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Prévia do material em texto

. 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SED-MS 
 
 
Leitura, compreensão e interpretação de textos .................................................................................. 1 
Estruturação do texto e dos parágrafos ............................................................................................. 12 
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores sequenciais .............. 16 
Significação contextual de palavras e expressões ............................................................................. 40 
Equivalência e transformação de estruturas ...................................................................................... 52 
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação ......................................................................... 58 
Emprego de tempos e modos verbais ................................................................................................ 65 
Pontuação ......................................................................................................................................... 79 
Estrutura e formação de palavras ...................................................................................................... 87 
Funções das classes de palavras ...................................................................................................... 97 
Flexão nominal e verbal ................................................................................................................... 132 
Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação ................................................................. 138 
Concordância nominal e verbal ........................................................................................................ 148 
Regência nominal e verbal ............................................................................................................... 164 
Ortografia oficial ............................................................................................................................... 175 
Acentuação gráfica .......................................................................................................................... 190 
 
 
 
 
 
 
Candidatos ao Concurso Público, 
O Instituto Maximize Educação disponibiliza o e-mail professores@maxieduca.com.br para dúvidas 
relacionadas ao conteúdo desta apostila como forma de auxiliá-los nos estudos para um bom 
desempenho na prova. 
As dúvidas serão encaminhadas para os professores responsáveis pela matéria, portanto, ao entrar 
em contato, informe: 
- Apostila (concurso e cargo); 
- Disciplina (matéria); 
- Número da página onde se encontra a dúvida; e 
- Qual a dúvida. 
Caso existam dúvidas em disciplinas diferentes, por favor, encaminhá-las em e-mails separados. O 
professor terá até cinco dias úteis para respondê-la. 
Bons estudos! 
 
 
. 1 
 
 
Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos nos colocar à sua disposição, durante 
todo o prazo do concurso para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito zelo e técnica 
foram empregados na edição desta obra. No entanto, podem ocorrer erros de digitação ou dúvida 
conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente 
para que possamos esclarecê-lo. Entre em contato conosco pelo e-mail: professores@maxieduca.com.br 
 
COMPREENSÃO DO TEXTO 
 
Há duas operações diferentes no entendimento de um texto. A primeira é a apreensão, que é a captação 
das relações que cada parte mantém com as outras no interior do texto. No entanto, ela não é suficiente 
para entender o sentido integral. 
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas não conhecesse o universo dos discursos, 
não entenderia o significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto dentro do universo discursivo 
a que ele pertence e no interior do qual ganha sentido. 
Alguns teóricos chamam o universo discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa 
operação de compreensão. 
E assim teremos: 
 
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto 
 
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis de leitura: informativa e de 
reconhecimento. 
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o primeiro contato com o texto, extraindo-se 
informações e se preparando para a leitura interpretativa. Durante a interpretação grife palavras-chave, 
passagens importantes; tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo. 
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas e opções de respostas. Marque palavras 
como não, exceto, respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha adequada. 
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia a frase anterior e posterior para ter ideia 
do sentido global proposto pelo autor. 
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos parágrafos 
que é composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. 
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os diversos enfoques. 
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da margem 
esquerda. 
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira 
clara e resumida. 
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos um caminho que nos levará à 
compreensão do texto. 
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um tecido. O fio deve ser trabalhado com muito 
cuidado para que o trabalho não se perca. O mesmo acontece com o texto. O ato de escrever toma de 
empréstimo uma série de palavras e expressões amarrando, conectando uma palavra uma oração, uma 
ideia à outra. O texto precisa ser coeso e coerente. 
 
Coesão 
 
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais elementos de coesão são os conectivos, 
vocábulos gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou partes de uma frase. O texto deve 
ser organizado por nexos adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente, evitando frases 
e períodos desconexos. 
Para perceber a falta de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto, procurando 
estabelecer as possíveis relações entre palavras que formam a oração e as orações que formam o 
período e, finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um texto bem trabalhado sintática e 
semanticamente resultam num texto coeso. 
 
Leitura, compreensão e interpretação de textos 
 
 
. 2 
Coerência 
 
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de estabelecer um sentido para o texto, ou seja, 
ela é que faz com que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da coerência será levado em 
conta o tipo de texto. 
Em um texto dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os argumentos e de organizá-los 
de forma a extrair deles conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada sua capacidade de 
construir personagens e de relacionar ações e motivações. 
 
Tipos de Composição 
 
Descrição 
É representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos 
característicos, de pormenores individualizantes. Requer observação cuidadosa, para tornar aquilo que 
vai ser descrito um modelo inconfundível. 
Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir uma 
impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por 
isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas. 
 
Narração 
É um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus elementos constitutivos: 
personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente, o episódio, e o que a distingue da 
descrição é a presença de personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. 
 
Dissertação 
É apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer umponto de vista baseado em argumentos lógicos; é 
estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor, narrar ou descrever, é necessário explanar 
e explicar. O raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e quanto maior a fundamentação 
argumentativa, mais brilhante será o desempenho. 
 
Sentidos dos Textos 
 
Sentidos Próprio e Figurado 
Geralmente os exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria é uma flor” diz-se que 
“flor” tem um sentido próprio e um sentido figurado. 
O sentido próprio é o mesmo do enunciado: “parte do vegetal que gera a semente”. 
O sentido figurado é o mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” 
O sentido próprio, na acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo. 
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre corresponde ao que definimos aqui como sentido 
imediato do enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o sentido preferencial, o que 
comumente ocorre. 
O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a metáfora, e que em leitura imediata leva à 
mesma mensagem que se obtém pela decifração da metáfora. 
 
Sentido Imediato 
É o que resulta de uma leitura imediata que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura ingênua 
ou leitura de máquina de ler. É aquela em que se supõe a existência de uma série de premissas que 
restringem a decodificação, tais como: 
- as frases seguem modelos completos de oração da língua; 
- discurso lógico; 
- se a forma usada no discurso é a mesma usada para estabelecer identidades lógicas ou atribuições, 
então, tem-se, respectivamente, identidade lógica e atribuição; 
- significados encontrados no dicionário; 
- existe concordância entre termos sintáticos; 
- abstrai-se a conotação; 
- supõe-se que não há anomalias linguísticas; 
- abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto modificadores do código linguístico; 
- supõe-se pertinência ao contexto; 
 
. 3 
- abstrai-se icônicas (é a associação harmoniosa entre os efeitos suscitados pela observação do 
significante e seu significado. Essa associação pode derivar de uma relação de semelhança ou de 
contiguidade); 
- abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc.; 
- não se concebe a existência de locuções e frases feitas; 
- supõe-se que o uso do discurso é comunicativo; 
- abstrai-se o uso expressivo, cerimonial. 
 
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável, ininteligível ou compreendido parcialmente. 
Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que se comporte como uma máquina de ler, o 
que faz do conceito de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. 
O que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de uma leitura imediata, como quando 
alguém toma o sentido literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica perplexo diante de um 
oxímoro. 
Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de grau zero da escritura, identificando-a como 
uma forma mais primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é apenas um pressuposto. Os 
recursos de retórica são anteriores a ele. 
 
Sentido Preferencial 
Para compreender o sentido preferencial é preciso conceber o enunciado descontextualizado ou em 
contexto de dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto muito rarefeito, como é o contexto 
em que se encontra uma palavra no dicionário, dizemos que ela está descontextualizada. 
Nesta situação, o sentido preferencial é o que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, 
o sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser o mesmo para outro. Por isso a definição 
tem de considerar o resultado médio, o que não impede que pela necessidade momentânea 
consideremos o significado preferencial para dado indivíduo. 
Algumas regularidades podem ser observadas nos significados preferenciais. Por exemplo: o sentido 
preferencial da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para abate”, e nunca o de “indivíduo 
sem higiene”. 
Em outras palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se impõe sobre o que teve origem 
em processos metafóricos, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos o seguinte 
exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão 
carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com cimento”. 
Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o que contrapõe a tese que diz que o sentido 
“figurado” não é o “primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido mais usado se impor 
sobre o menos usado. 
Para certos termos é difícil estabelecer o sentido preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial 
de manga? O de fruto ou de uma parte da roupa? 
 
Questões 
 
01. (TRF 5ª Região - Técnico Judiciário - FCC) Há falta de coesão e de coerência na frase: 
(A) Nem sempre os livros mais vendidos são, efetivamente, os mais lidos: há quem os compre para 
exibi-los na estante. 
(B) Aquele romance, apesar de ter sido premiado pela academia e bem recebido pelo público, não 
chegou a impressionar os críticos dos jornais. 
(C) Se o sucesso daquele romance deveu-se, sobretudo, à resposta do público, razão pela qual a 
maior parte dos críticos também o teriam apreciado. 
(D) Há livros que compramos não porque nos sejam imediatamente úteis, mas porque imaginamos o 
quanto poderão nos valer num futuro próximo. 
(E) A distribuição dos livros numa biblioteca frequentemente indica aqueles pelos quais o dono tem 
predileção. 
 
02. (ALERJ - Especialista Legislativo - FGV/2017) 
 
Comunicação Política na Suíça 
 
Os cidadãos suíços são convocados a se pronunciar periodicamente, de quatro a cinco vezes por ano 
aproximadamente, sobre um total de quinze temas da atualidade política. Além de cada uma dessas 
 
. 4 
votações populares, os cidadãos são convidados a dar suas opiniões (votando simplesmente sim ou não) 
sobre três ou quatro problemas de interesse nacional, aos quais se acrescentam alguns tópicos especiais 
dos cantões e das comunas. Esse sistema repousa sobre a iniciativa popular e sobre o referendum, que 
permitem a uma minoria, respectivamente 100.000 cidadãos, no caso da iniciativa popular, e 50.000, no 
caso do referendum, obrigar o conjunto do país a se interessar sobre o que a preocupa. 
(Argumentação, Hermès. Paris: CNRS Edições. 2011, p. 58) 
 
O texto abaixo que carece de coerência é: 
(A) “Democracia é como nadar. Aprende-se praticando”. (Abdel-Hadi) 
(B) “Todo político em busca de reeleição é um animal perigoso”. (Sanguinetti) 
(C) “A maior contribuição que alguns políticos podem dar ao país é perder as eleições”. (Ciro Pellicano) 
(D) “A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre um disfarce para a ânsia de governá-la”. 
(Mencken) 
(E) “Um político honesto é aquele que, quando comprado, permanece comprado”. (Simon Cameron) 
 
03. (Pref. de Teresina/PI - Professor Português - NUCEPE/2016) 
 
SCHULZ, Charles M. Ser cachorro é um trabalho 
De tempo integral. São Paulo, Conrad, 2004. 
 
O quarto quadrinho do texto apresenta o conectivo mas, que normalmente opõe duas ideias contrárias. 
Esse recurso linguístico como fator de textualidade realiza uma 
(A) coesão referencial. 
(B) coerência argumentativa. 
(C) coesão sequencial. 
(D) coerência narrativa. 
(E) contiguidade. 
 
04. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária - VUNESP) No fim da década de 90, atormentado 
pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes 
cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão 
foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - 
do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no 
centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros 
pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíçosocupam o primeiro lugar. 
O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking 
são ocupadas por países pobres. 
O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. "Nos 
Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, 
em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz 
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria considera 
aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. 
Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a 
infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no 
transporte público? 
(Veja, 02.12.2009) 
 
. 5 
Há emprego do sentido figurado das palavras em: 
(A) os brasileiros estão entre os povos mais atrasados. 
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. 
(C) Os brasileiros dão mais importância às relações sociais. 
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo. 
(E) não se pode confiar no serviço público? 
 
 05. (IF/GO - Auxiliar em Administração - CS/UFG) 
 
Sua excelência, o leitor 
 
Os livros vivem fechados, capa contra capa, esmagados na estante, às vezes durante décadas - é 
preciso arrancá-los de lá e abri-los para ver o que têm dentro [...]. Já o jornal são folhas escancaradas ao 
mundo, que gritam para ser lidas desde a primeira página. As mãos do texto puxam o leitor pelo colarinho 
em cada linha, porque tudo é feito diretamente para ele. O jornal do dia sabe que tem vida curta e ofegante 
e depende desse arisco, indócil, que segura as páginas amassando-as, dobrando-as, às vezes 
indiferente, passando adiante, largando no chão cadernos inteiros, às vezes recortando com a tesoura 
alguma coisa que o agrada ou o anúncio classificado. Súbito diz em voz alta, ao ler uma notícia grave, 
"Que absurdo!", como quem conversa. O jornal se retalha entre dois, três, quatro leitores, cada um com 
um caderno, já de olho no outro, enquanto bebem café. Nas salas de espera, o jornal é cruelmente 
dilacerado. Ao contrário do escritor, que se esconde, o cronista vive numa agitada reunião social entre 
textos - todos falam em voz alta ao mesmo tempo, disputam ávidos o olhar do leitor, que logo vira a 
página, e silenciamos no papel. Renascemos amanhã. 
TEZZA, Cristóvão. Disponível em:imagem-010.jpg Acesso em: 19 fev. 2014. (Adaptado). 
 
Qual das expressões abaixo está empregada em sentido figurado? 
(A) “gritam para ser lidas” 
(B) “capa contra capa” 
(C) “logo viram a página” 
(D) “enquanto bebem café” 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.E / 03.C / 04.D /05.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
É possível a construção da frase com o “então” substituindo, “razão pela qual”, dando um caráter de 
conclusão na frase e não apenas uma justificativa. 
 
02. Resposta. E 
Um político sendo comprado, já é indício que ele não é honesto. Faltou a coerência neste argumento. 
 
03. Resposta: C 
A coesão sequencial sempre estabelece por meio dos conectivos uma relação entre as frases e seus 
sentidos, ligando-as. 
 
04. Resposta: D 
A alternativa D foi utilizada uma metáfora. Linguagem conotativa, o seu significado foi ampliado para 
sugerir que o trânsito é algo difícil a ponto de ser um pesadelo. 
 
05. Resposta: A 
A alternativa tem a frase “gritam para ser lidas” associada as folhas de jornais. A linguagem é figurada 
devido ao fato de as folhas de jornal gritarem, folhas de jornais não gritam e nem falam. A característica 
da figura de linguagem pode ser também algo anormal ao senso comum. 
 
 
 
 
. 6 
INTERPRETAÇÃO 
 
Cada vez mais, é comprovada a dificuldade dos estudantes, de qualquer idade, e para qualquer 
finalidade de compreender o que se pede em textos, e também dos enunciados. Qual a importância de 
entender um texto? 
Para se compreender um texto precisa entender o que um texto não é conforme diz Platão e Fiorin: 
“Não é amontoando os ingredientes que se prepara uma receita; assim também não é superpondo 
frases que se constrói um texto”.1 
 
Ou seja, um texto não é um aglomerado de frases, ele tem um começo, meio, fim, uma mensagem a 
transmitir, tem coerência, e cada frase faz parte de um todo. 
Na verdade, o texto pode ser a questão em si, a leitura que fazemos antes de resolver o exercício. E 
como é possível cometer um erro numa simples leitura de enunciado? Mais fácil de acontecer do que se 
imagina. Se na hora da leitura, deixamos de prestar atenção numa só palavra, como um “não”, já muda 
a interpretação. Veja a diferença: 
Qual opção abaixo não pertence ao grupo? 
Qual opção abaixo pertence ao grupo? 
 
Isso já muda totalmente a questão, e se o leitor está desatento, vai marcar a primeira opção que 
encontrar correta. Pode parecer exagero pelo exemplo dado, mas tenha certeza que isso acontece mais 
do que imaginamos, ainda mais na pressão da prova, tempo curto e muitas questões. 
Partindo desse princípio, se podemos errar num simples enunciado, que é um texto curto, imagine os 
erros que podemos cometer ao ler um texto maior, sem prestar devida atenção aos detalhes. É por isso 
que é preciso melhorar a capacidade de leitura e compreensão. 
Texto: conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre si, formando um todo significativo capaz 
de produzir interação comunicativa (capacidade de codificar e decodificar). 
 
Contexto: um texto é constituído por diversas frases. Em cada uma delas, há certa informação que a 
faz ligar-se com a anterior e/ou com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo a ser 
transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-se que o relacionamento entre as frases 
é tão grande, que se uma frase for retirada de seu contexto original e analisada separadamente, poderá 
ter um significado diferente daquele inicial. O contexto pode ser entendido como unidade linguística maior 
onde se encaixa uma unidade linguística menor.2 
 
Intertexto: quando um texto retoma outro, constrói-se com base em outro. 
 
Intertextualidade: é exatamente a relação entre dois textos. 
 
Interpretação de Texto: o primeiro objetivo de uma interpretação de um texto é a identificação de 
sua ideia principal. A partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as 
argumentações ou explicações que levem ao esclarecimento das questões apresentadas na prova. 
 
Normalmente, numa prova o candidato é convidado a: 
Identificar: reconhecer os elementos fundamentais de uma argumentação, de um processo, de uma 
época (neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo). 
Comparar: descobrir as relações de semelhança ou de diferenças entre as situações do texto. 
Comentar: relacionar o conteúdo apresentado com uma realidade, opinando a respeito. 
Resumir: concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um só parágrafo. 
Parafrasear: reescrever o texto com outras palavras. Exemplo: 
 
Título do Texto Paráfrases 
 
“O Homem Unido” 
A integração do mundo. 
A integração da humanidade. 
A união do homem. 
Homem + Homem = Mundo. 
A macacada se uniu. (sátira) 
 
1 PLATÃO, Fiorin, Lições sobre o texto. Ática 2011. 
2 PLATÂO, Fiorin, Para entender o texto, Ática, 1990. 
 
. 7 
Condições Básicas para Interpretar 
 
Faz-se necessário: 
- Conhecimento histórico/literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), leitura e prática. 
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e semântico. Na semântica (significado 
das palavras) incluem-se: homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e antonímia, 
polissemia, figuras de linguagem, entre outros. 
- Capacidade de observação e de síntese. 
- Capacidade de raciocínio. 
 
Interpretar X Compreender 
 
Interpretar significa Compreender significa 
Explicar, comentar,julgar, tirar 
conclusões, deduzir. 
Tipos de enunciados: 
- através do texto, infere-se que... 
- é possível deduzir que... 
- o autor permite concluir que... 
- qual é a intenção do autor ao afirmar 
que... 
Intelecção, entendimento, atenção ao que 
realmente está escrito. 
Tipos de enunciados: 
- o texto diz que... 
- é sugerido pelo autor que... 
- de acordo com o texto, é correta ou errada 
a afirmação... 
- o narrador afirma... 
 
Erros de Interpretação 
 
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de interpretação. Os mais frequentes 
são: 
Extrapolação (viagem): ocorre quando se sai do contexto, acrescentando ideias que não estão no 
texto, quer por conhecimento prévio do tema quer pela imaginação. 
Redução: é o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas a um aspecto, esquecendo que o texto 
é um conjunto de ideias, o que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema desenvolvido. 
Contradição: não raro, o texto apresenta ideias contrárias às do candidato, fazendo-o tirar conclusões 
equivocadas e, consequentemente, errando a questão. 
 
Atenção: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas 
numa prova de concurso o que deve ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais. 
 
Coesão 
É o emprego de mecanismo de sintaxe que relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre 
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo, uma conjunção (nexos), 
ou um pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. 
São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do pronome relativo e do 
pronome oblíquo átono. Este depende da regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode 
esquecer também de que os pronomes relativos têm, cada um, um valor semântico, por isso a 
necessidade de adequação ao antecedente. 
 
Vícios de Linguagem 
Há os vícios de linguagem clássicos (barbarismo, solecismo, cacofonia); no dia a dia, porém, existem 
expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito cometem-se erros graves como: 
- “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de morte. 
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome oblíquo átono correto é “o”. 
- “No bar: me vê um café”. Erro de posição do pronome, que deveria vir após o verbo (vê-me). 
 
Algumas dicas para Interpretar um Texto 
 
- Leia bastante textos de diversas áreas, assuntos distintos nos trazem diferentes formas de pensar. 
Leia textos de bom nível. 
- Pratique com exercícios de interpretação. Questões simples, mas que nos ajuda a ter certeza que 
estamos prestando atenção na leitura. 
 
. 8 
- Cuidado com o “olho ninja”, aquele que quando damos conta, já está no final da página, e nem 
lembramos o que lemos no meio dela. Talvez seja hora de descansar um pouco, ou voltar a leitura num 
ponto que estávamos prestando atenção, e reler. 
- Ative seu conhecimento prévio antes de iniciar o texto. Qualquer informação, mínima que seja, nos 
ajuda a compreender melhor o assunto do texto. 
- Faça uma primeira leitura superficial, para identificar a ideia central do texto, e assim, levantar 
hipóteses e saber sobre o que se fala. 
- Leia as questões antes de fazer uma segunda leitura mais detalhada. Assim, você economiza tempo 
se no meio da leitura identificar uma possível resposta. 
- Preste atenção nas informações não verbais. Tudo que vem junto com o texto, é para ser usado ao 
seu favor. Por isso, imagens, gráficos, tabelas, etc., servem para facilitar nossa leitura. 
- Use o texto. Rabisque, anote, grife, circule... enfim, procure a melhor forma para você, pois cada um 
tem seu jeito de resumir e pontuar melhor os assuntos de um texto. 
 
Além dessas dicas importantes, você também pode grifar palavras novas, e procurar seu significado 
para aumentar seu vocabulário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas são uma distração, 
mas também um aprendizado. 
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a compreensão do texto e ajudar a aprovação, 
ela também estimula nossa imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora nosso foco, cria 
perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além de melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de 
memória. 
 
Organização do Texto e Ideia Central 
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e organizadas, através dos 
parágrafos, composto pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. 
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da mudança de linha e um espaçamento da 
margem esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico frasal, ou seja, a ideia central 
extraída de maneira clara e resumida. Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, 
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do texto. 
 
Exemplos: 
Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos 
latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da 
indústria extrativa, na caça, na pesca, em determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. 
Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos 
canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-
se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos. 
(Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes) 
 
Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram: 
(A) os portugueses. 
(B) os negros. 
(C) os índios. 
(D) tanto os índios quanto aos negros. 
(E) a miscigenação de portugueses e índios. 
(Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2003.) 
 
Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é possível concluir pelas 
características apresentadas no texto. Essa resposta exige conhecimento que extrapola o texto. 
 
- Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de sentido nas frases a seguir: 
(1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes. 
(2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes. 
(3) Os alunos dedicados passaram no vestibular. 
(4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular. 
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi. 
(6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi. 
 
Explicações: 
(1) Diego fez sozinho o trabalho de artes. 
 
. 9 
(2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes. 
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados e passaram no vestibular somente os que 
se dedicaram, restringindo o grupo de alunos. 
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados. 
(5) Marcão é chamado para cantar. 
(6) Marcão pratica a ação de cantar. 
 
Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele: 
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar adolescentes com hormônios em ebulição e 
com o desejo natural da idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos, a relação 
comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade do professor.” 
 
Frase para análise. 
Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das escolas privadas. E esse é o grande 
desafio do professor moderno. 
 
- Não é mencionado que a escola seja da rede privada. 
- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez parte do desafio do magistério. Outra 
questão é que o grande desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do desafio, há 
também os hormônios em ebulição que fazem parte do desafio do magistério. 
 
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo do sentido original). 
- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja algumas delas: substituição de locuções por 
palavras; uso de sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; converter a voz ativa 
para a passiva; emprego de antonomásias ou perífrases (Rui Barbosa = A águiade Haia; o povo lusitano 
= portugueses). 
 
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas frases. Exemplos: 
- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de professores. 
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de professores. 
- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores. 
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores. 
 
Explicações: 
- Certos alunos = qualquer aluno. 
- Alunos certos = aluno correto. 
- Alunos determinados = alunos decididos. 
- Determinados alunos = qualquer aluno. 
 
Questões 
 
01. (TRE/GO - Analista Judiciário - CESPE) A ciência moderna teve de lutar com um inimigo 
poderoso: os monopólios de interpretação, fossem eles a religião, o estado, a família ou o partido. Foi 
uma luta travada com enorme êxito e cujos resultados positivos vão ser indispensáveis para criar um 
conhecimento emancipatório pós-moderno. O fim dos monopólios de interpretação é um bem absoluto da 
humanidade. 
No entanto, como a ciência moderna colonizou as outras formas de racionalidade, destruindo assim, 
o equilíbrio dinâmico entre regulação e emancipação, em detrimento desta, o êxito da luta contra os 
monopólios de interpretação acabou por dar lugar a um novo inimigo, tão temível quanto o anterior, e que 
a ciência moderna não podia senão ignorar: a renúncia à interpretação, paradigmaticamente patente no 
utopismo automático da tecnologia e também na ideologia e na prática consumistas. 
 
Depreende-se da argumentação do texto que 
(A) a criação de um conhecimento pós-moderno apoia-se na utopia da ideologia e da prática 
consumista. 
(B) tanto uma interpretação monopolizada quanto a falta de interpretação são prejudiciais à 
humanidade. 
(C) tanto a ciência moderna quanto outras formas de racionalidade prejudicaram a luta contra os 
monopólios de interpretação. 
 
. 10 
(D) o fim dos monopólios de interpretação teve como uma de suas consequências o enfraquecimento 
da religião, do Estado, da família e dos partidos. 
 
02. (CFP - Técnico em Informática - Quadrix) 
 
 
 
Sobre a interpretação dos quadrinhos, assinale a alternativa correta. 
(A) Os quadrinhos não causariam o riso, independentemente do perfil do leitor e da leitura realizada. 
(B) Depois de o marido afirmar ser estéril, não seria possível de maneira alguma a mulher estar grávida. 
(C) Na verdade, pode-se concluir que a mulher mentiu para o marido em relação à gravidez, querendo 
apenas assustá-lo. 
(D) As imagens em nada se relacionam ao texto dos quadrinhos. 
(E) No primeiro quadrinho, a maneira de falar e as imagens mostram que a mulher imaginou que daria 
uma boa notícia ao marido. 
 
03. (MPE/ES - Promotor de Justiça Substituto - FAPEC) 
 
A arte de ser feliz 
Cecília Meireles 
 
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. 
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. 
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas 
gotas de água sobre as plantas. 
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, pra que o jardim não morresse. 
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros 
e meu coração ficava completamente feliz. 
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. 
Outras vezes encontro nuvens espessas. 
Avisto crianças que vão para a escola. 
Pardais que pulam pelo muro. 
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. 
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. 
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. 
Às vezes, um galo canta. 
Às vezes, um avião passa. 
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. 
E eu me sinto completamente feliz. 
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que 
essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é 
preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim. 
Glossário: Félix Lope de Vega y Carpio 
 
A partir da leitura e interpretação do texto acima, assinale a alternativa correta: 
(A) O texto apresenta o modo descritivo-narrativo, trazendo como uma de suas mensagens a ideia de 
que o ser humano precisa aprender a ver com olhos conscientes para poder captar a realidade em sua 
plenitude. 
(B) O texto apresenta o modo dissertativo-argumentativo, porque está baseado na defesa de uma ideia 
visando convencer o leitor de que as pessoas precisam enxergar as coisas e fatos mais singelos do 
cotidiano para alcançar a felicidade. 
 
. 11 
(C) O texto apresenta somente o modo narrativo, trazendo a ideia de que todos devem ter uma só 
visão sobre o mundo. 
(D) O texto apresenta somente o modo injuntivo ou instrucional, pois objetiva, sobretudo, trazer 
explicações sobre a visão do ser humano, sem a finalidade de convencer o leitor por meio de argumentos. 
(E) O texto apresenta somente o modo descritivo ao fazer o retrato minucioso escrito de um lugar, uma 
cena, uma pessoa e alguns animais, identificados como “pequenas felicidades certas”. 
 
04. (Pref. São José/PR - Agente Administrativo - FAUEL/2017) 
 
Cassini faz primeiro mergulho entre Saturno e seus anéis; cientistas esperam dados de 
qualidade inédita. 
 
Após 13 anos em órbita, a sonda CassiniHuygens já está enviando informações para a Terra após ter 
feito seu primeiro “mergulho” entre os anéis de Saturno - são 22 planejados para os próximos cinco 
meses. 
A Cassini começou a executar a manobra - considerada difícil e delicada - na última quarta-feira e 
restabeleceu contato com a Nasa (agência espacial americana) na manhã desta quinta. A sonda se 
movimenta a 110 mil km/h, tão rapidamente que qualquer colisão com outros objetos - mesmo partículas 
de terra ou gelo - poderia provocar danos. 
Um objetivo central é determinar a massa e, portanto, a idade dos anéis - formados, acredita-se, por 
gelo e água. Quanto maior a massa, mais velhos eles podem ser, talvez tão antigos quanto Saturno. Os 
cientistas pretendem descobrir isso ao estudar como a velocidade da sonda é alterada enquanto ela voa 
entre os campos gravitacionais gerados pelo planeta e pelas faixas de gelo que giram em torno dele. 
Fragmento do texto publicado no site da BBC Brasil, por Jonathan Amos, correspondente de Ciência da BBC, dia 27 de abril de 2017. 
 
Quanto ao gênero e interpretação do texto, é CORRETO afirmar que se trata de um trecho de: 
(A) uma biografia dos cientistas Cassini e Huygens. 
(B) uma notícia sobre um avanço científico. 
(C) uma reportagem política sobre a Nasa. 
(D) um artigo científico sobre velocidade. 
(E) um texto acadêmico sobre a Via Láctea. 
 
05. (CREF 12ª Região - Assistente Administrativo - QUADRIX) 
 
 
 
 
A interpretação da tirinha, de uma maneira global, permite compreender que: 
(A) As razões pelas quais Ágatha troca Gaturro por um novo namorado são puramente sentimentais. 
(B) Ágatha não consegue apresentar quaisquer razões para ter trocado de namorado. 
(C) Ágatha e Gaturro continuam sendo namorados, apesar de ela afirmar o contrário. 
(D) À medida que Ágatha apresenta suas razões, Gaturro se sente mais e mais humilhado, sentimento 
que tem seu ápice nos dois últimos quadrinhos. 
(E) A relação entre Ágatha e Gaturro sempre foi conturbada, o que se pode comprovar pelas feições 
alternadas de Gato Viga ao longo do desenrolar dos fatos. 
 
 
. 12 
Gabarito 
 
01.B / 02.E / 03.A / 04.B / 05.D 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
O texto argumenta a dificuldade que a ciência moderna teve em relação a quebrar paradigmas 
estabelecidos, que existe um monopólio de interpretação e que este somente pode ser prejudicial não 
permitindo outras formas de interpretação. 
 
02. Resposta: E 
Em relação as quadrinhos é necessário para uma boa interpretação, prestar atenção nos desenhos e 
na linguagem. No primeiro quadrinho a esposa realmente com um rosto felizpensa que sua fala será 
impactante e alegre para o seu marido. 
 
03. Resposta: A 
O modo descritivo-narrativo se apresenta no texto, uma vez que existe a descrição de um personagem 
que molha as plantas, e uma narrativa ao mesmo tempo, a descrição é bem sucinta, ou seja, bem rápida 
e leve. 
 
04. Resposta: B 
O texto expõe claramente um tema sobre avanço científico, sobre a sonda que faz 13 anos está em 
órbita enviando informações para a terra. 
 
05. Resposta: D 
Sim, à medida que Ágatha vai mencionando partes do corpo do seu novo namorado, o Gaturro chega à 
conclusão que é melhor inverter o discurso, para não precisar ouvir mais qualidades do seu novo 
namorado, e suas expressões evidenciam isso claramente. 
 
 
 
“Ideias confusas geram redações confusas”. Esta frase leva-nos a refletir sobre a organização3 das 
ideias em um texto. 
A eficácia do texto dependerá da forma pela qual estas ideias se apresentarão mediante o transcorrer 
do discurso. Partindo deste pressuposto, temos a noção de quão importante é a estruturação do texto 
e dos parágrafos, que permitem que o pensamento seja distribuído de forma lógica e precisa, com vistas 
a permitir uma efetiva interação entre os interlocutores. 
Obviamente que outros fatores relacionados à competência linguística do emissor participam deste 
processo, entre estes: pontuação adequada, utilização correta dos elementos coesivos, de modo a 
estabelecer uma relação harmônica entre uma ideia e outra, dentre outros. 
 
Estruturação 
 
Os elementos essenciais para a composição de um texto são: introdução, desenvolvimento e 
conclusão4. 
Analisemos cada uma das partes separadamente: 
 
Introdução 
Apresentação direta e objetiva da ideia central do texto. 
Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial. 
 
Desenvolvimento 
Estruturalmente, é a maior parte contida no texto. 
 
3 http://ricardovigna.wordpress.com/2009/02/02/estudos-de-linguagem-1-estrutura-frasal-e-pontuacao/ 
4 https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-texto-estrutura-do-paragrafo.html 
Estruturação do texto e dos parágrafos 
 
 
. 13 
O desenvolvimento estabelece uma relação entre a introdução e a conclusão, pois é nesta etapa que 
as ideias, argumentos e posicionamento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com o intuito de 
dirigir a atenção do leitor para a conclusão. 
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e capazes de fazer com que o leitor anteceda 
a conclusão. 
 
Os três principais erros cometidos durante a elaboração do desenvolvimento são: 
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial. 
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os demais. 
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir organizá-las ou relacioná-las, dificultando, 
assim, a linha de entendimento do leitor. 
 
Conclusão 
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas no desenvolvimento, ou seja, é o 
fechamento do texto e dos questionamentos propostos pelo autor. 
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções padrões como: “Portanto, como já 
dissemos antes...”, “Concluindo...”, “Em conclusão, ...”. 
 
Sequência Lógica 
 
O texto deve ter uma sequência lógica, que são exatamente as ideias bem estruturadas que vão levar 
ao leitor compreender o sentido do texto; ou seja, o que se pretende transmitir. Por isso, não pode haver 
ideias ambíguas (duplo sentido) e nem contraditórias (expressando oposição) do que já fora declarado 
no texto; também não pode conter frases inacabadas, incompletas ou sem sentido. 
Após a definição da ideia, o parágrafo é o ponto de partida para uma boa redação. Não se faz um bom 
texto sem um bom parágrafo para sustentar as ideias principais e secundárias. Chegou a hora de 
fundamentar sua ideia. 
 
Parágrafo 
 
Parágrafo é cada unidade de informação construída ou formada no texto, a partir de um tópico frasal 
(ideia central ou principal do parágrafo – é a “puxada do assunto”). O parágrafo é um dos mais importantes 
componentes do texto. Ele sempre deverá ser desenvolvido a partir de uma ideia-núcleo, responsável por 
nortear as ideias secundárias. 
 
Parágrafo-padrão: é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período, em que 
se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente 
relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. 
 
Parágrafos curtos: próprios para textos pequenos, fabricados para leitores de pouca formação 
cultural. A notícia possui parágrafos curtos em colunas estreitas, já artigos e editoriais costumam ter 
parágrafos mais longos. O parágrafo curto também é empregado para movimentar o texto, no meio de 
longos parágrafos, ou para enfatizar uma ideia. 
 
Parágrafos médios: comuns em revistas e livros didáticos destinados a um leitor de nível médio. Cada 
parágrafo médio construído com três períodos que ocupam de 50 a 150 palavras. 
 
Parágrafos longos: em geral, as obras científicas e acadêmicas possuem longos parágrafos, por três 
razões: os textos são grandes e consomem muitas páginas; as explicações são complexas e exigem 
várias ideias e especificações, ocupando mais espaço; os leitores possuem capacidade e fôlego para 
acompanhá-los. 
 
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em relação à margem esquerda da 
folha; conceitualmente, o parágrafo completo deve dispor de introdução, desenvolvimento e conclusão. 
Introdução – também denominada de tópico frasal, constitui-se pela apresentação da ideia principal, 
feita de maneira sintética de acordo com os objetivos do autor... 
Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico frasal, atribuído pelas ideias secundárias, 
com vistas a reforçar e conferir credibilidade na discussão. 
 
. 14 
Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central associando-a aos pressupostos 
mencionados no desenvolvimento, procurando arrematá-los. 
 
Vejamos um exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, desenvolvimento e 
conclusão): 
 
(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas capitais do país é um problema relevante, 
para cuja solução é necessária uma ação conjunta de toda a sociedade. 
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua legislação de proteção ao meio ambiente, 
ou fazer valer as leis em vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de controle dos 
gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando menos o transporte individual e aderindo aos 
programas de rodízio de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo. 
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses três setores da sociedade tendem a 
ser inócuas no combate à poluição e apenas onerar as contas públicas. 
 
Quanto aos textos narrativos, os parágrafos costumam ser caracterizados pelo predomínio dos verbos 
de ação, retratando o posicionamento dos personagens mediante o desenrolar do enredo, bem como 
pela indicação de elementos circunstanciais referentes à trama: quando, por que e com que ocorreram 
os fatos. 
Nesta modalidade, a ocorrência dos parágrafos também se atribui à transcrição do discurso direto, em 
especial às falas dos personagens. 
 
Referindo-se aos textos descritivos, sua utilização está relacionada pela minuciosa exposição dos 
detalhes acerca do objeto descrito, representado por uma pessoa, objeto, animal, lugar, uma obra de arte, 
dentre outros, de modo a permitir que o leitor crie o cenário em sua mente. 
Colaborando na concretização destes propósitos, sobretudo pela finalidade discursiva – visando à 
caracterização de algo –, há o predomínio de verbos de ligação, bem como do uso de adjetivos e de 
orações coordenadas ou justapostas. 
 
Questões 
 
01. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal – FGV/2018) 
 
Quem protege os cidadãos do Estado? 
Renato Mocellin & Rosiane de Camargo, História em Debate 
 
O conjunto de leis nacionais, assim comode tratados e declarações internacionais ratificadas pelos 
países, busca garantir aos cidadãos o acesso pleno aos direitos conquistados. Há, no entanto, inúmeras 
situações em que o Estado coloca a população em risco, estabelecendo políticas públicas autoritárias, 
investindo poucos recursos nos serviços públicos essenciais e envolvendo civis em conflitos armados, 
por exemplo. 
Existem diversas organizações internacionais que atuam de forma a evitar que haja risco para a vida 
das pessoas nesses casos, como a Anistia Internacional, a Cruz Vermelha e os Médicos sem Fronteiras. 
Por meio de acordos internacionais, essas instituições conseguem atuar em regiões de conflito onde há 
perigo para a população. 
Os Médicos sem Fronteiras, por exemplo, nasceram de uma experiência de voluntariado em uma 
guerra civil nigeriana, no fim dos anos 1960. Um grupo de médicos e jornalistas decidiu criar uma 
organização que pudesse oferecer atendimento médico a toda população envolvida em conflitos e 
guerras, sem que essa ação fosse entendida como uma posição política favorável ou contrária aos lados 
envolvidos. Assim, seus membros conseguem chegar a regiões remotas e/ou sob forte bombardeio para 
atender os que estão feridos e sob risco de vida. 
Para que a imparcialidade dos Médicos sem Fronteiras seja possível, é preciso que as partes 
envolvidas no conflito respeitem os direitos dos pacientes atendidos. Assim, a organização informa a 
localização de suas bases e o tipo de atendimento que deve ocorrer ali; o objetivo é proporcionar uma 
atuação transparente, que sublinhe o caráter humanitário da ação dos profissionais da organização. 
 
Sobre a estruturação geral do texto, é correto afirmar que: 
(A) o final do primeiro parágrafo cita todos os casos em que o Estado interfere com a segurança e 
tranquilidade da população; 
 
. 15 
(B) o segundo período do primeiro parágrafo se opõe à ideia central do primeiro período do mesmo 
parágrafo; 
(C) o terceiro e o quarto parágrafos contemplam particularmente as organizações citadas no segundo 
parágrafo; 
(D) o último parágrafo indica um projeto futuro da organização Médicos sem Fronteiras; 
(E) entre o primeiro e o segundo parágrafos há uma relação lógica de causa/consequência. 
 
02. (TRT - 1ª Região - Técnico Judiciário Instituto AOCP/2018) 
 
“Eu era piloto… 
 
Quando ainda estava no sétimo ano, um avião chegou à nossa cidade. Isso naqueles anos, imagine, 
em 1936. Na época, era uma coisa rara. E então veio um chamado: ‘Meninas e meninos, entrem no 
avião!’. Eu, como era komsomolka*, estava nas primeiras filas, claro. Na mesma hora me inscrevi no 
aeroclube. Só que meu pai era categoricamente contra. Até então, todos em nossa família eram 
metalúrgicos, várias gerações de metalúrgicos e operadores de altos-fornos. E meu pai achava que 
metalurgia era um trabalho de mulher, mas piloto não. O chefe do aeroclube ficou sabendo disso e me 
autorizou a dar uma volta de avião com meu pai. Fiz isso. Eu e meu pai decolamos, e, desde aquele dia, 
ele parou de falar nisso. Gostou. Terminei o aeroclube com as melhores notas, saltava bem de 
paraquedas. Antes da guerra, ainda tive tempo de me casar e ter uma filha. 
Desde os primeiros dias da guerra, começaram a reestruturar nosso aeroclube: os homens foram 
enviados para combater; no lugar deles, ficamos nós, as mulheres. Ensinávamos os alunos. Havia muito 
trabalho, da manhã à noite. Meu marido foi um dos primeiros a ir para o front. Só me restou uma fotografia: 
eu e ele de pé ao lado de um avião, com capacete de aviador… Agora vivia junto com minha filha, 
passamos quase o tempo todo em acampamentos. E como vivíamos? Eu a trancava, deixava mingau 
para ela, e, às quatro da manhã, já estávamos voando. Voltava de tarde, e se ela comia eu não sei, mas 
estava sempre coberta daquele mingau. Já nem chorava, só olhava para mim. Os olhos dela são grandes 
como os do meu marido… 
No fim de 1941, me mandaram uma notificação de óbito: meu marido tinha morrido perto de Moscou. 
Era comandante de voo. Eu amava minha filha, mas a mandei para ficar com os parentes dele. E comecei 
a pedir para ir para o front… 
Na última noite… Passei a noite inteira de joelhos ao lado do berço…” 
Antonina Grigórievna Bondareva, tenente da guarda, piloto 
 
* komsomolka: a jovem que fazia parte do Komsomol, Juventude do Partido Comunista da União 
Soviética. 
(Disponível em: ALEKSIÉVITCH, Svetlana. A guerra não tem rosto de mulher. Tradução de Cecília Rosas. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.) 
 
Referente à estruturação do texto II, é correto afirmar que 
(A) o segundo parágrafo está centrado no relato do casamento da narradora e no fato de que ela teve 
uma filha antes da guerra. 
(B) o tipo de narrador presente no texto é o narrador-onisciente, que tem acesso aos pensamentos e 
sentimentos de todas as personagens e a todas as informações do enredo. 
(C) é possível dividir a narrativa em três grandes momentos: como a narradora se tornou piloto; o 
trabalho da narradora durante a guerra; o fim da guerra, em 1941. 
(D) o questionamento “E como vivíamos?”, levantado pela narradora, é uma pergunta retórica, recurso 
argumentativo que consiste em apresentar uma pergunta e não respondê-la, estimulando, assim, que os 
leitores reflitam sobre possíveis respostas. 
(E) todos os parágrafos, com exceção do primeiro, iniciam-se com expressões que têm como função 
localizar temporalmente os eventos narrados. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.E 
 
 
 
 
 
 
. 16 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
a) É aquela alternativa que não tem lógica se você ler o texto, até porque ao final do primeiro parágrafo 
diz que o Estado põe em risco a população, e não que interfere com segurança e tranquilidade. 
b) Gabarito, realmente o segundo período se opõe ao primeiro, sendo que o primeiro diz que o Estado 
busca garantir aos cidadãos acesso pleno aos direitos, e logo após no segundo período diz que o próprio 
Estado põe em risco a população com políticas públicas autoritárias, pouco investimento etc. 
c) o 2º parágrafo cita 3 organizações (anistia internacional / cruz vermelha / médicos sem fronteiras), 
nos 3º e 4º parágrafos fala somente do médico sem fronteiras; 
d) não é um projeto futuro, é a realidade que acontece, é algo presente. 
e) Não há relação de causa e consequência. 
 
02. Resposta: E 
O narrador-onisciente conta a história em 3ª pessoa e, às vezes, permite certas intromissões narrando 
em 1ª pessoa. Ele conhece tudo sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que passa no íntimo 
das personagens, conhece suas emoções e pensamentos. 
 
 
 
COESÃO 
 
Uma das propriedades que distinguem um texto de um amontoado de frases é a relação existente 
entre os elementos que os constituem. A coesão textual é a ligação entre palavras, expressões ou frases 
do texto. Ela manifesta-se por elementos gramaticais, que servem para estabelecer vínculos entre os 
componentes e dar articulação do texto. Observe: 
 
“O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações, que segurava na mão.” 
 
Nesse período, o pronome relativo “que” estabelece conexão entre as duas orações. 
Se tivermos: “O iraquiano leu sua declaração num bloquinho comum de anotações e segurava na mão, 
retomando na segunda um dos termos da primeira: bloquinho. O pronome relativo é um elemento coesivo, 
e a conexão entre as duas orações, um fenômeno de coesão. Leia o texto que segue: 
 
Arroz-doce da infância 
 
Ingredientes 
1 litro de leite desnatado 
150g de arroz cru lavado 
1 pitada de sal 
4 colheres (sopa) de açúcar 
1 colher (sobremesa) de canela em pó 
 
Preparo 
Em uma panela ferva o leite, acrescente o arroz, a pitada de sal e mexa sem parar até cozinhar o 
arroz. Adicione o açúcar e deixe no fogo por mais 2 ou 3 minutos. Despeje em um recipiente, polvilhe a 
canela. Sirva. 
Cozinha Clássica Baixo Colesterol, nº4. São Paulo, InCor, agosto de 1999,. 
 
Toda receita culinária tem duas partes: lista dos ingredientes e modo de preparar. As informaçõesapresentadas na primeira são retomadas na segunda. Nesta, os nomes mencionados pela primeira vez 
na lista de ingredientes vêm precedidos de artigo definido, o qual exerce, entre outras funções, a de 
indicar que o termo determinado por ele se refere ao mesmo ser a que uma palavra idêntica já fizera 
menção. 
Articulação do texto: pronomes e expressões referenciais, nexos, operadores 
sequenciais 
 
 
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No nosso texto, por exemplo, quando se diz que se adiciona o açúcar, o artigo relaciona ao açúcar 
citado na primeira parte. Se dissesse apenas adicione açúcar, deveria adicionar mais além do citado 
anteriormente, pois se trataria de outro açúcar, diverso daquele citado no rol dos ingredientes. 
Há dois tipos principais de mecanismos de coesão: retomada ou antecipação de palavras, 
expressões ou frases e encadeamento de segmentos. 
Retomada ou Antecipação por meio de uma palavra gramatical (pronome, verbos ou advérbios) 
 
“No mercado de trabalho brasileiro, ainda hoje não há total igualdade entre homens e mulheres: estas 
ainda ganham menos do que aqueles em cargos equivalentes.” 
 
Nesse período, o pronome demonstrativo “estas” retoma o termo mulheres, enquanto “aqueles” 
recupera a palavra homens. 
 
- Os termos que servem para retomar outros são denominados anafóricos; os que servem para 
anunciar, para antecipar outros são chamados catafóricos. No exemplo a seguir, desta antecipa 
abandonar a faculdade no último ano: 
“Já viu uma loucura desta, abandonar a faculdade no último ano?” 
 
- São anafóricos ou catafóricos os pronomes demonstrativos, os pronomes relativos, certos advérbios 
ou locuções adverbiais (nesse momento, então, lá), o verbo fazer, o artigo definido, os pronomes pessoais 
de 3ª pessoa (ele, o, a, os, as, lhe, lhes), os pronomes indefinidos. Exemplos: 
 
- O pronome relativo “quem” retoma o substantivo mestre. 
“Ele era muito diferente de seu mestre, a quem sucedera na cátedra de Sociologia na Universidade 
de São Paulo.” 
 
- O pronome pessoal “elas” recupera o substantivo pessoas; o pronome pessoal “o” retoma o nome 
Machado de Assis. 
“As pessoas simplificam Machado de Assis; elas o veem como um descrente do amor e da amizade.” 
 
- O numeral “ambos” retoma a expressão os dois homens. 
“Os dois homens caminhavam pela calçada, ambos trajando roupa escura.” 
 
- O advérbio “lá” recupera a expressão ao cinema. 
“Fui ao cinema domingo e, chegando lá, fiquei desanimado com a fila.” 
 
- A forma verbal “fará” retoma a perífrase verbal vai inaugurar e seu complemento. 
“O governador vai pessoalmente inaugurar a creche dos funcionários do palácio, e o fará para 
demonstrar seu apreço aos servidores.” 
 
- Em princípio, o termo a que “o” anafórico se refere deve estar presente no texto, senão a coesão fica 
comprometida, como neste exemplo: 
“André é meu grande amigo. Começou a namorá-la há vários meses.” 
 
A rigor, não se pode dizer que o pronome “la” seja um anafórico, pois não está retomando nenhuma 
das palavras citadas antes. Exatamente por isso, o sentido da frase fica totalmente prejudicado: não há 
possibilidade de se depreender o sentido desse pronome. 
Pode ocorrer, no entanto, que o anafórico não se refira a nenhuma palavra citada anteriormente no 
interior do texto, mas que possa ser inferida por certos pressupostos típicos da cultura em que se inscreve 
o texto. É o caso de um exemplo como este: 
“O casamento teria sido às 20 horas. O noivo já estava desesperado, porque eram 21 horas e ela não 
havia comparecido.” 
 
Por dados do contexto cultural, sabe-se que o pronome “ela” é um anafórico que só pode estar-se 
referindo à palavra noiva. Num casamento, estando presente o noivo, o desespero só pode ser pelo atraso 
da noiva (representada por “ela” no exemplo citado). 
 
- O artigo indefinido (um, uma, uns, umas) serve geralmente para introduzir informações novas ao 
texto. Quando elas forem retomadas, deverão ser precedidas do artigo definido (o, a, os, as), pois este é 
 
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que tem a função de indicar que o termo por ele determinado é idêntico, em termos de valor referencial, 
a um termo já mencionado. 
“O encarregado da limpeza encontrou uma carteira na sala de espetáculos. Curiosamente, a carteira 
tinha muito dinheiro dentro, mas nem um documento sequer.” 
 
- Quando, em dado contexto, o anafórico pode referir-se a dois termos distintos, há uma ruptura de 
coesão, porque ocorre uma ambiguidade insolúvel. É preciso que o texto seja escrito de tal forma que o 
leitor possa determinar exatamente qual é a palavra retomada pelo anafórico. 
 
- O anafórico “sua” pode estar-se referindo tanto à palavra ator quanto a diretor. 
“Durante o ensaio, o ator principal brigou com o diretor por causa da sua arrogância.” 
 
- Não se sabe se o anafórico “que” está se referindo ao termo amiga ou a ex-namorado no exemplo 
abaixo. Permutando o anafórico “que” por “o qual” ou “a qual”, essa ambiguidade seria desfeita. 
“André brigou com o ex-namorado de uma amiga, que trabalha na mesma firma.” 
 
Retomada por palavra lexical - (substantivo, adjetivo ou verbo) 
 
Uma palavra pode ser retomada, quer por uma repetição, quer por uma substituição por sinônimo, 
hiperônimo, hipônimo ou antonomásia. 
Sinônimo: é o nome que se dá a uma palavra que possui o mesmo sentido que outra, ou sentido 
bastante aproximado: injúria e afronta, alegre e contente. 
Hiperônimo: é um termo que mantém com outro uma relação do tipo contém/está contido; 
Hipônimo: é uma palavra que mantém com outra uma relação do tipo está contido/contém. O 
significado do termo rosa está contido no de flor e o de flor contém o de rosa, pois toda rosa é uma flor, 
mas nem toda flor é uma rosa. Flor é, pois, hiperônimo de rosa, e esta palavra é hipônimo daquela. 
Antonomásia: é a substituição de um nome próprio por um nome comum ou de um comum por um 
próprio. Ela ocorre, principalmente, quando uma pessoa célebre é designada por uma característica 
notória ou quando o nome próprio de uma personagem famosa é usado para designar outras pessoas 
que possuam a mesma característica que a distingue: 
 
“O rei do futebol (=Pelé) só podia ser um brasileiro.” 
“O herói de dois mundos (=Garibaldi) foi lembrado numa recente minissérie de tevê.” 
*Referência ao fato notório de Giuseppe Garibaldi haver lutado pela liberdade na Europa e na América. 
 
“Ele é um Hércules.” (=um homem muito forte). 
*Referência à força física que caracteriza o herói grego Hércules. 
 
“Um presidente da República tem uma agenda de trabalho extremamente carregada. Deve receber 
ministros, embaixadores, visitantes estrangeiros, parlamentares; precisa a todo o momento tomar graves 
decisões que afetam a vida de muitas pessoas; necessita acompanhar tudo o que acontece no Brasil e 
no mundo. Um presidente deve começar a trabalhar ao raiar do dia e terminar sua jornada altas horas 
da noite.” 
 
A repetição do termo presidente estabelece a coesão entre o último período e o que vem antes dele. 
 
“Observava as estrelas, os planetas, os satélites. Os astros sempre o atraíram.” 
 
Os dois períodos estão relacionados pelo hiperônimo astros, que recupera os hipônimos estrelas, 
planetas, satélites. 
 
“Eles (os alquimistas) acreditavam que o organismo do homem era regido por humores (fluidos 
orgânicos) que percorriam, ou apenas existiam, em maior ou menor intensidade em nosso corpo. Eram 
quatro os humores: o sangue, a fleuma (secreção pulmonar), a bile amarela e a bile negra. E eram 
também estes quatro fluidos ligados aos quatro elementos fundamentais: ao Ar (seco), à Água (úmido), 
ao Fogo (quente) e à Terra (frio), respectivamente.” 
Ziraldo. In: Revista Vozes, nº3, abril de 1970, p.18. 
 
Nesse texto, a ligação entre o segundo e o primeiro períodos se faz pela repetição da palavra humores; 
entre o terceiro e o segundo se faz pela utilização do sinônimo fluidos. 
 
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É preciso manejar com muito cuidado a repetição de palavras, pois, se ela não for usada para criar um 
efeito de sentido de intensificação,constituirá uma falha de estilo. 
No trecho transcrito a seguir por exemplo, fica claro o uso da repetição da palavra vice e outras 
parecidas (vicissitudes, vicejam, viciem), com a evidente intenção de ridicularizar a condição secundária 
que um provável flamenguista atribui ao Vasco e ao seu Vice-presidente: 
“Recebi por esses dias um e-mail com uma série de piadas sobre o pouco simpático Eurico Miranda. 
Faltam-me provas, mas tudo leva a crer que o remetente seja um flamenguista.” 
 
Segundo o texto, Eurico nasceu para ser vice: é vice-presidente do clube, vice-campeão carioca e bi-
vice-campeão mundial. E isso sem falar do vice no Carioca de futsal, no Carioca de basquete, no 
Brasileiro de basquete e na Taça Guanabara. São vicissitudes que vicejam. Espero que não viciem. 
 
José Roberto Torero. In: Folha de S. Paulo, 2000. 
 
A elipse é o apagamento de um segmento de frase que pode ser facilmente recuperado pelo contexto. 
Também constitui um expediente de coesão, pois é o apagamento de um termo que seria repetido, e o 
preenchimento do vazio deixado pelo termo apagado (=elíptico) exige, necessariamente, que se faça 
correlação com outros termos presentes no contexto, ou referidos na situação em que se desenrola a 
fala. 
Vejamos estes versos do poema “Círculo vicioso”, de Machado de Assis: 
 
(...) 
Mas a lua, fitando o sol, com azedume: 
 
“Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela 
Claridade imorta, que toda a luz resume!” 
Obra completa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1979, VIII, 
 
Nesse caso, o verbo dizer, que seria enunciado antes daquilo que disse a lua, isto é, antes das aspas, 
fica subentendido, é omitido por ser facilmente presumível. 
Qualquer segmento da frase pode sofrer elipse. Veja que, no exemplo abaixo, é o sujeito meu pai que 
vem elidido (ou apagado) antes de sentiu e parou: 
 
“Meu pai começou a andar novamente, sentiu a pontada no peito e parou.” 
 
Pode ocorrer também elipse por antecipação. No exemplo que segue, aquela promoção é 
complemento tanto de querer quanto de desejar, no entanto aparece apenas depois do segundo verbo: 
 
“Ficou muito deprimido com o fato de ter sido preterido. Afinal, queria muito, desejava ardentemente 
aquela promoção.” 
 
Quando se faz essa elipse por antecipação com verbos que têm regência diferente, a coesão é 
rompida. Por exemplo, não se deve dizer “Conheço e gosto deste livro”, pois o verbo conhecer rege 
complemento não introduzido por preposição, e a elipse retoma o complemento inteiro, portanto teríamos 
uma preposição indevida: “Conheço (deste livro) e gosto deste livro”. Em “Implico e dispenso sem dó os 
estranhos palpiteiros”, diferentemente, no complemento em elipse faltaria a preposição “com” exigida pelo 
verbo implicar. 
Nesses casos, para assegurar a coesão, o recomendável é colocar o complemento junto ao primeiro 
verbo, respeitando sua regência, e retomá-lo após o segundo por um anafórico, acrescentando a 
preposição devida (Conheço este livro e gosto dele) ou eliminando a indevida (Implico com estranhos 
palpiteiros e os dispenso sem dó). 
 
Coesão por Conexão 
Há na língua uma série de palavras ou locuções que são responsáveis pela concatenação ou relação 
entre segmentos do texto. Esses elementos denominam-se conectores ou operadores discursivos. Por 
exemplo: visto que, até, ora, no entanto, contudo, ou seja. 
Note-se que eles fazem mais do que ligar partes do texto: estabelecem entre elas relações semânticas 
de diversos tipos, como contrariedade, causa, consequência, condição, conclusão, etc. Essas relações 
exercem função argumentativa no texto, por isso os operadores discursivos não podem ser usados 
indiscriminadamente. 
 
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Na frase “O time apresentou um bom futebol, mas não alcançou a vitória”, por exemplo, o conector 
“mas” está adequadamente usado, pois ele liga dois segmentos com orientação argumentativa contrária. 
Se fosse utilizado, nesse caso, o conector “portanto”, o resultado seria um paradoxo semântico, pois esse 
operador discursivo liga dois segmentos com a mesma orientação argumentativa, sendo o segmento 
introduzido por ele a conclusão do anterior. 
- Gradação: há operadores que marcam uma gradação numa série de argumentos orientados para 
uma mesma conclusão. Dividem-se eles, em dois subtipos: os que indicam o argumento mais forte de 
uma série: até, mesmo, até mesmo, inclusive, e os que subentendem uma escala com argumentos mais 
fortes: ao menos, pelo menos, no mínimo, no máximo, quando muito. 
 
“Ele é um bom conferencista: tem uma voz bonita, é bem articulado, conhece bem o assunto de que 
fala e é até sedutor.” 
 
Toda a série de qualidades está orientada no sentido de comprovar que ele é bom conferencista; 
dentro dessa série, ser sedutor é considerado o argumento mais forte. 
 
“Ele é ambicioso e tem grande capacidade de trabalho. Chegará a ser pelo menos diretor da 
empresa.” 
 
Pelo menos introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ser ambicioso e ter grande 
capacidade de trabalho; por outro lado, subentende que há argumentos mais fortes para comprovar que 
ele tem as qualidades requeridas dos que vão longe (por exemplo, ser presidente da empresa) e que se 
está usando o menos forte; ao menos, pelo menos e no mínimo ligam argumentos de valor positivo. 
 
“Ele não é bom aluno. No máximo vai terminar o segundo grau.” 
No máximo introduz um argumento orientado no mesmo sentido de ter muita dificuldade de aprender; 
supõe que há uma escala argumentativa (por exemplo, fazer uma faculdade) e que se está usando o 
argumento menos forte da escala no sentido de provar a afirmação anterior; no máximo e quando muito 
estabelecem ligação entre argumentos de valor depreciativo. 
 
- Conjunção Argumentativa: há operadores que assinalam uma conjunção argumentativa, ou seja, 
ligam um conjunto de argumentos orientados em favor de uma dada conclusão: e, também, ainda, nem, 
não só... mas também, tanto... como, além de, a par de. 
 
“Se alguém pode tomar essa decisão é você. Você é o diretor da escola, é muito respeitado pelos 
funcionários e também é muito querido pelos alunos.” 
 
Arrolam-se três argumentos em favor da tese que é o interlocutor quem pode tomar uma dada decisão. 
O último deles é introduzido por “e também”, que indica um argumento final na mesma direção 
argumentativa dos precedentes. 
Esses operadores introduzem novos argumentos; não significam, em hipótese nenhuma, a repetição 
do que já foi dito. Ou seja, só podem ser ligados com conectores de conjunção segmentos que 
representam uma progressão discursiva. É possível dizer “Disfarçou as lágrimas que o assaltaram e 
continuou seu discurso”, porque o segundo segmento indica um desenvolvimento da exposição. Não teria 
cabimento usar operadores desse tipo para ligar dois segmentos como “Disfarçou as lágrimas que o 
assaltaram e escondeu o choro que tomou conta dele”. 
 
- Disjunção Argumentativa: há também operadores que indicam uma disjunção argumentativa, ou 
seja, fazem uma conexão entre segmentos que levam a conclusões opostas, que têm orientação 
argumentativa diferente: ou, ou então, quer... quer, seja... seja, caso contrário, ao contrário. 
 
“Não agredi esse imbecil. Ao contrário, ajudei a separar a briga, para que ele não apanhasse.” 
 
O argumento introduzido por ao contrário é diretamente oposto àquele de que o falante teria agredido 
alguém. 
 
- Conclusão: existem operadores que marcam uma conclusão em relação ao que foi dito em dois ou 
mais enunciados anteriores (geralmente, uma das afirmações de que decorre a conclusão fica implícita, 
 
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por manifestar uma voz geral, uma verdade universalmente aceita): logo, portanto, por conseguinte, pois 
(o pois é conclusivo quando não encabeça a oração). 
 
“Essa guerra é uma guerra de conquista, pois visa ao controle dos fluxos mundiais de petróleo. Por 
conseguinte, não é moralmente defensável.” 
 
Por conseguinte introduz uma conclusão em relação à afirmação exposta no primeiro período. 
 
- Comparação: outrosimportantes operadores discursivos são os que estabelecem uma comparação 
de igualdade, superioridade ou inferioridade entre dois elementos, com vistas a uma conclusão contrária 
ou favorável a certa ideia: tanto... quanto, tão... como, mais... (do) que. 
 
“Os problemas de fuga de presos serão tanto mais graves quanto maior for a corrupção entre os 
agentes penitenciários.” 
 
O comparativo de igualdade tem no texto uma função argumentativa: mostrar que o problema da fuga 
de presos cresce à medida que aumenta a corrupção entre os agentes penitenciários; por isso, os 
segmentos podem até ser permutáveis do ponto de vista sintático, mas não o são do ponto de vista 
argumentativo, pois não há igualdade argumentativa proposta: 
 
“Tanto maior será a corrupção entre os agentes penitenciários quanto mais grave for o problema da 
fuga de presos”. 
 
Muitas vezes a permutação dos segmentos leva a conclusões opostas: Imagine-se, por exemplo, o 
seguinte diálogo entre o diretor de um clube esportivo e o técnico de futebol: 
 
“__Precisamos promover atletas das divisões de base para reforçar nosso time. 
__Qualquer atleta das divisões de base é tão bom quanto os do time principal.” 
 
Nesse caso, o argumento do técnico é a favor da promoção, pois ele declara que qualquer atleta das 
divisões de base tem, pelo menos, o mesmo nível dos do time principal, o que significa que estes não 
primam exatamente pela excelência em relação aos outros. 
Suponhamos, agora, que o técnico tivesse invertido os segmentos na sua fala: 
 
“__Qualquer atleta do time principal é tão bom quanto os das divisões de base.” 
 
Nesse caso, seu argumento seria contra a necessidade da promoção, pois ele estaria declarando que 
os atletas do time principal são tão bons quanto os das divisões de base. 
 
- Explicação ou Justificativa: há operadores que introduzem uma explicação ou uma justificativa em 
relação ao que foi dito anteriormente: porque, já que, que, pois. 
 
“Já que os Estados Unidos invadiram o Iraque sem autorização da ONU, devem arcar sozinhos com 
os custos da guerra.” 
 
Já que inicia um argumento que dá uma justificativa para a tese de que os Estados Unidos devam 
arcar sozinhos com o custo da guerra contra o Iraque. 
 
- Contrajunção: os operadores discursivos que assinalam uma relação de contrajunção, isto é, que 
ligam enunciados com orientação argumentativa contrária, são as conjunções adversativas (mas, 
contudo, todavia, no entanto, entretanto, porém) e as concessivas (embora, apesar de, apesar de que, 
conquanto, ainda que, posto que, se bem que). 
Qual é a diferença entre as adversativas e as concessivas, se tanto umas como outras ligam 
enunciados com orientação argumentativa contrária? 
Nas adversativas, prevalece a orientação do segmento introduzido pela conjunção. 
 
“O atleta pode cair por causa do impacto, mas se levanta mais decidido a vencer.” 
 
 
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Nesse caso, a primeira oração conduz a uma conclusão negativa sobre um processo ocorrido com o 
atleta, enquanto a começada pela conjunção “mas” leva a uma conclusão positiva. Essa segunda 
orientação é a mais forte. 
Compare-se, por exemplo, “Ela é simpática, mas não é bonita” com “Ela não é bonita, mas é simpática”. 
No primeiro caso, o que se quer dizer é que a simpatia é suplantada pela falta de beleza; no segundo, 
que a falta de beleza perde relevância diante da simpatia. Quando se usam as conjunções adversativas, 
introduz-se um argumento com vistas à determinada conclusão, para, em seguida, apresentar um 
argumento decisivo para uma conclusão contrária. 
Com as conjunções concessivas, a orientação argumentativa que predomina é a do segmento não 
introduzido pela conjunção. 
 
“Embora haja conexão entre saber escrever e saber gramática, trata-se de capacidades diferentes.” 
 
A oração iniciada por “embora” apresenta uma orientação argumentativa no sentido de que saber 
escrever e saber gramática são duas coisas interligadas; a oração principal conduz à direção 
argumentativa contrária. 
Quando se utilizam conjunções concessivas, a estratégia argumentativa é a de introduzir no texto um 
argumento que, embora tido como verdadeiro, será anulado por outro mais forte com orientação contrária. 
A diferença entre as adversativas e as concessivas, portanto, é de estratégia argumentativa. Compare 
os seguintes períodos: 
 
“Por mais que o exército tivesse planejado a operação (argumento mais fraco), a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).” 
“O exército planejou minuciosamente a operação (argumento mais fraco), mas a realidade mostrou-
se mais complexa (argumento mais forte).” 
 
- Argumento Decisivo: há operadores discursivos que introduzem um argumento decisivo para 
derrubar a argumentação contrária, mas apresentando-o como se fosse um acréscimo, como se fosse 
apenas algo mais numa série argumentativa: além do mais, além de tudo, além disso, ademais. 
 
“Ele está num período muito bom da vida: começou a namorar a mulher de seus sonhos, foi promovido 
na empresa, recebeu um prêmio que ambicionava havia muito tempo e, além disso, ganhou uma bolada 
na loteria.” 
 
O operador discursivo introduz o que se considera a prova mais forte de que “Ele está num período 
muito bom da vida”; no entanto, essa prova é apresentada como se fosse apenas mais uma. 
 
- Generalização ou Amplificação: existem operadores que assinalam uma generalização ou uma 
amplificação do que foi dito antes: de fato, realmente, como aliás, também, é verdade que. 
 
“O problema da erradicação da pobreza passa pela geração de empregos. De fato, só o crescimento 
econômico leva ao aumento de renda da população.” 
 
O conector introduz uma amplificação do que foi dito antes. 
 
“Ele é um técnico retranqueiro, como aliás o são todos os que atualmente militam no nosso futebol. 
 
O conector introduz uma generalização ao que foi afirmado: não “ele”, mas todos os técnicos do nosso 
futebol são retranqueiros. 
 
- Especificação ou Exemplificação: também há operadores que marcam uma especificação ou uma 
exemplificação do que foi afirmado anteriormente: por exemplo, como. 
 
“A violência não é um fenômeno que está disseminado apenas entre as camadas mais pobres da 
população. Por exemplo, é crescente o número de jovens da classe média que estão envolvidos em toda 
sorte de delitos, dos menos aos mais graves.” 
 
Por exemplo assinala que o que vem a seguir especifica, exemplifica a afirmação de que a violência 
não é um fenômeno adstrito aos membros das “camadas mais pobres da população”. 
 
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- Retificação ou Correção: há ainda os que indicam uma retificação, uma correção do que foi afirmado 
antes: ou melhor, de fato, pelo contrário, ao contrário, isto é, quer dizer, ou seja, em outras palavras. 
 
“Vou-me casar neste final de semana. Ou melhor, vou passar a viver junto com minha namorada.” 
 
O conector inicia um segmento que retifica o que foi dito antes. 
Esses operadores servem também para marcar um esclarecimento, um desenvolvimento, uma 
redefinição do conteúdo enunciado anteriormente. 
 
“A última tentativa de proibir a propaganda de cigarros nas corridas de Fórmula 1 não vingou. De fato, 
os interesses dos fabricantes mais uma vez prevaleceram sobre os da saúde.” 
 
O conector introduz um esclarecimento sobre o que foi dito antes. 
Servem ainda para assinalar uma atenuação ou um reforço do conteúdo de verdade de um enunciado. 
 
“Quando a atual oposição estava no comando do país, não fez o que exige hoje que o governo faça. 
Ao contrário, suas políticas iam na direção contrária do que prega atualmente. 
 
O conector introduz um argumento que reforça o que foi dito antes. 
 
- Explicação: há operadores que desencadeiam uma explicação, uma confirmação, uma ilustração do 
que foi afirmado antes: assim, desse modo, dessa maneira. 
 
“O exército inimigo não desejava a paz. Assim, enquanto se processavam as negociações, atacou de 
surpresa.” 
 
O operador introduz uma confirmação do que foi afirmado antes. 
 
Coesãopor Justaposição 
É a coesão que se estabelece com base na sequência dos enunciados, marcada ou não com 
sequenciadores. 
 
- Sequenciadores Temporais: são os indicadores de anterioridade, concomitância ou posterioridade: 
dois meses depois, uma semana antes, um pouco mais tarde, etc. (são utilizados predominantemente 
nas narrações). 
 
“Uma semana antes de ser internado gravemente doente, ele esteve conosco. Estava alegre e cheio 
de planos para o futuro.” 
 
- Sequenciadores Espaciais: são os indicadores de posição relativa no espaço: à esquerda, à direita, 
junto de, etc. (são usados principalmente nas descrições). 
 
“A um lado, duas estatuetas de bronze dourado, representando o amor e a castidade, sustentam uma 
cúpula oval de forma ligeira, donde se desdobram até o pavimento bambolins de cassa finíssima. (...) Do 
outro lado, há uma lareira, não de fogo, que o dispensa nosso ameno clima fluminense, ainda na maior 
força do inverno.” 
José de Alencar. Senhora. São Paulo, FTD, 1992, p. 77. 
 
- Sequenciadores de Ordem: são os que assinalam a ordem dos assuntos numa exposição: 
primeiramente, em segunda, a seguir, finalmente, etc. 
 
“Para mostrar os horrores da guerra, falarei, inicialmente, das agruras por que passam as populações 
civis; em seguida, discorrerei sobre a vida dos soldados na frente de batalha; finalmente, exporei suas 
consequências para a economia mundial e, portanto, para a vida cotidiana de todos os habitantes do 
planeta.” 
 
- Sequenciadores para Introdução: são os que, na conversação principalmente, servem para 
introduzir um tema ou mudar de assunto: a propósito, por falar nisso, mas voltando ao assunto, fazendo 
um parêntese, etc. 
 
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“Joaquim viveu sempre cercado do carinho de muitas pessoas. A propósito, era um homem que sabia 
agradar às mulheres.” 
 
- Operadores discursivos não explicitados: se o texto for construído sem marcadores de 
sequenciação, o leitor deverá inferir, a partir da ordem dos enunciados, os operadores discursivos não 
explicitados na superfície textual. Nesses casos, os lugares dos diferentes conectores estarão indicados, 
na escrita, pelos sinais de pontuação: ponto-final, vírgula, ponto-e-vírgula, dois-pontos. 
“A reforma política é indispensável. Sem a existência da fidelidade partidária, cada parlamentar vota 
segundo seus interesses e não de acordo com um programa partidário. Assim, não há bases 
governamentais sólidas.” 
 
Esse texto contém três períodos. O segundo indica a causa de a reforma política ser indispensável. 
Portanto o ponto-final do primeiro período está no lugar de um porque. 
 
A língua tem um grande número de conectores e sequenciadores. Apresentamos os principais e 
explicamos sua função. É preciso ficar atento aos fenômenos de coesão. Mostramos que o uso 
inadequado dos conectores e a utilização inapropriada dos anafóricos ou catafóricos geram rupturas na 
coesão, o que leva o texto a não ter sentido ou, pelo menos, a não ter o sentido desejado. Outra falha 
comum no que tange a coesão é a falta de partes indispensáveis da oração ou do período. Analisemos 
este exemplo: 
“As empresas que anunciaram que apoiariam a campanha de combate à fome que foi lançada pelo 
governo federal.” 
 
O período compõe-se de: 
- As empresas; 
- que anunciaram (oração subordinada adjetiva restritiva da primeira oração); 
- que apoiariam a campanha de combate à fome (oração subordinada substantiva objetiva direta da 
segunda oração); 
- que foi lançada pelo governo federal (oração subordinada adjetiva restritiva da terceira oração). 
 
Observe-se que falta o predicado da primeira oração. Quem escreveu o período começou a encadear 
orações subordinadas e “esqueceu-se” de terminar a principal. 
Quebras de coesão desse tipo são mais comuns em períodos longos. No entanto, mesmo quando se 
elaboram períodos curtos é preciso cuidar para que sejam sintaticamente completos e para que suas 
partes estejam bem conectadas entre si. 
Para que um conjunto de frases constitua um texto, não basta que elas estejam coesas: se não tiverem 
unidade de sentido, mesmo que aparentemente organizadas, elas não passarão de um amontoado 
injustificado. 
“Vivo há muitos anos em São Paulo. A cidade tem excelentes restaurantes. Ela tem bairros muito 
pobres. Também o Rio de Janeiro tem favelas.” 
 
Todas as frases são coesas. O hiperônimo cidade retoma o substantivo São Paulo, estabelecendo 
uma relação entre o segundo e o primeiro períodos. O pronome “ela” recupera a palavra cidade, 
vinculando o terceiro ao segundo período. O operador também realiza uma conjunção argumentativa, 
relacionando o quarto período ao terceiro. No entanto, esse conjunto não é um texto, pois não apresenta 
unidade de sentido, isto é, não tem coerência. A coesão, portanto, é condição necessária, mas não 
suficiente, para produzir um texto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Questões 
 
01. (CRP 2º Região PE - Assistente Administrativo - Quadrix/2018) 
 
 
No terceiro quadrinho, a palavra "isso" ajuda a estabelecer, no texto, um processo de 
(A) coesão sequencial. 
(B) coesão referencial anafórica. 
(C) coesão referencial catafórica. 
(D) coesão exofórica. 
(E) perda de coesão. 
 
02. (Pref. de Teresina/PI – Professor – Português – NUCEPE/2016) A coerência e a coesão são 
mecanismo da textualidade que se estabelecem no texto a partir da: 
(A) conectividade. 
(B) intencionalidade. 
(C) aceitabilidade. 
(D) intertextualidade. 
(E) informatividade. 
 
03. (TER/PI – Analista Judiciário – CESPE/2016) 
 
 
 
Na história em quadrinhos, a coesão e a coerência textuais são estabelecidas por meio 
(A) da retomada do termo “informação”, no último quadrinho. 
(B) da explicitação das formas existentes no mundo que, em tese, poderiam equivaler a vida. 
(C) do questionamento acerca do que vem a ser vida. 
(D) da resposta ao próprio questionamento do indivíduo do primeiro quadrinho. 
(E) das formas alfabéticas do segundo quadrinho. 
 
04. (UFMS – Assistente em Administração – UFMS/2016) 
 
Concurso marca 400 anos da morte de Shakespeare 
Vídeos que melhor mostrarem a atualidade da obra do dramaturgo inglês serão premiados com 
viagem ao Reino Unido e vale-presente 
 
REDAÇÃO 5 de maio de 2016 
 
. 26 
Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta 
que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje, promovido pelo British Council e parte da 
programação “Shakespeare Lives”, que vem celebrando por meio de uma série de eventos, que se 
estenderão ao longo do ano, os quatro séculos da morte do dramaturgo inglês. 
Destinado a professores e alunos de escolas públicas e particulares de todo o Brasil, o concurso pede 
para que os participantes produzam um vídeo que mostre a importância e atualidade da obra 
shakespeariana. 
As produções devem ter, no máximo, quatro minutos e podem ser feitas em grupos de até cinco alunos 
que estejam cursando o Ensino Fundamental II ou Médio e com a coordenação de um professor. 
O material deve abordar textos e personagens de Shakespeare e pode conter excertos de peças, 
adaptações ou conteúdos autorais que sejam inspirados pela obra do autor. 
Os melhores vídeos serão premiados com uma viagem para o Reino Unido e vales-presentes no valor 
de 1 mil reais. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 28 de outubro. 
 
(www.cartaeducacao.com.br/agenda/concurso-marca-400-anos-da-morte-de-shakespeare, 2016) 
Assinale a alternativa INCORRETA no que se refere à coesão e/ou à coerência do texto lido. 
(A) No estabelecimento de coesão lexical no texto, os nomes “vídeos”, “produções” e “material” são 
empregados em relação de sinonímia. 
(B) No trecho “É essa a pergunta que embala o concurso cultural Shakespeare Hoje[...]” (1º parágrafo), 
o pronome demonstrativo “essa” estabelece referência catafórica por se referir ao substantivo “pergunta”. 
(C) Em “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual?” (1º 
parágrafo), a sequênciaformada pela preposição “por” e pelo pronome interrogativo “que” pode ser 
substituída, sem prejuízo de sentido, pela expressão “por qual motivo”. 
(D) Entre as marcas de coesão referencial do texto, está o uso dos pronomes “sua” em “Passados 400 
anos da sua morte” e “essa” em “É essa a pergunta que embala o concurso”. (1º parágrafo) 
(E) Entre as marcas de coesão lexical do texto, está o uso de “autor” (penúltimo parágrafo) e 
“dramaturgo inglês” (primeiro parágrafo) em referência a “William Shakespeare”. (1º parágrafo). 
 
05. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN/2016) 
 
Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar náufragos 
Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o sofrimento dos refugiados deixou-o mais 
rígido com as próprias filhas. 
 
O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas. Cobriu guerras e os protestos da 
Primavera Árabe. Nos últimos meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa. Ele 
conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem sido o trabalho na ilha de Lesbos, na 
Grécia, onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de 700.000 
refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no litoral grego este ano. As autoridades locais 
estão sendo acusadas de não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça de 
suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre circulação de pessoas entre os Estados-
membros. 
Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em território pacífico, pessoas que trazem 
no rosto o sofrimento da guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna isso ainda 
mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis. Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo, 
então, de certa forma, está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas que ele 
documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta segurança. As pessoas que chegam estão 
lutando por suas vidas. Não são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em terra 
firme, por falta de atendimento médico. 
Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os protagonistas de suas fotos, muitas 
vezes Messinis deixa a câmera de lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito 
com os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis aos perigos da 
travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns deles nas pedras à beira-mar. 
O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das crianças refugiadas deixou-o mais 
rígido com as próprias filhas. As maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que acontece 
com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em como suas filhas têm sorte de estarem vivas, 
de terem onde morar e de viverem num país em paz. Elas não têm do que reclamar. 
(Por: Diogo Schelp 04/12/2015. 
Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-reportagem/conheca-aris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-naufragos/.) 
 
 
. 27 
Na construção do texto, a coerência e a coesão são de fundamental importância para que sua 
compreensão não seja comprometida. Alguns elementos são empregados de forma efetiva e explícita 
com tal propósito. Nos trechos a seguir foram destacados alguns elementos cuja função anafórica 
contribui para a coesão textual, com EXCEÇÃO de: 
(A) “[...] pessoas que trazem no rosto o sofrimento da guerra.” (2º§) 
(B) “Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos [...]” (1º§) 
(C) “O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento [...]” (4º§) 
(D) “[...] onde milhares de refugiados pisam pela primeira vez em território europeu.” (1º§) 
 
06. (Pref. de Niterói/RJ – Administrador – COSEAC/2016) 
 
O Brasil é minha morada 
1 Permita-me que lhes confesse que o Brasil é a minha morada. O meu teto quente, a minha sopa 
fumegante. É casa da minha carne e do meu espírito. O alojamento provisório dos meus mortos. A caixa 
mágica e inexplicável onde se abrigam e se consomem os dias essenciais da minha vida. 
2 É a terra onde nascem as bananas da minha infância e as palavras do meu sempre precário 
vocabulário. Neste país conheci emoções revestidas de opulenta carnalidade que nem sempre 
transportavam no pescoço o sinete da advertência, justificativa lógica para sua existência. 
3 Sem dúvida, o Brasil é o paraíso essencial da minha memória. O que a vida ali fez brotar com 
abundância, excedeu ao que eu sabia. Pois cada lembrança brasileira corresponde à memória do mundo, 
onde esteja o universo resguardado. Portanto, ao apresentar-me aqui como brasileira, automaticamente 
sou romana, sou egípcia, sou hebraica. Sou todas as civilizações que aportaram neste acampamento 
brasileiro. 
4 Nesta terra, onde plantando-se nascem a traição, a sordidez, a banalidade, também afloram a 
alegria, a ingenuidade, a esperança, a generosidade, atributos alimentados pelo feijão bem temperado, o 
arroz soltinho, o bolo de milho, o bife acebolado, e tantos outros anjos feitos com gema de ovo, que deita 
raízes no mundo árabe, no mundo luso. 
5 Deste país surgiram inesgotáveis sagas, narradores astutos, alegres mentirosos. Seres anônimos, 
heróis de si mesmos, poetas dos sonhos e do sarcasmo, senhores de máscaras venezianas, africanas, 
ora carnavalescas, ora mortuárias. Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do seu tempo, 
acomodam-se esplêndidas à sombra da mangueira só pelo prazer de dedilhar as cordas da guitarra e do 
coração. 
6 Neste litoral, que foi berço de heróis, de marinheiros, onde os saveiros da imaginação cruzavam as 
águas dos mares bravios em busca de peixes, de sereias e da proteção de Iemanjá, ali se instalaram 
civilizações feitas das sobras de outras tantas culturas. Cada qual fincando hábitos, expressões, loucas 
demências nos nossos peitos. 
7 Este Brasil que critico, examino, amo, do qual nasceu Machado de Assis, cujo determinismo falhou 
ao não prever a própria grandeza. Mas como poderia este mulato, este negro, este branco, esta alma 
miscigenada, sempre pessimista e feroz, acatar uma existência que contrariava regras, previsões, 
fatalidades? Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e 
revivê-lo ao mesmo tempo? 
8 Fomos portugueses, espanhóis e holandeses, até sermos brasileiros. Uma grei de etnias ávidas e 
belas, atraída pelas aventuras terrestres e marítimas. Inventora, cada qual, de uma nação foragida da 
realidade mesquinha, uma espécie de ficção compatível com uma fábula que nos habilite a frequentar 
com desenvoltura o teatro da história. 
(PIÑON, Nélida. Aprendiz de Homero. Rio de Janeiro: Editora Record, 2008, p. 241-243, fragmento.) 
A leitura correta do texto indica que o elemento de coesão textual destacado em cada fragmento abaixo 
está ERRONEAMENTE informado na opção: 
(A) “justificativa lógica para SUA existência.” (2º §) / “emoções revestidas de opulenta carnalidade”. 
(B) “O que a vida ALI fez brotar com abundância, excedeu ao que eu sabia.” (3º §) / “o Brasil é o 
paraíso essencial da minha memória.” 
(C) “Criaturas que, afinadas com a torpeza e as inquietudes do SEU tempo, acomodam-se esplêndidas 
à sombra da mangueira”. (5º §) / “Criaturas”. 
(D) “CUJO determinismo falhou ao não prever a própria grandeza.” (7º §) / “Este Brasil”. 
(E) “Como pôde ele, gênio das Américas, abraçar o Brasil, ser sua face, soçobrar com ele e revivê-LO 
ao mesmo tempo?” (7º §) / “o Brasil”. 
 
07. (COMPESA – Analista de Gestão – FGV/2016) As opções a seguir apresentam pensamentos em 
que os pronomes sublinhados estabelecem coesão com elementos anteriores. 
 
. 28 
Assinale a frase em que esse referente anterior é uma oração. 
(A) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. 
(B) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. 
(C) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. 
(D) “A dúvidaé uma margarida que jamais termina de se despetalar”. 
(E) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. 
 
08. (SEE-PE – Professor de Matemática – FGV/2016) “O único consolo que sinto ao pensar na 
inevitabilidade da minha morte é o mesmo que se sente quando o barco está em perigo: encontramo-nos 
todos na mesma situação.” 
(Tolstói) 
 
Alguns elementos do pensamento de Tolstói se referem a termos anteriores, o que dá coesão ao texto. 
Assinale a opção em que o termo cujo referente anterior está indicado incorretamente. 
(A) “que sinto” / consolo. 
(B) “o mesmo” / consolo. 
(C) “que se sente” / consolo. 
(D) “todos” / nos. 
(E) “na mesma situação” / inevitabilidade da morte. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.A / 03.A / 04.B / 05.C / 06.D / 07.E / 08.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Há função anafórica, isto é, alude ao que foi dito anteriormente. Quando Haroldo diz "isso", refere-se 
a uma fala anterior de Calvin. 
 
02. Resposta: A 
A coerência ou conectividade conceitual é a relação que se estabelece entre as partes de um texto, 
criando uma unidade de sentido. 
A coesão, ou conectividade sequencial, é a ligação, o nexo que se estabelece entre as partes de 
um texto, mesmo que não seja aparente. 
 
03. Resposta: A - A Senhora no quadrinho dá continuidade a "Tudo é apenas informação", e não 
responde "O que é a 'vida'?" 
 
04. Resposta: B 
A) CORRETA: todos esses nomes se referem aos vídeos produzidos por professores e alunos de 
escolas públicas e particulares sobre William Shakespeare (ver o 2° parágrafo). 
B) ERRADA: “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala o 
concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” . “Essa” estabelece referência anafórica com a pergunta 
destacada. 
C) CORRETA. 
D) CORRETA: “Passados 400 anos da sua morte, por que William Shakespeare continua atual? [...]” 
(referência catafórica); “[...] por que William Shakespeare continua atual? É essa a pergunta que embala 
o concurso cultural Shakespeare Hoje [...]” (referência anafórica). 
E) CORRETA. 
 
05. Resposta: C 
Pronomes relativos - são anafóricos; 
Conjunções - termos que ligam orações ou palavras do mesmo gênero - Jamais farão papel de 
termos anafóricos. 
 
 
06. Resposta: D 
Expressão referencial: cujo 
 
. 29 
Referente: Machado de Assis 
Processo de Articulação: anáfora 
 
07. Resposta: E 
a) “Um diplomata é um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada”. (ERRADO) o "QUE" 
é Pronome Relativo (o qual) e refere-se a "sujeito". 
 b) “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”. (ERRADO) o LHE faz 
referência a "a minha vontade", sendo objeto indireto. 
 c) “Não existe assunto desinteressante, o que existe são pessoas desinteressadas”. (ERRADO) o 
"que" não faz referência a nenhum termo da oração anterior. 
 d) “A dúvida é uma margarida que jamais termina de se despetalar”. (ERRADO) Assim como na letra 
A, o "QUE" é Pronome Relativo (a qual), referindo-se a "margarida" 
 e) “Se você pensa que não tem falhas, isso já é uma”. (CERTO) o ISSO faz referência a oração 
anterior. ISSO é uma falha...isso o que? você pensar que não tem falhas. 
08. Resposta: E 
Sinto que o único consolo é o mesmo que se sente. 
Na mesma situação refere-se a barco em perigo. 
 
COERÊNCIA 
 
Coerência é a característica daquilo que tem lógica e coesão, quando um conjunto de ideias apresenta 
nexo e uniformidade. Para que algo tenha coerência, este objeto precisa apresentar uma sequência que 
dê um sentido geral e lógico ao receptor, de forma que não haja contradições ou dúvidas acerca do 
assunto. 
 
Vamos ver um exemplo: 
 
Infância 
 
O camisolão 
O jarro 
O passarinho 
O oceano 
A vista na casa que a gente sentava no sofá 
 
Adolescência 
 
Aquele amor 
Nem me fale 
 
Maturidade 
 
O Sr. e a Sra. Amadeu 
Participam a V. Exa. 
O feliz nascimento 
De sua filha 
Gilberta 
 
Velhice 
 
O netinho jogou os óculos 
Na latrina 
Oswaldo de Andrade. Poesias reunidas. 
4ª Ed. Rio de Janeiro 
Civilização Brasileira, 1974, p. 160-161. 
 
Talvez o que mais chame a atenção nesse poema, ao menos à primeira vista, seja a ausência de 
elementos de coesão, quer retomando o que foi dito antes, quer encadeando segmentos textuais. No 
entanto, percebemos nele um sentido unitário, sobretudo se soubermos que o seu título é “As quatro 
gares”, ou seja, as quatro estações. 
 
. 30 
Com essa informação, podemos imaginar que se trata de flashes de cada uma das quatro grandes 
fases da vida: a infância, a adolescência, a maturidade e a velhice. 
A primeira é caracterizada pelas descobertas (o oceano), por ações (o jarro, que certamente a criança 
quebrara; o passarinho que ela caçara) e por experiências marcantes (a visita que se percebia na sala 
apropriada e o camisolão que se usava para dormir); 
A segunda é caracterizada por amores perdidos, de que não se quer mais falar; 
A terceira, pela formalidade e pela responsabilidade indicadas pela participação formal do nascimento 
da filha; 
A quarta, pela condescendência para com a traquinagem do neto (a quem cabe a vez de assumir a 
ação). 
A primeira parte é uma sucessão de palavras; a segunda, uma frase em que falta um nexo sintático; a 
terceira, a participação do nascimento de uma filha; e a quarta, uma oração completa, porém 
aparentemente desgarrada das demais. 
Como se explica que sejamos capazes de entender esse poema em seus múltiplos sentidos, apesar 
da falta de marcadores de coesão entre as partes? 
 
A explicação está no fato de que ele tem uma qualidade indispensável para a existência de um texto: 
a coerência. 
 
Que é a unidade de sentido resultante da relação que se estabelece entre as partes do texto. Uma ideia 
ajuda a compreender a outra, produzindo um sentido global, à luz do qual cada uma das partes ganha 
sentido. 
 
No poema acima, os subtítulos “Infância”, “Adolescência”, “Maturidade” e “Velhice” garantem essa 
unidade. Colocar a participação formal do nascimento da filha, por exemplo, sob o título “Maturidade” dá 
a conotação da responsabilidade habitualmente associada ao indivíduo adulto e cria um sentido unitário. 
Esse texto, como outros do mesmo tipo, comprova que um conjunto de enunciados pode formar um 
todo coerente mesmo sem a presença de elementos coesivos, isto é, mesmo sem a presença explícita 
de marcadores de relação entre as diferentes unidades linguísticas. 
Em outros termos, a coesão funciona apenas como um mecanismo auxiliar na produção da unidade 
de sentido, pois esta depende, na verdade, das relações subjacentes ao texto, da não contradição entre 
as partes, da continuidade semântica, em síntese, da coerência. 
A coerência é um fator de interpretabilidade do texto, pois possibilita que todas as suas partes sejam 
englobadas num único significado que explique cada uma delas. Quando esse sentido não pode ser 
alcançado por faltar relação de sentido entre as partes, lemos um texto incoerente, como este: 
 
A todo ser humano foi dado o direito de opção entre a mediocridade de uma vida que se acomoda e a 
grandeza de uma vida voltada para o aprimoramento intelectual. 
A adolescência é uma fase tão difícil que todos enfrentam. De repente vejo que não sou mais uma 
“criancinha” dependente do “papai”. Chegou a hora de me decidir! Tenho que escolher uma profissão 
para me realizar e ser independente financeiramente. 
No país em que vivemos, que predomina o capitalismo, o mais rico sempre é quem vence! 
 
Apud: J. A. Durigan, M. B. M. Abaurre e Y. F. Vieira (orgs). 
A magia da mudança. Campinas, Unicamp, 1987, p. 53. 
 
Nesses parágrafos, vemos três temas (direito de opção; adolescência e escolha profissional; relações 
sociais sob o capitalismo) que mantêm relações muito tênues entre si. Esse fato, prejudicando a 
continuidade semântica entre as partes, impede a apreensão do todo e, portanto, configura um texto 
incoerente. 
Há no texto, vários tipos de relação entre as partes que o compõem, e, por isso, costuma-se falar em 
váriosníveis de coerência. 
 
Coerência Narrativa 
Consiste no respeito às implicações lógicas entre as partes do relato. Por exemplo, para que um sujeito 
realize uma ação, é preciso que ele tenha competência para tanto, ou seja, que saiba e possa efetuá-la. 
Constitui, então, incoerência narrativa o seguinte exemplo: 
 
Lá dentro havia uma fumaça, e essa fumaça não deixava que nós víssemos qualquer pessoa, pois era 
muito intensa. 
 
. 31 
Meu colega foi à cozinha me deixando sozinho, fiquei encostado na parede da sala e fiquei observando 
as pessoas que lá estavam. Na festa havia pessoas de todos os tipos: ruivas, brancas, pretas, amarelas, 
altas e baixas.5 
 
Nesse caso, a incoerência narrativa, é o fato de o sujeito não poder ver, porque a fumaça impedia, 
mas ele viu. 
 
Coerência Argumentativa 
Precisa ter muita atenção ao sustentar ideias e opiniões, para que não entremos em contradição. 
Coerência argumentativa é defender ponto de vista sem entrar em contradição. Ex.: Um determinado 
texto defende a ideia que todos são iguais perante à lei, posteriormente no final defende o privilégio de 
algumas pessoas não estarem obrigadas a pagar impostos. Nesse caso, ocorre uma incoerência nos 
argumentos. Apresenta um argumento e ao mesmo tempo vai contestá-lo. 
A coerência argumentativa diz respeito às relações de implicação ou de adequação entre premissas e 
conclusões ou entre afirmações e consequências. 
Não há coerência, por exemplo, num raciocínio como este: 
 
Há muitos servidores públicos no Brasil que são verdadeiros marajás. 
O candidato a governador é funcionário público. 
Portanto o candidato é um marajá. 
 
Segundo uma lei da lógica formal, não se pode concluir nada com certeza baseado em duas premissas 
particulares. Dizer que muitos servidores públicos são marajás não permite concluir que qualquer um 
seja. 
A falta de relação entre o que se diz e o que foi dito anteriormente também constitui incoerência. É o 
que se vê neste diálogo: 
 
“__ Vereador, o senhor é a favor ou contra o pagamento de pedágio para circular no centro da cidade? 
 
Coerência Figurativa 
Compreende a articulação harmônica das figuras do texto, com base na relação de significado que 
mantém entre si. As figuras devem pertencer ao mesmo tema e grupo de significado. 
Por exemplo, mostrar a vida no Polo Norte, as figuras serão: neve, rena, roupas de pele. Não caberia 
figuras como: palmeira, cactos, roupas de praia etc. 
 
Coerência Temporal 
Entende-se aquela que concerne à sucessão dos eventos e à compatibilidade dos enunciados do 
ponto de vista de sua localização no tempo. Não se poderia, por exemplo, dizer: “O assassino foi 
executado na câmara de gás e, depois, condenado à morte”. 
 
Coerência Espacial 
Diz respeito à compatibilidade dos enunciados do ponto de vista da localização no espaço. Seria 
incoerente, por exemplo, o seguinte texto: “O filme ‘A Marvada Carne’ mostra a mudança sofrida por um 
homem que vivia lá no interior e encanta-se com a agitação e a diversidade da vida na capital, pois aqui 
já não suportava mais a mesmice e o tédio”. 
Dizendo lá no interior, o enunciador dá a entender que seu pronunciamento está sendo feito de algum 
lugar distante do interior; portanto ele não poderia usar o advérbio “aqui” para localizar “a mesmice” e “o 
tédio” que caracterizavam a vida interiorana da personagem. Em síntese, não é coerente usar “lá” e “aqui” 
para indicar o mesmo lugar. 
 
Coerência do Nível de Linguagem Utilizado 
 
É aquela que concerne à compatibilidade do léxico e das estruturas morfossintáticas com a variante 
escolhida numa dada situação de comunicação. Ocorre incoerência relacionada ao nível de linguagem 
quando, por exemplo, o enunciador utiliza um termo chulo ou pertencente à linguagem informal num texto 
caracterizado pela norma culta formal. 
 
5 FIORIN, platão, para entender o texto, Ática, 1992. 
 
. 32 
Tanto sabemos que isso não é permitido que, quando o fazemos, acrescentamos uma ressalva: com 
perdão da palavra, se me permitem dizer. Observe um exemplo de incoerência nesse nível: 
 
“Tendo recebido a notificação para pagamento da chamada taxa do lixo, ouso dirigir-me a V. Exª, 
senhora prefeita, para expor-lhe minha inconformidade diante dessa medida, porque o IPTU foi 
aumentado no governo anterior, de 0,6% para 1% do valor venal do imóvel exatamente para cobrir as 
despesas da municipalidade com os gastos de coleta e destinação dos resíduos sólidos produzidos pelos 
moradores de nossa cidade. Francamente, achei uma sacanagem esta armação da Prefeitura: jogar mais 
um gasto nas costas da gente.” 
 
Como se vê, o léxico usado no último período do texto destoa completamente do utilizado no período 
anterior. 
 
Ninguém há de negar a incoerência de um texto como este: Saltou para a rua, abriu a janela do 5º 
andar e deixou um bilhete no parapeito explicando a razão de seu suicídio, em que há evidente violação 
da lei sucessivamente dos eventos. 
Entretanto talvez nem todo mundo concorde que seja incoerente incluir guardanapos de papel no jantar 
do Itamarati descrito no item sobre coerência figurativa, alguém poderia objetivar que é preconceito 
considerá-los inadequados. Então, justifica-se perguntar: o que, afinal, determina se um texto é ou não 
coerente? 
A natureza da coerência está relacionada a dois conceitos básicos de verdade: adequação à realidade 
e conformidade lógica entre os enunciados. 
Vimos que temos diferentes níveis de coerência: narrativa, argumentativa, figurativa, etc. Em cada 
nível, temos duas espécies diversas de coerência: 
 
Extratextual 
Aquela que diz respeito à adequação entre o texto e uma “realidade” exterior a ele. 
 
Intratextual 
Aquela que diz respeito à compatibilidade, à adequação, à não contradição entre os enunciados do 
texto. 
 
A exterioridade a que o conteúdo do texto deve ajustar-se pode ser: 
 
O conhecimento do mundo 
O conjunto de dados referentes ao mundo físico, à cultura de um povo, ao conteúdo das ciências, etc., 
que constitui o repertório com que se produzem e se entendem textos. O período “O homem olhou através 
das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido sequestrada” é incoerente, pois 
nosso conhecimento do mundo diz que homens não veem através das paredes. Temos, então, uma 
incoerência figurativa extratextual. 
 
Os mecanismos semânticos e gramaticais da língua 
O conjunto dos conhecimentos sobre o código linguístico necessário à codificação de mensagens 
decodificáveis por outros usuários da mesma língua. O texto seguinte, por exemplo, está absolutamente 
sem sentido por inobservância de mecanismos desse tipo: 
“Conscientizar alunos pré-sólidos ao ingresso de uma carreira universitária informações críticas a 
respeito da realidade profissional a ser optada. Deve ser ciado novos métodos criativos nos ensinos de 
primeiro e segundo grau: estimulando o aluno a formação crítica de suas ideias as quais, serão a 
praticidade cotidiana. Aptidões pessoais serão associadas a testes vocacionais sérios de maneira 
discursiva a analisar conceituações fundamentais.” 
Apud: J. A. Durigan et alii. Op. cit., p. 58. 
 
 
 
 
 
 
Fatores de Coerência 
 
 
. 33 
O Contexto 
Para uma dada unidade linguística, funciona como contexto a unidade linguística maior que ela: a 
sílaba é contexto para o fonema; a palavra, para a sílaba; a oração, para a palavra; o período, para a 
oração; o texto, para o período, e assim por diante. 
 
“Um chopps, dois pastel, o polpettone do Jardim de Napoli, cruzar a Ipiranga com a Avenida São João, 
o “Parmera”, o “Curíntia”, todo mundo estar usando cinto de segurança.” 
 
À primeira vista, parece não haver nenhuma coerência na enumeração desses elementos. Quando 
ficamos sabendo, no entanto, que eles fazem parte de um texto intitulado “100 motivos para gostar de 
São Paulo”, o que aparentemente era caótico torna-se coerente: 
 
100 motivos para gostar de São Paulo 
 
1. Um chopps2. E dois pastel 
(...) 
5. O polpettone do Jardim de Napoli 
(...) 
30. Cruzar a Ipiranga com a av. São João 
(...) 
43. O “Parmera” 
(...) 
45. O “Curíntia” 
(...) 
59. Todo mundo estar usando cinto de segurança 
(...) 
 
O texto apresenta os traços culturais da cidade, e todos convergem para um único significado: a 
celebração da capital do estado de São Paulo no seu aniversário. Os dois primeiros itens de nosso 
exemplo referem-se a marcas linguísticas do falar paulistano; o terceiro, a um prato que tornou conhecido 
o restaurante chamado Jardim de Napoli; o quarto, a um verso da música “Sampa”, de Caetano Veloso; 
o sexto e o sétimo, à maneira como os dois times mais populares da cidade são denominados na variante 
linguística popular; o último à obediência a uma lei que na época ainda não vigorava no resto do país. 
 
A Situação de Comunicação 
__A telefônica. 
__Era hoje? 
 
Esse diálogo não seria compreendido fora da situação de interlocução, porque deixa implícitos certos 
enunciados que, dentro dela, são perfeitamente compreendidos: 
 
__ O empregado da companhia telefônica que vinha consertar o telefone está aí. 
__ Era hoje que ele viria? 
 
O Conhecimento de Mundo 
31 de março / 1º de abril 
Dúvida Revolucionária 
 
Ontem foi hoje? 
Ou hoje é que foi ontem? 
 
Aparentemente, falta coerência temporal a esse poema: o que significa “ontem foi hoje” ou “hoje é que 
foi ontem?”. No entanto, as duas datas colocadas no início do poema e o título remetem a um episódio 
da História do Brasil, o golpe militar de 1964, chamado Revolução de 1964. Esse fato deve fazer parte de 
nosso conhecimento de mundo, assim como o detalhe de que ele ocorreu no dia 1º de abril, mas sua 
comemoração foi mudada para 31 de março, para evitar relações entre o evento e o “dia da mentira”. 
As Regras do Gênero 
 
. 34 
“O homem olhou através das paredes e viu onde os bandidos escondiam a vítima que havia sido 
sequestrada.” 
Essa frase é incoerente no discurso cotidiano, mas é completamente coerente no mundo criado pelas 
histórias de super-heróis, em que o Super-Homem, por exemplo, tem força praticamente ilimitada; pode 
voar no espaço a uma velocidade igual à da luz; quando ultrapassa essa velocidade, vence a barreira do 
tempo e pode transferir-se para outras épocas; seus olhos de raios X permitem-lhe ver através de 
qualquer corpo, a distâncias infinitas, etc. 
Nosso conhecimento de mundo não é restrito ao que efetivamente existe, ao que se pode ver, tocar, 
etc.: ele inclui também os mundos criados pela linguagem nos diferentes gêneros de texto, ficção 
científica, contos maravilhosos, mitos, discurso religioso, etc., regidos por outras lógicas. Assim, o que é 
incoerente num determinado gênero não o é, necessariamente, em outro. 
 
Sentido Não Literal 
 
“As verdes ideias incolores dormem, mas poderão explodir a qualquer momento.” 
 
Tomando em seu sentido literal, esse texto é absurdo, pois, nessa acepção, o termo ideias não pode 
ser qualificado por adjetivos de cor; não se podem atribuir ao mesmo ser, ao mesmo tempo, as qualidades 
verde e incolor; o verbo dormir deve ter como sujeito um substantivo animado. 
No entanto, se entendermos ideias verdes em sentido não literal, como concepções ambientalistas, o 
período pode ser lido da seguinte maneira: “As ideias ambientalistas sem atrativo estão latentes, mas 
poderão manifestar-se a qualquer momento.” 
 
O Intertexto 
 
Falso diálogo entre Pessoa e Caeiro 
 
__ a chuva me deixa triste... 
__ a mim me deixa molhado. 
José Paulo Paes. Op. Cit., 
 
Muitos textos retomam outros, constroem-se com base em outros e, por isso, só ganham coerência 
nessa relação com o texto sobre o qual foram construídos, ou seja, na relação de intertextualidade. É o 
caso desse poema. 
Para compreendê-lo, é preciso saber que Alberto Caeiro é um dos heterônimos do poeta Fernando 
Pessoa; que heterônimo não é pseudônimo, mas uma individualidade lírica distinta da do autor (o 
ortônimo); que para Caeiro o real é a exterioridade e não devemos acrescentar-lhe impressões subjetivas; 
que sua posição é antimetafísica; que não devemos interpretar a realidade pela inteligência, pois essa 
interpretação conduz a simples conceitos vazios, em síntese, é preciso ter lido textos de Caeiro. 
Por outro lado, é preciso saber que o ortônimo (Fernando Pessoa ele mesmo) exprime suas emoções, 
falando da solidão interior, do tédio, etc. 
 
Incoerência Proposital 
Existem textos em que há uma quebra proposital da coerência, com vistas a produzir determinado 
efeito de sentido, assim como existem outros que fazem da não coerência o próprio princípio constitutivo 
da produção de sentido. 
Poderia alguém perguntar, então, se realmente existe texto incoerente. Sem dúvida existe: é aquele 
em que a incoerência é produzida involuntariamente, por inabilidade, descuido ou ignorância do 
enunciador, e não usada funcionalmente para construir certo sentido. 
Quando se trata de incoerência proposital, o enunciador dissemina pistas no texto, para que o leitor 
perceba que ela faz parte de um programa intencionalmente direcionado para veicular determinado tema. 
Se, por exemplo, num texto que mostra uma festa muito luxuosa, aparecem figuras como pessoas 
comendo de boca aberta, falando em voz muito alta e em linguagem chula, ostentando suas últimas 
aquisições, o enunciador certamente não está querendo manifestar o tema do luxo, do requinte, mas o 
da vulgaridade dos novos-ricos. 
Para ficar no exemplo da festa: em filmes como “Quero ser grande” (Big, dirigido por Penny Marshall 
em 1988, com Tom Hanks) e “Um convidado bem trapalhão” (The party, Blake Edwards, 1968, com Peter 
Sellers), há cenas em que os respectivos protagonistas exibem comportamento incompatível com a 
 
. 35 
ocasião, mas não há incoerência nisso, pois todo o enredo converge para que o espectador se solidarize 
com eles, por sua ingenuidade e falta de traquejo social. 
Mas, se aparece num texto uma figura incoerente uma única vez, o leitor não pode ter certeza de que 
se trata de uma quebra de coerência proposital, com vistas a criar determinado efeito de sentido, vai 
pensar que se trata de contradição devida a inabilidade, descuido ou ignorância do enunciador. 
Dissemos também que há outros textos que fazem da inversão da realidade seu princípio constitutivo; 
da incoerência, um fator de coerência. São exemplos as obras de Lewis Carrol “Alice no país das 
maravilhas” e “Através do espelho”, que pretendem apresentar paradoxos de sentido, subverter o 
princípio da realidade, mostrar as aporias da lógica, confrontar a lógica do senso comum com outras. 
Reproduzimos um poema de Manuel Bandeira que contém mais de um exemplo do que foi abordado: 
 
Teresa 
 
A primeira vez que vi Teresa 
Achei que ela tinha pernas estúpidas 
Achei também que a cara parecia uma perna 
Quando vi Teresa de novo 
Achei que seus olhos eram muito mais velhos 
 [que o resto do corpo 
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando 
 [que o resto do corpo nascesse) 
 
Da terceira vez não vi mais nada 
Os céus se misturaram com a terra 
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face 
 [das águas. 
Poesias completas e prosa. Rio de Janeiro, 
Aguilar, 1986, p. 214. 
 
Para percebermos a coerência desse texto, é preciso, no mínimo, que nosso conhecimento de mundo 
inclua o poema: 
 
O Adeus de Teresa 
 
A primeira vez que fitei Teresa, 
Como as plantas que arrasta a correnteza, 
A valsa nos levou nos giros seus... 
Castro Alves 
 
Para identificarmos a relação de intertextualidade entre eles; que tenhamos noção da crítica do 
Modernismo às escolas literárias precedentes, no caso, ao Romantismo, em que nenhuma musa seria 
tratada com tanta cerimônia e muito menos teria “cara”; que façamos uma leitura não literal; que 
percebamos sua lógica interna, criada pela disseminação proposital de elementosque pareceriam 
absurdos em outro contexto. 
 
Questões 
 
01. (TJ/MT - Técnico Judiciário - UFMT/2016) A coerência refere-se aos nexos de sentido 
estabelecidos entre as informações ou argumentos de um texto. A falta de coerência pode prejudicar o 
entendimento do leitor. Assinale o trecho que NÃO apresenta problema de coerência. 
(A) Quando eu estava vendo televisão nos EUA, as propagandas me chamaram a atenção. 
(B) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria. 
(C) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud 
Plaza. 
(D) Desde os três anos de idade minha mãe me ensinava a ler e escrever. 
 
 
 
 
 
 
. 36 
02. (UFRPE - Administrador - SUGEP-UFRPE/2016) 
 
A leitura 
 
Várias vezes, no decorrer do último século, previu-se a morte dos livros e do hábito de ler. O avanço 
do cinema, da televisão, dos videogames, da internet, tudo isso iria tornar a leitura obsoleta. No Brasil da 
virada do século XX para o século XXI, o vaticínio até parecia razoável: o sistema de ensino em franco 
declínio e sua tradição de fracasso na missão de formar leitores, o pouco apreço dado à instrução como 
valor social fundamental e até dados muito práticos, como a falta e a pobreza de bibliotecas públicas e o 
alto preço dos exemplares impressos aqui, conspiravam (conspiram, ainda) para que o contingente de 
brasileiros dados aos livros minguasse de maneira irremediável. Contra todas as perspectivas, porém, 
vem surgindo uma nova e robusta geração de leitores no país, movida – entre outras iniciativas – por 
sucessos televisivos, como as séries Harry Potter e Crepúsculo. 
Também para os cidadãos mais maduros abriram-se largas portas de entrada à leitura. A autoajuda (e 
os romances com fortes tintas de autoajuda) é uma delas; os volumes que às vezes caem nas graças do 
público, como A menina que roubava livros, ou os autores que têm o dom de fisgar o público com suas 
histórias, são outra. E os títulos dedicados a recuperar a história do Brasil, como 1808, 1822, ou Guia 
politicamente incorreto da História do Brasil, são uma terceira, e muito acolhedora, dessas portas. 
É mais fácil tornar a leitura um hábito, claro, quando ela se inicia na infância. Mas qualquer idade é 
boa, é favorável para adquirir esse gosto. Basta sentir aquela comichão do prazer, da curiosidade – e 
então fazer um esforço para não se acomodar a uma zona de conforto, mas seguir adiante e evoluir na 
leitura. 
Bruno Meier. In: Graça Sette et al. Literatura – trilhas e tramas. Excerto adaptado. 
 
Em coerência com as ideias globais expressas no Texto, um título adequado a ele poderia ser: 
(A) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola. 
(B) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores. 
(C) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances. 
(D) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro. 
(E) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências. 
 
03. (SEARH/RN - Professor de Ensino Religioso - IDECAN/2016) 
 
Caça aos racistas 
 
Alunos da Universidade Princeton querem tirar o nome de Woodrow Wilson de uma das mais 
importantes faculdades da instituição, a Woodrow Wilson School of Public and International Affairs. O 
motivo, é claro, é o racismo. 
Thomas Woodrow Wilson (1856‐1924) ocupou a Presidência dos EUA por dois mandatos (1913‐1921). 
Era membro do Partido Democrata, levou o Nobel da Paz em 1919 e foi reitor da própria universidade. 
Mas Wilson era inapelavelmente racista. Achava que negros não deveriam ser considerados cidadãos 
plenos e tinha simpatias pela Ku Klux Klan. Merece ter seu nome cassado? 
A resposta é, obviamente, “tanto faz". Um nome é só um nome e, para quem já morreu, homenagens 
não costumam mesmo fazer muita diferença. De resto, discussões sobre racismo são bem‐vindas. 
Receio, porém, que a demanda dos alunos caminhe perigosamente perto do anacronismo. 
Sim, Wilson era racista, mas não podemos esquecer que a época também o era. O 28º presidente dos 
EUA não está sozinho. 
“Não sou nem nunca fui favorável a promover a igualdade social e política das raças branca e negra... 
há uma diferença física entre as raças que, acredito, sempre as impedirá de viver juntas como iguais em 
termos sociais e políticos. E eu, como qualquer outro homem, sou a favor de que os brancos mantenham 
a posição de superioridade." Essa frase, que soa particularmente odiosa a nossos ouvidos modernos, é 
de Abraham Lincoln, que, não obstante, continua sendo considerado um campeão dos direitos civis. 
O problema são os americanos; eles são atavicamente racistas, dirá o observador anti-imperialista. 
Talvez não. “O negro é indolente e sonhador, e gasta seu dinheiro com frivolidades e bebida". Essa pérola 
é de Che Guevara. Alguns dizem que, depois, mudou de opinião. Quem não for prisioneiro de seu próprio 
tempo que atire a primeira pedra. 
 (SCHWARTSMAN, Hélio. Folha de S. Paulo, 13 de dezembro de 2015.) 
 
 
. 37 
Para que haja manutenção da coerência, consistência e sentidos textuais; assinale a reescrita correta 
a seguir. 
(A) “O motivo, é claro, é o racismo.” (1º§) / O motivo é claro: o racismo. 
(B) “Um nome é só um nome, ...” (3º§) / Um nome é, obviamente, só o nome. 
(C) “A resposta é, obviamente, ‘tanto faz’” (3º§) / A resposta, é claro, “tanto faz”. 
(D) “Alguns dizem que, depois, mudou de opinião.” (5º§) / A partir daí mudou de opinião. 
 
04. (PC/DF - Perito Criminal - Ciências Contábeis - IADES/2016) 
 
Disponível em: <http://www.policiacomunitariadf.com/operacaointegrada15a- 
dp/denuncia_banner-2/>. Acesso em: 18 mar. 2016. 
Assinale a alternativa que, em conformidade com as regras de pontuação e de ortografia vigentes, 
reproduz com coerência a relação de sentido estabelecida entre os períodos “Não se cale. Você pode 
salvar uma vida”. 
(A) Você pode garantir a salvação de uma vida, portanto não se cale. 
(B) Não haja de forma omissa: você pode salvar uma vida. 
(C) Não se cale, por que você pode salvar uma vida. 
(D) Você pode salvar uma vida, por isso não fique hexitoso: denuncie. 
(E) Não se cale: porque assim, você salvará uma vida. 
 
05. (CRO/PR - Auxiliar de Departamento - Quadrix/2016) 
 
 
clubedamafalda.blogspot.com 
 
A respeito da linguagem da tirinha, assinale a alternativa correta. 
(A) A expressão “strip tease”, presente no último quadrinho, cria um problema de coerência por se 
tratar de um termo técnico. 
(B) A reação da menina, no último quadrinho, deve-se ao fato de que sua mãe utiliza uma linguagem 
muito técnica para explicar a queda dos dentes de leite. 
(C) A palavra “negócio”, presente no primeiro quadrinho, cria um problema de coerência por se tratar 
de uma gíria típica de médicos. 
(D) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma interjeição que indica a frustração da 
menina diante do fato de que seus dentes cairão. 
 
. 38 
(E) A palavra “poing”, presente no primeiro quadrinho, é uma onomatopeia que representa a queda 
dos dentes de leite. 
 
06. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC/2016) A maioria das pessoas pensam que vai se 
aposentar cedo e desfrutar da vida, mas um estudo sugere que estamos fadados a nos aposentar cada 
vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida razoável. 
Em 2009, pesquisadores publicaram um estudo na revista Lancet e afirmaram que metade das 
pessoas nascidas após o ano 2000 vai viver mais de 100 anos e três quartos vão comemorar seus 75 
anos. 
Até 2007 acreditávamos que a expectativa de vida das pessoas não passaria de 85 anos. Foi quando 
os japoneses ultrapassaram a expectativa para 86 anos. Na verdade, a expectativa de vida nos países 
desenvolvidos sobe linearmente desde 1840, indicando que ainda não atingimos um limite para o tempo 
de vida máximo para um ser humano. 
No início do século XX, as melhorias no controle das doenças infecciosas promoveram um aumento 
na sobrevidados humanos, principalmente das crianças. E, depois da Segunda Guerra Mundial, os 
avanços da medicina no tratamento das enfermidades cardiovasculares e do câncer promoveram um 
ganho para os adultos. Em 1950, a chance de alguém sobreviver dos 80 aos 90 anos era de 10%; 
atualmente excede os 50%. 
O que agora vai promover uma sobrevida mais longa e com mais qualidade será a mudança de hábitos. 
A Dinamarca era em 1950 um dos países com a mais longa expectativa de vida. Porém, em 1980 havia 
despencado para a 20a posição, devido ao tabagismo. 
O controle da ingestão de sal e açúcar, e a redução dos vícios como cigarro e álcool, além de atividade 
física, vão determinar uma nova onda do aumento de expectativa de vida. A própria qualidade de vida, 
medida por anos de saúde plena, deve mudar para melhor nas próximas décadas. 
O próximo problema a ser enfrentado é a falta de dinheiro para as últimas décadas de vida: estamos 
nos aposentando muito cedo e o que juntamos não será o suficiente. Precisamos guardar 10% do salário 
anual e nos aposentar aos 80 anos para que a independência econômica acompanhe a independência 
física na aposentadoria. 
Os pesquisadores propõem que a idade de aposentadoria seja alongada e que os sexagenários 
mudem seu raciocínio: em vez de pensar na aposentadoria, que passem a mirar uma promoção. 
(Adaptado de: TUMA, Rogério. Disponível em: http://www.cartacapital.com.br/revista/911/o-contribuinte-secular) 
 
... estamos fadados a nos aposentar cada vez mais tarde se quisermos manter um padrão de vida 
razoável. (1o parágrafo) 
 
Sem prejuízo da correção e da coerência, o segmento sublinhado acima pode ser substituído por 
(A) caso queiramos 
(B) na hipótese de quisemos 
(C) como queríamos 
(D) pelo fato de querermos 
(E) apesar de querermos 
 
Gabarito 
 
01.A / 02.B / 03.A / 04.A / 05.E / 06.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: A 
b) Andando pela calçada, o ônibus derrapou e pegou o funcionário quando entrava na livraria. 
R:O ônibus derrapou e pegou o funcionário que estava andando na calçada no momento em que 
entrava na livraria. 
c) Embarcou para São Paulo Maria Helena Arruda, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Maksoud 
Plaza. 
R: Maria Helena Arruda embarcou para São Paulo, onde ficará hospedada no luxuoso hotel Masound 
Plaza. 
d) Desde os quatro anos minha mãe me ensinava a ler e escrever. 
R: Minha mãe me ensinava a ler e escrever desde que eu tinha quatro anos. 
 
 
. 39 
02. Resposta: B 
b) A leitura: sinais evidentes de que surge uma nova onda de leitores. 
Porque engloba o público em geral - a robusta geração de leitores (crianças, adolescentes e adultos). 
Linha 6. 
a) A leitura: o impasse do descaso concedido à instrução transmitida na escola. Completamente 
errada! A escola costuma incentivar o hábito da leitura ao aluno. Não é à toa que alguns colégios 
distribuem livros gratuitos para os estudantes. E ainda algumas dão voucher de descontos em livrarias e 
etc. 
c) A leitura: o dom de se deixar cativar pela graça de histórias e romances. Errada! a leitura não é um 
dom e sim um hábito! Linha 11 
d) A leitura: o franco declínio do sistema de ensino brasileiro. Errada. O sistema de ensino pode está 
em franco declínio, mas não é por causa da leitura. Há outros fatores que contribuem para a má 
qualidade de ensino aos alunos como: AHAHA Deixa pra lá! senão irei comentar sobre política e não vai 
dar certo! 
 e) A leitura: o acesso dos cidadãos mais maduros às suas influências. Errada. Então quer dizer que 
só os cidadãos maduros podem ter acesso à leitura? E quanto as crianças e aos adolescentes? Eles não 
podem ter acesso? 
 
03. Resposta: A 
A questão é ardilosa, mas a única proposição que não apresenta inclusão de novas ideias em sua 
reconstrução é a primeira. 
Em resposta a recurso, a Banca Examinadora argumentou: "Em 'O motivo, é claro, é o racismo.' (1º§) 
a expressão separada por vírgulas 'é claro' não constitui vocativo. Vocativo é um termo acessório da 
oração que serve para pôr em evidência o ser a quem nos dirigimos, sem manter relação sintática com 
outro como em 'Amigos, peçam alegria a Deus.' (Amigos = vocativo), não é o que ocorre em 'é claro'. A 
alternativa 'C) 'A resposta é, obviamente, ‘tanto faz'' (3º§) / A resposta, é claro, 'tanto faz'.' não pode ser 
considerada correta, pois, no texto original, a expressão “tanto faz” é a resposta; já na reescrita sugerida, 
não se sabe qual é a resposta, fica uma lacuna através da expressão 'tanto faz', ou seja, existe a 
afirmação de que a resposta pode ser qualquer uma". 
Por fim, a alternativa B apresenta duas alterações de sentido: a inclusão do advérbio obviamente, 
adicionando informação ao texto, e a troca do artigo indefinido por artigo definido, alterando o sentido do 
substantivo nome. 
 
04. Resposta: A 
A reescrita mais coerente e de acordo com as normas de pontuação e ortografia vigentes é a que 
consta na alternativa A. 
Nas demais, ocorrem os seguintes erros; 
B – o verbo agir no modo imperativo afirmativo é aja e não “haja”. 
C – em lugar de “por que” deveria ter sido empregado porque, uma vez que se trata de uma oração 
explicativa. 
D – “hexitoso” está com grafia incorreta, o correto seria hesitoso. 
E – o uso do dois pontos depois de “cale” está errado e deveria ser suprimido. Deveria também haver 
uma vírgula antes de “assim” ou ser suprimida a que vem logo após esse vocábulo. 
 
05. Resposta: E 
Há interjeições denominadas de "imitativas ou onomatopaicas". São aquelas que exprimem os sons 
das coisas, dos objetos - zás!!, chape!, bum! 
 
06. Resposta: A 
a) CERTO. Caso (condicional) queiramos 
b) ERRADO. Na hipótese (condicional) de quisermos 
c) ERRADO. Como (conformativa) queríamos 
d) ERRADO. Pelo fato (causal) de querermos 
e) ERRADO. Apesar de (adversativa) querermos 
 
 
 
. 40 
 
 
 
Significação contextual de palavras e expressões6 é estudada pela semântica, a parte da gramática 
que estuda não só o sentido das palavras como as relações de sentido que as palavras estabelecem 
entre si: relações de sinonímia, antonímia, paronímia, homonímia... 
Compreender essas relações nos proporciona o alargamento do nosso universo semântico, 
contribuindo para uma maior diversidade vocabular e maior adequação aos diversos contextos e 
intenções comunicativas. 
 
Sinônimos 
 
Trata7 de palavras diferentes na forma, mas com sentidos iguais ou aproximados. Tudo depende do 
contexto e da intenção do falante. 
Vale lembrar também que muitas palavras são sinônimas, se levarmos em conta as variações 
geográficas (aipim = macaxeira; mexerica = tangerina; pipa = papagaio; aipo = salsão...). 
Exemplos de sinônimos: 
- Brado, grito, clamor. 
- Extinguir, apagar, abolir, suprimir. 
- Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial. 
 
Na maioria das vezes não tem diferença usar um sinônimo ou outro. Embora tenham sentido comum, 
os sinônimos diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por nuances de significação e certas 
propriedades que o escritor não pode desconhecer. 
Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais restrito (animal e quadrúpede); uns são 
próprios da fala corrente, vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da linguagem culta, literária, 
científica ou poética (orador e tribuno, oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo). 
Exemplos: 
- Adversário e antagonista. 
- Translúcido e diáfano. 
- Semicírculo e hemiciclo. 
- Contraveneno e antídoto. 
- Moral e ética. 
- Colóquio e diálogo. 
- Transformação e metamorfose. 
- Oposição e antítese. 
 
O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia, palavra que também designa o 
emprego de sinônimos. 
 
Antônimos 
 
Trata de palavras, expressões ou frases diferentes na forma e com significações opostas, excludentes. 
Normalmente ocorre por meio de palavras de radicais diferentes, com prefixo negativo ou com prefixos 
de significação contrária. 
Exemplos: 
- Ordem e anarquia. 
- Soberba e humildade. 
- Louvar e censurar. 
- Mal e bem. 
 
A antonímiapode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou negativo. 
Exemplos: 
- bendizer/maldizer 
 
6 https://www.normaculta.com.br/significacao-das-palavras/ 
7 Pestana, Fernando. A gramática para concursos públicos / Fernando Pestana. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 
Significação contextual de palavras e expressões 
 
 
. 41 
- simpático/antipático 
- progredir/regredir 
- concórdia/discórdia 
- explícito/implícito 
- ativo/inativo 
- esperar/desesperar 
 
Questões 
 
01. (MPE/SP – Biólogo – VUNESP) McLuhan já alertava que a aldeia global resultante das mídias 
eletrônicas não implica necessariamente harmonia, implica, sim, que cada participante das novas mídias 
terá um envolvimento gigantesco na vida dos demais membros, que terá a chance de meter o bedelho 
onde bem quiser e fazer o uso que quiser das informações que conseguir. A aclamada transparência da 
coisa pública carrega consigo o risco de fim da privacidade e a superexposição de nossas pequenas ou 
grandes fraquezas morais ao julgamento da comunidade de que escolhemos participar. 
Não faz sentido falar de dia e noite das redes sociais, apenas em número de atualizações nas páginas 
e na capacidade dos usuários de distinguir essas variações como relevantes no conjunto virtualmente 
infinito das possibilidades das redes. Para achar o fio de Ariadne no labirinto das redes sociais, os 
usuários precisam ter a habilidade de identificar e estimar parâmetros, aprender a extrair informações 
relevantes de um conjunto finito de observações e reconhecer a organização geral da rede de que 
participam. 
O fluxo de informação que percorre as artérias das redes sociais é um poderoso fármaco viciante. Um 
dos neologismos recentes vinculados à dependência cada vez maior dos jovens a esses dispositivos é a 
“nomobofobia” (ou “pavor de ficar sem conexão no telefone celular”), descrito como a ansiedade e o 
sentimento de pânico experimentados por um número crescente de pessoas quando acaba a bateria do 
dispositivo móvel ou quando ficam sem conexão com a Internet. Essa informação, como toda nova droga, 
ao embotar a razão e abrir os poros da sensibilidade, pode tanto ser um remédio quanto um veneno para 
o espírito. 
(Vinicius Romanini, Tudo azul no universo das redes. Revista USP, no 92. Adaptado) 
As expressões destacadas nos trechos – meter o bedelho / estimar parâmetros / embotar a razão – 
têm sinônimos adequados respectivamente em: 
(A) procurar / gostar de / ilustrar 
(B) imiscuir-se / avaliar / enfraquecer 
(C) interferir / propor / embrutecer 
(D) intrometer-se / prezar / esclarecer 
(E) contrapor-se / consolidar / iluminar 
 
02. (Pref. Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC) A entrada dos prisioneiros foi comovedora (...) Os 
combatentes contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O arraial, in extremis, 
punhalhes adiante, naquele armistício transitório, uma legião desarmada, mutilada faminta e claudicante, 
num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes admitir que toda aquela gente inútil e 
frágil saísse tão numerosa ainda dos casebres bombardeados durante três meses. Contemplando-lhes 
os rostos baços, os arcabouços esmirrados e sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos, 
escaras e escalavros – a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. Repugnava aquele triunfo. 
Envergonhava. Era, com efeito, contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, de 
reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada humana – do mesmo passo 
angulhenta e sinistra, entre trágica e imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças 
e molambos... 
Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de 
campeador domado: mulheres, sem-número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas 
e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris 
desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos aos peitos murchos, filhos arrastados pelos 
braços, passando; crianças, sem-número de crianças; velhos, sem-número de velhos; raros homens, 
enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante. 
(CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.) 
 
Em qual das alternativas abaixo NÃO há um par de sinônimos? 
(A) Armistício – destruição 
(B) Claudicante – manco 
(C) Reveses – infortúnios 
 
. 42 
(D) Fealdade – feiura 
(E) Opilados – desnutridos 
Gabarito 
 
01.B / 02.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Imiscuir: tomar parte em, dar opinião sobre (algo) que não lhe diz respeito; intrometer-se, interferir 
Embotar: tirar ou perder o vigor; enfraquecer(-se). 
 
02. Resposta: A 
Armistício é um acordo formal, segundo o qual, partes envolvidas em conflito armado concordam em 
parar de lutar. Não necessariamente é o fim da guerra, uma vez que pode ser apenas um cessar-fogo 
enquanto tenta-se realizar um tratado de paz. 
 
Homônimos 
 
 Trata de palavras iguais na pronúncia e/ou na grafia, mas com significados diferentes. Exemplos: 
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). 
- Aço (substantivo) e asso (verbo). 
 
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. A homonímia pode ser causa de 
ambiguidade, por isso é considerada uma deficiência dos idiomas. 
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico (som) e o gráfico (grafia). Daí serem 
divididos em: 
 
Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no timbre ou na intensidade das vogais. 
- Rego (substantivo) e rego (verbo). 
- Colher (verbo) e colher (substantivo). 
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo). 
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo). 
- Para (verbo parar) e para (preposição). 
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). 
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o). 
 
Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes na escrita. 
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). 
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). 
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de consertar). 
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar). 
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar). 
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar). 
- Censo (recenseamento) e senso (juízo). 
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar). 
- Paço (palácio) e passo (andar). 
- Hera (trepadeira), era (época), era (verbo). 
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar = anular). 
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão (tempo de uma reunião ou espetáculo). 
 
Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia. 
- Caminhada (substantivo), caminhada (verbo). 
- Cedo (verbo), cedo (advérbio). 
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). 
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). 
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr). 
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir). 
 
 
. 43 
Parônimos 
 
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia: 
- coro e couro, 
- cesta e sesta, 
- eminente e iminente, 
- degradar e degredar, 
- cético e séptico, 
- prescrever e proscrever, 
- descrição e discrição, 
- infligir (aplicar) e infringir (transgredir), 
- sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder), 
- comprimento e cumprimento, 
- deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente, divergir, adiar), 
- ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir), 
- vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e vultuoso (congestionado: rosto vultuoso). 
 
Questões 
 
01. (Pref. Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo – FAEPESUL) Atento ao emprego dos 
Homônimos, analise as palavras sublinhadas e identifique a alternativa CORRETA: 
(A) Ainda vivemos no Brasil a descriminação racial. Isso é crime! 
(B) Com a crise política, a renúncia já parecia eminente. 
(C) Descobertas as manobrasfiscais, os políticos irão agora expiar seus crimes. 
(D) Em todos os momentos, para agir corretamente, é preciso o bom censo. 
(E) Prefiro macarronada com molho, mas sem estrato de tomate. 
 
02. (Pref. Cruzeiro/SP – Instrutor de Desenho Técnico e Mecânico – Instituto Excelência) Assinale 
a alternativa em que as palavras podem servir de exemplos de parônimos: 
(A) Cavaleiro (Homem a cavalo) – Cavalheiro (Homem gentil). 
(B) São (sadio) – São (Forma reduzida de Santo). 
(C) Acento (sinal gráfico) – Assento (superfície onde se senta). 
(D) Nenhuma das alternativas. 
 
03. (TJ/MT – Analista Judiciário – Ciências Contábeis – UFMT) Na língua portuguesa, há muitas 
palavras parecidas, seja no modo de falar ou no de escrever. A palavra sessão, por exemplo, assemelha-
se às palavras cessão e seção, mas cada uma apresenta sentido diferente. Esse caso, mesmo som, 
grafias diferentes, denomina-se homônimo heterográfico. Assinale a alternativa em que todas as palavras 
se encontram nesse caso. 
(A) taxa, cesta, assento 
(B) conserto, pleito, ótico 
(C) cheque, descrição, manga 
(D) serrar, ratificar, emergir 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.A / 03.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
(A) Discriminação é um substantivo feminino que significa distinguir ou diferenciar. 
(B) Eminente é o que se destaca por sua qualidade ou importância; excelente, superior. Iminente é o 
que está prestes a acontecer. 
(C) Correta 
(D) Bom senso é um conceito usado na argumentação que está estritamente ligado às noções de 
sabedoria e de razoabilidade. 
(E) Estrato se refere a uma camada, uma faixa. Extrato se refere, principalmente, a alguma coisa que 
foi retirada de outra, ou seja, extraída de outra. 
 
. 44 
02. Resposta: A 
(A) CORRETA. Paronímia “é a relação que se estabelece entre duas ou mais palavras que possuem 
significados diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto é, os parônimos”. 
Exemplos: 
Cavaleiro – cavalheiro 
Absolver – absorver 
Comprimento – cumprimento. 
(B) INCORRETA. Tais palavras são homófonas e homógrafas, ou seja, possuem grafia e pronúncia 
iguais. Outro exemplo é: Cura (verbo) e Cura (substantivo). 
(C) INCORRETA. Tais palavras são homófonas, ou seja, apesar de possuírem a mesma pronúncia, 
são diferentes na escrita. Outro exemplo é: cela (substantivo) e sela (verbo) 
 
03. Resposta: A 
(A) taxa, cesta, assento 
Taxa/tacha(verbo) - homônimo homófono 
Cesta/sexta = homônimo homófono 
Assento/acento = homônimo homófono 
 
(B) conserto, pleito, ótico 
Concerto/conserto = homônimo homófono 
Pleito/preito = parônimos (parecidas) 
Ótico/optico = Ótico: relativo aos ouvidos/Óptico: relativo aos olhos = parônimos 
 
(C) cheque, descrição, manga 
Cheque/xeque = homônimos homófonos 
Descrição/discrição=parônimos 
Manga (roupa)/manga(fruta) = homônimos perfeitos 
 
(D) serrar, ratificar, emergir 
Cerrar/serrar = homônimos homófonos 
Ratificar/retificar = parônimos 
Emergir/imergir = parônimos 
 
Hiperonímia e Hiponímia 
 
Partindo do princípio de que as palavras estabelecem entre si uma relação de significado, observe 
este enunciado8: Fomos à feira e compramos maçã, banana, abacaxi, melão... Nossa! Como estavam 
baratas, pois são frutas da estação. 
Atenção aos vocábulos “maçã”, “banana”, “abacaxi”, “melão” e também “frutas”, perguntamo-nos: 
existe alguma relação entre eles? Toda, não é verdade? Desse modo, ao observar o conceito de 
hiperonímia e hiponímia, chegaremos à conclusão pretendida. Note: 
 
Hiperonímia9 - como o próprio prefixo já nos indica, esta palavra confere-nos uma ideia de um todo, 
sendo que deste todo se originam outras ramificações, como é o caso de frutas. Palavras e expressões 
de sentido mais geral. 
 
Hiponímia - demarcando o oposto do conceito da palavra anterior, podemos afirmar que ela 
representa cada parte, cada item de um todo, no caso: maçã, banana, abacaxi, melão. Sim, essas são 
palavras hipônimas. Palavras e expressões com sentido mais restrito, mas estão associadas ao conjunto 
maior que são as frutas. 
 
Questões 
 
01. Os vocábulos destacados em “Na banca da feira da vinte e cinco, havia cupuaçu, bacuri, taperebá 
e outras frutas regionais.”, têm relação entre si por possuírem o mesmo campo semântico, isto é, todos 
são frutas inclusive típicas da Amazônia. 
Tais termos destacados, em relação à palavra “fruta”, são designados como: 
 
8 https://portugues.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.html 
9 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/hiperonimia-hiponimia.htm 
 
. 45 
(A) hiperônimos. 
(B) hipônimos. 
(C) cognatos. 
(D) polissêmicos. 
(E) parônimos. 
 
02. “O caminhão atravessou a pista e bateu na mureta de proteção, o veículo ficou totalmente 
destruído”. Na frase acima a palavra “veículo” representa um caso de: 
(A) polissemia; 
(B) antonímia; 
(C) hiponímia; 
(D) hiperonímia; 
(E) heteronímia. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.D 
 
Polissemia 
 
A palavra polissêmica é aquela que, dependendo do contexto, muda de sentido. Por exemplo, veja os 
sentidos de “peça”: “peça de automóvel”, “peça de teatro”, “peça de bronze”, “és uma boa peça”, “uma 
peça de carne” etc. 
Agora, observe mais estes exemplos: 
Desculpe o bolo que te dei ontem. 
Comemos um bolo delicioso na casa da Jéssica. 
Tenho um bolo de revistas lá em casa.10 
 
Monossemia é o oposto de polissemia, ou seja, quando a palavra tem um único significado. 
 
É possível perceber que alguns desses contextos passaram a fazer sentido por questões sociais, 
culturais ou históricas adquiridas ao longo do tempo. Vale ressaltar, no entanto, que o sentido original 
descrito no dicionário é o que prevalece, sendo os demais atribuídos pela analise contextual. 
 
Polissemia e Homonímia 
Não confunda polissemia e homonímia. Polissemia remete a uma palavra que apresenta diversos 
significados que se encaixam em diversos contextos, enquanto homonímia refere-se as duas ou mais 
palavras que apresentam origens e significados distintos, mas possuem grafia e fonologia idênticas. 
Por exemplo, “manga” é uma palavra que representa um caso de homonímia. O termo designa tanto 
uma fruta quanto uma parte da camisa. Não se trata de uma polissemia por que os dois significados são 
próprios da palavra e têm origens diferentes. Por esse motivo, muitos especialistas defendem que a 
palavra “manga” deveria possuir duas entradas distintas no dicionário. 
 
Polissemia e Ambiguidade 
Tanto a polissemia quanto a ambiguidade são elementos da linguagem que podem provocar confusões 
na interpretação de frases. No caso da ambiguidade, geralmente, o enunciado apresenta uma construção 
de palavras que permite mais de uma interpretação para a frase em questão. 
Nem sempre se trata de uma palavra que tenha mais de um significado, mas de como as palavras 
estão dispostas na frase, permitindo que as informações sejam interpretadas de mais de uma maneira. 
Ex. Jorge criticou severamente a prima de sua amiga, que frequentava o mesmo clube que ele. Nesse 
caso, o pronome que pode estar referindo-se a amiga ou a prima. 
Já no caso da polissemia, por uma mesma palavra possuir mais de um significado, ela pode fazer com 
que as pessoas não compreendam o sentido usado no primeiro contato com a frase e interpretem o 
enunciado de uma maneira diferente do que ele era intencionado. Neste caso, para que isso não ocorra, 
é importante que fique claro qual é o contexto em que a palavra foi usada. 
 
 
 
10 PESTANA, Fernando. A gramática para concursos. Elsevier. 2013. 
 
. 46 
Questão 
 
01. (SANEAGO/GO - Agente de Saneamento - CS/2018) 
 
Predestinação 
 
Tinha no nome seu destino líquido: mar, rio e lago. 
Pois chamava-se Mário Lago. 
Viu a luz sob o signo de Piscis. 
Brilhava no céu a constelação de Aquário. 
Veio morar no Rio. 
Quando discutia, sempre levava um banho. 
Pois era um temperamento transbordante. 
Sua arte preferida: água-forte. 
Seu provérbio predileto: "Quem tem capa,escapa". 
Sua piada favorita: "Ser como o rio: 
seguir o curso sem deixar o leito". 
Pois estudava: engenharia hidráulica. 
Quando conheceu uma moça de primeira água. 
Foi na onda. 
Teve que desistir dos estudos quando 
já estava na bica para se formar. 
Então arranjou um emprego em Ribeirão das Lajes. 
Donde desceu até ser leiteiro. 
Encarregado de pôr água no leite. 
Ficou noivo e deu à moça uma água-marinha. 
Mas ela o traiu com um escafandrista. 
E fugiu sem dizer água vai. 
Foi aquela água. 
Desde então ele só vivia na chuva 
Virou pau de água. 
Portanto, com hidrofobia. 
Foi morar numa água-furtada. 
Deu-lhe água no pulmão. 
Rim flutuante. 
Água no joelho. 
Hidropsia. 
Bolha d’água. 
Gota. 
Catarata. 
Morreu afogado. 
FERNANDES, Millôr. Trinta anos de mim mesmo. Editora Círculo do Livro: São Paulo, 1975. 
 
O humor do texto é construído por meio do jogo entre palavras denotativas e conotativas. O principal 
recurso de sentido usado, portanto, foi a: 
(A) polissemia. 
(B) ironia. 
(C) intertextualidade. 
(D) ambiguidade. 
 
02. (SEDUC/PI - Professor Temporário - Língua Portuguesa - NUCEPE/2018) 
 
 
 
. 47 
O efeito de humor, na tirinha, é explorado pelo recurso semântico da: 
(A) Sinonímia. 
(B) Polissemia 
(C) Contradição. 
(D) Antonímia. 
(E) Ambiguidade. 
 
03. (SAMAE de Caxias do Sul/RS - Assistente de Planejamento - OBJETIVA/2017) 
 
 
 
Considerando-se a representação semântica da palavra “vendo” no contexto da tirinha abaixo, é 
CORRETO afirmar que ocorre: 
(A) Denotação. 
(B) Conotação. 
(C) Homonímia. 
(D) Homofonia. 
(E) Sinonímia. 
 
04. (Pref. Videira/SC - Agente Administrativo - ASSCONPP/2016) Observe as frases abaixo: 
I. A mãe vela pelo sono do filho doente. 
II. O barco à vela foi movido pelo vento. 
 
A palavra vela presenta vários sentidos, esta propriedade das palavras é denominada: 
(A) Homonímia; 
(B) Polissemia; 
(C) Sinonímia; 
(D) Antonímia; 
(E) Nenhuma das alternativas anteriores. 
 
05. (Pref. Fronteira/MG - Contador - MÁXIMA/2016) 
 
 
 
A mensagem dessa tirinha apoia-se no duplo sentido de uma palavra através de um recurso: 
(A) Vida - homonímia; 
(B) Balanço - polissemia; 
(C) Balanço - sinonímia; 
(D) Vida - polissemia. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.B / 03.C / 04.B / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
Não é possível identificar os valores denotativos ou conotativos nas frases, nisto consiste a 
ambiguidade do texto. 
 
. 48 
02. Resposta: B 
Polissemia - multiplicidade de sentidos de uma palavra. 
Pardal - pássaro ou pardal de semáforo 
 
03. Resposta: C 
A grafia e som são iguais, porém com significados diferentes. A expressão “Vendo o pôr do sol” tem 
duas ações verbais Ver e Vender, porém mesma escrita e pronúncia. 
 
04. Resposta: B 
Caso de polissemia, a palavra vela na primeira frase tem significado de a mãe aguardar o sono do 
filho, como verbo. Enquanto na segunda frase, o significado de um instrumento utilizado no barco para 
andar, como substantivo devido a crase, uma vez que não se usa crase antes dos verbos. 
 
05. Resposta: B 
Balanço – Polissemia, vários significados desta palavra. Pode ser substituída por avalia-la, reflexão, 
todas teriam sentido dentro da frase. 
 
Sentido Próprio e Sentido Figurado 
 
As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos: 
- Construí um muro de pedra. (Sentido próprio). 
- Ênio tem um coração de pedra. (Sentido figurado). 
- As águas pingavam da torneira. (Sentido próprio). 
- As horas iam pingando lentamente. (Sentido figurado). 
Denotação e Conotação 
 
Denotação é o sentido da palavra interpretada ao pé da letra, isto é, de acordo com o sentido geral 
que ela tem na maioria dos contextos em que ocorre. É o sentido próprio da palavra, aquele encontrado 
no dicionário. Exemplo: “Uma pedra no meio da rua foi a causa do acidente.” 
A palavra “pedra” aqui está usada em sentido literal, ou seja, o objeto mesmo. 
 
Conotação é o sentido da palavra desviado do usual, isto é, aquele que se distancia do sentido próprio 
e costumeiro. Exemplo: “As pedras atiradas pela boca ferem mais do que as atiradas pela mão.” 
“Pedras”, nesse contexto, não está indicando o que usualmente significa, mas um insulto, uma ofensa 
produzida pelas palavras. 
 
Ampliação de Sentido 
Fala-se em ampliação de sentido quando a palavra passa a designar uma quantidade mais ampla de 
significado do que o seu original. 
“Embarcar”, por exemplo, que originariamente era usada para designar o ato de viajar em um barco, 
ampliou consideravelmente o sentido e passou a designar a ação de viajar em outros veículos. Hoje se 
diz, por ampliação de sentido, que um passageiro: 
- embarcou em um trem. 
- embarcou no ônibus das dez. 
- embarcou no avião da força aérea. 
- embarcou num transatlântico. 
 
“Alpinista”, na origem, era usado para indicar aquele que escala os Alpes (cadeia montanhosa 
europeia). Depois, por ampliação de sentido, passou a designar qualquer tipo de praticante de escalar 
montanhas. 
 
Restrição de Sentido 
Ao lado da ampliação de sentido, existe o movimento inverso, isto é, uma palavra passa a designar 
uma quantidade mais restrita de objetos ou noções do que originariamente. É o caso, por exemplo, das 
palavras que saem da língua geral e passam a ser usadas com sentido determinado, dentro de um 
universo restrito do conhecimento. 
A palavra aglutinação, por exemplo, na nomenclatura gramatical, é bom exemplo de especialização 
de sentido. Na língua geral, ela significa qualquer junção de elementos para formar um todo, porém em 
 
. 49 
Gramática designa apenas um tipo de formação de palavras por composição em que a junção dos 
elementos acarreta alteração de pronúncia, como é o caso de pernilongo (perna + longa). 
Se não houver alteração de pronúncia, já não se diz mais aglutinação, mas justaposição. A palavra 
Pernalonga, por exemplo, que designa uma personagem de desenhos animados, não se formou por 
aglutinação, mas por justaposição. 
Em linguagem científica é muito comum restringir-se o significado das palavras para dar precisão à 
comunicação. 
A palavra girassol, formada de gira (do verbo girar) + sol, não pode ser usada para designar, por 
exemplo, um astro que gira em torno do Sol, seu sentido sofreu restrição, e ela serve para designar 
apenas um tipo de flor que tem a propriedade de acompanhar o movimento do Sol. 
Há certas palavras que, além do significado explícito, contêm outros implícitos (ou pressupostos). Os 
exemplos são muitos. É o caso do adjetivo outro, por exemplo, que indica certa pessoa ou coisa, 
pressupondo necessariamente a existência de ao menos uma além daquela indicada. 
Prova disso é que não faz sentido, para um escritor que nunca lançou um livro, dizer que ele estará 
autografando seu outro livro. O uso de outro pressupõe necessariamente ao menos um livro além daquele 
que está sendo autografado. 
 
Questões 
 
01. (PC/CE – Delegado de Polícia Civil – VUNESP) 
 
A morte do narrador 
 
Recentemente recebi um e-mail de uma leitora perguntando a razão de eu ter, segundo ela, uma visão 
tão dura para com os idosos. O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que 
hoje em dia não existiam mais vovôs e vovós, porque estavam todos na academia querendo parecer com 
seus netos. 
Claro, minha leitora me entendeu mal. Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com 
frequência quando se discute o tema da velhice, é comum, principalmente porque o próprio termo 
“velhice" já pede sinônimos politicamente corretos, como “terceira idade", “melhor idade", “maturidade", 
entre outros. 
Uma característica do politicamente correto é que, quando ele se manifesta num uso linguístico 
específico, é porque esse uso se refere a um conceito já considerado como algo ruim. A marca essencial 
do politicamente correto é a hipocrisia articulada como gesto falso, ideias bem comportadas. 
Voltando à velhice. Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na 
solidão e no abandono,e não procurar ser felizes. Mas, quando eu dizia que eles estão fugindo da 
condição de avós, usava isso como metáfora da mentira (politicamente correta) quanto ao medo que 
temos de afundar na doença, antes de tudo psicológica, devido ao abandono e à solidão, típicos do mundo 
contemporâneo. Minha crítica era à nossa cultura, e não às vítimas dela. Ela cultua a juventude como 
padrão de vida e está intimamente associada ao medo do envelhecimento, da dor e da morte. Sua opção 
é pela “negação", traço de um dos sintomas neuróticos descritos por Freud. 
Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida 
desapareceu. Isso quer dizer que as pessoas encarregadas, antigamente, de narrar a vida e propor 
sentido para ela perderam esse lugar. Hoje os mais velhos querem “aprender" com os mais jovens 
(aprender a amar, se relacionar, comprar, vestir, viajar, estar nas redes sociais). Esse fenômeno, além de 
cruel com o envelhecimento, é também desorganizador da própria juventude. Ouço cotidianamente, na 
sala de aula, os alunos demonstrarem seu desprezo por pais e mães que querem aprender a viver com 
eles. 
Alguns elementos do mundo moderno não ajudam a combater essa desvalorização dos mais velhos. 
As ferramentas de informação, normalmente mais acessíveis aos jovens, aumentam a percepção 
negativa dos mais velhos diante do acúmulo de conhecimento posto a serviço dos consumidores, que 
questionam as “verdades constituídas do passado". A própria estrutura sobre a qual se funda a 
experiência moderna – ciência, técnica, superação de tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos. 
Em termos humanos, o passado (que “nada" serve ao mundo do progresso) tem um nome: idoso. Enfim, 
resta aos vovôs e vovós ir para a academia ou para as redes sociais. 
(Luiz Felipe Pondé, Somma, agosto 2014, p. 31. Adaptado) 
 
O termo empregado com sentido figurado está em destaque na seguinte passagem do texto: 
 
. 50 
(A) Mas o fato de ela ter me entendido mal, o que acontece com frequência quando se discute o tema 
da velhice… (segundo parágrafo). 
(B) O motivo da sua pergunta era eu ter dito, em uma de minhas colunas, que hoje em dia não existiam 
mais vovôs e vovós… (primeiro parágrafo). 
(C) Walter Benjamim, filósofo alemão do século XX, dizia que na modernidade o narrador da vida 
desapareceu. (Penúltimo parágrafo). 
(D) A própria estrutura sobre a qual se funda a experiência moderna – ciência, técnica, superação de 
tradição – agrava a invisibilidade dos mais velhos. (Último parágrafo). 
(E) Minha leitora entendeu que eu dizia que idosos devem se afundar na doença, na solidão e no 
abandono… (quarto parágrafo). 
 
02. (PC/CE – Escrivão de Polícia Civil – VUNESP) 
 
Ficção universitária 
 
Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013 trazem elementos para que 
tentemos desfazer o mito, que consta da Constituição, de que pesquisa e ensino são indissociáveis. É 
claro que universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas, produzir mais 
inovação e atrair os alunos mais qualificados, tornando-se assim instituições que se destacam também 
no ensino. 
O Ranking Universitário mostra essa correlação de forma cristalina: das 20 universidades mais bem 
avaliadas em termos de ensino, 15 lideram no quesito pesquisa (e as demais estão relativamente bem 
posicionadas). Das 20 que saem à frente em inovação, 15 encabeçam também a pesquisa. Daí não 
decorre que só quem pesquisa, atividade estupidamente cara, seja capaz de ensinar. 
O gasto médio anual por aluno numa das três universidades estaduais paulistas, aí embutidas todas 
as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa, incluindo inativos e aportes de 
Fapesp, CNPq e Capes, é de R$ 46 mil (dados de 2008). Ora, um aluno do ProUni custa ao governo algo 
em torno de R$ 1.000 por ano em renúncias fiscais. 
Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos para colocar 
os quase sete milhões de universitários em instituições com o padrão de investimento das estaduais 
paulistas. E o Brasil precisa aumentar rapidamente sua população universitária. Nossa taxa bruta de 
escolarização no nível superior beira os 30%, contra 59% do Chile e 63% do Uruguai. 
Isso para não mencionar países desenvolvidos como EUA (89%) e Finlândia (92%). Em vez de insistir 
na ficção constitucional de que todas as universidades do país precisam dedicar-se à pesquisa, faria mais 
sentido aceitar o mundo como ele é e distinguir entre instituições de elite voltadas para a produção de 
conhecimento e as que se destinam a difundi-lo. O Brasil tem necessidade de ambas. 
(Hélio Schwartsman,: http://www1.folha.uol.com.br, 2013.) 
 
Assinale a alternativa em que a expressão destacada é empregada em sentido figurado. 
(A) ... universidades que fazem pesquisa tendem a reunir a nata dos especialistas... 
(B) Os dados do Ranking Universitário publicados em setembro de 2013... 
(C) Não é preciso ser um gênio da aritmética para perceber que o país não dispõe de recursos... 
(D) ... das 20 universidades mais bem avaliadas em termos de ensino... 
(E) ... todas as despesas que contribuem direta e indiretamente para a boa pesquisa... 
 
03. (TJ/SP – Escrevente Técnico Judiciário – VUNESP) Leia o texto para responder a questão. 
 
Um pé de milho 
 
Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que 
podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro 
na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava 
do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. 
Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana. 
Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, 
lança as suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu 
nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um 
anteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser 
 
. 51 
vivo e independente. Suas raízes roxas se agarra mão chão e suas folhas longas e verdes nunca estão 
imóveis. 
Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé 
de milho pendoou. Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de milho não será a mais linda. 
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar 
com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. 
Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de 
uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos. 
(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001) 
 
Assinale a alternativa em que, nas duas passagens, há termos empregados em sentido figurado. 
(A) ... beijado pelo vento do mar... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §) 
(B) Mas ele reagiu. (1º §) / ... na verdade aquilo era capim. (1º §) 
(C) Secaram as pequenas folhas... (1º §) / Sou um ignorante... (2º §) 
(D) Ele cresceu, está com dois metros... (2º §) / Tinha visto centenas de milharais... (2º §) 
(E) ... lança as suas folhas além do muro... (2º §) / Há muitas flores belas no mundo... (3º §) 
 
04. (IF/SC – Técnico de Laboratório) 
Assinale a opção em que NÃO há palavra usada em sentido conotativo. 
(A) Tuas atitudes são o espelho do teu caráter. 
(B) Regras podem ser estabelecidas para uma convivência pacífica. 
(C) Pipocavam palavras no texto, como se fossem rabiscos coloridos do próprio pensamento 
(D) Choviam risadas naquela peça de humor. 
(E) A sabedoria abre as portas do conhecimento. 
 
05. (FAPESE - Assistente em Administração - UFS/2018) No período “Tomaraque a revolta que eu 
e muitos sentiram não morra nas redes sociais”, a forma verbal “morra” (do verbo morrer) é: 
(A) usada em sentido denotativo; 
(B) 3ª. pessoa do singular do pretérito perfeito, do modo indicativo; 
(C) uma flexão regular da 3ª. pessoa do singular, do pretérito imperfeito, do modo subjuntivo; 
(D) a flexão de 3ª. pessoa do singular, do futuro do pretérito, do modo indicativo; 
(E) usada em sentido conotativo. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.A / 03.A / 04.B / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
O sentido figurado ou conotativo, é aquele em que se atribui à palavra ou expressão, um sentido 
ampliado, diferente do sentido literal/usual. 
d) A palavra "Indivisibilidade" foi usada com o sentido de "isolamento", "exclusão" e, portanto, é o 
gabarito. 
 
02. Resposta: A 
nata: na.ta sf (lat matta) 1 Camada que se forma à superfície do leite; creme. 2 A melhor parte de 
qualquer coisa, o que há de melhor; a fina flor, o escol. N. da terra: nateiro; terra fértil. 
 
03. Resposta: A 
... beijado pelo vento do mar.... (3º §) / Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (3º §) 
Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, (que o vento bate no pé de milho) veio 
enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo 
que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. (Como nasce da terra, 
para o autor parece um presente desta). 
Sentido figurado: A palavra tem valor conotativo quando seu significado é ampliado ou alterado no 
contexto em que é empregada, sugerindo ideias que vão além de seu sentido mais usual. 
 
 
 
. 52 
04. Resposta: B 
(A) Atitudes são o espelho; 
(B) CERTA; 
(C) Pipocavam palavras no texto; 
(D) Choviam risadas; 
(E) Sabedoria abre as portas 
 
05. Resposta E 
Conotativo = sentido figurado 
Denotativo = dicionário (sentido real da palavra) 
A revolta morre, logo sentido figurado. 
 
 
 
A equivalência11 e transformação de estruturas consiste em saber mudar uma sentença ou parte 
dela de modo a que fique gramaticalmente correta. Um exemplo muito comum em provas de concursos 
é o enunciado trazer uma frase no singular, por exemplo, e pedir que o aluno passe a frase para o plural, 
mantendo o sentido. Outro exemplo é o enunciado dar a frase em um tempo verbal, e pedir que o aluno 
a passe para outro tempo. Ou ainda a reescritura de trechos, mantendo a correção semântica e sintática. 
Obtido um razoável conhecimento sobre o que iremos escrever, feito o esquema de exposição da 
matéria, é necessário saber ordenar as ideias em frases bem estruturadas. Logo, não basta conhecer 
bem um determinado assunto, temos que o transmitir de maneira clara aos leitores. 
O estudo da pontuação pode se tornar um valioso aliado para organizarmos as ideias de maneira clara 
em frases. Para tanto, é necessário ter alguma noção de sintaxe. “Sintaxe”, conforme o dicionário Aurélio, 
é a “parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem 
como a relação lógica das frases entre si”; ou em outras palavras, sintaxe quer dizer “mistura”, isto é, 
saber misturar as palavras de maneira a produzir um sentido evidente para os receptores das nossas 
mensagens. Observe12: 
1) A desemprego globalização no Brasil e na está Latina América causando. 
2) A globalização está causando desemprego no Brasil e na América Latina. 
 
Ora, no item 1 não temos uma ideia, pois não há uma frase, as palavras estão amontoadas sem a 
realização de “uma sintaxe”, não há um contexto linguístico nem relação inteligível com a realidade; no 
caso 2, a sintaxe ocorreu de maneira perfeita e o sentido está claro para receptores de língua portuguesa 
inteirados da situação econômica e cultural do mundo atual. 
 
Ordem dos Termos na Frase 
Leia novamente a frase contida no item 2. Note que ela é organizada de maneira clara para produzir 
sentido. Todavia, há diferentes maneiras de se organizar gramaticalmente tal frase, tudo depende da 
necessidade ou da vontade do redator em manter o sentido, ou mantê-lo, porém, acrescentado ênfase a 
algum dos seus termos. 
Significa dizer que, ao escrever, podemos fazer uma série de inversões e intercalações em nossas 
frases, conforme a nossa vontade e estilo. Tudo depende da maneira como queremos transmitir uma 
ideia, do nosso estilo. Por exemplo, podemos expressar a mensagem da frase 2 da seguinte maneira: 
 
- No Brasil e na América Latina, a globalização está causando desemprego. 
 
Neste caso, a mensagem é praticamente a mesma, apenas mudamos a ordem das palavras para dar 
ênfase a alguns termos (neste caso: No Brasil e na A. L.). Repare que, para obter a clareza tivemos que 
fazer o uso de vírgulas. 
Entre os sinais de pontuação, a vírgula é o mais usado e o que mais nos auxilia na organização de um 
período, pois facilita as boas “sintaxes”, boas misturas, ou seja, a vírgula ajuda-nos a não “embolar” o 
 
11 http://centraldefavoritos.com.br/2017/02/20/equivalencia-e-transformacao-de-estruturas/ 
12 VIGNA, Ricardo. https://ricardovigna.wordpress.com 
https://ricardovigna.wordpress.com/estudos-de-gramatica/17-pontuacao-e-organizacao-do-periodo/ 
Equivalência e transformação de estruturas 
 
 
. 53 
sentido quando produzimos frases complexas. Com isto, “entregamos” frases bem organizadas aos 
nossos leitores. 
O básico para a organização sintática das frases é a ordem direta dos termos da oração. Os gramáticos 
estruturam tal ordem da seguinte maneira: 
 
SUJEITO + VERBO+ COMPLEMENTO VERBAL+ CIRCUNSTÂNCIAS 
A globalização + está causando+ desemprego + no Brasil nos dias de hoje. 
 
Nem todas as orações mantêm esta ordem e nem todas contêm todos estes elementos. As 
circunstâncias (de tempo, espaço, modo, etc.) normalmente são representadas por adjuntos adverbiais 
de tempo, lugar, etc. Note que, no mais das vezes, quando queremos recordar algo ou narrar uma história, 
existe a tendência a colocar os adjuntos nos começos das frases: 
 
“No Brasil e na América…” “Nos dias de hoje…” “Nas minhas férias…”, “No Brasil…”. E logo depois os 
verbos e outros elementos: “Nas minhas férias fui…”; “No Brasil existe…” 
 
Observações: 
a) tais construções não estão erradas, mas rompem com a ordem direta; 
b) é preciso notar que em Língua Portuguesa, há muitas frases que não têm sujeito, somente 
predicado. Ex.: Está chovendo em Porto Alegre. Faz frio em Friburgo. São quatro horas agora; 
c) Outras frases são construídas com verbos intransitivos, que não têm complemento: O menino 
morreu na Alemanha. (sujeito +verbo+ adjunto adverbial) A globalização nasceu no século XX. (Idem) 
d) Há ainda frases nominais que não possuem verbos: cada macaco no seu galho. Nestes tipos de 
frase, a ordem direta faz-se naturalmente. Usam-se apenas os termos existentes nelas. 
 
Levando em consideração a ordem direta, podemos estabelecer três regras básicas para o uso da 
vírgula: 
1) Se os termos estão colocados na ordem direta não haverá a necessidade de vírgulas. A frase (2) é 
um exemplo disto: A globalização está causando desemprego no Brasil e na América Latina. 
Todavia, ao repetir qualquer um dos termos da oração por três vezes ou mais, então é necessário usar 
a vírgula, mesmo que estejamos usando a ordem direta. Esta é a regra básica nº1 para a colocação da 
vírgula. Veja: 
 
A globalização, a tecnologia e a “ciranda financeira” causam desemprego… (Três núcleos do sujeito) 
 
A globalização causa desemprego no Brasil, na América Latina e na África. (Três adjuntos adverbiais) 
 
A globalização está causando desemprego, insatisfação e sucateamento industrial no Brasil e na 
América Latina. (Três complementos verbais) 
 
2) Em princípio, não devemos, na ordem direta, separar com vírgula o sujeito e o verbo, nem o verbo 
e o seu complemento, nem o complemento e as circunstâncias, ou seja, não devemos separar com vírgula 
os termos da oração. Veja exemplos de talincorreção: 
 
O Brasil, será feliz. 
A globalização causa, o desemprego. 
 
Ao intercalarmos alguma palavra ou expressão entre os termos da oração, cabe isolar tal termo entre 
vírgulas, assim o sentido da ideia principal não se perderá. Esta é a regra básica nº2 para a colocação 
da vírgula. Dito em outras palavras: quando intercalamos expressões e frases entre os termos da oração, 
devemos isolar os mesmos com vírgulas. Vejamos: 
 
A globalização, fenômeno econômico do fim do século XX, causa desemprego no Brasil. 
 
Aqui um aposto à globalização foi intercalado entre o sujeito e o verbo. 
 
Outros exemplos: a globalização, que é um fenômeno econômico e cultural, está causando 
desemprego no Brasil e na América Latina. 
 
. 54 
Neste caso, há uma oração adjetiva intercalada. As orações adjetivas explicativas desempenham 
frequentemente um papel semelhante ao do aposto explicativo, por isto são também isoladas por vírgula. 
 
A globalização causa, caro leitor, desemprego no Brasil… 
 
Neste outro caso, há um vocativo entre o verbo e o seu complemento. 
 
A globalização causa desemprego, e isto é lamentável, no Brasil… 
 
Aqui, há uma oração intercalada (note que ela não pertence ao assunto: globalização, da frase 
principal, tal oração é apenas um comentário à parte entre o complemento verbal e os adjuntos). 
 
Obs.: a simples negação em uma frase não exige vírgula: A globalização não causou desemprego no 
Brasil e na América Latina. 
Quando “quebramos” a ordem direta, invertendo-a, tal quebra torna a vírgula necessária. 
 
No Brasil e na América Latina, a globalização está causando desemprego… 
No fim do século XX, a globalização causou desemprego no Brasil… 
 
Nota-se que a quebra da ordem direta frequentemente se dá com a colocação das circunstâncias antes 
do sujeito. Trata-se da ordem inversa. Estas circunstâncias, em gramática, são representadas pelos 
adjuntos adverbiais. Muitas vezes, elas são colocadas em orações chamadas adverbiais que têm uma 
função semelhante à dos adjuntos adverbiais, isto é, denotam tempo, lugar, etc. Exemplos: 
 
Quando o século XX estava terminando, a globalização começou a causar desemprego. 
Enquanto os países portadores de alta tecnologia desenvolvem-se, a globalização causa desemprego 
nos países pobres. 
Durante o século XX, a globalização causou desemprego no Brasil. 
 
Obs.: Alguns gramáticos, Sacconi, por exemplo, consideram que as orações subordinadas adverbiais 
devem ser isoladas pela vírgula também quando colocadas após as suas orações principais, mas só 
quando: 
a) a oração principal tiver uma extensão grande, por exemplo: A globalização causa…, enquanto os 
países… (vide frase acima); 
b) se houver uma outra oração após a principal e antes da oração adverbial: A globalização causa 
desemprego no Brasil e as pessoas aqui estão morrendo de fome, enquanto nos países portadores de 
alta tecnologia… 
 
Obs.: Quando os adjuntos adverbiais são mínimos, isto é, têm apenas uma ou duas palavras não há 
necessidade do uso da vírgula: 
Hoje a globalização causa desemprego no Panamá. 
Ali a globalização também causou… 
A não ser que queiramos dar ênfase: Aqui, a globalização… 
 
Obs.: Na língua escrita, normalmente, ao realizarmos a ordem inversa, emprestamos ênfase aos 
termos que principiam as frases. Veja este exemplo de Rui Barbosa destacado por Garcia: 
“A mim, na minha longa e aturada e contínua prática do escrever, me tem sucedido inúmeras vezes, 
depois de considerar por muito tempo necessária e insuprível uma locução nova, encontrar vertida em 
expressões antigas mais clara, expressiva e elegante a mesma ideia.” 
 
Estas três regras básicas não solucionam todos os problemas de organização das frases, mas já dão 
um razoável suporte para que possamos começar a ordenar a expressão das nossas ideias. Em suma: 
o importante é não separar os termos básicos das orações, mas, se assim o fizermos, seja intercalando 
ou invertendo elementos, então devemos usar a vírgula. 
 
Questões 
 
01. (ALESE - Técnico Legislativo - FCC/2018) Como eu era protestante, não pulei Carnaval durante 
a minha infância, nas décadas de 1950 e 1960. No entanto, eu e meu pai cantávamos muitas das 
 
. 55 
marchinhas que ouvíamos no rádio, numa época em que a TV ainda não existia. Uma de que eu gosto 
muito diz assim: “Iaiá, cadê o jarro? O jarro que eu plantei a flor. Eu vou te contar um caso: eu quebrei o 
jarro e matei a flor”. Hoje já não há marchinhas tão interessantes, quase não sinto beleza nelas. Mas 
gosto muito dos sambas-enredo, verdadeiras epopeias.” 
(Adaptado de: ROSA, Yêda Stela. 70 anos, de São Luiz. A-lá-lá- ô, ô, ô, ô, ô. Todos. São Paulo: Mol, Fevereiro/Março, p. 22) 
 
Considerando a regência e a estruturação das sentenças, a alternativa em que as duas construções 
estão corretas é: 
(A) Uma de que eu gosto / Fez promessas das quais não me esqueci. 
(B) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época aonde a corrupção não era divulgada. 
(C) muitas das marchinhas que ouvíamos no rádio / Muitos dos desfiles cuja a transmissão assistíamos 
pela TV. 
(D) O jarro que eu plantei a flor / O poço o qual caíram as chaves. 
(E) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época que precisamos voltar. 
 
02. (Pref. Mangaratiba/RJ - Assistente Social - BIO-RIO/2016) Entre os pensamentos abaixo, aquele 
que NÃO apresenta uma estrutura comparativa é: 
(A) “A arte vence a monotonia das coisas, assim como a esperança vence a monotonia dos dias”. 
(Chesterton) 
(B) “Muita luz é como muita sombra: não deixa ver”. (Carlos Castañeda) 
(C) “O bem é aquele que trabalha pela unidade, o mal é aquele que trabalha pela separação”. (A. 
Huxley) 
(D) “Bons julgamentos vêm da experiência e, frequentemente, a experiência vem de maus 
julgamentos”. (Rita Mae Brown) 
(E) “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas”. 
(William George Ward) 
 
03. (AL/RR - Administrador - FUNRIO/2018) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre 
os médicos e seus pacientes. Essa distância parece aumentar. Apesar da grande maioria dos 
diagnósticos (70-90%) ser feita com base na história do paciente, a escuta médica é sem dúvida o ponto 
de maior fragilidade na medicina atual. Os médicos geralmente querem saber apenas dos fatos, 
interrompendo os pacientes antes da história completa. 
O registro técnico, resumido, com linguagem técnica e supostamente neutra, é insuficiente para uma 
inter-relação que possa auxiliar a criação de narrativas que facilitem a realização de hipóteses 
diagnósticas e a escolha de intervenções terapêuticas que levem em conta a perspectiva do próprio 
paciente. No processo de criação de anamneses médicas objetivas, acabamos, muitas vezes, por 
desumanizar e suprimir delas aspectos que podem ser decisivos para a abordagem diagnóstica e 
terapêutica, além de dificultarmos a criação de uma narrativa por parte do paciente que dê sentido ao seu 
processo de adoecimento. 
O declínio das doenças infecciosas, o envelhecimento da população e o concomitante aumento da 
prevalência das doenças crônicas determinam a necessidade de um novo papel do profissional de saúde, 
em especial do médico, na condução dos conflitos inerentes ao acompanhamento de pessoas com 
doenças que não têm cura, mas que muitas vezes levam a incapacidades permanentes e de longa 
duração. 
Em relação à incompreensão médico-paciente, uma das dificuldades é, sem dúvida, a barreira de 
linguagem criada pela terminologia técnica entre os profissionais e os pacientes. A condição clínica do 
paciente é interpretada e referida a ele em uma linguagem que muitas vezes ele não entende. Na alta 
hospitalar, menos de 1/3 entendem de que doença eles foram tratados e menos de 1/4 que tipo de terapia 
receberam. 
Ana Luisa Rocha Mallet. Literatura e medicina: uma experiência de ensino. Rio de Janeiro: Livros Ilimitados, 2014, pp. 18-19 (Adaptado) 
 
A transformação dos dois períodos indicados a seguir em um único períodopode ser realizada com 
mudanças na redação. 
 
Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes. Essa distância 
parece aumentar. 
 
Assinale a alteração que mantém a correção gramatical e o sentido pretendido pela autora do texto. 
(A) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes cuja 
distância parece aumentar. 
 
. 56 
(B) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, contudo a 
distância parece aumentar. 
(C) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes onde a 
distância parece aumentar. 
(D) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, ainda que 
a distância pareça aumentar. 
 
04. (Copergás/PE - Analista Administrador - FCC/2016) 
 
Idades e verdades 
 
O médico e jornalista Dráuzio Varella escreveu outro dia no jornal uma crônica muito instigante. 
Destaco este trecho: 
“Nada mais ofensivo para o velho do que dizer que ele tem ‘cabeça de jovem’. É considerá-lo mais 
inadequado do que o rapaz de 20 anos que se comporta como criança de dez. Ainda que maldigamos o 
envelhecimento, é ele que nos traz a aceitação das ambiguidades, das diferenças, do contraditório e abre 
espaço para uma diversidade de experiências com as quais nem sonhávamos anteriormente. ” 
Tomo a liberdade de adicionar meu comentário de velho: não preciso que os jovens acreditem em 
mim, tampouco estou aberto para receber lições dos mocinhos. Nossa alternativa: ao nos defrontarmos 
com uma questão de comum interesse, discutirmos honestamente que sentido ela tem para nós. O que 
nos unirá não serão nossas diferenças, mas o que nos desafia. 
 (LAMEIRA, Viriato, inédito) 
 
É preciso corrigir, por apresentar em sua construção uma deficiência estrutural, a redação da seguinte 
frase: 
(A) A muita gente ocorre que os velhos estimem ser tratados como jovens, em vez de serem 
valorizados pelos ganhos obtidos em sua longa experiência de vida. 
(B) Imagina-se que a ingenuidade de uma criança ou o caráter aventureiro de um jovem possam ser 
atributos positivos invejados pelos velhos, quando não o são. 
(C) Os jovens, presumivelmente, não deverão considerar-se criaturas privilegiadas se alguém os julga 
tão ativos e inventivos quanto costumam ser as crianças de dez anos. 
(D) Ao comentar a afirmação de Dráuzio Varella, o autor do texto não se mostra disposto nem a 
aprender algo com os jovens, nem a esperar que estes acreditem nele. 
(E) Conquanto os velhos pareçam injustiçados, razão pela qual as pessoas tendem a consolá-los 
atribuindo-lhes juventude, há por isso mesmo como valorizar sua experiência. 
 
05. (Câmara de Salvador/BA - Analista Legislativo Municipal - FGV/2018) 
 
Intercâmbio de alimentos 
Renato Mocelline/Rosiane de Camargo, História em debate. São Paulo: Editora do Brasil, p. 72. 
 
A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias 
nos hábitos alimentares dos seres humanos. 
Nos primeiros anos da conquista, os espanhóis resistiram a comer produtos nativos americanos, por 
isso trouxeram consigo plantas e animais de sua terra natal. Todavia, os espanhóis enviavam à Europa 
todos os alimentos exóticos que os nativos lhes ofereciam para, de alguma forma, apaziguar a Coroa 
pelas dificuldades que tinham de encontrar os tão desejados metais preciosos. 
Progressivamente, por meio dessa troca entre América e Europa, a flora e a fauna de ambos os 
continentes foram modificadas, pois diversas plantas e animais adaptaram-se aos novos climas. Com 
isso, a dieta dos habitantes das duas regiões foi enriquecida. 
“A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias 
nos hábitos alimentares dos seres humanos”. 
 
Com base nesse segmento inicial do texto, foram propostas várias modificações no texto; a opção de 
mudança que interfere com a correção gramatical ou modifica a mensagem original é: 
(A) em lugar de “a chegada dos europeus” poderia estar “a chegada europeia”; 
(B) em lugar da expressão “à América” poderia estar “na América”; 
(C) em lugar de “uma das transformações mais revolucionárias” poderia estar “uma transformação das 
mais revolucionárias”; 
(D) em lugar de “hábitos alimentares” poderia estar “hábitos de alimentação”; 
 
. 57 
(E) em lugar de “dos seres humanos” poderia estar “do Homem”. 
 
Gabarito 
 
01.A / 02.D / 03.A / 04.E / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: A 
a) Uma de que eu gosto / Fez promessas das quais não me esqueci. CORRETA 
b) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época aonde (em que/ na qual) a corrupção 
não era divulgada. - ("onde" - só se usa quando se referir a lugar concreto) 
c) muitas marchinhas que ouvíamos no rádio / Muitos desfiles a cuja transmissão assistíamos pela 
TV. (Verbo assistir no sentido de "Expectador" é Transitivo Indireto e exige a preposição "a" 
- Obrigada ao comentário do colega Lucas Tavares Leonardo). 
d) O jarro em que eu plantei a flor (Plantei no jarro) / O poço no qual caíram as chaves (as chaves 
caíram no poço) 
e) numa época em que a TV ainda não existia / Numa época a que precisamos voltar (voltar rege a 
preposição a) 
 
02. Resposta: D 
a) comparação entre arte e esperança; 
b) comparação entre luz e sombra; 
c) comparação entre bem e mal; 
d) não há comparação entre os elementos; 
e) comparação entre pessimista e otimista. 
 
03. Resposta: A 
a) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes cuja distância 
parece aumentar. 
O pronome relativo CUJO é usado quando se indica posse (a distância pertence aos médicos e 
pacientes,). A concordância é feita a partir da palavra seguinte, no caso, CUJA está concordando com 
DISTÂNCIA em gênero e número. 
MACETE: O 'CU'JO APONTA PARA TRÁS CONCORDANDO COM O DA FRENTE. 
b) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, contudo a 
distância parece aumentar. 
Mudança de sentido. O CONTUDO tem sentido de contraste. É uma conjunção adversativa. 
c) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes onde a 
distância parece aumentar. 
Na língua culta, escrita ou falada, “onde” deve ser limitado aos casos em que há indicação de LUGAR 
FÍSICO, ESPACIAL 
d) Parece haver um abismo de mútua incompreensão entre os médicos e seus pacientes, ainda que a 
distância pareça aumentar. 
Mudança de sentido. A conjunção AINDA QUE introduz uma oração que tem ideia contrária da oração 
principal. É uma conjunção concessiva. 
 
04. Resposta: E 
Oração adverbial Concessivas: exprimem um fato que se concede, que se admite, em oposição ao 
da oração principal. 
As conjunções são: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo 
quando, posto que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que, 
dado que, sem que (=embora não). 
 
05. Resposta: B 
“A chegada dos europeus à América foi o começo de uma das transformações mais revolucionárias 
nos hábitos alimentares dos seres humanos”. 
O termo à América, nesse contexto, é um complemento nominal exigido pelo substantivo abstrato 
"chegada", caso fosse trocado para "na América" passaria de um complemento nominal para 
um adjunto adverbial de lugar. Ocorrendo assim mudança de sentido. 
 
. 58 
 
 
Sintaxe13 é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras nos períodos, bem como a 
relação lógica entre elas. 
De maneira geral, podemos dizer que a sintaxe é o conjunto das regras que determinam as diferentes 
possibilidades de associação entre as palavras da língua para a formação de enunciados verbais. 
Para que a comunicação/interação verbal ocorra de maneira eficiente e organizada entre os falantes, 
as línguas possuem não somente um léxico composto por milhares de palavras, mas também algumas 
regras que determinam o modo como as palavras podem combinar-se para formar os enunciados a partir 
de uma relação lógica.Essas regras são aquilo que definem a sintaxe das línguas. 
 
Funções e Relações Sintáticas 
 
O enunciado14 se encaixa em uma organização/estruturação específica prevista na língua. Essa 
organização é sempre regulada pela sintaxe, a qual define as sequências possíveis no interior dessas 
estruturas. 
 
Funções Sintáticas 
Consiste na função específica de cada elemento na sentença ao se relacionar com outros elementos 
que também compõem o enunciado. 
 
 
Relações Sintáticas 
Consiste nas relações estabelecidas entre as palavras que definem as estruturas possíveis na sintaxe 
das línguas. 
 
Quando falamos em sintaxe, devemos estudar os seguintes assuntos dentro da gramática: 
- Análise Sintática; 
- Concordância Nominal e Verbal; 
- Regência Nominal e Verbal; 
- Colocação Pronominal; 
- Crase. 
 
Período 
 
Toda frase com uma ou mais orações constitui um período. Ele é simples quando só traz uma oração, 
chamada absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração. Exemplo: 
Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta) 
Quero que você aprenda. (Período composto) 
 
Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num período: é contar os verbos ou locuções 
verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele 
existentes. Exemplos: 
Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração) 
Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações) 
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções verbais, duas orações) 
 
Há três tipos de período composto: por coordenação, por subordinação e por coordenação e 
subordinação ao mesmo tempo (também chamada de misto). 
 
Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas 
Considere, por exemplo, este período composto: 
 
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de infância. 
 
13 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/sintaxe.htm 
14 https://portugues.uol.com.br/gramatica/sintaxe.html 
Sintaxe: processos de coordenação e subordinação 
 
 
. 59 
1ª oração: Passeamos pela praia 
2ª oração: brincamos 
3ª oração: recordamos os tempos de infância 
 
As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e não mantêm entre si nenhuma 
dependência sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como 
já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente. 
As orações independentes de um período são chamadas de Orações Coordenadas (OC), e o período 
formado só de orações coordenadas é chamado de período composto por coordenação. 
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e sindéticas. 
 
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não vêm introduzidas por conjunção. 
Exemplo: 
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram. 
 OCA OCA OCA 
 
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm introduzidas por conjunção 
coordenativa. Exemplo: 
O homem saiu do carro / e entrou na casa. 
 OCA OCS 
 
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com o sentido expresso pelas 
conjunções coordenativas que as introduzem. Pode ser: 
 
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas também, não só... mas ainda. 
Saí da escola / e fui à lanchonete. Conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição. 
 OCA OCS Aditiva 
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no 
entanto. Conjunção que expressa ideia de oposição. 
Estudei bastante / mas não passei no teste. 
 OCA OCS Adversativa 
 
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por isso, pois, logo. Conjunção que 
expressa ideia de conclusão de um fato enunciado. 
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. 
 OCA OCS Conclusiva 
 
- Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer. 
Conjunção que estabelece uma relação de alternância ou escolha. 
Seja mais educado / ou retire-se da reunião! 
 OCA OCS Alternativa 
 
- Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois, porquanto. Conjunção que 
expressa ideia de explicação, de justificativa. 
Vamos andar depressa / que estamos atrasados. 
 OCA OCS Explicativa 
 
Período Composto por Subordinação 
Observe os termos destacados em cada uma destas orações: 
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal) 
Todos querem sua participação. (objeto direto) 
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa) 
 
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações com a mesma função sintática: 
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função de adjunto adnominal) 
Todos querem / que você participe. (oração subordinada com função de objeto direto) 
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordinada com função de adjunto adverbial de 
causa) 
 
 
. 60 
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa função sintática em relação à primeira, 
sendo, portanto, subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto de 
duas orações em que uma delas (a subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele é 
classificado como período composto por subordinação. As orações subordinadas são classificadas de 
acordo com a função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. 
 
Orações Subordinadas Adverbiais 
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que exercem a função de adjunto adverbial 
da oração principal (OP). São classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz: 
 
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como 
(= porque), pois que, visto que. 
Não fui à escola / porque fiquei doente. 
 OP OSA Causal 
 
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência do que foi enunciado na principal. 
Conjunções: se, contanto que, a menos que, a não ser que, desde que. 
Irei à sua casa / se não chover. 
 OP OSA Condicional 
 
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração principal, sem, no entanto, impedir 
sua realização. Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que. 
Ela saiu à noite / embora estivesse doente. 
 OP OSA Concessiva 
 
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com outro. Conjunções: conforme, como 
(=conforme), segundo. 
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado. 
 OP OSA Conformativa 
 
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao que foi expresso na oração principal. 
Conjunções: quando, assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que). 
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei. 
 OP OSA Temporal 
 
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: 
para que, a fim de que, porque (=para que), que. 
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar. 
 OP OSA Final 
 
- Consecutivas: Expressam a consequência do que foi enunciado na oração principal. Conjunções: 
porque, que, como (= porque), pois que, visto que. 
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade. 
 OP OSA Consecutiva 
 
- Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à oração principal. Conjunções: 
como, assim como, tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais). 
Ela é bonita / como a mãe. 
 OP OSA Comparativa 
 
Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam claramente o verbo, como no exemplo acima, 
em que está subentendido o verbo ser (como a mãe é).- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona proporcionalmente ao que foi enunciado na 
principal. Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos. 
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia. 
 OSA Proporcional OP 
 
Orações Subordinadas Substantivas 
 
. 61 
As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, num período, exercem funções 
sintáticas próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. 
Elas podem ser: 
 
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que exerce a função de objeto direto 
do verbo da oração principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) 
O grupo quer / que você ajude. 
 OP OSS Objetiva Direta 
 
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela que exerce a função de objeto 
indireto do verbo da oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) 
Necessito / de que você me ajude. 
 OP OSS Objetiva Indireta 
 
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que exerce a função de sujeito do verbo da 
oração principal. Observe: É importante sua colaboração. (sujeito) 
É importante / que você colabore. 
 OP OSS Subjetiva 
 
A oração subjetiva geralmente vem: 
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções do tipo é bom, é útil, é certo, é 
conveniente, etc. Ex.: É certo que ele voltará amanhã. 
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu 
da cidade. 
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do 
singular e seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião. 
 
- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É aquela que exerce a função de 
complemento nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência. 
(complemento nominal) 
Estou convencido / de que ele é inocente. 
 OP OSS Completiva Nominal 
 
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que exerce a função de predicativo do 
sujeito da oração principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade. 
(predicativo) 
O importante é / que você seja feliz. 
 OP OSS Predicativa 
 
- Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que exerce a função de aposto de um termo 
da oração principal. Observe: Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país. (aposto) 
Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país. 
 OP OSS Apositiva 
 
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, 
intercaladas à oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se 
realidade. 
 
Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações substantivas podem ser 
introduzidas por outros conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos: 
Não sei quando ele chegou. 
Diga-me como resolver esse problema. 
 
Orações Subordinadas Adjetivas 
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de adjunto adnominal de algum termo 
da oração principal. Observe como podemos transformar um adjunto adnominal em oração subordinada 
adjetiva: 
Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal) 
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva) 
 
. 62 
As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, 
quem, etc.) e podem ser classificadas em: 
 
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando restringem ou especificam o sentido 
da palavra a que se referem. Exemplo: 
 
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar. 
 OP OSA Restritiva 
 
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o sentido do substantivo cantor, indicando 
que o público não aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar. 
 
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando apenas acrescentam uma 
qualidade à palavra a que se referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou 
especificá-lo. Exemplo: 
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro. 
 OP OSA Explicativa OP 
 
Orações Reduzidas 
As orações reduzidas são caracterizadas por possuírem o verbo nas formas de gerúndio, particípio 
ou infinitivo. Ao contrário das demais orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas 
através dos conectivos 
 
Há três tipos de orações reduzidas: 
- Orações reduzidas de infinitivo 
- Orações reduzidas de gerúndio 
- Orações reduzidas de particípio 
 
Orações Reduzidas de Infinitivo: 
Infinitivo: terminações -ar, -er, -ir. 
 
Reduzida: É preciso comer frutas e legumes. 
Desenvolvida: É preciso que se coma frutas e legumes. (Oração Subordinada Substantiva Subjetiva) 
 
Reduzida: Meu desejo era ganhar uma viagem. 
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse uma viagem. (Oração Subordinada Substantiva 
Predicativa) 
 
Orações Reduzidas de Particípio: 
Particípio: terminações -ado, -ido. 
 
Reduzida: Temos apenas um filho, criado com muito amor. 
Desenvolvida: Temos apenas um filho, que criamos com muito amor. (Oração Subordinada Adjetiva 
Explicativa) 
 
Reduzida: A criança sequestrada foi resgatada. 
Desenvolvida: A criança que sequestraram foi resgatada. (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva) 
 
Orações Reduzidas de Gerúndio: 
Gerúndio: terminação -ndo. 
 
Reduzida: Não enviando o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos. 
Desenvolvida: Porque não enviou o relatório a tempo, perdeu a bolsa de estudos. (Oração 
Subordinada Adverbial Causal) 
 
Reduzida: Respeitando as normas, não terão problemas. 
Desenvolvida: Desde que respeitem as normas, não terão problemas. (Oração Subordinada Adverbial 
Condicional) 
 
 
. 63 
O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações reduzidas quando fazem parte de uma 
locução verbal. 
 
Exemplos: 
Preciso terminar este exercício. 
Ele está jantando na sala. 
 
Frases Fragmentadas 
 
Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase 
completa, a argumentação fica comprometida pela quebra da linha de pensamento. 
Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal, sem a qual o leitor terá rompida 
a visualização do encadeamento das ideias. 
 
Exemplo: 
Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal) Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração 
subordinada fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada fragmentada) 
 
Correção: Eu estava perdida em São Paulo, mesmo consultando o mapa da cidade, (oração 
subordinada adverbial concessiva) quando você me telefonou. (oração subordinada adverbial 
temporal) 
 
Questões 
 
01. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018) 
 
Parentes de pacientes que foram diagnosticados com enfarte ou derrame tinham maiores[1] chances 
de eles mesmos[2] apresentarem o quadro[3] durante sua vida. 
 
Há, no trecho, um período composto por 
(A) coordenação com três orações, sendo a última delas uma coordenada aditiva. 
(B) subordinação com duas orações, sendo a segunda delas uma adjetiva restritiva. 
(C) subordinação com três orações, sendo a última delas uma substantiva completiva nominal. 
(D) coordenação com duas orações, sendo a segunda delas uma coordenada alternativa assindética. 
 
02. (UFRJ - Analista de Tecnologia da Informação - UFRJ/2018) 
 
Tente passar pelo que estou passando 
Tente apagar este teu novo engano 
Tente me amar, pois estou te amando 
Baby, te amo, nem sei se te amo 
 
Tente usar a roupa que estou usando 
Tente esquecer em que ano estamos 
Arranje algum sangue, escreva num pano 
Pérola Negra, te amo,te amo 
Pérola Negra, Luiz Melodia, 1973. 
 
Nos versos destacados em negrito, na letra da bela canção de Luiz Melodia; as vírgulas são 
empregadas, respectivamente, para separar 
(A) uma oração coordenada sindética; o vocativo; elementos da mesma função sintática; o vocativo; 
expressão repetida. 
(B) uma oração coordenada assindética; o aposto; termos que vêm em ordem inversa; o predicativo 
deslocado; uma expressão conclusiva. 
(C) uma oração subordinada; o predicativo deslocado; uma expressão de retificação; o aposto; um 
termo antecipado e repetido por pronome enfático. 
(D) uma oração coordenada sindética; o predicativo deslocado; uma expressão concessiva; o vocativo; 
uma expressão de retificação. 
 
. 64 
(E) uma oração subordinada; o vocativo; uma expressão conclusiva; o predicativo deslocado; 
expressão repetida. 
 
03. (ANAC - Analista Administrativo - ESAF/2016) Assinale a opção que apresenta explicação 
correta para a inserção de "que é" antes do segmento grifado no texto. 
 
 A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil 
que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e Rotas do Brasil, o mais completo levantamento sobre 
transporte aéreo de passageiros do País. Mais de 150 mil passageiros, ouvidos durante 2014 nos 65 
aeroportos responsáveis por 98% da movimentação aérea do País, revelaram um perfil inédito do setor. 
<http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=1957&slCD_ ORIGEM=29>. (com adaptações). 
 
(A) Prejudica a correção gramatical do período, pois provoca truncamento sintático. 
(B) Transforma o aposto em oração subordinada adjetiva explicativa. 
(C) Altera a oração subordinada explicativa para oração restritiva. 
(D) Transforma o segmento grifado em oração principal do período. 
(E) Corrige erro de estrutura sintática inserido no período. 
 
04. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018) 
Depois, vários cientistas passaram a estudar a correlação dos riscos genéticos com os 
comportamentais, na tentativa de avaliar o peso[1] que[2] cada risco tinha na determinação do destino 
do coração dos indivíduos. 
 
O elemento linguístico [2] é 
(A) conjunção coordenada e introduz uma oração explicativa. 
(B) conjunção integrante e introduz uma oração substantiva. 
(C) pronome relativo e retoma “peso”. 
(D) pronome relativo e retoma “riscos genéticos”. 
05. (Câmara de Palmas/TO – Assistente Administrativo – COPESE/2018) 
 
 
 
No trecho: “Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana”, o elemento em destaque une 
duas frases, tornando a segunda oração: 
(A) subordinada adverbial temporal, que traduz a ideia de tempo transcorrido entre a primeira oração 
e a segunda. 
(B) subordinada adverbial causal, pois o elemento ‘e’ estabelece relação de causa/consequência. 
(C) coordenada sindética explicativa, uma vez que, na segunda frase, “mexer nessa tecnologia 
humana”, há uma tentativa de explicação da primeira “Tô tentando me atualizar!” 
(D) coordenada sindética aditiva, pois transmite a ideia de adição do segundo trecho em relação ao 
primeiro. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.A / 03.B / 04.C / 05.D 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
1) Oração principal; 
2) Oração subordinada adjetiva restritiva: restringe o sentido de "parentes de pacientes"; 
 
. 65 
3) Oração subordinada completiva nominal: completa um nome (substantivo, adjetivo ou adverbio), 
no caso em tela é o complemento de "maiores chances" 
 
02. Resposta: A 
Tente me amar, pois estou te amando – pois é uma conjunção coordenativa explicativa - uma oração 
coordenada sindética(possui conjunção) 
Baby, te amo, nem sei se te amo - Baby é um vocativo 
Pérola Negra, te amo, te amo - Pérola é um vocativo 
 
03. Resposta: B 
Do modo como está, trata-se de um aposto explicativo, aquele que explica ou esclarece algo; no caso 
explicando o que é a pesquisa O Brasil que voa. 
Se colocarmos um QUE É antes, ficaria assim: A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da 
República divulgou recentemente a pesquisa O Brasil que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e 
Rotas do Brasil, que é o mais completo levantamento sobre transporte aéreo de passageiros do 
País. 
Logo, a oração em destaque é uma oração subordinada adjetiva EXPLICATIVA, que é aquela isolada 
por vírgula e que tem valor de adjetivo. 
Outro exemplo: Meu irmão, que sempre aprontou, casou-se. 
 
04. Resposta: C 
O pronome que retoma a palavra peso, sendo substituível por "o qual", sendo assim, se trata de um 
pronome relativo. 
 
05. Resposta: D 
“Tô tentando me atualizar e mexer nessa tecnologia humana” - Perceba que a conjunção "e" na frase 
tem sentido aditivo, podendo até ser substituída por outra aditiva "bem como", veja: 
“Tô tentando me atualizar bem como mexer nessa tecnologia humana” 
Conjunções Aditivas: dão a ideia de adição, acréscimo, como: e, nem, mas também, mas ainda, senão 
também, como também, bem como. 
 
 
 
Verbo 
 
Verbo é a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da natureza, estado, mudança de estado. 
Flexiona-se em: 
- número (singular e plural); 
- pessoa (primeira, segunda e terceira); 
- modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas nominais: gerúndio, infinitivo e particípio); 
- tempo (presente, passado e futuro); 
- e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva). 
 
De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados em três conjugações: 
1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular. 
2ª conjugação – er: beber, correr, entreter. 
3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir. 
 
O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor, compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido 
à sua origem latina poer. 
 
Elementos Estruturais do Verbo 
As formas verbais apresentam três elementos em sua estrutura: radical, vogal temática e tema. 
Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o significado essencial do verbo. Observe as 
formas verbais da 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses verbos, nota-se que há uma 
parte que não muda, e que nela está o significado real do verbo. 
Emprego de tempos e modos verbais 
 
 
. 66 
cont é o radical do verbo contar; 
esper é o radical do verbo esperar; 
brinc é o radical do verbo brincar. 
 
Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos verbos, teremos o radical desses verbos. Também 
podemos antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir. 
 
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual conjugação pertence o verbo. Há três vogais 
temáticas: 1ª conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. 
 
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal temática. Ex.: contar - cont (radical) + a 
(vogal temática) = tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o radical (contei = cont ei). 
 
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou ao tema, para indicar as flexões de modo e 
tempo, desinências modo temporais e desinências número pessoais. 
 
Contávamos 
Cont = radical 
a = vogal temática 
va = desinência modo temporal 
mos = desinência número pessoal 
 
Flexões Verbais 
Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar o número e a pessoa. 
- eu estudo – 1ª pessoa do singular; 
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural; 
- tu estudas – 2ª pessoa do singular; 
- vós estudais – 2ª pessoa do plural; 
- ele estuda – 3ª pessoa do singular; 
- eles estudam – 3ª pessoa do plural. 
 
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma diferente da fala culta, exigida pela gramática 
oficial, ou seja, tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens. 
- O pronome vós aparece somente em textos literários ou bíblicos. 
- Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª pessoa, é o mais usado no Brasil. 
 
Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a ação verbal dentro de determinado 
momento; pode estar em plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três possibilidades básicas, 
mas não únicas, são: presente, pretérito e futuro. 
 
O modo indica as diversasatitudes do falante com relação ao fato que enuncia. São três os modos: 
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta 
presente, pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do presente e futuro do pretérito. 
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de dúvida, exprime uma possibilidade. O 
subjuntivo expressa uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta presente, pretérito 
imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; Quando 
o vir, dê lembranças minhas. 
- Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica 
uma ordem, um pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e imperativo negativo. 
 
Emprego dos Tempos do Indicativo 
 
- Presente do Indicativo: para enunciar um fato momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar 
um fato que ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de minha mãe. Na indicação 
de ações ou estados permanentes, verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida. 
- Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado, não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na 
feira; Eu cantava muito bem. 
- Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, 
chorei, dormi... 
 
. 67 
- Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado anterior a outro acontecimento passado. 
Ex.: Nós cantáramos no congresso de música. 
- Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado num instante posterior ao que se fala. Ex.: 
Cantarei domingo no coro da igreja matriz. 
- Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento posterior a um outro acontecimento passado. 
Ex.: Compraria um carro se tivesse dinheiro 
 
1ª Conjugação: -AR 
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais, dançam. 
Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos, dançastes, dançaram. 
Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava, dançávamos, dançáveis, dançavam. 
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara, dançáramos, dançáreis, 
dançaram. 
Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará, dançaremos, dançareis, dançarão. 
Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria, dançaríamos, dançaríeis, dançariam. 
 
2ª Conjugação: -ER 
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem. 
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos, comestes, comeram. 
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos, comíeis, comiam. 
Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera, comêramos, comêreis, comeram. 
Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá, comeremos, comereis, comerão. 
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria, comeríamos, comeríeis, comeriam. 
 
3ª Conjugação: -IR 
Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem. 
Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos, partistes, partiram. 
Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos, partíeis, partiam. 
Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira, partíramos, partíreis, partiram. 
Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos, partireis, partirão. 
Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria, partiríamos, partiríeis, partiriam. 
 
Emprego dos Tempos do Subjuntivo 
- Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à 
suposição. Ex.: Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos políticos. 
- Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o 
prêmio, voltaria à universidade. 
- Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético, pode ou não acontecer. Quando você fizer o 
trabalho, será generosamente gratificado. 
 
1ª Conjugação –AR 
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem. 
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se ele dançasse, se nós dançássemos, se vós 
dançásseis, se eles dançassem. 
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele dançar, quando nós dançarmos, quando vós 
dançardes, quando eles dançarem. 
 
2ª Conjugação -ER 
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que nós comamos, que vós comais, que eles comam. 
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, 
se eles comessem. 
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele comer, quando nós comermos, quando vós comerdes, 
quando eles comerem. 
 
3ª conjugação – IR 
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que nós partamos, que vós partais, que eles partam. 
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se 
eles partissem. 
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, 
quando eles partirem. 
 
 
 
 
. 68 
Emprego do Imperativo 
 
Imperativo Afirmativo 
 
- Não apresenta a primeira pessoa do singular. 
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do subjuntivo. 
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”. 
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo. 
 
Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam. 
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, 
que eles amem. 
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos nós, amai vós, amem vocês. 
 
Imperativo Negativo 
 
- É formado através do presente do subjuntivo sem a primeira pessoa do singular. 
- Não retira os “s” do tu e do vós. 
 
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele ame, que nós amemos, que vós ameis, 
que eles amem. 
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não amemos nós, não ameis vós, não amem 
vocês. 
 
Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e Imperativo), os verbos apresentam ainda as 
formas nominais: infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio. 
 
Infinitivo Impessoal15 
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, isso significa que ele apresenta sentido 
genérico ou indefinido, não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável. Assim, considera-
se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é sofrer. 
Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é lutar. (= vida é luta); É indispensável combater 
a corrupção. (= combate à) 
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente (forma simples) ou no passado (forma 
composta). Ex.: É preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro. 
Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª pessoas do singular (cujas formas são iguais 
às do infinitivo impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas pessoas do discurso (o que será 
esclarecido apenas pelo contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos. (1ª pessoa); Para 
ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa) 
 
O infinitivo impessoal é usado: 
 
- Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se referir a um sujeito determinado. Ex. 
Querer é poder. Fumar prejudica a saúde. É proibido colar cartazes neste muro. 
- Quando tem valor de Imperativo. Ex. Soldados, marchar! (= Marchai!) Esquerda, volver! 
- Quando é regido de preposição (geralmente precedido da preposição “de”) e funciona como 
complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da oração anterior. Ex.: Eles não têm o direito 
de gritar assim. As meninas foram impedidas de participar do jogo. Eu os convenci a aceitar. 
 
No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar", "tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo 
auxiliar) deve ser flexionado. Exs.: 
Eram pessoas difíceis de serem contentadas. 
Aqueles remédios são ruins de serem tomados. 
Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem jogados. 
 
- Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo amanhã. Eles não podiamreclamar do 
colégio. Vamos pensar no seu caso. 
 
15 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php 
 
. 69 
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da oração anterior. Ex. Eles foram 
condenados a pagar pesadas multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns livros por 
(para) publicar. 
 
Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não, preceder ou estiver distante do verbo da 
oração principal (verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do período e também para se 
enfatizar o sujeito (agente) da ação verbal. Exs.: 
Na esperança de sermos atendidos, muito lhe agradecemos. 
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem futebol. 
Para estudarmos, estaremos sempre dispostos. 
Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas crianças. 
 
- Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e "fazer" e seus sinônimos que não formam 
locução verbal com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje. 
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e sinônimos, deve-se também deixar o 
infinitivo sem flexão. Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à festa. 
 
Infinitivo Pessoal 
É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na 1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta 
desinências, assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona-se da seguinte maneira: 
2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu) 
1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós) 
2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós) 
3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles) 
 
Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. 
 
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso significa que ele atribui um agente ao 
processo verbal, flexionando-se. 
O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos: 
 
- Quando o sujeito da oração estiver claramente expresso. Exs.: 
Se tu não perceberes isto... 
Convém vocês irem primeiro. 
O bom é sempre lembrarmos (sujeito desinencial, sujeito implícito = nós) desta regra. 
 
- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração principal. Exs.: 
O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos estudarem bastante para a prova. 
Perdoo-te por me traíres. 
O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade. 
O guarda fez sinal para os motoristas pararem. 
 
- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na terceira pessoa do plural). Exs.: 
Faço isso para não me acharem inútil. 
Temos de agir assim para nos promoverem. 
Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua conduta. 
 
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade de ação. Exs.: 
Vi os alunos abraçarem-se alegremente. 
Fizemos os adversários cumprimentarem-se com gentileza. 
Mandei as meninas olharem-se no espelho. 
 
Gerúndio 
 
Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (Função de 
advérbio); Nas ruas, havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo) 
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; na forma composta, uma ação concluída. 
Ex.: Trabalhando, aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o valor do dinheiro. 
 
 
. 70 
Particípio 
 
Quando não é empregado na formação dos tempos compostos, o particípio indica geralmente o 
resultado de uma ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.: Terminados os 
exames, os candidatos saíram. Quando o particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação 
temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo (adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida 
para representar a escola. 
 
1ª Conjugação –AR 
Infinitivo Impessoal: dançar. 
Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, 
dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles. 
Gerúndio: dançando. 
Particípio: dançado. 
 
2ª Conjugação –ER 
Infinitivo Impessoal: comer. 
Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele, 
comermos nós, comerdes vós, comerem eles. 
Gerúndio: comendo. 
Particípio: comido. 
 
3ª Conjugação –IR 
Infinitivo Impessoal: partir. 
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele, 
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles. 
Gerúndio: partindo. 
Particípio: partido. 
 
Verbos Auxiliares 
 
Ser 
 
Modo Indicativo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito 
Perfeito 
Simples 
Pretérito 
Perf. 
Composto 
Eu sou era fui tenho sido 
Tu és eras foste tens sido 
Ele é era foi tem sido 
Nós somos éramos fomos temos sido 
Vós sois éreis fostes tendes sido 
Eles são eram foram têm sido 
 
 Pret. Mais 
que Perfeito 
Simples 
Pret. Mais 
que Perfeito 
Composto 
Futuro do 
Pretérito 
Simples 
Futuro do 
Pretérito 
Composto 
Futuro 
do 
Presente 
Eu fora tinha sido seria terei sido serei 
Tu foras tinhas sido serias terias sido serás 
Ele fora tinha sido seria teria sido será 
Nós fôramos tínhamos sido seríamos teríamos sido seremos 
Vós fôreis tínheis sido seríeis teríeis sido sereis 
Eles foram tinham sido seriam teriam sido serão 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 71 
Modo Subjuntivo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito Mais 
que Perfeito 
Composto 
Futuro 
Simples 
Futuro 
Composto 
Eu 
Que eu seja Se eu fosse Se eu tivesse 
sido 
Quando eu 
for 
Quando eu 
tiver sido 
Tu 
Que tu sejas Se tu fosses Se tu tivesses 
sido 
Quando tu 
fores 
Quando tu 
tiveres sido 
Ele 
Que ele seja Se ele fosse Ser ele tivesse 
sido 
Quando 
ele for 
Quando ele 
tiver sido 
Nós 
Que nós 
sejamos 
Se nós 
fôssemos 
Se nós 
tivéssemos sido 
Quando 
nós formos 
Quando nós 
tivermos sido 
Vós 
Que vós 
sejais 
Se vós fôsseis Se vós tivésseis 
sido 
Quando 
vós fordes 
Quando vós 
tiverdes sido 
Eles 
Que eles 
sejam 
Se eles 
fossem 
Se eles 
tivessem sido 
Quando 
eles forem 
Quando eles 
tiverem sido 
 
Modo Imperativo 
 
 Imperativo 
Afirmativo 
Imperativo 
Negativo 
Infinitivo 
Pessoal 
Eu ------ ------ Por ser eu 
Tu Sê tu Não sejas tu Por seres tu 
Ele Seja ele Não sejas ele Por ser ele 
Nós Sejamos nós Não sejamos nós Por sermos nós 
Vós Sedes vós Não sejais vós Por serdes vós 
Eles Sejam eles Não sejam eles Por serem eles 
 
Formas Nominais 
- Infinitivo: ser 
- Gerúndio: sendo 
- Particípio: sido 
 
Estar 
 
Modo Indicativo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito Perf. 
Simples 
Pretérito Perf. 
Composto 
Eu estou estava estive tenho estado 
Tu estás estavas estiveste tens estado 
Ele está estava esteve tem estado 
Nós estamos estávamos estivemos temos estado 
Vós estais estáveis estivestes tendes estado 
Eles estão estavam estiveram têm estado 
 
 Pret. Mais que 
Perfeito 
Simples 
Pret. Mais que 
Perfeito 
Composto 
Futuro do 
Presente 
Simples 
Futuro do 
Presente 
Composto 
Eu estivera tinha estado estarei terei estado 
Tu estiveras tinhas estado estarás terás estado 
Ele estivera tinha estado estará terá estado 
Nós estivéramos tínhamos estado estaremos teremos estado 
Vós estivéreis tínheis estado estareis tereis estado 
Eles estiveram tinham estado estarão terão estado 
 
 Futuro do 
Pret. Simples 
Futuro do Pret. 
Composto 
Eu estaria teria estado 
Tu estarias terias estado 
Ele estaria teria estado 
Nós estaríamos teríamos estado 
Vós estaríeis teríeis estado 
Eles estariam teriam estado 
 
 
. 72 
Modo Subjuntivo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito Mais que 
Perfeito Composto 
Futuro 
Simples 
Futuro 
Composto 
Eu 
Que eu 
esteja 
Se eu 
estivesse 
Se eu tivesse estado 
Quando eu 
estiver 
Quando eu tiver 
estado 
Tu 
Que tu 
estejas 
Se tu 
estivesses 
Se tu tivesses estado 
Quando tu 
estiveres 
Quando tu tiveres 
estado 
Ele 
Que ele 
esteja 
Se ele 
estivesse 
Ser ele tivesse 
estado 
Quando ele 
estiver 
Quando ele tiver 
estado 
Nós 
Que nós 
estejamos 
Se nós 
estivéssemos 
Se nós tivéssemos 
estado 
Quando nós 
estivermos 
Quando nós 
tivermos estadoVós 
Que vós 
estejais 
Se vós 
estivésseis 
Se vós tivésseis 
estado 
Quando vós 
estiverdes 
Quando vós 
tiverdes estado 
Eles 
Que eles 
estejam 
Se eles 
estivessem 
Se eles tivessem 
estado 
Quando eles 
estiverem 
Quando eles 
tiverem estado 
 
Modo Imperativo 
 
 Imperativo 
Afirmativo 
Imperativo 
Negativo 
Infinitivo 
Pessoal 
Eu ----- ------ Por estar eu 
Tu está tu Não estejas tu Por estares tu 
Ele esteja ele Não esteja ele Por estar ele 
Nós estejamos nós Não estejamos nós Por estarmos nós 
Vós estai vós Não estejais vós Por estardes vós 
Eles estejam eles Não estejam eles Por estarem eles 
 
Formas Nominais 
- Infinitivo: estar 
- Gerúndio: estando 
- Particípio: estado 
 
Ter 
 
Modo Indicativo 
 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito 
Perfeito 
Simples 
Pretérito 
Perf. 
Composto 
Eu tenho tinha tive tenho tido 
Tu tens tinhas tiveste tens tido 
Ele tem tinha teve tem tido 
Nós temos tínhamos tivemos temos tido 
Vós tendes tínheis tivestes tendes tido 
Eles têm tinham tiveram têm tido 
 
 Pret. Mais 
que Perfeito 
Simples 
Pret. Mais 
que Perfeito 
Composto 
Futuro do 
Presente 
Simples 
Eu tivera tinha tido terei 
Tu tiveras tinhas tido terás 
Ele tivera tinha tido terá 
Nós tivéramos tínhamos tido teremos 
Vós tivéreis tínheis tido tereis 
Eles tiveram tinham tido terão 
 
 Futuro do 
Pret. Simples 
Futuro do Pret. 
Composto 
Eu teria teria tido 
Tu terias terias tido 
Ele teria teria tido 
Nós teríamos teríamos tido 
Vós teríeis teríeis tido 
Eles teriam teriam tido 
 
. 73 
Modo Subjuntivo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito Mais 
que Perfeito 
Composto 
Futuro 
Simples 
Futuro 
Composto 
Eu 
Que eu 
tenha 
Se eu tivesse 
Se eu tivesse 
tido 
Quando eu 
tiver 
Quando eu 
tiver tido 
Tu 
Que tu 
tenhas 
Se tu tivesses 
Se tu tivesses 
tido 
Quando tu 
tiveres 
Quando tu 
tiveres tido 
Ele 
Que ele 
tenha 
Se ele tivesse 
Ser ele tivesse 
tido 
Quando ele 
tiver 
Quando ele 
tiver tido 
Nós 
Que nós 
tenhamos 
Se nós 
tivéssemos 
Se nós 
tivéssemos tido 
Quando nós 
tivermos 
Quando nós 
tivermos tido 
Vós 
Que vós 
tenhais 
Se vós 
tivésseis 
Se vós tivésseis 
tido 
Quando vós 
tiverdes 
Quando vós 
tiverdes tido 
Eles 
Que eles 
tenham 
Se eles 
tivessem 
Se eles 
tivessem tido 
Quando eles 
tiverem 
Quando eles 
tiverem tido 
 
Modo Imperativo 
 
 Imperativo 
Afirmativo 
Imperativo 
Negativo 
Infinitivo 
Pessoal 
Eu ----- ------ Por ter eu 
Tu tem tu Não tenhas tu Por teres tu 
Ele tenha ele Não tenha ele Por ter ele 
Nós tenhamos nós Não tenhamos nós Por termos nós 
Vós tende vós Não tenhais vós Por terdes vós 
Eles tenham eles Não tenham eles Por terem eles 
 
Formas Nominais 
- Infinitivo: ter 
- Gerúndio: tendo 
- Particípio: tido 
 
Haver 
 
Modo Indicativo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito 
Perfeito 
Simples 
Pretérito 
Perf. 
Composto 
Eu hei havia houve tenho havido 
Tu hás havias houveste tens havido 
Ele há havia houve tem havido 
Nós havemos havíamos houvemos temos havido 
Vós haveis havíeis houvestes tendes havido 
Eles hão haviam houveram têm havido 
 
 Pret. Mais 
que Perfeito 
Simples 
Pret. Mais que 
Perfeito 
Composto 
Futuro do 
Presente 
Simples 
Futuro do 
Presente 
Composto 
Eu houvera tinha havido haverei terei havido 
Tu houveras tinhas havido haverás terás havido 
Ele houvera tinha havido haverá terá havido 
Nós houvéramos tínhamos havido haveremos teremos havido 
Vós houvéreis tínheis havido havereis tereis havido 
Eles houveram tinham havido haverão terão havido 
 
 Futuro do 
Pret. Simples 
Futuro do Pret. 
Composto 
Eu haveria teria havido 
Tu haverias terias havido 
Ele haveria teria havido 
Nós haveríamos teríamos havido 
Vós haveríeis teríeis havido 
Eles haveriam teriam havido 
 
. 74 
Modo Subjuntivo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito Mais 
que Perfeito 
Composto 
Futuro 
Simples 
Futuro 
Composto 
Eu 
Que eu 
haja 
Se eu 
houvesse 
Se eu tivesse 
havido 
Quando eu 
houver 
Quando eu tiver 
havido 
Tu 
Que tu 
hajas 
Se tu 
houvesses 
Se tu tivesses 
havido 
Quando tu 
houveres 
Quando tu 
tiveres havido 
Ele 
Que ele 
haja 
Se ele 
houvesse 
Ser ele tivesse 
havido 
Quando ele 
houver 
Quando ele tiver 
havido 
Nós 
Que nós 
hajamos 
Se nós 
houvéssemos 
Se nós 
tivéssemos 
havido 
Quando nós 
houvermos 
Quando nós 
tivermos havido 
Vós 
Que vós 
hajais 
Se vós 
houvésseis 
Se vós tivésseis 
havido 
Quando vós 
houverdes 
Quando vós 
tiverdes havido 
Eles 
Que eles 
hajam 
Se eles 
houvessem 
Se eles 
tivessem havido 
Quando eles 
houverem 
Quando eles 
tiverem havido 
 
Modo Imperativo 
 
 Imperativo 
Afirmativo 
Imperativo 
Negativo 
Infinitivo 
Pessoal 
Eu ----- ------ Por haver eu 
Tu há tu Não hajas tu Por haveres tu 
Ele haja ele Não haja ele Por haver ele 
Nós hajamos nós Não hajamos nós Por havermos nós 
Vós havei vós Não hajais vós Por haverdes vós 
Eles hajam eles Não hajam eles Por haverem eles 
 
Formas Nominais 
Infinitivo: haver 
Gerúndio: havendo 
Particípio: havido 
 
 
Verbos Regulares 
 
Não sofrem modificação no radical durante toda conjugação (em todos os modos) e as desinências 
seguem as do verbo paradigma (verbo modelo) 
AMAR: (radical: am) Amo, Amei, Amava, Amara, Amarei, Amaria, Ame, Amasse, Amar. 
COMER: (radical: com) Como, Comi, Comia, Comera, Comerei, Comeria, Coma, Comesse, Comer. 
PARTIR: (radical: part) Parto, Parti, Partia, Partira, Partirei, Partiria, Parta, Partisse, Partir. 
 
Verbos Irregulares 
 
São os verbos que sofrem modificações no radical ou em suas desinências. 
DAR: dou, dava, dei, dera, darei, daria, dê, desse, der 
CABER: caibo, cabia, coube, coubera, caberei, caberia, caiba, coubesse, couber. 
AGREDIR: agrido, agredia, agredi, agredira, agredirei, agrediria, agrida, agredisse, agredir. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 75 
Anômalos 
 
São aqueles que têm uma anomalia no radical. 
 
Ir 
 
Modo Indicativo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Pretérito 
Perfeito 
Pretérito 
Mais que 
Perfeito 
Eu vou ia fui fora 
Tu vais ias foste foras 
Ele vai ia foi fora 
Nós vamos íamos fomos fôramos 
Vós ides íeis fostes fôreis 
Eles vão iam foram foram 
 
 Futuro do 
Presente 
Futuro do 
Pretérito 
Eu irei iria 
Tu irás irias 
Ele irá iria 
Nós iremos iríamos 
Vós ireis iríeis 
Eles irão iriam 
 
Modo Subjuntivo 
 
 
Presente 
Pretérito 
Imperfeito 
Futuro 
Eu Que eu vá Se eu fosse Quando eu for 
Tu Que tu vás Se tu fosses Quando tu fores 
Ele Que ele vá Se ele fosse Quando ele for 
Nós Que nós vamos Se nós fôssemos Quando nós formos 
Vós Que vós vades Se vós fôsseis Quando vós fordes 
Eles Que eles vão Se eles fossem Quando eles forem 
 
Modo Imperativo 
 
 Imperativo 
Afirmativo 
Imperativo 
Negativo 
Infinitivo 
Pessoal 
Eu ----- ------ para ir eu 
Tu vai tu Não vás tu para ires tu 
Ele vá ele Não vá ele para ir ele 
Nós vamos nós Não vamos nós para irmos nós 
Vós ide vós Não vades vós para irdes vós 
Eles vão eles Não vão eles para irem eles 
 
Formas Nominais: 
- Infinitivo: ir 
- Gerúndio: indo 
- Particípio: ido 
 
Verbos Defectivos 
 
São aqueles que possuem um defeito. Não têm todos os modos, tempos ou pessoas. 
 
Verbo Pronominal: é aquele que é conjugado com o pronome oblíquo. Ex.: Eu me despedi de mamãe 
e parti sem olhar para o passado. 
Verbos Abundantes: são os verbos que têm duas ou mais formas equivalentes, geralmente de 
particípio. 
 
Infinitivo: Aceitar, Anexar, Acender, Desenvolver, Emergir, Expelir. 
 
. 76 
Particípio Regular: Aceitado, Anexado, Acendido, Desenvolvido, Emergido, Expelido. 
Particípio Irregular: Aceito, Anexo, Aceso, Desenvolto, Emerso, Expulso. 
 
Tempos Compostos: são formados por locuções verbais que têm como auxiliares os verbos ter e 
haver e como principal, qualquer verbo no particípio. São eles: 
 
- Pretérito Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locuçãoverbal no Presente do 
Indicativo, indicando fato que tem ocorrido com frequência ultimamente. Ex.: Eu tenho estudado demais 
ultimamente. 
 
- Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Presente do 
Subjuntivo, indicando desejo de que algo já tenha ocorrido. Ex.: Espero que você tenha estudado o 
suficiente, para conseguir a aprovação. 
 
- Pretérito Mais-que-Perfeito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Pretérito 
Imperfeito do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo simples. Ex.: 
Eu já tinha estudado no Maxi, quando conheci Magali. 
 
- Pretérito Mais-que-perfeito Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Pretérito 
Imperfeito do Subjuntivo, tendo o mesmo valor que o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo simples. Ex.: Eu 
teria estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. Perceba que todas as frases remetem a 
ação obrigatoriamente para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é completamente diferente 
de Se eu tivesse estudado, teria aprendido. 
 
- Futuro do Presente Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do 
Presente simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Presente simples do Indicativo. Ex.: 
Amanhã, quando o dia amanhecer, eu já terei partido. 
 
- Futuro do Pretérito Composto do Indicativo: é a formação de locução verbal no Futuro do Pretérito 
simples do Indicativo, tendo o mesmo valor que o Futuro do Pretérito simples do Indicativo. Ex.: Eu teria 
estudado no Maxi, se não me tivesse mudado de cidade. 
 
- Futuro Composto do Subjuntivo: é a formação de locução verbal no Futuro do Subjuntivo simples, 
tendo o mesmo valor que o Futuro do Subjuntivo simples. Ex.: Quando você tiver terminado sua série 
de exercícios, eu caminharei 6Km. 
 
- Infinitivo Pessoal Composto: é a formação de locução verbal no Infinitivo Pessoal simples, 
indicando ação passada em relação ao momento da fala. Ex.: Para você ter comprado esse carro, 
necessitou de muito dinheiro 
 
Questões 
 
01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018) 
 
 
Disponível https://www.facebook.com/tirasamandinho/photos/a.488361671209144.113963. 
488356901209621/1568398126538821/?type=3&theater. 
Acesso em: fev.2018. 
 
Na tirinha, Fê conversa com Camilo sobre o que ela considera ser machismo na cerimônia de 
casamento, enquanto Pudim diz a Armandinho que tudo aquilo que a garota questiona é algo natural. 
Nas falas atribuídas à menina, o verbo ter aparece em Tem casamentos [...] (quadro 1) e em [...] 
essas coisas têm significados! (quadro 2). 
 
. 77 
Em relação a esses empregos do verbo ter, assinale a alternativa correta. 
(A) Em ambos, o verbo é impessoal. 
(B) Ambos estão na terceira pessoa do plural do presente do modo indicativo. 
(C) Ambos estão na terceira pessoa do singular do presente do modo indicativo. 
(D) Ambos estão no presente do modo indicativo, embora o primeiro esteja na terceira pessoa do 
singular e o segundo na terceira pessoa do plural. 
(E) Ambos estão no presente do modo subjuntivo, embora o primeiro esteja na terceira pessoa do 
singular e o segundo na terceira pessoa do plural. 
 
02. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) 
 
O drama dos viciados em dívidas 
 
Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número de brasileiros endividados chegou a 61,7 
milhões em fevereiro passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número é alto porque o 
hábito de manter as contas em dia não é apenas uma questão financeira decorrente do estado geral da 
economia – pode ser uma questão comportamental. Por isso, há grupos especializados que promovem 
reuniões semanais com devedores, com a finalidade de trocar experiências sobre consumo impulsivo e 
propensão a viver no vermelho. Uma dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que funciona 
nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA). 
Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém do problema. As pessoas de maior renda 
são justamente as que têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum que, diante dos 
apuros, como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar 
gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um empréstimo para quitar outra dívida é um 
comportamento recorrente entre os endividados. 
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo. Uma vez que o devedor reconhece o 
problema, a próxima etapa é se planejar. 
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado) 
 
Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados de acordo com a norma-padrão, em 
substituição aos trechos destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros, como a perda do 
emprego, algumas tentem manter o mesmo padrão de vida. 
(A) Poderia acontecer que ... mantêm 
(B) Pôde acontecer que ... mantessem 
(C) Podia acontecer que ... mantivessem 
(D) Pôde acontecer que ... manteram 
(E) Podia acontecer que ... mantiveram 
 
03. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) A vida de Dorinha Duval foi, ____ . O processo 
ainda não havia ido a Júri quando a tese da defesa foi mudada. Não seria mais violenta emoção, mas 
legítima defesa. Ela não teria atirado no marido por ter sido ___ e chamada de velha, mas ______ o 
marido passou a agredi-la. De fato, o exame pericial de corpo de delito realizado em Dorinha constatou a 
existência de _______ em seu corpo. A versão da legítima defesa era ______ . 
(Luiza Nagib Eluf, A paixão no banco dos réus. Adaptado) 
As expressões verbais empregadas em tempo que exprime a ideia de hipótese são: 
(A) seria e teria. 
(B) foi e seria. 
(C) teria e ter sido. 
(D) foi e constatou. 
(E) ter sido e passou. 
 
04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo - IDHTEC/2016) Morto em 2015, o pai afirma 
que Jules Bianchi não __________culpa pelo acidente. Em entrevista, Philippe Bianchi afirma que a 
verdade nunca vai aparecer, pois os pilotos __________ medo de falar. "Um piloto não vai dizer nada se 
existir uma câmera, mas quando não existem câmeras, todos __________ até mim e me dizem. Jules 
Bianchi bateu com seu carro em um trator durante um GP, aquaplanou e não conseguiu __________para 
evitar o choque. 
(http://espn.uol.com.br/noticia/603278_pai-diz-que-pilotos-da-f-1-temmedo-de-falar-a-verdade-sobre-o-acidente-fatal-de-bianchi) 
 
Complete com a sequência de verbos que está no tempo, modo e pessoa corretos: 
 
. 78 
(A) Tem – tem – vem - freiar 
(B) Tem – tiveram – vieram - frear 
(C) Teve – tinham – vinham – frenar 
(D) Teve – tem – veem – freiar 
(E) Teve – têm – vêm – frear 
 
05. (Prefeitura Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE/2016) Assinale a alternativa em que 
está correta a correlação entre os tempos e os modos verbais nas frases abaixo. 
(A) A entonação correta ao falarmos colabora com o entendimento que o outro tem do assunto tratado 
e reforçaria a nossa persuasão. 
(B) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo com o tempo que você terá e, antes de 
falar, ensaie sua apresentação. 
(C) A capacidade de os adolescentes virem a falar em público, teria dependido dos bons ensinamentos 
da escola. 
(D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os da geração passada, haveria de concluir 
que os jovens de hoje leem muito menos. 
(E) O contato visual também é importante ao falar em público. Passa empatia e envolveria o outro. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.C / 03.A / 04.E / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
FLEXÃO DO VERBO TER: " Tem casamentos [...]" 
TER no sentido de EXISTIR. Assim como o verbo “haver”, “ter”, no sentido de “existir”, é verbo 
impessoal. Ou seja, não admite sujeito. Por isso, não sofre flexão de número (não vai para o plural). 
ACENTO DIFERENCIAL: [...] essas coisas têm significados! 
Tem acompanha o sujeito na terceira pessoa do SINGULAR. 
Têm acompanha o sujeito na terceira pessoa do PLURAL. 
 
02. Resposta: C 
O segredo dessa questão é manter as duas palavrasno mesmo tempo verbal. 
 
03. Resposta: A 
A letra "A" é a única em que há nas dúas palavras sinais de hipótese, ou seja uma POSSIBILIDADE 
de acontecer algo, ou não. 
a) seria (talvez) e teria (talvez) 
b) foi (já aconteceu) e seria (talvez) 
c) teria (talvez) e ter sido (já aconteceu) 
d) foi (já aconteceu) e constatou (já aconteceu) 
e) ter sido (já aconteceu) e passou (já aconteceu) 
04. Resposta: E 
Teve - Pretérito perfeito do indicativo 
Têm - Presente do Indicativo 
Vêm - (verbo vir) – Presente do Indicativo 
Frear - Infinitivo 
 
05. Resposta: B 
a) A entonação correta ao falarmos colabora com o entendimento que o outro tem do assunto tratado 
e REFORÇA a nossa persuasão. Errada. 
b) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo com o tempo que você terá e, antes de 
falar, ensaie sua apresentação. Gabarito 
c) A capacidade de os adolescentes virem a falar em público, TEM dependido dos bons ensinamentos 
da escola. Errado. 
d) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os da geração passada, HAVERÁ de concluir 
que os jovens de hoje leem muito menos. Errada. 
 
. 79 
e) O contato visual também é importante ao falar em público. Passa empatia e ENVOLVE o outro. 
Errada. 
 
 
 
Para a elaboração de um texto escrito deve-se considerar o uso adequado dos sinais de pontuação 
como: espaços, pontos, vírgula, ponto e vírgula, dois pontos, travessão, parênteses, reticências, aspas 
etc. 
Tais sinais têm papéis variados no texto escrito e, se utilizados corretamente, facilitam a compreensão 
e entendimento do texto. 
 
Vírgula 
 
Algumas pessoas colocam vírgulas por causa de pausas feitas na fala.16 A vírgula, na escrita, não 
necessariamente é uma pausa na fala, tampouco é usada para pausar quando se lê um trecho virgulado. 
Assim, vale dizer que o importante é, primeiro, saber em que situações gerais não se usa a vírgula. 
 
Cuidado! 
Em orações substantivas com função de sujeito iniciadas por quem, a vírgula entre tal oração e o 
verbo da principal é facultativa, segundo Luiz A. Sacconi: “Quem lê sabe mais.” ou “Quem lê, sabe mais”. 
Os demais gramáticos nada falam sobre isso, logo deduzimos que não pode haver vírgula entre sujeito e 
verbo. 
 
Não se separa por vírgula: 
- sujeito de predicado; 
- objeto de verbo; 
- adjunto adnominal de nome; 
- complemento nominal de nome; 
- oração principal da subordinada substantiva (desde que esta não seja apositiva nem apareça na ordem inversa). 
 
Aplicação da Vírgula 
A vírgula marca uma breve pausa e é obrigatória nos seguintes casos: 
 
1° Inversão de Termos. Ex.: Ontem, à medida que eles corrigiam as questões, eu me preocupava 
com o resultado da prova. 
 
2° Intercalações de Termos. Ex.: A distância, que tudo apaga, há de me fazer esquecê-lo. 
 
3° Inspeção de Simples Juízo. Ex.: “Esse homem é suspeito”, dizia a vizinhança. 
4° Enumerações 
- sem gradação: Coleciono livros, revistas, jornais, discos.17 
- com gradação: Não compreendo o ciúme, a saudade, a dor da despedida. 
 
5° Vocativos e Apostos 
- vocativos: Queridos ouvintes, nossa programação passará por pequenas mudanças. 
- apostos: É aqui, nesta querida escola, que nos encontramos. 
 
6° Omissões de Termos 
- elipse: A praça deserta, ninguém àquela hora na rua. (Omitiu-se o verbo “estava” após o vocábulo 
“ninguém”, ou seja, ocorreu elipse do verbo estava) 
- zeugma: Na classe, alguns alunos são interessados; outros, (são) relapsos. (Supressão do verbo 
“são” antes do vocábulo “relapsos”) 
 
 
16 SCHOCAIR. Nelson M. Gramática do Português Instrumental. 2ª. ed Niteroi: Impetus, 2007. 
17 SCHOCAIR, Nelson M. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 
Pontuação 
 
 
. 80 
7° Termos Repetidos. Ex.: Nada, nada há de me derrotar. 
 
8° Sequência de Adjuntos Adverbiais. Ex.: Saíram do museu, ontem, por voltas das 17h. 
 
Dois Pontos 
 
Os dois-pontos marcam uma supressão de voz em frase ainda não concluída. Em termos práticos, 
este sinal é usado para: 
 
- Antes de enumerações. Ex.: Compre três frutas hoje: maçã, uva e laranja. 
 
- Iniciando citações. Ex.: “Segundo o folclórico Vicente Mateus: ‘Quem está na chuva é para se 
queimar’”18. 
 
- Antes de orações que explicam o enunciado anterior. Ex.: Não foi explicado o que deveríamos 
fazer: o que nos deixa insatisfeitos. 
 
- Depois de verbos que introduzem a fala. Ex.: “(...) e disse: aqui não podemos ficar!” 
 
Ponto e Vírgula 
 
O ponto e vírgula é usado para marcar uma pausa maior do que a da vírgula. Seu objetivo é colaborar 
com a clareza do texto. Exemplos: 
 
Os dois rapazes estavam desesperados por dinheiro; Ernesto não tinha dinheiro nem crédito. (pausa 
longa) 
 
Sonhava em comprar todos os sapatos da loja; comprei, porém, apenas um par. (separação da oração 
adversativa na qual a conjunção - porém - aparece no meio da oração) 
 
Enumeração com explicitação - Comprei alguns livros: de matemática, para estudar para o concurso; 
um romance, para me distrair nas horas vagas; e um dicionário, para enriquecer meu vocabulário. 
 
Enumeração com ponto e vírgula, mas sem vírgula, para marcar distribuição - Comprei os 
produtos no supermercado: farinha para um bolo; tomates para o molho; e pão para o café da manhã. 
 
Parênteses 
 
Os parênteses, muito semelhantes aos travessões e às vírgulas, são empregados para: 
 
- Isolar datas. Ex.: Refiro-me aos soldados da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). 
 
- Isolar siglas. Ex.: A taxa de desemprego subiu para 5,3% da população economicamente ativa 
(PEA)... 
 
- Isolar explicações ou retificações. Ex.: Eu expliquei uma vez (ou duas vezes) o motivo de minha 
preocupação. 
 
Reticências 
 
As reticências são empregadas para: 
 
- Indicar a interrupção de uma frase, deixando-a com sentido incompleto. Ex.: Não consegui falar 
com a Laura.... Quem sabe se eu ligar mais tarde... 
 
- Sugerir prolongamento de ideias. Ex.: “Sua tez, alva e pura como um floco de algodão, tingia-se 
nas faces duns longes cor-de-rosa...” (José de Alencar) 
 
18 SCHOCAIR, Nelson Maia. Gramática Moderna da Língua Portuguesa: Teoria e prática. 6ª ed. Rio de janeiro, 2012, p.488. 
 
. 81 
- Indicar dúvida ou hesitação. Ex.: Não sei... Acho que... Não quero ir hoje. 
 
- Indicar omissão de palavras ou frases no período. Ex.: “Se o lindo semblante não se impregnasse 
constantemente, (...) ninguém veria nela a verdadeira fisionomia de Aurélia, e sim a máscara de alguma 
profunda decepção.” (José de Alencar) 
 
Travessão 
 
O travessão é um sinal bastante usado na narração, na descrição, na dissertação e no diálogo, 
portanto, figura repetida em qualquer prova; é um instrumento eficaz em uma redação. Pode vir em dupla, 
se vier intercalado na frase. Veja seus usos: 
 
- Nos diálogos, para marcar a fala das personagens. Ex.: As meninas gritaram: - Venham nos 
buscar! 
 
- No meio de sentenças, para dar ênfase em informações. Ex.: O garçom - creio que já lhe falei - 
está muito bem no novo serviço - é o que ouvi dizer. 
 
Ponto de Exclamação 
 
O ponto de exclamação é empregado para marcar o fim de qualquer frase com entonação exclamativa, 
indicando altissonância, exaltação de espírito. 
 
- Após vocativos. Ex.: Vem, Fabiano! 
 
- Após imperativos. Ex.: Corram! 
 
- Após interjeição. Ex.: Ai! / Ufa! 
 
- Após expressões ou frases de caráter emocional. Ex.: Quantas pessoas! 
 
Aspas 
 
As aspas são usadas comumente em citações, mas também há outras funções bem interessantes. 
Atualmente o negrito e o itálico vêm substituindo frequentemente o uso das aspas. Resumindo, elas são 
empregadas: 
- Isolam termos distantes da norma culta, como gírias, neologismos, arcaísmos, expressões 
populares entre outros. Ex.: Eles tocaram “flashback”, “tipo assim” anos 70 e 80. Foi um verdadeiro 
“show”. 
 
- Delimitam transcrições ou citações textuais. Ex.: Segundo Rui Barbosa: “A política afina o 
espírito.” 
 
-Isolam estrangeirismos. Ex.: Os restaurantes “fast food” têm reinado na cidade. 
 
Ponto 
 
Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o fim de uma frase declarativa de um período simples 
ou composto. Pode substituir a vírgula quando o autor quer realçar, enfatizar o que vem após (evita-se 
isso em linguagem formal). 
– Posso ouvir o vento assoprar com força. Derrubando tudo! 
 
O ponto é também usado em quase todas as abreviaturas: fev. = fevereiro, hab.= habitante, rod. = 
rodovia, etc. = etecetera. 
 
O ponto do etc. termina o período, logo não pode haver outro ponto: “..., feijão, arroz, etc..”. Absurdo 
também é usar etc. seguido de reticências: “... feijão, arroz, etc....”. 
 
 
. 82 
Chama-se ponto parágrafo aquele que encerra um período e a ele se segue outro período em linha 
diferente. Esse último ponto agora (antes do Esse) é chamado de ponto continuativo, pois a ele se segue 
outro período no mesmo parágrafo. Ponto final é este que virá agora. 
 
Obs.: Estilisticamente, podemos usar o ponto para, em períodos curtos, empregar dinamicidade, 
velocidade à leitura do texto: “Era um garoto pobre. Mas tinha vontade de crescer na vida. Estudou. Subiu. 
Foi subindo mais. Hoje é juiz do Supremo.”. Usa-se muito em narrações em geral. 
 
Ponto de Interrogação 
 
O ponto de interrogação marca uma entoação ascendente (elevação da voz) com tom questionador. 
Usa-se neste caso: 
 
- Em perguntas diretas: Como você se chama? 
- Às vezes, juntamente com o ponto de exclamação: Quem ganhou na loteria? Você. Eu?! 
 
Parágrafo 
 
Constitui cada uma das secções de frases de um escritor; começa por letra maiúscula, um pouco além 
do ponto em que começam as outras linhas. 
 
Colchetes 
 
Utilizados na linguagem científica. 
 
Asterisco 
 
Empregado para chamar a atenção do leitor para alguma nota (observação). 
 
Barra 
 
Aplicada nas abreviações das datas e em algumas abreviaturas. 
 
Hífen 
 
Usado para ligar elementos de palavras compostas e para unir pronomes átonos a verbos. Exemplo: 
guarda-roupa. 
 
Questões 
 
01. (IFTO - Auditor) Marque a alternativa em que a ausência de vírgula não altera o sentido do 
enunciado. 
(A) O professor espera um, sim. 
(B) Recebo, obrigada. 
(C) Não, vá ao estacionamento do campus. 
(D) Não, quero abandonar minhas funções no trabalho. 
(E) Hoje, podem ser adquiridas as impressoras licitadas. 
 
02. (MPE/GO - Secretário Auxiliar) Assinale a alternativa correta quanto ao uso da pontuação. 
(A) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade. 
(B) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito. 
(C) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 
(D) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas 
cujos comportamentos, são desconhecidos. 
(E) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para que a 
raiva seja aliviada. 
 
03. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - FCC) A frase escrita com correção é: 
 
. 83 
(A) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje 
Humberto de Campos no Maranhão, em 1886, e falesceu, no Rio de Janeiro em 1934. 
(B) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais 
celebre de sua obra: Memórias, crônica dos começos de sua vida. 
(C) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na 
fase em que ali encontrava-se um grupo de eximios escritores. 
(D) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo 
no comércio, como meio de subsistencia. 
(E) Humberto de Campos publicou seu primeiro livro em 1910, a coletânea de versos intitulada Poeira; 
em 1920, já membro da Academia Brasileira de Letras, foi eleito deputado federal pelo Maranhão. 
 
04. (TRT 2ª Região/SP - Analista Judiciário - FCC/2018) 
 
De cabeça pra baixo 
 
− Esse mundo está ficando de cabeça pra baixo! 
É uma conhecida frase, que sucessivas gerações vêm frequentando. Ela logo surge a propósito de 
qualquer coisa que se considere uma novidade despropositada, irritante: modelo de roupa mais ousada, 
último grande sucesso musical, aumento milionário no salário de um jogador de futebol, a longa estiagem 
na estação chuvosa, a avalanche de crimes no jornal... A ideia é sempre demonstrar que a vida e o mundo 
já foram muito melhores, que a passagem do tempo leva inexoravelmente à perversão ou ao 
desmoronamento dos valores autênticos, que uma geração construiu e que a seguinte apagou. 
Parece que na história da humanidade o fenômeno é comum e cíclico: as pessoas enaltecem seus 
hábitos passados e condenam os presentes. “Ah, no meu tempo...” é uma expressão que vale um suspiro 
e uma acusação. Algo de muito melhor ficou para trás e se perdeu. A missão dessa juventude de hoje é 
desviar-se da Civilização.... 
A ironia é que justamente nesses “desvios” e por conta deles a História caminha, ainda que não se 
saiba para onde. Fosse tudo uma repetição conservadora, nenhuma descoberta jamais se daria, sem 
contar que os mais velhos já não teriam do que se queixar e a quem imputar a culpa por todos os 
desassossegos que assaltam todas as gerações humanas, desde que existimos. 
(Romildo Pacheco, inédito) 
 
A supressão da vírgula altera significativamente o sentido da seguinte frase: 
(A) Frequentemente, as pessoas enaltecem seus hábitos passados. 
(B) As pessoas gostam de enaltecer seus hábitos antigos, quase sempre sem muita discrição. 
(C) Não se conhece a origem das frases feitas, nem por que adquiriram tanta força. 
(D) O autor do texto busca mostrar-se imparcial, diante desse tema controverso. 
(E) Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados. 
 
05. (MPE/AL - Analista do Ministério Público - FGV/2018) 
 
OPORTUNISMO À DIREITA E À ESQUERDA 
 
Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, entre outros, 
obedecidas leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, há sempre o risco de 
excessos, a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme estabelecido na 
legislação. 
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos caminhoneiros, concluídas as investigações, por 
exemplo, da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em se beneficiar do barateamento do 
combustível. 
Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano 
de eleição, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não faltam, também, os arautos do quanto pior, 
melhor, para desgastar governantes e reforçar seus projetos de poder, por mais delirantes que sejam. 
Também aqui vale o que está delimitado pelo estado democrático de direito, defendido pelos diversos 
instrumentos institucionais de que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, Forças Armadas 
etc. 
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo 
funcionando, do qual depende a sobrevivência física da população. Isso não pode ser esquecido e serve 
de alerta para que as autoridades desenvolvam planos de contingência. 
O Globo, 31/05/2018. 
 
. 84 
“Numa democracia, (1) é livre a expressão, estão garantidos o direito de reunião e de greve, (2) entre 
outros, obedecidas leis e regras, (3) lastreadas na Constituição. Em um regime de liberdades, (4) há 
sempre o risco de excessos, (5) a serem devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, conforme 
estabelecido na legislação”. 
 
Nesse segmento inicial do texto, a vírgula que tem caráter optativo é a indicada pelo número 
(A) (1). 
(B) (2). 
(C) (3). 
(D) (4). 
(E) (5). 
 
06. (TCM/RJ - Técnico de Controle Externo - IBFC) Assinale a alternativa cuja frase está 
corretamente pontuada. 
(A) O bolo que estava sobre amesa, sumiu. 
(B) Ele, apressadamente se retirou, quando ouviu um barulho estranho. 
(C) Confessou-lhe tudo; ciúme, ódio, inveja. 
(D) Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. 
 
07. (MPE/GO - Secretário Auxiliar – MPE/GO) O período abaixo foi escrito por Machado de Assis em 
seu Conto de Escola. A alternativa que apresenta a pontuação de acordo com a norma culta é: 
(A) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
(B) Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. 
(C) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo não o tendo aprendido, recorria 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
(D) Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que, o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; 
a um meio que, lhe pareceu útil, para escapar ao castigo do pai. 
(E) Compreende-se que: o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria; 
a um meio que lhe pareceu útil: para escapar ao castigo do pai. 
 
08. (UNEMAT - Técnico em Enfermagem - UNEMAT/2018) 
 
 
https://oglobo.globo.com/cultura/megazine/contestador-armandinhoganha-fama-no-facebook-8027174 
Em Pai, o que é “machismo”? e em Não se mete, Fê!, a vírgula foi usada para 
(A) marcar anteposição do predicativo. 
(B) separar elementos de uma enumeração. 
(C) separar o pleonasmo. 
(D) isolar o vocativo. 
(E) isolar expressões explicativas. 
 
09. (UFPR - Contador - 2018) 
 
A não menos nobre vírgula 
 
 [...] Jacob mandou esta questão: “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo 
que, às vezes, a frase fique truncada. 
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar 
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?”. 
 
. 85 
O leitor acertou na mosca quando se referiu a “essas verdadeiras amarras escolares”. Tomemos como 
exemplo o próprio texto do leitor, que na passagem “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” optou 
por pôr entre vírgulas a expressão adverbial “às vezes”, que vem entre a locução conjuntiva “mesmo que” 
e “a frase”, sujeito da oração introduzida por “mesmo que”. 
Vamos lá. Teria sido perfeitamente possível deixar “livre” a expressão adverbial “às vezes”, ou seja, 
teria sido possível não empregar as duas vírgulas (“...mesmo que às vezes a frase fique truncada”). É 
bom que se diga que, com as duas vírgulas, a expressão “às vezes” ganha ênfase, o que não ocorreria 
se não fossem empregadas as vírgulas. 
O que não se pode fazer de jeito nenhum nesses casos é empregar a chamada “vírgula solteira”, que 
é aquela que perde o par no meio do caminho. Tradução: ou se escreve “...mesmo que, às vezes, a frase 
fique truncada” ou se escreve “...mesmo que às vezes a frase fique truncada”. [...] 
(Pasquale Cipro Neto, publicado em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/pasquale/2016/11/1831039-a-nao-menos-nobre-virgula.shtml> . Acesso em 
24/03/18. Adaptado) 
 
As aspas ao longo texto são usadas para: 
1. Indicar a escrita de outra pessoa que não o autor do texto. 
2. Exemplificar o emprego incorreto da norma gramatical. 
3. Marcar o uso de termos em sentido figurado. 
4. Enfatizar a gravidade do problema de mau uso da vírgula. 
5. Indicar o uso metalinguístico (em que a língua aponta para si mesma). 
 
Estão corretos os itens: 
(A) 1 e 3 apenas. 
(B) 1, 2 e 4 apenas. 
(C) 1, 3 e 5 apenas. 
(D) 2, 3, 4 e 5 apenas. 
(E) 1, 2, 3, 4 e 5. 
 
10. (SEGEP/MA - Analista Ambiental - Pedagogo - FCC) Será que a internet está a matar a 
democracia? Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade de Oxford, faz essa pergunta na 
revista Newsweek. E oferece argumentos a respeito que desaguam em águas tenebrosas. 
A internet oferece palco político para os mais motivados (e despreparados). Antigamente, o cidadão 
revoltado podia ter as suas opiniões sobre os assuntos do mundo. Mas, tirando o boteco, ou o bairro, ou 
até o jornal do bairro, essas opiniões nasciam e morriam no anonimato. 
Hoje, é possível arregimentar dezenas, ou centenas, ou milhares de "seguidores" que rapidamente 
espalham a mensagem por dezenas, ou centenas, ou milhares de novos "seguidores". Quanto mais 
radical a mensagem, maior será o sucesso cibernauta. 
Mas a internet não é apenas um paraíso para os politicamente motivados (e despreparados). Ela tende 
a radicalizar qualquer opinião sobre qualquer assunto. 
A ideia de que as redes sociais são uma espécie de "ágora moderna", onde existem discussões mais 
flexíveis e pluralistas, não passa de uma fantasia. A internet não cria debate. Ela cria trincheiras entre 
exércitos inimigos. 
(Adaptado de: COUTINHO, João Pereira. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joaopereiracoutinho/2016/08/1801611) 
 
Atente para as afirmações abaixo a respeito do 1o parágrafo do texto. 
I. O ponto de interrogação pode ser excluído, sem prejuízo para a correção e o sentido, por se tratar 
de pergunta retórica. 
II. As vírgulas isolam o aposto. 
III. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos". 
IV. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado. 
 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
(A) I e II. 
(B) II, III e IV. 
(C) II e III. 
(D) I e IV. 
 
Gabarito 
 
01.E / 02.E / 03.E / 04.E / 05.A / 06.D / 07.B / 08.D / 09.C / 10.B 
 
. 86 
Comentários 
 
01. Resposta: E 
a) O professor espera um, sim. O prof. esta esperando um algo, quando tiro a virgula ele fica 
''esperando um sim''. 
b) Recebo, obrigada. A pessoa recebe e diz obrigado, quando tiro a virgula ele passa a receber é um 
obrigado. 
c) Não, vá ao estacionamento do campus. ''Vá ao estacionamento'', quando tiro a virgula passa a ''não 
vá ao estacioname...'' 
d) Não, quero abandonar minha funções no trabalho. Eu quero abandonar, quando tiro a virgula fica 
negado ''não quero...'' 
Todas mudaram de sentido, menos a última. 
 
02. Resposta: E 
Conferindo as demais: 
a) Os motoristas, devem saber, que os carros podem ser uma extensão de nossa personalidade. 
Não se separa sujeito do predicado por vírgula. 
b) Os congestionamentos e o número de motoristas na rua, são as principais causas da ira de trânsito. 
Não se separa sujeito do predicado por vírgula. 
c) A ira de trânsito pode ocasionar, acidentes e; aumentar os níveis de estresse em alguns motoristas. 
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento (no caso 'ocasionar' sendo VTD e 
acidentes OD) 
d) Dirigir pode aumentar, nosso nível de estresse, porque você está junto; com os outros motoristas 
cujos comportamentos, são desconhecidos. 
Não se separa por vírgula verbo de seu complemento 
e) Segundo alguns psicólogos, é possível, em certas circunstâncias, ceder à frustração para 
que a raiva seja aliviada. (Correta) 
 
03. Resposta: E 
a) Humberto de Campos, jornalista, critico, contista, e memorialista nasceu, em Miritiba, hoje Humberto 
de Campos no Maranhão, em 1886, e FALECEU, no Rio de Janeiro em 1934. 
b) O escritor Humberto de Campos, em 1933, publicou o livro que veio à ser considerado, o mais 
celebre de sua obra: Memórias, crônica DO COMEÇO de sua vida. 
c) Em 1912, Humberto de Campos, transferiu-se para o Rio de Janeiro, e entrou para O Imparcial, na 
fase em que ali encontrava-se um grupo de exÍmios escritores. 
d) De infância pobre e orfão de pai aos seis anos; Humberto de Campos, começou a trabalhar cedo 
no comércio, como meio de subsistÊncia. 
 
04. Resposta: E 
Trata-se aqui das pessoas mais velhas, que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza 
EXPLICATIVA (Oração Subordinada Adjetiva Explicativa) 
Trata-se aqui das pessoas mais velhas que se apegam a seus hábitos passados. --> Natureza 
RESTRITIVA (Oração Subordinada Adjetiva Restritiva) 
05. Resposta: A 
Adjunto adverbial deslocadotradicional até três palavras, vírgula opcional 
 
06. Resposta: D 
a) A vírgula não pode separar o sujeito (o bolo...) do verbo (sumiu). Incorreta. 
b) Há vírgula entre o sujeito (ele) e o verbo (retirou). Incorreta. 
c) O ponto e vírgula está separando um aposto explicativo, quando na verdade deveria haver um sinal 
de dois-pontos. 
d) Essa é a vírgula que marca termo omitido (Zeugma). 
Paulo pretende cursar Medicina; Márcia, Odontologia. (Pretende cursar) 
 
07. Resposta: B 
A alternativa A tem dois pontos que não deveriam aparecer na oração. 
 
08. Resposta: D 
O vocativo é o termo que tem a função de chamar, invocar ou interpelar dentro da oração. 
 
. 87 
09. Resposta: C 
1- “Sempre aprendi que o advérbio deveria vir entre vírgulas, mesmo que, às vezes, a frase fique 
truncada. 
Quando vi que não colocou os advérbios entre vírgulas, senti que há uma esperança de me libertar 
dessas verdadeiras amarras dos tempos escolares. Como pontuar, afinal, nesses casos?” 
3- “vírgula solteira” 
5- “...mesmo que, às vezes, a frase fique truncada” 
 
10. Resposta: B 
Item I = ERRADO. 
Caso o ponto de interrogação for excluído, a frase (Será que a internet está a matar a democracia?) 
perde o caráter de pergunta, de reflexão e passa a ser uma afirmação. A correção vai se prejudicar. 
Item II = CERTO. As vírgulas isolam o aposto. 
Aposto é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal para explicá-lo ou 
especificá-lo melhor. Vem separado dos demais termos da oração por vírgula, dois-pontos ou travessão. 
O aposto se revela na seguinte passagem: Vyacheslav W. Polonski, um acadêmico da Universidade 
de Oxford, faz essa pergunta na revista Newsweek. 
Item III = CERTO. Na última frase do parágrafo, o pronome “que” retoma "argumentos". 
A finalidade do pronome relativo é evitar a repetição do termo antecedente na oração em que ocorre. 
Item IV = CERTO. No contexto, o verbo “desaguar” está empregado em sentido figurado. 
Desaguar = Drenar, Enxugar, Lançar as águas em (falando do curso dos rios). 
 
 
 
Estudar a estrutura é conhecer os elementos de formação das palavras. Assim, compreendemos 
melhor o significado de cada uma delas. As palavras podem ser divididas em unidades menores, a que 
damos o nome de elementos mórficos ou morfemas. 
 
Morfemas 
 
É o menor elemento linguístico que possui significado. 
- Raiz, Radical, Tema: elementos básicos e significativos. 
- Afixos (prefixos, sufixos), Desinência, Vogal Temática: elementos modificadores da significação 
dos primeiros. 
- Vogal de Ligação, Consoante de Ligação: elementos de ligação ou eufônicos. 
 
Raiz: é uma parte imutável. Ela remete à semântica da palavra, seu contexto de criação (formação) e 
suas transformações até a sua utilização atual. A referência da raiz é a identificação básica de um grupo 
de palavras, por suas semelhanças gráficas. 
Ex.: Crença - Cr; Criança - Cri; Reduzir - Duz; Irredutível - Dut; Evangelho - Angel. 
 
Radical: é o morfema que contém o significado básico da palavra e a ele podem ser acrescidos outros 
elementos mórficos, como as desinências e os afixos. O radical vai até a vogal temática ou à desinência 
de gênero se existirem, caso contrário, o vocábulo inteiro é o próprio radical. 
Ex.: Casa; Casebre; Casarão; Caseiro. 
 
Afixos: são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou 
tema para formar palavras derivadas. Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo, cria 
uma nova palavra a partir de "certo": certamente, advérbio de modo. De maneira semelhante, o 
acréscimo dos morfemas "a-" e "-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são 
morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados. 
Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome de 
prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. 
Ex.: in-at-ivo; em-pobr-ecer; inter-nacion-al. 
 
Desinências: são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras. Existem dois tipos: 
Estrutura e formação de palavras 
 
 
. 88 
- Desinências Nominais: indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular 
e plural) dos nomes. Exemplos: aluno-o / aluno-s; alun-a / aluna-s. Só podemos falar em desinências 
nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. 
Em palavras como mesa, tribo, telefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já 
em pires, lápis, ônibus não encontramos desinência nominal de número. 
 
- Desinências Verbais: indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos. A 
desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está 
na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma 
verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação. 
 
Vogal Temática: aparece ligada ao radical. São três A, E, O átonas e finais. 
- Caracteriza os verbos da 1ª conjugação: buscar, buscavas, etc. 
- Caracteriza os verbos da 2ª conjugação: romper, rompemos, etc. 
- Caracteriza os verbos da 3ª conjugação: proibir, proibirá, etc. 
 
Tema: é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são: 
busca-, rompe-, proibi- 
 
Vogais e Consoantes de Ligação: são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para 
facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra. Exs.: parisiense (paris= radical, 
ense=sufixo, vogal de ligação=i); gas-ô-metro, alv-i-negro, tecn-o-cracia, pau-l-ada, cafe-t-eira, cha-l-
eira, inset-i-cida, pe-z-inho, pobr-e-tão, etc. 
 
Formação das Palavras 
 
Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a Derivação e a Composição. A 
diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um 
único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical. 
 
Derivação 
É o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, 
chamada primitiva. Ex.: Mar (marítimo, marinheiro, marujo); terra (enterrar, terreiro, aterrar). Observamos 
que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação 
de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as 
demais, derivadas. 
 
Tipos de Derivação 
 
- Derivação Prefixal ou Prefixação: resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o 
seu significado alterado: crer- descrer; ler- reler. 
- Derivação Sufixal ou Sufixação: resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer 
alteração de significado ou mudança de classe gramatical: alfabetização. No exemplo, o sufixo -
ção transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto 
pelo acréscimo do sufixo -izar. 
 
A derivação sufixal pode ser: 
Nominal, formando substantivos e adjetivos: papel – papelaria; riso – risonho. 
Verbal, formando verbos: atual - atualizar. 
Adverbial, formando advérbios de modo: feliz – felizmente. 
 
- Derivação Parassintética ou Parassíntese: ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo 
simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva. Por meio da parassíntese formam-se nomes 
(substantivos e adjetivos) e verbos. 
Considere o adjetivo "triste". Do radical “trist-” formamos o verbo entristecer através da junção 
simultânea do prefixo “en-” e do sufixo “-ecer”. A presença de apenas um desses afixos não é suficiente 
para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as palavras "entriste", nem "tristecer". 
Exs.: 
 
 
. 89 
Emudecer 
mudo – palavra inicial 
e – prefixo 
mud – radical 
ecer – sufixo 
 
- Derivação Regressiva: ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por 
acréscimo, mas por redução. Ex.:comprar (verbo) - compra (substantivo); beijar (verbo) - beijo 
(substantivo). 
 
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário, podemos seguir a 
seguinte orientação: 
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva. 
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o contrário. 
 
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo indicam ações, logo, são palavras derivadas. O 
mesmo não ocorre, porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substantivo primitivo 
que dá origem ao verbo ancorar. 
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. Por isso, recebem 
o nome de substantivos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os exemplos de 
palavras formadas por derivação regressiva. O portuga (de português); o boteco (de botequim); o 
comuna (de comunista); agito (de agitar); amasso (de amassar); chego (de chegar). 
 
- Derivação Imprópria: ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou 
supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo: 
Os adjetivos passam a substantivos: Os bons serão contemplados. 
Os particípios passam a substantivos ou adjetivos: Aquele garoto alcançou um feito passando no 
concurso. 
Os infinitivos passam a substantivos: O andar de Roberta era fascinante; O badalar dos sinos soou na 
cidadezinha. 
Os substantivos passam a adjetivos: O funcionário fantasma foi despedido; O menino prodígio resolveu 
o problema. 
Os adjetivos passam a advérbios: Falei baixo para que ninguém escutasse. 
Palavras invariáveis passam a substantivos: Não entendo o porquê disso tudo. 
Substantivos próprios tornam-se comuns: Aquele coordenador é um caxias! (Chefe severo e exigente) 
 
Composição 
É o processo que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois 
tipos: 
 
- Composição por Justaposição: ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre 
alteração fonética: passatempo, quinta-feira, girassol, couve-flor. Em “girassol” houve uma alteração na 
grafia (acréscimo de um “s”) justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra. 
 
- Composição por Aglutinação: ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de 
um ou mais de seus elementos fonéticos: embora (em boa hora); fidalgo (filho de algo - referindo-se a 
família nobre); hidrelétrico (hidro + elétrico); planalto (plano alto). Ao aglutinarem-se, os componentes 
subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente. 
 
- Redução: algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma plena, uma forma reduzida. Observe: 
auto - por automóvel; cine - por cinema; micro - por microcomputador; Zé - por José. Como exemplo de 
redução ou simplificação de palavras, podem ser citadas também as siglas, muito frequentes na 
comunicação atual. 
 
- Hibridismo: ocorre hibridismo na palavra em cuja formação entram elementos de línguas diferentes. 
Ex.: auto (grego) + móvel (latim). 
 
 
. 90 
- Onomatopeia: numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana 
para imitar as vozes e os ruídos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem 
aproximadamente os sons e as vozes dos seres: miau, zunzum, piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc. 
 
Prefixos 
 
São morfemas que se colocam antes dos radicais basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; 
raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical. Os prefixos ocorrentes em palavras 
portuguesas se originam do latim e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou 
advérbios, logo, como vocábulos autônomos. Alguns prefixos foram pouco ou nada produtivos em 
português. Outros, por sua vez, tiveram grande vitalidade na formação de novas palavras: a-, contra-, 
des-, em- (ou en-), es-, entre- re-, sub-, super-, anti-. 
 
Alguns Prefixos de Origem Grega 
 
a-, an-: afastamento, privação, negação, insuficiência, carência: anônimo, amoral, ateu, afônico. 
ana-: inversão, mudança, repetição: analogia, análise, anagrama, anacrônico. 
anti-: oposição, ação contrária: antídoto, antipatia, antagonista, antítese. 
apo-: afastamento, separação: apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia. 
cata-: movimento de cima para baixo: cataplasma, catálogo, catarata. 
di-: duplicidade: dissílabo, ditongo, dilema. 
dis-: dificuldade, privação: dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia. 
ec-, ex-, exo-, ecto-: movimento para fora: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo. 
en-, em-, e-: posição interior, movimento para dentro: encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo. 
endo-: movimento para dentro: endovenoso, endocarpo, endosmose. 
eu-: excelência, perfeição, bondade: eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia. 
hiper-: posição superior, excesso: hipertensão, hipérbole, hipertrofia. 
hipo-: posição inferior, escassez: hipocrisia, hipótese, hipodérmico. 
meta-: mudança, sucessão: metamorfose, metáfora, metacarpo. 
para-: proximidade, semelhança, intensidade: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma. 
pro-: posição em frente, anterioridade: prólogo, prognóstico, profeta, programa. 
poli-: multiplicidade: polissílabo, polissíndeto, politeísmo. 
sin-, sim-: simultaneidade, companhia: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse. 
tele-: distância, afastamento: televisão, telepatia, telégrafo. 
 
Alguns Prefixos de Origem Latina 
 
a-, ab-, abs-: afastamento, separação: aversão, abuso, abstinência, abstração. 
ante-: anterioridade, procedência: antebraço, antessala, anteontem, antever. 
ambi-: duplicidade: ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente. 
ben(e)-, bem-: bem, excelência de fato ou ação: benefício, bendito. 
bis-, bi-: repetição, duas vezes: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito. 
circu(m)-: movimento em torno: circunferência, circunscrito, circulação. 
co-, con-, com-: companhia, concomitância: colégio, cooperativa, condutor. 
contra-: oposição: contrapeso, contrapor, contradizer. 
de-: movimento de cima para baixo, separação, negação: decapitar, decair, depor. 
de(s)-, di(s)-: negação, ação contrária, separação: desventura, discórdia, discussão. 
e-, es-, ex-: movimento para fora: excêntrico, evasão, exportação, expelir. 
en-, em-, in-: movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento: imergir, 
enterrar, embeber, injetar, importar. 
i-, in-, im-: sentido contrário, privação, negação: ilegal, impossível, improdutivo. 
inter-, entre-: posição intermediária: internacional, interplanetário. 
justa-: posição ao lado: justapor, justalinear. 
ob-, o-: posição em frente, oposição: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo. 
pos-: posterioridade: pospor, posterior, pós-graduado. 
pre-: anterioridade: prefácio, prever, prefixo, preliminar. 
re-: repetição, reciprocidade: rever, reduzir, rebater, reatar. 
retro-: movimento para trás: retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado. 
so-, sob-, sub-, su-: movimento de baixo para cima, inferioridade: soterrar, sobpor, subestimar. 
 
. 91 
super-, supra-, sobre-: posição superior, excesso: supercílio, supérfluo. 
trans-, tras-, tres-, tra-: movimento para além, movimento através: transatlântico, tresnoitar, tradição. 
ultra-: posição além do limite, excesso: ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta. 
vice-, vis-: em lugar de: vice-presidente, visconde, vice-almirante. 
 
Sufixos 
 
São elementos (isoladamente insignificativos) que, acrescentados a um radical, formam nova palavra. 
Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera. Dessa forma, 
podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo, por 
exemplo. 
 
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as 
flexões das palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extremamente 
importantes para o funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e os que formam nomes 
de agente. 
 
Sufixos que formamnomes de ação: -ada – caminhada; -ança – mudança; -ância – abundância; -
ção – emoção; -dão – solidão; -ença – presença; -ez(a) – sensatez, beleza; -ismo – civismo; -mento – 
casamento; -são – compreensão; -tude – amplitude; -ura – formatura. 
 
Sufixos que formam nomes de agente: -ário(a) – secretário; -eiro(a) – ferreiro; -ista – manobrista; 
-or – lutador; -nte – feirante. 
 
Sufixos que formam nomes de lugar, depositório: -aria – churrascaria; -ário – herbanário; -eiro – 
açucareiro; -or – corredor; -tério – cemitério; -tório – dormitório. 
 
Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção: -aço – ricaço; -
ada – papelada; -agem – folhagem; -al – capinzal; -ario(a) - casario, infantaria; -edo – arvoredo; -eria – 
correria; -io – mulherio; -ume – negrume. 
 
Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência: 
 
-ite - bronquite, hepatite (inflamação), amotite (fósseis). 
-oma - mioma, epitelioma, carcinoma (tumores). 
-ato, eto, ito - sulfato, cloreto, sulfito (sais), granito (pedra). 
-ina - cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais). 
-ol - fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto). 
-ema - morfema, fonema, semema, semantema (ciência linguística). 
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples). 
 
Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, sistemas políticos: - ismo: budismo, 
kantismo, comunismo. 
 
Sufixos Formadores 
 
- de substantivos: -aco – maníaco; -ado – barbado; -áceo(a) - herbáceo, liláceas; -aico – prosaico; 
-al – anual; -ar – escolar; -ário - diário, ordinário; -ático – problemático; -az – mordaz; -engo – 
mulherengo; -ento – cruento; -eo – róseo; -esco – pitoresco; -este – agreste; -estre – terrestre; -enho 
– ferrenho; -eno – terreno; -ício – alimentício; -ico – geométrico; -il – febril; -ino – cristalino; -ivo – 
lucrativo; -onho – tristonho; -oso – bondoso; -udo – barrigudo. 
 
- de verbos: 
 
-(a)(e)(i)nte: ação, qualidade, estado – semelhante, doente, seguinte. 
-(á)(í)vel: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação – louvável, perecível, punível. 
-io, -(t)ivo: ação referência, modo de ser – tardio, afirmativo, pensativo. 
-(d)iço, -(t)ício: possibilidade de praticar ou sofrer uma ação, referência – movediço, quebradiço, 
factício. 
 
. 92 
-(d)ouro,-(t)ório: ação, pertinência – casadouro, preparatório. 
 
Sufixos Adverbiais: na Língua Portuguesa, existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo "-
mente", derivado do substantivo feminino latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o 
intento". Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, para indicar circunstâncias, especialmente 
a de modo. Ex.: altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia-mente. 
Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-mente, 
etc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora uniformes. Exs.: cabrito montês / cabrita 
montês. 
 
Sufixos Verbais: agregam-se, via de regra, ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos 
verbos. Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação-ar. Exemplos: 
esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar. 
Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação. 
 
-ar: cruzar, analisar, limpar 
-ear: guerrear, golear 
-entar: afugentar, amamentar 
-ficar: dignificar, liquidificar 
-izar: finalizar, organizar 
 
Questões 
 
01. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016) 
 
“Chegou o fim de semana. É tempo de encontrar os amigos no boteco e relaxar, mas a crise econômica 
vem deixando muitos paraenses de cabeça quente. Para ajudar o bolso dos amantes da culinária de raiz, 
os bares participantes do Comida di Buteco estão comercializando os petiscos preparados 
exclusivamente para o concurso com um preço reduzido. O preço máximo é de R$ 25,90.” 
 
(O LIBERAL, 23 de abril de 2016) 
 
Assinale a alternativa que faz um comentário correto sobre o processo de formação das palavras 
usadas nesse trecho. 
 
(A) As palavras “amigo e amantes” são formadas por prefixação. 
(B) As palavras “paraenses e participantes” são formadas por sufixação. 
(C) A palavra “boteco” é formada por derivação a partir da palavra “bote”. 
(D) As palavras “culinária e petiscos” são formadas por derivação regressiva. 
(E) A palavra “comercializando” é formada por aglutinação de “comer+comércio”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 93 
02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - IDHTEC/2016) 
 
 
 
Em qual das alternativas houve a relação correta de acordo com as regras do processo de formação 
de palavras. 
(A) Recompor – prefixo e sufixo 
(B) Utiliza-se – sufixo 
(C) Indolor – prefixo 
(D) Avançado – prefixo e sufixo 
(E) Somente – sufixo 
 
03. (Pref. Chapecó/SC - Engenheiro de Trânsito - IOBV/2016) “Infelizmente as cheias de 2011 
castigaram de forma severa o Vale do Itajaí.” 
 
Na frase acima (elaborada para fins de concurso) temos o caso da expressão “Infelizmente”. A palavra 
pode ser assim decomposta: in + feliz + mente. Aponte qual a função da partícula in dentro do processo 
de estruturação das palavras. 
(A) Radical. 
(B) Sufixo. 
(C) Prefixo. 
(D) Interfixo. 
 
04. (Pref. Teresina/PI - Professor Português - NUCEPE/2016) 
 
Aceita um cafezinho 
 
Ó Estrangeiro, ó peregrino, ó passante de pouca esperança - nada tenho para te dar, também sou 
pobre e essas terras não são minhas. Mas aceita um cafezinho. 
A poeira é muita, e só Deus sabe aonde vão dar esses caminhos. Um cafezinho, eu sei, não resolve o 
teu destino; nem faz esquecer tua cicatriz. 
Mas prova.... Bota a trouxa no chão, abanca-te nesta pedra e vai preparando o teu cigarro... 
Um minuto apenas, que a água já está fervendo e as xícaras já tilintam na bandeja. Vai sair bem coado 
e quentinho. 
Não é nada, não é nada, mas tu vais ver: serão mais alguns quilômetros de boa caminhada... E talvez 
uma pausa em teu gemido! 
Um minutinho, estrangeiro, que teu café já vem cheirando... 
(Aníbal Machado) 
 
Na palavra cafezinho temos os seguintes elementos mórficos 
(A) radical, vogal temática e sufixo. 
(B) radical, consoante de ligação e sufixo. 
(C) radical e sufixo. 
 
. 94 
(D) radical e vogal temática. 
(E) radical e consoante de ligação. 
 
05. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) 
 
Um ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte: “Defenda a ecologia, mas não encha o 
saco”. (Gilberto Mestrinho) 
 
O vocábulo sublinhado, composto do radical-logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do meio 
ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo radical, que tem seu significado corretamente indicado é: 
(A) Antropologia: estudo do homem como representante do sexo masculino; 
(B) Etimologia: estudo das raças humanas; 
(C) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre a Terra; 
(D) Ginecologia: estudo das doenças privativas das mulheres; 
(E) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza 
 
06. (TJ-AL - Técnico Judiciário - FGV/2018) 
 
Ressentimento e Covardia 
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da 
falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e 
eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já 
especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação 
dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. 
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à 
disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a 
comunicação virtual está em sua pré-história. 
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, 
articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformadosque circulam 
por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é 
processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem 
aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade 
propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. 
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, 
que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. 
(Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) 
 
O item abaixo em que os dois vocábulos citados NÃO fazem parte da mesma família de palavras é: 
(A) falir / falência; 
(B) provir / provisão; 
(C) deter / detenção; 
(D) dispensar / dispensa; 
(E) fugir / fuga. 
 
07. (BAHIAGÁS - Analista de Processos Organizacionais - IESES/2016) Assinale a alternativa em 
que todas as palavras estão INCORRETAS: 
(A) Luminescência; transparência; ascendência; maledicência; flatulência. 
(B) Dizêssemos; troucéssemos; portãozinhos; quizéreis; puzesse. 
(C) Assessorássemos; indenidade; dissesses; entre ti e nós; fizesse. 
(D) Beleza; sutileza; pobreza; destreza; natureza. 
(E) Interdisciplinaridade; transitoriedade; notoriedade; titularidade; liminaridade. 
 
08. (Pref. Aragoiânia/GO - Biólogo - Itame/2016) O irreverente cantor não agradou o público local. 
Aponte a alternativa em que o prefixo das palavras não apresenta o significado existente no prefixo da 
palavra destacada acima: 
(A) desgoverno / ilegal 
(B) infiel / imoral 
(C) anormal / destemor 
(D) imigrante / ingerir 
 
. 95 
09. (Câmara de Salvador/BA - Assistente Legislativo Municipal - FGV/2018) 
 
Violência: O Valor da vida 
Kalina Vanderlei Silva / Maciel Henrique Silva, Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2006, p. 412 
 
A violência é um fenômeno social presente no cotidiano de todas as sociedades sob várias formas. 
Em geral, ao nos referirmos à violência, estamos falando da agressão física. Mas violência é uma 
categoria com amplos significados. Hoje, esse termo denota, além da agressão física, diversos tipos de 
imposição sobre a vida civil, como a repressão política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e do 
pensamento de determinados indivíduos e, ainda, o desgaste causado pelas condições de trabalho e 
condições econômicas. Dessa forma, podemos definir a violência como qualquer relação de força que 
um indivíduo impõe a outro. 
Consideremos o surgimento das desigualdades econômicas na história: a vida em sociedade sempre 
foi violenta, porque, para sobreviver em ambientes hostis, o ser humano precisou produzir violência em 
escala inédita no reino animal. 
Por outro lado, nas sociedades complexas, a violência deixou de ser uma ferramenta de sobrevivência 
e passou a ser um instrumento da organização da vida comunitária. Ou seja, foi usada para criar uma 
desigualdade social sem a qual, acreditam alguns teóricos, a sociedade não se desenvolveria nem se 
complexificaria. Essa desigualdade social é o fenômeno em que alguns indivíduos ou grupos desfrutam 
de bens e valores exclusivos e negados à maioria da população de uma sociedade. Tal desigualdade 
aparece em condições históricas específicas, constituindo-se em um tipo de violência fundamental para 
a constituição de civilizações. 
 
A forma verbal “complexificaria” aparece sublinhada de vermelho no corretor de texto, o que mostra 
que não é uma palavra dicionarizada; isso significa que essa palavra: 
(A) não deve ser usada; 
(B) mostra erros em sua estrutura; 
(C) deve ser um arcaísmo; 
(D) pode tratar-se de um neologismo; 
(E) representa uma variação coloquial de linguagem 
 
10. (IF/BA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016) Todas as palavras abaixo têm prefixo e 
sufixo, exceto este verbo: 
(A) destinar. 
(B) desfivelar. 
(C) desfavorecer. 
(D) desbanalizar. 
(E) despraguejar. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.C / 03.C /04.B / 05.D / 06.B / 07.B / 08.D / 09.D / 10.A 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Gabarito letra ´B´ - Pará + sufixo 'nses' 
Participar + sufixo 'antes' 
A) incorreta - amigo é primitivo 
C) incorreta - Boteco - Derivação regressiva de Botequim; 
D) petiscos e culinária não são derivação regressiva (não sei se são primitivos, mas regressiva não é, 
alguém jogue uma luz sobre o assunto) 
E) Comercializando - comércio + sufixo 'lizando' 
 
02. Resposta: C 
a) Por: compor - dispor - contrapor- recompor - repor. 
b) Utiliza-se - o "SE" é uma partícula apassivadora; 
c) A palavra dor vem do latim DOLOR, em português seria "sem dor", em latim indolor, o prefixo in em 
latim é negação; 
 
. 96 
d) Avançado - derivação sufixal; 
e) Segundo Pasquale os sufixos são capazes de modificar o significado do radical a que são 
acrescentados. No caso de somente, a origem vem de "só", dependendo do contexto, só e somente tem 
o mesmo significado. Ex: "eu só quero bananas e maçãs" é a mesma coisa que "eu quero somente 
bananas e maçãs" 
 
03. Resposta: C 
 IN - FELIZ - MENTE 
PREFIXO RADICAL SUFIXO 
 
04. Resposta: B 
Café - é o radical, chamado de forma livre. Por ter a letra É forte, tônica, ela não cai nas suas 
derivações. Portanto, não há vogal temática nem desinência de gênero. 
inho - é o sufixo. 
Z - letra chamada de consoante de ligação para não ocorrer a junção de vogal com vogal em café + 
inho. 
 
05. Resposta: D 
Uma questão de vocabulário bem pesada. A ginecologia é realmente a “parte da medicina que estuda 
a fisiologia e a patologia do corpo feminino e trata das doenças específicas das mulheres, esp. as do 
aparelho genital.” Essa alternativa limita demais o escopo da Ginecologia, quando o sentido também inclui 
a fisiologia feminina, o funcionamento do corpo feminino, não só ligado a doenças, mas também está 
cada vez mais ligado à aspectos de reprodução também. Contudo, a banca quer o sentido literal e, 
sinceramente, as demais opções eram visivelmente equivocadas. 
Vejamos as demais: 
(A) Antropologia: estudo do homem como raça humana, homens e mulheres. 
(B) Etimologia: estudo da origem das palavras. 
(C) Meteorologia: estudo dos fenômenos atmosféricos 
(E) Fisiologia: estudo das funções orgânicas e os processos vitais dos seres vivos. 
 
06. Resposta: B 
(a), (c), (d), (e) apresentam palavras COGNATAS, ou seja, possuem uma origem comum. 
Quanto a alternativa (b): 
PROVISÃO vem do verbo PROVER, e não PROVIR. 
PROVER → Abastercer, providenciar, dispor. 
PROVIR → Originar-se de algo. 
 
07. Resposta: B 
Dizêssemos; troucéssemos; portãozinhos; quizéreis; puzesse. [ERRADO]; 
Disséssemos, trouxéssemos, portõezinhos; quiséreis, pusesse; [CORRETO]; 
 
08. Resposta: D 
IRreverente possui dois significados bem distintos: falta de respeito ou alguém desinibido. 
Significado dos prefixos: IN-; IM-; I-: negação; falta. 
O sufixo da palavra irreverente, neste caso, denota falta de respeito. 
Imigrante: significa aquele que entra num país para nele viver. 
Ingerir: pôr no estômago. 
Significado do prefixo I-: movimento para dentro. 
 
09. Resposta: D 
Trata-se de um neologismo, que é o emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já 
existentes, na mesma língua ou não. Atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua. 
Sinônimos de complexificar 
Tornar problemático: problematizar, piorar, agravar, dificultar, intrincar. Tornar mais difícil, confuso, 
complexo: complicar, impedir, perturbar, atravancar, embaraçar, confundir, embrulhar, obscurecer, arrev
esar, emaranhar, encrencar, enrascar. 
 
10. Resposta: A 
O verbo está relacionado ao substantivo destino, por isso não apresenta prefixo. 
 
. 97 
 
 
Em Classes de Palavras, estudaremos artigo, substantivo, adjetivo, numeral, pronome, verbo, 
advérbio, preposição, interjeição e conjunção. E dentro de cada uma, abordaremos seu emprego e 
quando houver, sua flexão. 
 
Artigo 
 
Artigoé a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o gênero e o número, determinando-
o ou generalizando-o. Os artigos podem ser: 
Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de um ser já conhecido; denota familiaridade: 
“A grande reforma do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do médio.” 
Indefinidos: um, uma, uns, umas; Trata-se de um ser desconhecido, dá ao substantivo valor vago: 
“...foi chegando um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima) 
 
Usa-se o artigo definido: 
- com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados foram punidos. 
- com nomes próprios geográficos de estado, país, oceano, montanha, rio, lago: o Brasil, o rio 
Amazonas, a Argentina, o oceano Pacífico. Ex.: Conheço o Canadá mas não conheço Brasília. 
- depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos os vinte atletas participarão do 
campeonato. 
- com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais lindas flores da floricultura. 
- com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro 
é atlético e simpático. 
- antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da primavera vem o verão. 
- com expressões de peso e medida: O álcool custa um real o litro. (=cada litro) 
 
Não se usa o artigo definido: 
- antes de pronomes de tratamento iniciados por possessivos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria. 
Ex.: Vossa Alteza estará presente ao debate? 
- antes de nomes de meses: O campeonato aconteceu em maio de 2002. 
- alguns nomes de países, como Espanha, França, Inglaterra, Itália podem ser construídos sem o 
artigo, principalmente quando regidos de preposição. Ex.: “Viveu muito tempo em Espanha.” 
- antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos quatro, amigos de João Luís e Laurinha. 
- antes de palavras que designam matéria de estudo, empregadas com os verbos: aprender, 
estudar, cursar, ensinar. Ex.: Estudo Inglês e Cristiane estuda Francês. 
 
O uso do artigo é facultativo: 
- antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência é irritante. 
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou Luciana / a Luciana? 
- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a frente: exige a preposição) 
 
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao / de + o, a = do, da / em + o, a = no, na / 
por + o, a = pelo, pela. 
 
Usa-se o artigo indefinido: 
- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns oito anos. 
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em pares: Usava umas calças largas e umas 
botas longas. 
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é uma meiguice só. 
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís August é um Rui Barbosa. 
 
O artigo indefinido não é usado: 
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte, gente, quantidade. Ex.: Reservou para todos 
boa parte do lucro. 
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente. Ex.: Não há suficiente espaço para todos. 
Funções das classes de palavras 
 
 
. 98 
- com substantivo que denota espécie. Ex.: Cão que ladra não morde. 
 
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e em + um, uma = num, numa, dum, duma. 
 
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra transforma-a em substantivo. O ato literário é 
o conjunto do ler e do escrever. 
 
Questões 
 
01. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão Contábil - FGV/2018) A frase abaixo em 
que o emprego do artigo mostra inadequação é: 
(A) Todas as coisas que hoje se creem antiquíssimas já foram novas; 
(B) Cuidado com todas as coisas que requeiram roupas novas; 
(C) Todos os bons pensamentos estão presentes no mundo, só falta aplicá-los; 
(D) Em toda a separação existe uma imagem da morte; 
(E) Alegria de amor dura apenas um instante, mas sofrimento de amor dura toda a vida. 
 
02. (IF/AP – Auxiliar em Administração – FUNIVERSA/2016) 
 
 
Internet: <http://educacaoepraxis.blogspot.com.br>. 
 
 
No segundo quadrinho, correspondem, respectivamente, a substantivo, pronome, artigo e advérbio: 
(A) “guerra”, “o”, “a” e “por que”. 
(B) “mundo”, “a”, “o” e “lá”. 
(C) “quando”, “por que”, “e” e “lá”. 
(D) “por que”, “não”, “a” e “quando”. 
(E) “guerra”, “quando”, “a” e “não”. 
 
03. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem - COMPERVE/2018) 
 
Nas décadas subsequentes, vários estudos correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores de 
risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo, tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam 
drasticamente as chances de enfarte. 
 
Com relação à quantidade de artigos no trecho, há 
(A) cinco. 
(B) três. 
(C) quatro. 
(D) dois. 
 
04. (Prefeitura Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem - MS Concursos/2017) Considere as 
afirmações sobre artigo e numeral e assinale a alternativa correta: 
I - Algumas palavras que atendem o substantivo, como um, em “um dia”, podem modificar-lhe o sentido. 
Podemos entender a expressão como “um dia qualquer” e também como “um único dia.” Na primeira 
situação, a palavra um é artigo; na segunda, um é numeral. 
II - Artigo é a palavra que antecede o substantivo, definindo-o ou indefinindo-o. Numeral é a palavra 
que expressa quantidade exata de pessoas ou coisas, ou lugar que elas ocupam numa determinada 
sequência. 
 
. 99 
III - Os numerais classificam-se em: cardinais (designam uma quantidade de seres); ordinais (indicam 
série, ordem, posição); multiplicativos (expressam aumento proporcional a um múltiplo da unidade); 
fracionários (denotam diminuição proporcional a divisões, frações da unidade). 
IV - O numeral pode referir-se a um substantivo ou substituí-lo; no primeiro caso, é numeral substantivo; 
no segundo, numeral adjetivo. 
 
(A) Apenas II, III e IV estão corretas. 
(B) Apenas I, III e IV estão corretas. 
(C) Apenas I, II e III estão corretas. 
(D) Apenas I, II e IV estão corretas. 
 
Gabarito 
 
01.D / 02.E / 03.C / 04.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: D 
Na altertiva D não deveria existir o "a" entre as palavras, afinal ela não se refere a uma separação 
específica, mas qualquer separação, todas separações têm uma imagem de morte. 
 
02. Resposta: E 
Substantivo: Sempre PODE vir antecedido de artigo. "A GUERRA..." 
Pronome Relativo: Função coesiva, sempre anafórico (retomada de uma informação), referem-se a 
um substantivo ou pronome substantivo. " E QUANDO..." 
Artigo: é uma palavra que se antepõe ao substantivo, serve para determiná-lo. É variável em gênero e 
número. 
- Artigo definido: o, a, os, as, esses determinam o substantivo com precisão. 
Advérbio: Invariável, refere-se a verbo exprimindo uma circunstância ou modifica o adjetivo ou outro 
advérbio. "...NÃO SEI..." 
 
03. Resposta: C 
Nas décadas subsequentes, vários estudos correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores 
de risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo, tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam 
drasticamente as chances de enfarte. 
1°) NAS = EM + AS (Preposição + Artigo) 
2°) OS = Artigo definido masculino, no plural. 
3°) DOS = DE + OS (Preposição + Artigo) 
4°) AS = Artigo definido Feminino, no plural. 
 
04. Resposta: C 
Quando o numeral acompanha (refere-se a) um substantivo -- Numeral Adjetivo. 
Quando substitui -- Numeral Substantivo. 
 
Substantivo 
 
Substantivo é a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pessoas, de lugares, coisas, 
entes de natureza espiritual ou mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, respeito, criança. 
 
Classificação 
- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.: menina, piano, estrela, rio, animal, árvore. 
- Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil, América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia. 
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são independentes; reais ou imaginários. Ex.: 
mãe, mar, água, anjo, alma, Deus, vento, saci. 
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende sempre de um ser para existir. Designam 
qualidades, sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, beijo, abraço, juventude,covardia. Ex.: É necessário alguém ser ou estar triste para a tristeza manifestar-se. 
 
 
 
. 100 
Formação 
- Simples: são aqueles formados por apenas um radical: chuva, tempo, sol, guarda. 
- Compostos: são os que são formados por mais de dois radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-
colônia. 
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras; vieram primeiro, deram origem a outras 
palavras. Ex.: ferro, Pedro, mês, queijo. 
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro, 
mesada, requeijão. 
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no singular, designam um conjunto de seres de uma 
mesma espécie. Ex.: 
 
Álbum de fotografias Colmeia de abelhas 
Alcateia de lobos Concílio de bispos em assembleia 
Antologia de textos escolhidos Conclave de cardeais 
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas 
 
Reflexão do Substantivo 
Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero (masculino/feminino), de número 
(plural/singular) e de grau (aumentativo/diminutivo). 
 
Gênero (masculino/feminino) 
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca 
de o por a, ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra. 
 
Formação do Feminino 
O feminino se realiza de três modos: 
- Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha / mestre, mestra / leão, leoa; 
- Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa 
/ cônsul, consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora. 
- Utilizando-se uma palavra feminina com radical diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / 
carneiro, ovelha / cavalo, égua. 
 
Substantivos Uniformes 
- Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. – 
jacaré macho ou fêmea / a cobra macho ou fêmea. 
- Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam indivíduos dos dois sexos. São 
masculinos ou femininos. A indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou feminino: o, a 
intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a pianista. 
- Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero para homem ou a mulher: a criança (menino, 
menina) / a testemunha (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher). 
 
Alguns substantivos que mudam de sentido, quando se troca o gênero: 
o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar); 
o capital (dinheiro) - a capital (cidade); 
o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo); 
o guia (acompanhante) - a guia (documentação). 
 
São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o champanha, o soprano, o clã, o alvará, o 
sanduíche, o clarinete, o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa, o lança-perfume, 
o praça (soldado raso), o pernoite, o formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o plasma, 
o estigma. 
 
São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, 
a cólera (doença), a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês, a sentinela, a sucuri, 
a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama, a Xerox, a aguardente. 
 
Número (plural/singular) 
Acrescentam-se: 
- S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo: povo, povos / feira, feiras / série, séries. 
 
. 101 
- S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens / abdômen, abdomens / hífen, hífens. 
Também: líquenes, abdômenes, hífenes. 
- ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz, cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns 
terminados em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter, caracteres / sênior, 
seniores. 
- IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal, jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, 
méis. Exceções: mal, males / cônsul, cônsules / real, réis. 
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S: cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, 
mãos. 
 
Trocam-se: 
- ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões / mamão, mamões. 
- ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, alemães / cão, cães. 
- il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / pernil, pernis. 
- por eis (paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / projétil, projéteis. 
- m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / atum, atuns. 
- zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, balões. 2º elimina-se o S + zinhos. 
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos. 
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos. 
Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos. 
 
Alguns substantivos terminados em X são invariáveis (valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, 
os ônix / a fênix, as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax. 
 
Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma no plural: 
aldeão, aldeões, aldeãos; 
verão, verões, verãos; 
anão, anões, anãos; 
guardião, guardiões, guardiães; 
corrimão, corrimãos, corrimões; 
ancião, anciões, anciães, anciãos; 
ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos. 
 
Metafonia - apresentam o “o” tônico fechado no singular e aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / 
imposto (ô), impostos (ó). 
 
Substantivos que mudam de sentido quando usados no plural: Fez bem a todos (alegria); Houve 
separação de bens. (Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram maravilhosas. 
(Descanso). 
 
Substantivos empregados somente no plural: Arredores, belas-artes, bodas (ô), condolências, 
cócegas, costas, exéquias, férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, viveres, idos, 
afazeres, algemas. 
 
Plural dos Substantivos Compostos 
 
Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural: 
 
- palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol = girassóis / autopeça = autopeças. 
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha-céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas 
/ guarda-roupa = guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = vale-refeições. 
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-
assinados / recém-nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto-escola = auto-escolas. 
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico-tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-
corres. 
- substantivo composto de três ou mais elementos não ligados por preposição: o bem-me-quer 
= os bem-me-queres / o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o fora-da-lei = os fora-
da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém / o ponto-e-vírgula = os ponto e vírgulas / o bumba meu boi 
= os bumba meu bois. 
 
. 102 
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: grão-duque = grão-duques / grã-cruz = 
grã-cruzes / bel-prazer = bel-prazeres. 
 
Somente o primeiro elemento vai para o plural: 
 
- substantivo + preposição + substantivo: água de colônia = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça 
= mulas-sem-cabeça / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz. 
- quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = 
sambas-enredo / pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-família / banana-maçã = 
bananas-maçã / vale-refeição = vales-refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador) 
 
Os dois elementos ficam invariáveis quando houver: 
 
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os 
bota-fora 
- os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-
e-traz / o vai-e-volta = os vai-e-volta. 
 
Os dois elementos, vão para o plural: 
 
- substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis / abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó 
= tias-avós / tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe = redatores-chefes. 
- substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-
forte = carros-fortes / obra-prima= obras-primas / cachorro-quente = cachorros-quentes. 
- adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-metragem = curtas-metragens / má-língua = 
más-línguas / 
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira = segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras. 
 
Composto com a palavra guarda só vai para o plural se for pessoa: guarda-noturno = guardas-
noturnos / guarda-florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis / guarda-marinha = guardas-
marinha. 
 
Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas / os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / 
os Kennedys / os Silvas. 
 
Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs / DVDs / ONGs / PMs / Ufirs. 
 
Grau (aumentativo/diminutivo) 
Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir intensidade, exagero ou diminuição. A essas 
modificações é que damos o nome de grau do substantivo. Os graus aumentativos e diminutivos são 
formados por dois processos: 
 
- Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho; 
sufixo inho ou isinho. 
 
- Analítico: formado com palavras de aumento: grande, enorme, imensa, gigantesca (obra imensa / 
lucro enorme / carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras de diminuição (diminuto, 
pequeno, minúscula, casa pequena, peça minúscula, saia diminuta). 
 
- Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns substantivos exprimem também desprezo, crítica, 
indiferença em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo, narigão, gentinha, coisinha, 
povinho, livreco. 
- Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho, Toninho, mãezinha. 
- Em consequência do dinamismo da língua, alguns substantivos no grau diminutivo e aumentativo 
adquiriram um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha (calendário). 
- As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica 
recebem o sufixo zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão (sílaba nasal) = irmãozinho; 
herói (ditongo) = heroizinho; baú (hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho. 
 
. 103 
- As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas consoantes seguidas de vogal recebem o 
sufixo inho: país = paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = belezinha. 
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado, 
minicalculadora. 
 
Questões 
 
01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”: 
(A) vulcão, abaixo-assinado; 
(B) irmão, salário-família; 
(C) questão, manga-rosa; 
(D) bênção, papel-moeda; 
(E) razão, guarda-chuva. 
 
02. Assinale a alternativa em que está correta a formação do plural: 
(A) cadáver – cadáveis; 
(B) gavião – gaviães; 
(C) fuzil – fuzíveis; 
(D) mal – maus; 
(E) atlas – os atlas. 
 
03. A palavra livro é um substantivo 
(A) próprio, concreto, primitivo e simples. 
(B) comum, abstrato, derivado e composto. 
(C) comum, abstrato, primitivo e simples. 
(D) comum, concreto, primitivo e simples. 
 
04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são masculinos: 
(A) enigma – idioma – cal; 
(B) pianista – presidente – planta; 
(C) champanha – dó(pena) – telefonema; 
(D) estudante – cal – alface; 
(E) edema – diabete – alface. 
 
05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm um significado; e no feminino têm outro, 
diferente. Marque a alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao seu significado: 
(A) O capital = dinheiro; 
 A capital = cidade principal; 
(B) O grama = unidade de medida; 
 A grama = vegetação rasteira; 
(C) O rádio = aparelho transmissor; 
 A rádio = estação geradora; 
(D) O cabeça = o chefe; 
 A cabeça = parte do corpo; 
(E) A cura = o médico. 
 O cura = ato de curar. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.E / 03.D / 04.C / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
A palavra “balão” tem seu plural em “ões”. 
O plural do vocábulo “caneta-tinteiro” é “canetas-tinteiro”, em que se é pluralizado apenas o primeiro 
elemento, já que o segundo determina, indicando a funcionalidade, do primeiro. 
Alternativa A: vulcão-vulcões / abaixo-assinado-abaixo-assinados 
Alternativa B: irmão irmãos / salário-família salários-família 
 
. 104 
Alternativa C (correta): questão questões / manga-rosa mangas-rosa 
Alternativa D: bênção bênçãos / papel-moeda papéis-moeda 
Alternativa E: razão razões / guarda-chuva guarda-chuvas 
 
02. Resposta: E 
Alternativa A: cadáver – cadáveres 
Alternativa B: gavião - gaviões 
Alternativa C: fuzil - fuzis 
Alternativa D: mal – males 
Alternativa E: correta 
 
03. Resposta: D 
 
04. Resposta: C 
Alternativa A: A cal 
Alternativa B: O/A presidente 
Alternativa C: correta 
Alternativa D: O/A estudante – A cal 
Alternativa E: A alface 
 
05. Resposta: E 
O cura = sacerdote 
 
Adjetivo 
 
Adjetivo é a palavra variável em gênero, número e grau que modifica um substantivo, atribuindo-lhe 
uma qualidade, estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo. Os adjetivos classificam-
se em: 
- simples: apresentam um único radical, uma única palavra em sua estrutura: alegre, medroso, 
simpático. 
- compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas palavras em sua estrutura: estrelas azul-
claras; sapatos marrom-escuros. 
- primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a outras palavras: atual, livre, triste, amarelo, 
brando. 
- derivados: são aqueles formados por derivação, vieram depois dos primitivos: amarelado, ilegal, 
infeliz, desconfortável. 
- pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-se a cidades, estados, países. Amapá: 
amapaense; Amazonas: amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; Angra dos Reis: angrense; Aracajú: 
aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano. 
 
Pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como: afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-
italiano, sino-japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira; nipo-argentina (Japão e 
Argentina); teuto-argentinos (alemão). 
 
Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor de um adjetivo. É formada por preposição 
+ um substantivo. Vejamos algumas locuções adjetivas: 
 
Angelical de anjo Etário de idade 
Abdominal de abdômen Fabril de fábrica 
Apícola de abelha Filatélico de selos 
Aquilino de águia Urbano da cidade 
 
Flexões do Adjetivo 
Como palavra variável, sofre flexões de gênero, número e grau: 
 
Gênero 
 
- uniformes: têm forma única para o masculino e o feminino. Funcionário incompetente = funcionária 
incompetente. 
 
. 105 
- biformes: troca-se a vogal “o” pela vogal “a” ou com o acréscimo da vogal “a” no final da palavra: 
ator famoso = atriz famosa / jogador brasileiro = jogadora brasileira. 
 
Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas no segundo elemento: sociedade luso-
brasileira / festa cívico-religiosa / são – sã. 
Às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos ou como advérbios: Agia como um ingênuo. 
(adjetivo como substantivo: acompanha um artigo). A cerveja que desce redondo. (adjetivo como 
advérbio: redondamente). 
 
Número 
 
O plural dos adjetivos simples flexiona de acordo com o substantivo a que se referem: menino chorão 
= meninos chorões / garota sensível = garotas sensíveis. 
 
- quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o segundo vai para o plural: questões político-
partidárias, olhos castanho-claros, senadores democrata-cristãos. 
- composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se a cores, o adjetivo cor e o substantivo 
permanecem invariáveis, não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-petróleo (adjetivo azul, 
substantivo petróleo); saia amarelo-canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo; substantivo 
canário). 
- as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = 
papéis cor-de-rosa / olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel. 
- são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegriassem-par, piadas sem-sal. 
 
Grau 
 
O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades dos seres. O adjetivo apresenta duas 
variações de grau: comparativo e superlativo. 
 
O grau comparativo é usado para comparar uma qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou 
mais qualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de superioridade e de inferioridade: 
 
- de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou tão alto quão / quanto / como você. (As 
duas pessoas têm a mesma altura) 
 
- de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que uma é mais do que a outra: Minha amiga 
Manu é mais elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem ser: 
Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais pequeno: O salário é mais pequeno do que / 
que justo (salário pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um mesmo ser, podemos 
usar as formas: mais grande, mais mau, mais bom, mais pequeno. 
Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que 
aquela. 
 
- de inferioridade: um elemento é menor do que outro: Somos menos passivos do que / que 
tolerantes. 
 
O grau superlativo apresenta característica intensificada. Pode ser absoluto ou relativo: 
 
- Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode ser: 
Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, bastante, extremamente, excepcionalmente 
+ adjetivo (Nicola é extremamente simpático). 
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo (Minha comadre Mariinha é agradabilíssima). 
 
- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer 
(magro) = macérrimo; 
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo (pobríssimo); 
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = amabilíssimo; 
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. 
 
. 106 
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em iíssimo: sério = seriíssimo / necessário = 
necessariíssimo / frio = friíssimo. 
 
Usa-se também, no superlativo: 
 
- prefixos: maxinflação / hipermercado / ultrassonografia / supersimpática. 
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sola / podre de rico / linda de morrer / magro 
de dar pena. 
- adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / linda, linda (=lindíssima). 
- diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / grandalhão / gostosão / bonitão. 
- linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo: chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo. 
 
- Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos, com a mesma qualidade. Pode ser: 
De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as suas amigas. (Ela é a mais de todas) 
De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos. 
 
Questões 
 
01. (COMPESA - Analista de Gestão - Advogado - FGV/2016) A substituição da oração adjetiva por 
um adjetivo de valor equivalente está feita de forma inadequada em: 
(A) “Quando você elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que pareça, só pode ser a 
verdade”. / restante 
(B) “Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância”. / consciente dos limites da própria 
ignorância. 
(C) “A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / indiferente 
(D) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as pessoas”. / insuportável 
(E) “Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas pelos que se foram: vamos ficando sozinhos 
uns dos outros”. / falecidos 
 
02. (SEPOG/RO - Técnico em Tecnologia da Informação e Comunicação - FGV/2018) Temos uma 
notícia triste: o coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não é ali que moram os 
sentimentos. Puxa, para que serve ele, afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é 
superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de bombear sangue para todas as células de nosso 
corpo”, explica Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração. 
O coração é um músculo oco, por onde passa o sangue, e tem dois sistemas de bombeamento 
independentes. Com essas “bombas” ele recebe o sangue das veias e lança para as artérias. Para isso 
contrai e relaxa, diminuindo e aumentando de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente 
bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo libera adrenalina, aumentando os 
batimentos cardíacos e a pressão arterial”. 
(O Estado de São Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6) 
 
Nas frases “ele é superimportante” e “Ele realmente bate mais rápido quando uma pessoa está 
apaixonada”, há dois exemplos de variação de grau. 
 
Sobre essas variações, assinale a afirmativa correta. 
(A) Apenas na primeira frase há uma variação de grau de adjetivo. 
(B) Nas duas ocorrências ocorre o superlativo de adjetivos. 
(C) Apenas na segunda ocorrência ocorre o grau comparativo do adjetivo. 
(D) Na primeira ocorrência, a variação de grau ocorre por meio de um sufixo. 
(E) Apenas na primeira frase há variação de grau. 
 
03. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) O adjetivo ilimitado corresponde à locução “sem 
limites”; a locução com igual estrutura que NÃO corresponde ao adjetivo abaixo destacado é: 
(A) Os turistas ficaram inertes durante a ação policial / sem ação; 
(B) O turista incauto ficou assustado com a ação policial / sem cautela; 
(C) O vocalista da banda saiu ileso do acidente / sem ferimento; 
(D) O presidente da Coreia passou incógnito pela França / sem ser percebido; 
(E) O novo livro do autor estava ainda inédito / sem editor. 
 
 
. 107 
04. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão Contábil - FGV/2018) Na escrita, pode-
se optar frequentemente entre uma construção de substantivo + locução adjetiva ou substantivo + adjetivo 
(esportes da água = esportes aquáticos). 
 
O termo abaixo sublinhado que NÃO pode ser substituído por um adjetivo é: 
(A) A indústria causou a poluição do rio; 
(B) As águas do rio ficaram poluídas; 
(C) As margens do rio estão cheias de lama; 
(D) Os turistas se encantam com a imagem do rio; 
(E) Os peixes do rio são bem saborosos. 
 
05. (Pref. Paulínia/SP - Engenheiro Agrônomo - FGV/2016) “O povo, ingênuo e sem fé das verdades, 
quer ao menos crer na fábula, e pouco apreço dá às demonstrações científicas.” (Machado de Assis) 
 
No fragmento acima, os dois adjetivos sublinhados possuem, respectivamente, os valores de 
(A) qualidade e estado. 
(B) estado e relação. 
(C) relação e característica. 
(D) característica e qualidade. 
(E) qualidade e relação. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.A / 03.E / 04.A / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
"A única coisa que vem sem esforço é a idade”. / indiferente 
Que vem sem esforço = fácil 
 
02. Resposta: A 
“ele é superimportante” - variação de grau superlativo através do uso do prefixo SUPER 
“Ele realmente bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada” - mais rápido nessa frase é um 
advérbio, podemos substituir por rapidamente (Ele realmente bate rapidamente quando uma pessoa está 
apaixonada), por isso não há variação. Lembrar que advérbio é invariável. 
 
03. Resposta: E 
Questão direta: “inédito” significa “não publicado, não visto, não apresentado”. Não tem relação alguma 
com “ausência de editor”. Nas demais opções, a locução substitui adequadamente o adjetivo. 
 
04. Resposta: A 
A - Complemento nominal (Indica uma ação passiva - O rio foi poluído) 
B - Adjunto adnominal (Indica valor de posse) 
C - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse) 
D - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse) 
E - Adjunto Adnominal (Indica valor de posse) 
 
05. Resposta: E 
Qualidade - necessita que se faça uma análise subjetiva da questão, não é uma característica física 
por exemplo; 
Relação - Um adjetivo de relação (ou relacional) é aquele que é derivado de um substantivo por 
derivação sufixal e não varia em grau. - de Ciências ficou científicas; 
 
Numeral 
 
Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série, multiplicação e divisão. Daí a sua 
classificação, respectivamente, em:. 108 
- Cardinal - indica número, quantidade: um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, 
doze, treze, catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, vinte..., trinta..., cem..., duzentos..., oitocentos..., 
novecentos..., mil. 
 
- Ordinal - indica ordem ou posição: primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, 
nono, décimo, décimo primeiro, vigésimo..., trigésimo..., quingentésimo..., sexcentésimo..., 
septingentésimo..., octingentésimo..., nongentésimo..., milésimo. 
 
- Fracionário - indica uma fração ou divisão: meia, metade, terço, quarto, décimo, onze avos, doze 
avos, vinte avos..., trinta avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., milésimo. 
 
- Multiplicativo - indica a multiplicação de um número: dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, 
sétuplo, óctuplo, nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo. 
 
Os numerais que indicam conjunto de elementos de quantidade exata são os coletivos: 
 
BIMESTRE: período de dois meses 
CENTENÁRIO: período de cem anos 
DECÁLOGO: conjunto de dez leis 
DECÚRIA: período de dez anos 
DEZENA: conjunto de dez coisas 
LUSTRO: período de cinco anos 
MILÊNIO: período de mil anos 
MILHAR: conjunto de mil coisas 
NOVENA: período de nove dias 
QUARENTENA: período de quarenta dias 
QUINQUÊNIO: período de cinco anos 
RESMA: quinhentas folhas de papel 
SEMESTRE: período de seis meses 
TRIÊNIO: período de três anos 
TRINCA: conjunto de três coisas 
 
Algarismos 
Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV, 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-
XII, 13-XIII, 14-XIV, 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40-XL, 50-L, 60-LX, 70-
LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300-CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800-DCCC, 900-
CM, 1.000-M. 
 
Flexão dos Numerais 
Gênero 
- os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de duzentos apresentam flexão de gênero: 
Um menino e uma menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de presunto e duzentas 
rosquinhas. 
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a nona colocada no vestibular. 
- os numerais multiplicativos, quando usados com o valor de substantivos, são variáveis: A minha nota 
é o triplo da sua. (Triplo – valor de substantivo) 
- quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na 
loto fácil. (Triplas valor de adjetivo) 
- os numerais fracionários concordam com os cardinais que indicam o número das partes: Dois terços 
dos alunos foram contemplados. 
- o fracionário meio concorda em gênero e número com o substantivo no qual se refere: O início do 
concurso será meio-dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras. 
 
Número 
- os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros, variam em número: Venderam um milhão de 
ingressos para a festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros. 
- os numerais ordinais variam em número: As segundas colocadas disputarão o campeonato. 
- os numerais multiplicativos são invariáveis quando usados com valor de substantivo: Minha dívida é 
o dobro da sua. (Valor de substantivo – invariável) 
- os numerais multiplicativos variam quando usados como adjetivos: Fizemos duas apostas triplas. 
(Valor de adjetivo – variável) 
 
. 109 
- os numerais fracionários variam em número, concordando com os cardinais que indicam números 
das partes. 
- Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos equivalem a 750 ml. 
 
Grau 
Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele 
quarentão é um “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola. 
 
Emprego dos Numerais 
- para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na poesia épica), empregam-se: os ordinais até 
décimo: João Paulo II (segundo), Canto X (décimo), Luís IX (nono); os cardinais para os demais: Papa 
Bento XVI (dezesseis), Século XXI (vinte e um). 
- se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal. O XX século foi de descobertas científicas. 
(vigésimo século) 
- com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral ordinal: O pagamento do pessoal será 
sempre no dia primeiro. 
- na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares, portarias e outros textos oficiais, emprega-se o 
numeral ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª (portaria oitava); emprega-se o 
numeral cardinal, a partir de dez: O artigo 16 não foi justificado. (artigo dezesseis) 
- enumeração de casa, páginas, folhas, textos, apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o 
numeral cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está na página sessenta e cinco. 
- se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte. 
(sétima) 
- não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos reais é muito para mim. 
- o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão, milhar e bilhão, devem concordar no masculino: 
- emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada unidade após o numeral que a indica, sem 
espaço ou ponto: 10h20min – dez horas, vinte minutos. 
 
Questões 
 
01. Marque o emprego incorreto do numeral: 
(A) século III (três) 
(B) página 102 (cento e dois) 
(C) 80º (octogésimo) 
(D) capítulo XI (onze) 
(E) X tomo (décimo) 
 
02. Indique o item em que os numerais estão corretamente empregados: 
(A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro. 
(B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez. 
(C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro. 
(D) antes do artigo décimo vem o artigo nono. 
(E) o artigo vigésimo segundo foi revogado. 
 
03. (Pref. Chapecó/SC - Procurador Municipal - IOBV/2016) Quanto à classificação dos numerais, 
os que indicam o aumento proporcional de quantidade, podendo ter valor de adjetivo ou substantivo são 
os numerais: 
(A) Multiplicativos. 
(B) Ordinais. 
(C) Cardinais. 
(D) Fracionários. 
 
04. (Pref. Barra de Guabiraba/PE - IDHTEC/2016) Assinale a alternativa em que o numeral está 
escrito por extenso corretamente, de acordo com a sua aplicação na frase: 
(A) Os moradores do bairro Matão, em Sumaré (SP), temem que suas casas desabem após uma 
cratera se abrir na Avenida Papa Pio X. (décima) 
(B) O acidente ocorreu nessa terça-feira, na BR-401 (quatrocentas e uma) 
(C) A 22ª edição do Guia impresso traz uma matéria e teve a sua página Classitêxtil reformulada. 
(vigésima segunda) 
 
. 110 
(D) Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou 
mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil. (centésimo setésimo primeiro) 
(E) A Semana de Arte Moderna aconteceu no início do século XX. (século ducentésimo) 
 
05. (MPE/SP - Oficial de Promotoria I - VUNESP/2016) 
 
O SBT fará uma homenagem digna da história de seu proprietário e principal apresentador: no próximo 
dia 12 [12.12.2015] colocará no ar um especial com 2h30 de duração em homenagem a Silvio Santos. É 
o dia de seu aniversário de 85 anos. 
(http://tvefamosos.uol.com.br/noticias) 
 
As informações textuais permitem afirmar que, em 12.12.2015, Sílvio Santos completou seu 
(A) octogenário quinquagésimo aniversário. 
(B) octogésimo quinto aniversário. 
(C) octingentésimo quinto aniversário. 
(D) otogésimo quinto aniversário. 
(E) oitavo quinto aniversário. 
 
Gabarito 
 
01.A / 02.B / 03.A / 04.C / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: A 
O numeral quando for usado para designar Papas, reis, séculos, capítulos etc., usam-se: Os ordinais 
de 1 a 10; Os cardinais de 11 em diante. 
Logo, a letra A está incorreta por estar grafado século três, quando o correto é século terceiro. 
 
02. Resposta: B 
Está corretamente grafado parágrafo nono e parágrafo dez na alternativa B, pois os numerais ordinais 
são de 1 a 09. De 10 em diante usamos os cardinais. 
 
03. Resposta: A 
Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação dos seres, indicando quantas vezes a quantidade 
foi aumentada. Por exemplo: dobro, triplo, quíntuplo,etc. 
Numerais multiplicativos são invariáveis quando atuam em funções substantivas: 
Por exemplo: 
Fizeram o dobro do esforço e conseguiram o triplo de produção. 
Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais flexionam-se em gênero e número: 
Por exemplo: 
Teve de tomar doses triplas do medicamento. 
 
04. Resposta: C 
Sempre que um numeral preceder um substantivo, usa-se como ordinal. 
Exemplo: 
XX Festa do Morango (Vigésima). 
No caso de designação de reis, papas, capítulos de obras, os ordinais são usados de 1 até 10. A partir 
de então, são usados os cardinais. 
Exemplos: 
João Paulo II (segundo); 
João XXIII (vinte e Três). 
 
05. Resposta: B 
Alguns exemplos: 
30.º – trigésimo; 
40.º – quadragésimo; 
50.º – quinquagésimo; 
60.º – sexagésimo; 
 
. 111 
70.º – septuagésimo ou setuagésimo; 
80.º – octogésimo; 
90.º – nonagésimo; 
100.º – centésimo; 
200.º – ducentésimo; 
300.º - trecentésimo ou tricentésimo. 
 
Pronome 
 
Pronome é a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionando-o a uma das três pessoas do 
discurso. As três pessoas do discurso são: 
1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor; 
2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala ou receptor; 
3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de quem se fala ou referente. 
 
Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento, possessivos, demonstrativos, indefinidos, 
interrogativos e relativos. 
 
Pronomes Pessoais 
Os pronomes pessoais dividem-se em: 
- Retos - exercem a função de sujeito da oração. 
- Oblíquos - exercem a função de complemento do verbo (objeto direto / objeto indireto). São: tônicos 
com preposição ou átonos sem preposição. 
 
 Pessoas do 
Discurso 
Retos Oblíquos 
Átonos Tônicos 
Singular 1ª pessoa 
2ª pessoa 
3ª pessoa 
eu 
tu 
ele/ela 
me 
te 
se, o, a, lhe 
mim, comigo 
ti, contigo 
si, ele, consigo 
Plural 1ª pessoa 
2ª pessoa 
3ª pessoa 
nós 
vós 
eles/elas 
nos 
vos 
se, os, as, lhes 
nós, conosco 
vós, convosco 
si, eles, consigo 
 
- Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa, apresentam sempre a forma: o, a, 
os, as: Eu os vi saindo do teatro. 
- As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os pronomes pessoais do caso reto: Eu vi só ele 
ontem. 
- Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª pessoa apresentam as formas: 
o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral: Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente. 
o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z, assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo, 
consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao verdureiro. (= pagá-lo); Fiz os exercícios a 
lápis. (= Fi-los a lápis) 
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a prova do suborno. (= Ei-la); O tempo nos dirá. 
(= no-lo dirá). (eis, nos, vos perdem o S) 
no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m, ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos 
sobre a mesa. 
lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural, terminado em S não modificado: Nós 
entregamoS-lhe a cópia do contrato. (o S permanece) 
nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural, perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café 
rápido. 
me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo, 
equivalendo a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a esperança. (sua, dele, dela 
possessivo) 
 
Os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o nome de pronomes recíprocos quando 
expressam uma ação mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados. (pronome recíproco, nós 
mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. / Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos) 
- Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos por mim e ti após preposição: O segredo 
ficará somente entre mim e ti. 
 
. 112 
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, quando funcionarem como sujeito: Todos 
pediram para eu relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no infinitivo). Lembre-se de que 
mim não fala, não escreve, não compra, não anda. 
- As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas como complemento de verbos transitivos 
diretos ao passo que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos de verbos transitivos 
indiretos: Dona Cecília, querida amiga, chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa 
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo indireto,VTI) 
 
- É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo a gente, substituindo o pronome pessoal 
nós: A gente deve fazer caridade com os mais necessitados. 
- Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes que se referem ao sujeito: Eu me feri com 
o canivete. (eu- 1ª pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo) 
- Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser empregados somente como pronomes 
pessoais reflexivos e funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa, cujo sujeito é também 
da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares. 
(Nicole- sujeito, 3ª pessoa / levantou- verbo, 3ª pessoa / se- complemento, 3ª pessoa / levou- verbo, 3ª 
pessoa / consigo- complemento, 3ª pessoa). 
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de Objeto Indireto) juntam-se a o, a, os, as 
(formas de Objeto Direto), assim: 
me+o (mo). Ex.: Recebi a carta e agradeci ao jovem, que ma trouxe. 
nos+o (no-lo). Ex.: Venderíamos a casa, se no-la exigissem. 
te+o: (to). Ex.: Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos. 
lhe+o: (lho). Ex.: Ofereci-lhe flores. Ofereci-lhas. 
vos+o: (vo-lo). E.: Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo. 
 
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to, lho, no-lo, vo-lo), são usadas somente em 
escritores mais sofisticados. 
 
Pronomes de Tratamento 
São usados no trato com as pessoas. Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, 
idade, título, o tratamento será familiar ou cerimonioso. 
 
Vossa Alteza - V.A. - príncipes, duques; 
Vossa Eminência - V.Ema - cardeais; 
Vossa Excelência - V.Ex.a - altas autoridades, presidente, oficiais; 
Vossa Magnificência - V.Mag.a - reitores de universidades; 
Vossa Majestade - V.M. - reis, imperadores; 
Vossa Santidade - V.S. - Papa; 
Vossa Senhoria -V.Sa - tratamento cerimonioso. 
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a senhorita, dona, você. 
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. 
 
Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fechos: 
 
Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive para o presidente da República. 
Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior. 
 
- A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando se fala com a própria pessoa: Vossa 
Senhoria não compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa) 
- A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o 
cardeal, viajou para um congresso. (falando a respeito do cardeal) 
- Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria, Excelência, Eminência, Majestade), 
embora indiquem a 2ª pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam usados 
na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o apoiarão. 
 
Pronomes Possessivos 
 
São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas da fala. 
 
 
. 113 
Masculino Feminino 
Singular Plural Singular Plural 
meu meus minha minhas 
teu teus tua tuas 
seu seus sua suas 
nosso nossos nossa nossas 
vosso vossos vossa vossas 
seu seus sua suas 
 
Emprego dos Pronomes Possessivos 
 
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. Ex.: 
João Luís disse que Laurinha estava trabalhando em seu consultório. O pronome seu toma o sentido 
ambíguo, pois pode referir-se tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No caso, usa-se o 
pronome dele, dela para desfazera ambiguidade. 
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo 
devem ter seus trinta anos. 
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu Ricardo, pode entrar!, não tem valor 
possessivo, pois é uma alteração fonética da palavra senhor. 
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo concorda com o mais próximo. Ex.: Trouxe-me 
seus livros e anotações. 
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me, te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. 
Vou seguir-lhe os passos. (os seus passos) 
- Deve-se observar as correlações entre os pronomes pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do 
teu aniversário, apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns; Peço a Deus pela tua 
felicidade; Abraça-te o teu amigo que te preza.” 
- Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando se trata de parte do corpo. Ex.: Um 
cavaleiro todo vestido de negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada em sua, mão. 
(usa-se: no ombro; na mão) 
 
Pronomes Demonstrativos 
Indicam a posição dos seres designados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço 
ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis. 
 
Pronomes Espaço Tempo Ao dito Enumeração 
este, esta, 
isto, estes, 
estas 
Perto de quem 
fala (1ª pessoa). 
Presente Referente aquilo que 
ainda não foi dito. 
Referente ao último 
elemento citado em uma 
enumeração. 
Ex.: Não gostei 
deste livro aqui. 
Ex.: Neste ano, 
tenho realizado 
bons negócios. 
Ex.: Esta afirmação 
me deixou surpresa: 
gostava de química. 
Ex.: O homem e a 
mulher são massacrados 
pela cultura atual, mas 
esta é mais oprimida. 
esse, essa, 
esses, 
essas 
Perto de quem 
ouve (2ª pessoa). 
Passado ou futuro 
próximos 
Referente aquilo que 
já foi dito. 
 
Ex.: Não gostei 
desse livro que 
está em tuas 
mãos. 
Ex.: Nesse último 
ano, realizei bons 
negócios 
Ex.: Gostava de 
química. Essa 
afirmação me deixou 
surpresa 
 
aquele, 
aquela, 
aquilo, 
aqueles, 
aquelas 
Perto da 3ª 
pessoa, distante 
dos 
interlocutores. 
Passado ou futuro 
remotos 
 Referente ao primeiro 
elemento citado em uma 
enumeração. 
Ex.: Não gostei 
daquele livro que 
a Roberta trouxe. 
Ex.: Tenho boas 
recordações de 
1960, pois naquele 
ano realizei bons 
negócios. 
 Ex.: O homem e a 
mulher são massacrados 
pela cultura atual, mas 
esta é mais oprimida que 
aquele. 
 
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e variações) para o elemento que foi referido 
em 1º Iugar e este (e variações) para o que foi referido em último lugar. Ex.: Pais e mães vieram à festa 
de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas, elegantes e risonhas. 
- dependendo do contexto os demonstrativos também servem como palavras de função intensificadora 
ou depreciativa. Ex.: Júlia fez o exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não se 
preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa) 
 
. 114 
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então ou nesse momento. Ex.: A festa estava 
desanimada; nisso, a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança. 
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um elemento anteriormente expresso. Ex.: 
Ninguém ligou para o incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo. 
 
Pronomes Indefinidos 
São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém 
disse que Paulo César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em gênero e número; 
outros são invariáveis. 
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, tanto, quanto, um, bastante, 
qualquer. 
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, nada, cada, mais, menos, demais. 
 
Emprego dos Pronomes Indefinidos 
 
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um substantivo ou numeral, nunca sozinho: 
Ganharam cem dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.) 
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos quando colocados antes dos substantivos, 
e adjetivos quando colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da situação. (antes do 
substantivo= indefinido); Eles voltarão no dia certo. (depois do substantivo=adjetivo). 
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a qualquer: Todo ser nasce chorando. 
(=qualquer ser; indetermina, generaliza). 
- Outrem significa outra pessoa. Ex.: Nunca se sabe o pensamento de outrem. 
- Qualquer, plural quaisquer. Ex.: Fazemos quaisquer negócios. 
 
Locuções Pronominais Indefinidas: são locuções pronominais indefinidas duas ou mais palavras 
que equivalem ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem for / qualquer 
um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo). 
 
Pronomes Relativos 
São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior. 
Essa palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro que é movido a álcool e à 
gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso 
a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por o, a, os, as, qual / quais. 
Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e invariáveis. 
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, quanto, quantos; 
Invariáveis: que, quem, quando, como, onde. 
 
Emprego dos Pronomes Relativos 
 
- O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de relativo universal. Ele pode ser empregado com 
referência à pessoa ou coisa, no plural ou no singular. Ex.: Este é o CD novo que acabei de comprar; 
João Adolfo é o cara que pedi a Deus. 
- O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome demonstrativo o, a, os, as. Ex.: Não entendi 
o que você quis dizer. (o que = aquilo que). 
- O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre precedido de preposição. Ex.: Marco Aurélio é o 
advogado a quem eu me referi. 
- O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual, de quem e estabelecem relação de posse 
entre o antecedente e o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos) 
- O pronome relativo pode vir sem antecedente claro, explícito; é classificado, portanto, como relativo 
indefinido, e não vem precedido de preposição. Ex.: Quem casa quer casa; Feliz o homem cujo objetivo 
é a honestidade; Estas são as pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer. 
- Só se usa o relativo cujo quando o consequente é diferente do antecedente. Ex.: O escritor cujo livro 
te falei é paulista. 
- O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois de si. 
- O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a: em que, no qual. Ex.: Desconheço o lugar 
onde vende tudo mais barato. (= lugar em que) 
- Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados depois de tudo, todos, tanto. Ex.: Naquele 
momento, a querida comadre Naldete, falou tudo quanto sabia. 
 
. 115 
Pronomes Interrogativos 
São os pronomes em frases interrogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são: que, 
quem, qual, quanto: 
- Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa direta, COM o ponto de interrogação) 
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade. (interrogativa indireta, SEM a interrogação) 
 
Questões 
 
01. (CRP 2º Região/PE - Psicólogo Orientador - Fiscal - Quadrix/2018) 
 
 
Em "Mas ele não tinha muitas chances", as palavras classificam-se, morfologicamente, na ordem em 
que aparecem, como 
(A) preposição, pronome, advérbio, ação, nome e adjetivo. 
(B) conjunção, pronome, advérbio, verbo, pronome e substantivo. 
(C) interjeição, pronome, nome, verbo, artigo e adjetivo. 
(D) conector, nome, adjetivo, verbo, pronome e nome. 
(E) conjunção, substantivo, advérbio, verbo, advérbio e adjetivo. 
 
 
02. (IF/PA - Auxiliar em Administração - FUNRIO/2016) O emprego do pronome relativo está de 
acordo com as normas da língua-padrão em: 
(A)Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto por ele. 
(B) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho direito. 
(C) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator apresentou ontem. 
(D) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros nos orgulhamos. 
(E) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram muita sordidez. 
 
03. (Eletrobras/Eletrosul - Técnico de Segurança do Trabalho - FCC/2016) 
 
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a energia solar 
 
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo. Sessenta e três graus ou até mais no 
verão. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores 
usinas de energia solar do mundo. 
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas renováveis. Não vão substituir o petróleo, 
que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e poluir menos. 
Uma aposta no futuro. 
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do papel a cidade sustentável de Masdar. Dez 
por cento do planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. Lá só 
se anda a pé ou de bicicleta. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É 
perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o calor. E a direção dos ventos foi estudada 
para criar corredores de brisa. 
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a energia solar”. Disponível em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-
dhabi-constroi-cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html) 
 
Considere as seguintes passagens do texto: 
I. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas 
de energia solar do mundo. (1º parágrafo) 
II. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. (2º parágrafo) 
III. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. (3º parágrafo) 
IV. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. (3º parágrafo) 
 
. 116 
O termo “que” é pronome e pode ser substituído por “o qual” APENAS em 
(A) I e II. 
(B) II e III. 
(C) I, II e IV. 
(D) I e IV. 
(E) III e IV. 
 
04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo - IDHTEC/2016) 
 
 
O emprego do pronome “aquela” na charge: 
(A) Dá uma conotação irônica à frase. 
(B) Representa uma forma indireta de se dirigir ao casal. 
(C) Permite situar no espaço aquilo a que se refere. 
(D) Indica posse do falante. 
(E) Evita a repetição do verbo. 
 
05. (Pref. Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala - FEPESE/2016) Analise a frase abaixo: 
 
“O professor discutiu............mesmos a respeito da desavença entre .........e ........ . 
 
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto. 
(A) com nós - eu - ti 
(B) conosco - eu - tu 
(C) conosco - mim - ti 
(D) conosco - mim - tu 
(E) com nós - mim - ti 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.C / 03.B / 04.C / 05.E 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Mas → Conjunção 
Ele → Pronome pessoal 
Não → Advérbio 
Tinha → Verbo 
Muitas → Pronome indefinido 
Chances → Substantivo 
 
02. Resposta: C 
a) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto por ele. 
Quem luta, luta por algo. 
Forma correta: Finalmente aprovaram o decreto pelo qual lutamos tanto. 
b) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho direito. 
Tem direito a algo. 
Forma correta: Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo a que tenho direito. 
 
. 117 
c) (GABARITO) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator apresentou ontem. 
Apresentar: VTD. 
d) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros nos orgulhamos. 
Orgulhar de algo ou de alguém. 
Forma correta: Existe um escritor brasileiro do qual todos os brasileiros nos orgulhamos. 
e) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram muita sordidez. 
Onde é usado para substituir termos que contenham a noção de lugar. Nesse caso não deveria ser 
usado onde e sim as quais, concordando com traições. 
Forma correta: Na política, às vezes acontecem traições as quais mostram muita sordidez. 
 
03. Resposta: B 
QUE = o qual(s) a qual(s), é pronome relativo. 
I. E foi justamente por causa da temperatura O QUAL foi construída... (errado, a temperatura A qual) 
II. Não vão substituir o petróleo, O QUAL eles têm de sobra... (certo, o petróleo tem de sobra, o qual) 
III. Um traçado urbanístico ousado, O QUAL deixa os carros... (certo, o traçado deixa os carros, o qual) 
IV. As ruas são bem estreitas para ISSO.... (Conjunção integrante). 
 
04. Resposta: C 
“O pronome demonstrativo é utilizado em três situações. Pode se referir a espaço, ideias ou 
elementos”. 
Exemplos de pronomes demonstrativos: 
Primeira pessoa: este, estes, estas (variáveis); isto (invariável). 
Segunda pessoa: esse, essa, esses, essas (variáveis); isso (invariável). 
Terceira pessoa: aquele, aquela, aquelas (variáveis); aquilo (invariável). 
 
05. Resposta: E 
Os pronomes conosco e convosco devem ser substituídos por com nós e com vós, 
respectivamente, quando aparecem seguidos de palavras enfáticas como mesmos, próprios, todos, 
outros, ambos, ou de numeral: 
O diretor implicou com nós dois. 
Senhores deputados, quero falar com vós mesmos. 
O pronome regido pela preposição entre deve aparecer na forma oblíqua. Assim, é correto dizer entre 
mim e ele, entre ela e ti, entre mim e ti. Os pronomes pessoais do caso oblíquo funcionam como 
complementos: Isso não convém a mim, Foram embora sem ti, Olhou para mim. Os pronomes pessoais 
do caso reto exercem a função de sujeito na oração. Dessa forma, os pronomes eu e tu estão 
empregados corretamente nos seguintes casos: Pediu que eu fizesse as compras, Saberão só quando tu 
partires, Trouxeram o documento para eu assinar. 
 
Locução Verbal 
 
Uma locução verbal19 é a combinação de um verbo auxiliar e um verbo principal. Esses dois verbos, 
aparecendo juntos na oração, transmitem apenas uma ação verbal, desempenhando o papel de um único 
verbo. Exemplo: 
- estive pensando 
- quero sair 
- pode ocorrer 
- tem investigado 
- tinha decidido 
 
Função dos verbos auxiliares nas locuções verbais 
Apenas o verbo auxiliar é flexionado. Verbo auxiliar é o que perdendo significado próprio, é utilizado 
para auxiliar na conjugação de outro, o verbo principal. Assim, o tempo, o modo, o número, a pessoa e o 
aspecto da ação verbal são indicados pelo verbo auxiliar. 
 
 
19 https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/ 
 
. 118 
Os auxiliares mais comuns são: “Ter, Haver, Ser e Estar”. Contudo, outros verbos também atuam como 
verbos auxiliares nas locuções verbais, como os verbos poder, dever, querer, começar a, deixar de, voltar 
a, continuar a, entre outros. 
 
Função dos verbos principais nas locuções verbais 
Nas locuções verbais o verbo auxiliar aparece conjugado e o principal numa das formas nominais: 
no gerúndio, no infinitivo ou no particípio. 
 
Locução verbal com verbo principal no gerúndio 
Ex.: Estou escrevendo 
verbo auxiliar flexionado: estou 
verbo principal no gerúndio: escrevendo 
 
Locução verbal com verbo principal no infinitivo 
Ex.: Quero sair 
verbo auxiliar flexionado: quero 
verbo principal no infinitivo: sair 
 
Locução verbal com verbo principal no particípio 
Ex.: Tinha decidido 
verbo auxiliar flexionado: tinha 
verbo principal no particípio: decidido 
 
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo principal, os verbos auxiliares apenas 
indicam flexões de tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais, os auxiliares não 
teriam sentido algum. 
 
Questões 
 
01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017) 
 
 
Assinale a alternativa que contém uma locução verbal extraída do cartum. 
(A) Não terão. 
(B) Como andar. 
(C) Vai chegar. 
(D) Todos terão. 
 
02. (CRQ 4ª REGIÃO/SP - Fiscal - QUADRIX) 
 
 
 
. 119 
Qual forma verbal substituiria, sem causar alteração de sentido, a locuçãoverbal "vou ter", que aparece 
no primeiro quadrinho? 
(A) "terei". 
(B) "teria". 
(C) "tivera". 
(D) "tenha". 
(E) "tinha". 
 
03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto 
formado por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último sempre em forma nominal. Nas frases a 
seguir as formas verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção de uma. Assinale‐a. 
(A) Todos podem entrar assim que chegarem. 
(B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou atendê‐los. 
(C) Deixem entrar todos os atrasados. 
(D) Elas não sabem cozinhar como antigamente. 
(E) A plantação foi‐se expandindo para os lados 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.A / 03.C 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
“Vai” o verbo está no presente, “Andar” o verbo está no infinito. Temos um verbo auxiliar e outro 
principal. Assim, constitui uma locução verbal. 
 
02. Resposta: A 
O verbo “terei” está conjugado no presente do indicativo, indicando uma ação que será realizada, 
estabelecendo sentido na frase, em razão se fosse substituído pela locução verbal “vou ter”. 
 
03. Resposta: C 
Alguns verbos em Língua Portuguesa não formam locuções verbais: deixar, fazer, mandar, ver, ouvir, 
sentir. 
 
Advérbio 
 
Advérbio é a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou cedo), um outro advérbio (Falou muito 
bem), um adjetivo (Estava muito bonita). 
 
De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio pode ser de: 
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde (=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo, 
diariamente, depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo, novamente, outrora. 
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além, algures (=em algum lugar), aquém, alhures 
(= em outro lugar), dentro, defronte, fora, longe, perto. 
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ), devagar, mal, melhor, pior, e a maior parte dos 
advérbios que termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente, tristemente. 
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente, realmente, sim, seguramente. 
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito nenhum, nem, não, tampouco (=também não). 
Intensidade: apenas, assaz, bastante, bem, demais, mais, meio, menos, muito, quase, quanto, tão, 
tanto, pouco. 
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá, possivelmente, talvez. 
 
Locuçoes Adverbiais: são duas ou mais palavras que têm o valor de advérbio: às cegas, às claras, 
às toa, às pressas, às escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de chofre, de cor, de 
improviso, de propósito, de viva voz, de medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando, 
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à direta, a pé, a esmo, por ali, a distância. 
- De repente o dia se fez noite. 
- Por um triz eu não me denunciei. 
 
. 120 
- Sem dúvida você é o melhor. 
 
Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são palavras invariáveis, mas alguns admitem 
a flexão de grau: comparativo e superlativo. 
 
Comparativo de: 
Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz quanto / como você. 
Superioridade - Analítico: mais do que. Ex.: Raquel é mais elegante do que eu. 
 - Sintético: melhor, pior que. Ex.: Amanhã será melhor do que hoje. 
Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia. 
 
Superlativo Absoluto: 
Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato defendeu-se muito mal. 
Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo. 
 
Emprego do Advérbio 
- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do sufixo diminutivo dando aos advérbios o 
valor de superlativo sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho, depressinha, rapidinho (bem 
rápido). Exs.: Rapidinho chegou a casa; Moro pertinho da universidade. 
- Frequentemente empregamos adjetivos com valor de advérbio: A cerveja que desce redondo. 
(redondamente) 
- Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai para o plural; equivale a muito / a: Aquelas 
jovens são bastante simpáticas e gentis. 
- Bastante - antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai para o plural, equivale a muitos / as: Contei 
bastantes estrelas no céu. 
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau (adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a 
casa, encontrei-a de mau humor. 
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Ficamos mais bem informados depois do 
noticiário notumo. 
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se fazem professores como antigamente. 
(=não se fazem mais) 
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o particípio permanece no masculino plural: Minha 
irmã Zuleide emagrecia a olhos vistos. 
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no último permanece mente: Educada e 
pacientemente, falei a todos. 
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor superlativo: Levantei cedo, cedo. 
 
Palavras e Locuções Denotativas: São palavras semelhantes a advérbios e que não possuem 
classificação especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de palavras. São chamadas de 
denotativas e exprimem: 
Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem. Ex.: Ainda bem que você veio. 
Designação, Indicação: eis. Ex.: Eis aqui o herói da turma. 
Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, sequer: Ex.: Não me disse sequer uma palavra 
de amor. 
Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, de mais a mais. Ex.: Também há flores 
no céu. 
Limitação: só, apenas, somente, unicamente. Ex.: Só Deus é perfeito. 
Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo. Ex.: Sei lá o que ele quis dizer! 
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes. Ex.: Irei à Bahia na próxima semana, ou melhor, no 
próximo mês. 
Explicação: por exemplo, a saber. Ex.: Você, por exemplo, tem bom caráter. 
 
Questões 
 
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio: 
(A) Só quero meio quilo. 
(B) Achei-o meio triste. 
(C) Descobri o meio de acertar. 
(D) Parou no meio da rua. 
 
. 121 
(E) Comprou um metro e meio. 
 
02. Só não há advérbio em: 
(A) Não o quero. 
(B) Ali está o material. 
(C) Tudo está correto. 
(D) Talvez ele fale. 
(E) Já cheguei. 
 
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo? 
(A) Realmente ela errou. 
(B) Antigamente era mais pacato o mundo. 
(C) Lá está teu primo. 
(D) Ela fala bem. 
(E) Estava bem cansado. 
 
04. Classifique a locução adverbial que aparece em "Machucou-se com a lâmina". 
(A) modo 
(B) instrumento 
(C) causa 
(D) concessão 
(E) fim 
 
05. (PC/SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2018) Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco 
certas seitas – as ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por discípulos ferrenhos, mas 
suas instituições parecem não responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque o autor 
das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las. 
Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia as bases do comportamento. Como a 
tecnologia de então não lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a psicanálise. 
Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele 
chegou a afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas do qual podemos esperar 
as elucidações mais surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que respostas ela dará, em poucos 
decêndios, aos problemas que formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que farão o edifício 
de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente, é sua frase menos citada. Por razões óbvias. 
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado) 
 
Nos trechos – … Talvez porque o autor das ideias não esteja mais aqui… – ; – … nunca se apaixonou 
por suas ideias… – ; – A Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas… – e – 
Provavelmente, é sua frase menos citada. –, os advérbios destacados expressam, correta e 
respectivamente, circunstância de: 
(A) lugar; tempo; modo; afirmação. 
(B) lugar; tempo; afirmação;dúvida. 
(C) lugar; negação; modo; intensidade. 
(D) afirmação; negação; afirmação; afirmação. 
(E) afirmação; negação; modo; dúvida. 
 
Gabarito 
 
01.B / 02.C / 03.D / 04.B / 05.B 
 
Comentários 
 
01. Resposta: B 
Alternativa A: meio quilo = quantidade 
Alternativa B (correta): meio triste = advérbio de intensidade 
Alternativa C: descobri o meio = jeito, maneira 
Alternativa D: meio da rua = metade 
Alternativa E: um metro e meio = quantidade 
 
 
. 122 
02. Reposta: C 
Alternativa A: Não – advérbio de negação 
Alternativa B: Ali – advérbio de lugar 
Alternativa D:Talvez – advérvio de dúvida 
Alternativa E: Já – advérbio de tempo 
 
03. Resposta: D 
Alternativa A: Realmente – advérbio de afirmação 
Alternativa B: Antigamente – advérbio de tempo 
Alternativa C: Lá – advérbio de lugar 
Alternativa D (correta): Bem – advérbio de modo / modifica a maneiro com que ela fala. 
Alternativa E: Bem- advérbio de intensidade 
 
04. Resposta: B 
“Com a lâmina” = instrumento 
 
05. Resposta: B 
aqui - lugar. 
nunca - tempo. 
realmente - afirmação. 
provavelmente - dúvida. 
 
Preposição 
 
Preposição é a palavra invariável que liga um termo dependente a um termo principal, estabelecendo 
uma relação entre ambos. As preposições podem ser: essenciais ou acidentais. 
 
As preposições essenciais atuam exclusivamente como preposições. São: a, ante, após, até, com, 
contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exs.: Não dê atenção a fofocas; 
Perante todos disse, sim. 
 
As preposições acidentais são palavras de outras classes que atuam eventualmente como 
preposições. São: como (=na qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto, mediante, 
salvo, visto, segundo, senão, tirante. Ex.: Agia conforme sua vontade. (= de acordo com) 
 
- O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um substantivo, é flexionado: a casa, as casas, 
a árvore, as árvores, a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e não estabelece 
concordância com o substantivo. Ex.: Fiz todo o percurso a pé. (não há concordância com o substantivo 
masculino pé) 
- As preposições essenciais são sempre seguidas dos pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de 
mim rapidamente. Não vá sem mim. 
 
Locuções Prepositivas: é o conjunto de duas ou mais palavras que têm o valor de uma preposição. 
A última palavra é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de, acima de, ao lado de, 
a respeito de, de acordo com, dentro de, embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a, 
junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás de, a fim de, além de, antes de, a par de, 
a partir de, apesar de, através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de, (=no lugar de), ao 
invés de (=ao contrário de), para com, até a. 
- Não confunda locução prepositiva com locução adverbial. Na locução adverbial, nunca há uma 
preposição no final, e sim no começo: Vimos de perto o fenômeno do “tsunami”. (locução adverbial); O 
acidente ocorreu perto de meu atelier. (locução prepositiva) 
- Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com outra preposição: Abola passou por entre as 
pernas do goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até 18 anos; Financiamento em 
até 24 meses. 
 
Combinações e Contrações 
Combinação: ocorre quando não há perda de fonemas: a+o, os= ao, aos / a+onde = aonde. 
Contração: ocorre quando a preposição perde fonemas: de+a, o, as, os, esta, este, isto = da, do, das, 
dos, desta, deste, disto. 
 
. 123 
- em+ um, uma, uns, umas, isto, isso, aquilo, aquele, aquela, aqueles, aquelas = num, numa, nuns, 
numas, nisto, nisso, naquilo, naquele, naquela, naqueles. 
- de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele, daquela, daquilo. 
- para+ a = pra. 
A contração da preposição a com os artigos ou pronomes demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo 
recebe o nome de crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: à, às, àquele, àquela, 
àquilo. 
 
Valores das Preposições 
 
A 
(movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Anos Dourados. 
Modo: Partiu às pressas. 
Tempo: Iremos nos ver ao entardecer. 
Apreposição a indica deslocamento rápido: Vamos à praia. (ideia de passear) 
 
Ante 
(diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a emoção. 
Tempo (substituída por antes de): Preciso chegar ao encontro antes das quatro horas. 
 
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num choro arrependido. 
 
Até 
(aproximação): Correu até mim. 
Tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a semana que vem. 
Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será palavra de inclusão e não preposição. Os 
sonhadores amam até quem os despreza. (inclusive) 
 
Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade; deve-se rir com alguém. 
Causa: A cidade foi destruída com o temporal. 
Instrumento: Feriu-se com as próprias armas. 
Modo: Marfinha, minha comadre, veste-se sempre com elegância. 
 
Contra 
(oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do tribunal. 
Direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu. 
 
De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos. 
Lugar: Os corruptos vieram da capital. 
Causa: O bebê chorava de fome. 
Posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu. 
Assunto: Falávamos do casamento da Mariele. 
Matéria: Era uma casa de sapé. 
A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que precede o sujeito de um verbo. É tempo de os 
alunos estudarem. (e não: dos alunos estudarem) 
 
Desde 
(afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem desde São Paulo. 
Tempo: Desde o ano passado quero mudar de casa. 
 
Em 
(lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos. 
Matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em Curitiba. 
Especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras. 
Tempo: Tudo aconteceu em doze horas. 
 
Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro entre dois suportes. 
 
Para 
 
. 124 
Direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa. 
Tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana. 
Finalidade: Lute sempre para viver com dignidade. 
A preposição para indica permanência definitiva. Vou para o litoral. (ideia de morar) 
 
Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante todos. 
 
Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas desconhecidas. 
Causa: Por ser muito caro, não compramos um pendrive novo. 
Espaço: Por cima dela havia um raio de luz. 
 
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento. 
 
Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar. Viveu, sob pressão dos pais. 
 
Sobre 
(em cima de, com contato): Colocou as taças de cristal sobre a toalha rendada. 
Assunto: Conversávamos sobre política financeira. 
 
Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É substituída por atrás de, depois de): Por trás 
desta carinha vê-se muita falsidade. 
 
Questões 
 
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018) 
 
 
 
No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da preposição “sem” e o das expressões que ela 
forma são, respectivamente, de 
(A) negação e causa. 
(B) adição e condição. 
(C) ausência e modo. 
(D) falta e consequência. 
(E) exceção e intensidade. 
 
02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - IDHTEC/2016) 
 
MAMÃ NEGRA (Canto de esperança) 
 
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama de carne e sangue Que a Vida escreveu 
com a pena dos séculos! Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da ternura ninadas 
do teu leite alimentadas de bondade e poesia de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras 
gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias semoventes, coisas várias, mais são filhos da 
desgraça: a enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos teus olhos, minha Mãe Vejo 
oceanos de dor Claridades de sol-posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas vejo 
também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende demoniacamente tentadora - como a Certeza...cintilantemente firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando, formando, anunciando -
o dia da humanidade. 
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império) 
 
 
. 125 
Em qual das alternativas o acento grave foi mal empregado, pois não houve crase? 
(A) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da escola de samba Império Serrano, na Zona 
Norte do Rio.” 
(B) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos direitos à moradia, a um trabalho digno, à 
integridade cultural, a vida e ao território." 
(C) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte do Moa no dia 11 de maio.” 
(D) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às custas da entidade.” 
(E) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a chegada de Edgardo Bauza no fim do ano 
passado.” 
 
03. (TJ/AL - Analista Judiciário - Oficial de Justiça Avaliador - FGV/2018) 
 
Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas da Copa 
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 
 
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo uma temperatura muito alta. Preocupados 
que os mais afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos jornaleiros estão levando seus estoques 
para casa quando termina o expediente. Pode parecer piada, mas há até boatos sobre quadrilhas de 
roubo de figurinha espalhados por mensagens de celular. 
 
No texto aparecem três ocorrências da preposição DE. 
1. “troca-troca de figurinhas”; 
2. “roubo de figurinha”; 
3. “mensagens de celular”. 
 
Sobre o emprego dessa preposição nesses casos, é correto afirmar que: 
(A) os termos precedidos da preposição DE indicam pacientes dos vocábulos anteriores; 
(B) os termos precedidos da preposição DE indicam agentes dos termos anteriores; 
(C) os termos “de figurinha” e “de celular” são complementos dos termos anteriores; 
(D) os termos “de figurinhas” e “de celular” são adjuntos dos vocábulos precedentes; 
(E) os termos “de figurinhas” e “de figurinha” são complementos dos vocábulos precedentes. 
 
04. Assinale a alternativa em que a preposição destacada estabeleça o mesmo tipo de relação que na 
frase matriz: Criaram-se a pão e água. 
(A) Desejo todo o bem a você. 
(B) A julgar por esses dados, tudo está perdido. 
(C) Feriram-me a pauladas. 
(D) Andou a colher alguns frutos do mar. 
(E) Ao entardecer, estarei aí. 
 
05. (TJ/AL - Técnico Judiciário - FGV/2018) 
 
Ressentimento e Covardia 
 
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da 
falta de uma legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e 
eficaz veículo de comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já 
especificados em lei, como a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação 
dos direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação indébita. 
No fundo, é um problema técnico que os avanços da informática mais cedo ou mais tarde colocarão à 
disposição dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me valendo do óbvio, a 
comunicação virtual está em sua pré-história. 
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na internet, no que diz respeito aos cronistas, 
articulistas e escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos ou deformados que circulam 
por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou revista é 
processado se publicar sem autorização do autor um texto qualquer, ainda que em citação longa e sem 
aspas. Em caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de falsear a verdade 
propositadamente, é obrigado pela justiça a desmentir e dar espaço ao contraditório. 
 
. 126 
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do cão em nome da liberdade de expressão, 
que é mais expressão de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira liberdade. (Carlos 
Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado) 
 
O segmento do texto em que o emprego da preposição EM indica valor semântico diferente dos demais 
é: 
(A) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas”; 
(B) A maioria dos abusos, se praticados em outros meios”; 
(C) “... seriam crimes já especificados em lei”; 
(D) “...a comunicação virtual está em sua pré-história”; 
(E) “...ainda que em citação longa e sem aspas”. 
 
Gabarito 
 
01.C / 02.E / 03.E / 04.C / 05.D 
 
Comentários 
 
01. Resposta: C 
Questão pede a análise isolada da preposição (sem =ausência) e a análise das expressões, ou seja, 
as pessoas viverão sem aborrecimento, sem... (as expressões indicam o modo como as pessoas viverão) 
 
02. Resposta: E 
Às vezes / As vezes 
Ocorrerá a crase somente quando “às vezes” for uma locução adverbial de tempo (= de vez em 
quando, em algumas vezes). Quando a expressão “as vezes” não trouxer o significado citado não 
acontecerá crase. 
 
03. Resposta: E 
1. "troca-troca" de figurinhas >>> ato de trocar >>> "de figurinhas" complementa a ação. 
2. "roubo" de figurinhas >>> ato de roubar >>> "de figurinha" complementa a ação. 
3. "mensagens" de celular" >>> neste caso "de celular" caractezira o termo "mensagens", tendo a 
função de adjunto adnominal. 
 
04. Resposta: C 
Na frase matriz, a preposição “a” estabelece a ideia de instrumento, ou seja, daquilo que foi usado 
para que se praticasse uma ação. 
Na alternativa C, a preposição “a” estabelece o mesmo tipo de relação. 
 
05. Resposta: D 
Vejamos como fica se substituirmos o "em": 
a) “Tenho comentado aqui na Folha em (por meio de) diversas crônicas; 
b) A maioria dos abusos, se praticados em (por meio de) outros meios”; 
c) “... seriam crimes já especificados em (por meio de) lei”; 
e)“...ainda que em (por meio de) citação longa e sem aspas”. 
 
Interjeição 
 
Interjeição é a palavra invariável que exprime emoções, sensações, estados de espírito ou apelos. 
 
Locução Interjetiva: é o conjunto de duas ou mais palavras com valor de uma interjeição: Muito bem! 
Que pena! Quem me dera! Puxa, que legal! 
 
Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas 
 
As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas de acordo com o sentido que elas expressam 
em determinado contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode exprimir emoções variadas. 
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu Deus!, Céus! 
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!, Olha lá! 
 
. 127 
Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!; 
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca! 
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem! 
Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit! 
Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh! 
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai! 
Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Chega!, Basta! 
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau! 
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida! 
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me dera! 
 
Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes são formadas por palavras de outras 
classes gramaticais: Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo). 
 
Questões 
 
01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas são substantivo e pronome, 
respectivamente: 
(A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão praticar o bem. 
(B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia muito movimento na praça. 
(C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de drogas é condenável. 
(D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. / Pesca-se muito em Angra dos Reis. 
(E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. / Não entendi o que você disse. 
 
02. Assinale o item que só contenha preposições: 
(A) durante, entre, sobre 
(B) com, sob, depois 
(C) para, atrás, por 
(D) em, caso, após 
(E) após, sobre, acima 
 
03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: “Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica 
do Edital nº 19/82.” Elas são, respectivamente: 
(A) verbo, substantivo, substantivo 
(B) verbo,substantivo, advérbio 
(C) verbo, substantivo, adjetivo 
(D) pronome, adjetivo, substantivo 
(E) pronome, adjetivo, adjetivo 
 
04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor adjetivo: 
(A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a utilizar com receio.” 
(B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.” 
(C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.” 
(D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...” 
(E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem escrúpulos não se apoderassem do que era delas.” 
 
05. O "que" está com função de preposição na alternativa: 
(A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga! 
(B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és. 
(C) João não estudou mais que José, mas entrou na Faculdade. 
(D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro. 
(E) Não chore que eu já volto. 
 
Gabarito 
 
01.E / 02.A / 03.C / 04.E / 05.D 
 
 
 
 
. 128 
Conjunções 
 
As conjunções exercem a função de conectar as palavras dentro de uma oração. Desta forma, elas 
estabelecem uma relação de coordenação ou subordinação e são classificadas em: Conjunções 
Coordenativas e Conjunções Subordinativas. 
 
Conjunções Coordenativas 
 
1. Aditivas (Adição) 
E 
Nem 
Não só... Mas também 
Mas ainda 
Senão 
 
Exemplos: 
Viajamos e descansamos. 
Eu não só estudo, mas também trabalho. 
 
2. Adversativas (posição contrária) 
 
Mas 
Porém 
Todavia 
Entretanto 
No entanto 
 
Exemplos: 
Ela era explorada, mas não se queixava. 
Os alunos estudaram, no entanto não conseguiram as notas necessárias. 
 
3. Alternativas (alternância) 
 
Ou, ou 
Ora, ora 
Quer, quer 
Já, já 
 
Exemplos: 
Ou você vem agora, ou não haverá mais ingressos. 
Ora chovia, ora fazia sol. 
 
4. Conclusivas (conclusão) 
Logo 
Portanto 
Por conseguinte 
Pois (após o verbo) 
 
Exemplos: 
O caminho é perigoso; vá, pois, com cuidado! 
Estamos nos esforçando, logo seremos recompensados. 
 
5. Explicativas (explicação) 
Que 
Porque 
Porquanto 
Pois (antes do verbo) 
 
Exemplos: 
Não leia no escuro, que faz mal à vista. 
 
. 129 
Compre estas mercadorias, pois já estamos ficando sem. 
 
Conjunções Subordinativas 
 
Ligam uma oração principal a uma oração subordinativa, com verbo flexionado. 
 
1. Integrantes: iniciam a oração subordinada substantiva – Que / Se / Como 
 
Exemplos: 
Todos perceberam que você estava atrasado. 
Aposto como você estava nervosa. 
 
2. Temporais (Tempo) – Quando / Enquanto / Logo que / Assim que / Desde que 
Exemplos: 
Logo que chegaram, a festa acabou. 
Quando eu disse a verdade, ninguém acreditou. 
 
3. Finais (Finalidade) – Para que / A fim de que 
Exemplo: 
Foi embora logo, a fim de que ninguém o perturbasse. 
 
4. Proporcionais (Proporcionalidade) – À proporção que / À medida que / Quanto mais ... mais / 
Quanto menos... menos 
Exemplos: 
À medida que se vive, mais se aprende. 
Quanto mais se preocupa, mais se aborrece. 
 
5. Causais (Causa) – Porque / Como / Visto que / Uma vez que 
Exemplo: Como estivesse doente, não pôde sair. 
 
6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que 
Exemplos: 
Comprarei o livro, desde que esteja disponível. 
Se chover, não poderemos ir. 
 
7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Quanto / Que nem 
Exemplos: 
Os filhos comeram como leões. 
A luz é mais veloz do que o som. 
 
8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / Segundo 
Exemplos: 
As coisas não são como parecem. 
Farei tudo, conforme foi pedido. 
 
9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos termos: tal, tão, tanto...) / De forma que 
Exemplos: 
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola. 
Ontem estive viajando, de forma que não consegui participar da reunião. 
 
10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto / Ainda que / Mesmo que / Por mais que 
Exemplos: 
Todos gostaram, embora estivesse mal feito. 
Por mais que gritasse, ninguém o socorreu. 
 
 
 
 
 
 
. 130 
Questões 
 
01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018) 
 
 
 
Na fala do personagem no segundo quadrinho “Apesar da aparência, sou um homem ultramoderno!”, 
a expressão destacada estabelece entre as informações relação de sentido de 
(A) comparação. 
(B) finalidade. 
(C) consequência. 
(D) conclusão. 
(E) concessão. 
 
02. (Prefeitura Trindade/GO - Auxiliar Administrativo - FUNRIO/2016) 
 
OMS recomenda ingerir menos de cinco gramas de sal por dia 
 
Se você tem o hábito de pegar no saleiro e polvilhar a comida com umas pitadas de sal, é melhor 
pensar duas vezes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou esta quinta-feira que um adulto 
consuma por dia menos de dois gramas de sódio – ou seja, menos de cinco gramas de sal – para reduzir 
os níveis de pressão arterial e as doenças cardiovasculares. 
Pela primeira vez, a OMS faz recomendações também para as crianças com mais de dois anos de 
idade, para que as doenças relacionadas com a alimentação não se tornem crônicas na idade adulta. 
Neste caso, a OMS diz que os valores devem ainda ser mais baixos do que os dois gramas de sódio, 
devendo ser adaptados tendo em conta o tamanho, a idade e as necessidades energéticas. 
Teresa Firmino Adaptado de publico.pt/ciencia 
 
Em para reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças cardiovasculares, a palavra para expressa 
o seguinte significado: 
(A) oposição 
(B) finalidade 
(C) causalidade 
(D) comparação 
(E) temporalidade 
 
03. (SEDUC/PA - Professor Classe I - Português - CONSULPLAN/2018) 
 
Coisas & Pessoas 
 
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que achava que mormaço fazia 
mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o mormaço com M 
maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, 
quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes olhos o Sr. Clamor Público, 
magro, arquejante, de preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e 
levanta no excitamento da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta 
anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte 
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, 
tanto assim que fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os 
demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre as 
camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os alegres incômodos e duvidosos encantos, um 
vulto junto à minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um tipo de chiru, ali parado, de 
 
. 131 
bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele 
resolveu explicar-se, com a devida calma: 
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno… 
E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei que se tratasse do sereno noturno em 
pessoa. [...] 
(Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.) 
 
Após a leitura do texto e considerando seu conteúdo, pode-se afirmar quanto ao emprego da conjunção 
em relação à titulação do texto que o sentido produzido indica 
(A) compensação de um elemento em relação ao outro. 
(B) acrescentamento de um elemento em relação ao outro. 
(C) sobreposição do último elemento em detrimento do primeiro. 
(D) estabelecimento de uma relação de um elemento para com o outro. 
 
04. (IF/PE - Técnico em Enfermagem - 2016) 
 
Crônica da cidade do Rio de Janeiro 
 
No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o Cristo Redentor estende os braços. Debaixo 
desses braços os netos dos escravos encontram amparo. 
Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e apontando seu fulgor, diz, muito tristemente: 
- Daqui a pouco não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar Ele daí. 
- Não se preocupe – tranquiliza uma vizinha. – Não se preocupe: Ele volta. 
A polícia mata muitos, e mais ainda mata

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