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RAÇAS E ESTRATÉGIAS DE CRUZAMENTO PARA 
PRODUÇÃO DE NOVILHOS PRECOCES 
 
Pedro Franklin Barbosa 
Embrapa Pecuária Sudeste, São Carlos, SP 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A produção de carne bovina (P), em uma determinada região ou 
País, é o resultado da utilização dos recursos genéticos (G) e de ambiente 
(A), das práticas de manejo, produção e comercialização (M) e, 
possivelmente, das interações entre os componentes causais (G x A, G x 
M, A x M) de P, isto é, P = G + A + (G x A + G x M + A x M). 
Portanto, há várias maneiras de se combinar os recursos genéticos, de 
ambiente e as práticas de manejo, produção e comercialização o que, por 
sua vez, dá origem aos diferentes sistemas de produção de carne bovina. 
Em geral, os sistemas mais eficientes são aqueles que otimizam tanto os 
recursos genéticos (raças, linhagens, cruzamentos, sexo dos animais, etc.) e 
de ambiente (clima, solo, alimentação, etc.) quanto as práticas de manejo, 
produção e comercialização (criação em regime de pasto, semi-
confinamento, confinamento, estação de monta, época e métodos de 
comercialização, tipo de produto, diferenciação de mercados, etc.). 
 No Brasil, o conceito de precocidade, embora tenha sido concebido 
por zootecnistas europeus há quase um século, ainda é pouco divulgado 
(DOMINGUES, 1971). Em geral, pensa-se que animal precoce é aquele 
que cresce rapidamente. Precoce é o animal que chega mais cedo à idade 
adulta ou, em outras palavras, é aquele cujo esqueleto se completa 
precocemente, antes da idade comum à sua espécie. Tal acabamento se dá 
pela ossificação da zona de crescimento, dos ossos longos, e assim o 
animal pára de crescer, com outra conseqüência importante: adquire a 
dentição definitiva também mais cedo. Este é o conceito adotado neste 
trabalho. 
 A Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP) definiu 
critérios para a classificação de animais como novilhos precoces com base 
em três características: 1) peso da carcaça (mais de 200 kg, para novilhos e 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 2 
machos não-castrados, e mais de 180 kg para fêmeas); 2) idade do 
animal (até 2 dentes definitivos, para novilhos e fêmeas, e zero dente - 
"dentição de leite" - para machos não-castrados); e 3) grau de acabamento 
da carcaça (3 a 10 milímetros de espessura da camada de gordura na altura 
da 12a costela). 
 O objetivo deste trabalho é apresentar e discutir alguns aspectos 
sobre estratégias de utilização de raças puras e de cruzamentos para a 
produção de novilhos precoces, particularmente quanto às três 
características em que se fundamenta a classificação dos animais (peso da 
carcaça, idade de abate e espessura da camada de gordura na altura da 12ª 
costela). 
 
2. ESTRATÉGIAS DE UTILIZAÇÃO DE RECURSOS 
GENÉTICOS 
 
 No Brasil, há grande número de raças de bovinos que são usadas 
para produção de carne. De acordo com o dicionário de MASON (1988), 
há aproximadamente mil raças zootécnicas de bovinos no mundo, das quais 
250 têm alguma importância numérica ou histórica em termos de produção 
de carne, de leite e de carne e leite. Dessas, 150 podem ser classificadas 
como raças especializadas para produção de carne, 40 como 
especializadas para produção de leite e 60 como de dupla aptidão (leite e 
carne). No Brasil, há vários grupos genéticos (raças, tipos raciais e 
cruzamentos) que são explorados para produção de carne, como será visto 
mais adiante. 
As diferenças entre esses grupos genéticos, quanto às características 
morfológicas, fisiológicas e zootécnicas, podem ser atribuídas às diferentes 
pressões de seleção às quais eles foram submetidos durante o processo de 
melhoramento. Desse modo, cada grupo é dotado de composição genética 
diferente, principalmente para as características relativas ao tipo (cor da 
pelagem, presença ou ausência de chifres, conformação do perfil da fronte, 
tamanho da orelha, etc.) e, provavelmente, para os atributos relacionados 
com a capacidade de adaptação ao ambiente (adaptabilidade). 
Esta diversidade genética, que é um recurso natural, pode ser 
utilizada de três maneiras (DICKERSON, 1969): 1) criação ou introdução 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 3 
da "raça pura" melhor adaptada ao sistema de produção; 2) formação de 
novas raças; e 3) utilização de sistemas de cruzamento. As duas primeiras 
podem ser praticadas por meio da realização de cruzamentos por apenas 
algumas gerações, uma vez que o objetivo final é a introdução de uma "raça 
pura" melhor adaptada ou a formação de uma nova raça. 
A utilização de sistemas de cruzamento é uma forma de 
aproveitamento da diversidade genética de maneira permanente e contínua, 
sem a preocupação de se obter uma nova raça ou introduzir uma "raça 
pura" . 
As estratégias de utilização dos recursos genéticos envolvem 
diferentes alternativas de seleção (escolha dos pais da próxima geração) e 
de reprodução (escolha do sistema de acasalamento). A seleção dentro de 
"raças puras" é feita, em geral, com base no modelo aditivo simples quanto 
ao tipo de ação gênica. Na prática, a seleção dentro de "raças puras" 
geralmente produz ganhos genéticos muito próximos daqueles previstos 
teoricamente. 
A utilização de cruzamentos, por outro lado, é considerada como 
uma alternativa à seleção (BARBOSA e DUARTE, 1989; BARBOSA, 
1995). No entanto, precisa ser ressaltado que as alternativas de seleção e 
cruzamentos não são mutuamente exclusivas. Qualquer sistema de 
cruzamentos, ou esquema de formação de novas raças, depende dos 
programas de seleção das "raças puras" utilizadas no processo. 
O delineamento de programas de melhoramento genético animal 
pode ser sistematizado em 10 passos seqüenciais (HARRIS et al., 1984): 
1) descrição do(s) sistema(s) de produção; 2) estabelecimento do objetivo 
do(s) sistema(s) de produção; 3) escolha da estratégia de utilização dos 
recursos genéticos e dos recursos genéticos propriamente ditos; 4) 
obtenção de parâmetros de seleção e pesos econômicos; 5) 
delineamento do sistema de avaliação; 6) desenvolvimento dos critérios de 
seleção; 7) delineamento do sistema de acasalamentos; 8) delineamento 
do sistema de multiplicação dos animais selecionados; 9) comparação de 
alternativas de programas de melhoramento; e 10) revisão do programa 
com base nas modificações futuras e, se for o caso, na segmentação do 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 4 
sistema de produção. Os três primeiros passos são discutidos 
resumidamente nesta palestra. 
Qualquer que seja a estratégia a ser escolhida, um aspecto 
fundamental é a visão do sistema de produção como um todo, isto é, desde 
a tomada de decisão sobre quais tipos de recurso genético e de sistema de 
produção a serem utilizados (“antes da porteira”), as práticas de manejo a 
serem adotadas (“dentro da porteira”), até o consumo da carne e 
derivados (“depois da porteira”). 
A eficiência zootécnica de qualquer sistema de produção, por sua 
vez, é função de três componentes: 1) eficiência reprodutiva do rebanho de 
vacas; 2) eficiência do ganho de peso dos animais jovens; e 3) qualidade 
dos produtos (carne e couro). As estratégias possíveis devem ser avaliadas 
sob o ponto de vista da eficiência biológica e econômica do sistema de 
produção como um todo. A avaliação de apenas um ou dois componentes 
pode conduzir a recomendações discutíveis. 
É importante ressaltar que o objetivo principal da produção de carne 
bovina, seja ela praticada de forma extensiva ou intensiva, é atender as 
exigências de mercado. Dois sistemas de produção são considerados nesta 
palestra: 1) produção de animais para abate em regime de pastagens, e 2) 
produção de animais para abate com terminação em regime de 
confinamento. 
É difícil predizer o futuro porque uma amplitude de cenários pode 
ocorrer, como aqueles descritos por ODDY (1995) para a produção de 
carne bovina na Austrália. No entanto, estes cenários possíveis podem 
servir como indicação dos tipos de animais que serão demandadosno 
futuro. Neste sentido, dois aspectos são importantes: 1) manutenção (ou 
mesmo aumento) da variabilidade disponível em bovinos de corte; e 2) 
aumento na flexibilidade dos programas de melhoramento genético para 
praticar mudanças no tipo de animal em resposta às mudanças nas 
exigências de produção e de mercado. 
Desde a introdução do índice de mérito total (HAZEL, 1943), para 
definir os objetivos do melhoramento genético de animais domésticos, 
vários estudos foram realizados até que fosse obtido um consenso quanto à 
metodologia a ser utilizada. Um objetivo de melhoramento genético pode 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 5 
ser definido por uma função que considera os valores genéticos para várias 
características como entrada e produz, como saída, a variável que o 
tomador de decisão quer maximizar como, por exemplo, o lucro. Esta 
função pode ser usada para comparar animais de uma mesma raça, raças 
ou grupos genéticos diferentes. As comparações devem ser feitas após 
ajustar as práticas de manejo ao nível adequado para cada genótipo 
(GODDARD, 1997), o que é praticamente impossível na maioria das 
vezes, particularmente nas regiões tropical e subtropical. A melhor maneira 
de se definir o objetivo é a relação entre o custo e a receita porque, desta 
forma, o objetivo não é afetado pelo efeito de escala e também é o mesmo 
para produtores e consumidores. 
A Figura 1 ilustra as relações entre seleção, cruzamentos e formação 
de novas raças em bovinos de corte. O ponto de partida considerado foi a 
utilização de uma "raça exótica" em cruzamento com fêmeas da população 
local. Assim, a estratégia colocada em discussão nesta palestra é a 
utilização de cruzamentos. 
As questões colocadas na Figura 1 precisam ser respondidas com 
níveis adequados de precisão. Do contrário, torna-se praticamente 
impossível estabelecer a estratégia de utilização dos recursos genéticos mais 
adequada para atender a amplitude de mercados em que o Brasil participa. 
Talvez seja correto afirmar que, para atender toda a amplitude de mercados 
de carne bovina, a produção terá que ser feita utilizando diferentes sistemas 
de produção e diferentes tipos de animais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SIM 
QUAL RAÇA EXÓTICA 
 É MELHOR? 
QUANTO DA RAÇA EXÓTICA 
É DESEJÁVEL? 
 
< 100% 
A HETEROSE É IMPORTANTE? 
 
POUC
O 
FORMAÇÃO DE NOVA RAÇA 
SELEÇÃO NA NOVA RAÇA 
 
 100% 
 
MUITO 
CRUZAMENTO 
ROTACIONADO 
É POSSÍVEL? 
 
SIM 
SELEÇÃO NAS 
RAÇAS 
PATERNAS 
 
NÃO 
OS ANIMAIS CRUZADOS 
SÃO MELHORES? 
 
SELEÇÃO NA 
RAÇA EXÓTICA 
 
SELEÇÃO NA 
RAÇA LOCAL 
Figura 1 - Opções estratégicas envolvendo sistemas de cruzamento e seleção 
(adaptada de Cunningham, 1981). 
 
NÃO 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 7 
3. TIPOS BIOLÓGICOS DE BOVINOS 
 
Vários tipos de bovinos podem ser criados para a obtenção de 
novilhos precoces, seja como raças puras ou em cruzamentos. No entanto, 
é preciso reconhecer que as relações de natureza genética entre as 
características de crescimento dos animais e dos tecidos da carcaça 
determinam a existência de apenas alguns tipos biológicos. Quanto ao 
tamanho à maturidade (idade adulta), por exemplo, os diferentes tipos de 
bovinos podem ser classificados em pequeno, médio e grande. Do mesmo 
modo, quanto ao grau de musculatura, os animais podem ser classificados 
em um dos três seguintes tipos de musculatura: grossa, moderada e fina. 
Embora exista variação quanto ao tipo de musculatura entre animais 
de uma mesma raça, a combinação desses dois critérios de classificação 
permite a determinação dos tipos biológicos disponíveis para obtenção de 
novilhos de corte (Tabela 1). 
Os dois critérios de classificação proporcionam um sistema útil para a 
determinação do tipo biológico. As raças de tamanho grande e musculatura 
grossa têm taxas de crescimento maiores (maior ganho de peso por dia), 
mas são mais tardias quanto à habilidade para acumular o mínimo 
necessário de gordura na carcaça. As raças de tamanho pequeno e 
musculatura moderada, por outro lado, têm menores taxas de crescimento 
absoluto, mas são mais precoces em termos de acabamento da carcaça, 
isto é, têm maior habilidade para deposição de gordura na carcaça do que 
as de tamanho grande. 
Trabalhos de pesquisa mostram que a correlação genética entre o 
peso à maturidade (idade adulta) e a taxa de maturação (tempo que o 
animal leva para atingir o tamanho à maturidade) é negativa. Isto indica que 
os animais com potencial genético para maior tamanho à maturidade 
demoram mais tempo para atingir um mesmo grau de maturidade, se 
comparados com animais de menor potencial genético para tamanho à 
maturidade. Essa relação entre tamanho na idade adulta e grau de 
maturidade tem conseqüências importantes no peso de abate e na 
composição da carcaça, como será visto mais adiante. 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 8 
Tabela 1 - Classificação de algumas raças de bovinos de acordo com o 
tamanho à maturidade e o grau de musculatura (adaptada de 
MINISH & FOX, 1982) 
 
Tamanho à 
maturidade 
Grau de Musculatura 
(idade adulta) Grossa Moderada Fina 
Pequeno Angus Gir Leiteiro 
 Gir Guernsey 
 Murray Grey Jersey 
 Red Angus Pitangueiras 
 
Médio Belgian Blue Brahman Ayrshire 
 Gelbvieh Brangus-Ibagé Caracu 
 Limousin Canchim Hays Converter 
 Piemontês Hereford Lincoln Red 
 Pinzgauer Nelore Shorthorn Leiteiro 
 Red & White Beef Tabapuã Welsh Black 
 
Grande Blonde d´Aquitaine Holandês Frísio Holandês Amer. 
 Charolês Marchigiana South Devon 
 Chianina Pardo-Suíço 
 Fleckvieh Simental 
 
 
4. UTILIZAÇÃO DE RAÇAS E CRUZAMENTOS PARA 
PRODUÇÃO DE NOVILHOS PRECOCES 
 
Há três estratégias de utilização dos recursos genéticos para 
produção de carne bovina: 1) a utilização de animais de uma raça pura 
melhor adaptada ao sistema de produção-comercialização existente ou 
potencial; 2) a formação de novas raças, combinando características 
desejáveis de duas ou mais raças puras, caso a primeira estratégia não seja 
capaz de atender as exigências do sistema de produção-comercialização; e 
3) a utilização de cruzamentos, de forma permanente, sem a preocupação 
de formar novas raças. 
As razões para a utilização de cruzamentos são: 1) aproveitar os 
efeitos da heterose; 2) utilizar as diferenças genéticas existentes entre as 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 9 
raças puras para uma determinada característica; 3) aproveitar os efeitos favoráveis da 
combinação de características, nos animais cruzados, resultantes da seqüência em que as 
raças são utilizadas no sistema de cruzamentos (complementaridade); e 4) dar flexibilidade 
aos sistemas de produção-comercialização. Os diferentes sistemas de cruzamento 
(rotacionado, terminal e rotacionado-terminal) exploram as razões de natureza genética em 
graus diferenciados, mas todos eles têm o potencial de tornar os sistemas de produção 
mais flexíveis, principalmente quanto ao tipo de produto requerido pelo mercado, em 
prazos relativamente curtos, quando comparados com as outras estratégias de utilização 
dos recursos genéticos. Esta vantagem talvez seja mais importante que as outras e, por sua 
vez, implica na escolha estratégica dos recursos genéticos e de ambiente e, também, na 
adoção de melhor manejo dos recursos disponíveis para a produção de novilhos 
precoces. 
Os resultados sobre a utilização de raças puras e cruzamentos no Brasil foram 
sumarizados por BARBOSA e DUARTE (1989), BARBOSA (1990; 1995) e 
BARBOSA e ALENCAR (1995). 
Mais recentemente, vários resultados sobre o desempenho de animais cruzados 
foram relatados na literatura. Para as características mais freqüentemente estudadas e 
quando os experimentos incluíram uma população controle de animais de raça pura (tanto 
de Bos taurus quanto de Bos indicus), a síntese do desempenho dos animais cruzados foi 
atualizadaem 1998, considerando-se aquele dos animais da raça pura como base e igual 
a 100. As características avaliadas foram o ganho de peso em confinamento, o peso e o 
rendimento de carcaça, o consumo de matéria seca, a conversão alimentar e a espessura 
de gordura na altura da 12a costela. Maiores detalhes quanto aos procedimentos 
adotados para cálculo das médias e das amplitudes de variação do desempenho relativo 
podem ser obtidos em BARBOSA e DUARTE (1989) e BARBOSA (1990; 1995). 
Os resultados obtidos foram descritos e discutidos por BARBOSA (1998). 
Os dados relatados na literatura sobre peso e idade de abate e espessura de 
gordura, tanto para animais terminados em confinamento como em regime de pastagens, 
foram organizados de acordo com o grupo genético e sumarizados até julho de 1999. As 
médias são apresentadas nas Tabelas 2 e 3, respectivamente. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 10 
Tabela 2 - Número de estimativas (N) e médias de peso de carcaça, 
idade de abate e espessura de gordura, de acordo com grupo 
genético, para animais terminados em regime de confinamento 
 
Grupos Número de estimativas e médias (± erro-padrão) 
Genéticos N Peso, 
arrobas 
Idade, 
meses 
Espessura, 
mm 
Raças puras: 
Britânicas 9 13,6 ± 0,5 20,9 ± 2,5 4,0 ± 0,4 
Continentais 27 15,0 ± 0,3 27,2 ± 1,4 2,9 ± 0,8 
Zebuínas 93 16,7 ± 0,2 27,8 ± 0,9 5,2 ± 0,3 
Animais F1: 
Britânicas x Zebu 9 17,3 ± 0,5 24,7 ± 1,0 4,5 ± 0,7 
Continentais x Zebu 72 17,3 ± 0,3 22,2 ± 0,6 3,3 ± 0,2 
Animais retrocruzados: 
2/3 Britânicas + 1/3 Zebu 19 15,1 ± 0,5 16,7 ± 1,2 4,8 ± 0,4 
2/3 Continentais + 1/3 Zebu 17 16,4 ± 0,5 25,9 ± 2,2 3,6 ± 0,7 
2/3 Zebu + 1/3 Britânicas 5 16,8 ± 0,9 21,0 ± 1,6 2,7 ± 0,3 
2/3 Zebu + 1/3 Continentais 25 16,9 ± 0,3 23,6 ± 1,4 3,1 ± 0,1 
Animais cruzados de 3 raças: 
½ Brit. + ¼ Cont. + ¼ Zebu 5 17,4 ± 0,9 23,6 ± 5,0 3,4 ± 0,9 
Total 281 16,5 ± 0,1 24,5 ± 0,5 4,0 ± 0,2 
 
As médias de espessura de gordura na altura da 12ª costela (Tabelas 
2 e 3) indicam que o grau de acabamento de animais cruzados, 
particularmente os filhos de touros de raças de tamanhos médio e grande, 
está abaixo do desejado pela maioria dos mercados consumidores (5 a 8 
mm) porque os animais foram abatidos com pesos inferiores aos 
recomendados por BARBOSA (1995) para novilhos (525 kg de peso vivo 
ou 17,5 arrobas) e machos não-castrados (575 kg de peso vivo ou 19,2 
arrobas), considerando rendimento de carcaça de 50%. 
O resultado que, até certo ponto, pode ser considerado 
surpreendente é o grau de acabamento das carcaças provenientes de 
animais de raças zebuínas, tanto em confinamento (5,2 ± 0,3 mm) como em 
pastagens (5,7 ± 0,7 mm). No entanto, as idades de abate (27,8 e 34,5 
meses respectivamente) limitariam a classificação dos animais como 
novilhos precoces. 
Observa-se, ainda, que o número de estimativas sobre o 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 11 
desempenho de determinados grupos genéticos é pequeno, tanto em regime 
de confinamento (Tabela 2) como em regime de pastagens (Tabela 3). 
Considerando-se que a terminação em regime de pastagens é a mais 
praticada no Brasil, nota-se que há poucos resultados experimentais sobre 
o desempenho comparativo de animais cruzados de raças britânicas com 
Zebu, retrocruzados com raças continentais e com raças zebuínas. 
 
Tabela 3 - Número de estimativas (N) e médias para peso de carcaça, 
idade de abate e espessura de gordura, de acordo com grupo 
genético, para animais terminados em regime de pastagens 
 
Grupos Número de estimativas e médias (± erro-padrão) 
Genéticos N Peso, 
arrobas 
Idade, 
meses 
Espessura, 
mm 
Raças puras: 
Britânicas 14 13,8 ± 0,5 33,4 ± 2,3 4,2 ± 0,5 
Continentais 11 15,3 ± 0,4 36,8 ± 2,8 1,9 ± 0,3 
Zebuínas 25 15,0 ± 0,3 34,5 ± 1,4 5,7 ± 0,7 
Animais F1: 
Britânicas x Zebu 3 16,3 ± 0,9 35,8 ± 3,6 3,4 ± 0,7 
Continentais x Zebu 16 15,1 ± 0,5 31,0 ± 2,1 3,3 ± 0,2 
Continentais x Britânicas 4 15,1 ± 1,0 38,0 ± 2,9 1,6 ± 0,4 
Animais retrocruzados: 
2/3 Britânicas + 1/3 Zebu 15 15,2 ± 0,6 34,5 ± 2,0 4,2 ± 0,4 
2/3 Continentais + 1/3 Zebu 4 16,5 ± 0,5 27,4 ± 1,4 2,1 ± 0,8 
2/3 Zebu + 1/3 Britânicas 3 17,1 ± 0,7 36,5 ± 5,8 4,0 ± 0,7 
2/3 Zebu + 1/3 Continentais 3 17,1 ± 0,2 32,3 ± 2,2 1,9 ± 0,7 
Animais cruzados de 3 raças: 
½ Zebu + ¼ Brit. + ¼ Cont. 2 18,9 ± 0,1 30,0 ± 0,0 2,6 ± 0,2 
Total 97 15,2 ± 0,2 33,8 ± 0,8 3,9 ± 0,3 
 
Com o objetivo de verificar se os coeficientes parciais do peso da 
carcaça e da idade de abate na espessura de gordura variavam de acordo 
com o grupo genético foram realizadas análises de regressão. Os 
coeficientes parciais da regressão da espessura de gordura, no peso de 
carcaça e na idade de abate, e os coeficientes de determinação são 
mostrados na Tabela 4, para animais terminados em confinamento, e na 
Tabela 5, para animais terminados em pastagens. O peso de carcaça foi 
expresso em arrobas e a idade de abate em meses para facilitar a 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 12 
interpretação. 
Os resultados mostrados na Tabela 4 indicam que, em geral, o peso 
de carcaça é mais importante que a idade de abate quanto ao aumento da 
espessura de gordura na altura da 12ª costela, particularmente para as 
raças britânicas e para os animais cruzados envolvendo raças britânicas. O 
coeficiente de regressão da espessura de gordura na idade de abate foi 
significativo para os animais de raças zebuínas, cruzados de raças 
continentais com Zebu, retrocruzados de raças britânicas com raças 
zebuínas e retrocruzados de raças zebuínas com raças britânicas. 
 
Tabela 4 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura no 
peso da carcaça (b1) e na idade do animal (b2) e coeficientes 
de determinação (R2), de acordo com o grupo genético, para 
animais terminados em confinamento 
 
Grupos genéticos b1, mm/arroba b2, mm/mês R
2, % 
Raças puras: 
Raças britânicas 0,49 ± 0,11** -0,13 ± 0,07 90,83 
Raças continentais -0,18 ± 0,22 0,21 ± 0,12 36,75 
Raças zebuínas 0,14 ± 0,05** 0,10 ± 0,03** 79,87 
Animais F1: 
Britânicas x Zebu -0,01 ± 0,26 0,18 ± 0,18 79,64 
Continentais x Zebu 0,03 ± 0,05 0,12 ± 0,04** 82,68 
Continentais x Britânicas - - - 
Animais retrocruzados: 
2/3 Britânicas + 1/3 Zebu 0,50 ± 0,08** -0,16 ± 0,07* 92,10 
2/3 Continentais + 1/3 Zebu 0,02 ± 0,13 0,12 ± 0,08 58,91 
2/3 Zebu + 1/3 Britânicas -0,05 ± 0,05 0,17 ± 0,04* 98,46 
2/3 Zebu + 1/3 Continentais 0,24 ± 0,03** -0,04 ± 0,02 94,70 
Cruzados de 3 raças: 
½ Brit. + ¼ Cont.. + ¼ Zebu 0,38 ± 0,11* -0,14 ± 0,07 81,13 
Total 0,11 ± 0,03** 0,09 ± 0,02 72,32 
* P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
Os animais de raças britânicas (Angus, Devon, Hereford e 
Shorthorn) e zebuínas (praticamente só Nelore) depositam gordura na 
carcaça nas taxas de 0,49 ± 0,11 (P < 0,01) e 0,14 ± 0,05 (P < 0,01) 
mm/arroba de aumento no peso da carcaça, respectivamente, enquanto 
que, para os animais de raças continentais (Charolês, Chianina, 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 13 
Marchigiana, Holandês, Pardo-Suíço, Limousin, Gelbvieh, Caracu, etc.) a 
taxa foi negativa, mas não diferente de zero (-0,18 ± 0,22 mm/arroba de 
aumento no peso da carcaça, P > 0,05). Os resultados mostram que há 
diferenças genéticas entre as raças para deposição de gordura, de acordo 
com o aumento do peso de carcaça, e que nas raças continentais a taxa de 
deposição é menor. 
Para os animais terminados em pastagens (Tabela 5), os coeficientes 
de regressão também indicam que o peso de carcaça é mais importante do 
que a idade de abate no grau de acabamento, particularmente para os 
animais de raças continentais e retrocruzados 2/3 britânicas + 1/3 Zebu. 
 
Tabela 5 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura no 
peso da carcaça (b1) e na idade do animal (b2) e coeficientes 
de determinação (R2), de acordo com o grupo genético, para 
animais terminados em pastagens 
 
Grupos genéticos b1, mm/arroba b2, mm/mês R
2, % 
Raças puras: 
Raças britânicas0,25 ± 0,12 0,03 ± 0,05 86,43 
Raças continentais 0,16 ± 0,06* -0,02 ± 0,03 78,88 
Raças zebuínas 0,35 ± 0,19 0,01 ± 0,08 69,28 
Animais F1: 
Britânicas x Zebu 0,17 ± 0,24 0,07 ± 0,17 75,54 
Continentais x Zebu 0,09 ± 0,06 0,06 ± 0,03 94,85 
Continentais x Britânicas -0,19 ± 0,81 0,12 ± 0,32 83,96 
Animais retrocruzados: 
2/3 Britânicas + 1/3 Zebu 0,39 ± 0,17* -0,05 ± 0,07 92,73 
2/3 Continentais + 1/3 Zebu 0,26 ± 0,93 -0,08 ± 0,56 33,83 
2/3 Zebu + 1/3 Britânicas -0,02 ± 0,04 0,12 ± 0,02 99,28 
2/3 Zebu + 1/3 Continentais 0,01 ± 0,53 0,06 ± 0,28 39,87 
Cruzados de 3 raças: 
½ Zebu + ¼ Brit. + ¼ Cont. 1,20 -0,67 - 
Total 0,17 ± 0,07* 0,04 ± 0,03 70,11 
* P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
Com o objetivo de compreender o comportamento do peso de 
carcaça, da idade de abate e das proporções das raças britânicas, 
continentais e zebuínas na composição genética dos animais cruzados, 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 14 
foram realizadas análises de regressão da espessura de gordura, como 
indicador do grau de acabamento da carcaça, nestas características, para 
os sistemas de terminação em confinamento e em pastagens. Os resultados 
são mostrados nas Tabelas 6, 7, 8 e 9. 
No sistema de terminação em confinamento (Tabela 6), observa-se 
que apenas o coeficiente de regressão da espessura de gordura na idade de 
abate foi significativo (aumento de 0,09 ± 0,02 mm/mês de aumento na 
idade de abate). No sistema de terminação em pastagens, os coeficientes 
parciais de regressão não foram significativos. 
Quando se ajusta para peso da carcaça e idade de abate, não se 
espera que sejam observadas diferenças na espessura de gordura de 
acordo com a proporção de genes de raças britânicas, continentais e 
zebuínas nos animais. De acordo com BERG e BUTTERFIELD (1976), 
diferenças genéticas podem ser observadas na composição da carcaça, 
porque algumas raças começam a depositar gordura mais precocemente do 
que outras. A taxa de deposição de gordura pode diferir entre raças, mas a 
maior diferença observada é com relação ao período de estabelecimento da 
fase de acabamento. Geralmente, os animais precoces apresentam um 
menor tamanho por ocasião da maturidade e, consequentemente, entram na 
fase de acabamento mais jovens e com pesos mais leves do que os animais 
de raças de grande porte. 
Os resultados indicam, ainda, que a escolha estratégica da utilização 
de raças britânicas, continentais e zebuínas e dos sistemas de cruzamento 
para produção de novilhos precoces depende, em grande parte, da 
definição do sistema de terminação dos animais (confinamento ou 
pastagens) e da idade de abate no caso da terminação em confinamento. 
Na Tabela 7 são apresentados os coeficientes de regressão da 
espessura de gordura nas proporções de raças britânicas, continentais e 
zebuínas quando se mantém o peso de carcaça constante. No sistema de 
terminação em pastagens, os coeficientes de regressão não foram diferentes 
de zero. Entretanto, no sistema de terminação em confinamento observa-se 
que para cada 1/8 de aumento na proporção de raças zebuínas nos animais, 
a espessura de gordura aumenta 0,40 ± 0,15 mm, semelhante ao que 
ocorre com as raças britânicas (0,34 ± 0,15 mm), mas diferente do 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 15 
observado para as raças continentais (0,11 ± 0,15 mm). Esses resultados 
indicam que as diferenças entre as raças quanto à taxa de deposição de 
gordura são grandes e, por isso, a escolha estratégica dos recursos 
genéticos depende fundamentalmente da especificação do produto final que 
o mercado consumidor exige. Uma vez definido o produto a ser obtido, 
pode-se escolher os recursos genéticos a serem utilizados e o sistema de 
produção a ser adotado. 
 
Tabela 6 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura no 
peso da carcaça, na idade de abate e nas proporções de 
raças britânicas, continentais e zebuínas na composição 
genética dos animais, de acordo com o sistema de terminação 
 
Características Confinamento Pastagens 
Peso de carcaça, arrobas 0,07 ± 0,07 0,11 ± 0,13 
Idade de abate, meses 0,09 ± 0,02** 0,03 ± 0,03 
Proporção de raças britânicas, em fração de 1/8 0,19 ± 0,14 0,15 ± 0,26 
Proporção de raças continentais, em fração de 1/8 -0,11 ± 0,15 -0,18 ± 0,27 
Proporção de raças zebuínas, em fração de 1/8 0,15 ± 0,16 0,33 ± 0,27 
Coeficiente de determinação (R2), % 74,44 76,94 
 * P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
Tabela 7 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura no 
peso da carcaça e nas proporções de raças britânicas, 
continentais e zebuínas na composição genética dos animais, de 
acordo com o sistema de terminação 
 
Características Confinamento Pastagens 
Peso de carcaça, arrobas 0,09 ± 0,07 0,12 ± 0,13 
Proporção de raças britânicas, em fração de 1/8 0,34 ± 0,15* 0,26 ± 0,23 
Proporção de raças continentais, em fração de 1/8 0,11 ± 0,15 -0,07 ± 0,25 
Proporção de raças zebuínas, em fração de 1/8 0,40 ± 0,15* 0,43 ± 0,25 
Coeficiente de determinação (R2), % 72,56 76,93 
 * P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
Os coeficientes de regressão da espessura de gordura nas 
proporções de raças britânicas, continentais e zebuínas, quando se mantém 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 16 
a idade de abate constante (Tabela 8), mostram que há diferenças entre as 
raças e entre os sistemas de terminação dos animais, com conclusão 
semelhante àquela feita com relação ao peso de carcaça (Tabela 7). Outro 
aspecto importante é o coeficiente de regressão da proporção de raças 
zebuínas na espessura de gordura (0,53 ± 0,13 mm), quando os animais 
são criados em regime de pastagens. 
 
Tabela 8 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura na 
idade de abate e nas proporções de raças britânicas, 
continentais e zebuínas na composição genética dos animais, de 
acordo com o sistema de terminação 
 
Características Confinamento Pastagens 
Idade de abate, meses 0,09 ± 0,02** 0,03 ± 0,03 
Proporção de raças britânicas, em fração de 1/8 0,32 ± 0,08** 0,34 ± 0,14* 
Proporção de raças continentais, em fração de 1/8 0,03 ± 0,07 0,03 ± 0,14 
Proporção de raças zebuínas, em fração de 1/8 0,30 ± 0,07** 0,53 ± 0,13** 
Coeficiente de determinação (R2), % 74,43 76,99 
 * P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
 Os coeficientes de regressão da espessura de gordura nas 
proporções de raças britânicas, continentais e zebuínas, sem ajustar para o 
peso de carcaça e a idade de abate dos animais, foram todos significativos 
em ambos os sistemas de terminação (Tabela 9). Esses resultados mostram 
que há diferenças entre os tipos biológicos de animais para grau de 
acabamento da carcaça. Como o peso de carcaça e a idade de abate 
podem variar de acordo com as exigências do mercado, essas diferenças 
no grau de acabamento são importantes sob o ponto de vista de escolha 
estratégica tanto dos recursos genéticos como das formas de sua utilização 
para a produção de novilhos precoces. 
 
 
 
 
 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 17 
Tabela 9 - Coeficientes parciais de regressão da espessura de gordura nas 
proporções de raças britânicas, continentais e zebuínas na 
composição genética dos animais, de acordo com o sistema de 
terminação 
 
Características Confinamento Pastagens 
Proporção de raças britânicas, em fração de 1/8 0,51 ± 0,07** 0,48 ± 0,06** 
Proporção de raças continentais, em fração de 1/8 0,30 ± 0,04** 0,17 ± 0,07* 
Proporção de raças zebuínas, em fração de 1/8 0,60 ± 0,03** 0,67 ± 0,05** 
Coeficiente de determinação (R2), % 72,48 76,95 
 * P < 0,05; ** P < 0,01. 
 
5. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 
 
 Análises de regressão foram realizadas com o objetivo de verificar o 
comportamento das raças puras e dos animais cruzados, tanto em regime 
de confinamento como pastagens, quanto à espessura de gordura na altura 
da 12ª costela, como indicador do grau de acabamento para classificação 
dos animais como novilhos precoces. 
Os resultados obtidos permitem algumas conclusões erecomendações. 
Para animais terminados em confinamento, o peso de abate é mais 
importante do que a idade na determinação da espessura de gordura na 
altura da 12ª costela. 
Em regime de confinamento, quanto maior a proporção das raças 
continentais na composição genética dos animais, menor é a taxa de 
deposição de gordura (0,30 ± 0,04 mm para cada aumento de 12,5% de 
genes de raças continentais). 
Tanto para animais terminados em confinamento como em regime de 
pastagens, a espessura de gordura aumenta mais de acordo com a 
proporção de raças zebuínas (0,60 ± 0,03 mm e 0,67 ± 0,05 mm para 
cada 12,5% de aumento na proporção de Zebu nos animais cruzados, 
respectivamente) do que com as proporções de raças britânicas e 
continentais. 
O desempenho de animais Zebu, tanto em confinamento como em 
pastagens, quanto ao peso de carcaça (16,7 ± 0,2 e 15,0 ± 0,3 arrobas), 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 18 
idade de abate (27,8 ± 0,9 e 34,5 ± 1,4 meses) e espessura de gordura na 
altura da 12ª costela (5,2 ± 0,3 e 5,7 ± 0,7 mm) sugere que a estratégia de 
cruzamentos deve ser comparada com a utilização das raças zebuínas para 
produção de novilhos precoces. 
A escolha estratégica das raças para utilização em sistemas de 
cruzamento deve ser feita levando-se em consideração o sistema de 
terminação, o peso de carcaça, a idade de abate e o grau de acabamento 
desejados pelos segmentos do mercado consumidor. 
Os sistemas de cruzamento, como estratégia de utilização de recursos 
genéticos para produção de novilhos precoces, proporcionam maior 
flexibilidade aos sistemas de produção e têm o potencial de atender, a curto 
prazo, as exigências dos consumidores e viabilizar, se necessário, a 
segmentação do mercado de carne bovina. 
 
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
BARBOSA, P. F. Cruzamentos para produção de carne bovina no Brasil. In: 
Bovinocultura de Corte (Ed.: SOCIEDADE BRASILEIRA DE 
ZOOTECNIA), p. 1-45. Piracicaba: FEALQ, 1990. 146p. 
BARBOSA, P. F. Cruzamentos para produção do novilho precoce. In: 
ENCONTRO NACIONAL SOBRE NOVILHO PRECOCE, Campinas, 
SP, 22 a 24 de agosto de 1995, p. 75-92. Campinas: Coordenadoria de 
Assistência Técnica Integral, Departamento de Comunicação e 
Treinamento, 1995. 128p. 
BARBOSA, P. F. Cruzamentos industriais e a produção de novilhos 
precoces. In: SIMPÓSIO SOBRE PRODUÇÃO INTENSIVA DE 
GADO DE CORTE, Campinas, SP, 29 e 30 de abril de 1998, p. 100-114. 
Campinas: Colégio Brasileiro de Nutrição Animal, 1998. 232p. 
BARBOSA, P. F.; ALENCAR, M. M. de. Sistemas de cruzamento em 
bovinos de corte: estado da arte e necessidades de pesquisa. In: 
REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE 
ZOOTECNIA, 32, Julho de 1995, Brasília, DF. Brasília, DF: Sociedade 
Brasileira de Zootecnia, Anais... p. 681-683, 1995. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 19 
BARBOSA, P. F.; DUARTE, F. A. M. Crossbreeding and new beef cattle 
breeds in Brazil. Revista Brasileira de Genética, Ribeirão Preto, v.12, 
n.3 (Suppl. 1), p. 257-301, 1989. 
BERG, R. T.; BUTTERFIELD, R. M. New Concepts of Cattle Growth . 
Sydney: Sydney University Press, 1976. 240p. 
DOMINGUES, O. O Zebu, sua reprodução e multiplicação dirigida. São 
Paulo: Livraria Nobel S. A., 1971. 187p. 
GODDARD, M. E. Consensus and debate in the definition of breeding 
objectives. Journal of Dairy Science, v. 80, suppl. 1, p. 144, 1997. 
HARRIS, D. L.; STEWART, T. S.; ARBOLEDA, C. R. Animal breeding 
programs: a systematic approach to their design. Peoria, IL: Agricultural 
Research Service, U. S. Department of Agriculture, 1984. 14p. 
HAZEL, L. N. The genetic basis for constructing selection indexes. 
Genetics, v. 28, p. 476-490, 1943. 
MINISH, G. L. e FOX, D.G. Beef production and management, 2nd ed. 
Reston, VA: Reston Publishing Company, 1982. 470p. 
ODDY, H. What can Australian nutritionists offer the feedlot industry? In: 
ROWE, J. B. & NOLAN, J. V. (Ed.) Recent Advances in Animal 
Nutrition in Australia, p. 143-148. Armidale: University of New England, 
1995. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 20 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU 
UMA EMPRESA DE GENÉTICA TROPICAL 
 
Luiz Antonio Josahkian 
Superintendente Técnico da ABCZ 
Professor de Melhoramento Animal da FAZU 
Caixa Postal 71 38001-970 Uberaba - MG 
e-mail : abzcsut@abcz.org.br 
 
É curioso observar que os bovinos, não sendo nativos no Brasil, 
totalizam hoje cerca de 160 milhões de cabeças espalhadas por todo o 
território nacional. 
Inicialmente um elemento colonizador de nossas fronteiras, os 
bovinos se tornaram hoje, um valioso patrimônio genético da nossa 
nação. 
Uma rápida olhada na nossa história mostra fatos relevantes que 
nos ajudam a entender a importância das raças zebuínas no contexto da 
pecuária bovina brasileira. 
Registra-se que, até meados do Século XIX, havia um 
predomínio das raças bovinas européias. Trazidas pelos colonizadores, 
encontraram no país condições adversas de clima e situações precárias 
de criação. 
Os espécimes remanescentes degeneraram-se, substituindo sua 
capacidade produtiva pelo poder adaptativo: era a natureza cobrando 
seus tributos. 
Alguns tipos bovinos atuais resultam desses animais e 
conseguiram atravessar quase 500 anos de criação, e por isso têm certo 
valor genético embora a ausência de seleção e o efetivo muito pequeno 
reduza-os apenas a representantes daqueles tempos. 
Mesmo frente a essa realidade, as importações de bovinos 
europeus se sucederam ao longo do tempo. E persistem até hoje. 
No todo, o volume de importações de raças européias supera 
estrondosamente ao das raças zebuínas: são aproximadamente 
1 milhão de bovinos europeus introduzidos no país contra 6,3 mil 
exemplares zebuínos. 
Na constituição genética atual do rebanho bovino brasileiro, 
estima-se 80% dos animais tenha genes de origem zebuína, seja na 
forma de animais puros ou através de cruzamentos. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 22 
Traduzido em números, isso equivale a 128 milhões de cabeças. 
É um número impressionante (mesmo que sem precisão matemática) e 
demonstra o poder de sobrevivência, crescimento e multiplicação das 
raças zebuínas nas nossas condições, principalmente partindo de um 
núcleo inicial tão reduzido. 
Provavelmente foram essas características dos zebuínos que 
despertaram o interesse de alguns criadores que organizaram algumas 
importações de animais da Índia entre 1870 e 1962, em intervalos e 
quantidades irregulares. 
As primeiras importações seguramente foram movidas mais pela 
intuição do que por razões técnicas. Difícil imaginar que motivos 
teriam levado, na época, alguns intrépidos pioneiros a se aventurarem 
numa Índia distante, com meios de transporte e comunicação precários, 
em busca de animais exóticos. As referências quanto a utilidade 
daqueles animais seguramente eram vagas. Basta ver que, em 1875, 
um casal de zebu havia sido importado do Jardim Zoológico de 
Londres. 
Hoje é possível ver com clareza que tratavam-se de homens de 
visão, do tipo que enxergam bem além de seu próprio tempo. 
Em 1921 o governo brasileiro proibiu as importações da Índia 
por razões sanitárias. 
Aquelas que se organizaram em 1930, 1952, 1960 e 1962 
ocorreram sob licença especial de importação e já com exigência de 
quarentenário. 
Nada disso, porém, impediu o crescimento impetuoso e a 
instalação no país de uma das pecuárias mais pujantes e de intenso 
potencial de todo o globo terrestre, toda baseada na genética zebuína. 
 
O ESTABELECIMENTO DO REGISTRO GENEALÓGICO 
 
A multiplicação das raças zebuínas no país tomaram grandes 
proporções a partir da década de 10. Os criadores mineiros da região 
do Triângulo decidiram então formar a “Associação do Herd Book da 
Raça Zebu”, em 16 de fevereiro de 1919. 
Esta entidade chegou a emitir certificados de animais que foram 
exportados para o México e América Central. Do México chegaram 
aos Estados Unidos. 
 I Simpósio de Produção de Gado deCorte - 23 
Mas o desinteresse e a recusa dos poderes públicos em 
reconhecer esse Serviço fez com que ele quase se extinguisse , até ser 
absorvido por uma entidade maior, a Sociedade Rural do Triângulo 
Mineiro – SRTM, fundada em 18 de junho de 1934. 
Em 25 de março de 1967, a SRTM transformou-se em 
Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ, nome que 
ostenta até os dias atuais. 
O registro genealógico das raças indianas foi reconhecido pelo 
Ministério da Agricultura em 1936. Denominado à época Serviço de 
Registro Genealógico das Raças Bovinas de Origem Indiana – 
SERBOI, em regime de Livro Aberto, abrangia todo o território 
nacional em decorrência do Tratado de Roma , firmado naquele 
mesmo ano, do qual o Brasil foi um dos países signatários. 
No ano de 1938, exatamente no dia 17 de julho, consolida-se os 
primeiros registros genealógicos oficiais de zebuínos, quando o Sr. 
Presidente da República, Dr. Getúlio Vargas, marca o primeiro animal 
do Tipo Indubrasil. 
Transcorridas seis décadas desde aquele ato, a ABCZ manteve-se 
fiel aos princípios da pecuária seletiva , sempre consoante com o 
Ministério da Agricultura. Essa postura consolidou as raças zebuínas 
no Brasil, que têm, hoje, reconhecimento internacional, sobrepondo 
inclusive o rebanho da terra mãe - a Índia - em qualidade. De 1938 a 
1999 foram realizados 5,3 milhões de RGN’s e 2,5 milhões de RGD’s, 
envolvendo todas as raças zebuínas (veja Tabela 1 abaixo). 
 
Tabela 1 - Estatística do Registro Genealógico de Nascimento (RGN) e 
Definitivo (RGD) no período de 1939 a 1998 
 
Raça RGN % RGD % 
Gir Mocha 34.164 0.65 21.772 0.85 
Gir 491.924 9.30 286.850 11.16 
Guzerá 213.846 4.04 104.331 4.06 
Indubrasil 207.523 3.92 124.024 4.82 
Nelore 3.838.104 72.56 1.732.840 67.41 
Nelore Mocha 356.647 6.74 215.007 8.36 
Sindi 8.080 0.15 4.465 0.17 
Tabapuã 138.576 2.62 80.426 3.13 
Cangaian 29 * 50 * 
Brahman 513 0.01 876 0.03 
TOTAL 5.289.406 100.00 2.570.641 100.00 
Fonte:ABCZ/SUT/SDG 1999 
*não significativo ao nível de 1% 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 24 
O PROCESSO QUE NÃO PARA 
 
De um momento inicial - onde os espécimes indianos aqui 
introduzidos se amalgamaram numa desordem de tipo e função - até os 
dias atuais, quando as raças zebuínas são perfeitamente identificáveis 
graças ao registro seletivo ininterrupto, foram sendo criadas 
ferramentas adicionais de seleção para desempenho funcional. 
Atingido um padrão fenotípico aceitável, tornou-se imperativo 
incorporar à seleção pelo tipo racial, critérios mensuráveis e em bases 
científicas e econômicas. 
Já no ano de 1968 estabeleceram-se as Provas Zootécnicas, 
pautadas basicamente no Controle do Desenvolvimento Ponderal, nas 
Provas de Ganho em Peso e no Controle Leiteiro. 
Esses testes perduram até hoje e somam a impressionante marca 
de 1,3 milhão de animais avaliados e 5,2 milhões de dados colhidos. 
 
Tabela 2 - Controle do Desenvolvimento Ponderal - CDP (1968-
agosto de 1999): Número de pesagens realizadas e número 
de animais inscritos, por raça 
 
Raça Pesagens % Inscritos % 
Brahman 3.556 0.07 1.158 0.09 
Gir 34.763 0.67 63.601 4.84 
Guzerá 325.919 6.27 81.201 6.19 
Indubrasil 143.260 2.75 40.438 3.08 
Nelore 3.885.484 74.70 940.492 71.64 
Nel. Mocho 437.216 8.41 99.212 7.56 
Sindi 2.042 0.04 513 0.04 
Tabapuã 310.409 5.97 71.838 5.47 
Gir Mocho 58.509 1.12 14.262 1.09 
Total 5.201.158 100.0 1.312.715 100.0 
Fonte:ABCZ/SUT/SMG 1999. 
 
 
 
 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 25 
Tabela 3 - Provas de Ganho em Peso -PGP : realizadas de 1975 a 
1999 
 
402 Provas Realizadas 
Raça Animais Testados % 
Nelore 10.974 74.89 
Indubrasil 230 1.57 
Gir 251 1.71 
Guzerá 1.332 9.09 
Nel.Mocho 656 4.48 
Tabapuã 1.147 7.83 
Gir Mocho 40 0.27 
Brahman 24 0.16 
Total 14.654 100 
Fonte: ABCZ/SUT/SMG 1999. 
 
 
Tabela 4 - Serviço de Controle Leiteiro - CL: Número de vacas 
inscritas e número de controles efetuados, de 1975 a 
outubro de 1999 
 
Raça Inscritas % Pesagens % Encerradas % 
Gir 1674 66.88 11.975 65.91 11.975 72.82 
Gir Mocho 115 4.59 687 3.78 687 4.18 
Guzerá 363 14.50 3.027 16.66 3.027 18.41 
Zebu Leiteiro 103 4.12 562 3.09 562 3.42 
Nelore 138 5.51 1.135 6.25 116 0.71 
Sindi 65 2.60 458 2.52 45 0.27 
Indubrasil 45 1.80 324 1.78 33 0.20 
Total 2503 100.00 18.168 100.00 16.445 100.00 
Fonte: ABCZ/SUT/SMG 1999. 
 
É seguramente o maior acervo de informações de zebuínos 
existente no mundo. Esse banco de dados é uma fonte inesgotável de 
estudos, alicerçando inúmeras pesquisas com instituições do porte da 
Embrapa, várias Universidades e Centros de Investigação Científica. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 26 
As raças zebuínas começaram a definir seus contornos 
econômicos e os avanços foram cada vez mais significativos. 
O conceito de seleção do zebu agregou então, na prática e de 
forma definitiva, a busca por animais geneticamente puros aliados à 
eficiênc ia da produção em um ambiente tipicamente tropical 
O mundo reconheceu essa genética melhoradora e o resultado é 
que o zebu brasileiro há muito ultrapassou as fronteiras nacionais: 
Estados Unidos, México, Guatemala, Honduras, Costa Rica, 
Nicarágua, Bolívia, Colômbia, Argentina, Paraguai, Venezuela e 
Tailândia, apenas para citar alguns, são países que se utilizam de nossa 
genética zebuína. 
 
OS ANOS 80 E 90 
 
A década de 80 foi caracterizada no país por um movimento, 
ainda subjacente, da busca por mecanismos que pudessem identificar 
com maior precisão uma genética superior e mais produtiva. 
As transformações econômicas e sociais que ocorreram no 
mundo passaram a determinar a eficiência de produção como palavra 
de ordem. 
Por outro lado, não obstante “eficiência” tenha se tornado um 
imperativo, outras transformações de cunho mais social e comunitário 
postulavam a proteção ao meio ambiente. 
Cada vez mais, ONG’s passaram a cobrar da sociedade como 
um todo, a preservação do meio ambiente. E verdade seja dita, 
abstraída algumas posições extremadas e desvinculadas da realidade, 
tais atitudes são sérias e devem ser consideradas no contexto da 
produção auto-sustentável ao longo do tempo. 
Nesse estado geral de coisas, os zebuínos se apresentaram como 
excelente solução para resolver ambos os lados da equação: produzir 
proteína nobre (a carne vermelha) em sistemas de produção extensivo 
onde a agressão ao meio ambiente inexiste ou é mínima. Sem 
ufanismo, ponto para o zebu e ponto para a humanidade. 
Os anos 90 chegaram trazendo a rapidez no tráfego de 
informações. A velocidade de transformações se tornou emblemática 
de nossa época. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 27 
A evolução e democratização da ciência da informática provocou 
um efeito em cascata em todas as camadas sociais na difusão quase 
instantânea de conhecimento. 
Conseqüência desse processo, deslocamentos de poder e de 
recursos atingiram proporções jamais vistas anteriormente. 
Hoje, dificilmente algo ou alguém é proprietário único de idéias 
ou de conhecimento por muito tempo. 
Conceitos como reengenharia e qualidade total passaram a fazer 
parte do cotidiano de todas as empresas, independentemente de seu 
porte. 
No mercado de genética animal, especificamente, a instalação de 
programas de melhoramento tornaram-se obrigatórios, consolidando de 
forma definitiva a tendência de mercado iniciada nos anos 80. 
A propalada ‘Nova Ordem Mundial” se instalara de vez e com 
ela sinais claros de que a competição em todos os segmentos ficaria 
cada vez mais acirrada 
Fatos concretos do fenômeno da globalização, como a formação 
de blocos econômicos (UE, NAFTA, MERCOSUL...) e a consolidação 
da rede mundial de computadores (Internet), colocaram todos os 
segmentos de produção frente a um novo e gigantesco mundo de 
competição. 
A tendência generalizada da queda das barreiras comerciais 
existentes entre os países com a permanência das barreiras sanitárias, 
nos obriga a repensar nosso modelo de produção. 
Felizmente a mentalidade daquelesque dirigiram e dirigem a 
ABCZ sempre souberam atrelá-la bem ao “trem da história”. 
As respostas da entidade para esse processo estão sendo 
igualmente rápidas e eficientes: investe-se em um Programa de 
Melhoramento Genético de proporções grandiosas e que vem sendo 
construído em bases sólidas ao longo dos últimos anos; investe-se em 
informática, criando meios de uma comunicação mais rápida e 
eficiente; priorizou-se ações sinérgicas com outras entidades afins no 
setor de sanidade animal buscando dar qualidade total aos nossos 
produtos; e, o investimento nos valores humanos, que em última 
análise compõem o sistema, tem sido uma constante através de cursos 
de treinamento, aperfeiçoamento ou especialização. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 28 
Trabalhando assim, em bases sólidas mas com a mente flexível, 
estamos confiantes de que as raças zebuínas seguem sua marcha 
acelerada para se constituírem em fatores de produção indispensáveis 
em qualquer pecuária tropical e sub-tropical. 
SELEÇÃO DE ZEBUÍNOS PARA 
CARACTERÍSTICAS PRODUTIVAS 
 
Prof. Dr. José Bento Sterman Ferraz e Prof. Dr. Joanir Pereira Eler 
Grupo de Melhoramento Animal 
Universidade de São Paulo - Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos 
Cx. Postal 23 - 13630.970 Pirassununga SP 
e.mail: jbferraz@usp.br 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 
A economia globalizada desses tempos de fim de milênio levou a 
pecuária de corte a uma situação onde apenas criadores com alta 
produtividade permanecerão no competitivo mercado. Todos aqueles que 
não atingirem níveis adequados de qualidade e produtividade serão 
marginalizados do processo produtivo, podendo até ser eliminados do 
mesmo e sair do ramo. As palavras de ordem dos tempos atuais são 
aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos produtos, 
sempre a custos minimizados. 
No caso de criadores que se dedicam ao comércio de material 
genético, apenas os que tiverem seus animais geneticamente avaliados 
conseguirão vender seus reprodutores e matrizes, pois o mercado estará 
cada vez mais exigente e vai requerer que o material genético disponível 
demonstre com clareza o seu potencial. Os ganhos genéticos de cada 
rebanho dependerão também do uso de animais geneticamente superiores 
nos processos seletivos dentro de cada plantel. 
A seleção de animais feita pelos critérios tradicionais, através da 
escolha direta de animais mais produtivos, leva a ganhos genéticos muito 
aquém dos ganhos que seriam obtidos caso os animais fossem selecionados 
com base nos seus valores genéticos. Já o uso de touros melhoradores, ou 
seja, aqueles que melhoram o patrimônio genético dos rebanhos é uma 
prática da maior importância nesse processo, desde que o criador saiba 
como identificá-los corretamente. Aí se coloca uma pergunta básica: por 
que o criador não se utiliza de animais melhoradores em seus rebanhos? E 
duas são as possíveis respostas: 
• Porque não tem informação, ou 
• Porque não sabe interpretar a informação 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 30 
O rebanho brasileiro de bovinos é de cerca de 170 milhões de 
cabeças, das quais cerca de 80% são zebuínos ou animais com zebuínos 
em sua constituição genética. O melhoramento dos zebuínos para 
características de desenvolvimento ponderal e reprodutivo são 
necessidades imperativas para melhorar a competitividade de nossa 
pecuária. 
Assim, é necessário que todos aqueles envolvidos no agribusiness 
da pecuária de corte tenham noções bastante precisas de melhoramento 
genético e de suas ferramentas, quer sejam a identificação de animais 
superiores através das avaliações genéticas, os processos seletivos e os 
sistemas de acasalamento. 
Responder com precisão às dúvidas dos pecuaristas a respeito das 
informações a respeito da qualidade genética dos animais e do uso correto 
dessas informações é uma das responsabilidades dos geneticistas ligados 
aos programas de melhoramento genético de zebuínos no Brasil. 
Conhecendo estas técnicas, os profissionais envolvidos com a pecuária de 
corte poderão tomar decisões mais conscientes e ser mais eficientes em 
suas operações, mantendo-se competitivos e alertas para as mudanças de 
mercado que têm ocorrido com tanta rapidez. 
 
2. A AVALIAÇÃO GENÉTICA - OS "MODELOS ANIMAIS" 
 
Avaliar a qualidade genética de um animal nada mais é do que 
estimar o seu valor genético aditivo. Infelizmente é impossível conhecer com 
precisão o valor genético dos animais. O problema é muito simples: o 
desempenho dos animais, também denominado de fenótipo é resultado do 
patrimônio genético que aquele animal possui, o chamado genótipo, 
somado aos efeitos de meio ambiente, existindo ainda uma interação entre 
os efeitos de genótipo e de meio ambiente, já que alguns animais são 
superiores a outros em alguns ambientes, mas se tornam inferiores àqueles 
em ambientes diferentes. Se simbolizarmos o fenótipo com a letra F , o 
genótipo com a letra G , o meio ambiente com a letra A e a interação entre 
o genótipo e o ambiente com as letras GA, o desempenho dos nossos 
animais, seja qual for a característica estudada (peso à desmama, peso a 1 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 31 
ano, produção de leite, circunferência escrotal, etc.) poderá ser colocado 
numa equação muito simples: 
F = G + A + GA 
Esta equação nos mostra que, infelizmente, o fenótipo que medimos 
nos animais não demonstra diretamente sua qualidade ou potencialidade 
genética. Esse fenótipo, essa produção ou essa medida F estarão sempre 
influenciados pelo meio ambiente A e pela interação genótipo-ambiente 
GA, que podem assumir valores positivos ou negativos e que alteram o 
valor genético dos animais, G. Como não se pode conhecer com exatidão 
o valor genético dos animais, lança-se mão de técnicas de estimação 
desses valores. 
Pela análise da equação acima pode-se verificar portanto a 
necessidade de estimar-se o valor genético dos animais sem a interferência 
dos efeitos de meio ambiente da interação genótipo-ambiente. 
O valor genético dos animais depende da herdabilidade do caráter 
(quanto maior a herdabilidade maior a concordância entre o genótipo e o 
fenótipo), do número de informações (quanto maior este número, melhor 
a estimativa do valor genético), do parentesco entre o animal avaliado 
e as fontes de informação (quanto mais próximo o parentesco, maior a 
ênfase que a informação deve ter) e do grau de semelhança fenotípica 
entre o animal avaliado e as fontes de informação (uma forma de 
avaliar os efeitos de ambiente que são comuns a diferentes fontes de 
informação, os chamados efeitos permanentes de ambiente). 
As metodologias de estimação de valores genéticos dos animais vêm 
se aperfeiçoando desde as primeiras décadas deste século, mas apenas a 
partir dos anos 80 houve um avanço muito grande nas mesmas e criaram-se 
ferramentas muito poderosas para a avaliação dos animais, principalmente 
após o advento dos chamados "modelos animais", a mais moderna 
metodologia para avaliação genética existente. Nestas metodologias 
utilizam-se os registros de produção do animal que está sendo avaliado, 
mas também de todos os seus parentes, não importa o grau de parentesco 
existente. Assim, dados a respeito de primos distantes, avós, filhos, filhas, 
irmãos e irmãs de um reprodutor ou matriz são avaliados segundo 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 32 
complexos modelos matemáticos o que resulta na melhor estimação 
possível de seu valor genético, o G de nossa equação. 
Os modelos animais são uma aplicação dos chamados modelos 
mistos, desenvolvidos por C.R. Henderson nos anos 40, modelos que 
consideram efeitos fixos (sexo, idade da vaca, fazenda, sistemas de 
alimentação e manejo, grupo de contemporâneos, etc.) e efeitos aleatórios 
(como os efeitos diretos dos genes dos animais, os efeitos dos genes de sua 
mãe, os efeitos permanentes de ambiente que uma vaca fornece à sua 
progênie, etc) de maneira simultânea. 
Os efeitos aleatórios dos genes dos animais (diretoe materno) são 
estimados com base nas informações fornecidas pelos registros de 
produção de todo e qualquer parente do animal. Isto se tornou possível 
porque na montagem das equações de modelos mistos, a inversa da matriz 
de parentesco é adicionada à parte aleatória do sistema, "ligando" os dados 
de todos os animais que porventura tenham parentesco. Como os dados 
estão conectados, por uma propriedade de multiplicação de matrizes, no 
momento em que as soluções são obtidas, o valor genético estimado de 
cada animal é obtido considerando-se as contribuições de cada parente. 
Isto se tornou possível nos anos 80 devido principalmente à elaboração de 
regras para o cálculo da inversa da matriz de parentesco (Quaas e Pollak, 
1980) e devido ao aumento da capacidade dos microcomputadores, o que 
permitiu que vários pesquisadores passassem a ter acesso à tecnologia. 
No fim da década de 1980 e início dos anos 90, pesquisadores 
como C.R. Henderson (EUA), B. Kennedy (Canadá), L.D. Van Vleck, K. 
G. Boldman, I. Misztal (EUA), D. Sörensen (Dinamarca), K. Meyer 
(Inglaterra), E. Groeneveld (Alemanha), dentre outros desenvolveram uma 
série de programas específicos destinados a estimar parâmetros genéticos e 
valores genéticos aditivos de animais utilizando-se dessa metodologia. Tal 
metodologia já estava disponível no Brasil em 1991 e 1992 e vem sendo 
regularmente aplicada desde 1993. 
ELZO (1994) apresentou importante estudo sobre uso de 
procedimentos de máxima verossimilhança restrita para estimação de 
componentes de variância e covariância em populações cruzadas ou mesmo 
entre linhagem de mesma raça, concluindo que embora os requisitos 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 33 
computacionais sejam consideravelmente grandes, o número de 
componentes de variância e covariância pode ser diminuído, usando 
algumas pressuposições adequadas, que facilitam o uso daquelas 
metodologias na análise de dados de bovinos cruzados. 
O uso de modelos animais na avaliação de animais cruzados foi uma 
conseqüência de sua ampla utilização no avaliação genética de bovinos 
(ARNOLD et al., 1992). Até recentemente, no entanto, as limitações 
computacionais levaram à utilização dos modelos animais reduzidos, 
particularmente nas avaliações nacionais (BENYSHEK & BERTRAND, 
1990). Mais recentemente, inúmeros estudos têm-se utilizado dos 
procedimentos de modelos mistos sob modelos animais na análise genética 
de bovinos cruzados (DAVIS et al., 1994a,b; GREGORY et al., 
1994a,b,c; HACKELFORD et al., 1994; KOCH et al., 1994; MEYER et 
al., 1994; GREGORY et al., 1995a,b,c; KRESS et al., 1995; PASCHAL 
et al., 1995; RODRíGUEZ-ALMEIDA et al., 1995a,b; VAN VLECK & 
CUNDIFF, 1995), dentre outros. 
Aspectos importantes a respeito de estrutura dos dados (TOSH & 
WILTON, 1994); volume de informações de pedigree (BRISBANE & 
GIBSON, 1995; GROEN et al., 1995; HAGGER & SCHNEEBERGER, 
1995; QUINTON & SMITH, 1995) e efeitos da seleção simultânea de 
características sobre componentes de covariância (McMILLAN et al., 
1995) têm sido considerados quando da avaliação genética de animais 
provenientes de acasalamentos exogâmicos. 
Com as informações obtidas da literatura, fica evidente que a 
avaliação genética, ou seja a avaliação do valor genético aditivo dos 
animais, machos e fêmeas, de um sistema de cruzamento é uma das tarefas 
vitais ao sucesso do sistema. 
 
3. COMO SE EXPRESSAM ESSAS AVALIAÇÕES GENÉTICAS 
 
Por definição, o valor genético aditivo esperado (Expected 
Breeding Value ou EBV) de um animal é o valor que ele teria como 
reprodutor ou ainda é igual a duas vezes a diferença que seus filhos têm em 
relação aos filhos de outros reprodutores, desde que os reprodutores que 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 34 
estejam sendo comparados sejam acasalados com vacas escolhidas ao 
acaso da população. A razão para dobrar essa diferença dos filhos é que 
os filhos só têm metade dos genes dos pais. Em última análise o valor 
genético aditivo é o que os rebanhos selecionadores vendem, pois 
expressa o potencial genético dos animais vendidos. Este valor mostra o 
quanto os filhos de um animal seriam desviados em relação à média de 
todos os reprodutores em utilização, ou seja produziriam "a mais" ou "a 
menos" que a média dos filhos dos outros reprodutores, que tenham sido 
utilizados na mesma população de animais onde estivemos estimando os 
valores genéticos. 
Os EPD (expected progeny differences) ou as DEP’s (diferenças 
esperadas de progênie) são por definição a fração de uma superioridade de 
progênie devidas aos efeitos dos genes do reprodutor. Como metade do 
patrimônio genético dos filhos vem da mãe e metade do pai, os EPD ou as 
DEP equivalem à metade dos EBV. Assim, comprando-se um tourinho A 
com EPD ou DEP = +13,0 kg para peso aos 365 dias, com o tourinho B 
que tenha uma DEP de +3,0 kg significa que os filhos do tourinho A teriam 
10 Kg de peso aos 365 dias a mais do que os filhos do tourinho B se 
acasalados com vacas escolhidas ao acaso. Este conceito de EPD ou 
DEP é usado em geral pelos criadores de gado de corte, ao passo que os 
de gado de leite utilizam-se dos termos PTA (predicted transmiting ability 
ou habilidade prevista de transmissão), TA (transmiting ability, ou 
habilidade de transmissão), ou ainda PD (predicted difference) ou SC (sire 
comparison ou comparação entre reprodutores). Em essência, todos estes 
termos estimam a metade do valor genético de um reprodutor. 
 
4. A ACURÁCIA DAS AVALIAÇÕES 
 
A Acurácia (do inglês accuracy, também conhecida como 
repetibilidade da avaliação) de uma estimativa é uma medida da correlação 
entre o valor estimado e os valores das fontes de informação, ou seja mede 
o quanto a estimativa que obtivemos é relacionada com o "valor real" do 
parâmetro. Ela nos informa o quanto o valor estimado é "bom", ou seja o 
quanto o valor estimado é "próximo" do valor real e nos dá a 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 35 
"confiabilidade" daquela estimativa ou valor. Se estimamos o valor genético 
apenas pelo desempenho do próprio animal (em peso aos 365 dias por 
exemplo), o valor da acurácia será de 0,50 (para herdabilidade de 0,25), 
mas se a estimativa for baseada em 18 filhos (progênie) de um touro com 
uma amostra aleatória (tirada ao acaso) de vacas, a acurácia subirá para 
0,74. Quanto mais informações tivermos a respeito de um touro, mais 
acurada, mais "confiável" a estimativa. 
A acurácia no entanto, não depende somente do número de filhos de 
um reprodutor que foram medidos, mas, principalmente do número de 
parentes medidos que esse reprodutor teve. Assim, é comum touros com 
menor número de filhos do que outros terem acurácias maiores, devido à 
contribuição de maior número de parentes na estimação de seu valor 
genético. 
Um outro caso comum nas avaliações é a estimação de DEP's para 
efeitos genéticos maternos igual a zero, com acurácia igualmente igual a 
zero, para touros que não tiveram nenhuma filha com descendentes na 
população. Às vezes tais touros podem ter centenas de filhos medidos, alta 
acurácia para efeitos diretos e nenhuma estimativa ou acurácia para efeito 
materno. 
Este conceito de acurácia é muito importante para as decisões de 
um criador, pois indica o "risco" da decisão. Se o criador tiver um pequeno 
rebanho de alto valor genético, fica muito difícil utilizar-se um reprodutor 
cujo valor genético (DEP ou TA) tenha baixa acurácia, pois o valor 
estimado não é muito "confiável" e quando aumentarem as informações a 
respeito daquele reprodutor, por exemplo na próxima avaliação ou no 
próximo ano, aquele valor genético previsto poderá diminuir e o pequeno 
criador terá à venda então filhos de um touro inferior ao que ele achava que 
teria. Mas aquele valor poderá também subir e então o criador terá filhos 
de um bom touro. A acurácia nos informa em última análise a "segurança" 
que temos de que aquele valor estimado vá mudar ou não. 
Mas se o criador tem um porte maior e gosta de correrriscos (e talvez ter 
maiores lucros), ele poderá investir adquirindo tourinhos (ou sêmen) com altos valores 
genéticos estimados e baixa acurácia, que em geral são mais baratos, e usar este material 
genético em uma parte de seu rebanho. Se o tourinho confirmar seu alto potencial e tiver 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 36 
maior acurácia na próxima avaliação, esse criador terá feito um bom negócio, mas se tiver 
um pior desempenho, só parte dos seus produtos será originária de touros "inferiores". 
Mas altas acurácias só são conseguidas a partir de muitas informações a respeito do 
animal que está sendo testado, em geral obtidas a partir de muitos filhos e filhas do touro e 
isto significa mais tempo entre o nascimento desse reprodutor e seu uso no rebanho, o que 
aumenta o intervalo entre gerações e diminui o ganho genético por ano. Assim, usarem-se 
animais jovens, com baixa acurácia, pode aumentar o risco, mas se a avaliação estiver 
sendo bem feita, o mérito genético do rebanho como um todo cresce mais rapidamente 
do que se utilizar touros "provados", com altas acurácias. A decisão é estritamente técnica 
e deve ser tomada caso a caso. 
A tabela apresentada a seguir nos dá uma idéia aproximada desse risco: 
 
Relação entre acurácia de uma estimativa de valor genético de um animal e 
o risco de utilizar-se ou não tal animal como reprodutor na propriedade 
 
Acurácia Razão Risco 
 
0,10 a 0,30 poucas informações a respeito do animal, animal em 
geral muito jovem ==> acurácia baixa, diminui o 
intervalo entre gerações 
 alto 
0,31 a 0,70 número razoável de informações, touro jovem, com 
de 10 a 20 filhos já testados (em gado de leite, 10 a 
20 filhas com lactação) ==> acurácia média, 
intervalo entre gerações médio 
médio 
acima de 
0,70 
número suficiente de informações, animal com mais 
de 20 filhos ou filhas testados ==> acurácia alta, 
aumenta muito o intervalo entre gerações 
baixo 
 
A acurácia é a correlação entre a predição do valor genético ( $g) e o 
valor genético verdadeiro ( g ), e é dada pela fórmula: 
r( $g, g ) = 1 2−
VEP
gσ
, sendo esta concepção conhecida 
como “Acurácia Real” e onde VEP é a variância do erro da predição 
(prediction error variance, ou PEV), que é obtida na diagonal da matriz C, 
matriz intermediária do processo de solução das equações de modelos 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 37 
mistos. No entanto a inversão de tal matriz é um processo extremamente 
lento e muitas vezes, dependendo do número de animais e características 
avaliadas, é quase impossível, já que a demanda por memória de 
computadores é muito grande. 
No entanto, a acurácia quando expressa desta forma não tem 
comportamento linear com o número de progênies de um determinado 
touro, mormente em números de filhos entre 10 e 50, e fica relativamente 
difícil para o criador leigo entender as grandes variações de acurácia que 
ocorrem com pequenas variações no número de filhos. Tendo em vista este 
problema, o Beef Improvement Federation, dos Estados Unidos da 
América, adotou uma fórmula alternativa, que varia linearmente com o 
número de progênies e que dá valores de acurácia mais baixos, e mais 
conservadores, que os da “acurácia real”. A fórmula da “Acurácia BIF” é: 
Acc BIF = 1 2−
VEP
gσ
 
 
 
5. O USO DAS AVALIAÇÕES GENÉTICAS PELOS CRIADORES 
 
As DEP's são resultados de amplos programas informatizados de 
controle e avaliação de reprodutores conduzidos por Associações de 
Criadores e publicados em seus "Sumários de Touros". Eles podem ser 
relativos a qualquer característica que se possa medir com precisão, como 
o peso ao nascer, peso à desmama ajustado, peso ao sobreano ajustado, 
peso aos 540 dias ajustado, produção leiteira, de gordura ou proteína 
ajustadas, circunferência escrotal ajustada, pontuação em um sistema linear 
de avaliação corporal, altura, notas para facilidade de parto, etc. Quanto 
maior o número de informações, mais ampla será a avaliação de um 
reprodutor. Nada impede que um reprodutor seja "superior" aos demais em 
algumas características e "inferior" em outras. Essas informações é que são 
úteis para a decisão de cada criador, que tem a liberdade de melhorar seu 
rebanho segundo seus conceitos e idéias. 
Os valores das DEP's podem mudar de uma avaliação para outra 
(em geral de um ano para outro), à medida que novas informações são 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 38 
agregadas. Os sistemas de avaliação em uso hoje estimam DEP's para 
todos os animais controlados, inclusive aqueles que não têm registro de 
produção ou que já morreram, pois isso é feito pelos laços de parentesco 
com aqueles que têm produções controladas. 
Como já foi explicado anteriormente, o desempenho de um animal 
não é apenas resultado de seu genótipo, mas também dos efeitos de 
ambiente. As características produtivas economicamente importantes são 
condicionadas pelo genótipo em frações de 20 a 40% (o que equivale à 
sua herdabilidade), o que significa que de 80 a 60 % da variação da mesma 
é devida ao ambiente ou outras causas não controláveis. Assim, as DEP's 
não são garantias de desempenho superior dos filhos dos touros testados, 
mas tão somente uma indicação, a melhor que a genética moderna pode 
oferecer, do potencial genético do reprodutor que está sendo usado. 
Restam ao criador tentar controlar a outra parte responsável pelo 
desempenho dos animais, que sejam o ambiente, a alimentação, a saúde, 
etc. 
As DEP's são válidas para a população onde foram estimadas. 
Assim, estimativas obtidas para a raça Pardo-Suíça não são comparáveis 
aos obtidos para a raça Simmental ou Nelore. 
Ao comparar as DEP's de dois touros, não devem ser comparados 
os valores em si, mas sim sua diferença. Se um touro tem uma DEP de 
+12,0 Kg e outro tem o valor +7,0 Kg, a diferença esperada entre os filhos 
dois touros é de 5,0 Kg naquela característica. 
Um bom programa de avaliação de reprodutores sempre estima as 
DEP's dos animais que estão nascendo no rebanho, mas o mais 
importante é que devem ser incluídos nas avaliações todos os animais 
nascidos, bons ou ruins. Incluir apenas os melhores filhos de um touro pode 
resultar em maiores DEP's, mas esta estimativa será falsa e os filhos 
desses animais não terão o desempenho esperado, comprometendo o 
próprio programa, mas sobretudo colocando em dúvida a seriedade do 
criador. 
Os criadores devem estar sempre familiarizados com os catálogos de 
touros e consultar tais valores antes dos leilões ou pedidos de sêmen. O 
criador deve saber o que ele deve melhorar em seu rebanho e comparar as 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 39 
DEP's do reprodutores disponíveis. A compra de material genético é antes 
de mais nada uma compra técnica. Estar atualizado no significado dos 
termos técnicos de avaliação de reprodutores é uma importante ferramenta 
tanto de compra quanto de venda. 
 
6. A IMPORTÂNCIA DOS EFEITOS FIXOS - AS CAUSAS DE 
CONFUNDIMENTO 
 
O confundimento dos fatores causais da expressão dos genes não se 
dá apenas em termos de componentes genéticos. Existe normalmente 
enorme grau de confundimento entre tais fatores genéticos e os fatores de 
ambiente, já que cada cruzamento expressar-se-á no tempo em diferentes 
ambientes. 
É notória a diferença de desempenho de animais de patrimônio 
genético semelhante criados em ambientes próximos mas diferentes. Muitas 
vezes podemos observar diferenças de mais de 20 kg no peso médio de 
bezerros de um rebanho, nos quais um dos lotes foi criado num pasto de 
colonião ou jaraguá e o outro, separado apenas por uma cerca, foi criado 
num pasto de Brachiaria. Isto pode ser normalmente observado em 
qualquer fazenda. 
Se diferenças tão evidentes como a exemplificada são observadas, a 
qualidade das avaliações depende fundamentalmente das definições dos 
grupos de contemporâneos. 
Os grupos de contemporâneos são grupos de animais nascidos na 
mesma fazenda, na mesma época do ano e que são submetidos às mesmascondições de ambiente. Assim, se numa fazenda existem diferenças de 
qualidade entre pastos e entre tratadores diferentes, o que normalmente 
existe, nada mais lógico que identificar o "lote" no qual cada animal foi 
criado, em todas as fases de sua vida. Em geral, cada "lote" refere-se a um 
grupo de animais que nasceu junto e foi mantido junto, no mesmo pasto, 
retiro e sob os cuidados de um mesmo vaqueiro, até o desmame, ou então 
foi desmamado na mesma época e colocado num mesmo pasto até 
determinada idade. Este tipo de identificação é o que caracteriza os "grupos 
de manejo", a melhor maneira de identificar grupos de contemporâneos. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 40 
Por ocasião das análises estatísticas para estimação de valores 
genéticos, aos grupos de manejo, definidos dentro de cada fazenda, serão 
acrescidos a identificação de cada fazenda e o sexo dos animais, pois tais 
fontes de variação são de extrema importância. A composição final de cada 
grupo de contemporâneos (GC) ficará assim definida por: 
GC = fazenda + grupo de manejo dentro da fazenda + sexo 
Se tivermos em nossa população 10 fazendas, cada uma com 10 
grupos de manejo e os 2 sexos, nossa população terá então 200 grupos de 
contemporâneos. A inclusão dos efeitos de grupo de contemporâneos é 
absolutamente essencial à qualidade de uma avaliação. A definição 
incorreta destes grupos pode levar a grandes desvios (vícios, viéses, bias) 
das estimativas e muitos animais podem ser avaliados de maneira incorreta, 
levando a erros graves nas definições de seleção. 
Dadas as necessidades de haver conecção genética entre animais de 
diferentes grupos de contemporâneos, de tal forma que os mesmos possam 
ser comparáveis, é de extrema importância que dentro de cada grupo de 
contemporâneo ou grupo de manejo, existam filhos dos touros conhecidos 
como touros de amarração ou touros de referência, que são animais cujo 
sêmen é usado em todos os lotes de vacas. Grupos de manejo que têm 
apenas filhos de reprodutores múltiplos não têm conexão genética 
conhecida com outros grupos da população e sua avaliação fica 
prejudicada. 
Um dos tipos piores de confundimento que ocorre em análise de 
dados de cruzamentos é o confundimento entre os efeitos de grupo de 
manejo (ou pasto) e os grupos raciais, particularmente de vacas. Em geral, 
vacas de uma mesma composição racial são mantidas em poucos pastos ou 
retiros, com a justificativa de manter-se melhor controle sobre aquele 
grupo. Se isto for feito, as diferenças entre o desempenho das progênies 
deste grupo (A x B, por exemplo) de vacas e outro grupo (C x D, por 
exemplo) será devido aos efeitos genéticos (direto, materno e de heterose) 
ou simplesmente um efeito ambiental? Será, sob o ponto de vista estatístico, 
impossível separarem-se tais efeitos, principalmente os efeitos maternos e 
de avó materna. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 41 
Existe ainda o problema de efeitos diretos e maternos serem 
colineares, ou seja existir covariância entre eles. Com esta dependência 
entre os efeitos, não existe uma solução clara e limpa para tais 
componentes. Com delineamento cuidadoso, podem ser estimadas 
diferenças entre méritos genéticos direto e materno entre as raças, quase 
sempre com algum confundimento embutido. 
Pequenas decisões na composição de grupos de manejo ou de 
contemporâneos podem levar a graves efeitos no grau de confundimento 
entre os componentes causais. O ideal num programa de cruzamento de 
grandes proporções é que se simulem os efeitos de cada decisão antes de 
implementá-las, de tal maneira que suas consequências sejam conhecidas a 
priori. 
A inclusão de fêmeas de raças puras em todos os grupos de manejo 
seria de grande valia para facilitar comparações futuras, embora isto possa 
trazer vários problemas de manejo. Isto é ainda mais importante quando 
várias raças são utilizadas, pois animais de raça pura seriam uma importante 
e conhecida referência que facilitaria as comparações entre diversas 
combinações de raças. 
 
7. A SELEÇÃO PARA CARACTERÍSTICAS DE 
DESENVOLVIMENTO 
 
Muitas características ligadas ao desenvolvimento dos zebuínos são 
importantes e devem constar de programas de avaliação genética de 
reprodutores. Dentre elas podemos citar: 
Peso ao nascer = peso real ao nascimento, em kg. Este peso deve 
ser monitorado para evitar-se um aumento significativo no peso ao 
nascimento dos bezerros, o que poderia vir a causar problemas de parto. 
Este peso é o melhor indicador da facilidade de parto. Touros com DEP’s 
baixas ou mesmo negativas são desejáveis para esta característica. 
Peso à desmama = peso, em kg, medido por ocasião da desmama. 
A DEP para este peso reflete o potencial que o animal tem para desmamar, 
independente da produção de leite de sua mãe, ou seja, a ação direta dos 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 42 
genes do próprio animal. Este peso é muito importante para os produtores 
de bezerros. Touros com DEP positiva e elevada são os mais indicados. 
Materno total = esta característica é obtida somando-se metade da 
DEP de cada animal para peso à desmama (efeitos diretos) com a DEP 
para efeitos maternos sobre o mesmo peso. Ela expressa, em kg, o 
potencial total de desmama que um animal pode transmitir, incluindo os 
efeitos diretos dos genes sobre o crescimento e os efeitos dos genes que 
irão influenciar a produção leiteira das filhas do reprodutor. 
Ganho de peso ao sobreano = esta característica expressa, em kg, 
o ganho potencial devido à ação dos genes, que o animal apresenta no 
período compreendido entre a desmama e o sobreano. Essa característica 
demonstra o potencial de velocidade de ganho de peso e tem sido 
considerado muito importante pelos engordadores e confinadores, pois 
demonstra o desempenho potencial a pasto ou em confinamento. Este 
ganho de peso, somado ao peso à desmama, define o peso ao sobreano, o 
melhor indicador do peso adulto dos animais e as DEP’s mais elevadas são 
as mais indicadas. 
Conformação, Precocidade e Musculosidade = as avaliações 
visuais destas três características estão relacionadas com a necessidade de 
se selecionarem animais adequados à competitiva indústria da carne bovina. 
Estes escores devem ser medidos ao sobreano em escalas pré definidas, 
onde os maiores valores correspondem aos melhores animais. Assim, 
DEP’s mais elevadas são as mais indicadas, sempre levando-se em conta 
um perfeito balanceamento do animal. 
Perímetro Escrotal = esta medida, expressa em cm, deve ser 
tomada nos machos na época da pesagem ao sobreano e é altamente 
correlacionada com idade à puberdade, qualidade e quantidade de sêmen, 
fertilidade, desenvolvimento ponderal e precocidade sexual das filhas e 
irmãs dos tourinhos. O uso desta característica para compor os critérios de 
seleção em bovinos de corte tem sido prática comum na maioria dos bons 
programas de melhoramento em todo o mundo. As DEP’s mais elevadas 
são as melhores. Seleção para PE, no entanto, não é uma substituição para 
a seleção direta sobre o desempenho reprodutivo da fêmea. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 43 
Altura = Esta medida em cm é tomada na garupa dos animais ao 
sobreano de idade e pode ajudar o criador a definir uma estatura média de 
seus animais. Ela apresenta elevada correlação com a “caixa” (frame) dos 
animais, ou seja a estrutura anatômica do animal para suportar a 
musculatura. 
 
 
8. A SELEÇÃO PARA CARACTERÍSTICAS REPRODUTIVAS 
 
Inicialmente é de extrema importância que se defina com clareza 
quais características devem ser selecionadas, quais são as metas e objetivos 
do criador. 
O que é realmente importante sob o ponto de vista reprodutivo das 
vacas é que se tenham novilhas que fiquem prenhes o mais cedo possível, 
dentro de determinada estação de monta vigente. Além disto, uma fêmea 
deve permanecer no plantel por longo tempo, produzindo bezerros todos 
os anos. Essa longevidade garante a amortização dos custos de aquisição, 
manutençãoe reposição de uma matriz no rebanho. 
Inicialmente, é de extrema importância ressaltar que a implantação de 
uma estação de monta, bem definida e adaptada às condições de cada 
região é uma necessidade, sem a qual os procedimentos da fazenda ficam 
desorganizados e de difícil controle. Outro item que deve ser ressaltado é a 
necessidade de se realizar um controle zootécnico bem feito, consistente e 
permanente na propriedade, sem o qual os diagnósticos e 
consequentemente as aferições da qualidade do rebanho são impossíveis. 
No entanto, é necessário discutir as práticas atuais de seleção para 
características reprodutivas. Uma das práticas mais utilizadas pelos 
pecuaristas de bom nível é o descarte de todas as fêmeas que não 
ficaram prenhas ao fim da estação de monta. Esta prática é 
absolutamente essencial e nenhuma fêmea deve permanecer no rebanho se 
estiver vazia ao exame de toque realizado após a estação de monta, pois se 
isso ocorrer, se o pecuarista “der uma chance” para a matriz, ele estará 
mantendo no rebanho uma matriz de baixa produtividade e suas filhas, que 
também deverão ter genes para esta baixa produtividade. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 44 
Uma outra prática que vem sendo realizada atualmente em todo o 
mundo é a seleção para perímetro escrotal, baseada nas correlações 
positivas entre essa característica e a precocidade sexual das filhas e irmãs 
do touro que têm perímetros escrotais mais altos. Esta seleção indireta, 
feita através de características indicadoras, embora tenha trazido 
resultados positivos tem uma eficiência menos do que se a característica 
desejada fosse selecionada diretamente. 
Raciocínio semelhante pode ser usado com outras características 
indicadoras, como a idade ao primeiro parto, o intervalo de partos e a 
característica dias para o parto, definida como o número de dias 
transcorridos entre o início da estação de monta e o parto de fêmea. 
Na realidade, é necessário encontrarem-se maneiras de avaliar o 
valor genético dos reprodutores quanto às características 
economicamente relevantes, aquelas que realmente importam, como a 
prenhez de novilhas aos 14, 18 e 24 meses e a permanência de uma matriz 
produtiva no rebanho por tempo suficiente para amortizar seus custos (6 
anos nos EUA) que foi definida como stayability pelo Dr. Bruce 
Golden nas avaliações genéticas de várias raças, como a Red Angus nos 
Estados Unidos. Estas sim são características importantes e a seleção direta 
sobre elas é mais acurada do que a seleção utilizando-se de características 
indicadoras. A metodologia para análise dessas características difere um 
pouco das demais, pois as mesmas são variáveis discretas, mas a tecnologia 
já está disponível. 
É muito importante ainda ressaltar as tendências atuais adotadas por 
pecuaristas de nível elevado, de exporem as bezerras Nelore aos touros já 
aos 14 meses de idade, desde que tenham sido bem alimentadas e tenha 
peso mínimo de 260 a 270 kg. Esta exposição aos touros, embora leve a 
taxas de prenhez ao redor dos 10 a 20% vai aumentando a freqüência de 
animais sexualmente precoces no rebanho. Esta seleção, embora de 
eficiência reduzida, é importante, pois qualquer ganho na esfera reprodutiva 
é importante. Para se conseguirem taxas de prenhez de 10 a 20% com 
bezerras Nelore de 14 meses é necessária uma grande atenção à 
alimentação, nutrição e cuidados sanitários com tais bezerras e só isto já se 
constitui num avanço de nível tecnológico. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 45 
É discutível, dependendo da região e da disponibilidade de pastagem 
de cada criador, uma estação de monta extra, para as novilhas de 18 
meses, que poderia levar a taxas de prenhez de até 70%. Essa estação teria 
a vantagem de adiantar o parto dessas novilhas em 6 meses, dando-
lhes um descanso maior antes da próxima estação de monta, sem bezerro, 
aumentando a taxa de prenhez e diminuindo o nível de descarte de fêmeas 
primíparas. Mas realmente a decisão de adotar-se tal prática deve ser bem 
pesada, pois essa estação extra traz sérios complicadores para o manejo da 
propriedade. 
As fêmeas Nelore de 24 meses podem, e devem, ser colocadas na 
estação de monta normal, mas para isto devem estar em boas condições de 
alimentação e nutrição, aliás um sério problema para a pecuária brasileira. 
 
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Avaliação genética é um assunto eminentemente técnico. Os 
conhecimento necessários à elaboração das análises são muitos e 
profundos. Apenas pessoas treinadas longamente nesse ramo da ciência 
têm condições de entender as complexas imbricações dos diferentes fatores 
envolvidos na determinação dos fenótipos e evitar que graves 
confundimentos venham a alterar sistematicamente os resultados das 
avaliações, levando os criadores a graves erros, cujas consequências serão 
rapidamente visíveis através de progressos genéticos muito menores do que 
os esperados. 
Estas considerações são ainda mais importantes quando a avaliação 
genética se faz em animais cruzados, pois nesses casos confundimentos de 
fatores genéticos com efeitos de ambiente torna impossível a identificação e 
quantificação correta dos fatores genéticos, que sempre estarão misturados 
com os de ambiente, mascarando seus efeitos e induzindo os responsáveis 
pelo programa de cruzamento a erros de extrema gravidade, que podem 
comprometer os resultados do programa. Estes confundimentos podem 
levar a identificação errada dos valores genéticos esperados e levar a 
ganhos genéticos menores que os esperados ou até mesmo a perdas de 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 46 
mérito genético, num retrocesso que pode ser fatal ao programa de 
cruzamentos, levando a significativas perdas econômicas. 
O mercado de reprodutores bovinos deve caminhar celeremente para 
um mercado onde apenas animais avaliados geneticamente serão 
valorizados, num progressivo movimento de decréscimo de importância das 
exposições zootécnicas. Os profissionais envolvidos no agribusiness da 
pecuária de corte têm que se familiarizar com as informações de avaliações 
genéticas, bem como ter amplo acesso às mesmas, inserindo-se de maneira 
muito clara e ocupando posição de destaque nessa cadeia produtiva, 
auxiliando os pecuaristas em suas decisões. 
 
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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SELEÇÃO DE ZEBUÍNOS PARA PRECOCIDADE 
SEXUAL 
 
José Aurélio Garcia Bergmann 
Escola de Veterinária da UFMG 
Caixa Postal, 567 – 31.270-010 - Belo Horizonte, MG 
Bergmann@dedalus.lcc.ufmf.br 
 
1. INTRODUÇÃO 
Apesar do desempenho reprodutivo ser considerado de grande 
importância para a pecuária de corte (Trenkle e Wilham, 1977; Meacham e 
Notter, 1987; Fonseca 1991; Bergmann, 1993), este não tem merecido 
ênfase nos programas de melhoramento genético. De acordo com 
Meacham e Notter (1987) e Fonseca (1991), a eficiência reprodutiva pode 
ser considerada como uma das mais importantes características 
econômicas, devendo merecer atenção dos criadores de gado de corte. 
Rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade possuem 
maior disponibilidade de animais, tanto para venda como para seleção, 
permitindo maior intensidade seletiva e, consequentemente, progressos 
genéticos mais elevados e maior lucratividade. 
A reprodução é um processo complexo e a seleção direta para 
características ligadas à reprodução é, muitas vezes, difícil de ser aplicada, 
tornando-se necessário identificar características reprodutivas que sejam 
facilmente medidas, que apresentem variabilidade genética e que sejam 
geneticamente correlacionadas aos eventos reprodutivos. Segundo 
Mackinnon et al. (1990) e Meyer et al. (1990), existem evidências de 
substancial variação genética no desempenho reprodutivo de machos e 
fêmeas e relações genéticas favoráveis entre este e características 
relacionadas ao desenvolvimento ponderal, o que viabilizaria programas de 
seleção para desempenho reprodutivo em bovinos de corte (Bergmann et 
al., 1996). 
Para ambos os sexos a idade à puberdade, característica indicadora 
da precocidade sexual dos animais, é uma importante característica 
reprodutiva a ser considerada nos programas de melhoramento das raças 
zebus. Para os machos, a idade à puberdade tem sido considerada como 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
52 
aquela em que aparecem os primeiros espermatozóides no ejaculado 
(Unanian, 1997).Para as fêmeas, essa característica tem sido considerada 
como a idade na qual o animal ovula pela primeira vez com manifestação de 
estro (Notter, 1995). A herdabilidade da idade à puberdade é 
relativamente alta (0,61; MacNeil et al., 1984), significando que esta idade 
pode ser reduzida através da seleção. Entretanto, os critérios de seleção 
para se reduzir a idade à puberdade não são facilmente caracterizados. 
Independente do sexo, a determinação da idade à puberdade envolve 
cuidadosa e laboriosa coleta de informações. Sua detecção no macho 
envolve coletas seqüenciais de sêmen em todos os tourinhos candidatos à 
seleção. Nas fêmeas, a detecção da primeira ovulação envolve repetidas 
palpações retais, ultra-sonografias ou dosagens da progesterona circulante. 
Paralelamente, a detecção do primeiro estro envolve mão de obra 
adicional, além da utilização de rufiões com marcadores, por usualmente 
longo período. 
De certa forma, a idade ao primeiro parto pode ser considerada 
como característica indicadora do início da atividade reprodutiva das 
fêmeas. No Brasil, apesar do significativo aumento das pesquisas 
envolvendo o melhoramento das raças zebus e dos meios para a melhoria 
dos índices de produtividade disponíveis atualmente, Bergmann (1993), 
utilizando trabalhos publicados de 1946 até 1988, concluiu que não houve 
redução na idade ao primeiro parto naquele período (média ponderada 
acima de 40 meses), o que indicaria a ausência de mudanças dos índices de 
produtividade, decorrentes tanto de medidas que visam melhorar a 
alimentação dos rebanhos como do melhoramento genético. Conclusões 
semelhantes foram evidenciadas por Nájera (1990) para a raça Nelore, 
quando reportou que a idade ao primeiro parto variou de 37 a 54 meses, 
com média de 43 meses. 
A redução da idade ao primeiro parto, conseqüente ao aumento da 
precocidade sexual dos animais, parece ser o maior desafio do zebu 
brasileiro. Face às dificuldades operacionais para implementação de 
programas de seleção para idade à puberdade, torna-se importante a 
utilização de características indicadoras de precocidade sexual, que tenham 
variabilidade genética adequada, que sejam de mensuração fácil e 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
53 
econômica, e que tenham correlação genética favorável com idade à 
puberdade e outras características economicamente importantes. 
Esta palestra objetiva rever as possibilidades da utilização de algumas 
características indicadoras da idade à puberdade em programas de seleção 
de zebus, ou seja, da data e da idade ao primeiro parto, e do perímetro 
escrotal. 
 
2. PERÍMETRO ESCROTAL 
Uma das principais características associada ao desempenho 
reprodutivo dos machos é o volume testicular. A medida mais utilizada para 
refletir o volume dos testículos é o perímetro escrotal, também chamado de 
circunferência escrotal. Além de estar favorável e geneticamente 
correlacionado ao volume testicular (Quirino, 1999), esta característica é de 
fácil e econômica mensuração, e tem alta confiabilidade e repetibilidade 
quando tomada por diferentes técnicos (Coulter e Foote, 1979). 
A seleção para aumento do perímetro escrotal não traz beneficio 
direto em termos econômicos. Objetiva-se, contudo, que, com esta 
seleção, se consiga animais mais precoces sexualmente e mais férteis, com 
maior quantidade e qualidade espermática e maior capacidade de serviço. 
Estas associações têm sido estudadas, notadamente em raças européias. 
Existem evidências de que o perímetro escrotal esteja correlacionado 
geneticamente com a idade à puberdade nos machos e fêmeas, com a 
fertilidade das fêmeas aparentadas a estes machos (Notter, 1988; Martins 
Filho, 1991; Bergmann, 1993, Gressler et al., 1998) e, ainda, com 
características físicas e morfológicas do sêmen (Quirino, 1999). 
Quando o objetivo da seleção é a redução da idade à puberdade, a 
avaliação do perímetro testicular em touros deve ser feita antes dos 24 
meses de idade por ser esse o período que antecede, ou coincide, com o 
início de sua atividade reprodutiva. Adicionalmente, é em torno da 
puberdade que os testículos crescem mais rapidamente e de forma quase 
linear (Abdel-Raoulf, 1960; Pimentel et al., 1984). Segundo Fonseca 
(1989), o início da puberdade é marcado por mudanças dos níveis 
circulantes de hormônios. Dentre estes, estão os efeitos das gonadotropinas 
e de seu hormônio estimulador que estão envolvidos indiretamente com o 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
54 
fenômeno da espermatogênese. Por estímulos hormonais, as células de 
Leydig sintetizam a testosterona que atua diretamente na espermatogênese, 
estimulando-a. O início da espermatogênese coincide com a luminação e 
aumento do diâmetro, tanto dos túbulos seminíferos como de seu lumen. 
Nesta fase, ocorre também um rápido crescimento dos órgãos genitais 
primários. De acordo com Bergmann et al. (1998), os testículos crescem 
segundo curva sigmóide, com uma fase inicial mais lenta, seguida de um 
pico que coincide com a puberdade, havendo, posteriormente, um 
crescimento lento, indicativo da maturidade sexual (Figura 1) 
Figura 1 - Curva de crescimento do perímetro escrotal em animais Nelore 
 
Estudos relacionados à curva de crescimento testicular de animais 
das raças européias criados em regiões temperadas indicam que uma única 
medição a um ano de idade é suficiente para se avaliar o desenvolvimento 
testicular. O perímetro escrotal nesta idade apresenta herdabilidade alta, 
com uma média de 0,50 (Coulter et al., 1976; Latimer et al., 1982; 
Bourdon e Brinks, 1986; Nelsen et al., 1986; Morris et al., 1992) e está 
favoravelmente associada a idade à puberdade das meio-irmãs destes 
tourinhos, -0,39, (Brinks et al., 1978; Morris et al., 1992). Adicionalmente, 
0
5
10
15
20
25
30
35
40
0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 33 36 39 42 45 48 51 54 57 60 63 66 69 72
Idade (meses)
P
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 E
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ro
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(c
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)
Ponto de inflexão: 19,0 cm aos 10,8 meses de idade 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
55 
o perímetro escrotal está favorável e geneticamente associada à idade ao 
primeiro serviço (-0,32), a data do primeiro (-0,19) e do segundo (-
0,27) partos, à fertilidade (0,59) e ao intervalo entre partos (-0,21), 
segundo Toelle e Robison (1985) e Notter et al. (1993). 
No Brasil, a ênfase da seleção para perímetro escrotal dos zebus tem 
sido para a idade de 18 meses. Entretanto, Bergmann et al. (1998), ao 
descreverem a curva de crescimento do perímetro escrotal de animais 
Nelore, encontraram ponto de inflexão (máximo crescimento) aos 10,8 
meses de idade (Figura 1). Segundo os autores, tal fato evidenciaria o 
maior crescimento do parênquima testicular ocorrendo próximo aos 12 
meses de idade, sugerindo o início do período pré-pubere. Segundo 
Fitzhugh (l976), neste ponto da curva de crescimento, a taxa de 
crescimento é máxima, passando de função crescente (estágio 
autoacelerante) para função decrescente (estágio autoinibitório). Para Foot 
(l969), o início da puberdade é caracterizado pelo crescimento rápido das 
gônadas e pode ser determinado pela presença de espermatozóides viáveis 
no ejaculado, associado à liberação do pênis e da libido, com o 
estabelecimento da capacidade reprodutiva. 
As pesquisas realizadas no Brasil, considerando aspectos 
relacionados à puberdade de animais zebus, salientam a maior dependência 
de seu aparecimento do estado corporal do animal do que da idade. 
Diversos trabalhos sugerem idades variando entre 10 e 12 meses de idade 
para o aparecimento da puberdade de machos zebus, coincidindo com o 
período de grande ganho em peso e associado ao rápido crescimento 
testicular, aumento da secreção de LH e início da espermatogênese 
(Cardoso, 1977; Castro et al., 1989). Ainda no Brasil, Cardoso (l977) 
determinou o início da puberdade de machos Nelore entre os 10 e 12 
meses. Já Castro et al. (l989) observaram espermatozóides no ejaculado de 
tourinhos Nelore, criados exclusivamentea pasto, aos 12-14 meses de 
idade, enquanto que Castro et al. (l990) observaram, na mesma raça, que a 
puberdade ocorreu aos 17 meses de idade. Mais recentemente, Unanian 
(1997) observou o aparecimento da puberdade em machos Nelore 
variando de 12,2 a 16,0 meses de idade. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
56 
Embora o perímetro escrotal esteja associado ao peso corporal 
(Bergmann et al., 1996, entre outros), segundo Toelle e Robson (l985) 
existem evidências de que o tamanho do testículo seja controlado por 
diferentes sistemas fisiológicos nas idades de 205 e de 365 dias para 
taurinos criados em condições temperadas. Segundo os autores, o 
perímetro escrotal medido aos 205 dias seria reflexo do aumento do peso 
corporal e entre 205 e 365 dias os testículos passariam a ser influenciados 
pelos hormônios gonadotrópicos. Desta forma, as diferenças entre 
perímetros escrotais aos 365 dias de idade estariam mais dependentes das 
diferenças relacionadas ao sistema hormonal do que ao peso corporal. 
Existem evidências na literatura de que a puberdade de machos 
Nelore em condições nutricionais adequadas ocorra próxima ao primeiro 
ano de idade. Gressler et al. (1998) observou correlações genéticas 
favorável entre perímetro escrotal aos 12 meses de idade e data do 
primeiro parto (-0,08) e desfavorável entre perímetro escrotal aos 18 
meses de idade e data do primeiro parto (0,21). Os autores conjeturaram 
que esses resultados poderiam indicar que a seleção de animais com maior 
perímetro escrotal aos 12 meses de idade estaria associada à escolha de 
animais que apresentassem maiores níveis de hormônios gonadotrópicos, 
culminando com a puberdade, início de atividade reprodutiva de machos e 
fêmeas, concepções mais precoces na primeira estação de monta e 
antecipação das datas do primeiro parto. Aos 18 meses de idade, a 
maioria dos tourinhos já estaria em período pós-púbere e a seleção 
praticada para maiores perímetros escrotais nessa idade estaria associada a 
maiores pesos corporais e, possivelmente, a menor precocidade 
reprodutiva em ambientes tropicais. Os resultados de Quirino e Bergmann 
(1998) também conduzem a raciocínio semelhante. 
Na raça Nelore, Quirino (1999) encontrou substancial associação 
genética entre o perímetro escrotal e características do sêmen (vigor, 0,89; 
defeitos maiores, -0,50; menores, -0,86 e totais, -0,52), e correlações 
favoráveis, porém moderadas, entre o perímetro escrotal e o volume do 
ejaculado (0,10) e entre o perímetro escrotal e a motilidade (0,13). Estes 
resultados, respaldados por outros da literatura, indicam ser possível obter 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
57 
melhora da qualidade do sêmen de touros Nelore a partir da seleção para 
aumento do perímetro escrotal. 
 
3. CARACTERÍSTICAS OBSERVADAS NAS FÊMEAS 
Quando não são conhecidas a idade à puberdade e a data da 
primeira fecundação da fêmea bovina, as informações reprodutivas 
disponíveis são a ocorrência ou não do parto e a data deste parto. Destas 
informações, as características que emergem como indicativas do potencial 
reprodutivo da fêmea jovem são a idade ao primeiro parto e a primeira data 
do parto. 
 
3.1 Idade ao Primeiro Parto 
A idade ao primeiro parto é característica de grande importância 
zootécnica, pois marca o início do processo produtivo das fêmeas. A 
redução da idade ao primeiro parto antecipa a idade produtiva, provoca 
rápida recuperação do investimento, aumenta a vida útil, possibilita maior 
intensidade de seleção nas fêmeas e reduz o intervalo entre gerações 
(Mattos e Rosa, 1984). Adicionalmente, a vantagem de se incluir esta 
característica nos programas de melhoramento está associada à facilidade 
de medição. No Brasil, a média das estimativas de herdabilidade para a 
idade à primeira cria de animais zebu foi de 0,41 (Ayala, 1990) e de 0,25, 
segundo Mercadante (1995), o que sugere a possibilidade de resposta à 
seleção. Adicionalmente, a idade ao primeiro parto e a idade à puberdade 
são relacionadas geneticamente, quando as fêmeas iniciam a vida 
reprodutiva ainda jovens, antes dos 2 anos para zebus (Notter, 1995). 
Dessa forma, poderia-se obter melhoramento da precocidade sexual das 
fêmeas ao selecionar-se para a redução da idade ao primeiro parto, pois a 
utilização da idade à puberdade apresenta dificuldades de aplicação prática 
para a realidade brasileira (Andrade, 1991; Bergmann, 1993). 
Por outro lado, segundo Notter (1995), a idade ao primeiro parto 
poderia não ser uma boa característica a ser utilizada em países tropicais, 
como o Brasil, quando esta ocorre tardiamente e, ou, é deliberadamente 
atrasada pelo criador. Outro fator limitante da utilização da idade ao 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
58 
primeiro parto como característica indicadora de precocidade sexual é o 
tempo demandado para a expressão da característica. 
 
3.2. Primeira Data do Parto 
A data do parto durante a estação de nascimentos corresponde ao 
número de dias compreendidos entre a data de início da estação de parição 
e a data do parto de determinada fêmea. Esta definição corresponde à 
adotada por Ponzoni (1992) e é semelhante à definição de dias para o 
parto (número de dias compreendidos entre o início da estação de monta, 
na qual ocorreu a concepção, e a data do parto de determinada fêmea). 
Ainda segundo Ponzoni (1992), o uso da data do parto seria preferível, 
pois não envolve seleção para redução do período de gestação, que pode 
não ser desejável no programa de melhoramento. 
A data do parto tem sido considerada por muitos autores como a 
característica de escolha para se avaliar a eficiência reprodutiva da fêmea 
bovina de corte. Além de não apresentar as limitações do intervalo de 
partos (Bergmann, 1993), esta característica apresenta herdabilidade (de 
0,11 a 0,28) e repetibilidade (de 0,11 a 0,34) mais altas do que o intervalo 
de partos (Bourdon e Brinks, 1983; López de Torre e Brinks, 1990), além 
de ser economicamente mais importante, pois vacas que parem mais cedo 
usualmente desmamam bezerros mais pesados (DeRouen e Franke, 1989; 
Marshall et al., 1990). 
Segundo Gressler (1998), a herdabilidade da data do primeiro parto 
de animais da raça Nelore foi de 0,11, evidenciando a existênmcia de 
variabilidade genética para a característica. Entretanto, conforme 
evidenciado para a característica idade ao primeiro parto, a importância da 
data do primeiro parto como característica indicadora de precocidade 
sexual, isto é, da idade à puberdade, é questionável quando os animais 
entram em sua primeira estação de monta tardiamente e pelo tempo 
demandado para expressão da característica. 
 
4. CONCLUSÕES 
Apesar de sua importância econômica, a seleção para precocidade 
sexual não é fácil de ser implementada diretamente. Entretanto, a seleção 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
59 
por meio de características indicadoras pode e deve ser feita. Dentre as 
características indicadoras de precocidade sexual, o perímetro escrotal é a 
mais recomendada. A característica é de fácil mensuração, pode ser feita 
em animais jovens, apresenta variabilidade genética e está favoravelmente 
associada com precocidade sexual em ambos os sexos e outras 
características importantes economicamente. Entretanto, alguns aspectos 
continuam merecer atenção do meio científico para melhor utilização desta 
característica nos programas de seleção das raças zebus. Algumas questões 
aventadas passam pela idade mais adequada para medir o perímetro 
escrotal e pela avaliação morfológica da bolsa escrotal e dos testículos. 
 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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GRANDE ESCALA EM BOVINOS DE CORTE / 
PRODUÇÃO DE NOVILHO PRECOCE E SUPER 
PRECOCE 
 
Nixon Rodrigues de Faria 
Granja Rezende S/A 
 
 
1 - INTRODUÇÃO 
 
 A eficiência do produtor e a qualidade dos produtos, são exigidos no 
mercado competitivo. As importantes mudanças na cultura, no consumo e 
na economia do país, têm impulsionado o pecuarista nacional em direção a 
uma produção cada vez mais dentro da técnica e neste sentido, o progresso 
na composição genética dos rebanhos é fundamental para garantir 
permanente aumento da produtividade. 
 Como processo eficiente de melhorar o desempenho dos animais e 
dos sistemas de produção, a inseminação artificial utilizada em programas 
de melhoramento genético e cruzamento industrial, oferece ganhos 
imediatos e permanentes, ocupando lugar de destaque na pecuária de corte. 
 Neste contexto, a produção do novilho precoce e super precoce 
associado à redução da idade das fêmeas ao primeiro parto apresenta-se 
como uma mola propulsora da modernização dos sistemas produtivos. 
 
 
2 - EFICIÊNCIA REPRODUTIVA 
 
 A eficiência reprodutiva pode ser considerada como uma das mais 
importantes características econômicas pois é um dos fatores que determina 
a taxa de desfrute de um rebanho (Figura 1). 
 Esta característica é muito complexa e envolve fatores 
multidisciplinares, destacando-se entre eles, os de natureza genética, 
sanitária, de manejo e nutricionais. 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 66 
 
 Período de Serviço 
 Intervalo entre Partos 
Eficiência Reprodutiva: Idade à 1ª Cria 
 Índice de Fertilidade 
 Idade à Puberdade Fatores Genéticos 
 
 Produtividade Taxa de Desfrute 
 
 Manejo 
 Taxa de Mortalidade Fatores do Meio Sanidade 
Eficiência Produtiva: Taxa de Crescimento Nutrição 
 Idade de Abate 
 Peso de Abate 
 
Figura 1 - Taxa de Desfrute 
 
 
* Inseminação Artificial 
 
 Várias são as vantagens em utilizar a inseminação artificial em 
rebanhos de corte, destacando: 
- Melhoramento genético do rebanho em menor tempo e a um baixo custo 
através da utilização de sêmen de reprodutores comprovadamente 
superiores para a produção de carne. 
- Controle de doenças. 
- Permite ao criador cruzar fêmeas zebuínas com touros de raças européias 
e vice-versa, através da utilização de sêmen. 
- Aumenta o número de descendentes de um reprodutor superior. 
 Os resultados da inseminação artificial vão depender basicamente do 
manejo existente na fazenda, da qualidade do sêmen utilizado e da eficiência 
do inseminador. 
 Um bom manejo exige a necessidade de uma boa assistência técnica. 
Possíveis falhas que por ventura possam vir a ocorrer, devem ser corrigidas 
a tempo, a fim de se evitar um prejuízo maior. 
 É importante que as fêmeas inseminadas tenham identificação 
numérica individual e que a fazenda disponha de um bom sistema 
computacional de gerenciamento do rebanho que permita obter 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 67 
informações precisas sobre o status reprodutivo e produtivo de cada 
animal, permitindo uma melhor seleção daqueles animais mais produtivos. 
 
* Estação de Monta 
 
 Estação de monta definida permite: 
- Concentração dos trabalhos com a inseminação artificial. 
- Concentração da estação de nascimento e desmama. 
- Melhor avaliação dos produtos. 
- Melhor tomada de decisão de descarte de vacas menos férteis e menos 
produtivas. 
 Deve ser implantada na fase do ano mais adequada para os eventos 
reprodutivos sem se desconsiderar a melhor época do nascimento das 
crias. 
 É importante que as fêmeas a serem inseminadas sejam examinadas 
em tempo hábil para o início da fase reprodutiva e para o diagnóstico de 
prenhez após a cobertura. Fêmeas que não apresentarem bom desempenho 
reprodutivo, deverão ser eliminadas do programa de inseminação artificial. 
 Também é importante o estabelecimento de uma estação de monta 
diferenciada para novilhas, uma vez que estas, após o primeiro parto, 
encontram dificuldades para retornarem aos eventos reprodutivos. 
 Diante de tais evidências, a duração da estação de monta para vacas 
deve ser de, no máximo, 120 dias e das novilhas, de 90 dias, iniciando-se 
30 dias antes da das vacas e terminando consequentemente 60 dias antes. 
 
* Idade à Puberdade e à Primeira Cria: 
 
 O primeiro aspecto importante na reprodução das fêmeas é a idade 
em que atingem a puberdade, e a extensão na qual esta idade se relaciona à 
fertilidade na primeira estação de monta e ao subsequente desempenho 
reprodutivo nas futuras estações (Tabela 1). 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 68 
Tabela 1 - Produção de Bezerros de Acordo com o Início da 
Reprodução de Novilhas 
 
Ano Meses Ocorrência Nº Fêmeas 
Reprodução 
Nº de Bezerros 
 P1 T P1 T 
1999 NDJ Reprodução 100 
2000 MAM Reprodução 
2000 SON Nascimento 75 
2000 NDJ Reprodução 75 100 
2001 JFM Nascimento 
2001 MAM Desmame 73 
2001 ASO Desmame 
2001 SON Nascimento 63 84 
2001 NDJ Reprodução 63 84 
2002 MAM Desmame 61 80 
2002 SON Nascimento 58 60 
2002 NDJ Reprodução 58 60 
2003 MAM Desmame 56 58 
Total de Bezerros Desmamados 190 138 
Granja Rezende S/A 
• P1 = Precoce 1: com início da reprodução aos 14 meses de idade. 
• T = Tradicional: com início da reprodução aos 25 meses de idade. 
 
 A puberdade se relaciona ao desenvolvimento pré e pós desmama. 
De acordo com a literatura, existe uma relação direta entre idade, peso e 
eficiência reprodutiva em novilhas de corte, refletindo na manifestação da 
puberdade dessas novilhas e consequentemente no aparecimento do 
primeiro cio fértil e idade ao primeiro parto. Entre os fatores que 
influenciam estas características, destacam-se: 
- Fator raça, com grandes diferenças de precocidade entre fêmeas de raças 
européias e zebuínas; 
- Fator cruzamento, sofrendo influência da heterose, diferenciando a 
precocidade entre raças puras e cruzadas; 
- Fator peso à desmama, onde os animais desmamados mais leves 
necessitarão de um maior ganho de peso para entrarem em reprodução, 
comparando com os desmamados mais pesados; 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 69 
- Fator nutrição, considerado o mais importante, pois fêmeas de qualquer 
raça e graus de sangue diversos, necessitarão de um plano nutricional ideal 
para que possam demonstrar cios férteis a uma idade mais precoce e a um 
peso ideal. 
 A resposta à seleção poridade ao primeiro parto está fortemente 
condicionada pelos níveis nutricionais, influenciando no peso e na fertilidade 
das novilhas no início da vida reprodutiva (Tabela 2). 
 
Tabela 2 - Pesos Recomendados para Novilhas no Início da Estação de 
Monta de Acordo com o Nível Nutricional 
 
Nível Nutricional Peso Recomendado Considerando Peso 
Adulto de 500 Kg. 
Ótimo 50-55 % do Peso Adulto 250-275 Kg. 
Bom (Adequado) 60-70 % do Peso Adulto 300-350 Kg. 
Sub Ótimo (Inadequado) 75-80 % do Peso Adulto 375-400 Kg. 
Spire & Spire 
 
 
* Manejo e Intervalo entre Partos: 
 
 O intervalo entre partos tem sido tradicionalmente usado para se 
avaliar a eficiência reprodutiva em animais adultos. 
 Em programas de inseminação artificial a correta observância do cio 
com o uso de rufiões ou rufionas androgenizadas, pessoal treinado e o 
momento da inseminação são essenciais para não haver elevação do 
período de serviço e, consequentemente, elevação no intervalo entre 
partos. 
 Muitas pesquisas tem demonstrado que a presença da cria ao pé da 
mãe, como ocorre no manejo tradicional, pode exercer um efeito negativo 
sobre o retorno à atividade reprodutiva, prolongando o período de serviço 
e diminuindo a eficiência reprodutiva. Trabalhos realizados no Brasil 
demonstram que a racionalização do manejo de amamentação (1 ou 2 
mamadas diárias) após o período puerperal trouxe resultados significativos 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 70 
sobre o período de serviço, diminuindo-o e reduzindo o intervalo entre 
partos (Tabela 3). 
 
 
Tabela 3 - Efeito dos Períodos de Serviço e Gestação sobre o Intervalo 
entre Partos e Taxa de Nascimentos 
 
Período de 
Serviço 
(Meses) 
Período de 
Gestação 
(Meses) 
Intervalo entre 
Partos 
(Meses) 
Taxa de 
Nascimento 
( % ) 
14,5 9,5 24 50 
10,5 9,5 20 60 
8,5 9,5 18 65 
7,5 9,5 17 70 
6,5 9,5 16 75 
5,5 9,5 15 80 
4,5 9,5 14 86 
3,5 9,5 13 90 
2,5 9,5 12 100 
Fonseca 
 
* Controle e Prevenção de Doenças: 
 
 De nada adianta a vaca manifestar o estro até 60 dias pós-parto e 
conceber, caso posteriormente tenha a gestação interrompida por morte 
embrionária, aborto ou natimorto. O intervalo entre partos continuará longo. 
 Doenças infecto-contagiosas que provoquem morte embrionária, 
aborto e/ou natimorto, tais como: Brucelose, Tricomonose, 
Campilobacteriose, Listeriose, Sarcosistose, Diarréia Bovina a Vírus, 
Rinotraqueite infecciosa, etc., não devem estar presentes no rebanho. 
 
* Formação e Manejo de Pastagens: 
 
 O consumo de forragem é o principal fator que determina o seu valor 
nutritivo. De nada adianta uma forragem rica em nutrientes, mas que por 
deficiência de manejo, tenha baixo consumo. Pastagem pouco densa, rala, 
além de proporcionar pouca forragem, dilata o tempo de pastejo, pelo 
aumento do número de bocadas e, consequentemente, maior gasto de 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 71 
energia para obtenção do alimento. Essa é, portanto, uma das principais 
causas do insucesso em sistemas de pecuária de corte. 
 
* Suplementação em Épocas Críticas: 
 
 A proteína se constitui em sério problema no período da seca, onde 
seus teores nas pastagens estão abaixo do mínimo requerido pelos 
microrganismos ruminais, que é de 7% (Tayarol) . Além desta redução, 
ocorre o aumento das constituintes fibrosas da planta, diminuição dos 
minerais, o que concorre para a menor digestibilidade da forragem e, assim, 
menos consumo de pasto, interferindo de forma negativa no início da 
atividade reprodutiva em novilhas e no intervalo entre partos em vacas que 
chegam à Estação de Parição muito magras. Este cuidado deve ser 
observado principalmente em fêmeas de 1ª cria. 
 Surge daí a necessidade de uma suplementação protéica, na época 
do ano caracterizada pela seca, para diminuir influência destes problemas 
na eficiência reprodutiva em matrizes bovinas (Gráfico 1). 
 
 
Gráfico 1 - Condição Corporal ao Parto e Incidência de Cio Pós-Parto 
Condição Corporal
0
20
40
60
80
100
120
40 50 60 70 80 90
Dias Pós-Parto
%
 d
e 
C
io
s
Vacas Magras
Vacas Moderadas
Vacas Gordas
 
 Fonseca 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 72 
* Desempenho Zootécnico do Rebanho - GRANJA REZENDE S/A: 
 
Tabela 4 - Índice de Fertilidade das Estações de Monta 89/90 a 98/99 
 
Ítens 89/9
0 
90/9
1 
91/9
2 
92/9
3 
93/9
4 
94/9
5 
95/9
6 
96/9
7 
97/9
8 
98/9
9 
Vacas Disponíveis 4281 3943 3756 4194 4524 4759 5428 6065 6132 6100 
Fertilidade (%) 72,9 67,9 68,9 74,5 78,0 82,8 85,7 85,1 83,9 85,1 
Paletes (+) 1,53 1,63 1,67 1,55 1,63 1,60 1,66 1,62 1,62 1,60 
Fertilidade = ( Vacas Cheias / Vacas Disponíveis ) *100 
Granja Rezende S/A 
 
Tabela 5 - Eficiência Reprodutiva do Rebanho Nelore e F1 
 
 Grau de Sangue 
Itens NELORE F1 TOTAL 
 Vaca 1ª Cria Novilh
a 
Vaca 1ª Cria Novilh
a 
 
(N.º) Matrizes “Plantel” 2285 536 867 1030 386 492 5596 
 (N.º) Matrizes “Cheias” 1879 446 689 958 315 446 4733 
% 82,2 83,2 79,5 93,0 81,6 90,6 84,6 
% “Cheias”/1ª Cobertura 71,3 78,4 62,7 78,1 85,1 80,8 75,1 
% “Cheias”/2ª Cobertura 20,4 18,4 22,2 19,2 17,8 14,3 19,5 
% “Cheias”/3ª Cobertura 6,2 2,8 8,9 5,3 3,1 0,6 5,4 
Doses Gastas/Vaca “Cheia” 1,73 1,61 1,88 1,38 1,27 1,39 1,61 
Idade 1ª Cob. Fértil (Meses) 25,8 18,5 23,3 
Idade 1ª Parição (Meses) 35,5 27,7 32,8 
Interv. entre Partos (Dias) 402 372 392 
Período Serviços (Dias) 107 85 99 
Granja Rezende S/A 
 
Tabela 6 - Eficiência Reprodutiva em Novilhas Precoces 
 
Novilha Precoce Grau de Sangue 
 SIxNE AAxNE NELORE PO Total 
(N.º) Novilhas 267 208 25 500 
(N.º) Novilhas “Cheias” 116 163 1 280 
( % ) 43,4 78,4 4,0 56,0 
Idade Média 1ª Cob. Fértil (Meses) 17,0 15,9 16,1 16,4 
Granja Rezende S/A 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 73 
3- Eficiência Produtiva: 
 
 Atualmente, com a estabilização da economia, tornou-se necessária a 
utilização de técnicas que possibilitem a diminuição do tempo de abate dos 
animais, reduzindo desta forma o custo de produção. 
 Várias são as alternativas possíveis de serem utilizadas para a 
produção de novilho precoce, sendo todas, quase sempre, resultantes de 
combinação envolvendo estratégias de alimentação e potencial genético do 
animal. Desta forma, para que estas alternativas sejam exploradas de forma 
eficiente, faz-se necessário, além do conhecimento de todos seus 
componentes, o entendimento de suas interações com o meio ambiente de 
modo geral, e com o ambiente sócio-econômico da Pecuária de Corte 
(Figura 2). 
Figura 2 - Inter-Relações Básicas Determinantes da Função Objetiva de 
Produção de Carnes (Euclides Filho) 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 74 
* Indicadores do Cenário Futuro: 
 
 As rápidas transformações ocorridas na última década apontam para 
um cenário constituído pelos seguintes indicadores: 
- Limitação na expansão da fronteira agrícola. 
- Competição por área pelas atividades agrícolas. 
- Demanda crescente por sustentabilidade dos sistemas produtivos. 
- Aumento do número de propriedades conduzindo agricultura e pecuária 
de forma integrada. 
- Competitividade com outras carnes via preço. 
- Competição de mercado ( Mercosul ). 
- Exigência de mercados consumidores por qualidade de produto. 
- Estabilidade econômica, promovendo a busca da eficiência. 
- Surgimento de mercados emergentes ( Ásia ). 
- Melhoria na distribuição de renda da população. 
 Portanto, diante desta tabela, a precocidade produtiva, que engloba 
rapidez de acabamento e pouca idade no início da vida reprodutiva, é uma 
característica de grande importância para a pecuária brasileira (Tabela 7). 
 
Tabela 7 - Efeito da Idade de Abate sobre alguns Parâmetros em 
Sistemas de Produção Envolvendo as Fases de Cria, Recria e 
Engorda 
 
 Sistema 
Parâmetro Unidade Abate 42 
Meses 
Abate 38 
Meses 
Abate 26 
Meses 
Total de animais no rebanho cabeça 6.874 7.234 7.534 
Total de fêmeas em reprodução cabeça 1.866 2.140 2.495 
Total de bezerros desmamados cabeça 1.206 1.384 1.566Total de animais vendidos cabeça 1.135 1.293 1.492 
Peso vivo vendido kg/ha 111 122 138 
Desfrute % 16 18 20 
Equivalente carcaça kg/ha 52 57 67 
Euclides Filho & Cezar 
 
 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 75 
* Indicadores para Monitoramento do Sistema: 
 
 As mudanças tecnológicas do sistema de produção, rumo à 
intensificação, no entanto, deverão ser acompanhadas de medidas de 
eficiência, não só do ponto de vista biológico, mas também econômico. Por 
isso, entre outros, sugerem-se os seguintes indicadores (EMBRAPA): 
 
- Indicadores Físicos: 
 nº de animais vendidos no ano 
 % desfrute anual = x 100 
 nº de animais existentes em Janeiro + Nascimentos no ano 
 
- Indicadores Econômicos: 
 margem bruta anual = receita bruta anual - custos variáveis anuais. 
 
- Análise de investimentos: 
 . Taxa interna de retorno; 
 . Valor presente líquido;e, 
 . Relação Custo/Benefício. 
 
3.1 - Produção do Novilho Precoce / Super Precoce 
 
 O caminho escolhido para se alcançar a eficiência de produção é de 
reduzir o máximo possível o número de dias para o bezerro ganhar X kg 
de peso entre a desmama e o abate com 450 Kg de peso vivo, utilizando 
como expediente, o aumento no peso à desmama. Desta forma, alternativas 
de alimentação visando à intensificação do sistema devem ser baseadas em 
combinações que envolvam pastagens, creep-feeding (suplementação 
durante o período de aleitamento), suplementação alimentar a pasto e 
confinamento. Além destas alternativas, combinações com o potencial 
genético do animal, oriundos de seleção ou de cruzamentos, devem ser 
consideradas. 
 Os gráficos 2 e 3 mostram os custos médios de arrobas de machos, 
comparando os efeitos da suplementação, raça, cruzamento e fase de 
criação. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 76 
Gráfico 2 - Média de Custos de Arrobas em Machos Nelore e Cruzados, 
Suplementados ou Não 
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
Nelore não
Suplementado
Nelore
Suplementado
Cruzamento
Industrial não
Suplementado
Cruzamento
Industrial
Suplementado
R
$
as 16 @
as 17 @
as 18 @
as 19 @
as 20 @
 
 
Gráfico 3 - Custos Médios da Arroba em Machos Nelore e Cruzados, 
Suplementados ou Não em Diferentes Fases de Criação 
14
16
18
20
22
24
26
Cria Recria as 16 @ as 17 @ as 18 @ as 19 @ as 20 @
Engorda
R
$
Nelore não Suplementado
Nelore Suplementado
Cruzamento Industrial não
Suplementado
Cruzamento Industrial
Suplementado
 
 
* Creep-Feeding: 
 
 A suplementação no “creep-feeding” tem por finalidade não 
interromper o crescimento dos bezerros o que normalmente ocorre após 2 
meses de idade pela queda da produção leiteira da mãe. Assim sendo, o 
concentrado deverá apresentar valor nutritivo similar ao leite materno. O 
fornecimento da ração não deve ultrapassar a 1.100 gramas por cabeça 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 77 
dia, para ganhos de peso da ordem de 1,0 Kg/dia, mostrando uma 
conversão alimentar média de 1:1, que pode ser considerada bastante 
econômica se comparada com as fases seguintes à desmama (Tabela 8). 
 
Tabela 8 - Resposta à Utilização do “Creep-Feeding” no Peso ao 
Desmame e na Fertilidade das Matrizes 
 
SIxNE Peso dos Bezerros (Kg.) 
 Nº de animais S/ Creep C/ Creep % 
05 Meses 100 170 190 10,5 
07 Meses 100 200 245 18,3 
Fertilidade das Matrizes ( % ) 
NELORE 400 77,0 84,5 8,9 
UNESP 
 
 
* Cruzamento Industrial: 
 
 As razões principais para a utilização de sistemas de cruzamento no 
aumento da eficiência produtiva em gado de corte são: 
- Aproveitar os efeitos de heterose. 
- Utilizar os efeitos das diferenças genéticas entre raças. 
- Utilizar a complementariedade e proporcionar flexibilidade ao sistema de 
produção. 
 Para tanto, o ponto inicial do processo está na escolha das raças 
para compor os cruzamento industriais, uma vez que a precocidade é uma 
característica herdável e a escolha dos animais deve recair nas raças ou nas 
linhagens ou mesmo nos indivíduos mais eficientes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 78 
* Resultado da Desmama 1999 - GRANJA REZENDE S/A: 
 
Tabela 9 - Peso de Bezerros à Desmama 
 
Grau de 
Sangue 
Sexo Animais 
Número 
P. Nasc. 
(Kg) 
Idade 
Desm. 
P. Desm. 
(Kg) 
P. Ajust. 
205 D 
(Kg) 
Índice 
Relativo 
(%) 
 Fêmea 934 31 225 198 183 100,00 
Nelore 
(PO + CO) 
Macho 968 33 223 216 201 100,00 
 Total 1.902 32 224 207 192 100,00 
 Fêmea 207 34 234 243 218 118,77 
1/2 AA x 
1/2 NE 
Macho 217 33 231 250 226 112,20 
 Total 424 33 232 247 222 115,28 
 Fêmea 250 33 231 234 211 115,25 
1/2 SI x 1/2 
NE 
Macho 246 32 231 246 222 110,42 
 Total 496 32 231 240 217 112,61 
 Fêmea 717 32 231 222 200 108,83 
Tricross Macho 756 32 232 238 213 105,88 
 Total 1.473 32 232 230 206 107,29 
 Fêmea 158 31 233 209 186 101,67 
TC 5/8 Macho 165 34 232 221 199 98,72 
 Total 323 32 233 215 193 100,11 
 Fêmea 2.266 32 229 214 195 
Total / 
Média 
Macho 2.352 33 228 230 209 
 Total 4.618 32 229 222 202 
Granja Rezende S/A 
 
* Novilho Super Precoce: 
 
 São animais suplementados ao pé das vacas, com uma ração 
concentrada no sistema de creep-feeding e desmamados em média aos 
227 dias de idade com 260 Kg de peso vivo. São em seguida confinados 
por um período médio de 120 dias e abatidos com 12 a 14 meses de 
idade, com aproximadamente 450 Kg de peso vivo, atingindo de 3 a 10 
mm de cobertura de gordura na carcaça (Gráfico 4). 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 79 
Gráfico 4 - Produção do Novilho Super Precoce 
 
0
50
100
150
200
250
300
350
400
450
500
J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
Peso (Kg)
 
 Granja Rezende S/A 
 
 
* Novilho Precoce: 
 
 Para que o animal possa ser considerado um Novilho Precoce, é 
necessário que o mesmo obtenha um ganho de peso contínuo em seu 
desenvolvimento, alcançando características de abate com idade de 23 a 
30 meses. 
 Neste sistema de produção, a suplementação do bezerro em “creep-
feeding “ também tem a finalidade de complementação do leite materno e 
por consequência uma desmama mais pesada. 
 No período imediatamente após o desmame, que coincide com o 
período da seca invernal recomenda-se uma suplementação a pasto com 
uma fonte de proteína, que propiciará ganhos médios de 150 a 200 g/dia. 
 No período subsequente de verão, de 7 meses, como as pastagens 
terão elevado valor nutritivo, os animais ganharão aproximadamente 500 a 
800 g/dia. 
 Finalmente, no último período de seca invernal, pode-se optar por 
um confinamento de acabamento, onde os animais iniciam o período com 
aproximadamente 350 a 380 Kg e serão abatidos 65 dias após com peso 
Creep-Feeding Confinam. 
Nasc. 
Desm. 
Abate 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 80 
médio de 460 Kg; ou, pode-se optar novamente por uma suplementação 
protéica a nível de pasto durante o período seco, com ganho de peso na 
ordem de 150 a 200 g/dia e terminação a pasto, durante os meses de 
verão. No primeiro caso, os animais serão abatidos entre 23 e 25 meses de 
idade e no segundo caso, entre 28 e 30 meses de idade (Gráficos 5 e 6). 
 
Gráfico 5 - Produção do Novilho Precoce - Acabamento em 
Confinamento 
 
 
Granja Rezende S/A 
 
Gráfico 6 - Produção do Novilho Precoce - Acabamento em Pasto 
 
Granja Rezende S/A 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 81 
* Classificação de Animais Abatidos Conforme Sistema de Engorda - 
GRANJA REZENDE S/A 
 
Tabela 10 - Dados de 1994 a 1998 
 
Seleção Rebanho Confinamento Pasto 
 Total Super Prec % Precoce % Precoce % 
Nelore 5210 991 19,02 1.853 35,57 2.366 45,41 
Cruzamento 4261 2.007 47,10 626 14,69 1.628 38,21 
Total 9.471 2.998 31,65 2.479 26,17 3.99442,17 
 
* Resultados do Confinamento 1998 - GRANJA REZENDE S/A 
 
Tabela 11 - Confinamento de Machos Super Precoce Inteiros 
Características Nelore AAxNE SIxNE Tricross Total/Media 
Nº. Animais 61 131 187 236 615 
Idade Inicial ( Dias ) 289 293 307 306 304 
Idade Final ( Dias ) 434 415 417 417 419 
Peso Inicial ( Kg ) 261 276 276 281 278 
Peso Final ( Kg ) 435 453 443 431 440 
G.P.M. ( Kg ) 174 177 167 150 162 
G.P.M.D. ( Kg ) 1,212 1,469 1,590 1,472 1,487 
Dias Confinado ( Dias ) 145 122 110 111 122 
Rendimento Carcaça ( % ) * 58,87 57,89 57,63 57,98 57,98 
Consumo MS/Cab./Dia (Kg) 8,096 8,458 8,291 8,414 8,366 
Converção Alimentar * * 6,679 5,759 5,216 5,717 5,627 
Custo Alim. / Cab./ Dia (R$) 0,43 0,46 0,45 0,46 0,45 
Custo Alim. / Cab. R$) 62,85 55,73 49,65 50,90 55,34 
Granja Rezende S/A 
G.P.M.D. = Ganho de Peso Médio Diário; 
* Rendimento de carcaça ( % ) = Peso da carcaça quente / Peso morto. 
* * Kg MS consumido/Kg de ganho de peso 
 
 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 82 
 
Tabela 12 - Confinamento de Machos Precoce Castrados 
Características Nelore AAxNE SIxNE Tricross Total/Media 
Nº. Animais 750 62 120 121 1053 
Idade Inicial ( Dias ) 662 653 629 650 658 
Idade Final ( Dias ) 731 692 671 693 718 
Peso Inicial ( Kg ) 333 397 410 366 351 
Peso Final ( Kg ) 431 473 488 440 442 
G.P.M. ( Kg ) 98 76 79 75 91 
G.P.M.D. ( Kg ) 1,402 1,910 1,879 1,718 1,534 
Dias Confinado ( Dias ) 69 39 42 43 60 
Rendimento Carcaça (%) * 57,49 57,21 56,60 56,49 57,20 
Consumo MS/Cab./Dia (Kg) 8,964 9,598 9,725 9,596 9,114 
Converção Alimentar * * 6,396 5,024 5,176 5,585 5,940 
Custo Alim. / Cab./ Dia (R$) 0,49 0,60 0,60 0,56 0,51 
Custo Alim. / Cab. (R$) 33,66 23,26 25,37 24,24 30,46 
Granja Rezende S/A 
G.P.M.D. = Ganho de Peso Médio Diário; 
* Rendimento de carcaça ( % ) = Peso da carcaça quente / Peso morto. 
• * Kg MS consumido/Kg de ganho de peso 
 
 
4 - CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 O uso da inseminação artificial em larga escala traz enormes 
benefícios diretos e indiretos, à pecuária de corte brasileira que deve se 
consolidar, nos próximos anos, como uma atividade empresarial. 
 A mudança de patamar tecnológico e de competitividade de nossa 
pecuária exige mudança de hábitos, conhecimento, mudanças de manejo, 
sanidade, alimentação e de patrimônio genético dos animais. Isto só poderá 
ocorrer de maneira rápida com o uso intenso de material genético de alta 
qualidade através da inseminação artificial. 
 Portanto, diante desta tabela, a precocidade produtiva que engloba 
rapidez de acabamento e pouca idade na início da vida reprodutiva, são 
características de grande importância para a pecuária de corte brasileira. 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Cort - 83 
5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
 
Almeida, A. J. 1998. Como obter o novilho precoce e o super precoce - 
viabilidade econômica. Revista Pecuária de Corte - Nr. 74 - 
Janeiro/Fevereiro 1998: 74-82. 
Barbosa, P. F. 1990. Cruzamento para a produção de carne bovina no país. 
Bovinocultura de Corte- Sociedade Brasileira de Zootecnia - 
FEALQ - Piracicaba: 1-46. 
Bergmann, J. A. G. 1993. Melhoramento genético da eficiência reprodutiva 
em bovinos de corte. Revista Brasileira de Reprodução Animal - 
Suplemento - Belo Horizonte - Nr. 4. X Congresso Brasileiro de 
Reprodução Animal - Anais - Vol. 1: 70-86. 
Cesar, I. M.; Euclides Filho, K. 1996. Novilho Precoce: reflexos na eficiência 
e economicidade do sistema de produção. Campo Grande: 
EMBRAPA - CNPGC. Documento 66: 31. 
De Kruif, A. 1993. Fertilidade de uma população bovina. X Congresso 
Brasileiro de Reprodução Animal - Anais - Vol. 2 - Belo Horizonte: 
01-13. 
Faria, N. R. 1993. Efeito da idade e do peso na eficiência reprodutiva em 
novilhas de corte. Monografia - UFU - Uberlândia: 25. 
Ferraz, J. B. S. 1996. Impacto econômico na pecuária de leite e corte do 
Brasil, com o aumento da inseminação artificial. Revista Brasileira de 
Reprodução Animal - Belo Horizonte - Nr.3/4. 1º Fórum Nacional 
de Inseminação Artificial - Anais : 95-98. 
Fonseca, V. O. 1991. Redução do período de serviço em vacas de corte. IX 
Congresso Brasileiro de Reprodução Animal - Anais - Vol. 2 - Belo 
Horizonte: 1-21. 
Lagoa da Serra - Inseminação Artificial. 1997. Inseminação Artificial - 
Manual de Uso: 3-5. 
Norte, A. L.; Pinheiro, L. E. L.; Kuabara, M. Y. & Pinheiro, L. A. S. 1993. 
Eficiência reprodutiva em vacas mestiças. Revista Brasileira de 
Reprodução Animal - Suplemento - Belo Horizonte - Nr. 4. X 
Congresso Brasileiro de Reprodução Animal - Anais - Vol. 1: 52-
57. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 84 
Pineda, N. 1996. Como selecionar gado nelore com vistas à eficiência global. 
Revista Nelore - Abril/96: 16-23. 
Saturnino, H. M. & Dias, F. M. G. N. 1993. Condição corporal e eficiência 
reprodutiva em bovinos. X Congresso Brasileiro de Reprodução 
Animal - Anais - Vol. 2 - Belo Horizonte: 153-167. 
Silveira, A. C. Sistema de produção de novilhos super precoce. FMVZ - 
UNESP - Botucatu: 70-74. 
Yassu, F. 1997. Super precoce leva a desfrute de 45%. Revista DBO-
Rural - Nr. 24 - Outubro 1997: 70-74. 
ESTRATÉGIAS DE SUPLEMENTAÇÃO PARA 
BOVINOS EM PASTEJO 
 
Mário Fonseca Paulino 
DS, Professor UFV – Pesquisador CNPq 
 
O grande potencial de produção de matéria-seca das gramíneas 
tropicais é um atributo que permite a obtenção de elevadas produções de 
carne bovina nessa região, ensejando produções de até 1514 kg de peso 
vivo / ha / ano (VICENTE – C, 1983). 
Por outro lado, as forrageiras tropicais podem proporcionar ganhos 
de peso acima de 1 kg/animal/dia, durante a época das águas, em 
condições não limitantes de oferta de forragem bem manejada para 
assegurar a manutenção dos atributos qualitativos. 
Entretanto, a produtividade animal nos trópicos ainda é baixa, 
principalmente devido à distribuição estacional e variação qualitativa da 
forragem. Portanto, algumas distorções associadas à sazonalidade da 
produção e do valor nutritivo das forrageiras, necessitam ser corrigidas. 
Existem várias alternativas de sistemas de manejo, tentando obter 
melhor distribuição de alimento durante o ano, sendo o diferimento de 
pasto uma opção para a época seca. Do mesmo modo, a avaliação da 
qualidade de forragem disponível é uma necessidade em qualquer sistema 
de uso de forragem através do pastejo, complementando e, ou 
suplementando quando necessário. 
 
DESEMPENHO X INGESTÃO DE NUTRIENTES 
 
 A produção animal é função do consumo e valor nutritivo 
(composição química e disgestibilidade dos nutrientes) do alimento 
disponível. O consumo de alimentos é determinante do aporte de nutrientes 
necessário para o atendimento dos requisitos de mantença e de produção 
pelos animais. 
 Assim, a produção por animal está diretamente associada com o 
consumo de matéria seca digestível (CMSD) quando proteína, minerais, 
vitaminas e outros fatores nutricionais são adequados (Tabela 1). O 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
138 
aumento na eficiência de conversão de forragem em produtos animais é 
conseguido quando a produção por animal é incrementada. Quando a 
energia ou CMSD aumenta acima do requerimento de mantença, maior 
quantidade de forragem ingerida é transformada em produto animal. Para 
recriar um bezerro de 150 kg de peso vivo até que atinja os 450 kg ao 
abate, com o ganho diário de 0,250 kg, seriam necessário 7320 kg de 
matéria seca de forragem, comparados a apenas 1903 kg de matéria seca 
se o ganho fosse de 1,100 kg diários (BLASER, 1990). 
 
Tabela 1 - Requerimento de matéria seca e proteína por um novilho para 
recria / engorda dos 150 aos 450 kg de peso vivo 
 
Ganho de peso 
diário (kg) 
Tempo necessário 
(dias) 
Requerimento total 
 Matéria seca (kg) Proteína (kg) 
0,25 1200 7320 652 
0,50 600 4460 434 
0,75 400 3052 310 
1,10 273 1903 224 
Fonte: BLASER (1990) 
 
 Estabelecidos os padrões de crescimento, para cada sistema de 
produção, cabe ao pasto suprir a maior parte ou a totalidade dos nutrientespara satisfazer as exigências nutricionais dos animais. 
 
DISPONIBILIDADE, CARACTERÍSTICAS DA FORRAGEM, 
SELETIVIDADE E INGESTÃO DE NUTRIENTES 
 
 A ingestão de matéria seca é controlada por mecanismos fisiológicos, 
físicos e piscogênicos. Neste contexto, o consumo voluntário em condições 
de pastejo é influenciado por características inerentes à planta, ao animal, 
ao ambiente e ao manejo adotado, envolvendo a resposta comportamental 
do animal, frente a fatores inibidores ou estimuladores não relacionados ao 
valor energético do alimento nem ao efeito de enchimento. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
139 
 RAYMOND (1969) propôs que os fatores determinantes de 
consumo de forragem podem ser divididos em intrínsecos, ou seja, 
inerentes à forragem e extrínsecos. Entre os fatores extrínsecos, a 
disponibilidade de forragem por unidade de área pode ser responsável por 
40% das diferenças no consumo entre tratamentos de pastejo. 
 DUBLE et al (1971) verificaram que a performance animal era 
significativamente correlacionada com a disponibilidade de forragens 
quando a digestibilidade da matéria seca (DMS) era relativamente uniforme. 
Os autores agruparam seis gramíneas de clima quente em três categorias de 
digestibilidade e verificaram que o ganho de peso médio diário aumentava 
dentro de cada grupo de digestibilidade com a maior disponibilidade de 
forragem até um ponto acima do qual, não ocorria incremento no ganho de 
peso. Este ponto era mais elevado à medida que a digestibilidade declinava. 
Forragem com DMS acima de 60% tinham um nível crítico de 500 kg de 
MS/ha, aquelas entre 50% e 60% DMS chegavam a 1000 kg de MS / ha e 
as com DMS abaixo de 50% apresentavam valores de 1250 kg de MS / 
ha. Portanto, eles evidenciaram que acima destas disponibilidades a 
qualidade da forragem determinava o rendimento animal, enquanto que 
abaixo delas, a quantidade disponível era limitante. 
 POPPI et al (1987) agruparam os fatores influenciando o consumo 
de pasto em duas categorias: 
a) fatores nutricionais, envolvendo as variáveis que afetam a digestão da 
forragem e estão associadas, principalmente, à maturidade e 
concentração de nutrientes da forragem ingerida; e 
b) fatores não nutricionais, associados às variáveis que afetam a taxa de 
ingestão de forragem, como a estrutura física do pasto e o 
comportamento do animal (Figura 1). 
 
 
 
 
 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
140 
 
 
 
 
Figura 1 - Relações entre o consumo de pasto em função de várias 
características das pastagens e métodos de alocação de 
forragem (Fonte: POPPI et al., 1987). 
 
Portanto, além das características bromatológicas da forragem, a 
produção de bovinos a pasto depende das características fenológicas e 
estruturais da vegetação como: altura, densidade da biomassa vegetal 
(kg/ha/cm), relação folha/caule, proporção de inflorescência e material 
morto. Estas características estruturais do pasto determinam o grau de 
pastejo seletivo exercido pelos bovinos, assim como a eficiência com que o 
animal colhe a forragem na pastagem afetando a quantidade ingerida de 
nutrientes. As características estruturais do relvado dependem não só da 
espécie botânica, mas também do manejo adotado, principalmente a 
pressão de pastejo (GOMIDE, 1998). 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
141 
MANEJO DE PASTAGENS E DESEMPENHO DURANTE A 
ÉPOCA DAS ÁGUAS 
 
A condição do clima tropical, de altas irradiação solar e temperatura, 
associada à intensa precipitação dos períodos de primavera e verão, 
proporciona às gramíneas tropicais alta taxa de amadurecimento, 
aumentando a espessura da parede celular rapidamente e mantendo os 
valores de digestibilidade em patamares inferiores aos das gramíneas 
temperadas. 
O aumento de parede celular e redução de conteúdo celular ocorre 
durante a própria estação de crescimento. Talvez este seja o ponto que se 
deve explorar com mais intensidade, aproveitando as forrageiras tropicais 
em menores intervalos de crescimento, quando apresentam menor conteúdo 
de parede celular. 
Assim, as forrageiras de clima tropical deveriam ser colhidas em 
estágio de crescimento mais novo devido a seu elevado ritmo de 
crescimento. A determinação do intervalo de pastejo adequado para as 
espécies forrageiras poderá permitir rebrota rápida associada a uma boa 
qualidade da forragem para os animais que utilizam o pasto. Considerando 
que um dos principais atributos das forrageiras tropicais é o alto potencial 
de produção, torna-se razoável propor que o intervalo entre pastejo seja 
estabelecido para permitir elevada produção de matéria seca sem 
comprometer a qualidade da forragem em um nível em que o desempenho 
animal possa ser prejudicado. Presume-se a manutenção de uma relação 
folha/caule elevada, caules poucos lignificados e, consequentemente, 
digestibilidade elevada. Os colmos em estágio iniciais de crescimento são 
suculentos e apresentam qualidade comparável à das folhas, mas o seu 
valor nutritivo decresce rapidamente com a maturidade. 
Deste modo, torna-se importante determinar, pela época, intensidade 
e pelo intervalo entre pastejos, o equilíbrio entre a produção de matéria 
seca e a qualidade da forragem produzida. 
O manejo baseado na manutenção do meristema apical permite à 
planta forrageira rebrota vigorosa e rápida, uma vez que ela se processa a 
partir da área foliar remanescente, além da produção e expansão de novas 
folhas originadas do meristema apical. 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
142 
Entretanto, como o crescimento do colmo não foi interrompido pela 
eliminação do meristema apical, observa-se que, mesmo a intervalos 
freqüentes de pastejo, ocorre acúmulo de material residual, caracterizado 
pela presença de colmos lignificados e partes mortas da planta, capaz de 
prejudicar o consumo de forragem. 
As características ideais da pastagem para aumentar o consumo de 
matéria seca pelo animal, são determinadas quando ocorre eliminação do 
meristema apical dos perfilhos primários em pastejos estratégicos. Após a 
eliminação a planta mantém o meristema apical baixo, apresenta rebrota 
através de gemas basilares, mantendo elevada percentagem de folhas e 
perfilhos novos, colocando à disposição do animal material rico em folhas e 
colmos novos, em quantidade e densidade que contribuem para aumentar o 
consumo. 
Portanto, devemos usar da plasticidade fenotípica da gramínea 
forrageira no sentido de adaptá-la ao pastejo. Visualiza-se a utilização de 
pastejo intenso, com categoria animal menos exigente, visando a remoção 
do material residual de pastejo, pelo menos três vezes durante o ano: final 
da época seca (imediatamente antes do início da rebrota), meados da 
estação chuvosa (intercalado com os ciclos de pastejo visando máxima 
produção de matéria-seca) e final da estação chuvosa (imediatamente antes 
do início do diferimento de pasto para a época seca). 
O impacto animal sobre a vegetação provoca redução dos tecidos 
senescentes que inibem germinação, perfilhamento e rebrota das espécies 
desejáveis, e promove um aumento na captação de energia.A preparação e 
moldagem do perfil da pastagem favorecendo o desenvolvimento de novos 
perfilhos e folhas, associadas aos períodos favoráveis das estações do ano, 
devem ser estimuladas. 
Para otimizar o desempenho do animal durante o período das águas 
o sistema de manejo deve permitir regular a oferta de matéria seca de modo 
a não limitar o consumo, tirar vantagem da idade fisiológica sobre a 
qualidade das gramíneas tropicais, possibilitando aumento do consumo de 
nutrientes digestíveis / metabolizáveis obtido com alta produção de matéria 
seca de folhas e a manutenção da qualidade da forragem por períodos mais 
longos, com plasticidada e persistência de stand, aumentando a densidade 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
143 
de perfilhos. Este perfil de pastagem, associado a mineralização adequada, 
tem assegurado ganho médio diário acima de 1,0kg animal/dia e 
ultrapassado 1,0t de ganho de peso vivo/ha durante o período de produção 
das gramíneas (verão). 
 Trabalho conduzido por ALMEIDA et al. (1997), sobre a 
capacidade de produção sob pastejo do capim elefante anão, mostrou que 
ofertas de forragem de 11,3 kg de MS de lâminas verdes/100 kg de PV/dia 
maximizam o desempenho animal e asseguram uma condição de 
sustentabilidade da pastagem(Tabela 2). 
 
Tabela 2 - Taxa de acúmulo de matéria seca de lâminas verdes 
(TAMSLV) acúmulo de matéria seca de lâminas verdes 
(AMSLV) e resposta animal de uma pastagem de capim 
elefante anão cv. Mott, sob quatro níveis de oferta de forragem 
(média de 2 anos) 
 
Oferta (% de 
PV) 
TAMSLV 
(kg/ha/dia) 
AMSLV 
(kg/ha) 
Animais - 
dia/ha 
GMD 
(kg/animal/d
ia) 
Ganho/ 
ha(kg) 
3,8 ± 0,02 52,9±4,1 8892±640 1719±141 0,829 1410±20 
7,5±0,03 65,1±1,1 11066±250 1156±45 1,011 1167±38 
10,2±0,32 70,4±3,4 11964±641 1061±64 1,042 1098±89 
14,0±0,75 66,4±10,4 11276±1812 738±103 1,034 767±60 
 
 Uma vez que a qualidade da forragem disponível declina mais 
rapidamente do que a quantidade, quando o pastejo é rápido, o sistema 
de pastejo rotacional especial, com animais ponteiros e seguidores, tem 
sido sugerido como estratégia de utilização mais eficiente das pastagens 
(HODGSON, 1990), permitindo atender a diferentes categorias do 
rebanho ou animais dentro de categorias com diferentes necessidades. 
Neste sistema, os animais ponteiros (primeiros pastejadores) entram no 
piquete e consomem a metade da forragem oferecida, fazendo o desponte 
do pasto. Em seqüência, entram os seguidores no mesmo piquete 
consumindo a forragem remanescente. Os primeiros pastejadores tendem a 
apresentam desempenho superior devido ao pastejo seletivo de folhas e 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
144 
maiores digestibilidade de matéria seca ingerida, quantidade de matéria 
orgânica por bocado e consumo de matéria seca. 
 Em situações onde o ganho de peso não é otimizado apenas com 
mineralização visualiza-se o uso de alimentação suplementar, durante o 
período das águas. Neste contexto, PAULINO et al. (1996 ), utilizando 
feno de guandu e casca de café como limitadores de consumo, testaram 
diferentes fontes de proteína em suplementos, ensejando acréscimo de 
ganhos de peso de cerca de 200 g / animal / dia, com a associação feno de 
guandu e farelo de soja (Tabelas 3 e 4). 
 
Tabela 3 - Composição percentual das rações concentradas 
suplementares, por tratamento 
 
 Tratamentos 
 Experimento 1 Experimento 2 
Ingredientes A B C D A B C 
Mistura mineral (%) 100,0 5,0 5,0 5,0 100,0 5,0 5,0 
Feno de guandu (%) - 75,0 75,0 75,0 - - - 
Casca de café triturada (%) - - - - - 75,0 75,0 
Farelo de soja (%) - 20,0 - - - 20,0 - 
Farelo de algodão (%) - - 20,0 - - - 20,0 
Farelo de trigo (%) - - - 20,0 - - - 
 
Tabela 4 - Pesos vivos médios, inicial e final, e ganhos em peso, total e 
diários, por tratamento 
 
Especificação Experimento 1 Experimento 2 
 A B C D A B C 
Peso inicial (kg) 208,11 199,20 198,70 200,30 167,91 168,40 166,90 
Peso final (kg) 261,78 268,00 260,10 254,80 213,27 221,90 214,90 
Ganho total (kg) 53,67 68,80 61,40 54,50 45,36 53,90 48,00 
Ganho diário médio 
(kg/animal/dia) 
0,624a 0,800a 0,714a 0,634a 0,528a 0,622a 0,558a 
Consumo médio de 
suplemento 
(kg/animal/dia) 
0,061 1,163 1,016 1,025 0,077 1,926 1,592 
a Médias na mesma linha, seguidas pela mesma letra, não diferem estatisticamente 
entre si, pelo teste de Newman Keuls (P>0,05). Comparação feita por Experimento. 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
145 
Creep – feeding 
 
 Em sistemas intensivos de produção de bovinos, nos quais o peso à desmama dos 
bezerros (as) tem importância primordial, visualiza-se a suplementação dos bezerros em 
amamentação. Sob a perspectiva do uso de estação de monta, com consequente 
disciplinação dos nascimentos, esta fase coincide com o período das águas. 
 O creep – feeding consiste em fornecimento de alimentos suplementares aos 
bezerros criados ao pé das matrizes, sem que estas tenham acesso ao suplemento. 
 A suplementação dos bezerros no creep – feeding tem por finalidade não reduzir o 
ímpeto de crescimento dos bezerros, o que normalmente ocorre após os dois meses de 
idade pela queda na produção de leite da mãe. 
 O fornecimento de ração deve ser “ad libitum”, para ganhos da ordem de 1,0 kg / 
animal/ dia; o consumo médio, dos 2 aos 7 meses de idade, deve ser de 1,0 kg de 
concentrado / cabeça / dia, resultando em uma conversão alimentar média de 2 kg de 
alimento / kg de ganho, considerando o leite e forragem consumidos. Normalmente a 
ração concentrada apresenta 17 a 18% de proteína bruta e 75% a 80% de nutrientes 
digestíveis totais. 
 O creep - feeding pré-condiciona o animal ao tipo de alimentação que ele vai 
receber na terminação / engorda o que beneficia o desempenho do animal. 
 Em relação à produção de novilho precoce/superprecoce para o abate, uma 
vantagem expressiva do creep – feeding é o ajustamento para o período de recria e 
terminação que pode ser reduzido, uma vez que o peso à desmama atinge 240 kg ou 
mais. 
 
Creep - grazing 
 
 Alternativa e/ou concomitantemente ao sistema de creep – feeding 
pode-se usar piquetes com espécies forrageiras de melhor valor nutritivo, 
para uso exclusivo dos bezerros enquanto eles ainda estão com as mães. 
Recomenda-se o uso de piquetes de tifton, coast cross e mesmo de 
gramíneas tradicionais manejados para alta qualidade. Uma opção é usar o 
sistema ponta - rapador, sendo que os bezerros constituem o grupo dos 
primeiros pastejadores. 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
146 
DIFERIMENTO E VALOR NUTRITIVO 
 
 A utilização do método de pastejo diferido, também denominado 
protelado, tem sido sugerido como alternativa para corrigir a defasagem de 
produção de forragem durante o ano. O pastejo diferido é um manejo 
estratégico de pastagens que consiste, basicamente, em selecionar 
determinadas áreas e vedá-las à entrada de animais no final da estação de 
crescimento. Desta forma, é possível promover um acúmulo de forragem na 
forma de feno-em-pé para pastejo direto durante o período crítico de 
disponibilidade de alimentos. 
 Além de constituir em reserva de forragem, as plantas protegidas têm 
habilidades para florescer e produzir sementes, contribuindo para a 
regeneração e sustentabilidade da pastagem. 
 Entretanto, embora o diferimento de pasto constitua-se em alternativa 
para garantir disponibilidade de forragem para a época seca, ocorre 
redução no valor nutritivo da matéria seca (Tabela 5). 
 
Tabela 5 - Rendimento de MS (t/ha), proteína bruta (%) e DIVMS (%) 
do capim-elefante-anão, em função das épocas de diferimento 
e utilização. Porto Velho, RO. Médias de quatro anos 
 
Diferimento Utilização MS (t/ha) PB (%) DIVMS (%) 
Fevereiro Junho 6,13 7,28 54,38 
 Julho 8,41 6,04 50,66 
 Agosto 11,28 5,48 48,07 
 Setembro 12,85 4,87 45,17 
Março Junho 5,91 9,44 57,13 
 Julho 5,75 8,11 53,22 
 Agosto 8,85 7,86 51,25 
 Setembro 9,73 6,07 50,02 
Abril Junho 4,27 10,18 62,91 
 Julho 4,81 9,64 61,05 
 Agosto 5,58 8,03 58,77 
 Setembro 8,68 7,95 54,79 
Fonte: COSTA et al. (1998) 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
147 
 A redução da digestibilidade da matéria seca, à medida que a planta 
envelhece, decorre de mudanças estruturais no tecido vegetal, com 
elevação dos teores de fibra e lignina e redução daqueles de conteúdo 
celular, que dificultam a ação dos microrganismos do rúmen sobre a 
forragem ingerida. 
 Assim, no sistema de pastejo diferido, o animal deve desenvolver o 
pastejo seletivo; desta forma, há possibilidade do animal ingerir os 
nutrientes necessários à sua mantença e mesmo produção pois a forragem 
ingerida possui valor nutritivo mais elevado quando comparada à forragem 
disponível na pastagem. Portanto, no manejo das pastagens é necessário 
considerar o conceito de pressão de pastejo, ou seja, o número de animais 
em relação à quantidadede forragem disponível em determinado período. 
 De acordo com NUNES (1980), a maior disponibilidade de 
forragem no período seco, apesar de sua baixa qualidade resultou em 
melhor desempenho animal, demonstrando a importância do ajuste na taxa 
de lotação em função da quantidade de forragem disponível (Tabela 6 e 
7).Observa-se, entretanto, pela magnitude dos ganhos que, em sistemas de 
produção que preconizam ganhos substanciais faz-se necessário a correção 
qualitativa da forragem. 
 
Tabela 6 - Variação na disponibilidade de forragem (kg MS/ha) entre o 
início e o final do período seco, e ganho em peso 
(g/cabeça./dia) em pastagens de B. humidicola e B. 
ruziziensis 
 
 Taxa de lotação (UA/ha) 
 0,9 1,5 
B. ruziziensis 
Disponibilidade de foragem (kg/ha) 2.800 – 1.500 2.000 – 1.000 
Ganho de peso (g/cabeça/dia) 134 -20 
B. humidicola 
Disponibilidade de forragem (kg/ha) 6.000 – 5.000 3.000 – 2.000 
Ganho de peso (g/cabeça./dia) -3 -67 
 
 
 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
148 
Tabela 7 - Variação na disponibilidade de forragem verde (kg de MS de 
caules e de folhas/ha) entre o início e o final do período seco, e 
ganho em peso (g/cabeça/dia) em pastagens de B. brizantha 
durante o período seco de 1985 
 
 Taxa de lotação (UA/ha) 
 1,4 1,8 
Disponibilidade de forragem verde (kg/ha) 3.200-1.400 2.400-1.000 
Ganho de peso (g/cabeça/dia) 66 -9 
Ganho de peso (kg/ha) 30 -10 
 
 As gramíneas forrageiras mais adequadas para o sistema de pastejo 
são as braquiárias e as cultivares de Panicum maximum que apresentem 
alta relação folha/caule. Os capins jaraguá, andropógon e gordura são 
menos indicados para este fim. 
 
NUTRIENTES LIMITANTES X SUPLEMENTAÇÃO X 
OTIMIZAÇÃO DE CONSUMO 
 
 Sendo a pastagem a alimentação básica do rebanho, da interação 
entre as exigências nutricionais e o valor nutritivo da pastagem resulta um 
desempenho animal, que pode ser satisfatório ou não. 
 Pode-se considerar que, na maioria das situações, a forragem não 
contém todos os nutrientes essenciais, na proporção adequada, de forma a 
atender integralmente as exigências dos animais em pastejo. Assim, 
nutrientes suplementares são necessários para se obter níveis aceitáveis de 
desempenho animal. 
 Em muitas situações o imbalanço de nutrientes pode acarretar em 
reduções no consumo voluntário de matéria seca. Assim a deficiência ou o 
baixo consumo de qualquer nutriente essencial (proteína, energia, vitaminas 
e minerais) pode restringir a produção por animal. 
 Suplementação de bovinos de corte em pastejo é necessária quando 
nutrientes não são fornecidos pela forragem basal em balanço adequado 
e/ou quantidade para satisfazer os requerimentos do animal e/ou as 
expectativas de performance. 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
149 
 Uma estratégia de suplementação adequada seria aquela destinada a 
maximizar o consumo e a digestibilidade da forragem disponível. Neste 
contexto, deve-se levar em consideração as exigências dos microrganismos 
do rúmen e as dos animais. 
 Ao consumir forragens de baixa qualidade, além do limite físico do 
rúmen, o consumo pode ser prejudicado pela deficiência em proteína da 
ração (DOVE, 1996). Dietas desbalanceadas, com reduzida 
disponibilidade de nitrogênio, ou ricas em fibra detergente neutro-FDN têm 
o suprimento de proteína degradada no rúmen (PDR) como fator limitante 
para o crescimento microbiano, reduzindo a utilização da energia disponível 
no rúmen na forma de ácidos graxos voláteis e prejudicando a atividade 
fermentativa do rúmen. Logo a taxa de digestão da parede celular fica 
comprometida, o material deixa lentamente o rúmen e verifica-se redução 
na ingestão de alimentos. 
 Portanto, em algumas circunstâncias, consumo de forragem pode ser 
limitado por uma franca deficiência de nitrogênio dietético; isto pode ser 
uma ocorrência comum em pastagens tropicais. Em concentração de 
nitrogênio abaixo de 1% na matéria seca (cerca de 7% de proteína bruta) a 
eficiência fermentativa das bactérias do rúmen pode ser prejudicada, 
reduzindo o consumo e digestão da forragem. 
 Neste contexto, os bovinos geralmente sofrem de carências múltiplas, 
envolvendo proteína, energia, minerais e vitaminas. Assim, na 
suplementação e/ou complementação das pastagens, deve-se levar em 
consideração a ocorrência de deficiências simultâneas, estabelecendo-se 
suplementos de natureza múltipla, envolvendo a associação de fontes de 
nitrogênio solúvel, minerais, fontes naturais de proteína, energia e vitaminas 
(eventualmente aditivos), visando proporcionar o crescimento contínuo dos 
bovinos em pastejo. 
 
SUPLEMENTOS MÚLTIPLOS PARA RECRIA 
 
 Deve-se definir com clareza, o objetivo da suplementação dentro do 
sistema de produção. O aporte de nutrientes, via suplementação durante a 
recria, pode almejar níveis diferenciados de desempenho pelos animais, 
desde a simples mantença de peso, passando por ganhos moderados de 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
150 
cerca de 200 – 300g por animal/dia, até ganhos de 500 – 600g por 
animal/dia, quando o objetivo é cobrir fêmeas com cerca de 15 meses e/ou 
abater machos aos 20 meses de idade. 
 Um outro aspecto importante, para a fase de recria é a formulação 
de suplementos que, fornecidos no sistema de auto – alimentação, permitam 
o controle de consumo pelo próprio animal, nos níveis estabelecidos, o que 
facilita o manejo e racionaliza a utilização de mão-de-obra na distribuição 
de suplementos na pastagem, a qual pode ser executada obedecendo a uma 
periodicidade semanal, ou mesmo, quinzenal. Além disso, evita que o 
animal crie dependência pelo suplemento e apresenta aspectos positivos 
sob o ponto de vista nutricional, tais como sincronização de energia – 
amônia, equilíbrio de pH e amônia, dentre outros. 
 Neste contexto, na formulação dos “suplementos múltiplos” para 
animais em recria e matrizes recorre-se ao uso de controladores de 
consumo tais como o sal (PAULINO et al., 1996) e a uréia (PAULINO et 
al., 1983; PAULINO et al., 1985; PAULINO et al., 1993). 
 Além da magnitude do ganho de peso desejado, a espécie forrageira, 
quantidade e qualidade da forragem disponível, raça/grau de sangue e peso 
dos animais em uso, são variáveis a serem avaliadas por ocasião da 
formulação dos suplementos, procurando compatibilizar consumo de 
suplemento e ganho de peso desejado (PAULINO, 1999). 
 A mistura sal-uréia-mineral é útil a nível de mantença de animais e 
constitui-se em um método simples e econômico a ser usado no rebanho, 
visando à adaptação dos bovinos ao uso de uréia, quando o sistema prevê 
o uso mais intensivo de uréia em alguma fase do sistema de produção. 
Suplementos múltiplos de baixo consumo, contendo níveis elevados de sal e 
uréia, são indicados quando se deseja ganhos na faixa de 200 a 300 
g/animal/dia (PAULINO, 1998; PAULINO, 1999). 
 Uma vez que altos níveis de uréia são utilizados, tanto como fonte de 
amônia, como para limitar o consumo do suplemento pelos animais, as 
fontes naturais de proteína e energia a serem utilizadas devem apresentar 
características nutricionais que favoreçam o uso da uréia. Em trabalho 
conduzido por PAULINO et al. (1992) o farelo de algodão influenciou 
positivamente o desempenho dos animais, possivelmente, por apresentar 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
151 
características de degradação de proteína que favoreçam a associação com 
a uréia (Tabelas 8 e 9). 
 
Tabela 8 - Composição percentual dos suplementos 
 
Ingredientes Tratamentos 
 A B C 
Mistura mineral (%) 4,0 4,0 4,0 
Calcário calcítico (%) 1,0 1,0 1,0 
Uréia/sulfato de amônia – 9:1(%) 5,0 5,0 5,0 
Farelo de trigo (%) 20,0 20,0 20,0 
Farelo de soja (%) 17,0 - - 
Farelo de algodão (%) - 25,0 - 
Farinha de carne e ossos (%) - - 15,0 
MDPS* 53,0 45,0 55,0 
• MDPS = milho desintegrado com palha e sabugo 
 
Tabela 9 - Desempenho dos animais 
 
Especificação Tratamentos 
 A B C 
Peso vivo inicial (kg) 162,0 163,0 162,0 
Peso vivo final (kg) 204,6 209,8 198,9Ganho de peso diário médio (kg/animal/dia) 0,426ab 0,468a 0,369b 
Consumo de suplemento (kg/animal/dia) 0,918 1,117 0,759 
 
 Visando criar condições para produzir o novilho precoce / 
superprecoce do pasto, bem como viabilizar a prenhe z de novilhas com 
cerca de 15 meses de idade, vem-se estimulando o uso de subprodutos 
regionais mais baratos na formulação dos suplementos, de modo a permitir 
consumos próximos a 1 kg/animal/dia, atendendo às exigências totais de 
sódio, microminerais e nitrogênio degradado no rúmen, cerca de 60% das 
exigências de fósforo e proteína total, viabilizando a obtenção de ganhos de 
peso entre 500 e 600g por animal / dia, durante a primeira seca pós-
desmama (PAULINO, 1998; PAULINO, 1999). 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
152 
SUPLEMENTOS MÚLTIPLOS PARA TERMINAÇÃO 
 
 Para viabilizar a produção do novilho precoce / superprecoce em 
pastagens deve-se estabelecer manejo que permita, durante a terminação, 
ganhos de peso superiores a 1 kg / animal/ dia, durante o período das 
águas, associados a ganhos superiores a 800 g por animal / dia durante o 
final das águas e início ou durante a estação seca. 
 Durante o período das secas para obtenção de ganhos de peso 
acima de 800g / animal / dia deve-se liberalizar o consumo de suplementos. 
Portanto, uréia e sal são usados sob a ótica de satisfazer as exigências 
nutricionais e otimização da eficiência microbiana, de consumo e utilização 
de forragens, sem a preocupação de controle de consumo. 
 Com este objetivo, a literatura registra fornecimento de rações 
concentradas a níveis de 0,8 a 1% do peso vivo do animal. Atualmente, 
temos seguido a diretriz de suprir 100% das exigências de sódio, 
microminerais e nitrogênio degradado no rúmen, cerca de 80% a 100% da 
proteína total e cerca de 60% daquelas de fósforo. 
 Considerando que uma proporção de cerca de 30% de grãos na 
dieta induz pouca ou nenhuma depressão no consumo e digestibilidade da 
forragem, a tendência é atender os níveis de exigências supracitadas via 
formulações fornecidas na base de 3 a 4 kg por animal por dia, visando 
maximizar o consumo e digestão do pasto para complementar a energia 
necessária ao animal. 
 A produção de novilhas de descarte jovens (18 – 20 meses), com 
peso e acabamento adequados, constitui-se em opção viável. Quando a 
fase de acabamento coincidir com a época da seca, associado à 
disponibilidade de forragem diferida, torna-se necessário o uso de 
suplemento. PAULINO (1991) conduziu trabalho visando testar níveis de 
feno de guandu em “suplementos múltiplos” sobre o desempenho de 
novilhas mestiças (Tabelas 10 e 11). Ajustes devem ser feitos a nível de 
cada sistema de produção específico, visando compatibilizar peso inicial 
dos animais, composição do suplemento e peso ao abate exigido pelo 
mercado. 
 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
153 
Tabela 10 - Composição dos suplementos 
 
Ingredientes Tratamentos 
 A B C 
Mistura mineral (%) 4,0 4,0 4,0 
Uréia/sulfato de amônia – 9:1(%) 5,0 5,0 5,0 
Farinha de carne e ossos (%) 5,0 5,0 5,0 
Farelo de algodão (%) 10,0 10,0 10,0 
Feno de guandu (%) 5,0 10,0 15,0 
MDPS* 71,0 66,0 61,0 
MDPS = milho desintegrado com palha e sabugo 
 
Tabela 11 - Desempenho dos animais 
 
Especificação Tratamentos 
 A B C 
Peso vivo inicial (kg) 335,0 336,0 334,0 
Peso vivo final (kg) 408,1 394,3 398,05 
Ganho de peso diário médio (kg/animal/dia) 0,538a 0,435b 0,478ab 
Consumo de suplemento (kg/animal/dia) 1,679 1,279 1,312 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 O sucesso da produção animal começa com o uso de animais de alto 
potencial de resposta e forrageiras capazes de fornecer altos índices de 
produção e qualidade nutricional a baixo custo de produção. 
 A interação entre a disponibilidade de matéria seca e seu valor 
nutritivo (composição química e digestibilidade) determina a ingestão de 
nutrientes digestíveis e, por conseqüência, o desempenho do animal. 
 O manejo da pastagem deve conciliar a conflitante demanda das 
plantas, que necessitam área foliar para fotossíntese, e a necessidade de 
remover folhas para alimentar os animais. 
 Uma alta oferta de forragem possibilita ao bovino pastejar 
seletivamente e seria aconselhável, em se tratando de pastejo de bovinos de 
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte 
 
154 
corte, pois permite ganhos de peso mais elevados, favorecendo o 
rendimento animal em sistemas de ciclo curto. 
 Ao final do período de crescimento das plantas deve-se realizar o 
diferimento, preferencialmente de espécies que apresentam maior relação 
folha/caule, garantindo alta disponibilidade de forragem no período seco 
(acima de 2000 kg de matéria seca / ha). 
 A deficiência ou o baixo consumo de qualquer nutriente essencial 
(proteína, energia, vitamina e minerais) pode restringir a produção por 
animal. 
 Sempre que as pastagens não satisfaçam as exigências nutricionais 
dos bovinos, a suplementação constitui-se em opção para suprimento de 
nutrientes limitantes e aumento do consumo e eficiência de utilização da 
pastagem. Em função do sistema de produção a suplementação pode 
ocorrer como cree-feeding para bezerros, durante a recria, na terminação 
e,ou na recuperação de condição corporal de matrizes e reprodutores. 
 Embora os sistemas de produção de bovinos em pastejo (envolvendo 
suplementação / complementação) apresentem, naturalmente, maior 
variabilidade, eles constituem uma opção viável para os pecuaristas, pois, 
além de não requererem atividade agrícola para produção de volumosos 
(como requerem os confinamentos) permitem significativas melhorias nos 
índices de produtividade do rebanho e melhoram as condições de manejo 
das pastagens. 
 Sob a ótica da pecuária de ciclo curto, é factível delinear uma 
estratificação do rebanho visando o abate de 30 – 40% dos machos com 
“superprecoce” abatidos com cerca de 16 meses, 30 – 40% abatidos com 
cerca de 20 meses e 40 – 20% como “precoce” com, no máximo, 24 
meses, bem como cobrir fêmeas de reposição com cerca de 15 meses e 
abater novilhas de descarte com 18 – 20 meses. Assim, diríamos que estão 
estabelecidas as bases para a bovinocultura do novilho “superprecoce 
verde – amarelo”. 
 
 I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 
 
155 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
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(Boletim, 271). 
 
PADRÕES DE ALIMENTAÇÃO: FUNDAMENTOS E
PROGRAMAS PARA CÁLCULO DE RAÇÃO
Sebastião de Campos V. Filho
Prof. Titular Universidade Federal de Viçosa
INTRODUÇÃO
Geralmente quando se discute alimentação de ruminantes deve-
se conhecer as exigências nutricionais, a composição dos alimentos
disponíveis e a formulação de rações. Considerando que esses tópicos
são extremamente longos, discutir-se-á nessa revisão, resumidamente,
as exigências nutricionais e alguns princípios de formulação de rações
para gado de corte.
No que se refere às exigências nutricionais, serão discutidos os
princípios básicos utilizados pelo NRC (1996) para cálculo das
exigências nutricionais de energia, proteína, aminoácidos, cálcio,
fósforo e outros elementos inorgânicos.
Com relação à formulação de rações, serão discutidos os cálculos
simples envolvendo o uso do Quadrado de Pearson e soluções
algébricas com duas equações. Ao final pretende-se apresentar o
programa Super Crac Corte 1.0, para formular rações para gado de
corte.
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE PROTEINA E ENERGIA
PARA MANTENÇA E GANHO DE PESO
Os requerimentos de energia para mantença são definidos como
a quantidade de energia ingerida que resultará em nenhuma perda ou
ganho de energia a partir dos tecidos do corpo do animal. Processos ou
funções relacionadas com os requerimentos de energia para mantença
incluem a regulação da temperatura corporal, a energia requerida pelo
metabolismo basal (incluindo as atividades necessárias à
sobrevivência, tais como, respiração, circulação, etc) e a energia
necessária para manter as atividades físicas (por ex.: levantar, deitar,
andar, etc).
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte158
O NRC (1996) considera que os requerimentos de energia
líquida de mantença são equivalentes a 77 Kcal/SBW0,75, sendo SBW
= peso vivo do animal em jejum.
Segundo o NRC (1996), cruzamentos de zebuínos requerem 10%
menos de energia líquida para mantença. GARRETT (1980),
comparando 341 novilhas e 708 novilhos, concluíram que as
exigências de Elm foram similares. O NRC (1996) considera que
animais não castrados têm exigências de mantença 15% maiores que as
de animais castrados.
As exigências de energia líquida para ganho de peso são obtidas
pela equação: RE = 0,0635 . EBW0,75 . EBG1,097, sendo EBW = peso
de corpo vazio e EBG = ganho de peso de corpo vazio; sendo o EBW
calculado como o peso vivo x 0,891 e EBG = ganho de peso vivo x
0,956. Essa equação foi usada pelo NRC (1984), para um novilho
castrado de tamanho médio e é utilizada pelo NRC (1996) como
equação de referência para determinação das exigências de energia
líquida para ganho de peso para vários estágios de crescimento e taxas
de ganho para todos os tipos de bovinos. Essa equação é corrigida pela
fórmula: EQSBW = SBW . (SRW/FSBW), sendo que EQSBW é o
peso equivalente de um novilho de tamanho médio castrado descrito
pela equação do NRC (1984); SBW é o peso inicial em jejum avaliado
(14-16 horas); SRW é o peso padrão de referência de 435, 462 e 478
kg para teor de gordura final no corpo de 25,2; 26,8 e 27,8%, que
corresponde ao marmoreio definido como traço, leve e pequeno,
respectivamente e FSBW é o peso final em jejum.
Também o NRC (1996) sugere uma correção para as exigências
de energia líquida para ganho de peso para machos não castrados e
fêmeas, sendo que machos não castrados requerem menos 18% de
energia e fêmeas mais 18% de energia.
Tomando como exemplo o cálculo das exigências de energia
líquida para ganho de 1 kg de peso vivo de um novilho castrado, com
peso inicial em jejum (SBW) de 300 kg, peso final em jejum (FSBW)
de 533 kg e peso padrão de referência para 28% de gordura (SRW) de
478 kg, as exigências de energia líquida seriam:
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 159
EQSBW = 300 x 478/533 = 269 kg
 EQEBW = 0,891 EQSBW
EQEBW = 0,891 x 269 = 239,7 kg
 EBG = 0,956 SWG
EBG = 0,956 x SWG = 0,956 x 1 = 0,956
RE = 0,0635 x 239,70,75 x 0,9561,097 = 3,68 Mcal/dia.
Então as exigências de energia líquida para ganho de 1 kg de
peso vivo seriam equivalentes a 3,68 Mcal/dia. As exigências de EL
para ganho de 1 kg de peso vivo para machos não castrados seriam de
3,12 Mcal/dia e as de fêmeas seriam de 4,34 Mcal/dia, 18% menores e
maiores, respectivamente. Já as exigências de energia líquida de
mantença seriam equivalentes a 5,55 Mcal/dia (0,077 . 3000,75).Se não
tiver dados do peso vivo em jejum (SBW), pode-se considerar que esse
é 0,96 x peso vivo.
Para converter as exigências de energia líquida de mantença
(Elm) e de ganho de peso (Elg) em exigências de energia
metabolizável (EM), há necessidade do conhecimento das eficiências
de utilização da EM para mantença (Km) e para ganho de peso (Kf).
Essas eficiências podem ser obtidas usando as equações descritas por
GARRETT (1980) e utilizadas pelo NRC (1996): ELg = 1,42 EM –
0,174 EM2 + 0,0122 EM3 – 1,65 e Elm = 1,37 EM – 0,138 EM2 +
0,0105 EM3 – 1,12, onde Elg e Elm são as concentrações de energia
líquida de mantença e de ganho, respectivamente, expressas em
Mcal/kg MS e EM é a concentração de energia metabolizável também
expressa em Mcal/kg MS.
Então, se nesse exemplo acima, os bovinos estiverem sendo
alimentados com rações contendo 2,5 Mcal/kg MS de EM, pode-se
calcular que as concentrações de Elg e Elm seriam iguais a 1,0
Mcal/kg MS e 1,61 Mcal/kg MS , respectivamente.
Elg = 1,42 x 2,5 – 0,174 x 2,52 + 0,0122 x 2,53 – 1,65 = 1,00
Elm = 1,37 x 2,5 – 0,138 x 2,52 + 0,0l05 x 2,53 – 1,12 = 1,61
Conseqüentemente Kf =1/2,5 = 0,4 ou 40% e Km =1,61/2,5 =
0,644 ou 64,4%; então as eficiências de utilização da EM para
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte160
mantença e ganho seriam, respectivamente, 40 e 64,4%. Dividindo-se
as exigências de energia líquida pelas respectivas eficiências, obtém-se
as exigências de EM.
No exemplo, considerando as exigências de EL para mantença de
5,55 Mcal, estas seriam equivalentes a 8,62 Mcal de EM (5,55/0,644)
e da mesma forma , tomando o valor de 3,68 Mcal de energia líquida
para ganho e dividindo-o por 0,40, obtém o valor de 9,2 Mcal de EM.
Então as exigênciastotais de EM seriam de 17,82 Mcal/dia (8,62 +
9,2).
Considerando que existe maior disponibilidade de valor
energético dos alimentos expresso na forma de NDT, pode-se
converter as exigências de EM em exigências de NDT. Isto seria feito
considerando que EM = 0,82 ED, ou seja, 17,82/0,82 = 21,73 Mcal por
dia de ED. Também considerando que l kg de NDT equivale a 4,409
Mcal de ED, então as exigências de NDT seriam equivalentes a 4,93
kg/dia (21,73/4,409). Dessa forma, as exigências de energia líquida
calculadas podem ser convertidas em exigências de NDT. Vale
ressaltar que para cada concentração de energia metabolizável na
ração, haverá um valor de Km e Kf, o que torna praticamente
impossível formular uma tabela de exigências nutricionais seriada
expressa em NDT. Considerando, ainda, que o consumo de matéria
seca fosse de 2,5% do peso vivo, ou seja, 7,5 kg/dia , o teor de NDT
na ração total deveria ser de 65,7% ( 4,93x100/7,5).
Na Tabela 9-1 do NRC (1996), descrita como Tabela 1 nesse
texto, os valores obtidos podem ser confirmados. No entanto, se
trabalhar com animais zebuínos, deve-se observar que o peso padrão
de referência e os teores de gordura na carcaça podem ser diferentes
daqueles citado nos EUA. É possível que esse peso esteja próximo de
450 kg , conseqüentemente , poderiam ser feitas algumas estimativas
para animais zebuínos. Contudo, existem algumas pesquisas em
andamento no DZO-UFV que deverão gerar mais dados para que se
possa, no futuro, elaborar uma tabela para animais zebuínos.
Com relação às exigências de proteína para mantença e ganho de
peso, o NRC (1996) considera que a exigência de proteína
metabolizável para mantença é de 3,8 g/kg0,75, ou seja, para animais de
300 kg de peso vivo em jejum, estas seriam equivalentes à 274 g (3,8 x
3000,75). Considerando o mesmo exemplo utilizado para o cálculo das
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 161
exigências de energia, ou seja, quais seriam as exigências de proteina
para ganho de l kg de peso vivo.
Tabela 1 - Exigências nutricionais de bovinos em crescimento e
terminação
Peso vivo kg 200 250 300 350 400 450
Exigências de mantença
ELm Mcal/d 4.1 4.84 5.55 6.23 6.89 7.52
PMet g/d 202 239 274 307 340 371
Ca g/d 6 8 9 11 12 14
P g/d 5 6 7 8 10 11
Ganho de peso Exigências de El para ganho(Mcal/dia)
0.5 kg/d 1.27 1.50 1.72 1.93 2.14 2.33
1.0 kg/d 2.72 3.21 3.68 4.13 4.57 4.99
1.5 kg/d 4.24 5.01 5.74 6.45 7.13 7.79
2.0 kg/d 5.81 6.87 7.88 8.84 9.77 10.68
2.5 kg/d 7.42 8.78 10.06 11.29 12.48 13.64
Ganho de peso Exigências de PMet para ganho(g/dia)
0.5 kg/d 154 155 158 157 145 133
1.0 kg/d 299 300 303 298 272 246
1.5 kg/d 441 440 442 432 391 352
2.0 kg/d 580 577 577 561 505 451
2.5 kg/d 718 712 710 687 616 547
Ganho de peso Exigências de cálcio para ganho(g/dia)
0.5 kg/d 14 13 12 11 10 9
1.0 kg/d 27 25 23 21 19 17
1.5 kg/d 39 36 33 30 27 25
2.0 kg/d 52 47 43 39 35 32
2.5 kg/d 64 59 53 48 43 38
Ganho de peso Exigências de fósforo para ganho(g/dia)
0.5 kg/d 6 5 5 4 4 4
1.0 kg/d 11 10 9 8 8 7
1.5 kg/d 16 15 13 12 11 10
2.0 kg/d 21 19 18 16 14 13
2.5 kg/d 26 24 22 19 17 15
Small marbling 533 kg
Variação de peso 200-450 kg
Variação de ganho de peso 0.50 - 2.50 kg
Código do cruzamento 1 Angus
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte162
As exigências líquidas de proteína para ganho de peso são
calculadas pela equação (NRC, 1984) também adotada para NRC
(1996): Proteína retida = SWG (268 – (29,4 . RE/SWG)), onde SWG é
o ganho de peso vivo em jejum e RE é a energia líquida retida. Então,
se a exigência de RE foi de 3,68 Mcal/dia e o ganho foi de 1 kg de
peso vivo por dia, a proteína retida diária seria = 1 (268 – (29,4 x
3,68/1)) = 159,8 g, ou seja, as exigências líquidas de proteína para
ganho de peso seriam de 159,8 g/dia.
Para converter as exigências líquidas de proteína em exigências
de proteína metabolizável, para ganho de peso, o NRC (1996) adota a
equação: Eficiência = 83,4 – (0,114 x EQSBW) para EQSBW ≤ 300
kg e adota o valor fixo de eficiência de 49,2% para EQSBW > 300 kg;
sendo EQSBW, o peso vivo em jejum equivalente ao novilho descrito
pelo NRC (1984); que no exemplo anterior avaliando as exigências de
energia foi de 269 kg. Substituindo na equação, a eficiência de
utilização da proteína metabolizável para ganho de peso seria = 83,4 –
(0,114 x 269) = 52,7%. Então as exigências de proteína metabolizável
para um novilho de 300 kg, ganhando 1 kg de peso vivo em jejum
diariamente seriam de 303 g/dia (159,8/0,527). Esses valores obtidos
para exigências de proteína metabolizável podem ser visualizados na
Tabela 1 adaptada do NRC (1996).
As exigências totais de proteína metabolizável para mantença e
ganho de peso de 577g/dia (274 + 303) poderão ser convertidas em
exigências de proteína degradada no rúmen (PDR) e proteína não
degradada no rúmen (PNDR) , cuja soma resultaria nas exigências de
proteína bruta. Para que esses valores possam ser obtidos, o NRC
(1996) considera uma síntese de proteína microbiana (PMic) fixa e
equivalente a 130 g PMic/ kg de NDT, considera ainda que a PMic
possui 80% de aminoácidos (Aas) e que a digestibilidade verdadeira
dos Aas no intestino delgado é de 80%. Além disso, considera que a
PNDR possui uma digestibilidade verdadeira no intestino delgado fixa
de 80%.
Assim, para atender as exigências de 577 g/dia de protéina
metabolizável (PMet) são necessárias 640,9 g de PDR, ou seja, 130 g
PMic x 4,93 kg de NDT. Considerando que 80% são AAs (640,9 x
0,80) e que a digestibilidade verdadeira dos AAs é de 80% (640,9 x
0,80 x 0,80), então a síntese microbiana fornece diariamente, 410,2 g
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 163
de PMet. Se as exigências são de 577 g de PMet, obtém-se uma
diferença de 166,8 g/dia (577 – 410,2) de PMet que deverão ser
atendidas pela PNDR. Assim, as exigências de PNDR digestível no ID
de 166,8 poderão ser convertidas em PNDR dietética , dividindo-se
por 0,8 que é o valor da digestibilidade verdadeira intestinal da
PNDR, obtendo-se o valor de 208,5 g/dia (166,8/0,8) que seria a
quantidade necessária de PNDR consumida diariamente.
Então as exigências de PDR seriam de 640,9 g/dia e as de PNDR
de 208,5 g/dia. A soma desses valores (640,9 + 208,5) seria
considerada como as exigências diárias de PB. Assim, para atender as
exigências de 577 g de PMet são necessárias 849,4 g/dia de PB
dietética com 75,45% de PDR (640,9 x 100/849,4) e 24,55% de PNDR
(208,5 x 100/849,4).
Uma maneira aproximada de converter as exigências de PMet
em exigências de PB seria dividir as exigências de PMet / 0,67. No
exemplo 577/0,67 = 861,2 g PB/dia. O fator 67,2% é obtido
considerando que 80% da proteína que chega ao ID é PMic e 20%
PNDR, conseqüentemente, 80% x 0,64 + 20% x 0,80 = 67,2%, sendo
0,64 (80% de AAs com 80% de digestibilidade) e 0,80, a
digestibilidade verdadeira da PNDR no ID.
Para calcular os percentuais de PB, PDR e PNDR nas rações, há
necessidade do conhecimento do consumo de matéria seca (MS).
Sendo o consumo de MS estimado em 2,5% do peso vivo, ou seja, 7,5
kg para esse bovino de 300 kg e as exigências de PB de 849,4 g/dia, os
percentuais na ração seriam de 11,3% de PB (849,4x100 / 7500) ,
sendo 8,53% PDR e 2,77% de PNDR.
Finalizando esse tópico sobre exigências de energia e proteína
para animais em mantença e ganho de peso, vale ressaltar que os
cálculos podem ser feitos para quaisquer pesos e taxas de ganho de
peso sendo, no entanto, necessário conhecer os pesos vivos em jejum
inicial e final e o peso de referência (peso sugerido , quando o animal
atinge 28% de gordura na carcaça).
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE PROTEINA E ENERGIA
PARA GESTAÇÃO E LACTAÇÃO
As exigências de energia líquida para gestação foram convertidas
em exigências de energia líquida de mantença, utilizando-se a seguinte
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte164
equação: Elm = Km / 0,13 x PN x (0,05855 – 0,0000996 t) e (0,03233 –
0,0000275 t) t, onde PN é o peso do bezerroao nascer, “t” é o dia de
gestação e Elm é a exigência de energia líquida de gestação expressa
como exigência de energia de mantença. No exemplo, se considerar o
PN de 38,5 kg , Km=0,576 e t = 220 dias, substituindo os valores na
equação será obtida a exigência de 2026,69 Kcal/dia, ou seja, as
exigências de energia líquida para gestação são equivalentes a 2,027
Mcal/dia de energia líquida de mantença. Esse valor pode ser
visualizado no NRC (1996), Tabela 4-2 da página 43.
As exigências líquidas de proteína para gestação podem ser
obtidas utilizando a equação:Proteína retida = [PN (0,001669 –
0,00000211 t) . e(0,0278 – 0,0000176 t) t ] x 6,25, sendo PN o peso ao nascer e
“t” o dia da gestação. Considerando o mesmo exemplo usado para o
cálculo da energia : PN = 38,5 kg e t = 220 dias, a Proteína retida =
6,25 x [38,5 (0,001669 – 0,00000211 x 220) . e (0,0278 – 0,0000176 x 220 ) . 220]
= 56,03 g/dia, ou seja, as exigências líquidas de proteína seriam
equivalentes a 56,0 g/dia. Esse valor pode ser visualizado na Tabela 4-
3, página 43, NRC (1996). Para converter as exigências líquidas de
proteína para gestação em exigências de PMet, deve-se dividir as
exigências líquidas pela eficiência de utilização da PMet para gestação.
O NRC (1996) adotou o valor de 65% para essa eficiência. Então, as
exigências de PMet para gestação seriam de 86,2 g/dia (56/0,65).
Para converter essas exigências em termos de PDR , PNDR ou
de NDT, pode-se usar o mesmo raciocínio descrito para animais em
crescimento.
As exigências para vacas de corte em lactação são relativamente
complexas porque é necessário o conhecimento da produção de leite. O
NRC (1996) apresenta uma simplificação dessas exigências,
considerando quatro diferentes produções de leite para vacas de corte,
incluindo produções ao pico de lactação de 5, 8, 11 e 14 kg/dia.
A produção diária de leite é calculada por Yn = n/a . eKn), sendo
k = 1/T e
 a = 1/(PKYD .k. e), sendo “n” a semana de lactação, “k” e “a” são
parâmetros da equação, “T” é a semana do pico de lactação, “PKYD” é
a produção de leite (kg/dia) no pico de lactação. Para gado de corte , o
NRC (1996) considera que o pico de lactação ocorre as 8,5 semanas.
Então, pode-se calcular a produção diária de leite, conhecendo-se o
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 165
valor da produção de leite ao pico de lactação, por exemplo, se esse
valor for de 5 kg/dia , a produção diária de leite dessa vaca na 3a
semana de lactação seria:
k= 1/T então k= 1/8,5 = 0,1176
a = 1/(PKYD . k.e) ∴ a = 1/ (5,0 . 0,1176 . 2,71828) = 0,6256
Y3 (Produção de leite na semana 3) = n/a . eKn) = 3/ (0,6256 .
e 0,1176 x3)
Y3 = 3,36 kg/dia
Conhecendo-se a produção diária de leite, pode-se calcular as
exigências de energia e proteína para lactação. Para a exigência de
energia pode-se considerar que um leite com 4,0% de gordura, 3,4% de
proteína e 8,3% de sólidos não gordurosos possui 0,72 Mcal de
energia/kg. Assim, se multiplicar 3,36 x 0,72, obtém-se o valor de 2,42
Mcal/dia, esse valor é a exigência de energia líquida para lactação.
Considerando que a eficiência de utilização da energia é semelhante
para mantença e lactação, as exigências de energia de lactação são
também expressas como EL de mantença, ou seja, as exigências
líquidas diárias seriam equivalentes a 2,42 Mcal de Elm. Na Tabela 4-
4, página 45, do NRC (1996) esses dados podem ser confirmados.
Outra maneira de determinar o teor de energia do leite, pode ser
utilizando-se a equação: Energia (Mcal/kg) = 0,092 x G + 0,049 SNG
– 0,0569 sendo “G”, o percentual de gordura do leite e “SNG” o
percentual de sólidos não gordurosos do leite.
Para calcular as exigências líquidas de proteína para vacas
lactantes, o NRC (1996) adotou o valor fixo de 3,4% para o teor de
proteína bruta do leite. Então, se a produção de leite estimada foi de
3,36 kg, as exigências líquidas de proteína seria de 3,36 x 0,034 =
0,114 kg ou 114 g/dia. Já as exigências de proteína metabolizável
seriam de 114/0,65 = 175,4 g/dia. O valor de 0,65 é a eficiência de
utilização da proteína metabolizável para lactação.
Pode-se observar que conhecendo-se a produção de leite ao pico
de lactação, pode-se estimar as produções diárias de leite para qualquer
semana da lactação e, conseqüentemente, calcular as exigências
líquidas de proteína e energia para lactação. Além disso, para converter
as exigências de PMet e energia líquida para exigências de PDR,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte166
PNDR e NDT, pode-se usar o mesmo raciocínio adotado anteriormente
para fazer essas conversões para os animais em crescimento.
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE AMINOÁCIDOS
O método fatorial é utilizado pelo CNCPS para estimar os
requerimentos de AAs. O’CONNOR et al. (1993) descreveram os
procedimentos utilizados pelo CNCPS para estimar os requerimentos
de AAs disponíveis para a absorção. Resumidamente, o CNCPS
calcula as exigências líquidas de proteína para mantença (incluindo
proteína metabólica fecal, proteína endógena urinária e proteína de
descamação), multiplica pela composição em AAs dos tecidos,
respectivamente: tecido muscular, tecido muscular e proteína da
queratina e divide pela eficiência de utilização de cada AA para
mantença.
Também as exigências líquidas de proteína para crescimento e
lactação são multiplicadas pela composição em AAs do tecido
muscular e leite, respectivamente, e divididas pela eficiência de
utilização de cada AA para crescimento e produção de leite,
encontrando-se assim as exigências de AAs absorvidos no intestino
delgado para crescimento e lactação.
Nas Tabelas 2 e 3 são mostradas, respectivamente, a composição
em AAs do tecido muscular, leite e proteína da queratina e as
eficiências de utilização de cada um dos AAs essenciais para
mantença, gestação e lactação (dados descritos por O’CONNOR et al.,
1993).
Portanto, conhecendo-se as exigências líquidas de proteína, a
composição em AAs dos tecidos e do leite e a eficiência de utilização
de cada AA essencial, pode-se calcular as exigências diárias de AAs
essencias absorvidos no intestino delgado.
SCHWAB (1996) concluiu que as percentagens de lisina e
metionina na digesta duodenal para máxima produção e teor de
proteína no leite seriam de 15 e 5%, respectivamente, em relação ao
total de AAs essenciais, quando se utilizam dietas convencionais.
Além disso, esse autor também concluiu que o balanceamento de
rações utilizando AAs absorvidos no intestino delgado pode reduzir a
quantidade de PNDR nas rações, permitindo mais espaço nas mesmas
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 167
para atender outros nutrientes, tais como carboidratos fermentáveis no
rúmen.
Tabela 2 - Teores de aminoácidos (AAs) do tecido muscular, leite e
proteína da queratina (g/100g de proteína)
AAs Tecido muscular1 Leite2 Queratina
Metionina 2,0 2,71 1,0
Lisina 6,4 7,62 3,2
Histidina 2,5 2,74 1,0
Fenilalanina 3,5 4,75 3,7
Triptofano 0,6 1,51 1,4
Treonina 3,9 3,72 7,2
Leucina 6,7 9,18 10,0
Isoleucina 2,8 5,79 5,0
Valina 4,0 5,89 6,0
Arginina 6,6 3,40 3,8
1, 2 e 3; respectivamente, Ainslie et al. (1993), Waghorn e Baldwin (1984) e Block e
Bolling (1951), citados por O’CONNOR et al. (1993).
 Tabela 3 - Eficiência de utilização de aminoácidos (AAs)
absorvidos para as funções fisiológicas (g/g)
AAs Mantença Gestação Lactação
Metionina 0,85 0,85 0,98
Lisina 0,85 0,85 0,88
Histidina 0,85 0,85 0,90
Fenilalanina 0,85 0,85 1,00
Triptofano 0,85 0,85 0,85
Treonina 0,85 0,85 0,83
Leucina 0,66 0,66 0,72
Isoleucina 0,66 0,66 0,62
Valina 0,66 0,66 0,72
Arginina 0,85 0,66 0,42
Adaptado de O’CONNOR et al. (1993). A eficiência para crescimento é dada pela
fórmula de Ainslie et al. (1993): eficiência = 0,83 - 0,00114 peso de corpo
equivalente
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte168
Considerando o método fatorial utilizado pelo CNCPS, as
exigências de AAs essenciais absorvidos no intestino delgado podem
ser calculadas através dos dados descritos por O’CONNOR et al.
(1993). Para atender essas exigências resta saber qual é a quantidade
de AAsabsorvidos fornecida pelas fontes protéicas não degradadas no
rúmen e pela proteína microbiana. A proporção de proteína verdadeira
na proteína microbiana é considerada 60% e a digestibilidade dessa no
intestino delgado é assumida como 100%, (SNIFFEN et al., 1992).
Além disso, a quantidade de proteína microbiana sintetizada é dada em
função da disponibilidade de carboidratos no rúmen, assumindo-se
valor médio de 0,4g de MS microbiana/g de carboidrato degradado no
rúmen e que as bactérias possuem, em média, 10% de compostos
nitrogenados, (RUSSELL et al., 1992). Então, a quantidade de AAs
microbianos absorvidos no intestino delgado (ID) pode ser obtida pela
multiplicação da quantidade de proteína verdadeira microbiana
digestível que chega ao ID pelos seus respectivos teores de AAs.
A quantidade de AAs da PNDR disponível para a absorção é
calculada pelo CNCPS, considerando as frações B1, B2 e B3 da
proteína. Inicialmente a proteína dos alimentos é fracionada em A, B1,
B2, B3 e C, conforme metodologia descrita por LICITRA et al. (1996).
A fração A não contribui com AAs e a fração C é considerada não
degradada no rúmen e indisponível para o animal. Segundo SNIFFEN
et al. (1992), o escape percentual das frações B1, B2 e B3 é dado pela
fórmula: escape = Kp/Kp + Kd, onde Kp é a taxa de passagem do
alimento e Kd, a taxa de digestão da respectiva fração. Conhecendo-se
as quantidades de cada fração protéica que chegam ao ID, multiplica-
se pelos valores de 100, 100 e 80%, respectivamente, para as frações
B1, B2 e B3, obtendo-se dessa forma a quantidade de PNDR absorvida
no ID para cada alimento, (SNIFFEN et al., 1992). A quantidade de
cada AA essencial absorvida no ID pode ser calculada, multiplicando-
se a PNDR absorvida no ID pelos seus respectivos teores de AAs
essenciais. O sistema considera que a composição em AAs essenciais
da PNDR é similar à da proteína dietética.
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE MINERAIS
As exigências de cálcio são calculadas segundo o NRC
(1996):Mantença (g/dia) = 0,0154 x Peso vivo / 0,5; Ganho de peso
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 169
(g/dia) = 0,071 x RPN/0,5, sendo RPN = proteína retida em g/dia;
Lactação (g/dia) = 1,23x Produção de leite/0,5 e Gestação (g/dia) =
CBW x (13,7/90)/0,5, sendo CBW = peso do bezerro ao nascer.
Considerando o exemplo anterior, para novilho castrado de 300
kg e ganhando 1 kg de peso vivo diariamente, as exigências de cálcio
seriam de 9,24 g/dia para mantença (0,0154 x 300/0,5) e 22,7 g/dia
(0,071 x 159,8/0,5) para ganho de peso, sendo as exigências totais
diárias de cálcio de 31,94 g/dia. Vale ressaltar que as exigências
líquidas de proteína para ganho de 1 kg foram de 159,8 g e que o
coeficiente de absorção verdadeiro do cálcio foi considerado 50%.
Se considerar vacas de corte produzindo 5 kg/dia de leite, as
exigências diárias de cálcio seriam equivalentes a 12,3 g (1,23 x 5/0,5).
Assim como se avaliar vacas de corte em gestação, com peso do
bezerro de 30 kg, as exigências de cálcio para gestação seriam de 9,13
g/dia (30 x 13,7/90)/0,5).
As exigências de fósforo descritas pelo NRC (1996) podem ser
calculadas usando as seguintes equações: Mantença (g/dia) = 0,016
x peso vivo/0,68; Ganho de peso = RPN . 0,045/0,68; Lactação (g/dia)
= produção de leite x 0,95/0,68 e gestação (g/dia) = CBW x
(7,6/90)/0,68, sendo 0,68 o coeficiente de absorção verdadeiro do
fósforo.
Calculando-se as exigências de fósforo para um novilho castrado
de 300 kg, com ganho diário de 1 kg, obtém-se 7,06 g/dia para
mantença (0,016 x 300/0,68) e 10,6 g/dia para ganho de peso ((0,045 x
159,8)/0,68), sendo as exigências totais de 17,66 g/dia. Para vacas
produzindo 5kg de leite, as exigências diárias de fósforo podem ser
calculadas como 0,95 x 5/0,68 e são iguais a 7,0 g/dia, enquanto para
vacas gestantes, com peso do bezerro esperado para 30 kg, as
exigências de fósforo seriam de 3,73 g/dia ((30 x 7,6/90)/0,68).
As exigências de cálcio e fósforo calculadas em g/dia podem ser
convertidas em % da matéria seca (MS) consumida. Considerando um
consumo de MS equivalente a 2,5% do peso vivo, para animais de 300
kg, o consumo diário seria de 7,5 kg MS. As exigências totais
(mantença + ganho) de cálcio foram de 31,94g , enquanto as de fósforo
foram equivalentes a 17,66 g/dia. Assim, o percentual de cálcio na MS
consumida seria de 0,426% (31,94x100/7500) e o de fósforo seria de
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte170
0,235% (17,66x 100/7500). Vale ressaltar que 7500 é o consumo de
MS expresso em g/dia.
Na Tabela 4 são mostradas as exigências dos outros minerais
para crescimento, gestação e lactação.
Tabela 4 - Exigências diárias de macro e microelementos minerais1
Minerais Unidades Crescimento/
Terminação
Gestação Lactação
Mg % 0,10 0,12 0,20
K % 0,60 0,60 0,70
Na % 0,06-0,08 0,06-0,08 0,10
S % 0,15 0,15 0,15
Co ppm 0,10 0,10 0,10
Cu ppm 10,00 10,00 10,00
I ppm 0,50 0,50 0,50
Fe ppm 50,00 50,00 50,00
Mn ppm 20,00 40,00 40,00
Se ppm 0,10 0,10 0,10
Zn ppm 30,00 30,00 30,00
 1 – Adaptada do NRC (1996)
FORMULAÇÃO DE RAÇÕES
Para calcular rações, deve-se conhecer as exigências nutricionais
dos animais, os alimentos disponíveis e sua composição em nutrientes.
Considerando as dificuldades de calcular rações completas, incluindo
volumoso e concentrado, inicialmente será discutida a formulação de
rações concentradas.
O Quadrado de Pearson, é um procedimento simples que permite
misturar 2 alimentos (ou 2 misturas de alimentos) para obter uma
concentração desejada de um nutriente. Para resolver o problema
utilizando o Quadrado de Pearson, a solução desejada é colocada ao
centro e dois alimentos são colocados em cada extremidade, sendo que
esses obrigatoriamente devem ter uma concentração maior e menor
que a desejada, respectivamente. A resposta inicialmente é expressa
em partes mas pode ser facilmente convertida em percentagem.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 171
Tomando como exemplo o cálculo de uma ração contendo 18%
de proteína bruta (PB), utilizando como ingredientes o farelo de trigo
(FT) com 15% de PB e o farelo de soja (FS) com 45% de PB.
FT 15 27 ⇒ (27/30) x 100 = 90%
 18
FS 45 3 ⇒ (3/30) x 100 = 10%
Subtraindo-se os percentuais de PB dos alimentos do valor
esperado (18%), pode-se calcular que 27 partes de FT (45 – 18) e 3
partes de FS (15 – 18) são necessárias para obter a mistura com 18%
de PB. Vale ressaltar que os valores serão sempre positivos, ou seja,
(15 – 18) ou (18 – 15) será sempre 3. Desejando-se expressar em
percentagem, pode-se calcular que a ração será constituída de 90% de
FT (27x100/30) e 10% de FS (3x100/30). Posteriormente, pode-se
confirmar se os cálculos foram feitos adequadamente, multiplicando os
percentuais de cada ingrediente (FT e FS) pelos seus respectivos teores
de PB: 90 x 0,15 + 10 x 0,45 = 18%. Consequentemente, os cálculos
foram corretos pois o % de PB desejado foi igual ao calculado.
Também pode-se utilizar o Quadrado de Pearson para calcular 2
nutrientes, tais como PB e NDT. Nesse caso, se chama de Quadrado de
Pearson duplo. Como exemplo, calcular uma ração com 16% de PB e
70% de NDT, utilizando FT (15% PB, 60% NDT), FS (45% PB e 75%
NDT), milho (8% PB, 80% NDT) e farelo de algodâo (FA) com (28%
PB e 70% NDT). Para isso, devem-se elaborar 2 misturas com 16% de
PB, sendo que uma deverá conter mais de 70% e outra menos de 70%
de NDT. Assim, pode-se utilizar FT e FA na primeira mistura e FS e
milho (M) na segunda mistura.
FT 15 12 ⇒ (12/13) x 100 = 92,3%
M1 16
FA 28 1 ⇒ (1/13) x 100 = 7,7%
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte172
M 8 29 ⇒ (29/37) x 100 = 78,4%
M2 16
F5 45 8 ⇒ (8/37) x 100 = 21,6%
Assim a mistura M1 será constituída de 92,3% de FT e 7,7% de
FS, terá 16% de PB e 60,77% deNDT (92,3 x 0,6 + 7,7 x 0,7), sendo
0,6 e 0,7 os teores de NDT dos respectivos alimentos.
A mistura M2 será constituída de 78,4% de M e 21,6% de FS,
terá 16% de PB e 78,92% de NDT (78,4 x 0,8 + 21,6 x 0,75),
observando-se que os valores de 0,8 e 0,75 são os teores de NDT do
milho e farelo de soja, respectivamente.
O cálculo da mistura final (M3) seria:
M1 60,77 8,92 ⇒ (8,92/18,15) x 100 = 49,1%
 M3 70
M2 78,92 9,23 ⇒ (9,23/18,15) x 100 = 50,9%
Então a mistura M3 será constituída de 49,1% de M1 e 50,9% de
M2. Os percentuais de cada ingrediente na mistura final podem ser
calculados da seguinte maneira:
FT = 49,1 x 0,923 = 45,3%
 FA = 49,1 x 0,077 = 3,8%
M = 50,9 x 0,784 = 39,9%
FS = 50,9 x 0,216 = 11,0%
Alguns pesquisadores preferem calcular rações usando soluções
algébricas a partir de equações com duas incógnitas. Usando o
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 173
exemplo descrito anteriormente, ou seja, formular uma ração
concentrada com 18% de PB, utilizando FT e FS.
FT + FS = 100
 0,15 FT + 0,45 FS = 18
Multiplicando a 1a equação por 0,45 e subtraindo a 2a equação é
uma das formas de resolução desse sistema:
0,45 FT + 0,45 FS = 45
0,15 FT + 0,45 FS = 18
0,3 FT + 0 = 27 FT = 27/0,3 = 90%
FT + FS = 100
90 + FS = 100 FS = 10%
O sistema de equações é bastante simples e permite deixar
espaço na mistura para colocar outros nutrientes, tais como minerais,
sendo geralmente preferido quando se necessita formular misturas para
atender dois nutrientes.
CÁLCULO DE RAÇÕES PARA BOVINOS EM CONFINA-
MENTO
Utilizando bovinos castrados com 300 kg de peso vivo e ganho
diário de 1 kg, as exigências diárias foram calculadas em 4,93 kg,
849,4 g, 31,94 g e 17,66 g de NDT, PB, cálcio (Ca) e fósforo (P),
respectivamente.
Para formular uma ração, deve-se inicialmente, determinar quais
os alimentos serão utilizados e sua composição química. Serão
utilizados a silagem de milho, milho desintegrado com palha e sabugo
(MDPS), farelo de soja, calcáreo e fosfato bicálcico. Em seguida,
torna-se necessário conhecer a composição em nutrientes desses
alimentos.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte174
Tabela 5 - Composição dos alimentos
 PB NDT Ca P
Ingredientes MS (%) (% na MS)
Silagem de milho 30,7 6,7 63,0 0,33 0,17
MDPS 87,7 8,2 66,6 0,08 0,21
Farelo de soja 88,6 47,9 81,0 0,33 0,57
Calcáreo 100 37,2
Fosfato bicálcico 98,6 23,9 18,4
Fonte: CAPPELLE (1999).
Para determinar o percentual de volumoso na ração pode-se
basear na % de NDT da ração total.Um valor razoável para estimar
consumo de MS de gado de corte seria usar 2,5% do peso vivo. Assim
bovinos de 300 kg, deverão consumir em torno de 7,5 kg MS/dia. O
NRC (1996) recomenda usar equação baseada na concentração de
energia líquida de mantença, mas cita uma equação baseada no peso
vivo que seria: 1,8545 + 0,01937 x PV. Se utilizar essa equação, o
consumo esperado para bovinos de 300 kg seria de 7,66 kg/MS, valor
muito próximo ao de 2,5% do peso vivo.
Assim será considerado para esse cálculo um consumo estimado
de 7,5 kg MS/dia. Então o % de NDT na ração total seria de 65,7%
(4,93 x 100/7,5) e a proporção de volumoso na ração poderia ser obtida
considerando que o teor de NDT da mistura concentrada (MDPS e
farelo de soja) seria próximo de 70%
Volumoso 63 4,3 ⇒ (4,3/7,0) x 100 = 61,4%
 65,7
 Concentrado 70 2,7 ⇒ (2,7/7,0) x 100 = 39,6%
Assim o percentual de volumoso seria de 61,4 e a quantidade
consumida diariamente seria de 7,5 x 0,614 = 4,6 kg de MS.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 175
Tabela 6 - Resumo dos valores calculados na ração total
PB (g) NDT (kg) Ca (g) P (g)
Exigências 849,4 4,93 31,94 17,66
4,6 kg MS de silagem 308,2 2,90 15,18 7,82
Déficit (1) 541,2 2,03 16,76 9,84
2,114 kg MS de MDPS
0,768 kg MS de FS
173,3
367,9
1,41
0,62
1,69
2,53
4,44
4,38
Déficit (2) 0 0 -12,54 -1,02
5,54 g FB 1,32 1,02
Déficit (3) 0 0 -11,22 0
30,16 g de calcáreo 11,22
Déficit (4) 0 0 0 0
As quantidades fornecidas por 4,6 kg MS de silagem de milho
foram 308,2 g de PB (4600,0g x 0,067) 2,90 kg de NDT (4,6kg x
0,63); l5,18 g de Ca (4,6 x 3,3 g/kg) e 7,82 g de P (4,6 x 1,7 g P/kg).
Subtraindo das exigências as quantidades fornecidas pelo volumoso,
obtém-se o déficit (1) cujas quantidades deverão ser supridas pela
mistura de concentrados. Assim as quantidades de MDPS e FS
poderiam ser obtidas, usando o sistema de equações:
0,082 MDPS + 0,479 FS = 0,5412 kg
0,666 MDPS + 0,81 FS = 2,0300 kg
Vale ressaltar que as equações 1 e 2 suprem as necessidades de
PB e NDT, respectivamente. Resolvendo o sistema, pode-se calcular
que as quantidades diárias de MDPS e FS suficientes para atender as
exigências de PB e NDT foram de 2,114 e 0,768 kg, respectivamente.
Calculando as quantidades de PB, NDT, Ca e P fornecidas por
MDPS e FS e subtraindo-as do déficit (1), obtém-se o déficit (2). Nota-
se que o déficit (2) deve-se referir apenas às fontes de cálcio e fósforo.
Para suprir o teor de P será utilizado o fosfato bicálcico (FB) na
quantidade diária de 5,54 g que, além de suprir o P, fornece 1,32 g/dia
de Ca.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte176
100 g fosfato bicálcico - 18,4 g P
 X - 1,02 g P
 X = 5,54 g/dia de FB
100 g FB - 23,9 g Ca
 5,54 g FB - Y
 Y = 1,32 g de Ca
Para suprir o déficit final de 11,22 g Ca, serão utilizadas 30,16
g/dia de calcáreo
100 g calcáreo - 37,2 g Ca
 Z - 11,22 g Ca
 Z = 30,16 g/dia de calcáreo
Assim, ao final dos cálculos não deverá haver nenhum déficit.
Além disso, foram feitos os balanceamentos somente para 4 nutrientes
(PB, NDT, Ca e P). Contudo, desejando-se balancear outros nutrientes,
os cálculos seguirão o mesmo raciocínio.
As quantidades diárias de 2,114 kg de MDPS, 0,768 kg de FS,
5,54 g de FB e 30,16 g de calcáreo devem ser expressas em
percentagem. A quantidade total diária seria de 2,9177 kg de MS, com
72,45% de MDPS, 26,32% de FS, 0,19% de FB e 1,03% de calcáreo.
Considerando que os cálculos das quantidades dos concentrados
foram expressos na base da MS, para efetuar as misturas, esses deverão
ser convertidos na base da matéria natural (MN).
Tabela 7 -Composição da ração concentrada expressa nas bases da MS
e MN
Alimentos % na MS % MS Partes de MN % na MN
MDPS 72,45 87,7 82,61 72,96
FS 26,32 89,6 29,38 25,95
FB 0,19 100 0,19 0,17
Calcáreo 1,03 98,6 1,04 0,92
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 177
Para converter a composição da ração concentrada expressa na
base da MS para a base de matéria natural (MN), deve-se dividir o %
de cada alimento pelo seu respectivo teor de MS (exemplo: MDPS,
72,45/0,877 = 82,61) para obter as partes de cada alimento na base da
MN e, posteriormente, expressar essas partes em termos percentuais
(tomando exemplo do MDPS, 82,61 x 100/113,22 = 72,96%). Assim, a
mistura de concentrado deverá conter na base da MN: 72,96; 25,95;
0,17 e 0,92% de MDPS, FS, FB e Calcáreo, respectivamente.
Para saber quantos kg de concentrado deverão ser fornecidos
diariamente aos animais para suprir a quantidade total de 2,9177 kg de
MS, deve-se calcular o % de MS da mistura concentrada que será =
88,31% ( 72,96 x 0,877 + 25,95 x 0,896 + 0,17 x 1,0 + 0,92 x 0,986).
Então deverão ser fornecidos diariamente aos animais 3,30 kg de
concentrado (2,9177/0,8831).
O consumo total de MS observado foi de 7,5177 kg (4,6 +
2,9177) ou 2,51% do peso vivo, valor muito próximo ao
preestabelecido. O concentrado calculado terá na base da MS:
% PB = 72,45 x 0,082 + 26,32 x 0,479 = 18,55%
% NDT = 72,45 x 0,666 + 26,32 x 0,81 = 69,57%
% Ca = 72,45 x 0,0008 + 26,32 x 0,0033 + 0,19 x 0,239 + 1,03x 0,372
= 0,57%
% P = 72,45 x 0,0021 + 26,32 x 0,0057 + 0,19 x 0,184 = 0,34%
Então, a mistura de concentrados terá 18,55; 69,57; 0,57 e
0,34%, respectivamente, de PB, NDT, Ca e P na base da MS. Se for
necessário calcular os percentuais dos nutrientes na base da MN, basta
multiplicar os teores em base de MS pelo teor de MS do concentrado.
Exemplificando os cálculos para PB, o teor de PB na MN da mistura
de concentrados será de 16,38% (18,55 x 0,8831) e os respectivos
teores de NDT, Ca e P na MN serão de 61,44; 0,50 e 0,30%.
Finalizando, deve-se lembrar que é importante entender os
cálculos manuais para que a utilização de programas de computação
seja feita adequadamente.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte178
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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valor energético e predição do consumo e do ganho de peso de bovinos,
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procedures for nitrogen fractionation of ruminants feeds. Anim. Feed. Sci
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beef cattle. 6 ed. Washington DC: 1984, 90p.
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carbohydrate and protein availability. J. Anim. Sci. Champaign. v.70,
n.11, p.3562-3577, 1992.
FUNDAMENTOS E ESTRATÉGIAS DO MANEJO DE
PASTAGENS
José Alberto Gomide 1; Carlos Augusto de M. Gomide 2
1 – Pesquisador do CNPq
 2 – Pós-Graduando do DZO-UFV
1. INTRODUÇÃO
A exploração do rebanho bovino depende, fundamentalmente, da
produção de forragem, principalmente daquelas espécies que
constituem as áreas de pastagens. Com freqüência, as plantas
forrageiras constituem a única fonte de nutrientes indispensáveis ao
crescimento, à saúde dos animais, assim como à reprodução do
rebanho. Daí, a importância do manejo correto das pastagens, que deve
objetivar: maximização da produção forrageira e da eficiência de uso
da forragem produzida, observada a estabilidade da pastagem. Neste
contexto, ganha realce o papel da fotossíntese, força propulsora do
crescimento vegetal.
Dadas condições favoráveis de temperatura, luz, água e
nutrientes minerais, o potencial fotossintético de uma pastagem
decorre de dois fatores intrínsecos do relvado: seu índice de área foliar
(IAF) e a capacidade fotossintética do dossel.
Visto que a intercepção de luz pelas folhas é o ponto de partida
do processo de fixação de carbono, não é de se estranhar a alta e
positiva correlação entre o rendimento forrageiro de uma pastagem e
seu IAF, até seu valor crítico, em que 95 % da luz é interceptada
(BROUGHAM, 1958; KING et al, 1984; PARSONS et al 1983b).
Entretanto, além da magnitude do IAF, outras características da área
foliar são relevantes: arranjo e arquitetura das folhas ao longo do
perfil, suas propriedades físicas e idade média, visto que a capacidade
fotossintética das folhas varia inversamente com sua idade (PARSONS
et al, 1983a; WOLEDGE e LEAFE, 1976).
Essas considerações resumem a importância dos estudos de
morfogênese das forrageiras.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte180
2. MORFOFISIOLOGIA DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS
A contínua emissão de folhas e perfilhos garante a restauração da
área foliar após desfolha pelo corte e, ou pastejo, garantindo, assim, a
produtividade e a perenidade da pastagem.
As folhas se formam a partir do desenvolvimento de primórdios
foliares que surgem alternadamente de cada lado do domo apical
(LANGER, 1972), originando os fitômeros, unidades de crescimento
das gramíneas. Cada fitômero é constituído de lâmina e bainha
foliares, entre-nó, nó e gema (WILHELM e Mc MASTER, 1995).
Inicialmente, o primórdio foliar é todo meristemático, mas logo esta
atividade se restringe a sua porção basilar, dando origem ao meristema
intercalar que originará a bainha foliar, no sentido basípeto e a lâmina
no sentido acrópeto (LANGER, 1972).
Durante o desenvolvimento inicial de um perfilho se
reconhecem três tipos de folhas: folhas adultas completamente
expandidas, cujas bainhas constituem o pseudo-colmo; folhas
emergentes, cujo ápice é visível acima do pseudo-colmo e as folhas em
expansão, completamente contidas no interior do pseudo-colmo. A
lâmina foliar cresce até a exteriorização da lígula, quando então se tem
a folha adulta, completamente expandida.
As primeiras folhas, emergindo de um pseudo-colmo curto, têm
uma rápida emergência e atingem pequenos comprimentos. As folhas
subseqüentes, devendo fazer um percurso mais longo para emergir,
alcançam comprimentos maiores (SKINNER e NELSON, 1995).
Posteriormente, durante o desenvolvimento do perfilho, instala-se o
processo de alongamento do colmo, do que resulta a elevação do ponto
de crescimento, domo apical, o que também reduz o percurso para
emergência das folhas de mais alto nível de inserção. Assim, o
comprimento das folhas varia em função de seu nível de inserção no
perfilho, em que valores máximos correspondem às folhas de inserção
intermediária (Figura 1).
A produção de folhas é avaliada em função do tempo necessário
para o aparecimento de duas folhas sucessivas, o filocrono, cujo
inverso estima a taxa de aparecimento de folhas.
Nas primeiras semanas do desenvolvimento do perfilho principal
instala-se o processo de perfilhamento, dando origem aos perfilhos
primários e estes aos secundários. Em cultivares de Panicum
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 181
maximum, o primeiro perfilho primário surgiu durante a segunda
semana após a emergência das plântulas; outros perfilhos aparecendo a
cada dois dias na axila das folhas primeiramente expandidas
(GOMIDE , 1997).
O número de perfilhos por planta é variável em função do
genótipo. Assim, capim-jaraguá, capim-gordura e capim-andropogon
perfilham mais intensamente que o capim-colonião. Na figura 2,
observa-se maior número de perfilhos no cultivar Tanzânia
relativamente ao cultivar Mombaça de Panicum maximum.
Figura 1 - Comprimento de folhas do perfilho primário do cultivar
Vencedor no crescimento de rebrota (Gomide, 1997)
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte182
Figura 2 - Número de perfilhos por planta dos cultivares Mombaça
() e Tanzânia (---), no crescimento de estabelecimento
(Gomide, 1997)
A área foliar de uma planta é proporcional ao número de seus
perfilhos e a área foliar destes perfilhos. O tamanho final e a taxa de
aparecimento de folhas são os dois fatores determinantes da área foliar
do perfilho, sendo o tamanho da folha determinado por sua taxa de
alongamento e duração do período de alongamento (Figura 3). A área
foliar da planta cresce à medida que novas folhas surgem no perfilho,
enquanto não se instala e intensifica o processo de senescência e morte
das primeiras folhas, de mais baixo nível de inserção. De fato, ocorre
uma defasagem de algumas semanas entre o aparecimento e a
senescência das primeiras folhas. Entretanto, quando a taxa de
senescência iguala a taxa de aparecimento de folhas, o número de
folhas verdes por perfilho atinge um valor constante, próprio de cada
espécie/ou cultivar; conforme a tabela 1. A figura 4 mostra que,em
capim-Tanzânia, o número de folhas adultas verdes se estabiliza em
3,5 de um total de 5,5 folhas formadas durante 44 dias crescimento
após corte. Da figura 4 se deduz uma vida útil mínima de 23 dias para
as folhas daquela gramínea.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 183
Figura 3 - Valores médios para comprimento (o, cm), taxa de
alongamento (∆, mm/dia) e duração do alongamento (€,
dias) de folhas do perfilho primário de “Tanzânia” no
crescimento de rebrota (Gomide, 1997)
Tabela 1 - Intervalo de aparecimento de folhas e número de folhas
adultas verdes por perfilho
Intervalo
(dias)
Folhas
Adultas
Referência
Brachiaria decumbens 8 --- Gomide et al, 1997
Panicum maximum ‘Vencedor’ 5 6 Gomide, 1997
Panicum maximum ‘Mombaça’ 10 4 Gomide, 1997
Panicum maximum ‘Guiné’ 4 5 Pinto, 1993
Setaria anceps ‘Kazungula’ 2,4 7 Pinto, 1993
Cynodon dactylon ‘Tifton’ 3 9,5 Oliveira, 1999
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte184
Figura 4 - Número médio de folhas expandidas, totais () e vivas
(---), do perfilho primário do capim-tanzânia no
crescimento de rebrota (Gomide, 1997)
O aparecimento e a senescência e morte de folhas são os
processos de maior relevância a caracterizar o fluxo de biomassa em
um relvado e a determinar o IAF da pastagem, juntamente com sua
população de perfilhos. Por isto mesmo, constituem índices
importantes a serem considerados na condução do manejo objetivando
maior produção da forrageira e eficiência na utilização da forragem
produzida (GRANT et al, 1988; PARSONS e PENNING, 1988).
A relevância do conhecimento da morfogênese das gramíneas
forrageiras é objetivamente retratada na figura 5, onde também se
enfatiza o papel do manejo e dos fatores do meio: luz, temperatura,
nitrogênio, etc.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 185
Figura 5 - Relação entre variáveis morfogênicas e as características
estruturais do relvado (Chapman e Lemaire, 1993)
Na figura 5, destaca-se o papel central da taxa de aparecimento
de folhas por seu envolvimento direto com as três caraterísticas
estruturais do relvado: número de folhas por perfilho, tamanho das
folhas e população de perfilhos, que concorrem para a definição do
IAF da pastagem. Observa-se que o número de perfilhos é diretamente
dependente do número de folhas, fato que decorre de sua origem da
gema existente na axila da respectiva folha que o subtende. Entretanto,
o desenvolvimento da gema em perfilho depende do adequado nível de
reservas orgânicas da planta, verificado após razoável
desenvolvimento da área foliar da planta. Obviamente, o perfilhamento
é favorecido por fatores do meio como nutrientes e umidade do solo,
assim como pela intensidade de radiação solar que alcança o nível do
solo, fato condicionado pelo IAF, cuja magnitude por sua vez varia
conforme o manejo a que a pastagem é submetida.
Pastagens submetidas a lotação contínua (pastejo contínuo) e alta
pressão de pastejo caracterizam-se por apresentar baixo IAF,
numerosos e pequenos perfilhos, enquanto altos valores de IAF, e
presença de perfilhos grandes e pouco numerosos são características de
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte186
pastagens submetidas a pastejo leve (BIRCHAM e HODGSON, 1983;
GRANT et al, 1988).
O pastejo pesado concorre para diminuir as perdas de folhas por
senescência o que, juntamente com a maior população de perfilhos do
relvado, até certo ponto compensa a menor produção bruta de forragem
decorrente do menor IAF da pastagem. Assim, a produção líquida de
forragem (produção bruta – senescência) corresponde a uma faixa
relativamente larga de valores de IAF (BIRCHAM e HODGSON,
1983), conforme se observa na figura 6.
Figura 6 - Produção bruta (oo), senescência foliar (€.....€) e
produção líquida de forragem (∆---∆) e as características
estruturais do relvado (Bircham e Hodgson, 1983)
O pastejo pesado ainda contribui para prevenir intenso
alongamento do colmo, processo muito precoce e comum nas
gramíneas tropicais; melhorando pois a relação folha/colmo da
forragem presente na pastagem. Esta relação é um índice do valor
nutritivo da forragem e, ao lado da altura do relvado e da
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 187
disponibilidade de biomassa da pastagem (Kg MS/há), condiciona a
facilidade de apreensão da forragem pelo animal e portanto seu
comportamento durante o pastejo: tempo de pastejo, ritmo e tamanho
de bocado, e assim determinando o consumo e o desempenho animal:
ganho de peso vivo, produção de leite (ALDEN e WHITAKER, 1970;
STOBBS, 1973; HODGSON, 1981, 1985; PENNING et al, 1991,
1994).
Enquanto estreita relação folha/colmo decorre de baixa taxa de
lotação no sistema de lotação contínua, no pastejo rotativo esta relação
varia inversamente com o período de descanso do piquete, cuja
duração prolongada é também indesejável por potencializar perdas de
folhas por senescência que se tornam maiores sob condições de
desfolha apenas parcial do relvado durante o período de ocupação do
piquete, isto é, período de pastejo.
Sob o sistema de pastejo rotacionado, a intensa desfolha do
relvado contribui para uma mais eficiente utilização da forragem
disponível durante o período de pastejo e, indiretamente, para diminuir
as perdas por senescência e morte de folhas no período de descanso
subseqüente ao pastejo.
Nestas condições, enfatiza-se a importância fundamental da
observância de uma adequada duração do período de descanso
objetivando a maximização da produtividade da pastagem em termos
de produto animal por hectare.
A definição da duração do período de repouso pode se basear em
diferentes critérios científicos:
- restauração das reservas orgânicas;
- restauração da área foliar;
- intercepção de 95% de luz incidente,
- maximização da taxa média de crescimento forrageiro,
- número de folhas vivas por perfilho;
1 – Restauração das reservas orgânicas
A reconstituição da área foliar é um processo que demanda
energia e esqueleto carbônico, essenciais à formação das novas folhas.
O nível de reservas orgânicas da planta mostra uma intensa queda nos
primeiros dias de rebrotação e posterior recuperação até o nível
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte188
existente antes da desfolha. Em capim-colonião, a restauração do nível
de carboidratos não estruturais ocorreu após 21 dias de rebrota
(GOMIDE e ZAGO, 1980).
2 – Restauração da Área Foliar
O rendimento forrageiro após corte é proporcional à área foliar
existente, intensificando-se à medida que aumenta a intercepção da
radiação luminosa em decorrência do crescimento do IAF do dossel.
Imediatamente após a saída dos animais do piquete, o IAF do
relvado é baixo, apresentando predominância de folhas velhas (L3);
contudo, após os primeiros dias de rebrotação verifica-se nele maior
proporção de folhas emergentes (L1) e, subseqüentemente, de folhas
recém expandidas (L2). Substancial presença de folhas adultas e
aumento na proporção de folhas velhas e alto valor de IAF ocorrem
simultaneamente, mais tarde. Assim, durante a rebrotação, a proporção
de folhas evolui da relação % folhas emergentes > % recém
expandidas > % velhas, para a relação % recém expandidas > % folhas
velhas > % folhas emergentes (Figura 7).
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 189
Figura 7 - Evolução da proporção de folhas de diferentes idades em
um relvado de azevém durante o período de repouso do
pastejo rotacionado (Parsons et al, 1988)
Conseqüentemente, a taxa de fotossíntese bruta do dossel
(g CO2 / m2 solo.hora) cresce curvilinearmente durante o período de
descanso, refletindo o crescimento do IAF (KING et al, 1984;
PARSONS et al, 1988) e o avanço da idade de suas folhas. Nos
primeiros dias, ela é inferior àquela observada em relvado sob pastejo
contínuo pesado (IAF=1,0), igualando-a rapidamente e excedendo-a
após 15 dias (Figura 8), quando o relvado apresentava, em sua área
foliar, predominância de folhas recém expandidas (Figura 7). A
estabilização da fotossíntese bruta do dossel é atribuída à avançada
idade média da área foliar, assim como ao mútuo sombreamento das
folhas, alémda plena interceptação da radiação solar. A fotossíntese
bruta acumulada do dossel (quantidade de carbono assimilado por
hectare) durante a estação de pastejo: primavera, verão e outono,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte190
cresceu linearmente, atingindo valores proporcionais à duração do
período de descanso observado no sistema de pastejo rotacionado.
O rendimento forrageiro se aproxima do máximo quando o
relvado intercepta 95% da radiação incidente (Figura 9), momento em
que seu IAF se aproxima de seu valor máximo. Entretanto, este critério
não é de aplicação prática no dia a dia do manejo da pastagem.
Figura 8 - Evolução da fotossíntese bruta do dossel durante o período
de descanso do azevém perene sob pastejo rotacionado
() e sob pastejo contínuo (----) mantendo IAF=1,0
(Parsons et al, 1988)
Outro critério científico para a definição do período de
crescimento se fundamenta na variação das taxas de crescimento
durante a rebrotação da forrageira. A figura 10 ilustra a natureza
sigmoidal do crescimento acumulado (W) e as variações da taxa de
crescimento instantâneo (dw/dt) e da taxa média de crescimento ((W-
Wo)/t) em azevém perene (PARSONS e PENNING, 1988). No
crescimento sigmoidal se identificam três fases: fase inicial de baixa
taxa de crescimento instantâneo, seguida de uma fase de crescimento
linear com altas taxas de crescimento instantâneo e uma terceira fase
de incrementos decrescentes. Observa-se que a taxa de crescimento
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 191
instantâneo atinge valor máximo em plena fase linear do crescimento
acumulado, enquanto taxa média de crescimento é máxima mais tarde,
quando o crescimento acumulado ainda é crescente.
Figura 9 - Variações nas taxas de fotossíntese bruta, perdas
respiratórias, senescência e morte dos tecidos e acúmulo de
forragem durante a restauração do IAF do piquete (Parsons
et al, 1983b)
A fase de crescimento decrescente decorre de diversas causas:
instalação e intensificação das perdas de tecidos por senescência e
morte, aumento na idade média da área foliar do dossel, sombreamento
mútuo dos perfilhos.
Nestas condições, a fim de maximizar a produção de forragem,
pareceria lógico definir a duração do período de descanso em função
do momento em que a taxa média de crescimento é máxima.
Novamente, entretanto, este critério é subjetivo, impróprio para
aplicação prática.
Um período de descanso demasiadamente longo compromete a
produção líquida de forragem (Figura 9) devido à intensificação tanto
das perdas por senescência como das perdas respiratórias de carbono.
A figura 9, extraída do trabalho de PARSONS et al (1983b), ilustra a
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte192
evolução das taxas de fotossíntese bruta, perdas respiratórias,
fotossíntese líquida, produção bruta de forragem, senescência e
acúmulo líquido de forragem.
FS bruta – Respiração = FS líquida = produção bruta de forragem
Produção bruta de forragem – senescência = acúmulo líquido de forragem
O número de folhas verdes por perfilho, constante a partir do
momento em que a taxa de senescência foliar iguala a taxa de
aparecimento, constitui critério objetivo e prático para definição da
duração do período de descanso, ou seja, o momento da introdução dos
animais no piquete (FULKERSON e SLACK, 1995; GRANT et al,
1988).
Figura 10 - Crescimento acumulado (W), variações na taxa de
crescimento instantâneo (dW/dt) e taxa média de
crescimento (W-Wo)/t durante o período de descanso do
piquete (Parsons e Penning, 1988)
Assim, por exemplo, em pastagem de capim-mombaça, cujo
intervalo de aparecimento de folhas é de 10 dias (Tabela 1), a volta dos
animais ao piquete se daria quando o número médio de folhas por
perfilho for de 3,5, o que corresponderia a 35 dias aproximadamente,
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 193
conforme as condições prevalecentes no período de repouso. O
prolongamento do período de crescimento, após aquela condição
morfológica, aumenta o potencial das perdas de folhas por senescência,
além de propiciar queda na relação folha/colmo e no valor nutritivo da
forragem disponível.
A produção de forragem e a eficiência de sua utilização em
pastagens submetidas a lotação contínua varia em função da pressão de
pastejo adotada, caracterizada pelo seu IAF, altura do relvado e, ou
biomassa (BIRCHAM e HODGSON, 1983; PARSONS et al 1983b).
O potencial fotossintético, fotossíntese bruta do dossel, é mais alto em
pastagens sob pastejo leve, apresentando alto IAF, relativamente
àquele observado quando o pastejo pesado condiciona o relvado a um
IAF mais baixo. Entretanto, em virtude das maiores perdas
respiratórias, mais intenso fluxo de biomassa (maior senescência
foliar) e maior quantidade de assimilados alocados ao sistema
radicular, a produção líquida de forragem e o consumo de forragem
por hectare são mais altos sob pastejo pesado (Figura 11).
Figura 11 - Fluxo de tecidos em pastagem sob pastejo contínuo, leve e
pesado (Parsons et al, 1983b)
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte194
3. ESTRATÉGIAS
À avaliação da produção animal em pastagens interessam a
produção por animal e, ou a produção por área, ambas estreitamente
dependentes da pressão de pastejo a que a pastagem é submetida
(Figura 12). Pressão de pastejo abaixo da ótima maximiza a produção
por animal, mas subestima a produção por área que, inicialmente,
cresce linearmente com a pressão de pastejo. A máxima produção por
área ocorre sob pressão de pastejo em que a produção por animal é
ligeiramente comprometida. A pressão de pastejo ótima corresponde a
uma faixa que engloba a máxima produção por animal e por área
(MOTT, 1960). Pressão de pastejo acima da ótima compromete
simultaneamente a produção por animal e por área.
Figura 12 - Relação entre a pressão de pastejo e a produção animal,
por cabeça e por área, em pastagem (Mott, 1960)
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 195
Percebe-se, então, que a eficiente utilização da forragem
produzida depende da adoção da taxa de lotação compatível com a
capacidade de suporte da pastagem, isto é, a adoção da pressão ótima
de pastejo.
A definição da pressão ótima de pastejo tem sido subjetiva e
mais uma arte e portanto, variável de pessoa para pessoa. Entretanto, a
partir dos conhecimentos da morfogênese (BIRCHAM e HODGSON,
1983; CHAPMAN e LEMAIRE, 1993) e fisiologia do relvado
(PARSONS et al, 1983b; PARSONS et al, 1988; PARSONS e
PENNING, 1988), alguns critérios objetivos para orientação do
manejo das pastagens podem ser reconhecidos; tais são: IAF, altura do
relvado, massa de forragem disponível, oferta de forragem.
Assim, enquanto a figura 9 ilustra a variação da produção líquida
de forragem em função do IAF do relvado, o mesmo é representado
pela figura 6, que ainda relaciona a relevância das características do
relvado: altura e biomassa. Entretanto, é preciso enfatizar que a
maioria das informações disponíveis referem-se a pastagem de azevém
perene sob pastejo de ovinos. Conquanto tais informações precisem ser
levantadas para as gramíneas tropicais sob pastejo de bovinos, o
conhecimento dos fundamentos teóricos podem ajudar na formulação
do manejo mais apropriado em cada situação.
A importância da observância de tais características estruturais
do relvado na condução do pastejo decorre também de sua influência
sobre o comportamento ingestivo dos animais (STOBBS, 1973;
HODGSON, 1985; PENNING e PARSONS, 1994), condicionando o
consumo de forragem e, portanto, a produção animal.
Alguns resultados experimentais com forrageiras tropicais já
disponíveis, apontam limites desejáveis de oferta de forragem entre 6 a
9% para vacas leiteiras em pastagem de capim-elefante anão
(GOMIDE, 1998) ou entre 10-12% para novilhos em pastagem de
campo nativo e pastagens melhoradas de capim-pangola + azevém +
trevo branco (MARASCHIN e JACQUES, 1993), a fim de maximizar
o consumo e a produção animal. Tais relatos são consistentes com a
conclusão de HODGSON (1981), de que o consumo de forragem é
maximizado quando a oferta de forragemé 4 vezes a capacidade de
ingestão do ruminante. Assim, um consumo voluntário de matéria seca
de 2,5 % do Peso Vivo ocorre sob condições de pastejo em que a oferta
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte196
de forragem é de 10% do PV. Entretanto, MORAES e MARASCHIN
(1988) relatam linearidade de resposta entre oferta e consumo, e oferta
e ganho médio de peso até o limite de 10% de oferta em pastagem de
milheto.
Outro critério objetivo para orientar a condução do manejo das
pastagens próximo ao ótimo da pressão de pastejo é a quantidade de
forragem presente que deve estar entre 1500 a 2000 Kg MS/há
(MARASCHIN e JACQUES, 1993; GOMIDE, 1994) para pastagens
tropicais sob pastejo contínuo. Para as condições de pastejo
rotacionado de pastagem de capim-elefante ou capim-colonião,
consorciado com soja perene ou centrosema, a observância de um
resíduo de forragem após pastejo de 2500 Kg MS/há ou mais alto
resultou no desaparecimento das leguminosas, que só mantiveram
adequada proporção na pastagem quando o resíduo de forragem pós
pastejo foi de 1500 Kg/há de MS (MOTT, 1984). A conclusão é que,
em pastagens consorciadas, uma mais alta pressão de pastejo favorece
a leguminosa em sua competição com a gramínea tropical, garantindo
sua persistência no consórcio.
Situações culturais, econômicas e, ou comerciais podem
determinar a priorização da produção animal em termos de produção
por animal ou por área. De qualquer modo, em se priorizando a
produção por animal as recomendações seriam:
a) uso de forrageiras de mais alto valor nutritivo tais como;
Coastcross, Tifton, capim-elefante anão, preferencialmente
consorciadas com leguminosas;
b) Adoção de pastejo contínuo sob pressão de pastejo leve, isto é,
ligeiramente abaixo da pressão ótima;
c) Suplementação da pastagem com bancos de leguminosas e, ou
concentrados e forragem conservada;
d) Uso de forrageiras de inverno; aveia, azevém.
Sendo de interesse priorizar a produção por área, a estratégia
consistiria em:
a) uso de forrageiras de mais alto rendimento, como as cultivares de
Panicum maximum e Pennisetum purpureum;
b) prática de adubação de pastagens;
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 197
c) adoção de pastejo contínuo ou rotacionado, mas observando
pressão de pastejo, ótima consistente com a capacidade de
suporte da pastagem para a estação das águas;
d) uso de reservas forrageiras; feno e, ou silagem de milho ou
sorgo, para a alimentação na seca.
4. RESUMO
A lucratividade da atividade pecuária depende da correta
exploração dos recursos disponíveis, sobretudo da produção forrageira
em áreas de pastagem. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento
dos fatores que controlam e determinam o crescimento das plantas.
A área foliar é um importante atributo de uma pastagem dada a
sua correlação com a produção. A dinâmica de aparecimento de folhas
e perfilhos garante perenidade e produtividade às pastagens, por de
determinar o IAF da mesma. A taxa de aparecimento foliar exerce
papel fundamental nas características estruturais que ditam o IAF do
relvado. O manejo adotado, pressão de pastejo, influencia desde a
estrutura do dossel até a eficiência de utilização da forragem
produzida.
O processo de senescência e morte de folhas e perfilhos
determina a estabilização do acúmulo líquido de forragem. Assim, o
número de folhas verdes por perfilho é um critério objetivo na
determinação do manejo da pastagem.
Com base nos conhecimentos morfofisiológicos das espécies
forrageiras torna-se mais factível o estabelecimento do manejo que
representa a pressão ótima de pastejo, que em pastagens tropicais está
relacionada a uma massa de forragem entre 1500 a 2000 Kg MS/há sob
pastejo contínuo. Práticas de manejo, como cultivo de gramíneas mais
produtivas e adubação, que elevam a capacidade de suporte da
pastagem, e adoção da pressão ótima de pastejo, concorrem para
aumentar a produção por hectare. Priorizando a produção por animal, o
enfoque deve visar o uso de forrageiras de mais alto valor nutritivo e
lotação ligeiramente abaixo da capacidade de suporte da pastagem.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte198
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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DEGRADAÇÃO DE PASTAGENS E PRODUÇÃO DE
BOVINOS DE CORTE COM A INTEGRAÇÃO
AGRICULTURA X PECUÁRIA
Armindo Neivo Kichel 1
Cesar Heraclides Behling Miranda 2
Ademir Hugo Zimmer 3
1 Eng.-Agr., M.Sc., CREA No 37391/D, Embrapa Gado de Corte, Caixa Postal 154, CEP
79002-970 Campo Grande, MS.
2 Eng.-Agr., Ph.D., CREA No 782/D, Embrapa Gado de Corte. Bolsista do CNPq.
3 Eng.-Agr., M.Sc., CREA No 9658/D, Visto 633/MS, Embrapa Gado de Corte.
1. INTRODUÇÃO
A degradação das pastagens é um dos maiores problemas da
pecuária brasileira, por ser esta desenvolvida basicamente em pasto,
afetando diretamente a sustentabilidade do sistema produtivo.
Considerando-se apenas a fase de engorda de bovinos, a produtividade de
carne de uma pastagem degradada está em torno de 2 arrobas/ha/ano,
enquanto que numa pastagem em bom estado podem-se atingir, em média,
16 arrobas/ha/ano.
De forma geral, estima-se que cerca de 80% dos 45 a 50 milhões de
hectares da área de pastagens nos Cerrados do Brasil Central, que
respondem por 60% da produção de carne nacional, apresentam, hoje,
algum estádio de degradação (Barcellos, 1996). Paralelo a isto, existe um
número reduzido de pecuaristas recuperando as pastagens de suas
propriedades, ou mesmo preocupados com o problema.
Por definição, designa-se como degradação de pastagem ao
processo evolutivo de perda de vigor, produtividade e da capacidade de
recuperação natural de uma dada pastagem, tornando-a incapaz de
sustentar os níveis de produção e qualidade exigidos pelos animais, bem
como o de superar os efeitos nocivos de pragas, doenças e invasoras. Num
estádio avançado poderá haver considerável degradação dos recursos
naturais (Macedo, 1995).
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte202
2. PRINCIPAIS FATORES DA DEGRADAÇÃO DE PASTAGENS
O uso de uma forrageira adequada às condições de clima e solo,
bem formada, homogênea, livre de invasoras, com manejo adequado,
respeitando-se a capacidade de suporte da forrageira em uso e as
exigências nutricionais das mesmas, mantendo-se níveis de nutrientes
compatíveis com o extraído da pastagem, tem como resultado um aumento
da longevidade das pastagens, com produtividade econômica. Alguma falha
em algum desses tópicos, pode acelerar o processo de degradação. Nesta
revisão, discutir-se-ão aspectos práticos para se manter tais parâmetros,
baseados nos seguintes tópicos:
1.1 - Escolha da espécie forrageira;
1.2 - Formação de pastagem;
1.3 - Manejo; e
1.4 - Reposição de nutrientes.
2.1 Escolha da espécie forrageira
Em princípio, pode-se dizer que não existem forrageiras ruins e sim
que, para cada tipo de clima, solo, nível de tecnologia a ser utilizada e
produtividade potencial desejada, existe uma espécie ou cultivar mais
indicada.
A escolha da melhor espécie forrageira a ser utilizada em uma área
deve ser precedida de um diagnóstico. Para tal, deve-se ter:
- Histórico da área - anotando-se o início da utilização da área;
espécie em uso; o nível de tecnologia utilizado; a produtividade obtida em
anos anteriores; predominância de invasoras e/ou espécies forrageiras, seu
potencial de sementes do solo, sua persistência e agressividade; o potencial
de pragas e doenças existentes na área.
- Condições de clima - precipitação e distribuição anual,
temperaturas máxima e mínima, possibilidade de geadas, fotoperíodo etc.
- Condições de solo - topografia e susceptibilidade à erosão;
deficiência ou excesso de água; impedimentos físico-químicos; nível de
fertilidade, profundidade e textura do solo.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 203
Para a região dos Cerrados do Brasil Central, de forma geral, pode-
se escolher dentre as espécies apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1 - Exemplos de algumas espécies de gramíneas forrageiras
recomendadas para a região dos Cerrados considerando-se
algumas condições edafoclimáticas
Condições gerais Espécies indicadas
Solos úmidos (mal drenados) e/ou
temporariamente úmidos, com baixa fertilidade ou
solos de baixa fertilidade com alto grau de
erodibilidade
Brachiaria humidicola
Brachiaria dictyoneura
Solos de baixa fertilidade e/ou rasos (com
cascalho)
Andropogon gayanus
Solos de baixa a média fertilidade, bem drenados,
em regiões de baixa incidência de cigarrinhas
Brachiaria decumbens
Andropogon gayanus
Solos de média e alta fertilidade, bem drenados, em
regiões com ou sem cigarrinhas
Brachiaria brizantha
Solos de média a alta fertilidade, profundos, bem
drenados
Panicum maximum,
Pennisetum purpureum,
Cynodon spp.
Solos úmidos (mal drenados), profundos, de média
a alta fertilidade
Setaria spp., Paspalum
spp., Brachiaria mutica
Uma vez escolhida a espécie forrageira, em função do diagnóstico, o
passo seguinte é realizar-se uma boa formação da pastagem.
2.2 Formação de pastagens
2.2.1 Qualidade das sementes e densidade de semeadura
Escolhida a espécie forrageira, devem-se ter cuidados para se formar
uma área uniforme. Para tal, é imprescindível conhecer a qualidade das
sementes disponíveis no mercado e a quantidade a ser usada. É freqüente
encontrar sementes de má qualidade, principalmente quanto à pureza e
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte204
germinação, com excesso de resíduos vegetais, solo ou misturas de outras
forrageiras. O uso de sementes sem análise laboratorial pode levar ao sério
risco de se semear uma quantidade abaixo do ideal, pois as recomendações
de densidade de semeadura não levam em conta a pureza e germinação
(valor cultural). A determinação do valor cultural possibilita o cálculo da
taxa de semeadura de cada lote de sementes, assegurando-se uma
população ideal para cada espécie ou cultivar (Souza, 1993). Uma
pastagem com má formação inicial, cheia de falhas e invadida pelo mato,
com certeza, terá acelerado seu processo de degradação, ou já se inicia
degradada.
O tamanho das sementes é outro fator importante. Essa é uma
característica que varia entre espécies e até mesmo entre cultivares de uma
mesma espécie (Tabela 2).
Tabela 2 - Número aproximado de sementes por grama de várias
espécies de forrageiras tropicais e sugestões de taxas para
semeadura a serem feitas no período de outubro a dezembro
em áreas que receberam adequado preparo de solo
Condições gerais
Número aproximado de
sementes/grama
Taxa de semeadura
(kg/ha SPV1)
Andropogon gayanus 360 2,50
Brachiaria brizantha 150 2,80
Brachiaria decumbens 200 1,80
Brachiaria humidicola 270 2,50
Brachiaria ruziziensis230 2,00
Paspalum guenoarum (Ramirez) 300 1,50
Paspalum notatum cv. Pensacola 610 1,50
Panicum maximum cv. Tanzânia 960 1,60
Panicum maximum cv. Colonião 780 1,60
Panicum maximum cv. Tobiatã 610 2,50
Setaria anceps cv. Kazungula 1.490 1,50
Cynodon sp. 1 planta/m2
Fonte: Souza (1993).
1SPV = Sementes puras viáveis.
Estima-se que 15-20 plântulas/m2 seja um número suficiente para se
assegurar a formação de uma pastagem homogênea, em se tratando de
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 205
espécies cujas sementes são de tamanho relativamente grande (B.
brizantha, B. decumbens, B. ruziziensis e 'Ramirez'). No caso de espécies
com sementes menores (capins andropógon, humidícola, tanzânia, colonião,
tobiatã, Greenpanic e setária kazungula), com plântulas mais frágeis ou que
são de estabelecimento mais lento, um número maior delas (40 a 50
plântulas/m2) é necessário para se garantir a formação.
Formação de pastagens satisfatórias pode ser obtida desde que a
semeadura seja feita entre os meses de outubro a janeiro, em solo que
recebeu preparo adequado. Em áreas menos preparadas, a taxa de
semeadura deve ser, no mínimo, dobrada. Da mesma forma, semeaduras
superficiais ou tardias devem ser feitas com taxas mais elevadas.
2.2.2 Correção do solo
Considerando-se a baixa fertilidade natural dos solos dos Cerrados,
é importante que se façam calagem e adubação, com base em análises do
solo de cada área e as exigências nutricionais da forrageira a ser
implantada. A calagem e a adubação mantêm ou melhoram a fertilidade do
solo, promovendo o vigor da pastagem e aumentando o seu adensamento,
proporcionando uma melhor cobertura do solo contra a erosão. A presença
dos animais confere ao sistema aspectos próprios de extração e reciclagem
dos nutrientes; num sistema de pastagem perene e pastejo contínuo, por
exemplo, a reciclagem de nutrientes pode ser da ordem de 70% a 90%
(Macedo, 1995). Este aspecto influi na manutenção das pastagens, e
equivale a dizer que a dose de fertilizante necessária é maior na implantação
do que na sua manutenção.
2.2.3 Preparo e conservação do solo
O preparo do solo deve ser feito de modo a proporcionar um bom
estabelecimento das forrageiras, com equipamento apropriado e na época
recomendada (novembro a dezembro) para reduzir os custos, pois os
serviços de desmatamento e preparo do solo são os mais onerosos na
formação de pastagens. Zimmer & Miranda (1994) destacam a importância
de se efetuarem pelo menos duas gradagens com grade pesada ou uma
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte206
aração seguida de gradagem com a grade niveladora, visando a reduzir a
rebrota das plantas perenes de cerrado. Para se reduzirem os custos de
formação, o plantio de pastagens pode ser precedido de um ou dois
cultivos anuais, ou ainda ser feito um plantio conjunto da pastagem com o
arroz, milho ou até espécies florestais, quando for o caso. Esse plantio
conjunto promove um melhor preparo do solo, evita o rebrote de cerrado e
ainda proporciona algum resíduo de fertilizantes para a pastagem e reduz o
custo de formação.
Costa (1990) apresenta as seguintes medidas recomendáveis para a
manutenção da cobertura do solo e controle de erosão:
ü proteção dos topos de morros, cerca de um terço do declive cobertos
com vegetação de mata para evitar formação de enxurradas;
ü revegetação de encostas já descobertas com espécies de valor
madeireiro ou forrageiro recomendado para cada região;
ü melhor utilização de áreas de tabuleiros e baixadas, que em geral são
mais férteis;
ü divisão das pastagens em piquetes, controlando melhor o pastejo de
animais e utilizando sistema de manejo que permita a manutenção da
cobertura do solo (contínuo, alternativo, rotativo ou diferido);
ü lotação animal adequada evitando-se o superpastejo, colocando-se
cargas animais compatíveis com a forragem disponível no piquete com
base no conhecimento da capacidade de suporte da pastagem;
ü adubação e calagem; localização de cercas, bebedouros e cochos para
evitar a concentração e a movimentação de bovinos em um só sentido,
principalmente ladeira abaixo.
Em toda a área que apresentar susceptibilidade à erosão ou
escorrimento superficial de água devem ser construídos terraços e/ou
curvas de nível e se evitar a queima.
2.2.4 Época de plantio
A época de plantio tradicional utilizada no estabelecimento de
pastagens na região dos Cerrados é bastante ampla, começando com as
primeiras chuvas, em setembro, até março. A época ideal, no entanto, é
entre novembro e janeiro. Deve-se considerar, neste aspecto, uma boa
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 207
germinação das sementes e cobertura do solo, para que se evitem perdas
de solo por erosão, o surgimento de invasoras e a necessidade de utilização
mais imediata da pastagem. Em geral, esta deve ocorrer de 60 a 100 dias
após o plantio. Brachiaria decumbens apresenta 40% da área coberta em
cerca de 60 dias após o plantio. Já B. humidicola apresenta apenas 20%
no mesmo período (Zimmer & Miranda, 1994).
2.2.5 Métodos de plantio
A escolha do método de plantio é importante para a boa formação
de pastagem e, em conseqüência, diminuírem-se as chances de degradação
desta em pouco tempo. O plantio pode ser realizado a lanço (aéreo ou
terrestre) sobre a superfície do solo ou em linha, com o uso de uma
semeadeira ou adubadeira, com espaçamento de 13 cm a 50 cm entre
linhas, dependendo do equipamento disponível e/ou espécie. Em ambos os
casos, pode-se fazer o plantio, consorciado ou não, com culturas anuais,
com profundidade de plantio de 0,5 cm a 6 cm (Zimmer et al., 1986),
dependendo do tipo de solo e espécie de forrageira (Tabela 3).
Tabela 3 - Distribuição das sementes de Brachiaria decumbens no perfil
do solo em diferentes profundidades de enterrio em função de
métodos de plantio, dias após a semeadura
Percentagem de sementes nas diferentes profundidades (cm)
Métodos de plantio
0,5 a 1,5 1,6 a 2,5 2,6 a 3,5 3,6 a 4,5 4,6 a 5,5 5,6 a 6,5
Lanço na superfície 80 14 3 3 - -
Lanço na superfície + rolo 78 22 - - - -
Lanço + grade 20 24 23 18 5 12
Lanço + grade + rolo 11 15 37 37 12 6
Plantadeira a 3 cm 18 26 23 17 12 2
Plantadeira a 3 cm + rolo 19 22 34 17 8 -
Plantadeira a 6 cm 5 17 26 16 19 16
Plantadeira a 6 cm + rolo 8 7 17 23 22 23
Adaptado de Zimmer et al. (1986).
Como pode ser visto, 78% das sementes no plantio superficial + rolo
ficaram entre 0,5 cm e 1,5 cm de profundidade, com 100% até 2,5 cm.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte208
Essa seria uma profundidade ideal para andropógon e panicum,
principalmente em solos argilosos bem preparados e com boa umidade.
Quando se utilizar a grade, esta deve trabalhar parcial ou quase
totalmente fechada, uma vez que, além de incorporar a semente ao solo,
auxilia no acabamento do preparo do solo, a incorporar o adubo e a
eliminar plântulas de espécies indesejáveis. O uso do rolo compactador
proporciona melhor contato da semente com o solo, favorecendo maior
germinação de plantas por área.
Pode-se, por outro lado, fazer o plantio direto de forrageiras. Na Fazenda
Mimoso, em Rio Brilhante, MS, tem sido praticado com sucesso tal tipo de plantio para
B. brizantha e tanzânia (A.N. Kichel, comunicação pessoal). As condições para tal são
as mesmas empregadas para o plantio direto de culturas anuais, apenas utilizando-se de
10% a 20% a mais de semente em relação ao plantio convencional. Esse sistema vem
apresentando ótimos resultados tanto em termos práticos como econômicos.
2.2.6 Controle de invasoras
Constatando-se alta infestação de invasoras na área, as quais
poderão competir com a forrageira por nutrientes, espaço físico, luz e
umidade, sugere-se aumentar de 10% a 20% a quantidade de
sementes/hectare para aumentar a competição inicial da forrageira,
garantindo uma boa formação da pastagem, como foi citado. A posterior
limpeza anual dos pastos onera sobremaneira o custeio da atividade, sendo
necessários estudos que enfoquem este problema, pela associação de
métodos eficientes e econômicos. Vários métodos de controle sãohoje
empregados, incluindo-se práticas manuais, mecânicas e químicas, ou
combinações entre elas. Um exemplo do controle de invasoras é
apresentado na Tabela 4.
Como pode ser visto, houve efeito marcante do herbicida na redução
das invasoras, aumentando, assim, a disponibilidade de forragem, com um
custo aproximado de uma arroba de peso vivo/ha, indicando a viabilidade
econômica dessa prática. Por outro lado, em áreas de infestação média de
invasoras, com correto preparo de solo, sementes de qualidade e em
quantidade adequada, plantio em época apropriada, não se verificou
diferença quanto à aplicação do herbicida.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 209
Tabela 4 - Disponibilidade total de pasto (kg de matéria seca total/ha), em
termos de forragem e invasoras na renovação de pastagens de
Panicum maximum cvs. Tanzânia e Colonião, e Brachiaria
brizantha cv. Marandu, com e sem herbicida (2 litros de
Tordon-2,4 D), com seus respectivos custos, em duas épocas
de amostragem em Naviraí, MS, 1997
28/02/1996 17/07/1996 Custos totais1
Tratamentos
Forragem Invasoras Forragem Invasoras (US$)
Colonião 2.898,1 560,9 1.512,0 377,9 377,30
Colonião + herbicida 3.541,0 104,4 1.760,0 0,0 402,72
Tanzânia 3.013,9 1.020,5 1.437,4 854,1 372,40
Tanzânia + herbicida 3.784,9 34,1 2.291,1 0,0 397,62
Brizantha 5.630,3 1.014,7 1.958,8 529,4 351,80
Brizantha + herbicida 4.411,8 81,3 2.150,9 31,9 377,22
1Custos totais incluindo custos fixos e variáveis de uso de máquinas, equipamentos e
insumos.
Fonte: S.G. Nunes & A.N Kichel (dados não publicados).
2.2.7 Controle de pragas
As pragas mais importantes na formação de pastagens são as lagartas
(Mocis latipes, Spodoptera frugiperda, Pseudaletia sequax,
Elasmopalpus lignosellus), formigas (Atta bisphaerica, A. capiguara) e
cupins subterrâneos (Cornitermes cumulans, Syntermes spp.). Toda vez
que o nível de infestação for significativo, deve ser controlado com
inseticidas e formicidas com doses e quantidade de produtos
recomendados. O não controle dessas pragas pode comprometer a
formação e a persistência das pastagens, causando a degradação das
mesmas.
As formigas e cupins causam menos problemas para as espécies do
gênero Brachiaria, entretanto, as lagartas atacam todas as espécies
indistintamente.
Com relação a pastagens estabelecidas, a maior praga na região dos
Cerrados é a cigarrinha (Deois incompleta, D. schach, D. flavopicta,
Zulia entreriana, Aeneolamia selecta selecta) pois podem causar
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte210
redução de 10% a 90% da produção no período em estudo. Embora
possam ser feitos controles químico e biológico para esta praga, a melhor
alternativa é a de se usar espécies de forrageiras com algum nível de
resistência (Valério & Koller, 1993), como descritas na Tabela 5.
Tabela 5 - Grau de susceptibilidade de algumas forrageiras às cigarrinhas-
das-pastagens
Grau de susceptibilidade às
cigarrinhas-das-pastagens
Espécies
Susceptíveis B. decumbens, B. ruziziensis
Tolerantes P. maximum cvs. Tanzânia e Mombaça
Resistentes B. brizantha, B. humidicola , A. gayanus, S.
anceps, C. plectostachyus
Fonte: Valério & Koller (1993).
2.2.8 Manejo de formação
O manejo de formação de uma pastagem, também chamado de
pastejo de uniformização, tem como objetivo contribuir para a boa
formação da pastagem. A princípio, deve-se iniciar o pastejo de 60 a 100
dias após a germinação ou antes da emissão da inflorescência, desde que o
plantio seja realizado na época recomendada para cada região, com alta
lotação animal. Devem-se utilizar, de preferência, animais jovens, por curto
período de tempo, entre dez e trinta dias. Com o uso de animais jovens
evita-se uma compactação maior do solo, uma vez que este foi recém-
trabalhado, se faz pastejo mais leve (A.N. Kichel, comunicação pessoal). A
finalidade desse manejo é diminuir a competição entre plantas e eliminar a
maior parte das gemas apicais, reduzindo-se, assim, a produção de semente
e translocação de nutrientes para estas, estimulando a emissão de perfilhos
e a mais rápida e perfeita cobertura do solo (Vieira & Kichel, 1995). A não
realização desta prática conduz a crescimento excessivo, com formação de
touceiras nas forrageiras de hábito de crescimento cespitosos, as quais
tendem a se acamar com o vento e presença de animais. Isto pode
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 211
acarretar a necessidade de roçagens mecânicas ou, o que é pior, de uso de
fogo para a eliminação de macegas ou palhadas.
2.2.9 Uso do fogo
A queimada é ainda utilizada na limpeza de pastos, para eliminar a
vegetação velha, plantas invasoras e parasitas dos animais, além de
estimular o crescimento das plantas logo no início da época chuvosa. É,
sem dúvida, o método mais barato de se limpar uma pastagem, e vem
sendo usado desde os primórdios (Uhl & Buschbacher, 1988). Além disso,
as pastagens naturais dos Cerrados têm sido sujeitas a fogo em sua
evolução, e apresentam adaptação natural à queima.
Já em áreas de floresta, Serrão & Falesi (1977), em experimento na
Amazônia, estudaram as alterações químicas e físicas de um Latossolo
Vermelho-Escuro textura média, causadas pelo uso pastoril com queimadas
anuais, concluindo que, apesar do solo ter apresentado algum incremento
em sua composição química, perdeu metade do seu teor de argila na
camada superficial, com destruição dos agregados. A argila foi levada para
camadas subsuperficiais do solo, ou lixiviada para áreas de baixadas. A
redução dos teores de matéria orgânica do solo também foi significativa,
com diminuição de 56% do teor inicial após dez anos de uso da pastagem
com limpeza com queima anual. Como resultado, o solo sofreu pesada
erosão e compactação e a pastagem forte infestação de ervas invasoras,
com conseqüente perda de produtividade.
Nas pastagens cultivadas, tanto quanto possível, o fogo deve ser
evitado. O uso contínuo do fogo tem como conseqüência a exposição do
solo ao impacto das gotas de chuva, aumentando a compactação e a
erosão do solo; a interrupção gradual do ciclo de retorno da matéria
orgânica, com diminuição gradual da capacidade de troca de cátions; a
retenção de água; a perda de nutrientes do sistema, principalmente N, S e
K (Bono et al., 1996; Serrão & Falesi, 1977; Uhl & Buschbacher, 1988);
o surgimento de invasoras, acelerando o processo de degradação das
pastagens.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte212
2.3 Manejo da pastagem
Segundo Nascimento Júnior et al. (1994), o principal efeito provocado pelos
animais na pastagem é o da desfolhação, que reduz a área foliar, com conseqüências
sobre os carboidratos de reserva, perfilhamento, crescimento das raízes e de novas folhas.
Afeta, também, o ambiente da pastagem, como a penetração de luz, temperatura e
umidade do solo, as quais, por sua vez, afetam o crescimento da forrageira. Esses efeitos
serão tanto maiores quanto maior for o estresse imposto pelo ambiente ao crescimento da
planta. O pastejo mal conduzido, aliado ao estresse ambiental, pode levar a pastagem à
degradação.
As pastagens são consideradas em degradação quando a produção de forragem
diminui e implica a redução da lotação animal. Essa diminuição na produção de matéria
seca reduz de maneira drástica o sistema radicular, perfilhamento, expansão de folhas
novas e reservas de carboidratos nas raízes (Corsi & Nascimento Júnior,.1994). Em
Panicum maximum cv. Trichoglume, com a redução de somente 8% na produção de
matéria seca (MS), observa-se redução de 3,8 vezes maior no sistema radicular, quatro
vezes no nível de carboidratos de reserva e de 1,7 vez no nível de produção de folhas
novas (Humphreys & Robinson, 1966). Isto implica cuidado extremo que se deve ter em
se utilizar uma freqüência e intensidade de pastejo apropriada para evitar a degradação da
pastagem ao longo do tempo e obter adequada produção de forragem e ganho animal.
As plantas forrageiras respondem de modo distinto à intensidade e freqüência de
pastejo, tendo em vista as suas características morfológicas e fisiológicas. Jones &
Canabaly (1981)observaram que B. humidicola, cortada ao nível do solo, apresentava
rebrota mais intensa em três semanas do que cortes a 5 cm ou 10 cm de altura. Já B.
brizantha e B. decumbens apresentaram melhor rebrota com corte a 5 cm do que no
nível de solo ou 10 cm. No outro extremo, A. gayanus e P. maximum apresentaram
melhor rebrota com alturas de corte de 15 cm do que ao nível do solo, 5 cm ou 10 cm, e
curvas de rebrota mostraram que, para essas forrageiras, o corte a 15 cm ainda é muito
drástico.
Os dados da freqüência de utilização para as forrageiras mais comuns no Brasil,
braquiárias e panicuns, foram obtidos sob regimes de corte. Avaliando a freqüência de
cortes de nove braquiárias que incluem B. brizantha, B. decumbens, B. ruziziensis e B.
mutica, Sotomayor-Rios et al. (1976) obtiveram aumentos de produção com idades
maiores de crescimento quando os cortes foram realizados aos 30, 45 e 60 dias.
Entretanto, o melhor equilíbrio entre produção e qualidade de forragem seria para os
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 213
cortes de mais de 30 dias e menos de 45 dias de crescimento. Tendência idêntica foi
observada em outra avaliação que envolveu B. brizantha, B. ruziziensis, B. humidicola e
B. mutica (Sotomayor-Rios et al., 1980). Em P. maximum cvs. Colonião e Tobiatã,
Costa (1990) obteve incremento de 42% na produção de MS, com o crescimento
passando de 28 para 35 dias; com crescimento de 42 dias, o aumento de produção foi de
somente 11% e com uma queda mais acentuada no teor de proteína bruta (PB) em
relação a 28 dias de crescimento. No capim-aruana, Cecato (1993) obteve tendência
semelhante em cortes com intervalos de 35 dias, os quais resultaram em melhores
produções de matéria seca e com boa produtividade de forragem do que em intervalos de
28, 42 ou 49 dias. O intervalo de corte de 35 dias também apresentava vigor de rebrota
mais intenso após o corte do que intervalos de 42 e 49 dias. Esses dados demonstram
que pastejos muito freqüentes são muitas vezes prejudiciais à rebrota e produção de
forragem. Este manejo por períodos prolongados pode implicar a degradação da
pastagem.
Pastejos muito intensivos às vezes são compensados por maiores períodos de
descanso ou adubação adequada, possibilitando a recuperação da pastagem. A
freqüência de pastejo pode ser reduzida se os níveis de adubação forem aumentados,
especialmente o nitrogênio (N), já que este elemento acelera a maturação da planta. De
modo geral, consideram-se períodos de descanso de 35 dias satisfatórios para a
recuperação das forrageiras nos períodos favoráveis ao crescimento, no ano. Nos
períodos desfavoráveis, este tempo necessita ser pelo menos dobrado, para evitar a
degradação de pastagens.
A freqüência de pastejo e a lotação também podem ser um fator de degradação
da pastagem se esta não for apropriada. Nas consorciações de B. dictyoneura x D.
ovalifolium e A. gayanus x Zornia latifolia, na Amazônia Peruana, sob um manejo de
quatro dias de utilização e 21 ou 42 dias de descanso, a degradação foi mais rápida no
ciclo mais curto de pastejo. Por outro lado, após três anos de uso, todos os tratamentos
estavam degradados. Esse processo foi mais rápido na consorciação A. gayanus x Z.
latifolia e nas lotações mais altas de três e quatro animais/ha do que com dois animais/ha.
Reátegui et al. (1990) atribuem essa degradação ao alto teor de argila do solo e à elevada
precipitação, que implicaram a compactação do solo. Para essas condições seriam
necessárias lotações mais baixas e períodos de descanso mais prolongados.
Para o 'Colonião', Mella (1993) observou que altas pressões de pastejo, toda
forragem sendo oferecida aos animais, associadas a curtos períodos de descanso, 28 dias,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte214
levaram à degradação da pastagem em apenas três anos. A alta pressão de pastejo
somente seria sustentável com um longo período de descanso. Já as menores pressões
foram as mais favoráveis à persistência da pastagem.
Em consorciações, o sistema de manejo pode afetar de modo distinto as espécies
envolvidas, implicando, em certas circunstâncias, o desaparecimento de uma das espécies
envolvidas. Na consorciação de B. humidicola com D. ovalifolium CIAT 350, Santana
et al. (1987) observaram aumento na disponibilidade total de forragem do pastejo rotativo
em relação ao contínuo. As disponibilidades foram de 2.101, 2.684 e 3.395 kg/ha de
MS, respectivamente, para pastejo contínuo, rotacionado de sete dias de uso por 28 dias
de descanso e 7 x 48 dias. Já a percentagem de leguminosas nos tratamentos
correspondentes foi de 26%, 12% e 6%. A redução de presença de leguminosa foi mais
acentuada nos pastejos rotacionados, com o aumento na lotação animal de dois para três
e para quatro animais/ha. No pastejo contínuo, o efeito da lotação foi pouco marcante na
presença da leguminosa, já que esta é menos consumida do que a gramínea na estação
mais favorável de crescimento.
Tendência semelhante foi observada por Stobbs (1969), em Uganda. A
percentagem de leguminosas foi maior no pastejo contínuo na consorciação de P.
maximum cv. Likoni com Siratro do que nos rotacionados de 7 x 28 e 7 x 42 dias,
durante o período de quatro anos. O pastejo rotacionado resultou em mais alta
percentagem de gramíneas e mais baixa presença de invasoras. As produções de matéria
seca foram 43% e 34% maiores nos ciclos de pastejo de 14 x 28 e 7 x 42 dias,
respectivamente, que no contínuo, mas o ganho animal por área foi menor no pastejo de 7
x 42 dias. Esses dados demonstram que, para a persistência desta gramínea, o pastejo
rotativo é mais favorável, pois maior produção e menor presença de invasoras implicam
maior longevidade da pastagem. Por outro lado, um intervalo de pastejo muito prolongado
pode implicar, como no caso, menor produção de forragem. Na consorciação de
'Colonião' com um coquetel de leguminosas, Mella (1993) observou que o conteúdo de
leguminosas foi satisfatório, com a conjugação de períodos de descanso curto e com
pressão de pastejo leve, que é um sistema de manejo mais próximo do contínuo, num
período de três anos.
Para espécies temperadas como Trifolium repens, o pastejo contínuo é mais
adequado. Já a alfafa é mais produtiva sob pastejo rotacionado, da mesma forma que as
tropicais Pueraria phaseoloides e 'Leucena' (Simão Neto, 1994). Este autor conclui que
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 215
a desfolha freqüente de leguminosas, principalmente as trepadeiras, reduz sua proporção
nas pastagens.
COMPARAÇÕES ENTRE SISTEMAS DE PASTEJO CONTÍNUO
E ROTACIONADO. VANTAGENS OU PONTOS POSITIVOS (+)
E DESVANTAGENS OU PONTOS NEGATIVOS (-)
Contínuo Rotacionado
INVESTIMENTOS
Cercas e águas + -
Mão-de-obra + -
MANEJO DAS PASTAGENS
Ajuste da carga animal - +
Pressão de pastejo - +
Aproveitamento da forrageira - +
Consumo seletivo + -
Observações e comportamento dos animais - +
PRODUÇÃO DIRETA
Ganho/animal/dia + -
Ganho/ha - +
Economicidade - +
PRODUÇÃO INDIRETA
Sistema radicular - +
Controle de invasoras - +
Distribuição do esterco - +
Sustentabilidade das pastagens - +
2.4 Reposição de nutrientes perdidos no sistema
Uma das principais causas da degradação das pastagens é a redução
da fertilidade do solo em razão de nutrientes perdidos no processo
produtivo, por exportação no corpo dos animais, erosão, lixiviação,
volatilização, fixação e acúmulo nos malhadores (Martins et al., 1996),
como pode ser vista na Tabela 6. O somatório dessas perdas pode chegar
a mais de 40% do total de nutrientes absorvidos pela pastagem em um ano
de crescimento, o que provoca o empobrecimento contínuo do solo e a
redução no crescimento das pastagens a uma taxa de, aproximadamente,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte216
6% ao ano. Portanto, esta é uma das principais causas de degradação das
pastagens.
Tabela 6 - Percentagem de perdas de nutrientes extraídos por uma
pastagem que podem ocorrer anualmente
Nutrientes (%)Discriminação
N P K
Retido no corpo animal 9 10 1
Acúmulo no malhador 11 12 13
Erosão superficial 3 15 3
Volatilização15 0 0
Fixação em argila e matéria orgânica 0 19 0
Lixiviação 5 0 0
Total de perdas 43 56 17
Fonte: Martins et al. (1996).
Euclides et al. (1997) estudaram a recuperação de pastagens de P.
maximum cvs. Colonião, Tobiatã e Tanzânia, B. decumbens cv. Basilisk e
B. brizantha cv. Marandu. Os autores testaram os seguintes níveis de
adubação: (NF1) - 1,5 t/ha de calcário e 400 kg/ha da fórmula 0-16-18 e
50 kg/ha de FTE; e (NF2) - 3 t/ha, 800 kg/ha e 50 kg/ha dos mesmos
corretivos, aplicados no primeiro ano e sem adubação nos anos seguintes.
Os resultados obtidos mostraram que a produtividade, para todas as
gramíneas e em qualquer nível de fertilização, decresceu linearmente do
primeiro para o terceiro ano. Assim, a produtividade caiu de 670 kg/ha de
peso vivo/ha/ano para 435 kg/ha no tratamento NF2; e de 445 kg/ha de
peso vivo/ha/ano para 325 kg de peso vivo/ha/ano para o tratamento NF1.
Ou seja, um decréscimo na produtividade de 35% e 27%, respectivamente,
em três anos, utilizando-se pastejo contínuo, com pressão de pastejo
controlada. Essa redução de produtividade deve-se ao fato de que não foi
realizada adubação de manutenção, principalmente com N.
Uma vez equilibrados os outros nutrientes, a maior resposta em
produção de forragem é atribuída à adição de fertilizantes nitrogenados.
Entretanto, este elemento é um dos mais caros por unidade dentre os
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 217
macronutrientes utilizados nas pastagens. As perdas de nitrogênio por
lixiviação e volatilização podem representar a principal forma de saída do
elemento do sistema de uma pastagem exclusiva de gramínea e vir a se
constituir na principal causa de degradação das pastagens, caso não haja
reposição desse nutriente por fonte externa (Monteiro & Werner, 1989).
O nitrogênio pode ser obtido por via biológica, utilizando-se
leguminosas forrageiras, as quais, por sua simbiose com bactérias fixadoras
do N2 atmosférico, podem contribuir significativamente para a estabilidade
do sistema em relação a este elemento. A estimativa de contribuição das
leguminosas para pastagens consorciadas, em comparação com a aplicação
de fertilizantes nitrogenados e em termos de quantidade de proteína bruta
na área, tem oscilado entre 50 kg até mais de 225 kg de N/ha/ano. Seiffert
et al. (1985) estimaram uma contribuição da fixação biológica de nitrogênio
por Calopogonium mucunoides de 65 kg de N/ha/ano quando
consorciado com B. decumbens, sob pastejo contínuo.
Até 95% do nitrogênio ingerido pelo animal é retornado ao solo via
urina e fezes, grande parte do qual pode ser perdido do sistema por
volatilização e lixiviação (Whitehead, 1990). As excreções são, por outro
lado, distribuídas irregularmente em áreas de pastejo, em especial sob
pastejo contínuo, onde são concentradas nos malhadores, pontos de água
ou sombra. Em pastejo rotativo há certa uniformização dessa distribuição,
mas que, no entanto, ainda fica restrita a não mais do que um terço da área
pastejada (Afzal & Adams, 1992).
A desintegração das excreções é variável, podendo levar até nove
meses para acontecer (Costa et al., 1992). Há de se considerar ainda, que,
ao redor do bolo fecal cria-se uma área de rejeição ao pastejo pelos
animais, a qual acarreta uma diminuição da área total de pastagem
disponível. A melhor forma de desintegração é feita por besouros
coprófagos, os quais podem enterrar um bolo fecal em cerca de dois dias
(Miranda et al., 1990). Os besouros coprófagos nativos do América do Sul
evoluíram em condições de pouca disponibilidade de esterco, sem
habilidade para suportar o grande aporte feito por bovinos. A introdução
do Onthophagus gazella pelo Centro Nacional de Pesquisa de Gado de
Corte, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Campo Grande,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte218
MS (Bianchin et al., 1992), um besouro mais prolífico do que as espécies
nativas, tem sido um grande passo para a solução desse problema.
Resultados de experimentação mostram o grande potencial desse besouro
no enterrio de esterco bovino e o conseqüente reaproveitamento de
nutrientes, tais como N e P pelas plantas (Miranda et al., 1998).
Outros elementos como o P e o K são igualmente importantes para a
manutenção estável de uma pastagem (Macedo et al., 1993). Tais
elementos devem ser repostos, seguindo-se criteriosa análise de solo, cuja
reposição só pode ser feita pela adição de fertilizantes. Em relação ao P,
pode utilizar-se o potencial de micorrhizas no aproveitamento de fontes de
menor solubilidade, tais como os fosfatos de rocha, o que, no entanto, não
elimina a necessidade de adubação fosfatada.
De forma geral, os níveis de nutrientes a serem repostos devem levar
em conta, além da análise química do solo e da planta, a produtividade
desejada (em função do potencial da espécie em uso), baseando-se,
igualmente, na produtividade do ano anterior. Como prática geral,
recomenda-se a utilização de 15% a 20% da receita bruta/ha/ano em
adubação de manutenção.
3. RECUPERAÇÃO E RENOVAÇÃO DE PASTAGENS
Recuperar uma pastagem consiste no restabelecimento da produção
de forragem de acordo com o interesse econômico, mantendo-se a mesma
espécie ou cultivar. Renovar uma pastagem consiste no restabelecimento
da produção da forragem com a introdução de uma nova espécie ou
cultivar, em substituição àquela que está degradada.
As técnicas agronômicas desenvolvidas para a recuperação e
renovação das pastagens objetivam o restabelecimento da biomassa das
plantas em um período de tempo determinado, com custo econômico viável
para o produtor.
Para se tomar a decisão de quando se deve recuperar ou renovar
uma pastagem, ou qual espécie de forrageira a ser utilizada, deve-se realizar
um diagnóstico referente ao tipo de solo, clima, topografia, condições
químicas e físicas do solo da área em questão.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 219
A análise de solo é de fundamental importância, tanto para a
implantação de uma pastagem como para uma cultura anual, porque por
intermédio dela pode-se conhecer o grau de deficiência ou desequilíbrio de
nutrientes essenciais ao desenvolvimento de cada cultura. Conhecidas as
quantidades de nutrientes no solo e as exigências nutricionais da cultura,
para alcançar uma produtividade desejada, podem ser adicionados os
insumos (calcário, adubos) nas quantidades necessárias, para se obter uma
produtividade mais econômica, tanto para fins de correção como de
manutenção. Também em função da análise de solo, pode-se escolher a
espécie ou espécies mais produtivas a serem mantidas ou trocadas.
De forma geral, podem ser divididos em dois os sistemas de
recuperação e renovação, quais sejam, recuperação ou renovação com o
uso de agricultura; ou seja, integração agricultura - pecuária, e
recuperação ou renovação direta da pastagem.
3.1 Recuperação ou renovação de pastagem com o uso de
agricultura
A recuperação ou renovação com o uso de agricultura (produção de
grãos), pode ser dividida em dois sistemas:
Ø Em consórcio com culturas anuais, tais como o arroz, milho, sorgo etc.
- neste caso, é feito o plantio conjunto das sementes da cultura anual e
sementes da pastagem, ou aproveita-se o potencial de sementes da
forrageira existentes no solo. Após a colheita da cultura anual, tem-se o
pasto renovado ou recuperado. Sempre que se realizar o plantio de
culturas anuais em área de pastagem degradada, deve-se iniciar o
preparo do solo cerca de 120 dias antes do plantio da cultura. A
aplicação de calcário e início de preparo do solo devem ser feitos entre
junho e julho. A conservação de solo é feita em agosto-setembro, com
correção fosfatada em setembro-outubro, e o plantio entre outubro e
dezembro.
Ø Plantio de culturas anuais solteiras - faz-se o plantio da cultura anual,
seja ela soja, milho, arroz, sorgo etc., por um ou mais anos,
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte220
retornando-se à pastagem, podendo ser a mesma espécie ou outra
espécie forrageira mais adaptada e produtiva.
3.1.1 Requisitos básicos para recuperação ou renovação de pastagemcom
o uso de agricultura
Considerando-se que o uso de agricultura é uma atividade de maior
risco e requer uma certa especialização, o pecuarista deve balizar-se em
alguns parâmetros para fazer a recuperação ou renovação de pastagens
degradadas com o uso integrado de agricultura, tais como:
1) possuir solos favoráveis para a produção de grãos, em áreas de clima
propício;
2) boa infra-estrutura para a produção de grãos (máquinas, equipamentos
e instalações);
3) acesso facilitado para a entrada de insumos e a saída de produtos;
4) recursos financeiros para os investimentos na produção;
5) domínio da tecnologia requerida para a produção;
6) assistência técnica; e,
7) possibilidade de se fazer arrendamento da terra ou parceria com
produtores tradicionais de grãos.
Em geral, os custos da renovação ou recuperação podem, em anos
normais, ser amortizados, total ou parcialmente, já no primeiro ano de
cultivo. Uma menor quantidade de insumos e operações de preparo e
conservação do solo a partir do segundo ano possibilitam obter lucro.
3.1.2 Principais vantagens da recuperação ou renovação de pastagem com
o uso de agricultura
As principais vantagens de se fazer recuperação ou renovação com o
uso de agricultura, além do restabelecimento da biomassa forrageira e
aumento da capacidade de lotação da pastagem, podem ser enumeradas da
seguinte forma:
1) recuperação mais eficiente da fertilidade do solo - como as culturas
anuais são mais exigentes em fertilidade do solo, uma atenção maior a
este aspecto é certamente dada;
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 221
2) facilidade de aplicação de práticas de conservação de solo - esta é uma
prática corriqueira entre os agricultores, os quais também possuem
equipamentos apropriados;
3) recuperação com custos mais baixos - o lucro obtido com a cultura
amortiza os gastos da recuperação;
4) facilidade na renovação da pastagem - em geral no plantio de culturas
anuais o preparo do solo é mais intensivo, junto com o uso de
herbicidas, proporcionando uma redução no potencial de sementes no
solo, possibilitando a troca de espécie forrageira, principalmente a de
braquiárias;
5) melhoria nas propriedades físicas, químicas e biológicas do solo - com
a rotação lavoura-pastagem, evitando-se a monocultura, eliminam-se
camadas compactadas, bem como incorporam-se resíduos animais
(esterco), raízes e palhada de grãos e forrageira, estimulando-se a vida
do solo pelo incremento em material orgânico disponível;
6) controle de pragas, doenças e invasoras - pela quebra do ciclo de
pragas e doenças;
7) aproveitamento de adubo residual - grande parte do adubo aplicado à
cultura permanece no solo, sendo depois aproveitado pela gramínea.
No caso da cultura da soja, por exemplo, tem-se o ganho adicional de
nitrogênio ao sistema;
8) maior eficiência no uso de máquinas, equipamentos e mão-de-obra na
fazenda, os quais terão uma otimização do uso por maior período de
tempo no ano;
9) diversificação do sistema produtivo - possibilita a maior diversificação
de pastagens. A empresa pode explorar tanto as fases de cria, recria e
engorda, como a produção de grãos. Isto lhe dá maiores garantias
contra os riscos climáticos e flutuações de mercado; e,
10) aumento da produtividade do negócio agropecuário, tornando-o
sustentável em termos econômicos e agroecológicos.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte222
3.1.3 Períodos de recuperação ou renovação de pastagem com o uso de
agricultura
A renovação ou recuperação pode ser feita com apenas um ano de
cultura. Faz-se o plantio da cultura e da pastagem e, logo após a colheita da
cultura, a pastagem estará formada. Pode-se, ainda, plantar uma lavoura de
soja, milho ou sorgo no verão, uma pastagem anual de inverno, e, na
primavera, formar-se de novo a pastagem. Essa é uma prática que torna
mais difícil a troca de espécie em uma pastagem velha de braquiária, devido
à grande quantidade de sementes que certamente existirão no solo.
A recuperação ou renovação com cultivo pode ser feita, igualmente,
por um período de dois a três anos com rotação de culturas ou plantios
consecutivos de uma mesma espécie. Após este período, retorna-se à
pastagem.
Esse sistema é mais indicado para agropecuaristas que já usam parte
da fazenda para o plantio de culturas, e possuem uma estrutura de máquinas
e equipamentos. Obviamente, a cultura a ser utilizada dependerá do tipo de
solo, objetivos do produtor e mercado para o produto.
Após a colheita da cultura de verão, as áreas da fazenda podem ser
usadas com pastagens anuais, como aveia e milheto. Nesses casos,
dependendo da época de plantio e das condições climáticas, podem-se
obter produções de 3 a 6 arrobas de carne/ha em pastejo, ou feno ou
silagem.
A recuperação ou renovação podem, ainda, serem feitas com o uso
de culturas anuais por quatro ou cinco anos. Esse é um sistema em geral
adotado por pecuaristas que arrendam a área para terceiros, por não terem
infra-estrutura ou condições de praticarem a agricultura por si próprios.
O arrendatário utiliza a área para as culturas anuais, arcando com os
custos de correção das deficiências nutricionais do solo, conservação etc.,
devolvendo a área com pastagem recuperada ou renovada após o período
acertado de uso.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 223
3.1.4 Recuperação e renovação de pastagens em degradação com
plantio direto de soja
Essa é uma tecnologia para recuperação ou renovação de pastagens
em degradação, que apresentem ainda boa cobertura do solo, mas com
claros sintomas de deficiência de nutrientes. É uma tecnologia para ser
usada tanto para renovação ou recuperação a curto, médio ou longo
prazos.
A pastagem oferece excelente cobertura do solo para o plantio
direto, com palha de boa qualidade. Fazendo-se a rotação da soja com o
pasto (dois a três anos de soja, dois a três anos de pasto) obtêm-se outros
benefícios para a cultura da soja e pasto, tais como a diminuição de plantas
invasoras, quebra do ciclo de pragas e doenças da soja (tais como cancro-
da-haste e murchas), e de nematóides, tanto da galha quanto do cisto, e
aumento da produtividade.
Para o plantio convencional da soja, o produtor teria um custo maior
em máquinas e equipamentos do que para o plantio direto. A
operacionalização do sistema é bem mais simples, usando-se apenas um
pulverizador, uma plantadeira adequada para plantio direto e herbicidas
dessecantes apropriados.
Para o pecuarista, o sistema permite renovar ou recuperar a
pastagem em dois ou três anos, melhorando-se os níveis de nutrientes no
solo por meio das adubações feitas para a soja.
Para se obter sucesso no uso desta tecnologia, são necessárias
algumas condições, quais sejam:
1) a pastagem não deve estar completamente degradada. Pode
apresentar, por outro lado, limitações químicas, com baixos teores
disponíveis de nutrientes essenciais;
2) a pastagem deve estar com boa cobertura de palha, distribuída de
forma uniforme, para facilitar o dessecamento químico com herbicidas.
Não deve estar subpastejada (com grande quantidade de palhada) e
nem superpastejada (rapada). Igualmente, para que não haja enterrio
mais profundo da semente em áreas desnudas e superficial em áreas de
maior densidade de palha, o ideal é se ter uma palhada de 20 cm a 30
cm de altura, no caso de braquiárias e panicum;
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte224
3) baixa incidência de plantas invasoras de difícil eliminação com
herbicidas, tais como rebrote de cerrado;
4) áreas sem tocos, raízes, troncos, galhos, pedras, erosão etc. A área não
deve apresentar impedimentos mecânicos para as operações de plantio
e colheita;
5) época de aplicação do herbicida e sua dosagem: o herbicida deve ser
aplicado quando a pastagem se encontra em crescimento ativo, nos
meses de outubro ou novembro, em média 21 dias antes do plantio da
soja. Devem ser usados 1.260 a 1.440 g/ha do princípio ativo
Gliphosate para B. decumbens, B. brizantha e P. maximum cv.
Tanzânia;
6) a variedade da soja a ser usada deve ser de ciclo precoce a médio, que
proporcioneboa cobertura do solo;
7) o plantio deve ser feito respeitando-se a época recomendada para cada
cultivar na região, com a pastagem devidamente dessecada, usando-se
uma semeadeira adequada para plantio direto. Recomenda-se observar
a profundidade de semeadura para a cultura, aumentando-se a
quantidade de semente em 15% a 20%, para proporcionar bom
estande da cultura da soja, cobrindo bem o solo, para reduzir a
germinação e rebrote da forrageira;
8) manejo pós-colheita: se o objetivo for o de trocar a espécie forrageira
em uso na área, caso esta seja braquiária, devem-se controlar as
plantas remanescentes após a colheita da soja, e plantar uma pastagem
anual, aveia ou milheto, para ser utilizada por animais no outono e
inverno. Repetir esta operação por dois ou três anos e implantar a nova
espécie de forragem. Se o objetivo for somente recuperar a pastagem,
após a colheita da soja (março ou abril), planta-se a forrageira anual
(aveia ou milheto), e, entre outubro e janeiro, planta-se novamente a
mesma forrageira.
Um exemplo dos custos de um estudo comparativo entre a
renovação de uma pastagem de B. brizantha pelo uso de plantio da soja
pelo sistema de plantio convencional ou direto é apresentado na Tabela 7.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 225
Tabela 7 - Custos e receitas comparativas da renovação de uma área de
Brachiaria brizantha através do plantio convencional ou
direto da cultura de soja
Custos (US$/ha)
Insumos e operações mecânicas
Plantio convencional Plantio direto
Sementes 34.75 42.62
Adubos 104.92 109.25
Herbicidas 11.33 126.34
Tratamento de sementes 4.30 3.40
Inseticidas 26.50 21.68
Máquinas 177.26 39.17
Colheita 24.22 22.74
Custo total 383.28 365.20
Produtividade da soja (sacas /ha) 58.90 60.60
Receita total (US$/ha) 523.03 538.12
Receita líquida (US$/ha) 139.75 172.92
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte226
4. PRODUTIVIDADE DOS REBANHOS
Os índices de desempenho zootécnico médio do rebanho brasileiro
são muito baixos, mas muitos sistemas de produção apresentam índices de
satisfatórios a bons, como pode ser visto na Tabela 8.
Tabela 8 - Índices zootécnicos médios do rebanho dos Cerrados e em
sistemas tecnológicos mais evoluídos
Índices Média
Brasileira
*Sistema
Melhorado
*Sistema com
Tecnologia
evoluída
*Sistema otimizado
(integração
agricultura-pecuária)
Natalidade 60% 70% 80% 85%
Mortalidade até a
desmama
8% 6% 4% 2,7%
Taxa de desmama 54% 65% 75% 80%
Mortalidade pós
desmama
4% 3% 2% 1%
Idade da 1a cria 4 anos 3-4 anos 2-3 anos 2 anos
Intervalo entre partos 21 meses 18 meses 14 meses 12 meses
Idade de abate 4,0 anos 3,0 anos 2,5 anos 1,5 anos
Taxa de abate 17% 20% 22% 40%
Peso da carcaça 200kg 220 kg 230 kg 230 kg
Rendimento da carcaça 53% 54% 55% 55%
Lotação 0,9 an./ha 1,2 an./ha 1,6 an./ha 3,0 an/ha
Fontes: *Estimativa observada junto a produtores e experimentos em andamento.
Cabe ressaltar que os baixos índices da média dos Cerrados incluem
um grande número de produtores que apresentam índices inferiores a esses
e que são resultantes principalmente, do inadequado manejo das pastagens
e dos rebanhos. Adicionalmente, verificam-se a não reposição de nutrientes
nas pastagens e falta de controles no rebanho e gerenciamento geral da
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 227
propriedade. Isso tem se agravado nos últimos anos, uma vez que a
demanda por eficiência requer investimentos, os quais aumentam o risco.
A produção média no Brasil é de 30 kg/ha/ano de carne, mas essa
pode ser duplicada ou mesmo triplicada com certa facilidade pela adoção
de tecnologias já disponíveis como:
- Melhoria no manejo de pastagens;
- Subdivisão de pastagens;
- Recuperação e adubação de manutenação das pastagens;
- Suplementação alimentar nos períodos críticos;
- Exame reprodutivo de vacas e touros;
- Melhoramento genético dos animais;
- Vacinações e melhoria nos controles sanitários.
- Ajuste do binômio genótipo-ambiente.
Na Tabela 9 pode-se verificar a situação média do rebanho nacional
com 30,6 kg/ha/ano de carne. As demais são simulações do que ocorre a
nível de propriedades com índices de produtividade melhorados.
Tabela 9 - Efeito de mudanças na taxa de lotação de pastagens e sua
combinação com variações na taxa de desfrute e no peso de
carcaça sobre a produtividade de carne por ha
Sistemas
Lotação
an./ha
Taxa de
desfrute
(%)
Peso de
carcaça
(kg)
Produção
de carne
(kg/ha/ano)
1 – Média Nacional 0,9 17 200 31
2 – Pastagem Melhorada 1,5 17 200 51
3 – Pastagem Intensiva 2,0 17 200 68
4 – 3 + Suplementos 2,0 20 220 88
5 – 4 + Confinamento 2,0 25 230 115
6 – 5 + Integração Agropecuária 3,0 40 230 230
O sistema 2 representa uma pastagem recuperada periodicamente.
Verifica-se que o aumento de 60% na lotação possibilitaria produção de 51
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte228
kg/ha, ou seja, aproximadamente 61% maior que a média. Já o sistema 3
com uso mais intensivo de fertilizantes, como adubação de manutenção e
aplicação de nitrogênio e parte com leguminosas dobraria a produção de
carne por ha. Os sistemas 4 e 5 usariam suplementação alimentar sendo
que no 5 os animais seriam terminados em confinamento..
Os dados do sistema 6 foram obtidos na Agropecuária Ribeirão
Ltda., localizada no município de Chapadão do Sul, MS, ao norte do
Estado. Nessa propriedade, a pecuária é explorada de forma intensiva,
com uso de pastagem de boa qualidade, cruzamento industrial, "creep
feeding", suplementação, semiconfinamento e confinamento, com o uso de
pastagem de milheto no outono-inverno. São obtidas produtividades de
300 kg de peso vivo na cria e 600 kg de peso vivo na recria e engorda dos
animais, com uma média de 230 kg de carne/ha/ano, o que representa
100% a mais do que no sistema 5, que não usa o sistema de integração de
produção de grãos com a produção de carne. A receita líquida média da
fazenda é de 180 a 200 R$/ha/ano com a pecuária, e de 90 a 100
R$/ha/ano com a agricultura.
Segundo Cezar & Euclides Filho (1996) somente a redução de
idade de abate de 3,5 anos para 2 anos implica num aumento no desfrute
de 18% para 25% e na proporção de carne por ha de 48 kg/ha para 68
kg/ha, considerando uma taxa de desmama de 64%.
É importante ressaltar que apenas uma pequena proporção do
rebanho de corte está em áreas de pastagens com razoável reposição de
nutrientes. Uma proporção menor ainda recebe alguma suplementação
alimentar para terminação. No ano de 1996, segundo o ANUALPEC-97,
foram confinados no Brasil 1.435.000 animais, semiconfinados 988.000 e
terminados em pastagens de inverno 655.000 animais, perfazendo um total
de 3.075.000 cabeças. Os animais confinados corresponderam a 5,3% do
abate e o total terminado em melhores condições representou 11% do
abate. Verifica-se portanto que cerca de 90% dos animais abatidos são
criados exclusivamente em pasto ou com uma pequena suplementação em
períodos críticos, com idade de abate entre 36 e 50 meses.
Um dos maiores entraves da pecuária de corte, vista ainda com
maior intensidade na produção de novilho precoce, é o fornecimento de
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 229
alimentação de boa qualidade e quantidade, durante todo o desenvolvimento do
animal. Quando a pastagem estiver com qualidade insuficiente para proporcionar um
ganho de peso, deve-se fornecer aos animais um suplemento que complemente as
deficiências da pastagem. Na fase de acabamento dos animais, quando necessário, pode-
se utilizar o confinamento ou semiconfinamento, devendo ser usados, preferencialmente,
alimentos produzidos na fazenda, tais como silagem, feno, grãos ou resíduos de grãos, ou
resíduos de agroindústrias, sempre levando-se em consideração a relação custo-benefício.
Como pode ser observado na Figura 1, para o abate de novilho aos 24 meses, será
necessário que o mesmo obtenha um ganho de peso vivo médio na ordem de 620 g/dia,
do nascimento ao abate. Considerando-se a produção de animais cruzados, de melhor
potencial genético, isso corresponde a apenas 54% do que poderia ser obtido por tais
animaisaos 12 meses, com ganho de 1.150 g de peso vivo/dia. Por outro lado,
produções deste nível nem sempre têm retorno econômico.
A tendência da pecuária de corte é trilhar os mesmos caminhos da
avicultura e suinocultura, ou seja, a redução da idade de abate, com
prioridade ao binômio alimentação e genética. Objetiva-se, com isso,
aumento da produtividade e qualidade de carne com redução dos custos de
produção, respeitando o potencial produtivo de cada propriedade ou
sistemas de exploração.
Figura 1 - Eficiência de produção da pecuária de corte em diferentes
sistemas de produção.
 5 5
2 , 3
6 0 0
 9 5
1 1 5 0
4 4 5
9 3 0
4 5 0
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S u í n o
 5 m
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1 2 m
 B o v
1 5 m
 B o v
1 8 m
 B o v
2 4 m
 B o v
3 6 m
A t u a l
4 2 m
T a r d i o
 4 8 m
1 0 0 %
1 0 0 %
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8 1 %
7 2 %
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3 7 %
3 3 %
2 9 %
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g a n h o s d e p e s o v i v o
F r a n g o
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte230
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EMPREGO DE ANABOLIZANTES E USO DE
CASTRAÇÃO
Teófilo José Pimentel da Silva, Ph D
Prof. Adj. Fac. Veter. UFF e Tit. Apos. Esc. Veter. UFMG
INTRODUÇÃO
No início da década de 70, a produção mundial de alimentos
aumentava numa taxa anual de 2,8%, enquanto que a taxa de crescimento
populacional era de 2,6%. Desde então, as reservas mundiais de grãos têm
declinado continuamente. Por sua vez, na alimentação humana os vegetais
são responsáveis por 70% das proteínas e os animais suprem apenas 30%,
necessitando ainda da proteína vegetal para sua produção. Depara-se assim
com um grande desafio: a descoberta de substâncias que possam
incrementar a produção animal. Inegáveis são os benefícios do uso de
drogas na produção de animais destinados ao abate, quer no tratamento
terapêutico, antibacteriano ou promotor de crescimento (Silva, 1999).
Em relação ao uso de promotores de crescimento, existem três
diferentes mecanismos pelos quais podem-se afetar a taxa de crescimento.
O primeiro método é baseado no aumento do nível de hormônio de
crescimento pela administração de estrógenos. O segundo é o efeito direto
na taxa de crescimento muscular produzido pela administração de
andrógenos. E finalmente, um terceiro método se faz alterando a flora
ruminal mediante a utilização de antibióticos (Roche e Quirke, 1983). Do
ponto de vista econômico, as diferentes técnicas de administração e
utilização de diversos medicamentos em distintos países têm induzido a
formação de barreiras entre nações. No entanto, sabe-se hoje que cerca de
80% de todos os animais criados com objetivos alimentares recebem
medicamentos em parte ou na maioria de suas vidas.
Anabolizantes são substâncias que aumentam o anabolismo, isto é, a
retenção de nutrientes fornecidos pela alimentação. Assim, pode-se dizer
que os anabolizantes são substâncias com capacidade de incrementar a
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte236
retenção de nitrogênio fornecido pela alimentação, aumentando o teor de
proteínas nos animais (FAO/OMS, 1975).
Por outro lado, um dos problemas de manejo mais controvertidos na
pecuária de corte no Brasil é a castração dos machos. Enquanto os
pecuaristas da Argentina, Austrália, Canadá e Estados Unidos da América
têm como prática a castração de seus bovinos, pois os frigoríficos não
compram animais inteiros, mas em compensação a legislação desses países
permitem o emprego de anabolizantes, compensando assim o menor ganho
de peso dos castrados em relação aos inteiros.
CLASSIFICAÇÃO DOS ANABOLIZANTES
Castelli (1989) classifica os anabolizantes quanto:
a) Origem:
- Endógenos ou naturais: são esteróides sexuais presentes tanto no
organismo animal quanto no homem (17 ß - estradiol, testosterona e
progesterona);
- Exógenos ou sintéticos: são esteróides ou substâncias não esteróides
obtidas através da síntese ou derivados de micotoxinas, denominados
xenobióticos, ausentes do organismo humano ou animal, mas com efeitos
estimuladores do crescimento (acetato de trembolona, zeranol, acetato de
melengestrol).
b) Atividade biológica:
- Estrogênicos: 17 ß - estradiol, zeranol, DES*
- Androgênicos: testosterona, acetato de trembolona;
- Progestágenos: progesterona, acetato de melengestrol.
*Dietilestilbestrol é um semi-sintético do grupo dos Estilbenes (DES,
Hexestrol, Dienestrol) comprovadamente mutagênico, carcinogênico e
banido para produção de carne.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 237
MODO DE AÇÃO DOS AGENTES ANABÓLICOS
Os anabolizantes são aplicados por via subcutânea - através de
implante na face posterior da orelha - entre a pele e a cartilagem. Esses
agentes são absorvidos lentamente, passando para a corrente circulatória e
ali permanecendo durante todo o período de ação para os quais foram
concebidos. Estes agentes exercem grande influência no metabolismo do
nitrogênio e, mais concretamente, na síntese protéica (Trenkle, 1975, e
Wall, 1975). Com isso no aumento de peso do animal tratado e em uma
melhor conversão alimentar.
O efeito anabólico é confirmado pela observação tanto de uma
diminuição na concentração da uréia eliminada do organismo como no
aumento do nível dos aminoácidos circulantes. A redução da excreção da
uréia e do total de nitrogênio na urina, observada em animais tratados,
resulta de uma maior retenção do nitrogênio pelo organismo, determinando
a maior eficiência no ganho de peso (Preston, et al., 1965).
ALGUNS RESULTADOS DO EFEITO DOS ANABOLIZANTES
NA PRODUTIVIDADE PECUÁRIA
Os resultados advindos do uso dos anabolizantes, utilizados dentro
das normas técnicas, têm demonstrado serem os mesmos uma ferramenta
tecnológica de valor inestimável para o produtor de carne bovina. Os dados
que se seguem procuram exemplificar essa assertiva, isto é, a relevância
desse uso para o pecuarista que busca um melhor desempenho zootécnico
e de uma maior rentabilidade operacional (Neto et al., 1994).
- Estradiol 17-beta:
A ação do estradiol implantado sob sistema de liberação controlada
produz, segundo as pesquisas apresentadas por Wagner (1983), um
aumento de peso diário de bovinos castrados da ordem de 5 a 24% (média
de 13% ou 26Kg) em comparação com os lotes controles, realizados no
Reino Unido.
Por outro lado, experimentos realizados na América Latina,
(Wagner, 1983), demonstram que a ação do estradiol 17-beta de liberação
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte238
lenta produziu um incremento médio de 16% no ganho de peso de bovinos
castrados implantados em relação a aqueles do lote controle, isto é, em
uma média adicional de 22 Kg de peso vivo.
- Progesterona:
O efeito anabolizante da progesterona é economicamente viável
apenas quando de sua associação com o estradiol, sendo esta forma
comercialmente usada. Sua atuação proporciona ganho de peso em machos
- principalmente em novilhos a partir de 200Kg - com resultados variáveis
como os demais promotores de crescimento, em função da disponibilidade
e da qualidade da dieta.
- Testosterona:
Tanto quanto a progesterona, o uso eficiente da testosterona tem sido
observado apenas quando de sua combinação com promotores de
crescimento de atividade estrogênica, sendo o estradiol a forma comercial
em que a mesma está combinada.
- Acetato de Trembolona (TBA):
O acetato de trembolona é um análogo da testosterona, com uma
atividade de 10 a 50 vezes maior, sendo utilizado isolado ou combinado
com composto de atividade estrogênica, em fêmeas, machos inteiros ou
castrados (Neumann, 1975).
Os andrógenos exercem sua ação diretamente a nível celular, atuando
sobre receptores celulares específicos, ligados à síntese de RNA,
influenciando dessa forma a síntese protéica.
O acetato de trembolona, segundo Best (1972) produziu, em vacas
em regime de pastejo, um aumento no ganho de peso diário de 38%.
- Zeranol:
O zeranol é um agente obtido a partir da fermentação de uma espécie
selecionada de fungo, a Gibberella zeae. Quimicamente o zeranol não é umI Simpósio de Produção de Gado de Corte - 239
esteróide, tratando-se de um derivado da lactona do ácido resorcílico, com
propriedades estrogênicas e anabólicas.
Hall (1977) comparou o ganho de peso e a conversão alimentar de
um total de 1577 ruminantes (bovinos e ovinos), de diversas categorias e
sob diversos regimes alimentares. O ganho médio encontrado com o uso do
zeranol variou de 0,8 a 27% no relativo ao ganho de peso e de 9,08% no
tocante à conversão alimentar.
Trabalhos realizados no Canadá (Brown, 1983), constatou que
bovinos (novilhos) sob regime de pastejo e implantados com zeranol
obtiveram em média 19,5Kg a mais do que os animais do grupo controle;
esses dados foram consistentes com outros por ele encontrados em
trabalhos conduzidos no México (35,33%) e Colômbia (10,50%).
No Brasil, Alves et al. (1982) verificaram efeito relevante após o
implante de zeranol em bovinos da raça Nelore sob regime de pastejo; o
experimento foi conduzido na época da seca e o ganho médio diário foi de
0,56Kg (zeranol) e 0,46Kg (controle).
Mazza et al. (1985), desenvolveram um extenso trabalho na Estação
Experimental de Andradina, SP, empregando um total de 48 bezerros,
mantidos em pastagem de capim colonião durante 210 dias. Os autores
constataram um aumento de peso de 9,39%, 11,94% e 20,37% em relação
aos animais do grupo controle após aplicação de um implante, dois
implantes e três implantes, respectivamente.
Sampaio et al. (1985), efetuaram pesquisa buscando constatar o
efeito do zeranol em bezerros; observaram que os animais implantados
obtiveram após 91 dias um ganho de peso médio de 721 g/dia, isto é, 100
g superior aos não implantados (621 g/dia).
Vieira et al. (1985), avaliando o efeito do zeranol em 30 bovinos
machos inteiros confinados, com idade média de 14,2 meses e com peso
de 262 kg, mostraram que os animais implantados com 36 mg de zeranol
tiveram um peso da ordem de 10,9% superior a aquele do lote controle.
Em outro trabalho, Pereira et al. (1985), usando novilhos implantados com
zeranol (2 e 3 implantes), verificaram ganho de peso médio diário de 0,610
kg e 0,590 kg, respectivamente, em relação ao controle, que obteve 0,515
kg.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte240
Velloso e Pereira (1985), utilizando bovinos sob regime de pastejo
em período chuvoso, relataram que o implante com zeranol produziu o
seguinte ganho de peso/cabeça/dia: 0,757 kg para animais implantados uma
única vez e 0,804 kg para os animais que receberam dois implantes. O
resultado destes dois tratamentos diferiu daquele obtido nos animais do
grupo controle de 0,645 kg (p < 0,01).
Ferreira et al. (1989), em um experimento realizado em Minas
Gerais, utilizaram 40 novilhos castrados e submetidos a um implante com
zeranol (36 mg). Os resultados demonstraram um ganho médio diário de
1,22 kg (zeranol) e 1,09 kg (controle).
- Associação de Agentes Anabolizantes:
São comuns as associações de anabolizantes androgênicos e
estrogênicos. Comercialmente, são disponíveis as associações do estradiol
17-beta com progesterona, com testosterona e com acetato de trembolona
e, deste último com zeranol. A documentação científica relativa a esse
procedimento é farta quanto ao incremento na produtividade obtido com o
uso das mesmas, em relação àquele obtido após o uso isolado de
anabolizantes.
Bouffaut e Willermant (1982) reuniram os resultados de 11
experimentos, obtidos com o uso da combinação TBA (140 mg) + zeranol
(36 mg) em bezerros. O ganho de peso diário revelou um aumento médio
de 10%.
Em bovinos tratados com uma associação de progesterona (200 mg)
e estradiol (20 mg), Roche e Hart (1984), encontraram um ganho de peso
diário 46% superior ao observado no grupo controle. Resultados mais
modestos (na faixa de 10 a 25%) foram constatados por Roche e Quirk
(1984).
Em gado confinado, o uso de bensonato de estradiol (20 mg)
associado à progesterona (200 mg) resultou tanto em melhora no ganho de
peso diário, quanto na eficiência alimentar. Um aumento ponderal extra, de
10 a 15 kg, tem sido relatado em animais implantados. Com essa
associação um resumo de algumas pesquisas indicou melhoria de 17,3% em
ganho ponderal diário. Este resultado foi obtido a partir do resumo de 48
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 241
ensaios envolvendo novilhos confinados e implantados, em comparação a
controles não implantados. Concomitantemente, foi observada uma
melhoria de 9,4% na eficiência alimentar dos animais implantados.
Em gado mantido no pasto, os implantes melhoraram o ganho diário
médio que atinge uma taxa de 23,4%. As melhoras típicas observadas
variam em torno de 12 a 20 kg/dia sobre o ganho ponderal de animais não
implantados; esse fato representou em cerca de 12 a 20 kg adicionais de
carne em 100 dias.
O emprego da associação do bensoato de estradiol e testosterona
(BET) em fêmeas, onde seu uso é recomendado, tem proporcionado um
aumento no ganho diário de peso de 10 e 15% (Roche e Quirk, 1984).
IMPACTO ECONÔMICO EM FUNÇÃO DO USO DE
ANABOLIZANTES
É dado pelo incremento na produtividade de animais tratados com os
promotores de crescimento com atividade anabólica e, por conseqüência,
pela diluição dos custos operacionais.
Com base na literatura científica, estima-se que o ganho de peso
incremental a partir do uso de anabolizantes seguros, utilizados dentro das
boas práticas agropecuárias, possa atingir pelo menos US$ 4,7 por
implante ou US$ 0,31/arroba, segundo dados fornecidos pelo SINDIPEC
(1992).
Da mesma forma, a estimativa de ganho de peso incremental com o
uso de anabolizantes, haveria uma produção adicional de `108.600
toneladas de carne bovina, a partir de um rebanho de 132 milhões de
cabeças (SINDIPEC, 1992). Os animais implantados necessitam menor
quantidade de ração para produzir 1 kg de carne; isto é, tem melhor
eficiência na utilização da forragem consumida, tornando-se possível a
produção de mais carne por hectare de terra.
CONCLUSÃO
Acredita-se que o longo período de divergência, quando sucederam-
se regulamentações que proibiram e permitiram o uso de anabolizantes para
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte242
a produção de carne no Brasil se deveu, entre outras políticas, à falta de
uma legislação criteriosa embasada científica e tecnicamente sobre o
controle do uso e o monitoramento desses produtos, como fizeram os
países maiores exportadores de carne bovina (Austrália e Argentina).
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- I Simpósio de Produção de Gado de Corte244
ASPECTOS DA PRODUÇÃO DE CARNE E AS
TENDÊNCIAS DO MERCADO NACIONAL
Sergio De Zen
Mestre em Economia Aplicada , Pesquisador do CEPEA/ESALQ/USP
AGENTES DO SISTEMA AGROINDUSTRIAL:
A cadeia produtiva da carne bovina para fins de análise pode ser
divida em três grupos de análise. A produção do animal, o abate e o
processamento da carne e a distribuição e o varejo. As três etapas têm
um peso relativamente semelhante no processo produtivo, sendo
diretamente responsáveis pelo preço e pela qualidade do produto final.
Esta análise será feita de maneira a estudar cada uma das etapas
apontando os pontos positivos e negativos do processo.
Este trabalho tem a finalidade de estudar o processo produtivo de
carne bovina no Brasil. Dessa forma constribuir para a elucidação dos
problemas básicos que fazem dessa atividade uma das mais complexas
do conplexo agroindustrial do país.
PRODUÇÃO
Evolução da Produção
A produção de carne está dispersa por praticamente todo o
território nacional, mas a maior concentração está na região centro-sul
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte246
do País. Os estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás
dispõem dos maiores rebanhos, concentrando cerca de 38% do rebanho
nacional. A alteração dessa distribuição é difícil e lenta, pouco se
modificou nos últimos, anos, exceção a programas específcos, como
por exemplo, o Proálcool implementado no final dos anos 70, e a
explosão da cultura da laranja nos anos 80, que ocupou vastas áreas de
pastagens no estado de São Paulo, deslocando a pecuária para o centro-
oeste.
A característica básica da pecuária de corte sempre foi a
ocupação de novas áreas, ou seja da expansão das fronteiras agrícolas e
esse papel que foi um fator de destaque positivo até meados dos anos
80, passou a ser preocupante com a crescente preocupação mundial,
em relação à ecologia. A comunidade internacional passou a observar
os problemas como o desmatamento da região Amazonica gerando
uma fonte intensa de pressão em relação à produção de carne no Brasil.
Alguns exemplos disso são campanhas feitas em alguns países
contra a entra de carne brasileira com o argumento de que essa carne
era fruto do desmatamento da Amazonia, ou ainda com a proibição de
utilização da carne produzida dentro da Amazonia Legal por parte de
empresas européias e norte-americanas. Trata-se de um bom
argumento para a mostrar que a expansão da pecuária via ocupação de
novas regiões esta em fase de esgotamento. A nova realidade exige um
sistema cuja prioridade é produtividade. 
A distribuição dos animais por todos os estados da federação
demonstra que a produção não está restrita a uma região ou estado.
Também deixa claro que a pecuária de corte não sofre restrições
climáticas importantes em nenhuma região do país.
A produção de carne está totalmente ligada à produção de
alimentos para os animais. No Brasil, até há algumas décadas, as
pastagens não eram tratadas como culturas do ponto de vista
agronômico e, portanto, recebiam poucos cuidados em termos de
formação e manejo. A forma de tratar as pastagens começou a se
modificar na década de 70 e ganhou força nos últimos anos. Foram
realizados muitos estudos no sentido de definir as melhores pastagens
para cada região, e a melhor forma de manejo.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 247
Atualmente, cerca de 34% das pastagens da região centro-oeste
do Brasil são formadas de acordo com critérios de manejo adequados,
ou seja, recebem corretivos e adubação. Para se ter uma idéia do
potencial de crescimento da produção na pecuária de corte, basta
observar que um hectare de pastagem nativa produz 8,8 kg de carne
por ano, ao passo que um hectare de pastagem cultivada, e com
manejo mínimo, pode produzir cerca de 16,5 Kg de carne por ano,
mantendo-se as mesmas condições dos animais.
No Brasil, a produção de capim, ou seja, a evolução da produção
de alimentos dos animais, seguiu sempre o caminho da extração. Toda
vez que se enfrentava dificuldades em relação ao capim em uso,
buscava-se uma espécie mais resistente. Somente nos anos 90, com o
aumento do preço da terra, a escassez de novas áreas de expansão, é
que começam a ser valorizadas as técnicas de manejo das pastagens,
procedimento em que pouco se havia evoluído até então.
Evolução Tecnológica
O Brasil em termos de produtividade do rebanho pecuário possui
médias pouco animadoras. O quadro abaixo demonstra esta situação.
Parâmetros de Produtividade da Pecuária de Corte Nacional
Natalidade 58%
idade da 1ª parição 48 meses
idade de abate 48 meses
Mortalidade até 4 anos 15 %
Desfrute 13 %
Cabeças por hectare ano 0,8
Carcaça / ha / ano 13 kg
Kg de carne / cabeça existente/ano 23,4
Kg / cabeça / ano 13,0 Kg
Fonte: Pedrosa. in Bovinocultura de Corte
Deste quadro é importante destacar que a taxa de natalidade de
58 % é muito baixa, pois isso significa que de 100 vacas mantidas no
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte248
pasto apenas 58 vão gerar um bezerro. Além disso, o prazo para que
uma vaca gere um bezerro é de 4 anos, fazendo com que a atividade de
cria torne-se bem pouco atrativa, ficando com as piores terras. Outro
dado alarmante é o prazo médio de abate, estimado em 4 anos. Este
prazo é demasiadamente longo, considerando que em determinados
casos no país é possível encontrar produtores que abatem o mesmo
animal em 3 anos. Claro que é necessário lembrar que o processo
produtivo é muito heterogêneo, onde eficientes produtores convivem
com o atraso de outros.
Desfrute significa o número de animais abatidos dividido pelo
tamanho do rebanho. No Brasil era de 13 % em 1993. Dados do
GATT, de 1989, dão conta de que nos EUA estes valores são de 32 %
e na Argentina em torno de 24,2 %. Os dados de lotação também são
insatisfatórios. A média de 0,6 cabeça por hectare caracteriza a
pecuária nacional como dependente de grandes áreas de pastagens.
A melhoria dessa situação depende da assimilação de novas
técnicas de manejo por parte dos produtores. Segundo trabalhos de
pesquisa e relatos de produtores mais tecnificados, a lotação pode ser
duplicada, a idade de abate reduzida à metade e a taxa de natalidade
elevada para níveis superiores a 70 %. O meio de atingir esses níveis
de produtividade é a adoção de métodos já bastante difundidos de
manejo dos animais e das pastagens, ou seja, a atividade tem que
deixar de ser extrativista e passar a ser profissionalizada.
Custos e a Nova realidade
A pecuária de corte depois da estabilizaçãoda economia passou
a viver um novo momento. O investimento em animais com a
finalidade de obter rendimentos com a valorização dos mesmos deixou
de ser um negócio atrativo. No decorrer da década de 70 e até a metade
dos anos 80, o diferencial entre os preços da safra e entressafra
chegaram a cerca de 40% do valor.
Na segunda metade dos anos 80, os seguidos planos econômicos
quebraram as estruturas dos preços e as oscilações foram muito
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 249
violentas. O investimento em boi passou a ser visto sob a ótica da
segurança frente ao difícil quadro de insegurança e incerteza.
Na segunda metade dos anos 90, com o processo de estabilização
da economia, os preços deixaram de apresentar grandes oscilações e os
rendimentos expeculativos na atividade deixaram de ser atrativos. As
margens dos produtores reduziram muito. Nos gráficos a seguir estão
apresentados tres situações de produção em relação ao custo.
A relação entre os preços recebidos pela arroba de boi e os custos
de produção oferecem um quadro da situação que da atividade. A
pecuária de corte oferece uma diversidade muito grande em termos de
sistemas de produção. Coexistindo sistemas extremamente obsoletos e
sistemas evoluídos de produção. Na sequência estão apresentadas três
situações de produção e seus respectivos custos teóricos (é importante
ressaltar que os custos têm um amplo universo de variação).
Neste gráfico temos um produtor de baixissímo nível, com uma
produtividade pequena e pouca aplicação na atividade. Esse produtor
sobreviveu com certa facilidade ao longo dos anos 70 e 80, mas perdeu
competitividade nos anos 90. Considerando os custos variáveis como
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custo total
custo variável
Gráfico 1: Preços da arroba do Boi Gordo em São Paulo -
 lot. 0,33 U.A/ha
fonte:CEPEA/ESALQ/USP
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte250
sendo aqueles que ele terá de dispor ao longo de um ano e os custos
totais como sendo os gastos que ele tem que fazer ao longo de anos. Na
atualidade, esses produtores têm os seus dias contados, pois não são
capazes de repor aquilo que tem perdido.
Gráfico 2: Preços da arroba de boi gordo -
 lot. 0,46 U.A.
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custo variáve l
fonte:CEPEA/ESALQ/USP
Gráfico 3: Preços da arroba de boi gordo 
 lot. 0,81 UA/ha
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custo total
custo variável
fonte:CEPEA/ESALQ/USP
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 251
Nos outros dois casos, os níveis de produtividade modificam a
capacidade do produtor de se manter na atividade, pois na medida que
o diluem e racionalizam os seus custos os produtores tornam -se mais
competitivos.
O produtor é um tomador de preços, ou seja, o mercado
determina os preços através da oferta e da demanda. Neste mercado
que freqüentemente é utilizado como exemplo de concorrencial. O
produtor tem que estar muito atento para o fator custo que está sob seu
controle, e é onde pode agir com tranqüilidade.
FRIGORÍFICOS
Nos últimos 20 anos, as empresas ligadas ao setor de carne
iniciaram um processo de deslocamento do abate em direção às regiões
de produção. No início da década de 70 existiam 5 unidades de abate
cadastradas no Serviço de Inspeção Federal -SIF localizadas na região
da Grande São Paulo. Em 1995, praticamente todas as unidades de
abate dessa região estavam desativadas. A Grande São Paulo, no
entanto, ainda conserva um grande número de entrepostos que recebem
as carcaças do interior do estado e de outros estados e fazem a desossa
ou a industrialização da carne.
Com relação ao parque industrial de abate paulista, é interessante
notar que o seu crescimento em termos de empresas é muito grande,
cerca de 245 %. Passando de 22 para 76 empresas cadastradas no SIF,
durante o período de 1963 a 1995. Outro fato que chama a atenção é
com relação à distribuição das empresas dentro do estado. A Grande
São Paulo deixou de ter grande importância em termos de abate. As
quatro empresas cadastradas no SIF Cotia, Itapevi, Frigor Eder,
Bordon deixaram de abater. Algumas passaram a fazer trabalhos de
desossa e industrialização, transferindo o abate para outras regiões.
A região da Grande São Paulo se notabiliza por concentrar muito
estabelecimentos de desossa e distribuição de carne. Nos registro do
SIF de 1994, existem 79 empresas cadastradas como aptas a fazerem
desossas, das quais apenas 11 estão fora da Grande São Paulo. Existem
ainda 19 cadastradas como entrepostos de carne.
A capacidade de abate das unidades da federação evoluiu no
sentido de acompanhar a produção. O estado de São Paulo que em
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte252
1970 era responsável por 34,5% do abate viu sua participação cair até
o nível de 23% em 1990. Em 1994 o estado foi responsável por 26%.
No mesmo período, o Mato Grosso do Sul foi o estado que apresentou
maior crescimento. Em 1979, quando o estado foi desmembrado do
estado de Mato Grosso, participava com 5,16%, em 1994 sua a
participação subiu para 17,96%.
Processo de Evolução do Setor Industrial
Os frigoríficos estão procurando modificar as formas de atuação
para conseguirem melhorar suas receitas que, nos últimos anos têm
piorado muito. A compra dos animais tem sido feita a duras penas,
pois na região centro-sul do Brasil a capacidade de abate cresceu mais
que o rebanho. A queda das taxas de inflação também piorou a
situação, pois os produtores não aceitam reduções nominais de preço e
o varejo reage negativamente a qualquer tentativa de repasse de alta
nos mesmos. Na seqüência, serão analisadas as margens de
comercialização dos frigoríficos no Brasil ao longo dos últimos anos,
pois é uma forma de quantificar os problemas vividos pelas empresas.
Margens Brutas de Comercialização para os Frigoríficos
Os preços pagos pela carne consumida são determinados pela
relação de oferta e demanda, mas o valor final do produto ofertado traz
consigo um conjunto de custos que são acrescidos ao valor do produto
na fazenda. A diferença entre os preços da fazenda e do consumidor
final devem remunerar uma série de ítens, dentre os quais devem ser
destacados: a armazenagem, o transporte e os impostos. Nos custos de
comercialização dos produto podem ser acrescidos os custos dos
serviços prestados pelos intermediários na cadeia de carne bovina:
sendo estes os escritórios, frigoríficos, distribuidor atacadista, e
finalmente o varejo. Estes agentes prestam uma série de serviços e têm
um custo para tanto. A diferença entre os preços de venda do produto
pelo produtor e o preço pago pelo consumidor é definida como
margem de comercialização, traz consigo além dos custos de
comercialização o lucro aferido com a atividade de intermediação do
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 253
produto. Essa margem é que determina o interesse das empresas pela
atividade.
O cálculo dos custos e do lucro em separado é algo bastante
difícil, vistas a complexidade que isso envolve e as incoveniências que
o processo de cálculo exige, por esse motivo um indicador importante
e usual da atividade é obtido com a margem. Conceitualmente a
margem de comercialização é definida como: M = C + L, onde C é
o custo e L o lucro, ou prejuízo do intermediário (Barros,1987). Esta
fórmula deixa claro que quanto maior o nível de processamento e
manuseamento do produto, maior será a margemde comercialização,
pois este processo agrega valor ao produto.
A carne bovina é caracterizada por uma série de peculiaridades
que tendem a alterar a sua margem. A alteração das margens é ditada
pelo tipo de produto colocada no mercado (a carne é um produto
perecível, exigindo cuidados especiais para sua comercialização, como
por exemplo refrigeração), pelas alterações tecnológicas (o aumento do
comércio de carnes desossadas, que gera uma maior eficiência no
transporte, diminuindo o custo deste ítem, mas agrega valor ao
produto, devido a um maior processamento), o uso de auto-serviço nos
supermercados (carne desossada reduz muito a participação dos
balconistas).
A importância do cálculo das margens está na avaliação de sua
evolução no mercado ao longo dos anos, propiciando avaliação do
desempenho dos intermediários.
Segundo BARROS (1987), para o cálculo das margens nos
diferentes níveis de mercado leva-se em consideração o preço do
produtor, o preço ao atacado e o preço ao varejo. O cálculo das
margens, utilizadas neste trabalho, foi definido pela seguinte fórmula:
MT = Pv - Cbg, determinando a despesa do consumidor ou a Margem
Total
A margem de comercialização da carne bovina(MT) é calculada
pela diferença entre o preço pelo qual o frigorífico vende a carne(Pv)
(carne com osso ou desossada) menos o custo do boi gordo(Cbg) para o
frigorífico.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte254
O custo do animal para o frigorífico é dado pela seguinte
fórmula:
Cbg = Pbgp - Vsb, onde:
Pbgp - preço do boi gordo pago ao produtor.
Vsb - valor dos subprodutos.
A margem total de comercialização será o valor utilizado para
analisar a situação da atividade. Esses valor é tomado na forma
agregada, representando uma média geral, portanto, pode haver
empresas mais eficientes nas várias etapas da atividade que podem
resultar em situações diversas, mas a situação geral das empresas estão
apresentadas na seqüência.
A margem bruta de comercialização deve ser analisada com
cuidado, pois não se trata de lucro, uma vez que, tem que remunerar os
custos do abate e do processamento dos animais. Dentre essas
atividades podem ser destacadas:
- frete dos animais.
- consumo de água e energia.
- mão de obra e encargos.
- impostos.
- depreciação dos equipamentos.
- custos comerciais.
- custo do capital investido.
Os gráficos a seguir foram utilizados preços pagos aos
produtores nas regiões de origem dos animais e os preços de venda dos
frigoríficos deste estado ao mercado atacadista da grande São Paulo.
Descontando-se os valores arrecadados com a comercialização dos
subprodutos.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 255
Margens Brutas de Comercialização da 
carne c/ Osso - R$/boi
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0.2
0.3
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Goiania R.Verde C.Grande Dourados Tres Lagoas São Paulo
Margens de Comercialização da 
Carne bovina desossada
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Goiania R.Verde C.Grande Dourados Tres Lagoas São Paulo
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte256
A desossa agrega valor ao produto, mas também aumenta os
custos.
As margens de comercialização da carne bovina para as demais
regiões do país podem apresentar diferenças das apresentadas neste
trabalho. Isto porque há variações, em cada região produtora do país,
no que diz respeito aos preços pagos por arroba de carne, custos com
transporte de gado para abate e custos para entrega de carne.
A separação da receita do frigorífico em venda de carne com
osso e sub-produtos comestíveis e não-comestívies permite a
visualização de que a receita com a venda dos sub-produtos é uma
importante fonte de receita, sendo inclusive mais importante que a
receita com a venda da carne, principalmente após meados de 1991.
(Vide Gráfico 1)
Apesar da queda na receita com os sub-produtos, após início dos
anos 90, estes ainda apresentam uma receita maior que a carne. Essa
queda de receita com a carne ao longo dos anos é atribuída a dois
fatores: aumento da oferta de carne e concorrência da carne bovina
com produtos alternativos, com destaque para a carne de frango.
A oferta de carne aumenta à medida que novas unidades de abate
espalham por todo o país, como exemplo pode-se ilustrar com dados
do estado São Paulo, onde entre 1962 e 1995, o número de empresas
saltou de 23 para 76, de acordo com dados do Serviço de Inspeção
Federal. O crescimento do volume de abate em outras regiões do país
pode ser visto no gráfico 2. Os estados da região centro-oeste do país
tem um elevado crescimento no decorrer da década de 80 e nos
primeiros anos da década seguinte.
Essa modificações da estrutura industrial afetam as margens dos
frigoríficos de duas formas: afetando os preços pagos pelos animais e
o valor de venda da carne. À medida que crescem o número de
unidades de abate, numa taxa mais elevada que o crescimento do
rebanho, aumenta a disputa pelos animais, logo o preço pago por eles
eleva-se. O crescimento do número de unidades de abate eleva também
a oferta de carne no mercado, ou seja, a oferta cresce mais rapidamente
que a demanda de carne, logo há uma tendência de redução de preços
da carne.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 257
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10%
15%
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30%
35%
1970 1975 1980 1985 1990 1995 
SP
RS
MG
MS
GO
Abate de Bovinos
Fonte:SIF
A concorrência com a carne de frango é um outro fator que tem
pesado nesse cenário, pois a avicultura ganhou muito em eficiência,
produzindo muito num curto espaço de tempo, com um baixo custo de
produção. Uma cadeia reconhecidamente estruturada também ajudou a
carne de frango a ganhar espaços.
0.00 
20.00 
40.00 
60.00 
80.00 
100.00 
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sub-comestiveis não comest. couro
Receita com Venda de Sub-produtos
 Frigorífico - R$/15,58 @
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte258
O gráfico indica uma perda de receita dos frigoríficos com o
couro e os sub-produtos comestíveis até início de 1995, tendência que
se acentua a partir desses anos. A moeda nacional valorizada incentiva
as importações de couro de outros países, principalmente do Mercosul,
e também tira competitividade dos calçados brasileiros, mais caros no
mercado internacional. Dessa forma o couro perde muito valor. Os
subprodutos comestíveis perdem valor pela falta de demanda, dada a
substituição desses produtos por outras fontes de proteína animal. A
perda de valor do couro e desses subprodutos derruba a margem dos
frigoríficos.
A primeira alternativa que os frigoríficos possuem para agregar
valor ao seu produto é a desossa das carcaças. A margem da venda de
carne desossada sofreu muita variação até meados de 1993, isso pode
ser explicado pelo processo de remodelação estrutural dos frigoríficos
para a viabilidade da desossa ou a venda para o mercado externo.
Após este período ocorreu uma estabilização da margem da carne
desossada, podendo ser relacionada com o aumento do mercado
consumidor brasileiro.
A margem da carne com osso apresentou uma tendência de
queda constante, pois representa a maior parcela de negócios de grande
parte dos frigoríficos. No entanto, percebe-se que quando a carne
desossada começa a proporcionar margem vantajosa para o frigorífico,
a carne com osso começa a cair. Isto pode representar o aumento na
venda da carne desossada interna ou externamente, causado pela ação
da mídia na valorização da carne previamente embalada ou a procura
por carne com maior praticidade no preparo. Pode-se também indicar o
interesse dos açougues e “botiques” de carne pela compra da carne
desossada, sendo que pode adquirir cada corte conforme o volume de
venda.
A margem de comercialização da carne é muito mais viável para
as empresas situadas fora do estado de São Paulo devido ao elevado
custo dos animais no estado. As empresas do estado devem ser
viabilizadas com a agregação de valor da desossa.
As regiõessituadas fora do raio de ação das empresas do estado
estão apurando margens melhores, pois a disputa pelos animais é
menos acirrada.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 259
CARACTERIZAÇÃO DO CONSUMO
A aquisição de carnes para o consumo ainda depende bastante dos
estabelecimentos especializados, como os açougues, por exemplo. No
caso da carne bovina, estes estabelecimentos ainda respondem por cerca
de 55% do mercado para a carne de primeira e 70% para a carne de
segunda. A preferência dos consumidores está se deslocando para a
aquisição em supermercados, principalmente nas faixas de renda média e
em grandes centros urbanos. Esta é a mesma tendência observada nos
países mais desenvolvidos, o que leva a crer que a mesma deverá se
manter no futuro.
Com a finalidade de se aprofundar na análise do consumo,
principalmente no tocante a se observar qual é a tendência de
crescimento do consumo para as carnes como um todo, utilizou-se de um
instrumental básico de economia que é a elasticidade-renda de demanda.
Isto significa medir quanto varia percentualmente o consumo de carne se
ocorrer uma variação percentual na renda, ou seja é a capacidade que um
produto tem de absorver um aumento de renda.
 Deste modo, dizer que determinado produto possui elasticidade-
renda da demanda igual a 1 significa dizer que um aumento de 10% na
renda é acompanhado de um aumento de 10% na quantidade demandada
do bem em questão. Da mesma forma, um produto com elasticidade-
renda da demanda igual a 0,1 significa que um aumento de renda de 10%
é acompanhado por um aumento de 1% na demanda do produto. A
elasticidade-renda pode ainda ser negativa, dependendo do produto,
significando que a quantidade demandada do mesmo cai com o
crescimento da renda. O valor da mesma pode ser estimado através dos
dados de renda e quantidade consumida, com a utilização de técnicas
estatísticas apropriadas.
Este procedimento foi adotado para três faixas salariais: a primeira até 5
salários mínimos, a segunda de 5 a 10 e a terceira de 10 a 15. Vale
lembrar que dentro da região metropolitana de São Paulo cerca 50% das
famílias estão na faixa de renda familiar até 10 salários mínimos,
enquanto tem-se 70% das famílias na faixa até 15 salários mínimos.
Portanto, estes níveis salariais são bastante significativos em termos de
consumo global.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte260
As carnes de uma maneira geral são tratadas como um componente
básico da dieta alimentar da população. Nas camadas de baixa renda o
poder aquisitivo é o fator limitante ao consumo das mesmas. No entanto,
nem todas as carnes apresentam a mesma característica de aumento de
demanda em relação ao aumento da renda. Desta forma dividiu-se as
diferentes carnes e mais ovos em três níveis com relação à elasticidade-
renda da demanda: aquelas que têm maior reação, aqueles que tem menor
reação e aquelas cuja demanda pouco se alteram.
A Tabela 1 (faixas de consumo e renda), tenta dar esta
configuração com base nas elasticidades. No quadro, observa-se que com
base na elasticidade-renda de demanda para as carnes, peixes e ovos, a
classe de renda mais baixa (até 5 Salários Mínimos) tem um consumo de
carnes fortemente restrito pela renda para carne bovina de primeira e
carne industrializada (embutidos, enlatados, etc). Isto pode ser observado
por ser alta a elasticidade-renda da demanda para aqueles produtos, o que
significa que o consumo dos mesmos cresce bastante com a elevação da
renda daquela classe. Esta restrição é menor para a carne de segunda,
ovos e frango, e praticamente nula para a carne de suíno e carne bovina
de segunda.
A observação deste tipo de comportamento é muito importante
para estratégias de aumento de consumo para carnes: fica claro pelos
dados apresentados que é muito difícil se esperar que o consumo de
carne suína aumente apenas devido ao aumento da renda. Aumentos no
consumo deste produto deverão estar ligados à melhoria na imagem do
mesmo e a mudanças nas preferência do consumidor na direção deste
produto. Com a carne bovina de primeira a questão é diferente, já que é
um produto com demanda fortemente vinculada ao crescimento da renda.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 261
Tabela 1:
Faixas de Renda:
 baixa média alta
 (ate 5 S.M.) (5 a 10 S.M.) (10 a 15 S.M.)
Alta
elasticidade
-Carne Bovina de
Primeira
-Carne Industrializada --- ---
Elasticidade
Média
-frango
-ovos
-Carne Bovina de
Primeira
- Carne Industrializada ---
Pouco
Elástico
-Suínos
-Carne Bovina de
Segunda
- Ovos
- Frango
- Suínos
-Carne Bovina de
Segunda
-Carne Bovina de
Primeira
- Carne
Industrializada
- Frango
Na faixa de 5 a 10 salários mínimos, não se verifica uma restrição
grande ao consumo para nenhum tipo de carne ou seja, nenhum tipo de
carne possui demanda muito restrita por problemas de insuficiência de
renda. De qualquer forma, carne bovina de primeira e carne
industrializada são os produtos que apresentariam maior aumento de
demanda com o aumento da renda destas famílias.
No terceiro extrato de renda, ou seja, de 10 a 15 salários mínimos,
o crescimento da renda não levaria a grande aumento no consumo de
nenhum tipo de carne, indicando que as necessidades de consumo das
mesmas já estão praticamente satisfeitas.
As camadas de renda mais baixa são consumidores que somente
não expandem seu universo de consumo pelo fator renda. Nestas
camadas, as carnes cuja produção oferecem condições de reduzir seu
custo e conseqüentemente o preço final do produto, levam uma vantagem
grande. Exemplo disto é o da carne de frango, que teve uma considerável
expansão no consumo "per-capita".
A carne bovina de segunda é o concorrente mais próximo da carne
de frango, mas a redução do preço dessa carne bovina tem problemas
mais sérios, já analisados quando da descrição da oferta de animais. Na
camada de baixa renda, a carne bovina de segunda aparece na posição de
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte262
"melhor opção de consumo" dentre as carnes vermelhas. As classes de
renda média apresentam ainda alguma sensibilidade em relação à carne
bovina de primeira e à carne industrializada.
Principais Ineficiências:
 O processo de produção da carne apresenta um conjunto de
pontos que poderiam ser aperfeiçoados com a finalidade de tornar o
produto final melhor e com melhores condições de competir no
mercado nacional e posteriormente no mercado externo.
 Na produção dos animais os pontos mais críticos estão ligados ao
fato da atividade ser dispersa por praticamente todo o território
nacional e não ter definido os sistemas de gerenciamento, ou seja, é
uma atividade cujos custos de produção são deficientemente
acompanhados, e dessa forma muitos produtores ineficientes ainda
sobrevivem na atividade. O produto final fica comprometido pela falta
de homogeinedade dos animais produzidos, abatem-se animais jovens
e animais de mais idade, o resultado é carne de todo tipo de qualidade.
O setor industrial, tem distribuição geográfica que não atende as
necessidades e disponibilidades de animais, elevando os custos
comerciais, como supervalorizando animais em determinadas regiões
em relação a outras. Os gastos excessivos com frete de animais vivos
também aumenta os custos da carne sem garantir melhores
rendimentos das empresas. A falta de planejamento e identidade das
empresas geram um mercado altamente instável e total falta de
confiança entre os produtores e os frigoríficos, e entre eles e os agentes
de distribuição.
 A estrutura tributária que força as empresas a trabalharem com
sistema de contabilidade paralela pode ser tomado como símbolo da
falta de transparência para o mercado. As empresas acabam sendo
desorganizadas de forma proposital, para que assim escapem da
fiscalização.
Os constantes problemas de inadimplência do setor podem ser
creditados principalmente a desorganização do setor que dessa maneira
é baseado em empresas cujascaracterísticas básicas são a falta de
credibilidade.
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 263
 O resultado da desorganização do setor é um produto final que
não atende a regras básicas de atendimento de respeito do consumidor,
primeiro é um produto sem marca, logo é um produto que não tem o
menor compromisso com o consumidor.
A maior ineficiência do setor está associada a falta de confiança
que envolvem todas as relações comerciais do processo, o produtor
vende seus animais pensando que será enganado quanto ao
rendimento da carcaça e tem dúvidas com relação ao recebimento. Os
frigoríficos compram arrobas de bois pensando em fazer a empresa
funcionar e pouco se interessam pela qualidade dos animais. A
preocupação é colocar a carne e depois receber, e o consumidor final,
vai para o açougue pensando que vai comprar a carne, mas nunca tem
certeza em relação a qualidade do produto.
CONCLUSÕES
O consumo de carne bovina no Brasil deve ter um crescimento
contínuo e tem um mercado garantido. Isso deve ocorrer por dois
motivos: o crescimento natural da população e outro pela aumento da
renda média da população. No entanto, a concorrência com outros
tipos de carne, mais especificamente a carne de frango deve acirrar a
disputa pelo consumidor nos próximos anos. A estratégia do setor de
aves tem sido de oferecer um produto cada vez mais barato e
homogêneo, para as camadas de baixa renda e mais opções de produtos
pré-elaborados para as camadas de alto poder aquisitivo.
O produto final que o mercado brasileiro de carne exige é que
seja de boa qualidade, padronizado e que tenha preços competitivos
com outras carnes. Isso exige que o produtor do boi saiba quanto custa
o seu produto. O setor de abate deve passar por um processo de
reestruturação e profissionalização que permita adquirir credibilidade e
ofereça um produto com marca e origem. Com a solução desses
problemas o setor pode pensar em entrar para concorrer de maneira
consistente no mercado externo.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte264
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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n.1,1993.
BARROS, G.S.C. Economia da Comercialização Agrícola. Piracicaba:
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BARROS, G. S. C. et alii, 1994. Relatório de Pesquisa: ïndice de Preços do
Boi Gordo e do Bezzerro.
CANTO, W.L. Estudos Econômicos - Alimentos Processados. Campinas.
Brasil, 1986.
LATTIMORE, R.G. An econometric study of the brazilian beff sector. W.
Lafayette, 1974, 177p ( Ph.D. Prudue University)
MARQUES, P.V.; AGUIAR, D.R.D. Comercialização de Produtos
Agrícolas. São Paulo: EDUSP, 1993. (Coleção Campi, 13)
MASCOLO, J.L. Um estudo econométrico da pecuária de corte na Brasil.
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MONTEMURRO, L.E.P. Fatores condicionantes do comportamento do setor
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MULLER, C.C. O ciclo do gado e as tentativas governamentais de controle
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PEIXOTO, A.M. et alii, 1993. Bovinocultura de Corte: Fundamentos da
Exploração Racional. In : PEIXOTO, A.M.; MOURA, J.C.; FARIA,
V.P. Bovinocultura de Corte . 2ed. Piracicaba: FEALQ, 1993.
MERCADO FUTURO: BOI GORDO
Sergio De Zen
Mestre em Economia Aplicada , Pesquisador do CEPEA/ESALQ/USP
Os anos noventa têm sido marcados por termos modernos na
terminologia do mercado financeiro. Dentre essas novas terminologias
o termo "derivativos" é um que ganhou muita importância, e virou
símbolo de modernidade. Esse mercado nada mais é que um mercado
que "deriva" de outro.
No caso do mercado futuro de "commoditeis" agrícolas, o
mercado futuro é uma forma de mercado que deriva do mercado físico.
Neste caso específico vamos abordar o mercado futuro do boi gordo.
O mercado futuro do boi gordo é um dos exemplos de mercado
de derivativos. Os agentes desse mercado são os "hedgers" de compra,
"hedgers" de venda e investidores. A figura de um "hedger" de compra
pode ser representada por um frigorífico. Com a finalidade de facilitar
a compreensão toma-se alguns exemplos de operações que podem ser
colocadas em prática no mercado.
Um exemplo de um hedger de compra pode ser um frigorífico
que tem um contrato de exportação com os preços fixos em dólar por
seis meses. Uma vez assumida essa posição, os riscos da empresa
passam a ser as oscilações de preço do mercado físico de boi gordo,
pois a empresa tem os preços de venda da carne fixos pelo contrato,
mas o preço de aquisição dos animais varia de acordo com o mercado.
O frigorífico pode defrontar-se com três situações: o mercado
ficar estável, o mercado tem alta ou queda de preços. No primeiro
caso o frigorífico não tem nenhuma vantagem ou prejuízo, mas é uma
possibilidade pouco provável, pois a oferta de animais segue um ciclo
sazonal de acordo com os meses do ano.
Nos outros casos a operação está envolta em risco, pois caso o
mercado tenha uma retração de preços os lucros dos frigoríficos serão
maiores caso não tenha feito uma operação de fixação de preços, mas
no caso dos preços se elevarem a empresa terá prejuízos.
O conjunto formado por essas alternativas gera incertezas para a
empresa e dessa forma fica difícil manter os contratos de longo prazo.
Então, surgiu uma forma na qual a empresa pode fazer um seguro de
sua rentabilidade. A empresa ao fazer o contrato de venda ao exterior
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte266
adquire contratos futuros. Isso significa que o frigorífico comprou
contratos que lhe garantem o direito de receber as arrobas num período
futuro pelo preço negociado hoje. Dessa forma essa empresa adquiriu
um seguro contra as variações de preço.
O vendedor da posição futura pode ser um produtor que tem
animais para vender nos próximos meses e também precisa de
segurança em relação as variações de preços nos meses seguintes. O
produtor tem animais na engorda e faz cálculos para apurar os custos
da arroba que está produzindo. Com as informações de custo e dos
preços futuros ele pode fazer planejamento das suas atividades, ou
seja, o produtor tem o custo da arroba e o valor da arroba nos meses
seguintes. Se os preços futuros estiverem maiores que os custos, ele
pode fazer a venda no mercado futuro e dessa forma garantir uma
rentabilidade, caso contrário ele pode optar por reduzir sua produção
ou mesmo repensar o seu sistema de produção, uma vez que está
produzindo com um custo maior daquele que o mercado está disposto a
pagar.
Um outro grupo de pessoas envolvidas na negociação é o
chamado grupo de especuladores, que nada mais são do que pessoas
que têm capital e que não possuem boi ou interesse no mercado de
carne, mas entram no mercado visualizando lucro com as oscilações de
preço. Então, entram no mercado e assumem uma posição. Portanto, ao
contrário do que muitas pessoas pensam o especulador é um investidor
que aceita assumir os riscos das variações de preços com a
expectativas de lucros futuros.
O contrato futuro é comercializado em bolsa, onde, todos os dias,
pessoas credenciadas fazem um espécie de leilão de contratos para
entrega futura. No Brasil esse local é chamado de Bolsa de
Mercadorias e de Futuros -BM&F - situa-se em São Paulo, é uma
instituição sem fins lucrativos e é onde ficam sob custódia os títulos
negociados e são feitos os acertos dos ajustes, ou seja, as contas de
quem tem algo a receber ou a pagar. As pessoas credenciadas a operar
nessa instituição são os corretores.
O funcionamento desse mercado é relativamente simples, mas
exige um controle grande, pois envolve somas consideráveis de
dinheiro todos os dias. Os contratos possuem um mecanismo chamado
de ajuste diário que tem por finalidade garantir a proteção dos
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 267
interesses das partes envolvidas. O mecanismo de ajuste funciona da
seguinte forma: um produtor vende um contrato de boi no mercado
futuro para o mês de outubro de um determinado ano por US$ 20,00
por arroba. No dia seguinte o valor desse contratoeleva-se para US$
20,50, ou seja, o valor da arroba no mercado futuro valoriza US$ 0,50
então esse produtor tem que pagar US$ 0,50, pois ele fixou os preços
da sua arroba em US$ 20,00. Surge a dúvida: o produtor perdeu esse
dinheiro? No entanto, é preciso lembrar que como ele possuí as
arrobas que ele vendeu no mercado futuro e que o mercado futuro é
uma representação futura do mercado físico, o mesmo valor que ele
pagou no mercado futuro ele ganhou no mercado físico. O mecanismo
de ajuste diário existe para evitar que algumas das partes deixe de
honrar os compromissos assumidos no mercado futuro.
Na sequência as tabelas apresentam uma operação que um
produtor de boi poderia fazer no ano de 1999. Na tabela 1, o produtor
em junho entra no mercado futuro e vende 100 contratos, o equivalente
a 2000 animais de 16,5@, por US$ 25,00 /@. Os custos de produção
desse produtor é de US$ 21,00/@.
No final do período, em outubro de 1998, o preço do mercado
físico do boi sofreu retração e terminou em outubro cotado a US$
22,50. Portanto, foi um ano excelente para os produtores que fizeram
uma proteção de preços.
Tabela 1. OPERAÇÃO PARA GARANTIA DE PREÇOS - MERCADO FUTURO
Safra 1999
Produto boi gordo
Contrato Libra-peso 330.00
mercado físico mercado futuro
contratos US$/@ US$
Jun/99 confina venda(out/99) 100 25.00 825,000.00
Out/99 venda 22.50 liquidação 100 22.50 742,500.00
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte268
Na tabela 2 estão apresentados os custos que estão envolvidos na
operação.
Os principais custos estão nas corretagens e outras despesas
operacionais representadas pela taxa operacional básica que é paga à
corretora. A principal taxa cobrada é de 0,30% sobre o valor do
contrato negociado. Além desses custos com a corretora, os custo de
manutenção da bolsa são os emonumentos que é de 6,23% sobre a taxa
operacional básica e mais US$ 0,15 por contrato. No exemplo, esses
custo totalizam US$ 26,44 por contrato.
Com a finalidade de assegurar o cumprimento dos compromissos
assumidos, a bolsa exige que os participantes do mercado façam o
depósito de uma valor em dinheiro ou em títulos de alta liquidez, que
fica sob custódia da bolsa e rendem juros. No exemplo, ao invés de
fazer o depósito, o produtor adquire uma carta de crédito num banco e
faz o depósito. No mercado do boi a bolsa exige o depósito de US$
172,00 por contrato, então o produtor precisa de uma carta de crédito
de US$ 17.200,00. O custo dessa carta é de 8,5% ao ano. Como a
operação tema duração de 4 meses o pagamento é feito sobre esse
período. As despesas com carta de crédito totalizam US$ 474,14.
Tabe la 2 . Custos da Operação - Mercado Futuro
US$/contrato
Taxa Operac iona l Bás ica 0.30% 24.75
Emolumentos 6.23% 1.54
Regist ro 0.15
Tota l c / comissão 26.44
U S $
Margem (US$ 172,00/cont ) 17,200.00
Carta de crédi to
taxa de ju ros - anua l 8.50%
Per íodo em meses 4.00
cus tos da margem 474.14
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 269
Na tabela 3 estão apresentados os resultados da operação no
mercado futuro e do mercado físico.
Tabela 3. Resultados da Operação - outubro/98
US$
Receitas no Mercado Futuro 82,500.00
Custos do mercado Futuro 2,644.19
Custos da Margem 474.14
Resultado no Mercado Futuro 79,381.66
Receita c/ o produto físico 742,500.00
US$/@
Resultado 821,881.66 24.91
As receitas com o mercado futuro são as somas dos ajustes
diários do período, que no exemplo, como o valor da arroba de boi no
mercado físico teve uma redução e o valor da liquidação do mercado
futuro é o valor do mercado físico nos últimos cinco dias do mês de
outubro, o saldo foi positivo e proporcionou um receita de US$
82.500,00 para o produtor.
Os custo da operação totalizaram US$ 3.118,14, portanto os
resultados líquidos do mercado futuro foram de US$ 79.381,66. O
produtor no mercado físico vendeu seus animais e fez US$ 742.500,00.
A soma desses dois valores éUS$ 821.881,66. Com isso esse produtor
vendeu seus animais por US$ 24,91/@.
Tabela 4. Quadro Comparativo
US$/@
Custo 21.00
Rentabilidade(c/ fut.) 3.91
Rentabilidade(s/ fut.) 1.50
Rentabilidade(s/ fut.) 49,500.00
Rentab. X Produção 128,881.66
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte270
No comparativo entre fazer ou não uma operação no mercado
futuro está descrita na tabela 4. Considerando-se os custos de produção
de US$ 21,00 por arroba, no caso do produtor não fazer a operação, ele
teria uma rentabilidade de US$ 1,50 por arroba, enquanto no caso dele
fazer a operação ele terá uma rentabilidade de US$ 3,91. Deve ficar
claro ainda que a rentabilidade de US$ 3,91 já estava garantida antes
do início da operação. Na outra possibilidade o produtor poderia
apostar na alta, mas estaria claramente agindo de maneira especulativa.
Desde trabalho é importante que três pontos fiquem claros.
Primeiro deles é que o mercado futuro serve como forma de seguro de
preços para os agentes envolvidos no mercado, portanto eles garantem
que não devem sofrer perdas utilizando o mercado futuro. Segundo os
preços futuro são formados pelas expectativas do mercado. Terceira de
que os especuladores são bem vindos na medida que estão dispostos a
pagar para assumirem riscos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
LEUTHOULD R. M., JUNKUS J.C. AND CORDIER J.E. The Theory and
Pratice of Futures Markets. Lexington, Massachusetts. Lexington Books.
1989.
GERENCIAMENTO INFORMATIZADO APLICADO
À PECUÁRIA DE CORTE
Aziz G. da Silva Jr.
Professor Adjunto DER / UFV, Eng. Agrônomo, UFV; MSc Economia Rural, UFV, Dr. agr.,
Uni-Bonn.
e-mail: aziz@mail.ufv.br
1. RESUMO
Pecuaristas são forçados a aumentarem a eficiência gerencial de suas
propriedades, afim de adequarem-se às pressões do mercado consumidor.
Neste contexto, sistemas de informações são imprescindíveis. Este artigo
analisa a importância da informática na pecuária de corte, destacando a
relevância em se considerar o interrelacionamente entre propriedades rurais
e agroindústrias. Os problemas no mercado atual de informática na
agricultura são analisados e um modelo que consideramos mais adequado,
no qual zootecnistas desempenham papel essencial, é apresentado.
2. PECUÁRIA DE CORTE E O ENFOQUE DE AGRIBUSINESS
O setor de carnes no Brasil modificou-se radicalmente nas últimas
décadas. O desenvolvimento da avicultura de postura demonstrou o
potencial de crescimento do setor e o impacto de inovações tecnológicas e
gerenciais sobre a produção animal no país. A suinocultura tem evoluído na
mesma direção. A pecuária bovina, apesar de ainda não incorporar tão
rapidamente as novas tecnologias de produção e gestão, tem evoluído
significativamente, com aumento da produtividade do rebanho e
modernização de muitas empresas rurais.
Estes avanços foram resultados de mudanças no mercado
consumidor de alimentos e mudanças da própria economia. Diferentemente
da situação das décadas de 50 e 60, aonde a demanda era maior que a
oferta, a partir de meados dos anos 70, a situação se inverteu. As empresas
podiam oferecer muito mais produtos do que o mercado poderia absorver,
ou seja, a oferta é maior que a demanda. Com maior oferta e aumento da
competição entre as empresas, as exigências dos consumidores tornaram-
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte272
se maiores. Esta tendência foi acompanhada de regras mais rígidas e maior
fiscalização, principalmente nos países mais desenvolvidos.
As agroindústrias foram forçadas a aumentar a eficiência produtiva e
adequar-se à demanda, oferecendo produtos que atendessem aos desejos
do mercado consumidor. Em relação a qualidade do produto, ficou
evidente a importância da agricultura, pois a qualidade do produto
industrializado depende, em última instância, da qualidade da matéria prima.
A integração entre propriedades rurais e a indústria de transformação foi
uma resposta à pressão em relação ao aumento da eficiência e controle da
qualidade. Na avicultura e na suinocultura este processo avançou
significativamente.
A pecuária de corte é o segmento no setor de carne aonde a
integração formal entre empresas rurais eagroindústria é menos avançada.
Questões estruturais e históricas da produção neste setor dificultam esta
integração. Entretanto, a importância do relacionamento mais eficiente entre
os componentes deste complexo de produção pode ser comprovada pelos
efeitos sentidos por todos os elementos da cadeia na questão, por exemplo,
da febre aftosa. A impossibilidade de exportação em certas regiões penaliza
desde os fabricantes de ração, passando pelos produtores chegando até
aos setores de transporte e embalagem, ou seja, este problema que ocorre
em propriedades rurais diminui a rentabilidade de praticamente toda a
cadeia de produção.
O aumento das exigências dos consumidores deve ser visto não só
como mais um elemento que aumenta a complexidade da produção
agrícola, mas também como oportunidade de negócios e conquista de
mercados. O setor de carnes brasileiro está atento a estas alternativas.
Recentemente, em uma feira internacional de produtos alimentícios na
Alemanha (ANUGA) foram divulgadas informações de marketing
relacionadas à carne verde (boi produzido a pasto). Esta iniciativa busca
ocupar um segmento de mercado no qual os consumidores estão
preocupados basicamente com a qualidade do produto e o processo de
produção é mais importante, dispostos a pagar um adicional por isto.
A preocupação com a eficiência de toda a cadeia de produção
reforça a relevância do enfoque de agronegócio. Neste enfoque, as
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 273
interrelações entre os componentes de uma cadeia de produção assumem
destaque na análise. No agronegócio, ou seja, a soma da produção de
insumos, produção agrícola, transformação e distribuição ocorrem fluxos de
materiais e o de informações. A importância do primeiro fica evidente
quando utilizamos como exemplo uma grande integração. A empresa Sadia,
S. A. por exemplo, conta com cerca de 12 mil fornecedores, ficando
evidenciada a complexidade logística em adequar a entrega de matéria
prima com a produção industrial. Mesmo abatedouros regionais, no caso
da pecuária de corte, podem receber matéria prima de milhares de
produtores rurais.
A importância do fluxo de informações que ocorre no agronegócio
pode parecer, a primeira vista, de menor importância, mas é exatamente a
eficiência na troca de informações que permite alcançar níveis de eficiência
adequados nos processos produtivos e de logística.
3. IMPORTÂNCIA DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
A informação é o insumo básico para a administração de uma
empresa rural. As funções de planejamento, implementação e controle só
podem ser realizadas com eficiência se informações adequadas estiverem
disponíveis no momento oportuno. O valor de uma informação pode ser
medido pela diferença entre o resultado de uma decisão sem o resultado
com a presença de informações. Na compra de um lote de novilhas, por
exemplo, informações sobre a progênie do lote, demonstra, pelo menos
conceitualmente, a relevância de informações. Entretanto, quantificar os
benefícios de uma informação não é tarefa fácil.
Uma quantidade imensa de informações, além de representar gastos
com coleta e manipulação de dados, não garante a nenhuma empresas
sucesso nas decisões. Informações corretas e no momento oportuno são
imprescindíveis, porém não são por si só suficientes. O tomador de
decisões deve ser capaz de interrelacionar estas informações e utilizá-las no
contexto específico de cada decisão. Esta habilidade chama-se
conhecimento e é obtida basicamente através de treinamento e experiência.
Empresas modernas buscam administrar o conhecimento gerado na
organização. Para tanto, devem ser implantados sistemas de informações
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte274
eficientes em conjunto com esforços de reestruturação e treinamento na
empresa.
O desenvolvimento da informática possibilitou a implementação de
tecnologias avançadas a custo decrescentes. O armazenamento e a
manipulação de dados são cada vez mais baratos. Atualmente, qualquer
produtor rural de médio porte tem condições de armazenar e manipular
uma quantidade de dados que há três décadas atrás somente grandes
corporações com milhares de empregados tinham condições de realizar.
Outra tecnologia que disponibiliza uma quantidade imensa de informações é
a Internet. Através desta rede mundial de computadores, qualquer usuário
pode obter informações sobre todos os assuntos e de todos os lugares do
mundo, investindo pouco mais de US$ 1.000. Esta diminuição de custo
levou a um erro conceitual importante. Imagina-se muitas vezes, que a
disponibilização de informações garanta melhores decisões.
4. MERCADO BRASILEIRO DE INFORMÁTICA
O mercado brasileiro de informática reflete em grande medida a
abordagem que prioriza a disponbilização de um grande número de
informações em detrimento da qualidade das informações e principalmente
do relacionamento entre informações (conhecimento), ou seja, resolução de
problemas nas propriedades rurais.
Em relação à tecnologia de informação, a situação atual pode ser
caracterizada pela alta demanda por sistemas de informações ao mesmo
tempo que a adoção da informática é baixa e ineficiente.
As causas para esta situação são:
� desconhecimento dos benefícios da informática por parte dos
beneficiários dos sistemas
� benefícios esperados dos sistemas não obtidos
� demandas por sistemas específicos não atendidas
� difusão/comercialização de sistemas disponíveis é inadequada ou
inexistente
� falta de transparência no mercado de software
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 275
» deficiências de marketing, gerenciais e financeiras das empresas /
empreendimentos de software
A figura abaixo esquematiza o funcionamento atual do mercado
brasileiro de informática.
Software House
CLIENTES
Software
����
�»
Legenda: � desconhecimento da informática, � benefícios não obtidos, �
demandas não atendidas, � falha difusão/comercialização, � falta
de transparência mercado, » outras
Existem diversos softwares para a agricultura e em especial para a
pecuária de corte. Há esforços no sentido de disponibilizar informações
sobre tais sistemas. O guia de software do núcleo softex de Juiz de Fora
(Agrosoft) e o catálogo de software do Pólo Softex de Viçosa são alguns
exemplos neste direção. Nos endereços www.agrosoft.br e
www.ufv.br/softex informações sobre centenas de sistemas podem ser
acessadas. Estes esforços somente poderão atingir o objetivo de
disponibilizar instrumentos eficientes para produtores rurais se estiverem
integrados a projetos de treinamento e divulgação da tecnologia da
informação, de tal forma que profissionais que atuam no setor (zootecnistas,
agrônomos e veterinários) possam participar ativamente desde o
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte276
desenvolvimento do sistema, passando pela seleção e escolha de sistema,
até a manutenção e consultoria a partir dos resultados gerados.
5. ATUAÇÃO DO ZOOTECNISTA NA AGROINFORMÁTICA
A baixa e ineficiente adoção da informática no meio rural pode ser
minimizada com a implementação de um enfoque que consideramos
adequado, ou seja, a informática, ou tecnologia da informação, não se
restringe a um programa de computador. É necessário lembrar que a
disponibilização de informações é essencial, porém não é suficiente para
aumentar a eficiência do produtor rural e muito menos da cadeia de
produção como um todo.
O modelo ideal de funcionamento do mercado deve portanto, incluir
consultores e especialistas que conheçam os problemas enfrentados pelo
setor. Estes profissionais poderão preencher uma lacuna importante no
mercado. Esta é uma oportunidade de atuação profissional de grande
relevância para zootecnistas, os quais poderão agregar valor a seus
serviços.
As ações que deveriam ser desenvolvidas em conjunto por
consultores, especialista e empresas de informática são:
� divulgar benefícios da informática
� estimular integração com consultores
� viabilizar desenvolvimentos de sistemas específicos
� apoiar difusão e comercialização de sistemas
� divulgar informações sobre sistemas
» viabilizartreinamento e captar recursos para empresas
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 277
Esquematicamente esta atuação pode ser apresentada como
mostrado a seguir:
Consultores
Software House
CLIENTES
Software
Especialistas
���
 Consultoria + Informática
sistemas específicos
�� 
» Informática 
�
Legenda: � desconhecimento da informática, � benefícios não obtidos, �
demandas não atendidas, � falha difusão/comercialização, � falta
de transparência mercado, » outras
6. CONCLUSÕES
A tecnologia da informação é imprescindível no gerenciamento da
pecuária de corte. Entretanto, a eficiência da adoção da informática está
diretamente relacionada a existência de profissionais que capacitem os
produtores rurais a utilizarem as informações processadas de forma
eficiente.
Tecnologia da informação na agricultura é muito mais que um
programa de computador e só poderá se tornar um instrumento efetivo se
zootecnistas e outros profissionais das ciências agrárias participarem
ativamente do setor.
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte278
MAXIMIZAÇÃO DO USO DE TOUROS A CAMPO
José Domingos Guimarães
Departamento de Veterinária - Universidade Federal de Viçosa
e-mail: jdguima@mail.ufv.br
INTRODUÇÃO:
Segundo Coulter et al. (1991) a reprodução é 10 vezes mais
importante que o melhoramento e cinco vezes mais importante que a
melhoria de carcaça. Certamente esta afirmação dos autores se deve ao
fato de quanto maior a eficiência reprodutiva do rebanho, menor
intervalo de parição e menores índices de mortalidade até os 505 dias
de vida, melhores serão os resultados alcançados nas áreas de
melhoramento e produção.
Quando avaliamos a atividade pecuária Brasileira, esta
preocupação aumenta em virtude da mesma ser predominantemente
composta pela bovinocultura de corte, seguida da pecuária de leite.
Sendo o segundo rebanho mundial com aproximadamente
150.276.778 de animais bovinos, sendo 80,9 % destinado a produção
de carne (ANUALPEC, 1999).
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos
Criadores de Zebu, a utilização de biotecnologias tal como a
inseminação artificial, encontra-se ainda em fase de expansão, e apenas
4,6 % do rebanho corte e leite são inseminados (ANUALPEC, 1999),
sendo o restante servido por touros em regime de monta natural.
Porém, há poucos rebanhos melhoradores destinados a produção de
reprodutores, sendo capazes de produzir apenas 150.000 touros por
ano, havendo um déficit anual de 1.350.000.
Certamente, esta escassez somente será suprida a médio ou
longo prazo. Portanto a maximização dos reprodutores deixa de ser um
assunto de caracter inteiramente científico ou a pequeno grupo de
empresas rurais e passa ser primordial sua adoção no manejo
reprodutivo e produtivo como um todo.
Contudo, se faz necessário a difusão dos conhecimentos dos
fenômenos reprodutivos que acorrem do nascimento a senilidade
desses animais, não de forma genérica, mas sim para cada região em
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte280
que os mesmos são criados, visto que o Brasil é um país extremamente
extenso e bastante diversificado quanto a vegetação, clima e sistema de
manejo.
PUBERDADE E MATURIDADE SEXUAL
Provavelmente entre os processos reprodutivos, o mais
importante é a idade a puberdade, por tratar-se da fase em que todo o
trato reprodutivo sofre uma transformação estrutural em função de
iniciar-se a produção dos espermatozóides, como também os níveis
gonadais e circulatórios de hormônios masculinos mostram-se
compatíveis aos animais adultos. Da mesma forma, a idade à
puberdade dos rebanhos nas diversas regiões do Brasil nos fornece
noções conclusivas quanto a qualidade do manejo adotado para o
rebanho. Há varias definições de puberdade na literatura mundial,
onde a mesma é definida como a idade em que o animal apresenta
níveis hormonais elevados de testosterona e inicio da produção
gamética (Abdel-Raouf, 1960), desprendimento do freio peniano
(Foote, 1969), primeiros espermatozóides no lúme do epitélio
seminífero (Cardoso, 1977; França, 1987), primeiros espermatozóides
nas caudas dos epididímos ( Igboeli & Ralha, 1971) e primeiros
espermatozóides no ejaculado(Backer et al., 1955; Backer et al., 1988).
Porém, a maioria dos estudos empregam a definição de Wolf et al.
(1965), onde os autores definem a puberdade como sendo a idade em
que o animal apresenta um ejaculado com 10 % de motilidade
espermática e concentração espermática com no mínimo de 50 milhões
de espermatozóides ( Lunstra et al., 1988, Freneau, 1991, Guimarães,
1993). Tal definição tornou-se a escolhida no manejo dos animais, em
virtude de abranger todas as definições anteriores e ser facilmente
obtida por meio de coleta e avaliação de sêmen.
Diversos fatores de ambiente, tais como o manejo, nutrição,
manejo sanitário, características climáticas, influenciam de forma
marcante a idade à puberdade. Certamente, em condições de Brasil, o
fator de maior impacto sobre a puberdade é a nutrição, onde os animais
desde a desmama apresentam baixo índice de ganho de peso e
desenvolvimento somático. Outro aspecto importante a ser considerado
é grau de sangue dos animais que na maioria das vezes são animais
I Simpósio de Produção de Gado de Corte - 281
azebuados e a minoria são animais puros Bos taurus taurus ou Bos
taurus indicus.
Diversos estudos têm demonstrado idade muito avançada à
puberdade nos animais zebuínos, estando em torno de 25 a 28 meses
de idade, sendo esta muito elevada quando comparado aos taurinos (12
a 14 meses de idade), contudo, mesmo os taurinos nas condições
tropicais, também apresentam-se tardios com relação as raças taurinas
criadas nas condições de clima temperado (8 a 10 meses de idade).
Deve-se ressaltar que em rebanhos zebuínos elite, onde os animais são
criados em condições de manejo adequado, a idade à puberdade
mostra-se muito próxima dos animais taurinos criados nas condições
de trópicos, sendo relativamente comum a detecção da puberdade aos
10 meses de idade.
A curto prazo, com programas de melhoramento, será possível
alcançar idades precoces quanto a esta característica, onde diversos
programas implantados no Brasil, trazem como um dos parâmetros
reprodutivos avaliados a idade à puberdade. Guimarães (1991)
observou idade a puberdade aos 12 meses de idade em animais da raça
Gir, criados em regime semi-extensivo, idade esta semelhante aos
registros de Castro (1989) em animais da raça Nelore, criados em
regime de pastagem.
Após a fase puberal, marcada mudança quantitativa e qualitativa
ocorre no sentido de alcançar um platô, onde o potencial reprodutivo
de um touro se faz presente. Observa-se neste período, o aumento do
volume seminal, da motilidade espermática progressiva, do vigor, da
concentração espermática total e do decréscimo das patologias
espermáticas ( Almquist & Amann, 1962; Lunstra & Echternkamp,
1982; Garcia et al., 1987 e Freneau, 1991).
Já a maturidade sexual , diferentemente do fenômeno
apresentado nas fêmeas, ocorre em períodos diferentes da puberdade,
normalmente ocorrendo 16 a 20 semanas após a puberdade (Lunstra &
Echternkamp, 1982). Segundo Austin & Short (1991) a maturidade
sexual é alcançada quando o crescimento gonadal e corporal,
juntamente com níveis de testosterona e desenvolvimento sexual se
estabiliza. Contudo de forma mais aplicada, a maioria dos estudos
preconizam a maturidade sexual como a idade em que os animais
apresentam-se com características seminais de no mínimo de 50 % de
- I Simpósio de Produção de Gado de Corte282
motilidade espermática progressiva e morfologia espermática com no
máximo de 10 % de defeitos espermáticos maiores e 20 % de defeitos
espermáticos menores (Blomm, 1973; Lunstra & Echternkamp, 1982;
Garcia et al., 1987 e Freneau, 1991).
Em animais de origem taurina, a maturidade sexual é alcançada
em torno de 13 a 16 meses de idade em condições de clima temperado,
porém em condições de trópicos tal característica somente é atingida
em torno de 16 aos 20 meses de idade. (Freneau, 1991). Já, em animais
de origem indiana, os animais