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SED-MS
Leitura, compreensão e interpretação de textos .................................................................................. 1
Estruturação do texto e dos parágrafos ............................................................................................. 12
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais .............. 16
Significação contextual de palavras e expressões ............................................................................. 40
Equivalência e transformação de estruturas ...................................................................................... 52
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação ......................................................................... 58
Emprego de tempos e modos verbais ................................................................................................ 65
Pontuação ......................................................................................................................................... 79
Estrutura e formação de palavras ...................................................................................................... 87
Funções das classes de palavras ...................................................................................................... 97
Flexão nominal e verbal ................................................................................................................... 132
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação ................................................................. 138
Concordância nominal e verbal ........................................................................................................ 148
Regência nominal e verbal ............................................................................................................... 164
Ortografia oficial ............................................................................................................................... 175
Acentuação gráfica .......................................................................................................................... 190
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Bons estudos!
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foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
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COMPREENSÃO DO TEXTO
Há duas operações diferentes no entendimento de um texto. A primeira é a apreensão, que é a captação
das relações que cada parte mantém com as outras no interior do texto. No entanto, ela não é suficiente
para entender o sentido integral.
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas não conhecesse o universo dos discursos,
não entenderia o significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto dentro do universo discursivo
a que ele pertence e no interior do qual ganha sentido.
Alguns teóricos chamam o universo discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa
operação de compreensão.
E assim teremos:
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: informativa e de
reconhecimento.
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se
informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave,
passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo.
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras
como não, exceto, respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha adequada.
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia
do sentido global proposto pelo autor.
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos
que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto.
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques.
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem
esquerda.
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira
clara e resumida.
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um caminho que nos levará à
compreensão do texto.
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um tecido. O fio deve ser trabalhado com muito
cuidado para que o trabalho não se perca. O mesmo acontece com o texto. O ato de escrever toma de
empréstimo uma série de palavras e expressões amarrando, conectando uma palavra uma oração, uma
ideia à outra. O texto precisa ser coeso e coerente.
Coesão
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais elementos de coesão são os conectivos,
vocábulos gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou partes de uma frase. O texto deve
ser organizado por nexos adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente, evitando frases
e períodos desconexos.
Para perceber a falta de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto, procurando
estabelecer as possíveis relações entre palavras que formam a oração e as orações que formam o
período e, finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um texto bem trabalhado sintática e
semanticamente resultam num texto coeso.
Leitura, compreensão e interpretação de textos
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Coerência
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de estabelecer um sentido para o texto, ou seja,
ela é que faz com que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da coerência será levado em
conta o tipo de texto.
Em um texto dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os argumentos e de organizá-los
de forma a extrair deles conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada sua capacidade de
construir personagens e de relacionar ações e motivações.
Tipos de Composição
Descrição
É representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos
característicos, de pormenores individualizantes. Requer observação cuidadosa, para tornar aquilo que
vai ser descrito um modelo inconfundível.
Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir uma
impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por
isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas.
Narração
É um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus elementos constitutivos:
personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente, o episódio, e o que a distingue da
descrição é a presença de personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito.
Dissertação
É apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer umponto de vista baseado em argumentos lógicos; é
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor, narrar ou descrever, é necessário explanar
e explicar. O raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e quanto maior a fundamentação
argumentativa, mais brilhante será o desempenho.
Sentidos dos Textos
Sentidos Próprio e Figurado
Geralmente os exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria é uma flor” diz-se que
“flor” tem um sentido próprio e um sentido figurado.
O sentido próprio é o mesmo do enunciado: “parte do vegetal que gera a semente”.
O sentido figurado é o mesmo de “Maria, mulher bela, etc.”
O sentido próprio, na acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo.
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre corresponde ao que definimos aqui como sentido
imediato do enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o sentido preferencial, o que
comumente ocorre.
O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a metáfora, e que em leitura imediata leva à
mesma mensagem que se obtém pela decifração da metáfora.
Sentido Imediato
É o que resulta de uma leitura imediata que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura ingênua
ou leitura de máquina de ler. É aquela em que se supõe a existência de uma série de premissas que
restringem a decodificação, tais como:
- as frases seguem modelos completos de oração da língua;
- discurso lógico;
- se a forma usada no discurso é a mesma usada para estabelecer identidades lógicas ou atribuições,
então, tem-se, respectivamente, identidade lógica e atribuição;
- significados encontrados no dicionário;
- existe concordância entre termos sintáticos;
- abstrai-se a conotação;
- supõe-se que não há anomalias linguísticas;
- abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto modificadores do código linguístico;
- supõe-se pertinência ao contexto;
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- abstrai-se icônicas (é a associação harmoniosa entre os efeitos suscitados pela observação do
significante e seu significado. Essa associação pode derivar de uma relação de semelhança ou de
contiguidade);
- abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.;
- não se concebe a existência de locuções e frases feitas;
- supõe-se que o uso do discurso é comunicativo;
- abstrai-se o uso expressivo, cerimonial.
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável, ininteligível ou compreendido parcialmente.
Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que se comporte como uma máquina de ler, o
que faz do conceito de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico.
O que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de uma leitura imediata, como quando
alguém toma o sentido literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica perplexo diante de um
oxímoro.
Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de grau zero da escritura, identificando-a como
uma forma mais primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é apenas um pressuposto. Os
recursos de retórica são anteriores a ele.
Sentido Preferencial
Para compreender o sentido preferencial é preciso conceber o enunciado descontextualizado ou em
contexto de dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto muito rarefeito, como é o contexto
em que se encontra uma palavra no dicionário, dizemos que ela está descontextualizada.
Nesta situação, o sentido preferencial é o que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio,
o sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser o mesmo para outro. Por isso a definição
tem de considerar o resultado médio, o que não impede que pela necessidade momentânea
consideremos o significado preferencial para dado indivíduo.
Algumas regularidades podem ser observadas nos significados preferenciais. Por exemplo: o sentido
preferencial da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para abate”, e nunca o de “indivíduo
sem higiene”.
Em outras palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se impõe sobre o que teve origem
em processos metafóricos, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos o seguinte
exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão
carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com cimento”.
Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o que contrapõe a tese que diz que o sentido
“figurado” não é o “primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido mais usado se impor
sobre o menos usado.
Para certos termos é difícil estabelecer o sentido preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial
de manga? O de fruto ou de uma parte da roupa?
Questões
01. (TRF 5ª Região - Técnico Judiciário - FCC) Há falta de coesão e de coerência na frase:
(A) Nem sempre os livros mais vendidos são, efetivamente, os mais lidos: há quem os compre para
exibi-los na estante.
(B) Aquele romance, apesar de ter sido premiado pela academia e bem recebido pelo público, não
chegou a impressionar os críticos dos jornais.
(C) Se o sucesso daquele romance deveu-se, sobretudo, à resposta do público, razão pela qual a
maior parte dos críticos também o teriam apreciado.
(D) Há livros que compramos não porque nos sejam imediatamente úteis, mas porque imaginamos o
quanto poderão nos valer num futuro próximo.
(E) A distribuição dos livros numa biblioteca frequentemente indica aqueles pelos quais o dono tem
predileção.
02. (ALERJ - Especialista Legislativo - FGV/2017)
Comunicação Política na Suíça
Os cidadãos suíços são convocados a se pronunciar periodicamente, de quatro a cinco vezes por ano
aproximadamente, sobre um total de quinze temas da atualidade política. Além de cada uma dessas
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votações populares, os cidadãos são convidados a dar suas opiniões (votando simplesmente sim ou não)
sobre três ou quatro problemas de interesse nacional, aos quais se acrescentam alguns tópicos especiais
dos cantões e das comunas. Esse sistema repousa sobre a iniciativa popular e sobre o referendum, que
permitem a uma minoria, respectivamente 100.000 cidadãos, no caso da iniciativa popular, e 50.000, no
caso do referendum, obrigar o conjunto do país a se interessar sobre o que a preocupa.
(Argumentação, Hermès. Paris: CNRS Edições. 2011, p. 58)
O texto abaixo que carece de coerência é:
(A) “Democracia é como nadar. Aprende-se praticando”. (Abdel-Hadi)
(B) “Todo político em busca de reeleição é um animal perigoso”. (Sanguinetti)
(C) “A maior contribuição que alguns políticos podem dar ao país é perder as eleições”. (Ciro Pellicano)
(D) “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”.
(Mencken)
(E) “Um político honesto é aquele que, quando comprado, permanece comprado”. (Simon Cameron)
03. (Pref. de Teresina/PI - Professor Português - NUCEPE/2016)
SCHULZ, Charles M. Ser cachorro é um trabalho
De tempo integral. São Paulo, Conrad, 2004.
O quarto quadrinho do texto apresenta o conectivo mas, que normalmente opõe duas ideias contrárias.
Esse recurso linguístico como fator de textualidade realiza uma
(A) coesão referencial.
(B) coerência argumentativa.
(C) coesão sequencial.
(D) coerência narrativa.
(E) contiguidade.
04. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária - VUNESP) No fim da década de 90, atormentado
pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes
cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão
foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido -
do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no
centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros
pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíçosocupam o primeiro lugar.
O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking
são ocupadas por países pobres.
O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. "Nos
Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros,
em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria considera
aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário.
Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a
infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no
transporte público?
(Veja, 02.12.2009)
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Há emprego do sentido figurado das palavras em:
(A) os brasileiros estão entre os povos mais atrasados.
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar.
(C) Os brasileiros dão mais importância às relações sociais.
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo.
(E) não se pode confiar no serviço público?
05. (IF/GO - Auxiliar em Administração - CS/UFG)
Sua excelência, o leitor
Os livros vivem fechados, capa contra capa, esmagados na estante, às vezes durante décadas - é
preciso arrancá-los de lá e abri-los para ver o que têm dentro [...]. Já o jornal são folhas escancaradas ao
mundo, que gritam para ser lidas desde a primeira página. As mãos do texto puxam o leitor pelo colarinho
em cada linha, porque tudo é feito diretamente para ele. O jornal do dia sabe que tem vida curta e ofegante
e depende desse arisco, indócil, que segura as páginas amassando-as, dobrando-as, às vezes
indiferente, passando adiante, largando no chão cadernos inteiros, às vezes recortando com a tesoura
alguma coisa que o agrada ou o anúncio classificado. Súbito diz em voz alta, ao ler uma notícia grave,
"Que absurdo!", como quem conversa. O jornal se retalha entre dois, três, quatro leitores, cada um com
um caderno, já de olho no outro, enquanto bebem café. Nas salas de espera, o jornal é cruelmente
dilacerado. Ao contrário do escritor, que se esconde, o cronista vive numa agitada reunião social entre
textos - todos falam em voz alta ao mesmo tempo, disputam ávidos o olhar do leitor, que logo vira a
página, e silenciamos no papel. Renascemos amanhã.
TEZZA, Cristóvão. Disponível em:imagem-010.jpg Acesso em: 19 fev. 2014. (Adaptado).
Qual das expressões abaixo está empregada em sentido figurado?
(A) “gritam para ser lidas”
(B) “capa contra capa”
(C) “logo viram a página”
(D) “enquanto bebem café”
Gabarito
01.C / 02.E / 03.C / 04.D /05.A
Comentários
01. Resposta: C
É possível a construção da frase com o “então” substituindo, “razão pela qual”, dando um caráter de
conclusão na frase e não apenas uma justificativa.
02. Resposta. E
Um político sendo comprado, já é indício que ele não é honesto. Faltou a coerência neste argumento.
03. Resposta: C
A coesão sequencial sempre estabelece por meio dos conectivos uma relação entre as frases e seus
sentidos, ligando-as.
04. Resposta: D
A alternativa D foi utilizada uma metáfora. Linguagem conotativa, o seu significado foi ampliado para
sugerir que o trânsito é algo difícil a ponto de ser um pesadelo.
05. Resposta: A
A alternativa tem a frase “gritam para ser lidas” associada as folhas de jornais. A linguagem é figurada
devido ao fato de as folhas de jornal gritarem, folhas de jornais não gritam e nem falam. A característica
da figura de linguagem pode ser também algo anormal ao senso comum.
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INTERPRETAÇÃO
Cada vez mais, é comprovada a dificuldade dos estudantes, de qualquer idade, e para qualquer
finalidade de compreender o que se pede em textos, e também dos enunciados. Qual a importância de
entender um texto?
Para se compreender um texto precisa entender o que um texto não é conforme diz Platão e Fiorin:
“Não é amontoando os ingredientes que se prepara uma receita; assim também não é superpondo
frases que se constrói um texto”.1
Ou seja, um texto não é um aglomerado de frases, ele tem um começo, meio, fim, uma mensagem a
transmitir, tem coerência, e cada frase faz parte de um todo.
Na verdade, o texto pode ser a questão em si, a leitura que fazemos antes de resolver o exercício. E
como é possível cometer um erro numa simples leitura de enunciado? Mais fácil de acontecer do que se
imagina. Se na hora da leitura, deixamos de prestar atenção numa só palavra, como um “não”, já muda
a interpretação. Veja a diferença:
Qual opção abaixo não pertence ao grupo?
Qual opção abaixo pertence ao grupo?
Isso já muda totalmente a questão, e se o leitor está desatento, vai marcar a primeira opção que
encontrar correta. Pode parecer exagero pelo exemplo dado, mas tenha certeza que isso acontece mais
do que imaginamos, ainda mais na pressão da prova, tempo curto e muitas questões.
Partindo desse princípio, se podemos errar num simples enunciado, que é um texto curto, imagine os
erros que podemos cometer ao ler um texto maior, sem prestar devida atenção aos detalhes. É por isso
que é preciso melhorar a capacidade de leitura e compreensão.
Texto: conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz
de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).
Contexto: um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que a
faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases
é tão grande, que se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá
ter um significado diferente daquele inicial. O contexto pode ser entendido como unidade linguística maior
onde se encaixa uma unidade linguística menor.2
Intertexto: quando um texto retoma outro, constrói-se com base em outro.
Intertextualidade: é exatamente a relação entre dois textos.
Interpretação de Texto: o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de
sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as
argumentações ou explicações que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova.
Normalmente, numa prova o candidato é convidado a:
Identificar: reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma
época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
Comparar: descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto.
Comentar: relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito.
Resumir: concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo.
Parafrasear: reescrever o texto com outras palavras. Exemplo:
Título do Texto Paráfrases
“O Homem Unido”
A integração do mundo.
A integração da humanidade.
A união do homem.
Homem + Homem = Mundo.
A macacada se uniu. (sátira)
1 PLATÃO, Fiorin, Lições sobre o texto. Ática 2011.
2 PLATÂO, Fiorin, Para entender o texto, Ática, 1990.
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Condições Básicas para Interpretar
Faz-se necessário:
- Conhecimento histórico/literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática.
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado
das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia,
polissemia, figuras de linguagem, entre outros.
- Capacidade de observação e de síntese.
- Capacidade de raciocínio.
Interpretar X Compreender
Interpretar significa Compreender significa
Explicar, comentar,julgar, tirar
conclusões, deduzir.
Tipos de enunciados:
- através do texto, infere-se que...
- é possível deduzir que...
- o autor permite concluir que...
- qual é a intenção do autor ao afirmar
que...
Intelecção, entendimento, atenção ao que
realmente está escrito.
Tipos de enunciados:
- o texto diz que...
- é sugerido pelo autor que...
- de acordo com o texto, é correta ou errada
a afirmação...
- o narrador afirma...
Erros de Interpretação
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes
são:
Extrapolação (viagem): ocorre quando se sai do contexto, acrescentando ideias que não estão no
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação.
Redução: é o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que o texto
é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido.
Contradição: não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões
equivocadas e, consequentemente, errando a questão.
Atenção: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas
numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais.
Coesão
É o emprego de mecanismo de sintaxe que relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (nexos),
ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito.
São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do
pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode
esquecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, um valor semântico, por isso a
necessidade de adequação ao antecedente.
Vícios de Linguagem
Há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia); no dia a dia, porém, existem
expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se erros graves como:
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte.
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”.
- “No bar: me vê um café”. Erro de posição do pronome, que deveria vir após o verbo (vê-me).
Algumas dicas para Interpretar um Texto
- Leia bastante textos de diversas áreas, assuntos distintos nos trazem diferentes formas de pensar.
Leia textos de bom nível.
- Pratique com exercícios de interpretação. Questões simples, mas que nos ajuda a ter certeza que
estamos prestando atenção na leitura.
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- Cuidado com o “olho ninja”, aquele que quando damos conta, já está no final da página, e nem
lembramos o que lemos no meio dela. Talvez seja hora de descansar um pouco, ou voltar a leitura num
ponto que estávamos prestando atenção, e reler.
- Ative seu conhecimento prévio antes de iniciar o texto. Qualquer informação, mínima que seja, nos
ajuda a compreender melhor o assunto do texto.
- Faça uma primeira leitura superficial, para identificar a ideia central do texto, e assim, levantar
hipóteses e saber sobre o que se fala.
- Leia as questões antes de fazer uma segunda leitura mais detalhada. Assim, você economiza tempo
se no meio da leitura identificar uma possível resposta.
- Preste atenção nas informações não verbais. Tudo que vem junto com o texto, é para ser usado ao
seu favor. Por isso, imagens, gráficos, tabelas, etc., servem para facilitar nossa leitura.
- Use o texto. Rabisque, anote, grife, circule... enfim, procure a melhor forma para você, pois cada um
tem seu jeito de resumir e pontuar melhor os assuntos de um texto.
Além dessas dicas importantes, você também pode grifar palavras novas, e procurar seu significado
para aumentar seu vocabulário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas são uma distração,
mas também um aprendizado.
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a compreensão do texto e ajudar a aprovação,
ela também estimula nossa imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora nosso foco, cria
perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além de melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de
memória.
Organização do Texto e Ideia Central
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos
parágrafos, composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto.
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da
margem esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central
extraída de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo,
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto.
Exemplos:
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos
latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da
indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado.
Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos
canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-
se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)
Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
(A) os portugueses.
(B) os negros.
(C) os índios.
(D) tanto os índios quanto aos negros.
(E) a miscigenação de portugueses e índios.
(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2003.)
Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas
características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto.
- Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir:
(1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
(3) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
(4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
(6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
Explicações:
(1) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
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(2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que
se dedicaram, restringindo o grupo de alunos.
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
(5) Marcão é chamado para cantar.
(6) Marcão pratica a ação de cantar.
Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele:
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e
com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação
comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor.”
Frase para análise.
Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande
desafio do professor moderno.
- Não é mencionado que a escola seja da rede privada.
- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra
questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há
também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério.
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original).
- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por
palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa
para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águiade Haia; o povo lusitano
= portugueses).
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos:
- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores.
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores.
- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores.
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores.
Explicações:
- Certos alunos = qualquer aluno.
- Alunos certos = aluno correto.
- Alunos determinados = alunos decididos.
- Determinados alunos = qualquer aluno.
Questões
01. (TRE/GO - Analista Judiciário - CESPE) A ciência moderna teve de lutar com um inimigo
poderoso: os monopólios de interpretação, fossem eles a religião, o estado, a família ou o partido. Foi
uma luta travada com enorme êxito e cujos resultados positivos vão ser indispensáveis para criar um
conhecimento emancipatório pós-moderno. O fim dos monopólios de interpretação é um bem absoluto da
humanidade.
No entanto, como a ciência moderna colonizou as outras formas de racionalidade, destruindo assim,
o equilíbrio dinâmico entre regulação e emancipação, em detrimento desta, o êxito da luta contra os
monopólios de interpretação acabou por dar lugar a um novo inimigo, tão temível quanto o anterior, e que
a ciência moderna não podia senão ignorar: a renúncia à interpretação, paradigmaticamente patente no
utopismo automático da tecnologia e também na ideologia e na prática consumistas.
Depreende-se da argumentação do texto que
(A) a criação de um conhecimento pós-moderno apoia-se na utopia da ideologia e da prática
consumista.
(B) tanto uma interpretação monopolizada quanto a falta de interpretação são prejudiciais à
humanidade.
(C) tanto a ciência moderna quanto outras formas de racionalidade prejudicaram a luta contra os
monopólios de interpretação.
. 10
(D) o fim dos monopólios de interpretação teve como uma de suas consequências o enfraquecimento
da religião, do Estado, da família e dos partidos.
02. (CFP - Técnico em Informática - Quadrix)
Sobre a interpretação dos quadrinhos, assinale a alternativa correta.
(A) Os quadrinhos não causariam o riso, independentemente do perfil do leitor e da leitura realizada.
(B) Depois de o marido afirmar ser estéril, não seria possível de maneira alguma a mulher estar grávida.
(C) Na verdade, pode-se concluir que a mulher mentiu para o marido em relação à gravidez, querendo
apenas assustá-lo.
(D) As imagens em nada se relacionam ao texto dos quadrinhos.
(E) No primeiro quadrinho, a maneira de falar e as imagens mostram que a mulher imaginou que daria
uma boa notícia ao marido.
03. (MPE/ES - Promotor de Justiça Substituto - FAPEC)
A arte de ser feliz
Cecília Meireles
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas
gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, pra que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros
e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Às vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que
essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é
preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Glossário: Félix Lope de Vega y Carpio
A partir da leitura e interpretação do texto acima, assinale a alternativa correta:
(A) O texto apresenta o modo descritivo-narrativo, trazendo como uma de suas mensagens a ideia de
que o ser humano precisa aprender a ver com olhos conscientes para poder captar a realidade em sua
plenitude.
(B) O texto apresenta o modo dissertativo-argumentativo, porque está baseado na defesa de uma ideia
visando convencer o leitor de que as pessoas precisam enxergar as coisas e fatos mais singelos do
cotidiano para alcançar a felicidade.
. 11
(C) O texto apresenta somente o modo narrativo, trazendo a ideia de que todos devem ter uma só
visão sobre o mundo.
(D) O texto apresenta somente o modo injuntivo ou instrucional, pois objetiva, sobretudo, trazer
explicações sobre a visão do ser humano, sem a finalidade de convencer o leitor por meio de argumentos.
(E) O texto apresenta somente o modo descritivo ao fazer o retrato minucioso escrito de um lugar, uma
cena, uma pessoa e alguns animais, identificados como “pequenas felicidades certas”.
04. (Pref. São José/PR - Agente Administrativo - FAUEL/2017)
Cassini faz primeiro mergulho entre Saturno e seus anéis; cientistas esperam dados de
qualidade inédita.
Após 13 anos em órbita, a sonda CassiniHuygens já está enviando informações para a Terra após ter
feito seu primeiro “mergulho” entre os anéis de Saturno - são 22 planejados para os próximos cinco
meses.
A Cassini começou a executar a manobra - considerada difícil e delicada - na última quarta-feira e
restabeleceu contato com a Nasa (agência espacial americana) na manhã desta quinta. A sonda se
movimenta a 110 mil km/h, tão rapidamente que qualquer colisão com outros objetos - mesmo partículas
de terra ou gelo - poderia provocar danos.
Um objetivo central é determinar a massa e, portanto, a idade dos anéis - formados, acredita-se, por
gelo e água. Quanto maior a massa, mais velhos eles podem ser, talvez tão antigos quanto Saturno. Os
cientistas pretendem descobrir isso ao estudar como a velocidade da sonda é alterada enquanto ela voa
entre os campos gravitacionais gerados pelo planeta e pelas faixas de gelo que giram em torno dele.
Fragmento do texto publicado no site da BBC Brasil, por Jonathan Amos, correspondente de Ciência da BBC, dia 27 de abril de 2017.
Quanto ao gênero e interpretação do texto, é CORRETO afirmar que se trata de um trecho de:
(A) uma biografia dos cientistas Cassini e Huygens.
(B) uma notícia sobre um avanço científico.
(C) uma reportagem política sobre a Nasa.
(D) um artigo científico sobre velocidade.
(E) um texto acadêmico sobre a Via Láctea.
05. (CREF 12ª Região - Assistente Administrativo - QUADRIX)
A interpretação da tirinha, de uma maneira global, permite compreender que:
(A) As razões pelas quais Ágatha troca Gaturro por um novo namorado são puramente sentimentais.
(B) Ágatha não consegue apresentar quaisquer razões para ter trocado de namorado.
(C) Ágatha e Gaturro continuam sendo namorados, apesar de ela afirmar o contrário.
(D) À medida que Ágatha apresenta suas razões, Gaturro se sente mais e mais humilhado, sentimento
que tem seu ápice nos dois últimos quadrinhos.
(E) A relação entre Ágatha e Gaturro sempre foi conturbada, o que se pode comprovar pelas feições
alternadas de Gato Viga ao longo do desenrolar dos fatos.
. 12
Gabarito
01.B / 02.E / 03.A / 04.B / 05.D
Comentários
01. Resposta: B
O texto argumenta a dificuldade que a ciência moderna teve em relação a quebrar paradigmas
estabelecidos, que existe um monopólio de interpretação e que este somente pode ser prejudicial não
permitindo outras formas de interpretação.
02. Resposta: E
Em relação as quadrinhos é necessário para uma boa interpretação, prestar atenção nos desenhos e
na linguagem. No primeiro quadrinho a esposa realmente com um rosto felizpensa que sua fala será
impactante e alegre para o seu marido.
03. Resposta: A
O modo descritivo-narrativo se apresenta no texto, uma vez que existe a descrição de um personagem
que molha as plantas, e uma narrativa ao mesmo tempo, a descrição é bem sucinta, ou seja, bem rápida
e leve.
04. Resposta: B
O texto expõe claramente um tema sobre avanço científico, sobre a sonda que faz 13 anos está em
órbita enviando informações para a terra.
05. Resposta: D
Sim, à medida que Ágatha vai mencionando partes do corpo do seu novo namorado, o Gaturro chega à
conclusão que é melhor inverter o discurso, para não precisar ouvir mais qualidades do seu novo
namorado, e suas expressões evidenciam isso claramente.
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase leva-nos a refletir sobre a organização3 das
ideias em um texto.
A eficácia do texto dependerá da forma pela qual estas ideias se apresentarão mediante o transcorrer
do discurso. Partindo deste pressuposto, temos a noção de quão importante é a estruturação do texto
e dos parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas
a permitir uma efetiva interação entre os interlocutores.
Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste
processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a
estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, dentre outros.
Estruturação
Os elementos essenciais para a composição de um texto são: introdução, desenvolvimento e
conclusão4.
Analisemos cada uma das partes separadamente:
Introdução
Apresentação direta e objetiva da ideia central do texto.
Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial.
Desenvolvimento
Estruturalmente, é a maior parte contida no texto.
3 http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/
4 https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-texto-estrutura-do-paragrafo.html
Estruturação do texto e dos parágrafos
. 13
O desenvolvimento estabelece uma relação entre a introdução e a conclusão, pois é nesta etapa que
as ideias, argumentos e posicionamento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com o intuito de
dirigir a atenção do leitor para a conclusão.
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e capazes de fazer com que o leitor anteceda
a conclusão.
Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são:
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial.
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais.
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando,
assim, a linha de entendimento do leitor.
Conclusão
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas no desenvolvimento, ou seja, é o
fechamento do texto e dos questionamentos propostos pelo autor.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”.
Sequência Lógica
O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido.
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de
fundamentar sua ideia.
Parágrafo
Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes
componentes do texto. Ele sempre deverá ser desenvolvido a partir de uma ideia-núcleo, responsável por
nortear as ideias secundárias.
Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que
se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela.
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação
cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter
parágrafos mais longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de
longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia.
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras.
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem
várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para
acompanhá-los.
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em relação à margem esquerda da
folha; conceitualmente, o parágrafo completo deve dispor de introdução, desenvolvimento e conclusão.
Introdução – também denominada de tópico frasal, constitui-se pela apresentação da ideia principal,
feita de maneira sintética de acordo com os objetivos do autor...
Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias,
com vistas a reforçar e conferir credibilidade na discussão.
. 14
Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central associando-a aos pressupostos
mencionados no desenvolvimento, procurando arrematá-los.
Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e
conclusão):
(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante,
para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade.
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente,
ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos
gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos
programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo.
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a
ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas.
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como
pela indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram
os fatos.
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em
especial às falas dos personagens.
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte,
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente.
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de
orações coordenadas ou justapostas.
Questões
01. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018)
Quem protege os cidadãos do Estado?
Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate
O conjunto de leis nacionais, assim comode tratados e declarações internacionais ratificadas pelos
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias,
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados,
por exemplo.
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras.
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há
perigo para a população.
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e
guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para
atender os que estão feridos e sob risco de vida.
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização.
Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que:
(A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e
tranquilidade da população;
. 15
(B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo
parágrafo;
(C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo
parágrafo;
(D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras;
(E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência.
02. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018)
“Eu era piloto…
Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine,
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia,
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha.
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia:
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha,
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes
como os do meu marido…
No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou.
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei
a pedir para ir para o front…
Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…”
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto
* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União
Soviética.
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.)
Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que
(A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve
uma filha antes da guerra.
(B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e
sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo.
(C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o
trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941.
(D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso
argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os
leitores reflitam sobre possíveis respostas.
(E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função
localizar temporalmente os eventos narrados.
Gabarito
01.B / 02.E
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Comentários
01. Resposta: B
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade.
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc.
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras),
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras;
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente.
e) Não há relação de causa e consequência.
02. Resposta: E
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões narrando
em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo
das personagens, conhece suas emoções e pensamentos.
COESÃO
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, expressões ou frases
do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os
componentes e dar articulação do texto. Observe:
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.”
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações.
Se tivermos: “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão,
retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo,
e a conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue:
Arroz-doce da infância
Ingredientes
1 litro de leite desnatado
150g de arroz cru lavado
1 pitada de sal
4 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sobremesa) de canela em pó
Preparo
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a
canela. Sirva.
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999,.
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informaçõesapresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera
menção.
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores
sequenciais
. 17
No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo relaciona ao açúcar
citado na primeira parte. Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar mais além do citado
anteriormente, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingredientes.
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras,
expressões ou frases e encadeamento de segmentos.
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical (pronome, verbos ou advérbios)
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.”
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles”
recupera a palavra homens.
- Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para
anunciar, para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa
abandonar a faculdade no último ano:
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?”
- São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios
ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos:
- O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre.
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade
de São Paulo.”
- O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome
Machado de Assis.
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.”
- O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens.
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.”
- O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema.
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.”
- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento.
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para
demonstrar seu apreço aos servidores.”
- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica
comprometida, como neste exemplo:
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.”
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome.
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve
o texto. É o caso de um exemplo como este:
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não
havia comparecido.”
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado).
- O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) serve geralmente para introduzir informações novas ao
texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido (o, a, os, as), pois este é
. 18
que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial,
a um termo já mencionado.
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.”
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico.
- O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor.
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.”
- Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado no exemplo
abaixo. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita.
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.”
Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo)
Uma palavra pode ser retomada, quer por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo,
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia.
Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente.
Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido;
Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor,
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela.
Antonomásia: é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um
próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica
notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas
que possuam a mesma característica que a distingue:
“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.”
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.”
*Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América.
“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte).
*Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules.
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas
da noite.”
A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele.
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.”
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas,
planetas, satélites.
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido),
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.”
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18.
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores;
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos.
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É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um
efeito de sentido de intensificação,constituirá uma falha de estilo.
No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras
parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária
que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente:
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda.
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.”
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem.
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000.
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto.
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o
preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a
fala.
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis:
(...)
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imorta, que toda a luz resume!”
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, VIII,
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas,
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível.
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou:
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.”
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo:
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente
aquela promoção.”
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo
verbo implicar.
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos
palpiteiros e os dispenso sem dó).
Coesão por Conexão
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja.
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados
indiscriminadamente.
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Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária.
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento
introduzido por ele a conclusão do anterior.
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito.
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que
fala e é até sedutor.”
Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista;
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte.
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da
empresa.”
Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo.
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.”
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender;
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo.
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja,
ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem,
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de.
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos
funcionários e também é muito querido pelos alunos.”
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão.
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção
argumentativa dos precedentes.
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”.
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou
seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário.
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.”
O argumento introduzido por ao contrário é diretamente oposto àquele de que o falante teria agredido
alguém.
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita,
. 21
por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração).
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por
conseguinte, não é moralmente defensável.”
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período.
- Comparação: outrosimportantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que.
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os
agentes penitenciários.”
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta:
“Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da
fuga de presos”.
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol:
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time.
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.”
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não
primam exatamente pela excelência em relação aos outros.
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala:
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.”
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base.
- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em
relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois.
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com
os custos da guerra.”
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque.
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas,
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que,
conquanto, ainda que, posto que, se bem que).
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam
enunciados com orientação argumentativa contrária?
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção.
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.”
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Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda
orientação é a mais forte.
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”.
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo,
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas,
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um
argumento decisivo para uma conclusão contrária.
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não
introduzido pela conjunção.
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.”
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção
argumentativa contrária.
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária.
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare
os seguintes períodos:
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).”
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para
derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais.
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada
na loteria.”
O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma.
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma
amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que.
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento
econômico leva ao aumento de renda da população.”
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes.
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol.
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso
futebol são retranqueiros.
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma
exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como.
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.”
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”.
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- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras.
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.”
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes.
Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente.
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato,
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.”
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes.
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado.
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça.
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente.
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes.
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira.
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de
surpresa.”
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes.
Coesãopor Justaposição
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com
sequenciadores.
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade:
dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente
nas narrações).
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio
de planos para o futuro.”
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita,
junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições).
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do
outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior
força do inverno.”
José de Alencar. Senhora. São Paulo, FTD, 1992, p. 77.
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição:
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc.
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do
planeta.”
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para
introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo
um parêntese, etc.
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“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia
agradar às mulheres.”
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de
sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados,
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos.
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases
governamentais sólidas.”
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável.
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque.
A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e
explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos
este exemplo:
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo
governo federal.”
O período compõe-se de:
- As empresas;
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração);
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da
segunda oração);
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração).
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal.
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas
partes estejam bem conectadas entre si.
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado
injustificado.
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.”
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade,
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa,
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não
suficiente, para produzir um texto.
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Questões
01. (CRP 2º Região PE - Assistente Administrativo - Quadrix/2018)
No terceiro quadrinho, a palavra "isso" ajuda a estabelecer, no texto, um processo de
(A) coesão sequencial.
(B) coesão referencial anafórica.
(C) coesão referencial catafórica.
(D) coesão exofórica.
(E) perda de coesão.
02. (Pref. de Teresina/PI – Professor – Português – NUCEPE/2016) A coerência e a coesão são
mecanismo da textualidade que se estabelecem no texto a partir da:
(A) conectividade.
(B) intencionalidade.
(C) aceitabilidade.
(D) intertextualidade.
(E) informatividade.
03. (TER/PI – Analista Judiciário – CESPE/2016)
Na história em quadrinhos, a coesão e a coerência textuais são estabelecidas por meio
(A) da retomada do termo “informação”, no último quadrinho.
(B) da explicitação das formas existentes no mundo que, em tese, poderiam equivaler a vida.
(C) do questionamento acerca do que vem a ser vida.
(D) da resposta ao próprio questionamento do indivíduo do primeiro quadrinho.
(E) das formas alfabéticas do segundo quadrinho.
04. (UFMS – Assistente em Administração – UFMS/2016)
Concurso marca 400 anos da morte de Shakespeare
Vídeos que melhor mostrarem a atualidade da obra do dramaturgo inglês serão premiados com
viagem ao Reino Unido e vale-presente
REDAÇÃO 5 de maio de 2016
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Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta
que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje, promovido pelo British Council e parte da
programação “Shakespeare Lives”, que vem celebrando por meio de uma série de eventos, que se
estenderão ao longo do ano, os quatro séculos da morte do dramaturgo inglês.
Destinado a professores e alunos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil, o concurso pede
para que os participantes produzam um vídeo que mostre a importância e atualidade da obra
shakespeariana.
As produções devem ter, no máximo, quatro minutos e podem ser feitas em grupos de até cinco alunos
que estejam cursando o Ensino Fundamental II ou Médio e com a coordenação de um professor.
O material deve abordar textos e personagens de Shakespeare e pode conter excertos de peças,
adaptações ou conteúdos autorais que sejam inspirados pela obra do autor.
Os melhores vídeos serão premiados com uma viagem para o Reino Unido e vales-presentes no valor
de 1 mil reais. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 28 de outubro.
(www.cartaeducacao.com.br/agenda/concurso-marca-400-anos-da-morte-de-shakespeare, 2016)
Assinale a alternativa INCORRETA no que se refere à coesão e/ou à coerência do texto lido.
(A) No estabelecimento de coesão lexical no texto, os nomes “vídeos”, “produções” e “material” são
empregados em relação de sinonímia.
(B) No trecho “É essa a pergunta que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje[...]” (1º parágrafo),
o pronome demonstrativo “essa” estabelece referência catafórica por se referir ao substantivo “pergunta”.
(C) Em “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual?” (1º
parágrafo), a sequênciaformada pela preposição “por” e pelo pronome interrogativo “que” pode ser
substituída, sem prejuízo de sentido, pela expressão “por qual motivo”.
(D) Entre as marcas de coesão referencial do texto, está o uso dos pronomes “sua” em “Passados 400
anos da sua morte” e “essa” em “É essa a pergunta que embala o concurso”. (1º parágrafo)
(E) Entre as marcas de coesão lexical do texto, está o uso de “autor” (penúltimo parágrafo) e
“dramaturgo inglês” (primeiro parágrafo) em referência a “William Shakespeare”. (1º parágrafo).
05. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN/2016)
Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar náufragos
Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o sofrimento dos refugiados deixou-o mais
rígido com as próprias filhas.
O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. Cobriu guerras e os protestos da
Primavera Árabe. Nos últimos meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa. Ele
conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na
Grécia, onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de 700.000
refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As autoridades locais
estão sendo acusadas de não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de
suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os Estados-
membros.
Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em território pacífico, pessoas que trazem
no rosto o sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna isso ainda
mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo,
então, de certa forma, está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas que ele
documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As pessoas que chegam estão
lutando por suas vidas. Não são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em terra
firme, por falta de atendimento médico.
Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas
vezes Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito
com os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da
travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas pedras à beira-mar.
O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das crianças refugiadas deixou-o mais
rígido com as próprias filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que acontece
com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas,
de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas não têm do que reclamar.
(Por: Diogo Schelp 04/12/2015.
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-naufragos/.)
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Na construção do texto, a coerência e a coesão são de fundamental importância para que sua
compreensão não seja comprometida. Alguns elementos são empregados de forma efetiva e explícita
com tal propósito. Nos trechos a seguir foram destacados alguns elementos cuja função anafórica
contribui para a coesão textual, com EXCEÇÃO de:
(A) “[...] pessoas que trazem no rosto o sofrimento da guerra.” (2º§)
(B) “Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos [...]” (1º§)
(C) “O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento [...]” (4º§)
(D) “[...] onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu.” (1º§)
06. (Pref. de Niterói/RJ – Administrador – COSEAC/2016)
O Brasil é minha morada
1 Permita-me que lhes confesse que o Brasil é a minha morada. O meu teto quente, a minha sopa
fumegante. É casa da minha carne e do meu espírito. O alojamento provisório dos meus mortos. A caixa
mágica e inexplicável onde se abrigam e se consomem os dias essenciais da minha vida.
2 É a terra onde nascem as bananas da minha infância e as palavras do meu sempre precário
vocabulário. Neste país conheci emoções revestidas de opulenta carnalidade que nem sempre
transportavam no pescoço o sinete da advertência, justificativa lógica para sua existência.
3 Sem dúvida, o Brasil é o paraíso essencial da minha memória. O que a vida ali fez brotar com
abundância, excedeu ao que eu sabia. Pois cada lembrança brasileira corresponde à memória do mundo,
onde esteja o universo resguardado. Portanto, ao apresentar-me aqui como brasileira, automaticamente
sou romana, sou egípcia, sou hebraica. Sou todas as civilizações que aportaram neste acampamento
brasileiro.
4 Nesta terra, onde plantando-se nascem a traição, a sordidez, a banalidade, também afloram a
alegria, a ingenuidade, a esperança, a generosidade, atributos alimentados pelo feijão bem temperado, o
arroz soltinho, o bolo de milho, o bife acebolado, e tantos outros anjos feitos com gema de ovo, que deita
raízes no mundo árabe, no mundo luso.
5 Deste país surgiram inesgotáveis sagas, narradores astutos, alegres mentirosos. Seres anônimos,
heróis de si mesmos, poetas dos sonhos e do sarcasmo, senhores de máscaras venezianas, africanas,
ora carnavalescas, ora mortuárias. Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do seu tempo,
acomodam-se esplêndidas à sombra da mangueira só pelo prazer de dedilhar as cordas da guitarra e do
coração.
6 Neste litoral, que foi berço de heróis, de marinheiros, onde os saveiros da imaginação cruzavam as
águas dos mares bravios em busca de peixes, de sereias e da proteção de Iemanjá, ali se instalaram
civilizações feitas das sobras de outras tantas culturas. Cada qual fincando hábitos, expressões, loucas
demências nos nossos peitos.
7 Este Brasil que critico, examino, amo, do qual nasceu Machado de Assis, cujo determinismo falhou
ao não prever a própria grandeza. Mas como poderia este mulato, este negro, este branco, esta alma
miscigenada, sempre pessimista e feroz, acatar uma existência que contrariava regras, previsões,
fatalidades? Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e
revivê-lo ao mesmo tempo?
8 Fomos portugueses, espanhóis e holandeses, até sermos brasileiros. Uma grei de etnias ávidas e
belas, atraída pelas aventuras terrestres e marítimas. Inventora, cada qual, de uma nação foragida da
realidade mesquinha, uma espécie de ficção compatível com uma fábula que nos habilite a frequentar
com desenvoltura o teatro da história.
(PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p. 241-243, fragmento.)
A leitura correta do texto indica que o elemento de coesão textual destacado em cada fragmento abaixo
está ERRONEAMENTE informado na opção:
(A) “justificativa lógica para SUA existência.” (2º §) / “emoções revestidas de opulenta carnalidade”.
(B) “O que a vida ALI fez brotar com abundância, excedeu ao que eu sabia.” (3º §) / “o Brasil é o
paraíso essencial da minha memória.”
(C) “Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do SEU tempo, acomodam-se esplêndidas
à sombra da mangueira”. (5º §) / “Criaturas”.
(D) “CUJO determinismo falhou ao não prever a própria grandeza.” (7º §) / “Este Brasil”.
(E) “Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e revivê-LO
ao mesmo tempo?” (7º §) / “o Brasil”.
07. (COMPESA – Analista de Gestão – FGV/2016) As opções a seguir apresentam pensamentos em
que os pronomes sublinhados estabelecem coesão com elementos anteriores.
. 28
Assinale a frase em que esse referente anterior é uma oração.
(A) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”.
(B) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”.
(C) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”.
(D) “A dúvidaé uma margarida que jamais termina de se despetalar”.
(E) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”.
08. (SEE-PE – Professor de Matemática – FGV/2016) “O único consolo que sinto ao pensar na
inevitabilidade da minha morte é o mesmo que se sente quando o barco está em perigo: encontramo-nos
todos na mesma situação.”
(Tolstói)
Alguns elementos do pensamento de Tolstói se referem a termos anteriores, o que dá coesão ao texto.
Assinale a opção em que o termo cujo referente anterior está indicado incorretamente.
(A) “que sinto” / consolo.
(B) “o mesmo” / consolo.
(C) “que se sente” / consolo.
(D) “todos” / nos.
(E) “na mesma situação” / inevitabilidade da morte.
Gabarito
01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D / 07.E / 08.E
Comentários
01. Resposta: B
Há função anafórica, isto é, alude ao que foi dito anteriormente. Quando Haroldo diz "isso", refere-se
a uma fala anterior de Calvin.
02. Resposta: A
A coerência ou conectividade conceitual é a relação que se estabelece entre as partes de um texto,
criando uma unidade de sentido.
A coesão, ou conectividade sequencial, é a ligação, o nexo que se estabelece entre as partes de
um texto, mesmo que não seja aparente.
03. Resposta: A - A Senhora no quadrinho dá continuidade a "Tudo é apenas informação", e não
responde "O que é a 'vida'?"
04. Resposta: B
A) CORRETA: todos esses nomes se referem aos vídeos produzidos por professores e alunos de
escolas públicas e particulares sobre William Shakespeare (ver o 2° parágrafo).
B) ERRADA: “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala o
concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” . “Essa” estabelece referência anafórica com a pergunta
destacada.
C) CORRETA.
D) CORRETA: “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? [...]”
(referência catafórica); “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala
o concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” (referência anafórica).
E) CORRETA.
05. Resposta: C
Pronomes relativos - são anafóricos;
Conjunções - termos que ligam orações ou palavras do mesmo gênero - Jamais farão papel de
termos anafóricos.
06. Resposta: D
Expressão referencial: cujo
. 29
Referente: Machado de Assis
Processo de Articulação: anáfora
07. Resposta: E
a) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. (ERRADO) o "QUE"
é Pronome Relativo (o qual) e refere-se a "sujeito".
b) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. (ERRADO) o LHE faz
referência a "a minha vontade", sendo objeto indireto.
c) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. (ERRADO) o
"que" não faz referência a nenhum termo da oração anterior.
d) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”. (ERRADO) Assim como na letra
A, o "QUE" é Pronome Relativo (a qual), referindo-se a "margarida"
e) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. (CERTO) o ISSO faz referência a oração
anterior. ISSO é uma falha...isso o que? você pensar que não tem falhas.
08. Resposta: E
Sinto que o único consolo é o mesmo que se sente.
Na mesma situação refere-se a barco em perigo.
COERÊNCIA
Coerência é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta
nexo e uniformidade. Para que algo tenha coerência, este objeto precisa apresentar uma sequência que
dê um sentido geral e lógico ao receptor, de forma que não haja contradições ou dúvidas acerca do
assunto.
Vamos ver um exemplo:
Infância
O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A vista na casa que a gente sentava no sofá
Adolescência
Aquele amor
Nem me fale
Maturidade
O Sr. e a Sra. Amadeu
Participam a V. Exa.
O feliz nascimento
De sua filha
Gilberta
Velhice
O netinho jogou os óculos
Na latrina
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas.
4ª Ed. Rio de Janeiro
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161.
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à primeira vista, seja a ausência de
elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. No
entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro
gares”, ou seja, as quatro estações.
. 30
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes
fases da vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice.
A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança
quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala
apropriada e o camisolão que se usava para dormir);
A segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar;
A terceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento
da filha;
A quarta, pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a
ação).
A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintático; a
terceira, a participação do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, porém
aparentemente desgarrada das demais.
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar
da falta de marcadores de coesão entre as partes?
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto:
a coerência.
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia
ajuda a compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das partes ganha
sentido.
No poema acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa
unidade. Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título “Maturidade” dá
a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário.
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um conjunto de enunciados pode formar um
todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença explícita
de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas.
Em outros termos, a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade
de sentido, pois esta depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não contradição entre
as partes, da continuidade semântica, em síntese, da coerência.
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois possibilita que todas as suas partes sejam
englobadas num único significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não pode ser
alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente, como este:
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual.
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão
para me realizar e ser independente financeiramente.
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence!
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs).
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53.
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto
incoerente.
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o compõem, e, por isso, costuma-se falar em
váriosníveis de coerência.
Coerência Narrativa
Consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito
realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá-la.
Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo:
Lá dentro havia uma fumaça, e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois era
muito intensa.
. 31
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando
as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas,
altas e baixas.5
Nesse caso, a incoerência narrativa, é o fato de o sujeito não poder ver, porque a fumaça impedia,
mas ele viu.
Coerência Argumentativa
Precisa ter muita atenção ao sustentar ideias e opiniões, para que não entremos em contradição.
Coerência argumentativa é defender ponto de vista sem entrar em contradição. Ex.: Um determinado
texto defende a ideia que todos são iguais perante à lei, posteriormente no final defende o privilégio de
algumas pessoas não estarem obrigadas a pagar impostos. Nesse caso, ocorre uma incoerência nos
argumentos. Apresenta um argumento e ao mesmo tempo vai contestá-lo.
A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e
conclusões ou entre afirmações e consequências.
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este:
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás.
O candidato a governador é funcionário público.
Portanto o candidato é um marajá.
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um
seja.
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o
que se vê neste diálogo:
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade?
Coerência Figurativa
Compreende a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que
mantém entre si. As figuras devem pertencer ao mesmo tema e grupo de significado.
Por exemplo, mostrar a vida no Polo Norte, as figuras serão: neve, rena, roupas de pele. Não caberia
figuras como: palmeira, cactos, roupas de praia etc.
Coerência Temporal
Entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do
ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi
executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”.
Coerência Espacial
Diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria
incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um
homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois aqui
já não suportava mais a mesmice e o tédio”.
Dizendo lá no interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum
lugar distante do interior; portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o
tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui”
para indicar o mesmo lugar.
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado
É aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáticas com a variante
escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem
quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num texto
caracterizado pela norma culta formal.
5 FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992.
. 32
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com
perdão da palavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível:
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª,
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi
aumentado no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais
um gasto nas costas da gente.”
Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período
anterior.
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º
andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há evidente violação
da lei sucessivamente dos eventos.
Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar
do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, determina se um texto é ou não
coerente?
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade
e conformidade lógica entre os enunciados.
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada
nível, temos duas espécies diversas de coerência:
Extratextual
Aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele.
Intratextual
Aquela que diz respeito à compatibilidade, à adequação, à não contradição entre os enunciados do
texto.
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser:
O conhecimento do mundo
O conjunto de dados referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, etc.,
que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos. O período “O homem olhou através
das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, pois
nosso conhecimento do mundo diz que homens não veem através das paredes. Temos, então, uma
incoerência figurativa extratextual.
Os mecanismos semânticos e gramaticais da língua
O conjunto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à codificação de mensagens
decodificáveis por outros usuários da mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo:
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a
respeito da realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de
primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais, serão a
praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira
discursiva a analisar conceituações fundamentais.”
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58.
Fatores de Coerência
. 33
O Contexto
Para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período, para a
oração; o texto, para o período, e assim por diante.
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João,
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.”
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente:
100 motivos para gostar de São Paulo
1. Um chopps2. E dois pastel
(...)
5. O polpettone do Jardim de Napoli
(...)
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João
(...)
43. O “Parmera”
(...)
45. O “Curíntia”
(...)
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança
(...)
O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso;
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país.
A Situação de Comunicação
__A telefônica.
__Era hoje?
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos:
__ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí.
__ Era hoje que ele viria?
O Conhecimento de Mundo
31 de março / 1º de abril
Dúvida Revolucionária
Ontem foi hoje?
Ou hoje é que foi ontem?
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que
foi ontem?”. No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio
da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de
nosso conhecimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas sua
comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”.
As Regras do Gênero
. 34
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido
sequestrada.”
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é completamente coerente no mundo criado pelas
histórias de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente ilimitada; pode
voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do
tempo e pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de
qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc.
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar,
etc.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ficção
científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é
incoerente num determinado gênero não o é, necessariamente, em outro.
Sentido Não Literal
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer momento.”
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, nessa acepção, o termo ideias não pode
ser qualificado por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, as qualidades
verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado.
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o
período pode ser lido da seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão latentes, mas
poderão manifestar-se a qualquer momento.”
O Intertexto
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro
__ a chuva me deixa triste...
__ a mim me deixa molhado.
José Paulo Paes. Op. Cit.,
Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em outros e, por isso, só ganham coerência
nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextualidade. É o
caso desse poema.
Para compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando
Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o
ortônimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjetivas;
que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa
interpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro.
Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções,
falando da solidão interior, do tédio, etc.
Incoerência Proposital
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência, com vistas a produzir determinado
efeito de sentido, assim como existem outros que fazem da não coerência o próprio princípio constitutivo
da produção de sentido.
Poderia alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele
em que a incoerência é produzida involuntariamente, por inabilidade, descuido ou ignorância do
enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo sentido.
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dissemina pistas no texto, para que o leitor
perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema.
Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas
comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando suas últimas
aquisições, o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o
da vulgaridade dos novos-ricos.
Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall
em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter
Sellers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível com a
. 35
ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o espectador se solidarize
com eles, por sua ingenuidade e falta de traquejo social.
Mas, se aparece num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza de que
se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai
pensar que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador.
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo;
da incoerência, um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das
maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o
princípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras.
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi abordado:
Teresa
A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
Quando vi Teresa de novo
Achei que seus olhos eram muito mais velhos
[que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando
[que o resto do corpo nascesse)
Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face
[das águas.
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1986, p. 214.
Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no mínimo, que nosso conhecimento de mundo
inclua o poema:
O Adeus de Teresa
A primeira vez que fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
Castro Alves
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; que tenhamos noção da crítica do
Modernismo às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa seria
tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de elementosque pareceriam
absurdos em outro contexto.
Questões
01. (TJ/MT - Técnico Judiciário - UFMT/2016) A coerência refere-se aos nexos de sentido
estabelecidos entre as informações ou argumentos de um texto. A falta de coerência pode prejudicar o
entendimento do leitor. Assinale o trecho que NÃO apresenta problema de coerência.
(A) Quando eu estava vendo televisão nos EUA, as propagandas me chamaram a atenção.
(B) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
(C) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
(D) Desde os três anos de idade minha mãe me ensinava a ler e escrever.
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02. (UFRPE - Administrador - SUGEP-UFRPE/2016)
A leitura
Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a morte dos livros e do hábito de ler. O avanço
do cinema, da televisão, dos videogames, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Brasil da
virada do século XX para o século XXI, o vaticínio até parecia razoável: o sistema de ensino em franco
declínio e sua tradição de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado à instrução como
valor social fundamental e até dados muito práticos, como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o
alto preço dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ainda) para que o contingente de
brasileiros dados aos livros minguasse de maneira irremediável. Contra todas as perspectivas, porém,
vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no país, movida – entre outras iniciativas – por
sucessos televisivos, como as séries Harry Potter e Crepúsculo.
Também para os cidadãos mais maduros abriram-se largas portas de entrada à leitura. A autoajuda (e
os romances com fortes tintas de autoajuda) é uma delas; os volumes que às vezes caem nas graças do
público, como A menina que roubava livros, ou os autores que têm o dom de fisgar o público com suas
histórias, são outra. E os títulos dedicados a recuperar a história do Brasil, como 1808, 1822, ou Guia
politicamente incorreto da História do Brasil, são uma terceira, e muito acolhedora, dessas portas.
É mais fácil tornar a leitura um hábito, claro, quando ela se inicia na infância. Mas qualquer idade é
boa, é favorável para adquirir esse gosto. Basta sentir aquela comichão do prazer, da curiosidade – e
então fazer um esforço para não se acomodar a uma zona de conforto, mas seguir adiante e evoluir na
leitura.
Bruno Meier. In: Graça Sette et al. Literatura – trilhas e tramas. Excerto adaptado.
Em coerência com as ideias globais expressas no Texto, um título adequado a ele poderia ser:
(A) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola.
(B) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
(C) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances.
(D) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro.
(E) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências.
03. (SEARH/RN - Professor de Ensino Religioso - IDECAN/2016)
Caça aos racistas
Alunos da Universidade Princeton querem tirar o nome de Woodrow Wilson de uma das mais
importantes faculdades da instituição, a Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. O
motivo, é claro, é o racismo.
Thomas Woodrow Wilson (1856‐1924) ocupou a Presidência dos EUA por dois mandatos (1913‐1921).
Era membro do Partido Democrata, levou o Nobel da Paz em 1919 e foi reitor da própria universidade.
Mas Wilson era inapelavelmente racista. Achava que negros não deveriam ser considerados cidadãos
plenos e tinha simpatias pela Ku Klux Klan. Merece ter seu nome cassado?
A resposta é, obviamente, “tanto faz". Um nome é só um nome e, para quem já morreu, homenagens
não costumam mesmo fazer muita diferença. De resto, discussões sobre racismo são bem‐vindas.
Receio, porém, que a demanda dos alunos caminhe perigosamente perto do anacronismo.
Sim, Wilson era racista, mas não podemos esquecer que a época também o era. O 28º presidente dos
EUA não está sozinho.
“Não sou nem nunca fui favorável a promover a igualdade social e política das raças branca e negra...
há uma diferença física entre as raças que, acredito, sempre as impedirá de viver juntas como iguais em
termos sociais e políticos. E eu, como qualquer outro homem, sou a favor de que os brancos mantenham
a posição de superioridade." Essa frase, que soa particularmente odiosa a nossos ouvidos modernos, é
de Abraham Lincoln, que, não obstante, continua sendo considerado um campeão dos direitos civis.
O problema são os americanos; eles são atavicamente racistas, dirá o observador anti-imperialista.
Talvez não. “O negro é indolente e sonhador, e gasta seu dinheiro com frivolidades e bebida". Essa pérola
é de Che Guevara. Alguns dizem que, depois, mudou de opinião. Quem não for prisioneiro de seu próprio
tempo que atire a primeira pedra.
(SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S. Paulo, 13 de dezembro de 2015.)
. 37
Para que haja manutenção da coerência, consistência e sentidos textuais; assinale a reescrita correta
a seguir.
(A) “O motivo, é claro, é o racismo.” (1º§) / O motivo é claro: o racismo.
(B) “Um nome é só um nome, ...” (3º§) / Um nome é, obviamente, só o nome.
(C) “A resposta é, obviamente, ‘tanto faz’” (3º§) / A resposta, é claro, “tanto faz”.
(D) “Alguns dizem que, depois, mudou de opinião.” (5º§) / A partir daí mudou de opinião.
04. (PC/DF - Perito Criminal - Ciências Contábeis - IADES/2016)
Disponível em: <http://www.policiacomunitariadf.com/operacaointegrada15a-
dp/denuncia_banner-2/>. Acesso em: 18 mar. 2016.
Assinale a alternativa que, em conformidade com as regras de pontuação e de ortografia vigentes,
reproduz com coerência a relação de sentido estabelecida entre os períodos “Não se cale. Você pode
salvar uma vida”.
(A) Você pode garantir a salvação de uma vida, portanto não se cale.
(B) Não haja de forma omissa: você pode salvar uma vida.
(C) Não se cale, por que você pode salvar uma vida.
(D) Você pode salvar uma vida, por isso não fique hexitoso: denuncie.
(E) Não se cale: porque assim, você salvará uma vida.
05. (CRO/PR - Auxiliar de Departamento - Quadrix/2016)
clubedamafalda.blogspot.com
A respeito da linguagem da tirinha, assinale a alternativa correta.
(A) A expressão “strip tease”, presente no último quadrinho, cria um problema de coerência por se
tratar de um termo técnico.
(B) A reação da menina, no último quadrinho, deve-se ao fato de que sua mãe utiliza uma linguagem
muito técnica para explicar a queda dos dentes de leite.
(C) A palavra “negócio”, presente no primeiro quadrinho, cria um problema de coerência por se tratar
de uma gíria típica de médicos.
(D) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma interjeição que indica a frustração da
menina diante do fato de que seus dentes cairão.
. 38
(E) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma onomatopeia que representa a queda
dos dentes de leite.
06. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC/2016) A maioria das pessoas pensam que vai se
aposentar cedo e desfrutar da vida, mas um estudo sugere que estamos fadados a nos aposentar cada
vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida razoável.
Em 2009, pesquisadores publicaram um estudo na revista Lancet e afirmaram que metade das
pessoas nascidas após o ano 2000 vai viver mais de 100 anos e três quartos vão comemorar seus 75
anos.
Até 2007 acreditávamos que a expectativa de vida das pessoas não passaria de 85 anos. Foi quando
os japoneses ultrapassaram a expectativa para 86 anos. Na verdade, a expectativa de vida nos países
desenvolvidos sobe linearmente desde 1840, indicando que ainda não atingimos um limite para o tempo
de vida máximo para um ser humano.
No início do século XX, as melhorias no controle das doenças infecciosas promoveram um aumento
na sobrevidados humanos, principalmente das crianças. E, depois da Segunda Guerra Mundial, os
avanços da medicina no tratamento das enfermidades cardiovasculares e do câncer promoveram um
ganho para os adultos. Em 1950, a chance de alguém sobreviver dos 80 aos 90 anos era de 10%;
atualmente excede os 50%.
O que agora vai promover uma sobrevida mais longa e com mais qualidade será a mudança de hábitos.
A Dinamarca era em 1950 um dos países com a mais longa expectativa de vida. Porém, em 1980 havia
despencado para a 20a posição, devido ao tabagismo.
O controle da ingestão de sal e açúcar, e a redução dos vícios como cigarro e álcool, além de atividade
física, vão determinar uma nova onda do aumento de expectativa de vida. A própria qualidade de vida,
medida por anos de saúde plena, deve mudar para melhor nas próximas décadas.
O próximo problema a ser enfrentado é a falta de dinheiro para as últimas décadas de vida: estamos
nos aposentando muito cedo e o que juntamos não será o suficiente. Precisamos guardar 10% do salário
anual e nos aposentar aos 80 anos para que a independência econômica acompanhe a independência
física na aposentadoria.
Os pesquisadores propõem que a idade de aposentadoria seja alongada e que os sexagenários
mudem seu raciocínio: em vez de pensar na aposentadoria, que passem a mirar uma promoção.
(Adaptado de: TUMA, Rogério. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/911/o-contribuinte-secular)
... estamos fadados a nos aposentar cada vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida
razoável. (1o parágrafo)
Sem prejuízo da correção e da coerência, o segmento sublinhado acima pode ser substituído por
(A) caso queiramos
(B) na hipótese de quisemos
(C) como queríamos
(D) pelo fato de querermos
(E) apesar de querermos
Gabarito
01.A / 02.B / 03.A / 04.A / 05.E / 06.A
Comentários
01. Resposta: A
b) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria.
R:O ônibus derrapou e pegou o funcionário que estava andando na calçada no momento em que
entrava na livraria.
c) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud
Plaza.
R: Maria Helena Arruda embarcou para São Paulo, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Masound
Plaza.
d) Desde os quatro anos minha mãe me ensinava a ler e escrever.
R: Minha mãe me ensinava a ler e escrever desde que eu tinha quatro anos.
. 39
02. Resposta: B
b) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores.
Porque engloba o público em geral - a robusta geração de leitores (crianças, adolescentes e adultos).
Linha 6.
a) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola. Completamente
errada! A escola costuma incentivar o hábito da leitura ao aluno. Não é à toa que alguns colégios
distribuem livros gratuitos para os estudantes. E ainda algumas dão voucher de descontos em livrarias e
etc.
c) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances. Errada! a leitura não é um
dom e sim um hábito! Linha 11
d) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro. Errada. O sistema de ensino pode está
em franco declínio, mas não é por causa da leitura. Há outros fatores que contribuem para a má
qualidade de ensino aos alunos como: AHAHA Deixa pra lá! senão irei comentar sobre política e não vai
dar certo!
e) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências. Errada. Então quer dizer que
só os cidadãos maduros podem ter acesso à leitura? E quanto as crianças e aos adolescentes? Eles não
podem ter acesso?
03. Resposta: A
A questão é ardilosa, mas a única proposição que não apresenta inclusão de novas ideias em sua
reconstrução é a primeira.
Em resposta a recurso, a Banca Examinadora argumentou: "Em 'O motivo, é claro, é o racismo.' (1º§)
a expressão separada por vírgulas 'é claro' não constitui vocativo. Vocativo é um termo acessório da
oração que serve para pôr em evidência o ser a quem nos dirigimos, sem manter relação sintática com
outro como em 'Amigos, peçam alegria a Deus.' (Amigos = vocativo), não é o que ocorre em 'é claro'. A
alternativa 'C) 'A resposta é, obviamente, ‘tanto faz'' (3º§) / A resposta, é claro, 'tanto faz'.' não pode ser
considerada correta, pois, no texto original, a expressão “tanto faz” é a resposta; já na reescrita sugerida,
não se sabe qual é a resposta, fica uma lacuna através da expressão 'tanto faz', ou seja, existe a
afirmação de que a resposta pode ser qualquer uma".
Por fim, a alternativa B apresenta duas alterações de sentido: a inclusão do advérbio obviamente,
adicionando informação ao texto, e a troca do artigo indefinido por artigo definido, alterando o sentido do
substantivo nome.
04. Resposta: A
A reescrita mais coerente e de acordo com as normas de pontuação e ortografia vigentes é a que
consta na alternativa A.
Nas demais, ocorrem os seguintes erros;
B – o verbo agir no modo imperativo afirmativo é aja e não “haja”.
C – em lugar de “por que” deveria ter sido empregado porque, uma vez que se trata de uma oração
explicativa.
D – “hexitoso” está com grafia incorreta, o correto seria hesitoso.
E – o uso do dois pontos depois de “cale” está errado e deveria ser suprimido. Deveria também haver
uma vírgula antes de “assim” ou ser suprimida a que vem logo após esse vocábulo.
05. Resposta: E
Há interjeições denominadas de "imitativas ou onomatopaicas". São aquelas que exprimem os sons
das coisas, dos objetos - zás!!, chape!, bum!
06. Resposta: A
a) CERTO. Caso (condicional) queiramos
b) ERRADO. Na hipótese (condicional) de quisermos
c) ERRADO. Como (conformativa) queríamos
d) ERRADO. Pelo fato (causal) de querermos
e) ERRADO. Apesar de (adversativa) querermos
. 40
Significação contextual de palavras e expressões6 é estudada pela semântica, a parte da gramática
que estuda não só o sentido das palavras como as relações de sentido que as palavras estabelecem
entre si: relações de sinonímia, antonímia, paronímia, homonímia...
Compreender essas relações nos proporciona o alargamento do nosso universo semântico,
contribuindo para uma maior diversidade vocabular e maior adequação aos diversos contextos e
intenções comunicativas.
Sinônimos
Trata7 de palavras diferentes na forma, mas com sentidos iguais ou aproximados. Tudo depende do
contexto e da intenção do falante.
Vale lembrar também que muitas palavras são sinônimas, se levarmos em conta as variações
geográficas (aipim = macaxeira; mexerica = tangerina; pipa = papagaio; aipo = salsão...).
Exemplos de sinônimos:
- Brado, grito, clamor.
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
Na maioria das vezes não tem diferença usar um sinônimo ou outro. Embora tenham sentido comum,
os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por nuances de significação e certas
propriedades que o escritor não pode desconhecer.
Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpede); uns são
próprios da fala corrente, vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta, literária,
científica ou poética (orador e tribuno, oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo).
Exemplos:
- Adversário e antagonista.
- Translúcido e diáfano.
- Semicírculo e hemiciclo.
- Contraveneno e antídoto.
- Moral e ética.
- Colóquio e diálogo.
- Transformação e metamorfose.
- Oposição e antítese.
O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia, palavra que também designa o
emprego de sinônimos.
Antônimos
Trata de palavras, expressões ou frases diferentes na forma e com significações opostas, excludentes.
Normalmente ocorre por meio de palavras de radicais diferentes, com prefixo negativo ou com prefixos
de significação contrária.
Exemplos:
- Ordem e anarquia.
- Soberba e humildade.
- Louvar e censurar.
- Mal e bem.
A antonímiapode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo.
Exemplos:
- bendizer/maldizer
6 https://www.normaculta.com.br/significacao-das-palavras/
7 Pestana, Fernando. A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
Significação contextual de palavras e expressões
. 41
- simpático/antipático
- progredir/regredir
- concórdia/discórdia
- explícito/implícito
- ativo/inativo
- esperar/desesperar
Questões
01. (MPE/SP – Biólogo – VUNESP) McLuhan já alertava que a aldeia global resultante das mídias
eletrônicas não implica necessariamente harmonia, implica, sim, que cada participante das novas mídias
terá um envolvimento gigantesco na vida dos demais membros, que terá a chance de meter o bedelho
onde bem quiser e fazer o uso que quiser das informações que conseguir. A aclamada transparência da
coisa pública carrega consigo o risco de fim da privacidade e a superexposição de nossas pequenas ou
grandes fraquezas morais ao julgamento da comunidade de que escolhemos participar.
Não faz sentido falar de dia e noite das redes sociais, apenas em número de atualizações nas páginas
e na capacidade dos usuários de distinguir essas variações como relevantes no conjunto virtualmente
infinito das possibilidades das redes. Para achar o fio de Ariadne no labirinto das redes sociais, os
usuários precisam ter a habilidade de identificar e estimar parâmetros, aprender a extrair informações
relevantes de um conjunto finito de observações e reconhecer a organização geral da rede de que
participam.
O fluxo de informação que percorre as artérias das redes sociais é um poderoso fármaco viciante. Um
dos neologismos recentes vinculados à dependência cada vez maior dos jovens a esses dispositivos é a
“nomobofobia” (ou “pavor de ficar sem conexão no telefone celular”), descrito como a ansiedade e o
sentimento de pânico experimentados por um número crescente de pessoas quando acaba a bateria do
dispositivo móvel ou quando ficam sem conexão com a Internet. Essa informação, como toda nova droga,
ao embotar a razão e abrir os poros da sensibilidade, pode tanto ser um remédio quanto um veneno para
o espírito.
(Vinicius Romanini, Tudo azul no universo das redes. Revista USP, no 92. Adaptado)
As expressões destacadas nos trechos – meter o bedelho / estimar parâmetros / embotar a razão –
têm sinônimos adequados respectivamente em:
(A) procurar / gostar de / ilustrar
(B) imiscuir-se / avaliar / enfraquecer
(C) interferir / propor / embrutecer
(D) intrometer-se / prezar / esclarecer
(E) contrapor-se / consolidar / iluminar
02. (Pref. Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC) A entrada dos prisioneiros foi comovedora (...) Os
combatentes contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O arraial, in extremis,
punhalhes adiante, naquele armistício transitório, uma legião desarmada, mutilada faminta e claudicante,
num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e
frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses. Contemplando-lhes
os rostos baços, os arcabouços esmirrados e sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos,
escaras e escalavros – a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. Repugnava aquele triunfo.
Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de
reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada humana – do mesmo passo
angulhenta e sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças
e molambos...
Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de
campeador domado: mulheres, sem-número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas
e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris
desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos aos peitos murchos, filhos arrastados pelos
braços, passando; crianças, sem-número de crianças; velhos, sem-número de velhos; raros homens,
enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante.
(CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.)
Em qual das alternativas abaixo NÃO há um par de sinônimos?
(A) Armistício – destruição
(B) Claudicante – manco
(C) Reveses – infortúnios
. 42
(D) Fealdade – feiura
(E) Opilados – desnutridos
Gabarito
01.B / 02.A
Comentários
01. Resposta: B
Imiscuir: tomar parte em, dar opinião sobre (algo) que não lhe diz respeito; intrometer-se, interferir
Embotar: tirar ou perder o vigor; enfraquecer(-se).
02. Resposta: A
Armistício é um acordo formal, segundo o qual, partes envolvidas em conflito armado concordam em
parar de lutar. Não necessariamente é o fim da guerra, uma vez que pode ser apenas um cessar-fogo
enquanto tenta-se realizar um tratado de paz.
Homônimos
Trata de palavras iguais na pronúncia e/ou na grafia, mas com significados diferentes. Exemplos:
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo).
- Aço (substantivo) e asso (verbo).
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. A homonímia pode ser causa de
ambiguidade, por isso é considerada uma deficiência dos idiomas.
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem
divididos em:
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no timbre ou na intensidade das vogais.
- Rego (substantivo) e rego (verbo).
- Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo).
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo).
- Para (verbo parar) e para (preposição).
- Providência (substantivo) e providencia (verbo).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o).
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes na escrita.
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir).
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar).
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de consertar).
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar).
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar).
- Censo (recenseamento) e senso (juízo).
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar).
- Paço (palácio) e passo (andar).
- Hera (trepadeira), era (época), era (verbo).
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = anular).
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo).
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia.
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir).
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar).
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir).
. 43
Parônimos
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia:
- coro e couro,
- cesta e sesta,
- eminente e iminente,
- degradar e degredar,
- cético e séptico,
- prescrever e proscrever,
- descrição e discrição,
- infligir (aplicar) e infringir (transgredir),
- sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder),
- comprimento e cumprimento,
- deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar),
- ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir),
- vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso).
Questões
01. (Pref. Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo – FAEPESUL) Atento ao emprego dos
Homônimos, analise as palavras sublinhadas e identifique a alternativa CORRETA:
(A) Ainda vivemos no Brasil a descriminação racial. Isso é crime!
(B) Com a crise política, a renúncia já parecia eminente.
(C) Descobertas as manobrasfiscais, os políticos irão agora expiar seus crimes.
(D) Em todos os momentos, para agir corretamente, é preciso o bom censo.
(E) Prefiro macarronada com molho, mas sem estrato de tomate.
02. (Pref. Cruzeiro/SP – Instrutor de Desenho Técnico e Mecânico – Instituto Excelência) Assinale
a alternativa em que as palavras podem servir de exemplos de parônimos:
(A) Cavaleiro (Homem a cavalo) – Cavalheiro (Homem gentil).
(B) São (sadio) – São (Forma reduzida de Santo).
(C) Acento (sinal gráfico) – Assento (superfície onde se senta).
(D) Nenhuma das alternativas.
03. (TJ/MT – Analista Judiciário – Ciências Contábeis – UFMT) Na língua portuguesa, há muitas
palavras parecidas, seja no modo de falar ou no de escrever. A palavra sessão, por exemplo, assemelha-
se às palavras cessão e seção, mas cada uma apresenta sentido diferente. Esse caso, mesmo som,
grafias diferentes, denomina-se homônimo heterográfico. Assinale a alternativa em que todas as palavras
se encontram nesse caso.
(A) taxa, cesta, assento
(B) conserto, pleito, ótico
(C) cheque, descrição, manga
(D) serrar, ratificar, emergir
Gabarito
01.C / 02.A / 03.A
Comentários
01. Resposta: C
(A) Discriminação é um substantivo feminino que significa distinguir ou diferenciar.
(B) Eminente é o que se destaca por sua qualidade ou importância; excelente, superior. Iminente é o
que está prestes a acontecer.
(C) Correta
(D) Bom senso é um conceito usado na argumentação que está estritamente ligado às noções de
sabedoria e de razoabilidade.
(E) Estrato se refere a uma camada, uma faixa. Extrato se refere, principalmente, a alguma coisa que
foi retirada de outra, ou seja, extraída de outra.
. 44
02. Resposta: A
(A) CORRETA. Paronímia “é a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem
significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos”.
Exemplos:
Cavaleiro – cavalheiro
Absolver – absorver
Comprimento – cumprimento.
(B) INCORRETA. Tais palavras são homófonas e homógrafas, ou seja, possuem grafia e pronúncia
iguais. Outro exemplo é: Cura (verbo) e Cura (substantivo).
(C) INCORRETA. Tais palavras são homófonas, ou seja, apesar de possuírem a mesma pronúncia,
são diferentes na escrita. Outro exemplo é: cela (substantivo) e sela (verbo)
03. Resposta: A
(A) taxa, cesta, assento
Taxa/tacha(verbo) - homônimo homófono
Cesta/sexta = homônimo homófono
Assento/acento = homônimo homófono
(B) conserto, pleito, ótico
Concerto/conserto = homônimo homófono
Pleito/preito = parônimos (parecidas)
Ótico/optico = Ótico: relativo aos ouvidos/Óptico: relativo aos olhos = parônimos
(C) cheque, descrição, manga
Cheque/xeque = homônimos homófonos
Descrição/discrição=parônimos
Manga (roupa)/manga(fruta) = homônimos perfeitos
(D) serrar, ratificar, emergir
Cerrar/serrar = homônimos homófonos
Ratificar/retificar = parônimos
Emergir/imergir = parônimos
Hiperonímia e Hiponímia
Partindo do princípio de que as palavras estabelecem entre si uma relação de significado, observe
este enunciado8: Fomos à feira e compramos maçã, banana, abacaxi, melão... Nossa! Como estavam
baratas, pois são frutas da estação.
Atenção aos vocábulos “maçã”, “banana”, “abacaxi”, “melão” e também “frutas”, perguntamo-nos:
existe alguma relação entre eles? Toda, não é verdade? Desse modo, ao observar o conceito de
hiperonímia e hiponímia, chegaremos à conclusão pretendida. Note:
Hiperonímia9 - como o próprio prefixo já nos indica, esta palavra confere-nos uma ideia de um todo,
sendo que deste todo se originam outras ramificações, como é o caso de frutas. Palavras e expressões
de sentido mais geral.
Hiponímia - demarcando o oposto do conceito da palavra anterior, podemos afirmar que ela
representa cada parte, cada item de um todo, no caso: maçã, banana, abacaxi, melão. Sim, essas são
palavras hipônimas. Palavras e expressões com sentido mais restrito, mas estão associadas ao conjunto
maior que são as frutas.
Questões
01. Os vocábulos destacados em “Na banca da feira da vinte e cinco, havia cupuaçu, bacuri, taperebá
e outras frutas regionais.”, têm relação entre si por possuírem o mesmo campo semântico, isto é, todos
são frutas inclusive típicas da Amazônia.
Tais termos destacados, em relação à palavra “fruta”, são designados como:
8 https://portugues.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.html
9 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.htm
. 45
(A) hiperônimos.
(B) hipônimos.
(C) cognatos.
(D) polissêmicos.
(E) parônimos.
02. “O caminhão atravessou a pista e bateu na mureta de proteção, o veículo ficou totalmente
destruído”. Na frase acima a palavra “veículo” representa um caso de:
(A) polissemia;
(B) antonímia;
(C) hiponímia;
(D) hiperonímia;
(E) heteronímia.
Gabarito
01.B / 02.D
Polissemia
A palavra polissêmica é aquela que, dependendo do contexto, muda de sentido. Por exemplo, veja os
sentidos de “peça”: “peça de automóvel”, “peça de teatro”, “peça de bronze”, “és uma boa peça”, “uma
peça de carne” etc.
Agora, observe mais estes exemplos:
Desculpe o bolo que te dei ontem.
Comemos um bolo delicioso na casa da Jéssica.
Tenho um bolo de revistas lá em casa.10
Monossemia é o oposto de polissemia, ou seja, quando a palavra tem um único significado.
É possível perceber que alguns desses contextos passaram a fazer sentido por questões sociais,
culturais ou históricas adquiridas ao longo do tempo. Vale ressaltar, no entanto, que o sentido original
descrito no dicionário é o que prevalece, sendo os demais atribuídos pela analise contextual.
Polissemia e Homonímia
Não confunda polissemia e homonímia. Polissemia remete a uma palavra que apresenta diversos
significados que se encaixam em diversos contextos, enquanto homonímia refere-se as duas ou mais
palavras que apresentam origens e significados distintos, mas possuem grafia e fonologia idênticas.
Por exemplo, “manga” é uma palavra que representa um caso de homonímia. O termo designa tanto
uma fruta quanto uma parte da camisa. Não se trata de uma polissemia por que os dois significados são
próprios da palavra e têm origens diferentes. Por esse motivo, muitos especialistas defendem que a
palavra “manga” deveria possuir duas entradas distintas no dicionário.
Polissemia e Ambiguidade
Tanto a polissemia quanto a ambiguidade são elementos da linguagem que podem provocar confusões
na interpretação de frases. No caso da ambiguidade, geralmente, o enunciado apresenta uma construção
de palavras que permite mais de uma interpretação para a frase em questão.
Nem sempre se trata de uma palavra que tenha mais de um significado, mas de como as palavras
estão dispostas na frase, permitindo que as informações sejam interpretadas de mais de uma maneira.
Ex. Jorge criticou severamente a prima de sua amiga, que frequentava o mesmo clube que ele. Nesse
caso, o pronome que pode estar referindo-se a amiga ou a prima.
Já no caso da polissemia, por uma mesma palavra possuir mais de um significado, ela pode fazer com
que as pessoas não compreendam o sentido usado no primeiro contato com a frase e interpretem o
enunciado de uma maneira diferente do que ele era intencionado. Neste caso, para que isso não ocorra,
é importante que fique claro qual é o contexto em que a palavra foi usada.
10 PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier. 2013.
. 46
Questão
01. (SANEAGO/GO - Agente de Saneamento - CS/2018)
Predestinação
Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago.
Pois chamava-se Mário Lago.
Viu a luz sob o signo de Piscis.
Brilhava no céu a constelação de Aquário.
Veio morar no Rio.
Quando discutia, sempre levava um banho.
Pois era um temperamento transbordante.
Sua arte preferida: água-forte.
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa,escapa".
Sua piada favorita: "Ser como o rio:
seguir o curso sem deixar o leito".
Pois estudava: engenharia hidráulica.
Quando conheceu uma moça de primeira água.
Foi na onda.
Teve que desistir dos estudos quando
já estava na bica para se formar.
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes.
Donde desceu até ser leiteiro.
Encarregado de pôr água no leite.
Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha.
Mas ela o traiu com um escafandrista.
E fugiu sem dizer água vai.
Foi aquela água.
Desde então ele só vivia na chuva
Virou pau de água.
Portanto, com hidrofobia.
Foi morar numa água-furtada.
Deu-lhe água no pulmão.
Rim flutuante.
Água no joelho.
Hidropsia.
Bolha d’água.
Gota.
Catarata.
Morreu afogado.
FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora Círculo do Livro: São Paulo, 1975.
O humor do texto é construído por meio do jogo entre palavras denotativas e conotativas. O principal
recurso de sentido usado, portanto, foi a:
(A) polissemia.
(B) ironia.
(C) intertextualidade.
(D) ambiguidade.
02. (SEDUC/PI - Professor Temporário - Língua Portuguesa - NUCEPE/2018)
. 47
O efeito de humor, na tirinha, é explorado pelo recurso semântico da:
(A) Sinonímia.
(B) Polissemia
(C) Contradição.
(D) Antonímia.
(E) Ambiguidade.
03. (SAMAE de Caxias do Sul/RS - Assistente de Planejamento - OBJETIVA/2017)
Considerando-se a representação semântica da palavra “vendo” no contexto da tirinha abaixo, é
CORRETO afirmar que ocorre:
(A) Denotação.
(B) Conotação.
(C) Homonímia.
(D) Homofonia.
(E) Sinonímia.
04. (Pref. Videira/SC - Agente Administrativo - ASSCONPP/2016) Observe as frases abaixo:
I. A mãe vela pelo sono do filho doente.
II. O barco à vela foi movido pelo vento.
A palavra vela presenta vários sentidos, esta propriedade das palavras é denominada:
(A) Homonímia;
(B) Polissemia;
(C) Sinonímia;
(D) Antonímia;
(E) Nenhuma das alternativas anteriores.
05. (Pref. Fronteira/MG - Contador - MÁXIMA/2016)
A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de uma palavra através de um recurso:
(A) Vida - homonímia;
(B) Balanço - polissemia;
(C) Balanço - sinonímia;
(D) Vida - polissemia.
Gabarito
01.D / 02.B / 03.C / 04.B / 05.B
Comentários
01. Resposta: D
Não é possível identificar os valores denotativos ou conotativos nas frases, nisto consiste a
ambiguidade do texto.
. 48
02. Resposta: B
Polissemia - multiplicidade de sentidos de uma palavra.
Pardal - pássaro ou pardal de semáforo
03. Resposta: C
A grafia e som são iguais, porém com significados diferentes. A expressão “Vendo o pôr do sol” tem
duas ações verbais Ver e Vender, porém mesma escrita e pronúncia.
04. Resposta: B
Caso de polissemia, a palavra vela na primeira frase tem significado de a mãe aguardar o sono do
filho, como verbo. Enquanto na segunda frase, o significado de um instrumento utilizado no barco para
andar, como substantivo devido a crase, uma vez que não se usa crase antes dos verbos.
05. Resposta: B
Balanço – Polissemia, vários significados desta palavra. Pode ser substituída por avalia-la, reflexão,
todas teriam sentido dentro da frase.
Sentido Próprio e Sentido Figurado
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos:
- Construí um muro de pedra. (Sentido próprio).
- Ênio tem um coração de pedra. (Sentido figurado).
- As águas pingavam da torneira. (Sentido próprio).
- As horas iam pingando lentamente. (Sentido figurado).
Denotação e Conotação
Denotação é o sentido da palavra interpretada ao pé da letra, isto é, de acordo com o sentido geral
que ela tem na maioria dos contextos em que ocorre. É o sentido próprio da palavra, aquele encontrado
no dicionário. Exemplo: “Uma pedra no meio da rua foi a causa do acidente.”
A palavra “pedra” aqui está usada em sentido literal, ou seja, o objeto mesmo.
Conotação é o sentido da palavra desviado do usual, isto é, aquele que se distancia do sentido próprio
e costumeiro. Exemplo: “As pedras atiradas pela boca ferem mais do que as atiradas pela mão.”
“Pedras”, nesse contexto, não está indicando o que usualmente significa, mas um insulto, uma ofensa
produzida pelas palavras.
Ampliação de Sentido
Fala-se em ampliação de sentido quando a palavra passa a designar uma quantidade mais ampla de
significado do que o seu original.
“Embarcar”, por exemplo, que originariamente era usada para designar o ato de viajar em um barco,
ampliou consideravelmente o sentido e passou a designar a ação de viajar em outros veículos. Hoje se
diz, por ampliação de sentido, que um passageiro:
- embarcou em um trem.
- embarcou no ônibus das dez.
- embarcou no avião da força aérea.
- embarcou num transatlântico.
“Alpinista”, na origem, era usado para indicar aquele que escala os Alpes (cadeia montanhosa
europeia). Depois, por ampliação de sentido, passou a designar qualquer tipo de praticante de escalar
montanhas.
Restrição de Sentido
Ao lado da ampliação de sentido, existe o movimento inverso, isto é, uma palavra passa a designar
uma quantidade mais restrita de objetos ou noções do que originariamente. É o caso, por exemplo, das
palavras que saem da língua geral e passam a ser usadas com sentido determinado, dentro de um
universo restrito do conhecimento.
A palavra aglutinação, por exemplo, na nomenclatura gramatical, é bom exemplo de especialização
de sentido. Na língua geral, ela significa qualquer junção de elementos para formar um todo, porém em
. 49
Gramática designa apenas um tipo de formação de palavras por composição em que a junção dos
elementos acarreta alteração de pronúncia, como é o caso de pernilongo (perna + longa).
Se não houver alteração de pronúncia, já não se diz mais aglutinação, mas justaposição. A palavra
Pernalonga, por exemplo, que designa uma personagem de desenhos animados, não se formou por
aglutinação, mas por justaposição.
Em linguagem científica é muito comum restringir-se o significado das palavras para dar precisão à
comunicação.
A palavra girassol, formada de gira (do verbo girar) + sol, não pode ser usada para designar, por
exemplo, um astro que gira em torno do Sol, seu sentido sofreu restrição, e ela serve para designar
apenas um tipo de flor que tem a propriedade de acompanhar o movimento do Sol.
Há certas palavras que, além do significado explícito, contêm outros implícitos (ou pressupostos). Os
exemplos são muitos. É o caso do adjetivo outro, por exemplo, que indica certa pessoa ou coisa,
pressupondo necessariamente a existência de ao menos uma além daquela indicada.
Prova disso é que não faz sentido, para um escritor que nunca lançou um livro, dizer que ele estará
autografando seu outro livro. O uso de outro pressupõe necessariamente ao menos um livro além daquele
que está sendo autografado.
Questões
01. (PC/CE – Delegado de Polícia Civil – VUNESP)
A morte do narrador
Recentemente recebi um e-mail de uma leitora perguntando a razão de eu ter, segundo ela, uma visão
tão dura para com os idosos. O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que
hoje em dia não existiam mais vovôs e vovós, porque estavam todos na academia querendo parecer com
seus netos.
Claro, minha leitora me entendeu mal. Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com
frequência quando se discute o tema da velhice, é comum, principalmente porque o próprio termo
“velhice" já pede sinônimos politicamente corretos, como “terceira idade", “melhor idade", “maturidade",
entre outros.
Uma característica do politicamente correto é que, quando ele se manifesta num uso linguístico
específico, é porque esse uso se refere a um conceito já considerado como algo ruim. A marca essencial
do politicamente correto é a hipocrisia articulada como gesto falso, ideias bem comportadas.
Voltando à velhice. Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na
solidão e no abandono,e não procurar ser felizes. Mas, quando eu dizia que eles estão fugindo da
condição de avós, usava isso como metáfora da mentira (politicamente correta) quanto ao medo que
temos de afundar na doença, antes de tudo psicológica, devido ao abandono e à solidão, típicos do mundo
contemporâneo. Minha crítica era à nossa cultura, e não às vítimas dela. Ela cultua a juventude como
padrão de vida e está intimamente associada ao medo do envelhecimento, da dor e da morte. Sua opção
é pela “negação", traço de um dos sintomas neuróticos descritos por Freud.
Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida
desapareceu. Isso quer dizer que as pessoas encarregadas, antigamente, de narrar a vida e propor
sentido para ela perderam esse lugar. Hoje os mais velhos querem “aprender" com os mais jovens
(aprender a amar, se relacionar, comprar, vestir, viajar, estar nas redes sociais). Esse fenômeno, além de
cruel com o envelhecimento, é também desorganizador da própria juventude. Ouço cotidianamente, na
sala de aula, os alunos demonstrarem seu desprezo por pais e mães que querem aprender a viver com
eles.
Alguns elementos do mundo moderno não ajudam a combater essa desvalorização dos mais velhos.
As ferramentas de informação, normalmente mais acessíveis aos jovens, aumentam a percepção
negativa dos mais velhos diante do acúmulo de conhecimento posto a serviço dos consumidores, que
questionam as “verdades constituídas do passado". A própria estrutura sobre a qual se funda a
experiência moderna – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos.
Em termos humanos, o passado (que “nada" serve ao mundo do progresso) tem um nome: idoso. Enfim,
resta aos vovôs e vovós ir para a academia ou para as redes sociais.
(Luiz Felipe Pondé, Somma, agosto 2014, p. 31. Adaptado)
O termo empregado com sentido figurado está em destaque na seguinte passagem do texto:
. 50
(A) Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com frequência quando se discute o tema
da velhice… (segundo parágrafo).
(B) O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que hoje em dia não existiam
mais vovôs e vovós… (primeiro parágrafo).
(C) Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida
desapareceu. (Penúltimo parágrafo).
(D) A própria estrutura sobre a qual se funda a experiência moderna – ciência, técnica, superação de
tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos. (Último parágrafo).
(E) Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na solidão e no
abandono… (quarto parágrafo).
02. (PC/CE – Escrivão de Polícia Civil – VUNESP)
Ficção universitária
Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que
tentemos desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e ensino são indissociáveis. É
claro que universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir mais
inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando-se assim instituições que se destacam também
no ensino.
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma cristalina: das 20 universidades mais bem
avaliadas em termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais estão relativamente bem
posicionadas). Das 20 que saem à frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, seja capaz de ensinar.
O gasto médio anual por aluno numa das três universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas
as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa, incluindo inativos e aportes de
Fapesp, CNPq e Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do ProUni custa ao governo algo
em torno de R$ 1.000 por ano em renúncias fiscais.
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos para colocar
os quase sete milhões de universitários em instituições com o padrão de investimento das estaduais
paulistas. E o Brasil precisa aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa taxa bruta de
escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai.
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir
na ficção constitucional de que todas as universidades do país precisam dedicar-se à pesquisa, faria mais
sentido aceitar o mundo como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para a produção de
conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. O Brasil tem necessidade de ambas.
(Hélio Schwartsman,: http://www1.folha.uol.com.br, 2013.)
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é empregada em sentido figurado.
(A) ... universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas...
(B) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013...
(C) Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos...
(D) ... das 20 universidades mais bem avaliadas em termos de ensino...
(E) ... todas as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa...
03. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) Leia o texto para responder a questão.
Um pé de milho
Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que
podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro
na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava
do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim.
Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.
Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros,
lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu
nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um
anteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser
. 51
vivo e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas folhas longas e verdes nunca estão
imóveis.
Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé
de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de milho não será a mais linda.
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar
com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza.
Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de
uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001)
Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há termos empregados em sentido figurado.
(A) ... beijado pelo vento do mar... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §)
(B) Mas ele reagiu. (1º §) / ... na verdade aquilo era capim. (1º §)
(C) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um ignorante... (2º §)
(D) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto centenas de milharais... (2º §)
(E) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas flores belas no mundo... (3º §)
04. (IF/SC – Técnico de Laboratório)
Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido conotativo.
(A) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter.
(B) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência pacífica.
(C) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos coloridos do próprio pensamento
(D) Choviam risadas naquela peça de humor.
(E) A sabedoria abre as portas do conhecimento.
05. (FAPESE - Assistente em Administração - UFS/2018) No período “Tomaraque a revolta que eu
e muitos sentiram não morra nas redes sociais”, a forma verbal “morra” (do verbo morrer) é:
(A) usada em sentido denotativo;
(B) 3ª. pessoa do singular do pretérito perfeito, do modo indicativo;
(C) uma flexão regular da 3ª. pessoa do singular, do pretérito imperfeito, do modo subjuntivo;
(D) a flexão de 3ª. pessoa do singular, do futuro do pretérito, do modo indicativo;
(E) usada em sentido conotativo.
Gabarito
01.D / 02.A / 03.A / 04.B / 05.E
Comentários
01. Resposta: D
O sentido figurado ou conotativo, é aquele em que se atribui à palavra ou expressão, um sentido
ampliado, diferente do sentido literal/usual.
d) A palavra "Indivisibilidade" foi usada com o sentido de "isolamento", "exclusão" e, portanto, é o
gabarito.
02. Resposta: A
nata: na.ta sf (lat matta) 1 Camada que se forma à superfície do leite; creme. 2 A melhor parte de
qualquer coisa, o que há de melhor; a fina flor, o escol. N. da terra: nateiro; terra fértil.
03. Resposta: A
... beijado pelo vento do mar.... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §)
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, (que o vento bate no pé de milho) veio
enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo
que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (Como nasce da terra,
para o autor parece um presente desta).
Sentido figurado: A palavra tem valor conotativo quando seu significado é ampliado ou alterado no
contexto em que é empregada, sugerindo ideias que vão além de seu sentido mais usual.
. 52
04. Resposta: B
(A) Atitudes são o espelho;
(B) CERTA;
(C) Pipocavam palavras no texto;
(D) Choviam risadas;
(E) Sabedoria abre as portas
05. Resposta E
Conotativo = sentido figurado
Denotativo = dicionário (sentido real da palavra)
A revolta morre, logo sentido figurado.
A equivalência11 e transformação de estruturas consiste em saber mudar uma sentença ou parte
dela de modo a que fique gramaticalmente correta. Um exemplo muito comum em provas de concursos
é o enunciado trazer uma frase no singular, por exemplo, e pedir que o aluno passe a frase para o plural,
mantendo o sentido. Outro exemplo é o enunciado dar a frase em um tempo verbal, e pedir que o aluno
a passe para outro tempo. Ou ainda a reescritura de trechos, mantendo a correção semântica e sintática.
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos escrever, feito o esquema de exposição da
matéria, é necessário saber ordenar as ideias em frases bem estruturadas. Logo, não basta conhecer
bem um determinado assunto, temos que o transmitir de maneira clara aos leitores.
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso aliado para organizarmos as ideias de maneira clara
em frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio,
é a “parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem
como a relação lógica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe quer dizer “mistura”, isto é,
saber misturar as palavras de maneira a produzir um sentido evidente para os receptores das nossas
mensagens. Observe12:
1) A desemprego globalização no Brasil e na está Latina América causando.
2) A globalização está causando desemprego no Brasil e na América Latina.
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma frase, as palavras estão amontoadas sem a
realização de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação inteligível com a realidade; no
caso 2, a sintaxe ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de língua portuguesa
inteirados da situação econômica e cultural do mundo atual.
Ordem dos Termos na Frase
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que ela é organizada de maneira clara para produzir
sentido. Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramaticalmente tal frase, tudo depende da
necessidade ou da vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém, acrescentado ênfase a
algum dos seus termos.
Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inversões e intercalações em nossas
frases, conforme a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos transmitir uma
ideia, do nosso estilo. Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase 2 da seguinte maneira:
- No Brasil e na América Latina, a globalização está causando desemprego.
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, apenas mudamos a ordem das palavras para dar
ênfase a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que, para obter a clareza tivemos que
fazer o uso de vírgulas.
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e o que mais nos auxilia na organização de um
período, pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula ajuda-nos a não “embolar” o
11 http://centraldefavoritos.com.br/2017/02/20/equivalencia-e-transformacao-de-estruturas/
12 VIGNA, Ricardo. https://ricardovigna.wordpress.com
https://ricardovigna.wordpress.com/estudos-de-gramatica/17-pontuacao-e-organizacao-do-periodo/
Equivalência e transformação de estruturas
. 53
sentido quando produzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem organizadas aos
nossos leitores.
O básico para a organização sintática das frases é a ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos
estruturam tal ordem da seguinte maneira:
SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ CIRCUNSTÂNCIAS
A globalização + está causando+ desemprego + no Brasil nos dias de hoje.
Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas contêm todos estes elementos. As
circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.) normalmente são representadas por adjuntos adverbiais
de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quando queremos recordar algo ou narrar uma história,
existe a tendência a colocar os adjuntos nos começos das frases:
“No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas minhas férias…”, “No Brasil…”. E logo depois os
verbos e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…”
Observações:
a) tais construções não estão erradas, mas rompem com a ordem direta;
b) é preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas frases que não têm sujeito, somente
predicado. Ex.: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo. São quatro horas agora;
c) Outras frases são construídas com verbos intransitivos, que não têm complemento: O menino
morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ adjunto adverbial) A globalização nasceu no século XX. (Idem)
d) Há ainda frases nominais que não possuem verbos: cada macaco no seu galho. Nestes tipos de
frase, a ordem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos existentes nelas.
Levando em consideração a ordem direta, podemos estabelecer três regras básicas para o uso da
vírgula:
1) Se os termos estão colocados na ordem direta não haverá a necessidade de vírgulas. A frase (2) é
um exemplo disto: A globalização está causando desemprego no Brasil e na América Latina.
Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração por três vezes ou mais, então é necessário usar
a vírgula, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a regra básica nº1 para a colocação da
vírgula. Veja:
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” causam desemprego… (Três núcleos do sujeito)
A globalização causa desemprego no Brasil, na América Latina e na África. (Três adjuntos adverbiais)
A globalização está causando desemprego, insatisfação e sucateamento industrial no Brasil e na
América Latina. (Três complementos verbais)
2) Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo
e o seu complemento, nem o complemento e as circunstâncias, ou seja, não devemos separar com vírgula
os termos da oração. Veja exemplos de talincorreção:
O Brasil, será feliz.
A globalização causa, o desemprego.
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre os termos da oração, cabe isolar tal termo entre
vírgulas, assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é a regra básica nº2 para a colocação
da vírgula. Dito em outras palavras: quando intercalamos expressões e frases entre os termos da oração,
devemos isolar os mesmos com vírgulas. Vejamos:
A globalização, fenômeno econômico do fim do século XX, causa desemprego no Brasil.
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o sujeito e o verbo.
Outros exemplos: a globalização, que é um fenômeno econômico e cultural, está causando
desemprego no Brasil e na América Latina.
. 54
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. As orações adjetivas explicativas desempenham
frequentemente um papel semelhante ao do aposto explicativo, por isto são também isoladas por vírgula.
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil…
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu complemento.
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, no Brasil…
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não pertence ao assunto: globalização, da frase
principal, tal oração é apenas um comentário à parte entre o complemento verbal e os adjuntos).
Obs.: a simples negação em uma frase não exige vírgula: A globalização não causou desemprego no
Brasil e na América Latina.
Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, tal quebra torna a vírgula necessária.
No Brasil e na América Latina, a globalização está causando desemprego…
No fim do século XX, a globalização causou desemprego no Brasil…
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente se dá com a colocação das circunstâncias antes
do sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramática, são representadas pelos
adjuntos adverbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações chamadas adverbiais que têm uma
função semelhante à dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos:
Quando o século XX estava terminando, a globalização começou a causar desemprego.
Enquanto os países portadores de alta tecnologia desenvolvem-se, a globalização causa desemprego
nos países pobres.
Durante o século XX, a globalização causou desemprego no Brasil.
Obs.: Alguns gramáticos, Sacconi, por exemplo, consideram que as orações subordinadas adverbiais
devem ser isoladas pela vírgula também quando colocadas após as suas orações principais, mas só
quando:
a) a oração principal tiver uma extensão grande, por exemplo: A globalização causa…, enquanto os
países… (vide frase acima);
b) se houver uma outra oração após a principal e antes da oração adverbial: A globalização causa
desemprego no Brasil e as pessoas aqui estão morrendo de fome, enquanto nos países portadores de
alta tecnologia…
Obs.: Quando os adjuntos adverbiais são mínimos, isto é, têm apenas uma ou duas palavras não há
necessidade do uso da vírgula:
Hoje a globalização causa desemprego no Panamá.
Ali a globalização também causou…
A não ser que queiramos dar ênfase: Aqui, a globalização…
Obs.: Na língua escrita, normalmente, ao realizarmos a ordem inversa, emprestamos ênfase aos
termos que principiam as frases. Veja este exemplo de Rui Barbosa destacado por Garcia:
“A mim, na minha longa e aturada e contínua prática do escrever, me tem sucedido inúmeras vezes,
depois de considerar por muito tempo necessária e insuprível uma locução nova, encontrar vertida em
expressões antigas mais clara, expressiva e elegante a mesma ideia.”
Estas três regras básicas não solucionam todos os problemas de organização das frases, mas já dão
um razoável suporte para que possamos começar a ordenar a expressão das nossas ideias. Em suma:
o importante é não separar os termos básicos das orações, mas, se assim o fizermos, seja intercalando
ou invertendo elementos, então devemos usar a vírgula.
Questões
01. (ALESE - Técnico Legislativo - FCC/2018) Como eu era protestante, não pulei Carnaval durante
a minha infância, nas décadas de 1950 e 1960. No entanto, eu e meu pai cantávamos muitas das
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marchinhas que ouvíamos no rádio, numa época em que a TV ainda não existia. Uma de que eu gosto
muito diz assim: “Iaiá, cadê o jarro? O jarro que eu plantei a flor. Eu vou te contar um caso: eu quebrei o
jarro e matei a flor”. Hoje já não há marchinhas tão interessantes, quase não sinto beleza nelas. Mas
gosto muito dos sambas-enredo, verdadeiras epopeias.”
(Adaptado de: ROSA, Yêda Stela. 70 anos, de São Luiz. A-lá-lá- ô, ô, ô, ô, ô. Todos. São Paulo: Mol, Fevereiro/Março, p. 22)
Considerando a regência e a estruturação das sentenças, a alternativa em que as duas construções
estão corretas é:
(A) Uma de que eu gosto / Fez promessas das quais não me esqueci.
(B) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época aonde a corrupção não era divulgada.
(C) muitas das marchinhas que ouvíamos no rádio / Muitos dos desfiles cuja a transmissão assistíamos
pela TV.
(D) O jarro que eu plantei a flor / O poço o qual caíram as chaves.
(E) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época que precisamos voltar.
02. (Pref. Mangaratiba/RJ - Assistente Social - BIO-RIO/2016) Entre os pensamentos abaixo, aquele
que NÃO apresenta uma estrutura comparativa é:
(A) “A arte vence a monotonia das coisas, assim como a esperança vence a monotonia dos dias”.
(Chesterton)
(B) “Muita luz é como muita sombra: não deixa ver”. (Carlos Castañeda)
(C) “O bem é aquele que trabalha pela unidade, o mal é aquele que trabalha pela separação”. (A.
Huxley)
(D) “Bons julgamentos vêm da experiência e, frequentemente, a experiência vem de maus
julgamentos”. (Rita Mae Brown)
(E) “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”.
(William George Ward)
03. (AL/RR - Administrador - FUNRIO/2018) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre
os médicos e seus pacientes. Essa distância parece aumentar. Apesar da grande maioria dos
diagnósticos (70-90%) ser feita com base na história do paciente, a escuta médica é sem dúvida o ponto
de maior fragilidade na medicina atual. Os médicos geralmente querem saber apenas dos fatos,
interrompendo os pacientes antes da história completa.
O registro técnico, resumido, com linguagem técnica e supostamente neutra, é insuficiente para uma
inter-relação que possa auxiliar a criação de narrativas que facilitem a realização de hipóteses
diagnósticas e a escolha de intervenções terapêuticas que levem em conta a perspectiva do próprio
paciente. No processo de criação de anamneses médicas objetivas, acabamos, muitas vezes, por
desumanizar e suprimir delas aspectos que podem ser decisivos para a abordagem diagnóstica e
terapêutica, além de dificultarmos a criação de uma narrativa por parte do paciente que dê sentido ao seu
processo de adoecimento.
O declínio das doenças infecciosas, o envelhecimento da população e o concomitante aumento da
prevalência das doenças crônicas determinam a necessidade de um novo papel do profissional de saúde,
em especial do médico, na condução dos conflitos inerentes ao acompanhamento de pessoas com
doenças que não têm cura, mas que muitas vezes levam a incapacidades permanentes e de longa
duração.
Em relação à incompreensão médico-paciente, uma das dificuldades é, sem dúvida, a barreira de
linguagem criada pela terminologia técnica entre os profissionais e os pacientes. A condição clínica do
paciente é interpretada e referida a ele em uma linguagem que muitas vezes ele não entende. Na alta
hospitalar, menos de 1/3 entendem de que doença eles foram tratados e menos de 1/4 que tipo de terapia
receberam.
Ana Luisa Rocha Mallet. Literatura e medicina: uma experiência de ensino. Rio de Janeiro: Livros Ilimitados, 2014, pp. 18-19 (Adaptado)
A transformação dos dois períodos indicados a seguir em um único períodopode ser realizada com
mudanças na redação.
Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes. Essa distância
parece aumentar.
Assinale a alteração que mantém a correção gramatical e o sentido pretendido pela autora do texto.
(A) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes cuja
distância parece aumentar.
. 56
(B) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, contudo a
distância parece aumentar.
(C) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes onde a
distância parece aumentar.
(D) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, ainda que
a distância pareça aumentar.
04. (Copergás/PE - Analista Administrador - FCC/2016)
Idades e verdades
O médico e jornalista Dráuzio Varella escreveu outro dia no jornal uma crônica muito instigante.
Destaco este trecho:
“Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem ‘cabeça de jovem’. É considerá-lo mais
inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez. Ainda que maldigamos o
envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre
espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente. ”
Tomo a liberdade de adicionar meu comentário de velho: não preciso que os jovens acreditem em
mim, tampouco estou aberto para receber lições dos mocinhos. Nossa alternativa: ao nos defrontarmos
com uma questão de comum interesse, discutirmos honestamente que sentido ela tem para nós. O que
nos unirá não serão nossas diferenças, mas o que nos desafia.
(LAMEIRA, Viriato, inédito)
É preciso corrigir, por apresentar em sua construção uma deficiência estrutural, a redação da seguinte
frase:
(A) A muita gente ocorre que os velhos estimem ser tratados como jovens, em vez de serem
valorizados pelos ganhos obtidos em sua longa experiência de vida.
(B) Imagina-se que a ingenuidade de uma criança ou o caráter aventureiro de um jovem possam ser
atributos positivos invejados pelos velhos, quando não o são.
(C) Os jovens, presumivelmente, não deverão considerar-se criaturas privilegiadas se alguém os julga
tão ativos e inventivos quanto costumam ser as crianças de dez anos.
(D) Ao comentar a afirmação de Dráuzio Varella, o autor do texto não se mostra disposto nem a
aprender algo com os jovens, nem a esperar que estes acreditem nele.
(E) Conquanto os velhos pareçam injustiçados, razão pela qual as pessoas tendem a consolá-los
atribuindo-lhes juventude, há por isso mesmo como valorizar sua experiência.
05. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal - FGV/2018)
Intercâmbio de alimentos
Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72.
A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias
nos hábitos alimentares dos seres humanos.
Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por
isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa
todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa
pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos.
Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os
continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com
isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida.
“A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias
nos hábitos alimentares dos seres humanos”.
Com base nesse segmento inicial do texto, foram propostas várias modificações no texto; a opção de
mudança que interfere com a correção gramatical ou modifica a mensagem original é:
(A) em lugar de “a chegada dos europeus” poderia estar “a chegada europeia”;
(B) em lugar da expressão “à América” poderia estar “na América”;
(C) em lugar de “uma das transformações mais revolucionárias” poderia estar “uma transformação das
mais revolucionárias”;
(D) em lugar de “hábitos alimentares” poderia estar “hábitos de alimentação”;
. 57
(E) em lugar de “dos seres humanos” poderia estar “do Homem”.
Gabarito
01.A / 02.D / 03.A / 04.E / 05.B
Comentários
01. Resposta: A
a) Uma de que eu gosto / Fez promessas das quais não me esqueci. CORRETA
b) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época aonde (em que/ na qual) a corrupção
não era divulgada. - ("onde" - só se usa quando se referir a lugar concreto)
c) muitas marchinhas que ouvíamos no rádio / Muitos desfiles a cuja transmissão assistíamos pela
TV. (Verbo assistir no sentido de "Expectador" é Transitivo Indireto e exige a preposição "a"
- Obrigada ao comentário do colega Lucas Tavares Leonardo).
d) O jarro em que eu plantei a flor (Plantei no jarro) / O poço no qual caíram as chaves (as chaves
caíram no poço)
e) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época a que precisamos voltar (voltar rege a
preposição a)
02. Resposta: D
a) comparação entre arte e esperança;
b) comparação entre luz e sombra;
c) comparação entre bem e mal;
d) não há comparação entre os elementos;
e) comparação entre pessimista e otimista.
03. Resposta: A
a) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes cuja distância
parece aumentar.
O pronome relativo CUJO é usado quando se indica posse (a distância pertence aos médicos e
pacientes,). A concordância é feita a partir da palavra seguinte, no caso, CUJA está concordando com
DISTÂNCIA em gênero e número.
MACETE: O 'CU'JO APONTA PARA TRÁS CONCORDANDO COM O DA FRENTE.
b) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, contudo a
distância parece aumentar.
Mudança de sentido. O CONTUDO tem sentido de contraste. É uma conjunção adversativa.
c) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes onde a
distância parece aumentar.
Na língua culta, escrita ou falada, “onde” deve ser limitado aos casos em que há indicação de LUGAR
FÍSICO, ESPACIAL
d) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, ainda que a
distância pareça aumentar.
Mudança de sentido. A conjunção AINDA QUE introduz uma oração que tem ideia contrária da oração
principal. É uma conjunção concessiva.
04. Resposta: E
Oração adverbial Concessivas: exprimem um fato que se concede, que se admite, em oposição ao
da oração principal.
As conjunções são: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo
quando, posto que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que,
dado que, sem que (=embora não).
05. Resposta: B
“A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias
nos hábitos alimentares dos seres humanos”.
O termo à América, nesse contexto, é um complemento nominal exigido pelo substantivo abstrato
"chegada", caso fosse trocado para "na América" passaria de um complemento nominal para
um adjunto adverbial de lugar. Ocorrendo assim mudança de sentido.
. 58
Sintaxe13 é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras nos períodos, bem como a
relação lógica entre elas.
De maneira geral, podemos dizer que a sintaxe é o conjunto das regras que determinam as diferentes
possibilidades de associação entre as palavras da língua para a formação de enunciados verbais.
Para que a comunicação/interação verbal ocorra de maneira eficiente e organizada entre os falantes,
as línguas possuem não somente um léxico composto por milhares de palavras, mas também algumas
regras que determinam o modo como as palavras podem combinar-se para formar os enunciados a partir
de uma relação lógica.Essas regras são aquilo que definem a sintaxe das línguas.
Funções e Relações Sintáticas
O enunciado14 se encaixa em uma organização/estruturação específica prevista na língua. Essa
organização é sempre regulada pela sintaxe, a qual define as sequências possíveis no interior dessas
estruturas.
Funções Sintáticas
Consiste na função específica de cada elemento na sentença ao se relacionar com outros elementos
que também compõem o enunciado.
Relações Sintáticas
Consiste nas relações estabelecidas entre as palavras que definem as estruturas possíveis na sintaxe
das línguas.
Quando falamos em sintaxe, devemos estudar os seguintes assuntos dentro da gramática:
- Análise Sintática;
- Concordância Nominal e Verbal;
- Regência Nominal e Verbal;
- Colocação Pronominal;
- Crase.
Período
Toda frase com uma ou mais orações constitui um período. Ele é simples quando só traz uma oração,
chamada absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Exemplo:
Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta)
Quero que você aprenda. (Período composto)
Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num período: é contar os verbos ou locuções
verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele
existentes. Exemplos:
Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções verbais, duas orações)
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e
subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto).
Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas
Considere, por exemplo, este período composto:
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de infância.
13 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/sintaxe.htm
14 https://portugues.uol.com.br/gramatica/sintaxe.html
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação
. 59
1ª oração: Passeamos pela praia
2ª oração: brincamos
3ª oração: recordamos os tempos de infância
As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma
dependência sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como
já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente.
As orações independentes de um período são chamadas de Orações Coordenadas (OC), e o período
formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação.
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e sindéticas.
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção.
Exemplo:
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
OCA OCA OCA
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção
coordenativa. Exemplo:
O homem saiu do carro / e entrou na casa.
OCA OCS
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com o sentido expresso pelas
conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser:
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda.
Saí da escola / e fui à lanchonete. Conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição.
OCA OCS Aditiva
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no
entanto. Conjunção que expressa ideia de oposição.
Estudei bastante / mas não passei no teste.
OCA OCS Adversativa
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo. Conjunção que
expressa ideia de conclusão de um fato enunciado.
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão.
OCA OCS Conclusiva
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.
Conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha.
Seja mais educado / ou retire-se da reunião!
OCA OCS Alternativa
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto. Conjunção que
expressa ideia de explicação, de justificativa.
Vamos andar depressa / que estamos atrasados.
OCA OCS Explicativa
Período Composto por Subordinação
Observe os termos destacados em cada uma destas orações:
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
Todos querem sua participação. (objeto direto)
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa)
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações com a mesma função sintática:
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função de adjunto adnominal)
Todos querem / que você participe. (oração subordinada com função de objeto direto)
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordinada com função de adjunto adverbial de
causa)
. 60
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa função sintática em relação à primeira,
sendo, portanto, subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto de
duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é
classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de
acordo com a função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas.
Orações Subordinadas Adverbiais
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial
da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz:
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como
(= porque), pois que, visto que.
Não fui à escola / porque fiquei doente.
OP OSA Causal
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal.
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que.
Irei à sua casa / se não chover.
OP OSA Condicional
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir
sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que.
Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
OP OSA Concessiva
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como
(=conforme), segundo.
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado.
OP OSA Conformativa
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal.
Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei.
OP OSA Temporal
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções:
para que, a fim de que, porque (=para que), que.
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
OP OSA Final
- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções:
porque, que, como (= porque), pois que, visto que.
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
OP OSA Consecutiva
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções:
como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
Ela é bonita / como a mãe.
OP OSA Comparativa
Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam claramente o verbo, como no exemplo acima,
em que está subentendido o verbo ser (como a mãe é).- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na
principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
OSA Proporcional OP
Orações Subordinadas Substantivas
. 61
As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, num período, exercem funções
sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se.
Elas podem ser:
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que exerce a função de objeto direto
do verbo da oração principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto)
O grupo quer / que você ajude.
OP OSS Objetiva Direta
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela que exerce a função de objeto
indireto do verbo da oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto)
Necessito / de que você me ajude.
OP OSS Objetiva Indireta
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que exerce a função de sujeito do verbo da
oração principal. Observe: É importante sua colaboração. (sujeito)
É importante / que você colabore.
OP OSS Subjetiva
A oração subjetiva geralmente vem:
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções do tipo é bom, é útil, é certo, é
conveniente, etc. Ex.: É certo que ele voltará amanhã.
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu
da cidade.
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do
singular e seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião.
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É aquela que exerce a função de
complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência.
(complemento nominal)
Estou convencido / de que ele é inocente.
OP OSS Completiva Nominal
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que exerce a função de predicativo do
sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade.
(predicativo)
O importante é / que você seja feliz.
OP OSS Predicativa
- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que exerce a função de aposto de um termo
da oração principal. Observe: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país. (aposto)
Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país.
OP OSS Apositiva
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas,
intercaladas à oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se
realidade.
Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações substantivas podem ser
introduzidas por outros conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
Não sei quando ele chegou.
Diga-me como resolver esse problema.
Orações Subordinadas Adjetivas
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de adjunto adnominal de algum termo
da oração principal. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em oração subordinada
adjetiva:
Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva)
. 62
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo,
quem, etc.) e podem ser classificadas em:
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando restringem ou especificam o sentido
da palavra a que se referem. Exemplo:
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
OP OSA Restritiva
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o sentido do substantivo cantor, indicando
que o público não aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar.
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando apenas acrescentam uma
qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou
especificá-lo. Exemplo:
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro.
OP OSA Explicativa OP
Orações Reduzidas
As orações reduzidas são caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio
ou infinitivo. Ao contrário das demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas
através dos conectivos
Há três tipos de orações reduzidas:
- Orações reduzidas de infinitivo
- Orações reduzidas de gerúndio
- Orações reduzidas de particípio
Orações Reduzidas de Infinitivo:
Infinitivo: terminações -ar, -er, -ir.
Reduzida: É preciso comer frutas e legumes.
Desenvolvida: É preciso que se coma frutas e legumes. (Oração Subordinada Substantiva Subjetiva)
Reduzida: Meu desejo era ganhar uma viagem.
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse uma viagem. (Oração Subordinada Substantiva
Predicativa)
Orações Reduzidas de Particípio:
Particípio: terminações -ado, -ido.
Reduzida: Temos apenas um filho, criado com muito amor.
Desenvolvida: Temos apenas um filho, que criamos com muito amor. (Oração Subordinada Adjetiva
Explicativa)
Reduzida: A criança sequestrada foi resgatada.
Desenvolvida: A criança que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva)
Orações Reduzidas de Gerúndio:
Gerúndio: terminação -ndo.
Reduzida: Não enviando o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos.
Desenvolvida: Porque não enviou o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos. (Oração
Subordinada Adverbial Causal)
Reduzida: Respeitando as normas, não terão problemas.
Desenvolvida: Desde que respeitem as normas, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial
Condicional)
. 63
O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de uma
locução verbal.
Exemplos:
Preciso terminar este exercício.
Ele está jantando na sala.
Frases Fragmentadas
Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase
completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento.
Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida
a visualização do encadeamento das ideias.
Exemplo:
Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração
subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada)
Correção: Eu estava perdida em São Paulo, mesmo consultando o mapa da cidade, (oração
subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial
temporal)
Questões
01. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018)
Parentes de pacientes que foram diagnosticados com enfarte ou derrame tinham maiores[1] chances
de eles mesmos[2] apresentarem o quadro[3] durante sua vida.
Há, no trecho, um período composto por
(A) coordenação com três orações, sendo a última delas uma coordenada aditiva.
(B) subordinação com duas orações, sendo a segunda delas uma adjetiva restritiva.
(C) subordinação com três orações, sendo a última delas uma substantiva completiva nominal.
(D) coordenação com duas orações, sendo a segunda delas uma coordenada alternativa assindética.
02. (UFRJ - Analista de Tecnologia da Informação - UFRJ/2018)
Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar, pois estou te amando
Baby, te amo, nem sei se te amo
Tente usar a roupa que estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola Negra, te amo,te amo
Pérola Negra, Luiz Melodia, 1973.
Nos versos destacados em negrito, na letra da bela canção de Luiz Melodia; as vírgulas são
empregadas, respectivamente, para separar
(A) uma oração coordenada sindética; o vocativo; elementos da mesma função sintática; o vocativo;
expressão repetida.
(B) uma oração coordenada assindética; o aposto; termos que vêm em ordem inversa; o predicativo
deslocado; uma expressão conclusiva.
(C) uma oração subordinada; o predicativo deslocado; uma expressão de retificação; o aposto; um
termo antecipado e repetido por pronome enfático.
(D) uma oração coordenada sindética; o predicativo deslocado; uma expressão concessiva; o vocativo;
uma expressão de retificação.
. 64
(E) uma oração subordinada; o vocativo; uma expressão conclusiva; o predicativo deslocado;
expressão repetida.
03. (ANAC - Analista Administrativo - ESAF/2016) Assinale a opção que apresenta explicação
correta para a inserção de "que é" antes do segmento grifado no texto.
A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil
que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e Rotas do Brasil, o mais completo levantamento sobre
transporte aéreo de passageiros do País. Mais de 150 mil passageiros, ouvidos durante 2014 nos 65
aeroportos responsáveis por 98% da movimentação aérea do País, revelaram um perfil inédito do setor.
<http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=1957&slCD_ ORIGEM=29>. (com adaptações).
(A) Prejudica a correção gramatical do período, pois provoca truncamento sintático.
(B) Transforma o aposto em oração subordinada adjetiva explicativa.
(C) Altera a oração subordinada explicativa para oração restritiva.
(D) Transforma o segmento grifado em oração principal do período.
(E) Corrige erro de estrutura sintática inserido no período.
04. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018)
Depois, vários cientistas passaram a estudar a correlação dos riscos genéticos com os
comportamentais, na tentativa de avaliar o peso[1] que[2] cada risco tinha na determinação do destino
do coração dos indivíduos.
O elemento linguístico [2] é
(A) conjunção coordenada e introduz uma oração explicativa.
(B) conjunção integrante e introduz uma oração substantiva.
(C) pronome relativo e retoma “peso”.
(D) pronome relativo e retoma “riscos genéticos”.
05. (Câmara de Palmas/TO – Assistente Administrativo – COPESE/2018)
No trecho: “Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana”, o elemento em destaque une
duas frases, tornando a segunda oração:
(A) subordinada adverbial temporal, que traduz a ideia de tempo transcorrido entre a primeira oração
e a segunda.
(B) subordinada adverbial causal, pois o elemento ‘e’ estabelece relação de causa/consequência.
(C) coordenada sindética explicativa, uma vez que, na segunda frase, “mexer nessa tecnologia
humana”, há uma tentativa de explicação da primeira “Tô tentando me atualizar!”
(D) coordenada sindética aditiva, pois transmite a ideia de adição do segundo trecho em relação ao
primeiro.
Gabarito
01.C / 02.A / 03.B / 04.C / 05.D
Comentários
01. Resposta: C
1) Oração principal;
2) Oração subordinada adjetiva restritiva: restringe o sentido de "parentes de pacientes";
. 65
3) Oração subordinada completiva nominal: completa um nome (substantivo, adjetivo ou adverbio),
no caso em tela é o complemento de "maiores chances"
02. Resposta: A
Tente me amar, pois estou te amando – pois é uma conjunção coordenativa explicativa - uma oração
coordenada sindética(possui conjunção)
Baby, te amo, nem sei se te amo - Baby é um vocativo
Pérola Negra, te amo, te amo - Pérola é um vocativo
03. Resposta: B
Do modo como está, trata-se de um aposto explicativo, aquele que explica ou esclarece algo; no caso
explicando o que é a pesquisa O Brasil que voa.
Se colocarmos um QUE É antes, ficaria assim: A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da
República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e
Rotas do Brasil, que é o mais completo levantamento sobre transporte aéreo de passageiros do
País.
Logo, a oração em destaque é uma oração subordinada adjetiva EXPLICATIVA, que é aquela isolada
por vírgula e que tem valor de adjetivo.
Outro exemplo: Meu irmão, que sempre aprontou, casou-se.
04. Resposta: C
O pronome que retoma a palavra peso, sendo substituível por "o qual", sendo assim, se trata de um
pronome relativo.
05. Resposta: D
“Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana” - Perceba que a conjunção "e" na frase
tem sentido aditivo, podendo até ser substituída por outra aditiva "bem como", veja:
“Tô tentando me atualizar bem como mexer nessa tecnologia humana”
Conjunções Aditivas: dão a ideia de adição, acréscimo, como: e, nem, mas também, mas ainda, senão
também, como também, bem como.
Verbo
Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da natureza, estado, mudança de estado.
Flexiona-se em:
- número (singular e plural);
- pessoa (primeira, segunda e terceira);
- modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infinitivo e particípio);
- tempo (presente, passado e futuro);
- e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva).
De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados em três conjugações:
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter.
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir.
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido
à sua origem latina poer.
Elementos Estruturais do Verbo
As formas verbais apresentam três elementos em sua estrutura: radical, vogal temática e tema.
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo. Observe as
formas verbais da 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se que há uma
parte que não muda, e que nela está o significado real do verbo.
Emprego de tempos e modos verbais
. 66
cont é o radical do verbo contar;
esper é o radical do verbo esperar;
brinc é o radical do verbo brincar.
Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, teremos o radical desses verbos. Também
podemos antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir.
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual conjugação pertence o verbo. Há três vogais
temáticas: 1ª conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i.
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal temática. Ex.: contar - cont (radical) + a
(vogal temática) = tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical (contei = cont ei).
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao tema, para indicar as flexões de modo e
tempo, desinências modo temporais e desinências número pessoais.
Contávamos
Cont = radical
a = vogal temática
va = desinência modo temporal
mos = desinência número pessoal
Flexões Verbais
Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar o número e a pessoa.
- eu estudo – 1ª pessoa do singular;
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural;
- tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do plural;
- ele estuda – 3ª pessoa do singular;
- eles estudam – 3ª pessoa do plural.
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma diferente da fala culta, exigida pela gramática
oficial, ou seja, tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens.
- O pronome vós aparece somente em textos literários ou bíblicos.
- Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado no Brasil.
Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a ação verbal dentro de determinado
momento; pode estar em plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades básicas,
mas não únicas, são: presente, pretérito e futuro.
O modo indica as diversasatitudes do falante com relação ao fato que enuncia. São três os modos:
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta
presente, pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito.
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dúvida, exprime uma possibilidade. O
subjuntivo expressa uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, pretérito
imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; Quando
o vir, dê lembranças minhas.
- Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica
uma ordem, um pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo.
Emprego dos Tempos do Indicativo
- Presente do Indicativo: para enunciar um fato momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar
um fato que ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na indicação
de ações ou estados permanentes, verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida.
- Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado, não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na
feira; Eu cantava muito bem.
- Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei,
chorei, dormi...
. 67
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado anterior a outro acontecimento passado.
Ex.: Nós cantáramos no congresso de música.
- Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado num instante posterior ao que se fala. Ex.:
Cantarei domingo no coro da igreja matriz.
- Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento posterior a um outro acontecimento passado.
Ex.: Compraria um carro se tivesse dinheiro
1ª Conjugação: -AR
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam.
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dançastes, dançaram.
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançávamos, dançáveis, dançavam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, dançáramos, dançáreis,
dançaram.
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançaremos, dançareis, dançarão.
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaríamos, dançaríeis, dançariam.
2ª Conjugação: -ER
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comestes, comeram.
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, comíeis, comiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, comêramos, comêreis, comeram.
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comeríamos, comeríeis, comeriam.
3ª Conjugação: -IR
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram.
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram.
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão.
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam.
Emprego dos Tempos do Subjuntivo
- Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à
suposição. Ex.: Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos.
- Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o
prêmio, voltaria à universidade.
- Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode ou não acontecer. Quando você fizer o
trabalho, será generosamente gratificado.
1ª Conjugação –AR
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem.
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele dançasse, se nós dançássemos, se vós
dançásseis, se eles dançassem.
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele dançar, quando nós dançarmos, quando vós
dançardes, quando eles dançarem.
2ª Conjugação -ER
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós comamos, que vós comais, que eles comam.
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis,
se eles comessem.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele comer, quando nós comermos, quando vós comerdes,
quando eles comerem.
3ª conjugação – IR
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós partamos, que vós partais, que eles partam.
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se
eles partissem.
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes,
quando eles partirem.
. 68
Emprego do Imperativo
Imperativo Afirmativo
- Não apresenta a primeira pessoa do singular.
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do subjuntivo.
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”.
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo.
Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam.
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis,
que eles amem.
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós, amai vós, amem vocês.
Imperativo Negativo
- É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa do singular.
- Não retira os “s” do tu e do vós.
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis,
que eles amem.
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não amemos nós, não ameis vós, não amem
vocês.
Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e Imperativo), os verbos apresentam ainda as
formas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio.
Infinitivo Impessoal15
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso significa que ele apresenta sentido
genérico ou indefinido, não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim, considera-
se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é sofrer.
Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável combater
a corrupção. (= combate à)
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma
composta). Ex.: É preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pessoas do singular (cujas formas são iguais
às do infinitivo impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do discurso (o que será
esclarecido apenas pelo contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª pessoa); Para
ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
O infinitivo impessoal é usado:
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir a um sujeito determinado. Ex.
Querer é poder. Fumar prejudica a saúde. É proibido colar cartazes neste muro.
- Quando tem valor de Imperativo. Ex. Soldados, marchar! (= Marchai!) Esquerda, volver!
- Quando é regido de preposição (geralmente precedido da preposição “de”) e funciona como
complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da oração anterior. Ex.: Eles não têm o direito
de gritar assim. As meninas foram impedidas de participar do jogo. Eu os convenci a aceitar.
No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar", "tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo
auxiliar) deve ser flexionado. Exs.:
Eram pessoas difíceis de serem contentadas.
Aqueles remédios são ruins de serem tomados.
Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem jogados.
- Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo amanhã. Eles não podiamreclamar do
colégio. Vamos pensar no seu caso.
15 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php
. 69
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração anterior. Ex. Eles foram
condenados a pagar pesadas multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns livros por
(para) publicar.
Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou estiver distante do verbo da
oração principal (verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do período e também para se
enfatizar o sujeito (agente) da ação verbal. Exs.:
Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos.
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem futebol.
Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas crianças.
- Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e "fazer" e seus sinônimos que não formam
locução verbal com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje.
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e sinônimos, deve-se também deixar o
infinitivo sem flexão. Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à festa.
Infinitivo Pessoal
É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta
desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira:
2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu)
1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós)
2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós)
3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles)
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso significa que ele atribui um agente ao
processo verbal, flexionando-se.
O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:
- Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso. Exs.:
Se tu não perceberes isto...
Convém vocês irem primeiro.
O bom é sempre lembrarmos (sujeito desinencial, sujeito implícito = nós) desta regra.
- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração principal. Exs.:
O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos estudarem bastante para a prova.
Perdoo-te por me traíres.
O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade.
O guarda fez sinal para os motoristas pararem.
- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na terceira pessoa do plural). Exs.:
Faço isso para não me acharem inútil.
Temos de agir assim para nos promoverem.
Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua conduta.
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação. Exs.:
Vi os alunos abraçarem-se alegremente.
Fizemos os adversários cumprimentarem-se com gentileza.
Mandei as meninas olharem-se no espelho.
Gerúndio
Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (Função de
advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo)
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída.
Ex.: Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro.
. 70
Particípio
Quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o
resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.: Terminados os
exames, os candidatos saíram. Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação
temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida
para representar a escola.
1ª Conjugação –AR
Infinitivo Impessoal: dançar.
Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele,
dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles.
Gerúndio: dançando.
Particípio: dançado.
2ª Conjugação –ER
Infinitivo Impessoal: comer.
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele,
comermos nós, comerdes vós, comerem eles.
Gerúndio: comendo.
Particípio: comido.
3ª Conjugação –IR
Infinitivo Impessoal: partir.
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele,
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles.
Gerúndio: partindo.
Particípio: partido.
Verbos Auxiliares
Ser
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
Eu sou era fui tenho sido
Tu és eras foste tens sido
Ele é era foi tem sido
Nós somos éramos fomos temos sido
Vós sois éreis fostes tendes sido
Eles são eram foram têm sido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais
que Perfeito
Composto
Futuro do
Pretérito
Simples
Futuro do
Pretérito
Composto
Futuro
do
Presente
Eu fora tinha sido seria terei sido serei
Tu foras tinhas sido serias terias sido serás
Ele fora tinha sido seria teria sido será
Nós fôramos tínhamos sido seríamos teríamos sido seremos
Vós fôreis tínheis sido seríeis teríeis sido sereis
Eles foram tinham sido seriam teriam sido serão
. 71
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
Eu
Que eu seja Se eu fosse Se eu tivesse
sido
Quando eu
for
Quando eu
tiver sido
Tu
Que tu sejas Se tu fosses Se tu tivesses
sido
Quando tu
fores
Quando tu
tiveres sido
Ele
Que ele seja Se ele fosse Ser ele tivesse
sido
Quando
ele for
Quando ele
tiver sido
Nós
Que nós
sejamos
Se nós
fôssemos
Se nós
tivéssemos sido
Quando
nós formos
Quando nós
tivermos sido
Vós
Que vós
sejais
Se vós fôsseis Se vós tivésseis
sido
Quando
vós fordes
Quando vós
tiverdes sido
Eles
Que eles
sejam
Se eles
fossem
Se eles
tivessem sido
Quando
eles forem
Quando eles
tiverem sido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
Eu ------ ------ Por ser eu
Tu Sê tu Não sejas tu Por seres tu
Ele Seja ele Não sejas ele Por ser ele
Nós Sejamos nós Não sejamos nós Por sermos nós
Vós Sedes vós Não sejais vós Por serdes vós
Eles Sejam eles Não sejam eles Por serem eles
Formas Nominais
- Infinitivo: ser
- Gerúndio: sendo
- Particípio: sido
Estar
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Perf.
Simples
Pretérito Perf.
Composto
Eu estou estava estive tenho estado
Tu estás estavas estiveste tens estado
Ele está estava esteve tem estado
Nós estamos estávamos estivemos temos estado
Vós estais estáveis estivestes tendes estado
Eles estão estavam estiveram têm estado
Pret. Mais que
Perfeito
Simples
Pret. Mais que
Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
Futuro do
Presente
Composto
Eu estivera tinha estado estarei terei estado
Tu estiveras tinhas estado estarás terás estado
Ele estivera tinha estado estará terá estado
Nós estivéramos tínhamos estado estaremos teremos estado
Vós estivéreis tínheis estado estareis tereis estado
Eles estiveram tinham estado estarão terão estado
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
Eu estaria teria estado
Tu estarias terias estado
Ele estaria teria estado
Nós estaríamos teríamos estado
Vós estaríeis teríeis estado
Eles estariam teriam estado
. 72
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais que
Perfeito Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
Eu
Que eu
esteja
Se eu
estivesse
Se eu tivesse estado
Quando eu
estiver
Quando eu tiver
estado
Tu
Que tu
estejas
Se tu
estivesses
Se tu tivesses estado
Quando tu
estiveres
Quando tu tiveres
estado
Ele
Que ele
esteja
Se ele
estivesse
Ser ele tivesse
estado
Quando ele
estiver
Quando ele tiver
estado
Nós
Que nós
estejamos
Se nós
estivéssemos
Se nós tivéssemos
estado
Quando nós
estivermos
Quando nós
tivermos estadoVós
Que vós
estejais
Se vós
estivésseis
Se vós tivésseis
estado
Quando vós
estiverdes
Quando vós
tiverdes estado
Eles
Que eles
estejam
Se eles
estivessem
Se eles tivessem
estado
Quando eles
estiverem
Quando eles
tiverem estado
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
Eu ----- ------ Por estar eu
Tu está tu Não estejas tu Por estares tu
Ele esteja ele Não esteja ele Por estar ele
Nós estejamos nós Não estejamos nós Por estarmos nós
Vós estai vós Não estejais vós Por estardes vós
Eles estejam eles Não estejam eles Por estarem eles
Formas Nominais
- Infinitivo: estar
- Gerúndio: estando
- Particípio: estado
Ter
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
Eu tenho tinha tive tenho tido
Tu tens tinhas tiveste tens tido
Ele tem tinha teve tem tido
Nós temos tínhamos tivemos temos tido
Vós tendes tínheis tivestes tendes tido
Eles têm tinham tiveram têm tido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais
que Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
Eu tivera tinha tido terei
Tu tiveras tinhas tido terás
Ele tivera tinha tido terá
Nós tivéramos tínhamos tido teremos
Vós tivéreis tínheis tido tereis
Eles tiveram tinham tido terão
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
Eu teria teria tido
Tu terias terias tido
Ele teria teria tido
Nós teríamos teríamos tido
Vós teríeis teríeis tido
Eles teriam teriam tido
. 73
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
Eu
Que eu
tenha
Se eu tivesse
Se eu tivesse
tido
Quando eu
tiver
Quando eu
tiver tido
Tu
Que tu
tenhas
Se tu tivesses
Se tu tivesses
tido
Quando tu
tiveres
Quando tu
tiveres tido
Ele
Que ele
tenha
Se ele tivesse
Ser ele tivesse
tido
Quando ele
tiver
Quando ele
tiver tido
Nós
Que nós
tenhamos
Se nós
tivéssemos
Se nós
tivéssemos tido
Quando nós
tivermos
Quando nós
tivermos tido
Vós
Que vós
tenhais
Se vós
tivésseis
Se vós tivésseis
tido
Quando vós
tiverdes
Quando vós
tiverdes tido
Eles
Que eles
tenham
Se eles
tivessem
Se eles
tivessem tido
Quando eles
tiverem
Quando eles
tiverem tido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
Eu ----- ------ Por ter eu
Tu tem tu Não tenhas tu Por teres tu
Ele tenha ele Não tenha ele Por ter ele
Nós tenhamos nós Não tenhamos nós Por termos nós
Vós tende vós Não tenhais vós Por terdes vós
Eles tenham eles Não tenham eles Por terem eles
Formas Nominais
- Infinitivo: ter
- Gerúndio: tendo
- Particípio: tido
Haver
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Simples
Pretérito
Perf.
Composto
Eu hei havia houve tenho havido
Tu hás havias houveste tens havido
Ele há havia houve tem havido
Nós havemos havíamos houvemos temos havido
Vós haveis havíeis houvestes tendes havido
Eles hão haviam houveram têm havido
Pret. Mais
que Perfeito
Simples
Pret. Mais que
Perfeito
Composto
Futuro do
Presente
Simples
Futuro do
Presente
Composto
Eu houvera tinha havido haverei terei havido
Tu houveras tinhas havido haverás terás havido
Ele houvera tinha havido haverá terá havido
Nós houvéramos tínhamos havido haveremos teremos havido
Vós houvéreis tínheis havido havereis tereis havido
Eles houveram tinham havido haverão terão havido
Futuro do
Pret. Simples
Futuro do Pret.
Composto
Eu haveria teria havido
Tu haverias terias havido
Ele haveria teria havido
Nós haveríamos teríamos havido
Vós haveríeis teríeis havido
Eles haveriam teriam havido
. 74
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito Mais
que Perfeito
Composto
Futuro
Simples
Futuro
Composto
Eu
Que eu
haja
Se eu
houvesse
Se eu tivesse
havido
Quando eu
houver
Quando eu tiver
havido
Tu
Que tu
hajas
Se tu
houvesses
Se tu tivesses
havido
Quando tu
houveres
Quando tu
tiveres havido
Ele
Que ele
haja
Se ele
houvesse
Ser ele tivesse
havido
Quando ele
houver
Quando ele tiver
havido
Nós
Que nós
hajamos
Se nós
houvéssemos
Se nós
tivéssemos
havido
Quando nós
houvermos
Quando nós
tivermos havido
Vós
Que vós
hajais
Se vós
houvésseis
Se vós tivésseis
havido
Quando vós
houverdes
Quando vós
tiverdes havido
Eles
Que eles
hajam
Se eles
houvessem
Se eles
tivessem havido
Quando eles
houverem
Quando eles
tiverem havido
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
Eu ----- ------ Por haver eu
Tu há tu Não hajas tu Por haveres tu
Ele haja ele Não haja ele Por haver ele
Nós hajamos nós Não hajamos nós Por havermos nós
Vós havei vós Não hajais vós Por haverdes vós
Eles hajam eles Não hajam eles Por haverem eles
Formas Nominais
Infinitivo: haver
Gerúndio: havendo
Particípio: havido
Verbos Regulares
Não sofrem modificação no radical durante toda conjugação (em todos os modos) e as desinências
seguem as do verbo paradigma (verbo modelo)
AMAR: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei, Amaria, Ame, Amasse, Amar.
COMER: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Comerei, Comeria, Coma, Comesse, Comer.
PARTIR: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Partiria, Parta, Partisse, Partir.
Verbos Irregulares
São os verbos que sofrem modificações no radical ou em suas desinências.
DAR: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der
CABER: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, coubesse, couber.
AGREDIR: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, agrida, agredisse, agredir.
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Anômalos
São aqueles que têm uma anomalia no radical.
Ir
Modo Indicativo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Pretérito
Perfeito
Pretérito
Mais que
Perfeito
Eu vou ia fui fora
Tu vais ias foste foras
Ele vai ia foi fora
Nós vamos íamos fomos fôramos
Vós ides íeis fostes fôreis
Eles vão iam foram foram
Futuro do
Presente
Futuro do
Pretérito
Eu irei iria
Tu irás irias
Ele irá iria
Nós iremos iríamos
Vós ireis iríeis
Eles irão iriam
Modo Subjuntivo
Presente
Pretérito
Imperfeito
Futuro
Eu Que eu vá Se eu fosse Quando eu for
Tu Que tu vás Se tu fosses Quando tu fores
Ele Que ele vá Se ele fosse Quando ele for
Nós Que nós vamos Se nós fôssemos Quando nós formos
Vós Que vós vades Se vós fôsseis Quando vós fordes
Eles Que eles vão Se eles fossem Quando eles forem
Modo Imperativo
Imperativo
Afirmativo
Imperativo
Negativo
Infinitivo
Pessoal
Eu ----- ------ para ir eu
Tu vai tu Não vás tu para ires tu
Ele vá ele Não vá ele para ir ele
Nós vamos nós Não vamos nós para irmos nós
Vós ide vós Não vades vós para irdes vós
Eles vão eles Não vão eles para irem eles
Formas Nominais:
- Infinitivo: ir
- Gerúndio: indo
- Particípio: ido
Verbos Defectivos
São aqueles que possuem um defeito. Não têm todos os modos, tempos ou pessoas.
Verbo Pronominal: é aquele que é conjugado com o pronome oblíquo. Ex.: Eu me despedi de mamãe
e parti sem olhar para o passado.
Verbos Abundantes: são os verbos que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de
particípio.
Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, Expelir.
. 76
Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvolvido, Emergido, Expelido.
Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto, Emerso, Expulso.
Tempos Compostos: são formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e
haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles:
- Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locuçãoverbal no Presente do
Indicativo, indicando fato que tem ocorrido com frequência ultimamente. Ex.: Eu tenho estudado demais
ultimamente.
- Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Presente do
Subjuntivo, indicando desejo de que algo já tenha ocorrido. Ex.: Espero que você tenha estudado o
suficiente, para conseguir a aprovação.
- Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Pretérito
Imperfeito do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo simples. Ex.:
Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci Magali.
- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Pretérito
Imperfeito do Subjuntivo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples. Ex.: Eu
teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a
ação obrigatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente
de Se eu tivesse estudado, teria aprendido.
- Futuro do Presente Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do
Presente simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Ex.:
Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido.
- Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do Pretérito
simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Ex.: Eu teria
estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade.
- Futuro Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Futuro do Subjuntivo simples,
tendo o mesmo valor que o Futuro do Subjuntivo simples. Ex.: Quando você tiver terminado sua série
de exercícios, eu caminharei 6Km.
- Infinitivo Pessoal Composto: é a formação de locução verbal no Infinitivo Pessoal simples,
indicando ação passada em relação ao momento da fala. Ex.: Para você ter comprado esse carro,
necessitou de muito dinheiro
Questões
01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018)
Disponível https://www.facebook.com/tirasamandinho/photos/a.488361671209144.113963.
488356901209621/1568398126538821/?type=3&theater.
Acesso em: fev.2018.
Na tirinha, Fê conversa com Camilo sobre o que ela considera ser machismo na cerimônia de
casamento, enquanto Pudim diz a Armandinho que tudo aquilo que a garota questiona é algo natural.
Nas falas atribuídas à menina, o verbo ter aparece em Tem casamentos [...] (quadro 1) e em [...]
essas coisas têm significados! (quadro 2).
. 77
Em relação a esses empregos do verbo ter, assinale a alternativa correta.
(A) Em ambos, o verbo é impessoal.
(B) Ambos estão na terceira pessoa do plural do presente do modo indicativo.
(C) Ambos estão na terceira pessoa do singular do presente do modo indicativo.
(D) Ambos estão no presente do modo indicativo, embora o primeiro esteja na terceira pessoa do
singular e o segundo na terceira pessoa do plural.
(E) Ambos estão no presente do modo subjuntivo, embora o primeiro esteja na terceira pessoa do
singular e o segundo na terceira pessoa do plural.
02. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018)
O drama dos viciados em dívidas
Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número de brasileiros endividados chegou a 61,7
milhões em fevereiro passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número é alto porque o
hábito de manter as contas em dia não é apenas uma questão financeira decorrente do estado geral da
economia – pode ser uma questão comportamental. Por isso, há grupos especializados que promovem
reuniões semanais com devedores, com a finalidade de trocar experiências sobre consumo impulsivo e
propensão a viver no vermelho. Uma dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que funciona
nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA).
Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém do problema. As pessoas de maior renda
são justamente as que têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum que, diante dos
apuros, como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar
gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um empréstimo para quitar outra dívida é um
comportamento recorrente entre os endividados.
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo. Uma vez que o devedor reconhece o
problema, a próxima etapa é se planejar.
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado)
Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados de acordo com a norma-padrão, em
substituição aos trechos destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros, como a perda do
emprego, algumas tentem manter o mesmo padrão de vida.
(A) Poderia acontecer que ... mantêm
(B) Pôde acontecer que ... mantessem
(C) Podia acontecer que ... mantivessem
(D) Pôde acontecer que ... manteram
(E) Podia acontecer que ... mantiveram
03. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) A vida de Dorinha Duval foi, ____ . O processo
ainda não havia ido a Júri quando a tese da defesa foi mudada. Não seria mais violenta emoção, mas
legítima defesa. Ela não teria atirado no marido por ter sido ___ e chamada de velha, mas ______ o
marido passou a agredi-la. De fato, o exame pericial de corpo de delito realizado em Dorinha constatou a
existência de _______ em seu corpo. A versão da legítima defesa era ______ .
(Luiza Nagib Eluf, A paixão no banco dos réus. Adaptado)
As expressões verbais empregadas em tempo que exprime a ideia de hipótese são:
(A) seria e teria.
(B) foi e seria.
(C) teria e ter sido.
(D) foi e constatou.
(E) ter sido e passou.
04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo - IDHTEC/2016) Morto em 2015, o pai afirma
que Jules Bianchi não __________culpa pelo acidente. Em entrevista, Philippe Bianchi afirma que a
verdade nunca vai aparecer, pois os pilotos __________ medo de falar. "Um piloto não vai dizer nada se
existir uma câmera, mas quando não existem câmeras, todos __________ até mim e me dizem. Jules
Bianchi bateu com seu carro em um trator durante um GP, aquaplanou e não conseguiu __________para
evitar o choque.
(http://espn.uol.com.br/noticia/603278_pai-diz-que-pilotos-da-f-1-temmedo-de-falar-a-verdade-sobre-o-acidente-fatal-de-bianchi)
Complete com a sequência de verbos que está no tempo, modo e pessoa corretos:
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(A) Tem – tem – vem - freiar
(B) Tem – tiveram – vieram - frear
(C) Teve – tinham – vinham – frenar
(D) Teve – tem – veem – freiar
(E) Teve – têm – vêm – frear
05. (Prefeitura Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE/2016) Assinale a alternativa em que
está correta a correlação entre os tempos e os modos verbais nas frases abaixo.
(A) A entonação correta ao falarmos colabora com o entendimento que o outro tem do assunto tratado
e reforçaria a nossa persuasão.
(B) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo com o tempo que você terá e, antes de
falar, ensaie sua apresentação.
(C) A capacidade de os adolescentes virem a falar em público, teria dependido dos bons ensinamentos
da escola.
(D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os da geração passada, haveria de concluir
que os jovens de hoje leem muito menos.
(E) O contato visual também é importante ao falar em público. Passa empatia e envolveria o outro.
Gabarito
01.D / 02.C / 03.A / 04.E / 05.B
Comentários
01. Resposta: D
FLEXÃO DO VERBO TER: " Tem casamentos [...]"
TER no sentido de EXISTIR. Assim como o verbo “haver”, “ter”, no sentido de “existir”, é verbo
impessoal. Ou seja, não admite sujeito. Por isso, não sofre flexão de número (não vai para o plural).
ACENTO DIFERENCIAL: [...] essas coisas têm significados!
Tem acompanha o sujeito na terceira pessoa do SINGULAR.
Têm acompanha o sujeito na terceira pessoa do PLURAL.
02. Resposta: C
O segredo dessa questão é manter as duas palavrasno mesmo tempo verbal.
03. Resposta: A
A letra "A" é a única em que há nas dúas palavras sinais de hipótese, ou seja uma POSSIBILIDADE
de acontecer algo, ou não.
a) seria (talvez) e teria (talvez)
b) foi (já aconteceu) e seria (talvez)
c) teria (talvez) e ter sido (já aconteceu)
d) foi (já aconteceu) e constatou (já aconteceu)
e) ter sido (já aconteceu) e passou (já aconteceu)
04. Resposta: E
Teve - Pretérito perfeito do indicativo
Têm - Presente do Indicativo
Vêm - (verbo vir) – Presente do Indicativo
Frear - Infinitivo
05. Resposta: B
a) A entonação correta ao falarmos colabora com o entendimento que o outro tem do assunto tratado
e REFORÇA a nossa persuasão. Errada.
b) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo com o tempo que você terá e, antes de
falar, ensaie sua apresentação. Gabarito
c) A capacidade de os adolescentes virem a falar em público, TEM dependido dos bons ensinamentos
da escola. Errado.
d) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os da geração passada, HAVERÁ de concluir
que os jovens de hoje leem muito menos. Errada.
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e) O contato visual também é importante ao falar em público. Passa empatia e ENVOLVE o outro.
Errada.
Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais de pontuação
como: espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas
etc.
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão
e entendimento do texto.
Vírgula
Algumas pessoas colocam vírgulas por causa de pausas feitas na fala.16 A vírgula, na escrita, não
necessariamente é uma pausa na fala, tampouco é usada para pausar quando se lê um trecho virgulado.
Assim, vale dizer que o importante é, primeiro, saber em que situações gerais não se usa a vírgula.
Cuidado!
Em orações substantivas com função de sujeito iniciadas por quem, a vírgula entre tal oração e o
verbo da principal é facultativa, segundo Luiz A. Sacconi: “Quem lê sabe mais.” ou “Quem lê, sabe mais”.
Os demais gramáticos nada falam sobre isso, logo deduzimos que não pode haver vírgula entre sujeito e
verbo.
Não se separa por vírgula:
- sujeito de predicado;
- objeto de verbo;
- adjunto adnominal de nome;
- complemento nominal de nome;
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa).
Aplicação da Vírgula
A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos:
1° Inversão de Termos. Ex.: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava
com o resultado da prova.
2° Intercalações de Termos. Ex.: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo.
3° Inspeção de Simples Juízo. Ex.: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança.
4° Enumerações
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.17
- com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida.
5° Vocativos e Apostos
- vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças.
- apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos.
6° Omissões de Termos
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (Omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo
“ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava)
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (Supressão do verbo
“são” antes do vocábulo “relapsos”)
16 SCHOCAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niteroi: Impetus, 2007.
17 SCHOCAIR, Nelson M. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
Pontuação
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7° Termos Repetidos. Ex.: Nada, nada há de me derrotar.
8° Sequência de Adjuntos Adverbiais. Ex.: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h.
Dois Pontos
Os dois-pontos marcam uma supressão de voz em frase ainda não concluída. Em termos práticos,
este sinal é usado para:
- Antes de enumerações. Ex.: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja.
- Iniciando citações. Ex.: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se
queimar’”18.
- Antes de orações que explicam o enunciado anterior. Ex.: Não foi explicado o que deveríamos
fazer: o que nos deixa insatisfeitos.
- Depois de verbos que introduzem a fala. Ex.: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!”
Ponto e Vírgula
O ponto e vírgula é usado para marcar uma pausa maior do que a da vírgula. Seu objetivo é colaborar
com a clareza do texto. Exemplos:
Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa
longa)
Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração
adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração)
Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso;
um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário.
Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os
produtos no supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã.
Parênteses
Os parênteses, muito semelhantes aos travessões e às vírgulas, são empregados para:
- Isolar datas. Ex.: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
- Isolar siglas. Ex.: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa
(PEA)...
- Isolar explicações ou retificações. Ex.: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha
preocupação.
Reticências
As reticências são empregadas para:
- Indicar a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto. Ex.: Não consegui falar
com a Laura.... Quem sabe se eu ligar mais tarde...
- Sugerir prolongamento de ideias. Ex.: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se
nas faces duns longes cor-de-rosa...” (José de Alencar)
18 SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488.
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- Indicar dúvida ou hesitação. Ex.: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje.
- Indicar omissão de palavras ou frases no período. Ex.: “Se o lindo semblante não se impregnasse
constantemente, (...) ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma
profunda decepção.” (José de Alencar)
Travessão
O travessão é um sinal bastante usado na narração, na descrição, na dissertação e no diálogo,
portanto, figura repetida em qualquer prova; é um instrumento eficaz em uma redação. Pode vir em dupla,
se vier intercalado na frase. Veja seus usos:
- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens. Ex.: As meninas gritaram: - Venham nos
buscar!
- No meio de sentenças, para dar ênfase em informações. Ex.: O garçom - creio que já lhe falei -
está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer.
Ponto de Exclamação
O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer frase com entonação exclamativa,
indicando altissonância, exaltação de espírito.
- Após vocativos. Ex.: Vem, Fabiano!
- Após imperativos. Ex.: Corram!
- Após interjeição. Ex.: Ai! / Ufa!
- Após expressões ou frases de caráter emocional. Ex.: Quantas pessoas!
Aspas
As aspas são usadas comumente em citações, mas também há outras funções bem interessantes.
Atualmente o negrito e o itálico vêm substituindo frequentemente o uso das aspas. Resumindo, elas são
empregadas:
- Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões
populares entre outros. Ex.: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro
“show”.
- Delimitam transcrições ou citações textuais. Ex.: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o
espírito.”
-Isolam estrangeirismos. Ex.: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade.
Ponto
Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o fim de uma frase declarativa de um período simples
ou composto. Pode substituir a vírgula quando o autor quer realçar, enfatizar o que vem após (evita-se
isso em linguagem formal).
– Posso ouvir o vento assoprar com força. Derrubando tudo!
O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas: fev. = fevereiro, hab.= habitante, rod. =
rodovia, etc. = etecetera.
O ponto do etc. termina o período, logo não pode haver outro ponto: “..., feijão, arroz, etc..”. Absurdo
também é usar etc. seguido de reticências: “... feijão, arroz, etc....”.
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Chama-se ponto parágrafo aquele que encerra um período e a ele se segue outro período em linha
diferente. Esse último ponto agora (antes do Esse) é chamado de ponto continuativo, pois a ele se segue
outro período no mesmo parágrafo. Ponto final é este que virá agora.
Obs.: Estilisticamente, podemos usar o ponto para, em períodos curtos, empregar dinamicidade,
velocidade à leitura do texto: “Era um garoto pobre. Mas tinha vontade de crescer na vida. Estudou. Subiu.
Foi subindo mais. Hoje é juiz do Supremo.”. Usa-se muito em narrações em geral.
Ponto de Interrogação
O ponto de interrogação marca uma entoação ascendente (elevação da voz) com tom questionador.
Usa-se neste caso:
- Em perguntas diretas: Como você se chama?
- Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação: Quem ganhou na loteria? Você. Eu?!
Parágrafo
Constitui cada uma das secções de frases de um escritor; começa por letra maiúscula, um pouco além
do ponto em que começam as outras linhas.
Colchetes
Utilizados na linguagem científica.
Asterisco
Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota (observação).
Barra
Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas.
Hífen
Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir pronomes átonos a verbos. Exemplo:
guarda-roupa.
Questões
01. (IFTO - Auditor) Marque a alternativa em que a ausência de vírgula não altera o sentido do
enunciado.
(A) O professor espera um, sim.
(B) Recebo, obrigada.
(C) Não, vá ao estacionamento do campus.
(D) Não, quero abandonar minhas funções no trabalho.
(E) Hoje, podem ser adquiridas as impressoras licitadas.
02. (MPE/GO - Secretário Auxiliar) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da pontuação.
(A) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade.
(B) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito.
(C) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas.
(D) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas
cujos comportamentos, são desconhecidos.
(E) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para que a
raiva seja aliviada.
03. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC) A frase escrita com correção é:
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(A) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje
Humberto de Campos no Maranhão, em 1886, e falesceu, no Rio de Janeiro em 1934.
(B) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais
celebre de sua obra: Memórias, crônica dos começos de sua vida.
(C) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na
fase em que ali encontrava-se um grupo de eximios escritores.
(D) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo
no comércio, como meio de subsistencia.
(E) Humberto de Campos publicou seu primeiro livro em 1910, a coletânea de versos intitulada Poeira;
em 1920, já membro da Academia Brasileira de Letras, foi eleito deputado federal pelo Maranhão.
04. (TRT 2ª Região/SP - Analista Judiciário - FCC/2018)
De cabeça pra baixo
− Esse mundo está ficando de cabeça pra baixo!
É uma conhecida frase, que sucessivas gerações vêm frequentando. Ela logo surge a propósito de
qualquer coisa que se considere uma novidade despropositada, irritante: modelo de roupa mais ousada,
último grande sucesso musical, aumento milionário no salário de um jogador de futebol, a longa estiagem
na estação chuvosa, a avalanche de crimes no jornal... A ideia é sempre demonstrar que a vida e o mundo
já foram muito melhores, que a passagem do tempo leva inexoravelmente à perversão ou ao
desmoronamento dos valores autênticos, que uma geração construiu e que a seguinte apagou.
Parece que na história da humanidade o fenômeno é comum e cíclico: as pessoas enaltecem seus
hábitos passados e condenam os presentes. “Ah, no meu tempo...” é uma expressão que vale um suspiro
e uma acusação. Algo de muito melhor ficou para trás e se perdeu. A missão dessa juventude de hoje é
desviar-se da Civilização....
A ironia é que justamente nesses “desvios” e por conta deles a História caminha, ainda que não se
saiba para onde. Fosse tudo uma repetição conservadora, nenhuma descoberta jamais se daria, sem
contar que os mais velhos já não teriam do que se queixar e a quem imputar a culpa por todos os
desassossegos que assaltam todas as gerações humanas, desde que existimos.
(Romildo Pacheco, inédito)
A supressão da vírgula altera significativamente o sentido da seguinte frase:
(A) Frequentemente, as pessoas enaltecem seus hábitos passados.
(B) As pessoas gostam de enaltecer seus hábitos antigos, quase sempre sem muita discrição.
(C) Não se conhece a origem das frases feitas, nem por que adquiriram tanta força.
(D) O autor do texto busca mostrar-se imparcial, diante desse tema controverso.
(E) Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados.
05. (MPE/AL - Analista do Ministério Público - FGV/2018)
OPORTUNISMO À DIREITA E À ESQUERDA
Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, entre outros,
obedecidas leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, há sempre o risco de
excessos, a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme estabelecido na
legislação.
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos caminhoneiros, concluídas as investigações, por
exemplo, da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em se beneficiar do barateamento do
combustível.
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano
de eleição, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não faltam, também, os arautos do quanto pior,
melhor, para desgastar governantes e reforçar seus projetos de poder, por mais delirantes que sejam.
Também aqui vale o que está delimitado pelo estado democrático de direito, defendido pelos diversos
instrumentos institucionais de que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, Forças Armadas
etc.
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo
funcionando, do qual depende a sobrevivência física da população. Isso não pode ser esquecido e serve
de alerta para que as autoridades desenvolvam planos de contingência.
O Globo, 31/05/2018.
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“Numa democracia, (1) é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, (2) entre
outros, obedecidas leis e regras, (3) lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, (4) há
sempre o risco de excessos, (5) a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme
estabelecido na legislação”.
Nesse segmento inicial do texto, a vírgula que tem caráter optativo é a indicada pelo número
(A) (1).
(B) (2).
(C) (3).
(D) (4).
(E) (5).
06. (TCM/RJ - Técnico de Controle Externo - IBFC) Assinale a alternativa cuja frase está
corretamente pontuada.
(A) O bolo que estava sobre amesa, sumiu.
(B) Ele, apressadamente se retirou, quando ouviu um barulho estranho.
(C) Confessou-lhe tudo; ciúme, ódio, inveja.
(D) Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia.
07. (MPE/GO - Secretário Auxiliar – MPE/GO) O período abaixo foi escrito por Machado de Assis em
seu Conto de Escola. A alternativa que apresenta a pontuação de acordo com a norma culta é:
(A) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai.
(B) Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria
a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai.
(C) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo não o tendo aprendido, recorria
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai.
(D) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que, o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria;
a um meio que, lhe pareceu útil, para escapar ao castigo do pai.
(E) Compreende-se que: o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria;
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai.
08. (UNEMAT - Técnico em Enfermagem - UNEMAT/2018)
https://oglobo.globo.com/cultura/megazine/contestador-armandinhoganha-fama-no-facebook-8027174
Em Pai, o que é “machismo”? e em Não se mete, Fê!, a vírgula foi usada para
(A) marcar anteposição do predicativo.
(B) separar elementos de uma enumeração.
(C) separar o pleonasmo.
(D) isolar o vocativo.
(E) isolar expressões explicativas.
09. (UFPR - Contador - 2018)
A não menos nobre vírgula
[...] Jacob mandou esta questão: “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo
que, às vezes, a frase fique truncada.
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?”.
. 85
O leitor acertou na mosca quando se referiu a “essas verdadeiras amarras escolares”. Tomemos como
exemplo o próprio texto do leitor, que na passagem “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” optou
por pôr entre vírgulas a expressão adverbial “às vezes”, que vem entre a locução conjuntiva “mesmo que”
e “a frase”, sujeito da oração introduzida por “mesmo que”.
Vamos lá. Teria sido perfeitamente possível deixar “livre” a expressão adverbial “às vezes”, ou seja,
teria sido possível não empregar as duas vírgulas (“...mesmo que às vezes a frase fique truncada”). É
bom que se diga que, com as duas vírgulas, a expressão “às vezes” ganha ênfase, o que não ocorreria
se não fossem empregadas as vírgulas.
O que não se pode fazer de jeito nenhum nesses casos é empregar a chamada “vírgula solteira”, que
é aquela que perde o par no meio do caminho. Tradução: ou se escreve “...mesmo que, às vezes, a frase
fique truncada” ou se escreve “...mesmo que às vezes a frase fique truncada”. [...]
(Pasquale Cipro Neto, publicado em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/11/1831039-a-nao-menos-nobre-virgula.shtml> . Acesso em
24/03/18. Adaptado)
As aspas ao longo texto são usadas para:
1. Indicar a escrita de outra pessoa que não o autor do texto.
2. Exemplificar o emprego incorreto da norma gramatical.
3. Marcar o uso de termos em sentido figurado.
4. Enfatizar a gravidade do problema de mau uso da vírgula.
5. Indicar o uso metalinguístico (em que a língua aponta para si mesma).
Estão corretos os itens:
(A) 1 e 3 apenas.
(B) 1, 2 e 4 apenas.
(C) 1, 3 e 5 apenas.
(D) 2, 3, 4 e 5 apenas.
(E) 1, 2, 3, 4 e 5.
10. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - Pedagogo - FCC) Será que a internet está a matar a
democracia? Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade de Oxford, faz essa pergunta na
revista Newsweek. E oferece argumentos a respeito que desaguam em águas tenebrosas.
A internet oferece palco político para os mais motivados (e despreparados). Antigamente, o cidadão
revoltado podia ter as suas opiniões sobre os assuntos do mundo. Mas, tirando o boteco, ou o bairro, ou
até o jornal do bairro, essas opiniões nasciam e morriam no anonimato.
Hoje, é possível arregimentar dezenas, ou centenas, ou milhares de "seguidores" que rapidamente
espalham a mensagem por dezenas, ou centenas, ou milhares de novos "seguidores". Quanto mais
radical a mensagem, maior será o sucesso cibernauta.
Mas a internet não é apenas um paraíso para os politicamente motivados (e despreparados). Ela tende
a radicalizar qualquer opinião sobre qualquer assunto.
A ideia de que as redes sociais são uma espécie de "ágora moderna", onde existem discussões mais
flexíveis e pluralistas, não passa de uma fantasia. A internet não cria debate. Ela cria trincheiras entre
exércitos inimigos.
(Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2016/08/1801611)
Atente para as afirmações abaixo a respeito do 1o parágrafo do texto.
I. O ponto de interrogação pode ser excluído, sem prejuízo para a correção e o sentido, por se tratar
de pergunta retórica.
II. As vírgulas isolam o aposto.
III. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos".
IV. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado.
Está correto o que se afirma APENAS em:
(A) I e II.
(B) II, III e IV.
(C) II e III.
(D) I e IV.
Gabarito
01.E / 02.E / 03.E / 04.E / 05.A / 06.D / 07.B / 08.D / 09.C / 10.B
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Comentários
01. Resposta: E
a) O professor espera um, sim. O prof. esta esperando um algo, quando tiro a virgula ele fica
''esperando um sim''.
b) Recebo, obrigada. A pessoa recebe e diz obrigado, quando tiro a virgula ele passa a receber é um
obrigado.
c) Não, vá ao estacionamento do campus. ''Vá ao estacionamento'', quando tiro a virgula passa a ''não
vá ao estacioname...''
d) Não, quero abandonar minha funções no trabalho. Eu quero abandonar, quando tiro a virgula fica
negado ''não quero...''
Todas mudaram de sentido, menos a última.
02. Resposta: E
Conferindo as demais:
a) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade.
Não se separa sujeito do predicado por vírgula.
b) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito.
Não se separa sujeito do predicado por vírgula.
c) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas.
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento (no caso 'ocasionar' sendo VTD e
acidentes OD)
d) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas
cujos comportamentos, são desconhecidos.
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento
e) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para
que a raiva seja aliviada. (Correta)
03. Resposta: E
a) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje Humberto
de Campos no Maranhão, em 1886, e FALECEU, no Rio de Janeiro em 1934.
b) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais
celebre de sua obra: Memórias, crônica DO COMEÇO de sua vida.
c) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na
fase em que ali encontrava-se um grupo de exÍmios escritores.
d) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo
no comércio, como meio de subsistÊncia.
04. Resposta: E
Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza
EXPLICATIVA (Oração Subordinada Adjetiva Explicativa)
Trata-se aqui das pessoas mais velhas que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza
RESTRITIVA (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva)
05. Resposta: A
Adjunto adverbial deslocadotradicional até três palavras, vírgula opcional
06. Resposta: D
a) A vírgula não pode separar o sujeito (o bolo...) do verbo (sumiu). Incorreta.
b) Há vírgula entre o sujeito (ele) e o verbo (retirou). Incorreta.
c) O ponto e vírgula está separando um aposto explicativo, quando na verdade deveria haver um sinal
de dois-pontos.
d) Essa é a vírgula que marca termo omitido (Zeugma).
Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. (Pretende cursar)
07. Resposta: B
A alternativa A tem dois pontos que não deveriam aparecer na oração.
08. Resposta: D
O vocativo é o termo que tem a função de chamar, invocar ou interpelar dentro da oração.
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09. Resposta: C
1- “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo que, às vezes, a frase fique
truncada.
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?”
3- “vírgula solteira”
5- “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada”
10. Resposta: B
Item I = ERRADO.
Caso o ponto de interrogação for excluído, a frase (Será que a internet está a matar a democracia?)
perde o caráter de pergunta, de reflexão e passa a ser uma afirmação. A correção vai se prejudicar.
Item II = CERTO. As vírgulas isolam o aposto.
Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou
especificá-lo melhor. Vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão.
O aposto se revela na seguinte passagem: Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade
de Oxford, faz essa pergunta na revista Newsweek.
Item III = CERTO. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos".
A finalidade do pronome relativo é evitar a repetição do termo antecedente na oração em que ocorre.
Item IV = CERTO. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado.
Desaguar = Drenar, Enxugar, Lançar as águas em (falando do curso dos rios).
Estudar a estrutura é conhecer os elementos de formação das palavras. Assim, compreendemos
melhor o significado de cada uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, a que
damos o nome de elementos mórficos ou morfemas.
Morfemas
É o menor elemento linguístico que possui significado.
- Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos.
- Afixos (prefixos, sufixos), Desinência, Vogal Temática: elementos modificadores da significação
dos primeiros.
- Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de ligação ou eufônicos.
Raiz: é uma parte imutável. Ela remete à semântica da palavra, seu contexto de criação (formação) e
suas transformações até a sua utilização atual. A referência da raiz é a identificação básica de um grupo
de palavras, por suas semelhanças gráficas.
Ex.: Crença - Cr; Criança - Cri; Reduzir - Duz; Irredutível - Dut; Evangelho - Angel.
Radical: é o morfema que contém o significado básico da palavra e a ele podem ser acrescidos outros
elementos mórficos, como as desinências e os afixos. O radical vai até a vogal temática ou à desinência
de gênero se existirem, caso contrário, o vocábulo inteiro é o próprio radical.
Ex.: Casa; Casebre; Casarão; Caseiro.
Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou
tema para formar palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo, cria
uma nova palavra a partir de "certo": certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o
acréscimo dos morfemas "a-" e "-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são
morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome de
prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos.
Ex.: in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al.
Desinências: são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos:
Estrutura e formação de palavras
. 88
- Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular
e plural) dos nomes. Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar em desinências
nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima.
Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já
em pires, lápis, ônibus não encontramos desinência nominal de número.
- Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos. A
desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está
na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma
verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.
Vogal Temática: aparece ligada ao radical. São três A, E, O átonas e finais.
- Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc.
- Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc.
- Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc.
Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são:
busca-, rompe-, proibi-
Vogais e Consoantes de Ligação: são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para
facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra. Exs.: parisiense (paris= radical,
ense=sufixo, vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-
eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc.
Formação das Palavras
Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição. A
diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um
único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical.
Derivação
É o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente,
chamada primitiva. Ex.: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar, terreiro, aterrar). Observamos
que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação
de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as
demais, derivadas.
Tipos de Derivação
- Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o
seu significado alterado: crer- descrer; ler- reler.
- Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer
alteração de significado ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o sufixo -
ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto
pelo acréscimo do sufixo -izar.
A derivação sufixal pode ser:
Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papelaria; riso – risonho.
Verbal, formando verbos: atual - atualizar.
Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente.
- Derivação Parassintética ou Parassíntese: ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo
simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes
(substantivos e adjetivos) e verbos.
Considere o adjetivo "triste". Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção
simultânea do prefixo “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente
para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as palavras "entriste", nem "tristecer".
Exs.:
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Emudecer
mudo – palavra inicial
e – prefixo
mud – radical
ecer – sufixo
- Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por
acréscimo, mas por redução. Ex.:comprar (verbo) - compra (substantivo); beijar (verbo) - beijo
(substantivo).
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário, podemos seguir a
seguinte orientação:
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva.
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o contrário.
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam ações, logo, são palavras derivadas. O
mesmo não ocorre, porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substantivo primitivo
que dá origem ao verbo ancorar.
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. Por isso, recebem
o nome de substantivos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os exemplos de
palavras formadas por derivação regressiva. O portuga (de português); o boteco (de botequim); o
comuna (de comunista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar).
- Derivação Imprópria: ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou
supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo:
Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contemplados.
Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele garoto alcançou um feito passando no
concurso.
Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era fascinante; O badalar dos sinos soou na
cidadezinha.
Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma foi despedido; O menino prodígio resolveu
o problema.
Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que ninguém escutasse.
Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o porquê disso tudo.
Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordenador é um caxias! (Chefe severo e exigente)
Composição
É o processo que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois
tipos:
- Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre
alteração fonética: passatempo, quinta-feira, girassol, couve-flor. Em “girassol” houve uma alteração na
grafia (acréscimo de um “s”) justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra.
- Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de
um ou mais de seus elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo - referindo-se a
família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); planalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes
subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente.
- Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma plena, uma forma reduzida. Observe:
auto - por automóvel; cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José. Como exemplo de
redução ou simplificação de palavras, podem ser citadas também as siglas, muito frequentes na
comunicação atual.
- Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja formação entram elementos de línguas diferentes.
Ex.: auto (grego) + móvel (latim).
. 90
- Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana
para imitar as vozes e os ruídos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem
aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zunzum, piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc.
Prefixos
São morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido;
raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os prefixos ocorrentes em palavras
portuguesas se originam do latim e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou
advérbios, logo, como vocábulos autônomos. Alguns prefixos foram pouco ou nada produtivos em
português. Outros, por sua vez, tiveram grande vitalidade na formação de novas palavras: a-, contra-,
des-, em- (ou en-), es-, entre- re-, sub-, super-, anti-.
Alguns Prefixos de Origem Grega
a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carência: anônimo, amoral, ateu, afônico.
ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagrama, anacrônico.
anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonista, antítese.
apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia.
cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo, catarata.
di-: duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema.
dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia.
ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo.
en-, em-, e-: posição interior, movimento para dentro: encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo.
endo-: movimento para dentro: endovenoso, endocarpo, endosmose.
eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia.
hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hipertrofia.
hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipodérmico.
meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo.
para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma.
pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico, profeta, programa.
poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo.
sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse.
tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo.
Alguns Prefixos de Origem Latina
a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, abstinência, abstração.
ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, anteontem, antever.
ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente.
ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício, bendito.
bis-, bi-: repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito.
circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito, circulação.
co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, cooperativa, condutor.
contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer.
de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: decapitar, decair, depor.
de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura, discórdia, discussão.
e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, exportação, expelir.
en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento: imergir,
enterrar, embeber, injetar, importar.
i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, impossível, improdutivo.
inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interplanetário.
justa-: posição ao lado: justapor, justalinear.
ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo.
pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado.
pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar.
re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar.
retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado.
so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferioridade: soterrar, sobpor, subestimar.
. 91
super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio, supérfluo.
trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento através: transatlântico, tresnoitar, tradição.
ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta.
vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almirante.
Sufixos
São elementos (isoladamente insignificativos) que, acrescentados a um radical, formam nova palavra.
Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera. Dessa forma,
podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo, por
exemplo.
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as
flexões das palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extremamente
importantes para o funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e os que formam nomes
de agente.
Sufixos que formamnomes de ação: -ada – caminhada; -ança – mudança; -ância – abundância; -
ção – emoção; -dão – solidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; -mento –
casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura – formatura.
Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; -eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista;
-or – lutador; -nte – feirante.
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – churrascaria; -ário – herbanário; -eiro –
açucareiro; -or – corredor; -tério – cemitério; -tório – dormitório.
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção: -aço – ricaço; -
ada – papelada; -agem – folhagem; -al – capinzal; -ario(a) - casario, infantaria; -edo – arvoredo; -eria –
correria; -io – mulherio; -ume – negrume.
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência:
-ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis).
-oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores).
-ato, eto, ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra).
-ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais).
-ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto).
-ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência linguística).
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples).
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, sistemas políticos: - ismo: budismo,
kantismo, comunismo.
Sufixos Formadores
- de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a) - herbáceo, liláceas; -aico – prosaico;
-al – anual; -ar – escolar; -ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz; -engo –
mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pitoresco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho
– ferrenho; -eno – terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino – cristalino; -ivo –
lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso; -udo – barrigudo.
- de verbos:
-(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente, seguinte.
-(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – louvável, perecível, punível.
-io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo, pensativo.
-(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação, referência – movediço, quebradiço,
factício.
. 92
-(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório.
Sufixos Adverbiais: na Língua Portuguesa, existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo "-
mente", derivado do substantivo feminino latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o
intento". Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, para indicar circunstâncias, especialmente
a de modo. Ex.: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia-mente.
Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-mente,
etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora uniformes. Exs.: cabrito montês / cabrita
montês.
Sufixos Verbais: agregam-se, via de regra, ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos
verbos. Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação-ar. Exemplos:
esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.
Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação.
-ar: cruzar, analisar, limpar
-ear: guerrear, golear
-entar: afugentar, amamentar
-ficar: dignificar, liquidificar
-izar: finalizar, organizar
Questões
01. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016)
“Chegou o fim de semana. É tempo de encontrar os amigos no boteco e relaxar, mas a crise econômica
vem deixando muitos paraenses de cabeça quente. Para ajudar o bolso dos amantes da culinária de raiz,
os bares participantes do Comida di Buteco estão comercializando os petiscos preparados
exclusivamente para o concurso com um preço reduzido. O preço máximo é de R$ 25,90.”
(O LIBERAL, 23 de abril de 2016)
Assinale a alternativa que faz um comentário correto sobre o processo de formação das palavras
usadas nesse trecho.
(A) As palavras “amigo e amantes” são formadas por prefixação.
(B) As palavras “paraenses e participantes” são formadas por sufixação.
(C) A palavra “boteco” é formada por derivação a partir da palavra “bote”.
(D) As palavras “culinária e petiscos” são formadas por derivação regressiva.
(E) A palavra “comercializando” é formada por aglutinação de “comer+comércio”.
. 93
02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - IDHTEC/2016)
Em qual das alternativas houve a relação correta de acordo com as regras do processo de formação
de palavras.
(A) Recompor – prefixo e sufixo
(B) Utiliza-se – sufixo
(C) Indolor – prefixo
(D) Avançado – prefixo e sufixo
(E) Somente – sufixo
03. (Pref. Chapecó/SC - Engenheiro de Trânsito - IOBV/2016) “Infelizmente as cheias de 2011
castigaram de forma severa o Vale do Itajaí.”
Na frase acima (elaborada para fins de concurso) temos o caso da expressão “Infelizmente”. A palavra
pode ser assim decomposta: in + feliz + mente. Aponte qual a função da partícula in dentro do processo
de estruturação das palavras.
(A) Radical.
(B) Sufixo.
(C) Prefixo.
(D) Interfixo.
04. (Pref. Teresina/PI - Professor Português - NUCEPE/2016)
Aceita um cafezinho
Ó Estrangeiro, ó peregrino, ó passante de pouca esperança - nada tenho para te dar, também sou
pobre e essas terras não são minhas. Mas aceita um cafezinho.
A poeira é muita, e só Deus sabe aonde vão dar esses caminhos. Um cafezinho, eu sei, não resolve o
teu destino; nem faz esquecer tua cicatriz.
Mas prova.... Bota a trouxa no chão, abanca-te nesta pedra e vai preparando o teu cigarro...
Um minuto apenas, que a água já está fervendo e as xícaras já tilintam na bandeja. Vai sair bem coado
e quentinho.
Não é nada, não é nada, mas tu vais ver: serão mais alguns quilômetros de boa caminhada... E talvez
uma pausa em teu gemido!
Um minutinho, estrangeiro, que teu café já vem cheirando...
(Aníbal Machado)
Na palavra cafezinho temos os seguintes elementos mórficos
(A) radical, vogal temática e sufixo.
(B) radical, consoante de ligação e sufixo.
(C) radical e sufixo.
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(D) radical e vogal temática.
(E) radical e consoante de ligação.
05. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018)
Um ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte: “Defenda a ecologia, mas não encha o
saco”. (Gilberto Mestrinho)
O vocábulo sublinhado, composto do radical-logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do meio
ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo radical, que tem seu significado corretamente indicado é:
(A) Antropologia: estudo do homem como representante do sexo masculino;
(B) Etimologia: estudo das raças humanas;
(C) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre a Terra;
(D) Ginecologia: estudo das doenças privativas das mulheres;
(E) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza
06. (TJ-AL - Técnico Judiciário - FGV/2018)
Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da
falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e
eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já
especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação
dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à
disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a
comunicação virtual está em sua pré-história.
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas,
articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformadosque circulam
por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é
processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem
aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade
propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão,
que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade.
(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)
O item abaixo em que os dois vocábulos citados NÃO fazem parte da mesma família de palavras é:
(A) falir / falência;
(B) provir / provisão;
(C) deter / detenção;
(D) dispensar / dispensa;
(E) fugir / fuga.
07. (BAHIAGÁS - Analista de Processos Organizacionais - IESES/2016) Assinale a alternativa em
que todas as palavras estão INCORRETAS:
(A) Luminescência; transparência; ascendência; maledicência; flatulência.
(B) Dizêssemos; troucéssemos; portãozinhos; quizéreis; puzesse.
(C) Assessorássemos; indenidade; dissesses; entre ti e nós; fizesse.
(D) Beleza; sutileza; pobreza; destreza; natureza.
(E) Interdisciplinaridade; transitoriedade; notoriedade; titularidade; liminaridade.
08. (Pref. Aragoiânia/GO - Biólogo - Itame/2016) O irreverente cantor não agradou o público local.
Aponte a alternativa em que o prefixo das palavras não apresenta o significado existente no prefixo da
palavra destacada acima:
(A) desgoverno / ilegal
(B) infiel / imoral
(C) anormal / destemor
(D) imigrante / ingerir
. 95
09. (Câmara de Salvador/BA - Assistente Legislativo Municipal - FGV/2018)
Violência: O Valor da vida
Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412
A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas.
Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma
categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de
imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do
pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e
condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que
um indivíduo impõe a outro.
Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre
foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em
escala inédita no reino animal.
Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência
e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma
desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se
complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam
de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade
aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para
a constituição de civilizações.
A forma verbal “complexificaria” aparece sublinhada de vermelho no corretor de texto, o que mostra
que não é uma palavra dicionarizada; isso significa que essa palavra:
(A) não deve ser usada;
(B) mostra erros em sua estrutura;
(C) deve ser um arcaísmo;
(D) pode tratar-se de um neologismo;
(E) representa uma variação coloquial de linguagem
10. (IF/BA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016) Todas as palavras abaixo têm prefixo e
sufixo, exceto este verbo:
(A) destinar.
(B) desfivelar.
(C) desfavorecer.
(D) desbanalizar.
(E) despraguejar.
Gabarito
01.B / 02.C / 03.C /04.B / 05.D / 06.B / 07.B / 08.D / 09.D / 10.A
Comentários
01. Resposta: B
Gabarito letra ´B´ - Pará + sufixo 'nses'
Participar + sufixo 'antes'
A) incorreta - amigo é primitivo
C) incorreta - Boteco - Derivação regressiva de Botequim;
D) petiscos e culinária não são derivação regressiva (não sei se são primitivos, mas regressiva não é,
alguém jogue uma luz sobre o assunto)
E) Comercializando - comércio + sufixo 'lizando'
02. Resposta: C
a) Por: compor - dispor - contrapor- recompor - repor.
b) Utiliza-se - o "SE" é uma partícula apassivadora;
c) A palavra dor vem do latim DOLOR, em português seria "sem dor", em latim indolor, o prefixo in em
latim é negação;
. 96
d) Avançado - derivação sufixal;
e) Segundo Pasquale os sufixos são capazes de modificar o significado do radical a que são
acrescentados. No caso de somente, a origem vem de "só", dependendo do contexto, só e somente tem
o mesmo significado. Ex: "eu só quero bananas e maçãs" é a mesma coisa que "eu quero somente
bananas e maçãs"
03. Resposta: C
IN - FELIZ - MENTE
PREFIXO RADICAL SUFIXO
04. Resposta: B
Café - é o radical, chamado de forma livre. Por ter a letra É forte, tônica, ela não cai nas suas
derivações. Portanto, não há vogal temática nem desinência de gênero.
inho - é o sufixo.
Z - letra chamada de consoante de ligação para não ocorrer a junção de vogal com vogal em café +
inho.
05. Resposta: D
Uma questão de vocabulário bem pesada. A ginecologia é realmente a “parte da medicina que estuda
a fisiologia e a patologia do corpo feminino e trata das doenças específicas das mulheres, esp. as do
aparelho genital.” Essa alternativa limita demais o escopo da Ginecologia, quando o sentido também inclui
a fisiologia feminina, o funcionamento do corpo feminino, não só ligado a doenças, mas também está
cada vez mais ligado à aspectos de reprodução também. Contudo, a banca quer o sentido literal e,
sinceramente, as demais opções eram visivelmente equivocadas.
Vejamos as demais:
(A) Antropologia: estudo do homem como raça humana, homens e mulheres.
(B) Etimologia: estudo da origem das palavras.
(C) Meteorologia: estudo dos fenômenos atmosféricos
(E) Fisiologia: estudo das funções orgânicas e os processos vitais dos seres vivos.
06. Resposta: B
(a), (c), (d), (e) apresentam palavras COGNATAS, ou seja, possuem uma origem comum.
Quanto a alternativa (b):
PROVISÃO vem do verbo PROVER, e não PROVIR.
PROVER → Abastercer, providenciar, dispor.
PROVIR → Originar-se de algo.
07. Resposta: B
Dizêssemos; troucéssemos; portãozinhos; quizéreis; puzesse. [ERRADO];
Disséssemos, trouxéssemos, portõezinhos; quiséreis, pusesse; [CORRETO];
08. Resposta: D
IRreverente possui dois significados bem distintos: falta de respeito ou alguém desinibido.
Significado dos prefixos: IN-; IM-; I-: negação; falta.
O sufixo da palavra irreverente, neste caso, denota falta de respeito.
Imigrante: significa aquele que entra num país para nele viver.
Ingerir: pôr no estômago.
Significado do prefixo I-: movimento para dentro.
09. Resposta: D
Trata-se de um neologismo, que é o emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já
existentes, na mesma língua ou não. Atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua.
Sinônimos de complexificar
Tornar problemático: problematizar, piorar, agravar, dificultar, intrincar. Tornar mais difícil, confuso,
complexo: complicar, impedir, perturbar, atravancar, embaraçar, confundir, embrulhar, obscurecer, arrev
esar, emaranhar, encrencar, enrascar.
10. Resposta: A
O verbo está relacionado ao substantivo destino, por isso não apresenta prefixo.
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Em Classes de Palavras, estudaremos artigo, substantivo, adjetivo, numeral, pronome, verbo,
advérbio, preposição, interjeição e conjunção. E dentro de cada uma, abordaremos seu emprego e
quando houver, sua flexão.
Artigo
Artigoé a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, determinando-
o ou generalizando-o. Os artigos podem ser:
Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de um ser já conhecido; denota familiaridade:
“A grande reforma do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do médio.”
Indefinidos: um, uma, uns, umas; Trata-se de um ser desconhecido, dá ao substantivo valor vago:
“...foi chegando um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima)
Usa-se o artigo definido:
- com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados foram punidos.
- com nomes próprios geográficos de estado, país, oceano, montanha, rio, lago: o Brasil, o rio
Amazonas, a Argentina, o oceano Pacífico. Ex.: Conheço o Canadá mas não conheço Brasília.
- depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos os vinte atletas participarão do
campeonato.
- com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais lindas flores da floricultura.
- com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro
é atlético e simpático.
- antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da primavera vem o verão.
- com expressões de peso e medida: O álcool custa um real o litro. (=cada litro)
Não se usa o artigo definido:
- antes de pronomes de tratamento iniciados por possessivos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria.
Ex.: Vossa Alteza estará presente ao debate?
- antes de nomes de meses: O campeonato aconteceu em maio de 2002.
- alguns nomes de países, como Espanha, França, Inglaterra, Itália podem ser construídos sem o
artigo, principalmente quando regidos de preposição. Ex.: “Viveu muito tempo em Espanha.”
- antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos quatro, amigos de João Luís e Laurinha.
- antes de palavras que designam matéria de estudo, empregadas com os verbos: aprender,
estudar, cursar, ensinar. Ex.: Estudo Inglês e Cristiane estuda Francês.
O uso do artigo é facultativo:
- antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência é irritante.
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou Luciana / a Luciana?
- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a frente: exige a preposição)
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao / de + o, a = do, da / em + o, a = no, na /
por + o, a = pelo, pela.
Usa-se o artigo indefinido:
- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns oito anos.
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em pares: Usava umas calças largas e umas
botas longas.
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é uma meiguice só.
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís August é um Rui Barbosa.
O artigo indefinido não é usado:
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, gente, quantidade. Ex.: Reservou para todos
boa parte do lucro.
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente. Ex.: Não há suficiente espaço para todos.
Funções das classes de palavras
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- com substantivo que denota espécie. Ex.: Cão que ladra não morde.
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e em + um, uma = num, numa, dum, duma.
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra transforma-a em substantivo. O ato literário é
o conjunto do ler e do escrever.
Questões
01. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão Contábil - FGV/2018) A frase abaixo em
que o emprego do artigo mostra inadequação é:
(A) Todas as coisas que hoje se creem antiquíssimas já foram novas;
(B) Cuidado com todas as coisas que requeiram roupas novas;
(C) Todos os bons pensamentos estão presentes no mundo, só falta aplicá-los;
(D) Em toda a separação existe uma imagem da morte;
(E) Alegria de amor dura apenas um instante, mas sofrimento de amor dura toda a vida.
02. (IF/AP – Auxiliar em Administração – FUNIVERSA/2016)
Internet: <http://educacaoepraxis.blogspot.com.br>.
No segundo quadrinho, correspondem, respectivamente, a substantivo, pronome, artigo e advérbio:
(A) “guerra”, “o”, “a” e “por que”.
(B) “mundo”, “a”, “o” e “lá”.
(C) “quando”, “por que”, “e” e “lá”.
(D) “por que”, “não”, “a” e “quando”.
(E) “guerra”, “quando”, “a” e “não”.
03. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018)
Nas décadas subsequentes, vários estudos correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores de
risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo, tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam
drasticamente as chances de enfarte.
Com relação à quantidade de artigos no trecho, há
(A) cinco.
(B) três.
(C) quatro.
(D) dois.
04. (Prefeitura Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem - MS Concursos/2017) Considere as
afirmações sobre artigo e numeral e assinale a alternativa correta:
I - Algumas palavras que atendem o substantivo, como um, em “um dia”, podem modificar-lhe o sentido.
Podemos entender a expressão como “um dia qualquer” e também como “um único dia.” Na primeira
situação, a palavra um é artigo; na segunda, um é numeral.
II - Artigo é a palavra que antecede o substantivo, definindo-o ou indefinindo-o. Numeral é a palavra
que expressa quantidade exata de pessoas ou coisas, ou lugar que elas ocupam numa determinada
sequência.
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III - Os numerais classificam-se em: cardinais (designam uma quantidade de seres); ordinais (indicam
série, ordem, posição); multiplicativos (expressam aumento proporcional a um múltiplo da unidade);
fracionários (denotam diminuição proporcional a divisões, frações da unidade).
IV - O numeral pode referir-se a um substantivo ou substituí-lo; no primeiro caso, é numeral substantivo;
no segundo, numeral adjetivo.
(A) Apenas II, III e IV estão corretas.
(B) Apenas I, III e IV estão corretas.
(C) Apenas I, II e III estão corretas.
(D) Apenas I, II e IV estão corretas.
Gabarito
01.D / 02.E / 03.C / 04.C
Comentários
01. Resposta: D
Na altertiva D não deveria existir o "a" entre as palavras, afinal ela não se refere a uma separação
específica, mas qualquer separação, todas separações têm uma imagem de morte.
02. Resposta: E
Substantivo: Sempre PODE vir antecedido de artigo. "A GUERRA..."
Pronome Relativo: Função coesiva, sempre anafórico (retomada de uma informação), referem-se a
um substantivo ou pronome substantivo. " E QUANDO..."
Artigo: é uma palavra que se antepõe ao substantivo, serve para determiná-lo. É variável em gênero e
número.
- Artigo definido: o, a, os, as, esses determinam o substantivo com precisão.
Advérbio: Invariável, refere-se a verbo exprimindo uma circunstância ou modifica o adjetivo ou outro
advérbio. "...NÃO SEI..."
03. Resposta: C
Nas décadas subsequentes, vários estudos correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores
de risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo, tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam
drasticamente as chances de enfarte.
1°) NAS = EM + AS (Preposição + Artigo)
2°) OS = Artigo definido masculino, no plural.
3°) DOS = DE + OS (Preposição + Artigo)
4°) AS = Artigo definido Feminino, no plural.
04. Resposta: C
Quando o numeral acompanha (refere-se a) um substantivo -- Numeral Adjetivo.
Quando substitui -- Numeral Substantivo.
Substantivo
Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pessoas, de lugares, coisas,
entes de natureza espiritual ou mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, respeito, criança.
Classificação
- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.: menina, piano, estrela, rio, animal, árvore.
- Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil, América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia.
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são independentes; reais ou imaginários. Ex.:
mãe, mar, água, anjo, alma, Deus, vento, saci.
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende sempre de um ser para existir. Designam
qualidades, sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, beijo, abraço, juventude,covardia. Ex.: É necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se.
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Formação
- Simples: são aqueles formados por apenas um radical: chuva, tempo, sol, guarda.
- Compostos: são os que são formados por mais de dois radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-
colônia.
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vieram primeiro, deram origem a outras
palavras. Ex.: ferro, Pedro, mês, queijo.
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro,
mesada, requeijão.
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de uma
mesma espécie. Ex.:
Álbum de fotografias Colmeia de abelhas
Alcateia de lobos Concílio de bispos em assembleia
Antologia de textos escolhidos Conclave de cardeais
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas
Reflexão do Substantivo
Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero (masculino/feminino), de número
(plural/singular) e de grau (aumentativo/diminutivo).
Gênero (masculino/feminino)
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca
de o por a, ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra.
Formação do Feminino
O feminino se realiza de três modos:
- Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre, mestra / leão, leoa;
- Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa
/ cônsul, consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora.
- Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca /
carneiro, ovelha / cavalo, égua.
Substantivos Uniformes
- Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. –
jacaré macho ou fêmea / a cobra macho ou fêmea.
- Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam indivíduos dos dois sexos. São
masculinos ou femininos. A indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino: o, a
intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a pianista.
- Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para homem ou a mulher: a criança (menino,
menina) / a testemunha (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher).
Alguns substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gênero:
o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar);
o capital (dinheiro) - a capital (cidade);
o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo);
o guia (acompanhante) - a guia (documentação).
São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o champanha, o soprano, o clã, o alvará, o
sanduíche, o clarinete, o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume,
o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o plasma,
o estigma.
São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe,
a cólera (doença), a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, a sentinela, a sucuri,
a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama, a Xerox, a aguardente.
Número (plural/singular)
Acrescentam-se:
- S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, povos / feira, feiras / série, séries.
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- S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens / abdômen, abdomens / hífen, hífens.
Também: líquenes, abdômenes, hífenes.
- ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns
terminados em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracteres / sênior,
seniores.
- IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal, jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles,
méis. Exceções: mal, males / cônsul, cônsules / real, réis.
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão,
mãos.
Trocam-se:
- ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / mamão, mamões.
- ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães / cão, cães.
- il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / pernil, pernis.
- por eis (paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / projétil, projéteis.
- m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / atum, atuns.
- zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, balões. 2º elimina-se o S + zinhos.
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos.
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos.
Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos.
Alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix,
os ônix / a fênix, as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax.
Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma no plural:
aldeão, aldeões, aldeãos;
verão, verões, verãos;
anão, anões, anãos;
guardião, guardiões, guardiães;
corrimão, corrimãos, corrimões;
ancião, anciões, anciães, anciãos;
ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos.
Metafonia - apresentam o “o” tônico fechado no singular e aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) /
imposto (ô), impostos (ó).
Substantivos que mudam de sentido quando usados no plural: Fez bem a todos (alegria); Houve
separação de bens. (Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram maravilhosas.
(Descanso).
Substantivos empregados somente no plural: Arredores, belas-artes, bodas (ô), condolências,
cócegas, costas, exéquias, férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres, idos,
afazeres, algemas.
Plural dos Substantivos Compostos
Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural:
- palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol = girassóis / autopeça = autopeças.
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas
/ guarda-roupa = guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = vale-refeições.
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-
assinados / recém-nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto-escola = auto-escolas.
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-
corres.
- substantivo composto de três ou mais elementos não ligados por preposição: o bem-me-quer
= os bem-me-queres / o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o fora-da-lei = os fora-
da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém / o ponto-e-vírgula = os ponto e vírgulas / o bumba meu boi
= os bumba meu bois.
. 102
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: grão-duque = grão-duques / grã-cruz =
grã-cruzes / bel-prazer = bel-prazeres.
Somente o primeiro elemento vai para o plural:
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça
= mulas-sem-cabeça / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz.
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de tipo, finalidade: samba-enredo =
sambas-enredo / pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-família / banana-maçã =
bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador)
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver:
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os
bota-fora
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-
e-traz / o vai-e-volta = os vai-e-volta.
Os dois elementos, vão para o plural:
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó
= tias-avós / tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes.
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-
forte = carros-fortes / obra-prima= obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes.
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metragem = curtas-metragens / má-língua =
más-línguas /
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras.
Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for pessoa: guarda-noturno = guardas-
noturnos / guarda-florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha = guardas-
marinha.
Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts /
os Kennedys / os Silvas.
Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / DVDs / ONGs / PMs / Ufirs.
Grau (aumentativo/diminutivo)
Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensidade, exagero ou diminuição. A essas
modificações é que damos o nome de grau do substantivo. Os graus aumentativos e diminutivos são
formados por dois processos:
- Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho;
sufixo inho ou isinho.
- Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enorme, imensa, gigantesca (obra imensa /
lucro enorme / carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras de diminuição (diminuto,
pequeno, minúscula, casa pequena, peça minúscula, saia diminuta).
- Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos exprimem também desprezo, crítica,
indiferença em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha, coisinha,
povinho, livreco.
- Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, Toninho, mãezinha.
- Em consequência do dinamismo da língua, alguns substantivos no grau diminutivo e aumentativo
adquiriram um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário).
- As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica
recebem o sufixo zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba nasal) = irmãozinho;
herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho.
. 103
- As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas consoantes seguidas de vogal recebem o
sufixo inho: país = paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha.
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado,
minicalculadora.
Questões
01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”:
(A) vulcão, abaixo-assinado;
(B) irmão, salário-família;
(C) questão, manga-rosa;
(D) bênção, papel-moeda;
(E) razão, guarda-chuva.
02. Assinale a alternativa em que está correta a formação do plural:
(A) cadáver – cadáveis;
(B) gavião – gaviães;
(C) fuzil – fuzíveis;
(D) mal – maus;
(E) atlas – os atlas.
03. A palavra livro é um substantivo
(A) próprio, concreto, primitivo e simples.
(B) comum, abstrato, derivado e composto.
(C) comum, abstrato, primitivo e simples.
(D) comum, concreto, primitivo e simples.
04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são masculinos:
(A) enigma – idioma – cal;
(B) pianista – presidente – planta;
(C) champanha – dó(pena) – telefonema;
(D) estudante – cal – alface;
(E) edema – diabete – alface.
05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um significado; e no feminino têm outro,
diferente. Marque a alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado:
(A) O capital = dinheiro;
A capital = cidade principal;
(B) O grama = unidade de medida;
A grama = vegetação rasteira;
(C) O rádio = aparelho transmissor;
A rádio = estação geradora;
(D) O cabeça = o chefe;
A cabeça = parte do corpo;
(E) A cura = o médico.
O cura = ato de curar.
Gabarito
01.C / 02.E / 03.D / 04.C / 05.E
Comentários
01. Resposta: C
A palavra “balão” tem seu plural em “ões”.
O plural do vocábulo “caneta-tinteiro” é “canetas-tinteiro”, em que se é pluralizado apenas o primeiro
elemento, já que o segundo determina, indicando a funcionalidade, do primeiro.
Alternativa A: vulcão-vulcões / abaixo-assinado-abaixo-assinados
Alternativa B: irmão irmãos / salário-família salários-família
. 104
Alternativa C (correta): questão questões / manga-rosa mangas-rosa
Alternativa D: bênção bênçãos / papel-moeda papéis-moeda
Alternativa E: razão razões / guarda-chuva guarda-chuvas
02. Resposta: E
Alternativa A: cadáver – cadáveres
Alternativa B: gavião - gaviões
Alternativa C: fuzil - fuzis
Alternativa D: mal – males
Alternativa E: correta
03. Resposta: D
04. Resposta: C
Alternativa A: A cal
Alternativa B: O/A presidente
Alternativa C: correta
Alternativa D: O/A estudante – A cal
Alternativa E: A alface
05. Resposta: E
O cura = sacerdote
Adjetivo
Adjetivo é a palavra variável em gênero, número e grau que modifica um substantivo, atribuindo-lhe
uma qualidade, estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo. Os adjetivos classificam-
se em:
- simples: apresentam um único radical, uma única palavra em sua estrutura: alegre, medroso,
simpático.
- compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas palavras em sua estrutura: estrelas azul-
claras; sapatos marrom-escuros.
- primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a outras palavras: atual, livre, triste, amarelo,
brando.
- derivados: são aqueles formados por derivação, vieram depois dos primitivos: amarelado, ilegal,
infeliz, desconfortável.
- pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-se a cidades, estados, países. Amapá:
amapaense; Amazonas: amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; Angra dos Reis: angrense; Aracajú:
aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano.
Pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-
italiano, sino-japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; nipo-argentina (Japão e
Argentina); teuto-argentinos (alemão).
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor de um adjetivo. É formada por preposição
+ um substantivo. Vejamos algumas locuções adjetivas:
Angelical de anjo Etário de idade
Abdominal de abdômen Fabril de fábrica
Apícola de abelha Filatélico de selos
Aquilino de águia Urbano da cidade
Flexões do Adjetivo
Como palavra variável, sofre flexões de gênero, número e grau:
Gênero
- uniformes: têm forma única para o masculino e o feminino. Funcionário incompetente = funcionária
incompetente.
. 105
- biformes: troca-se a vogal “o” pela vogal “a” ou com o acréscimo da vogal “a” no final da palavra:
ator famoso = atriz famosa / jogador brasileiro = jogadora brasileira.
Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas no segundo elemento: sociedade luso-
brasileira / festa cívico-religiosa / são – sã.
Às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos ou como advérbios: Agia como um ingênuo.
(adjetivo como substantivo: acompanha um artigo). A cerveja que desce redondo. (adjetivo como
advérbio: redondamente).
Número
O plural dos adjetivos simples flexiona de acordo com o substantivo a que se referem: menino chorão
= meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis.
- quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o segundo vai para o plural: questões político-
partidárias, olhos castanho-claros, senadores democrata-cristãos.
- composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se a cores, o adjetivo cor e o substantivo
permanecem invariáveis, não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo (adjetivo azul,
substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo
canário).
- as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, ficam invariáveis: papel cor-de-rosa =
papéis cor-de-rosa / olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel.
- são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegriassem-par, piadas sem-sal.
Grau
O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. O adjetivo apresenta duas
variações de grau: comparativo e superlativo.
O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou
mais qualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de superioridade e de inferioridade:
- de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão alto quão / quanto / como você. (As
duas pessoas têm a mesma altura)
- de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que uma é mais do que a outra: Minha amiga
Manu é mais elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem ser:
Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: O salário é mais pequeno do que /
que justo (salário pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser, podemos
usar as formas: mais grande, mais mau, mais bom, mais pequeno.
Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que
aquela.
- de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos menos passivos do que / que
tolerantes.
O grau superlativo apresenta característica intensificada. Pode ser absoluto ou relativo:
- Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode ser:
Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bastante, extremamente, excepcionalmente
+ adjetivo (Nicola é extremamente simpático).
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo (Minha comadre Mariinha é agradabilíssima).
- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer
(magro) = macérrimo;
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo (pobríssimo);
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabilíssimo;
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo.
. 106
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iíssimo: sério = seriíssimo / necessário =
necessariíssimo / frio = friíssimo.
Usa-se também, no superlativo:
- prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / supersimpática.
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sola / podre de rico / linda de morrer / magro
de dar pena.
- adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda, linda (=lindíssima).
- diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / grandalhão / gostosão / bonitão.
- linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo: chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo.
- Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, com a mesma qualidade. Pode ser:
De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as suas amigas. (Ela é a mais de todas)
De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos.
Questões
01. (COMPESA - Analista de Gestão - Advogado - FGV/2016) A substituição da oração adjetiva por
um adjetivo de valor equivalente está feita de forma inadequada em:
(A) “Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a
verdade”. / restante
(B) “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”. / consciente dos limites da própria
ignorância.
(C) “A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / indiferente
(D) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as pessoas”. / insuportável
(E) “Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos
uns dos outros”. / falecidos
02. (SEPOG/RO - Técnico em Tecnologia da Informação e Comunicação - FGV/2018) Temos uma
notícia triste: o coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não é ali que moram os
sentimentos. Puxa, para que serve ele, afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é
superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de bombear sangue para todas as células de nosso
corpo”, explica Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração.
O coração é um músculo oco, por onde passa o sangue, e tem dois sistemas de bombeamento
independentes. Com essas “bombas” ele recebe o sangue das veias e lança para as artérias. Para isso
contrai e relaxa, diminuindo e aumentando de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente
bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo libera adrenalina, aumentando os
batimentos cardíacos e a pressão arterial”.
(O Estado de São Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6)
Nas frases “ele é superimportante” e “Ele realmente bate mais rápido quando uma pessoa está
apaixonada”, há dois exemplos de variação de grau.
Sobre essas variações, assinale a afirmativa correta.
(A) Apenas na primeira frase há uma variação de grau de adjetivo.
(B) Nas duas ocorrências ocorre o superlativo de adjetivos.
(C) Apenas na segunda ocorrência ocorre o grau comparativo do adjetivo.
(D) Na primeira ocorrência, a variação de grau ocorre por meio de um sufixo.
(E) Apenas na primeira frase há variação de grau.
03. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) O adjetivo ilimitado corresponde à locução “sem
limites”; a locução com igual estrutura que NÃO corresponde ao adjetivo abaixo destacado é:
(A) Os turistas ficaram inertes durante a ação policial / sem ação;
(B) O turista incauto ficou assustado com a ação policial / sem cautela;
(C) O vocalista da banda saiu ileso do acidente / sem ferimento;
(D) O presidente da Coreia passou incógnito pela França / sem ser percebido;
(E) O novo livro do autor estava ainda inédito / sem editor.
. 107
04. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão Contábil - FGV/2018) Na escrita, pode-
se optar frequentemente entre uma construção de substantivo + locução adjetiva ou substantivo + adjetivo
(esportes da água = esportes aquáticos).
O termo abaixo sublinhado que NÃO pode ser substituído por um adjetivo é:
(A) A indústria causou a poluição do rio;
(B) As águas do rio ficaram poluídas;
(C) As margens do rio estão cheias de lama;
(D) Os turistas se encantam com a imagem do rio;
(E) Os peixes do rio são bem saborosos.
05. (Pref. Paulínia/SP - Engenheiro Agrônomo - FGV/2016) “O povo, ingênuo e sem fé das verdades,
quer ao menos crer na fábula, e pouco apreço dá às demonstrações científicas.” (Machado de Assis)
No fragmento acima, os dois adjetivos sublinhados possuem, respectivamente, os valores de
(A) qualidade e estado.
(B) estado e relação.
(C) relação e característica.
(D) característica e qualidade.
(E) qualidade e relação.
Gabarito
01.C / 02.A / 03.E / 04.A / 05.E
Comentários
01. Resposta: C
"A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / indiferente
Que vem sem esforço = fácil
02. Resposta: A
“ele é superimportante” - variação de grau superlativo através do uso do prefixo SUPER
“Ele realmente bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada” - mais rápido nessa frase é um
advérbio, podemos substituir por rapidamente (Ele realmente bate rapidamente quando uma pessoa está
apaixonada), por isso não há variação. Lembrar que advérbio é invariável.
03. Resposta: E
Questão direta: “inédito” significa “não publicado, não visto, não apresentado”. Não tem relação alguma
com “ausência de editor”. Nas demais opções, a locução substitui adequadamente o adjetivo.
04. Resposta: A
A - Complemento nominal (Indica uma ação passiva - O rio foi poluído)
B - Adjunto adnominal (Indica valor de posse)
C - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse)
D - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse)
E - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse)
05. Resposta: E
Qualidade - necessita que se faça uma análise subjetiva da questão, não é uma característica física
por exemplo;
Relação - Um adjetivo de relação (ou relacional) é aquele que é derivado de um substantivo por
derivação sufixal e não varia em grau. - de Ciências ficou científicas;
Numeral
Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série, multiplicação e divisão. Daí a sua
classificação, respectivamente, em:. 108
- Cardinal - indica número, quantidade: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze,
doze, treze, catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, vinte..., trinta..., cem..., duzentos..., oitocentos...,
novecentos..., mil.
- Ordinal - indica ordem ou posição: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo,
nono, décimo, décimo primeiro, vigésimo..., trigésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo...,
septingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo.
- Fracionário - indica uma fração ou divisão: meia, metade, terço, quarto, décimo, onze avos, doze
avos, vinte avos..., trinta avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., milésimo.
- Multiplicativo - indica a multiplicação de um número: dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo,
sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo.
Os numerais que indicam conjunto de elementos de quantidade exata são os coletivos:
BIMESTRE: período de dois meses
CENTENÁRIO: período de cem anos
DECÁLOGO: conjunto de dez leis
DECÚRIA: período de dez anos
DEZENA: conjunto de dez coisas
LUSTRO: período de cinco anos
MILÊNIO: período de mil anos
MILHAR: conjunto de mil coisas
NOVENA: período de nove dias
QUARENTENA: período de quarenta dias
QUINQUÊNIO: período de cinco anos
RESMA: quinhentas folhas de papel
SEMESTRE: período de seis meses
TRIÊNIO: período de três anos
TRINCA: conjunto de três coisas
Algarismos
Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV, 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-
XII, 13-XIII, 14-XIV, 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40-XL, 50-L, 60-LX, 70-
LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300-CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800-DCCC, 900-
CM, 1.000-M.
Flexão dos Numerais
Gênero
- os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de duzentos apresentam flexão de gênero:
Um menino e uma menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de presunto e duzentas
rosquinhas.
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a nona colocada no vestibular.
- os numerais multiplicativos, quando usados com o valor de substantivos, são variáveis: A minha nota
é o triplo da sua. (Triplo – valor de substantivo)
- quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na
loto fácil. (Triplas valor de adjetivo)
- os numerais fracionários concordam com os cardinais que indicam o número das partes: Dois terços
dos alunos foram contemplados.
- o fracionário meio concorda em gênero e número com o substantivo no qual se refere: O início do
concurso será meio-dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras.
Número
- os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, variam em número: Venderam um milhão de
ingressos para a festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros.
- os numerais ordinais variam em número: As segundas colocadas disputarão o campeonato.
- os numerais multiplicativos são invariáveis quando usados com valor de substantivo: Minha dívida é
o dobro da sua. (Valor de substantivo – invariável)
- os numerais multiplicativos variam quando usados como adjetivos: Fizemos duas apostas triplas.
(Valor de adjetivo – variável)
. 109
- os numerais fracionários variam em número, concordando com os cardinais que indicam números
das partes.
- Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos equivalem a 750 ml.
Grau
Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele
quarentão é um “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola.
Emprego dos Numerais
- para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na poesia épica), empregam-se: os ordinais até
décimo: João Paulo II (segundo), Canto X (décimo), Luís IX (nono); os cardinais para os demais: Papa
Bento XVI (dezesseis), Século XXI (vinte e um).
- se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal. O XX século foi de descobertas científicas.
(vigésimo século)
- com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral ordinal: O pagamento do pessoal será
sempre no dia primeiro.
- na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares, portarias e outros textos oficiais, emprega-se o
numeral ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª (portaria oitava); emprega-se o
numeral cardinal, a partir de dez: O artigo 16 não foi justificado. (artigo dezesseis)
- enumeração de casa, páginas, folhas, textos, apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o
numeral cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está na página sessenta e cinco.
- se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte.
(sétima)
- não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos reais é muito para mim.
- o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão, milhar e bilhão, devem concordar no masculino:
- emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada unidade após o numeral que a indica, sem
espaço ou ponto: 10h20min – dez horas, vinte minutos.
Questões
01. Marque o emprego incorreto do numeral:
(A) século III (três)
(B) página 102 (cento e dois)
(C) 80º (octogésimo)
(D) capítulo XI (onze)
(E) X tomo (décimo)
02. Indique o item em que os numerais estão corretamente empregados:
(A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro.
(B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez.
(C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro.
(D) antes do artigo décimo vem o artigo nono.
(E) o artigo vigésimo segundo foi revogado.
03. (Pref. Chapecó/SC - Procurador Municipal - IOBV/2016) Quanto à classificação dos numerais,
os que indicam o aumento proporcional de quantidade, podendo ter valor de adjetivo ou substantivo são
os numerais:
(A) Multiplicativos.
(B) Ordinais.
(C) Cardinais.
(D) Fracionários.
04. (Pref. Barra de Guabiraba/PE - IDHTEC/2016) Assinale a alternativa em que o numeral está
escrito por extenso corretamente, de acordo com a sua aplicação na frase:
(A) Os moradores do bairro Matão, em Sumaré (SP), temem que suas casas desabem após uma
cratera se abrir na Avenida Papa Pio X. (décima)
(B) O acidente ocorreu nessa terça-feira, na BR-401 (quatrocentas e uma)
(C) A 22ª edição do Guia impresso traz uma matéria e teve a sua página Classitêxtil reformulada.
(vigésima segunda)
. 110
(D) Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil. (centésimo setésimo primeiro)
(E) A Semana de Arte Moderna aconteceu no início do século XX. (século ducentésimo)
05. (MPE/SP - Oficial de Promotoria I - VUNESP/2016)
O SBT fará uma homenagem digna da história de seu proprietário e principal apresentador: no próximo
dia 12 [12.12.2015] colocará no ar um especial com 2h30 de duração em homenagem a Silvio Santos. É
o dia de seu aniversário de 85 anos.
(http://tvefamosos.uol.com.br/noticias)
As informações textuais permitem afirmar que, em 12.12.2015, Sílvio Santos completou seu
(A) octogenário quinquagésimo aniversário.
(B) octogésimo quinto aniversário.
(C) octingentésimo quinto aniversário.
(D) otogésimo quinto aniversário.
(E) oitavo quinto aniversário.
Gabarito
01.A / 02.B / 03.A / 04.C / 05.B
Comentários
01. Resposta: A
O numeral quando for usado para designar Papas, reis, séculos, capítulos etc., usam-se: Os ordinais
de 1 a 10; Os cardinais de 11 em diante.
Logo, a letra A está incorreta por estar grafado século três, quando o correto é século terceiro.
02. Resposta: B
Está corretamente grafado parágrafo nono e parágrafo dez na alternativa B, pois os numerais ordinais
são de 1 a 09. De 10 em diante usamos os cardinais.
03. Resposta: A
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
foi aumentada. Por exemplo: dobro, triplo, quíntuplo,etc.
Numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas:
Por exemplo:
Fizeram o dobro do esforço e conseguiram o triplo de produção.
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número:
Por exemplo:
Teve de tomar doses triplas do medicamento.
04. Resposta: C
Sempre que um numeral preceder um substantivo, usa-se como ordinal.
Exemplo:
XX Festa do Morango (Vigésima).
No caso de designação de reis, papas, capítulos de obras, os ordinais são usados de 1 até 10. A partir
de então, são usados os cardinais.
Exemplos:
João Paulo II (segundo);
João XXIII (vinte e Três).
05. Resposta: B
Alguns exemplos:
30.º – trigésimo;
40.º – quadragésimo;
50.º – quinquagésimo;
60.º – sexagésimo;
. 111
70.º – septuagésimo ou setuagésimo;
80.º – octogésimo;
90.º – nonagésimo;
100.º – centésimo;
200.º – ducentésimo;
300.º - trecentésimo ou tricentésimo.
Pronome
Pronome é a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionando-o a uma das três pessoas do
discurso. As três pessoas do discurso são:
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor;
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala ou receptor;
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de quem se fala ou referente.
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos.
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais dividem-se em:
- Retos - exercem a função de sujeito da oração.
- Oblíquos - exercem a função de complemento do verbo (objeto direto / objeto indireto). São: tônicos
com preposição ou átonos sem preposição.
Pessoas do
Discurso
Retos Oblíquos
Átonos Tônicos
Singular 1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
eu
tu
ele/ela
me
te
se, o, a, lhe
mim, comigo
ti, contigo
si, ele, consigo
Plural 1ª pessoa
2ª pessoa
3ª pessoa
nós
vós
eles/elas
nos
vos
se, os, as, lhes
nós, conosco
vós, convosco
si, eles, consigo
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa, apresentam sempre a forma: o, a,
os, as: Eu os vi saindo do teatro.
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os pronomes pessoais do caso reto: Eu vi só ele
ontem.
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa apresentam as formas:
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente.
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo,
consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. (= pagá-lo); Fiz os exercícios a
lápis. (= Fi-los a lápis)
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a prova do suborno. (= Ei-la); O tempo nos dirá.
(= no-lo dirá). (eis, nos, vos perdem o S)
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos
sobre a mesa.
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, terminado em S não modificado: Nós
entregamoS-lhe a cópia do contrato. (o S permanece)
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café
rápido.
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo,
equivalendo a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele, dela
possessivo)
Os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome de pronomes recíprocos quando
expressam uma ação mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco, nós
mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos)
- Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos por mim e ti após preposição: O segredo
ficará somente entre mim e ti.
. 112
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, quando funcionarem como sujeito: Todos
pediram para eu relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo). Lembre-se de que
mim não fala, não escreve, não compra, não anda.
- As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas como complemento de verbos transitivos
diretos ao passo que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos transitivos
indiretos: Dona Cecília, querida amiga, chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI)
- É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a gente, substituindo o pronome pessoal
nós: A gente deve fazer caridade com os mais necessitados.
- Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes que se referem ao sujeito: Eu me feri com
o canivete. (eu- 1ª pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo)
- Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser empregados somente como pronomes
pessoais reflexivos e funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito é também
da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares.
(Nicole- sujeito, 3ª pessoa / levantou- verbo, 3ª pessoa / se- complemento, 3ª pessoa / levou- verbo, 3ª
pessoa / consigo- complemento, 3ª pessoa).
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de Objeto Indireto) juntam-se a o, a, os, as
(formas de Objeto Direto), assim:
me+o (mo). Ex.: Recebi a carta e agradeci ao jovem, que ma trouxe.
nos+o (no-lo). Ex.: Venderíamos a casa, se no-la exigissem.
te+o: (to). Ex.: Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos.
lhe+o: (lho). Ex.: Ofereci-lhe flores. Ofereci-lhas.
vos+o: (vo-lo). E.: Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo.
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, no-lo, vo-lo), são usadas somente em
escritores mais sofisticados.
Pronomes de Tratamento
São usados no trato com as pessoas. Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo,
idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso.
Vossa Alteza - V.A. - príncipes, duques;
Vossa Eminência - V.Ema - cardeais;
Vossa Excelência - V.Ex.a - altas autoridades, presidente, oficiais;
Vossa Magnificência - V.Mag.a - reitores de universidades;
Vossa Majestade - V.M. - reis, imperadores;
Vossa Santidade - V.S. - Papa;
Vossa Senhoria -V.Sa - tratamento cerimonioso.
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a senhorita, dona, você.
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fechos:
Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para o presidente da República.
Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior.
- A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando se fala com a própria pessoa: Vossa
Senhoria não compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
- A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o
cardeal, viajou para um congresso. (falando a respeito do cardeal)
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Excelência, Eminência, Majestade),
embora indiquem a 2ª pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam usados
na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o apoiarão.
Pronomes Possessivos
São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas da fala.
. 113
Masculino Feminino
Singular Plural Singular Plural
meu meus minha minhas
teu teus tua tuas
seu seus sua suas
nosso nossos nossa nossas
vosso vossos vossa vossas
seu seus sua suas
Emprego dos Pronomes Possessivos
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. Ex.:
João Luís disse que Laurinha estava trabalhando em seu consultório. O pronome seu toma o sentido
ambíguo, pois pode referir-se tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No caso, usa-se o
pronome dele, dela para desfazera ambiguidade.
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo
devem ter seus trinta anos.
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ricardo, pode entrar!, não tem valor
possessivo, pois é uma alteração fonética da palavra senhor.
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo. Ex.: Trouxe-me
seus livros e anotações.
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos.
Vou seguir-lhe os passos. (os seus passos)
- Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do
teu aniversário, apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua
felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.”
- Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se trata de parte do corpo. Ex.: Um
cavaleiro todo vestido de negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua, mão.
(usa-se: no ombro; na mão)
Pronomes Demonstrativos
Indicam a posição dos seres designados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço
ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.
Pronomes Espaço Tempo Ao dito Enumeração
este, esta,
isto, estes,
estas
Perto de quem
fala (1ª pessoa).
Presente Referente aquilo que
ainda não foi dito.
Referente ao último
elemento citado em uma
enumeração.
Ex.: Não gostei
deste livro aqui.
Ex.: Neste ano,
tenho realizado
bons negócios.
Ex.: Esta afirmação
me deixou surpresa:
gostava de química.
Ex.: O homem e a
mulher são massacrados
pela cultura atual, mas
esta é mais oprimida.
esse, essa,
esses,
essas
Perto de quem
ouve (2ª pessoa).
Passado ou futuro
próximos
Referente aquilo que
já foi dito.
Ex.: Não gostei
desse livro que
está em tuas
mãos.
Ex.: Nesse último
ano, realizei bons
negócios
Ex.: Gostava de
química. Essa
afirmação me deixou
surpresa
aquele,
aquela,
aquilo,
aqueles,
aquelas
Perto da 3ª
pessoa, distante
dos
interlocutores.
Passado ou futuro
remotos
Referente ao primeiro
elemento citado em uma
enumeração.
Ex.: Não gostei
daquele livro que
a Roberta trouxe.
Ex.: Tenho boas
recordações de
1960, pois naquele
ano realizei bons
negócios.
Ex.: O homem e a
mulher são massacrados
pela cultura atual, mas
esta é mais oprimida que
aquele.
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e variações) para o elemento que foi referido
em 1º Iugar e este (e variações) para o que foi referido em último lugar. Ex.: Pais e mães vieram à festa
de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas, elegantes e risonhas.
- dependendo do contexto os demonstrativos também servem como palavras de função intensificadora
ou depreciativa. Ex.: Júlia fez o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não se
preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa)
. 114
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então ou nesse momento. Ex.: A festa estava
desanimada; nisso, a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança.
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um elemento anteriormente expresso. Ex.:
Ninguém ligou para o incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo.
Pronomes Indefinidos
São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém
disse que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em gênero e número;
outros são invariáveis.
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, um, bastante,
qualquer.
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, nada, cada, mais, menos, demais.
Emprego dos Pronomes Indefinidos
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um substantivo ou numeral, nunca sozinho:
Ganharam cem dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.)
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos quando colocados antes dos substantivos,
e adjetivos quando colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. (antes do
substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (depois do substantivo=adjetivo).
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a qualquer: Todo ser nasce chorando.
(=qualquer ser; indetermina, generaliza).
- Outrem significa outra pessoa. Ex.: Nunca se sabe o pensamento de outrem.
- Qualquer, plural quaisquer. Ex.: Fazemos quaisquer negócios.
Locuções Pronominais Indefinidas: são locuções pronominais indefinidas duas ou mais palavras
que equivalem ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem for / qualquer
um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo).
Pronomes Relativos
São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior.
Essa palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro que é movido a álcool e à
gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso
a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por o, a, os, as, qual / quais.
Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e invariáveis.
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos;
Invariáveis: que, quem, quando, como, onde.
Emprego dos Pronomes Relativos
- O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relativo universal. Ele pode ser empregado com
referência à pessoa ou coisa, no plural ou no singular. Ex.: Este é o CD novo que acabei de comprar;
João Adolfo é o cara que pedi a Deus.
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome demonstrativo o, a, os, as. Ex.: Não entendi
o que você quis dizer. (o que = aquilo que).
- O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido de preposição. Ex.: Marco Aurélio é o
advogado a quem eu me referi.
- O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, de quem e estabelecem relação de posse
entre o antecedente e o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos)
- O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, explícito; é classificado, portanto, como relativo
indefinido, e não vem precedido de preposição. Ex.: Quem casa quer casa; Feliz o homem cujo objetivo
é a honestidade; Estas são as pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer.
- Só se usa o relativo cujo quando o consequente é diferente do antecedente. Ex.: O escritor cujo livro
te falei é paulista.
- O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois de si.
- O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em que, no qual. Ex.: Desconheço o lugar
onde vende tudo mais barato. (= lugar em que)
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados depois de tudo, todos, tanto. Ex.: Naquele
momento, a querida comadre Naldete, falou tudo quanto sabia.
. 115
Pronomes Interrogativos
São os pronomes em frases interrogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são: que,
quem, qual, quanto:
- Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa direta, COM o ponto de interrogação)
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (interrogativa indireta, SEM a interrogação)
Questões
01. (CRP 2º Região/PE - Psicólogo Orientador - Fiscal - Quadrix/2018)
Em "Mas ele não tinha muitas chances", as palavras classificam-se, morfologicamente, na ordem em
que aparecem, como
(A) preposição, pronome, advérbio, ação, nome e adjetivo.
(B) conjunção, pronome, advérbio, verbo, pronome e substantivo.
(C) interjeição, pronome, nome, verbo, artigo e adjetivo.
(D) conector, nome, adjetivo, verbo, pronome e nome.
(E) conjunção, substantivo, advérbio, verbo, advérbio e adjetivo.
02. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016) O emprego do pronome relativo está de
acordo com as normas da língua-padrão em:
(A)Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto por ele.
(B) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho direito.
(C) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator apresentou ontem.
(D) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros nos orgulhamos.
(E) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram muita sordidez.
03. (Eletrobras/Eletrosul - Técnico de Segurança do Trabalho - FCC/2016)
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a energia solar
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo. Sessenta e três graus ou até mais no
verão. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores
usinas de energia solar do mundo.
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas renováveis. Não vão substituir o petróleo,
que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e poluir menos.
Uma aposta no futuro.
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do papel a cidade sustentável de Masdar. Dez
por cento do planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. Lá só
se anda a pé ou de bicicleta. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É
perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o calor. E a direção dos ventos foi estudada
para criar corredores de brisa.
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a energia solar”. Disponível em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-
dhabi-constroi-cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html)
Considere as seguintes passagens do texto:
I. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas
de energia solar do mundo. (1º parágrafo)
II. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. (2º parágrafo)
III. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. (3º parágrafo)
IV. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. (3º parágrafo)
. 116
O termo “que” é pronome e pode ser substituído por “o qual” APENAS em
(A) I e II.
(B) II e III.
(C) I, II e IV.
(D) I e IV.
(E) III e IV.
04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo - IDHTEC/2016)
O emprego do pronome “aquela” na charge:
(A) Dá uma conotação irônica à frase.
(B) Representa uma forma indireta de se dirigir ao casal.
(C) Permite situar no espaço aquilo a que se refere.
(D) Indica posse do falante.
(E) Evita a repetição do verbo.
05. (Pref. Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE/2016) Analise a frase abaixo:
“O professor discutiu............mesmos a respeito da desavença entre .........e ........ .
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
(A) com nós - eu - ti
(B) conosco - eu - tu
(C) conosco - mim - ti
(D) conosco - mim - tu
(E) com nós - mim - ti
Gabarito
01.B / 02.C / 03.B / 04.C / 05.E
Comentários
01. Resposta: B
Mas → Conjunção
Ele → Pronome pessoal
Não → Advérbio
Tinha → Verbo
Muitas → Pronome indefinido
Chances → Substantivo
02. Resposta: C
a) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto por ele.
Quem luta, luta por algo.
Forma correta: Finalmente aprovaram o decreto pelo qual lutamos tanto.
b) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho direito.
Tem direito a algo.
Forma correta: Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo a que tenho direito.
. 117
c) (GABARITO) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator apresentou ontem.
Apresentar: VTD.
d) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros nos orgulhamos.
Orgulhar de algo ou de alguém.
Forma correta: Existe um escritor brasileiro do qual todos os brasileiros nos orgulhamos.
e) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram muita sordidez.
Onde é usado para substituir termos que contenham a noção de lugar. Nesse caso não deveria ser
usado onde e sim as quais, concordando com traições.
Forma correta: Na política, às vezes acontecem traições as quais mostram muita sordidez.
03. Resposta: B
QUE = o qual(s) a qual(s), é pronome relativo.
I. E foi justamente por causa da temperatura O QUAL foi construída... (errado, a temperatura A qual)
II. Não vão substituir o petróleo, O QUAL eles têm de sobra... (certo, o petróleo tem de sobra, o qual)
III. Um traçado urbanístico ousado, O QUAL deixa os carros... (certo, o traçado deixa os carros, o qual)
IV. As ruas são bem estreitas para ISSO.... (Conjunção integrante).
04. Resposta: C
“O pronome demonstrativo é utilizado em três situações. Pode se referir a espaço, ideias ou
elementos”.
Exemplos de pronomes demonstrativos:
Primeira pessoa: este, estes, estas (variáveis); isto (invariável).
Segunda pessoa: esse, essa, esses, essas (variáveis); isso (invariável).
Terceira pessoa: aquele, aquela, aquelas (variáveis); aquilo (invariável).
05. Resposta: E
Os pronomes conosco e convosco devem ser substituídos por com nós e com vós,
respectivamente, quando aparecem seguidos de palavras enfáticas como mesmos, próprios, todos,
outros, ambos, ou de numeral:
O diretor implicou com nós dois.
Senhores deputados, quero falar com vós mesmos.
O pronome regido pela preposição entre deve aparecer na forma oblíqua. Assim, é correto dizer entre
mim e ele, entre ela e ti, entre mim e ti. Os pronomes pessoais do caso oblíquo funcionam como
complementos: Isso não convém a mim, Foram embora sem ti, Olhou para mim. Os pronomes pessoais
do caso reto exercem a função de sujeito na oração. Dessa forma, os pronomes eu e tu estão
empregados corretamente nos seguintes casos: Pediu que eu fizesse as compras, Saberão só quando tu
partires, Trouxeram o documento para eu assinar.
Locução Verbal
Uma locução verbal19 é a combinação de um verbo auxiliar e um verbo principal. Esses dois verbos,
aparecendo juntos na oração, transmitem apenas uma ação verbal, desempenhando o papel de um único
verbo. Exemplo:
- estive pensando
- quero sair
- pode ocorrer
- tem investigado
- tinha decidido
Função dos verbos auxiliares nas locuções verbais
Apenas o verbo auxiliar é flexionado. Verbo auxiliar é o que perdendo significado próprio, é utilizado
para auxiliar na conjugação de outro, o verbo principal. Assim, o tempo, o modo, o número, a pessoa e o
aspecto da ação verbal são indicados pelo verbo auxiliar.
19 https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/
. 118
Os auxiliares mais comuns são: “Ter, Haver, Ser e Estar”. Contudo, outros verbos também atuam como
verbos auxiliares nas locuções verbais, como os verbos poder, dever, querer, começar a, deixar de, voltar
a, continuar a, entre outros.
Função dos verbos principais nas locuções verbais
Nas locuções verbais o verbo auxiliar aparece conjugado e o principal numa das formas nominais:
no gerúndio, no infinitivo ou no particípio.
Locução verbal com verbo principal no gerúndio
Ex.: Estou escrevendo
verbo auxiliar flexionado: estou
verbo principal no gerúndio: escrevendo
Locução verbal com verbo principal no infinitivo
Ex.: Quero sair
verbo auxiliar flexionado: quero
verbo principal no infinitivo: sair
Locução verbal com verbo principal no particípio
Ex.: Tinha decidido
verbo auxiliar flexionado: tinha
verbo principal no particípio: decidido
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo principal, os verbos auxiliares apenas
indicam flexões de tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais, os auxiliares não
teriam sentido algum.
Questões
01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017)
Assinale a alternativa que contém uma locução verbal extraída do cartum.
(A) Não terão.
(B) Como andar.
(C) Vai chegar.
(D) Todos terão.
02. (CRQ 4ª REGIÃO/SP - Fiscal - QUADRIX)
. 119
Qual forma verbal substituiria, sem causar alteração de sentido, a locuçãoverbal "vou ter", que aparece
no primeiro quadrinho?
(A) "terei".
(B) "teria".
(C) "tivera".
(D) "tenha".
(E) "tinha".
03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto
formado por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último sempre em forma nominal. Nas frases a
seguir as formas verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção de uma. Assinale‐a.
(A) Todos podem entrar assim que chegarem.
(B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou atendê‐los.
(C) Deixem entrar todos os atrasados.
(D) Elas não sabem cozinhar como antigamente.
(E) A plantação foi‐se expandindo para os lados
Gabarito
01.C / 02.A / 03.C
Comentários
01. Resposta: C
“Vai” o verbo está no presente, “Andar” o verbo está no infinito. Temos um verbo auxiliar e outro
principal. Assim, constitui uma locução verbal.
02. Resposta: A
O verbo “terei” está conjugado no presente do indicativo, indicando uma ação que será realizada,
estabelecendo sentido na frase, em razão se fosse substituído pela locução verbal “vou ter”.
03. Resposta: C
Alguns verbos em Língua Portuguesa não formam locuções verbais: deixar, fazer, mandar, ver, ouvir,
sentir.
Advérbio
Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou cedo), um outro advérbio (Falou muito
bem), um adjetivo (Estava muito bonita).
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser de:
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo,
diariamente, depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora.
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, algures (=em algum lugar), aquém, alhures
(= em outro lugar), dentro, defronte, fora, longe, perto.
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), devagar, mal, melhor, pior, e a maior parte dos
advérbios que termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente.
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, realmente, sim, seguramente.
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum, nem, não, tampouco (=também não).
Intensidade: apenas, assaz, bastante, bem, demais, mais, meio, menos, muito, quase, quanto, tão,
tanto, pouco.
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, possivelmente, talvez.
Locuçoes Adverbiais: são duas ou mais palavras que têm o valor de advérbio: às cegas, às claras,
às toa, às pressas, às escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, de cor, de
improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando,
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, por ali, a distância.
- De repente o dia se fez noite.
- Por um triz eu não me denunciei.
. 120
- Sem dúvida você é o melhor.
Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são palavras invariáveis, mas alguns admitem
a flexão de grau: comparativo e superlativo.
Comparativo de:
Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz quanto / como você.
Superioridade - Analítico: mais do que. Ex.: Raquel é mais elegante do que eu.
- Sintético: melhor, pior que. Ex.: Amanhã será melhor do que hoje.
Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.
Superlativo Absoluto:
Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-se muito mal.
Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo.
Emprego do Advérbio
- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo dando aos advérbios o
valor de superlativo sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, rapidinho (bem
rápido). Exs.: Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da universidade.
- Frequentemente empregamos adjetivos com valor de advérbio: A cerveja que desce redondo.
(redondamente)
- Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai para o plural; equivale a muito / a: Aquelas
jovens são bastante simpáticas e gentis.
- Bastante - antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para o plural, equivale a muitos / as: Contei
bastantes estrelas no céu.
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a
casa, encontrei-a de mau humor.
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Ficamos mais bem informados depois do
noticiário notumo.
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se fazem professores como antigamente.
(=não se fazem mais)
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particípio permanece no masculino plural: Minha
irmã Zuleide emagrecia a olhos vistos.
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no último permanece mente: Educada e
pacientemente, falei a todos.
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superlativo: Levantei cedo, cedo.
Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes a advérbios e que não possuem
classificação especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas de
denotativas e exprimem:
Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem. Ex.: Ainda bem que você veio.
Designação, Indicação: eis. Ex.: Eis aqui o herói da turma.
Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, sequer: Ex.: Não me disse sequer uma palavra
de amor.
Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, de mais a mais. Ex.: Também há flores
no céu.
Limitação: só, apenas, somente, unicamente. Ex.: Só Deus é perfeito.
Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo. Ex.: Sei lá o que ele quis dizer!
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes. Ex.: Irei à Bahia na próxima semana, ou melhor, no
próximo mês.
Explicação: por exemplo, a saber. Ex.: Você, por exemplo, tem bom caráter.
Questões
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
(A) Só quero meio quilo.
(B) Achei-o meio triste.
(C) Descobri o meio de acertar.
(D) Parou no meio da rua.
. 121
(E) Comprou um metro e meio.
02. Só não há advérbio em:
(A) Não o quero.
(B) Ali está o material.
(C) Tudo está correto.
(D) Talvez ele fale.
(E) Já cheguei.
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo?
(A) Realmente ela errou.
(B) Antigamente era mais pacato o mundo.
(C) Lá está teu primo.
(D) Ela fala bem.
(E) Estava bem cansado.
04. Classifique a locução adverbial que aparece em "Machucou-se com a lâmina".
(A) modo
(B) instrumento
(C) causa
(D) concessão
(E) fim
05. (PC/SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2018) Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco
certas seitas – as ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por discípulos ferrenhos, mas
suas instituições parecem não responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o autor
das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las.
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento. Como a
tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a psicanálise.
Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele
chegou a afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas do qual podemos esperar
as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que respostas ela dará, em poucos
decêndios, aos problemas que formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício
de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias.
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado)
Nos trechos – … Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui… – ; – … nunca se apaixonou
por suas ideias… – ; – A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas… – e –
Provavelmente, é sua frase menos citada. –, os advérbios destacados expressam, correta e
respectivamente, circunstância de:
(A) lugar; tempo; modo; afirmação.
(B) lugar; tempo; afirmação;dúvida.
(C) lugar; negação; modo; intensidade.
(D) afirmação; negação; afirmação; afirmação.
(E) afirmação; negação; modo; dúvida.
Gabarito
01.B / 02.C / 03.D / 04.B / 05.B
Comentários
01. Resposta: B
Alternativa A: meio quilo = quantidade
Alternativa B (correta): meio triste = advérbio de intensidade
Alternativa C: descobri o meio = jeito, maneira
Alternativa D: meio da rua = metade
Alternativa E: um metro e meio = quantidade
. 122
02. Reposta: C
Alternativa A: Não – advérbio de negação
Alternativa B: Ali – advérbio de lugar
Alternativa D:Talvez – advérvio de dúvida
Alternativa E: Já – advérbio de tempo
03. Resposta: D
Alternativa A: Realmente – advérbio de afirmação
Alternativa B: Antigamente – advérbio de tempo
Alternativa C: Lá – advérbio de lugar
Alternativa D (correta): Bem – advérbio de modo / modifica a maneiro com que ela fala.
Alternativa E: Bem- advérbio de intensidade
04. Resposta: B
“Com a lâmina” = instrumento
05. Resposta: B
aqui - lugar.
nunca - tempo.
realmente - afirmação.
provavelmente - dúvida.
Preposição
Preposição é a palavra invariável que liga um termo dependente a um termo principal, estabelecendo
uma relação entre ambos. As preposições podem ser: essenciais ou acidentais.
As preposições essenciais atuam exclusivamente como preposições. São: a, ante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exs.: Não dê atenção a fofocas;
Perante todos disse, sim.
As preposições acidentais são palavras de outras classes que atuam eventualmente como
preposições. São: como (=na qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto, mediante,
salvo, visto, segundo, senão, tirante. Ex.: Agia conforme sua vontade. (= de acordo com)
- O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um substantivo, é flexionado: a casa, as casas,
a árvore, as árvores, a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e não estabelece
concordância com o substantivo. Ex.: Fiz todo o percurso a pé. (não há concordância com o substantivo
masculino pé)
- As preposições essenciais são sempre seguidas dos pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de
mim rapidamente. Não vá sem mim.
Locuções Prepositivas: é o conjunto de duas ou mais palavras que têm o valor de uma preposição.
A última palavra é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de,
a respeito de, de acordo com, dentro de, embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a,
junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás de, a fim de, além de, antes de, a par de,
a partir de, apesar de, através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de, (=no lugar de), ao
invés de (=ao contrário de), para com, até a.
- Não confunda locução prepositiva com locução adverbial. Na locução adverbial, nunca há uma
preposição no final, e sim no começo: Vimos de perto o fenômeno do “tsunami”. (locução adverbial); O
acidente ocorreu perto de meu atelier. (locução prepositiva)
- Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com outra preposição: Abola passou por entre as
pernas do goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até 18 anos; Financiamento em
até 24 meses.
Combinações e Contrações
Combinação: ocorre quando não há perda de fonemas: a+o, os= ao, aos / a+onde = aonde.
Contração: ocorre quando a preposição perde fonemas: de+a, o, as, os, esta, este, isto = da, do, das,
dos, desta, deste, disto.
. 123
- em+ um, uma, uns, umas, isto, isso, aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas = num, numa, nuns,
numas, nisto, nisso, naquilo, naquele, naquela, naqueles.
- de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele, daquela, daquilo.
- para+ a = pra.
A contração da preposição a com os artigos ou pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo
recebe o nome de crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: à, às, àquele, àquela,
àquilo.
Valores das Preposições
A
(movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Anos Dourados.
Modo: Partiu às pressas.
Tempo: Iremos nos ver ao entardecer.
Apreposição a indica deslocamento rápido: Vamos à praia. (ideia de passear)
Ante
(diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a emoção.
Tempo (substituída por antes de): Preciso chegar ao encontro antes das quatro horas.
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num choro arrependido.
Até
(aproximação): Correu até mim.
Tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a semana que vem.
Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será palavra de inclusão e não preposição. Os
sonhadores amam até quem os despreza. (inclusive)
Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade; deve-se rir com alguém.
Causa: A cidade foi destruída com o temporal.
Instrumento: Feriu-se com as próprias armas.
Modo: Marfinha, minha comadre, veste-se sempre com elegância.
Contra
(oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do tribunal.
Direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu.
De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos.
Lugar: Os corruptos vieram da capital.
Causa: O bebê chorava de fome.
Posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu.
Assunto: Falávamos do casamento da Mariele.
Matéria: Era uma casa de sapé.
A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que precede o sujeito de um verbo. É tempo de os
alunos estudarem. (e não: dos alunos estudarem)
Desde
(afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem desde São Paulo.
Tempo: Desde o ano passado quero mudar de casa.
Em
(lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos.
Matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em Curitiba.
Especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras.
Tempo: Tudo aconteceu em doze horas.
Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro entre dois suportes.
Para
. 124
Direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa.
Tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana.
Finalidade: Lute sempre para viver com dignidade.
A preposição para indica permanência definitiva. Vou para o litoral. (ideia de morar)
Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante todos.
Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas desconhecidas.
Causa: Por ser muito caro, não compramos um pendrive novo.
Espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento.
Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. Viveu, sob pressão dos pais.
Sobre
(em cima de, com contato): Colocou as taças de cristal sobre a toalha rendada.
Assunto: Conversávamos sobre política financeira.
Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É substituída por atrás de, depois de): Por trás
desta carinha vê-se muita falsidade.
Questões
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)
No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da preposição “sem” e o das expressões que ela
forma são, respectivamente, de
(A) negação e causa.
(B) adição e condição.
(C) ausência e modo.
(D) falta e consequência.
(E) exceção e intensidade.
02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - IDHTEC/2016)
MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama de carne e sangue Que a Vida escreveu
com a pena dos séculos! Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da ternura ninadas
do teu leite alimentadas de bondade e poesia de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras
gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias semoventes, coisas várias, mais são filhos da
desgraça: a enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos teus olhos, minha Mãe Vejo
oceanos de dor Claridades de sol-posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas vejo
também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende demoniacamente tentadora - como a Certeza...cintilantemente firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando, formando, anunciando -
o dia da humanidade.
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império)
. 125
Em qual das alternativas o acento grave foi mal empregado, pois não houve crase?
(A) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da escola de samba Império Serrano, na Zona
Norte do Rio.”
(B) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos direitos à moradia, a um trabalho digno, à
integridade cultural, a vida e ao território."
(C) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte do Moa no dia 11 de maio.”
(D) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às custas da entidade.”
(E) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a chegada de Edgardo Bauza no fim do ano
passado.”
03. (TJ/AL - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - FGV/2018)
Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas da Copa
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo uma temperatura muito alta. Preocupados
que os mais afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jornaleiros estão levando seus estoques
para casa quando termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até boatos sobre quadrilhas de
roubo de figurinha espalhados por mensagens de celular.
No texto aparecem três ocorrências da preposição DE.
1. “troca-troca de figurinhas”;
2. “roubo de figurinha”;
3. “mensagens de celular”.
Sobre o emprego dessa preposição nesses casos, é correto afirmar que:
(A) os termos precedidos da preposição DE indicam pacientes dos vocábulos anteriores;
(B) os termos precedidos da preposição DE indicam agentes dos termos anteriores;
(C) os termos “de figurinha” e “de celular” são complementos dos termos anteriores;
(D) os termos “de figurinhas” e “de celular” são adjuntos dos vocábulos precedentes;
(E) os termos “de figurinhas” e “de figurinha” são complementos dos vocábulos precedentes.
04. Assinale a alternativa em que a preposição destacada estabeleça o mesmo tipo de relação que na
frase matriz: Criaram-se a pão e água.
(A) Desejo todo o bem a você.
(B) A julgar por esses dados, tudo está perdido.
(C) Feriram-me a pauladas.
(D) Andou a colher alguns frutos do mar.
(E) Ao entardecer, estarei aí.
05. (TJ/AL - Técnico Judiciário - FGV/2018)
Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da
falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e
eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já
especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação
dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita.
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à
disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a
comunicação virtual está em sua pré-história.
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas,
articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam
por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é
processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem
aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade
propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório.
. 126
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão,
que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos
Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)
O segmento do texto em que o emprego da preposição EM indica valor semântico diferente dos demais
é:
(A) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas”;
(B) A maioria dos abusos, se praticados em outros meios”;
(C) “... seriam crimes já especificados em lei”;
(D) “...a comunicação virtual está em sua pré-história”;
(E) “...ainda que em citação longa e sem aspas”.
Gabarito
01.C / 02.E / 03.E / 04.C / 05.D
Comentários
01. Resposta: C
Questão pede a análise isolada da preposição (sem =ausência) e a análise das expressões, ou seja,
as pessoas viverão sem aborrecimento, sem... (as expressões indicam o modo como as pessoas viverão)
02. Resposta: E
Às vezes / As vezes
Ocorrerá a crase somente quando “às vezes” for uma locução adverbial de tempo (= de vez em
quando, em algumas vezes). Quando a expressão “as vezes” não trouxer o significado citado não
acontecerá crase.
03. Resposta: E
1. "troca-troca" de figurinhas >>> ato de trocar >>> "de figurinhas" complementa a ação.
2. "roubo" de figurinhas >>> ato de roubar >>> "de figurinha" complementa a ação.
3. "mensagens" de celular" >>> neste caso "de celular" caractezira o termo "mensagens", tendo a
função de adjunto adnominal.
04. Resposta: C
Na frase matriz, a preposição “a” estabelece a ideia de instrumento, ou seja, daquilo que foi usado
para que se praticasse uma ação.
Na alternativa C, a preposição “a” estabelece o mesmo tipo de relação.
05. Resposta: D
Vejamos como fica se substituirmos o "em":
a) “Tenho comentado aqui na Folha em (por meio de) diversas crônicas;
b) A maioria dos abusos, se praticados em (por meio de) outros meios”;
c) “... seriam crimes já especificados em (por meio de) lei”;
e)“...ainda que em (por meio de) citação longa e sem aspas”.
Interjeição
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito ou apelos.
Locução Interjetiva: é o conjunto de duas ou mais palavras com valor de uma interjeição: Muito bem!
Que pena! Quem me dera! Puxa, que legal!
Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas
As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas de acordo com o sentido que elas expressam
em determinado contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode exprimir emoções variadas.
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu Deus!, Céus!
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!, Olha lá!
. 127
Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca!
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem!
Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit!
Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh!
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai!
Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Chega!, Basta!
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau!
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida!
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me dera!
Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes são formadas por palavras de outras
classes gramaticais: Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo).
Questões
01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas são substantivo e pronome,
respectivamente:
(A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão praticar o bem.
(B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia muito movimento na praça.
(C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de drogas é condenável.
(D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. / Pesca-se muito em Angra dos Reis.
(E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. / Não entendi o que você disse.
02. Assinale o item que só contenha preposições:
(A) durante, entre, sobre
(B) com, sob, depois
(C) para, atrás, por
(D) em, caso, após
(E) após, sobre, acima
03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica
do Edital nº 19/82.” Elas são, respectivamente:
(A) verbo, substantivo, substantivo
(B) verbo,substantivo, advérbio
(C) verbo, substantivo, adjetivo
(D) pronome, adjetivo, substantivo
(E) pronome, adjetivo, adjetivo
04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo:
(A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio.”
(B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.”
(C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.”
(D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...”
(E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas.”
05. O "que" está com função de preposição na alternativa:
(A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga!
(B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és.
(C) João não estudou mais que José, mas entrou na Faculdade.
(D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro.
(E) Não chore que eu já volto.
Gabarito
01.E / 02.A / 03.C / 04.E / 05.D
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Conjunções
As conjunções exercem a função de conectar as palavras dentro de uma oração. Desta forma, elas
estabelecem uma relação de coordenação ou subordinação e são classificadas em: Conjunções
Coordenativas e Conjunções Subordinativas.
Conjunções Coordenativas
1. Aditivas (Adição)
E
Nem
Não só... Mas também
Mas ainda
Senão
Exemplos:
Viajamos e descansamos.
Eu não só estudo, mas também trabalho.
2. Adversativas (posição contrária)
Mas
Porém
Todavia
Entretanto
No entanto
Exemplos:
Ela era explorada, mas não se queixava.
Os alunos estudaram, no entanto não conseguiram as notas necessárias.
3. Alternativas (alternância)
Ou, ou
Ora, ora
Quer, quer
Já, já
Exemplos:
Ou você vem agora, ou não haverá mais ingressos.
Ora chovia, ora fazia sol.
4. Conclusivas (conclusão)
Logo
Portanto
Por conseguinte
Pois (após o verbo)
Exemplos:
O caminho é perigoso; vá, pois, com cuidado!
Estamos nos esforçando, logo seremos recompensados.
5. Explicativas (explicação)
Que
Porque
Porquanto
Pois (antes do verbo)
Exemplos:
Não leia no escuro, que faz mal à vista.
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Compre estas mercadorias, pois já estamos ficando sem.
Conjunções Subordinativas
Ligam uma oração principal a uma oração subordinativa, com verbo flexionado.
1. Integrantes: iniciam a oração subordinada substantiva – Que / Se / Como
Exemplos:
Todos perceberam que você estava atrasado.
Aposto como você estava nervosa.
2. Temporais (Tempo) – Quando / Enquanto / Logo que / Assim que / Desde que
Exemplos:
Logo que chegaram, a festa acabou.
Quando eu disse a verdade, ninguém acreditou.
3. Finais (Finalidade) – Para que / A fim de que
Exemplo:
Foi embora logo, a fim de que ninguém o perturbasse.
4. Proporcionais (Proporcionalidade) – À proporção que / À medida que / Quanto mais ... mais /
Quanto menos... menos
Exemplos:
À medida que se vive, mais se aprende.
Quanto mais se preocupa, mais se aborrece.
5. Causais (Causa) – Porque / Como / Visto que / Uma vez que
Exemplo: Como estivesse doente, não pôde sair.
6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que
Exemplos:
Comprarei o livro, desde que esteja disponível.
Se chover, não poderemos ir.
7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Quanto / Que nem
Exemplos:
Os filhos comeram como leões.
A luz é mais veloz do que o som.
8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / Segundo
Exemplos:
As coisas não são como parecem.
Farei tudo, conforme foi pedido.
9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos termos: tal, tão, tanto...) / De forma que
Exemplos:
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola.
Ontem estive viajando, de forma que não consegui participar da reunião.
10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto / Ainda que / Mesmo que / Por mais que
Exemplos:
Todos gostaram, embora estivesse mal feito.
Por mais que gritasse, ninguém o socorreu.
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Questões
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)
Na fala do personagem no segundo quadrinho “Apesar da aparência, sou um homem ultramoderno!”,
a expressão destacada estabelece entre as informações relação de sentido de
(A) comparação.
(B) finalidade.
(C) consequência.
(D) conclusão.
(E) concessão.
02. (Prefeitura Trindade/GO - Auxiliar Administrativo - FUNRIO/2016)
OMS recomenda ingerir menos de cinco gramas de sal por dia
Se você tem o hábito de pegar no saleiro e polvilhar a comida com umas pitadas de sal, é melhor
pensar duas vezes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou esta quinta-feira que um adulto
consuma por dia menos de dois gramas de sódio – ou seja, menos de cinco gramas de sal – para reduzir
os níveis de pressão arterial e as doenças cardiovasculares.
Pela primeira vez, a OMS faz recomendações também para as crianças com mais de dois anos de
idade, para que as doenças relacionadas com a alimentação não se tornem crônicas na idade adulta.
Neste caso, a OMS diz que os valores devem ainda ser mais baixos do que os dois gramas de sódio,
devendo ser adaptados tendo em conta o tamanho, a idade e as necessidades energéticas.
Teresa Firmino Adaptado de publico.pt/ciencia
Em para reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças cardiovasculares, a palavra para expressa
o seguinte significado:
(A) oposição
(B) finalidade
(C) causalidade
(D) comparação
(E) temporalidade
03. (SEDUC/PA - Professor Classe I - Português - CONSULPLAN/2018)
Coisas & Pessoas
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia
mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o mormaço com M
maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje,
quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público,
magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e
levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta
anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita,
tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os
demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as
camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos, um
vulto junto à minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de
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bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele
resolveu explicar-se, com a devida calma:
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno…
E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei que se tratasse do sereno noturno em
pessoa. [...]
(Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.)
Após a leitura do texto e considerando seu conteúdo, pode-se afirmar quanto ao emprego da conjunção
em relação à titulação do texto que o sentido produzido indica
(A) compensação de um elemento em relação ao outro.
(B) acrescentamento de um elemento em relação ao outro.
(C) sobreposição do último elemento em detrimento do primeiro.
(D) estabelecimento de uma relação de um elemento para com o outro.
04. (IF/PE - Técnico em Enfermagem - 2016)
Crônica da cidade do Rio de Janeiro
No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o Cristo Redentor estende os braços. Debaixo
desses braços os netos dos escravos encontram amparo.
Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e apontando seu fulgor, diz, muito tristemente:
- Daqui a pouco não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar Ele daí.
- Não se preocupe – tranquiliza uma vizinha. – Não se preocupe: Ele volta.
A polícia mata muitos, e mais ainda mata