A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
53 pág.
TCC Tereza Rachel 2020 formatado-convertido

Pré-visualização | Página 3 de 13

e 
a Lei nº 8.142/1990. A pesquisa também faz referência ao panorama da saúde 
pública no cenário atua, onde se discute sobre as formas de atuação frente as 
epidemias e o combate a pandemia do novo Coronavírus. 
 Faz-se ainda, uma breve discussão sobre o processo de intervenção do 
Assistente Social na Saúde, suas práticas e funções. Ressalta-se que a pesquisa 
buscou analisar as concepções de acolhimento frente a questão social, trazendo 
conceitos sobre o assunto, ressaltado a importância do acolhimento humanizado a 
partir das diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH). 
 
 
 
 
 
 
13 
 
2 SERVIÇO SOCIAL NA SAÚDE E O ACOLHIMENTO DO USUÁRIO AO 
RECEBER O DIAGNÓSTICO CLÍNICO DE HANSENÍASE NO CENTRO DE 
SAÚDE DR. GENÉSIO RÊGO 
 
 
Pensando nesse propósito do acolhimento, como técnica de troca de 
informações e conhecimentos, primou-se pela escolha do tema, ressaltando sua 
importância para os benefícios da prática durante o tratamento de hanseníase, 
assim como as ações desenvolvidas pelo profissional de Serviço Social no campo 
da saúde pública. 
Nesse sentido, partimos da observação do acolhimento realizado pelos 
assistentes sociais na área da saúde, mais especificamente no Centro de Saúde Dr. 
Genésio Rêgo, onde o mesmo deve pautar-se no modelo técnico assistencial, sendo 
este, um modelo dialogado onde se destaca como uma técnica especial de 
conversação, pois se trata de uma qualidade durante o processo de troca de 
informações, além de uma possibilidade real a ser disposta ou facilitada por uma 
“técnica geral de conversa”. 
Porém, Chupel e Mioto (2010, p. 46) constatam que as dificuldades da 
implementação do acolhimento correspondem aos “determinantes organizacionais 
impostos, pois a estratégia do acolhimento é uma proposta que tem a finalidade de 
ultrapassar as fronteiras técnicas, e objetivas garantir o acesso e promover o vínculo 
com o Sistema Único de Saúde”. 
Importa ressaltar que a técnica de acolhimento possui três dimensões de 
extrema importância, sendo elas: a postura, a técnica e o princípio de orientação de 
serviços. A postura está relacionada a atitude por parte dos profissionais e da equipe 
de saúde, que devem receber, escutar e realizar um tratamento humanizado com os 
usuários e suas demandas. Sobre esse procedimento Silva Júnior e Mascarenhas 
(2005, p. 245) expõem que o acolhimento “instrumentaliza a geração de 
procedimentos e ações organizadas. Tais ações facilitam o atendimento na escuta, 
na análise, na discriminação de risco e na oferta acordada de soluções ou 
alternativas nos problemas demandados”. 
O acolhimento do usuário portador de hanseníase deve acontecer por meio 
de um atendimento humanizado, através do processo de escuta e identificação 
adequada realizada pelo profissional de Serviço Social. Segundo o Protocolo de 
Atendimento em Hanseníase (2007, p. 11): “A abordagem humanizada e integral do 
14 
 
portador de hanseníase permitirá logo no primeiro contato diminuir as barreiras do 
estigma, preconceito e sofrimento enfrentados pelos pacientes.” 
Sendo assim, o entendimento final deste projeto visou encontrar subsídios 
que corroborassem com a importância da prática do acolhimento realizado com 
pacientes após o recebimento de diagnóstico da hanseníase, uma vez que o mesmo 
deve ser feito de forma humanizada, com um olhar voltado diretamente para o 
usuário que no primeiro momento do diagnóstico, na maioria das vezes, sente-se 
desnorteado, podendo apresentar problemas de ordem social, emocional e 
psicológica. Destacando-se, portanto, a relevância do trabalho do assistente social 
nesse processo, a partir do seu olhar profissional, suas técnicas, competências e 
habilidades durante cada atendimento. 
 
2.1 TRAJETÓRIA DO SERVIÇO SOCIAL 
 
A prática do Serviço Social se caracteriza pela Assistência Social. Dessa 
forma, não podemos falar de um sem nos remetermos ao outro. Para tanto, é valioso 
informar que o Serviço Social se originou da Igreja Católica e tinha como objetivo a 
grande massa operária que integrava o capitalismo industrial da época. 
Durante muito tempo essa prática teve a concepção de caridade e da fé 
cristã, por trás da ação/benesse existia, por parte do receptor, uma relação de 
gratidão com o doador, inexistindo o serviço social como direito, o que abriu espaço 
para uma concepção de dependência respaldada em interesses: religiosos, 
hierárquicos, políticos e etc. De acordo com Albonette (2017, p. 58) “Esse evento 
coincidiu com o período de industrialização do país, durante o qual a simples 
caridade já não atendia ao que se esperava do Estado como resposta às 
expressões da questão social”. 
No Brasil, o Serviço Social surgiu por volta do ano de 1930 como resposta à 
evolução do capitalismo que vinha permeado por forte influência da Europa. Entre os 
anos de 1930 a 1935, o governo brasileiro sofreu grandes pressões da classe 
trabalhadora e é nesse cenário que o governo de Getúlio Vargas ressurge fazendo 
emergir a questão social fruto das pressões e questionamentos da sociedade da 
época. 
A ligação entre a Assistência Social e o Serviço Social também se verificou no 
seu surgimento, tendo em vista que a primeira igualmente teve seu início no ano de 
15 
 
1930. Essa mesma informação foi prestada por Coutinho (2008), o qual ensinou que 
“Somente a partir dos anos de 1930 é que a assistência passa a ser paulatinamente 
absorvida pelo Estado. Após a chamada Revolução de 1930, Getúlio Vargas 
assume o poder e começa a desenvolver uma política voltada para a industrialização 
(modernização) do país centrada no protagonismo estatal”. 
Face ao exposto Albonette (2017, p. 73) conclui que “a profissão no Brasil, 
desde sua gênese, esteve ligada à assistência da classe trabalhadora; contudo era 
possível evidenciar um predomínio do emprego público em diversos órgãos do 
governo”. 
Com a inserção do profissional de Serviço Social cada vez mais necessária 
em diversos espaços sócio ocupacionais, as técnicas de atendimento foram se 
aperfeiçoado de acordo com os avanços e legitimação e a teorização da profissão. 
Nesse aspecto, de acordo com Yolanda Guerra (1999): 
 
Compreendemos que esse avanço vincula-se à processualidade histórica, 
enquanto categoria constitutiva da própria realidade, capaz de provocar as 
condições de amadurecimento das contradições sociais pela via de novas 
articulações entre fatos e fenômenos. A razão moderna, ante a hegemonia 
da razão instrumental, não perde a sua estrutura inclusiva; antes, se 
consolida pelo nível de concreção e complexidade que os processos sociais 
adquirem na ordem capitalista da era dos monopólios. (GUERRA, 1999, p. 
204-205). 
 
A partir do Movimento de Reconceituação da profissão, iniciado na década de 
60, o profissional de Serviço Social iniciou um processo de rompimento com as 
velhas práticas assistencialistas. Com o tempo o objeto de trabalho pautado na 
questão social ganhou um novo enfoque, onde segundo Silva (2017, p. 25) “esse 
objeto possibilita que a categoria profissional desloque sua visão única do sujeito e o 
conecte à totalidade, ou seja, permite que o assistente social compreenda o 
indivíduo como um ser histórico: produto e produtor do seu meio”. 
A partir da redemocratização, outro fator a ser observado é o crescente 
descontentamento da população com relação a área da saúde, tendo por sua vez, a 
organização de setores que exigiam uma reforma no setor, devido ao agravamento 
da questão social. O marco dessa mudança é o Movimento Sanitário, culminando 
nos fundamentos jurídicos e reguladores da Constituição Federal e logo após no 
processo de construção do Sistema Único de Saúde (SUS). A Constituição Federal 
em seu Art. 6º, estabelece como direitos sociais fundamentais a educação, a saúde, 
16 
 
o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à 
infância. 
Dessa forma, tem-se

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.