Prévia do material em texto
Cocos Gram positivos de Interesse Médico Prof. Me. Lucas Lima Anteriormente Staphylococcus Características Microbiológicas ✓Gênero: composto por 37 espécies Resistência a uma ampla gama de condições ambientais: • Crescimento em pH mínimo de 4.2, máximo de 9.3 (ótimo de 7,0-7,5)/ temperatura mínima de 6 e máxima de 48ºC ( ótima de 37ºC). • Toleram ainda altas concentrações de cloreto de sódio até 25% (ótimo de 7-10%) • Anaeróbios facultativos • Não fastidiosos, não móveis e não esporulados • Agrupam- se em cachos (o mero agrupamento das células em cachos não serve como critério de identificação de gênero) Produção • Isolados da família Micrococcaceae também são catalase positivas, mas não são usualmente isolados de amostras humanas. 0,04U Staphylococcus Coagulase + Coagulase - S. aureus S. saprophyticus S. epidermides Cerca de 90% da microbiota normal Patogênica apenas quando a barreira da pele é rompida ou invadida Patogênica, causadora de infecções comunitárias e hospitalares Coagulase Positiva • O Staphylococcus aureus está presente no nariz de cerca de 30% dos adultos saudáveis e na pele de cerca de 20%. Os percentuais são maiores em pessoas que são pacientes ou trabalham em um hospital. • As bactérias podem ser transmitidas de pessoa a pessoa pelo contato direto ou através de objetos contaminados (como equipamentos de ginástica, telefones, maçanetas de porta, controles remotos de televisão ou botões de elevador) ou, pela inalação de gotículas infectadas dispersas por espirro ou tosse. • Sítios de colonização não nasal: faringe, a vagina, axilas e alguns sítios de pele queratinizada, especialmente o períneo e com maior prevalência a mão Transporte Parede resistente a lisozima 1) Escape da fagocitose 2) Aderência às células do hospedeiro 3) Produção de toxinas e enzimas líticas Principal reservatório > Mucosa nasal ~40% da população adulta > assintomática • Animais também podem ser colonizados por S. aureus. • A transmissão de S. aureus entre esses animais e humanos ocorre em ambas as direções. • A dinâmica dessa transmissão ainda não está bem estabelecida. Staphylococcus aureus – fatores de virulência Garantem a estabilização da infecção e a sobrevivência dos Staphylococcus no tecido e a sua disseminação para outros locais no organismo. Patogênese Quando a relação com o hospedeiro não é comensal, S. aureus pode agir como o agente etiológico de diferentes síndromes Infecções superficiais Síndromes toxigênicas Infecções profundas Infecções superficiais • Consiste principalmente em infecções supurativas (que resultam na formação de pus) em tecidos moles superficiais. • Nesse tipo de infecção, o inóculo vem do meio externo e leva ao crescimento bacteriano localizado em sítios como feridas cirúrgicas, lesões decorrentes de queimaduras e outras infecções da derme e tecido subcutâneo. FOLICULITE: infeção dos folículos Hordeólo: folículo dos cílios CARBÚNCULO: tecidos vizinhos invadidos pelo furúnculo FURÚNCULO: infecção mais séria dos foliculos É um tipo de abcesso Impetigo • Principal agente etiológico: Staphylococcus aureus • Infecção Infecções superficiais da derme não necessariamente envolvendo o folículo piloso • Altamente contagiosa, que afeta principalmente crianças. • Sua transmissão e disseminação acontece por contato direto. • Pode ocorrer sobre outras doenças prévias da pele, como a dermatite atópica, que sofrem a contaminação secundária pela bactéria. Impetigo bolhoso e não bolhoso Cepa produtora de toxina esfoliativa Impetigo não bolhoso • Forma clínica mais comum • Normalmente a bactéria invade a pele através de pequenas rupturas ou ferimentos. • As lesões geralmente são indolores, se rompem e formam crostas de coloração clara. • Prurido ocasional e sem repercussão sistémica. • Cura sem sequelas • Cepa infectante não produtora de toxina esfoliativa Impetigo bolhoso • Causado por uma toxina estafilocócica (tipoA) > favorece o aparecimento de vesículas maiores, cheias de líquido. • Toxina estafilocócica (tipo B) síndrome da pele escaldada > aspecto de descamação • Representa um problema frequente em berçários e hospitais. Celulite • Condição caracterizada por crescimento bacteriano e inflamação difusa, mas localizados, da derme e tecido subcutâneo sem a formação de pus. Síndromes toxigênicas • Categoria de doenças causadas por S. aureus é composta por síndromes associadas à produção de toxinas, muitas vezes com ação sistêmica ou à distância. • Essas síndromes são desencadeadas pela ação de toxinas que agem como superantígenos. Síndrome do choque tóxico • Ação sistêmica provocada por linhagens produtoras de toxina (TSS-1: superantígeno – ativa grande população de células T: ↑ liberação de citocinas). • Sintomas: febre alta, eritema difuso com descamação da pele - Destrói células endoteliais - hipotensão e morte por falência múltipla de órgãos (5 % dos casos) Síndrome da Pele Escaldada • Uma forma particularmente grave de impetigo bolhoso • Envolve a produção de toxina esfoliativa (ET) ou Toxina estafilocócica (tipo B) > ligam à zona granulosa da epiderme, causando uma clivagem superficial intraepidérmica. S. aureus - Síndrome da pele escalda Toxinfecção Alimentar • A ingestão de toxinas superantigênicas de S. aureus pré- formadas em alimento em decorrência do crescimento bacteriano no alimento resulta no desencadeamento de uma síndrome chamada toxinfecção alimentar estafilocócica. • Essas toxinas superantigênicas são denominadas de enterotoxinas estafilocócicas (SEs) Modo de Transmissão • A manipulação de alimentos por indivíduos portadores de S. aureus produtor de SEs e o subsequente armazenamento desse alimento em temperatura que não impeça o crescimento de S. aureus por tempo suficiente a ponto de a população bacteriana atingir fase estacionária de crescimento é a principal causa de toxinfecção alimentar estafilocócica Infecções profundas Incluem a disseminação das células bacterianas e a sua instalação em sítios distantes do local de entrada. • Endocardite • Osteomielite • Infecção pulmonar • Complicações: choque séptico, Staphylococcus aureus resistentes à meticilina (MRSA) MRSA • Descritos já na década de 60-70, inicialmente eram associados à Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAAS). • No final dos anos 90, foram associados a infecções comunitárias. • MRSA é um dos maiores problemas no que concernem infecções nosocomiais devido à sua alta prevalência e limitada opção terapêutica. • Infecções adquiridas na comunidade com MRSA têm um curso clínico mais agressivo e envolvem principalmente a pele e os pulmões. • A maior agressividade destas estirpes é devido à produção de várias toxinas , principalmente a leucocidine de Panton-Valentin. • A meticilina não é mais utilizada na clínica como antibiótico, pois apresenta toxicidade ao hospedeiro. Para a terapia antiestafilocócica são utilizados, em seu lugar, os beta-lactâmicos análogos oxacilina, cloxacilina, dicloxacilina, flucoxacilina e naficilina. • Todavia, o termo MRSA é utilizado para denominar S. aureus com este tipo de resistência aos beta-lactâmicos. • No laboratório clínico, a detecção de MRSA é feita utilizando-se a oxacilina, e no Brasil, MRSA é ora referido como “S. aureus resistente à oxacilina” (ORSA). • MRSA é o termo internacional utilizado na quase totalidade das publicações científicas. Beta-lactâmicos • Classe de antibióticos que inibem a síntese da parede celular de bactérias através do impedimento de enzimas que catalizam a transpeptidação do peptidoglicano. Proteínas ligadoras de penicilina (PBPs – penicillin binding proteins). • Com a estrutura incompleta do peptidoglicano, a parede celular da bactéria é enfraquecida e a célula morre. Classificação - βlactâmicos • Os antibióticos beta- lactâmicossão classificados pela semelhança estrutural adicionados de radicais que fornecem a estabilidade dessa droga • Os mecanismos de ação e de resistência são comuns a todos! Mecanismo de resistência bacterianos aos β-lactâmicos Alteração das PBP • Adquirida por plasmídeo ou mutação (S. aureus) Produção enzimática • Produção de β-lactamases Alteração da Permeabilidade • Diminuição da permeabilidade da membrana externa das bactérias Gram - através de mutações e modificações nas porinas, que são proteínas que permitem a entrada de nutrientes e outros elementos para o interior da célula. Aumento da atividade de Bombas de Efluxo • É um mecanismo originado por mutação genética • não é um mecanismo independente, estando sempre associadas a outros mecanismos de resistência. Staphylococcus epidermidis e Outras Espécies de Staphylococcus Coagulase-negativos São bactérias que constituem a microbiota da pele e de membranas mucosas de humanos e de outras espécies animais. Geralmente estabelecem uma relação simbiótica com seus hospedeiros, mas podem desencadear processos infecciosos ao invadir o tecido colonizado. Staphylococcus epidermidis • Espécie do grupo de SCoN encontrada com maior frequência na microbiota epitelial humana. • Diferente de S. aureus, S. epidermidis não possui, até onde se sabe, uma ampla variedade de toxinas. • Considerada por muito tempo uma espécie comensal é agora vista como um importante patógeno oportunista responsável por infecções nosocomiais associadas a dispositivos médicos de longa permanência. A produção de biofilmes - aglomerados multicelulares aderidos a superfícies - é o processo mais importante associado à virulência de S. epidermidis e, também, o mais estudado Proteínas, exopolissacarídeos e até mesmo os ácidos teicóicos parecem estar envolvidos com a formação da matriz extracelular do biofilme Identificação Laboratorial de Staphylococcus sp. Material biológico Bacterioscopia ➢Coloração de Gram ✓Liberação do laudo preliminar ✓Determinação do meio de cultura para cultivo primário ✓Avaliação da qualidade da amostra clínica ✓Exame microscópico negativo não invalida que possam existir Staphylococcus COCOS GRAM+ ➢Cultura microbiológica: ✓Avalia o crescimento e isolamento. Ágar sangue – Meio não seletivo- Enriquecidos - Isolamento de 24 h - Colônias lisas, - Borda contínua - Coloração branco-porcelana ou cinza esverdeado (B-Hemolítico) ❖S. aureus podem ter pigmento amarelo ou amarelo-alaranjado, podendo apresentar hemólise, aparece mais pronunciada após incubação de 72 h em temperatura ambiente. ➢Prova da Catalase (H2O2 - peróxido de hidrogênio) ➢ Não fazer direto do meio sangue (ferritina) e sim de outro meio nutritivo > falso positivo • Objetivo: Diferenciar Staphylococcus spp. e Streptococcus spp • A enzima catalase converte o peróxido de hidrogénio em água e oxigénio (borbulhar positivo);. Staphylococcus Coagulase + Coagulase - S. aureus S. saprophyticus S. epidermides Cocos G+ produtores de catalase Cocos G+ coagulase negativos Prova da Coagulase em tubo 1. Adicionar a um tubo contendo 0,5 mL de plasma de coelho com EDTA uma porção da colônia-teste. 2. Incubar o tubo por 4h e observar a formação de coágulo. 3. Em caso de resultado negativo, reincubar o tubo por mais 18 h e repetir a leitura. + - Ágar Manitol Salgado - Seletivo (alta concentração de Sal) - Diferencial (indicador de ph) . Incubar a 35ºC por 18 - 24 h. Staphylococcus - teste da coagulase Coagulase + = S. aureus Coagulase - = outros Staphylococcus + - Prova da coagulase: Staphylococcus - teste da DNase DNase + = S. aureus DNase - = outros Staphylococcus + Prova da DNase: Prova da DNAse 1. Semear em ágar DNAse a amostra que se quer testar. 2. Incubar a placa a 35 – 37ºC por 18 – 24 h. 3. Após incubação acrescentar HCl 1N ao meio de cultura 4. Positivo quando ocorre transparentização do Agar em volta das colónias, o DNA não hidrolisado aparece mais opaco; . GRAM: Cocos G+, em forma de cachos CATALASE: positiva COAGULASE: positiva DNAse: positiva MANITOL: cresce e fermenta Staphylococcus aureus