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UNIVERSIDADE PAULISTA (UNIP) THAÍS SOUZA PRADO Anatomia das Aves Medicina Veterinária São Paulo 2020 UNIVERSIDADE PAULISTA (UNIP) THAIS SOUZA PRADO RA:T368DI-0 Anatomia das Aves Medicina Veterinária São Paulo 2020 SUMÁRIO Introdução......................................................................................... 04 Aspectos externos e tegumento..........................................................................................05 Glânculas...........................................................................................06 Bico....................................................................................................07 Penas.................................................................................................08 Sistema Esquelético..........................................................................09 Sistema Digestivo..............................................................................10 Fígado................................................................................................12 Pâncreas............................................................................................13 Duodeno, Jejuno, Ìleo e Ceco............................................................14 Cólon e Cloaca...................................................................................15 Sistema Circulatório............................................................................16 Sistema Respiratorio...........................................................................17 Sistema Nervoso.................................................................................18 Referências.........................................................................................19 1. Introdução Aves são uma classe de seres vivos vertebrados endotérmicos caracterizada pela presença de penas, um bico sem dentes, oviparidade de casca rígida, elevado metabolismo, um coração com quatro câmaras e um esqueleto pneumático resistente e leve. As aves estão presentes em todas as regiões do mundo e variam significativamente de tamanho, desde os 5 cm do colibri até aos 2,75 m de um avestruz. São a classe de tetrápodes com o maior número de espécies vivas, aproximadamente dez mil, das quais mais de metade são passeriformes. As aves evoluíram dos répteis e muitas similaridades ainda permanecem, tais como escamas nas pernas, um único côndilo occipital, o sistema porta renal, dentre outros. Contudo a habilidade para o vôo permitiu às aves ocuparem uma grande diversidade de habitats e o desenvolvimento de muitas adaptações alimentares. Assim o número de espécies aviárias até então descritas está em torno de 9.700, divididas em 27 ordens. Englobando desde os beija-flores com 2 gramas de massa corpórea até avestruzes com 120 Kg (ARENT, 2010). 2. Aspectos externos e Tegumento O corpo das aves encontra-se coberto pela pele e seus anexos, tais como as penas, unhas, bico. Tais estruturas atuam para a proteção dos órgãos internos bem como também impedem a entrada de patógenos (ARENT, 2010). A pele nas aves é fina, frouxa e se solta facilmente, mas não sangra tanto e é mais insensível quando comparado com mamíferos, tendo em vista o pobre suprimento sanguíneo e nervoso também. Nos frangos a pele é amarelada ao longo do corpo, podendo ter uma coloração mais escura nas pernas e nos pés. É mais pálida em galinhas poedeiras, pois o pigmento é retirado para ser incorporado na gema do ovo (DYCE et al., 2010). Nas aves a pele apresenta duas camadas distintas, a epiderme e a derme, esta apoiada sobre a tela subcutânea (DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). A epiderme, localizada mais externamente, é avascular e relativamente fina, apresentando células epiteliais pavimentosas produtoras de queratina, a qual é uma proteína essencial para a formação das penas, escamas e o revestimento externo do bico e das garras. Uma característica única da epiderme nas aves é que ela age como uma glândula sebácea holócrina, secretando um filme lipídico fino que ajuda na manutenção da plumagem (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). Já a derme, encontra-se mais internamente à pele, possuindo os folículos das penas, vasos sanguíneos e nervos, sendo mais espessa e consistindo em tecido conjuntivo fibroso e rígido. Esta é a camada da pele aonde é armazenada gordura, atuando tanto para isolante térmico quanto para nutrição, e aonde é encontrado o músculo eretor o qual tem ação nos folículos das penas. Trata-se de uma fina faixa de músculo liso (contração involuntária) que auxilia a ave na regulação da temperatura, pois em ambiente frios ou quando ave encontra-se enferma os músculos eretores elevam as penas para reter ar quente próximo ao corpo, dando a impressão da ave estar “arrepiada” (DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). A tela subcutânea encontra-se composta principalmente por tecido conjuntivo frouxo e também por tecido adiposo, este mais pronunciado em pinguins, patos, gansos, cisnes e em pássaros migratórios antes do período de migração (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 3. Glândulas As aves, diferentemente dos mamíferos, não possuem glândulas sudoríparas (sudoríferas), pois as penas cobrem uma área tão extensa no corpo que tais 3 glândulas seriam ineficazes em sua função. Deste modo as aves perdem calor através da pele por evaporação pelo sistema respiratório (O’MALLEY, 2005; DYCE, et al., 2010; ARENT, 2010). A principal glândula presente em algumas espécies de aves é a glândula uropigiana (uropigial), conhecida como glândula do óleo, se encontra localizada dorsalmente à base superior da cauda. É uma glândula holócrina bilobada que secreta uma substância oleosa e gordurosa para impermeabilizar o corpo das aves. É espalhada para as penas através do ato de limpeza (asseio) feito pela ave com seu bico. Encontra-se presente em periquitosaustralianos, no papagaio-cinzento-do-congo e está mais desenvolvida em espécies aquáticas, contudo encontra-se ausente em avestruzes, muitas espécies de pombos e algumas espécies de papagaios (WERTHER, 2004; O’MALLEY, 2005; GRESPAN, 2006; GODOY, 2006; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). Essa camada lipídica (gordurosa) passada nas penas também age como uma proteção bacteriostática e pode explicar o porquê das aves possuírem baixos índices de infecções de pele (KING, 1986; DYCE et al., 2010). Outras glândulas presentes na pele são a glândula auricular (aural), a qual é sebácea e localiza-se ao redor da orelha externa secretando uma substância ceruminosa, e as glândulas do vento que secretam muco e cujas funções ainda são desconhecidas suas funções, porém pode estar associada à fertilização interna (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). Glândula Uropigínia 4. Bico O bico e derivado da pele e possui funções de apreensão do alimento, para a corte, preparo do ninho e alimentação dos filhotes. Sendo também utilizado para a locomoção pelos psitacídeos (O’MALLEY, 2005). Possui uma base óssea coberta por uma lâmina de queratina, esta denominada de ranfoteca. A lâmina de queratina do bico superior é denominada de rinoteca e do bico inferior é chamada de gnatoteca. Todas estas crescendo continuadamente devido ao seu desgaste natural (KING, 1986; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010, ARENT, 2010). Possui uma inervação rica fazendo com que seja muito sensível (DYCE et al., 2010). Existe uma relação direta entre os hábitos alimentares das aves e seus respectivos bicos, pois para cada espécie aviária a adaptação evolutiva do bico se deu conforme o tipo e a textura dos alimentos. Os papagaios, por exemplo, utilizam o bico para quebrar sementes e castanhas, por isso seus bicos são curvos e fortes. No caso dos gaviões estes possuem bicos apropriados para dilacerar suas presas, e as garças e pica-paus apresentam bicos para capturar alimentos e para segurar materiais para o ninho (DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). 5. Penas As penas são estruturas da epiderme altamente especializadasque evoluíram das escamas presente nos répteis. Compõem cerca de 4% a 12% da massa corpórea total da ave. E possuem diversas funções, tais como proteção da pele, termorregulação, camuflagem, utilizadas na defesa, côrte, reconhecimento e o mais importante, são estruturas essenciais para o vôo desses animais (TULLY, 2009; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). Algumas regiões das aves não possuem 8 penas, denominadas de regiões aptérias, e locais com presença de penas são chamadas de ptérias (O’MALLEY, 2005; ARENT, 2010). O corpo das aves encontra-se coberto por seis tipos de penas: penas de contorno, semiplumas, filoplumas, plumas, plumas de pó pulviplumas e as cerdas. As penas de contorno, também denominadas de tectrizes, são as penas visualizadas quando se olha uma ave, são as penas de vôo. As penas de contorno das asas são chamadas de rêmiges e apresentam penas primárias e secundárias. As penas da cauda, chamadas de retrizes, estão fixadas ao pigóstilo e são usadas para a direção e frenagem durante o vôo. (KING, 1986; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). 6. Sistema Esquelético Nas aves o esqueleto é altamente especializado tanto para permitir o vôo como o caminhar destes animais. Muitas características contribuem para a leveza da estrutura esquelética, sendo estas: redução no número de ossos; fusão de ossos formando placas que fornecem movimentos resistentes e simplificados; modificação do membro torácico em asa; redução na densidade óssea; ausência de matriz óssea interna (ossos pneumáticos); sacos aéreos se estendendo até a cavidade medular nos maiores ossos (KING, 1986; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; ARENT, 2010). O córtex dos ossos é relativamente fino, mas a medula possui numerosas estruturas trabeculares apresentando assim força extra. O osso cortical é similar em ambos os sexos, porém nas fêmeas a cavidade medular é um importante reservatório de cálcio para os ovos (O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009). O crânio nas aves possui ossos mais finos e as mandíbulas prolongam-se em um bico queratinizado, não sustentando dentes pesados como nos mamíferos. A porção inferior do bico depende de um par de ossos pequenos e móveis, estes denominados de ossos quadrados. E a parte superior do bico possui um acessório um pouco flexível ao crânio o que permite discretos movimentos. Desta maneira as aves podem movimentar a parte inferior e superior do bico de forma independente, permitindo um melhor controle na manipulação de alimentos (O’MALLEY, 2005; ARENT, 2010). Em relação às vértebras torácicas seu número varia entre três a dez e estas podem ser identificadas pela presença das costelas que se articulam ao esterno. Em muitas espécies, tais como aves de rapina, frangos e pombos as primeiras três a cinco primeiras vértebras torácicas encontram-se fusionadas em um único osso, chamado de notário, o qual promove uma trave rígida para suportar o vôo. Após o notário é encontrado uma única vértebra torácica livre, que é a única vértebra móvel do tronco e, portanto corresponde ao elo mais frágil da coluna nessas aves (KING, 1986; ’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 7. Sistema Digestivo Nas aves o sistema digestivo exibe uma variação entre as espécies menor do que é encontrada nos mamíferos. Os órgãos deste sistema são relativamente leves, o que contribui para a leveza essencial para o vôo das aves, e são altamente eficientes em liberar rapidamente a energia proveniente dos alimentos, provendo assim uma alta taxa metabólica nas aves (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). A orofaringe é uma cavidade em comum para o sistema digestivo e respiratório, que vai do bico até a entrada do esôfago. As aves não possuem palato mole. O teto da orofaringe, a qual é achatada dorsoventralmente, é formado pelo palato duro e o seu assoalho é formado pela mandíbula, língua e monte laríngeo. O palato duro é incompleto, pois apresenta uma longa fissura mediana (coana) a qual se conecta com a cavidade nasal. A língua possui forma triangular e é sustentada por um aparelho hióide delicado e não protraível. Este aparelho hióide consiste no osso entoglossal e o osso basibraquial rostral. Quando ocorre o movimento de deglutição no interior da orofaringe a fenda da coana é fechada e o alimento segue para o esôfago. Gansos e patos possuem na língua diversas papilas que se encaixam 29 frouxamente nos sulcos das margens do bico, permitindo a tais aves peneirar partículas de alimentos presentes na água. Os psitacídeos são os únicos a apresentarem um par de ossos entoglossos e uma língua grande e muscular (PACHALY, 2002; O’MALLEY, 2005; GRESPAN, 2006; DYCE et al., 2010). As aves possuem praticamente uma camada de glândulas salivares dispersas pela orofaringe. Estas não estão bem definidas, mas existem pequenos agregados de glândulas maxilares e palatinas no teto da boca, e glândulas madibulares e linguais no assoalho. A saliva das aves é mais mucóide justamente para lubrificar o alimento. A produção da saliva está sob controle de estimulação parassimpática e é bem desenvolvida em aves que consomem alimentos secos, como sementes ou insetos, tais como os pica-paus (O’MALLEY, 2005; CUBAS, 2006). O esôfago possui uma localização anatômica inicial entre a traquéia e os músculos cervicais, porém logo desvia para a direita, mantendo esta posição por todo o comprimento do pescoço. Dentro da cavidade corporal o esôfago passa sobre a bifurcação da traquéia, entre a superfície ventral do pulmão e a base do coração, e funde-se ao proventrículo diretamente à esquerda do plano mediano (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; DYCE et al., 2010). O esôfago é capaz de grandes distensões e sua lâmina própria A função do papo é a de estocar alimentos por um curto período de tempo. Nas corujas, pinguins, avestruzes, tucanos e gaivotas não se observa o papo, e desta maneira o alimento ao ser consumido é direcionado diretamente para o proventrículo (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; ALMEIDA, 2006; CUBAS, 2006; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). Tanto o esôfago como o papo estão localizados na tela subcutânea, são palpáveis e passíveis de laceração. Não existindo quase nenhuma atividade química no esôfago e no papo, apesar da amilase salivar possa começar a digestão de carboidratos (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). O estômago de aves que se alimentam de peixes (piscívoras) e de carne (corujas, gaviões, águias, abutres) é um órgão de estocagem para a digestão química de uma dieta macia. Já as aves herbívoras (galinhas, gansos) possuem um estômago adaptado à redução mecânica, com uma musculatura poderosa, devido ao consumo de uma dieta que é mais resistente (DYCE et al., 2010). O estômago é dividido por uma constrição (istmo) em um estômago glandular denominado de proventrículo e um estômago muscular, chamado de moela. O proventrículo encontra-se ventralmente em contato com o lobo esquerdo do fígado. Possui um formato fusiforme com cerca de 4 cm de comprimento, uma mucosa esbranquiçada, diferindo da cor avermelhada da mucosa do esôfago, e um epitélio colunar secretor de muco. Possui macroscopicamente diversas papilas em sua mucosa através das quais passam ductos coletores vindos de uma camada espessa de glândulas, visíveis ao corte do proventrículo. Existem dois tipos de células epiteliais nas glândulas do proventrículo: as células oxintopépticas, as quais produzem ácido clorídrico e pepsinogênio, e as células epiteliais que produzem muco (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010). A moela ou ventrículo, maior e mais caudal, encontra-se em contato com o fígado, com o esterno e com a parte caudal da parede abdominal lateral esquerda (DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). Possui um formato lentiforme em aves herbívoras, frangos e aves aquáticas, apresentando como funções a digestão de proteínas e a trituração dos alimentos. 8. Fígado O fígado das aves possui uma coloração castanho-escuro, porém as aves até duas semanas após a eclosão apresentam um fígado amarelo devido aos pigmentos da gema, que continuasendo absorvida pelo intestino antes da total regressão do saco vitelino (DYCE et al., 2010). Apresentam um lobo direito e um lobo esquerdo os quais se encontram conectados cranialmente por uma parte dorsal ao coração, e envolvem a parte caudal deste mesmo órgão, devido à ausência de diafragma. O lobo direito é o maior e encontra-se penetrado pela veia cava caudal. Algumas espécies, como os tucanos, possuem a vesícula biliar em sua superfície visceral, 34 porém nos pombos, a maioria dos papagaios, nos periquitos-australianos e nos estrutioniformes (avestruz, ema) a vesícula biliar está ausente (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; ALMEIDA, 2006; CUBAS, 2006; DYCE et al., 2010). A superfície parietal do fígado é convexa e está em contato com o esterno e as costelas. Já a superfície visceral é côncava e está em contato com o baço, proventrículo, moela, duodeno, jejuno, ovário ou testículo direito (FIGURA 34) (DYCE et al., 2010). 9. Pâncreas O pâncreas possui uma estrutura alongada localizando-se entre os ramos da alça intestinal, mais precisamente dentro da borda antimesentérica da alça duodenal (FIGURA 35). Apresenta três lobos (ventral, dorsal e esplênico) com um a três ductos que secretam as enzimas pancreáticas dentro do duodeno ascendente próximo aos ductos biliares. Nas aves piscívoras e granívoras o pâncreas é maior e nos carnívoros é menor. Atua tanto na função endócrina com insulina e glucagon quanto na exócrina com as enzimas amilase, lípase, tripsina e quimiotripsina (RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). 10. Duodeno O intestino delgado compreende o duodeno, o jejuno e o íleo. O duodeno percorre em sentido caudal a partir da superfície direita da moela formando uma alça semelhante a um “U” que retorna à junção duodenojejunal próximo a moela, formando desta maneira uma porção descendente e porção ascendente. A maior parte do duodeno está localizada no assoalho abdominal seguindo a curvatura caudal da moela (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; DYCE et al., 2010). Nas aves carnívoras e frugívoras o duodeno é curto com paredes finas, e nas aves granívoras e piscívoras o duodeno é mais alongado (ARENT, 2010). 11. Jejuno O jejuno forma alças espiraladas ao longo do mesentério e possui uma parede fina, por isso seu conteúdo lhe confere um aspecto esverdeado, possuindo diversos agregados de linfonodos. Observa-se uma pequena protuberância (divertículo de Meckel ou vitelino) o qual demarca a conexão que ali existia com o saco vitelino. Nas aves frugívoras e insetívoras o jejuno é curto e amplo; nos patos e gansos o jejuno encontra-se disposto em várias alças em formato de “U”; e nos pombos o jejuno forma uma massa cônica com voltas centrípetas externamente e centrífugas internamente (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 12. Ìleo O íleo continua a partir do jejuno, porém sem nenhuma divisão visível a olho nu. Possui início no divertículo vitelino (Meckel) ou oposto ao ápice dos cecos (FIGURA 36) (DYCE, K.M., et al., 2010, TULLY, T.N, 2009). 13. Ceco O intestino grosso compreende os cecos e o cólon. Os cecos, os quais têm por função a fermentação bacteriana da celulose através da atuação de bactérias gram-positivas e de protozoários, surgem na junção ileocólica e prosseguem em curso retrógrado ao lado do íleo, ao qual estão fixados através de pregas ileocecais. Percorrem inicialmente um sentido cranial e em seguida, se voltam para seguir em sentido caudal de forma a posicionar suas extremidades cegas geralmente próximas à cloaca. Os segmentos proximais dos cecos possuem um espesso revestimento muscular, denominado de esfíncter cecal, contendo as tonsilas cecais (grande quantidade de tecido linfóide). A parte média dos cecos possui uma parede fina e deste modo parece esverdeada por conta de seu conteúdo no interior. E o fundo cego (parte distal) dos cecos apresentam uma parede mais espessa e bulbosa (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 14. Cólon O cólon nas aves possui a denominação de cólonreto e possui origem na junção ileocecal e término em um ligeiro alargamento na cloaca. Possui como função a reabsorção de água e eletrólitos por movimentos antiperistálticos, visto que a urina é movida a partir da cloaca para o cólonreto por meio de ações antiperistálticas (RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 15. Cloaca A cloaca é uma estrutura comum aos sistemas reprodutivo, urinário e digestório, tendo em vista que o cólonreto, os ureteres e ductos deferentes ou oviduto esquerdo abrem-se na cloaca em diferentes níveis, e a cloca se abre para o exterior por meio do vento (RITCHIE et al., 1994; WERTHER, 2004; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). Encontra-se dividida em coprodeu, urodeu e proctodeu por meio de duas pregas anulares parcialmente completas. A bolsa cloacal, ou bolsa de Fabrício (Fabricius), está localizada na parede dorsal do proctodeu e é o local de produção e diferenciação dos linfócitos B (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 16. Sistema Circulatório O coração das aves localiza-se tanto entre os lobos hepáticos como cranial ao fígado, estando fixado ao esterno pelo pericárdio fibroso. Observam-se quatro câmaras semelhante ao que é visto nos mamíferos, exceto que a aorta ascendente curva-se para a direita. Seu tamanho é maior do que nos mamíferos, de forma proporcional, e seu formato é cônico estando o ápice formado apenas pelo ventrículo esquerdo (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). As veias pulmonares das aves formam um tronco único antes de adentrarem ao átrio esquerdo em uma entrada que possui uma valva capaz de prevenir o refluxo. A valva atrioventricular esquerda apresenta três cúspides fixadas às cordas tendíneas. O ventrículo esquerdo possui parede fina e de formato cônico, apresentando traves musculares internas como rosetas quando da secção transversal. No caso do átrio direito observa-se que o mesmo recebe as veias cavas craniais, as veias pareadas e apenas uma veia cava caudal. Em algumas espécies como frangos e avestruzes observam-se que as veias cavas cranial e caudal entram primeiro dentro de um seio venoso antes de entrarem no átrio direito. A valva atrioventricular direita encontra-se formada por uma única aba muscular sem a presença de cordas tendíneas. O ventrículo direito possui parede fina e quando o 41 seccionado transversalmente observa-se seu lúmen em formato de lua crescente (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). 17. Sistema Respiratório Diferentemente do que ocorre com os mamíferos o sistema respiratório nas aves não apresenta diafragma e é utilizado para a vocalização, termorregulação e efetivamente as trocas gasosas. A separação da ventilação e das trocas gasosas permite um fluxo contínuo de ar, explicando então o porquê das aves serem capazes de extrair até dez vezes mais oxigênio do ar em relação aos mamíferos (O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). A abertura da laringe ao contrário da dos mamíferos não está coberto pela epiglote. Localiza-se caudalmente à língua e não desempenha nenhum papel na produção de som. A laringe encontra-se suspensa pelas cartilagens cricóide e aritenóides, estas últimas sendo pares e que articulam com a parte rostrodorsal da cartilagem cricóide. A glote fecha a entrada da laringe durante a deglutição pela ação muscular reflexa impedindo a entrada de substâncias estranhas às vias aéreas inferiores (KING, 1986; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010). A traquéia acompanha o esôfago e está composta por anéis cartilaginosos completos e firmemente arranjados, podendo ser palpada pelo lado direito da ave. Nas espécies aviárias com pescoço longo, tais como os cisnes silvestres e garças, a traquéia é mais longa do que o próprio pescoço e forma uma alça que é acomodada em uma escavação do esterno na entrada do tórax (KING, 1986; O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010, ARENT, 2010). Os pulmões nas aves ao contráriodo observado nos mamíferos apresentam muito mais cartilagem tornando-os mais firmes. Além disso, são menores, não lobados, não expansíveis, com uma coloração rosa brilhante e mais macio ao toque. Localizam-se na parte craniodorsal da cavidade corporal, profundamente nas vértebras torácicas e nas costelas. Não se encontram recobrindo as superfícies laterais do coração e apresentam sua superfície convexa dorsal moldada à curvatura das costelas e sua superfície côncava ventral (septal) contra o septo horizontal, se voltando para o esôfago, fígado e coração. Desta maneira pela existência de abundante cartilagem nos pulmões e um confinamento cercado por estrutura óssea os pulmões das aves são estruturas não expansíveis (WERTHER, 2004; O’MALLEY, 2005; DYCE et al., 2010). Os sacos aéreos são estruturas de parede muito fina com duas células de espessura, de fundo cego e são ampliações do sistema bronquial que se estendem do pulmão até as vísceras. Podendo os divertículos de alguns sacos se estenderem a vários ossos e espaços intermusculares. Salienta-se que não ocorre qualquer troca gasosa nos sacos aéreos, tendo em vista que os mesmos são pobremente vascularizados (O’MALLEY, 2005; TULLY, 2009; DYCE et al., 2010; ARENT, 2010). 18. Sistema Nervoso O cérebro das aves é pequeno e com hemisférios cerebrais menos desenvolvido. Estes são principalmente compostos pelo corpo estriado, indicando que as aves possuem e usam mais comportamentos estereotipados e o instinto do que a memória e o aprendizado. Porém em aves mais inteligentes como os papagaios os hemisférios cerebrais possuem um melhor desenvolvimento (RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005). Existe um cerebelo muito desenvolvido para a locomoção, bulbos olfatórios menos desenvolvidos e lobos ópticos largos para a visão. Tem-se a presença de doze pares de nervos cranianos, assim como nos mamíferos. A medula espinhal possui três meninges, a dura máter, aracnóide e pia máter. Mas como a medula possui o mesmo comprimento do que o canal medular não existe a cauda eqüina. A medula espinhal torna-se mais alargada nos plexos plexos braquial e lombosacral. Aves voadoras possuem um plexo braquial mais proeminente, enquando aves corredoras como os avestruzes possuem um largo plexo lombosacral. Uma característica única das aves é a presença do corpo gelatinoso (glicogenado), o qual possui o formato de uma ervilha e está localizado na superfície dorsal do plexo lombosacral cuja função ainda é desconhecida (KING, 1986; RITCHIE et al., 1994; O’MALLEY, 2005). 19. Referências http://www.conhecer.org.br/download/ANATOMIA/Apostila.pdf https://pt.slideshare.net/patriciastierr/tratado-de-anatomia-veterinria-aves http://www.uel.br/laboratorios/lma/pages/arquivos/1encontrogema.pdf https://www2.ibb.unesp.br/departamentos/Morfologia/material_didatico/Profa_Maeli/Aulas_Bio/seminarios/sistema_digestorio_aves.pdf https://periodicos.ufersa.edu.br/acta/article/view/2965 http://www.archhealthinvestigation.com.br/ArcHI/article/view/1803