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Farmacobôtanica

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Disciplina: Farmacobotânica
Aula 9: Morfologia externa e organização interna da semente
Apresentação
Como as sementes se formam? Que características as diferenciam? Por que são consideradas as guardiãs de uma nova
geração?
Nesta aula, veremos que as angiospermas são as principais representantes entre as plantas com sementes, trazendo-as
protegidas por um fruto. As sementes se formam a partir do óvulo fecundado e trazem em si todas as partes necessárias
para o surgimento de uma nova planta, sendo as guardiãs da vida e possibilitando a continuidade das espécies.
Entenderemos que a semente tem uma estrutura básica formada por uma casca que envolve uma amêndoa. Nesta última
está presente o embrião e tecidos de reserva que o nutrem e protegem. No embrião, por sua vez, temos um organismo
pulsante de vida, uma espécie de planta em miniatura, como um bebê em formação.
A partir daí, através de divisões sucessivas e diferenciações, o novo indivíduo se desenvolverá até a fase adulta, quando irá
se reproduzir, formando novos frutos e sementes, reiniciando o ciclo.
Objetivo
Apontar as características morfológicas e anatômicas da semente;
Explicar os padrões de desenvolvimento das sementes e suas propriedades;
Relacionar a germinação da semente com a origem de uma nova planta.
Caracterização geral das sementes
As sementes são essenciais para a dispersão e sobrevivência das espécies, adquirindo características que poderão auxiliar
nessa função primordial. As partes básicas que formam a semente podem ser vistas na �gura abaixo:
 Constituição da semente. (Fonte: Regina Moura).
Formação das sementes
O grão de pólen é uma estrutura masculina de reprodução formada por duas células: Uma célula do tubo polínico ou vegetativa
e uma célula generativa ou espermática.
Quando um grão de pólen da �or de uma planta atinge o estigma da �or de outra da mesma espécie, dizemos que ocorre
germinação, originando o tubo polínico, que cresce em direção ao óvulo, por prolongamento da célula do tubo polínico, seguido
pela célula espermática. Ao �nal do caminho através do tubo polínico, próximo ao saco embrionário, a célula generativa se
divide, originando as duas células espermáticas, até alcançarem o interior do saco embrionário.
Atenção
No momento da fecundação, um núcleo espermático fecunda a oosfera e o outro fecunda os dois núcleos polares do óvulo. Este
processo é reconhecido como dupla fecundação, pois a união do núcleo espermático com a oosfera vai originar o zigoto diploide;
enquanto a união do outro núcleo espermático com os núcleos polares vai originar um tecido de reserva nutritiva triploide, o
endosperma.
Os tegumentos do óvulo, chamados integumentos, originarão os tegumentos da semente. Durante o desenvolvimento da
semente, muitas vezes o embrião absorve todo o endosperma, passando as reservas a serem acumuladas nos cotilédones. É o
caso das sementes de feijão, por exemplo.
Logo, a semente é o óvulo fecundado e desenvolvido.
Ao estudarmos o ovário das �ores, vimos que alguns possuem um só óvulo, como o abacate, o pêssego e a manga; mas há
outros que chegam a conter milhares de óvulos. E aí, paramos para pensar:
Todos os óvulos são fecundados?
O que acontece com os óvulos, caso não sejam fecundados?
Quando os óvulos não são fecundados, dizemos que ele origina sementes “abortadas”. Na verdade, ele pode degenerar e
desaparecer ou permanecer, sem hipertro�ar.
Exemplo
Pense na banana. Dentro dela existem uns pontinhos pretos que dizemos que são as sementes. De fato, são sementes abortadas,
cujos óvulos não foram fecundados.
Classi�cação das sementes
Alguns critérios são usados na classi�cação das sementes, como constituição do tegumento e presença de tecido de reserva.
Quanto à constituição do tegumento, podem ser:
Algumas sementes podem apresentar um apêndice no tegumento, de origem diferente do integumento, que pode envolver
totalmente a semente sobre o tegumento, atuando como um tegumento suplementar. Outros cobrem só parcialmente o
tegumento, em regiões onde se originam. Esses apêndices que podem ser diagnósticos, além de atraírem animais dispersores,
por possuírem constituição carnosa e adocicada; são eles: Arilo, ariloide ou carúncula.
Repare como a carúncula da Euphorbiaceae da �gura recobre apenas a região do hilo, enquanto o arilo da semente de Taxaceae
cobre totalmente o tegumento.
 (A) Parte externa e (B) interna da semente de J. ribifolia. (Ca = carúncula; hi = hilo; rf
= rafe; co = cotilédones; ed = endosperma; eh-r = eixo hipocótilo radícula.). (Fonte: Lyra
et al., 2012).
 Sementes nuas de Taxus baccata, uma Gimnosperma, com seu arilo vermelho
carnoso cobrindo o tegumento. (Fonte: COULANGES / Shutterstock).
Classi�cação das sementes
Quanto à presença de tecido de reserva:
Saiba mais
A Farmacopeia Brasileira traz descrições de drogas vegetais constituídas exclusivamente de sementes e outras nas quais as
sementes auxiliam na identi�cação, embora não sendo a parte fundamental da droga. A noz-moscada e a noz-de-cola constituem
exemplos de drogas vegetais constituídas de partes da semente. No primeiro caso são usados os arilos e, no segundo, os
cotilédones.
 Semente dentro do fruto de noz moscada, com seu arilo vermelho característico.
(Fonte: Santhosh Varghese / Shutterstock).
 Noz de cola; A- o fruto; B- as sementes com tegumento de cor vibrante Fonte: Bob
Walker (uploaded by en:User:Paphrag) - Own work, from Bandundu Region (Democratic
Republic of Congo). (Fonte: Wikipedia)
Anatomia da semente
Depois da dupla fecundação que ocorre nas angiospermas,
o zigoto transforma-se em embrião, o qual consiste de um
eixo hipocótilo-radícula apresentando no extremo apical um
ou dois cotilédones e o meristema caulinar; e no extremo
distal, o meristema radicular.
A cobertura protetora das sementes pode formar-se de um
ou dos dois tegumentos (testa e/ou tegma). O núcleo
primário do endosperma se divide para formar o
endosperma, que é o tecido de reserva. Durante o
desenvolvimento, alguns de seus componentes principais
(testa, embrião e endosperma) podem permanecer ou ser
reabsorvidos completamente.
 Estrutura interna da semente. (Fonte: Nicole Manella Camargo Silveira).
Exemplo
O endosperma, geralmente consistente, pode apresentar ser líquido, como ocorre no coco-da-baía. A água do coco, assim como a
parte comestível, forma o endosperma do coco.
A estrutura anatômica da semente jovem, nas primeiras etapas do desenvolvimento, só apresenta tecidos parenquimáticos. É
possível que venham a permanecer assim na semente madura, como acontece nas orquídeas, com apenas um estrato de
células parenquimáticas que rodeiam o embrião diferenciado.
De modo diferente, nas leguminosas, a cobertura da semente apresenta uma grande variedade de tecidos, como epiderme,
colênquima e esclerênquima. Essas diferenças na estrutura da cobertura das sementes serão de grande importância nas
análises diagnósticas.
A semente pode ser unitegumentada, e aí se considera como envoltório apenas a testa, ou bitegumentada. Nesse caso, a testa
e o tegma são tecidos de proteção. A cobertura da semente também pode desintegrar-se completamente durante o
desenvolvimento, como ocorre nas sementes de algumas monocotiledôneas como o milho (Zea mays).
Atenção
É importante mencionar que de maneira paralela ao desenvolvimento dos três principais componentes da semente ocorrem
diversos processos que dão como resultado diferentes organizações estruturais dos tecidos.
Esses processos podem ser: Destruição das paredes celulares, síntese e deposição de substâncias de reserva, diferenciação de
tecidos vasculares (xilema e �oema), formação de laticíferos no embrião, formação de esclerênquima em paliçada, mucilagem e
tricomas nas epidermes, cutículas e em diversos estratos do parênquima. Tecidos esclerenquimáticos também são observados,
conferindo grande resistência às sementes.
Em Pisum (ervilha) e Phaseolus (feijão), por exemplo, são encontrados macroesclereídes na testa das sementes. Também nas
leguminosas observam-se os

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