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Tributário - responsabilidade

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constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.”
“Como já estudado, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária que possui como sujeito passivo um contribuinte legalmente definido. Posteriormente, ocorre um evento que transfere a sujeição passiva a um responsável expressamente designado por lei. Tem-se a sucessão, pois o responsável sucede o contribuinte como sujeito passivo do tributo.
O marco temporal da transferência de responsabilidade é a data da ocorrência dos eventos previstos em lei como aptos a gerar a sucessão. Seria bem mais simples afirmar que as regras sobre sucessão tributária se aplicam às obrigações tributárias surgidas até a data dos atos legalmente definidos como geradores de sucessão tributária. O CTN, contudo, trilhou uma redação mais complexa, definindo o fenômeno com base na constituição do crédito (lançamento), momento irrelevante na perquirição da aplicabilidade das regras sobre sucessão.
Explique-se melhor. O Código afirma que as regras sobre responsabilidade dos sucessores são aplicáveis ‘aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos’. Ora, o legislador tributário acabou por asseverar que as regras se aplicam ao antes, ao durante e ao depois. É lícito afirmar, portanto, que o momento da constituição do crédito tributário (lançamento) é dado absolutamente irrelevante para definir a aplicabilidade da legislação sobre sucessão, pois o que realmente importa é a data do surgimento da obrigação (ocorrência do fato gerador), como inequivocamente aponta a cláusula final do confuso dispositivo (‘desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data’).” (Ob. cit., págs. 311/312)
A Responsabilidade do Adquirente de Bens Imóveis:
“Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.”
· A simples leitura do artigo demonstra que a sub-rogação é pessoal, ocorrendo uma alteração do sujeito passivo da obrigação, onde o adquirente do imóvel passa a ser responsável por todo o crédito tributário relativo ao imóvel, não importando o montante, ainda que seja maior do que o valor do próprio bem.
· Percebe-se também a existência de duas exceções à regra, que passam a ser estudadas:
a) quando conste do título de transferência de propriedade a prova da quitação dos tributos (parte final do caput do art. 130), 
b) no caso de arrematação em hasta pública, caso no qual a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço (§ único do art. 130).
A exceção da apresentação de certidão negativa:
· No momento do registro do ato de transferência da propriedade no cartório de registro de imóveis, o tabelião deve exigir a apresentação de certidões que atestem a inexistência de registro de créditos tributários vencidos e não quitados relativos ao imóvel objeto da transferência.
· Caso sejam apresentados os comprovantes de quitação (certidões negativas), o adquirente do imóvel não poderá ser responsabilizado por obrigações porventura existentes.
A exceção da arrematação em hasta pública:
· No lance do arrematante ocorre a sub-rogação, de forma que o adquirente não se coloca como responsável por qualquer tributo devido até a data da alienação, pois os débitos existentes devem ser quitados com o produto da arrematação.
A Responsabilidade do Adquirente ou Remitente de Bens Móveis:
 “São pessoalmente responsáveis o adquirente e o remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos.”
· As regras são praticamente as mesmas do adquirente de bens imóveis, com a diferença de que não existem as exceções anteriormente estudadas.
 De qualquer forma, se o remitente adquire o bem, passa a ser devedor dos tributos sobre ele incidentes. Pode-se afirmar, portanto, que o remitente é, na realidade, espécie de adquirente e, da mesma forma que este, põe-se na condição de responsável pelos tributos incidentes sobre o bem adquirido, desde que relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente a aquisição. Com relação às obrigações tributárias surgidas posteriormente, o adquirente e o remitente passam a ser contribuintes.”
A Responsabilidade na Sucessão Causa Mortis:
“Art. 131. São pessoalmente responsáveis:
III – o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.”
· Durante o interregno de tempo que se inicia com a morte do de cujus (onde se inicia a abertura da sucessão) e a conclusão da transferência da responsabilidade (que se dá com o término do processo de inventário e a partilha de bens), a responsabilidade pelos tributos devidos pelo de cujus, até a data de sua morte, é do espólio.
 “Portanto, se o de cujus deixou créditos tributários em aberto, o espólio deve fazer o pagamento (é responsável). Caso o pagamento não tenha sido feito e, mesmo assim, os bens tenham sido partilhados, os sucessores a qualquer título e o cônjuge meeiro deverão fazer o pagamento (são responsáveis).
Finalmente, discute-se se os sucessores devem suportar a transferência da responsabilidade no que tange as multas.
“a) para efeitos de responsabilidade tributária por sucessão causa mortis, devem ser entendidas, dentro do conceito de tributos, as multas moratórias, conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça;
b) nos casos de aplicação de multa ‘de ofício’, cuja responsabilidade seja pessoal do infrator (casos do art. 137 do CTN), a responsabilidade, nos exatos termos legais, não é transferida aos sucessores. Este é o posicionamento mais seguro para se adotar em provas objetivas, conforme demonstra o exemplo acima (FCC);
nos casos propostos em provas subjetivas, principalmente para provimento de cargos de advocacia pública (em que o candidato deve usar os argumentos disponíveis em defesa do Estado), é possível invocar a tese de que o sucessor também deve responder pelas multas ‘de ofício’, mesmo nos casos de responsabilidade pessoal do infrator, pois, desaparecendo o devedor (sucessão causa mortis), seu patrimônio (conjunto de bens, direitos e obrigações) seria integralmente transferido para os sucessores. Também é relevante argumentar que quando o CTN quis restringir a responsabilidade de alguém apenas às penalidades de caráter moratório, o fez expressamente, como ocorre no parágrafo único do art. 134 
A Responsabilidade na Sucessão Empresarial:
· “Sucessão empresarial” compreendida como todas as operações de fusão, cisão, incorporação, alienação de filiais e outras.
“O raciocínio que orientou a elaboração das regras foi o de que a Administração Tributária deve seguir a manifestação de riqueza dessas entidades, de forma que o ‘desaparecimento’ de uma entidade implicará na responsabilidade daquelas que lhe sucedem. Assim, pode-se afirmar que a premissa fundamental é a de que a sucessão empresarial gera sucessão tributária.” 
· Existe discussão quanto a possibilidade de aplicação das regras de responsabilidade por sucessão dos créditos tributários relativos à multa, existindo entendimento de que esta, por ser sanção de ato ilícito, teria por característica a responsabilidade pessoal do infrator, não sendo possível que uma outra pessoa que venha a suceder o infrator, possa ser reconhecida como responsável pela mesma.
· De outro lado, outros juristas defendem o equívoco de tal raciocínio (Ricardo Alexandre, ob. cit., pág. 321) em virtude de 02 (dois) argumentos:
1 – o CTN ao regrar a sucessão empresarial, não diferenciou os créditos relativos a multas e a tributos, e, quando assim o desejou, expressamente o fez, como se pode notar no art. 186, parágrafo único, III;
2 – o patrimônio é definido como