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Livro Fauna da Flona de Carajás - Livro Digital

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Elaine Ferreira Barbosa | Leandro Moraes Scoss 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza | Breno Chaves de Assis Elias
Fauna da Floresta 
Nacional de Carajás
Serra Norte
Fau
n
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a Floresta N
acion
al d
e C
arajás – Serra N
orte
O livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte traz infor-
mações sobre taxonomia, biologia, ecologia e distribuição geográfica de 
1.478 táxons para os ecossistemas amazônicos de pequenos mamíferos 
não voadores, morcegos, médios e grandes mamíferos, aves, anfíbios, 
répteis, insetos vetores, peixes e biota aquática (comunidades hidrobiológicas). 
A divulgação e o compartilhamento dessas informações, aliados à pes quisa 
científica e ao uso sustentável dos recursos naturais, favorecem o envolvi-
mento da sociedade como um todo nos esforços de conservação da biodiver-
sidade do Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás.
ORGANIZAÇÃO
Fauna da Floresta 
Nacional de Carajás
Serra Norte
Fau na da Floresta Nacional de Carajás - Serra Norte / Organização de 
 Elaine Ferreira Barbosa ... [et al]. – Belo Horizonte : Gaia Cultural – 
Cultura e Meio Ambiente, 2020. 
264 p. : il. color., (fotos, mapas, tabelas) ; 20 x 29,5 cm. 
 
ISBN 978-65-991419-0-4
 1. Floresta Nacional de Carajás – Fauna Silvestre - Carajás, Serra dos 
(PA). 2. Vertebrados. 3. Invertebrados – (Carajás, Serra dos (PA). 4. 
Florestas – Conservação - Norte, Serra (Carajás, Serra dos, PA). 5. Estudo 
e ensino. I. Barbosa, Elaine Ferreira. II. Scoss, Leandro Moraes. III. 
Souza, Vanessa Coutinho Mourão de. IV. Elias, Breno Chaves de Assis. 
CDD 591
Elaine Ferreira Barbosa 
Leandro Moraes Scoss 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza 
Breno Chaves de Assis Elias
ORGANIZAÇÃO
Fauna da Floresta 
Nacional de Carajás
Serra Norte
GESTÃO ADMINISTRATIVA:
Rodrigo Dutra Amaral
Daniela F. Scherer
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
Evandro Alvarenga Moreira
Flávio D. Café de Castro
COORDENAÇÃO:
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
Elaine Ferreira Barbosa 
REVISÃO DE CONTEÚDO E LISTA DE ESPÉCIES:
Breno Chaves de Assis Elias
Leandro Moraes Scoss
Leandro Maioli
Tarcisio Rodrigues 
COLABORAÇÃO:
Alexandre Castilho, Leandro Maioli, Fernando Marino Gomes dos Santos, 
Mariane Ribeiro, Mayla Barbirato e Vívian Lúcia C. Barros – apoio na obtenção de acervo fotográfico
Pâmella Rigueira Moreno – apoio ao planejamento do Projeto
André Luís Macedo Vieira – apoio na revisão de capítulo
ILUSTRAÇÕES:
Júlia Resende Thompson 
ELABORAÇÃO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA:
BRANDT Meio Ambiente
PRODUÇÃO EXECUTIVA:
Gaia Cultural – Cultura e Meio Ambiente
COORDENAÇÃO EDITORIAL:
Roseli Raquel de Aguiar
PROJETO GRÁFICO:
Fábio de Assis
REVISÃO:
Lílian de Oliveira
APOIO:
Instituto Chico Mendes de 
Conservação da Biodiversidade – ICMBio 
REALIZAÇÃO: 
VALE S.A. Mina de Águas Claras,
Av. Dr. Marco Paulo Simon Jardim, 3580. 
Prédio 4, 3º andar | CEP – 34006-270
Nova Lima, MG – Brasil
www.vale.com 
SETE Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda.
Avenida do Contorno, 6777 – 2º andar
Bairro Santo Antônio
CEP – 30130-151
Belo Horizonte, MG - Brasil
www.sete-sta.com.br
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores4 5
S
u
m
ár
io
 8 Prefácio
12 Apresentação
16 Conjunto de Áreas 
Protegidas de Carajás
Laís Ferreira Jales 
Leandro Moraes Scoss 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
28 Fauna da Floresta Nacional 
de Carajás, Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto Ambiental 
do Projeto N1 e N2
Elaine Ferreira Barbosa 
Leandro Moraes Scoss 
Dinalva Celeste Fonseca 
Breno Chaves de Assis Elias 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
42 Pequenos Mamíferos 
Não Voadores
Bernardo Faria Leopoldo 
Eduardo Lima Sábato 
Natália Ardente 
Leandro Moraes Scoss
62 Morcegos
Carla Clarissa Nobre de Oliveira
84 Mamíferos de 
Médio e Grande Porte
Elaine Ferreira Barbosa 
Bernardo Faria Leopoldo 
 Daniel Milagre Hazan 
Leandro Moraes Scoss
108 Aves
Diego Petrocchi da Costa Ramos 
Marcelo Ferreira de Vasconcelos
126 Anfíbios
Felipe Sá Fortes Leite 
Raphael Costa Leite de Lima 
Larissa Ferreira de Arruda
164 Répteis
Jussara Santos Dayrell 
Larissa Ferreira de Arruda 
Raphael Costa Leite de Lima 
Felipe Sá Fortes Leite
200 Dípteros de 
Importância Sanitária
Maria Fernanda Brito de Almeida
212 Peixes
Marcelo Fulgêncio Guedes de Brito 
Breno Perillo Nogueira 
226 Biota Aquática
Sandra Francischetti Rocha 
Manoela Cristina Brini Morais 
Sofia Luiza Brito 
255 Literatura Consultada
260 Glossário
Fo
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores8 9
Pr
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io
Prefácio
É preciso conhecer para proteger e conservar. Foi pensando nisso que a 
Vale, em parceria com o ICMBio e a Sete Soluções e Tecnologia Ambien-
tal, promoveu a organização do presente livro, que difunde informações 
técnicas de diversas espécies de animais, com base nos estudos de fauna 
desenvolvidos no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental – EIA do Pro-
jeto N1 e N2. Esse empreendimento está localizado na porção norte da 
Floresta Nacional de Carajás, uma das cinco Unidades de Conservação que 
compõem o conjunto de áreas protegidas de Carajás.
Os esforços em busca da conciliação da conservação da biodiversidade 
com a produção econômica na Floresta Nacional de Carajás, especifica-
mente a mineração, são uma realidade há décadas. A parceria entre a Vale 
e o ICMBio tem mostrado nesses anos que é possível explorar economica-
mente os recursos naturais da floresta ao mesmo tempo que se protege 
e conserva a biodiversidade em toda a sua riqueza e plenitude. Nunca foi 
uma tarefa fácil e os desafios estão sempre presentes.
Um desses desafios diz respeito à divulgação do conhecimento científico 
produzido na Floresta Nacional (Flona) de Carajás por meio dos estudos am-
bientais vinculados ao licenciamento ambiental de projetos da Vale. Em geral, 
a produção de documentos associados aos estudos ambientais é um traba-
lho extremamente técnico e que exige a participação de vários profissionais, 
com experiências e saberes diversos, relacionados ao solo, água, clima, ve-
getação, animais e pessoas. É essa convergência de saberes que possibilita 
tanto transmitir conhecimento a diferentes públicos quanto tornar acessíveis 
informações para que possam ser utilizadas da melhor maneira possível.
Nesse sentido, a forma de apresentação das informações nas publicações 
assume papel fundamental para ampliar a participação de um número 
maior de pessoas nas ações de conservação de ambientes, plantas e ani-
mais. Este livro apresenta em capítulos as espécies da fauna presentes nos 
diferentes ambientes da área de estudo local do empreendimento de mi-
nério de ferro chamado Projeto N1 e N2, do Complexo Minerador Ferro Ca-
rajás da Vale, da Flona de Carajás, como nas áreas de florestas, nos campos 
rupestres ferruginosos, nas águas, nos solos ou voando.
Todos os profissionais envolvidos nesse trabalho concentraram esforços para 
produzir um livro ilustrado que pudesse ajudar o ICMBio na divulgação das 
informações sobre a fauna identificada na região da Serra Norte da Floresta 
Nacional de Carajás. Em cada capítulo, são apresentados de modo sintético 
os principais elementos de cada grupo da fauna local, assim como o guia 
fotográfico de um número expressivo de espécies. O livro também traz, em 
formato digital, uma lista completa de táxons registrados na área.
Um novo desafio agora se apresenta aos leitores, mas, principalmente, aos 
visitantes da Floresta Nacional de Carajás: quantas espécies de animais 
você consegue identificar com o auxílio deste livro?
Daniela Faria Scherer
Gerente de Estudos Ambientais – Ferrosos
Rodrigo Dutra Amaral
Gerente Executivo – Licenciamento Ambiental, Estudos, Espeleologia, 
Saúde e Segurança e Cadeia de Valor – Ferrosos
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores10 11
Prefácio
A região de Carajásapresenta grandes empreendimentos minerários situa-
dos no interior de Unidades de Conservação federais, em especial a Flo-
resta Nacional (Flona) de Carajás e Flona do Tapirapé Aquiri. Há, portanto, 
diversos desafios referentes à convivência entre mineração e conservação 
da biodiversidade no interior de áreas protegidas. Sem dúvida, parte das 
soluções de tais desafios passa pela adequada gestão do conhecimento, 
de modo que os diferentes atores possam contribuir para a construção dos 
mecanismos de governança socioambiental e de gestão.
No caso de Carajás, as informações sobre biodiversidade ainda são con-
centradas no âmbito dos estudos de avaliação de impactos ambientais e 
geralmente não são publicadas e disponibilizadas à sociedade. Essa limi-
tação implica a perda de oportunidades de se aprofundar e maximizar o 
conhecimento adquirido. Na mesma medida, também restringe a aplicação 
de informações importantes para a tomada de decisão no que se refere à 
gestão dos recursos naturais e à participação de universidades e centros de 
pesquisa na multiplicação do conhecimento científico.
Desde o começo da mineração na região, a demanda por estudos e a cons-
trução de soluções têm se dado no âmbito do licenciamento ambiental, 
com tomada de decisões baseadas quase que exclusivamente nas ava-
liações sobre as áreas de influência direta de cada empreendimento sob 
análise. O acesso aberto e contextualizado às distintas fontes de dados, in-
formações e conhecimentos é de fundamental importância, uma vez que 
pode fomentar outros processos de gestão da biodiversidade, tais como a 
pesquisa científica, a educação ambiental, a gestão socioambiental, o uso 
público e as decisões de manejo.
Pr
ef
ác
io
A criação e a consolidação de Unidades de Conservação têm sido uma es-
tratégia para a proteção e conservação da biodiversidade, uma vez que es-
sas áreas protegidas servem de refúgio para espécies ameaçadas e para a 
manutenção de processos e serviços ecológicos. No entanto, para atingir 
esses objetivos, as UCs precisam de uma gestão eficiente que combine de 
forma efetiva ações de manejo e conservação. Para isso, é fundamental a 
aplicação prática do conhecimento, seja ele baseado em publicações cienti-
ficas, acadêmicas, técnicas ou ainda na sabedoria tradicional.
Nesse sentido, este livro é uma contribuição para a socialização do conhe-
cimento adquirido nos levantamentos sobre a fauna silvestre realizados na 
área de estudo do Projeto N1 e N2, situados no interior da Flona de Ca-
rajás, inicialmente utilizados para subsidiar o licenciamento ambiental do 
empreendimento minerário. Com esta publicação, objetiva-se compartilhar 
os conhecimentos relacionados a aves, anfíbios, répteis, morcegos, peque-
nos, médios e grandes mamíferos e biota aquática entre os visitantes das 
Unidades de Conservação de Carajás, comunidades, estudantes, gestores, 
pesquisadores e a sociedade em geral.
Ao contribuir com a difusão do conhecimento sobre a região de Carajás, 
esta obra serve de incentivo para o aprimoramento do conhecimento cien-
tífico sobre a fauna local e para o envolvimento da sociedade nos esforços 
de conservação. Como consequência direta da divulgação dos atributos 
ambientais das Unidades de Conservação, nós temos um maior engajamen-
to dos diferentes atores sociais nos esforços de conservação. 
André Luís Macedo Vieira
Chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Carajás
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores12 13
Apresentação
O licenciamento ambiental é uma das obrigações exigidas pela legislação 
brasileira para o funcionamento de qualquer tipo de empreendimento ou 
atividade que pretende utilizar os recursos naturais ou que possa causar 
algum tipo de poluição. Tem como objetivo avaliar como e de que forma 
se pode promover o desenvolvimento econômico a partir do uso sustentá-
vel dos recursos naturais, mas sempre buscando as melhores práticas para 
manter o equilíbrio do meio ambiente. Essa avaliação é feita a partir da 
elaboração de um documento técnico-científico que apresenta as caracte-
rísticas do projeto, o diagnóstico ambiental, identifica e avalia os impactos 
e as medidas, tanto para prevenir, controlar, mitigar ou compensar altera-
ções no ambiente. Esse documento é chamado de “Estudo e Relatório de 
Impacto Ambiental” ou simplesmente EIA/RIMA.
O presente livro constitui-se na compilação dos resultados das pesquisas 
 sobre a fauna realizadas na área de estudo do Projeto N1 e N2 para subsidiar o 
licenciamento ambiental do empreendimento minerário que tem como prin-
cipal objetivo a extração de minério de ferro no Complexo Minerador Ferro 
Carajás da Vale, localizado no município de Parauapebas, estado do Pará.
Ao trazer a público os conhecimentos relacionados às espécies silvestres 
de insetos vetores, aves, anfíbios, répteis, morcegos, pequenos, médios 
e grandes mamíferos, e biota aquática (peixes e comunidades hidrobio-
lógicas) encontradas na área do Projeto N1 e N2, especialmente em sua 
Área de Estudo Local, a obra figura como um importante instrumento de 
divulgação dos estudos ambientais que vêm sendo conduzidos na região 
da Floresta Nacional de Carajás – Flona de Carajás.
Nas páginas a seguir, além de um resumo sobre as espécies que ocorrem 
na área do Projeto N1 e N2, são apresentadas informações relevantes sobre 
a biologia e ecologia dos grupos animais, sua distribuição geográfica, 
importância para o ecossistema e para a conservação, além de um guia 
A
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o
 fotográfico acompanhado de dados taxonômicos, características e curio-
sidades sobre grande parte das espécies que foram identificadas na área. 
 Algumas dessas características, como tamanho e forma do corpo do ani-
mal, cor, horário de atividade, podem ser úteis na identificação de diferen-
tes espécies durante atividades de campo. Nesse sentido, esta publicação 
tem o potencial de expandir o alcance do conhecimento sobre a variedade 
da fauna local, principalmente entre visitantes da Flona de Carajás, comu-
nidades do entorno, estudantes, gestores, pesquisadores e demais interes-
sados na área ambiental.
A publicação e distribuição de todo esse acervo técnico-informativo orga-
nizado no formato do livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra 
Norte foram solicitadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da 
Biodiversidade – ICMBio, por meio do Ofício SEI nº 306/2017- DIBIO/ ICMBio, 
em 7 de dezembro de 2017, e estão vinculadas ao licenciamento ambiental 
do Projeto N1 e N2.
Esta é uma iniciativa importante para difusão do conhecimento sobre a re-
gião de Carajás, ampliação do estado da arte de conhecimento do conjun-
to de áreas protegidas de Carajás, bem como para a conciliação do avanço 
da mineração e dos esforços para a conservação da natureza dessa porção 
da Amazônia brasileira. A produção e organização do conhecimento con-
tido neste livro são uma realização da Vale em parceria com as empresas 
Brandt Meio Ambiente e Sete Soluções e Tecnologia Ambiental, e seus res-
pectivos técnicos, profissionais e especialistas em fauna.
Espera-se que este trabalho sirva tanto como fonte de consulta quanto 
como incentivo à realização de novas pesquisas na região, visando não 
somente ao aprimoramento do conhecimento científico acerca da fauna, 
mas também ao uso sustentável dos recursos naturais e à conservação 
 dessa região tão rica da Amazônia.
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17Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Flona de Carajás
Conjunto de Áreas 
Protegidas de Carajás
A área do Projeto N1 e N2 está inserida no conjunto de áreas protegidas de 
Carajás, formado pelas Unidades de Conservação federais: Floresta Nacional 
de Carajás, onde o projeto está localizado, Floresta Nacional do Tapirapé-A-
quiri, Floresta Nacional Itacaiunas, Reserva Biológica do Tapirapé,Parque Na-
cional dos Campos Ferruginosos e Área de Proteção Ambiental do Igarapé 
Gelado, geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi-
dade (ICMBio/MMA); e a Terra Indígena Xikrin do Cateté, sob gestão da FU-
NAI (Figura 1; Quadro 1). A totalidade do território ocupa uma área de quase 
1,4 milhão de hectares, o que representa a maior área de Floresta Amazônica 
contínua do Sul e Sudeste do Pará.
Unidades de Conservação (UCs) são áreas protegidas por lei voltadas à conser-
vação ambiental, do modo de vida de populações tradicionais, da manutenção 
de serviços ambientais e do uso de recursos naturais renováveis. Outras áreas 
protegidas conhecidas são as Terras Indígenas, as Reservas Legais das proprieda-
des Rurais e as Áreas de Preservação Permanentes que protegem dunas, man-
guezais, nascentes, encostas e topos de morros e outras. As UCs são classificadas 
em dois grandes grupos: Uso Sustentável e Proteção Integral, assim definidas 
pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC (Lei n° 9.985/2000), 
que as divide em 12 categorias, diferenciando-as por seus objetivos principais 
de conservação e pela possibilidade do uso de recursos de forma direta, como 
o manejo florestal nas Florestas Nacionais, ou de forma apenas indireta, como a 
visitação em Parques Nacionais ou a pesquisa científica nas Reservas Biológicas.
Laís Ferreira Jales 
Leandro Moraes Scoss 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
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Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás18 19Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Figura 1 – Localização geográfica do Conjunto de Áreas Protegidas 
de Carajás
!(
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Projeto
N1 e N2
TI Xikrin
do Rio Cateté
Água Azul
do Norte
Parauapebas
Rebio
Tapirapé
APA
Igarapé Gelado
Flona
Tapirapé Aquiri
Flona 
Itacaiúnas
Flona
de Carajás
Parna dos Campos 
Ferruginosos
Núcleo Urbano
de Carajás
Tucumã
Ourilândia
do Norte
Canaã dos
Carajás
50°0'0"W50°30'0"W51°0'0"W
5°
30
'0
"S
6°
0'
0"
S
6°
30
'0
"S
!(
Oceano
Atlântico
Belém
PAAM
MA
TO
AP
MT
PI
RR
Localização da Flona de Carajás no estado do Pará
Área do Empreendimento
Projeto N1 e N2
Áreas Protegidas
Terras Indígenas
Unidades de Conservação
Uso Sustentável
Floresta Nacional de Carajás
Floresta Nacional do Itacaiúnas
Floresta Nacional do Tapirapé
Aquiri
Área de Proteção Ambiental do
Igarapé Gelado
Proteção Integral
Parque Nacional dos Campos
Ferruginosos
Reserva Biológica do Tapirapé
0 10 20 km
®
Fonte: Sete Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda.
Quadro 1 – Conjunto de áreas protegidas de Carajás, Pará, Brasil
ANO DE 
CRIAÇÃO
NOME DA ÁREA 
 PROTEGIDA
GRUPO E CATEGORIA 
(LEI Nº 9.985/2000 - SNUC) DIPLOMA LEGAL
ÁREA 
(HA) MUNICÍPIOS
1989
Área de Proteção Ambiental 
do Igarapé Gelado
Uso Sustentável - APA
Decreto n° 97.718, 
de 5 de maio de 1989
21.600 Parauapebas
1989
Reserva Biológica do 
Tapirapé
Proteção Integral - Rebio
Decreto n° 97.719, 
de 5 de maio de 1989
103.000 São Félix do Xingu e Marabá
1989
Floresta Nacional do 
Tapirapé Aquiri
Uso Sustentável - Flona
Decreto n° 97.720, 
de 5 de maio de 1989
190.000 São Félix do Xingu e Marabá
1991
Terra Indígena Xikrin 
do Cateté
É uma área protegida, mas não 
uma unidade de conservação
Homologada pelo Decreto nº 
384, de 26 de dezembro de 1991
439.000
Água Azul do Norte, 
 Marabá, Parauapebas
1998 Floresta Nacional de Carajás Uso Sustentável - Flona
Decreto n° 2.486, 
de 2 de fevereiro de 1998
411.949
Água Azul do Norte, Canãa 
do Carajás e Parauapebas
1998 Floresta Nacional Itacaiunas Uso Sustentável - Flona
Decreto n° 2.480, 
de 2 de fevereiro de 1998
141.400 Marabá
2017
Parque Nacional dos Campos 
Ferruginosos
Proteção Integral - Parna
Decreto s/n, 
de 5 de junho de 2017
79.029
Canaã dos Carajás e 
Parauapebas
Fonte: Diplomas legais de criação de cada área protegida.
O que é uma área protegida? No Brasil existem diversas áreas que são legalmente atri-
buídas por decretos e atos de diversos órgãos e instâncias administrativas, a exemplo 
das Unidades de Conservação (UCs), Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reser-
vas Legais (RLs), Terras Indígenas (TIs), Comunidades Remanescentes de Quilombo, 
entre outras. Todas, portanto, são conhecidas genericamente por “áreas protegidas”. 
No conjunto de áreas protegidas de Carajás, destacam-se as Unidades de Conservação 
e a Terra Indígena Xikrin do Cateté.
O Projeto N1 e N2 situa-se na porção norte da Floresta Nacional (Flona) de 
Carajás, numa área que corresponde à Zona de Mineração, assim delimitada 
por seu Plano de Manejo. A Flona de Carajás foi criada por meio do Decreto 
nº 2.486, de 2 de fevereiro de 1998, abrangendo uma área de 411.949 hec-
tares, localizada nos municípios de Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás e 
Parauapebas, no estado do Pará.
Essa Unidade de Conservação de uso sustentável tem como objetivos o apro-
veitamento econômico da floresta, pesquisa científica, educação ambiental 
e turismo sustentável com a conservação da biodiversidade. O Decreto de 
Criação garante a manutenção dos direitos minerários já assegurados antes 
Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás20 21Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Foto 1 – Região do rio Itacaiunas, na Flona de Carajas. Foto: João Marcos Rosa
da Criação da UC, o que evidencia os desafios referentes à busca pela conci-
liação entre a proteção dos recursos e belezas naturais, das espécies da flora 
e fauna e dos vários ecossistemas presentes na floresta com a exploração mi-
neral, considerando os regramentos e zoneamento estabelecidos no Plano 
de Manejo da Flona de Carajás.
A diversidade de elementos da paisagem e a riqueza de espécies da flora e 
fauna, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, destacam a 
Flona de Carajás como uma das áreas que apresenta maiores diversidades 
biológicas na Amazônia. Além disso, as outras formações vegetais observadas 
na região, como as áreas de canga, associadas às áreas de afloramento ferrí-
fero, abrigam espécies bastante adaptadas a esse ambiente, sendo que algu-
mas ocorrem apenas nessa área, como a flor-de-carajás (Ipomea carajaensis).
O conjunto de áreas protegidas de Carajás, com sua extensão de quase 
1.400.000 hectares de florestas nativas, presta importantes serviços ambien-
tais à sociedade brasileira e ao planeta. A regulação do clima na Terra por meio 
da umidade gerada pela Floresta Amazônica, os “rios voadores” que são essen-
ciais à agricultura brasileira e ao abastecimento humano, além da proteção 
de mananciais importantes para diversos municípios da região do sudeste do 
Pará são alguns exemplos desses serviços, gratuitos e imprescindíveis à vida.
Ao norte do Projeto está a Área de Proteção Ambiental (APA) do Igara-
pé Gelado, município de Parauapebas. Essa Unidade de Conservação de 
uso sustentável foi criada pelo Decreto nº 97.718, de 5 de maio de 1989, 
com uma área de 21.600 hectares. Essa categoria de UC tem como objetivo 
principal promover o ordenamento territorial de uma região voltado para a 
conservação. A APA, composta por áreas privadas e públicas, ainda contém 
considerável cobertura vegetal nativa que serve como tampão do avanço 
das atividades humanas para as outras UCs da região, de categorias mais 
restritivas. Na APA são realizados projetos que objetivam a melhoria da per-
meabilidade da matriz por meio da diversificação das atividades produtivas, 
como o Projeto de Agroextrativismo que apoia a implementação da Siste-
mas Agroflorestais em propriedades de pequenos produtores. 
Na porção sul encontra-se o Parque Nacional (Parna) dos Campos 
Ferruginosos, criado pelo Decreto s/n, de 5 de junho de 2017, com 
uma área de 79.029 hectares, pertencente aos municípios de Canaã 
dos Carajás e Parauapebas. Essa unidade de proteção integral se sobre-
põe ao limite da Flona de Carajás em grande parte de sua extensão. 
Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás22 23Faunada Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Foto 2 – Parna dos Campos Ferruginosos. Foto: Fernando Marino
Na porção noroeste da Flona de Carajás e com parte de seu território em so-
breposição com a Floresta Nacional de Itacaiunas, está localizada a Floresta 
Nacional (Flona) do Tapirapé Aquiri, uma unidade de uso sustentável, criada 
por meio do Decreto nº 97.720, de 5 de maio de 1989, representando uma área 
de 190.000 hectares. Essa unidade ocupa parte dos municípios de São Félix do 
Xingu e Marabá, e tem como objetivo o uso múltiplo sustentável dos recursos 
florestais, além da pesquisa científica, com ênfase em métodos para explora-
ção sustentável de florestas nativas. Nessa Unidade também foi prevista no 
Decreto de Criação a manutenção dos direitos minerários já existentes no mo-
mento da criação da UC, de forma que abriga hoje a maior mina de cobre do 
Brasil – Projeto SALOBO. A unidade de conservação possui 5 trilhas ecológicas 
que servem de base para o projeto Comunidade Vai à Floresta, que permite 
que a sociedade tenha a oportunidade de interagir com a biodiversidade local.
Por sua vez, a Reserva Biológica (Rebio) do Tapirapé ocupa os mesmos mu-
nicípios, mas possui área relativamente menor, de 103.000 hectares, na porção 
norte da Flona Tapirapé Aquiri. Essa reserva, criada pelo Decreto nº 97.719, de 
5 de maio de 1989, objetiva a preservação integral da biota e demais atributos 
naturais existentes em seus limites, com ênfase para a pesquisa científica e a edu-
cação ambiental. A Rebio atualmente executa o protocolo de monitoramento 
contínuo da biodiversidade. Grupos de animais bioindicadores, como borbole-
tas e mamíferos de médio e grande portes, são monitorados com ajuda de vo-
luntários de comunidades do entorno e outros, selecionados e treinados através 
de editais do Programa Nacional de Voluntariado do ICMBio. Entre os objetivos 
estão a ampliação do conhecimento das espécies existentes na UC, bem como 
o acompanhamento de seus níveis populacionais e comunitários ao longo do 
tempo, frente às mudanças climáticas e possíveis impactos de origem humana.
Na porção oeste do conjunto de áreas protegidas de Carajás está localizada 
a Terra Indígena (TI) Xikrin do Cateté, habitada por povos isolados, Me-
bêngôkre Kayapó e Xikrin (Mebengôkre). Essa terra indígena foi reconhecida 
oficialmente a partir da homologação do Decreto nº 384, de 26 de dezem-
bro de 1991, com área de 439.000 hectares. Abrange parte dos municípios 
paraenses de Água Azul do Norte, Marabá e Parauapebas, e é a maior área 
protegida do conjunto de Carajás. Tem como objetivos a manutenção dos 
povos indígenas que a habitam de forma permanente e das suas atividades 
produtivas, assim como são imprescindíveis à preservação dos recursos ne-
cessários ao bem-estar dos povos e à sua reprodução física e cultural.Foto 3 – Vista aérea da Flona Itacaiunas. Foto: João Marcos Rosa
A criação desse parque teve como objetivo a proteção da diversidade 
biológica das Serras da Bocaina e do Tarzan, constitui-se como uma 
ação de compensação ambiental pela supressão de áreas de canga e 
cavernas para a instalação do Empreendimento de Ferro de S11D, ga-
rantindo assim a proteção e a manutenção de áreas testemunhos do 
patrimônio espeleológico e da vegetação de campos ferruginosos ou 
savanas metalófilas na Região de Carajás. O parque é a unidade de con-
servação com maior número de cavernas ferríferas do Brasil e abriga um 
grande número de cachoeiras e outros atrativos, apresentando grande 
potencial para o ecoturismo.
Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás24 25Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Foto 5 – Vista da Reserva Biológica (Rebio) do Tapirapé. Foto: João Marcos Rosa
Por fim, o conjunto de áreas protegidas de Carajás também conta com a 
Floresta Nacional (Flona) Itacaiunas, criada por meio do Decreto nº 2.480, 
de 2 de fevereiro de 1998, com 141.400 hectares, localizada no município 
de Marabá. Essa unidade de uso sustentável tem objetivos semelhantes aos 
da Flona Tapirape Aquiri, focando em pesquisas voltadas, principalmente, 
para o uso sustentável de suas florestas nativas, com Manejo Florestal Sus-
tentável de produtos madeireiros e não madeireiros.
Apesar de sua extensão e nível de proteção, o conjunto de áreas protegidas de 
Carajás é atualmente uma ilha de vegetação cercada por atividades agrope-
cuárias, o que impõe um desafio para a manutenção da conectividade e fluxo 
de espécies com outras áreas da floresta amazônica brasileira. Iniciativas como 
a publicação deste livro, voltado aos estudantes, visitantes e ao público em 
geral, são ações importantes para aumentar o conhecimento da população 
sobre a importância ecológica dessas áreas para a sociedade, significando, em 
última instância, sua própria existência, ao conservar áreas extensas para a re-
carga dos aquíferos, produção de chuvas, além de serem laboratórios inestimá-
veis e ainda pouco explorados para a produção de medicamentos, alimentos e 
produtos da floresta. Atividades estas que geram divisas para o país e para po-
pulações locais com a manutenção da floresta em pé, como os exemplos do 
açaí, óleos de copaíba e andiroba, jaborandi, castanha-do-pará e tantos outros. Foto 4 – Vista aérea da Flona do Tapirapé-Aquiri. Foto: João Marcos Rosa
Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás26
Foto 6 – Vista da Flona Itacaiunas. Foto: João Marcos Rosa
Foto 7 – Vista da Floresta Nacional de Carajás. Foto: Marcelo Rosa
Foto 8 – APA do Igarapé Gelado. Foto: Marcelo Rosa
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29Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Fauna da Floresta 
Nacional de Carajás, 
Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto 
Ambiental do Projeto 
N1 e N2
Para orientar os estudos biológicos sobre a flora e a fauna no âmbito do Es-
tudo de Impacto Ambiental (EIA) do Projeto N1 e N2, foi definida a Área de 
Estudo Local (AEL) do meio biótico considerando o espaço geográfico que 
circunda a área de ocupação prevista pelo projeto de engenharia necessá-
ria ao desenvolvimento do empreendimento, em extensão geográfica sufi-
ciente para identificação e avaliação dos organismos que ocorrem na região 
onde se pretende instalar o empreendimento.
O contexto geográfico de bacia hidrográfica foi um dos critérios adotados 
para a delimitação da AEL do meio biótico do Projeto N1 e N2, que se en-
contra dividida em duas grandes bacias do estado do Pará. A parte oeste 
está situada na bacia hidrográfica do rio Itacaiunas e a porção leste pertence 
à bacia do rio Parauapebas. Ainda, no contexto local, destacam-se as bacias 
hidrográficas que drenam a área do projeto pelo rio Azul e pelas drenagens 
que vertem para o Igarapé Gelado. Ao norte da Área de Estudo Local estão 
situadas as barragens do Gelado e Geladinho.
A referida AEL situa-se no domínio do bioma Amazônia, onde a cobertura ve-
getal nativa da região é, predominantemente, constituída pelas fisionomias 
Elaine Ferreira Barbosa 
Leandro Moraes Scoss 
Dinalva Celeste Fonseca 
Breno Chaves de Assis Elias 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza
Mazama americana 
(Veado-mateiro)
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N230 31Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Figura 2 – Localização da Área de Estudo Local (AEL) no Conjunto de 
Áreas Protegidas de Carajás
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Projeto
N1 e N2
APA do
Igarapé Gelado
Flona
do Itacaiunas
Parna dos Campos
Ferruginosos
TI Xikrin do
Rio Cateté
Canaã dos
Carajás
ParauapebasNúcleo Urbano 
de Carajás
50°0'0"W50°15'0"W50°30'0"W50°45'0"W
6°
0'
0"
S
6°
15
'0
"S
6°
30
'0
"S
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Ì
Ì
Ì
!(
Núcleo 
Urbano 
de Carajás
N3 (Fe)
N5 (Fe)
N4 (Fe)
Manganês Azul (Mn)
Projeto 
N1 e N2
Área de Estudo Local 
®
0 3 6 km
Zoneamento Ambiental da Flona de Carajás
Preservação
Primitiva
Manejo Florestal Sustentável
Uso Especial
Uso Público
Uso Conflitante
Mineração
Áreas Protegidas
Floresta Nacional de Carajás
Unidades de Conservação
Terras Indígenas
Área do Empreendimento
Projeto N1 e N2
Área de Estudo Local
Parauapebas
Água Azul do Norte
Canaã dos Carajás
Marabá
Parauapebas
Canaã dos Carajás
Fonte: Sete Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda.
Cacicus cela 
(Xexéu)
de Floresta Ombrófila Aberta, que ocupa regiões de encostas e de eleva-
da inclinação, e de Floresta Ombrófila Densa, que ocorre nos solos mais 
profundos nas planícies e nos relevos mais suaves das áreas montanhosas. 
Além das formações florestais, destaca-se a ocorrência de uma vegetação 
herbáceo-arbustiva típica de afloramentos ferruginosos. Os Campos Rupes-
tres Ferruginosos localizam-se nas porções de serras, nas regiões de maior 
elevação, cujo topo apresenta relevo suave e são designados como platôs.
A Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2, assim como as áreas das Minas 
N4, N5 e da Mina de Manganês do Azul, abriga vegetação típica das ser-
ras ferruginosas da região e ambientes florestais. As Minas N4 e N5 estão 
localizadas no Complexo Minerador Ferro Carajás na Serra Norte, e a Mina 
de Manganês do Azul está localizada na região dos platôs norte da Pro-
víncia Mineral de Carajás, todas na porção leste da AEL. O núcleo urbano 
de Carajás localiza-se a leste da área de estudo, conforme a indicação no 
mapa da Figura 2.
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Foto 11 – Perfil de vertente local, observada na 
porção interior do platô de N1. Em baixa vertente, é 
possível observar área onde está localizado um lago 
intermitente, nas proximidades do alojamento de N1. 
Foto 9 – Vista panorâmica da 
porção central do platô de N1.
Foto 10 – Relevo da região 
da Serra dos Carajás.
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N234 35Fauna da FlorestaNacional de Carajás – Serra Norte
Foto 12 – Vista parcial das vertentes que circundam ao 
norte o platô de N1. Fonte: Estudo de Impacto Ambiental 
(BRANDT, 2019).
O diagnóstico da fauna na área do Projeto N1 e N2 foi realizado pela equi-
pe técnica da Brandt Meio Ambiente Ltda., amparado pela Autorização para 
Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico - ABIO N° 903/2018 e Ofí-
cio SEI nº 306/2017-DIBIO/ICMBio, que compõe o Estudo de Impacto Am-
biental do empreendimento. Os estudos foram realizados por especialistas e 
considerou vários outros estudos que já haviam sido realizados na área onde 
está localizado o projeto, além dos trabalhos de campo para complementar 
as informações sobre insetos (entomofauna) de importância sanitária, anfí-
bios e répteis (herpetofauna), pequenos mamíferos não voadores (masto-
fauna) e biota aquática.
Esses estudos foram apresentados ao IBAMA e ICMBIO como parte do pro-
cesso do licenciamento ambiental do empreendimento. Entretanto, as in-
formações do EIA seguem normas específicas e linguagem muito técnica. 
Após a conclusão do estudo ambiental, a equipe de especialistas da Sete 
Soluções e Tecnologia Ambiental organizou o conhecimento e produziu 
novos textos para auxiliar na divulgação sobre a “Fauna da Floresta Nacional 
de Carajás, Serra Norte”. 
Neste livro apresentamos a fauna silvestre registrada na área do Projeto N1 
e N2 de maneira mais objetiva e ilustrada. E assim, partindo do princípio de 
que é preciso conhecer para preservar, buscamos chamar a atenção para a 
composição e importância da fauna local e, como consequência, estabe-
lecer medidas de conservação e proteção que sejam tomadas em sintonia 
com a implantação e operação do Projeto N1 e N2.
Bom, mas você sabe o que significa fauna? Fauna é o nome dado para 
representar todos os animais que vivem em uma determinada região, in-
dependentemente das diferenças de tamanho, cor, comportamento ou 
ambiente em que se desenvolvem, alimentam, reproduzem etc. Todos os 
animais fazem parte da fauna ou, se preferir, do mundo animal. Para facilitar 
o trabalho dos especialistas, os grupos de animais podem ser separados e 
organizados da seguinte forma: Entomofauna (insetos), Ictiofauna (peixes), 
Herpetofauna (répteis e anfíbios), Avifauna (aves), Mastofauna (mamíferos) 
e Biota Aquática, que reúne diferentes formas de vida do ambiente aquáti-
co, incluindo, por exemplo, o fitoplâncton, o zooplâncton e os organismos 
bentônicos ou zoobêntons.Foto 13 – Vista aérea da fitofisionomia de Savana Metalófila 
(Vegetação Rupestre sobre Canga). Fonte: Estudo de 
Impacto Ambiental (BRANDT, 2019).
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N236 37Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Os resultados que ilustram cada um dos capítulos deste livro, como não po-
deria ser diferente, reforçam que a região mantém uma fauna amazônica 
muito rica e diversa que, por sinal, é uma característica de toda a região da 
Flona de Carajás e do próprio bioma Amazônia. Reunindo todos os grupos 
da fauna estudados, tanto do ambiente terrestre como do ambiente aquáti-
co, foi possível produzir este livro sobre a Fauna do Projeto N1 e N2. 
Ao todo foram exatamente 1.478 táxons de animais identificadas na área de 
estudo local do Projeto N1 e N2 (Figura 3). Em geral, para todos os grupos, esse 
número expressivo de animais indica uma boa qualidade dos ambientes natu-
rais dessa porção da Flona de Carajás. É uma das principais razões que o estudo 
ambiental destaca como fundamental para assegurar a sobrevivência, a viabili-
dade e a permanência de todas as espécies na região, no médio e longo prazo.
O maior número de animais foi identificado para um grupo de pequenos 
organismos que compõem a biota aquática, os fitoplânctons (algas e bacté-
rias), com um total de 448 táxons. As aves aparecem em segundo lugar, com 
312 espécies diferentes, seguidas pelos zooplânctons (pequenos animais), 
com 293 táxons, e pelos organismos bentônicos (insetos aquáticos, minho-
cas, caracóis de água doce, camarões, entre outros), com 100 táxons.
Figura 3 – Fauna do Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no 
 âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N2
448
312
293
100
77
67
46
40
38
29
20
8
0 100 200 300 400 500
Fitoplâncton
Aves
Zooplâncton
Organismos bentônicos
An�sbenas, Lagartos e Serpentes
Morcegos
Anfíbios
Insetos - dípteros vetores
Médios e grandes mamíferos
Peixes
Pequenos mamíferos
Quelônios e Jacarés
Número de animais
Fonte: Sete Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda.
Você sabia que TÁXON é uma unidade utilizada pelos pesquisadores no sistema de classi-
ficação científica de todos os seres vivos? Essa unidade ajuda na divisão dos organismos 
vivos em Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. A ciência responsável pela 
criação das regras de classificação e identificação dos seres vivos é chamada de Taxonomia 
e tem como objetivo reconhecer os grupos de seres vivos e dar um nome para cada um dos 
grupos e organismos.
As anfisbenas, lagartos e serpentes somam 77 espécies, enquanto o to-
tal de morcegos que ocorrem na região do Projeto N1 e N2 chega a 67 
espécies. Mesmo sendo animais tão diferentes em diversos aspectos, o 
número total de espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas), de insetos 
vetores de importância para a saúde pública e de mamíferos de médio e 
grande portes é parecido. Ao todo foram identificadas 46 espécies de an-
fíbios, 40 de insetos vetores (mosquitos e carapanãs) e 38 mamíferos com 
peso corporal maior que 2 kg, incluindo desde os menores macacos até 
as antas e as onças-pintadas. Os grupos de animais com menor número 
de espécies na área do Projeto N1 e N2 foram os pequenos mamíferos, 
com 20 espécies, incluindo roedores (ratos) e marsupiais (gambás e cuí-
cas); os peixes de água doce, com 29 espécies, e as tartarugas e jacarés, 
que juntos totalizam apenas oito espécies.
A lista com a classificação taxonômica de cada um dos 1.478 táxons de ani-
mais identificados durante o estudo ambiental na área do Projeto N1 e N2 é 
apresentada em formato digital (Link Site e QR code). Esperamos que você, 
leitor, goste das informações e das fotos dos animais que vivem na Serra 
Norte da Floresta Nacional (Flona) de Carajás.
Antes, porém, é importante dizer que a taxonomia é a ciência que dá nome 
às espécies. Na leitura dos capítulos, o texto apresenta algumas abreviações, 
representadas por gr., aff., cf. ou sp. Estas são utilizadas na taxonomia para in-
dicar uma espécie que não pôde ser identificada. Alguns dos nomes empre-
gados no estudo ambiental do Projeto N1 e N2 provavelmente não repre-
sentam de forma precisa a situação taxonômica de certas espécies, devido 
à carência de estudos recentes sobre a sua taxonomia que permita identifi-
cá-las até o nível específico. Isso ocorre porque alguns indivíduos coletados 
durante os estudos não possuem exatamente as características previamen-
te estabelecidas pela taxonomia que permita a sua completa identificação. 
Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito 
do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N238
Em alguns casos, a identificação somente é possível a partir de análises 
 genéticas, que, até o momento, não foram realizadas, haja vista que não era 
objeto da metodologia proposta para este estudo. 
Para Anfíbios Anuros, por exemplo, sete são as espécies que se enquadram 
nessa situação (Rhinella gr. margaritifera, Ameerega aff. flavopicta, Boana 
sp., Dendropsophus gr. microcephalus, Scinax sp., Adenomera sp. e Adeno-
mera aff. hylaedactyla). Outras duas não puderam ser identificadas de ma-
neira precisa porque foram registradas apenas a partir do seu canto, sem 
a captura do adulto (Hyalinobatrachium sp.) ou porque foram registradas 
apenas por meio de indivíduos jovens(Elachistocleis cf. carvalhoi), o que 
dificulta sua determinação.
No caso da Ictiofauna, considerando os registros de peixes na Serra Norte, 
16 são as espécies de peixes que se enquadram nessa situação: Astyanax 
sp., Bryconamericus sp., Characidium sp., Creagrutus sp., Knodus sp. 1, Knodus 
sp. 2, Moenkhausia sp. Imparfinis sp., Ancistrus sp., Aspidoras sp., Harttia sp., 
Hypostomus gr. cochliodon, Lasiancistrus sp., Otocinclus sp., Trychomycterus 
sp. e Cichla sp.
Para a Biota Aquática, a carência de estudos sobre a classificação desses 
organismos e o registro de táxons em estágios larvais, como os náuplios 
e copepoditos, entre os crustáceos copépodas, são os principais fatores 
que não permitem representar de forma precisa a situação taxonômica 
de algumas espécies. A alteração dos nomes e organização das classifi-
cações são bastante comuns, principalmente dentre o fitoplâncton e 
zooplâncton, e ocorre porque as técnicas adotadas pelos pesquisadores 
estão sendo aperfeiçoadas a cada dia. Mesmo assim, os resultados sobre 
a Biota Aquática do Projeto N1 e N2 apresenta uma série de organismos 
com alguma imprecisão taxonômica, assim como diversos outros estu-
dos, sendo às vezes possível identificar o animal apenas até o nível de 
classe, ordem ou família.
"Direcione a câmera do seu celular para 
o QR Code ao lado e tenha acesso à lista 
digital completa com todos os 1.478 táxons 
identificados na área do Projeto N1 e N2."
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Desova arbórea 
de anfíbio 
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Pequenos 
Mamíferos 
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte 45
Hylaeamys 
megacephalus
(Rato-do-mato)
Pequenos 
Mamíferos 
Não Voadores 
Os pequenos mamíferos não voadores, como o próprio nome diz, são os 
mamíferos de pequeno porte que não voam. Compreendem os marsu-
piais (Ordem Didelphimorphia), popularmente conhecidos como gambás 
e cuícas, e os pequenos roedores (Ordem Rodentia), conhecidos como 
ratos, com peso até 2 kg. Esse grupo de animais forma a base da pirâmide 
alimentar, da qual dependem praticamente todos os outros grupos que 
vêm acima deles, especialmente os animais carnívoros, sejam eles outros 
mamíferos, aves ou répteis. São predominantemente noturnos e apresen-
tam diferentes hábitos de vida, podendo ser arborícolas (quando vivem 
somente nas árvores), escansoriais (animais que vivem tanto nas árvores 
como no chão), fossoriais ou semifossoriais (quando vivem em tocas ou 
abaixo do solo), cursoriais (vivem estritamente no chão) e semiaquáticos 
(passam boa parte do seu tempo dentro d’água). Dessa forma, ocupam 
diversos ambientes, desde campos e outros tipos de hábitats com vege-
tação aberta naturais até florestas, nas suas mais variadas formas, tipolo-
gias e graus de preservação.
A expressão popular “tamanho não é documento” se aplica muito bem aos 
pequenos mamíferos não voadores. Diferentes espécies desse grupo de-
sempenham funções ecológicas fundamentais na dinâmica dos ecossiste-
mas naturais, como dispersores de sementes e fungos, como reguladores de 
populações de plantas (por meio do consumo de folhas, frutos e sementes) 
Bernardo Faria Leopoldo 
Eduardo Lima Sábato 
Natália Ardente 
Leandro Moraes Scoss
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ál
ia
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te
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores46 47
e de insetos e outros animais invertebrados, ou ainda como polinizadores 
de algumas espécies de plantas. Embora as informações que normalmen-
te chegam ao público em geral estejam fortemente associadas às espécies 
comuns nas áreas urbanas, como o rato-comum (Rattus rattus), a ratazana 
(Rattus norvergicus) e o camundongo (Mus musculus), os pequenos mamífe-
ros não voadores são considerados peças-chave na manutenção e na con-
servação da biodiversidade de ambientes naturais.
Como outros animais, os pequenos mamíferos não voadores respondem 
rapidamente às alterações e impactos ambientais (como o desmatamen-
to e as queimadas), assim como ao processo de fragmentação de hábi-
tats. Essas modificações normalmente provocam a diminuição do núme-
ro de espécies que ocorrem em determinado lugar e, por consequência, 
alguns processos ecológicos são afetados, ocasionando uma perda da 
qualidade ambiental.
Diversas espécies desse grupo apresentam ainda importância médica e 
epidemiológica, funcionando como reservatórios de agentes causadores 
de diversas doenças que podem afetar o ser humano, tais como: Leptos-
pirose, Esquistossomose, Leishmaniose, Hantavirose e Doença de Chagas. 
Por outro lado, também vêm sendo utilizadas em alguns estudos como 
sentinelas para fatores de ameaças à saúde humana, servindo como indi-
cadores da presença de contaminantes ambientais, bactérias ultrarresis-
tentes e vírus. Assim, as alterações nos ambientes onde ocorrem essas es-
pécies devem ser feitas sempre com responsabilidade e bastante cuidado, 
para evitar desequilíbrios que, além de prejudicá-las, podem afetar a saúde 
e o bem-estar humano.
Atualmente são conhecidas no Brasil 268 espécies de pequenos mamífe-
ros não voadores, o que os torna o grupo de maior riqueza, em número de 
espécies, dentre as 701 espécies listadas para todo o território nacional. So-
mente na Amazônia ocorrem 110 espécies, sendo 27 de marsupiais e 83 de 
roedores, incluindo 73 espécies que somente são encontradas neste bioma, 
tecnicamente chamadas de espécies endêmicas. É importante mencionar 
que esses números aumentam à medida que são aplicadas novas técnicas 
de laboratório, principalmente análises genéticas e moleculares, que vêm 
auxiliando os pesquisadores no processo de identificação e na descoberta 
de novas espécies para a ciência.
Na região da Floresta Nacional de Carajás, sudeste do estado do Pará, 
onde se insere o Projeto de Mineração N1 e N2, estudos recentes reve-
laram a presença de 31 táxons de pequenos mamíferos não voadores, 
sendo 12 de marsupiais e 19 de pequenos roedores. Desse total, pelo 
menos 11 espécies são endêmicas da Amazônia, e seis apresentam im-
precisão taxonômica, ou seja, necessitam de estudos mais aprofundados 
para que sua correta identificação em nível específico seja confirmada 
para a região. 
Este capítulo apresenta as espécies de pequenos mamíferos não voadores 
registradas na Área de Estudo Local (AEL) do Projeto de Mineração N1 e N2 
inserido no Complexo Minerador Ferro Carajás, a fim de disponibilizar um 
acervo técnico-específico da fauna local.
Os Pequenos Mamíferos Não Voadores 
da Flona de Carajás, Serra Norte
Os estudos realizados na Área de Estudo Local (AEL) do Projeto N1 e N2 reve-
laram a presença de 20 táxons de pequenos mamíferos não voadores, sendo 
nove marsupiais e 11 roedores. Todos os marsupiais pertencem à família Di-
delphidae, única família da Ordem Didelphimorphia. Já os roedores perten-
cem a duas famílias (Cricetidae e Echimyidae). Desse total, três táxons não 
puderam ser identificados em nível de espécie de forma precisa, por serem 
complexos e necessitarem de revisões taxonômicas mais refinadas.
A comunidade de pequenos mamíferos não voadores local é formada, em 
sua maior parte, por táxons de ampla distribuição geográfica, que ocorrem 
em mais de um bioma brasileiro. Nenhum dos táxons listados encontra-se 
ameaçado de extinção, de acordo com as listas consultadas em âmbito 
estadual, nacional e global. Ressalta-se, no entanto, o registro de espécies 
endêmicas do bioma amazônico, como os marsupiais Didelphis marsupia-
lis (gambá), Marmosops pinheroi (cuíca) e Monodelphis glirina (catita), além 
dos roedores Oligoryzomys microtis (rato-do-mato), Oxymycterus amazo-
nicus (rato-do-brejo) e Rhipidomys emiliae (rato-da-árvore). Por serem es-
pécies com hábitos escansoriais, arborícolas, semifossoriais (no caso de 
Monodelphis touan) e/ou dependentes de uma estrutura mais complexa 
Fauna da FlorestaNacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores48 49
de ambientes florestais (por exemplo, a presença de troncos caídos no 
chão, sub-bosque e dossel), essas espécies normalmente são reconheci-
das como indicadoras de hábitats florestais.
A espécie de roedor Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do-mato) e o mar-
supial Monodelphis touan (cuíca-de-rabo-curto), segundo a literatura cien-
tífica, representam interesses científicos para a região da Flona de Carajás, 
sudeste do Pará, em virtude do pouco conhecimento que se tem sobre 
elas, seja no que diz respeito às suas distribuições geográficas e níveis de 
endemismos locais, ao tamanho e tendência de suas populações, seja no 
que se refere à definição do conhecimento taxonômico desses animais.
O roedor Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do-mato) foi considerado 
neste estudo como “aff.”, ou seja, refere-se a um táxon que apresenta afi-
nidades com a espécie já descrita (Euryoryzomys emmonsae), mas com 
divergências em relação à descrição dela. Neste caso, o registro poderia 
corresponder a um sinônimo de Euryoryzomys emmonsae (rato-do-mato), 
estando incluída na mesma, ou poderia pertencer a uma espécie com 
parentesco taxonômico próximo. Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do-
-mato) foi considerado táxon endêmico pelo fato de as duas possíveis 
espécies do gênero Euryoryzomys com distribuição conhecida para a área 
de estudo (Euryoryzomys macconnelli e Euryoryzomys emmonsae) também 
serem endêmicas e ocorrerem de forma simpátrica nas áreas de floresta 
da Flona de Carajás, além de suas distribuições geográficas serem restritas 
à região sudeste da Amazônia.
Além dessas espécies, cabe mencionar dois casos de imprecisões taxo-
nômicas, nos quais a identificação dos táxons em nível específico não foi 
possível. No caso de Oecomys gr. bicolor / cleberi (rato-do-mato), o táxon 
pertence a um complexo de espécies que atualmente compreende Oe-
comys bicolor e Oecomys cleberi, e cujas relações de parentesco ainda não 
foram completamente esclarecidas pelos especialistas. De forma seme-
lhante, Akodon gr. cursor (rato-do-chão) pertence a uma das espécies do 
grupo cursor, que inclui Akodon cursor, Akodon montensis, Akodon reigi e 
Akodon paranaensis, assim como espécies afins. As espécies identifica-
das como “gr.” referem-se àquelas que pertencem ao grupo ou complexo 
de espécies que ainda precisam ser revisadas e descritas, separadamen-
te. Esses exemplos reforçam a necessidade de captura e coleta desses 
animais durante a realização de estudos ambientais em campo, pois a 
correta identificação, em muitos casos, somente é possível a partir de 
análises específicas realizadas por profissionais experientes, em ambien-
te de laboratório ou com apoio de instituições que mantêm coleções 
científicas de referência. A coleta de espécimes testemunho é, portanto, 
fundamental para o avanço da pesquisa científica, lembrando que esse 
procedimento deve ser feito por profissional habilitado e devidamente 
autorizado pelo órgão ambiental.
Os resultados do diagnóstico indicam que, em geral, grande parte da 
mastofauna amazônica de pequeno porte não voadora é representa-
da por espécies que apresentam diferentes tamanhos, hábitos e formas 
de interagir com o ambiente em que vivem. Grande parte dos animais 
que compõem esse grupo possui predominantemente hábito noturno, 
o que dificulta a sua visualização, sendo necessário o uso de métodos 
específicos para a sua amostragem durante atividades de campo. Mesmo 
utilizando armadilhas próprias para a captura de pequenos mamíferos, 
algumas espécies arborícolas dificilmente são capturadas em estudos de 
curta duração. Muitas delas são registradas somente em estudos de longa 
duração ou nos chamados programas de monitoramento. Nesse sentido, 
os estudos já realizados na Serra Norte de Carajás, incluindo o diagnóstico 
do Projeto N1 e N2, vêm revelando informações importantes sobre os 
pequenos mamíferos não voadores, o que contribui de forma expressiva 
para a conservação da natureza da Flona de Carajás e de toda a região.
Pequenos Mamíferos Não Voadores50
Espécie: Caluromys philander
Nome popular: Cuíca-lanosa, mucura-xixica
Família: Didelphidae
Peso corporal: 140 a 390 gramas
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado e Pantanal
Hábitos: Dieta Frugívora / Onívora e hábito 
de locomoção arborícola
Espécie: Marmosa murina
Nome popular: Catita, cuíca
Família: Didelphidae
Peso corporal: 52 gramas (adulto)
Distribuição: Amazônia, Mata 
Atlântica, Cerrado e Pantanal
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e 
hábito de locomoção escansorial
Espécie: Marmosa (Micoureus) demerarae
Nome popular: Cuíca
Família: Didelphidae
Peso corporal: 90 a 150 gramas
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado e Caatinga
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito 
de locomoção arborícola
Guia 
fotográfico
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Espécie: Didelphis marsupialis
Nome popular: Gambá, mucura
Família: Didelphidae
Peso corporal: 1,0 a 1,7 kg
Distribuição: Restrita à Amazônia 
(espécie endêmica)
Hábitos: Dieta Frugívora / Onívora 
e hábito de locomoção escansorial
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Espécie: Marmosa pinheroi
Nome popular: Cuíca
Família: Didelphidae
Peso corporal: 19 a 33 gramas
Distribuição: Restrita à Amazônia 
(espécie endêmica)
Hábitos: Dieta Insetívora / 
Onívora e hábito de locomoção 
escansorial
Espécie: Metachirus nudicaudatus
Nome popular: Cuíca-de-quatro-olhos
Família: Didelphidae
Peso corporal: 300 a 480 gramas
Distribuição: Amazônia, Mata 
Atlântica, Cerrado e Pantanal
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora 
e hábito de locomoção cursorial 
(terrestre)
Espécie: Monodelphis glirina
Nome popular: Catita, cuíca-de-rabo-curto
Família: Didelphidae
Peso corporal: 50 gramas (adulto)
Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie 
endêmica)
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
Espécie: Monodelphis touan
Nome popular: Catita, cuíca-de-rabo-curto
Família: Didelphidae
Peso corporal: 84 gramas (adulto)
Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie 
endêmica)
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
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Espécie: Philander opossum
Nome popular: Cuíca-de-quatro-olhos
Família: Didelphidae
Peso corporal: 280 a 700 gramas
Distribuição: Amazônia, Cerrado e 
Pantanal
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e 
hábito de locomoção escansorial
Espécie: Akodon aff. cursor
Nome popular: Rato-do-chão
Família: Cricetidae
Peso corporal: 30 a 70 gramas
Distribuição: Amazônia, Mata 
Atlântica, Cerrado e Caatinga
Hábitos: Dieta Insetívora / 
Onívora e hábito de locomoção 
cursorial (terrestre)
Espécie: Euryoryzomys aff. emmonsae
Nome popular: Rato-do-mato
Família: Cricetidae
Peso corporal: 64 a 78 gramas
Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie 
endêmica)
Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
Espécie: Holochilus sciureus
Nome popular: Rato-d’água
Família: Cricetidae
Peso corporal: 90 a 200 gramas
Distribuição: Amazônia, Cerrado e 
Caatinga
Hábitos: Dieta Frugívora / Herbívora 
e hábito de locomoção semiaquático
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Espécie: Hylaeamys megacephalus
Nome popular: Rato-do-mato
Família: Didelphidae
Peso corporal: 60 gramas (adulto)
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado e Pantanal
Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
Espécie: Necromys lasiurus
Nome popular: Pixuna, rato-do-mato
Família: Cricetidae
Peso corporal: 40 a 80 gramas
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e PampasHábitos: Dieta Frugívora / Onívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
Espécie: Nectomys rattus
Nome popular: Rato-d’água
Família: Cricetidae
Peso corporal: 130 a 350 gramas
Distribuição: Amazônia, Cerrado, 
Caatinga e Pantanal
Hábitos: Dieta Frugívora / 
Onívora e hábito de locomoção 
semiaquático
Espécie: Oecomys gr. bicolor/ cleberi
Nome popular: Rato-da-árvore
Família: Cricetidae
Peso corporal: 28 gramas (adulto)
Distribuição: Amazônia e Cerrado
Hábitos: Dieta Frugívora e hábito de 
locomoção cursorial (terrestre)
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Espécie: Oligoryzomys microtis
Nome popular: Rato-do-mato
Família: Cricetidae
Peso corporal: 20 gramas (adulto)
Distribuição: Restrita à Amazônia 
(espécie endêmica)
Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora 
e hábito de locomoção escansorial
Espécie: Oxymycterus amazonicus
Nome popular: Rato-do-brejo
Família: Cricetidae
Peso corporal: 76 gramas (adulto)
Distribuição: Restrita à Amazônia 
(espécie endêmica)
Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e 
hábito de locomoção semifossorial
Espécie: Rhipidomys emiliae
Nome popular: Rato-da-árvore
Família: Cricetidae
Peso corporal: 82 gramas (adulto)
Distribuição: Restrito à Amazônia 
(espécie endêmica)
Hábitos: Dieta Frugívora (predador 
de sementes) e hábito de 
locomoção arborícola
Espécie: Proechimys roberti
Nome popular: Rato-de-espinho
Família: Echimyidae
Peso corporal: 101 gramas (adulto)
Distribuição: Amazônia e Cerrado
Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e 
hábito de locomoção cursorial (terrestre)
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Morcegos
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65Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Pteronotus cf. 
rubiginosus 
(Morcego)
Morcegos
Os morcegos pertencem à ordem Chiroptera. “Chiro” significa mão e “Ptera”, 
asas. São os únicos mamíferos capazes de realizar voo mecânico verdadei-
ro, ou seja, empregam as asas para gerar e manter a propulsão no desloca-
mento aéreo. Em relação à estrutura esquelética, as asas dos morcegos são 
semelhantes aos membros anteriores dos demais vertebrados (como braços 
de humanos ou patas dianteiras de outros animais). Ao longo da história 
evolutiva dos mamíferos, o aparato especializado para voar foi selecionado, 
conferindo essa habilidade tão característica a esse grupo conhecido como 
quirópteros, quiropterofauna, pequenos mamíferos voadores ou popular-
mente apenas morcegos.
Os morcegos apresentam hábitos noturnos, voando preferencialmente nesse 
período. Durante o dia, recolhem-se em abrigos variados: ocos de árvores, fo-
lhagens, fendas em paredões rochosos, cavernas e em habitações humanas. 
Ocorrem em diferentes ambientes em todo o mundo, estando ausentes ape-
nas nas regiões polares e em algumas ilhas oceânicas. Há maior diversidade de 
morcegos nas regiões tropicais, usualmente em áreas recobertas por florestas. 
Atualmente, são cerca de 1.460 espécies de morcegos descritas, tornando-as 
responsáveis por mais de 25% de todas as espécies conhecidas de mamíferos 
em todo o mundo, atrás apenas dos roedores, em número de espécies. 
A grande quantidade de espécies e a ocorrência em vários continentes se 
devem, além da capacidade de voo, aos diferentes tipos de hábitos alimen-
tares e estratégias que os morcegos desenvolveram para procurar alimento. 
Carla Clarissa Nobre de Oliveira
Morcegos66 67Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Existem morcegos que consomem frutos, insetos, outros animais vertebra-
dos de pequeno porte, peixes, néctar e sangue, o que indica que exploram 
vários ambientes e executam diferentes estilos de voo, conforme o tipo de 
alimento que procuram. Os hábitos diversos fazem dos morcegos um dos 
pilares na manutenção e restauração do ambiente natural. As espécies fru-
gívoras (que se alimentam de frutos) atuam como dispersores de sementes, 
que são carreadas durante o voo, auxiliando a manutenção e a regeneração 
das florestas. Morcegos nectarívoros (que se alimentam de néctar das flores) 
polinizam várias espécies de plantas durante a atividade de alimentação. Já 
espécies insetívoras e carnívoras, que se alimentam de insetos e outros ani-
mais, respectivamente, controlam populações de invertebrados e pequenos 
vertebrados, diminuindo o tamanho das populações de animais considera-
dos pragas agrícolas, além de contribuírem para a manutenção do equilíbrio 
dos ecossistemas. Estima-se que morcegos insetívoros, ao consumirem suas 
presas (diferentes tipos de insetos), produzem uma economia da ordem de 
bilhões de dólares com o controle de pragas e a consequente redução de 
perdas na produção agrícola.
Quanto à reprodução, os morcegos apresentam longo período de gestação e 
proles de maior tamanho corporal em relação a mamíferos de mesmo porte. A 
maioria das espécies tem apenas um filhote por gestação, podendo chegar a 
quatro em algumas espécies da família Vespertilionidae. O processo é bastan-
te custoso para as fêmeas, em especial durante o período de amamentação 
do filhote. Por isso, a maioria das espécies tende a sincronizar o período repro-
dutivo com épocas do ano em que há maior disponibilidade de alimento. Já 
as espécies hematófagas (que se alimentam de sangue), que não enfrentam 
restrição de alimento provocada pelas mudanças de clima entre as estações 
do ano (época seca e chuvosa), podem produzir mais de um filhote por ano.
De modo geral, alimento e abrigo são os principais fatores que determinam 
a ocorrência ou não de morcegos em uma região. Assim, quaisquer altera-
ções ambientais podem afetar a ocorrência desse grupo. Essa característica 
é normalmente utilizada pelos pesquisadores como indicador de qualidade 
ambiental: quanto mais espécies de morcegos, melhor a qualidade do am-
biente. Ademais, a grande variedade de serviços ecossistêmicos desempe-
nhados pelos morcegos evidencia a importância que possuem para a ma-
nutenção e conservação dos ambientes naturais.
Os Morcegos da Flona de 
Carajás, Serra Norte
O Brasil possui uma das maiores riquezas de morcegos, abrigando mais de 
15% de todas as espécies conhecidas no mundo. São pelo menos 182 espé-
cies identificadas no território nacional, distribuídas em nove famílias e 69 
gêneros. Na região amazônica, essa riqueza atinge o número impressionante 
de 146 espécies, correspondendo a mais de 80% de toda a diversidade de 
morcegos conhecida para o Brasil. Além disso, 46 espécies são endêmicas 
do bioma amazônico, o que significa que possuem distribuição geográfica 
restrita à Amazônia. O estado do Pará ostenta a maior diversidade de qui-
ropterofauna, totalizando pelo menos 120 espécies. Com o incremento de 
estudos taxonômicos do grupo, uma maior riqueza poderá ser identificada 
para todo o território brasileiro. 
A Flona de Carajás, área de estudo do Projeto N1 e N2, está entre as mais 
ricas em número de espécies de morcegos, compreendendo 75 espécies, 
distribuídas em oito famílias e 46 gêneros. A região se caracteriza por abri-
gar diferentes tipos de ambientes naturais, reunindo áreas florestais, sava-
nas e cavernas, o que contribui para aumentar a riqueza desse importante 
grupo de animais. Estudos sugerem que a região da Flona de Carajás seja 
considerada prioritária para a conservação de mamíferos, especialmente 
em razão dos morcegos.
Os dados considerados para o estudo ambiental relativo ao Projeto N1 e 
N2 contemplam os levantamentos de campo realizados em toda a região 
do Projeto, incluindo as áreas N1, N3, N4 e N5. Esses trabalhos desenvolvi-
dos por muitos profissionais e especialistas resultaram na identificação de 
67 espécies de morcego, pertencentes a sete famílias e 42 gêneros. Entre 
os animais registrados, dois não puderam ser identificados no menor nível 
taxonômico (espécie):Vampyressa sp. e Eptesicus sp. A maior parte das es-
pécies apresenta ampla distribuição geográfica, incluindo registros além da 
região da Serra Norte e Amazônia. Do total de espécies, sete são conside-
radas endêmicas do bioma amazônico, o que significa que até o presente 
momento todos os registros estão no bioma da Amazônia.
O grupo de morcegos mais representativo nos estudos realizados para 
o Projeto N1 e N2 foi a família Phyllostomidae. Essa família se caracteriza 
Morcegos68 69Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
por indivíduos que apresentam folha nasal (nome dado a uma estrutura 
encontrada na extremidade de focinhos de alguns morcegos), formada 
por modificação na forma da cartilagem ao redor das narinas, responsá-
vel pelo direcionamento das emissões sonoras durante a ecolocalização, 
que nos morcegos funciona como um órgão de sentido, assim como o 
tato, considerada uma sofisticada capacidade biológica de detectar a po-
sição e/ou distância de objetos ou animais através de emissão de ondas 
ultrassônicas, como um sonar (que o homem não é capaz de perceber). 
Essa família também apresenta a maior diversidade de hábitos alimen-
tares entre os quirópteros do Brasil. Na área do Projeto N1 e N2 foram 
confirmadas 51 espécies de filostomídeos, representando mais de 75% 
da riqueza de quirópteros em toda a área do projeto. Entre os registros, 
destacam-se a espécie Lochorhina aurita, que usa exclusivamente caver-
nas e é considerada vulnerável à extinção na lista de espécies ameaça-
das no Brasil (MMA, 2014), bem como Micronycteris homezorum, Phyllos-
tomus latifolius, Ametrida centurio, Mesophylla macconnelli, Platyrrhinus 
brachycephalus, Vampyriscus bidens e Vampyriscus brocki, que apresentam 
distribuição geográfica restrita (endêmicas) ao bioma amazônico. Já as 
espécies inseridas nas subfamílias Micronycterinae, Lonchorhininae, Phyl-
lostominae e Glyphonycterinae são consideradas indicadoras ambientais, 
pois quando são identificadas em determinada localidade indicam que 
os ambientes estão bem preservados.
Você já ouviu falar que os morcegos ficam somente de cabeça para baixo e que são cegos? 
A posição usual de morcegos quando pousados é de cabeça para baixo. Nesse arranjo, é mais 
fácil iniciar o voo, pois se minimiza o gasto de energia em relação à saída partindo do chão, 
como fazem as aves. Outro mito bastante comum é de que morcegos seriam cegos. A crença 
se originou possivelmente pelos hábitos noturnos desse grupo. Quirópteros apresentam visão 
adaptada para deslocamento à noite, além de contarem com uma peculiaridade que os auxi-
lia durante o voo – a ecolocalização. Esse sistema emite e recebe sons de frequência bem alta 
 (ultrassons), inaudíveis ao ouvido humano. O sonar permite a detecção de presas e a orientação 
espacial dos morcegos durante o voo. Mas eles não são cegos!
As demais famílias contribuíram com 23,8% da riqueza de quirópteros na 
área do Projeto N1 e N2. A segunda família mais representativa nos estudos 
realizados foi Vespertilionidae, com cinco espécies registradas. Essa família 
se caracteriza por morcegos insetívoros de porte pequeno a médio e olhos 
pequenos, com cauda fina inserida completamente na membrana entre as 
pernas, o chamado uropatágio, que auxilia esses morcegos na captura de 
insetos durante as atividades de procura de alimento. Todos os vespertilioní-
deos registrados apresentam ampla distribuição no Brasil, com ocorrências 
além da região amazônica.
A família Mormoopidae contou com registros de três espécies, Pteronotus 
gymnonotus, P. personatus e P. rubiginosus, das quais apenas a última é 
considerada endêmica ao bioma amazônico. Os mormopídeos da área 
do Projeto N1 e N2 apresentam orelhas estreitas, porte pequeno ou mé-
dio e são chamados “mustached bats” ou “morcegos-com-bigode” ou ainda 
 “naked-backed-bats” que significa “morcegos-das-costas-nuas”, de acordo 
com a espécie. Apresentam hábitos insetívoros e costumam formar grandes 
colônias em cavernas na região da Flona de Carajás, que passam a ser cha-
madas Bat caves ou “cavernas de morcegos”.
As famílias Natalidae e Furipteridae apresentam uma única espécie cada 
uma, Natalus macrourus e Furipterus horrens, e ambas as espécies são consi-
deradas ameaçadas de extinção, categoria Vulnerável (COEMA, 2007; MMA, 
2014). Finalmente, a família Molossidae foi representada por uma única es-
pécie, Neoplatymops mattogrossensis. Caracteriza-se por apresentar cauda 
comprida, com porção final livre, e por asas longas e estreitas, de porte mé-
dio ou grande. Parte do mito de esses morcegos serem ratos velhos se ex-
plica pelos molossídeos, que habitam forros de habitações humanas, onde 
também circulam ratos.
Você sabia que, apesar de existirem mais de 1.400 espécies de morcegos no mundo inteiro, ape-
nas três se alimentam de sangue? São elas: Desmodus rotundus (morcego-vampiro-comum), 
Diphylla ecaudata (morcego-vampiro-da-perna-peluda) e Diaemus youngi (morcego-vampiro-
-da-asa-branca), todas ocorrem apenas na região neotropical. Dessas, apenas D. rotundus se 
alimenta de sangue de mamíferos (em especial, gado e outros animais de criação), enquanto 
D. ecaudata e D. youngi preferem consumir sangue de aves. Os morcegos que se alimentam de 
sangue produzem uma substância anticoagulante na saliva chamada “draculina”, que vem sen-
do estudada como nova fonte de medicamentos com essa finalidade.
Morcegos70
A correta identificação de quirópteros é complexa e 
pode envolver caracteres corporais externos e aná-
lises cranianas, sendo assim necessária a captura e 
eventual coleta de espécimes. Informações como co-
loração e padrões de bandamento da pelagem, tam-
bém aferições de tamanho corporal, incluindo medi-
das de antebraço, orelhas, tíbia, entre outros, são de 
extrema importância. Adicionalmente, a verificação 
de formato de estruturas, como inserção, tamanho e 
forma do uropatágio, presença e disposição de listras 
facias e dorsais, entre outras, podem ser elucidativas 
durante o processo de identificação.
Espécie: Artibeus planirostris
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Stenodermatinae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 50-65 g
Hábitat: Florestal, campestre e áreas antropizadas
Distribuição: Ocorre desde o sul do rio Orinoco, 
restrita à América do Sul, com registros em 
todos os biomas brasileiros. 
Hábito alimentar: Frugívoro
Morcegos e a transmissão da raiva 
Você sabia que os morcegos que se 
alimentam de sangue são potenciais 
transmissores de raiva, como qualquer 
mamífero? Entretanto, são raros os re-
latos confirmados de transmissão de 
raiva ao homem a partir da espécie Des-
modus rotundus (morcego-vampiro-
-comum). Morcegos, em geral, não agri-
dem humanos, embora exista o mito de 
que eles possam voar e atacar pessoas 
pelo pescoço, assim como mostram al-
guns filmes de cinema. Quando se sen-
tem ameaçados, morcegos e qualquer 
outro animal silvestre utilizam a mordi-
da como defesa, sendo prudente jamais 
tocá-los. Morcegos caídos ou voando 
durante o dia podem indicar doenças, o 
que demanda atenção e serviços espe-
ciais. Em caso de arranhões ou mordida 
de morcego ou qualquer outro mamífe-
ro silvestre, deve-se procurar assistência 
médica tão logo seja possível.
Guia 
fotográfico
Espécie: Colônia de Carollia perspicillata
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Carollinae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 10-23g
Hábitat: Florestas primárias e secundárias, 
áreas campestres e antropizadas
Distribuição: Ocorre desde o México até o norte 
da Argentina, com registros em todos os 
biomas brasileiros. É uma das espécies mais 
frequentes em estudos de campo no Brasil.
Hábito Alimentar: Frugívoro
Curiosidades: Carollia forma colônias em 
cavidades na área da Flona de Carajás, 
dividindo o abrigo diurno com espécies como 
Glossophaga soricina (morcego-beija-flor), 
Phyllostomus latifolius (morcego) e Desmodus 
rotundus (morcego-vampiro) dentreoutras. 
Espécie: Chrotopterus auritus
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Phyllostominae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 58-90g
Hábitat: Florestas e áreas campestres, 
associados às cavidades naturais
Distribuição: Ocorre desde o México até o 
norte da Argentina, com registros em todos 
os biomas brasileiros. 
Hábito Alimentar: Carnívoro/Insetívoro Catador
Curiosidades: Essa é a segunda maior espécie 
de morcego das Américas em peso corporal, 
sendo menor apenas que Vampyrum 
spectrum. Predam pequenos vertebrados, 
como morcegos, aves, roedores e lagartos, 
podendo também consumir insetos. 
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Espécie: Desmodus rotundus
Nome Popular: Morcego-vampiro-comum
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Desmodontinae
Atividade: Noturno
Peso Corporal: 25-42g
Hábitat: Áreas florestais, campestres e em áreas 
 antropizadas
Distribuição: Ocorre desde o México até a Argentina, com 
registros para todos os biomas brasileiros. 
Hábito Alimentar: Hematófago
Curiosidades: Essa espécie alimenta-se exclusivamente de 
sangue, principalmente de grandes mamíferos. 
O evento alimentar de um morcego-vampiro-comum 
consiste em se aproximar do animal, fazer uma diminuta 
incisão na pele com o auxílio dos dentes incisivos, por 
onde o sangue irá escorrer. A ingestão do sangue pelo 
morcego ocorre através de lambidas, na qual a presença 
de um anticoagulante na saliva, a draculina, assegura o 
fluxo de sangue enquanto o indivíduo se alimenta. 
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Espécie: Lampronycteris brachyotis
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Micronycterinae
Atividade: Noturna
Peso Corporal: 9-15g
Hábitat: Áreas florestais e campestres, 
associadas a ambientes preservados
Distribuição: Ocorre desde o sul do 
México, passando pela América 
Central e, na América do Sul, 
apresenta registros ao leste dos 
Andes. No Brasil apresenta registros 
para os biomas Amazônia, Floresta 
Atlântica e Cerrado. 
Hábito Alimentar: Insetívoro Catador
Curiosidades: Apresentando coloração 
alaranjada, a espécie tem hábitos 
primariamente insetívoros, embora 
existam referências de onivoria para 
a espécie. Na Flona de Carajás foi 
registrada em cavidades formando 
colônias mistas com Glossophaga 
soricina (morcego-beija-flor). 
Espécie: Lonchorhina aurita
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Lonchorhininae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 10-16g
Hábitat: Florestas e áreas 
campestres, sempre associados às 
cavidades naturais subterrâneas. 
Distribuição: Ocorre desde o 
sudeste do México, Bahamas até 
o Brasil, com registros nos biomas 
amazônico, Cerrado, Caatinga e 
Floresta Atlântica.
Hábito alimentar: Insetívoro catador
Curiosidades: É considerado 
um morcego cavernícola 
estrito, dependendo de tais 
ambientes para sua subsistência. 
 Caracteriza-se por apresentar 
longa folha nasal e orelhas.
Espécie: Phylloderma stenops
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Phyllostominae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 41-65g
Hábitat: Ambientes florestais 
e áreas campestres, podendo 
ocorrer em ambientes com 
algum grau de antropização
Distribuição: Desde o México 
até o sul da América do Sul. 
No Brasil possui registros na 
Amazônia, Caatinga, Cerrado e 
Floresta Atlântica.
Hábito: Onívoro
Curiosidades: Pertencente a um 
gênero monotípico, pouco é 
conhecido sobre a espécie. 
Espécie: Uroderma bilobatum
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Stenodermatinae
Atividade: Noturna
Peso Corporal: 13-20g
Hábitat: Áreas florestais 
primárias e secundarias, 
ambientes mésicos e 
campestres.
Distribuição: Ocorre desde o 
México até o Brasil, com registros 
nos biomas Amazônia, Floresta 
Atlântica, Cerrado e Caatinga. 
Hábito Alimentar: Frugívoro
Curiosidades: A espécie apresenta 
o comportamento de modificação 
de folhagens sob árvores, 
para a construção de tendas, 
como forma de abrigo diurno. 
Apresenta listras faciais bem 
delimitadas e uma listra dorsal. 
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Espécie: Vampyrum spectrum
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Phyllostominae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 134-172g
Hábitat: Ambientes florestais e campestres, 
associados a áreas preservadas
Distribuição: Ocorre desde o México 
até o Brasil, com registros nos biomas 
Amazônia, Cerrado e Caatinga. 
Hábito Alimentar: Carnívoro
Curiosidades: A espécie corresponde ao 
maior morcego das Américas, predando 
roedores, morcegos e aves. Pode 
apresentar envergadura de asa de até um 
metro e é raro em sua distribuição. 
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Espécie: Trachops cirrhosus
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Phyllostominae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 28-45g
Hábitat: Áreas florestais e campestres associadas 
à ambientes preservados.
Distribuição: Ocorre desde o México até o Brasil, 
com registros nos biomas Amazônia, Floresta 
Atlântica, Cerrado e Caatinga. 
Hábito Alimentar: Carnívoro/Insetívoro Catador
Curiosidades: Este morcego é conhecido por 
predar pequenos anfíbios, reconhecendo as 
espécies de acordo com a vocalização emitida, 
tendendo a evitar anfíbios não palatáveis. 
 Apresenta verrugas na região dos lábios e do 
mento entre uma das características da espécie. 
Espécie: Pteronotus rubiginosus
Nome popular: Morcego
Família: Mormoopidae
Atividade: Noturna
Peso Corporal: 24-29g
Hábitat: Ambientes florestais 
e campestres, associados às 
cavidades naturais.
Distribuição: Distribuição com 
ocorrência na região amazônica e 
Caatinga, sempre associados aos 
ambientes cavernícolas. 
Hábito Alimentar: Insetívoro aéreo
Curiosidades: A espécie apresenta 
hábitos gregários, formando 
grandes colônias e também 
coexistindo com outras espécies 
em cavernas. As cavidades 
brasileiras classificadas como 
Batcaves, são formadas por 
grandes colônias de indivíduos 
dessa família. Os indivíduos 
pertencentes às espécies da família 
Mormoopidae formam colônias 
maternidade, onde os recém-
nascidos e jovens que ainda não 
são capazes de voar permanecem 
sob os cuidados da colônia.
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Espécie: Gardnerycteris crenulatum
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Phyllostominae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 10-18g
Hábitat: Florestas primárias e secundárias, 
áreas savânicas e campestres, além de 
ambientes antropizados.
Distribuição: Ocorre desde o México até a 
América do Sul. No Brasil há registros em 
todos os biomas.
Hábito: Insetívoro catador
Curiosidades: Espécie indicadora de 
ambientes preservados, alimentando-se 
preferencialmente de insetos, embora 
existam registros de consumo de néctar 
e pequenos vertebrados. 
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Espécie: Mesophylla macconnellii
Nome popular: Morcego
Família: Phyllostomidae
Subfamília: Stenodermatinae
Atividade: Noturna
Peso corporal: 7-9g 
Hábitat: Áreas florestais e campestres, 
usualmente preservadas.
Distribuição: Ocorre desde a América 
Central até o Brasil, com registros nos 
biomas amazônico e de Cerrado.
Hábito: Frugívoro
Curiosidades: Espécie de pequeno 
porte, apresentando orelhas de 
coloração amarelada vibrante e 
consumidora de pequenos frutos. 
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Mamíferos 
de Médio e 
Grande Porte
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87Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Bradypus variegatus
(Preguiça-comum)
Mamíferos 
de Médio e 
Grande Porte
Os mamíferos pertencem à classe Mammalia, que é formada por muitas espécies 
que podem ser encontradas em todos os continentes e diferentes ambientes de 
todo o mundo. A maioria é terrestre, porém existem espécies aquáticas como 
os golfinhos, os botos e as baleias; mamíferos voadores que são os morcegos; e 
os arborícolas, principalmente os macacos. São assim chamados pela existênciade glândulas mamárias, presentes tanto nos machos quanto nas fêmeas, porém 
são mais desenvolvidas e funcionais apenas nas fêmeas, para alimentação do 
filhote com o leite materno. Outra característica típica dos mamíferos são os pe-
los, que recobrem o corpo total ou parcialmente e que têm papel importante 
na regulação térmica, assim como na camuflagem, uma vez que várias espécies 
apresentam coloração semelhante à do ambiente em que vivem. 
Estão entre os mais fascinantes animais vertebrados, despertando o inte-
resse natural nas pessoas. Com distintas adaptações morfológicas (relativas 
à forma), fisiológicas (relativas ao funcionamento), ecológicas (relativas à 
interação com outros animais e com o ambiente) e comportamentais que 
permitem sua ampla distribuição geográfica, esse grupo é muito importante 
para o ser humano, pois provém benefícios como companhia (animais de 
estimação), alimento, recreação, importância médica, entre outros. Alguns 
mamíferos são considerados espécies-chave pela função que desempe-
nham no ambiente natural, porque polinizam as plantas, ajudam na disper-
são das sementes e, como predadores, contribuem para a manutenção e 
Elaine Ferreira Barbosa 
Bernardo Faria Leopoldo 
Daniel Milagre Hazan 
Leandro Moraes Scoss
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Mamíferos de Médio e Grande Porte88 89Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
equilíbrio de populações de plantas e outros animais vertebrados, incluindo 
os próprios mamíferos.
A fauna de mamíferos do Brasil é extremamente rica e diversificada. O país 
possui uma das maiores riquezas do mundo, com 701 espécies conhecidas, 
pertencentes a 12 ordens, sendo que a Amazônia abriga o maior número de 
espécies – passa de 310 espécies conhecidas para toda a região amazônica. 
Os médios e grandes mamíferos terrestres que apresentam normalmente 
peso superior a 1 kg na fase adulta são representados por oito ordens, con-
forme a classificação utilizada pelos especialistas neste grupo de animais: 
Pilosa (preguiças e tamanduás), Cingulata (tatus), Primates (primatas ou 
macacos), Carnivora (gatos, onças, cachorros, quatis, lontras e outros), Artio-
dactyla (veados e porcos-do-mato), Perissodactyla (anta), Rodentia (capivara 
e outros roedores) e Lagomorpha (coelho ou tapeti).
Os Médios e Grandes Mamíferos 
da Flona de Carajás, Serra Norte
Boa parte da mastofauna de médio e grande porte da região amazônica ocor-
re no estado do Pará (57 espécies), e os dados dos estudos realizados para o 
licenciamento ambiental do Projeto N1 e N2 registraram 82% dos mamíferos 
que ocorrem na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, o que corresponde a 38 
espécies de mamíferos, das quais 18 apresentam características associadas aos 
ambientes florestais e 20 são generalistas, o que significa que ocorrem em 
diferentes ambientes, tanto nas florestas quanto nos campos rupestres ferrugi-
nosos presentes na região do projeto de mineração. A seguir vamos conhecer 
um pouco mais sobre as espécies desse grupo que ocorrem na Área de Estu-
do Local (AEL) do Projeto N1 e N2, inserido na Serra Norte, Flona de Carajás.
Os mamíferos carnívoros são o grupo com o maior número de espécies entre 
os mamíferos de médio e grande porte na área do Projeto N1 e N2, com 11 
espécies identificadas no local. Trata-se de um grupo essencial cuja perda 
de indivíduos e redução de suas populações podem causar o desequilíbrio 
de toda a comunidade local e regional, motivo pelo qual são considerados 
espécies-chave na manutenção da integridade do ecossistema ao longo do 
 tempo. São animais considerados de topo da cadeia alimentar, o que significa 
que consomem outros animais (por isso carnívoros), contribuindo para a re-
gulação do tamanho das populações de suas presas naturais e para a manu-
tenção da dinâmica dos ecossistemas em que vivem. Mas como isso ocorre? 
Na ausência dos carnívoros predadores, os mamíferos herbívoros (veados), os 
roedores (capivara, paca e cutia), algumas aves (pombas), répteis (cobras) e 
insetos (gafanhotos) tendem a se reproduzir exageradamente e acabam se 
tornando pragas ou animais-problema, podendo inclusive trazer prejuízos à 
agricultura e à saúde humana, além de perdas financeiras importantes.
Entre os carnívoros que ocorrem na área do Projeto N1 e N2, alguns se destacam 
por serem de interesse para conservação, como o cachorro-do-mato-de-orelha-
-curta Atelocynus microtis, que é um canídeo (família dos cachorros) considerado 
raro e restrito à Amazônia, além de ser uma espécie ainda pouco estudada. 
Outro carnívoro bastante importante em todo o Brasil é a onça-pintada 
Panthera onca, que é o maior felino das Américas e o maior predador ter-
restre de topo de cadeia alimentar que habita a Amazônia. A onça-pin-
tada costuma ser mais ativa durante o amanhecer e o anoitecer (hábito 
crepuscular), mas também se desloca de um lugar para o outro e se ali-
menta preferencialmente durante a noite. As onças-pintadas são muito 
exigentes com relação à qualidade do ambiente em que vivem e preci-
sam de grandes áreas para sobreviver, se alimentar e criar os seus filhotes. 
Assim, quando se protege o ambiente das onças-pintadas, normalmente 
centenas de outras espécies que ocupam a mesma área acabam também 
ganhando proteção. É uma espécie ameaçada de extinção no estado e 
no Brasil (COEMA, 2007; MMA, 2014), principalmente em razão da pressão 
de caça sobre esses animais e por estar associada a conflitos entre onças 
e o homem, quando elas resolvem atacar a criação de gado. Possui ampla 
distribuição geográfica pelo Brasil: além da Amazônia, ocorre em quase 
todos os biomas brasileiros e pelo menos 50% da área do país ainda é 
considerada adequada à ocorrência da espécie, além de outros países.
Você sabia que espécies como a onça-pintada, Panthera onca, também são chamadas de “es-
pécie bandeira” e “espécie detetive da paisagem”? O apelo para a conservação das onças nos 
meios de comunicação ou junto à comunidade local ajuda a atrair mais atenção da população 
para essa espécie (bandeira), mas, protegendo as onças, todo o ambiente onde elas vivem e as 
outras centenas ou milhares de espécies também recebem proteção!
Mamíferos de Médio e Grande Porte90 91Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Mas falou em mamífero, logo se pensa em macaco, não é mesmo? Devido 
a sua semelhança com os humanos, os macacos ou primatas estão entre os 
mamíferos mais queridos das pessoas. A ordem Primates inclui todos os ma-
cacos do Novo Mundo, sendo que só no Brasil são conhecidas 116 espécies. 
Possuem características próprias, que incluem a organização social (vivem 
em grupos) e meios de comunicação mais complexos, consequência do 
grande desenvolvimento do cerébro, o que facilita o aprendizado para, por 
exemplo, usarem ferramentas (pedras e galhos) para conseguirem alguns 
alimentos na natureza. Eles possuem focinho curto, nariz achatado e narinas 
voltadas para os lados, de onde vem o nome da infraordem Platyrrhini (“pla-
tis, platus” = achatado, largo e “rhis ou rhino” = nariz).
Na área do Projeto N1 e N2 foram registradas seis espécies de primatas e, 
assim como os demais mamíferos, os macacos são importantes para ma-
nutenção e o funcionamento das florestas tropicais. Adaptados, ocupam 
quase todos os ambientes, pois possuem uma diversidade de tamanhos, 
estrutura do corpo, comportamentos e hábitos de vida que lhes permitem 
utilizar, por exemplo, diferentes tipos de alimentos (folhas, frutos, sementes, 
insetos e outros pequenos animais, entre outros). Das espécies identifica-
das na área do Projeto N1 e N2, cinco só ocorrem na Amazônia, como é o 
caso do guigó ou zogue-zogue Callicebus moloch, do macaco-prego Cebus 
apella, do cuxiú Chiropotes utahickae, do macaco-de-cheiro Saimiri collinsi e 
do guaribinha Saguinus niger. Já o guariba Alouatta belzebul é o único maca-
co registrado na área que não é restrito ao bioma Amazônico,pois existem 
populações dessa espécie também em regiões de Mata Atlântica, na região 
Nordeste do Brasil. Não há dúvida de que todos os macacos são importan-
tes, mas o cuxiú Chiropotes utahickae possui populações menores na região 
onde ocorre (leste do rio Xingu e oeste do rio Tocantins) e por isso é uma 
espécie considerada ameaçada de extinção, vulnerável tanto no Pará como 
no Brasil e em perigo no mundo (COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020).
Os tatus são integrantes da ordem Cingulata, cuja característica principal é 
a presença de uma carapaça que recobre parte do corpo, de hábito terres-
tre e fossorial (adaptado a cavar e a viver debaixo do solo). São encontradas 
cinco espécies de tatus na área do Projeto N1 e N2 e, apesar de utilizarem 
os recursos das florestas, também usam e vivem bem em áreas mais abertas 
como os campos e cerrados. Os tatus são, de todos os mamíferos, os que 
se locomovem de forma mais lenta e, por essa razão, são frequentemente 
caçados, atropelados em estradas e têm mais dificuldade de escapar de 
queimadas. Apenas uma espécie ocorre exclusivamente no bioma amazô-
nico, o tatu-de-quinze-quilos Dasypus beniensis, e apenas uma é ameaçada 
de extinção, o tatu-canastra Priodontes maximus – a maior espécie de tatu 
da América do Sul (Vulnerável – COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020). 
Você sabia que a garra do terceiro dedo do tatu-canastra Priodontes maximus mede cerca de 
20cm e é utilizada na escavação de tocas e na procura de alimentos? O tatu-canastra pode 
permanecer na toca por vários dias, sendo raramente visto, e, ao contrário de outros tatus, 
esta espécie frequentemente destrói por completo os cupinzeiros e formigueiros quando está 
se alimentando desses animais.
Entre as espécies de médio e grande porte da ordem Rodentia, foram regis-
trados na área do Projeto N1 e N2 cinco roedores, como a cutia Dasyprocta 
leporina e a paca Cuniculus paca, que são espécies típicas de formações flo-
restais associadas aos cursos d’água. Já a capivara Hydrochoerus hydrochaeris 
é comum em ambientes mais abertos, com água (rio, lago, etc.), mas sempre 
busca abrigo na água ou nas matas, quando ameaçada. As outras espécies 
de roedores identificadas na área do projeto foram o ouriço-cacheiro ou por-
co-espinho Coendou prehensilis e o quatipuru Guerlinguetus brasiliensis. 
A ordem Pilosa, como seu nome sugere, é composta por espécies que apre-
sentam o corpo coberto por uma densa camada de pelos como as preguiças 
Bradypus variegatus (preguiça-comum) e Choloepus didactylus (preguiça-real 
– ocorre só na Amazônia) e os tamanduás Cyclopes didactylus (tamanduaí), 
Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira) e Tamandua tetradactyla (ta-
manduá-mirim), espécies encontradas na área do Projeto N1 e N2. 
Entre os mamíferos de casco com número par de dedos nas patas (ordem Ar-
tiodactyla), foram identificadas quatro espécies, sendo dois veados Mazama 
americana (veado-mateiro) e Mazama nemorivaga (veado-da-amazônia) e os 
porcos-do-mato Pecari tajacu (cateto ou catitu) e Tayassu pecari (queixada). 
São animais de hábito frugívoro e herbívoro, o que significa que se alimentam 
principalmente de frutos e sementes. Em função da forma como utilizam o 
recurso alimentar, também podem ser chamados de granívoros – utilizam as 
sementes de plantas ou grãos como alimento principal ou exclusivo. 
Mamíferos de Médio e Grande Porte92 93Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Você sabia que as queixadas vivem em bandos grandes de até 200 animais? Esse número 
pode ser ainda maior, dependendo da quantidade de alimento disponível na área onde ocor-
rem. Como as queixadas andam todas sempre juntas (o que os pesquisadores chamam de 
coesão social), quando se acha uma queixada, acha-se o grupo inteiro. Essa característica na 
verdade é uma boa estratégia de sobrevivência na natureza (ajuda a proteger todo o grupo), 
mas é uma fragilidade frente aos caçadores que não se contentam em retirar poucos animais 
para a alimentação.
As ordens Lagomorpha e Perissodactyla apresentam apenas um único re-
presentante cada uma. O tapeti ou coelho-do-mato Sylvilagus brasiliensis re-
presenta a ordem Lagomorpha, sendo encontrado em vários ambientes em 
todo o Brasil. É um animal herbívoro pastador (alimenta-se de gramíneas e 
sementes), pode se reproduzir durante todo o ano e utiliza tanto áreas aber-
tas, como campos e cerrados, quanto áreas de mata, onde constroem suas 
tocas. Já a anta Tapirus terrestris, representante da ordem Perissodactyla, ocor-
re em várias regiões do Brasil, em ambientes florestais, no Campo Rupestre 
Ferruginoso e no Cerrado, mas ainda assim é classificada como ameaçada 
de extinção (MMA, 2014; IUCN, 2020), principalmente em razão da pressão 
de caça sobre esses animais. As antas permanecem quietinhas durante o 
dia, descansando, e saem durante a noite para se alimentar de folhas, frutos 
e sementes. São responsáveis pela dispersão de vários tipos de sementes, 
como do açaí e da buritirama.
Por fim, importante mencionar que, entre as espécies de mamíferos de mé-
dio e grande porte registradas na Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2 
algumas são alvo de Planos de Ação Nacional (PANs) específicos que são 
coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi-
dade (ICMBio). Os PANs são elaborados por especialistas que indicam ati-
vidades e ações prioritárias para a conservação das espécies alvo, como o 
guariba Alouatta belzebul, o cachorro-do-mato-de-orelha-curta Atelocynus 
microtis, o cuxiú Chiropotes utahickae, o gato-maracajá Leopardus wiedii, a 
onça-pintada Panthera onca, a onça-parda Puma concolor, o gato-mourisco 
Puma yagouaroundi e o guaribinha Saguinus niger. Os estudos de campo 
ajudam a aumentar o conhecimento sobre essas e outras espécies que são 
fundamentais para o funcionamento dos ambientes naturais e podem ser 
boas indicadoras para o manejo e gestão de áreas naturais protegidas.
Uma das principais maneiras de identificar a presença de um mamífero de 
médio e grande porte em uma área natural é por meio da análise de seus 
rastros e pegadas. Quando esses animais passam em trilhas, estradas de terra 
e nas margens de rios e igarapés, as suas pegadas ficam marcadas no chão, 
o que permite reconhecer qual espécie passou por ali. 
Guia de 
pegadas
Espécie: Mazama americana
Nome popular: Veado-mateiro
Espécie: Tayassu pecari
Nome popular: Queixada, porco-do-mato
Pata Posterior (PP) e Pata Anterior (PA). 
PA PP
4 a 5 cm
4 a 4,8 cm
Mamíferos de Médio e Grande Porte94 95Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Espécie: Cerdocyon thous
Nome popular: Cachorro-do-mato, graxaim, raposa
Espécie: Panthera onca
Nome popular: Onça-pintada
Espécie: Puma concolor
Nome popular: Onça-parda, suçuarana
Espécie: Puma yagouaroundi
Nome popular: Jaguarundi, gato-mourisco
Espécie: Eira barbara
Nome popular: Papa-mel, irara
PA PP
10 a 12 cm
PA PP
Espécie: Hydrochoerus hydrochaeris
Nome popular: Capivara
Espécie: Dasyprocta leporina 
Nome popular: Cutia
PA PP
Espécie: Tamandua tetradactyla
Nome popular: Tamanduá-mirim, tamanduá-de-colete
Espécie: Tapirus terrestris
Nome popular: Anta
Espécie: Nasua nasua
Nome popular: Quati
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1 cm
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5 cm 
PA PP
2 cm 
PA PP
3 cm 
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3 cm 
PA PP
2 cm 
12 a 15 cm
4 a 4,5 cm
PA PP
7 cm 
4 a 4,5 cm
Mamíferos de Médio e Grande Porte96
Espécie: Mazama americana
Nome popular: Veado-mateiro
Família: Cervidae
Atividade: Diurna e Noturna
Peso corporal: 90 a 110 cm; peso: 24-48 kg
Hábitat: Formações florestais e em áreas de 
transição entre florestas e campos ou cerrados 
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado e Pantanal
Hábitos: Frugívora/herbívora e terrestre
Espécie: Tayassu pecari
Nome popular: Queixada, porco-do-mato
Família: Tayassuidae
Atividade: Diurna e noturna, com preferência 
para as primeiras horas do dia
Peso corporal: 90 a 150 cm; peso de 25 a 45 kg
Hábitat: Florestastropicais úmidas e densas, 
apesar de habitarem também regiões secas, 
tais como as savanas ou cerrados, mas 
sempre perto de uma fonte de água
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábitos: Frugívora/herbívora, terrestre e 
vivem em grupos que podem ter centenas 
de indivíduos.
Espécie: Cerdocyon thous
Nome popular: Cachorro-do-mato, graxaim, raposa
Família: Canidae
Atividade: Noturna e crepuscular
Peso corporal: 60 a 70 cm; cauda: 30 cm; peso: 3 a 11 kg
Hábitat: Áreas florestais, abertas, campos e cerrados, 
mas também pode ser encontrada em áreas alteradas 
pelo homem, incluindo núcleos urbanos.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, 
Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábitos: Carnívora, porém generalista e oportunista 
ocasional, além de ser estritamente terrestre.
Guia 
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Espécie: Panthera onca
Nome popular: Onça-pintada
Família: Felidae
Atividade: Noturna e crepuscular
Peso corporal: 110-185 cm; cauda: 44 a 65 
cm; peso: 56 a 158 kg
Hábitat: Florestas, campos, cerrados, 
áreas inundáveis, mas também pode ser 
encontrada em ambientes alterados pelo 
homem como fazendas e plantações.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábito: Carnívoro; terrestre, mas escala e 
nada com muita agilidade.
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Espécie: Nasua nasua
Nome popular: Quati
Família: Procyonidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 40 a 80 cm; 
cauda: 42 a 75 cm; peso: 2,7 a 10 kg
Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas 
inundáveis, mas também pode ser encontrada 
em ambientes alterados pelo homem. 
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábito: Frugívoro / onívoro e terrestre.
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Espécie: Puma concolor
Nome popular: Onça-parda, suçuarana
Família: Felidae
Atividade: Noturna e crepuscular
Peso corporal: 85 a 150 cm; cauda: 45 a 85 cm; 
peso: 22 a 70 kg
Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas 
inundáveis, mas também pode ser encontrada 
em ambientes alterados pelo homem.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, 
Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábitos: Carnívoro e terrestre.
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Espécie: Puma yagouaroundi
Nome popular: Jaguarundi, gato-mourisco
Família: Felidae
Atividade: Noturna e diurna
Peso corporal: 5 a 77 cm; cauda: 30 a 60 cm; 
peso: 3 a 6 kg
Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas 
inundáveis, mas pode ser encontrada em 
ambientes alterados pelo homem.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábitos: Carnívoro e terrestre.
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Espécie: Eira barbara
Nome popular: Papa-mel, irara
Família: Mustelidae
Atividade: Diurna e crepuscular
Peso corporal: 52 a 71 cm; peso: 2,7 a 11,1 kg
Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, 
podendo ser encontrada em ambientes alterados 
pelo homem como plantações e áreas urbanizadas.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, 
Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábitos: Insetívora / Onívora e terrestre.
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Espécie: Bradypus variegatus 
Nome popular: Preguiça ou bicho-preguiça
Família: Bradypodidae
Atividade: Diurna, noturna e crepuscular 
em épocas quentes.
Peso corporal: 58 cm; peso médio: 3,9 kg
Hábitat: Floresta tropical úmida
Distribuição: Amazônia e Mata Atlântica
Hábitos: Folívora (alimenta-se de folhas) 
e arborícola
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Espécie: Tapirus terrestris
Nome popular: Anta
Família: Tapiridae
Atividade: Prefencialmente noturna; abriga-se durante o 
dia e sai à noite para se alimentar
Peso corporal: 212 cm; 
peso médio: 260 kg
Hábitat: Florestas de galeria a florestas tropicais de baixas 
elevações, além de áreas sazonalmente inundáveis
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga 
e Pantanal.
Hábitos: Frugívora/herbívora e terrestre 
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Espécie: Priodontes maximus
Nome popular: Tatu-canastra 
Família: Dasypodidae
Atividade: Predominantemente noturna, 
mas pode ser vista durante o dia
Peso corporal: 75 a 100 cm; 
peso médio: 27 kg
Hábitat: Vegetação aberta (campos e 
cerrados) e diferentes ambientes florestais
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado e Pantanal.
Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se de 
formigas e cupins) e semifossorial (vive 
sob o solo ou sob folhiços).
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Espécie: Dasypus beniensis
Nome popular: Tatu-de-quinze-kilos
Família: Dasypodidae
Atividade: Crepuscular e/ou noturna
Peso corporal: 51 a 57,5 cm; 
peso médio 9,5kg
Hábitat: Florestal
Distribuição: Endêmica da Amazônia, ao Sul 
do Rio Amazonas até a porção sudoeste do 
Rio Madeira
Hábitos: Insetívoro/Onívoro e semifossorial 
(vivem sob o solo ou sob folhiços)
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Espécie: Saguinus niger
Nome popular: Sagui-una, guaribinha
Família: Callithrichidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 23 cm; cauda: 37 cm; peso: 
355 g.
Hábitat: Principalmente em áreas de 
Floresta Amazônica em bom estado de 
conservação
Distribuição: Endêmica da Amazônia, 
nas intermediações do Rio Xingu até a 
porção sudeste do Rio Tocantins
Hábitos: Arborícola, frugívoro/insetívoro.
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Espécie: Alouatta belzebul 
Nome popular: Guariba-de-mãos-
ruivas, capelão
Família: Atelidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 37,4 a 65 cm; 
cauda: 50 a 70 cm; peso: 4,5 a 8,5 kg 
Hábitat: Principalmente em áreas 
de Floresta Amazônica e de Mata 
Atlântica do Nordeste 
Distribuição: Amazônia e Mata 
Atlântica
Hábitos: Arborícola e frugívoro, 
mas se comporta como folívoro na 
escassez de fruto. 
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Espécie: Myrmecophaga tridactyla
Nome popular: Tamanduá-bandeira
Família: Myrmecophagidae
Atividade: Diurna e/ou noturna
Peso corporal: 100 a 120 cm; 
peso: 30.5 kg
Hábitat: Florestas, áreas inundáveis e 
campos abertos
Distribuição: Amazônia, Mata 
Atlântica, Cerrado, Caatinga, 
Pantanal e Pampa.
Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se 
de formigas e cupins) e terrestre
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Espécie: Tamandua tetradactyla
Nome popular: Tamanduá-mirim, tamanduá-de-colete
Família: Myrmecophagidae
Atividade: Noturna, mas pode ser vista durante o dia.
Peso corporal: 47 a 77 cm; cauda: 40 a 68 cm; peso médio: 7 kg
Hábitat: Ambientes de campo, savanas ou cerrados e florestais
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal 
e Pampa
Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se de formigas e cupins) e 
escansorial (vive tanto nas árvores como no chão).
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Espécie: Hydrochoerus hydrochaeris
Nome popular: Capivara
Família: Caviidae
Atividade: Crepuscuar - noturna
Peso corporal: 107 a 134 cm; 
peso: 35 a 81 kg
Hábitat: Banhados, margens de rios 
ou lagoas, matas ciliares, de galeria, 
além de ambientes modificados 
pelo homem, como nas margens de 
reservatórios e plantações.
Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, 
Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas.
Hábito: Herbívora e semiaquática.
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Espécie: Dasyprocta leporina 
Nome popular: Cutia
Família: Dasyproctidae
Atividade: Diurna e crepuscular, sendo mais ativa no início 
da manhã e final da tarde
Peso corporal: 47 a 65 cm; peso médio: 3 a 8 kg 
Hábitat: Ambientes florestais, em baixas altitudes, incluindo 
florestas semidecíduas e decíduas (secas)
Distribuição: Amazônia e Mata Atlântica
Hábito: Frugívoro/Granívoro e terrestre.
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Espécie: Callicebus moloch
Nome popular: guigó, arabasu, sauá
Família: Pitheciidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: peso: 700-1.200 g
Hábitat: Principalmente em áreas de 
Floresta Amazônica.
Distribuição: Endêmica da Amazônia, 
entre os rios Tapajós e Tocantins
Hábito: Arborícola, frugívoro/folívoro.
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Espécie: Chiropotes utahicki
Nome popular: Cuxiú, cuxiú-de-Uta-HickFamília: Pitheciidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: Cabeça-corpo: 39 a 48; 
cauda: 37 a 42 cm; peso: 2,95 kg
Hábitat: Principalmente em áreas de 
Floresta Amazônica em bom estado de 
conservação.
Distribuição: Endêmico da Amazônia, 
nas intermediações do Rio Xingu ao 
leste e Rio Tocantins ao oeste
Hábito: Arborícola, frugívoro/predador 
de sementes.
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111Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Spizaetus tyrannus 
(Gavião-pega-macaco)
Aves
As aves tiveram sua origem entre 208 milhões e 144 milhões de anos 
atrás, a partir de um grupo de dinossauros conhecidos como terópo-
des. Desde então, adaptaram-se aos mais diversos tipos de ambientes e, 
atualmente, estão distribuídas por quase todo o planeta. Essa alta capa-
cidade de adaptação a diversos tipos de ambientes se dá em função de 
duas características fundamentais das aves: a manutenção da tempera-
tura corporal e a capacidade de voar, presente na maioria das espécies. 
Embora sejam características fundamentais à adaptação e à sobrevivên-
cia, elas só são possíveis em virtude da estrutura mais peculiar às aves, 
que, além de desempenhar distintas funções, diferencia esses animais 
de todos os outros organismos vivos do planeta: as penas.
Você sabia que apenas dois grupos de aves não possuem a capacidade de voo? Essa ca-
racterística foi perdida durante o processo de evolução nos pinguins e nas ratitas (emas, 
avestruzes e casuares).
As aves constituem um grupo de espécies extremamente diversificado que 
desempenha importantes funções ecológicas em seus ambientes como 
predação, polinização, dispersão de sementes, entre outras. Além disso, 
as aves são relativamente fáceis de serem observadas, em comparação 
com outros animais, já que a maioria das espécies possui hábito diurno. 
Diego Petrocchi da Costa Ramos 
Marcelo Ferreira de Vasconcelos
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Aves112 113Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Mesmo as aves noturnas cantam com frequência, o que chama a atenção 
das pessoas. Diante disso, existem milhares de observadores de aves em 
todo o mundo, que fazem dessa atividade uma importante recreação e 
movimentam a indústria do turismo. As aves também são muito úteis em 
estudos ambientais, pois propiciam a avaliação rápida das características 
ecológicas e do estado de conservação de determinada área, uma vez que 
muitas espécies apresentam respostas variadas em função das interven-
ções humanas em seus hábitats, atuando como indicadores ecológicos. 
Tamanha importância faz do grupo das aves um dos mais bem estudados 
entre os animais, proporcionando alta disponibilidade de informações 
biológicas e ecológicas para a realização dos mais variados estudos. 
No Brasil existem mais de 1.900 espécies de aves, das quais mais da meta-
de ocorre na Amazônia. Várias pesquisas têm apontado para diminuições 
da diversidade de aves na região amazônica como consequência de altera-
ções causadas pela ação humana, tais como queimadas, desmatamento e 
fragmentação. Na região de Carajás, em função do importante papel como 
indicadores de alterações ambientais, as aves vêm sendo estudadas desde 
a década de 1980. 
Um dos estudos pioneiros sobre as aves de Carajás foi publicado em 2007 
por José Fernando Pacheco e colaboradores, registrando o total de 565 
espécies. Posteriormente, houve uma série de adições ao conhecimen-
to ornitológico da região, graças aos esforços empregados em diversos 
estudos de impacto ambiental e monitoramentos de fauna realizados 
no âmbito do licenciamento de novas frentes de exploração mineral. Em 
2012, o pesquisador Alexandre Aleixo e colaboradores compilaram todo 
o conhecimento ornitológico até então disponível sobre Carajás, adicio-
nando 33 espécies a essa listagem e removendo algumas consideradas 
errôneas e/ou duvidosas, o que elevou a riqueza da Flona de Carajás para 
594 espécies de aves. 
O conjunto de informações compilado com base nesses estudos e na con-
solidação de todos os demais dados disponíveis para a Serra dos Carajás 
resultou na expressiva listagem de 612 espécies de aves, distribuídas em 
27 ordens e 76 famílias, o que representa quase 1/3 de toda a avifauna bra-
sileira. No entanto, esse resultado não pode ser considerado final, devidos 
às constantes descobertas de espécies ainda não registradas na região.
As Aves da Flona de Carajás, Serra Norte
A compilação de dados da avifauna na área específica ao Projeto N1 e N2 
considerou estudos técnico-científicos realizados para o licenciamento 
ambiental, bem como informações contidas no Banco de Dados da Biodi-
versidade da Vale. Assim, após a consolidação das informações disponíveis 
para o contexto local, foram registradas 312 espécies de aves, distribuídas 
em 22 ordens e 58 famílias. Essa riqueza corresponde a, aproximadamente, 
metade da avifauna já registrada para toda a região da Serra dos Carajás. 
No entanto, nenhuma dessas espécies ocorre exclusivamente na área do 
Projeto, sendo também registradas em outras áreas de Carajás, da Amazô-
nia ou do Brasil.
Vinte e seis espécies de aves estão ameaçadas de extinção no Pará, no Brasil 
ou no mundo (COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020), conforme listagem 
apresentada. A maioria delas pertence à família Psittacidae, que inclui a ara-
ra-azul Anodorhynchus hyacinthinus, a tiriba-do-xingu Pyrrhura anerythra, 
a tiriba-de-hellmayr Pyrrhura amazonum, o apuim-de-asa-vermelha Touit 
huetii, a marianinha-de-cabeça-amarela Pionites leucogaster e a curica-uru-
bu Pyrilia vulturina. Também se destacam os aparaçus, pertencentes à famí-
lia Dendrocolaptidae: arapaçu-de-bico-curvo-do-xingu Campylorhamphus 
multostriatus, arapaçu-barrado-do-xingu Dendrocolaptes retentus, arapaçu-
-meio-barrado Dendrocolaptes picumnus, arapaçu-do-carajás Xiphocolap-
tes carajaensis e arapaçu-de-loro-cinza Hylexetastes brigidai. Das espécies 
ameaçadas que dependem de extensas áreas de florestas para manter suas 
populações saudáveis, citam-se o jacupiranga Penelope pileata, o mutum-
-de-penacho Crax fasciolata e o jacamim-do-xingu Psophia interjecta. 
Destaca-se que 100 espécies registradas na área do Projeto N1 e N2 (cerca 
de 1/3 do total) ocorrem apenas na Amazônia. Entre as aves que apresen-
tam ampla distribuição na região amazônica, destacam-se o inambu-pi-
xuna Crypturellus cinereus, a corujinha-relógio Megascops usta, a ariram-
ba-da-mata Galbula cyanicollis, o rapazinho-de-colar Bucco capensis, o 
tucano-de-papo-branco Ramphastos tucanus, o picapauzinho-dourado 
Picumnus aurifrons, o benedito-de-testa-vermelha Melanerpes cruentatus, 
o pica-pau-de-barriga-vermelha Campephilus rubricollis, o periquito-de-
-asa-dourada Brotogeris chrysoptera, a choca-cantadora Pygiptila stellaris, 
Aves114 115Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
a choquinha-miúda Myrmotherula brachyura, o papa-formiga-barrado 
Cymbilaimus lineatus, o formigueiro-de-cara-preta Myrmoborus myothe-
rinus, o chororó-pocuá Cercomacra cinerascens, o uirapuruzinho Tyran-
neutes stolzmanni, a maria-leque Onychorhynchus coronatus, o bico-
-chato-da-copa Tolmomyias assimilis, o verdinho-da-várzea Hylophilus 
semicinereus, o japu-verde Psarocolius viridis, a pipira-de-bico-vermelho 
Lamprospiza melanoleuca, a saíra-de-bando Tangara mexicana, a saíra-
-de-cabeça-azul Tangara cyanicollis, a polícia-do-mato Granatellus pelzel-
ni e o gaturamo-do-norte Euphonia rufiventris.
Outras aves ocorrem em partes mais restritas da Amazônia, como é o 
caso do jacupiranga Penelope pileata, do rapazinho-estriado-do-leste 
Nystalus torridus, do pica-pau-barrado Celeus undatus, da curica-urubu 
Pyrilia vulturina, do cantador-estriado Hypocnemis striata, do torom-do-
-pará Hylopezus paraensis, do arapaçu-de-listras-brancas-do-leste Lepi-
docolaptes layardi, do puruchém Synallaxis cherriei, da cabeça-de-prata 
Lepidothrix iris,do bacacu-preto Xipholena lamellipennis e da maria-pica-
ça Poecilotriccus capitalis. Ressalta-se que sete espécies ocorrem exclusi-
vamente entre os rios Xingu e Tocantins, a saber: jacamim-do-xingu Pso-
phia interjecta, tiriba-do-xingu Pyrrhura anerythra, rendadinho-do-xingu 
Willisornis vidua, arapaçu-barrado-do-xingu Dendrocolaptes retentus, 
arapaçu-de-bico-curvo-do-xingu Campylorhamphus multostriatus, ara-
paçu-do-carajás Xiphocolaptes carajaensis e arapaçu-de-loro-cinza Hyle-
xetastes brigidai. Ademais, foram registradas três espécies que, embora 
ocorram além da Amazônia, são restritas ao território brasileiro: a jandaia 
Aratinga jandaya, o flautim-marrom Schiffornis turdina e a gralha-cancã 
Cyanocorax cyanopogon.
Você sabia que os grandes rios da Amazônia configuram barreiras geográficas para 
diversos grupos de animais, incluindo as aves? Tais barreiras dividem o bioma em dis-
tintas “Amazônias” ao longo de toda sua extensão e isolam populações de algumas 
espécies, impossibilitando a dispersão, podendo torná-las mais vulneráveis. Ressalta-
-se, portanto, a necessidade de conservação dos ambientes naturais ao longo de toda 
a Amazônia, sobretudo na região do “arco do desmatamento”, onde se insere Carajás, 
como já ocorre na Flona de Carajás e em outras unidades de conservação existentes 
na região.
Devido à dificuldade de registro em levantamentos de campo por parti-
cularidades de cada espécie, algumas são consideradas raras, como é o 
caso de araponga-do-horto Oxyruncus cristatus. A subespécie (“raça geo-
gráfica”) presente em Carajás é Oxyruncus cristatus tocantinsi, cuja distri-
buição abrange o sul do Pará, da margem direita do baixo Rio Tocantins 
até a Serra dos Carajás. Trata-se de uma ave dependente de florestas úmi-
das, sendo encontrada principalmente em florestas altas de terra firme. 
A araponga-da-amazônia Procnias albus também é outra raridade ocorren-
te na região, cuja subespécie Procnias albus wallacei é típica das florestas 
de encostas das serras, embora sejam necessárias futuras pesquisas para 
se certificar se essa “raça geográfica” é, de fato, restrita à região de Carajás.
Algumas espécies de aves são típicas de vegetações que crescem sobre 
substrato ferruginoso na região (cangas). Muitas ocorrem em vegetações 
abertas de outras regiões “não amazônicas”, principalmente a Caatinga e 
o Cerrado. Exemplos são: o inambu-chororó Crypturellus parvirostris, o ga-
vião-de-rabo-branco Geranoaetus albicaudatus, o bacurau-tesoura Hydrop-
salis torquata, a choca-de-asa-vermelha Thamnophilus torquatus, o petrim 
Synallaxis frontalis, a estrelinha-preta Synallaxis scutata, o ferreirinho-relógio 
Todirostrum cinereum, o sebinho-de-olho-de-ouro Hemitriccus margarita-
ceiventer, a guaracava-de-topete-uniforme Elaenia cristata, a gralha-cancã 
Cyanocorax cyanopogon, o tico-tico Zonotrichia capensis e o canário-do-
-mato Myiothlypis flaveola. Populações de algumas dessas espécies pare-
cem estar isoladas nos platôs de Carajás, possivelmente representando 
“estoques evolutivos” distintos dos ocorrentes na Caatinga e no Cerrado.
Em termos de interação com a paisagem, podem-se dividir as espécies en-
contradas no contexto local do Projeto N1 e N2 em três grandes grupos: 
aves predominantemente associadas aos ambientes florestais, mais exigen-
tes em termos de recursos naturais, agrupando, localmente, a maior quan-
tidade das espécies ameaçadas de extinção; aves associadas aos ambientes 
abertos naturais, como os campos rupestres ferruginosos, algumas podendo 
configurar, devido ao isolamento, subespécies restritas ao domínio amazô-
nico e com alto interesse conservacionista para a região; e aves associadas a 
áreas úmidas e/ou ambientes alterados, que tendem a ser menos exigentes 
quanto aos recursos naturais, porém, especialmente nas áreas úmidas e/ou 
alagadiças, observam-se pontos de passagem de espécies migratórias.
Aves116
A elevada riqueza de aves encontrada na região deve-se a uma conjunção 
de fatores, entre os quais se destacam a alta diversidade de ambientes e o 
volume de pesquisas. Além de ser alvo de inúmeros estudos ambientais 
no âmbito do licenciamento de empreendimentos e monitoramentos de 
impactos provenientes deles, a Serra dos Carajás passou a ser visitada por 
grupos de observadores de aves, oferecendo fácil acesso e boa infraes-
trutura. Por esses motivos, a região de Carajás pode ser considerada uma 
das áreas mais ricas em aves do mundo e uma das mais bem conhecidas 
da Amazônia.
Guia 
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1. Progne chalybea (andorinha-grande). 
Foto: Marcelo Vasconcelos
2. Dryocopus lineatus (pica-pau-de-banda-
-branca). Foto: Gustavo Gonsioroski
3. Pteroglossus inscriptus (araçari-de-bico-
-riscado). Foto: Diego Petrocchi
4. Rupornis magnirostris (gavião-carijó). 
Foto: Gustavo Gonsioroski
5. Synallaxis albescens (uí-pi). 
Foto: Gustavo Gonsioroski
6. Tigrisoma lineatum (socó-boi). Foto: SETE
7. Vanellus chilensis (quero-quero). Foto: 
Marcelo Vasconcelos
8. Xiphorhynchus guttatoides (arapaçu-de-
-lafresnaye). Foto: Gustavo Gonsioroski
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Espécie: Anodorhynchus hyacinthinus 
Nome popular: Arara-azul
Família: Psittacidae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: ~ 98 cm
Hábitat: Buritizais, matas ciliares e cerrado 
adjacente
Distribuição: Ocorre especialmente no Brasil, 
do Mato Grosso do Sul ao Amapá, passando 
pelo Mato Grosso, norte de Minas Gerais, 
Goiás, leste da Bahia, Tocantins, sul do Piauí, 
Maranhão e Pará. Presente também na Bolívia 
(divisa com o Brasil) e no norte do Paraguai.
Curiosidades: A arara-azul é conhecida como a 
gigante entre as araras, sendo considerada, 
mundialmente, a maior representante de 
toda sua família. Sofre com a captura para o 
tráfico ilegal, porém não comprovada na área 
do Projeto N1 e N2.
Espécie: Ara chloropterus 
Nome popular: Arara-vermelha-grande
Família: Psittacidae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: ~ 90 cm
Hábitat: Coqueirais, buritizais, dossel de 
florestas, matas de galeria e áreas abertas 
com árvores isoladas
Distribuição: Ocorre desde a Amazônia 
brasileira até os estados do Espírito Santo, 
Rio de Janeiro e Paraná e em outros 
países como Panamá, Colômbia, Bolívia, 
Venezuela e Argentina.
Curiosidades: Seu nome científico tem 
origens do tupi (ara = papagaio) e do 
grego (khlöros = verde ou amarelo e 
pteros/pteron = asa). Quando traduzido, 
tem-se algo como “papagaio de asa verde”.
Espécie: Buteo nitidus 
Nome popular: Gavião-pedrês
Família: Accipitridae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: Altura - entre 44 e 60cm / 
Envergadura - entre 75 e 94 cm
Hábitat: Florestas, bordas de florestas, 
cerrados e campos
Distribuição: Ocorre desde o sul dos 
Estados Unidos até a Argentina.
Curiosidades: É uma espécie que espreita 
por suas presas empoleirada ou 
planando. Também tem a capacidade 
de caçar dentro de florestas.
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Espécie: Cathartes caura 
Nome popular: Urubu-de-cabeça-vermelha
Família: Cathartidae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: Entre 62 e 81 cm
Hábitat: Áreas campestres e florestais
Distribuição: Ocorre do sul do Canadá até os 
países da América do Sul.
Curiosidades: Possui excelente olfato para 
localizar cadáveres de animais. Dorme em 
grupos de dezenas de indivíduos, muitas 
 vezes associados a outras espécies de urubus.
Espécie: Crax fasciolata 
Nome popular: Mutum-de-penacho
Família: Cracidae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: ~ 83 cm
Hábitat: Florestas de galeria e bordas de florestas 
mais densas
Distribuição: Presente nas regiões ao sul do Rio 
Amazonas, entre o Rio Tapajós e o Maranhão, 
alcançando do Brasil central até o oeste de São 
Paulo, Paraná e Minas Gerais. Pode ser encontrada 
também na Bolívia, Paraguai e Argentina.
Curiosidades: O macho é predominantemente 
negro com região ventral branca e as retrizes 
externas com pontas esbranquiçadas. A fêmea, 
aqui ilustrada, apresentapadrão mais complexo 
de coloração, com as partes superiores e cauda 
barradas de branco (com ponta branca), crista 
branca com ponta negra e barriga ocre.
Espécie: Penelope pileata 
Nome popular: Jacupiranga
Família: Cracidae 
Atividade: Diurna
Peso corporal: Entre 75 e 82 cm
Hábitat: Florestas de terra firme 
pouco perturbadas
Distribuição: Exclusivamente 
brasileira. Dos baixos Rios 
Madeira e Xingu ao leste do Pará, 
Maranhão e Tocantins.
Espécie: Deroptyus accipitrinus 
Nome popular: Anacã
Família: Psittacidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 35 cm
Hábitat: Matas e bordas de matas
Distribuição: Presente em toda 
a Amazônia brasileira, sul da 
Venezuela, nordeste do Equador, 
Peru e Guianas.
Curiosidades: Alimenta-se de 
frutos, sementes e flores e é uma 
das poucas representantes da 
família que apresentam um belo 
penacho colorido.
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Espécie: Zonotrichia capensis
Nome popular: Tico-tico
Família: Passerellidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 15 cm
Hábitat: Áreas abertas
Distribuição: Espécie abundante 
em todas as regiões do país, em 
boa parte da América do Sul e 
no México e Panamá.
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Espécie: Psophia interjecta 
Nome popular: Jacamim-do-xingu
Família: Psophiidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: Entre 45 e 52 cm
Hábitat: Florestas densas de várzea
Distribuição: Exclusiva da 
Amazônia brasileira, entre os rios 
Xingu e Tocantins.
Espécie: Tringa solitaria
Nome popular: Maçarico-solitário
Família: Scolopacidae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 18 cm
Hábitat: Beira d’água
Distribuição: Todo o continente 
americano.
Curiosidades: É uma espécie que se 
reproduz na América do Norte e migra 
para todas as regiões compreendidas 
entre o México e a Argentina.
Espécie: Sturnella militaris
Nome popular: Polícia-inglesa-do-norte
Família: Icteridae
Atividade: Diurna
Peso corporal: 22,5 cm
Hábitat: Campos secos de gramíneas e de cultivo
Distribuição: Presente nas áreas abertas de 
praticamente toda a região amazônica, podendo 
ser encontrada também da Costa Rica ao Panamá.
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129Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Osteocephalus 
taurinus (Perereca)
Anfíbios
Os anfíbios foram o primeiro grupo de vertebrados a conquistar o ambiente 
terrestre, há cerca de 370 milhões de anos. Entretanto, esses animais não 
conseguiram abandonar por completo a sua dependência do ambien-
te aquático. Assim, a maioria das espécies de anfíbios apresenta uma fase 
larval aquática, na qual são chamados de girinos, chegando à fase adulta 
como animais terrestres. Vem daí a definição da palavra anfíbio (do latim 
 Amphibia), que é a junção dos termos amphi, que significa “dupla; ambos”, e 
bio, referente a “vida”. 
As mais de 8.100 espécies de anfíbios catalogadas no mundo estão divididas 
em três ordens, Caudata (salamandras e tritões), Gymnophiona (cecílias ou 
cobras-cegas) e Anura (sapos, rãs, jias e pererecas ou simplesmente anuros). 
As salamandras (Ordem Caudata) possuem corpo alongado, membros cur-
tos e cauda bem desenvolvida. Apresentam hábitos principalmente notur-
nos, ocupando ambientes terrestres. No Brasil são conhecidas apenas cinco 
espécies de salamandras, todas distribuídas na Amazônia, mas sem ocorrên-
cia conhecida em Carajás.
As cecílias ou cobras-cegas (Ordem Gymnophiona) são animais que se as-
semelham a grandes minhocas, de corpo alongado, olhos reduzidos e sem 
membros locomotores. A maioria das cerca de 40 espécies brasileiras vive no 
solo, em galerias subterrâneas, e por isso são pouco encontradas e conheci-
das pela maioria das pessoas.
Felipe Sá Fortes Leite 
Raphael Costa Leite de Lima 
Larissa Ferreira de Arruda
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Anfíbios130 131Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Os anuros (Ordem Anura) são o grupo de anfíbios mais diversificado, fá-
cil de encontrar e popularmente conhecido. Cerca de 90% das espécies 
de anfíbios do mundo são anuros. Os anuros adultos não possuem cor-
po alongado nem cauda, apresentando pernas normalmente longas e 
adaptadas ao salto. Os nomes comuns desses animais (sapos, rãs, jias e 
pererecas) escondem uma enorme variedade de grupos. O nome sapo, 
por exemplo, pode ser utilizado para se referir genericamente a qual-
quer anuro, mas geralmente um típico sapo possui pele seca de aspecto 
verrugoso e hábito terrestre, características bem representadas por in-
tegrantes das famílias Bufonidae e Odontophrynidae. As pererecas pos-
suem a pele lisa e presença de discos adesivos, como se fossem ventosas, 
na ponta dos dedos, o que dá a elas a capacidade de “escalar”, habilidade 
não observada em sapos e rãs. As espécies das famílias Hylidae, Phyllo-
medusidae e Centrolenidae representam bem o arquétipo de uma pere-
reca. As rãs ou jias (restritas às espécies normalmente utilizadas para ali-
mentação) também possuem pele lisa e normalmente patas posteriores 
maiores e mais fortes quando comparadas a outros anuros e por isso são 
exímias saltadoras. A família Leptodactylidae representa muito bem o 
que se conhece popularmente como uma rã. Entretanto, muitas espécies 
possuem combinações de características que não permitem enquadrá-
-las facilmente em uma dessas categorias (sapos, rãs, jias e pererecas) e 
outras, por não serem frequentemente avistadas pela comunidade local, 
não possuem nome popular.
Os girinos, presentes na maioria das espécies de anuros, respiram através 
de brânquias, assim como os peixes, alimentando-se de algas, microrganis-
mos, detritos, ovos de anfíbios ou até mesmo de outros girinos. Esse está-
gio larval passa por um surpreendente processo chamado metamorfose, 
em que ocorre o desenvolvimento das patas, mudanças no aparelho bucal, 
desenvolvimento dos pulmões e a perda da cauda, possibilitando assim 
sua transição para o ambiente terrestre. Os adultos apresentam hábitos ter-
restres, semiaquáticos ou mesmo aquáticos, alimentam-se principalmente 
de outros animais e respiram através da pele e pulmões. A respiração cutâ-
nea só é possível devido à pele altamente permeável desses animais, que 
permite a ocorrência de trocas gasosas, mas que, porém, os deixam mais 
suscetíveis à desidratação, o que justifica sua dependência da água ou de 
ambientes úmidos e seus hábitos principalmente noturnos.
Durante a época reprodutiva, geralmente concentrada no início da estação 
chuvosa, os anuros machos coaxam para atrair as fêmeas das suas respec-
tivas espécies. Cada espécie possui um canto distinto da outra, chamado 
espécie-específico. Há espécies que, inclusive, são tão parecidas morfolo-
gicamente que só podem ser diferenciadas por meio do canto. Machos 
podem se agrupar para “cantar” próximos a áreas alagadas formando coros 
com centenas ou até milhares de indivíduos reunidos. 
Os anfíbios possuem um importante papel na dinâmica dos nutrientes, 
promovendo a ciclagem do fluxo de energia entre os sistemas terrestres e 
aquáticos, além de exercerem uma função fundamental no controle das po-
pulações de insetos e de outros invertebrados, que constituem os principais 
itens de sua dieta. São ainda especialmente suscetíveis a alterações ambien-
tais, pois sua pele permeável é muito vulnerável a poluentes químicos e à 
radiação, e seu complexo ciclo de vida os expõe a distúrbios tanto no meio 
aquático (fase larval) quanto no meio terrestre (fase adulta).
Você sabia que os anfíbios possuem em sua pele uma grande e pouco conhecida variedade 
de substâncias químicas, uma farmacopeia com grande potencial para o descobrimento de 
antibióticos e outros medicamentos? 
Essas características fazem dos anfíbios um dos mais interessantesgru-
pos de vertebrados, intrigando pesquisadores e atraindo cada vez mais 
interessados em conhecer a sua diversidade de formas, modos reprodu-
tivos e cantos.
Os Anfíbios da Flona de Carajás, Serra Norte
O Brasil é o país com a maior riqueza de espécies de anfíbios do mundo, 
onde são reconhecidas mais de 1.130 espécies. Na Amazônia brasileira 
ocorrem cerca de 250 espécies de anfíbios, sendo a grande maioria anu-
ros, ou seja, sapos, rãs, jias ou pererecas. Entretanto, esses números são 
provisórios e certamente subestimados, visto que a fauna de anfíbios da 
Anfíbios132 133Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Amazônia ainda é pouco conhecida, sendo comum a descrição de novas 
espécies pela ciência. 
Na Floresta Nacional de Carajás, área onde está inserida a Serra Norte, são 
conhecidas 66 espécies de anfíbios. Na Serra Norte, mais especificamente 
na região do Projeto N1 e N2, foram registradas 46 espécies de anfíbios. 
Desse total, 45 espécies são sapos, rãs, jias ou pererecas. Microcaecilia taylo-
ri foi a única cecília registrada. Assim como na maioria dos locais de regiões 
tropicais das Américas, as famílias com o maior número de espécies foram 
Hylidae e Leptodactylidae, representando juntas mais da metade da rique-
za total da fauna de anfíbios do Projeto N1 e N2.
A riqueza de espécies do Projeto N1 e N2 pode ser considerada alta e é 
compatível com o alto grau de preservação da área e elevada diversida-
de de hábitats. Apesar de tamanha riqueza, uma considerável parcela 
dessas espécies permanece pouco conhecida no que diz respeito à sua 
taxonomia, distribuição geográfica e biologia. Nove espécies, por exem-
plo, não puderam ser identificadas até o nível específico, ilustrando bem 
o quanto ainda precisamos estudar os anfíbios da região. 
A maioria das espécies, mais da metade, possui distribuição geográfica res-
trita ou com maior parte inserida na Amazônia, a exemplo das espécies tipi-
camente amazônicas Rhaebo guttatus (sapo-cururu), Dendropsophus leuco-
phyllatus (perereca) e Leptodactylus paraensis (rã-pimenta). Outras espécies, 
como as comuns e amplamente distribuídas Rhinella marina (sapo-cururu), 
Dendropsophus minutus (pererequinha-do-brejo), Trachycephalus typhonius 
(perereca-grudenta) e Leptodactylus fuscus (rã-assobiadora), ocorrem em 
dois ou mais biomas. Por outro lado, o sapo-granuloso Rhinella mirandari-
beiroi e a rãzinha-da-canga Pseudopaludicola canga possuem distribuição 
geográfica restrita ao Cerrado e seus enclaves amazônicos. Já o sapinho-en-
fermeiro Allobates carajas é endêmico da Serra de Carajás, o que quer dizer 
que só ocorre nessa região.
Da mesma maneira, mais da metade das espécies ocorre e se reproduz 
exclusivamente em ambientes florestais, florestas úmidas (ombrófi-
las), florestas com o predomínio de palmeiras como o açaí e a buritira-
ma e capões de mata estacional (um pouco mais secas), por exemplo, o 
 sapo-folha Rhinella gr. margaritifera, a perereca Boana boans, a perereca 
Osteocephalus oophagus, a rãzinha-listrada Lithodytes lineatus, a rãzinha-
-da-mata Chiasmocleis avilapiresae e o sapo-verrugoso Proceratophrys 
concavitympanum. Outras espécies preferem ambientes abertos como 
os campos rupestres sobre canga (vegetação dominada por capins e ar-
bustos que crescem sobre afloramentos rochosos de minério de ferro), a 
exemplo do sapo-venenoso-de-Lutz Ameerega aff. flavopicta.
A maioria das espécies deposita seus ovos diretamente em ambientes 
aquáticos, seja em igarapés, em pequenos riachos de água corrente, seja 
em poças, brejos e lagoas de água parada. Outras espécies depositam 
suas desovas em folhas localizadas sobre a lâmina d’água, como as pere-
recas-macaco Phyllomedusa bicolor, Phyllomedusa vaillantii e Pithecopus 
hypochondrialis. Assim, depois que saem dos ovos, os girinos pingam no 
corpo d’água. Já o sapinho-enfermeiro Allobates carajas deposita seus ovos 
em ambiente terrestre e transporta os girinos nas costas até o ambiente 
aquático. Outras espécies possuem desenvolvimento direto, ou seja, dos 
ovos eclodem pequenos sapinhos já formados (com as quatro patas), sem 
passar pelo estágio larval aquático (girinos), como a rã-da-mata Pristimantis 
 fenestratus, que deposita seus ovos no folhiço úmido. O sapo-pipa Pipa 
 arrabali, uma espécie totalmente aquática, incuba seus ovos na pele do seu 
próprio dorso, até a eclosão dos filhotes.
Anfíbios134
Espécie: Rhaebo guttatus 
Nome popular: sapo-dourado
Família: Bufonidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 10 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira, 
Bolívia, Peru, Equador, Colômbia 
e Venezuela, além das Guianas
Hábito: Terrícola
Espécie: Rhinella gr. margaritifera
Nome popular: Sapo-folha
Família: Bufonidae
Atividade: Diurna e noturna
Comprimento: > 3 cm < 8 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Desconhecida por se tratar de 
uma espécie ainda não identificada. O grupo 
de espécies de Rhinella margaritifera, no qual 
a espécie está inserida, ocorre na Amazônia 
brasileira, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana 
Francesa, Guiana, Panama, Surinami e Venezuela
Hábito: Terrícola
Espécie: Rhinella marina
Nome popular: Sapo-cururu, sapo-boi
Família: Bufonidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 9 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Ampla, a leste dos Andes em áreas 
da Amazônia (Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia), 
incluindo as Guianas até o Brasil Central
Hábito: Terrícola
Guia 
fotográfico
Muitas vezes, a identificação correta de uma espécie de anfíbio é uma ta-
refa difícil até mesmo para um especialista. Entretanto, o primeiro passo 
para uma boa identificação é observar bem e tomar nota de características 
relacionadas ao tamanho, coloração do dorso, ventre e partes ocultas das 
coxas. É também importante verificar a presença ou não de ventosas na 
ponta dos dedos, textura da pele, forma da cabeça, comprimento relativo 
dos membros, presença de ornamentações como apêndices e tubérculos, 
de glândulas destacadas, entre outras.
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Espécie: Elachistocleis cf. carvalhoi
Nome popular: Rãzinha
Família: Microhylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 5 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Desconhecida por se 
tratar de uma espécie que precisa 
ter sua identidade confirmada. A 
espécie Elachistocleis carvalhoi é 
conhecida no Tocantins e Pará.
Hábito: Terrícola
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Espécie: Rhinella mirandaribeiroi 
Nome popular: Sapo-granuloso
Família: Bufonidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 4 cm < 8 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Cerrado e seus enclaves 
na Amazônia
Hábito: Terrícola
Espécie: Ameerega aff. flavopicta
Nome popular: Sapo-venenoso-de-Lutz
Família: Dendrobatidae
Atividade: Diurna
Comprimento: < 4 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Desconhecida por se tratar de 
uma espécie potencialmente nova ainda não 
descrita pela ciência. A espécie A. flavopicta 
ocorre em áreas do Cerrado brasileiro
Hábito: Terrícola
Espécie: Adenomera sp.
Nome popular: Rãzinha-do-folhiço
Família: Leptodactylidae
Atividade: Diurna, Noturna
Comprimento: < 3 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Desconhecida por se 
tratar de uma espécie ainda não 
identificada. O gênero Adenomera 
ocorre por toda a América do Sul à 
leste dos Andes
Hábito: Terrícola
Espécie: Leptodactylus mystaceus
Nome popular: Rã, caçote
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 4 cm < 7 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Ampla distribuição no 
Brasil. Ocorre também na Bolívia, 
Peru, Equador, Colômbia, Venezuela 
e Guianas 
Hábito: Terrícola
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Espécie: Pristimantis fenestratus
Nome popular: Rã-da-mata
Família: Craugastoridae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 2 cm < 6 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição:Amazônia brasileira, 
Peru, Bolívia, Equador, Colômbia
Hábito: Terrícola e arborícola
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Espécie: Boana cinerascens
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 3 cm < 5 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira, 
Guianas, Colômbia, Venezuela, 
Equador, Peru, Bolívia
Hábito: Arborícola
Espécie: Dendropsophus gr. microcephalus
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 4 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Desconhecida por se tratar de 
uma espécie ainda não identificada, estando 
o grupo de D. microcephalus bem distribuído 
por toda as Américas do Sul e Central
Hábito: Arborícola
Espécie: Dendropsophus leucophyllatus
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 4 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Amazônia brasileira, Guianas, 
Colômbia, Equador, Peru e Bolívia
Hábito: Arborícola
Espécie: Allobates carajas
Nome popular: Sapinho-enfermeiro
Família: Aromobatidae
Atividade: Diurna
Comprimento: < 2 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Endêmico de Carajás
Hábito: Terrícola
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Espécie: Boana boans
Nome popular: Perereca-gladiadora; 
sapo-canoeiro
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 8 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Ampla, ocorrendo 
nas bacias dos rios Amazonas, 
Orinoco e Magdalena, Guianas, 
nas baixadas do Pacífico na 
Colômbia e Equador, no Panamá 
e Trindade e Tobago.
Hábito: Arborícola
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Espécie: Dendropsophus minutus 
Nome popular: Pererequinha-do-brejo
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 3 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Ampla, a leste dos Andes 
desde a Colômbia, Venezuela, Guianas, 
Trindade, Equador, Peru, Bolívia, Brasil, 
Paraguai, Uruguai e Argentina
Hábito: Arborícola
Espécie: Osteocephalus taurinus
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 7 cm < 11 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Ampla, ocorrendo na 
bacia amazônica do Equador, Brasil, 
Bolívia, Peru, bem como no alto rio 
Orinoco da Venezuela e Guianas
Hábito: Arborícola
Espécie: Scinax boesemani
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 4 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Amazônia 
brasileira, Venezuela, Guiana, 
Suriname, Guiana Francesa
Hábito: Arborícola
Espécie: Scinax fuscomarginatus
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 3 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Ampla, no sul, centro 
e norte do Brasil, Bolívia, Paraguai, 
Argentina, Venezuela, Guiana 
e Suriname
Hábito: Arborícola
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Espécie: Leptodactylus fuscus
Nome popular: Rã-assobiadora
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 4 cm < 6 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Ampla, em áreas 
abertas desde o Panamá até 
a Argentina, sempre a leste 
dos Andes
Hábito: Terrícola
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Espécie: Leptodactylus paraensis 
Nome popular: Rã-pimenta, rã-do-Pará, jia
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 10 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira
Hábito: Terrícola
Espécie: Leptodactylus petersii
Nome popular: Rã, caçote
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 3 cm < 5 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Ampla, na Amazônia e Cerrado 
brasileiros, Equador, Bolívia e Guianas
Hábito: Terrícola
Espécie: Leptodactylus rhodomystax
Nome popular: Rã, caçote
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 6 cm < 9 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira, 
Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia
Hábito: Terrícola
Espécie: Scinax sp. 
Nome popular: Perereca, raspa-cuia
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 5 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Desconhecida por se 
tratar de uma espécie ainda não 
identificada. O gênero Scinax 
possui ampla distribuição e ocorre 
desde o México até a Argentina
Hábito: Arborícola
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Espécie: Leptodactylus pentadactylus 
Nome popular: Rã-pimenta, jia
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 10 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira, 
Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, 
Guiana, Suriname e Guiana Francesa
Hábito: Terrícola
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Espécie: Chiasmocleis avilapiresae
Nome popular: Rãzinha-da-mata
Família: Microhylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 5 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira
Hábito: Terrícola
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Espécie: Proceratophrys concavitympanum
Nome popular: Sapo-verrugoso
Família: Odontophrynidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 3 cm < 7 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira
Hábito: Terrícola
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Espécie: Pipa arrabali
Nome popular: Sapo-pipa
Família: Pipidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 2 cm < 7 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Ampla. Ocorre nas regiões 
centro, norte e oeste do Brasil, além 
da Guiana, Suriname e Venezuela
Hábito: Aquático
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Espécie: Lithodytes lineatus 
Nome popular: Rãzinha-listrada
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 3 cm < 6 cm
Hábitat: Floresta
Distribuição: Amazônia 
brasileira, Venezuela, Bolívia
Hábito: Terrícola
Espécie: Physalaemus ephippifer
Nome popular: Rãzinha
Família: Leptodactylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: < 4 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira, 
Venezuela, Guiana e Suriname
Hábito: Terrícola
Espécie: Pseudopaludicola canga
Nome popular: Rãzinha-da-canga
Família: Leptodactylidae
Atividade: Diurna, Noturna
Comprimento: < 3 cm
Hábitat: Área aberta
Distribuição: Cerrado e seus enclaves 
na Amazônia
Hábito: Terrícola
Espécie: Pithecopus hypochondrialis
Nome popular: Perereca-das-folhagens; 
perereca-macaco
Família: Phyllomedusidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 3 cm < 5 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Amazônia brasileira e 
áreas de transição com o Cerrado, 
Colômbia, Venezuela, Guianas
Hábito: Arborícola
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Espécie: Boana multifasciata 
Nome popular: Perereca
Família: Hylidae
Atividade: Noturna
Comprimento: > 5 cm < 8 cm
Hábitat: Área aberta, Floresta
Distribuição: Ampla, desde a 
Venezuela, passando pelas 
Guianas até os estados do 
Ceará e Goiás, no Brasil
Hábito: Arborícola
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RépteisFoto: Lea
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167Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Leptophis ahaetulla 
(Brasileirinha)
Répteis 
A palavra réptil vem do latim e significa “o que se arrasta”, pois muitas das 
espécies desse grupo se locomovem rastejando. Os répteis possuem a pele 
queratinizada, já que seu corpo é revestido por uma camada mais espessa 
e impermeável, recoberto externamente por escamas epidérmicas. Alguns 
também possuem placas ósseas abaixo dessas escamas (chamadas osteo-
dermas). No Brasil, os répteis são divididos em três grupos:
Testudines – Quelônios, também chamados de tartarugas, cágados, jabutis 
e tracajás: são animais que possuem um casco em volta do corpo, unidos 
com aberturas para a saída da cabeça, cauda e membros.
Crocodylia – Jacarés e crocodilos: animais de corpo alongado e revestido 
por placas córneas que recobrem as placas ósseas nas costas dos animais.Vivem apenas em regiões quentes e aqui no Brasil são encontrados em rios 
e lagos de água doce.
Squamata - Lagartos, serpentes e anfisbenas: é o grupo mais diverso e abun-
dante, sendo sua principal característica o corpo recoberto por escamas e a 
língua bifurcada.
A temperatura do corpo dos répteis varia de acordo com a temperatura do 
ambiente em que estão, dependendo de uma fonte de calor externa para 
aumentar a temperatura, como o sol. Assim, quando está frio, o corpo apre-
senta uma temperatura baixa e, ao esquentar, ele também se aquece. Por 
Jussara Santos Dayrell 
Larissa Ferreira de Arruda 
Raphael Costa Leite de Lima 
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Répteis168 169Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
isso esses animais usam algumas estratégias, como se expor ao sol quando 
o dia está frio e se proteger em lugares sombreados ou na água quando a 
temperatura está muito alta. 
Os quelônios e crocodilianos constituem um grupo de interesse especial na 
região amazônica, pela sua importância histórica na cultura e na alimenta-
ção de índios e ribeirinhos. As espécies de quelônios e jacarés sofrem, regio-
nalmente, forte pressão devido à caça e comercialização de carnes e ovos.
As anfisbenas ou cobra-de-duas-cabeças são confundidas com as serpentes 
por possuírem o corpo alongado e sem patas, apresentando a cauda curta 
e arredondada. Costumam viver enterradas no solo ou embaixo de troncos 
de árvores. É confuso descobrir qual das extremidades é a cabeça porque 
os olhos são pequenos e a cauda é também arredondada (foto 14). Quando 
ameaçados, esses animais assumem uma posição defensiva, na qual levantam 
tanto a cabeça como a cauda, de forma a confundir e intimidar o predador.
Foto 14: Indivíduo adulto de Amphisbaena alba 
(cobra-de-duas-cabeças) em posição defensiva. 
Os lagartos são extremamente diversos e popularmente conhecidos como 
lagartixas, calangos, teiús, iguanas e camaleões. Possuem cauda longa e 
geralmente quatro patas. Eles ocupam diversos ambientes e podem ser 
arborícolas (habitam a vegetação), terrícolas (habitam o chão), fossoriais 
(galerias no subsolo) e semiaquáticos (habitando tanto a água quanto a 
terra). A grande maioria é onívora, ou seja, alimenta-se tanto de outros 
animais quanto de plantas e frutos.
Você sabia que a autotomia caudal é um comportamento de defesa contra predadores 
em que alguns répteis perdem propositalmente parte da própria cauda? A parte ampu-
tada continua se movimentando durante alguns minutos após a separação, o que atrai a 
atenção do predador e, enquanto isso, o animal aproveita para escapar. Algumas espécies 
de lagartos e serpentes possuem esse comportamento, mas, ao contrário dos lagartos, as 
cobras não regeneram a cauda amputada (fotos 15 e 16).
Foto 15: Autotomia de Gonatodes humeralis (lagartixa-da-amazônia). 
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Répteis170 171Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
As serpentes são animais de corpo alongado, patas anteriores e posterio-
res ausentes, com cauda comprida. Não possuem pálpebras, então não 
conseguem fechar os olhos. Uma característica interessante das cobras é 
a capacidade de deslocar a mandíbula para engolir presas muito maiores 
do que elas próprias.
Você saberia dizer a diferença entre animais venenosos e animais peçonhentos? Animais pe-
çonhentos são aqueles que, além de produzir substâncias tóxicas, possuem a capacidade de 
inocular o veneno em suas vítimas por meio de presas, quelíceras ou ferrões. Os exemplos 
mais famosos são as serpentes das famílias Viperidade e Elapidae, mas é também o caso de 
outros animais como algumas espécies de aranhas, escorpiões e abelhas. Por sua vez, os ani-
mais venenosos, embora também produzam toxinas, não são capazes de injetá-las em suas 
presas, normalmente usando-as como defesa contra predadores. Várias espécies de sapo, 
entre elas o sapo-cururu e os sapinhos coloridos da família Dendrobatidae ( sapos-flecha), 
podem causar casos graves de envenenamento se ingeridos ou em contato com mucosas 
(olhos e boca, por exemplo) ou com sangue (em casos de ferimentos, por exemplo).
As espécies de serpentes peçonhentas, aqui representadas principal-
mente pelas espécies das famílias Viperidae (cascavel, jararaca e suru-
cucu) e Elapidae (corais verdadeiras), merecem atenção especial, já que 
podem representar algum perigo para as pessoas, com importantes 
implicações sociais e de interesse para a saúde pública. A principal cau-
sadora de acidentes ofídicos ou envenenamento por picada de cobra 
na Amazônia é a jararaca-do-norte Bothrops atrox, cujas populações au-
mentam em ambientes alterados pelo próprio homem. Cerca de 90% 
dos acidentes ofídicos no Brasil são atribuídos a esse gênero de ser-
pente. Por outro lado, acidentes com cobras-corais são raros devido aos 
seus hábitos fossoriais (adaptadas a cavar e a viver debaixo do solo) e à 
localização de suas presas no fundo da boca, que dificulta a inoculação 
do veneno nos seres humanos. 
Fui picado, e agora? As serpentes são animais bastante mistificados, citados em diversos 
contos e lendas. Quando o assunto é acidente por picada de cobra, não é diferente: são 
muitos os mitos. Muitas vezes, baseando-se nessas crenças populares, a vítima é orientada 
erroneamente a realizar procedimentos como utilizar esterco, fumo, querosene ou urina no 
local da picada, ingerir bebidas alcoólicas ou poções de cura, fazer cortes e torniquetes na 
região do ferimento.
Alguns desses procedimentos podem inclusive potencializar a ação do veneno ou mesmo 
confundir o médico em um futuro diagnóstico e tratamento. Por isso, em caso de aciden-
te, não só com serpente, mas envolvendo qualquer tipo de animal peçonhento no geral, 
recomenda-se sempre: lavar o local da picada apenas com água corrente, manter a vítima 
calma, o local da picada preferencialmente mais alto em relação ao restante do corpo (por 
exemplo, no caso de picadas em braços e pernas) e encaminhá-la para o atendimento mé-
dico o mais rápido possível.
Os répteis estão presentes em quase todos os ambientes amazônicos pos-
suindo hábitos terrestres, subterrâneos, aquáticos ou arborícolas. A fauna 
reptiliana é composta principalmente por espécies predadoras e, por isso, 
exerce papel-chave no funcionamento do ecossistema, controlando po-
pulações de suas presas que vão desde invertebrados, como minhocas, 
lesmas, insetos, aranhas e centopeias, até vertebrados, como peixes, sapos, 
outros répteis, aves e mamíferos (foto 17).
Foto 16: Autotomia de Chironius carinatus (cobra-cipó). 
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Répteis172 173Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Os jacarés e as serpentes de grande porte, por exemplo, são predadores 
de topo e se alimentam de uma grande diversidade de vertebrados e 
invertebrados.
Por outro lado, algumas espécies possuem dietas mais especializadas, como 
a serpente Drepanoides anomalus (falsa-coral), que se alimenta exclusiva-
mente de ovos de lagartos. Ao contrário, muitas espécies de lagartos se ali-
mentam principalmente de invertebrados e tendem a ser generalistas ou 
oportunistas, ingerindo animais que estejam disponíveis em seu hábitat, 
que sejam mais palatáveis e caibam em sua boca. No entanto, algumas es-
pécies podem ter dieta mais especializada como o lagarto Plica umbra, que 
se alimenta predominantemente de formigas.
Os Répteis da Flona de Carajás, Serra Norte
O Brasil é o terceiro país com o maior número de espécies de répteis no 
mundo, atrás apenas do México e da Austrália, contando atualmente com 
quase 800 espécies. A grande maioria dessas espécies é de serpentes, que 
representam pouco mais da metade dessa riqueza, seguida dos lagartos, 
que constituem cerca de um terço desse total. Boa parte dessas espécies 
é encontrada na Amazônia, região de grande biodiversidade e ainda pou-
co conhecidaquanto a sua fauna de répteis. Não obstante, novas espécies 
de répteis amazônicos têm sido constantemente descobertas e descritas. 
No bioma em questão, o estado do Pará se destaca por abrigar elevada 
 riqueza de répteis, sendo o segundo estado do Brasil com o maior número 
de espécies. São ao todo cinco espécies de crocodilianos, 23 de quelônios 
(18 de água doce), 153 de serpentes, 82 de lagartos e 13 de anfisbenas.
Na Flona de Carajás são conhecidas 129 espécies de répteis, sendo oito 
quelônios, três jacarés, cinco anfisbenas, 38 lagartos e 75 serpentes. Na 
região do Projeto N1 e N2, inserida na Serra Norte, foram registradas 85 
espécies de répteis. O grupo dos jacarés é representado por duas espé-
cies da única família conhecida no Brasil (Alligatoridae) e são o jacaré-
-tinga (Caiman crocodilus) e jacaré-coroa (Paleosuchus trigonatus). Já para 
os quelônios (Testudines), foram encontradas seis espécies, entre elas o 
jabuti-piranga (Chelonoidis carbonarius). Por fim, para o grupo dos répteis 
escamados (Squamata) foram registradas três espécies de cobras-de-duas-
-cabeças (anfisbenas), 25 lagartos e 49 de serpentes.
Dessas espécies, quatro se encontram listadas como vulneráveis (VU) na 
Lista Estadual de Espécies Ameaçadas do Pará (COEMA, 2007): Colobosaura 
modesta (calango); Salvator merianae (teiú); Chironius flavolineatus (cobra-
-cipó) e Pseudoboa nigra (cobra-preta). Apesar disso, no geral são espécies 
com ampla distribuição geográfica. Por sua vez, C. modesta tem distribui-
ção mais restrita, sendo encontrada somente em domínios do Cerrado e 
em enclaves de Cerrado na Amazônia.
Foto 17: Cercosaura eigenmanni (Lagarto) 
se alimentando de uma espécie de aranha.
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Répteis174
Espécie: Caiman crocodilus 
Nome popular: Jacaré-tinga 
Família: Alligatoridae
Hábitat: É encontrado em rios, lagos e 
lagoas de água doce ou salobra.
Distribuição: Sul do México até Bolívia. 
No Brasil está distribuída pela região 
Norte, Nordeste ocidental e norte da 
região Centro-Oeste.
Hábitos: Os juvenis se alimentam de 
invertebrados terrestres e quando 
adultos se alimentam de peixes e 
moluscos.
Curiosidade: É a espécie mais 
abundante na América Latina. 
Sofre grande pressão de caça na 
Amazônia, mas pode ser feito o 
manejo sustentável para venda 
de sua carne. Pode mudar de cor, 
ficando mais escura quando está frio.
Espécie: Paleosuchus trigonatus 
Nome popular: Jacaré-coroa
Família: Alligatoridae
Hábitat: Habita rios de corredeiras 
e igapós nas florestas, em áreas 
abertas ou próximo a cachoeiras e 
quedas d’água de grandes rios.
Distribuição: Amazônia brasileira, 
norte e centro-oeste da América 
do Sul até a Bolívia.
Hábitos: Alimenta-se de 
peixes, caranguejos, moluscos, 
invertebrados e pequenos 
vertebrados terrestres.
Curiosidade: é um dos menores 
jacarés do mundo, cujo tamanho 
máximo conhecido é em torno 
de 150 cm de comprimento total 
para machos. 
Guia 
fotográfico
Espécie: Chelonoidis denticulatus 
Nome popular: Jabuti-amarelo
Família: Testudinidae
Hábitat: Ocorre no interior de 
florestas.
Distribuição: Norte e Centro-oeste da 
América do Sul. No Brasil, ocorre na 
Amazônia e populações isoladas no 
Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, 
Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de 
Janeiro.
Hábitos: Onívora e se alimenta de 
folhas, frutos, raízes e também 
carcaças de outros animais. É diurna 
e terrestre. 
Curiosidade: É uma importante 
dispersora de sementes nos 
ambientes da Amazônia. Consumida 
pelas comunidades rurais, ribeirinhas 
e indígenas. As populações nos 
ambientes naturais apresentam 
grande número de indivíduos, embora 
essa espécie seja intensamente 
utilizada como animal de estimação e 
na alimentação humana.
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Espécie: Mesoclemmys gibba 
Nome popular: Lalá
Família: Chelidae
Hábitat: Habita pequenos igarapés, 
lagos e florestas inundadas.
Distribuição: Amazônia brasileira, 
norte e centro-oeste da América do 
Sul até o Peru.
Hábitos: É onívora, alimentando-se 
de frutos de buriti, insetos, girinos 
e peixes. Os ninhos podem ser 
encontrados embaixo de folhas e na 
base de troncos, próximo a cursos 
d’água. É semiaquática e noturna.
Curiosidade: É pouco explorada 
devido ao seu mau cheiro e à 
dificuldade de encontrá-la.
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Espécie: Rhinoclemmys punctularia
Nome popular: Aperema 
Família: Geoemydidae
Hábitat: Alterna a utilização de 
ambientes terrestres e aquáticos e 
pode permanecer em poças de terra 
firme durante o período de estiagem.
Distribuição: Norte da América do Sul 
até a Colômbia, Amazônia brasileira e 
localidades em Minas Gerais, Espírito 
Santo e Bahia.
Hábitos: É onívora e os ovos são 
colocados entre raízes e cobertos com 
folhiço. É uma espécie semiaquática 
e diurna.
Curiosidade: É usada como alimento 
por populações indígenas e 
ribeirinhas, sendo inclusive 
comercializada em alguns locais.
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Espécie: Kinosternon scorpioides 
Nome popular: Muçuã
Família: Kinosternidae
Hábitat: Ocorre em ambientes de água parada e corrente, 
incluindo áreas antropizadas. 
Distribuição: Ampla distribuição por toda a América Latina. 
No Brasil, possui registro em todos os estados da região 
Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Sudeste brasileiro, só 
há registro da espécie no estado de Minas Gerais.
Hábitos: Onívora, alimenta-se de algas a insetos, minhocas, 
moluscos, peixes e anfíbios. É semiaquática, noturna. 
Os ninhos são pouco profundos e cobertos por folhas e 
galhos, localizados próximos aos corpos d’água.
Curiosidade: Apesar de não haver ameaças evidentes que 
possam afetar a espécie ao ponto de colocá-la em risco 
de extinção, tal quelônio é considerado uma espécie 
relevante para a conservação da herpetofauna da região, 
apresentando populações de distribuição restrita e isolada 
nas savanas estépicas dos platôs da Serra de Carajás. 
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Espécie: Cercosaura ocellata 
Nome popular: Jacarezinho
Família: Gymnophthalmidae
Hábitat: É encontrada no folhiço de 
áreas abertas e florestas.
Distribuição: Nordeste da América do 
Sul, inclusive a Amazônia brasileira.
Hábitos: Possui hábitos terrestres. 
É diurna e heliotérmica, ou seja, 
expõe-se diretamente ao sol para 
seu corpo alcançar temperatura 
mais alta. 
Curiosidade: A coloração desse lagarto 
imita o chão da floresta, assim, ele 
se parece com folhas ou galhos e 
consegue fugir dos predadores.
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Espécie: Tretioscincus agilis 
Nome popular: Calango-do-rabo-azul
Família: Gymnophtalmidae
Hábitat: Habita florestas de terra firme e 
enclaves de campos rupestres. Pode ser 
encontrada em várias alturas de ocos de 
árvores e também em buracos no chão.
Distribuição: Guiana, Suriname, Guiana 
Francesa e leste da Amazônia brasileira, 
nos estados do Pará e Amazonas.
Hábitos: É semiarbórea, heliófila. 
Curiosidade: Muitos acham que sua cauda 
é azul para distração dos predadores, 
que focam na cauda, e não na cabeça, 
assim a chance de fuga é maior.
Espécie: Enyalius leechii 
Nome popular: Camaleãozinho
Família: Leiosauridae
Hábitat: Ambientes florestados
Distribuição: Amazônia brasileira
Hábitos: É arborícola, mas também 
habita o folhiço, sempre associada 
à vegetação e troncos de árvores 
vivas e mortas.
Curiosidade: Essa espécie possui 
uma coloração que chamada de 
críptica, ou seja, suas cores são 
semelhantes ao ambiente em que 
vive para se camuflar, não sendo 
vista pelos predadores. No caso, 
essa espécie imita (através das cores 
e da estrutura do corpo) padrões de 
cascas de árvores e de folhas secas.
Espécie: Potamites ecpleopus 
Nome popular: Jacarezinho
Família: Gymnophtalmidae
Hábitat: Vive próxima de cachoeiras e brejos, entre a 
água e a floresta.
Distribuição: Amazônia brasileira, Colômbia, Equador, 
Peru e Bolívia. 
Hábitos: É uma espécie semiaquática e diurna. Alimen-ta-se principalmente de invertebrados terrestres 
como grilos e cupins, mas também de girinos.
Curiosidade: É uma espécie territorialista cujos 
indivíduos são fiéis a certas manchas de hábitats, 
como porções de riachos.
Espécie: Kentropyx calcarata 
Nome popular: Calango-da-mata
Família: Teiidae
Hábitat: Encontrada em áreas 
abertas e bordas de floresta.
Distribuição: Amplamente 
distribuída na Amazônia (Brasil, 
Guiana Francesa, Suriname, 
Venezuela, Bolívia e Guiana) e em 
regiões da Mata Atlântica brasileira 
Hábitos: É uma espécie terrestre 
e heliófila. É forrageadora ativa, 
saindo em busca de suas presas.
Curiosidade: As fêmeas dessa 
espécie tem o comportamento de 
utilizarem ninhos comunitários 
para a reprodução, utilizando de 
um mesmo local, como interior de 
bromélias ou ocos de paus, para 
colocarem seus ovos.
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Espécie: Iguana iguana
Nome popular: Iguana
Família: Iguanidae
Hábitat: Vive na copa das árvores.
Distribuição: Ampla distribuição por 
toda a América Latina e introduzida 
nos Estados Unidos e Taiwan.
Hábitos: É uma espécie arborícola, 
heliófila e intimamente associada 
à água. Alimenta-se de folhas 
e frutos. 
Curiosidade: São boas nadadoras 
e ágeis quando dentro da água, 
podendo permanecer até 25 
minutos submersas.
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Espécie: Notomabuya frenata 
Nome popular: Calango-liso
Família: Mabuyidae
Hábitat: Áreas abertas e florestas de 
galeria de vários biomas no Brasil.
Distribuição: Bolívia, Paraguai, 
Argentina e amplamente 
distribuída em território brasileiro. 
Hábitos: É terrestre, heliófila. 
Procura ativamente por 
suas presas, normalmente 
invertebrados, o que também 
é chamado de comportamento 
de forrageamento ativo. Pode se 
alimentar de outros lagartos.
Curiosidade: É espécie vivípara, ou 
seja, não bota ovos, sendo que os 
filhotes já nascem formados.
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Espécie: Chatogekko amazonicus 
Nome popular: Lagartixa-da-mata
Família: Sphaerodactylidae
Hábitat: Florestas de terra firme. 
Distribuição: Amazônia (Brasil, Guiana 
Francesa, Suriname, Venezuela Guiana)
Hábitos: São terrícolas e habitam o folhiço 
e árvores próximas do chão. 
Curiosidade: Possuem íntima associação 
com a serapilheira, as quais utilizam em 
todo ciclo de vida para atividades como 
abrigo, alimentação e oviposição. É um 
dos menores vertebrados do mundo, com 
o tamanho de 24mm (moeda de 1 real).
Espécie: Plica umbra 
Nome popular: Calango
Família: Tropiduridae
Hábitat: Habita os troncos e galhos de
árvores das florestas de terra firme.
Distribuição: Amazônia (Brasil, Bolívia, 
Colômbia, Equador, Guiana Francesa, 
Guiana, Peru, Suriname, Venezuela)
Hábitos: É arborícola, diurna. 
Curiosidade: É uma espécie que se 
alimenta quase que somente de formigas.
Espécie: Dendrophidion dendrophis 
Nome popular: Cobra-cipó
Família: Colubridae
Hábitat: Habita o chão das florestas onde se 
confunde com as folhas secas.
Distribuição: Amazônia (Brasil, Colômbia 
Equador, Venezuela, Peru, Bolívia)
Hábitos: É diurna, alimenta-se de sapos e é 
ovípara, ou seja, bota ovos.
Curiosidade: Solta uma secreção de forte 
odor quando em perigo e possui o 
comportamento de autotomia da cauda. 
Importância médica: Não peçonhenta, dentição 
áglifa (sem presa inoculadora de veneno).
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Espécie: Spilotes pullatus 
Nome popular: Caninana
Família: Colubridae
Hábitat: Habita florestas e áreas abertas
Distribuição: Praticamente todos os países 
da América Latina, com ampla distribuição 
também em território brasileiro. 
Hábitos: Diurna e semiarborícola. Alimenta-se 
de lagartos, aves, morcegos e até mesmo 
outras serpentes.
Curiosidade: Ela se levanta, infla o pescoço e 
vibra a cauda quando acuada. Por isso muitos 
a temem por esse comportamento agressivo 
e por seu tamanho, já que chega a 2,5 metros 
de comprimento.
Importância médica: Não peçonhenta, dentição 
áglifa (sem presa inoculadora de veneno).
Espécie: Oxyrhopus melanogenys
Nome popular: Falsa-coral
Família: Dipsadidae
Hábitat: Habita locais próximos a 
córregos dentro da floresta.
Distribuição: Amazônia (Brasil, Bolívia, 
Peru, Equador, Colômbia, Guiana)
Hábitos: Ela é terrestre e se alimenta de 
sapos e lagartos que caça à noite. 
Curiosidade: Muitas vezes é confundida 
com a coral-verdadeira devido ao seu 
padrão de cor avermelhado.
Importância médica: Peçonhenta, 
dentição opistóglifa (presa inoculadora 
de veneno pequena, no fundo da boca).
Espécie: Micrurus spixii 
Nome popular: Coral-verdadeira
Família: Elapidae
Hábitat: É encontrada no subsolo ou 
no meio do folhiço das florestas.
Distribuição: Amazônia (Brasil, 
Venezuela, Colômbia e Bolívia)
Hábitos: Alimenta-se de lagartos, 
anfisbenas e outras serpentes. É 
ovípara.
Curiosidade: Para se proteger de 
predadores oculta a cabeça entre
o corpo e enrola a cauda para cima, 
fingindo que esta é a cabeça. Dessa 
maneira, o predador atacará a 
cauda e a cabeça estará protegida.
Importância médica: Peçonhenta, 
de dentição proteróglifa (presa 
inoculadora de veneno na região 
anterior da boca).
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Espécie: Epicrates cenchria 
Nome popular: Jiboia-arco-íris ou Salamanta
Família: Boidae
Hábitat: Habita preferencialmente as árvores.
Distribuição: Praticamente todos os países da América do 
Sul. No Brasil, também possui ampla distribuição. 
Hábitos: Alimenta-se de sapos, lagartos e aves, matando 
sua presa por constrição. É diurna e noturna. É vivípara, 
ou seja, os filhotes se desenvolvem no interior do corpo 
da mãe e nascem completamente formados. 
Curiosidade: Ela expira o ar dos pulmões com força, 
fazendo um ruído conhecido como “bafo da jiboia” para 
se defender de predadores. Tem esse nome porque suas 
escamas ficam iridescentes, lembrando um arco-íris 
quando refletidas no sol. Também solta uma secreção 
com cheiro desagradável quando em perigo. 
Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa (sem 
presa inoculadora de veneno).
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Espécie: Amerotyphlops reticulatus 
Nome popular: Cobra-da-terra
Família: Typhlopidae
Hábitat: Habita as florestas e áreas abertas. 
Distribuição: Norte e Centro-oeste da América do Sul, 
até a Bolívia. No Brasil, é encontrada na Amazônia, com 
registros isolados no estado do Ceará. 
Hábitos: Alimenta-se de cupins e formigas. É uma 
espécie fossorial, ou seja, vive em galerias subterrâneas.
Curiosidade: O comportamento de se defender da presa 
é a simulação de um esporão com a cauda. 
Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa 
(sem presa inoculadora de veneno).
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Espécie: Bothrops bilineatus 
Nome popular: Jararaca-verde
Família: Viperidae
Hábitat: É encontrada em matas com maior grau de conservação.
Distribuição: Amplamente distribuída na Amazônia (Brasil, 
Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Guiana, Suriname, 
Guiana Francesa) e em regiões da Mata Atlântica.
Hábitos: Ocupa arbustos e árvores a mais de um metro do solo. 
Também é vivípara.
Curiosidade: É uma serpente arbórea que pode atingir até 
100cm e se camufla no ambiente devido à sua cor verde. Dessa 
forma, a maioria das picadas ocorre nas mãos, no rosto e parte 
superior do corpo.
Importância médica: Peçonhenta, de dentição solenóglifa (presa 
inoculadora de veneno, móvel e na região frontal da boca).
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Importância 
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203Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Casa de Hóspedes - 
Flona de Carajás
Dípteros de 
Importância Sanitária 
A classe Insecta (insetos) surgiu no planeta há cerca de 350milhões de 
anos, e atualmente é conhecido cerca de um milhão de espécies no mun-
do, podendo chegar a cinco milhões, considerando aquelas que os pes-
quisadores ainda não conhecem ou que estão em processo de descrição. 
Esses animais não possuem coluna vertebral, integrando o grupo dos 
invertebrados, e são encontrados em todas as regiões do planeta Terra. 
Ocupam os mais variados tipos de ambientes (florestas, áreas ribeirinhas 
com ou sem alagamento, campos e cidades). As diferentes espécies de 
insetos são classificadas conforme as características de cada indivíduo, 
podendo ser um integrante da Ordem conhecida como Lepidoptera 
(borboletas e mariposas), Hymenoptera (abelhas e vespas), Coleoptera 
(besouros), Odonata (libélulas), Neuroptera (formiga-leão), Blattodea (ba-
ratas), Siphonaptera (pulgas), Phtiraptera (piolho), Diptera (moscas, mos-
quitos e mutucas), entre outras.
Os insetos são muito importantes para a sobrevivência de diversos ou-
tros animais e plantas existentes no mundo. Desenvolveram ao longo dos 
anos um conjunto de adaptações que os auxiliam a sobreviver tanto às 
mudanças no clima como nos ambientes em que vivem e compartilham 
com os outros organismos vivos, incluindo o homem, os ambientes por 
ele alterados. As diferentes estratégias e hábitos alimentares, por exem-
plo, fazem dos insetos um dos principais responsáveis pela polinização 
de plantas com flores (abelhas, borboletas, mariposas, moscas, besouros), 
Maria Fernanda Brito de Almeida
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Dípteros de Importância Sanitária204 205Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
que por um lado lhes oferecem néctar e pólen, e em troca recebem ajuda 
para a sua reprodução. Essa relação é boa para as plantas e insetos, pois 
todos saem ganhando alguma coisa. Por outro lado, ainda que não quei-
ram intencionalmente provocar nenhum mal, alguns insetos estão envol-
vidos em processos naturais muito específicos que podem causar prejuí-
zo para outros animais, plantas e até mesmo às populações humanas. Os 
insetos herbívoros, por exemplo, são aqueles que se alimentam de partes 
de vegetais e por essa razão podem prejudicar a capacidade da planta 
consumida de capturar a energia do sol para formar substâncias essen-
ciais para si. Outro exemplo são os insetos hematófagos, que se alimen-
tam do sangue de outros animais, normalmente dos vertebrados, mas 
principalmente das aves e mamíferos. Insetos com esse hábito alimentar 
tão particular podem apresentar diferentes formas, tamanhos, cores e ou-
tras características do corpo, mas todos precisam de sangue quente para 
sobreviver, reproduzir-se e desempenhar o seu papel no meio ambiente. 
Entre os mais conhecidos estão as pulgas (Ordem Siphonaptera), os pio-
lhos (Ordem Phtiraptera), os percevejos ou barbeiros (Ordem Hemiptera), 
e os mosquitos, muriçocas e pernilongos (Ordem Diptera). A presença de 
alguns desses animais é frequentemente motivo de preocupação pela po-
pulação local. Além dos incômodos causados pela picada, esses insetos 
sugadores muitas vezes transportam, no aparelho digestivo, microrganis-
mos que são os verdadeiros responsáveis por importantes doenças que 
afetam a população humana. O fato de ser capaz de transmitir parasitas, 
bactérias ou vírus a outro ser ou organismo caracteriza os insetos que se 
alimentam de sangue como insetos vetores de doenças, particularmente 
os mosquitos, muriçocas, carapanãs ou pernilongos, e mosquito-palha, da 
ordem Diptera, família Culicidae e Psychodidae. 
Os Insetos - Dípteros Vetores 
da Flona de Carajás, Serra Norte
No estado do Pará, especificamente nas proximidades do Projeto N1 e N2, 
os registros que existem para os dípteros vetores foram encontrados em li-
vros, em relatórios técnicos e dados da Secretaria de Saúde de Parauapebas 
(PA), mostrando a presença de 121 espécies de dípteros (41 da subfamília 
Culicidae e 80 da subfamília Flebotominae), alguns deles vetores de parasi-
tos causadores da febre amarela, dengue, chikungunya, zika e malária. 
As espécies da família Culicidae são conhecidas como mosquito, perni-
longo, muriçoca e carapanã e estão distribuídas em três subfamílias: Culi-
cinae, Anophelinae e Toxorhynchitinae. Nas duas primeiras subfamílias 
(Culicinae, Anophelinae) estão presentes as espécies de carapanãs que 
transportam os vírus que causam a dengue, zika, chikungunya, febre ama-
rela, febre do oropuche e malária. As fêmeas desses mosquitos se alimen-
tam de sangue. O sangue que a fêmea conseguiu durante a alimentação 
é importante para que ela seja capaz de desenvolver e amadurecer os 
seus ovos. A fêmea deposita os ovos, após a cópula, em locais capazes de 
armazenar água. Em ambientes naturais (como florestas), as bromélias, os 
bambus e os frutos caídos podem fazer esse armazenamento. Nas cida-
des e vilas, os pneus, garrafas de plástico, pratos de plantas, caixas-d’água 
destampadas são bons locais que armazenam água. Esses locais são cha-
mados de criatórios do mosquito. As fêmeas escolhem bem o local para 
fazer a postura dos ovos, pois é nesses locais que o mosquito imaturo 
vai sofrer transformações até se tornar um adulto, tornando-se capaz de 
voar. Quando um carapanã está infectado, ele pode transferir o parasito 
enquanto se alimenta do sangue e adoecer os homens e outros animais. 
O organismo (vertebrado ou invertebrado) que oferece condições para o 
desenvolvimento de um parasito é chamado de hospedeiro.
As espécies da família Psychodidae que pertencem à subfamília Fleboto-
minae são consideradas de maior importância para a saúde. As espécies 
dessa subfamília são popularmente conhecidas como tatuquira, mosqui-
to-palha, asa-branca, cangalhinha e são importantes vetores dos microrga-
nismos que causam as leishmanioses tegumentar e visceral. O Brasil possui 
o maior número de espécies dessa subfamília, que depositam seus ovos 
em local úmido e rico em matéria orgânica. 
Mudanças ambientais de origem natural, como aquelas causadas por inun-
dações, aumento na temperatura ou ventos fortes, e as mudanças provo-
cadas pelo homem, como queimadas, desmatamento e produção de lixo, 
podem criar locais que ajudem na sobrevivência e reprodução dos dípteros 
que transmitem doença. Como esses insetos conseguem produzir muitos 
ovos, áreas que apresentem muitos locais favoráveis para sua procriação 
Dípteros de Importância Sanitária206 207Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
podem aumentar os registros sobre novas doenças ou sobre efermidades 
antigas que voltaram a adoecer a população. Assim, os dípteros são conside-
rados bons bioindicadores ambientais. 
As doenças transmitidas pelos carapanãs atingem toda a população huma-
na, especialmente moradores de regiões tropicais, como o Brasil, que tem o 
clima bastante favorável para a sobrevivência dos insetos. Segundo a Orga-
nização Mundial de Saúde (OMS), essas doenças transmitidas pelos dípteros 
que sugam sangue são responsáveis por 700 mil mortes por ano no mundo. 
Essa informação cria muitos debates entre os governos devido aos prejuí-
zos que esse problema causa para a saúde pública e a economia. Diante 
disso, os países da América se reuniram em 2018 para discutir propostas e 
ações preventivas, de vigilância e controle para reduzir o número de doen-
ças transmitidas por dípteros.
No local do Projeto N1 e N2, entretanto, foram registradas 40 espécies de 
dípteros, sendo três delas de importância sanitária e epidemiológica por 
atuarem como vetores: as espécies Anopheles darling e Anopheles oswal-
doi são transmissoras do protozoário causador da malária e Coquilletidia 
venezuelensis, pernilongo transmissor natural silvestre do vírus que pro-
voca a febre do oropuche. Essas espécies são comuns na região Amazô-
nica, mas foram encontrados poucos indivíduos na área do Projeto N1 e 
N2. Outras espécies também podem transmitir parasitos causadores de 
diversas doenças, porém raramentedesempenham esse papel, sendo por 
isso chamadas vetores secundários. O mosquito da espécie Aedes aegypti, 
responsável por ser vetor dos vírus da dengue, zika e chikungunya, não foi 
registrado na área do Projeto N1 e N2, embora registros da doença tenham 
sido feitos nos municípios próximos, como Parauapebas. Isso é explicado 
pelo fato de o mosquito transmissor da dengue preferir ambientes ocupa-
dos pelo homem, como cidades, vilas e fazendas.
Malária
Vetores
A espécie considerada principal vetor da malária é o Anopheles darling, em-
bora outras espécies também possam transmitir o microrganismo. Esses 
mosquitos são popularmente conhecidos como carapanã, muriçoca, bicuda.
Ciclo de Transmissão
A malária é uma doença registrada em praticamente todas as regiões tropicais 
e subtropicais, sendo que 40% da população mundial está suscetível à doença. 
A doença no homem é causada por quatro espécies de microrganismos co-
nhecidos como protozoários: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, P. ova-
le e P. malariae. Esses protozoários possuem um ciclo complexo e com muitas 
fases de desenvolvimento, que ocorrem em dois hospedeiros: um invertebra-
do – fêmea do mosquito do gênero Anopheles, onde ocorre a fase assexuada 
do ciclo – e um vertebrado – nesse caso, em especial, o homem, onde ocorre 
a fase sexuada do ciclo de desenvolvimento do microrganismo (figura 4).
Parasita 
da malária
Sangue 
infectado
Sangue 
infectado
Infecção 
do fígado
Infecção 
do fígado
Próxima 
pessoa 
infectada
Pessoa 
infectada
2º mosquito 
Anopheles 
Fêmea
1º mosquito 
Anopheles 
Fêmea
Durante a alimentação, enquanto o mosquito carapanã infectado suga o 
sangue do ser humano, ele transfere para o sangue os protozoários. Assim 
que entram no sangue do homem, esses microrganismos se movem para 
o fígado e então contaminam as células desse órgão, também conhecidas 
Figura 4 - Ciclo de transmissão da malária
Dípteros de Importância Sanitária208 209Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
como hepatócitos. Dentro dos hepatócitos, os protozoários sofrem uma 
transformação e nessa nova fase do desenvolvimento se multiplicam, dan-
do origem a muitos outros protozoários. Como as células do fígado ficam 
muito cheias de protozoários, elas acabam estourando e os protozoários in-
vadem o sangue novamente. Dentro das células que formam o sangue, os 
protozoários se multiplicam até que essas células estourem. Quando as cé-
lulas do sangue estouram, acontece a fase de febre característica da malária. 
A febre pode ocorrer a cada 48 horas, quando os protozoários responsáveis 
pela infecção são os Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum e Plasmodium 
ovale, ou a cada 72 horas, nos casos provocados por Plasmodium malariae. 
Enquanto isso, dentro do corpo da pessoa contaminada, podem acontecer 
duas situações: (i) os protozoários invadem outros eritrócitos e continuam 
se multiplicando no sangue e (ii) os protozoários mudam sua forma para po-
der sobreviver dentro do corpo dos mosquitos carapanã. Dentro do corpo 
do mosquito carapanã, o protozoário sofre várias transformações para estar 
pronto para voltar para o corpo do homem, quando este é picado.
O que fazer para não ficar doente
Embora os grupos de pesquisa estejam se empenhando, ainda não existe vacina 
disponível contra a malária. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha 
que a prevenção seja feita através de utilização de mosquiteiros impregnados 
por inseticidas nas portas e janelas das casas e borrifação intradomiciliar. Além 
disso, é recomendado o uso individual de repelentes e roupas compridas que 
evitem ao máximo a exposição da pele em áreas endêmicas ou com ocorrência 
da malária. No entanto, a melhor medida preventiva é o controle vetorial. O Mi-
nistério da Saúde implementou em 2003 o Plano Nacional de Controle da Malá-
ria (PNCM), visando à prevenção e ao controle. O PNCM apresenta uma série de 
ações com o objetivo de reduzir o número de vetores da malária, principalmente 
na região amazônica, área com maior número de casos registrados da doença.
Febre do oropouche
Vetores
O principal vetor silvestre do ciclo é o Coquilletidia venezuelensis e o principal 
vetor do ciclo urbano, o Culicoides paraensis, este último, porém não foi regis-
trado na Área do Projeto N1 e N2 e nem na área do entorno.
Ciclo de transmissão
A febre oropouche é uma doença provocada por um vírus que é mantido 
por hospedeiros vertebrados (roedores, aves, primatas e homem) e trans-
mitida entre eles por um inseto (mosquito carapanã) (figura 5). O vírus foi 
registrado pela primeira vez no Brasil em 1960, no sangue de uma pregui-
ça (Bradypus tridactylus), e desde essa época a doença é frequentemente 
registrada, principalmente nos estados do Norte e Nordeste do país. As 
manifestações clínicas nos seres humanos incluem febre, mialgia, artral-
gia, dor de cabeça, fotofobia e erupção cutânea. Na maioria dos casos, os 
sintomas não são graves e por isso a febre do oropouche recebe menos 
atenção, sendo, portanto, uma doença subnotificada.
ANIMAIS SILVESTRES
Preguiça, quati, 
macaco e aves
MOSQUITO VETOR 
CARAPANÃ
HUMANOS
Sintomas:
Febre, dor de cabeça, 
mal-estar, fotofobia, 
náusea, vômito, tontura, 
encefalite e meningite
O vírus da febre do oropouche possui dois ciclos: um deles, o ciclo silves-
tre, ocorre em áreas dentro de florestas e locais preservados. Nesse caso, 
o vírus é transmitido primariamente pelo mosquito Coquilletidia venezue-
lensis aos animais silvestres (aves, roedores, preguiças e macacos). O ciclo 
urbano ocorre em áreas urbanas, rurais e ambientes degradados, mantém 
o homem como o hospedeiro e os mosquitos da espécie Culicoides pa-
raensis como principais vetores, porém essa espécie não foi registrada na 
área do Projeto N1 e N2. A transmissão em qualquer um dos ciclos ocorre 
quando a fêmea carapanã, que é um vetor, se infecta com o vírus ao se 
alimentar do sangue de algum hospedeiro vertebrado. Uma vez que essa 
Figura 5 - Ciclo de transmissão da febre oropouche
Dípteros de Importância Sanitária210
fêmea estiver com o vírus, a cada nova alimentação o mosquito irá trans-
ferir um pouco do vírus para o vertebrado que ele estiver se sugando. Os 
vírus são parasitas que vivem obrigatoriamente dentro de células e são 
capazes de infectar vários tipos delas. 
O que fazer para não ficar doente 
Utilização de mosquiteiros impregnados por inseticidas nas portas e ja-
nelas das casas, borrifação intradomiciliar e uso individual de repelentes 
e roupas compridas que evitem ao máximo a exposição da pele em áreas 
endêmicas ou com ocorrência da doença. Assim como ocorre com a ma-
lária, a melhor medida preventiva é o controle do inseto.
Espécie: Anopheles sp.
Nome popular: Mosquito-prego, 
mosquito, pernilongo
Família: Culicidae
Atividade: Crepuscular/ Noturno
Hábitat: Florestas em regiões de 
clima quente e úmido e próximo a 
habitações humanas
Distribuição: As espécies do gênero 
Anopheles são encontradas em 
todo o território brasileiro.
Curiosidade: Apenas as 
fêmeas alimentam-se de 
sangue, importante para o 
amadurecimento dos ovos. Os 
machos alimentam-se da seiva de 
plantas. Há espécies do gênero 
que são vetoras da malária.
Espécie: Coquilletidia venezuelensis
Nome popular: Pernilongo
Família: Culicidae
Atividade: Crepuscular/ Noturno
Hábitat: Florestas em regiões de 
clima quente e úmido e próximo à 
habitações humanas
Distribuição: Ocorre em toda a América 
do Sul
Curiosidade: Principal vetora da febre 
do oropouche.
Espécie: Coquillettidia sp.
Nome popular: Mosquito, pernilongo
Família: Culicidae
Atividade: Crepuscular/ Noturno
Hábitat: Florestas e áreas adjacentes utilizadas pelo homem
Distribuição: Encontrada em todos os biomas brasileiros
Curiosidade: Apenas as fêmeas alimentam-se de sangue, 
importante para o amadurecimento dos ovos. Os machos 
alimentam-se da seiva de plantas.
Guia 
fotográfico
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Peixes
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215Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Peixes
Os peixes correspondem ao maior grupo de todos os vertebrados e é com-
preendido por animais que possuem grande diversidade de cores, formas e 
comportamentos. No mundo, podemos encontrar mais de 35.000 espécies 
de peixes nos mais variados ambientes aquáticos como em águas subterrâ-
neas (cavernas), em grandes altitudes, profundidades dos oceanos maiores 
do que 6.500m, altas temperaturas ou baixíssimas dos extremos da Terra 
(polos), lençol freático, ambientes extremamente salgados e em poças tem-
porárias. É fácil perceber que onde tem água, costuma ter peixe!
A fauna de peixes do Brasil é extremamente rica e diversificada. O país possui 
uma das maiores riquezas do mundo, com aproximadamente 3.200 espécies 
conhecidas. Quando falamos em número de espécies por bacia hidrográfica, 
a Bacia Amazônica é a campeã mundial, com mais de 2.700 peixes. Mais da 
metade desses peixes é endêmica, ou seja, só ocorrem nela e em nenhum 
outro lugar do mundo. 
Na região da Serra Norte, conforme veremos adiante em maior detalhe, des-
tacam-se as ordens Characiformes e Siluriformes, das quais fazem parte a 
maioria dos peixes da região Neotropical, e a ordem Cichliformes.
A ordem Characiformes é um dos maiores grupos exclusivamente de água 
doce. Nela podemos encontrar representantes de diversos tamanhos, des-
de as pequenas piabas e pequiras, com alguns centímetros, até os grandes 
tambaquis, com mais de 40 kg. Habitam os mais variados ambientes, sejam 
eles de águas rápidas como corredeiras ou ambientes de água parada como 
Ambiente amostrado
para coleta de peixes
no Projeto N1 e N2.
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Marcelo Fulgêncio Guedes de Brito 
Breno Perillo Nogueira 
Peixes216 217Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
lagoas e remansos. Apresentam o corpo com formatos e cores bem variadas, 
sendo completamente coberto por escamas. Algumas espécies podem rea-
lizar migrações reprodutivas, as chamadas piracemas, quando se deslocam 
rio acima para reproduzir. É bem comum encontrar esses peixes formando 
cardumes, o que representa uma importante estratégia para evitar a pre-
dação. A alimentação desse grupo é bem variada. Os peixes normalmente 
são mais ativos durante o dia (diurnos) e exploram ativamente os recursos 
do ambiente, bem como se alimentam dos itens que caem na água, como 
frutos, sementes e insetos.
Os Siluriformes são peixes que apresentam couro ou placas ósseas reves-
tindo o corpo. Esta ordem agrupa as espécies popularmente chamadas de 
bagres, que são os peixes de couro, bem como os peixes com placas ósseas, 
chamados de acaris e cascudos. Possuem barbilhões que são, na verdade, es-
truturas quimiotácteis localizadas no queixo e próximas da boca para auxiliar 
na localização do alimento e percepção ambiental. Nas nadadeiras peitorais 
e na nadadeira dorsal estão os esporões, que são serrilhados e pontiagudos. 
Trata-se de estruturas que representam uma boa defesa contra a investida 
de predadores, visto que eles abrem esses esporões quando ameaçados. Os 
representantes dessa ordem, normalmente, estão associados ao fundo de 
rios com folhiço, areia ou pedras, e costumam ser mais ativos no amanhecer, 
no anoitecer e durante a noite (hábito crepuscular/noturno). Assim como 
descrito para os peixes de escama, algumas espécies dessa ordem também 
realizam a piracema no período reprodutivo.
E por fim a Ordem Cichliformes, representada por espécies como os tucuna-
rés, acarás, jacundás, entre outras. Algumas espécies apresentam comporta-
mentos elaborados como territorialismo e cuidado parental, de maneira que 
os pais preparam o ninho e demandam cuidado desde a postura dos ovos 
até a independência dos filhotes. 
Cabe destacar que várias espécies dessas ordens, de pequeno porte, e prove-
nientes da região amazônica, são capturadas e vendidas para a aquariofilia – 
prática de criar peixes, plantas e outros organismos aquáticos em recipien-
tes de vidro, acrílico ou plástico, conhecidos como aquários. Muitas delas 
possuem alto valor comercial e são vendidas nos grandes centros urbanos 
do Brasil e exportados, como é o caso do neon (Characiformes), de diversos 
tipos de acaris (Siluriformes) e do acará-disco (Cichliformes).
Os Peixes da Flona de Carajás, Serra Norte
A região Neotropical possui a mais diversa fauna de peixes do mundo, 
compreendendo cerca de 5.500 espécies de água doce. A alta diversi-
dade de peixes deve-se principalmente à presença de muitos sistemas 
hidrográficos (rios, lagos, igarapés, etc.), e principalmente à Bacia Ama-
zônica. Essa bacia é de longe a mais rica do mundo, superando 2.700 
espécies de peixes. Essa riqueza se deve não apenas à sua grande área 
(aproximadamente 7 milhões de km2), mas também a fatores históricos, 
juntamente com sua heterogeneidade ambiental e complexidade geo-
morfológica. Cabe destacar que o conhecimento sobre a diversidade 
dessa fauna é ainda incompleto, uma vez que dezenas de novas espé-
cies são descritas a cada ano. Portanto, essa riqueza de peixes tende a 
aumentar ainda mais. 
Na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, área onde está inserida a Serra Nor-
te, são conhecidas 278 espécies de peixes. Na Serra Norte foram registradas 
até o momento 29 espécies e mais especificamente na região do Projeto 
N1 e N2, 19 espécies de peixes. Assim como na maioria das drenagens neo-
tropicais, as ordens com o maior número de espécies foram Characiformes 
e Siluriformes, representando juntas mais da metade da riqueza total da 
fauna de peixes do Projeto N1 e N2.
Os cursos d’água próximos à região de cabeceira, como é o caso dos am-
bientes amostrados no Projeto N1 e N2, possuem hábitats específicos que 
por sua vez abrigam espécies com características especiais e adaptadas às 
condições do ambiente nesse segmento do curso d’água. 
A maioria das espécies possui distribuição geográfica restrita ou com 
maior parte inserida dentro da Amazônia, a exemplo das espécies tipi-
camente amazônicas como o cachorrinho Acestrorhynchus falcatus, a pia-
banha Brycon polylepis, o piquirão Bryconops caudomaculatus, o matupiri 
Poptella compressa, o acari-cachimbo Rineloricaria lanceolata, o acará-pi-
xuna Aequidens tetramerus e o jacundá Crenicichla inpa. Outras espécies 
são comuns e amplamente distribuídas, destacando-se as espécies aracu- 
-cabeça-gorda Leporinus friderici e o aracu Leporellus vittatus, que ocorrem 
em duas ou mais bacias. Por outro lado, a piaba Astyanax elachylepis possui 
distribuição geográfica restrita à bacia do rio Tocantins. Já a tilápia-do-Nilo 
Peixes218
Foto 18 – Ambiente 
amostrado para 
coleta de peixes no 
Projeto N1 e N2.
Oreochromis niloticus é uma espécie invasora na Bacia Amazônica, sendo 
originária do continente africano.
Para as espécies registradas na Serra Norte, especificamente na área do 
Projeto N1 e N2, são observadas diferentes estratégias reprodutivas. Desta-
cam-se entre elas o cuidado parental, que é a proteção dos filhotes, exerci-
do pelas espécies acará-pixuna Aequidens tetramerus e jacundá Crenicichla 
inpa; espécies que se reproduzem durante todo o ano, como o cachor-
rinho Acestrorhynchus falcatus e o piquirão Bryconops caudomaculatus, e 
por fim a piabanha Brycon polylepis, que tem sua reprodução no início do 
período chuvoso.
Quanto à alimentação, observam-se diferentes hábitos dentre as espé-
cies registradas. Com hábito alimentar piscívoro, ou seja, que se alimen-
ta de peixes, tem-se o cachorrinho Acestrorhynchus falcatus; com hábito 
alimentar insetívoro, que se alimenta basicamente de insetos aquáticos 
e insetos terrestres que caem na água, tem-se o piquirão Bryconops cau-
domaculatus; e com alimentação onívora (alimentam-se de algas, frutas, 
insetos, detritos e outros) destacam-se o aracu Leporinusfriderici, a pia-
banha Brycon polylepis e o matupiri Poptella compressa. Por fim, tem-se 
o acari-cachimbo Rineloricaria lanceolata, que possui hábito alimentar 
iliófago/detritívoro, ou seja, alimenta-se raspando algas no substrato 
dos riachos onde vive, além de comer pequenos detritos que se deposi-
tam no fundo.
Você sabia que os peixes podem fazer ninhos e até mesmo carregar seus ovos e filhotes? 
Pois é! Algumas espécies fazem ninhos utilizando diversos materiais ou depositam seus 
ovos em diferentes substratos. Em alguns casos, os pais permanecem junto ao ninho du-
rante todo o período de incubação, e o cuidado continua após a eclosão dos ovos, já que 
as larvas são pequenas e indefesas. Outras espécies podem carregar os ovos aderidos ao 
corpo (região ventral do corpo e lábios) ou até mesmo levar os ovos e filhotes dentro da 
boca! Com todo esse cuidado para evitar a predação, os pais aumentam as chances de 
sobrevivência de seus filhotes.
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Peixes220 221Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Guia 
fotográfico
Espécie: Acestrorhynchus falcatus (Bloch 1794)
Nome popular: Ueua ou cachorrinho
Família: Acestrorhynchidae
Comprimento: 30 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte
Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Orinoco (Equador, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Peru, 
Suriname e Venezuela).
Hábito alimentar: Alimenta-se principalmente de peixes.
Características gerais: Apresenta o corpo alongado, olhos grandes e uma grande mancha alongada acima da 
nadadeira peitoral e uma mancha circular na base da nadadeira caudal. A boca é larga, com vários dentes 
pequenos que auxiliam na captura de peixes. A primeira reprodução ocorre quando os peixes apresentam 15 cm 
de comprimento. A desova acontece entre os meses de dezembro (final do período seco) e maio (início do período 
de cheias) na região amazônica. 
Espécie: Leporellus vittatus (Valenciennes 1850)
Nome popular: Aracú; solteira
Família: Anostomidae
Comprimento: 30 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte
Distribuição: Bacias Amazônica, Paraná-Paraguai e São Francisco (Brasil, Equador, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Peru).
Hábito: São peixes que se alimentam de insetos e outros invertebrados que são encontrados no fundo dos rios.
Tamanho máximo: 30 cm
Características gerais: Apresenta o corpo roliço e comprido, com olhos pequenos. A boca é levemente voltada para 
baixo, o que facilita a alimentação de organismos que se encontram no fundo dos rios. A coloração é cinza-
amarelada com pequenas manchas pretas espalhadas da região da cabeça até a base da cauda. Na porção média 
do corpo as manchas ficam mais próximas, formando faixas longitudinais. As nadadeiras são amareladas, e 
quase na parte de cima da nadadeira dorsal existe uma mancha escura bem evidente, assim como faixas escuras 
horizontais na nadadeira caudal. Devido ao fato de não formar cardumes, em alguns lugares é chamada também 
de “solteira”. Seu colorido bem diferenciado e chamativo fez com que despertasse o interesse na aquariofilia, e 
pode ser encontrada, para aquisição, em lojas do ramo.
Espécie: Leporinus friderici (Bloch 1794)
Nome popular: Aracú-cabeça-gorda, aracú, piau 
Família: Anostomidae
Comprimento: 40 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte
Distribuição: Bacias dos rios Amazonas, Orinoco e do Prata (Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, 
Guiana, Suriname).
Hábito: São peixes oportunistas em relação à dieta, pois se alimentam daqueles itens mais abundantes e 
disponíveis. Normalmente em seu cardápio estão incluídos itens como frutas, sementes, insetos, camarões e peixes.
Características gerais: Apresentam a cor cinza e corpo alongado com as extremidades mais estreitas (fusiforme). 
Observa-se a presença de três manchas arredondadas na lateral do corpo. A reprodução ocorre a partir dos 14 cm 
de tamanho, normalmente entre outubro e abril. Apresenta um importante papel na economia, sendo um pescado 
bastante comercializado e consumido pela população ribeirinha na Amazônia. 
Foto: Marcelo Brito
Foto: SETE
Foto: SETE
Peixes222 223Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Espécie: Brycon polylepis Moscó Morales 1988
Nome popular: Piabanha
Família: Bryconidae
Comprimento: 25 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Presente em pequenos rios com águas limpas e fundo rochoso das porções mais altas das bacias hidrográficas.
Distribuição: Bacias dos rios Orinoco, Negro, Tocantins e alto Amazonas (Venezuela, Colômbia, Peru e Brasil).
Hábito: A alimentação da espécie consiste em insetos, folhas, frutos e sementes.
Características gerais: Corpo alongado de coloração prateada bem uniforme e nadadeiras rosadas com a base 
amarela. A porção inicial da cauda apresenta uma grande mancha negra que continua na porção mediana da 
nadadeira caudal. Dados sobre a reprodução apontam para o início da estação chuvosa. 
Espécie: Astyanax elachylepis Bertaco & Lucinda 2005
Nome popular: Piaba
Família: Characidae
Comprimento: 12 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte na bacia do rio Tocantins
Distribuição: Endêmica da bacia do rio Tocantins
Hábito: A alimentação da espécie é bem variada (insetos, folhas, frutos e sementes).
Características gerais: Apresenta corpo prateado com uma mancha quadrada bem evidente na base da cauda que se 
estende pela porção mediana da nadadeira. Apesar da ausência de estudos em relação a aspectos da sua biologia, 
provavelmente, é uma espécie que tem uma dieta bem variada com um grande período de reprodução, como 
peixes do mesmo grupo (gênero Astyanax). 
Espécie: Bryconops caudomaculatus (Günther 1864)
Nome popular: Piaba, piquirão ou piquiratã
Família: Iguanodectidae
Comprimento: 12 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte
Distribuição: Rios costeiros do escudo da Guiana, e bacias dos rios Orinoco e Amazonas (Brasil, Equador, Colômbia, 
Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela).
Hábito alimentar: É uma espécie insetívora que procura o alimento por meio de investidas no fundo dos rios, na 
coluna d’água e também fora da água! Sim, esse peixe consegue pegar insetos que voam próximo à superfície do 
rio! Eles nadam com o corpo levemente inclinado próximo da superfície, e quando localizam os insetos voando 
eles aceleram a natação e saltam para fora da água. Esses saltos podem chegar a 15 cm de altura! 
Características gerais: Apresenta o corpo alongado. A cor prateada é bem evidente em suas escamas na lateral do 
corpo. As nadadeiras dorsal e adiposa têm a cor vermelha e a nadadeira caudal tem a base preta com uma mancha 
negra que ocupa quase toda metade superior, ficando uma pequena borda avermelhada. Encontrada em cardumes 
de até uma dúzia de peixes, podendo também formar cardumes mistos com outras piabas. A reprodução ocorre 
praticamente ao longo de todo o ano, e o piquirão inicia o seu processo reprodutivo a partir de 7 cm de comprimento. 
Espécie: Poptella compressa (Günther 1864)
Nome popular: Matupiri
Família: Characidae
Comprimento: 10 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte
Distribuição: Bacias do Orinoco, Amazônica e drenagens costeiras do norte da América do Sul (Bolívia, Brasil, 
Equador, Peru, Colômbia, Guiana e Venezuela).
Hábito: Alimenta-se de vegetais, frutos sementes e insetos aquáticos e terrestres. 
Características gerais: São peixes de pequeno porte com olho grande, corpo alto e achatado lateralmente. 
Apresentam escamas esverdeadas na parte superior e escamas prateadas na parte média e inferior do corpo, com 
duas manchas verticais alongadas acima da nadadeira peitoral. Na base da nadadeira dorsal podemos observar 
um pequeno espinho que corresponde a uma característica marcante desse grupo. As nadadeiras apresentam um 
tom levemente amarelado a alaranjado. 
Foto: SETE
Foto: Rafael ZeferinoFoto: Rafael Zeferino
Foto: Rafael Zeferino
Peixes224 225Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Espécie: Crenicichla inpa Ploeg 1991 
Nome popular: Jacundá
Família: Cichlidae
Comprimento: 17 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte
Distribuição: Bacia Amazônica (Brasil e Bolívia).
Hábito: Alimenta-se de insetos e pequenos peixes que são capturados por meio de um bote rápido. 
Características gerais: Apresenta corpo alongado, com uma mancha bem evidente acima da nadadeira peitoral e 
outra pequena na base da nadadeira caudal. Uma listra longitudinal se estende atrás do olho até a altura da base 
da nadadeira peitoral. As fêmeas são menores que os machos e têm a região ventral do corpo avermelhada. A 
reprodução ocorre em grande parte do ano. O casal faz a desova em uma toca e cuida tanto dos ovos quanto 
dos filhotes até se tornarem independentes. É uma espécie bastante territorialista, e esse comportamento se 
intensifica com a chegada de intrusos no período que está cuidando dos filhotes. 
Espécie: Characidium zebra Eigenmann 1909
Nome popular: Canivete
Família: Crenuchidae
Comprimento: 7 cm (comprimento máximo)
Hábitat: O canivete é um peixe que ocupa o fundo de riachos com corredeiras. 
Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Essequibo, e bacias costeiras do escudo da Guiana (Brasil, Colômbia, 
Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Uruguai, Venezuela e Suriname).
Hábito: Alimenta-se principalmente de larvas de invertebrados
Características gerais: Apresenta o corpo hidrodinâmico em formato alongado com as extremidades mais estreitas 
(fusiforme). Na lateral do corpo encontramos uma série de barras verticais difusas e uma faixa horizontal bem definida 
da cabeça até a base da nadadeira caudal. Vive em locais com águas rápidas e possui grandes nadadeiras peitorais e 
pélvicas que se expandem e funcionam como uma âncora para não permitir que seja carregados pela correnteza. 
Ordem Siluriformes
Espécie: Rineloricaria lanceolata (Günther 1868)
Nome popular: Acari-cachimbo 
Família: Loricariidae
Comprimento: 12 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Riachos com águas limpas e fundo rochoso das porções mais altas das bacias hidrográficas.
Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Essequibo, e bacias costeiras do escudo da Guiana (Bolívia, Peru, Equador, 
Guiana, Colômbia e Brasil).
Hábito: Alimenta-se principalmente de algas, detritos e pequenos invertebrados no fundo dos rios.
Características gerais: Apresenta o corpo achatado e a coloração varia bastante do negro ao marrom, com faixas 
cruzando a região superior do corpo (dorsal) que podem alcançar a região inferior do corpo (ventral). Quando os 
machos estão preparados para a reprodução, apresentam uma série de espículas na nadadeira peitoral, lateral da 
cabeça e na região superior antes da nadadeira dorsal que podem ser utilizadas no ritual de corte, assim como na 
defesa contra predadores.
Ordem Cichliformes
Espécie: Aequidens tetramerus (Heckel 1840)
Nome popular: Acará-cuaima; acará-pixuna
Família: Cichlidae
Comprimento: 16 cm (comprimento máximo)
Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte
Distribuição: Amplamente distribuído nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, 
Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela).
Hábito: Alimenta-se de algas, sementes, crustáceos, outros invertebrados, mas preferencialmente de insetos.
Características gerais: Tem o corpo curto com uma mancha na região mediana e outra pequena na parte superior 
da base da nadadeira caudal. Uma estreita faixa longitudinal cruza o corpo próximo da nadadeira pélvica até o 
pedúnculo caudal. É uma das espécies mais coloridas do gênero, o que atrai a atenção e o desejo de aquaristas. 
Essa coloração é mais evidente no período reprodutivo, quando ganha tons avermelhados no corpo. São peixes 
precoces, iniciando a reprodução em torno de 6 cm de comprimento para a fêmea e 8 cm para o macho. São 
territoriais e apresentam cuidado parental. 
Foto: Marcelo Brito
Foto: Marcelo Brito
Foto: VALE
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Biota 
Aquática
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229Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Campo Hidromórfico 
(Campo Graminoso/
Brejoso na Estação 
Chuvosa)
Biota Aquática
A biota aquática é o conjunto de seres vivos que habitam os rios, nas-
centes, cachoeiras, veredas, lagoas, ambientes artificiais (represas, açu-
des e tanques), entre outros, sendo parte desse conjunto o plâncton, os 
macroinvertebrados aquáticos e o nécton. O plâncton (da palavra grega 
“Planktos”, que significa “à deriva”) é o nome dado pelos pesquisadores 
ao conjunto de organismos que têm capacidade limitada de locomo-
ção e que basicamente são transportados pelos movimentos das águas. 
Entre os seres planctônicos estão bactérias, diversas algas, protistas, 
rotíferos, microcrustáceos, larvas de peixes, de moluscos, entre outros. 
Esse grupo é dividido em fitoplâncton (pequenas plantas) e zooplâncton 
(pequenos animais).
Já o nome macroinvertebrado aquático ou bentônico normalmente é 
dado aos insetos aquáticos (fases de larva e adulta), anelídeos (minhocas, 
sanguessugas e outros), moluscos (mexilhões e caracóis de água doce), 
crustáceos (camarões, caranguejos, etc.), entre outros pequenos animais 
que vivem associados ao sedimento dos corpos hídricos. No ambien-
te aquático existem ainda os seres nectônicos, que são os animais que 
se movem ativamente e são capazes de vencer a densidade da água e 
se deslocar rapidamente, com o auxílio dos seus órgãos de locomoção, 
como nadadeiras. A composição do nécton é diversificada e fazem parte 
desse grupo os peixes, as tartarugas e os mamíferos aquáticos. Informa-
ções sobre esses organismos podem ser obtidas nos respectivos capítulos 
que compõem este acervo.
Sandra Francischetti Rocha 
Manoela Cristina Brini Morais 
Sofia Luiza Brito
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Biota Aquática230 231Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Em geral, as relações entre esses grupos ocorrem no nível microscópico. 
As algas fitoplanctônicas que colonizam as superfícies sólidas de ambien-
tes aquáticos representam importantes produtores primários ao transfor-
mar a energia do sol em energia química através da fotossíntese. Ao serem 
consumidas pelos organismos microscópicos e macroscópicos (pode-se 
enxergar a olho nu) que compõem o zooplâncton, os macroinvertebrados 
bentônicos e o nécton, ocorre a transferência de energia na cadeia alimen-
tar aquática. A fauna zooplanctônica assume papel dos consumidores e 
decompositores e é fundamental para a recirculação da matéria orgânica, 
pois consome tanto os produtores primários (algas) como os decomposi-
tores (bactérias e fungos), e ainda há aqueles que se alimentam de maté-
ria orgânica em decomposição e de outros pequenos animais. Já o grupo 
dos macroinvertebrados aquáticos é formado por animais que podem ser 
herbívoros (alimentam-se de plantas), detritívoros (alimentam-se de orga-
nismos mortos ou de matéria orgânica) e predadores (alimentam-se de 
outros organismos). São, portanto, consumidores secundários dos produ-
tores e consumidores primários da complexa cadeia alimentar do ambien-
te aquático. Por outro lado, esses organismos constituem parte da dieta de 
peixes e, por isso, são tidos como elos importantes de fluxo de matéria e 
energia da base da cadeia alimentar para o topo.
Você sabia que os macroinvertebrados são considerados ótimos bioindicadores ambientais? 
Isso ocorre porque existem grupos que são sensíveis a ambientes poluídos e só conseguem se 
manter e reproduzir em sistemas aquáticos muito limpos. Também há grupos que são tole-
rantes e, embora não sejam muito abundantes, sobrevivem a certo grau de poluição. Há ain-
da aqueles que são resistentes à poluição e se desenvolvem muito bem quando o ambientes 
está poluído. Então quando você lista os grupos presentes em um dado ambiente e avalia 
as suas abundâncias é possível classificar o ambientequanto à sua qualidade ambiental! As 
algas diatomáceas também são consideradas boas bioindicadoras da qualidade ambiental, 
principalmente dos rios, e dentre o zooplâncton também há grupos que apresentam prefe-
rências relacionadas à qualidade ambiental, como as pulgas-d’água. 
Diante de toda essa variedade de formas e adaptações ecológicas dos 
distintos grupos da biota aquática, é notório que a colonização se dê nos 
mais variados ambientes, inclusive naqueles com condições extremas de 
nutrientes e de oxigênio, como algumas cianobactérias que sobrevivem 
em condições de anoxia (sem oxigênio). Estão distribuídos desde as re-
giões polares até águas termais, colonizam o solo, os fitotelmos (depósi-
tos de água pluvial armazenados em estruturas de plantas terrestres, tais 
como folhas modificadas, cavidades e depressões no caule), os ambien-
tes intermitentes e temporários como poças, além dos lagos, rios, repre-
sas e planícies inundadas.
No cenário nacional, uma síntese atual da diversidade de algas apon-
tou para o registro de 4.747 espécies, destas 2.808 são algas de água 
doce. Essas espécies estão distribuídas em 11 classes exclusivamente 
continentais e 13 são comuns aos ambientes marinhos e continentais, 
entre as quais Bacillariophyceae, Conjugatophyceae, Euglenophyceae e 
Chlorophyceae foram recentemente avaliadas como as mais importan-
tes, pela grande representatividade em número de espécies na compo-
sição do fitoplâncton.
Quando investigada a diversidade zooplanctônica brasileira, as com-
pilações mais recentes de estudos realizados em corpos d’água con-
tinentais apontam 186 espécies de amebas testáceas em Protozoa, 
625 espécies do filo Rotifera. Entre os microcrustáceos, são registradas 
137 espécies da ordem Cladocera e 180 espécies da classe Copepo-
da (sendo 53 da ordem Calanoida, 84 espécies de Cyclopoida e 43 
espécies de Harpacticoida).
Já em relação à diversidade nacional de macroinvertebrados, Mugnai e 
colaboradores (2009) elencaram um total de 3.154 espécies, distribuídas 
em vários grupos, como: Anelídeos, Moluscos, Crustáceos e Insetos, sen-
do esse último os mais expressivos, com 1.297 espécies.
Partindo do cenário nacional para o regional, os registros mais relevan-
tes de algas estão nos estados do Sudeste (3.142 espécies) e do Sul 
(2.027 espécies) e a região com menor número de registros é a Norte 
do país, que contabilizou 817 espécies. É notório que a distribuição re-
gional desse conhecimento está diretamente relacionada com a quan-
tidade de pesquisadores especialistas e sua distribuição pelo território 
brasileiro. Em todo o estado do Pará, o estudo apontou o registro de 91 
espécies, distribuídas em 12 classes, sendo Cyanobacteria (25) e Eugle-
nophyceae (20) as mais ricas. 
Biota Aquática232 233Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Uma compilação de vários estudos reuniu em um livro dados de biodi-
versidade de algas e de cianobactérias continentais (exceto Bacillario-
phyceae) do estado do Pará e apontou uma riqueza muito maior quan-
do comparada aos dados supracitados. Os 1.584 táxons infragenéricos 
registrados pertencem a 12 classes, 56 famílias e 169 gêneros, sendo as 
classes Zygnemaphyceae (Conjugathophyceae), Chlorophyceae e Cya-
nobacteria as mais representativas.
Dando o mesmo enfoque regional para a fauna zooplanctônica, um dos 
trabalhos mais completos relativo ao estado do Pará, realizado no reser-
vatório do Curuá-Una, aponta 51 táxons de tecamebas, sendo as famílias 
mais especiosas Difflugiidae (19 táxons), Arcellidae (15 táxons) e Centro-
pyxidae (9 táxons). No Rio Xingu foram registradas 94 espécies do filo 
Rotifera, 61 espécies da ordem Cladocera e 10 de Copepoda (4 da ordem 
Cyclopoida e 6 da ordem Calanoida).
Na Serra de Carajás, cinco lagos tropicais de altitude concentram 51 es-
pécies, sendo 28 pertencentes a Rotifera, 17 a Cladocera e 6 a Copepoda. 
Ainda neste contexto regional, considerando especificamente a região 
de Carajás, há estudos sobre macroinvertebrados que vêm sendo 
realizados em diversos projetos e já revelaram, até o momento, apro-
ximadamente 100 táxons, sendo as famílias Chironomidae (Ordem 
Diptera), Coenagrionidae e Libellulidae (Ordem Odonata) as mais 
abundantes.
Nesse contexto, o levantamento de espécies do Projeto N1 e N2 é de 
grande importância para ampliar o conhecimento da biota aquática, não 
só da região de Carajás, como do estado do Pará como um todo.
Sendo assim, a abordagem integrada do grupo Biota Aquática, pro-
posta neste capítulo, trará informações acerca da composição da co-
munidade hidrobiológica formada pelos organismos fitoplanctônicos, 
zooplanctônicos e de macroinvertebrados aquáticos (Bentônicas) que 
foram identificados na Serra Norte, parte da Flona de Carajás, especifi-
camente na área do Projeto N1 e N2.
Biota Aquática da Flona 
de Carajás, Serra Norte
Fitoplâncton
Estudos do fitoplâncton na Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2 
contabilizaram 448 táxons, o que representa uma elevada riqueza e 
uma importante contribuição para ampliar o conhecimento das algas 
do estado e do país. Foram identificadas 10 classes de fitoplâncton, 
sendo Conjugatophyceae e Bacillariophyceae dominantes em termos 
de riqueza.
No âmbito dos corpos hídricos da área do Projeto N1 e N2, o levantamen-
to taxonômico de 11 locais amostrados registrou um total de 252 táxons 
(tipos diferentes de algas-unidade taxonômica associada a um sistema 
de classificação científica), dos quais apenas 176 foram identificados até 
a categoria de espécies. Das 10 classes de fitoplâncton presentes, Con-
jugatophyceae e Bacillariophyceae também foram as mais ricas e repre-
sentaram 38% e 24%, respectivamente, de todos os táxons identificados. 
Da classe Conjugatophyceae, os gêneros Cosmarium e Staurastrum fo-
ram os mais diversos, somando 41 espécies identificadas. Entre as Bacilla-
riophyceae, os gêneros Eunotia e Pinnularia foram os mais diversos, com 
17 espécies no total.
As espécies de alga Cryptomonas sp., Centritractus sp. e Batrachospermum 
sp. foram os únicos registros das classes Cryptophyceae, Xanthophyceae e 
Rhodophyceae.
Quanto aos ambientes aquáticos da Área de Estudo Local, constatou-se 
que os sistemas lênticos com maior heterogeneidade de hábitat e con-
dições mais estáveis tiveram maior riqueza de algas. O estudo indicou 
também que os diferentes ambientes são colonizados por comunidades 
particulares, sendo poucas espécies comuns a todos eles. Esse resultado 
reflete a importância de cada sistema hídrico para a determinação da 
diversidade da Biota Aquática e, consequentemente, da diversidade bio-
lógica total da Serra Norte.
Figura 6 – Onde estão esses organismos de 
água doce microscópicos e macroscópicos?
Igarapé da Flona de Carajás – F-1 desmídeas e F-2 
clorofíceas (fitoplâncton); Z-1 rotífero e Z-2 tecameba 
(zooplâncton); MB-1 coleoptera e MB-2 odonata 
(macroinvertebrados aquáticos)
F1 – Cosmarium sp.
MB1 – Coleóptera
MB2 – Odonata
Z2 – Arcella costataZ1 – Lecane curvicornisF2 – Desmodesmus sp.
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237Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
Ambiente amostrado 
no Projeto N1 e N2.
Zooplâncton
Na área do Projeto N1 e N2 foram registrados 293 táxons, sendo 122 perten-
centes a Rotifera, 75 a Protozoa, 60 a Cladocera, 29 a Copepoda e ainda 7 táxons 
pertencentes a outros grupos (Acarina, Gastrotricha, Chironomidae, Tardigrada, 
Nematoda e Ostracoda). Comparada a outros trabalhos na região de Carajás e 
no estado do Pará, essa riqueza pode ser considerada alta, especialmente para 
rotíferos e tecamebas, o que pode ser um reflexo do grande esforço de amos-
tragem empregado localmente durante os estudos na área do Projeto N1 e N2.
Entre os protozoários, a família com maior número de táxons foi Arcellidae 
(15), seguida por Centropyxidae (11), Difflugidae (11) e Lesquereusiidae (9), 
sendo todas amebas testáceas. Já entre os rotíferos, Lecanidae(37) apresen-
tou maior riqueza, seguida por Brachionidae (14), Lepadellidae (12) e Tricho-
cercidae (12). Para os cladóceros, Chydoridae foi a família com maior riqueza 
(36), enquanto para os copépodes a ordem Cyclopoida apresentou maior 
número de táxons (18), seguida por Calanoida (6) e Harpacticoida (5).
As famílias com maior riqueza de táxons entre os protozoários, rotíferos e 
cladóceros são típicas da região litorânea de rios e lagos, também comu-
mente associadas às plantas aquáticas. Em toda a comunidade zooplanctô-
nica continental, copépodes são o grupo que apresenta maior endemismo, 
especialmente o gênero Notodiaptomus.
Macroinvertebrados aquáticos
A macrofauna bentônica de toda a área de estudo do Projeto N1 e N2 foi ex-
pressa em 100 táxons pertencentes aos filos Arthropoda, Mollusca e Annelida. 
Os artrópodes foram os mais representativos em termos de riqueza (91%), 
principalmente pela contribuição da classe Insecta, sendo as ordens Diptera 
e Coleoptera as mais diversas, contemplando no total 29 táxons. 
Ressalta-se que para a comunidade de macroinvertebrados bentônicos 
a identificação até o nível taxonômico de família é comumente utilizada, 
em razão das limitações nos métodos de identificação das fases larvais 
para muitos grupos. Por isso, na lista digital que acompanha este livro, 
nem todos os táxons são apresentados na categoria de espécie. 
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Biota Aquática238 239Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte
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Guia 
fotográfico
A recorrência de registros de Ephemeroptera e Trichoptera, os quais são 
exigentes quanto à qualidade ambiental, ratifica a condição preservada 
dos corpos hídricos em que foram registradas. A caracterização física e 
química da água corrobora a bioindicação dos macroinvertebrados, uma 
vez que a qualidade de água se mostrou adequada para manutenção da 
biota aquática. 
Duas famílias se destacaram por terem sido registradas em todos os am-
bientes avaliados da Serra Norte, os coleópteros Elmidae e díptera Chi-
ronomidae. As ordens Ephemeroptera, Trichoptera, Hemipera e Odonata 
foram também frequentes nos corpos hídricos nessa localidade. 
Você sabia que o fitoplâncton, embora não seja um grupo de animais e sim de algas, é nor-
malmente estudado nos levantamentos de campo sobre a fauna? Pois é, o que se chamava 
de “algas” até pouco tempo atrás, hoje, é reconhecido que neste grupo estão reunidos tanto 
bactérias como organismos eucarióticos fotossintéticos ou não. Assim, compõem o grupo 
das algas as cianobactérias (reino Monera), algumas euglenofíceas (reino Protozoa), diato-
máceas (reino Chromista) e clorofíceas (reino Plantae). Embora o avanço da ciência tenha 
revelado todas essas variações, o termo alga ainda é utilizado. Uma vez que, historicamente, 
a Biota Aquática como um todo (algas do fitoplâncton, o zooplâncton e os macroinvertebra-
dos aquáticos) é avaliada durante os estudos ambientais, naturalmente o fitoplâncton aca-
ba sendo avaliado nos diagnósticos sobre a fauna, assim como no caso do Projeto N1 e N2.
Classe: Conjugathophyceae
Gênero: Closterium 
Ordem: Desmidiales
Família: Desmidiaceae
Hábitat: Planctônico e perifítico
Curiosidade: Vários gêneros deste grupo 
(desmídeas) são formados por duas hemicélulas 
muito semelhantes, unidas por um istmo-
cintura (simetria bilateral). Algas deste gênero 
normalmente assumem esta forma de meia lua.
Classe: Chrysophyceae 
Ordem: Chromulinales
Família: Dinobryaceae 
Gênero: Dinobryon
Espécie: Dinobryon sertularia Ehrenberg 
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: Neste gênero, as células 
ficam contidas dentro de uma lórica 
e podem formar colônias, como 
 observado na imagem.
Classe: Chlorophyceae
Ordem: Sphaeropleales
Família: Selenastraceae
Gênero: Kirchneriella
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: Representantes 
das algas verdes, são 
muito comuns nos 
ambientes aquáticos de 
água doce.
Classe: Conjugathophyceae
Gênero: Cosmarium
Ordem: Desmidiales
Família: Desmidiaceae
Hábitat: Planctônico e perifítico
Curiosidade: Este é mais um 
gênero de desmídeas, formado 
por duas hemicélulas. A parede é 
ornamentada por verrugas e poros.
Classe: Bacillariophyceae
Ordem: Tabellariales
Família: Tabellariaceae
Gênero: Diatoma (vista pleural)
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: As algas 
diatomáceas são compostas 
por duas estruturas de sílica 
bem resistentes (Frústula). 
Os detalhes morfológicos da 
frústula (formato, número e 
disposição de estrias, poros, etc..) 
são usados para identificação de 
gêneros e espécies.
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Classe: Dinophyceae
Ordem: Peridiniales
Família: Peridiniacee
Gênero: Peridinium
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: Formam cistos que 
resistem ao período de seca e 
se desenvolvem nos períodos 
de chuva. A identificação é feita 
a partir da observação, entre 
outras características, do número, 
da disposição e do arranjo das 
plaquetas e das suturas que formam 
a carapaça (hipoteca e epiteca).
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Classe: Cyanophyceae (Cyanobacteria)
Ordem: Oscillatoriales
Família: Oscillatoriaceae
Gênero: Oscillatoria
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: Cyanobacteria filamentosa. 
Essas algas são na verdade bactérias e são 
muito resistentes, podendo colonizar os 
mais diversos tipos de ambientes.
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Espécie: Arcella costata
Nome popular: Tecameba
Família: Arcellidae
Atividade: Detritívora
Comprimento: Micrômetros 
(0,001 milímetros – são microscópicos)
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Litorâneo, associado às plantas 
aquáticas
Curiosidade: As tecamebas são muito comuns 
e estão entre os principais grupos presentes 
em rios, riachos e córregos. As carapaças são 
usadas para identificar as espécies. 
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Classe: Bacillariophyceae
Gênero: Pinnularia 
Ordem: Fragilariales
Família: Pinnulariaceae
Hábitat: Planctônico 
Curiosidade: As algas diatomáceas são compostas 
por duas estruturas de sílica bem resistentes 
(Frústula). Além dos detalhes morfológicos da 
frústula (formato, número e disposição de estrias, 
poros, etc..), a forma e a posição do cloroplasto 
também são usadas para identificação de 
gêneros e espécies. Na ilustração o plasto está 
bem visível e tem a forma de um H. 
Espécie: Alonella sp.
Nome popular: Pulga-d’água
Família: Chydoridae
Atividade: Filtradora
Comprimento: Milímetros
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Litorâneo, associado às 
plantas aquáticas
Curiosidades: As antenas 
parecem pequenos “braços” nos 
cladóceros e são modificadas 
para locomoção. Quando se 
deslocam, parecem nadar em 
pequenos saltos dentro da água, 
sendo conhecidos popularmente 
como “pulgas-d’água”. Apesar 
de engraçado, é preciso atenção, 
porque esses organismos não 
são insetos, e sim crustáceos.
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Ordem: macho Cyclopoida
Nome popular: Copépode
Família: Cyclopinae
Atividade: Predador
Comprimento: Milímetros
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Planctônico
Curiosidade: Estes organismos 
alimentam-se principalmente 
de algas ou são predadores 
e a maioria das espécies 
possui exigências quanto à 
qualidade do ambiente, sendo 
consideradas sensíveis à 
poluição das águas.
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Espécie: Lesquereusia sp. (esquerda) e 
Cyphoderia (direita)
Nome popular: Tecamebas
Família: Lesquereusiidae e Cyphoderiidae
Atividade: Detritívora
Comprimento: Micrômetros (μm = 0,001 
milímetros – são microscópicos)
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Litorâneo, associado às plantas 
aquáticas
Curiosidade: Podem medir de 20μm até 
500μm e, como se alimentam de bactérias, 
fungos, algas e outros protozoários, vivem 
em ambientes ricosem matéria orgânica 
em decomposição.
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Espécie: Lecane leontina
Nome popular: Rotífero
Família: Lecanidae
Atividade: Filtradora
Comprimento: Micrômetros (0,001 
milímetros – são microscópicos)
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Litorâneo, associado às 
plantas aquáticas
Curiosidades: Tem como 
característica a vida associada às 
plantas aquáticas, principalmente 
nas margens de corpos d’agua. 
Esses animais têm uma coroa de 
cílios que através do batimento 
concentram o material que está 
suspenso na água e é assim que 
se alimentam. Os cílios são usados 
também para a locomoção.
Classe: Bdelloidea
Nome popular: Rotífero
Atividade: Filtradora
Comprimento: Micrômetros 
(μm = 0,001 milímetros – são 
microscópicos)
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Bentônico
Curiosidade: Estes rotíferos não 
apresentam carapaça rígida e por 
isso é difícil identificá-los. Vivem 
em rios, entre as plantas e nos 
sedimentos, e se desenvolvem 
em presença de matéria orgânica 
sob condições de decomposição.
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Estágio: Náuplio
Nome popular: Copépode
Família: Cyclopinae
Atividade: Filtradora
Comprimento: Milímetros
Distribuição: Brasil
Hábitat: Aquático
Hábito: Planctônico
Curiosidade: Náuplio 
é apenas uma fase 
larval dos crustáceos 
copépodos.
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Noma polular: grupo das minhocas
Filo: Annelida
Subclasse: Oligochaeta
Tolerância: Resistente
Grupo funcional: Filtrador
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Os oligoquetas são 
hermafroditas e algumas espécies, 
sobretudo de água doce, podem 
reproduzir-se através da divisão 
de um indivíduo em várias secções 
transversais, e cada secção pode 
formar um indivíduo completo por 
regeneração.
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Nome popular: caracol
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Ordem: Mesogastropoda
Família: Ampullariidae
Tolerância: Resistente
Grupo funcional: Raspador
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Agrupa os animais 
conhecidos por caracóis e lesmas. 
Os gastrópodes vivem nos mais 
variados tipos de ambientes 
marinhos e de água doce, 
sendo o único grupo dentre os 
moluscos a ter desenvolvido a 
capacidade de viver fora da água.
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Nome popular: camarão de água doce
Filo: Arthropoda
Subclasse: Crustacea
Ordem: Decapoda
Família: Paleomonidae
Tolerância: Tolerante
Grupo funcional: Filtrador
Hábitat: Nectônicos
Curiosidade: nos ambientes de água doce 
há representantes dos camarões, lagostas 
(lagostim) e caranguejos que vivem 
em rios costeiros próximos ao litoral. A 
maioria é comestível e tem importância 
econômica no que diz respeito à atividade 
pesqueira.
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Nome popular: larvas de besouros
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Coleoptera
Família: Elmidae
Tolerância: Tolerante
Grupo funcional: Coletor
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Esta pode ser uma 
larva dos tão conhecidos besouros! 
Coleoptera é uma ordem muito diversa 
de insetos, mas os mais populares são 
os besouros e as joaninhas.
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Nome popular: barqueiros
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Hemiptera
Família: Notonectidae
Tolerância: Tolerante
Grupo funcional: Predador
Hábitat: Nectônico
Curiosidade: Neste grupo de 
Hemiptera estão as larvas 
das cigarras, percevejos, 
pulgões e cochonilhas.
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Nome popular: larva de efemérida
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Ephemeroptera
Família: Baetidae
Tolerância: Tolerante
Grupo funcional: Coletor
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Ocorrem nos mais 
diversos tipos de ambientes, 
como lagoas e rios, sendo a maior 
diversidade encontrada em rios de 
cabeceira. Os adultos são conhecidos 
por efeméridas.
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Nome popular: larva de tricópteros
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Trichoptera
Família: Leptoceridae
Tolerância: Sensível
Grupo funcional: Coletor
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Estas larvas de insetos 
(os adultos são conhecidos por moscas 
caddis) são especialistas em coletar 
material do ambiente em que elas vivem 
para formar este “casulo”, portanto, cada 
casulo é diferente do outro.
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Nome popular: larva de plecóptero
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Plecoptera
Família: Perlidae
Tolerância: Sensível
Grupo funcional: Predador
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Neste grupo existem 
organismos exigentes que gostam de 
viver somente em ambientes muito 
limpos e bem oxigenados. Portanto, se 
vir um bichinho deste, pode ser uma 
indicação de que o ambiente esteja 
com água de boa qualidade.
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Nome popular: larva de mosquito
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Diptera
Família: Chironomidae
Tolerância: Resistente
Grupo funcional: Coletor
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Há larvas de chironomideos 
com hemoglobina, que lhes confere a 
coloração vermelha quando os ambientes 
em que vivem apresentam baixos níveis 
de Oxigênio.
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Nome popular: larva de libélula
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta 
Ordem: Odonata
Família: Libellulidae
Tolerância: Sensível
Grupo funcional: Predador
Hábitat: Bentônico
Curiosidade: Essas são as larvas 
aquáticas das libélulas. Então 
se tiver libélulas voando por 
aí, é bem provável que tenha 
uma larvinha desta vivendo nos 
ambientes aquáticos próximos. 
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Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte 255
Cerdocyon thous 
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Literatura consultada
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte260 261
Glossário
Ambientes intermitentes: Ambientes aquáticos 
que podem desaparecer (secar) temporariamente 
em períodos de seca e estiagem.
Ambientes lênticos: Ambientes aquáticos de água 
parada, como lagos e lagoas. Possuem hábitats 
bem definidos como a região litorânea (margens) 
e a região pelágica (águas abertas, região central), 
sendo importante fonte de biodiversidade 
aquática.
Amebas testáceas: Grupo de protozoários 
ameboides de vida livre que possuem uma 
carapaça conhecida como teca ou testa.
Apêndices e tubérculos: Pregas dérmicas, 
protuberâncias, utilizadas inclusive como caráter 
taxonômico em anfíbios, que se projetam para fora 
do corpo.
Arborícola: Espécie que utiliza preferencialmente 
árvores/arbustos.
Arquétipo: Modelo ou padrão que se utiliza como 
exemplo.
Artralgia: Dor nas articulações.
Atividade filtradora: Forma de obtenção de 
alimento por organismos através da filtração.
Bioindicadores: São espécies, grupos de espécies ou 
comunidades biológicas cuja presença, abundância 
e condições gerais são indicativos biológicos de uma 
determinada condição ambiental.
Biota: Denominação utilizada para o conjunto da 
fauna e flora de uma determinada região.
Cadeia alimentar: É o nome do processo que 
ocorre na natureza para troca de alimento e 
energia entre os seres. Os organismos produtores 
servem de alimento e energia para os organismos 
consumidores, que por sua vez são consumidos, 
depois de morrerem, pelos decompositores.
Camuflagem: Estratégia de dissimulação que 
ocorre quando determinados animais apresentam 
a mesma cor (homocromia) e/ou a mesma forma 
(homotipia) do meio em que vivem, geralmente 
para enganar seus predadores ou mesmo suas 
presas.
Cavernícola: Espécie que habita cavernas.
Cianobactérias: São seres procariotas 
pertencentes ao Reino Monera. Também são 
conhecidas como cianofíceas ou algas azuis, 
decorrente da presença da ficocianina, que é um 
pigmento azul que por vezes mascara a cor verde 
da clorofila. Podem ser filamentosas, coloniais 
ou unicelulares, envolvidas ou não por bainhas 
gelatinosas, vivendo em águas doces, águas 
salgadas, fontes termais e solo. Apresentam uma 
extraordinária capacidade adaptativa e algumas 
espécies podem ter períodos de dormência (ficam 
inativas) no sedimento. 
Ciclo biológico: Ciclo de vida, sequência de 
mudanças pelas quais passa um ser vivo ao longo 
de sua vida. O ciclo de vida envolve a fecundação, 
o nascimento, o crescimento, a reprodução, o 
envelhecimento e a morte de animais, plantas e 
micróbios.
Cistos: Cistos de resistência em microalgas 
ocorrem através da reprodução sexuada quando as 
condições ambientais se encontram desfavoráveis 
para as células vegetativas. As principais 
funções dos cistos de resistência são permitir 
a sobrevivência, a dispersão e a recombinação 
genética dos organismos. O cisto recém-formado 
afunda e permanece no sedimento, dando início 
à fase de dormência, caracterizada pela suspensão 
do crescimento.
Corpo hidrodinâmico: Com características 
anatômicas que facilitam a natação.
Decompositores: São organismos que se 
alimentam de matéria morta e excrementos, 
transformando substâncias orgânicas em 
inorgânicas, que servirão para alimentar os 
produtores, reiniciando o ciclo. Temos como 
exemplos de decompositores as bactérias, fungos 
e alguns protozoários. 
Detritos: Matéria orgânica particulada.
Doença subnotificada: Doença com o número 
de casos registrados abaixo do número real de 
afetados.
Dorsal: Parte superior do corpo.
Ecossistemas: Sistema integrado e 
autofuncionante que consiste em interações dos 
elementos bióticos e abióticos, e cujas dimensões 
podem variar consideravelmente.
Endêmico: Diz-se de entidade biológica (em geral 
espécie) encontrada apenas em uma determinada 
região, espécies nativas de uma determinada área 
e restrita a ela.
Endemismo: Caráter restrito da distribuição 
geográfica de determinada espécie ou grupo de 
espécies que vive limitada a uma área ou região.
Epiteca: Nas diatomáceas, a epiteca é a valva 
maior. Nos dinoflagelados, a parte da célula 
anterior ao cíngulo constitui o epissoma (epiteca).
Eritrócitos: Células sanguíneas responsáveis pelo 
transporte de oxigênio. Também chamada de 
glóbulo vermelho, hemácia.
Erupção cutânea: Inflamações na pele que podem 
gerar vermelhidão, prurido, inchaço, etc.
Escamas epidérmicas: Escamas externas, de 
revestimento, formadas por queratina, que se 
localizam acima da derme, presentes nas serpentes 
e lagartos.
Espécie invasora: Organismo que se encontra fora 
da sua área de distribuição natural, normalmente 
introduzido pelo homem, que se aclimata, 
reproduz e prolifera sem controle, passando a 
representar ameaça às espécies nativas, para a 
saúde e economia humana e/ou para o equilíbrio 
dos ecossistemas.
Espécie migratória: Organismos que realizam 
deslocamento de grandes distâncias para 
desempenhar funções biológicas básicas como 
alimentação e reprodução.
Espécie simpátrica: Aquela que ocorre 
concomitantemente com mais espécies em uma 
determinada área geográfica, com superposição 
parcial ou total de suas distribuições.
Espécimes testemunho: Indivíduos coletados e 
tombados em coleções biológicas, utilizados em 
pesquisas científicas. 
Espículas: Projeções espinhosas encontradas em 
nadadeiras de várias famílias de peixes.
Estoques evolutivos: Linhagens.
Eucarióticos: Seres uni ou pluricelulares cujo 
material genético (DNA) está separado do 
citoplasma, envolto por uma membrana nuclear. 
Incluem algas, protozoários, fungos, plantas e 
animais.
Farmacopeia: Coleção ou catálogo de drogas e 
medicamentos.
Fase assexuada: Forma de reprodução na qual 
não ocorre troca de material genético entre os 
indivíduos, pois geralmente essa forma reprodutiva 
envolve um único indivíduo capaz de gerar vários 
outros. Assim, os organismos filhos formados serão 
todos idênticos ao organismo original.
Fase sexuada: Nessa forma de reprodução ocorre 
troca de material genético entre as células. Assim, 
as células filhas não são idênticas às células 
parentais.
Fluxo de matéria e energia: Transferência de 
matéria e energia por diferentes níveis na cadeia 
alimentar.
Forrageadora ativa: Aqueles que se se movimentam 
para procurar alimento, principalmente que se 
alimentam de outros animais.
Fossorial: Espécies que cavam o solo, com o 
comportamento de viver embaixo da terra ou do 
folhiço.
Fotofobia: Aversão à luz.
Glossário
Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte262 263
Fotossíntese: Processo bioquímico realizado pelosseres clorofilados (na maioria das vezes, vegetais), 
em que a energia luminosa é convertida em 
energia química, e armazenada em carboidratos. 
Os carboidratos são sintetizados a partir de 
substâncias simples: gás carbônico (CO
2
) e água 
(H
2
O). Como subproduto da fotossíntese há a 
liberação de oxigênio (O
2
) para a atmosfera. A 
energia fixada neste processo é o que mantém a 
imensa maioria dos seres vivos da Terra.
Frústula: Carapaça silicosa de diatomáceas formada 
por duas metades que se encaixam (valvas).
Hábito Nectônico: Forma de vida de um conjunto 
de organismos aquáticos que possuem um 
movimento ativo, ou seja, que são capazes de 
nadar contra a correnteza (peixes, por exemplo).
Hábito Perifítico: Forma de vida de um conjunto 
de organismos que vivem aderidos a substratos 
inorgânicos (pedras e qualquer material como 
vidro, acrílico, bloco de cimento, etc.) ou orgânicos 
vivos ou mortos (plantas aquáticas, folhas, troncos, 
galhos, carapaças, entre outros).
Heliotérmica: Que regula sua temperatura 
corporal utilizando como fonte o calor do sol.
Hemicélulas: Nas algas desmídeas, é o nome dado 
a cada uma das metades simétricas das células, 
unidas por uma constrição.
Hemoglobina: Proteína responsável pelo 
transporte de oxigênio.
Hermafrodita: Em animais, é o indivíduo que 
reúne os dois sexos, ou seja, possuem ambos 
os órgãos reprodutivos, masculino e feminino, 
completos ou em parte.
Hipoteca: Nas diatomáceas, a hipoteca é a valva 
menor. Nos dinoflagelados a parte da célula 
posterior ao cíngulo é o hipossoma (hipoteca).
Igapós: Nome indígena, que significa “mata cheia 
d’água”. Áreas de florestas periodicamente inundadas 
por rios de água preta ou rios de água clara.
Igarapés: Nome indígena, que significa “caminho 
de canoa”. São riachos de águas claras ou pretas 
que desaguam em grandes rios amazônicos.
Iliófagos: São peixes que ingerem o substrato 
(lodo ou areia) e nesse substrato encontram-se os 
alimentos (animal, vegetal). 
Importância sanitária e epidemiológico: Aquele 
que possui destaque por estar envolvido no ciclo 
biológico de algum parasita causador de doença, 
passível de gerar epidemia.
Incubar: Comportamento de manter os ovos em 
condições favoráveis ao desenvolvimento até a 
eclosão dos mesmos.
Istmo-cintura: ponte de ligação entre as duas 
hemicélulas das desmídeas.
Lórica: revestimento, invólucro, “armadura”. Tipo 
celular de envoltório rígido que fica separado do 
protoplasma (material vivo constituinte da célula) 
por um espaço.
Manejo sustentável: Interferência planejada e 
criteriosa do homem no sistema natural, para 
produzir um benefício ou alcançar um objetivo, 
mantendo ou melhorando a capacidade do 
sistema continuar a existir por um longo período.
Mialgia: Dor muscular.
Morfoespécie: É um conceito de espécie para 
a qual não foi possível alcançar a determinação 
específica pela ausência de descrições 
taxonômicas na bibliografia consultada. São 
designadas por sp.1, sp.2, entre outros.
Nadadeira adiposa: Pequena nadadeira 
encontrada dorsalmente após a nadadeira dorsal.
Nadadeira caudal: Nadadeira de diferentes formas, 
situada na parte final do corpo do peixe, bastante 
importante para sua locomoção.
Nadadeira dorsal: Nadadeira com espinhos e/ou 
raios, situada ao longo do perfil superior do peixe.
Nadadeira peitoral: Nadadeira par, situada depois 
da cabeça e do opérculo ósseo. 
Nadadeiras pélvicas: Encontram-se na região 
ventral à frente da nadadeira anal. Possuem função 
estabilizadora e orientadora dos movimentos.
Novo Mundo: Continente Americano.
Ondas ultrassônicas: Frequências sonoras 
acima da amplitude da audição humana, 
aproximadamente 20 kilohertz.
Onívoro: Organismo que se alimenta de qualquer 
tipo de alimento.
Oportunista ocasional: Aquele que, 
ocasionalmente, muda seu hábito alimentar de 
acordo com a disponibilidade de recursos.
Ornitológico: Referente à ornitofauna ou à ciência 
que estuda as aves.
Parasitos: Organismo, geralmente microrganismo, 
cuja existência se dá às expensas de um 
hospedeiro. Existem parasitas obrigatórios e 
facultativos; os primeiros sobrevivem somente 
na forma parasitária e os últimos podem ter uma 
existência independente do hospedeiro.
Placas ósseas: Crescem por debaixo das escamas 
e formam uma armadura protetora. Encontrada 
nos jacarés.
Polinização: Transporte do pólen liberado pelas 
anteras para o estigma do gineceu da mesma 
planta ou de outro indivíduo. Os tipos de 
polinização são: autopolinização e polinização 
cruzada. No segundo caso, o processo pode ser 
realizado por agentes abióticos, como o vento, 
ou por alguns seres vivos, como insetos, aves e 
morcegos.
Procarióticos: Organismos unicelulares cujo 
material genético (DNA) está disperso no 
citpolasma; incluem as bactérias e cianobactérias.
Profilaxia: Maneira de evitar o contágio de 
determinada doença/infecção.
Protistas: Organismos do Reino Protista, 
basicamente composto por algas e protozoários.
Regeneração: É a capacidade de células, tecidos, 
órgãos ou organismos não afetados de se 
multiplicarem e, de acordo com a necessidade, 
de se diferenciarem, a fim de recompor a parte 
corporal lesionada.
Região Neotropical: Região compreendida 
pelo sul da América do Norte, América Central e 
América do Sul.
Regulação térmica: Controle da temperatura 
corporal. 
Ritual de corte: Ritual que objetiva a atração de 
um parceiro reprodutivo.
Savanas: Tipo de formação vegetal mista 
composta de extrato baixo e contínuo de 
gramíneas e subarbustos, com maior ou menor 
número de pequenas árvores espalhadas. As 
árvores da savana apresentam raízes profundas, 
folhas grossas e troncos retorcidos. Essas 
características permitem que essa vegetação seja 
resistente ao período de estiagem típico do clima 
em que estão localizadas. No Brasil também são 
conhecidas como Cerrado ou pelas diversas formas 
como este se apresenta, por exemplo, Campo sujo, 
Campo Cerrrado, Cerradão, entre outras.
Serviços ecossistêmicos: Conceito associado à 
tentativa de valoração dos benefícios ambientais 
que a manutenção de áreas naturais pouco 
alteradas pela ação humana e a conservação de 
determinadas espécies trazem para o conjunto 
da sociedade. Entre os serviços ambientais mais 
importantes estão a manutenção de estoques de 
predadores de pragas agrícolas, de polinizadores, 
de exemplares silvestres de organismos 
utilizados pelo homem (fonte de genes usados 
em programas de melhoramento genético). 
Os serviços ambientais são imprescindíveis à 
manutenção da vida na Terra.
Sílica: Composto de silício e oxigênio (SiO
2
) 
encontrado, por exemplo, na areia.
Simetria: A simetria é definida como tudo 
aquilo que pode ser dividido em partes, sendo 
que ambas as partes devem coincidir quando 
sobrepostas.
Subespécie: É uma subdivisão de uma espécie, 
quando esta se diferencia da original, mas não ao 
ponto de tornar-se uma nova espécie.
Substância anticoagulante: Substância que 
impede a coagulação do sangue.
Táxons: Designa um nível taxonômico de um 
sistema de classificação. Um táxon pode designar 
um reino, filo, classe, ordem, família, gênero ou 
espécie. O táxon infragenérico é toda categoria 
inferior ao “genero”, a saber: espécie – subespécie – 
morfoespécie.
Terópodes: Grupo de dinossauros bípedes (que se 
movem por meio de seus dois membros posteriores 
ou pernas), de membros anteriores curtos.
Terrícola: Espécie que habita preferencialmente 
no solo.
Territorialismo: Animal que defende 
consistentemente uma determinada área 
contra outros indivíduos da mesma espécie (e, 
ocasionalmente, de outras espécies). Animais que 
defendem territórios desta forma são chamados 
de territoriais.
Ventral: Parte inferior do corpo (ventre) ou de uma 
estrutura anatômica.
Vetor silvestre: Aquele capaz de transmitir 
doenças para os seres humanos e que ocorre de 
maneira natural em ambientes selvagens.
Glossário
Pequenos Mamíferos Não Voadores264
Este livro foi composto com a fonte 
da família Myriad Pro e impressopela 
gráfica Formato em Belo Horizonte, 
em papel couchê fosco 150g com 
tiragem de 500 exemplares.
Elaine Ferreira Barbosa | Leandro Moraes Scoss 
Vanessa Coutinho Mourão de Souza | Breno Chaves de Assis Elias
Fauna da Floresta 
Nacional de Carajás
Serra Norte
Fau
n
a d
a Floresta N
acion
al d
e C
arajás – Serra N
orte
O livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte traz infor-
mações sobre taxonomia, biologia, ecologia e distribuição geográfica de 
1.478 táxons para os ecossistemas amazônicos de pequenos mamíferos 
não voadores, morcegos, médios e grandes mamíferos, aves, anfíbios, 
répteis, insetos vetores, peixes e biota aquática (comunidades hidrobiológicas). 
A divulgação e o compartilhamento dessas informações, aliados à pes quisa 
científica e ao uso sustentável dos recursos naturais, favorecem o envolvi-
mento da sociedade como um todo nos esforços de conservação da biodiver-
sidade do Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás.
ORGANIZAÇÃO

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