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CITOLOGIA CLÍNICA E FLUIDOS 
CORPORAIS
Prof. MSc. Rayssa Alves de lima
INTERPRETA
ÇÃO DA 
LÂMINA 
CITOLÓGICA 
INTERPRETAÇÃO DOS ACHADOS 
CITOLÓGICOS 
• Presença de microorganismos
• Características celulares 
1. Forma Nuclear
2. Forma Citoplasmática 
3. Características gerais da célula (cor, aspecto e 
inclusões) 
4. Proporção nos tipos celulares 
Processos infecciosos 
e inflamatórios ou faz 
parte da flora vaginal 
Processos infecciosos, inflamatórios e 
principalmente processos 
neoplásicos benignos ou malignos
Vale lembrar que:
• Epitélio escamoso estratificado não 
queratinizado – ECTOCERVIX NORMAL
Várias camadas de células 
superficial, intermediária e 
parabasal
Única camada de células basais. 
(Processo de regeneração e 
divisão celular)
Vale lembrar que:
• Epitélio glandular cilíndrico simples – 
ENDOCERVIX NORMAL
Única camada de células de 2 
tipos:
• Glandular secretora
• Ciliada 
Regeneração deste tipo celular 
promovida por “células reserva 
do epiteĺio colunar endocervical” 
que estão intercaladas com as 
glandulares.
Alterações celulares 
• Citologia reativa
• Citologia inflamatória
• Citologia células escamosas atípicas
• Lesões pré-cancerosas
• Lesões cancerosas e metastáticas
Alterações Reativas
1. Processos de proteção
São processos de hiperdiferenciação:
I) Hiperqueratose
II) Paraqueratose
 
2. Processos de reparação
São processos de Proliferacã̧o de células de reserva 
endocervicais ou basais escamosas
I) Reparo
3. Processos destrutivos
São processos de Inflamação
I) Inflamação
Processos de proteção – hiperdiferenciação 
I) Hiperqueratose – Excesso da produção de 
queratina pela célula ou produção de queratina 
por células que antes eram não queratinizadas.
 Facilmente visualizada citológicamente. 
Citologicamente, na hiperqueratose são 
observadas escamas anucleadas, que são ceĺulas 
escamosas maturas, anucleadas. Na região 
central, onde se encontravam os núcleos, 
observa-se uma zona clara denominada “núcleo-
fantasma”. O citoplasma e ́orangiófilo 
figura 5.1 – Hiperqueratose. Célula escamosa matura, anucleada (núcleo-fantasma), com 
citoplasma orangiófilo. Esfregaco̧ cérvico-vaginal corado por Papanicolaou (400×).
HIPERQUERATOSE
HIPERQUERATOSE
figura 5.2 – Hiperqueratose. Célula escamosa matura, anucleada, com citoplasma orangiófilo. 
Presenca̧ de lactobacilos e escassos leucócitos polimorfonucleares. Esfregaco̧ cérvico-vaginal 
corado por Papa nicolaou (400×).
Processos de proteção – hiperdiferenciação 
II) Paraqueratose – É um processo anormal de 
maturação e um processo incompleto de 
queratinização epitelial, as células superficiais 
se queratinização sem perder seu núcleo 
geralmente fusiforme.
 Visualizada citológicamente e facilmente 
confundida com a Hiperqueratose.
PARAQUERATOSE
figura 5.4 – Paraqueratose representada pela presenca̧ de agregado celular orangiófilo com os 
núcleos ainda preservados. Esfregaco̧ cérvico-vaginal corado por Papanicolaou (400×).
• METAPLASIA – Representa uma substituição adaptativa de células 
sensíveis ao stress por tipos celulares mais capazes de suportar o 
ambiente hostil. 
• METAPLASIA ESCAMOSA – A metaplasia escamosa é um evento 
fisiológico na cérvice uterina, sendo caracterizado pela substituicã̧o 
gradual do epitélio colunar por epitélio estratificado escamoso 
neoformado na zona de transformacã̧o cervical. 
• Os fatores promotores da metaplasia: mudanca̧ do meio ou por acã̧o 
de diferentes estıḿulos como irritacã̧o crônica fıśica ou quıḿica, 
inflamacã̧o persistente, mudanca̧s endócrinas, uso de 
anticoncepcionais, pólipo endocervical e tecido ectópico.
Processos de proteção – Hiperplasia
METAPLASIA
figura – Metaplasia escamosa. Presenca̧ de células escamosas metaplásicas caracterıśticas com 
citoplasma escasso e núcleo de tamanho médio, central, duas células escamosas superficiais e 
frequentes leucócitos PMN. Esfregaco̧ cérvico-vaginal corado por Papanicolaou (200×).
METAPLASIA
figura 5.6 – Metaplasia escamosa. Presenca̧ de células escamosas metaplásicas 
caracterıśticas com citoplasma escasso, às vezes vacuolizado, com núcleo de tamanho 
médio, central. Leucócitos PMN. Esfregaco̧ cérvico-vaginal corado por Papanico- laou (400×)
Processos de Reparo 
I) Reparo
Podem ter origem no tecido escamoso ou glandular
As causas incluem biópsias, cauterizacã̧o, criocirurgia, 
histerectomia, radioterapia, entre outras.
De maneira geral, são observados grupamentos 
celulares que apresentam citoplasma denso, tipo 
“fumaca̧”, além de núcleos com cromatina granular, 
irregularmente distribuıd́a, com nucléolos 
evidentes com contorno nuclear regular, 
denominado comumente como reparo tıṕico
Citologicament
e difícil 
diferenciar o 
local de origem
Reparo Típico
figura 5.9 – Reparo tıṕico. Grupamento celular apresentando citoplasma denso, tipo “fumaca̧”, 
núcleos com cromatina granular, irregularmente distribuıd́a, com nucléolos evidentes e 
contorno nuclear regular. Hemaćias. Esfregaco̧ cérvico-vaginal corado por Papanicolaou 
(400×).
Reparo Típico
Processos Destrutivos – Inflamação 
I) Inflamação
Os mecanismos iniciais de defesa são: 
1. Barreira epitelial
2. Sıńtese de muco protetor
3. pH vulvar e vaginal, 
4. Microbiota vaginal e componentes inespecıf́icos 
inerentes à imunidade inata.
Os epitélios cérvico-vaginais sofrem constantemente 
diferentes graus de agressão por diferentes agentes: 
infecciosos, mecânicos, quıḿicos e fıśicos. 
Esses fatores proporcionam a perda do equilıb́rio 
homeostático e o surgimento de processos 
inflamatórios.
Processos Destrutivos – Inflamação 
I) Inflamação cérvico-vaginal por agentes fı́sicos
Decorrente de lesões de partos, após cirurgias via vaginal, 
lesões traumat́icas e por perfurocortantes, crioterapia, 
laserterapia, eletrocautério, dispositivo intrauterino (DIU), 
radiacõ̧es e corpos estranhos.
actinomyces
Processos Destrutivos – Inflamação 
II) Inflamação cérvico-vaginal por agentes 
quıḿicos
Dermatite de contato por vestuário, anticoncepcionais 
intravaginais e espermicidas. Antisseṕticos como 
permanganato de potássio, mercúrio, cromo, iodo, 
cremes, xampus, desodorantes vaginais. Lubrificantes 
(vaselina), talco de luva e preservativo. Lıq́uido seminal 
e saliva. Cremes à base de sulfa. Reacõ̧es a drogas.
Processos Destrutivos – 
Inflamação 
III) Inflamação cérvico-vaginal por microorganismos
FUNGOS, BACTERIAS, VIRUS E 
PROTOZOARIOS. 
Leva aos possíveis quadros clínicos de:
Vulvovaginite
Vaginite
Cervicite
Endocervicite
CITOLOGIA 
INFLAMATÓRIA
Citologia inflamatória
• Classificacã̧o dos processos inflamatórios 
cérvico-vaginais:
 
1. Atrófica ou senil: tanto em crianca̧s como em 
mulheres após a menopausa, o epitélio 
escamoso é, em geral, atrófico, condicã̧o essa 
que facilita a instalacã̧o de processos 
inflamatórios.
2. Inflamatórias: denomina-se simplesmente 
inflamacã̧o os processos que acometem o 
epitélio escamoso trófico, caracterıśtico da fase 
reprodutiva adulta da mulher
Achados na Citologia Inflamatória
• Exsudato leucocitário
Neutrófilos, eosinofilos, basófilos além de 
histiócitos e bactérias 
Infecções por agentes microbiológicos causam este quadro, o que dificulta a 
leitura da lâmina quanto aos níveis de carcinogênese.
Achados na Citologia Inflamatória
• Hemácias
• Alteração no padrão citológico
Podem estar presentes principalmente em decorrência da presença de agentes 
microbiológicos especialmente a tricomonas vaginalis 
Corresponde à mudança no predomínio do tipo celular esperado para cada perfil de 
pacientes
• Alteração no padrão Citológico.. Presença de 
cariomegalia, pseudoeosinofilia, exudato 
leucocitário, maior presença de células 
parabasais.
Alterações na Citologia Inflamatória
1 - Cervicite crônica Papanicolaou, 400x. Numerosos linfócitos em diferentes 
estágios de maturação. 
2- Vacuolização citoplasmática. Papanicolaou, 400x. Célula intermediária 
com vacúolos citoplasmáticos.
Alterações na Citologia Inflamatória
1. Pseudoeosinofilia citoplasmática. Papanicolaou, 400x. O citoplasma das células se 
apresenta corado em duas cores (anfofilia) ou assumindo cor rósea intensa 
(pseudoeosinofilia) devido a alterações na estrutura proteica nos processos 
inflamatórios. 
2. Halos perinucleares e cariólise. Papanicolaou, 400x. Na cariólise (seta), há a 
dissolução nuclear, restando uma área clara em substituição do núcleo. 
3. Apagamento das bordas
Achados na Citologia Inflamatória
1. Cariorrexe. Papanicolaou, 400x. Na cariorrexe há a fragmentação dos núcleos (setas), 
indicando morte celular. 
2. Reações gerais reativas e degenerativas. Papanicolaou, 400x. A célula assinalada exibe 
núcleo volumoso com cromocentros e borda nuclear espessada, representando 
alterações reativas. As outras células na vizinhança mostram alterações degenerativas 
(cariólise, halos perinucleares). 
3. Células endocervicais com aumento nuclear e binucleação. Papanicolaou, 400x. Essas 
alterações reativas são associadas às vezes a processos inflamatórios.

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