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SUS e Políticas de Saúde O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde Responsável pelo Conteúdo: Profª. Ms. Solange Spanghero Mascarenhas Chagas Revisão Textual: Profª. Ms. Selma Aparecida Cesarin 5 Un id ad e O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde O objetivo desta Unidade é avaliar o efeito de uma política de saúde no desempenho dos serviços e na repercussão na saúde da população e, para isso, é preciso valorizar qual a importância de determinada ação nas modificações ocorridas tanto na estrutura dos serviços de saúde, como no estado de saúde da população. Abordaremos na Unidade qual a importância do uso da epidemiologia na formulação, implementação e avaliação de políticas de saúde. A avaliação de políticas e programas de saúde é de fundamental importância para a saúde pública, pois reflete os esforços em alcançar metas que busquem uma sociedade mais saudável e detectar a contribuição das ações na prevenção de doenças e também no desperdício de recursos, evitando a implementação de programas ineficazes (FACCHINI ET AL, 2006). Para que se tenha uma avaliação da qualidade dos serviços prestados, contamos com os estudos epidemiológicos, que proporcionam compreensão da ocorrência e do curso das doenças e permitem, também, que se avaliem consequências diretas e indiretas das doenças. Nesta unidade, trabalharemos os seguintes tópicos: • Introdução • Relação entre a Epidemiologia e as Políticas Públicas T hinkstock/G etty Im ages 6 Unidade: O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde A avaliação de políticas e programas de saúde é de fundamental importância para a saúde pública, pois reflete os esforços em alcançar metas que busquem uma sociedade mais saudável. Para se avaliar o efeito de uma política de saúde no desempenho dos serviços e na repercussão na saúde da população, é preciso valorizar qual a importância de determinada ação nas modificações ocorridas tanto na estrutura dos serviços de saúde, como no estado de saúde da população. Para que se tenha uma avaliação da qualidade dos serviços prestados, contamos com os estudos epidemiológicos, que proporcionam compreensão da ocorrência e do curso das doenças e também permitem que se avaliem consequências diretas e indiretas das doenças, como prejuízo no funcionamento individual, familiar e social. Na Unidade, abordaremos qual a importância do uso da epidemiologia na formulação, implementação e avaliação de políticas de saúde. Conhecer a relação da epidemiologia com as Políticas Públicas é o objetivo principal da Unidade. Contextualização 7 Introdução A avaliação de políticas e programas de saúde é de fundamental importância para a saúde pública, pois reflete os esforços em alcançar metas que busquem uma sociedade mais saudável e detectar a contribuição das ações na prevenção de doenças e também no desperdício de recursos, evitando a implementação de programas ineficazes (FACCHINI et al., 2006). Para se avaliar o efeito de uma política de saúde no desempenho dos serviços e na repercussão na saúde da população, é preciso valorizar qual a importância de determinada ação nas modificações ocorridas tanto na estrutura dos serviços de saúde, como no estado de saúde da população em questão: Desde o estabelecimento da meta “Saúde para Todos no Ano 2000”, em 1978, em Alma-Ata, o Brasil implantou o Sistema Único de Saúde (SUS), universalizou o acesso aos serviços e definiu a Atenção Básica à Saúde (ABS) como porta de entrada e principal estratégia para alcançar a meta. Os conceitos de universalidade, integralidade, equidade, descentralização e controle social da gestão orientam a ABS para a promoção da saúde, prevenção de agravos, tratamento, reabilitação e manutenção da saúde (FACCHINI et al., 2006). Para que se tenha uma avaliação da qualidade dos serviços prestados, contamos com os estudos epidemiológicos que proporcionam uma compreensão da ocorrência e do curso das doenças e também permitem que se avaliem consequências diretas e indiretas das doenças, como prejuízo no funcionamento individual, familiar e social (LIMA, 1999). Qual a importância do uso da epidemiologia na formulação, implementação e avaliação de políticas de saúde? As informações adquiridas por esses estudos servem como base para decisões políticas, implantação de ações e para a avaliação do acesso à assistência médica e uso de serviços de saúde (LIMA, 1999). Como as políticas públicas impactam o perfil Epidemiológico? O conhecimento da epidemiologia das diversas ocorrências é um complemento da investigação clínica. Essas informações são essenciais para a compreensão da história natural dos fenômenos. Além disso, estudos prospectivos e de seguimento – as coortes – fornecem informações sobre outros aspectos das doenças, como fatores de risco e prognósticos, além de tendências históricas (LIMA, 1999). 8 Unidade: O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde Qual a relação da epidemiologia com as Políticas Públicas? Percebemos a participação da epidemiologia como parte do movimento de saúde coletiva. A Epidemiologia é um dos pontos de sustentação da Saúde Pública e, portanto, deve fazer parte dos programas voltados para a promoção da saúde. No Brasil, a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) vem proporcionando garantia de saúde como direito constitucional do cidadão. Um dos principais desafios do SUS é a busca de aperfeiçoamento técnico e da atuação da Vigilância à Saúde. O SUS tem o dever de ir em busca de ações que levem à promoção e atenção integral à saúde, para toda a população, independente do nível social à que pertencem (IV Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil, 2005). Para que essas funções sejam cumpridas, a epidemiologia aparece como prática constante dos serviços, na qual cada vez mais utilizamos informações epidemiológicas das regiões ou mesmo de locais específicos. Por meio desses estudos, levantamos dados quanto aos principais problemas de saúde e seus determinantes e, desta forma, conseguiremos perceber as necessidades de saúde e traçar diretrizes para o atendimento eficaz (IV Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil, 2005). Portanto, podemos definir a epidemiologia como sendo uma produção científica voltada para a solução de problemas da prática em saúde. Relação entre a Epidemiologia e as Políticas Públicas Fonte: IV Plano Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil, 2005. 9 O que vem a ser Intervenções populacionais? Ao avaliarmos a história de proteção à saúde e a maneira de atuação para a prevenção de doenças, percebemos que as ações e estratégias estão mais voltadas para aqueles indivíduos expostos individualmente à doença. Porém, percebemos, também, que estas ações nem sempre se mostram eficazes, pois não conseguem atingir os fatores de risco que se mostram determinantes. Como exemplo disso, deparamo-nos com comportamentos que nem sempre demonstram somente uma escolha individual, mas são também determinados por atitudes sociais, culturais ou até mesmo pelo fator econômico, como o hábito de fumar, dieta saudável, prática de exercícios físicos ou a prática de sexo seguro. Essas pessoas têm dificuldade em mudar os hábitos inadequados quando ao seu redor todos agem de forma semelhante (ALMEIDA FILHO, 2011). Acredita-se que seria muito mais produtivo se as estratégias adotadas atingissem a população em geral. As intervenções populacionais podem incidir em vários níveis dos determinantes sociais da saúde (DSS), como observamos na figura a seguir: Fonte: Determinantes Sociais: modelo de Dahlgren e Whitehead. Portanto, seja qual for a estratégia adotada, esta deve ser baseada em ações que abordem os diversos setores. Todas as ações que forem implantadas devem ser fundamentadas em estudos preliminares apoiados na participação social, fazendo com que as intervenções populacionais atinjam as diversas camadasda sociedade e ajudem a diminuir as desigualdades de acesso aos hábitos de saúde (ALMEIDA FILHO, 2011). Como estratégias de implantação das intervenções populacionais, temos: • Estratégia com enfoque de risco – as ações serão fundamentadas nas diferentes incidências de doenças e óbitos que acontecem em diversos locais ou grupos populacionais, obedecendo a características próprias, denominadas fator de risco. Ao conseguirmos identificar esses fatores, abre-se a possibilidade de evitá-los pó meio de ações de saúde (AYRES, 1995). 10 Unidade: O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde O enfoque de risco trabalha com: • Modificação de comportamentos individuais; • Responsabilização das vítimas; • Baixo impacto sobre a distribuição; • Pequena efetividade. • Estratégia de enfoque de massa – nesse caso, as ações analisam qual a relação entre a saúde de determinada população, as diferentes condições de vida e o envolvimento das comunidades com os grupos. Percebemos que os países com fragilidades na coesão social, ocasionados por desigualdade de renda, são os que menos investem em redes de apoio social, o que seria fundamental para a promoção e proteção da saúde, tanto individual como coletiva. Percebemos, por meio dos estudos epidemiológicos, que nem sempre as sociedades mais ricas possuem melhor índice de saúde, mas sim, as que apresentam coesão social (ALMEIDA FILHO, 2011). O enfoque de massa trabalha com: • Custos elevados; • Possibilidade de manutenção das desigualdades sociais: igualdade não significa equidade. • Estratégias de acordo com a vulnerabilidade – Para que essas estratégias de ação aconteçam, os grupos populacionais são considerados de acordo com a sua situação de risco e vulnerabilidade: Entendemos por vulnerabilidade a pouca ou nenhuma capacidade do indivíduo ou grupo social decidir sobre sua situação de risco. A vulnerabilidade está diretamente associada aos fatores culturais, sociais, políticos, econômicos e biológicos (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 2007). Segundo o Ministério da Justiça (2007), o grau de vulnerabilidade do indivíduo ou de um grupo ao desenvolvimento de uma doença ou exposição à determinada situação é avaliado a partir de três níveis que se inter-relacionam: Fonte: Ministério da Saúde, 2007. 11 Como exemplo de estratégias de ação sobre a vulnerabilidade, temos os programas de “Redução de danos” e “Redução da demanda”. Como podemos avaliar o impacto das Políticas de saúde no perfil Epidemiológico? Por meio dos exemplos a seguir, poderemos entender como estas políticas interferiram no perfil epidemiológico do país. Exemplo1 Tabela 1: Prevalência de desnutrição em crianças menores de 5 anos e razão de prevalência entre o primeiro e o quinto quintil de renda em quatro inquéritos nacionais de saúde e nutrição, Brasil Inquérito Prevalência (IC 95%) RP (Q1/Q5) 1974-1975 37.1 (34.6-39.6) 4.9 1989 19.9 (17.8-21.9) 7.7 1996 13.5 (12.1-14.8) 6.3 2006-2007 7.1 (5.1-8.5) 2.6 Fonte: Monteiro CA, Benicio MHA, Conde WL, Konno S, Lovardino AL, Barros AJD, Victora CG. Narrowing socioeconomic inequality in child stunting: the Brasilian experience, 1974-2007. Bull WHO 2010; 88:305-311. Segundo Monteiro (2010), a redução da desnutrição aconteceu devido à/ao: • Aumento da escolaridade materna; • Ampliação da assistência materno-infantil; • Aumento de água e rede de esgoto; • Aumento do poder aquisitivo das famílias; • Retomada do crescimento econômico; • Aumento real do salário mínimo; • Programas de transferência de renda. 12 Unidade: O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde Exemplo 2 Tabela 2: Escolaridade martena, assistência pré-natal, rede de água e esgoto, indicadores de saúde reprodutiva segundo quintis de renda, Brasil, 1996-2007. Indicador 1996 2006-207 Pobres (Q 1) Ricos (Q 5) Pobres (Q 1) Ricos (Q 5) Escolaridade materna > 8 anos 5.6 73.5 29.4 92.5 4 ou mais consultas de pré-natal 37.5 93.7 80.0 97.7 Domicílio com água tratada 39.9 80.9 65.3 89.2 Domicílio com ligação de esgoto 2.4 60.0 22.5 69.2 Ordem denascimento < 5 69.5 98.4 91.3 99.7 Intervalo inter partal > 24 meses 69.2 91.3 82.5 93.5 Uso de contraceptivo 51.1 79.6 93.9 93.7 Fonte: Monteiro CA,Benicio MHA,CondeWL,Konno L,Lovadino AL,Barros AJD,Victoria CG,Narrowing socioeconomic in child stunting: The Brazilian experience,1974-2007. Bull WHO 2010; 88: 305-11. Monteiro CA,Benicio MHA,CondeWL,Konno L,Lovadino AL,Barros AJD,Victoria CG,Narrowing socioeconomic in child stunting: The Brazilian experience,1974-2007. Bull WHO 2010; 88: 305-11. Considerações Finais Os estudos epidemiológicos atuam em benefício das Políticas Públicas de Saúde. Contribuem para o conhecimento dos serviços de saúde oferecidos e avaliam também os efeitos que as ações e estratégias de saúde exercem em beneficio da população. Outro ponto importante é a avaliação dos fatores determinantes, que podem provocar danos à determinada comunidade. Portanto, concluímos que a epidemiologia é a ciência capaz de produzir e encontrar problemas para outra ciência que é capaz de produzir soluções. 13 Material Complementar Indicação de material complementar, para aprofundamento de estudo: - Malta D. C. et al. Lista de causa de morte evitáveis por intervenções do Sistema Único de Saúde no Brasil. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/rev_epi_vol16_n4.pdf. p.233-44. http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/rev_epi_vol16_n4.pdf. p.233-44 14 Unidade: O Impacto da Epidemiologia nas Políticas Públicas de Saúde Referências ALMEIDA FILHO N, BARETTO ML. Epidemiologia & saúde: fundamentos, métodos e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011 AYRES, J. R. C. M. O Enfoque de Risco na Programação em Saúde: Fundamentos e Perspectivas. Rev. Saúde e Sociedade, 4(1/2); 71-4, 1995 FACCHINI, L. A. et al. Desempenho do PSF no Sul e no Nordeste do Brasil: avaliação institucional e epidemiológica da Atenção Básica à Saúde. Rev. Ciências e Saúde coletiva 11(3):669-81, 2006. LIMA, M. S. Epidemiologia e impacto social. Rev. Bras. Psiquiatria. Depressão. vol. 21 - maio 1999. MINISTÉRIO da Justiça. Observatório Brasileiro de Informações sobre drogas – OBID. 2007. Disponível em: http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/index.php. MONTEIRO, C. A. et al. Narrowing socioeconomic in child stunting: The Brazilian experience,1974-2007. Bull WHO, 2010; 88: 305-311 IV PLANO Diretor para o Desenvolvimento da Epidemiologia no Brasil. Rev. Bras. Epidemiologia, 2005; 8(supl. 1): 1-43. http://www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/index.php 15 Anotações www.cruzeirodosulvirtual.com.br Campus Liberdade Rua Galvão Bueno, 868 CEP 01506-000 São Paulo SP Brasil Tel: (55 11) 3385-3000 http://www.cruzeirodosulvirtual.com.br