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TCC Tereza Rachel 2020 formatado-convertido

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sendo que a doença é uma crônica e de 
evolução lenta, que traz inúmeras limitações ao paciente, causando prejuízos nas 
relações sociais, cognitivos e emocionais. 
 Partindo desse pressuposto, a partir dos registros diários e das atividades 
realizadas durante o estágio no Centro de Saúde, bem como entrevistas sobre os 
impactos do diagnóstico da doença levaram aos seguintes resultados: 
 
Quadro 2: RESUMO QUANTO AO SEXO E PROCEDÊNCIA DOS PACIENTES 
Quanto ao sexo dos usuários Quanto à procedência dos pacientes 
Masculino 28 São Luís 09 
Feminino 22 Outros Municípios 41 
 Fonte: o autor 
 
 Observa-se que o número de pacientes com hanseníase do sexo masculino é 
superior ao do sexo feminino, dados do Ministério da Saúde confirmam que o 
percentual de homens com o histórico da hanseníase é maior do que de mulheres. 
Quanto à procedência, destaca-se que no Centro de Saúde Dr. Genésio Rêgo, os 
pacientes da capital São Luís são atendidos em sua maioria no bairro de Fátima 
pelo Centro de Saúde de Fátima, enquanto que a maioria é de pacientes do interior 
do Estado. 
44 
 
 O momento de estágio obrigatório foi crucial para observações e registros no 
diário de campo quanto a percepção dos pacientes com a realização dos 
acolhimentos podendo ser destacados os principais benefícios a esses pacientes. 
 
Gráfico 2: Observação quanto aos benefícios do Acolhimento 
Fonte: o autor 
 
 
 Entende-se da leitura do gráfico que os principais benefícios da realização do 
acolhimento no Centro de Saúde Dr. Genésio Rêgo são classificados como: melhor 
compreensão sobre o processo da doença no organismo, houve uma mudança 
notável quanto a esse entendimento em pelo menos 74% dos casos observados, em 
18% não houve mudança nesse sentido, 8% dos casos houve dúvidas quanto a 
verdadeira percepção sobre a compreensão da doença; quanto à valorização do 
indivíduo e a preocupação com a autoestima cerca de 80% observou-se uma 
melhora, enquanto 17% não demonstraram mudança e somente 3% não foi possível 
dar um parecer concreto; sobre o entendimento das formas de tratamento e a 
0% 20% 40% 60% 80% 100%
Compreensão
sobre a
doença
Autoestima
Tratamento 
Fortalecimento
de Vínculos
Dúvida
Não Mudou
Mudança notável 
45 
 
importância do mesmo para a cura da doença, 92% observou-se melhora e o 
sentimento de confiança em prosseguir, somente 2% não houve mudança e 6% não 
foi possível distinguir a percepção; quanto ao fortalecimento de vínculo com o 
profissional de Serviço Social que realiza o acolhimento 86% dos casos observados 
notou-se um profundo respeito pelo profissional e satisfação em participar do 
acolhimento, 12% não se percebeu mudança e 2% não houve dúvida quanto a 
percepção dos mesmos quanto ao assunto. 
 
7.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS 
 
 
 Respondendo ao objetivo A desta pesquisa, durante o período de observação 
da prática de acolhimento no Centro de Saúde Dr. Genésio Rêgo, durante o estágio, 
evidenciou-se a abordagem realizada de forma humanizada e integral do paciente, 
considerando que o tratamento integral visa estabelecer rotina de operacionalização 
das atividades de tratamento da hanseníase e de suas respectivas atividades, 
obedecendo a requisitos de recursos humanos capacitados, atividades educativas, 
infraestrutura adequada, sistema de informação, relação de sistema de referência e 
contra referência e programação de insumos. 
 O acolhimento realizado no Centro de Saúde tem como finalidade diminuir o 
impacto do diagnóstico e conscientização do usuário e da família quanto as dúvidas 
em relação ao tratamento, a cura da doença e os procedimentos quanto aos 
cuidados. 
 O acolhimento, ocorre a partir de orientações institucionais, que orienta os 
profissionais da saúde a realizar encaminhamento dos pacientes após recebimento 
do diagnóstico de hanseníase para o Serviço Social somente se aqueles 
apresentarem comportamentos de confusão e fragilidade com o resultado. 
Lembrando que o assistente social exerce suas ações norteados pelo que preconiza 
o Código de Ética Profissional. Nesse sentido, o art. 10 do Código de Ética que trata 
das relações com assistentes sociais e outros profissionais “é fundamental que o 
assistente social respeite as normas de outras profissões”. 
 Após essa observação as enfermeiras do setor responsável encaminham o 
paciente para o Serviço Social para que seja realizado o acolhimento. Nesse 
momento, nota-se a aflição do usuário diante do diagnóstico, sendo tomadas, pelo 
setor social, as medidas cabíveis no intuito de minimizar o impacto. 
46 
 
 Atualmente o Serviço Social realiza de um a dois acolhimentos diários, 
podendo ser mais, dependendo da demanda diária, para tanto, seguem-se as 
práticas de acolhimento estipulados pela Política Nacional de Humanização (PNH) 
HumanizaSUS, sendo estas: atendimento à toda demanda; escuta sensível e 
qualificada; organização do fluxo de atendimento em conjunto com as unidades 
básicas de saúde. 
 Expõe-se a importância do acolhimento realizado pelo profissional do Serviço 
Social junto ao paciente com hanseníase, uma vez que é essa prática é considerada 
com uma das condições determinantes para adesão do tratamento pelo paciente 
que se encontra em situação de vulnerabilidade pessoal. 
 
7.2 ANÁLISE DOS DADOS 
 
 
 Em resposta ao objetivo B, notou-se que ao receber o diagnóstico de 
hanseníase em alguns casos, o paciente demonstra fragilidade diante da notícia. 
Porém, outros o recebem com mais serenidade, não sendo possível alegar que 
estejam totalmente confortáveis com o processo que ocorrerá em suas vidas a partir 
daquele momento. 
 O caso de usuários que expõe sua fragilidade no momento do diagnóstico 
comumente vem seguido de demonstrações de sentimento de tristeza, pensamento 
negativo com relação à morte, medo, apatia, preocupação com o meio social e 
familiar, emprego, receio quanto a discriminação e estigma carregado com a 
doença. 
 Alguns pacientes relataram que o primeiro pensamento quanto gira em torno 
do preconceito que terá que enfrentar na sociedade, medo de perder o emprego, 
preocupação com os vizinhos e amigos, com isso o impacto inicial é como um 
choque que leva alguns pacientes a apresentarem um quadro de ansiedade e até 
depressivos. 
 Nesse ponto, segundo a PNH, os benefícios do acolhimento realizado de 
forma humanizada, são primordiais para o paciente com hanseníase, com ele os 
usuários tomam ciência da realidade da doença, das formas de tratamento da 
importância do mesmo para o processo de cura, melhora da autoestima, além do 
fortalecimento dos vínculos entre profissionais e usuários. Nesse momento também 
47 
 
o profissional analisa melhor as necessidades dos usuários para possíveis 
encaminhamentos para redes de serviço de proteção. 
 O acolhimento promove ao usuário maior acessibilidade as informações 
quanto ao tratamento, fornecendo conforto e tranquilidade quanto aos direitos 
inerentes a pessoa com hanseníase, como por exemplo, direito à acessibilidade; 
direito a tratamentos diferenciados; direito de acesso ao lazer, na cultura, na 
educação, no turismo, no trabalho e no esporte; direito à Previdência Social; direito a 
Assistência Social a partir de análise da possibilidade de inscrição para recebimento 
do Benefício de Prestação Continuada (BPC) após avaliação do INSS; Direito à 
isenção de tributos; direito à participação na mobilização e no controle social. Todos 
os direitos e deveres da pessoa com hanseníase estão disponíveis na Cartilha: 
Hanseníase e Direitos Humanos Direitos e Deveres dos Usuários do SUS – 
disponível em (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/08_0317_M.pdf). 
Devendo-se atentar para a análise de cada caso em particular. 
 
7.3 RESULTADOS 
 
 Respondendo ao objetivo C, a partir da observação da prática de acolhimento 
realizado no Centro de Saúde Dr. Genésio Rêgo, a proposta que se faz é a 
realização

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