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CONHEÇA AS DIFERENÇAS ENTRE O PRIMEIRO, O SEGUNDO E O TERCEIRO SETOR (Texto adaptado da Escola Aberta do Terceiro Setor) A terminologia terceiro setor é relativamente nova, surgiu no Brasil há aproximadamente três décadas e é utilizada para definir um setor que se situa entre o público e o privado, ou seja, entre o primeiro e segundo setores. Para uma melhor compreensão será necessário identificarmos o que vem a ser o primeiro e o segundo setor. Tradicionalmente, o primeiro setor é o Estado, representado por entes políticos (Prefeituras Municipais, Governos dos Estados, Presidência da República). Além destes, pode-se destacar os Ministérios, Secretarias, Autarquias, entre outros órgãos das esferas executiva, legislativa e judiciária – que possuem e exercem o caráter público. É o governo, representando o uso de bens públicos para fins públicos. O Segundo Setor é o mercado (empresas), é composto por entidades privadas que atuam em benefício próprio e particular. Refere-se às empresas privadas em geral, com fins lucrativos (indústrias, comércio e serviços), ou seja, que almejam auferir lucros através de suas atividades mercantis. O terceiro setor também é formado por organizações privadas, porém sem fins lucrativos, desempenhando ações de caráter público. Geralmente o termo terceiro setor é utilizado para identificar que o espaço dessas organizações na vida econômica não se confunde nem com o Estado (primeiro setor) nem com o mercado (segundo setor), trata-se de um setor que se identifica com uma terceira forma de redistribuição de riqueza, diferente da do Estado e da do mercado. A redistribuição conduzida pelo Estado é feita através do monopólio do poder de coerção, da existência de um modelo institucional e da normatização jurídica. Cabe ao Estado promover a redistribuição da produção da sociedade a todos os seus membros e sanar as desigualdades produzidas pelo mercado. A realocação do Estado é movida pela lógica da justiça social. A redistribuição conduzida pelo mercado, diferente da redistribuição pela via política, necessita de que todos os indivíduos sejam livres para que haja possibilidade de se estabelecer contatos, os quais sempre são feitos baseados em alguma noção de utilidade. A redistribuição de mercado coordena a organização da sociedade capitalista. O mercado move-se pela lógica do aumento da riqueza. O terceiro setor é uma mistura de princípios públicos e privados e, portanto constitui outro mecanismo redistribuidor de riqueza. As ações do terceiro setor partem da sociedade civil e obedecem à lógica do altruísmo, da filantropia, da reciprocidade, dos costumes e tradições, das concepções morais e religiosas, da cidadania e dos direitos fundamentais do cidadão, etc. O terceiro setor agrega organizações juridicamente estabelecidas na forma de Fundações e Associações que atuam atendendo demandas sociais, que o Estado em crise de legitimidade se mostra incapaz de atender, utilizando recursos privados e até parcerias com o próprio Estado. O terceiro setor é, portanto, constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que tem como objetivo gerar serviços de caráter público. No Brasil, as entidades conhecidas como ONGs, caracterizadas como sem fins lucrativos, embora constituídas sob a forma jurídica de associações e de fundações privadas, são habitualmente identificadas através das mais diversas nomenclaturas tais como ONG, OSCIP, OS, OSC, Institutos, Instituições, etc. O termo ONG (Organização Não-Governamental) é uma tradução de Non- governmental organizations (NGO), expressão muito difundida no Brasil e utilizada, de uma forma geral, para identificar tanto associações como fundações sem fins lucrativos. Os termos Instituto e Instituição, por sua vez, são parte integrante do nome de uma associação ou fundação. Em geral são utilizados para identificar entidades do terceiro setor dedicadas ao ensino e à pesquisa, mas também são adotadas pelo Estado e pelo Mercado como denominação para órgãos e empresas, como por exemplo, INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) e Instituto Embeleze (empresa de produtos e serviços de beleza). As designações OSCIP e OS, porém, se referem a qualificações que as associações e fundações podem receber, uma vez preenchidos certos requisitos legais, assim como ocorre com as titulações de Utilidade Pública Municipal (UPM), Estadual (UPE) e Federal (UPF) e o Certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS). Concluindo, Associação e Fundação são os dois modelos possíveis, de acordo com o Código Civil brasileiro, de constituição de pessoas jurídicas integrantes do Terceiro Setor, que podem também receber os títulos de OSCIP, OS, dentre outros que podem ser conferidos pelo Estado às organizações do terceiro setor mediante solicitação das mesmas, ou em reconhecimento pelos serviços prestam à sociedade. ****