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PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. RESUMO DA UNIDADE Os estudos sobre incêndios, assim como as atividades que envolvem o tema, são assuntos que crescem diariamente, com procuras por novos métodos e procedimentos, que previnam acontecimentos catastróficos, causados pelo fogo. Novas legislações e normas técnicas são estudadas e criadas, bem como materiais, equipamentos e procedimentos são inovados, para que a segurança do edifício e, principalmente, de seus usuários seja garantida. Assim, é essencial que os profissionais se tornem qualificados e preparados para assegurar a eficácia e concretização dos projetos, diante das obras que serão executadas. Notícias de que incêndios causaram tragédias são anunciadas frequentemente. O desafio dos profissionais da segurança é trabalhar com novas ferramentas, que garantam a proteção à vida, ao patrimônio e ao meio ambiente. Palavras-chave: Prevenção e Combate a Incêndio. Segurança. Corpo de Bombeiros. Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DO MÓDULO ............................................................................... 5 CAPÍTULO 1 - ESTUDO SOBRE O FOGO, O INCÊNDIO, A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS ..................................................................................................................... 7 1.1 Contextualização ............................................................................................ 7 1.1.1 Grandes Incêndios no Brasil .......................................................................... 8 1.2 Conceitos sobre o Fogo ............................................................................... 19 1.2.1 Combustível ................................................................................................. 20 1.2.2 Comburente ................................................................................................. 22 1.2.3 Calor ............................................................................................................. 23 1.2.4 Reação em cadeia ....................................................................................... 23 1.3 Propagação do Calor ................................................................................... 24 1.3.1 Condução ..................................................................................................... 24 1.3.2 Convecção ................................................................................................... 24 1.3.3 Irradiação ..................................................................................................... 24 1.4 Combustão ................................................................................................... 25 1.4.1 Gases de Combustão ................................................................................... 26 1.4.2 Chama .......................................................................................................... 26 1.4.3 Calor ............................................................................................................. 26 1.4.4 Fumaça ........................................................................................................ 26 CAPÍTULO 2 - PROTEÇÃO E COMBATE CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES 27 2.1 Causas e Fases de Incêndios ...................................................................... 27 2.1.1 Fase Inicial ................................................................................................... 27 2.1.2 Queima Livre ................................................................................................ 27 2.1.3 Queima Lenta ............................................................................................... 28 2.2 Classes de Incêndio ..................................................................................... 28 2.3 Fenômenos característicos de Incêndio ....................................................... 30 2.4 Métodos de Extinção de Incêndio ................................................................ 31 2.4.1 Abafamento .................................................................................................. 32 2.4.2 Isolamento .................................................................................................... 32 2.4.3 Resfriamento ................................................................................................ 32 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2.5 Agentes Extintores de Incêndio .................................................................... 32 2.5.1 Água ............................................................................................................. 32 2.5.2 Espuma ........................................................................................................ 33 2.5.3 Pós Químicos ............................................................................................... 34 2.5.4 Gás carbônico (CO2) .................................................................................... 34 2.5.5 Extintores de Incêndio .................................................................................. 34 2.6 Materiais e Equipamentos ............................................................................ 37 2.7 Equipamentos de Proteção Individual - EPI ................................................. 40 2.8 Explosivos .................................................................................................... 40 2.8.1 Definições .................................................................................................... 41 2.8.2 Classificações .............................................................................................. 41 2.8.3 Propriedade dos explosivos ......................................................................... 43 CAPÍTULO 3 - LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS, TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO .......... 45 3.1 Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT .................................... 45 3.2 Legislações e Decretos ................................................................................ 46 3.3 Normas Regulamentadoras - NRs ............................................................... 47 3.4 Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros - AVCB ........................................ 48 3.5 Técnicas de Salvamento e Brigadas de Incêndio ........................................ 50 3.6 Primeiros Socorros ....................................................................................... 51 3.6.1 Vias Aéreas .................................................................................................. 51 3.6.2 Respiração e ventilação ............................................................................... 51 3.6.3 Vias circulatórias: hemorragias ....................................................................52 3.6.4 Reanimação cardiopulmonar - RCP ............................................................. 52 3.6.5 Estado de Choque........................................................................................ 52 3.6.6 Hemorragia .................................................................................................. 52 3.6.7 Queimaduras ................................................................................................ 53 3.7 Plano de emergência ................................................................................... 54 3.8 Técnicas de transportes de emergência para salvamento ........................... 56 3.9 Brigadas de incêndio .................................................................................... 61 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 63 5 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. APRESENTAÇÃO DO MÓDULO Ao iniciar os estudos mais a fundo sobre incêndios, fica clara a necessidade de literaturas e materiais completos, que envolvam a segurança contra incêndios, que possam ser usados como base à formação de novos profissionais na área. O Brasil é um país que apresenta diferenças quanto às condições climáticas, considerando suas cinco regiões de formação, embora ultimamente as temperaturas permaneçam altas em grande parte dos locais. Nessa perspectiva, as administrações públicas tendem a elaborar legislações que sejam comuns a todos os estados, bem como legislações federais, normas técnicas e novos cursos que envolvam a segurança e combate incêndio para que haja evolução e redução desses eventos ocorridos com frequência no país. O termo incêndio é conceituado como fogo que não possui controle, com potencial para causar danos à vida, ao meio ambiente e ao patrimônio. De forma clara, o fogo está diretamente ligado a incêndio e, desse modo, o presente material faz uma abordagem sobre a composição dele. O objetivo da disciplina de Prevenção e Combate a Incêndio é possibilitar ao aluno um conhecimento sobre os conceitos, as definições e todas as técnicas que são necessárias para que os trabalhos de prevenção e de combate às chamas sejam realizados com sucesso. O material contém os conceitos sobre a teoria do fogo, bem como seus elementos fundamentais e a explicação sobre cada um deles, para que a chama se mantenha em funcionamento. Em seguida, são abordadas as causas e fases dos incêndios e suas classes, bem como as técnicas de prevenção e extinção de incêndio e os agentes extintores, que são utilizados em cada técnica e seus modos de atuação sobre o fogo. São abordadas algumas das principais normas técnicas de prevenção e de combate a incêndio, assim como normas regulamentares que visam a proteção dos profissionais que trabalham nesse ambiente, e sobre a Lei Kiss sancionada em 2017, sobre prevenção e combate ao incêndio em estabelecimentos com concentração de pessoas. 6 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. A apostila de estudos também trata dos assuntos referentes à brigada de incêndio e suas formações, composições e atribuições com base na NBR (Norma Brasileira) 14276. São estudadas também algumas técnicas de salvamento, como transportes de emergência e planos de emergência, em especial os planos de abandono e evacuação da área em chamas, ação que é extremamente importante ao colocar em execução um plano de emergência. 7 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 1 - ESTUDO SOBRE O FOGO, O INCÊNDIO, A COMBUSTÃO E SEUS EFEITOS 1.1 Contextualização O fogo, energia que existe desde a formação da Terra, foi uma das primeiras formas de energia natural que o homem utilizou. Essa relação entre o homem e o fogo vem sendo utilizada para suprir a necessidade do homem em diversos meios, seja iluminação, aquecimento e preparação de alimentos. Apesar do fogo ter sido utilizado, no início, para suprir as necessidades básicas do homem, hoje ele vem sendo um dos principais contribuintes da evolução da tecnologia. Ao longo do tempo, o ser humano aprendeu formar de utilizá-lo sem comprometer sua saúde e bem-estar físico. Entretanto, um dos principais desafios do homem continua sendo o controle do fogo. Ainda hoje, quando o fogo nos ameaça, o homem atual mantém a reação do homem primitivo, fugir. Os primeiros homens, ao lidar com o fogo, fugiam por não conhecer sua natureza e reações e mal sabiam que um pouco de terra poderia apagar uma pequena chama. A falta de conhecimento fazia com que abandonassem o local por não saber como combater a chama acesa e, assim, o fogo se expandia tomando grandes proporções. O fogo, quando tomado por proporções maiores e fora de controle, se desencadeia em incêndios, capaz de provocar perdas irreparáveis, não só à vida, mas ao patrimônio e ao meio ambiente. Hoje, o ser humano não precisa mais fugir, visto que conhece o fogo como o conjunto de elementos químicos que o compõe e as técnicas, métodos e equipamentos adequados para lutar contra ele. Nas ações contra o fogo, tem-se a prevenção e extinção de incêndios, que se dá pelo conjunto de normas e atitudes adotadas, que visam eliminar as possibilidades de sua ocorrência, assim como a redução de sua expansão e sua extensão, com o uso de equipamentos estudados e profissionais habilitados para usá-los. A extinção, por sua vez, busca eliminar o fogo, por meio dos mais variados processos, com o uso de táticas e equipamentos que podem funcionar de modo automático ou pela ação direta antrópica. 8 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.1.1 Grandes Incêndios no Brasil Infelizmente no Brasil já aconteceram incêndios devastadores, que provocaram a morte de centenas de pessoas, além da destruição de patrimônios e do meio ambiente. O mais recente foi o incêndio ocorrido no campo de Treinamento do Flamengo, clube de futebol do estado do Rio de Janeiro. Podemos ver abaixo as mais trágicas perdas que esse tipo de acidente causou, seja por negligência ou incidente. O fato é que a prevenção e o combate ao incêndio devem ser assuntos cada vez mais recorrentes, para que esses eventos não se repitam ou sejam reduzidos, sem causar grandes perdas. 1.1.1.1 Incêndio no Campo de Treinamento do Flamengo (08/02/2019) Um incêndio atingiu o CT do Flamengo, no Rio de Janeiro na madrugada do dia 08/02/2019. No local, ficavam os jogadores da base do clube carioca. Segundo os profissionais que sobreviveram, antes do fogo iniciar, houve uma explosão no aparelho de ar-condicionado, causando curto-circuito e rápido alastramentodo fogo. O incêndio deixou 10 mortos, entre jovens de 14 a 16 anos, e três feridos. Figura 1- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. 9 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 2- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Figura 3- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. 10 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 4- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. Figura 5- Incêndio CT Flamengo Fonte: Veja, 2019. 1.1.1.2 Incêndio no Museu Nacional (02/09/2018) O Museu Nacional, um dos principais museus do país, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, foi devastado por chamas após o horário de visitação, assim ninguém se feriu. Entretanto, estima-se que 90% do acervo, com mais de 20 milhões de itens, tenham sido totalmente destruído. 11 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 6 - Incêndio Museu Nacional Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 7 - Incêndio Museu Nacional Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 8 - Incêndio Museu Nacional Fonte: Correio Braziliense, 2019. 12 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.1.1.3 Incêndio na Creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, MG (05/10/2017) Em 2017, o vigia da creche invadiu o local e ateou fogo com vários alunos e alguns profissionais dentro, e em seguida ateou fogo em si mesmo. Além do vigia, morreram mais 13 pessoas e outras 50 ficaram feridas. Figura 9 - Incêndio na Creche Gente Inocente Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 10 - Incêndio na Creche Gente Inocente Fonte: Correio Braziliense, 2019. 13 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.1.1.4 Incêndio na Boate Kiss (27/01/2013) Uma das maiores tragédias quando se trata de vítimas decorrentes de incêndios. A boate Kiss pegou fogo durante um show em uma festa universitária, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e se tornou o segundo maior evento desse tipo, com número de vítimas no país, deixando 242 mortos e 636 feridos. Figura 11 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 12 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. 14 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 13 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Braziliense, 2019. Figura 14 - Incêndio na boate Kiss Fonte: Correio Brazileinse, 2019. 1.1.1.5 Incêndio Edifício Joelma (01/02/1974) Em 1974, o edifício Joelma, localizado no centro de São Paulo, foi totalmente consumido por um incêndio. Houve um curto-circuito no sistema de refrigeração de um banco, que ficava localizado em boa parte do edifício. Essa tragédia, apesar de ter acontecido há muitos anos, deixou 190 mortos e mais de 300 feridos. Esse evento ficou conhecido pelas imagens das pessoas que ocupavam o prédio se atirando do local em chamas, na tentativa de se salvarem. Figura 15 - Incêndio no Edifício Joelma 15 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Fonte: Correio Braziliense, 2019. 1.1.1.6 Incêndio Canecão Mineiro (24/11/2001) A casa de shows Canecão Mineiro pegou fogo devido a fogos de artifício, deixando 7 mortos e mais de 300 pessoas feridas. O teto, que era de isopor, contribuiu para a propagação das chamas do incêndio e, além disso, o local não contava com saídas de emergência para o público. Figura 16 - Incêndio no Canecão Mineiro Fonte: Correio Braziliense, 2019. 16 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 17 - Incêndio no Canecão Mineiro Fonte: Correio Braziliense, 2019. 1.1.1.7 Incêndio Gran Circo Norte-Americano (17/12/1961) Esse incêndio se tornou o maior incêndio da história do país, em relação ao número de vítimas. Um funcionário não tinha aceitado sua demissão e para se vingar do proprietário do circo, ele ateou fogo na lona que cobria o espetáculo, composta de material com alto teor de inflamabilidade. A lona caiu em cima das pessoas, o que dificultou o processo de fuga. A única saída que existia, estava composta por grades. O número de vítimas fatais declarado oficialmente foi de 503 mortes, entretanto acredita-se que esse número é bem maior. Figura 18 - Incêndio Gran Circo Norte-Americano Fonte: Vellamo, acesso em 2019. 17 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 19 - Incêndio Gran Circo Norte-Americano Fonte: Correio Braziliense, 2019. 1.1.1.8 Incêndio Lojas Renner (27/04/1976) Um prédio onde havia uma das unidades das lojas Renner pegou fogo e foi devastado pelas chamas. O evento deixou 41 mortos e mais de 60 feridos. Assim como o edifício Joelma, esse incêndio também foi marcado pelas pessoas se jogando dos edifícios para fugir do fogo. 18 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas dearmazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 20 - Incêndio lojas Renner Fonte: Correio Braziliense, 2019. No Brasil, ocorreram inúmeros outros acidentes, que deixaram centenas de vítimas, devido à proporção dos incêndios. Acima, encontram-se os maiores, de forma lamentável. Deve-se agilizar ações para que esses eventos aqui citados, quem sabe, possam ser os mais recentes ao longo dos anos seguintes. Para ler mais sobre outros casos ocorridos no país, consulte as matérias disponíveis nos links abaixo. SAIBA MAIS! Relembre 10 incêndios que marcaram a história do Brasil Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/02/08/interna- brasil,736353/relembre-dez-incendios-que-marcaram-a-historia-do-brasil.shtml>. Os 12 Maiores Incêndios do Brasil: Existe Algo em Comum? Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/02/08/interna-brasil,736353/relembre-dez-incendios-que-marcaram-a-historia-do-brasil.shtml https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2019/02/08/interna-brasil,736353/relembre-dez-incendios-que-marcaram-a-historia-do-brasil.shtml 19 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. <https://www.vellamo.eng.br/noticias/os-maiores-incendios-do-brasil>. Os maiores incêndios do Brasil antes de Santa Maria Disponível em: <https://exame.abril.com.br/brasil/os-maiores-incendios-no-brasil/>. Grandes Incêndios no Mundo Disponível em: <https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/grandes-incendios-no-mundo- 21500628>. 1.2 Conceitos sobre o Fogo Para que o fogo tenha início, é preciso que haja o comburente e o combustível, denominados como reagentes. Esse processo, conhecido como combustão, é a reação química que libera luz e calor e para que a reação se inicie, é necessário que haja a energia de ativação fornecida por fontes de ignição. A presença do combustível, do comburente, da reação química, que ocorre pela presença da fonte de ignição, e do calor da reação, fonte envolvida no processo, onde se ganha ou se perde energia, forma o conhecido tetraedro do fogo. A saber: o tetraedro é representado por um triângulo, e não por um quadrado, para que cada um dos quatro elementos esteja conectado diretamente com cada um dos outros elementos. Quando se retira um ou mais componentes do tetraedro, esse fica incompleto e, assim, a reação se extingue. Figura 21 - Tetraedro de Fogo https://www.vellamo.eng.br/noticias/os-maiores-incendios-do-brasil https://exame.abril.com.br/brasil/os-maiores-incendios-no-brasil/ https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/grandes-incendios-no-mundo-21500628 https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/grandes-incendios-no-mundo-21500628 20 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Fonte: APSEI - Associação Portuguesa de Segurança, 2016. SAIBA MAIS TEORIA DO FOGO - PARTE 1 Tetraedro do Fogo | Triângulo do Fogo | Pirólise | A teoria do fogo Acesse o link: <https://www.youtube.com/watch?v=kwZAZzxdpVs>. 1.2.1 Combustível Entende-se como combustível qualquer substância que seja capaz de queimar e alimentar a combustão, ou seja, de proporcionar o desenvolvimento do fogo. Assim, onde houver combustível, o fogo percorrerá por ele, de forma a aumentar ou diminuir sua faixa de ação. Podem ser encontrados em forma de matéria líquida, sólida ou gasosa. Grande parte dos combustíveis entra em combustão na fase gasosa. Quando o componente é aquecido, o combustível transforma-se em vapor antes de reagir com o oxigênio para, assim, se iniciar o processo de combustão. Dessa forma, quando um combustível é líquido ou sólido, é preciso que haja algum tipo de energia térmica para aquecê-los e levá-los ao estado gasoso. O quadro abaixo apresenta exemplos de combustíveis. https://www.youtube.com/watch?v=kwZAZzxdpVs 21 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Quadro 1 - Exemplos de Combustíveis Estado da Matéria Estado da Matéria Líquida Gasolina, álcool, tintas, solventes, éter. Sólida Metais, madeira, papel, tecidos. Gasosa GLP (gás de cozinha), hidrogênio, metano. Fonte: Elaborada pelo autor, 2019. 1.2.1.1 Combustíveis Sólidos Em grande parte dos casos, os vapores, oriundos desses materiais após seu aquecimento, que apresentam inflamabilidade. Entretanto alguns componentes sólidos como ferro, parafina ou bronze se tornam líquidos quando são aquecidos e só após esse processo produzem os vapores inflamáveis. 1.2.1.2 Combustíveis Líquidos Os combustíveis líquidos podem ser classificados entre combustíveis e inflamáveis, conforme o seu ponto de fulgor. Pontos de fulgor inferiores a 37,8ºC classificam o líquido como inflamável. Temperaturas superiores a esta, consideram o líquido como combustível. Esses níveis de temperaturas são padronizados pela NFPA/EUA - National Fire Protection Association. 1.2.1.3 Combustíveis Gasosos Os combustíveis gasosos precisam se concentrar em uma mistura ideal para que se inflamem, considerando o limite de inflamabilidade de cada gás. A tabela abaixo mostra os limites de alguns exemplos de gases. Tabela 1 - Limites de Inflamabilidade Combustíveis Gasosos Concentração de Gás Limite Inferior Limite Superior Acetileno 2,0% 85,0% Álcool 3,0% 19,0% Benzina 1,2% 6,0% Éter 1,7% 48,0% Gasolina 1,3% 6,0% GLP 2,0% 10,0% 22 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Hidrogênio 4,0% 75,0% Metano 1,4% 7,6% Propano 5,0% 17,0% Querosene 1,0% 6,0% Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Com os dados da tabela, vê-se por exemplo, que o acetileno, ao se misturar com o ar, inicia seu processo de queima em qualquer concentração que esteja entre 2% e 85%. Dessa forma, é um gás em que se deve ter uma atenção redobrada em casos de incêndios. 1.2.2 Comburente O comburente é o componente que mantém as chamas acesas e mais intensas. A presença deste torna a temperatura do processo mais elevada e permite a ocorrência da combustão. O oxigênio, comburente mais comum devido a sua concentração na atmosfera (21%), faz com que a queima se dê de forma mais rápida e mais completa. NOTA Conforme a taxa de oxigênio presente no ambiente diminui, o processo de combustão é reduzido. A combustão se mantém fraca quando os níveis de taxa de oxigênio ficam entre 15% e 9%, e onde há níveis inferiores a 9%, ocorre a finalização da combustão. Um exemplo muito comum para demonstrar a ação de um comburente é colocar um copo sobre uma vela acesa, o que impede a entrada de oxigênio, e, consequentemente, a chama diminuirá gradativamenteaté se apagar por completo. Esse fenômeno ocorre devido a insuficiência de oxigênio dentro do copo, ou seja, ao colocar o copo sobre a vela, a entrada de ar para fornecer oxigênio à vela foi interrompida. 23 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. NOTA Existem combustíveis que possuem oxigênio em sua composição, ou seja, podem queimar em qualquer lugar, tendo ou não a presença do ar. É o caso de nitratos, pólvoras, celuloides, dentre outros. No ser humano, as concentrações variadas de oxigênio podem causar algumas reações, conforme tabela abaixo: Tabela 2 - Reações devido às concentrações de oxigênio Concentração de oxigênio (O2) -% em volume Consequências Maior ou igual a 18% Respiração normal Entre 16% e 18% Dificuldade respiratória Entre 12% e 16% Respiração acelerada e aumento do batimento cardíaco Entre 10% e 12% Instabilidade emocional e exaustão física Entre 6% e 10% Enjoo, vômito, falta de ação e inconsciência Abaixo de 6% Contração muscular involuntária e parada cardiorrespiratória Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. 1.2.3 Calor Calor é a fonte de energia que dá início ao processo de combustão. Por meio dessa fonte de energia, a temperatura dos elementos envolvidos no processo é elevada. 1.2.4 Reação em cadeia As reações em cadeia são as reações que acontecem durante o fogo, onde o calor que existe no processo é originado para ativar a queima do combustível com o comburente, mantendo-se em um ciclo enquanto houver a presença de ambos os elementos. Essa reação se dá por conta dos combustíveis, que após iniciarem o processo de combustão, geram mais calor. Esse calor irá provocar o desprendimento de outros gases e vapores combustíveis, o que permite o desenvolvimento de uma transformação em cadeia ou reação de cadeia. 24 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.3 Propagação do Calor Para que haja equilíbrio térmico, é necessário que o elemento que possui menor temperatura absorva calor, até estar com a mesma quantidade de energia dos outros elementos. Dessa maneira, há três formas dessa energia a serem transferidas de um componente para o outro: por condução, convecção ou irradiação. 1.3.1 Condução O processo de condução é a forma de transferir calor por, meio de um corpo sólido de molécula, para molécula ao longo do corpo contínuo. Ao aquecer, por exemplo, uma barra de ferro em uma de suas extremidades, as moléculas dessa extremidade receberão calor. O aquecimento ao longo da barra acontecerá de forma gradual, até chegar à outra extremidade. Isso acontece porque as moléculas vibram de forma vigorosa e se chocam com as outras moléculas, transferindo-lhes calor. 1.3.2 Convecção A convecção ocorre pelo processo de transferência de calor, pelo movimento ascendente de massas de líquidos ou gases, dentro do mesmo elemento. Isso é possível pela diferença de densidade presente no mesmo fluido. É possível observar essa troca quando, por exemplo, uma água é aquecida dentro de um recipiente de vidro, onde é possível observar um movimento dentro da própria água, de baixo para cima. Conforme a água é aquecida, ocorre sua expansão e ela se torna menos densa, ou seja, mais leve, o que provoca seu movimento para cima. De forma análoga, o ar, também aquecido nesse processo, se expande e tende a subir para as partes mais altas do ambiente e o ar mais frio ocupa os lugares mais baixos. 1.3.3 Irradiação A irradiação é a transmissão de calor por ondas de energia que se deslocam no espaço. Essas ondas se propagam em todas as direções e, à medida que os corpos se aproximam ou se afastam da fonte de calor, a intensidade com que os elementos são atingidos pela fonte também aumenta ou diminui, respectivamente. 25 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.4 Combustão A combustão pode ser classificada em relação a sua velocidade, sendo ativa, lenta, explosiva e espontânea. Consequentemente, a velocidade da combustão vai depender da quantidade de concentração disponível do comburente (normalmente é o oxigênio), visto que o comburente é o ativador do fogo. Quadro 2 - Tipos de combustão Combustão ativa Esse tipo de combustão é aquela em que o fogo produz, além de calor, a chama e se processa em ambientes ricos em oxigênio. Combustão lenta Ao contrário da combustão ativa, aqui o fogo só produz calor e não há a ocorrência de chamas, se dando, geralmente, em ambientes pobres em oxigênio. Combustão Explosiva Nesse tipo de combustão, a ação se dá rapidamente e atinge altas temperaturas. A transformação de energia nessa combustão se dá por meio da dilatação violenta dos gases, que também exercem pressão brusca nas paredes do ambiente em que se encontram confinados. Combustão espontânea Acontece em determinados materiais, normalmente de origem vegetal, que tendem a fermentar após longos períodos que permaneceram armazenados ou em condições específicas. Com o processo de fermentação, surge o calor que, ao elevar a temperatura, gradativamente, faz o combustível alcançar seu ponto de ignição. Há também a possibilidade de terminados produtos reagirem quimicamente um ao outro quando estocados juntos. Combustão completa e incompleta A combustão também pode ser completa ou incompleta diante da quantidade de oxigênio. Na completa há total queima de oxigênio, enquanto na incompleta ocorre a queima parcial. Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Além da sua velocidade, a combustão em sua forma produz quatro produtos; gases de combustão, a chama, o calor e a fumaça. 26 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.4.1 Gases de Combustão Os gases de combustão são os gases que permanecem no ambiente, quando a temperatura dos produtos de combustão é reduzida ao normal. A toxicidade desses gases vai depender da sua composição, da sua concentração e, em relação ao individuo exposto, vai depender das condições físicas e do tempo de exposição aos gases. 1.4.2 Chama A chama é a reação intensa da queima de elementos, visto que a combustão ocorre na presença de atmosfera normal, que é rica em oxigênio. Um indivíduo exposto diretamente à chama fica suscetível a queimaduras e a perda de danos materiais diante do calor que irradiam. 1.4.3 Calor O indivíduo exposto a essa forma de energia produzida pelo incêndio corre o risco de desidratação, esgotamento físico, problemas respiratórios e queimaduras diante da elevação de temperatura. 1.4.4 Fumaça A fumaça produzida pelo incêndio varia com o tipo de combustível utilizado como elemento. As fumaças decor branca ocorrem na fase inicial, devido à presença de umidade nos materiais. As madeiras, por exemplo, provocam fumaças de cor marrom, os plásticos de cor cinza, quando esses possuem superfícies pintadas, e os hidrocarbonetos produzem fumaça de cor preta durante o processo de combustão. 27 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 2 - PROTEÇÃO E COMBATE CONTRA INCÊNDIOS E EXPLOSÕES Os incêndios podem ser oriundos de diversas causas, sendo elas causas naturais ou artificiais. Quando um incêndio é provocado naturalmente, entende-se que foi provocado pelos fenômenos da natureza, e que tal ação independe da natureza ou vontade humana. Já um incêndio desencadeado artificialmente, quer dizer que foi provado pela ação humana, seja ela acidental, quando o homem não teve a intenção de provocá-lo, ou proposital, quando há a intenção de provocá-lo e torna-se uma ação criminosa. 2.1 Causas e Fases de Incêndios Para facilitar a compreensão sobre incêndios, eles foram divididos em três fases: a fase inicial, a queima livre e a queima lenta. 2.1.1 Fase Inicial A fase inicial do incêndio é a parte onde o calor é consumido em grande parte durante o aquecimento dos combustíveis. Com a temperatura do ambiente pouco elevada em relação à temperatura normal, o calor também está sendo produzido e toma maiores proporções, de acordo com o aumento das chamas. Nessa fase, a temperatura ambiente fica em torno de 38ºC, há produção de gases inflamáveis, bem como gases como dióxido de carbono, monóxido de carbono e vapores d’água, além da ampla oferta de oxigênio presente o ar, com níveis superiores a 20%. 2.1.2 Queima Livre Nessa fase, diante do oxigênio presente, o ar é levado para dentro do ambiente em que ocorre o incêndio pela pressão negativa (convecção). Reciprocamente o ar quente é expulso do ambiente ocupando lugares mais altos. Na queima livre, os gases aquecidos se espalham tomando o ambiente de cima para baixo e a temperatura nos locais mais altos podem ultrapassar 700ºC. 28 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Além disso, as elevadas temperaturas nesses lugares podem provocar ignição (faíscas) de combustíveis situados nessas áreas. 2.1.3 Queima Lenta No processo de queima lenta, as chamas podem se apagar, caso o comburente seja insuficiente para manter a combustão. Nessas situações, os níveis de oxigênio podem ser inferiores a 9%. Nesse processo, o ambiente é ocupado por fumaça densa e, devido ao aumento de pressão interna, há saída de gases pelas aberturas existentes de forma rápida. Além disso, o calor intenso no local faz com que os combustíveis presentes liberem vapores combustíveis. 2.2 Classes de Incêndio Para facilitar as ações de combate a incêndio, e torná-las mais eficientes e seguras, a NFPA (National Fire Protection Association) elaborou uma classificação dos incêndios, conforme tipo de material combustível envolvidos no processo. O emprego dessas classes visa facilitar o uso do agente extintor adequado para cada tipo de elemento combustível. São elas, classes A, B, C e D. Os combustíveis empregados na classe A são materiais que possuem fácil combustão e propriedade de queimar em sua superfície e profundidade. São os sólidos comuns, como a madeira, o papel, os tecidos, a borracha, entre outros. Diante de suas dimensões, há sobras de resíduos após a queima desses materiais. Sendo assim, o método adequado para a extinção de incêndios com esses tipos de materiais é o resfriamento com o uso de água. Na classe B, os combustíveis utilizados são líquidos inflamáveis, líquidos combustíveis e gases inflamáveis, como óleos, gasolinas, graxas, vernizes, tintas, entre outros. Além disso, os materiais envolvidos aqui não queimam em superfície e não deixam resíduos após o processo de queima. Diante dessas características, os métodos indicados para acabar com o incêndio são o abafamento com espumas e a quebra de reação em cadeia. Quando se tratar de gases, o método mais eficiente é 29 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. o isolamento, onde há retirada ou controle do material combustível, seja por meio da retirada de fontes, ou pelo fechamento de registros, por exemplo. Na classe C, são classificados materiais elétricos energizados tais como transformadores, fios, motores, entre outros. Nesse caso, a utilização de água é vedada, visto que pode ocorrer a condução de energia e risco para os envolvidos no combate ao fogo. IMPORTANTE Se um material é sólido e não se encontra energizado, o incêndio assume a propriedade da classe A. Porém, caso o material possua capacitores ou quaisquer outros equipamentos que mantêm energia elétrica, mesmo que não estejam ligados a uma fonte de energia, os procedimentos de combate ao incêndio devem assumir as orientações da classe C. A classe D agrupa os combustíveis mais peculiares, visto que a utilização da água é impossível como emprego total ou parcial. Nessa classe estão os combustíveis metálicos, alcalinos em sua maioria. Grande parte deles queima de forma agressiva e produz luz e calor de forma elevada e, assim, os incêndios precisam ser contidos por abafamento e quebra de reação em cadeia. Nos EUA, Europa, Ásia e na Austrália, os incêndios ainda possuem a classe K, conhecida no continente americano, e para o restante conhecido como classe F. Esse extintor ainda é pouco utilizado no Brasil e, por ser raro, o preço de acesso se torna inviável. Para essa classe, esse tipo de extintor é utilizado em incêndios que envolvem óleos vegetais, animais ou gorduras com equipamentos de cozinha, sejam residenciais, ou comerciais. É conhecido também por Kitchen, por ser empregado em cozinhas e a letra inicial ser a “K”. Quadro 3 - Simbologia das Classes de Incêndio CLASSE A Identificado pela cor verde 30 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CLASSE B Identificado pela cor vermelha CLASSE C Identificado pela cor azul CLASSE D Identificado pela cor amarela CLASSE K Identificado pela cor preta Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. 2.3 Fenômenos característicos de Incêndio Os fenômenos característicos de incêndio são fenômenos que caracterizam a rápida propagação do incêndio, seja por uma ignição súbita, uma ignição explosiva ou por outras formas. A ignição súbita também é conhecida por flasover e a ignição explosiva por backdraft. Em um espaço confinado, por exemplo, onde há presença de radiação térmica total, é gerado nos combustíveis presentes a pirólisis, momento em que os gases elevama temperatura e há partículas em suspensão. A presença de uma fonte de ignição faz com que ocorra a transição de um incêndio, que se encontra em 31 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. progressão para um incêndio generalizado, de proporção maior. O fator que permite essa mudança de estado dos incêndios é denominado flashover. Já o fenômeno backdraft, se dá por uma explosão diante de entrada inesperada de ar, em um ambiente pouco ventilado, com alta concentração de gases aquecidos. Algumas diferenças foram colocadas no quadro a seguir, para facilitar a compreensão desses fenômenos. Quadro 4 - Características Flashover e Backdraft FLASHOVER BACKDRAFT Inflamação generalizada do ambiente Explosão súbita de fumaça Frequente Não ocorre com frequência Não explosivo Explosivo Efeito iniciador: concentração de combustível Efeito iniciador: concentração de comburente Calor crescente com ventilação constante Muito calor e ventilação limitada, com nova ventilação em sequência Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. SAIBA MAIS Room Flashover Videos Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=QqMVm72FMRk>. Veja o fenômeno backdraft em câmera lenta Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=THRDLkDZV5Y>. Backdraft training Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Et_Y_kZXoQQ>. 2.4 Métodos de Extinção de Incêndio Conforme visto no tópico sobre o fogo, a extinção de um incêndio se dá pela eliminação de um ou mais de seus elementos, que compõem o tetraedro de fogo. https://www.youtube.com/watch?v=QqMVm72FMRk https://www.youtube.com/watch?v=THRDLkDZV5Y https://www.youtube.com/watch?v=Et_Y_kZXoQQ 32 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Dessa forma, se um de seus lados for extinto, a chama não terá o que é necessário para permanecer acessa. Nessa perspectiva, há alguns métodos utilizados para extinção dos incêndios. 2.4.1 Abafamento A técnica de abafamento consiste em eliminar o comburente do fogo, em sua maioria o oxigênio, de forma com que a chama permaneça fraca, até se apagar por completo. Alguns agentes extintores, que serão vistos nó tópico principal a seguir, podem ser utilizados para a realização dessa técnica, como terra, areia, cobertores, vapor d’água, espumas, entre outros. 2.4.2 Isolamento O isolamento consiste na retirada do material combustível do processo que ainda não foi queimado, ou separá-lo do combustível que ainda está em processo de queima. Assim, a chama se apagará sem a combustão, pois, não terá combustível para ser consumido. 2.4.3 Resfriamento O resfriamento se dá pela retirada de calor do material, ou seja, redução de temperatura do combustível, resfriando-o para que o material atinja medidas abaixo de seu ponto de fulgor. 2.5 Agentes Extintores de Incêndio 2.5.1 Água A água é o agente extintor mais conhecido e utilizado na extinção de incêndios, devido a sua abundância na natureza. É indicada principalmente para conter incêndios de classe A e age por resfriamento, visto que possui alta propriedade de absorção de calor, e por abafamento, quando aplicada em forma de neblina ou jato contínuo, por exemplo. Possui baixo custo, facilidade de obtenção e transporte, e algumas características particulares, como alta capacidade de absorção de calor, alto grau de expansão, elevada tensão superficial, condutibilidade elétrica, baixa 33 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. viscosidade e capacidade de reagir com outros componentes, por esse motivo, em algumas situações podem ser desconsiderado seu uso. 2.5.2 Espuma A espuma possui ação por abafamento, e por conter água em sua formação, possui uma ação secundária de resfriamento. É constituída de bolhas de ar ou gás CO2, envolvidas por películas de água. A espuma pode ter formação química ou mecânica. A Espuma Química é resultado da combinação da reação entre soluções aquosas de sulfato de alumínio e bicarbonato de sódio. Já a Espuma Mecânica é composta por uma mistura de água com pequenas porcentagens de concentrado gerador de espuma e entrada de ar forçada (entre 1% e 6%). Dessa maneira, é produzido um volume alto da solução, formando a espuma. Uma característica da espuma é sua expansividade. Além disso, por conter a presença de água e, consequentemente, conduzir eletricidade, o uso de espumas não é indicado para incêndios com focos em equipamentos energizados. Assim, seu uso é indicado para focos em líquidos e sólidos combustíveis, apesar de ter um custo elevado para aplicação em componentes sólidos. A NFPA classifica as espumas de combate a incêndio em três tipos, conforme sua capacidade de expansão: Espuma Baixa: possui taxa de expansão até 20:1. Essa espuma é eficiente no controle e extinção de incêndios provocados por líquidos inflamáveis da classe B. Ela também pode ser empregada em incêndios de classe A, que requer o resfriamento e bom poder de penetração. Espuma Média: Taxa de expansão entre 20:1 a 200:1. A espuma média pode ser utilizada no abafamento de vapores de produtos químicos perigosos. Espuma Alta: Taxa de expansão acima de 200:1. Espumas com alta taxa de expansão são empregadas em incêndios ocorridos em espaços confinados. Sua aplicação geralmente é feita por geradores especiais, pois, utilizam espuma sintética. 34 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2.5.3 Pós Químicos Os Pós Químicos são eficientes no combate de incêndios que envolvam líquidos inflamáveis. Seu funcionamento se dá pelas partículas do produto químico divididas, que interceptam os radicais livres e quebram o processo de oxidação da reação em cadeia da combustão da chama. Sem capacidade para resfriar, não isenta o combustível contra a “re-ignição” caso esse seja exposto a alguma outra fonte de ignição. Os principais tipos de Pós Químicos utilizados são o bicarbonato de sódio (NaHCO3), o bicarbonato de potássio (KHCO3) e o fosfato de monoamônio (NH4H2PO4). Com o uso desse tipo de material, as chamas podem se extinguir por abafamento, resfriamento, quebra de reação em cadeia e por proteção contra a irradiação do calor. 2.5.4 Gás carbônico (CO2) Esse tipo de material extintor é o mais recomendado para incêndios classe C, pois, além de não conduzir eletricidade, o gás carbônico possui pressão própria para descarregar o extintor. Sua propriedade de gás permite penetrar e espelhar com facilidade na área incendiada e não deixa resíduos em sua ação combatente. Sua ação é por abafamento e pode ter efeito de resfriamento dependendo da condição como é aplicado. É importante estar atentoao utilizar o CO2, já que é um gás asfixiante simples. Uma concentração desse gás de 20% por exemplo, pode causar a morte de um indivíduo entre 20 e 30 minutos. 2.5.5 Extintores de Incêndio Para a história sobre como surgiu os extintores, há relatos de que o médico alemão M. Fuches inventou, no ano de 1734, algumas bolas de vidro cheias de solução salina para serem atiradas no fogo. O extintor com modelo mais moderno e automático foi criado por um militar inglês, o Capitão George William Manby. O capitão esteve presente em um incêndio no ano de 1813, que começou no quinto andar de uma edificação, onde as mangueiras utilizadas normalmente para conter incêndios não alcançavam por causa da altura do edifício, que era superior ao comprimento das mangueiras. Com 35 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. isso, não pôde ser feito para conter o incêndio e evitar que o fogo se espalhasse, tomando conta do quarteirão. Diante de tal fato, o capitão George fez uma declaração certeira de que a aplicação de água em uma situação momentânea crítica, mesmo que em pequena quantidade, surtiria algum efeito. Entretanto, caso uma quantidade maior de água fosse utilizada num momento posterior do incêndio, a aplicação da água não teria efeito para conter o fogo, pois, as chamas se alastrariam significativamente com alta velocidade e causariam destruição certeira. Seguindo sua linha de pensamento, em 1816, ele criou um equipamento cilíndrico feito de cobre, com altura de 60 centímetros e capacidade para suportar 15 litros. O objeto era envasado com até três/quartos de um líquido que ele descrevia como um líquido antichamas, sendo uma solução de potassa cáustica. O um/quarto recente era preenchido com ar comprimido. Os extintores são aparelhos elaborados com o intuito de conter as chamas em sua fase imediata, ou seja, na sua fase inicial. Assim, são feitos para serem utilizados rapidamente e, dessa forma, sua eficácia é garantida se for permitido fácil acesso a esses aparelhos, um bom trabalho de manutenção e ao conhecimento do operador, em relação às técnicas de extinção de incêndio e da operação dos aparelhos extintores propriamente ditos. Os extintores recebem o nome do agente extintor, que preenchem seu interior. Podem ser divididos em portáteis, quando são manuais e operados por uma única pessoa, ou podem ser sobre rodas, quando exige um ou mais indivíduos para operá- lo. Os extintores que funcionam por reação química são chamados de extintores químicos, e os demais extintores são denominados pressurizados, sendo de pressão interna ou de pressão injetada. Os extintores de pressão interna já possuem o gás dentro do recipiente misturado com o agente extintor. Outra maneira de se encontrar esse tipo é quando o próprio agente extintor se encontra comprimido. Os extintores de incêndio são equipamentos utilizados para combater pequenos incêndios ou princípios de incêndio, visto que possuem pequenas quantidades de agentes dentro de seus compartimentos. São caracterizados e vantajosos pela sua eficácia, pela portabilidade e pela fácil mobilidade. Podem ser 36 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. classificados como portáteis, feitos para serem transportados com peso inferior a 20kg e podem vir sobre rodas, com pesos maiores e maior quantidade de agente extintor. Os extintores também são regidos por algumas regras quanto a sua utilização, sua capacidade extintora, seu manuseio e modo de aplicação. Sua capacidade extintora se relaciona com a quantidade, tipo e eficácia do agente extintor e mede o quão eficiente tal agente será diante do princípio de incêndio. Para garantir a segurança de quem estiver manuseando o equipamento, deve- se manter uma distância segura do foco de incêndio, observar a direção do vento, escolher o extintor, de acordo com a classe de incêndio e observar que o extintor é usado sempre para princípios de incêndios, e não para eventos maiores. Os extintores também devem ser inspecionados de forma periódica, por profissional habilitado, para verificar se este se encontra em condições adequadas de operação como localização devida, acesso ao equipamento, identificação, lacre, peso, integridade física, selo conforme norma técnica (NBR 12962 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manutenção) entre outros requisitos. Conforme o resultado da inspeção, pode haver a necessidade de reparos ou substituições nas peças, para garantir a funcionalidade do extintor. Podem ser realizadas recargas totais ou parciais do agente extintor contido no aparelho e deve ser realizado, a cada cinco anos, o teste hidrostático nas peças do extintor que estiverem sujeitas à pressão. O quadro a seguir descreve os extintores mais recomendados, de acordo com as classes de incêndio. Quadro 5 - Aplicação de Extintores de Acordo com o Incêndio Tipos comuns de extintores CLASSES DE INCÊNDIO A B C D Água Adequado Proibido Proibido O agente contido no extintor deve ser compatível com metais. Espuma Adequado Adequado Proibido CO2 Não Recomendado Adequado Adequado Pó Químico Não Recomendado Adequado Adequado 37 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. BC Pó Químico ABC Adequado Adequado Adequado Fonte: Elaborado pelo autor, 2019. Figura 22 - Alguns Componentes do Extintor Fonte: Extinfran, 2018. Os extintores devem vir dotados de sistema de segurança, sendo o lacre, que comprova que o extintor ainda não foi utilizado e o pino de segurança, que trava o extintor e impede que esse seja usado acidentalmente. 2.6 Materiais e Equipamentos Para a realização do combate a incêndio com eficiência, o uso de alguns materiais e equipamentos complementares é necessário para auxiliar nas operações que serão realizadas. Materiais como mangueiras, mangotes, esguichos para a aplicação de água, ferramentas como chaves e peças para transportes além de acessórios hidráulicos e escadas são fundamentais para o controle total do incêndio. As mangueiras são os equipamentos utilizados na condução da água sob pressão. São tubos enroláveis para melhor manuseio, de nylon e possuem revestimento interno de borracha. Possuem comprimento entre 15m e 30m. Os esguichos são os equipamentos metálicos que possuem uma extremidade para a entrada, junta storz e comando para as operações de fechamento, jato de chuveiro e 38 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. jato compacto. As chaves de mangueira são hastes de ferro utilizadas na conexão de mangueiras que possuem juntas storz. Há equipamentos de proteção, que agem de formas passiva ou ativa,mediante os incêndios. As medidas de proteção passivas são incorporadas no sistema construtivo da edificação. Assim, sua funcionalidade está durante o uso habitual do edifício e que reage de forma passiva ao desenvolvimento do incêndio, sem condições que proporcionem o crescimento das chamas. Garantem resistência ao fogo, atuam no escape dos usuários mediante situação de incêndio, e ajudam no ingresso da edificação para ações de combate e resgate, como por exemplo dampers corta foro e portas corta fogo. Já a proteção ativa, é o tipo de proteção que precisa ser acionada manualmente ou de forma automática em resposta aos eventos provocados pelo fogo, como por exemplo, os extintores portáteis. Visando a segurança, a agilidade e a orientação diante de um incêndio, são utilizados alarmes e iluminação de emergência e sinalização para rotas de fuga. Os alarmes de emergência são ativados em uma central, que permite que todos os alarmes de abandono de uma determinada área sejam ativados simultaneamente. Figura 23 - Alarme de Incêndio Fonte: Airduto - Engenharia e Execução, 2019. 39 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. O sistema de iluminação de emergência é instalado em todas as áreas de acessos, circulações, escadas e áreas de escape, para permitir que qualquer evacuação necessária seja realizada com segurança. A iluminação deve ser forte o bastante para garantir que local seja esvaziado, principalmente mediante a fumaça produzida pelo incêndio. Esse tipo de sistema possui autonomia por 2 horas e sinaliza todas as rotas de fuga, que podem ser utilizadas no momento de abando do local em chamas. Figura 24 - Iluminação de Emergência Fonte: Fireneze, 2019. Figura 25- Iluminação de Emergência Fonte: Expolux, 2019. 40 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. As sinalizações de rotas de fuga são dotas de placas fotoluminescentes e localizadas em pontos estratégicos da edificação, de modo a permitir a saída mais rápida e segura do local. As placas devem ser elaboradas para que qualquer pessoa seja capaz de identificar a saída do prédio. Figura 26 - Sinalização de Rota de Fuga Fonte: Projeb Extintores, 2019. 2.7 Equipamentos de Proteção Individual - EPI Diante do ambiente ao qual o profissional do corpo de bombeiros está submetido, é fundamental que seja utilizado os EPIs - Equipamentos de Proteção Individual, para garantir sua proteção e seu desempenho profissional. É necessário que os EPIs garantam a proteção da cabeça, dos olhos, proteção auditiva e respiratória, do tronco e de todos os membros do corpo. Por isso devem ser usados capacetes, balaclavas (uma espécie de capuz que protege o rosto e pescoço do calor), óculos, vestimentas que ofereçam proteção ao calor, luvas e botas específicas para combate a incêndios, máscara facial, dentre outros. 2.8 Explosivos De acordo com a NR 19, explosivos são materiais ou substâncias que, quando iniciados, sofrem decomposição muito rápida em produtos mais estáveis, com grande liberação de calor e desenvolvimento súbito de pressão. Embora tenham ações destruidoras e serem conhecidos pela destruição que causam à vidas humanas e ao meio ambiente, os explosivos possibilitaram a 41 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. execução de grandes obras ao redor do mundo inteiro, que a priori, seriam impossíveis de serem concretizadas sem a utilização destes elementos. 2.8.1 Definições Algumas definições são importantes para a caracterização dos explosivos. São elas: Explosão: ato violento e expansivo que resulta de uma grande pressão, originados pela ação de um explosivo por meio de detonação, deflagração ou outro meio que libere pressão. Detonação: evento em que uma onda de choque com alta energia sustentada passa pelo corpo de um explosivo, provocando sua transformação em produtos mais estáveis, com a liberação de alta quantidade de calor. É característico de autos explosivos. Deflagração: é a autocombustão de um corpo, independente de seu estado físico, e que contém em sua composição os reagentes, combustível e comburente, misturados em proporção correta. Ocorre na superfície, por causa da transferência de calor presente na zona de chama em contato com a zona gasosa, também presente na superfície. É característico dos baixos explosivos. 2.8.2 Classificações Os explosivos são classificados em três formas: pelo ponto de vista químico, pela sua aplicação na prática e quanto à sua combustão, descritos à seguir. 2.8.2.1 Ponto de vista químico De acordo com esse ponto de vista, os explosivos podem ser compostos por substâncias simples (presença de apensas uma substância explosiva) ou por substâncias mistas (compostas por substâncias que, quando isoladas, não são explosivas). Essa classificação leva em conta a teoria dos explosóforos, em que as propriedades explosivas das substâncias dependem da presença do grupamento estrutural explosóforo. Esses explosóforos são caracterizados pelo baixo calor na formação de suas ligações químicas, assim, eles estão expostos a se decompor com apenas um pequeno impulso. 42 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2.8.2.2 Aplicação na prática Nessa classificação, os explosivos ainda são classificados como altos (nessa categoria ainda são subdivididos em altos explosivos primários e secundários) ou baixos explosivos. Altos explosivos primários ou iniciadores: São explosivos cuja finalidade é transformar outros explosivos. O impulso inicial exigido nesse tipo de explosivo é a chama ou um choque, transformando, em sequência, em uma detonação. Possuem características de sensibilidade, visto que podem explodir pela ação do fogo ou pelo impacto de um golpe e de manuseio perigoso. Além disso, apresentam velocidade de detonação menor do que os explosivos que se iniciam, são menos estáveis em relação aos explosivos não iniciadores e em sua maioria são inorgânicos. Para iniciar uma explosão, são necessárias pequenas quantidades em relação a explosivos menos sensíveis e, normalmente, são utilizados em espoletas, detonadores e espoletas de percussão. Altos explosivos secundários: Esses explosivos são utilizados em trabalhos de destruição, pela ação dos gases produzidos em seu processo de transformação. Para iniciação completa, precisam da detonação de outro explosivo detonado por chama ou choque. Possuem características de insensibilidade ao choque mecânico e à chama, entretanto, se explodem com muita violência ao serem ativados por um choque explosivo. Baixos explosivos ou propelentes: A finalidade destesexplosivos é a produção de um efeito balístico. São exigidos pelo impulso inicial de uma chama e possuem transformação de deflagração, com velocidade de transformação regular e sua decomposição é dada pela queima ou a deflagração. Sua ação é considerada menos destrutiva e libera altos volumes de gás de combustão, de forma definida e controlável. 2.8.2.3 Quanto à combustão Quanto à combustão, os explosivos se classificam em completo e incompleto. Explosivos de combustão completa: Nesse tipo de combustão, há queima até o CO2 e H2O, tendo em alguns casos a queima do O2. 43 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Explosivos de combustão incompleta: Nessa classificação, acontece a queima de forma incompleta, gerando o CO como subproduto. IMPORTANTE - O ≥ 2C + H/2 → O explosivo é combustão completa - O < - 2C + H/2 → O explosivo é de combustão incompleta Para fixar, veja o exemplo a seguir: A nitroglicerina (fórmula elementar C3H5O9N3) é um explosivo de combustão completa? C=3, O=9, H=5 De açodo com a fórmula para saber se a combustão é completa, a soma “2C + H/2” deve ser menor ou igual à quantidade de O. Vejamos: 2C + H/2 = 2(3) + 5/2 = 8,5 A quantidade de O é igual a 9. Como 9>8,5 podemos afirmar que a nitroglicerina é um explosivo de combustão completa. 2.8.3 Propriedade dos explosivos Os explosivos apresentam inúmeras propriedades que os tornam particulares. Por isso, é importante observar suas características, para escolher o melhor produto a ser utilizado, de acordo com a finalidade do trabalho. Dente as propriedades que mais se destacam estão se enquadram a brisância, a estabilidade, a sensibilidade, compatibilidade com outros materiais, a potência explosiva, o processo de combustão, especialmente a quantidade de calor liberado, a temperatura e a velocidade de detonação desses explosivos. Leva-se em consideração também o custo de fabricação e emprego de tais produtos e o grau de toxicidade das substâncias liberadas no processo. A sensibilidade, por exemplo, é determinada pela altura ao qual deve cair um peso sobre o explosivo para provocar sua detonação. Quanto maior a sensibilidade, menor a quantia de energia que será preciso para fazer com que o produto exploda, ou seja, romper a resistência à detonação. Já a velocidade de detonação é medida pela velocidade necessária para 44 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. decompor o explosivo. É importante para otimizar o desempenho do explosivo e definir o modo como vai ocorrer a liberação de energia. Há muitos tipos de explosivos no mercado, como explosivos plásticos, pólvoras, petardo, anfo, entre outros. Seu uso, por exemplo, pode ser militares ou industriais, mas seja qual for a finalidade, é importante estar atento sobre o material que está sendo usado, ser ministrado por profissionais, e atender as legislações específicas para atividades com esses materiais. 45 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CAPÍTULO 3 - LEGISLAÇÃO E NORMAS RELATIVAS À PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS, TÉCNICAS DE SALVAMENTO E BRIGADAS DE INCÊNDIO A proteção e o combate contra incêndio são compostos por equipamentos e sistemas que precisam ser acionados, manual ou automaticamente, para funcionarem em situação de incêndio, detectando com rapidez os focos de incêndio, para eliminá-los e garantir a vida e a segurança de todos os envolvidos. Para que tais ações sejam concluídas com eficácia, as normas técnicas e legislações são elaboradas, para orientar os profissionais técnicos habilitados e permitir conhecimento e entendimento sobre a proteção, o combate e a segurança contra incêndio, sejam nas edificações, indústrias, meio ambiente ou qualquer outra área de risco. 3.1 Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT A ABNT é o órgão de utilidade pública, responsável pelas normatizações técnicas do país em todos os setores, com o objetivo de garantir que os produtos originados da produção sejam desenvolvidos com tecnologia e segurança. Dessa forma, a seguir se destacam como os principais sistemas de proteção contra incêndios, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT): NBR 5419:2015 - Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas (Pára Raios.); NBR 5667:2006 - Sistema de Hidrantes; NBR 9077:2002 - Saídas de Emergência em Edifícios; NBR 10897:2014 (Versão Corrigida:2014) - Sistemas de proteção Contra Incêndio por Chuveiros Automáticos - Requisitos; NBR 10898:2013 - Sistema de Iluminação De Emergência; NBR 11742:2018 - Porta Corta-Fogo Para Saída de Emergência; NBR 11861:1998 - Mangueira de Incêndio - Requisitos e Métodos de Ensaio; 46 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. NBR 12615:2020 - Sistema de combate a incêndio por espuma – Espuma de baixa expansão; NBR 12962:2016 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manutenção; NBR 12693:2013 - Sistemas de Proteção Por Extintores de Incêndio; NBR 12779:2009 - Mangueira de Incêndio - Inspeção, Manutenção e Cuidados; NBR 13434:2004 - Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico; NBR 13714:2000 - Sistemas de Hidrantes e de Mangotinhos Para Combate A Incêndio; NBR 14276:2020 - Brigada de Incêndio; NBR 15219:2020 - Plano de emergência — Requisitos e procedimentos NBR 15808:2017 - Extintores de Incêndio Portáteis; NBR 17420:2010 - Sistema de Detecção e Alarme Automáticos de Incêndio - Projeto, Instalação, Comissionamento e Manutenção de Sistemas de Detecção e Alarme de Incêndio – Requisitos. Observação Até a elaboração final deste material, as normas NBR 9077:2002, NBR 12693:2013, e NBR 15808:2017 estavam em processo de revisão. Fiquem atentos quanto às atualizações! 3.2 Legislações e Decretos Em 2017, foi aprovada a Lei 13.425/2017 que estabelece as regras gerais sobre prevenção e combate a incêndios em estabelecimentos, edificações e áreas de concentração de pessoas. A lei ficou conhecida como Lei Kiss Federal, uma menção à boate Kiss, que foi alvo de um incêndio na cidade de Santa Maria, em RS, no ano de 2013, matando 242 jovens. Além do exemplo da lei federal acima citada, cada estado possui sua legislação referente à segurança, à proteção e ao combate ao incêndio, no que tange a legislações, decretos, portarias cobranças de taxas de acordo com o tipo de serviço, além das Instruções Técnicas - ITs e pareceres. O estado de Minas Gerais, por 47 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzidaou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. exemplo, possui 41 ITs, enquanto o estado de São Paulo tem 44 Instruções Técnicas publicadas. Ambos são publicados pelo Serviço de Segurança Contra incêndio e pânico no site do Corpo de Bombeiros do estado em questão. IMPORTANTE As normas estaduais e municipais devem ser analisadas no que se refere à prevenção e combate a incêndios. Elas podem ser mais restritivas do que as normas nacionais, mas nunca podem ser menos restritivas. SAIBA MAIS Legislações referentes ao estado de Minas Gerais http://www.bombeiros.mg.gov.br/legislacao.html 3.3 Normas Regulamentadoras - NRs Outro documento normativo importante é o que contém as Normas Regulamentadoras. Ao todo, são 37 NRs que visam a segurança dos trabalhadores (sendo duas revogadas até a elaboração desse material), nos mais diversos setores produtivos do país. As NRs que lidam com serviços relacionados a incêndios e explosivos são as NRs 19, 20 e 23. NR 19 - Explosivos NR 20 - Segurança e Saúde com Inflamáveis e Combustíveis NR 23 - Proteção Contra Incêndios A NR 19 chama atenção para a maneira de armazenar os explosivos, bem como seu manuseio e transportes adequados, para manter a segurança e integridade dos trabalhadores. Além disso, trata não só de explosivos para fins de detonação, mas também para comércio de fogos de artifício e outros artefatos acessíveis com facilidade. A NR 20 lida com os fatores de risco de acidentes provenientes das atividades de extração, produção, armazenamento, transferência, manuseio e manipulação de inflamáveis e líquidos combustíveis, conforme descrito na própria norma. http://www.bombeiros.mg.gov.br/legislacao.html 48 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. A NR 23 responsabiliza os empregadores pela adoção de medidas de prevenção de incêndios, bem como informações sobre utilização dos equipamentos, procedimentos para evacuação dos locais de trabalho de forma segura e sobre os dispositivos de alarme existente. Além disso, há outras definições sobre alguns conceitos básicos sobre o fogo, treinamentos e brigadistas. As NRs são disponibilizadas no site da Escola Nacional da Inspeção do Trabalho - ENIT pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, no campo “Saúde e Segurança do Trabalho”. É importante acessar pelo site oficial do Governo Federal, pois, as NRs estão em constante atualização e são publicadas sempre em suas versões mais recentes. 3.4 Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros - AVCB De acordo com a Lei Estadual nº 14.130/2001 e Decreto Estadual nº 46.595/2014, no estado de Minas Gerais, as edificações destinadas ao uso coletivo devem ser regularizadas junto ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais - CBMMG. Esse processo de regularização tem o objetivo de garantir a segurança mínima contra incêndio e pânico nas edificações. Para atestar a segurança da edificação, foi criado pelo CBM-MG (Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais) o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros - AVCB. Esse documento é emitido após a verificação das medidas de segurança instaladas em acordo com o Processo de Segurança Contra Incêndio e Pânico - PSCIP. O AVCB possui validade de 05 anos, excetuado pelas edificações que fazem recepção de público, cuja validade é de 03 anos. É importante lembrar que cada estado do país possui sua forma de regularização e certificação de que as edificações se encontram em segurança para ocupação. 49 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 27- Exemplo de modelo de AVCB estado de SP Fonte: Soluções Industriais, 2019. 50 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 28 - Exemplo de modelo de AVCB estado de MG Fonte: Vellamo, 2019. 3.5 Técnicas de Salvamento e Brigadas de Incêndio Além de controlar o incêndio de determinado local, um dos principais trabalhos dos profissionais que lidam com fogo é salvar as vítimas que se encontram em situações perigosas, sendo muitas vezes, a ação prioritária em casos mais complicados. Alguns procedimentos de emergência podem ser aplicados nas vítimas de incêndio, para manter os sinais vitais e evitar complicações mais graves. Esses procedimentos são os denominados primeiros socorros, que consistem em fazer um 51 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. atendimento imediato à vítima de incêndio, nesse caso, ou que seja vítima de outros tipos de acidentes, bem como em qualquer indivíduo que esteja com um mal súbito. De acordo com o Código Penal Brasileiro, qualquer pessoa, ainda que leiga na área da saúde, estará sujeita a complicações penais, caso deixe de prestar ajuda a algum necessitado ou acidentado, seja com procedimentos de primeiros socorros ou ao chamar algum outro tipo e ajuda para a vítima. 3.6 Primeiros Socorros A finalidade dos primeiros socorros prestados às vítimas de incêndio é preservar a vida, reduzir a situação grave das lesões e, depois de feitos os primeiros socorros, encaminhar os indivíduos ao socorro completo adequado. Ao deparar-se com a situação, é necessário agir com calma e cautela, transmitir confiança e tranquilidade às vítimas em desespero, agir rapidamente dentro dos limites conhecidos sobre primeiros socorros. É preciso saber identificar como a vítima se encontra, para saber aplicar os procedimentos adequados, analisar o local, para verificar se o ambiente está seguro para a realização do atendimento, utilizar os equipamentos adequados de segurança e fazer a sinalização da área. Há inúmeros procedimentos de primeiros socorros, que são executados conforme a situação e os sintomas apresentados pela vítima. 3.6.1 Vias Aéreas Quando os primeiros socorros devem ser feitos pelas vias aéreas, é necessário fazer contato com a vítima, em seguida imobilizar a coluna cervical e posicionar as costas da vítima em uma superfície dura. Na sequência, efetuam-se manobras de elevação do queixo ou da mandíbula e deve-se visualizar a cavidade oral para retirada de corpos estranhos, se for o caso. 3.6.2 Respiração e ventilação É necessário expor o tórax do paciente para ver, ouvir e sentir algum movimento respiratório e, após a análise, realiza-se a respiração boca a boca. Para verificar a respiração, o socorrista deve sentir o ar que é expirado pela vítima e 52 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacionalde direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. observar os movimentos respiratórios do tórax. Em caso de parada respiratória, recomenda-se posicionar a cabeça da vítima e iniciar a respiração boca a boca. 3.6.3 Vias circulatórias: hemorragias Nessa situação, é indicado verificar a existência de pulso, e caso haja ausência de pulso, deve dar início ao procedimento de massagem cardíaca. Caso haja pulso, é feito o controle dos sangramentos e o aquecimento do paciente. É importante lembrar que a cabeça da vítima deve se manter alinhada em todo o tempo. 3.6.4 Reanimação cardiopulmonar - RCP A recomendação sobre a reanimação cardiopulmonar – RCP é que as compressões torácicas sejam executadas continuadamente, para manter o fluxo contínuo de sangue para o coração, cérebro e outros órgãos vitais. 3.6.5 Estado de Choque Uma situação de choque é identificada quando há falha no recebimento de sangue pelo sistema circulatório. Os principais sintomas de uma vítima que se encontra nesse estado é a frequência do pulso, que se dá de forma rápida, respirações curtas, rápidas e irregulares, apresenta a pele fria, úmida, pálida e extremidades arroxeadas e nível de consciência agitado ou lento. Causas como hemorragias e/ou fraturas graves, dores intensas, queimaduras graves, exposições prolongadas a frio ou calor extremos, acidente por choque elétrico, ferimentos extensos ou graves e infecções graves são comuns nesse tipo de ocorrência. Para socorrer a vítima nesses casos é indicado deitar a vítima de costas, sempre com a cabeça alinhada e cervical imobilizada, elevando os membros inferiores, caso não haja fraturas. Se houver a presença de hemorragia, deve-se comprimir o local. Após, cubra a vítima e providencie transporte para remoção imediata para atendimento hospitalar adequado. 3.6.6 Hemorragia A hemorragia se dá pela perda constante de sangue, ocasionada pelo rompimento dos vasos sanguíneos, podendo ser externa ou interna. A hemorragia 53 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. externa é visível, portanto, é mais fácil de identificar. Caso seja prestado algum atendimento, a vítima pode chegar ao estado de choque. Para atendimentos em casos de hemorragia externa é necessário fazer a proteção com o uso de luvas. Identifica-se o local da hemorragia, e se atentar para não realizar atendimento no local errado. Colocar um pano limpo no local do ferimento e uma atadura em volta, pronta ou improvisada com objetos que não causem dificuldade circulatória, como fios, barbantes, entre outros. Em sequência deve feito o curativo compressivo, sem prejudicar a circulação do membro em questão. Se a hemorragia for em um braço ou uma perna, deve-se elevar o membro, excetuado em casos onde há fraturas. Faça pressão na área com os dedos para auxiliar a estancar a hemorragia. Caso o sangue continue saindo, mesmo após a realização dos procedimentos anteriores, não retire os panos já posicionados. Coloque outro pano limpo por cima para não causar interferências no processo de coagulação. O uso de torniquete pode levar à amputação cirúrgica de membro, caso não seja afrouxado corretamente e no tempo certo, portando, evite o uso desses objetos, ou tenha certeza de usá-los corretamente. 3.6.7 Queimaduras Diversas são as causas das queimaduras, mas as mais comuns em relação ao combate a incêndio são as chamas (térmicas), vapores quentes, líquidos ferventes, sólidos superaquecidos, substâncias químicas, radiações, frio ou calor excessivo e eletricidade. Queimaduras Térmicas: São causadas pelo calor, por meio de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas. Para os cuidados com esse tipo de queimadura deve-se utilizar água corrente no local atingido e nunca estourar as bolhas que poderão ser formadas na área afetada. Queimaduras Elétricas: São causadas pelo contato com a eletricidade de alta e baixa tensão à medida que a corrente elétrica atravessa o corpo. A prioridade de atendimento nesse tipo de emergência está em saber se a vítima ainda permanece em contato com a fonte elétrica que originou a queimadura. O individuo pode precisar de reanimação cardiopulmonar, devido ao risco de paradas cardíacas, por isso, ele deve ser encaminhados ao hospital o mais rápido possível. 54 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Queimaduras Químicas: As queimaduras químicas são provocadas pelo contato de substâncias corrosivas, líquidas ou sólidas com a pele. A reação do produto químico com a pele continua até que seja totalmente removido. Deve-se retirar a roupa com substância e fazer a lavagem no local imediatamente. Nesse caso, é extremamente importante a identificação do produto que causou a queimadura. Queimadura por Radiação: É causada pela exposição à luz solar ou a fontes nucleares. É indicada a aplicação de água corrente ou toalhas molhadas no local e ingerir muito líquido devido ao risco de desidratação. A gravidade das queimaduras depende da causa, da profundidade, do percentual e do local afetado e do comprometimento das vias aéreas. Elas podem ser classificadas, de acordo com a profundidade, em 1º, 2º ou 3º graus. Queimaduras de 1º apresentam vermelhidão, dor, edemas; de 2º, bolhas e dores intensas e queimaduras; e de 3º apresentam pele esbranquiçada, necrose e indolor. Nesses casos, a área afetada não deve ser tocada, não tentar retirar os pedaços de roupa grudados na pele. Caso seja necessário, fazer um recorte em volta da roupa que está sobre a região afetada. Nunca usar manteigas, pomadas, creme dental ou qualquer outro produto doméstico sobre a queimadura. Não utilizar algodão para cobrir a queimadura e não fazer o uso de ou água gelada para resfriar a região. 3.7 Plano de emergência A elaboração de um plano de emergência necessita de uma metodologia que necessita de um conjunto de execuções e coordenações compenetradas, adaptadas de acordo com a situação em andamento, visando a proteção da vida, do patrimônio e ao meio ambiente. O plano é desenvolvido levando em consideração os riscos, os recursos a serem utilizados e a situação de emergência, no caso os incêndios. O objetivo desse plano é unir as operações que serão executas ao combate contra o incêndio, bem como se atentar às informações e fornecê-las ao corpo de bombeiros, para tornar o atendimento eficiente. 55 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Para elaborar o plano de emergência, que deve ser elaborado por uma equipe capacitada ou profissional habilitado, é necessário levar em consideração os seguintes aspectos: a localização, a estrutura da construção, o tipo de ocupação, a população, as características de funcionamento do local, se há portadores dedeficiência, se há profissionais com recursos e qualificações para prestar serviços imediatos (brigadistas, bombeiros civil, entre outros) e os materiais existentes para serem usados no ato, como extintores de incêndio, hidrantes, iluminação de emergência, entre outros. Para qualificar o local, algumas técnicas mais comuns de análise de risco podem ser utilizadas, como as técnicas What If, Checklist, Hazop e Árvore de falhas, lembrando que existem outras técnicas que também podem ser aplicadas. No que tange à implantação do plano de emergência elaborado, devem ser feitos trabalhos completos de divulgação e treinamento aos usuários do local, para garantir que todos estejam informados e conheçam os procedimentos de emergência a serem executados. Além disso, sempre que houver a presença de um visitante, esse também deve ser informado do plano de emergência e deve haver uma cópia do plano, que deve estar sempre disponível, em locais de fácil acesso. Ainda sobre a implantação, deve-se também realizar exercícios de simulação de evacuação e abandono da área, com a participação de toda a população, sendo simulados parciais a cada 6 meses e simulados completos a cada 12 meses. Ao identificar uma situação de emergência contra incêndio é ideal que siga uma sequência de passos, para que o controle da situação seja feito de forma mais eficaz e segura possível. De início, identificada a situação de emergência, emite-se um alerta aos ocupantes do local e aos responsáveis por prestar apoio à situação, como brigadistas ou bombeiros civis. Dado o alerta, é feita uma análise para a identificação dos procedimentos a serem tomados, colocando em preferência as situações que exigem emergência com uso dos recursos disponíveis no local. O corpo de bombeiros, bem como outros órgãos competentes, deve ser acionado de forma imediata. É importante passar informações como nome e telefone utilizado para contato, endereço do local e características da situação de emergência aos profissionais que atenderem ao chamado. No local, os primeiros socorros devem ser prestados às vítimas, priorizando seus sinais vitais, até que 56 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. chegue socorro especializado. Deve-se eliminar o maior número possível de riscos, como possíveis fontes de energia, válvulas de gás inflamável e solicitar o abandono parcial ou total da área para o ponto de encontro definido. Faz-se um isolamento da área para a realização dos trabalhos de emergência e para evitar que outras pessoas não autorizadas acessem o local de incêndio. É feito o confinamento do incêndio para evitar e minimizar sua evolução e consequências, e realizado o combate até que as chamas estejam contidas, para restabelecer a situação normal da área. Devem ser realizadas manutenções no plano de emergência sempre que for necessário, pelos profissionais competentes, bem como uma revisão do plano, quando houver alguma alteração significativa nas características do local, quando for constatada necessidade de melhoria no plano, e quando a última revisão realizada tiver completado 12 meses. 3.8 Técnicas de transportes de emergência para salvamento A ação de impulso ao se deparar com uma situação de incêndio, onde é possível a visualização de pessoas, é fazer a remoção dessas do local em chamas. Entretanto, o ideal é que não se retire o indivíduo, visto que os socorristas devem ser os responsáveis pelo cuidado e pela manutenção do estado estável do paciente, até que a equipe de resgate chegue ao local. Todavia, haverá situações em que será necessário o transporte das vítimas, conhecido como transportes de emergência. Os transportes de emergência podem ser feitos dos seguintes modos: Transporte apoiado: Nesse tipo de transporte, a vítima deve estar consciente, e caso possa andar, ela é apoiada pela pessoa socorrista. O braço da vítima é passado pelos ombros do socorrista, por trás do pescoço e segurado por uma das mãos do socorrista. Com o outro braço, a vítima é envolvida pela cintura. Transporte cadeirinha: Nesse caso a vítima também deve estar consciente. Os socorristas se posicionam um de frente para o outro em pé. Com a mão esquerda, cada um segura seu próprio punho direito, e com a mão direita, seguram o punho esquerdo do socorrista a sua frente. 57 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Figura 29 - Transporte cadeirinha Fonte: Rosa, 2019. Transporte por cadeira: Para esse tipo de transporte, a vítima não precisa estar consciente. A vítima deve ser colocada em uma cadeira que não seja de abrir e fechar e que seja resistente. Figura 30 - Transporte por cadeira Fonte: Rosa, 2019. 58 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Transporte por arrastamento: O transporte por arrastamento deve ser feito somente por um brigadista, caso a vítima esteja inconsciente, podendo ser executado em um local plano ou inclinado. Figura 31 - Transporte por arrastamento Fonte: Rosa, 2019. Levantamento pelos membros/extremidades: A vítima é transportada por dois socorristas, sendo segurada pelos braços, nas axilas e pelas pernas, em posição aberta. Após posicionamento, ambos erguem a vítima ao mesmo tempo. Figura 32 - Levantamento por extremidade Fonte: Rosa, 2019. 59 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Transporte nos braços: esse transporte é executado por um bombeiro, e se torna ágil e eficaz, especialmente quando as vítimas possuem estrutura física pequena. Figura 33 - Transporte nos braços Fonte: Rosa, 2019. Arrasto pelo pescoço: o socorrista deve amarrar as mãos da vítima uma á outra e depois passá-las por trás de seu pescoço. Dessa forma, será possível arrastar o indivíduo acidentado pelo percurso. Esse transporte não deve ser empregado caso a vítima esteja com fratura na coluna ou no pescoço. Figura 34 - Arrasto pelo pescoço Fonte: Rosa, 2019. 60 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Arrasto tipo bombeiro: Utilizado em situações onde a vítima se encontra inconsciente. Consiste em segurar a vítima, levantá-la, apoiá-la em pé, ajoelhar-se e erguer a vítima, passando-a para as costas. Há melhores detalhes nas imagens abaixo. Figura 35 - Arrasto tipo bombeiro Fonte: Rosa, 2019. Transportependurado: Pode ser usado em vítimas conscientes ou não. O socorrista fica de costas para a vítima, passa os ombros dela em volta do pescoço e a inclina para frente para levantá-la. Figura 36 - Transporte pendurado Fonte: Rosa, 2019. 61 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. SAIBA MAIS Noções Básicas de Primeiros Socorros https://www.youtube.com/watch?v=64gG42Lpp8c Links de acesso aos vídeos sobre transporte de emergência: Transporte cadeirinha https://www.youtube.com/watch?v=RIp167L8ozY Transporte cadeira https://www.youtube.com/watch?v=vMkDtw_5yaY Transporte por arrastamento https://www.youtube.com/watch?v=Y7vxaF78Iwg Levantamento pelos membros/extremidades https://www.youtube.com/watch?v=gGYblsnmHyg Transporte nos braços https://www.youtube.com/watch?v=QJScmEZMcE8 Arrasto pelo pescoço https://www.youtube.com/watch?v=P3fMB3LVqdA Arrasto tipo bombeiro https://www.youtube.com/watch?v=vGSl8cupnTk Transporte pendurado https://www.youtube.com/watch?v=kDY6fNk28ts 3.9 Brigadas de incêndio Segundo a NBR 14276, brigada de incêndio é um grupo organizado de pessoas, de preferência voluntárias ou indicadas, treinadas e capacitadas para atuar na prevenção e no combate ao princípio de incêndio, abandono de área e primeiros socorros, dentro de uma área preestabelecida na planta. O brigadista é qualquer pessoa que pertença a brigada de incêndio. A função da brigada de incêndio é orientar as pessoas em uma evacuação com segurança, prestar primeiros socorros, combater os focos de incêndio protegendo a vida, as propriedades e o meio ambiente e prestar informações necessárias ao corpo de bombeiros sobre a situação decorrente. https://www.youtube.com/watch?v=64gG42Lpp8c https://www.youtube.com/watch?v=RIp167L8ozY https://www.youtube.com/watch?v=vMkDtw_5yaY https://www.youtube.com/watch?v=Y7vxaF78Iwg https://www.youtube.com/watch?v=gGYblsnmHyg https://www.youtube.com/watch?v=QJScmEZMcE8 https://www.youtube.com/watch?v=P3fMB3LVqdA https://www.youtube.com/watch?v=vGSl8cupnTk https://www.youtube.com/watch?v=kDY6fNk28ts 62 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Para ser um candidato brigadista, deve-se atender aos critérios, ou sua maioria, a seguir: Permanecer na edificação durante deu turno de trabalho; Possuir boa condição física e boa saúde; Possuir bom conhecimento das instalações; Ter mais de 18 anos; Ser alfabetizado. Após o processo de seleção, os candidatos selecionados devem realizar o curso de formação, com carga horária mínima definida pela norma. Seja qual for a carga horária, a validade do treinamento completo de todo brigadista é de no máximo 12 meses. Os certificados de brigadista são emitidos àqueles que concluírem o curso com aproveitamento mínimo de 70% na avaliação teórica e prática, e são expedidos por instrutor em incêndio e instrutor em primeiros socorros, também com validade de um ano. Dentre as ações preventivas atribuídas à brigada de incêndio, as que se destacam são o conhecimento do plano de emergência contra incêndio da planta em questão, a avaliação dos riscos existentes, a inspeção dos equipamentos de combate a incêndio e das rotas de fuga. Além disso, para ações de emergência, deve-se aplicar os procedimentos estabelecidos no plano de emergência contra incêndio até que seus recursos estejam esgotados. Todos os membros brigadistas devem receber EPIs, de acordo com sua função, sendo EPIs para proteção da cabeça, dos olhos, do tronco, dos membros superiores e inferiores e do corpo todo. É válido ressaltar ainda que, todo brigadista deve utilizar o tempo todo algum objeto de identificação, que o permita ser identificado como membro da brigada de incêndio. 63 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. REFERÊNCIAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14276:2020 – Brigada de Incêndio - Requisitos. Rio de Janeiro: 2020. _______. NBR 12962:2016 - Extintores de Incêndio - Inspeção e Manutenção. Rio de Janeiro: 2016. _______. NBR 9077:2002 - Saídas de Emergência em Edifícios - Inspeção e Manutenção. Rio de Janeiro: 2002. _______. NBR 10898:2013 - Sistema de Iluminação De Emergência. Rio de Janeiro: 2013. Airduto - Engenharia e Execução. 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Portaria GM, nº 3214, 08 de junho de 1978. DOU 06/07/1978. Correio Braziliense Brasil. Disponível em: <www.correiobraziliense.com.br>. Acesso em 27 fev. 2019. CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE GOIÁS. Fundamentos de Combate a Incêndio. Goiás, 2016. Acesso em 21 fev. 2019. Disponível em: <http://cbmerj.rj.gov.br/pdfs/semana_prevencao/apostila_semana_prev_2018.pdf> CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Minas Gerais, 2019. 64 Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Apostila da Semana de Prevenção Contra Incêndio e Pânico. Rio de Janeiro, 2018. Acesso em 21 fev. 2019. Disponível em: <http://cbmerj.rj.gov.br/pdfs/semana_prevencao/apostila_semana_prev_2018.pdf> CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo, 2019. EXAME. Disponível em: < exame.abril.com.br>. Acesso em 27 fev. 2019 Expolux - Feira Internacional da Indústria da Iluminação. Disponível em: <https://www.expolux.com.br/>. Extinfran Extintores. Disponível em: <http://www.extinfran.com.br/site/>. Fireneze - Projetos e Instalações. Disponível em: <http://fireneze.com.br/>. NATIONAL Fire Protection Association. Fire Protection HandBook. 16. Quick Massachusetts. 1984. Projeb Extintores - Projetos e Materiais de Combate ao Incêndio. Disponível em: <http://extintores.projebengenharia.com.br/>.ROSA, Ricardo Costa da. Apostila de Prevenção e Combate a Incêndio e Primeiros Socorros. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Rio Grande Do Sul. Porto Alegre, 2015. Acesso em 04 fev. 2019. 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