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Elaine Ferreira Barbosa | Leandro Moraes Scoss Vanessa Coutinho Mourão de Souza | Breno Chaves de Assis Elias Fauna da Floresta Nacional de Carajás Serra Norte Fau n a d a Floresta N acion al d e C arajás – Serra N orte O livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte traz infor- mações sobre taxonomia, biologia, ecologia e distribuição geográfica de 1.478 táxons para os ecossistemas amazônicos de pequenos mamíferos não voadores, morcegos, médios e grandes mamíferos, aves, anfíbios, répteis, insetos vetores, peixes e biota aquática (comunidades hidrobiológicas). A divulgação e o compartilhamento dessas informações, aliados à pes quisa científica e ao uso sustentável dos recursos naturais, favorecem o envolvi- mento da sociedade como um todo nos esforços de conservação da biodiver- sidade do Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás. ORGANIZAÇÃO Fauna da Floresta Nacional de Carajás Serra Norte Fau na da Floresta Nacional de Carajás - Serra Norte / Organização de Elaine Ferreira Barbosa ... [et al]. – Belo Horizonte : Gaia Cultural – Cultura e Meio Ambiente, 2020. 264 p. : il. color., (fotos, mapas, tabelas) ; 20 x 29,5 cm. ISBN 978-65-991419-0-4 1. Floresta Nacional de Carajás – Fauna Silvestre - Carajás, Serra dos (PA). 2. Vertebrados. 3. Invertebrados – (Carajás, Serra dos (PA). 4. Florestas – Conservação - Norte, Serra (Carajás, Serra dos, PA). 5. Estudo e ensino. I. Barbosa, Elaine Ferreira. II. Scoss, Leandro Moraes. III. Souza, Vanessa Coutinho Mourão de. IV. Elias, Breno Chaves de Assis. CDD 591 Elaine Ferreira Barbosa Leandro Moraes Scoss Vanessa Coutinho Mourão de Souza Breno Chaves de Assis Elias ORGANIZAÇÃO Fauna da Floresta Nacional de Carajás Serra Norte GESTÃO ADMINISTRATIVA: Rodrigo Dutra Amaral Daniela F. Scherer Vanessa Coutinho Mourão de Souza Evandro Alvarenga Moreira Flávio D. Café de Castro COORDENAÇÃO: Vanessa Coutinho Mourão de Souza Elaine Ferreira Barbosa REVISÃO DE CONTEÚDO E LISTA DE ESPÉCIES: Breno Chaves de Assis Elias Leandro Moraes Scoss Leandro Maioli Tarcisio Rodrigues COLABORAÇÃO: Alexandre Castilho, Leandro Maioli, Fernando Marino Gomes dos Santos, Mariane Ribeiro, Mayla Barbirato e Vívian Lúcia C. Barros – apoio na obtenção de acervo fotográfico Pâmella Rigueira Moreno – apoio ao planejamento do Projeto André Luís Macedo Vieira – apoio na revisão de capítulo ILUSTRAÇÕES: Júlia Resende Thompson ELABORAÇÃO DO ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL - EIA: BRANDT Meio Ambiente PRODUÇÃO EXECUTIVA: Gaia Cultural – Cultura e Meio Ambiente COORDENAÇÃO EDITORIAL: Roseli Raquel de Aguiar PROJETO GRÁFICO: Fábio de Assis REVISÃO: Lílian de Oliveira APOIO: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio REALIZAÇÃO: VALE S.A. Mina de Águas Claras, Av. Dr. Marco Paulo Simon Jardim, 3580. Prédio 4, 3º andar | CEP – 34006-270 Nova Lima, MG – Brasil www.vale.com SETE Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda. Avenida do Contorno, 6777 – 2º andar Bairro Santo Antônio CEP – 30130-151 Belo Horizonte, MG - Brasil www.sete-sta.com.br Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores4 5 S u m ár io 8 Prefácio 12 Apresentação 16 Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás Laís Ferreira Jales Leandro Moraes Scoss Vanessa Coutinho Mourão de Souza 28 Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N2 Elaine Ferreira Barbosa Leandro Moraes Scoss Dinalva Celeste Fonseca Breno Chaves de Assis Elias Vanessa Coutinho Mourão de Souza 42 Pequenos Mamíferos Não Voadores Bernardo Faria Leopoldo Eduardo Lima Sábato Natália Ardente Leandro Moraes Scoss 62 Morcegos Carla Clarissa Nobre de Oliveira 84 Mamíferos de Médio e Grande Porte Elaine Ferreira Barbosa Bernardo Faria Leopoldo Daniel Milagre Hazan Leandro Moraes Scoss 108 Aves Diego Petrocchi da Costa Ramos Marcelo Ferreira de Vasconcelos 126 Anfíbios Felipe Sá Fortes Leite Raphael Costa Leite de Lima Larissa Ferreira de Arruda 164 Répteis Jussara Santos Dayrell Larissa Ferreira de Arruda Raphael Costa Leite de Lima Felipe Sá Fortes Leite 200 Dípteros de Importância Sanitária Maria Fernanda Brito de Almeida 212 Peixes Marcelo Fulgêncio Guedes de Brito Breno Perillo Nogueira 226 Biota Aquática Sandra Francischetti Rocha Manoela Cristina Brini Morais Sofia Luiza Brito 255 Literatura Consultada 260 Glossário Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores8 9 Pr ef ác io Prefácio É preciso conhecer para proteger e conservar. Foi pensando nisso que a Vale, em parceria com o ICMBio e a Sete Soluções e Tecnologia Ambien- tal, promoveu a organização do presente livro, que difunde informações técnicas de diversas espécies de animais, com base nos estudos de fauna desenvolvidos no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental – EIA do Pro- jeto N1 e N2. Esse empreendimento está localizado na porção norte da Floresta Nacional de Carajás, uma das cinco Unidades de Conservação que compõem o conjunto de áreas protegidas de Carajás. Os esforços em busca da conciliação da conservação da biodiversidade com a produção econômica na Floresta Nacional de Carajás, especifica- mente a mineração, são uma realidade há décadas. A parceria entre a Vale e o ICMBio tem mostrado nesses anos que é possível explorar economica- mente os recursos naturais da floresta ao mesmo tempo que se protege e conserva a biodiversidade em toda a sua riqueza e plenitude. Nunca foi uma tarefa fácil e os desafios estão sempre presentes. Um desses desafios diz respeito à divulgação do conhecimento científico produzido na Floresta Nacional (Flona) de Carajás por meio dos estudos am- bientais vinculados ao licenciamento ambiental de projetos da Vale. Em geral, a produção de documentos associados aos estudos ambientais é um traba- lho extremamente técnico e que exige a participação de vários profissionais, com experiências e saberes diversos, relacionados ao solo, água, clima, ve- getação, animais e pessoas. É essa convergência de saberes que possibilita tanto transmitir conhecimento a diferentes públicos quanto tornar acessíveis informações para que possam ser utilizadas da melhor maneira possível. Nesse sentido, a forma de apresentação das informações nas publicações assume papel fundamental para ampliar a participação de um número maior de pessoas nas ações de conservação de ambientes, plantas e ani- mais. Este livro apresenta em capítulos as espécies da fauna presentes nos diferentes ambientes da área de estudo local do empreendimento de mi- nério de ferro chamado Projeto N1 e N2, do Complexo Minerador Ferro Ca- rajás da Vale, da Flona de Carajás, como nas áreas de florestas, nos campos rupestres ferruginosos, nas águas, nos solos ou voando. Todos os profissionais envolvidos nesse trabalho concentraram esforços para produzir um livro ilustrado que pudesse ajudar o ICMBio na divulgação das informações sobre a fauna identificada na região da Serra Norte da Floresta Nacional de Carajás. Em cada capítulo, são apresentados de modo sintético os principais elementos de cada grupo da fauna local, assim como o guia fotográfico de um número expressivo de espécies. O livro também traz, em formato digital, uma lista completa de táxons registrados na área. Um novo desafio agora se apresenta aos leitores, mas, principalmente, aos visitantes da Floresta Nacional de Carajás: quantas espécies de animais você consegue identificar com o auxílio deste livro? Daniela Faria Scherer Gerente de Estudos Ambientais – Ferrosos Rodrigo Dutra Amaral Gerente Executivo – Licenciamento Ambiental, Estudos, Espeleologia, Saúde e Segurança e Cadeia de Valor – Ferrosos Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores10 11 Prefácio A região de Carajásapresenta grandes empreendimentos minerários situa- dos no interior de Unidades de Conservação federais, em especial a Flo- resta Nacional (Flona) de Carajás e Flona do Tapirapé Aquiri. Há, portanto, diversos desafios referentes à convivência entre mineração e conservação da biodiversidade no interior de áreas protegidas. Sem dúvida, parte das soluções de tais desafios passa pela adequada gestão do conhecimento, de modo que os diferentes atores possam contribuir para a construção dos mecanismos de governança socioambiental e de gestão. No caso de Carajás, as informações sobre biodiversidade ainda são con- centradas no âmbito dos estudos de avaliação de impactos ambientais e geralmente não são publicadas e disponibilizadas à sociedade. Essa limi- tação implica a perda de oportunidades de se aprofundar e maximizar o conhecimento adquirido. Na mesma medida, também restringe a aplicação de informações importantes para a tomada de decisão no que se refere à gestão dos recursos naturais e à participação de universidades e centros de pesquisa na multiplicação do conhecimento científico. Desde o começo da mineração na região, a demanda por estudos e a cons- trução de soluções têm se dado no âmbito do licenciamento ambiental, com tomada de decisões baseadas quase que exclusivamente nas ava- liações sobre as áreas de influência direta de cada empreendimento sob análise. O acesso aberto e contextualizado às distintas fontes de dados, in- formações e conhecimentos é de fundamental importância, uma vez que pode fomentar outros processos de gestão da biodiversidade, tais como a pesquisa científica, a educação ambiental, a gestão socioambiental, o uso público e as decisões de manejo. Pr ef ác io A criação e a consolidação de Unidades de Conservação têm sido uma es- tratégia para a proteção e conservação da biodiversidade, uma vez que es- sas áreas protegidas servem de refúgio para espécies ameaçadas e para a manutenção de processos e serviços ecológicos. No entanto, para atingir esses objetivos, as UCs precisam de uma gestão eficiente que combine de forma efetiva ações de manejo e conservação. Para isso, é fundamental a aplicação prática do conhecimento, seja ele baseado em publicações cienti- ficas, acadêmicas, técnicas ou ainda na sabedoria tradicional. Nesse sentido, este livro é uma contribuição para a socialização do conhe- cimento adquirido nos levantamentos sobre a fauna silvestre realizados na área de estudo do Projeto N1 e N2, situados no interior da Flona de Ca- rajás, inicialmente utilizados para subsidiar o licenciamento ambiental do empreendimento minerário. Com esta publicação, objetiva-se compartilhar os conhecimentos relacionados a aves, anfíbios, répteis, morcegos, peque- nos, médios e grandes mamíferos e biota aquática entre os visitantes das Unidades de Conservação de Carajás, comunidades, estudantes, gestores, pesquisadores e a sociedade em geral. Ao contribuir com a difusão do conhecimento sobre a região de Carajás, esta obra serve de incentivo para o aprimoramento do conhecimento cien- tífico sobre a fauna local e para o envolvimento da sociedade nos esforços de conservação. Como consequência direta da divulgação dos atributos ambientais das Unidades de Conservação, nós temos um maior engajamen- to dos diferentes atores sociais nos esforços de conservação. André Luís Macedo Vieira Chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Carajás Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores12 13 Apresentação O licenciamento ambiental é uma das obrigações exigidas pela legislação brasileira para o funcionamento de qualquer tipo de empreendimento ou atividade que pretende utilizar os recursos naturais ou que possa causar algum tipo de poluição. Tem como objetivo avaliar como e de que forma se pode promover o desenvolvimento econômico a partir do uso sustentá- vel dos recursos naturais, mas sempre buscando as melhores práticas para manter o equilíbrio do meio ambiente. Essa avaliação é feita a partir da elaboração de um documento técnico-científico que apresenta as caracte- rísticas do projeto, o diagnóstico ambiental, identifica e avalia os impactos e as medidas, tanto para prevenir, controlar, mitigar ou compensar altera- ções no ambiente. Esse documento é chamado de “Estudo e Relatório de Impacto Ambiental” ou simplesmente EIA/RIMA. O presente livro constitui-se na compilação dos resultados das pesquisas sobre a fauna realizadas na área de estudo do Projeto N1 e N2 para subsidiar o licenciamento ambiental do empreendimento minerário que tem como prin- cipal objetivo a extração de minério de ferro no Complexo Minerador Ferro Carajás da Vale, localizado no município de Parauapebas, estado do Pará. Ao trazer a público os conhecimentos relacionados às espécies silvestres de insetos vetores, aves, anfíbios, répteis, morcegos, pequenos, médios e grandes mamíferos, e biota aquática (peixes e comunidades hidrobio- lógicas) encontradas na área do Projeto N1 e N2, especialmente em sua Área de Estudo Local, a obra figura como um importante instrumento de divulgação dos estudos ambientais que vêm sendo conduzidos na região da Floresta Nacional de Carajás – Flona de Carajás. Nas páginas a seguir, além de um resumo sobre as espécies que ocorrem na área do Projeto N1 e N2, são apresentadas informações relevantes sobre a biologia e ecologia dos grupos animais, sua distribuição geográfica, importância para o ecossistema e para a conservação, além de um guia A p re se n ta çã o fotográfico acompanhado de dados taxonômicos, características e curio- sidades sobre grande parte das espécies que foram identificadas na área. Algumas dessas características, como tamanho e forma do corpo do ani- mal, cor, horário de atividade, podem ser úteis na identificação de diferen- tes espécies durante atividades de campo. Nesse sentido, esta publicação tem o potencial de expandir o alcance do conhecimento sobre a variedade da fauna local, principalmente entre visitantes da Flona de Carajás, comu- nidades do entorno, estudantes, gestores, pesquisadores e demais interes- sados na área ambiental. A publicação e distribuição de todo esse acervo técnico-informativo orga- nizado no formato do livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte foram solicitadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, por meio do Ofício SEI nº 306/2017- DIBIO/ ICMBio, em 7 de dezembro de 2017, e estão vinculadas ao licenciamento ambiental do Projeto N1 e N2. Esta é uma iniciativa importante para difusão do conhecimento sobre a re- gião de Carajás, ampliação do estado da arte de conhecimento do conjun- to de áreas protegidas de Carajás, bem como para a conciliação do avanço da mineração e dos esforços para a conservação da natureza dessa porção da Amazônia brasileira. A produção e organização do conhecimento con- tido neste livro são uma realização da Vale em parceria com as empresas Brandt Meio Ambiente e Sete Soluções e Tecnologia Ambiental, e seus res- pectivos técnicos, profissionais e especialistas em fauna. Espera-se que este trabalho sirva tanto como fonte de consulta quanto como incentivo à realização de novas pesquisas na região, visando não somente ao aprimoramento do conhecimento científico acerca da fauna, mas também ao uso sustentável dos recursos naturais e à conservação dessa região tão rica da Amazônia. Fo to : B RA N D T 17Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Flona de Carajás Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás A área do Projeto N1 e N2 está inserida no conjunto de áreas protegidas de Carajás, formado pelas Unidades de Conservação federais: Floresta Nacional de Carajás, onde o projeto está localizado, Floresta Nacional do Tapirapé-A- quiri, Floresta Nacional Itacaiunas, Reserva Biológica do Tapirapé,Parque Na- cional dos Campos Ferruginosos e Área de Proteção Ambiental do Igarapé Gelado, geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi- dade (ICMBio/MMA); e a Terra Indígena Xikrin do Cateté, sob gestão da FU- NAI (Figura 1; Quadro 1). A totalidade do território ocupa uma área de quase 1,4 milhão de hectares, o que representa a maior área de Floresta Amazônica contínua do Sul e Sudeste do Pará. Unidades de Conservação (UCs) são áreas protegidas por lei voltadas à conser- vação ambiental, do modo de vida de populações tradicionais, da manutenção de serviços ambientais e do uso de recursos naturais renováveis. Outras áreas protegidas conhecidas são as Terras Indígenas, as Reservas Legais das proprieda- des Rurais e as Áreas de Preservação Permanentes que protegem dunas, man- guezais, nascentes, encostas e topos de morros e outras. As UCs são classificadas em dois grandes grupos: Uso Sustentável e Proteção Integral, assim definidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC (Lei n° 9.985/2000), que as divide em 12 categorias, diferenciando-as por seus objetivos principais de conservação e pela possibilidade do uso de recursos de forma direta, como o manejo florestal nas Florestas Nacionais, ou de forma apenas indireta, como a visitação em Parques Nacionais ou a pesquisa científica nas Reservas Biológicas. Laís Ferreira Jales Leandro Moraes Scoss Vanessa Coutinho Mourão de Souza Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás18 19Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Figura 1 – Localização geográfica do Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás !( !. !. !. !. !. !. !. !. Projeto N1 e N2 TI Xikrin do Rio Cateté Água Azul do Norte Parauapebas Rebio Tapirapé APA Igarapé Gelado Flona Tapirapé Aquiri Flona Itacaiúnas Flona de Carajás Parna dos Campos Ferruginosos Núcleo Urbano de Carajás Tucumã Ourilândia do Norte Canaã dos Carajás 50°0'0"W50°30'0"W51°0'0"W 5° 30 '0 "S 6° 0' 0" S 6° 30 '0 "S !( Oceano Atlântico Belém PAAM MA TO AP MT PI RR Localização da Flona de Carajás no estado do Pará Área do Empreendimento Projeto N1 e N2 Áreas Protegidas Terras Indígenas Unidades de Conservação Uso Sustentável Floresta Nacional de Carajás Floresta Nacional do Itacaiúnas Floresta Nacional do Tapirapé Aquiri Área de Proteção Ambiental do Igarapé Gelado Proteção Integral Parque Nacional dos Campos Ferruginosos Reserva Biológica do Tapirapé 0 10 20 km ® Fonte: Sete Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda. Quadro 1 – Conjunto de áreas protegidas de Carajás, Pará, Brasil ANO DE CRIAÇÃO NOME DA ÁREA PROTEGIDA GRUPO E CATEGORIA (LEI Nº 9.985/2000 - SNUC) DIPLOMA LEGAL ÁREA (HA) MUNICÍPIOS 1989 Área de Proteção Ambiental do Igarapé Gelado Uso Sustentável - APA Decreto n° 97.718, de 5 de maio de 1989 21.600 Parauapebas 1989 Reserva Biológica do Tapirapé Proteção Integral - Rebio Decreto n° 97.719, de 5 de maio de 1989 103.000 São Félix do Xingu e Marabá 1989 Floresta Nacional do Tapirapé Aquiri Uso Sustentável - Flona Decreto n° 97.720, de 5 de maio de 1989 190.000 São Félix do Xingu e Marabá 1991 Terra Indígena Xikrin do Cateté É uma área protegida, mas não uma unidade de conservação Homologada pelo Decreto nº 384, de 26 de dezembro de 1991 439.000 Água Azul do Norte, Marabá, Parauapebas 1998 Floresta Nacional de Carajás Uso Sustentável - Flona Decreto n° 2.486, de 2 de fevereiro de 1998 411.949 Água Azul do Norte, Canãa do Carajás e Parauapebas 1998 Floresta Nacional Itacaiunas Uso Sustentável - Flona Decreto n° 2.480, de 2 de fevereiro de 1998 141.400 Marabá 2017 Parque Nacional dos Campos Ferruginosos Proteção Integral - Parna Decreto s/n, de 5 de junho de 2017 79.029 Canaã dos Carajás e Parauapebas Fonte: Diplomas legais de criação de cada área protegida. O que é uma área protegida? No Brasil existem diversas áreas que são legalmente atri- buídas por decretos e atos de diversos órgãos e instâncias administrativas, a exemplo das Unidades de Conservação (UCs), Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reser- vas Legais (RLs), Terras Indígenas (TIs), Comunidades Remanescentes de Quilombo, entre outras. Todas, portanto, são conhecidas genericamente por “áreas protegidas”. No conjunto de áreas protegidas de Carajás, destacam-se as Unidades de Conservação e a Terra Indígena Xikrin do Cateté. O Projeto N1 e N2 situa-se na porção norte da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, numa área que corresponde à Zona de Mineração, assim delimitada por seu Plano de Manejo. A Flona de Carajás foi criada por meio do Decreto nº 2.486, de 2 de fevereiro de 1998, abrangendo uma área de 411.949 hec- tares, localizada nos municípios de Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás e Parauapebas, no estado do Pará. Essa Unidade de Conservação de uso sustentável tem como objetivos o apro- veitamento econômico da floresta, pesquisa científica, educação ambiental e turismo sustentável com a conservação da biodiversidade. O Decreto de Criação garante a manutenção dos direitos minerários já assegurados antes Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás20 21Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Foto 1 – Região do rio Itacaiunas, na Flona de Carajas. Foto: João Marcos Rosa da Criação da UC, o que evidencia os desafios referentes à busca pela conci- liação entre a proteção dos recursos e belezas naturais, das espécies da flora e fauna e dos vários ecossistemas presentes na floresta com a exploração mi- neral, considerando os regramentos e zoneamento estabelecidos no Plano de Manejo da Flona de Carajás. A diversidade de elementos da paisagem e a riqueza de espécies da flora e fauna, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, destacam a Flona de Carajás como uma das áreas que apresenta maiores diversidades biológicas na Amazônia. Além disso, as outras formações vegetais observadas na região, como as áreas de canga, associadas às áreas de afloramento ferrí- fero, abrigam espécies bastante adaptadas a esse ambiente, sendo que algu- mas ocorrem apenas nessa área, como a flor-de-carajás (Ipomea carajaensis). O conjunto de áreas protegidas de Carajás, com sua extensão de quase 1.400.000 hectares de florestas nativas, presta importantes serviços ambien- tais à sociedade brasileira e ao planeta. A regulação do clima na Terra por meio da umidade gerada pela Floresta Amazônica, os “rios voadores” que são essen- ciais à agricultura brasileira e ao abastecimento humano, além da proteção de mananciais importantes para diversos municípios da região do sudeste do Pará são alguns exemplos desses serviços, gratuitos e imprescindíveis à vida. Ao norte do Projeto está a Área de Proteção Ambiental (APA) do Igara- pé Gelado, município de Parauapebas. Essa Unidade de Conservação de uso sustentável foi criada pelo Decreto nº 97.718, de 5 de maio de 1989, com uma área de 21.600 hectares. Essa categoria de UC tem como objetivo principal promover o ordenamento territorial de uma região voltado para a conservação. A APA, composta por áreas privadas e públicas, ainda contém considerável cobertura vegetal nativa que serve como tampão do avanço das atividades humanas para as outras UCs da região, de categorias mais restritivas. Na APA são realizados projetos que objetivam a melhoria da per- meabilidade da matriz por meio da diversificação das atividades produtivas, como o Projeto de Agroextrativismo que apoia a implementação da Siste- mas Agroflorestais em propriedades de pequenos produtores. Na porção sul encontra-se o Parque Nacional (Parna) dos Campos Ferruginosos, criado pelo Decreto s/n, de 5 de junho de 2017, com uma área de 79.029 hectares, pertencente aos municípios de Canaã dos Carajás e Parauapebas. Essa unidade de proteção integral se sobre- põe ao limite da Flona de Carajás em grande parte de sua extensão. Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás22 23Faunada Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Foto 2 – Parna dos Campos Ferruginosos. Foto: Fernando Marino Na porção noroeste da Flona de Carajás e com parte de seu território em so- breposição com a Floresta Nacional de Itacaiunas, está localizada a Floresta Nacional (Flona) do Tapirapé Aquiri, uma unidade de uso sustentável, criada por meio do Decreto nº 97.720, de 5 de maio de 1989, representando uma área de 190.000 hectares. Essa unidade ocupa parte dos municípios de São Félix do Xingu e Marabá, e tem como objetivo o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais, além da pesquisa científica, com ênfase em métodos para explora- ção sustentável de florestas nativas. Nessa Unidade também foi prevista no Decreto de Criação a manutenção dos direitos minerários já existentes no mo- mento da criação da UC, de forma que abriga hoje a maior mina de cobre do Brasil – Projeto SALOBO. A unidade de conservação possui 5 trilhas ecológicas que servem de base para o projeto Comunidade Vai à Floresta, que permite que a sociedade tenha a oportunidade de interagir com a biodiversidade local. Por sua vez, a Reserva Biológica (Rebio) do Tapirapé ocupa os mesmos mu- nicípios, mas possui área relativamente menor, de 103.000 hectares, na porção norte da Flona Tapirapé Aquiri. Essa reserva, criada pelo Decreto nº 97.719, de 5 de maio de 1989, objetiva a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em seus limites, com ênfase para a pesquisa científica e a edu- cação ambiental. A Rebio atualmente executa o protocolo de monitoramento contínuo da biodiversidade. Grupos de animais bioindicadores, como borbole- tas e mamíferos de médio e grande portes, são monitorados com ajuda de vo- luntários de comunidades do entorno e outros, selecionados e treinados através de editais do Programa Nacional de Voluntariado do ICMBio. Entre os objetivos estão a ampliação do conhecimento das espécies existentes na UC, bem como o acompanhamento de seus níveis populacionais e comunitários ao longo do tempo, frente às mudanças climáticas e possíveis impactos de origem humana. Na porção oeste do conjunto de áreas protegidas de Carajás está localizada a Terra Indígena (TI) Xikrin do Cateté, habitada por povos isolados, Me- bêngôkre Kayapó e Xikrin (Mebengôkre). Essa terra indígena foi reconhecida oficialmente a partir da homologação do Decreto nº 384, de 26 de dezem- bro de 1991, com área de 439.000 hectares. Abrange parte dos municípios paraenses de Água Azul do Norte, Marabá e Parauapebas, e é a maior área protegida do conjunto de Carajás. Tem como objetivos a manutenção dos povos indígenas que a habitam de forma permanente e das suas atividades produtivas, assim como são imprescindíveis à preservação dos recursos ne- cessários ao bem-estar dos povos e à sua reprodução física e cultural.Foto 3 – Vista aérea da Flona Itacaiunas. Foto: João Marcos Rosa A criação desse parque teve como objetivo a proteção da diversidade biológica das Serras da Bocaina e do Tarzan, constitui-se como uma ação de compensação ambiental pela supressão de áreas de canga e cavernas para a instalação do Empreendimento de Ferro de S11D, ga- rantindo assim a proteção e a manutenção de áreas testemunhos do patrimônio espeleológico e da vegetação de campos ferruginosos ou savanas metalófilas na Região de Carajás. O parque é a unidade de con- servação com maior número de cavernas ferríferas do Brasil e abriga um grande número de cachoeiras e outros atrativos, apresentando grande potencial para o ecoturismo. Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás24 25Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Foto 5 – Vista da Reserva Biológica (Rebio) do Tapirapé. Foto: João Marcos Rosa Por fim, o conjunto de áreas protegidas de Carajás também conta com a Floresta Nacional (Flona) Itacaiunas, criada por meio do Decreto nº 2.480, de 2 de fevereiro de 1998, com 141.400 hectares, localizada no município de Marabá. Essa unidade de uso sustentável tem objetivos semelhantes aos da Flona Tapirape Aquiri, focando em pesquisas voltadas, principalmente, para o uso sustentável de suas florestas nativas, com Manejo Florestal Sus- tentável de produtos madeireiros e não madeireiros. Apesar de sua extensão e nível de proteção, o conjunto de áreas protegidas de Carajás é atualmente uma ilha de vegetação cercada por atividades agrope- cuárias, o que impõe um desafio para a manutenção da conectividade e fluxo de espécies com outras áreas da floresta amazônica brasileira. Iniciativas como a publicação deste livro, voltado aos estudantes, visitantes e ao público em geral, são ações importantes para aumentar o conhecimento da população sobre a importância ecológica dessas áreas para a sociedade, significando, em última instância, sua própria existência, ao conservar áreas extensas para a re- carga dos aquíferos, produção de chuvas, além de serem laboratórios inestimá- veis e ainda pouco explorados para a produção de medicamentos, alimentos e produtos da floresta. Atividades estas que geram divisas para o país e para po- pulações locais com a manutenção da floresta em pé, como os exemplos do açaí, óleos de copaíba e andiroba, jaborandi, castanha-do-pará e tantos outros. Foto 4 – Vista aérea da Flona do Tapirapé-Aquiri. Foto: João Marcos Rosa Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás26 Foto 6 – Vista da Flona Itacaiunas. Foto: João Marcos Rosa Foto 7 – Vista da Floresta Nacional de Carajás. Foto: Marcelo Rosa Foto 8 – APA do Igarapé Gelado. Foto: Marcelo Rosa Fo to : J oã o M ar co s Ro sa 29Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N2 Para orientar os estudos biológicos sobre a flora e a fauna no âmbito do Es- tudo de Impacto Ambiental (EIA) do Projeto N1 e N2, foi definida a Área de Estudo Local (AEL) do meio biótico considerando o espaço geográfico que circunda a área de ocupação prevista pelo projeto de engenharia necessá- ria ao desenvolvimento do empreendimento, em extensão geográfica sufi- ciente para identificação e avaliação dos organismos que ocorrem na região onde se pretende instalar o empreendimento. O contexto geográfico de bacia hidrográfica foi um dos critérios adotados para a delimitação da AEL do meio biótico do Projeto N1 e N2, que se en- contra dividida em duas grandes bacias do estado do Pará. A parte oeste está situada na bacia hidrográfica do rio Itacaiunas e a porção leste pertence à bacia do rio Parauapebas. Ainda, no contexto local, destacam-se as bacias hidrográficas que drenam a área do projeto pelo rio Azul e pelas drenagens que vertem para o Igarapé Gelado. Ao norte da Área de Estudo Local estão situadas as barragens do Gelado e Geladinho. A referida AEL situa-se no domínio do bioma Amazônia, onde a cobertura ve- getal nativa da região é, predominantemente, constituída pelas fisionomias Elaine Ferreira Barbosa Leandro Moraes Scoss Dinalva Celeste Fonseca Breno Chaves de Assis Elias Vanessa Coutinho Mourão de Souza Mazama americana (Veado-mateiro) Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N230 31Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Figura 2 – Localização da Área de Estudo Local (AEL) no Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !.!. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !. !.!. !. 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e Tecnologia Ambiental Ltda. Cacicus cela (Xexéu) de Floresta Ombrófila Aberta, que ocupa regiões de encostas e de eleva- da inclinação, e de Floresta Ombrófila Densa, que ocorre nos solos mais profundos nas planícies e nos relevos mais suaves das áreas montanhosas. Além das formações florestais, destaca-se a ocorrência de uma vegetação herbáceo-arbustiva típica de afloramentos ferruginosos. Os Campos Rupes- tres Ferruginosos localizam-se nas porções de serras, nas regiões de maior elevação, cujo topo apresenta relevo suave e são designados como platôs. A Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2, assim como as áreas das Minas N4, N5 e da Mina de Manganês do Azul, abriga vegetação típica das ser- ras ferruginosas da região e ambientes florestais. As Minas N4 e N5 estão localizadas no Complexo Minerador Ferro Carajás na Serra Norte, e a Mina de Manganês do Azul está localizada na região dos platôs norte da Pro- víncia Mineral de Carajás, todas na porção leste da AEL. O núcleo urbano de Carajás localiza-se a leste da área de estudo, conforme a indicação no mapa da Figura 2. Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Fo to : V . C . T om az Foto 11 – Perfil de vertente local, observada na porção interior do platô de N1. Em baixa vertente, é possível observar área onde está localizado um lago intermitente, nas proximidades do alojamento de N1. Foto 9 – Vista panorâmica da porção central do platô de N1. Foto 10 – Relevo da região da Serra dos Carajás. Fo to : B RA N D T Fo to : B RA N D T Fo to : B RA N D T Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N234 35Fauna da FlorestaNacional de Carajás – Serra Norte Foto 12 – Vista parcial das vertentes que circundam ao norte o platô de N1. Fonte: Estudo de Impacto Ambiental (BRANDT, 2019). O diagnóstico da fauna na área do Projeto N1 e N2 foi realizado pela equi- pe técnica da Brandt Meio Ambiente Ltda., amparado pela Autorização para Captura, Coleta e Transporte de Material Biológico - ABIO N° 903/2018 e Ofí- cio SEI nº 306/2017-DIBIO/ICMBio, que compõe o Estudo de Impacto Am- biental do empreendimento. Os estudos foram realizados por especialistas e considerou vários outros estudos que já haviam sido realizados na área onde está localizado o projeto, além dos trabalhos de campo para complementar as informações sobre insetos (entomofauna) de importância sanitária, anfí- bios e répteis (herpetofauna), pequenos mamíferos não voadores (masto- fauna) e biota aquática. Esses estudos foram apresentados ao IBAMA e ICMBIO como parte do pro- cesso do licenciamento ambiental do empreendimento. Entretanto, as in- formações do EIA seguem normas específicas e linguagem muito técnica. Após a conclusão do estudo ambiental, a equipe de especialistas da Sete Soluções e Tecnologia Ambiental organizou o conhecimento e produziu novos textos para auxiliar na divulgação sobre a “Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte”. Neste livro apresentamos a fauna silvestre registrada na área do Projeto N1 e N2 de maneira mais objetiva e ilustrada. E assim, partindo do princípio de que é preciso conhecer para preservar, buscamos chamar a atenção para a composição e importância da fauna local e, como consequência, estabe- lecer medidas de conservação e proteção que sejam tomadas em sintonia com a implantação e operação do Projeto N1 e N2. Bom, mas você sabe o que significa fauna? Fauna é o nome dado para representar todos os animais que vivem em uma determinada região, in- dependentemente das diferenças de tamanho, cor, comportamento ou ambiente em que se desenvolvem, alimentam, reproduzem etc. Todos os animais fazem parte da fauna ou, se preferir, do mundo animal. Para facilitar o trabalho dos especialistas, os grupos de animais podem ser separados e organizados da seguinte forma: Entomofauna (insetos), Ictiofauna (peixes), Herpetofauna (répteis e anfíbios), Avifauna (aves), Mastofauna (mamíferos) e Biota Aquática, que reúne diferentes formas de vida do ambiente aquáti- co, incluindo, por exemplo, o fitoplâncton, o zooplâncton e os organismos bentônicos ou zoobêntons.Foto 13 – Vista aérea da fitofisionomia de Savana Metalófila (Vegetação Rupestre sobre Canga). Fonte: Estudo de Impacto Ambiental (BRANDT, 2019). Fo to : B RA N D T Fo to : B RA N D T Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N236 37Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Os resultados que ilustram cada um dos capítulos deste livro, como não po- deria ser diferente, reforçam que a região mantém uma fauna amazônica muito rica e diversa que, por sinal, é uma característica de toda a região da Flona de Carajás e do próprio bioma Amazônia. Reunindo todos os grupos da fauna estudados, tanto do ambiente terrestre como do ambiente aquáti- co, foi possível produzir este livro sobre a Fauna do Projeto N1 e N2. Ao todo foram exatamente 1.478 táxons de animais identificadas na área de estudo local do Projeto N1 e N2 (Figura 3). Em geral, para todos os grupos, esse número expressivo de animais indica uma boa qualidade dos ambientes natu- rais dessa porção da Flona de Carajás. É uma das principais razões que o estudo ambiental destaca como fundamental para assegurar a sobrevivência, a viabili- dade e a permanência de todas as espécies na região, no médio e longo prazo. O maior número de animais foi identificado para um grupo de pequenos organismos que compõem a biota aquática, os fitoplânctons (algas e bacté- rias), com um total de 448 táxons. As aves aparecem em segundo lugar, com 312 espécies diferentes, seguidas pelos zooplânctons (pequenos animais), com 293 táxons, e pelos organismos bentônicos (insetos aquáticos, minho- cas, caracóis de água doce, camarões, entre outros), com 100 táxons. Figura 3 – Fauna do Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N2 448 312 293 100 77 67 46 40 38 29 20 8 0 100 200 300 400 500 Fitoplâncton Aves Zooplâncton Organismos bentônicos An�sbenas, Lagartos e Serpentes Morcegos Anfíbios Insetos - dípteros vetores Médios e grandes mamíferos Peixes Pequenos mamíferos Quelônios e Jacarés Número de animais Fonte: Sete Soluções e Tecnologia Ambiental Ltda. Você sabia que TÁXON é uma unidade utilizada pelos pesquisadores no sistema de classi- ficação científica de todos os seres vivos? Essa unidade ajuda na divisão dos organismos vivos em Reino, Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie. A ciência responsável pela criação das regras de classificação e identificação dos seres vivos é chamada de Taxonomia e tem como objetivo reconhecer os grupos de seres vivos e dar um nome para cada um dos grupos e organismos. As anfisbenas, lagartos e serpentes somam 77 espécies, enquanto o to- tal de morcegos que ocorrem na região do Projeto N1 e N2 chega a 67 espécies. Mesmo sendo animais tão diferentes em diversos aspectos, o número total de espécies de anfíbios (sapos, rãs e pererecas), de insetos vetores de importância para a saúde pública e de mamíferos de médio e grande portes é parecido. Ao todo foram identificadas 46 espécies de an- fíbios, 40 de insetos vetores (mosquitos e carapanãs) e 38 mamíferos com peso corporal maior que 2 kg, incluindo desde os menores macacos até as antas e as onças-pintadas. Os grupos de animais com menor número de espécies na área do Projeto N1 e N2 foram os pequenos mamíferos, com 20 espécies, incluindo roedores (ratos) e marsupiais (gambás e cuí- cas); os peixes de água doce, com 29 espécies, e as tartarugas e jacarés, que juntos totalizam apenas oito espécies. A lista com a classificação taxonômica de cada um dos 1.478 táxons de ani- mais identificados durante o estudo ambiental na área do Projeto N1 e N2 é apresentada em formato digital (Link Site e QR code). Esperamos que você, leitor, goste das informações e das fotos dos animais que vivem na Serra Norte da Floresta Nacional (Flona) de Carajás. Antes, porém, é importante dizer que a taxonomia é a ciência que dá nome às espécies. Na leitura dos capítulos, o texto apresenta algumas abreviações, representadas por gr., aff., cf. ou sp. Estas são utilizadas na taxonomia para in- dicar uma espécie que não pôde ser identificada. Alguns dos nomes empre- gados no estudo ambiental do Projeto N1 e N2 provavelmente não repre- sentam de forma precisa a situação taxonômica de certas espécies, devido à carência de estudos recentes sobre a sua taxonomia que permita identifi- cá-las até o nível específico. Isso ocorre porque alguns indivíduos coletados durante os estudos não possuem exatamente as características previamen- te estabelecidas pela taxonomia que permita a sua completa identificação. Fauna da Floresta Nacional de Carajás, Serra Norte, no âmbito do Estudo de Impacto Ambiental do Projeto N1 e N238 Em alguns casos, a identificação somente é possível a partir de análises genéticas, que, até o momento, não foram realizadas, haja vista que não era objeto da metodologia proposta para este estudo. Para Anfíbios Anuros, por exemplo, sete são as espécies que se enquadram nessa situação (Rhinella gr. margaritifera, Ameerega aff. flavopicta, Boana sp., Dendropsophus gr. microcephalus, Scinax sp., Adenomera sp. e Adeno- mera aff. hylaedactyla). Outras duas não puderam ser identificadas de ma- neira precisa porque foram registradas apenas a partir do seu canto, sem a captura do adulto (Hyalinobatrachium sp.) ou porque foram registradas apenas por meio de indivíduos jovens(Elachistocleis cf. carvalhoi), o que dificulta sua determinação. No caso da Ictiofauna, considerando os registros de peixes na Serra Norte, 16 são as espécies de peixes que se enquadram nessa situação: Astyanax sp., Bryconamericus sp., Characidium sp., Creagrutus sp., Knodus sp. 1, Knodus sp. 2, Moenkhausia sp. Imparfinis sp., Ancistrus sp., Aspidoras sp., Harttia sp., Hypostomus gr. cochliodon, Lasiancistrus sp., Otocinclus sp., Trychomycterus sp. e Cichla sp. Para a Biota Aquática, a carência de estudos sobre a classificação desses organismos e o registro de táxons em estágios larvais, como os náuplios e copepoditos, entre os crustáceos copépodas, são os principais fatores que não permitem representar de forma precisa a situação taxonômica de algumas espécies. A alteração dos nomes e organização das classifi- cações são bastante comuns, principalmente dentre o fitoplâncton e zooplâncton, e ocorre porque as técnicas adotadas pelos pesquisadores estão sendo aperfeiçoadas a cada dia. Mesmo assim, os resultados sobre a Biota Aquática do Projeto N1 e N2 apresenta uma série de organismos com alguma imprecisão taxonômica, assim como diversos outros estu- dos, sendo às vezes possível identificar o animal apenas até o nível de classe, ordem ou família. "Direcione a câmera do seu celular para o QR Code ao lado e tenha acesso à lista digital completa com todos os 1.478 táxons identificados na área do Projeto N1 e N2." Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Desova arbórea de anfíbio depositada em folha Fo to : B RA N D T Pequenos Mamíferos Não Voadores Fo to : B er na rd o Le op ol do Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte 45 Hylaeamys megacephalus (Rato-do-mato) Pequenos Mamíferos Não Voadores Os pequenos mamíferos não voadores, como o próprio nome diz, são os mamíferos de pequeno porte que não voam. Compreendem os marsu- piais (Ordem Didelphimorphia), popularmente conhecidos como gambás e cuícas, e os pequenos roedores (Ordem Rodentia), conhecidos como ratos, com peso até 2 kg. Esse grupo de animais forma a base da pirâmide alimentar, da qual dependem praticamente todos os outros grupos que vêm acima deles, especialmente os animais carnívoros, sejam eles outros mamíferos, aves ou répteis. São predominantemente noturnos e apresen- tam diferentes hábitos de vida, podendo ser arborícolas (quando vivem somente nas árvores), escansoriais (animais que vivem tanto nas árvores como no chão), fossoriais ou semifossoriais (quando vivem em tocas ou abaixo do solo), cursoriais (vivem estritamente no chão) e semiaquáticos (passam boa parte do seu tempo dentro d’água). Dessa forma, ocupam diversos ambientes, desde campos e outros tipos de hábitats com vege- tação aberta naturais até florestas, nas suas mais variadas formas, tipolo- gias e graus de preservação. A expressão popular “tamanho não é documento” se aplica muito bem aos pequenos mamíferos não voadores. Diferentes espécies desse grupo de- sempenham funções ecológicas fundamentais na dinâmica dos ecossiste- mas naturais, como dispersores de sementes e fungos, como reguladores de populações de plantas (por meio do consumo de folhas, frutos e sementes) Bernardo Faria Leopoldo Eduardo Lima Sábato Natália Ardente Leandro Moraes Scoss Fo to : N at ál ia A rd en te Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores46 47 e de insetos e outros animais invertebrados, ou ainda como polinizadores de algumas espécies de plantas. Embora as informações que normalmen- te chegam ao público em geral estejam fortemente associadas às espécies comuns nas áreas urbanas, como o rato-comum (Rattus rattus), a ratazana (Rattus norvergicus) e o camundongo (Mus musculus), os pequenos mamífe- ros não voadores são considerados peças-chave na manutenção e na con- servação da biodiversidade de ambientes naturais. Como outros animais, os pequenos mamíferos não voadores respondem rapidamente às alterações e impactos ambientais (como o desmatamen- to e as queimadas), assim como ao processo de fragmentação de hábi- tats. Essas modificações normalmente provocam a diminuição do núme- ro de espécies que ocorrem em determinado lugar e, por consequência, alguns processos ecológicos são afetados, ocasionando uma perda da qualidade ambiental. Diversas espécies desse grupo apresentam ainda importância médica e epidemiológica, funcionando como reservatórios de agentes causadores de diversas doenças que podem afetar o ser humano, tais como: Leptos- pirose, Esquistossomose, Leishmaniose, Hantavirose e Doença de Chagas. Por outro lado, também vêm sendo utilizadas em alguns estudos como sentinelas para fatores de ameaças à saúde humana, servindo como indi- cadores da presença de contaminantes ambientais, bactérias ultrarresis- tentes e vírus. Assim, as alterações nos ambientes onde ocorrem essas es- pécies devem ser feitas sempre com responsabilidade e bastante cuidado, para evitar desequilíbrios que, além de prejudicá-las, podem afetar a saúde e o bem-estar humano. Atualmente são conhecidas no Brasil 268 espécies de pequenos mamífe- ros não voadores, o que os torna o grupo de maior riqueza, em número de espécies, dentre as 701 espécies listadas para todo o território nacional. So- mente na Amazônia ocorrem 110 espécies, sendo 27 de marsupiais e 83 de roedores, incluindo 73 espécies que somente são encontradas neste bioma, tecnicamente chamadas de espécies endêmicas. É importante mencionar que esses números aumentam à medida que são aplicadas novas técnicas de laboratório, principalmente análises genéticas e moleculares, que vêm auxiliando os pesquisadores no processo de identificação e na descoberta de novas espécies para a ciência. Na região da Floresta Nacional de Carajás, sudeste do estado do Pará, onde se insere o Projeto de Mineração N1 e N2, estudos recentes reve- laram a presença de 31 táxons de pequenos mamíferos não voadores, sendo 12 de marsupiais e 19 de pequenos roedores. Desse total, pelo menos 11 espécies são endêmicas da Amazônia, e seis apresentam im- precisão taxonômica, ou seja, necessitam de estudos mais aprofundados para que sua correta identificação em nível específico seja confirmada para a região. Este capítulo apresenta as espécies de pequenos mamíferos não voadores registradas na Área de Estudo Local (AEL) do Projeto de Mineração N1 e N2 inserido no Complexo Minerador Ferro Carajás, a fim de disponibilizar um acervo técnico-específico da fauna local. Os Pequenos Mamíferos Não Voadores da Flona de Carajás, Serra Norte Os estudos realizados na Área de Estudo Local (AEL) do Projeto N1 e N2 reve- laram a presença de 20 táxons de pequenos mamíferos não voadores, sendo nove marsupiais e 11 roedores. Todos os marsupiais pertencem à família Di- delphidae, única família da Ordem Didelphimorphia. Já os roedores perten- cem a duas famílias (Cricetidae e Echimyidae). Desse total, três táxons não puderam ser identificados em nível de espécie de forma precisa, por serem complexos e necessitarem de revisões taxonômicas mais refinadas. A comunidade de pequenos mamíferos não voadores local é formada, em sua maior parte, por táxons de ampla distribuição geográfica, que ocorrem em mais de um bioma brasileiro. Nenhum dos táxons listados encontra-se ameaçado de extinção, de acordo com as listas consultadas em âmbito estadual, nacional e global. Ressalta-se, no entanto, o registro de espécies endêmicas do bioma amazônico, como os marsupiais Didelphis marsupia- lis (gambá), Marmosops pinheroi (cuíca) e Monodelphis glirina (catita), além dos roedores Oligoryzomys microtis (rato-do-mato), Oxymycterus amazo- nicus (rato-do-brejo) e Rhipidomys emiliae (rato-da-árvore). Por serem es- pécies com hábitos escansoriais, arborícolas, semifossoriais (no caso de Monodelphis touan) e/ou dependentes de uma estrutura mais complexa Fauna da FlorestaNacional de Carajás – Serra NortePequenos Mamíferos Não Voadores48 49 de ambientes florestais (por exemplo, a presença de troncos caídos no chão, sub-bosque e dossel), essas espécies normalmente são reconheci- das como indicadoras de hábitats florestais. A espécie de roedor Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do-mato) e o mar- supial Monodelphis touan (cuíca-de-rabo-curto), segundo a literatura cien- tífica, representam interesses científicos para a região da Flona de Carajás, sudeste do Pará, em virtude do pouco conhecimento que se tem sobre elas, seja no que diz respeito às suas distribuições geográficas e níveis de endemismos locais, ao tamanho e tendência de suas populações, seja no que se refere à definição do conhecimento taxonômico desses animais. O roedor Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do-mato) foi considerado neste estudo como “aff.”, ou seja, refere-se a um táxon que apresenta afi- nidades com a espécie já descrita (Euryoryzomys emmonsae), mas com divergências em relação à descrição dela. Neste caso, o registro poderia corresponder a um sinônimo de Euryoryzomys emmonsae (rato-do-mato), estando incluída na mesma, ou poderia pertencer a uma espécie com parentesco taxonômico próximo. Euryoryzomys aff. emmonsae (rato-do- -mato) foi considerado táxon endêmico pelo fato de as duas possíveis espécies do gênero Euryoryzomys com distribuição conhecida para a área de estudo (Euryoryzomys macconnelli e Euryoryzomys emmonsae) também serem endêmicas e ocorrerem de forma simpátrica nas áreas de floresta da Flona de Carajás, além de suas distribuições geográficas serem restritas à região sudeste da Amazônia. Além dessas espécies, cabe mencionar dois casos de imprecisões taxo- nômicas, nos quais a identificação dos táxons em nível específico não foi possível. No caso de Oecomys gr. bicolor / cleberi (rato-do-mato), o táxon pertence a um complexo de espécies que atualmente compreende Oe- comys bicolor e Oecomys cleberi, e cujas relações de parentesco ainda não foram completamente esclarecidas pelos especialistas. De forma seme- lhante, Akodon gr. cursor (rato-do-chão) pertence a uma das espécies do grupo cursor, que inclui Akodon cursor, Akodon montensis, Akodon reigi e Akodon paranaensis, assim como espécies afins. As espécies identifica- das como “gr.” referem-se àquelas que pertencem ao grupo ou complexo de espécies que ainda precisam ser revisadas e descritas, separadamen- te. Esses exemplos reforçam a necessidade de captura e coleta desses animais durante a realização de estudos ambientais em campo, pois a correta identificação, em muitos casos, somente é possível a partir de análises específicas realizadas por profissionais experientes, em ambien- te de laboratório ou com apoio de instituições que mantêm coleções científicas de referência. A coleta de espécimes testemunho é, portanto, fundamental para o avanço da pesquisa científica, lembrando que esse procedimento deve ser feito por profissional habilitado e devidamente autorizado pelo órgão ambiental. Os resultados do diagnóstico indicam que, em geral, grande parte da mastofauna amazônica de pequeno porte não voadora é representa- da por espécies que apresentam diferentes tamanhos, hábitos e formas de interagir com o ambiente em que vivem. Grande parte dos animais que compõem esse grupo possui predominantemente hábito noturno, o que dificulta a sua visualização, sendo necessário o uso de métodos específicos para a sua amostragem durante atividades de campo. Mesmo utilizando armadilhas próprias para a captura de pequenos mamíferos, algumas espécies arborícolas dificilmente são capturadas em estudos de curta duração. Muitas delas são registradas somente em estudos de longa duração ou nos chamados programas de monitoramento. Nesse sentido, os estudos já realizados na Serra Norte de Carajás, incluindo o diagnóstico do Projeto N1 e N2, vêm revelando informações importantes sobre os pequenos mamíferos não voadores, o que contribui de forma expressiva para a conservação da natureza da Flona de Carajás e de toda a região. Pequenos Mamíferos Não Voadores50 Espécie: Caluromys philander Nome popular: Cuíca-lanosa, mucura-xixica Família: Didelphidae Peso corporal: 140 a 390 gramas Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal Hábitos: Dieta Frugívora / Onívora e hábito de locomoção arborícola Espécie: Marmosa murina Nome popular: Catita, cuíca Família: Didelphidae Peso corporal: 52 gramas (adulto) Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção escansorial Espécie: Marmosa (Micoureus) demerarae Nome popular: Cuíca Família: Didelphidae Peso corporal: 90 a 150 gramas Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção arborícola Guia fotográfico Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : V in íc iu s O rs in i Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Didelphis marsupialis Nome popular: Gambá, mucura Família: Didelphidae Peso corporal: 1,0 a 1,7 kg Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Frugívora / Onívora e hábito de locomoção escansorial Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Marmosa pinheroi Nome popular: Cuíca Família: Didelphidae Peso corporal: 19 a 33 gramas Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção escansorial Espécie: Metachirus nudicaudatus Nome popular: Cuíca-de-quatro-olhos Família: Didelphidae Peso corporal: 300 a 480 gramas Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Monodelphis glirina Nome popular: Catita, cuíca-de-rabo-curto Família: Didelphidae Peso corporal: 50 gramas (adulto) Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Monodelphis touan Nome popular: Catita, cuíca-de-rabo-curto Família: Didelphidae Peso corporal: 84 gramas (adulto) Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Fo to : V in íc iu s O rs in i Fo to : B er na rd o Le op ol do Fo to : V in íc iu s O rs in i Fo to : V in íc iu s O rs in i Espécie: Philander opossum Nome popular: Cuíca-de-quatro-olhos Família: Didelphidae Peso corporal: 280 a 700 gramas Distribuição: Amazônia, Cerrado e Pantanal Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção escansorial Espécie: Akodon aff. cursor Nome popular: Rato-do-chão Família: Cricetidae Peso corporal: 30 a 70 gramas Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Euryoryzomys aff. emmonsae Nome popular: Rato-do-mato Família: Cricetidae Peso corporal: 64 a 78 gramas Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Holochilus sciureus Nome popular: Rato-d’água Família: Cricetidae Peso corporal: 90 a 200 gramas Distribuição: Amazônia, Cerrado e Caatinga Hábitos: Dieta Frugívora / Herbívora e hábito de locomoção semiaquático Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Hylaeamys megacephalus Nome popular: Rato-do-mato Família: Didelphidae Peso corporal: 60 gramas (adulto) Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Necromys lasiurus Nome popular: Pixuna, rato-do-mato Família: Cricetidae Peso corporal: 40 a 80 gramas Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e PampasHábitos: Dieta Frugívora / Onívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Espécie: Nectomys rattus Nome popular: Rato-d’água Família: Cricetidae Peso corporal: 130 a 350 gramas Distribuição: Amazônia, Cerrado, Caatinga e Pantanal Hábitos: Dieta Frugívora / Onívora e hábito de locomoção semiaquático Espécie: Oecomys gr. bicolor/ cleberi Nome popular: Rato-da-árvore Família: Cricetidae Peso corporal: 28 gramas (adulto) Distribuição: Amazônia e Cerrado Hábitos: Dieta Frugívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Fo to : V in íc iu s O rs in i Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : B er na rd o Le op ol do Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Oligoryzomys microtis Nome popular: Rato-do-mato Família: Cricetidae Peso corporal: 20 gramas (adulto) Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e hábito de locomoção escansorial Espécie: Oxymycterus amazonicus Nome popular: Rato-do-brejo Família: Cricetidae Peso corporal: 76 gramas (adulto) Distribuição: Restrita à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Insetívora / Onívora e hábito de locomoção semifossorial Espécie: Rhipidomys emiliae Nome popular: Rato-da-árvore Família: Cricetidae Peso corporal: 82 gramas (adulto) Distribuição: Restrito à Amazônia (espécie endêmica) Hábitos: Dieta Frugívora (predador de sementes) e hábito de locomoção arborícola Espécie: Proechimys roberti Nome popular: Rato-de-espinho Família: Echimyidae Peso corporal: 101 gramas (adulto) Distribuição: Amazônia e Cerrado Hábitos: Dieta Frugívora / Granívora e hábito de locomoção cursorial (terrestre) Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : N at ál ia A rd en te Fo to : V in íc iu s O rs in i Morcegos Fo to : V A LE 65Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Pteronotus cf. rubiginosus (Morcego) Morcegos Os morcegos pertencem à ordem Chiroptera. “Chiro” significa mão e “Ptera”, asas. São os únicos mamíferos capazes de realizar voo mecânico verdadei- ro, ou seja, empregam as asas para gerar e manter a propulsão no desloca- mento aéreo. Em relação à estrutura esquelética, as asas dos morcegos são semelhantes aos membros anteriores dos demais vertebrados (como braços de humanos ou patas dianteiras de outros animais). Ao longo da história evolutiva dos mamíferos, o aparato especializado para voar foi selecionado, conferindo essa habilidade tão característica a esse grupo conhecido como quirópteros, quiropterofauna, pequenos mamíferos voadores ou popular- mente apenas morcegos. Os morcegos apresentam hábitos noturnos, voando preferencialmente nesse período. Durante o dia, recolhem-se em abrigos variados: ocos de árvores, fo- lhagens, fendas em paredões rochosos, cavernas e em habitações humanas. Ocorrem em diferentes ambientes em todo o mundo, estando ausentes ape- nas nas regiões polares e em algumas ilhas oceânicas. Há maior diversidade de morcegos nas regiões tropicais, usualmente em áreas recobertas por florestas. Atualmente, são cerca de 1.460 espécies de morcegos descritas, tornando-as responsáveis por mais de 25% de todas as espécies conhecidas de mamíferos em todo o mundo, atrás apenas dos roedores, em número de espécies. A grande quantidade de espécies e a ocorrência em vários continentes se devem, além da capacidade de voo, aos diferentes tipos de hábitos alimen- tares e estratégias que os morcegos desenvolveram para procurar alimento. Carla Clarissa Nobre de Oliveira Morcegos66 67Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Existem morcegos que consomem frutos, insetos, outros animais vertebra- dos de pequeno porte, peixes, néctar e sangue, o que indica que exploram vários ambientes e executam diferentes estilos de voo, conforme o tipo de alimento que procuram. Os hábitos diversos fazem dos morcegos um dos pilares na manutenção e restauração do ambiente natural. As espécies fru- gívoras (que se alimentam de frutos) atuam como dispersores de sementes, que são carreadas durante o voo, auxiliando a manutenção e a regeneração das florestas. Morcegos nectarívoros (que se alimentam de néctar das flores) polinizam várias espécies de plantas durante a atividade de alimentação. Já espécies insetívoras e carnívoras, que se alimentam de insetos e outros ani- mais, respectivamente, controlam populações de invertebrados e pequenos vertebrados, diminuindo o tamanho das populações de animais considera- dos pragas agrícolas, além de contribuírem para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. Estima-se que morcegos insetívoros, ao consumirem suas presas (diferentes tipos de insetos), produzem uma economia da ordem de bilhões de dólares com o controle de pragas e a consequente redução de perdas na produção agrícola. Quanto à reprodução, os morcegos apresentam longo período de gestação e proles de maior tamanho corporal em relação a mamíferos de mesmo porte. A maioria das espécies tem apenas um filhote por gestação, podendo chegar a quatro em algumas espécies da família Vespertilionidae. O processo é bastan- te custoso para as fêmeas, em especial durante o período de amamentação do filhote. Por isso, a maioria das espécies tende a sincronizar o período repro- dutivo com épocas do ano em que há maior disponibilidade de alimento. Já as espécies hematófagas (que se alimentam de sangue), que não enfrentam restrição de alimento provocada pelas mudanças de clima entre as estações do ano (época seca e chuvosa), podem produzir mais de um filhote por ano. De modo geral, alimento e abrigo são os principais fatores que determinam a ocorrência ou não de morcegos em uma região. Assim, quaisquer altera- ções ambientais podem afetar a ocorrência desse grupo. Essa característica é normalmente utilizada pelos pesquisadores como indicador de qualidade ambiental: quanto mais espécies de morcegos, melhor a qualidade do am- biente. Ademais, a grande variedade de serviços ecossistêmicos desempe- nhados pelos morcegos evidencia a importância que possuem para a ma- nutenção e conservação dos ambientes naturais. Os Morcegos da Flona de Carajás, Serra Norte O Brasil possui uma das maiores riquezas de morcegos, abrigando mais de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. São pelo menos 182 espé- cies identificadas no território nacional, distribuídas em nove famílias e 69 gêneros. Na região amazônica, essa riqueza atinge o número impressionante de 146 espécies, correspondendo a mais de 80% de toda a diversidade de morcegos conhecida para o Brasil. Além disso, 46 espécies são endêmicas do bioma amazônico, o que significa que possuem distribuição geográfica restrita à Amazônia. O estado do Pará ostenta a maior diversidade de qui- ropterofauna, totalizando pelo menos 120 espécies. Com o incremento de estudos taxonômicos do grupo, uma maior riqueza poderá ser identificada para todo o território brasileiro. A Flona de Carajás, área de estudo do Projeto N1 e N2, está entre as mais ricas em número de espécies de morcegos, compreendendo 75 espécies, distribuídas em oito famílias e 46 gêneros. A região se caracteriza por abri- gar diferentes tipos de ambientes naturais, reunindo áreas florestais, sava- nas e cavernas, o que contribui para aumentar a riqueza desse importante grupo de animais. Estudos sugerem que a região da Flona de Carajás seja considerada prioritária para a conservação de mamíferos, especialmente em razão dos morcegos. Os dados considerados para o estudo ambiental relativo ao Projeto N1 e N2 contemplam os levantamentos de campo realizados em toda a região do Projeto, incluindo as áreas N1, N3, N4 e N5. Esses trabalhos desenvolvi- dos por muitos profissionais e especialistas resultaram na identificação de 67 espécies de morcego, pertencentes a sete famílias e 42 gêneros. Entre os animais registrados, dois não puderam ser identificados no menor nível taxonômico (espécie):Vampyressa sp. e Eptesicus sp. A maior parte das es- pécies apresenta ampla distribuição geográfica, incluindo registros além da região da Serra Norte e Amazônia. Do total de espécies, sete são conside- radas endêmicas do bioma amazônico, o que significa que até o presente momento todos os registros estão no bioma da Amazônia. O grupo de morcegos mais representativo nos estudos realizados para o Projeto N1 e N2 foi a família Phyllostomidae. Essa família se caracteriza Morcegos68 69Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte por indivíduos que apresentam folha nasal (nome dado a uma estrutura encontrada na extremidade de focinhos de alguns morcegos), formada por modificação na forma da cartilagem ao redor das narinas, responsá- vel pelo direcionamento das emissões sonoras durante a ecolocalização, que nos morcegos funciona como um órgão de sentido, assim como o tato, considerada uma sofisticada capacidade biológica de detectar a po- sição e/ou distância de objetos ou animais através de emissão de ondas ultrassônicas, como um sonar (que o homem não é capaz de perceber). Essa família também apresenta a maior diversidade de hábitos alimen- tares entre os quirópteros do Brasil. Na área do Projeto N1 e N2 foram confirmadas 51 espécies de filostomídeos, representando mais de 75% da riqueza de quirópteros em toda a área do projeto. Entre os registros, destacam-se a espécie Lochorhina aurita, que usa exclusivamente caver- nas e é considerada vulnerável à extinção na lista de espécies ameaça- das no Brasil (MMA, 2014), bem como Micronycteris homezorum, Phyllos- tomus latifolius, Ametrida centurio, Mesophylla macconnelli, Platyrrhinus brachycephalus, Vampyriscus bidens e Vampyriscus brocki, que apresentam distribuição geográfica restrita (endêmicas) ao bioma amazônico. Já as espécies inseridas nas subfamílias Micronycterinae, Lonchorhininae, Phyl- lostominae e Glyphonycterinae são consideradas indicadoras ambientais, pois quando são identificadas em determinada localidade indicam que os ambientes estão bem preservados. Você já ouviu falar que os morcegos ficam somente de cabeça para baixo e que são cegos? A posição usual de morcegos quando pousados é de cabeça para baixo. Nesse arranjo, é mais fácil iniciar o voo, pois se minimiza o gasto de energia em relação à saída partindo do chão, como fazem as aves. Outro mito bastante comum é de que morcegos seriam cegos. A crença se originou possivelmente pelos hábitos noturnos desse grupo. Quirópteros apresentam visão adaptada para deslocamento à noite, além de contarem com uma peculiaridade que os auxi- lia durante o voo – a ecolocalização. Esse sistema emite e recebe sons de frequência bem alta (ultrassons), inaudíveis ao ouvido humano. O sonar permite a detecção de presas e a orientação espacial dos morcegos durante o voo. Mas eles não são cegos! As demais famílias contribuíram com 23,8% da riqueza de quirópteros na área do Projeto N1 e N2. A segunda família mais representativa nos estudos realizados foi Vespertilionidae, com cinco espécies registradas. Essa família se caracteriza por morcegos insetívoros de porte pequeno a médio e olhos pequenos, com cauda fina inserida completamente na membrana entre as pernas, o chamado uropatágio, que auxilia esses morcegos na captura de insetos durante as atividades de procura de alimento. Todos os vespertilioní- deos registrados apresentam ampla distribuição no Brasil, com ocorrências além da região amazônica. A família Mormoopidae contou com registros de três espécies, Pteronotus gymnonotus, P. personatus e P. rubiginosus, das quais apenas a última é considerada endêmica ao bioma amazônico. Os mormopídeos da área do Projeto N1 e N2 apresentam orelhas estreitas, porte pequeno ou mé- dio e são chamados “mustached bats” ou “morcegos-com-bigode” ou ainda “naked-backed-bats” que significa “morcegos-das-costas-nuas”, de acordo com a espécie. Apresentam hábitos insetívoros e costumam formar grandes colônias em cavernas na região da Flona de Carajás, que passam a ser cha- madas Bat caves ou “cavernas de morcegos”. As famílias Natalidae e Furipteridae apresentam uma única espécie cada uma, Natalus macrourus e Furipterus horrens, e ambas as espécies são consi- deradas ameaçadas de extinção, categoria Vulnerável (COEMA, 2007; MMA, 2014). Finalmente, a família Molossidae foi representada por uma única es- pécie, Neoplatymops mattogrossensis. Caracteriza-se por apresentar cauda comprida, com porção final livre, e por asas longas e estreitas, de porte mé- dio ou grande. Parte do mito de esses morcegos serem ratos velhos se ex- plica pelos molossídeos, que habitam forros de habitações humanas, onde também circulam ratos. Você sabia que, apesar de existirem mais de 1.400 espécies de morcegos no mundo inteiro, ape- nas três se alimentam de sangue? São elas: Desmodus rotundus (morcego-vampiro-comum), Diphylla ecaudata (morcego-vampiro-da-perna-peluda) e Diaemus youngi (morcego-vampiro- -da-asa-branca), todas ocorrem apenas na região neotropical. Dessas, apenas D. rotundus se alimenta de sangue de mamíferos (em especial, gado e outros animais de criação), enquanto D. ecaudata e D. youngi preferem consumir sangue de aves. Os morcegos que se alimentam de sangue produzem uma substância anticoagulante na saliva chamada “draculina”, que vem sen- do estudada como nova fonte de medicamentos com essa finalidade. Morcegos70 A correta identificação de quirópteros é complexa e pode envolver caracteres corporais externos e aná- lises cranianas, sendo assim necessária a captura e eventual coleta de espécimes. Informações como co- loração e padrões de bandamento da pelagem, tam- bém aferições de tamanho corporal, incluindo medi- das de antebraço, orelhas, tíbia, entre outros, são de extrema importância. Adicionalmente, a verificação de formato de estruturas, como inserção, tamanho e forma do uropatágio, presença e disposição de listras facias e dorsais, entre outras, podem ser elucidativas durante o processo de identificação. Espécie: Artibeus planirostris Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Stenodermatinae Atividade: Noturna Peso corporal: 50-65 g Hábitat: Florestal, campestre e áreas antropizadas Distribuição: Ocorre desde o sul do rio Orinoco, restrita à América do Sul, com registros em todos os biomas brasileiros. Hábito alimentar: Frugívoro Morcegos e a transmissão da raiva Você sabia que os morcegos que se alimentam de sangue são potenciais transmissores de raiva, como qualquer mamífero? Entretanto, são raros os re- latos confirmados de transmissão de raiva ao homem a partir da espécie Des- modus rotundus (morcego-vampiro- -comum). Morcegos, em geral, não agri- dem humanos, embora exista o mito de que eles possam voar e atacar pessoas pelo pescoço, assim como mostram al- guns filmes de cinema. Quando se sen- tem ameaçados, morcegos e qualquer outro animal silvestre utilizam a mordi- da como defesa, sendo prudente jamais tocá-los. Morcegos caídos ou voando durante o dia podem indicar doenças, o que demanda atenção e serviços espe- ciais. Em caso de arranhões ou mordida de morcego ou qualquer outro mamífe- ro silvestre, deve-se procurar assistência médica tão logo seja possível. Guia fotográfico Espécie: Colônia de Carollia perspicillata Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Carollinae Atividade: Noturna Peso corporal: 10-23g Hábitat: Florestas primárias e secundárias, áreas campestres e antropizadas Distribuição: Ocorre desde o México até o norte da Argentina, com registros em todos os biomas brasileiros. É uma das espécies mais frequentes em estudos de campo no Brasil. Hábito Alimentar: Frugívoro Curiosidades: Carollia forma colônias em cavidades na área da Flona de Carajás, dividindo o abrigo diurno com espécies como Glossophaga soricina (morcego-beija-flor), Phyllostomus latifolius (morcego) e Desmodus rotundus (morcego-vampiro) dentreoutras. Espécie: Chrotopterus auritus Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Phyllostominae Atividade: Noturna Peso corporal: 58-90g Hábitat: Florestas e áreas campestres, associados às cavidades naturais Distribuição: Ocorre desde o México até o norte da Argentina, com registros em todos os biomas brasileiros. Hábito Alimentar: Carnívoro/Insetívoro Catador Curiosidades: Essa é a segunda maior espécie de morcego das Américas em peso corporal, sendo menor apenas que Vampyrum spectrum. Predam pequenos vertebrados, como morcegos, aves, roedores e lagartos, podendo também consumir insetos. Fo to : M ar ce lo M ar co s Fo to : M ar ce lo M ar co s Fo to : C ar la N ob re Espécie: Desmodus rotundus Nome Popular: Morcego-vampiro-comum Família: Phyllostomidae Subfamília: Desmodontinae Atividade: Noturno Peso Corporal: 25-42g Hábitat: Áreas florestais, campestres e em áreas antropizadas Distribuição: Ocorre desde o México até a Argentina, com registros para todos os biomas brasileiros. Hábito Alimentar: Hematófago Curiosidades: Essa espécie alimenta-se exclusivamente de sangue, principalmente de grandes mamíferos. O evento alimentar de um morcego-vampiro-comum consiste em se aproximar do animal, fazer uma diminuta incisão na pele com o auxílio dos dentes incisivos, por onde o sangue irá escorrer. A ingestão do sangue pelo morcego ocorre através de lambidas, na qual a presença de um anticoagulante na saliva, a draculina, assegura o fluxo de sangue enquanto o indivíduo se alimenta. Fo to : M ar ce lo M ar co s Espécie: Lampronycteris brachyotis Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Micronycterinae Atividade: Noturna Peso Corporal: 9-15g Hábitat: Áreas florestais e campestres, associadas a ambientes preservados Distribuição: Ocorre desde o sul do México, passando pela América Central e, na América do Sul, apresenta registros ao leste dos Andes. No Brasil apresenta registros para os biomas Amazônia, Floresta Atlântica e Cerrado. Hábito Alimentar: Insetívoro Catador Curiosidades: Apresentando coloração alaranjada, a espécie tem hábitos primariamente insetívoros, embora existam referências de onivoria para a espécie. Na Flona de Carajás foi registrada em cavidades formando colônias mistas com Glossophaga soricina (morcego-beija-flor). Espécie: Lonchorhina aurita Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Lonchorhininae Atividade: Noturna Peso corporal: 10-16g Hábitat: Florestas e áreas campestres, sempre associados às cavidades naturais subterrâneas. Distribuição: Ocorre desde o sudeste do México, Bahamas até o Brasil, com registros nos biomas amazônico, Cerrado, Caatinga e Floresta Atlântica. Hábito alimentar: Insetívoro catador Curiosidades: É considerado um morcego cavernícola estrito, dependendo de tais ambientes para sua subsistência. Caracteriza-se por apresentar longa folha nasal e orelhas. Espécie: Phylloderma stenops Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Phyllostominae Atividade: Noturna Peso corporal: 41-65g Hábitat: Ambientes florestais e áreas campestres, podendo ocorrer em ambientes com algum grau de antropização Distribuição: Desde o México até o sul da América do Sul. No Brasil possui registros na Amazônia, Caatinga, Cerrado e Floresta Atlântica. Hábito: Onívoro Curiosidades: Pertencente a um gênero monotípico, pouco é conhecido sobre a espécie. Espécie: Uroderma bilobatum Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Stenodermatinae Atividade: Noturna Peso Corporal: 13-20g Hábitat: Áreas florestais primárias e secundarias, ambientes mésicos e campestres. Distribuição: Ocorre desde o México até o Brasil, com registros nos biomas Amazônia, Floresta Atlântica, Cerrado e Caatinga. Hábito Alimentar: Frugívoro Curiosidades: A espécie apresenta o comportamento de modificação de folhagens sob árvores, para a construção de tendas, como forma de abrigo diurno. Apresenta listras faciais bem delimitadas e uma listra dorsal. Fo to : M ar ce lo M ar co s Fo to : C ar la N ob re Fo to : C ar la N ob re Fo to : C ar la N ob re Espécie: Vampyrum spectrum Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Phyllostominae Atividade: Noturna Peso corporal: 134-172g Hábitat: Ambientes florestais e campestres, associados a áreas preservadas Distribuição: Ocorre desde o México até o Brasil, com registros nos biomas Amazônia, Cerrado e Caatinga. Hábito Alimentar: Carnívoro Curiosidades: A espécie corresponde ao maior morcego das Américas, predando roedores, morcegos e aves. Pode apresentar envergadura de asa de até um metro e é raro em sua distribuição. Fo to : N at ál ia A rd en te Espécie: Trachops cirrhosus Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Phyllostominae Atividade: Noturna Peso corporal: 28-45g Hábitat: Áreas florestais e campestres associadas à ambientes preservados. Distribuição: Ocorre desde o México até o Brasil, com registros nos biomas Amazônia, Floresta Atlântica, Cerrado e Caatinga. Hábito Alimentar: Carnívoro/Insetívoro Catador Curiosidades: Este morcego é conhecido por predar pequenos anfíbios, reconhecendo as espécies de acordo com a vocalização emitida, tendendo a evitar anfíbios não palatáveis. Apresenta verrugas na região dos lábios e do mento entre uma das características da espécie. Espécie: Pteronotus rubiginosus Nome popular: Morcego Família: Mormoopidae Atividade: Noturna Peso Corporal: 24-29g Hábitat: Ambientes florestais e campestres, associados às cavidades naturais. Distribuição: Distribuição com ocorrência na região amazônica e Caatinga, sempre associados aos ambientes cavernícolas. Hábito Alimentar: Insetívoro aéreo Curiosidades: A espécie apresenta hábitos gregários, formando grandes colônias e também coexistindo com outras espécies em cavernas. As cavidades brasileiras classificadas como Batcaves, são formadas por grandes colônias de indivíduos dessa família. Os indivíduos pertencentes às espécies da família Mormoopidae formam colônias maternidade, onde os recém- nascidos e jovens que ainda não são capazes de voar permanecem sob os cuidados da colônia. Fo to : M ar ce lo M ar co s Fo to : S ET E Espécie: Gardnerycteris crenulatum Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Phyllostominae Atividade: Noturna Peso corporal: 10-18g Hábitat: Florestas primárias e secundárias, áreas savânicas e campestres, além de ambientes antropizados. Distribuição: Ocorre desde o México até a América do Sul. No Brasil há registros em todos os biomas. Hábito: Insetívoro catador Curiosidades: Espécie indicadora de ambientes preservados, alimentando-se preferencialmente de insetos, embora existam registros de consumo de néctar e pequenos vertebrados. Fo to : C ar la N ob re Espécie: Mesophylla macconnellii Nome popular: Morcego Família: Phyllostomidae Subfamília: Stenodermatinae Atividade: Noturna Peso corporal: 7-9g Hábitat: Áreas florestais e campestres, usualmente preservadas. Distribuição: Ocorre desde a América Central até o Brasil, com registros nos biomas amazônico e de Cerrado. Hábito: Frugívoro Curiosidades: Espécie de pequeno porte, apresentando orelhas de coloração amarelada vibrante e consumidora de pequenos frutos. Fo to : C ar la N ob re Mamíferos de Médio e Grande Porte Fo to : M ar ce lo V as co nc el os 87Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Bradypus variegatus (Preguiça-comum) Mamíferos de Médio e Grande Porte Os mamíferos pertencem à classe Mammalia, que é formada por muitas espécies que podem ser encontradas em todos os continentes e diferentes ambientes de todo o mundo. A maioria é terrestre, porém existem espécies aquáticas como os golfinhos, os botos e as baleias; mamíferos voadores que são os morcegos; e os arborícolas, principalmente os macacos. São assim chamados pela existênciade glândulas mamárias, presentes tanto nos machos quanto nas fêmeas, porém são mais desenvolvidas e funcionais apenas nas fêmeas, para alimentação do filhote com o leite materno. Outra característica típica dos mamíferos são os pe- los, que recobrem o corpo total ou parcialmente e que têm papel importante na regulação térmica, assim como na camuflagem, uma vez que várias espécies apresentam coloração semelhante à do ambiente em que vivem. Estão entre os mais fascinantes animais vertebrados, despertando o inte- resse natural nas pessoas. Com distintas adaptações morfológicas (relativas à forma), fisiológicas (relativas ao funcionamento), ecológicas (relativas à interação com outros animais e com o ambiente) e comportamentais que permitem sua ampla distribuição geográfica, esse grupo é muito importante para o ser humano, pois provém benefícios como companhia (animais de estimação), alimento, recreação, importância médica, entre outros. Alguns mamíferos são considerados espécies-chave pela função que desempe- nham no ambiente natural, porque polinizam as plantas, ajudam na disper- são das sementes e, como predadores, contribuem para a manutenção e Elaine Ferreira Barbosa Bernardo Faria Leopoldo Daniel Milagre Hazan Leandro Moraes Scoss Fo to : A na Y ok oY ke ut i M ei ga Mamíferos de Médio e Grande Porte88 89Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte equilíbrio de populações de plantas e outros animais vertebrados, incluindo os próprios mamíferos. A fauna de mamíferos do Brasil é extremamente rica e diversificada. O país possui uma das maiores riquezas do mundo, com 701 espécies conhecidas, pertencentes a 12 ordens, sendo que a Amazônia abriga o maior número de espécies – passa de 310 espécies conhecidas para toda a região amazônica. Os médios e grandes mamíferos terrestres que apresentam normalmente peso superior a 1 kg na fase adulta são representados por oito ordens, con- forme a classificação utilizada pelos especialistas neste grupo de animais: Pilosa (preguiças e tamanduás), Cingulata (tatus), Primates (primatas ou macacos), Carnivora (gatos, onças, cachorros, quatis, lontras e outros), Artio- dactyla (veados e porcos-do-mato), Perissodactyla (anta), Rodentia (capivara e outros roedores) e Lagomorpha (coelho ou tapeti). Os Médios e Grandes Mamíferos da Flona de Carajás, Serra Norte Boa parte da mastofauna de médio e grande porte da região amazônica ocor- re no estado do Pará (57 espécies), e os dados dos estudos realizados para o licenciamento ambiental do Projeto N1 e N2 registraram 82% dos mamíferos que ocorrem na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, o que corresponde a 38 espécies de mamíferos, das quais 18 apresentam características associadas aos ambientes florestais e 20 são generalistas, o que significa que ocorrem em diferentes ambientes, tanto nas florestas quanto nos campos rupestres ferrugi- nosos presentes na região do projeto de mineração. A seguir vamos conhecer um pouco mais sobre as espécies desse grupo que ocorrem na Área de Estu- do Local (AEL) do Projeto N1 e N2, inserido na Serra Norte, Flona de Carajás. Os mamíferos carnívoros são o grupo com o maior número de espécies entre os mamíferos de médio e grande porte na área do Projeto N1 e N2, com 11 espécies identificadas no local. Trata-se de um grupo essencial cuja perda de indivíduos e redução de suas populações podem causar o desequilíbrio de toda a comunidade local e regional, motivo pelo qual são considerados espécies-chave na manutenção da integridade do ecossistema ao longo do tempo. São animais considerados de topo da cadeia alimentar, o que significa que consomem outros animais (por isso carnívoros), contribuindo para a re- gulação do tamanho das populações de suas presas naturais e para a manu- tenção da dinâmica dos ecossistemas em que vivem. Mas como isso ocorre? Na ausência dos carnívoros predadores, os mamíferos herbívoros (veados), os roedores (capivara, paca e cutia), algumas aves (pombas), répteis (cobras) e insetos (gafanhotos) tendem a se reproduzir exageradamente e acabam se tornando pragas ou animais-problema, podendo inclusive trazer prejuízos à agricultura e à saúde humana, além de perdas financeiras importantes. Entre os carnívoros que ocorrem na área do Projeto N1 e N2, alguns se destacam por serem de interesse para conservação, como o cachorro-do-mato-de-orelha- -curta Atelocynus microtis, que é um canídeo (família dos cachorros) considerado raro e restrito à Amazônia, além de ser uma espécie ainda pouco estudada. Outro carnívoro bastante importante em todo o Brasil é a onça-pintada Panthera onca, que é o maior felino das Américas e o maior predador ter- restre de topo de cadeia alimentar que habita a Amazônia. A onça-pin- tada costuma ser mais ativa durante o amanhecer e o anoitecer (hábito crepuscular), mas também se desloca de um lugar para o outro e se ali- menta preferencialmente durante a noite. As onças-pintadas são muito exigentes com relação à qualidade do ambiente em que vivem e preci- sam de grandes áreas para sobreviver, se alimentar e criar os seus filhotes. Assim, quando se protege o ambiente das onças-pintadas, normalmente centenas de outras espécies que ocupam a mesma área acabam também ganhando proteção. É uma espécie ameaçada de extinção no estado e no Brasil (COEMA, 2007; MMA, 2014), principalmente em razão da pressão de caça sobre esses animais e por estar associada a conflitos entre onças e o homem, quando elas resolvem atacar a criação de gado. Possui ampla distribuição geográfica pelo Brasil: além da Amazônia, ocorre em quase todos os biomas brasileiros e pelo menos 50% da área do país ainda é considerada adequada à ocorrência da espécie, além de outros países. Você sabia que espécies como a onça-pintada, Panthera onca, também são chamadas de “es- pécie bandeira” e “espécie detetive da paisagem”? O apelo para a conservação das onças nos meios de comunicação ou junto à comunidade local ajuda a atrair mais atenção da população para essa espécie (bandeira), mas, protegendo as onças, todo o ambiente onde elas vivem e as outras centenas ou milhares de espécies também recebem proteção! Mamíferos de Médio e Grande Porte90 91Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Mas falou em mamífero, logo se pensa em macaco, não é mesmo? Devido a sua semelhança com os humanos, os macacos ou primatas estão entre os mamíferos mais queridos das pessoas. A ordem Primates inclui todos os ma- cacos do Novo Mundo, sendo que só no Brasil são conhecidas 116 espécies. Possuem características próprias, que incluem a organização social (vivem em grupos) e meios de comunicação mais complexos, consequência do grande desenvolvimento do cerébro, o que facilita o aprendizado para, por exemplo, usarem ferramentas (pedras e galhos) para conseguirem alguns alimentos na natureza. Eles possuem focinho curto, nariz achatado e narinas voltadas para os lados, de onde vem o nome da infraordem Platyrrhini (“pla- tis, platus” = achatado, largo e “rhis ou rhino” = nariz). Na área do Projeto N1 e N2 foram registradas seis espécies de primatas e, assim como os demais mamíferos, os macacos são importantes para ma- nutenção e o funcionamento das florestas tropicais. Adaptados, ocupam quase todos os ambientes, pois possuem uma diversidade de tamanhos, estrutura do corpo, comportamentos e hábitos de vida que lhes permitem utilizar, por exemplo, diferentes tipos de alimentos (folhas, frutos, sementes, insetos e outros pequenos animais, entre outros). Das espécies identifica- das na área do Projeto N1 e N2, cinco só ocorrem na Amazônia, como é o caso do guigó ou zogue-zogue Callicebus moloch, do macaco-prego Cebus apella, do cuxiú Chiropotes utahickae, do macaco-de-cheiro Saimiri collinsi e do guaribinha Saguinus niger. Já o guariba Alouatta belzebul é o único maca- co registrado na área que não é restrito ao bioma Amazônico,pois existem populações dessa espécie também em regiões de Mata Atlântica, na região Nordeste do Brasil. Não há dúvida de que todos os macacos são importan- tes, mas o cuxiú Chiropotes utahickae possui populações menores na região onde ocorre (leste do rio Xingu e oeste do rio Tocantins) e por isso é uma espécie considerada ameaçada de extinção, vulnerável tanto no Pará como no Brasil e em perigo no mundo (COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020). Os tatus são integrantes da ordem Cingulata, cuja característica principal é a presença de uma carapaça que recobre parte do corpo, de hábito terres- tre e fossorial (adaptado a cavar e a viver debaixo do solo). São encontradas cinco espécies de tatus na área do Projeto N1 e N2 e, apesar de utilizarem os recursos das florestas, também usam e vivem bem em áreas mais abertas como os campos e cerrados. Os tatus são, de todos os mamíferos, os que se locomovem de forma mais lenta e, por essa razão, são frequentemente caçados, atropelados em estradas e têm mais dificuldade de escapar de queimadas. Apenas uma espécie ocorre exclusivamente no bioma amazô- nico, o tatu-de-quinze-quilos Dasypus beniensis, e apenas uma é ameaçada de extinção, o tatu-canastra Priodontes maximus – a maior espécie de tatu da América do Sul (Vulnerável – COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020). Você sabia que a garra do terceiro dedo do tatu-canastra Priodontes maximus mede cerca de 20cm e é utilizada na escavação de tocas e na procura de alimentos? O tatu-canastra pode permanecer na toca por vários dias, sendo raramente visto, e, ao contrário de outros tatus, esta espécie frequentemente destrói por completo os cupinzeiros e formigueiros quando está se alimentando desses animais. Entre as espécies de médio e grande porte da ordem Rodentia, foram regis- trados na área do Projeto N1 e N2 cinco roedores, como a cutia Dasyprocta leporina e a paca Cuniculus paca, que são espécies típicas de formações flo- restais associadas aos cursos d’água. Já a capivara Hydrochoerus hydrochaeris é comum em ambientes mais abertos, com água (rio, lago, etc.), mas sempre busca abrigo na água ou nas matas, quando ameaçada. As outras espécies de roedores identificadas na área do projeto foram o ouriço-cacheiro ou por- co-espinho Coendou prehensilis e o quatipuru Guerlinguetus brasiliensis. A ordem Pilosa, como seu nome sugere, é composta por espécies que apre- sentam o corpo coberto por uma densa camada de pelos como as preguiças Bradypus variegatus (preguiça-comum) e Choloepus didactylus (preguiça-real – ocorre só na Amazônia) e os tamanduás Cyclopes didactylus (tamanduaí), Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira) e Tamandua tetradactyla (ta- manduá-mirim), espécies encontradas na área do Projeto N1 e N2. Entre os mamíferos de casco com número par de dedos nas patas (ordem Ar- tiodactyla), foram identificadas quatro espécies, sendo dois veados Mazama americana (veado-mateiro) e Mazama nemorivaga (veado-da-amazônia) e os porcos-do-mato Pecari tajacu (cateto ou catitu) e Tayassu pecari (queixada). São animais de hábito frugívoro e herbívoro, o que significa que se alimentam principalmente de frutos e sementes. Em função da forma como utilizam o recurso alimentar, também podem ser chamados de granívoros – utilizam as sementes de plantas ou grãos como alimento principal ou exclusivo. Mamíferos de Médio e Grande Porte92 93Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Você sabia que as queixadas vivem em bandos grandes de até 200 animais? Esse número pode ser ainda maior, dependendo da quantidade de alimento disponível na área onde ocor- rem. Como as queixadas andam todas sempre juntas (o que os pesquisadores chamam de coesão social), quando se acha uma queixada, acha-se o grupo inteiro. Essa característica na verdade é uma boa estratégia de sobrevivência na natureza (ajuda a proteger todo o grupo), mas é uma fragilidade frente aos caçadores que não se contentam em retirar poucos animais para a alimentação. As ordens Lagomorpha e Perissodactyla apresentam apenas um único re- presentante cada uma. O tapeti ou coelho-do-mato Sylvilagus brasiliensis re- presenta a ordem Lagomorpha, sendo encontrado em vários ambientes em todo o Brasil. É um animal herbívoro pastador (alimenta-se de gramíneas e sementes), pode se reproduzir durante todo o ano e utiliza tanto áreas aber- tas, como campos e cerrados, quanto áreas de mata, onde constroem suas tocas. Já a anta Tapirus terrestris, representante da ordem Perissodactyla, ocor- re em várias regiões do Brasil, em ambientes florestais, no Campo Rupestre Ferruginoso e no Cerrado, mas ainda assim é classificada como ameaçada de extinção (MMA, 2014; IUCN, 2020), principalmente em razão da pressão de caça sobre esses animais. As antas permanecem quietinhas durante o dia, descansando, e saem durante a noite para se alimentar de folhas, frutos e sementes. São responsáveis pela dispersão de vários tipos de sementes, como do açaí e da buritirama. Por fim, importante mencionar que, entre as espécies de mamíferos de mé- dio e grande porte registradas na Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2 algumas são alvo de Planos de Ação Nacional (PANs) específicos que são coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversi- dade (ICMBio). Os PANs são elaborados por especialistas que indicam ati- vidades e ações prioritárias para a conservação das espécies alvo, como o guariba Alouatta belzebul, o cachorro-do-mato-de-orelha-curta Atelocynus microtis, o cuxiú Chiropotes utahickae, o gato-maracajá Leopardus wiedii, a onça-pintada Panthera onca, a onça-parda Puma concolor, o gato-mourisco Puma yagouaroundi e o guaribinha Saguinus niger. Os estudos de campo ajudam a aumentar o conhecimento sobre essas e outras espécies que são fundamentais para o funcionamento dos ambientes naturais e podem ser boas indicadoras para o manejo e gestão de áreas naturais protegidas. Uma das principais maneiras de identificar a presença de um mamífero de médio e grande porte em uma área natural é por meio da análise de seus rastros e pegadas. Quando esses animais passam em trilhas, estradas de terra e nas margens de rios e igarapés, as suas pegadas ficam marcadas no chão, o que permite reconhecer qual espécie passou por ali. Guia de pegadas Espécie: Mazama americana Nome popular: Veado-mateiro Espécie: Tayassu pecari Nome popular: Queixada, porco-do-mato Pata Posterior (PP) e Pata Anterior (PA). PA PP 4 a 5 cm 4 a 4,8 cm Mamíferos de Médio e Grande Porte94 95Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Espécie: Cerdocyon thous Nome popular: Cachorro-do-mato, graxaim, raposa Espécie: Panthera onca Nome popular: Onça-pintada Espécie: Puma concolor Nome popular: Onça-parda, suçuarana Espécie: Puma yagouaroundi Nome popular: Jaguarundi, gato-mourisco Espécie: Eira barbara Nome popular: Papa-mel, irara PA PP 10 a 12 cm PA PP Espécie: Hydrochoerus hydrochaeris Nome popular: Capivara Espécie: Dasyprocta leporina Nome popular: Cutia PA PP Espécie: Tamandua tetradactyla Nome popular: Tamanduá-mirim, tamanduá-de-colete Espécie: Tapirus terrestris Nome popular: Anta Espécie: Nasua nasua Nome popular: Quati PA PP 1 cm PA PP 5 cm PA PP 2 cm PA PP 3 cm PA PP 3 cm PA PP 2 cm 12 a 15 cm 4 a 4,5 cm PA PP 7 cm 4 a 4,5 cm Mamíferos de Médio e Grande Porte96 Espécie: Mazama americana Nome popular: Veado-mateiro Família: Cervidae Atividade: Diurna e Noturna Peso corporal: 90 a 110 cm; peso: 24-48 kg Hábitat: Formações florestais e em áreas de transição entre florestas e campos ou cerrados Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal Hábitos: Frugívora/herbívora e terrestre Espécie: Tayassu pecari Nome popular: Queixada, porco-do-mato Família: Tayassuidae Atividade: Diurna e noturna, com preferência para as primeiras horas do dia Peso corporal: 90 a 150 cm; peso de 25 a 45 kg Hábitat: Florestastropicais úmidas e densas, apesar de habitarem também regiões secas, tais como as savanas ou cerrados, mas sempre perto de uma fonte de água Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábitos: Frugívora/herbívora, terrestre e vivem em grupos que podem ter centenas de indivíduos. Espécie: Cerdocyon thous Nome popular: Cachorro-do-mato, graxaim, raposa Família: Canidae Atividade: Noturna e crepuscular Peso corporal: 60 a 70 cm; cauda: 30 cm; peso: 3 a 11 kg Hábitat: Áreas florestais, abertas, campos e cerrados, mas também pode ser encontrada em áreas alteradas pelo homem, incluindo núcleos urbanos. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábitos: Carnívora, porém generalista e oportunista ocasional, além de ser estritamente terrestre. Guia fotográfico Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Fo to : E la in e Fe rr ei ra Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Espécie: Panthera onca Nome popular: Onça-pintada Família: Felidae Atividade: Noturna e crepuscular Peso corporal: 110-185 cm; cauda: 44 a 65 cm; peso: 56 a 158 kg Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, mas também pode ser encontrada em ambientes alterados pelo homem como fazendas e plantações. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábito: Carnívoro; terrestre, mas escala e nada com muita agilidade. Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Espécie: Nasua nasua Nome popular: Quati Família: Procyonidae Atividade: Diurna Peso corporal: 40 a 80 cm; cauda: 42 a 75 cm; peso: 2,7 a 10 kg Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, mas também pode ser encontrada em ambientes alterados pelo homem. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábito: Frugívoro / onívoro e terrestre. Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Puma concolor Nome popular: Onça-parda, suçuarana Família: Felidae Atividade: Noturna e crepuscular Peso corporal: 85 a 150 cm; cauda: 45 a 85 cm; peso: 22 a 70 kg Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, mas também pode ser encontrada em ambientes alterados pelo homem. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábitos: Carnívoro e terrestre. Fo to : A M PL O Espécie: Puma yagouaroundi Nome popular: Jaguarundi, gato-mourisco Família: Felidae Atividade: Noturna e diurna Peso corporal: 5 a 77 cm; cauda: 30 a 60 cm; peso: 3 a 6 kg Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, mas pode ser encontrada em ambientes alterados pelo homem. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábitos: Carnívoro e terrestre. Fo to : F áb io A nt ôn io Espécie: Eira barbara Nome popular: Papa-mel, irara Família: Mustelidae Atividade: Diurna e crepuscular Peso corporal: 52 a 71 cm; peso: 2,7 a 11,1 kg Hábitat: Florestas, campos, cerrados, áreas inundáveis, podendo ser encontrada em ambientes alterados pelo homem como plantações e áreas urbanizadas. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábitos: Insetívora / Onívora e terrestre. Fo to : L ea nd ro M ai ol i Espécie: Bradypus variegatus Nome popular: Preguiça ou bicho-preguiça Família: Bradypodidae Atividade: Diurna, noturna e crepuscular em épocas quentes. Peso corporal: 58 cm; peso médio: 3,9 kg Hábitat: Floresta tropical úmida Distribuição: Amazônia e Mata Atlântica Hábitos: Folívora (alimenta-se de folhas) e arborícola Fo to : A na Y ok oY ke ut i M ei ga Espécie: Tapirus terrestris Nome popular: Anta Família: Tapiridae Atividade: Prefencialmente noturna; abriga-se durante o dia e sai à noite para se alimentar Peso corporal: 212 cm; peso médio: 260 kg Hábitat: Florestas de galeria a florestas tropicais de baixas elevações, além de áreas sazonalmente inundáveis Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pantanal. Hábitos: Frugívora/herbívora e terrestre Fo to : V in íc iu s O rs in i Espécie: Priodontes maximus Nome popular: Tatu-canastra Família: Dasypodidae Atividade: Predominantemente noturna, mas pode ser vista durante o dia Peso corporal: 75 a 100 cm; peso médio: 27 kg Hábitat: Vegetação aberta (campos e cerrados) e diferentes ambientes florestais Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal. Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se de formigas e cupins) e semifossorial (vive sob o solo ou sob folhiços). Fo to : A M PL O Espécie: Dasypus beniensis Nome popular: Tatu-de-quinze-kilos Família: Dasypodidae Atividade: Crepuscular e/ou noturna Peso corporal: 51 a 57,5 cm; peso médio 9,5kg Hábitat: Florestal Distribuição: Endêmica da Amazônia, ao Sul do Rio Amazonas até a porção sudoeste do Rio Madeira Hábitos: Insetívoro/Onívoro e semifossorial (vivem sob o solo ou sob folhiços) Fo to : S ET E Espécie: Saguinus niger Nome popular: Sagui-una, guaribinha Família: Callithrichidae Atividade: Diurna Peso corporal: 23 cm; cauda: 37 cm; peso: 355 g. Hábitat: Principalmente em áreas de Floresta Amazônica em bom estado de conservação Distribuição: Endêmica da Amazônia, nas intermediações do Rio Xingu até a porção sudeste do Rio Tocantins Hábitos: Arborícola, frugívoro/insetívoro. Fo to : A na Y ok oY ke ut i M ei ga Espécie: Alouatta belzebul Nome popular: Guariba-de-mãos- ruivas, capelão Família: Atelidae Atividade: Diurna Peso corporal: 37,4 a 65 cm; cauda: 50 a 70 cm; peso: 4,5 a 8,5 kg Hábitat: Principalmente em áreas de Floresta Amazônica e de Mata Atlântica do Nordeste Distribuição: Amazônia e Mata Atlântica Hábitos: Arborícola e frugívoro, mas se comporta como folívoro na escassez de fruto. Fo to : A na Y ok oY ke ut i M ei ga Espécie: Myrmecophaga tridactyla Nome popular: Tamanduá-bandeira Família: Myrmecophagidae Atividade: Diurna e/ou noturna Peso corporal: 100 a 120 cm; peso: 30.5 kg Hábitat: Florestas, áreas inundáveis e campos abertos Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa. Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se de formigas e cupins) e terrestre Fo to : A M PL O Espécie: Tamandua tetradactyla Nome popular: Tamanduá-mirim, tamanduá-de-colete Família: Myrmecophagidae Atividade: Noturna, mas pode ser vista durante o dia. Peso corporal: 47 a 77 cm; cauda: 40 a 68 cm; peso médio: 7 kg Hábitat: Ambientes de campo, savanas ou cerrados e florestais Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa Hábitos: Mirmecófago (alimenta-se de formigas e cupins) e escansorial (vive tanto nas árvores como no chão). Fo to : E la in e Fe rr ei ra Espécie: Hydrochoerus hydrochaeris Nome popular: Capivara Família: Caviidae Atividade: Crepuscuar - noturna Peso corporal: 107 a 134 cm; peso: 35 a 81 kg Hábitat: Banhados, margens de rios ou lagoas, matas ciliares, de galeria, além de ambientes modificados pelo homem, como nas margens de reservatórios e plantações. Distribuição: Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampas. Hábito: Herbívora e semiaquática. Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Espécie: Dasyprocta leporina Nome popular: Cutia Família: Dasyproctidae Atividade: Diurna e crepuscular, sendo mais ativa no início da manhã e final da tarde Peso corporal: 47 a 65 cm; peso médio: 3 a 8 kg Hábitat: Ambientes florestais, em baixas altitudes, incluindo florestas semidecíduas e decíduas (secas) Distribuição: Amazônia e Mata Atlântica Hábito: Frugívoro/Granívoro e terrestre. Fo to : A na Y ok oY ke ut i M ei ga Espécie: Callicebus moloch Nome popular: guigó, arabasu, sauá Família: Pitheciidae Atividade: Diurna Peso corporal: peso: 700-1.200 g Hábitat: Principalmente em áreas de Floresta Amazônica. Distribuição: Endêmica da Amazônia, entre os rios Tapajós e Tocantins Hábito: Arborícola, frugívoro/folívoro. Fo to : B er na rd o Le op ol do Espécie: Chiropotes utahicki Nome popular: Cuxiú, cuxiú-de-Uta-HickFamília: Pitheciidae Atividade: Diurna Peso corporal: Cabeça-corpo: 39 a 48; cauda: 37 a 42 cm; peso: 2,95 kg Hábitat: Principalmente em áreas de Floresta Amazônica em bom estado de conservação. Distribuição: Endêmico da Amazônia, nas intermediações do Rio Xingu ao leste e Rio Tocantins ao oeste Hábito: Arborícola, frugívoro/predador de sementes. Fo to : B er na rd o Le op ol do Aves Fo to : J oã o M ar co s Ro sa 111Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Spizaetus tyrannus (Gavião-pega-macaco) Aves As aves tiveram sua origem entre 208 milhões e 144 milhões de anos atrás, a partir de um grupo de dinossauros conhecidos como terópo- des. Desde então, adaptaram-se aos mais diversos tipos de ambientes e, atualmente, estão distribuídas por quase todo o planeta. Essa alta capa- cidade de adaptação a diversos tipos de ambientes se dá em função de duas características fundamentais das aves: a manutenção da tempera- tura corporal e a capacidade de voar, presente na maioria das espécies. Embora sejam características fundamentais à adaptação e à sobrevivên- cia, elas só são possíveis em virtude da estrutura mais peculiar às aves, que, além de desempenhar distintas funções, diferencia esses animais de todos os outros organismos vivos do planeta: as penas. Você sabia que apenas dois grupos de aves não possuem a capacidade de voo? Essa ca- racterística foi perdida durante o processo de evolução nos pinguins e nas ratitas (emas, avestruzes e casuares). As aves constituem um grupo de espécies extremamente diversificado que desempenha importantes funções ecológicas em seus ambientes como predação, polinização, dispersão de sementes, entre outras. Além disso, as aves são relativamente fáceis de serem observadas, em comparação com outros animais, já que a maioria das espécies possui hábito diurno. Diego Petrocchi da Costa Ramos Marcelo Ferreira de Vasconcelos Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Aves112 113Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Mesmo as aves noturnas cantam com frequência, o que chama a atenção das pessoas. Diante disso, existem milhares de observadores de aves em todo o mundo, que fazem dessa atividade uma importante recreação e movimentam a indústria do turismo. As aves também são muito úteis em estudos ambientais, pois propiciam a avaliação rápida das características ecológicas e do estado de conservação de determinada área, uma vez que muitas espécies apresentam respostas variadas em função das interven- ções humanas em seus hábitats, atuando como indicadores ecológicos. Tamanha importância faz do grupo das aves um dos mais bem estudados entre os animais, proporcionando alta disponibilidade de informações biológicas e ecológicas para a realização dos mais variados estudos. No Brasil existem mais de 1.900 espécies de aves, das quais mais da meta- de ocorre na Amazônia. Várias pesquisas têm apontado para diminuições da diversidade de aves na região amazônica como consequência de altera- ções causadas pela ação humana, tais como queimadas, desmatamento e fragmentação. Na região de Carajás, em função do importante papel como indicadores de alterações ambientais, as aves vêm sendo estudadas desde a década de 1980. Um dos estudos pioneiros sobre as aves de Carajás foi publicado em 2007 por José Fernando Pacheco e colaboradores, registrando o total de 565 espécies. Posteriormente, houve uma série de adições ao conhecimen- to ornitológico da região, graças aos esforços empregados em diversos estudos de impacto ambiental e monitoramentos de fauna realizados no âmbito do licenciamento de novas frentes de exploração mineral. Em 2012, o pesquisador Alexandre Aleixo e colaboradores compilaram todo o conhecimento ornitológico até então disponível sobre Carajás, adicio- nando 33 espécies a essa listagem e removendo algumas consideradas errôneas e/ou duvidosas, o que elevou a riqueza da Flona de Carajás para 594 espécies de aves. O conjunto de informações compilado com base nesses estudos e na con- solidação de todos os demais dados disponíveis para a Serra dos Carajás resultou na expressiva listagem de 612 espécies de aves, distribuídas em 27 ordens e 76 famílias, o que representa quase 1/3 de toda a avifauna bra- sileira. No entanto, esse resultado não pode ser considerado final, devidos às constantes descobertas de espécies ainda não registradas na região. As Aves da Flona de Carajás, Serra Norte A compilação de dados da avifauna na área específica ao Projeto N1 e N2 considerou estudos técnico-científicos realizados para o licenciamento ambiental, bem como informações contidas no Banco de Dados da Biodi- versidade da Vale. Assim, após a consolidação das informações disponíveis para o contexto local, foram registradas 312 espécies de aves, distribuídas em 22 ordens e 58 famílias. Essa riqueza corresponde a, aproximadamente, metade da avifauna já registrada para toda a região da Serra dos Carajás. No entanto, nenhuma dessas espécies ocorre exclusivamente na área do Projeto, sendo também registradas em outras áreas de Carajás, da Amazô- nia ou do Brasil. Vinte e seis espécies de aves estão ameaçadas de extinção no Pará, no Brasil ou no mundo (COEMA, 2007; MMA, 2014; IUCN, 2020), conforme listagem apresentada. A maioria delas pertence à família Psittacidae, que inclui a ara- ra-azul Anodorhynchus hyacinthinus, a tiriba-do-xingu Pyrrhura anerythra, a tiriba-de-hellmayr Pyrrhura amazonum, o apuim-de-asa-vermelha Touit huetii, a marianinha-de-cabeça-amarela Pionites leucogaster e a curica-uru- bu Pyrilia vulturina. Também se destacam os aparaçus, pertencentes à famí- lia Dendrocolaptidae: arapaçu-de-bico-curvo-do-xingu Campylorhamphus multostriatus, arapaçu-barrado-do-xingu Dendrocolaptes retentus, arapaçu- -meio-barrado Dendrocolaptes picumnus, arapaçu-do-carajás Xiphocolap- tes carajaensis e arapaçu-de-loro-cinza Hylexetastes brigidai. Das espécies ameaçadas que dependem de extensas áreas de florestas para manter suas populações saudáveis, citam-se o jacupiranga Penelope pileata, o mutum- -de-penacho Crax fasciolata e o jacamim-do-xingu Psophia interjecta. Destaca-se que 100 espécies registradas na área do Projeto N1 e N2 (cerca de 1/3 do total) ocorrem apenas na Amazônia. Entre as aves que apresen- tam ampla distribuição na região amazônica, destacam-se o inambu-pi- xuna Crypturellus cinereus, a corujinha-relógio Megascops usta, a ariram- ba-da-mata Galbula cyanicollis, o rapazinho-de-colar Bucco capensis, o tucano-de-papo-branco Ramphastos tucanus, o picapauzinho-dourado Picumnus aurifrons, o benedito-de-testa-vermelha Melanerpes cruentatus, o pica-pau-de-barriga-vermelha Campephilus rubricollis, o periquito-de- -asa-dourada Brotogeris chrysoptera, a choca-cantadora Pygiptila stellaris, Aves114 115Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte a choquinha-miúda Myrmotherula brachyura, o papa-formiga-barrado Cymbilaimus lineatus, o formigueiro-de-cara-preta Myrmoborus myothe- rinus, o chororó-pocuá Cercomacra cinerascens, o uirapuruzinho Tyran- neutes stolzmanni, a maria-leque Onychorhynchus coronatus, o bico- -chato-da-copa Tolmomyias assimilis, o verdinho-da-várzea Hylophilus semicinereus, o japu-verde Psarocolius viridis, a pipira-de-bico-vermelho Lamprospiza melanoleuca, a saíra-de-bando Tangara mexicana, a saíra- -de-cabeça-azul Tangara cyanicollis, a polícia-do-mato Granatellus pelzel- ni e o gaturamo-do-norte Euphonia rufiventris. Outras aves ocorrem em partes mais restritas da Amazônia, como é o caso do jacupiranga Penelope pileata, do rapazinho-estriado-do-leste Nystalus torridus, do pica-pau-barrado Celeus undatus, da curica-urubu Pyrilia vulturina, do cantador-estriado Hypocnemis striata, do torom-do- -pará Hylopezus paraensis, do arapaçu-de-listras-brancas-do-leste Lepi- docolaptes layardi, do puruchém Synallaxis cherriei, da cabeça-de-prata Lepidothrix iris,do bacacu-preto Xipholena lamellipennis e da maria-pica- ça Poecilotriccus capitalis. Ressalta-se que sete espécies ocorrem exclusi- vamente entre os rios Xingu e Tocantins, a saber: jacamim-do-xingu Pso- phia interjecta, tiriba-do-xingu Pyrrhura anerythra, rendadinho-do-xingu Willisornis vidua, arapaçu-barrado-do-xingu Dendrocolaptes retentus, arapaçu-de-bico-curvo-do-xingu Campylorhamphus multostriatus, ara- paçu-do-carajás Xiphocolaptes carajaensis e arapaçu-de-loro-cinza Hyle- xetastes brigidai. Ademais, foram registradas três espécies que, embora ocorram além da Amazônia, são restritas ao território brasileiro: a jandaia Aratinga jandaya, o flautim-marrom Schiffornis turdina e a gralha-cancã Cyanocorax cyanopogon. Você sabia que os grandes rios da Amazônia configuram barreiras geográficas para diversos grupos de animais, incluindo as aves? Tais barreiras dividem o bioma em dis- tintas “Amazônias” ao longo de toda sua extensão e isolam populações de algumas espécies, impossibilitando a dispersão, podendo torná-las mais vulneráveis. Ressalta- -se, portanto, a necessidade de conservação dos ambientes naturais ao longo de toda a Amazônia, sobretudo na região do “arco do desmatamento”, onde se insere Carajás, como já ocorre na Flona de Carajás e em outras unidades de conservação existentes na região. Devido à dificuldade de registro em levantamentos de campo por parti- cularidades de cada espécie, algumas são consideradas raras, como é o caso de araponga-do-horto Oxyruncus cristatus. A subespécie (“raça geo- gráfica”) presente em Carajás é Oxyruncus cristatus tocantinsi, cuja distri- buição abrange o sul do Pará, da margem direita do baixo Rio Tocantins até a Serra dos Carajás. Trata-se de uma ave dependente de florestas úmi- das, sendo encontrada principalmente em florestas altas de terra firme. A araponga-da-amazônia Procnias albus também é outra raridade ocorren- te na região, cuja subespécie Procnias albus wallacei é típica das florestas de encostas das serras, embora sejam necessárias futuras pesquisas para se certificar se essa “raça geográfica” é, de fato, restrita à região de Carajás. Algumas espécies de aves são típicas de vegetações que crescem sobre substrato ferruginoso na região (cangas). Muitas ocorrem em vegetações abertas de outras regiões “não amazônicas”, principalmente a Caatinga e o Cerrado. Exemplos são: o inambu-chororó Crypturellus parvirostris, o ga- vião-de-rabo-branco Geranoaetus albicaudatus, o bacurau-tesoura Hydrop- salis torquata, a choca-de-asa-vermelha Thamnophilus torquatus, o petrim Synallaxis frontalis, a estrelinha-preta Synallaxis scutata, o ferreirinho-relógio Todirostrum cinereum, o sebinho-de-olho-de-ouro Hemitriccus margarita- ceiventer, a guaracava-de-topete-uniforme Elaenia cristata, a gralha-cancã Cyanocorax cyanopogon, o tico-tico Zonotrichia capensis e o canário-do- -mato Myiothlypis flaveola. Populações de algumas dessas espécies pare- cem estar isoladas nos platôs de Carajás, possivelmente representando “estoques evolutivos” distintos dos ocorrentes na Caatinga e no Cerrado. Em termos de interação com a paisagem, podem-se dividir as espécies en- contradas no contexto local do Projeto N1 e N2 em três grandes grupos: aves predominantemente associadas aos ambientes florestais, mais exigen- tes em termos de recursos naturais, agrupando, localmente, a maior quan- tidade das espécies ameaçadas de extinção; aves associadas aos ambientes abertos naturais, como os campos rupestres ferruginosos, algumas podendo configurar, devido ao isolamento, subespécies restritas ao domínio amazô- nico e com alto interesse conservacionista para a região; e aves associadas a áreas úmidas e/ou ambientes alterados, que tendem a ser menos exigentes quanto aos recursos naturais, porém, especialmente nas áreas úmidas e/ou alagadiças, observam-se pontos de passagem de espécies migratórias. Aves116 A elevada riqueza de aves encontrada na região deve-se a uma conjunção de fatores, entre os quais se destacam a alta diversidade de ambientes e o volume de pesquisas. Além de ser alvo de inúmeros estudos ambientais no âmbito do licenciamento de empreendimentos e monitoramentos de impactos provenientes deles, a Serra dos Carajás passou a ser visitada por grupos de observadores de aves, oferecendo fácil acesso e boa infraes- trutura. Por esses motivos, a região de Carajás pode ser considerada uma das áreas mais ricas em aves do mundo e uma das mais bem conhecidas da Amazônia. Guia fotográfico 2 3 7 1 4 6 8 1. Progne chalybea (andorinha-grande). Foto: Marcelo Vasconcelos 2. Dryocopus lineatus (pica-pau-de-banda- -branca). Foto: Gustavo Gonsioroski 3. Pteroglossus inscriptus (araçari-de-bico- -riscado). Foto: Diego Petrocchi 4. Rupornis magnirostris (gavião-carijó). Foto: Gustavo Gonsioroski 5. Synallaxis albescens (uí-pi). Foto: Gustavo Gonsioroski 6. Tigrisoma lineatum (socó-boi). Foto: SETE 7. Vanellus chilensis (quero-quero). Foto: Marcelo Vasconcelos 8. Xiphorhynchus guttatoides (arapaçu-de- -lafresnaye). Foto: Gustavo Gonsioroski 5 Espécie: Anodorhynchus hyacinthinus Nome popular: Arara-azul Família: Psittacidae Atividade: Diurna Peso corporal: ~ 98 cm Hábitat: Buritizais, matas ciliares e cerrado adjacente Distribuição: Ocorre especialmente no Brasil, do Mato Grosso do Sul ao Amapá, passando pelo Mato Grosso, norte de Minas Gerais, Goiás, leste da Bahia, Tocantins, sul do Piauí, Maranhão e Pará. Presente também na Bolívia (divisa com o Brasil) e no norte do Paraguai. Curiosidades: A arara-azul é conhecida como a gigante entre as araras, sendo considerada, mundialmente, a maior representante de toda sua família. Sofre com a captura para o tráfico ilegal, porém não comprovada na área do Projeto N1 e N2. Espécie: Ara chloropterus Nome popular: Arara-vermelha-grande Família: Psittacidae Atividade: Diurna Peso corporal: ~ 90 cm Hábitat: Coqueirais, buritizais, dossel de florestas, matas de galeria e áreas abertas com árvores isoladas Distribuição: Ocorre desde a Amazônia brasileira até os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná e em outros países como Panamá, Colômbia, Bolívia, Venezuela e Argentina. Curiosidades: Seu nome científico tem origens do tupi (ara = papagaio) e do grego (khlöros = verde ou amarelo e pteros/pteron = asa). Quando traduzido, tem-se algo como “papagaio de asa verde”. Espécie: Buteo nitidus Nome popular: Gavião-pedrês Família: Accipitridae Atividade: Diurna Peso corporal: Altura - entre 44 e 60cm / Envergadura - entre 75 e 94 cm Hábitat: Florestas, bordas de florestas, cerrados e campos Distribuição: Ocorre desde o sul dos Estados Unidos até a Argentina. Curiosidades: É uma espécie que espreita por suas presas empoleirada ou planando. Também tem a capacidade de caçar dentro de florestas. Fo to : D ie go P et ro cc hi Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Espécie: Cathartes caura Nome popular: Urubu-de-cabeça-vermelha Família: Cathartidae Atividade: Diurna Peso corporal: Entre 62 e 81 cm Hábitat: Áreas campestres e florestais Distribuição: Ocorre do sul do Canadá até os países da América do Sul. Curiosidades: Possui excelente olfato para localizar cadáveres de animais. Dorme em grupos de dezenas de indivíduos, muitas vezes associados a outras espécies de urubus. Espécie: Crax fasciolata Nome popular: Mutum-de-penacho Família: Cracidae Atividade: Diurna Peso corporal: ~ 83 cm Hábitat: Florestas de galeria e bordas de florestas mais densas Distribuição: Presente nas regiões ao sul do Rio Amazonas, entre o Rio Tapajós e o Maranhão, alcançando do Brasil central até o oeste de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Pode ser encontrada também na Bolívia, Paraguai e Argentina. Curiosidades: O macho é predominantemente negro com região ventral branca e as retrizes externas com pontas esbranquiçadas. A fêmea, aqui ilustrada, apresentapadrão mais complexo de coloração, com as partes superiores e cauda barradas de branco (com ponta branca), crista branca com ponta negra e barriga ocre. Espécie: Penelope pileata Nome popular: Jacupiranga Família: Cracidae Atividade: Diurna Peso corporal: Entre 75 e 82 cm Hábitat: Florestas de terra firme pouco perturbadas Distribuição: Exclusivamente brasileira. Dos baixos Rios Madeira e Xingu ao leste do Pará, Maranhão e Tocantins. Espécie: Deroptyus accipitrinus Nome popular: Anacã Família: Psittacidae Atividade: Diurna Peso corporal: 35 cm Hábitat: Matas e bordas de matas Distribuição: Presente em toda a Amazônia brasileira, sul da Venezuela, nordeste do Equador, Peru e Guianas. Curiosidades: Alimenta-se de frutos, sementes e flores e é uma das poucas representantes da família que apresentam um belo penacho colorido. Fo to : G us ta vo G on si or os ki Fo to : A na Y ok o Yk eu ti M ei ga Fo to : A na Y ok o Yk eu ti M ei ga Fo to : A na Y ok o Yk eu ti M ei ga Espécie: Zonotrichia capensis Nome popular: Tico-tico Família: Passerellidae Atividade: Diurna Peso corporal: 15 cm Hábitat: Áreas abertas Distribuição: Espécie abundante em todas as regiões do país, em boa parte da América do Sul e no México e Panamá. Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Espécie: Psophia interjecta Nome popular: Jacamim-do-xingu Família: Psophiidae Atividade: Diurna Peso corporal: Entre 45 e 52 cm Hábitat: Florestas densas de várzea Distribuição: Exclusiva da Amazônia brasileira, entre os rios Xingu e Tocantins. Espécie: Tringa solitaria Nome popular: Maçarico-solitário Família: Scolopacidae Atividade: Diurna Peso corporal: 18 cm Hábitat: Beira d’água Distribuição: Todo o continente americano. Curiosidades: É uma espécie que se reproduz na América do Norte e migra para todas as regiões compreendidas entre o México e a Argentina. Espécie: Sturnella militaris Nome popular: Polícia-inglesa-do-norte Família: Icteridae Atividade: Diurna Peso corporal: 22,5 cm Hábitat: Campos secos de gramíneas e de cultivo Distribuição: Presente nas áreas abertas de praticamente toda a região amazônica, podendo ser encontrada também da Costa Rica ao Panamá. Fo to : K ar in e Sa nt os Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Fo to : M ar ce lo V as co nc el os Anfíbios Fo to : L ea nd ro D ru m m on d 129Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Osteocephalus taurinus (Perereca) Anfíbios Os anfíbios foram o primeiro grupo de vertebrados a conquistar o ambiente terrestre, há cerca de 370 milhões de anos. Entretanto, esses animais não conseguiram abandonar por completo a sua dependência do ambien- te aquático. Assim, a maioria das espécies de anfíbios apresenta uma fase larval aquática, na qual são chamados de girinos, chegando à fase adulta como animais terrestres. Vem daí a definição da palavra anfíbio (do latim Amphibia), que é a junção dos termos amphi, que significa “dupla; ambos”, e bio, referente a “vida”. As mais de 8.100 espécies de anfíbios catalogadas no mundo estão divididas em três ordens, Caudata (salamandras e tritões), Gymnophiona (cecílias ou cobras-cegas) e Anura (sapos, rãs, jias e pererecas ou simplesmente anuros). As salamandras (Ordem Caudata) possuem corpo alongado, membros cur- tos e cauda bem desenvolvida. Apresentam hábitos principalmente notur- nos, ocupando ambientes terrestres. No Brasil são conhecidas apenas cinco espécies de salamandras, todas distribuídas na Amazônia, mas sem ocorrên- cia conhecida em Carajás. As cecílias ou cobras-cegas (Ordem Gymnophiona) são animais que se as- semelham a grandes minhocas, de corpo alongado, olhos reduzidos e sem membros locomotores. A maioria das cerca de 40 espécies brasileiras vive no solo, em galerias subterrâneas, e por isso são pouco encontradas e conheci- das pela maioria das pessoas. Felipe Sá Fortes Leite Raphael Costa Leite de Lima Larissa Ferreira de Arruda Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Anfíbios130 131Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Os anuros (Ordem Anura) são o grupo de anfíbios mais diversificado, fá- cil de encontrar e popularmente conhecido. Cerca de 90% das espécies de anfíbios do mundo são anuros. Os anuros adultos não possuem cor- po alongado nem cauda, apresentando pernas normalmente longas e adaptadas ao salto. Os nomes comuns desses animais (sapos, rãs, jias e pererecas) escondem uma enorme variedade de grupos. O nome sapo, por exemplo, pode ser utilizado para se referir genericamente a qual- quer anuro, mas geralmente um típico sapo possui pele seca de aspecto verrugoso e hábito terrestre, características bem representadas por in- tegrantes das famílias Bufonidae e Odontophrynidae. As pererecas pos- suem a pele lisa e presença de discos adesivos, como se fossem ventosas, na ponta dos dedos, o que dá a elas a capacidade de “escalar”, habilidade não observada em sapos e rãs. As espécies das famílias Hylidae, Phyllo- medusidae e Centrolenidae representam bem o arquétipo de uma pere- reca. As rãs ou jias (restritas às espécies normalmente utilizadas para ali- mentação) também possuem pele lisa e normalmente patas posteriores maiores e mais fortes quando comparadas a outros anuros e por isso são exímias saltadoras. A família Leptodactylidae representa muito bem o que se conhece popularmente como uma rã. Entretanto, muitas espécies possuem combinações de características que não permitem enquadrá- -las facilmente em uma dessas categorias (sapos, rãs, jias e pererecas) e outras, por não serem frequentemente avistadas pela comunidade local, não possuem nome popular. Os girinos, presentes na maioria das espécies de anuros, respiram através de brânquias, assim como os peixes, alimentando-se de algas, microrganis- mos, detritos, ovos de anfíbios ou até mesmo de outros girinos. Esse está- gio larval passa por um surpreendente processo chamado metamorfose, em que ocorre o desenvolvimento das patas, mudanças no aparelho bucal, desenvolvimento dos pulmões e a perda da cauda, possibilitando assim sua transição para o ambiente terrestre. Os adultos apresentam hábitos ter- restres, semiaquáticos ou mesmo aquáticos, alimentam-se principalmente de outros animais e respiram através da pele e pulmões. A respiração cutâ- nea só é possível devido à pele altamente permeável desses animais, que permite a ocorrência de trocas gasosas, mas que, porém, os deixam mais suscetíveis à desidratação, o que justifica sua dependência da água ou de ambientes úmidos e seus hábitos principalmente noturnos. Durante a época reprodutiva, geralmente concentrada no início da estação chuvosa, os anuros machos coaxam para atrair as fêmeas das suas respec- tivas espécies. Cada espécie possui um canto distinto da outra, chamado espécie-específico. Há espécies que, inclusive, são tão parecidas morfolo- gicamente que só podem ser diferenciadas por meio do canto. Machos podem se agrupar para “cantar” próximos a áreas alagadas formando coros com centenas ou até milhares de indivíduos reunidos. Os anfíbios possuem um importante papel na dinâmica dos nutrientes, promovendo a ciclagem do fluxo de energia entre os sistemas terrestres e aquáticos, além de exercerem uma função fundamental no controle das po- pulações de insetos e de outros invertebrados, que constituem os principais itens de sua dieta. São ainda especialmente suscetíveis a alterações ambien- tais, pois sua pele permeável é muito vulnerável a poluentes químicos e à radiação, e seu complexo ciclo de vida os expõe a distúrbios tanto no meio aquático (fase larval) quanto no meio terrestre (fase adulta). Você sabia que os anfíbios possuem em sua pele uma grande e pouco conhecida variedade de substâncias químicas, uma farmacopeia com grande potencial para o descobrimento de antibióticos e outros medicamentos? Essas características fazem dos anfíbios um dos mais interessantesgru- pos de vertebrados, intrigando pesquisadores e atraindo cada vez mais interessados em conhecer a sua diversidade de formas, modos reprodu- tivos e cantos. Os Anfíbios da Flona de Carajás, Serra Norte O Brasil é o país com a maior riqueza de espécies de anfíbios do mundo, onde são reconhecidas mais de 1.130 espécies. Na Amazônia brasileira ocorrem cerca de 250 espécies de anfíbios, sendo a grande maioria anu- ros, ou seja, sapos, rãs, jias ou pererecas. Entretanto, esses números são provisórios e certamente subestimados, visto que a fauna de anfíbios da Anfíbios132 133Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Amazônia ainda é pouco conhecida, sendo comum a descrição de novas espécies pela ciência. Na Floresta Nacional de Carajás, área onde está inserida a Serra Norte, são conhecidas 66 espécies de anfíbios. Na Serra Norte, mais especificamente na região do Projeto N1 e N2, foram registradas 46 espécies de anfíbios. Desse total, 45 espécies são sapos, rãs, jias ou pererecas. Microcaecilia taylo- ri foi a única cecília registrada. Assim como na maioria dos locais de regiões tropicais das Américas, as famílias com o maior número de espécies foram Hylidae e Leptodactylidae, representando juntas mais da metade da rique- za total da fauna de anfíbios do Projeto N1 e N2. A riqueza de espécies do Projeto N1 e N2 pode ser considerada alta e é compatível com o alto grau de preservação da área e elevada diversida- de de hábitats. Apesar de tamanha riqueza, uma considerável parcela dessas espécies permanece pouco conhecida no que diz respeito à sua taxonomia, distribuição geográfica e biologia. Nove espécies, por exem- plo, não puderam ser identificadas até o nível específico, ilustrando bem o quanto ainda precisamos estudar os anfíbios da região. A maioria das espécies, mais da metade, possui distribuição geográfica res- trita ou com maior parte inserida na Amazônia, a exemplo das espécies tipi- camente amazônicas Rhaebo guttatus (sapo-cururu), Dendropsophus leuco- phyllatus (perereca) e Leptodactylus paraensis (rã-pimenta). Outras espécies, como as comuns e amplamente distribuídas Rhinella marina (sapo-cururu), Dendropsophus minutus (pererequinha-do-brejo), Trachycephalus typhonius (perereca-grudenta) e Leptodactylus fuscus (rã-assobiadora), ocorrem em dois ou mais biomas. Por outro lado, o sapo-granuloso Rhinella mirandari- beiroi e a rãzinha-da-canga Pseudopaludicola canga possuem distribuição geográfica restrita ao Cerrado e seus enclaves amazônicos. Já o sapinho-en- fermeiro Allobates carajas é endêmico da Serra de Carajás, o que quer dizer que só ocorre nessa região. Da mesma maneira, mais da metade das espécies ocorre e se reproduz exclusivamente em ambientes florestais, florestas úmidas (ombrófi- las), florestas com o predomínio de palmeiras como o açaí e a buritira- ma e capões de mata estacional (um pouco mais secas), por exemplo, o sapo-folha Rhinella gr. margaritifera, a perereca Boana boans, a perereca Osteocephalus oophagus, a rãzinha-listrada Lithodytes lineatus, a rãzinha- -da-mata Chiasmocleis avilapiresae e o sapo-verrugoso Proceratophrys concavitympanum. Outras espécies preferem ambientes abertos como os campos rupestres sobre canga (vegetação dominada por capins e ar- bustos que crescem sobre afloramentos rochosos de minério de ferro), a exemplo do sapo-venenoso-de-Lutz Ameerega aff. flavopicta. A maioria das espécies deposita seus ovos diretamente em ambientes aquáticos, seja em igarapés, em pequenos riachos de água corrente, seja em poças, brejos e lagoas de água parada. Outras espécies depositam suas desovas em folhas localizadas sobre a lâmina d’água, como as pere- recas-macaco Phyllomedusa bicolor, Phyllomedusa vaillantii e Pithecopus hypochondrialis. Assim, depois que saem dos ovos, os girinos pingam no corpo d’água. Já o sapinho-enfermeiro Allobates carajas deposita seus ovos em ambiente terrestre e transporta os girinos nas costas até o ambiente aquático. Outras espécies possuem desenvolvimento direto, ou seja, dos ovos eclodem pequenos sapinhos já formados (com as quatro patas), sem passar pelo estágio larval aquático (girinos), como a rã-da-mata Pristimantis fenestratus, que deposita seus ovos no folhiço úmido. O sapo-pipa Pipa arrabali, uma espécie totalmente aquática, incuba seus ovos na pele do seu próprio dorso, até a eclosão dos filhotes. Anfíbios134 Espécie: Rhaebo guttatus Nome popular: sapo-dourado Família: Bufonidae Atividade: Noturna Comprimento: > 10 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, além das Guianas Hábito: Terrícola Espécie: Rhinella gr. margaritifera Nome popular: Sapo-folha Família: Bufonidae Atividade: Diurna e noturna Comprimento: > 3 cm < 8 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie ainda não identificada. O grupo de espécies de Rhinella margaritifera, no qual a espécie está inserida, ocorre na Amazônia brasileira, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Panama, Surinami e Venezuela Hábito: Terrícola Espécie: Rhinella marina Nome popular: Sapo-cururu, sapo-boi Família: Bufonidae Atividade: Noturna Comprimento: > 9 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Ampla, a leste dos Andes em áreas da Amazônia (Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia), incluindo as Guianas até o Brasil Central Hábito: Terrícola Guia fotográfico Muitas vezes, a identificação correta de uma espécie de anfíbio é uma ta- refa difícil até mesmo para um especialista. Entretanto, o primeiro passo para uma boa identificação é observar bem e tomar nota de características relacionadas ao tamanho, coloração do dorso, ventre e partes ocultas das coxas. É também importante verificar a presença ou não de ventosas na ponta dos dedos, textura da pele, forma da cabeça, comprimento relativo dos membros, presença de ornamentações como apêndices e tubérculos, de glândulas destacadas, entre outras. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Elachistocleis cf. carvalhoi Nome popular: Rãzinha Família: Microhylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 5 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie que precisa ter sua identidade confirmada. A espécie Elachistocleis carvalhoi é conhecida no Tocantins e Pará. Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Rhinella mirandaribeiroi Nome popular: Sapo-granuloso Família: Bufonidae Atividade: Noturna Comprimento: > 4 cm < 8 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Cerrado e seus enclaves na Amazônia Hábito: Terrícola Espécie: Ameerega aff. flavopicta Nome popular: Sapo-venenoso-de-Lutz Família: Dendrobatidae Atividade: Diurna Comprimento: < 4 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie potencialmente nova ainda não descrita pela ciência. A espécie A. flavopicta ocorre em áreas do Cerrado brasileiro Hábito: Terrícola Espécie: Adenomera sp. Nome popular: Rãzinha-do-folhiço Família: Leptodactylidae Atividade: Diurna, Noturna Comprimento: < 3 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie ainda não identificada. O gênero Adenomera ocorre por toda a América do Sul à leste dos Andes Hábito: Terrícola Espécie: Leptodactylus mystaceus Nome popular: Rã, caçote Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 4 cm < 7 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Ampla distribuição no Brasil. Ocorre também na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela e Guianas Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : C ar ol in e A ng ri Espécie: Pristimantis fenestratus Nome popular: Rã-da-mata Família: Craugastoridae Atividade: Noturna Comprimento: > 2 cm < 6 cm Hábitat: Floresta Distribuição:Amazônia brasileira, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia Hábito: Terrícola e arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Boana cinerascens Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 3 cm < 5 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Guianas, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Bolívia Hábito: Arborícola Espécie: Dendropsophus gr. microcephalus Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 4 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie ainda não identificada, estando o grupo de D. microcephalus bem distribuído por toda as Américas do Sul e Central Hábito: Arborícola Espécie: Dendropsophus leucophyllatus Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 4 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Amazônia brasileira, Guianas, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia Hábito: Arborícola Espécie: Allobates carajas Nome popular: Sapinho-enfermeiro Família: Aromobatidae Atividade: Diurna Comprimento: < 2 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Endêmico de Carajás Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Boana boans Nome popular: Perereca-gladiadora; sapo-canoeiro Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 8 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Ampla, ocorrendo nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Magdalena, Guianas, nas baixadas do Pacífico na Colômbia e Equador, no Panamá e Trindade e Tobago. Hábito: Arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Dendropsophus minutus Nome popular: Pererequinha-do-brejo Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 3 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Ampla, a leste dos Andes desde a Colômbia, Venezuela, Guianas, Trindade, Equador, Peru, Bolívia, Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina Hábito: Arborícola Espécie: Osteocephalus taurinus Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 7 cm < 11 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Ampla, ocorrendo na bacia amazônica do Equador, Brasil, Bolívia, Peru, bem como no alto rio Orinoco da Venezuela e Guianas Hábito: Arborícola Espécie: Scinax boesemani Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 4 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Venezuela, Guiana, Suriname, Guiana Francesa Hábito: Arborícola Espécie: Scinax fuscomarginatus Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 3 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Ampla, no sul, centro e norte do Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina, Venezuela, Guiana e Suriname Hábito: Arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Leptodactylus fuscus Nome popular: Rã-assobiadora Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 4 cm < 6 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Ampla, em áreas abertas desde o Panamá até a Argentina, sempre a leste dos Andes Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Leptodactylus paraensis Nome popular: Rã-pimenta, rã-do-Pará, jia Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 10 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Amazônia brasileira Hábito: Terrícola Espécie: Leptodactylus petersii Nome popular: Rã, caçote Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 3 cm < 5 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Ampla, na Amazônia e Cerrado brasileiros, Equador, Bolívia e Guianas Hábito: Terrícola Espécie: Leptodactylus rhodomystax Nome popular: Rã, caçote Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 6 cm < 9 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Colômbia, Guianas, Equador, Peru, Bolívia Hábito: Terrícola Espécie: Scinax sp. Nome popular: Perereca, raspa-cuia Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 5 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Desconhecida por se tratar de uma espécie ainda não identificada. O gênero Scinax possui ampla distribuição e ocorre desde o México até a Argentina Hábito: Arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Leptodactylus pentadactylus Nome popular: Rã-pimenta, jia Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 10 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Chiasmocleis avilapiresae Nome popular: Rãzinha-da-mata Família: Microhylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 5 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Proceratophrys concavitympanum Nome popular: Sapo-verrugoso Família: Odontophrynidae Atividade: Noturna Comprimento: > 3 cm < 7 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira Hábito: Terrícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Pipa arrabali Nome popular: Sapo-pipa Família: Pipidae Atividade: Noturna Comprimento: > 2 cm < 7 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Ampla. Ocorre nas regiões centro, norte e oeste do Brasil, além da Guiana, Suriname e Venezuela Hábito: Aquático Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Lithodytes lineatus Nome popular: Rãzinha-listrada Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 3 cm < 6 cm Hábitat: Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Venezuela, Bolívia Hábito: Terrícola Espécie: Physalaemus ephippifer Nome popular: Rãzinha Família: Leptodactylidae Atividade: Noturna Comprimento: < 4 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Amazônia brasileira, Venezuela, Guiana e Suriname Hábito: Terrícola Espécie: Pseudopaludicola canga Nome popular: Rãzinha-da-canga Família: Leptodactylidae Atividade: Diurna, Noturna Comprimento: < 3 cm Hábitat: Área aberta Distribuição: Cerrado e seus enclaves na Amazônia Hábito: Terrícola Espécie: Pithecopus hypochondrialis Nome popular: Perereca-das-folhagens; perereca-macaco Família: Phyllomedusidae Atividade: Noturna Comprimento: > 3 cm < 5 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Amazônia brasileira e áreas de transição com o Cerrado, Colômbia, Venezuela, Guianas Hábito: Arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Boana multifasciata Nome popular: Perereca Família: Hylidae Atividade: Noturna Comprimento: > 5 cm < 8 cm Hábitat: Área aberta, Floresta Distribuição: Ampla, desde a Venezuela, passando pelas Guianas até os estados do Ceará e Goiás, no Brasil Hábito: Arborícola Fo to : L ea nd ro D ru m m on d RépteisFoto: Lea nd ro D ru m m on d 167Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Leptophis ahaetulla (Brasileirinha) Répteis A palavra réptil vem do latim e significa “o que se arrasta”, pois muitas das espécies desse grupo se locomovem rastejando. Os répteis possuem a pele queratinizada, já que seu corpo é revestido por uma camada mais espessa e impermeável, recoberto externamente por escamas epidérmicas. Alguns também possuem placas ósseas abaixo dessas escamas (chamadas osteo- dermas). No Brasil, os répteis são divididos em três grupos: Testudines – Quelônios, também chamados de tartarugas, cágados, jabutis e tracajás: são animais que possuem um casco em volta do corpo, unidos com aberturas para a saída da cabeça, cauda e membros. Crocodylia – Jacarés e crocodilos: animais de corpo alongado e revestido por placas córneas que recobrem as placas ósseas nas costas dos animais.Vivem apenas em regiões quentes e aqui no Brasil são encontrados em rios e lagos de água doce. Squamata - Lagartos, serpentes e anfisbenas: é o grupo mais diverso e abun- dante, sendo sua principal característica o corpo recoberto por escamas e a língua bifurcada. A temperatura do corpo dos répteis varia de acordo com a temperatura do ambiente em que estão, dependendo de uma fonte de calor externa para aumentar a temperatura, como o sol. Assim, quando está frio, o corpo apre- senta uma temperatura baixa e, ao esquentar, ele também se aquece. Por Jussara Santos Dayrell Larissa Ferreira de Arruda Raphael Costa Leite de Lima Felipe Sá Fortes Leite Fo to : J us sa ra D ay re ll Répteis168 169Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte isso esses animais usam algumas estratégias, como se expor ao sol quando o dia está frio e se proteger em lugares sombreados ou na água quando a temperatura está muito alta. Os quelônios e crocodilianos constituem um grupo de interesse especial na região amazônica, pela sua importância histórica na cultura e na alimenta- ção de índios e ribeirinhos. As espécies de quelônios e jacarés sofrem, regio- nalmente, forte pressão devido à caça e comercialização de carnes e ovos. As anfisbenas ou cobra-de-duas-cabeças são confundidas com as serpentes por possuírem o corpo alongado e sem patas, apresentando a cauda curta e arredondada. Costumam viver enterradas no solo ou embaixo de troncos de árvores. É confuso descobrir qual das extremidades é a cabeça porque os olhos são pequenos e a cauda é também arredondada (foto 14). Quando ameaçados, esses animais assumem uma posição defensiva, na qual levantam tanto a cabeça como a cauda, de forma a confundir e intimidar o predador. Foto 14: Indivíduo adulto de Amphisbaena alba (cobra-de-duas-cabeças) em posição defensiva. Os lagartos são extremamente diversos e popularmente conhecidos como lagartixas, calangos, teiús, iguanas e camaleões. Possuem cauda longa e geralmente quatro patas. Eles ocupam diversos ambientes e podem ser arborícolas (habitam a vegetação), terrícolas (habitam o chão), fossoriais (galerias no subsolo) e semiaquáticos (habitando tanto a água quanto a terra). A grande maioria é onívora, ou seja, alimenta-se tanto de outros animais quanto de plantas e frutos. Você sabia que a autotomia caudal é um comportamento de defesa contra predadores em que alguns répteis perdem propositalmente parte da própria cauda? A parte ampu- tada continua se movimentando durante alguns minutos após a separação, o que atrai a atenção do predador e, enquanto isso, o animal aproveita para escapar. Algumas espécies de lagartos e serpentes possuem esse comportamento, mas, ao contrário dos lagartos, as cobras não regeneram a cauda amputada (fotos 15 e 16). Foto 15: Autotomia de Gonatodes humeralis (lagartixa-da-amazônia). Fo to : R ap ha el L im a Fo to : I go r Y ur i F er na nd es Répteis170 171Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte As serpentes são animais de corpo alongado, patas anteriores e posterio- res ausentes, com cauda comprida. Não possuem pálpebras, então não conseguem fechar os olhos. Uma característica interessante das cobras é a capacidade de deslocar a mandíbula para engolir presas muito maiores do que elas próprias. Você saberia dizer a diferença entre animais venenosos e animais peçonhentos? Animais pe- çonhentos são aqueles que, além de produzir substâncias tóxicas, possuem a capacidade de inocular o veneno em suas vítimas por meio de presas, quelíceras ou ferrões. Os exemplos mais famosos são as serpentes das famílias Viperidade e Elapidae, mas é também o caso de outros animais como algumas espécies de aranhas, escorpiões e abelhas. Por sua vez, os ani- mais venenosos, embora também produzam toxinas, não são capazes de injetá-las em suas presas, normalmente usando-as como defesa contra predadores. Várias espécies de sapo, entre elas o sapo-cururu e os sapinhos coloridos da família Dendrobatidae ( sapos-flecha), podem causar casos graves de envenenamento se ingeridos ou em contato com mucosas (olhos e boca, por exemplo) ou com sangue (em casos de ferimentos, por exemplo). As espécies de serpentes peçonhentas, aqui representadas principal- mente pelas espécies das famílias Viperidae (cascavel, jararaca e suru- cucu) e Elapidae (corais verdadeiras), merecem atenção especial, já que podem representar algum perigo para as pessoas, com importantes implicações sociais e de interesse para a saúde pública. A principal cau- sadora de acidentes ofídicos ou envenenamento por picada de cobra na Amazônia é a jararaca-do-norte Bothrops atrox, cujas populações au- mentam em ambientes alterados pelo próprio homem. Cerca de 90% dos acidentes ofídicos no Brasil são atribuídos a esse gênero de ser- pente. Por outro lado, acidentes com cobras-corais são raros devido aos seus hábitos fossoriais (adaptadas a cavar e a viver debaixo do solo) e à localização de suas presas no fundo da boca, que dificulta a inoculação do veneno nos seres humanos. Fui picado, e agora? As serpentes são animais bastante mistificados, citados em diversos contos e lendas. Quando o assunto é acidente por picada de cobra, não é diferente: são muitos os mitos. Muitas vezes, baseando-se nessas crenças populares, a vítima é orientada erroneamente a realizar procedimentos como utilizar esterco, fumo, querosene ou urina no local da picada, ingerir bebidas alcoólicas ou poções de cura, fazer cortes e torniquetes na região do ferimento. Alguns desses procedimentos podem inclusive potencializar a ação do veneno ou mesmo confundir o médico em um futuro diagnóstico e tratamento. Por isso, em caso de aciden- te, não só com serpente, mas envolvendo qualquer tipo de animal peçonhento no geral, recomenda-se sempre: lavar o local da picada apenas com água corrente, manter a vítima calma, o local da picada preferencialmente mais alto em relação ao restante do corpo (por exemplo, no caso de picadas em braços e pernas) e encaminhá-la para o atendimento mé- dico o mais rápido possível. Os répteis estão presentes em quase todos os ambientes amazônicos pos- suindo hábitos terrestres, subterrâneos, aquáticos ou arborícolas. A fauna reptiliana é composta principalmente por espécies predadoras e, por isso, exerce papel-chave no funcionamento do ecossistema, controlando po- pulações de suas presas que vão desde invertebrados, como minhocas, lesmas, insetos, aranhas e centopeias, até vertebrados, como peixes, sapos, outros répteis, aves e mamíferos (foto 17). Foto 16: Autotomia de Chironius carinatus (cobra-cipó). Fo to : A le xa nd er T am an in i M on ic o Répteis172 173Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Os jacarés e as serpentes de grande porte, por exemplo, são predadores de topo e se alimentam de uma grande diversidade de vertebrados e invertebrados. Por outro lado, algumas espécies possuem dietas mais especializadas, como a serpente Drepanoides anomalus (falsa-coral), que se alimenta exclusiva- mente de ovos de lagartos. Ao contrário, muitas espécies de lagartos se ali- mentam principalmente de invertebrados e tendem a ser generalistas ou oportunistas, ingerindo animais que estejam disponíveis em seu hábitat, que sejam mais palatáveis e caibam em sua boca. No entanto, algumas es- pécies podem ter dieta mais especializada como o lagarto Plica umbra, que se alimenta predominantemente de formigas. Os Répteis da Flona de Carajás, Serra Norte O Brasil é o terceiro país com o maior número de espécies de répteis no mundo, atrás apenas do México e da Austrália, contando atualmente com quase 800 espécies. A grande maioria dessas espécies é de serpentes, que representam pouco mais da metade dessa riqueza, seguida dos lagartos, que constituem cerca de um terço desse total. Boa parte dessas espécies é encontrada na Amazônia, região de grande biodiversidade e ainda pou- co conhecidaquanto a sua fauna de répteis. Não obstante, novas espécies de répteis amazônicos têm sido constantemente descobertas e descritas. No bioma em questão, o estado do Pará se destaca por abrigar elevada riqueza de répteis, sendo o segundo estado do Brasil com o maior número de espécies. São ao todo cinco espécies de crocodilianos, 23 de quelônios (18 de água doce), 153 de serpentes, 82 de lagartos e 13 de anfisbenas. Na Flona de Carajás são conhecidas 129 espécies de répteis, sendo oito quelônios, três jacarés, cinco anfisbenas, 38 lagartos e 75 serpentes. Na região do Projeto N1 e N2, inserida na Serra Norte, foram registradas 85 espécies de répteis. O grupo dos jacarés é representado por duas espé- cies da única família conhecida no Brasil (Alligatoridae) e são o jacaré- -tinga (Caiman crocodilus) e jacaré-coroa (Paleosuchus trigonatus). Já para os quelônios (Testudines), foram encontradas seis espécies, entre elas o jabuti-piranga (Chelonoidis carbonarius). Por fim, para o grupo dos répteis escamados (Squamata) foram registradas três espécies de cobras-de-duas- -cabeças (anfisbenas), 25 lagartos e 49 de serpentes. Dessas espécies, quatro se encontram listadas como vulneráveis (VU) na Lista Estadual de Espécies Ameaçadas do Pará (COEMA, 2007): Colobosaura modesta (calango); Salvator merianae (teiú); Chironius flavolineatus (cobra- -cipó) e Pseudoboa nigra (cobra-preta). Apesar disso, no geral são espécies com ampla distribuição geográfica. Por sua vez, C. modesta tem distribui- ção mais restrita, sendo encontrada somente em domínios do Cerrado e em enclaves de Cerrado na Amazônia. Foto 17: Cercosaura eigenmanni (Lagarto) se alimentando de uma espécie de aranha. Fo to : J us sa ra D ay re ll Répteis174 Espécie: Caiman crocodilus Nome popular: Jacaré-tinga Família: Alligatoridae Hábitat: É encontrado em rios, lagos e lagoas de água doce ou salobra. Distribuição: Sul do México até Bolívia. No Brasil está distribuída pela região Norte, Nordeste ocidental e norte da região Centro-Oeste. Hábitos: Os juvenis se alimentam de invertebrados terrestres e quando adultos se alimentam de peixes e moluscos. Curiosidade: É a espécie mais abundante na América Latina. Sofre grande pressão de caça na Amazônia, mas pode ser feito o manejo sustentável para venda de sua carne. Pode mudar de cor, ficando mais escura quando está frio. Espécie: Paleosuchus trigonatus Nome popular: Jacaré-coroa Família: Alligatoridae Hábitat: Habita rios de corredeiras e igapós nas florestas, em áreas abertas ou próximo a cachoeiras e quedas d’água de grandes rios. Distribuição: Amazônia brasileira, norte e centro-oeste da América do Sul até a Bolívia. Hábitos: Alimenta-se de peixes, caranguejos, moluscos, invertebrados e pequenos vertebrados terrestres. Curiosidade: é um dos menores jacarés do mundo, cujo tamanho máximo conhecido é em torno de 150 cm de comprimento total para machos. Guia fotográfico Espécie: Chelonoidis denticulatus Nome popular: Jabuti-amarelo Família: Testudinidae Hábitat: Ocorre no interior de florestas. Distribuição: Norte e Centro-oeste da América do Sul. No Brasil, ocorre na Amazônia e populações isoladas no Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Hábitos: Onívora e se alimenta de folhas, frutos, raízes e também carcaças de outros animais. É diurna e terrestre. Curiosidade: É uma importante dispersora de sementes nos ambientes da Amazônia. Consumida pelas comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas. As populações nos ambientes naturais apresentam grande número de indivíduos, embora essa espécie seja intensamente utilizada como animal de estimação e na alimentação humana. Fo to : J us sa ra D ay re ll Fo to : J us sa ra D ay re ll Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Mesoclemmys gibba Nome popular: Lalá Família: Chelidae Hábitat: Habita pequenos igarapés, lagos e florestas inundadas. Distribuição: Amazônia brasileira, norte e centro-oeste da América do Sul até o Peru. Hábitos: É onívora, alimentando-se de frutos de buriti, insetos, girinos e peixes. Os ninhos podem ser encontrados embaixo de folhas e na base de troncos, próximo a cursos d’água. É semiaquática e noturna. Curiosidade: É pouco explorada devido ao seu mau cheiro e à dificuldade de encontrá-la. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Rhinoclemmys punctularia Nome popular: Aperema Família: Geoemydidae Hábitat: Alterna a utilização de ambientes terrestres e aquáticos e pode permanecer em poças de terra firme durante o período de estiagem. Distribuição: Norte da América do Sul até a Colômbia, Amazônia brasileira e localidades em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Hábitos: É onívora e os ovos são colocados entre raízes e cobertos com folhiço. É uma espécie semiaquática e diurna. Curiosidade: É usada como alimento por populações indígenas e ribeirinhas, sendo inclusive comercializada em alguns locais. Fo to : K ar in e Sa nt os Espécie: Kinosternon scorpioides Nome popular: Muçuã Família: Kinosternidae Hábitat: Ocorre em ambientes de água parada e corrente, incluindo áreas antropizadas. Distribuição: Ampla distribuição por toda a América Latina. No Brasil, possui registro em todos os estados da região Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No Sudeste brasileiro, só há registro da espécie no estado de Minas Gerais. Hábitos: Onívora, alimenta-se de algas a insetos, minhocas, moluscos, peixes e anfíbios. É semiaquática, noturna. Os ninhos são pouco profundos e cobertos por folhas e galhos, localizados próximos aos corpos d’água. Curiosidade: Apesar de não haver ameaças evidentes que possam afetar a espécie ao ponto de colocá-la em risco de extinção, tal quelônio é considerado uma espécie relevante para a conservação da herpetofauna da região, apresentando populações de distribuição restrita e isolada nas savanas estépicas dos platôs da Serra de Carajás. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Cercosaura ocellata Nome popular: Jacarezinho Família: Gymnophthalmidae Hábitat: É encontrada no folhiço de áreas abertas e florestas. Distribuição: Nordeste da América do Sul, inclusive a Amazônia brasileira. Hábitos: Possui hábitos terrestres. É diurna e heliotérmica, ou seja, expõe-se diretamente ao sol para seu corpo alcançar temperatura mais alta. Curiosidade: A coloração desse lagarto imita o chão da floresta, assim, ele se parece com folhas ou galhos e consegue fugir dos predadores. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Tretioscincus agilis Nome popular: Calango-do-rabo-azul Família: Gymnophtalmidae Hábitat: Habita florestas de terra firme e enclaves de campos rupestres. Pode ser encontrada em várias alturas de ocos de árvores e também em buracos no chão. Distribuição: Guiana, Suriname, Guiana Francesa e leste da Amazônia brasileira, nos estados do Pará e Amazonas. Hábitos: É semiarbórea, heliófila. Curiosidade: Muitos acham que sua cauda é azul para distração dos predadores, que focam na cauda, e não na cabeça, assim a chance de fuga é maior. Espécie: Enyalius leechii Nome popular: Camaleãozinho Família: Leiosauridae Hábitat: Ambientes florestados Distribuição: Amazônia brasileira Hábitos: É arborícola, mas também habita o folhiço, sempre associada à vegetação e troncos de árvores vivas e mortas. Curiosidade: Essa espécie possui uma coloração que chamada de críptica, ou seja, suas cores são semelhantes ao ambiente em que vive para se camuflar, não sendo vista pelos predadores. No caso, essa espécie imita (através das cores e da estrutura do corpo) padrões de cascas de árvores e de folhas secas. Espécie: Potamites ecpleopus Nome popular: Jacarezinho Família: Gymnophtalmidae Hábitat: Vive próxima de cachoeiras e brejos, entre a água e a floresta. Distribuição: Amazônia brasileira, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Hábitos: É uma espécie semiaquática e diurna. Alimen-ta-se principalmente de invertebrados terrestres como grilos e cupins, mas também de girinos. Curiosidade: É uma espécie territorialista cujos indivíduos são fiéis a certas manchas de hábitats, como porções de riachos. Espécie: Kentropyx calcarata Nome popular: Calango-da-mata Família: Teiidae Hábitat: Encontrada em áreas abertas e bordas de floresta. Distribuição: Amplamente distribuída na Amazônia (Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela, Bolívia e Guiana) e em regiões da Mata Atlântica brasileira Hábitos: É uma espécie terrestre e heliófila. É forrageadora ativa, saindo em busca de suas presas. Curiosidade: As fêmeas dessa espécie tem o comportamento de utilizarem ninhos comunitários para a reprodução, utilizando de um mesmo local, como interior de bromélias ou ocos de paus, para colocarem seus ovos. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : A nd ré A m br os io Espécie: Iguana iguana Nome popular: Iguana Família: Iguanidae Hábitat: Vive na copa das árvores. Distribuição: Ampla distribuição por toda a América Latina e introduzida nos Estados Unidos e Taiwan. Hábitos: É uma espécie arborícola, heliófila e intimamente associada à água. Alimenta-se de folhas e frutos. Curiosidade: São boas nadadoras e ágeis quando dentro da água, podendo permanecer até 25 minutos submersas. Fo to : A na Y ok o Yk eu ti M ei ga Espécie: Notomabuya frenata Nome popular: Calango-liso Família: Mabuyidae Hábitat: Áreas abertas e florestas de galeria de vários biomas no Brasil. Distribuição: Bolívia, Paraguai, Argentina e amplamente distribuída em território brasileiro. Hábitos: É terrestre, heliófila. Procura ativamente por suas presas, normalmente invertebrados, o que também é chamado de comportamento de forrageamento ativo. Pode se alimentar de outros lagartos. Curiosidade: É espécie vivípara, ou seja, não bota ovos, sendo que os filhotes já nascem formados. Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Chatogekko amazonicus Nome popular: Lagartixa-da-mata Família: Sphaerodactylidae Hábitat: Florestas de terra firme. Distribuição: Amazônia (Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela Guiana) Hábitos: São terrícolas e habitam o folhiço e árvores próximas do chão. Curiosidade: Possuem íntima associação com a serapilheira, as quais utilizam em todo ciclo de vida para atividades como abrigo, alimentação e oviposição. É um dos menores vertebrados do mundo, com o tamanho de 24mm (moeda de 1 real). Espécie: Plica umbra Nome popular: Calango Família: Tropiduridae Hábitat: Habita os troncos e galhos de árvores das florestas de terra firme. Distribuição: Amazônia (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela) Hábitos: É arborícola, diurna. Curiosidade: É uma espécie que se alimenta quase que somente de formigas. Espécie: Dendrophidion dendrophis Nome popular: Cobra-cipó Família: Colubridae Hábitat: Habita o chão das florestas onde se confunde com as folhas secas. Distribuição: Amazônia (Brasil, Colômbia Equador, Venezuela, Peru, Bolívia) Hábitos: É diurna, alimenta-se de sapos e é ovípara, ou seja, bota ovos. Curiosidade: Solta uma secreção de forte odor quando em perigo e possui o comportamento de autotomia da cauda. Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa (sem presa inoculadora de veneno). Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Fo to : R en at o G ai ga Fo to : D ie go S an ta na Fo to : H en ri qu e Ca ld ei ra C os ta Espécie: Spilotes pullatus Nome popular: Caninana Família: Colubridae Hábitat: Habita florestas e áreas abertas Distribuição: Praticamente todos os países da América Latina, com ampla distribuição também em território brasileiro. Hábitos: Diurna e semiarborícola. Alimenta-se de lagartos, aves, morcegos e até mesmo outras serpentes. Curiosidade: Ela se levanta, infla o pescoço e vibra a cauda quando acuada. Por isso muitos a temem por esse comportamento agressivo e por seu tamanho, já que chega a 2,5 metros de comprimento. Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa (sem presa inoculadora de veneno). Espécie: Oxyrhopus melanogenys Nome popular: Falsa-coral Família: Dipsadidae Hábitat: Habita locais próximos a córregos dentro da floresta. Distribuição: Amazônia (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Guiana) Hábitos: Ela é terrestre e se alimenta de sapos e lagartos que caça à noite. Curiosidade: Muitas vezes é confundida com a coral-verdadeira devido ao seu padrão de cor avermelhado. Importância médica: Peçonhenta, dentição opistóglifa (presa inoculadora de veneno pequena, no fundo da boca). Espécie: Micrurus spixii Nome popular: Coral-verdadeira Família: Elapidae Hábitat: É encontrada no subsolo ou no meio do folhiço das florestas. Distribuição: Amazônia (Brasil, Venezuela, Colômbia e Bolívia) Hábitos: Alimenta-se de lagartos, anfisbenas e outras serpentes. É ovípara. Curiosidade: Para se proteger de predadores oculta a cabeça entre o corpo e enrola a cauda para cima, fingindo que esta é a cabeça. Dessa maneira, o predador atacará a cauda e a cabeça estará protegida. Importância médica: Peçonhenta, de dentição proteróglifa (presa inoculadora de veneno na região anterior da boca). Fo to : K ar in e Sa nt os Fo to : V ic to r G io rn i Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Epicrates cenchria Nome popular: Jiboia-arco-íris ou Salamanta Família: Boidae Hábitat: Habita preferencialmente as árvores. Distribuição: Praticamente todos os países da América do Sul. No Brasil, também possui ampla distribuição. Hábitos: Alimenta-se de sapos, lagartos e aves, matando sua presa por constrição. É diurna e noturna. É vivípara, ou seja, os filhotes se desenvolvem no interior do corpo da mãe e nascem completamente formados. Curiosidade: Ela expira o ar dos pulmões com força, fazendo um ruído conhecido como “bafo da jiboia” para se defender de predadores. Tem esse nome porque suas escamas ficam iridescentes, lembrando um arco-íris quando refletidas no sol. Também solta uma secreção com cheiro desagradável quando em perigo. Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa (sem presa inoculadora de veneno). Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Amerotyphlops reticulatus Nome popular: Cobra-da-terra Família: Typhlopidae Hábitat: Habita as florestas e áreas abertas. Distribuição: Norte e Centro-oeste da América do Sul, até a Bolívia. No Brasil, é encontrada na Amazônia, com registros isolados no estado do Ceará. Hábitos: Alimenta-se de cupins e formigas. É uma espécie fossorial, ou seja, vive em galerias subterrâneas. Curiosidade: O comportamento de se defender da presa é a simulação de um esporão com a cauda. Importância médica: Não peçonhenta, dentição áglifa (sem presa inoculadora de veneno). Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Espécie: Bothrops bilineatus Nome popular: Jararaca-verde Família: Viperidae Hábitat: É encontrada em matas com maior grau de conservação. Distribuição: Amplamente distribuída na Amazônia (Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru, Guiana, Suriname, Guiana Francesa) e em regiões da Mata Atlântica. Hábitos: Ocupa arbustos e árvores a mais de um metro do solo. Também é vivípara. Curiosidade: É uma serpente arbórea que pode atingir até 100cm e se camufla no ambiente devido à sua cor verde. Dessa forma, a maioria das picadas ocorre nas mãos, no rosto e parte superior do corpo. Importância médica: Peçonhenta, de dentição solenóglifa (presa inoculadora de veneno, móvel e na região frontal da boca). Fo to : L ea nd ro D ru m m on d Dípteros de Importância Sanitária Fo to : L ui z G ui lh er m e 203Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Casa de Hóspedes - Flona de Carajás Dípteros de Importância Sanitária A classe Insecta (insetos) surgiu no planeta há cerca de 350milhões de anos, e atualmente é conhecido cerca de um milhão de espécies no mun- do, podendo chegar a cinco milhões, considerando aquelas que os pes- quisadores ainda não conhecem ou que estão em processo de descrição. Esses animais não possuem coluna vertebral, integrando o grupo dos invertebrados, e são encontrados em todas as regiões do planeta Terra. Ocupam os mais variados tipos de ambientes (florestas, áreas ribeirinhas com ou sem alagamento, campos e cidades). As diferentes espécies de insetos são classificadas conforme as características de cada indivíduo, podendo ser um integrante da Ordem conhecida como Lepidoptera (borboletas e mariposas), Hymenoptera (abelhas e vespas), Coleoptera (besouros), Odonata (libélulas), Neuroptera (formiga-leão), Blattodea (ba- ratas), Siphonaptera (pulgas), Phtiraptera (piolho), Diptera (moscas, mos- quitos e mutucas), entre outras. Os insetos são muito importantes para a sobrevivência de diversos ou- tros animais e plantas existentes no mundo. Desenvolveram ao longo dos anos um conjunto de adaptações que os auxiliam a sobreviver tanto às mudanças no clima como nos ambientes em que vivem e compartilham com os outros organismos vivos, incluindo o homem, os ambientes por ele alterados. As diferentes estratégias e hábitos alimentares, por exem- plo, fazem dos insetos um dos principais responsáveis pela polinização de plantas com flores (abelhas, borboletas, mariposas, moscas, besouros), Maria Fernanda Brito de Almeida Fo to : M ar ce lo R os a Dípteros de Importância Sanitária204 205Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte que por um lado lhes oferecem néctar e pólen, e em troca recebem ajuda para a sua reprodução. Essa relação é boa para as plantas e insetos, pois todos saem ganhando alguma coisa. Por outro lado, ainda que não quei- ram intencionalmente provocar nenhum mal, alguns insetos estão envol- vidos em processos naturais muito específicos que podem causar prejuí- zo para outros animais, plantas e até mesmo às populações humanas. Os insetos herbívoros, por exemplo, são aqueles que se alimentam de partes de vegetais e por essa razão podem prejudicar a capacidade da planta consumida de capturar a energia do sol para formar substâncias essen- ciais para si. Outro exemplo são os insetos hematófagos, que se alimen- tam do sangue de outros animais, normalmente dos vertebrados, mas principalmente das aves e mamíferos. Insetos com esse hábito alimentar tão particular podem apresentar diferentes formas, tamanhos, cores e ou- tras características do corpo, mas todos precisam de sangue quente para sobreviver, reproduzir-se e desempenhar o seu papel no meio ambiente. Entre os mais conhecidos estão as pulgas (Ordem Siphonaptera), os pio- lhos (Ordem Phtiraptera), os percevejos ou barbeiros (Ordem Hemiptera), e os mosquitos, muriçocas e pernilongos (Ordem Diptera). A presença de alguns desses animais é frequentemente motivo de preocupação pela po- pulação local. Além dos incômodos causados pela picada, esses insetos sugadores muitas vezes transportam, no aparelho digestivo, microrganis- mos que são os verdadeiros responsáveis por importantes doenças que afetam a população humana. O fato de ser capaz de transmitir parasitas, bactérias ou vírus a outro ser ou organismo caracteriza os insetos que se alimentam de sangue como insetos vetores de doenças, particularmente os mosquitos, muriçocas, carapanãs ou pernilongos, e mosquito-palha, da ordem Diptera, família Culicidae e Psychodidae. Os Insetos - Dípteros Vetores da Flona de Carajás, Serra Norte No estado do Pará, especificamente nas proximidades do Projeto N1 e N2, os registros que existem para os dípteros vetores foram encontrados em li- vros, em relatórios técnicos e dados da Secretaria de Saúde de Parauapebas (PA), mostrando a presença de 121 espécies de dípteros (41 da subfamília Culicidae e 80 da subfamília Flebotominae), alguns deles vetores de parasi- tos causadores da febre amarela, dengue, chikungunya, zika e malária. As espécies da família Culicidae são conhecidas como mosquito, perni- longo, muriçoca e carapanã e estão distribuídas em três subfamílias: Culi- cinae, Anophelinae e Toxorhynchitinae. Nas duas primeiras subfamílias (Culicinae, Anophelinae) estão presentes as espécies de carapanãs que transportam os vírus que causam a dengue, zika, chikungunya, febre ama- rela, febre do oropuche e malária. As fêmeas desses mosquitos se alimen- tam de sangue. O sangue que a fêmea conseguiu durante a alimentação é importante para que ela seja capaz de desenvolver e amadurecer os seus ovos. A fêmea deposita os ovos, após a cópula, em locais capazes de armazenar água. Em ambientes naturais (como florestas), as bromélias, os bambus e os frutos caídos podem fazer esse armazenamento. Nas cida- des e vilas, os pneus, garrafas de plástico, pratos de plantas, caixas-d’água destampadas são bons locais que armazenam água. Esses locais são cha- mados de criatórios do mosquito. As fêmeas escolhem bem o local para fazer a postura dos ovos, pois é nesses locais que o mosquito imaturo vai sofrer transformações até se tornar um adulto, tornando-se capaz de voar. Quando um carapanã está infectado, ele pode transferir o parasito enquanto se alimenta do sangue e adoecer os homens e outros animais. O organismo (vertebrado ou invertebrado) que oferece condições para o desenvolvimento de um parasito é chamado de hospedeiro. As espécies da família Psychodidae que pertencem à subfamília Fleboto- minae são consideradas de maior importância para a saúde. As espécies dessa subfamília são popularmente conhecidas como tatuquira, mosqui- to-palha, asa-branca, cangalhinha e são importantes vetores dos microrga- nismos que causam as leishmanioses tegumentar e visceral. O Brasil possui o maior número de espécies dessa subfamília, que depositam seus ovos em local úmido e rico em matéria orgânica. Mudanças ambientais de origem natural, como aquelas causadas por inun- dações, aumento na temperatura ou ventos fortes, e as mudanças provo- cadas pelo homem, como queimadas, desmatamento e produção de lixo, podem criar locais que ajudem na sobrevivência e reprodução dos dípteros que transmitem doença. Como esses insetos conseguem produzir muitos ovos, áreas que apresentem muitos locais favoráveis para sua procriação Dípteros de Importância Sanitária206 207Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte podem aumentar os registros sobre novas doenças ou sobre efermidades antigas que voltaram a adoecer a população. Assim, os dípteros são conside- rados bons bioindicadores ambientais. As doenças transmitidas pelos carapanãs atingem toda a população huma- na, especialmente moradores de regiões tropicais, como o Brasil, que tem o clima bastante favorável para a sobrevivência dos insetos. Segundo a Orga- nização Mundial de Saúde (OMS), essas doenças transmitidas pelos dípteros que sugam sangue são responsáveis por 700 mil mortes por ano no mundo. Essa informação cria muitos debates entre os governos devido aos prejuí- zos que esse problema causa para a saúde pública e a economia. Diante disso, os países da América se reuniram em 2018 para discutir propostas e ações preventivas, de vigilância e controle para reduzir o número de doen- ças transmitidas por dípteros. No local do Projeto N1 e N2, entretanto, foram registradas 40 espécies de dípteros, sendo três delas de importância sanitária e epidemiológica por atuarem como vetores: as espécies Anopheles darling e Anopheles oswal- doi são transmissoras do protozoário causador da malária e Coquilletidia venezuelensis, pernilongo transmissor natural silvestre do vírus que pro- voca a febre do oropuche. Essas espécies são comuns na região Amazô- nica, mas foram encontrados poucos indivíduos na área do Projeto N1 e N2. Outras espécies também podem transmitir parasitos causadores de diversas doenças, porém raramentedesempenham esse papel, sendo por isso chamadas vetores secundários. O mosquito da espécie Aedes aegypti, responsável por ser vetor dos vírus da dengue, zika e chikungunya, não foi registrado na área do Projeto N1 e N2, embora registros da doença tenham sido feitos nos municípios próximos, como Parauapebas. Isso é explicado pelo fato de o mosquito transmissor da dengue preferir ambientes ocupa- dos pelo homem, como cidades, vilas e fazendas. Malária Vetores A espécie considerada principal vetor da malária é o Anopheles darling, em- bora outras espécies também possam transmitir o microrganismo. Esses mosquitos são popularmente conhecidos como carapanã, muriçoca, bicuda. Ciclo de Transmissão A malária é uma doença registrada em praticamente todas as regiões tropicais e subtropicais, sendo que 40% da população mundial está suscetível à doença. A doença no homem é causada por quatro espécies de microrganismos co- nhecidos como protozoários: Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, P. ova- le e P. malariae. Esses protozoários possuem um ciclo complexo e com muitas fases de desenvolvimento, que ocorrem em dois hospedeiros: um invertebra- do – fêmea do mosquito do gênero Anopheles, onde ocorre a fase assexuada do ciclo – e um vertebrado – nesse caso, em especial, o homem, onde ocorre a fase sexuada do ciclo de desenvolvimento do microrganismo (figura 4). Parasita da malária Sangue infectado Sangue infectado Infecção do fígado Infecção do fígado Próxima pessoa infectada Pessoa infectada 2º mosquito Anopheles Fêmea 1º mosquito Anopheles Fêmea Durante a alimentação, enquanto o mosquito carapanã infectado suga o sangue do ser humano, ele transfere para o sangue os protozoários. Assim que entram no sangue do homem, esses microrganismos se movem para o fígado e então contaminam as células desse órgão, também conhecidas Figura 4 - Ciclo de transmissão da malária Dípteros de Importância Sanitária208 209Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte como hepatócitos. Dentro dos hepatócitos, os protozoários sofrem uma transformação e nessa nova fase do desenvolvimento se multiplicam, dan- do origem a muitos outros protozoários. Como as células do fígado ficam muito cheias de protozoários, elas acabam estourando e os protozoários in- vadem o sangue novamente. Dentro das células que formam o sangue, os protozoários se multiplicam até que essas células estourem. Quando as cé- lulas do sangue estouram, acontece a fase de febre característica da malária. A febre pode ocorrer a cada 48 horas, quando os protozoários responsáveis pela infecção são os Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum e Plasmodium ovale, ou a cada 72 horas, nos casos provocados por Plasmodium malariae. Enquanto isso, dentro do corpo da pessoa contaminada, podem acontecer duas situações: (i) os protozoários invadem outros eritrócitos e continuam se multiplicando no sangue e (ii) os protozoários mudam sua forma para po- der sobreviver dentro do corpo dos mosquitos carapanã. Dentro do corpo do mosquito carapanã, o protozoário sofre várias transformações para estar pronto para voltar para o corpo do homem, quando este é picado. O que fazer para não ficar doente Embora os grupos de pesquisa estejam se empenhando, ainda não existe vacina disponível contra a malária. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha que a prevenção seja feita através de utilização de mosquiteiros impregnados por inseticidas nas portas e janelas das casas e borrifação intradomiciliar. Além disso, é recomendado o uso individual de repelentes e roupas compridas que evitem ao máximo a exposição da pele em áreas endêmicas ou com ocorrência da malária. No entanto, a melhor medida preventiva é o controle vetorial. O Mi- nistério da Saúde implementou em 2003 o Plano Nacional de Controle da Malá- ria (PNCM), visando à prevenção e ao controle. O PNCM apresenta uma série de ações com o objetivo de reduzir o número de vetores da malária, principalmente na região amazônica, área com maior número de casos registrados da doença. Febre do oropouche Vetores O principal vetor silvestre do ciclo é o Coquilletidia venezuelensis e o principal vetor do ciclo urbano, o Culicoides paraensis, este último, porém não foi regis- trado na Área do Projeto N1 e N2 e nem na área do entorno. Ciclo de transmissão A febre oropouche é uma doença provocada por um vírus que é mantido por hospedeiros vertebrados (roedores, aves, primatas e homem) e trans- mitida entre eles por um inseto (mosquito carapanã) (figura 5). O vírus foi registrado pela primeira vez no Brasil em 1960, no sangue de uma pregui- ça (Bradypus tridactylus), e desde essa época a doença é frequentemente registrada, principalmente nos estados do Norte e Nordeste do país. As manifestações clínicas nos seres humanos incluem febre, mialgia, artral- gia, dor de cabeça, fotofobia e erupção cutânea. Na maioria dos casos, os sintomas não são graves e por isso a febre do oropouche recebe menos atenção, sendo, portanto, uma doença subnotificada. ANIMAIS SILVESTRES Preguiça, quati, macaco e aves MOSQUITO VETOR CARAPANÃ HUMANOS Sintomas: Febre, dor de cabeça, mal-estar, fotofobia, náusea, vômito, tontura, encefalite e meningite O vírus da febre do oropouche possui dois ciclos: um deles, o ciclo silves- tre, ocorre em áreas dentro de florestas e locais preservados. Nesse caso, o vírus é transmitido primariamente pelo mosquito Coquilletidia venezue- lensis aos animais silvestres (aves, roedores, preguiças e macacos). O ciclo urbano ocorre em áreas urbanas, rurais e ambientes degradados, mantém o homem como o hospedeiro e os mosquitos da espécie Culicoides pa- raensis como principais vetores, porém essa espécie não foi registrada na área do Projeto N1 e N2. A transmissão em qualquer um dos ciclos ocorre quando a fêmea carapanã, que é um vetor, se infecta com o vírus ao se alimentar do sangue de algum hospedeiro vertebrado. Uma vez que essa Figura 5 - Ciclo de transmissão da febre oropouche Dípteros de Importância Sanitária210 fêmea estiver com o vírus, a cada nova alimentação o mosquito irá trans- ferir um pouco do vírus para o vertebrado que ele estiver se sugando. Os vírus são parasitas que vivem obrigatoriamente dentro de células e são capazes de infectar vários tipos delas. O que fazer para não ficar doente Utilização de mosquiteiros impregnados por inseticidas nas portas e ja- nelas das casas, borrifação intradomiciliar e uso individual de repelentes e roupas compridas que evitem ao máximo a exposição da pele em áreas endêmicas ou com ocorrência da doença. Assim como ocorre com a ma- lária, a melhor medida preventiva é o controle do inseto. Espécie: Anopheles sp. Nome popular: Mosquito-prego, mosquito, pernilongo Família: Culicidae Atividade: Crepuscular/ Noturno Hábitat: Florestas em regiões de clima quente e úmido e próximo a habitações humanas Distribuição: As espécies do gênero Anopheles são encontradas em todo o território brasileiro. Curiosidade: Apenas as fêmeas alimentam-se de sangue, importante para o amadurecimento dos ovos. Os machos alimentam-se da seiva de plantas. Há espécies do gênero que são vetoras da malária. Espécie: Coquilletidia venezuelensis Nome popular: Pernilongo Família: Culicidae Atividade: Crepuscular/ Noturno Hábitat: Florestas em regiões de clima quente e úmido e próximo à habitações humanas Distribuição: Ocorre em toda a América do Sul Curiosidade: Principal vetora da febre do oropouche. Espécie: Coquillettidia sp. Nome popular: Mosquito, pernilongo Família: Culicidae Atividade: Crepuscular/ Noturno Hábitat: Florestas e áreas adjacentes utilizadas pelo homem Distribuição: Encontrada em todos os biomas brasileiros Curiosidade: Apenas as fêmeas alimentam-se de sangue, importante para o amadurecimento dos ovos. Os machos alimentam-se da seiva de plantas. Guia fotográfico Fo to : L ui z G ui lh er m e Fo to: L ui z G ui lh er m e Fo to : L ui z G ui lh er m e Peixes Fo to : M ar ce lo B ri to 215Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Peixes Os peixes correspondem ao maior grupo de todos os vertebrados e é com- preendido por animais que possuem grande diversidade de cores, formas e comportamentos. No mundo, podemos encontrar mais de 35.000 espécies de peixes nos mais variados ambientes aquáticos como em águas subterrâ- neas (cavernas), em grandes altitudes, profundidades dos oceanos maiores do que 6.500m, altas temperaturas ou baixíssimas dos extremos da Terra (polos), lençol freático, ambientes extremamente salgados e em poças tem- porárias. É fácil perceber que onde tem água, costuma ter peixe! A fauna de peixes do Brasil é extremamente rica e diversificada. O país possui uma das maiores riquezas do mundo, com aproximadamente 3.200 espécies conhecidas. Quando falamos em número de espécies por bacia hidrográfica, a Bacia Amazônica é a campeã mundial, com mais de 2.700 peixes. Mais da metade desses peixes é endêmica, ou seja, só ocorrem nela e em nenhum outro lugar do mundo. Na região da Serra Norte, conforme veremos adiante em maior detalhe, des- tacam-se as ordens Characiformes e Siluriformes, das quais fazem parte a maioria dos peixes da região Neotropical, e a ordem Cichliformes. A ordem Characiformes é um dos maiores grupos exclusivamente de água doce. Nela podemos encontrar representantes de diversos tamanhos, des- de as pequenas piabas e pequiras, com alguns centímetros, até os grandes tambaquis, com mais de 40 kg. Habitam os mais variados ambientes, sejam eles de águas rápidas como corredeiras ou ambientes de água parada como Ambiente amostrado para coleta de peixes no Projeto N1 e N2. Fo to : M ar ce lo B ri to Marcelo Fulgêncio Guedes de Brito Breno Perillo Nogueira Peixes216 217Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte lagoas e remansos. Apresentam o corpo com formatos e cores bem variadas, sendo completamente coberto por escamas. Algumas espécies podem rea- lizar migrações reprodutivas, as chamadas piracemas, quando se deslocam rio acima para reproduzir. É bem comum encontrar esses peixes formando cardumes, o que representa uma importante estratégia para evitar a pre- dação. A alimentação desse grupo é bem variada. Os peixes normalmente são mais ativos durante o dia (diurnos) e exploram ativamente os recursos do ambiente, bem como se alimentam dos itens que caem na água, como frutos, sementes e insetos. Os Siluriformes são peixes que apresentam couro ou placas ósseas reves- tindo o corpo. Esta ordem agrupa as espécies popularmente chamadas de bagres, que são os peixes de couro, bem como os peixes com placas ósseas, chamados de acaris e cascudos. Possuem barbilhões que são, na verdade, es- truturas quimiotácteis localizadas no queixo e próximas da boca para auxiliar na localização do alimento e percepção ambiental. Nas nadadeiras peitorais e na nadadeira dorsal estão os esporões, que são serrilhados e pontiagudos. Trata-se de estruturas que representam uma boa defesa contra a investida de predadores, visto que eles abrem esses esporões quando ameaçados. Os representantes dessa ordem, normalmente, estão associados ao fundo de rios com folhiço, areia ou pedras, e costumam ser mais ativos no amanhecer, no anoitecer e durante a noite (hábito crepuscular/noturno). Assim como descrito para os peixes de escama, algumas espécies dessa ordem também realizam a piracema no período reprodutivo. E por fim a Ordem Cichliformes, representada por espécies como os tucuna- rés, acarás, jacundás, entre outras. Algumas espécies apresentam comporta- mentos elaborados como territorialismo e cuidado parental, de maneira que os pais preparam o ninho e demandam cuidado desde a postura dos ovos até a independência dos filhotes. Cabe destacar que várias espécies dessas ordens, de pequeno porte, e prove- nientes da região amazônica, são capturadas e vendidas para a aquariofilia – prática de criar peixes, plantas e outros organismos aquáticos em recipien- tes de vidro, acrílico ou plástico, conhecidos como aquários. Muitas delas possuem alto valor comercial e são vendidas nos grandes centros urbanos do Brasil e exportados, como é o caso do neon (Characiformes), de diversos tipos de acaris (Siluriformes) e do acará-disco (Cichliformes). Os Peixes da Flona de Carajás, Serra Norte A região Neotropical possui a mais diversa fauna de peixes do mundo, compreendendo cerca de 5.500 espécies de água doce. A alta diversi- dade de peixes deve-se principalmente à presença de muitos sistemas hidrográficos (rios, lagos, igarapés, etc.), e principalmente à Bacia Ama- zônica. Essa bacia é de longe a mais rica do mundo, superando 2.700 espécies de peixes. Essa riqueza se deve não apenas à sua grande área (aproximadamente 7 milhões de km2), mas também a fatores históricos, juntamente com sua heterogeneidade ambiental e complexidade geo- morfológica. Cabe destacar que o conhecimento sobre a diversidade dessa fauna é ainda incompleto, uma vez que dezenas de novas espé- cies são descritas a cada ano. Portanto, essa riqueza de peixes tende a aumentar ainda mais. Na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, área onde está inserida a Serra Nor- te, são conhecidas 278 espécies de peixes. Na Serra Norte foram registradas até o momento 29 espécies e mais especificamente na região do Projeto N1 e N2, 19 espécies de peixes. Assim como na maioria das drenagens neo- tropicais, as ordens com o maior número de espécies foram Characiformes e Siluriformes, representando juntas mais da metade da riqueza total da fauna de peixes do Projeto N1 e N2. Os cursos d’água próximos à região de cabeceira, como é o caso dos am- bientes amostrados no Projeto N1 e N2, possuem hábitats específicos que por sua vez abrigam espécies com características especiais e adaptadas às condições do ambiente nesse segmento do curso d’água. A maioria das espécies possui distribuição geográfica restrita ou com maior parte inserida dentro da Amazônia, a exemplo das espécies tipi- camente amazônicas como o cachorrinho Acestrorhynchus falcatus, a pia- banha Brycon polylepis, o piquirão Bryconops caudomaculatus, o matupiri Poptella compressa, o acari-cachimbo Rineloricaria lanceolata, o acará-pi- xuna Aequidens tetramerus e o jacundá Crenicichla inpa. Outras espécies são comuns e amplamente distribuídas, destacando-se as espécies aracu- -cabeça-gorda Leporinus friderici e o aracu Leporellus vittatus, que ocorrem em duas ou mais bacias. Por outro lado, a piaba Astyanax elachylepis possui distribuição geográfica restrita à bacia do rio Tocantins. Já a tilápia-do-Nilo Peixes218 Foto 18 – Ambiente amostrado para coleta de peixes no Projeto N1 e N2. Oreochromis niloticus é uma espécie invasora na Bacia Amazônica, sendo originária do continente africano. Para as espécies registradas na Serra Norte, especificamente na área do Projeto N1 e N2, são observadas diferentes estratégias reprodutivas. Desta- cam-se entre elas o cuidado parental, que é a proteção dos filhotes, exerci- do pelas espécies acará-pixuna Aequidens tetramerus e jacundá Crenicichla inpa; espécies que se reproduzem durante todo o ano, como o cachor- rinho Acestrorhynchus falcatus e o piquirão Bryconops caudomaculatus, e por fim a piabanha Brycon polylepis, que tem sua reprodução no início do período chuvoso. Quanto à alimentação, observam-se diferentes hábitos dentre as espé- cies registradas. Com hábito alimentar piscívoro, ou seja, que se alimen- ta de peixes, tem-se o cachorrinho Acestrorhynchus falcatus; com hábito alimentar insetívoro, que se alimenta basicamente de insetos aquáticos e insetos terrestres que caem na água, tem-se o piquirão Bryconops cau- domaculatus; e com alimentação onívora (alimentam-se de algas, frutas, insetos, detritos e outros) destacam-se o aracu Leporinusfriderici, a pia- banha Brycon polylepis e o matupiri Poptella compressa. Por fim, tem-se o acari-cachimbo Rineloricaria lanceolata, que possui hábito alimentar iliófago/detritívoro, ou seja, alimenta-se raspando algas no substrato dos riachos onde vive, além de comer pequenos detritos que se deposi- tam no fundo. Você sabia que os peixes podem fazer ninhos e até mesmo carregar seus ovos e filhotes? Pois é! Algumas espécies fazem ninhos utilizando diversos materiais ou depositam seus ovos em diferentes substratos. Em alguns casos, os pais permanecem junto ao ninho du- rante todo o período de incubação, e o cuidado continua após a eclosão dos ovos, já que as larvas são pequenas e indefesas. Outras espécies podem carregar os ovos aderidos ao corpo (região ventral do corpo e lábios) ou até mesmo levar os ovos e filhotes dentro da boca! Com todo esse cuidado para evitar a predação, os pais aumentam as chances de sobrevivência de seus filhotes. Fo to : M ar ce lo B ri to Peixes220 221Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Guia fotográfico Espécie: Acestrorhynchus falcatus (Bloch 1794) Nome popular: Ueua ou cachorrinho Família: Acestrorhynchidae Comprimento: 30 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Orinoco (Equador, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela). Hábito alimentar: Alimenta-se principalmente de peixes. Características gerais: Apresenta o corpo alongado, olhos grandes e uma grande mancha alongada acima da nadadeira peitoral e uma mancha circular na base da nadadeira caudal. A boca é larga, com vários dentes pequenos que auxiliam na captura de peixes. A primeira reprodução ocorre quando os peixes apresentam 15 cm de comprimento. A desova acontece entre os meses de dezembro (final do período seco) e maio (início do período de cheias) na região amazônica. Espécie: Leporellus vittatus (Valenciennes 1850) Nome popular: Aracú; solteira Família: Anostomidae Comprimento: 30 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte Distribuição: Bacias Amazônica, Paraná-Paraguai e São Francisco (Brasil, Equador, Colômbia, Bolívia, Paraguai e Peru). Hábito: São peixes que se alimentam de insetos e outros invertebrados que são encontrados no fundo dos rios. Tamanho máximo: 30 cm Características gerais: Apresenta o corpo roliço e comprido, com olhos pequenos. A boca é levemente voltada para baixo, o que facilita a alimentação de organismos que se encontram no fundo dos rios. A coloração é cinza- amarelada com pequenas manchas pretas espalhadas da região da cabeça até a base da cauda. Na porção média do corpo as manchas ficam mais próximas, formando faixas longitudinais. As nadadeiras são amareladas, e quase na parte de cima da nadadeira dorsal existe uma mancha escura bem evidente, assim como faixas escuras horizontais na nadadeira caudal. Devido ao fato de não formar cardumes, em alguns lugares é chamada também de “solteira”. Seu colorido bem diferenciado e chamativo fez com que despertasse o interesse na aquariofilia, e pode ser encontrada, para aquisição, em lojas do ramo. Espécie: Leporinus friderici (Bloch 1794) Nome popular: Aracú-cabeça-gorda, aracú, piau Família: Anostomidae Comprimento: 40 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte Distribuição: Bacias dos rios Amazonas, Orinoco e do Prata (Argentina, Brasil, Equador, Colômbia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname). Hábito: São peixes oportunistas em relação à dieta, pois se alimentam daqueles itens mais abundantes e disponíveis. Normalmente em seu cardápio estão incluídos itens como frutas, sementes, insetos, camarões e peixes. Características gerais: Apresentam a cor cinza e corpo alongado com as extremidades mais estreitas (fusiforme). Observa-se a presença de três manchas arredondadas na lateral do corpo. A reprodução ocorre a partir dos 14 cm de tamanho, normalmente entre outubro e abril. Apresenta um importante papel na economia, sendo um pescado bastante comercializado e consumido pela população ribeirinha na Amazônia. Foto: Marcelo Brito Foto: SETE Foto: SETE Peixes222 223Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Espécie: Brycon polylepis Moscó Morales 1988 Nome popular: Piabanha Família: Bryconidae Comprimento: 25 cm (comprimento máximo) Hábitat: Presente em pequenos rios com águas limpas e fundo rochoso das porções mais altas das bacias hidrográficas. Distribuição: Bacias dos rios Orinoco, Negro, Tocantins e alto Amazonas (Venezuela, Colômbia, Peru e Brasil). Hábito: A alimentação da espécie consiste em insetos, folhas, frutos e sementes. Características gerais: Corpo alongado de coloração prateada bem uniforme e nadadeiras rosadas com a base amarela. A porção inicial da cauda apresenta uma grande mancha negra que continua na porção mediana da nadadeira caudal. Dados sobre a reprodução apontam para o início da estação chuvosa. Espécie: Astyanax elachylepis Bertaco & Lucinda 2005 Nome popular: Piaba Família: Characidae Comprimento: 12 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte na bacia do rio Tocantins Distribuição: Endêmica da bacia do rio Tocantins Hábito: A alimentação da espécie é bem variada (insetos, folhas, frutos e sementes). Características gerais: Apresenta corpo prateado com uma mancha quadrada bem evidente na base da cauda que se estende pela porção mediana da nadadeira. Apesar da ausência de estudos em relação a aspectos da sua biologia, provavelmente, é uma espécie que tem uma dieta bem variada com um grande período de reprodução, como peixes do mesmo grupo (gênero Astyanax). Espécie: Bryconops caudomaculatus (Günther 1864) Nome popular: Piaba, piquirão ou piquiratã Família: Iguanodectidae Comprimento: 12 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de maior porte Distribuição: Rios costeiros do escudo da Guiana, e bacias dos rios Orinoco e Amazonas (Brasil, Equador, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Suriname e Venezuela). Hábito alimentar: É uma espécie insetívora que procura o alimento por meio de investidas no fundo dos rios, na coluna d’água e também fora da água! Sim, esse peixe consegue pegar insetos que voam próximo à superfície do rio! Eles nadam com o corpo levemente inclinado próximo da superfície, e quando localizam os insetos voando eles aceleram a natação e saltam para fora da água. Esses saltos podem chegar a 15 cm de altura! Características gerais: Apresenta o corpo alongado. A cor prateada é bem evidente em suas escamas na lateral do corpo. As nadadeiras dorsal e adiposa têm a cor vermelha e a nadadeira caudal tem a base preta com uma mancha negra que ocupa quase toda metade superior, ficando uma pequena borda avermelhada. Encontrada em cardumes de até uma dúzia de peixes, podendo também formar cardumes mistos com outras piabas. A reprodução ocorre praticamente ao longo de todo o ano, e o piquirão inicia o seu processo reprodutivo a partir de 7 cm de comprimento. Espécie: Poptella compressa (Günther 1864) Nome popular: Matupiri Família: Characidae Comprimento: 10 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte Distribuição: Bacias do Orinoco, Amazônica e drenagens costeiras do norte da América do Sul (Bolívia, Brasil, Equador, Peru, Colômbia, Guiana e Venezuela). Hábito: Alimenta-se de vegetais, frutos sementes e insetos aquáticos e terrestres. Características gerais: São peixes de pequeno porte com olho grande, corpo alto e achatado lateralmente. Apresentam escamas esverdeadas na parte superior e escamas prateadas na parte média e inferior do corpo, com duas manchas verticais alongadas acima da nadadeira peitoral. Na base da nadadeira dorsal podemos observar um pequeno espinho que corresponde a uma característica marcante desse grupo. As nadadeiras apresentam um tom levemente amarelado a alaranjado. Foto: SETE Foto: Rafael ZeferinoFoto: Rafael Zeferino Foto: Rafael Zeferino Peixes224 225Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Espécie: Crenicichla inpa Ploeg 1991 Nome popular: Jacundá Família: Cichlidae Comprimento: 17 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte Distribuição: Bacia Amazônica (Brasil e Bolívia). Hábito: Alimenta-se de insetos e pequenos peixes que são capturados por meio de um bote rápido. Características gerais: Apresenta corpo alongado, com uma mancha bem evidente acima da nadadeira peitoral e outra pequena na base da nadadeira caudal. Uma listra longitudinal se estende atrás do olho até a altura da base da nadadeira peitoral. As fêmeas são menores que os machos e têm a região ventral do corpo avermelhada. A reprodução ocorre em grande parte do ano. O casal faz a desova em uma toca e cuida tanto dos ovos quanto dos filhotes até se tornarem independentes. É uma espécie bastante territorialista, e esse comportamento se intensifica com a chegada de intrusos no período que está cuidando dos filhotes. Espécie: Characidium zebra Eigenmann 1909 Nome popular: Canivete Família: Crenuchidae Comprimento: 7 cm (comprimento máximo) Hábitat: O canivete é um peixe que ocupa o fundo de riachos com corredeiras. Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Essequibo, e bacias costeiras do escudo da Guiana (Brasil, Colômbia, Bolívia, Guiana Francesa, Guiana, Uruguai, Venezuela e Suriname). Hábito: Alimenta-se principalmente de larvas de invertebrados Características gerais: Apresenta o corpo hidrodinâmico em formato alongado com as extremidades mais estreitas (fusiforme). Na lateral do corpo encontramos uma série de barras verticais difusas e uma faixa horizontal bem definida da cabeça até a base da nadadeira caudal. Vive em locais com águas rápidas e possui grandes nadadeiras peitorais e pélvicas que se expandem e funcionam como uma âncora para não permitir que seja carregados pela correnteza. Ordem Siluriformes Espécie: Rineloricaria lanceolata (Günther 1868) Nome popular: Acari-cachimbo Família: Loricariidae Comprimento: 12 cm (comprimento máximo) Hábitat: Riachos com águas limpas e fundo rochoso das porções mais altas das bacias hidrográficas. Distribuição: Bacias dos rios Amazonas e Essequibo, e bacias costeiras do escudo da Guiana (Bolívia, Peru, Equador, Guiana, Colômbia e Brasil). Hábito: Alimenta-se principalmente de algas, detritos e pequenos invertebrados no fundo dos rios. Características gerais: Apresenta o corpo achatado e a coloração varia bastante do negro ao marrom, com faixas cruzando a região superior do corpo (dorsal) que podem alcançar a região inferior do corpo (ventral). Quando os machos estão preparados para a reprodução, apresentam uma série de espículas na nadadeira peitoral, lateral da cabeça e na região superior antes da nadadeira dorsal que podem ser utilizadas no ritual de corte, assim como na defesa contra predadores. Ordem Cichliformes Espécie: Aequidens tetramerus (Heckel 1840) Nome popular: Acará-cuaima; acará-pixuna Família: Cichlidae Comprimento: 16 cm (comprimento máximo) Hábitat: Distribui-se por riachos e rios de médio porte Distribuição: Amplamente distribuído nas bacias dos rios Amazonas e Orinoco (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela). Hábito: Alimenta-se de algas, sementes, crustáceos, outros invertebrados, mas preferencialmente de insetos. Características gerais: Tem o corpo curto com uma mancha na região mediana e outra pequena na parte superior da base da nadadeira caudal. Uma estreita faixa longitudinal cruza o corpo próximo da nadadeira pélvica até o pedúnculo caudal. É uma das espécies mais coloridas do gênero, o que atrai a atenção e o desejo de aquaristas. Essa coloração é mais evidente no período reprodutivo, quando ganha tons avermelhados no corpo. São peixes precoces, iniciando a reprodução em torno de 6 cm de comprimento para a fêmea e 8 cm para o macho. São territoriais e apresentam cuidado parental. Foto: Marcelo Brito Foto: Marcelo Brito Foto: VALE Foto: VALE Biota Aquática Fo to : B RA N D T 229Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Campo Hidromórfico (Campo Graminoso/ Brejoso na Estação Chuvosa) Biota Aquática A biota aquática é o conjunto de seres vivos que habitam os rios, nas- centes, cachoeiras, veredas, lagoas, ambientes artificiais (represas, açu- des e tanques), entre outros, sendo parte desse conjunto o plâncton, os macroinvertebrados aquáticos e o nécton. O plâncton (da palavra grega “Planktos”, que significa “à deriva”) é o nome dado pelos pesquisadores ao conjunto de organismos que têm capacidade limitada de locomo- ção e que basicamente são transportados pelos movimentos das águas. Entre os seres planctônicos estão bactérias, diversas algas, protistas, rotíferos, microcrustáceos, larvas de peixes, de moluscos, entre outros. Esse grupo é dividido em fitoplâncton (pequenas plantas) e zooplâncton (pequenos animais). Já o nome macroinvertebrado aquático ou bentônico normalmente é dado aos insetos aquáticos (fases de larva e adulta), anelídeos (minhocas, sanguessugas e outros), moluscos (mexilhões e caracóis de água doce), crustáceos (camarões, caranguejos, etc.), entre outros pequenos animais que vivem associados ao sedimento dos corpos hídricos. No ambien- te aquático existem ainda os seres nectônicos, que são os animais que se movem ativamente e são capazes de vencer a densidade da água e se deslocar rapidamente, com o auxílio dos seus órgãos de locomoção, como nadadeiras. A composição do nécton é diversificada e fazem parte desse grupo os peixes, as tartarugas e os mamíferos aquáticos. Informa- ções sobre esses organismos podem ser obtidas nos respectivos capítulos que compõem este acervo. Sandra Francischetti Rocha Manoela Cristina Brini Morais Sofia Luiza Brito Fo to : B RA N D T Biota Aquática230 231Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Em geral, as relações entre esses grupos ocorrem no nível microscópico. As algas fitoplanctônicas que colonizam as superfícies sólidas de ambien- tes aquáticos representam importantes produtores primários ao transfor- mar a energia do sol em energia química através da fotossíntese. Ao serem consumidas pelos organismos microscópicos e macroscópicos (pode-se enxergar a olho nu) que compõem o zooplâncton, os macroinvertebrados bentônicos e o nécton, ocorre a transferência de energia na cadeia alimen- tar aquática. A fauna zooplanctônica assume papel dos consumidores e decompositores e é fundamental para a recirculação da matéria orgânica, pois consome tanto os produtores primários (algas) como os decomposi- tores (bactérias e fungos), e ainda há aqueles que se alimentam de maté- ria orgânica em decomposição e de outros pequenos animais. Já o grupo dos macroinvertebrados aquáticos é formado por animais que podem ser herbívoros (alimentam-se de plantas), detritívoros (alimentam-se de orga- nismos mortos ou de matéria orgânica) e predadores (alimentam-se de outros organismos). São, portanto, consumidores secundários dos produ- tores e consumidores primários da complexa cadeia alimentar do ambien- te aquático. Por outro lado, esses organismos constituem parte da dieta de peixes e, por isso, são tidos como elos importantes de fluxo de matéria e energia da base da cadeia alimentar para o topo. Você sabia que os macroinvertebrados são considerados ótimos bioindicadores ambientais? Isso ocorre porque existem grupos que são sensíveis a ambientes poluídos e só conseguem se manter e reproduzir em sistemas aquáticos muito limpos. Também há grupos que são tole- rantes e, embora não sejam muito abundantes, sobrevivem a certo grau de poluição. Há ain- da aqueles que são resistentes à poluição e se desenvolvem muito bem quando o ambientes está poluído. Então quando você lista os grupos presentes em um dado ambiente e avalia as suas abundâncias é possível classificar o ambientequanto à sua qualidade ambiental! As algas diatomáceas também são consideradas boas bioindicadoras da qualidade ambiental, principalmente dos rios, e dentre o zooplâncton também há grupos que apresentam prefe- rências relacionadas à qualidade ambiental, como as pulgas-d’água. Diante de toda essa variedade de formas e adaptações ecológicas dos distintos grupos da biota aquática, é notório que a colonização se dê nos mais variados ambientes, inclusive naqueles com condições extremas de nutrientes e de oxigênio, como algumas cianobactérias que sobrevivem em condições de anoxia (sem oxigênio). Estão distribuídos desde as re- giões polares até águas termais, colonizam o solo, os fitotelmos (depósi- tos de água pluvial armazenados em estruturas de plantas terrestres, tais como folhas modificadas, cavidades e depressões no caule), os ambien- tes intermitentes e temporários como poças, além dos lagos, rios, repre- sas e planícies inundadas. No cenário nacional, uma síntese atual da diversidade de algas apon- tou para o registro de 4.747 espécies, destas 2.808 são algas de água doce. Essas espécies estão distribuídas em 11 classes exclusivamente continentais e 13 são comuns aos ambientes marinhos e continentais, entre as quais Bacillariophyceae, Conjugatophyceae, Euglenophyceae e Chlorophyceae foram recentemente avaliadas como as mais importan- tes, pela grande representatividade em número de espécies na compo- sição do fitoplâncton. Quando investigada a diversidade zooplanctônica brasileira, as com- pilações mais recentes de estudos realizados em corpos d’água con- tinentais apontam 186 espécies de amebas testáceas em Protozoa, 625 espécies do filo Rotifera. Entre os microcrustáceos, são registradas 137 espécies da ordem Cladocera e 180 espécies da classe Copepo- da (sendo 53 da ordem Calanoida, 84 espécies de Cyclopoida e 43 espécies de Harpacticoida). Já em relação à diversidade nacional de macroinvertebrados, Mugnai e colaboradores (2009) elencaram um total de 3.154 espécies, distribuídas em vários grupos, como: Anelídeos, Moluscos, Crustáceos e Insetos, sen- do esse último os mais expressivos, com 1.297 espécies. Partindo do cenário nacional para o regional, os registros mais relevan- tes de algas estão nos estados do Sudeste (3.142 espécies) e do Sul (2.027 espécies) e a região com menor número de registros é a Norte do país, que contabilizou 817 espécies. É notório que a distribuição re- gional desse conhecimento está diretamente relacionada com a quan- tidade de pesquisadores especialistas e sua distribuição pelo território brasileiro. Em todo o estado do Pará, o estudo apontou o registro de 91 espécies, distribuídas em 12 classes, sendo Cyanobacteria (25) e Eugle- nophyceae (20) as mais ricas. Biota Aquática232 233Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Uma compilação de vários estudos reuniu em um livro dados de biodi- versidade de algas e de cianobactérias continentais (exceto Bacillario- phyceae) do estado do Pará e apontou uma riqueza muito maior quan- do comparada aos dados supracitados. Os 1.584 táxons infragenéricos registrados pertencem a 12 classes, 56 famílias e 169 gêneros, sendo as classes Zygnemaphyceae (Conjugathophyceae), Chlorophyceae e Cya- nobacteria as mais representativas. Dando o mesmo enfoque regional para a fauna zooplanctônica, um dos trabalhos mais completos relativo ao estado do Pará, realizado no reser- vatório do Curuá-Una, aponta 51 táxons de tecamebas, sendo as famílias mais especiosas Difflugiidae (19 táxons), Arcellidae (15 táxons) e Centro- pyxidae (9 táxons). No Rio Xingu foram registradas 94 espécies do filo Rotifera, 61 espécies da ordem Cladocera e 10 de Copepoda (4 da ordem Cyclopoida e 6 da ordem Calanoida). Na Serra de Carajás, cinco lagos tropicais de altitude concentram 51 es- pécies, sendo 28 pertencentes a Rotifera, 17 a Cladocera e 6 a Copepoda. Ainda neste contexto regional, considerando especificamente a região de Carajás, há estudos sobre macroinvertebrados que vêm sendo realizados em diversos projetos e já revelaram, até o momento, apro- ximadamente 100 táxons, sendo as famílias Chironomidae (Ordem Diptera), Coenagrionidae e Libellulidae (Ordem Odonata) as mais abundantes. Nesse contexto, o levantamento de espécies do Projeto N1 e N2 é de grande importância para ampliar o conhecimento da biota aquática, não só da região de Carajás, como do estado do Pará como um todo. Sendo assim, a abordagem integrada do grupo Biota Aquática, pro- posta neste capítulo, trará informações acerca da composição da co- munidade hidrobiológica formada pelos organismos fitoplanctônicos, zooplanctônicos e de macroinvertebrados aquáticos (Bentônicas) que foram identificados na Serra Norte, parte da Flona de Carajás, especifi- camente na área do Projeto N1 e N2. Biota Aquática da Flona de Carajás, Serra Norte Fitoplâncton Estudos do fitoplâncton na Área de Estudo Local do Projeto N1 e N2 contabilizaram 448 táxons, o que representa uma elevada riqueza e uma importante contribuição para ampliar o conhecimento das algas do estado e do país. Foram identificadas 10 classes de fitoplâncton, sendo Conjugatophyceae e Bacillariophyceae dominantes em termos de riqueza. No âmbito dos corpos hídricos da área do Projeto N1 e N2, o levantamen- to taxonômico de 11 locais amostrados registrou um total de 252 táxons (tipos diferentes de algas-unidade taxonômica associada a um sistema de classificação científica), dos quais apenas 176 foram identificados até a categoria de espécies. Das 10 classes de fitoplâncton presentes, Con- jugatophyceae e Bacillariophyceae também foram as mais ricas e repre- sentaram 38% e 24%, respectivamente, de todos os táxons identificados. Da classe Conjugatophyceae, os gêneros Cosmarium e Staurastrum fo- ram os mais diversos, somando 41 espécies identificadas. Entre as Bacilla- riophyceae, os gêneros Eunotia e Pinnularia foram os mais diversos, com 17 espécies no total. As espécies de alga Cryptomonas sp., Centritractus sp. e Batrachospermum sp. foram os únicos registros das classes Cryptophyceae, Xanthophyceae e Rhodophyceae. Quanto aos ambientes aquáticos da Área de Estudo Local, constatou-se que os sistemas lênticos com maior heterogeneidade de hábitat e con- dições mais estáveis tiveram maior riqueza de algas. O estudo indicou também que os diferentes ambientes são colonizados por comunidades particulares, sendo poucas espécies comuns a todos eles. Esse resultado reflete a importância de cada sistema hídrico para a determinação da diversidade da Biota Aquática e, consequentemente, da diversidade bio- lógica total da Serra Norte. Figura 6 – Onde estão esses organismos de água doce microscópicos e macroscópicos? Igarapé da Flona de Carajás – F-1 desmídeas e F-2 clorofíceas (fitoplâncton); Z-1 rotífero e Z-2 tecameba (zooplâncton); MB-1 coleoptera e MB-2 odonata (macroinvertebrados aquáticos) F1 – Cosmarium sp. MB1 – Coleóptera MB2 – Odonata Z2 – Arcella costataZ1 – Lecane curvicornisF2 – Desmodesmus sp. Fo to : S ET E 237Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Ambiente amostrado no Projeto N1 e N2. Zooplâncton Na área do Projeto N1 e N2 foram registrados 293 táxons, sendo 122 perten- centes a Rotifera, 75 a Protozoa, 60 a Cladocera, 29 a Copepoda e ainda 7 táxons pertencentes a outros grupos (Acarina, Gastrotricha, Chironomidae, Tardigrada, Nematoda e Ostracoda). Comparada a outros trabalhos na região de Carajás e no estado do Pará, essa riqueza pode ser considerada alta, especialmente para rotíferos e tecamebas, o que pode ser um reflexo do grande esforço de amos- tragem empregado localmente durante os estudos na área do Projeto N1 e N2. Entre os protozoários, a família com maior número de táxons foi Arcellidae (15), seguida por Centropyxidae (11), Difflugidae (11) e Lesquereusiidae (9), sendo todas amebas testáceas. Já entre os rotíferos, Lecanidae(37) apresen- tou maior riqueza, seguida por Brachionidae (14), Lepadellidae (12) e Tricho- cercidae (12). Para os cladóceros, Chydoridae foi a família com maior riqueza (36), enquanto para os copépodes a ordem Cyclopoida apresentou maior número de táxons (18), seguida por Calanoida (6) e Harpacticoida (5). As famílias com maior riqueza de táxons entre os protozoários, rotíferos e cladóceros são típicas da região litorânea de rios e lagos, também comu- mente associadas às plantas aquáticas. Em toda a comunidade zooplanctô- nica continental, copépodes são o grupo que apresenta maior endemismo, especialmente o gênero Notodiaptomus. Macroinvertebrados aquáticos A macrofauna bentônica de toda a área de estudo do Projeto N1 e N2 foi ex- pressa em 100 táxons pertencentes aos filos Arthropoda, Mollusca e Annelida. Os artrópodes foram os mais representativos em termos de riqueza (91%), principalmente pela contribuição da classe Insecta, sendo as ordens Diptera e Coleoptera as mais diversas, contemplando no total 29 táxons. Ressalta-se que para a comunidade de macroinvertebrados bentônicos a identificação até o nível taxonômico de família é comumente utilizada, em razão das limitações nos métodos de identificação das fases larvais para muitos grupos. Por isso, na lista digital que acompanha este livro, nem todos os táxons são apresentados na categoria de espécie. Fo to : M ar ce lo B ri to Biota Aquática238 239Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Guia fotográfico A recorrência de registros de Ephemeroptera e Trichoptera, os quais são exigentes quanto à qualidade ambiental, ratifica a condição preservada dos corpos hídricos em que foram registradas. A caracterização física e química da água corrobora a bioindicação dos macroinvertebrados, uma vez que a qualidade de água se mostrou adequada para manutenção da biota aquática. Duas famílias se destacaram por terem sido registradas em todos os am- bientes avaliados da Serra Norte, os coleópteros Elmidae e díptera Chi- ronomidae. As ordens Ephemeroptera, Trichoptera, Hemipera e Odonata foram também frequentes nos corpos hídricos nessa localidade. Você sabia que o fitoplâncton, embora não seja um grupo de animais e sim de algas, é nor- malmente estudado nos levantamentos de campo sobre a fauna? Pois é, o que se chamava de “algas” até pouco tempo atrás, hoje, é reconhecido que neste grupo estão reunidos tanto bactérias como organismos eucarióticos fotossintéticos ou não. Assim, compõem o grupo das algas as cianobactérias (reino Monera), algumas euglenofíceas (reino Protozoa), diato- máceas (reino Chromista) e clorofíceas (reino Plantae). Embora o avanço da ciência tenha revelado todas essas variações, o termo alga ainda é utilizado. Uma vez que, historicamente, a Biota Aquática como um todo (algas do fitoplâncton, o zooplâncton e os macroinvertebra- dos aquáticos) é avaliada durante os estudos ambientais, naturalmente o fitoplâncton aca- ba sendo avaliado nos diagnósticos sobre a fauna, assim como no caso do Projeto N1 e N2. Classe: Conjugathophyceae Gênero: Closterium Ordem: Desmidiales Família: Desmidiaceae Hábitat: Planctônico e perifítico Curiosidade: Vários gêneros deste grupo (desmídeas) são formados por duas hemicélulas muito semelhantes, unidas por um istmo- cintura (simetria bilateral). Algas deste gênero normalmente assumem esta forma de meia lua. Classe: Chrysophyceae Ordem: Chromulinales Família: Dinobryaceae Gênero: Dinobryon Espécie: Dinobryon sertularia Ehrenberg Hábitat: Planctônico Curiosidade: Neste gênero, as células ficam contidas dentro de uma lórica e podem formar colônias, como observado na imagem. Classe: Chlorophyceae Ordem: Sphaeropleales Família: Selenastraceae Gênero: Kirchneriella Hábitat: Planctônico Curiosidade: Representantes das algas verdes, são muito comuns nos ambientes aquáticos de água doce. Classe: Conjugathophyceae Gênero: Cosmarium Ordem: Desmidiales Família: Desmidiaceae Hábitat: Planctônico e perifítico Curiosidade: Este é mais um gênero de desmídeas, formado por duas hemicélulas. A parede é ornamentada por verrugas e poros. Classe: Bacillariophyceae Ordem: Tabellariales Família: Tabellariaceae Gênero: Diatoma (vista pleural) Hábitat: Planctônico Curiosidade: As algas diatomáceas são compostas por duas estruturas de sílica bem resistentes (Frústula). Os detalhes morfológicos da frústula (formato, número e disposição de estrias, poros, etc..) são usados para identificação de gêneros e espécies. Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Classe: Dinophyceae Ordem: Peridiniales Família: Peridiniacee Gênero: Peridinium Hábitat: Planctônico Curiosidade: Formam cistos que resistem ao período de seca e se desenvolvem nos períodos de chuva. A identificação é feita a partir da observação, entre outras características, do número, da disposição e do arranjo das plaquetas e das suturas que formam a carapaça (hipoteca e epiteca). Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Classe: Cyanophyceae (Cyanobacteria) Ordem: Oscillatoriales Família: Oscillatoriaceae Gênero: Oscillatoria Hábitat: Planctônico Curiosidade: Cyanobacteria filamentosa. Essas algas são na verdade bactérias e são muito resistentes, podendo colonizar os mais diversos tipos de ambientes. Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Fo to : S an dr a Fr an ci sc he tt i Espécie: Arcella costata Nome popular: Tecameba Família: Arcellidae Atividade: Detritívora Comprimento: Micrômetros (0,001 milímetros – são microscópicos) Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Litorâneo, associado às plantas aquáticas Curiosidade: As tecamebas são muito comuns e estão entre os principais grupos presentes em rios, riachos e córregos. As carapaças são usadas para identificar as espécies. Fo to : S ofi a Br ito Classe: Bacillariophyceae Gênero: Pinnularia Ordem: Fragilariales Família: Pinnulariaceae Hábitat: Planctônico Curiosidade: As algas diatomáceas são compostas por duas estruturas de sílica bem resistentes (Frústula). Além dos detalhes morfológicos da frústula (formato, número e disposição de estrias, poros, etc..), a forma e a posição do cloroplasto também são usadas para identificação de gêneros e espécies. Na ilustração o plasto está bem visível e tem a forma de um H. Espécie: Alonella sp. Nome popular: Pulga-d’água Família: Chydoridae Atividade: Filtradora Comprimento: Milímetros Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Litorâneo, associado às plantas aquáticas Curiosidades: As antenas parecem pequenos “braços” nos cladóceros e são modificadas para locomoção. Quando se deslocam, parecem nadar em pequenos saltos dentro da água, sendo conhecidos popularmente como “pulgas-d’água”. Apesar de engraçado, é preciso atenção, porque esses organismos não são insetos, e sim crustáceos. Fo to : S ofi a Br ito Ordem: macho Cyclopoida Nome popular: Copépode Família: Cyclopinae Atividade: Predador Comprimento: Milímetros Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Planctônico Curiosidade: Estes organismos alimentam-se principalmente de algas ou são predadores e a maioria das espécies possui exigências quanto à qualidade do ambiente, sendo consideradas sensíveis à poluição das águas. Fo to : S ofi a Br ito Fo to : S ofi a Br ito Espécie: Lesquereusia sp. (esquerda) e Cyphoderia (direita) Nome popular: Tecamebas Família: Lesquereusiidae e Cyphoderiidae Atividade: Detritívora Comprimento: Micrômetros (μm = 0,001 milímetros – são microscópicos) Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Litorâneo, associado às plantas aquáticas Curiosidade: Podem medir de 20μm até 500μm e, como se alimentam de bactérias, fungos, algas e outros protozoários, vivem em ambientes ricosem matéria orgânica em decomposição. Fo to : S ofi a Br ito Espécie: Lecane leontina Nome popular: Rotífero Família: Lecanidae Atividade: Filtradora Comprimento: Micrômetros (0,001 milímetros – são microscópicos) Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Litorâneo, associado às plantas aquáticas Curiosidades: Tem como característica a vida associada às plantas aquáticas, principalmente nas margens de corpos d’agua. Esses animais têm uma coroa de cílios que através do batimento concentram o material que está suspenso na água e é assim que se alimentam. Os cílios são usados também para a locomoção. Classe: Bdelloidea Nome popular: Rotífero Atividade: Filtradora Comprimento: Micrômetros (μm = 0,001 milímetros – são microscópicos) Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Bentônico Curiosidade: Estes rotíferos não apresentam carapaça rígida e por isso é difícil identificá-los. Vivem em rios, entre as plantas e nos sedimentos, e se desenvolvem em presença de matéria orgânica sob condições de decomposição. Fo to : S ofi a Br ito Estágio: Náuplio Nome popular: Copépode Família: Cyclopinae Atividade: Filtradora Comprimento: Milímetros Distribuição: Brasil Hábitat: Aquático Hábito: Planctônico Curiosidade: Náuplio é apenas uma fase larval dos crustáceos copépodos. Fo to : S ofi a Br ito Noma polular: grupo das minhocas Filo: Annelida Subclasse: Oligochaeta Tolerância: Resistente Grupo funcional: Filtrador Hábitat: Bentônico Curiosidade: Os oligoquetas são hermafroditas e algumas espécies, sobretudo de água doce, podem reproduzir-se através da divisão de um indivíduo em várias secções transversais, e cada secção pode formar um indivíduo completo por regeneração. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: caracol Filo: Mollusca Classe: Gastropoda Ordem: Mesogastropoda Família: Ampullariidae Tolerância: Resistente Grupo funcional: Raspador Hábitat: Bentônico Curiosidade: Agrupa os animais conhecidos por caracóis e lesmas. Os gastrópodes vivem nos mais variados tipos de ambientes marinhos e de água doce, sendo o único grupo dentre os moluscos a ter desenvolvido a capacidade de viver fora da água. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: camarão de água doce Filo: Arthropoda Subclasse: Crustacea Ordem: Decapoda Família: Paleomonidae Tolerância: Tolerante Grupo funcional: Filtrador Hábitat: Nectônicos Curiosidade: nos ambientes de água doce há representantes dos camarões, lagostas (lagostim) e caranguejos que vivem em rios costeiros próximos ao litoral. A maioria é comestível e tem importância econômica no que diz respeito à atividade pesqueira. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larvas de besouros Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Coleoptera Família: Elmidae Tolerância: Tolerante Grupo funcional: Coletor Hábitat: Bentônico Curiosidade: Esta pode ser uma larva dos tão conhecidos besouros! Coleoptera é uma ordem muito diversa de insetos, mas os mais populares são os besouros e as joaninhas. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: barqueiros Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Hemiptera Família: Notonectidae Tolerância: Tolerante Grupo funcional: Predador Hábitat: Nectônico Curiosidade: Neste grupo de Hemiptera estão as larvas das cigarras, percevejos, pulgões e cochonilhas. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larva de efemérida Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Ephemeroptera Família: Baetidae Tolerância: Tolerante Grupo funcional: Coletor Hábitat: Bentônico Curiosidade: Ocorrem nos mais diversos tipos de ambientes, como lagoas e rios, sendo a maior diversidade encontrada em rios de cabeceira. Os adultos são conhecidos por efeméridas. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larva de tricópteros Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Trichoptera Família: Leptoceridae Tolerância: Sensível Grupo funcional: Coletor Hábitat: Bentônico Curiosidade: Estas larvas de insetos (os adultos são conhecidos por moscas caddis) são especialistas em coletar material do ambiente em que elas vivem para formar este “casulo”, portanto, cada casulo é diferente do outro. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larva de plecóptero Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Plecoptera Família: Perlidae Tolerância: Sensível Grupo funcional: Predador Hábitat: Bentônico Curiosidade: Neste grupo existem organismos exigentes que gostam de viver somente em ambientes muito limpos e bem oxigenados. Portanto, se vir um bichinho deste, pode ser uma indicação de que o ambiente esteja com água de boa qualidade. Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larva de mosquito Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Diptera Família: Chironomidae Tolerância: Resistente Grupo funcional: Coletor Hábitat: Bentônico Curiosidade: Há larvas de chironomideos com hemoglobina, que lhes confere a coloração vermelha quando os ambientes em que vivem apresentam baixos níveis de Oxigênio. Fo to : M an oe la B ri ni Fo to : M an oe la B ri ni Nome popular: larva de libélula Filo: Arthropoda Classe: Insecta Ordem: Odonata Família: Libellulidae Tolerância: Sensível Grupo funcional: Predador Hábitat: Bentônico Curiosidade: Essas são as larvas aquáticas das libélulas. Então se tiver libélulas voando por aí, é bem provável que tenha uma larvinha desta vivendo nos ambientes aquáticos próximos. Fo to : M an oe la B ri ni Fo to : J oã o M ar co s Ro sa Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte 255 Cerdocyon thous (Cachorro-do-mato) Literatura consultada ALEIXO, A.; CARNEIRO, L. S.; DANTAS, S. de M. Aves. 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Arborícola: Espécie que utiliza preferencialmente árvores/arbustos. Arquétipo: Modelo ou padrão que se utiliza como exemplo. Artralgia: Dor nas articulações. Atividade filtradora: Forma de obtenção de alimento por organismos através da filtração. Bioindicadores: São espécies, grupos de espécies ou comunidades biológicas cuja presença, abundância e condições gerais são indicativos biológicos de uma determinada condição ambiental. Biota: Denominação utilizada para o conjunto da fauna e flora de uma determinada região. Cadeia alimentar: É o nome do processo que ocorre na natureza para troca de alimento e energia entre os seres. Os organismos produtores servem de alimento e energia para os organismos consumidores, que por sua vez são consumidos, depois de morrerem, pelos decompositores. Camuflagem: Estratégia de dissimulação que ocorre quando determinados animais apresentam a mesma cor (homocromia) e/ou a mesma forma (homotipia) do meio em que vivem, geralmente para enganar seus predadores ou mesmo suas presas. Cavernícola: Espécie que habita cavernas. Cianobactérias: São seres procariotas pertencentes ao Reino Monera. Também são conhecidas como cianofíceas ou algas azuis, decorrente da presença da ficocianina, que é um pigmento azul que por vezes mascara a cor verde da clorofila. Podem ser filamentosas, coloniais ou unicelulares, envolvidas ou não por bainhas gelatinosas, vivendo em águas doces, águas salgadas, fontes termais e solo. Apresentam uma extraordinária capacidade adaptativa e algumas espécies podem ter períodos de dormência (ficam inativas) no sedimento. Ciclo biológico: Ciclo de vida, sequência de mudanças pelas quais passa um ser vivo ao longo de sua vida. O ciclo de vida envolve a fecundação, o nascimento, o crescimento, a reprodução, o envelhecimento e a morte de animais, plantas e micróbios. Cistos: Cistos de resistência em microalgas ocorrem através da reprodução sexuada quando as condições ambientais se encontram desfavoráveis para as células vegetativas. As principais funções dos cistos de resistência são permitir a sobrevivência, a dispersão e a recombinação genética dos organismos. O cisto recém-formado afunda e permanece no sedimento, dando início à fase de dormência, caracterizada pela suspensão do crescimento. Corpo hidrodinâmico: Com características anatômicas que facilitam a natação. Decompositores: São organismos que se alimentam de matéria morta e excrementos, transformando substâncias orgânicas em inorgânicas, que servirão para alimentar os produtores, reiniciando o ciclo. Temos como exemplos de decompositores as bactérias, fungos e alguns protozoários. Detritos: Matéria orgânica particulada. Doença subnotificada: Doença com o número de casos registrados abaixo do número real de afetados. Dorsal: Parte superior do corpo. Ecossistemas: Sistema integrado e autofuncionante que consiste em interações dos elementos bióticos e abióticos, e cujas dimensões podem variar consideravelmente. Endêmico: Diz-se de entidade biológica (em geral espécie) encontrada apenas em uma determinada região, espécies nativas de uma determinada área e restrita a ela. Endemismo: Caráter restrito da distribuição geográfica de determinada espécie ou grupo de espécies que vive limitada a uma área ou região. Epiteca: Nas diatomáceas, a epiteca é a valva maior. Nos dinoflagelados, a parte da célula anterior ao cíngulo constitui o epissoma (epiteca). Eritrócitos: Células sanguíneas responsáveis pelo transporte de oxigênio. Também chamada de glóbulo vermelho, hemácia. Erupção cutânea: Inflamações na pele que podem gerar vermelhidão, prurido, inchaço, etc. Escamas epidérmicas: Escamas externas, de revestimento, formadas por queratina, que se localizam acima da derme, presentes nas serpentes e lagartos. Espécie invasora: Organismo que se encontra fora da sua área de distribuição natural, normalmente introduzido pelo homem, que se aclimata, reproduz e prolifera sem controle, passando a representar ameaça às espécies nativas, para a saúde e economia humana e/ou para o equilíbrio dos ecossistemas. Espécie migratória: Organismos que realizam deslocamento de grandes distâncias para desempenhar funções biológicas básicas como alimentação e reprodução. Espécie simpátrica: Aquela que ocorre concomitantemente com mais espécies em uma determinada área geográfica, com superposição parcial ou total de suas distribuições. Espécimes testemunho: Indivíduos coletados e tombados em coleções biológicas, utilizados em pesquisas científicas. Espículas: Projeções espinhosas encontradas em nadadeiras de várias famílias de peixes. Estoques evolutivos: Linhagens. Eucarióticos: Seres uni ou pluricelulares cujo material genético (DNA) está separado do citoplasma, envolto por uma membrana nuclear. Incluem algas, protozoários, fungos, plantas e animais. Farmacopeia: Coleção ou catálogo de drogas e medicamentos. Fase assexuada: Forma de reprodução na qual não ocorre troca de material genético entre os indivíduos, pois geralmente essa forma reprodutiva envolve um único indivíduo capaz de gerar vários outros. Assim, os organismos filhos formados serão todos idênticos ao organismo original. Fase sexuada: Nessa forma de reprodução ocorre troca de material genético entre as células. Assim, as células filhas não são idênticas às células parentais. Fluxo de matéria e energia: Transferência de matéria e energia por diferentes níveis na cadeia alimentar. Forrageadora ativa: Aqueles que se se movimentam para procurar alimento, principalmente que se alimentam de outros animais. Fossorial: Espécies que cavam o solo, com o comportamento de viver embaixo da terra ou do folhiço. Fotofobia: Aversão à luz. Glossário Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte262 263 Fotossíntese: Processo bioquímico realizado pelosseres clorofilados (na maioria das vezes, vegetais), em que a energia luminosa é convertida em energia química, e armazenada em carboidratos. Os carboidratos são sintetizados a partir de substâncias simples: gás carbônico (CO 2 ) e água (H 2 O). Como subproduto da fotossíntese há a liberação de oxigênio (O 2 ) para a atmosfera. A energia fixada neste processo é o que mantém a imensa maioria dos seres vivos da Terra. Frústula: Carapaça silicosa de diatomáceas formada por duas metades que se encaixam (valvas). Hábito Nectônico: Forma de vida de um conjunto de organismos aquáticos que possuem um movimento ativo, ou seja, que são capazes de nadar contra a correnteza (peixes, por exemplo). Hábito Perifítico: Forma de vida de um conjunto de organismos que vivem aderidos a substratos inorgânicos (pedras e qualquer material como vidro, acrílico, bloco de cimento, etc.) ou orgânicos vivos ou mortos (plantas aquáticas, folhas, troncos, galhos, carapaças, entre outros). Heliotérmica: Que regula sua temperatura corporal utilizando como fonte o calor do sol. Hemicélulas: Nas algas desmídeas, é o nome dado a cada uma das metades simétricas das células, unidas por uma constrição. Hemoglobina: Proteína responsável pelo transporte de oxigênio. Hermafrodita: Em animais, é o indivíduo que reúne os dois sexos, ou seja, possuem ambos os órgãos reprodutivos, masculino e feminino, completos ou em parte. Hipoteca: Nas diatomáceas, a hipoteca é a valva menor. Nos dinoflagelados a parte da célula posterior ao cíngulo é o hipossoma (hipoteca). Igapós: Nome indígena, que significa “mata cheia d’água”. Áreas de florestas periodicamente inundadas por rios de água preta ou rios de água clara. Igarapés: Nome indígena, que significa “caminho de canoa”. São riachos de águas claras ou pretas que desaguam em grandes rios amazônicos. Iliófagos: São peixes que ingerem o substrato (lodo ou areia) e nesse substrato encontram-se os alimentos (animal, vegetal). Importância sanitária e epidemiológico: Aquele que possui destaque por estar envolvido no ciclo biológico de algum parasita causador de doença, passível de gerar epidemia. Incubar: Comportamento de manter os ovos em condições favoráveis ao desenvolvimento até a eclosão dos mesmos. Istmo-cintura: ponte de ligação entre as duas hemicélulas das desmídeas. Lórica: revestimento, invólucro, “armadura”. Tipo celular de envoltório rígido que fica separado do protoplasma (material vivo constituinte da célula) por um espaço. Manejo sustentável: Interferência planejada e criteriosa do homem no sistema natural, para produzir um benefício ou alcançar um objetivo, mantendo ou melhorando a capacidade do sistema continuar a existir por um longo período. Mialgia: Dor muscular. Morfoespécie: É um conceito de espécie para a qual não foi possível alcançar a determinação específica pela ausência de descrições taxonômicas na bibliografia consultada. São designadas por sp.1, sp.2, entre outros. Nadadeira adiposa: Pequena nadadeira encontrada dorsalmente após a nadadeira dorsal. Nadadeira caudal: Nadadeira de diferentes formas, situada na parte final do corpo do peixe, bastante importante para sua locomoção. Nadadeira dorsal: Nadadeira com espinhos e/ou raios, situada ao longo do perfil superior do peixe. Nadadeira peitoral: Nadadeira par, situada depois da cabeça e do opérculo ósseo. Nadadeiras pélvicas: Encontram-se na região ventral à frente da nadadeira anal. Possuem função estabilizadora e orientadora dos movimentos. Novo Mundo: Continente Americano. Ondas ultrassônicas: Frequências sonoras acima da amplitude da audição humana, aproximadamente 20 kilohertz. Onívoro: Organismo que se alimenta de qualquer tipo de alimento. Oportunista ocasional: Aquele que, ocasionalmente, muda seu hábito alimentar de acordo com a disponibilidade de recursos. Ornitológico: Referente à ornitofauna ou à ciência que estuda as aves. Parasitos: Organismo, geralmente microrganismo, cuja existência se dá às expensas de um hospedeiro. Existem parasitas obrigatórios e facultativos; os primeiros sobrevivem somente na forma parasitária e os últimos podem ter uma existência independente do hospedeiro. Placas ósseas: Crescem por debaixo das escamas e formam uma armadura protetora. Encontrada nos jacarés. Polinização: Transporte do pólen liberado pelas anteras para o estigma do gineceu da mesma planta ou de outro indivíduo. Os tipos de polinização são: autopolinização e polinização cruzada. No segundo caso, o processo pode ser realizado por agentes abióticos, como o vento, ou por alguns seres vivos, como insetos, aves e morcegos. Procarióticos: Organismos unicelulares cujo material genético (DNA) está disperso no citpolasma; incluem as bactérias e cianobactérias. Profilaxia: Maneira de evitar o contágio de determinada doença/infecção. Protistas: Organismos do Reino Protista, basicamente composto por algas e protozoários. Regeneração: É a capacidade de células, tecidos, órgãos ou organismos não afetados de se multiplicarem e, de acordo com a necessidade, de se diferenciarem, a fim de recompor a parte corporal lesionada. Região Neotropical: Região compreendida pelo sul da América do Norte, América Central e América do Sul. Regulação térmica: Controle da temperatura corporal. Ritual de corte: Ritual que objetiva a atração de um parceiro reprodutivo. Savanas: Tipo de formação vegetal mista composta de extrato baixo e contínuo de gramíneas e subarbustos, com maior ou menor número de pequenas árvores espalhadas. As árvores da savana apresentam raízes profundas, folhas grossas e troncos retorcidos. Essas características permitem que essa vegetação seja resistente ao período de estiagem típico do clima em que estão localizadas. No Brasil também são conhecidas como Cerrado ou pelas diversas formas como este se apresenta, por exemplo, Campo sujo, Campo Cerrrado, Cerradão, entre outras. Serviços ecossistêmicos: Conceito associado à tentativa de valoração dos benefícios ambientais que a manutenção de áreas naturais pouco alteradas pela ação humana e a conservação de determinadas espécies trazem para o conjunto da sociedade. Entre os serviços ambientais mais importantes estão a manutenção de estoques de predadores de pragas agrícolas, de polinizadores, de exemplares silvestres de organismos utilizados pelo homem (fonte de genes usados em programas de melhoramento genético). Os serviços ambientais são imprescindíveis à manutenção da vida na Terra. Sílica: Composto de silício e oxigênio (SiO 2 ) encontrado, por exemplo, na areia. Simetria: A simetria é definida como tudo aquilo que pode ser dividido em partes, sendo que ambas as partes devem coincidir quando sobrepostas. Subespécie: É uma subdivisão de uma espécie, quando esta se diferencia da original, mas não ao ponto de tornar-se uma nova espécie. Substância anticoagulante: Substância que impede a coagulação do sangue. Táxons: Designa um nível taxonômico de um sistema de classificação. Um táxon pode designar um reino, filo, classe, ordem, família, gênero ou espécie. O táxon infragenérico é toda categoria inferior ao “genero”, a saber: espécie – subespécie – morfoespécie. Terópodes: Grupo de dinossauros bípedes (que se movem por meio de seus dois membros posteriores ou pernas), de membros anteriores curtos. Terrícola: Espécie que habita preferencialmente no solo. Territorialismo: Animal que defende consistentemente uma determinada área contra outros indivíduos da mesma espécie (e, ocasionalmente, de outras espécies). Animais que defendem territórios desta forma são chamados de territoriais. Ventral: Parte inferior do corpo (ventre) ou de uma estrutura anatômica. Vetor silvestre: Aquele capaz de transmitir doenças para os seres humanos e que ocorre de maneira natural em ambientes selvagens. Glossário Pequenos Mamíferos Não Voadores264 Este livro foi composto com a fonte da família Myriad Pro e impressopela gráfica Formato em Belo Horizonte, em papel couchê fosco 150g com tiragem de 500 exemplares. Elaine Ferreira Barbosa | Leandro Moraes Scoss Vanessa Coutinho Mourão de Souza | Breno Chaves de Assis Elias Fauna da Floresta Nacional de Carajás Serra Norte Fau n a d a Floresta N acion al d e C arajás – Serra N orte O livro Fauna da Floresta Nacional de Carajás – Serra Norte traz infor- mações sobre taxonomia, biologia, ecologia e distribuição geográfica de 1.478 táxons para os ecossistemas amazônicos de pequenos mamíferos não voadores, morcegos, médios e grandes mamíferos, aves, anfíbios, répteis, insetos vetores, peixes e biota aquática (comunidades hidrobiológicas). A divulgação e o compartilhamento dessas informações, aliados à pes quisa científica e ao uso sustentável dos recursos naturais, favorecem o envolvi- mento da sociedade como um todo nos esforços de conservação da biodiver- sidade do Conjunto de Áreas Protegidas de Carajás. ORGANIZAÇÃO