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Tributário - responsabilidade

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A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
· Estudou-se que o sujeito passivo pode ser contribuinte ou responsável, onde o contribuinte é quem efetivamente tem uma relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador, e o responsável não.
 “Assim, o responsável integra a relação jurídica-tributária como devedor de um tributo, sem possuir relação pessoal e direta com o respectivo fato gerador. O raciocínio, entretanto, não é correto. Não é lícito ao legislador definir arbitrariamente como sujeito passivo pessoa totalmente alheia à situação definida em lei como fato gerador do tributo”
“Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”
· Percebe-se então que o responsável não pode ser alguém que de certa maneira e que com certa intensidade, não tenha relação com o fato gerador, por isso, o responsável deve ter alguma relação com o fato gerador, além disso, sempre será necessária a existência de expressa disposição legal que atribua a alguém a condição de responsável. 
“O transportador da mercadoria possui um vínculo com os fatos geradores do imposto de importação (entrada de mercadoria no território nacional) e do ICMS (saída da mercadoria do estabelecimento comercial), e pode, por isso, ser considerado, por disposição expressa de lei, responsável pelo pagamento do tributo em determinadas circunstâncias.” 
· Exatamente por tal razão assim decidiu o STJ: Conforme já visto, a existência de “termo de responsabilidade” onde o agente marítimo responsabilizou-se a ser o “responsável tributário” com o sujeito passivo de direito, não é oponível perante o Fisco, porém, é obrigado a cumpri-lo em razão da lei civil.
ESPÉCIES DE RESPONSABILIDADE: Tal classificação considera o momento em que surge o vínculo jurídico entre a pessoa designada por lei como responsável e o sujeito ativo do tributo.
1 – por substituição 2 – por transferência.
1 – responsabilidade por substituição: a sujeição passiva do responsável surge contemporaneamente à ocorrência do fato gerador.
2 – responsabilidade por transferência: no momento do surgimento da obrigação, determinada pessoa figura como sujeito passivo, contudo, num momento posterior, um evento definido em lei causa a modificação da que pessoa que ocupa o pólo passivo da obrigação, surgindo, assim, a figura do responsável, conforme definida em lei. 
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A doutrina entende que a responsabilidade por transferência se subdivide ainda em:
	2.1 – por sucessão;
	2.2 – por solidariedade, e
	2.3 – de terceiros.
Deste modo, o CTN dividiu a responsabilidade por transferência em 03 (três) espécies:
a) responsabilidade dos sucessores (art. 129 a 133);
b) responsabilidade de terceiros (arts. 134 e 135);
c) responsabilidade por infrações (arts. 136 a 138).
RESPONSABILIDADE POR SUBSTITUIÇÃO:
· Desde a ocorrência do fato gerador (e não após a sua ocorrência), a sujeição passiva recai sobre uma pessoa diferente daquela que possui relação pessoal e direta com a situação descrita em lei como fato gerador do tributo.
· Em especial, 02 (dois) casos são relevantes:
a) substituição tributária regressiva (‘para trás’ ou antecedente), e
b) substituição tributária progressiva (‘para frente’, subseqüente).
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA REGRESSIVA “A substituição tributária para trás, regressiva ou antecedente ocorre nos casos em que as pessoas ocupantes das posições anteriores nas cadeias de produção e circulação são substituídas, no dever de pagar tributos, por aquelas que ocupam posições posteriores nessas mesmas cadeias.
· Contribuinte de direito "realizando a situação que constitui o fato gerador, fica obrigada ao pagamento do tributo." R.L.T.
· Contribuinte de fato "é a pessoa que sofre o encargo financeiro do tributo mas não realiza o fato gerador nem participa da relação tributária, sendo uma figura típica nos impostos ditos indiretos, nos quais repercute sobre terceiros o ônus financeiro da incidência (ex: ICMS ), o contribuinte de direito é o comerciante que realiza a saída da mercadoria e que recolhe a prestação tributária ao Estado, sendo o comprador o contribuinte de fato, pois suporta no próprio bolso a carga econômica da imposição." 
· Também é exemplo de substituição tributária “para trás” a aquisição, pela indústria de suco de laranja, da laranja in natura, em que o industrial, melhor organizado empresarialmente, se torna substituto do produtor rural, que não tem estrutura para emitir notas fiscais e manter escrituração contábil. O substituto, que é um contribuinte de direito (geralmente comerciante ou industrial) adquire a mercadoria de outro contribuinte, em geral produtor de pequeno porte ou comerciante individual, responsabilizando-se pelo pagamento do tributo devido pelo substituído e pelo cumprimento das obrigações tributárias.
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PROGRESSIVA Para que haja a substituição tributária, é necessário que o contribuinte e o substituto participem do mesmo processo econômico, de forma que entre suas atividades haja algum nexo. Em linhas gerais é a substituição tributária onde as pessoas que se encontram em uma situação “posterior” nas cadeias de produção e circulação são substituídas, na obrigação de pagar tributos, por outras que ocupam as posições anteriores nessas mesmas cadeias.
 “Ressalte-se que todo o tributo é pago de uma só vez, sendo calculado sobre o valor pelo qual se presume que a mercadoria será vendida ao consumidor. Os valores constam de uma ‘pauta fiscal’, de forma que o cálculo do tributo é feito por meio de arbitramento, pois não há certeza do valor exato de uma operação futura.” 
Críticas ao regime de responsabilidade da substituição tributária “para frente”: 
1º - constituiria uma obrigação tributária sem fato gerador, contrariando a própria fenomenologia do nascimento da relação jurídica tributária no ICMS e violando ainda o princípio da tipicidade, da capacidade contributiva e do não confisco;
2º - violaria o disposto no art. 128 do C.T.N., pois inexiste vínculo econômico entre o industrial e o varejista;
3º - ofenderia o princípio da não-cumulatividade, pois não se sabe o valor real da venda ao consumidor final no momento prévio da saída da mercadoria do estabelecimento industrial.
Os Tribunais já pacificaram a matéria entendendo como constitucional regime da substituição tributária "para frente", sendo que através da Emenda Constitucional n.º 03/93, foi encerrado o assunto ao se acrescento o § 7º ao art. 150 da C.F.
RESPONSABILIDADE POR TRANSFERÊNCIA: Ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária, sendo os contribuintes e responsáveis definidos em lei.
“Trata-se de casos em que a obrigação nasce tendo, no pólo passivo, determinado devedor (contribuinte ou responsável), mas, em virtude de evento descrito com precisão na lei, há a transferência da sujeição passiva a uma outra pessoa, esta na condição de responsável. Verifica-se, portanto, uma modificação subjetiva (dos sujeitos) na obrigação surgida.
A título de exemplo, a cada ano verificam-se novos fatos geradores do IPTU. Os sujeitos passivos são os proprietários dos imóveis, objetos da incidência tributária. Todavia, com a morte do proprietário de um imóvel determinado, a sujeição é transferida para o espólio (conjunto de bens e direitos deixados pelo falecido). Mas à frente, com a partilha dos bens, a responsabilidade é novamente transferida, desta feita para os sucessores e para o cônjuge meeiro, conforme determina o art. 131, I, II e III, do CTN.” 
· Denomina-se de responsabilidade por “transferência” pois em razão de evento posterior à ocorrência do fato gerador, a responsabilidade é “transferida” para algum sucessor.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO:
“Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente