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Aluna: Heleni Gomes Pereira
Rgm: 132185-4
Diagnóstico Psicanalítico
Personalidades Masoquistas (autodestrutivas) – Capítulo 12
Resumo
	O capítulo 12 do livro Diagnóstico Psicanalítico de Nancy M. C. Williams, nos apresenta características de personalidades masoquistas autodestrutivas, segundo a autora, pessoas que apresentam esta personalidade masoquista são o pior inimigo elas mesmas, e este tema tem chamado a atenção de estudiosos. Masoquismo, segundo Freud, está relacionado a pessoas que sentem prazer na dor, este prazer está associado a pulsão sexual também denominado de "masoquismo moral". A autora, nos apresenta uma relação de atitudes de pacientes, que estão relacionadas com personalidade masoquista, segundo Nancy, o masoquismo não é necessariamente patológico, ainda que há uma renúncia de seu próprio bem-estar e em alguns casos, de sua segurança física. Segundo Emmanuel Ghent, masoquismo está relacionado a perversão do desejo natural de rendição/ submissão. 
Segundo Helena Deustch (1944), a maternidade está relacionada ao masoquismo uma vez que se é colocado o bem-estar de seus filhos acima de sua própria sobrevivência. Segundo Nancy Williams, por trás de um masoquista existe um depressivo, e esta personalidade geralmente se dá devido a traumas vividos na infância, a auto estima desses pacientes é habitualmente confrontada por maus tratos, e que todos, de alguma maneira age de forma masoquista, quando uma criança não tem seus desejos alcançados, de uma certa forma, ela começa a formar uma personalidade masoquista quando se colocam em situações de risco, sobre isso Nancy escreveu: “As crianças aprendem por si mesmas que uma boa forma de chamar a atenção de seus cuidadores é entrando em apuros”. O termo masoquismo não sugere prazer pela dor e sofrimento, mas sim, um intuito de alcançar algo que no momento lhe foi negado e isso se dá com dor e sofrimento, esta afirmação nos remete ao caso de uma mulher que apanha do marido e permanece ao lado dele, esta mulher está se comportando de forma masoquista, mas no seu entendimento, ela não pode sair da relação por vários motivos, como por exemplo, o de manter a família unida.	
Este capítulo trata sobre a predisposição do gênero, há pesquisas que apontam que existem reações diferentes em relação aos maus tratos vividos na infância, meninas abusadas tendem a desenvolver uma personalidade masoquista, enquanto os meninos podem desenvolver um sentimento sádico com o seu abusador. O texto cita que, o afetividade do masoquista se compara ao do depressivo, com a diferença de que existe uma tristeza consciente e um sentimento de culpa inconsciente, existe também um sentimento de raiva que constantemente se aflora, levando a uma indignação com o próprio comportamento, “em outras palavras, muitos masoquistas sentem que estão sofrendo injustamente, como se fossem vítimas ou apenas azarados, de modo que não infligem a culpa em si mesmos (como no caso do “carma ruim”)”. O mecanismo de defesa empregado constantemente por personalidades masoquistas é a introjeção, virando-se contra o próprio self. Sobre os padrões repetitivos, o texto nos aponta que, quando o sujeito passa por uma infância segura e positiva, seus padrões repetitivos são quase imperceptíveis e a tendência é que reproduza situações positivas, pois são realistas no que diz respeito a vida, quando a criança passa por situações pavorosas, existe uma possibilidade de, para tentar superar esta situação, ela tentará recriar esta situação. O comportamento destrutivo do masoquista pode ser entendido como uma defesa contra a ansiedade de separação (Bach 1999). A moralização é um mecanismo de defesa do masoquismo introjetivo, geralmente eles se voltam para ter razão moral em um determinado problema do que na prática, resolver este mesmo problema. A negação também é uma defesa constantemente usada, geralmente tem um pensamento masoquista no que diz respeito ao abusador, “Tenho certeza de que ela tem boas intenções e age pensando no melhor para mim”, Nancy Williams, ouviu esta frase de um cliente se referindo a uma humilhação vivida no trabalho. Emanuell Hanmer, dizia que: “um masoquista é uma pessoa depressiva que ainda tem esperança” esta frase está relacionada a perda ou privação ocorrida traumaticamente, isto lhe causou tanto sofrimento que a criança tem um conceito de que não podem ser amadas. O masoquista vai demonstrar sua carência, ficando reclusa emocionalmente, enquanto pessoas depressivas tem um pensamento de que existe alguém pronto a ajudá-las. Esther Menaker (1953), foi uma das primeiras analistas a relatar sobre o início da personalidade masoquista, relacionando-a a experiências de dependência e do medo de ficar sozinho. Neste contexto, Nancy Williams cita que, para personalidades com a estrutura masoquista, o único momento de afeto emocional recebido dos pais está ligado a punição, que o sofrimento faz parte do relacionamento, por isso buscam relacionar-se com seus pais mais do que se sentirem seguras. Pessoas com personalidade autodestrutiva, estão sempre em defesa da própria autoestima, segurança e bem-estar físico, com um pensamento de: “vou atacar antes que me ataquem”. 
A representação de self da pessoa masoquista é comparável com a da pessoa depressiva, há uma crença de que se é destinada a má compreensão, não apreciação e maus tratos, sendo tudo isto uma base de compensação onde se apoia a própria autoestima. Ao contrário do depressivo que tende a se isolar na solidão, os indivíduos masoquistas comportam-se de um jeito que explicita a maldade que está fora e não dentro de si (ele transfere a culpa do seu sofrimento para outras pessoas)
O masoquista tende a criar um relacionamento paterno com o terapeuta que pode ser visto como um pai que deve procurar salva-lo e conforta-lo, pois, o masoquista torna-se fraco e ameaçado por sofrimentos e desprotegidos da vida se não puder contar com a ajuda do terapeuta. Eles possuem o medo de que o terapeuta seja negligente, distraído, egoísta, crítico ou uma autoridade abusiva que irá expor a falta de valor do paciente e abandonar o relacionamento. Nancy Williams aponta dois tipos de contratransferências comuns nas atitudes masoquistas que é o contra masoquismo e o sadismo, e normalmente ambos estão presentes na personalidade masoquista. Diante da situação, o padrão recorrente de reação em terapeutas, é a generosidade em excesso, ao tentar convencer o paciente de que seu sofrimento é apreciado e de que ele não será atacado. Para Esther Menakee (1942), deve-se evitar qualquer traço de onipotência no tom do analista, pois para a autora citada, tais pacientes correm o risco de repetir a subserviência, a conformidade e o sacrifício da autonomia em favor da proximidade. Quando os terapeutas agem demonstrando preocupação com eles mesmos em tratar a raiva reativa dos pacientes masoquistas como natural e interessante, as características prejudiciais de tais pacientes são reforçadas. O terapeuta deve resolver esta situação sendo neutro, como por exemplo, perguntando como o paciente se envolveu na situação, a ênfase deve ser sempre na capacidade do cliente de melhorar as coisas. Por fim, Nancy Williams aponta que não podemos tratar uma pessoa depressiva como masoquista, pois poderá aumentar o grau da depressão e chegar ao suicídio, isto lhe causará um sentimento de que está sendo acusado e abandonado.

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