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TCC Tereza Rachel 2020 formatado-convertido

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divulgado pela 
Secretaria de Saúde do Maranhão (SES) a maioria dos casos, 70%, atinge jovens e 
adultos, na faixa etária de 20 a 49 anos. 
A SES reforça sobre à medida que trata sobre a continuação da quarentena 
por causa da evolução do número de casos no Estado, o intuito é frear o aumento 
repentino de casos, que poderia contribuir para o colapso no sistema de saúde pela 
falta de leitos e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Essa realidade se estende 
a todos os estados brasileiros. 
Observa-se que face aos problemas vivenciados pela saúde pública até o 
momento, o quadro que se apresenta é de inúmeros desafios e muitas incertezas 
quanto a repercussão do panorama do setor da saúde brasileira. 
As questões levantadas são de ordem financeira, estrutural e de gestão, 
dessa forma, há a necessidade de reestruturação dos mecanismos de prestação de 
serviço na saúde seguindo-se parâmetros estipulados pelo Ministério da Saúde, 
além da consciência de que, na atualidade, a saúde da população exige ação 
coletiva que garanta acesso equitativo a saúde. 
 
2.4.1 Intervenção do assistente social na saúde 
 
A inserção do Serviço Social na área da saúde surge no Brasil na década de 
1940. Impulsionado pelos diferentes contextos de desigualdade social presentes na 
sociedade. A presença desse profissional na saúde foi primordial no processo de 
instalação da dinâmica de gestão Hospitalar das Clínicas, atrelado a forma nunca 
antes presenciada de um hospital público. 
 
A generalização da demanda social por consultas médicas em decorrência 
das graves condições de saúde da população, a progressiva predominância 
de um sistema de atenção média de massa, a desvinculação do ensino 
médio da realidade sanitária e a consolidação da relação autoritária, 
mercantilizada e tecnificada entre serviços de saúde e usuários contribuíram 
para a insuficiência do sistema de saúde brasileiro em responder ao quadro 
epidemiológico da época e mantiveram uma política de saúde excludente. 
(REZENDE E CAVALCANTI, 2009, p. 69). 
 
A atribuição dada ao Serviço Social, nesse período, foi a de gestão da triagem 
socioeconômica dos usuários, pois ainda não existia a característica de saúde como 
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direito universal. Somente com a promulgação da CF-88 é que o direito passou a 
configurar-se como universal, retirando a necessidade de qualquer comprovação de 
meios para ser atendido na saúde pública. 
A Constituição Federal o marco da ampliação dos direitos a saúde, ressaltado 
em seu Art. 196º, o capítulo referente à seguridade social, incorporou a visão do 
Movimento Sanitário, trazendo como características: universalidade, gratuidade, 
integralidade, organização descentralizada com direção única em cada esfera do 
governo, prioridade das atividades preventivas sem prejuízo das atividades de 
assistência, participação da comunidade, financiamento público das três esferas de 
governo e participação da iniciativa privada de modo complementar. 
Seguindo essa premissa o SUS foi regulamentado a partir de duas leis 
orgânicas, a Lei Orgânica da Saúde (LOS) nº 8.080/1990, que reafirmou a 
necessidade de avançar no processo de unificação, criando o SUS, previsto na 
Constituição Federal, transferindo o Instituto Nacional de Assistência Médica da 
Previdência Social (Inamps) para o Ministério da Saúde e reforçando a competência 
dos municípios na prestação de serviços de saúde. 
Destaca-se também a Lei nº 8142/1990 que foi editada tendo em vista os 
vetos que a Lei nº 8080/90 recebeu, principalmente no tocante à participação da 
comunidade e ao repasse direto de recursos. Com a referida lei, ficou restabelecida 
a participação da comunidade na gestão do SUS, a partir da criação de Conselhos 
de Saúde e das Conferências de Saúde. 
Com a implantação do SUS, a inserção do assistente social tornou-se ainda 
mais necessária na promoção, proteção e recuperação da saúde em diferentes 
níveis do SUS derivada da adoção do conceito ampliado de saúde, que compreende 
o processo saúde-doença como decorrentes das condições de vida e de trabalho. 
 
Na saúde, se cabe ao médico, ao enfermeiro, primordialmente, a 
manutenção, recuperação e promoção da saúde, aos assistentes sociais – 
que têm como objeto a “questão social” – cabem, principalmente, organizar, 
aprofundar, ampliar, desenvolver, facilitar os conhecimentos e informações 
necessários sobre todos os aspectos da história e da conjuntura relativos à 
saúde e seus determinantes e à participação social e política dos usuários, 
a partir do conjunto de conhecimentos que a ciência tem produzido sobre a 
realidade social. (VASCONCELOS, 2011, p. 435). 
 
Dessa forma, temos que a instituição de saúde como direito de cidadania e 
dever do Estado opera um deslocamento teórico conceitual do tema “saúde” para 
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construção dos direitos sociais. Nesse contexto, o assistente social tem uma função 
primordial na atenção à saúde e das condições de saúde da população, 
considerando que no cotidiano profissional estão presentes as demandas de 
satisfação globais de vida e as possibilidades de atendimento por meio da Política 
Social de Saúde. 
Esse profissional facilita o acesso da população às informações e ações 
educativas para que a saúde possa ser vista como produto das condições gerais de 
vida e da dinâmica das relações sociais, econômicas e políticas. 
A intervenção do profissional de Serviço Social na área da saúde, busca 
orientações gerais para sua atuação frente as demandas sociais identificadas no 
cotidiano nos “Parâmetros para Atuação de Assistentes Sociais na Saúde”. 
Tal documento expressa-se na totalidade das ações desenvolvidas pelos 
assistentes sociais na saúde, considerando-se as desenvolvidas nos programas de 
saúde, na atenção básica, média e alta complexidade em saúde. O trabalho 
desenvolve-se através de equipe multidisciplinar composta por profissionais de 
diferentes áreas. 
 
A atuação nos programas exige do assistente social um olhar interdisciplinar 
e, portanto, a superação da fragmentação do saber e das práticas 
profissionais. À interdisciplinaridade do trabalho, soma-se a necessidade de 
ações intersetoriais, pois as demandas dos usuários não são, em muitos 
casos, plenamente respondidas com o acesso à política de saúde. 
(REZENDE E CAVALCANTI, 2009, p. 78). 
 
A intervenção junto a perspectiva interdisciplinar das ações de saúde, tem 
proporcionado ao profissional de Serviço Social assumir postos antes ocupados por 
outras categorias profissionais. Nesse sentido, a intervenção do assistente social na 
área da saúde pressupõe o domínio da discussão no campo das políticas públicas, 
particularmente do Sistema Único de Saúde – SUS, e de como o acesso a este 
sistema é garantido aos cidadãos. 
 
 
 
 
 
 
 
26 
 
3 IMPACTO DO DIAGNÓSTICO DE HANSENÍASE PARA O USUÁRIO E OS 
BENEFÍCIOS DO ACOLHIMENTO HUMANIZADO 
 
 A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, sendo que a mesma é 
considerada como um problema de saúde pública, pois ela pode causar 
incapacidades físicas, principalmente aqueles que exercem atividades laborais. O 
tratamento da hanseníase é um direito de todo indivíduo é garantido pelo SUS e tem 
cura. 
Essa doença atinge a pele e nervos dos pacientes e é considerada de fácil 
diagnóstico, porém a hanseníase é cercada de preconceitos e estigmas, tanto pela 
população quanto pelos profissionais de saúde, fatos que contribuem para o 
diagnóstico tardio. 
 A hanseníase é uma doença de pele, conhecida desde as civilizações 
antigas como “lepra”, porém, essa nomenclatura foi atualizada pela Lei nº 
9.010/1995, determinando que o termo “lepra” e seus derivados não poderão ser 
utilizados na linguagem empregada nos documentos oficiais da Administração 
centralizada e descentralizada da União e dos Estados-membros. 
 O Brasil foi o único país que oficializou a mudança de nomenclatura. Contudo, 
a doença ainda carrega

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