirúrgico. A antissepsia é feita com álcool iodado, povidine (PVPI), em sentido centrífugo (em círculo, do centro para a borda) em relação à área de interesse. Feito isto aplica-se a anestesia. Passos Fundamentais da Cirurgia: (Passos Cirúrgicos) – Diérese – Hemostasia – Exérese – Síntese INCISÃO: É o procedimento através do qual o bisturi comunica o meio externo com o interno. DIVULSÃO: É a cuidadosa separação dos tecidos. Deve ser feita com instrumento rombo. DIÉRESE: É o conjunto de manobras realizadas para a abordagem do objetivo cirúrgico. Dividida em Incisão e Divulsão. HEMOSTASIA: Consiste nas manobras para interrupção do sangramento. – Compressão – Pinçamento – Ligadura EXÉRESE: É a retirada do objetivo cirúrgico. SÍNTESE: Consiste na tentativa de devolver a morfologia e a função da área operada. É representada pela sutura. Tempo de espera As cirurgias podem ser classificadas quanto à urgência cirúrgica que engloba: - Cirurgia eletiva: (marcada antes agendada) Tratamento cirúrgico proposto, mas cuja realização pode aguardar ocasião mais propícia, ou seja, pode ser programado. Por exemplo: mamoplastia, gastrectomia. - Cirurgia de emergência: (imediata) Tratamento cirúrgico que requer atenção imediata por se tratar de uma situação crítica. Por exemplo: Ferimento por arma de fogo em região precordial, hematoma subdural. - Cirurgia de urgência: (mediata) Tratamento cirúrgico que requer pronta atenção e deve ser realizado dentro de 24 a 48 horas. Por exemplo: apendicectomia, brida intestinal. As cirurgias podem ser classificadas de acordo com a finalidade do tratamento cirúrgico: - Cirurgia Curativa: Tem por objetivo extirpar ou corrigir a causa da doença, devolvendo a saúde ao paciente. Para essa finalidade é necessário às vezes a retirada parcial ou total de um órgão. Este tipo de cirurgia tem uma significação menos otimista quando se trata de câncer, neste caso, a operação curativa é aquela que permite uma sobrevida de alguns anos. Ex. Apendicectomia. - Cirurgia Paliativa: Tem a finalidade de atenuar ou buscar uma alternativa para aliviar o mal, mas não cura a doença. Ex. Gastrostomia. - Cirurgia Diagnóstica: Realizada com o objetivo de ajudar no esclarecimento da doença. Ex. laparotomia exploradora. - Cirurgia Reparadora: Reconstitui artificialmente uma parte do corpo lesada por enfermidade ou traumatismo. Ex. enxerto de pele em queimados. - Cirurgia Reconstrutora / cosmética / plástica: Realizada com objetivos estéticos ou reparadores, para fins de embelezamento. Ex. Rinoplastia, mamoplastia, etc. -Radical: Amputação Terminologias Os principais objetivos da terminologia cirúrgica são: Fornecer por meio da forma verbal ou escrita uma definição do termo cirúrgico, descrever os tipos de cirurgia e preparar os instrumentais e equipamentos cirúrgicos de forma apropriada para cada tipo de cirurgia. Na terminologia cirúrgica, os termos são formados por um prefixo, que designa a parte do corpo relacionada com a cirurgia, e por um sufixo, que indica o ato cirúrgico realizado. PREFIXOS E SUFIXOS Seguem algumas raízes: Oto – ouvido Oftalmo – olho Rino – nariz Bléfaro – pálpebra Adeno – glândula Tráqueo – traquéia Cárdia – esfíncter esôfago-gástrico Gastro – estômago Êntero – intestino delgado Cólon – intestino grosso Hepato – fígado Cole – vias biliares Procto – reto e ânus Espleno – baço Laparo – parede abdominal Nefro – rim Pielo – pelve renal Cisto – bexiga Hístero – útero Salpingo – tuba uterina Colpo – vagina Oóforo – ovário Orquio – testículo Ósteo – osso Angio – vasos sanguíneos Flebo – veia Otomia – Abertura de um órgão com ou sem dreno. Stomia – Fazer cirurgicamente uma nova boca. Ectomia – Remover um órgão. Ráfia – Suturar ou reparar. Pexia – Fixação de um órgão. Scopia – Olhar o interior. Litíase – Cálculo. Tipos de cirurgias terminadas em ECTOMIA: Apendicectomia – Retirada cirúrgica do apêndice vermiforme. Cistectomia – Retirada da bexiga. Colecistectomia – Remoção cirúrgica da vesícula biliar. Craniectomia – Operação para retirar parte do crânio. Esplenectomia – Retirada do baço. Fistulectomia – Retirada da fístula. Gastrectomia – Retirada total ou parcial do estômago. Hemorroidectomia – Remoção das hemorroidas. Histerectomia – Extirpação do útero. Laringectomia – Extirpação da laringe. Mastectomia – Retirada da mama. Orquidectomia – Retirada dos testículos. Pneumectomia – Remoção dos pulmões. Prostatectomia – Remoção da próstata. Retossigmoidectomia – Remoção do intestino reto e sigmoide. Salpingectomia – Remoção cirúrgica de uma parte ou de um ramo do sistema nervoso simpático. Tireiodectomia – Remoção da tireoide. Tipos de cirurgias terminadas em RAFIA: Colporrafia – Sutura da vagina. Gastrorrafia – Sutura do estômago. Herniorrafia – Sutura da hérnia. Palatorrafia ou estafilorrafia – Sutura da fenda palatina. Osteorrafia – Sutura do osso ou colocação de fio metálico em osso. Perineorrafia – Sutura do períneo. Tenorrafia – Sutura do tendão. Tipos de cirurgias terminadas em PEXIA: Hisperopexia – Fixação do útero na parede abdominal ou na vagina. Nefropexia – Fixação do rim na parede abdominal posterior. Orquidopexia – Fixação do testículo no escroto. Tipos de cirurgias terminadas em SCOPIA: Broncoscopia – Exame com visão direta dos brônquios. Cistoscopia - Exame com visão direta da bexiga. Colposcopia - Exame com visão direta da vagina. Esofagoscopia - Exame com visão direta do esôfago. Gastroscopia - Exame com visão direta do estômago. Laringoscopia - Exame com visão direta da laringe. Laparoscopia - Exame com visão direta dos órgãos abdominais. Uretoscopia - Exame com visão direta da uretra. Sigmoidoscopia - Exame com visão direta do sigmoide. Tipos de cirurgias terminadas em OTOMIA: Artrotomia – Abertura cirúrgica de articulação. Cardotomia – Operação de cortar a cárdia, em casos de estenose do esôfago. Coledocotomia – Exploração e drenagem do ducto biliar. Coledocolitotomia – Incisão do colédoço para retirar cálculo. Hepatotomia – Incisão cirúrgica no fígado. Flebotomia – Abertura da veia para colocação de Intra-Carth. Laparotomia – Abertura da cavidade abdominal. Litotomia – Incisão de um órgão para retirar cálculo. Osteotomia – Secção cirúrgica parcial, superficial ou profunda de osso, com objetivo terapêutico. Pielotomia – Incisão do bacinete renal. Toracotomia – Abertura do tórax. Tipos de cirurgias terminadas em OSTOMIA Cistostomia - Abertura da bexiga para drenagem de urina. Colecistostomia – Incisão da vesícula biliar para drenagem. Colostomia – Operação para formar abertura artificial no cólon. Gastrostomia – Formação cirúrgica de fístula gástrica na parede abdominal para introduzir alimentos. Ileostomia – Formação de abertura artificial no íleo. Jejunonostomia – Formação de abertura artificial no jejuno. Tipos de cirurgias terminadas em PLASTIA Artroplastia – Reconstrução da articulação com a finalidade de restaurar o movimento e a função da mesma. Queiloplastia – Repara os defeitos dos lábios. Rinoplastia– Cirurgia plástica do nariz. Toracoplastia – Cirurgia plástica do tórax. Salpingolplastia – Operação plástica na trompa de falópio. Terminologias diversas: Enxerto – Transplante de órgãos ou tecidos. Amputação – Operação para eliminar membro ou segmento de corpo necrosado. Anastomose – Formação de comunicação entre órgãos ou entre vasos. Artrodese – Fixação cirúrgica de articulação para fundir as superfícies. O instrumentador cirúrgico deve saber a terminologia cirúrgica, pois o desempenho do seu trabalho diário depende do conhecimento desta terminologia. A troca de um prefixo ou um sufixo poderá acarretar erros graves no preparo do material. Prevenção de infecção do sitio cirúrgico Fisiopatogenia da infecção cirúrgica A Anvisa define a ISC para pacientes internados e ambulatoriais como aquela que acomete o paciente submetido a um procedimento cirúrgico, que tenha pelo menos uma incisão e uma sutura. As infecções são classificadas pela profundidade do comprometimento das estruturas do organismo; de acordo com a Anvisa, critérios bem definidos as dividem em incisão superficial, incisional profunda, e órgão/cavidade. As infecções de sitio cirúrgico em incisões superficiais envolve pele e tecido subcutâneo no local da incisão, ocorrendo em até 30 dias após o procedimento. Caracterizada por pelo menos um dos itens: · Drenagem purulenta da incisão superficial, com ou sem cultura confirmada; · Cultura positiva da incisão cirúrgica, após a coleta com técnica asséptica; · Presença de pelo menos um dos sinais e sintomas na incisão: dor, sensibilidade, edema, hiperemia, calor, incisão deliberadamente aberta pelo médico. As infecções de sitio cirúrgico em incisão profunda: envolve tecidos moles e profundos, fáscia e músculos. Ocorre em até 30 dias após a cirurgia, se não houver implante e, em um ano, no caso de implante. Caracterizada por pelo menos um dos itens: · Drenagem purulenta do sítio profundo; · Incisão profunda com deiscência espontânea ou aberta deliberadamente pelo cirurgião, na presença de pelo menos um sinal ou sintoma: hipertermia (T>38ºC), dor, sensibilidade, abscesso ou outra evidência de infecção envolvendo a incisão profunda. Critérios As infecções de sitio cirúrgico em órgão/espaço: envolve qualquer parte do sítio anatômico (órgão ou cavidade), diferente da incisão, que foi aberto ou manipulado durante a cirurgia. Ocorre em até 30 dias após a cirurgia, se não houver implante e, em um ano, no caso de implante. Caracterizada por pelo menos um dos itens: · Drenagem purulenta em um dreno localizado em órgão ou cavidade; · Cultura positiva, com coleta asséptica do órgão ou cavidade; · Abscesso ou outra evidência de infecção no órgão ou cavidade. Estratégias de prevenção () = causas ou benefícios · Redução da hospitalização pré-operatória (-tempo = - infecção) · Avaliação criteriosa de pacientes no pré-operatório (reduzir morbidade e a mortalidade associadas a este período) · Redução de peso (+ peso = 5x mais probabilidade de infecção) · Interrupção do uso de tabaco (impacto em todas fases de cicatrização e redução temporária de perfusão e oxigenação) · Controle da hiperglicemia 80 a 120mg (interferem no processo de cicatrização) · Risco de infecção com perda sanguínea e transfusão (imunossupressão direta causada pelo procedimento) · Banho pré-operatório (Reduzir o número de microrganismos que colonizam a superfície podem contaminar o tecido exposto e subsequentemente, proliferar, provocar ISC. · Tricotomia (melhorar visualização ou acesso ao sitio operatório, diminuição da contaminação pela retirada de pelos ou cabelos) · Paramentação cirúrgica (é utilizada para servir como uma barreira entre o campo cirúrgico e as fontes potenciais de micro-organismos no ambiente, a pele do paciente e a pele da equipe envolvida no ato cirúrgico. Adicionalmente tem a função de proteger o profissional da exposição ao sangue e a outros fluidos.) Roupa privativa do paciente e da equipe No artigo 32.2.4.6: ‘’Todos trabalhadores com possibilidade de exposição a agentes biológicos devem utilizar vestimenta de trabalho adequada em condições de conforto’’ Avental cirúrgico esterilizado Paramentação cirúrgica (é utilizada para servir como uma barreira entre o campo cirúrgico e as fontes potenciais de micro-organismos no ambiente, a pele do paciente e a pele da equipe envolvida no ato cirúrgico. Adicionalmente tem a função de proteger o profissional da exposição ao sangue e a outros fluidos.) Avental e campo cirúrgico descartáveis Não foi identificada diferença estatisticamente significativa entre o uso de descartáveis e de reutilizáveis. Luvas Atualmente, a maioria das luvas utilizadas para procedimentos cirúrgicos é feita de látex, para uso único, estéril e descartável; também é possível identificar outros tipos de luvas para pessoas que tem alergia ao látex. O uso de luvas é parte do ritual cirúrgico asséptico e visa reduzir o risco de infecção. Elas protegem as mãos da equipe cirúrgica da contaminação vira advinda de fluidos corpóreos durante a cirurgia. Profilaxia antimicrobiana A profilaxia antimicrobiana tem sido efetivamente utilizada para a prevenção de ISC desde a década de 1960.Ela geralmente envolve a administração de uma dose única de antibiótico ao paciente por via intravenosa, próxima a realização da cirurgia. Em alguns casos, pode ser feita no momento da indução anestésica, neste caso, com agentes diferentes daqueles habitualmente utilizados para a antibioticoterapia rotineira. Antissepsia da pele A antissepsia da pele é feita para reduzir o número de micro-organismos sobre a pele pre-incisao. Conforme explicado anteriormente, a microbiota residente, que normalmente reside na pele, não é prontamente removida com agua e sabão; todavia, ela pode ser reduzida por antissépticos, como CHG, o iodo-povidine e compostos alcoólicos. Estudos demonstraram que o CHG tem uma ação persistente e supressiva contra o crescimento bacterianos na pele, a qual tem também potencial de duração para toda a cirurgia. Soluções a base de álcool tem como vantagem serem tanto microbicidas como de secagem rápida. São apresentadas as principais características do antissépticos mais utilizados durante procedimentos em instituições de saúde. Vários estudos têm sido realizados para determinar a antissepsia da pele antes da incisão provoca resultados satisfatórios para a prevenção de infecção de sitio cirúrgico e qual seria o antisséptico de escolha nesse caso. Álcool • Mecanismo de ação principal: denaturação de proteínas • Concentração de uso: ideal 70% [germicida entre 60-95%] – Proteínas denaturam menos em ausência de água • Ação rápida • Excelente ação germicida amplo espectro. • Toxicidade e irritabilidade: baixa • Ressecativo • Sem efeito residual Iodóforos (PVPI) • Polímero carreador: polivinilpirrolidona – Complexado com iodo: liberação gradual do princípio ativo • Mecanismo de ação: rápida penetração na parede celular, formação de complexos com aminoácidos e ácidos graxos, resultando em inibição da síntese de proteínas e alteração da membrana celular. • Concentração de uso: iodo a 10% • Velocidade moderada • Toxicidade e irritabilidade moderada • Excelente ação germicida amplo espectro. • Efeito residual Gluconato de Chlorohexidina (CHG) • Mecanismo de ação principal: ligação e ruptura da membrana citoplasmática, precipitando o conteúdo celular – Considerado mais efetivo para Gram+ • Concentração de uso: 2 a 4% • Velocidade moderada • Toxicidade de mucosa auditiva e ocular, cérebro e meninges • Excelente ação germicida amplo espectro • Efeito residual Garantia da esterilização de materiais A esterilização é o processo pelo qual um item é purificado de todos os micro-organismos e esporos. O uso de materiais estéreis para cirurgias é uma pratica padronizada internacionalmente, uma vez que diminui a probabilidade de invasão de organismos por micro-organismos potencialmente patogênicos que estejam alojados nos materiais e instrumentais utilizados durante o procedimento.Os métodos de esterilização mais usualmente empregados tem como agente esterilizantes vapor de agua saturada, ar estéril, oxido de etileno (ETO), mistura de vapor e formaldeído, peróxido de hidrogênio, ácido peracético, irradiações ionizantes e filtração esterilizante. O procedimento tem fases definidas, a saber: limpeza, preparo, embalagem, esterilização automatizada, guarda ou estocagem, monitoração e validação do processamento. Técnica cirúrgica adequada e tempo cirúrgico Dados da literatura sugerem que a competência do cirurgião e a técnica cirúrgica adotada são dos fatores mais relacionados a ocorrência de infecções no período pós-operatório. Técnicas cirúrgicas de excelência estão associadas a redução dos riscos de infecção de sitio cirúrgico. Tais técnicas incluem a manutenção efetiva da homeostase, com preservação adequada do fornecimento de sangue; a prevenção de hipotermia; manipulação delicada de tecidos para evitar traumas; a prevenção a invasão não programada de vísceras ocas; a remoção de tecidos desvitalizados; o uso apropriado de materiais de sutura e drenos; e cuidados adequados da ferida operatória no período pós-operatório. Cabe ressaltar que o tempo de duração do procedimento cirúrgico é relevante para a prevenção de Infecção de sitio cirúrgico, uma vez que procedimentos de longa duração podem servir como marcadores de complexidade dos casos. Além disso, aspectos da técnica cirúrgica podem estar relacionados com a possível diminuição dos efeitos da profilaxia antimicrobiana. Manutenção da normotermia durante a cirurgia A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais importantes de ser evitada? Qual a relação do controle da hipotermia para a prevenção da infecção de sítio cirúrgico? A hipotermia gera diversas complicações orgânicas para o paciente cirúrgico como arritmias, tremores, sangramento, aumento da necessidade de transfusão, ISC e etc. A ocorrência destas complicações acaba por retardar a recuperação do paciente, o que impacta em aumento dos custos de cuidado à saúde, além de afastá-lo por maior tempo de sua família, trabalho e sociedade, gerando, assim, impactos econômicos e emocionais muito importantes. Portanto, é difícil afirmar qual complicação será mais importante, pois isso dependerá do estado clínico do paciente. No entanto, cabe destacar também que devemos pensar na percepção que o paciente tem de sua complicação, sentir tremores e frio no pós-operatório é considerado por muitos pacientes como uma das coisas mais desagradáveis de toda a experiência cirúrgica. Mas, falando sobre a ISC e hipotermia especificamente, diversos estudos afirmam que manter a normotermia do paciente, ou seja, a temperatura entre 35ºC – 36ºC reduz a ocorrência de casos de infecção do sítio cirúrgico. Dessa forma, é válido afirmar que a hipotermia aumenta o risco do paciente desenvolver ISC, quanto mais severa mais grave a infecção. Por isso, diversos guias internacionais atuais indicam que a prevenção de hipotermia, com manutenção da normotermia, deve ser uma meta dentre as medidas preventivas de ISC. --- A monitoração do processo cirúrgico nas instituições hospitalares é fundamental para a manutenção da qualidade assistencial e da segurança do paciente. Este sistema é complexo e envolve diversas etapas, como o diagnóstico das IRAS, os fatores de risco para o desenvolvimento destas infecções, o conhecimento da epidemiologia destes eventos e a implantação de estratégias de prevenção. Essas intervenções visam diminuir custos e melhorar a saúde e a satisfação. Essas intervenções visam diminuir custos e melhorar a saúde e a satisfação dos pacientes. --- Enfermagem Perioperatoria e Segurança do paciente O centro cirúrgico é considerado um setor crítico e complexo dentro da unidade hospitalar; o paciente está exposto a um ambiente desconhecido e sua condição vital é afetada pela terapêutica medico-cirúrgica, o que causa incapacidade e dependência. O bom funcionamento do CC é fundamental para alcançar a assistência Perioperatoria de qualidade. Desse modo, o trabalho multiprofissional e interdisciplinar é considerado essencial, visto que possibilita a obtenção de melhores conhecimentos e experiências e julgamentos. A interação efetiva da equipe de trabalho em benefício do paciente cirúrgico pode prevenir uma quantidade considerável de complicações e riscos que ameaçam a vida, visando à realização de cirurgias seguras. A equipe de enfermagem tem como compromisso garantir a assistência eficiente e pautada em conhecimento cientifico para atender as reais necessidades dos pacientes na fase Perioperatoria. Esta compreende o pré-operatório imediato, o transoperatório, o intraoperatorio, a recuperação pós-anestésica (RPA) e o pós-operatório imediato. O período pré-operatório imediato abrange as 24 horas que antecedem a cirurgia até o momento em que o paciente é recebido no CC. É neste período que a equipe de enfermagem deve realizar a avaliação pré-operatória , com intuito de coletar dados sobre o procedimento cirúrgico (porte da cirurgia, tipo da anestesia ,possíveis riscos e complicações), conhecer o paciente (identificar o estado físico geral , idade , doenças pregressas, alergias ) e levantar possíveis problemas, a fim de elaborar um plano de cuidados que considere a participação do paciente e da família. O período transoperatório se inicia com a chegada do paciente no CC e a termina com seu encaminhamento para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA). O transoperatório, portando, compreende o período intraoperatorio, que, por sua vez contempla dois momentos cruciais da experiência cirúrgica: a chegada do paciente no CC e o início da anestesia e da cirurgia. O intervalo que compreende o termino da cirurgia e da anestesia bem como a alta do paciente da sala de operação é o período pós-operatório, que se subdivide em RPA, pós-operatório imediato e pós-operatório mediato. Denomina-se pós-operatório imediato a fase desde a alta da SRPA até as primeiras 24 horas após o termino da cirurgia, podendo ocorrer na unidade de terapia intensiva (UTI), no leito da clínica ou no domicilio dependendo do tipo de procedimento realizado e das condições clinicas do paciente. Neste período, por meio de visita pós-operatória, o enfermeiro avalia a assistência planejada e prestada, podendo assim detectar possíveis falhas e resultados não alcançados. Ressalta-se que a assistência ao paciente cirúrgico deve ser continuada posteriormente pela equipe de enfermagem da unidade de internação. O pós-operatório mediato se inicia após as 24 horas do procedimento anestésico-cirúrgico e se estende até a alta para o domicilio. A identificação das fases do período Perioperatório tem por finalidade organizar as ações que devem ser implementadas de forma continua e colaborativa entre os membros da equipe. A assistência de enfermagem Perioperatoria está pautada nos conceitos de assistência holística, continuada, participativa, individualizada, documentada e avaliada cujo instrumento é a SAEP, um modelo especifico para o CC que se originou da SAE. Desse modo, a SAEP também é operacionalizada em cinco fases: 1. Avaliação pré-operatória 2. Identificação dos diagnósticos de enfermagem (específicos para a fase Perioperatoria 3. Planejamento dos cuidados e elaboração das intervenções de enfermagem 4. Implementação da assistência 5. Avaliação pós-operatória Assistência de enfermagem na fase Perioperatoria, por meio da Saep, objetiva auxiliar o paciente e seus familiares na compreensão do processo saúde doença, prepara-los para o procedimento anestésico-cirúrgico, minimizar os riscos relacionados à terapêutica proposta e prever, prover e controlar os recursos humanos e materiais em quantidade e qualidade apropriadas. A segurança e o bem-estar dos pacientes cirúrgicos são o foco da enfermagem Perioperatoria, e esses aspectos envolvem desde o controle de riscos ambientais até os riscos intrínsecos relacionados ao paciente. Segurança e qualidade na assistência A JCI Joint commission international representadano brasil pelo consorcio brasileiro de acreditação CBA que lidera processos de acreditação, tem um enfoque centrado na segurança do paciente e traz como proposta metas internacionais, as quais são: identificar os pacientes corretamente; melhorar a segurança de medicações de alta vigilância; assegurar cirurgias com local de intervenção, o procedimento e o paciente. Protocolo para cirurgia segura Medidas a serem implantadas para reduzir a ocorrência de incidentes e eventos adversos e a mortalidade cirúrgica, possibilitando o aumento da segurança na realização de procedimentos cirúrgicos, no local correto e no paciente correto, por meio do uso da Lista de Verificação de Cirurgia Segura desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde – OMS O protocolo para Cirurgia Segura deverá ser aplicado em todos os locais dos estabelecimentos de saúde em que sejam realizados procedimentos, quer terapêuticos, quer diagnósticos, que impliquem em incisão no corpo humano ou em introdução de equipamentos endoscópios, dentro ou fora de centro cirúrgico, por qualquer profissional de saúde. A Lista de Verificação divide a cirurgia em três fases: I - Antes da indução anestésica; II - Antes da incisão cirúrgica; e III - Antes do paciente sair da sala de cirurgia. Cada uma dessas fases corresponde a um momento específico do fluxo normal de um procedimento cirúrgico. Para a utilização da Lista de Verificação, uma única pessoa deverá ser responsável por conduzir a checagem dos itens. Em cada fase, o condutor da Lista de Verificação deverá confirmar se a equipe completou suas tarefas antes de prosseguir para a próxima etapa. Caso algum item checado não esteja em conformidade, a verificação deverá ser interrompida e o paciente mantido na sala de cirurgia até a sua solução. Protocolo para a pratica de higiene das mãos em serviços de saúde Instituir e promover a higiene das mãos nos serviços de saúde do país com o intuito de prevenir e controlar as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS), visando à segurança do paciente, dos profissionais de saúde e de todos aqueles envolvidos nos cuidados aos pacientes. Este protocolo deverá ser aplicado em todas os serviços de saúde, públicos ou privados, que prestam cuidados à saúde, seja qual for o nível de complexidade, no ponto de assistência. Entende-se por Ponto de Assistência, o local onde três elementos estejam presentes: o paciente, o profissional de saúde e a assistência ou tratamento envolvendo o contato com o paciente ou suas imediações (ambiente do paciente). O protocolo deve ser aplicado em todos os Pontos de Assistência, tendo em vista a necessidade de realização da higiene das mãos exatamente onde o atendimento ocorre. Para tal, é necessário o fácil acesso a um produto de higienização das mãos, como por exemplo, a preparação alcoólica. O Produto de higienização das mãos deverá estar tão próximo quanto possível do profissional, ou seja, ao alcance das mãos no ponto de atenção ou local de tratamento, sem a necessidade do profissional se deslocar do ambiente no qual se encontra o paciente 1. O produto mais comumente disponível é a preparação alcóolica para as mãos, que deve estar em dispensadores fixados na parede, frascos fixados na cama / na mesa de cabeceira do paciente, nos carrinhos de curativos / medicamentos levados para o ponto de assistência, podendo também ser portado pelos profissionais em frascos individuais de bolso. Definição “Higiene das mãos” é um termo geral, que se refere a qualquer ação de higienizar as mãos para prevenir a transmissão de micro-organismos e consequentemente evitar que pacientes e profissionais de saúde adquiram IRAS1. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa3, o termo engloba a higiene simples, a higiene antisséptica, a fricção Antisséptica das mãos com preparação alcoólica, definidas a seguir, e a antissepsia cirúrgica das mãos, que não será abordada neste protocolo. 2.1. Higiene simples das mãos: ato de higienizar as mãos com água e sabonete comum, sob a forma líquida. 2.2. Higiene antisséptica das mãos: ato de higienizar as mãos com água e sabonete associado a agente antisséptico. 2.3. Fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica: aplicação de preparação alcoólica nas mãos para reduzir a carga de microrganismos sem a necessidade de enxague em água ou secagem com papel toalha ou outros equipamentos. 3.3.1. Preparação alcoólica para higiene das mãos sob a forma líquida: preparação contendo álcool, na concentração final entre 60% a 80% destinadas à aplicação nas mãos para reduzir o número de micro-organismos. Recomenda-se que contenha emolientes em sua formulação para evitar o ressecamento da pele. 3.3.2. Preparação alcoólica para higiene das mãos sob as formas gel, espuma e outras: preparações contendo álcool, na concentração final mínima de 70% com atividade antibacteriana comprovada por testes de laboratório in vitro (teste de suspensão) ou in vivo, destinadas a reduzir o número de micro-organismos. Recomenda-se que contenha emolientes em sua formulação para evitar o ressecamento da pele. Recomendações Recomendações para a higiene das mãos As indicações para higiene das mãos contemplam a) higienizar as mãos com sabonete líquido e água Quando estiverem visivelmente sujas ou manchadas de sangue ou outros fluidos corporais ou após uso do banheiro Quando a exposição a potenciais patógenos formadores de esporos for fortemente suspeita ou comprovada, inclusive surtos de C. difficile. Em todas as outras situações, nas quais houver impossibilidade de obter preparação alcoólica Higienizar as mãos com preparação alcoólica · Quando as mãos não estiverem visivelmente sujas (IA) e antes e depois de tocar o paciente e após remover luvas (IB); · Antes do manuseio de medicação ou preparação de alimentos Obs. Sabonete líquido e preparação alcoólica para a higiene das mãos não devem ser utilizados concomitantemente Higienização simples: com sabonete líquido e água Remover os micro-organismos que colonizam as camadas superficiais da pele, assim como o suor, a oleosidade e as células mortas, retirando a sujidade propícia à permanência e à proliferação de micro-organismos. Higienização antisséptica: antisséptico degermante e água Promover a remoção de sujidades e da microbiota transitória, reduzindo a microbiota residente das mãos, com auxílio de um antisséptico. A técnica de higienização antisséptica é igual àquela utilizada para a higienização simples das mãos, substituindo-se o sabonete líquido comum por um associado a antisséptico, como antisséptico degermante Fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica A utilização de preparação alcoólica para higiene das mãos sob as formas gel, espuma e outras (na concentração final mínima de 70%) ou sob a forma líquida (na concentração final entre 60% a 80%) tem como finalidade reduzir a carga microbiana das mãos e pode substituir a higienização com água e sabonete líquido quando as mãos não estiverem visivelmente sujas. A Fricção antisséptica das mãos com preparação alcoólica não realiza remoção de sujidades. Administração do tempo Trata-se de um plano que focaliza no tempo que leva-se em realizar tarefas especificas, esse planejamento pode ser feito anualmente semanalmente, diariamente ou até de hora em hora. Habilidades de liderança e funções administrativas são necessárias para uma administração eficiente do tempo, aprender a usar o tempo de maneira hábil é essencial para uma administração eficiente. Três etapas básicas na administração do tempo A primeira demanda separação de um tempo para estabelecer as prioridades A segunda é concluir as tarefas de maior prioridade e sempre que possível nunca iniciar uma tarefa antes de terminar a outra. A terceira é priorizar novamente com base nas tarefas restantes nas novas informações que podem ter sido recebidas Dois erros podem ser comuns para administradores iniciantes que é subestimar a importância do planejamento e não tirar um tempo apropriado para planejar. Dedicarum tempo para planejar é muito importante e deve-se planejar metas de curto, médio e longo prazo. Uma forma simples de priorização do que precisa ser feito é a divisão de todos os itens em categorias: ’’ Não fazer’’, ‘’fazer mais tarde’’, e ‘’fazer agora’’. Uma lista de tarefas diárias jamais deve ser maior do que aquilo que pode ser realizado no dia. Se uma tarefa aparecer nas listas de vários dias seguidos, o administrador devera examinar o porquê. Sugestões uteis para o planejamento de um enfermeiro · Reunir todos os materiais necessários antes de iniciar uma tarefa. Fragmentar o trabalho mentalmente · Agrupar atividades que serão feitas no mesmo local (ganhar tempo nos deslocamentos). · Usar cálculos de tempo (demora 30 min para tal coisa). · Documentar os arquivos rapidamente · Esforçar-se para terminar as tarefas na hora planejada. · Delinear métodos que tornem o trabalho mais simples e eficiente como intervalos, horários de almoço, agendar reuniões Os intervalos permitem uma pausa física e mental, e podem diminuir drasticamente problemas como sobrecarga mental, falta de concentração, sono.... Administração de interrupções Todo administrador está sujeito a interrupções e muitos não possuem uma secretaria para evita-las então precisam desenvolver habilidades para lhe dar com elas · Não se mostrar sempre disponível · Sempre ir direto ao assunto · Ser breve · Usar café ou almoço pra conversas Administração do tempo pessoal Envolve conhecer a si mesmo, autopercepção é uma habilidade de liderança a pessoa precisa se conhecer para saber suas metas, capacidades e limites. Hansten e washburn (1998) Sugerem existência de 3 áreas principais de pratica que consomem o tempo do enfermeiro: Cuidado profissional, técnico e social. O cuidado profissional é planejar cuidados coordenar com eficiência e avaliar resultados. Técnico: punção venosa, curativos .... E social: satisfação do paciente, boa convivência da equipe. Monocronico e Policronico Monocronico realizam uma tarefa de cada vez (geralmente concluem as tarefas no tempo curto e são mais organizadas). Policronico costumam fazer duas ou mais coisas simultaneamente (tendem a mudar sempre de planos e pedem mais favores aos outros, ou seja, constroem mais relações e amizades). Cada pessoa pode ter um período do dia mais produtivo e com isso deve organizar as tarefas mais complexas para esse período e menos complexas para outro. Inventario do tempo. É usado para dividir o tempo gasto para realizar certa atividade. Lembrando que deve usar somente o tempo disponibilizado para tal atividade, o uso ineficiente do tempo é um habito que pode tornar tudo estressante. O líder é um modelo para os subordinados como administrar o tempo. O indivíduo com habilidades desenvolvidas de administração do tempo pode ser capaz de manter um controle maior sobre os limites de tempo e de energia em sua vida pessoal e profissional. Processo de cicatrização Etapas da cicatrização A cicatrização normal é um processo dirigido a um objetivo, que ocorre segundo leis próprias e leva ao fechamento da ferida por meio de sequências bioquímicas e histológicas, no menor prazo possível. Dependendo dos processos predominantes em cada caso, distinguem-se três etapas na cicatrização que ocorrem de forma sobreposta: > Etapa inflamatória: dura entre 48 e 72 horas e é caracterizada pela presença dos sinais da inflamação: dor, calor, rubor e edema. O processo inflamatório combate os agentes agressores e deflagra uma série de acontecimentos que reconstituem o tecido lesado e possibilitam o retorno da função fisiológica ou a formação de tecido cicatricial para restituir o que não pôde ser reparado. No caso da cirurgia plástica, o agente agressor é o trauma mecânico causado pelo instrumental. A inflamação começa no exato momento da lesão. > Etapa proliferativa: dura entre 12 e 14 dias e é caracterizada pela reconstituição de vasos sanguíneos e linfáticos, pela produção de colágeno e pela intensa migração celular, principalmente de queratinócitos, promovendo a reepitelização. A cicatriz possui aspecto avermelhado. > Etapa de maturação (remodelação): tem duração indeterminada e é caracterizada pela reorganização do colágeno, que adquire maior força tênsil e empalidece. A cicatriz assume a coloração semelhante à da pele adjacente. O resultado final do tecido de granulação é uma cicatriz composta de fibroblastos de aspecto inativo e fusiforme, colágeno denso, fragmentos de tecido elástico, matriz extracelular e relativamente poucos vasos. A fase final da etapa de maturação representa a evolução da cicatriz constituída, podendo durar anos. Há diminuição do número de fibroblastos e de macrófagos e aumento do conteúdo de colágeno, cujas fibras progressivamente se alinham na direção de maior tensão da ferida. O conteúdo fibroso da cicatriz está relacionado à tensão que incide sobre as suas bordas.