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GERENCIAMENTO DE OBRAS CIVIS
Unidade II
5 GESTÃO DE MÃO DE OBRA E DOS EQUIPAMENTOS
O setor da construção civil, a exemplo de qualquer outro segmento produtivo, tem sua força de 
trabalho bastante diversificada, composta de uma mistura de pessoal com e sem formação escolar, 
com pouca ou muita experiência profissional, dotada de habilidades técnicas e comportamentais 
adequadas ou não.
Entretanto, algumas peculiaridades específicas da indústria da construção destacam certas 
características em sua força de trabalho que acabam sendo predominantes. Analisando sob um 
olhar organizacional, a construção civil possui características diferenciadas dos demais setores 
industriais, por ter processos construtivos complexos e que ainda dependem muito da qualidade 
da mão de obra na sua execução. Isso provoca uma grande dificuldade para uma solução padrão 
dos procedimentos de trabalho.
Conforme Moraes (2007), o produto da construção civil é como um bem de grande valor de aquisição 
e, frequentemente, diferente em cada uma das obras executadas. Quanto ao seu processo construtivo, 
apresenta local de trabalho variado e temporário, pois, os canteiros de obras possuem arranjos físicos 
distintos, peculiares, os quais se apoiam numa produção quase sempre artesanal, que tendem a ser 
divididos de acordo com as diferentes fases.
Sobre o trabalho na construção civil, no Brasil, e seus operários, é preciso destacar que, apesar de 
todos os avanços tecnológicos do setor, ainda se observam características que não condizem com esses 
progressos. Dentre elas, estão as questões referentes ao ambiente de trabalho, visto que as condições 
climáticas afetam‑no diretamente; e à formação intelectual e profissional do trabalhador dessa área. 
Além de questões como a alta rotatividade de mão de obra, a ausência de planos de carreira nas 
empresas, a instabilidade no emprego, o alto índice de acidentes de trabalho e o baixo prestígio social 
dos operários da construção civil.
No caso da mão de obra, na área da construção civil, encontramos características peculiares, pois, 
apesar da modernização e mecanização crescente dos serviços, esta ainda se submete a determinadas 
condições e exigências próprias da área, tais como: esforço físico, ambiente de trabalho adverso, trabalho 
insalubre, instabilidade no emprego, mobilidade física, alta rotatividade, escassa oferta e baixa procura 
por cursos de formação profissional, pouca necessidade de habilidades específicas, baixo prestígio social, 
altos índices de acidente de trabalho, entre outras.
A construção civil está inserida em um tipo de organização em que os níveis hierárquicos são 
divididos, basicamente, em nível estratégico, tático e operacional.
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Unidade II
5.1 Perfil da mão de obra em nível estratégico
O nível estratégico é composto dos construtores e incorporadores, que tomam as decisões e 
estabelecem os objetivos da organização. Estes não possuem, necessariamente, ensino superior, mas, 
muitas vezes, são engenheiros civis ou investidores do setor.
De modo geral, são pessoas generalistas, com uma excelente visão sistêmica da empresa. Também 
possuem uma boa capacidade de visão estratégica, enxergando tendências e oportunidades. Sabem 
alocar pessoas nas funções adequadas ao perfil de cada um, de modo a aproveitar o máximo do potencial 
dos colaboradores.
Possuem muitas funções relacionadas à área de gestão de profissionais, pois devem ser capazes 
de motivar os colaboradores em direção aos objetivos da organização e precisam conseguir reter os 
funcionários e criar condições, na empresa, que a torne atrativa para futuros colaboradores.
Também, devem ter capacidade de desenvolver os colaboradores e de estabelecer parcerias e 
sociedades. Precisam ter conhecimentos em legislação, contabilidade e administração de recursos 
físicos, materiais e econômicos. Por fim, estes necessitam desenvolver pessoas, funções, processos 
e organizações.
5.2 Perfil da mão de obra em nível tático
O nível tático, também denominado nível intermediário, é caracterizado pelos engenheiros, que 
cuidam da articulação interna entre o nível responsável pelas decisões e o nível da produção; e pelos 
técnicos que atuam diretamente no canteiro de obras.
Encontram‑se, neste nível, engenheiros, administradores, arquitetos e técnicos. Os engenheiros de 
obras são profissionais que constroem um objeto projetado e seu trabalho consiste, basicamente, em 
trazer para a realidade o que foi planejado.
Nesse nível, é necessário que o profissional tenha facilidade de comunicação e flexibilidade para 
atuar em diferentes situações da obra. Apesar de ser crescente o número de mulheres engenheiras nos 
canteiros de obras, a maioria dos ocupantes desse cargo ainda são homens (ROSSO, 2010).
A seguir, listaremos cinco atribuições básicas do engenheiro civil de obras:
• Estudar profundamente os projetos, adquirir e gerir materiais de construção.
• Administrar e trabalhar em equipe.
• Garantir a qualidade do produto final.
• Ser capaz de resolver problemas.
• Ter habilidade para tomar decisões.
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GERENCIAMENTO DE OBRAS CIVIS
O técnico da área de construção civil atua não só no planejamento e no projeto, como na 
execução e na manutenção das obras. Na fase de planejamento e projeto, o técnico atua no 
levantamento de informações cadastrais, técnicas e de custos, que irão subsidiar a elaboração do 
projeto ou compor o seu estudo de viabilidade. Ainda nessa etapa, o técnico desenvolve os projetos 
arquitetônicos e de instalações, dando a eles a forma gráfica adequada e detalhando os dados 
necessários à execução da obra.
Também, aqui estão incluídas as atividades de planejamento da obra, tais como composição de 
custos e orçamentos, processos licitatórios e licenciamento de obras.
Na fase de execução, o técnico implanta e gerencia o canteiro de obras, fazendo a locação da obra, 
executando instalações provisórias, assegurando o fluxo de insumos para o andamento da construção, 
contratando trabalhadores, desenvolvendo treinamentos, fiscalizando a execução dos serviços, 
implantando programas de qualidade e apropriando custos.
Para executar as obras, o técnico atua em equipe e segue os projetos desenvolvidos anteriormente. 
Na fase de manutenção e restauração de obras, ele atua na execução de restaurações arquitetônicas 
e estruturais, de reforço de estruturas e reformas em geral. Também, neste estágio, estão incluídas as 
atividades de manutenção preventiva de obras, na qual o técnico tem competências similares às da fase 
de execução, porém com tecnologias bastante distintas.
O número de acidentes na construção civil é elevado em relação a outros setores industriais, e os 
riscos são tantos que foram desenvolvidas profissões especificamente para garantir a integridade dos 
trabalhadores, especialmente, em áreas com bastante propensão a acidentes, como canteiros de obras. 
A legislação e as normas regulamentadoras também auxiliam a garantir a segurança do trabalho na 
construção civil, pois determinam as regras de conduta, uso de equipamentos de proteção e outras 
medidas de prevenção a acidentes de trabalho.
Os profissionais que atuam nesse nível tático em atividades relacionadas à segurança e à saúde 
no trabalho são os engenheiros e técnicos de segurança no trabalho. As atividades mais comuns do 
técnico de segurança são quase as mesmas do engenheiro de segurança, mas o primeiro atua num nível 
mais operacional, na prática, diretamente no canteiro de obras, enquanto o engenheiro de segurança, 
geralmente, fica responsável pela documentação e pelo planejamento.
5.3 Perfil da mão de obra em nível operacional
O nível operacional que é formado por mestres, encarregados, pedreiros e serventes, relaciona‑se 
com os problemasinerentes à execução cotidiana e eficiente das tarefas, em que há o contato direto 
com a produção, ou seja, é o nível no qual as atividades e operações são executadas.
Nesse nível, concentra‑se um maior número de operários e ocorrem os maiores índices de 
rotatividade e de acidentes, problemas, muitas vezes, atribuídos à falta de qualificação dos funcionários 
(CHIAVENATO, 1997).
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Unidade II
Com relação à qualificação do nível operacional da construção civil, são encontrados operários em 
três diferentes graus:
• Não qualificados: os quais atuam em funções em que são exigidas apenas aptidões psicomotoras, 
como carga, descarga, vigilância, limpeza etc.
• Semiqualificados: que além dos requisitos anteriores, são exigidas aptidões para automatização 
que lhes permita operar alguns equipamentos mecânicos, como britadeira, betoneira etc.
• Qualificados: os quais devem apresentar, além das capacidades anteriores, conhecimentos 
tecnológicos específicos, formação profissional, nível de escolaridade correspondente ao ensino 
básico, capacidade de leitura de projetos, conhecimento de operações matemáticas e de escalas.
Dos três graus de qualificação do nível operacional, os operários qualificados correspondem à minoria, 
dessa forma, predominantemente a força operacional é constituída por operários não qualificados, 
sendo esta a principal característica do seu perfil.
Dados, do ano de 2012, revelam que a mão de obra na construção civil é composta quase 
exclusivamente de trabalhadores do sexo masculino, que totalizam 92,5% do contingente empregado 
no setor. O percentual de mulheres vem aumentando nos últimos anos e está sendo alocado nas funções 
administrativas e de maior qualificação. A maior concentração dos trabalhadores está nas faixas etárias 
de 30 a 39 anos (30,2% do total) e de 40 a 49 anos (22%).
Proporcionalmente, as mulheres possuem nível de instrução mais elevado do que os homens 
empregados no setor.
Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC, 2016), confirmam essa questão de 
gênero. No Brasil, o número de homens ocupados da construção civil cresceu mais (38,6%) do que o 
de mulheres (32%). Considerando‑se as diferentes posições na ocupação, observa‑se que houve uma 
ampliação intensa do segmento masculino contratado com carteira assinada (93,3%), que atingiu, em 
2015, cerca de 2,2 milhões, o que representa um incremento de mais de 1 milhão de postos de trabalho 
de homens com esse tipo de contratação. Entre as mulheres, o crescimento do emprego formal foi de 
64%, no período.
A respeito da escolaridade dos trabalhadores do setor, mais de 33% dos trabalhadores registrados na 
construção civil são analfabetos funcionais e, em geral, desempenham funções auxiliares com pouca ou 
nenhuma especialização.
A construção civil, que sempre foi vista como um setor com alto índice de analfabetismo, 
tem se mobilizado para mudar essa realidade. Empresários e entidades ligadas ao segmento 
têm promovido, há alguns anos, em todo o País, programas de alfabetização e aperfeiçoamento 
educacional, como forma de reduzir esse cenário histórico da mão de obra empregada nos 
canteiros (SETOR..., 2010).
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Sobre a questão de promover alfabetização, é necessário questionar a validade dessa formação, 
pois, deve‑se considerar a real necessidade do setor quanto à exigência desse nível, não seja apenas a 
instrução formal, a qual não contempla qualificações específicas para este tipo de profissional.
Schmidt (2011) explica que em termos de capacitação formal, a realidade brasileira não tem 
apresentado alternativas significativas que deem conta da formação profissional de operários.
As qualificações que os operários devem apresentar, tais como misturar 
bem uma argamassa, empilhar tijolos de modo a evitar perdas, vibrar bem 
o concreto para garantir sua homogeneidade e cuidar das ferramentas, 
raramente são levadas em conta ou valorizadas, pois além de não estarem 
associadas ao ensino formal são tidas como normais, ou seja, devem ser 
feitas por qualquer indivíduo (SCHMIDT, 2011, p. 170).
A oferta de cursos e treinamentos mais específicos para esse perfil profissional é escassa e quando 
existem costumam ser irregulares e restritas às grandes cidades.
Apesar do grande crescimento na construção civil, no Brasil, nos últimos anos, dos investimentos 
bilionários e da massiva geração de empregos no setor, não foi possível resolver um problema crônico 
que são as más condições de trabalho no canteiro de obras.
Alojamentos precários, riscos à integridade física e jornadas acima do limite permitido estão entre as 
irregularidades mais comuns. A mesma pesquisa indica uma taxa de informalidade em que de cada dez 
trabalhadores, apenas quatro têm carteira assinada, sendo que estas violações à legislação trabalhista 
não são exclusividade de pequenas obras e de empregadores descapitalizados.
Acidentes graves e até mesmo exploração de trabalho escravo também são recorrentes em 
empreendimentos de grande porte (BARROS, 2014).
Diante desse cenário, é clara a necessidade de ações que visem a melhor formação para o trabalho 
dos operários da construção civil, mas também ações que visem melhorias nas condições de trabalho.
5.4 Uso de força de trabalho terceirizada
O repasse de atividades da empresa a terceiros é conhecido no mercado como terceirização de 
serviços. A contratante concentra‑se em sua atividade principal e passa a manter uma relação de parceria 
com um prestador de serviços para os demais trabalhos. A contratação pode ser de serviços prestados 
por uma pessoa física, no caso da contratação de um profissional autônomo, ou jurídica, quando for 
contratada uma empresa especializada. Os serviços não devem ser relacionados às atividades fim da 
companhia contratante e não deve haver a existência dos elementos caracterizadores da relação de 
emprego, que são subordinação, habitualidade, horário, salários e direitos trabalhistas.
Medidas adotadas pelo Governo Federal, nos últimos anos, como o Programa Minha Casa Minha 
Vida, aceleraram o mercado da construção civil, geraram uma grande demanda para o setor. Com esse 
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estímulo, empresas do ramo perceberam que, em determinados momentos, não dispunham de mão de 
obra suficiente para atender a essa procura.
Dessa forma, para seguir atuando com excelência e pontualidade em suas atividades, as empresas 
investem na contratação de novos profissionais, aumentando a equipe fixa, ou apostam na terceirização 
da mão de obra.
Por outro lado, os elevados gastos com encargos sociais, admissão e demissão de pessoal, aparecem 
como elementos incentivadores para que as empresas construtoras busquem a terceirização das suas 
atividades fim, de forma total ou parcial, para tornarem‑se mais competitivas em termos de custos.
Embora ainda haja dúvidas entre as indústrias da construção civil, a terceirização de mão de obra já 
é uma realidade, e segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das empresas, nas 
quais se enquadram as de construção civil, já utilizam maciçamente serviços terceirizados. Além disso, 
o mesmo estudo aponta que 84% das companhias pretendem manter e ampliar o uso desse modelo 
(SIENGE, 2016).
 Lembrete
A adoção da terceirização de serviços não representa apenas uma 
redução nos custos, mas também agilidade de reposição de profissionais 
para a realização de atividades contratadas.
5.5 Motivação e grau de comprometimento da força de trabalho com a 
construção civil
Segundo Sílvia Vergara (2000), motivação não é um produto acabado, mas um processo que se 
configura a cada momento, no fluxo permanente da vida. É um método responsável pela intensidade, 
direção e persistência dos esforçosde uma pessoa para o alcance de uma determinada meta.
Tem caráter de continuidade, o que significa dizer que você sempre deve ter alguma coisa a sua 
frente para motivá‑lo. O estudo da motivação comporta a busca de princípios gerais que auxiliem a 
compreender, porque seres humanos e animais em determinadas situações específicas escolhem, iniciam 
e mantêm determinadas ações.
A motivação é o que dirige ou sustenta os esforços de uma pessoa. Todo o comportamento, exceto 
reflexos involuntários, é motivado. É a disposição para fazer algo, condicionada pela capacidade de satisfazer 
alguma necessidade do indivíduo e está inserida na vida das pessoas, no contexto do trabalho ou não.
A motivação e o comprometimento são fundamentais para que as pessoas trabalhem com 
produtividade e busquem a qualidade, entretanto, para conseguir que essa força de trabalho funcione 
como tal, primeiramente, é necessário atender às necessidades básicas desses trabalhadores.
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É sabido que a mão de obra da construção civil é caracterizada, em sua maioria, por pessoas com 
baixa qualificação, baixa instrução, baixo grau de escolaridade e que usam muito esforço físico para 
exercer suas funções, e que vários desses trabalhadores exercem suas profissões em locais insalubres e 
sem higiene básica, além de sofrerem com insolação e intempéries.
Diante desse quadro, garantir que as necessidades dos trabalhadores sejam atendidas é um desafio 
grande para a empresa e para os gestores da mão de obra.
A teoria de Maslow é conhecida como um dos mais importantes conceitos de motivação, segundo 
a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, em uma hierarquia de 
importância e de influencia.
Essa hierarquia de necessidades pode ser visualizada como uma pirâmide, representada na figura a 
seguir. Maslow explica que, os operários sempre estarão mais motivados à medida que suas necessidades 
são atendidas e se ascende na pirâmide (CHIAVENATO, 2003, p. 329).
Necessidade de 
autorrealização
Necessidade de estima
Necessidades sociais
Necessidades de segurança
Necessidades fisiológicas
Necessidades 
secundárias
Necessidades 
primárias
Figura 23 – Hierarquia das necessidades humanas
Na base da pirâmide, estão as necessidades de nível mais básico, ou seja, necessidades fisiológicas: 
como comida, água, ar, moradia, entre outras. Somente quando as necessidades básicas são atingidas, 
escala‑se em direção às hierarquias mais altas, até atingir a autorrealização, no topo da pirâmide.
O resultado de um estudo sobre motivação da mão de obra nos canteiros mostrou que o operário da 
construção civil anseia por um canteiro de obras bem estruturado, com higiene nas áreas de vivência, boas 
instalações sanitárias e segurança. Deve‑se ter em mente que grande parte da vida dos trabalhadores 
da construção se dá na obra, e um ambiente de trabalho agradável, com certeza, influenciará muito 
favoravelmente no seu bem‑estar.
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Unidade II
Fica claro que, um bom ambiente de trabalho pode levar ao aumento da produtividade, à redução 
de acidentes e à diminuição da rotatividade da mão de obra, assim, ter um local agradável deve ser uma 
prioridade para as empresas que buscam ser competitivas. A implementação de melhorias das condições 
de segurança e higiene é fundamental para a companhia conseguir qualidade na obra.
Portanto, um bom canteiro de obras é fundamental para uma produção eficiente. O planejamento e 
a organização da logística do canteiro são de suma importância para a produtividade nas obras, um bom 
canteiro diminui deslocamentos, reduz tempo de cargas e descargas e faz com que as operações sejam 
mais seguras. Todos esses fatores implicam em promover a motivação da mão de obra.
5.6 A qualidade e a produtividade da força de trabalho
A mão de obra é o recurso mais precioso participante da execução de obras de construção civil. 
Por isso, merece a devida atenção, não somente porque representa alta porcentagem do custo total, 
mas, principalmente, porque a organização está lidando com seres humanos, que têm uma série 
de necessidades que devem ser supridas. Tendo isso em vista, a produtividade da mão de obra é de 
fundamental importância para as empresas da construção civil, pois significa um melhor emprego do 
bem mais importante das empresas, o capital humano (VENTURINI, 2011).
A produtividade da força de trabalho pode ser definida como o intervalo necessário para uma pessoa 
realizar um serviço com determinadas ferramentas ou equipamentos. Por exemplo, se um pintor leva 
uma hora para pintar 5 m² de parede, sua produtividade é de 0,2 Hh/m² (lê‑se homem‑hora por metro 
quadrado) (VENTURINI, 2011).
Se as características dos trabalhos sempre fossem as mesmas, o controle seria simples e a 
produtividade seria constante. No entanto, na construção civil, muitos fatores interferem na execução 
de um determinado serviço.
A disponibilidade de materiais e equipamentos, a complexidade das tarefas e até o pagamento em 
dia afetam o trabalho dos profissionais, aumentando ou diminuindo sua produtividade.
De acordo com Venturini (2011), é importante que os responsáveis pelo gerenciamento da mão de 
obra tenham uma ideia da produtividade dos serviços realizados durante a obra, pois, assim, pode‑se fazer 
um bom planejamento do trabalho e identificar deficiências que gerem prejuízos. Alguns construtores 
fazem o registro histórico da produtividade de suas equipes e usam esses valores para estimar o tempo 
que será gasto em suas novas obras. Então, tal medição é importante, tanto para buscar uma maior 
produtividade da mão de obra, como para um melhor planejamento de futuras obras.
Também vale salientar que a produtividade da mão de obra é importante para o prazo das obras, pois 
influi diretamente no tempo de execução de uma tarefa, principalmente, se mantivermos constante os 
recursos utilizados para esse serviço.
Ao aumentar os recursos humanos para realizar uma determinada atividade na construção civil, 
o tempo para a execução desse trabalho será reduzido, mesmo que não seja de forma proporcional. 
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Porém, esse crescimento dos recursos tem um impacto direto no orçamento, elevando os custos de 
execução. Por outro lado, o aumento da produtividade irá reduzir o tempo de execução sem impactar o 
orçamento previamente determinado (VENTURINI, 2011).
Então, a performance do colaborador é muito importante para a eficiência das empresas. Diante disso, 
sabe‑se que o desempenho de um trabalhador depende do seu conhecimento e da sua experiência, e, 
também, do ecossistema em que está inserido, dos líderes e das tecnologias disponíveis no local de trabalho.
Os líderes (gestores) devem sempre ter a preocupação de melhorar as condições de trabalho e 
ampliar a satisfação dos colaboradores, com especial atenção às relações humanas, pois, assim, cria um 
ambiente propício ao aumento de produtividade em todos os setores da empresa e, consequentemente, 
na obra de construção civil como um todo.
Outros pontos importantes, na busca por implementar a produtividade junto à mão de obra, são:
• Estabelecer objetivos e metas de forma clara junto aos colaboradores, pois, para se controlar os 
resultados dos trabalhadores, estes devem saber ao certo o que é esperado deles.
• Monitorar, medir e recompensar as metas atingidas individualmente. Depois de estabelecidos os 
objetivos, é importante fazer um monitoramento constante para saber se os resultados desejados 
estão sendo alcançados. Após medir os resultados, também é importante que se recompensem os 
trabalhadores que atingiram as metas anteriormente estabelecidas.
• Realizar reuniões diárias e reconhecer os trabalhadores que estão atingindobons resultados, pois 
as reuniões são importantes para deixar os funcionários mais seguros e também bem informados. 
É importante que haja sempre uma conversa franca e transparente com os colaboradores, e ainda 
expressar o reconhecimento dos trabalhadores que atingiram as metas estipuladas.
• Proporcionar um bom ambiente de trabalho é fundamental para o trabalho em equipe. É importante 
que o gestor estimule uma convivência saudável, minimizando atritos e dando bons exemplos de 
liderança, buscando estimular o entusiasmo e ajudando os trabalhadores nas dificuldades que eles 
encontrarem no dia a dia da obra.
• Demonstrar oportunidades de crescimento dentro da empresa, pois, para que os trabalhadores se 
esforcem, é necessário que haja espaços para evolução, só assim eles vão sentir‑se motivados a 
empregar todo o empenho no trabalho.
Segundo dados do Sebrae (2017), outro fator de grande importância e que vem sendo cada vez 
mais perseguido na construção civil é a qualidade. Isso porque os clientes estão progressivamente 
mais exigentes e orientados quanto aos seus direitos, portanto, exigem, cada vez mais, qualidade do 
produto final.
A qualidade dos recursos humanos é, indiscutivelmente, uma das principais causas de sucesso ou 
fracasso de uma empresa. Apesar disso, alguns empreendimentos selecionam e contratam funcionários 
sob uma política de salários baixos.
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Essa política permite economia no curto prazo, mas implica, em médio prazo, o aumento de custos por causa 
de baixa produtividade, baixa qualidade, ausências e curto período de permanência do funcionário na função.
Diante disso, para obter mais qualidade da força de trabalho, a empresa deve, além de contratar bons 
funcionários, investir no seu treinamento e qualificação.
É fato que muitos profissionais da construção civil desenvolveram suas profissões na prática, no dia a 
dia da produção, contudo, isso acarreta vícios que podem ocasionar um trabalho com menor produtividade.
Alguns empresários acreditam que o treinamento e a capacitação dos funcionários é um desperdício, 
pois quando um empregado se desligar da empresa o valor investido será perdido, mas, na verdade, 
o resultado de um colaborador capacitado compensa o investimento em sua capacitação mesmo se 
houver um curto período de permanência na instituição.
Mesmo uma empresa de pequeno porte deve estabelecer um processo de recrutamento, seleção 
e capacitação dos funcionários com mais cuidado do que, geralmente, se faz. Ela deve ser focada em 
encontrar o profissional mais capacitado para a vaga, conforme o perfil necessário.
Após a contratação, o funcionário deve ser integrado à empresa e apresentado a todos os empregados 
e setores. Deve‑se falar para ele sobre a companhia, seus produtos e como tem de ser sua filosofia de 
trabalho.
A qualificação precisa ser estimulada, e o ideal é que seja uma ação conjunta entre empresas, governo 
e profissionais do setor.
Há alguns anos, o perfil do profissional da construção mudou, pois seu tratamento evoluiu de uma 
condição de um “peão de obra” para, hoje, ser tratado como um colaborador da empresa e sob uma 
situação melhor. Portanto, a mão de obra começou a oferecer, cada vez mais, um trabalho melhor.
É possível, ainda, aprender o trabalho no próprio canteiro de obras e, via de regra, os profissionais 
acabam executando a função sem cursos formais.
A capacitação no canteiro é sempre muito rápida e existem elementos importantes para a construção 
civil que não são trabalhados nestes momentos. São eles:
• A normatização.
• A segurança.
• O orçamento.
• As propriedades dos materiais.
• O processo construtivo.
• A preservação do meio ambiente.
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Quando o profissional é qualificado ele procura seguir todas as normas. Caso ele não tenha essa 
formação, pode comprometer o resultado final da obra. Logo, quando o profissional não é qualificado é 
possível que gere um prejuízo muito grande durante o processo da obra, que envolve perda de tempo, 
retrabalho e desperdício de material.
Existem, basicamente, dois fatores que interferem no resultado final de uma obra: a qualidade do 
material e a mão de obra. Ou seja, se não houver uma mão de obra competente, o bom material será 
ineficiente.
Além do resultado ser comprometido, a falta de qualificação da mão de obra prejudica o próprio 
trabalhador, pois acaba sendo um simples realizador de tarefas. Quando o colaborador passa por uma 
formação, ele conhece o processo construtivo e pode até questionar os métodos de trabalho, e, assim, a 
probabilidade de cometer um erro grave na obra é menor.
É possível concluir que todo o processo construtivo vai ter qualidade satisfatória, na medida em que 
utiliza um projeto bem elaborado, materiais certificados e profissionais qualificados.
6 COMPATIBILIZAÇÃO DO PROJETO COM A EXECUÇÃO DA OBRA
6.1 Definições de projetos
De acordo com a norma brasileira NBR 13.531 de 1995 (ABNT, 1995), a elaboração de um projeto é 
definida como a antecipação da fabricação do objeto a ser projetado, que, nesse caso, trata‑se de uma 
obra civil, e deve respeitar a todos os princípios técnicos existentes para engenharia e arquitetura. A 
norma ainda descreve as etapas dos projetos desde a sua fase inicial, do levantamento topográfico até 
o projeto definido para a execução.
O projeto é um trabalho complexo que visa alcançar soluções criativas, funcionais e econômicas. Além 
disso, deve responder às necessidades de seu cliente e se ajustar à legislação vigente no que diz respeito às 
leis de zoneamento e ao meio ambiente. A elaboração de um projeto exige o conhecimento de elementos 
e técnicas, de maneira que considere as formas e as funções para atingir os efeitos pretendidos.
Um projeto deve apresentar todas as suas especificações, ideias e normas que levam à concepção 
de um desenho com as transformações sofridas ao longo do tempo no setor de incorporações e das 
empresas construtoras, esse termo vem se atualizando de forma a acompanhar a modernização e os 
avanços tecnológicos.
A coordenação dos diversos projetos que fazem parte de uma construção civil passou a ser necessária 
e imprescindível para um resultado final coerente com os padrões de qualidade vendidos e almejados. 
Atualmente, qualquer empresa que quiser sobreviver no mercado competitivo deve ter como base a 
racionalização e a viabilidade da construção.
Portanto, se faz necessária a elaboração de uma gestão coordenada da construção, para que, ao 
longo de todas as etapas da obra, apresente resultados satisfatórios na redução de custos, tempo e 
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materiais, destacando a importância do plano em qualquer projeto para, efetivamente, colocar em 
prática a racionalização.
A ferramenta para início de racionalização é a compatibilização adequada dos projetos envolvidos, 
do planejamento e do controle. Planejar e controlar o projeto são atividades mutuamente exclusivas, 
pois uma não existe sem a outra. Inicialmente, é preciso planejar sua duração em todas as suas fases. 
Para isso, deve‑se conhecer em detalhe cada parte do produto, definir os tipos de insumos a serem 
empregados, interligando‑os com seus componentes, e estabelecer um plano de contas.
Deve‑se, também, estabelecer a estrutura organizacional que se implementará no projeto, definindo 
logo um responsável para cada componente do produto. Em seguida, é preciso quantificar os recursos 
necessários à execução e saber como distribuí‑los durante as atividades que compõem o projeto. O 
próximo passo é orçar os custos diretos e indiretos, distribuí‑los ao longo do tempo, obtendo‑se assim 
o cronograma físico‑financeiro.
Paralelamente, é preciso coletar dados durante sua execução, transformá‑los em informaçõese, com 
elas, alimentar o sistema de controle do projeto.
Comparar o que foi planejado com os resultados obtidos e, se necessário, corrigir os desvios por meio de 
ordens de alteração às partes envolvidas. Tais correções de desvios são feitas nos cronogramas, e também nos 
orçamentos planejados, tantas vezes quantas forem necessárias para manter o projeto no rumo desejado.
De acordo com uma instituição que associa profissionais de gestão de projetos, a PMI, projeto é uma 
iniciativa não rotineira, de natureza temporária, com início, meio e fim, caracterizada por uma sequência 
clara e lógica de eventos, com objetivos e metas bem definidas, que se destina a criar um produto 
ou um serviço novo, apresentando parâmetros predefinidos de tempo, custo e equipe de qualidade, 
que conduzam a resultados exclusivos. Por vezes, o projeto pode apresentar características de uma 
elaboração progressiva.
6.2 Conceitos de compatilização
Partes de alguma coisa devem ocupar o mesmo espaço de maneira harmoniosa sem que ocorram 
conflitos ou interferências entre eles, este é o significado dos conceitos de compatibilização.
No caso da engenharia civil, essa alguma coisa pode ser exemplificada através de informações, 
memoriais de cálculos e desenhos. Tais dados precisam ser consistentes e confiáveis a fim de que tudo 
ocorra com transparência até a entrega da obra e durante a utilização e a manutenção da edificação. O 
objetivo é destacar a importância da compatibilização e tudo o que está ao seu redor.
Tal prática pode ser utilizada em pequenas e até grandes obras, por pequenas e grandes construtoras. 
Para tanto, é importante tornar a compatibilização uma prática rotineira nos escritórios, assim como se 
faz rotineiramente medições, verificações, checklist em projetos e obras; e tentar acabar com o estigma 
de que reunião de compatibilização de projetos não tem nenhum efeito e sempre se torna um grande 
bate‑papo entre amigos e colegas de profissão.
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Segundo Limmer (1997), o que se pode observar, tanto na execução quanto no gerenciamento 
da maior parte das construções habitacionais, é a predominância de um sistema informal. Não há, 
entre as várias equipes participantes do processo, a integração mínima e necessária para racionalizar os 
procedimentos de implementação do projeto.
Assim, o arquiteto desenvolve o projeto de arquitetura, com base no qual o engenheiro de estruturas 
lança e calcula a estrutura e, por sua vez, os engenheiros de instalações elétricas, hidráulicas e de 
telecomunicações elaboram o projeto de sua especialidade. Cada um realiza o trabalho segundo a 
sua percepção, sem trocar informações com os demais integrantes do processo de criação, pois essa 
transferência demanda tempo. Surgem aí as incompatibilidades de projeto, que só virão à tona no 
momento de execução, isto é, durante a obra.
Como exemplo do que ocorre, com certa frequência, em obras espalhadas por todo país, temos tubos 
atravessando vigas de sustentação ou cruzando lajes (onde certamente serão amassados, tornando‑se 
inúteis como condutores), pilares e vigas que formam nichos indesejáveis ou obrigam um engrossamento 
de paredes, ou cotas erradas que exigem um retrabalho, havendo até casos de inversão da planta em 
relação ao terreno.
 Lembrete
A compatibilização dos vários projetos envolvidos numa construção 
civil influencia diretamente nos custos de uma obra, pois evita retrabalhos 
que envolvem desperdício de tempo e de materiais.
6.3 Projeto arquitetônico
Esse é o projeto que tem a função da materialização de uma ideia, de dar formas geométricas ao 
resultado do estudo de viabilidade e do que o cliente deseja. Ele precisa ser multidisciplinar, pois lidará 
com todo o tipo de profissional, desde o engenheiro ou mestre da obra até o cliente, que pode ser um 
médico, empresário ou qualquer outra pessoa.
O arquiteto deve ser capaz de traduzir as necessidades daqueles que vão ocupar os espaços projetados, 
através da melhor tecnologia construtiva disponível ou buscando novas soluções. Precisa traduzir suas 
decisões de projeto em um documento (o projeto de arquitetura), esclarecendo, com todos os detalhes 
possíveis, como terá de ser conduzida a obra que resultará na edificação a ser construída. Esse profissional 
necessita estar presente em todas as fases da obra. Como cabe ao arquiteto a criação, ele também é 
responsável por transmitir todas as informações para os outros participantes do empreendimento, a 
gerência e o desenvolvimento de seu projeto.
Em resumo, tal profissional faz um levantamento de dados, que seria o estudo de viabilidade; 
faz um estudo preliminar da edificação e, em seguida, concebe um anteprojeto. Logo, inicia‑se a 
compatibilização do projeto criado com o que deve ser legalizado. De posse de um anteprojeto, o 
arquiteto encaminha‑o para legalização e, em alguns casos, simultaneamente, já se inicia a etapa de 
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projetos complementares: estrutural e de sistemas elétricos e hidrossanitários. Nesse momento começa 
a fase crítica de compatibilizar todas as informações oriundas de diferentes especialidades para dar 
andamento aos projetos.
Segundo Salgado (2007), o desenvolvimento do projeto de arquitetura pode ser entendido como 
um processo gerencial, traduzido em uma sequência linear de etapas, que englobam a compreensão do 
problema, a produção de uma solução projetual e a avaliação dessa solução. Mas também precisa ser 
entendido como um processo criativo, interativo e aberto. As fases envolvidas num projeto se completam 
ao longo do tempo, com a participação de diversos profissionais e agentes, que, com suas características 
pertinentes a cada uma das diferentes especialidades, geram um ambiente multidisciplinar ideal para o 
desenvolvimento do empreendimento.
O resultado será a elaboração de um projeto executivo, no qual serão interligadas todas as informações 
dos projetos complementares e suas possíveis incompatibilidades.
Com base no manual de contratação de serviços de arquitetura e urbanismo da Associação Brasileira 
de Escritórios de Arquiteturas (ASBEA, 2000) e a norma NBR 13531 (ABNT, 1995), podemos definir e 
detalhar as etapas e os agentes envolvidos.
A primeira etapa é definida a partir do levantamento de dados para compreender o objetivo do 
empreendimento; da elaboração de um programa de necessidades do cliente; de informações sobre 
a aquisição do terreno e do código de obras do município a ser obedecido pela obra; além de outras 
informações que se fizerem relevantes no transcorrer do projeto.
O arquiteto deve comandar essa etapa que contará com a participação do cliente e de uma equipe de 
levantamento topográfico para coletar as informações no local. Feito isso, a próxima fase é a elaboração 
de um estudo preliminar que contará com a participação do arquiteto e do cliente. Tal profissional deve 
adotar um ponto de partida arquitetônico que terá de constar na configuração da edificação e em sua 
respectiva implantação no terreno, incorporando o desejo definido pelo cliente.
Concluído o estudo anterior, já é possível elaborar um anteprojeto com a participação de um 
gerenciador e projetistas complementares, somando‑se ao arquiteto e o cliente.
Com o anteprojeto, já é possível obter um esboço com prováveis soluções e respectivas especificações 
técnicas. Nessa fase, são considerados aspectos construtivos como pré‑dimensionamento estrutural e 
concepção básica de instalações para fazer uma avaliação de prazo e de custo.
Tomadas as decisões preestabelecidas anteriormente, o arquiteto está capacitado a elaborar o projeto 
legal. Essa fase tem como um dos requisitos principais o fato de o projeto estar dentro dos parâmetros 
legais do município e atender ao programa de necessidade do cliente.
Cabe ao arquiteto e ao cliente a apresentação dadocumentação exigida pelos órgãos licenciadores 
para que a obra funcione dentro da legalidade. Alguns arquitetos se utilizam de artifícios não 
recomendados, que consistem na entrega do projeto de legalização com algumas particularidades para 
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ocultar algumas soluções futuras que serão incrementadas no projeto de execução. Assim, um cômodo 
da casa que pode ser lançado como um lavabo ou um depósito poderá se transformar em uma caixa 
de elevador no projeto de execução. Da mesma forma, o compartimento onde se encontra o projeto do 
telhado e a localização das caixas d’águas podem ser transformados em um sótão no qual o morador 
poderá usar para diversas finalidades de seu livre interesse.
Todas essas particularidades exemplificadas são para diminuir os encargos na legalização do imóvel 
e tornar o projeto viável para legalização. Lembrando que, apesar de sempre haver a necessidade de 
ajustes durante a obra, o projeto executivo não poderá fugir muito de suas características originais.
Com a liberação das licenças de obras, a equipe de projetos, composta de todos os envolvidos 
anteriormente já está desenvolvendo um pré‑projeto executivo. Nessa fase, são compatibilizadas 
quaisquer informações trocadas pelos participantes que terão como resultado um projeto executivo 
devidamente compatibilizado, para evitar possíveis interferências entre a arquitetura e os demais 
sistemas para dar início à execução da obra.
Encerrando essa cadeia, compõem‑se projetos complementares para detalhamentos de execução de 
técnicas construtivas, em escala apropriada, para melhor esclarecimento às equipes em campo. Convém 
salientar que a sequência de uma obra não é absoluta, isto é, não se aguarda o fim de uma etapa para dar 
início à próxima, mas assim que, atingido certo grau de desenvolvimento de uma fase, dela extraem‑se 
dados para iniciar a seguinte, ganhando‑se, com isso, no prazo total de execução do empreendimento.
6.4 Projeto estrutural
O projeto estrutural tem a função de dimensionar de forma segura, eficaz, e dentro das possibilidades 
econômicas, a ideia concebida pelo arquiteto. Deve fazer com que a estrutura elaborada se comporte em 
harmonia com as particularidades da arquitetura.
Todo o profissional envolvido nas etapas de projeto de uma edificação deve seguir os padrões 
estabelecidos em normas para que fique respaldado legalmente e seguro no que ele está projetando. 
O engenheiro de estrutura é o profissional que deve estar sempre com a norma ao seu lado, pois o seu 
projeto é o de maior responsabilidade, já que lida com a segurança física do empreendimento como um 
todo. Esse profissional viabiliza as ideias elaboradas pelo arquiteto.
Sabendo da importância da norma, a NBR 6118 (ABNT, 2014) afirma que o projeto de estrutura tem 
que obedecer aos requisitos de qualidades e conformidade. Logo, é preciso elaborar um projeto que 
tenha a capacidade necessária para ter segurança à ruptura, condições plenas de utilização e de serviços 
durante sua vida útil e durabilidade.
A norma estabelece, no que diz respeito à qualidade, que o projeto deverá ter uma solução estrutural 
compatível com a arquitetura, ser funcional, estar de acordo com as técnicas construtivas e integrado 
com os demais projetos (elétrico, hidráulico, ar‑condicionado, entre outros) elaborados pelos outros 
profissionais envolvidos com a aprovação do contratante. O resultado de um projeto elaborado pelo 
engenheiro de estrutura é constituído por desenhos, especificações e critérios de projetos.
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Essas informações poderão estar no próprio desenho ou em documento separado (memorial de 
cálculo). As principais etapas de um projeto estrutural correspondem à criação de um modelo ou esquema 
estrutural, a partir das cargas que atuam nessa estrutura, do cálculo dos esforços e deformações, do 
dimensionamento das peças de acordo com esses esforços, levando em conta o fator de segurança e o 
detalhamento do projeto para execução.
As estruturas convencionais que sustentam a edificação são basicamente fundações, pilares, 
vigas e lajes. Partes essas, que correspondem tanto à segurança da edificação quanto ao seu colapso 
(desmoronamento), como também as possíveis patologias (trincas e quedas de revestimento). Para obter 
sucesso em um projeto de estrutura, o calculista ou projetista precisa estudar a fundo para que se tenha 
uma racionalização das peças da estrutura e de seus componentes, deve especificar os tipos de materiais 
a ser empregados e suas características, além de estudar o solo, pensando numa possível solução para a 
fundação adaptada ao tipo de projeto pretendido.
Dessa forma, podemos destacar que as bases de um bom projeto de estrutura são: segurança, 
durabilidade, economia, resistência às intempéries e sustentabilidade. Se um desses pilares for 
desconsiderado, corre‑se o risco de perder sua funcionalidade. O foco do projeto de estrutura é seguir 
sempre o projeto arquitetônico e quando isso não for possível abre‑se um diálogo entre o arquiteto e o 
construtor para se chegar a uma solução adequada.
Contudo, existem outras questões a serem abordadas que os projetistas se deparam na sua rotina de 
trabalho que merecem ser destacadas.
De acordo com Vasconcelos (2014), após uma análise minuciosa de acidentes ou defeitos graves, é 
importante estudar os acidentes ocorridos e as suas causas. Abordam‑se, assim, questões pertinentes 
a fim de que sirvam de aprendizado para futuros projetistas e para que eles possam aprender com os 
erros de outros e não venham cometê‑los de forma recorrente. Vasconcelos (2014) descreve e enumera 
quatro tipos de problemas mais comuns dentro do desenvolvimento de um projeto estrutural:
Contratação de um projeto com prazo político
Seria a existência de uma “febre doentia” na tomada de decisão, o que exige o início do projeto antes 
de coletados os dados indispensáveis para implantação da obra. É como se a etapa de planejamento 
fosse suprimida ou realizada simultaneamente à outra, sendo que uma depende do resultado da outra 
para o êxito. A data da entrega final do projeto para execução é fixada antes mesmo de conhecer as 
dificuldades a serem vencidas. Dificuldades essas que podem ser exemplificadas por: desapropriação 
com processos jurídicos intermináveis, interferências com serviços públicos, que precisam se deslocados, 
alterações no tráfego durante determinados períodos, dificuldades de importações de equipamentos, 
entre outras. Se o trabalho for iniciado ignorando tais dificuldades, que possivelmente serão resolvidas 
ao longo do tempo, o projeto será feito às pressas para atender o tempo estimado no contrato, mesmo 
com conhecimento de que não irá dar certo.
O resultado dessa decisão imponderada é a perda de tempo com retrabalhos, já que o projeto é 
desenvolvido, com prazos mais apertados. É provável que o contratante não queira pagar o novo projeto 
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ou suas revisões, o que deixa evidente o erro de contratação na fase imprópria. Tal projeto, na melhor 
das hipóteses, será feito de forma imprecisa e o resultado será, no mínimo, um projeto antieconômico.
Concorrência desleal e suas consequências
Alguns contratantes julgam‑se negociadores, contratando projetos por preços extremamente 
baixos e se vangloriam disso com seus superiores. Simulam concorrências fictícias afirmando que o 
preço proposto está muito exagerado e que possuem concorrentes com porcentagens menores que 
o preço proposto. Nessa negociação, confirmam o desejo de contratar tal calculista, que iniciou com 
o preço justo, mas, diante de tal diferença, o contratante afirma que se sente obrigado a contratar 
o outro, o fictício, pressionando, assim, o calculista a baixaro preço. Feita a proposta fictícia, afirma 
que não revela quem é o concorrente por questão de ética. Fazendo tal procedimento, o contratante 
consegue, no final, contratar um calculista por um valor muito inferior ao razoável. Essa prática cria 
mudanças nas leis de mercado.
O argumento usado para tal depreciação é afirmar que o trabalho é simples, conseguindo assim 
pagar menos pelo serviço, a fim de querer encurtar os prazos. Em consequência dessas práticas, o 
profissional que aceitá‑las fará seu trabalho com menos zelo. Os projetos gerados pelo computador 
serão preparados com a máxima economia de plantas. Estes saem da máquina e vão diretamente para 
o contratante, por vezes, sem qualquer verificação.
Ceder diante das exigências dos arquitetos de grande criatividade
Muitos arquitetos podem pensar numa estrutura para suportar o que imaginam e preestabelecem 
medidas razoáveis, mas também existe o contrário, outros que fazem projetos inviáveis, mesmo que 
ouçam o argumento de que as normas estruturais não permitem tais dimensões. Tais arquitetos, diante 
desse argumento, chegam até a ficar indignados e afirmam que se o calculista não é capaz de projetar 
isso, ele irá procurar outro capaz. Esses arquitetos, sem perceber o absurdo do que afirmam, não têm 
condições para discernir entre um bom e um mau projeto estrutural. Mesmo diante de erros em sua 
concepção, atribuem o fato a falhas construtivas.
Quando um arquiteto tem consciência de que o trabalho conjunto com o calculista estrutural foi 
elaborado de maneira a se obter resultados benéficos, o resultado é satisfatório, dentro das normas, 
e com funcionamento próximo ao ideal. Cada um desempenha o seu papel com boa vontade e com 
respeito mútuo.
Convivência com o perigo: existem projetistas extremamente audaciosos e, quanto mais prática 
possuem, mais arrojados tornam os projetos. Se desobedecer às normas resultar em economia e em 
mais chances de se obter um contrato, tais projetistas não hesitam em criticar o projeto de um colega. 
Eles acabam trabalhando com carregamentos menores, pois os coeficientes de seguranças cobrem a 
diferença, alguns acham até que o cumprimento da norma é exagerado e leva a um maior consumo 
de concreto, afirmam que a carga de vento é muito onerosa, pois não se considera a capacidade 
resistente das alvenarias. O contratante acaba aceitando tais explicações, já que são dadas por um 
profissional com experiência.
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Os profissionais corretos que respeitam as normas e os que já tiveram problemas anteriores com tais 
práticas ficam excluídos dessas competições.
6.5 Projeto elétrico
Sistema que faz a energia fluir por toda a edificação para que os usuários possam desfrutar 
dos confortos fornecidos pelos aparelhos domésticos existentes no mundo moderno. Esse projeto 
poderá ser elaborado por um engenheiro civil dependendo da carga envolvida. A norma NBR 5410 
(ABNT, 2005) estabelece que a norma usada em questão deva ser aplicada para projetos com 
tensão nominal a 1000 V em corrente alternada, e frequência inferior a 400 Hz ou 1500 V em 
corrente contínua. Caso o empreendimento requeira características superiores, o mais indicado é a 
contratação de um engenheiro eletricista que dará todo o suporte técnico necessário à elaboração 
e ao funcionamento do projeto. O projeto elétrico é elaborado com base na planta de arquitetura 
e a partir da demanda de energia elétrica que as famílias hoje necessitam para seu bem‑estar. 
Para isso, o projeto arquitetônico deverá ser humanizado, ou seja, precisa prever a utilização de 
possíveis aparelhos domésticos para que o engenheiro estabeleça os pontos de tomadas, pontos 
de luz, quadro de distribuição e rede de eletrodutos para distribuir os circuitos a todas as partes 
das edificações.
O sistema de acionamento das lâmpadas e tomadas precisa estar em harmonia com os padrões de arquitetura; 
e a passagem e a distribuição dos eletrodutos devem estar compatibilizados com a estrutura da edificação como, 
por exemplo, as caixas de ponto de iluminação, a distribuição de circuitos nas lajes e os furos em vigas.
Uma das soluções adotadas frequentemente em projetos é a execução do rebaixamento do teto com 
auxílio de materiais para locação das instalações elétricas em conjunto com as estruturas da edificação.
Os problemas mais comuns encontrados no projeto de instalações são o mau posicionamento 
dos eletrodutos e a localização de pontos de tomadas e de luz que não coincidem com a realidade 
do projeto executivo. Outra ocorrência é a elaboração do projeto elétrico com base no projeto legal 
devido ao curto prazo na produção do projeto executivo, acarretando um aumento de possibilidades de 
incompatibilização na fase de execução.
6.6 Projeto hidrossanitário
Sistema que tem a função de fornecer as condições básicas da vida humana: água e saneamento 
no dia a dia, tornando a vida mais saudável. O sistema sanitário tem de ser protegido para que não 
contamine o padrão de potabilidade do sistema hidráulico. O conjunto dos dois sistemas não deve 
jamais estar em contato com o sistema elétrico, pois pode gerar graves acidentes.
As premissas do projeto de instalações hidráulicas são baseadas no consumo de água, nas vazões 
e na oferta de água, buscando sempre o uso racional da água. No cenário atual, devido à exigência 
do consumo racional de água, há a necessidade de se projetar um sistema de captações e reuso para 
amenizar o problema. As instalações hídricas e sanitárias que compõem uma edificação são projetadas 
e dimensionadas seguindo o projeto estabelecido pelo arquiteto. Podem ter seu traçado de tubos de 
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quedas, suas colunas de ventilação etc., preestabelecidos pela posição do shaft, que corresponde a uma 
passagem específica de todas as tubulações.
As normas NBR 5626 e NBR 8160 (ABNT, 1998; ABNT, 1999) estabelecem que para o controle da 
garantia de qualidade do projeto, este deve passar por algumas etapas fundamentais de requisitos, que 
são: o estudo das alternativas de traçado; o atendimento às necessidades do cliente; o atendimento 
às normas; a compatibilização com os demais sistemas; a análise crítica do dimensionamento; a 
construtibilidade e manutenção do projeto; a adequação ao detalhamento da documentação e desenhos, 
no sentido de facilitar a execução do sistema; e o registro das não conformidades para retroalimentação 
de diretrizes iniciais.
As instalações devem passar por uma compatibilização com o sistema estrutural, a fim de que o 
calculista possa avaliar as melhores posições para realizar furos em vigas e lajes, que não comprometam 
a segurança e o funcionamento da estrutura. Esses aspectos são de grande importância, principalmente, 
em casos com tubulações de grandes diâmetros.
Uma nova temática do projeto hidráulico nos dias atuais é a sustentabilidade do sistema. 
Cada vez mais, arquitetos buscam a elaboração de casas sustentáveis em relação ao uso da água. 
Isso requer novas ideias para projetar sistemas de captação, como cisternas e tubulações para a 
reutilização de água pluvial ou proveniente das áreas de serviço. Isso demanda novas concepções 
arquitetônicas e compatibilizações com os demais sistemas, devido ao possível aumento no número 
de tubulações existentes. A modernização do sistema hidráulico, pensando no alinhamento do 
projeto arquitetônico à sustentabilidade, agrega valor ao projeto se esse for comparado aos projetos 
mais conservadores.
6.7 Procedimentos de compatibilização
A análise de interferências deve ser realizada dentro das possibilidades, antes da execução da 
obra, pois um bom projeto precisa estar sempre revisado para evitar contratempos que encareçam 
o trabalho, que possam comprometer o cronograma de obras ou que desperdicem o tempo dos 
profissionais com retrabalhos.
A forma mais tradicionalde se fazer a compatibilização de projetos na construção civil é por 
meio da sobreposição dos desenhos manualmente, por meio do sistema CAD 2D, entre outros.
Essa técnica sempre funcionou muito bem, no entanto, se forem considerados todos os detalhes 
que existem, atualmente, nos projetos de edificações, é praticamente impossível analisar interferências 
com precisão. Dentro de um mesmo empreendimento podemos encontrar projetos estruturais, 
hidrossanitários, elétricos, de telecomunicação, de segurança, de climatização, de tubulações de combate 
a incêndio, entre tantos outros, que variam conforme o porte da edificação.
Assim, nos dias de hoje, as quatro formas mais comuns para realizar a compatibilização de projetos 
na construção civil são:
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• Manual: uma maneira bem tradicional, muito utilizada no passado, quando ainda não era 
frequente o uso de computadores. As pranchas eram impressas em papel vegetal, comparadas 
e analisadas por meio da sobreposição de cada projeto. Essa sobreposição manual de desenhos 
era realizada para identificar os problemas, que seriam, posteriormente, documentados, com 
apresentação das devidas alterações para solucioná‑los. A desvantagem desse processo é a demora 
e o risco de erros, devido ao grande volume de informações que devem ser verificadas.
• Com programas CAD 2D: é uma forma um pouco menos desgastante e demorada do que a 
manual, porém ainda é limitada e ineficiente na detecção de interferências dos projetos prediais 
estruturais e complementares. Os desenhos não são legíveis a ponto de se verificar todos os 
detalhes de plantas, cortes e elevações.
• Com modelos 3D: é uma evolução ao processo de análise em 2D, também possível de se fazer 
pelo CAD, mas ainda é limitada apenas ao desenho, sem garantir a visualização e o estudo das 
informações de cada projeto.
• Com modelagem de informação: essa maneira de realizar a compatibilização de projetos 
na construção civil é possível com a concepção de projetos em Building Information Modeling 
(BIM). Além do desenho em 3D, o BIM inclui elementos paramétricos, ou seja, ele une desenho aos 
dados necessários para se avaliar interferências, antecipar problemas e para garantir a execução 
eficiente do projeto, evitando, por exemplo, desperdício de materiais. Com sistemas especializados 
em BIM, também é possível efetuar rapidamente diversas simulações, contemplando diferentes 
cenários e antecipando as dificuldades.
6.8 O agente compatitibilizador
O coordenador é aquele que tem a função de tomar decisões que dinamizam o projeto, de forma a 
melhorar orçamentos, planejamentos, cronogramas e descrição do escopo das atividades, além de estar 
sempre no controle da qualidade, documentando tudo o que ocorre durante o processo.
Gerente é o profissional que toma decisões estratégicas no nível mais alto da hierarquia da gestão 
para, poder conduzir todo o restante da equipe. A denominação desses participantes de projetos 
pode ter respostas variadas de acordo com a empresa ou com o órgão em que está atuando, mas suas 
funções básicas são as mesmas e devem estar entrelaçadas, como: supervisionar de perto a execução 
de obras sob suas responsabilidades, orientar as equipes, negociar os contratos com fornecedores e 
prestadores de serviços, garantir a qualidade do produto final e zelar pelo respeito às normas que 
envolvam o projeto.
Os profissionais capacitados a exercerem essas duas funções são: o arquiteto e o engenheiro 
civil. Este último será um mediador que deverá ter uma formação generalista, lidar com as equipes 
multidisciplinares e garantir a compatibilização dos projetos envolvidos na obra.
A função do compatibilizador é exercida pelos agentes citados anteriormente, eles terão 
habilidades gerenciais e técnicas apuradas para poder lidar com diferentes assuntos técnicos e 
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fazer com que as ideias conceituais se tornem dimensionais e passíveis de discussão entre os 
outros participantes.
Além disso, orientam ou pedem avaliação dos especialistas para tomar a melhor decisão a fim de 
que o escopo de trabalho, a administração de prazos e as especificações possam fluir de modo que o 
processo de projeto avance com os problemas minimizados.
6.8.1 Distribuição de responsabilidade
As responsabilidades gerenciais desses profissionais resultam na manipulação de instrumentos 
fundamentais da administração que permitem obter resultados esperados. Esses instrumentos, também 
definidos como habilidades do administrador, são: planejar, organizar, dirigir e controlar.
Tais habilidades são interligadas e acontecem na rotina de quem deseja assumir a função de gerente 
ou coordenador de projetos de obras civis.
O planejamento de uma obra deverá estabelecer objetivos, estratégias, metas, desenvolver planos de 
ação e determinar como se deve atingir os objetivos.
Organizar é formar uma estrutura hierárquica dentro do escopo do projeto, especificar as atividades 
de cada participante nesse sistema, estabelecer regras que facilitem a coordenação das ações e o fluxo 
de informações e tarefas. Com a organização a empresa reúne e integra os recursos, define a estrutura, 
estabelece uma divisão de trabalho e possibilita meios de coordenar diferentes atividades determinando 
níveis de autoridade e responsabilidade.
Dirigir significa acompanhar as equipes na aplicação dos procedimentos, rotinas e práticas para que, 
ao final, busquem‑se os resultados esperados, mobilizando as pessoas para que estejam comprometidas 
e motivadas com as metas qualitativas e quantitativas.
O controle consiste numa avaliação da evolução dos resultados e das conformidades deles frente aos 
objetivos e metas traçados, de forma que permitam ajustes sempre que os problemas forem detectados.
Os profissionais adquirem essas habilidades ao longo do tempo de sua carreira profissional, no seu 
dia a dia, e com diversos cursos oferecidos em gestão e coordenação de projetos, podendo se tornar 
futuros compatibilizadores de projetos.
O agente compatibilizador de projetos pode ser um arquiteto ou um engenheiro, mas como as ideias 
iniciais são concebidas pelo arquiteto, delega‑se, na maioria das vezes, a ele essa responsabilidade. 
Dependendo do porte da obra, pode ser encontrado mais de um profissional para fazer as avaliações e 
forma‑se uma equipe a fim de que se tome a melhor decisão buscando melhores soluções e técnicas 
para executá‑las.
Durante a execução da obra é normal que o agente se depare com problemas que surgem no seu 
decorrer, porém a compatibilização, sendo feita previamente, reduz esse tipo de contratempo. Em caso de 
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ocorrência de interferência, dependendo da complexidade, busca‑se a solução imediata e comunica‑se 
para todos os envolvidos no projeto. Essas pequenas modificações podem existir durante a execução da 
obra, e sua adaptação ao projeto recebe a denominação de as built, justamente, uma adaptação do que 
se planejou anteriormente.
O que não é aceitável é um projeto as built, ou seja, que fuja totalmente das características iniciais 
planejadas e almejadas pelo cliente. Procuramos evitar essas modificações ao longo da obra, pois, 
geralmente, elas elevam o custo e atrasam o prazo. Para empresas de pequeno e médio porte, existem 
modelos desenvolvidos para identificar com clareza a hierarquia, etapas, agentes envolvidos, problemas 
e apontamento de soluções. O agente compatibilizador de posse dessa modelagem poderá fazer com 
que a equipe funcione de forma harmoniosa e coesa para evitar problemas futuros.
A modelagem consiste na visão sistêmica do projeto, em que são destacadas sete fases. A seguir, 
discriminaremos cada uma delas, apresentando algumas ferramentas de gerenciamento de projetospara dar funcionalidade ao modelo proposto.
Fase 1 – diagnóstico do processo de projeto da empresa
Consiste na identificação da cultura na realização do projeto de edificações, propondo a ela um 
organograma que descreva a hierarquia da empresa, seus departamentos e funções.
Fase 2 – definições da equipe multidisciplinar
Os profissionais deverão apresentar competência técnica em suas áreas correspondentes, demonstrar 
interesse em desenvolver trabalhos em equipe e ter disponibilidade para o acompanhamento da obra.
Fase 3 – capacitação da equipe multidisciplinar
Nessa fase a equipe multidisciplinar deverá ser treinada para utilização de ferramentas de gestão de 
projetos e softwares, sendo alguns tópicos fundamentais:
• Técnicas de gerenciamento de projetos.
• Organogramas funcionais.
• Estruturas analíticas de projetos.
• Conhecimento do funcionamento de trabalho em equipes.
• Treinamento em softwares com plataformas BIM.
• Aplicação de listas de verificações e utilização de ferramentas de gestão de qualidade (5W‑1H).
O 5W‑1H basicamente é um checklist de determinadas atividades que precisam ser desenvolvidas 
com o máximo de clareza possível por parte dos colaboradores da empresa.
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Ele funciona como um mapeamento destas atividades, no qual ficará estabelecido o que será feito, 
quem fará o que, em qual período de tempo, em qual área da empresa e todos os motivos pelos quais 
esta tarefa deve ser feita. Essa ferramenta é extremamente útil para as empresas, uma vez que elimina 
por completo qualquer dúvida que possa surgir sobre um processo ou sua atividade. Em um meio ágil 
e competitivo como é o ambiente corporativo, a ausência de dúvidas agiliza as atividades a serem 
desenvolvidas por colaboradores de setores ou áreas diferentes.
O nome da ferramenta foi assim estabelecido ao juntar as primeiras letras das palavras (em inglês) 
que representam das diretrizes utilizadas nesse processo. A seguir você pode ver cada uma delas e o que 
elas representam:
• What: o que será feito (etapas)?
• Why: por que será feito (justificativa)?
• Where: onde será feito (local)?
• When: quando será feito (tempo)?
• Who: por quem será feito (responsabilidade)?
• How: como será feito (método)?
 Observação
Existe ainda outra nomenclatura para essa ferramenta, o 5W‑2H, em 
que inclui‑se o “h” referente ao how much (quanto).
Fase 4 – apresentação dos membros da equipe e suas funções
Apresenta um treinamento da equipe para a utilização das correlações entre as tarefas e as 
responsabilidades de cada um.
Quadro 1 – Matriz de responsabilidade
Matriz tarefa x responsabilidade
Disciplinas do projeto
Equipe multidisciplinar
Coordenador 
do projeto Arquiteto
Engenheiro 
de estrutura
Engenheiro de 
instalações
Engenheiro 
de produção
Engenheiro 
de custos
Projeto arquitetônico X R C C C C
Projeto estrutural X C R C C C
Projeto de instalações 
elétricas X C C R C C
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Projeto de instalações 
telefônicas X C C R C C
Projeto de instalações 
hidráulicas X C C R C C
Projeto de instalações 
sanitárias X C C R C C
Projeto de instalação 
de gás X C C R C C
Orçamento X C C C C R
R – Responsável X – Decide C – Deve ser consultado
Adaptado de: Tavares Júnior, Possamai e Barros Neto (2002).
Fase 5 – início da compatibilização
Fase em que se inicia a compatibilização dos projetos, as trocas de informações e a utilização da 
matriz de correlação entre as disciplinas de projeto.
Quadro 2 – Matriz de correlação entre as disciplinas do projeto
Matriz de correlação entre disciplinas
Disciplinas do Projeto
Disciplinas do projeto
Projeto 
arquitetônico
Projeto 
estrutural
Projeto de 
instalações 
elétricas
Projeto de 
instalações 
telefônicas
Projeto de 
instalações 
hidráulicas
Projeto de 
instalações 
sanitárias
Projeto de 
instalação 
de gás
Orçamento
Projeto arquitetônico X 3 3 2 3 3 2 3
Projeto estrutural X 3 3 2 2 2 3
Projeto de instalações 
elétricas X 3 2 2 3 3
Projeto de instalações 
telefônicas X 2 2 2 3
Projeto de instalações 
hidráulicas X 3 2 3
Projeto de instalações 
sanitárias X 2 3
Projeto de instalação 
de gás X 3
Orçamento X
Adaptado de: Tavares Júnior, Possamai e Barros Neto (2002).
A intensidade da correlação é medida através de pesos atribuídos para os pares entre as disciplinas. 
Peso 0 indica correlação inexistente, peso 1 correlação fraca, peso 2 correlação média e peso 3 correlação 
forte. Essa escala foi baseada em Vanni, Gomes e Andery (1999), a interpretação da correlação de peso 
acima ou igual a 1 indica a verificação do grau de interação entre as disciplinas de projeto.
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Fase 6 – análise das correlações entre pares de disciplinas
A análise consiste no levantamento das falhas, realizando, por meio de um brainstorming, uma lista 
de verificação dos modos de falhas, do preenchimento de formulário e do quadro 5W‑1H.
Fase 7 – verificação da conformidade
Fase final, em que são verificadas se as correções e os ajustes pertinentes foram realmente 
executados, o projeto será liberado para a obra; em caso negativo, voltará para a fase 5.
7 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NA CONSTRUÇÃO CIVIL
7.1 Sistema Building Information Modeling (BIM)
É um sistema ou uma plataforma desenvolvida com o objetivo de reunir quaisquer informações 
referentes à confecção de um projeto, sustentado com todos os tipos de informações. Ele possibilita 
organizar, em um mesmo arquivo eletrônico, um banco de dados para o projeto completo, permitindo 
seu acesso por cada agente envolvido, sejam engenheiros, arquitetos ou o pessoal da administração.
Esse novo modelo trabalha com informações sobre geometria, detalhes construtivos, especificações 
de materiais, dados sobre preços e fornecedores, informações estruturais dos projetos, topografia, 
entre outros. A modelagem em BIM pode ser vista como uma evolução do sistema denominado 
Computer Aided Design (CAD).
O CAD trabalha com modelagem a partir de vetores, e o BIM funciona com objetos parametrizados. 
Os parâmetros aplicados levam as informações que deverão suprir as necessidades do profissional que 
o estiver utilizando. Os objetos são definidos de modo a interagir com os objetos vizinhos e automatizar 
futuras modificações.
Esse conceito teve início por volta da década de 1970, mas sua popularização ocorreu nos últimos 
20 anos. A partir disso, foram desenvolvidas diversas ferramentas e softwares que utilizam essas novas 
ideias da modelagem BIM. Todos eles, com suas particularidades de cada área de atuação, passam 
a ser integrados através desse modelo. Atualmente, existem ferramentas elaboradas desde o padrão 
relativamente simples até os mais sofisticados. Podemos tomar como exemplos de softwares BIM o 
Edificius, o Home Designer Suite, ArchiCAD, o Revit, entre outros.
A vantagem desse tipo de tecnologia é a capacidade de interação com todos os agentes e a integração 
existente entre os subprojetos de arquitetura, de estruturas, de elétrica e hidráulica a partir de um único 
modelo digital. Isso proporciona uma grande vantagem na hora de compatibilizar e monitorar cada aspecto 
no ciclo de vida do projeto, aumentando a produtividade, a racionalização e o controle do processo.
A figura a seguir ilustra um exemplo de uma residência modelada na plataforma BIM com o auxílio do 
software Revit. Esse tipo de modelagem permite a visualização de possíveis interferências, contribuindo 
com a compatibilização do projeto e fornecendo uma visão ampla da edificação.
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Figura 24 – Projeto modelado em BIM
Outro ponto favorável da modelagem sobre aplataforma BIM é a possibilidade de modelar em 
quatro dimensões (4D), isto é, as três dimensões do espaço e a do tempo. Isso é possível incluindo 
informações de análise do projeto na sequência do tempo e seguindo o cronograma de construção. 
Alguns benefícios encontrados, além dos já citados, são:
• Visualização 3D: permite aos clientes ter uma prévia do que está sendo projetado e a coordenação 
previne problemas para reduzir erros e omissões.
• Modelagem 4D: os clientes visualizam e otimizam as fases de projetos e a sequência de 
construção; as equipes de projeto conduzem de forma mais eficiente e com exatidão, melhorando 
o desempenho da construção.
• Possibilidade de modelar projetos já executados: que foram elaborados em 2D, para que, caso 
ocorra alguma modificação em alguma parte do projeto, como arquitetura, estrutura e instalações, 
o cliente terá como confrontar essas mudanças com o projeto realizado, observando possíveis 
interferências através da modelagem 3D.
Para se implantar a modelagem em BIM, é necessário, inicialmente, uma mudança na prática de 
arquitetura, pois a utilização adequada da ferramenta, requer que se supere a dificuldade em modelar 
e customizar os objetos aos novos projetos. A complexidade de manusear a ferramenta, gastando‑se 
muito tempo; a falta de treinamento, apoio técnico e cursos extras para adquirir experiência com a 
modelagem; o custo elevado na aquisição dos softwares que trabalham na modelagem em BIM e o custo 
na montagem de computadores para utilização desses novos sistemas computacionais de elaboração de 
projetos dificultam a implantação dessa plataforma.
É notório que para haver uma compensação no investimento na aquisição dos softwares, 
computadores e capacitação das equipes, o escritório que deseja optar por essa tecnologia deverá 
possuir uma demanda de projetos de torres, edifícios, condomínios de grandes blocos ou conjuntos de 
casas em que a modulação seja padronizada, podendo, assim, obter ganhos na produtividade.
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7.2 Utilização de GPS
O GPS é uma sigla da expressão em inglês de Global Positioning System que significa sistema de 
posicionamento global. Este equipamento é um sistema composto de um aparelho móvel que envia 
sua posição sob qualquer condição climática para uma rede de satélites global em órbita do planeta. 
Inicialmente, o GPS foi criado para utilização militar, para auxiliar a navegação, mas, hoje em dia, está 
presente em automóveis e aparelhos celulares.
Na construção civil esse instrumento pode ser colocado diretamente no campo, sem necessidade 
de pós‑processamento, chegando a atingir uma precisão na escala dos centímetros. Ele pode ser 
utilizado na locação da obra, na fase inicial, quando ocorre um prévio levantamento do terreno, e no 
posicionamento das fundações. As posições das fundações projetadas nas plantas são implantadas no 
local diretamente com a utilização do aparelho.
Essa técnica é uma evolução da materialização dos pontos no terreno sem a necessidade de se 
gastar com madeiramento de gabarito, linhas que cruzam o local que definem os eixos do projeto. Isso 
aumenta a velocidade de execução da tarefa e reduz o número de pessoas para realizar a locação.
A dificuldade de implantação está na cultura existente nos canteiros de obras em se oferecer 
certa resistência à adaptação a novas tecnologias, dando como justificativa o custo elevado do 
equipamento e do treinamento de funcionários. Com a utilização dessa ferramenta, espera‑se 
reduzir erros de locação e aumentar a precisão na hora de implantar os pontos importantes para 
se iniciar a construção.
O investimento em novas técnicas justifica‑se para que se evitem casos onde acontecem erros de 
locação, levando a uma nova recompatibilização de projetos, gerando retrabalhos, atrasos e elevação nos 
custos. Sendo assim, esses investimentos produzem redução nos custos em longo prazo e na qualidade 
final do produto.
7.3 Uso de equipamentos com raios laser
O raio laser é uma evolução que hoje está em nosso cotidiano, seja nos equipamentos sinalizadores, 
nos instrumentos de medição, entre outros. Na engenharia civil, mais precisamente, nos canteiros de 
obras, ele está presente em trenas eletrônicas, em níveis eletrônicos, nas estações totais de topografia e 
no laser scanner.
As ferramentas que contam com essa tecnologia aumentam o grau de precisão nas medições e 
conferências de medidas dentro dos canteiros de obras e nos levantamentos de dados para iniciação 
de projetos. Isso é de grande importância, em todos os aspectos, porque minimiza erros durante a 
execução do projeto, se forem bem aferidas, por profissionais devidamente. Uma correta tomada de 
dados topográficos utilizando, por exemplo, o laser scanner gera uma boa base de dados tanto para o 
projeto de arquitetura quanto para o projeto estrutural. Ao se usar laser para executar a locação das 
fundações, ganha‑se em rapidez, na economia de pessoal e na precisão, possibilitando, ainda, identificar 
interferências entre os dois projetos de arquitetura e estrutura, e, se necessário, realizar as correções.
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Esse equipamento apresentado, o laser scanner, é um aparelho de medição e digitalização remota 
em três dimensões (3D) que opera uma nuvem de pontos nas coordenadas xyz. As coordenadas 
armazenadas no aparelho são interpretadas pelo software que utilizam os sistemas CAD ou BIM.
Ele pode ser aplicado em vários segmentos da engenharia, como no levantamento de estrutura na 
parte civil e metálica, em parques industriais; em arquitetura e conservação do patrimônio histórico; 
e em topografia. O requerimento de utilização do aparelho serve em projetos 2D e 3D, cálculos de 
superfícies e volumes, controle dimensional das obras e análise de interferências.
No mercado brasileiro, o laser scanner pode ser encontrado em variadas marcas e com diversas 
configurações de alcance. A resolução das imagens em megapixels e velocidade de processamento de 
pontos é uma das utilidades básicas que todos os aparelhos têm, independentemente das diferentes 
configurações. Como vantagem permite medições em áreas de risco e de difícil acesso, com fácil captura 
de dados e custo operacional reduzido em relação aos métodos antigos, portanto, não há necessidade 
de retornar ao local para refazer as medições. Esse equipamento permite, também, a redução no tempo 
de captação e aumento na confiança e na precisão nos dados.
A principal desvantagem de qualquer tecnologia de ponta é o alto custo para a contratação 
de empresas que fazem esse trabalho especializado, a compra dos equipamentos e o custo de 
manutenção. É preciso fazer uma avaliação do empreendimento para verificar a viabilidade da 
aquisição dessa tecnologia.
Um novo equipamento, que foi apresentado pela Associação Internacional de Automação e Robótica, 
ajudará a minimizar o erro humano em obras. Ele utiliza o laser para mapear paredes, nivelamentos, 
alinhamentos, podendo, assim, ser de grande utilidade para acompanhar se o projeto está sendo 
executado segundo os padrões preestabelecidos após a compatibilização.
Esse equipamento, apelidado de “robô construtor”, foi desenvolvido numa parceria entre Inglaterra 
e Japão e é capaz de fazer mapeamentos de instalações elétricas e hidráulicas. Tem o aspecto de um 
carrinho controlado por meio de um controle remoto, além de ser facilmente operável.
Outro exemplo é o robô reciclador, utilizado para demolições, que é capaz de quebrar o concreto e 
separá‑lo de vergalhões e de outros detritos, permitindo a sua reutilização.
Figura 25 – Robô “demolidor”
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A implementação de novas tecnologias importadas do exterior é dificultada devido aos problemas 
de economiae à alta taxa tributária.
7.4 Maquetes eletrônicas
Quando essa tecnologia não estava disponível para engenheiros, arquitetos e todos os profissionais 
que elaboravam projetos, havia uma grande dificuldade para passar ao cliente os dados do modelo que 
estava sendo projetado. Os desenhos eram representados em vistas ortogonais, detalhes em cortes e 
fachadas. Todas essas informações eram imaginadas em conjunto para obter uma possível imagem em 
três dimensões (3D). Alguns arquitetos elaboravam maquetes para ilustrar aos empreendedores e aos 
clientes como estava sendo concebido o projeto e para que fossem verificadas possíveis interferências 
de outros projetos envolvidos.
Com o avanço da tecnologia, os projetistas passaram a elaborar projetos em D’ e, posteriormente, 
em 3D em CAD, 3D em Revit e SketchUp. Toda essa evolução permitiu aumentar a velocidade de 
processamento das imagens e melhorar, cada vez mais, a compatibilização. A imagem a seguir é um 
exemplo de maquete eletrônica gerada a partir dessas ferramentas.
Figura 26 – Residência projetada
A maquete eletrônica é uma forma de aperfeiçoar a apresentação do projeto a fim de gerar bons 
resultados e conquistar a clientela. Ela é capaz de agregar muito valor ao imóvel ainda na fase de 
projeto, pois retrata a realidade de forma muito próxima, além de auxiliar em campanhas publicitárias 
e na compatibilização dos melhores materiais de revestimentos e fachadas.
A maquete é composta de ilustrações que derivam do projeto executivo e é fiel aos detalhes. Os 
materiais são representados de acordo com especificações técnicas com humanização completa do 
ambiente, isto é, contendo pessoas, carros, vegetação, paisagismo etc.
7.5 Aparelhos para coleta de dados
O avanço dos projetos envolve também boas experiências utilizadas na execução das obras, de modo 
que se tenha uma equivalência entre os dados na obra com os que foram projetados, podendo, assim, 
ocorrer um controle eficaz do tempo e dos recursos financeiros, de materiais e de mão de obra, buscando 
sempre a melhoria na qualidade.
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Desde os primórdios da engenharia, utiliza‑se o papel, a caneta e outros equipamentos como principais 
ferramentas de controle, de apropriação de dados e anotações. Contudo, atualmente, podemos contar 
com aparelhos de coleta e armazenamento de informações que foram desenvolvidos para a aplicação 
em sistemas que busquem sempre o melhoramento, a redução de custo, o cumprimento de prazos e a 
conformidade das normas técnicas.
São exemplos desses aparelhos os Assistentes Pessoais Digitais (PDA–Personal Digital Assistant), 
como o palmtop (sem teclado físico embutido) e o handheld (com teclado físico embutido) para coleta 
e leitura de dados. Esses dispositivos possuem sistemas que geram informações digitais a fim de facilitar 
o histórico da obra.
Figura 27 – Palmtop
Essas ferramentas garantem maior agilidade no controle e envio de informações inspecionadas 
via coleta de dados pelos palmtops, substituindo relatórios manuais feitos de papel, de modo 
econômico e sustentável.
Com isso, houve um ganho na geração de folhas tarefas, medições de serviços prestados, integração 
direta para a compatibilização de informações das diferentes áreas envolvidas no projeto, geração de 
relatórios técnicos e gerenciais, índices de produtividades, incluindo, também, um melhor desempenho 
e garantia no atendimento aos requisitos normativos e da qualidade.
Os dados coletados por esses aparelhos têm ligação direta com software de controle e gerenciamento 
de obras, podendo ser feita uma programação direta com o controle de estoque de material para manter 
tudo em andamento. Isso faz com que a gerência e a coordenação da obra mantenham o planejamento 
em constante alimentação de informações, mantendo‑o atualizado.
Os aparelhos PDA’s mais modernos são dotados da tecnologia wireless e de leitor de código de 
barras. A inclusão deles agilizou a coleta e o processamento de informações, pois antes do wireless os 
PDA’s precisavam ser descarregados via cabos telefônicos, agora a informação é transmitida em tempo 
real. O código de barras aumentou a confiabilidade nas operações, pois a leitura evita o erro na hora da 
digitação de códigos muito extensos e complexos, minimizando equívocos. Dessa forma, as tecnologias 
em um só aparelho tornam mais eficazes o controle e o acompanhamento gerencial do projeto.
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A área da construção civil industrial voltada para a indústria do petróleo é a que mais utiliza essa 
tecnologia de controle de obra, embora já esteja sendo utilizada, em menor escala, em todas as esferas 
da construção civil, agregando valor e garantia de qualidade aos seus empreendimentos, desde a sua 
fase de projeto até a sua futura utilização.
Alguns equipamentos por mais simples e rudimentares ainda são muito utilizados na construção 
civil, por exemplo, o metro ou a trena (medidas) e o nível de borracha ou de bolhas que é utilizado para 
nivelar diversos elementos na obra.
Esses equipamentos, utilizados de forma criteriosa podem ser confiáveis em suas medições, mas 
aplicados sem o devido rigor são capazes de gerar erros grosseiros e prejudicar a condução da obra.
Para minimizar os erros e aumentar a precisão das medições nas obras, têm‑se hoje em dia as 
trenas e níveis eletrônicos que são aparelhos de fácil utilização, que têm em comum o uso do laser. 
Eles melhoram o desempenho na sua utilização em comparação com os seus antecessores, fornecendo 
dados com maior rapidez e precisão.
Apesar de esses equipamentos fornecerem dados precisos, deve‑se utilizá‑los com os mesmos 
cuidados dos equipamentos tradicionais, a fim de que se evitem erros grosseiros na condução do 
trabalho. Outro cuidado que merece atenção é o nível de carga da bateria para que não se tenham 
imprecisões de leitura.
7.6 Acompanhamento de obras com mídias eletrônicas
Com o advento da tecnologia de informação, hoje somos capazes de obter as informações que 
desejamos em tempo real. Elas são passadas por correios eletrônicos através de fotos, vídeos, relatórios, 
plantas etc. Quando essas ferramentas foram aplicadas à área da construção civil, ocorreu um 
estreitamento entre canteiros de obras e escritórios.
Os engenheiros e os mestres de obras, através delas, se comunicam facilmente com arquitetos e 
calculistas, solucionando problemas que passam pela fase de compatibilização sem que se faça necessário 
estar presente na obra. Atualmente, através de celulares e computadores de mão, ganha‑se tempo e 
rapidez nas soluções dos problemas.
No que diz respeito ao acompanhamento da execução de projetos e captura de imagens, a maior 
novidade no mercado é o uso de Vant (Veículos Aéreos Não Tripulados) ou drones. São aparelhos que 
surgiram para fins militares e que estão se popularizando em vários setores.
Na construção civil, ele foi utilizado, inicialmente, na Europa e Estados Unidos e, no Brasil, ele 
está presente desde o ano de 2014, em obras no sul do país. São aparelhos silenciosos e capazes 
de trafegar em canteiros de obras de grandes dimensões com segurança, capturando imagens de 
posições que não seríamos capazes de visualizar. É composto de um sistema integrado de controle 
remoto, aeronave e computador.
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Essas imagens podem gerar relatórios estratégicos que serão úteis para acompanhar e controlar o 
andamento da obra e a partir de suas informações fazer algum tipo de compatibilização necessária.
Tais equipamentos reduzem o índice de acidentes de trabalho, pois acessam a locais que seriam 
perigosos para um funcionário da obra. São dotados de tecnologia GPS e podem elaborar imagens em 
3D, sendo controlados remotamente, possuem uma tela que permite visãoem tempo real das imagens 
geradas no aparelho.
As imagens capturadas poderão ser tratadas, editadas e, posteriormente, selecionadas para a 
elaboração de um banco de dados de imagens e vídeos. O cliente também pode optar pela transmissão 
on‑line das figuras.
Esse material será um grande aliado como complemento na divulgação do empreendimento e, 
assim, o drone poderá desempenhar um papel de grande utilidade nos canteiros de obras, já que 
com múltiplas finalidades trará benefícios para quem executa e também para quem está projetando 
o empreendimento.
Para as empresas utilizarem esse tipo de equipamento, esses aparelhos deverão ter a autorização 
do Decea (Departamento de Controle de Espaço Aéreo) e da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), 
para que se zele pela segurança da aviação e de toda a população que se encontra no entorno do 
canteiro de obras.
8 GESTÃO DA QUALIDADE E DA SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA OBRA
8.1 Gestão da qualidade
8.1.1 Qualidade
A qualidade constitui um conceito importante na atividade empresarial, despertando um grande 
interesse na indústria da construção civil. Apesar de sua ampla divulgação por parte das construtoras, 
são poucos os profissionais que realmente compreendem o seu significado em sua plenitude, abrangendo 
todas as suas dimensões.
Segundo Picchi (1993), o conceito de qualidade é dinâmico e varia com o tempo, possui 
diferentes interpretações conforme o interesse das pessoas ou as instituições que o empregam. 
As várias definições existentes para a qualidade foram descritas por Garvin (1984) de acordo com 
cinco abordagens:
• Abordagem transcendental: a qualidade é sinônimo de excelência, é a melhor especificação 
possível para as características de um produto ou serviço.
• Abordagem baseada em manufatura: a qualidade é sinônimo de conformidade, produtos que 
correspondam precisamente às especificações de projeto.
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• Abordagem baseada no usuário: é incorporada na definição de qualidade, além da preocupação 
com as especificações de projeto, a preocupação com a adequação às especificações do consumidor.
• Abordagem baseada no produto: a qualidade é definida como um conjunto preciso e mensurável 
de características requeridas para satisfazer os interesses do consumidor.
• Abordagem baseada no valor: a qualidade é definida em termos de custo e preço, defendendo a 
ideia de que a qualidade é percebida em relação ao preço.
Em uma visão geral, a qualidade consiste no produto estar em conformidade com as expectativas 
dos consumidores, e esse conceito é plenamente aplicável para a construção civil, no que diz respeito 
aos clientes internos e externos.
Segundo Fabrício (2004), cada interpretação dada para a qualidade reflete uma preocupação mais 
ou menos parcial frente a um dado problema. No caso da construção civil, portanto, o ideal é que os 
processos de projeto e de execução contemplem todas as interpretações e aspirações da qualidade.
Ao se tratar a qualidade no setor da construção civil, é necessário pensar na qualidade da concepção 
do empreendimento (projetos), na qualidade de sua execução e na qualidade de sua ocupação.
Segundo Fabrício (2002), essas etapas do ciclo de vida dos empreendimentos têm as seguintes dimensões:
• Qualidade de sua concepção: na fase de concepção deve ser realizada uma pesquisa de mercado, 
levantando as suas necessidades, estudando as alternativas e equacionando a viabilidade comercial 
e financeira. Também devem ser consideradas, nessa etapa, as exigências de desempenho quanto 
a segurança, habitabilidade, sustentabilidade, custos de execução e manutenção, não deixando 
de lado a qualidade da apresentação e dos serviços associados aos projetos, como custos, prazos, 
comunicação, coordenação e compatibilização e acompanhamento.
• Qualidade de sua execução: a qualidade na execução se inicia pela análise crítica de projeto, na 
aquisição, inspeção e controle de materiais utilizados. Segue pela conformidade na realização 
dos serviços, controle de produtos não conformes e controle de produtos e serviços fornecidos 
por terceiros.
• Qualidade de ocupação e manutenção: a qualidade de ocupação está relacionada à satisfação do 
cliente no que diz respeito ao produto por inteiro.
Essas vertentes devem ser compreendidas dentro de um ciclo dinâmico que tem início com uma 
definição de estratégia competitiva por parte da empresa e uma pesquisa de mercado, na qual o 
empreendedor avalia a demanda e o potencial da região definindo, assim, o tipo de empreendimento a 
ser desenvolvido.
Definido o produto, inicia‑se a próxima etapa que diz respeito à viabilidade de se implementar o 
empreendimento desejado. Essa viabilidade apresenta‑se em três bases distintas: a técnica, a jurídica e a 
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financeira. Uma vez viável e o terreno adquirido, finaliza‑se a etapa de concepção do empreendimento 
considerando‑se, inclusive, as alternativas e possibilidades de projeto. Inicia‑se, então, a fase de 
desenvolvimento dos projetos.
Posterior à fase desenvolvimento de projeto, vem a da incorporação, seguida da etapa de venda 
das unidades. A fase de desenvolvimento de projetos tem fim com o início da fase de incorporação, no 
entanto ela pode seguir durante todo o ciclo, pois é possível ocorrer várias revisões e detalhamentos no 
projeto executivo ao longo do processo.
Seguindo o ciclo, chega‑se à fase da construção propriamente dita e, em seguida, à entrega 
da unidade e à etapa de pós‑ocupação, sendo feita a manutenção e as avaliações que fornecerão 
informações para a empresa, visando alimentar o sistema com novos dados para o estudo e o projeto 
de um próximo empreendimento.
8.1.2 Gestão e garantia de qualidade
A forma de abordagem de gestão da qualidade passou por uma evolução histórica alterando‑se de 
acordo com contexto em que se encontrava.
Muitos nomes se destacam no estudo da Qualidade, porém alguns deles desenvolveram verdadeiras 
filosofias de trabalho e não apenas ferramentas para se obter qualidade. Nesse quadro podemos citar 
diversos autores, dentre os quais: Juran, Gryna, Toledo e Picchi. É possível identificar etapas distintas 
dessa evolução, conforme mostra o esquema a seguir:
Supervisão
Inspeção
Controle 
estatístico
Gestão de 
qualidade
Garantia de 
qualidade CWQC
T. Q. M.
Enfoque 
ocidental
Enfoque 
oriental
1920
1940
1960
1980
Figura 28 – Esquema de evolução da gestão da qualidade
Na primeira etapa, qualidade estava centrada no supervisor, os trabalhadores perdem sua autonomia 
e são reunidos num mesmo local para produzirem, sob comando de um capitalista, que organiza a 
produção, assume a definição do padrão de qualidade e a comercialização. O supervisor é responsável 
pela produção e pelo controle da qualidade.
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Na segunda etapa, existe a figura do inspetor da qualidade devido à crescente divisão do trabalho. 
Nesse estágio, há a separação entre o planejamento e a execução. Fica estabelecida a regra de que a 
qualidade é responsabilidade do departamento de controle de qualidade. Os produtos defeituosos não 
chegavam ao cliente final, porém, não deixavam de ser produzidos.
No terceiro estágio, se desenvolve o controle estatístico, com métodos voltados para as 
técnicas de amostragem, o que possibilita uma inspeção mais eficiente, eliminando a amostragem 
100%, contudo, é mantido o enfoque corretivo, não influindo no enorme número de produtos 
defeituosos sucateados.
Já no quarto estágio, a qualidade, até então, focada exclusivamente à conformidade às especificações, 
no âmbito das indústrias, passa a ser mais ampla, abrangendo do projeto à utilização do produto. Além 
disso, se até essa fase o enfoque foi corretivo, isto é, apenasindicando os produtos desconformes, ele 
passa, agora, a ter forte conotação preventiva. Esse comportamento é denominado o Controle Total da 
Qualidade (Total Quality Control – TQC).
A partir desse estágio, o TQC segue em duas linhas distintas: enfoque ocidental e enfoque japonês 
(CWQC). Enquanto o enfoque ocidental está voltado, principalmente, a sistemas, especialistas da 
qualidade, demonstração da qualidade e aspectos técnicos dos sistemas da qualidade; o enfoque japonês 
dá maior atenção aos aspectos gerenciais e motivacionais, com a participação de todos os funcionários 
na busca pela melhoria contínua da qualidade (PICCHI, 1993).
A abordagem da gestão da qualidade foca em garantir a qualidade do produto e racionalizar a 
produção. Várias empresas ocidentais, na década de 1970 e principalmente na década de 1980, buscaram 
se aproximar do enfoque japonês, adaptando seus conceitos, métodos e técnicas ao gerenciamento da 
qualidade (FABRICIO, 2004).
 Saiba mais
Mais detalhes sobre os processos de gestão da qualidade podem ser 
obtidos no livro:
PALADINI, E. P. Gestão estratégica da qualidade: princípios, métodos e 
processos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
8.1.3 Sistemas de gestão da qualidade na construção civil
Em 2000, foi lançado, no Brasil, pelo Governo Federal, o Siac (Sistema de Avaliação da Conformidade 
de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil), como parte do Programa Brasileiro da Qualidade e 
Produtividade no Habitat (PBQP‑H). Ele utiliza elementos e princípios da norma de qualidade ISO 9001, 
adaptados para o setor da Construção Civil, para atender às suas peculiaridades e objetivos.
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A utilização de um sistema de gestão e a garantia da qualidade na construção civil ainda não 
foram incorporadas, totalmente, à cultura dos empreendedores desse setor. Muito estudos apontam 
como fatores de motivação para a implementação do sistema de gestão da garantia em empresas 
construtoras, em primeiro lugar, as exigências de órgãos públicos de financiamento ou de instituições 
públicas contratantes das obras prioritariamente, e também a melhoria do sistema gerencial e aumento 
da competitividade.
Em 1987, foi lançada a norma ISO 9000, por um comitê técnico da Organização Internacional de 
Normalização (International Organization for Standardization) com o objetivo de elaborar normas 
voltadas aos sistemas da qualidade, padronizando conceitos e modelos para a garantia da qualidade 
e fornecendo diretrizes para a implantação da Gestão da Qualidade nas organizações. Essa norma foi 
um instrumento para regular as relações contratuais entre fornecedores e clientes quanto à garantia da 
qualidade e, desde a sua edição, vem disseminando‑se, tanto geograficamente, como pelos mais diversos 
setores da economia, impondo‑se como uma ferramenta básica para a competitividade industrial.
A aplicação dessa norma disseminou‑se na indústria, em que se utilizava a produção seriada, mas 
não em outros setores industriais.
Por se tratar de uma norma sistêmica, voltada ao estabelecimento de um sistema de gestão e 
garantia da qualidade, consiste em dominar a tecnologia necessária para a execução do serviço ou 
produto, descrever o que se faz através de procedimentos, fazer o que se descreve, e registrar ou provar, 
através de documentação e registros, os procedimentos e os resultados.
Sendo assim, essas normas proporcionam à organização o conhecimento, o controle e a avaliação 
dos resultados do processo de produção, contudo, não atuam na melhoria contínua do processo.
Diante da constatação de que as características marcantes desse sistema de gestão são o forte 
controle, a inspeção do processo e a exigência da documentação dessas ações, não se encontram 
evidências quanto à melhoria contínua dos processos e quanto à qualidade do sistema de gestão, a 
Organização Internacional de Normalização realizou uma nova revisão na norma, sendo denominada 
ISO 9001, versão 2000 (ISO 9001:2000).
A nova revisão direcionou seu foco para uma estrutura comum de sistema de gestão baseado no 
processo, ligado ao método de melhoria contínua identificada pela sigla PDCA que significa Plan, Do, 
Check e Act (Planejar, Executar, Verificar e Agir).
Entre os avanços advindos dessa nova versão, estão o maior enfoque na melhoria contínua, a 
abordagem por processos e a abordagem sistêmica. Dentre as principais mudanças, um item foi 
criado e refere‑se à medição e ao monitoramento de clientes, produtos, processos e do próprio 
sistema de qualidade.
A partir da revisão da norma, em 2000, passou‑se considerar a medição de desempenho como parte 
integrante do sistema de gestão da qualidade e, a partir do monitoramento de processos, produtos e 
serviços e da satisfação dos consumidores é que se pode buscar a melhoria contínua do sistema. Assim, o 
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sistema de gestão da qualidade proposto pela ISO 9001:2000 busca melhorar continuamente a eficácia 
da gestão da qualidade das organizações através da tomada de ações corretivas e preventivas sobre os 
aspectos considerados relevantes e obtidos a partir da análise de dados gerados durante as medições e 
monitoramento dos processos, nas auditorias de sistema, nas reuniões de análise crítica e na análise do 
grau de satisfação dos clientes.
A melhoria contínua pode ser definida como um processo de evolução contínua, que envolvendo 
toda a organização, traz uma contribuição significativa para o desempenho da empresa. A ISO 9001:2000 
baseou‑se no modelo de processos, a partir de oito princípios de gestão da qualidade:
1 – Foco no cliente: atender as necessidades atuais e futuras do cliente, a seus requisitos e procurar 
exceder suas expectativas.
2 – Liderança: estabelece a unidade de propósitos e é necessária para manter as pessoas envolvidas 
no propósito de atingir os objetivos da organização.
3 – Envolvimento das pessoas: o comprometimento das pessoas envolvidas é a essência da organização, 
e o envolvimento total de todos os seus membros é primordial para o sucesso da empresa.
4 – Abordagem de processo: o resultado é alcançado mais eficientemente quando atividades e 
recursos são gerenciados como um processo.
5 – Abordagem sistêmica: identificar, compreender e gerenciar os processos inter‑relacionados, 
como sistema para eficiência e eficácia, a fim de atingir os objetivos da organização.
6 – Melhoria contínua: a melhoria contínua do desempenho global da organização deve ser um 
objetivo permanente.
7 – Abordagem baseada em fatos: decisões eficazes são baseadas em dados e informações.
8 – Benefícios mútuos com fornecedores: a organização e os fornecedores são interdependentes, 
e uma relação de benefícios mútuos aumenta a capacidade de ambos em agregar valor.
Uma representação esquemática da estrutura conceitual da ISO 9001, mostrada na figura a seguir 
indica que a norma está estruturada sobre quatro grandes conjuntos de requisitos.
Responsabilidade 
de administração
Realização 
do produto
Gestão de 
recursos
Medição, análise 
e melhoria
Figura 29 – Estrutura organizacional da Norma ISO 9001
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No esquema, a partir da Responsabilidade de administração são definidos os objetivos do sistema de 
gestão da qualidade, os indicadores de desempenho do sistema e é direcionada a política da qualidade 
da organização, bem como a sua forma de implementação e manutenção.
No que se refere à Gestão de recursos, temos o planejamento e a alocação de recursos para tornar 
viável a implementação e a operação do sistema de gestão da qualidade. Nesse conjunto de requisitos, 
a qualificação e o treinamento dos agentes envolvidos com o sistema ganham especial importância.
O conjunto de requisitos na Realização do produto é o coração do sistema.Aqui, são definidas as 
condições básicas associadas à captação das necessidades e dos quesitos dos clientes, ao planejamento 
do processo de projeto do produto, bem como ao desenvolvimento do produto e a sua execução. 
Incluem‑se aspectos essenciais de um sistema de gestão da qualidade, como análise de entradas e 
saídas de projeto; execução; análise crítica e validação dos projetos; aquisição de materiais; controle dos 
processos; e implementação de ações preventivas e corretivas.
No grupo de requisitos que define ações para medição dos resultados do sistema, a análise e a melhoria 
que compõem as ações permitem a implementação de uma estrutura de melhoria contínua na empresa. 
Essas práticas dependerão, eventualmente, de definições estratégicas por parte da direção da empresa.
Da mesma forma, os resultados dos processos produtivos devem ser confrontados com as expectativas 
previamente definidas pelos clientes.
O PBQP‑H é um programa da Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, ligada à Secretaria de 
Política Urbana. Seus objetivos específicos são os seguintes:
• Estimular o inter‑relacionamento entre os agentes do setor.
• Coletar e disponibilizar informações do setor e do PBQP‑H.
• Fomentar a garantia da qualidade de materiais, componentes e sistemas construtivos.
• Incentivar o desenvolvimento e a implementação de instrumentos e mecanismos de garantia da 
qualidade de projetos e obras.
• Estruturar e animar a criação de programas específicos, visando a formação e a requalificação de 
mão de obra em todos os níveis.
• Promover o aperfeiçoamento da estrutura de elaboração e difusão de normas técnicas, códigos de 
práticas e códigos de edificações.
• Combater a não conformidade internacional de materiais, componentes e sistemas construtivos.
• Apoiar a introdução de inovações tecnológicas.
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• Promover a melhoria da qualidade de gestão nas diversas formas de projetos e obras habitacionais.
• Promover a articulação internacional com ênfase no Cone Sul.
Dentro desse programa, foi criado, em 1999, o Sistema de Qualificação de Serviços e Obras 
Construtoras (SIQ‑Construtoras) com o objetivo de proporcionar uma qualificação adequada e evolutiva 
às características das empresas construtoras cujos princípios são:
• Adequação dos seus requisitos ao referencial da série de normas NBR ISO 9000.
• Caráter evolutivo dos seus requisitos através dos níveis progressivos de qualificação, segundo os 
quais sistemas de gestão da qualidade das empresas são avaliados e classificados.
• Caráter proativo, visando a criação de um ambiente de suporte que oriente o melhor possível as 
empresas, no sentido que essas obtenham o nível de qualificação almejado.
• Caráter nacional, sendo o sistema único e aplicável a quaisquer contratantes e tipos de obras em 
todo o Brasil, através do estabelecimento de requisitos específicos aos quais os sistemas de gestão 
da qualidade devem atender.
• Flexibilidade, o que possibilita sua adequação em empresas de diferentes regiões, tecnologias e 
tipos de obra.
• Sigilo quanto às informações de caráter confidencial da empresa.
• Transparência quanto aos critérios e decisões tomadas.
• Independência dos envolvidos nas decisões.
• Caráter público, não tendo o SIQ‑Construtoras fins lucrativos, a relação de empresas qualificadas 
pode ser consultada por qualquer pessoa ou instituição interessada.
• Harmonia com o Sistema Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial 
(Sinmetro), toda a qualificação atribuída ao SIQ‑Construtoras deve ser executada por organismo 
de certificação credenciado (OCC) pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e 
Qualidade Industrial (Inmetro).
Em 2005, o SIQ‑Construtoras sofreu algumas alterações, porém permaneceu com os mesmos 
objetivos e passou a ser denominado Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e 
Obras da Construção Civil (Siac).
Quanto à especialidade técnica referente à execução de obras, o sistema indica os seguintes os 
subsetores passíveis de certificação pelo Siac:
• Obras de edificações.
• Obras de saneamento básico.
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• Obras viárias e obras de arte especiais.
• Outros subsetores, definidos pela Comissão Nacional (instância do Siac de caráter neutro, 
constituída por representantes de contratantes, fornecedores e entidades de apoio técnico ao 
Siac, que tem como objetivos principais zelar pelo funcionamento do Sistema de Avaliação da 
Conformidade e fazê‑lo progredir).
O sistema é constituído de alguns requisitos divididos pelo próprio dispositivo normativo em cinco seções:
• Sistema de gestão da qualidade.
• Responsabilidade da direção da empresa.
• Gestão de recursos.
• Execução da obra.
• Medição, análise e melhoria.
A execução da obra, segundo a própria norma, é a sequência de processos requeridos para a obtenção 
parcial ou total do produto almejado pelo cliente. A seção que discorre sobre a execução da obra é 
composta de seis requisitos:
• Planejamento da obra: nessa etapa é citado o Plano da Qualidade da Obra, que consiste num 
documento que deve conter a estrutura organizacional da obra; a relação de materiais e serviços 
de execução controlados e os respectivos procedimentos de execução e inspeção; o projeto de 
canteiro; a identificação das especificidades da execução da obra e a determinação das respectivas 
formas de controle; e a definição dos destinos adequados dados aos resíduos sólidos e líquidos 
produzidos nela. Esses documentos podem ser complementados por outros que forem necessários, 
de acordo com o tipo de obra realizada.
• Processos relacionados ao cliente: identificação de requisitos relacionados à obra especificados 
pelo cliente, e mesmo os não especificados, mas necessários para o uso além dos quesitos 
regulamentares e legais. A empresa construtora deve determinar e implementar meios de 
comunicação com os clientes relacionados ao tratamento de propostas e contratos, inclusive 
emendas e informações sobre a obra.
• Projeto: a norma visa garantir um projeto adequado às exigências do cliente e que seja efetivamente 
executado sem apresentar deficiências. Visando atender esses objetivos, é requerido pela norma 
um planejamento da elaboração do projeto, um controle de entradas e saídas do projeto, uma 
análise crítica, uma verificação e um controle de alteração de projeto.
• Aquisição: a norma, nesse item, tem o objetivo de assegurar a qualidade dos materiais e serviços 
adquiridos pela construtora. Abrange a compra dos materiais controlados, a contratação de 
serviços especializados de engenharia e a locação de equipamentos que a empresa considera 
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necessários para o atendimento das exigências dos clientes. O controle é feito a partir de um 
processo de avaliação dos fornecedores, um processo de informação para a aquisição, um processo 
de verificação dos materiais adquiridos.
• Operações de produção e fornecimento de serviços: no requisito de operações de produção e 
fornecimento de serviços, a norma indica que a empresa deve ter o controle de operações e dos 
serviços de execução, como: a validação dos processos; a identificação e a rastreabilidade; o 
cuidado com a propriedade do cliente; e o cuidado com a preservação do produto (manuseio, 
estocagem e condicionamento). No controle dos serviços é exigida uma definição do 
procedimento e documentação do processo, assegurando o seu controle e inspeção de forma a 
aprová‑lo ou não.
• Controle de dispositivos de medição e monitoramento: nesse item a norma indica que a empresa 
construtora deve determinar as medições e os monitoramentos a serem realizados e os dispositivos 
de medição e monitoramento necessários para evidenciara conformidade do produto com os 
requisitos determinados. A sociedade construtora deve estabelecer processos para assegurar 
que a medição e o monitoramento possam ser realizados de uma maneira coerente com seus 
requisitos e, quando for necessário, garantir resultados válidos, utilizando dispositivos de medição 
calibrados, ajustados, identificados e bem conservados. Adicionalmente, a instituição construtora 
deve avaliar e registrar a validade dos resultados de medições anteriores quando constatar que o 
mecânismo não está conforme os requisitos.
8.2 Gestão da sustentabilidade ambiental
As obras da construção civil geram, através dos seus processos e materiais, impactos em diversos 
elementos e em vários níveis da natureza, desde interferências no solo, ar, água, fauna, flora até a 
influencia nas adjacências do terreno.
Além disso, existe a questão da destinação dos resíduos que, quando gerenciados da forma incorreta, 
acabam sendo descartados em locais inapropriados.
Figura 30 – Entulho descartado irregularmente
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Considerando todas essas variáveis, é possível lançar mão de algumas medidas para o controle ou 
até a diminuição dos impactos, como a organização do canteiro de obras que proporciona, entre outros 
benefícios, a racionalização do consumo de recursos e a reciclagem dos resíduos.
Existem diferentes ações que podem ser adotadas para tornar o trabalho no canteiro ambientalmente 
mais correto, como proteger o solo de erosões, devido à remoção da vegetação, e de contaminação, por 
motivo de vazamentos de fluidos utilizados na obra.
Podem ser tomadas inúmeras atitudes voltadas para sustentabilidade de um projeto, desde a sua 
concepção até a sua entrega, porém muitas empresas não têm dado a devida atenção aos impactos 
causados pelo canteiro no local da obra e no consumo de recursos, principalmente, água e energia.
8.2.1 Condições para um projeto sustentável
A primeira atitude para a sustentabilidade na construção é o compromisso das empresas da cadeia 
produtiva de criarem as condições para o desenvolvimento de projetos sustentáveis.
As três condições fundamentais são:
Qualidade
A qualidade garante que os níveis de excelência sejam atingidos, mantidos e disseminados nos 
processos das empresas. A gestão da qualidade, especialmente, a busca por uma melhoria contínua, é 
um pré‑requisito para a sustentabilidade, porque estimula o aperfeiçoamento constante dos processos 
empresariais, que estão diretamente ligados ao consumo de recursos naturais, produtividade, 
desperdício, durabilidade, entre outros.
Formalidade
É primordial selecionar tanto para materiais e serviços, quanto para a equipe da mão de obra, 
fornecedores formais, pois se faz necessário garantir a legalidade de toda a empresa e de todos os 
seus processos. Essa atitude, além de garantir a legitimidade da instituição e a seleção de fornecedores 
formais, estimula o aumento da profissionalização na cadeia produtiva o que tende a eliminar 
sociedades com baixa produtividade, que só se mantêm no mercado por economias advindas de 
atividades ilícitas.
Criatividade
Devem ser utilizadas, sempre que possível, novas tecnologias, quando isso não for possível, precisa‑se 
buscar soluções criativas. É importante que as empresas tenham relações estreitas com agentes 
promotores de inovação na cadeia produtiva, tanto na oferta de novos materiais e equipamentos, quanto 
na capacitação da mão de obra. Uma das bases para a sustentabilidade na construção civil é alinhar 
ganhos ambientais e sociais com os econômicos, daí a necessidade e a importância das inovações.
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8.2.2 Política urbana sustentável
À medida que a população mundial se torna mais urbana e que os governos nacionais transferem 
algumas responsabilidades para as cidades, as autoridades municipais estão tornando‑se cada vez 
mais importantes.
Alguns anos atrás, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou uma campanha que tinha como 
objetivo um consenso com sete princípios da boa governança urbana:
• Sustentabilidade: equilibrar as necessidades sociais, econômicas e ambientais de gerações atuais 
e futuras, elaborando um plano de ação local para o meio ambiente e o desenvolvimento.
• Descentralização: descentralizar responsabilidades e transferir recursos ao nível inferior mais adequado.
• Igualdade: assegurar que todos os cidadãos tenham acesso às tomadas de decisões.
• Eficiência: administrar a receita municipal de forma racional e dentro das limitações.
• Responsabilidade: obrigar as autoridades locais a prestar contas aos cidadãos, expondo as 
informações governamentais.
• Participação: incentivar o envolvimento cívico e a cidadania, por exemplo, fazendo uso de 
audiências públicas e pesquisas.
• Segurança: manter seguros os locais públicos, por exemplo, envolvendo os cidadãos na prevenção 
de crimes e conflitos. Desenvolver a prontidão em casos de desastres, promover a conscientização 
da população a fim de incentivar a tolerância às diferenças.
No Brasil, a responsabilidade sobre a política de desenvolvimento urbano foi transferida da 
esfera federal para os municípios. Eles devem aprovar em lei suas diretrizes de desenvolvimento. 
O plano diretor é uma lei que estabelece um pacto entre o Governo Municipal e a população, 
garantindo a continuidade das ações propostas mesmo que ocorra mudança no comando da 
administração municipal.
Um mesmo município pode possuir zonas climáticas distintas e, portanto deve utilizar estratégias 
diferenciadas na implantação da edificação, para permitir o aproveitamento das potencialidades 
microclimáticas e o bom desempenho energético.
A pesquisa sobre o microclima local começa com o levantamento sobre a intensidade de ventos, a 
umidade, a temperatura do ar, e sobre o comportamento dessas variáveis nas diferentes estações ao 
longo do ano. Para cada situação levantada, podem‑se aplicar certas estratégias arquitetônicas.
Algumas características bioclimáticas podem ser consideradas no planejamento urbano para 
que possibilitem uma ventilação permanente, o resfriamento evaporativo, a iluminação natural nas 
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edificações e o sombreamento através da preservação e replantio da vegetação em praças e no entorno 
das edificações. Seguem alguns parâmetros para uma edificação sustentável:
Redução do desperdício
Mudanças de atitude em relação ao tratamento dado às novas construções civis trazem princípios 
de redução de desperdícios que podem ser aplicados antes mesmo do início do canteiro de obras.
A concepção do projeto deve objetivar a maior vida útil do edifício, especificando materiais adequados 
e minimizando desperdícios de insumos advindos da obra, que, muitas vezes, ocorrem por deficiências 
do projeto. O método construtivo adequado também deve contribuir para a redução do desperdício, 
inclusive no que diz respeito à diminuição do consumo de energia (que foi gasta na produção de insumos 
e materiais), contribuindo para uma construção civil mais sustentável.
Conservação e restauração de edifícios antigos
A demolição de edifícios já existentes devido a sua obsolescência ou ao comprometimento de sua 
estrutura deve ser evitada caso haja a possibilidade de ele ainda permanecer ocupado. A melhor maneira 
de reduzir desperdícios advindos de uma demolição é exatamente evitar que ela ocorra, ao perpetuar o 
uso do edifício. A manutenção predial prolonga sua vida útil, proporciona a conservação e a boa aparência 
da construção, mantém as condições de segurança estrutural, das instalações e da obra como um todo.
Um imóvel que se encontra desocupado ou abandonado devido a sua não adequação espacial ao uso 
anterior pode ser reocupado, recebendo uma nova destinação funcional. Ainda quesejam necessárias 
revisões no desenho do seu interior ou pequenas reformas, seus custos serão sempre inferiores aos de 
sua derrubada para a construção de um novo edifício.
Reciclagem
A reciclagem de resíduos da construção civil é um tema muito amplo e relaciona‑se diretamente à 
redução do uso de recursos naturais e à permanência da matéria‑prima no processo de produção.
Segundo a Resolução Conama nº 307/2002, resíduos da construção civil são aqueles provenientes de 
construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil e os resultantes da preparação 
e escavação de terrenos, tais como tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solo, rocha, madeira, 
forro, argamassa, gesso, telha, pavimento de asfalto, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, entre 
outros, comumente denominados de entulho de obra (BRASIL, 2002).
Uma proposta de gestão sustentável de resíduos sólidos urbanos precisa priorizar sempre a redução 
da geração de resíduos na fonte, contudo quando existir tal produção, deve‑se buscar a reutilização ou 
a reciclagem.
Apenas no caso de não existir possibilidade de reciclá‑los é que os resíduos devem ser aterrados ou 
incinerados (com recuperação de energia). Um processo de reciclagem de qualidade requer qualidade no 
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próprio resíduo, o que significa segregar os resíduos na fonte geradora, ou seja, nos próprios canteiros 
de obra. Para que o ciclo da reciclagem se estabeleça, é fundamental que o construtor tenha consciência 
da importância do seu papel. Primeiramente, é necessária a adoção de uma postura racional, que facilite 
a evolução das técnicas construtivas e da gestão de recursos humanos, viabilizando, assim, a redução de 
diferentes formas de desperdício.
A separação dos resíduos nos canteiros de obra permite assegurar uma maior qualidade dos resíduos 
e reduzir os custos de beneficiamento, fortalecendo o processo de produção de materiais reciclados.
A viabilização de uma coleta seletiva envolve o desenvolvimento de um plano de gerenciamento 
de resíduos em cada obra, incluindo a conscientização da mão de obra e a introdução de rotinas de 
segregação, de armazenamento dos resíduos e a organização dos seus destinos.
A reciclagem de resíduos industriais, ou coprocessamento, é o segundo método mais utilizado na 
destinação final de resíduos industriais no Brasil, atrás apenas do aterro industrial.
Coprocessar significa substituir combustível ou matéria‑prima por resíduos industriais na produção 
do clínquer, precursor do cimento, ou seja, é a destruição térmica dos resíduos, perigosos ou não.
Duas grandes empresas brasileiras do setor de cimento possuem segmento especial para lidar com o 
coprocessamento. Os tipos de resíduos que podem ser coprocessados são, em sua maioria, oriundos das 
indústrias petroquímica, automobilística, alimentícia e da mineração.
Dentre os obstáculos que dificultam as práticas de reciclagem, o maior deles a ser vencido talvez 
seja a falta de uma cultura da reciclagem. Para torná‑la viável, todos os envolvidos devem cumprir 
suas funções: os clientes têm de avaliar a real necessidade de construir, diante da possibilidade de 
adequar um edifício existente às suas necessidades; empresas construtoras precisam buscar reduzir as 
suas perdas e a geração de resíduos, por meio da adoção de métodos construtivos mais racionais; e o 
governo local necessita fiscalizar geradores e transportadores, visando coibir os descartes irregulares 
dos resíduos em áreas públicas ou privadas que não tenham licença ambiental, e estimular o uso de 
materiais reciclados nas obras públicas.
 Saiba mais
Maiores detalhes sobre resíduos da construção civil podem ser obtidos 
lendo a:
BRASIL. Resolução Conama Nº 264/1999. Licenciamento de fornos 
rotativos de produção de clínquer para atividades de co‑processamento 
de resíduos. Brasília, 1999. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/
conama/legiabre.cfm?codlegi=262>. Acesso em: 21 fev. 2018.
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8.2.3 Reutilização de materiais na construção civil
O entulho da construção civil produz uma grande quantidade diária de resíduos, formada por 
argamassas, areia, cerâmicas, concretos, madeiras, metais, papéis, plásticos, pedras, tijolos e tintas, isso 
se tornou um sério problema nas grandes cidades brasileiras.
A partir de julho de 2004, as prefeituras ficaram proibidas de receber os resíduos de construção e 
demolição no aterro sanitário. Cada município deverá ter um plano integrado de gerenciamento de 
resíduos da construção civil.
Por muito tempo as políticas públicas priorizaram sua preocupação com o lixo domiciliar e 
com o esgoto, em relação aos resíduos provenientes da construção civil. Pesquisas indicam que 
as características dos resíduos de construção são muito variáveis e as tecnologias existentes 
não conseguem medir as particularidades dos resíduos em tempo real, de forma que mesmo 
agregados reciclados de excelente qualidade são aplicados em funções com menor exigência, o 
que desvaloriza muito o produto.
Assim, é necessário desenvolver um conjunto de tecnologias de caracterização dos resíduos 
que torne possível a identificação rápida e segura das oportunidades de reuso e reciclagem mais 
adequadas para cada lote. O objetivo é ampliar o mercado para os produtos reciclados e valorizar a 
fração de boa qualidade.
Praticamente todas as atividades desenvolvidas no setor da construção civil são grandes geradoras 
de entulho. Durante o processo construtivo, a principal causa da geração de entulho é o alto índice de 
perdas do setor, já nas obras de reformas, a falta de uma cultura de redução, reutilização e reciclagem 
são as principais causas do entulho gerado pelas demolições durante o processo. No Brasil, produz‑se 
850.000 ton/mês de entulho, enquanto isso, no Reino Unido, 53.000 ton/mês, e no Japão, 6.000 ton/
mês (CORREA, 2009).
Com base nessas informações, podemos concluir que em alguns países europeus, no Japão e nos 
EUA, o reaproveitamento de entulho para reciclagem já faz parte do processo construtivo, atestando, de 
forma incontestável, tanto a sua viabilidade econômica quanto técnica.
No Brasil, entretanto, o seu reaproveitamento é restrito praticamente à sua utilização, como material 
para aterro e, em muito menor escala, à conservação de estradas de terra.
8.2.4 Resultados do reaproveitamento
Ambientais
Os mais significativos resultados produzidos pela reciclagem do entulho são os benefícios ambientais. 
A equação da qualidade de vida e da utilização racional e não devastadora dos recursos naturais é mais 
importante que os possíveis ganhos econômicos.
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Os benefícios são conseguidos não só por se diminuir a deposição de resíduos em locais impróprios, 
mas também por minimizar a necessidade de extração de matéria‑prima em jazidas, o que nem sempre 
é adequadamente fiscalizado.
É possível, ainda, reduzir a necessidade de destinação de áreas públicas para a deposição dos resíduos.
Econômicos
Estudos de casos apontam que é vantajoso também economicamente substituir a deposição irregular 
do entulho pela sua reciclagem. O custo para a administração municipal é aproximadamente US$ 10,00/
m3 de entulho depositado clandestinamente, já incluindo a medida corretiva da deposição e as medidas 
para o controle de doenças. Estima‑se que o custo de reciclagem do entulho fique por volta de 25% 
desses custos, ou seja, aproximadamente US$ 2,50/m3.
A produção de agregados a partir do entulho pode gerar economias de mais de 80% em 
relação aos preços dos agregados convencionais. A partir desse material é possível fabricar 
componentes com uma economia de até 70% em comparação a similares com matéria‑prima 
não reciclada.Na grande maioria dos casos, a reciclagem de entulho possibilita o barateamento 
das atividades de construção.
 Observação
Outro fator que aponta uma vantagem para a utilização de agregados 
reciclados é que, por muitas vezes, a areia e a brita não estão disponíveis 
na região da obra e, por isso, tornam‑se ainda mais caras para o projeto.
Sociais
O emprego de material reciclado em programas de habitação popular, por exemplo, traz bons 
resultados, pois os custos de produção da infraestrutura das unidades podem ser reduzidos. Contudo, 
como o princípio econômico que viabiliza a produção de componentes originários do entulho é o 
emprego de intenso maquinário e não o aproveitamento de mão de obra intensiva, nem sempre é 
correto afirmar que a sua reciclagem seja geradora de empregos.
8.2.5 Metodologia de reaproveitamento de materiais
Definitivamente a minimização de resíduos é uma das principais maneiras de se reduzir o impacto 
ambiental. Envolve processos durante todas as fases de uma construção, desde a racionalização do 
processo construtivo, componentes reutilizados ou renováveis, até o fim do seu ciclo de vida.
O desenvolvimento desse processo objetiva ampliar os benefícios ambientais conseguidos com cada 
uma das atitudes descritas a seguir:
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Reduzir
Quando não existe a possibilidade de não se utilizar um produto ou material, ainda existe a 
possibilidade de reduzir o consumo dele. A melhor forma de resolver o problema dos resíduos é evitar o 
seu aparecimento.
Reduzindo sua quantidade, diminui‑se também o lixo gerado por ele, seja pelas embalagens ou pelo 
descarte em si. Na construção civil, é possível, por exemplo, conter a quebra de tijolos, solicitando ao 
fornecedor de blocos cerâmicos o envio de blocos previamente cortados.
Reutilizar
Consiste no aproveitamento de produtos sem que estes sofram quaisquer tipos de alterações ou 
processamentos complexos. Antes de um item ser jogado fora, ele ainda pode ter muitos outros usos 
sem ter que passar por um processo de restauração ou reciclagem. Muitas vezes, é preciso ser criativo, 
inovador, usar um objeto de várias maneiras.
O reuso dos materiais na construção civil é, normalmente, muito simples, pois se trata da execução 
de um desmonte. Para isso, é necessário um programa para organizar a demolição seletiva ou a 
desconstrução, para que os materiais não sejam danificados e que não sejam misturados a ponto de 
não ser viável a sua separação.
Os elementos estruturais, caixilhos, portas, pisos, painéis, entre outros, podem ser reutilizados 
simplesmente retirando‑os e recolocando‑os. Se o material estiver em bom estado, basta removê‑lo 
com cuidado para não danificá‑lo e reinstalá‑lo em seu novo lugar de uso. Os caixilhos de madeira ou 
de PVC são bons exemplos disso, pois é possível retirá‑los por inteiro, junto com o vidro.
Entretanto, o ideal é que o projeto para o qual a peça se destina seja previamente desenhado para 
recebê‑la, sem que haja a necessidade de cortes ou adaptações, ou seja, é preciso que exista uma ideia 
prévia sobre o reuso. No entanto, é recomendado o corte para a adequação da peça ao novo uso quando 
não houver alternativa ou quando parte dela encontra‑se danificada.
No caso de construções que utilizam a madeira e o aço em elementos estruturais, estas já devem ser 
projetadas com previsão para o desmonte. Por exemplo, utilizando peças que se encaixem, ao invés de 
colas, no caso da madeira, soldas no caso do aço ou qualquer outro tipo de junta que possa impossibilitar 
a separação.
Reciclar
A reciclagem consiste na reincidência dos resíduos no processo produtivo, quer esses sejam sólidos, 
líquidos ou gasosos, para que possam ser reelaborados, dentro de um procedimento produtivo que 
envolve consumo de energia, gerando, assim, um novo produto idêntico ou não ao que lhe deu origem. 
Por ser um método que consome energia e até gera outros resíduos, a reciclagem é considerada o último 
recurso para o reaproveitamento de materiais.
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Na construção civil, o aço é muito reciclável, contudo seu processo é feito somente em escala 
industrial, resultando num inevitável consumo de energia e no impacto ao meio ambiente, sem considerar 
o transporte e lugar para armazenamento. Por isso, não é costume reciclá‑lo, e sim reutilizá‑lo.
Da mesma forma, o vidro é também reciclado em escala industrial, embora não demande tanta 
energia em comparação àquela que foi usada na sua fabricação.
Além disso, o vidro pode ser reciclado inúmeras vezes sem sofrer alterações nas suas propriedades. 
O único fator que pode dificultar e, até mesmo, impedir sua reciclagem é a adição de filmes e películas. 
Depois de aplicadas, elas precisam ser retiradas através de processos químicos tóxicos que são obviamente 
prejudiciais, e, muitas vezes, não é possível removê‑las.
A madeira, por sua vez, pode ser reciclada para se tornar compensado, sendo moída ou convertida 
a lascas e prensada de volta em um formato que é denominado compensado. Ele pode ser usado em 
painéis, fechamentos e móveis.
Em todos os casos, é muito mais comum e recomendável o reuso antes de qualquer outro processo, 
pois estes se revelam custosos e consumidores de energia. Além disso, o resíduo mais comum na 
construção são os restos de alvenaria e de revestimento, que são denominados entulho. O entulho é, 
geralmente, constituído por areia, cimento, concreto, aço, blocos e tijolos.
A reciclagem se faz necessária tanto quando existe uma demolição ou quanto na própria 
construção. No primeiro caso, quando uma construção está para ser demolida, é preciso criar um 
planejamento do processo de demolição. A demolição seletiva consiste na diferenciação integral dos 
resíduos sólidos para sua destinação adotada na reciclagem, a fim de evitar a mistura dos materiais 
entre si e de contaminantes.
De modo geral, o processo de reciclagem segue as etapas de limpeza e de seleção prévia, como já 
foi descrito: homogeneização; extração de partes contaminantes e materiais metálicos, através de um 
eletroímã; e, por fim, a britagem.
O processo de britagem nada mais é que a quebra do entulho até uma determinada dimensão para 
que resulte num produto final chamado de agregado reciclado. Para isso, é utilizado um equipamento 
denominado britador, que pode ser de mandíbula ou de impacto.
O primeiro é ideal para a produção do agregado reciclado, se tiver ajuda de outro para a britagem 
secundária, mas é muito frágil para trabalhar com resíduos de ferro e de aço.
O britador de impacto oferece uma capacidade de redução de partículas muito superior ao primeiro 
e não é danificado com facilidade, mesmo quando em contato com materiais mais resistentes.
Devidamente reciclado, o entulho apresenta propriedades físicas tão boas quanto às dos 
materiais originais e apropriadas para seu emprego como matéria‑prima na produção de material 
de construção. No entanto, é importante ressaltar que o entulho possui características bastante 
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peculiares. Há uma grande quantidade de matérias‑primas, técnicas e metodologias empregadas na 
construção civil que afetam significativamente as características do agregado quanto à composição 
e à quantidade.
O seu uso deve ser compatível com as características do agregado, para que haja segurança e bom 
desempenho do material. Por exemplo, se um agregado for utilizado na fabricação de concreto estrutural, 
seu processo de reciclagem precisa ser mais rigoroso do que se ele fosse destinado à fabricação de 
cerâmica de revestimentos.
Há estudos comprovados que mostram um diferencial expressivo entre os valores anunciados para os 
materiais convencionais e o agregado reciclado, possibilitando o entendimento de que existeviabilidade 
econômica para a implantação da reciclagem.
O agregado reciclado pode substituir diversos tipos de matérias‑primas. A destinação final vai 
depender do refino e da composição do agregado. Aqueles que vêm de telhas e blocos serão novamente 
utilizados para a produção desses e devem ser moídos até um diâmetro reduzido, o processo de fabricação 
a partir do agregado é o mesmo que seria para a matéria‑prima convencional. Já o agregado utilizado 
para concretos, além de passar por uma rigorosa avaliação, apresenta diâmetro maior, para substituir a 
brita. Ele pode, de maneira geral, servir para a fabricação da maioria dos materiais de construção, desde 
o concreto estrutural até a argamassa, basta atentar para suas dimensões e sua composição.
8.2.6 Quesitos aplicáveis para obras sustentáveis
Fase da concepção
A fase de concepção envolve todos os estudos preliminares, que incluem o estudo de viabilidade 
econômica, o estudo de legislações, o estudo das condições naturais e do entorno. É nessa etapa que se 
define o padrão da edificação a ser construída.
Essa etapa é de extrema relevância para a sustentabilidade do empreendimento, por permitir total 
liberdade ao empreendedor e aos profissionais envolvidos na concepção do projeto, que buscam aumentar 
seu desempenho socioambiental minimizando os custos e influenciando todas as fases posteriores do 
projeto. É importante salientar que o empreendimento sustentável deve atender às necessidades dos 
usuários, ser economicamente viável para seus investidores e ser produzido com técnicas que reduzam 
a exposição dos trabalhadores a condições inseguras e degradantes.
A observação do entorno, seus condicionantes físicos ambientais e as considerações críticas sobre os 
pontos legais adotados, por parte do empreendedor e dos profissionais envolvidos na obra, constituem 
ações a serem consideradas como parte de uma atitude sustentável para a cidade.
A observação da sensibilidade do meio ambiente em razão do impacto gerado pelo empreendimento 
urbano, atrelado a uma tomada de decisão que considere criticamente os efeitos de médio e longo 
prazo, são parte de uma ação sustentável.
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Garantir acesso coletivo a um meio ambiente sustentável é primordial para um equilíbrio entre o 
impacto e o lucro, é parte da compreensão de quão impactante é a ação humana na Terra. Nas áreas 
urbanas, extremamente impactadas pela ação do homem, isso é muito importante, pois o meio social é 
um poderoso modificador do meio físico e climático em que vivemos.
Efeitos como impermeabilização do solo; alteração da paisagem natural pelo desmatamento; desvio 
de cursos d’água; ocupação excessiva e intensiva nos grandes centros urbanos; transformação de 
lençóis freáticos; poluição e formação de barreiras arquitetônicas, alterando o clima e o desempenho 
de ventos dominantes; produção de espaço artificial em abundância; modificação do comportamento 
das espécies vegetais, entre outros, são fatores que estão ligados à maneira como são administrados o 
espaço construído nas cidades.
Portanto, é necessário levar em consideração, no que se diz respeito à produção de cidades 
sustentáveis, que sejam também sustentáveis as condições de uso e ocupação do solo. Respeitando a 
dimensão humana, o entorno, o meio natural, a projeção e o impacto produzido pela intervenção, bem 
como a possibilidade de uma construção harmoniosa de cidades.
Existem grupos de indivíduos que afetam ou são afetados pelas fases de um empreendimento, 
denominados stakeholders, e que possuem interesses comuns. A existência de um intercâmbio de 
informações entre esses grupos de interesse envolve troca de informações, através de consulta e 
diálogo entre os diferentes grupos de interesse, transferência de valores e princípios para a cadeia de 
fornecedores, treinamento e capacitação da mão de obra para o aumento da transparência entre as 
pessoas e construção de ações conjuntas visando à sustentabilidade.
Assim, é muito importante a identificação e o mapeamento desses grupos de interesse para 
o desenvolvimento e a execução de um empreendimento. Esse mapeamento procura abranger 
indivíduos e aspectos que vão além das questões legais, criando um compromisso que parte da 
definição dos grupos diretamente relacionados e estratégicos a serem envolvidos nas discussões de 
cada ponto do empreendimento.
Também, durante a fase de concepção, algumas ações devem ser realizadas como:
• Dialogar com a comunidade sobre os possíveis impactos socioambientais, em especial, quando 
se tratar de uma obra de grande porte que provocará uma mudança significativa na localidade. 
A opinião desse grupo deve ser respeitada, no sentido de preservar seus aspectos culturais, seu 
bem‑estar e seu relacionamento com os futuros usuários do empreendimento. Isso está alinhado 
com dois princípios básicos da sustentabilidade, que são: a justiça social e a aceitação cultural.
• Buscar a melhoria da qualidade de vida dos funcionários no empreendimento, pois esse grupo de 
interesse é de fundamental importância. A qualificação do grupo de profissionais e a adequação do 
local de trabalho às normas vigentes são essenciais para o bem‑estar desses indivíduos.
• Atender às necessidades dos futuros usuários, pois, ao conceber um empreendimento, é preciso 
considerar o modo de vida dos futuros moradores. Isso é de vital importância ao pleno atendimento 
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das necessidades desse grupo e ao sucesso do empreendimento. Um exemplo disso é a questão 
do envelhecimento da população, pois se a sociedade está num processo de envelhecimento, isso 
exige que o empreendimento considere a importância do acesso facilitado aos locais habitacionais.
• Permitir que o empreendimento sofra modificações posteriores com a inclusão ou a modificação 
de materiais, para atender às necessidades futuras dos seus moradores. Esse fator é muito relevante 
no aspecto de sustentabilidade, e recomenda‑se a aplicação da NBR 9050: Acessibilidade a 
Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos, de 30 de Junho de 2004.
• Manter um diálogo constante com fornecedores, pois a procura por empresas que valorizam a 
responsabilidade socioambiental, as políticas de qualidade e os funcionários são imprescindíveis 
para garantir a sustentabilidade de todos os aspectos do seu próprio empreendimento. Além disso, 
mostra‑se importante no sentido de incentivar toda a cadeia produtiva a se adaptar aos princípios 
da sustentabilidade, isto é, adotar sempre produtos e serviços com baixo impacto socioambiental.
Executando‑se essas ações, espera‑se que sejam estabelecidos laços de confiança com os grupos, 
evitando conflitos e melhorando a reputação do empreendedor no mercado.
A integração dos grupos de interesse no processo de tomada de decisões pode acarretar profundas 
mudanças positivas nos processos de gestão. Entretanto, a falta de interesse na condução dessas 
alterações podem se traduzir em restrições de financiamento, conflitos e paralisações, que resultarão 
em prejuízos para o empreendedor, e numa possível perda de oportunidades de mercado, decorrente do 
isolamento em relação a importantes grupos de interesse.
Gestão de água e efluentes
Ao iniciar a concepção de um empreendimento, é importante verificar o regime de chuvas da região e 
a sua periodicidade. O projeto deve, inicialmente, considerar as informações do local, como falta de água 
ou enchentes, problemas de erosão devido às chuvas, carência de saneamento ou abastecimento na área.
De posse desses dados, que devem auxiliar na implantação e operação do projeto e definir a agenda 
do empreendimento, seleciona‑se as estratégias a serem utilizadas, contribuindo, assim, com sua 
sustentabilidade, alinhada à redução de custos em toda a vida útil do empreendimento.
Um projeto racional,no sentido de se fazer o uso eficiente da água, reverte‑se em benefícios para a 
edificação ao longo de sua vida útil, especialmente, na fase de ocupação, quando ocorre o maior consumo. O 
uso racional consiste no desenvolvimento de sistemas hidráulicos com consumo eficiente de água durante 
toda a vida útil do empreendimento, reduzindo a quantidade de água extraída em fontes de suprimento, o 
consumo e o desperdício de água e aumentando a eficiência do uso, da reciclagem e do reuso.
Para a otimização do consumo de água, é importante que o projeto de sistemas hidráulicos prediais e 
dos sistemas especiais sejam concebidos dentro de premissas específicas. Para tanto, deve ser considerada 
como atividade dessa etapa a setorização do consumo de água, de forma que garanta o monitoramento 
do consumo ao longo do tempo, permitindo a eficiência da gestão. A implementação do sistema de 
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monitoramento do consumo tem de ser considerada na fase de projeto, desde o dimensionamento 
(considerando perdas de carga nos hidrômetros), locação em planta e em desenhos isométricos, além de 
esquemas contendo detalhes de instalação, com uma numeração lógica para facilidade de identificação. 
É muito importante que seja feito um levantamento das possibilidades tecnológicas e dos custos 
envolvidos para setorização, a fim de verificar sua viabilidade.
Outra providência que reduz o consumo de água é a otimização do traçado de tubulações, que 
significa considerar a possibilidade de concentrar tubulações em paredes hidráulicas e reduzir 
a quantidade de juntas ou conexões. Como exemplo, podem ser utilizados sistemas alternativos às 
soluções convencionais. A escolha da tecnologia deve ser considerada na etapa de projeto. A utilização 
de tubulações flexíveis, quando projetadas adequadamente, pode proporcionar melhorias tanto 
na execução quanto no tratamento da utilização dos aparelhos sanitários. Os sistemas alternativos 
interligam diretamente cada ponto de consumo a um coletor central de distribuição. Qualquer que seja 
a tecnologia empregada, o menor número de juntas auxilia na minimização das perdas físicas, tornando 
o sistema menos vulnerável. É importante que a escolha da tecnologia permita maior controle por parte 
do construtor, instalador e usuário final. A integração do projeto de sistemas prediais hidráulicos ao de 
arquitetura pode proporcionar melhor funcionalidade ao sistema. A concentração de tubulações em 
uma mesma parede (chamada “parede hidráulica”) não só otimiza a quantidade de materiais utilizados 
num ambiente sanitário, como também limita a busca no caso de detecção de vazamentos. Além disso, 
a passagem das tubulações em dutos acessíveis ou forros falsos, dissociados do sistema das vedações, 
facilita o seu acesso, agilizando a manutenção.
Figura 31 – Parede hidráulica
Problemas com pressão elevada, tanto no ramal predial como no sistema de distribuição, podem 
implicar não somente em grandes volumes perdidos na ocorrência de um vazamento, como também no 
uso exagerado de água (vazões muito elevadas).
A pressão elevada é capaz de contribuir para as perdas e desperdício de água no sistema hidráulico de 
várias maneiras, como frequência de rupturas, golpe de aríete ou fornecimento de água em quantidade 
superior à necessária numa torneira. Uma redução de pressão pode resultar em economia no consumo 
de água. Quando constatada a existência de pressão superior à necessária, devem ser especificados 
dispositivos adequados a cada caso, por exemplo, restritores de vazão, placas de orifício ou válvulas 
redutoras de pressão.
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Para a utilização de materiais e componentes, é importante avaliar sua qualidade e resistência, 
bem como a adequação e o desempenho apropriado às solicitações estabelecidas pelo sistema. A 
aquisição de materiais deve levar em consideração os fabricantes que produzam seus componentes, em 
conformidade com as normas técnicas brasileiras, e sua utilização precisa seguir as recomendações que 
acompanham cada produto.
Outro fator importante a ser considerado é a especificação de equipamentos adequados ao uso a 
que se destinam. Equipamentos e dispositivos economizadores, como arejadores, redutores de pressão e 
misturadores termostáticos, entre outros, devem ser previstos.
A adequada especificação de equipamentos requer o entendimento do funcionamento do aparelho, 
das atividades envolvidas e do tipo de usuário para identificação dos requisitos de desempenho a serem 
atendidos. Muitas vezes, a especificação de um componente hidráulico, não necessariamente com 
características economizadoras de água, pode resultar na redução do consumo em razão da facilidade 
de uso e das características de utilização.
Os componentes economizadores de água nos sistemas prediais apresentam características 
específicas de instalação, funcionamento, operação e manutenção. Para a garantia de desempenho 
desses equipamentos, com obtenção e manutenção dos índices de consumo de água esperados, é 
fundamental que eles sejam especificados adequadamente, em razão do uso a que se destinam e do 
tipo de usuário; e estejam sejam instalados corretamente, de acordo com as orientações e especificações 
dos respectivos fabricantes. É preciso também que recebam a manutenção necessária (preventiva ou 
corretiva) que garanta a regulagem e o funcionamento correto dos equipamentos, de acordo com as 
especificações dos respectivos fabricantes.
A especificação de louças, metais sanitários e equipamentos hidráulicos é um dos fatores que 
determinam o maior ou menor consumo de água em uma edificação, ao longo de sua vida útil. Existe, 
atualmente, no mercado brasileiro, uma grande variedade de equipamentos sanitários que têm como 
objetivo atender às necessidades dos usuários e promover o uso racional da água para as atividades a que 
se destinam. Preferencialmente, devem ser especificados equipamentos cujos componentes apresentem 
maior durabilidade para viabilizar os custos provenientes de manutenção.
Gestão de energia e emissões
As edificações, no Brasil, no segmento industrial, comercial, residencial, público e de serviços são 
identificadas como a principal demanda de eletricidade, responsáveis pelo consumo de cerca de 50% 
do total. Todavia, através do movimento de construção sustentável, em que a eficiência energética 
desponta como um dos principais temas, as edificações deixam de ser apresentadas como grandes 
consumidoras de energia, tornando‑se a principal solução do problema energético nacional.
Há diversas tecnologias, materiais e técnicas construtivas, que podem contribuir para gestão de 
energia num empreendimento passando por questões de normalização, financiamentos e incentivos 
específicos (criação de demanda) até credibilidade e quantificação de resultados, sendo esses últimos 
de fundamental importância para garantir transparência e obter projetos e construções realmente 
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eficientes. Por esse motivo, têm‑se desenvolvido metodologias de certificação de verificação de eficiência 
energética, através do Selo Procel Edificações (já disponíveis ao mercado).
O Selo Procel Edificações, estabelecido em novembro de 2014, é um instrumento de adesão voluntária que 
tem por objetivo identificar as edificações que apresentem as melhores classificações de eficiência energética 
em uma dada categoria, motivando o mercado consumidor a adquirir e utilizar imóveis mais eficientes.
Para obter o Selo Procel Edificações, recomenda‑se que a edificação seja concebida de forma 
eficiente desde a etapa de projeto, ocasião em que é possível obter melhores resultados com menores 
investimentos, podendo chegar a 50% de economia. A metodologia de avaliação da conformidadeestá 
descrita no Regulamento para Concessão do Selo Procel de Economia de Energia para Edificações, bem 
como nos Critérios Técnicos específicos e baseiam‑se no Regulamento Técnico da Qualidade para o 
Nível de Eficiência Energética em Edifícios Comerciais, de Serviços e Públicos (RTQ‑C) e no Regulamento 
Técnico da Qualidade para o Nível de Eficiência Energética em Edificações Residenciais (RTQ‑R) do 
Programa Brasileiro de Edificações – PBE Edifica. O Selo Procel Edificações é outorgado tanto na etapa 
de projeto, válido até a finalização da obra, quanto na fase da edificação construída.
Ainda sob esse enfoque, é válido salientar que as aberturas das janelas devem ser dimensionadas 
conforme o clima local, podendo variar. Em uma região mais fria, a abertura deve ser média e sombreada, 
de forma a permitir a entrada do sol no inverno, em regiões mais quentes, as aberturas devem ser grandes 
e totalmente sombreadas, privilegiando a ventilação cruzada permanente.
A composição das paredes externas e coberturas têm influência direta no ganho de calor de um edifício. Se 
forem corretamente construídas, essas partes podem proteger o ambiente interno dos climas extremamente 
frios ou quentes ou harmonizar os ambientes internos e externos, quando o clima for ameno.
Os sistemas de iluminação apresentam, sem dúvidas, o maior número de medidas para a conservação 
de energia de fácil aplicação. A evolução das técnicas de projeto e de instalação, juntamente com o 
surgimento de novos equipamentos, com destaque especial aos novos tipos de lâmpadas eficientes, 
reatores eletrônicos e luminárias de alta eficiência, oferecem uma considerável gama de alternativas 
para o alcance da eficientização energética.
Figura 32 – Iluminação com lâmpadas de led
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Nas instalações já existentes, podem ser realizadas alterações em seus sistemas de comando, de 
modo a modular o uso da iluminação de acordo com as necessidades. Em novas construções, podem‑se 
introduzir modernas técnicas de arquitetura e construção que reduzam os requerimentos energéticos 
para iluminação. Os projetos de iluminação devem considerar os índices mínimos de iluminamento 
definidos na norma NBR 5413 (ABNT, 1992) de modo a manter o conforto e a segurança dos usuários.
Para ambientes novos ou reformados, os projetos luminotécnicos eficientes devem sempre buscar:
• Boas condições de visibilidade.
• Boa reprodução de cores.
• Economia de energia elétrica.
• Facilidade e menores custos de manutenção.
• Preço inicial compatível.
• Utilização de iluminação local de reforço.
• Combinação de iluminação natural com artificial.
Em áreas comuns externas, como jardins, estacionamentos externos, acessos de veículos e de pedestres, a 
iluminação artificial que não for projetada para funcionar durante todo o dia deve possuir uma programação 
de controle por horário ou um fotossensor capaz de desligar automaticamente o sistema de iluminação 
artificial quando houver luz natural suficiente ou quando a iluminação externa não for necessária.
A concepção de edificações que ofereçam conforto aos ocupantes, com o menor consumo possível 
de energia, depende do alinhamento entre variáveis climáticas, humanas e arquitetônicas. As soluções 
de projeto devem aproveitar, da melhor forma possível, as potencialidades climáticas locais para atender 
às necessidades de conforto, reduzindo a necessidade de equipamentos e, consequente, consumo de 
energia para sua obtenção.
A concepção de projetos com alta eficiência energética pode apoiar a estratégia empresarial de 
oferecer produtos com diferencial de mercado. Itens que, por possuírem menores custos de operação, 
serão mais valorizados pelos clientes.
 Resumo
De início foram analisadas as peculiaridades da mão de obra que atua 
na construção civil. Primeiramente, deve ser observado que sua força de 
trabalho é composta de profissionais de variados níveis de formação, outro 
ponto importante é que as diferenças, normalmente, existentes entre as 
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obras, impossibilitam a repetição de operações. Apesar de o desenvolvimento 
tecnológico ser aplicado ao processo de produção de uma obra civil, ainda 
existe uma grande dependência da mão de obra.
A construção civil está inserida em um tipo de organização cujos 
níveis hierárquicos são divididos em: nível estratégico, composto dos 
construtores e incorporadores, que tomam as decisões e estabelecem os 
objetivos da organização; nível tático, caracterizado pelos engenheiros, 
administradores, arquitetos e técnicos, que cuidam da articulação interna 
entre o nível responsável pelas decisões e a produção; e o nível operacional, 
que é formado por mestres, pedreiros e serventes em geral, relaciona‑se à 
execução tarefas, é aqui que ocorre o contato direto com a produção.
Em muitas oportunidades, a indústria da construção civil lança mão de 
terceirização de atividades para que a construtora mantenha o foco em sua 
atividade principal.
Outro tópico importante para uma obra civil é a compatibilização 
do projeto com a execução da obra, pois durante a produção inúmeras 
interferências podem ocorrer entre os diversos projetos envolvidos, como 
o arquitetônico, o estrutural, o elétrico, o hidrossanitário, o de telefonia, 
entre outros. Assim, deve existir uma coordenação de projetos responsável 
pela aplicação de métodos para evitar as interferências, como: promover 
a comunicação entre os responsáveis pelos projetos, realizando reuniões 
entre os departamentos, e aplicar as ferramentas de qualidade. Tudo isso, 
com o objetivo de evitar retrabalhos e consequentemente perdas de tempo 
e materiais.
A inovação tecnológica tem auxiliado a construção civil desde a 
fase de projetos até a execução e a compatibilização, por exemplo, com 
ferramentas como o Sistema Building Information Modeling (BIM), que é 
uma plataforma desenvolvida com o objetivo de reunir todas as informações 
referentes à confecção de um projeto; o Global Positioning System (GPS) 
utilizado na locação da obra em sua fase inicial; as mais diversas aplicações 
do raio laser em scanners, maquetes eletrônicas para exibir os detalhes do 
projeto em 3D; e até o uso de aparelhos eletrônicos para coleta de dados, 
como os Assistentes Pessoais Digitais (PDA – Personal Digital Assistant). A 
tecnologia também pode ser observada em instrumentos tradicionalmente 
utilizados na construção civil incrementados com acessórios tecnológicos, 
como trenas e níveis a laser.
A gestão da qualidade na construção civil tem sido estudada e aplicada 
sob diversas abordagens, contudo pode ser expressa de forma geral como a 
capacidade de o produto estar em conformidade com as expectativas dos 
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consumidores desde a sua concepção, execução, ocupação e manutenção. 
A gestão da qualidade tem evoluído desde quando o supervisor era 
responsável pela produção e pelo controle da qualidade, nos anos 1920, 
até a gestão de qualidade total (TQM), no final dos anos 1990. Em 2000, 
foi lançado, no Brasil, pelo Governo Federal, o Programa Brasileiro da 
Qualidade e da Produtividade no Habitat (PBQP‑H), que utiliza elementos 
e princípios da norma de qualidade ISO 9001 adaptados para o setor da 
Construção Civil.
As obras de construção civil geram impactos em diversos níveis 
da natureza, desde interferências no solo, ar, água, fauna, flora, até 
influências nas adjacências do terreno e, por isso, é necessária a gestão 
de sustentabilidade ambiental. Atividades como remoção de edificações, 
retirada da vegetação, consumo de recursos, geração de resíduos, entre 
outras, devem ser realizadas a partir de um projeto racional que promova a 
redução dos impactos dos canteiros de obras. Por exemplo, evitar grandes 
movimentaçõesde terra, racionalizar o consumo de água, racionalizar o 
consumo de energia e emissões, e reduzir o descarte de resíduos sólidos, 
através da utilização adequada de matérias‑primas, evitando sobras, 
reaproveitando e reciclando os materiais.
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2015) A ISO 9001:2008, é a norma de referência que possui Requisitos de 
Qualidade para implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). A implantação de um SGQ 
em uma organização consiste, entre outras atividades, em mapeamentos de processos; implantação de 
padrões de trabalho e monitoramento da satisfação do cliente.
A partir dessas informações, avalie as afirmativas a seguir:
I – São princípios que norteiam um Sistema de Gestão da Qualidade: foco no cliente, liderança, 
melhoria contínua, relação mutuamente benéfica entre cliente e fornecedor, abordagem sistêmica, 
abordagem factual à tomada de decisão, envolvimento das pessoas, abordagem de processo.
II – A política da qualidade de uma empresa representa a “porta de entrada” para um Sistema de 
Gestão da Qualidade e deve ser conhecida e entendida por todos os colaboradores da organização.
III – Uma ação corretiva é aquela estabelecida para a eliminação da causa de uma não conformidade 
e a aplicação dessa ação tem por objetivo não tornar o problema reincidente.
Assinale a alternativa que contém a(s) afirmativa(s) correta(s):
A) I, apenas.
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B) III, apenas.
C) I e II, apenas.
D) II e III, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das afirmativas
Justificativa geral: a questão aborda a norma ISO 9001 e os requisitos necessários para a 
implementação e operação de um sistema de gestão da qualidade (SGQ). Além disso, também trata a 
respeito dos princípios que norteiam um SGQ, do que é política de qualidade de uma empresa e quais 
são os tipos de ações que podem ser tomadas dentro de um sistema de qualidade.
Sabe‑se que os princípios que norteiam um SGQ são: focalização no cliente; liderança; 
envolvimentos das pessoas; abordagem dos processos; abordagem da gestão como um sistema; 
melhoria contínua; abordagem factual e relações mutuamente benéficas com fornecedores.
Com relação à política de qualidade de uma empresa, pode‑se dizer que ela deve evidenciar o 
compromisso, isto é, o vínculo da organização à qualidade, bem como a forma de concretizá‑lo.
No que se referem às ações preventivas e corretivas, as primeiras são tomadas para evitar que 
problemas ocorram e as segundas para eliminação da causa e garantia de que o problema não mais 
irá ocorrer.
I – Afirmativa correta.
Justificativa: são oito os princípios que norteiam um SGQ: focalização no cliente, liderança, 
envolvimentos das pessoas, abordagem dos processos, abordagem da gestão como um sistema, 
melhoria contínua, abordagem factual e relações mutuamente benéficas com fornecedores.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: a política de qualidade instituída pela direção da empresa deve ser apropriada à 
organização, deve ser entendida como uma ferramenta para melhoria contínua de desempenho e 
deve ser divulgada para que todos os colaboradores a conheçam e a entendam.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: segundo a NBR‑ISO 9001:2008, uma ação corretiva é aquela que resolve um 
problema e elimina as causas que o originaram.
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Questão 2. (Enade 2012) Desenvolvimento sustentável significa atender às necessidades das 
gerações presentes sem impedir que as gerações futuras também o façam. O princípio ético é de 
que as futuras gerações tenham acesso, pelo menos, ao mesmo nível de capital natural que as 
gerações predecessoras. Nesse contexto, surge o conceito de produção mais limpa, que busca a 
eficiência pelo não desperdício, minimização ou não geração de resíduos, eficiência energética 
e eliminação de impactos à saúde humana e ao ambiente, na obtenção de produtos atóxicos, no 
uso de reciclagem primária atóxica e na responsabilidade continuada do produtor. Na produção 
mais limpa, bens são produzidos de forma compatível com o que um ecossistema pode suportar, 
garantindo‑se sustentabilidade e conservação de recursos, com respeito aos padrões de qualidade 
ambiental. Para que isso ocorra, é imperativo o envolvimento de toda a cadeia produtiva.
Considerando o texto apresentado, avalie as seguintes asserções a respeito da produção de 
bens e serviços sustentáveis e a relação proposta entre elas.
I – A produtividade dos sistemas de produção em uma economia sustentável é dependente de 
certificações do tipo produção mais limpa.
PORQUE
II – Uma economia sustentável depende não apenas de processos industriais mais limpos, mas 
também de produtos sustentáveis, ou seja, o foco da produção deve ser ampliado do gerenciamento de 
processos para o gerenciamento de produtos ao longo da cadeia produtiva.
A respeito dessas afirmativas, assinale a alternativa correta:
A) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
B) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
C) A afirmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
D) A afirmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
E) As afirmativas I e II são proposições falsas.
Resolução desta questão na plataforma.
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FIGURAS E ILUSTRAÇÕES
Figura 1
3.JPG. Disponível em: <http://www.supertec.gov.br/mdic/ImagensGaleria/Galeria/221472/3.jpg>. Acesso 
em: 9 mar. 2018.
Figura 2
CONCRETAGEM_01‑150X150.JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/up/
concretagem_01‑150x150.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 3
HU_02.JPG. Disponível em: <http://www.leg.ufpi.br/arquivos/Image/HU_02.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 9
06.JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/up/06.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 10
DSC01466.JPG. Disponível em: <http://www.icc.org.br/wp‑content/uploads/2017/03/DSC01466.jpg>. 
Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 11
FIG.05‑EXECU%C3%A7%C3%A3O‑DE‑ENCUNHAMENTO‑COM‑ARGAMASSA‑EXPANSIVA.JPG. 
Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/up/Fig.05‑Execu%C3%A7%C3%A3o‑de‑encunham
ento‑com‑argamassa‑expansiva.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 12
IMG_7474%20(COPY).JPG. Disponível em: <http://www.itajuba.mg.gov.br/pminews/upload/IMG_7474%20
(Copy).jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 13
ELETRICISTA11775495M.JPG. Disponível em: <http://www.viarapida.sp.gov.br/Midias/ArcoOcupacionalTemas/
Eletricista11775495m.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 14
DISTRIBUI%C3%A7%C3%A3O‑DA‑ARGAMASSA‑150X150.JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/
eso/content/up/Distribui%C3%A7%C3%A3o‑da‑argamassa‑150x150.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
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Figura 15
06.‑ESQUADRIA‑FINALIZADA‑150X150.JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/
up/06.‑esquadria‑finalizada‑150x150.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 16
4_APLICA%C3%A7%C3%A3O‑DA‑ARGAMASSA‑COLANTE‑NA‑PAREDE‑150x150.
JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/up/4_
Aplica%C3%A7%C3%A3o‑da‑argamassa‑colante‑na‑parede‑150x150.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 17
CURSO‑DE‑CHAVEIRO‑ONLINE‑COM‑CERTIFICADO.JPG. Disponível em: <http://pronatec.pro.br/
wp‑content/uploads/2017/10/Curso‑de‑Chaveiro‑Online‑com‑Certificado.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 18
FOTOS_00_MARCO_09_THUMBNAILS_THUMB_CURSO_PINTURA.JPG. Disponível em: <http://www.
agencia.ac.gov.br/wp‑content/uploads/2009/03/fotos_00_marco_09_thumbnails_thumb_curso_
pintura.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 19
COLOCA%C3%87%C3%83O%20DOS%20VIDROS%20NOS%20GUICH%C3%8AS.JPG. Disponível em: <http://
www.itapolis.sp.gov.br/portal4/images/ARQUIVOS_2011/ADMINISTRACAO/COLOCA%C3%87%C3%83O%20DOS%20VIDROS%20NOS%20GUICH%C3%8AS.JPG>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 20
4_VERIFICA%C3%A7%C3%a3O‑DO‑N%C3%ADVEL‑DA‑BACIA‑COLOCADA.‑150x150.
JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/content/up/4_
Verifica%C3%A7%C3%A3o‑do‑n%C3%ADvel‑da‑bacia‑colocada.‑150x150.jpg>. Acesso em: 9 mar. 
2018.
Figura 21
05.‑R%C3%A9GUAS‑POSICIONADAS‑A‑CADA‑40CM.JPG. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/eso/
content/up/05.‑r%C3%A9guas‑posicionadas‑a‑cada‑40cm.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 22
CMM‑MANUTENCAO_TIAGO‑CORREA‑5.JPG. Disponível em: <http://www.cmm.am.gov.br/wp‑content/
uploads/2015/01/CMM‑MANUTENCAO_TIAGO‑CORREA‑5.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
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Figura 24
463_IMG_01.JPG. Disponível em: <http://www.aen.pr.gov.br/modules/galeria/uploads/47879/463_
IMG_01.jpg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 25
I389480.JPG. Disponível em: <http://www.caumt.gov.br/wp‑content/uploads/2013/07/i389480.jpg>. 
Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 26
ARTICLE.PHP?STORYID=90482. Disponível em: <http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.
php?storyid=90482>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 27
01AE609571.JPEG. Disponível em: <http://governomunicipal.com.br/media/jacarezinho.pr.gov.br/
med/01ae609571.jpeg>. Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 30
2013101143928ESTRADA%20CANTA%20GALLO%20II%20(2).JPG. Disponível em: <http://
pindamonhangaba.sp.gov.br/materias/fotos/2013101143928estrada%20canta%20gallo%20II%20(2).JPG>. 
Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 31
5.JPG. Disponível em: <http://www.supertec.gov.br/mdic/ImagensGaleria/Galeria/264062/5.jpg>. 
Acesso em: 9 mar. 2018.
Figura 32
SITE‑REFORMA‑ESCOLA‑JOAQUIM‑3‑340X255.JPG. Disponível em: <https://www.santagertrudes.
sp.gov.br/wp‑content/uploads/2014/01/site‑Reforma‑escola‑Joaquim‑3‑340x255.jpg>. Acesso em: 9 
mar. 2018.
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REFERÊNCIAS
Textuais
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serviços de arquitetura e urbanismo. 2. ed. Pini: São Paulo, 2000.
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trabalho na indústria da construção. Rio de Janeiro, 2013.
___. NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2005.
___. NBR 5413: iluminância de interiores. Rio de Janeiro, 1992.
___. NBR 5626: instalação predial de água fria. Rio de Janeiro, 1998.
___. NBR 6118: projeto de estruturas de concreto – procedimento. Rio de Janeiro, 2014.
___. NBR 8160: sistemas prediais de esgoto sanitário – projeto e execução. Rio de Janeiro, 1999.
___. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de 
Janeiro, 2004.
___. NBR 12284: áreas de vivência em canteiros de obras. Rio de Janeiro, 1991.
___. NBR 13531: elaboração de projetos de edificações – atividades técnicas. Rio de Janeiro, 1995.
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BARROS, C. J. As condições de trabalho na construção civil. Repórter Brasil, São Paulo, 2014.
BERGAMINI, C. W. Liderança: administração do sentido. São Paulo: Atlas, 1994.
BORNSTEIN, S. M.; SMITH, A. F. Os enigmas da liderança. In: DRUCKER, P. F. O líder do futuro: visões, 
estratégias e práticas para uma nova era. São Paulo: Futura, 1996.
BRASIL. Portaria nº 118, de 15 de março de 2005. Diário Oficial da União, Brasília, 21 mar. 2005. 
Seção 1, nº 54.
___. Resolução Conama Nº 264/1999. Licenciamento de fornos rotativos de produção de clínquer para 
atividades de co‑processamento de resíduos. Brasília, 1999. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/
port/conama/legiabre.cfm?codlegi=262>. Acesso em: 21 fev. 2018.
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___. Resolução Conama nº 307/2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão 
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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