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Ergonomia e Segurança do Trabalho ME. MAÍLSON JOSÉ DA SILVA

Livro didático de graduação em Ergonomia e Segurança do Trabalho (Maílson José da Silva), 312 páginas, edição Unicesumar 2019, formato híbrido/EaD. Contém informações institucionais, palavra do reitor, boas‑vindas e foco em ergonomia, segurança e trabalho.

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Prévia do material em texto

G R A D U A Ç Ã O
Ergonomia e 
Segurança 
do Trabalho
ME. MAÍLSON JOSÉ DA SILVA
Híbrido
GRADUAÇÃO
Ergonomia 
e Segurança 
do Trabalho
Me. Maílson José da Silva
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a 
Distância; SILVA, Maílson. 
Ergonomia e Segurança do Trabalho. Maílson José da Silva. 
Maringá-PR.: Unicesumar, 2019. 
312 p.
“Graduação - Híbridos”.
1. Ergonomia 2. Segurança 3. Trabalho. 4. EaD. I. Título.
ISBN 978-65-5615-001-7
CDD - 22 ed. 331.259
CIP - NBR 12899 - AACR/2
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
Impresso por:
Coordenador de Conteúdo Fabio Augusto Gentilin 
e Crislaine Rodrigues Galan.
Designer Educacional Tacia Rocha.
Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira e Erica 
Fernanda Ortega.
Editoração André Morais de Freitas.
Ilustração Natalia de Souza Scalassara e Welington 
Vainer Satin de Oliveira.
Realidade Aumentada Autoria.
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e 
Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos 
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William 
Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de
Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. 
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James 
Prestes e Tiago Stachon; Diretoria de Graduação
e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de 
Permanência Leonardo Spaine; Diretoria de 
Design Educacional Débora Leite;Fukushima; 
Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey; 
Gerência de Produção de Conteúdos Diogo 
Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria 
Carolina Abdalla Normann de Freitas; 
Supervisão de Projetos Especiais Yasminn 
Talyta Tavares Zagonel; Projeto 
Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla 
Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock 
PALAVRA DO REITOR
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-
mos com princípios éticos e profissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois 
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos 
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo 
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, 
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de 
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil 
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo 
MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos 
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a 
instituição de educação precisa ter pelo menos 
três virtudes: inovação, coragem e compromisso 
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para 
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as 
quais visam reunir o melhor do ensino presencial 
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes 
áreas do conhecimento, formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-
munidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a 
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é 
importante destacar aqui que não estamos falando 
mais daquele conhecimento estático, repetitivo, 
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global, 
democratizado, transformado pelas tecnologias 
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de 
pessoas, lugares, informações, da educação por 
meio da conectividade via internet, do acesso 
wireless em diferentes lugares e da mobilidade 
dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e 
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber 
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e 
usar a tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação 
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato 
com ambientes cativantes, ricos em informações 
e interatividade. É um processo desafiador, que 
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores 
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida 
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que 
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você 
está iniciando um processo de transformação, 
pois quando investimos em nossa formação, seja 
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, 
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma 
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível 
de desenvolvimento compatível com os desafios 
que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o 
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa-
nhará durante todo este processo, pois conforme 
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na 
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação 
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado 
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como 
principal objetivo “provocar uma aproximação 
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita 
o desenvolvimento da autonomia em busca dos 
conhecimentos necessários para a sua formação 
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de 
crescimento e construção do conhecimento deve 
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos 
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar 
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas 
ao vivo e participe das discussões. Além disso, 
lembre-se que existe uma equipe de professores e 
tutores que se encontra disponível para sanar suas 
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren-
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO
Bem-vindo(a) à disciplina de Ergonomia e Segurança do Trabalho. Ao longo 
das nove unidades, estudaremos diversos tópicos relacionados à segurança 
e à saúde no desenvolvimento das atividades laborais em diferentes setores. 
Nosso material foi organizado pensando nos tópicos gerais que são estudados 
na Engenharia de Segurança do Trabalho. 
Como nosso objetivo é dar a você uma visão geral dos assuntos relacionados 
à segurança e à saúde no trabalho, conheceremos medidas de engenharia e 
medidas administrativas usadas na gestão da segurança do trabalho. 
Independentemente do curso de engenharia que você esteja frequentando, 
os conceitos aqui apresentados serão úteis no desenvolvimento de suas 
atividades. Afinal, como entendemos, ergonomia e segurança do trabalho 
devem estar presentes não apenasna execução de procedimentos, mas, 
antes, no projeto de produtos e instalações. Assim, se você pretende ser um 
engenheiro mecânico, civil ou de produção, os conceitos que estudaremos 
serão úteis em seu campo de trabalho.
Na Unidade 1, introduziremos o conceito de segurança do trabalho, mos-
trando sua relação com outras disciplinas e falaremos das ações que foram 
tomadas ao longo da História para proteger trabalhadores em seus ofícios. 
Explicaremos o conceito de risco ambiental e apresentaremos o processo 
geral de gerenciamento de riscos.
Na Unidade 2, entenderemos o que é um acidente do trabalho. Veremos a 
legislação que define o acidente do trabalho e os principais casos de ocorrên-
cia no mundo do trabalho. Listaremos algumas doenças ocupacionais que 
ocorrem devido à exposição aos riscos ambientais sem a devida proteção. 
Iremos explicar como é feita a investigação de acidentes.
Na Unidade 3, iniciaremos o estudo de Higiene Ocupacional. Veremos que 
esta é uma ciência, dentro da Segurança do Trabalho, usada para analisar 
a fundo a gravidade dos agentes ambientais, determinando se oferecem ou 
não risco à saúde dos trabalhadores. Iremos estudar o ruído, calor, radiações 
e vibrações.
Na Unidade 4, entenderemos algumas características dos agentes químicos. 
Veremos a importância de algumas características para determinar o risco 
dos produtos químicos e as medidas de proteção que devem ser tomadas. 
Estudaremos a hierarquia das medidas de controle usadas na manipulação 
de produtos químicos. Sublinharemos, também, os meios de controle da 
exposição a agentes biológicos, muito presentes nas atividades de hospitais, 
ambulatórios e laboratórios de pesquisa.
A Unidade 5 introduzirá os primeiros conceitos de Ergonomia. A antro-
pometria é apresentada como a base para o projeto de postos de trabalho 
e produtos que fiquem adequados às medidas corporais de seus usuários. 
A biomecânica ocupacional nos explica o funcionamento dos músculos e 
como estes podem ser usados da melhor maneira. A fisiologia do trabalho 
explica as diferenças dos organismos de indivíduos noturnos e diurnos.
Na Unidade 6, discutiremos os conceitos de iluminação, manuseio de cargas 
e trabalho noturno. Iremos aprender como é medido o nível de ilumina-
ção em um ambiente e como este pode ser avaliado quanto à adequação à 
atividade desenvolvida. Iremos estudar maneiras de manusear cargas para 
evitar a ocorrência de lesões na coluna vertebral. Estudaremos formas de 
organização de turnos para evitar os efeitos nocivos do trabalho noturno.
Na Unidade 7, estudaremos algumas ferramentas da Ergonomia: Análise 
Ergonômica do Trabalho (AET), Método NIOSH e Método RULA, que 
fornecem meios para fazer uma análise mais objetiva sobre condições ergo-
nômicas de postos de trabalho, levantamento de cargas e posições de trabalho.
Conheceremos as medidas de segurança utilizadas na indústria da Constru-
ção Civil. Na Unidade 8, iremos apresentar as medidas coletivas e individuais. 
Discutiremos, também, as características das áreas de vivência dentro de um 
canteiro de obras.
Por fim, na Unidade 9, veremos os aspectos de prevenção e combate a in-
cêndios. Apresentaremos as medidas de proteção ativas e passivas. Explica-
remos como é formada uma brigada de incêndio e descreveremos algumas 
das medidas de segurança especiais no manuseio de líquidos inflamáveis e 
combustíveis.
Ao final do material, esperamos que você tenha uma base para pensar em 
ações de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais em todas as ativi-
dades que for exercer como engenheiro. Comecemos então! Bons estudos!
CURRÍCULO DO PROFESSOR
Me. Maílson José da Silva
Possui Mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá, Especializa-
ção em Engenharia de Segurança do Trabalho e Graduação em Engenharia de Produção pela 
Universidade Estadual de Maringá (2010). Atualmente é engenheiro de segurança do trabalho 
e elaborador de provas de concursos públicos. Tem experiência na área de Engenharia de 
Produção e Segurança do Trabalho.
Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/2624890823247854
Introdução à 
Segurança 
do Trabalho
13
Acidentes do 
Trabalho 
e Doenças 
Ocupacionais
45
Higiene 
Ocupacional I
75
Higiene 
Ocupacional II
Ergonomia I
115
149
Ergonomia II
177
Ergonomia III
Segurança do 
Trabalho na 
Indústria da 
Construção Civil
237
Prevenção e 
Combate a 
Incêndios
271
207
30 Riscos em uma obra de construção civil
88 Formas de trasmissão de calor
131 Capela de exaustão química
Utilize o aplicativo 
Unicesumar Experience 
para visualizar a 
Realidade Aumentada.
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Me. Maílson José da Silva
• Apresentar a evolução histórica da segurança do trabalho.
• Definir os riscos ambientais presentes nos ambientes de 
trabalho.
• Explicar os processos básicos de gerenciamento de riscos 
ambientais.
Introdução à Segurança do 
Trabalho
Riscos Ambientais
Gerenciamento de Riscos
Introdução à 
Segurança do Trabalho
Introdução à 
Segurança do 
Trabalho
Ao ouvir o termo “trabalho”, que aspectos vêm 
à sua mente? Provavelmente você pensará nas 
operações que são realizadas nos diferentes ti-
pos de trabalho: colocar tijolos em uma parede, 
apertar um parafuso em uma fábrica, digitar 
um documento em um escritório utilizando um 
computador etc. Outro aspecto que você poderá 
pontuar são os benefícios do trabalho: produção 
de bens, serviços, renda e o desenvolvimento eco-
nômico. No entanto, queremos, aqui, chamar sua 
atenção a outro aspecto igualmente importante 
relacionado ao trabalho: a segurança e saúde dos 
trabalhadores. Este é um aspecto importante nas 
relações trabalhistas. A produção de bens e ser-
viços depende do labor dos mais diferentes tipos 
de profissionais. Atividades realizadas em escri-
tórios, de caráter mais intelectual, e atividades 
realizadas em campo, com maior esforço físico, 
demandam um ambiente seguro e saudável para 
que possam ser realizadas de forma sustentável 
por longos períodos.
15UNIDADE 1
A Segurança do Trabalho é a disciplina que 
estuda as relações entre trabalhadores e emprega-
dores com o ambiente de trabalho. Nesta área, são 
necessários conhecimentos de diversos ramos 
para promover ambientes de trabalho seguros 
e saudáveis: do Direito (legislação trabalhista, 
previdenciária, civil e penal), da Física, Química 
e da Engenharia (estudo da higiene do traba-
lho, projeto de sistemas de ventilação, projeto de 
proteções coletivas na construção de edifícios, 
controle de produtos perigosos etc.), da Psico-
logia (Psicologia Comportamental, Liderança, 
Motivação etc.), de Combate a Incêndios, de 
Ergonomia etc.
Segundo dados do Observatório de Seguran-
ça e Saúde no Trabalho (SMARTLABBR, 2019, 
on-line)1, desde o ano de 2012, ocorreram mais 
de 4,9 milhões de acidentes com trabalhadores 
com carteira assinada no Brasil. Houve um to-
tal de mais de 18.000 mortes de trabalhadores 
decorrentes dos acidentes. Os dias de trabalho 
perdidos com os acidentes somam mais de 389 
milhões de dias (equivalente a 1065 milênios). 
Dado o impacto dos acidentes na economia e 
na vida dos trabalhadores, hoje, diversas orga-
nizações públicas e privadas atuam na área de 
Segurança do Trabalho, tentando diminuir as 
estatísticas negativas. Até chegar ao patamar atual 
de preocupação e cuidado com segurança e saú-
de dos trabalhadores, diversas iniciativas foram 
tomadas ao longo da história. A seguir, apresen-
tamos algumas das quais possuímos registros.
Evolução Histórica da Segurança do Trabalho
Existem registros descrevendo aspectos de segurança e saúde no trabalho em civilizações antigas: 
babilônica, grega e romana. Os papiros egípcios Sallier II e Anastasi V, datados do século XX antes de 
Cristo, descrevem situações insalubres, perigosas e desgastantes nos ambientes de ofícios, tais como: 
ferreiro (mal cheiro do ambiente, desgaste da pele de trabalhadores), talhador de pedra (dores nos 
braços), barqueiro (esgotamento físicoe ataque de mosquitos), pedreiro (desgaste físico, fortes ventos, 
sujeira), dentre outras (EGIPTOSOCIEDADE, 2010, on-line2; MATTOS et al., 2011 apud BARSANO; 
BARBOSA, 2014).
Na Babilônia, o código de Hamurabi (datado de, aproximadamente, 1750 a.C.) descrevia a sentença 
de morte para arquitetos que projetassem uma casa que viesse a desmoronar e matar pessoas (MATTOS 
et al., 2011 apud BARSANO; BARBOSA, 2014).
Em Roma, atividades de risco eram delegadas a escravos (RODRIGUES, 1982 apud BARSANO; 
BARBOSA, 2014). Existia também uma instituição para tratar de questões trabalhistas, denominada 
de Collegia (FRIEDE, 1973 apud BARSANO; BARBOSA, 2014).
Na Grécia, Hipócrates descreveu a intoxicação saturnina em mineiros. Este tipo de intoxicação se 
dá pela exposição ao chumbo. Hipócrates, em seu tratado, explicava a relação entre o ambiente e a 
saúde das pessoas. Plínio, o Velho, em seu Tratado de História Naturalis, relata a exposição ocupacio-
nal a óxido de chumbo vermelho, mercúrio e poeiras. Descreve, também, que naquela época haviam 
máscaras rudimentares feitas de pano e bexiga de carneiro (BARSANO; BARBOSA, 2014). Para tratar 
de questões trabalhistas, existam os Erans (FRIEDE, 1973 apud BARSANO; BARBOSA, 2014).
16 Introdução à Segurança do Trabalho
Bernardino Ramazzini, médico Italiano (1633-1714), destacou-se na história da Segurança do 
Trabalho por estudar a exposição de agentes químicos em diversas atividades, relacionando-os com 
as doenças dos trabalhadores. Ele observou o acometimento de doenças em trabalhos envolvendo 
arsênico, calcário, gesso, tabaco, cereais em grão e corte de pedras.
Diversas iniciativas de proteção respiratória foram desenvolvidas ao longo da história. Leonardo Da 
Vinci descreveu o uso de um pano molhado para proteção respiratória e um equipamento denominado 
“snorkel”, que permitia o trabalho debaixo de águas. Este fornecia ar proveniente da superfície da água, 
por meio de um sistema de tubos e uma boia (TORLONI; VIEIRA, 2003).
Figura 1 – Aspectos de segurança e saúde no trabalho na Antiguidade
Fonte: o autor.
Na Modernidade, por outro lado, um meio “bizarro” de proteção respiratória foi usado no período 
de 1700 a 1800. Para ser bombeiro, um dos requisitos era que a pessoa tivesse barba grande e densa. 
Quando molhada, a barba era tomada nos dentes e usada como protetor respiratório nos combates 
a incêndios. Vale destacar que, embora seja um meio bem rudimentar, o “respirador” possivelmente 
filtrava gases solúveis em água e particulados maiores que fuligens e cinzas (TORLONI; VIEIRA, 2003).
Projetos de máscaras autônomas (respiradores com fornecimento de ar) foram desenvolvidos nos 
anos de 1800. Observe as imagens a seguir que ilustram o uso de dois tipos de respiradores.
ASPECTOS DE SEGURANÇA E SAÚDE
NO TRABALHO NA ANTIGUIDADE
BABILÔNIA
Código de Hamurabi (1750 a.C.)
Descrevia a sentença de morte 
para arquitetos que projetassem 
casas que desmoronasse e 
matasse pessoas
Bernardino Ramazzini 
(1633-1714)
Considerado o pai da 
medicina do trabalho, 
estudou a relação de 
agentes químicos com 
as doenças dos 
trabalhadores
ROMA
ITÁLIA
As atividades de risco 
eram feitas por escravos 
e a Collegia tratava de 
questões trabalhistas
Hipócrates
(460-370 a.C.)
Sistematizou a 
relação do 
ambiente e do 
trabalho na saúde 
das pessoas
GRÉCIA
17UNIDADE 1
Figura 2 – Desenho da primeira máscara autônoma de 
pressão positiva desenvolvida na Alemanha por Magirus 
– Meados de 1840
Fonte: Pritchard (1976, p. 7).
A máscara era feita de saco de lona e impermeabili-
zada com borracha. Veja a próxima (Figura 3).
Figura 3 – Desenho de más-
cara com filtro contra fumaça 
– utilizada em 1825
Fonte: Pritchard (1976, p. 5).
O capuz da Figura 3 foi desenvolvido para ser 
usado por bombeiros. O funil na parte inferior 
captava um ar menos contaminado próximo do 
solo. Este ar passava também por um filtro feito de 
pano, para reter partículas sólidas, e uma esponja 
molhada com água, para remover gases solúveis 
em água (TORLONI; VIEIRA, 2003).
Um importante filtro de contaminantes atmos-
féricos foi desenvolvido, em 1854, por John Tyn-
dall e E. M. Shaw. O filtro era constituído por três 
camadas: algodão seco, cal sodada e carvão ativo. 
Durante a Primeira Guerra Mundial, os ingleses 
desenvolveram os filtros eletrostáticos, consti-
tuídos de fibras de lã de carneiro com resina de 
breu. A sua eficiência era de 99,99% (TORLONI; 
VIEIRA, 2003).
Esses são alguns exemplos do quanto a prote-
ção respiratória foi cada vez mais impulsionada 
pelo aumento das atividades exploratórias, como 
a mineração e a exploração de petróleo. No Brasil, 
empresas estrangeiras se instalaram para fabricar 
e fornecer protetores respiratórios. Atualmente, 
existem diversos modelos de respiradores e no 
Brasil foi formado o CB-32 – Comitê Brasileiro 
de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) – 
, que desenvolve estudos visando a produção de 
equipamentos de qualidade e efetivos.
Ergonomia – Aspectos 
Históricos
A primeira definição de Ergonomia, datada em 
meados do século XIX, no escopo do movimento 
industrialista europeu, do polonês Jastrzebowski, 
estabelecia que o trabalho humano é um misto de 
esforço, pensamento, relacionamento e dedicação. 
Os termos gregos ergon + nomos, respectivamente 
trabalho e leis naturais, apregoam que os atributos 
humanos decrescem devido ao seu uso excessivo 
ou insuficiente.
18 Introdução à Segurança do Trabalho
A ergonomia visa, desde sua gênese, segundo Másculo e Vidal (2011), entender a realidade da 
atividade do trabalho. Este entendimento deve ser isento de julgamentos pessoais sobre as coisas, ou 
seja, é preciso utilizar observação e coleta de dados sobre os fatos que ocorre no ambiente de trabalho. 
Dessa forma, a Ergonomia possibilita uma descrição mais próxima do que realmente acontece no 
ambiente de trabalho, no uso e manuseio de um software ou na adoção de um layout organizacional 
de trabalho. O que realmente importa é como as coisas acontecem.
Entretanto, os primeiros estudos sobre as relações homem versus trabalho vêm desde a origem 
dos tempos. Utensílios de pedra lascada foram miniaturizados para melhoria da manuseabilidade 
e aumento de resultados produtivos com eficiência da caça e coleta. Com o ganho de eficiência na 
caça, permitiu uma divisão de trabalho diferente e diretamente a um aumento da população de seres 
humanos. Passando pelos egípcios, há registros de recomendações ergonômicas para fabricação de 
utensílios usados em construção civil e arranjos organizacionais para o canteiro de obra das pirâmides.
Ao avançar em uma viagem através do tempo, podemos observar alusões aos cuidados posturais 
com a figura de Leonardo da Vinci e seus estudos sobre a mecânica e medidas do corpo, também co-
nhecidos como biomecânica e antropometria. Além disso, este artista também desenvolveu estudos 
nas áreas de toxicologia e patologias do trabalho, advindos de aspectos físicos (temperatura e umidade) 
e químicos (vapores e poeiras). 
Na virada do século XIX para o século XX, a ergonomia deixa de ser ligada exclusivamente aos 
fisiologistas, profissionais que desenvolveram uma série de técnicas, métodos e equipamentos que 
permitiram mensurar, de forma efetiva, o desempenho do ser humano, e transforma os engenheiros 
como os principais agentes ergonômicos.
Forma-se a Ergonomia Clássica no período pós-guerra, como uma disciplina estruturada a partir 
de vários estudos. A partir deste momento, a ergonomia passa a ser entendida de forma mais ampla. 
Na sua aplicação, utiliza-se conhecimentos sobre anatomia, fisiologia e psicologia. Observa-se como 
o homem se relaciona com o seu trabalho – equipamentos e meio ambiente de trabalho. 
No período pós-guerras, especificamente após o término da Segunda Guerra Mundial, surgiu uma 
nova vertente da Ergonomia. Ela foi impulsionada pela necessidade de reconstrução da atividade 
industrial que foi destruída em decorrência da guerra. Com a necessidade de reconstrução, surgiramestudos sobre as condições de trabalho. Em especial, na indústria francesa de automóveis Renault, foi 
criado um laboratório industrial voltado à Ergonomia. A escola francesa de ergonomia possui uma 
questão própria que nos ajuda até os dias de hoje em como entender a importância desta ciência: 
como projetar novos postos de trabalho considerando a situação existente? Para tanto, surgiu a Aná-
lise Ergonômica do Trabalho (AET) – ferramenta utilizada e exigida nos dias atuais por força de Lei. 
Por meio da AET, o posto de trabalho pode ser concebido de tal forma a ser realmente utilizado pelo 
trabalhador no seu dia a dia.
No início do desenvolvimento dos estudos sobre a área, havia três linhas de pensamento: a primei-
ra oriunda das escolas de engenharia com desdobramentos sobre os cursos de desenho industrial; a 
segunda da escola brasileira de design; e a última das escolas de psicologia.
Ainda que de forma difusa e pontual, estes estudos determinaram várias contribuições para a ciência 
da ergonomia, adaptação de produtos e dos postos de trabalho. Muitas pesquisas evoluíram na área, 
além de integrar novos conhecimentos da fisiologia. Neste momento, diz-se que a ergonomia ainda 
19UNIDADE 1
era, aqui no Brasil, puramente universitária. Após este período de muito estudo e pesquisa, temos a 
fase de disseminação do conhecimento nos planos educacional, público e de mercado.
Instituições de SST
As instituições ligadas à área de segurança e saúde do trabalho estão presentes em diversos países, es-
pecialmente nos Estados Unidos e na Europa existem instituições de referência. Elas desenvolvem boas 
práticas, procedimentos e padrões de referência para todos os demais países. No Brasil, como uma das 
principais instituições, temos a presença da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina 
do Trabalho (FUNDACENTRO) que estuda e pesquisa as condições dos ambientes de trabalho. Ela 
produz materiais com orientações e especificações técnicas nas mais diferentes áreas, como no setor 
da Construção Civil, na Indústria Química e na Agricultura.
Confira, a seguir, a lista de alguns órgãos e instituições ligados à área de Segurança e Saúde do Trabalho:
• NIOSH (National Institute of Occupational Safety and Health) – agência norte Americana 
estabelecida em 1970, focada no estudo da saúde e segurança do trabalhador e no empodera-
mento de trabalhadores e empregadores para criar ambientes de trabalho seguros e saudáveis 
(NIOSH, 2018). Dentre os trabalhos desenvolvidos por esta instituição, destacamos o Manual 
de Estratégia da Amostragem, para avaliação da exposição ocupacional a agentes químicos.
• OSHA (Occupational Safety and Health Administration): organização que faz parte do 
Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. Ela estabelece padrões e promove treina-
mentos, educação e assistência na área de Segurança do Trabalho.
• ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists): estabelece limites 
de exposição ocupacional para agentes físicos e químicos. Estes limites são usados como 
referência no Brasil.
• AIHA (American Industrial Hygiene Association): fundada em 1939, é uma organização 
sem fins lucrativos voltada para os profissionais da higiene ocupacional. Estes fazem a an-
tecipação, reconhecimento, avaliação e controle de riscos ambientais (AIHA, 2019).
• ANIMASEG (Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao 
Trabalho): congrega empresas fabricantes de material de segurança do trabalho no Brasil 
(ANIMASEG, (2020),online)3.
• ABHO (Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais): associação criada em 1994 com 
fins de estudos e ações voltados para a Higiene Ocupacional. Por meio desta associação, o 
profissional de Higiene Ocupacional pode se qualificar e receber certificação na sua área 
de atuação (ABHO, (2020),online)4.
• Ministério da Economia: formado pelo antigo Ministério do Trabalho e Emprego. Este pu-
blicou a portaria n° 3.214, em 1978, que trouxe um conjunto de normas regulamentadoras 
com requisitos para o desenvolvimento de trabalho seguro e saudável no campo de trabalho 
brasileiro. As normas são de observância obrigatória pelas empresas privadas e públicas e 
pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, desde que possuam empregados 
regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (BRASIL, 1978a).
20 Introdução à Segurança do Trabalho
Todo trabalho e conhecimento desenvolvido ao 
longo dos anos estão voltados para a prevenção de 
acidentes e doenças ocupacionais. Como vimos, 
ações voltadas para a segurança no trabalho foram 
desenvolvidas aos poucos, à medida que doenças 
relacionadas ao trabalho foram identificadas e 
organizações formadas para defender os direitos 
dos trabalhadores foram instituídas. Ao longo dos 
anos, a relação entre o trabalho e doenças fica 
cada vez mais evidente. Isso acontece porque os 
ambientes de trabalho possuem riscos conhecidos 
como riscos ambientais que causam essas doen-
ças. A seguir, explicaremos o que são estes riscos.
21UNIDADE 1
Prezado(a) estudante, a palavra “risco” remete à 
ideia de algo que pode acontecer e que terá algu-
ma consequência (negativa ou positiva). Vivemos 
cercados de riscos: de morte, de bater o carro, de 
perder um ônibus, de obter sucesso com um novo 
produto, de se diferenciar da concorrência etc. 
Assim, é fácil assimilarmos o significado dessa 
palavra. E a palavra “ambiente”? Qual é o seu signi-
ficado? Você provavelmente não terá dificuldades 
para descrevê-la, pois vivemos no ambiente terres-
tre, trabalhamos em ambientes abertos e fechados, 
buscamos um ambiente tranquilo para descansar 
etc, ou seja, essa palavra é de uso corriqueiro e 
remete à ideia de um local em que ações de nos-
so interesse ocorrem. Contudo, juntando as duas 
palavras, o que seria um risco ambiental? Para 
responder, consideremos a realidade dos locais 
de nosso interesse: os postos de trabalho.
Riscos Ambientais
22 Introdução à Segurança do Trabalho
Uma atividade laboral sempre acontece em 
um ambiente, seja a céu aberto (construção civil, 
atividades de agricultura, escavações, capinagem 
de terrenos, corte de grama etc.) ou em locais 
fechados (atividades em laboratórios químicos, 
aulas, elaboração de projetos de engenharia, sol-
dagem de peças metálicas etc.). Esse ambiente, 
por conter uma série de elementos (também cha-
mados de agentes ambientais), como materiais 
utilizados no processo de trabalho, equipamen-
tos, fontes de energia, dentre outros, poderá ofe-
recer risco à saúde daqueles que atuam nele. 
Aluno(a), observe o destaque que fizemos no 
termo “poderá”. Queremos dizer que um ambien-
te de trabalho pode ou não oferecer risco à saúde 
dos trabalhadores.
Consideram-se riscos ambientais os agentes exis-
tentes nos locais de trabalho que, em função de 
sua natureza, concentração ou intensidade e de 
tempo de exposição a eles, são capazes de causar 
danos à saúde dos trabalhadores.
Fonte: adaptado de Brasil (1978a)
das pessoas que ali laboram. É preciso avaliar a 
quantidade de álcool presente no local, o tempo 
de permanência das pessoas próximo ao produ-
to e a concentração do referido agente químico. 
Podemos afirmar que um agente ambiental pode 
se transformar em um risco ambiental quando 
os três elementos natureza, concentração/inten-
sidade e tempo de exposição atuam de forma a 
oferecer um risco de agravamento à saúde dos 
trabalhadores.
A salubridade do ambiente de trabalho depende-
rá não somente dos agentes ambientais presentes 
no local, mas também da sua natureza, concen-
tração ou intensidade e tempo de exposição a 
esses agentes, por parte dos trabalhadores. Assim, 
por exemplo, a simples presença de álcool etíli-
co em uma sala não configura um risco à saúde 
Quantitativamente, podemos dizer que “risco” é o 
resultado da multiplicação entre a probabilidade 
de ocorrência de um determinado evento com o 
valor da sua consequência.
Para você entender melhor, anote aí os agentes 
ambientais (que podem setornar riscos ambien-
tais) passíveis de existirem em um ambiente de 
trabalho:
• Agentes físicos: ruído, calor, frio, radiação 
ionizante, radiação não ionizante e vibra-
ções.
• Agentes químicos: poeiras, fumos, né-
voas, particulados, gases e vapores.
• Agentes biológicos: bactérias, fungos, 
vírus etc.
Vamos entender um pouco mais sobre cada um 
deles?
23UNIDADE 1
Agentes Físicos
Os agentes físicos são formas de energia presentes nos ambientes 
de trabalho, talvez o mais conhecido deles seja o ruído. Este pos-
sui uma intensidade de pressão sonora que é medida em decibéis 
(dB). Quanto maior o valor da intensidade, maior pode ser o dano 
ao trabalhador exposto sem proteção adequada. Este dano pode 
ser tanto auditivo (perda auditiva induzida por ruído) como não 
auditivo. Assim, surge a questão: qual intensidade de ruído não 
irá causar perda auditiva nos trabalhadores? No Brasil, existe a 
portaria do Ministério do Trabalho e Emprego 3.214/78 que esta-
belece a norma regulamentadora NR-15 - Atividades e operações 
insalubres. Esta norma contém um quadro com a intensidade do 
ruído contínuo ou intermitente e o tempo máximo de exposição 
dos trabalhadores (ela contém, também, limites de tolerância para 
outros agentes ambientais). Veja, a seguir, as intensidades de ruído 
e o tempo máximo permitido para cada intensidade.
Tabela 1 - Limites de tolerância para ruído contínuo e intermitente segundo NR-15
NÍVEL DE RUÍDO dB(A) Máxima Exposição Diária Permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
Fonte: Brasil (1978b, on-line). 
24 Introdução à Segurança do Trabalho
Observe que a Tabela 1 se refere a limites de tolerância. Esse termo 
é muito comum na higiene ocupacional. O limite de tolerância de-
termina a intensidade ou concentração de um agente ambiental que 
não irá causar danos à saúde da maioria dos trabalhadores durante 
sua vida laboral. Isso por que a sensibilidade a cada agente ambien-
tal pode variar de pessoa para pessoa. Portanto, nem sempre uma 
exposição a agente ambiental abaixo do limite de tolerância pode 
garantir que não haverá agravos à saúde. Na coluna da esquerda, 
temos o nível de ruído medido em decibéis, e na coluna da direta, 
temos o tempo máximo permissível para o respectivo nível de ruído. 
Por exemplo, uma exposição de 85 dB(A) durante 8 horas é aceitável.
A Norma Regulamentadora NR-15 é utilizada para verificar a salu-
bridade dos locais de trabalho. É muito aplicada nos chamados lau-
dos de insalubridade e também no Laudo Técnico das Condições 
Ambientais do Trabalho (LTCAT), que é um documento utilizado 
nos processos de aposentadoria especial. Conheça mais a NR-15 
acessando o link: http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-
-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras
Para proteger os trabalhadores expostos ao ruído, pode-se aplicar 
medidas de controle coletivas e/ou individuais. As medidas cole-
tivas são aquelas que beneficiarão vários trabalhadores. Exemplos: 
retirada de fonte de ruído de um local (uma máquina ou ferramenta 
ruidosa), aperto de parafusos para evitar vibração excessiva em má-
quinas, instalação de camadas absorventes sobre a fonte geradora 
de ruído etc.
Após a aplicação das medidas coletivas, são aplicadas as medidas 
individuais. Em alguns casos, essas são as únicas medidas aplica-
das. Elas se constituem em fornecer os chamados equipamentos de 
proteção individual (EPI).
Existem, no mercado, os protetores auriculares de inserção ou o 
tipo concha. O primeiro é inserido no canal auditivo do usuário e 
o segundo não é inserido, ele apenas cobre o ouvido. Eles podem 
ser utilizados individualmente ou de forma combinada. A espe-
cificação do equipamento adequado dependerá da intensidade 
do ruído. Por exemplo, se em 8 horas de trabalho o trabalhador 
fica exposto a ruídos acima 
de 85 dB(A), será necessário 
um equipamento que atenue 
a exposição no ouvido do tra-
balhador, no mínimo, para ní-
vel inferior de 85 dB(A). Cada 
equipamento possui um nível 
de atenuação que pode variar 
em função da frequência de 
som. Isso significa dizer que, 
além de conhecer a intensida-
de do ruído no local, é preci-
so conhecer a sua frequência 
(medida em Hertz (Hz)) para 
determinar o equipamento de 
proteção individual mais ade-
quado.
Um segundo tipo de agente 
físico é o calor, que é também 
uma forma de energia que pode 
ser transmitida por três manei-
ras: condução, convecção e irra-
diação. Na condução, o calor é 
transmitido de um sólido para 
outro, por meio de contato. Na 
convecção, o calor é transmi-
tido por meio de fluidos, seja 
de camadas de ar com maior 
temperatura para camadas mais 
frias ou massas de um líquido, 
por exemplo a água, com maior 
temperatura para outra massa 
de líquido fria. Na irradiação, 
o calor se propaga pelo ar de um 
corpo com maior temperatura 
para outro de menor tempera-
tura. Isso acontece em regiões 
próximas de fornos que trans-
mitem o calor para o ambiente 
vizinho. A exposição ao calor 
ocorre em ambientes abertos 
25UNIDADE 1
(trabalho na construção civil, condução de veí-
culos, instalação de redes elétricas e cabos de fio 
de telefone etc.) e fechados (cozinhas industriais, 
operação de fornos em indústrias, fundições etc.).
Para avaliar se o ambiente de trabalho oferece 
riscos à saúde dos trabalhadores devido à exposi-
ção do calor, bem como para implementar pausas 
adequadas para evitar a sobrecarga térmica, po-
de-se medir a temperatura do local pelo chamado 
Índice de Bulbo Úmido e Termômetro de Globo 
(IBUTG). Este índice é medido por meio de três 
instrumentos de medição: termômetro de bulbo 
seco (Tbs), termômetro de globo (Tg) e termô-
metro de bulbo úmido natural (Tbn). Compa-
ra-se o valor medido com valores estabelecidos 
na já citada norma regulamentadora NR-15 e/
ou na Norma de Higiene Ocupacional NHO-06 
- Avaliação da Exposição Ocupacional ao Calor. 
Algumas medidas de controle para evitar a so-
brecarga térmica são: aclimatizar trabalhadores 
que estarão expostos constantemente ao calor; 
conceder pausas para descanso fora do local de 
exposição ao calor; isolar termicamente as fontes 
de calor; diminuir o tempo de exposição etc.
O terceiro tipo de agente físico conhecido é o 
frio. Na verdade, ele se refere à falta de calor ade-
quado em ambientes de trabalho. A exposição ao 
frio acontece em câmaras refrigeradas, açougues e 
indústrias alimentícias. Ela pode acontecer em lo-
cais geográficos em que a temperatura é mais bai-
xa. De acordo com Vendrame (2015), o frio pode 
provocar o enregelamento dos membros, pois a 
circulação periférica do corpo fica reduzida. Isso 
pode se agravar, formando gangrena e até a ampu-
tação de membros. De forma legal, o artigo 253 da 
Consolidação das Leis do Trabalho estabelece que:
Art. 253 - Para os empregados que trabalham no interior das câmaras frigoríficas e para os que movi-
mentam mercadorias do ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa, depois de 1 (uma) hora 
e 40 (quarenta) minutos de trabalho contínuo, será assegurado um período de 20 (vinte) minutos de 
repouso, computado esse intervalo como de trabalho efetivo.
Parágrafo único - Considera-se artificialmente frio, para os fins do presente artigo, o que for inferior, 
nas primeira, segunda e terceira zonas climáticas do mapa oficial do Ministério do Trabalho, Industria 
e Comercio, a 15º (quinze graus), na quarta zona a 12º (doze graus), e nas quinta, sexta e sétima zonas 
a 10º (dez graus) (BRASIL, 1943).
Esse dispositivo legal traz uma medida de controle 
para a exposição ao frio (pausas a cada 1 hora e 40 
minutos, no caso de trabalhadores no interior de 
câmaras frigoríficas) e também estabelece o que é o 
ambiente artificialmentefrio. Observe que esse am-
biente pode variar conforme a região geográfica do 
Brasil. Além da concessão de pausas, outras medi-
das são: fornecer equipamento de proteção indivi-
dual, como luvas, botas e capuz; realizar o controle 
médico dos trabalhadores expostos e transmitir 
informações sobre procedimentos de segurança e 
saúde para trabalhar em ambientes frios.
Outros agentes físicos que podem ser encon-
trados nos ambientes laborais são as radiações 
ionizantes e não ionizantes. As radiações io-
nizantes provocam a cisão de átomos, elas são 
representadas pelo raio-x, partículas alfa, beta e 
gama, dentre outras substâncias com esse potencial 
de ionização. São muito utilizadas na medicina, 
para diagnósticos e tratamento de doenças, seus 
efeitos são somáticos – que não se transmitem 
hereditariamente – ou genéticos – cujos efeitos 
se transmitem hereditariamente. Alterações nos 
sistemas humanos podem ocorrer, como altera-
26 Introdução à Segurança do Trabalho
ção do sistema hematopoiético (diminuição no 
número de plaquetas, por exemplo), no aparelho 
digestivo, na pele, no sistema reprodutor (redução 
da fertilidade), nos olhos, no sistema cardiovascu-
lar, no sistema urinário e no fígado (SALIBA, 2014). 
Como medidas de controle para esse tipo de agente, 
temos a blindagem de fontes de radiação ionizan-
te, utilizando materiais como chumbo, concreto e 
metal. Indivíduos expostos devem ser monitorados 
e deve-se afastar mulheres grávidas desse tipo de 
risco ambiental. Aumentar a distância entre o tra-
balhador e a fonte pode ser eficaz também.
As radiações não ionizantes não provocam a 
cisão de átomos, apenas aumenta sua energia in-
terna (VENDRAME, 2015). são elas: ultravioleta, 
radiação visível e vermelha, laser, micro-ondas e 
radiofrequências (SALIBA, 2014). Talvez a mais 
comum delas seja a radiação ultravioleta – que 
está presente em ambientes abertos com expo-
sição direta ao sol.
Conhecer os índices UV da região que está 
sendo analisada é útil para dimensionar a expo-
sição dos trabalhadores a esse agente. Os efeitos 
da radiação não ionizante no organismo humano 
podem variar conforme o tipo de radiação, tem-
po de exposição e proteções utilizadas. Alguns 
efeitos são: escurecimento da pele, eritemas pig-
mentação retardada (no caso da exposição aos 
raios ultravioleta); lesões na pele e olhos, com 
queimaduras (no caso da exposição à radiação 
infravermelha). As medidas de controle envol-
vem a utilização de roupas de proteção da pele 
e proteção dos olhos, limitação do tempo de ex-
posição e distanciamento da fonte de radiação 
(SALIBA, 2014).
Quando os trabalhadores utilizam máquinas 
e ferramentas, geralmente estão expostos às vi-
brações. Esse agente ambiental pode provocar 
incômodos lombares, alteração degenerativa pri-
mária das vértebras e dos discos intervertebrais, 
danos vasculares, neurológicos e musculares 
(SALIBA, 2014). As vibrações podem ser dividi-
das em dois tipos: aquelas transmitidas ao corpo 
inteiro e aquelas transmitidas por meio das mãos 
e braços. A primeira ocorre quando o trabalha-
dor está sobre uma superfície vibratória: ônibus, 
carro, trator, plataforma de trabalho; a segunda 
ocorre na utilização de máquinas e ferramentas: 
motosserras, furadeira, lixadeira etc. 
Algumas das medidas de controle para evi-
tar danos devido à exposição às vibrações são: 
realizar vigilância da saúde dos trabalhadores 
expostos às vibrações, calibrar pneus de veículos, 
utilizar assentos com amortecedor de vibração, 
aplainar superfícies por onde passam os veículos 
e utilizar ferramentas antivibratórias ou ferra-
mentas que produzam níveis de vibração mais 
baixos (SALIBA, 2014).
27UNIDADE 1
Agentes Químicos
Os agentes químicos ocorrem nos ambientes de trabalho na forma de poeira, fumos, névoas, gases e 
vapores. Eles podem penetrar no organismo por meio das vias aéreas, via cutânea e pela ingestão de 
alimentos contaminados. Hoje, existem uma infinidade de agentes químicos produzidos artificial-
mente. Caso queira conhecer o total de agentes químicos registrados, acesse o site do CAS, nele há o 
registro de 143 milhões de substâncias orgânicas e inorgânicas divulgadas na literatura, desde os anos 
de 1800 (CAS, 2018).
As poeiras no ambiente de trabalho são pequenas substâncias sólidas que ficam em suspensão 
no ar. Elas surgem, por exemplo, quando é feita a varrição do ambiente de trabalho ou a moagem de 
alguma substância.
Os fumos são vapores condensados no ar que surgem termicamente, após a volatilização de subs-
tância, como o chumbo ou o zinco (SALIBA, 2014)e estão presentes nas atividades de solda. As névoas 
surgem do rompimento mecânico de líquidos, como no caso da pintura a pistola.
As neblinas são mais difíceis de serem geradas são partículas líquidas formadas por condensação 
de vapores de substâncias líquidas. Os gases são substâncias que as condições normais de temperatura 
e pressão, estão no estado gasoso é o caso da utilização de gás de amônia em abatedouros de aves. Os 
vapores são desprendidos por líquidos voláteis, ou seja, é a fase gasosa do líquido. Eles estão presentes 
em muitas operações da indústria química e das indústrias que utilizam solventes, como a acetona, 
o álcool e a gasolina. Os agentes químicos, como as poeiras, podem causar pneumoconioses, efeitos 
tóxicos, efeitos alérgicos e enfermidades leves e reversíveis (como bronquite e resfriados). Ainda, há 
diversos outros efeitos, como corrosão de superfícies, nocividade para a pele, lesões oculares, quei-
maduras e morte.
Vale destacar que para conhecer os efeitos de um determinado agente químico, bem como as 
medidas de segurança em caso de emergências e para proteção durante o uso do produto, é preciso 
consultar a Ficha de Informações de Segurança do Produto Químico - FISPQ. Esta ficha contém fra-
ses de risco, frases de precaução, informações físicas e químicas sobre o produto, EPIs recomendados, 
dentre outras informações.
Caro(a) aluno(a), o conteúdo da FISPQ é dado pela Norma ABNT 14725:2009. Conheça um modelo 
de FISPQ acessando o link:
http://www.anidrol.com.br/fispq/XILOL%20PA%20-%20COD%20%20A-2415.pdf
28 Introdução à Segurança do Trabalho
Para avaliar a exposição ocupacional a agentes químicos, pode-se 
fazer avaliação qualitativa e/ou quantitativa. Na primeira, é feito 
um levantamento de todas as substâncias químicas manuseadas 
no processo produtivo, bem como as quantidades e forma de ma-
nipulação. Utiliza-se a FISPQ para verificar os danos do produto, 
visando estabelecer medidas de controle. A partir dessa análise 
qualitativa, é feita a avaliação quantitativa que permite detalhar a 
concentração do agente químico no ambiente. Essa quantificação 
é necessária para dimensionar a exposição dos trabalhadores e 
para verificar a eficácia das medidas de controle. É verificada a 
concentração de agentes químicos antes e após a implementação 
das medidas de controle.
Como sabemos que o agente químico penetra no organismo 
humano pelas vias aérea, cutânea e por ingestão, as medidas de 
controle para este risco ambiental é a utilização de barreiras que 
atuem nessas vias. Antes de aplicar tais barreiras, vale estudar se a 
substância química pode ser substituída por uma substância menos 
tóxica ou se é possível diminuir a disseminação da substância no 
ambiente. Reduzir a quantidade manipulada no trabalho também 
tem impacto positivo na redução do risco. As barreiras para evitar o 
contato do agente químico com o corpo humano são: enclausurar a 
operação, para evitar a liberação do agente químico; realizar a ope-
ração em local afastado do maior número de trabalhadores possível; 
realizar operações que envolvem agentes químicos em horários de 
menor exposição aos trabalhadores; umidificar o ambiente, no caso 
da exposição à poeira; instalar ventiladores e exaustores no local, 
para diluir a concentração do agente químico no ar ou diminuir sua 
concentração; instalar exaustores para captar e remover o agente 
químico do ambiente; e utilizarEPI, como luvas, óculos, roupas de 
corpo inteiro e respiradores (essa barreira atua somente no traba-
lhador que utiliza o EPI de forma correta e regular).
29UNIDADE 1
Agentes Biológicos
Esses agentes são bactérias, bacilos, vírus, protozoários, dentre 
outros microrganismos que podem causar doenças nos trabalha-
dores. Diversas operações oferecem esse tipo de risco ambiental, 
como o trabalho em hospitais, laboratórios, estábulos, gabinetes 
de autópsias, coleta de lixo urbano etc. O risco biológico é in-
visível, podendo causar doenças e infecções, além da morte dos 
indivíduos expostos (VENDRAME, 2015).
O agente biológico pode adentrar o organismo humano por 
meio das rotas aérea (inalação), dérmica (contato com a pele ou 
mucosas), parenteral (contato direto com sangue ou fluidos), 
ingestão (alimentar-se ou fumar no ambiente de trabalho) e 
também por meio da transmissão, através de vetor artrópode 
(VENDRAME, 2015). Algumas doenças bem conhecidas causa-
das por agentes biológicos são: AIDS, tuberculose, dengue, ebola, 
hepatites B e C, gripe asiática etc.
Para controlar a exposição aos agentes biológicos, evitando 
que se tornem riscos biológicos, o prevencionista pode buscar 
as seguintes medidas de controle: instalar barreira física, por 
meio de equipamento de proteção individual, no corpo do tra-
balhador (luvas, máscaras, óculos, jaleco, sapato fechado etc.); 
comprar, treinar e exigir o uso de desinfetantes e bactericidas; 
implementar um manual de boas práticas na manipulação de 
material biológico; providenciar a vacinação dos trabalhadores 
(VENDRAME, 2015); utilizar filtro de ar nos ambientes climati-
zados; evitar vazamentos e infiltrações no ambiente de trabalho; 
controlar roedores, morcegos e ninhos de aves; providenciar 
material descartável e esterilizado; e implementar o controle 
médico para monitorar a saúde dos trabalhadores expostos a 
agentes biológicos (SALIBA, 2014).
30 Introdução à Segurança do Trabalho
Outros Riscos Ambientais
Além dos agentes físicos, químicos e biológicos, existem situações 
que também oferecem riscos à segurança e saúde dos trabalhadores. 
Podemos destacar as situações ligadas a fatores mecânicos (piso 
desnivelado, piso escorregadio, parte móveis de máquinas, super-
fícies cortantes, materiais energizados etc.) e a fatores ergonômicos 
(movimentos repetitivos, trabalho em pé, esforços excessivos, in-
clinação da coluna, levantamento de cargas, monotonia etc.). Estes 
fatores não são considerados obrigatoriamente agentes de risco 
pelos Programas de Prevenção de Riscos Ambientais, porém podem 
gerar acidentes e doenças.
Conforme vimos, os ambientes de trabalho podem apresentar 
diferentes tipos de riscos classificados em cinco grupos: físicos, 
químicos, biológicos, mecânicos e de falta de adaptação ergonômica. 
Cada risco possui técnicas de análise e avaliação para confirmar 
seu grau de agressividade ao homem. O controle e eliminação dos 
riscos ambientais são feitos por meio do gerenciamento de riscos, 
assunto do próximo tópico.
Riscos em uma obra de construção civil
31UNIDADE 1
Conforme vimos, os ambientes de trabalho pos-
suem riscos de diferentes naturezas. Ao identifi-
car sua presença no ambiente de trabalho, o que 
devemos fazer? É necessário eliminar todos os 
riscos? Haverá recursos financeiros, humanos e 
tempo para eliminar ou reduzir todos os riscos? 
A resposta a essas perguntas pode ser dada por 
meio de um gerenciamento das informações re-
lacionadas aos riscos.
Gerenciar riscos significa fazer a sua identifi-
cação, análise, avaliação e propor medidas de con-
trole para que os riscos evitem perdas humanas 
(mortes, doenças, incapacitação temporária ou 
permanente), materiais (perda de material, danos 
em equipamentos, destruição de instalações) e 
financeiras. A Figura 4 ilustra os quatro processos 
básicos do gerenciamento de riscos.
Gerenciamento 
de Riscos
32 Introdução à Segurança do Trabalho
Figura 4 – Processos básicos do gerenciamento de riscos
Fonte: Silva (2018, p. 112).
Os profissionais que lidam com Segurança do Trabalho fazem o 
gerenciamento de riscos diariamente. É preciso estar atento para 
identificar riscos de acidentes e doenças do trabalho, independen-
temente de sua gravidade. A análise e avaliação de cada risco são 
realizadas de forma sequencial, após a identificação, ou de forma 
paralela, isto é, ao mesmo tempo em que se identifica o risco já é 
feita a sua análise e avaliação. Vejamos, a seguir, as ações tomadas 
em cada processo do gerenciamento de riscos.
Identificação
de riscos
Análise
de riscos
Avaliação
de riscos
Tratamento
de riscos
Processos básicos de gerenciamento de riscos são os processos 
necessários para identificar e tratar adequadamente os riscos 
ambientais.
33UNIDADE 1
Identificação de Riscos
O primeiro passo para gerenciar riscos em um ambiente laboral é 
fazer a sua identificação. Em muitas ocasiões, não percebemos que 
existe um perigo no ambiente de trabalho. Situações, como piso 
escorregadio, proximidade com linhas de transmissão de energia 
elétrica, transporte inadequado de materiais, dentre outras, apre-
sentam riscos de acidentes que nem sempre são identificados. Na 
identificação do risco, uma situação com probabilidade de gerar 
danos passa a ser conhecida e temos o seu registro formal. Cada 
situação de risco deverá ser tratada posteriormente.
Nossa percepção do risco nos ambientes de trabalho tende a 
aumentar quando não olhamos para uma operação com apenas o 
objetivo de executá-la. Quando enxergamos um trabalho do ponto 
de vista da segurança e dos riscos presentes, podemos identificar 
uma série deles que não seriam identificados até mesmo pela pes-
soa que realiza o trabalho. A falta de uma cultura de segurança do 
trabalho nas empresas acaba por influenciar negativamente nossa 
percepção dos riscos. Muitos trabalhadores convivem com os ris-
cos sem maiores preocupações. Na ocorrência de um acidente, a 
situação será alarmante e, então, alguns irão perguntar: quem foi o 
culpado? Por que nada foi feito para evitar o acidente?
Portanto, identificar e documentar os riscos constitui um passo 
importantíssimo para que todos tenham consciência da probabi-
lidade e possíveis danos decorrentes de um risco ambiental. Para 
melhorar nossa percepção dos riscos, podemos utilizar algumas 
ferramentas.
Os checklists nos ajudam a lembrar de pontos críticos na exe-
cução de um trabalho. Veja, no Quadro 1, um exemplo de checklist.
34 Introdução à Segurança do Trabalho
Quadro 1 – Exemplo de checklist de segurança do trabalho
PROTEÇÃO COLETIVA SIM NÃO NA EP
Possui sistema de exaustão geral no ambiente do laboratório?
Possui sistema de exaustão local para equipamentos que libe-
ram vapores ou gases?
Máquinas e equipamentos possuem sistemas de proteção em 
suas partes móveis?
Existe cabine de exaustão de gases e vapores no setor?
Máquinas e equipamentos perigosos possuem sistema de blo-
queio para pessoas não autorizadas?
Cabine de fluxo laminar possui anteparos de proteção coletiva?
O setor possui sinalização de segurança?
Os equipamentos possuem sinalização de risco?
Escadas fixas possuem dispositivos de segurança (corrimão, 
guarda-corpo...)
HIGIENE QUÍMICA SIM NÃO NA EP
Alimentos e bebidas são guardados e ou consumidos no labo-
ratório?
Existem cartazes proibindo o uso de geladeiras para guardar 
alimento e bebidas?
Existem cartazes proibindo o uso de micro-ondas para fins 
alimentares?
É terminantemente proibido frequentar o laboratório sem os 
trajes adequados?
Há o uso de papel absorvente para atividades com reagentes?
Existe um agente absorvente para casos de derramamentos de 
produtos químicos?
O laboratório possui sistema de gerenciamento de resíduos?
Existe local adequado para limpeza de equipamentos destinados 
à aplicação de defensivos?
Fonte: adaptado de Universidade Federal de Viçosa ([2019], on-line)5.
Este modelo é aplicado para o ambiente de um laboratório de ensino e pesquisa de uma universidade. 
Observeque o checklist faz perguntas sobre itens de segurança que são respondidas por meio de uma 
visita e observação do local. Caso fosse feita uma inspeção sem o checklist, muitos dos itens contidos 
nele passariam desapercebidos pelo inspetor. Além de usar checklists prontos, é recomendado que 
sejam elaborados modelos pelo próprio inspetor ou equipe de segurança do local. É preciso que o 
checklist atenda às necessidades de cada organização.
35UNIDADE 1
Os fluxogramas de processos produtivos fornecem uma visão geral de todo processo. Cada etapa 
produtiva é identificada e o responsável por identificar os riscos terá uma referência para saber quais 
locais/processos deverão ser inspecionados. Os fluxogramas mostram as etapas/atividades de um 
processo. Veja um exemplo na Figura 5.
Corte de
cana-de-açúcar
Coleta de água
Fabricação
de açúcar
Indústria
alimentícia
e ração
animal
Indústria
de
alimentos
Comércio
atacadista/
varejista
Combustível
para o
carro
Indústria de
bebidas e
cosméticos
Mistura
na
gasolina
Fabricação
de álcool
Recepção
da cana
Lavagem
da cana
Preparo
da cana
Extração
do caldo
Geração de
energia e vapor
Tratamento
do caldo
Energia para a
população e
para a usina
Figura 5 – Exemplo de fluxograma de processo
Fonte: Silva (2018, p. 124).
O fluxograma (Figura 5) mostra o processo global de uma usina de cana-de-açúcar. Podemos analisar 
os riscos em cada etapa do processo mapeado. Observe que o fluxograma nos dá uma orientação das 
áreas em que deverão ser identificados os riscos.
A investigação de acidentes é outra ferramenta de identificação. Acidentes acontecem devido ao 
mal gerenciamento dos riscos ambientais e, em algumas situações, os riscos são percebidos apenas após 
a ocorrência de um acidente. Na investigação, são levantadas as possíveis causas do acidente e, depois, 
cada hipótese é analisada. Acidentes são causados pelo fator humano e pelas condições inseguras do 
ambiente. Mudanças em processos e nas condições de trabalho são feitas após a ocorrência de acidentes.
36 Introdução à Segurança do Trabalho
Análise de Riscos
Este processo faz o detalhamento das característi-
cas de um risco. Considere o caso de trabalho em 
altura na indústria da construção civil. Este tipo de 
trabalho é necessário e constante em muitas obras. 
Como você pode imaginar, existe um risco de 
queda dos trabalhadores que fazem a construção 
de telhados, que trabalham em lajes de edifícios, 
dentre várias outras operações executadas acima 
de um nível inferior.
Saber que existe o risco é fazer a sua identi-
ficação. No entanto, analisar este risco é fazer a 
seguinte pergunta: como exatamente é o risco de 
queda em altura? Na análise, iremos identificar 
como o risco pode culminar em um acidente. Por 
exemplo, pode-se analisar que a falta de equipa-
mento de proteção individual ou de proteção 
coletiva que restrinja os trabalhadores de atingir 
áreas de risco de queda é uma causa importante 
do risco. O trabalho em proximidade com o perí-
metro de um telhado proporciona um risco maior 
de queda. A condição das telhas de um telhado 
tem grande influência no grau de risco. Materiais 
antigos estarão mais deteriorados. Ainda, pode-se 
analisar também que o trabalho em dias chuvo-
sos aumenta mais ainda o risco de queda. A falta 
de treinamento ou a condição psicológica dos 
trabalhadores também influenciam no risco de 
queda. Enfim, em uma análise de risco, causas, 
consequências e grau de risco são levantados. Es-
sas informações serão úteis para saber o quão ur-
gente uma medida de controle deverá ser adotada.
Avaliação de Riscos
A avaliação de riscos compreende calcular a 
magnitude de um risco. Para isso, utilizamos es-
tatísticas de acidentes e registro de valores gastos 
com eles. A avaliação envolve estimar a frequên-
cia de ocorrência de acidentes, sua probabilidade 
e os possíveis valores financeiros decorrentes 
das perdas.
Para realizar a avaliação, são necessários re-
gistros de acidentes ao longo do tempo. Catego-
rizar os acidentes por tipo de agente também irá 
fornecer dados sobre a magnitude de cada risco. 
Neste sentido, é importante existir um sistema de 
registro de acidentes e de incidentes. É preciso 
estimular e valorizar a comunicação de todo aci-
dente e dos quase acidentes para que seja criado 
um banco de dados. A título de exemplo, observe 
as Tabelas 2 e 3 que mostram dados de acidentes 
de uma empresa.
Toda análise de risco deve ser objetiva e útil para 
os trabalhadores. Criar documentos sem utili-
dade prática pode ser uma prática frustrante. A 
análise de risco deve ser conhecida e realmente 
utilizada por aqueles que executam o trabalho.
As técnicas de análise de risco são: série de ris-
cos, análise preliminar de riscos (APR), análise de 
modos de falhas e efeitos (AMFE), técnica de inci-
dentes críticos, análise de árvore de falhas (AFF).
Fonte: adaptado de Carlos ([2019], on-line)6. 
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
37UNIDADE 1
Ano Nº de acidentes
1 8
2 6
3 10
4 11
5 5
Tabela 2 – Número de acidentes por ano
Fonte: Silva (2018, p. 146).
A Tabela 2 mostra um resumo do número de acidentes durante cinco anos. Estes dados podem ser 
comparados com o número total de trabalhadores em cada ano, conforme a Tabela 3.
Ano Nº de acidentes Nº de trabalhadores Frequência de acidentes
1 8 1000 0,008
2 6 1000 0,006
3 10 1000 0,010
4 11 1000 0,011
5 5 1000 0,005
Total 40 5000 0,008
Tabela 3 – Frequência de acidentes 
Fonte: Silva (2018, p. 146).
Os dados das tabelas nos mostram que o número de trabalhadores, ao longo de cinco anos, perma-
neceu o mesmo e o número de acidentes foi variável. O valor de frequência de acidentes representa a 
quantidade de acidentes pelo total de trabalhadores. Estes dados servem para monitorar a ocorrência 
de acidentes e demais eventos que indicam o grau de risco de uma atividade.
Conforme a avaliação de cada risco, a organização poderá gerenciar os riscos por conta própria 
ou transferir os riscos para um terceiro. Isso pode ser visto nos contratos estabelecidos entre empre-
sas, em que as cláusulas definem as responsabilidades da contratada em relação ao cumprimento de 
normas de segurança do trabalho. No entanto, destacamos que a empresa contratante não se exime 
de suas responsabilidades no campo de segurança do trabalho, nas atividades desenvolvidas em suas 
dependências. Outra forma de transferir os riscos é por meio de seguros. As seguradoras oferecem 
cobertura a perdas conforme o valor pago de seguro. Em algumas situações, é possível pagar um valor 
mais baixo de seguro se a organização reduzir os riscos existentes em suas instalações.
38 Introdução à Segurança do Trabalho
Tratamento de Riscos
O tratamento de riscos envolve implantar medidas de controle coletivas e individuais para eliminar ou 
reduzir os riscos identificados, analisados e avaliados. Existem diversas soluções de proteção coletiva, 
conforme a atividade:
• Utilização de exaustores, ventilação local e ventilação geral diluidora, para os postos de trabalho 
com exposição a agentes químicos.
• Utilização de barreiras acústicas para reduzir o nível de ruído no ambiente.
• Utilização de proteção contra quedas, como guarda-corpo e linha de vida, na indústria da 
construção civil.
• Equipamentos de proteção individual para proteger cabeça, membros inferiores, membros 
superiores, sistema respiratórios, dentre outras partes do corpo etc.
Essas medidas devem ser implantadas, preferencialmente, em um Programa de Prevenção e Controle 
de Perdas. O que isso significa? Significa que implantar medidas de controle de forma isolada não 
gerará resultados satisfatórios a menos que essas medidas façam parte de um programa. No programa, 
os riscos são atacados conforme sua gravidade e existe um acompanhamento das ações, com prazos 
e responsáveis definidos. Conforme você irá observar ao longo de sua carreira profissional, a área de 
segurança do trabalho sofre, muitasvezes, com a inércia provocada pela falta de investimentos na 
proteção da saúde e integridade dos trabalhadores. Caso as correções necessárias para reduzir os ris-
cos não sejam gerenciadas por meio de um programa, a proteção dos trabalhadores não será efetiva.
Na próxima unidade, estudaremos as doenças que podem surgir devido à exposição aos riscos 
ambientais e explicaremos como é feita a investigação de acidentes.
39
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. O trabalho pode gerar doenças e acidentes caso os riscos existentes não se-
jam adequadamente gerenciados. Diante disso, descreva algumas ações que 
foram tomadas ao longo da história para promover a saúde e segurança dos 
trabalhadores.
2. Os riscos ambientais podem ser divididos em três categorias: físicos, químicos 
e biológicos. Considere o trabalho de um motorista de ônibus municipal. A que 
riscos este profissional pode estar exposto? Como você aplicaria os processos 
básicos de gerenciamento de riscos a esta situação?
3. Sobre um sistema de proteção respiratória que contém fibras umedecidas com 
água, é correto afirmar:
a) Não possui características de proteção respiratória úteis.
b) Pode ser usado para filtrar gases e vapores solúveis em água.
c) Foi utilizado pelos gregos para filtrar poeiras de chumbo.
d) Foi utilizado pelos romanos para filtrar poeiras de mercúrio.
e) É usado para filtrar poeiras de álcool.
4. Pedreiros que trabalham em betoneiras na construção civil estão expostos aos 
seguintes agentes ambientais:
a) Agentes biológicos: poeiras e vírus.
b) Agentes químicos: vapores de areia e pedras.
c) Agentes físicos: ruídos e radiação não ionizante.
d) Agentes químicos: vapores de gasolina.
e) Agentes físicos: calor e radiação ionizante.
40
As doenças dos trabalhadores
Autor: Bernardino Ramazzini
Editora: Fundacentro
Sinopse: obra de valor inestimável, As Doenças dos Trabalhadores foi publicada, 
pela primeira vez em 1700. Observando as queixas de seus pacientes e seus 
ofícios, Ramazzini identificou que o trabalho pode ser um determinante do pro-
cesso de adoecimento. Ao discorrer sobre as doenças de diversas profissões, 
revela os primeiros indícios de uma prática médica direcionada ao estabeleci-
mento de diagnósticos de doenças ocupacionais. Trezentos anos depois, em 
2000, a Fundacentro publicou sua primeira edição da obra de Ramazzini e, 
recentemente, em 2016, quando celebrou seus 50 anos, lançou nova edição 
reafirmando que a vida da instituição seja tão longa quanto as contribuições e 
o sucesso desta obra para a SST.
LIVRO
Indústria americana
Ano: 2019
Sinopse: neste documentário, uma empresa chinesa reabre uma fábrica em 
Ohio e enche o povo de esperança. Entretanto, os conflitos culturais podem 
destruir esse sonho americano.
FILME
41
AHIA. American Industrial Hygiene Association: About AIHA. 2019. Disponível em: https://aiha.org/
about-aiha. Acesso em: 03 out. 2019.
BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Segurança do Trabalho: Guia Prático e Didático. São Paulo: Editora Érica, 
2014.
BRASIL. Decreto-lei nº 5452, de 01 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho Brasília: 
Presidência da republica, 1943. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. 
Acesso em: 16 dez. 2019.
BRASIL. Norma Regulamentadora nº 1, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora NR-1 – Dispo-
sições gerais. 1978a. Brasil. Disponível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/
NR-01.pdf. Acesso em: 16 dez. 2019.
BRASIL. Norma Regulamentadora nº 15, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora NR-15 – Ati-
vidades e operações insalubres. 1978b. Brasil. Disponível em: http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/
NR/NR15/NR15-ANEXO1.pdf. Acesso em: 16 dez. 2019.
CAS. CAS Registry and CAS Registry Number FAQs. Disponível em: https://www.cas.org/support/docu-
mentation/chemical-substances/faqs. Acesso em: 12 set. 2019.
CDC. The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH): About NIOSH. 2018. Dispo-
nível em: https://www.cdc.gov/niosh/about/default.html. Acesso em: 03 out. 2019.
MÁSCULO, F. S.; VIDAL, M. C. Ergonomia: trabalho adequado e eficiente. Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 
2011.
PRITCHARD, J. A. (ed.) History of respiratory protection. In: Guide to industrial respiratory protection. 
Cincinnati: NIOSH, Pub. n. 76-189, 1976. Cap.2.
SALIBA, T. M. Manual prático de Higiene Ocupacional e PPRA. 6. ed. São Paulo: LTr, 2014.
SILVA, M. J da. Gerenciamento de riscos e prevenção de acidentes. Maringá: Unicesumar, 2018.
TORLONI, M.; VIEIRA, A. V. Manual de proteção respiratória. São Paulo: Abho, 2003.
VENDRAME, A. C. Perícias judiciais de insalubridade e periculosidade. São Paulo: edição do autor, 2015.
42
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: https://smartlabbr.org/. Acesso em: 02 out. 2019.
2Em: https://pt.slideshare.net/mariafimgomes/egiptosociedade-5847238. Acesso em: 03 nov. 2019.
3Em: https://animaseg.com.br/animaseg/index.php/associacao?switch_to_desktop_ui=52. Acesso em: 09 jan. 
2020.
4Em: https://www.abho.org.br/arquivos/sobre/institucional.pdf. Acesso em: 09 jan. 2020.
5Em: http://www.ssh.ufv.br/wp-content/uploads/checklist02_laborat%C3%B3rios_atualizado.pdf. Acesso em: 
09 jan. 2020.
6Em: https://segurancadotrabalhoacz.com.br/tecnicas-de-analise-de-risco/. Acesso em: 03 nov. 2019.
43
1. Conforme estudamos, ao longo dos anos, diversas ações foram tomadas para proteger o sistema respi-
ratório dos trabalhadores em decorrência da exposição a agentes químicos. As máscaras foram um dos 
primeiros elementos de segurança do trabalho a serem descritos, sendo criadas máscaras de bexiga de 
carneiro, projeto de “snorkel” para trabalhos submersos e, nos anos de 1800, foram criadas máscaras para 
bombeiros. Encontramos, também, registros que descrevem as situações degradantes de trabalho no Antigo 
Egito. Por sua vez, o médico italiano Bernardino Ramazzini foi o primeiro a estudar em profundidade as 
doenças que acometiam trabalhadores. No Brasil, a proteção respiratória foi impulsionada pela chegada 
das indústrias de petróleo e mineração.
2. O motorista fica exposto aos seguintes riscos:
• Físicos: radiação não ionizante proveniente do sol; vibração proveniente do veículo que ele dirige; 
ruído proveniente do trânsito; calor proveniente do sol.
• Químicos: fumos e monóxido de carbono provenientes dos veículos.
• Biológicos: vírus e bactérias provenientes de passageiros do ônibus.
Os processos básicos de gerenciamento de riscos podem ser aplicados da seguinte maneira:
• Identificação de riscos: conforme visto, foram identificados riscos físicos, químicos e biológicos, de-
talhados anteriormente.
• Análise de riscos: pode ser feito uma avaliação quantitativa do nível de ruído e vibração para dimen-
sionar a exposição a esses riscos.
• Avaliação de riscos: pode ser feita uma pesquisa dos casos de acometimento de doenças com moto-
ristas de ônibus e estimar a ocorrência de doenças ocupacionais.
• Tratamento de riscos: podem ser fornecidas pausas para descanso, climatização do veículo e forne-
cimento de protetor solar ou uniforme com proteção UV.
3. B.
4. C.
44
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Conceituar o acidente do trabalho.
• Descrever as doenças ocupacionais decorrentes da 
exposição a agentes ambientais.
• Explicar como são feitas as investigações de acidentes 
do trabalho.
Definição de Acidente do Trabalho
Doenças Ocupacionais
Investigação de Acidentes
Me. Maílson José da Silva
Acidentes do Trabalho 
e Doenças Ocupacionais
Definição de Acidente 
do Trabalho
Você já parou para pensar qual é o objetivo final 
da disciplina de ergonomia e segurança do traba-
lho? Você sabe por que hoje existem diversos cur-
sos, normas técnicas, equipamentos e tecnologias 
voltados para a segurança do trabalho? 
Podemos afirmar que o objetivo final da apli-
cação dos conceitos de ergonomia e segurança do 
trabalho é prevenir acidentes e doenças, tornando 
o trabalho salubree mais produtivo. Enquanto 
engenheiro e prevencionista, se você atingir este 
objetivo, saiba que estará fazendo a diferença em 
um sistema produtivo. Para prevenir acidentes e 
doenças, é fundamental esclarecer o significado 
desses termos aplicados à segurança do trabalho. 
Por exemplo, você sabia que o tétano e a dengue 
são doenças que podem ou não ser relacionadas 
ao trabalho? Vamos entender um pouco mais so-
bre a magnitude e definições dos acidentes do 
trabalho e doenças profissionais?
47UNIDADE 2
Magnitude do Problema
A cidade de Fortaleza, localizada no Estado do Ceará, possui uma população estimada em 2,63 milhões 
de pessoas (IBGE, 2017). Você acha este número muito alto? Se sim, talvez se espante de saber que, no 
mundo, estima-se que 2,78 milhões de mortes atribuídas ao trabalho ocorrem anualmente, ou seja, quase 
o valor da população de Fortaleza. A maioria dessas mortes não está relacionada a acidentes fatais, mas 
a doenças ocupacionais. Um total de 86,3% das mortes se devem a doenças ocupacionais e 13,7% a 
acidentes fatais, isto é, o trabalho mata muitas pessoas aos poucos. Em relação à distribuição dos casos, 
por região geográfica, a Ásia possui cerca de 67% dos casos, seguida por África (11,8%) e Europa (11,7%) 
(HÄMÄLÄINEN; TAKALA; KIAT, 2017).
Os grupos de doenças relacionadas ao trabalho que mais contribuem para os casos de mortes são: 
doenças circulatórias (31%), neoplasias malignas (26%) e doenças respiratórias (17%) (HÄMÄLÄINEN; 
TAKALA; KIAT, 2017). Como visto, estamos diante de um problema significativo. Ora, se para desen-
volvermos como sociedade é preciso empregar pessoas e estas perdem suas vidas ou ficam com sua 
capacidade laboral reduzida devido ao trabalho, como podemos alcançar o tão sonhado desenvolvimento 
sustentável? Portanto, preste atenção em como você, enquanto engenheiro(a) em uma empresa, pode 
trabalhar para melhorar este quadro, pelo menos a nível local. Um único acidente do trabalho pode não 
parecer importante diante de inúmeros casos apresentados pelas estatísticas de acidentes. Contudo, para 
a pessoa que o vivencia, este único caso já é assustador.
Tendo em vista a exposição da magnitude do problema causado pelos acidentes de trabalho, pode 
surgir a seguinte questão: como os países contabilizam os acidentes de trabalho? Um passo inicial é definir 
corretamente o que é e o que não é um acidente de trabalho. Vejamos então as definições.
Definições 
O que realmente são acidentes e doenças do trabalho? Para responder a esta pergunta, gostaríamos de 
destacar três legislações importantes na área de Segurança e Saúde do Trabalho (SST):
• Lei Federal 8.080, de 19 de setembro de 1990, regula as ações e serviços de saúde, incluindo a 
saúde dos trabalhadores; visa promover, proteger, recuperar e reabilitar a saúde dos trabalhadores; 
estabelece que deverá ser elaborada uma listagem oficial de doenças originadas do processo de 
trabalho, que deve ser atualizada constantemente.
• Lei Federal 8.213, de 24 de julho de 1991, define o que é um acidente do trabalho e o que os 
empregadores precisam fazer quanto ao acidente; estabelece a obrigatoriedade da Comunicação 
de Acidente do Trabalho (CAT).
• Decreto Federal 3.048, de 6 de maio de 1999, em seu Anexo II traz uma lista de agentes pato-
gênicos causadores de doenças profissionais ou do trabalho.
48 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Recomendamos que você faça a leitura das legislações mencionadas para entender melhor os termos 
relacionados aos acidentes de trabalho. No entanto, vamos agora explicar alguns destes termos. Vejamos 
a definição legal do acidente do trabalho, conforme a Lei Federal 8.213/91:
Art. 19. Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço de empresa ou de 
empregador doméstico ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 
11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou 
redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho (BRASIL, 1991, on-line).
Observe, nessa definição, que o acidente provoca uma lesão corporal ou perturbação funcional, ou seja, 
após o acidente, o trabalhador pode ficar inapto para desenvolver suas atividades, seja por alguns dias 
(temporariamente) ou pelo resto de sua vida (permanentemente). Ainda, o trabalhador pode retornar 
ao seu trabalho, porém sua capacidade pode ficar reduzida. Observe que a definição apresenta que o 
trabalhador está a serviço da empresa ou do seu empregador doméstico, quando for o caso. Portanto, 
acidentes ocorridos fora deste contexto, não são considerados acidentes do trabalho.
As lesões corporais e perturbações funcionais ocorrem tanto de forma imediata (por exemplo, 
devido a uma pancada, corte ou prensagem) ou de forma mais lenta, manifestando-se por meio de 
doenças ou seja, uma doença pode ser considerada acidente do trabalho. Estas doenças podem ser 
entendidas como sendo de dois tipos: doenças profissionais e doenças do trabalho. Observe as relações: 
doença-profissão e doença-trabalho. Estas relações mostram que a doença ocorre pelo exercício da 
atividade laboral. Portanto, para ser caracterizada como acidente do trabalho, a ocorrência de uma 
doença deve existir paralelamente a um nexo técnico epidemiológico entre o trabalho e agressão ao 
corpo ou saúde do trabalhador.
49UNIDADE 2
Em outras palavras, as atividades desenvolvidas 
em um certo ambiente laboral devem estar rela-
cionadas a uma entidade mórbida. É o caso, por 
exemplo, de um trabalhador que é acometido da 
doença de cataratas devido ao trabalho com sol-
da. Existe um nexo entre o seu trabalho e a enti-
dade mórbida (cataratas). Como sabemos que 
existe este nexo? Conforme citamos, o Decreto 
Federal 3.048/99 estabelece uma lista relacionan-
do trabalhos que contém os riscos que causam as 
doenças, quando materializados.
Além das doenças e fatalidades ocorridas no 
ambiente laboral, pode existir o acidente de trajeto. 
Este é definido como aquele acidente ocorrido no 
percurso entre o local de trabalho e a residência 
do trabalhador, ou desta para o local de trabalho. 
O que é o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário?
O NTEP, a partir do cruzamento das informações de código da Classificação Internacional de Doen-
ças – CID-10 – e do código da Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE – aponta a 
existência de uma relação entre a lesão ou agravo e a atividade desenvolvida pelo trabalhador. A 
indicação de NTEP está embasada em estudos científicos alinhados com os fundamentos da esta-
tística e epidemiologia.
Fonte: Brasil (2015, on-line).
O profissional que pode determinar adequa-
damente se a doença é do trabalho ou não é o 
médico do trabalho.
Para ampliar nosso entendimento sobre o que 
é acidente do trabalho, é importante destacar que 
existem situações equiparadas ao acidente do tra-
balho. Confira, no quadro a seguir, elaborado com 
base na Lei Federal 8.213/91 (BRASIL, 1991), as 
situações equiparadas a um acidente do trabalho.
50 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Quadro 1 - Situações e exemplos equiparados ao acidente do trabalho 
Situações equiparadas ao acidente do trabalho
Situação Exemplo(s)
Acidente ligado ao trabalho que, embora não 
tenha sido a causa única, haja contribuído direta-
mente para a morte do segurado, para redução 
ou perda da sua capacidade para o trabalho ou 
produzido lesão que exija atenção médica para 
a sua recuperação.
Morte de trabalhador portador de grave hi-
pertensão arterial que atua em fundição junto 
a fornos em trabalho pesado e sujeito a altas 
temperaturas.
Acidente sofrido pelo segurado no local e no 
horário do trabalho, em consequência de: ato 
de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado 
por terceiro ou companheiro de trabalho; ofensa 
física intencional, inclusive de terceiro, por mo-
tivo de disputa relacionada ao trabalho; ato de 
imprudência, de negligência ou de imperícia de 
terceiro ou de companheiro de trabalho;ato de 
pessoa privada do uso da razão; desabamento, 
inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou 
decorrentes de força maior.
Um terceiro remove a proteção móvel de uma 
máquina e o trabalhador sofre um acidente; um 
trabalhador recebe um soco de outro empregado 
devido a uma briga que se iniciou fora do ambien-
te de trabalho; um empregado derrama líquido 
no piso e outro trabalhador passa por cima e 
escorrega, sofrendo uma lesão nas costas; um 
terceiro que adentra a fábrica, privado do uso de 
razão, aponta o maçarico com a chama na perna 
de um trabalhador; desabamento de telhado com 
consequente lesão em trabalhadores, devido a 
uma chuva muito forte.
Doença proveniente de contaminação acidental 
do empregado no exercício de sua atividade.
O empregado desenvolve uma doença logo após 
se contaminar acidentalmente com um agrotó-
xico.
Acidente sofrido pelo segurado ainda que fora 
do local e horário de trabalho na execução de 
ordem ou na realização de serviço sob a autori-
dade da empresa.
Acidente ocorrido quando o empregado sai para 
comprar um determinado material, à ordem de 
seu superior.
Acidente sofrido pelo segurado ainda que fora 
do local e horário de trabalho na prestação es-
pontânea de qualquer serviço à empresa para 
lhe evitar prejuízo ou proporcionar proveito.
Um empregado, em um dia de folga, ao passar 
perto da empresa, percebe que alguém deixou a 
torneira externa aberta, vazando uma quantidade 
significativa de água. Como ele possui a chave do 
portão, resolve entrar para fechar a torneira. No 
percurso, ele pisa em um prego, sofrendo uma 
perfuração.
Acidente sofrido pelo segurado ainda que fora 
do local e horário de trabalho em viagem a ser-
viço da empresa, inclusive para estudo quando 
financiada por esta dentro de seus planos para 
melhor capacitação da mão de obra, indepen-
dentemente do meio de locomoção utilizado, 
inclusive veículo de propriedade do segurado.
O empregado sofre um acidente durante a rea-
lização de um curso de reciclagem financiado 
pela empresa.
Acidente sofrido pelo segurado ainda que fora 
do local e horário de trabalho no percurso da 
residência para o local de trabalho ou deste para 
aquela, qualquer que seja o meio de locomoção, 
inclusive veículo de propriedade do segurado.
Um empregado resolve pegar uma carona com 
um colega de trabalho para voltar para casa. No 
percurso, ele sofre um acidente.
Fonte: adaptado de Silva (2017).
51UNIDADE 2
Como visto, para definirmos se um acidente é do trabalho ou não, 
é preciso consultar as legislações pertinentes. Além disso, em uma 
situação de doença em que o trabalhador pleiteia um auxílio na 
Previdência Social, cabe ao perito médico da Previdência emitir o 
nexo causal, determinando a natureza da doença (se é profissional, 
do trabalho ou não).
Agora que entendemos melhor o que são os acidentes do tra-
balho, surgem as seguintes questões: o que causa os acidentes do 
trabalho e quais são suas consequências? O item a seguir mostra 
alguns dados e exemplos.
O acidente do trabalho provoca lesão corporal ou perturbação 
funcional ao trabalhador, deixando-o sem capacidade, temporária 
ou permanente, para o trabalho. Além deste conceito de acidente 
do trabalho, existem situações equiparadas a ele.
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
Causas e Consequências dos 
Acidentes do Trabalho
Estima-se que 7.500 pessoas morrem todos os dias devido a aciden-
tes do trabalho, sendo 1.000 pessoas devido a acidentes típicos do 
trabalho e 6.500 devido a doenças ocupacionais (profissionais ou 
do trabalho) (HÄMÄLÄINEN; TAKALA; KIAT, 2017). No Brasil, 
no ano de 2016, foram registrados pela Previdência Social um total 
de 578.935 acidentes do trabalho, sendo 61% com motivo típico, 
19% com motivo de trajeto e 2% com motivo de doença do trabalho 
(BRASIL, 2016). 
52 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Esses agentes fazem parte da lista padronizada de 
agentes causadores de acidentes do trabalho. A lista 
completa de agentes pode ser vista na norma técni-
ca ABNT NBR 14.280:2001 – Cadastro de acidente 
do trabalho – procedimento e classificação. Pode-
-se observar, na Figura 1, que os veículos utilizados 
pelos trabalhadores possuem grande peso como 
causadores de acidentes. Ainda, a norma ABNT 
NBR 14.280:2001 estabelece três grupos de causas 
dos acidentes do trabalho: fator pessoal de inse-
gurança (fator pessoal), ato inseguro e condição 
ambiente de insegurança (condição ambiente).
O fator pessoal está ligado ao comporta-
mento do trabalhador que é moldado pela sua 
experiência ou a falta desta no trabalho. Por outro 
lado, o ato inseguro ocorre quando o trabalhador 
contraria um preceito de segurança, por exemplo, 
não usa o equipamento de proteção individual ou 
coletiva de forma correta. Por fim, a condição 
ambiente é aquela que, existindo no ambiente de 
trabalho, contribui para a ocorrência do acidente, 
por exemplo a falta de proteção de partes móveis 
de máquinas, falta de limpeza e organização no 
ambiente de trabalho e fios elétricos desencapa-
20%
18%
16%
14%
12%
10%
8%
6%
4%
2%
0%
18%
14%
12% 12%
11%
9%
7% 7%
6% 6%
Motocicleta,
motoneta
Metal
(inclui liga ferrosa
e não ferrosa, TU)
Veículo rodoviário
motorizado
Chão, superfície
utilizada para
sustentar pé
Veículo,
NIC
Faca, facão,
ferramenta manual
sem motor
Ferramenta, máquina,
equipamento,
veículo, NI
Ser vivo,
NIC
Escada móvel
ou �xada,
NIC
Máquina,
NIC
Figura 1 - Distribuição dos 10 agentes que mais causam acidentes do trabalho
Fonte: adaptado de SmartLab (2018).
De acordo com o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho (2018), as partes do 
corpo mais atingidas são o dedo (23%), pé-exceto artelhos (7%), mão (7%), joelho (5%) e partes múl-
tiplas (4%). Os dez agentes mais causadores de acidentes são: motocicleta, motoneta, metal, veículo 
rodoviário motorizado, chão, veículo, faca, facão, ferramenta manual sem força motriz, ferramenta, 
equipamento, seres vivos, escada móvel ou fixada e máquina. Confira, na figura a seguir, a proporção 
de ocorrências destes agentes.
53UNIDADE 2
dos. Estes três grupos de causas podem atuar individualmente ou coletivamente na ocorrência de um 
acidente. Na investigação e análise de acidentes, deve-se identificar as causas não de forma imediata, 
mas identificar os fatores que se complementam para a ocorrência do acidente.
Como consequência, os acidentes de trabalho geram lesões e perturbações funcionais nos traba-
lhadores. Algumas das principais naturezas de lesão se concentram em (SMARTLAB (2020)):
• Corte, laceração, ferida contusa, punctura (21%).
• Fratura (17%).
• Contusão, esmagamento (15%).
• Distensão, torção (9%).
• Lesão imediata (8%).
Você conhece algum trabalhador (ou até mesmo você) que já sofreu alguma lesão de natureza igual a 
uma das mencionadas? Com certeza o efeito dessas lesões na saúde e vida do trabalhador não é positivo 
e, infelizmente, o mundo do trabalho carrega consigo um histórico de lesões e doenças. 
Além das lesões mencionadas, há como consequência as perturbações funcionais geradas por 
doenças. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT, 2010), são reconhecidos 
como grupos de doenças profissionais as:
• Doenças ocupacionais causadas por exposição a agentes resultantes das atividades laborais, 
como agentes químicos (berílio, cádmio, fósforo, cromo etc.), agentes físicos (ruído, vibrações, ar 
comprimido, radiações ionizantes etc.) e agentes biológicos e doenças infecciosas ou parasitárias 
(hepatite, tétano, tuberculose etc.).
• Doenças ocupacionais segundo o órgão ou sistema humano afetado, tais como doenças do 
sistema respiratório (pneumoconioses causadas por pó mineral fibrogênico, dentre outras), 
doenças de pele (dermatose alérgica de contato, dentre outras), doenças do sistema osteomus-
cular (tenossinovites, bursites, síndrome do túnel do carpo etc.) e transtornos mentais e de 
comportamento (transtornode estresse pós-traumático, dentre outros).
• Câncer ocupacional, causado por agentes como amianto ou asbesto, compostos de cromo, cloreto 
de vinila, benzeno, radiações ionizantes etc.
Como apresentado, os acidentes de trabalho possuem consequências indesejáveis para a saúde e vida 
dos trabalhadores. No entanto, estas não são as únicas, existem as consequências relacionadas à so-
ciedade e economia.
Segundo uma estimativa da OIT, cerca de 4% do PIB de um país é gasto com despesas decorrentes 
de acidentes e doenças do trabalho, sendo que, em países mais pobres, este gasto pode chegar a 10% 
do PIB (ILO, 2003). Ainda, de acordo com o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho 
(2018), estima-se que foram gastos mais de R$ 27 bilhões entre os anos de 2012 a 2017, com benefícios 
acidentários.
54 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
As despesas relacionadas a acidentes do traba-
lho podem ser subdivididas em despesas cobertas 
por seguros e despesas não seguradas. Confira as 
parcelas de custos relacionados aos acidentes de 
trabalho:
• Custo de seguro obrigatório: valor pago 
pelas empresas à Previdência Social.
• Custo de outros seguros: as empresas po-
dem pagar seguro contra incêndios e danos 
materiais, por exemplo.
• Custo com salário de horas não trabalha-
das: a empresa precisa pagar o salário do 
trabalhador durante os quinze primeiros 
dias de afastamento, decorrentes de um 
acidente do trabalho.
• Custo com reparos: acidentes podem gerar 
perda de materiais e quebra de máquinas.
• Outros custos: despesas com atendimento 
médico e transporte de acidentados; custos 
com perda de produção, pagamento de ho-
ras extras para cobrir perda de produção e 
horas para investigar o acidente.
Sabendo o que é o acidente de trabalho e suas con-
sequências, vamos conhecer alguns grupos de doen-
ças que estão relacionados às atividades laborais.
55UNIDADE 2
Para você, o que é uma doença ocupacional? Será 
que todas elas são manifestadas imediatamente 
após o início do trabalhador em um local insalu-
bre? Como veremos, doenças ocupacionais estão 
relacionadas ao trabalho e nem sempre são iden-
tificadas corretamente. Isso acontece, em parte, 
devido a algumas diferenças nas características da 
doença ocupacional em relação a lesões visíveis 
que ocorrem no ambiente laboral. 
Alguns acidentes do trabalho geram lesões no 
corpo dos trabalhadores facilmente identifica-
das. Isso ocorre, por exemplo, quando o traba-
lhador sofre um corte, uma queimadura ou uma 
contusão decorrente das atividades laborativas. 
Embora menos visíveis, as doenças ocupacionais 
também representam acidente do trabalho. No 
caso da doença, o trabalhador precisa ser afastado 
de suas atividades para se recuperar ou, então, 
para ficar longe dos agentes de risco. As doenças 
relacionadas ao trabalho estão listadas na Portaria 
nº 1339/1999 e podem ser divididas em quatorze 
grupos que listamos a seguir. Entretanto, antes 
disso, é fundamental entender a diferença entre 
doenças agudas e doenças crônicas.
Doenças
Ocupacionais
56 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Uma dor crônica pode durar até seis meses. Ela 
ocorre devido a uma certa causa que, quando re-
movida, faz cessar o sintoma inicial. Ao perdurar 
por mais tempo, a dor se torna crônica (BRASIL, 
2012). Os agentes de risco presentes nos ambien-
tes de trabalho podem gerar doenças agudas ou 
crônicas. 
Por exemplo, um trabalhador que se expõe a 
névoas de agrotóxico com grande concentração 
do contaminante pode sentir tontura, dor de cabe-
ça e sensação de vômito. Os sintomas se manifes-
tam imediatamente após a exposição e, portanto, 
estamos diante de um quadro de doença aguda.
Trabalhadores que lidam com a exploração de 
carvão estão sujeitos a desenvolver uma pneu-
moconiose devido à exposição ao pó de carvão. 
Esta doença apresentará sintomas importantes 
após anos de exposição. Neste caso, ela é uma 
doença crônica.
Doenças Infecciosas e 
Parasitárias Relacionadas 
ao Trabalho
Trabalhadores que lidam com atividades de cam-
po, em florestas e matos, estão sujeitos a agen-
tes de risco provenientes de plantas e animais. 
Estes produzem substâncias alergênicas, irritati-
vas e tóxicas. Elas são transmitidas por meio de 
picadas, mordeduras, pelos, pólens, esporos ou 
fungos. Trabalhadores da área de saúde sofrem 
com a exposição direta a agentes biológicos pelo 
contato com pacientes ou amostras de fluidos e 
secreções destes. Trabalhadores de frigoríficos, 
indústria alimentícia, saneamento, coleta de lixo, 
laboratórios e curtumes também ficam expostos 
a agentes biológicos.
As doenças relacionadas ao trabalho deste gru-
po são (BRASIL, 2001): 
• Tuberculose.
• Carbúnculo (Antraz).
• Brucelose.
• Leptospirose.
• Tétano.
• Psitacose, ornitose, doença dos tratadores 
de aves.
• Dengue (dengue clássico).
• Febre amarela.
• Hepatites virais.
• Doença pelo vírus da imunodeficiência 
humana.
• Dermatofitose e outras micoses superfi-
ciais.
• Candidíase.
• Paracoccidioidomicose (blastomicose sul 
americana, blastomicose brasileira, Doen-
ça de Lutz).
• Malária.
• Leishmaniose cutânea ou leishmaniose 
cutâneo-mucosa.
Conheça em detalhes as doenças relacionadas 
ao trabalho acessando a Portaria nº 1339/1999. 
Link: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/
gm/1999/prt1339_18_11_1999.html.
A dengue também pode ser considerada uma 
doença endêmica e não relacionada ao trabalho. 
É preciso avaliar se o trabalho gera realmente 
uma exposição do trabalhador ao agente de ris-
co e fazer um correto relacionamento entre a 
doença e o trabalho.
57UNIDADE 2
Por exemplo, trabalhadores expostos à sílica podem desenvolver uma sílico-tuberculose, uma vez que 
a exposição pode favorecer a reativação de infecção tuberculosa latente. O tétano pode ocorrer em 
circunstâncias de acidentes de trabalho na agricultura, na construção civil, na indústria e até em um 
acidente de trajeto. Isso é, caso o trabalhador tenha essas doenças em decorrência de sua atividade 
laboral e sua atividade esteja elencada na portaria nº 1339/99, a doença passa a ser considerada um 
acidente de trabalho.
Neoplasias (Tumores) Relacionadas ao Trabalho
Este grupo de doenças é originário da perda de controle do processo de divisão celular, em que ocorre 
uma multiplicação celular desordenada. O câncer pode surgir da exposição a agentes carcinogênicos 
tanto no ambiente de trabalho como fora dele. O período de latência longo da doença dificulta sua 
correlação causal com o trabalho. Hoje, existem classificações dos agentes quanto à sua carcinogeni-
cidade. Observe o Quadro 2 que mostra os tipos de classificação para carcinogenicidade.
Quadro 2 - Tipos de classificação para carcinogenicidade
International Agency for Research on Cancer (IARC)
1 Evidência epidemiológica suficiente para carcinogenicidade em seres humanos.
2A Provavelmente carcinogênico em seres humanos, segundo evidências limitadas em seres humanos e evidência suficiente em animais.
2B
Possivelmente carcinogênico em seres humanos, segundo evidência suficiente em animais, 
porém inadequada em seres humanos, ou evidência limitada nesses, com evidência sufi-
ciente em animais.
3 Não classificável.
4 Não carcinogênico.
Environmental Protection Agency (EPA)
A Evidência suficiente de estudos epidemiológicos apoiando uma associação etiológica.
B1 Evidência limitada em seres humanos, segundo estudos epidemiológicos.
B2 Evidência suficiente em animais, porém inadequada em seres humanos.
C Evidência limitada em animais.
D Evidência inadequada em animais.
E Nenhuma evidência em animais ou seres humanos.
American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH)
A1 Carcinogênico humano confirmado.
A2 Carcinogênico humano suspeito, segundo evidência humana limitada ou animal suficiente.
National Toxicology Program (NTP)
A Carcinogenicidade reconhecida em seres humanos.
B Evidência limitada em seres humanos ou evidência suficiente em animais.
Fonte: Brasil (2001, p. 96).
58Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
O quadro nos mostra que existem diferentes clas-
sificações para a carcinogenicidade. Por exemplo, 
para a IARC, um agente de risco pode ser pro-
vavelmente ou possivelmente carcinogênico em 
seres humanos, enquanto para a ACGIH existem 
as classificações de carcinogênico humano confir-
mado ou suspeito. Ao longo dos anos e por meio 
de novas descobertas científicas, os agentes de 
risco mudam de classificação quanto à sua car-
cinogenicidade e, ainda, podem ser classificados 
de forma diferente conforme o órgão que faz a 
classificação.
Um tipo de classificação utilizada para avaliar 
agentes químicos que dão direito à aposentadoria 
especial é a classificação IARC. Para identificar a 
classificação de um agente químico quanto à sua 
carcinogenicidade, deve ser feita a consulta na 
FISPQ do produto.
Os agentes químicos carcinogênicos são gran-
des responsáveis pelos casos de câncer em traba-
lhadores. Por exemplo, leucemias estão relaciona-
das à exposição ao benzeno, radiações ionizantes 
e agrotóxicos clorados. As radiações ionizantes 
também podem gerar neoplasias malignas dos 
ossos e cartilagens articulares dos membros, den-
tre outras neoplasias malignas. O breu utilizado 
na pavimentação asfáltica pode causar neoplasias 
malignas de bexiga.
Doença do Sangue e dos 
Órgãos Hematopoéticos 
Relacionadas ao Trabalho
O sangue e os órgãos hematopoéticos são res-
ponsáveis pela produção das células sanguíneas. 
As doenças relacionadas ao trabalho deste grupo 
são (BRASIL, 2001):
• Síndromes mielodisplásicas.
• Outras anemias devidas a transtornos en-
zimáticos.
• Anemia hemolítica adquirida.
• Anemia aplástica devida a outros agentes 
externos e anemia aplástica não especifi-
cada.
• Púrpura e outras manifestações hemor-
rágicas.
• Agranulocitose (neutropenia tóxica).
• Outros transtornos especificados dos gló-
bulos brancos: leucocitose, reação leuce-
moide.
• Metahemoglobinemia.
Ambientes de trabalho contendo benzeno, radia-
ções ionizantes, chumbo, cloreto de vinila, deriva-
dos de fenol, pentaclorofenol, hidroxibenzonitrilo 
e aminas aromáticas podem levar ao acometimen-
to de alguma(s) das doenças listadas. 
Doenças Endócrinas, Nutricionais 
e Metabólicas Relacionadas ao Trabalho
A exposição a chumbo, hidrocarbonetos halogenados, dentre outras substâncias, como carbamatos 
utilizados em inseticidas, pesticidas, herbicidas e nematocidas, podem gerar este tipo de doença 
(BRASIL, 2001). 
59UNIDADE 2
Transtornos Mentais e do Comportamento 
Relacionados ao Trabalho
As alterações na saúde mental dos trabalhadores decorrem de uma combinação de fatores, podendo 
ser desde agentes químicos tóxicos a fatores relacionados à organização do trabalho. A sensação 
de perder o emprego a qualquer momento ou a falta dele gera quadros de ansiedade e depressão. 
Alguns metais pesados e solventes podem gerar distúrbios mentais e alterações de comportamento, 
manifestando-se pela irritabilidade, nervosismo, inquietação, distúrbios de memória e de cognição. 
Doenças de transtornos mentais e de comportamento de origem ocupacional são (BRASIL, 2001):
• Demência em outras doenças específicas classificadas em outros locais.
• Delirium, não sobreposto à demência, como descrita.
• Transtorno cognitivo leve.
• Transtorno orgânico de personalidade.
• Transtorno mental orgânico ou sintomático não especificado.
• Alcoolismo crônico (relacionado ao trabalho).
• Episódios depressivos.
• Estado de estresse pós-traumático.
• Neurastenia (inclui síndrome de fadiga).
• Outros transtornos neuróticos especificados (inclui neurose profissional).
• Transtorno do ciclo vigília-sono devido a fatores não orgânicos.
• Sensação de estar acabado (síndrome de burn-out), síndrome do esgotamento profissional).
Por exemplo, a exposição a tolueno e outros solventes aromáticos podem gerar episódios depressivos 
nos trabalhadores. Problemas relacionados ao emprego e desemprego podem provocar alcoolismo 
crônico (relacionado ao trabalho).
Doenças do Sistema Nervoso Relacionadas ao Trabalho
Tremores e ataxias (falta de coordenação) podem resultar da exposição ocupacional ao tolueno, 
mercúrio e acrilamida. Várias outras substâncias químicas podem gerar doenças do sistema nervoso, 
como agrotóxicos, solventes orgânicos e metais pesados. As doenças ocupacionais do sistema nervoso 
relacionadas ao trabalho são (BRASIL, 2001):
60 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
• Ataxia cerebelosa.
• Parkinsonismo secundário devido a outros agentes externos.
• Outras formas especificadas de tremor.
• Transtorno extrapiramidal do movimento não especificado.
• Distúrbios do ciclo vigília-sono.
• Transtornos do nervo trigêmeo.
• Transtornos do nervo olfatório (inclui anosmia).
• Transtornos do plexo braquial (síndrome da saída do tórax, síndrome do desfiladeiro torácico).
• Mononeuropatias dos membros superiores: síndrome do túnel do carpo; outras lesões do 
nervo mediano: síndrome do pronador redondo; síndrome do canal de Guyon; lesão do nervo 
cubital (ulnar): síndrome do túnel cubital; outras mononeuropatias dos membros superiores: 
compressão do nervo supra-escapular.
• Mononeuropatias do membro inferior: lesão do nervo poplíteo lateral.
• Outras polineuropatias: polineuropatia devida a outros agentes tóxicos e polineuropatia indu-
zida pela radiação.
• Encefalopatia tóxica aguda.
Vale destacar que as posições forçadas e movimentos repetitivos são causadores de doenças do sistema 
nervoso, como a Síndrome do Túnel do Carpo.
Doenças do Olho e Anexos Relacionados ao Trabalho
As lesões oculares são frequentes em países como Finlândia (12% de todos os acidentes ocupacionais), 
França (4%) e Estados Unidos (3%) (BRASIL, 2001). Agentes mecânicos, físicos, químicos e biológicos 
podem lesionar os olhos, bem como atividades de monitoramento visual que geram sobre-esforço 
(levando à astenopia). 
As doenças dos olhos relacionadas ao trabalho são (BRASIL, 2001):
• Blefarite.
• Conjuntivite.
• Queratite e queratoconjuntivite.
• Catarata.
• Inflamação coriorretiniana.
• Neurite óptica.
• Distúrbios visuais subjetivos.
As radiações infravermelhas, nas operações de solda, por exemplo, podem causar catarata. O cimento 
na construção civil pode ser o responsável por casos de blefarite e conjuntivite. 
61UNIDADE 2
Doenças do Ouvido 
Relacionadas ao 
Trabalho
As doenças do ouvido não são 
apenas decorrentes da expo-
sição ao ruído. Existem subs-
tâncias neurotóxicas que agem 
no ouvido interno. Também, 
agentes biológicos podem cau-
sar otites. As doenças do ouvi-
do relacionadas ao trabalho são 
(BRASIL, 2001):
• Otite média não supu-
rativa (barotrauma do 
ouvido médio).
• Perfuração da membra-
na do tímpano.
• Outras vertigens perifé-
ricas.
• Labirintite.
• Perda da audição provo-
cada pelo ruído e trauma 
acústico.
• Hipoacusia ototóxica.
• Otalgia e secreção audi-
tiva.
• Outras percepções audi-
tivas anormais: alteração 
temporária do limiar au-
ditivo, comprometimen-
to da discriminação au-
ditiva e hiperacusia.
• Otite barotraumática.
• Sinusite barotraumática.
• Síndrome devida ao des-
locamento de ar de uma 
explosão.
Os solventes orgânicos otoneurotóxicos, como o tolueno e o xileno, 
são responsáveis pela hipoacusia ototóxica. A labirintite pode ser 
causada por brometo de etila ou pela ação de ar comprimido.
Doenças do Sistema Circulatório 
Relacionadas ao Trabalho
Do total de mortes decorrentes de doenças do sistema circulatório 
nos Estados Unidos, estima-se que de 1% a 3% estejam relacionadas 
ao trabalho (BRASIL, 2001). Alguns dos fatores de risco de natureza 
ocupacional relacionados a este grupo de doenças são: agentes quí-
micos – chumbo, monóxido de carbono, sulfeto de carbono, asbesto 
ou amianto, arsênio, mercúrio, agrotóxicos; agentes físicos – ruído, 
vibrações localizadas, baixas temperaturas; problemas relacionados 
com o emprego e o desemprego.
As doenças que podem acometer trabalhadores são (BRASIL, 
2001):
• Hipertensão arterial e doença renalhipertensiva ou nefros-
clerose.
• Angina pectoris.
• Infarto agudo do miocárdio.
• Cor pulmonale SOE ou doença cardiopulmonar crônica.
• Placas epicárdicas ou pericárdicas.
• Parada cardíaca.
• Arritmias cardíacas.
• Aterosclerose e doença aterosclerótica do coração.
• Síndrome de Raynaud.
• Acrocianose e acroparestesia.
Doenças do Sistema Respiratório 
Relacionadas ao Trabalho
O sistema respiratório constitui uma importante interface do or-
ganismo humano com o meio ambiente, sendo via para a entrada 
de diversos contaminantes químicos. A ocorrência de doenças vai 
depender do tipo de agente químico presente no ar, de sua concen-
tração, tempo de exposição, características genéticas dos indivíduos 
expostos, doenças preexistentes e hábitos de vida, como o tabagismo. 
As doenças deste grupo são (BRASIL, 2001):
62 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
• Faringite aguda não especificada (angina aguda, dor de gar-
ganta).
• Laringotraqueíte aguda e laringotraqueíte crônica.
• Outras rinites alérgicas.
• Rinite crônica.
• Sinusite crônica.
• Ulceração ou necrose do septo nasal e perfuração do septo 
nasal.
• Outras doenças pulmonares obstrutivas crônicas (inclui 
asma obstrutiva, bronquite crônica, bronquite asmática, 
bronquite obstrutiva crônica).
• Asma.
• Pneumoconiose dos trabalhadores do carvão.
• Pneumoconiose devida ao asbesto (asbestose) e a outras 
fibras minerais.
• Pneumoconiose devida à poeira de sílica (silicose).
• Pneumoconiose devida a outras poeiras inorgânicas: beri-
liose, siderose e estanhose.
• Doenças das vias aéreas devidas a poeiras orgânicas: bissi-
nose.
• Pneumonite por hipersensibilidade à poeira orgânica: pul-
mão do granjeiro (ou pulmão do fazendeiro); bagaçose; 
pulmão dos criadores de pássaros; suberose; pulmão dos 
trabalhadores de malte; pulmão dos que trabalham com 
cogumelos; doença pulmonar devida a sistemas de ar con-
dicionado e de umidificação do ar; pneumonite de hipersen-
sibilidade devida a outras poeiras orgânicas; pneumonites 
de hipersensibilidade devidas à poeira orgânica não espe-
cificada (alveolite alérgica extrínseca SOE; e pneumonite de 
hipersensibilidade SOE).
• Afecções respiratórias devidas à inalação de produtos quí-
micos, gases, fumaças e vapores: bronquite e pneumonite 
(bronquite química aguda); edema pulmonar agudo (edema 
pulmonar químico); síndrome da disfunção reativa das vias 
aéreas e afecções respiratórias crônicas.
• Derrame pleural e placas pleurais.
• Enfisema intersticial.
Doenças do 
Sistema Digestivo 
Relacionadas ao 
Trabalho
Substâncias químicas, estresse, 
situação da organização do tra-
balho, posturas forçadas, situa-
ções de tensão e conflito e con-
dições inadequadas para fazer 
refeições podem gerar doenças 
do sistema digestivo em traba-
lhadores. Este grupo de doenças 
compreende (BRASIL, 2001):
• Erosão dentária.
• Alterações pós-eruptivas 
da cor dos tecidos duros 
dos dentes.
• Gengivite crônica.
• Estomatite ulcerativa 
crônica.
• Gastroenterite e colite 
tóxicas.
• Cólica do chumbo.
• Doença tóxica do fígado: 
com Necrose Hepática; 
com Hepatite Aguda.
• Hepatite Crônica Persis-
tente; com outros Trans-
tornos Hepáticos.
• Hipertensão portal.
Por exemplo, a exposição ocu-
pacional a névoas ácidas pode 
gerar erosão dentária, e a ex-
posição a mercúrio pode gerar 
uma gengivite crônica.
63UNIDADE 2
Doenças da Pele e do Tecido 
Subcutâneo Relacionadas ao Trabalho
As dermatites ocupacionais, em sua grande maioria, são causadas 
por agentes químicos. Elas causam desconforto, alterações estéticas 
e funcionais que interferem na vida dos trabalhadores. As doenças 
são causadas por um grupo de causas indiretas, como idade, sexo, 
clima, hábitos e facilidades de higiene, e por um grupo de causas 
diretas, como agentes químicos, biológicos, físicos e mecânicos 
presentes no ambiente de trabalho. Algumas das doenças deste 
grupo são (BRASIL, 2001):
• Dermatoses pápulo-pustulosas e suas complicações infec-
ciosas.
• Dermatite alérgica de contato.
• Dermatites de contato por irritantes.
• Urticária de Contato.
• Queimadura solar.
• Outras alterações agudas da pele devidas à radiação ultra-
violeta: dermatite por fotocontato (dermatite de berloque); 
urticária solar; outras alterações agudas especificadas e ou-
tras alterações sem outra especificação.
• Alterações da pele devidas à exposição crônica à radiação 
não ionizante: ceratose actínica; dermatite solar, “pele de 
fazendeiro”, “pele de marinheiro”.
Doenças do Sistema Osteomuscular 
e do Tecido Conjuntivo 
Relacionadas ao Trabalho
Este grupo inclui as chamadas Doenças Osteomusculares Rela-
cionadas ao Trabalho (DORT) ou Lesões por Esforços Repetitivos 
(LER). Agentes químicos também podem ser responsáveis por al-
gumas dessas doenças. 
Posições forçadas e gestos repetitivos podem gerar artroses, dores 
articulares, Síndrome Cervicobraquial, dorsalgia, dentre outras. 
Outras situações geradoras dessas doenças são: vibrações locali-
zadas, ritmo de trabalho penoso e condições difíceis de trabalho 
(BRASIL, 2001).
64 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Doenças do Sistema Gênito-Urinário 
Relacionadas ao Trabalho
A exposição a agentes químicos, biológicos e farmacológicos podem 
gerar doenças deste grupo, de forma aguda ou crônica. A insufi-
ciência renal crônica está relacionada com a exposição a chumbo. 
A infertilidade masculina está relacionada ao chumbo, radiações 
ionizantes, trabalho em temperaturas elevadas, dentre outras subs-
tâncias. As doenças deste grupo são (BRASIL, 2001):
• Síndrome nefrítica aguda.
• Doença glomerular crônica.
• Nefropatia túbulo-intersticial induzida por metais pesados.
• Insuficiência renal aguda.
• Insuficiência renal crônica.
• Cistite aguda.
• Infertilidade masculina.
Você, provavelmente, percebeu que o trabalho pode gerar uma gran-
de quantidade de doenças em trabalhadores. Estas doenças afetam 
diferentes órgãos e sistemas do corpo humano. Vimos que existe 
uma relação que define doenças com os fatores de risco presentes 
nos ambientes de trabalho. Quando as doenças ocupacionais são 
caracterizadas, ocorre, na verdade, um acidente do trabalho. Mesmo 
desenvolvendo atividades de prevenção para evitar tais doenças, 
você poderá se deparar com situações de acidente. Dessas situações, 
podemos tirar algum aprendizado. O próximo tópico tratará da 
investigação dos acidentes.
65UNIDADE 2
Será que todo acidente do trabalho possui aspec-
tos negativos? É possível aproveitar a experiência 
com os acidentes para evitá-los? Após a ocorrên-
cia de um acidente do trabalho, cabe à organização 
em que ocorreu o acidente providenciar a sua in-
vestigação, ou seja, a empresa precisa determinar 
quais foram as causas que levaram ao acidente. 
Conhecendo estas causas, é possível evitar a recor-
rência dele. Por meio da investigação de acidentes, 
é possível melhorar normas de segurança do tra-
balho, bem como a confiabilidade de sistemas e 
máquinas (BRASIL, 2010, on-line). Dependendo 
do acidente, a determinação de suas causas pode 
ser simples ou complexa: os acidentes simples 
mostram causas óbvias para a sua ocorrência, 
como a falta do cumprimento de uma norma de 
segurança, enquanto os acidentes complexos 
possuem causas menos óbvias.
Investigação 
de Acidentes
66 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
Confira, a seguir, algumas dicas para realizar a investigação de acidentes:
• Mantenha uma estrutura para fazer a investigação de acidentes: investigar um acidente demanda 
tempo e recursos humanos e materiais. Portanto, é interessante manter uma equipe treinada para 
investigar acidentes, bem como fornecer materiais necessários, tais como máquina fotográfica, 
trena e fita de isolamento de área.
• Comece a investigação o quanto antes: é preciso preservar a memória dos fatos. Para tanto, após 
o atendimento do acidentado, bem como a emissão da CAT, deve-se registrar imediatamente 
os fatos relacionados ao acidente.
• Entreviste testemunhas: a entrevista com o acidentadoé fundamental para ouvir o que ocorreu 
de fato. No entanto, pessoas que estavam no local do acidente, bem como em sua proximidade, 
podem fornecer informações úteis para desenhar o quadro do que realmente ocorreu durante 
o acidente.
• Identifique os fatores imediatos, subjacentes e latentes relacionados ao acidente: os fatores ime-
diatos são aqueles que aconteceram logo antes da ocorrência do acidente. Por exemplo, em um 
acidente com amputação traumática de um dedo em uma prensa, um fator imediato é a falta 
de um dispositivo de proteção da máquina. Os fatores subjacentes são aqueles que antecedem 
os fatores imediatos. No nosso exemplo de acidente em uma prensa, alguns fatores subjacentes 
são: necessidade de aumento do ritmo de produção, devido a alterações na demanda e falta 
de sinalização de riscos próxima da prensa. E os fatores latentes são aqueles mais distantes à 
ocorrência do acidente que, no entanto, ajudaram a construir o quadro do acidente. No nosso 
exemplo, um dos fatores latentes seria a aprovação de compra da prensa sem os dispositivos 
de segurança.
Ainda, conforme destacado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (BRASIL, 2010, on-line), para 
entender as causas de um acidente, é preciso se perguntar: o que aconteceu e por quais razões acon-
teceu? Quais foram os fatores imediatos, subjacentes e latentes relacionados ao acidente? Em relação 
às falhas humanas, quais foram contribuintes para a ocorrência do acidente? Houve erros baseados 
em habilidades dos operadores? Houve erros de julgamento dos operadores? Houve violações dos 
dispositivos de segurança? Na investigação de acidentes, é fundamental fazer questionamentos até 
obter informações significativas sobre eles. Por meio dessas informações, a equipe de investigações 
pode elaborar um diagrama para organizar as causas que levaram ao acidente. A seguir, observe a 
figura de um exemplo de árvore de causas de um acidente.
67UNIDADE 2
Figura 2 - Exemplo de árvore de causas de um acidente
Fonte: adaptada de Sobral Jr. (2013).
Observe que, na Figura 2, existem três fatores próximos do acidente: contato com as chamas, tentativa de 
apagar as chamas com os pés e falta de uso de extintores. Por meio do questionamento, por exemplo, do 
porquê houve contato com as chamas, identifica-se os seguintes fatores: existência de mistura inflamável 
e focos de ignição. A investigação pode seguir questionando-se, por exemplo, por que existem focos de 
ignição. A resposta é: o uso de esmeril produz faíscas. O questionamento seguinte indaga: por que o es-
meril foi usado? A resposta: porque o operário que o usou desconhece a existência da gasolina no local de 
trabalho. Observe que conhecendo as múltiplas causas do acidente, pode-se elaborar planos de prevenção. 
Por exemplo: armazenar gasolina em local restrito; informar trabalhadores sobre o risco de explosão com 
material inflamável; e treinar trabalhadores sobre combate a incêndio.
A investigação de acidentes pode trazer muitos benefícios para a segurança dos trabalhadores, en-
contrando falhas de segurança que, até então, não estavam evidentes. Ela, inclusive, deve ser aplicada 
aos incidentes que ocorrem nos ambientes de trabalho.
ACIDENTE
Queimaduras de 2º e 3º graus em ambas as pernas
Contato com
as chamas
Tenta-se apagar as
chamas com os pés
Companheiros de
trabalho não
usam extintores
Desconhece-se a
possível toxidade da
substância extintora
Existe uma
mistura inflamável
Recipiente
com resíduos
de gasolina
Desconhece-se
perigo da gasolina
Faltam
procedimentos
com inflamáveis
Desorganização
da empresa
Operário
desconhece
a gasolina
Faltam áreas para
operações de risco
Existem focos
de ignição
Serviço com
esmeril
Número insuficiente
e localização
deficiente
Ato instintivo Único extintor nooutro lado da firma
Falta de informação
quanto ao
uso correto
68 Acidentes do Trabalho e Doenças Ocupacionais
A investigação de acidentes é uma atribuição im-
portante dos prevencionistas. Além da sua exigên-
cia dada por lei, vimos que fazê-la permite que o 
trabalho seja melhorado, evitando situações que 
irão causar os mesmos acidentes ou até outros 
mais graves. Ainda, vimos que os quase aciden-
tes ou incidentes são indícios de que há algo de 
errado na execução de um trabalho, do ponto de 
vista da segurança. Um sistema que identifica es-
tas situações pode ser bem útil para prevenir a 
ocorrência de acidentes com perdas materiais e 
humanas.
Agora que você já conhece em detalhes o que 
é um acidente do trabalho, vamos estudar, nas 
próximas unidades, como avaliar a magnitude 
dos riscos ambientais por meio das técnicas da 
Higiene Ocupacional.
O que são incidentes? 
Incidentes são quase acidentes. Por exemplo, 
um trabalhador escorrega em uma superfície 
de trabalho, mas não cai e não sofre lesão. Veja 
mais em: https://www.epi-tuiuti.com.br/blog/
seguranca-do-trabalho/entenda-diferenca-en-
tre-acidente-e-incidente-de-trabalho/.
69
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Um trabalhador sofreu um corte leve em seu dedo durante seu trabalho usando 
um estilete. Esta situação se configura em acidente do trabalho? Justifique sua 
resposta.
2. Trabalhadores que atuam em laboratório de pesquisa sofrem exposição a pós 
de chumbo durante todos os dias de trabalho. Identifique algumas doenças que 
eles podem desenvolver em decorrência de seu trabalho.
3. Um trabalhador da construção civil, que é contratado por uma empresa de 
engenharia, sofre uma queda de mais de dois metros de altura, sofrendo lesão 
que o incapacita temporariamente para o trabalho. No momento do acidente, 
o trabalhador não estava usando um sistema de cinto de segurança e talabarte. 
Elabore uma lista dos possíveis fatores imediatos, subjacentes e latentes que 
ocasionaram o acidente.
70
Investigación de accidentes del trabajo y enfermedades profesionales: guía 
práctica para inspectores del trabajo
Autor: Organização Internacional do Trabalho
Editora: Organização Internacional do Trabalho
Sinopse: este guia foi desenvolvido em colaboração com o Centro Internacio-
nal de Formação da OIT, em Turim, depois de uma oficina sobre a realização 
de investigações de acidentes do trabalho e doenças profissionais, em que 
participaram membros do Brasil, Estados Unidos da América, Itália, Noruega, 
Portugal, Reino Unido, Romênia, junto com especialistas técnicos do Serviço de 
Administração do Trabalho e Inspeção do Trabalho e Segurança e Saúde do 
trabalho do Escritório Internacional do Trabalho.
LIVRO
Another Promise
Ano: 2013
Sinopse: é um filme sul-coreano de 2014, baseado na história verdadeira sobre 
a batalha legal entre o conglomerado coreano Samsung e seus funcionários que 
contraíram leucemia.
Logo após se formar no ensino médio, Yoon-mi começa a procurar emprego 
para ganhar dinheiro para ajudar a sustentar sua família em dificuldades; ela 
quer, especialmente, pagar as mensalidades de seu irmão mais novo, Yoon-seok, 
quando ele for para a faculdade nos próximos anos. Seu pai, Sang-gu, motorista 
de táxi na província de Gangwon , fica orgulhoso e muito feliz quando Yoon-mi é 
contratada como operária na fábrica de semicondutores de Jinsung . Contudo, 
apenas dois anos depois, ele descobre que sua filha foi diagnosticada com leu-
cemia; quatro anos após seu diagnóstico, Yoon-mi morre no banco traseiro do 
táxi de Sang-gu. Depois de saber que vários colegas de trabalho de Yoon-mi na 
fábrica também estão sofrendo doenças improváveis, Sang-gu está convencido 
de que Jinsung é responsável pela doença e morte de sua falecida filha. Ele faz 
uma visita a um advogado trabalhista para registrar uma reclamação contra o 
conglomerado mais poderoso do país. Sang-gu e sua família, juntamente com 
seu advogado e outras famílias de pacientes com leucemia, logo ficam abalados 
quando a empresa usa diferentes métodos de apaziguamento e pressão para 
impedir que as famílias se unam, entre elas oferecendo dinheiro para impedir 
que o problema se torne público. Os trabalhadores deJinsung também espio-
nam as famílias dos queixosos, perseguem-nos e os ameaçam, tudo pelo bem 
de sua empresa, que eles realmente acreditam estar certa. As pessoas relutam 
em ser testemunha de um julgamento, seja por sua lealdade à empresa ou pelo 
bem-estar de suas famílias. Contudo, Sang-gu está determinado a continuar em 
sua busca pela verdade e pela justiça.
FILME
71
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14.280:2001. Cadastro de acidente do trabalho - pro-
cedimento e classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2001.
BRASIL. Decreto Federal nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o regulamento da Previdência Social e 
dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/decreto/d3048.htm. Acesso em: 18 dez. 2019.
BRASIL. Lei Federal nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, 
proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras 
providências. Brasília: Presidência da República, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/l8080.htm. Acesso em: 18 dez. 2019.
BRASIL. Lei Federal nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência 
Social dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1991. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em: 18 dez. 2019.
BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Previdência, Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência. 
Anuário Estatístico da Previdência Social. Brasília: MF/DATAPREV, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Blog da Saúde. Entenda a diferença entre as dores agudas e crônicas. Brasília. 
2012. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/31572-entenda-a-diferen-
ca-entre-as-dores-agudas-e-cronicas. Acesso em: 09 nov. 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços 
de saúde. Brasília: Ministério da Saúde do Brasil, Brasília. 2001. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
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BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Guia de Análise de Acidentes do Trabalho. São Paulo: MTE, 
2010. Disponível em: http://www.sinaees-sp.org.br/arq/mtegat.pdf. Acesso em: 19 dez. 2019.
BRASIL. Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário – NETP. Ministério da Economia, 2015. Disponível 
em: http://www.previdencia.gov.br/saude-e-seguranca-do-trabalhador/politicas-de-prevencao/nexo-tecnico-
-epidemiologico-previdenciario-ntep/. Acesso em: 09 jan. 2020.
BRASIL. Portaria n° 1339, de 18 de novembro de 1999. Ministério da Saúde, 1999. Disponível em: http://
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72
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SOBRAL JÚNIOR, M. Segurança do trabalho: organizando o setor. Manaus: [s.n.], 2013.
73
1. Sim, pois o trabalhador sofreu uma lesão que o incapacitou temporariamente para o trabalho. Essa lesão 
ocorreu, pois ele estava prestando um serviço à empresa. Mesmo que a lesão não gere um afastamento 
do trabalho, ela se configura em acidente do trabalho.
2. A exposição ao chumbo está associada a diversas doenças, como: doenças do sistema circulatório, doenças 
do sistema digestivo, insuficiência renal crônica e infertilidade masculina. Caso algum trabalhador tenha 
alguma doença relacionada ao chumbo, conforme portaria nº 1.339/99, será preciso fazer a investigação 
quanto à sua relação com o trabalho.
3. Fatores imediatos: falta do uso do sistema de cinto de segurança e talabarte; falta de pontos de ancoragem; 
falta de proteção coletiva contra quedas.
Fatores subjacentes: nível de atenção do trabalhador no dia do acidente; nível de percepção de risco do 
trabalhador; condições do ambiente.
Fatores latentes: falta de treinamento e segurança do trabalho em altura; falta de exame médico para 
realização de trabalho em altura; falta de projeto de proteção coletiva.
74
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Entender os conceitos de avaliação da exposição ocupa-
cional ao ruído.
• Aplicar as técnicas de avaliação quantitativa da exposição 
ocupacional ao calor.
• Entender os conceitos de avaliação da exposição ocupa-
cional a radiações.
• Aplicar as técnicas de avaliação quantitativa da exposição 
ocupacional a vibrações.
Me. Maílson José da Silva
Ruído
Calor Vibrações
Radiações
Higiene
Ocupacional I
Ruído
Você já entrou em um ambiente fabril? Caso sim, 
dependendo do segmento da indústria, você ob-
servou que existem diversos fatores que, de certa 
forma, “atacam” nosso conforto: barulho de má-
quinas, calor, luz intensa, vibrações, dentre outros. 
Estes fatores se constituem em agentes ambientais 
que podem ou não provocar acidentes e doenças 
nos trabalhadores. Para verificar se os agentes am-
bientais são, de fato, riscos ambientais, é preciso 
fazer avaliações utilizando técnicas da Higiene 
Ocupacional (HO). Esta unidade iniciará nosso 
estudo sobre técnicas de avaliação HO. A HO é 
formada por conhecimentos de diversas áreas, 
como da física, química, matemática e engenharia, 
ela trata do reconhecimento, antecipação, avalia-
ção e controle dos riscos ambientais presentes 
no ambiente de trabalho. Os riscos que serão es-
tudados são: ruído, calor, radiações (ionizantes 
e não ionizantes), vibrações, agentes químicos, e 
agentes biológicos. Já estudamos cada um desses 
riscos na Unidade 1. Aqui, iremos mostrar como 
cada risco é avaliado utilizando os métodos e fer-
ramentas da HO.
77UNIDADE 3
Iniciamos esta unidade por um dos riscos mais presentes nos ambientes de trabalho: o ruído. Este é 
produzido por máquinas e equipamentos usados em diferentes atividades laborais. Exemplos: um 
martelo batendo em um prego ou uma marreta batendo em um material metálico; uma lixadeira 
fazendo o corte de uma barra de aço; uma furadeira perfurando uma parede; um secador de cabelos 
em um salão de cabeleireiros etc.
O ruído pode ser prejudicial à saúde humana quando estiver em uma intensidade muito alta. Para 
saber se uma intensidade sonora é segura, é preciso compará-la com um limite de tolerância. O limite 
define intensidades de ruído máximas, conforme o tempo de exposição, que não causarão danos à 
saúde auditiva da maioria dos trabalhadores que ficam expostos durante toda a vida laboral. Portanto, 
a simples presença de ruído em um ambiente de trabalho não significa que ele é um local insalubre 
(um ambiente causador de doenças). É preciso usar técnicas de avaliação da HO para determinar a 
gravidade da exposição ao ruído. Caso o ambiente seja insalubre, devem ser adotadas medidas para 
modificá-loe fazer o monitoramento das exposições. Para você entender corretamente as bases da 
avaliação ocupacional ao ruído, vamos entender primeiro o que é o som.
O termo “insalubre” é usado para designar um ambiente ou atividade que causa danos à saúde dos 
trabalhadores. A insalubridade é avaliada por meio da Norma Regulamentadora NR-15, do antigo 
Ministério do Trabalho e Emprego (agora Ministério da Economia). No entanto, vale destacar que 
algumas atividades e ambientes geram danos à saúde, mas não estão presentes no texto legal NR-15.
A Higiene Ocupacional pode ser definida como a “ciência e arte dedicada à antecipação, reconheci-
mento, avaliação e controle de fatores ambientais ou fatores estressantes presentes ou originários 
do ambiente de trabalho, que podem causar doenças, prejudicar a saúde e bem-estar ou trazer 
desconforto significativo entre trabalhadores ou cidadãos de uma comunidade”.
Fonte: Goelzer(1998, s.p.).
78 Higiene
Som: Potência, Frequência, Ruído, 
Ruído Contínuo e Ruído de Impacto
O som é formado por variações na pressão de um meio. Assim, se não existir um meio de propagação 
para as ondas sonoras, seja o ar ou a água, por exemplo, não haverá som. O som é formado por ondas 
mecânicas. Como toda onda, a onda sonora possui as características de comprimento de onda, am-
plitude e frequência. Observe a Figura 1, que ilustra uma onda mecânica.
Figura 1 - Parâmetros de ondas
Fonte: Fantazzini (2001 apud SESI, 2007, p. 120).
No eixo vertical (Figura 1), temos representado a potência (P) e no 
eixo horizontal o tempo. Observe que a potência muda ao longo 
do tempo, possuindo um pico dado pela amplitude da onda (A). A 
onda se repete conforme seu comprimento (letra grega lambda - λ). 
Por que é importante saber essas características do som? 
Quando ouvimos um som “muito forte” significa que a sua po-
tência (dada pela amplitude da onda) é muito alta. A potência do 
som é medida por meio da unidade decibéis (dB) (Figura 2).
A
P
t
λ
79UNIDADE 3
Veja que a voz humana possui intensidade de 30 
a 80 decibéis (dB). O tráfico rodoviário, porém, 
possui intensidade que varia de 50 dB a 90 dB. 
Quanto maior a intensidade, mais prejudicial é o 
som para a saúde auditiva. Sons acima de 90 dB, 
como é o caso do ruído produzido por uma serra 
mecânica ou um martelo pneumático, oferecem 
um perigo expressivo para o ouvido, sendo que 
intensidades acima de 115 db(A) oferecem risco 
grave e iminente (BRASIL, 1978c).
No entanto, não conseguimos ouvir todo tipo 
de som. A audibilidade do som dependerá de sua 
frequência. Conforme o comprimento de onda do 
som, existirão diferentes tipos de frequência. Com-
primentos de onda menores geram frequências 
Figura 2 - Exemplos de níveis de ruído 
Fonte: adaptada de Cochlea (2001, on-line)1. 
140
130
120
110
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Intensidade do ruído em dB
Explosão
Avião a decolar
Tiro, buzina
Martelo pneumático
Serra mecânica
Recreio
Aspirador
Máquina de lavar roupa
Biblioteca
Cabina insonorizada
Limiar auditivo
Máquina perfuradora
(bermequim)
90-120 dB
Sirene, alarme
85-115 dB
Discoteca, 
bar musical,
concerto
70-100 dB
Leitor de música
50-90 dB
Tráfego rodoviário
40-80 dB
Sala de aula
30-80 dB
Voz ciciada, 
falada ou 
gritada
Sons excepcionais:
lesão irreversível
Perigo:
sons lesivos
Limiar do
som lesivo
Sem
risco
Considera-se grave e iminente risco toda condi-
ção ou situação de trabalho que possa causar aci-
dente ou doença com lesão grave ao trabalhador.
Fonte: Brasil (1978a).
maiores de som, e comprimentos maiores geram 
frequências menores. A frequência de um som é 
medida pela unidade Hertz (Hz) que é o número 
de ciclos por segundo de uma onda. O ouvido 
humano pode ouvir sons na faixa de 16-20 Hz a 
16-20 KHz (SESI, 2007).
80 Higiene
Quando diversos sons, de diferentes frequências, são produzidos em um ambiente, existe, na verdade, 
um ruído – conjunto de sons de diferentes frequências e intensidades. Este ruído pode ser de impacto – 
quando produz picos de energia com duração inferior a um 1 segundo a intervalos superiores a 1 segundo 
– ou ruído contínuo ou intermitente.
As características de intensidade sonora (medida em dB), frequência (medida em Hz) e tipo de 
ruído são importantíssimas nas medições dos níveis de ruído, explicadas a seguir.
Medições: Limites, Ponderação, 
Resposta Dinâmica e Dose de Ruído
Como vimos, um ruído será prejudicial à saúde se possuir uma intensidade tal que ultrapasse um certo 
valor de limite de tolerância. No Brasil, os limites de tolerância são dados pela Norma Regulamentadora 
NR-15, em seus anexos 1 e 2, conforme ilustra a Tabela 1.
Tabela 1 - Limites de tolerância para ruído
NÍVEL DE RUÍDO dB(A) Máxima Exposição Diária Permissível
85 8 horas
86 7 horas
87 6 horas
88 5 horas
89 4 horas e 30 minutos
90 4 horas
91 3 horas e 30 minutos
92 3 horas
93 2 horas e 40 minutos
94 2 horas e 15 minutos
95 2 horas
96 1 hora e 45 minutos
98 1 hora e 15 minutos
100 1 hora
102 45 minutos
104 35 minutos
105 30 minutos
106 25 minutos
108 20 minutos
110 15 minutos
112 10 minutos
114 8 minutos
115 7 minutos
Fonte: Brasil (1978c, on-line).
81UNIDADE 3
Veja, aluno(a), como aponta a Tabela 1, uma ex-
posição a 85 dB(A) durante 8 horas de trabalho 
é considerada uma exposição dentro do limite 
de tolerância. Entretanto, uma exposição a um 
ruído de 90 dB(A) durante 5 horas de trabalho é 
considerada insalubre, pois o limite de tolerância 
para 5 horas de trabalho é de 88 dB(A). 
Observe, na Tabela 1, que o ruído está sendo re-
presentado com a unidade de dB(A). Este “A” na 
unidade possui um significado importante: que 
o ruído está sendo ponderado na curva de pon-
deração A. Uma curva de ponderação serve para 
corrigir a intensidade do ruído conforme sua fre-
quência, já que o ouvido humano tem uma ten-
dência a escutar menos os sons mais graves (de 
baixa frequência) e ter uma sensibilidade maior 
para os sons mais agudos (de alta frequência). 
Além da curva de ponderação A, existem as cur-
vas B, C e linear. Para medir o ruído contínuo ou 
intermitente, utilizamos a curva A. Esta deve ser 
parametrizada no equipamento de medição (que 
iremos explicar em seguida). E para medir o ruí-
do de impacto, utilizamos a curva de compensa-
ção C ou linear.
Além da ponderação, é preciso parametrizar 
o equipamento de medição quanto ao circuito de 
resposta. Para ruídos contínuos ou intermitentes, 
o circuito de resposta é “SLOW” (resposta lenta); 
para ruídos de impacto, podemos usar os circuitos 
O limite de tolerância não é o único parâmetro 
usado para iniciar a aplicação de medidas correti-
vas em um ambiente. Caso o valor da intensidade 
de ruído seja igual a 50% do valor do limite de 
tolerância, deve-se tomar uma ação, pois este 
valor representa o Nível de Ação.
Fonte: Brasil (1978b).
“IMPULSE” (impacto) ou “FAST” (rápido).
Observe que, em um ambiente de trabalho, po-
dem existir diversas fontes de ruído simultâneas. 
O nível de ruído geralmente não permanece o 
mesmo durante toda a jornada de trabalho. Se al-
guns equipamentos são desligados, por exemplo, 
o nível de ruído diminui; se o trabalhador circula 
por diferentes ambientes durante sua jornada de 
trabalho, o nível de ruído irá variar. Diversas outras 
situações causam variação no nível de ruído du-
rante a jornada laboral. Para considerar correta-
mente as variações de ruído conforme os limites 
de tolerância explicitadas no Quadro 1, é preciso 
calcular a dose de ruído. 
Os níveis de impacto deverão ser avaliados em 
decibéis (dB), com medidor de nível de pressão 
sonora operando no circuito linear e circuito de 
resposta para impacto. O limite de tolerância 
para ruído de impacto será de 130 dB (linear). 
Em caso de não se dispor de medidor do nível 
de pressão sonora com circuito de resposta para 
impacto, será válida a leitura feita no circuito de 
resposta rápida (FAST) e circuito de compensa-
ção "C". Neste caso, o limite de tolerância será 
de 120 dB(C).
Fonte: adaptado de Brasil(1978c).
Dose de ruído é um valor que expressa a expo-
sição ao ruído durante uma jornada de trabalho. 
Quando seu valor excede a unidade, significa que 
o limite de tolerância foi ultrapassado.
Fonte: baseado em Brasil (1978c).
82 Higiene
A dose é calculada pela seguinte expressão:
C
T
C
T
C
T
C
T
n
n
1
1
2
2
3
3
+ + ...
Em que:
C: tempo total de exposição a um certo nível de ruído.
T: tempo total de exposição permitida para o nível de ruído.
Um trabalhador fica exposto a 85 dB(A) durante 4 horas e a 90 dB(A) durante 2 horas. 
Nesse caso, conforme dados da Tabela 1, o valor da dose de ruído é de:
C
T
C
T
1
1
2
2
4
8
2
4
1
Neste caso, a dose de ruído não ultrapassou a unidade e o ambiente não é considerado 
insalubre.
1 EXEMPLO
Figura 3 – Medidor de ruído 
de leitura instantânea
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
Realização de medições 
de exposição ao ruído
Agora que você conhece os conceitos fundamen-
tais usados nas medições, vamos entender como 
elas são feitas.
São utilizados, basicamente, dois tipos de equi-
pamentos para medir o ruído: o dosímetro e o 
medidor de leitura instantânea (conhecido como 
decibelímetro) – Figuras 3 e 4.
83UNIDADE 3
Figura 4 – Dosímetro de ruído
Fonte: Instrutherm ([2020], on-line)2.
O medidor de leitura instantânea é, geralmente, um equipamento 
maior, segurado pelo avaliador próximo da zona auditiva do tra-
balhador. O equipamento registra o nível de ruído instantâneo. O 
avaliador deverá registrar o nível de ruído, conforme o intervalo 
de tempo. Após fazer diversos registros, é feito o cálculo manual da 
dose, se necessário, ou então se compara os níveis medidos com o 
tempo de exposição para determinar se o limite de tolerância foi 
ultrapassado. 
Com a utilização do dosímetro, o avaliador não precisa ficar 
segurando o equipamento próximo da zona auditiva do trabalhador. 
O microfone do dosímetro é preso no ombro do trabalhador, na 
zona auditiva, e a dose é fornecida após a medição. Tanto o dosíme-
tro como o medidor de leitura instantânea devem ser configurados 
conforme as características do ruído a ser medido. Para o ruído 
contínuo ou intermitente:
84 Higiene
• Para dosímetros:
 - Circuito de ponderação “A”.
 - Circuito de resposta lento (SLOW).
 - Critério de referência – 85 dB (A).
 - Nível limiar de integração – 80 dB (A).
 - Faixa de medição mínima - 80 a 115dB 
(A).
 - Incremento de duplicação de dose - 3 
ou 5 (caso esteja usando a NR-15 como 
referência, usar incremento de 5).
 - Indicação de ocorrência de níveis supe-
riores a 115 dB (A).
• Para medidores de leitura instantânea:
 - Circuito de ponderação “A”.
 - Circuito de resposta lento (SLOW) ou 
rápido (quando especificado pelo fabri-
cante).
 - Critério de referência – 85 dB (A).
 - Nível limiar de integração – 80 dB (A).
 - Faixa de medição mínima - 80 a 115dB.
 - Incremento de duplicação de dose - 3 
ou 5 (caso esteja usando a NR-15 como 
referência, usar incremento de 5).
 - Indicação de ocorrência de níveis supe-
riores a 115dB (A).
Para a medição de ruído de impacto, as configu-
rações mínimas são:
• Circuito de ponderação “linear” ou “C”.
• Circuito de resposta para medição de nível 
de pico ou FAST.
• Faixa de medição de pico mínimo de 100 
a 150dB.
O dosímetro deve atender a algumas especificações 
mínimas: atender à norma ANSI S1.25-1991 ou 
suas versões futuras; classificação mínima do tipo 2.
O medidor integrador portado pelo avaliador 
deve atender: especificações constantes na Nor-
ma IEC 804 ou suas versões futuras; classificação 
mínima tipo 2.
O medidor de leitura instantânea deve aten-
der a: norma ANSI S1.4-1983 e IEC 651 ou suas 
versões futuras.
Antes de iniciar as medições, é preciso se cer-
tificar que os equipamentos utilizados atendam às 
especificações apresentadas. Além dos medidores 
em si, utiliza-se um calibrador acústico que deve 
atender às especificações da norma ANSI S1.40-
1984 ou IEC 942-1988. Os calibradores são usados 
antes e depois da medição para verificar se houve 
alteração significativa dos valores lidos (variação 
maior que 1db).
Utilização de 
Protetores Auriculares
A proteção contra ruído deve ser preferencial-
mente feita por meio de medidas que atuem dire-
tamente na fonte de ruído. Enclausurar fontes de 
ruído, construir paredes com material absorvente, 
realizar a manutenção de equipamentos, fixar pe-
ças soltas em máquinas, dentre outras medidas, 
reduzem o nível de ruído produzido nos ambien-
tes de trabalho. Caso o nível de ruído ultrapasse 
um valor mínimo de 80 dB(A), que é o nível de 
ação, será preciso fornecer proteção por meio de 
protetores auriculares.
85UNIDADE 3
Figura 5 – Modelos de protetores auriculares 
Fonte: adaptado de Protcap ([2020], on-line)3, Astro Distribuidora ([2020], on-line)4 e Zeus do Brasil ([2020], on-line)5. 
Protetor
circum-auricular
Protetor de inserção de
espuma de expansão lenta
Protetor de inserção de
polímero pré-moldado
Os protetores que possuem melhor eficiência são os circum-auriculares, seguidos pelos de inserção de 
espuma de expansão lenta e pelos de inserção de polímero pré-moldado. Para obter um nível maior de 
proteção contra ruídos, pode-se utilizar o protetor circum-auricular juntamente com os de inserção.
O que determina o nível de proteção do protetor é seu valor de atenuação NRR (Noise Reduction 
Rate ou Nível de Redução do Ruído) expresso em decibéis. Este valor pode ser determinado por qua-
tro métodos diferentes: método longo, NRR, NRRa e NRRSF. O nível de atenuação determinado pelo 
método NRRSF é o mais prático de ser utilizado, pois ele considera o nível de atenuação para usuários 
leigos no uso dos protetores auriculares, já que o seu mau uso reduz o nível original de proteção de-
terminado por fábrica. 
Em uma fábrica, o ruído constante de diversos equipamentos produz uma intensida-
de sonora máxima de 92dB (A) durante oito horas de trabalho. Um protetor auricular 
do tipo de inserção pré-moldado possui NRRSF=18db. Quanto de intensidade sonora 
chegará ao ouvido do usuário do EPI? A redução é satisfatória? Neste caso, chegará ao 
ouvido do usuário a seguinte intensidade:
dB (A) (ouvido) = dB(A)-NRRSF=92-18=74dB(A).
2 EXEMPLO
Existem, basicamente, três modelos, ilustrados pela Figura 5.
86 Higiene
Como o limite de tolerância para oito horas é de 85 dB (A), verificamos que a atenuação é satisfatória.
O exemplo mostrou como é prático o uso do NRRSF. No entanto, seu valor pode ser usado direta-
mente se o trabalhador usar o protetor durante toda sua jornada de trabalho. Caso ele use parcialmente, 
deve ser feito uma correção, que é dada pela Tabela 2.
Tabela 2 – Correção para o NRR nominal de protetores
CORREÇÃO PARA O NRR NOMINAL DO PROTETOR
Tempo de uso em porcentagem de jornada de 8 horas
50 75 87,5 94 98 99 99,5 100% do tempo NRR – atenuação nominal
-20 -15 -11 -7 -3 -2 -1 25
-15 -11 -7 -4 -2 -1 -1 20
-11 -7 -4 -2 -1 -1 0 15
-7 -4 -2 -1 -1 0 0 10
-240 120 60 30 10 5 2,5 0
Tempo de não uso em minutos por jornada de 8 horas
Fonte: Fantazzini (apud SESI, 2007, p. 142).
Para o nosso exemplo, se o protetor não é usado durante 1 hora (60 min) da jornada laboral, a porcen-
tagem de uso em relação à jornada de oito horas é de:
480 60
480
0 875 87 5� � �, , %
Cruzando esse valor com o valor de NRR = 20 na Tabela 2 (usamos o valor de 20, pois é o que mais se 
aproxima do valor do NRRSF = 18 do protetor), obtemos um desconto de -7. Portanto, o nível de ruído 
médio que chegará ao ouvido do trabalhador durante toda a jornada de trabalho será de:
dB(A)(ouvido) = dB(A) - NRRSF(com desconto) = 92 - 11 = 81dB(A)
Veja que, após avaliar a exposição ao ruído, é preciso determinar o equipamento de proteção mais 
adequado que, no caso do protetor auricular, precisa ser verificado quanto ao seu correto uso (durante 
toda a jornada de trabalho em que há exposição ao ruído e colocação correta do equipamento).
Vimos que a avaliação do ruído é feitade forma quantitativa, utilizando-se equipamentos de medição 
de pressão sonora, e que as medidas de controle são aplicadas conforme o nível de ruído encontrado. 
Em algumas situações, quando o nível de ruído não atinge 50% do valor do limite de tolerância, as 
medidas de controle podem ser dispensadas. 
Agora, vamos estudar outro agente ambiental físico: o calor. Assim como o ruído, o calor pode gerar 
apenas um desconforto ou, dependendo de sua intensidade, tempo de exposição e tipo de atividade 
desenvolvida, pode gerar doença nos trabalhadores.
87UNIDADE 3
Neste momento, como está a temperatura do seu 
ambiente? Com certeza você já passou pelo des-
conforto criado pelo calor. Especialmente aqui 
no Brasil, a temperatura ambiental pode atingir 
valores que geram diversas reações no corpo: suor 
excessivo, sensação de cansaço e desânimo, difi-
culdade para raciocinar em algumas situações 
etc. Será que o calor que sentimos no dia a dia, 
especialmente no verão, é prejudicial à nossa saú-
de? O calor se torna prejudicial aos trabalhadores 
quando ocorre uma sobrecarga térmica no orga-
nismo. Se o calor gerado pelo corpo não é dissipa-
do satisfatoriamente, ocorre a sobrecarga. O calor 
vem de fontes artificiais de ambiente interno e do 
sol. Alguns exemplos de fontes artificiais de calor 
são: fornos, muflas, fogões industriais, chapa para 
fritura de carnes, motores etc. Os trabalhadores 
recebem o calor dessas fontes e, ao mesmo tempo, 
desempenham atividades que produzem calor em 
seu organismo. A combinação da temperatura 
ambiente e dos períodos de descanso deve ser tal 
que permita uma dissipação do calor produzido 
pelo corpo .
Calor
88 Higiene
Para avaliar o risco de uma atividade com exposi-
ção ao calor, são avaliados basicamente dois parâ-
metros. O Índice de Bulbo Úmido Termômetro 
de Globo (IBUTG) é um valor de temperatura 
composto pela temperatura lida por três diferen-
Formas de trasmissão de calor
tes termômetros: termômetro de bulbo úmido 
(tbn), termômetro de globo (tg) e termômetro de 
bulbo seco (ts). O outro parâmetro avaliado é a 
taxa metabólica (M), que é dependente da ativi-
dade realizada. Estes dois parâmetros estabelecem 
os limites de tolerância ao calor que, quando ul-
trapassados, gerarão a sobrecarga térmica.
O IBUTG é calculado por duas equações diferen-
tes. Para ambientes sem carga solar, ele é dado por:
IBUTG = 0,7tbn + 0,3tg (1)
E para ambientes com carga solar:
IBUTG = 0,7tbn + 0,2tg + 0,1ts(2)
A taxa metabólica não é calculada por meio de 
equação. Ela é obtida por meio de tabelas. A se-
guir, estão dispostas as taxas de metabolismo 
por atividade de acordo com a NR-15, anexo III 
(BRASIL, 1978c).
Tabela 3 – Taxas de metabolismo por atividade
TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h
SENTANDO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE
Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia). 125
Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir). 150
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 150
TRABALHO MODERADO
Sentado, em movimentos vigorosos com braços e pernas. 180
De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 175
De pé, trabalho moderado, em máquina ou bancada, com alguma movimentação. 220
Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar. 300
TRABALHO PESADO
Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá). 440
Trabalho fatigante. 550
Fonte: Brasil (1978c, p. 3).
89UNIDADE 3
A temperatura a que trabalhadores ficam expostos 
varia significativamente de acordo com o horário do 
dia e da atividade. Para avaliar o IBUTG, é preciso 
selecionar o período da jornada de trabalho em que a 
situação está mais crítica. A medição de temperatura 
deve ocorrer por um período de 60 min. Neste pe-
ríodo, a situação térmica deve ser a mais desfavorável 
possível, ou seja, com temperatura ambiente alta e 
taxa metabólica alta. A medição é feita por meio de 
um dispositivo que possui os três termômetros que 
comentamos, conforme ilustrado pela Figura 6.
Figura 6 – Conjunto eletrônico e convencional para leitura do IBUTG
Fonte: Fundacentro (2017, p. 31).
O dispositivo da esquerda é um conjunto eletrônico que fornece diretamente o valor de IBUTG. 
Ele possui uma esfera de cobre oca de seis polegadas de diâmetro, pintada de preto, para captar a 
temperatura de globo proveniente do calor irradiado. Ao lado, há um pequeno pote que possui um 
Sensor
2,5 cm
Trabalhadores aclimatizados são aqueles que 
passaram pela aclimatização, que é a “adaptação 
fisiológica decorrente de exposições sucessivas e 
graduais ao calor que visa reduzir a sobrecarga 
fisiológica causada pelo estresse térmico”.
Fonte: Fundacentro (2017, p. 13).
90 Higiene
termômetro envolto por um pavio umedecido. Ele fornece a temperatura de bulbo úmido. E mais à 
direita há o termômetro de bulbo seco. O dispositivo da direita da figura é um conjunto convencional, 
composto pelos três termômetros já citados, mas que não fornecem a leitura direta do IBUTG e sim a 
leitura individual de cada temperatura. Neste caso, é preciso fazer o cálculo do IBUTG por meio das 
equações apresentadas. O dispositivo de medição deve ficar posicionado no local em que permanece 
o trabalhador e na altura do corpo da região mais atingida.
Vejamos alguns exemplos de medição e avaliação da exposição ocupacional ao calor.
Avaliação do IBUTG para Regime de Trabalho Intermitente com 
Períodos de Descanso no Próprio Local de Prestação de Serviço
Há situações em que os trabalhadores que ficam expostos ao calor realizam pausas para descanso (mo-
mento em que a taxa metabólica diminui) no próprio local de trabalho. Este é o caso, por exemplo, de 
um trabalhador que carrega com material um forno e espera por alguns minutos, na frente do forno, 
para fazer a retirada do material. O período em que ele não faz o carregamento é considerado período 
de descanso no próprio local de trabalho. Os limites de tolerância são estabelecidos pela Tabela 4.
Tabela 4 – Limites de tolerância para regime de trabalho intermitente com descanso no próprio local de trabalho
REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE 
COM DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL 
DE TRABALHO (por hora)
TIPO DE ATIVIDADE
LEVE MODERADA PESADA
Trabalho contínuo Até 30,0 Até 26,7 Até 25,0
45 minutos trabalho
15 minutos descanso
30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
30 minutos trabalho
30 minutos descanso
30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
15 minutos trabalho
45 minutos descanso
31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
Não é permitido o trabalho, sem adoção 
de medidas adequadas de controle Acima de 32,2 Acima de 31,1 Acima de 30,0
Fonte: Brasil (1978c, p. 1).
91UNIDADE 3
Avaliação do IBUTG para Regime de Trabalho Intermitente 
com Períodos de Descanso em Outro Local (Local de Descanso)
Quando o trabalhador executa sua atividade exposto ao calor e depois vai para outro ambiente termi-
camente mais ameno, exercendo atividade leve ou ficando em repouso, a avaliação do IBUTG é feita 
de outra forma. Neste caso, são utilizados os limites de tolerância da Tabela 5.
Tabela 5 – Limites de tolerância para regime de trabalho intermitente com descanso em outro local (local de descanso)
M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG
175 30,5
200 30,0
250 28,5
300 27,5
350 26,5
400 26,0
450 25,5
500 25,0
Fonte: Brasil (1978c, p. 2).
Um trabalhador carrega material em uma mufla para um experimento científico du-
rante 5 min. e, a seguir, ele aguarda por 20 min. o aquecimento do material e gasta 
mais 5 min. para fazer a retirada do material. Como não há carga solar, foram medidas 
as temperaturas de globo e de bulbo úmido apenas, obtendo-se os seguintes valores:
tg = 35 °C; tbn = 25 °C.
Neste caso, avaliou-se que a atividade do trabalhador é de intensidade moderada e que 
o período em que ele aguarda na frente da mufla é considerado período de descanso. 
Utilizando a Equação (1), temos:
IBUTG = 0,7tbn + 0,3tg = (0,7x25) + (0,3x35) = 28 °C (Eq.1) 
Para este valor de IBUTG, conforme a Tabela 4,o trabalhador deve trabalhar, no máximo, 
45 min. e descansar, no mínimo, 15 min. dentro de uma hora de trabalho. O seu ciclo 
de trabalho dura 30 min. (soma dos tempos de atividade e descanso). Se em 30 min. 
ele trabalha 10 min e descansa 20min (soma dos tempos de carregamento e descarre-
gamento da mufla), significa que, em uma hora, ele irá trabalhar 20 min. e descansar 
40 min. Portanto, para o valor de IBUTG = 28 °C, o tempo de descanso e trabalho está 
sendo atendido e a atividade não é insalubre do ponto de vista do calor.
3 EXEMPLO
92 Higiene
Nesse tipo de avaliação, deve-se registrar o IBUTG e a taxa de metabolismo M para o local de trabalho 
e para o local de descanso. Em seguida, são calculados os seus valores médios e é feita a comparação 
de seus valores com os dados da Tabela 5. O cálculo dos valores médios é feito da seguinte maneira:
IBUTG IBUTG xT IBUTG xT Eqt t d d� �( ) ( ) ( . )
60
2
Em que:
IBUTG : IBUTG médio.
IBUTGt: IBUTG no local de trabalho.
Tt: tempo total de trabalho dentro de 60 minutos.
IBUTGd: IBUTG no local de descanso.
Td: tempo total de descanso dentro de 60 minutos.
M M xT M xT Eqt t d d� �( ) ( ) ( . )
60
3
Em que:
M : taxa metabólica média.
Mt: taxa metabólica no local de trabalho.
Tt: tempo total de trabalho dentro de 60 minutos.
M d: taxa metabólica no local de descanso.
Td: tempo total de descanso dentro de 60 minutos.
Um trabalhador carrega material em uma mufla para um experimento científico durante 
5 min. e a seguir ele sai da sala e vai para uma sala administrativa e permanece lá por 
20 min. Em seguida, ele retorna à mufla e fica exposto ao calor por 5 min. para fazer a 
retirada do material. Como não há carga solar, foram medidas as temperaturas de globo 
e de bulbo úmido apenas, obtendo-se os seguintes valores para o local de trabalho:
tg = 35 °C
tbn = 25 °C 
No local de descanso, os valores de temperatura medidos foram:
tg = 28 °C
tbn = 20 °C 
Nesse caso, avaliou-se que a atividade de carregar e retirar o material na mufla tem 
intensidade moderada, com M=175 kcal/h e a atividade realizada em sala administra-
tiva tem intensidade leve, com M=125 kcal. Observe que o trabalhador, durante uma 
hora, trabalha o equivalente a 20 min. e fica em local de descanso durante um tempo 
equivalente a 40 min.
Como os locais de trabalho e descanso são diferentes, devemos calcular o valor médio 
4 EXEMPLO
93UNIDADE 3
de IBUTG e da taxa metabólica com aplicação das Equações 2 e 3:
IBUTG x x Ct ( , ) ( , )0 7 25 0 3 35 28
IBUTG x x Cd ( , ) ( , ) ,0 7 20 0 3 28 22 4
IBUTG
IBUT G xT IBUTG xT x xt t d d( ) ( ) ( ) ( , ) ,
60
28 20 22 4 40
60
24 27 C
M
x x
kcal h
( ) ( )
, /
175 20 125 40
60
14167
Para uma taxa M de até 175 kcal/h, conforme os limites de tolerância apresentados, 
o valor de IBUTG deve ser, no máximo, 30,5 °C. Portanto, nesta situação, o limite de 
tolerância não foi ultrapassado.
Como vimos, o calor é avaliado quantitativamente por meio do índice IBUTG e este se diferencia 
conforme o regime de trabalho. Em outro momento, estudaremos outro agente ambiental físico: as 
vibrações. Diferentemente do ruído e calor que explicamos como é feita a avaliação quantitativa, iremos 
focar na avaliação qualitativa deste agente ambiental.
94 Higiene
Ruído e calor são dois agentes ambientais que 
normalmente percebemos em nosso ambiente. E 
as radiações, você consegue perceber com facili-
dade? Embora sejam invisíveis, podemos perceber 
seus efeitos, principalmente em nossa pele. É fácil 
observar que, após uma longa exposição aos raios 
solares, nossa pele muda de cor, geralmente com 
o aparecimento de manchas ou sinais de queima-
dura. Os raios possuem um conjunto de radia-
ções com efeito térmico. As radiações possuem 
muitas aplicações industriais e nas atividades do 
cotidiano. As radiações ionizantes são utilizadas 
no controle de qualidade de soldas, esterilização 
de alimentos, medição de densidade de materiais, 
dentre outros. As radiações não ionizantes são 
utilizadas na topografia, esterilização de bancadas 
de trabalho, solda e corte, cortinas de luz, mapea-
mento de superfícies e iluminação.
A seguir, apresentamos conceitos básicos de 
avaliação da exposição ocupacional às radiações.
Radiações
95UNIDADE 3
Avaliação da Exposição 
Ocupacional a Radiações Ionizantes
Este tipo de radiação possui grandes efeitos na saúde humana, como os efeitos genéticos que são trans-
mitidos hereditariamente. Alguns efeitos são: anemia, diminuição do número de plaquetas, inibição 
da proliferação celular, redução da fertilidade, fibrose renal e hepatite de radiação (SALIBA, 2014).
As radiações ionizantes são de diferentes tipos: radiações alfa, beta, gama, raios-x, elétrons, prótons 
e nêutrons. Conforme o anexo 5 da NR-15, os limites de tolerância, as obrigações e os controles básicos 
para a proteção contra os efeitos causados pela radiação ionizante estão na Norma CNEN-NE-3.01 
“Diretrizes Básicas de Radioproteção”, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Esta nor-
ma estabelece os limites de dose individual para os indivíduos ocupacionalmente expostos, conforme 
Tabela 6.
Tabela 6 – Limites de dose individual
Limites de Dose Anuais [a]
Grandeza Órgão Indivíduo ocupacionalmente exposto Indivíduo do público
Dose efetiva Corpo inteiro 20 mSv [b] 1mSv [c]
Dose equivalente Cristalino
20 mSv [b]
(Alterado pela resolução CNEN 114/2011)
15mSv
Pele [d] 500 mSv 50 mSv
Mãos e pés 500 mSv ---
Fonte: CNEN (2014, p. 13).
96 Higiene
A medição de radiação ionizante é feita por meio de medições de área, que medem o nível de radiação 
de maneira instantânea, e por meio de medições individuais, utilizando dosímetros, que registram a 
radiação acumulada ao longo do tempo. A unidade de medida é o Sievert(Sv). Dentre os equipamentos 
utilizados nas medições existem (SOUZA, 2008):
• Câmara de ionização (medição de raios-x em pulsos).
• Detector Geiger Müller (medição de radiação de partículas alfa, beta, gama e raios-x).
• Detector de cintilação.
• Caneta dosimétrica.
• Filme dosimétrico (medição de raios-x, partículas gama e nêutrons).
• Dosímetro termoluminiscente (medição de elétrons, prótons, partículas gama, beta e raios-x).
O uso de cada tipo de equipamento vai depender da sensibilidade e robustez requeridas e do tipo de 
radiação a medir.
Na avaliação das radiações ionizantes, é preciso estar atento às medidas de controle existentes e ao 
tempo de exposição, bem como à intensidade de energia recebida pela fonte de radiação. Quanto mais 
próximo o trabalhador estiver delas, maior serão os efeitos nocivos.
Avaliação da Exposição Ocupacional 
a Radiações Não Ionizantes
As radiações não ionizantes possuem efeito térmico importante no organismo humano. A luz do sol 
representa uma radiação não ionizante que pode aquecer tecidos e até penetrar na epiderme. A avaliação 
desse tipo de agente físico, para fins de insalubridade, é descrita no anexo 7 da NR-15. Ele determina 
que as micro-ondas, ultravioletas e o LASER são radiações não ionizantes e que a exposição a elas, sem 
proteção adequada, pode caracterizar situação insalubre.
A avaliação deste agente, para fins legais, é feita de forma qualitativa, ou seja, é preciso:
a) Identificar se existe alguma fonte de radiação não ionizante no local de trabalho, descrevendo 
suas características.
b) Identificar se existe proteção adequada que impeça que as ondas atinjam a pele, olhos e demais 
partes do corpo humano.
c) Identificar os efeitos da exposição, em decorrência do tipo de radiação não ionizante, sua in-
tensidade e o tempo de exposição.
As radiações não ionizantes são ondas eletromagnéticas que carregam partículas discretas de energia, 
porém elas não desalojam elétrons dos tecidos humanos, como as radiações ionizantes. 
As micro-ondas e as ondas de alta frequência possuem limites de tolerância definidos pela ACGIH. 
As ondas de alta frequência possuem limites de tolerância dados pela Lei 11.934/2009 e resolução 
ANATEL 303, de 02 de julho de 2002. Essas ondaspossuem comprimentos de onda maiores, de 100 
km a 0,3 cm (SESI, 2007). Elas são usadas em estações de rádio, TV, aplicações médicas, radar e no 
micro-ondas.
97UNIDADE 3
Os raios ultravioletas se dividem em UVA, UVB e UVC. Seu 
comprimento de onda é bem menor do que as micro-ondas e as 
ondas de alta frequência, girando em torno de 400 nm a 100 nm 
(SESI, 2007). As ondas ultravioletas possuem um efeito térmico e 
ocular importantes, sendo que não são percebidos de imediato. O 
trabalhador que fica exposto a essas radiações poderá perceber 
seu efeito nocivo apenas após 6 ou 12 horas de exposição. Além de 
atingirem o corpo diretamente, as radiações UV atacam os traba-
lhadores por meio de ondas refletidas. Algumas fontes de radiação 
UV são: sol, arcos elétricos, soldas (principalmente as modalidades 
protegidas com argônio – MIG, TIG, MAG), lâmpadas germici-
das, lâmpadas de vapor de mercúrio, cura de resinas, lâmpadas da 
indústria gráfica e corpos incandescentes acima de dois mil graus 
Celsius (SESI, 2007).
O LASER é uma sigla para Amplificação de Luz por Emissão 
Estimulada de Radiação. Ele pode reproduzir vários tipos de radia-
ção não ionizante, possui como característica principal concentrar 
uma grande quantidade de energia em uma pequena área. Isso 
pode causar a destruição de tecidos atingidos pelo raio LASER. 
Ao contrário das demais radiações não ionizantes, o LASER não 
perde energia conforme sua distância da fonte que o originou. Para 
conhecer a potência do laser, você pode consultar a sua classificação. 
Os LASERs são classificados em cinco classes (SALIBA, 2014):
a) Classe I – risco baixo, poder irradiante baixo.
b) Classe II – potência maior que 1,0 mW.
c) Classe IIIA – potência entre 1 a 5,0 mW.
d) Classe IIIB – potência de 5 a 500 mW.
e) Classe IV – potência maior que 500 mW.
As radiações estão presentes em diversas atividades. Como vimos, 
é necessário identificá-las, determinando sua natureza. A avaliação 
qualitativa das fontes de radiação permite implementar medidas 
de controle eficazes. Vejamos, agora, o agente ambiental vibrações. 
Diferentemente das radiações que são ondas eletromagnéticas, as 
vibrações são formadas por ondas mecânicas. Elas serão explicadas 
no tópico a seguir.
98 Higiene
Você já andou em um veículo em uma estrada não 
asfaltada, por exemplo, em um sítio? Se passou 
por situação parecida, deve ter experimentado o 
efeito das vibrações sobre o corpo. Elas são cau-
sadas pelo movimento de partes rotativas e por 
peças de máquinas e equipamentos que possuem 
movimentos repetitivos. A vibração acontece pelo 
desiquilíbrio de forças atuando sobre um corpo. 
Assim, ora existe uma aceleração sobre o corpo, 
ora existe uma desaceleração. Esta é a principal 
variável utilizada para caracterizar uma vibra-
ção. Outras variáveis associadas são a velocida-
de, frequência e deslocamento produzidos pela 
vibração. Imagine, por exemplo, um trabalhador 
usando uma furadeira. O movimento rotativo da 
broca causará acelerações na mão do trabalhador. 
Essas acelerações podem ocorrer nos três eixos 
possíveis de movimento – eixos x, y e z. Outro 
caso é a vibração causada pelo movimento de 
um trator que é transmitida ao operador que se 
encontra sentado no equipamento. A vibração 
passa pelas suas nádegas e pode ocorrer nos três 
eixos possíveis de movimento – eixos x, y e z. A 
Figura 7 ilustra os eixos possíveis em que pode 
ocorrer aceleração no corpo humano em função 
das vibrações.
Vibrações
99UNIDADE 3
Figura 7 – Eixos de medição de vibração de corpo inteiro 
Fonte: Norma ISO 2631:1985 (apud SESI, 2007, p. 169).
Portanto, para saber se uma exposição ocupacional à vibração é prejudicial à saúde, é preciso medir 
a aceleração associada ao movimento vibratório, considerando o eixo em que ela ocorre. A vibração 
intensa por longos períodos de tempo está associada à degeneração primária de vértebras e efeitos 
no sistema nervoso. Caso ela ocorra em ambientes frios ou com más posturas corporais, as dores na 
coluna podem ser intensificadas. Considerando estes efeitos, a NR-15, em seu anexo 8, estabeleceu 
limites de tolerância para vibração de corpo inteiro (VCI) e vibração de mãos e braços (VMB). Não 
detalharemos todos os cálculos envolvidos na avaliação da exposição ocupacional à vibração, mas nos 
ateremos aos principais cálculos usados para determinar se uma exposição ultrapassa ou não o limite 
de tolerância estabelecido pela norma.
Avaliação de Vibração de Corpo Inteiro
Esta avaliação é feita por meio de equipamento denominado medidor de vibração. Ele deve atender à 
norma ISO 8041:2005 (SALIBA, 2014). Este equipamento possui um acelerômetro triaxial que converte 
os sinais mecânicos da vibração em sinais elétricos, mostrando o resultado da vibração resultante em 
relatórios que são usados para determinar se o limite ocupacional foi ou não ultrapassado durante a 
exposição.
z
z
z
y
y
y
x
x
x
100 Higiene
Deve-se medir a aceleração ponderada (rms) nos três eixos de 
vibração e calcular a aceleração soma resultante. Outra grandeza 
medida pelo equipamento é o Valor de Dose de Vibração Resultante 
(VDVR) que considera acelerações bruscas de vibração. A medi-
ção é feita durante um ciclo de trabalho e, portanto, não engloba a 
jornada completa do trabalhador. Neste caso, é preciso calcular a 
aceleração resultante normalizada para uma jornada de trabalho. 
No cálculo do VDVR, deve-se considerar o tempo de exposição e 
o tempo de medição. A seguir, apresentamos as principais equações 
utilizadas na avaliação de vibração de corpo inteiro e um exemplo 
de sua aplicação (SALIBA, 2014).
A A A At wx wy wx� � �( , ) ( , ) ( )1 4 1 4
2 2 2 (Eq. 4)
Em que:
At: aceleração resultante.
Awx: aceleração ponderada no eixo x.
Awy: aceleração ponderada no eixo y.
Awz: acelaração ponderada no eixo z.
A Equação 4 mostra o valor de aceleração resultante da vibração 
composta pelas vibrações nos três eixos de medição, ou seja, o equi-
pamento de medição mede os valores de aceleração nos três eixos e 
elas compõem uma aceleração resultante que é usada para avaliar 
a exposição. Essa aceleração resultante é usada na equação a seguir.
AEQ a t a t a t
t t t
w w wn n
n
�
� � �
� � �
2
1 1
2
2 2
2
1 2
. . ... .
...
 (Eq. 5)
Em que: 
AEQ: aceleração equivalente ao tempo de exposição total.
a2wn: aceleração ponderada durante parte do tempo de exposição. 
tn: tempo de exposição em que ocorreu a n-ésima aceleração.
A Equação 5 é usada para calcular a vibração resultante de diver-
sos tipos de exposição. Na prática, dentro de um ciclo de trabalho, 
existem diferentes exposições à vibração. Por exemplo, um trator, 
quando está no asfalto, gera vibração bem diferente de quando está 
em uma estrada de terra ou quando está fazendo o carregamento 
ou descarregamento de um material. Utilizamos a Equação 5 para 
determinar a vibração equivalente ao tempo total de avaliação da 
101UNIDADE 3
exposição ocupacional à vibração. Dividimos a exposição total em 
parcelas de tempo, conforme o valor de aceleração total medida em 
cada parcela. A aceleração equivalente representa apenas parte da 
exposição e toda a exposição deve ser considerada para uma jor-
nada de trabalho de oito horas. Este valor é obtido pela Equação 6:
Aren are T
T
Eq=
0
6( . )
Em que:
Aren: aceleração normalizada resultante para a jornada de trabalho.
Are: aceleração resultante.
T: Tempo de duração da jornada diária de trabalho.
T0: 8 horas ou 480 minutos.
O valor de aceleração equivalente obtido pela Equação 5 deve ser 
normalizado para uma jornada de trabalho de 8 horas. Isso é feito 
por meio da Equação 6. Além do valor da aceleração normalizada 
resultante, existe o valor de dose de vibração:
VDV fVDV TE
TME j
= 4 (Eq. 7)
Em que:
VDVE: valor de dose de vibração determinado para cada eixo.
f: fator de multiplicação em função de cada eixo.
VDVj: valor de dose de vibração dp j-ésimo eixo.
TE: tempo de exposição em minutos ou hora.
TM: tempo de medição ou da amostra.
Além do valorde aceleração ponderada, é preciso avaliar o valor de 
dose de vibração. Este valor é obtido, para cada eixo, por meio da 
Equação 7. Após calcular o valor de cada eixo, é feito o cálculo para 
o Valor de Dose de Vibração Resultante por meio da Equação 8.
VDVR VDV VDV VDVEx Ey Ez� � �( , ) ( , ) ( )1 4 1 4
4 4 44 (Eq. 8)
Em que:
VDVR: valor de dose de vibração resultante.
VDVEx: valor de dose de vibração no eixo x.
VDVEy: valor de dose de vibração no eixo y.
VDVEz: valor de dose de vibração no eixo z.
102 Higiene
Comparamos os valores de aren e VDVR com os limites de tolerân-
cia, estabelecidos no anexo 8 da NR-15 (BRASIL, 1978c):
aren m s
VDVR m s
=
=
1 1
21 0
2
1 75
, /
, /
,
Vejamos um exemplo de medição de vibração.
Um trabalhador fica exposto à vibração de corpo inteiro ao operar um trator. Sua ex-
posição ocorre em ciclos de trabalho com duração total de uma hora. O ciclo se repete 
durante quatro vezes na jornada de trabalho e é composto por quatro operações: 
Tabela 7 - Operações do ciclo de trabalho
Operação Aceleração m/s²
Tempo 
(min)
Tempo total na jornada 
de trabalho (min)
1 - Dirigir trator até o abastecimento 0,70 20 80
2 - Aguardar abastecimento 0,60 5 20
3 - Dirigir trator até o gramado para 
corte 0,70 5 20
4 - Realizar corte de grama com o 
trator 1,40 30 120
Total 60 240
Fonte: o autor.
Tabela 8 – Valores de dose de vibração medidos em cada eixo
Eixo VDV
x 5,0 m/s1,75
y 6,0m/s1,75
z 9,0 m/s1,75
Fonte: o autor.
Os valores de aceleração medidos já são os valores de aceleração ponderada total para 
os três eixos. Portanto, não necessitamos fazer o cálculo utilizando a Equação (4), mas 
precisamos calcular a aceleração equivalente:
AEQ a t a t a t a t
t t t t
w w w w
2
1 1
2
2 2
2
3 3
2
4 4
1 2 3 4
20 7 20 0 6. . . . , . ,=
22 2 2
2
5 0 7 5 1 40 30
20 5 5 30
72 85
60
1
. , . , .
,
=
,10m/s 
5 EXEMPLO
103UNIDADE 3
Precisamos, agora, determinar o valor da aceleração normalizada para jornada de oito 
horas. Esse valor é dado pela Equação 6, considerando que o tempo total da jornada 
com exposição é de 240 min:
Aren are T
T
m s� � �
0
21 10 240
480
0 78, , /
Os valores de dose de vibração determinados medidos para cada eixo precisam ser 
projetados de acordo com o tempo de exposição, já que os valores foram obtidos ape-
nas para 60 minutos de exposição (tempo de um ciclo). Fazemos o cálculo do valor de 
dose de vibração utilizando a Equação 7. Na aplicação desta equação, vamos considerar 
que o equipamento de medição já incorporou, nos valores medidos de VDV, o fator de 
multiplicação de cada eixo. Assim, o cálculo fica:
VDV VDV TE
TM
m s
VDV VDV TE
TM
Ex x
Ey y
4 4 1 75
4
240
60
7 07
24
 =5.
 =6.
, / ,
00
60
8 48
240
60
12 73
4 1 75
4 4 1 75
, /
, /
,
,
m s
VDV VDV TE
TM
m sEz z =9.
Com esses valores, calculamos o valor de vibração resultante dado pela Equação 8 (sem 
os fatores de multiplicação para cada eixo):
VDVR VDV VDV VDVEx Ey Ez( ) ( ) ( )
( , ) ( , ) ( , )
4 4 44
4 4 47 07 8 48 12 73
 =
44 1 7513,57 m/s ,
Comparando os valores com os limites de tolerância do anexo 8 da NR-15, concluímos 
que a exposição à vibração não ultrapassa os limites de tolerância e, portanto, a ativi-
dade não é insalubre.
Avaliação de Vibração de Mãos e Braço
A vibração localizada, de mãos e braços, provoca a obstrução do sangue (isquemia) que causa o 
branqueamento de dedos. Isso acontece quando os trabalhadores ficam expostos diariamente a 
vibrações em valores acima de limite de tolerância definido por normas técnicas. Os trabalhadores 
podem não perceber este efeito, pois ele se inicia pelo branqueamento de dedos por curtos períodos 
de tempo. No entanto, o quadro pode se desenvolver chegando à necrose nas pontas dos dedos das 
mãos (SALIBA, 2014).
A Fundacentro e a Comunidade Europeia adotam como limite de tolerância para VMB o valor de 
5 m/s² e como nível de ação o valor de 2,5 m/s². Este valor é o da aceleração resultante normalizada. 
Inicialmente deve-se calcular o valor da aceleração resultante ou também chamada de aceleração 
equivalente, dada pelas Equações 5 e 6, explicadas anteriormente, porém aplicadas para valores de 
104 Higiene
Um trabalhador da indústria metalúrgica utiliza diariamente uma lixadeira durante 
um período de 4 horas de trabalho. Para verificar sua exposição à vibração de mãos 
e braços, foram medidos os valores de aceleração resultante em quatro operações 
distintas, conforme tabela a seguir.
Tabela 9 – Operações do ciclo de trabalho
Operação Aceleração m/s² Tempo de medição (min)
01 8,5 30
02 8,0 15
03 8,9 5
04 7,5 10
Fonte: o autor.
O valor de aceleração resultante é de:
AEQ a t a t a t a t
t t t t
w w w w
2
1 1
2
2 2
2
3 3
2
4 4
1 2 3 4
2 28 5 30 8. . . . , . .= 115 8 9 5 7 5 10
30 15 5 10
4086 05
60
8 25
2 2
2
, . , .
, ,
=
m/s 
Considerando que o tempo de exposição é de 4 horas, a aceleração resultante norma-
lizada para uma jornada de oito horas é igual a:
Aren are T
T
m s� � �
0
28 25 4
8
5 83, , /
Concluímos que esta exposição é prejudicial ao trabalhador, pois ultrapassa o limite de 
tolerância de 5 m / S2, e correções devem ser feitas para diminuir a intensidade do agente.
6 EXEMPLO
aceleração do vetor resultante, atuando diretamente nas mãos e braços. Veja o cálculo desses valores 
no exemplo a seguir.
Finalizamos a primeira parte do nosso estudo de HO. Na próxima unidade, abordaremos os riscos 
químico e biológico e apresentaremos exemplos de medidas de controle recomendadas para o controle 
da exposição contra agentes químicos.
105
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Um trabalhador opera uma empilhadeira dentro de uma fábrica onde existem di-
versos equipamentos, como dobradeiras, lixadeiras, furadeiras e parafusadeiras. 
Foi realizada medição de ruído e chegou-se à conclusão que o trabalhador fica 
exposto a um nível diário de ruído de 92db(A) durante oito horas de trabalhos. 
Considerando essa situação, responda:
a) O valor medido pode ser usado para determinar a exposição ao ruído dos 
demais trabalhadores?
b) Qual equipamento de medição de ruído é o mais recomendado para fazer a 
medição da exposição ao ruído do operador de empilhadeira?
c) O trabalhador deverá utilizar EPI contra ruídos? Em caso afirmativo, qual equi-
pamento você recomendaria? Em caso negativo, justifique sua resposta.
2. Em uma cozinha industrial, trabalham cinco cozinheiros. Dois deles começaram 
a reclamar com frequência que estão com a pressão baixa. Este pode ser um 
dos efeitos da exposição ao calor. Considerando esta situação, responda:
a) Na atividade em questão, pode existir a sobrecarga térmica? Justifique sua 
resposta.
b) Para confirmar se o trabalho tem relação com o problema de saúde relatado, 
o que pode ser feito?
c) Como deve ser feita a medição da exposição ao calor?
106
3. Em um laboratório de pesquisa, foi constatada a presença de radiação beta e LA-
SER. Você foi chamado para avaliar o risco desses agentes ambientais. Responda:
a) Qual é a classificação dessas radiações?
b) Como pode ser feita a avaliação quantitativa da exposição à radiação beta?
c) Como pode ser feita a avaliação qualitativa da exposição ao LASER?
4. Um trabalhador, denominado de trabalhador “A”, utiliza diariamente uma bri-
tadeira em uma obra de construção civil. Outro trabalhador, denominado de 
trabalhador “B”, pilota diariamente um trator, dentro da obra, por quatro horas 
diárias. A exposição à vibração do trabalhador “B” foi medida e obteve-se o valor 
de aceleração equivalente igual a 2 m/s2. Considerando estes dados, responda:
a) A que tipo de vibrações os trabalhadores A e B estão expostos?
b) O trabalhador B trabalha em condições insalubres?
107
Técnicas de Avaliação de Agentes Ambientais: Manual SESI
Autor: Serviço Social da Indústria
Editora: SESI
Sinopse: este Manual é resultado do Curso de Avaliação de Agentes Ambientais, 
promovido pelo Departamento Nacional do SESI, em 2004/05, para seus 27De-
partamentos Regionais. Este curso foi ministrado pelos professores Mario Luiz 
Fantazzini e Maria Cleide Sanchez Oshiro que produziram o material pedagógico 
que ora se transforma neste Manual.
Comentário: este manual se encontra disponível na internet para ser baixado gra-
tuitamente. Possui um resumo dos métodos de avaliação de agentes ambientais.
LIVRO
108
ANATEL. Resolução n° 303, de 2 de julho de 2002 (revogada). Aprova o Regulamento sobre Limitação da 
Exposição a Campos Elétricos, Magnéticos e Eletromagnéticos na Faixa de Radiofrequências entre 9 kHz e 300 
GHz. Anatel, Diário Oficial da União, 2002. Disponível em: https://www.anatel.gov.br/legislacao/resolucoes/
17-2002/128-resolucao-303. Acesso em: 27 jan. 2020.
BRASIL. Lei nº 11.934, de 5 de maio de 2009. Dispõe sobre limites à exposição humana a campos elétricos, 
magnéticos e eletromagnéticos; altera a Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965; e dá outras providências. Brasília: 
Diário Oficial da União. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/
L11934.htm. Acesso em: 17 jan. 2020.
BRASIL. Norma Regulamentadora nº 15 – Atividades e operações insalubres. Brasil. 1978c.
BRASIL. Norma Regulamentadora nº 3 – Embargo e interdição. Diário Oficial da União 1978a.
BRASIL. Norma Regulamentadora nº 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais - PPRA. Diário 
Oficial da União 1978b.
Comissão Nacional de Energia Nuclear. CNEN NN 3.01: Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica. Março 
2014. Rio de Janeiro: CNEN, 2014. Disponível em: http://appasp.cnen.gov.br/seguranca/normas/pdf/Nrm301.
pdf. Acesso em: 16 jan. 2020.
FUNDACENTRO. NHO-06: Avaliação da exposição ocupacional ao calor. 2 ed. São Paulo: Fundacentro, 
2017. Disponível em: http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/publicacao/
detalhe/2018/1/nho-06-avaliacao-da-exposicao-ocuacional-ao-calor. Acesso em: 16 jan. 2020.
GOELZER, B. Occupational Hygiene: goals, definitions, general information and practice. In: ILO. En-
cyclopaedia of Occupational Health and Safety, Geneva: ILO, 1998.
SALIBA, T. M. Manual prático de Higiene Ocupacional e PPRA. 6. ed. São Paulo: LTr, 2014.
SESI. Serviço Social da Indústria (Brasília) (Org.). Técnicas de avaliação de agentes ambientais: manual 
SESI. Brasília: Sesi/dn, 2007.
SOUZA, S. R. P. Apostila do curso de Higiene Ocupacional: Agentes Físicos II. São Paulo: Universidade de 
São Paulo, 2008.
109
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: http://www.cochlea.org/po/ruido. Acesso em: 16 jan. 2020.
2Em: https://www.instrutherm.net.br/seguranca-e-medicina-do-trabalho/acustica-e-vibracao/dosimetro-de-
-ruido/dosimetro-de-ruido-digital-sem-fio-mod-dos-700.html?___store=english&___from_store=brazil. 
Acesso em: 16 jan. 2020.
3Em: https://www.protcap.com.br/produtos/auditiva/concha/protetor-auricular-concha. Acesso em: 16 jan. 2020.
4Em: https://www.astrodistribuidora.com/protetor-auricular-pomp-plus-3m-ca-5745?gclid=Cj0KCQiAk7Tu-
BRDQARIsAMRrfUYUj5A957SOz24N6xyOZ3GFQEHbfxHx2aP_chOkHxALt25kY00Jd4saAjwcEALw_wcB. 
Acesso em: 16 jan. 2020.
5Em: https://lojazeusdobrasil.com.br/produtos/detalhes/protetor=-auricular-cenourinha-espuma3-m/?gclid-
Cj0KCQiAk7TuBRDQARIsAMRrfUZ2s0z7EMuvX73lSCHArkxB5XTPbRJvNGVBprxlvhf_BA9owbhLD-
9caAnM2EALw_wcB. Acesso em: 16 jan. 2020.
110
1. 
a. Não, pois a exposição ao ruído de um operador de empilhadeira é diferente, por exemplo, de um traba-
lhador que opera uma lixadeira diariamente, pois este está mais próximo da fonte de ruído, e a frequência 
à exposição de ruído é bem diferente do operador de empilhadeira. Este circula por diversos setores da 
fábrica e sua exposição é bem variada.
b. Como a exposição ao ruído é variada, com diferentes fontes e diferentes situações de exposição, o mais 
recomendado é a utilização do dosímetro de ruído, que irá fornecer a dose de ruído absorvida durante 
todo o período de medição.
c. Como o nível de ruído está acima de 85dB(A) e a exposição se dá por oito horas de trabalho, é recomendado 
a utilização de equipamento para diminuir a intensidade de ruído que chega ao ouvido do trabalhador. 
Deve ser utilizado um equipamento com NRRSF mínimo de 10, pois este valor diminui a intensidade de 
92d(BA) para 82dB(A) , desde que o EPI seja utilizado durante toda a jornada de trabalho.
2. 
a. Sim, pois os cozinheiros trabalham constantemente e próximos de fontes de calor: fornos e chamas. Se 
o local não tiver uma ventilação adequada, bem como se não forem fornecidas pausas para descanso, 
poderá ocorrer a sobrecarga térmica dos trabalhadores.
b. Pode ser feita a medição da exposição ao calor. Se o limite de tolerância for ultrapassado, há forte indício 
de que o problema de saúde esteja relacionado ao ambiente de trabalho.
c. A avaliação deve ser feita utilizando-se o termômetro de globo e o termômetro de bulbo úmido. Não é 
necessário utilizar o termômetro de bulbo seco, pois a exposição ao calor não envolve a carga solar. A 
medição deve ser feita no local e na altura do corpo em que a exposição ao calor é a mais crítica. Deve 
ser avaliada a atividade com maior taxa metabólica. O período de trabalho a considerar é de uma ex-
posição de uma hora.
111
3. 
a. A radiação beta é uma radiação ionizante e o LASER é uma radiação não ionizante.
b. Podem ser utilizados equipamentos que forneçam valores instantâneos ou a dose, medido em Sievert (Sv).
c. A avaliação envolve:
• Identificar se existe alguma fonte de radiação não ionizante no local de trabalho, descrevendo suas 
características.
• Identificar se existe proteção adequada que impeça que as ondas atinjam a pele, olhos e demais partes 
do corpo humano.
• Identificar os efeitos da exposição, em decorrência do tipo de radiação não ionizante, sua intensidade 
e o tempo de exposição.
4. 
a. O trabalhador A está exposto a vibrações de mãos e braços, pois utiliza ferramenta manual. O trabalhador 
B está exposto a vibrações de corpo inteiro, pois opera veículo que transmite a vibração a todo o corpo.
b. Para responder à pergunta, é preciso calcular a aceleração resultante normalizada para uma jornada 
de oito horas: 
Aren are T
T
m s
0
22 4
8
1 41, /
Como o limite de tolerância é de 1,1 m/s², conclui-se que o trabalhador opera em condições insalubres.
112
113
114
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Introduzir conceitos da avaliação da exposição ocupacio-
nal a agentes químicos.
• Detalhar algumas das medidas de controle da exposição 
a agentes químicos.
• Mostrar como é feita a avaliação da exposição ocupacional 
a agentes biológicos.
Me. Maílson José da Silva
Agentes químicos
Medidas de controle de 
agentes químicos
Agentes biológicos
Higiene Ocupacional II
Agentes
Químicos
Você já usou algum produto químico “forte” que 
lhe causou algum desconforto, como tontura, sen-
sação de enjoo, coceira ou dor de cabeça? Isso 
pode ter acontecido, por exemplo, com pessoas 
que utilizam água sanitária para lavar banhei-
ros ou quando utilizamos algum detergente para 
limpar louças ou outros utensílios. Isso acontece 
devido às propriedades dos produtos químicos 
que podem causar danos imediatos ou em longo 
prazo na saúde humana. No entanto, nem toda 
exposição a produtos químicos é prejudicial. 
Neste tópico, explicaremos como é feita a ava-
liação da exposição ocupacional a agentes quí-
micos para verificar se estes agentes são ou não 
prejudiciais à saúde. Responderemos a algumas 
perguntas: que efeitos produzem os agentes quí-
micos no organismo humano? Quão perigoso é 
um produto químico? Como saber se um agente 
químico será prejudicial à saúde dos trabalhado-
res? Um documento fundamental utilizado para 
avaliar exposições a agentes químicos é a Ficha de 
Informações de Segurança de Produtos Químicos 
(FISPQ). Iremos utilizar esta ficha como base para 
explicar a avaliação de exposição ocupacional a 
certo produto químico. Vamos começar?
117UNIDADE 4
FISPQ
A FISPQ é um documento exigido pela Norma 
Regulamentadora NR-26 – Sinalização,do antigo 
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Desta-
camos a seguir quatro itens desta norma:
“26.2.3 O fabricante ou, no caso de importa-
ção, o fornecedor no mercado nacional deve 
elaborar e tornar disponível ficha com dados 
de segurança do produto químico para todo 
produto químico classificado como perigoso.
26.2.3.2 Os aspectos relativos à ficha com da-
dos de segurança devem atender ao disposto 
em norma técnica oficial vigente.
26.2.3.4 O empregador deve assegurar o 
acesso dos trabalhadores às fichas com da-
dos de segurança dos produtos químicos que 
utilizam no local de trabalho.
26.2.4 Os trabalhadores devem receber trei-
namento:
a) para compreender a rotulagem preventiva 
e a ficha com dados de segurança do produto 
químico.
b) sobre os perigos, riscos, medidas preventi-
vas para o uso seguro e procedimentos para 
atuação em situações de emergência com o 
produto químico” (BRASIL, 1978b, p. 2).
Observe que a norma exige que todo produto quí-
mico perigoso possua uma ficha de informações 
de segurança do produto químico e esta ficha deve 
atender ao disposto em norma técnica vigente. No 
Brasil, a norma que utilizamos é a ABNT NBR 
14725-4 da Associação Brasileira de Normas Téc-
nicas (ABNT). Como veremos, esta norma estabe-
lece informações obrigatórias que devem aparecer 
nas fichas. Além de existir as fichas, é preciso que 
A Ficha de Informações de Segurança de Produ-
tos Químicos (FISPQ) fornece informações sobre 
vários aspectos de produtos químicos (substân-
cias ou misturas) quanto à proteção, à segurança, 
à saúde e ao meio ambiente. A FISPQ fornece, 
para esses aspectos, conhecimentos básicos so-
bre os produtos químicos, recomendações sobre 
medidas de proteção e ações em situação de 
emergência. Em alguns países, essa ficha é cha-
mada safety data sheet (SDS).
Uma FISPQ deve fornecer as informações sobre o 
produto químico nas seções abaixo, cujos títulos, 
numeração e sequência não podem ser altera-
dos: 1 Identificação do produto e da empresa; 2 
Identificação de perigos; 3 Composição e infor-
mações sobre os ingredientes; 4 Medidas de pri-
meiros-socorros; 5 Medidas de combate a incên-
dio; 6 Medidas de controle para derramamento 
ou vazamento; 7 Manuseio e armazenamento; 
8 Controle de exposição e proteção individual; 9 
Propriedades físicas e químicas; 10 Estabilidade 
e reatividade; 11 Informações toxicológicas; 12 
Informações ecológicas; 13 Considerações sobre 
tratamento e disposição; 14 Informações sobre 
transporte; 15 Regulamentações; 16 Outras in-
formações”.
Fonte: ABNT (2014, p. 5 e 9).
elas estejam acessíveis aos trabalhadores e que es-
tes recebam treinamento para compreender seus 
dados, bem como medidas para o uso seguro do 
produto químico.
118 Higiene Ocupacional II
Identificação do 
Produto e da Empresa
Nesta seção temos informações básicas como 
o nome do produto e seu fabricante. Esta seção 
mostra também a utilização do produto. No caso 
da ficha do álcool etílico 96 PA, seu uso é definido 
para laboratórios e não uso doméstico. Podemos 
ver também dados de contato do fabricante.
Por meio dessas informações podemos avaliar 
se o produto químico utilizado é o mais reco-
mendado para a atividade laboral que está sendo 
avaliada.
Identificação de Perigos
Nesta seção, temos a classificação GHS do pro-
duto. Este termo significa Globally Harmonized 
System of Classification and Labeling of Chemi-
cals, ou Sistema Globalmente Harmonizado de 
Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos. 
Este sistema foi criado para padronizar a forma 
de comunicação da classificação e rotulagem de 
substâncias químicas (BUSCHINELLI; KATO, 
2011). A Figura 1 apresenta símbolos gráficos do 
GHS utilizados para identificar perigos físicos, 
perigos para a saúde e para o meio ambiente.
Portanto, um dos primeiros passos em uma avaliação de agentes químicos é obter todas as FISPQs dos 
produtos que estão sendo usados no processo produtivo. Por meio de seus dados, pode-se fazer uma 
avaliação qualitativa e posterior avaliação quantitativa da exposição aos agentes químicos. Utilizare-
mos como exemplo a FISPQ de um produto químico denominado álcool etílico 96 PA para explicar 
alguns dados importantes da ficha para a avaliação e prevenção da exposição ocupacional a agentes 
químicos. Este produto é muito utilizado em laboratórios químicos. Ele pode estar muito disperso no 
local quando é borrifado, aquecido ou quando é utilizado em grande quantidade. Os subitens a seguir 
descreverão algumas das informações contidas na FISPQ e como elas podem ser usadas na avaliação 
da exposição ocupacional ao agente químico. Para acessar a FISPQ deste produto na íntegra, utilize o 
link disponibilizado no material complementar ao final desta unidade.
As FISPQs podem ser obtidas pela internet digitando-se o nome da substância química seguida da 
palavra FISPQ. Nem toda FISPQ disponibilizada possui todas informações necessárias para uma boa 
avaliação. Portanto, caso falte informações, você pode exigir do fabricante que informe dados não 
fornecidos na ficha.
119UNIDADE 4
Figura 1 - Pictogramas de perigo utilizados no GHS com código e denominação
Fonte: Wallau e Santos Júnior (2013, p. 608).
Pictogramas para identi�cação de perigos para
saúde e do meio ambiente
GHS01
Bomba explodindo
GHS02
Chama
GHS03
Chama sobre
circulo
GHS04
Cilindro de gás
GHS05
Corrosão
GHS06
Crânio e ossos
cruzados
GHS07
Ponto de exclamação
GHS08
Perigoso à
saúde
GHS09
Meio ambiente
Os pictogramas do GHS indicam os perigos as-
sociados a um agente químico. Com uma leitura 
rápida, o usuário pode saber os perigos associados 
ao produto. Na figura apresentada, da esquerda 
para direita, o pictograma de bomba explodindo 
indica que o produto é explosivo; o desenho de 
uma chama indica que o produto é inflamável; já 
o desenho de uma chama sobre um círculo indica 
que o produto é um comburente, por exemplo, um 
peróxido que pode entrar em combustão facil-
mente ao entrar em contato com outra substância. 
O cilindro de gás mostra que o agente químico é 
um gás sob pressão e que apresenta risco de explo-
são sob a ação do calor. O símbolo de um líquido 
caindo sobre uma superfície e sobre uma mão 
indica que o produto é corrosivo e prejudicial para 
metais, pele e olhos. O símbolo de um crânio com 
ossos indica que o produto apresenta perigo de 
toxicidade aguda, seja oral, cutânea ou inalatória. 
O símbolo de ponto de exclamação indica que 
120 Higiene Ocupacional II
o produto apresenta também toxicidade aguda, 
porém de categoria de perigo menor e pode pro-
vocar irritação ocular, cutânea, pode sensibilizar 
a pele e ser tóxico para órgãos-alvo específicos, 
além de causar efeitos narcóticos e irritação das 
vias respiratórias. O símbolo GHS08 indica efeitos 
mais graves à saúde, como mutagenicidade em cé-
lulas germinativas, carcinogenicidade, toxicidade 
reprodutiva e toxicidade para órgãos-alvo. O sím-
bolo GHS09 indica perigo para o meio ambiente 
aquático agudo e/ou crônico.
Analisando a ficha do álcool etílico 96 PA, en-
contramos os símbolos GHS02 e GHS07, bem 
como a classificação GHS de líquidos inflamáveis 
(categoria 2) e irritação ocular (categoria 2A). Estas 
informações nos indicam que medidas para evitar a 
formação de uma atmosfera explosiva e medidas de 
proteção ocular devem ser tomadas. Por exemplo, 
este tipo de produto deve ser armazenado em reci-
piente bem fechado e em local ventilado, longe de 
fontes de calor. No seu manuseio, deve ser fornecida 
proteção ocular como óculos ou protetor facial.
Composição e Informações sobre os Ingredientes
Esta seção mostra a composição química (fórmula molecular) do agente químico, bem como o número 
CAS – Chemical Abstract Substance. Este número é um código único da substância. Ele pode ser usado 
para pesquisas relacionadas ao produto. Outra informação importante desta seção são os componentes 
do produto químico. Em muitos casos, lidamos com produtos que são misturas, compostos por diver-
sos agentes químicos. Algunsdeles podem ser mais prejudiciais do que outros. Nesta seção da FISPQ, 
podemos visualizar quais agentes químicos formam o produto que está sendo avaliado, bem como 
sua concentração. Por exemplo, veja o Quadro 1 que mostra uma cópia de uma ficha de um produto 
denominado “removedor de tintas”.
COMPOSIÇÃO E INFORMAÇÃO SOBRE OS INGREDIENTES
Tipo do produto: “Este produto é um preparado”
Natureza Química: Base solvente
Nome Químico CAS Number Faixa de Conc. (%) Símbolo Frases R
Cloreto de Metileno 75-09-2 30-60 Xn R40
Tolueno 108-88-3 5-10 F/Xn R11/ R20/ R22
Etanol 64-17-5 5-10 F/Xi R11/ R36/ 38
Hidroxipropil Metilcelulose 9004-65-3 0,1-1 ND ND
Aguarrás Mineral 64741-4-61 5-10 F/Xn R11/ R20/ R22
Quadro 1 – Composição do produto denominado “removedor de tintas”
Fonte: Buschinelli e Kato (2011, p. 29).
121UNIDADE 4
Podemos observar que o produto possui cinco 
componentes (cloreto de metileno, tolueno, eta-
nol, hidroxipropil metilcelulose e aguarrás mine-
ral). Portanto, ao avaliar a exposição desse produto 
deve-se levar em conta seus componentes que, por 
sua vez, possuem riscos específicos. 
Saber os componentes do produto também é 
útil para determinar, posteriormente, qual agen-
te químico será avaliado quantitativamente. Por 
exemplo, para o produto “removedor de tintas”, po-
dem ser avaliadas exposições de tolueno e etanol.
No caso do nosso produto de exemplo, o álcool 
etílico 96 PA, ele não é uma mistura e, portanto, 
em sua composição aparece apenas o próprio ál-
cool etílico 96 PA.
Manuseio e Armazenamento
Esta seção apresenta informações importantes de como o produto deve ser manuseado para oferecer 
um risco menor a seus usuários. Ela também apresenta informações sobre o armazenamento seguro 
do produto e uso final específico. Como precauções no uso do álcool etílico 96 PA, encontramos que 
deve ser evitado o contato com a pele e olhos, bem como evitar a inalação do vapor ou névoa que 
possa ser formada durante seu uso. É apresentada também a medida de manter o produto afastado de 
qualquer chama ou fonte de ignição, bem como evitar a formação de eletricidade estática. Quanto ao 
armazenamento, o produto deve ser armazenado em local fresco, seco e bem ventilado. Após o uso, o 
recipiente do produto deve ficar fechado.
Essas informações são importantes para avaliar qualitativamente se o produto químico deve ter 
algum cuidado especial em seu manuseio e armazenamento, o que implica em um maior risco ocu-
pacional se as medidas não forem seguidas.
Nem sempre todos os componentes de um 
produto aparecerão na FISPQ. A Norma Técnica 
ABNT NBR 14725-4:2010 exige que sejam mos-
trados os componentes mais críticos, conforme 
seus perigos, por exemplo, se o componente pos-
sui toxicidade aguda, corrosão/irritação da pele, 
mutagenicidade ou carcinogenicidade. Quanto 
maior for o perigo, mais passível de aparecer na 
ficha o produto se torna.
Fonte: Buschinelli e Kato (2011).
122 Higiene Ocupacional II
Controle de Exposição 
e Proteção Individual
Esta pode ser considerada uma das principais 
seções do ponto de vista de prevenção aos riscos. 
Ela fornece orientações sobre como controlar a 
exposição ao produto químico. Como é feito este 
controle? Basicamente, o controle é feito evitan-
do-se a exposição ao contaminante químico pelas 
possíveis vias de absorção: dérmica, respiratória e 
pela ingestão. A proteção pela via dérmica é feita 
utilizando-se equipamentos de proteção indivi-
dual (EPI), ou de proteção coletiva (EPC), que 
evitam o contato do produto com a pele. Por outro 
lado, a prevenção pela via respiratória é feita por 
meio de EPIs e EPCs que evitam a inalação do 
produto químico ou que diminuem a concentra-
ção do produto no ar. Para proteger as vias respira-
tórias, é preciso conhecer o limite de tolerância da 
substância química. Quando o produto químico 
possui limite de tolerância, o controle é feito de 
tal forma a evitar que este limite seja ultrapas-
sado. O limite de tolerância é a concentração da 
substância química, no ar, medida em partes por 
milhão (ppm) ou miligramas por metro cúbico 
(mg/m3) que, quando ultrapassada no ambiente 
de trabalho, poderá causar danos à saúde.
A avaliação de exposição a agentes químicos 
que busca conhecer a concentração do agente no 
ar é conhecida também como avaliação quantita-
tiva de agentes químicos. O limite de tolerância se 
refere a um certo tempo de exposição. A Norma 
Regulamentadora NR-15 apresenta basicamente 
três tipos de limites de tolerância conforme o tem-
po de exposição considerado: limite de tolerância 
média ponderada no tempo, limite de tolerância 
valor teto e valor máximo.
O limite de tolerância média ponderada no 
tempo, também chamado de TWA (sigla em in-
glês para Time Weighted Average), se refere a uma 
exposição ao agente químico durante uma jorna-
da de trabalho completa de 8 horas ou 48 horas se-
manais. Ou seja, deve-se avaliar a concentração do 
agente químico durante uma exposição completa 
do dia de trabalho. Portanto, em alguns momentos 
da jornada de trabalho a concentração pode ser 
inexistente ou então com valores mais baixos ou 
mais altos do que o valor médio. A contaminação 
no ar da substância química pode variar significa-
tivamente ao longo do dia. O limite de tolerância 
TWA considera o valor médio da exposição.
O limite de tolerância valor teto é avaliado para 
exposições de curta duração. O valor deste limite 
não pode ser ultrapassado em nenhum momento 
da jornada de trabalho. Ou seja, a avaliação não 
é feita considerando toda a jornada de trabalho e 
sim os momentos com exposições mais críticas.
E o valor máximo se refere a uma concentração 
do agente químico que não pode ser ultrapassada 
em nenhum momento da jornada laboral, sob 
pena de ser considerada situação de risco grave 
e iminente.
A Tabela 1, a seguir, mostra um extrato do ane-
xo 11 da NR-15 que traz os valores dos limites de 
tolerância de algumas substâncias químicas.
123UNIDADE 4
Tabela 1 – Tabela de limites de tolerância
Agentes 
químicos
Valor 
teto
Absorção 
também 
p/ pele
Até 48 horas/semana Grau de insa-
lubridade a ser 
considerado 
no caso de sua 
caracterização
ppm mg/m3 
Álcool etílico 780 1480 Mínimo
Ácido clorídrico + 4 5,5 Máximo
Álcool n-butílico + + 40 115 Máximo
Fonte: adaptada de Brasil (1978a, p. 62).
Esta tabela nos indica qual é o tipo de limite de tolerância de cada substância. O álcool etílico possui 
limite de tolerância do tipo média ponderada no tempo, pois na coluna “Valor teto” não existe uma 
marcação com o sinal de “+”. Portanto, para avaliar a exposição ao álcool etílico é preciso coletar 
uma amostra do ar durante a jornada de trabalho completa. Por outro lado, as substâncias “ácido 
clorídrico” e “álcool n-butílico” possuem limites de tolerância valor teto. Durante a coleta de ar para 
fazer sua avaliação será preciso identificar o momento mais crítico da exposição para verificar se o 
valor teto não foi ultrapassado. Observe também que a tabela indica quais substâncias podem ser 
absorvidas pela pele e que exigem, portanto, proteção cutânea na sua manipulação.
Observe que explicamos que a coleta do agente químico no ar deve ser feita conforme o tipo de 
limite de tolerância. Você deve ter observado que para avaliar a exposição a um agente químico é 
preciso obter uma amostra do ar no ambiente de trabalho e em seguida avaliar a concentração do 
contaminante químico de interesse. As técnicas de amostragem e coleta de agentes químicos fazem 
parte do conjunto de conhecimentos da Higiene Ocupacional. A seguir, explicaremos brevemente 
como os agentes químicos são classificados e quais técnicas podem ser empregadas para fazer sua 
avaliação.
124 Higiene Ocupacional II
Avaliação quantitativa de agentes químicos
Conforme vimos, a avaliação quantitativa da exposição ocupacional a agentes químicos deve ser feita 
para verificar se o limite de tolerância de uma substância foi ultrapassado. Basicamente, os agentes 
químicos são divididos em dois tipos (SALIBA,2014): poeiras e particulados; gases e vapores. Con-
forme o tipo de agente químico, existem métodos específicos para fazer sua avaliação quantitativa.
Dentre as poeiras prejudiciais à saúde, estão aquelas que contêm a sílica. Este agente químico é en-
contrado abundantemente na natureza. A exposição à sílica pode causar uma doença chamada silicose. 
Trabalhadores que lidam com mineração de ouro, ferro, extração de calcário, indústria de refratários, 
dentre outros, podem se expor significativamente a este agente químico. Outro tipo de poeira prejudicial 
é a poeira de asbesto, encontrado na fabricação de telhas, chapas, caixas d’água, guarnição de freio e 
embreagem, lonas de freios, dentre outros (SALIBA, 2014). A poeira de algodão também pode causar 
doença nos trabalhadores, denominada de Bissinose. Este tipo de poeira está presente na fabricação 
de tecidos e também na indústria da confecção.
A avaliação quantitativa da exposição a poeiras é feita em quatro etapas: preparação de materiais 
(filtros e porta-filtros) enviados pelo laboratório que irá fazer a análise química da amostra; coleta 
em campo da amostra; análise das amostras em laboratório; e análise de dados. Na primeira etapa, o 
responsável pela avaliação do agente químico deve solicitar, ao laboratório que irá analisar a amostra 
de ar, os porta-filtros que serão usados no instrumento de coleta de poeira. Em seguida, utilizam-se os 
equipamentos de coleta na etapa de amostragem em campo, conforme tempo de coleta determinado 
pelo método de análise. Na terceira etapa, os filtros contendo a amostra de ar são enviados ao laboratório 
que fará a análise química da concentração do particulado. Por fim, na quarta etapa, é determinada a 
concentração do particulado, conforme o tempo de coleta, vazão e massa obtidos. Esta concentração 
é então comparada com o limite de tolerância e verifica-se se o ambiente gera ou não uma exposição 
prejudicial aos trabalhadores.
Os gases e vapores são representados pelas substâncias químicas que se espalham no ar devido seu 
aquecimento ou volatilidade ou devido ao seu próprio estado físico nas condições normais de tem-
peratura e pressão (é o caso dos gases). Sua avaliação é feita por meio de amostradores e bombas para 
coleta de ar. A amostragem do ar contendo gases e vapores pode ser feita de forma instantânea ou por 
meio de coleta do ar e posterior envio para o laboratório de análise. Na amostragem instantânea, são 
utilizados tubos reagentes, conhecidos como tubos colorimétricos, que são acoplados a uma bomba 
manual que faz a sucção do ar. O ar passa pelo tubo e reage com seu material interno fazendo com 
que ele mude de cor. Essa mudança de cor é lida em uma escala que indica a concentração do agente 
químico. Ainda, existem alguns equipamentos digitais que fazem a leitura instantânea da concentração 
125UNIDADE 4
no ar das substâncias químicas. No entanto, os métodos instantâneos não são recomendados para todos 
os agentes químicos. Para os agentes químicos com limite de tolerância do tipo média ponderada no 
tempo, conforme vimos, deve ser feita a coleta durante toda a jornada de trabalho. Para esse tipo de 
agente químico, o método recomendado é aquele que utiliza uma bomba automática acoplada a um 
coletor específico para o agente químico. Neste método a bomba faz o ar do ambiente passar por um 
amostrador, seja um tubo contendo, por exemplo, carvão ativado ou sílica gel ou um cassete contendo 
um filtro. O tubo é enviado posteriormente a um laboratório que faz a análise da concentração de agente 
químico presente na amostra. Outro método possível de ser usado é o que usa o coletor passivo. Este 
coletor é preso na zona respiratória do trabalhador e a substância química presente no ar reage com 
o material do coletor. Após a coleta, o coletor passivo é enviado para o laboratório que irá analisar a 
concentração do contaminante químico presente na amostra. 
Propriedades Físicas e Químicas
As propriedades físicas e químicas são importantes para se conhecer a capacidade de um agente 
químico de se dispersar no ar. Algumas propriedades chave são o limite de odor, ponto de ebulição e 
pressão de vapor. 
O limite de odor de uma substância química é o valor da concentração da substância química que 
irá causar uma sensação olfativa de forma que o agente químico possa ser detectado ou reconhecido. 
No entanto, é preciso analisar cada caso, pois algumas substâncias não possuem cheiro. Assim, o limite 
de odor pode ou não ser usado como parâmetro para identificar que uma substância está dispersa no 
ar. O mercúrio, por exemplo, não possui odor e trabalhadores podem estar expostos a esta substância 
sem perceberem.
O ponto de ebulição e a pressão de vapor de uma substância estão relacionados à sua volatilidade, ou 
seja, à sua capacidade de se dispersar no ar. O ponto de ebulição é a temperatura em que uma substância 
começa a passar do seu estado líquido para o estado gasoso. Quanto menor for o ponto de ebulição, 
mais fácil a substância entrará no estado gasoso. Isso significa que substâncias com pontos de ebulição 
baixos podem se tornar gases e contaminar o ambiente com mais facilidade do que substâncias com 
pontos de fulgor maiores. A título de exemplo considere os pontos de ebulição de três substâncias:
• Éter etílico: 34,6 °C.
• Álcool etílico 96 PA: 78,3 °C.
• Ácido sulfúrico: 290°C.
126 Higiene Ocupacional II
Considerando estes dados, qual substância irá se propagar no ar com mais facilidade? O éter etílico 
é a substância que possui o menor ponto de ebulição e, portanto, tende a ser o líquido mais volátil. 
Outra propriedade usada para avaliar a volatilidade é a pressão de vapor. Cada substância possui uma 
pressão de vapor à certa temperatura. Quando a pressão de vapor se iguala à pressão atmosférica, a 
substância entra em ebulição (BUSCHINELLI; KATO, 2011). Quanto maior for a pressão de vapor de 
uma substância, mais facilidade ela terá de se evaporar no ambiente de trabalho. A título de exemplo 
considere as pressões de vapor das três substâncias citadas anteriormente:
• Éter etílico: 563 hPa a 20°C.
• Álcool etílico 96 PA: 59,5 hPa a 20,0 °C.
• Ácido sulfúrico: 1,33 hPa a 145,8°C.
Considerando estes dados, novamente, chegamos à conclusão que o éter etílico é a substância mais 
volátil entre as três substâncias apresentadas, pois possui a maior pressão de vapor.
Informações Toxicológicas
Esta seção da FISPQ informa efeitos importantes sobre a saúde. O parâmetro “Dose letal 50” representa 
o valor de uma dose que quando ingerida ou injetada causará a morte de 50% da população exposta. 
E o parâmetro “Concentração letal 50” se refere à concentração letal absorvida via inalação de gases 
e vapores. Estes parâmetros são obtidos com experiências em animais e são indicativos do perigo da 
substância para humanos (BUSCHINELLI; KATO, 2011). Para o agente químico álcool etílico 96 PA, 
temos:
• DL50 Oral – Ratazana – 10,470 mg/kg.
• CL50 Inalação – Ratazana – 4h – 124,7 mg/l.
Estes valores de dose e concentração se referem a efeitos agudos. Neste ponto, é importante distinguir 
a diferença dos efeitos agudos e crônicos das substâncias.
Os efeitos agudos são aqueles decorrentes de exposições de curta duração, em menos de 24 horas. 
Eles se manifestam por uma irritação, danos a um tecido, efeitos narcóticos ou até a morte. Estes efeitos 
são decorrentes de altas concentrações do contaminante e se manifestam após minutos ou horas de 
exposição (TORLONI; VIEIRA, 2003).
Os efeitos crônicos não se manifestam logo após a exposição aos agentes químicos. Os efeitos irão 
aparecer após meses ou anos de contínua exposição. Isso acontece porque as substâncias de efeitos 
crônicos vão se acumulando aos poucos no organismo. Se este não conseguir eliminar os contaminantes 
por meio de biotransformação e eliminação, haverá o acometimento de sistemas e órgãos específicos 
do corpo humano (TORLONI; VIEIRA, 2003). Assim, quando conseguimos reduzir a concentração 
no ar das substâncias químicas,estamos proporcionando uma exposição que permitirá ao corpo dos 
trabalhadores fazer a devido eliminação, evitando os efeitos crônicos.
127UNIDADE 4
Em relação à toxicologia das substâncias, é importante saber que elas possuem efeitos local ou 
sistêmico. Os efeitos locais são aqueles que ocorrem na superfície de contato do organismo com a 
substância, por exemplo, uma irritação de pele ou dos olhos. Os efeitos sistêmicos ocorrem em órgãos 
ou sistemas distantes do local por onde a substância entrou no organismo. Assim, por exemplo, um 
trabalhador que inala pós de chumbo não irá apresentar efeitos na sua via respiratória, porém irá 
apresentar manifestações clínicas gastrointestinais, dores abdominais, vômitos, insuficiência renal, 
dentre outras manifestações (GOMES et al., 2015).
Outros efeitos importantes das substâncias são a teratogenicidade, embriotoxicidade, mutage-
nicidade e carcinogenicidade. A teratogenicidade e embriotoxicidade são efeitos relacionados ao 
desenvolvimento de fetos e embriões. Mulheres grávidas não podem ficar expostas a substâncias com 
estes efeitos. A mutagenicidade é a capacidade de uma substância de alterar o código genético de uma 
célula, podendo esta alteração ser passada para os descendentes dos expostos. E a carcinogenicidade é 
a capacidade de uma substância de induzir ou aumentar a formação de tumores malignos (BUSCHI-
NELLI; KATO, 2011).
Considerando a FISPQ do produto álcool etílico 96 PA, concluímos que em relação a seus efeitos 
toxicológicos principais, temos a irritação ocular grave (efeito agudo e local), irritação do aparelho 
respiratório, narcose e baixo risco de carcinogenicidade.
Considerando a necessidade de evitar os efeitos crônicos e agudos das substâncias químicas, a seguir 
vamos apresentar algumas medidas de controle da exposição a estes agentes.
128 Higiene Ocupacional II
A exposição aos agentes químicos pode ser con-
trolada por meio de medidas de controle classifi-
cadas em cinco tipos, conforme a Figura 2. A apli-
cação das medidas deve seguir uma hierarquia.
Medidas de Controle 
de Agentes Químicos
129UNIDADE 4
Figura 2 - Hierarquia de medidas de controle
Fonte: (SILVA, 2017, p. 286).
A primeira medida é a de eliminação do agente químico nocivo do ambiente de trabalho. Se o agente 
for eliminado do processo produtivo, o risco de contaminação será eliminado. Esta é a medida mais 
eficaz e de maior sustentabilidade, sem necessidade de monitoramento da exposição. Um segundo tipo 
de medida, parecido com o de eliminação do agente, é o de fazer sua substituição por outro agente 
menos tóxico. Isso é feito, por exemplo, no caso da fabricação de tintas quando se substitui o chumbo 
(elemento químico causador de saturnismo) por sais de zinco, com menor toxicidade (SALIBA, 2014). 
Em seguida, caso não seja possível fazer a eliminação ou substituição dos agentes químicos tóxicos, 
ou como complemento, parte-se para a implementação das medidas de controle de engenharia. 
Essas medidas envolvem a utilização, principalmente, da ventilação industrial para criar ambientes 
de trabalho com baixa concentração de contaminantes químicos. As medidas também compreendem 
o enclausuramento das fontes que geram os contaminantes químicos, evitando que haja dispersão de 
produtos no ar.
 Também, pode ser feita a alteração de processos. Por exemplo, ao invés de pintar uma peça utili-
zando uma pistola de pintura que dispersa névoas de produtos químicos no ar, pode ser feita a pintura 
por imersão. A automação de processos também ajuda a eliminar o risco de exposição, como no caso 
de um processo de ensacamento de pós que é feito de forma automática. Outra medida de engenharia 
eficaz, no caso de contaminantes químicos na forma de poeiras, é fazer a umidificação do processo. Por 
exemplo, em marmorarias, no processo de acabamento de rochas ornamentais, operações realizadas 
a seco irão gerar uma alta concentração de poeiras no ar. Se o processo for feito a úmido, a poeira não 
se dispersará no ambiente (ver Figura 3).
Eliminação
Substituição
Medidas de
engenharia
Controles
administrativos
Equipamento de
proteção individual
E�
cá
ci
a
Su
st
en
ta
bi
lid
ad
e
N
ec
es
si
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er
vi
sã
o
130 Higiene Ocupacional II
Figura 3 - Exemplo de operação realizada a seco e a úmido
Fonte: Santos et al. (2008, p. 13).
Uma das medidas de controle mais comum é 
o uso da ventilação forçada. Esta é dividida em 
ventilação local exaustora e ventilação geral di-
luidora. A primeira é feita quando se deseja evi-
tar a dispersão do agente químico no ambiente e 
quando sua concentração é muito alta. Por meio 
de um captor de ar, o agente químico é retirado 
do ambiente na fonte, evitando sua dispersão no 
ar. A ventilação geral diluidora é feita por meio da 
insuflação de ar limpo no ambiente de trabalho, 
por meio de ventiladores, de tal forma a diminuir 
a concentração do contaminante no ar.
Vejamos a seguir alguns exemplos de reco-
mendações de medidas de controle de engenharia.
Princípios para a Ventilação Geral
O acesso a ambientes de trabalho com contaminantes químicos no ar deve ser restrito aos traba-
lhadores que realmente necessitam frequentar o local. A Figura 4 mostra um exemplo de local com 
ventilação geral.
Figura 4 - Ventilação geral para diminuição da concentração de agentes químicos
Fonte: Ribeiro, Pedreira Filho e Riederer (2012, p.41).
As setas indicam ventilação natural
Sistemas de exaustão: ventilação controlada
Saída
de ar
Entrada
de ar
As setas indicam ventilação natural
Sistemas de exaustão: ventilação controlada
Saída
de ar
Entrada
de ar
131UNIDADE 4
Observe que o local é dotado de aberturas para ventilação natural. O 
local em que ficam os trabalhadores e equipamentos deve ser tal que 
evite a obstrução destas aberturas. Um princípio muito importante 
do projeto de ventilação geral é que o projeto deve permitir que a 
corrente de ar passe primeiro pelo trabalhador e depois pela opera-
ção, e nunca o contrário. Caso isso ocorra, o contaminante químico 
irá para a zona respiratória do trabalhador. Ventiladores devem ser 
instalados para exaurir o ar poluído ou então para inflar ar limpo 
no local. Recomenda-se que haja, no mínimo, cinco renovações de 
ar por hora. O ar poluído deve ser exaurido para fora do prédio e 
deve ser permitido aos trabalhadores acessarem a parte externa, ao 
ar livre, para tomada de ar limpo (BUSCHINELLI; KATO, 2011).
Bancada com Exaustão 
Acoplada a Capelas
Esta medida de controle é muito utilizada em laboratórios de pes-
quisa que lida com pequenas quantidades de agentes químicos, 
mas com propriedades tóxicas importantes. A Figura 5 apresenta 
um exemplo de capela vista em sua lateral.
Figura 5 - Capela para exaustão de vapores e gases
Fonte: Ribeiro, Pedreira Filho e Riederer (2012, p.56).
Profundidade
adequada
para garantir
o �uxo do
vento
m/s = metros por segundo
Exaustão
De�etor para assegurar
corrente de ar homogênea
Parte frontal
enclasurada
(tanto quato
possível), por
exemplo, com
um vidro que
desce
Corrente de ar
de no mínimo
0,5 m/s
Capela de exaustão química
132 Higiene Ocupacional II
Esta medida de controle permite que a manipulação do agente químico seja feita em lugar quase 
inteiramente fechado e com sistema de exaustão. Se a capela estiver funcionando adequadamente, 
os gases e vapores não irão atingir a zona respiratória do trabalhador, pois eles serão removidos do 
ambiente por um ventilador que faz parte do sistema de exaustão. Observe que um dos requisitos para 
o correto funcionamento é que na face da capela a velocidade deve ser de 0,5 m/s. Observe, também, 
que a capela possui uma porta de vidro que deve estar o mais fechada possível. A capela não deve estar 
perto de portas e janelas, para que correntes de ar não interfiram na exaustão. Ao final do sistema de 
ventilação, podem ser instalados filtros ou outros equipamentos para controlar a emissão de poluentes 
no ambiente (BUSCHINELLI; KATO, 2011).Pintura por Pulverização
A utilização de spray para pintura é bem comum nas indústrias metalúrgica e em oficinas de repara-
ção de veículos. A medida de engenharia recomendada é a utilização de cabine de pintura, conforme 
ilustra a Figura 6. 
Figura 6 - Cabine de pintura
Fonte: Ribeiro, Pedreira Filho e Riederer (2012, p.116).
A figura nos indica que a velocidade recomendada na face da cabine deve ser de 1,0m/s, para garantir 
um fluxo adequado de exaustão. O primeiro requisito no projeto de uma cabine é o tamanho dela, que 
deve ser grande suficientemente para conter trabalhadores, equipamentos e material a ser pintado. 
É preciso reduzir ao máximo possível a área aberta da cabine. O projeto deve prever tubulação para 
exaustão dos gases, vapores e poeiras que seja a mais curta possível, para evitar perdas de carga. O 
fluxo de ar dentro da cabine deve ser observado nas operações, de tal forma a evitar que este passe 
Pedestal
giratório
Exaustão
Splay de água
Exaustão
Pedestal
giratório
Fluxo
de ar
Sistema de
recirculação
de água
Diagrama 2: Cabine para pintura por
pulverização (com cortina d’água)
Diagrama 1: Cabine para pintura
por pulverização (pequena escala;
peças pequenas)
m/s = metros por segundo
Fluxo médio
de ar: 1,0 m/s
133UNIDADE 4
para o trabalhador, trazendo os contaminantes para sua zona respiratória. Isso é conseguido por 
meio de uma mesa rotatória para girar objetos. As entradas e saídas de ar dentro da cabine devem se 
manter desobstruídas. Uma medida importante para prevenção de acidentes é o uso de instalações 
elétricas à prova de explosão dentro da cabine. Isso porque a maioria dos solventes usados no proces-
so são inflamáveis e podem formar atmosferas explosivas. Ao final do sistema de ventilação, podem 
ser instalados filtros ou outros equipamentos para controlar a emissão de poluentes no ambiente 
(BUSCHINELLI; KATO, 2011).
Enclausuramento
O enclausuramento é uma medida de engenharia que evitará que o agente químico se disperse pelo 
ambiente de trabalho. A Figura 7 mostra um sistema enclausurado.
Figura 7 - Exemplo de enclausuramento de uma operação
Fonte: Ribeiro, Pedreira Filho e Riederer (2012, p.140).
Matéria-prima Matéria-prima
Bomba
Válvula
Alimentação
por gravidade
em sistema
fechado
Tranferência
mecânica em
sistema
 fechado
Válvula
Observe que a matéria-prima 
(que é o agente químico) não 
é liberado no ambiente de tra-
balho, pois se encontra em um 
sistema fechado. Caso seja ne-
cessária sua transferência, esta 
é feita por meio de bombas que 
transportam o material. Uma 
medida importante no projeto 
deste sistema é o uso de pressão 
negativa para diminuir a chance 
de vazamentos (BUSCHINEL-
LI; KATO, 2011).
134 Higiene Ocupacional II
Medidas de Controle Administrativas e 
Equipamento de Proteção Individual
Medidas de controle administrativas são aquelas que utilizam pro-
cedimentos e regras operacionais para reduzir a exposição a agentes 
químicos. Por exemplo, operações que irão gerar uma alta concen-
tração de contaminantes no ar podem ser planejadas para serem 
realizadas apenas por alguns trabalhadores, evitando a exposição 
à totalidade deles. Ainda, pode ser feito um revezamento entre os 
trabalhadores. Pode ser estabelecida, também, uma regra definin-
do o horário em que a operação deve ser realizada, priorizando os 
horários em que haverá menos trabalhadores e população vizinha 
próxima do ambiente de trabalho com a contaminação de agentes 
químicos. No entanto, para serem implementadas, estas medidas 
precisam ser compatíveis com as necessidades de produção.
Como última medida de controle, que é a menos eficaz e que 
exige uma maior supervisão em relação à sua aplicação, é o uso 
de equipamento de proteção individual. Para os agentes químicos 
existem basicamente dois conjuntos de equipamentos. Os EPIs para 
proteção contra a exposição dérmica e os EPIs para proteção das 
vias respiratórias.
A proteção dérmica se dá por meio de luvas, mangotes, aventais 
e roupas de corpo inteiro. Na sua seleção, é preciso considerar para 
qual agente químico deverá ser oferecida a proteção. 
As luvas de butila oferecem proteção contra peróxidos, ácidos 
corrosivos, soluções básicas, álcoois, aldeídos, cetonas e éteres. Con-
tudo, não são recomendadas para proteção contra hidrocarbonetos 
alifáticos, aromáticos e solventes halogenados. As luvas de nitrila 
oferecem proteção contra solventes clorados, óleos, graxas, ácidos, 
agentes cáusticos e álcoois. Entretanto, não são recomendadas para 
cetonas, agentes oxidantes e solventes aromáticos. Para a proteção 
contra gasolina e fluídos hidráulicos, são recomendadas as luvas de 
neoprene (OSHA, 2004, on-line)1.
A proteção respiratória é feita por meio do uso de equipamentos 
de proteção respiratória. Existem diversos modelos, marcas e tipos 
de respiradores no mercado. A Figura 8 apresenta a classificação dos 
equipamentos de proteção respiratória de acordo com a Associação 
Brasileira de Normas Técnicas.
135UNIDADE 4
Figura 8 - Classificação dos equipamentos de proteção respiratória 
Fonte: adaptada de ABNT (1999).
Os equipamentos se dividem em duas grandes classes: os dependentes e independentes da atmosfera 
ambiente. Os respiradores dependentes da atmosfera ambiente não podem ser utilizados em todas as 
situações, pois seu uso depende da existência de uma concentração de oxigênio superior a 18% no 
ar (TORLONI; VIEIRA, 2003). Esses respiradores funcionam por meio da selagem do contato das 
vias respiratórias com os contaminantes. O usuário coloca o respirador e o ar inspirado passa por 
filtros. Estes removem os contaminantes. Selecionar corretamente o filtro irá proporcionar a proteção 
adequada. Filtros químicos são indicados para gases e vapores e os filtros mecânicos para aerodisper-
sóides, como poeiras de sílica. Caso exista os dois tipos de contaminantes no ar, podem ser utilizados 
filtros combinados. Os respiradores motorizados são aqueles que possuem ventoinha para forçar o 
Equipamentos
de proteção
respiratória
Dependentes da
atmosfera ambiente:
respiradores
puri�cadores de ar
Motorizados
Não
motorizados
Independentes da
atmosfera ambiente:
respiradores de
adução de ar
Com �ltro
químico
Com �ltro
mecânico
Com �ltro
combinado
Fluxo
contínuo
De
demanda
De demanda
com pressão
positiva
Respiradores
de linha de ar
comprimido
Respiradores
de linha de ar
comprimido
com cilindro
auxiliar
Máscaras
autônomas
Circuito
aberto
De
demanda
Circuito
fechado
De demanda
com pressão
positiva
Respiradores
de ar natural
Sem
ventoinha
Com ventoinha
manual
Com ventoinha
motorizada
136 Higiene Ocupacional II
atravessamento do ar. Um tipo de máscara mais 
simples e comumente usada na construção civil, 
por exemplo, são as peças faciais filtrantes (PFF), 
que podem ser classificadas em três tipos: PFF1, 
PFF2 e PFF3. Eles são eficazes contra poeiras (por 
exemplo, aquelas provenientes da construção ci-
vil), névoas (por exemplo, aquelas geradas pela 
pintura com spray), fumos (por exemplo, aque-
les provenientes da atividade de solda), radionu-
clídeos e agentes biológicos. Para este último, é 
recomendado o uso de uma peça facial filtrante 
denominada de máscara N95.
Quando a atmosfera ambiente possui baixa 
concentração de oxigênio (abaixo de 18%) ou 
altas concentrações de contaminantes, devem 
ser usados os respiradores de adução de ar. Es-
tes respiradores são mais completos e podem ser 
compostos por peça facial, capuz, capacete, gorro 
e roupa completa. Os respiradores de adução de 
ar fornecem ar limpo ao usuário através de um 
cilindro que pode ser acoplado a ele ou então por 
meio de ar proveniente de uma fonte distante, por 
meio de uma mangueira.
Todos os respiradores devem ser selecionados 
criteriosamente, conforme diversos parâmetros 
da exposição: tipo de agente químico e sua con-
centração no ar, teor de oxigênio no ambiente, 
características da atividade, ritmo respiratório du-
rante a atividade, existência de agentes ambientais 
agravantes,como o calor ou o frio e estresse físico 
e psicológico que podem ser gerados durante o 
uso dos respiradores (TORLONI; VIEIRA, 2003).
Como vimos, os agentes químicos nem sempre 
são prejudiciais à saúde. Seus efeitos são determi-
nados pela sua natureza, pelo tempo de exposi-
ção a eles e pela concentração usada de produto 
em cada atividade. Quando é identificada uma 
situação em que os agentes químicos oferecem 
riscos devido à inalação de gases e vapores em 
altas concentrações, é preciso aplicar as medidas 
de controle para diminuir a concentração no ar ou 
para evitar que eles entrem nas vias respiratórias 
dos trabalhadores.
Vejamos agora uma classe de agentes ambien-
tais abordada pela Higiene Ocupacional, cuja ava-
liação é feita normalmente de forma qualitativa: 
os agentes biológicos.
A seleção, manutenção, treinamento e controle 
dos respiradores devem ser feitos por meio de 
um programa denominado Programa de Prote-
ção Respiratória (PPR). Fornecer respiradores 
sem treinamento ou sem seleção com critério 
poderá não proteger adequadamente os traba-
lhadores. As diretrizes para elaboração do PPR 
são determinadas no material produzido pela 
Fundacentro disponível para download, confor-
me link no material complementar.
137UNIDADE 4
Os agentes biológicos podem representar um ris-
co ocupacional dependendo de sua classificação. 
Estamos rodeados de agentes biológicos que, no 
entanto, não oferecem risco ocupacional. Os agen-
tes de risco são denominados de agentes patogêni-
cos. Eles são representados por microrganismos, 
como fungos, bactérias, vírus e protozoários. Os 
ambientes de trabalho que mais possuem riscos 
são geralmente laboratórios, hospitais, gabinetes 
de autópsia, estabelecimentos de cuidado da saú-
de de animais, atividade de coleta de lixo, dentre 
outros (VENDRAME, 2015). No entanto, o risco 
biológico nem sempre é evidenciado devido à 
incredulidade e falta de informação dos traba-
lhadores expostos.
A avaliação da exposição a agentes biológicos 
é feita, principalmente, de forma qualitativa. Isso 
porque não existem limites de tolerância defi-
nidos para todos agentes biológicos. Como um 
dos poucos valores quantitativos de referência, 
podemos citar o Valor Máximo Recomendável 
(VMR) para fungos em ambientes internos cli-
matizados, de uso público e coletivo, dado pela 
resolução ANVISA nº 09 de 16/01/2003. A coleta 
de material biológico para posterior análise pode 
Agentes
Biológicos
138 Higiene Ocupacional II
ser feita por diversos métodos. Por exemplo, pode 
ser utilizada uma placa denominada placa de Petri 
que contém material orgânico para alimentar um 
meio de cultura. Os microrganismos presentes no 
ar serão depositados na placa por meio da gravi-
dade ou impactação natural e se desenvolverão 
no meio de cultura, evidenciando sua presença 
no ambiente. Existe ainda o uso de equipamentos, 
como bombas que succionam o ar até um filtro ou 
um meio de cultura adequado (SALIBA, 2014). 
No entanto, para diversos outros agentes não 
existe valor de referência no Brasil. Vale destacar 
que cada microrganismo patogênico pode ter 
uma ação diferente conforme as características 
particulares de cada indivíduo, bem como de seu 
estado de saúde. A Norma Regulamentadora NR-
15, que trata da insalubridade por exposição a 
agentes biológicos, estabelece apenas a avaliação 
qualitativa da exposição aos agentes biológicos 
para caracterizar a insalubridade nas atividades 
envolvendo agentes biológicos. Ela estabelece ain-
da que a insalubridade se dá apenas por contato 
e não pela via aérea. No entanto, sabemos que a 
via aérea é uma das maneiras de propagação de 
agentes biológicos, especialmente quando mate-
riais contaminados sofrem agitação ou centrifu-
gação, bem como quando a transmissão se dá por 
espirro ou tosse de pessoas infectadas. Outras vias 
de transmissão de agentes biológicos são (VEN-
DRAME, 2015):
• Via dérmica: se dá pelo contato da pele ou 
mucosas com os agentes biológicos.
• Via parenteral: se dá pelo contato direto 
ou indireto do material biológico com o 
sangue ou demais fluidos do hospedeiro, 
por exemplo, a contaminação que ocorre 
quando um enfermeiro sofre uma perfura-
ção acidental de uma agulha contaminada 
com material biológico.
• Ingestão: ocorre devido à ingestão de ali-
mentos, bebidas ou a prática de fumo no 
ambiente de trabalho contaminado.
• Transmissão através de vetores artrópodes.
A transmissão de agentes biológicos patogênicos 
ocorre de forma direta ou indireta. A forma direta 
se dá pelo contato do agente com o hospedeiro e a 
forma indireta ocorre quando o agente biológico 
se aloja em objetos e em seguida estes são usados 
pelo hospedeiro. 
Para avaliar o risco biológico em uma ativida-
de, podem ser seguidas as seguintes etapas.
Tenha sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao 
vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
139UNIDADE 4
Avaliação da Presença de 
Agentes Biológicos no Local
É preciso conhecer quais agentes biológicos são manipulados. Como dito, estamos diariamente expos-
tos a diversos agentes que não representam um risco à saúde humana. Existem agentes biológicos de 
diferentes classificações de risco. Veja a Tabela 2 que mostra a classificação de risco de quatro agentes 
biológicos diferentes. Esta tabela pode ser consultada na íntegra no texto da Norma Regulamentadora 
NR-32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde.
Tabela 2 – Classificação de risco de agentes biológicos 
Agente biológico Classificação
Escherichia coli (todas as cepas enteropatogênicas, enterotoxigênicas, 
enteroinvasivas e detentoras do antígeno K 1) 2
Mycobacterium tuberculosis 3
Vírus Ebola 4
Fonte: adaptada de Brasil (1978c, p. 18).
Os agentes biológicos podem ser classificados em quatro classes (BRASIL, 1978c):
• Classe de risco 1: baixo risco individual para o trabalhador e para a coletividade, com baixa 
probabilidade de causar doença ao ser humano.
• Classe de risco 2: risco individual moderado para o trabalhador e com baixa probabilidade de 
disseminação para a coletividade. Podem causar doenças ao ser humano, para as quais existem 
meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
• Classe de risco 3: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade de disse-
minação para a coletividade. Podem causar doenças e infecções graves ao ser humano, para as 
quais nem sempre existem meios eficazes de profilaxia ou tratamento.
• Classe de risco 4: risco individual elevado para o trabalhador e com probabilidade elevada de 
disseminação para a coletividade. Apresenta grande poder de transmissibilidade de um indi-
víduo a outro. Podem causar doenças graves ao ser humano, para as quais não existem meios 
eficazes de profilaxia ou tratamento.
Portanto, a gravidade de uma exposição a agentes biológicos vai depender do tipo de agente presente 
no local. Considere, por exemplo, os agentes da Tabela 2. O primeiro deles, a bactéria Escherichia coli 
tem classe de risco 2, o que significa que apresenta um risco moderado e, caso algum trabalhador fique 
infectado, existem meios eficazes para tratamento. O Mycobacterium tuberculosis, agente causador da 
tuberculose, já possui uma classe de risco maior, classe 3. Isso significa que trabalhadores expostos a 
este agente estão expostos a um risco elevado. As medidas de controle para este tipo de agente devem 
ser bem mais rigorosas e potentes do que as medidas usadas para o agente de classe de risco 2. O vírus 
140 Higiene Ocupacional II
Ebola, porém, possui a maior classificação de ris-
co, classe 4, que significa que há um risco elevado 
para o trabalhador e também um risco elevado 
de disseminação do agente no ambiente. Além 
disso, não existem meios eficazes de tratamento 
e profilaxia para a exposição a este tipo de agente 
biológico.
Avaliação do Tipo 
de Exposição
A Norma Regulamentadora NR-15, no anexo 
14, estabelece que as condições de insalubridade 
devido à exposição a agentes biológicos ocorrem 
apenas por um período detempo que configure 
exposição permanente. Contudo, sabemos que 
mesmo que um trabalhador não esteja exposto a 
agentes biológicos durante a maior parte de sua 
jornada de trabalho, ele pode ser acometido de 
doenças devido a uma contaminação acidental, 
como é o caso da contaminação que ocorre com 
materiais perfurocortantes.
Na avaliação do risco biológico, após identi-
ficar os agentes biológicos de risco presentes no 
local, bem como sua classe de risco, é preciso ava-
liar em que situações os trabalhadores se expõem 
ao risco biológico e qual a sua duração. Quanto 
maior for o tempo de exposição e o volume de tra-
balho em contato com agentes biológicos, maior 
será o risco de contaminação. Por exemplo, em 
um ambiente hospitalar, pode ser avaliado o total 
de pacientes que são atendidos por dia, os tipos 
de doenças identificadas, bem como os procedi-
mentos que são realizados.
Avaliação das Medidas 
de Controle Existentes
As medidas de controle no manuseio de agentes 
biológicos diminuem o risco de contaminação 
e são representadas pelas medidas de controle 
coletivo, individual e pelas precauções universais 
tomadas no manuseio de agentes biológicos.
O uso de cabines de segurança biológica 
permite que os agentes biológicos manipulados 
não se dispersem para o ambiente de trabalho. 
Elas são usadas em laboratórios que manipulam 
agentes biológicos patogênicos. Estes agentes são 
manipulados no interior da cabine que possui um 
fluxo de ar que impede a dispersão de agentes 
biológicos para fora da cabine. Algumas delas, 
conforme a necessidade dada pela classe de risco, 
possuem filtros que impedem a dispersão dos 
agentes para o ambiente externo do prédio. 
A manutenção dos locais de trabalho, evitando 
vazamentos de água e mantendo a higienização 
de superfícies, contribui para evitar a propagação 
dos agentes patogênicos no local. O controle de 
roedores, baratas, morcegos, dentre outros vetores, 
contribui para o controle do risco ocupacional. 
Trabalhadores expostos devem receber orien-
tação e treinamento para fazer a limpeza de su-
perfícies, bem como a esterilização de materiais 
contaminados. Trabalhadores que manuseiam 
agulhas devem ser orientados a não fazer o reen-
cape e desconexão manual de agulhas, para evitar 
contaminação acidental. Uma medida de prote-
ção eficaz é a imunização de trabalhadores ex-
postos, por exemplo, com vacina contra hepatite 
B, tétano e difteria.
141UNIDADE 4
Os equipamentos de proteção individual ofe-
recem uma barreira contra a entrada de agentes 
biológicos no organismo, apesar de poderem ser 
violados devido a materiais perfurocortantes. De-
pendendo do risco, pode ser recomendado o uso 
de luvas de procedimento, respiradores (descar-
táveis ou mecanizados), botas e vestimenta im-
permeável de corpo inteiro.
A avaliação das medidas de controle existen-
tes em um local em que existe exposição a agen-
tes biológicos irá auxiliar na avaliação do risco. 
Quanto menos medidas existirem, conforme a 
necessidade do grau de risco dos agentes bioló-
gicos, maior será o risco devido à exposição aos 
agentes biológicos.
Diferentemente dos agentes químicos, os agen-
tes biológicos não possuem uma concentração li-
mite no ar que possa ser usada para determinar se 
serão ou não prejudiciais à saúde. A avaliação deve 
ser feita de forma qualitativa, pois, por exemplo, 
uma pequena quantidade de material biológico 
contaminada com um vírus de classe de risco 4 
poderá causar a morte de um ou mais indivíduos. 
Neste sentido, é preciso seguir as medidas de pre-
venção apresentadas neste tópico, bem como de 
manuais de biossegurança.
Finalizamos aqui o estudo sobre Higiene Ocu-
pacional. Na próxima unidade, estudaremos os 
aspectos de ergonomia relacionados ao ambiente 
de trabalho.
Conforme a classe de risco de um agente bioló-
gico, e as características da atividade, existe um 
nível de biossegurança recomendado. Existem 
quatro classificações de níveis de biosseguran-
ça cujo número aumenta com a quantidade de 
medidas de controle exigidas. Por exemplo, um 
laboratório de nível de biossegurança 3, que 
lida com a bactéria da tuberculose, deve estar 
separado do local de passagem geral. Para aces-
sá-lo, deve existir uma antecâmera. Dentro do 
laboratório deve existir um equipamento para 
descontaminação de materiais, denominado de 
autoclave. Todo material a ser descartado deve 
ser autoclavado. O laboratório deve possuir um 
lavatório de mãos com comandos não manuais. 
O fluxo de ar no laboratório deve ser do ambien-
te externo para dentro do laboratório.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (2004, 
on-line).
142
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Em um determinado ambiente de trabalho, são manipulados muitos micror-
ganismos nocivos à saúde. Para manter o local limpo, é feita, periodicamente, 
uma limpeza em todo o ambiente de trabalho utilizando um produto denomi-
nado “formaldeído”. Pesquise a FISPQ deste produto e responda às seguintes 
perguntas:
a) Quais riscos este produto apresenta para a saúde?
b) Gestantes podem manipular este produto? Justifique.
c) Este produto pode ser facilmente disperso no ar? Justifique.
2. Diversas medidas de controle podem ser tomadas para controlar o risco de 
exposição a agentes químicos. Assinale a medida de controle que evitará a 
dispersão de contaminantes no ambiente de trabalho.
a) Ventilação geral diluidora.
b) Equipamento de proteção individual.
c) Enclausuramento.
d) Medidas administrativas.
e) Substituição de agente químico por outro menos tóxico.
3. No projeto de um laboratório de pesquisa, foi previsto que serão manipuladas 
amostras biológicas provenientes de animais. Para estabelecer as medidas de 
segurança neste local, quais critérios deverão ser considerados? Justifique sua 
resposta.
143
Perícias Judiciais de Insalubridade e Periculosidade
Autor: Antonio Carlos Vendrame
Editora: Vendrame
Sinopse: com pioneirismo, o autor coloca neste livro toda sua experiência em 
perícias, atuando como Perito Judicial e Assistente Técnico de empresas, tor-
nando-o obra de consulta indispensável não só aos engenheiros de segurança 
do trabalho, enfermeiros do trabalho, higienistas ocupacionais, ergonomis-
tas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e médicos do trabalho, como também aos 
advogados (especialmente trabalhistas), profissionais de recursos humanos, 
profissionais de meio ambiente industrial e empresários, preconizando que 
o conhecimento acerca desta ciência deve ser amplamente divulgado, e não 
trancado a sete chaves, como era no passado.
Comentário: a leitura deste material é recomendada para os profissionais que 
quiserem se especializar na área de perícias judiciais de insalubridade e pericu-
losidade. O livro apresenta diversos conceitos de Higiene Ocupacional.
LIVRO
Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos
O link a seguir dá acesso à FISPQ do reagente químico álcool etílico 96 PA.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
Programa de Proteção Respiratória
O link a seguir dá acesso ao Programa de Proteção Respiratória (PPR).
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
Catálogo de Equipamentos de Proteção Individual
O link a seguir dá acesso a catálogos de equipamentos de proteção individual, 
conforme categoria da parte do corpo protegida, alguns dos quais mencionados 
no texto desta unidade.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
144
ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12543:1999: Equipamentos de pro-
teção respiratória - Terminologia. Rio de Janeiro: ABNT, 1999.
ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14275-4:2009: Produtos químicos — 
Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente. Parte 4: Ficha de informações de segurança de produtos 
químicos (FISPQ). Rio de Janeiro: ABNT, 2014.
BRASIL. Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora NR-15 – Atividades e operações 
insalubres. Brasil. 1978a.
BRASIL. Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora NR-26– Sinalização de segu-
rança. Brasil. 1978b.
BRASIL. Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora NR-32 – Segurança e Saúde no 
Trabalho em Serviços de Saúde. Brasil. 1978c.
BUSCHINELLI, J. T.; KATO, M. Manual para interpretação de informações sobre substâncias químicas. 
São Paulo: Fundacentro, 2011.
GOMES, R. C. F. et al. Saturnismo após acidente por arma de fogo de grande calibre: relato de caso. Revista 
Médica de Minas Gerais, v. 25, n. 1, p.120-124, 2015. 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Manual de Segurança Biológica em Laboratórios. 3. ed. Genebra: 
Oms, 2004. Disponível em: http://biot.fm.usp.br/pdf/cibio_Manual_de_Seguranca_Biologica_em_Laborato-
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RIBEIRO, M. G.; PEDREIRA FILHO, W. dos R.; RIEDERER, E. E. Avaliação qualitativa de riscos químicos: 
orientações básicas para o controle da exposição a produtos químicos. São Paulo: Fundacentro, 2012. Disponível 
em: http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/biblioteca-digital/publicacao/detalhe/2013/2/avaliacao-qua-
litativa-de-riscos-quimicos-orientacoes-basicas-para-o-controle-da-exposicao-a-2. Acesso em: 05 abr. 2020. 
SALIBA, T. M. Manual prático de Higiene Ocupacional e PPRA. 6. ed. São Paulo: LTr, 2014.
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145
VENDRAME, A. C. Perícias judiciais de insalubridade e periculosidade. 3. ed. São Paulo: Vendrame, 2015.
WALLAU, W. M.; SANTOS JÚNIOR, J. A. dos. O sistema globalmente harmonizado de classificação e rotula-
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REFERÊNCIAS On-line
1Em: https://www.osha.gov/Publications/osha3151.pdf. Acesso em: 20 jan. 2020. 
146
1. a) Conforme FISPQ disponível no site http://dinamicaquimica.com.br/freagentes/FORMALDEIDO_37.pdf 
(acesso em: 15 jan. 2020), o formaldeído possui os símbolos de toxicidade e corrosividade. Ele é mutagênico 
e carcinogênico e pode provocar lesões graves oculares.
b) Este produto não pode ser manipulado por gestantes, pois é mutagênico e carcinogênico, podendo 
afetar o feto.
c) Para fazer a avaliação de facilidade de dispersão no ar, podemos avaliar o ponto de ebulição e a pressão 
de vapor do produto. O ponto de ebulição é de 100°C e a pressão de vapor é de 53 hPA a 39°C. Conside-
rando que o éter etílico é um produto altamente volátil e que seu ponto de ebulição é de 34,6°C e pressão 
de vapor é de 1,228 hPa a 40°C, podemos concluir que o formaldeído não é um produto que se dispersa 
facilmente no ar. No entanto, se for manuseado de forma a apresentar agitação do produto ou aqueci-
mento, ele pode se dispersar mais facilmente no ar.
2. C.
3. Será preciso verificar a classificação de risco dos agentes biológicos que serão manipulados no laboratório. 
A partir da classificação dos agentes, bem como dos procedimentos que serão realizados, as medidas de 
controle serão estabelecidas. Conhecer a classe de risco do agente biológico permite saber se ele apresenta 
um risco muito grave ou não para os trabalhadores, sua facilidade de disseminação e se existem medidas 
de prevenção adequadas.
147
148
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Apresentar os conceitos de antropometria.
• Apresentar os conceitos de biomecânica.
• Mostrar o impacto de alguns aspectos fisiológicos no tra-
balho.
Antropometria
Biomecânica
Fundamentos de 
Fisiologia do Trabalho
Me. Maílson José da Silva
Ergonomia I
Antropometria
Prezado(a) estudante, como você classificaria sua 
altura em relação à população em geral? Você se 
considera de estatura alta, baixa ou mediana? E 
você já sentiu dores ao utilizar, por exemplo, uma 
pia, um conjunto de cadeira e mesa ou outro equi-
pamento devido às dimensões do equipamento 
não serem compatíveis com as suas dimensões 
corporais? Observe que diversos itens do nosso 
dia a dia possuem dimensões padronizadas para 
toda a população. Afinal, produzir todos itens 
conforme as dimensões de cada indivíduo seria 
economicamente inviável. A Indústria utiliza me-
didas do corpo humano, baseadas em estatística, 
para determinar a dimensão dos itens que produz 
a fim de atender, da melhor maneira, a toda a po-
pulação de usuários. Neste tópico, vamos tratar da 
ciência que estuda as medidas do corpo humano, 
a antropometria. Ela fornece medidas do corpo 
humano que são usadas no projeto de produtos 
e espaços de trabalho. Diversos equipamentos e 
construções que usamos no nosso dia a dia, como 
veículos, mesas, cadeiras, teclados, escritórios, 
painéis de controle, corredores e passagens são 
baseados em medidas antropométricas.
151UNIDADE 5
É fácil entender que cada indivíduo possui ca-
racterísticas únicas. Além disso, estas caracterís-
ticas variam ao longo dos anos. Por exemplo, um 
ser humano quando nasce possui uma cabeça 
maior em relação ao seu corpo. À medida que 
envelhece e atinge a idade adulta, a cabeça de 
um ser humano fica menor em relação ao seu 
corpo. A proporção entre a cabeça e estatura do 
corpo se altera em até 90%, considerando um re-
cém-nascido e um homem adulto (IIDA, 2005).
O sexo de um indivíduo contribui para de-
terminar suas dimensões corporais. Homens 
são geralmente mais altos e pesados do que as 
mulheres e possuem um tórax maior e ombros 
mais largos. As mulheres geralmente possuem 
bacias mais largas que os homens. Os homens 
possuem uma proporção maior de músculos 
e gordura em relação às mulheres. Além dis-
so, a gordura se concentra em partes diferentes 
do corpo, por exemplo, mulheres possuem um 
maior teor de gordura subcutânea nas regiões 
da coxa. Segundo Iida (2005), as diferenças de 
estatura entre homens e mulheres pode varia 
entre 6 e 11%.
A Ergonomia é uma ciência que estuda a adap-
tação do trabalho ao homem. Essa adaptação sig-
nifica tornar algo compatível com as característi-
cas do homem. No entanto, o ser humano não é 
um só. Em relação à sua estrutura, o homem possui 
muitas diferenças. Estas diferenças variam de acor-
do com a idade, sexo, etnia, dentre outros fatores 
influenciadores. Até mesmo pessoas da mesma 
idade, ou do mesmo sexo e etnia possuem dimen-
sões e pesos diferentes. Diferenças significativas 
são encontradas entre homens e mulheres. Portan-
to, cabe a pergunta: como a ergonomia consegue 
fazer a adaptação das condições de trabalho para 
todos os indivíduos? Esta adaptação é feita por 
meio do estudo das medidas do corpo humano.
A antropometria está relacionada à parte da 
antropologia que estuda as medidas do corpo hu-
mano (PRIBERAM, [2020], on-line)1. Veremos 
neste tópico dados das dimensões do corpo hu-
mano e como eles são utilizados para projetar 
postos de trabalho e produtos de tal forma a res-
peitar às necessidades humanas de espaços para 
trabalho. Vamos abordar alguns dos fatores que 
possuem influência em nossas medidas corporais: 
a idade, o sexo e a etnia.
A antropometria é a ciência que estuda as medidas do corpo humano. Estas medidas incluem: altura, 
medidas da pele, circunferência abdominal, circunferência da panturrilha, circunferência muscular 
das axilas e largura do cotovelo. Estas medidas fornecem informação sobre a distribuição da gordura 
corporal e massa muscular.
Fonte: adaptado de Goldstein-Fuchs e Lapierre (2014).
152 Ergonomia I
A etnia é outro fator de grande influência nas medidas antropométricas. Cada povo possui carac-
terísticas que o identifica e estas características incluem também medidas antropométricas. É fácil 
distinguir, por exemplo, indivíduos asiáticos de indivíduos europeus: diferenças de altura,peso, porte, 
proporções corporais etc. No entanto, indivíduos de mesma etnia possuem também diferenças entre 
si. Na África, um indivíduo pigmeu pode chegar a ter 130 cm de estatura e um indivíduo nilótico pode 
chegar a ter 210 cm de altura (IIDA, 2005). Além do fator genético, existe a influência dos próprios 
costumes e alimentação do local. É possível observar entre imigrantes que vieram para os Estados Uni-
dos que seus filhos nascidos neste país são geralmente mais pesados e altos (IIDA, 2005). No entanto, 
estudos mostram que mesmo existindo esta diferença dentro de uma etnia, as proporções corporais 
se mantêm. Veja a Figura 1 que mostra as proporções corporais em indivíduos de diferentes etnias.
Figura 1 - Proporções corporais em indivíduos de diferentes etnias
Fonte: adaptada de Newman e White (1951), Ishii (1957), Siqueira (1976) apud Iida (2005, p. 102).
180
160
140
120
100
80
60
40
20
0
Estatura
(cm)
Branco
americano
Negro
americano Japonês Brasileiro
Nº da amostra 25.000 6.684 233 249
Idade média 23 23 25 26
Estatura média (cm) 174 173 161 167
Peso (kg) 70 69 55 63
153UNIDADE 5
Observe na figura os sujeitos “branco americano” e “negro americano”. Embora morem no mesmo 
país eles possuem diferenças nas proporções corporais. O sujeito negro americano possui braços mais 
longos e uma silhueta mais fina que o sujeito branco americano.
O estudo de antropometria produz tabelas de medidas dos segmentos corporais. Estas tabelas são 
usadas no dimensionamento de produtos e espaços. Neste sentido, existem medidas para três situações: 
antropometria estática, antropometria dinâmica e antropometria funcional.
A antropometria estática estuda as medidas do corpo para serem usadas em situações de trabalho 
mais estático, como no caso de uma pessoa que trabalha sentada em seu escritório e realiza poucos 
movimentos. Por sua vez, a antropometria dinâmica considera as medidas do corpo para situações 
de trabalho com grande movimentação dos segmentos corporais, como no caso de operação de um 
painel de controle ou na realização de montagem de produtos em uma bancada. E a antropometria 
funcional gera medidas para uso em execução de atividades específicas, como o acionamento de uma 
manivela. Os dados antropométricos são apresentados, geralmente, em tabelas com valores das medidas 
considerando três parcelas de uma amostra ou população: 5%, 50% e 95%. Um exemplo dessas medidas 
é dado pela Figura 2 e Tabela 1, que representam dados de medidas antropométricas para homens e 
mulheres considerando o corpo sentado e a norma alemã DIN 33403 de 1981.
Figura 2 - Exemplo de variáveis usadas na antropometria estática
Fonte: adaptada de Iida (2005, p. 117).
2,11
2,1
2,2
2,3
2,6 2,5
2,4
2,10
2,9
2,8
2,12
2,13
154 Ergonomia I
Tabela 1 - Medidas estáticas para homens e mulheres, conforme norma alemã DIN 33402 de 1981
Medida estática (cm) Mulheres Homens
5% 50% 95% 5% 50% 95%
• Altura da cabeça, a partir do 
assento, tronco ereto 80,5 85,7 91,4 84,9 90,7 96,2
Altura dos olhos, a partir do as-
sento, tronco ereto 68,0 73,5 78,5 73,9 79,0 84,4
Altura dos ombros, a partir do 
assento, tronco ereto 53,8 58,5 63,1 56,1 61,0 65,5
Altura do cotovelo, a partir do 
assento, tronco ereto 19,1 23,3 27,8 19,3 23,0 28,0
Altura do joelho, sentado 46,2 50,2 54,2 49,3 53,5 57,4
Altura poplítea parte inferior da 
coxa 35,1 39,5 43,4 39,9 44,2 48,0
Comprimento do antebraço, na 
horizontal, até o centro da mão 29,2 32,2 36,4 32,7 36,2 38,9
Comprimento nádega-poplítea 42,6 48,4 53,2 45,2 50,0 55,2
Comprimento da nádega-joelho 53,0 58,7 63,1 55,4 59,9 64,5
Comprimento nádega-pé, perna 
estendida na horizontal 95,5 104,4 112,6 96,4 103,5 112,5
Altura da parte superior das 
coxas 11,8 14,4 17,3 11,7 13,6 15,7
Largura entre os cotovelos 37,0 45,6 54,4 39,9 45,1 51,2
Largura dos quadris, sentado 34,0 38,7 45,1 32,5 36,2 39,1
Fonte: Iida (2005, p. 118).
Observe que a tabela mostra as medidas corporais de acordo com a figura apresentada. Por exemplo, a 
medida 2.1 é a medida da altura da cabeça, a partir do assento e com o tronco ereto. São apresentadas 
medidas para homens e mulheres. Essas medidas são representadas para três parcelas da população: 
5%, 50% e 95%. As medidas foram tomadas para diversos indivíduos e, portanto, é preciso organizar 
os dados em porcentagens. A parcela de 5% representa a medida dos indivíduos de menor dimensão. 
A parcela de 50% representa a medida de até 50% dos indivíduos. E a parcela de 95% representa as 
medidas dos indivíduos maiores. Isso significa que 5% dos indivíduos homens possuem como medida 
da altura da cabeça, a partir do assento e com o tronco ereto, a medida de 84,9 cm. Um total de até 50% 
dos indivíduos possui essa medida no valor de 90,7 cm. E um total de 95% dos indivíduos homens 
maiores possui a medida 2.1, em um valor maior que 96,2 cm (aqui consideramos a diferença entre 
100% e 95%, que é igual a 5%). É importante conhecer estas parcelas para projetar espaços de trabalho. 
Por exemplo, caso fosse preciso construir uma cabine para um operador trabalhar sentado, de tal forma 
a requerer o menor espaço possível, poderia ser considerada a altura da medida 2.1 que englobasse a 
maior parte da população. Esta medida é de 96,2 cm, que engloba 95% dos indivíduos.
155UNIDADE 5
Além dos fatores idade, sexo, etnia, estilo de vida e época, as medidas antropométricas também 
podem considerar a influência da roupa que está sendo utilizada. Por exemplo, em dias de frio, em que 
se usam roupas mais grossas em toda a extensão do corpo, os movimentos podem ficar limitados.
A altura das pessoas serve como um indicativo de suas condições de vida. Isso porque uma má 
nutrição irá afetar o crescimento dos indivíduos, desde quando estão no útero materno até a ado-
lescência. No Brasil, por exemplo, uma pesquisa indica que a altura do brasileiro saltou durante o 
período da Primeira República (1889-1930). 
Caro(a) aluno(a), confira mais sobre essa pesquisa no link a seguir: https://www1.folha.uol.com.br/
ciencia/2017/11/1938281-estatura-do-brasileiro-deu-um-salto-durante-a-primeira-republica.shtml. 
Fonte: adaptado de Folha de S. Paulo (2017, on-line).
Conhecer todos os fatores que influenciam nas medidas antropométricas pode lhe auxiliar na aplica-
ção dos conceitos de antropometria no projeto de produtos e espaços de trabalho. Vejamos a seguir 
as suas aplicações. 
Aplicações da 
Antropometria
Para proporcionar uma interação adequada entre 
um produto ou posto de trabalho e seus usuá-
rios, é fundamental conhecer o público que o 
usará. O grau de padronização de um produto 
conforme a medida de seus usuários pode variar 
conforme seu preço, frequência de uso e neces-
sidades dos clientes. Nem sempre os produtos 
atendem adequadamente as medidas corporais 
de seus usuários. Por exemplo, homens e mulhe-
res se diferenciam significativamente em termos 
de medidas corporais. Observe as diferenças das 
medidas 2.6 (altura poplítea, parte inferior da 
coxa) e 2.13 (largura dos quadris, sentado) para 
homens e mulheres da tabela 1. Essas medidas são 
de interesse para o projeto de um vaso sanitário. 
Considerando as diferenças existentes das medi-
das entre os sexos, reflita: todos os vasos sanitários 
devem ser fabricados em medidas únicas? Se você 
pensa que todos eles devem ser fabricados em 
medidas únicas, talvez considere que a diferença 
das medidas entre os sexos é mínima. Pode ter 
considerado também que fazer produtos com 
diferentes medidas iria aumentar os níveis de es-
toque e o custo com máquinas e equipamentos 
seria muito maior. Esses argumentos são válidos 
e dizem respeito ao custo industrial. No entanto, 
fabricar este tipo de produto de forma persona-
lizada para homens e mulheres iria considerar 
adequadamente que estas possuem quadris mais 
largos e altura poplítea menor em relação aos ho-
mens. Assim, vasos sanitários para mulheres de-
veriam ser mais baixos e mais largos que os vasos 
usados por homens. Esses argumentos também 
sãoválidos e dizem respeito à adaptação indivi-
dual dos produtos.
156 Ergonomia I
Ao projetar um produto ou posto de trabalho, é preciso considerar tanto o argumento de custo indus-
trial quanto o de adaptação individual. É preciso existir um equilíbrio no projeto. Se a empresa respon-
sável pela fabricação deseja ter um desempenho que a diferencie de seus concorrentes, poderia fabricar 
dois tipos de vasos sanitários (um modelo para homens e outro para mulheres). O uso das tabelas de 
antropometria nos projetos de produtos e postos de trabalho vai depender dos objetivos traçados para 
tornar o produto final competitivo.
A utilização dos dados antropométricos nos projetos requer reflexão para balancear as diversas 
necessidades. Nesta tarefa, é útil considerar cinco princípios que nortearão as decisões (IIDA, 2005):
1. Projetos dimensionados para a mé-
dia: é o princípio que busca atender uma 
grande parcela da população de usuários. 
Este princípio é seguido, por exemplo, no 
projeto de bancos para pontos de ônibus 
públicos. Este tipo de banco é estático, sem 
regulagem. As medidas antropométricas 
de seus usuários podem divergir muito. 
Um banco muito baixo irá causar descon-
forto nos usuários mais altos e um banco 
muito alto não proporcionará um apoio 
satisfatório para os usuários mais baixos. 
O uso do valor médio permite atender à 
maior quantidade de usuários.
2. Projetos dimensionados para um dos 
extremos: este princípio orienta o pro-
jetista a proporcionar locais ou objetos 
maiores ou menores para atender usuários 
com dimensões extremas (muito grandes 
ou muito pequenas). Por exemplo, um pai-
nel de controle projetado para um homem 
médio iria causar dificuldades para pes-
soas mais baixas alcançar alguns controles. 
Pela natureza do equipamento, a dificul-
dade de alcançar um determinado contro-
le poderia proporcionar prejuízos. O mes-
Observe que a adequação de produtos e espaços a seus usuários é uma atividade complexa que exige 
selecionar o princípio adequado para guiar o projeto. É preciso consultar também as tabelas antro-
pométricas e estudar o público usuário para chegar a uma solução satisfatória do ponto de vista dos 
usuários e fabricante. 
mo acontece com o projeto de uma saída 
de emergência: uma altura que atenda à 
média da população geraria dificuldades 
para as pessoas mais altas saírem do local. 
Assim, projetar para atender extremos se 
torna justificável conforme a situação de 
uso do produto ou espaço.
3. Projetos dimensionados para faixas da 
população: neste princípio, os produtos e 
espaços são projetados para grupos da po-
pulação, para melhor atendê-los. É o caso, 
por exemplo, de roupas e calçados que são 
fabricados conforme grades de tamanho.
4. Projetos feitos com dimensões regu-
láveis: o projeto que segue este princípio 
adiciona regulagens nos componentes de 
um equipamento ou produto buscando 
atender melhor o usuário. Exemplos: ca-
deiras para escritório, pegas de cortadores 
de grama, banco de veículos etc.
5. Projetos adaptados aos indivíduos: 
neste princípio, o projeto de produtos e 
serviços busca atender da melhor maneira 
o usuário conforme suas necessidades in-
dividuais. É o caso de roupas sob medida 
e aparelhos ortopédicos.
157UNIDADE 5
Existem também medidas que consideram a postura do corpo humano. Veja a Figura 3 e responda 
à seguinte pergunta: quais são as dimensões recomendadas para uma cabine de controle considerando 
o usuário sentado?
Figura 3 - Recomendação de espaços para algumas posturas típicas (dimensões em centímetros)
Fonte: adaptada de Iida (2005, p. 144).
Observando a figura, vemos que um trabalhador sentado necessita de um espaço representado por uma 
caixa de seção transversal de 90 cm x 130 cm. Esta medida, no entanto, não atende a toda população 
de usuários, pois existem os casos extremos. Contudo, observe que, para o trabalho sentado, é preciso 
considerar a altura, desde o pé até a cabeça e o espaço entre a cabine e a parte traseira da cadeira do 
operador.
Tendo em vista que muitos trabalhos são realizados na posição sentada, a antropometria pode ser 
muito utilizada nessas situações para determinar dimensões de superfícies horizontais. Veja na Figura 
4 as principais medidas relacionadas a uma superfície horizontal. 
75
190
100
115 100
90
190
210
130
160
120
60
45
De pé Sentado
Inclinado
Largura
Deitado
158 Ergonomia I
Figura 4 - Principais medidas relacionadas a superfícies 
horizontais
Fonte: adaptada de Pedroza e Silva (2019).
A
B
C
Três medidas principais precisam ser considera-
das. A medida “A” é a altura da superfície horizon-
tal em relação ao solo. Ela vai depender do tipo 
de trabalho que será realizado. Para trabalhos que 
exigem movimentos mais precisos, geralmente a 
superfície precisa ser mais alta e para trabalhos 
com baixa necessidade de precisão e que exigem 
mais esforço a superfície precisa ser mais baixa. A 
altura também vai depender das dimensões dos 
objetos a serem manipulados sobre a superfície. 
Para o valor da altura “A”, utilize como referência as 
alturas recomendadas de superfícies apresentadas 
pela Figura 5.
Figura 5 - Alturas recomendadas de superfícies para trabalhos em pé
Fonte: Kroemer e Grandjean (2005, p. 48).
Observe na figura que as alturas para trabalhos de precisão são maiores do que as alturas para trabalhos 
pesados. Caso a altura dos trabalhadores varie muito, é recomendado projetar uma bancada de trabalho 
mais alta (para atender ao indivíduo maior) e fornecer um estrado para os pés para os usuários mais 
baixos, regulando assim a altura.
750-900
700-850
1000-1100
950-1050
900-950
850-900
mm - Homens
mm - Mulheres
+200 mm
+100 mm
 0
-100 mm
-200 mm
-300 mm
Trabalho de precisão Trabalho leve Trabalho pesado
159UNIDADE 5
Figura 6 - Áreas de alcance máximo e ótimo em uma superfície de trabalho
Fonte: Kroemer e Grandjean (2005, p. 58).
Objetos que são acessados com mais frequência sobre a superfície devem estar na região de alcance 
ótimo (de 350 a 450 mm) e objetos de uso menos frequente na região de alcance máximo. Caso haja 
necessidade de acompanhamento visual ou leitura é recomendado que a superfície a ser lida fique 
entre 20 a 40 cm de distância dos olhos com inclinação de 45° (IIDA, 2005).
A última medida a ser considerada no trabalho em uma superfície horizontal é a medida “C”, re-
ferente ao recuo para os pés. Esta medida é importante para bancadas que possuem laterais fechadas 
solidamente. Se não houver este recuo, o usuário irá se afastar das laterais da superfície e inclinar seu 
tronco para utilizá-la. É recomendado deixar um recuo de 10 cm com 10 cm de altura (IIDA, 2005).
250
1000
1600
500 mm
350-450 550-650
A medida “B” da Figura 4 vai depender dos alcances que deverão ser feitos sobre a superfície de 
trabalho. É preciso definir as regiões de alcance ótimo na superfície. Veja na Figura 6 as áreas de alcance 
máximo e ótimo sobre uma superfície.
160 Ergonomia I
Biomecânica
O corpo humano possui semelhanças com má-
quinas e equipamentos. Por exemplo, em um car-
ro, ao fazer a ligação do motor, o carro sai de um 
estado de repouso para um estado de movimento. 
Primeiramente o motor é acionado e os fluidos 
internos começam a se movimentar. É produzi-
do calor, ruído e vapores. Quando o veículo co-
meça a se movimentar, o motor é solicitado com 
maior intensidade. A inércia do veículo precisa ser 
vencida e ocorre um gasto energético maior. Se 
o veículo é usado em pistas com más condições, 
ele poderá sofrer danos não previstos, compro-
metendo seu funcionamento. Veículos precisam 
de pausas para serem feitas manutenções nos seus 
componentes: pneus, troca de óleo, troca de amor-
tecedores, substituição de velas etc. Esta dinâmica 
de um veículo é parecida com a do corpo humano.
Ao acordar e se levantar, uma pessoa sai de 
um estado de repouso para um estado de maior 
solicitação de esforços. Sua temperatura corpo-
ral começa a subir. A realização de um trabalho 
demanda mais esforçodos músculos. O sangue 
começa a circular com maior volume, transpor-
tando uma maior quantidade de oxigênio para os 
músculos. Movimentos e esforços não compatí-
veis com o corpo humano podem comprometer 
seu funcionamento e desempenho. Com o passar 
161UNIDADE 5
do tempo, a maioria das pessoas precisará de tratamento médico 
para tratar de alguns danos causados por situações inadequadas ou 
pela ação do tempo. Consegue perceber as semelhanças?
Estas semelhanças são importantes para entender o conceito 
do presente tópico: biomecânica. Ela é uma ciência que “estuda os 
movimentos do homem e do animal a partir do ponto de vista das 
leis mecânicas” (HOCHMUTH, 1973 apud BATISTA, 2001, p. 38). 
A biomecânica apresenta conceitos-chave para entendermos o fun-
cionamento do corpo e são usados para estabelecer adequações nos 
postos de trabalho visando prevenir doenças e acidentes. Vejamos 
alguns destes conceitos.
Trabalho Muscular
Durante o trabalho muscular, o corpo demanda oxigênio e um 
maior fluxo sanguíneo para eliminação do calor produzido no 
movimento. Se a demanda não for suprida adequadamente, dis-
tensões, dores, fraquezas ou inflamações podem surgir. Neste sen-
tido, é importante que antes de uma atividade haja um adequado 
aquecimento do corpo.
Veja a Figura 7 que representa o gasto energético desde um 
estado de repouso até um trabalho muscular. 
Figura 7 - Metabolismos anaeróbico e aeróbico na realização de atividades
Fonte: Iida (2005, p. 160).
6
5
4
3
2
1
0
0 5 10 15 20
Metabolismo
anaeróbico
G
as
to
 e
ne
rg
ét
ic
o 
(x
 b
as
al
)
Metabolismo
aeróbico
Débito
de oxigênio
Basal
Tempo (min)
Repouso
Atividade
Recuperação
162 Ergonomia I
Antes de realizar um movimento, no estado de re-
pouso, o gasto energético do corpo humano é de-
nominado de gasto basal. Ao iniciar uma atividade, 
o corpo humano ativa o metabolismo anaeróbico 
(produção de energia sem oxigênio) e, após um 
curto período, o metabolismo aeróbico é iniciado 
(produção de energia com oxigênio).
Veja que o primeiro metabolismo é o que opera 
sem oxigênio. Assim, se o corpo não tiver um tem-
po para se adaptar às exigências da tarefa, haverá 
um débito de oxigênio. Este, em conjunto com o 
glicogênio e com a atuação dos músculos, libera 
ácido lático e ácido racêmico que irão atuar na 
dilatação dos vasos sanguíneos. A dilatação dos 
vasos proporcionará um maior fluxo de oxigênio 
e a liberação do calor durante a atividade (IIDA, 
2005).
A demanda por oxigênio dependerá da ativi-
dade realizada. É preciso existir um equilíbrio 
entre a demanda e a quantidade de oxigênio for-
necida pelo sangue. O aquecimento, antes da ati-
vidade, acelera os ritmos cardíaco e respiratório, 
aumentando a irrigação e evitando distensões 
musculares. Pessoas adaptadas a esforços físicos 
constantes podem eliminar calor com mais faci-
lidade, além de possuírem fibras musculares mais 
espessas e flexíveis. Estas pessoas desenvolvem 
seu coração, deixando-o maior e mais forte, o que 
proporciona um maior volume de sangue bom-
beado a um ritmo mais baixo (IIDA, 2005). 
Para mantermos nosso organismo vivo, precisa-
mos gastar uma quantidade mínima de energia, 
e a quantidade é medida pela taxa de metabolis-
mo basal. Essa taxa é utilizada em estudos nutri-
cionais e de consumo energético de indivíduos. 
Saber o quanto necessitamos de energia mínima 
é útil para compararmos os gastos energéticos 
de certas atividades. 
Conheça mais sobre como é medida a taxa de 
metabolismo basal lendo o artigo disponível no 
link a seguir: https://www.scielosp.org/article/
csp/2001.v17n4/801-817.
Assim, para atividades que exijam esforços físicos, 
é preciso verificar se os trabalhadores estão adap-
tados suficientemente para realizar o trabalho 
muscular. Este pode ser dividido em dois tipos: 
trabalho estático e dinâmico. Vejamos, a seguir, o 
que significa cada um deles e qual sua implicação 
para a segurança e saúde dos trabalhadores.
Trabalhos Estático e Dinâmico
Durante um movimento, o músculo pode ser exigido de diferentes maneiras e intensidade. Depen-
dendo da exigência imposta ao músculo, podem surgir dores, fraquezas, cãibras e inflamações. Estas 
decorrem quando não há uma alternância adequada entre contrações e relaxamento dos músculos.
O trabalho estático desenvolvido por um músculo se refere àquele em que o músculo fica contraído 
por um período relativamente grande. Por exemplo, o trabalho de segurar uma caixa e movimentá-la 
de um lado para outro, na mesma posição, exige que os músculos do braço fiquem contraídos de forma 
estática. Manter a posição do corpo em pé, manter a cabeça erguida ou segurar uma peça também são 
exemplos de trabalhos estáticos. Neste tipo de trabalho, se uma força muito alta é realizada por um 
longo período de tempo, dores e fadiga irão surgir. O trabalho estático aumenta a pressão interna, cau-
sando um estrangulamento de capilares. O sangue deixa de circular adequadamente e o abastecimento 
163UNIDADE 5
de oxigênio no músculo diminui. Monod (1967 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2005) apresentou 
um estudo sobre a duração máxima de contração muscular conforme a força exercida (em termos de 
força máxima). A Figura 8 apresenta um gráfico de sua pesquisa.
Figura 8 - Duração máxima de um trabalho muscular estático em relação à força exercida
Fonte: adaptada de Monod (1967 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2005, p. 18).
De acordo com o gráfico, para um trabalho que exige 50% da força máxima, o tempo máximo de 
contração do músculo seria não mais que um minuto. Por exemplo, a atividade de segurar uma caixa 
com peso que exija 50% da força máxima não deve durar mais que um minuto. O gráfico também nos 
mostra que para valores abaixo de 10% da força máxima, a duração da atividade pode ser estendida.
O outro tipo de trabalho realizado pelos músculos, o trabalho dinâmico, é benéfico para o corpo. 
Ele é realizado nas atividades com movimentação constante: serrar, martelar, girar, correr, andar etc. O 
trabalho dinâmico aumenta a circulação sanguínea em até 20 vezes em relação ao estado de repouso 
(IIDA, 2005). Saber diferenciar os trabalhos estático e dinâmico é importante para avaliar o trabalho 
realizado pelos trabalhadores.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
164 Ergonomia I
O conteúdo do trabalho deve possuir, na sua maior parte, movimentos que proporcionem o trabalho 
dinâmico dos músculos. Se não houver um equilíbrio entre os trabalhos estático e dinâmico e pausas 
para recuperação, podem surgir traumas devido a esforços repetitivos: distúrbios osteomusculares 
relacionados ao trabalho (DORT), lesões por traumas cumulativos (LTC) e lesões por esforços repe-
titivos (LER). Estes traumas se manifestam nas tendinites, tenossinovites etc.
Outro ponto importante da biomecânica é da postura corporal. Ela deve ser adequada à atividade 
realizada. Vejamos os tipos de posturas e seus benefícios no subitem a seguir.
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use 
seu leitor de QR Code.
Posturas do Corpo
Todo trabalho é realizado, basicamente, em uma de três posições 
corporais ou uma combinação delas: deitada, em pé e sentada. 
Na posição deitada, há uma maior circulação sanguínea. Essa 
posição não é recomendada para o trabalho, no entanto, em al-
guns casos, ela é necessária, como na manutenção de automóveis, 
em que é preciso acessar a parte inferior do veículo. Na posição 
deitada, podem surgir dores no pescoço e nos braços, devido à 
contração dos músculos para realizar movimentos. Uma maneira 
de evitar essas dores é utilizar apoio para o pescoço. 
A posição em pé oferece uma maior mobilidade aos trabalha-
dores. Nesta posição, o consumo de energia é maior. Ela não pro-
porciona condições favoráveis para a realização de movimentos 
precisos, pois o corpo em pé fica sem uma posição de referência 
e busca o equilíbrio constantemente por meio de oscilações em 
torno de um ponto médio.
Na posição sentada, o peso do corpo faz comque o seu peso 
fique concentrado praticamente sobre os ossos ísquio – ossos 
localizados na zona inferior 
do quadril. Nesta posição, os 
membros superiores podem 
realizar movimentos mais 
precisos.
Um cuidado importante 
em relação à postura corporal 
é a postura da coluna na rea-
lização de esforços. Se houver 
esforços cortantes em relação 
à nossa coluna, podem surgir 
traumas. O trabalho estático ou 
a realização de forças de alta in-
tensidade também podem ge-
rar traumas. Algumas posturas 
inadequadas com riscos de do-
res são (IIDA, 2005):
165UNIDADE 5
• Ficar longos períodos em pé: esta posição pode gerar dores 
nos pés e pernas (são formadas varizes).
• Ficar sentado sem encosto: esta posição pode provocar dores 
nos músculos extensores do dorso.
• Ficar sentado em assento muito alto ou muito baixo: quando 
o assento é muito alto, o usuário não consegue colocar ade-
quadamente seus pés no chão, isso irá gerar dores na parte 
inferior das pernas, nos joelhos e pés. Assentos muito baixos 
irão provocar dores no dorso e no pescoço.
• Ficar com os braços esticados: esta posição estática causa 
dores nos ombros e braços.
• Utilizar superfícies de trabalho muito baixas ou muito altas: 
superfícies com altura inadequada podem provocar dores 
na coluna vertebral e cintura escapular.
• Ficar com a cabeça inclinada por mais de 30° em relação à 
vertical: esta posição irá provocar dores no pescoço.
Em relação à postura corpo-
ral, o trabalho de prevenção de 
doenças e acidentes no campo 
da Ergonomia consiste em ava-
liar a atividade e a posição em 
que ela é realizada, evitando as 
posturas inadequadas.
Outro ponto importante da 
biomecânica é o estudo da ca-
pacidade de realizar força em 
diferentes situações. O traba-
lho deve ser feito de tal forma a 
proporcionar o melhor desem-
penho na aplicação de forças. 
Vejamos como as forças são 
aplicadas no subitem a seguir.
Aplicação de Forças
Durante a aplicação de uma força, os músculos se contraem. Na força, existe a atuação de dois músculos: 
os antagonistas e os protagonistas. Cada trabalhador pode usar de forma diferente seus músculos para 
a realização de um mesmo tipo de movimento. Essa diferença é bem observada entre trabalhadores 
experientes e iniciantes. Os experientes sabem utilizar os músculos sem se fatigarem rapidamente. 
É preciso estabelecer um tempo para que trabalhadores iniciantes melhorem seu desempenho nas 
atividades que envolvem a aplicação de forças. A exigência de mesmo nível de produtividade para 
trabalhadores iniciantes pode resultar em lesões decorrentes da aplicação ineficiente de forças.
As forças são aplicadas utilizando-se os membros superiores e inferiores do corpo. O ato de segurar 
uma carga na horizontal ou na vertical cria um momento (momento, no sentido da Física, é a magnitude 
de uma força aplicada em relação a um eixo de rotação). O momento criado por uma carga irá exigir 
do corpo que seja produzida uma força para equilibrar o movimento. Esta força pode ser aplicada por 
um período limitado de tempo. No caso da utilização dos membros inferiores na aplicação das forças 
por meio das pernas, a maior força que pode ser desenvolvida é na situação em que as pernas se encon-
tram com um ângulo entre coxa e perna próximo de 0°, ou seja, quando estão estendidas (IIDA, 2005).
O corpo humano geralmente possui maior capacidade de produzir força nas pernas (IIDA, 2005). 
Para trabalhos que exigem o acionamento de comandos, por exemplo, com necessidade de aplicação de 
forças, é recomendado que estes sejam construídos para serem acionados pelas pernas. A utilização do 
momento e da gravidade pode beneficiar a aplicação de forças. O próprio peso do corpo pode facilitar 
o movimento de grandes objetos, utilizando, por exemplo, um sistema de roldanas. Para a realização 
de força com precisão, os dedos são os membros mais eficientes. Na aplicação de forças, deve haver um 
ritmo em harmonia com o corpo humano: forças progressivas, movimentos curvos e suaves.
166 Ergonomia I
O ponto de aplicação de uma força sobre um objeto irá determinar os valores máximos que podem 
ser atingidos. As forças podem aplicadas para puxar ou empurrar. A Figura 9 apresenta valores de 
referência para três alturas de ponto de aplicação de força.
Figura 9 - Forças máximas para empurrar e puxar na posição de pé
Fonte: adaptada de Chaffin, Andres e Carg (1983 apud IIDA, 2005).
Observe, na figura, que os valores de força máxima variam em função da altura do ponto de aplicação 
da força e do tipo de força. Os valores também variam conforme o sexo do indivíduo. Veja que a apli-
cação de força em uma altura próxima à altura da cabeça é mais desfavorável que a aplicação de força 
em uma altura próxima do peito ou coxas de um indivíduo.
Vamos finalizar o tópico sobre biomecânica trazendo algumas recomendações para realizar o 
levantamento e transporte de cargas.
68
109
152 cm
6.4 — Aplicação de forças 17
Mulheres
Força
(N)
Empurrar
Máx.
Altura
da pega
(cm)
152 150 48 143 34 284 83 174 14
109 176 68 171 33 342 98 258 26
 68 158 61 179 73 399 95 376 73
 161 58 164 51 342 101 269 95Média
D.P. = Desvio padrão
Máx. Máx. Máx.D.P. D.P. D.P. D.P.
Puxar Empurrar Puxar
Homens
Levantamento e Transporte de Cargas 
Segundo Bridger (2003 apud IIDA, 2005), cerca de 60% dos traumas musculares são causados pelo 
levantamento de cargas. A coluna vertebral sofre, basicamente, esforços em dois sentidos quando 
uma carga é levantada e transportada. Existem os esforços no sentido vertical e esforços no sentido 
perpendicular ao eixo da coluna. Estes últimos esforços criam uma força de cisalhamento sobre os 
discos da coluna.
Os esforços no sentido da vertical, desde que não muito intensos, são compatíveis com a coluna. 
No entanto, os esforços no sentido perpendicular ao seu eixo são muito prejudiciais e provocam 
danos nos discos intervertebrais, causando sua ruptura (KROEMER; GRANDJEAN, 2005). Portan-
to, uma das principais recomendações no levantamento de cargas é que a coluna deve ficar o mais 
vertical possível. Quando a carga é muito alta, recomenda-se que a coluna fique um pouco inclinada 
para trás. Essa inclinação é necessária para evitar que ela fique inclinada para frente, o que criaria 
esforços cisalhantes prejudiciais.
167UNIDADE 5
Outras recomendações são:
• Atribuir atividades de carregamento para homens. Em geral, mulheres suportam menos 
cargas que homens. Por força de Norma Regulamentadora, o peso máximo de cargas deve ser 
nitidamente menor para mulheres e trabalhadores jovens do que o peso de cargas atribuídas 
aos homens.
• Proporcionar pontos de pega favoráveis para o movimento ou diminuir dimensões da 
carga para facilitar sua pega. Uma adequada pega irá influenciar na capacidade de levanta-
mento e transporte dela. Até mesmo cargas mais leves que se apresentam em peças de grandes 
dimensões e com superfícies cortantes oferecerão uma dificuldade para levantamento e mo-
vimentação.
• Manter a carga o mais próximo do corpo. A posição da carga, nos sentidos horizontal e ver-
tical, influencia no momento criado por ela em relação às articulações do braço. Uma carga que 
fica muito distante horizontalmente do corpo proporcionará um momento maior e dificultará 
o levantamento e movimentação da carga. 
• Limitar a massa das cargas a serem levantadas e transportadas. De forma geral, um valor 
de referência é o de uma carga com 23 kg. Contudo, este valor pode variar conforme o indivíduo 
e o número de viagens feitas no dia com o material. Iida (2005) recomenda que as cargas de-
vem ser aumentadas e as distâncias percorridas devem ser reduzidas, respeitando a capacidade 
máxima de levantamento de carga do indivíduo.
• Distribuir simetricamente o peso da carga.
• Realizar preferencialmente o transporte por meio de uma equipe e desobstruir e nivelar o ca-
minho por onde percorrerão os trabalhadores que farão a movimentação das cargas. 
Alguns movimentos devem ser evitados no levantamento e manuseio de cargas.Confira esses mo-
vimentos na publicação “Perigos e riscos associados à movimentação manual de cargas no local de 
trabalho” disponível no link a seguir: https://osha.europa.eu/pt/publications/factsheets/73.
168 Ergonomia I
Após estudar a parte biomecânica do funciona-
mento do corpo, vamos abordar os conceitos de 
fisiologia importantes para o desempenho no 
trabalho.
169UNIDADE 5
É preciso conhecer a fisiologia do corpo para 
entender como a organização e projeto de traba-
lho podem influenciar no desempenho e saúde 
no trabalho. A fisiologia é a ciência que trata das 
funções orgânicas (PRIBERAM, [2020], on-li-
ne)3. Discutiremos, a seguir, o impacto do ritmo 
circadiano e alimentação no desempenho de in-
divíduos no trabalho.
O ritmo circadiano do corpo humano influen-
cia no seu desempenho conforme o horário do 
dia. Você já deve ter ouvido falar de pessoas que 
são noturnas ou diurnas, ou seja, que possuem 
um melhor rendimento no trabalho durante certo 
período do dia. Isso acontece devido a algumas 
características fisiológicas que se alteram ao longo 
do dia. Observe a Figura 10 que mostra a variação 
da temperatura corporal em indivíduos matutinos 
e vespertinos.
Fundamentos de 
Fisiologia do Trabalho
170 Ergonomia I
Figura 10 - Variação de temperatura corporal durante o dia para indivíduos matutinos e vespertinos
Fonte: Iida (2005, p. 343).
A diferenciação entre indivíduos matutinos e ves-
pertinos nem sempre é clara. Na prática, poucos 
indivíduos são extremamente matutinos ou ves-
pertinos. 
Fonte: adaptado de Iida (2005).
6 12 18 24 6 12 18 24 6
37,4
37,2
37,0
36,8
36,6
36,4
36,2
36,0
Te
m
pe
ra
tu
ra
 c
or
po
ra
l (
°C
)
Horas do dia
MatutinoMatutino
VespertinoVespertino
Veja, na figura, que os indivíduos matutinos pos-
suem o maior valor de temperatura corporal por 
volta das 13 horas, e os indivíduos vespertinos 
por volta das 19 horas. A temperatura do corpo 
irá influenciar na disposição dos indivíduos para 
o trabalho. 
Acidez da urina e produção de hormônios cor-
ticais também variam ao longo do dia, o que irá 
impactar no desempenho dos indivíduos.
Conhecer o ritmo circadiano dos indivíduos é 
importante para definir os melhores trabalhado-
res para trabalhos noturnos ou em turnos. Segun-
do Horne, Brass e Pettitt (1980 apud IIDA, 2005), 
o número de falhas identificadas corretamente 
por indivíduos matutinos é maior durante o dia 
e menor após as 12 horas e o número de falhas 
identificadas corretamente por indivíduos vesper-
tinos é maior após as 12 horas. Conclui-se, assim, 
que o trabalho realizado no período noturno por 
indivíduos matutinos estará mais sujeito a erros 
e acidentes. 
171UNIDADE 5
Possuímos um relógio biológico para o sono e um relógio que 
regula nossas funções fisiológicas. O melhor desempenho ocorre 
quando estes relógios trabalham em sincronia. Trabalhadores que 
iniciam o trabalho noturno terão que se adaptar, pois um dos re-
lógios indica que é tempo de dormir e outro relógio indica que é 
tempo de trabalhar. Neste sentido, é importante fornecer um período 
de duas semanas para adaptação destes indivíduos ao novo horário 
de trabalho (IIDA, 2005).
A alimentação é outro fator que influencia na fisiologia do corpo. 
Após uma refeição, a região digestiva recebe uma maior irrigação de 
sangue, o que ocasiona uma menor irrigação de sangue nas demais 
partes do corpo. Esta alteração no fluxo sanguíneo deixa os indiví-
duos sujeitos a erros. Assim, pausas após as refeições são necessárias 
para os trabalhadores recuperarem seu estado de atenção.
Ao planejar o trabalho em turnos, é preciso considerar as ca-
racterísticas fisiológicas do ser humano. O desempenho da equipe 
de trabalho será melhor quando o trabalho respeitar a fisiologia 
humana. 
Vimos, nesta unidade, os conceitos de antropometria, biome-
cânica e fisiologia do trabalho para entender o funcionamento do 
corpo durante a realização de atividades laborais. A adaptação das 
medidas de mobiliários às medidas corporais, o projeto de controles 
para respeitar os limites de força e movimentação e a organização 
do trabalho para evitar sobrecarga mental e física em momentos 
de menor estado de atenção contribuem para a segurança e pro-
dutividade.
172
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Uma atividade realizada na indústria de eletrônicos consiste em encaixar pe-
quenas peças em uma placa de circuito impresso em espaços milimetricamente 
definidos. A atividade deve ser realizada em pé por mulheres.
Considerando os dados apresentados, assinale a alternativa que melhor repre-
senta a altura ideal da bancada de trabalho para esta atividade.
a) 500 mm.
b) 600 mm.
c) 800 mm.
d) 1000 mm.
e) 1200 mm.
2. Em uma análise do movimento de caixas de uma bancada para uma cabine de 
um veículo, foi constatado que os trabalhadores seguram ininterruptamente 
caixas nas mãos durante 3 minutos. Considerando estes dados e a força máxi-
ma que pode ser exercida por um trabalhador durante esta atividade, faça uma 
recomendação para este trabalho.
3. O desempenho no trabalho pode variar conforme o horário do dia. Trabalha-
dores não conseguem manter o mesmo ritmo devido ao desgaste da própria 
atividade e também devido a mudanças que ocorrem no corpo ao longo do 
dia. Identifique quais são estas mudanças e como elas influenciam no estado 
de atenção de trabalhadores.
173
Compreender o Trabalho Para Transformá-Lo: a Prática da Ergonomia
Autor: F. Guérin, A. Kerguelen, A. Laville, F. Daniellou, J. Duraffourg
Editora: Blucher
Sinopse: o objetivo desta obra, que agora surge em edição brasileira, tradu-
zida a partir da segunda edição francesa, amplamente reformulada, é ajudar 
a construir um ponto de vista sobre a atividade de trabalho em suas relações 
com o funcionamento da empresa. Os autores explicitam a maneira pela qual 
a "atividade real" dos operadores traduz e reformula as condições materiais e 
organizacionais do trabalho. É essa atividade real que contribui para produzir 
as riquezas da empresa, mas também permite dar o sentido que cada qual 
atribui, individualmente e coletivamente, ao trabalho. Daí a necessidade de se 
levar em conta o conjunto, ampliando o coletivo de concepção e seus objetivos. 
A análise da atividade e sua compreensão são apresentadas como um meio 
que permite: conhecer melhor e explicar as relações entre as condições de 
realização da produção e a saúde dos trabalhadores; propor pistas de reflexão 
úteis para a concepção das situações de trabalho; melhorar a organização dos 
sistemas sociotécnicos, a gestão dos recursos humanos e, em consequência, o 
desempenho da empresa em seu todo.
LIVRO
NAPO
A série de vídeos do personagem “Napo” mostra diversos cuidados no trabalho 
para evitar acidentes e doenças, principalmente, devido à falta de adaptação 
ergonômica.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
174
BATISTA, L. A. A biomecânica em educação física escolar: Perspectivas em Educação Física Escolar. Niteroi, 
v. 2, n. 1, 2001, p. 36-49.
GOLDSTEIN-FUCHS, D. J.; LAPIERRE, A. F. Nutrition and Kidney Disease. National Kidney Foundation 
Primer On Kidney Diseases, [s.l.], Elsevier, p. 467-475, 2014. 
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.
KROEMER, K. H. E.; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: 
Bookman, 2005.
PEDROZA, S. S.; SILVA, M. J. da. Ergonomia e Segurança do Trabalho. Maringá: Unicesumar, 2019.
REFERÊNCIAS ON-LINE
1Em: https://www.priberam.pt/dlpo/antropometria. Acesso em: 14 fev. 2020.
2Em: https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/11/1938281-estatura-do-brasileiro-deu-um-sal-
to-durante-a-primeira-republica.shtml. Acesso em: 19 mar. 2020.
3Em: https://dicionario.priberam.org/fisiologia. Acesso em: 14 fev. 2020.
175
1. Alternativa d), pois é a altura mais ideal para trabalho de precisão realizado por mulheres na posição em 
pé, conforme a Figura 5 apresentada na unidade.
2. Considerando que na atividadeexiste um trabalho estático por 3 minutos, a força desenvolvida deve se 
limitar a, no máximo, cerca de 30% do valor da força máxima que pode ser desenvolvida. Essa recomen-
dação se baseia no gráfico da Figura 8 da unidade, que define tempo máximo de contração muscular 
conforme a força desenvolvida.
3. Ao longo do dia, a temperatura corporal varia, bem como o nível de hormônios corticais. A alimentação 
também causa uma alteração no fluxo sanguíneo em alguns órgãos. Todas estas mudanças influenciam o 
estado de atenção do trabalhador. Dependendo do horário do dia e ritmo circadiano do trabalhador, ele 
estará propenso a mais ou menos erros.
176
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Introduzir conceitos de avaliação da iluminação de am-
bientes.
• Apresentar os problemas e recomendações relacionados 
ao manuseio de cargas.
• Apresentar o impacto do trabalho noturno na saúde dos 
trabalhadores.
Iluminação
Manuseio de Cargas
Trabalho Noturno
Me. Maílson José da Silva
Ergonomia II
Como você se sente em um local com pouca ilu-
minação? Talvez nesse tipo de ambiente você se 
sinta confortável se seu objetivo for o de dormir, 
assistir a um filme ou fazer uma refeição noturna. 
No entanto, para trabalhar, é fundamental que o 
local tenha uma iluminação mais intensa. Espe-
cialmente se o trabalho for de precisão, a ilumi-
nação do ambiente irá afetar na produtividade 
dos trabalhadores do local. Neste tópico, iremos 
explicar a norma brasileira que trata da determi-
nação do nível de iluminação nos ambientes de 
trabalho para que esteja adequado para o tipo de 
atividade desenvolvida.
A Fundacentro, em 2018, publicou uma Nor-
ma de Higiene Ocupacional (NHO 11 – avaliação 
dos níveis de iluminamento em ambientes inter-
nos de trabalho) para avaliar os níveis de ilumi-
namento de ambientes de trabalho interno. Esta 
norma serve de ferramenta para a melhoria dos 
aspectos qualitativos e quantitativos do trabalho. 
Iluminação
179UNIDADE 6
A norma apresenta um quadro com níveis mínimos de iluminamento para ambientes, conforme a 
atividade ou tarefa desenvolvida. Ela orienta, também, como elaborar um relatório na avaliação do 
iluminamento, fornecendo um checklist para avaliação qualitativa de um sistema de iluminação. A 
NHO 11 (2018) possui como referência técnica as seguintes normas.
• ABNT NBR ISO/CIE 8995-1, de 2013 (Iluminação de ambientes de trabalho – Parte 1: interior).
• ABNT NBR 5461, de 1991 (Iluminação – Terminologia);
• ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013.
• NHT 10-I/E, de 1986 (Norma para avaliação ocupacional do nível de iluminamento).
• HSE HSG 38, de 1997 (Lighting at Work).
Para verificar se o nível de iluminamento de um ambiente está adequado para certa atividade, é preciso 
fazer uma medição ponto a ponto e comparar com valores mínimos exigidos. O nível de iluminamento 
(E) é medido em lux. A tabela a seguir mostra um exemplo de níveis de iluminamento mínimo para 
alguns ambientes.
Tabela 1 - Níveis mínimos de iluminamento E (lux) em função do tipo de ambiente, tarefa ou atividade
Tipo de ambiente, 
tarefa ou atividade E (lux) IRC/Ra Observações
Área de circulação e 
corredor 100 40
Nas entradas e saídas, estabelecer 
uma zona de transição para evitar mudanças 
bruscas.
Depósito, estoque e câ-
mara fria 100 60
200 lux se forem continuamente 
ocupados.
Trabalho de precisão 
(por exemplo, polimen-
to 
decorativo e pintura à 
mão)
1000 90 Tcp mínimo de 4.000 K.
Cabeleireiro 500 90
Escrever, teclar, ler e 
processar dados 500 80
Em locais que apresentem estações de trabalho 
com monitores de vídeo ou displays visuais, os 
teclados podem sofrer ofuscamento desconfor-
tável ou inabilitador, sendo necessário selecionar 
e reposicionar as luminárias a fim de se evitar o 
desconforto por reflexões de alto brilho. Também 
pode ser necessária a verificação das telas quanto 
à luminância para adequação às condições visuais 
da tarefa.
Fonte: adaptado de Fundacentro (2018, p. 20-43).
180 Ergonomia II
Vemos na tabela que, quanto maior a precisão 
necessária em uma atividade, maior é o nível mí-
nimo de iluminamento requerido. Por exemplo, 
áreas de circulação requerem apenas 100 lux en-
quanto que o trabalho em um escritório ou em 
um salão de cabeleireiros requer 500 lux.
A NHO 11 (2018) traz recomendações para a 
forma de distribuir a iluminação em um ambien-
te. De forma geral, a iluminação deve ser unifor-
memente distribuída. Iluminação suplementar 
pode ser utilizada, desde que permita um nível 
de iluminância adequada no entorno imediato 
da tarefa.
Um parâmetro dos sistemas de iluminação é 
o ângulo de corte. Este ângulo é medido a partir 
do plano horizontal, abaixo do qual a lâmpada 
(ou mais de uma lâmpada) fica protegida pela 
luminária da visão direta de um observador. Este 
ângulo é importante para controlar o ofuscamen-
to. A Figura 1 mostra exemplos de ângulo de corte.
A unidade de medida que quantifica a quantidade de luz incidinda sobre uma superfície é denomi-
nada de lux. Esta unidade é definida como:
1 lux (lx) = 1 lúmem (lm) por metro quadrado.
O lúmem é a unidade de fluxo luminoso. O lux é medido com um equipamento denominado de 
luxímetro.
Fonte: adaptado de Kroemer e Grandjean (2007).
Figura 1 - Exemplos de ângulo de corte
Fonte: Lightsource ([2020], on-line)1.
Corte 47°
Corte 30°
Corte 20°
Corte 15°
Corte 10°
106 cm
193 cm
304 cm
411 cm
622 cm
181UNIDADE 6
Observe que, quanto maior o ângulo de corte, mais próximo um observador pode chegar da luminária 
sem sofrer efeitos de ofuscamento.
Na avaliação quantitativa da iluminação, é feita antes uma avaliação preliminar, de cunho qualitativo. 
Dentre os pontos avaliados, destacamos:
1. As áreas de trabalho com riscos e perigos visíveis devem estar bem iluminadas, de tal modo a 
permitir que os trabalhadores possam perceber esses riscos e perigos.
2. O sistema de iluminação deve permitir que a sinalização de segurança esteja bem visível.
3. Trabalhadores devem visualizar sua atividade sem dificuldade.
4. Caso necessário, deve ser providenciada iluminação suplementar.
5. Se existirem trabalhadores mais idosos ou com limitações visuais, o sistema de iluminação 
deve atender às suas necessidades.
6. Áreas de trabalho devem estar livres de sombras.
7. O ambiente de trabalho deve estar livre de efeito estroboscópio.
8. Variação de brilho aparente ou de cor não deve existir na iluminação.
9. A iluminação natural em janelas, portas etc. não pode provocar algum efeito indesejado.
Para realizar a medição do nível de iluminamento, é utilizado um equipamento denominado de luxí-
metro. Ele deve possuir uma fotocélula corrigida para a sensibilidade do olho humano e o ângulo de 
incidência. O equipamento deve permitir uma configuração de leitura conforme o tipo de lâmpada 
utilizada: LED, fluorescente ou vapor de sódio. O equipamento deve ser calibrado por laboratório 
creditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). 
Na medição do nível de iluminamento, o instrumento deve estar a uma altura de 0,75 m do piso 
quando não for definido o plano da tarefa visual. Este plano não é, necessariamente, horizontal. Ele 
pode ser também na vertical ou inclinado, conforme a tarefa. Além da medição no plano da tarefa, 
é preciso determinar a iluminância média do ambiente. A medição do nível médio de iluminância é 
feita a 0,75 m do piso ou, em alguns casos, no próprio nível do piso. A NHO 11 (2018) apresenta uma 
metodologia de medição e cálculo da iluminância média conforme o tipo de ambiente, existindo seis 
configurações possíveis de sistemas de iluminação, conforme ilustra a Figura 2.
182 Ergonomia II
Figura 2 - Configuração de sistemas de iluminação para determinação da iluminância média 
Fonte: adaptada de Fundacentro (2018, p. 45-50).
Tipo 1 Tipo 2
P1 P2
P3 P4
Tipo 3 Tipo 4
Tipo 5 Tipo 6
q1 q2
P1
q1 q2 q3
q4 q5 q6
P1
P2
P1
P2
r1
r2
r4
r3
q2
t1
t2
q1
r3
r2r1
r4t2
t1
t4
t3
q1P1
P2q2
q3 q4
q5 q6 q7 q8
P2
P2
P1
r3
r2
r1r4
r7
r6
r5
r8
t2
t1
t4
t3
q2
q1
q3
q4
183UNIDADE 6
Conforme a figura, são determinados os pontos de medição conforme o tipo de sistema de iluminação. 
O tipo 1 representa um ambiente retangular com pontos de iluminação com padrão regular, sime-
tricamente espaçados em duas ou mais fileiras. O tipo 2 é um ambiente de área retangular com uma 
luminária central. O tipo 3 representa um ambiente retangular com uma única linha de luminárias. 
O tipo 4 define um ambiente de trabalho de área retangular com duas ou mais linhas contínuas de 
luminárias. O tipo 5 é semelhante ao tipo 3, porém as luminárias estão em uma linha contínua. E o 
tipo 6 representa um local de trabalho de área retangular com teto luminoso. Assim, é preciso definir, 
primeiramente, o tipo de ambiente para calcular a iluminação média. Esta é calculada por meio de 
uma equação estabelecida na NHO 11 (2018) que utiliza os valores dos pontos lidos no ambiente. Por 
exemplo, para a configuração tipo 1, o avaliador deverá medir o nível de iluminamento em 18 pontos 
diferentes: p1, p2, q1, q2, q3, q4, t1, t2, t3, t4, r1, r2, r3, r4, r5, r6, r7 e r8. O valor da iluminância média 
é utilizado como referência para verificar se a iluminância medida ponto a ponto nas áreas da tarefa 
estão adequadas. Segundo a norma, a iluminância nos pontos das áreas da tarefa não deve ser inferior 
a 70% da iluminância média. Assim, tanto os valores da Tabela 1 como o valor da iluminância média 
deve ser levado em conta para verificar se a iluminação em um certo ponto da atividade está adequada.
Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use 
seu leitor de QR Code.
Resumindo, a verificação da iluminação de um ambiente de trabalho deve seguir os procedimentos e 
metodologia definidos pela NHO 11 (2018), utilizando um equipamento de medição denominado de 
luxímetro. Os valores medidos devem ser comparados com aqueles definidos pela norma como sendo 
níveis de iluminamento adequado. Além do nível de iluminamento adequado, devem ser avaliados 
outros aspectos qualitativos do sistema de iluminação, como ofuscamentos, contrastes de superfícies 
e efeito estroboscópio. 
184 Ergonomia II
185UNIDADE 6
Você já levantou caixas ou móveis durante uma 
mudança de residência? Já precisou levantar sa-
cos ou caixas para realizar alguma atividade? Se 
sim, você já realizou o manuseio de cargas. Essa 
atividade é uma das mais comuns no mundo do 
trabalho. Em algumas profissões, os trabalhadores 
fazem o manuseio eventual de cargas, como é o 
caso de trabalhadores de escritório, que, às vezes, 
precisam transportar pequenas caixas contendo 
documentos ou algum utensílio, eventualmen-
te. Em outras profissões, o manuseio de cargas é 
constante: garis que pegam sacos de lixo, serventes 
de pedreiro que levantam sacos de cimento, tra-
balhadores rurais que carregam sacos de semente 
ou de adubo, enfermeiros e auxiliares de enfer-
magem em hospitais que levantam pacientes em 
seus leitos etc. 
Manuseio 
de Cargas
186 Ergonomia II
Além de ser tão comum, o manuseio de cargas também é uma 
atividade prejudicial à saúde da coluna. Quando o manuseio de 
cargas não é feito da forma mais adequada possível, ao longo dos 
anos ou em curtos períodos de tempo, dores na região da coluna 
podem surgir. Neste tópico, iremos entender as causas da dor na 
coluna devido ao manuseio de cargas e então estudaremos maneiras 
de realizar um manuseio mais adequado. 
O manuseio de cargas é considerado um trabalho pesado por 
envolver trabalhos estático e dinâmico. O manuseio envolve os 
movimentos de puxar, empurrar, arrastar, levantar, abaixar e se-
gurar cargas, utilizando a força do corpo. Este tipo de trabalho é 
muito realizado por trabalhadores da área da saúde, trabalhadores 
rurais e aqueles que lidam com bagagens e mercadorias em hotéis 
e armazéns.
Os problemas na coluna decorrentes desta atividade ocorrem, 
principalmente, com os trabalhadores na idade de 20 a 40 anos 
(KROEMER; GRANDJEAN, 2007). Segundo uma pesquisa, cerca 
de um quarto dos distúrbios ocupacionais nos Estados Unidos são 
decorrentes de distúrbios causados por sobrecarga na atividade de 
manuseio de cargas. Os distúrbios são causados, principalmente, 
pelo movimento de levantar cargas, mas também 20% destes dis-
túrbios são causados pelos movimentos de empurrar e puxar cargas 
(KROEMER; GRANDJEAN, 2007).
Os problemas na coluna são responsáveis por taxas significa-
tivas de absenteísmo no trabalho e aposentadorias prematuras. 
Trabalhadores com distúrbios sofrem com a falta de mobilidade e 
vitalidade. Assim, como prevencionista em uma empresa, devemos 
nos perguntar: o manuseio de cargas realizado pelos trabalhadores é 
prejudicial? Para responder a esta pergunta, vamos entender por que 
a coluna sofre com o manuseio inadequado de cargas. Conhecendo 
as causas, poderemos tomar medidas para evitá-las.
187UNIDADE 6
Causas dos 
Problemas de 
Coluna
A dor de coluna é vista como 
uma doença idiopática, ou 
seja, é uma doença em que 
nem sempre é fácil encon-
trar as causas ou estas são 
desconhecidas. Dores na co-
luna geralmente aparecem de 
forma lenta e gradual. Para 
entender como elas apare-
cem devido ao manuseio de 
cargas, vamos entender a es-
trutura de uma coluna ver-
tebral. A Figura 3 mostra um 
esquema de nossa coluna.
Figura 3 - Coluna vertebral em três vistas
Fonte: Striano (2015, p. 9).
Vista posterior Vista lateral Vista anterior
Sacro
Cóccix
5 vértebras
lombares
12 vértebras
torácicas
7 vértebras
cervicais
A figura mostra uma coluna vertebral humana 
que é constituída por 24 ossos, denominados de 
vértebras. Ela pode ser dividida em três partes: 
coluna cervical, torácica e lombar. A coluna possui 
um formato em S esticado, o que proporciona 
uma boa absorção de choques decorrentes de 
movimentos realizados pelo corpo. Quando uma 
carga é suportada pela coluna (seja a carga do 
próprio corpo ou a carga do corpo mais a carga 
de um objeto), ela tende a se distribuir com maior 
intensidade na parte lombar da coluna. 
Entre cada vértebra existe um disco denomi-
nado de disco intervertebral. O que acontece neste 
disco durante o manuseio de cargas, em grande 
parte, explica as dores que ocorrem na coluna. 
Quando a coluna está sob pressão de uma carga, 
as vértebras comprimem os discos intervertebrais. 
Estes são formados por uma parede rígida e fibro-
sa. Ao serem desgastados, estes discos se tornam 
frágeis e quebradiços, podendo liberar o líquido 
de seu interior. O desgaste de discos interverte-
brais pode provocar o deslocamento de vértebras 
e a mobilidade da coluna. Se um movimento é rea-
lizado adequadamente, não haverá um desgaste 
significativo dos discos. Contudo, se inadequado, 
o movimento irá provocar danos nos discos que 
irá gerar a dor na coluna.
Problemas na coluna não são apenas dores. 
Podem ocorrer também paralisias e espasmos 
(contração involuntária dos músculos).
188 Ergonomia II
As dores na coluna ocorrem não 
apenas pelo desgaste dos discos 
intervertebrais, mas também 
pela pressão nos nervos, redu-
ção do espaço entre vértebras e 
distensão de tecidos, músculos e 
ligamentos. Discutiremos, a se-
guir, três das principais causas 
destas ocorrências na coluna.
A posição da coluna du-
rante o manuseio de cargas irá 
influenciar no total de carga im-
posta aos discos intervertebrais 
da coluna. Por exemplo, levan-
tar um peso com as mãos e a co-
luna dobrada para frente pode 
causar picos de carga da ordem 
de 300 N/cm2 (KROEMER; 
GRANDJEAN, 2007). Para ter 
ideia do quanto a pressão sobre 
os discos se altera, veja os dados 
da Figura 4.
Figura 4 - Influência da postura do corpo na carga sobre os discos intervertebrais
Fonte: Kroemer e Grandjean (2007, p. 105).
100
Postura do corpo ao levantar pesos
Ca
rg
a 
so
br
e 
os
 d
is
co
s 
in
ve
rt
eb
ra
is
 (%
)
A B C D
200
300
400
Na posição em pé, podemos observar que a carga sobre os discos é de 100%. Quando um indivíduo 
carrega dois pesos de formasimétrica e com a coluna ereta, a carga sobre os discos aumenta para um 
valor em torno de 140%. Se estes pesos são levantados com os joelhos dobrados e a coluna reta, a carga 
aumenta para cerca de 230%. E na posição com a coluna dobrada para frente, a carga aumenta para 
cerca de 380%. Esse aumento de carga pode ser explicado pela dinâmica das forças que atuam sobre 
os discos, conforme a posição da coluna. Veja a Figura 5.
189UNIDADE 6
Figura 5 - Distribuição de forças sobre discos intervertebrais conforme posição da coluna
Fonte: Kroemer e Grandjean (2007, p. 106).
Observe que quando a coluna está dobrada, as forças se distribuem de forma desigual sobre os discos. 
Uma força maior fica de um lado do disco. Esta força irá comprimir um dos lados do disco causando 
seu desgaste. Quando a coluna está reta durante o manuseio de carga, esta se distribui igualmente so-
bre o disco, evitando grandes forças sobre eles. Não somente levantar cargas gera pressão extra sobre 
os discos. Outras atividades que geram essa pressão são: andar, correr, inclinar o tronco, rotacionar o 
tronco etc.
A distância da carga até o tronco pode aumentar ou diminuir o total de carga que é imprimida 
pelos músculos na coluna vertebral. Isso ocorre devido ao efeito do momento criado pela carga.
Uma mesma carga pode provocar diferentes efeitos na coluna vertebral conforme a distância que 
é segurada em relação ao tronco. Quanto mais distante ela ficar, mais força os músculos espinhais irão 
desenvolver para compensar o peso da carga. Esta força irá gerar uma maior compreensão nos discos 
intervertebrais, causando um maior desgaste neles. Veja o gráfico da Figura 6 que mostra as variações 
de força de compressão entre as vértebras da coluna lombar e sacral.
190 Ergonomia II
Figura 6 - Força de compressão calculada sobre discos intervertebrais
Fonte: Chaffin e Andersson (1984 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007, p. 108).
A figura mostra a variação da força de compressão para quatro distâncias diferentes entre a mão e 
a coluna vertebral. As forças de compressão se referem aos discos intervertebrais entre L5 e S1 para 
diferentes pesos levantados a quatro distâncias diferentes entre a mão e a coluna vertebral. Veja, por 
exemplo, que uma carga de 300 N a uma distância de 20 cm gera uma força de compressão próxima 
de 2500 N. Quando essa distância aumenta para 40 cm, a força de compressão aumenta para cerca de 
5000 N. Portanto, quanto mais próxima do tronco uma carga for levantada, menor será o dano causado 
por ela na coluna. Além da distância entre a carga e a coluna, o fato de se agachar para levantar a carga 
pode aumentar a força de compressão se a carga for volumosa. Levantar cargas assimétricas ou sem 
alças pode gerar aumento nos esforços da coluna.
Uma maneira quantitativa de verificar se um manuseio de carga irá causar danos à coluna é medir 
a pressão intra-abdominal (PIA) durante o manuseio. Esta pressão se refere à pressão existente na 
região do abdômen criada pela contração dos músculos abdominais. Ela pode ser medida por meio 
de uma cápsula que é engolida pelo indivíduo. Esta cápsula é sensível à pressão e possui um rádio para 
transmitir o sinal representando a pressão (KROEMER; GRANDJEAN, 2007). Segundo Davis e Stubbs 
(1977 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007), manuseios de carga que geram valores PIA superiores 
a 100 mgHg podem causar problemas na coluna.
Considerando os fatores de posição da coluna, pressão nos discos intervertebrais e pressão intra-
-abdominal na causa dos problemas de coluna, as medidas a seguir devem ser seguidas para evitá-los.
0 100 200 300 400 500
1.000
2.000
3.000
4.000
5.000
6.000
7.000
8.000
Carga nas mãos (N)
Fo
rç
as
 d
e 
co
m
pr
es
sã
o
ca
lc
ul
ad
as
 p
ar
a 
L5
/S
1 
(N
) Limite máximo
permissível
prejudicial à
maioria segundo
o NIOSH
Limite de ação
prejudicial para
algumas pessoas
50 cm
40 cm
30 cm
20 cm
191UNIDADE 6
Recomendações para Prevenção 
de Problemas na Coluna
Seguir todas as recomendações para o manuseio de cargas não é 
algo simples. Esta atividade é feita, muitas vezes, sem planejamento, 
sendo que muitos manuseios ocorrem de forma ocasional. Trei-
nar trabalhadores, antes de iniciar o trabalho, e fazer treinamentos 
periódicos e acompanhamento, pode contribuir para que as reco-
mendações sejam seguidas.
Em 1981, o National Institute of Occupational Safety and Health 
(NIOSH), dos Estados Unidos, determinou que o peso de uma carga 
de 40 kg era admissível para 75% das mulheres e 99% dos homens, 
desde que sejam considerados os fatores de distância horizontal da 
carga, frequência de levantamento, distância do trajeto percorrido 
com a carga, altura da carga no começo do levantamento e quali-
dade da pega.
Em 1991, o valor de referência foi atualizado para 24 kg. No 
entanto, não existe um “peso seguro” para se carregar. Isso porque 
existem muitas variações entre a capacidade muscular e condição da 
coluna dos indivíduos. Como dito anteriormente, as dores de coluna 
são geradas por doença idiopática, de avanço lento e de causas nem 
sempre identificadas. No entanto, existem algumas recomendações 
para evitar danos na coluna no manuseio de cargas.
As recomendações gerais para o manuseio de cargas são ilus-
tradas pela Figura 7.
192 Ergonomia II
Figura 7 – Recomendações para o manuseio de cargas
Fonte: adaptada de Kroemer e Grandjean (2007).
Manter a altura da pega da carga acima 
dos joelhos 
Preferir o movimento de empurrar ou puxar 
cargas no lugar do movimento de levantar e 
abaixar cargas
Manter coluna reta e joelho dobrado ao 
segurar e levantar cargas
Manter carga o mais próximo possível do 
corpo e, quando possível, entre os joelhos 
e com uma boa posição dos pés 
Amarrar cintas e cordas em cargas que 
não possuem pega satisfatória
Sempre tentar utilizar elemento mecânico 
para o manuseio de cargas 
Não rotacionar o tronco quando levantar 
ou abaixar carga
193UNIDADE 6
Além dessas recomendações, podemos nos basear em tabelas e valores de referência de estudos sobre 
o manuseio de cargas. Por exemplo, veja os dados da Tabela 2.
Tabela 2 - Cargas máximas (N) aceitáveis para levantamento por homens jovens
Distância de pega expressa como uma fração do 
comprimento do braço
Condição ¼ ½ ¾ 4/4
De pé
Levantamento com as duas mãos, frontal 350 250 150 100
Levantamento com uma mão, frontal 300 220 140 100
Levantamento com uma mão, lateral 270 200 130 100
Sentado
Levantamento com as duas mãos, frontal 270 170 120 110
Levantamento com uma mão, frontal 350 220 140 100
Levantamento com uma mão, lateral 330 210 140 90
Fonte: Davis e Stubbs (1977 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007, p. 114).
Os valores da tabela são para movimentos com frequência não maior que uma vez por minuto. Estes 
valores de carga foram calculados considerando uma pressão intra-abdominal inferior a 90 mmHg. 
Observe que, quando a distância entre a pega e o corpo aumenta, a carga deve ser reduzida para não 
prejudicar o indivíduo.
Embora muito dinâmico, o manuseio de cargas pode ser feito de forma segura, respeitando a bio-
mecânica e limites do corpo humano. A utilização da tecnologia para substituir o trabalho humano 
pode contribuir significativamente para reduzir os afastamentos ocupacionais decorrentes das lesões 
produzidas pelo manuseio de cargas.
Vejamos, agora, características do trabalho noturno e como ele pode ser planejado da melhor ma-
neira considerando a fisiologia do corpo.
194 Ergonomia II
195UNIDADE 6
Normalmente, trabalhamos durante o dia. Entre-
tanto, em alguns casos, na indústria e nos traba-
lhos de segurança patrimonial, é necessário tra-
balhar à noite e de madrugada. Você já laborou 
neste período?
O trabalho noturno e em turnos surgiu da 
necessidade da indústria de manter sua produ-
ção constante para atender demandas crescentes. 
Embora proporcione ganhos para as empresas, 
o trabalho noturno faz com que os trabalhado-
res troquem seu sono noturno pelo sono diurno. 
Este não é repousante. De forma geral, podemosafirmar que o trabalho noturno não é adequa-
do devido à falta de sincronização entre o ritmo 
endógeno com o ciclo do trabalho. O ritmo en-
dógeno representa nosso relógio biológico que 
nos indica o horário de dormir, conforme o ciclo 
circadiano.
Trabalho
Noturno
196 Ergonomia II
A dessincronização existente no corpo do traba-
lhador que atua no trabalho noturno provoca di-
versos efeitos. Neste tópico, entenderemos melhor 
esses efeitos e veremos recomendações para esta-
belecer o trabalho noturno, buscando diminuir 
seus efeitos negativos na saúde dos trabalhadores.
O termo Circadiano vem de circa diem (lat: “cerca de um dia”) e designa o período de, aproximada-
mente, um dia (24 horas), onde se verifica uma alternância luz e escuro, e sobre o qual se baseia 
todo o ciclo biológico do corpo humano, fundamentalmente determinado pela luz solar. Para acom-
panhar esta alternância luz e escuro, há necessidade de um “relógio” que marque o tempo de forma 
independente de qualquer alteração ambiental, assim como de “sensores” que percebam a variação 
temporal, os sincronizadores, e de sistemas humorais e neurais que informem todos os componentes 
do sistema do estado de iluminação ambiental. A este relógio endógeno dá-se o nome de relógio 
biológico, o qual permite a antecipação a variações cíclicas do meio ambiente, permitindo que o in-
divíduo se prepare para o sono, para o acordar e para todas as atividades que tem de desenvolver, 
consoante as condições impostas pelo ambiente.
Fonte: adaptado de Acúrcio e Rodrigues (2009).
O trabalho noturno só deve ser realizado se real-
mente for justificável. Se for possível aumentar 
a produção em períodos diurnos, o trabalho no-
turno deve ser evitado.
Efeitos do Trabalho Noturno 
sobre o Corpo Humano
O corpo humano possui controladores de tempo: 
mudanças do ambiente do claro para o escuro; in-
terações sociais que indicam o horário; atividade 
laboral; e conhecimento do relógio. Ao longo do 
dia, esses controladores nos indicam que deve-
mos trabalhar, descansar, nos alimentar ou dormir. 
Além desses, diversas variáveis em nosso corpo 
se alteram ao longo do dia: estado de prontidão, 
temperatura corporal, batimentos cardíacos, nível 
de hormônios, pressão sanguínea, adrenalina, taxa 
de respiração, nível de melatonina etc. O trabalha-
dor noturno vai contra todos estes indicadores e 
força seu corpo para se manter acordado, quando 
deveria estar descansando. Esta alteração de ritmo 
não é possível de se concretizar completamente 
(KROEMER; GRANDJEAN, 2007).
O sono possui grande propriedade recupera-
dora. Nosso sono pode ser dividido em quatro 
estágios e um estágio denominado de REM – Ra-
pid Eye Movement. Nosso sono passa por estes 
estágios mais de uma vez durante uma noite de 
sono. O primeiro estágio, com duração de 1 a 7 
minutos, acontece quando adormecemos. O se-
gundo estágio, representando 50% do tempo total 
do sono, é um estágio de sono leve. Os estágios 3 e 
4, porém, são os mais importantes, pois possuem 
197UNIDADE 6
as propriedades recuperáveis especiais. O estágio 
3 é de sono profundo e o estágio 4 permite um 
sono mais profundo ainda. Também ocorrem os 
estágios REM, em que há movimentos rápidos dos 
olhos e o cérebro impede movimentos do corpo. 
Observe que, para uma noite renovadora de sono, 
é preciso que o corpo passe por todos estes está-
gios. A duração de sono ideal varia de 6 a 8 horas, 
conforme o indivíduo. Ainda, alguns se sentem 
com sono adequado com 5 horas ou 10 horas de 
sono (KROEMER; GRANDJEAN, 2007).
Trabalhadores que trocam o sono noturno 
pelo sono diurno não conseguem passar adequa-
damente pelos estágios do sono e, dessa forma, 
acumulam sono que, geralmente, é descontado 
nos finais de semana (LILLE, 1967 apud KROE-
MER; GRANDJEAN, 2007). Pesquisa mostra 
que durante a semana, os trabalhadores noturnos 
dormem cerca de 6 horas por dia e nos finais de 
semana dormem de 8 a 12 horas. O sono desses 
trabalhadores é menos profundo com mais mo-
vimentação. No entanto, a perturbação do sono 
ocorre mesmo em locais com pouco ruído. 
Trabalhadores do turno noturno observam 
vantagens nesse tipo de trabalho, devido a menos 
perturbações durante o trabalho e um maior valor 
de remuneração. No entanto, cerca de um quarto 
deles irá abandonar esse tipo de trabalho ao longo 
do tempo e cerca de dois terços irão sofrer algum 
grau de problema decorrente da interrupção do re-
lógio biológico (KROEMER; GRANDJEAN, 2007).
Dia Noite
Pertubação dos ritmos circadianos
Sono insu�ciente
Fadiga crônica
Problemas nervosos Problemas digestivos
Dois estudos na Noruega, abrangendo os anos 
de 1948 a 1959, revelaram que o trabalho noturno 
está relacionado a: problemas estomacais, úlce-
ra, problemas intestinais, problemas nervosos e 
problemas cardíacos. Inclusive estes problemas 
se manifestaram também em ex-trabalhadores 
do turno noturno (THIIS-EVENSEN, 1955 apud 
KROEMER; GRANDJEAN, 2007; AANONSEN, 
1964 apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007). 
A Figura 8 explica de forma resumida por que 
ocorrem estes problemas.
Figura 8 – Diagrama ilustrativo dos problemas relacionados 
ao trabalho noturno 
Fonte: Kroemer e Grandjean (2007, p. 208).
198 Ergonomia II
A figura ilustra as causas e sintomas de doenças 
ocupacionais entre trabalhadores de turnos que 
periodicamente trabalham à noite. A troca do dia 
pela noite provoca uma perturbação nos ritmos 
circadianos, o que causa sono insuficiente no 
trabalhador. A falta de sono adequado gera uma 
fadiga crônica que provoca os problemas nervosos 
e digestivos. Ela está relacionada a sintomas psi-
cossomáticos de problemas digestivos, perda de 
apetite e perturbação do sono. Ainda, observa-se 
entre os trabalhadores noturnos alguns casos de 
uso de drogas para dormir e estimulantes para se 
manter acordado. A falta de sono adequado gera 
um cansaço permanente, mesmo após o sono, e 
uma irritabilidade mental.
Dado estes problemas relacionados ao traba-
lho noturno, vejamos algumas recomendações 
para planejá-lo.
Recomendações para o Trabalho Noturno e em Turnos
Quando o trabalho noturno é indispensável, deve ser feito o seu planejamento para que gere menos 
problemas aos trabalhadores. O planejamento envolve definir adequadamente quem irá trabalhar no 
turno noturno e por quanto tempo irá trabalhar. Neste sentido, as recomendações são de criar regras 
para selecionar trabalhadores para atuar no turno noturno e, depois de selecionados, definir a escala 
de turnos com rotações.
Primeiro, algumas regras para o trabalho noturno são (KROEMER; GRANDJEAN, 2007):
1. O trabalho em turno contínuo deve ser 
voluntário. Pessoas que não desejam real-
mente trabalhar no turno noturno não 
devem ser escaladas para tal.
2. Os trabalhadores mais velhos devem pos-
suir preferência de escolha para atuar ou 
não no turno noturno. Essa recomendação 
se baseia do fato dos trabalhadores acima 
de 40 anos serem mais propensos a terem 
problemas de saúde decorrentes da altera-
ção do seu sono. Como referência, pode-se 
limitar os trabalhadores do turno noturno 
dentre aqueles com mais de 25 anos de 
idade e menos de 50 anos, priorizando a 
escolha dos mais jovens.
3. Trabalhadores do turno noturno devem 
ter uma avaliação regular de sua saúde, 
devido à relação entre o trabalho noturno 
e os problemas de ordem digestiva, neu-
rológica e cardíaca.
4. Mulheres devem ser evitadas no traba-
lho noturno, pois existem evidências 
de abortos e menor taxa de gravidez 
dentre aquelas que trabalham nesse 
turno (COSTA, 1996 apud KROEMER; 
GRANDJEAN, 2007).
5. O trabalho noturno não deve ser cons-
tante, ou seja, deve ser feita a rotação de 
turnos em curtos períodos de tempo.
6. Fornecer alimentação quente para os tra-
balhadores do turno noturno, para preve-
nir a ocorrência de problemas digestivos.
199UNIDADE 6
Após selecionar os trabalhadores que irão atuar no período noturno, 
o horário de trabalho deve ser planejado adequadamente, permi-
tindo a rotação de turnos para não sobrecarregar ostrabalhadores 
do turno noturno. Em relação ao horário dos turnos, por exemplo, 
a seguinte combinação de horários de início dos turnos pode ser 
inadequada:
• Primeiro turno: início às 6h e término às 14h.
• Segundo turno: início às 14h e término às 22h.
• Terceiro turno: início às 22h e término às 6h.
Esta combinação de horários faz com que o trabalhador do primeiro 
turno inicie muito cedo seu trabalho, podendo provocar alteração 
no seu sono e também no sono dos trabalhadores do terceiro turno. 
Esta combinação de horários pode ser trocada para:
• Primeiro turno: início às 7h ou 8h e término às 15h ou 16h.
• Segundo turno: início às 15h ou 16h e término às 23h ou 24h.
• Terceiro turno: início às 23h ou 24h e término às 7h ou 8h.
Esta segunda combinação reduz a perturbação no sono dos traba-
lhadores em geral.
Em relação à rotação de turnos, pode-se seguir as rotas metro-
politana ou continental de turnos. O objetivo da rotação de turnos 
é diminuir a perda de sono entre os trabalhadores e permitir o 
maior contato social e familiar dos trabalhadores, pois o trabalho 
noturno priva o trabalhador de fazer, por exemplo, refeições com 
sua família ou desenvolver atividades sociais.
A rota metropolitana de turnos é chamada de rota 2-2-2. Ela 
define a repetição dos turnos: turno diurno (TD), turno da tarde 
(TT) e turno noturno (TN). Os números da rota significam que 
um turno se repete a cada dois dias dentro de um ciclo: TD-TD-
-TT-TT-TN-TN. Assim, por exemplo, a rota metropolitana de um 
trabalhador em quatro semanas ficaria da seguinte forma, conforme 
o Quadro 1.
200 Ergonomia II
Quadro 1 – Exemplo de dias de trabalho na rota metropolitana
Semana Seg Ter Qua Qui Sex Sab Dom
1 TD TD TT TT TN TN Descanso
2 Descanso TD TD TT TT TN TN
3 Descanso Descanso TD TD TT TT TN
4 TN Descanso Descanso TD TD TT TT
Fonte: o autor.
Observe que este tipo de rota permite dois dias de descanso a cada seis dias trabalhados. O trabalhador 
possui momentos de turno diurno, permitindo uma noite de sono mais adequada e momentos com 
sua família e amigos.
Outras combinações de turnos podem ser feitas para gerar momentos de descanso e contato social 
adequados. É importante levar em conta que o turno noturno não deve se repetir continuamente, é 
preciso permitir a variabilidade de turnos para não sobrecarregar os trabalhadores.
Vimos os motivos de se evitar o trabalho noturno e, quando indispensável, este deve ser objeto de 
planejamento. Considerar as necessidades de contato social, familiar e um sono recuperador deve ser 
o objetivo de qualquer planejamento do trabalho noturno.
A jornada de trabalho 12 x 36 é comum em trabalhos de revezamento de turno, como nos serviços 
de vigilância. Ela funciona da seguinte maneira: após trabalhar 12 horas seguidas, o trabalhador 
folga 36 horas ininterruptas. Isso permite a ele um dia e meio de descanso a cada dia trabalhado. 
Por exemplo, um trabalhador que inicia seu turno de trabalho na segunda-feira às 7 horas da manhã 
irá trabalhar até às 19 horas da noite de segunda feira. Em seguida, ele irá descansar por 36 horas, 
retornando ao trabalho na quarta-feira às 7 horas da manhã. Este tipo de jornada, aliado ao horário 
de início de trabalho e rotação de turnos, proporciona bons períodos de descanso.
Na próxima unidade, continuaremos nosso estudo sobre Ergonomia, apresentando dois métodos 
quantitativos para avaliar o levantamento de cargas e a postura. Discutiremos também a Análise Er-
gonômica do Trabalho (AET).
201
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Em relação à norma de higiene ocupacional utilizada na avaliação dos níveis de 
iluminamento de ambientes de trabalho, responda:
a) Qual unidade é utilizada para definir os níveis de iluminamento?
b) Como a geometria do ambiente e a disposição de pontos de iluminação afeta 
na iluminação do local?
c) Quais fatores adicionais devem ser considerados, além do nível de iluminamento 
recomendado, para avaliar as condições de iluminamento de um local?
2. Dois trabalhadores realizam levantamento de carga diariamente ao longo de 
um ano. A carga levantada por eles é a mesma e com as mesmas características 
de pega e dimensão. No entanto, um dos trabalhadores apresenta reclamações 
constantes de dor na coluna enquanto que o outro não apresenta reclamação 
alguma. Considerando as causas de dores da coluna decorrentes do movimen-
to de cargas, formule uma hipótese para explicar essa diferença entre os dois 
trabalhadores.
3. Explique por que o trabalho noturno deve ser evitado.
202
Trabalhador em turno: fadiga
Autor: Marco Túlio de Melo
Editora: Atheneu
Sinopse: Trabalhador em turno - Fadiga tem por maior e principal objetivo di-
vulgar os mais atuais conhecimentos sobre as condições que induzem à fadiga, 
ao erro e ao possível acidente ou incidente para os trabalhadores por turno. 
Apresenta os seguintes capítulos: 1. O trabalhador em turno e noturno na so-
ciedade moderna; 2. A saúde do trabalhador; 3. Trabalho por turno e aspectos 
psicológicos; 4. Análise das escalas de trabalho; 5. O trabalho e as LER/DORT; 6. 
A nutrição no trabalho em turnos; 7. A relação empresa x trabalhador; 8. Fadiga 
humana no trabalho. É de se esperar que a leitura do presente trabalho venha, 
a um só tempo, alertar e contribuir sobre o controle dos riscos na gestão dessas 
condições tão especiais de trabalho com evidentes alterações para a saúde e a 
produtividade do trabalhador.
LIVRO
Dor e glória
Ano: 2019
Sinopse: Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declí-
nio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu 
passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância 
na década de 60, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor 
maduro e sua relação com a escrita e com o cinema.
Comentário: o filme retrata os males do corpo sofridos pelo cineasta, pratica-
mente aposentado, Salvador Mallo: dor de coluna e enxaqueca. Muitos traba-
lhadores chegam próximo de sua aposentadoria com estes males, em muitos 
casos, decorrentes de suas condições de trabalho ou então agravados por estas. 
FILME
Os problemas de saúde causados pelo trabalho noturno
Leia a reportagem que trata dos males causados pelo trabalho noturno.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
203
ACÚRCIO, A. R.; RODRIGUES, L. M. Os Ritmos da Vida: Uma Visão Actualizada da Cronobiologia Aplicada. 
Revista Lusófona de Ciências e Tecnologias da Saúde, Lisboa, n. 2, v. 6, p. 216-234, nov. 2009.
FUNDACENTRO. NHO 11: avaliação dos níveis de iluminamento em ambientes internos de trabalho. São Paulo: 
Fundacentro, 2018. Disponível em: http://www.fundacentro.gov.br/biblioteca/normas-de-higiene-ocupacional/
publicacao/detalhe/2018/8/nho-11-avaliacao-dos-niveis-de-iluminamento-em-ambientes-internos-de-trabalho. 
Acesso em: 28 jan. 2020.
KROEMER, K. H. GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: Adaptando o trabalho ao homem. 5. ed. Porto 
Alegre: Bookman, 2007.
STRIANO, P. Coluna saudável: anatomia saudável. Barueri: Manole, 2015.
REFERÊNCIA ON-LINE
1Em: https://www.lightsource.com.br/controle-de-ofuscamento. Acesso em: 24 fev. 2020.
204
1. 
a) É utilizado o lux.
b) A geometria do ambiente e a distribuição dos pontos de iluminação definem como será calculada a 
iluminância média do local. É possível definir 6 tipos de configurações diferentes.
c) Além da medição do lux, é preciso verificar: iluminação adequada da sinalização de segurança do local, 
bem como de pontos em que há riscos ou perigos significativos; idade dos trabalhadores e dificuldades 
para enxergar, complementando a iluminação se necessário; verificar se existem pontos com sombra so-
bre a superfície de trabalho; verificar a ocorrência de efeitos indesejados de pontos de iluminação: portas, 
janelas, ofuscamento causado pela lâmpada etc.
2. Basicamente dois fatores contribuem para a ocorrência ou não de dores nas costas decorrentes do manuseio 
de cargas: posição da coluna durante omanuseio e distância da carga até a coluna. Portanto, uma hipótese 
seria que o trabalhador com mais dores realiza um movimento com a coluna mais dobrada, enquanto que 
o outro trabalhador, sem dores, realiza o movimento com a coluna ereta. Ainda, o trabalhador sem dor, 
procura aproximar mais a carga de sua coluna, diminuindo o momento criado pela carga, forçando menos 
os músculos da coluna e criando uma pressão menor sobre os discos intervertebrais. Além desses dois 
fatores, é preciso considerar a diferença individual entre os dois trabalhadores, em relação à sua estrutura 
óssea, muscular, fisiológica etc.
3. O trabalho noturno vai contra o ritmo endógeno do corpo. Os estudos mostram que o ser humano neces-
sariamente precisa dormir no período noturno para ter um sono reparador. O trabalho noturno perturba 
os ritmos circadianos, o que causa um sono insuficiente. A falta de sono adequado provoca uma fadiga 
crônica nos trabalhadores, o que irá causar problemas nervosos e digestivos. Além desses problemas 
biológicos, há um corte dos contatos sociais e familiares.
205
206
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Entender a elaboração de uma AET.
• Aplicar o método NIOSH para avaliação do levantamento 
de cargas.
• Apresentar o método RULA para avaliação de posturas.
Análise Ergonômica do 
Trabalho (AET)
Método NIOSH
Método RULA
Me. Maílson José da Silva
Ergonomia III
208 Ergonomia III
Olá, aluno(a)! Já ouviu falar que um trabalho 
que é realizado com movimentos repetitivos, 
por exemplo, o de costurar uma roupa ou o de 
apertar parafusos ao longo do dia, pode ser preju-
dicial para a saúde do corpo? Talvez você já tenha 
visto alguma cena do filme “Tempos Modernos”, 
de Charlie Chaplin, em que ele protagoniza um 
operário em uma fábrica que precisa fazer mo-
vimentos repetitivos sobre peças que passam em 
uma esteira à sua frente. É fácil perceber que este 
tipo de movimento, ao longo do tempo, irá causar 
problemas de saúde para quem os realiza. Mais 
especificamente, estes problemas são represen-
tados por Lesões por Esforços Repetitivos (LER) 
e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao 
Trabalho (DORT). Neste tópico, trataremos da 
análise ergonômica cujo um dos objetivos é evitar 
estes tipos de problema. Vamos estudar a Análise 
Ergonômica do Trabalho (AET).
Análise Ergonômica 
do Trabalho (AET)
210 Ergonomia III
Uma AET busca identificar situações no trabalho que levam a essas doenças para, então, evitá-las. 
No entanto, nem sempre é preciso realizar uma AET para fazer correções ergonômicas. Por exemplo, 
trabalhar em pé constantemente representa uma situação ruim que pode ser identificada sem uma 
AET. Uma solução é alterar o espaço físico e mobiliário de tal modo a permitir que o trabalho seja 
realizado em pé e sentado.
A AET é exigida pela Norma Regulamentadora. NR-17 – Ergonomia – que traz esta obrigatoriedade:
17.1.2. Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos tra-
balhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, 
no mínimo, as condições de trabalho conforme estabelecido nesta NR (BRASIL, 1978, on-line).
Além de ser usada para melhorar as condições de trabalho, a AET pode ser exigida por um auditor 
fiscal de trabalho quando são identificados casos de doenças. A realização da AET é motivada pelas 
seguintes situações (PEDROZA; SILVA, 2019):
• Constatação de um número elevado de doenças ou acidentes.
• Reclamações do sindicato dos trabalhadores.
• Notificação de auditores-fiscais do trabalho.
• Necessidade de melhorar a qualidade do produto ou serviço oferecido pela empresa.
• Necessidade de aumentar a produtividade.
Uma AET é utilizada para resolver um problema ergonômico. Por meio dela, é possível compreender 
uma situação complexa relacionada a um problema ergonômico, decompondo-a em partes menores. Por 
exemplo, o aparecimento de casos de LER/DORT na empresa pode ser uma situação complexa que pode 
ser estudada por meio da AET. Por meio dela, identifica-se, primeiramente, os setores em que surgiram 
os casos de LER/DORT. Em seguida, é feita uma análise destes setores, entendendo as atividades que 
são desenvolvidas neles. Sabendo-se quais são as possíveis atividades relacionadas aos casos de doenças, 
cada uma delas é estudada separadamente por meio do estudo de seus elementos. Assim, a AET parte 
de uma análise macro, com informações gerais, para uma análise micro, com informações específicas.
Segundo o Decreto 3.048/99 (BRASIL, 1999), as LER/DORT representam um conjunto de doenças 
decorrentes de movimentos corporais repetitivos que são realizados nas mais diversas atividades 
laborais. Estas doenças se manifestam em diferentes estágios, chegando a causar invalidez nos tra-
balhadores. Elas se classificam como Grupo VIII, da Classificação Internacional de Doenças CID-10. 
Alguns dos fatores que levam a essas doenças são: pagamento de prêmios de produção, ausência 
de pausas durante o trabalho, prática constante de horas extras, dupla jornada etc. 
Fonte: adaptado de MTE (2002).
211UNIDADE 7
Não existe um modelo completo de AET para todas as situações. Ao elaborá-la, devemos considerar 
que o objetivo final da AET é resolver um problema que foi identificado. Ela deve atender aos seguintes 
requisitos (PEDROZA; SILVA, 2019):
• Mostrar, em seu relatório, de forma bem clara, o problema que foi identificado e que é objeto 
da análise.
• Descrever os métodos e técnicas empregados para abordar o problema.
• Apresentar os resultados da aplicação dos métodos e técnicas.
• Apresentar as proposições de mudança.
Para resolver um problema ergonômico, é preciso buscar quais são as causas raízes deste problema. 
Por exemplo, um problema de reclamação de ruído por parte dos trabalhadores pode ter como causa 
raiz a forma de arranjo de horários de trabalho em turno e não as fontes de ruído. Ou, o aparecimento 
de DORT pode ter como causa raiz não a atividade em si que sempre é desenvolvida e sim uma inten-
sificação do trabalho devido à necessidade de se realizar retrabalho de defeitos que se originaram em 
outro setor da cadeia produtiva.
A seguir, apresentamos alguns itens de uma AET com base nas recomendações do Manual de 
aplicação da NR-17 do Ministério do Trabalho (MTE, 2002).
Conteúdo da AET
A análise ergonômica do trabalho deve abordar diversos aspectos de um problema ergonômico. Para 
guiar nosso trabalho, utilizamos o Manual de aplicação da NR-17 do Ministério do Trabalho. Ele nos 
indica os principais elementos que compõem uma AET.
212 Ergonomia III
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ANÁLISE DA DEMANDA E DO CONTEXTO
Inicialmente, é feita a descrição do(s) fato(s) que demandaram a realização da AET. 
Podem ser consideradas as reclamações que foram registradas, se houve notificação 
do Ministério do Trabalho ou se o sindicato da categoria exigiu a elaboração da AET. 
Ainda, é feita uma análise da gravidade do problema e identificados os casos de 
doenças. Também, nesta análise inicial, é considerado dentro de qual prazo a AET 
deve estar pronta.
ANÁLISE GLOBAL DA EMPRESA E DE SEU MERCADO DE ATUAÇÃO
Cada AET deve ser feita de acordo com o porte e representatividade da empresa. 
É preciso avaliar, então, quantos funcionários ela possui, seu faturamento, seus planos 
de expansão e qual tecnologia ela emprega. A AET irá apresentar uma proposta de 
solução. Esta deve estar alinhada com a realidade da empresa. É fácil observar que 
uma solução muito cara e tecnológica não é aplicável a uma pequena empresa. 
É preciso também considerar como outras empresas do mesmo setor lidam com o 
mesmo problema identificado, entendendo quais são as soluções possíveis.
DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO
Este item da AET analisa como a produção da empresa é organizada. São levantados 
o layout do setor produtivo, as metas de produção, equipamentos utilizados, índices 
de produtividade, taxa de ocupação de máquinas, termos utilizados nas operaçõesprodutivas, gestão da qualidade, gestão de estoques, horários de trabalho, política de 
remuneração, como é feita a atribuição de tarefas, o nível de terceirização, o 
organograma da empresa etc.
DESCRIÇÃO DE ASPECTOS LEGAIS APLICADOS NA EMPRESA
Na AET, é importante considerar as legislações que a empresa deve cumprir nas mais 
diferentes áreas: ambiental, sanitária, de propriedade industrial etc.
ANÁLISE DA POPULAÇÃO DE TRABALHADORES
Neste item, é feito um levantamento das características dos trabalhadores para que 
as adequações possam atendê-los. Deve ser conhecida a faixa etária dos 
trabalhadores, o tempo de serviço na empresa, os pré-requisitos para contratação, 
nível de escolaridade, nível de capacitação, as características antropométricas etc.
DEFINIÇÃO DAS SITUAÇÕES DE TRABALHO A SEREM ESTUDADAS
Depois do levantamento dos dados gerais da empresa, é feito o estudo das 
atividades que possivelmente geraram o problema, descrevendo suas características. 
São feitas hipóteses iniciais para explicar a ocorrência do problema ergonômico. 
213UNIDADE 7
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ANÁLISE DAS TAREFAS PRESCRITAS E REAIS
A AET precisa analisar as diferenças entre a atividade prescrita e a atividade 
real. Por exemplo, uma atividade prescrita seria a de se produzir 100 unidades 
de um item X durante um dia de trabalho. No entanto, na realidade, o 
trabalhador pode produzir menos que o prescrito. 
A tarefa real que o trabalhador irá realizar demandará um conjunto de ações: 
comunicar-se, ler, controlar a máquina, pegar materiais, realizar medições, 
analisar quantidades etc. Observe que a atividade real não se resume apenas 
em “produzir 100 unidades do item X”. Ainda, a falta de produção pode 
decorrer de problemas nas ferramentas utilizadas, paradas constantes de 
máquinas, quebra de equipamentos, falta de matéria-prima etc. 
O trabalhador, na atividade real, tenta compensar a diferença na produção 
sobrecarregando seu ritmo de trabalho, o que pode causar as lesões pelo 
ritmo acelerado. Estes fatos da atividade real indicam que ela não está 
adequada e precisa ser melhorada. 
Na descrição da atividade, procure levantar os seguintes dados: dados 
referentes ao homem – formação e qualificação, quantidade de pessoas na 
função, forma de divisão do trabalho, divisão de turnos, características 
antropométricas etc.; dados referentes às máquinas – dimensões, 
movimentos realizados para operá-las, posturas durante o seu uso, decisões 
tomadas durante o uso etc.; dados referentes ao ambiente – dimensões do 
espaço, ruídos, temperatura, iluminação, vibração, presença de substâncias 
tóxicas etc.
EXIGÊNCIAS
Para aprofundar a análise das tarefas, é feita uma análise das exigências. 
Alguns exemplos são: necessidade de deslocamentos a pé, de transporte de 
cargas, de utilização de escadas, de se assumir posturas inadequadas, de 
utilizar sinais com frequência etc. É preciso analisar se existem estas 
exigências e qual sua frequência e duração.
ANÁLISE DO USO DOS SENTIDOS
O ambiente de trabalho pode influenciar na percepção dos sinais pelos 
trabalhadores. Por exemplo, o ambiente pode influenciar no campo de visão 
dos trabalhadores, na rapidez de percepção de sinais visuais, na sensibilidade 
a diferentes sons etc.
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214 Ergonomia III
Conforme vimos, uma AET é usada para resolver um problema ergonômico e na sua elaboração devem 
ser considerados diversos elementos que ajudarão a construir uma proposta de adequação ergonô-
mica. Nos próximos tópicos, apresentaremos duas ferramentas da ergonomia que são utilizadas para 
analisar movimentos de levantamento de cargas e analisar posturas: método NIOSH e método RULA.
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REALIZAÇÃO DE UM PRÉ-DIAGNÓSTICO
Por meio dos dados coletados nos itens anteriores, é possível elaborar um 
pré-diagnóstico com hipóteses sobre o que está causando o problema 
ergonômico. Por exemplo, em uma fábrica de confecção, o problema de 
aparecimento de distúrbios osteomusculares pode ter como hipótese o 
movimento repetitivo das mãos para posicionar as peças de roupa sob a agulha. 
Esta hipótese pode ser posteriormente avaliada em detalhes, por meio de uma 
filmagem da atividade e contagem do número de vezes que o trabalhador 
repete aquele movimento. Esta filmagem também indicará outras 
inadequações, como inexistência de pausas, ritmo acelerado de trabalho, 
quebra de linha de costura etc.
REALIZAÇÃO DE UM DIAGNÓSTICO
Após analisar as hipóteses do pré-diagnóstico, é feito um diagnóstico 
conclusivo sobre a causa do problema. Por exemplo, na indústria de confecção, 
a conclusão para a ocorrência de DORT é que ela é causada pelo movimento 
repetitivo da mão direita do trabalhador, que precisa posicionar o tecido a ser 
costurado repetidamente sob a agulha da máquina de costura. Esta repetição 
de movimento é causada pelo movimento do tecido que é puxado para os 
lados devido à ação da gravidade e à falta de suporte adequado.
VALIDAÇÃO DO DIAGNÓSTICO
Uma vez formulado o diagnóstico, este deve ser revisado por todos os 
envolvidos no processo que poderão confirmar ou rejeitar o diagnóstico. Estes 
envolvidos devem possuir conhecimento necessário para saber se o diagnóstico 
reflete a realidade e é válido. Eles poderão participar ativamente das alterações 
que serão propostas.
PROJETO DAS ALTERAÇÕES DO TRABALHO
Após aprovado pelos envolvidos, o diagnóstico deve ser usado para encontrar a 
solução do problema. Deve ser feita uma proposta para a adaptação do 
trabalho ao homem. Juntamente à proposta deve ser feito um cronograma de 
implementação, envolvendo, por exemplo, a construção de protótipos do novo 
posto de trabalho. A implantação da solução deve ser acompanhada e sua 
eficácia avaliada. Pode ser necessário realizar treinamento para compreender a 
nova forma de trabalho ou os novos postos de trabalho criados pelo projeto de 
adequação ergonômica.
215UNIDADE 7
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
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216 Ergonomia III
Neste tópico, proponho a você, caro(a) aluno(a), 
que se questione: qual o peso ideal a ser levanta-
do por um trabalhador? Você deve se lembrar da 
nossa resposta dada na unidade anterior sobre 
manuseio de cargas. Argumento que o peso ideal 
varia de pessoa para pessoa e a forma que a carga 
é manuseada irá influenciar no efeito final sobre 
a coluna. Talvez se lembre que comentamos do 
estudo da NIOSH, de 1981 e do estudo atualizado 
de 1991 que visou determinar a carga ideal de 
levantamento. Neste tópico, explicarei como este 
estudo é usado para avaliar se um levantamento 
de carga está adequado ou não. Utilizaremos ta-
belas e equações.
A ferramenta NIOSH para análise de levanta-
mento manual de cargas visa verificar se a carga 
levantada irá causar alguma lesão no trabalhador. 
É feito um cálculo utilizando as variáveis do le-
vantamento. Calcula-se um valor denominado 
de Limite de Peso Recomendado (LPR) que 
é comparado com o valor da carga que está sen-
do levantada. Esta comparação fornece o Índice 
de Levantamento (IL). O IL indica se há uma 
chance de o levantamento ocasionar uma lesão 
no trabalhador.
Método Niosh
217UNIDADE 7
O LPR é dado pela seguinte equação:
Em que:
FDH: fator de distância horizontal em relação à carga. É dado por: 
FDH = 25/distância horizontal da carga em relação ao indivíduo (2)
FAV: fator de altura vertical em relação ao solo. É dado por: 
1 - [0,003x(│V-75│)] (3)
FDVP: fator de deslocamento vertical da carga. É dado por: 
(0,82 + 4,5/distância total percorrida) (4).
Obs: se distância total percorrida for menor ou igual a 25cm, assume-se que FDVP=1.
FFL: fator frequência de levantamento. É dado por um valor tabelado, que é encontrado por meio do 
cruzamento dos dados: levantamentos por minuto, duração da manutenção contínua e altura vertical.
FRLT: fator de rotação lateral do tronco. É dado por: 
1-(0,0032 x ângulo de rotação) (5).
FQPC: fator de qualidade da pega de carga. É dado por meio de uma tabela que relaciona o tipo depega (boa, razoável, pobre) com a altura vertical em relação ao solo.
Veja que os fatores de distância horizontal e vertical da carga, distância vertical percorrida da carga 
de um ponto para outro, rotação do tronco e qualidade da pega possuem grande influência no cálculo 
do limite de peso recomendado. Veja na equação que temos o valor de “23” que é o valor de referência 
de carga de 23 kg. O LPR aumenta à medida que as condições de levantamento melhoram e ele diminui 
à medida que as condições pioram. Ou seja, se o levantamento é feito em boas condições, a equação 
permite um peso maior para ser levantado.
Após calcular o LPR é preciso fazer sua comparação com o peso levantado, em quilogramas. Essa 
comparação permite fazer o cálculo do Índice de Levantamento (IL) dado pela equação:
LPR = 23 x FDH x FAV x FDVP x FFL x FRLT x FQPC (1)
IL = Peso levantado (em kg) / LPR (6)
218 Ergonomia III
O valor de IL pode ser inferior ou superior a 1. Quando IL < 1 sig-
nifica que o levantamento não oferece risco à saúde do trabalhador; 
quando 1≤IL≤2 significa que há um indício de aumento no risco 
de lesões; e para IL > 2 o risco do trabalhador sofrer uma lesão 
na coluna ou em seu sistema músculo-ligamentar é considerável 
(PINHEIRO et al., 2013). 
Vejamos agora a aplicação das equações com um exemplo. Ele 
é baseado no estudo de caso proposto por Pinheiro et al. (2013).
Este estudo avalia o levantamento de peças pré-moldadas utilizadas 
na construção civil. A figura 1 mostra como o levantamento é feito.
Figura 1 - Levantamento de peças pré-moldadas
Fonte: Pinheiro et al. (2013, p. 4).
Avaliando o caso em questão, 
foram obtidos os seguintes da-
dos do levantamento:
• Distância horizontal em 
relação à carga: 56 cm. As-
sim, o FDH =
• 25/56 = 0,45 (aproximada-
mente).
• Altura vertical em relação 
ao solo: 50 cm. Assim, o 
FAV = 1 - (0,003 x
• (│50-75│)) = 0,925
• Deslocamento vertical 
da carga: 66,5 cm. Assim, 
FDVP = (0,82 +
• 4,5/66,5) = 0,89 (aproxi-
madamente).
• Frequência de levanta-
mento: 1,3 vezes/minuto. 
O levantamento é reali-
zado durante 8 horas por 
dia. Consultando a tabela 
1, temos que FFL = 0,75.
219UNIDADE 7
Tabela 1 - Fatores de frequência de levantamento
Frequência de Levantamento (FFL)
Frequência
Duração da manutenção
<=8 horas <=2 horas <=1 hora 
Levantamen-
to(s) por minuto V < 75 cm V >=75 cm V < 75 cm V>=75 cm V <75 cm V>=75 cm
0,2 0,85 0,85 0,95 0,95 1,00 1,00
0,5 0,81 0,81 0,92 0,92 0,97 0,97
1 0,75 0,75 0,88 0,88 0,94 0,94
2 0,65 0,65 0,84 0,84 0,91 0,91
3 0,55 0,55 0,79 0,79 0,88 0,88
4 0,45 0,45 0,72 0,72 0,81 0,81
5 0,35 0,35 0,60 0,60 0,80 0,80
6 0,27 0,27 0,50 0,50 0,75 0,75
7 0,22 0,22 0,42 0,42 0,70 0,70
8 0,18 0,18 0,35 0,35 0,60 0,60
9 0,00 0,15 0,30 0,30 0,52 0,52
10 0,00 0,13 0,26 0,26 0,45 0,45
11 0,00 0,00 0,00 0,23 0,41 0,41
12 0,00 0,00 0,00 0,21 0,37 0,37
13 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,34
14 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,31
15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,28
>15 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
Fonte: Wicnewski ([2020], p. 8, on-line)1.
• Rotação lateral do tronco: 45°. Assim, o FRLT = 1-(0,0032 x 45) = 0,86 (aproximadamente).
• Qualidade da pega: as peças não possuem alça e não são uma caixa com dimensões definidas. 
Assim, a qualidade da pega foi considerada razoável. Consultando a Tabela 2, o FQPC = 0,95.
Tabela 2 - Fatores de qualidade de pega
Fator Qualidade da Pega da Carga (FQPC)
Pega Vc < 75cm Vc > 75cm
Boa 1,00 1,00
Razoável 0,95 1,00
Pobre 0,90 0,90
Fonte: Wicnewski ([2020], p. 8, on-line)1.
220 Ergonomia III
Com esses valores, o índice LPR ficou igual a:
LPR = 23 x 0,45 x 0.925 x 0,89 x 0,75 x 0,86 x 0,95 = 5,22 kg
A carga real da peça levantada pelo trabalhador é de 42 kg. Assim, 
o IL foi de:
IL = 42 / 5,22 ≈ 8,04
Como o valor de IL é maior que 2, concluímos que há um risco 
acentuado de lesões na coluna ou no sistema músculo-ligamentar 
do trabalhador. Isso nos indica que são necessárias modificações 
nas condições de trabalho. Algumas recomendações são:
• Atribuir a atividade de levantamento das peças para ser rea-
lizada por dois trabalhadores e não por apenas um. 
• Utilizar um equipamento para movimentação.
Em resumo, o método NIOSH permite avaliar quantitativamente 
se a carga levantada manualmente está adequada e comparar seu 
valor com um valor de referência para indicar o risco de ocorrerem 
lesões. Por meio deste método, recomendações podem ser feitas a 
fim de diminuir o índice de levantamento e diminuir o risco de le-
sões na coluna e no sistema músculo-ligamentar dos trabalhadores.
No próximo tópico, estudaremos outro método quantitativo para 
avaliar as posturas adotadas em postos de trabalho.
221UNIDADE 7
Vamos lá, aluno(a), recordar o 
que já estudamos: existem po-
sições de trabalho que oferecem 
riscos à saúde dos trabalhadores, 
como o trabalho estático em pé. 
No entanto, diversas posições 
podem ser adotadas durante o 
trabalho, principalmente com 
os braços, mãos e tronco. Será 
que é possível fazer uma ava-
liação mais objetiva dessas po-
sições de trabalho? O Método 
RULA (Avaliação Rápida dos 
Membros Superior, em uma tra-
dução livre) propõe fazer essa 
avaliação. Por meio dele, a pos-
tura de trabalho é avaliada, bem 
como a contração muscular, ní-
vel de repetição, força exercida e 
alcance em uma atividade.
Método Rula
222 Ergonomia III
Figura 2 - Posição em pé segurando um celular
Vamos explicar a aplicação do RULA em três 
partes, analisando figuras de posições do corpo. 
Para cada posição, será atribuída uma nota. Estas 
serão somadas e, por meio de dados tabelados, 
será determinada a ação que deverá ser tomada 
em relação à posição. 
Parte 1 - Análise dos Braços, 
Antebraços e Punho
Qualifique a posição do braço, 
conforme a Figura 3
Observando a posição de referência, vemos que 
o braço direito do homem fica levemente flexio-
nado, em uma região de 20°. Portanto, iremos 
atribuir o valor de 1 para esta posição. O braço 
não está abduzido ou apoiado e o ombro não está 
sobre-elevado, não necessitando de acrescentar 
nota conforme sugerido pela figura.
É conveniente fazer um registro fotográfico das 
posições assumidas durante um trabalho para 
aplicar o método RULA. Sua realização depende 
da capacidade de o avaliador comparar a posição 
assumida com as posições tabeladas.
O RULA foi proposto em 1993 por Lynn McAtamneu e Nivel Corlett, na Universidade de Not-
tingham, Inglaterra (CAMPUSESINE, [2020]). Esta ferramenta avalia se são necessárias mudanças 
em uma postura de trabalho. Explicaremos sua aplicação com um exemplo de posição muito típico 
nos dias de hoje: ficar em pé segurando um celular com a mão direita. A Figura 2 ilustra esta posição 
e será usada como referência para nossa análise.
223UNIDADE 7
Qualifique a posição do antebraço conforme a Figura 4
Podemos observar pela figura do homem segurando o celular que seu antebraço faz uma flexão acima 
de 100°. Para esta posição, conforme a figura, a nota a ser atribuída é de 2. Observamos que o ante-
braço não cruza o plano sagital do tronco ou realiza operações exteriores ao tronco, não necessitando 
adicionar mais um ponto à nota conforme sugerido pela figura.
Figura 4 - Qualificação da posição do antebraço
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
Qualifique a posição do punho conforme a Figura 5
Ao segurar o celular, o punho do homem fica levemente flexionado, dentro da região de 15°. Assim, 
devemos atribuir a nota de 2. Além disso, o punho não fica flexionado para as laterais.
60° – 100°
Extensão/Flexão [+1] Extensão [+2]
+1 se o Antebraço cruzar o plano sagital do tronco ou realizar operações exteriores ao tronco
Flexão [+2] Flexão [+3]
0° – 60° 100°+
Figura 3 - Qualificação da posição do braço
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
20° 20° 20°+ 20° – 45° 45° – 90° 90°+
Extensão/Flexão Extensão [+2]
+1 Abdução / +1 Ombro sobre-elevado / –1 Braço Apoiado
Flexão [+2] Flexão [+3] Flexão [+4]
224 Ergonomia III
Figura 5 - Qualificação da posição do punho
Fonte: adaptada de MacAtmneyet al. (1993 apud CAPELETTI, 2013, p. 20). 
Qualifique a rotação do punho conforme a Figura 6
O homem ao segurar o celular com a mão direita faz uma leve rotação do punho. Portanto, atribuímos 
o valor de 1.
0° +15° a -15° >+15° ou <-15° Corrigir Pontuação
Acrescentar 1, se:1 2 3
Figura 6 - Qualificação da rotação do punho
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
O homem, ao segurar o celular com a mão direita, faz uma leve rotação do punho. Portanto, atribuímos 
o valor de 1.
Encontre a nota da parte 1 utilizando os dados da Tabela 3
Com os valores de nota do braço, antebraço, posição do punho e rotação, é atribuída uma nota con-
forme a Tabela 3. Para encontrar a nota da parte 1, utilizamos a tabela a seguir:
Rotação média [+1] Rotação extrema [+2]
+1 se o pulso está dobrado em relação ao eixo
0°
225UNIDADE 7
Tabela 3 - Tabela para atribuir nota final conforme posição do braço, antebraço e punho
Braço Antebraço
Posição do punho
1 2 3 4
Rotação Rotação Rotação Rotação
1 2 1 2 1 2 1 2
1
1 1 2 2 2 2 3 3 3
2 2 2 2 2 3 3 3 3
3 2 3 3 3 3 3 4 4
2
1 2 3 3 3 3 4 4 4
2 3 3 3 3 3 4 4 4
3 3 4 4 4 4 4 5 5
3
1 3 3 4 4 4 4 5 5
2 3 4 4 4 4 4 5 5
3 4 4 4 4 4 5 5 5
4
1 4 4 4 4 4 5 5 5
2 4 4 4 4 4 5 5 5
3 4 4 4 4 5 5 6 6
5
1 5 5 5 6 6 6 6 7
2 5 6 6 6 6 7 7 7
3 6 6 6 7 7 7 7 8
6
1 7 7 7 7 7 8 8 9
2 8 8 8 8 8 9 9 9
3 9 9 9 9 9 9 9 9
Fonte: adaptada de Campusesine ([2020], on-line).
Os valores que tinham sido anotados foram:
Cruzando estes valores na tabela, obtemos o valor de 2. Após obter este valor, para calcular a pontuação 
final do grupo de membros “braço, antebraço e punho”, é preciso analisar se a postura é, principalmente, 
estática (significa que é mantida por mais que 10 minutos) ou se é repetitiva (se é realizada 4 vezes ou 
mais por minuto). Caso sim, é preciso acrescentar 1 ponto à nota anterior. Para o nosso caso, pode ser 
considerado que o homem irá utilizar o celular naquela posição por mais de 10 minutos e, portanto, 
devemos somar 1 ponto à nota, resultando em 3.
Braços = 1; antebraços = 2; punho = 2; rotação do punho = 1
226 Ergonomia III
Também, deve ser considerado o peso da carga:
• Menos de 2 kg (intermitente) = somar 0.
• De 2 a 10 kg (intermitente) = somar 1 ponto.
• De 2 a 10 kg (estática ou repetida) = somar 2 pontos.
• Mais que 10 kg (ou repetida ou de impacto) = somar 3 pontos.
Como o celular possui carga inferior a 2 kg não é necessário acrescentar pontos e, portanto, a nota 
final da parte 1 é de 3 pontos.
Parte 2 - Análise do Pescoço, Tronco e Pernas
Qualifique a posição do pescoço conforme dados da Figura 7
Figura 7 - Qualificação da posição do pescoço
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
O homem, ao utilizar o celular, flexiona seu pescoço entre um ângulo de 10° a 20°. Assim, atribuímos a 
esta posição a nota de 2 pontos. Ele não flexiona seu pescoço lateralmente de forma extrema e nem o 
rotacional de forma extrema (caso houvesse essas posições, seria preciso acrescentar pontos conforme 
indicado pela figura).
+1 +2 +3 +4
+1 Flexão lateral extrema +1 Rotação extrema
0° – 10°
Pescoço está
inclinado para lateral
Pescoço está
torcendo
0° – 20° 20°+
Na extensão
227UNIDADE 7
Qualifique a posição do tronco conforme Figura 8
Figura 8 - Qualificação da posição do tronco
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
Observamos que o homem segura o celular com seu tronco praticamente ereto. Assim, não há flexão 
de tronco e então atribuímos o valor de 1 ponto para esta posição. Também, não observamos flexão 
lateral extrema ou rotação extrema do tronco, não sendo necessário acrescentar mais pontos à nota.
Qualifique a posição das pernas conforme Figura 9
0° 0°
20°
20° – 60°
Tronco está
inclinado
na lateral
Tronco está
torcendo
60°+
+1 +2 +3 +4
+1 Rotação extrema+1 Flexão lateral extrema
Figura 9 - Qualificação da posição das pernas
Fonte: Campusesine ([2020], on-line).
Podemos observar que o homem, ao segurar seu celular, fica um pouco mais apoiado em sua perna 
direita. Portanto, atribuímos a nota de 2 pontos conforme indicado na figura.
+ 1 Em pé com o 
peso distribuído em 
ambas as pernas e 
com espaço para 
modificar posição
+ 2 Pernas e pés 
mal apoiados e peso 
mal distribuído, 
em posição sentado 
ou em pé
+ 1 Sentado com pés bem apoiados e o peso bem distribuído
228 Ergonomia III
Encontre a nota da parte 2 utilizando os dados da Tabela 4
A nota da parte 2 é dada pelo cruzamento das notas do pescoço, tronco e pernas por meio da Tabela 4.
Tabela 4 - Valores da parte 2
Pescoço
Tronco
1 2 3 4 5 6
Pernas Pernas Pernas Pernas Pernas Pernas
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
1 1 3 2 3 3 4 5 5 6 6 7 7
2 1 3 2 3 4 5 5 5 6 7 7 7
3 3 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 7
4 5 5 5 6 6 7 7 7 7 7 8 8
5 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8 8 8
6 8 8 8 8 8 8 8 9 9 9 9 9
Fonte: adaptada de Campusesine ([2020], on-line).
Cruzando os valores atribuídos para a posição do pescoço, tronco e pernas, obtém-se na tabela a nota 
de 3 pontos.
Calcule a pontuação final do grupo “pescoço, tronco e pernas”
Para obter a nota final da parte 2, é preciso analisar se a postura é principalmente estática (mantida por 
mais que 10 minutos) ou repetitiva (realizada 4 vezes ou mais por minuto). Caso uma dessas situações 
ocorra, deve ser acrescentado 1 ponto à nota anterior. Para o nosso exemplo, o homem usa o celular 
continuamente por mais de 10 minutos. Portanto, somamos 1 ponto à nota anterior, obtendo o valor 
final de 4 pontos.
Também, devemos considerar o peso da carga:
• Menos de 2 kg (intermitente) = somar 0.
• De 2 a 10 kg (intermitente) = somar 1 ponto.
• De 2 a 10 kg (estática ou repetida) = somar 2 pontos.
• Mais que 10 kg (ou repetida ou de impacto) = somar 3 pontos.
Como o celular tem uma carga inferior a 2 kg, a nota de 4 pontos não se altera.
229UNIDADE 7
Parte 3 - Determinação da Ação a Ser Tomada
Utilizando os valores obtidos nas partes 1 e 2, é determinada a ação que deverá ser tomada. Isso é feito 
primeiramente, cruzando os valores das partes 1 e 2 na Tabela 5.
Tabela 5 - Valores da pontuação final
Pontuação de braço, 
antebraço e punho
Pontuação de pescoço, tronco e pernas
1 2 3 4 5 6 7+
1 1 2 3 3 4 5 5
2 2 2 3 4 4 5 5
3 3 3 3 4 4 5 6
4 3 3 3 4 5 6 6
5 4 4 4 5 6 7 7
6 4 4 5 6 6 7 7
7 5 5 6 6 7 7 7
8+ 5 5 6 7 7 7 7
Fonte: adaptada de Campusesine ([2020], on-line).
O cruzamento dos valores fornece o valor final de 4 pontos. Este valor é comparado nos níveis de ação 
dados pela Tabela 6.
Tabela 6 - Interpretação do valor final da ferramenta RULA
Níveis de ação
Nível 1 Pontuação de 1 - 2
Postura aceitável se não for 
repetida ou mantida durante 
longos períodos
Nível 2 Pontuação de 3 - 4
Investigar; possibilidade de 
requerer mudanças; é conve-
niente introduzir alterações
Nível 3 Pontuação de 5 - 6 Investigar; realizar mudanças rapidamente.
Nível 4 Pontuação de 7+ Mudanças imediatas
Fonte: adaptada de Campusesine ([2020], on-line).
O valor de 4 pontos está dentro do nível 2 que significa “investigar; possibilidade de requerer mudanças; 
é conveniente introduzir alterações”. Portanto, podemos concluir que a posição de segurar o celular 
com a mão direita, apoiado na perna direita, por mais de 10 minutos, é uma posição que é conveniente 
de ser mudada. Contudo, não exige que a mudança ocorra rapidamente.
230 Ergonomia III
Em suma, o método RULA analisa a posição do pescoço, braço, 
antebraço, punho, tronco e perna para verificar, de forma quantita-
tiva, a necessidade de se realizar alterações na posição de trabalho. 
Sua aplicação deve ser feita por meio de registro fotográfico das 
operações e escolha criteriosa da nota para cada posição.
Além do método RULA, existe o método OWAS para identificar 
posturas corporais prejudiciais durante a realização de ativida-
des. Saiba mais acessando o link: http://www.fecilcam.br/anais/
vii_eepa/data/uploads/artigos/8-02.pdf.
Fonte: adaptado de Silva, Gonçalves Neto e Barbosa (2013, on-line).
231
Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.
1. Explique em quais situações a AET deve seraplicada.
2. Um trabalhador realiza uma tarefa com as seguintes características:
• Frequência de movimento: 4/min
• Peso da peça levantada no movimento: 5 kg
• Tempo de realização da atividade: até 2 horas/dia
• Distância horizontal da carga em relação ao corpo: 30 cm
• Altura vertical inicial do levantamento: 75 cm
• Altura vertical final do levantamento: 60 cm.
Considerando os dados apresentados, calcule o LPR e o IL.
3. Com base no método RULA, determine a melhor posição para o braço, ante-
braço e punho.
232
Manual de Aplicação da Norma Regulamentadora n° 17
Autor: Ministério do Trabalho e Emprego
Editora: MTE
Sinopse: a elaboração deste Manual, reunindo a experiência prática de 10 anos 
de fiscalização, tem como objetivo subsidiar a atuação dos auditores fiscais do 
trabalho e dos profissionais de Segurança e Saúde do Trabalhador nas suas 
atividades. A publicação contou com a colaboração da Comissão Nacional de 
Ergonomia, composta pelos técnicos Mário Gawryszewski, Claudio Cezar Peres, 
Rosemary Dutra Leão, Lívia Santos Arueira, Lys Esther Rocha, Paulo Antonio 
Barros Oliveira, Carlos Alberto Diniz Silva e Maria de Lourdes Moure.
LIVRO
Existem aplicativos para aplicar os métodos RULA e NIOSH
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
WEB
233
BRASIL. Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o Regulamento da Previdência Social, e dá outras 
providências. Brasília: Presidência da República, 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto/D3048.htm. Acesso em: 02 jan. 2020. 
BRASIL. Portaria 3.214, de 08 de junho de 1978. Norma Regulamentadora Nr-17 – Ergonomia. Brasil. Dispo-
nível em: https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-17.pdf. Acesso em: 10 mar. 2020.
CAMPUSESINE. RULA - Rapid Upper Limb Assessment. [2020]. Disponível em: http://www.alunos.campu-
sesine.net/rec%20humano/fichas/RULA.PDF. Acesso em: 17 mar. 2020.
CAPELETTI, B. H. G. M. Aplicação do método RULA na investigação da postura adotada por operador 
de balanceadora de pneus em um centro automotivo. Monografia de especialização em engenharia de segu-
rança do trabalho. Curitiba, 2013. Disponível em: http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/3801/1/
CT_CEEST_XXVI_2014_03.pdf. Acesso em: 17 mar. 2020.
MTE. Ministério do Trabalho e Emprego. Manual de Aplicação da Norma Regulamentadora n° 17. Brasília: 
MTE, SIT, 2002.
PEDROZA, S. S.; SILVA, M. J. Ergonomia e Segurança do Trabalho. Maringá: Unicesumar, 2019.
PINHEIRO, H. H.; CABRAL, R. R.; SOUSA, R. da S.; SILVA, D. P. A. da; EVANGELISTA, W. L. Uso do Critério de 
NIOSH para determinação do Limite de Peso Recomendado em uma empresa de Pré-moldados. In: SEMANA 
DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA IFMG, 6. 2013, Bambuí. Anais[...] Bambuí: IFMG, 2013. p. 1-6. Disponível 
em: https://www.researchgate.net/publication/270580556_Uso_do_Criterio_de_NIOSH_para_determina-
cao_do_Limite_de_Peso_Recomendado_em_uma_empresa_de_Pre-moldados. Acesso em: 02 fev. 2020.
SILVA, D. A.; GONÇALVES NETO, L. O.; BARBOSA, P. P. Análise ergonômica com a aplicação do método 
OWAS: Estudo de caso em uma indústria moveleira do centro-oeste do Paraná. VII Encontro de Engenharia 
de Produção Agroindustrial. 2013. Disponível em: http://www.fecilcam.br/anais/vii_eepa/data/uploads/arti-
gos/8-02.pdf. Acesso em: 04 fev. 2020.
REFERÊNCIA ON-LINE
1Em: http://aulas.verbojuridico3.com/Pos_seguranca_trabalho/Seguranca_Trabalho_Luiz_11FB_Aula2_Par-
te2_finalizado_ead.pdf. Acesso em: 11 mar. 2020.
234
1. A AET é utilizada quando uma fiscalização demanda sua realização para corrigir uma situação de trabalho 
inadequada. Também é utilizada para melhorar a qualidade de produtos e serviços, tornando um trabalho 
mais eficiente. 
2. O cálculo é dado pela equação:
LPR = 23 x FDH x FAV x FDVP x FFL x FRLT x FQPC (1)
Pelos dados do problema, temos:
FDH = 25/30 ≈ 0,83
FAV = 1 - [0,003X (V - 75)] = 1 - [0,003X (75 - 75)] = 1
FDVP = (0,82 + 4,5/ distância total percorrida) = (0,82 + 4,5/15) = 1,12
FFL = 0,72 (tabelado)
FRLT = 1 - (0,0032 X 25) = 0,92
FQPC = 1 (tabelado)
Substituindo esses dados na equação (1), temos:
LPR = 23xFDHxFAVxFDVPxFFLxFRLTxFQPC = 23x0, 83x1,12x072x0,92x1 ≈ 16 kg
Calculando o IL, temos:
IL = peso da carga/LPR=5/16=0,3125
3. Conforme a pontuação estabelecida para o braço, antebraço e punho, podemos concluir que a melhor posi-
ção é aquela em que a pontuação é menor, que causará um menor nível de ação. Assim, a melhor posição é:
• Braço: angulação de no máximo 20°.
• Antebraço: angulação de 60° a 100° para frente.
• Punho: sem angulação e sem rotação.
235
236
PLANO DE ESTUDOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
• Descrever as áreas de vivência na indústria da construção civil.
• Apresentar medidas de proteção coletiva recomendadas 
para a indústria da construção civil.
• Indicar medidas de proteção individual recomendadas 
para a indústria da construção civil.
Áreas de Vivência
Medidas de Proteção 
Coletiva
Medidas de Proteção 
Individual
Me. Maílson José da Silva
Segurança do Trabalho 
na Indústria da 
Construção Civil
Áreas de 
Vivência
Olá, aluno(a)! Estamos iniciando a oitava unidade 
ressaltando o setor da construção civil que é um 
importante setor na geração de postos de trabalho. 
Você já deve ter percebido que durante uma cons-
trução existe a necessidade de se realizar diferentes 
tipos de trabalho: escavações, limpeza do terreno, 
preparação de concreto, enchimento de caixas de 
concreto, assentamento de tijolos, colocação de 
instalações elétricas e sanitárias, assentamento de 
pisos e demais elementos de acabamento, pintura, 
colocação de vidros etc.
Devido a esta diversidade de trabalhos ne-
cessários em uma obra, bem como ao seu porte, 
muitos trabalhadores de diferentes especialida-
des são recrutados. Dependendo da obra, alguns 
deles dormem no próprio local, em alojamentos 
construídos para este fim. Por ser um ambiente 
de trabalho, digamos, em construção, uma obra 
precisa oferecer, antes de seu início, áreas para que 
os trabalhadores tenham qualidade de vida no tra-
balho. A Norma Regulamentadora NR-18 – Con-
dições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria 
da Construção define algumas áreas denominadas 
de áreas de vivência para que os trabalhadores 
tenham suas necessidades fisiológicas atendidas.
239UNIDADE 8
Instalações Sanitárias e Vestiário
As instalações sanitárias são utilizadas para o asseio corporal e atendimento das necessidades fisioló-
gicas de excreção. Basicamente, elas devem ser compostas por: lavatórios, vasos sanitários, mictórios 
e chuveiros. A cada 20 trabalhadores na obra, devem ser dispostos um conjunto de lavatório, vaso 
sanitário ou mictório e a cada 10 trabalhadores deve ser disponibilizado um chuveiro (BRASIL, 1978a).
Os lavatórios podem ser do tipo individual ou coletivo, com o uso de calhas. Devem possuir tor-
neiras de metal ou de plástico que devem distar, uma da outra, no mínimo, 0,60 m, quando estiverem 
em lavatórios coletivos. A altura do lavatório deve ser de 0,90 metros e precisa estar ligado à rede de 
esgoto, quando existente. Para facilitar a lavagem e higiene do local, os lavatórios devem ter revestimento 
interno liso, impermeável e lavável (BRASIL, 1978a).
Os vasos sanitários devem dispor de, no mínimo, 1,0 m2 de área. Nesta área, deve ser disponibilizado 
recipiente com tampa para descarte de papéis usados. Deve estar em local com porta cuja borda inferior 
não deve estar a mais de 0,15 m de altura em relação ao chão. As divisórias entre os vasos sanitários 
devem ter altura mínima de 1,80 m (BRASIL, 1978a).
Os mictórios devem ficar a uma altura máxima de 0,50 m do piso e, quando forem do tipo calha, 
deve ser considerado o trecho de 0,60 m como sendo correspondente a um mictório tipo cuba (BRA-
SIL, 1978a).
Os chuveiros devem dispor de, no mínimo, 0,8 m2 de área e devem ficar a 2,10 m de altura em 
relação ao piso. O piso do local deve ter caída para assegurar o escoamento da água e ser feito em ma-
terial antiderrapante. Alémdo chuveiro, como itens obrigatórios devem ser disponibilizados suporte 
para sabonete e cabide para toalha. Chuveiros elétricos devem ser aterrados. A Figura 1 apresenta um 
exemplo de projeto de instalações sanitárias.
As áreas de vivência serão es-
tabelecidas conforme a quanti-
dade de trabalhadores presentes 
na obra. Neste tópico, veremos 
algumas das características das 
seguintes áreas: instalações sa-
nitárias, vestiário, alojamento, 
local de refeições, lavanderias e 
área de lazer.
Áreas de vivência são locais construídos na obra para atendimento 
das necessidades fisiológicas dos trabalhadores. A NR-18 define 
as seguintes áreas de vivência: instalações sanitárias, vestiário, 
alojamento, local de refeições, cozinha (quando houver preparo de 
refeições), lavanderia, área de lazer e ambulatório (quando se tra-
tar de frentes de trabalho com cinquenta ou mais trabalhadores).
Fonte: badaptado de Brasil (1978a).
240 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
Figura 1 - Exemplo de projeto de instalações sanitárias
Fonte: adaptada de Sampaio (1998).
Podemos verificar na figura a disposição de lavatório junto ao mic-
tório próximo da entrada. Mais ao fundo, foram dispostos cabides 
para troca de roupa e à esquerda foram disponibilizados armários 
para os trabalhadores. Também foram disponibilizados chuveiros. 
Este projeto engloba a utilização de instalações sanitárias e vestiário.
O vestiário é obrigatório para troca de roupas de trabalhadores 
que não residem no local. Algumas características obrigatórias são: 
paredes equivalentes à alvenaria ou madeira; piso equivalente a 
concreto ou madeira; cobertura para proteção de intempéries; área 
de ventilação de 1/10 de área do piso; armários individuais dotados 
de fechadura ou dispositivo com cadeado; pé direito mínimo de 
2,50 m; e banco no local com largura mínima de 0,3 m.
Banco Cabides
Chuveiros
Sanitários
Lavatório Mictório
Calçada
50
 a
rm
ár
io
s
Fachada
Planta
Corte
Alojamento
Além de ser construído com 
materiais básicos que proporcio-
nem conforto e higiene, como 
madeira, concreto e alvenaria, 
deve possuir uma área de, no 
mínimo, 3,0 m2 por módulo 
cama/armário. Os alojamentos 
não podem estar localizados em 
subsolos ou porões de edifica-
ções. Não podem existir três ou 
mais camas na vertical e entre 
uma cama e outra deve haver 
241UNIDADE 8
um espaçamento mínimo de 1,20 m de altura. As camas superiores de beliche devem ter proteção lateral 
e escada. Seu tamanho deve ser, no mínimo, de 0,80 m x 1,90 m. As camas devem dispor de lençol, fronha 
e travesseiros, mantidos em boas condições de higiene. Nos alojamentos, devem existir armários duplos 
individuais para guarda de roupas de trabalho e roupas de uso comum. Ainda nos alojamentos, deve 
ser fornecida água potável, filtrada e fresca. A Figura 2 mostra um exemplo de projeto de alojamento.
Figura 2 - Exemplo de projeto de alojamento
Fonte: adaptada de Sampaio (1998).
Fachada
Planta
Corte
Beliche
Beliche
Dormitório Dormitório Dormitório Dormitório
A
A
242 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
Podemos observar, no projeto apresentado, a existência de armários em cada módulo com duas beliches. 
O local possui janelas que atende à especificação mínima de área de ventilação de 1/10 da área do piso.
Local de Refeições
Todo canteiro de obras deve 
possuir um local para a reali-
zação de refeições. Este deve 
possuir um local exclusivo para 
aquecimento de refeições por 
meio de um equipamento ade-
quado. O uso de copos coletivos 
é proibido.
O local de refeições deve ter 
pé-direito mínimo de 2,8 m com 
paredes que isolem o local. Deve 
possuir cobertura contra intem-
péries e piso lavável. O tamanho 
do local deve permitir que todos 
os trabalhadores façam suas re-
feições no horário determinado, 
bem como assentos em número 
suficiente para atender aos usuá-
rios. As mesas devem possuir 
tampos lisos e laváveis e deve 
existir no local um recipiente 
para descarte de detritos.
No projeto do local de refei-
ções, as instalações sanitárias 
não podem ter comunicação 
direta com o local. A Figura 3 
mostra um exemplo de projeto 
de refeitório.
Figura 3 - Exemplo de projeto de refeitório
Fonte: adaptada de Cbic (2015).
Observe que o local é dotado de lavatório para as mãos, bebedouros, 
equipamento para aquecimento de refeições, pia, lixeira, bancos e 
mesas.
Mesa
Banco
Banco
Mesa
Banco
Banco
Mesa
Banco
Banco
Mesa
Banco
Banco
Mesa
Banco
Banco
Mesa
Banco
Banco
LIMITE DO LOTE
PLANTA REFEITÓRIO
LI
M
IT
E 
D
O
 L
O
TE
Pia
Lixeira
Balcão de
distribuição
Balcão de
devolução
COZINHA
Bebedouros
PR
O
JE
ÇÃ
O
 D
A
 C
O
BE
RT
U
RA
MARMITEIRO
Mesa
de apoio
La
va
tó
rio
243UNIDADE 8
Área de lazer
Segundo a NR-18, nas áreas de vivência devem ser previstos espaços para a realização de atividades de 
lazer para recreação dos trabalhadores alojados. A norma permite que o local de refeições seja utilizado 
para este fim. No local, podem ser instalados mesa de bilhar, sala de TV, sala para jogos etc. Na Figura 
4, é apresentado um exemplo de área de lazer.
Figura 4 - Exemplo de projeto de área de lazer 
Fonte: adaptada de Cbic (2015).
Observe que a NR-18 não determina dimensões mínimas desta área. No entanto, é recomendado que 
ela seja projetada conforme o número de trabalhadores que ficarão alojados na obra. Em construções 
sem trabalhadores alojados, esta área é dispensável.
SALA DE TV
VARANDA
PR
O
JE
ÇÃ
O
 D
A
 C
O
BE
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U
RA
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MESA DE SINUCA
PLANTA ÁREA DE LAZER
244 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
Lavanderia
Quando existirem trabalhado-
res alojados na obra, será ne-
cessária a construção de uma 
área de lavanderia. Ela deve 
proporcionar um local coberto, 
ventilado e iluminado para que 
os trabalhadores possam lavar, 
secar e passar suas roupas de 
uso pessoal. A Figura 5 ilustra 
uma área de lavanderia.
Figura 5 - Exemplo de projeto de área de lavanderia
Fonte: adaptada de Cbic (2015).
O local deve ser dotado de tanques individuais ou coletivos, em número adequado à quantidade 
de trabalhadores. Ainda, caso a empresa queira terceirizar esta atividade, ela poderá fazê-lo, sem 
ônus para o trabalhador.
Em resumo, as áreas de vivência são fundamentais em um canteiro de obras para proporcio-
nar condições de higiene e conforto aos trabalhadores. Elas são necessárias para a realização de 
alimentação, repouso, lazer e higiene pessoal. Algumas áreas de vivência devem existir apenas 
quando os trabalhadores estiverem alojados no local: alojamento, lavanderia e área de lazer. Os 
empregadores que cumprem com este requisito da NR-18, além de contribuir para segurança do 
trabalho, irão proporcionar uma melhor satisfação aos trabalhadores. A seguir, vamos estudar as 
medidas de proteção coletiva e individual aplicáveis na indústria da construção.
TANQUES
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PLANTA
LAVANDERIA
245UNIDADE 8
Caro(a) aluno(a), você já percebeu a quantidade 
de perigos existentes em uma obra de constru-
ção civil? Trabalhadores lidam com máquinas e 
equipamentos, bem como com as estruturas que 
estão sendo construídas e com os materiais que 
são utilizados na obra. Todos eles podem oferecer 
diversos perigos e riscos à saúde e segurança dos 
envolvidos na construção, bem como para pessoas 
que estão no entorno. Para protegê-los adequada-
mente, são implantadas medidas de segurança que 
visam à proteção da coletividade de trabalhadores.
As medidas de proteção coletiva podem ser 
divididas em três grupos:
Medidas de 
Proteção Coletiva
• Medidas incorporadas a máquinas e equi-
pamentos para proteção de partes móveis 
e de peças que transmitem força.• Medidas incorporadas à própria obra, 
como pontos de ancoragem para a insta-
lação de linhas de vida.
• Medidas de proteção específicas para de-
terminados trabalhos, como o escoramen-
to de valas.
Neste tópico, iremos apresentar alguns perigos 
presentes na Construção Civil e suas respectivas 
medidas de proteção coletiva.
Cada medida de proteção pode ser aplicada em 
uma fase da construção. Vejamos algumas delas 
baseadas no trabalho de Sampaio (1998).
Em uma obra de construção, existem diversos 
perigos e riscos com diferentes medidas de pro-
teção. Neste livro, não conseguiremos abranger 
todos eles. Fique atento(a) para identificar os 
riscos presentes em uma obra.
As medidas de proteção coletiva são medidas de segurança que protegem todos os trabalhadores 
envolvidos na construção. Estas medidas devem ser objeto de projeto, quando necessário, e em 
conformidade com as etapas de execução da obra.
247UNIDADE 8
Medidas da Fase de Demolição
Esta fase ocorre nas obras existentes que serão destruídas para dar lugar a uma nova construção. Nesta 
fase, alguns dos principais perigos são a existência de cabos de energia elétrica e instalações de água, 
esgoto ou de gás presentes na construção. Um risco presente na demolição é a estabilidade das cons-
truções vizinhas que pode ser afetada. Neste sentido, as medidas de proteção a serem adotadas são:
• Construir tapumes em volta para limitar o acesso de pessoas.
• Remover vidros do local.
• Providenciar plataformas de retenção de entulhos.
• Utilizar andaimes fachadeiros.
• Isolar aberturas de laje.
• Checar estabilidade de construções vizinhas.
• Providenciar cabos guia para engate de cinturão de segurança contra quedas.
• Umedecer materiais para diminuir a poeira produzida na demolição.
• Utilizar calhas para retirada de entulhos.
• Realizar o transporte de materiais e limpeza do local.
Medidas da Fase de Escavações, 
Fundações e Desmonte de Rochas
Nesta fase, árvores, muros e edificações vizinhas podem desmoronar devido às escavações. Podem 
existir também cabos elétricos subterrâneos. Existe um risco na operação de equipamento denominado 
de bate-estacas. Se for necessário fazer o desmonte de rochas, será preciso utilizar explosivos. Assim, 
algumas medidas a serem adotadas nesta fase são:
• Escorar taludes instáveis das escavações.
• Impedir a colocação de materiais nas bordas das escavações.
• Realizar a ventilação e o monitoramento do local a ser escavado, devido à possibilidade de 
infiltração ou vazamento de gás.
• Proibir o acesso de pessoas não autorizadas na área de escavação.
• Utilizar alarme sonoro antes de detonações.
248 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
Medidas da Fase de Preparação 
de Armações de Aço
Nesta fase, os trabalhadores realizam a dobra e 
corte de vergalhões. Algumas medidas recomen-
dadas são:
• Manter as bancadas de dobragem e corte 
afastadas da circulação de pessoas.
• Providenciar cobertura para as bancadas 
que seja resistente à queda de materiais e 
intempéries.
• Providenciar proteção contra impactos nas 
lâmpadas.
• Apoiar e escorar armações de vigas e pila-
res para evitar desmoronamento.
• Proteger pontas de vergalhões.
• Isolar a área de descarga de vergalhões de aço.
Medidas da Fase de 
Estrutura de Concreto
Esta fase envolve a concretagem de formas. As 
medidas recomendas são:
• Inspecionar suportes e escoras das formas 
antes da concretagem.
• Instalação de dispositivos de segurança nas 
caçambas transportadoras de concreto.
• Evitar queda livre de formas e escoramentos.
• Fazer o estaiamento ou escoramento de 
formas de pilares antes do cimbramento.
• Na protensão de cabos de aço, evitar a perma-
nência de trabalhadores próximos do local.
Medidas de Proteção na 
Montagem de Estruturas 
Metálicas
As estruturas metálicas são condutoras de energia. 
Dessa forma, o principal perigo envolvido no seu 
manuseio é a passagem de correntes elétricas que 
podem causar choque elétrico nos trabalhado-
res. Quando estruturas metálicas forem montadas 
próximas de linhas energizadas, é preciso pro-
ceder ao desligamento da rede, bem como fazer 
a proteção das linhas, além do aterramento da 
estrutura metálica e dos equipamentos utilizados.
Na montagem de estruturas, é recomendado 
que as peças venham previamente fixadas antes 
de serem soldadas, rebitadas ou parafusadas. A 
suspensão de pilares e vigas deve ser feita por 
equipamento de guindar.
Medidas de Proteção nas 
Operações de Soldagem e 
Corte a Quente
Estas operações são necessárias nos trabalhos en-
volvendo metais usados na obra. Elas devem ser 
realizadas apenas por trabalhadores qualificados. 
É preciso providenciar um anteparo incombustível 
para proteção dos trabalhadores do entorno, evi-
tando a projeção de partículas, bem como a pro-
teção contra a propagação da radiação produzida 
pela solda. Substâncias explosivas ou inflamáveis 
devem ficar afastadas dos cilindros de oxigênio 
utilizados nas operações. Os equipamentos de sol-
da devem estar aterrados. Quando forem utiliza-
dos eletrodos contendo chumbo, zinco ou mate-
riais revestidos de cádmio, deve ser providenciada 
ventilação local exaustora dos fumos produzidos.
249UNIDADE 8
Medidas de Proteção para Rampas, Passarelas e Escadas
Estes meios de acesso devem ter construção sólida e possuir corrimãos e rodapés. Veja a Figura 6 com 
a indicação de algumas medidas de proteção.
1 m
40 cm
15°
2 m
Espelho
0,15 a 0,18 m
Degrau
0,25 a 0,38 m
1 m
A
65° a 80°
Ideal: 75°
1 4
6
5
2
3
Figura 6 - Exemplos de construção de rampas, passarelas e escadas 
Fonte: adaptada de Sampaio (1998).
A figura apresenta exemplos de construção de rampas. No primeiro caso (1), vemos uma rampa que 
foi construída com travessas. Observe o detalhe construtivo do distanciamento de 0,4 m entre cada 
travessa e de 1 m entre cada travessa inferior para sustentar o peso. A angulação também é importante 
para permitir um uso confortável e seguro, no caso, de 15°. Escadas usadas para a passagem de diversos 
trabalhadores (2) são dimensionadas com a largura de 2 m e divididas em duas partes (para entrada 
e saída de trabalhadores). Os degraus de escadas (3) devem ter um tamanho de 0,25 m a 0,30 m, com 
altura de espelho de 0,15 m a 0,18 m. 
250 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
As escadas de mão (4) tam-
bém podem ser usadas nas obras, 
porém é preciso fixá-las inferior-
mente, seja com uma corda ou 
um pedaço de madeira ligado na 
estrutura (5). A angulação da es-
cada (6) deve ser de 65° a 80° e o 
montante da escada deve passar 
1 metro do piso superior. Estas 
medidas permitem um uso se-
guro destes dispositivos.
A Recomendação Técnica de Procedimentos número 4 (RTP-04) da 
Fundacentro tem por finalidade especificar e fornecer disposições 
relativas a escadas, rampas e passarelas utilizadas na indústria 
da construção. 
Saiba mais acessando o link: http://www.fundacentro.gov.br/
biblioteca/recomendacao-tecnica-de-procedimento/publicacao/
detalhe/2012/9/rtp-04-escadas-rampas-e-passarelas.
Medidas de Proteção na Movimentação 
e Transporte de Materiais e Pessoas
Em uma construção, devido ao seu porte, é necessário realizar o transporte de materiais e pessoas 
de forma constante. Os equipamentos utilizados no transporte vertical, como elevadores, devem ser 
dimensionados por profissional legalmente habilitado. A montagem, desmontagem e manutenção dos 
equipamentos devem ser feitas por trabalhador qualificado.
Um elevador de passageiros deve dispor dos seguintes elementos: interruptor de fins de curso supe-
rior e inferior conjugado com freio automático; sistema de segurança eletromecânico; interruptor de 
corrente que permite o movimento somente com as portas fechadas; cabina e metálica com porta. Os 
montantes dos elevadores devem estar estaiados e a torre e guincho do elevador devem estar aterrados. 
No caso de elevadores de materiais, as faces das torres devem ser revestidas com tela. Os acessos de 
entrada às torres de elevador devempossuir barreiras para impedir a entrada de pessoas. Os elevadores 
de materiais não devem ser usados para transportar pessoas. 
Ao movimentar cargas aéreas, é preciso proibir a circulação de pessoas sob a área. O cabo de aço 
situado entre o tambor e a roldana livre deve ficar protegido. Durante o uso de gruas, a mesa deve estar 
aterrada e, quando necessário, possuir para-raios. As áreas de carga e descarga devem ser delimitadas 
e a grua deve possuir alarme sonoro para a movimentação de cargas. Durante intempéries ou outras 
condições desfavoráveis, qualquer trabalho na grua deve ser proibido. 
Medidas de Proteção 
no Uso de Andaimes
Os andaimes formam uma estrutura temporária para o acesso de trabalhadores em locais altos. Podem 
possuir diversas configurações. Um andaime deve ser dimensionado por um profissional legalmente 
habilitado. Seu piso deve possuir forração completa, antiderrapante e nivelado. Além disso, devem 
possuir guarda-corpos e rodapés em torno de todo seu perímetro. Quando sua torre for maior que 
quatro vezes o tamanho de sua menor base, o andaime deve ser estaiado.
251UNIDADE 8
Medidas de Proteção em 
Locais Confinados
Um espaço confinado é definido como 
 “
qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação hu-
mana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, 
cuja ventilação existente é insuficiente para remover contami-
nantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento 
de oxigênio (BRASIL, 1978b, p. 1). 
Os trabalhos realizados nesse tipo de ambiente devem ser permiti-
dos para trabalhadores que fizeram o curso de NR-33 – Segurança 
e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Antes da entrada 
em um espaço confinado, deve ser feita uma inspeção prévia e 
elaborada uma ordem de serviço com os procedimentos a serem 
adotados. É preciso fazer o monitoramento de possíveis substâncias 
que estarão no local e que causarão asfixia, explosão ou intoxicação. 
Este monitoramento deve ser realizado por trabalhador qualificado 
sob supervisão de responsável técnico. Dependendo do caso, será 
preciso providenciar ventilação local exaustora e ventilação local 
para insuflação de ar para o ambiente. No caso de trabalhos em 
tanques, é preciso fazer sua desgaseificação antes de executar os 
trabalhos.
Tenha sua dose extra de conhecimento 
assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu 
leitor de QR Code.
252 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
SINALIZAÇÃO
ANTEPAROS
ESCORAMENTO DE VALAS
Não
Sim
Não
SimZonasem
cargas
Zona
com
cargas
Circulação de
pedestres
Guarda-corpo
de segurança
Sinal
limite
PROTEÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOSPROTEÇÃO DE FACHADAS
PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS
Rede de
proteção
Guarda-
corpo
Fechamento
de aberturas
1
2
3
Plataforma
de proteção
Tapume
de obras
45
Resumo Geral de Medidas de Proteção Coletiva
Como vimos, diversas medidas de proteção coletiva devem ser aplicadas durante a construção de um 
edifício. A seguir, apresentamos a ilustração de algumas medidas.
Figura 7 - Proteções coletivas mais usuais
Fonte: adaptada de Sampaio (1998).
253UNIDADE 8
A sinalização em uma obra pode ser feita por meio de placas, tiras refletivas, bandeirolas, sinalização 
luminosa, dentre outros itens. Ela serve para advertir sobre os perigos existentes, bem como proibir o 
acesso de pessoas não autorizadas em algumas áreas. A escavação de terra e o trabalho em valas exige 
que elas sejam escoradas. Próximo às valas deve existir proteção para impedir a queda de objetos. 
Anteparos devem ser colocados próximo de aberturas. Veja, na figura, que são delimitados espaços 
para circulação de pedestres e a carga armazenada fica distante da vala. Essas medidas impedem o 
soterramento dos trabalhadores, bem como o acidente devido à queda de objetos.
Máquinas e equipamentos com partes móveis e cortantes devem estar protegidos para evitar con-
tatos acidentais com estas partes. Em toda obra, devem ser disponibilizados extintores para o combate 
a eventuais princípios de incêndio durante as atividades. 
As fachadas de uma obra vertical devem possuir proteção lateral, conforme indicado pela figura. 
O item 1 representa uma rede de proteção para a contenção de objetos. O item 2 é um guarda-corpo 
construído nas laterais para impedir a queda de trabalhadores. O item 3 representa o fechamento de 
aberturas, como espaços para janelas. O item 4 é uma plataforma de proteção que é construída con-
forme a altura do edifício. E o item 5 representa o tapume da obra para evitar a entrada de pessoas 
não autorizadas.
A implantação das medidas de proteção coletivas em uma construção é dinâmica, pois as ativida-
des possuem baixa repetitividade e padronização. As medidas coletivas devem ser pensadas antes da 
execução da obra e implementadas conforme as necessidades de cada fase. A seguir, vamos conhecer 
os equipamentos de proteção individual que são utilizados por cada trabalhador da construção civil, 
conforme os riscos aos quais cada trabalhador fica exposto.
254 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
255UNIDADE 8
Você já deve ter visto, na construção de um edi-
fício, trabalhadores utilizando capacetes, luvas e 
botas, certo? No entanto, estes são apenas alguns 
dos equipamentos de proteção individual que são 
utilizados nas atividades da construção civil.
O empregador deve fornecer todos os equi-
pamentos necessários conforme os riscos aos 
quais os trabalhadores ficam expostos. Além de 
fornecer, o empregador deve tornar obrigatório 
seu uso, substituindo-o sempre que necessário. 
O empregador também deve higienizar os EPIs 
e realizar a sua manutenção, quando necessária. 
Por outro lado, o empregado deve utilizar os EPIs, 
guardá-los e conservá-los.
Os principais membros corporais que ficam 
expostos aos riscos na construção civil são: cabeça, 
olhos, face, sistema respiratório, sistema auditivo, 
tronco, braços, antebraços, mãos, pernas e pés. 
Vejamos a seguir uma lista de EPIs para cada parte 
do corpo.
Medidas de 
Proteção Individual
256 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
EPIs para Proteção da Cabeça, Olhos e Face 
O Quadro 1 apresenta os EPIs recomendados para proteção da cabeça, dos olhos e face.
Quadro 1 - EPIs para proteção da cabeça, olhos e face na indústria da construção civil
Descrição Para qual risco é indicado Exemplo
Capacete de segurança ½ aba – 
é um equipamento com casco em 
plástico rígido e resistente a impac-
tos de materiais. Possui no seu inte-
rior uma carneira e coroa ajustável 
conforme as dimensões do usuário.
Queda de materiais sobre a 
cabeça
Óculos de segurança contra im-
pacto – são óculos feitos em ma-
terial plástico com proteção lateral 
para proteger contra o impacto de 
partículas volantes e perfurantes. 
Podem ser ou não perfurados nas 
laterais para entrada de ar.
Projeção de partículas vo-
lantes sólidas, como aque-
las provenientes de cortes 
de peças e picotamento de 
concreto.
Óculos de segurança panorâ-
mico (ampla visão) – são óculos 
feitos para se acomodar na face 
do usuário, em cima de seus olhos. 
Possuem proteção lateral e são fei-
tos em material plástico incolor.
Poeiras em suspensão, pro-
dutos químicos, jateamento 
de água, partículas de lixa-
mento etc.
Óculos para serviços de sol-
dagem – são confeccionados em 
material plástico com encaixe para 
lentes. Possuem material que se 
molda ao rosto do usuário.
Radiação ultravioleta pro-
veniente de serviços de sol-
dagem e/ou corte a quente 
com maçarico.
Máscara para soldador- é uma 
máscara que protege o rosto do 
usuário contra fagulhas incandes-
centes e também seus olhos de 
radiação ultravioleta. Permite que 
o usuário utilize as duas mãos para 
o trabalho. Possui um encaixe na 
frente para colocação de lentes fil-
trantes que podem ser de autoes-
curecimento.
Radiações ultravioletas e 
fagulhas incandescentes 
produzidos nos serviços de 
solda.
Escudo para soldador – seme-
lhante à máscara para soldador, 
porém possui um cabo preso ao es-
cudopara ser segurado pelo usuá-
rio. Possui um preço mais acessível.
Radiações ultravioletas e 
fagulhas incandescentes 
produzidos nos serviços de 
solda.
Protetor facial – é uma peça cons-
tituída de carneira, para ser coloca-
da na cabeça, e visor panorâmico 
em acrílico ou acetato de cristal. 
Este protetor pode ser usado sem 
o capacete de segurança ou pode 
ser acoplado a ele.
Proteção contra partículas 
volantes que podem atingir 
os olhos e rosto.
Fonte: adaptado de Sampaio (1998).
257UNIDADE 8
EPIs para Proteção do Sistema Respiratório
Os EPIs para proteção do sistema respiratório na construção civil são máscaras que possuem peças fil-
trantes conforme o agente químico presente no local. O Quadro 2 mostra exemplos desses equipamentos.
Quadro 2 - EPIs para proteção do sistema respiratório na indústria da construção civil
Descrição Para qual risco é indicado Exemplo
Máscara panorâmica – é uma más-
cara composta por peça em borra-
cha que permite um bom ajuste no 
rosto do usuário. Possui tiras para 
colocação e aperto no rosto. Além 
de fornecer proteção respiratória, 
protege os olhos contra respingos 
de produtos químicos. Possui mem-
brana acústica para comunicação 
oral. Permite o encaixe de filtros 
na sua lateral que são escolhidos 
conforme o produto químico pre-
sente no ambiente: poeiras, gases, 
ou vapores.
Poeiras, gases e vapores 
presentes em atividades 
especiais. Deve ser usada 
quando a concentração 
destes for superior ao nível 
de ação.
Máscara semifacial – semelhante 
à máscara panorâmica, porém não 
possui viseira em policarbonato.
Poeiras, gases e vapores. 
Deve ser usada quando a 
concentração destes for su-
perior ao nível de ação.
Filtro para proteção contra poei-
ras, gases e vapores – as máscaras 
panorâmica e semifacial devem ser 
usadas em conjunto com filtros que 
são acoplados em entradas de ar 
dispostas nas máscaras. Cada filtro 
oferece uma proteção específica. 
Existem filtros recomendados para 
poeiras, ácidos, vapores orgânicos 
etc. A seleção do filtro deve ser feita 
com base na concentração do agen-
te químico presente no ar.
Gases, vapores, poeiras e 
névoas de líquidos e gases 
ácidos ou orgânicos. Deve 
ser usado quando a concen-
tração destes for superior 
ao nível de ação.
Peça semifacial filtrante (PFF) – 
esta máscara é descartável e deve 
ser usada em uma jornada de tra-
balho. É composta por camada de 
fibras que filtram alguns agentes 
químicos. A PFF1 é indicada para 
proteção das vias respiratórias con-
tra poeiras e névoas; a PFF2 é indi-
cada para proteção contra poeiras, 
névoas e fumos; e a PFF3 é indicada 
para proteção contra poeiras, né-
voas, fumos e radionuclídeos.
Poeiras, névoas e fumos nos 
trabalhos envolvendo sílica, 
solda e demais particulados. 
Deve ser usado quando a 
concentração destes for su-
perior ao nível de ação.
Fonte: adaptado de Sampaio (1998).
258 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
EPIs para Proteção do Sistema Auditivo
Os EPIs mais comuns para proteção do sistema auditivo na construção civil são os protetores auricular 
tipo concha ou de inserção, apresentados no Quadro 3.
Quadro 3 - EPIs para proteção do sistema auditivo na indústria da construção civil
Descrição Para qual risco é indicado Exemplo
Protetor auricular tipo concha – é 
constituído por peça com almofadas 
acolchoadas de espuma. Pode ser 
usado em conjunto com o protetor 
do tipo de inserção, para aumentar 
o grau de proteção. Deve ser sele-
cionado conforme o grau de prote-
ção requerido.
Níveis de ruído acima do ní-
vel de ação. 
Protetor auricular de inserção – 
podem ser feitos de material pré-
-moldado (lavável) ou de espuma de 
inserção que se molda ao formato 
do ouvido do usuário (não lavável). 
Deve ser selecionado conforme o 
grau de proteção requerido.
Níveis de ruído acima do ní-
vel de ação.
Fonte: adaptado de Sampaio (1998).
259UNIDADE 8
EPIs para Proteção do Tronco e Membros Superiores 
Os EPIs mais comuns para proteção do tronco e membros superiores (mãos e braços) na construção 
civil são apresentados no Quadro 4.
Quadro 4 - EPIs para proteção do tronco e membros superiores na indústria da construção civil
Descrição Para qual risco é indicado Exemplo
Avental de raspa – é um equipa-
mento feito em raspa de couro cur-
tido. É vestido por meio de amarras 
na cintura e alça no pescoço.
Corte de peças (devido re-
barbas) e fagulhas produzi-
das nas atividades de solda-
gem e/ou corte. 
Avental de PVC – avental con-
feccionado em tecido plastificado 
impermeável. É preso ao corpo do 
usuário por meio de tiras no pesco-
ço e na altura da cintura.
Respingos de produtos quí-
micos como solventes, áci-
dos, desengraxantes e água.
Luva de raspa com punho de 
7,15 cm ou 20 cm – é uma luva 
confeccionada em raspa de couro 
curtido com costura reforçada no 
polegar.
Riscos de corte nas ativida-
des de soldagem, corte a 
quente, carregamento de 
material etc.
260 Segurança do Trabalho na Indústria da Construção Civil
Luva de PVC com forro e punho 
de 35 cm ou 60 cm – luva confec-
cionada em PVC com forro interno 
de malha fina, oferecendo resistên-
cia mecânica e proteção química. 
Pode ser usada em operações de 
imersão em líquidos com curta du-
ração.
Proteção contra alguns pro-
dutos químicos, como áci-
dos, desengraxantes, óleos, 
graxas etc.
Luva de PVC sem forro e punho 
de 7 cm – é uma luva de PVC me-
nor, utilizada para operações que 
exigem maior tato e maleabilidade, 
em serviços leves.
Produtos químicos, como na 
fase de preparação de tintas 
e manipulação de cimento, 
cal, detergentes, ácidos ou 
álcalis.
Luva para altas temperaturas 
– estas luvas podem ser confeccio-
nadas em diversos materiais, como 
o amianto, couro tratado e aramida. 
Existem diferentes modelos com di-
ferentes sensibilidades.
Alta temperatura no manu-
seio de peças e tratamento 
térmico.
Luva de borracha para eletricis-
ta – são luvas confeccionadas em 
borracha para isolar a passagem de 
corrente elétrica pelo corpo. Pos-
suem diferentes modelos confor-
me a tensão de trabalho. Devem ser 
selecionadas de acordo com essa 
tensão.
Choques elétricos
Luvas para realização de traba-
lhos que exigem maior malea-
bilidade – na construção civil, o 
contato com as peças da obra pode 
provocar cortes e outras lesões. 
Estes podem ser evitados pelo uso 
de luvas de algodão, polipropileno, 
borracha/látex, dentre outros.
Riscos de corte e abrasão.
Fonte: adaptado de Sampaio (1998).
261UNIDADE 8
EPIs para Proteção dos 
Membros Inferiores
Os EPIs mais comuns para proteção dos membros inferiores (pernas 
e pés) na construção civil são apresentados no Quadro 5.
Quadro 5 – EPIs para proteção de membros inferiores na indústria da construção civil 
Descrição Para qual risco é indicado Exemplo
Perneira de raspa – é um equi-
pamento feito em raspa de couro 
curtido. Possui uma parte que co-
bre o calçado de segurança, evi-
tando a penetração de material 
fundente pelas frestas. É usada 
em conjunto com o avental e luva 
de raspa.
Corte de peças (devido rebar-
bas), fagulhas produzidas nas 
atividades de soldagem e/ou 
corte. 
Botas impermeáveis de PVC 
sem palmilha de aço – calçados 
confeccionados em PVC com cano 
médio e solado antiderrapante. 
Existem botas de cano curto e lon-
go, conforme as características da 
atividade.
Umidade e ácidos.
Calçado de segurança sem bi-
queira – este calçado é feito em 
solado antiderrapante, de poliure-
tano, borracha ou látex. Pode ser 
confeccionado em vaqueta lisa, 
microfibra, couro etc.
Riscos mecânicos em opera-
ções mais leves.
Calçado de segurança com bi-
queira – este calçado possui uma 
proteção para os dedos por pos-
suir biqueira de aço. Possui solado 
antiderrapante e a biqueira é con-
feccionada em aço-carbono. Exis-
tem modelos com ou sem palmilha 
de aço, para proteção adicional 
contra materiais perfurantes.
Proteção contra queda de ob-
jetos pesados sobre os pés.
Fonte: adaptado de Sampaio (1998). 
262 Segurança do Trabalho na Indústria

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