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LIVRO TEORIA DO CRIME

Apostila de Direito Penal — Teoria do Crime (Parte Geral) sobre tentativa: definição (art. 14 CP), teorias objetiva e subjetiva, redução de pena e iter criminis, natureza jurídica, espécies (imperfeita, perfeita/crime‑falho, supersticiosa) e menção a desistência, arrependimento e crime impossível.

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COACHING 
CANAL CARREIRAS POLICIAIS 
 
DIREITO PENAL 
 
TEORIA DO CRIME 
 
 
 
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Direito Penal – Parte Geral 
 
SUMÁRIO: Tentativa. Desistência Voluntária, Arrependimento Eficaz e 
Arrependimento Posterior. Crime impossível. Introdução sobre teoria do 
crime. Tipicidade. Nexo de Causalidade. Ilicitude. Culpabilidade. 
TENTATIVA – ART. 14 CP 
A tentativa (ou conatus) constitui a realização imperfeita do tipo penal e 
ocorre quando o agente dá início à execução, mas não chega à 
consumação por motivos alheios a sua vontade (dolo de consumar), 
gerando, assim, um crime incompleto e por isso impondo aplicação da pena 
do crime consumado de forma incompleta, ou seja, reduzida de 1 a 2/3. O 
dolo, no crime tentado, é idêntico ao do consumado. O que justifica a 
punição menos severa no conatus é a ausência de lesão ao bem jurídico 
protegido. 
 
TEORIA ADOTADA EM RELAÇÃO À PUNIBILIDADE DA TENTATIVA: Nossa Lei 
Penal acolheu, em matéria de tentativa, a Teoria Objetiva, a qual preconiza 
uma redução da pena para o delito imperfeito, justamente porque o bem 
jurídico protegido não foi maculado. Ela se opõe à Teoria Subjetiva, que 
determina uma equiparação punitiva entre as formas consumada e 
tentada, justamente porque em ambas o elemento subjetivo (o dolo) é o 
mesmo, não se justificando que o agente receba uma pena inferior porque 
fatores alheios ao seu querer o impediram de obter o resultado esperado. Há 
resquícios de adoção da teoria subjetiva no Direito Penal brasileiro, como 
ocorre nos crimes de atentado: Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o 
preso ou o indivíduo submetido a medida de segurança detentiva, usando 
de violência contra a pessoa. 
 
# É possível um ilícito penal possuir mesma apenação para crime tentando e 
consumado? Sim, trata-se do crime de atentado ou crime de 
empreendimento. De acordo com o dispositivo em comento é possível 
mesma pena para crimes tentados e consumados, pois o artigo em questão 
menciona que salvo em disposição em contrário aplica-se o redutor de 1 a 
2/3, entretanto a própria lei pode equiparar as penas no crime tentado e 
consumado - Art. 14, p. único do CP. 
 
# Existem crimes punidos apenas na modalidade tentada? A regra vigente 
no sistema penal brasileiro é a punição dos crimes nas modalidades 
 
 
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consumada e tentada. Entretanto, em hipóteses raríssimas somente é cabível 
a punição de determinados delitos na forma tentada, pois nesse sentido 
orientou-se a previsão legislativa quando da elaboração do tipo penal. 
Exemplos disso encontram-se nos arts. 9.º e 11 da Lei 7.170/1983 – Crimes 
contra a Segurança Nacional: Art. 9.º Tentar submeter o território nacional, ou 
parte dele, ao domínio ou à soberania de outro país. Art. 11. Tentar 
desmembrar parte do território nacional para constituir país independente. 
 
PARÂMETRO DE REDUÇÃO DE PENA NO CRIME TENTADO: A aplicação dos 
redutores do art. 14, p.único, em proporção de 1/3 ou 2/3 deve observar, 
pelo magistrado, o iter criminis (caminho do delito) percorrido, ou seja, 
quanto mais próximo do momento consumativo o agente delituoso tiver 
chegado, menor será a redução da pena - HC 95960 PR 14.04.2009. 
Ademais, frise-se que o índice de redução da pena referente à tentativa 
leva em conta o iter criminis percorrido pelo autor e comunica-se ao 
partícipe. 
 
NATUREZA JURÍDICA DA TENTATIVA: 
Sobre a ótica da tipicidade caracteriza-se norma de extensão ou norma de 
adequação típica mediata ou indireta. Do ponto de vista da teoria da pena, 
a tentativa é uma causa de diminuição obrigatória, que será levada em 
consideração na terceira fase de dosimetria. 
 
- ESPÉCIES DE TENTATIVA: 
1. Tentativa Imperfeita ou Inacabada  Ocorre quando o agente não 
consegue consumar o crime por circunstâncias alheias a sua vontade, sem 
que ele tenha praticado todos os atos que estavam ao seu alcance a fim de 
obter o êxito na pratica delituosa. (ex.: o sujeito entra na residência da vítima 
e, quando começa a se apoderar dos bens, ouve um barulho que o assusta, 
fazendo-o fugir) 
2. Tentativa Perfeita ou Crime-Falho  O agente percorre todo o iter criminis 
que estava à sua disposição, mas, ainda assim, por circunstâncias alheias à 
sua vontade, não consuma o crime (ex.: o sujeito descarrega a arma na 
vítima, que sobrevive e é socorrida a tempo por terceiros). Apesar de ter 
esgotado a fase executória, não alcança o resultado por circunstâncias 
alheias à sua vontade. O crime falho é incompatível com crimes formais e de 
mera conduta, somente podendo ocorrer em crimes materiais. (Quase-crime 
é sinônimo de crime impossível e não de crime-falho) 
 
3. Tentativa Supersticiosa ou Tentativa Irreal  Ela ocorre quando o agente 
atua numa situação típica irrealizável. Em verdade, o bem jurídico em 
 
 
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nenhum momento chega, sequer, a correr perigo de lesão. Reflete o crime 
impossível ou delito putativo. Exemplo: quando o agente pretende matar o 
inimigo praticando macumba. É forma de tentativa impunível, uma vez que 
o Direito penal não pune o pensamento ou a intenção. Ademais, por mais 
que o agente acredite, não é possível matar alguém apenas com crendices. 
 
1. Tentativa Incruenta ou Branca  É aquela em que o agente, além de não 
consumar o crime, não produz lesões ao bem jurídico protegido pela norma. 
(Ex. Homicídio em que não acerta o tiro). Também pode ser tentativa 
perfeita ou imperfeita. 
 
2. Tentativa Cruenta ou Vermelha  É aquela em que o agente, apesar de 
não ter consumado o crime, produz lesões ao bem jurídico protegido pela 
norma. (Ex. Tentativa de homicídio onde o tiro pega de raspão). Também 
pode ser tentativa perfeita ou imperfeita. 
 
CUIDADO: Tentativa Inidônea e Quase-Crime são sinônimos de crime 
impossível! (CESPE – DPF/2013) 
 
INFRAÇÕES PENAIS QUE NÃO ADMITEM A MODALIDADE TENTADA: 
1. CRIME CULPOSO - REGRA: Crimes culposos não admitem tentativa, 
visto que não há vontade do agente quanto ao resultado. Seria, no 
mínimo, contraditório admitir-se, em um crime não desejado pelo seu 
autor, o início da execução de um delito que somente não se 
consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. Essa regra se 
excepciona no que diz respeito à culpa imprópria, compatível com a 
tentativa, pois nela há a intenção de se produzir o resultado. Cuida-se, 
em verdade, de dolo, punido por razões de política criminal a título de 
culpa, em face de ser a conduta realizada pelo agente com amparo 
em erro inescusável quanto à ilicitude do fato. 
2. CRIME PRETERDOLOSO - também não admite tentativa, visto que há 
dolo em um resultado principal e culpa noutro resultado. Pela 
existência da conduta culposa, marca principal nos crimes 
preterdolosos, há inviabilidade de punição destes crimes na 
modalidade tentada, visto que não há vontade do agente no que 
tange ao segundo resultado, culposo. 
3. CRIMES UNISSUBSISTENTES – São crimes que existem de forma indivisível, 
onde não é possível fragmentar o iter criminis. Destarte, não é possível 
a modalidade tentada em sede de crimes unissubsistentes. Nesses 
casos, ou o agente praticou o fato (e o crime consumou-se) ou nada 
fez (e não há qualquer fato penalmente relevante). Significa que não 
há “meio-termo”. 
4. CRIMES DE MERA CONDUTA – Regra: Estes crimes não admitem a 
modalidade tentada, ao menos diante do Código Penal, visto que as 
 
 
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condutas são indivisíveis e unissubsistentes por escolha do legislador (a 
mera conduta ou ocorre por inteiro, havendo a consumação ou o 
crime de merda conduta não será punido). Exceção: A legislação 
extravagante traz modalidades de crimes de mera conduta que são 
plurissubsistentes e, como tal, admitem tentativa. Trata-se de uma 
questão bastante controvertida na doutrina. 
5. CRIMES OMISSIVOSPRÓPRIOS – Ex. Omissão de Socorro. A 
impossibilidade da tentativa decorre do fato de que tais delitos são 
crimes de mera conduta e, como tal, unissubsistentes. 
6. CRIMES HABITUAIS – É aquele que se exige pela própria forma uma 
prática reiterada de atos. No entanto, há certa divergência quanto à 
possibilidade da modalidade tentada em sede de crime habitual. Ex. 
Exercício ilegal da medicina e curandeirismo. A doutrina majoritária 
menciona que o crime habitual é incompatível com a tentativa, visto 
que exige uma seqüência de atos para fins de consumação, hipótese 
em que um único ato não é capaz de induzir a imputação, 
justificando-se pela corrente adotada no Brasil, finalista. Para esta 
corrente, a habitualidade deve ser demonstrada de forma objetiva e 
sob a égide da teoria finalista, como poderíamos punir um único ato se 
apenas ele não é crime? Como garantir que o agente continuará 
praticando reiteradamente o ato? É nessa vertente que se baliza a 
corrente majoritária para defender a impossibilidade da tentativa nos 
crimes habituais. (Posição da CESPE) Outrossim, tanto Roxin quanto 
Zafaroni, defendem que a habitualidade é um conceito subjetivo, ou 
seja, não é necessário demonstrar objetivamente a habitualidade, se a 
situação fática demonstrar que havia finalidade de habitualidade 
poderá restar caracterizado o crime habitual. Se a pessoa estiver 
atendendo o primeiro paciente e for interrompido pela autoridade 
policial estará caracterizado o crime habitual consumado, pois, estaria 
praticando a primeira conduta de um delito de tendência (corrente 
minoritária). 
7. CRIMES DE ATENTADO OU CRIME DE EMPREENDIMENTO – Modalidade 
típica em que o legislador equipara a tentativa ao crime consumado, 
ou seja, a tentativa engloba o verbo núcleo do tipo, punindo-os de 
forma simétrica. Ex. Art. 352 – Evadir-se ou tentar evadir-se o preso 
usando violência ou grave ameaça contra pessoa. Atentar contra o 
Sistema Democrático de Direito previsto na Lei Segurança Nacional. 
(Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena do 
crime consumado reduzida de 1 a 2/3). 4133228081 
8. CONTRAVENÇÕES OU CRIME “ANÃO” OU CRIME LILIPUDIANO São 
sinônimos da contravenção penal, infração esta que não admite a 
tentativa por expressa previsão legal - Art. 3 da LCP. A não punição da 
contravenção na modalidade tentada está relacionada ao princípio 
da lesividade, onde a tentativa, diante de política criminal, não atinge 
suficientemente o bem jurídico tutelado, destarte, não sendo punível 
pelo direito. 
 
 
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9. CRIMES CONDICIONADOS AO RESULTADO: são aqueles cuja 
punibilidade está sujeita à produção de um resultado legalmente 
exigido, tal qual a participação em suicídio (CP, art. 122), em que só 
há punição se resultar morte ou lesão corporal de natureza grave. 
10. CRIMES-OBSTÁCULO: são os que retratam atos preparatórios do delito, 
tipificados de forma autônoma pelo legislador. Ex. associação 
criminosa e porte de arma. 
 
HÁ POSSIBILIDADE DE TENTATIVA DIANTE DE DOLO EVENTUAL? 
Há divergência na doutrina e na jurisprudência sobre o tema. Segundo 
entendimento majoritário, admite-se também a tentativa constituída de dolo 
eventual, quando o agente realiza a conduta assumindo o risco da 
consumação do crime, que não ocorre por circunstâncias alheias à sua 
vontade, pois o nosso Código equiparou o dolo direto e o dolo eventual. Tese 
defendida por Zaffaroni, Damásio, Flavio M. de Barros, Bittencourt... Entendimento atual do STF, conforme HC 114223 
SP, julgado em 2013. 
Porém, há quem defenda, a exemplo do ilustre Rogério Greco, que a 
própria definição legal do conceito de tentativa nos impede de 
reconhecê-la nos casos em que o agente atua com dolo eventual. 
Quando o Código Penal, em seu art. 14, II, diz ser o crime tentado 
quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias 
alheias à vontade do agente, nos está a induzir, mediante a 
palavra vontade, que a tentativa somente será admissível quando a 
conduta do agente for finalística e diretamente dirigida à produção de 
um resultado, e não nas hipóteses em que somente assuma o risco de 
produzi-lo, nos termos propostos pela teoria do assentimento 
TENTATIVA ABANDONADA OU TENTATIVA QUALIFICADA 
A Desistência Voluntária (Art. 15) e o Arrependimento Eficaz (art. 16,CP) se 
afiguram quando agente, voluntariamente, desiste ou se arrepende de dar 
continuidade ao intento criminoso, afastando a incidência da tentativa, 
devendo o agente responder apenas pelos atos já praticados. Tanto na 
desistência voluntária quanto no arrependimento eficaz, o crime não chega 
a estar consumado. 
 
POLÍTICA CRIMINAL: A desistência voluntária e arrependimento eficaz são 
institutos criados por via de política criminal para evitar a consumação de 
delitos, estimulando atos voluntários do próprio criminoso contrários à 
consumação. 
 
DICA: Para diferenciar desistência voluntária de arrependimento eficaz deve 
se utilizar a seguinte frase: “Eu desisto apenas daquilo que estou fazendo e 
me arrependo do que já fiz”. 
 
 
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ART. 15 – DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (Excludente de Tipicidade): 
O agente delituoso começou a praticar os atos executórios, porém, 
voluntariamente, antes do término dos atos executórios, decide não dar 
continuidade (interrompe) a pratica delitiva e, consectariamente, evita a 
consumação do delito. Ex.: A quer matar B, para tanto o algema e o leva 
para local ermo e no momento da execução ocorre dor na consciência e A 
acaba por não dar o tiro e libertar B. Nesse caso, o agente não responderá 
pela tentativa de homicídio, mas sim pelo constrangimento ilegal, por ter 
obrigado a vítima a acompanhá-lo até o local ermo mediante grave 
ameaça. 
 
 A tentativa abandonada exige tão somente voluntariedade, sendo 
irrelevante a espontaneidade. A desistência do autor de prosseguir na 
execução do crime estimulada por prévia conscientização de testemunha 
presencial é suficiente para configurar a desistência voluntária, visto que o 
ato é voluntário e ele poderia prosseguir em seu intento criminoso mesmo 
com a presença de testemunha. 
 
ATENÇÃO 1. Segundo a sistemática do Código Penal, a desistência 
voluntária NÃO é compatível com a tentativa perfeita ou crime-falho, pois 
essa modalidade de tentativa exige que o agente tenha realizado todos os 
atos executórios ao seu alcance e a desistência voluntária ocorre quando o 
agente abandona os atos executórios durante o seu percurso, antes de 
estarem completos. 
 
ATENÇÃO 2. A desistência voluntária e o arrependimento eficaz somente são 
admitidos nos crimes plurissubsistentes, sendo inviável diante de crimes 
unissubsistentes – mera conduta -, pois a mera prática do verbo já perfaz a 
consumação do delito, não possibilitando o fracionamento do iter criminis. 
 
ART. 16 – ARREPENDIMENTO EFICAZ (Excludente de Tipicidade): 
O agente delituoso, voluntariamente, após o término dos atos executórios, 
atua em sentido contrário a fim de impedir a consumação do delito. Ex.: A 
quer matar B, para tanto, o algema e o leva para local ermo e no momento 
da execução atira por duas vezes e ao ver seu desafeto sofrendo acaba, 
voluntariamente, por socorrer B e o leva ao hospital, motivo este que salvou 
a vida de B. Nesse caso, A já teria realizado todos os atos executórios, porém, 
se arrependeu dos atos executórios e salvou B. Assim, não deverá responder 
pela tentativa de homicídio, mas sim pelas lesões corporais. 
 
 
 
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Observação: Em ambos os casos, a voluntariedade é fundamental, caso 
contrário estaríamos diante de hipótese de crime tentado. Frise-se que, para 
configurar a desistência voluntária ou arrependimento eficaz, eu preciso 
ter voluntariedade, mas não preciso de espontaneidade. 
 
REYNARD FRANK traz fórmula para identificara desistência voluntária: Se eu 
posso prosseguir e não quero é desistência, mas se eu quero prosseguir e não 
consigo será tentativa. 
 
A desistência voluntária e o arrependimento eficaz, segundo Franz Von Liszt, 
são chamados de Ponte de Ouro, por serem capazes de conduzir o agente 
para fora da tipicidade, excluindo a tipicidade do fato. 
 
DIFERENÇA: A diferença entre desistência voluntária e arrependimento eficaz 
é que neste o agente esgota os atos executórios. Na desistência voluntária, 
ele abandona antes de esgotar os atos executórios (ainda havia ato 
executório para ser realizado). 
 
É possível arrependimento eficaz ou desistência voluntária em de mera 
conduta? Em crime de mera conduta, quando você esgota a execução, 
haverá a consumação. Isto posto, não existe arrependimento eficaz e 
desistência voluntária de mera conduta! 
 
NATUREZA JURÍDICA DA TENTATIVA ABANDONADA: Causa de exclusão da 
tipicidade: afasta-se a tipicidade do crime inicialmente desejado pelo 
agente, subsistindo apenas a tipicidade dos atos já praticados. É a posição 
dominante na jurisprudência e na doutrina. 
 
Quanto à comunicabilidade aos participantes há dois posicionamentos: 
1ª CORRENTE: Não se comunica já que se somente o autor, executor, desistiu 
ou se arrependeu é por motivos alheios aos demais participantes que o 
crime não se consuma e, por isso, eles devem respondem pela forma 
tentada. Teoria daqueles que adotam a natureza jurídica de exclusão de 
culpabilidade ou punibilidade, já que esta não se comunicará ao partícipe 
pela teoria da acessoriedade limitada, devendo ele responder pelo crime. 
 
2ª CORRENTE: Adotada por aqueles que defendem +-a teoria de excludente 
de tipicidade. Assim, a desistência e o arrependimento comunicam-se a 
todos os participantes, já que, nas bases da teoria da acessoriedade 
limitada, se o fato for atípico para o autor não poderá ser imputado ao 
partícipe, sendo atípico para todos. Embora isto não seja adotado de forma 
 
 
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unânime, a posição mais adequada é vincular o entendimento de que a 
natureza jurídica é de exclusão da tipicidade. 
 
ARREPENDIMENTO DO PARTÍCIPE: Caso ocorra arrependimento do partícipe 
que tenha instigado ou induzido o autor à prática da infração e este tenha 
decidido pelo cometimento do delito, ele somente não será 
responsabilizado se conseguir impedir que o autor pratique o crime. 
 
ART. 16 - ARREPENDIMENTO POSTERIOR 
Trata-se de arrependimento perpetrado pelo agente APÓS A CONSUMAÇÃO 
do delito até o RECEBIMENTO da denúncia. O agente deve proporcionar a 
vítima a retroação ao status quo ante, ou seja, deve reparar o dano ou 
restituir a coisa. Neste caso, como o crime se consumou, estaremos diante 
de causa diminuição de pena de 1 a 2/3. O instituto do arrependimento 
posterior é incompatível com os crimes praticados com violência ou grave 
ameaça à pessoa, visto que não há como reparar a violência ou grave 
ameaça. 
 
NATUREZA JURÍDICA: Causa de diminuição de pena, apelidada por Liszt 
como Ponte de Prata. Destaque-se que a vítima não precisa aceitar a 
reparação para incidência da causa de diminuição de pena. 
 
REPARAÇÃO INTEGRAL OU PARCIAL DANO: Segundo a corrente majoritária, 
somente admite-se o arrependimento posterior se houver reparação integral 
à vitima, porém, corrente contrária admite a diminuição da pena quando a 
reparação for parcial, já que não há vedação legal, e limitar a aplicação do 
instituto a reparações integrais desestimularia o ressarcimento, algo contrário 
a política criminal que embasa o instituto. Nesse sentido, a 1ª Turma do STF, 
ao julgar o HC 98.658, defende que a reparação do dano não precisa ser 
integral para que o benefício seja concedido ao acusado. 
 
DIMINUIÇÃO DA PENA: A oscilação prevista no artigo 16 do CP sobre o 
quantum a ser diminuído (de um a dois terços), para a doutrina majoritária, é 
aplicada de acordo com a proximidade da reparação tendo como 
parâmetro a data da consumação do crime. Outrossim, o próprio STF, 
atualmente afirma que, quanto maior a reparação, maior a causa de 
diminuição, até chegar à reparação total, que corresponderia à diminuição 
máxima de dois terços da pena. 
 
O ARREPENDIMENTO POSTERIOR – COMUNICABILIDADE: 
 
 
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1ª Corrente – o arrependimento é circunstância objetiva comunicável, 
beneficiando os demais concorrentes do crime (LFG e Masson) 
MAJORITÁRIA! 
2ª Corrente – exigindo voluntariedade do agente, o arrependimento 
posterior é personalíssimo, não se comunicando aos demais concorrentes do 
crime (Régis Prado) MINORITÁRIA! 
 
Em resumo: tanto a desistência voluntária quanto o arrependimento eficaz e 
o arrependimento posterior se comunicam aos coautores e partícipes. 
 
ARREPENDIMENTO ATENUANTE DE PENA – Previsto no art. 65, III, b, atua 
como causa genérica de atenuação de pena, quando reparado o dano, mesmo 
APÓS O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, desde que antes do trânsito em 
julgado, aplicável ainda que o agente tenha cometido o crime com violência 
ou grave ameaça. 
 
CRIME IMPOSSÍVEL / TENTATIVA INIDÔNIA / CRIME OCO / QUASE-
CRIME: 
 
NATUREZA JURÍDICA: excludente de tipicidade. 
 
O código penal brasileiro adota a Teoria Objetiva Temperada para 
delimitação do crime impossível, em que se EXIGE a impropriedade absoluta 
do objeto (matar pessoa morta) ou ineficácia absoluta do meio (matar 
alguém com arma desmuniciada). Se o meio for relativamente ineficaz ou o 
objeto relativamente impróprio e houver qualquer chance de ocorrer 
consumação, haverá tentativa comum e punível, não caracterizando crime 
impossível. Ex. Arma que trava ao disparar, mas poderia perfeitamente ter 
disparado. O STJ entende atualmente que o furto dentro da loja, mesmo que 
tenha sistema de segurança na saída e câmeras, não caracteriza crime 
impossível, pois é relativa a ineficácia do meio, visto que, de alguma forma, é 
possível que haja a consumação do delito, mesmo com os sistemas retro 
citados. Assim, aplica-se o furto na modalidade tentada se o alarme da loja 
apitar na saída. Ademais, trata-se de uma questão de politica criminal, pois 
se caracterizado como crime impossível, induziria a prática de crimes em 
lojas com sistema de segurança, sem que ao agente fosse imputado crime, 
por atipia da conduta, justificada pelo instituto do crime impossível. 
 
Pela TEORIA SUBJETIVA, o que conta é a vontade do agente, independente 
da eficácia do meio ou da propriedade do objeto a ser lesionado. Assim, 
 
 
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responderá o agente por tentativa independentemente de haver a 
possibilidade de consumação do delito. 
 
Já pela TEORIA OBJETIVA PURA, basta objeto ou o meio serem relativamente 
incapazes de produzir lesão ao bem jurídico para aplicação do crime 
impossível. Por essa teoria, não é necessário que o meio ou objeto sejam 
absolutamente incapazes para excluir a tipicidade do delito, afastando-se a 
figura do crime na modalidade tentada. 
 
No que tange à TEORIA SINTOMÁTICA, a preocupação está com a 
periculosidade do agente e não com o fato praticado. Assim, justifica-se, em 
qualquer caso, a aplicação de medida de segurança. 
 
DIFERENÇA ENTRE CRIME IMPOSSÍVEL E CRIME PUTATIVO: No crime impossível o 
autor não consegue a consumação por impropriedade do objeto ou pela 
ineficácia do meio. Portanto, o erro recai sobre a idoneidade do meio ou do 
objeto material. Por seu turno, o crime putativo é aquele em que o agente, 
embora acredite praticar um fato típico, realiza um indiferente penal, seja 
pelo fato não encontrar amparo legal (delito putativo por erro de proibição), 
seja pela ausência de um dos elementos da figura típica (delito putativo por 
erro de tipo) ou por ter sido induzido à prática do crime, ao mesmo tempo 
em que foram adotadas providencias eficazes para impedir a consumação 
dodelito (delito putativo por obra do agente provocador). 
 
TEORIA DO CRIME 
- CONCEITO DE CRIME: 
A) LEGAL - Art. 1º LICP. Crime é uma infração penal que se comina pena de 
detenção ou reclusão, com ou sem multa. 
B) FORMAL – É a mera violação da norma penal, ou seja, violação do que 
está formalmente descrito como crime. 
C) MATERIAL - Comportamento humano que ofende ou expõe a perigo 
determinado bem jurídico tutelado pela norma penal. 
 D) ANALÍTICO, CIENTÍFICO, DOGMÁTICO OU DOUTRINÁRIO – O conceito de 
crime analítico depende essencialmente da Teoria adotada. Prevalece, 
hoje, que, sob o enfoque analítico, crime é composto de três substratos: fato 
típico, ilicitude (ou antijuridicidade) e culpabilidade. Vale salientar, que 
punibilidade não integra o conceito analítico de crime, trata da 
consequência jurídica. 
 
 
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CRIME, DELITO E CONTRAVÊNCIA PENAL 
No Brasil adotamos a Teoria Dicotômica ou dualista, tendo como gênero a 
infração penal da qual são espécies o crime e a contravenção penal. Em 
nosso país, crime é sinônimo de delito. A diferença entre crime e 
contravenção penal está estabelecida na Lei de Introdução ao Código 
Penal. Outrossim, importante destacar que não há diferença ontológica 
entre crime e contravenção penal, o que há é questão de política criminal, 
gerando, por conseguinte, consequências diversas entre os dois institutos, 
levando-se em consideração a gravidade da infração (valor). A escola 
germânica cria uma hierarquia entre crime, delito e contravenção, de 
acordo com a gravidade da infração. 
ESTUDO DA TIPICIDADE 
Trata-se do Juízo de adequação entre a conduta e as elementares do tipo penal; 
(juízo de subsunção entre o fato e a norma; entre a conduta e as 
elementares do tipo); saber se uma conduta é típica; é basicamente saber 
se ela está prevista no tipo legal de crime. 
 
- O juízo de adequação pode se dar através de uma subordinação de: 
 
Juízo de adequação Imediato: Ocorre quando o fato é diretamente 
previsto pela norma penal, ou seja, a conduta está diretamente prevista na 
norma. Exemplo: Tício dá dois tiros na cabeça de Mévio matando-o, vem o 
artigo 121 do CP e disse: matar alguém: pena de 6 a 20 anos, o juízo de 
adequação está feito de forma imediata, ou por subordinação imediata. 
 
 Juízo de adequação mediato: Ocorre quando a tipicidade se dá por meio 
de uma norma de extensão, que amplia a figura típica. Exemplo: Tício dá um 
tiro em Mévio, que consegue fugir, não há tipicidade formal no homicídio; 
mas o artigo 14 traz que: quem inicia a execução de um crime, mas não 
chega à consumação por motivos alheios a sua vontade responde pela 
tentativa do crime consumado com diminuição de 1 a 2 terços. Tentar matar 
alguém não é elementar do artigo 121, mas o artigo 14, II estende a 
tipicidade da figura típica para permitir que a tentativa de homicídio 
também seja considerada como uma conduta penalmente tipificada em lei. 
 
- A partir de agora vamos analisar o conceito de tipicidade, de acordo com 
a doutrina clássica e a doutrina moderna: 
Doutrina tradicional: fato típico é conduta + nexo causal + resultado + 
tipicidade formal. 
 
 
 
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Doutrina moderna: fato típico é conduta + nexo causal + resultado + 
tipicidade formal + tipicidade material (relevância da lesão ou perigo de 
lesão ao bem jurídico tutelado). O princípio da insignificância exclui a 
tipicidade material, assim, apesar de haver tipicidade formal, não haverá 
tipicidade penal: é causa excludente da tipicidade, portanto. 
 
Perceba que a doutrina moderna acrescentou a tipicidade material, que 
nada mais é do que a relevância da lesão ou perigo de lesão ao bem 
jurídico tutelado; enquanto a tipicidade formal é a mera subsunção do fato 
à norma. 
 
Zaffaroni: fato típico é conduta + nexo causal + resultado + tipicidade formal 
+ tipicidade conglobante (tipicidade material + atos antinormativos). Atos 
antinormativos são atos não determinados ou não incentivados por lei. Ao se 
adotar a tipicidade conglobante, o estrito cumprimento de um dever legal e 
o exercício regular de um direito incentivado deixam de excluir ilicitude, 
passando a excluir a tipicidade. Para Zaffaroni, só o estado de necessidade 
e a legítima defesa são excludentes de ilicitude, pois estes não são atos 
autorizados ou incentivados por lei, mas sim permitidos. 
 
Resumindo: Zaffaroni defende que a tipicidade penal é composta tanto da 
tipicidade formal quanto da conglobante esta ultima é composta pela 
tipicidade material e pela anti normatividade. Afirma-se que as condutas 
impostas ou permitidas pelo ordenamento não são anti normativas não 
sendo se quer típica. Como consequência estrito cumprimento de dever 
legal e exercício regular de direito passam a ser analisados na tipicidade. 
 
CASO CONCRETO: oficial de justiça, contra vontade do proprietário, sequestra 
quadro para garantir a execução. Para a doutrina tradicional existe tipicidade 
penal (formal), mas não é ilícito (estrito cumprimento de um dever legal); para a 
doutrina moderna também existe tipicidade penal (formal + material), mas não é 
ilícito; já para Zaffaroni não há tipicidade penal, pois, embora presente a tipicidade 
formal, está ausente a tipicidade conglobante (tem tipicidade material, mas não 
tem ato antinormativo, pois a conduta do oficial é determinada por lei). 
 
- ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO TIPO PENAL: 
1. Objetivos: dados de natureza concreta, perceptíveis sensorialmente (isto 
é, por intermédio de nossos sentidos). Exemplos: verbos núcleo do tipo (como 
“matar” — no art. 121 do CP; “subtrair” — no art. 155 do CP), referências ao 
lugar do crime (“lugar aberto ao público” — no art. 233), ao momento do 
crime (“durante o parto ou logo após” — no art. 123 do CP), ao modo de 
 
 
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execução (“mediante grave ameaça ou violência a pessoa” — no art. 157 
do CP) e ao objeto material do delito (“alguém” — no art. 121 do CP). 
 
2. Subjetivos: dados de natureza anímica ou psíquica que retratam à 
intenção do agente. Não são perceptíveis concretamente, mas apenas 
examinando o que se passa na mente do sujeito ativo. Exemplos: “para si ou 
para outrem” (CP, art. 155); “com o intuito de obter para si ou para outrem 
indevida vantagem econômica” (CP, art. 158) 
 
3. Normativos: esses dados da figura típica não são aferíveis nem no mundo 
concreto nem na psique do autor. Abrangem todas as expressões contidas 
no tipo penal que requerem um juízo de valor, o qual pode ter caráter 
jurídico, como nas expressões “documento” (CP, art. 297) ou “funcionário 
público” (CP, art. 327), ou extrajurídico (moral, político, religioso, ético etc.), 
como nas expressões “decoro” e “dignidade” (CP, art. 140), “ato obsceno” 
(CP, art. 233) etc. 
 
TEORIAS DOS ELEMENTOS DO TIPO: 
- Fase da independência (Beling — 1906): a tipicidade possuía função 
meramente descritiva, completamente separada da ilicitude e da 
culpabilidade (entre elas não haveria nenhuma relação). Tratar-se-ia de 
elemento valorativamente neutro. Sua concepção admitia apenas o 
reconhecimento de elementos objetivos do tipo, rechaçando os elementos 
normativos ou subjetivos do tipo. 
 
- Fase do caráter indiciário da ilicitude ou da ratio cognoscendi (Mayer — 
1915): a tipicidade deixa de ter função meramente descritiva, representando 
um indício da antijuridicidade. Pela teoria de Mayer, praticando-se um fato 
típico, ele se presume ilícito. Essa presunção, contudo, é relativa, pois admite 
prova em contrário, mas há inversão do ônus da prova, pois quem deverá 
provar a excludente de ilicitude é o réu. Além disso, a tipicidade não é 
valorativamente neutra ou descritiva, tornando-se admissível o 
reconhecimento de elementos normativos e subjetivos do tipo penal. 
 
- Fase da ratio essendi da ilicitude (Mezger— 1931): Essa teoria cria o 
conceito de “tipo total do injusto” e diz que a ilicitude é a essência da 
tipicidade, de modo que, não havendo ilicitude, não há fato típico. É 
adepto dessa teoria Mezger (1930). Excluída a ilicitude, exclui-se o fato típico 
(tipo total do injusto). Ex: Fulano mata Beltrano, comprovada a legítima 
defesa, o fato deixa de ser ilícito e típico, pois a ilicitude é a essência da 
tipicidade. 
 
 
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1. conduta; 
Não há crime sem conduta (“nullum crimen sine conducta”). A quantidade 
de elementos da conduta é variável e depende fundamentalmente da 
teoria que se adote. Assim, o finalismo irá inserir a “finalidade” como um de 
seus elementos fulcrais. A teoria social da ação, de sua parte, não deixará 
de incluir a relevância social do comportamento. Há, todavia, três elementos 
que se mostram presentes em praticamente todos os sistemas penais, desde 
o clássico até o funcionalista. São eles: 
 
1. consciência; 
2. voluntariedade. 
3. exteriorização do pensamento; (o direito penal não pune o pensamento, 
por mais imoral que seja) 
 
Na concepção mais acatada até o final do século passado (finalista), a 
conduta era entendida como a ação ou omissão humana, consciente e 
voluntária, dirigida a uma finalidade. Porém, há diversas teorias sobre o 
conceito de AÇÃO: 
 
 TEORIA CAUSALISTA, MECÂNICA, NATURALÍSTICA OU CLÁSSICA: 
Teoria causalista (naturalista ou clássica): de Von Liszt, Beling e Radbruch. 
Trabalha o Direito Penal como se trabalha uma ciência exata (O Direito 
observado pelos sentidos). O desejo da causalista é que o tipo penal seja 
composto somente de elementos objetivos. 
 
Substratos do crime: fato típico (conduta), ilicitude e culpabilidade (dolo e 
culpa). 
 
Conceito de conduta: movimento corporal voluntário que produz uma 
modificação no mundo exterior, perceptível pelos sentidos. Porém, a 
vontade NÃO está relacionada à finalidade do agente, elemento este só 
analisado na culpabilidade. 
 
Dolo e culpa: são analisados só na culpabilidade. 
 
Críticas: 
- Ao conceituar conduta como “movimento humano”, esta teoria não explica de 
maneira adequada os crimes omissivos (inação, sem movimento). 
- Não há como negar a presença de elementos normativos e subjetivos do tipo. 
 
 
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- Ao fazer a análise do dolo e da culpa somente no momento da culpabilidade, 
não há como distinguir, apenas pelos sentidos, a lesão corporal da tentativa de 
homicídio, por exemplo. 
- É inadmissível imaginar a ação humana como um ato de vontade sem finalidade. 
 
 TEORIA NEOKANTIANA: 
Teoria neokantista (causal valorativa): de Mezger. Tem base causalista, 
fundamentando-se numa visão neoclássica, marcada pela superação do 
positivismo, através da introdução da racionalização do método. 
Reconhece que o Direito é ciência do ‘dever ser’. 
 
Substratos do crime: fato tipico(conduta), ilicitude e culpabilidade (dolo e 
culpa). 
 
Conceito de conduta: comportamento humano voluntário causador de um 
resultado. A teoria neokantista não se prende aos métodos da ciência exata. 
Não depende somente dos sentidos. Começa a analisar elementos 
normativos e subjetivos do tipo penal. 
 
Críticas: 
- Permanece considerando o dolo e a culpa como elementos da 
culpabilidade. 
- Analisando dolo e culpa somente na culpabilidade, ficou contraditória ao 
reconhecer como normal elementos normativos e subjetivos do tipo. 
 
 TEORIA FINALISTA 
Hans Welzel percebe que o dolo e a culpa estavam inseridos no substrato 
errado, afirmando que eles não devem integrar a culpabilidade, e sim o fato 
típico. Assim o fato típico passou a ter duas dimensões: uma dimensão 
objetiva (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade penal) e outra 
dimensão subjetiva (dolo e culpa). O Código Penal, com a reforma de 1984, 
adotou, segundo a maioria, o finalismo. O código penal militar é causalista 
(analisa dolo e culpa na culpabilidade – art. 33, CPM). 
 
Substratos do crime: fato típico (conduta, dolo e culpa), ilicitude e 
culpabilidade. 
 
Conceito de conduta: comportamento humano consciente e voluntário 
dirigido a um fim. Toda conduta é orientada por um querer. Supera-se a 
‘cegueira’ (pois não enxerga a finalidade do agente na conduta) do 
Causalismo um finalismo ‘vidente’ (enxerga a finalidade do agente na 
 
 
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conduta). Ademais, suprimiu-se o adjetivo “ilícito” do fim, pois, caso a 
expressão permanecesse, não seria possível explicar o crime culposo. 
 
 
Críticas: 
- Concentrou sua teoria no desvalor da conduta ignorando o desvalor do 
resultado. 
 
 TEORIA FINALISTA (DISSIDENTE) 
No Brasil nasceu a TEORIA FINALISTA DISSIDENTE, retirando a culpabilidade da 
estrutura do crime. Para esta teoria, crime é fato típico e ilícito. Para os 
dissidentes, a culpabilidade não é substrato do crime, mas mero juízo de 
censura, pressuposto de aplicação da pena. 
 
Defensor: René Ariel Dotti. 
 
Crítica a esta teoria: Ela acaba por admitir haver hipótese de crime (fato 
típico + ilicitude) sem censura (culpabilidade). 
 
FUNCIONALISMO TELEOLÓGICO, MODERADO OU DUALISTA DE ROXIN 
Segundo o funcionalismo teleológico ou racional (Roxin), a função do direito 
penal é assegurar bens jurídicos indispensáveis, valendo-se das medidas de 
política criminal. O critério norteador para uma melhor solução dos 
problemas dogmáticos é a política criminal. 
FUNCIONALISMO RADICAL, MONISTA OU SISTÊMICO DE JAKOBS: 
 Segundo o funcionalismo radical ou sistêmico (JakObs..), a função do direito 
penal é resguardar o sistema, a norma e o direito posto (o império da lei). Os 
sistêmicos não admitem princípios não positivados, visto que não se 
encontram no ordenamento jurídico. Desse modo, negam a aplicação do 
princípio da insignificância, pois se preocupam com a aplicação da norma e 
não com o bem jurídico tutelado. 
 
As teorias funcionalistas, de modo geral, recebem sua maior crítica, 
consistente na opção de conferir elevado destaque à política criminal, 
resultando em sua fusão com a dogmática penal, e, por corolário, 
confundindo a missão do legislador com a do aplicador da lei. 
 
IMPORTANTE: QUAL DESSAS TEORIAS O BRASIL ADOTOU? O Código Penal, com 
a reforma de 1984, de acordo com a maioria, adotou o Finalismo. 
 
- CAUSAS DE EXCLUSÃO DA CONDUTA: 
a. Caso fortuito ou força maior; 
 
 
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b. Involuntariedade: ausência da capacidade de dirigir a conduta de 
acordo com uma finalidade. 
- Estado de inconsciência completa: não existe comportamento voluntário 
(ex. sonambulismo, hipnose). 
- Movimento reflexo: sintoma de reação automática do organismo a um 
estímulo externo. Ato desprovido de vontade. Difere de ação em curto 
circuito. Enquanto movimento reflexo é impulso completamente fisiológico e 
desprovido de vontade (ex. susto); ação em curto circuito é o movimento 
relâmpago provocado pela excitação, é acompanhado de vontade (ex. 
excitação de torcida organizada). 
c. Coação física irresistível: não abrange a coação moral irresistível (esta é 
excludente de culpabilidade). 
 
Feitas as observações conceituais e teóricas iniciais, destaque-se que a 
conduta pode ser dividida em: 
A. Comissiva 
B. Omissiva 
 
B.1. Omissão própria  quando a lei caracterizar a simples omissão como 
delito, independente de resultado naturalístico. Quando não fazer, por si 
só, já se configura como crime, mesmo que não haja consequência 
nenhuma. (Ex.: abandono de incapaz ou omissão de socorro) Trata-se de 
crime de mera conduta, ou seja, basta que o agente pratique a conduta 
prevista na lei, não existindo qualquer resultado naturalístico previsto na 
norma. A adequação típica nos crimes omissivos próprios é direta e 
imediata. 
 
B.2. Omissão imprópria ou crime comissivo por omissão crime 
praticado pela omissão de agente garantidor (daquele que tinha o dever 
legal de agir). É aquele em que a omissão do agente produziu resultado 
concreto ao bem jurídico, dano este que o indivíduo poderia ter evitado. 
Ex.: Suponha que um salva-vidas está na piscina e atende o celular, 
desviando a atenção da piscina e uma pessoa vem a se afogar neste 
exato momento. – Nesse caso, o salva-vidas responde por crime a título 
de omissão imprópria, pois o agente era garantidor e omitiu socorro à 
vitima. (Crime comissivo por omissão homicídio). A adequação típica nos 
crimes omissivos impróprios é indireta ou mediata e a consumação se 
configura no exato momento da ocorrência do resultado naturalístico. 
 
- O DEVER DE AGIR INCUMBE: (ART. 13) 
a) à quem, por lei, tenha a obrigação de cuidado, proteção e vigilância; 
 
 
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Ex: Pais em relação aos filhos (mãe que não amamenta o filho – responde homicídio 
doloso ou culposo, depende apenas do animus do agente); 
Ex: Bombeiro que omite socorro, morrendo a vítima em perigo (responde homicídio 
doloso ou culposo, depende apenas do animus do agente). 
b) à quem assumiu responsabilidade de impedir o resultado; 
Ex. pessoa assume a responsabilidade de levar um bêbado para a casa(responde 
homicídio doloso ou culposo, depende apenas do animus do agente). 
c) à quem com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do 
resultado. 
Ex. pessoa que empurra outra que não sabe nadar na piscina (responde homicídio 
doloso ou culposo, depende apenas do animus do agente). 
 
- CRIMES OMISSIVOS: MODALIDADE TENTADA E CULPOSA: 
(1) Os crimes omissivos próprios não admitem a modalidade culposa e nem a 
modalidade tentada; 
(2) Os crimes omissivos impróprios admitem a modalidade culposa e a tentativa. 
 Segundo doutrina majoritária, ambos ADMITEM coautoria e 
participação. 
 
B.3. Crimes de conduta mista  São aqueles em que o tipo penal 
descreve uma conduta inicialmente positiva, mas a consumação se dá 
com uma omissão posterior (ex.: apropriação de coisa achada). São 
também chamados de crimes de ação múltipla cumulativa. 
 
2. resultado; Se não houver resultado não teremos crime, ou seja, o crime 
tentado também possui resultado, havendo, no mínimo, resultado 
normativo. Para o Direito Penal pátrio, todo crime tem que ter 
resultado, pois adotamos a TEORIA JURÍDICA, em que resultado é a 
lesão ou ameaça de lesão ao bem jurídico tutelado pela norma 
penal. Para a TEORIA NATURALÍSTICA, o resultado deveria pressupor 
modificação no mundo exterior e os crimes de mera conduta não 
possuiriam resultado. 
 
- Nesse sentido, partindo da TEORIA JURÍDICA DO RESULTADO, o resultado 
pode ser: 
 
A) Naturalístico ou concreto  quando a conduta gera dano concreto 
ao bem jurídico tutelado, ocasionando modificação do mundo exterior. 
 
B) Normativo ou formal  Resultado jurídico, ou normativo, é 
simplesmente a violação da lei penal, mediante a agressão do valor 
ou interesse por ela tutelado, sem modificação no mundo exterior. 
Todo crime, mesmo que tentado, terá resultado normativo, porém nem 
todo crime possuirá resultado naturalístico. 
 
 
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3. nexo causal; 
Emprega-se comumente a expressão “nexo causal” para referir-se à ligação 
entre a conduta e o resultado. O art. 13 do CP tem a ratio de determinar 
quem deu causa ao evento danoso, vislumbrado sob o nexo de 
causalidade. O tipo tem um plano subjetivo e um plano objetivo, sendo que 
o nexo causal está no plano objetivo do tipo. 
 
O art. 13, CP, adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais 
(teoria da equivalência das condições; teoria da condição simples; teoria da 
condição generalizada; causalidade simples; teoria da conditio sine qua 
non). A causa, segundo a Teoria Hipotética dos Antecedentes Causais, de 
Thyrén, é todo evento que, se eliminado mentalmente, faz desaparecer o 
resultado. 
 
A teoria da equivalência dos antecedentes causais SOMENTE SE APLICA AOS 
CRIMES DE RESULTADO MATERIAL, pois prevalece na doutrina o entendimento 
de que a expressão resultado, presente no art. 13, alcança apenas o 
resultado naturalístico. Destarte, o estudo da relação de causalidade tem 
pertinência apenas diante dos crimes materiais. 
 
* LIMITE À TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES: 
O limite à Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais se perfaz 
através da análise do elemento subjetivo do tipo – dolo e culpa – daqueles 
que participaram da cadeia de ação determinante para o delito. A 
imputação do crime, no entanto, não regressa ao infinito, pois é 
indispensável a CAUSALIDADE PSÍQUICA (se o agente agiu com dolo ou 
culpa) – evitando responsabilidade penal objetiva. 
 
Diante de crimes culposos, o nexo de causalidade deve ser apurado através 
da conduta descuidada e do resultado – infringência do dever de agir. Deve 
ser eliminada a imperícia, negligência ou imprudência a fim de se aferir a 
relação de causalidade entre a ação e o resultado. 
 
CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES: 
As causas absolutamente independentes são aquelas que estão fora da 
linha normal de evolução do perigo que se inicia a partir da conduta do 
agente. Nesse sentido, caso o agente dispare projeteis de arma de fogo 
contra Mévio, que antes fora envenenado por sua esposa e em virtude 
desta causa morrera, deve-se atribuir somente o resultado a título tentado 
(causa preexistente). Nos disparos em que o teto cai concomitantemente na 
 
 
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cabeça da vítima e esta vem a falecer por esta causa, o agente deve 
responder também pela tentativa de homicídio (causa concomitante). Assim 
como na hipótese de envenenamento da vítima e posterior assassinato dela 
a tiros por outrem, devendo o agente que envenenou responder por 
tentativa de homicídio. Em suma, diante das causas absolutamente 
independentes rompe-se o nexo de causalidade, respondendo o agente 
pelo crime na modalidade tentada. 
 
CAUSA SUPERVIENTE RELATIVAMENTE INDEPENDENTE 
A causa é relativamente independente quando a causa posterior é uma 
conseqüência lógica da ação do agente. A superveniência de causa 
relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, é 
suficiente a produzir o resultado. Ex.: Agente é alvejado por um tiro, é 
resgatado pela ambulância, mas ao ser levado ao hospital, o veículo 
capota e acaba por matar a vítima. Nesses casos, as causas, por mais que 
sejam uma conseqüência do agente – relativamente independente –, por si 
sós já produziriam o resultado morte e, desta forma, excluem a imputação, 
devendo o agente responder apenas pela tentativa. Nesse caso, a causa 
efetiva superveniente não está na linha de desdobramento causal normal de 
conduta concorrente, hipótese em que a causa é um evento imprevisível. 
 
No §1 do art 13 tem-se uma limitação a teoria da conditio sine qua non, 
considerando-se prevalente a TEORIA DA USALIDADE ADEQUADA (Cleber 
Masson). A Causalidade Adequada considera causa o ato antecedente 
indispensável à produção do resultado (que para a causalidade simples é o 
que basta). O agente aqui responde por tentativa de homicídio ou por 
lesão corporal, se essa era a finalidade dele. 
 
Já a causa superveniente, que não por si só produziu o resultado, está na 
linha normal de evolução causal da conduta concorrente. Assim, a causa 
efetiva é um evento previsível (ainda que não previsto. Por exemplo, o erro 
médico não constitui causa que por si só causaria o resultado, conforme 
entendimento do STJ, HC 42.559/PE. Aqui o agente responde pelo crime na 
modalidade consumada. 
 
No que diz respeito à infecção hospitalar, há divergência na jurisprudência, 
porém, há uma tendência de equiparar a infecção hospitalar ao erro 
médico, de modo a não excluir o nexo de causalidade, devendo o agente 
responder pelo homicídio consumado.(Prova Procuradoria do CE -2008) 
 
CAUSAS PRÉ-EXISTENTES E CONCOMITANTES 
 
 
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Trata-se de causas que já existem ou ocorrem ao mesmo tempo da ação do 
agente. A Jurisprudência dos Tribunais é, em sua ampla maioria, no sentido 
de que, tendo-se o § 1 do art. 13 referido, exclusivamente, às concausas 
relativamente independentes supervenientes, é porque as preexistentes e 
concomitantes NÃO têm o poder de romper o nexo causal. Dessa forma, se 
a concausa relativamente independente preexistir à conduta do agente, ou 
for simultânea a ela, responderá o agente pelo delito na modalidade 
consumada. 
 
Nesse sentido, Cleber Masson afirma que o caput do art. 13, caput, adotou 
Teoria da Equivalência das Causas. Por isso, expõe que, se não houvesse o 
ferimento ao hemofílico e o susto àquele que teve ataque cardíaco em 
decorrência da ameaça, ele não teria morrido daquela forma e naquele 
momento, fato este que deve ser imputado ao agente. Outrossim, Masson e 
Capez afirmam que o art. 13,1º adotou a Teoria da Causalidade Adequada, 
pois, havendo conduta superveniente que por si só caracterizaria a morte, 
ocorrerá rompimento do nexo de causalidade e ao agente não será 
imputado o resultado naturalístico advindo da concausa superveniente, 
somente sendo possível atribuir-lhe o resultado que diretamente produziu. Por 
certo que o indivíduo baleado e que, no momento do socorro, cai da 
ribanceira, não teria morrido se não tivesse sido baleado e socorrido. No 
entanto, como se está diante da Teoria da Causalidade Adequada, não se 
adota o mesmo raciocínio utilizado para aferir as hipóteses de causalidade 
preexistente e concomitante, visto que não há previsão legal dessas 
concausas no art. 13,1º e, como tal, deve-se seguir a Teoria da Equivalência 
dos Antecedentes. 
 
Contudo, para doutrina moderna, somente deverá ser imputado ao agente 
a responsabilidade penal em causas pré-existentes e concomitantes quando 
o agente tinha o conhecimento destas causas ou podia prevê-las, sob pena 
de caracterizar responsabilidade penal objetiva. Se Tício atira no braço de 
Mévio e este vem a morrer em virtude de hemofilia pré-existente, a 
responsabilização de Tício dependerá do conhecimento da causa pré-
existente. 
 
CRIMES COMISSIVOS POR OMISÃO - Relevância da Omissão (art. 13,2º, CP): 
A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir 
para evitar o resultado. O dispositivo é aplicado aos crimes omissivos 
impróprios, espúrios ou cometidos por omissão. Nesse sentido, a relevância 
da omissão pauta-se na cumulação da inação do agente, dever jurídico de 
agir e poder de agir. Para fins de análise do nexo causal nos crimes omissivos, 
 
 
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o art. 13,2º adotou a Teoria Normativa, situação em que somente se pune o 
agente se houver DEVER DE AGIR. 
 
Em sede de omissão própria, como não há resultado naturalístico, não se 
afere relação de causalidade, bastando o não agir para o crime estar 
consumado. Contudo, há crimes omissivos próprios que prevêem resultado 
naturalístico agravador (crime de omissão de socorro que resulta morte) e, 
nesses casos, devemos aferir o nexo de não impedimento em relação ao 
resultado majorante lesão corporal grave ou morte. 
 
O Código Penal Brasileiro ao trazer expressamente no art. 13º quem possui o 
dever de agir adota o CRITÉRIO LEGAL, rechaçando o CRITÉRIO JUDICIAL, 
hipótese em que seria deixado a cargo do judiciário aferir quem detém o 
dever de agir ou não. Nos crimes omissivos, o nexo de causalidade deve ser 
visto sob o seguinte prisma: A ação exigida evitaria o resultado? Caso a 
resposta seja positiva, deverá ser imputada a responsabilidade penal ao 
agente. 
 
Lembre-se que se o agente não estava presente no local, não poderá 
responder pelo crime de omissão, mesmo tendo o dever jurídico de agir, por 
ausência do “poder de agir”. Ex.: médico que sai mais cedo ou chega 
atrasado, ocorrendo morte do paciente nesse ínterim. 
 
Teoria da Imputação Objetiva (Jakobs e Roxin) 
Esta teoria foi desenvolvida pelos doutrinadores KARL LARENZ (1927) e 
RICHARD HONIG (1930), mas atualmente é representada pelos 
doutrinadores CLAUS ROXIN e GÜNTHER JAKOBS. 
Ao estudar a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais, 
percebemos que a causalidade simples, do ponto de vista objetivo, gera 
um regresso ao infinito (só evitando responsabilidade penal objetiva após a 
análise do dolo e da culpa). Portanto, a Teoria da Imputação Objetiva 
surgiu para colocar um freio na causalidade objetiva e seu regresso ao 
infinito, trazendo a figura do NEXO NORMATIVO. 
Porque a Teoria da Imputação Objetiva acrescentou o NEXO NORMATIVO? 
Com o objetivo de corrigir o regresso ao infinito da causalidade clássica, 
determina a imputação objetiva que sejam considerados, além no nexo 
físico, critérios normativos no momento da imputação do resultado, pois, 
pela Teoria da Equivalência, situações absurdas proporcionadas pela 
conditio sine qua non somente seriam evitadas em razão da análise do dolo 
e da culpa. Por exemplo, a mãe de um homicida seria causa do crime de 
homicídio, só não sendo penalmente responsabilizada por não haver dolo 
 
 
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ou culpa na sua conduta. 
Causalidade na 
Teoria da Equivalência 
Causalidade na 
Teoria da Imputação Objetiva 
A causalidade objetiva tem 
como único requisito o nexo 
causal/físico, ou seja, esta mera 
relação de causa e efeito, 
provocando o regresso ao 
infinito. 
Na causalidade objetiva além do 
nexo físico/causal, trabalhamos 
também com a figura do nexo 
normativo, ou seja, para esta 
teoria, causalidade objetiva é 
formada por nexo físico/causal + 
nexo normativo. 
O nexo normativo tem como 
requisitos: 
 a criação ou incremento de 
um risco proibido (não 
tolerado pela sociedade); 
 realização do risco no 
resultado (resultado na linha 
de desdobramento causal 
normal do risco); 
 resultado dentro do alcance 
do tipo. 
 
Esta teoria impede o regresso ao 
infinito. 
A Causalidade psíquica é a 
análise de dolo e culpa sendo 
este um filtro da causalidade 
física. Para esta teoria, no 
exemplo acima, observamos 
que a mãe de um homicida é 
causa, mas não é responsável 
pelo crime, pois não agiu com 
dolo ou culpa. 
Após a análise do nexo causal e o 
nexo normativo, que é o primeiro 
filtro da responsabilidade penal, 
passamos à análise da 
causalidade psíquica, ou seja, a 
análise do dolo e culpa, sendo 
esse o segundo filtro de 
responsabilidade penal. 
Elimina-se o regresso ao infinito 
apenas com o dolo e a culpa. 
Cria-se um filtro (nexo normativo) 
anterior ao dolo e a culpa, 
eliminando o regresso ao infinito 
antes desta etapa. Somente se o 
nexo normativo estiver presente 
que analisamos se há dolo ou 
culpa. 
Como analisamos esta diferença na prática? 
Com a Teoria da Imputação Objetiva, mãe de um homicida não é 
considerada CAUSA do crime de homicídio. Já na Teoria da Equivalência 
 
 
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das Antecedentes Causais, temos a situação absurda de considerar a mãe 
do homicida como CAUSA do homicídio praticado, sendo que esta só não 
é penalmente responsabilizada pelo crime porque não há causalidade 
psíquica, ou seja, dolo ou culpa. 
Observe que, com a Teoria da Imputação Objetiva a análise do nexo 
normativo antecede à análise do dolo ou culpa, impedindo o rótulo de 
CAUSA para comportamentos que não criaram (ou incrementaram) riscos 
proibidos, para riscos não realizados no resultado ou resultados não 
alcançados pelo tipo. 
Importante ressaltar que a Teoria da Imputação Objetiva não substitui a 
Teoria da Equivalência das Antecedentes Causais, sendo que esta apenas a 
complementa acrescentando o NEXO NORMATIVO. 
 
Requisitos do NEXO NORMATIVO: 
 
 Criação ou incremento de um riscoproibido (não tolerado pela 
sociedade): 
 
Para que alguém seja penalmente responsabilizado por seu ato, o resultado 
deve ser proveniente de um risco proibido criado ou incrementado pelo 
autor. Comportamentos de risco permitido são comuns e devem ser aceitos 
e tolerados pela sociedade, conforme bem expressa GÜNTHER JAKOBS em 
sua doutrina: 
“Qualquer contato social implica um risco, inclusive quando todos os 
intervenientes atuam de boa-fé: por meio de um aperto de mãos 
pode transmitir-se, apesar de todas as precauções, uma infecção; no 
tráfego viário pode produzir-se um acidente que, ao menos enquanto 
exista tráfego, seja inevitável; (...) Posto que uma sociedade sem riscos 
não é possível e que ninguém se propõe seriamente a renunciar à 
sociedade, uma garantia normativa que implique a total ausência de 
riscos não é factível; pelo contrário, o risco inerente à configuração 
social deve ser irremediavelmente tolerado como risco permitido.” 
Diminuição do risco – para a Teoria da Imputação Objetiva, não podemos 
imputar o resultado a um autor que modifica um curso causal de modo que 
o perigo já existente para a vítima seja diminuído, melhorando a situação 
objeto da ação. Ex.: Ao perceber que seu amigo será atropelado, Caio o 
empurra ao solo, vindo a quebrar o braço. 
Para a Teoria Clássica, Caio praticaria o fato típico expresso no crime de 
Lesão Corporal, sendo que o empurrão é causa e este agiu com dolo. 
Somente em uma análise posterior, Caio terá sua responsabilidade penal 
excluída, pois vai alegar estado de necessidade, excluindo a ilicitude. 
Para a Teoria da Imputação Objetiva, como Caio não criou ou incrementou 
o risco, mas apenas o diminuiu, não há possibilidade de imputação do 
 
 
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resultado ao autor, pois não há nexo normativo, portanto, não é causa, 
sendo sua conduta considerada FATO ATÍPICO. 
Observe-se que para a Teoria Clássica, Caio pratica um FATO TÍPICO, mas 
não ANTIJURÍDICO. 
 
 Realização do risco no resultado (resultado na linha de 
desdobramento causal normal do risco): 
 
Devemos analisar neste caso, se a ocorrência do resultado deve ser 
atribuída ao perigo criado ou incrementado pela conduta do agente. 
Portanto, se o resultado não estiver na linha de desdobramento causal 
normal da conduta do agente, não será considerado CAUSA. 
Na Teoria da Imputação Objetiva, o resultado não é atribuído ao autor nos 
casos de substituição de um risco por outro. Ex.: Caio atira em Tício com 
intenção de matá-lo, mas este morre no hospital oriundo de um erro 
médico. 
Para a Teoria Clássica, o erro médico é concausa relativamente 
independente superveniente que não por si só causou o resultado. Portanto, 
neste caso Caio responderia pelo crime de homicídio doloso consumado, e 
o médico responderia pelo crime de homicídio culposo. 
Pela Teoria da Imputação Objetiva, se o resultado é produto exclusivo do 
risco posterior (erro médico), então este só é atribuído ao autor desse risco, 
portanto o médico responde por homicídio culposo e Caio por homicídio 
doloso tentado. Porém, se o resultado é produto combinado de ambos os 
riscos (erro médico e disparo), então o resultado poderá ser atribuído aos 
dois autores. 
 
 Resultado dentro do alcance do tipo: 
 
Para haver a responsabilização criminal, é preciso que o perigo gerado pelo 
comportamento do agente esteja no alcance do tipo penal. Ex: Caio atira 
em Tício com intenção de matá-lo, mas ao ser socorrido, Tício morre diante 
de uma colisão entre a ambulância que o transportava e outro veículo. 
Para a Teoria Clássica, apesar de divergente, parte da doutrina entende 
que a colisão é concausa relativamente independente superveniente que 
não por si só produziu o resultado, estando dentro da linha de 
desdobramento causal normal, portanto, neste caso Caio responderia pelo 
crime de homicídio consumado. 
Já para a Teoria da Imputação Objetiva, Caio responderia apenas por 
homicídio tentado, pois não é objetivo do art. 121 do CP prevenir as mortes 
causadas por acidentes de veículos que não estejam sob o domínio direto 
ou indireto do autor de um disparo, ou seja, o resultado não é abrangido 
 
 
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pelo tipo. Portanto, neste caso o resultado morte não poderá ser imputado 
a Caio, que responderá apenas por tentativa de homicídio, pois os 
resultados que não pertencem ao domínio direto ou indireto do autor do 
disparo não podem ser-lhe imputados. 
 
 
Aplicação da Teoria da Imputação Objetiva pelo STJ: 
 
No jugado do HC 46.525-MT, da Quinta Turma do STJ, sob a relatoria do 
Ministro Arnaldo Esteves, julgado em 21.03.06, que o STJ já aplicou a Teoria 
da Imputação Objetiva para trancar uma ação penal, conforme exposto 
abaixo: 
“Processual penal. Habeas corpus. Homicídio culposo. Morte por 
afogamento na piscina. Comissão de formatura. Inépcia da denúncia. 
Acusação genérica. Ausência de previsibilidade, de nexo de 
causalidade e da criação de um risco não permitido. Princípio da 
confiança. Trancamento da ação penal. Atipicidade da conduta. 
Ordem concedida. 
1. Afirmar na denúncia que “a vítima foi jogada dentro da piscina por 
seus colegas, assim como tantos outros que estavam presentes, 
ocasionando seu óbito” não atende satisfatoriamente aos requisitos do 
art. 41 do Código de Processo Penal, uma vez que, segundo o referido 
dispositivo legal, “A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato 
criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do 
acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a 
classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas”. 
(...) 
5. Associada à teoria da imputação objetiva, sustenta a doutrina que 
vigora o princípio da confiança, as pessoas se comportarão em 
conformidade com o direito, o que não ocorreu in casu, pois a vítima 
veio a afogar-se, segundo a denúncia, em virtude de ter ingerido 
substâncias psicotrópicas, comportando-se, portanto, de forma 
contrária aos padrões esperados, afastando, assim, a responsabilidade 
dos pacientes, diante da inexistência de previsibilidade do resultado, 
acarretando a atipicidade da conduta. 
6. Ordem concedida para trancar a ação penal, por atipicidade da 
conduta, em razão da ausência de previsibilidade, de nexo de 
causalidade e de criação de um risco não permitido, em relação a 
todos os denunciados, por força do disposto no art. 580 do Código de 
Processo Penal”. (GRIFO NOSSO) 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10676044/artigo-41-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033703/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41
 
 
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Portanto, no caso concreto o STJ entendeu que a conduta dos agentes não 
gerou um risco proibido, não havendo nexo normativo, não havendo, 
portanto, Nexo de Causalidade, o que torna a conduta do agente fato 
atípico. 
 
ELEMENTO SUBJETIVO DA TIPICIDADE – DOLO E CULPA ART. 18 CP. 
Nos termos do CP, a caracterização de uma conduta dolosa não 
necessita do conhecimento da ilicitude dessa conduta e requer apenas a 
presença dos elementos que compõem o tipo objetivo: vontade e 
consciência. A consciência da ilicitude não pertence ao dolo (como se 
supunha no sistema neoclássico), mas integra a culpabilidade (como o 
demonstrou o finalismo). Segundo a doutrina, o dolo é elemento subjetivo do 
tipo; enquanto a culpa é elemento normativo, pois a sua constatação 
depende de um prévio juízo de valor – Bitencourt e Masson. 
 
1. Crime doloso se caracteriza quando o agente quis o resultado ou assumiu 
o risco de sua produção. 
 
Dolo Direto – quando o agente quis o resultado (TEORIA DA VONTADE). O 
agente, nesta espécie de dolo, pratica sua conduta dirigindo-se 
finalisticamente à produção do resultado por ele pretendido inicialmente. No 
dolo direto, o agente querpraticar a conduta descrita no tipo. 
 
(1) Dolo direito de primeiro grau – O dolo direto em relação ao fim 
proposto e aos meios escolhidos, dolo imediato. (ex: alvo principal de 
um ataque terrorista) 
 
(2) Dolo direto de segundo grau– também designado, na doutrina, 
como dolo de conseqüências necessárias, dolo necessário ou dolo 
mediato, é a intenção do agente, dirigida à produção de um 
resultado, não obstante, no emprego dos meios utilizados para obtê-lo, 
estejam incluídos outras conseqüências, outros efeitos colaterais 
praticamente certos. Imagine um terrorista que, objetivando matar um 
importante líder político, decida colocar uma bomba no automóvel 
oficial e, com a explosão, provoque a morte do político e do motorista. 
Haverá dolo direto com relação às duas mortes. A do líder político será 
imputada a título de dolo direto de primeiro grau e a do motorista, de 
segundo grau. 
 
Dolo Eventual – é espécie de dolo indireto e ocorre quando o agente tem a 
previsão do resultado e assume o risco de produzi-lo. (TEORIA DO 
 
 
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ASSENTIMENTO) No dolo eventual, o agente não pratica a conduta 
objetivando o resultado, mas ele pratica a conduta sabendo que este 
poderá gerar dano ao bem jurídico tutelado, aceitando eventual prejuízo ao 
bem protegido pela norma. 
 
DIFERENÇA ENTRE DOLO DIRETO DE SEGUNDO GRAU E DOLO EVENTUAL: O dolo 
de segundo grau é espécie do dolo direito, abarcado pela Teoria da 
Vontade, em que as consequências secundárias são inerentes aos meios 
escolhidos. No exemplo acima, o emprego da bomba resultará, 
obrigatoriamente, na morte do líder político e de seu motorista. Já no dolo 
eventual trabalha-se com o dolo indireto, abarcado pela Teoria do 
Assentimento e se verifica quando alguém assume o risco de produzir 
determinado resultado (embora não o deseje), porém o resultado não é inerente 
ao meio escolhido; cuida-se de um evento que pode ou não ocorrer. 
Suponha-se, no exemplo mencionado, que, quando da explosão, uma 
motocicleta passava ao lado do automóvel oficial, provocando a morte do 
motociclista (nesse caso, haverá dolo eventual, pois o falecimento deste não era inerente 
ao meio escolhido). 
 
DOLO ALTERNATIVO – é espécie de dolo indireto, assim como o dolo eventual 
e se verifica quando o agente deseja, indistintamente, um ou outro 
resultado. É o caso do agente que atira em um desafeto com o propósito de 
matar ou ferir. Se matar responde por homicídio e, se ferir, responde por 
tentativa de homicídio, pois a consequência é atribuir ao agente o resultado 
mais grave. 
 
O código penal brasileiro adota somente as teorias da vontade e do 
assentimento, sendo rechaçada a teoria da representação - Teoria da 
representação: haverá dolo quando o sujeito realizar sua ação ou omissão 
prevendo o resultado como certo ou provável (ainda que não o deseje) 
(Von Liszt e Frank). Por essa teoria, não haveria distinção entre dolo eventual 
e culpa consciente. 
 
DOLO ATUAL, ANTECEDENTE E SUBSEQUENTE: O dolo antecedente não é 
aceito em nossa legislação. O dolo deve ser sempre atual, ou seja, 
concomitante com o desenvolvimento da conduta. Assim, caso o agente 
pretenda matar seu desafeto em determinado dia, mas, apenas, 
posteriormente, o atropela, acidentalmente, matando-o, não poderá 
responder por crime doloso. Da mesma sorte que ocorre com o dolo 
antecedente, não aceitamos o dolo subseqüente. O dolo deve existir no 
exato momento da conduta. O exemplo, inclusive de Nucci, é o do sujeito 
 
 
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que, acidentalmente, atropela uma pessoa e, após, quando sai de seu 
veículo, percebe que se tratava de seu desafeto e sente-se realizado. Na 
verdade, no momento do atropelamento, ele não sabia que se tratava de 
seu desafeto e agira com culpa. 
 
DOLO DE PROPÓSITO E DOLO DE ÍMPETO (OU REPENTINO): O dolo de propósito 
é o que emana da reflexão do agente, ainda que pequena, acerca da 
prática da conduta (comum nos crimes premeditados). Já o dolo de ímpeto 
ou repentino se caracteriza quando o autor pratica o crime por paixão 
violenta ou excessiva perturbação de ânimo, não havendo intervalo entre a 
cogitação do crime e sua execução (comum nos crimes passionais). 
 
DOLO NORMATIVO E DOLO NATURAL: O Dolo normativo ou híbrido é adotado 
pela teoria neoclássica ou neokantista. Essa espécie de dolo integra a 
culpabilidade, trazendo, a par dos elementos consciência e vontade, 
também a consciência atual da ilicitude, elemento normativo que o 
diferencia do dolo natural. Já o dolo natural é o dolo componente da 
conduta, adotado pela teoria finalista. O dolo pressupõe apenas 
consciência e vontade. A consciência da ilicitude é elemento da 
culpabilidade, passando a ser POTENCIAL. 
 
DOLO CUMULATIVO: É o dolo típico da progressão criminosa em que o agente 
alcança dois resultados em sequência. Ex. roubo impróprio em que o agente tem o 
dolo inicial de furtar, porém o dolo se altera no curso do iter criminis e o agente 
acaba por empregar violência ou grave ameaça para garantir a subtração do 
bem. 
 
CRIME CULPOSO é o que se verifica quando o agente, deixando de observar 
o dever objetivo de cuidado, por imprudência, negligencia ou imperícia, 
realiza voluntariamente uma conduta que produz resultado naturalístico, não 
previsto nem querido, mas objetivamente previsível, e excepcionalmente 
previsto e querido, que podia, com a devida atenção, ter evitado. (Masson). 
 
a) Imprudência – precipitação, afoiteza (forma positiva da culpa – ação). 
Ex: conduzir veículo em alta velocidade em dia de chuva; 
b) Negligência (estrito sensu) – falta de precaução (forma negativa da 
culpa – omissão); Ex: conduzir veículo automotor com pneus gastos. 
c) Imperícia – falta de aptidão técnica para o exercício de arte, ofício ou 
profissão. Ex: Condutor troca o penal do freio pelo pedal da embreagem, 
não conseguindo para o automóvel. 
 
 
 
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Em regra, o crime culposo apresenta-se como tipo penal aberto. Contudo, 
nada impede que se preveja um crime culposo como tipo penal fechado, 
como ocorre no crime de receptação culposa – art. 180, 3º ou omissão de 
cautela (prevista no Estatuto de Desarmamento), na qual o legislador 
aponta expressamente como a conduta culposa deve se manifestar. 
 
Dentro de uma concepção finalista, a culpa é elemento normativo do tipo, 
pois a sua aferição depende de valoração no caso concreto por parte do 
juiz. No crime culposo, apesar da ausência de previsão, há a presença da 
previsibilidade objetiva, hipótese em que o homem médio, nas condições 
em que se encontrava, poderia antever o resultado produzido. 
 
A previsibilidade objetiva está relacionada à percepção do homem médio, 
elemento imprescindível para caracterização do crime culposo. Por 
previsibilidade objetiva, em suma, deve-se entender a possibilidade de 
antever o resultado, nas condições em que o fato ocorreu. A partir dela é 
que se constata qual o dever de cuidado objetivo (afinal, a ninguém se 
exige o dever de evitar algo que uma pessoa mediana não teria condições 
de prever. A imprevisibilidade objetiva desloca o resultado para o caso 
fortuito ou força maior, tornando o fato atípico. 
 
Ressalte-se, por fim, que, se houver previsibilidade objetiva, mas faltar a 
previsibilidade subjetiva (segundo as aptidões pessoais e capacidades 
internas do próprio agente), o fato será típico, mas não haverá 
culpabilidade, por se afastar o potencial conhecimento da ilicitude. 
 
FALTA DE PREVISIBILIDADE OBJETIVA: FATO ATÍPICO 
FALTA DE PREVISIBILIDADE SUBJETIVA: EXCLUI A CULPABILIDADE 
 
1. Culpa Inconsciente ou ex ignorantia: o agente delituoso NÃO 
consegue prever o resultado que, entretanto, era previsível 
objetivamente. Qualquer pessoa de diligência mediana teria 
condições de prever o risco. 
 
2. Culpa Consciente ou ex lascívia:o agente prevê o resultado, mas 
espera que ele não ocorra, supondo poder evitá-lo com suas 
habilidades ou com a sorte. O agente mais do que previsibilidade, tem 
previsão, porém o resultado continua involuntário. 
 
ATENÇÃO: O Código Penal brasileiro não distingue culpa consciente e culpa 
inconsciente para o fim de dar-lhes tratamento diverso, embora se saiba 
que, tradicionalmente, doutrina e jurisprudência têm considerado, a priori, a 
 
 
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culpa consciente mais grave que a inconsciente. A distinção entre culpa 
consciente e inconsciente tem relevo na dosimetria da pena. André Estefam. 
 
Dolo Eventual versus Culpa Consciente 
Em ambos há a previsibilidade objetiva e previsão do resultado, porém, na 
culpa consciente, ele tenta evitá-lo; enquanto no dolo eventual, mostra-se 
indiferente quanto à sua ocorrência, não tentando impedi-lo (o agente 
somente pratica a conduta por acreditar que não haverá dano ao bem 
jurídico tutelado). Bizu: lasque-se(dolo eventual) ou lascou (culpa 
consciente). 
 
Culpa Presumida ou “in re ipsa”: Tratava-se de modalidade de culpa 
admitida pela legislação penal anterior ao Código Penal de 1940. Consistia 
na simples inobservância de uma disposição regulamentar. Hoje a culpa não 
mais se presume, devendo ser comprovada. Nesse sentido, veja atual 
posição do STJ sobre o tema: Inobservância de eventual disposição 
regulamentar não se traduz em causa, mas ocasião do evento lesivo. 
 
CULPA PRÓPRIA E IMPRÓPRIA: Culpa própria ou propriamente dita é a que se 
dá quando o sujeito produz o resultado por imprudência, negligência ou 
imperícia e se funda no art. 18, II, do CP. É, portanto, a culpa tratada nos 
itens acima. A culpa imprópria é aquela em que o agente, por erro evitável, 
fantasia certa situação de fato, supondo estar agindo acobertado por uma 
causa excludente de ilicitude (descriminante putativa). Em razão disso, 
provoca intencionalmente um resultado ilícito. Apesar de a ação ser dolosa, 
o agente responde por culpa, por razões de política criminal (art.20, §1º, do 
CP). No mais, culpa imprópria é consequência da discriminante putativa por 
erro evitável. A estrutura do crime é dolosa, mas o agente é punido a título 
de culpa, sendo a única hipótese de culpa punida a título na modalidade 
tentada. 
 
GRAUS DE CULPA: O Direito Penal brasileiro refuta a divisão do crime culposo 
em graus. Ou há culpa e está configurada a responsabilidade do agente, ou 
não existe culpa e o fato é penalmente irrelevante. Porém, há quem 
defenda que os graus de culpa têm relevância para fins de fixação da pena 
base – art. 59 do CP- conforme assinala Estefam. 
 
Em regra, o crime culposo é material, ou seja, tem resultado naturalístico. 
Mas, será que existe crime culposo sem resultado naturalístico? SIM! 
Excepcionalmente o crime do art. 38 da lei de drogas é um exemplo de 
crime culposo sem resultado naturalístico, consumando-se com a simples 
entrega da receita ao paciente. (Prescrever, culposamente, drogas, sem que dela 
 
 
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necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas. Aqui o crime se consuma com a 
entrega da receita). 
 
PARTE 2. 
EXCLUDENTES DE ILICITUDE OU DE ANTIJURICIDADE: ART. 23 CP. 
Estado de necessidade; legitima defesa; estrito cumprimento do dever legal; 
exercício regular de direito 
 
Art. 23,III: Exercício Regular de Direito e Estrito Cumprimento do Dever Legal: 
Quando o agente atua inequivocamente de acordo com o que dispõe a lei, 
ele não pratica crime. A diferença entre eles é que no estrito cumprimento 
do dever legal existe a obrigação de atuar do agente (ex1. Policial que 
emprega violência necessária pra executar prisão em flagrante de perigoso 
bandido - art. 301, CPP / ex2. Juiz, na sentença, emite conceito desfavorável 
quando se reporta ao sentenciado – art. 142, III, CP) e no exercício regular de 
direito tem-se o direito respaldando determinada atuação, mas o agente 
atua se quiser e, assim agindo, estará em exercício regular de direito 
(respaldado juridicamente). 
 
ELEMENTO SUBJETIVO: No que tange ao estrito cumprimento de dever legal e 
exercício regular de direito, exige‐se que o sujeito tenha conhecimento de 
que está praticando o fato em face de um dever imposto ou permitido pela 
lei (elemento objetivo). Não há essa exigência expressa no CP, partindo de 
um entendimento da doutrina majoritária. * cuidado quando questionarem 
com base no CP apenas! 
 
Tanto o exercício regular de direito quanto o estrito cumprimento do dever 
legal são DESCRIMINANTES EM BRANCO, pois a presente descriminante não 
tem um artigo exclusivo anunciando seus requisitos objetivos. Trata-se de 
norma que precisa ser complementada com outra norma; em que o 
conteúdo da norma permissiva se deduz de outra norma jurídica (fenômeno 
que se assemelha à norma penal em branco), por exemplo, artigo 301 do 
CPP. 
 
Tipicidade conglobante: para os adeptos da tipicidade conglobante, o 
estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de direito não 
servem como causas excludentes de ilicitude, mas sim de excludentes da 
própria tipicidade. MUITA ATENÇÃO!!! 
 
- ESTADO DE NECESSIDADE - art. 23, I: 
 
 
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O estado de necessidade caracteriza-se pela colisão de interesses 
juridicamente protegidos, devendo um deles ser sacrificado em prol do 
interesse social. Assim, se há dois bens em perigo, permite-se que seja 
sacrificado um deles, pois a tutela penal não consegue proteger ambos. O 
fundamento jurídico reside no conflito de interesses diante de situação 
adversa. O agente atua pelo espírito de preservação, conservação, 
proteção, do bem jurídico em risco. 
 
Conceito Legal: Considera-se em estado de necessidade quem pratica o 
fato para salvar-se de perigo atual que o sujeito não provocou por sua 
vontade nem podia de outro modo evitar. No estado de necessidade deve-
se utilizar a razoabilidade entre a dicotomia de bens jurídicos disponíveis em 
relação ao sacrifício exigido pelo evento. 
 
No estado de necessidade os interesses em conflito são legítimos. Assim, é 
possível estado de necessidade X estado de necessidade – ex.: dois 
náufragos disputando um colete salva vidas. Quando confrontada a 
dicotomia dos bens jurídicos tutelados, na hora de fazer a escolha, não 
devemos nos atentar a quantidade de bens que estão sendo resguardados 
em detrimento do outro bem. Se o indivíduo opta por bem que não 
contempla a lógica do homem médio ao fazer a ponderação do bem 
jurídico protegido, ele deve responder pelo crime, contudo, a pena será 
reduzida de 1 a 2/3 (causa de diminuição de pena). Ex. Quando o agente 
preserva a vida do gato de estimação quando deveria ter optado pela vida 
de outrem. (art. 24,2º) 
 
O estado de necessidade não se confunde com a legítima defesa. Na 
legítima defesa, a reação se dá contra um bem jurídico pertencente ao 
autor da agressão injusta, enquanto no estado de necessidade a ação 
dirige-se, em regra, contra um bem jurídico pertencente a terceiro inocente. 
No estado de necessidade há ação; na legitima defesa, reação; porém, em 
ambas, há a necessidade de salvar um bem jurídico ameaçado. Assim, 
como a ação em estado de necessidade é legítima, não pode o terceiro 
atuar sob legítima defesa face ao estado de necessidade de outrem, no 
entanto, poderá combater o estado de necessidade de outrem atuando em 
seu estado de necessidade ou até mesmo em legítima defesa putativa, 
porém, não ser permite legitima defesa real em face de estado de 
necessidade. 
 
Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal (não é 
contratual) de enfrentar o perigo –art. 24, p.1 -, comportando-se exceções 
sob a égide da razoabilidade. 
 
 
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NATUREZA JURÍDICA: No que diz respeito à natureza jurídica doestado de 
necessidade, a doutrina é divergente, surgindo, assim, a teoria unitária e a 
teoria diferenciadora. A TEORIA UNITÁRIA entende que o estado de 
necessidade é hipótese de exclusão da ilicitude quando o bem jurídico 
protegido é de valor maior ou igual ao bem jurídico sacrificado. Na hipótese 
de bem de menor valor há redução de pena (Teoria adotada pelo Código 
Penal). Por outro lado, para a TEORIA DIFERENCIADORA, na hipótese de o 
bem jurídico protegido for de valor igual ou menor que o sacrificado, o 
estado de necessidade excluirá a culpabilidade. Somente excluirá a ilicitude 
quando o bem jurídico protegido for de valor maior que o bem sacrificado 
(Teoria adotada pelo CPM). 
 
- Agente não causador voluntário do perigo: ser causador voluntário é ser 
causador doloso do perigo, assim, o agente que culposamente provoca 
incêndio, por exemplo, pode alegar estado de necessidade (prevalece). Há 
corrente minoritária, no entanto, que diz que causador voluntário é o 
causador doloso ou culposo do perigo. 
 
Questão: Para agir em estado de necessidade de terceiro é necessária a 
autorização deste? 
1ª corrente: é dispensável a autorização do titular do direito, pois a lei não 
exige. Prevalece. 
2ª corrente: Quando o direito ameaçado for disponível, é necessário a 
autorização do terceiro. Assim, a autorização só é dispensável quando o 
direito ameaçado for indisponível. 
 
- SEGURANÇA PARTICULAR PODE ALEGAR ESTADO DE NECESSIDADE? 
1ª corrente: Entende que a impossibilidade de alegação do estado de 
necessidade abrange somente quem tem o dever legal derivado de 
mandamento legal, isto é, os presentes no art. 13, §2º, ‘a’, CP (ex. abrange o 
bombeiro, mas não abrange o salva-vidas). A partir desse entendimento, o 
segurança particular poderia alegar estado de necessidade. 
2ª corrente: por dever legal entende-se dever jurídico de agir, abrangendo 
todas as hipóteses de dever legal do art. 13, §2º, ‘a’, ‘b’ e ‘c’ (ex. abrange o 
policial e a babá). A partir desse entendimento, o segurança privado não 
pode alegar estado de necessidade. Prevalece. 
 
Um bombeiro num incêndio tem que salvar duas pessoas, mas ele só pode 
salvar uma delas – uma criança e um idoso. Qual delas o bombeiro deve 
salvar? Qualquer uma delas, pois ambas são vidas. 
 
 
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- ESTADO DE NECESSIDADE DEFENSIVO E AGRESSIVO: 
1. No Estado de Necessidade Defensivo a conduta ou ação do agente é 
direcionada à fonte do perigo. Ex.: cachorro ataca uma pessoa e é 
morto por aquele que sofre a agressão. 
2. Já o Estado de Necessidade Agressivo ocorre quando é atingido 
terceiro que não é a fonte do perigo. Ex.: Mévio dirigindo dentro da 
legalidade se depara com um caminhão desgovernado em sua 
direção, sendo que institivamente joga o seu veículo para a outra 
pista, atingindo o veículo que estava ao seu lado e matando uma 
pessoa (que não era fonte do perigo). 
 
- ATENÇÃO: não se admite estado de necessidade diante de delito habitual 
ou crime permanente, pois os requisitos da referida justificante são 
incompatíveis com os momentos consumativos dos crimes permanentes 
habituais. Ex. mãe que acorrenta filho em casa para ele não consumir 
drogas (comete crime de cárcere privado – há inexigibilidade de conduta 
diversa – exclui a culpabilidade); ex. 2. Estudante de medicina que evita 
epidemia (comete crime de exercício irregular da medicina – inexigibilidade 
de conduta diversa), mas sem que se exclua a ilicitude do fato. *** 
 
LEGÍTIMA DEFESA - Art. 23,II c/c art. 25: 
A legítima defesa ocorre quando o agente reage para repelir injusta 
agressão, atual ou iminente, usando moderadamente os meios necessários 
para salvar direito próprio ou alheio. Todos os requisitos objetivos estão no 
art. 25: (1) reação usando moderadamente dos meios necessários; (2) 
agressão injusta; (3) atual ou iminente; (4) salvar direito próprio ou alheio. 
 
Atenção: a injusta agressão não precisa ser típica, mas deverá ser no mínimo 
um ato ilícito em sentido amplo, por inexistir legítima defesa contra atos 
lícitos.” Ex.: legítima defesa contra furto de uso. (atípico – porém, agressão 
injusta). 
 
A injusta agressão deve ser dolosa para autorização da legítima defesa? Há 
dois entendimentos: 
1ª corrente: a agressão pode ser dolosa ou culposa, desde que injusta (ex. 
veículo desgovernado vem na direção de ‘A’. Este, para escapar da colisão 
fatal, desvia e mata um pedestre. Houve legítima defesa). Prevalece 
2ª corrente: a agressão deve ser dirigida, com destinatário certo, 
pressupondo dolo. Não é possível legítima defesa de agressão culposa. 
 
 
 
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ELEMENTO SUBJETIVO: Para que se possa falar em legítima defesa ou mesmo 
estado de necessidade, não basta a presença de seus elementos de 
natureza objetiva, elencados no art.24 e 25 do CP. É preciso que, além deles, 
saiba o agente que atua nessa condição, ou, pelo menos, acredita agir 
assim, pois, caso contrário, não se poderá cogitar de exclusão da ilicitude de 
sua conduta, permanecendo esta, ainda, contrária ao ordenamento 
jurídico. Assim, necessário se faz à caracterização da legítima defesa o 
chamado animus defendendi, traduzindo-se na finalidade de defender a si 
ou a terceira pessoa. Contudo, vale ressaltar que não há essa exigência na 
literalidade da norma, partindo de uma interpretação doutrinária e 
jurisprudencial acerca dos requisitos das excludentes de ilicitude. 
 
Obs.: Na legítima defesa há injusta agressão (não é provocação) atual ou 
iminente; enquanto no estado de necessidade há apenas o perigo atual. 
Insta destacar que a jurisprudência majoritária vem admitindo tanto a 
legitima defesa putativa quanto o estado de necessidade putativo. Não 
obstante, alguns doutrinadores aduzem não ser admitido estado de 
necessidade putativo, levando-se em consideração que o perigo aqui é 
atual, não comportando erro quanto à situação fática, como ocorre na 
legitima defesa, pois lá se admite a atuação ante ao perigo iminente. 
 
1. Perigo atual: é o perigo concreto, perigo que já existe, perceptível pelo 
agente. 
2. Perigo Iminente: É o perigo que está em vias de se manifestar. 
 
Aquele que provoca a agressão não pode valer-se do instituto da legitima 
defesa caso o provocado venha a reagir. (AFASTA A AGRESSÃO INJUSTA) 
Não é cabível legitima defesa real contra legitima defesa real, porém é 
possível legitima defesa real contra legitima defesa putativa. Admitindo-se 
também legitima defesa putativa face à legitima defesa putativa, pois 
ambos os comportamentos serão injustos. 
 
LEGÍTIMA DEFESA EM ABERRATIO ICTUS: De acordo com Rogério Greco, pode 
ocorrer que determinado agente, almejando repelir agressão injusta e 
agindo com animus defendendi, acabe ferindo outra pessoa que não o seu 
agressor (que é o caso em questão) ou mesmo ferindo a ambos (agressor e 
terceira pessoa). Nesse caso, embora tenha sido ferida ou mesmo morta 
outra pessoa que não o seu agressor, o resultado advindo da aberração no 
ataque estará TAMBÉM amparado pela causa de justificação da legítima 
defesa, não podendo, outrossim, por ele responder criminalmente. Contudo, 
vale lembrar que, civilmente, o agente poderá responder pelo dano 
 
 
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causado ao terceiro que não tenha provocado a conduta defensiva por 
parte do agente. Contudo, Aníbal Bruno afirma que, não havendo reação 
contra o injusto agressor, atingindo um inocente, deve-se alegar estado de 
necessidade e não legítima defesa (minoritário). 
 
LEGÍTIMA DEFESA FACE À LEGÍTIMA DEFESA EM ABERRATIO ICTUS: Desta feita, 
se considerarmos a aberratio ictus em legítima defesa como um ato ilícito 
civil, este estará apto a preencher o requisito de agressão injusta necessário 
para a configuração da reação em legítima defesa, o que acabaria por 
ensejar uma impropriedade teórica,qual seja: legítima defesa real contra 
legítima defesa real em erro na execução. Neste sentido: Cezar Roberto 
Bitencourt, Eugenio Raul Zaffaroni, Francisco de Assis Toledo, Heleno Cláudio 
Fragoso e outros mais. 
 
LEGITIMA DEFESA ANTECIPADA, PREVENTIVA OU PREORDENADA: ocorre 
quando ausente o requisito da iminência ou atualidade da injusta agressão, 
não sendo considerada verdadeira hipótese de legítima defesa, mas sim 
espécie de inexigibilidade de conduta diversa por parte do agente agressor, 
excluindo a culpabilidade. Podemos exemplificar a legítima defesa 
antecipada da seguinte forma: “A” traficante de drogas promete a “B” que 
irá matá-lo assim que o encontrar. Considerando que “A” seja altamente 
perigoso e que costuma cumprir suas promessas.“B” resolve se antecipar a 
conduta de “A” e o mata, a fim de que cesse a ameaça certa de sua 
morte. (Luiz Flávio Gomes) 
 
LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA OU PENDULAR: É a legítima defesa face ao 
excesso culposo ou doloso contra aquele que estava em legítima defesa, 
porém extrapolou o permitido por lei. 
 
LEGÍTIMA DEFESA SUBJETIVA: Fale-se em legítima defesa subjetiva na hipótese 
de excesso praticado em erro invencível, posto que, qualquer pessoa, na 
mesma situação, e, diante das mesmas circunstâncias, agiria em excesso. 
Trata-se de causa supralegal de inexigibilidade de conduta diversa, que 
exclui, portanto, a culpabilidade. 
 
Conceitos específicos aos institutos Legítima Defesa e Estado de 
Necessidade: 
“In persona” – legitima defesa para proteger o seu próprio bem jurídico que 
estaria em risco. 
“ex persona” – legitima defesa para proteger bem jurídico de outrem. 
 
 
 
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A utilização moderada em legitima defesa está vinculada à utilização dos 
meios necessários para fazer cessar a injusta agressão. Trata-se do meio que 
o agente pode se utilizar, naquela circunstância, para fazer deter a 
agressão, independente se estou com uma arma e o agressor com uma 
faca e independente da quantidade de tiros. O agente deve atuar 
moderadamente, ou seja, deve atuar até o limite para fazer cessar a 
violência injusta. Quando o agente atua além do limite para fazer deter a 
agressão responde por excesso punível doloso ou culposo. (Ex. se eu tenho 
que dar três tiros porque o agente se levantava até o terceiro tiro e 
continuava vindo em minha direção para matar caracteriza-se como 
legítima defesa.) 
 
O excesso será doloso quando o agente, deliberadamente, aproveita-se da 
situação excepcional que lhe permite agir, para impor sacrifício maior do 
que o estritamente necessário à salvaguarda do direito ameaçado ou 
lesado. Configurado o excesso doloso, responderá o agente dolosamente 
pelo fato praticado, beneficiando-se somente pela atenuante do art. 65, III, 
c, ou com a minorante do art. 121, § 1º, quando for o caso. Será culposo o 
excesso quando o agente, por descuido ou imprevisão, ultrapassa os limites 
da ação de salvaguarda de um bem jurídico próprio ou alheio, ou ultrapassa 
o limite da conduta consentida, podendo decorrer de erro de tipo 
inescusável, ou mesmo de erro de proibição evitável (quanto aos limites da 
excludente). O excesso culposo só pode decorrer de erro, havendo uma 
avaliação equivocada do agente, quando, nas circunstâncias, lhe era 
possível avaliar adequadamente. 
 
Ademais, haverá excesso intensivo quanto à utilização do meio necessário, 
quando este é usado de modo mais forte, mais grave, mais violento, mais 
eficaz do que o suficiente para obstar a agressão. Será extensivo o excesso 
quando a repulsa prolongar-se no tempo, depois de cessada a agressão. 
AMBOS os excessos são ilícitos! Ademais, urge destacar que se houver 
excesso acidental (caso fortuito ou força maior) não há que se imputar 
responsabilidade penal ao agente, em virtude de ausência de nexo de 
causalidade. 
 
(STJ e STF): A legitima defesa, para ser reconhecida, deve gozar de 
razoabilidade e de inevitabilidade. 
 
CONSENTIMENTO DO OFENDIDO: 
O consentimento do ofendido atua como causa supralegal de exclusão da 
ilicitude quando diante de bem jurídico disponível, próprio, em 
 
 
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consentimento anterior ou concomitante à execução do fato, devendo o 
suposto ofendido ser agente capaz. Ex. piercing e tatuagem com anuência 
da parte. Ademais, se o consentimento é elementar do tipo, o 
consentimento do ofendido exclui a própria Tipicidade, como ocorre no 
caso do crime de estupro (art. 213), que exige a prática libidinosa contra a 
vontade da vítima. MAS, CUIDADO! O consentimento deve ser prévio ou 
concomitante. Se o consentimento for posterior a consumação do delito, 
poderemos estar diante de renúncia ou retratação, excludentes de 
punibilidade. Por fim, destaque-se que o agente deve ter ciência da situação 
de fato que autoriza a justificante (requisito subjetivo). 
 
A integridade física é bem disponível? Entende a doutrina que a integridade 
física é bem disponível quando: a) lesão for leve (ação penal pública 
condicionada a representação, lei 9.090/95); b) não contrariar a moral e os 
bons costumes. 
 
A CULPABILIDADE: 
A culpabilidade é o juízo de reprovação que recai sobre o autor culpado 
por um fato típico e antijurídico. Trata-se de requisito que possui os seguintes 
elementos: 
1. Imputabilidade; 
2. Potencial Consciência da Ilicitude; 
3. Exigibilidade de Conduta Diversa. 
 
TEORIAS SOBRE A CULPABILIDADE: 
T. PSICOLÓGICA T. PSICOLÓGICO‐NORMATIVA T. EXTREMADA OU 
NORMATIVA PURA 
Tem base Causalista. Tem base Neokantista. Tem base Finalista. 
Culpabilidade está dividida em 
espécies: 
a) dolo 
b) culpa 
O Dolo é normativo e compreende a 
atual consciência da ilicitude do fato. 
Culpabilidade não tem 
espécies, embora 
fundamentada na T. 
Causalista. 
Obs.1: Dolo e culpa migram 
para o fato típico. 
Obs.2: Dolo Natural 
constituído de consciência e 
vontade. 
 
 
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Pressuposto da culpabilidade é 
unicamente a imputabilidade. 
O Dolo aqui ainda é normativo, 
somado a atual consciência da 
ilicitude do fato. 
Elementos da culpabilidade: 
a) imputabilidade; 
b) exigibilidade de conduta 
diversa; 
c) culpa; 
d) dolo (consciência, vontade 
e consciência atual da ilicitude 
– dolo normativo). 
Adição de elementos normativos 
à culpabilidade. 
Elementos da culpabilidade: 
a) imputabilidade; 
b) potencial consciência da 
ilicitude. 
c) exigibilidade de conduta 
diversa; 
 A culpabilidade aqui possui apenas 
elementos normativos. A 
consciência da ilicitude cinde-se do 
dolo e passa a ser potencial. 
Teoria Psicológica da Culpabilidade 
Tem como precursor Von Liszt e Beling, e refletia a situação dogmática na 
Alemanha por volta de 1900. Segundo ela, a culpabilidade é um liame 
psicológico que se estabelece entre a conduta e o resultado, por meio do 
dolo ou da culpa. 
 
O nexo psíquico entre conduta e resultado esgota-se no dolo e na culpa, 
que passam a constituir, assim, as duas únicas espécies de culpabilidade. A 
conduta é vista em um plano puramente naturalístico, desprovida de 
qualquer valor, como simples causação do resultado. A ação é considerada 
o componente objetivo do crime, enquanto a culpabilidade passa a ser o 
componente subjetivo, apresentando-se ora como dolo, ora como culpa. 
 
Pode-se assim dizer que, para essa teoria, o único pressuposto exigido para a 
responsabilização do agente é a imputabilidade aliada ao dolo ou à culpa, 
conforme ensina Capez.. 
 
Teoria Psicológico-normativa ou normativa da culpabilidade 
Tem como precursor Reinhard Frank, passando a exigir como requisitos para 
culpabilidade algo mais do que “dolo ou culpa mais imputabilidade”. 
Buscava-se uma explicação lógica para situações como a coação moral 
irresistível, na qual o agente dá causa ao resultado com dolo ou culpa, é 
imputável,mas não pode ser punido. Essa teoria acrescentou mais um 
elemento à culpabilidade: exigibilidade de conduta diversa. 
 
Para esta teoria, o dolo era normativo, tendo em seu conteúdo a 
consciência atual da ilicitude, ou seja, o conhecimento de que a ação ou 
omissão é injusta aos olhos da coletividade. O dolo, portanto, era constituído 
pela consciência + vontade + consciência da ilicitude. Assim, se acaso o 
agente tivesse a consciência e a vontade de realizar a conduta, mas não 
soubesse que essa conduta, aos olhos da coletividade, era tida como injusta, 
não poderia ser responsabilizado por ela. 
 
 
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Teoria Normativa pura da culpabilidade 
A teoria normativa da culpabilidade nasceu com a teoria finalista da ação 
(década de 1930), que teve como precursores Hartmann e Graf Zu Dohna, 
Nesse momento, percebeu-se que o dolo não pode permanecer dentro do 
juízo de culpabilidade, deixando a ação humana sem o seu elemento 
característico, fundamental, que é a intencionalidade, o finalismo. 
 
Capez ensina: “Comprovado que o dolo e a culpa integram a conduta, a 
culpabilidade passa a ser puramente valorativa ou normativa, isto é, puro 
juízo de valor, de reprovação, que recai sobre o autor do injusto penal, 
excluído de qualquer dado psicológico. Assim, em vez de imputabilidade + 
dolo ou culpa + exigibilidade de conduta diversa, a teoria normativa pura 
exigiu apenas imputabilidade + exigibilidade de conduta diversa, 
deslocando dolo e culpa para a conduta. 
 
O dolo, que foi transferido para o fato típico, não é, no entanto, o normativo, 
mas o natural, composto apenas de consciência e vontade. A consciência 
da ilicitude se destacou do dolo e passou a constituir elemento autônomo, 
integrante da culpabilidade. Não mais, porém, como consciência atual, mas 
como possibilidade de conhecimento do injusto. Exemplo: a culpabilidade 
não será excluída se o agente, a despeito de não saber que sua conduta 
era errada, injusta, inadequada, tinha totais condições de sabê-lo” 
 
Teoria limitada e extremada da culpabilidade 
Ambas são derivações da teoria normativa pura da culpabilidade e 
divergem apenas quanto ao tratamento das descriminantes putativas. 
 
Para a teoria extremada, representada pelos finalistas Welzel e Maurach e, 
no Brasil, por Alcides Munhoz Netto e Mayrink da Costa, toda espécie de 
descriminante putativa, seja sobre os limites autorizadores da norma (por erro 
de proibição), seja incidente sobre situação fática pressuposto de uma 
causa de justificação (por erro de tipo), é sempre tratada como erro de 
proibição. Com isso, segundo Munhoz Neto, evita-se desigualdade no 
tratamento de situações análogas. 
 
Para a teoria limitada da culpabilidade, o erro que recai sobre uma situação 
de fato (descriminante putativa fática) é erro de tipo, enquanto erro que 
recai sobre a existência ou limites de uma causa de justificação é erro de 
proibição. Defendem-na, no Brasil, Assis Toledo e Damásio de Jesus. 
 
 
 
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QUAL A TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO? Teoria limitada 
da culpabilidade. As descriminantes putativas fáticas são tratadas como erro 
de tipo (art. 20, § 1o), enquanto as descriminantes putativas por erro de 
proibição ou erro de proibição indireto são tratadas como erro de proibição 
(art. 21). 
 
 Elementos da culpabilidade, segundo a teoria do Código Penal: 
- imputabilidade; 
- potencial consciência da ilicitude; 
- exigibilidade de conduta diversa. 
 
IMPUTABILIDADE 
A imputabilidade é a capacidade de imputação. Trata-se da capacidade 
mental de compreender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de 
acordo com esse entendimento, conforme se extrai do art. 26, caput, do CP, 
interpretado a contrario sensu. O código penal adota o critério 
biopsicológico, considerando não apenas o desenvolvimento mental do 
agente, mas também a capacidade de entendimento e de 
autodeterminação no momento da conduta. No que tange às questões 
etárias, o CP adota o critério puramente biológico. 
 
Art. 26 – Doença mental e desenvolvimento mental incompleto ou retardado: 
É isento de pena o agente que, por doença mental ou por desenvolvimento 
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação inteiramente incapaz de 
entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse 
entendimento.  Nesse caso, o resultado do julgamento será o da 
absolvição imprópria, hipótese em que o agente deverá cumprir medida de 
segurança, em virtude da inimputabilidade do agente. 
 
OBSERVAÇÃO: Em 1984 foi abolido o sistema do duplo-binário em que podia 
ser aplicada pena e também medida de segurança e passamos a adotar o 
sistema vicariante, em que se aplica pena ou medida de segurança. 
 
O art. 26, §único, do CP - Perturbação mental, desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado: Trata-se de hipótese de semi-imputabilidade. 
Aquele que possui perturbação mental ou desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado e não era inteiramente capaz de entender o 
caráter ilícito do ato praticado terá sua pena reduzida. A doutrina também 
conceitua essa causa de diminuição como IMPUTABILIDADE DIMINUÍDA OU 
RESTRITA. Sendo assim, após a condenação o juiz irá analisar duas 
 
 
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possibilidades: 1. pena com diminuição; ou 2. substituir a pena por medida 
de segurança. 
 
** Importante destacar que não basta apenas a doença mental, deve haver 
nexo de causalidade entre a doença e o fato praticado pelo agente, visto 
que o CP adota o critério biopsicológico. Assim, não basta a doença, é 
preciso a doença (+) a ausência de capacidade para entender o caráter 
ilícito ou determinar-se consoante esse entendimento. 
 
OBS.: O momento que será aferida a incapacidade do agente é o da pratica 
da conduta, sob a égide da Teoria da Atividade – Princípio da 
Simultaneidade ou Congruência. 
 
NÃO EXCLUIRÁ A IMPUTABILIDADE PENAL – Art. 28: 
(1) A emoção ou paixão; 
Tecnicamente a diferença é simples, a paixão se trata de sentimento prévio 
que tenha força de fazer com que o agente motive sua conduta em virtude 
deste sentimento. Já a emoção é um sentimento atual, casuístico, fugaz. 
(2) Embriaguez voluntária ou culposa pelo álcool ou substâncias análogas. 
 
 Emoção e Paixão Patológicas: Quando a perícia constatar emoção ou 
paixão patológicas, segundo a doutrina, o fato se amolda a uma 
espécie de doença mental, de modo a encontrar respaldo no art. 26, 
caput ou em seu parágrafo único, a depender do grau. 
 Embriaguez Patológica ou Toxicomania: pessoa viciada, dependente 
de alcóol. A OMS assevera que o vício em álcool e droga constitui 
doença mental, dessa forma, poderá haver exclusão da 
culpabilidade, não pela embriaguez, mas pela própria doença 
mental. 
 
Embriaguez: Ocorre quando o indivíduo está sob efeito de substância 
entorpecente, seja o entorpecente lícito ou ilícito. A doutrina entende por 
entorpecente toda e qualquer substância que tenha capacidade de alterar 
a percepção do indivíduo. 
 
 MODALIDADES DE EMBRIAGUEZ: 
A) Embriaguez quanto à sua origem: 
Voluntária ou culposa: É a modalidade de embriaguez onde o individuo 
ingere a substância entorpecente por sua própria vontade, sem qualquer 
intenção indireta. Não excluem a culpabilidade! 
 
Preodenada: É modalidade de embriaguez em que o individuo ingere a 
substância entorpecente com o fito de encorajar-se para a prática de 
 
 
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delito. A embriaguez preordenada, além de não excluir a culpabilidade, 
é agravante genérica de pena. Art. 61, II,l, CP. 
 
Acidental (Proveniente de caso fortuito ou força maior): O indivíduo está 
embriagado em virtude de causa independente de sua vontade. Ex. 
Cidadão que cai dentro de um tonél de vinho / Ex. Boa noite Cinderela. A 
embriaguez proveniente de caso fortuitoou força maior isenta a pena, 
quando o individuo era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito 
do fato delituoso. Se a embriaguez for incompleta temos possibilidade de 
redução de pena em 1 a 2/3. 
 
B) Embriaguez quanto ao seu efeito: 
Embriaguez Completa ou plena: Quando a ingestão do entorpecente 
retira completamente a possibilidade do indivíduo em compreender o 
caráter ilícito de seu comportamento; Perda completa do discernimento. 
(Conduz à inimputabilidade, a depender da origem) 
Embriaguez Incompleta ou parcial: Quando a ingestão do entorpecente 
gera uma redução do discernimento do individuo, onde este encontra-se 
parcialmente impossibilitado de entender o caráter ilícito de seus atos. 
(Conduz à semi-imputabilidade, a depender da origem) 
 
Embriaguez Proveniente de Caso Fortuito ou Força Maior 
Completa Incompleta 
ISENTA A PENA REDUZ A PENA EM 1 A 2/3 
 
O que permite a punição do agente completamente embriagado, quando a 
embriaguez é voluntária, culposa ou preordenada? O completamente 
embriagado não tem capacidade de entendimento e de autodeterminação. 
Como pode ser imputável? Aplica-se a teoria actio libera in causa. Essa 
teoria analisará a imputabilidade e vontade quando a pessoa estava dando 
causa, ou seja, quando estava ingerindo a substância. Pela Teoria da Actio 
Libera In Causa, o ato transitório revestido de inconsciência decorre de ato 
antecedente que foi livre na vontade, transferindo-se para esse momento a 
constatação da vontade e da imputabilidade. Todavia, há controvérsia 
doutrinária acerca da extensão da teoria em questão, muitos reconhecendo 
em sua aplicação, se irrestrita, verdadeira hipótese de responsabilidade 
penal objetiva. 
 
POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE: 
Para se mostrar merecedor de pena, de acordo com o CP, deve o sujeito ter 
consciência do caráter ilícito de sua conduta. Logo, quando o indivíduo 
 
 
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carecer por completo da noção de que seu agir se mostrava ilícito, 
desconhecendo a existência de uma proibição reguladora de sua conduta, 
não deverá ser apenado, devendo ser excluída a sua culpabilidade. 
 
CRITÉRIOS PARA AFERIR A POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE: 
1) Critério Formal: proclama ser necessário o conhecimento do agente 
sobre a violação de alguma norma penal; 
2) Critério Material: baseia-se em uma concepção material do injusto, 
exigindo do sujeito o conhecimento da antissocialidade, injustiça e 
imoralidade de sua conduta. 
3) Critério Intermediário: originário dos estudos de Hans Welzel, sustenta que 
o conhecimento da ilicitude não importa em conhecimento da punibilidade 
da conduta, nem em conhecimento do dispositivo legal que contém a 
proibição do seu comportamento. O sujeito, embora não seja obrigado a 
proceder a uma valoração de ordem técnico-jurídica, deve conhecer, ou 
poder conhecer, com o esforço devido de sua consciência, com um juízo 
geral de sua própria esfera de pensamentos, o caráter ilícito do seu modo de 
agir. Basta, portanto, a valoração paralela da esfera do profano. Teoria mais 
aceita pela doutrina. 
 
A doutrina, até o período Neoclássico, considerou que a consciência da 
ilicitude deveria ser atual e ser examinada dentro do dolo, o qual, por tal 
razão, era considerado como híbrido ou normativo. A partir do advento do 
finalismo, tal entendimento fora superado, de tal modo que o dolo passou a 
se entender puramente natural ou neutro, desvinculado, destarte, da 
compreensão acerca do caráter ilícito do fato, a qual passou a ser 
considerada como potencial e elemento da culpabilidade. 
 
EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: 
Trata-se do último elemento da culpabilidade (normativo), que afirma que é 
preciso que se possa exigir do agente, na situação em que ele se 
encontrava, uma conduta diversa. Se, por outro lado, verificar-se que as 
condições exteriores não lhe davam outra saída senão agir daquela 
maneira, seu ato não poderá ser tido como censurável. São exemplos de 
inexigibilidade de conduta diversa: coação moral irresistível, ordem não 
manifestamente ilegal de superior hierárquico. 
 
- CAUSAS SUPRALEGAIS DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE: 
Ex.1: Cláusula (ou Fato) de Consciência: Nos termos da cláusula de consciência, é 
isento de pena aquele que, por motivo de consciência ou crença, pratica um 
injusto penal, desde que não ofenda direitos fundamentais. Houve um caso em que 
 
 
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uma pessoa foi ser ouvida como testemunha e viu na sala do juiz um crucifixo na 
parede. Essa testemunha se recusou a depor naquela sala, mesmo tendo o juiz dito 
que a pessoa deveria depor, e não calar a verdade. A testemunha saiu da sala de 
audiência e o MP a denunciou, ainda, pelos crimes de falso testemunho e 
desacato. O tribunal trancou a ação penal porque entendeu que a pessoa agiu 
por motivo de crença. 
Ex.2: Desobediência Civil: É um fato que objetiva, em última instância, mudar o 
ordenamento, sendo, no final das contas, mais inovador que destruidor. Tem como 
requisitos: 
(a) proteção de direitos fundamentais; 
(b) que o dano causado não seja relevante. 
Ex. Invasões do MST. Tem-se entendido que são atos destinados a mudar o 
ordenamento, buscando a proteção de direitos fundamentais, tendo mais caráter 
inovador do que destruidor. Mas, para isso, a invasão do MST não pode causar 
dano relevante. Se, por exemplo, a invasão do MST for armada, com depredação 
de propriedade, não caberá alegar a inexigibilidade de conduta diversa. 
Ex.3: Caso de uma mãe que deixa seu filho pequeno sozinho em casa porque 
precisa ir trabalhar. É evidente que ela age com imprudência, porém não se 
poderia exigir dela que adotasse outra conduta, já que não poderia abandonar o 
seu emprego, única fonte de renda da família. 
 
Importante destacar que a configuração dessas modalidades supralegais de 
exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa devem 
levar em consideração a atuação sob o prisma do homem médio e somente 
sendo aplicada quando não for possível aplicar qualquer outra excludente 
de culpabilidade. 
 
Art. 22 CP – Traz duas hipóteses de exclusão de culpabilidade : 
É ISENTO de pena aquele que agiu sob coação moral irresistível ou em estrita 
obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior HIERÁRQUICO, 
situação em que somente será punível o autor da coação ou da ordem 
(Excludente de Culpabilidade pautado na Inexigibilidade de Conduta 
Diversa). O coagido ou aquele que obedece à ordem não manifestamente 
ilegal, quando pratica o delito, atua como instrumento para prática do 
crime, no que concerne à autoria mediata. 
 
No que tange ao cumprimento da ordem do superior hierárquico deve-se 
enfatizar que a ordem deve ser LEGAL e que hierarquia é relação de Direito 
Público, exigindo-se relação inerente à administração pública, não sendo 
possível tal arguição no âmbito das relações particulares de hierarquia. 
Ademais, imperioso destacar que, se a ordem manifestamente ilegal for 
cumprida, aquele que der cumprimento poderá ser enquadrado como 
coautor ou partícipe do crime praticado. 
 
 
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ATENÇÃO: A coação que exclui a culpabilidade é a moral. Tratando-se de 
coação física, o problema não é de culpabilidade, mas sim do próprio fato 
típico, que não existe em relação ao coagido por ausência de conduta 
voluntária. 
 
Responsabilidade do Coator: Responde pelo fato típico e antijurídico 
praticado pelo coato, com a agravação de pena prevista no art. 62, II. Além 
disso, responde por crime de constrangimento ilegal (art. 146) por haver 
coagido o executor do delito. Há dois crimes em concurso formal: 
constrangimento ilegal e crime cometido pelo coato, sendo este agravado. 
No sentido do texto: RT, 393:376 e 450:378 e o subordinado será isento de 
pena, em razão da exclusão da culpabilidade.CUIDADO: Caso seja resistível a coação, ambos responderão pelo fato — 
coator e coagido; este com uma atenuante (art. 65, III, c,) e aquele com a 
agravante genérica do art. 62, II, do CP. 
 
É possível coação moral irresistível putativa e obediência hierárquica 
putativa? Sim, e a conseqüência é atribuir os efeitos do erro de proibição ou 
erro de tipo, a depender da casuística. Isso ocorre porque na coação moral 
irresistível putativa o agente acredita estar diante de uma coação. Na 
obediência hierárquica putativa, o agente supôs que sua conduta era lícita 
porque agiu na crença de que havia uma ordem de autoridade superior, a 
qual lhe pareceu legal – Damásio e André Estefam.

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