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PIGMENTOS RESPIRATÓRIOS NA LUTA CONTRA O COVID-19

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PIGMENTOS RESPIRATÓRIOS NA LUTA CONTRA O COVID-19 (Aula 27)
	A espécia Arenicola marina é um anelídeo poliqueta, uma minhoca segmentada que vive em sedimentos mistos. Ocorrendo em diversas praias da Groenlândia e na costa da Europa Ocidental, na Noruega, Sibéria e Islândia. Comumente encontrados em localidades de entre-marés, esse animal marinho é considerado um bioindicador do meio e muito requisitado na área médica e pesquisa há alguns anos. 
	São geralmente encontradas em praias lamacentas e arenosas que em maré-baixa, ficam encharcadas de água durante um determinado período de tempo. E a disponibilidade de oxigênio em ambiente marinho que já é baixa, sofre uma brusca redução. Esse animal sofreu adaptações específicas devido a queda de oxigênio do meio em que habita, desencadeando uma maior afinidade das moléculas com oxigênio. E mesmo em níveis muito baixos de oxigenação, essa espécie consegue captar oxigênio. 
	Animais que apresentam um sistema circulatório tendo como base o transporte de líquido possuem baixa capacidade de carregar oxigênio. Isso se dá devido a grande densidade da água e seu elevado custo energético de movimentação. Ao passo que esses organismos foram sofrendo adaptações, ocorre então o aparecimento de moléculas capazes de transportar oxigênio (graças à presença de um metal pesado com muita afinidade pelo oxigênio, como o ferro por exemplo). 
	A molécula em questão, também denominada pigmentos respiratórios estão dissolvidas no sangue ou presente no interior das células, e até mesmo podem ser encontradas no celoma. Há três tipos de pigmentos respiratórios que podem ser encontrados em anelídeos poliquetas, como o Arenicola: hemoglobina, hemeritrina e clorocruorina. O que pode ser um indício do surgimento da molécula no ancestral dos anelídeos. 
	A minhoca marinha vem sendo estudada há anos devido essas características que a tornam uma espécie de grande importância médica. Segundo o biólogo Gregory Raymond "A hemoglobina do Arenicola marina pode transportar 40 vezes mais oxigênio dos pulmões para os tecidos do que a hemoglobina humana". Em comparação a hemoglobina humana, são bem maiores e carregam muito mais oxigênio.
	A molécula hemoglobina presente nos poliquetas é extracelular e não desencadeia reações alérgicas e nem respostas imunológicas. Logo não há rejeição devido à incompatibilidade da ligação antígeno anticorpo presente na membrana das hemácias. Ao contrário da hemoglobina humana, que fica no interior das hemácias e é passível a rejeições. 
	Atualmente já são utilizadas no campo da ciência medicinal, atuando na oxigenação dos órgãos transplantados durante o transporte e enquanto a doação não é realizada. Assim como também podem ser utilizadas na cicatrização, em bandagens para curativos de machucados de difícil cicatrização. Além de ser utilizada em outros procedimentos médicos em combate a anemia, doenças respiratórias, isquemia, etc. 
	Características do sangue dessas poliquetas podem ser utilizadas para amenizar as dificuldades respiratórias dos pacientes em casos graves por covid-19. A hemoglobina presente em seu sangue é muito mais eficiente em captar e transportar oxigênio do que a da espécie humana. Sendo assim, pode melhorar o quadro de oxigenação sanguínea de pacientes em estado grave.
	Em abril de 2020, a empresa biofarmacêutica francesa Hemarina divulgou a futura realização de testes clínicos com a molécula, Hemo2life , hemoglobina isolada do Arenicola. Estima-se que com o uso do tratamento ocorra um desafogamento da ocupação dos leitos de UTI, pois o “respirador molecular” beneficiará os casos mais graves da doença. Tendo em vista grande demanda e a dificuldade de produção em massa do fármaco, o tratamento tende a ser utilizado somente em casos muito graves da doença, a princípio. 
Referências Bibliográficas: 
	Saraiva, Raquel. Conheça o “verme” marinho que pode revolucionar o tratamento contra a Covid-19 e outras doenças. Bate papo com Netuno,2020.Disponível em :<https://www.batepapocomnetuno.com/post/conhe%C3%A7a-o-verme-marinho-que-pode-revolucionar-o-tratamento-contra-a-covid-19-e-outras-doen%C3%A7as >.Acesso em 22 de junho de 2020.
	AFP. França testa sangue de verme marinho em pacientes com covid-19. Exame, 2020. Disponível em: <https://exame.com/ciencia/franca-testa-sangue-de-verme-marinho-em-pacientes-com-covid-19/ >. Acesso em 22 de junho de 2020.
	FRANCE PRESSE. Uso de verme marinho em transfusões é estudado por cientistas. Folha Uol, 2017. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/08/1906514-uso-de-sangue-de-verme-marinho-em-transfusoes-e-estudado-por-cientistas.shtml >. Acesso em 24 de junho de 2020.
	Encyclopedia of Life. Disponível em: <https://eol.org/pages/486136.> Acesso em 27 de junho de 2020. 
	Ferreira Júnior, Nelson. Introdução à Zoologia. Volume Único. / Nelson Ferreira Júnior, Paulo Cesar de Paiva . - 2. ed. - Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2018. (Módulos de 1 a 4). 500p.; 19 x 26,5 cm. ISBN: 978-85-458-0122-1.
	Ventura, Carlos Renato Rezende. Diversidade biológica dos protostomados. v.2 / Carlos Renato Rezende Ventura. – 3.ed. – Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 216p. ; 19 x 26,5 cm. ISBN: 85-7648-050-6