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Tema: Pichação e grafite nos centros urbanos
No final dos anos 70, Jean-Michael Baquiat deixava sua marca com mensagens poéticas grafitadas nas paredes dos prédios abandonados de Manhattan, despertando a atenção da impressa novaiorquina. Baquiat foi reconhecido como um dos mais importantes artistas do século XX, recebendo o rótulo de neoexpressionista. Apesar do reconhecimento no meio artístico, a pichação e o grafite levantam opiniões divergentes, ora classificada como vandalismo, ora como arte, revelando a necessidade de debate sobre a problemática.
É fato que a arte urbana é uma forma de expressar a opressão vivida pela sociedade. Na Ditadura Militar, Vallauri, grande expoente do grafite no Brasil, contribuiu com sua arte no movimento por eleições diretas no final do regime, pintando os muros da capital com araras e frangos que reivindicavam "Diretas Já". Nesse sentido, a arte urbana é, certamente, um modo de dar visibilidade e projeção social aos jovens periféricos, que encontram no grafite caminhos para enfrentar a desigualdade social e espacial dos grandes centros urbanos, e dar um aspecto dinâmico à paisagem monocromática das cidades. Portanto, o grafite não deve ser ignorado, e sim, incentivado, pois reflete os problemas vigentes no cenário social e político da sociedade em diferentes períodos.
Outrossim, faz-se mister salientar que o vandalismo, expresso pela pichação, é uma conduta penalmente reprovável. A Constituição Federal de 1988, considerada pichação ou qualquer outro meio de conspurcar edificações e monumentos públicos como vandalismo e crime ambiental. Nesse panorama, o repúdio à pichação deriva do fato de que, muitas vezes, elas ocorrem em locais públicos, construídos com o dinheiro público e, naturalmente, com os impostos pagos pela população, que observa na pichação, o desrespeito à estética citadina ou, até mesmo, o descontentamento com frases insultivas que por vezes são expostas. Desse modo, é preciso fomentar práticas e políticas públicas que ofereçam espaço adequado a esse tipo de expressão, garantindo o direito de liberdade de manifestação e protegendo o patrimônio público.
A pichação e o grafite são, ainda hoje, conceitos controversos socialmente, por conseguinte, medidas devem ser adotadas. Convém ao Ministério da Cidadania, por meio da destinação de locais públicos adequados, incentivar o grafite de murais nas cidades, como forma de incentivar a prática da arte urbana de modo civilizado, além de dar visibilidade aos artistas locais e embelezar o espaço urbano. Ademais, urge as prefeituras municipais, com recursos e campanhas viáveis, a criação de políticas públicas que levem arte, esporte e cultura para os locais periféricos, dispondo de espaços adequados para que os jovens possam expressar-se de outras maneiras que não o picho, a fim de mitigar os danos ao espaço público e ao patrimônio histórico e cultural das cidades, além de oferecer subsídios ao jovem periférico. Com essas medidas, será possível, gradativamente, garantir a aceitação da arte urbana como forma de expressão artística, consoante ao reconhecimento do neoexpressionista Baquiat.